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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS CENTRO POLITÉCNICO ENGENHARIA ELÉTRICA

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS CENTRO POLITÉCNICO ENGENHARIA ELÉTRICA NOTAS DE AULA PROF. LUCIANO VITORIA BARBOZA

NOTAS DE AULA PROF. LUCIANO VITORIA BARBOZA

SUMÁRIO

Capítulo 1. Faltas Trifásicas Simétricas

1

1.1. Introdução

1

1.2. Transitórios em Circuitos RL Série

1

1.3. Correntes de Curto-Circuito e Reatâncias das Máquinas Síncronas

4

1.4. Tensões Internas de Máquinas com Carga sob Condições Transitórias

6

1.5. Matriz Impedância de Barra para Cálculo de Faltas

8

1.6. MVA de Curto-Circuito

12

1.7. Seleção de Disjuntores e Tipos de Corrente de Curto-Circuito

13

1.7.1. Procedimento Simplificado de Cálculo

14

1.8.

Lista de Exercícios

16

Capítulo 2. Componentes Simétricos

21

2.1. Introdução

21

2.2. Fasores Assimétricos a partir dos Componentes Simétricos

21

2.3. Operadores

23

2.4. Componentes Simétricos de Fasores Assimétricos

24

2.5. Defasagem dos Componentes Simétricos em Bancos de Transformadores Y

26

2.6. Potência em função dos Componentes Simétricos

29

2.7. Impedâncias de Seqüência e Circuitos de Seqüência

31

2.8. Redes de Seqüência para Geradores em Vazio

32

2.9. Impedâncias de Seqüência para Linhas de Transmissão

34

2.10. Impedâncias de Seqüência para Cargas Estáticas

35

2.11. Impedâncias de Seqüência para Transformadores Trifásicos

38

2.12. Lista de Exercícios

42

Capítulo 3. Faltas Assimétricas

47

3.1. Introdução

47

3.2. Faltas em Geradores em Vazio

47

Sumário

Prof. Luciano V. Barboza

3.2.1. Falta entre Fase e Terra

48

3.2.2. Falta entre Fase e Fase

50

3.2.3. Falta entre Duas Fases e Terra

52

3.3.

Faltas Assimétricas em Sistemas de Potência

53

3.3.1. Falta entre Fase e Terra

55

3.3.2. Falta entre Fase e Fase

55

3.3.3. Falta entre Duas Fases e Terra

56

3.4. Interpretação das Redes de Seqüência Interconectadas

57

3.5. Análise de Faltas Assimétricas usando a Matriz Impedância de Barra

60

3.6. Lista de Exercícios

61

Capítulo 4. Estabilidade de Sistemas de Potência

65

4.1. Aspectos Gerais

65

4.2. O Problema da Estabilidade

65

4.3. Dinâmica do Rotor e Equação de Oscilação

67

4.4. Equação Potência-Ângulo

71

4.5. Critério da Igualdade de Área para a Estabilidade

75

4.6. Aplicações Adicionais ao Critério da Igualdade de Áreas

81

4.7. Estudos de Estabilidade para Sistemas Multimáquinas: Estudo Clássico

83

4.8. Solução da Curva de Oscilação

87

4.9. Fatores que Afetam a Estabilidade Transitória

89

4.10. Lista de Exercícios

92

 

Bibliografia

95

1. FALTAS TRIFÁSICAS SIMÉTRICAS

1.1. Introdução

Quando ocorre uma falta em um sistema de potência, a corrente que circula é determi- nada pelas forças eletromotrizes internas das máquinas no sistema, por suas impedâncias e pelas impedâncias existentes no sistema entre as máquinas e a falta. As correntes que cir- culam em uma máquina síncrona imediatamente após a ocorrência de uma falta, após alguns ciclos e o valor em regime permanente diferem consideravelmente devido ao efeito da corrente de armadura sobre o fluxo que gera a tensão da máquina. Este capítulo estuda o cálculo da corrente de falta em diferentes instantes de tempo e explica as mudanças na reatância e na tensão interna da máquina síncrona à medida que a corrente varia desde seu valor inicial até o seu valor em regime permanente.

1.2. Transitórios em Circuitos RL Série

A seleção de um disjuntor em um sistema elétrico depende não apenas da corrente que

ele tem que suportar em regime normal de operação, mas também da corrente máxima momentânea que o percorre durante uma falta e da corrente a interromper sob a tensão da linha na qual se encontra. Para se compreender o cálculo da corrente inicial quando um gerador síncrono é curto- circuitado, considere o que acontece quando uma tensão CA é aplicada a um circuito con- tendo valores constantes de resistência e indutância, conforme a Figura 1.1. Observe que o ângulo α determina o módulo da tensão quando o circuito é fechado.

Figura 1.1. Aplicação de uma tensão CA a um circuito RL série.
Figura 1.1. Aplicação de uma tensão CA a um circuito RL série.

A equação para a rede da Figura 1.1 é

Faltas Trifásicas Simétricas

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A solução desta equação é

( )

it

=

Ri

I

max

di

+=

L

V

dt max

cos(

⎢ ⎣

cos(

ωt αθ

+−−

)

t

ω + α

)

cos(

)

αθ e

R

L

t

⎥ ⎦

(1.1)

(1.2)

onde

I

max

=

V max , Z =+ R jL ω = Z ∠ θ , Z Z
V
max
, Z
=+
R
jL
ω
=
Z
∠ θ ,
Z
Z

=

R

2

+

(

L

)

2

ωθ e =

arctan

ω L

R

.

