MODELAGEM NO ENSINO MÉDIO: CUBAGEM DE

MADEIRA
Universidade Federal de Uberlândia
Faculdade de Matemática
Lóren Grace Kellen Maia Amorim Mariana Martins Pereira Rosana Sueli da Motta Jafelice
loren_wesley@yahoo.com.br maguianna@yahoo.com.br rmotta@ufu.br
INTRODUÇÃO
Este trabalho mostra a utilização da modelagem no ensino médio (Modelação no
ensino), procurando mostrar uma aplicação da matemática no cotidiano. O texto
descreve algumas etapas da modelagem e um método desenvolvido para mostrar a
validade do método de cubagem utilizado pelo madeireiro e apresenta também uma
atividade que tem por objetivo auxiliar o professor no processo de ensino aprendizagem
de como ajudar o aluno na construção do conhecimento em relação ao volume do cone.
A intenção, quando procuramos compreender o método de cubagem da madeira
utilizado pelo madeireiro exibido em (BIEMBENGUT, 2003) é proporcionar ao aluno
um ambiente diferente para que o mesmo desenvolva sua aprendizagem de forma
compreensiva e significativa. O desenvolvimento deste projeto que fora intitulado
“Modelagem no ensino médio: Cubagem de Madeira” propiciou um espaço de
aprendizagem em Geometria Espacial.
Nesse trabalho trataremos do relato da experiência e dificuldades de elaboração
do referido projeto, bem como, da reflexão sobre os saberes movimentados e os
desdobramentos decorrente destes.
Para a realização do projeto o desafio era o de elaborar uma proposta de uma
atividade para alunos do ensino médio, envolvendo o ensino de Matemática através da
modelagem. Muito tempo foi necessário para se chegar à decisão de que havia no grupo
o desejo e a necessidade de desenvolver algo que pudesse ser trabalhado com o aluno,
deste nível de ensino, de maneira fácil, prática e prazerosa. A utilização da informática
se despontou como propício para explorar os conceitos de “Geometria Plana e Espacial”
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 301
e, além disso, despertar o interesse dos alunos. Acreditava-se que este conteúdo abriria
um leque enorme de possibilidades para a realização de um trabalho interessante e
estimulador. Mas que material seria esse? Após a dedicação de várias horas discutindo e
realizando leituras e pesquisas, em diferentes textos e sites, optou-se pela construção de
uma atividade de ensino no ambiente computacional na tentativa de tornar real à
proposta imaginada.
Pensávamos que compreender a modelagem do método de cubagem utilizado
pelo madeireiro e a construção da atividade de ensino no ambiente computacional seria
fácil, porém quando começamos a desenvolver o trabalho, tivemos algumas surpresas,
pois não foi tão trivial perceber a matemática utilizada na abordagem de
(BIEMBENGUT, 2003) e nem na construção da atividade. Durante a elaboração da
mesma descobrimos o quanto é importante o professor desenvolver uma atividade antes
de propô-la a seus alunos, pois assim poderá identificar e entender que conteúdo
Matemático é possível ser explorado, e quando os alunos indagá-lo o professor não será
pego de surpresa.
Outro ponto relevante na produção da apresentação se relaciona a descoberta,
durante a preparação, sobre os vários conteúdos de Matemática possíveis de serem
explorados além daqueles pensados inicialmente. A idéia inicial proposta evidenciava
apenas o volume do cone, do cilindro e do prisma. Entretanto, a experiência nos levou a
descobrir que outros conteúdos estavam relacionados e poderiam ser também
explorados, tais como: perímetro, área, semelhança de triângulo.

Modelos Matemáticos e Situações Problemas Envolvendo Modelagem Matemática
Para (BASSANEZI, 2004), a Modelagem Matemática de uma situação problema
real deve seguir uma seqüência de etapas visualizadas na Figura 1.
302 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
Figura 1 (BASSANEZI, 2000, p.27)
Na Figura 1 as setas contínuas indicam a primeira aproximação. A busca de um
modelo matemático que melhor descreva o problema estudado torna o processo
dinâmico, indicado pelas setas pontilhadas.
1. Experimentação: É uma atividade essencialmente laboratorial onde se processa
a obtenção de dados;
2. Abstração: É o procedimento que deve levar à formulação dos Modelos
Matemáticos;
3. Resolução: O modelo matemático é obtido quando se substitui a linguagem
natural das hipóteses por uma linguagem matemática coerente – é como num
dicionário, a linguagem matemática admite “sinônimos” que traduzem os
diferentes graus de sofisticação da linguagem natural;
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 303
4. Validação: É o processo de aceitação ou não do modelo proposto. Nesta etapa,
os modelos, juntamente com as hipóteses que lhes são atribuídas, devem ser
testados em confronto com os dados empíricos, comparando suas soluções e
previsões com os valores obtidos no sistema real. O grau de aproximação
desejado destas previsões será o fator preponderante para validação;
5. Modificação: Alguns fatores ligados ao problema original podem provocar a
rejeição ou aceitação dos modelos. Quando os modelos são obtidos
considerando simplificações e idealizações da realidade, suas soluções
geralmente não conduzem às previsões corretas e definitivas, pois o
aprofundamento da teoria implica na reformulação dos modelos. Nenhum
modelo deve ser considerado definitivo, podendo sempre ser melhorado, poder-
se-ia dizer que um bom modelo é aquele que propicia a formulação de novos
modelos, sendo esta reformulação dos modelos uma das partes fundamentais do
processo de modelagem.

