P. 1
Conjuntos e Funções

Conjuntos e Funções

|Views: 1.057|Likes:
Publicado porNilva Lemos

More info:

Published by: Nilva Lemos on May 16, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/29/2013

pdf

text

original

Sections

  • Capítulo I – Conjuntos e Relações
  • 1 – Noções Elementares Sobre Conjuntos
  • 1.1 – Conjunto e elemento
  • 1.2 – Pertinência
  • 1.3 – Representação
  • 1.4 – Conjunto unitário e vazio
  • 1.5 – Conjunto universo
  • 1.6 – Subconjuntos e igualdade entre conjuntos
  • 1.7 – União e intersecção
  • 1.8 – Diferença e complementar
  • 1.9 – Conjunto das partes e partição de conjuntos
  • 1.10 – Diferença simétrica
  • 1.11 – Generalizações
  • Exercícios I – 1
  • 2 – Pares Ordenados e Produto Cartesiano
  • 2.1 – Par ordenado
  • 2.2 – Produto cartesiano
  • Exercícios I – 2
  • 3 – Noção de Cardinalidade
  • 3.1 – Cardinalidade de alguns conjuntos finitos
  • 3.2 – Alguns exemplos
  • Exercícios I – 3
  • 4 – Relações
  • 4.1 – Plano cartesiano
  • 4.2 – Relações binárias
  • 4.3 – Funções
  • 4.4 – Relações de equivalência
  • 4.5 – Relações de ordem total
  • Exercícios I – 4
  • Capítulo II – Funções e Estruturas
  • 1 – Características Gerais
  • 1.1 – Definição de função e notações
  • 1.2 – Igualdade entre funções
  • 1.3 – União de funções
  • 1.4 – Imagens e pré-imagens de funções
  • Exercícios II – 1
  • 2 – Funções Injetoras, Sobrejetoras e Bijetoras
  • 2.1 – Definições
  • Exercícios II – 2
  • 3 – Conjuntos Indexados e Generalizações
  • 3.1 – Conjuntos indexados
  • 3.2 – Generalizações
  • Exercícios II – 3
  • 4 – Produtos Cartesianos: Caso Geral
  • 4.1 – O Axioma da Escolha
  • 4.2 – Generalização do produto cartesiano
  • Exercícios II – 4
  • 5 – Operações Unárias e Binárias; Estruturas Algébricas Básicas
  • 5.1 – Operações e Relações
  • 5.2 – Comutatividade, associatividade e distributividade
  • 5.3 – Grupos
  • 5.4 – Anéis
  • 5.5 – Corpos
  • Exercícios II – 5
  • 6 – Composição de Funções; Mais Sobre Grupos
  • 6.1 – Composição de funções
  • 6.2 – Morfismos de grupos
  • 6.3 – Grupo de permutações
  • 6.4 – Grupos diedrais
  • Exercícios II – 6
  • Capítulo III – Conjuntos Numéricos
  • 1 – Conjunto dos Naturais
  • 1.1 – Axiomas de Peano
  • 1.2 – Soma e produto de números naturais
  • 1.3 – Relação de ordem em ℕ
  • 1.4 – Potência de números naturais
  • 1.5 – Somatório e produtório
  • 1.6 – Teorema Binomial de Newton
  • Exercícios III – 1
  • 2 – Conjuntos Finitos e Infinitos; Aritmética de Cardinais
  • 2.1 – Conjuntos finitos
  • 2.2 – Conjuntos infinitos
  • 2.3 – Conjuntos enumeráveis
  • 2.4 – Equipotência de conjuntos
  • 2.5 – Números cardinais
  • 2.6 – Ordenação de números cardinais
  • 2.7 – Cardinais finitos
  • 2.8 – Aritmética de cardinais

Conjuntos e Funções

Ivan Eugênio da Cunha
1 de Janeiro de 2011

1

Conteúdo Capítulo I – Conjuntos e Relações ........................................................................ 5
1 – Noções Elementares Sobre Conjuntos .............................................................. 5 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 1.10 1.11 – Conjunto e elemento ......................................................................................... 5 – Pertinência ........................................................................................................... 5 – Representação ..................................................................................................... 5 – Conjunto unitário e vazio ............................................................................... 6 – Conjunto universo ............................................................................................. 7 – Subconjuntos e igualdade entre conjuntos ............................................ 7 – União e intersecção ........................................................................................... 9 – Diferença e complementar ........................................................................... 14 – Conjunto das partes e partição de conjuntos ...................................... 18 – Diferença simétrica..................................................................................... 20 – Generalizações .............................................................................................. 21

Exercícios I – 1..................................................................................................................... 24 2 – Pares Ordenados e Produto Cartesiano......................................................... 26 2.1 2.2 – Par ordenado ..................................................................................................... 26 – Produto cartesiano.......................................................................................... 27

Exercícios I – 2..................................................................................................................... 29 3 – Noção de Cardinalidade ........................................................................................ 30 3.1 3.2 – Cardinalidade de alguns conjuntos finitos ........................................... 30 – Alguns exemplos ............................................................................................... 31

Exercícios I – 3..................................................................................................................... 34 4 – Relações ....................................................................................................................... 35 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 – Plano cartesiano............................................................................................... 36 – Relações binárias ............................................................................................. 37 – Funções ................................................................................................................ 40 – Relações de equivalência.............................................................................. 42 – Relações de ordem total ................................................................................ 45

Exercícios I – 4..................................................................................................................... 48

Capítulo II – Funções e Estruturas ................................................................... 51
1 – Características Gerais ........................................................................................... 51 1.1 – Definição de função e notação ................................................................... 51

2 1.2 1.3 1.4 – Igualdade entre funções................................................................................ 51 – União de funções .............................................................................................. 53 – Imagens e pré-imagens de funções ........................................................... 55

Exercícios II – 1 ................................................................................................................... 60 2 – Funções Injetoras, Sobrejetoras e Bijetoras ................................................ 62 2.1 – Definições ............................................................................................................ 62

2.2 – Imagens e pré-imagens de injeções, sobrejeções e bijeções; função inversa. ................................................................................................................. 64 Exercícios II – 2 ................................................................................................................... 66 3 – Conjuntos Indexados e Generalizações .......................................................... 67 3.1 3.2 – Conjuntos indexados ...................................................................................... 67 – Generalizações .................................................................................................. 69

Exercícios II – 3 ................................................................................................................... 73 4 – Produtos Cartesianos: Caso Geral .................................................................... 74 4.1 4.2 – O Axioma da Escolha ...................................................................................... 74 – Generalização do produto cartesiano ..................................................... 75

Exercícios II – 4 ................................................................................................................... 79 5 – Operações Unárias e Binárias; Estruturas Algébricas Básicas ........... 80 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 – Operações e Relações ..................................................................................... 80 – Comutatividade, associatividade e distributividade........................ 80 – Grupos .................................................................................................................. 82 – Anéis ...................................................................................................................... 86 – Corpos ................................................................................................................... 86

Exercícios II – 5 ................................................................................................................... 91 6 – Composição de Funções; Mais Sobre Grupos .............................................. 92 6.1 6.2 6.3 6.4 – Composição de funções ................................................................................. 92 – Morfismos de grupos ...................................................................................... 97 – Grupo de permutações................................................................................... 99 – Grupos diedrais .............................................................................................. 101

Exercícios II – 6 ................................................................................................................. 106

Capítulo III – Conjuntos Numéricos............................................................... 108
1 – Conjunto dos Naturais ......................................................................................... 108 1.1 1.2 – Axiomas de Peano .......................................................................................... 108 – Soma e produto de números naturais ................................................... 110

...........6 2................................3 1................... 142 – Equipotência de conjuntos ...............................4 2...............................................................................1 2........5 2..................... 116 – Somatório e produtório .................................................................................................................................................6 – Relação de ordem em ℕ ........... 129 Exercícios III – 1 ................5 1..........................................................4 1............... 151 – Aritmética de cardinais ............................................... 112 – Potência de números naturais ......................... 144 – Números cardinais ......................................................................................3 1..................... 140 – Conjuntos enumeráveis............. 136 – Conjuntos infinitos............................7 2.. 146 – Cardinais finitos .................................... 117 – Teorema Binomial de Newton ................ Aritmética de Cardinais .................................................................................................8 – Conjuntos finitos ....................... 153 .................................................3 2.............. 136 2............ 133 2 – Conjuntos Finitos e Infinitos....................................................................................................................... 145 – Ordenação de números cardinais ....................................................2 2..

4 .

é conveniente consiste em simplesmente explicitar os elementos do conjunto. se escreve ∉ para indicar que não pertence. dado um conjunto . mas temos uma noção intuitiva. se usa comumente letras maiúsculas para indicar conjuntos (por exemplo. 1. 1 – Noções Elementares Sobre Conjuntos 1. são chamados de famílias de conjuntos ou coleções de conjuntos. Por exemplo. como um elemento de um conjunto pode ser qualquer objeto. é um agrupamento de objetos (de qualquer natureza). 1.2 – Pertinência Outra noção primitiva é a de pertinência. em vezes. Para isso. A utilização de chaves ao início e fim da listagem de elementos. além da utilização de vírgula para a separação desses. assim. se escreve ∈ . Ou seja.5 Capítulo I – Conjuntos e Relações A noção de conjunto é uma das mais fundamentais da matemática. se usa o símbolo “∈”. Um conjunto. Uma forma que. É interessante notar que. não são definidas. pode-se ter que um conjunto pertença a outro. . escrever: = . Também se pode indicar que um determinado elemento não pertence a um dado conjunto . Nessa parte do texto serão apresentados alguns rudimentos da Teoria “Ingênua” dos Conjuntos e o que se denominam relações binárias. é uma convenção e será adotada nesse texto. Ou seja. quando explicitado que se trata de conjuntos formados de conjuntos. ou seja. conjunto ) e letras minúsculas para indicar elementos (por exemplo. esses chamados de elementos. podemos ter conjuntos cujos elementos também são conjuntos. que faz a relação entre elementos e conjuntos. usa-se a indicação “∉” e. Normalmente esses conjuntos. Para indicar que um elemento pertence a um conjunto.1 – Conjunto e elemento As noções de conjunto e elemento são primitivas. . que desempenham papel significativo na matemática (inclusive na construção de conjuntos). pois (quase) toda a matemática é construída com base no conceito de conjunto e suas propriedades. elemento ). para indicar que um elemento pertence a . sendo um conjunto e . e seus elementos (por exemplo). Para a representação. intuitivamente.3 – Representação A representação de um conjunto pode ser feita de diversas maneiras.

Por exemplo. Essa representação consiste em representar o conjunto como sendo um círculo onde se coloca o elemento dentro do círculo para dizer que ele pertence ao conjunto ou fora.1: O conjunto formado pelas soluções da equação 2 + 3 = 0 é Definição 1.6 Quando o conjunto é infinito. A saber. caso o elemento não pertença ao conjunto. o conjunto solução. mas apresentando alguns elementos que tornem evidente qual conjunto se está tratando e acrescentando reticências no final da listagem. Ou seja. Uma última observação a ser feita é que a notação .4. No exemplo abaixo.2: O conjunto vazio é aquele que não possui elementos. Por exemplo.4. então = . É interessante ressaltar que a propriedade pode. representar por: = | Lê-se “Conjunto dos elementos tal que possui a propriedade ” (a barra vertical. podemos escrever o conjunto dos naturais como sendo ℕ = 1. |.2.4. Outra forma de representar um conjunto é destacando alguma propriedade que caracterize esse. ⋯ . Exemplo 1. é lida como “tal que”).3. os elementos e pertencem ao conjunto ( .3. bastando que. na verdade.2. após as reticências.1: Um conjunto é dito unitário se possui um único elemento. ser uma combinação de propriedades. unitário. . ∈ ) enquanto o não pertence ( ∉ ): ∈ . é = − . 1.500 . o conjunto dos quinhentos primeiros números naturais pode ser dado por = 1. ⋯ . podemos dizer que o conjunto é formado pelos números naturais pares menores que 100 ( = ∈ℕ| é < 100 ) Uma terceira forma de representar um conjunto é através do diagrama de Euler-Venn. sendo um conjunto e uma propriedade exclusiva dos elementos desse conjunto. se é unitário e . ∈ .4 – Conjunto unitário e vazio ∈ significa ∈ e Definição 1. pode-se representar na forma de listagem. Ou seja. Por exemplo. se indique o último elemento. . Mas as reticências também podem ser usadas em conjuntos finitos.4.

Tal é o conjunto ao qual pertencem todos os elementos envolvidos no assunto. para todo . ∈ ⟹ ∈ (o símbolo ⟹ se lê “implica”). e somente se.2: Se ⊂ .7 Mais comumente. Diz-se. Por exemplo.5 – Conjunto universo Em geral.3: O caso oposto. Também é comum a utilização da notação ⊆ . Quando for subconjunto próprio de . para todo . ou seja. então. o conjunto dos números reais tais que ≠ ( = ∈ ℝ | ≠ ) é o conjunto vazio.” ou “é condição necessária e suficiente”). Definição 1. 1. mas existe algum tal que ∈ ⇏ ∈ . exclusivamente. onde ∃ se lê “existe algum”). ∈ ⟹ ∈ . existe algum que pertence a . Esse conjunto pode aparecer quando a propriedade dada ao conjunto é logicamente falsa. 1. Quando a condição ∈ ⇔ ∈ . tal fato será explicitado. ∈ ⇔ ∈ .1: Um conjunto é dito ser subconjunto de um conjunto se todos os elementos de forem também elementos de . onde o símbolo ⇏ significa “não implica”. no desenvolver de certos assuntos em matemática. Abaixo está a representação diagramática do que foi discutido. a inclusão é própria (podemos reescrever isso como ∃ | ∈ ∉ . que será esclarecida logo abaixo. o conjunto universo adotado é o dos números reais (tal situação será muito comum nesse texto). é satisfeita.6. Ou seja. Uma forma equivalente de apresentar essa definição é dizendo que ⊂ é uma inclusão própria quando. se escreve = . mas não a .6.6. mas existe algum tal que ∈ e ∉ . se usa a notação ⊂ exclusivamente quando é um subconjunto próprio de e ⊆ quando se admite a possibilidade de = (é uma notação análoga ao de ≤ nos números reais quando se quer dizer que é menor ou igual a ). se a solução que se procura para um problema é um número real. Definição 1. Representamos a implicação dada simplesmente escrevendo ⊂ . pois nenhum número real satisfaz essa condição. Com mesmo significado também se diz que está incluído em ou que é parte de . . é o que define a igualdade entre dois conjuntos (o símbolo ⇔ é uma composição da implicação ⇒ com a ⇐ e pode ser lido como “é equivalente”. Por exemplo. “se.6 – Subconjuntos e igualdade entre conjuntos Definição 1. para todo . Ou seja. admite-se a existência de um conjunto universo (genericamente representado por ). para todo . Agora se pode entender as duas notações usadas: em alguns textos. quando se tem ⊂ e todos os elementos de pertencem a . o conjunto definido acima é representado pelo símbolo ∅. mas também pode ser representado por . que é um subconjunto próprio de (ou parte própria de ). Mas aqui usaremos a notação ⊂ mesmo que exista a possibilidade de = .

e é dado por . na verdade. . quando ⊂ . 1. apenas uma) das duas situações.2: Se um conjunto é dado por = . mas sim que. de forma geral. . . temos Exercício 1. = 1. . Não estamos dizendo que nenhum elemento de pertença a . pode ocorrer uma (e. dizer que um conjunto é diferente de um conjunto (denotamos ≠ ) é equivalente a dizer que existe algum elemento de que não pertence a ou que existe algum elemento de que não pertence a . representamos “não implica” por ⇏). . . mostre que = . .3 e ⊂ . Exemplo 1.8 Observação: Na esquerda. De forma geral. para algum . podemos dizer que = ? SUGESTÃO: Use a Definição 1. . . muito comumente.2.1: Sendo o conjunto = .6. Veja que. e denotamos isso por ⊄ . para completar o exemplo. e = . está. claro. = Exercício 1. Ou seja. a igualdade entre conjuntos não depende da ordem em que são listados os elementos.6. 3 . Dizemos que um conjunto não é subconjunto do conjunto . deve existir algum elemento de que não pertence a . Perceba que isso é a negação da afirmação ∈ ⟹ ∈ para todo .1: Dado = . . . . representada a inclusão própria e na direita a igualdade entre conjuntos.6. Existem também as relações de negação referentes às definições apresentadas. . Para a igualdade. Isso quer dizer que não necessariamente uma ou . ∈ ⇏ ∈ .3. a negação é dada pelo mesmo símbolo acrescentando um corte (como já ocorreu várias vezes nesse texto e. quando existe algum ∈ tal que ∉ . pois cada elemento de também é elemento de . Aqui temos a situação onde há um ou inclusivo. se se tem um símbolo para representar uma afirmação (como o ⟹ para indicar implicação).6. Uma observação geral é que.

Pela definição. essa seria uma inclusão própria de em ) 2) Para algum . . ∈ ⇍ ∈ e. ∈ ⇏ ∈ e. Se ambas as afirmações forem verdadeiras também se diz que é diferente de (como é intuitivo).2.6.6.2 . uma das seguintes situações acontece: 1) Para algum . De fato a implicação é verdadeira.3: ( ⊂ Teorema 1. se ⊂ . ∈ ∅ ⟹ ∈ . para todo .4: ( ⊂ Teorema 1. de forma equivalente. inicialmente. são. Isso fica mais claro quando escrevemos. Assim.9 (exclusivo) outra afirmação deva ser verdadeira.6. essa seria uma inclusão própria de em ) 3) Para algum . pois 1 ∈ .7 – União e intersecção Para os conjuntos. e . . = ⇐ ∈ (pela definição (pela definição (nem nem ⇒ Exemplo 1. para todo . pois ∈ ∅ é falso para todo (afinal. Também se tem que 2 ∈ . ∈ são subconjuntos um do outro). devemos mostrar que essa implicação é verdadeira quando = ∅.1: ∅ ⊂ . Como se pode ver. Usaremos conjuntos arbitrários .6. . ∈ 1. mostrar que. de forma geral. que. Ou seja.2: Sendo = . Demonstração: A demonstração é anti-intuitiva. Também é possível ver que isso é a negação da definição de igualdade apresentada. definidas duas operações: união e intersecção. mas ∈ pode ser verdadeiro ou falso. é intuitiva. o conjunto vazio não possui elementos). mas 2 ∉ . pois. Perceba que a dupla implicação é a composição de duas implicações (⇒ e ⇐) e. Assim. dessa forma.2: (transitividade) Exercício 1. 1 e 1 ∉ . . para todo . ∈ ⇏ ∈ e. ∈ 1. mas ∈ Listemos algumas propriedades da inclusão em forma de teoremas. . se ≠ . Isso mostra que qualquer conjunto possui como subconjunto o conjunto vazio. um elemento que não pertença a não pode pertencer a ).6. 1. ⊂ QED (propriedade reflexiva) e e ⊂ )⇒ ⊂ ⊂ ) ⇒ A=B (anti-simetria) Teorema 1. ≠ é o mesmo que dizer que.6. basta que uma das implicações seja falsa para a dupla implicação ser falsa. para algum .6. ∈ ⇎ ∈ .2. para todo . a implicação é verdadeira.6. ⇍ ∈ ≠ . ∉ ⟹ ∉ ∅ (tal implicação. ⊂ é equivalente a ∈ ⟹ ∈ para todo .3: Demonstre esses últimos três teoremas. para algum . pois parte de uma propriedade lógica não muito comum. Teorema 1.

∪ )∪ = ∪ ∪ )e ∩ )∩ = ∩ ∩ ) quaisquer que sejam . . nesse caso. Abaixo são apresentadas as principais propriedades dessas operações.2: Dado um conjunto universo intersecção entre e . a união entre e definida por: ∪ = ∈ | ∈ ∈ e sendo .7. para tornar algumas propriedades mais claras. o elemento deve. Ou seja. não se exclui os casos em que ambas as afirmações são verdadeiras (a de que ∈ e a de que ∈ ). pertencer simultaneamente a ambos os conjuntos. é definida por: ∩ = ∈ | ∈ ∈ e sendo . a Deve-se perceber que. para ser um elemento da intersecção. Isso quer dizer que. ⊂ . Teorema 1.2: A união e a intersecção possuem propriedade associativa. Definição 1.1: A união e intersecção são comutativas. é Uma observação que deve ser feita é que o “ou” dessa definição é inclusivo. se pertence a e simultaneamente.7. Ou seja. Ou seja.7.7. denotada por (essa ∪ . denotada por ∩ . ∩ = ∩ Demonstração: Tomando a definição: ∪ = ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ ∈ = ∪ ∪ = ∪ e QED Teorema 1. Também são apresentadas algumas representações na forma de diagramas de Euler-Venn.1: Dado um conjunto universo notação indica que ⊂ e ⊂ ).10 Definição 1. ele ainda pertence à união. ⊂ . . ⊂ .

mas isso leva a um absurdo.3: A união e a intersecção são operações fechadas. pois ∪ = ⇒ ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ . para todo ∈ . . as seguintes afirmações são .7. Ou seja.11 Demonstração: Pela definição: ∪ )∪ = = = = ∈ ∈ ∈ ∪ | | | ∪ ∈ ∈ ∈ ) ∪ ∈ ∈ ∪ ∈ ∈ QED Teorema 1. ⊂ ⟹ ∪ ⊂ ∩ ⊂ ). Dessa forma ∪ = ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ = .7. De forma equivalente. Reciprocamente.7. Demonstração: O resultado é imediato.5: As seguintes equivalências são verdadeiras: Demonstração: Pela definição de inclusão. Ou seja. QED ∪ Teorema 1.6: Dados verdadeiras: e quaisquer.4: A união e intersecção são operações idempotentes. Ou seja. QED ⊂ ⟺ ∪ = ⟺ ∩ = Teorema 1. se ∪ = . Assim. Demonstração: Pela definição: ∪ = ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ = QED Teorema 1. = e ∩ = . suponhamos por absurdo que não seja subconjunto de . o mencionado tem que pertencer a . o conjunto resultante ainda é um subconjunto do conjunto universo. pois todos os elementos dos conjuntos usados pertencem ao conjunto universo.7. Dessa forma. ∈ ⟹ ∈ . existe pertencente a tal que não pertence a . os elementos do conjunto dado pela união ou intersecção de subconjuntos de ainda serão elementos de .

⊂ ∪ ∩ ⊂ . Dessa forma.8: A união é distributiva em relação à intersecção e a intersecção é distributiva em relação à união. Demonstração: Basta mostrar que ⊂ ∪ .7. Demonstração: Usemos alguns resultados já demonstrados. ou.6. ∪ ∩ )= ∪ )∩ ∪ )e ∩ ∪ )= ∩ ) ∪ ∩ ). pois os conjuntos são arbitrários. pela definição de subconjunto. QED Teorema 1.7. de forma equivalente. ∪ = ∈ | ∈ ∈ . ∅ ⊂ ⇔ ∅ ∪ = . Demonstração: Pela definição: ∪ ∩ )= = = = = ∈ | ∈ ∪ ∈ | ∈ ∈ ∈ | ∈ ∈ ∈ ) ∈ | ∈ ∈ ) ∈ ∈ ) ∈ | ∈ ∈ ∩ ∈ | ∈ ∈ ∪ )∩ ∪ ) QED . QED Teorema 1.5. é o mesmo que dizer que ⊂ ∪ . Isso quer dizer que. ∈ ⇒ ∈ ∪ . ∪ ∅ = e ∩ ∅ = ∅. para todo ∈ . Qualquer que seja . ∅⊂ (Teorema 1. pelo Teorema 1.1) e.12 . Ou seja. ∩ = . demonstrando o resultado. . Também se tem que o conjunto universo é o elemento neutro da intersecção.7: O conjunto vazio é o elemento neutro da união e o elemento “nulo” da intersecção. quaisquer que sejam . ⊂ . Pela definição.7. que.

13

Por fim, listemos as propriedades apresentadas: 1) 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8)

∪ = ∪ e ∩ = ∩ (comutativa) ∪ )∪ = ∪ ∪ )e ∩ )∩ = ∩ ∩ ) (associativa) , ⊂ ⟹ ∪ ⊂ ∩ ⊂ ) (fecho) ∪ = e ∩ = (idempotência) ⊂ ⟺ ∪ = ⟺ ∩ = , ⊂ ∪ e ∩ ⊂ , ∪ ∅ = , ∩ ∅ = ∅ e ∩ = (elementos neutros e “nulos”). ∪ ∩ )= ∪ )∩ ∪ )e ∩ ∪ )= ∩ )∪ ∩ ) (distributiva)

Essas propriedades são básicas e é importante que se tenha familiaridade com elas. Exercício 1.7.1: Os teoremas acima foram demonstrados apenas para a união. Faça as demonstrações que faltam (referentes à intersecção). Faça também a representação dessas propriedades na forma de diagramas de Euler-Venn quando não for uma propriedade imediata. Exercício 1.7.2: Demonstre os seguintes apresentados acima: ∪ ∩ ) = e ∩ ∪ ) = . corolários dos teoremas

Definição 1.7.3: Se e são conjuntos quaisquer e ∩ = ∅, e são ditos conjuntos disjuntos. Quando isso ocorre, a união ∪ é chamada de união disjunta. No decorrer do texto será dito algumas vezes que certas uniões são disjuntas, mas não se estará, em geral, acrescentando uma propriedade à união e sim ressaltando a propriedade referida acima.

14 Exercício 1.7.3: Mostre que a definição acima para conjuntos disjuntos é equivalente a “ e são disjuntos se, e somente se, para todo , ∈ ⇒ ∉ ”. Justifique porque não é necessário impor que, para todo , ∈ ⇒ ∉ . Definição 1.8.1: Dados , ⊂ ( o conjunto universo), a diferença entre e , denotada por − (lê-se “ menos ”) ou \ , é o conjunto dado por: − = ∈ | ∈ ∉ 1.8 – Diferença e complementar

Essa definição concorda com a noção intuitiva de diferença, pois se está “subtraindo” de os elementos que pertencem a . Mas se deve perceber que os elementos de que não pertencem a não interferem na diferença. Por exemplo, se = 1,2,3,4 e = 3,4,5,6,7,8 , − = 1,2 . Teorema 1.8.1: Dado − − um conjunto universo e , , ∪ )= ∈ − )∩ ∉ | ∈ ∈ − ) ∉ ⊂ , tem-se que:

Demonstração: = = = =

∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ − )∩ − )

∪ )=

∪ ∉ QED

| ∈

15 Corolário: − ∪ )=∅ −

Teorema 1.8.2: Dado −

um conjunto universo e , , ∩ )= ∈ − )∪ | ∈ − ) ∉ ∩ ∉

⊂ , tem-se que:

Demonstração: = = = =

∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ − )∪ − )

∩ )=

∈ ∉ ) ∈ | ∈

QED

A parte que pode ser confusa na demonstração é a passagem da segunda para a terceira linha. Perceba que não pertencer à intersecção significa que ele não pertence a e simultaneamente. A condição ∉ ∉ nos diz que, lembrando que se trata de um “ou” inclusivo, ou pertence a , mas não a , ou pertence a , mas não a , ou não pertence nem a nem a . De forma mais sucinta, dado um , existem as três possibilidades seguintes: ∈ ∉ , ∉ ∈ ou ∉ ∉ . Isso é o mesmo que dizer que o elemento não pertence à intersecção (que é a única possibilidade que não pode acontecer, a saber, ∈ ∈ ). Corolário: Teorema 1.8.3: conjunto universo. Teorema 1.8.4: conjunto universo. − ∩ )= ∩ )− − = − )∩ − ), com , , ⊂ e sendo o

∪ )−

=

− )∪

− ), com , ,

e

sendo o

Exercício 1.8.1: Demonstre esses dois últimos teoremas. Faça também as representações diagramáticas.

Exercício 1.8. como se pode ver na condição de que ⊂ .2: Mostre que ∩ − )= − ∩ − ∩ . Vemos que o complemento é o conjunto de todos os elementos de que não pertencem a (diagrama abaixo). Demonstração: ∁ = Teorema 1. ao mesmo tempo.16 Exercício 1.6: ∁ Demonstração: ∁ ∁ = = Teorema 1.8.8. ⊂ ⊂ . a notação usada é: Algumas propriedades elementares da complementação são apresentadas abaixo tomando . o conjunto − em relação a .8. não pertença a .5: ∁ )∩ ∈ )∩ =∅e ∁ = ∈ | ∈ )∪ = ∉ ∩ ∈ | ∈ que =∁ = − Perceba que a conclusão foi devida ao fato de não poder existir pertença a e. )= )= ∈ | ∈ ∉ ∈ ∉ QED ∈ ∈ | ∈ | ∈ ∈ = ∉ . Quando se tem um conjunto universo e se quer o complementar de um conjunto ⊂ em relação a .3: Demonstre que ∁ =∅e∁ ∅= = ∈ | ∈ )∪ ∉ = .8. =∅ | ∈ ∉ ∈ =∅ QED Demonstração: ∁ Teorema 1.8.2: Se ⊂ .8. Tal conjunto é denotado por: ∁ = é chamado de complemento de A noção de complemento só faz sentido se um conjunto for parte de outro. Existem as propriedades que podem ser generalizadas e isso será feito mais adiante.7: ∁ ∁ Exercício 1.4: Demonstre que ∁ ∅ = . Definição 1.

8. o próprio .8. ⊂ .8. − = ∩∁ ∩∁ = ∩ Teorema 1. então essa é uma inclusão própria se.8. Isto é.6: Mostre que. 1.1. QED . SUGESTÃO: Use o Teorema 1. Demonstração: Por definição.8: ∁ ∩ )= ∁ )∪ ∁ .2: ∩ )= ) − ∩ ).2. ∁ ∁ ∩ )= − ∩ )= Teorema 1.8. ⊂ . Exercício 1.8. ∁ ≠ ∅. Usando o Teorema )∪ ∁ ) − )∪ − )= ∁ QED Exercício 1. Teorema 1.5: Demonstre esse teorema e represente em forma de diagrama.9: ∁ ∪ )= ∁ )∩ ∁ ) Demonstração: Usando o Exercício 1.10: Sendo . temos que − )= ∩ − ∩ = − ∩ = − . se e somente se. pois o complemento de em relação a ∁ ) são todos os elementos de que não pertencem a e o complemento do complemento de em relação a (∁ ∁ )) são todos os elementos de que não pertencem ao complemento de .8.17 QED O resultado é intuitivo. .8.

chamamos de conjunto das partes de . As propriedades 4 e 5 listadas são chamadas de regras de De Morgan (Augustus De Morgan) e uma generalização delas será feita mais adiante. . o conjunto formado por todos os subconjuntos de . então . essa definição nos permite escrever a união de conjuntos de forma mais compacta.2: = = ∪ )= | ⊂ só está bem definido se Essa definição é uma recorrência. Definição 1. Assim. ∅ .9. com ⊂ .9.9 – Conjunto das partes e partição de conjuntos Definição 1. para se usar = ∪ . No final das contas. Também se diz que a coleção de todos os subconjuntos de .1: Dado = . .18 Pode-se também apresentar as mesmas propriedades quando o complemento é em relação a um conjunto universo. é interessante que sejam definidos os “operadores grandes” de união e intersecção. as propriedades tomam a forma: 1) 2) 3) 4) 5) ∩ =∅e ∪ =∅e∅ = ) = ∪ ) = ∩ ∩ ) = ∪ = As demonstrações já foram realizadas.9. Ou seja: )= Exemplo 1. Se continuarmos a recorrência até − − 1) = 1. deve-se saber o que é . 1. pois é um caso particular do que já foi tratado (apenas usando o próprio como subconjunto de ). denotado por ). Antes de passar a definição de partição. . a notação usada é = ∁ = − . Como já dito. . Ou seja. obteremos o seguinte resultado: = ∪ ∪ ⋯∪ .1: Dado um conjunto . pois esses )é são todos os subconjuntos que podem ser extraídos de . Mas está bem definido. nesse caso.

. índices diferentes indicam elementos distintos de . Antes da definição. que vamos definir.9. . o número de subconjuntos de que existem na partição . . . Definição 1. são chamados de (eventualmente ) com (ou ) podendo ser ). .2 e = .19 Uma observação a ser feita é que os conjuntos . Apenas repitamos a seguinte observação: = ∩ ∩ ⋯∩ Exemplo 1. 1.9. convencionemos que os elementos do conjunto . Dessa Observação importante: Será visto no capítulo seguinte que existe a possibilidade de índices distintos corresponderem a um mesmo elemento do conjunto.2: Seja desses conjuntos é: = . . e do Exemplo 1.9. .2. . A união = Definição 1. . . ∈ e ≠ . Não se usou diferentes letras para distingui-los.3: Usando os mesmos conjuntos = ∩ ∩ = . então ∩ = ∅. = b) Sendo .9. .2. = . 1. .⋯. = = ∩ A discussão desse operador é inteiramente análoga a do anterior.3: ∪ ∪ = . . Então convencionaremos que será admitida a possibilidade de índices distintos referirem a elementos iguais somente quando chamarmos o conjunto de família (família de elementos ou família de conjuntos). . . mas a distinção foi dada pelos índices 1. não são necessariamente iguais. Exemplo 1.4: Uma partição de é um conjunto formado de subconjuntos não vazios de tal que as seguintes propriedades sejam satisfeitas: a) Se .2: qualquer número natural de 1 até (sendo o número de elementos de forma. . .9.

10 – Diferença simétrica e . possui a propriedade: para cada ∈ . a união dos conjuntos.4). . . então esses elementos são disjuntos. Isto é. mas tirando os elementos da intersecção. nem Exercício 1. ∈ . pertence a um. . que. No entanto nem = = . mostre que é uma partição de .1 (importante): Se uma coleção de subconjuntos de . possui a propriedade apresentada na primeira parte desse exercício. . são partições de . se é uma partição de (pela definição 1. . Ou seja. A primeira condição diz que. um elemento de é disjunto de todos os outros elementos de (diz-se que os elementos são disjuntos aos pares). com as mesmas convenções prévias adotadas para . ∉ ∩ 1. é o conjunto dado por: De forma equivalente: ∆ = ∆ = ∈ | ∈ ∪ − ∪ ∩ .1: Dados .4: Dado Mas também poderia ser = . Exemplo 1. Definição 1. se não se trata do mesmo elemento (que é o significado de ≠ ). uma partição possível é .10. ⊂ .9. Perceba que uma partição de “divide” (particiona) em uma coleção de ) e que subconjuntos disjuntos uns dos outros. a diferença simétrica entre simbolizada por ∆ . Observemos também que ⊂ essa inclusão é própria. . A segunda condição simplesmente afirma que a união (disjunta) de todos os elementos de resulta no próprio . Observação: Cada elemento de é notado por . . e somente um. ′= = . . Ou seja. Mostre também que há recíproca. . Abaixo está apresentado o diagrama de uma possível partição de .20 Alguns comentários podem tornar a definição mais clara. dados dois elementos (subconjuntos de ) quaisquer que pertençam à partição . .9. .9.

10. então ∈ que ∈ − )). então. o que acabamos de mostrar é que − ⊂ − ).4: ∆ = ∅ Exercício 1.10. existem conjuntos na família ℬ (o índice faz a distinção entre os conjuntos). Teorema 1.10. com podendo tomar valores naturais de 1 até . Assim. pois pertence a cada um desses conjuntos. Mas pertence a e. SUGESTÃO: Leia a estratégia apresentada na subsecção seguinte para demonstrar igualdades entre conjuntos. não .8. e conjuntos arbitrários. afinal. assim. se ∈ − − )). ∆ = − )∪ − ) é uma definição Abaixo estão listadas as principais propriedades da diferença simétrica tomando como conjunto universo e .1: Mostre que equivalente para a diferença simétrica.6: ∆ ⊂ ∆ )∪ Teorema 1. As demonstrações delas são deixadas como exercício. A indicação entre parênteses no início de cada teorema será referente ao teorema que se está generalizando.5: ∩ ∆ ) = ∩ )∆ intersecção em relação à diferença simétrica) Teorema 1. ).2: ∆ )∆ = ∆ (elemento neutro) ∆ ) (associatividade) Teorema 1.3: ∆∅ = Teorema 1. então ∉ Demonstração: Se ∈ − . Se ∈ − )).21 Exercício 1. se pertencesse existiria tal que ∈ e. Se isso acontece. ). então.2: Demonstre os teoremas acima.1): Seja um conjunto e ℬ uma família arbitrária (qualquer) de conjuntos .10. 1. Represente os diagramas correspondentes.1 (1. pertence a tirando os elementos de todos os .10.10.1: ∆ = ∆ (comutatividade) Teorema 1. Então: − = − ) Agora generalizaremos alguns teoremas apresentados durante essa secção. Ou seja. como se pode ver pela definição de subconjunto.10. Mostremos agora a recíproca. sempre temos que ∈ − ) para qualquer de 1 até . também se conclui que ∉ para todo de 1 até (se não pertence à união dos conjuntos. pois. Mas isso não prova a igualdade. pertence à intersecção de todos os conjuntos − ).10. não pertence a nenhum conjunto da união).11 – Generalizações ∆ ) ∩ ) (distributividade da Teorema 1.11. ou seja. então não pertence a nenhum conjunto . Concluímos.

Essa forma torna a recíproca imediata. Corolário (1.22 pertenceria a − para esse em particular. Fica como sugestão que. juntando as duas informações e tendo o Teorema 1. pois basta seguir as igualdades no caminho inverso.6. Mas.2 (1. ∉ . Dessa forma. então. isso ainda não conclui a demonstração. ou seja. Então ) implica ∈ ∈ − ).8. ∈ − − ). − A recíproca é um caminho de retorno pelo raciocínio feito acima. Pela definição de mostra que ∈ − )) implica ∈ − subconjunto. ). Dessa forma se pode concluir que pertence a − ) para algum . a recíproca. ∈ − ).11. para ao menos um . se não pertencesse a nenhum ). acabamos de mostrar. de forma geral. Então: − = − ) ). o que levaria a concluir que não pertence a intersecção dada. Isso não pertence à união deles. Como antes. pois o que mostramos. Se ∈ − ). de provar primeiro que um conjunto é subconjunto do outro e. Logo. provar diretamente igualdades entre conjuntos pode ser muito complicado e a estratégia acima. pois.3. não pertenceria à união desses conjuntos. Assim. com não pertencendo a nenhum . Ora. pertenceria à intersecção . mostramos logo acima que − )⊂ − ⊂ − ) e. pertence a − ) para algum .8. ao tentar demonstrar a igualdade entre conjuntos.9): Sendo um conjunto qualquer e ℬ uma família de subconjuntos de (com podendo tomar valores naturais de 1 até ). depois. com i podendo tomar valores naturais de 1 até . então ∉ Demonstração: Se ∈ − . concluímos que: − = − ) QED Até agora demonstramos igualdades entre conjuntos de forma direta. ∉ para algum . nessa parte da demonstração. pois se pertencesse a todos os .2): Seja um conjunto e ℬ uma família arbitrária (qualquer) de conjuntos . na verdade. Assim. é que )⊂ − − ). tem-se que: ∁ = ∁ ) Teorema 1. se use a estratégia apresentada acima. Simplesmente partíamos do conjunto inicial e seguíamos por igualdades até o conjunto que se queria demonstrar a igualdade. ∉ . que − ). pode tornar o trabalho mais simples. Dessa forma.