O primeiro termo na equação X(1.2) X varia sinusoidalmente com o tempo. O segundo ter-

Este

termo não-periódico é chamado componente CC da corrente. O termo sinusoidal é o valor

mo é não-periódico e decai exponencialmente com uma constante de tempo

τ =

L . R
L
.
R

em regime permanente da corrente em um circuito RL. Se o valor do termo em regime

permanente não é zero quando

tisfazer a condição de corrente nula no instante imediatamente anterior ao fechamento da

a componente CC aparece na solução de modo a sa-

t = 0,

chave S. Observe que a componente CC não existe se o fechamento ocorrer em um ponto

da onda de tensão onde

tante de tempo em que

Se o fechamento ocorre em um ins-

a componente CC possui seu valor inicial máximo e

igual ao valor máximo da componente sinusoidal. As Figuras 1.2 (a) e (b) mostram a cor-

αθ− =

α θ = 0,

π

2 ou

αθ− =−

π

2 .

rente em função do tempo para αθ−= π e αθ−= π , respectivamente. A componente
rente em função do tempo para
αθ−=
π
e
αθ−= π
,
respectivamente. A componente
2
V
CC pode ter qualquer valor entre zero e
max
dependendo do valor instantâneo da tensão
Z

quando o circuito é fechado e também do fator de potência da rede. No instante da aplica-

ção da tensão, as componentes CC e de regime permanente têm a mesma amplitude, po-

rém são de sinais opostos de modo a expressar o valor nulo da corrente em t = 0.

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(b) (a) Figura 1.2. Corrente como função do tempo no circuito da Figura 1.1 para:
(b)
(a)
Figura 1.2. Corrente como função do tempo no circuito da Figura 1.1 para:
(a) αθ−=
π
e (b)
αθ−=π
.
2

A tensão é aplicada em t = 0.

Por outro lado, um gerador síncrono consiste basicamente em um campo magnético gi- rante que gera uma tensão no enrolamento de armadura que possui resistência e reatância. A corrente que circula quando um gerador é curto-circuitado é semelhante àquela que cir- cula quando uma tensão alternada é aplicada subitamente à associação série de um resistor e um indutor. Entretanto, existem diferenças importantes porque a corrente na armadura afeta o campo girante. O efeito de um curto-circuito nos terminais de um gerador a vazio pode ser analisado a partir de um oscilograma da corrente em uma das fases quando este curto-circuito ocorre. Como as tensões de fase estão defasadas entre si de 120°, o curto-circuito ocorre em dife- rentes pontos da onda de tensão em cada fase. Por essa razão, a componente CC em cada fase é diferente. Se a componente CC da corrente for eliminada, a curva das correntes de fase será aquela mostrada na Figura 1.3.

i c b a 0 t
i
c
b
a
0
t

Figura 1.3. Oscilograma da corrente em um gerador síncrono a vazio em curto-circuito. A componente CC da corrente foi desprezada.

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Comparando as Figuras 1.2(a) e 1.3, percebe-se a diferença entre a aplicação de uma tensão alternada a um circuito RL série e a aplicação de um curto-circuito a uma máquina síncrona. Não há componente CC em nenhuma dessas figuras. Numa máquina síncrona, o fluxo no entreferro é muito maior no instante em que ocorre o curto-circuito do que alguns ciclos após. A redução do fluxo é causada pela força magnetomotriz da corrente de arma- dura, que é chamada reação da armadura. Quando ocorre um curto-circuito nos terminais de uma máquina síncrona, é necessário transcorrer um tempo para reduzir o fluxo no entre- ferro. À medida que o fluxo diminui, a corrente da armadura diminui porque a tensão ge- rada pelo fluxo do entreferro determina a corrente que fluirá através da resistência e da reatância de dispersão do enrolamento da armadura.

1.3. Correntes de Curto-Circuito e Reatâncias das Máquinas Síncronas

As reatâncias das máquinas síncronas tratadas em estudos de falta são as reatâncias do eixo direto. Como a resistência normalmente é pequena, a corrente durante uma falta está sempre atrasada com um grande ângulo em relação à tensão. Na Figura 1.3, a distância “0a” é o valor máximo da corrente de curto-circuito em regi-

me permanente. Este valor de corrente dividido por

2 é o valor eficaz da corrente de cur-

dividido por 2 é o valor eficaz da corrente de cur- to-circuito em regime permanen te.

to-circuito em regime permanente. A tensão em vazio do gerador dividida pela corrente em regime permanente é chamada de reatância síncrona do gerador ou reatância síncrona do

eixo direto, ou seja,

X

d

=

E G E G = 0 a I 2
E
G E
G
=
0 a
I
2

(1.3)

Se a envoltória da onda de corrente for retrocedida até o tempo zero e alguns dos pri- meiros ciclos forem desprezados (onde o decréscimo é muito rápido), a intersecção será a distância “0b”. O valor eficaz desta intersecção é conhecido como corrente transitória. Assim, pode-se definir uma outra reatância para a máquina, chamada de reatância transi- tória ou reatância transitória do eixo direto

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X ′=

d

E E G G = 0 b I ′ 2
E
E
G
G
=
0
b
I
2

(1.4)

O valor eficaz da corrente determinado pela intersecção da envoltória da corrente com o

tempo zero é chamado corrente subtransitória. Na Figura 1.3, a corrente subtransitória

subtransitória . Na Figura 1.3, a corrente subtransitória equivale à distância “0 c ” dividida por

equivale à distância “0c” dividida por 2. A corrente subtransitória muitas vezes é deno- minada de corrente eficaz simétrica inicial, que é uma denominação mais adequada por desprezar a componente CC e tomar o valor eficaz da componente CA da corrente imedia- tamente após a ocorrência da falta.

X ′′ =

d

E G E G = 0 c I ′′ 2
E
G E
G
=
0 c
I
′′
2

(1.5)

A corrente subtransitória

I ′′

é muito maior do que a corrente em regime permanente I

porque a diminuição do fluxo no entreferro causada pela corrente da armadura não pode ocorrer imediatamente. As equações X(1.3) X a X(1.5) X permitem determinar a corrente de falta em um gerador quan- do as suas reatâncias são conhecidas. Se o gerador estiver sem carga quando ocorrer a fal- ta, a máquina é representada pela tensão em vazio em relação ao neutro em série com a

reatância apropriada. A resistência pode ser considerada se desejar-se uma precisão maior.

