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Trabalho de Geografia

Caracterização demográfica de
uma unidade territorial
NUT 3 do Oeste

Márcia Teixeira, nº15, 10ºC


As NUTS (Nomenclaturas de Unidades Territoriais para fins Estatísticos) designam
as sub-regiões estatísticas em que se divide o território dos países da União
Europeia, incluindo o território português. De acordo com o Regulamento (CE) n.º
1059/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho de 26 de Maio de 2003, relativo
à instituição de uma Nomenclatura Comum das Unidades Territoriais Estatísticas
(NUTS), estas estão subdivididas em 3 níveis: NUTS I, NUTS II e NUTS III.
A NUT I engloba Portugal Continental e os Arquipélagos dos Açores e da Madeira.
A NUT II engloba 7 sub-regiões divididas a partir da NUT I e a NUT III engloba 30
regiões cuja divisão foi obtida a partir da NUT II.
Esta é a constituição das NUTS I, II e III.

NUT I
3 Sub-regiões:

• Portugal Continental
• Região Autónoma dos Açores
• Região Autónoma da Madeira

NUTS II
7 Sub-regiões divididas a partir das NUTS I:

• Norte
• Centro
• Lisboa
• Alentejo
• Algarve
• Região Autónoma dos Açores
• Região Autónoma da Madeira

NUTS III
30 Sub-regiões divididas a partir as NUT II:

• Minho-Lima
• Cávado
• Grande Porto
• Alto Trás-os-Montes
• Douro
• Ave
• Tâmega
[2]
• Entre Douro e Vouga
• Baixo Vouga
• Baixo Mondego
• Dão-Lafões
• Serra da Estrela
• Beira Interior Norte
• Cova da Beira
• Beira Interior Sul
• Pinhal Interior Norte
• Pinhal Interior Sul
• Pinhal Litoral
• Oeste
• Médio Tejo
• Alto Alentejo
• Alentejo Central
• Lezíria do Tejo
• Grande Lisboa;
• Península de Setúbal;
• Alentejo Litoral
• Baixo Alentejo
• Algarve
• Região Autónoma dos Açores
• Região Autónoma da Madeira

[3]
O Oeste é uma sub-região estatística portuguesa, parte da Região Centro e
dividida entre o Distrito de Leiria e o Distrito de Lisboa. Limita a leste com o
Pinhal Litoral e a Lezíria do Tejo, a sul com a Grande Lisboa e a oeste e norte com
o Oceano Atlântico. Área: 2486 km². População (2001): 338 711. Compreende 12
concelhos:

• Alcobaça
• Alenquer
• Arruda dos Vinhos
• Bombarral
• Cadaval
• Caldas da Rainha
• Lourinhã
• Nazaré
• Óbidos
• Peniche
• Sobral de Monte Agraço
• Torres Vedras

[4]
No quadro abaixo representado podemos observar os valores da taxa bruta de
Natalidade da NUT 1 (Portugal), de Portugal Continental e na NUT 3 do Oeste. É
possível constatar que em 2007 o valor da taxa de natalidade da NUT 3 do Oeste
é igual á media nacional, 9,70‰.
Mas se analisarmos a nível de concelhos, a situação altera-se, apesar dos
números não se afastarem muito dessa média.
O Concelho com a maior taxa de natalidade é Arruda dos Vinhos, com 12,80‰.
Já o Bombarral é o concelho com a menor taxa de natalidade, com 7,50 ‰.
Em 2000, o concelho da NUT 3 do Oeste que tinha a maior taxa de natalidade era
a Lourinhã, com 12,30‰.
Apesar de o valor máximo da taxa de natalidade entre os concelhos da NUT 3
serem mais baixos do que nos anos seguintes, os valores mínimos eram mais
altos. O valor mais baixo da taxa de natalidade nos concelhos desta NUT 3 era
8,30‰, no Cadaval. E, enquanto que a média da NUT 3 do Oeste em 2007 era de
9,70‰, em 2000 era de 11,40, ligeiramente mais baixa do que a média nacional
da altura (11,70‰)
Podemos assim concluir que, tanto na NUT 3 do Oeste como no resto do país,
tem havido alterações a nível demográfico, mais propriamente no número de
nascimentos de cada região.
Isto provavelmente acontece porque, com o passar dos anos, a informação sobre
os métodos contraceptivos tem aumentado. Além disso, as pessoas começaram a
adoptar estilos de vida diferentes do que era “normal” antigamente. As mulheres
estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho, o que muitas vezes as
impede de tratar da vida de casa.
A isto junta-se o problema da crise que há em Portugal. Este factor é importante
pois hoje em dia é muito dispendioso educar um filho.
Por estes motivos, a população decide ter filhos cada vez mais tarde ou até
mesmo não ter filhos.
Para combater este decréscimo da taxa de natalidade, é necessário por em
prática políticas natalistas para que seja possível aumentar a taxa de natalidade
com o objectivo de inverter a tendência de duplo envelhecimento, para onde o
país caminha.
Algumas das políticas possíveis são a atribuição de subsídios aos pais para ajudar
na educação dos filhos e um aumento do valor do Abono Familiar. Também se