8): Dado o conjunto e uma família ℬ arbitrária de conjuntos .4): Sendo um conjunto e ℬ uma família arbitrária de conjuntos . com podendo tomar valores naturais de 1 até . pois existe ao qual não pertence. ∈ Assim. tem-se que: − = − ) Teorema 1.8): Sendo um conjunto qualquer e ℬ uma família de subconjuntos de (com podendo tomar valores naturais de 1 até ).1: Demonstre os corolários apresentados. com podendo tomar valores naturais de 1 até .8.7.8. que: − = − ) QED Corolário (1. ∈ − − ) ). tem-se que: ∁ = ∁ ) Exercício 1. Logo. Quando é o conjunto universo.11. tem-se que: . Ou seja.1 e 1.11.23 . − implica ∈ − − )⊂ tendo demonstrado essa inclusão e a anterior. ). Então: − = − ) Teorema 1. usando a notação já apresentada para a complementação em relação ao conjunto universo. com podendo tomar valores naturais de 1 até .2. sabendo que pertence a . Podemos concluir. que ∉ .11. os corolários apresentados tomam a forma: = e = ) ) Teorema 1.11.4 (1.11. SUGESTÃO: use os teoremas 1. ). Chagamos finalmente.4 (1.8.3 (1.3): Seja um conjunto e ℬ uma família arbitrária de conjuntos . então.11.

c) Conjunto das letras da palavra “matemática”.5. . = 2. = 3. a) b) c) d) e) f) g) ∁ ∁ ∁ ∁ ∁ ∁ ∁ ∪ ) )∪ )∩ ∁ )∪ ∁ ∆ ) ) ) .3. pois falta a apresentação de conceitos que permitem entendê-las. mas não faremos tais generalizações aqui.6 e = 3.3. . As demonstrações dos casos mais gerais são quase idênticas às feitas para esses casos menos gerais. .2: Demonstre esses últimos três teoremas. Exercício 1.6 .6. .5. 3. b) Conjunto dos números naturais pares. e = .4 .7.5 . 2 – Indique quais dos conjuntos abaixo são vazios.4.8. = ∪ ) ∩ = ∩ ) Esse último teorema é a generalização das leis distributivas do Teorema Exercícios I – 1 1 – Represente os seguintes conjuntos listando seus elementos. a) b) c) d) = = = = ∈ℕ|−1− >0 ∈ℤ| ∙0=1 ∈ℕ| −1>0 ∈ℕ| >3 >4 = 3 – Dados conjuntos abaixos. a) b) c) d) e) f) ∪ ∩ ∪ ∩ ) ∪ )∩ ∆ ∩ ∆ ) . 3.4. dê os 4 – Seja = 1. 4.2.24 ∪ 1.4 . = .4. Represente os seguintes conjuntos por uma lista de elementos e por diagramas de Euler-Venn. As generalizações apresentadas aqui ainda não são as mais gerais possíveis. a) Conjunto dos cinco primeiro números primos.8.11.4.7.

que . Você consegue identificar o paradoxo? 9 – Encontre o conjunto 1.6. d) Se ⊂ .6.25 5 – Sendo = 1. ∪ tal que 10 – Sejam e conjuntos disjuntos e = . 8 – A Teoria “Ingênua” dos Conjuntos permite que se defina o seguinte conjunto: = | ∉ Mas surge um problema ao se definir esse conjunto. ∩ ∆ ) ) ) (conjunto das = 4.10 . = 4. que se pode fazer ∪ ⊂ ∪ .3. Encontre os conjuntos e . represente o conjunto ). = 12 – Seja ℬ uma família arbitrária de conjuntos com podendo tomar valores naturais de 1 até . .4. = . e somente se.3. SUGESTÃO: O resultado é imediato para = .8. represente os seguintes conjuntos: a) b) c) d) = 4.6 .10 . levava a contradições.6. então ∪ ⊂ ∪ e ∩ ⊂ ∩ qualquer que seja . .4 ∩ = 3 .3. Sendo um conjunto arbitrário.3.7.9. 6 – Dado o conjunto = . partes de ) e dê dois exemplos de partições de 7 – Dados os conjuntos = 6.2. .5. e ∆ = .4.11.5.2. .4.2. a Teoria Axiomática dos Conjuntos.4 ∪ ⊂ ∪ .11. a “ingênua”.2.5. 3.6 . 11 – Demonstre os seguintes teoremas: 1. Sabe-se que = .4 ∪ = 1. chamado de Paradoxo de Russell. No entanto esse problema é evitado na teoria de conjuntos moderna. . encontre: a) b) − )∪ − )∩ − )∪ − )∩ − ) − ) = 1. SUGESTÃO: Use os teoremas 1.10 e = 2. então mostre. e somente se.9 . b) Se ⊂ . mostre que: a) ∪ = ∩ se. .8.2. então = . (de Cantor e Frege).8.4.3.3.10 e = 1. Esse paradoxo mostrou que a formulação original da teoria dos conjuntos. SUGESTÃO: Perceba que. .5 e 2. )⊂ ) com )= ) se.4.1 e 1. supondo que )⊂ ) é uma inclusão própria.5 .8 . a inclusão ⊂ seja própria. . então ∪ ⊂ ∪ . usando o resultado do exercício anterior.4. c) Se ⊂ e ⊂ .

e somente se. ) não é o mesmo que .11. 2 – Pares Ordenados e Produto Cartesiano Um par ordenado é uma lista de dois elementos.1 e 1. ). É comum que se chame o primeiro elemento do par de primeira coordenada e o segundo de segunda coordenada. quando for conveniente.11. ) = . podemos escrever o teorema como sendo: ∩ e ∪ = ∪ = ∪ = ∩ = ∩ SUGESTÃO: Use o Teorema 1. ∈ ( um conjunto genérico).2 e. .4 diversas vezes. 2. e . Tome e − )= ) − com podendo tomar 13 – Sendo ℬ uma família arbitrária de conjuntos valores naturais de 1 até e outra família arbitrária de conjuntos com podendo tomar valores naturais de 1 até ∩ e ∪ ) = ∪ = ∪ ) ) = . ) com . ) se. mostre que: = ∩ ∩ ) Eliminando os colchetes. onde existe distinção entre ser o primeiro elemento (no caso: ) ou o segundo (no caso: ).11. chame )) .26 − = = ) = ) − ) SUGESTÃO: Use os teoremas 1. denotado por . = e = . .1 – Par ordenado . Em outras palavras. Ou seja.

2: O produto cartesiano ℝ × ℝ = ℝ (produto cartesiano entre o conjunto dos reais e ele próprio) é o conjunto de todos os pares ordenados . mas não é formal. com ∈ e ∈ . ). em geral. ) tal que ∈ e ∈ .2. que um par . não é o mesmo que o formado por todos os pares . ∅ × =∅ ∅×∅=∅ × = × = . Isso porque.2 . com ∈ e ∈ . 1). 1). o conjunto formado por todos os pares . em geral. e .27 Essa apresentação de par ordenado é intuitiva. ). onde os pares ordenados são pares de coordenadas que indicam a posição de um ponto no plano. Ou seja: × ∅ = ∅. ). sem necessidade de uma apresentação formal do conceito de par ordenado. ) onde o primeiro elemento é um número real ( ∈ ℝ) e o segundo também é ( ∈ ℝ).2. no produto cartesiano × . Outra observação é que o produto cartesiano faz sentido quaisquer que sejam os conjuntos e (podendo esses até serem produtos cartesianos entre outros conjuntos). O produto cartesiano × é dado pelo conjunto: Exercício 2.1: Faça o conjunto exemplo acima. ) não é o mesmo que . Percebemos que ainda é válido. × ≠ × . . Dessa forma. Quando se tem o produto cartesiano entre conjuntos iguais. )| ∈ ∈ de Exemplo 2. como visto logo acima.2 – Produto cartesiano Definição 2. o conjunto de todos os pares ordenados . × . finitos definidos como = . Uma forma de representação desse conjunto é o plano cartesiano.1: Dados dois conjuntos. 2) e definidos como no Exemplo 2. e .2. ou forem vazios. No entanto vamos tomá-la. 2. em geral. De forma mais sucinta: Uma observação que podemos fazer é que. 2). usa-se mais comumente a seguinte notação: Se.2. peguemos dois conjuntos. tomando . chamamos de produto cartesiano de por . de forma geral. . denotado por × . . durante o texto.1: Para fixar a idéia de conjunto de pares ordenados. ). × = . e = 1. como pode-se ver na representação abaixo. ) não é o mesmo que . pois a ordem dos elementos é diferente. o produto cartesiano por é definido como sendo o conjunto vazio.

. × ∪ )= × )∪ × ) e × ∩ )= × ) ∩ × ). )| ∈ ∈ ) )| ∈ .2. e conjuntos arbitrários. Teorema 2. Ou seja. e quaisquer. Ou seja. Teorema 2. Demonstração: Pela definição: × ∪ )= = = = = . .3: O produto cartesiano é distributivo à esquerda em relação à diferença. )| ∈ ∈ ) ∈ QED Exercício 2. Demonstração: Pela definição: . ∪ )× = × )∪ × ) e ∩ )× = × ) ∩ × ). )| ∈ ∈ ) ∈ QED Teorema 2.28 Tendo . ∈ ∪ × )∪ × ) ∈ ∈ .1: O produto cartesiano é distributivo à esquerda em relação à união e intersecção. .2: O produto cartesiano é distributivo à direita em relação à união e intersecção. )| ∈ ∪ ∈ .2. × − )= × − × . dados . seguem os teoremas abaixo.2.2. × )| ∈ ∈ ∪ )| ∈ ∈ )| ∈ ∈ ) )| ∈ ∈ ∪ )∪ × ) ∈ ) ∈ . )| ∈ ∈ ) .2: Demonstre a parte referente à intersecção nos dois teoremas acima. Ou seja. Demonstração: Pela definição: ∪ )× = = = = = .

3 . . × )∪ × )⊂ ∪ )× ∪ ) (tome ∪ )× ∪ ) como conjunto universo e consulte o Teorema 1.2. devemos ver que chamar essas propriedades de distributividade foi um abuso de linguagem. Teorema 2. temos × )∪ × )⊂ Demonstração: Mostremos que × ⊂ ∪ )× ∪ ). × )| )| )| )| − ∈ ∈ ∈ ∈ × ∈ ∈ ∈ ∈ − ) ∉ ∈ ∉ − . que × ⊂ ∪ )× ∪ ). onde se tem a distributividade da multiplicação em relação à soma. e = 1. . ∈ e ∈ . Vemos que. . Existe a necessidade de se demonstrar a distributividade pela esquerda e pela direita (separadamente) devido ao fato do produto cartesiano não ser comutativo. e = . se conclui que × ⊂ ∪ )× ∪ ) e. Mas. tanto a multiplicação quanto a adição possuem como resultados números reais. )| ∈ ∈ QED A passagem da terceira para a quarta linha se deu pelo fato de pertencer a .2.29 × − )= = = = = . Exercício 2. ∈ ∪ e ∈ ∪ . no caso dos números reais. Ou seja. Mas ⊂ ∪ qualquer que seja e ⊂ ∪ para qualquer . mais rigorosamente. intersecção e diferença não tem como resultado conjuntos de pares ordenados entre os conjuntos considerados ao passo que o produto cartesiano tem. então. . para todo ∈ e ∈ . sabendo que a operação de união é fechada. Segue.3). )∈ ∪ )× ∪ ) pela definição de produto cartesiano. . . . De forma inteiramente análoga. 2. ) que pertence a × − ) não pertence a × . pois as operações união. Dessa forma.3: Demonstre que há também distributividade pela direita.7. e somente se. QED Exercícios I – 2 1 – Seja conjuntos: a) b) c) d) e) = × × × )∩ × × )× . ) ∈ × se. .4: Sendo ∪ )× ∪ ). mas não pertencer a implica que o par . . e conjuntos. represente os seguintes × ) .

Em particular. pois todos os elementos de pertencem a assim. por exemplo). – até chegar no último elemento.3. Quando contamos (número de fotos de um álbum. 4 – Sendo anterior para obter = 1.2. . . então.9 . . 6 – Mostre que. o número de elementos de não pode ultrapassar o de . Se é um conjunto finito.5 e × )∩ × ). × )∩ × )= ∩ )× ∩ ) (veja que o resultado do exercício 3 é um corolário desse caso mais geral). = . × )∩ × )= ∩ . 3 – Mostre que ∩ ) = ∩ e conclua que SUGESTÃO: Use o resultado do exercício anterior. chamamos o primeiro contado de 1 e prosseguimos na seqüência – 2. Essa é o número natural (| | = ∈ ℕ) que indica a quantidade de elementos do conjunto . . e somente se.6. Teorema 3. se não há elementos compartilhados entre os conjuntos. se ⊂ .4. . é necessária a introdução do conceito de função e os números naturais.2: Se | ∪ | = | |+| |−| ∩ | e são conjuntos finitos.1. associamos números naturais sucessivos a cada elemento contado. = 4. que não foram apresentados.3. denotamos por | | a cardinalidade de . se ∩ = ∅. .1. SUGESTÃO: × )= ∩ ) . então | ∪ | = | | + | | − |∅| = | | + | |. sendo .5.1: Se e são conjuntos finitos e | | = | | se. 5 – Demonstre que. ⊂ . pois a cardinalidade do conjunto vazio é 0 (e é o único conjunto com cardinalidade 0).1 – Cardinalidade de alguns conjuntos finitos Inicialmente vamos nos ater a uma noção intuitiva de cardinalidade. Tendo um conjunto finito. então: e. Ou seja. pois. use o resultado do exercício × ⊂ × . O número natural associado ao último objeto contado nos dá o número de elementos do conjunto que se estava contando e chamamos esse número de cardinalidade do conjunto ou número cardinal do conjunto. contar o número de elementos. então | | ≤ | | com Esse resultado é intuitivo. Teorema 3. pois. Ou seja. para qualquer . para uma definição mais formal e geral. Tal resultado é intuitivo.7. é natural que se queira saber quantos elementos ele possui.30 2 – Mostre que × ) ∩ × )= Parta da definição de produto cartesiano. e conjuntos. × )∩ 3 – Noção de Cardinalidade 3.

Ou seja.2 – Alguns exemplos ⊂ .4: Se e são conjuntos finitos e | | = | × |= ∙ e| |= ) (conjunto . Como existem Teorema 3.1. Ao se entrevistar 2000 moradores. pois ainda não temos uma definição rigorosa do que significa um conjunto finito possuir elementos. se ⊂ . pode-se ver que.5. Resolução: Pelo Teorema 1. Claramente. esse forma um par ordenado com cada um dos elementos de .3). se ⊂ . nessa soma se está contando duas vezes os elementos da intersecção e.1. cuja cardinalidade é | | = 2000. temos | − | = | | − | ∩ |. e ).1. 200 dos que lêem o jornal também lêem o jornal .2. mas uma demonstração relativamente simples é dada no Capítulo III (Teorema 2.2.2: Numa cidade circulam três jornais diferentes (jornais . 3. das partes de ) possui 2 elementos. deve-se subtrair uma vez a cardinalidade da intersecção. assim.3: Se é um conjunto finito com | | = . Já no Teorema 3. então: A demonstração desses teoremas será feita no Capítulo III. o nosso conjunto universo é o dos entrevistados (chamaremos de conjunto ). então | − | = |∁ | = | | − | |. 800 lêem o jornal .1. para ter o número correto de elementos da união.2. se descobriu que 400 lêem o jornal . Para o Teorema 3.1. Pelo Teorema 3.31 a união deles terá um número de elementos igual à soma do número de elementos de cada conjunto. elementos em .1. No Teorema 3.1: Sendo e conjuntos finitos tais que | × | = 27. 500 lêem o jornal . A cardinalidade do .7.5 pode ser entendido imediatamente. O Teorema 3. | | = 27 3 = 9. | Teorema 3. | ∩ |=3 e Exemplo 3. então ∩ = . Em particular. qual a cardinalidade de e de ? completando a resolução.3 não há uma justificativa simples. | ∩ | = | | = 3. | × | = | | ∙ | | = 3 ∙ | | = 27. Assim.1. pois se está simplesmente não contando os elementos que pertencem a e simultaneamente. para cada elemento de . pode-se ver que.4. Mas podemos dar algumas justificativas não rigorosas para esses resultados. ao tomar | | + | |. Exemplo 3.5: Sendo e conjuntos finitos.1. Ou seja. o número total de pares ordenados será + + ⋯ + = ⋅ . Teorema 3. Quantos dos entrevistados não lêem nenhum dos três jornais? Resolução: Devemos transformar esse problema em um problema de encontrar a cardinalidade do conjunto dos entrevistados que não lêem nenhum dos três jornais. então )| = 2 .4.7. 100 dos que lêem o jornal lêem também o jornal e nenhum dos que lêem o jornal lêem o jornal .

mas foi feita de tal maneira para mostrar que o resultado foi obtido inteiramente através das propriedades dos conjuntos.32 conjunto dos entrevistados que lêem o jornal (chamaremos de conjunto ) é | | = 400.1. Usando o Teorema 3. Então. pois a intersecção é vazia. Usando a distributividade da intersecção em relação à união: ∩ ∪ )= ∩ )∪ ∩ ). ∪ ∪ não lêem nenhum dos jornais. Mas. O diagrama abaixo representa o problema anterior. segue. Voltando à união que | ∩ ∪ ∪ .5.2. que é 100. temos que: | ∪ ∪ |=| ∪ ∪ )| = | |+| ∪ |−| ∩ ∪ )| Sabemos a cardinalidade de e de ∪ . Usando o Teorema 3. Uma forma mais simples de tratar o problema é usando diagramas de Euler-Venn. Dessa forma. | ∪ ∪ ) |= | |−| ∪ | = 2000 − 1400 = 600 Não é realmente necessário que a resolução seja feita de forma tão cuidadosa (talvez preciosista) como foi feita acima. usando o Teorema 3. 600 entrevistados não lêem nenhum dos jornais. representamos os conjuntos na forma de diagramas e damos valores correspondentes às cardinalidades às partes dos conjuntos. ∪ )| = | ∩ )∪ ∩ )| = 200 + 100 = 300. mas não sabemos a cardinalidade de ∩ ∪ ).1. . como não existem pessoas que lêem o jornal e simultaneamente. é o conjunto dos entrevistados que cardinalidade desse complemento dá o dos jornais. devemos encontrar a cardinalidade de ∪ ∪ . o que garante que | ∩ ∩ ∩ )| = | ∩ ∩ ∅| = |∅| = 0.2. ou seja. dos que lêem o jornal (chamaremos de conjunto ) é | | = 800 e dos que lêem o jornal (chamaremos de conjunto ) é | | = 500. a cardinalidade dessa intersecção é: ∩ )∪ ∩ | ∩ )| + | =| =| ∩ )| + | )|= | ∩ )| + | ∩ )| − | ∩ ∩ ∩ )| − | ∩ ∩ ∩ )| − | ∩ | ∩ )| ∩ )∩ ∩ )| Juntamos a intersecção de com porque já sabemos que essa é vazia.1. temos que a número de pessoas que não lêem nenhum temos: | |+| ∪ |−| ∩ ∪ )| = 800 + 900 − 300 = 1400 subconjunto do conjunto universo e ) . Queremos saber quantas pessoas lêem algum jornal (para ser possível dizer quantas não lêem nenhum). 200 e | ∩ )| é o número de leitores que lêem tanto o jornal quanto o . Para descobrir a solução. | ∩ | = 0. Assim. temos agora que a cardinalidade dessa união é: Sabendo que a união ∪ ∪ é que o complemento dessa união. ∪ Ou seja. Já | ∩ )| é o número de leitores que lêem tanto o jornal quanto o . então. a cardinalidade do conjunto ∪ é | ∪ | = | | + | | = 400 + 500 = 900.

A soma dessas percentagens deve ser 100%. os alunos podem fazer educação física às terças ou quintas.33 Vemos que. pois se pode atribuir alguma incógnita à cardinalidade da intersecção. .3: Numa escola. Exemplo 3. 60% dos alunos fazem às terças e 75% fazem às quintas. para cada área limitada (que não pode ser cortada por nenhuma linha). A percentagem da parte do conjunto que não faz parte da intersecção é 60% − e a da parte de que não faz parte da intersecção é 75% − . Coloquemos essas informações no diagrama. Qual a percentagem dos alunos que fazem tanto quinta quanto terça? Resolução: A percentagem total deve ser claramente 100%. Tal procedimento é válido mesmo que não se conheça a cardinalidade de alguma intersecção. se atribui um valor (a cardinalidade). é atribuir valores às intersecções e só depois atribuir valores às partes dos conjuntos que não fazem parte das intersecções.2. O exemplo abaixo ilustra isso. Assim: . no lugar da percentagem da intersecção. Comecemos a completar o diagrama do problema chamando o conjunto dos que fazem às terças de e dos que fazem às quintas de e colocando uma incógnita. O procedimento. nesse caso.

⊂ e 2. dê o conjunto 5 – Considere os conjuntos e finitos. . dê a cardinalidade de ∆ ) . quantos subconjuntos de possuem ou ? conjuntos finitos. 6 – Sendo = . 35% dos alunos fazem educação física às terças e quintas. . e conjuntos finitos tais que | ∩ | = 5 e | ∩ | = 7. 1 – Sejam e conjuntos finitos com | ∪ | − | − | = 4. mas. −1. Quanto são as cardinalidades | ∪ | e | − |? É possível determinar as cardinalidades de e a partir das informações dadas? × 2 – Sabendo que | × | = 6. . | ∪ | + | − | = 10. sobre as marcas de sabão em pó mostrou os seguintes resultados: . 7 – Sendo | | + | | = 7 e | ∩ | = 2. mostre que e não são disjuntos. | × | = 6 e | | > | |. Não se usou diretamente a cardinalidade dos conjuntos (não sabemos de quantos alunos o problema trata). | | = 3 e | ∆ | = 8. mesmo assim. × . qual a cardinalidade de × ) ∩ × )? SUGESTÃO: Consulte o exercício 6 da secção anterior. Sabendo que | ∪ | ≤ 2| | e | × | > | | .1) ⊂ = 60% + 75% − 100% = 135% − 100% = 35% 60% + 75% − Exercícios I – 3 3 – Se e são finitos e disjuntos com | ∪ | = 5. mostre que | ∆ | = | ∪ | − | ∩ | = ∆ ) e 8 – Sejam e conjuntos finitos. listando seus elementos.34 60% − ) + + 75% − ) = 100% = 100% Ou seja. Sabe-se que | × − )| = 15. 9 – Sendo . . −1). . é possível trabalhar apenas com a percentagem da cardinalidade associada ao conjunto (lembrando que o total deve dar 100%). e . qual a cardinalidade de e de ? 4 – Sendo e | | + | | − 2| ∩ |. 10 – Uma pesquisa de mercado. Qual a cardinalidade de ∩ e qual a cardinalidade de ? SUGESTÃO: Use o resultado do exercício anterior.

Sabe-se que todos devem estudar português e podem estudar. 2/3 estuda inglês. duas línguas além do português. Além disso. o número de pessoas que praticam natação é o dobro do que praticam tênis e um terço dos que praticam tênis também praticam natação. quantos alunos a escola possui? 13 – Observe o diagrama abaixo: Sabendo que | ∪ ∪ | = 100. 1/3 estuda espanhol e 1/3 estuda francês. dessa metade. Sabendo que 30 pessoas praticam tênis. . admitiremos conhecidos resultados básicos sobre números reais e naturais. Qual fração do total: a) b) c) d) estuda francês? estuda tanto francês quanto inglês? estuda apenas espanhol? Se o número de alunos que estuda apenas espanhol é 50.35 a) Qual a percentagem de consultados que usam apenas a marca ? b) Quanto vale a percentagem dos que usam apenas a marca entre os consultados? c) Qual a percentagem de usuários consultados que usam as marcas e . português. os alunos podem estudar espanhol. Também se sabe que nenhum dos que estudam francês estuda espanhol. inglês e francês. sendo que o número de pessoas que estudam inglês e espanhol (simultaneamente) é igual ao que estudam inglês e francês (também simultaneamente). quanto é ? 4 – Relações Como foi feito até agora. no máximo. apenas metade dos que estudam português estuda alguma das outras línguas e. quantas pessoas praticam tanto natação quanto tênis e quantas praticam somente natação? 12 – Numa escola. mas não usam a ? d) Qual a percentagem de consultados que não usam nenhuma das três marcas? 11 – Num clube de natação e tênis. Esses conjuntos numéricos serão tratados com mais cuidado no Capítulo III.

Sendo assim. Primeiro vamos demonstrar que para cada ponto existe um único par de pontos e . Criando uma reta ’ que passa por e é paralela .36 4. a reta ’ intersecta o eixo em um único ponto e a reta ’ intersecta o eixo em um único ponto. representado por . Agora vamos demonstrar que cada . um único par Demonstração: a demonstração é dada em duas partes. O ponto 0 é chamado de origem do sistema. existe um único par de pontos e e. De fato. pelas definições apresentadas. pois. Sendo um ponto qualquer de ( ∈ ). O eixo é chamado de eixo das ordenadas. a cada . criemos duas retas. pois. ) com a abscissa sendo o primeiro elemento do par. pelas definições (a). é representado por e representado por . . O plano determinado pelos eixos e é o plano cartesiano. Chamemos a intersecção entre ′ e o eixo de e a intersecção de ’ com o eixo de .1 – Plano cartesiano Definição 4. ) correspondente ao ponto . As coordenadas de são indicadas pelo par . tal que ’ seja paralela ao eixo . só Teorema 4. Isso mostra que cada ordenado de coordenadas P corresponde a um par . ) ∈ ℝ .1: Existe uma correspondência biunívoca entre o plano cartesiano e o conjunto ℝ (= ℝ × ℝ). De fato isso ocorre. (b) e (c). ) ∈ ℝ corresponde a um único ponto do plano cartesiano. O eixo é dito ser o eixo das abscissas.1. esses determinam o plano . ).1 (Plano Cartesiano): Sendo e dois eixos perpendiculares em 0 (figura abaixo). O sistema formado pelos eixos das abscissas e das ordenadas é o sistema cartesiano de eixos ortogonais.1. ’ seja paralela ao eixo e a intersecção ocorra no ponto (figura). Com isso seguem as seguintes definições: a) A abscissa de é o (único) número real b) A ordenada de é o (único) número real c) d) e) f) g) h) representado por . existe um. ’ e ’.

37 ao eixo das abscissas e outra.3). 3. que passa por e é paralela ao eixo das ordenadas.2: Representemos o conjunto plano cartesiano. Também é possível representar subconjuntos de ℝ no plano cartesiano.2). e . Ou seja: é relação binária de em ⟺ ⊂ × e ≠ ∅. −2) e Exemplo 4. −1. .2. 2.3). Concluímos.1). então. que cada par .2). 3. O exemplo abaixo ilustra isso.1. 3. −2. essas duas retas se intersectam em um único ponto .2 – Relações binárias Definição 4. Exemplo 4.1. = 1. ) ∈ ℝ corresponde a um único ponto do plano cartesiano e isso completa a demonstração. qualquer subconjunto não vazio do produto cartesiano × é chamada de relação de em .1: Dados dois conjuntos. ’.1).2) no 4. 2.1: Localizemos no plano cartesiano abaixo os pontos .2 . QED 1.2).

2. ) pertence a ( . = 1.5. chamamos de domínio da relação (denotamos )) o conjuntos dos elementos pertencentes a tal que . ) ∈ ). Ou Definição 4. ∈ . )∈ )= ∈ | .4. relação é: = . e . ) nos existem pares . 4). é conveniente usar a notação e quando . se . se tem um símbolo diferente para representá-la (estamos usando para representar o caso geral). ) ∈ × pertençam à relação . Em alguns casos. se um par . Ou seja. 2).2. Ou seja: Definição 4. sendo um subconjunto de × . . 5) . e vai até o elemento no conjunto de chegada. . )∈ ∈ uma relação binária )) o conjuntos dos pertencente a . Por exemplo. ) ∈ para algum seja: )= ∈ | . em geral. em geral. ) ∈ . ) pertence à relação binária. chamamos de imagem da relação (denotamos elementos pertencentes a tal que . Exemplo 4. O conjunto dá todos os elementos ∈ tais que exista algum tal que .2: Dado um conjunto . Essa representação consiste em representar os conjuntos como se fez até agora. ) ∈ e o conjunto ) nos dá todos os elementos ∈ tais que exista algum tal que .4: Sendo e conjuntos e ⊂ × entre eles. representamos isso com uma seta que parte do elemento . uma relação relação binária em . no conjunto de partida. ) ∉ . e usar setas para representar a relação entre os elementos do conjunto de saída e de chegada. ) ∈ para algum pertencente a . . e é chamado Para cada tipo de relação. 1). .2.6 e uma relação binária representação diagramática dessa Definição 4.3.1: Sejam dada por = . ) ∈ × que não pertencem à relação .3: Sendo e conjuntos e ⊂ × uma relação entre eles. na forma de diagramas de Euler-Venn.38 O conjunto é chamado de conjunto de partida da relação de conjunto de chegada (ou contradomínio) da relação . ⊂ × é chamada de Perceba que.2. Podemos representar relações binárias de forma diagramática. não é de se esperar que todos os pares ordenados .2.

4).4. )∈ × | . ) ∉ não implica necessariamente que não pertença ao domínio da relação. cuja definição é dada mais adiante. = .1). 1. Assim.2. 2. o conjunto de chegada e uma relação binária de em . Ou seja.2). as noções não devem ser identificadas. Função é um tipo particular de relação binária e possui particularidades em relação ao domínio e imagem. 3.5: Sendo e conjuntos arbitrários não vazios e uma relação binária ⊂ × . nem sempre as restrições que impomos na relação original são aplicáveis na relação inversa. ) ∈ se. como será visto logo a seguir.2) . ) ou ∉ mas implica que uma das duas seguintes situações ocorre: ∉ ). chama-se de relação inversa de o conjunto ⊂ × tal que: Ou seja.1). O exemplo abaixo ilustra isso. ALERTA: embora essas definições possuam relação com os conceitos de domínio e imagem de funções. o que difere os tipos de relações binárias são as restrições (condições) que impomos sobre o domínio e imagem da relação. ) ∈ . mas pares como 1.39 Podemos pensar essas duas últimas definições em termos da representação diagramática dada acima. nem que não pertença à imagem da relação. Exemplo 4. Sendo o conjunto de partida.4 . para se ter a relação inversa.2. Alguns resultados imediatos são: a) b) ) )= = )e )= ) Nem sempre a relação inversa é do tipo da relação original.2.2). .5 e uma relação binária ⊂ × dada por = 1.3.3.2: Dados = 1. a representação em forma de diagrama dessa relação é: Vemos que todos os elementos de pertencem ao domínio da relação. basta inverter a ordem de e em cada par pertencente a . 2. = 1. )∈ Definição 4.2). o domínio da relação binária é o conjunto de todos os elementos de de onde parte alguma seta e a imagem da relação binária é o conjunto de todos os elementos de onde termina alguma seta (elementos que são “flechados”).2. etc não pertencem à relação . e somente se. 4. No entanto vemos que . . Na verdade. Um exemplo disso são as funções. .

3.3.2) é ⊂ × dada por = 2. ou seja.2.3.1: Se um trabalhador recebe um determinado acréscimo no salário a cada hora extra que trabalha.1). Em forma de diagrama: O efeito sobre o diagrama. mas em instantes diferentes dos que estavam associados às mesmas posições durante a subida. Isso motiva a condição (a) da definição de função que será dada abaixo. o preço (total) pago pela gasolina é tanto maior quanto mais se coloca gasolina no carro. Percebamos que a pedra irá subir e descer. como acima. Exemplo 4. que se possa colocar alguma quantidade de gasolina no carro.2. as posições que a pedra vai assumir durante a subida serão repetidas na descida. podemos associar cada instante à posição – altura – em que a pedra se encontra). por exemplo. é intuitivo que o total acrescido varia de acordo com quantas horas extras são trabalhadas. ao se tomar a relação inversa. se diz que o preço pago está em função da quantidade de gasolina colocada no carro. Uma observação que podemos fazer é que não faz sentido.40 Exemplo 4. se a pedra vai até uma altura de 10 metros. vejamos primeiro alguns exemplos intuitivos. a posição da pedra pode ser dada em função do tempo (vemos que.).. 3. simplesmente inverter o sentido das setas. Então. ela passará pela altura 5 metros durante a subida (em um instante t) e .2).2: Quando se vai a um posto de gasolina abastecer.2). 4. produto. Por exemplo. 2.3: Ao se jogar uma pedra verticalmente para cima. 4. para servir de motivação para a definição que será dada. a relação inversa a de = 1.4) .2). mas não exista nenhum valor correspondente a essa quantidade (nem mesmo zero. 2. se ligamos um cronômetro no instante em que se joga a pedra. por exemplo. Exemplo 4. aplicação. pois zero seria um valor).3 – Funções Essa talvez seja a relação mais importante das que serão apresentadas.3). Exemplo 4. O conceito de função permeia toda a matemática e acaba recebendo vários nomes dependendo do contexto em que está sendo usado (como. Diz-se que o acréscimo (total) está em função da quantidade de horas extras que se trabalha. Antes da definição de função. é.3: Tomando os conjuntos do Exemplo 4.2.2). operação. 2. então. pois existe uma dependência do ganho extra com as horas extras trabalhadas.. 2.

2. implica A primeira condição diz que. ) ∈ e . e . .3.41 passará pela mesma altura 5 metros durante a descida (mas num instante posterior – portanto.4: Dados os conjuntos = 1. Mas perceba que = 1.3. que. o terno .3 e = . de cada elemento de . ) ∈ com mesmo (vemos que.3. existe algum ) = ). .3. ). então = 1.3. No entanto não faz sentido associar duas posições diferentes a um mesmo instante. ) continua sendo uma função. ). Por causa da unicidade do elemento . se pôde associar dois instantes diferentes a uma mesma altura). a ) tais que . ). 2.3 e = . 3. função embora a função seja. na verdade. deve partir alguma seta e a condição (b) quer dizer que só pode partir uma única seta de cada elemento de . 2. Ou seja.2. ). a trinca ordenada . Já a pertencente a tal que . ) (trinca ordenada) é dita ser uma função de em ou aplicação de em quando satisfaz ambas as seguintes condições: a) b) )= . 2.3 dá uma motivação para se definir assim). para todo pertencente a . portanto. pertencentes ao domínio de (e. ). . no Exemplo 4. e ⊂ × uma relação binária de em . Abaixo está representado o diagrama da função . dado um . ) não é função de em porque não satisfaz nenhuma das duas condições necessárias. Por exemplo. a função leva cada do domínio a um único da imagem (o Exemplo 4. pois o domínio da relação é o próprio e. ′) ∈ = ′. . então. . correspondente a um ) para indicar os elementos da dado do domínio. a pedra não pode estar no chão e na altura 5 metros no mesmo instante. Vemos.5: Dados agora = 1. ) ∈ (mas não é necessário que segunda nos assegura que. ). Exemplo 4. ). )∈ e . é comum usar a notação . Atentemos desde já que será comum chamarmos de função . satisfazendo as condições (a) e (b)) e o diagrama é dado abaixo. a condição (a) da definição de função quer dizer que. 3. na imagem. Em outras palavras. o elemento correspondente a na imagem de é único. 2. . mas de em (pois continua = 1. diferente – ao t). Exemplo 4. esse é associado a apenas um elemento em . em termos de diagramas. e ’.3. ) = .1 (função): Dados dois conjuntos. para cada elemento de . Definição 4. ) é uma função de em . Mas perceba que nada proíbe que existam dois elementos distintos.

não exista ′ ≠ tal que ≠ ′. usando a notação . a relação inversa não será uma função se isso ocorrer. )∈ com mesmo . se pode ter . ) ∈ e . Informalmente podemos dizer que uma relação de equivalência estabelece uma condição que define uma “igualdade” entre elementos de um conjunto. Mesmo que a relação inversa tenha como domínio . se teria. Afinal. a relação inversa de uma função nem sempre é uma função. Definição 4. na relação inversa. Se ⊂ × é uma função e a imagem dessa não é o próprio . pela definição. mas perceba que. Note que isso só é possível quando a cardinalidade do conjunto de partida (conseqüentemente.4. um ∈ levado a dois (ou mais) diferentes na imagem. )∈ .4 – Relações de equivalência Além das funções. a relação inversa não pode ser uma função. é uma relação de equivalência em quando forem satisfeitas as seguintes propriedades: a) b) . as relações de equivalência também são presentes em vários campos da matemática. Por fim.2. dizemos que essa relação inversa é a função inversa. Exercício 4. pois o domínio dessa relação inversa não é e. implica .1: A relação dada no Exemplo 4.2: Por que as relações inversas das funções apresentadas nos exemplos 4.4 e 4. ′) = . ) ∈ (simetria). em geral.1: Dado o conjunto e sendo ⊂ × uma relação binária em . só é possível que a relação inversa seja uma função quando a imagem de ⊂ × for o próprio e não ocorrer de .3. Como. dadas as restrições (a) e (b).2.2 é uma função? E a dada no Exemplo 4. é necessário que o domínio de uma função seja o próprio conjunto de partida. ) ∈ e .3. se ) = . 4. Ou seja. .1? Trabalharemos funções de forma mais detalhada no capítulo seguinte.3.42 Exercício 4. essa relação inversa ainda tem que levar cada elemento de a um único elemento de para ser uma função (condição (b) da definição). Quando a relação inversa de uma função é uma função também. )∈ para todo ∈ (reflexibilidade). do domínio) é a mesma que a do contradomínio (esse termo é mais comum quando se trata de funções).5 não são funções? Dê um exemplo de função cuja relação inversa também é uma função. ) ∈ com )).3.

então. que é racional (demonstrando a simetria). c’) Se ~ e ~ . Tomamos a relação de equivalência com o conjunto de partida sendo e o de chegada ele mesmo e isso é necessário. Usemos isso para demonstrar a transitividade. Normalmente se usa o símbolo ~ para indicar a equivalência pela relação . )∈ℝ×ℝ| − )∈ℚ a) ~ . Se − é racional e − é racional.1: Dado o conjunto = . escrevemos ~ . No caso em que não há perigo de confusão. quando os elementos . Ou seja. então − é racional. de fato. . ∈ não são equivalentes por . pois − = 0. se escreve ≁ . ∈ são equivalentes quando esses pertencem a (por essa relação de equivalência.2: Definamos uma relação de equivalência em ℝ da seguinte forma: dizemos que é equivalente a quando − é racional ( − ) ∈ ℚ).4. pois a subtração de racionais (no caso. b) Se − é racional. . ) ∈ . as condições dadas acima podem ser reescritas como sendo: a’) b’) ~ para todo ~ implica ~ (simetria). essa relação binária é uma relação de equivalência em (verifique!). ) . Exemplo 4. Ou seja. )∈ (transitividade). todos os elementos de são equivalentes a todos os elementos de ). ~ (transitividade). Exemplo 4. . − ) e − )) é um número racional. os elementos de só são equivalentes a eles mesmos). e uma relação binária em dada por = . Perceba que as propriedades são tais que não existe possibilidade de existir uma relação de equivalência com o conjunto de partida diferente do de chegada. ~ implica ~ (demonstrando a reflexibilidade). A outra é a que os elementos . ~ e ~ implica ~ (demonstrando a transitividade). y-z racional implica z-y racional. . se escreve simplesmente ~ para indicar que os elementos e são equivalentes pela relação de equivalência considerada e ≁ caso não sejam equivalentes. . . então. uma relação de equivalência: = . ∈ (reflexibilidade). pois − = − − ) e o oposto de um número racional é racional. Se os elementos . então − )− − )= − − + = − é racional. ∈ são equivalentes quando = (por essa relação de equivalência. ⊂ ℝ × ℝ tal que: Mostremos que tal relação é. Uma é relação identidade (ou diagonal). Ou seja. ∈ são equivalentes por . Assim. ). Assim.4. dado um conjunto .43 c) Se . c) Pela propriedade demonstrada anteriormente. ). )∈ e . onde. ). ). Duas relações de equivalência sempre são possíveis de serem feitas num conjunto. . .