Exemplo 1.1: Dois geradores estão ligados em paralelo ao lado de baixa tensão de um transformador trifásico ∆−Y, como está mostrado na Figura 1.4. O gerador 1 tem para va- lores nominais 50 MVA e 13,8 kV. O gerador 2 é de 25 MVA e 13,8 kV. Cada gerador tem uma reatância subtransitória de 25%. O transformador apresenta como valores nominais 75 MVA e 13,8/ 69Y kV, com uma reatância de 10%. Antes da falta, a tensão no lado de alta tensão do transformador é 66 kV. O transformador está em vazio e não há corrente circulando entre os geradores. Calcule a corrente subtransitória em cada gerador quando ocorre um curto-circuito trifásico no lado de alta tensão do transformador.

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Figura 1.4. Diagrama unifilar do Exemplo 1.1.
Figura 1.4. Diagrama unifilar do Exemplo 1.1.

1.4. Tensões Internas de Máquinas com Carga sob Condições Transitórias

Considere um gerador com carga quando ocorre uma falta no sistema. A Figura 1.5(a) é

o circuito equivalente de um gerador que alimenta uma carga trifásica equilibrada. A im- pedância externa é mostrada entre os terminais do gerador e o ponto P onde a falta ocorre.

A corrente que circula antes da ocorrência da falta no ponto P é

Sabe-se que o circuito equivalente de

, a tensão no ponto de

falta é

I

L

V

f

e a tensão nos terminais do gerador é

V .

t

um gerador síncrono consiste de sua tensão em vazio em série com a sua reatância síncrona

Se ocorrer uma falta trifásica no ponto P do sistema, um curto-circuito do ponto P

até a referência não satisfaz as condições para cálculo da corrente subtransitória, uma vez

para a

que a reatância do gerador deve ser

X

sinc

.

X ′′

d

para a corrente subtransitória

I ′′,

ou

X

d

corrente transitória

I.

I ′′ , ou X ′ d corrente transitória I ′ . (a) Circuito equivalente em

(a) Circuito equivalente em regime permanente

X ′′ d E ′′ g I ′′
X ′′
d
E
′′
g
I ′′

(b) Circuito para cálculo da corrente subtransitória

Figura 1.5. Circuitos equivalentes para um gerador alimentando uma carga trifásica equilibrada. A ocorrência de uma falta trifásica em P é simulada pelo fechamento da chave S.

O circuito mostrado na Figura 1.5(b) corrige este erro. A tensão

E ′′

g

em série com

X ′′

d

fornece a corrente em regime permanente

corrente subtransitória no curto-circuito

I ′′

I

L quando a chave S está aberta, e fornece a

quando a chave S está fechada. Para determi-

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nar

E ′′

g

, a corrente através de

X ′′ I

d

é

L

.

Portanto,

E ′′ = V + jX ′′I L

gt

d

(1.6)

e esta equação define a tensão interna subtransitória. Analogamente, a corrente transitória

que pode ser determinada

I

pode ser obtida a partir da tensão interna transitória

E

g

como

E

′ = V + jX I

gt

d

L

(1.7)

As tensões internas

E ′′ E

e

g

g

são determinadas a partir da corrente em regime perma-

nente

I

L

e ambas são iguais à tensão em vazio

E

g

apenas quando

I

L for nula, isto é,

quando

E

g

e

V

t

Observe que

são iguais.

E ′′

g

em série com

X ′′

d

representa o gerador antes da ocorrência da falta e

imediatamente após a falta apenas se a corrente anterior à falta for

I

L

.

Por outro lado,

E

g

em série com a reatância síncrona

permanente para qualquer carga. Para um valor diferente de

1.5(a),

X sinc

é o circuito equivalente da máquina em regime

L no circuito da Figura

I

E

g

permaneceria o mesmo, porém seria necessário um novo valor para

E

′′ .

g

Os motores síncronos possuem reatâncias semelhantes às dos geradores. Quando um mo-

tor é curto-circuitado, ele não recebe mais energia da rede, porém seu campo permanece

energizado e a inércia do seu rotor com sua carga conectada conserva sua rotação por um

determinado período de tempo. A tensão interna do motor síncrono faz com que ele forneça

corrente para o sistema, agindo como se fosse um gerador. Portanto, as tensões internas

transitória e subtransitória para um motor síncrono são

E

E

′′ =

V

mt

′ =

V

mt

jX ′′ I

d

jX I

d

L

L

(1.8)

Exemplo 1.2: Um gerador e um motor síncrono possuem valores nominais de 30 MVA e

13,2 kV e ambos têm reatâncias subtransitórias de 20%. A linha de conexão entre eles

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apresenta uma reatância de 10% na base dos valores nominais das máquinas. O motor está

consumindo 20 MW com fator de potência 0,8cap com uma tensão de 12,8 kV em seus

terminais, quando ocorre uma falta trifásica nos seus terminais. Determinar a corrente sub-

transitória no gerador, no motor e na falta. Utilize as tensões internas das máquinas.

Exemplo 1.3: Resolva o Exemplo 1.2 utilizando o teorema de Thèvenin.

1.5. Matriz Impedância de Barra para Cálculo de Faltas

Nesta seção será realizado o estudo de faltas trifásicas em redes generalizadas. O estudo

será baseado no sistema elétrico mostrado na Figura 1.6(a) e os resultados podem ser gene-

ralizados para qualquer tipo de rede. A Figura 1.6(b) é o diagrama de reatâncias deste sis-

tema e para estudar uma falta trifásica na barra 4, pode-se utilizar o mesmo procedimento

da seção anterior e designar

V

f

como a tensão na barra 4 antes da falta.

1 E ′′ G1 X ′′ X T 1 G1 X 14 X 13 3
1
E ′′
G1
X ′′
X
T 1
G1
X
14
X
13
3
4
E ′′
G2
X ′′
X
X
T 2
34
G2
X
23
2
E ′′
M
X ′′
X
T 3
M
X
24
(a) Diagrama unifilar
V
f
(b) Diagrama de reatâncias
Figura 1.6. Diagramas de um sistema elétrico hipotético.

