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Técnicas de Comunicação

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TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO

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CURSO: TÉCNICO EM OP. ADMINISTRATIVA COMPONENTE CURRICULAR: TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO PROFESSOR(A): CHAVES

Digitação/Formatação . Sherleton – 02/11/2008.

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LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO CONTRUINDO O CONCEITO Leia esta tira, de Luis Fernando Verissimo:

1.

A tira cria humor a partir de uma situação que retrata as novas formas de relacionamento amoroso e familiar nos tempos de hoje. Que novidade existe no comunicado que a filha fez à família?

2. A fala da moça provoca uma reação no namorado. O que ele faz e fala como reação ao que ela disse? 3. Compare as falas do rapaz e do pai da moça ao se cumprimentarem. A fala do pai surpreende e causa humor.
a)

O que era esperado que o pai da moça dissesse nesse momento?
prazer” e o seu nome.

Algo como “muito

b) Considerando que o namorado da filha vai morar com a família e que o apelido dele é Boca, que sentindo tem a fala do pai da moça nessa situação? CONCEITUANDO Na situação retratada pela tira, as pessoas se comunicam e interagem entre si, ou seja, o que uma pessoa diz acaba provocando uma reação na outra pessoa, e vice-versa. O trocadilho que o pai faz é responsável pelo humor da tira. Contrapondo Boca a bolso, o pai dá a entender que vai ter de arcar com as despesas de mais uma boca, a do gênero. Entre a filha e o pai, ou entre o sogro e o genro, houve comunicação, pois, além de as pessoas se compreenderem, elas também interagem, ou seja, o que uma pessoa diz interfere no comportamento da outra. A Comunicação ocorre quando interagimos com outras pessoas utilizamos linguagem. Para se comunicar, as personagens da tira não utilizam apenas a linguagem verbal, isto é, as palavras. Elas também gesticulam, se movimentam, fazem expressões corporais e faciais. Tudo isso – palavras, gestos, movimentos, expressões corporais e faciais. – é linguagem. Linguagem é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si.

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Além da linguagem verbal, cuja unidade básica é a palavra (falada ou escrita). não como a Existem também as linguagens verbais,

música, a dança, a mímica, a pintura, a fotografia, a escultura, etc, que possuem outros tipos de unidade – gesto, o movimento, a imagem, etc. há, ainda, as linguagens mistas, como as histórias em quadrinhos, o cinema, o teatro e os programas de TV, que podem reunir diferentes linguagens, como o desenho, a palavra, o figurino, a música, o cenário, etc.
Veja como o cartunista espanhol Máximo, explorando a linguagem não verbal, sugere a paz (representada pela pomba) entre israelenses (representados pela estrela-de-davi) e os mulçumanos (representado pela lua minguante).

Mais recentemente, com o aparecimento da informática, surgiu também a linguagem digital, que, valendo-se da combinação de números, permite armazenar e transmitir informações em meios eletrônicos. Na tira lida, os participantes se inter-relacionam por meio da linguagem. A filha, ao apresentar o namorado, provoca nele a reação de se apressar em estender o braço e dizer seu apelido. Diante da fala do rapaz o pai da moça também estende o braço e, ironicamente, responde: “Prazer. Bolso”. Assim, pode-se dizer que a comunicação nascida da interação entre essas pessoas foi construída solidariamente por elas, que são interlocutores no processo comunicativo. Interlocutores são as pessoas que participam do processo de interação por meio da linguagem. Aquele que produz a linguagem – aquele que fala, que pinta, que compõe uma música, que dança – é chamado de locutor, e aquele que percebe a linguagem é chamado de locutário. No processo de comunicação e interação, ambos são interlocutores.

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O CÓDIGO Na tira lida, as pessoas se comunicaram fazendo uso da lígua portuguesa. A lígua portuguesa é um código verbal. Código é uma convenção, estabelecida por um grupo de pessoas ou por toda a comunidade, que permite a construção e a transmissão de mensagens. Além da palavra, oral e escrita, também são códigos os sinais de trânsito, os símbolos, o código Morse, as buzinas dos automóveis, etc. Código é um conjunto de sinais convencionalmente para a construção e a transmissão de mensagens. Os códigos são muitos utilizados quando há necessidade de informar e “comunicar com rapidez. Por essa razão, é comum haver códigos na rua, no trânsito, em rodoviárias, aeroportos, shopping centers, etc. Em guias de viagem, por exemplo, um conjunto de símbolos compõe um código que agiliza a apresentação das cidades, de hotéis, restaurantes e atrações turísticas. EXERCÍCIOS 1. Leia os textos a seguir e indique o tipo de linguagem utilizado em cada um deles:verbal, não verbal ou mista.