)∈ Vemos que. é chamado. . pois sempre se tem que ∈ . devido à propriedade (a) da definição de relação de equivalência. Ou seja. então ∈ e. Logo.1: Se ℰ é o conjunto de todas as classes de equivalências de pela relação de equivalência . uma classe de equivalência. e somente uma. e somente uma.9. O teorema é a razão das relações de equivalências serem tão presentes na matemática e é chamado de Teorema Fundamental das Equivalências. QED De fato. QED Esse último teorema nos diz que um conjunto pode ser dado pela união disjunta de todas as classes de equivalência (distintas) de uma relação de equivalência. dado um elemento do conjunto . Lema 4. interessante ter o conjunto de todos os elementos equivalentes a (tal conjunto definido abaixo). que é o mesmo que dizer que ℰ é uma partição de . o conjunto é o de todos os elementos equivalentes a e que sempre se tem ∈ . todo elemento que pertence a também pertence a . para todo ∈ . para mostrar que ℰ é uma partição de . se ∈ para algum ∈ . fixado . = . pelo Teorema 1. De forma inteiramente análoga conclui-se que ⊂ . esse deve pertencer a uma. = .1. pelo Lema 4. para todo elemento ∈ .4. se ~ . então ~ (transitividade). ∈ Demonstração: Com efeito. que implica ∈ .2: Seja um conjunto e ⊂ × uma relação de equivalência em . ao menos. se ~ e ~ . Abaixo seguem um lema e um teorema referentes a essa definição.1: Sendo ⊂ × são tais que ~ . O conjunto ℰ. se ~ . Teorema 4. para cada ∈ .4. Para cada ∈ definimos a classe de equivalência de (pela relação de equivalência ) pelo conjunto: = ∈ | . ou seja. devemos mostrar que. em geral. classe de equivalência pertencente a ℰ.1 para demonstrar esse teorema. e. pertence a uma. o conjunto nunca é vazio. se . que é o mesmo que dizer que ⊂ . | ∈ . Ou seja. de conjunto quociente de por e pode ser representado por ℰ = / . que pode ser escrito como ℰ = também.6. então ∈ . uma relação de equivalência em . esse pertence a. Definição 4. classe de equivalência pertencente a ℰ. Ora. Demonstração: Usaremos o resultado que foi pedido para ser demonstrado no Exercício 1. é.4.44 Sendo um conjunto não vazio e uma relação de equivalência em . que nos leva a concluir. ~ . Pelo enunciado do exercício.4.3. ℰ é uma partição de . então = .

que é um ser irracional. ou seja. escrevamos = e − = − = . se um é irracional e 2 − 1 também é.1) e a do é = .1. Mas também se tem que nenhum irracional pode ser equivalente a um racional. que é uma partição de . entre os elementos. ℰ = . em geral. número racional.1. se é racional e é racional.3: Usando o conjunto e a relação de equivalência dada no Exemplo 4.4. Dessa forma. 2 − 2 − 1 = 1. no conjunto dos números inteiros. podemos ordenar de forma crescente os números inteiros). então. entrando em contradição com a hipótese de Concluímos. então já se tem que é equivalente a pela relação dada. então. mas é possível se ter soma ou subtração de irracionais com resultado racional (diferente de zero. que uma das classes de equivalência de ℝ | − ) ∈ ℚ é ℚ. = . números inteiros (com e não nulos).4: Usando a relação de equivalência nos reais apresentada no Exemplo 4. inclusive). 4. A relação que nos permite dizer isso nos permite ordenar os números inteiros (por exemplo. mas a subtração dada é um número racional. Assim. As classes de equivalência são.2. . Evidentemente a subtração de racionais é um racional. mas aparece entre as classes de equivalência. = − = .4. de acordo com a relação de equivalência dada.4. . dizemos que 2 é maior que −1 e representamos isso por 2 > −1. Um racional pode ser escrito como a divisão entre dois números inteiros. como mostrado pelo Lema 4. O conjunto das classes de equivalência é. Por exemplo.45 Vemos que a relação de equivalência equivalências. Por exemplo. pois. )∈ℝ× e Foi dito no início dessa subsecção que a relação de equivalência estabelecia uma “igualdade” entre elementos de um conjunto. mostremos que o conjunto dos racionais é uma das classes de equivalência daquela relação. dados dois elementos de um conjunto com relação de ordem. . mas a demonstração dessa recíproca será omitida. se vê que a classe de equivalência dos elementos e é = . realmente “divide” com as classes de A recíproca do teorema acima também é verdadeira: toda partição de um conjunto é um conjunto de todas as classes de equivalência de alguma relação de equivalência. com . Observação: a soma (ou subtração) de um racional com irracional nunca será um racional. Uma relação de ordem é total quando sempre é possível dizer.5 – Relações de ordem total Em alguns conjuntos é natural dizermos que um elemento é maior que outro. A igualdade não é. mas − é racional. = (Lema 4. se fosse. chegaríamos à seguinte contradição: suponha que é racional e é irracional. então. Exemplo 4.4. 2 .4. “agrupamentos” dos elementos com mesmas propriedades.4. Exemplo 4.

Essas propriedades são bem familiares. uma relação de ordem total? Qual condição deve ser satisfeita para que a relação dada seja uma relação de ordem total? Teorema 4. . inteiros. Um conjunto com uma relação de ordem total é dito totalmente ordenado ou linearmente ordenado (pela relação ). pois. sempre é possível criar uma relação de ordem total no conjunto. Se . ) ∈ e ≱ para indicar que . então . então ∈ .1 (Teorema do Bom Ordenamento): Dado um conjunto não vazio . se conclui que = . pois são as mesmas das relações de ordem dos números naturais. ∈ . usamos a notação ≥ para indicar que . ) ∈ (totalidade). . ) ∈ (reflexibilidade). ∈ . ≥ ≥ (reflexibilidade). . a) b) c) d) De forma análoga ao que foi feito para relações de equivalência. Veremos que. ≥ (totalidade).5.1: Dada uma família arbitrária não vazia de conjuntos. através da propriedade (c). ..46 elemento é maior. ) ∈ e . racionais e reais (esses servem de exemplos para esse tipo de relação binária). Para todo . ≥ . Mas as relações de ordem não se restringem a conjuntos numéricos (naturais. em geral. ) deve pertencer a relação. o índice R é omitido. Se . criemos uma relação de ordem em tal que dizemos que. ) ∈ ou . ) ∈ . então = (anti-simetria). como deve ser. Não demonstraremos esse teorema. O símbolo ≥ é lido como “maior ou igual” e isso logo se justifica. é sempre possível encontrar uma relação de ordem tal que é totalmente ordenado por essa relação. racionais.5. Exercício 4. para . A primeira condição apenas impõem que . Por que essa relação não é. dado um conjunto qualquer. Definição 4. então ou . pois pela mesma relação. Quando não há perigo de confusão. esse teorema garante. que é possível obter uma relação de ordem tal que o conjunto é dito bem ordenado (noção que não foi apresentada) por essa relação de d’) Para todo . ≥ se ⊂ . ) ∈ (transitividade). na verdade. )∉ . Existem outras relações de ordem (que não serão tratadas aqui) e por isso se explicita que a relação de ordem é total.). ≥ .. = ≥ (transitividade). (anti-simetria). igual ou menor que outro. ) ∈ e .5.1: Sendo um conjunto e ⊂ × uma relação binária em é uma relação de ordem total em se forem satisfeitas as seguintes condições: Para todo ∈ . ) ∈ . além de outras razões. podemos reescrever as condições: a’) Para todo b’) Se c’) Se ≥ ≥ e e ∈ . Usando essa notação. inteiros.

2) e os maiores que 2. Abaixo está ilustrada. . ). . Se é um conjunto com uma relação de ordem total . são chamadas de ordens lexicográficas por razões que ficarão claras a seguir. 2.2) > 3.47 ordem.2). > .5) e 2.2) são os que estão à esquerda ou abaixo desse e os maiores os que estão à direita ou acima. já se tem . 2. . Chamaremos a relação de ordem de ℕ de e a de ℕ × ℕ de . 2. 3. Observação: Ainda não generalizamos a noção de produto cartesiano. ) quando. 1.1: Peguemos o subconjunto = 1. se > . )≥ . Exemplo 4. Sabendo da veracidade desse teorema. no plano cartesiano. 3. ) ≥ . se = a relação passa a ser entre a segunda coordenada e se tem . 1. onde o ponto preto é o 2. ) quando ≥ . > 1. fica a questão: como ter uma relação de ordem total em conjuntos como o ℕ × ℕ? Podemos obter tal relação usando o fato de ℕ já possuir uma relação de ordem.2).3). a relação de ordem desse conjunto. 3.3). Ordens desse tipo. ) se ≥ ou se = .3) > 3.2) são vermelhos e os menores verdes. ) ∈ ℕ × ℕ. onde se usa uma relação de ordem total em para induzir uma relação de ordem total em da forma como foi feita. pode-se fazer o produto cartesiano entre conjuntos obtendo um conjunto cujos elementos são “pares ordenados” (na verdade.1) < 2. Usando a relação de ordem apresentada acima para ℕ × ℕ.5. mas.5). mas. Definamos a relação de ordem total em ℕ × ℕ da seguinte forma: dados .2). )≥ . Por exemplo. 3. chamados de n- . podemos fazer com que (= × × ⋯ × n vezes) seja totalmente ordenado por uma relação fazendo .5. se as primeiras coordenadas forem iguais. Ou seja.⋯. como foi feito acima.1). ⋯ . temos que 3.1) > 2. ) ≥ .1).1).3) de ℕ × ℕ. Exercício 4. mas ≥ .2: Mostre que essa relação apresentada é de fato uma relação de ordem total em ℕ × ℕ. Tal construção é apresentada abaixo. . Mas é possível demonstrar que todo conjunto bem ordenado é completamente ordenado pela mesma relação de ordem. ) (independente de ≥ ou não). Essa forma de ordenar totalmente produtos cartesianos de conjuntos que já possuem uma relação de total pode ser generalizada.3) >.1) > 2. Perceba que os elementos menores que 2.1).

mas > (no sentido de aparecer depois de no alfabeto). se usa a ordem já dada para o alfabeto para dizer que uma palavra é “maior” que outra (no sentido de que. ) > . ). . .. ). ∈ e ∈ . sendo .6 e = . mas um caso desse tipo de ordem é bastante comum e bem familiar a todos. Quando é encontrada a diferença. que devem ser acrescidos no “alfabeto”. ao ordenar palavras.3. fazendo caso aparecer depois de casa no dicionário.48 uplas) com elementos ordenados (com cada elemento pertencendo ao conjunto correspondente à posição que se encontra na n-upla). de forma que seriam necessárias mais “coordenadas” e algum elemento que preencha as “coordenadas” sem letras. Perceba que ordenamos inicialmente o alfabeto (dizemos que > . −2. As três primeiras letras são iguais. . . 1 3 . . A ordem alfabética (usada para ordenar palavras de um dicionário) é uma ordem desse tipo. uma aparece depois da outra no alfabeto). 2.0). × × é o conjuntos de todas as trincas ordenadas . . e existem letras com acentos. encontre os pontos 0. comparamos as primeiras letras e. ) onde ∈ .4. Claro. . pegamos duas palavras e vamos comparando as letras das palavras (a partir do início dela) até que se encontre uma “coordenada” distinta entre essas palavras. Por exemplo. passamos a comparar a segunda e assim por diante até que haja diferença. e conjuntos não vazios. 1 – No plano cartesiano abaixo. . o exemplo foi simplificado. . etc. Exercícios I – 4 2 – Sendo binárias de em = 1. Ou seja. ) e . Vamos primeiro colocar as letras como quadras ordenadas: . comparemos as palavras casa e caso. . represente as seguintes relações . .3) e 5 3 . Por exemplo. em forma de diagramas: . hífens. se as letras forem iguais. por exemplo) e. Assim. dadas as duas letras distintas. 4 3 . Tal forma de ordenação pode parecer estranha a primeira vista. pois nem todas as palavras possuem quatro letras. 0 . .2. . −1).5.

5. 5. 1. Caso não seja. 1. 1. indique quais das relações abaixo são relações de equivalência em A. 4. ).2. 5. ). ). 3. ). represente as relações binárias listando seus elementos e dê o domínio e a imagem de cada relação. ) ). 6. 3. 4. 3. ) 3 – Dê o domínio e a imagem das relações apresentadas no exercício 2 e indique quais relações são funções de em . 6. ) ). a) b) c) 6 – Sendo = 1. 3. 2. ). 3. ). ) ) ). ). ). ). ). 5 – A partir dos diagramas de relações binárias apresentados abaixo. 6. 2. .3 . ). ). indique qual(ais) condição(ões) falha(m).49 a) b) c) d) e) = = = = = 1. ). ). 3. ). 4 – Escreva as relações inversas das relações binárias apresentadas no exercício 2 e represente-as em forma de diagramas. 2. 1. 3. ). 5. 4. 6. ). 6. ). ).

2) 6. . 3. 2.3).1).1).3).2). 1.1. 2.1). 3. mas para ℕ .2) 2. 2.1). 2. Represente essas classes de equivalência no plano cartesiano. 3.2).1. )~ . 3.1) 12 – Defina uma relação análoga a feita no exercício anterior.1.4. 1. SUGESTÃO: Para poupar trabalho.3) 3.2). no máximo.1) 7 – Escolha. 2.1. 2.2).3.3). .1). 3. 8 – Represente as classes de equivalências das relações de equivalência existentes no exercício 6 e dê o conjunto quociente em cada caso. é a relação identidade.8).6.3). 1.3). 3.5) 1. ).1). 3. . 4. . é uma função 2.2. representando no plano cartesiano.2). 1. 3.2) de 10 – Alguma relação binária do exercício 6 é uma relação de ordem total? Se sim. . destaque os pontos que compõem a relação. 3. a) b) c) d) 1. 3.5.5). 6.3).1.3). 1. 1. | = 3 (cardinalidade do conjunto quociente 15 – Se | | = 5.1). 2. e somente se. 1. | ) e um elemento é equivalente a. )~ . 1. escreva. ) ∈ ) se + + = + + . )) se = .2) 2.6).1. Defina uma relação em fazendo com que .2).4. No caso da relação de equivalência.5.2). ) (ou seja. 14 – Usando a ordem lexicográfica definida para ℕ .1). no exercício acima.4). 2.2). Dê as classes de equivalência de 1.2).2).2).4.2. os pontos na ordem crescente. uma relação que seja de equivalência e uma que não seja e represente-as em forma de diagrama.1).2). 3. 1.2).2. 2.3).1).3.2).3).1). 3. 1.3). 4. 1. 1. 2. 2. em cada caso abaixo. 13 – Seja definido como ℤ × ℤ − 0 ). 9 – Mostre que uma relação de equivalência em um conjunto em se. Mostre que essa relação é uma relação de equivalência.7).50 a) b) c) d) e) f) g) = = = = = = = 1.2) 3.3). por exemplo) os pontos que compõem a relação de equivalência. 2. . use o Lema 4.2) 3. 2. 3. Mostre que essa relação é uma relação de equivalência. 3.3).3). 2. faça também a representação do conjunto no plano cartesiano e destaque (circulando.4).45.7). um elemento distinto. 1.2) e 3. . 1.1).1).1) 2. 4.3. ) ∈ (ou . quanto é | | (cardinalidade da relação de equivalência)? . 2. indique-a e.3). ). 11 – Defina para ℕ uma relação binária tal que .1). 2.

1 – Definição de função e notações Definição 1. o conceito de função é presente em toda a matemática e por isso o estudo dele é de particular importância. Também serão apresentadas estruturas algébricas básicas. : → tal que é uma função. )∈ e . e ⊂ × uma relação binária de em . chamamos o conjunto de partida simplesmente de domínio da função e o conjunto de chegada é mais comumente referido como o contradomínio da função (lembrando que a imagem da função é um subconjunto do contradomínio). é comum indicar que um dado do domínio corresponde a um determinado na imagem por ↦ (ou ↦ )). então é chamado de imagem de sob (com certo abuso de linguagem. a trinca ordenada . Reapresentemos a definição de função. ) é dita ser uma função de em ou aplicação de em quando satisfaz ambas as seguintes condições: a) b) )= . .2. . ′) ∈ = ′. usarmos com freqüência letras minúsculas para representar funções. Quando o domínio e o contradomínio são subentendidos. Por exemplo. devido à unicidade de na imagem correspondente a um no domínio. Como já foi introduzido no capítulo anterior. é possível alterar o contradomínio de uma função sem alterar outras características dessa. Outra conseqüência dessa unicidade é que. Atentemos também ao fato de. ). De fato isso acontece. anéis e corpos. a partir de agora. tais como grupos. também escrevemos = ). Como o conjunto de partida de uma função é sempre igual ao domínio. se = ). onde o conceito de função estará sempre presente. como mostra o teorema seguinte.1.1 (função): Dados dois conjuntos.2 – Igualdade entre funções Antes de apresentarmos a igualdade entre funções. Como já foi dito no capítulo anterior. e . )⊂ (a implica Teorema 1. 1 – Características Gerais 1. 1. Algumas novas notações devem ser introduzidas.1: Seja : → uma função e imagem de : → está contida em ). No lugar de . Também devido a esse fato. como a imagem de uma função não necessariamente é igual ao contradomínio. Então : → . representamos a função simplesmente por . passaremos a representar funções por : → (lê-se “função definida de em ”). é comum omitir o “sob ”).51 Capítulo II – Funções e Estruturas Nesse capítulo será apresentado um tratamento mais geral de funções. notemos que. : → .

se é diferente de . no teorema anterior. Mas também poderíamos tomar um contradomínio maior. . de função. ) se. QED Uma função pode ser definida a partir de uma “regra”. que. já se está tomando os domínios e os contradomínios iguais. Por exemplo. O diagrama abaixo ilustra a função. = e = . A função propriamente dita é a trinca . ) ≠ . poderíamos fazer : ℕ → . . escrever Exemplo 1. ). ). Vemos. o par . ) (embora seja comum chamarmos a relação de função). = 2 e = 4 são respectivamente 1) = 2 ⋅ 1 = 2. também. ↦ 2) = 2 ⋅ 2 = 4 e ) = 2 (pode-se. . . Ou seja.1: Seja : ℕ → ℕ tal que As imagens de = 1. pois . : → . Ou seja. que se pode reduzir o contradomínio a somente os pares positivos sem alterar os outros aspectos da função. ) ∈ . então. A imagem da função é composta por todos os números pares positivos. ) ∈ × . a função : → é diferente de : → . Perceba. onde é o conjunto dos números pares positivos. . Assim. ) = . . mas se deve sempre estar atento para não confundir os conceitos.52 ). Sabendo a regra que define a função. escrevemos ) em termos de . como satisfaz as condições (a) e (b) da definição de função. 4) = 2 ⋅ 4 = 8. .2. Afinal. então. a função poderia ser : ℕ → ℝ. elas continuam sendo satisfeitas. e só se. então. Isso quer dizer que podemos estabelecer um padrão na obtenção do na imagem a partir do do domínio. no exemplo anterior. A última função também exemplifica o teorema demonstrado logo acima. então ∈ e ∈ temos que ∈ . quando mudamos o contradomínio. Concluímos. Demonstração: Se . mostrando que ⊂ × . Já que )⊂ . pois. = . mas apresenta uma forma equivalente de afirmar = . Um abuso de linguagem que é bastante freqüente (e cometeremos aqui também) é chamar a regra definidora da função. que : → é uma função. Assim. ↦ ) onde ) é a regra em questão. mudamos a função. No teorema abaixo. podemos escrever a função como :ℕ→ℕ ).

Mostre que essas funções são iguais. )∈ . tais que QED mostrando que as funções são iguais. sendo ) = e ℎ: 1. : ℝ − −1.2.2: Sejam : → e : → se. a imagem desse é 1. : ℝ− 1 )→ℝ e = ) ) ).2: Pode-se ter : ℝ → ℝ definida por: )= ² ≥1 ≤1 No primeiro exemplo. Ou seja. pois. Exemplo 1. se pertence a . mas. observemos que os )= ) : ℝ − 1 ) → ℝ. para todo ∈ .2: As funções e )= ∈ ℝ − 1 ). basta mostrar que para todo ≠ 1. )∈ Demonstração: Se as funções são iguais. A domínios e contradomínios já são iguais. já que ⊂ ) e os contradomínios ( 0 ∪ 1 = 0. e somente se. ∞) → ℝ tal que ) = . a intersecção dos : −∞. Usando a notação = → funções. donde segue que recíproca é obtida seguindo a demonstração no sentido contrário. se não pertence.1 de forma que: )= 1 0 ∈ ∈ − ) . situação semelhante ocorre. Para mostrar isso.0 ) → ℝ tais que 1. Assim.1 ) dessas duas funções e usando as regras respectivas nas partes do domínio que as = ∪ . Segue que é único. No segundo competem. → é igual a . Então : )= ). Essa função é chamada de função característica de . Exemplo 1.3 – União de funções É comum que a regra definidora de uma função não seja a mesma em todo o domínio. dessa forma. mas devemos tomar cuidado.53 : Teorema 1.2. se tem )= ) )= Exemplo 1.2. conseguimos a função original. a imagem é 0. ⇔ . Exercício 1. são iguais.0 ) → ℝ e : ℝ − −1. podemos decompor a função em duas. exemplo. 1 → ℝ tal que . Assim. Vemos que )= = ) + 1. sabendo que ) para todo ∈ ℝ − 1 ). pois o . Juntando : → 1 tal que os domínios ( ∪ − ) = . ) e ) = . )) ∈ ⇔ . )) ∈ . Os dois exemplos abaixo ilustram isso.3.1: Seja Podemos criar uma função : um subconjunto de um conjunto não vazio → 0. a equivalência é escrita como = . então )= ). existirão funções cujas imagens serão definidas por mais de uma regra (cada regra referente a um subconjunto do domínio).3. Ou seja. A primeira ) = 1 e a segunda : − ) → 0 tal que ) = 0.1: Sejam ) = +1 = e.

⊂ × e ⊂ × . obtemos a função original ( ∪ ℎ = ). Sejam também : → tal que = 1. . 3. mostrando que é de fato uma função.2. 2. = 1. Assim.4 do Capítulo I).3). Então a união ∪ define uma função ℎ de ∪ em ∪ de domínio ∪ e contradomínio ∪ ). 3). . Exemplo 1.3: Sejam = 1. × )∪ × )⊂ ∪ )× ∪ ). não se está tirando elementos que pertençam a × (veja o Teorema 2.2.54 domínios não é vazia (é 1 ). = 2. podemos ver que.4 . Então a relação ℎ = ∪ = 1. 2. QED ℎ= ∪ ⊂ × )∪ × )⊂ ∪ )× ∪ ) ℎ )= ∈ ∈ . ao unir as funções. )= Teorema 1. cuja representação diagramática é dada abaixo. ∞) = ∈ ℝ| ≥ 1 . . Concluímos. Segue que ∪ ⊂ × ∪ × . 2. 3. afinal. 4) . Observação: Definiremos no capítulo seguinte o conceito de intervalo de números reais. 3).3). Assim. De forma semelhante × ⊂ ∪ )× ∪ ). ℎ ) é definido de forma única em todo o domínio.1: Sejam : → e : → funções tais que todo ∈ ∩ . então. ∪ . .3.2).3. Mas × ⊂ ∪ )× ∪ ). ℎ ⊂ ∪ )× ∪ ).3). mas já adiantemos que −∞. Já que e são funções e ) para todo ∈ ∩ .3. 4) define uma função ℎ: ∪ → ∪ .3.2). Ou seja: tal que: ℎ= ∪ ): ∪ ) ) → ∪ Motivados por esses exemplos.5.2. 1 = ∈ ℝ| ≤ 1 e 1. e = 2. .6 .3 .2). ) para (função Demonstração: e são relações binárias.3) e : → tal que = 1. mas é fácil ver que as regras coincidem nessa intersecção. ao se unir um conjunto ao conjunto e outro ao conjunto .3). que é o mesmo que dizer que ℎ é uma relação )= binária de ∪ em ∪ . enunciemos o seguinte teorema. que: Ou seja. Como no caso anterior.

. que “ ) se. A pré-imagem de sob ).4. Numa notação mais compacta: )= )| ∈ 1.1: Seja : → uma função e ⊂ .4. sob é a própria imagem da função.4. = e ⊂ . Ou seja. é o conjunto de todos os elementos do domínio tais que . quando → . Em notação mais sucinta: )= | )∈ A pré-imagem de um subconjunto do contradomínio da função é. a imagem de : → . A imagem de sob . Definição 1. Embora a semelhança nas notações )e ). )= ).3. em geral. então.2: Mostre com um contra-exemplo que não é possível afirmar.1: Dê o domínio e a imagem das funções .55 Exercício 1. é o conjunto de todas as imagens ) tais que ∈ . denotada por ). )= no caso geral. onde é o domínio da função. deve-se atentar que ) é um elemento da imagem enquanto ) é um subconjunto da imagem.4. : → e ℎ apresentadas é dita ser uma extensão Definição 1. um subconjunto do domínio da função.1: Mostre que Exercício 1. = ”. Em particular.1. isto é. Mas nessa nova definição devemos perceber que pode ser qualquer subconjunto do contradomínio e esse pode possuir elementos que não pertençam à imagem da função. pode existir ∈ tal que ≠ ) para todo ∈ . e somente se. denotada por ) ∈ .3.4 – Imagens e pré-imagens de funções Perceba que a imagem de sob é um subconjunto da imagem da função )⊂ ). no exemplo anterior. Exercício 1.2: Seja : → uma função e ⊂ . de : No Teorema 1.

1: Sendo : → uma função arbitrária e ⊂ e ⊂ subconjuntos quaisquer do domínio e contradomínio. pela definição. A imagem +1 é de (conjunto dos pares) sob é o próprio conjunto dos pares.3: Faça a representação diagramática do que foi discutido no parágrafo acima. a pré-imagem de sob é ) = 2. Sendo = 1. ) que.4. Afinal. por fim.4. que definição de subconjunto. Segue abaixo a representação diagramática. = 6.7). 3.6). em termos de diagramas.4.1: Seja : ℕ → ℕ tal que )= Exemplo 1. 1. ∈ ∈ ∈ ). Teorema 1. Ou seja.8 .3.8). QED . ∈ ⇒ ) ⊂ )∈ Exercício 1. Já a pré-imagem de sob é o conjunto dos elementos no domínio de onde partem as setas que terminam nos elementos de .4.3. que nos leva a concluir que ) ⊂ .2: Seja = 1.2 . Ou seja.8) . valem as inclusões: Demonstração: ( ⊂ ∈ ) ⊂ ): Se ∈ ⊂ ) ) ): Se ⊂ ∈ . ) .4. Esses resultados são gerais e apresentaremos como um teorema. Vemos. Já sendo é o conjunto = 7. mostrando que ∈ ℕ.9 e : → uma função definida por = 1.2.7).4. a imagem de sob é o conjunto dos elementos no contradomínio onde terminam as setas que começam nos elementos de .7 . então existe ) ⇒ ∈ levando.9 .5 . donde segue. respectivamente.5 .7 .8. Também se tem que. 5. Exemplo 1.56 é .3 .3.2. ⊂ ) = 7. pela ) tal que )= . que implica ) ⊂ . ∈ . 4.8. que. então ) .5 . a imagem de sob ) = 6. 2. então. Ou seja.7. ) = ) = 6. se é ímpar. mas Nesse último exemplo podemos ver que ) . mas a pré-imagem ) ∈ para todo de sob é ℕ.4. quer dizer ( a ) . sendo ) = 2. + 1 é par.

depois.1. concordando com o teorema. afinal.1. “volta” pelas linhas vermelhas até −2.1. o caminho “segue” pelas linhas vermelhas de 1. onde os pontos pretos são os pertencentes a .4 ) = nem quadrado inteiro com resultado 2. −1.1 .2 a 1. −2.4. Já no segundo caso. Exercício 1.4 .2 . Demonstração: (a): Não existe se conclui ∅) = ∅.4: Se : ℕ → ℕ é uma função tal que para todo subconjunto do contradomínio tal que 1 ∉ .4 e −1. a) ∅) = ∅ )= ) b) c) Se ⊂ ⊂ . logo. e É interessante que.2 ) = −1. )= . 2 = 1. valem as afirmações abaixo. na representação feita acima.1 . ) = . −1) .2 “ir” para −1.3: Seja : ℤ → ℤ tal que 1.1. então Teorema 1. )⊂ ∈ ∅.2 já mostra que. No 1.2 → −1.1.2 ) = −1.2 ) . Exemplo 1. as inclusões demonstradas não podem ser substituídas por igualdades.4 e.1. não existe ). 1 = 1 . se observe os caminhos 1.1.2 → 1. )⊂ ).2 ) = 1. −1. no caso geral.1 ) = −1) = 1. Abaixo a representação da função é feita no plano cartesiano. Depois o conjunto “volta” pelas linhas vermelhas até 1 . mostre que. então d) Se ⊂ ⊂ .2 ) → −1. No entanto. de onde .2: Sendo : → ) = + 1.4. uma função.2 ) = 1 . o elemento 1 é o único que pode “seguir” pela linha vermelha. e faz o conjunto −1.2 ) e −1.57 O comentário feito sobre o Exemplo 1. pois −2) = 4 e −1. as inclusões apresentadas no comentário são próprias. pois não existe quadrado de inteiro cujo resultado seja −1 1.1. )∈ ∅).4.2 ) → primeiro caso.4.

Assim. ∈ e )∩ ). 5.58 )= ) ∈ ) e. Exemplo 1. donde se tem ∈ )∩ ∩ )⇒ ∈ ).5: Dê um exemplo de função : ℕ → ℕ tal que. Ou seja. dessa forma. Essas duas propriedades podem ser generalizadas e faremos isso mais adiante. não é possível obter. ∈ (d): Se ∈ ). ∈ )∪ )⊂ )∪ )⇒ ∈ ∪ ) e. ∈ ∈ (b): Se ∈ ∩ ). então existe ∈ ou ∈ tal que = ). um contra-exemplo para a afirmação “se ⊂ ⊂ . finalmente temos que ∪ )∪ ).4. por seguinte. Dessa inclusão e )= a anterior. ∈ ) e ∈ ). Disso se tem que ∈ ∪ e.6: Encontre contra-exemplos que mostrem que as afirmações “ )⊂ ) somente se ⊂ ” e “ )⊂ ) somente se ⊂ ” são falsas. então ∈ )⇒ ∈ ). )∩ ).3: Seja : ∪ )= ∩ )⊂ )∪ )∩ ) ) → uma função e . Então: Exercício 1. Mas ∈ (c): Se ∈ ). então ) ∈ . )= + 3. QED )= . ).4. dessa forma. para algum subconjunto do domínio. = ”. ∈ ) ou ∈ união. ∈ ∪ ). Teorema 1. (b): Pela definição correspondente é único. . exista ⊂ de forma que essa inclusão seja própria e )= ). ⊂ . se conclui que ∈ ) para todo ∈ . Ou seja. )⊂ ). a igualdade e o exemplo seguinte mostra isso. que é o mesmo que )⊂ ). a) b) Reciprocamente. Ou seja. então existe ∈ ∩ tal que = e. Ou seja. então existe ∈ tal que disso.4. pela definição de ∪ )⇒ ∈ )∪ ).4. Ou seja. e somente se. com )= sendo o domínio. então ) se. . Na parte (b) do teorema. ∈ donde segue que ∪ )⊂ )∪ ). é o mesmo que ∈ )∪ ). Ou seja. Dessa forma. ∈ ∪ tal que ). em geral. Como ⊂ . Ou seja. se ∈ )∪ ). mostrar que não existe a recíproca das partes (c) e (d) do teorema acima.4: Sendo : ℤ → ℤ tal que Demonstração: (a): Se ∈ ∪ ). Logo. ∪ ). )= ). que é o mesmo que ∩ )⊂ ). como só há um em ⇒ eo ∈ ) ∈ . tem-se 2 )= 2) = QED Exercício 1. então existe Mas ∈ ∪ ⇒ ∈ ou ∈ . que. ) = .

∈ ). que é diferente de Mas ∩ ). mostrando que )∪ ). − )⊂ ).4. tem-se ∩ = ∅ e. então ∈ ).5: Seja : Também generalizaremos esse último teorema mais adiante. Abaixo segue a representação diagramática. Sendo = 1 e = 2 . )= − − )− ). ⊂ .7: Demonstre a parte (b) do teorema acima. que é o mesmo Demonstração: (a): Se ∈ ∪ ). Por seguinte. que implica )∈ ∪ ) ou ∈ ). 2. → − )= uma função e . pois ∈ ∈ ∪ ∪ )⇒ ∈ )∪ ). Então: ) ∈ − .4.4: Seja : ∪ )= ∩ )= )∪ )∩ → ) ) uma função e . Mostrada essa inclusão e a anterior.2 .4. ou seja. então Demonstração: Se ∈ )∈ e )e ∉ )− ) ∉ . ∈ )− mesmo que − ). )⊂ )∪ ). ∩ ) = ∅) = ∅. Então: ) a) b) Teorema 1. ) ∈ ∪ . )− )− Dessa forma. portanto. Portanto ∈ ∪ ) e acabamos de mostrar que ∈ )∪ ) )∪ )⊂ ⇒ ∈ ∪ ). então ) ∈ ou ) ∈ . = 3 e : → tal que = 1. que quer dizer − ). portanto. então )∈ ) ∈ .5: Seja = 1. Demonstradas essa inclusão e a anterior. verdadeiro. Disso segue que ∈ que ou ) ou ∈ ). − )= )− QED ) .3) . se ∈ )∪ ). donde se conclui )⊂ ).3). Assim ∈ ) e. em geral. )− ⊂ . Exercício 1. Disso temos ) ∉ . )= 3 e ) = 3 e. Reciprocamente. por definição.4. que. que é o ) ∈ − . se ∈ )∈ e ) e ∉ ).4. )∩ ) = 3 . Teorema 1. donde se tem ∈ . assim. quer dizer ∪ ).59 Exemplo 1. Reciprocamente. QED Exercício 1. concluímos que ∪ )= )∪ ).8: Mostre com um contra-exemplo que não é.

6 ) = 2 . 2. 3. 1.2.4. nos casos que são. ). que é o resultado anterior. 2. ).7 e ⊂ tal que = )− )= 7.8) . ).5).8 ) = 2.8 . Sendo ⊂ tal que = 5.4.4. ) ) ).8 e = 1.3 − 3.6. Por outro lado.6. . faça a representação diagramática dos casos em é uma função de em . − )= 5.3 e = . 2.3. 1. indique quais relações abaixo são funções de A em B e. a) b) c) d) e) = = = = = 1. Exercício 1.7). 1. 1. ). .6.7. ). 2. . 3. ). 1.6: Seja : → uma função com = 1. dê a imagem.7 ) − 7. 3. 3.60 Exemplo 1. 4.2. .9: Demonstre o seguinte corolário do Teorema 1.4 e = 5. 3.5: − )= − ) 1 – Sendo = 1. ) ) ) Exercícios II – 1 que = 2 – No exercício anterior.2.5).4 = 2 . . ). 3 – Indique quais diagramas abaixo representam funções de . 1. ). 2. ). ).3 em a) b) c) . = 1. 5. 1.

61 d) 4 – Seja : ℕ → ℕ uma função definida por: )= ² 5 – Mostre que. . 5. 3. 4.1. então = . 4.3).4) . e Em cada caso abaixo. 1) e = 1. . ) . 2). . para cada ∈ para mostrar que h é uma função.3. basta verificar. 1). represente a relação ℎ = quando essa definir uma função. 3) e = 1. = 3. 3).2. 2. se : → SUGESTÃO: Só falta mostrar que 6 – Dê a imagem da função Encontre 2). → são funções e ⊂ . Caso defina.1). e = 1.5). . ). pelo )∩ )= ). 5. a) b) c) d) e) f) : : : : : : → → → → → → e e e e e e : : : : : : → → → → → → tais que = tais que = tais que = tais que = tais que = tais que = 1. ) . ∪ define 8 – No exercício anterior.4) e = . 4.3).1). . 2.4. . . . 3. SUGESTÃO: O enunciado já afirma que Teorema 1. Então. ). . e dê a imagem da função. 1. ). 3).1). ).1). 7 – Considere os conjuntos = 1. →ℕ .5 . ). . ). . 3. 2. 2).4).3). 1. . que ) ∪ por diagramas. represente ℎ listando seus elementos. . 5. .1).3) . .2). são funções. 12). 5). 9) e −1 é é ã 1 é 11). ) e = 3.3) e = 3.2). 1. : . 3.1) e = 3. ↦ ² e : ⊂ .3 . onde e são funções. 5) . = . verifique se a relação ℎ = uma função. 2. 1. ). . ) .

c) 1.5.7 e = 1. pois não existem elementos distintos no domínio com a mesma imagem.62 9 – No exercício 4. 3. ).2. 3. e a) a imagem da função. .1 (função injetora): Seja : → uma função.6) . Sendo ⊂ × ( é uma )= )= ) e ).4).5. ). Essa função é injetora. b) 1. 2. então = ′. d) 1. se ). ). : → é )= dita injetora (ou injetiva) quando é satisfeita a condição: se . . ). f) .3 ). . = 10 – Dado : → tal 1. ′ ∈ ≠ ′. 5. ). mostre que chamada de projeção canônica sobre e de projeção canônica sobre . 11 – Seja : ∩ a) b) ) = ) = → )∩ uma função.2: Seja : → tal que = 1. é importante que se tenha familiaridade com as noções apresentadas nessa secção. A representação diagramática segue abaixo.4 ). Definição 2. 2.1 – Definições e Exemplo 2. A função é relação de em ).2 ).9 ) e = 1.2.4 ). 4.3.3 . ).1.2. . g) h) . encontre 1. Assim. SUGESTÃO: = . Uma forma equivalente de definir é substituir a condição por: se . 2 – Funções Injetoras. = uma função.2. .9.1. .1. e) 1.2. . ) .2. . pois. Mostre que: 12 – Sejam e conjuntos não vazios e considere as funções : × → tal que . Essa função é injetora.5).4 ) . temos que Exemplo 2. Chame o conjunto dos primos positivos de ℕ .4 .1: Seja )=3 ≠3 :ℕ→ℕ ↦ 2.3 ).3. então )≠ ′). = 4. )∩ ⊂ e ⊂ . ) = e : × → tal que . Sobrejetoras e Bijetoras Funções injetoras.6. ≠ ′. sobrejetoras e bijetoras são tipos de funções que possuem uma importância especial em diversos casos. encontre: que 4. ) = .2. ′ ∈ e ′).