Genericamente, (BIEMBENGUT; HEIN, 2005), apresentam o modelo de
Modelagem Matemática, Figura 2, no qual matemática e realidade são dois conjuntos
disjuntos e a modelagem é o meio de fazê-los interagir.
Figura 2 (BIEMBENGUT; HEIN, 2005, p. 13)
Essa interação, que permite representar um fenômeno através da linguagem
matemática (modelo matemático), envolve uma série de procedimentos, que podem ser
agrupados em três etapas, subdivididas em seis subetapas, a saber:
304 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
a) Interação
- Reconhecimento da situação-problema;
- Familiarização com o assunto a ser modelado referencial teórico.
b) Matematização
- Formulação do problema hipóteses;
- Resolução do problema em termos do modelo;
c) Modelo matemático
- Interpretação da solução;
- Validação do modelo avaliação.
Se o modelo não atender às necessidades que o geraram, o processo deve ser
retomado na segunda etapa – Matematização – mudando-se ou ajustando hipóteses,
variáveis, etc. Veja a Figura 3:
Figura 3 (BIEMBENGUT; HEIN, 2005, p. 15)
É importante ao concluir o modelo, a elaboração de um relatório que registre todas
as fases do desenvolvimento, a fim de propiciar seu uso de forma adequada
(BIEMBENGUT,1999).
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 305
COMPREENDENDO O PROCESSO DE CUBAGEM DE MADEIRA
O nosso intuito ao realizar este trabalho foi o de utilizar a modelagem como
meio de auxiliar no processo de ensino-aprendizagem. Também consideramos a
oportunidade de discutir por meio deste projeto a possibilidade real do professor deixar
um pouco de lado o quadro negro e as fórmulas, atuando como mediador para que o
aluno construa o seu conhecimento a partir das aplicações e manuseio do material.
Abaixo descrevemos a modelagem do método de cubagem da madeira de forma
a explanar toda matemática utilizada, os objetivos do objeto de aprendizagem proposto
e os procedimentos em cada etapa do trabalho.
Segue abaixo o método de cubagem utilizado pelo madeireiro segundo
(BIEMBENGUT, 2003).
Segundo o madeireiro, o procedimento para calcular a metragem cúbica de
madeira ou tábua que obterá do tronco de uma árvore após o corte é o seguinte:
a) primeiro, estima o ponto central do tronco da árvore;
b) com um cordel (barbante), a partir desse ponto, encontra o perímetro do
tronco (circunferência);
c) a seguir, dobra o cordel (relativo ao perímetro encontrado) em quatro partes
iguais 2π r = 4l.
2π r = 4l ¬l = π r/2
d) num ato contínuo, eleva ao quadrado a medida desse quarto da circunferência;
306 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
e) e, finalmente, multiplica o valor desse quarto cordel ao quadrado, pela medida
da altura da árvore obtendo, então, o volume ou o número de m³ da madeira.
Qual a validade do método do madeireiro?
Nesse processo, o madeireiro "aproxima" primeiro o tronco (de cone) a um
cilindro. Essa aproximação se dará como perímetro, a média entre os perímetros das
bases menor e maior do tronco.
Posteriormente, efetua o cálculo do volume de um prisma de base quadrada.
Com isso, a diferença entre os volumes é significativa. Vejamos por quê:
 ao dividir o cordel em quatro partes e elevá-lo ao quadrado, o madeireiro calcula
a área de um quadrado, ou seja, “transforma” o círculo em um quadrado.
Embora os perímetros sejam iguais, as áreas são diferentes.

 ao multiplicar a área (Aq) pela altura (h), determina o volume de um prisma e
não de um cilindro. A razão é de

4
.
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 307
Nesse caso, o volume obtido pelo método do madeireiro é menor do que o
volume do tronco. Isto porque o volume do cilindro é igual a π/4 do volume do prisma.
Outro fato interessante é que o corte para a obtenção de tábuas, nessa madeireira,
era feita de forma hexagonal. Isto é, cortava-se uma tábua e, em seguida, girava-se o
tronco em um ângulo (aproximadamente) de 60° , seguindo o processo até não ser mais
possível retirar tábuas.
Por esse processo, o volume de um prisma hexagonal é
Se compararmos os volumes, veremos que:
Volume do cilindro > volume do prisma hexagonal > volume do prisma
quadrangular.
Numa análise superficial, observamos que o madeireiro "paga" pelo tronco,
como se fosse um prisma de base quadrangular, corta-o como um prisma de base
hexagonal e "ganha" efetuando seus cálculos a partir do cilindro, pois o tronco é
transformado em madeira e lenha.
Nesse momento poderá ser abordado os seguintes volumes:
h L × ×
|
|
.
|