Uma falta trifásica na barra 4 é simulada pela rede mostrada na Figura 1.7 onde as ten-

neste ramo não causa cor-

sões

V

f

e

V

f

simulam o curto-circuito. Apenas a tensão

V

f

rente no ramo. Com

V

f

e

V

f

no ramo é

I ′′

f

.

Se

EEE′′ ′′

GG

1

,

2

,

′′

M

em série, o ramo constitui um curto-circuito, e a corrente

e

V f

forem curto-circuitadas, as tensões e correntes serão

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aquelas devido apenas a

V

f

.

Assim, a única corrente que entra em um nó vinda de uma

fonte é a devido a

V e igual a I ′′ na barra 4 ( I ′′ saindo da barra 4) uma vez que não

f

f

f

há corrente neste ramo até a inserção de

V

f

.

E ′′ G1 X ′′ G1 E ′′ G2 X ′′ G2 E ′′ M
E
′′
G1
X ′′
G1
E
′′
G2
X ′′
G2
E
′′
M
X ′′
M
I ′′
f
−V
f
Figura 1.7. Falta na barra 4 da rede da Figura 1.6 simulada por
V
f

e

V

f

em série.

As equações nodais na forma matricial para a rede com

V

f

como única fonte são

0

0

0

I ′′

f

=

⎢ ⎣

Y

11

0

YY

13

14

0

YYY

22

23

24

YYYY

31

32

33

34

YYYY

41

42

43

44


⎢ ⎢



1

⎥ ⎦

V

V

2

V

3

V

f

(1.9)

onde

Y

11

Y

22

Y

33

Y

44

=

=

=

1

1

1

j ( X

′′ +

G

1

X

T

1

)

jX

13

jX

14

+

+

1

1

1

j

(

X

′′ +

M

X

T 3

)

jX

23

jX

24

+

+

Y

13

Y

23

1

++ 11

jX

1

j

(

X

111

′′ +

G

2

X

T

2

)

jX

13

23

jX

34

+

=++

jX

14

jX

24

jX

34

= Y

31

=−

= Y

32

=−

Y

34

=

1

jX

1

13

jX

Y

43

23

=−

1

Y

14

Y

24

jX

34

= Y

41

= Y

42

=−

=−

1

jX

1

14

jX

24

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e o sobrescrito indica que as tensões são devido apenas a

V .

f

O sinal foi escolhido

para indicar a mudança nas tensões devido à falta.

Invertendo a matriz admitância de barra da equação X(1.9) X, obtém-se a matriz impedân-

cia de barra e as tensões nodais devido a V

f

V

1

V

2

V

3

V

f

⎦ ⎥

= Z

Da equação X(1.10) X, tem-se que

I ′′ =

f

são dadas por

barra

V

f

Z

44

0

0

0

I ′′

f

⎤ ⎥ ⎥ ⎥ ⎥ ⎥ ⎥ ⎥ ⎦

(1.10)

(1.11)

V

1

Z

ZZZ

Z

Z

=− ZI

14

14

V

f

V

2

=−

ZI

24

24

V

V

3

44

′′ =−

f

′′ =−

ZI

34

′′ =−

f

ff

44

=−

34

44

V

f

(1.12)

Quando a tensão

V

f

é curto-circuitada na rede da Figura 1.7 e

EEE′′ ′′

GG

1

,

2

,

′′

M

e V

f

es-

tão no circuito, as correntes e tensões são as que existiam antes da falta. Pelo princípio da

superposição, estas tensões anteriores à falta adicionadas aos valores das tensões da equa-

ção X(1.12) X resultam nas tensões existentes após a ocorrência da falta. Normalmente, consi-

dera-se a rede sem carga antes da falta. Neste caso, nenhuma corrente circula antes da fal-

ta e todas as tensões são iguais a V

f

. Assim,

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⎛ ⎞ Z Z ⎟ 14 ⎜ 14 V = V + V = V
Z
Z
14
14
V
=
V
+
V
=
V
ZI
′′ =
V
V
=− ⎜ 1
11
f
f
14
ff
f
Z
⎜ Z
⎝ ⎠
44
44
Z
⎛ Z
24
24
V
=
V
+
V
=
V
ZI
′′ =
V
V
=− ⎜ 1
22
f
f
24
ff
f
Z
Z
44
44
Z
Z
34
34
V
=
V
+
V
=
V
ZI
′′ =
V
V
=− ⎜ 1
33
f
f
34
ff
f
Z
Z
44
44
V
=−= VV 0
4
f
f

V

f

V

f

V

f

(1.13)

foi formada para

uma rede que possui valores subtransitórios para as reatâncias das máquinas síncronas. Generalizando as relações anteriores, pode-se afirmar que, para uma falta na barra k, tem-se

Estas tensões existem quando a corrente subtransitória circula e

Z barra

I

f

=

f

V

Z

kk

e a tensão na barra n após a falta é

V

n

= ⎜ 1

⎜ ⎜

Z

nk

Z

kk

⎟ ⎟

V

f

(1.14)

(1.15)

As correntes em qualquer parte do circuito da Figura 1.7 podem ser determinadas atra- vés das tensões e das impedâncias. Por exemplo,

I ′′ =

13

V

1

V

3

jX

13

I ′′ =

G 1

E

′′

G 1

V

1

jX (

′′ +

G

1

X

T

1

)

(1.16)

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1.6. MVA de Curto-Circuito

As concessionárias de energia elétrica fornecem os dados para os usuários que devem de- terminar a corrente de falta de modo a especificar os disjuntores em algum ponto de uma planta industrial ou de um sistema de potência. Normalmente, esses dados incluem os MVA de curto-circuito, onde

MVA de curto-circuito

3
3

kV

nominal

I

××

SC

10

3 (1.17)