: → é dita sobrejetora quando é satisfeita a condição: se ∈ então existe ∈ tal que )= . É comum que se chame as funções bijetoras de bijeções ou correspondências um-para-um.1: Mostre que a função Definição 2. devemos mostrar que é injetora e sobrejetora.1) é uma função sobrejetora.1. Então a função característica de A (consulte o Exemplo 1.7} e ) = .5). x tal que :ℕ→ℕ ↦ é injetora. Podemos ver.2 (função sobrejetora): Seja : → uma função. bijetora. Exercício 2. : → | = define uma função bijetora . pois existem ∈ e ∈ ) = 1 e x’ tal que ) = 0. De forma equivalente.5: Sendo A um conjunto. Definição 2. 3. Exemplo 2. uma função é sobrejetora quando Podemos chamar funções sobrejetoras simplesmente de sobrejeções. injetora e sobrejetora. portanto. que.3: Seja X um conjunto não vazio e A um subconjunto não vazio de X tal que ⊂ seja uma inclusão própria.1. a condição para uma função ser sobrejetora é que todos os elementos do contradomínio devem ser “flechados”. a relação identidade. Para mostrar que essa função é ↦ ≠ .3. simultaneamente. Exemplo 2. 4. em termos de diagramas. então.7) . = ). Essa função é sobrejetora.1. : → é dita bijetora quando é.1.1.4: Seja : → uma função tal que A={1. Com efeito. )∈ Exemplo 2. B={5. pois.4}. Abaixo está a = 1. em termos de diagramas. a condição para que a função seja injetora é que cada elemento na imagem deve ser “flechado” uma única vez. se = .6. − ) e.63 Perceba que. pois representação diagramática. 2.3.3 (função bijetora): Seja : → uma função.2.7).1.6).

sendo injetora. donde segue que ∈ . então devemos mostrar que ) ⊂ quando é injetora. ) . portanto.1. função inversa Para esses tipos especiais de funções. mas.3}. usaremos o que já foi demonstrado no Teorema ) ⊂ . Então. está enunciada uma “extensão” do Teorema 1. Assim. Abaixo. = ) para algum ∈ . 3. pois bijetora.64 . muitos teoremas podem ser melhorados. então )∈ )= ∈ ).1. Assim. ∈ ) ⇒ ∈ . (b): Como anteriormente.2.4.2. B={a. que implica ∈ ). Teorema 2. ∈ (contradomínio). ) = se é bijetora. para algum ∈ . segue de ser sobrejetora que ) ∈ . existe : → ↦ ∈ (domínio) tal que Não é necessário escrever . temos Demonstração: (a): Já foi demonstrado para o caso geral que ⊂ ) . que. Podemos ver no diagrama abaixo que as condições já apresentadas. pois a notação : → já indica que é a relação Exemplo 2.1: Seja : ) = ) = ) = se se e → uma função com ⊂ e ⊂ . que é o mesmo que ) ⊂ . Ou seja. conhecido.c} e = 1. ). pois não existem elementos distintos ) = . Usando esse resultado e o já ) = . ) . basta escrever sem explicitar a regra. Se ) . ). A={1.1 para esses tipos de funções. Essa função é injetora. Se ∈ . 2. se ) = . a função é no domínio com mesma imagem. para ser injetora e sobrejetora são simultaneamente satisfeitas: todos os elementos da imagem são “flechados” uma única vez (é injetora) e todos os elementos do contradomínio são “flechados” (é sobrejetora). então é apenas necessário demonstrar que 1.b. e é sobrejetora. Portanto. sobrejeções e bijeções. = )∈ ) para todo ) ∈ .2 – Imagens e pré-imagens de injeções. )= ≠ = ) e. ). identidade e. 2.6: Seja : → tal que. Sabemos que ) quando ⊂ é sobrejetora. então: a) b) c) é injetora. = ∈ ⇒ ∈ . Ou seja.4. em termos de diagramas. necessariamente = ′. é sobrejetora. esse é = .

: → : → QED é são funções. que é bijetora. nos diz demonstrado. então . o domínio da relação partida). Usando o teorema.1: Se : → e chamada de função inversa de : → . Disso obtemos a recíproca do teorema como um corolário. não foi necessário supor que é sobrejetora ou injetora. então : → é uma bijeção. então : → é bijetora. se . donde segue = pelo próprio fato de ser uma )= função e. mas o fato de ser injetora diz que. ). é bijetora. . Suponhamos que . qual a condição deve ser satisfeita para a relação inversa ser uma função. QED No capítulo anterior foi dito que. Assim. (c): Se segue que ) = . portanto. . mostrando. Logo. ′) ∈ . a relação inversa de uma função não é uma função. a de que ) = .2: Se : → é uma bijeção. inicialmente. . como já se sabe do capítulo anterior (a relação inversa da relação inversa é a própria relação). Se . é uma função. Demonstração: Como dito. Definição 2. advêm simplesmente do fato de . QED Observação: Na demonstração de que é bijetora. então é injetora e sobrejetora. ). bijetora implica que ) é bijetora. Então é bijetora. ) ∈ . Do capítulo anterior. Assim.2. ′) ∈ implica = e que ser uma função. Veremos agora. então já demonstramos que é bijetora.2. na segunda parte do teorema não foi necessário supor que era bijetora. ). satisfazendo a condição (b) da é uma função. que nos leva a concluir que é sobrejetora. ) ∈ . ). Bem se sabe do capítulo anterior que )= é Y (o próprio conjunto de ). em geral. Ambas as características usadas. então = ′. já sabemos que ) = . mostrar que )= = é sobrejetora. satisfazendo a condição (a) da definição de função.65 ⊂ ) . precisamente. tendo esse resultando e o já equivalentemente. ) ∈ . mas que existia a possibilidade da relação inversa ser uma função. . ). ) ∈ então . definição de função e mostrando que Agora demonstraremos que é bijetora. é injetora. Como Demonstração: Vamos. Teorema 2. ′. ′. junto ao resultado anterior. ∈ corresponde a um único ∈ . então . ). Dos resultados anteriores ) = e ) = . Mas ) = . Corolário: Se : → e : → são funções. ).

B={x. é bijetora. de :ℕ→ ↦ Observação: Deve-se tomar cuidado para não confundir a notação função inversa com a de pré-imagem. o teorema e o corolário nos dizem que uma função possui inversa se.t} e = 1. ) . e somente se.2: Seja : → tal que. A relação inversa é = . é comum que se chame uma bijeção : → de correspondência um-para-um entre X e Y. A={1. que também é uma bijeção. Exercícios II – 2 1 – Dados os diagramas de funções abaixo.1: A função : →ℕ . ). 3). 4) . . sobrejetora ou bijetora (caso possam ser classificadas como tais). Exemplo 2. . a) b) c) d) . ↦ .2. 2. onde P é o conjunto dos pares positivos.y. 1).2. 4. Essa função é bijetora (verifique!). . 2). classifique cada função como injetora. Assim.3. é uma função bijetora e sua inversa é Exemplo 2. 3. ). mas de B em A.66 Dizemos que uma função possui inversa quando a relação inversa é uma função.2.4}. ). Devido ao teorema.z.

Apresentaremos agora. 3 – No exercício anterior. : uma função sobrejetora e . mostre que )= e como definidas no exercício 12. Em que condições é injetora? ∈ 7 – Considere as funções : ∩ . Mostre que: → e : → tais que )= ) para todo 5 – Sendo )− ). Dizemos que A é indexado pelo conjunto Λ quando existe uma função sobrejetora : Λ → A. 6 – Considerando as funções Exercícios II – 1. é bastante útil utilizarmos índices para diferenciar elementos de um conjunto. 4 – Seja : → ). uma função injetora e ⊂ . identifique se a função é injetora. conjunto dos conjuntos com i natural de 1 até n). quando ℎ definir uma função.1. então ℎ: ∪ → ∪ ℎ = ∪ é injetora. Mostre que. − )= a) se e são injetoras e ∩ = ∅ = ∩ . .1: Seja A um conjunto não vazio arbitrário. formalmente. então ℎ: ∪ → ∪ tal que ℎ = sobrejetora. Isso já foi feito ao longo do texto quando se usou famílias de conjuntos contendo um número finito de conjuntos (por exemplo. sobrejetora. onde ∈ . então = .67 2 – No exercício 7. b) se e são sobrejetoras. como indexar elementos de um conjunto.1 – Conjuntos indexados Em muitos casos. encontre a função inversa e represente essa em forma de diagrama. tal que ∪ é 8 – Dê um exemplo de função bijetora entre os naturais e os inteiros (só é necessário conjecturar). Os elementos de Λ são chamados de índices e a imagem de um ∈ Λ é escrita como . quando ℎ for bijetora. mostre que essas funções são sobrejetoras. Definição 3. se ⊂ . Exercícios II – 1. 3 – Conjuntos Indexados e Generalizações 3. → . bijetora ou não pode ser classificada dessa forma.

68 Sempre é possível indexar um conjunto, pois podemos tomar Λ = função identidade. e a

Exemplo 3.1.1: Seja A um conjunto de 5 elementos. Podemos indexar esse conjunto com o conjunto {1,2,3,4,5}. Para tanto, chamamos 1) = , 2) = , ⋯ , 5) = . Ou seja, = , , , ,

Observemos que indexação vale para qualquer conjunto de cinco elementos. Assim, podemos tomar conjuntos indexando seus elementos sem a necessidade de explicitar os elementos do conjunto.

Em especial, como foi feito até agora, podemos indexar famílias de conjuntos. Para isso, basta tomar um conjunto Λ de forma que exista : Λ → sobrejetora, onde é a família de conjuntos. A idéia de indexar elementos de um conjunto é, na verdade, simples. Apenas se troca a necessidade de usar símbolos diferentes para diferenciar elementos pela de usar índices diferentes. Mas, como a função não é necessariamente bijetora, pode-se indexar um elemento duas ou mais vezes, de forma que podem existir elementos com mais de um índice. Por exemplo, podemos indexar a família de conjuntos = ℕ, ℤ, ℝ, ℝ com o conjunto {1,2,3,4} chamando = ℕ, = ℤ, =ℝ = ℝ, mesmo tendo = . Esse detalhe será considerado quando e generalizarmos a noção de produto cartesiano. Observação: Lembremos que foi convencionado que só admitiremos a possibilidade de índices distintos se referirem a elementos iguais quando chamarmos o conjunto de família. Ou seja, se o conjunto não for chamado de família (de conjuntos ou elementos), então a função indicada na definição será bijetora.

Às vezes não é importante qual é a função sobrejetora : Λ → A, mas apenas se ela existe. Por vezes se omitirá o conjunto indexado e associaremos os índices diretamente aos elementos.

Exemplo 3.1.2: Seja uma família de conjuntos tal que seja indexada pelo conjunto ℕ. Então um elemento qualquer de é tal que ∈ ℕ e o conjunto pode ser representado por = , ,⋯, ,⋯ .

Podemos introduzir uma notação para conjuntos indexados pelos n primeiros números naturais (ℕ = 1,2, ⋯ , ) e até mesmo para os indexados por todos os naturais. Podemos escrever o conjunto = , ,⋯, simplesmente como sendo = ( = , ,⋯, ) e o conjunto = , ,⋯ como = ( = , , ⋯ ). Ou seja, nos exemplos 2.2.1 e 2.2.2 poderíamos escrever = e = respectivamente. Observação: Passaremos a adotar a notação ℕ conjunto dos n primeiros números naturais ( 1,2, ⋯ , ). para representar o

69 A notação apresentada é particular de conjuntos indexados por naturais, mas podemos ter uma notação mais geral. Seja A um conjunto indexado pelo conjunto Λ, então podemos chamar o conjunto A de = ∈ . Em particular, um conjunto A indexado pelos naturais (Λ = ℕ) pode, também, ser representado por = ∈ℕ . Quando escrevemos ∈ já se está informando que o conjunto é indexado e qual conjunto de índices, mostrando que essa notação é concisa. Observação: Podemos ainda escrever o conjunto | ∈Λ . 3.2 – Generalizações =

como

=

Em posse da definição de indexação, podemos generalizar alguns resultados e fazer algumas redefinições. No que se segue, a indicação entre parênteses nas definições são referentes à definição que se está redefinindo e nos teoremas ao teorema que está sendo generalizado. Definição 3.2.1 (1.9.2 – I e 1.9.3 – I): Seja X um conjunto arbitrário não vazio e ∈ uma família arbitrária não vazia de subconjuntos de X. A união e intersecção de todos os conjuntos são definidas, respectivamente, por:

=

∈ | ∈

∈Λ

Ou seja, é o conjunto de todos os elementos de X tais que esses pertençam a algum .

=

∈ | ∈

∈Λ

Ou seja, o conjunto dos elementos de X que pertençam, simultaneamente, a todos os subconjuntos . Para o caso particular de Λ = ℕ , ainda é conveniente usar a notação apresentada no primeiro capítulo. Quando Λ = ℕ, também é comum serem usadas e . as notações Exercício 3.2.1: Mostre que: a) b)
∈ ∈

Tente visualizar esses resultados de forma intuitiva. Pelo fato da união ser comutativa e associativa, na (a) podemos imaginar que juntamos todos os num “lado” da seqüência de uniões e todos os no outro. Por exemplo ∪ )= ∪ )∪ ∪ )∪ ∪ )= ∪ ∪ )∪ ∪ ∪ )= ∪ . = Exemplo 3.2.1: Considere a seguinte família de conjuntos: 1,2 , 1,3 , 1,4 ⋯ . Podemos indexar os conjuntos com os naturais de forma

∪ ∩

)= )=

∈ ∈

)∪ )∩

∈ ∈

) )

70 conveniente: sendo = 1, + 1 . Ou seja, podemos escrever 1, + 1 ∈ℕ . Assim, a união desses conjuntos é dada por:
∈ℕ

=

∈ℕ

=

=

∈ℕ

1, + 1 = ℕ

afinal, contem o número 1 e o sucessor de cada natural. Já a intersecção dos conjuntos é: = 1, + 1 = 1 ∪ +1 )= 1 ∪ +1 = 1, +1 ≠

∈ℕ

pois, sendo +1 .

+1 e

∈ℕ

+ 1 com ≠ ′, então + 1 ≠

∈ℕ

+ 1, que implica que

∈ℕ

. .

Vamos redefinir agora a noção de partição de conjuntos.

Definição 3.2.2 (1.9.4 – I): Uma partição de um conjunto A é um conjunto = tal que cada seja subconjunto não vazio de A e as seguintes ∈ condições sejam satisfeitas. a) Se , ∈ b) = ∈ e ≠ , então ∩ = ∅.

O que foi pedido para ser demonstrado no Exercício 1.9.1 – I permanece válido nesse caso mais geral. Então o Teorema Fundamental das Equivalências continua válido. Tendo o conjuntos dos inteiros não negativos, ℤ = 0,1,2,3, ⋯ , podemos indexar o conjunto = 0 , 1, −1 , 2, −2 , ⋯ de forma conveniente com ℤ chamando ,−
∈ℤ

Exemplo 3.2.2: Podemos particionar o conjunto ℤ da seguinte forma: = ,− . = 0 , 1, −1 , 2, −2 , ⋯ =

a)

, − , , − ∈ e ≠ , então , − ∩ , − = ∅. Isso porque, se ≠ então − ≠ − . É bom lembrar que , ∈ ℤ e, portanto, não há perigo de = − . b) , − = ℤ. Isso de fato acontece, pois notemos que ,− = ∈ℤ ∈ℤ negativos pertencem à união e também os inteiros não positivos. Portanto, , − = ℤ. ∈ℤ
∈ℤ

. Demonstremos que esse conjunto é uma partição de ℤ:

de

Assim,

∈ℤ

=

∪ − )=

∈ℤ

∈ℤ

. Ou seja, todos os inteiros não

Exercício 3.2.2: No capítulo anterior foi afirmado que o teorema fundamental das relações de equivalência possui recíproca. Portanto, a partição apresentada acima está ligada a uma relação de equivalência. Qual é ela?

Então: a) b) c) d) e) (1.11.11. uma família .3 e 1.4. Assim. ∈ ∈ − para todo ∈ Λ. Assim. temos ). ∉ ∈ pertence a A e. por definição. ou seja. com x não pertencendo a nenhum . assim. Ora. Assim.1: Seja X um conjunto arbitrário não vazio.2 – I) (1.4.2 (1.11 do Capítulo I. O restante será deixado como exercício. Mas x para todo ∈ Λ.2. a recíproca.11. Então: Agora generalizaremos os teoremas 1. x pertence à intersecção de todos os conjuntos − ).4 – I) (1. então ∈ − ∈ − )).1 – I) (1.71 Agora generalizaremos os teoremas apresentados na subsecção 1. a expressão após o “e” é a notação quando A é o conjunto universo. Teorema 3. ).2: Demonstre as partes que faltam no teorema acima e o corolário. ∈ − ∈ − )) implica ∈ ). também se conclui que ∉ significa que x não pertence a nenhum . ou seja. ). agora.11. Isso mostra que ∈ ∉ ∈ .2 – I): ∁ Corolário: Se ∈ é uma família de subconjuntos de A. se ∈ ∈ ∈ acabamos de mostrar que − ∈ ⊂ ∈ − ) Demonstração: Demonstraremos apenas a (a) para mostrar a semelhança com a demonstração já feita para o caso menos geral. = = = ∈ ∈ ∈ ∈ ∈ − ) − ) ∪ ) − − ) ) ∩ ∈ = ∈ ∩ ). temos: ∈ ∈ Em cada parte do corolário. sempre temos que ∈ − ) para qualquer ∈ Λ. Se ∈ − )). ∈ − )).3): Seja : arbitrária de subconjuntos de X. então ∉ ∈ Se ∈ − ∈ . Exercício 3.Então.1 – I): ∁ b) (Corolário – 1. o que nos leva a concluir: − ∈ ).3 – I) (1.11.4. Assim. por definição. uma ∈ família arbitrária não vazia de subconjuntos de X e A um conjunto qualquer. mostramos ∈ − ∈ − )) ⊂ − ∈ ∈ logo acima que − ∈ ⊂ ∈ − ).2.11. ).5 – I) − − ∪ ∈ ∈ ∈ ∈ ∈ )− )− = = Mostremos. Isto é. Teorema 3. donde se tem que ∉ qualquer que seja ∈ Λ. = ∈ − ) QED a) (Corolário – 1. x não pertence à união deles. → uma função e ∈ = = ∈ ∈ ∁ ∁ )e )e ∈ ∈ ) = ) = ∈ ∈ ). afinal. então.4.2.11. Dessa forma.

como mostrado no teorema abaixo.2. Mostramos. tal que )⊂ todo ∈ Λ. finalmente. que é o ∈ )∈ para algum ∈ Λ. que ∈ ). por definição. levando-nos a concluir que ). que ∈ ). e a expressão “para )= )= ∈ ∈ ) ) → QED uma função e ∈ uma família QED Exercício 3. existe ∈ . Então: = ) uma família ∈ ∈ . ∈ (b): Na demonstração acima. Demonstrada ∈ )⊂ ∈ ∈ ∈ )= ∈ essa inclusão e a anterior. Então: a) b) ∈ ∈ )= )⊂ ∈ ∈ ) ) ). então existe ∈ ∈ ) = . ∈ ) para algum ∈ Λ. ao trocarmos por algum” por “para todo”. que.2.4: Seja : → uma função injetora e arbitrária de subconjuntos de X. ∈ Teorema 3. para todo ∈ Λ. ). então ∈ ) para algum ∈ )∈ )∈ ∈ Λ. demonstradas essa inclusão e a . )⊂ ∈ ∈ ∈ )= ∈ anterior. que ). para algum ∈ Λ. então )∈ ∈ Demonstração: (a): Se ∈ . para algum ∈ Λ. temos. se ∈ ∈ ). Dessa forma.72 a) b) ∈ ∈ ). equivalentemente. então. ∈ ) para equivalente a existir ∈ . para algum ∈ Λ. isso significa que ∈ ∈ ). implica ∈ ∈ que .3: Faça as mudanças sugeridas na parte (b) do teorema acima. obtemos a demonstração de (b). ∈ ).3 (1. Assim. então existe ∈ ∈ Demonstração: (a) Se ∈ tal que ∈ )= . ∈ ∈ )éo ∈ mesmo que ∈ ) para algum ∈ Λ. A parte (b) do Teorema 3. mesmo que )⊂ que é equivalente a ∈ ∈ ). )⊂ ∈ Mostramos. Reciprocamente. que significa ∈ ∈ ). significa ) e.2. temos que ). Assim. Logo. ∈ ) para algum ∈ Λ. então. Reciprocamente.2.4. tal que Assim. ) = . Mostramos.4): Seja : arbitrária de subconjuntos de Y. então. tal ) = . Por definição. ∈ Teorema 3. que é (b): Se ∈ tal que ∈ ) = . que.2 pode ser melhorada para funções injetoras. concluímos que ). Assim. Por seguinte. que é o mesmo que existir ∈ .

). esse deve pertencer a todos os . 2 – Generalize os resultados do exercício 13.4. por ser injetora. então ∈ ) para todo ∈ Λ. ⋯ . . ∈ para todo ∈ Λ. ou seja.10.8. ∩ )= ∈ ∩ ∈∆ = ∈∆ ∈ ∩ ) e ∪ )= ∪ = ∪ ) ∈ ∈∆ ∈ ∈∆ ∈∆ ∈ ∈ 3 – Dada a família de conjuntos não vazia vazio. ⋯ e mostre que: conjunto com os naturais de forma que = a) b) ∈ℕ ∈ℕ ) para o ) quando é Exercícios II – 3 SUGESTÃO: Faça uma indexação que seja conveniente e represente os conjuntos pela propriedade que os caracterizam. )⊂ ∈ )⊂ ∈ ∈ Se ∈ ∈ ). ⋯ . ∈ QED 1 – Considere o conjunto = 2. Assim. mostre que: ∈ ∈∆ = . que é o mesmo que ∈ ∈ . chamemos de . Exercícios I – 1. então.8. )⊂ ) implica ∈ ∈ ∈ ∈ )= ∈ dessa forma. mostre que. Concluímos. mostre que: a) b) × × ∈ ∈ e um conjunto A não × ) × ) )= )= ∈ ∈ ∈ 4 – Sendo × × × × )e )e )⊂ ∈ ∈ )× )× × = = ∈ ∈ uma família de conjuntos. Ou seja. então precisamos mostrar que ∈ injetora. Na (b). 6. para todo ∈ Λ.6. existe um conjunto ao qual não pertence. dado um elemento do conjunto . Por )= .73 Demonstração: Já foi demonstrado que caso geral. Como é único. onde =∅ = 2. . 4. ⋯ .4. portanto. pois ∈ ∈ ). ⋯ . que ). Mas. que seguinte. Indexe esse . demonstrando. sabendo que ∈ ∈ ). ⋯ . temos que todos esses existe ∈ tal que devem ser iguais e.e ∈∆ . ) = . mostre que: ∈ ∈ ∈ SUGESTÃO: Use o fato da união ser uma operação fechada. dadas as famílias de conjuntos não vazias ∈ .

na forma mais técnica de se enunciar o ) ∈ .74 )= 5 – Seja : → ∈ uma família não vazia de funções tais que ) para todo ∈ ∩ .1. Exercício 4. é ∈ uma função. elemento de Observação: Indiretamente. Mas vamos apresentar agora um axioma que garantirá que a definição generalizada de produto cartesiano de fato pode ser feita e que o objeto procurado existe. axioma. uma função tal que 1) = . . pois é suficiente para discutirmos o caso geral de produtos cartesianos.3 → ∪ ∪ conjunto escolha nesse caso é = .1. elemento de cada um desses conjuntos e formar um conjunto A com esses elementos. A função do tipo apresentado no axioma é chamada de função escolha. . mas apresentaremos apenas um deles. 2) = e 3) = . 4 – Produtos Cartesianos: Caso Geral Até o momento nos atemos a uma noção intuitiva de conjunto sem tocar diretamente em algum ponto da Teoria Axiomática dos Conjuntos. para todo ∈ Λ. o axioma diz que existem funções : Λ → ∈ tais )∈ que para todo ∈ Λ. o Axioma da Escolha. Ou seja. funções cuja imagem de um ∈ Λ é um (conjunto correspondente ao índice). Axioma 4. escolha possível é : 1. O conjunto A é a imagem da função. Mais precisamente. . Mostre que ℎ: → ∈ .1 (Axioma da Escolha): Se ∈ é uma família não vazia de conjuntos não vazios. chamado de conjunto escolha.1: Sendo = .1: Encontre mais dois exemplos de funções escolha no exemplo acima.2. O Exemplo 4. e = . com esses elementos. = . SUGESTÃO: Use o resultado do exercício anterior e reveja como foi demonstrada a forma menos geral desse teorema. pois se “escolhe” um elemento de cada conjunto e se constrói um conjunto A. então é possível tomar (“escolher”) um. e apenas um. 4.1 – O Axioma da Escolha A Teoria Axiomática dos Conjuntos é composta de uma série de axiomas.1. dê os conjuntos escolha e represente a funções diagramaticamente. . a existência da função : Λ → ∈ tal que garante a existência do conjunto A ao qual pertence um elemento de cada . tal que ℎ = ∈ .

: Teorema 4. Existem casos. Os elementos “escolhidos”. o conjunto de todas as funções : 1. ∈ . criamos uma relação de equivalência E em X e construímos um conjunto ⊂ “escolhendo” um elemento de cada classe de equivalência (sem uso de uma regra para obter esses elementos). É possível também restringir o domínio junto ao contradomínio da função em alguns casos. mas nesses casos )∈ se pode exibir explicitamente uma função escolha : Λ → ∈ tal que para todo ∈ Λ. são chamados de representantes das classes de equivalência. tendo pelo menos um objeto. onde = uma função sobrejetora. ilustra esse procedimento.2 → QED . Assim. Usando o axioma da escolha. se . cada uma. mas o vazia de conjuntos axioma da escolha garante que elas existem. No caso geral.2.1: Seja : → → é uma bijeção. para uma família ∈ qualquer não não vazios. podemos chamar : → de : → .1: Dados os conjuntos A e B. mas deve-se sempre tomar os devidos cuidados com essas “manobras”. nem sempre é possível exibir tais funções. então ≠ e. o axioma parece dizer o obvio. definimos o conceito de função.2 – Generalização do produto cartesiano Tendo a idéia de par ordenado e produto cartesiano. Definição 4. 4.1.75 Uma maneira informal de se ver o que o axioma garante é a seguinte: tendo uma quantidade de cestas (talvez infinitas) com. Vendo dessa forma. Com um certo abuso de linguagem. existe classe de equivalência pela definição de pré-imagem. tendo um conjunto X não vazio. portanto. O teorema abaixo. ou seja. e é injetora. tenhamos com um elemento de cada classe de equivalência. Um exemplo simples de situação onde se usa o axioma da escolha é quando. ). nesse caso. mas não é possível obter o axioma de afirmações mais fundamentais. mesmo com infinito. denotado por × . o axioma garante que podemos pegar exatamente um objeto de cada cesta e formar um conjunto com esses objetos. Agora usaremos funções para redefinir a noção de produto cartesiano entre dois conjuntos. para cada ∈ . já que. De seguinte forma: . chamamos de produto cartesiano entre A e B. em que não é necessário o ∈ axioma da escolha para garantir a existência do conjunto escolha. ∈ são equivalentes se ser sobrejetora )= para algum ∈ e esse é uma temos que. Existe )⊂ . que será muito utilizado ao longo do texto. pois por possuir um elemento de cada classe de )≠ equivalência. ⊂ tal que Demonstração: Construamos uma relação de equivalência em da )= ). : → é )= sobrejetora. pois apenas se mudou o domínio da função (mas também podemos usar = ).

dizemos que o par ordenado .l.2. 2) . portanto. . ⋯ . )∈ é o conjunto de todas as funções : 1. Ou seja. ) é uma função em que é a imagem de 1 (por ser a primeira coordenada) e a imagem de 2 (por ser a segunda coordenada).3 sendo o contradomínio e tendo 1) ∈ e 2) ∈ . ∪ = .2: Sendo produto cartesiano entre os conjuntos dessa família.2.2 → ∪ Ainda podemos dizer que o conjunto × é o conjunto de todos os pares ordenados . é o conjunto × = : 1. usando a mesma idéia. Ou seja: × × ⋯× = : 1. Para isso. Ou seja.2 1. ⋯ . 2).1: Construa o conjunto forma como foi feita acima. 1) . .b} e B={1. 1) . .2.2.2 → → → → → → ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ tal que tal que tal que tal que tal que tal que 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = e e e e e e 2) = 1 2) = 2 2) = 3 2) = 1 2) = 2 2) = 3 . → )∈ ∈ 1. .2 1. e 2) ∈ . × em que Devemos encontrar todas as funções possíveis de se fazer com 1. ) é a função : 1. × .2 sendo o domínio.76 ∪ tais que 1) ∈ | 1) ∈ 2) ∈ . Mas. 3) . o par ordenado usado quando definimos conceitos anteriores como. para efeitos práticos.2 1. podemos definir o produto cartesiano entre um número finito de conjuntos como segue abaixo. por exemplo. 3) .2 1. .3}. 3). ⋯ . 1).y.m} da Ainda não acrescentamos nada de novo em termos práticos. funções não é o mesmo apresentado aqui. 2). 2) .2. o Definição 4.2. Listemo-las: a) b) c) d) e) f) : : : : : : 1. . denotado por × ×⋯× . ATENÇÃO: Essa forma de tomar par ordenado e produto cartesiano não é rigorosamente igual a que já foi apresentada anteriormente e. pois já tínhamos uma definição de produto cartesiano e apenas a substituímos por outra. ) com ∈ e ∈ . Exercício 4. ordenados definidos como acima. × = . uma família de conjuntos não vazios.2 → ∪ em que 1) = ∈ e 2) = ∈ .1: Usemos a definição para construir o conjunto A={a. Exemplo 4. 1). . 1. → tais que para todo ∈ 1.z} e B={k.2.2. = = = = = = . mas com esses pares tal que A={x.2 1. não distinguiremos eles. ⋯ . 3) Ou seja. Mas.2.

. com ∈ . Nesse caso. o conjunto procurado é × × = . ⋯ . ) onde ∈ .2.2. . .2.b}. . .2. . ) elementos do produto é possível fazer tal ).3 1.2. Ou seja: de todas as funções : Λ → ∈ ∈ = :Λ → ∈ ′) ∈ ∈Λ Nas duas primeiras definições. 2) ∈ e 3) ∈ . . .3 1. ⋯ . . . .3} e contradomínio ∪ ∪ = . . . . ⋯ . .…. . . Então o conjunto de índices é {1. . Primeiro notemos que são três conjuntos que compõem o produto cartesiano. É possível generalizar ainda mais o conceito de produto cartesiano. ).3 1. O produto cartesiano entre esses conjuntos. . o 2 tem como imagem um elemento de de e está associado à segunda coordenada e assim por diante até chegar a . denotado por é o conjunto ∈ )∈ tais que para todo ∈ Λ. .3: Seja ∈ uma família não vazia de conjuntos não vazios . Assim. devemos encontrar todas as funções com domínio {1.2.3 1. Λ. . Exercício 4. . . numa ordem: o 1 tem como imagem um elemento e está associado à primeira coordenada. Façamos a lista delas: a) b) c) d) e) f) g) h) : : : : : : : : 1. Definição 4. .2. Como antes. ).2. ). × Exemplo 4.3 1. Para isso basta tomar um conjunto não vazio de índices qualquer. . ∈ℕ . O papel da função : 1. . . tais que 1) ∈ .2: Com os conjuntos A e B definidos como acima. ). ) . ).2. . . . . . . No caso particular de Λ = 1. ) ∈ . . então. Como se pode . . ). representamos os cartesiano por listas ordenadas. . → onde = é. ). .3}. ).3 → → → → → → → → ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = . chamamos os elementos de ∈ .2. 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = e e e e e e e e 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = = = = = = = = = .2. .c} e C={x.2.⋯.2.y}.3 1. ) ) ) ) ) ) ) ) Assim. B={b. dispor os elementos . onde de ∈ ∈ )= × ⋯× e ∈ℕ ∈ . . com essas trincas ordenadas definidas como feito acima. construa o conjunto × × . . que é um pouco mais )= ) . encontremos o conjunto × . as funções são chamadas de n-uplas e denotadas por . .77 Nesse caso.2.2: Sendo A={a. .2. mas geralmente não representação. = × ∈ℕ )= Também é possível usar a notação ∈ ) pode ser escrito como ∈ℕ curta.3 1.

é simples: sabendo que Ou .3 → a) b) c) d) e) f) g) h) : : : : : : : : 1. produto cartesiano ℝ × ℝ de ℝ .2.2.2.3 1. então : Λ → A = : A → A e. então existe uma função escolha :Λ → ∈ )∈ ∈ tal que . . . Em particular. se ∈ .2. .4: Um tipo de função especialmente importante (em especial na Topologia) com domínio sendo um produto cartesiano são as projeções canônicas.2. .3 → ∪ ∪ = : 1. Por exemplo. . . Exemplo 4.3 1. ). assim. 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = . nenhum demonstrar de forma geral que o produto cartesiano entre conjuntos não vazios é não vazio. um elemento ∈ ). ℝ = ℝ . .2. . . a projeção canônica “pega”.2. . : Λ → ∈ = : Λ → A quando são iguais. . . ). ). o elemento que pertence a e “devolve” ao conjunto . ℕ .3 → → → → → → → → tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = . o conjunto funções : 1. ) ) ) ) ) ) ) ) Podemos observar que todas as funções usadas nas definições apresentadas são funções escolha.3 é encontrar todas as funções escolha. .2. Sendo uma família não vazia de conjuntos não vazios. que o Axioma da Escolha garante que o produto cartesiano é não vazio sempre que Λ é não vazio e ∈ é vazio.⋯ ℝ =ℝ (esse último mais comumente representado por ℝ ). . .78 ver. podemos ainda ter ℝ = ℝ . . . 4.3 1. Vemos que éo conjuntos de todas as funções de Λ em A. ).2. . .2 e 4.2. . se Λ = A. . . Exemplo 4. na verdade.3 1.2. . . . Podemos pensar elementos .3 1. ). .1. na imagem de cada ) ∈ .2. a projeção ∈ canônica sobre o conjunto ( ∈ Λ é um índice fixo) é a função : ∈ → ) ∈ )= tal que . .2. . ). chamamos esses de A ( = para Se por acaso todos os todo ∈ Λ) e usamos a notação = . ) ∈ é uma função escolha e a imagem possui um elemento de cada (em especial. então. . seja.2. Com as e até mesmo generalizações. . O que a função faz. .3 1. . . Incrivelmente. . Vemos. . . não seria possível. todos os é o conjunto de todas as funções de A em A. .3 1.2. . Com efeito. sem o Axioma da Escolha. . . essa é uma notação semelhante à apresentada na secção anterior para ) ∈ como um “conjunto ordenado” de conjuntos indexados. . Demonstremos que toda projeção canônica é sobrejetora. ). ).3: Sendo = . mas é mais comum ser escrito como ℝ .⋯. forem iguais. podemos chamar o ∈ . Então o que foi feito nos exemplos 4. 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = e e e e e e e e é o conjunto de todas as = = = = = = = = . afinal.

Embora seja necessário saber que os elementos do produto cartesiano são funções (funções escolha) em alguns casos. ∼ se existe ∈ tal que . mas não devemos abandonar a noção intuitiva que já tínhamos de produto cartesiano. não é necessário saber que os elementos de ℝ são funções escolha de {1. : ∈ → não é injetora. no caso dado. Exercício 4. as funções e lá definidas são projeções canônicas sobre X e Y respectivamente. ) = é a projeção canônica sobre (lembrando que tal que ) ∈ = :Λ → ) → ∈ℕ ∈ ∈ )= ).79 )= . SUGESTÃO: Defina uma relação de equivalência na imagem de de forma que. ∈ ). existem n projeções canônicas. ⋯ . existe :Λ → ∈ mostrando que a função é sobrejetora (lembrando que )∈ ∈ × ⋯ × ). 1 – Sejam e conjuntos não vazios e ⊂ × uma relação binária de em . Mostre que: ∈ ∈ ∈ ∈ Essa é uma generalização do exercício 4. se algum conjunto do produto cartesiano é não unitário.4: No exercício anterior.2} em ℝ para trabalhar com relações de equivalência em ℝ. No exercício 12. sendo . se : ∈ No caso especial de Λ = 1. ∈ → é injetora para todo : ∈ → ∈ Λ. SUGESTÃO: Suponha que alguma outra não seja injetiva e mostre que isso implica que a : ∈ → não é injetiva (contrariando a hipótese). Pode-se observar que existe uma projeção canônica sobre cada conjunto do produto cartesiano.⋯. a função : ∈ℕ . ∈ . Ou seja. se uma projeção é injetora para algum possuir mais ) ∈ e com Definimos o produto cartesiano entre conjuntos não vazios como um conjunto de funções escolha. que. Exercícios II – 3. SUGESTÃO: Tome dois elementos distintos todo = para ≠ e ≠ . mostre. ) ∈ . Use o axioma da escolha para mostrar que existe ⊂ tal que define uma )→ ). Exercícios II – 1. nenhuma projeção canônica será injetiva se algum conjunto ) de um elemento. = .2. tal que × canônica é bijetora (já que todas são sobrejetoras). no entanto. ). Assim.3: Mostre que. . Ou seja.2.2. todas as outras são. 2 – Considere a família de conjuntos não vazios ⊂ ∈ ∈ Exercícios II – 4 . Ou seja. mostre que toda relação binária contém uma função : função com mesmo domínio da relação. = ℕ . então Exercício 4. Por exemplo. . Ou seja. podemos “esquecer” esse detalhe caso o interesse seja apenas no fato dos elementos serem “conjuntos ordenados”.

Quando o conjunto Λ é finito. nesse caso. o tipo de uma relação ⊂ é a cardinalidade de Λ. Um exemplo é Exemplo 5. 5. é que chamamos de tipo → a cardinalidade do conjunto Λ. Exemplo 5. . nos casos em que R é uma relação finitária. mas é mais comum que se represente como . colocando o símbolo da operação entre as duas coordenadas.1.80 5 – Operações Unárias e Binárias. Por exemplo. uma relação ⊂ é dita ser uma relação finitária quando Λ é finito. Dada uma operação binária : → .1. nesse caso. devemos introduzir uma notação muito comum para operações binárias. a operação é dita finitária e é possível nesse caso.…. ) = + . ). Esse é a operação que leva cada elemento a seu oposto aditivo.1.2 – Comutatividade. Analogamente. a operação : → toma a forma : ℕ → ou : → . Como anteriormente. Assim. : ℝ → ℝ definida da seguinte forma: . A operação soma é a função +: ℝ → ℝ tal que + . esses tipos de operações são referidos por binária e unária.2: Um exemplo de operação binária é a soma de números reais. 5.1: Uma operação é uma função : e Λ um conjunto de índices não vazio. Ou seja. ⋯ Exemplo 5. podemos tomar Λ = ℕ sem perda de generalidade e.1. Por exemplo.3: Nos reais também é possível encontrar um exemplo simples de operação unária. respectivamente. onde A é não vazio O Axioma da Escolha garante que essa função sempre existe. O tipo mais importante de relação já foi apresentado: é a 2-ária (ou binária. chamada de notação mesofixa.1.3) = = 2. ⊂ ) e exemplos relevantes desse tipo de relação já foram apresentados no capítulo anterior. ) ↦ . Um detalhe adicional.1 – Operações e Relações → . Mais comumente. e é chamada de operação n-ária. )=− . temos que .1: Seja . uma operação 2-ária é uma função do tipo : operação 1-ária uma função do tipo : → . o tipo de uma da operação : função binária é 2. pois garante que o conjunto é não vazio. podemos ter : ℝ → ℝ e. em relação à nomenclatura. 2. ) ↦ . )↦ tal que . ou seja. como foi feito na secção anterior. tomar Λ = ℕ sem perda de generalidade. Essa é uma operação n-ária sobre ℝ. e são os casos de maior relevância. )↦ → e uma Em particular. : ℝ → ℝ tal que . Estruturas Algébricas Básicas Definição 5. Analogamente. associatividade e distributividade Inicialmente. ou seja. que é mais comum e conveniente. R é dita uma relação n-ária.

