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Antibioticoterapia na Odontologia

Antibioticoterapia na Odontologia

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Uso de antibiótico na prática odontológica.
Uso de antibiótico na prática odontológica.

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Published by: André Ribeiro on May 10, 2012
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A Antibioticoterapia na Odontologia

"A utilização dos antibióticos em terapêutica revolucionou, de início, a abordagem das infecções e o seu sucesso gerou grande otimismo em relação à prevenção e ao tratamento dos processos infecciosos." Introdução A antibioticoterapia trouxe para o campo das doenças infecciosas, a mais revolucionária mudança já ocorrida em toda a história da medicina. Entretanto, o uso exagerado e nem sempre criterioso ou racional dos antibióticos rapidamente gerou dificuldades, sendo a maior delas representada pela progressiva resistência bacteriana às drogas. A potencialidade dos microrganismos como agentes terapêuticos já era conhecida desde 1877. Fleming, em 1929, descobre a penicilina sendo largamente empregada durante a segunda guerra mundial. Podemos definir os antibióticos como sendo substâncias químicas produzidas por microrganismos vivos ou obtidas em laboratório por síntese, capazes de inibir ou destruir germes patogênicos. Clinicamente, além da atividade antimicrobiana, outras características deverão ser consideradas para que se considere um antibiótico como ideal, tais como possuir ação microbiana seletiva, potente e de largo espectro; ser bactericida e não somente bacteriostático; não deve desenvolver resistência por parte dos microrganismos; nas doses utilizadas não deve danificar o hospedeiro e nem perturbar as defesas orgânicas; ser administrado por todas as vias; apresentar pequenos efeitos colaterais, dentre outros.

Os antibióticos podem ser classificados através de seu espectro de ação em:

1- Ativos sobre bactérias: a) Pequeno espectro - São antibióticos que atingem pequeno número de microrganismos nas doses terapêuticas. Ex.: penicilinas de pequeno espectro, eritromicina, lincomicina, etc. b) Largo espectro - São antibióticos que atingem grande número de microrganismos nas doses terapêuticas. Ex.: penicilinas de largo espectro, tetraciclinas, cefalosporinas, etc. c) De uso essencialmente tópico - São antibióticos que devido à sua grande toxicidade, não podem ser utilizados por outras vias que não a tópica, pelo menos na forma pura.

Ex.: neomicina, tirotricina, etc.

2- Ativos sobre fungos: Este grupo não possui ação antibacteriana, pois os fungos apresentam determinadas substâncias como certos esteróides, que lhes conferem maior resistência, fato que não ocorre com as bactérias. Ex.: griseofulvina, nistatina, etc.

Escolha do Antibiótico

O antibiótico é utilizado toda vez em que se faz necessário prevenir (profilaxia antibiótica) ou combater uma infecção causada por um determinado microrganismo. Para que se faça uma escolha correta de um antibiótico, é necessário que inicialmente se identifique o microrganismo (bactéria, fungos e vírus) que está causando a infecção, as quais poderão ser classificadas em específicas e não especificas. Entende-se por específicas as infecções que apresentam uma evolução e sintomatologia bem definida e são provocadas por uma espécie determinada de microrganismo. Como exemplo temos a tuberculose, sífilis, herpes simples, blastomicose e outras. Já as inespecíficas são infecções que podem ser originadas por diferentes tipos de microrganismos. Nesse caso temos as infecções periapicais, a doença periodontal, os abscessos, as osteomielites, etc. Dependendo do tipo de microrganismos causador da infecção, as provas de laboratório ou antibiograma podem ser dispensáveis. Porém, em certos casos há necessidade de primeiro identificarmos o microrganismo chegando a um diagnóstico para fazermos uso posteriormente de um antibiótico. Este antibiótico sempre que possível deve ser de pequeno espectro diminuindo os perigos de uma superinfecção. Os efeitos adversos ao paciente devem ser avaliados, bem como dar preferência sempre a um antibiótico bactericida do que a um bacteriostático. Importante também salientar que não se deve associar grupos de antibióticos desnecessariamente e dar preferência à utilização de medicamentos que estejam com resultados clínicos comprovados. Como Indicar os Antibióticos Uma vez escolhido o antibiótico, é importante que esse seja prescrito pela via oral. No campo odontológico esta é a via preferida. As vias intramuscular e endovenosa poderão ser utilizadas em casos de infecções mais graves. Independente da via de administração é de boa norma administrar-se de início, uma dose de ataque um pouco maior ou igual ao dobro da dose de manutenção. A dose de

ataque visa estabelecer níveis sanguíneos ideais, o mais rapidamente possível. O período de administração não deve ser restrito somente enquanto persistam os sinais e os sintomas que justificaram a sua utilização. Recomenda-se para qualquer tipo de infecção, a utilização de no mínimo 5 a 7 dias. A idade do paciente deve ser levada em consideração uma vez que os diversos grupos de antibióticos, normalmente são prescritos em esquemas posológicos, determinados pela relação mg/dia e peso corporal do paciente. Em idosos, devido a menor capacidade de excreção renal, não deve ser administrado antibióticos que possam elevar demasiadamente os seus níveis sanguíneos. No caso de gestantes, cabe informar que quase todos os grupos de antibióticos atravessam a barreira placentária. Como regra geral, aconselha-se cautela principalmente nos três primeiros meses de gravidez onde encontramos maiores riscos de malformações. No caso de tratamento endodôntico, há necessidade de se fazer profilaxia antibiótica, toda vez que o paciente apresentar um dos itens a seguir: válvulas cardíacas protéticas, malformações cardíacas congênitas, história prévia de endocardite bacteriana, prolapso de válvula mitral, febre reumática, distúrbios sanguíneos ou diabetes. Nos casos de abscessos periapicais agudos, geralmente o antibiótico é administrado toda vez que uma drenagem cirúrgica for realizada, independente da fase em que se encontra o abscesso, ou ainda, quando o paciente apresentar-se em estado febril. O uso desnecessário do antibiótico na fase de abscesso pode provocar o encapsulamento do mesmo dificultando a sua drenagem.