2. Leia este cartum, de Quino:

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A LÍNGUA A língua portuguesa é o código mais utilizado por nós, brasileiros, nas situações de comunicação e interação social. Por isso, quanto maior o domínio que temos da língua, maiores são as possibilidades de nos comunicarmos com eficiência. Dominar bem uma língua não significa apenas conhecer seu vocabulário; é preciso também ter domínio de suas leis combinatórias. Nós podemos, por exemplo, conhecer o sentindo de cada uma das palavras deste enunciado:
Aumento segunda-feira na tem novo próxima gasolina

Porém ele nada significa para nós, porque foram respeitadas as leis de combinação das palavras. Observe como o enunciado ganha sentindo, se combinarmos as palavras desta forma.
Gasolina tem novo aumento na próxima segunda-feira

Assim:
Língua é um código formado por signos (palavras) e leis combinatórias por meio do qual as pessoas se comunicam e interagem entre si.
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A língua pertence a todos os membros de uma comunidade; por isso faz parte do patrimônio social e cultural de cada coletividade. Como ela é um código aceito por convenção, um único individuo, isoladamente, não é capaz de criá-la ou modificá-la. A falta e a escrita, entretanto, são usos individuais da língua. Ainda assim, não deixam de ser sociais, pois, sempre que falamos e escrevemos, levamos em conta quem é o interlocutor e qual é a situação em que estamos nos comunicando. Nem a língua nem a fala são imutáveis. A língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham fonemas (sons); outras deixam de ser utilizadas; novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, entre elas os empréstimos de outras línguas com as quais a comunidade mantém contato. A fala também se modifica, conforme a história pessoal de cada individuo, com formação escolar e cultural, com as influencias que percebe do grupo social a que pertence, com suas intenções, etc. A língua portuguesa,como as demais línguas neolatinas, originou-se do latim vulgar e surgiu em meados do século XII, ainda como galego-português. Durante a expansão marítima, no século XV, foi levada pelos portugueses a outros continentes. Hoje é falada por cerca de 200 milhões de habitantes, em Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste. AS VARIEDADES LINGUISTICAS Cada um de nós começa a aprender a língua em casa, em contato com a família e com as pessoas que nos cercam. Aos poucos vamos treinando nosso aparelho fonador (os lábios, a língua, os dentes, os maxilares, as cordas vocais) para produzir sons, que se transformam em palavras , em fases e em textos inteiros. E vamos nos apropriando do vocabulário e das leis combinatórias da língua, até nos tornamos bons usuários dela, seja para falar ou ouvir, seja para escrever ou ler. Em contato com outras pessoas, na rua, na escola, no trabalho, observamos que nem todos falam como nós. Isso ocorre com outras pessoas, na rua, na escola, no trabalho,
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Onde se fala melhor o português no Brasil? Você já deve ter ouvido esse tipo de pergunta. E também repostas como “no Maranhão”, “no Rio de Janeiro”, “no Rio Grande do Sul”, justificadas por motivos históricos, sociais, culturais. Porém, de acordo com a visão moderna de língua,não existe um modelo lingüístico que deva ser seguido, nem mesmo o português lusitano. Todas as variedades lingüísticas regionais são perfeitamente adequadas à realidade onde surgiram. Em certos contextos, alias, o uso de outra variedade, mesmo que seja a língua padrão, é que pode soar estranho e ate não cumprir sua função essencial de Escola: democratizando oportunidade Alguma vez você já se sentiu inferiorizado pelo comunicar.

modo como fala? Se sim, saiba que esse sentimento é normal. Isso geralmente ocorre quando nosso interlocutor é uma pessoa mais instruída do que nós e, por isso, tem maior domínio da variedade padrão. A escola, ao assumi o compromisso de ensinar a variedade padrão, não tem em vista eliminar a língua que o aluno traz de casa, mas prepará-lo para se comunicar com segurança e competência, independentemente de sua origem social. 6

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observamos que nem todos falam como nós. Isso ocorre por diferentes razões: porque a pessoa vem de outra região; por ser mais velha ou mais jovem; por possuir menor ou maior grau de escolaridade; por pertencer a grupo ou classe social diferente. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades lingüísticas.
Variedades Lingüísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições uma que sociais, culturais, regionais e históricas em que é variedade utilizada.

Entre as variedades da língua, existe tem maior padrão. prestigio: a Também

conhecida como língua padrão e norma culta, essa variedade é utilizada na maior parte dos livros, jornais e revistas, em alguns programas de televisão, nos livros científicos e didáticos, e é ensinada na escola. As demais variedades lingüísticas – como regional, a gíria, o jardão de grupos ou profissões (a linguagem dos policias, dos jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas, etc) – são chamadas genericamente de variedades não padrão.
Variedades padrão, língua padrão ou nome culta é a variedade lingüística de maior prestigio social. Variedades não padrão ou língua não padrão são todas as variedades lingüísticas diferentes da padrão.