2.1: Exemplos bem familiares de operações que possuem essas duas propriedades são a soma e multiplicação de números reais. ou seja.81 a operação soma entre números reais. nesse caso. + = + . em notação mesofixa. ) por + . ). por outro lado.2.2.3: Sejam : → e : → duas operações binárias. De fato se sabe que.3: Sejam : Dizemos que a operação é distributiva à esquerda em relação à quando. para todo . quando = . )= . . Por isso será comum usarmos os termos multiplicação usual e adição usual para nos referirmos as operações multiplicação e adição como normalmente são definidas. ∈ . ou seja. Nesse caso. Definição 5. se não for dito o contrário.) e chamá-las de multiplicação ou adição (soma) sem que sejam o que normalmente chamamos de soma ou multiplicação (às vezes. sempre estaremos nos referindo às soma e multiplicação usuais. mas.2: Uma operação : → é dita associativa quando. De fato. para todo . é diferente de Exercício 5. ) = . por um lado. nem mesmo possuem características que normalmente atribuímos a essas operações). Definição 5. simbolizamos + . fato da operação soma ser comutativa e. ) = . . para todo . . Definição 5. + + ) = + ) + e ∙ ⋅ ) = ⋅ )⋅ . ∙ = ∙ . racionais. = . não há ambigüidade ao se escrever (e usaremos esse fato inúmeras vezes). mas não é associativa. a propriedade é uma relação entre duas operações. etc. portanto. quando )= ) . ou seja. onde. em notação mesofixa. . ). ). para todo . → e : → duas operações binárias. Abaixo está definida outra propriedade importante envolvendo operações binárias. em geral.1: Uma operação : → é dita comutativa quando. Mas.2: Tomemos a operação Essa operação é comutativa.2. ∈ ℝ. . Dizemos que a operação é distributiva à direita em relação à quando.2. Exemplo 5.2. Exemplo 5. Observação: Podem-se definir operações nos conjuntos numéricos (tais como os reais. sendo . ) . e. ∈ .É comum também que se chamem operações binárias comutativas de abelianas. ). )= ) ). mas.2. de ). . . +: ℝ → ℝ. em notação mesofixa. Definição 5. ) = = : ℝ → ℝ definida por = )= pelo próprio = . . sendo +: ℝ → ℝ e ∙: ℝ → ℝ as operações soma e multiplicação respectivamente. .1: Dê um exemplo de operação entre números reais que não seja comutativa. que. ∈ .

2. É esse fato que nos permite. podemos criar uma estrutura algébrica sobre P(A) introduzindo as operações união ). Definição 5.2 e 2. Exemplo 5. ∙ + ) = + ) ∙ = ∙ ) + ∙ ). Tomando um conjunto A e seu conjunto das partes.3: Novamente temos como exemplo a multiplicação e soma entre reais. tendo definido 1 + 1 ≔ 2 e sabendo que = 1 ∙ . Se ℛ = ∅. De fato.2: Mostre isso. se as operações e são comutativas. em notação mesofixa. pois + = 1 ∙ + 1 ∙ = 1 + 1) ∙ = 2 ∙ . mas.2.4: Sendo A um conjunto e P(A) o conjunto das partes de A. ∈ .1. . o par . 5. Exercício 5. ) . ℛ) é chamado de estrutura relacional.2.2.∪ e intersecção entre elementos de P(A). É comum que.3. Vemos que a notação para estruturas é flexível e é comum explicitar as operações de uma estrutura algébrica. Exercício 5. ℱ) é chamado de estrutura algébrica (foco do que será apresentado).∩). devemos saber antes o que é uma estrutura e como a representamos. já sabemos do capítulo anterior que as operações binárias ∪ e ∩ (união e intersecção). Essas também são exemplos de operações comutativas e associativas. ou seja. definidas de ) em ). ℱ uma coleção de operações (não necessariamente finitárias) sobre A e ℛ uma coleção de relações (não necessariamente finitárias) sobre A. a comutatividade apenas de já garante que. Chama-se estrutura sobre A a tripla . para tanto. ) = ) ). 2. Exemplo 5. O importante ao se representar uma estrutura é que esteja claro de qual estrutura se está tratando. mas ℱ ≠ ∅. é distributiva à direita. ℱ. ℛ). A notação não é fixa e tanto ℱ quanto ℛ podem ser vazios. Mas. ).1: Seja A um conjunto não vazio. dizemos simplesmente que a operação é distributiva em relação à . ) = . . são distributivas uma em relação à outra. que afirmemos que + = 2 ∙ .2. a operação é distributiva à esquerda em relação à se. quando a estrutura é subentendida.2. também é à direita (e vice-versa).4. Quando uma operação é distributiva tanto pela esquerda quanto pela direita em relação à . Representamos essa estrutura por . P(A).1: Um exemplo de estrutura algébrica pode ser construído a partir do Exemplo 5. no Capítulo I. Afinal é bem conhecida a distributividade da multiplicação em relação à soma.3: Por que. ). quando ℱ = ∅ e ℛ ≠ ∅. ou seja.3. se é distributiva à esquerda de .2.2. então o par . . .82 .3 de distributividades? Exemplo 5. escrever simplesmente A para indicar a estrutura sobre o conjunto A. e somente se. Na verdade. foi um abuso de linguagem chamar as propriedades demonstradas nos teoremas 2.3 – Grupos Começaremos a apresentar agora algumas estruturas algébricas. Naturalmente.

∈ vale que ∗ ∗ ) = ∗ ) ∗ (associatividade).∗) é um grupo quando as seguintes condições forem satisfeitas: Quando. ∈ as equações ∗ = e ∗ = possuem solução única em G. o inverso de é ele próprio. além de apresentar essas propriedades. a) Para todo . ) = para todo ∈ . na situação pedestre que nos encontramos.2 (grupo): Seja G um conjunto e ∗: → uma operação binária. c) d) Valem as leis de corte ∗ = ∗ ⇒ = e ∗ = ∗ ⇒ = para todo . Então. Grupos são estruturas algébricas simples. o elemento inverso de .3. para todo ∈ . ∗ = ∗ = (elemento neutro) c) Para todo ∈ existe um elemento tal que ∗ = ∗ = . b) Existe um elemento ∈ tal que. é único. . chamada produto. pois ∗ (c): Usando a associatividade: ) = ∗ = ∗ . Algumas propriedades elementares dos grupos são apresentadas abaixo. é único. então: = ⟹ ) ∗ = ) ∗ ∗ )= ⟹ ∗ ∗ ) ∗ )∗ ∗ = ) ∗ = . usando a = = . e) Para todo . . o produto ∗ for comutativo.∗) um grupo. Naturalmente. ∈ . e. o grupo é chamado de grupo Abeliano. Comumente representamos esse elemento b por (elemento inverso). b) Sendo ∈ . Dizemos que a estrutura . mas bastante fundamentais e importantes. Teorema 5. não será possível explicitar a importância dos grupos nem suas aplicações. Infelizmente. Então valem as seguintes afirmações: a) O elemento neutro.83 Definição 5. . = ∗ ⟹ = )= ∗ . . = ∗ = ∗ ∗ ∗ )∗ = ∗ mostrado a unicidade. ∗ Demonstração: (a): Suponhamos que exista um elemento = para todo ∈ . Então = ∗ = . (d): Se = ∗ )∗ ∗ )∗ ∗ Analogamente se demonstra a segunda parte da afirmação. mostrando a unicidade.1: Seja . A Teoria de Grupos é a parte da matemática que estuda as propriedades dessas estruturas. (b): Suponhamos que exista tal que ∗ tal que = associatividade.3. pois essas aparecem em assuntos avançados de Matemática e Física. sobre G.

1. ∆). Mas. afinal. pois ⨁0 = +0 4) = 4) = . .3 e a adição entre . ∗ ) = ∗ (mostre que ∗ ) = isso só ocorre se é Abeliano). A ). O elemento inverso de um ∈ ℤ é o elemento = 4− 4).3. Para mostrar isso. Exercício 5. afinal. demonstremos que esse é realmente o inverso de . pois a operação é associativa. Conclui-se. ⋯ . A é seu próprio elemento inverso. ⨁) é um grupo. QED = ∗ ∗ ⟹ ⟹ ∗ )∗ = ∗ = ∗ Exemplo 5. ⨁) é = + 3⨁2 = 3 + 2 4) = 5 4) = 1. ℤ = 0. então: ∗ ⟹ ∗ )= ∗ Analogamente se demonstra a segunda parte da afirmação. para cada elemento ∈ ℤ. e. 0 < 4 − < 4 quando ≠ 0 e. O que foi feito acima é facilmente generalizado para mostra que ℤ . primeiro demonstremos que ∈ ℤ . onde n é um natural. Agora. portanto = 4− 4) = 4 − ∈ ℤ nesse caso.3. ou seja. ∈ ℤ é definida como sendo a ⨁ = .3. = + Exemplo 5. ⨁ = + 4− ) 4) = 4 4) = 0. existe um elemento chamado – tal que + − ) = 0. pois a operação soma é associativa e comutativa. Mostramos. para quaisquer . existe um elemento neutro da soma.3 .1.1: Sendo .2.2. um grupo. e. pois ⨁ )⨁ = + )+ 4) = + + ) 4) = ⨁ ⨁ ) e ⨁ = + 4) = + 4) = ⨁ .4: Outro exemplo simples de grupo é a estrutura ℤ . Por exemplo. para cada ∈ ). onde ∆: ) → estrutura ) é a operação diferença simétrica. mostre que.1. lembremos que ∈ 0. Observe que. se é Abeliano. pois ∈ ℤ .3.2. tem-se ∆ = ∅. pois 1 é o resto da divisão de 5 por 4.3. Mas a notação mais comumente empregada para representar esse resto é A operação é associativa e comutativa. 0. portanto. que ∈ ℤ .3: Seja A um conjunto e P(A) o conjunto das partes de A. O elemento neutro da operação é o elemento 0. então. Exemplo 5. =4 4) = 0 (o resto de 4 dividido por 4 é 0).84 (e): Se ∗ = . Demonstremos que essa estrutura é um grupo Abeliano. ∈ .2: A estrutura ℤ. De fato isso acontece.∗) um grupo. Além disso. que ℤ . De fato. De fato é. se = 0. ∗ . − 1 e ⨁ = ): basta substituir 4 por n. +) é um grupo Abeliano. ⨁) onde 4) (lê-se “a mais b módulo quatro”). ℤ = 0. comutativa. é um grupo Abeliano. dessa forma. o elemento neutro é o conjunto vazio e.

a operação já é associativa.3: Seja .3. Exemplo 5. pois a operação também é comutativa). no Exemplo 5. sempre se tem que . ℎ ∈ b) ∈ c) Se ℎ ∈ . existem muitos grupos finitos importantes.1. Quando apenas essas duas características de grupo são satisfeitas.3. Como exemplo.5: A estrutura ℕ. chamamos a estrutura de monóide. um grupo com relação à mesma operação.3.∙) é um monóide (mais especificamente. o resultado de ∗ está no cruzamento da linha de com a coluna de .2 é infinito. Para grupos finitos.3. O subgrupo é dito trivial. é interessante verificar se H é. Naturalmente. Damos o nome de ordem do grupo à cardinalidade do conjunto do grupo. ⊂ . é possível construir uma tabela. o grupo é claramente finito. embora o produto de números naturais seja associativo e possua elemento neutro. então ℎ ∈ . Embora a maioria dos exemplos que podemos encontrar de grupos sejam infinitos. onde G é um grupo. como se trata da mesma operação que torna G um grupo. monóide Abeliano.2. chamada tabela de Cayley.4. Grupos podem ser finitos ou infinitos. onde a primeira linha possui o símbolo da operação e um elemento do grupo em cada outro espaço da linha e o mesmo acontece na primeira coluna. Definição 5. a estrutura ℕ. Claro. e Dizemos que H é um subgrupo de G quando: a) ℎ ∗ ℎ ∈ para todo ℎ . Por exemplo.3. e G são subgrupos de G. − 1 .85 Observação: Passaremos a adotar a notação ℤ = 0. O grupo apresentado no Exemplo 5. façamos a tabela de ℤ com a operação ⨁ definida acima. Ou seja. pois. . ele mesmo. Ao tomarmos um subconjunto ⊂ . mas seguem na definição abaixo as outras condições que tornam H um grupo. apenas o número 1 possui elemento inverso.∙) não é um grupo.∗) um grupo. onde e é o elemento neutro. O resultado da operação entre dois elementos é escrito no espaço onde se cruzam a linha e a coluna dos elementos em questão. ⋯ . 1. mas.

Para todo . para algum n inteiro. então + é um número par (verifique sabendo = ∈ ℤ| = 2 ∈ ℤ ). +: → e ∙: → . então – ∈ . f) Para todo . o número 1. o elemento neutro.2. tal que ∙ 1 = 1 ∙ = para todo ∈ e alguns autores até incluem essa propriedade como exigência na definição de anel. um elemento. chamado de 1. +: são satisfeitas as seguintes condições: Para todo .6: A estrutura . esse anel é um anel comutativo com unidade. ∈ + = + (comutatividade de +). . que é um número inteiro.2: Mostre que a condição (b) da definição acima decorre. ∈ ∙ ∙ ) = ∙ ) ∙ (associatividade de ∙). é um subgrupo de ℤ. 5. pois a operação multiplicação é comutativa e existe elemento neutro para essa.1 (anel): Seja A um conjunto onde estão definidas duas → e ∙: → . +. +. +). todo anel é um grupo Abeliano em relação à adição (operação +) e. A estrutura . Exemplo 5. .86 Exercício 5. Mais especificamente. É comum que um anel tenha elemento neutro para a multiplicação.∙) é dita um corpo quando são satisfeitas as seguintes condições: 1 – Propriedades da adição (+): a) Para todo . se ∈ .4 – Anéis Definição 5.4. a Teoria de Anéis. o que já foi demonstrado para grupos continua valendo para a adição no anel.3. −4. Anéis são presentes em quase toda a matemática e também possuem uma área destinada ao estudo de suas propriedades. . e) Para todo . das condições (a) e (c). assim. onde = − . mas aqui chamaremos tais anéis de anéis com unidade. Como se pode ver. pertence ao conjunto P e. Exemplo 5.∙). se = 2 .1 (corpo): Seja um conjunto onde estão definidas duas operações binárias.5 – Corpos Definição 5.3. −2. já que.0.4. 5. na verdade. ou seja. Para todo ∈ existe um elemento denominado – tal que + − ) = − ) + = 0 (elemento inverso por +). então − = −2 = 2 ′. ⋯ é o conjunto dos números pares. Com efeito.4. onde = ⋯ . +. Existe um elemento 0 tal que + 0 = 0 + = (elemento neutro de +). 0.1: Um exemplo de anel é a estrutura ℤ. . A estrutura .∙) é dita um anel quando operações binárias. ∈ + + ) = + ) + (associatividade de +).5. ∈ ∙ + )= ∙ + ∙ e + )∙ = ∙ + ∙ a) b) c) d) Observação: Não é exigido um elemento neutro para a multiplicação (operação ∙) nem essa precisa ser comutativa. se e são números pares. +). ∈ + = + (comutatividade de +).

∙ = 0 ⇔ = 0 ou = 0. Assim. ∗ Mas . d) Para todo ∈ − 0 ) existe um elemento denominado ∈ tal que ∙ = ∙ = 1 (elemento inverso por ∙). tal que + 0 = 0 + = (elemento neutro de +).∙) são corpos e. ∈ . todo corpo é um grupo Abeliano. . +. d) Definindo ∙ ≔ . Naturalmente. ∈ ∙ ∙ ) = ∙ ) ∙ (associatividade de ∙). c) ∙ − )= − )∙ =− ∙ )e − )∙ − )= ∙ = . 3 – Distributividade: o produto é distributivo em relação à adição. é distributivo à direita também. a) Para todo . e um anel. Um corpo não é um grupo em relação à multiplicação pelo simples fato de 0 não possuir inverso multiplicativo (veja a afirmativa (a) do teorema abaixo).∙) e ℝ. ∈ + + ) = + ) + (associatividade de +). as propriedades demonstradas para grupos valem na multiplicação quando não consideramos o elemento 0. Observação 2: É comum ser usada a notação − 0 = ∗ e a usaremos. 2 – Propriedades da multiplicação ∙): A condição 1 ≠ 0 pode parecer estranha (tente não associar quantidades a esses símbolos). Claramente.∙) é um grupo Abeliano e. para todo . Lembrando que ∀ significa “para todo” e ⇔ significa “se. assim. em relação à adição. ∈ ∙ = ∙ (comutatividade de ∙).1: Se . ∈ . ∙ + ) = ∙ + ∙ . b) Para todo . Algumas outras propriedades gerais de corpos são apresentadas no teorema abaixo. na verdade. o que foi demonstrado para grupos continua valendo para a adição em um corpo. não é de se espantar com isso.87 b) Para todo . Observação 1: É comum omitir o símbolo da multiplicação ao se fazer a operação e faremos isso com freqüência. mas é necessária para não cair num caso trivial (verifique o que acontece se 1 = 0). a) ∙0=0∀ ∈ b) Sendo . .5. +. então valem: (regras dos sinais). chamado de unidade tal que ∙ 1 = 1 ∙ = (elemento neutro de ∙). se Teorema 5. Ou seja. . Veremos mais adiante que as estruturas ℚ. . e somente se”.∙) é um corpo. então = ± . +. c) Existe um elemento 0 ∈ . já que a multiplicação é comutativa. pois essas estruturas inspiraram a definição posta. chamado de elemento nulo. c) Existe um elemento 1 ≠ 0. d) Para todo ∈ existe um elemento denominado – ∈ tal que + − ) = − ) + = 0 (elemento inverso por +).

. sabendo que vale a lei de corte para a soma. sendo ∙ = 0. temos ∙ − )+ ∙ + – ∙ ) =– ∙ )⇔ ∙ − )+ ∙ 0 =– ∙ ) ⇔ ∙ − ) = − ∙ ). ≠ 0. = . = . temos que − ) ∙ − ) = − ∙ − ) = − − ∙ ) = ∙ . temos. Assim. que ocorre só quando = − ou = .2: Sendo são chamadas. + − ) = 0. De (b).∙) e definida a operação divisão. ∙ − ) + ∙ = 0. +.88 Demonstração: (a): Usando a distributividade. somando (d): = ⇔ + − )=0⇔ ∙ + − ∙ ) = ∙ + ∙ + − ∙ ) + − ∙ ) = ∙ + )+ ∙ − )+ ∙ − )= ∙ + )+ + )∙ − ) = + )∙ + − )= + )∙ + + ) ∙ − ) = + ) ∙ + − ) = 0. – (c): Usando a distributividade. ≠ 0 e ≠ 0. temos ∙ − ) + ∙ = ∙ − + ) = ∙ 0 = 0. Definição 5. de subtração e divisão. é possível criar mais duas operações úteis (e bastante familiares nos corpos ℝ e ℚ). que ∙ ∙ =0∙ = 0 ⇔ = 0. Através das propriedades dos corpos. pois 0 não possui inverso multiplicativo. as operações : → . e ∙ = / . ≠ 0.3: Demonstre o teorema acima. Para tanto. SUGESTÃO: Lembre-se da validade do teorema demonstrado para grupos. usaremos as notações + − ) = − . Ou seja. (b): Como e são arbitrários. onde usamos o que foi demonstrado em (a). )↦ e /: × ∗ → . nesse último caso.2: Considerando o corpo tem-se que: a) Sendo b) Sendo c) Sendo d) Sendo ≠0e ≠0e ≠0e ≠ 0. De forma análoga se conclui que − ) ∙ = − ).5. ∙ 0 + = ∙ 0 + ∙ 1 = ∙ 0 + 1) = ∙ 1 = . Exercício 5. . indique qual propriedade (de corpos) ou teorema foi utilizado. Claro. QED Exercício 5.5. ∙ 0 + = = + 0. Teorema 5. Assim. ≠ 0. ∙ ) em ambos os lados. + = ≠ 0. em cada passo da demonstração. Usando esse fato. sabe-se que + ) ∙ + − ) = 0 ⇔ + ) = 0 ou + − ) = 0. essa chamada de diferença.5.5. Ou seja. . equivale a ∙ 0 = 0. SUGESTÃO: Lembre-se de que / = ∙ . que. .∙) um corpo. suponhamos que ≠ 0. = . ao multiplicar ambos os lados por . respectivamente. +. chamada de quociente.1: Na letra (d) do teorema anterior. )↦ / Algumas propriedades (bem familiares) da divisão estão listadas abaixo.

Mostramos. ∈ ℚ . ⨀) não é um corpo para todo > 1 natural. SUGESTÃO: Observe que – Exemplo 5. ⨁. é possível demonstrar (embora não façamos aqui) que ℤ . n é primo.2: Outro exemplo “exótico” de corpo é a estrutura ℚ 2 .⋅) ser um corpo e alguns conhecimentos operacionais básicos. ⨁) é um grupo Abeliano. Distributividade se obtém vendo que ⨀ ⨁ ) = ⋅ + ) 2) = ⋅ + ⋅ 2) = ⨀ )⨁ ⨀ ). ⨀) é um corpo porque nem sempre todos os elementos diferentes de 0 possuem inverso multiplicativo por ⨀. Montemos a tabela de Cayley para a soma e multiplicação nessa estrutura. pois ⨀ )⨀ ≔ ⋅ )⋅ 2) = ⋅ ⋅ ) 2) = ⨀ ⨀ ). Devemos demonstrar.5. onde as operações são as usuais do corpo dos reais e ℚ 2 = + 2 ∈ ℝ . ⨁. Na verdade. Com efeito. +.+ então – 2 = + )+ + 2 =− + − ) 2∈ ℚ + ) 2∈ℚ 2 . existência da unidade e a distributividade decorrem imediatamente dessas propriedades na soma e produtos usuais em ℤ (verifique!). ⨀) é um corpo. 2 e. ⨁. Também se vê que o único elemento diferente de 0 é 1 e o inverso multiplicativo desse é ele mesmo. ⨀) onde a soma ⨁ é definida como já foi feito e ⨀ ≔ ⋅ 2).5.1: Tomemos a estrutura ℤ . que ℤ .89 Exercício 5. +). usaremos o fato de ℚ. onde ⋅ é a multiplicação usual em ℤ.4: Mostre que – + )=− 1 + ). vemos na tabela que a operação é comutativa e a unidade é 1. as propriedades da multiplicação e a distributividade. associatividade. ⨁. + ℚ 2 . Exemplo 5. Note que a comutatividade.5. + ) = − − . é um corpo: Pela definição de corpo que tomamos (exigindo 1 ≠ 0). Isso nos leva a questionar se a estrutura ℤ . então. que. 0+0 2= 2 .⋅ . nem sempre ℤ . No entanto. ℝ. Durante a demonstração que se segue. conjunto dos números reais da forma + 2 com e racionais. o corpo construído no exemplo anterior é o menor corpo que se pode obter. é um subgrupo do grupo Abeliano 0∈ℚ . A associatividade existe em geral. Para a multiplicação. ⨀) é um corpo se. mostrando que 1 é seu próprio inverso). ⨁. ou seja. se Primeiro mostremos que + + 2∈ℚ 2 + 2 . e somente se. +. como será mostrado. então as propriedades da adição (em corpos) são satisfeitas (e observe o curioso fato de 1⨁1 = 0. finalmente. Já sabemos que ℤ .

respectivamente. e apenas uma. = 1. De fato. ∈ . associativa. = + ) 2 + 2 = + 2⋅ 2+ 2+ 2= +2 )+ b) Seja = + 2 ∈ ℚ 2 com ≠ 0 ou ≠ 0 (de forma que + 2 ≠ 0). ∈ . +. ≥ e ≥ implica a = . pois − = 0 (reflexibilidade). a) + + + ) 2. das seguintes opções é verdadeira: ∈ ou = 0 (tricotomia). uma. a) ∀ ∈ . que 2 + 2 ∈ℚ 2 . Um resultado imediato é que.∙) é dito um corpo ordenado quando existe um subconjunto próprio ⊂ (chamado de conjunto dos números positivos) com as seguintes propriedades: a) ∀ – b) Se c) Se ∈ . Nos reais. o fato da soma de racionais ser racional. Demonstremos que se trata de uma relação de ordem total: . > 0.90 Usamos. fazendo com que a diferença − 2 fosse. temos que. esse elemento possui inverso multiplicativo e. . se ∈ . . 2 é irracional (a multiplicação de um racional não nulo por um irracional é sempre irracional). se ≥ e ≥ . Isso é evidente pela definição (totalidade). ou seja. ∈ ou nulo. d) ∀ . então ≥ . concluímos que − = 0 (antisimetria). Isso mostra que a operação está bem definida. existe ∈ ℝ tal que ⋅ = 2. garantidamente. > ⇔ − )∈ e > ⇔ − ) ∈ . Dessa forma. donde temos que − )+ − ) = − ) ∈ ⇔ > (transitividade). mostrando que ⋅ + 2 =1⇔ = ∈ℚ 2 . 0 ser um número racional e. ∈ ou ≥ ou ≥ . então + ∈ (fecho por adição). O que devemos mostrar é que a operação está bem definida. observemos que a operação ⋅ é comutativa.5. pertence a ℚ 2 . se é racional. se b não é Usamos a notação ≥ para indicar que − = 0 ou − ) ∈ . c) ∀ . + 2 + 2 ∈ ℚ 2 e que. evidentemente temos que ≥ . . Também é bastante comum ser usada a notação > para indicar que − ) ∈ . Observe que só foi possível a manipulação pois. então ∈ (fecho por multiplicação). já que não se pode ter − )∈ e − ) ∈ simultaneamente. ∈ . para todo ∈ ℚ 2 − 0 . não nula. = Definição 5. ou seja. então – também é. ∈ .3: Um corpo . possui unidade e é distributiva em relação à + pelo simples fato dessas operações serem as usuais. Para a multiplicação. então − 0) ∈ e. afinal. b) ∀ . assim. portanto.

Demonstração: Se > . ∈ Teorema 5.1 os subconjuntos de ℤ . ⨁. donde se tem que + )− + ) ∈ + > + .∗) sendo um grupo é subgrupo de . +. . temos que − ) ∈ e. portanto. assim. Uma conseqüência desse teorema é que 1 > 0. nesse corpo. > . sendo ∅. ≔ ⋅ ≥ 0. então < . mas se sabe que − ) − ) = ⋅ . a única escolha que poderíamos ter para ser o conjuntos dos positivos é 1 . pois 1 ≠ 0 e 1 ⋅ 1 = 1 ∈ . mas.3: ∀ ∈ . Exercícios II – 5 2 – Considerando o anel com unidade . .5. Por exemplo. então − ) ∈ . Como − )= − . mas se sabe que. Demonstração: Se > e > 0. que viola o fecho por adição. pelo fecho por multiplicação. Exemplos de corpos ordenados são os racionais e reais (como veremos no próximo capítulo). então – ∈ e. Abeliano. ⋅ = ∈ .5. 1⨁1 = 0. ⊂ subgrupos de . QED 1 – Considere = . com a estrutura ∗ … ∗ . temos que − ) ∈ .91 Observação: Se omitiu os casos em que as diferenças são nulas por serem casos triviais. mostre que ∗ = . mostre que o conjunto de todos os elementos que possuem inverso multiplicativo desse anel forma um grupo com a operação de multiplicação. 1 . − − )= − ) ∈ . > .∗) um grupo e . portanto − ) − ) ∈ . Assim. o corpo ℤ . Por outro lado. > . ⨀) não é ordenado. Mas nem todo corpo pode ser ordenado. Sendo = Teorema 5.4 (monotonicidade da adição): Se . para todo − = + − e. se < 0. pois. temos que – ∈ e. > QED e > 0. tem-se + > + . Demonstração: Se ∈ ou = 0. Mas. portanto. é subgrupo de ⇔ ⊂ ou .5 (monotonicidade da multiplicação): Se então. nada se tem para demonstrar. então. 3 – Seja a) b) ∪ ∩ .⋅).5. se < 0. 0 e 0.…. Mostre que: ⊂ . se ∉ e ≠ 0. Mas se tem que − = + ) − + ). que nos leva a concluir que < . QED Teorema 5.

Uma conseqüência disso é que. se > 1. de forma que ℎ ) = . . . se 0 < < . e e 5 – Mostre que. 6. ∈ . mostre que. Ou seja. 9 – Mostre que. ∈ . . única máquina. se 0 < 6 – Composição de Funções. se 0 < < 1. 0< 0< < 6 – Sendo um corpo ordenado e . . 7 – Sendo um corpo ordenado e e. se 0 < ∈ um corpo ordenado e . com . tem solução num grupo < . então 0 < < 1. ) (Figura inserir . combinando com uma máquina . obter ). se ∈ onde .∗) se. Mais Sobre Grupos Uma forma um tanto pictórica de imaginar uma função é ver ela como uma máquina. mostre que.1 – Composição de funções 8 – Considerando o corpo ordenado > 0. num corpo ordenado . se < 1. então > . Vendo dessa forma. Podemos identificar o processo feito pelas duas máquinas como sendo o de uma ) (Figura 3). mostre que. mas. não parece estranho combinarmos máquinas. onde se insere um dado e essa máquina nos dá um produto ) (Figura 1).92 4 – Mostre que a equação ∗ ∗ = somente se. então 0 < < . então < < e <1 e < . então > 0. ∈ . ℎ. então 0 < < . temos que. obter 2). sendo então + < + . ∗ = ∗ para algum em . .

:ℝ→ℝ ↦ e :ℝ→ℝ ↦ funções. definamos a composição de funções. Claro.1: Sejam : → e função ∘ : → (lê-se “g bola f”) tal que ∘ = . ). é necessário que seja possível )⊂ inserir ) em . Ou seja. A função composta é a ) . 2. 3. . ). De forma mais precisa. em geral. ) e : → tal que = . . Ou seja: ∘ ) )= .1. ) .93 Para podermos combinar as máquinas e . ). ) .2: Considere os conjuntos = 1.1. ). . Exemplo 6.1: Seja tal que ∘ ) )= ) é definida por: ) = + 2) = ∘ . 2. )∈ . e = . é preciso que ). de obtemos ∘ ) )= Exemplo 6. que é diferente. e as funções : → tal que = 1. = . mas o contradomínio é o contradomínio de . ).2. Definição 6.1. 3. Motivados por essa apresentação. Usando a definição. . é possível fazer mais de uma composição bastando fazer a composição da função composta ∘ com outra função. em geral. . )∈ Pode-se ver que o domínio da função composta é o domínio de . )∈ × | ∈ : → funções. ).3 . . vemos que ∘ = 1. ) . A função composta + 2) = +4 +4 ∘ :ℝ → ℝ Mas também é possível a composição ∘ : ℝ → ℝ e dessa composição ) = )= + 2. ). ∘ ≠ .

2. Ora. Teorema 6. ℎ ∘ ) ∘ ℎ∘ )∘ )= ℎ∘ ) =ℎ∘ ) =ℎ ∘ ). : → e ℎ: → funções.1. se Ou seja. : Demonstração: Devemos perceber que ambas as funções são funções de X em W.3: Considere as funções a composição dessas funções é ℎ∘ ∘ ) )=ℎ ∘ ∘ ℎ: ℕ → ℝ tal que: =ℎ :ℕ→ℕ . Embora. b) Se existe uma função ℎ: → tal que ∘ ℎ = . para todo ∈ . QED Temos. ela é associativa. Teorema 6. ou seja. então que +1 2 a) Se existe uma função : → tal que ∘ = . a composição de funções não seja comutativa. efetivamente.2: Sendo : ) → + 1) = ℎ uma função. Pela QED . ℎ ∘ Exemplo 6. sendo → . devemos mostrar que ℎ ∘ ) ∘ Portanto. pela definição. é omitido (lembremos que. o conjunto B. ↦ :ℕ→ℝ ↦ e :ℝ→ℝ . que é intermediário.1: A composição de funções é associativa. ∘ ). ∘ ) )= . Como sabemos pelo Teorema 1. tem-se que ℎ ∘ ) ∘ = ℎ ∘ ∘ ). sem ambigüidade. ∘ ℎ) ) = )= (b): Supondo que .2. A função é chamada de inversa à esquerda de . Ou seja. Observação: As funções Demonstração: (a): Suponhamos que )= ). A função ℎ é chamada de inversa à direita de . temos que: Isso demonstra que. mostrando que )= ∘ℎ = ℎ ) = : → e : → ∘ são as funções identidades. = = ) = . as setas vermelhas em 1 destacam o “caminho” da função composta. como mostra o teorema abaixo. a função composta ∘ é uma função de A em C). podemos escrever.94 Na representação diagramática acima. ↦ ∘ . ) =ℎ ∘ ) ) = ℎ∘ ∘ ) ). temos: Assim. Devido a esse teorema. existe ∈ tal que definição de função sobrejetora. = ). então é injetora. = .1. então é sobrejetora. para mostrarmos que ℎ ∘ ) ∘ = ℎ ∘ ) = ℎ ∘ ∘ ) ). Em 2. mostramos que é sobrejetora.1. valem as afirmações abaixo: +1 = 2 ) = é injetora.

se existem : → e ℎ: → tais que ∘ = e ∘ ℎ = . fazendo a composição levar a ele mesmo (função identidade). (b): A função é sobrejetora. assim. : → é bijetora.95 ∘ Exercício 6. ) ∈ e. portanto. = . ) tais que . ). )| ∈ = . ∘ ) )= ∘ ) )⇒ = . para todo ∈ . sendo sobrejetora. ′) ∈ . Demonstração: Por definição. são sobrejetoras. Disso temos que. existe ∈ tal que ). então ∘ : → é sobrejetora. Corolário 1: Sejam : → e : → composição dessas funções. demonstra analogamente observando que = QED Pode-se ver que a função inversa realmente “inverte” o que a função faz.4: Sendo inversa. mostrando que ∘ ) ) é sobrejetora. Ou seja. dessa forma. = ℎ = onde : → . Ora. Demonstraremos abaixo que. A segunda parte do teorema se ′. podemos escrever qualquer para todo ∈ . ∘ ) = ∘ . = )= ) = ∈ como ∘ ) ) para algum ∈ . existe ∈ tal que ) = . quando isso acontece. mostre que Claro. funções bijetoras e ∘ : → a ∘ ) : → é igual à função Teorema 6. pelo fato de ser uma função. Segue que ) . e somente se.1. Supondo Demonstração: (a): Sejam ) = ) . . é bijetora). : → e dois elementos quaisquer de X. temos que )= ). Teorema 6.1.1. Mas antes vejamos outros resultados bastante úteis. então . temos ∘ = e ∘ sua . Uma conseqüência imediata do teorema é que. se que ∘ ) )= ∘ ) ). Logo. leva um determinado ∈ a um ∈ e a função inversa leva esse de volta ao em questão.1 (importante): Considerando a função : = = ∘ . ) ∈ ⇒ = ∘ = . ′) tais que exista ∈ de forma que . se e são bijeções. → . então ∘ é uma bijeção. portanto. é a função inversa (lembremos que uma função possui inversa se. Então: a) Se b) Se ) = e. Ou seja. então ∘ : → é injetora. QED Os resultados. → e : → funções. são intuitivos (faça alguns exemplos com diagramas para ambos os casos). ) = . é o conjunto dos pares . ∘ é o conjunto dos pares . na verdade. ) = e. . mostrando que a composição é injetiva. Mas conclui que também é injetora e. Por ser injetora. ) ∈ e . Mas. Então a função ∘ : → . : → uma função bijetora e = .3: Sejam : e e são injetoras. para todo ∈ .

pelo teorema. vemos que ∘ ℎ: ℕ → ℕ é tal que ∘ ℎ) ) = ℎ ) = Ou seja. ) = +1 = : → e ℎ: → QED de sobrejetora. )= Exemplo 6. pois ℎ ) ∈ ℕ. pois pode) = :ℝ → ℝ 2 − 2) = também + é ∈ℕ .2: Faça a demonstração de que ℎ = ) = 2 − 2. sendo essa última bijetora. Assim. = . Dessa forma. tendo : ℝ → ℝ tal que +1 −2 = +2−2= .1. )= )⇔ ∘ = Assim. : → e : → que e o conjunto .1. Se considerarmos a função ℎ: ℕ → ℝ tal que ℎ ) = .1. usamos o teorema.3: A função : ℝ → ℝ tal que seja. ∘ )∘ = ∘ )∘ ⇔ ∘ ∘ ∘ ∘ ∘ ⇔ = . Corolário 2: Considerando as funções : → ℎ : → e : → . ∘ ) = ∘ . ∘ )∘ ∘ ) ∘ ∘ ∘ = ∘ ) ∘ ∘ ) ∘ ∘ = ∘ ∘ = ∘ . então. então = ℎ = . : ℝ → ℝ é a função inversa de : ℝ → ℝ . ∘ ) )= Mas ) = + 1 é injetora. Como é definida de Y em X.6: Considerando as funções ) = ⊂ . ∘ : → .4: 2 se ver que. Ou Exemplo 6. Considere Teorema 6. Dessa forma. ou seja. do teorema temos que ).1. pois. é possível a composição ∘ )∘ : → . onde usamos o teorema para ter ∘ demonstra analogamente. Demonstração: Do teorema anterior temos que ∘ = . Conclui-se. temos ∘ ) )= = ℝ. ∘ ) ). ℎ: → = ∘ ⇔ = QED . 1 ∈ ℝ − ℕ) ) = = ℕ . que =ℎ= . com o mesmo 1 = − 1 + 1 = . A segunda parte se Teorema 6. onde. então ∘ℎ = ∘ℎ ⇔ℎ =ℎ Demonstração: Basta observar que ∘ = ⇔ = . novamente.5: Se : → é uma função e existem forma que ∘ = e ∘ ℎ = . pois. então ∘ = ∘ . : ℝ → ℕ é sobrejetora. ∘ QED no teorema acima.1.96 Demonstração: Sendo ∘ ) = ∘ ) ∘ . Mas ainda se tem ∘ ∘ ) ∘ = ∘ ) ∘ ∘ = ∘ )∘ = ∘ )∘ )= ) ∘ ∘ ∘ . e ∘ = ⇔ ∘ ∘ = ∘ ∘ . Exercício: 6. . a função :ℝ → ℕ tal . ∘ = . Analogamente se demonstra que ℎ = .

1: Se : ) ⊂ é um subgrupo de Demonstração: (a): A operação é fechada. homomorfismo. QED QED ) . ∗ ).∙).⋆). ∘ ) )= ∈ | = ∘ ) ) ∈ .⋆). SUGESTÃO: Observe que ∗ )= Lema 6.⋆).1: Sendo preserva inversa. (c): Do lema acima temos que ) ∈ ). +) e ℝ − 0 . fato. se )∈ .2 – Morfismos de grupos e segue o resultado. ) = . o primeiro produto é o de G e o segundo é o de H.⋆) respectivamente. Portanto.2.2. Demonstração: Com efeito. ∈ . QED Definição 6.⋆) grupos onde e são os elementos neutros de .∗) em )⋆ )= Note que.∙). Teorema 6. é um homomorfismo de ℝ.∗) e . pois 0) = 2 = 1 e + )=2 =2 2 = Exercício 6. De forma análoga se tem ) . que pertence a (b): Por definição. basta demonstrar a propriedade (b) para mostrar que uma aplicação é um )= )⋆ ). De : ℝ → ℝ − 0 . pois. Com efeito. Uma função : → é dita ser um morfismo ou homomorfismo de G em H se: a) b) )= ∗ )= )⋆ ) para todo . tal que ) ).2. )= → é um homomorfismo de .1: Sejam as estruturas .97 ) = ∈ = ) ∈ ∘ ) ).∗) em )∈ . Ou seja. Como ) = Exemplo 6. então ). +) em ℝ − 0 .1: Demonstre que a propriedade (b) implica a propriedade (a). esse Demonstração: Por definição. como veremos abaixo. a aplicação ) = 2 . ). .∗) e . assim. . )= ∗ )⋆ ) = . ) = .2. Morfismos de grupos são definidos através dessas propriedades porque elas fazem as propriedades algébricas do grupo G (ao menos as que fazem de G um grupo) serem preservadas através da função . Assim.2. então )= ∈ ). a imagem de um homomorfismo de G em H é sempre um subgrupo de H. 6. Portanto .1: Considerando os grupos ℝ. : → )= um homomorfismo de ) . então ). na condição (b). se )⋆ )= ).