\
|
²
2
3 3
308 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
Volume do prisma: O volume de um prisma é dado por
V(prisma) = A(base).h
Volume do cilindro: Em um cilindro, o volume é dado pelo produto da área da
base pela altura.
V = A(base). h
Se a base é um círculo de raio r, então:
V = t r² h
Volume do cone: O volume do cone é obtido por 1/3 do produto da área da base
pela altura, então:
V = (1/3) tr³
Volume do tronco de um cone: O volume de um tronco de cone reto é igual à
diferença entre os volumes do cone (maior) e do cone (menor), isto é:
Matematizando com dados numéricos
Vamos tomar a medida de uma árvore de eucalipto e passar ao cálculo do
volume, supondo que o tronco de eucalipto seja "aproximadamente" um tronco de um
cone reto. Fazendo:
raio maior ( R ) = 0,30 m; raio menor ( r ) = 0,25 m; altura ( h ) = 4,8 m
1) O volume de um tronco de cone reto é igual à diferença entre os volumes
do cone (maior) de altura (4,8 m + x) e do cone (menor) de altura x, isto é:
Substituindo os valores dos raios, temos:
( ) h r H R V V V V
t c C t
× ÷ × = ¬ ÷ = ² ²
3

( ) h r H R V V V V
t c C t
× ÷ × = ¬ ÷ = ² ²
3

( ) | | ( ) ( )
3
432 , 0 0275 , 0
3
² 25 , 0 8 , 4 ² 30 , 0 +
=
÷ +
=
x x x
V
t
  
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 309
Uma vez que os triângulos ABC e ADE são semelhantes podemos obter o valor de x,
por:
Portanto, o volume do tronco (V):
V~ 0,364t ~ 1,143m³
2) Tomando a tora como cilindro, o volume (V2)
3) Obtendo o volume de um prisma hexagonal, por ser este o processo de corte
do tronco.
Um hexágono regular de (lado L ) é composto por seis triângulos eqüiláteros.
Calculando a área de um triângulo eqüilátero.
24
8 , 4
25 , 0
3 , 0
= ÷
+
= ÷
+
= x
x
x
x
x h
r
R
( )
( ) ³ 140 , 1 ³ 363 , 0
8 , 4 ² 275 , 0
²
2
2
m m V
V
h r V
~ ~
=
=



310 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
Como a altura do triângulo eqüilátero é h =
Seja A
t
a área do triângulo eqüilátero e AH área do hexágono
Assim, o volume do prisma hexagonal (V3) será:
Pelo método do madeireiro, temos:
Considerando que o raio na metade do tronco seja a média entre os raios inferior
e superior, temos que:
Comparando os volumes, observamos:
V1 > V2 > V3 > V4
1,143 > 1,140 > 0,94 > 0,896 m³
Numa análise superficial, poderíamos dizer que:
a) o madeireiro compra o tronco de árvore por 0,896m³;
,
2
3 L
²
2
3 3
4
3 ²
6
4
3 ²
2
3
2
L
L
A
L
L
L
A
H
t
= × =
= =
( ) ( ) ³ 94 , 0 8 , 4 ² 275 , 0
2
3 3
²
2
3 3
3
3
m V
h L V
~ =
=
h
ncia circunferê
V ×
|
.
|

\
|
=
2
4
4
( )
( ) ³ 896 , 0 ³ ² 09075 , 0 8 , 4
4
55 , 0
55 , 0
2
25 , 0 30 , 0
2
2
2
2
4
m m V
m
r R
ncia circunferê
~ = ×
(
¸
(

¸

=
=
|
.
|

\
|
+
=
+
=


  
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 311
b) tem um aproveitamento em madeira de 0,943m³ e,
c) ao aproveitar a casca, obtém também mais
Vcasca = Vc - VH = 1,140 – 0,943 = 0,197m³
Comparando (b) e (a)
Comparando (c) e (a)
Ou seja, aparentemente há uma diferença não "contabilizada" de 5,25% de
madeira ou de 21,9% ao se considerar, também, a casca. Esse cálculo leva-nos a pensar,
num primeiro momento, que o método do madeireiro não vale.
Analisemos como é feito o corte das tábuas.
A cada tábua cortada, a lâmina da serra transforma cerca de 1 cm de espessura da
madeira em pó. Supondo que a espessura de cada tábua seja 2,5 cm. Em volume de pó,
corresponde aproximadamente a 48 prismas de 1 cm de espessura; 4,8 m de
comprimento e largura variando, mais ou menos, entre 24,6 cm e 4,3 cm.
Observe a Figura 4:
% 25 , 5 0525 , 0
896 , 0
047 , 0
896 , 0
896 , 0 943 , 0
¬ = =
÷
% 23 , 27 2723 , 0
896 , 0
244 , 0
896 , 0
896 , 0 140 , 1
¬ = =
÷
312 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
Figura 4
Temos que L = 27,5 cm (média dos raios)
A tábua tem 2,5 cm de espessura, encontrando a altura do triângulo eqüilátero
teremos:
Como a espessura é 2,5cm teremos:
Assim, 2x = 24,6 cm
Logo a primeira tábua a ser cortada terá a largura de 24,6cm.
Observe o triângulo vermelho, Figura 5:

Figura 5
Encontrando k (espessura de cada tábua), temos que:
81 , 23
2
5 , 27
) 5 , 27 (
2
2 2
=
|
.
|

\
|
÷ = h
3 , 12
31 , 21 81 , 23
2
5 , 27
= ¬ = x
x
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 313

Agora vamos calcular a quantidade de tábuas (n) que poderão ser retiradas na
base menor, cujo raio é de 25 cm.
Temos um triângulo eqüilátero de lados 25 cm, logo a sua altura será de:
L = 21,65 cm.
Assim teremos que n = 21,65/2,5 ~ 8
Logo, podemos retirar 8 tábuas de cada prisma.
Encontrando a menor largura do prisma
4 , 4
81 , 3
81 , 23 5 , 27
~ ÷ = x
x
Portanto a largura das tábuas irá variar entre 24,6cm e 4,4cm.
Ou seja, a largura depende do número de tábuas.
L= 27,5 – 2,89n
onde n é o número de tábuas tiradas.
O volume de pó entre duas tábuas em cm³:
Ou seja, a largura depende do número de tábuas.
L= 27,5 – 2,89n
onde n é o número de tábuas tiradas.
O volume de pó entre duas tábuas em cm³:
( ) 89 , 2 ) 45 , 1 ( 5 , 2
2
2
2
= ÷ + = k k
( )
¿ ¿
= ÷ × =
=
³ 55660 89 , 2 5 , 27 ² 480
8
1
cm n cm Vi
i
314 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
Considerando que o corte da madeira é feito girando o tronco, o volume de pó de
serra será aproximadamente:
V(pó) = 6 X (55660) = 333964,8 cm³ = 0,33 m³
Comparando:
1,140 m³ (madeira mais casca) - 0,33 m³ (pó) = 0,81 m³ (volume de madeira)
Em percentagem, representa aproximadamente
Segundo o madeireiro, a perda é em torno de 20%.
Tomando o valor determinado pelo cálculo de volume feito pelo método do
madeireiro e subtraindo do valor "real":
1,140 m³ - 0,896 m³ = 0,244 m³ de perda
O que representa, em percentual:
Ou seja, uma perda em torno de 21%.
Concluímos que é válido o método de cubagem de madeira do madeireiro, e a
experiência mostra que é um modelo matemático, pois "aproxima" o tronco de cone (no
caso da árvore) a um prisma de base quadrada para saber o volume ou o número de
metros cúbicos de tábuas que conseguirá obter de uma árvore.
ATIVIDADE
Diante da grande dificuldade dos alunos em compreender a Matemática e, além
disso, a concepção de muitos alunos de diferentes níveis como sendo esta área um
% 9 , 28
140 , 1
100 33 , 0
=
×
% 4 , 21
140 , 1
100 244 , 0
=
×
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 315
‘bicho-de-sete-cabeças’, consideramos interessante que o aluno tenha a oportunidade de
aprender interagindo e refletindo, evitando assim, um aprender mecânico, repetitivo e
aquele fazer sem saber o que faz e por que faz. Nesse sentido, optamos por desenvolver
um trabalho sobre o uso da modelagem e da informática, por acreditarmos que com essa
ferramenta as aulas de Matemática poderão ser mais interativas, despertando a
curiosidade, a criatividade e estimulando os alunos a fazerem perguntas.
Atividade 1: Nessa atividade o aluno irá escolher um cone, no qual um está
cheio de areia e o outro cheio de água, em seguida irá movimentar o cone até o cilindro,
esse processo será feito três vezes, se o aluno colocar menos de três o cilindro ficará
vazio se passar de três o conteúdo escolhido transbordará.
O objetivo dessa atividade é que o aluno compreenda como encontrar o volume
de um cone sabendo o volume do cilindro.
Atividade 2: Nessa atividade o aluno irá escolher uma altura, na tela aparecerá
uma serra elétrica que irá cortar o cone em uma certa altura. Depois do corte teremos
um cone menor e um tronco de cone.
Em seguida o cone e o tronco de cone irão encher então os alunos terão que
colocar o conteúdo no cone maior.
O objetivo dessa atividade é que o aluno compreenda como encontrar o volume
do tronco de cone.
316 FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007
Atividade 3: Nessa atividade teremos a simulação do corte de uma árvore
quando o aluno passar o mouse sobre a tora no chão aparecerá o ponto médio entre a
base maior e a base menor. Em seguida teremos um barbante que contorna a tora
exatamente nesse ponto.
O aluno nesse momento terá que arrastar o barbante e escolher em quantos
pedaços esse se divide.
 Se a escolha for três ele perceberá com animação que o volume ocupado
pelo prisma de base triangular é bem menor que o volume do tronco.
 Se a escolha for quatro ele perceberá com animação que o volume
ocupado pelo prisma quadrangular é menor que o volume do tronco,
porém maior que o volume do prisma de base triangular.
 Se a escolha for seis ele perceberá com animação que o volume do
prisma de base hexagonal será maior que o volume do tronco.
FAMAT em Revista - Número 09 - Outubro de 2007 317
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência relatada neste texto nos mostrou evidências da possibilidade real
de oferecer aos alunos do ensino médio uma aula mais dinâmica, em que os mesmos
participam ativamente de todo o processo de construção do conhecimento. Além disso,
se sobressaíram nessa caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional, a
possibilidade e a vantagem da utilização da modelagem para proporcionar aulas de
Matemáticas mais interativas, que despertam curiosidades e estimulam os alunos a
fazerem perguntas, descobrirem semelhanças / diferenças, criarem hipóteses e chegarem
às próprias soluções.
Pensamos que o projeto em si tem suas potencialidades, mas se não houver a
mediação do professor a modelagem e a atividade de ensino no ambiente
computacional, por si só, não contribuirá para o processo de ensino-aprendizagem. Para
finalizar, acreditamos que o professor, com a mediação adequada, poderá explorar
diversos conceitos de matemática no método de cubagem a madeira.
BIBLIOGRAFIA
BIEMBENGUT, M. S. Modelagem Matemática no ensino / Maria Sallet Biembengut,
Nelson Hein. – 3ª ed. – São Paulo: Contexto, 2003.
FREITAS, M.T.M .A escrita no processo de formação contínua do professor de
Matemática. 2006. 299f. Tese (Doutorado em Educação: Educação Matemática) – FE,
Unicamp, Campinas (SP).
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sobre os vários conteúdos de Matemática possíveis de serem explorados além daqueles pensados inicialmente. Durante a elaboração da mesma descobrimos o quanto é importante o professor desenvolver uma atividade antes de propô-la a seus alunos.302 FAMAT em Revista . durante a preparação. 2004). tivemos algumas surpresas. . Mas que material seria esse? Após a dedicação de várias horas discutindo e realizando leituras e pesquisas. além disso. em diferentes textos e sites. porém quando começamos a desenvolver o trabalho. Modelos Matemáticos e Situações Problemas Envolvendo Modelagem Matemática Para (BASSANEZI. Acreditava-se que este conteúdo abriria um leque enorme de possibilidades para a realização de um trabalho interessante e estimulador. A idéia inicial proposta evidenciava apenas o volume do cone. Outro ponto relevante na produção da apresentação se relaciona a descoberta. do cilindro e do prisma. e quando os alunos indagá-lo o professor não será pego de surpresa. a Modelagem Matemática de uma situação problema real deve seguir uma seqüência de etapas visualizadas na Figura 1. 2003) e nem na construção da atividade. despertar o interesse dos alunos.Outubro de 2007 e. a experiência nos levou a descobrir que outros conteúdos estavam relacionados e poderiam ser também explorados. Entretanto. pois assim poderá identificar e entender que conteúdo Matemático é possível ser explorado. área.Número 09 . optou-se pela construção de uma atividade de ensino no ambiente computacional na tentativa de tornar real à proposta imaginada. pois não foi tão trivial perceber a matemática utilizada na abordagem de (BIEMBENGUT. Pensávamos que compreender a modelagem do método de cubagem utilizado pelo madeireiro e a construção da atividade de ensino no ambiente computacional seria fácil. semelhança de triângulo. tais como: perímetro.