Apesar de haver muitos preconceitos sociais em relação a variedades não padrão, todas elas são válidas e têm valor nos grupos ou nas comunidades em que são usadas. Contudo, em situações sociais que exigem maior formalidade – por exemplo, uma entrevista para obter emprego, um requerimento, uma carta dirigida a um jornal ou uma revista, uma exposição pública. Uma redação num concurso público - , a variedade lingüística exigida quase sempre é a padrão. Por isso é importante dominá-la bem. DIALETOS E REGISTROS Há dois tipos básicos de variação lingüísticas:
Poema Pisaste um dia a terra descalça do “bua” e

os dialetos e os registros. Os dialetos são do “malus”, variedades originadas das diferenças de região ou Paraste um dia à sombra da casa alta território, de idade, de sexo, de classe ou grupos estranha o “tuaka” sociais e da própria evolução histórica da língua. Nos poemas medievais, que você irá estudar, temos exemplos de variação histórica. Já no texto ao lado, escrito pelo poeta Xanana Gusmão, do Timor Leste Miraste o seu suor tórrido (Oceania), temos um exemplo de variação territorial, levando as faces do seu rosto sujo;
ouviste ainda o seu “humulak” entoando em “tais” do seu “lulik” e respeitassem o “manuaten”
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e reparaste no seu dono cobrindo com a nudez do seu “hakfolik” a campa dos antepassados.

[...]

(Revista do Centro de Estudos Portuueses, São Paulo, Universidade de São Paulo, n. 1, p. 43-4,

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já que o poema, apesar de escrito em língua portuguesa, apresenta também vocábulos de tétum, língua nativa.
bua: grão de areca (para mascar) malus: folha de betel, uma planta trepadeira (para mascar) tuaka: aguardente local hakfolik: pano atado à cintura para tapar as partes pudendas. Hamulak: prece, oração. Tais: pano com que o timorense se veste, enrolandose como se fosse uma saia. Lulik: sagrado Manuaten: fígado de galo (o galo de combate é um animal de grande estimação). É símbolo de coragem e de sua luta.

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Tratando da chegada do colonizador ao Timor Leste e do cheque de culturas advindo da colonização, o autor cria o poema com uma variação de língua portuguesa que só é possível e só faz sentido em seus país. As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação; com o modo de expressão, isto é, se se trata de registro oral ou escrito; com a sintonia entre os interlocutores, que envolve aspectos como graus de cortesias, deferência, tecnicidade (domínio de um vocabulário específico de algum setor cientifico, por exemplo), etc. Observe as diferenças que geralmente existem entre as modalidades falada e escrita da língua. 1. 2. 3. 4. 5. Fala Não planejada Fragmentária Incompleta Pouco elaborada Predominância de Escrita 1. 2. 3. 4. 5. Planejada Não fragmentada Completa Elaborada Predominância de frases complexas

frases

curtas,

simples ou coordenadas 6. Pouco uso de passivas GIRIAS

com subordinação abundante 6. Emprego freqüente de passivas
(Ingedore G. Villaça Koch. A inter-ação pela linguagem. 3. ed. São Paulo: Contexto, 1997, p. 68)

A gíria é uma das variedades que uma língua pode apresentar. Quase sempre é criada por um grupo social, como o dos fãs de rap, de funck metal, o dos surfistas, dos skatistas, dos bikers, etc. Quando restrita a uma profissão, a gíria é chamada de jargão. É o caso do jargão dos jornalistas, dos médicos, os dentistas e outras profissões. GIRIAS CURIOSAS

dos grafiteiros bomber: grafiteiro que ataca ilegalmente. King: bom grafiteiro, admirado por seu trabalho Old school: grafiteiro antigos Tang: assinatura de grafiteiro Top to bottom: um trem é pintado por inteiro de cima para baixo

Dos jornalistas Cabeça: chamada para a matéria. Cair: deixar de publicar uma matéria. Enxugar: tornar o texto mais objetivo, mais curto. Foca: jornalista recém formado. Limar: tirar dos textos as informações menos importantes

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dos funkeiros alemão: turma rival, que está do lado oposto. Bonde: grupo de funkeiros. Cão: mentira, calote. Filezinho, mel, uva: menina bonita MC: mestre-de-cerimônias dos bailes funck.

dos surfistas aê: forma de saudação back side: manobra em que o surfista fica de costas para a onda. Beate: meninas de praia que estão sempre com surfistas por interesse. Casca grossa: surfista experiente, que não teme ondas grandes. Flat: mar sem ondas, prancha lisa

(fonte: Kárin Fusaro. Géria de todas as tribos. São Paulo: Panda, 2001.)

EXERCÍCIOS 1. Leia o trecho de uma carta de amor escrita pelo poeta Olavo Bilac: Excelentíssima Senhora. Creio que esta carta não poderá absolutamente surpreendê-la. Deve ser esperada. Porque V Excia, compreendeu com certeza que, depois de tanta súplica desprezada sem piedade, eu não podia continuar a sofrer o seu desprezo. Dizem que V Excia me ama. Dizem, porque da boca de V. Excia nunca me foi dado ouvir essa declaração. Como, porém, se compreende que, amando-me V. Excia, nunca tivesse para mim a menor palavra afetuosa, o mais insignificante carinho, o mais simples olhar comovido? Inúmeras vezes lhe pedi humildemente uma palavra de consolo. Nunca a obtive, porque V. Excia ou ficava calada ou me respondia com uma ironia cruel. Não posso compreendê-la: perdi toda a esperança de ser amado. Separemo-nos [...]

a) Caracterize a variedade lingüística e o grau de formalismo empregados pelo autor do texto. b) Olavo Bilac viveu no fianl do século XIX e inicio do século XX. O texto é um bom exemplo de como as declarações amorosas eram feitas na época, nesse tipo de variedade lingüística. Colocando-se no lugar do poeta, reescreva o texto, mantendo o conteúdo mas empregando uma variedade lingüística que seria comum entre dois jovens nos dias de hoje. Ao concluir o texto, leia-o para a classe.
2.