⋆) são grupos e : → é um isomorfismo. Se existe um isomorfismo de . se esse é um isomorfismo entre G e H. então esse homomorfismo é dito ser um epimorfismo.∗) e . Se é um isomorfismo. é chamado de endomorfismo.2: Se .98 Exercício 6.∗) em .1.4.2. esse é chamado automorfismo. : Lema 6. : → QED é um isomorfismo.∗) e .⋆) grupos e : → e : → Se é injetivo. Exemplo 6.⋆) em . merece uma atenção especial. tal que . onde se usou a definição de = função composta e o Teorema 6. podemos dizer que. existe uma inteiramente análoga em termos do produto ⋆ de H.2. ∗ Exemplo 6. para toda propriedade algébrica que o produto ∗ de G tenha. então subgrupo de H. a existência de um isomorfismo de .2.2. então esse homomorfismo é dito ser um isomorfismo. então ) = )⇔ a) Por definição.∗) é um grupo Abeliano. De fato é. Se é uma bijeção. esses grupos são “iguais a menos dos nomes dos elementos”. Alguns homomorfismos recebem nomes especiais dependendo de alguma propriedade extra que possuam. Se é sobrejetivo. se .⋆) e o homomorfismo ). . Pode-se dizer que. Isso quer dizer que. Enquanto grupos. então : → Demonstração: : → é uma bijeção porque : → é um homomorfismo. de isomorfismo. a (c).∗) em . pois: mostrar que o é. ∘ ) )= )⇔ )= )⇔ ).⋆) significa que esses são algebricamente idênticos.∗) um grupo e é um endomorfismo (verifique!).⋆). se existe um isomorfismo de . assim )⋆ b) Por definição.⋆). então esse homomorfismo é dito ser um monomorfismo.3: Sendo .∗) em . )⋆ ). Veja que homomorfismos preservam a propriedade Abeliana. Por causa desse lema. Mostre que.⋆).2: A função :ℤ→ℤ ↦ é um automorfismo entre o grupo dos ∈ . que é um : → . ∗ )= ∗ ) = ) ⇔ )⋆ ) ⇔ )⋆ ∘ ) ∗ )= ∗ )= ) ⇔ ∗ = )⋆ ) .∗) (isso será mostrado abaixo).∗) e → é um isomorfismo. Basta ) = . é um grupo Abeliano.2: Sendo homomorfismos: a) b) c) d) e) .2: Considere os grupos . então existe um isomorfismo de .2. Dentre as definições acima. Definição 6. : → )= ∗ inteiros (com operação de soma) e o (sub)grupo dos pares.

sendo : → e : → isomorfismos. o fato apresentado. pois ∘ é uma bijeção pelo )⋆ ) = ) ⋄ fato de e o serem e ∘ ) ∗ )= ∗ ) = ) = ∘ ) )⋄ ∘ ) ).1.⋆). 2) = 3 e 3) = 1. QED Na parte (c) da demonstração acima. para homomorfismos em geral.⋆)”. pois uma bijeção de A em A permuta os elementos de A. Quando isso ocorre dizemos que o grupo G está imerso em H 6. Mas. então ≅ . ∘ : → é um isomorfismo. uma estrutura importante que pode ser construída de forma que a composição de funções é uma operação é o grupo de permutações de A. → . o ).2. se ≅ . Teorema 6. na verdade. Demonstração: (a): Sempre existe um isomorfismo entre o grupo G e ele mesmo. . que o nome permutação se justifica. definamos o que é uma permutação. Podemos observar que. Dado um conjunto não vazio A.1.1: Sendo = 1. vale.5. toda função bijetora é dita uma permutação em A (ou de A).2. se : → é um monomorfismo de .1: Sendo A um conjunto não vazio. (c): Sendo .3 . podemos observar que manipulamos a composição de funções como se fosse uma operação (tal como soma ou multiplicação). antes de definirmos esse grupo.2. de que a composição de isomorfismos é um isomorfismo.∗) é isomorfo a “cópia” de . temos que ≅ bastando fazer a composição dos isomorfismos.3 – Grupo de permutações Nas demonstrações dos corolários do Teorema 6. devemos definir o conjunto onde ela está definida.∗) em . (b): Do lema e da definição acima temos que.⋄) grupos com ≅ e ≅ . : → Exemplo 6. uma possível permutação em A é a função : → tal que 1) = 2.∗).⋆). e . esse é = .3.3: Sendo G e H grupos.3. Vemos.2: A relação de isomorfia é uma relação de equivalência. Definição 6. De fato podemos pensar a composição de funções como uma operação. Com efeito.∗) em . mas.99 Definição 6. dessa forma. se existe algum isomorfismo : então G e H são ditos isomorfos e simbolizamos isso por ≅ . . a composição de homomorfismos é um homomorfismo.4 e do Teorema 6.⋆) e podemos interpretar isso como “existe uma grupo . como toda operação. Ou seja.

Com efeito. vamos representar as permutações : matrizes da seguinte forma: = 1 ⋯ 1) ⋯ ) . assim. Esse é → por ) ) → a) Antes de tudo. d) O fato de : → ser uma bijeção implica que : → também é uma ∈ ). pois. consideremos o conjunto de todas as permutações de A.4.3. Portanto. b) A composição de funções é associativa. devemos verificar se a operação ∘: ) para quaisquer . conforme mostrado na subsecção anterior. pois funções identidades são sempre bijeções. Para .100 Agora. Um caso especial de grupo de permutações é quando = chamado de grupo de permutações de n elementos e simbolizado por = ℕ . ou seja. onde a operação . está bem definida. é o elemento inverso de . éo c) Como é definida de A em A. donde temos que elemento neutro e esse pertence a ). temos as matrizes: = = 3 3 = possui a si próprio como 1 3 2 3 2 1 = = ∘ Para ver como se realiza a composição dessas funções. inversa. )= : → | : → é ). como mostrado na subsecção anterior. se ∘ ∈ ). de fato. Na primeira linha estão os números naturais (em ordem crescente) até n e na segunda estão as respectivas imagens dos elementos. ∘ = 1 3 2 3 ∘ 1 2 2 3 2 1 3 = 1 2 3 = 1 2 1 3 1 2 2 3 3 1 = 1 3 2 3 1 2 . Para simplificar a notação.2: O grupo = 1 2 3 = 1 2 3 1 1 2 3 3 2 1 2 1 2 é o conjunto dado pelas funções (matrizes): = 1 2 2 1 1 2 2 1 é a função identidade e Como se pode ver. a composição de bijeções é uma bijeção.∘). Ou seja. Demonstremos isso. vejamos a composição . ∘: ). ∈ está bem definida. Do Teorema 6. temos que ∘ = = ∘ . Com essas demonstrações concluímos que a estrutura um grupo. é um grupo. ∘ = = ∘ . O interesse em estudar grupos de permutações reside no fato de que se pode mostrar que todo grupo é um subgrupo de algum grupo de permutações. bijeção.1. como bem se sabe. e.∘) é. Exemplo 6. A estrutura ) → ) é a composição de funções.

3. Vemos que. 6. Também se pode ver que . em . basta inverter as linhas (listas horizontais de números) e reorganizar as colunas (listas verticais de números). Nessa notação. para invertermos uma função. o grupo possui 3 ∙ 2 ∙ 1 = 6 elementos. = . se e essa é a única situação em que isso ocorre (em todos os outros casos a distância é positiva). como mostrado abaixo: = 1 2 3 1 3 → 2 = 3 1 1 2 2 3 = 1 2 2 3 3 1 çã = Não demonstraremos aqui. mas. Essa é chamada de . ). ) e = . . Isso porque o grupo que será apresentado possui interpretação geométrica. Considerando os pontos esses dois pontos é definida por: . e . ). 2 possui imagem 3. )≤ .101 Os símbolos sobrescritos destacam o “caminho” da imagem de 2. que é: quaisquer que sejam . )+ . como visto.4 – Grupos diedrais Grupos diedrais são outros exemplos de estruturas que possuem a composição de funções como operação. Assim. ainda. 3 corresponde a 1.1: faça as composições . )=0 Uma propriedade imediata (e intuitiva) é que. antes de apresentarmos o que são grupos diedrais. mas o grupo de permutações de n elementos possui − 1) − 2) ⋯ 1 elementos. faremos uma breve digressão relacionada à definição de distância no plano (que podemos identificar com o plano cartesiano). Mas. Temos. )= . e . Exercício 6. Por exemplo. então . ) no plano. que é outra propriedade intuitiva geometricamente. a distância entre − ) )= − ) + = . a composição leva ∘ ∘ ∘ em 2 a 1. . mais uma propriedade (essa não tão evidente).

Definição 6. .1: Considerando ⊂ ℝ . ) e = ). ) . ∘ ) . que não )= ) com ≠ . O conjunto de todas as simetrias de um conjunto ⊂ ℝ . mas a ilustração dá uma justificativa geométrica. Com ) . efeito. ) ≠ 0 e. Embora não esteja explícito. ) Observemos que uma simetria é uma transformação (aplicação) que permuta os pontos de uma figura no plano (um subconjunto de ℝ ) sem causar “deformações internas” (as distâncias são preservadas). pois . pois o . )= . suponhamos. . )= ). = ). Ou seja. uma simetria é uma transformação que leva vértices adjacentes em vértices adjacentes. . devemos ter que exista )= ). por absurdo. ) = 0. portanto. como se pode ver na ilustração abaixo. ). Isso implica que a transformação “transporta” a figura para o caso transformado rigidamente. ) = ). ∘ ) = ). c) Dadas duas simetrias. então . uma bijeção de A em si próprio. e formam um triângulo e bem se sabe que a soma dos comprimentos de dois lados de um triângulo é sempre maior que do terceiro. observemos que já foi mostrado que o conjunto das bijeções sobre um conjunto é um grupo. também. a inversa também é. uma aplicação : → é dita uma simetria de A quando é sobrejetora e preserva distâncias. injetora e. afinal. Assim. Para isso ocorrer. a função é. pode-se tomar o conjunto A como formado apenas pelos vértices do polígono regular. seja injetora. O caso de igualdade na expressão ocorre quando = ou = . o nome se justifica. se ≠ . chamado de forma um grupo pela composição de funções. b) Sendo uma simetria.102 desigualdade triangular e. ) = a) A função identidade é uma simetria. Mas se sabe que. a composição dessas é uma simetria.4. Não a demonstraremos. ) para todo . Para mostrar isso. sendo ). ∈ . No caso particular em que ⊂ ℝ é um polígono regular de n lados. ). Então basta mostrar que o conjunto das simetrias é subgrupo do grupo de permutações de A. contrariando a hipótese de que a distância é preservada. Para efetuarmos a demonstração. ). Observemos que os pontos .

.1: Consideremos A como sendo um quadrado.∘) onde A é um polígono regular de n lados. e como na figura abaixo. Definição 6. a distância entre e muda.103 grupo será isomorfo aos grupos em que se tomam todos os pontos dos lados da figura ou incluindo. nesse caso. .4. . Chamemos os vértices de . se tornou o comprimento da diagonal. .4. vamos representá-la ) . não podemos ter = . . geometricamente. que era o comprimento do lado. os internos. . Mais comumente. . = = . então. denotamos Exemplo 6. O conjunto de simetrias é dado. ). . simetria ∈ . . = = = = Dada ). . uma ). . . a distância. Nem todas as permutações são simetrias. Abaixo estão representadas. por . . . ) por . . . . . por: = = . . também. Por exemplo.2: Chamamos de grupo diedral de ordem 2 a estrutura ). . afinal. três das simetrias. . . . . ao fazermos isso (inverter o ponto com o ). . = = . pois.

Embora não demonstremos aqui. 3 e 4 e notado que o grupo apresentado é isomorfo a um subgrupo de . O rodam ou refletem. é uma reflexão em torno do eixo que passa pelos pontos e e é uma reflexão em torno do eixo que passa pela médios dos lados diagonal . 2. Aqui podemos observar como os grupos se “manifestam”. Grupos estão relacionados a transformações que mantêm algo invariante por essas transformações. Poderíamos ter chamados os vértices de 1. é uma rotação de no sentido anti-horário. mas sempre mantendo a distância entre os vértices invariante.104 Vemos que as simetrias são rotações e reflexões. De fato é comum tomarmos esse subgrupo como sendo o grupo diedral de ordem oito e dizermos que ⊂ . os grupos não são tão simples quantos os diedrais e nem a invariância está ligada a algo tão visível quanto distância e posição de pontos. grupos diedrais possuem 2 elementos (a ordem é dobro do número de vértices) onde desses são rotações (considerando a identidade como uma rotação de 0 ) e são reflexões. . As transformações feitas sobre o quadrado não mudam ele. muitas vezes. Mas. Em geral podemos dizer que ⊂ .

.4. ∘ .105 Exercício 6. Como exemplo de como a composição dois elementos de quadrado. e . . façamos a composição ∘ : ∘ = . . .2: Realize as composições Represente-as geometricamente. Pode-se ver algumas características do grupo a partir dessa tabela. Na ilustração abaixo podemos observar que o quadrado realmente se transformou como refletido e depois rodado. . Exercício 6. de forma que a composição leva a . e. atuam sobre o = O processo é muito semelhante ao feito nos grupos de permutações. mas tem como imagem aqui se omite a primeira linha da matriz.1: Dado um triângulo eqüilátero de vértices . ∘ ∘ e ∘ ∘ . construa o grupo diedral de ordem seis. tem imagem . . em . em .4. Por exemplo. Façamos também a tabela de Cayley do grupo . = . Observemos o subgrupo destacado (quadro em destaque) e comparemos com a . Dê a representação geométrica de cada uma dessas simetrias e monte a tabela de Cayley. ∘ .

Ou seja.∗) e . Além disso.∘) é um monóide as funções de em (não apenas bijeções).⋅) tal que ∗ ℎ ) ∈ . ∈ℝ . Mostre que .106 tabela do grupo ℤ (feita na subsecção 5. :ℝ→ℝ . Enuncie e demonstre uma afirmação análoga para ∘ ∘ : → sobrejetora. Em geral se pode ter que ℤ está imerso em . ) ∈ tais que 6 – No exercício acima. a composição de uma rotação com uma reflexão (ou vice-versa) é uma reflexão e que reflexões são suas próprias inversas. 8 – Sendo : → um homomorfismo do grupo . comumente denotada por ⊕ .⋅) tal que .⋆). SUGESTÃO: O ∈ ) ∈ e ℎ ) ∈ possuem um número fecho do produto é obtido observando que. Esse subgrupo é chamado de soma direta dos grupos . sendo : → uma função bijetora. . A estrutura . ℎ′) = ∗ ′.∘) de tal forma que ∘ é a composição de funções e ≠ 0 . ℎ) ⋅ ′. 4 – No exercício acima. Vemos que o subgrupo destacado é isomorfo ao grupo ℤ (basta fazer a correspondência ↦ − 1)).∘) é chamada de monóide das transformações de . mostre que o conjunto de todos os apenas um número finito de coordenadas é diferente da identidade forma um subgrupo de . Tendo uma família não vazia de grupos (com operações não necessariamente iguais) . O conjunto chamado de núcleo do homomorfismo .⋆) grupos. Podemos ver ainda que a composição reflexões resulta numa rotação. Sendo o conjunto de todas . 7 – Obtenha a tabela de Cayley do grupo ⊕ . ℎ ⋆ ℎ′) é um grupo. 1 – Chama-se monóide a estrutura . ℤ está imerso em . Essa estrutura. : → é injetora. mostre que o )= )= ) é conjunto ∈ | forma um subgrupo de .∗) ∈ . é chamada de soma direta ou produto direto dos grupos e .∘) é um grupo. Mostre que. se ) ∈ ⋅ ℎ ) ∈ também possuirá finito de coordenadas diferentes da identidade. um número finito de coordenadas diferentes da identidade (isso deve ser mostrado). ⊕ é isomorfo a ⊕ . mostre que 5 – Pode-se fazer uma generalização da noção de produto direto entre grupos.∗) ∈ e é denotado por ⊕ ∈ . ∘ não é comutativa. onde ∈ ) ∈ . ℎ ) ∈ ∈ ) ∈ = e se usou e ℎ ) ∈ = ℎ. e somente se. Mostre que essa ∈ estrutura é um grupo.⋅). pode-se ver que o subgrupo destacado é o das rotações. Observe que. se existirem finitos grupos no produto cartesiano . mostre que a estrutura × . 3 – Sendo .3). a soma direta coincide com o produto direto. ∘ ∘ : → é injetora se. ∈ℝ ℝ . onde ↦ . Exercícios II – 6 2 – Mostre que. = 2 – Seja . se não é unitário. a estrutura (verifique).∗) em .∗) com não vazio tal que a operação binária ∗ seja associativa e possua elemento neutro. definimos o produto direto desses grupo pela ) ∈ ⋅ ℎ ) ∈ = ⋅ℎ = estrutura .

e um elemento fixo ∈ ℕ .⊕) e ℤ. SUGESTÃO: Use a interpretação geométrica das transformações. Veja que. Generalize para é um homomorfismo e obtenha o núcleo ( : → ↦ se.107 )= 9 – No exercício anterior. . então é um 11 – Mostre que é um homomorfismo se.∗) é de . é ) = . Obtenha as imagens )= )= : → tal que ∘ ∘ e : → tal que ∘ ∘ e grupos diedrais com > e o conjunto dos vértices 14 – Sendo do polígono regular referente ao grupo . demonstre que está imerso em . se e isomorfismo. e somente se.⊕) e ℤ ⊕ ℤ . :ℤ ×ℤ →ℤ . mostre que a função )) desse. mostre que )= injetivo (um monomorfismo). Explicite o subgrupo isomorfo a . )↦ ⊕ ) 10 – Considerando os grupos ℤ . mostre que demonstrar que está imerso em é equivalente a encontrar um subconjunto de vértices em que forme um polígono regular. mostre que 13 – Dado o grupo de permutações ) = forma um subgrupo de . e somente se. +). Abeliano. ℤ . o conjunto de todas as permutações tais que . 15 – Sendo e os grupos diedrais de ordem 6 e 12. 12 – Seja o grupo de permutação de três elementos.

dá a base para um método de demonstração chamado método de indução. Esse método consiste na seguinte afirmativa: “se uma propriedade P vale para o número 1 e.1: Existe uma função injetiva chamada de sucessor de . afirma a existência dessa função e. Mas trataremos dessa relação na secção seguinte. a partir de axiomas e definições. 1 – Conjunto dos Naturais A idéia de números naturais está ligada com a de contar elementos de um conjunto. Esse axioma afirma. O primeiro axioma define uma função. então = ℕ. Axioma 1. A imagem Expliquemos brevemente os axiomas.3: Se um conjunto ) ∈ . Veja que o que se deve mostrar é que a implicação )⇒ ) é verdadeira e. Nessa secção vamos. mais que isso. de forma precisa. ao supor* que P valha ).1. 1.1. obtemos que P vale para Um exemplo de demonstração por esse método segue no teorema abaixo. chamados de Axiomas de Peano. com uma breve introdução à aritmética de cardinais. O terceiro axioma. 1 ∈ ℕ. 1∀ : ℕ → ℕ. Construiremos os conjuntos e exporemos suas propriedades básicas. que o conjunto dos naturais não é vazio. portanto. inteiros. dessa forma. além disso. racionais e reais). são as três propriedades básicas que definem os números naturais. ⇒ ⊂ ℕ é tal que 1 ∈ e ) é )≠ ) ⊂ . garante que o conjunto dos naturais é infinito.1 – Axiomas de Peano Os axiomas apresentados abaixo. obter as principais propriedades dos números naturais. mas. então a propriedade P vale para todo ∈ ℕ”.2: Existe um único número natural. . Axioma 1. das características de conjuntos finitos e infinitos.1.108 Capítulo III – Conjuntos Numéricos Começaremos agora o estudo de alguns conjuntos numéricos (dos naturais. podemos pensar esse número como o primeiro número natural). Já o segundo diz que existe um (único) número natural que não é sucessor de nenhum outro número natural (intuitivamente. Observação: A suposição referida no destaque feito por * é chamada de hipótese indutiva. tal que ∈ ℕ. afirma a existência do conjunto dos naturais (ℕ). vale para n” na demonstração da validade para ∈ Axioma 1. para n. claro. ou seja. Também iremos tratar. chamado de Princípio da Indução. e essa é uma motivação para defini-los. mas. usar a hipótese “ ) é lícito. como veremos mais adiante.

mostrando a validade para casos particulares. na hipótese indutiva se está supondo para um em particular. Mas lembremos que os naturais são infinitos e. mas a contraditório diante do fato de termos de provar para demonstração importante nessa parte do processo é a da implicação (mostrar que )⇒ ) ). com paciência. mas esse detalhe foi a demonstração mostrando que 1 ∈ e que ∈ ⇒ omitido e muitas vezes se fará isso. Observação 2: Muitos são tentados a se convencerem de alguma suposta propriedade dos números naturais através de exemplos. teríamos )= . por mais que mostremos que uma propriedade vale para muitos naturais. mas falha em gerar um número primo para = 40.109 Teorema 1. mas devemos mostrar tal validade e o princípio da indução é o que nos permite. já temos que a afirmação vale para 1. também temos que vale para 1) e assim por diante percorrendo todos os naturais. “Coincidências” podem servir de motivação para conjecturar que alguma propriedade valha para todos os naturais. temos que a afirmação vale para 1). 1) ≠ 1. sempre existirá uma infinidade deles para os quais não se pode garantir que valha. podemos observar a intuição por trás do axioma. se tivéssemos contrariando a hipótese indutiva. ) = ). isto é. Isso nos leva a perguntar se o axioma não é dispensável já que os dois primeiros nos garantem que só o número 1 não é sucessor de outro natural e a função é injetora. afinal a função é injetiva e. Não seria estranho conjecturar que qualquer número natural pode ser obtido aplicando a função . Sendo assim. o Princípio da Indução consiste em afirmar que todo número natural pode ser obtido através de diversas aplicações da função sucessor sobre o número 1 (tornando possível percorrer os naturais por sucessões a partir do 1). Demonstração: Pelo Axioma 1.1. QED Observação 1: Na demonstração acima. sendo mais preciosistas. Ou seja.2. muitas vezes. definida nos )= naturais. ). realizar a demonstração. que. podemos verificar que gera números primos até = 39. Junto à primeira parte do processo. Ou seja. Na hipótese indutiva. Isso parece ) logo em seguida. existem casos em que é útil fazer a demonstração considerando esse detalhe. + + 41. deve ser “livre” no sentido de que não exista alguma condição que o impeça de ser determinados valores naturais (não se pode impor uma condição que obrigue ≠ 5 por exemplo). No entanto. de certa forma se está supondo para todos os naturais. ) ≠ .1: ∀ ∈ ℕ tem-se )≠ . mostrar para = 1. Um exemplo de porque não devemos ceder à tentação é a função. Supondo que valha para n. como pode ser qualquer natural. mas.1. assim. O terceiro axioma (Princípio da Indução) merece explicações extras devido a suas sutilezas. em essência. deveríamos ter definido um subconjunto ⊂ ℕ tal que = ∈ ℕ| ) ≠ e seguir ) ∈ . Mostrando para uma propriedade para = 1 e a implicação da indução. mas 1) é um número natural e. pois 40) = 40 + 40 + 41 = 40 40 + 1) + 41 = 40 ⋅ 41 + 41 = 40 + 1) ⋅ 41 = 41 . temos que ) ≠ ou seja.

1. Como ilustração de como obtemos a soma entre dois números naturais. o Princípio da Indução não pode ser obtido a partir dos outros dois axiomas. o Teorema 1. nada garante que. Exercício 1. sempre que ⋅ está definido. ) = + 1. que garante que ) = e.1 (veja Exercício ) ≠ .1. no método de Observação 1: Como definimos acima que ) ∈ ” pode ser reescrita como “ ∈ ⇒ + 1 ∈ ”.1. . em algum 1. ⋅ = . é chamada de produto. foi necessária a indução para mostrar o Teorema 1. tal que: + ).2. muitas vezes. usaremos teoremas já demonstrados sem aviso. façamos a soma 2 + 3: 1) ≔ 2 2 + 1 = 2) ≔ 3 2 + 2 = 2 + 1) = 2 + 3 = 2 + 2) = 3) ≔ 4 4) ≔ 5 Agora demonstraremos algumas propriedades básicas dessas operações.1: Demonstre que + ≠ ∀ . Devemos ficar atentos a quais propriedades já foram demonstradas. Sem esse teorema. tal que: ⋅1= )= ⋅ ⋅ + .1. Não demonstraremos aqui.2: A operação ⋅: ℕ → ℕ.1.1.2. No entanto.1: A operação +: ℕ → ℕ.1. mas essas operações são consistentes com os axiomas e são únicas (isto é. assim. indução a condição “ ∈ ⇒ Observação 2: Podemos omitir o símbolo do produto e escrever Exercício 1. sempre que + está definida. pois. Ou seja. ∈ ℕ. SUGESTÃO: Use os naturais mais um “apêndice” consistente com os dois primeiros axiomas e o teorema. mas não valha o Teorema 1.1. Exercício 1. é chamada de soma. as propriedades apresentadas são suficientes para definir as operações).1.110 sucessor diversas vezes sobre o número 1 apenas com os dois primeiros axiomas. não se conseguiria percorrer todos os naturais por momento sucessões a partir do 1.2.1: Encontre um conjunto onde valham os dois primeiros axiomas.2 – Soma e produto de números naturais ) +1= )= + Definição 1. mas não valha o Princípio da Indução.2: Encontre um conjunto onde valham os dois primeiros axiomas.1). a) b) a) b) Definição 1.

Supondo para = . então vale para = + 1. Teorema 1.2. usamos o Lema 1. já que + + 1) = + )= + )= + ) = + + 1) = + 1 + ) = + 1) + .2. e + + )= + )+ )= Para = 1 é verdade.1.2. .3: Demonstre os dois últimos teoremas.1 e a associatividade respectivamente. Demonstração: Para = 1 vale claramente. Supondo para = . .2. afinal. + = + .3 (associatividade do produto): ⋅ = + Teorema 1. ou seja. ⋅ ∀ .2. ⋅ ⋅ )= QED ⋅ )⋅ + = + ∀ . QED Lema 1. ∈ ℕ. ∈ ℕ.2.2. Nas últimas duas passagens. Demonstração: Tomemos e arbitrários e prossigamos por indução ) = ⋅ + por sobre . ∈ ℕ. ∈ ℕ. parece que usamos o que queremos demonstrar para chegar à nossa conclusão.2. afinal. isto é.2.1 (associatividade da soma): ∀ . pois ⋅ + + 1) = ⋅ + + )= ⋅ + )+ = ⋅ + ⋅ ) + = ⋅ + ⋅ + ) = ⋅ + ⋅ + 1). o que é lícito. ∈ ℕ. Demonstração: Fixemos por indução sobre . Supondo que valha para = . pois ⋅ + 1) = ⋅ definição. pois + 1 = 1 + pelo Lema 1. arbitrários.2: (comutatividade da soma): Demonstração: Fixemos um n arbitrário e façamos a indução sobre m. pois 1 + 1 = 1 + 1. + 1) + 1 = )+1= ) = 1 + + 1). temos que vale ) = + + + ) = para = + 1. A afirmação vale para = 1. mas veja que o que usamos foi a hipótese indutiva.1: +1=1+ ∀ ∈ ℕ.4 (comutatividade do produto): ⋅ + )= Exercício 1. pois + + 1) = + + )= + ) + 1. + 1 = 1 + . ou seja. + + ) = + ) + . Teorema ∀ . + + + 1) = + + + ) = + )+ ∗= + )+ )= + )+ + 1).2: Mostre que 1 ⋅ = ∀ ∈ ℕ. Vamos mostrar a propriedade Teorema 1.2. ⋅ + ) = ⋅ + ⋅ . .5 (distributividade): ⋅ ⋅ ∀ . O teorema é válido para = 1. . Supondo para = . 1.111 Teorema 1. QED Observação: Na passagem destacada com *. obtemos que vale ) = ⋅ para = + 1. + 1) = 1 + ) = 1 + Exercício 1. ou seja. temos que vale para = + 1.

Ou seja. que. do ponto de vista formal. Dizemos que é maior que e denotamos > quando < .112 QED a) b) Teorema 1.2. ou seja. que é uma mera questão de notação. podemos definir uma relação de ordem em ℕ através da definição abaixo. ou não.3. onde o zero faz o papel de elemento neutro da soma e nulo do produto. é equivalente a = . Muitas vezes também é útil termos à disposição as relações ≤ (lê-se “n é menor ou igual a m”) e ≥ (“n é maior ou igual a m”). QED Exercício 1. “ < = ”e“ > = ”. identifique as propriedades (definições e teoremas) usadas em cada passo da demonstração. Observamos que. Exercício 1. pela hipótese indutiva.6 (leis de corte): ∀ . permanece o mesmo. O que foi feito até agora (e esse é o objetivo desse capítulo) foi uma formalização de propriedades operacionais que nos são comuns desde a infância. ou seja. Supondo que valha para = . )= )⇔ = temos que a propriedade vale para = 1. + = + )⇔ = )⇔ = ) = ) . 1. Teorema 1.4: Faça a demonstração da parte (b) do teorema acima.1: Dizemos que é menor que e denotamos por < quando existe ∈ ℕ tal que + = .2. + + 1) = + + 1) ⇔ )= + )⇔ + + )= + ) ⇔ + = + . Observação: “Mas e o zero?” Muitos aprendem os naturais com o zero incluído. o conjunto ℕ com o zero incluído.1: O número 1 é o menor número natural. que significam. A mudança está na estrutura formada sobre ℕ. afinal.5: Caso tenha dúvida em algum teorema demonstrado. pois + 1 = + 1 ⇔ . de não incluí-lo. = 1 ou . já que : ℕ → ℕ é injetora.3 – Relação de ordem em ℕ Tendo à disposição as propriedades da adição. obtemos que vale para = + 1.2. respectivamente. a soma e produto são definidos de forma diferente. Definição 1. foi devida a “gosto” e algumas facilidades em termos de demonstrações e definições. Axiomaticamente.3. pois a única mudança nos axiomas é a troca do símbolo “1” pelo “0”. > 1 ∀ ∈ ℕ. + = + )⇔ = ). ∈ ℕ valem que: Demonstração: (a): Considerando e fixos e fazendo a indução sobre . A opção tomada aqui. as propriedades não são tão evidentes.

assim.3. vamos ter que +1 ∈ . pois 1 = 1. pelo Axioma 1. onde = + . e apenas + e Agora mostremos que para todo . que é um absurdo. Obtendo o sucessor de ambos os membros. para prosseguir a demonstração (provar que ∈ ⇒ +1∈ ). então > . existe ∈ ℕ de forma que = + . ∈ ℕ quaisquer.1: Demonstre o teorema acima. ou seja.1.3.3. ⇔ ⇔ . > 1. a) Teorema 1. Ou seja. nesse caso.3 (monotonicidade da ordem): ⇔ ⋅ > ⋅ .3. dessa forma.2 (1 é o único natural que não é sucessor de outro). devemos separar nos casos < .3.2: Demonstre que. a) ( < ): Nesse caso. por indução sobre n. ∈ ℕ são tais que + . vale uma. + 1 ∈ . Logo + 1 ∈ também nesse caso. das afirmações: > . Caso = 1. = + = + + 1) = + 1) + . que implica + 1 ∈ para algum ∈ ℕ. não se pode ter > nem > . portanto. Mas. = + 1 e. > e = . Exercício 1. observemos que existe ∈ ℕ ) = + 1. que = + e = + . temos que = + e. Se ≠ 1.1). Temos que 1 ∈ pelo Teorema 1. b) = ): Se = . as restantes não podem ser. SUGESTÃO: Use os dois últimos teoremas. Supondo que ∈ .113 Demonstração: A propriedade claramente vale para = 1. Bastando inverter e se consegue a demonstração para > . QED Demonstração: Sabendo que > temos = + )+ = + + )= + > ⋅ = + e > ⇔ = > . respectivamente. + QED e Demonstração: Primeiro mostremos que só pode valer uma dessas afirmativas. > ⇔ + + > > Teorema 1. Exercício 1. Mas. > e = . então = + exclui a possibilidade de = (Exercício 1. então > ⋅ . uma. ao ser uma verdadeira.1. Isso já > > ): Se > . que é tal que = o mesmo que > + 1. consideremos o conjunto = ∈ ℕ| = > > .2 (transitividade da ordem): Se e > . assim. ∈ ℕ alguma dessas propriedades deve ser satisfeita. Sendo um natural arbitrário fixo. temos. concluímos que + 1 > .2. temos + 1 = + ) + 1 = + + 1) e. por absurdo que também vale > . . Vamos mostrar. que = ℕ. . se > e > . = + )+ = + + ) ⇔ > . que = + para algum ∈ ℕ.3. b) ( > ): Vemos.4 (tricotomia): Dados . que existe ∈ ℕ tal que = > Teorema 1. Supondo. se ≠ 1. ) = + 1 e. pois implicariam.

mostre que não existe número natural tal que < < + 1. basta acrescentar os pares . QED Na demonstração do teorema acima. ou seja. Supondo que ∈ . se ∈ . então = ℕ − 1. mostrando que + 1 ∈ . − 1 . assim.7.114 c) ( = ): Basta observar que +1= + 1 > . . usamos um fato que ainda não foi demonstrado: não existe número natural entre e + 1. vamos usar uma nova formulação da indução. ⊂ . ⋯ . mais uma generalização da indução. se tem Demonstração: Consideremos o conjunto = 1 ⋯ . ⊂ ℕ. Demonstração: Seja o conjunto ⊂ ℕ tal que 1 ∈ e 1. como mostrado abaixo. ⋯ .2.2. faz dessa relação de ordem uma ordem total. temos que + 1 ∈ e. QED Para demonstrar o Teorema 1. . Tem-se que 1 ∈ e. Observemos que ⊂ . pois. ainda. = ℕ e = − 1⋯. para que se encaixe precisamente na definição que damos para relação de ordem total. + 1. pela hipótese indutiva e a propriedade do conjunto .3. que = ℕ. Pode-se ter. por seguinte. Mostraremos que = ℕ e. ) ∈ ℕ tais que = . Exercício 1. Teorema 1. − 1 ∪ . ⋯ . ⋯ . que é um dos resultados mais importantes da relação de ordem. − 1 . junto à tricotomia. ⊂ ) ⇒ ⊂ ℕ definido por + 1 ∈ ) . Assim. ⋯ . SUGESTÃO: Não é necessário usar indução. 1 ∈ . − 1 = ℕ − 1⋯. dada abaixo. + 1 ⊂ . = ℕ. = ℕ e. portanto. Consideremos também o conjunto = ∈ ℕ| 1. e. para todo > tal que ∈ . Logo. pois.3. donde + 1 ∈ pela propriedade do conjunto ). que é verdade por hipótese. portanto. − 1 ) ou porque ∈ . A demonstração fica como exercício.5 (Indução Completa): Se + 1 ∈ ) . Teorema 1. ∈ + 1 ∈ . ⊂ . temos que + 1 ∈ . 1.2. tomando como relação de ordem a dada por “≥”.3. a transitividade continua valendo e.3: Sendo um natural e + 1 seu sucessor. 1. Logo. Pode-se dizer que ℕ é totalmente ordenado por >. como se pode ver. pois 1 ⊂ é equivalente a 1 ∈ . ⋯ .2. Mostramos.2.6: Se ⊂ ℕ. então + 1 ∈ (seja porque ∈ − = 1 ⋯ .3. que = ℕ. 1 ∈ e 1. então = ℕ. ⊂ )⇒ Observação: Veja que.

se formam mais − 2 diagonais.9 = 9.3. Veja que devemos ter < para que − seja natural.1: O número de diagonais de um polígono convexo de = ) vértices é triângulo não possui diagonais. Façamos a demonstração desse teorema da geometria por = 3 (triângulo). Exemplo 1. = +1+ Assim. que são os seguimentos de reta que ligam o novo vértice a cada vértice não adjacente (isto é. De forma análoga.6. quando ∈ e. mostremos que vale para = + 1. . Abaixo está ilustrada a passagem de um quadrilátero para um pentágono.6. quando ∈ e. tem o ângulo interno inferior a . diz-se que é o elemento máximo (ou maior elemento) de um conjunto e denotamos por = max .3 (boa ordem): Um conjunto é dito bem ordenado quando todo subconjunto não vazio de possui menor elemento.2: Considerando min 1.7. −2 = ) indução. O resultado é válido para .2 (mínimo e máximo): Diz-se que é o elemento mínimo (ou menor elemento) de um conjunto e denotamos por = min . Exemplo 1.7. Supondo que valha para = .9 = 1 e max 1. ≤ . pois ) = 0 e se sabe que o + −1= ) = ) = ) ) = ) ) .3. Tendo um polígono convexo de vértices.6. ≥ (≥ é uma relação de ordem total).3.3. ∀ ∈ ) − ∅ ). Em símbolos. Além disso. ao acrescentar um novo vértice.7. Observação 2: Chamasse polígono convexo o que. chamaremos − o número natural tal que − ) + = . ∀ ∈ . não vizinho). Observação 1: No exemplo acima usamos um pouco de liberdade sem nos prender só ao que temos formalmente estabelecido até o momento. ∃ ∈ | = min . em cada vértice. ∀ ∈ . o conjunto 1.3. temos que Definição 1. esse novo polígono possuirá um número de diagonais igual a mostrando o resultado. todas as diagonais do polígono anterior continuam a ser diagonais do novo e um dos lados se torna uma diagonal (afinal. o novo vértice aparece entre dois já existentes e o seguimento de reta que liga esses dois já existentes se torna uma diagonal).9 .3.115 QED Observação: Embora não seja possível definir uma operação de subtração entre naturais. onde ) é o conjunto das partes de .3. Definição 1.

4 – Potência de números naturais Com as operações de soma e produto definidas.2. Sendo = ℕ − .1: Sendo .1 – I (Teorema do Bom Ordenamento). Bem se viu que o Axioma da Escolha garante a existência de certas funções (funções escolha). ele é único.3. Pelo Teorema 1. mostre que esse possui QED Teorema 1. = = ∙ sempre que ∈ ℕ definimos: a) b) está bem definido. = ∅. Com efeito. se tivéssemos + 1 ∈ . ⊂ ℕ limitado. se um conjunto possui elemento mínimo (máximo). Definição 1.3.4: Mostre que ℕ não possui elemento máximo. Mostraremos que esse só pode ser o conjunto vazio.116 Observação: As duas últimas definições não se restringem apenas aos naturais. Lembrando do Teorema 4. portanto. esse. ≤ . haja a impossibilidade de mostrar explicitamente. então ≤ ( ≥ ). . Suponhamos que 1.5: Considerando elemento máximo. Então não é espantoso que essa característica.4: Dado que.4. 1. afirma que todo conjunto pode ser bem ordenado por alguma relação de ordem.5. mas nem sempre é possível explicitá-las. a de garantir a existência embora.3. se e são mínimos (máximos) de um conjunto .5. e ≤ ( ≥ ). pois é o menor número natural e. ⋯ . = ℕ e. assim. 1 ∈ . no conjunto dos naturais é possível explicitar a ordem que o faz bem ordenado e essa é a ordem que definimos. pelo fato de ser um mínimo (máximo). Exercício 1. Demonstração: Consideremos a existência de um conjunto ⊂ ℕ que não possui menor elemento. então temos que + 1 ∈ . esse seria o menor elemento de . Definição 1. Como veremos abaixo. pode-se definir a potência de números naturais.3.3. Pode-se ver que. pois.7 (Princípio da Boa Ordem): ℕ é bem ordenado. como foi alertado lá. ∀ ∈ . pelo fato de ser um mínimo (máximo). não pode pertencer a . ⊂ . se mantenha no Teorema do Bom Ordenamento. Logo = . Embora tenhamos usado esse teorema como motivação para encontrar uma relação de ordem total em ℕ . ⊂ ℕ. nem sempre é possível explicitar a relação de ordem que faz do conjunto bem ordenado e tal fato se justifica: o Teorema do Bom Ordenamento é equivalente ao Axioma da Escolha. esse é dito limitado se existe ∈ ℕ de forma Exercício 1. muitas vezes.