Desprezando as resistências e capacitâncias em derivação, o circuito equivalente monofá- sico de Thèvenin que representa o sistema consiste em uma fem igual à tensão de linha

o sistema consiste em uma fem igual à tensão de linha nominal dividida por 3 em

nominal dividida por 3 em série com uma reatância indutiva de

X

TH

Resolvendo a equação X(1.17) X para

=

kV nominal × 1000 3 I SC
kV
nominal
× 1000
3
I SC

I SC

e substituindo na equação X(1.18) X, tem-se

X =

TH

(

kV

nominal

)

2

MVA de curto-circuito

(1.18)

(1.19)

Transformando a equação X(1.19) X para pu, obtém-se

Se

kV

base

é igual a

X =

TH

2 ( kV ) nominal 2 ( kV ) base MVA de curto-circuito MVA base
2
(
kV
)
nominal
2
(
kV
)
base
MVA de curto-circuito
MVA
base

pu

kV

nominal

X

TH

,

=

convertendo para pu, obtém-se

MVA

base

=

MVA de curto-circuito

I base

I SC

p u

(1.20)

(1.21)

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Exemplo 1.4 : Determine a matriz impedância de barra para a rede da Figura 1.8. Os ge- radores nas barras 1 e 3 possuem valores nominais de 270 e 225 MVA, respectivamente. As reatâncias subtransitórias dos geradores mais as reatâncias dos transformadores que os co- nectam às barras do sistema são iguais a 0,3 pu cada, usando como base os valores nomi- nais dos geradores. As relações de transformação dos transformadores são tais que a tensão

base em cada circuito do gerador é igual à tensão nominal do gerador. Incluir as reatâncias dos geradores e transformadores na matriz. Calcule a corrente subtransitória para uma fal-

ta trifásica na barra 4 e as correntes que chegam à barra em falta vindas das barras 3 e 5.

A corrente antes da falta pode ser desprezada e todas as tensões são consideradas 1,0 pu

antes da ocorrência da falta. A base do sistema é 100 MVA.

da ocorrência da falta. A base do sistema é 100 MVA. Figura 1.8. Diagrama unifilar do
da ocorrência da falta. A base do sistema é 100 MVA. Figura 1.8. Diagrama unifilar do
da ocorrência da falta. A base do sistema é 100 MVA. Figura 1.8. Diagrama unifilar do
da ocorrência da falta. A base do sistema é 100 MVA. Figura 1.8. Diagrama unifilar do

Figura 1.8. Diagrama unifilar do Exemplo 1.4.

1.7. Seleção de Disjuntores e Tipos de Corrente de Curto-Circuito

A corrente subtransitória é a corrente eficaz simétrica inicial e não inclui o componente CC. A inclusão deste componente resulta em um valor eficaz da corrente imediatamente após a falta maior do que a corrente subtransitória. Para disjuntores a óleo acima de 5 kV, a corrente subtransitória multiplicada por 1,6 é considerada como sendo o valor eficaz da corrente cuja força disruptiva o disjuntor deve suportar durante o primeiro ciclo após a ocorrência da falta. Esta corrente é chamada corrente momentânea. A capacidade nominal de interrupção de um disjuntor é especificada em MVA. Os MVA

interrupção de um disjuntor é especificada em MVA. Os MVA de interrupção são iguais a 3

de interrupção são iguais a 3 vezes a tensão da barra à qual o disjuntor está ligado mul-

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tiplicado pela corrente que o disjuntor deve ser capaz de interromper quando os seus con- tatos se separam. Esta corrente é menor do que a corrente momentânea e depende da velo- cidade do disjuntor, tal como 8, 5, 3 ou 1,5 ciclos, que é a medida do tempo que transcorre a partir da ocorrência da falta até a extinção do arco. A corrente que o disjuntor deve interromper é assimétrica, pois contém o componente CC. A corrente nominal de interrupção para disjuntores é chamada corrente simétrica de capacidade de interrupção requerida ou corrente nominal simétrica de curto-circuito. A determinação dessa corrente pode ser realizada utilizando o procedimento simplificado des- crito a seguir.

1.7.1. Procedimento Simplificado de Cálculo

Este método conhecido como método E/X despreza todas as resistências, todas as cargas estáticas, todas as correntes anteriores à falta e todos os motores de indução abaixo de 50 HP. No cálculo da corrente nominal simétrica de curto-circuito, para os geradores são utilizadas as reatâncias subtransitórias e para os motores síncronos utilizam-se as reatân- cias subtransitórias multiplicadas por 1,5. Note que, se não houver motores representados no sistema, a corrente nominal simétrica de curto-circuito é igual à corrente subtransitória.

Exemplo 1.5: Um gerador de 25 MVA e 13,8 kV com

um transformador a uma barra que alimenta quatro motores idênticos, como mostra a Fi-

de cada motor é 20% na base de 5 MVA e 6,9 kV.

Os valores nominais do transformador trifásico são 25 MVA e 13,8/6,9 kV, com uma rea- tância de dispersão de 10%. A tensão na barra dos motores é 6,9 kV quando ocorre uma falta trifásica no ponto P. Para a falta especificada, calcule:

a) a corrente subtransitória na falta;

b) a corrente subtransitória no disjuntor A;

c) a corrente nominal simétrica de curto-circuito na falta e no disjuntor A.

gura 1.9. A reatância subtransitória

é conectado através de

X ′′ = 15%

d

X ′′

d

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G P A
G
P
A

Figura 1.9. Diagrama unifilar para o Exemplo 1.5.

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1.8. Lista de Exercícios

1.1. Uma tensão alternada sinusoidal de 60 Hz com valor eficaz de 100 V é aplicada a um

circuito RL série pelo fechamento de uma chave. A resistência é 15 e a indutância é

0,12 H.

a) Determine o valor do componente CC da corrente no fechamento da chave para

um valor da tensão neste instante de 50 V.

b) Qual é o valor instantâneo da tensão que produz o máximo componente CC da

corrente no fechamento da chave?

c) Qual é o valor instantâneo da tensão que resulta na ausência de componente CC

da corrente no fechamento da chave?

d) Se a chave for fechada quando a tensão instantânea for zero, determine os valores

da corrente instantânea após transcorridos 0,5, 1,5 e 5,5 ciclos.