A busca de um modelo matemático que melhor descreva o problema estudado torna o processo dinâmico. indicado pelas setas pontilhadas. 2000. p. Resolução: O modelo matemático é obtido quando se substitui a linguagem natural das hipóteses por uma linguagem matemática coerente – é como num dicionário. 1. Abstração: É o procedimento que deve levar à formulação dos Modelos Matemáticos.Número 09 .27) Na Figura 1 as setas contínuas indicam a primeira aproximação.Outubro de 2007 303 Figura 1 (BASSANEZI. .FAMAT em Revista . Experimentação: É uma atividade essencialmente laboratorial onde se processa a obtenção de dados. a linguagem matemática admite “sinônimos” que traduzem os diferentes graus de sofisticação da linguagem natural. 3. 2.

Genericamente. que permite representar um fenômeno através da linguagem matemática (modelo matemático). poderse-ia dizer que um bom modelo é aquele que propicia a formulação de novos modelos. Validação: É o processo de aceitação ou não do modelo proposto. Nesta etapa. 2005). pois o aprofundamento da teoria implica na reformulação dos modelos. HEIN. Figura 2 (BIEMBENGUT. no qual matemática e realidade são dois conjuntos disjuntos e a modelagem é o meio de fazê-los interagir. envolve uma série de procedimentos. O grau de aproximação desejado destas previsões será o fator preponderante para validação. Nenhum modelo deve ser considerado definitivo. 2005. (BIEMBENGUT. apresentam o modelo de Modelagem Matemática.Outubro de 2007 4. suas soluções geralmente não conduzem às previsões corretas e definitivas. devem ser testados em confronto com os dados empíricos. Figura 2. sendo esta reformulação dos modelos uma das partes fundamentais do processo de modelagem. Modificação: Alguns fatores ligados ao problema original podem provocar a rejeição ou aceitação dos modelos. p.Número 09 . os modelos. comparando suas soluções e previsões com os valores obtidos no sistema real. Quando os modelos são obtidos considerando simplificações e idealizações da realidade. HEIN. juntamente com as hipóteses que lhes são atribuídas.304 FAMAT em Revista . a saber: . podendo sempre ser melhorado. 5. que podem ser agrupados em três etapas. 13) Essa interação. subdivididas em seis subetapas.