[5]
deviam proceder a alterações na Licença de Maternidade/Paternidade de forma a
que os pais pudessem usufruir de mais tempo com o(s) filho(s).

Período de Taxa bruta de natalidade (‰) por


referência dos Local de residência ‰
dados
2007 Portugal 9,70
Continente 9,60
Oeste 9,70
Alcobaça 8,60
Alenquer 11
Arruda dos Vinhos 12,80
Bombarral 7,50
Cadaval 8,30
Caldas da Rainha 9,20
Lourinhã 9,40
Nazaré 9,40
Óbidos 7,70
Peniche 10,40
Sobral de Monte Agraço 9,40
Torres Vedras 10,20

[6]
2000 Portugal 11,70
Continente 11,60
Oeste 11,40
Alcobaça 11,90
Alenquer 12,10
Arruda dos Vinhos 11,50
Bombarral 9,20
Cadaval 8,30
Caldas da Rainha 12
Lourinhã 12,30
Nazaré 11,40
Óbidos 9,50
Peniche 10,70
Sobral de Monte Agraço 10,90
Torres Vedras 11,40

Taxa bruta de natalidade (‰) por Local de


residência

[7]
http://www.ine.pt

Quadro extraído em 15 de Dezembro de 2008 (11:12:24)

No quadro abaixo representado, podemos observar os valores da taxa bruta de


mortalidade na NUT 1 (Portugal), de Portugal Continental e da NUT 3 do Oeste. É
possível constatar que, em 2007, o valor da taxa de mortalidade da NUT 3 do
Oeste (10,80‰) é superior á média nacional (9,80‰).
Se analisarmos estes valores a nível de concelhos é possível verificar que alguns
valores se afastam ligeiramente da média nacional.
O concelho que, em 2007, apresenta a maior taxa de mortalidade é o Bombarral
com 13,30‰. Já Alenquer é o concelho onde se verifica uma menor taxa de
mortalidade, (9,70‰) esta também ligeiramente inferior á média nacional.
Em 2000, a taxa bruta de mortalidade era de 10,30‰. Na NUT 3 do Oeste
registou-se uma taxa de mortalidade de 11,60‰ e, dentro desta NUT, Sobral de
Monte Agraço foi o concelho que registou a maior taxa de mortalidade (15,10‰).
Peniche e Caldas da Rainha foram os concelhos que registaram a taxa de
mortalidade mais baixa da NUT 3 do Oeste, 10,10‰.
Este quadro permite-nos verificar que, de 2000 a 2007, a taxa de mortalidade
tem apresentado decréscimos nos seus valores e é também possível verificar que
em Portugal, estão a ocorrer alterações a nível demográfico, mais propriamente
no número de óbitos registados em cada região.

Isto provavelmente acontece porque, á medida que a sociedade evolui, os


cuidados de saúde vão melhorando permitindo assim uma descida da taxa de
mortalidade em Portugal. Esta diminuição da taxa de mortalidade leva a um
aumento da esperança média de vida. Como já foi referido anteriormente, a taxa
de natalidade também se encontra a diminuir.