O texto que segue registra algumas gírias utilizadas por grupos ligados ao rap ou ao movimento rip hop em geral. Leia-o:

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DICIONÁRIO DO MANO Mano não vai embora, vaza. Mano não briga, arranja treta; Mano não bebe, chapa o coco; Mano não cai, toma um capote; Mano não entendi, se liga; Mano não passeia, dá um role; Mano não come, ranga; Mano não entra, cai pra dentro; Mano não fala, troca idéia; Mano não dorme, apaga; Mano nunca ta apaixonado, ta a fim; Mano não namora, da uns cato; Mano não mente, dá um migué; Mano não ouve música, curte um som; Mano não se dá mal, a casa cai; Mano não acha interessante, acha bem loco; Mano não tem amigos, tem uns truta/uns camarada; Mano não mora em bairro, se esconde nas quebradas; Mano não vai para o Guarujá, cai pro litoral; Mano não tem namorada, tem mina; Mano não faz algo legal, faz umas parada firmeza; Mano não é gente, é mano; E para finalizar: “Sangue na veia de mano não corre... tira racha”. CERTO MANO?!
Dialeto social e identidade grupal

Leia o boxe lateral e, a seguir, junte-se a um ou mais colegas e desenvolvam uma destas propostas: a) Se vocês conhecem a linguagem “dos mano”, dêem continuidade ao dicionário ou atualizem algumas das gírias apontadas. b) Se conhecem a linguagem usada por outros grupos ligados a um tipo
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Você já deve ter notado que certos grupos sociais fazem questão de utilizar uma linguagem própria. O lingüista Luiz Carlos Travaglia explica por quê. Os dialetos sociais exercem na sociedade um papel de identificação grupal isto é, o grupo ganha identidade pela linguagem. Isso com freqüência tem implicações políticas quando os grupos querem se opor e maçar a participação e interação das pessoas nas lutas, idéias, reivindicações, etc. do grupo. Quando a diferença de uma variedade social é muito grande em relação as demais, o dialeto social pode servir como meio de ocultamento, que permite aos membros do grupo se comunicarem livremente sem sofrer com qualquer tipo de atitude ou ação de outros segmentos sociais. (Gramática e interação – Uma proposta para o ensino de gramática no 1º e no 2º graus. São Paulo, Cortez, 1996 p. 45)

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de música – metaleiros, pagodeiros, funkeiros, etc - , criem um “dicionário” com as gírias usadas por esse grupo. Depois de concluído o “dicionário”, leiam-no para a classe. AS VARIEDADES LINGUISTICAS NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia este anúncio: Olá, Papai Noel :) Em primeiro lugar já esta mais do que na hora de vc ter um email. Não existe nada mais antigo que mandar uma carta. Mas, vamos lá: estou precisando de um upgrade no meu home-office. Por isso, neste Natal eu quero um OZ Gradiente. Talves uma pessoa que nem website tem não saiba o que é isso. OZ é DVD, TV, CD, MP3, FM, internet e computador ao mesmo tempo. Na verdade o senhor devia me agradecer. Imagine se eu tivesse pedido tudo isso separado, o peso que seria o seu saco. Tks, ____________________.
(Veja, 18/12/2002.)

1.

O

anúncio

tem

por

finalidade,

evidentemente, vender um determinado tipo de produto e, para isso, lança mão de um conjunto de estratégias. Responda: a) O anuncio apresenta uma estrutura semelhante à de um tipo de texto muito usado em correspondências. Qual é esse tipo de texto?
b)

Quem, supostamente, é o autor desse texto: criança, adolescente ou adulto? Por quê?

c) Sabendo-se que o anúncio foi publicado no mês de dezembro e levando-se em conta o destinatário da carta, quem supostamente são os interlocutores do anúncio? d) Na sua opinião, pelo as estratégias são utilizadas anunciante

eficientes para que o anúncio atinja seu objetivo? Por quê? 2. A sintonia da linguagem do texto revela algumas informações sobre as características do autor. a) Qual o significado dos seguintes sinais, palavras e expressões?
:) e-mail upgrade home-office MP3 tks

b) O que o domínio dessas palavras e expressões revela sobre o autor do texto? 3. Conclua: Qual a importância da variedade lingüística escolhida na construção do anúncio, tendo em vista a finalidade deste?
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SEMÂNTICA E INTERAÇÃO O texto de humor que segue foi veiculado na Internet no ano de 2003. Leia-o e responda às questões propostas.