. p. 15) É importante ao concluir o modelo. Veja a Figura 3: Figura 3 (BIEMBENGUT. Familiarização com o assunto a ser modelado referencial teórico. a elaboração de um relatório que registre todas as fases do desenvolvimento. Interpretação da solução. etc.FAMAT em Revista .1999). a fim de propiciar seu uso de forma adequada (BIEMBENGUT. Validação do modelo avaliação. c) Modelo matemático Se o modelo não atender às necessidades que o geraram. b) Matematização     Formulação do problema hipóteses. Resolução do problema em termos do modelo. 2005.Número 09 . HEIN.Outubro de 2007 305 a) Interação   Reconhecimento da situação-problema. variáveis. o processo deve ser retomado na segunda etapa – Matematização – mudando-se ou ajustando hipóteses.

eleva ao quadrado a medida desse quarto da circunferência. encontra o perímetro do tronco (circunferência). o procedimento para calcular a metragem cúbica de madeira ou tábua que obterá do tronco de uma árvore após o corte é o seguinte: a) primeiro. Abaixo descrevemos a modelagem do método de cubagem da madeira de forma a explanar toda matemática utilizada. estima o ponto central do tronco da árvore. 2π r = 4l  l = π r/2 d) num ato contínuo. atuando como mediador para que o aluno construa o seu conhecimento a partir das aplicações e manuseio do material.Outubro de 2007 COMPREENDENDO O PROCESSO DE CUBAGEM DE MADEIRA O nosso intuito ao realizar este trabalho foi o de utilizar a modelagem como meio de auxiliar no processo de ensino-aprendizagem.306 FAMAT em Revista . dobra o cordel (relativo ao perímetro encontrado) em quatro partes iguais 2π r = 4l. Segue abaixo o método de cubagem utilizado pelo madeireiro segundo (BIEMBENGUT. c) a seguir.Número 09 . Segundo o madeireiro. a partir desse ponto. 2003). . b) com um cordel (barbante). os objetivos do objeto de aprendizagem proposto e os procedimentos em cada etapa do trabalho. Também consideramos a oportunidade de discutir por meio deste projeto a possibilidade real do professor deixar um pouco de lado o quadro negro e as fórmulas.

Qual a validade do método do madeireiro? Nesse processo. A razão é de 4 . Com isso. a diferença entre os volumes é significativa. finalmente.   ao multiplicar a área (Aq) pela altura (h). multiplica o valor desse quarto cordel ao quadrado. o madeireiro "aproxima" primeiro o tronco (de cone) a um cilindro. Essa aproximação se dará como perímetro. ou seja. o volume ou o número de m³ da madeira.FAMAT em Revista . Embora os perímetros sejam iguais. “transforma” o círculo em um quadrado. pela medida da altura da árvore obtendo.  .Outubro de 2007 307 e) e. então. o madeireiro calcula a área de um quadrado. determina o volume de um prisma e não de um cilindro. efetua o cálculo do volume de um prisma de base quadrada. Vejamos por quê:  ao dividir o cordel em quatro partes e elevá-lo ao quadrado. a média entre os perímetros das bases menor e maior do tronco. as áreas são diferentes.Número 09 . Posteriormente.

Isto porque o volume do cilindro é igual a π/4 do volume do prisma. Por esse processo. pois o tronco é transformado em madeira e lenha. Nesse momento poderá ser abordado os seguintes volumes: . cortava-se uma tábua e. Outro fato interessante é que o corte para a obtenção de tábuas.Outubro de 2007 Nesse caso. Numa análise superficial. corta-o como um prisma de base hexagonal e "ganha" efetuando seus cálculos a partir do cilindro. como se fosse um prisma de base quadrangular. observamos que o madeireiro "paga" pelo tronco. girava-se o tronco em um ângulo (aproximadamente) de 60° . era feita de forma hexagonal. seguindo o processo até não ser mais possível retirar tábuas. o volume de um prisma hexagonal é 3 3   2   L²  h    Se compararmos os volumes. em seguida. o volume obtido pelo método do madeireiro é menor do que o volume do tronco. veremos que: Volume do cilindro > volume do prisma hexagonal > volume do prisma quadrangular. Isto é.308 FAMAT em Revista .Número 09 . nessa madeireira.