Principais Grupos de Antibióticos Utilizados na Odontologia

1 – Penicilinas Na atualidade, encontra-se disponível para uso clínico, além das penicilinas naturais, inúmeros compostos semi-sintéticos e alguns biossintéticos, de atividade bactericida. As penicilinas possuem atividade bactericida de mais alta toxicidade seletiva, sendo atóxica para as células humanas.

a) Penicilinas naturais As penicilinas naturais são representadas por letras que são G, X, F e K, porém destas somente a G se revelou de utilidade terapêutica. Essas penicilinas são destruídas pelo pH do estômago, razão pela qual sua administração é feita pelas vias intramuscular e

endovenosa.

b) Penicilinas biossintéticas. Também conhecida por penicilina V. É usada somente por via oral, não é resistente a penicilinase e seu espectro de ação é idêntico ao da penicilina G, porém de potência muito inferior a esta.

c) Penicilinas semi-sintéticas. O advento dos derivados semi-sintéticos das penicilinas veio reduzir as lacunas deixadas pelas penicilinas naturais e biossintéticas. Os produtos semi-sintéticos podem ser de pequeno e de largo espectro. Os de pequeno espectro são resistentes à penicilinase, já os de largo espectro somente as metampicilinas são resistentes às penicilinases. Dentre os derivados semi-sintéticos podemos encontrar os grupos das oxacilinas, dicloxacilinas, ampicilinas, hetacilinas, metampicilinas e amoxicilinas. Desses antibióticos a ampicilina e o amoxilina são os mais utilizados em abscessos dento-alveolares agudos. A amoxicilina é melhor absorvida que a ampicilina, dando níveis sangüíneos e concentrações tissulares mais altos, permitindo a administração com intervalos maiores.

2- Macrolídeos São drogas bacteriostáticas, bastante utilizadas, embora sejam de pequeno espectro, apresentando facilidade de administração, boa tolerância e baixa toxicidade. Ao grupo dos macrolídeos pertencem a eritromicina, espiramicina, oleandomicina e kitasamicina. A eritromicina pode ser utilizada por via oral e parenteral e, embora menos eficaz que as penicilinas, constituem uma boa alternativa quando não se pode utilizar as penicilinas devido a problemas de sensibilidade.

3- cefalosporina Todas as cefalosporinas são bactericidas e de largo espectro. Possuem baixa toxicidade e seu principal efeito adverso é poder provocar danos renais. É uma boa opção como substituto das penicilinas de largo espectro, para pacientes sensíveis a mesma, ou em infecções com germes produtores de penicilinase. Existem também as cefalosporinas de terceira geração, cuja principal característica e atuar em germes anaeróbicos. Porém

possuem preços bastante elevados e são muito potentes sendo indicados para infecções graves.

4- Tetraciclina As tetraciclinas são antibióticos de largo espectro e bacteriostático. Em odontologia não são os antibióticos de primeira escolha, mas são normalmente efetivos. Merece especial atenção à impregnação dos dentes por estes antibióticos, causando com grande freqüência manchas amareladas ou castanhas, quando administrados durante a gravidez e crianças até os 12 anos de idade. Se as doses forem elevadas ou o antibiótico administrado por muito tempo, pode-se observar hipoplasia do esmalte com predisposição à cárie dental.

5- Lincomicina/Clindamicina É bacteriostático e o seu espectro de ação é praticamente idêntico ao da eritromicina, sendo empregado tanto por via oral como parenteral. Distribui-se bem pelos tecidos, chamando a atenção sua elevada concentração no tecido ósseo. Para casos de germes sensíveis, este antibiótico é tão eficaz quanto a penicilina G, sendo uma ótima alternativa quando está não puder ser usada. Não é recomendado para recém-nascido e portadores de disfunções renais e hepáticas.

Conclusão Nos últimos anos a terapêutica antimicrobiana tornou-se mais complexa, desenvolvendo novos antibióticos semi-sintéticos que, associados à ampla utilização dos métodos de monitorização das drogas antimicrobianas, possibilitam um aumento na segurança e na efetividade da antibioticoterapia. Esses fatos, altamente relevantes na atualidade, necessitam ser bem conhecidos e compreendidos para que se possa atuar com consciência e competência. Além disso, uma abordagem racional do processo infeccioso, considerando os fatores relacionados como o paciente, o agente etiológico e a droga de escolha, é indispensável para o desenvolvimento de uma antibioticoterapia eficaz.

PALAVRAS-CHAVE: antibioticoterapia, cefalosporina, bactericida.

penicilina,

profilaxia

antibiótica,

Referências Bibliográficas

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