1. O texto retrata varias cenas de assalto, cada uma delas situada em um Estado ou região diferente do país. A fala do assaltante tem sempre o mesmo conteúdo, enquanto o uso da linguagem e o modo como o assalto é conduzido mudam de uma situação para outra. Identifique, em cada uma das cenas, duas palavras ou expressões próprias do:
a)

Nordestino;

d) Carioca; e) Baiano; f) Paulista.

b) Mineiro c) Gaúcho;

2. Além da linguagem, o texto também revela comportamentos ou hábitos que supostamente caracterizam o povo de diferentes Estados ou regiões. O que caracteriza, por exemplo: a) O nordestino ?
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b) O baiano?

C) O paulista?
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FUNÇÕES DA LINGUAGEM Observe o esquema abaixo. Nele estão representados os fatores que constituem todo ato de comunicação: Referente Mensagem Emissor Canal/Contato Código Em todo ato comunicativo há um emissor (também chamado enunciador ou remetente), que dirige uma mensagem a um receptor (ou destinatário). A mensagem é elaborada pelo uso de um código, que deve ser conhecido tanto pelo emissor quanto pelo receptor. A informação que a mensagem veicula é o referente. O ato comunicativo exige também um canal, o meio, veículo do qual a mensagem vai do emissor ao receptor. Por exemplo, no caso de um guarda de trânsito que dê dois silvos breves (o que significa pare), teremos: o guarda como emissor; o ar como canal que transmite as ondas sonoras produzidas pelo apito; os dois silvos como signos de um código sonoro para transmitir a mensagem “pare”; os motoristas como receptores, e o trânsito como referente. Conforme a ênfase que se dê a cada um dos seus elementos presentes no ato comunicativo (emissor, receptor, mensagem, referente, código, canal), distinguem-se seis funções da linguagem.
1.

Receptor

Função referencial ou denotativa - o interesse esta centrado no referente; a

mensagem visa, primordialmente, a transmitir com fidelidade uma informação. Esta deve ser a função dominante de uma noticia de jornal, por exemplo. O objetivo do repórter será transmitir os fatos ao leitor com a maior exatidão.
Ribeirão Preto, SP – Uma quadrilha assaltou o Banco Nossa Caixa de São Simão, na região de Ribeirão Preto, 314 quilômetros ao norte de São Paulo, na manhã desta quinta-feira [...] Funcionários e seguranças foram rendidos e trancados, e dois assaltantes pegaram o dinheiro do cofre, valor não divulgado. A PM foi avisada às 10h30. Não há pistas do bando. (O Estado de S. Paulo, 23 jan. 2003.)

2.

Função emotiva ou expressiva – a mensagem é centrada no “eu”, no emissor; o

principal objeto é transmitir seu estado de espirito (atitudes, sentimentos) em relação aquilo de que fala. Por exemplo, quando alguém, escrevendo em nosso diário, registra

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sua alegria por um amor correspondido, ou quando um cliente, na fila de um banco, esbraveja por estar há mais de uma hora esperando.
3.

Função conativa ou apelativa – o ato comunicativo esta voltado para o

destinatário; a mensagem visa a influir no comportamento de receptor. É a grande finalidade, por exemplo, da propaganda, dos anuncios classificados. O modo verbal caracteristico da função conativa é o imperativo: “Não compre sem ver nossos preços”; “Ligue já e faça sua reserva”...

4.

Função fática – a mensagem se destina a estabelecer o contato e/ou a garantir a

sua manutenção. Quantas vezes você já ouviu frases como “prestem atenção”, “ta ligado?”, “não saia daí, estaremos de volta logo após os comerciais”, “a ligação está péssima, fale mais alto”...?
5.

Função metalingüística – o foco do ato comunicativo está centrado no próprio

código. Existe metalinguagem quando a língua é usada para falar da própria língua, como nem verbete de dicionário.

ESCHER, Maurits. C. Mãos desenhando. Litogravura, 28,5 x 34 cm, 1948. Com as mãos que se autodesenham, Escher (1898 – 1972) criou uma imagem significativa do que é a metalinguagem em sua arte.

6.

Função poética ou estética – é a língua usada como matéria-prima para produzir

beleza. O que se busca é a engenhosidade da linguagem. A mensagem é criteriosamente elaborada por meio de figuras de linguagem, da sonoridade e do ritmo das palavras e também de imagens. O interesse dominante está centrado a própria mensagem, não como um meio para comunicar algo (preocupação com o referente), mas como um objeto em si. O que interessa é a engenhosidade e a arte com que a mensagem é construída. A linguagem com função poética não é exclusiva da poesia. Pode estar presente em provérbios, na publicidade, em textos em prosa poética.
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Quando se fala em funções da linguagem, busca-se identificar que função é predominante, dependendo sobre qual dos seis elementos (emissor, receptor, mensagem, referente, código, contato) recai o interesse principal de determinado ato comunicativo. É importante lembrar que, na maior parte dos atos de comunicação, mais de uma função está sendo utilizada. ATIVIDADES 1. Relacione a situação apresentada em cada item nela predominante: a) Referencial b) Emotiva c) Conativa d) Fática e) Metalingüística f) Poética

(1) Candidato faz discurso em época de eleição. (2) Você pega o telefone e diz “alô”. (3) Um poema. (4) E aí você diz um palavrão... (5) “O que é que você pretende dizer com isso?”
(6) 2.

