Tô bege com essa batida!

Srta Deka

Obs.: Música: Berimbau Metalizado.

Cantora: Ivete Sangalo.

No tempo das cavernas, depois da descoberta do fogo aconteceu uma descoberta ainda maior – não, não foi a roda – foi a música. Todos os jovens pré-históricos estavam fascinados pela invenção, o que deixava os adultos loucos por causa de tanta cantoria. Na casa de Frida Rocha não era diferente. Seus filhos só pensavam em música. Brutus tinha aprendido a tocar tambor e sua filha Julita vivia correndo atrás de uma banda chamada Paul e os Dinorex, o único que ainda não tinha sido influenciado era o caçula, Marius. --- Julita! Você já tirou a pele de mamute do varal? --- JÁ MÃE! --- Já catou os piolhos da cabeça do teu irmão? --- JÁ MÃE! --- Então vem aqui me ajudar a lustrar os porretes de caça do teu pai. Julita entra na sala cantando e dançando: “Tá tá tá, tá arrastando toda a massa/ Tá tá tá, tá balançando o chão da praça/ Tá tá tá, tá todo mundo arrepiado/ Curtindo o som do berimbau metalizado”. Dona Frida ia perguntar se esse era o novo hit do Paul e os Dinorex mas quando se virou levou um susto. --- Que roupa é essa Julita? --- É o meu modelito pro show da Cavernete Sangalo. --- Quem? --- Ai mãe. A senhora não conhece? Tô bege. A Cavernete Sangalo é a maior cantora do pedaço desse as últimas 4 luas. --- Eu pensei que você fosse – como você mesma diz – SUPER fã do Paul e os Dinorex. --- O Paul é um tigrinho mas é impossível ficar parada quando ela começa a cantar: “Que som é esse mano que o povo tá dançando/ Que vem de lá pra cá?/ É um som diferente/ Que alucina a gente, faz dançar/ É uma mistura de tambor, violino e agogô que não deixa ninguém parado/ Lá no fundo tá rolando o som que vem

empurrando é o berimbau metalizado/ Tá tá tá, tá arrastando toda a massa/ Tá tá tá, tá balançando o chão da praça/ Tá tá tá, tá todo mundo arrepiado/ Curtindo o som do berimbau metalizado”. --- Pode parar senão essa música vai acabar grudando na minha cabeça. --- Impossível não ficar com a música na cabeça, ela é incrível. “Que som é esse mano que o povo tá dançando/ Que vem de lá pra cá?...” --- Parou! Já basta eu ter que fazer equilibrismo para poder passar por todas aquelas lembranças dos shows do Paul no seu quarto, não quero essa música aqui em casa principalmente se você for usar essas vestimentas. --- Ai mãe, deixa de ser careta. Nós estamos em pleno ano de invenção da roda. --- Tenha modos mocinha. Só por causa desse comentário você está de castigo. Já pro seu quarto! --- Mas... mas... – Julita foi furiosa pro quarto. Se já tivessem inventado a porta com certeza ela a teria batido.

*** Um pouco antes do show, Anita Petra, prima de Julita, foi buscá-la em casa. --- Pára tudo! Você não vai pro show com esse enfeite de osso no cabelo. Vai? --- Eu não vou. Estou de castigo. --- Não acredito. Por que? --- Só por causa do meu micro vestido de pele de mastodonte e por que eu tava cantando “Que som é esse mano que o povo tá dançando/ Que vem de lá pra cá?...” --- Fala sério. Só por causa disso? Tem horas que a sua mãe age como se fosse uma mulher dos tempos em que não existia fogo. --- Não se preocupa amiga, eu tive uma idéia.

*** Os pais de Julita estavam na varanda de casa observando as estrelas. --- Oi tio, oi tia, não tá uma noite linda? --- Nem vem Anita, a sua prima tá de castigo. --- O que ela fez querida? – perguntou o pai de Anita. --- Você já viu a roupa que ela tá vestindo? E ela não para de cantar “Que som é esse mano que o povo tá dançando/ Que vem de lá pra cá?...” Eu não aguento mais.

--- É a nova música da Cavernete Sangalo. --- VOCÊ conhece? – perguntam em coro. --- Claro, todo mundo vem cantando junto depois de um dia de caçada. --- Não acredito, era só o que me faltava. Até o meu marido! Nesse momento chegam Marius e Brutus tocando tambor “Que som é esse mano que o povo tá dançando/ Que vem de lá pra cá?...” --- Boa noite família. O que vocês acharam do novo hit da Cavernete Sangalo? – pergunta o pequeno Marius. Todos caem na gargalhada. --- É tia, não tem pra onde fugir. Todo mundo é fã da Cavernete. Por que a senhora não deixa de birra e vem pro show com a gente? Eu tenho ingressos extras. --- Tá bem, tá bem. Fui vencida. Me esperem um instante que eu vou me arrumar. --- Tá bom. Enquanto isso a gente vai se aquecendo pro show. Todos juntos: “Que som é esse mano que o povo tá dançando/ Que vem de lá pra cá?/ É um som diferente/ Que alucina a gente, faz dançar/ É uma mistura de tambor, violino e agogô que não deixa ninguém parado/ Lá no fundo tá rolando o som que vem empurrando é o berimbau metalizado/ Tá tá tá, tá arrastando toda a massa/ Tá tá tá, tá balançando o chão da praça/ Tá tá tá, tá todo mundo arrepiado/ Curtindo o som do berimbau metalizado”.

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