[8]
Se esta tendência persistir, Portugal pode tornar-se num país envelhecido sem
possibilidade de fazer a renovação de gerações. Assim sendo, podemos vir a
assistir a um duplo envelhecimento do país visto que a taxa de natalidade
diminui tal como a taxa de mortalidade. Esta situação terá consequências
negativas tanto a nível social como a nível económico.

(Exposição e explicação das consequências socioeconómicas do duplo processo


de envelhecimento – pág.12)

[9]
Período de referência dos Taxa bruta de mortalidade (‰)
dados por Local de residência ‰

2007 Portugal PT 9,80


Continente 1 9,80
Oeste 16B 10,80
Alcobaça 16B100 11
1
Alenquer 16B110 9,70
1
Arruda dos Vinhos 16B110 11,40
2
Bombarral 16B100 13,30
5
Cadaval 16B110 13,10
4
Caldas da Rainha 16B100 10,10
6
Lourinhã 16B110 11
8
Nazaré 16B101 12,50
1
Óbidos 16B101 13
2
Peniche 16B101 10,80
4
Sobral de Monte 16B111 12,70
Agraço 2
Torres Vedras 16B111 10
3

2000 Portugal PT 10,30


Continente 1 10,30
Oeste 16B 11,60
Alcobaça 16B100 12
1
Alenquer 16B110 12,50
1
Arruda dos Vinhos 16B110 11,40
2
Bombarral 16B100 12,30
5
Cadaval 16B110 14,50
4
Caldas da Rainha 16B100 10,10
6
Lourinhã 16B110 11,80
8
Nazaré 16B101 12,60
[10]
1
Óbidos 16B101 12,70
2
Peniche 16B101 10,10
4
Sobral de Monte 16B111 15,10
Agraço 2
Torres Vedras 16B111 11,10
3

Taxa bruta de mortalidade (‰) por Local de


residência

http://www.ine.pt

Quadro extraído em 15 de Dezembro de 2008


(11:12:24)

[11]
O Crescimento Efectivo é a soma do Crescimento Natural – Diferença entre a
natalidade e a mortalidade que se verifica numa dada área e num determinado
período de tempo, geralmente um ano – com o saldo migratório – Diferença entre
o número de entradas e saídas por migração, internacional ou interna, para um
determinado país ou região num determinado período de tempo, normalmente
um ano.
No quadro abaixo representado podemos verificar que em 2000, a taxa de
crescimento efectivo na NUT 3 do Oeste (0,92%) era superior á média nacional,
cujo valor era de 0,60%.
Nesta NUT 3, apenas dois concelhos tinham um crescimento efectivo negativo,
Nazaré
(-0,42%) e Óbidos (-0,08%).

Para se ter um crescimento efectivo negativo, são necessárias as seguintes


condições:

• Crescimento Natural e Saldo Migratório negativos;


• Crescimento Natural positivo e Saldo Migratório negativo, mas o valor
absoluto do Saldo Migratório superior ao Crescimento Natural;
• Crescimento Natural negativo e Saldo Migratório positivo, mas valor
absoluto do Crescimento Natural superior ao Saldo Migratório;
• Se um dos indicadores for negativo e o outro nulo. Por exemplo: CN= 0 e
SM= -5

Os restantes concelhos apresentam valores positivos, em que Alcobaça é o único


concelho em que o valor é inferior á média nacional (0,32%). Com a taxa de
crescimento efectivo mais alta, estava Sobral de Monte Agraço com 2,49%.

Para se ter um crescimento efectivo positivo, são necessárias as seguintes


condições:

• Crescimento Natural e Saldo Migratório positivos;


• Crescimento Natural positivo e Saldo Migratório negativo, mas o valor
absoluto do Crescimento Natural superior ao Saldo Migratório;
• Crescimento Natural negativo e Saldo Migratório positivo, mas o valor
absoluto do Saldo Migratório superior ao Crescimento Natural;
• Se um dos indicadores for negativo e o outro nulo. Por exemplo: CN= 0 e
SM= 5

Podemos também verificar no quadro abaixo representado que, em 2007, houve


uma descida acentuada na média nacional da taxa de crescimento natural em
relação ao ano de 2000.
Apesar disso, é possível observar que os valores absolutos das taxas de
crescimento natural subiram em alguns concelhos e apenas o concelho da
Nazaré, apesar da subida, manteve um valor negativo.