Uma aula sobre o sistema digestivo.

(PUC – SP) Na frase, “[...] se eu não compusesse este capitulo, padeceria o leitor um forte abalo, assaz danoso ao efeito do livro”, os elementos sublinhados denotam referencia a, respectivamente:

a) Canal, emissor, receptor. b) Emissor, contato, canal c) Código, receptor, mensagem.

d) Código, receptor, canal. e) Emissor, receptor, mensagem.

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QUE LINGUAGEM USAR? Falar e escrever são modalidades diferentes do uso da linguagem. Cada modalidade será mais ou menos adequada, dependendo da situação concreta em que se dê a comunicação. Em alguns casos, é muito sadia a mistura do padrão culto com características da fala informal. Numa narrativa, por exemplo, pode-se caracterizar um personagem por meio do modo como ele se expressa. Como a linguagem está relacionada, entre outros fatores, com os papéis sociais, inserir marcas da fala pode ressaltar determinados traços do personagem. Cada modalidade – a escrita ou a oral – tem características particulares. É preciso observar que o simples fato de um texto estar escrito não significa que ele esteja em linguagem culta. Tomemos como exemplo o texto a seguir. Trata-se de um trecho de uma entrevista com o jogador de futebol Élber, do Bayern de Munique. A entrevista, dada a um repórter da Rádio Jovem Pan, foi gravada e transcrita. ENTREVISTADOR: [...] A sua vida profissional aconteceu mesmo na Europa, porque o Élber do Brasil, entre aspas, claro, era desconhecido. Foi embora![...] foi embora para Europa e lá que o Élber ocupou espaço, cresceu, chamado para seleção, esse negocio todo. Ficou com essa cabeça ótima, fluente como está; quer dizer, você nasceu no Brasil, fala português, mas pensa como europeu, né? ÉLBER: É, isso é, é bem assim mesmo. Porque eu saí daí muito jovem, com 17 pra 18 anos, tanto que até minha primeira viagem, que foi de Londrina pra Milão, eu tive até que emprestar o dinheiro do presidente do Londrina pra mim poder pegar um taxi no aeroporto de Congonhas, chegar no aeroporto de Guarulhos, pra poder pegar o vôo e chegar em Milão, que ai eu sabia que em Milão ia ta o pessoal do Milan já me esperando, iam me colocar no hotel, ia tratar bem de mim. Então eu tive ate que emprestar o dinheiro dele pra poder pegar esse taxi, que nem isso eu tinha. Mas eu vim com um pensamento:”não vou voltar para o Brasil como um perdedor, vou voltar, sim, como um vencedor, que saí do país, consegui vencer na vida, aí sim eu volto prá cá”, não como um perdedor, de chegar depois de dois meses e falar “eu não agüento viver lá”, “isso não é pra mim”, isso de jeito nenhum. Eu quero ir lá, quero aprender muita coisa, quero aprender a cultura porque isso, língua, cultura, são coisas que ninguém vai poder tirar de mim. Eu sei que dinheiro, se eu fizer alguma coisa errada amanhã mesmo, ou depois de amanhã, eu sei que isso eu perco, mas a cultura que eu tenho, a língua que eu to aprendendo aqui, que aprendi, isso aí ninguém vai poder tirar e nem de mim nem da minha esposa e Mem da minha filha e do
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meu filho. Então isso são coisas que a gente dá muito valor, sabe? Não só da minha parte financeira, mas a parte cultural e outras coisas aqui que você pode aprender. ENTREVISTADOR – [...] Eu queria que você falasse um pouquinho dessa adaptação, a sua adaptação, que foi um sucesso, sem dúvida, aí na fria Alemanha. ÉLBER: [...] Para mim, quando eu saí do Brasil, foi tudo uma etapa: eu passei pela Suíça, que não é um futebol muito forte, então tive um tempo para me adaptar ao futebol europeu, aí fui aprendendo lá um pouco de alemão junto com o italiano. Ai, quando cheguei na Alemanha, já sabia falar duas línguas – com o português três - , aí já aprendi de cara o espanhol... Então, quer dizer, eu não tenho problema, aonde eu estou, procuro sempre aprender, sempre me comunicar com as pessoas porque eu acho que isso é muito importante. Tem muito jogador que vem: “Pô, mas na Alemanha é assim, assado! No Brasil tem isso, aquilo eu aqui não tenho! Isso aqui não tem sol!”. Puxa vida, você está aqui para trabalhar – sabe? - , eu to aqui e eu não quero ficar minha vida inteira morando aqui, vim para trabalhar, fazer meu trabalho bem feito e ser reconhecido no trabalho, no meu trabalho, e depois sim, voltar para o Brasil e saber que daqui vinte anos eu posso voltar aqui e as pessoas vão me reconhecer, vão me tratar como sempre me trataram bem e continuam me tratando bem. Então é isso, esse sempre foi meu objetivo, eu acho que eu vou conseguir chegar lá. A linguagem falada utiliza recursos próprios, como entonação de voz, as pausas, e é complementada por expressões faciais, gestos, olhares... Para transcrever a entrevista, foi necessário recorrer a elementos e regras próprias da norma culta da língua escrita, como virgulas, ponto final, letra maiúscula no inicio de períodos, tudo para que o leitor pudesse entender a mensagem com clareza, sem misturar informações. Mas não se trata de um texto escrito no padrão culto da língua. Mesmo transcrito, ele mantém características da fala informal. Veja algumas delas:
a)