SUGESTÃO: QED 1.4. ∈ ℕ valem: QED Demonstração: (a): Sendo um natural arbitrário.2: Demonstre que 2 > ∀ ≥ 4. ) = Supondo que valha para = . 2 > 2 + 1.1: Mostre que. temos que vale para = + 1. ∀ ∈ ℕ. ou seja. temos 2 ≥ ∈ ℕ. (b): Novamente tomaremos arbitrários e prosseguiremos por indução ∙ ) = ) pela definição. = ∙ ) = = ∙ ) = ∙ ∙ Teorema 1. Exemplo 1. 1 = 1. por hipótese. ou seja.4. Observemos = = sobre .3. afinal. vemos que vale para = + ) ) ) = 1. temos comutatividade do produto. Para = 1. Supondo que valha para = . temos 2 =2 ⋅2=2 + 2 > 2 + 1 + 2 = 2 + 1) + 1 (isso porque. isto é. pois = = ∙ = ∙ ∙ = ∙ . temos = . 1 = 1 por definição.5 – Somatório e produtório . completando a demonstração. temos que 1 =1 ∙1= 1 ∙ 1 = 1. e 2 > 2. a) b) c) ) . Através da definição. encontremos . sendo ≥ 3. Isso completa a demonstração. 2 > 2 + 1. para todo Use o resultado do exemplo acima. ) ) 1. = = ∙ = ∙ e = = ∙ = ∙ ∙ .1: Como exemplo de como obter potências de naturais. Para = 1 temos = ∙ = ⋅ por = ∙ . mostrando que a propriedade vale para = 1. Exercício 1.117 Exemplo 1. . . afinal. Para = 3 temos 2 = 8 > 7 = 2 ⋅ 3 + 1.4. Exercício 1. demonstrada acima. Para = 1 temos ) . Supondo para = . lembrando do Teorema 1. mostrando que vale para = + 1 e. Supondo para = . demonstraremos a propriedade por indução sobre . Demonstração: Demonstremos por indução sobre n. Teorema 1. onde usamos a parte (a) do = = = teorema. isto é.1: 2 > 2 + 1 para todo ≥ 3. então + > + ).4. pois a segunda igualdade é imediata pela que basta mostrar que = ) . = ) ) ) = ) .4.3. .2: ∀ . temos que vale para = + definição. ) = (c): = . Supondo para = . por seguinte.1: 1 = 1 ∀ ∈ ℕ.4. = = = . se > e > . ou seja.

mostrando que não depende da indexação. o somatório não se altera. Para = 1 é verdade por definição. ou seja. a soma + ⋯+ deve ser igual à + ⋯+ . exemplo. obtemos o somatório dos elementos do conjunto = = = + + = = + + + por Observação: Pode-se ver que.5. associativa. Demonstração: Demonstremos por indução sobre n. Diz-se que os índices são mudos.∙) com as seguintes propriedades: Definição 1. definimos o operador somatório desses elementos por: a) b) = = + a) A operação + (soma) é comutativa e associativa. +. consideraremos uma estrutura qualquer .5.1 (somatório): Sendo ⊂ uma família de elementos tal que = . ou seja. ao mudarmos o índice " " por qualquer outro. = + = +⋯+ + . Teorema 1. b) A operação ∙ (produto) é comutativa. .1: = + ⋯+ ∀ ∈ ℕ. ou seja.118 Para um tratamento mais geral (embora não o mais geral possível) dos operadores que serão apresentados. Supondo que seja verdade para = . QED . sempre que está definido. indexado pelos primeiros números naturais. temos que é verdade para = + 1. QED Corolário: O somatório não depende de uma particular indexação de Demonstração: Sendo = + ⋯ + a soma por uma indexação. " ". chamado de “1”. = : Como exemplo. afinal. tal que 1 ⋅ = ∀ ∈ ). = + ⋯+ . Pela associatividade e comutatividade da soma. distributiva em relação à soma e possui unidade (elemento. = . consideremos outra indexação tal que = + ⋯ + .

)= Demonstração: − − )+ − )+ ⋯+ − )+ ) = + − + )+ ⋯+ − + )− − = − . a vantagem da notação de somatório vai além de ser uma notação compacta: muitas manipulações complexas de serem realizadas são mais simples através de somatórios.5 (propriedade telescópica): Se. Como veremos.5. já que Observação: Estamos chamando de ∈ unidades (1 + ⋯ + 1 n vezes).2: = ∀ ∈ℕ .5. Teorema ⊂ ) 1. ∀ ∈ ∃ − ) ∈ | + − ) = − = 0. então − ∀ ∈ℕ ⊂ . Teorema ∀ ∈ ℕ.3 (homogeneidade): QED o resultado da soma de n = ∀ ∈ ℕ. Demonstração: Para = 1 a afirmação é verdadeira já que = = ⋅ 1. Abaixo são apresentadas algumas propriedades do somatório. QED .5. Supondo que seja verdadeira para = . e justifica seu nome. será verdadeira para = + = + = + 1). = . 1. ∈ Teorema 1. ∈ ) Demonstração: Do Teorema 1. + )= + ) + ⋯+ + ) = + ⋯+ + .1 e a associatividade e QED Teorema 1. além das propriedades já exigidas para a estrutura sobre . = 1. temos que = + ⋯+ = + ⋯+ ) = . = + 1. onde se usou o Teorema 1.4 ⊂ (propriedade ⊂ ).1 e da distributividade do produto em relação à soma. ou )= − seja.5. aditiva): + )= QED + Demonstração: +⋯+ = + comutatividade da soma.5. a soma possuir elemento neutro para a soma (esse chamado de 0) e todo elemento de possuir elemento inverso pela soma. isto é. ou seja. onde foi apenas necessário “deslocar” os parênteses (usando associatividade) de forma que os termos que se anulam fossem somados.5.119 O teorema apresentado é a motivação para se definir o somatório.

120
)

Exemplo 1.5.1: O somatório (de números reais) vendo que
)

teorema acima, nos leva a

= −

(verifique!). De fato, pois, sendo
)

=

Exercício 1.5.1: Mostre que propriedade telescópica.

=

= −

= ,

pode ser obtido = , que, pelo .

onde

∈ ℝ. SUGESTÃO: Use a

=1−

Sabe-se que a indexação de é obtida por uma função sobrejetora : ℕ → , onde = . É natural que possa existir alguma regra que defina ). Como essa função e, assim, muitas vezes se pode escrever = também é possível ter o mesmo conjunto como a imagem de : ℕ → (com mesma regra definidora), é mais comum definirmos as funções com contradomínio e obter como a imagem. Para algumas “classes” de conjuntos, é possível obter uma fórmula fechada para o operador somatório. O exemplo abaixo, onde encontramos uma fórmula fechada para subconjuntos de ℕ da forma ℕ = 1, … , , ilustra isso. conjunto é dado por para
)

Exemplo 1.5.2: Considere o subconjunto ℕ = , isto é,
)

por indução. De fato, o resultado é válido para = + + 1) = =
)

=

)

. A demonstração de tal resultado pode ser obtida = 1 e, ao supor que seja válido
)

de ℕ. O somatório desse = + 1, afinal,

.

+

)

, temos que o resultado vale para + 1) =
)

+

=

)

)

=

Observação: Como ainda não temos os naturais como um subconjunto dos reais, devemos tomar cuidado com o que estamos simbolizando por = . Estamos expressão possua sentido). Ou seja,
)

+ 1). No entanto, embora seja necessário salientar tais detalhes para um tratamento mais rigoroso, vezes iremos manipular expressões omitindo essas explicações “preciosistas”. (1 < Em alguns casos, podemos querer a soma dos elementos de ≤ ) a = e não de = 1 a = . Definimos, para esses casos, = + sempre que e, nesse caso, sendo = + .

considerando que os três números da expressão são naturais e eles são tais que = (veja que é necessário que seja um múltiplo inteiro de para que a é o número natural tal que 2 =

está definido. Também é possível que se (1 < ≤ )

de = = e

queira não considerar algum elemento de o elemento não considerado, definimos

Observação 1: Nas definições acima, usamos o sinal de menos, que está, normalmente, associado à soma com o inverso aditivo ( − = + − )), mas,

121 mesmo que a estrutura sobre A (conjunto do qual é subconjunto) não admita inverso aditivo para seus elementos, é possível definir uma “subtração” em A da forma como foi feita com os números naturais (veja a observação após o Teorema 1.3.6). Observação 2: Considerando a expressão inferior do somatório e = − de limite superior do somatório. é , chamamos de limite

Observação 3: Uma definição alternativa, em alguns casos, para , mas nem sempre é conveniente. − )= − com ≥ .

Exercício 1.5.2: Mostre que

Exemplo 1.5.3: Usando o que foi mostrado no Exemplo 1.5.2, podemos ver que = ≤ . − = + 1) − 2 − 1) 2 − 1) + 1 + ) = 2 + − 2 +

=

+ )

onde

− )+ 2

+ )

=

− )+1

Exercício 1.5.3: Mostre que usando as propriedades do somatório. Exercício 1.5.4: Mostre que

2 − 1) = =

de duas formas: por indução e +

. Essa propriedade é = +

chamada de abertura e uma manipulação útil que pode ser feita é = + . seja, ter expressões da forma somatório duplo (expressão da forma se tivermos o conjunto )= de forma que ,

Muitas vezes se deseja aplicar o operador somatório mais de uma vez, ou , etc.. Para o ), pode-se ver que isso é possível = ∀ ∈ ℕ (o que faz com que o índice

sendo somado e sim pode admitir um valor arbitrário em ℕ . Um índice que apareça dessa forma é chamado de índice livre. Observamos também que existe uma coerência do índice livre em ambos os membros da expressão, ou seja, o índice livre recebe mesmo “nome” (no caso, ) em ambos os lados da expressão. = Pelo Teorema 1.5.1 obtemos que o somatório de um conjunto é dado por: )= = + + ⋯+ + tal que

). Veja que na expressão

=

não está

122 + + Exemplo 1.5.4: Seja temos: = = = + + + ⋯+ + ⋯+ = ⋅ . Nesse caso +

⊂ ℕ de forma que 1⋅ =1+2+3=6 2⋅ =2 3⋅ =3

= 2 1 + 2 + 3) = 12 = 3 1 + 2 + 3) = 18

=

⋅ = 6 + 12 + 18 = 36

Para um somatório múltiplo (duplo, triplo,...), podemos ter uma notação um pouco mais curta, como feito abaixo (com somatórios): …
, ⋯

=

,

,⋯,

, ,⋯,

Por exemplo, podemos denotar o somatório duplo
, ,

por

única vez (por exemplo,

,

. No caso de todos os limites superiores coincidirem, basta escrevê-lo uma =
,

). Também é comum omitir os limites

inferiores e superiores caso sejam subentendidos. Por exemplo, se se está trabalhando sempre com somatórios de 1 até , se subentende por . Teorema 1.5.6 (comutatividade do somatório): ∀ =
, ,

tal que

compacta,

fato dos índices serem mudos – apenas se renomeou por e vice-versa). Demonstração: Demonstremos por indução sobre arbitrário. Para = 1, o resultado é verdadeiro, pois . = Supondo que valha que para , temos vale para

=

) tem-se
, ,

=

,

,

(veja que essa última igualdade vem do ′ tomando um = = = + 1, ou

=

ou, em notação mais

,

∈ℕ e

= ,

seja,

afinal,

123 = + ) + ) = = .5: fato de que. Se admitirmos na estrutura sobre A um elemento neutro para a soma (elemento 0).5. denotado 0. = Para visualizar melhor a última passagem. é devido ao (caso > ) ou ). temos = .2 (Delta de Kronecker): Se existe em A um elemento. )= =1 =0 = ≠ A principal propriedade dessa função é mostrar essa propriedade. se anula para todo > Exercício 1. ) = .5: Mostre que sempre vale . = (k e j são índices livres). . é um resultado muitas vezes útil. O min . dado por (veja a Definição 1. SUGESTÃO: Veja que Exemplo = . Definição 1.5. .5. Em particular. basta vermos que = (pois = 1 e todos os outros termos se anulam). SUGESTÃO: Observe que . Para +⋯+ + ⋯+ = . = Esse corolário. Exercício 1. . . . pois . é . = . .3. chamada de Delta de Kronecker.7: Mostre que = . . Exercício 1. . . Corolário: ∀ + . = = O + + ⋯+ somatório = . + ) = QED e. Naturalmente. e 1 ≤ ≤ ′. ou seja. podemos definir uma função. . tal que 0 + = ∀ ∈ . . .5.6: Verifique explicitamente o resultado do exemplo anterior . então definimos a função : ℕ → de forma que: . lembre-se que assim. = = (1 ≤ ≤ ). ∈ℕe ⊂ tal que = ) tem-se 2 . que é muito útil algebricamente. )= . . a propriedade também vale caso existam outros índices livres além de . . sendo 1 ≤ ≤ para todo > para = (caso > De fato. 1. que é uma conseqüência imediata do teorema.5.2).

então ≥ = . Para que tenhamos o próximo resultado.124 Exemplo 1. Aqui podemos ver uma das = vantagens da notação de somatório. Supondo que valha para = .3. temos + = QED Exercício 1. Exemplo 1. pôde “entrar” no somatório de índice ). Mas o que há de errado na manipulação feita inicialmente? Devemos ver que os índices são independentes (a “variação” de um não influencia na do outro) e. . + ≥ + . pois temos = + . = + ao passo = + . ≥ e ≥ . constitui. poderíamos pensar que ⋅ = onde se usou o Teorema 1. que vale para = + 1. Demonstração: A propriedade vale para = 1. portanto. podemos ver que ) 1. Com efeito. ao fazer o produto posto.5. ≥ ≥ = sendo . ∈ com ≥ e ≥ temos + ≥ + . + = + . com a relação de ordem definida para ℕ (subsecção 1. para o próximo teorema. teremos que considerar um resultado preliminar: quaisquer que sejam . ou seja.3). ≥ ≥ .5. se. assim. afinal.5.2. quanto é ⋅ ? Num primeiro impulso.5.3. . pela monotonicidade da soma. . Com efeito. onde usamos a Sendo = e = .7: Considerando a soma ) ⋅ = . mas é simples encontrar um contra exemplo que mostre a falsidade dessa expressão.8: Mostre que o resultado acima vale para = ℕ. um corpo ordenado. ⊂ com um corpo e a relação de ordem ≥ a de um corpo ordenado. Ou seja. pelo Teorema ⋅ .7: Considerando os conjuntos .5. = = + e ⋅ = + ) + )= + que = + + . devemos renomear ao menos um dos índices para garantir a independência. às vezes é necessário realizar uma fatoração do tipo + = propriedade + = = . + ≥ + e + ≥ + e.5. ∀ ∈ ℕ . Veja que ℕ não é um corpo. O que está “dentro” de um somatório pode ser manipulado da mesma forma como é feito caso não existisse o somatório (na última passagem simplesmente se considerou uma constante e. a expressão correta é ⋅ = )⋅ ) = ). Teorema 1. )= ) = ) = ⋅ = Consideremos.6: Para adequarmos algumas expressões a determinadas convenções. )⋅ )= ) = . pois por hipótese. que a estrutura sobre mais precisamente. onde se usou o resultado obtido no Exemplo 1.5.

∈ ℕ. De fato. + 1) = ) − )= QED Exemplo 1. essa restrição pode ser eliminada). Demonstração: Usemos o Teorema 1. : ℕ → ℕ. temos que vale para ) + )− − )+ = ).⋅) um ∈ | =0 = 1 ∈ℕ . por um lado. pois. +. que não apresentaremos agora.3 (potência com expoente inteiro): Sendo . ) = ). 6) + 7) + 8). O )= ) e. SUGESTÃO: O teorema seguinte garante uma manipulação bastante útil em várias situações. ≥ ≥ ∀ . ) Teorema 1.8: Considerando com .3.5. temos que )= − )= + ). feitas sejam positivas (num caso mais geral. ou seja.9: Mostre que Lembre-se do Teorema 1.5. Considere ) = 5) + : ℕ → de forma que queiramos o somatório de 5 a 8. é possível dizer que um somatório é maior que o outro. ∈ e ∈ corpo. Podemos definir em um corpo uma potência de expoente “inteiro”. definimos: a) b) c) =1 = = ⋅ sempre que está definido. se Não é difícil verificar que as propriedades demonstradas para a potência de naturais continuam válidas para esse caso. embora não saibamos os resultados explícitos dos somatórios.125 )= e )= Exemplo 1. Temos ainda que = ⋅ =1⋅ = . )+ = .5.5. )= ≥ = )∀ ∈ℕ que ≥ = pois (mostre isso). Definição 1. afinal. . pois − 2) = − 2) = 7 − 2) + 8 − 2) + 9 − 2) + 10 − 2) = 5) + 6) + 7) + 8).2.6 para realizar a demonstração. A segunda igualdade se demonstra analogamente.5. teorema é válido para = . − )= − ). Mas vemos que o somatório não se altera ao somarmos 2 aos limites do somatório e subtrairmos 2 da variável. Supondo que valha para + )+1 − )= = + 1. está definido. Veja que. Ou seja. Exercício 1. temos )= ). onde .5. e são tais que as subtrações )= − )= ). como feito abaixo.9: Embora possa parecer estranha a manipulação apresentada no Teorema 1.8. por outro lado.5.8 (mudança de variável): Sendo : ℕ → . podemos ver o quanto ela é simples por um exemplo.

já que e = . temos que: a) b) = = se se ≠ 0. ⋅ = = 0 e. definimos o operador produtório desses elementos por: = = ⋅ sempre que está definido. obtemos que o resultado vale para = isso completa a demonstração. = 0. Duas outras propriedades dessa definição de potência são dadas no teorema abaixo. 0 = 1. Demonstração: (a): Se nesse caso. = ⋅ ⋅ …⋅ e o corolário também continua válido. existem outras mais características do operador produtório que são análogas a alguma do somatório. temos é válido para = = ⋅ assim.1 possui análogo nesse caso (mostre isso). isto é.126 Pela definição. ou seja. +. O resultado vale para = ⋅ = ⋅ ⋅ ao supor que valha para + 1. . A propriedade demonstrada no Teorema 1. Como será visto. Observação: Os índices do produtório também são mudos. 0 = 0. mas. o produtório não muda se mudarmos o nome dos índices.5. já observando que o resultado = . (b): Demonstremos por indução sobre para = = . ⋅ = já vendo que o resultado é válido = 1. Teorema 1. temos ) ⋅ = = . pois = =0 =0 . ou seja. pois = + 1.⋅) um corpo com a potência de expoente inteiro definida como acima. O resultado vale para = ⋅ = que vale para mostrando o resultado.5. ao supormos que valha para = ⋅ = 1 já que . QED Essa definição é semelhante à de somatório (apenas se trocou a soma pelo produto).9: Sendo . Isso parece contraditório. que a) b) Defninição 1. = 0.4 (produtório): Sendo ⊂ uma família de elementos tal = . ≠ 0 ou = 0. =1= = e. . . mas o resultado apresentado é conveniente por diversos motivos. afinal. demonstremos o resultado por indução sobre = = 0. e. sendo ≠ 0. afinal. fazendo-nos pensar se é realmente uma definição apropriada. a expressão só fica definida com = ≠ 0. No caso de é válido e.5. Ou seja. qualquer expoente = .

5. . = = Exemplo 1.5. portanto. dessa forma. vamos admitir que a estrutura sobre é um corpo ordenado.5. A propriedade apresentada na parte (a) do teorema acima na verdade é análoga a uma propriedade não apresentada do somatório: − )= − (mostre isso considerando a operação subtração definida para corpos).5. 1.10: Mostre o teorema acima. podemos ver que essas propriedades são análogas às mostradas nos teoremas 1. quanto é +1= )= e. Assim. De fato. Teorema 1. temos que esse produtório é telescópico )= . )= .5. = . pois Exercício 1. resultado anterior para encontrar o produtório = e. sendo = + 1. Mas algumas das propriedades podem valer para outras estruturas se forem tomados os devidos cuidados.11: Sendo vale: a) b) = = ≠ 0 ∀ ∈ ℕ .127 Para simplificar o tratamento do que será visto a seguir. ⊂ com /: × ∗ → .5. ⋅ ∀ .10: Sendo +1 = + 1 ? Podemos resolver tal questão observando que +1 = . )↦ / . Exercício 1.5.4. Exemplo 1. temos o teorema seguinte. : ℕ → ℝ tal que ) = + 1. podemos usar o .3 e 1.5. . Ora. onde = ⋅ . ⊂ Salvo alguns detalhes. Teorema 1.5. Muitas demonstrações serão deixadas como exercício devido à semelhança com as já feitas para o somatório.11: Considerando : ℕ → ℝ tal que = .10: Para o produtório valem as seguintes afirmações: a) b) c) = ∀ ∈ ⋅ = ⋅ = ∀ ∈ ⊂ Exercício 1. encontre ).11: Mostre o teorema acima.5.2. Já a apresentada na parte (b) é a propriedade telescópica do produtório. temos que se ≠0∀ ∈ℕ .12: Sendo : ℕ → ℝ tal que ) = 1 + + . Lembremos que num corpo é sempre possível definir uma operação chamada divisão. Assim.

) ) ⋅ ) ) = Teorema 1. (essa última igualdade vem do fato dos = ou.13 (mudança de variável): Sendo : ℕ → .5. .12: Considerando . onde se usou o fato de ) ) = :ℕ → tal que = ) . . ∀ ⋅ . Assim.. definimos = Exercício 1. temos que )= − )= + ). . ∈ℕ e ⊂ Corolário: = . Exercício 1. tal que compacta. Exercício 1. Exemplo 1. = ) tem-se . para esse caso. sendo ≥ .5.11. Poder-se-ia obter o mesmo resultado usando o corolário do teorema.13: Mostre que Exercício 1. = .5. temos que ) ⋅ 1 = 1. Como o caso é análogo ao do somatório. De fato. )= ⋅ ) ser um produto telescópico ) ) = ) . podemos ter expressões do tipo .5.16: Mostre o teorema acima. . .128 De forma análoga ao somatório.5. Essa é a Também não é estranha a idéia de produtório duplo. de forma mais . = . triplo. índices serem mudos – apenas se renomeou por e vice-versa). o indesejado = com .5.5. ) ) . Esse corolário é o resultado análogo ao obtido para o somatório.14: Mostre que. e são tais que as subtrações . podemos adotar todas as notações já introduzidas para somatórios múltiplos. onde .10 e 1. é possível que se queira o produtório de um conjunto ⊂ de (1 ≤ ≤ ) a e. ) . Também podemos não e. .17: Demonstre o corolário acima. . ∈ℕ . definimos = e querer considerar um determinado elemento de ). . sendo = ) = ⋅ sempre que está definido. Teorema 1. )= = e os resultados dos exemplos 1. etc. ⋅ (1 ≤ ≤ ).5. : ℕ → ℝ tal que = ⋅ )=1− = . e ⊂ tal que = ) tem-se Exercício 1.15: Mostre que propriedade de abertura para o produtório. = 1.12 (comutatividade do produtório): ∀ = . pois .5.5.

6. = + )= + 1) ⋅ + 2) ⋅ … ⋅ ≥ + ) se >0 . pois = ⋅ + 1) = + 1) ⋅ ! = + 1)!. Não é difícil ver polinômio (expressão da forma que a expressão + ) dá origem a um polinômio. Um resultado que podemos ter é que ! = Demonstremos isso por indução. )= ) e.6. )= = ! ! − )! . temos ) − Consideraremos a estrutura . − )= + )− que vale para ) ⋅ = ). mas o teorema que será demonstrado nos permite encontrar os coeficientes do polinômio (os .2 (coeficiente binomial): O coeficiente binomial é definido pela função ( ): → tal que: . +. O fatorial é útil em várias áreas na matemática. . O teorema é válido para = . Em especial. temos que vale para = + 1. Definição 1. afinal. em um → por: a) b) = 1 ⋅ 2 ⋅ … ⋅ se > 0. )∈ )| ! )! De imediato podemos ver que 1! = 1 ⋅ 1 − 1)! = 1 ⋅ 0! = 0! = 1. definiremos ) ⊂ ∈ | =0 = 1 ∈ℕ . Demonstração: Usemos o Teorema 1. ) = + + ⋯+ + ). … . = . . isto é. ! = . chamados de binômios. Supondo que valha para + )+1 − ) = = + 1. ) 1. tomemos = . Para a próxima definição. para auxiliar as definições o conjunto tal que que serão feitas. pois. pois = 1 = 1! e. ) demonstra analogamente. por outro lado. O resultado vale para = 1.⋅) um corpo e.3. ou seja. que não será apresentado agora).6 – Teorema Binomial de Newton O Teorema Binomial de Newton é o teorema que nos permite expandir expressões da forma + ) ( . ) ⋅ + 1) = − )= ). Definição 1. por um lado. ao supor que valha para = . . A segunda igualdade se QED ) )= − )= − ). na Análise Combinatória.129 feitas sejam positivas (é possível tirar essa restrição num caso mais geral. Outro resultado é (mostre isso). ) facilmente.1 (fatorial): Definimos a função fatorial !: 0! = 1 != ⋅ − 1)! sempre que − 1)! está definido.6. ∈ ∈ ) ).

Teorema 1. = . Ao supor que valha para = = 1 já que já observando que o ) =1= 1+ ) . Abaixo segue um teorema que nos será necessário na demonstração do Teorema Binomial de Newton. Assim.6.6. pois = ! ! ) ! = + 1. isto é.2 (Teorema Binomial de Newton): Para quaisquer ) . ) + 1. ∈ ) − 0 com ≥ = + + . vale que: 1+ ) = −1 ) Demonstração: Demonstraremos por indução sobre ) resultado é satisfeito para = 0.1: Mostre que = . temos que vale para + = + 1. = ! ! )! = ! ! ! =1= ! ! ! = ! ! )! = e Exercício 1. Com efeito: = . Essa definição também é muito freqüente na matemática em diversas áreas.6.130 = = 1e = ! = Duas propriedades que podemos perceber dessa função são ! )! ) + 1. De fato. pois = Podemos ver que o resultado vale para 1+ ) = ) + ) = ) . pode-se ver que existe em ) tal que QED e ∈ Teorema 1.1 (relação de Stifel): Sendo temos que: +1 = + −1 . tomando o lado direito da expressão: −1 = = + + Demonstração: Sendo = = = + + )! + )! = + −1 − 1)! + ) − − 1) ! ! + )− ! + )! + )! + )! + )! + = + − 1)! + 1)! − 1)! ! − 1)! ! + 1) ! ! + )! 1 1 + )! +1+ + = − 1)! ! +1 − 1)! ! + 1) )! + + 1) + + + 1)! = − 1)! ⋅ ! + 1) ! + 1)! + + 1)! + +1 +1 = = ! + + 1) − )! ∈ ≥ .

embora o resultado acima já seja realmente útil. Poderíamos ter demonstrado já para o caso QED . Mas o que queremos é o resultado para + ) em geral.131 1+ ) = 1+ ) 1+ ) = = + 1) −1 −1 1+ ) ) ) ) ) −1 ) = = = 1−1 0 −1 + + + −1 ) ) ) −1 −1 = = + + −1 −1 ) ) ) + + −2 ç + á −1 ) ) −2 ) + = = + + + + + +2−2 ) ) −1 + ) −1 −1 = = + çã + = = +1 1−1 +1 −1 ) −2 ) ) −2 −2 ) ) +1 +1 ) +1 +1 −1 + ) = +1 −1 ) +1 ) +1 −1 + +1 +2−1 ) ) E esse é o resultado procurado.

vamos demonstrar para ≠ 0. Considerando os binômios + ) e + ) . Corolário: Para quaisquer . temos: + ) = +1 −1 = ) ) = = −1 ) ) = = −1 ) −1 1 ) ) 1 ) −1 QED Existem generalizações do teorema para fracionário e negativo. onde se usou o teorema com = −1. Nesse caso. É muito mais simples. coeficientes que a expressão + ) por multiplicações sucessivas. que é uma expressão visivelmente mais 0) se )= simples. em geral. O Teorema Binomial de Newton transforma expressões da forma + ) em uma soma onde. calcular esses soma começa de = 0) do binômio + ) é igual à soma dos coeficientes + 1 e do binômio + ) ”. onde : ℕ ∪ 0 → com 0 ∈ . Observação importante: Devido à nossa escolha de não incluir o zero nos naturais. Demonstrado o teorema acima. mas a relação de Stifel nos traz mais um resultado facilitador. mas esses casos resultam em polinômios de infinitos termos (uma série infinita – foram esses os casos que Newton realmente estudou). vale que: ) Demonstração: Como o resultado é claro para = 0 (esse é um dos motivos de 0 = 1 ser conveniente). com coeficientes binomiais. No entanto pode-se ver que. tivemos que enunciar o teorema como feito acima. basicamente. onde se usou o teorema com se = 1. + ) = ∈ e −1 ∈ ). podemos reescrever o teorema como + ) = . da forma e . por uma mudança de variável (por enquanto ilícita). mas tornaria a demonstração mais complicada.132 geral. podemos “improvisar” definindo ) = 0) + ) se ∈ ℕ. Dentro do que temos. respectivamente. se precisa apenas calcular os coeficientes (ou > 0. Essa afirmação só faz sentido caso não corresponda a uma . a relação = + pode ser vista como “o coeficiente + 1 (lembrando que a se a soma começa de 0). o resultado geral é um corolário. =0e a) 2 = b) 0 = Alguns resultados imediatos do teorema são: −1) .

Realizando sucessivamente esse processo obtemos os seguintes resultados: = 0: 1 = 1: 1 1 = 2: 1 2 1 2=1+1 = 3: 1 3 3 1 3 = 1 + 2 = 2 + 1 = 4: 1 4 6 4 1 4 = 1 + 3 = 3 + 1 6 = 3 + 3 ⋮ Como se pode ver. onde + ) .3). mostre que ℕ = ∪ e que ∩ = ∅. 2 e 1. é simples obter essa sucessão (chamada de Triângulo de Pascal). as demonstrações não precisam ser 1 de todo rigorosas (como feito no Exemplo 1. ∈ ⇔ . no entanto se Começando pelos binômios + ) = 1. onde o primeiro e o último são 1 por serem extremidades e o segundo se obtêm por = = + = 2. os coeficientes de + ) são 1. dado um ∈ ℕ. 2 – Um número natural é dito par se existe ∈ ℕ tal que = 2 e um número é dito ímpar se existe ∈ ℕ tal que = 2 − 1. temos que ter os expoentes. além dos coeficientes. Assim. . Mais precisamente. é par ou ímpar e não pode ser ambos. que possui coeficientes binomiais 1 e 1. mostre que ∈ ℕ (conjunto dos . 7 e 8. Nos exercícios 6. Considere também que ∈ | =0 = ) = ∈ ℕ . donde se tem que o coeficiente é 1. o expoente de decresce de que. Mas. Por exemplo.133 extremidade do binômio ( = 0 ou = + 1 no caso de sabe que nas extremidades o coeficiente binomial é 1. + e − .3. podemos obter os coeficientes dos binômios com > 1 pela relação de Stifel.6.2: Faça a expansão dos binômios Exercícios III – 1 Durante os exercícios. a expressão +4 +6 +4 + . e + ) = + . existe ∈ ℕ de forma que = ∈ ℕ| = múltiplos de ). Mostre que. Exercício 1.1). 1 – Mostre que o Princípio da Boa Ordem implica o Princípio da Indução (Axioma 1. sendo o conjunto dos naturais pares e o conjunto dos naturais ímpares. + ) ∈ . por exemplo. Não é difícil verificar .1. considere que as propriedades operacionais e de ordem são a de um corpo. considerando o binômio + ) = até 0 ao passo que o de cresce de 0 até + ) pode ser escrita como + ) = usamos o Triângulo de Pascal. 3 – Dado ⊂ ℕ não vazio tal que . + ) ).

134 4 – Mostre que todo natural par ∈ ℕ e ímpar. a) 6 ⋅ = = + 1) 2 + 1) + 1) ≥ pode ser escrito como =2 para algum

5 – Usando indução, mostre que:

c) d) e)

b) 4 ⋅

6 – Torre de Hanói é um conhecido jogo constituído de três hastes (1, 2 e 3) e um conjunto de discos com diâmetros distintos, os quais colocados em ordem crescente de diâmetro na haste 1 (contando de cima para baixo). O objetivo é passar esses discos para a haste 3 com o menor números de movimentos possível (um movimento consiste em passar um disco de uma haste para outra). As regras são as seguintes: a) Só se pode mover um disco de cada vez. b) Só se pode mover o disco de menor diâmetro numa haste. c) Um disco de diâmetro menor nunca poderá estar embaixo de um disco de diâmetro maior. Mostre que o menor número possível de movimentos para uma Torre de Hanói com discos é 2 − 1. Compare o resultado com o do item (c) do exercício anterior e interprete-o. SUGESTÃO: Use indução e observe que, para uma torre de ( > 1) discos, precisamos colocar − 1 primeiros discos na haste 2 para ser possível passar o último (de diâmetro maior) para a haste 3.

2 =2 −1 !>2 ∀ ≥4 ≥ se ≥ e

.

7 – Considere retas num plano. Mostre que o “mapa” formado por essas retas pode ser colorido com duas cores sem que regiões vizinhas sejam coloridas com a mesma cor (uma região é vizinha de outra se existe um segmento de reta separando-as).

135 8 – Considere o grupo diedral e os grupos diedrais , onde ∈ ℕ. que é isomorfo a . SUGESTÃO: Mostre que existe um único subgrupo de Consulte o resultado do exercício 14, Exercícios II – 6. Observe que de um polígono regular de 2 vértices para um de 2 vértices se dobra o número de vértices. Pode-se imaginar a construção desse polígono com o dobro de vértices acrescentando esses vértices nos lados do polígono anterior, como ilustrado abaixo, onde se passa de um triângulo para um hexágono.

Demonstração: Demonstremos por indução. O resultado é válido para = 1, )= ) . Supondo que seja válida para = , isto é, )= pois com ∈ e possuindo elementos, temos que é válida para = + 1. De fato, pois, considerando com + 1 elementos e tomando dois elementos quaisquer distintos , ∈ , temos que = − e = − possuem elementos e, pela )= )= )= hipótese indutiva, e , que implica ∪ )= )∪ )= , mostrando o resultado. *: De forma geral, uma função : → é dita constante quando para algum ∈ , ou seja, quando a imagem de é um conjunto unitário. Teorema 2: Considerando ∈ e ∈
)

Teorema 1: Uma função : → tal que possui elementos (indexado pelos primeiros números naturais) necessariamente é uma função constante*.

9 – Os seguintes “teoremas”, claramente falsos, possuem falhas em suas “demonstrações”. Encontre essas falhas:

)=

− 0 , temos

= .

Demonstração: Usaremos a indução completa para demonstrar esse teorema. O resultado é válido para = 1, pois = . Supondo que seja válido para ) todo ∈ 1, … , , temos que é válido para = + 1, afinal = =

=

10 – Sendo : ℕ →

= .

)

e

∈ , mostre que

136
)

=

)

11 – Encontre formulas para as seguintes expressões: a) b) c) d) e) f)
,

com com 2
)

1+

≤ . ≤ .