então: V = (1/3) r³ Volume do tronco de um cone: O volume de um tronco de cone reto é igual à diferença entre os volumes do cone (maior) e do cone (menor).30 m. temos: Vt   0. altura ( h ) = 4.432   3 3 . Fazendo: raio maior ( R ) = 0.8 m 1) O volume de um tronco de cone reto é igual à diferença entre os volumes do cone (maior) de altura (4. supondo que o tronco de eucalipto seja "aproximadamente" um tronco de um cone reto.25 m. raio menor ( r ) = 0.8  x    0.8 m + x) e do cone (menor) de altura x.25² x  0. h Se a base é um círculo de raio r.0275 x  0. isto é: Vt  VC  Vc  Vt   R ²  H  r ²  h  3 Matematizando com dados numéricos Vamos tomar a medida de uma árvore de eucalipto e passar ao cálculo do volume.Outubro de 2007 309 Volume do prisma: O volume de um prisma é dado por V(prisma) = A(base).h Volume do cilindro: Em um cilindro.Número 09 . o volume é dado pelo produto da área da base pela altura. isto é: Vt  VC  Vc  Vt   R ²  H  r ²  h  3 Substituindo os valores dos raios. então: V =  r² h Volume do cone: O volume do cone é obtido por 1/3 do produto da área da base pela altura. V = A(base).30 ²4.FAMAT em Revista .

363m ³  1.8 V2   0.310 FAMAT em Revista .140m ³ 3) Obtendo o volume de um prisma hexagonal.364  1. por ser este o processo de corte do tronco. por: R h x 0. Um hexágono regular de (lado L ) é composto por seis triângulos eqüiláteros. o volume (V2) V  r ² h V2   0.3 4.8  x     x  24 r x 0.Outubro de 2007 Uma vez que os triângulos ABC e ADE são semelhantes podemos obter o valor de x. Calculando a área de um triângulo eqüilátero.143m³ 2) Tomando a tora como cilindro. .Número 09 . o volume do tronco (V): V 0.25 x Portanto.275²4.

09075 ² m³  0.275²4.896m³.140 > > V3 > 0. o volume do prisma hexagonal (V3) será: V3  3 3 L²h 2 3 3 V3  0.Outubro de 2007 311 Como a altura do triângulo eqüilátero é h = L 3 .8  0. .94 > Numa análise superficial. observamos: V1 1. temos que: circunferência  2 2 R  r   2  0.55m 2   2    0. 2 Seja At a área do triângulo eqüilátero e AH área do hexágono L 3 L² 3 2 At   2 4 L² 3 3 3 AH  6   L² 4 2 L Assim.8  0.896 V4 m³ 0.143 > > V2 1.896m ³  4   Comparando os volumes.25   0.94m³ 2 Pelo método do madeireiro.55  V4    4.Número 09 .30  0.FAMAT em Revista . temos:  circunferência  V4    h 4   2 Considerando que o raio na metade do tronco seja a média entre os raios inferior e superior. poderíamos dizer que: a) o madeireiro compra o tronco de árvore por 0.

entre 24. Em volume de pó.896 Ou seja.197m³ Comparando (b) e (a) 0.23% 0. Analisemos como é feito o corte das tábuas. a lâmina da serra transforma cerca de 1 cm de espessura da madeira em pó. aparentemente há uma diferença não "contabilizada" de 5. Observe a Figura 4: . que o método do madeireiro não vale.8 m de comprimento e largura variando.VH = 1.140  0.2723  27.943 = 0. a casca.896 0.047   0.Número 09 .244   0.896 0. corresponde aproximadamente a 48 prismas de 1 cm de espessura.3 cm.896 0. mais ou menos.25% 0. A cada tábua cortada.140 – 0.0525  5. Supondo que a espessura de cada tábua seja 2. c) ao aproveitar a casca. 4. num primeiro momento.896 0.5 cm. Esse cálculo leva-nos a pensar.9% ao se considerar.312 FAMAT em Revista .6 cm e 4. também. obtém também mais Vcasca = Vc .943m³ e.896 Comparando (c) e (a) 1.25% de madeira ou de 21.943  0.Outubro de 2007 b) tem um aproveitamento em madeira de 0.

5cm teremos: 27.5 cm (média dos raios) A tábua tem 2. Observe o triângulo vermelho.5  h  (27.Número 09 .31 Assim.3 23.6 cm Logo a primeira tábua a ser cortada terá a largura de 24. 2x = 24.FAMAT em Revista .5 cm de espessura.81  2  2 2 2 Como a espessura é 2.5)     23. temos que: .5 2  x  x  12.Outubro de 2007 313 Figura 4 Temos que L = 27.6cm. encontrando a altura do triângulo eqüilátero teremos:  27.81 21. Figura 5: Figura 5 Encontrando k (espessura de cada tábua).

a largura depende do número de tábuas. L= 27.314 2 FAMAT em Revista .89n onde n é o número de tábuas tiradas.5 – 2.5  8 Logo. L= 27.89n onde n é o número de tábuas tiradas.6cm e 4. logo a sua altura será de: L = 21. cujo raio é de 25 cm.Outubro de 2007 k 2  2. Ou seja.Número 09 .89 Agora vamos calcular a quantidade de tábuas (n) que poderão ser retiradas na base menor.4cm. O volume de pó entre duas tábuas em cm³: Vi   480cm²  27. a largura depende do número de tábuas.89n   55660cm³ i 1 8 . O volume de pó entre duas tábuas em cm³: Ou seja. Assim teremos que n = 21.65/2.81 Portanto a largura das tábuas irá variar entre 24. Temos um triângulo eqüilátero de lados 25 cm. Encontrando a menor largura do prisma 27.65 cm.5  (1. podemos retirar 8 tábuas de cada prisma.5 23.5  2.45) 2  k  2.5 – 2.81   x  4.4 x 3.