Repetição de palavras pela necessidade de recuperar informações e manter

a coesão do discurso: “Pra poder pegar o vôo e chegar em Milão, que ai eu sabia que em Milão ia tá o pessoal do Milan já me esperando”.
b)

O emissor se remete ao interlocutor com o intuito de testar a atenção,

percebe se está sendo compreendido, etc. (função fática da linguagem): “Então isso são coisas que a gente dá muito valor, sabe?”, “Puxa vida, você está aqui para trabalhar – sabe?”.
c)

A estrutura sintática é simplificada ou entrecortada, devido ao fluxo do

pensamento, à ausência de tempo para reelaboração do que se quer expor:
Digitação/Formatação . Sherleton – 02/11/2008.

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“[...] foi tudo uma etapa: eu passe pela Suíça, que não é um futebol muito forte, então tive um tempo para me adaptar ao futebol europeu...”
d)

Idéias secundárias são traduzidas de modo pouco preciso, vago: “Pô, mas

na Alemanha é assim, assado!”; “Isso aqui não tem sol!”. ATIVIDADES
1.

Ser um Ronaldinho é o grande sonho de muitos jovens brasileiros. A que você atribui isso?

2. Você acha que a entrevista do Élber pode servir de lição? Destaque da entrevista uma parte de que você tenha gostado especialmente e discuta-a com seus colegas. 3. Se você tivesse a chance de passar um ano no exterior, em que país você gostaria de viver? Por quê? PARA ESCREVER COM ADEQUAÇÃO ORTOGRAFIA (II)
Por que, por quê, porque ou porquê

Leia esta tira:

1. Observe a) Em

o emprego da palavra porque no 2º quadrinho.

que posição essa palavra se encontra: no inicio ou no fim da frase interrogativa? ela está grafada? Separada e com acento. o emprego da palavra porque no 3º quadrinho.

No fim da frase interrogativa.

b) Como

2. Observe a) De

acordo com o contexto, qual das seguintes expressões poderia substituir essa palavra está grafada? Junto e sem acento.

adequadamente essa palavra: à medida que, uma vez que, por isso? Uma vez que.
b) Como

A palavra porque pode apresentar diferentes grafias, de acordo com o sentido e o papel gramatical que desempenha. Veja:

Usa-se por que:
Quero saber por que meu dinheiro está valendo menos 19

a) Nas interrogativas diretas e indiretas:
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Por que você demorou tanto?

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Veja outro exemplo:

b) Sempre

que estiverem expressas ou subentendidas as palavras motivo, razão:
Eis por que lhe escrevi antes

Não sei por que ele se ofendeu

c)

Quando a expressão puder ser substituída por para que ou pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais:

A estrada por que passei está em péssimo estado de conservação.

Usa-se por quê: Quando as expressões aparecer em final de frase ou sozinha:

Ria, ria, sem saber por quê.

Brigou de novo? Por quê?

Usa-se porque: Quando a expressão equivalente a pois, uma vez que, para que:
Eles resolveram ficar porque estava muito tarde.

Não responda, porque ele está com razão

Usa-se porquê: Quando a expressão for substantivada, situação em que o sinônimo de motivo, razão:

O diretor negou-se a explicar o porquê de sua decisão.

EXERCICIOS 1. Leia o texto que segue:
Ministério do Cérebro Acredite se quiser, mas as linhas do desenho são perfeitamente retas. Não acredita? Incline a revista e olhe a figura no sentindo das linhas. Esse é um dos mistérios desconhecidos do cérebro. Ninguém sabe exatamente como isso acontece. Os cientistas acha que a ilusão ocorre a mente comete erros tentando calcular a distância entre dois pontos ou linhas.
(Super for kids, out 2002.

As duas lacunas do texto devem ser preenchidas com umas destas formas: por que, por quê, porque, porquê.
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a) Qual dessas formas preenche adequadamente cada uma das lacunas?
b)

Das palavras e expressões que seguem – visto que, pó qual motivo, pois e por qual razão –, indique as que substituem adequadamente a forma da primeira e a da segunda lacuna.

2.