1.2. Um gerador conectado a um transformador por um disjuntor apresenta valores nomi-

nais de 100 MVA e 18 kV com reatâncias de

transformador trifásico tem valores nominais de 100 MVA e 240Y / 18kV e

O

XX′′ ==′ 19%,

dd

26% e

X

d

=

130%.

X = 10%.

O gerador está funcionando em vazio e sob tensão nominal quando ocorre

um curto-circuito trifásico no lado AT do transformador. Calcule, em Ampères:

a) a corrente eficaz simétrica inicial no disjuntor;

b) a corrente de curto-circuito permanente no disjuntor;

c) a corrente eficaz simétrica inicial nos enrolamentos do lado AT;

d) a corrente eficaz simétrica inicial na linha no lado AT.

1.3. Os valores

X ′′ = 0,2 pu.

d

com

Ele alimenta uma resistência pura de 400 MW sob 20 kV. Esta carga é

ligada diretamente aos terminais do gerador. Curto-circuitando simultaneamente as

três fases da carga, calcule a corrente eficaz simétrica inicial no gerador em pu numa

base de 500 MVA e 20 kV.

nominais de um

gerador de

60

Hz

são

500 MVA e

20 kV,

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1.4. Um gerador é conectado através de um transformador a um motor síncrono. Reduzi-

das a uma mesma base, as reatâncias subtransitórias do gerador e do motor são

0,15 pu e 0,35 pu, respectivamente, e a reatância de dispersão do transformador é

0,10 pu. Ocorre uma falta trifásica nos terminais do motor quando a tensão nos ter-

minais do gerador é 0,9 pu e a corrente de saída do gerador é 1,0 pu com um fator de

potência 0,8cap. Calcule a corrente subtransitória em pu no ponto de falta, no gera-

dor e no motor. Use a tensão nos terminais do gerador como fasor de referência e

obtenha a solução:

a) calculando as tensões internas das máquinas;

b) usando o teorema de Thèvenin.

1.5. Dois motores síncronos com reatâncias subtransitórias de 0,80 e 0,25 pu, respectiva-

mente, numa base de 480 V e 2 MVA, estão conectados a uma barra. Esta barra está

conectada, através de uma linha de transmissão com reatância de 0,023 , a uma

barra de um sistema de potência. Nesta barra, os MVA de curto-circuito do sistema

de potência são 9,6 MVA para uma tensão nominal de 480 V. Para uma tensão na

barra do motor igual a 440 V, despreze a corrente de carga e calcule a corrente eficaz

simétrica inicial numa falta trifásica na barra do motor.

1.6. A matriz impedância de barra para uma rede de 4 barras, com valores em pu, é

Z

barra

= j

0,15

0,08

0,04

0,07

0,08

0,15

0,06

0,09

0,04

0,06

0,13

0,05

0,07

0,09

0,05

0,12

⎥ ⎦

Os geradores estão conectados às barras 1 e 2 e suas reatâncias subtransitórias foram

. Desprezando a corrente anterior à falta, calcule a corrente

subtransitória em pu no ponto de falta para uma falta trifásica na barra 4. Considere

a tensão no ponto de falta igual a 1,0 pu antes da ocorrência da falta. Calcule tam-

bém a corrente subtransitória em pu no gerador 2, cuja reatância subtransitória é

0,2 pu.

incluídas na matriz

Z barra

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1.7. Para a rede mostrada na Figura 1.10, calcule a corrente subtransitória em pu no ge- rador 1, na linha 12 e a tensão nas barras 1 e 3 para uma falta trifásica na barra 2. Considere que nenhuma corrente circula anteriormente à falta e que a tensão na bar- ra 2 antes da falta era 1,0 pu. Resolva usando a matriz impedância de barra.

2
2
j 0,5 G 1 G 2
j 0,5
G 1
G 2

0,2

j

0,4

j

1 3
1
3

X ′′ = 0,2

X ′′ = 0,25

Figura 1.10. Rede para o Problema 1.7 (valores em pu).

1.8. Para uma falta trifásica na barra 1 da rede sem carga da Figura 1.11 (todas as ten- sões nodais são iguais a 1,0 pu), calcule a corrente subtransitória na falta, as tensões nas barras 2, 3 e 4 e a corrente no gerador ligado à barra 3.

E ′′ G1 E ′′ G2 E ′′ M Figura 1.11. Rede para o Problema
E ′′
G1
E
′′
G2
E
′′
M
Figura 1.11. Rede para o Problema 1.8 (valores em pu).

1.9. Calcule a corrente subtransitória em pu numa falta trifásica na barra 5 na rede da Figura 1.12. Despreze a corrente anterior à falta e considere todas as tensões nodais iguais a 1,0 pu antes da ocorrência da falta. Calcule também a corrente nas linhas 15 e 35.

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Faltas Trifásicas Simétricas Prof. Luciano V. Barboza Figura 1.12. Diagrama de reatâncias para o Problema 1.9

Figura 1.12. Diagrama de reatâncias para o Problema 1.9 (valores em pu).

1.10. Um gerador de 625 kVA e 2,4 kV com

é ligado a uma barra através de

um disjuntor, como mostrado na Figura 1.13. À mesma barra, através de disjuntores, estão ligados três motores síncronos com valores nominais de 250 HP e 2,4 kV, com

fator de potência unitário, 90% de rendimento e

cionando a plena carga, com fator de potência unitário e tensão nominal, com a carga igualmente dividida entre as máquinas. Utilize como base para o sistema 625 kVA e 2,4 kV. a) Calcule a corrente nominal simétrica de curto-circuito em Ampères que deve ser interrompida pelo disjuntor A e B para uma falta trifásica no ponto P. Despreze a corrente anterior à falta. b) Repita o item (a) para uma falta trifásica no ponto Q e para uma falta trifásica no ponto R.