81 m³ (volume de madeira) Em percentagem.896 m³ = 0.33 m³ (pó) = 0. além disso. pois "aproxima" o tronco de cone (no caso da árvore) a um prisma de base quadrada para saber o volume ou o número de metros cúbicos de tábuas que conseguirá obter de uma árvore.33 m³ Comparando: 1. em percentual: 0. a concepção de muitos alunos de diferentes níveis como sendo esta área um .244 m³ de perda O que representa. uma perda em torno de 21%. a perda é em torno de 20%.0.140 Ou seja.140 m³ (madeira mais casca) . ATIVIDADE Diante da grande dificuldade dos alunos em compreender a Matemática e. Concluímos que é válido o método de cubagem de madeira do madeireiro. e a experiência mostra que é um modelo matemático.140 Segundo o madeireiro.0.244  100  21.9% 1.4% 1.FAMAT em Revista . Tomando o valor determinado pelo cálculo de volume feito pelo método do madeireiro e subtraindo do valor "real": 1.Outubro de 2007 315 Considerando que o corte da madeira é feito girando o tronco.8 cm³ = 0.33  100  28. representa aproximadamente 0. o volume de pó de serra será aproximadamente: V(pó) = 6 X (55660) = 333964.Número 09 .140 m³ .

O objetivo dessa atividade é que o aluno compreenda como encontrar o volume do tronco de cone. . repetitivo e aquele fazer sem saber o que faz e por que faz.Outubro de 2007 ‘bicho-de-sete-cabeças’. um aprender mecânico. Depois do corte teremos um cone menor e um tronco de cone.Número 09 . no qual um está cheio de areia e o outro cheio de água. Nesse sentido. por acreditarmos que com essa ferramenta as aulas de Matemática poderão ser mais interativas. evitando assim. em seguida irá movimentar o cone até o cilindro.316 FAMAT em Revista . a criatividade e estimulando os alunos a fazerem perguntas. optamos por desenvolver um trabalho sobre o uso da modelagem e da informática. Atividade 2: Nessa atividade o aluno irá escolher uma altura. se o aluno colocar menos de três o cilindro ficará vazio se passar de três o conteúdo escolhido transbordará. Atividade 1: Nessa atividade o aluno irá escolher um cone. esse processo será feito três vezes. O objetivo dessa atividade é que o aluno compreenda como encontrar o volume de um cone sabendo o volume do cilindro. consideramos interessante que o aluno tenha a oportunidade de aprender interagindo e refletindo. na tela aparecerá uma serra elétrica que irá cortar o cone em uma certa altura. Em seguida o cone e o tronco de cone irão encher então os alunos terão que colocar o conteúdo no cone maior. despertando a curiosidade.

Em seguida teremos um barbante que contorna a tora exatamente nesse ponto.  Se a escolha for seis ele perceberá com animação que o volume do prisma de base hexagonal será maior que o volume do tronco.  Se a escolha for quatro ele perceberá com animação que o volume ocupado pelo prisma quadrangular é menor que o volume do tronco.Outubro de 2007 317 Atividade 3: Nessa atividade teremos a simulação do corte de uma árvore quando o aluno passar o mouse sobre a tora no chão aparecerá o ponto médio entre a base maior e a base menor.Número 09 .  Se a escolha for três ele perceberá com animação que o volume ocupado pelo prisma de base triangular é bem menor que o volume do tronco. porém maior que o volume do prisma de base triangular. O aluno nesse momento terá que arrastar o barbante e escolher em quantos pedaços esse se divide. .FAMAT em Revista .

Tese (Doutorado em Educação: Educação Matemática) – FE. FREITAS. Pensamos que o projeto em si tem suas potencialidades. . 299f. Para finalizar. – 3ª ed. Campinas (SP). não contribuirá para o processo de ensino-aprendizagem. M. poderá explorar diversos conceitos de matemática no método de cubagem a madeira. se sobressaíram nessa caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. Além disso. S. Modelagem Matemática no ensino / Maria Sallet Biembengut.Outubro de 2007 CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência relatada neste texto nos mostrou evidências da possibilidade real de oferecer aos alunos do ensino médio uma aula mais dinâmica. a possibilidade e a vantagem da utilização da modelagem para proporcionar aulas de Matemáticas mais interativas.T. mas se não houver a mediação do professor a modelagem e a atividade de ensino no ambiente computacional. por si só. criarem hipóteses e chegarem às próprias soluções.318 FAMAT em Revista . 2003. BIBLIOGRAFIA BIEMBENGUT. que despertam curiosidades e estimulam os alunos a fazerem perguntas.Número 09 . M. Unicamp. com a mediação adequada. – São Paulo: Contexto.A escrita no processo de formação contínua do professor de Matemática. em que os mesmos participam ativamente de todo o processo de construção do conhecimento. acreditamos que o professor. 2006. descobrirem semelhanças / diferenças.M . Nelson Hein.

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