Preencha as lacunas com por que, por quê, porque ou porquê:

a) Eles resolveram partir ________ já era muito tarde. b) Retiraram-se da assembléia sem dizer ___________. c) Você fala demais. Eis __________ não entende o que o professor explica. d) Talvez ela ainda não tenha consciência do __________ de sua atitude. e) Você é contra a liberdade de impressa? __________? Além da palavra porque e suas variações, há muitos outros casos na língua que causam dificuldade para falar e/ou para escrever de acordo com a variedade padrão. Conheça alguns deles: Mais ou mas? Mais indica quantidade; é o contrário de menos: Converse menos e trabalhe mais. Mas é conjunção; equivalente a porém, todavia, contudo: Ele pretendia apoiá-la, mas na ultima hora desistiu. Afim de ou afim? A fim de indica finalidade; corresponde a para: serviço. Afim corresponde a semelhança ou parente por afinidade. são ciências afins. Meio ou meia? Meio é advérbio quando equivalente a mais ou menos, um pouco: A janela meio aberta deixava ver o interior da casa. Meio é adjetivo quando equivalente a metade. Nesse caso é variável: Comprei meio quilo de carne e meia dúzia de ovos Já é meio-dia (hora). A matemática e a física Cheguei cedo a fim de terminar meu
Atenção Empregue sempre menos para indicar em quantidade menor. Diga menos mentiras, Ari! Menas é palavra que não existe na língua portuguesa.

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Mal ou mau? Na duvida, adote esta regra prática: mal é oposto de bem; mau é oposto de bom. Observe a substituição: mal-humorada (bem-humorada), mal-estar (bem-estar), maugosto (bom gosto). Mau é o adjetivo e, portanto, modifica um substantivo: Nesse caso, ocorre variação de gênero: má companheira. Mal pode ser:
• Ele é um mau companheiro.

Substantivo: não há mal que sempre dure. Nesse caso, ocorre variação de número: males. Advérbio: o jogador comportou-se mal. Conjunção (corresponde a quando): Mal cheguei, ela saiu. Prefixo: mal-educado, malcriado. Nesse ultimo caso, há exigências de hífen quando à palavra segue-se outra iniciada por vogal ou h: mal-agradecida, mal-humorado; nos demais casos: malfeito, malpassado.

• • •

Há ou a? Emprega-se há:
• •

Com referencia a tempo passado:

Não o vejo há muitos anos.
Há um artigo interessante nesta revista.

Quando se trata de forma do verbo haver:

Descriminar ou discriminar? Descriminar: inocentar. Discriminar: Distinguir. O juiz descriminou o acusado. Discrimine as razões pelas quais você quer se demitir e depois assine. Censo ou senso? Censo: recenseamento. Senso: juízo claro. O último censo mostrou que o número de casamentos diminuiu no Brasil. É preciso não perder o senso num momento como esse. Cessão, seção ou sessão? Cessão: ato de ceder; doação;
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Seção ou secção: corte; divisão. Sessão: reunião; assembléia. Emigrante ou imigrante? Emigrante: o que sai do próprio país.

O Estado garantiu a cessão das terras aos posseiros. A tesouraria fica em outra seção. Só consegui ver o filme na sessão das dez.

Imigrante: o que entra em país estranho. Concerto ou conserto?

Os emigrantes italianos deixaram o país em busca de trabalho. Alguns imigrantes italianos destinaram-se à industria brasileira.

Concerto: combinação harmoniosa; apresentação musical. Conserto: reparo, remendo.
Você gostaria de ir a um concerto comigo no sábado? A televisão quebrou, mas eu já a enviei para o conserto.

Flagrante ou fragrante? Flagrante: ato de ser surpreendido em alguma situação; evidente. Fragrante: perfumado.
O ladrão foi pego em flagrante pelos policiais. Este ar fragrante vem de onde?

EXERCÍCIOS 1. Use há ou a, como for conveniente: a) O posto de gasolina fica __________ três quilômetros daqui. b) __________ cinco anos que não tiro férias. c) __________ dois dias do exame, começava a ficar nervoso. d) Os alunos saíram da biblioteca __________ pouco, mas voltarão daqui _________ pouco.
2.

Use mal ou mau conforme convier:

a) __________ soou o alarme, todos correram. b) O jogador caiu de _________ jeito. c) Ele é __________ educado, __________ criado e __________ aluno. d) O edifício foi __________ construído. 3. Use uma das opções indicadas entre parênteses, conforme convier: a) Rápido, Ana, já é _______ - dia e _______ (meio/meia). b) Ela ainda está _______ abatida, mas está melhor. (meio/meia); c) O juiz releu o processo _______ avaliar as provas com mais cuidado.( a fim de/afim)
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d) Gostaria de ir com você, _______ precisa trabalhar. (mas/mais) e) Felizmente, os assaltantes foram apanhados em _______ (flagrante/fragrante); f) Pedro trabalha na _______ de secos e molhados.( cessão/sessão/seção); g) Gosto de ir ao cinema na _______ das dez (cessão/sessão/seção); h) No inicio do século XX, muitos _______ vieram trabalhar no Brasil. (emigrantes/imigrantes); i) – Estou melhor, mas ainda me sentindo _______ cansada – disse ela.(meio/meia); j) Gostaria que você _______ a lista de materiais que tenho de comprar. (descriminasse/discriminasse); k) Não perca o _______, rapaz. Aja com cautela. (censo/senso).

Digitação/Formatação . Sherleton – 02/11/2008.

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