Os motores estão fun-

X ′′ = 0,2 pu

d

X ′′ = 0,2 pu.

d

Figura 1.13. Diagrama unifilar para o Problema 1.10.
Figura 1.13. Diagrama unifilar para o Problema 1.10.

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2. COMPONENTES SIMÉTRICOS

2.1. Introdução

Em 1918, uma das mais poderosas ferramentas para tratar com circuitos polifásicos de- sequilibrados foi apresentada por C. O. Fortescue. Desde então, o método de componentes simétricos tornou-se de grande importância e as faltas assimétricas são todas estudadas por esta abordagem.

2.2. Fasores Assimétricos a partir dos Componentes Simétricos

De acordo com a teoria de Fortescue, três fasores desequilibrados de um sistema trifásico podem ser decompostos em três sistemas equilibrados de fasores denominados componentes simétricos dos fasores originais. Estes conjuntos equilibrados são conhecidos como:

Componentes de seqüência positiva: consistem de três fasores iguais em módulo, 120°

defasados entre si e tendo seqüência de fases idêntica à dos fasores originais. Utiliza-se

o subíndice “1” para designar este conjunto de fasores.

Componentes de seqüência negativa: consistem de três fasores iguais em módulo, 120° defasados entre si e tendo seqüência de fases oposta à dos fasores originais. Utiliza-se

o subíndice “2” para designar este conjunto de fasores.

Componentes de seqüência zero: consistem em três fasores iguais em módulo e com o mesmo ângulo de fase. Utiliza-se o subíndice “0” para designar este conjunto de faso- res.

A Figura 2.1 mostra os conjuntos de componentes simétricos para um conjunto genérico de três correntes desequilibradas.

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Componentes Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Componentes de seqüência positiva Componentes de seqüência
Componentes Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Componentes de seqüência positiva Componentes de seqüência

Componentes de seqüência positiva

Luciano V. Barboza Componentes de seqüência positiva Componentes de seqüência negativa Componentes de

Componentes de seqüência negativa

Componentes de seqüência zero

Figura 2.1. Três conjuntos de fasores equilibrados que são componentes de três fasores desequilibrados.

Cada um dos fasores desequilibrados originais corresponde à soma de seus componentes simétricos, ou seja,

II=++I

AA1

A2

II=++I

BB1

B2

II=++I

CC1

C2

I

I

I

A

0

B 0

C 0

(2.1)

(2.2)

(2.3)

A síntese de um conjunto de três fasores desequilibrados a partir de três conjuntos de componentes simétricos (Figura 2.1) é mostrada na Figura 2.2.

Figura 2.2. Adição gráfica dos componentes simétricos da Figura 2.1.
Figura 2.2. Adição gráfica dos componentes simétricos da Figura 2.1.

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2.3. Operadores

O resultado da multiplicação de dois números complexos é o produto de seus módulos e

a soma de seus ângulos. Se o número complexo que expressa um fasor for multiplicado por

um número complexo de módulo unitário e ângulo

senta um fasor igual ao fasor original defasado de um ângulo

θ é chamado operador e faz com que o

fasor, sobre o qual atua, gire de um ângulo

Um operador conhecido é o operador j, que causa uma rotação de 90° no sentido anti- horário. Duas aplicações sucessivas do operador j causam uma rotação de 180° no sentido

anti-horário. Assim, o operador j pode matematicamente ser expresso como

θ,

o número complexo resultante repre-

θ.

O número complexo de módulo unitário e ângulo

θ.

j = 1,090°

(2.4)

Um outro operador útil é o operador a, que causa uma rotação de 120° no sentido anti- horário sobre o fasor no qual é aplicado. Dessa forma, tem-se que

a = 1,0120 °

(2.5)

Se o operador a for aplicado duas vezes sucessivas a um fasor, este irá girar de 240° no sentido anti-horário. Três aplicações sucessivas de a causam uma rotação de 360° no senti- do anti-horário. Matematicamente, tem-se

× =

aa

a

2

a

2

× =

aa

=

1,0 120

3

= ∠−

1,0

°× ∠

1,0 120

° =

120

°× ∠

1,0 120

1,0

∠−

° =

1,0

120

∠ °

0

°

(2.6)

A Figura 2.3 mostra os fasores representando as várias potências do operador a.

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Componentes Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Figura 2.3. Diagrama fasorial com as várias potências do operador
Componentes Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Figura 2.3. Diagrama fasorial com as várias potências do operador
Componentes Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Figura 2.3. Diagrama fasorial com as várias potências do operador

Figura 2.3. Diagrama fasorial com as várias potências do operador a.

2.4. Componentes Simétricos de Fasores Assimétricos

Cada componente simétrico das correntes

I

B

rador a e um componente simétrico da corrente

escrever

I

I

I

B

B

B

1

2

0

=

=

=

2

aI

A

aI

I

A

A

0

2

1

e

I C

I

A

pode ser expresso em termos do ope-

. De acordo com a Figura 2.1, pode-se

I

I

I

C

C

C

1

2

0

=

=

=

aI

A 1

2

aI

I

A

0

A2

(2.7)

Substituindo as equações X(2.7)X nas equações X(2.1)X, X(2.2)X e X(2.3)X, obtêm-se

ou na forma matricial

II=++I

AA1

A2

I

A 0

I

B

2

= a I

++aI

2

AA1

I

I

=+aI

CA1

2

a I

A2

+ I

I

I

I

A

B

C

=

⎢ ⎣

11

1

a

1

1

aa

2

a

2

⎥⎣ ⎦

I

I

I

A

A

A

0

1

2

⎥ ⎦

A0

A0

(2.8)

(2.9)

(2.10)

(2.11)