[13]
Nenhum dos concelhos apresentou um crescimento efectivo nulo. Para tal, são
necessárias as seguintes condições:

• Crescimento Natural positivo e Saldo Migratório negativo, mas os valores


absolutos iguais. Por exemplo: CN= 5, SM= -5;
• Valores do Crescimento Natural e do Saldo Migratório nulos;
• Crescimento Natural negativo e Saldo Migratório positivo, mas os valores
absolutos iguais. (Inverso da 1ª situação).

[14]
Período de referência dos Taxa de crescimento efectivo
dados (%) por Local de residência

2007 Portugal PT 0,17


Continente 1 0,16
Oeste 16B 0,69
Alcobaça 16B100 0,08
1
Alenquer 16B110 1,98
1
Arruda dos Vinhos 16B110 2,25
2
Bombarral 16B100 0,01
5
Cadaval 16B110 0,48
4
Caldas da Rainha 16B100 0,60
6
Lourinhã 16B110 0,87
8
Nazaré 16B101 -0,82
1
Óbidos 16B101 0,27
2
Peniche 16B101 0,37
4
Sobral de Monte 16B111 1,57
Agraço 2
Torres Vedras 16B111 0,66
3

2000 Portugal PT 0,60


Continente 1 0,64
Oeste 16B 0,92
Alcobaça 16B100 0,32
1
Alenquer 16B110 1,92
1
Arruda dos Vinhos 16B110 1,85
2
Bombarral 16B100 0,72
5
Cadaval 16B110 0,68
4
Caldas da Rainha 16B100 1,35
6
Lourinhã 16B110 1,08
8
Nazaré 16B101 -0,42
[15]
1
Óbidos 16B101 -0,08
2
Peniche 16B101 0,65
4
Sobral de Monte 16B111 2,49
Agraço 2
Torres Vedras 16B111 0,81
3

Taxa de crescimento efectivo (%) por Local de


residência
http://www.ine.pt

Quadro extraído em 15 de Dezembro de 2008 (11:12:24)

[16]
Consequências socioeconómicas do duplo processo de envelhecimento:

O duplo processo de envelhecimento consiste na diminuição da taxa de


natalidade, um decréscimo da taxa de mortalidade e um aumento da
longevidade.
Como é possível constatar nos dados do INE de 2000, a taxa de natalidade tem
estado a diminuir ao passo que a esperança media de vida aumenta. É também
possível observar uma diminuição da percentagem de jovens e um aumento da
percentagem de idosos, esta que já ultrapassa a percentagem de idosos.

Esta situação tem consequências socioeconómicas como a falência da segurança


social, devido á falta de impostos pois com o seguimento desta tendência, a
população activa diminui. Com população activa insuficiente, não é possível
compensar os gastos inerentes á população dependente (jovens e idosos).
Gastos estes que englobam os abonos familiares, educação (subsídios escolares,
transportes), saúde (vacinas, exames médicos, comparticipação nos
medicamentos), infra-estruturas sociais (escolas, infantários, ATL, centros de dia,
lares), infra-estruturas desportivas (piscinas municipais, parques das cidades),
infra-estruturas de lazer (teatros, salas de espectáculos, associações recreativas),
etc.
Outra consequência deste duplo envelhecimento é o desmoronamento das
relações sociais, que leva á marginalização, exclusão e por vezes, abandono da
população idosa.
A falta de empreendedorismo, iniciativa e dinamismo económico, por não haver
jovens com espírito e capacidade de proporem ideias para novos negócios e
investimentos, a rejeição e menosprezo da experiência de vida dos idosos e a
probabilidade do aumento da idade da reforma são também possíveis
consequências do duplo processo de envelhecimento.

[17]