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Definindo

tem-se que

A

A


=

⎣ ⎢

11

1

1

2

a

a

1 1

⎣ ⎢

=

3

11

1

1

a

2

a

1

a

2 ⎦ ⎥

a

1

a

2

a

⎥ ⎦

e pré-multiplicando ambos os lados da equação X(2.11)X por

I

I

I

A

A

A

0

1

2

=

1

3

⎢ ⎣

11

1

1

1

2

aa

a

2

a

⎥⎣ ⎦

I

I

I

A

B

C

⎥ ⎦

A

ou na forma de equações

I

I

I

A

A

A

0

1

2

1

(

=

=

3

1

3

1

(

(

II++ I

AB

C

I

++aI

AB

2

a I

C

2

a I

C

)

= I ++aI

3

AB

)

)

 

(2.12)

(2.13)

1 ,

obtém-se

 

(2.14)

(2.15)

(2.16)

(2.17)

A partir dos componentes simétricos da corrente

X(2.7)X,

os componentes

simétricos

das correntes

I

B

e

I

A

I

C

.

Em um sistema trifásico, tem-se

III++= I

ABC

N

, pode-se obter, através da equação

(2.18)

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portanto,

I =

N

3

I A

0

(2.19)

é zero e as correntes

de linha não contêm componentes de seqüência zero. Assim, uma carga ligada em não contém componentes de seqüência zero.

A equação X(2.15)X mostra que não existem componentes de seqüência zero se a soma dos

fasores desequilibrados for zero. A soma dos fasores tensão de linha em um sistema trifásico é sempre zero, portanto, os componentes de seqüência zero nunca estão presentes nas ten-

sões de linha, não importando a dimensão do desbalanceamento.

Na ausência de um caminho ao neutro em um sistema trifásico,

I

N

Exemplo 2.1: Um condutor de uma linha trifásica está aberto. A corrente que circula para uma carga ligada em através da linha a é 10 A. Usando a corrente da linha a como refe- rência e considerando que a linha c esteja aberta, calcular os componentes simétricos das correntes de linha.

2.5. Defasagem dos Componentes Simétricos em Bancos de Transformadores Y −∆

No curso de Circuitos III, estudou-se a utilização da regra do ponto para transformado-

res. Para que as correntes do lado de alta e do lado de baixa tensão estejam em fase é ne- cessário que o sentido da corrente em um enrolamento entre pelo ponto e no outro, saia.

1 nos lados AT e

BT, respectivamente, ao invés dos pontos. As outras extremidades dos enrolamentos são

A Figura 2.4 mostra a equivalência entre as duas regras. No trans-

são

formador mostrado, as correntes

marcadas por H

A marcação padrão para transformadores monofásicos utiliza

2

e X .

2

I

p

e

I

s

H 1 e X

estão em fase. Assim, os terminais

H

1

e X

1

positivos no mesmo instante em relação a

H

2

e X .

2

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Figura 2.4. Diagrama esquemático de um transformador monofásico.
Figura 2.4. Diagrama esquemático de um transformador monofásico.

Os terminais de AT dos transformadores trifásicos são marcados com

HH,

1

2

e H 3

e os

as marcações são tais que as

3 estão em fase com as tensões e correntes nos

terminais

sempre há defasagem entre as grandezas do lado de AT e de BT.

A seqüência de fases

é direta (ABC). Os enrolamentos colocados em paralelo estão acoplados magneticamente, pois estão montados sobre o mesmo núcleo. As fases do lado de AT são designadas por le- tras maiúsculas e as do lado de BT, por letras minúsculas.

tensões e correntes nos terminais

de BT, com

XX,

12

e X .

3

Em transformadores YY e

HH,

1

2

e H

∆−∆,

XX,

12

e X ,

3

respectivamente. Entretanto, em transformadores

Y −∆ .

Y −∆ e ∆− Y

,

A Figura 2.5 é o diagrama de ligação de um transformador

Figura 2.5. Diagrama de ligações de um transformador trifásico.
Figura 2.5. Diagrama de ligações de um transformador trifásico.

em um

exigem que as grandezas de seqüência positiva do lado de AT este-

jam 30° adiantadas em relação às grandezas de seqüência positiva do lado de BT, indepen-

dentemente de estarem os enrolamentos de alta tensão em Y ou em

de seqüência negativa, a defasagem deve ser de 30° em atraso. A Figura 2.6 mostra os dia- gramas fasoriais para os componentes de seqüência das tensões nos dois lados do transfor-

Para as grandezas

transformador

As normas americanas para designar os terminais

Y −∆,

H

1

e XH,

12

e X

2

e H

3

e X ,

3

.

mador.

Componentes Simétricos

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Seqüência positiva
Seqüência positiva
Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Seqüência positiva Seqüência negativa Figura 2.6. Diagramas fasoriais dos
Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Seqüência positiva Seqüência negativa Figura 2.6. Diagramas fasoriais dos
Simétricos Prof. Luciano V. Barboza Seqüência positiva Seqüência negativa Figura 2.6. Diagramas fasoriais dos

Seqüência negativa

Figura 2.6. Diagramas fasoriais dos componentes simétricos das tensões.

Observando os diagramas fasoriais da Figura 2.6, verifica-se que

V

a1

e que

V

A2

está 90° adiantada em relação a

V

a

está 90° atrasada

Assim, as relações entre

V A1

em relação a

2 . os componentes simétricos das tensões nos dois lados do transformador é

V

A1

= −jV

a1

V

A2

= j V

a2

(2.20)

A Figura 2.7 mostra os diagramas fasoriais para os componentes de seqüência das cor-

rentes nos dois lados do transformador.

Seqüência negativa Seqüência positiva Figura 2.7. Diagramas fasoriais dos componentes simétricos das correntes.
Seqüência negativa
Seqüência positiva
Figura 2.7. Diagramas fasoriais dos componentes simétricos das correntes.

Da Figura 2.7, verifica-se que

I

a

está 90°

Assim, as relações entre os componentes simétricos das corren-

I

A1

está 90° atrasada em relação a

I

a1

e que

I

A2

adiantada em relação a

2