12 – Mostre que: a) b) c) d) e) f) g) h) i) 1) −1) = = 1 e −1) = 2 + 1) .
)

,…,

=

=

+ 1)

= −1 com =

)

=

=

SUGESTÃO: Aplique o teorema binomial à

+

que )

13 – Considere a função : ℕ → de forma que , ) = 0, onde ∈ )− 0 . , 14 – Seja = ∘ …∘ uma família de funções . :

=

)

)

, )=− →

, ). Demonstre ∘ …∘

, mostre que

2 – Conjuntos Finitos e Infinitos; Aritmética de Cardinais
Uma das motivações para se ter o conjunto dos naturais é conseguir contar elementos de um conjunto. Nessa secção daremos uma noção rigorosa do que seja contar elementos de um conjunto (finito). Além disso, veremos também que existem infinitos distintos e que o conjunto dos naturais possui a menor cardinalidade infinita. 2.1 – Conjuntos finitos Definição 2.1.1 (conjunto finito): Dado um conjunto finito se é vazio ou existe ∈ ℕ tal que : ℕ → é bijetora. dizemos que esse é

contrariando a hipótese de que natural para o qual isso seria possível. então . É comum denotarmos | | como o número cardinal de (notação já introduzida no primeiro capítulo). então é uma bijeção entre ℕ e ℕ e. 2 ↦ 2) = ) = ). Corolário 1: Sendo : ℕ → ℕ como corolários = alguns resultados Demonstração: Se < .1: Se ⊂ ℕ é uma inclusão própria. então : → ℕ pode ser bijetora somente se = ℕ . Logo se vê que menor que 1. A definição corresponde ao que entendemos intuitivamente por contar elementos de um conjunto. isso só pode acontecer se = . então não existe bijeção : → ℕ . QED Desse resultado podemos obter fundamentais sobre conjuntos finitos. Ambas as situações absurdas pelo teorema. que um conjunto finito só pode ser associado a um único número cardinal. podemos escrever = (quando não é vazio). → ℕ é uma QED Esse corolário mostra que o número cardinal está bem definido. uma bijeção.137 Vemos que isso significa que o conjunto é vazio ou é indexado por ℕ e. assim. pois não existe natural elemento. isto é. então = . Para o conjunto vazio. pelo corolário acima. associamos o símbolo 0 para indicar sua cardinalidade. Demonstração: Consideremos o conjunto de todos os números naturais para os quais existe uma bijeção : → ℕ com ⊂ ℕ sendo uma inclusão própria. então é uma bijeção entre ℕ e ℕ . De forma equivalente.3. QED Demonstração: Ora. peguemos − )→ ℕ .…. chamemos esse de . . A bijeção é chamada de contagem dos elementos de e é chamado de números de elementos ou número cardinal de . Segue do Princípio da Boa Ordem (Teorema 1.1. . Ora.7) que esse conjunto possui menor > 1. se ⊂ ℕ . se < . pois se está fazendo uma correspondência um-para-um entre os naturais do conjunto ℕ e os elementos de (1 ↦ 1) = . |∅| = 0. Corolário 2: Se : ℕ → e :ℕ → são bijeções. então ∘ :ℕ bijeção e. ↦ Teorema 2. se redefinirmos ⊂ℕ para : uma inclusão própria. ∈ Sendo tal que : )= →ℕ uma bijeção e eℕ − . Ou seja. teremos era o menor uma bijeção entre . se e são bijeções.

então é injetoras ou sobrejetoras). Ora.2: Um subconjunto de um conjunto finito é também um conjunto finito.1: Se e são finitos e : ∈ . e somente se.1. : ℕ → é uma bijeção e. é um conjunto finito. Lema 2. se a inclusão é própria. sendo )= . temos que vale para = + 1. ao supor que vale para = . Disso obtemos que dessa forma. então : → é injetora se. um subconjunto de é finito. e . ∘ ∘ : ℕ → é uma bijeção e isso é uma contradição pelo teorema. A função : → é injetora ou sobrejetora se. se = nada se tem para mostrar. então. Por outro lado. QED Demonstração: Sendo um conjunto finito.1. pois. sendo : ℕ → uma bijeção. que )= ) = . ) e :ℕ → ) é uma bijeção. mas distinto de e . pela hipótese indutiva. ∘ : ℕ → é ) = ⊂ ℕ deve ser uma uma bijeção. inclusão própria.138 Corolário 3: Se somente se. Usando o lema. QED ∈ Corolário 4: Sendo própria. Chamemos sobrejetora. podemos fazer + 1) = e. existe bijeção : ℕ → . e Demonstração: Sendo finito. se é sobrejetora. é sobrejetora. definamos tomando )= Demonstração: Sendo e )= ) quando ∈ . existe uma bijeção : ℕ → para algum ∘ ∘ :ℕ → ∈ ℕ. assim. . Portanto também é uma bijeção nesse caso. Quando não é vazio. sendo ℕ ) = . ⊂ QED uma inclusão Demonstração: Suponha que exista uma bijeção : → . usando o teorema. isso só ocorre se = ℕ . temos que: Teorema 2. Como é finito e não vazio. Facilmente se vê )= e definida dessa forma é uma bijeção. só ocorre se = ℕ . ℕ é injetora ou sobrejetora respectivamente (é uma composição de funções ∘ ∘ de . existe uma bijeção : ℕ → para algum ∈ ℕ e. o teorema é claro para = ∅. O teorema é evidente para = 1 e. QED Corolário 1: Sendo um conjunto finito. isto é. ⊂ − − − é finito com elementos que. existe uma bijeção : → tal que → é uma bijeção. Demonstremos o teorema por indução sobre . pelo teorema. Chamando : → a bijeção obtida pela restrição do domínio a . Se é injetora. já que a inclusão ⊂ é própria. mas. existe ∈ tal que ∉ . implica que é finito. não existe bijeção : um conjunto finito não vazio e → . Mostremos isso. então existe ⊂ ℕ tal que : → ℕ é uma bijeção e. Considerando a bijeção : ℕ → e um subconjunto ⊂ .

então ∈ é finito. QED Observando bem esses resultados. .3. esse possui máximo (veja Exercício 1. QED Corolário 3: Se finito. ∘ℎ : + → é uma bijeção. logo se vê que ⊂ ℕ . Dessa forma. é injetora.∗) e um ∗ = . então podemos escrever Considerando o somatório desses elementos. é limitado. dada uma estrutura elemento ∈ . Demonstração: (a): Como é sobrejetora. se ⊂ ℕ é um conjunto limitado. e somente se.1. portanto.5) e. temos que existem bijeções : ℕ → podemos ver que ℎ: ℕ → + tal que ℎ ) = + é uma bijeção. Observação importante: De forma geral. Demonstração: Seja ∈ é limitado. podemos restringir o contradomínio a ⊂ e disso obter : → bijetora. ∪ ⊂ . Logo. Demonstração: Se é finito. temos que é finito e. já que ∘ : ℕ → é uma bijeção (composição de bijeções). ∘ : ℕ → é uma bijeção. Corolário 2: Um subconjunto de ℕ é finito se. é comum serem usadas as notações . Teorema 2. pode-se ver que todos são “óbvios” pelo que entendemos intuitivamente por conjunto finito. ∈ = + ≤ QED ⊂ ℕ.3: Se e são conjuntos finitos. então vamos supor que não são vazios. o resultado é imediato. então é finito.o QED é finito. Do teorema temos que é finito e. pelo Corolário 1 do teorema acima. pelo teorema concluímos que é finito. então é finito. )= (b): Por : → ser injetora.donde.139 a) Se : b) Se : → → é sobrejetora. é uma coleção de conjuntos tais que ao menos um é ∈ um conjunto finito. existe ⊂ tal que : → é bijetora. Logo. mostrando que é finito. existe bijeção : ℕ → . temos a sobrejeção ∪ ∘ ℎ : ℕ → ∪ . é finito. pois . sendo esse ∈ ℕ. Fazendo a união dessa função com a e vendo que ℕ ∪ + =ℕ . Por esses conjuntos serem finitos e : ℕ → . Reciprocamente. concluímos que ∪ é finito. temos que qualquer que seja . Como ℕ é finito. Sabendo que resultado segue imediatamente do teorema. Pelo teorema. então Demonstração: No caso se algum desses conjuntos ser vazio. existe : ℕ → bijetora. mas também não vazios. Dessa forma. assim.

2: Se é infinito. temos que esse é finito e. pois. sendo uma família de conjuntos finitos.1 (conjunto infinito): Um conjunto é infinito quando não é finito. essa é injetora. Essa definição parece vazia.1: Se é infinito e é finito.2.2 – Conjuntos infinitos é uma família de conjuntos finitos. = 1. ) = + 1. Teorema 2. é evidente que ≠ . Por exemplo. é infinito.2.1. +ℕ )= +ℕ = +ℕ ⋅ . )∈ )≠ ).1.1: ℕ é infinito. Tomando + 1. mostremos ∩ ≠ . é injetora Demonstração: A função sucessor. por ∩ ⊂ . )= ). − QED é infinito. conjuntos finitos. o que é intuitivo.1. assim. ) ao passo que − )).140 ∈ | = ∗ ∈ e ∗ = ∈ | = ∗ ∈ . Outro exemplo é que podemos escrever o conjunto dos naturais pares como 2 ⋅ ℕ = ∈ ℕ| = 2 ∈ℕ . Exercício 2. QED Lema 2. se então é finito. Ora. donde temos que QED .1.2. Exercício 2. então existe função injetora : ℕ → . ) onde ∈ − Supondo já conseguidos as primeiras funções injetivas :ℕ → com = ∪ . mas é equivalente a dizer que um conjunto é infinito quando não é vazio e não existe bijeção : ℕ → qualquer que seja ∈ ℕ. : ℕ → ℕ tal que sem ser sobrejetora. podemos fazer = ∪ ) com ∈ − )). ) com ∈ e = ∪ 2.2: Mostre que.1. portanto. de forma indutiva. Ou seja. onde ⊂ . mostre que × é finito. Do Corolário 3 do Teorema 2.1: Sendo e Generalize para o caso com Exercício 2. Teorema 2. então Demonstração: Definamos uma coleção : ℕ → ∈ℕ de funções injetivas ). não existe ∈ ℕ tal que esse seja o número de elementos de um conjunto infinito. onde ∈ − )).2. Definição 2. já que − ) ≠ ∅ pelo lema. ) para > 1.3: Mostre que 2. sendo )∈ :ℕ → definida por > . ℕ não é finito e. poderíamos ter escrito o conjunto + como + ℕ = ∈ ℕ| = + ∈ ℕ . que ∩ Demonstração: Sabendo que − = − ∩ e que ∩ ⊂ .

então existe função injetora : ℕ → . QED .1. obtemos ∪ ℎ: → − é uma função bijetora entre e sua parte própria − . Demonstração: Como é infinito. QED Observação: Observe que. ou seja. de forma equivalente. mostrando que é infinito. que ℎ ) = . é infinito se. e somente se. a composição ) é uma bijeção. pode-se ver que :ℕ→ ↦ . existe função injetora : ℕ → . se demonstrou a recíproca do teorema.2. existe bijeção entre Demonstração: Pelo teorema. mas também que é necessário para considerarmos um conjunto infinito. bastando estender o contradomínio para . Considerando a função ℎ: − − ∈ℕ ) → ∈ℕ ) tal que ). então é infinito. Então ⊂ ∈ ∈ ∈ Teorema 2. uma relação que toma um elemento de um conjunto e relaciona a um único de outro conjunto. Por simplicidade. na demonstração do corolário. Além da função sucessor. Reciprocamente.3: Se é infinito e ⊂ . No entanto o corolário acima nos diz que isso não só pode acontecer. Dessa forma. Ao vermos que uma bijeção é uma correspondência um-para-um. se é infinito. Como a função sucessor bijeções : ℕ → : ℕ− 1 )→ ∈ℕ e ℕ− ∘ ∘ definida como : ℕ → ℕ − 1 ) é uma função bijetora. onde é o conjunto dos pares naturais. é uma bijeção. ao unirmos essa função com a anterior. mas a existência de uma bijeção entre ℕ e nos diz que “existem tantos pares quanto naturais” ou. uma coleção de conjuntos de forma que ao menos é infinito. vamos escrever : ∈ℕ → ℕ− ∘ ∘ = . pois se mostrou que a existência de uma função injetora : ℕ → implica a existência de uma bijeção entre e alguma parte própria desse conjunto. O resultado do corolário é contra-intuitivo. a idéia de que possa existir uma bijeção entre um conjunto e alguma parte própria desse parece absurda. QED Corolário 1: Seja um seja infinito. temos as ). é infinito em virtude do Corolário 4 do Teorema 2. sendo infinito. temos a função injetora : ℕ → .141 Corolário: Um conjunto esse e alguma parte própria sua. que “os pares são tão numerosos quanto os naturais”. um conjunto . ∈ ∈ Demonstração: Basta observar que. donde o resultado segue imediatamente do teorema. se existe bijeção entre e um subconjunto próprio desse. Intuitivamente poderíamos pensar que o conjunto dos pares naturais corresponde à metade dos naturais.1. Denotemos a imagem dessa função por ∈ℕ .

A demonstração de que é sobrejetora pode ser feita por )= ℕ ∩ =| | = 1 e. Corolário 2: Considerando os conjuntos a) Se é injetora e é enumerável.3 – Conjuntos enumeráveis Definição 2. infinito e enumerável. infinito. De ser infinito. Teorema 2. existe ⊂ tal que : ℕ → é bijetora. então suponhamos que ambos sejam infinitos. poderíamos enunciar o Teorema 2. portanto. temos = escrevemos 1) = . ℕ − Ω é enumerável e. 2) = . ℕ já conseguidos. sobrejetora. existe : ℕ → ℕ − Ω) bijetora e.3. donde se tem ∩ = = min − de que | ∪ | = | | + | | − | ∩ |. temos: injetora. … . assim. completando a demonstração. :ℕ → . fazendo |ℕ ∩ | ≠ |ℕ ∩ |.2. então é infinito. então seja ) = |ℕ ∩ |. … .1: Todo subconjunto de ℕ é enumerável. pelo bijeção : ℕ → . Veremos mais adiante que isso significa que o infinito enumerável é o menor dos infinitos. sendo > ( . temos ∘ : ℕ → bijetora. supondo indução: sendo o menor elemento de . …. . Ora. Tomando Ω = teorema. Essa função é injetora. )= ℕ + ) (1 < ≤ ). então. Demonstração: Se é finito. nada temos para demonstrar. então é infinito. quando existe bijeção ) = . temos a bijeção : ℕ − Ω) → .3. Observamos que. ∈ℕ . ) fazendo ∩ = )= ℕ ℕ = min ∩ ∩ ∪ = −ℕ com . Como no caso de conjuntos finitos. é enumerável. essa chamada de enumeração dos elementos de . existe função injetora : ℕ → e.1: Demonstre o último corolário. temos a existência da − ). Ora. então e e uma função : → QED temos: ⊂ é enumerável. Assim. ou seja. tenhamos ∩ ∩ = ℕ = )= ℕ ∪ ∩ = 1. é. onde foi utilizado o fato não demonstrado ainda QED é enumerável. Definamos : → ℕ de forma que pois. Demonstração: Se ou é finito. Corolário 1: Se ℕ ∩ + 1.2.2 como “todo conjunto infinito possui um subconjunto infinito enumerável”. ∈ ). ℕ ∩ ⊂ ℕ ∩ é uma inclusão própria. sendo um conjunto infinito. assim. 2.142 Corolário 2: Considerando os conjuntos a) Se b) Se é infinito e existe : é infinito e existe : → → e . nada temos o que demonstrar.1: Um conjunto é dito enumerável se é finito ou existe bijeção : ℕ → . Exercício 2.

Ou seja. temos. Tal é obtida definindo . temos a função sobrejetora ∈ℕ : ∈ℕ ℕ × → ∈ℕ . dado = 2 2 − 1) ∈ℕ para > 1. ∘ : → ℕ é injetora. Pelo Corolário 4: Sendo é enumerável.3.3.143 b) Se é sobrejetora e é enumerável. sejam e conjuntos enumeráveis. portanto. ) = ). QED ∈ℕ Demonstração: Com efeito. ímpares) e Exemplo 2. Observando que ∈ℕ ℕ × =ℕ× = ℕ × ℕ e que ∈ℕ = . Os conjuntos são disjuntos. pois. Como os forma que . . que ∈ℕ : ℕ × ℕ → é uma ∈ℕ sobrejeção. (b): Tomando ⊂ tal que : enumerável e. pois a decomposição de um natural em primos é única (Teorema Fundamental da Aritmética. → é bijetora. )= domínios dessas funções são disjuntos. o qual enumerável pelo teorema.1: Como exemplo de uma união enumerável de conjuntos enumeráveis. temos a família de funções sobrejetoras :ℕ → :ℕ × → ∈ℕ . vamos decompor ℕ numa coleção infinita enumerável de conjuntos onde cada é infinitos enumeráveis disjuntos dois a dois. é suficiente ter uma aplicação injetiva : ℕ → ℕ. ao tomarmos a união de todas. ℕ = ∈ℕ infinito e disjunto de todos os outros (veja que se trata de uma partição de ℕ). finalmente. ) = 2 3 . Para o caso da união de um número finito de conjuntos. = Demonstração: De esses conjuntos serem enumeráveis. do Corolário 1. é QED Com a parte (b) do corolário acima. é enumerável. Corolário 2. dessa forma. ∈ℕ com Exercício 2. ∈ℕ uma família de conjuntos enumeráveis. ) é uma sobrejeção. isto é. Existem sobrejeções : ℕ → e : ℕ → e. Demonstremos que ∈ ℕ e sendo ∈ℕ é uma com e . Definamos a coleção ∈ℕ de ). ℎ: ℕ → × tal que ℎ . Tomando ⊂ ℕ tal que ∘ : → seja bijetora. Demonstração: (a): Basta observar que existe : ℕ → bijetora e. que será demonstrado na próxima secção). essa é uma bijeção entre e um subconjunto de . podemos afirmar que um conjunto enumerável quando existe função sobrejetora : ℕ → . demonstrando o teorema. é Corolário 3: O produto cartesiano de dois conjuntos enumeráveis é enumerável. Essas funções também são sobrejetoras. Definamos a coleção = 2 − 1 ∈ℕ (conjunto dos ∈ℕ da seguinte forma: partição de ℕ. basta termos a família = para > . então é enumerável. assim.1: Mostre que ℕ com QED natural é enumerável. Então basta mostrar que ℕ é enumerável.

1 ℕ pode ser igual a 0.1 ℕ. se = .0.1 ℕ não é enumerável é chamado de método da diagonal e é devido a Georg Cantor. 2 Como veremos. De fato.1.1 (equipotência): Dados os conjuntos e esses são ditos equipotentes quando existe bijeção : → . De fato existem. pois teríamos = 2 . se ∈ ℕ é ímpar. pois. O conjunto dos reais não é enumerável.1 enumerável. ≠ qualquer que seja já que Dessa forma. então ∉ . Com efeito. Com efeito.0. … )). Tomando um subconjunto enumerável ∈ℕ ⊂ 0. que tenham mesmo número de elementos quando existe bijeção entre esses. a relação de equipotência possui as propriedades de uma relação de equivalência. exemplos de conjuntos enumeráveis além dos subconjuntos de ℕ são o conjunto dos inteiros e o dos racionais. vê-se isso pelo fato de ser um conjunto de pares qualquer que seja > 1. pois ℕ ℕ )≠ ). Definição 2. 0.0. ℕ O raciocínio desenvolvido acima para demonstrar que 0. contrariando a hipótese de que é ímpar. mas não se pode falar em números de elementos para conjuntos infinitos como se faz mais costumeiramente.1 . Para tanto.3. 2. Exemplo 2.1. existe natural e ímpar de forma que = 2 .1 ℕ como o conjunto de todas ℕ as funções : ℕ → 0.1 .4 – Equipotência de conjuntos É natural.1 ℕ é o conjunto de todas as seqüência com zeros e uns (seqüências do tipo 1. Portanto. se ~ e ~ .1 . então ∈ e. para conjuntos finitos. para todo natural. então ~ e. mostraremos que nenhum subconjunto enumerável de 0.1. Assim. Agora demonstraremos que um natural pertence a algum desses conjuntos. o conjunto 0. se ∈ . mas isso leva a um absurdo. seja ) o m-ésimo termo da seqüência . fica demonstrado que não é ∈ℕ ≠ 0. então =2 para algum ímpar.1.4. como será mostrado mais adiante. Vamos mostrar que ele não é enumerável. Um exemplo mais simples de conjunto não-enumerável segue abaixo. O exemplo ainda mostra que o produto cartesiano de uma coleção enumerável de conjuntos em geral não é enumerável.0. além disso. Mas já deixamos a entender que existem conjuntos infinitos que não são enumeráveis.144 < . Também podemos pensar 0. No entanto a existência de bijeção entre conjuntos infinitos continua sendo um critério intuitivo para afirmar que são de mesmo “tamanho”. ℕ = ∈ℕ e ∩ = ∅ sempre que ≠ . então ~ (demonstre essas afirmações). escrevemos ~ . Para o caso de ≠ . Assim. ou seja.1 . seja = + e um elemento =2 ∈ ( ímpar). temos )≠ ). No entanto não se trata de uma relação de equivalência porque a definição se estende a todos os conjuntos e não . Se 2 ∈ . Construamos a seqüência com ) = 0 se )=1 e ) = 1 se ) = 0. não pertence a ∈ℕ . Pode-se ver que ~ e. se ~ .2 (conjunto não-enumerável): Consideremos o conjunto 0. se é par. Ou seja. Nesse caso.

buscaremos não só ligar números cardinais aos conjuntos finitos. Corolário: Se − )~ − ). em toda coleção de conjuntos. vamos considerar todos os conjuntos em questão não vazios. Nos teoremas que se seguem. a relação de equipotência é uma relação de equivalência. Entretanto segue que. De fato introduzimos os naturais através de suas propriedades e a idéia de número natural . ∪ − )∪ ∪ − Δ )= e − ) ∪ ∪ − Δ ) = .4.2: Dados os conjuntos 2. não nos importa muitas vezes o que sejam os objetos matemáticos em si. portanto. QED Demonstração: Tomando : − )~ − ) e a função identidade . introduzir a seguinte notação para funções bijetoras: : ~ . Por exemplo.2: Se ~ e ~ . Como os domínios e contradomínios são disjuntos. então existe ℎ: ∪ Demonstração: Seja : ~ e : ~ . Dessa forma. não é interessante saber o que é um número natural e sim como os manipulamos.145 existe um conjunto de todos os conjuntos. pode-se ver que − )∩ ∪ − Δ )=∅= − ) ∩ ∪ − Δ ). Exercício 2. usando o ): ~ .1: Complete os detalhes na demonstração do corolário acima. Nessa subsecção. temos ∪ = ℎ): ∪ ~ ∪ . ) = e que. Teorema 2. temos ∪ ∪ QED Exercício 2. Para conjuntos finitos. mas também aos infinitos. a idéia de número cardinal está ligada à de indicar quantos elementos um conjunto tem. então ~ .4. Não é difícil verificar que tal função é uma bijeção forma que ℎ . QED Teorema 2. SUGESTÃO: Lembre-se que = − )∪ − ) e use diagramas para visualizar o resultado. × ~ × . então × ~ × . através da definição. teorema. Os números cardinais associados aos conjuntos infinitos indicam quantidade de elementos num sentido mais amplo e não mais restrito à simples contagem. ) .5 – Números cardinais e .4. mostre que × ~ × .4. e ficará mais claro ao longo do texto. Observação: Podemos. Como já foi percebido. definamos ℎ: × → × de ). Demonstração: Dados : ~ e : ~ . mas como podemos manipulá-los. ~ e ~ com ∩ =∅= ∩ .1: Se ~ ∪ .

Axioma 2. A unicidade do número cardinal é garantida pelo fato de que ~ .5.4.2: | | = 0 ⇔ para algum =∅ ∈ ℕ.6.5.6. Axioma 2. Vamos convencionar que. Axioma 2. Seguindo essa linha.5. por exemplo.5. para os cardinais finitos distintos de 0. vamos introduzir os números cardinais de forma axiomática. então | | = . mas sim suas propriedades. para todo número cardinal . Mas para cardinais transfinitos os axiomas que tomamos apenas indicam quando são iguais.| |=| |⇔ ~ . de forma um pouco simplista.5. Definição 2. pelo Axioma 2. nesse caso.5. ditando não o que seja um número cardinal. Não podemos aplicar a ordem dos naturais aos cardinais transfinitos e também não é satisfatório que tenhamos critérios diferentes para tratar a ordem de cardinais finitos e transfinitos. SUGESTÃO: Basta mostrar que . pensar um número cardinal como a propriedade que um conjunto compartilha com todos os conjuntos equipotentes a ele.1: Mostre que. Assim. como os naturais. esses axiomas são necessários.4: Dados os conjuntos Os axiomas 2. pois. Exercício 2. 0 ≤ .5. e cada número cardinal está associado a algum conjunto de forma que | | = . denotado | |. existe uma ordem (total) herdada da dos números naturais e podemos dizer. A definição abaixo é intuitiva cumpre esse papel. 2.6 – Ordenação de números cardinais Para cardinais finitos.1 ℕ .1: Considerando os conjuntos e . e . Os axiomas 2. pois afirmam a existência de números cardinais associados a esses conjuntos e como podemos dizer que um número cardinal é igual a outro.2 e 2. essa definição reproduz a ordem de números naturais. o que buscamos é uma definição que reproduza a ordem dos cardinais finitos e seja aplicável aos cardinais transfinitos.1 e 2. Exemplos de números cardinais transfinitos são |ℕ| e 0.3: Se ~ Axioma 2.5.1: Cada conjunto está associado a um número cardinal. se | | = e | | = .3 se referem aos números cardinais dos conjuntos finitos e afirmam que 0 e cada número natural são números cardinais. dizemos que | | é menor ou igual a | | e denotamos | | ≤ | | quando existe aplicação injetiva : → . que 5 > 2. então = .4 podem ser obtidos como resultados no caso de conjuntos finitos. mas lembremos que queremos tratar também dos cardinais associados a conjuntos infinitos e. Os números cardinais associados a conjuntos finitos são chamados de cardinais finitos e os associados a conjuntos infinitos são chamados de cardinais transfinitos.5. Pode-se. No entanto é de se esperar que possamos dizer que um cardinal transfinito é maior que outro.146 foi tomada como primitiva (não definida).

como demonstrado no Exemplo 2. Exemplo 2. existe função injetora : ℕ → . : → ↦ < ℵ para todo cardinal finito . esses cardinais estão associados a conjuntos e sejam esses . se ⊂ ⊂ e ~ .3 (transitividade): Sejam . poderíamos reescrever a definição afirmando que | | ≤ | | quando ~ para algum ⊂ . Demonstração: Basta tomar resultado. Logo.2. ∈ ℕ tal que Como se sabe. Por definição. e respectivamente.2: Mostre que Teorema 2. ou seja.6. Bastando fazer a composição. que só é equipotente a subconjuntos próprios de . Pelo Teorema 2.6. Demonstração: Pelo Axioma 2. Ou seja. Demonstraremos .1 ℕ Observação: A partir de agora passaremos a usar a notação |ℕ| = ℵ (lê-se “álef-zero”).6. QED As duas propriedades que ainda faltam serem demonstradas para completar as características de ordem total não são resultados triviais.1: Para todo cardinal transfinito . então | | ≤ | |. ℵ ≤ . e ≤ . ℵ ≤ . então ≤ . donde se conclui o QED Demonstraremos agora que a ordem apresentada possui as propriedades de uma ordem total. (uma função injetora).6. Teorema 2. Seja esse . então existe ⊂ tal que : → seja bijetora.3: Mostre que. mas não existe ⊂ tal que ~ e = . está associado a algum conjunto (infinito).1. ≤ Teorema 2. existem as funções injetoras : → e : → . . se : → é injetora. Também é interessante termos a notação | | < | | para indicar que ~ para algum ⊂ .2: Se ⊂ . e números cardinais tais que Demonstração: Com efeito. temos a função injetora ∘ : → . então ~ . Exercício 2.2.2.147 para esses cardinais | | ≤ | | é equivalente a | | = | | ou existe | | + = | |.1: |ℕ| < 0.6.5. donde se conclui que ≤ . QED Como já havia sido mencionado.3. já observando que ≤ qualquer que seja o número cardinal . Exercício 2. o enumerável é o menor dos infinitos.6.

Façamos algumas observações. : → é uma bijeção e. Demonstração: Devemos mostrar que existe bijeção : → . Observação 2: Na verdade. afinal. basta = . Comecemos = . então suponhamos que ⊂ seja uma inclusão própria. mas não demonstraremos isso. Assim: )= = = − )∪ − )∪ − ∈ )= ∈ ∪ℕ − ) = ∈ ∪ℕ − ) = ∈ ∪ℕ − )= ) ) = )= Onde usamos − − ) ∪ − − ) devido ao fato de que ) ∩ − ) = ∅. mas. Se = . )= ∈ − ) )⊂ . assim. = − =∁ ∁ = = = = − ∪ℕ − ) ∪ ∈ℕ − − − − ) ∩ − ) ) − ) ∪ − ) ∩ − )∪ − − ) ) ∈ℕ − ) ∪ ∈ℕ ) ∩ − ∪ ) − ) ) ) ∪ . sendo > . = e = ∘ para > 1. Por último. − )∩ − ) = ∅. não é uma relação (binária) de fato. os números cardinais são bem ordenados (todo conjunto de números cardinais possui menor elemento). Como essa função é injetora. definindo = ∈ ∪ℕ − ) onde )= ) ∈ Agora seja : → tal que . ∈ )= ). Segue do resultado que )= ) = . para isso. pois − ) − )= − )= − ) e. mas podemos ter conjuntos formados por números cardinais (ℕ é um exemplo) e. Também temos que ∈ℕ Lema 2. pode-se afirmar que todo conjunto formado por números cardinais é totalmente ordenado com a definição de ordem acima. portanto. que tais que é uma contradição (lembrando que o contradomínio de é ). temos ) = )⇒ ) = ∈ ∩ − ). pois − )= − ) = − .1: Se ⊂ e existe função injetora : → . demonstraremos um caso particular como lema. − ) ⊂ . Ou seja.6.148 primeiro a anti-simetria (Teorema de Schröder-Bernstein). supondo que existam . − ) ⊂ . ~ . então ~ . Observação 1: Estamos falando de características de uma relação de ordem total porque não existe um conjunto de todos os números cardinais.

então QED Teorema 2.6. isso implica que existe função injetora : → . Demonstração: Supondo falso | | ≤ | |. pelo lema. não existe função injetora de em . existe função sobrejetora : → .5: Considerando os conjuntos e . QED Teorema 2. Assim.149 QED O esquema abaixo ilustra o raciocínio usado na demonstração acima. Lema 2. Restringindo o domínio de a . Corolário: Sendo e números cardinais tais que ≤ e ≤ . ∘ : → é injetora. Demonstração: Sejam ⊂ e ⊂ tais que ~ e ~ e consideremos as bijeções : ~ e : ~ . : → é uma função injetora. Pelo lema. existe ℎ: ~ e.4: Demonstre esse corolário. donde concluímos que | | ≤ | |. forma. Exercício 2.6.6.5: Mostre que | | ≤ | | se. então ~ . ou existe função injetora de ou existe função injetora de em . .6. se é equipotente a um subconjunto de e é equipotente a um subconjunto de . mostrando o resultado. Agora será demonstrada a totalidade para essa ordem. Exercício 2. dessa ∘ ℎ: ~ . | | ≤ | | ou | | ≤ | |.6. e somente se. em Demonstraremos esse lema ao final dessa secção porque alguns conceitos devem ser introduzidos. mas.2: Sendo e conjuntos não vazios. temos = .4 (Teorema de Schröder-Bernstein): Dados os conjuntos e .

pois. Paul Cohen finalmente mostrou que a hipótese do contínuo não pode ser demonstrada pelos axiomas da teoria de conjuntos. Estando esse associado ao )|. Resta-nos mostrar que não se tem ~ ). A ) tal que )= função : → é injetora e. mostrou que a afirmação é consistente com os axiomas da teoria de conjuntos e. que. Isso leva a uma contradição. devido a Cantor. se ~ . se ∈ . se )= ⇒ ) ∉ ∉ . assim. mostra que existe uma infinidade de outros cardinais transfinitos e. Uma questão natural que surge com esse teorema é se existe número cardinal tal que |ℕ| < < | ℕ)|. então. Demonstração: Supondo que exista. ). Suponhamos que exista ) e seja ) (conjunto dos elementos de : ~ = ∈ | ∉ que não )e : ~ ). seja esse . No entanto. então . Podemos nos perguntar se existem apenas esses e.6 (Teorema de Cantor): Sendo um conjunto.1 ℕ como exemplos de cardinais transfinitos. então ∉ ∈ (novamente uma contradição). em 1938. está demonstrado que | |≤| )|.6. Exercício 2. mostre que.6: Considerando os conjuntos )~ ). foi demonstrado que a hipótese do contínuo não pode ser mostrada nem verdadeira nem falsa através dos axiomas da Teoria Axiomática de Conjuntos. O teorema abaixo. Demonstração: É fato que |∅| = 0 < 1 = | ∅)|. então seja não vazio. pela definição de . segue que existe pertencem a suas imagens). Como ∈ tal que ) = . assim. O primeiro passo foi dado por Kurt Gödel. após mais de meio século depois de ser conjecturada. temos apenas os números cardinais ℵ e 0.7: Usando o resultado do exercício anterior. pela definição de . se ) não é enumerável. Exercício 2.150 Até agora. tenhamos = | hipótese de que era o maior de todos.2. que e.6. infinito e enumerável. A afirmação de que não existe é chamada de hipótese do contínuo e foi conjecturada pelo próprio Cantor. mostre que. | | < | )|. portanto. podemos concluir através dele que não existe um número cardinal maior que todos os outros. se existe algum que seja maior que todos os outros. Segue. além disso. não existe : ~ QED Corolário: Não existe número cardinal maior que todos os outros. ) e. então é Teorema 2. contrariando a conjunto . pode-se perceber que o argumento usado é o método da diagonal já apresentado no Exemplo 2. e . mesmo existindo outros. QED Observação: Vendo atentamente a demonstração do Teorema de Cantor. Do teorema temos que < . mas ) = (contradição) e.3. em 1963.6. | | < | )|.

não . basta observar )é independente de . esse é finito com elementos ( ≤ e ≤ ).7 – Cardinais finitos Antes de introduzirmos a aritmética de cardinais de forma geral.7. ∪ ). tomemos = ∪ são ∅ e . QED Demonstração: Existem : ℕ ~ e : ℕ ~ . pelo Corolário 4 do Teorema 2.7.1) e tendo : ℕ ~ − )~ − ∩ ) e ter ∩ ). basta tomarmos : + ℕ )~ e termos ∪ : ℕ ~ ∪ . Ou seja. = .3: Se é finito com | | = . O resultado vale para = 1.1. demonstremos os teoremas enunciados na Secção 3 do Capítulo I e alguns outros resultados importantes. Com efeito. pois | | = . )= e| |= . Teorema 2. Teorema 2. então | × | = . então | ∪ | = | | + | | − | ∩ |. podemos definir : +ℕ ~ ∪ ∪ :ℕ − ∩ ) = ∪ :ℕ ~ ∪ − ) = ∪ :ℕ ~ ∪ ). Para ver que esses são os únicos elementos. mas. donde segue que | ∪ | = | | + | |. ) possui 2 elementos.7. Como os domínios são disjuntos − 1) + .2: Se e são finitos. Portanto ) possui ao menos ∉ 2⋅2 =2 elementos. para cada ∈ ). que ⋅ Teorema 2. Teorema 2.1.4: Se . pois os únicos subconjuntos de )| = 2 .1. então basta mostrar que | | = | | ⇔ = . O resultado segue da última igualdade. então | | ≤ | | com | | = | | se. Supondo para | | = . | | = e | ∩ | = . :ℕ × e são finitos com | | = → ) Demonstração: Considerando a função e a coleção de funções : ℕ × 1 → ℕ tal que tais que . Definindo : ℕ ~ de forma que ℕ ) = ∩ (isso é possível pelo Lema 2. Demonstremos por indução já observando que | ∅)| = 1 e convencionando 2 = 1.1: Se e somente se. Se ∩ = ∅. Vemos que | ∪ pertence a ). | ) (conjunto das partes de QED Demonstração: Aqui omitiremos detalhes para não tornar a demonstração maçante.7. então )| = 2 . não existe bijeção : ~ se ⊂ é uma inclusão própria e claramente existe se = . ou seja. | | = + 1. e são finitos e ⊂ . A união de subconjuntos de ( ∉ ).151 2. 1) = QED é difícil observar que são todas funções bijetoras. Demonstração: Já foi demonstrado que | | ≤ | | de forma geral. Mas se ∩ ≠ ∅. mas logo se vê que o único conjunto formado com = ∪ ∅ e isso completa a demonstração.

~ × QED . Para ver que são os únicos. =ℕ × | Corolário: Se |= . ⋅| |= é uma família de conjuntos finitos com | | = .5: Sendo e finitos. bijetora. Em particular. )= ). é uma bijeção. podemos definir a função : ℕ × ℕ → × tal que . podemos escrever : ℕ × ℕ ~ℕ ⋅ . Sabendo que existem : ℕ ~ e : ℕ ~ . Supondo para | | = . a função ∘ : ℕ ⋅ → × é. Ora. então e o resultado vale. temos que vale = = demonstração. Tomando arbitrário.6: Tendo subconjuntos de finito com | | = . então.152 : ℕ × →ℕ ∪ ) Observando que ℕ ∪ assim como as imagens. com elementos em com que o único conjunto com 0 elementos é o vazio. ) = + é uma ~ − ∩ ) e. ⋅ ~ = × e. seja = ∪ com ∉ . vale para = ∅. concluímos que | − | = |ℕ Teorema 2. demonstremos que vale para | | = + 1. o que demonstra o resultado. então para Demonstração: Façamos a demonstração por indução sobre . que existem ) subconjuntos de com elementos em . Mas. O resultado é claro para = 1 e. que. então | − | = |∁ | = | | − | |. se ≠ 0. existem exatamente ) (0 ≤ ≤ ). supondo para = . QED se Teorema 2.1: Mostre que Demonstração: Seja | | = . bijeção. =ℕ =ℕ ⋅ e que ℕ × bijetora. isto é. QED O resultado geral é obtido como um corolário. Portanto existem ao menos elementos. obtemos ) = ℕ × ℕ . ) . Se | | = 1. ⊂ . pelo teorema. o que . como : ℕ → com temos : | = − = | | − | ∩ |. | − | = | | − | ∩ |. = + 1. consideremos a : ℕ ~ de forma que ℕ ) = ∩ . completa × a Exercício 2. pois = 1 e se sabe Demonstração: Demonstremos por indução. Sendo − = − ∩ . o resultado vale. . já existem subconjuntos de com elementos e com − 1 elementos (esses são subconjuntos de subconjuntos de com ).7.7. observemos + = (0 ≤ ≤ ). já observando que o resultado ) = ∅. Por hipótese. Com efeito. como se pode verificar. ou seja. Com efeito. | | = e | ∩ | = ( < e < ). a união de ) com − 1 elementos será um conjunto com algum ∈ elementos.7. Assim. se = 0.

4. | | = − 1.1: A soma de números cardinais é comutativa e associativa.2.5 | = 5. Com efeito.7: Dado e todas as funções de em possui finitos com | | = elementos. 2 + 3 = | 1. podemos observar que |= Dessa forma. nesse argumento. e. Por exemplo.3.4. são os obtidos por | = se. tendo que existe : ℕ ~ .5 | = | 1. O que buscamos. que : → tal que ℎ) = ℎ ∘ também ∈ é injetora. como já foi observado na secção anterior.2 ∪ 3.8 – Aritmética de cardinais Para cardinais finitos. ∘ ≠ ∘ já que é tal que bijetora. já temos uma aritmética (soma. = 2 . . sendo ≠ . = . e | | = . sabendo que ∈ de índices e. a soma desses.3 como um corolário desse último teorema.4. Definição 2.1. No entanto a forma como definimos essas operações para os naturais não podem ser aplicadas a cardinais transfinitos.8. Já o fato de que | ∪ | = | ∪ | se ~ .153 que os elementos de ) e que | ∪ com ∈ ) que não pertencem a ).8. produto e potência). não foi necessário usar o fato dos conjuntos serem finitos.1 (soma): Sendo e números cardinais. Teorema 2. existindo : ℕ ~ . Dessa forma. essa definição corresponde à definição de soma que já temos para cardinais finitos. conclui-se que ~ . Podemos garantir que existem conjuntos correspondentes a e disjuntos observando que ~ × 1 e ~ × 2 quaisquer que sejam e . Embora não demonstremos explicitamente. o conjunto de é um conjunto ~ . ∈ Observe que. temos que Demonstração: Ora. a função : ∈ → ∈ ) = ∘ : ℕ → ) é injetora. | ∈ | = | = . então. donde se tem a união disjunta × 1 ∪ × 2 . Pelo Teorema de Schröder-Bernstein. é dada por + = | |= . pois. fica demonstrado que ~ se ~ (sendo esses conjuntos finitos ou infinitos). são novas definições que abranjam os cardinais transfinitos e reproduza a aritmética de cardinais finitos. ∪ QED Podemos obter o Teorema 2. 2. Teorema 2. e somente se. | | = e denotada por + .7. ~ e ∩ = ∅ é garantido pelo Teorema 2.7. ∈ QED Observação importante: Uma forma mais detalhada de ver que ~ é observando que. onde e são disjuntos. de forma análoga. | ∪ |.

já temos que conjunto infinito (o qual estamos tomando com )~ − − pelo fato de − ser infinito ( ∈ ). . que ℵ + ℵ = | ∪ | = |ℕ| = ℵ . . Exemplo 2. pois. e números cardinais com ≤ ≤ . um cardinal transfinito e ≤ . temos ≤ . indução é o resultado ~ − O teorema acima pode ser generalizado (teorema abaixo). . ≤ + . Ora.2.8.2: Sendo + ≤ + . onde admitimos. que ~ − ).1: Tomando o conjunto dos números naturais pares e dos naturais ímpares. + Terorema 2.8. Segue. QED Nem todas as propriedades comuns a cardinais finitos se estendem aos cardinais transfinitos. Primeiro mostramos que − e depois ) para chegar ao resultado (e o primeiro passo da supomos que ~ − )).2.1: Mostre o teorema e o corolário acima. Agora definiremos o produto de números cardinais de forma que corresponda ao produto já conhecido para cardinais finitos. ) qualquer que seja o demonstramos que existe função bijetora : ~ − | | = ). que ∩ ℕ = ∅. temos que ~ ~ℕ e ∩ = ∅.8. supondo ). + Corolário: Dados os números cardinais . + = .8. portanto. O exemplo abaixo mostra que é possível + = com ≠ 0. donde segue o resultado. pois envolve resultados e conceitos ainda não apresentados. temos que Demonstração: Observando a demonstração do corolário do Teorema 2. mas a demonstração será apresentada só no final dessa secção. Teorema 2. tem-se e com e Exercício 2. por simplicidade. podemos definir a bijeção : ∪ ℕ ~ tal que tendo a bijeção : ~ − ) ) ∈ − )= .8. temos + = .4: Sendo Em particular. Assim.154 Demonstração: Segue imediatamente do fato da união ser comutativa e associativa. Mostre ainda que não podemos substituir ≤ por < e que ℵ + = ℵ qualquer que seja o cardinal finito . Teorema 2. . = QED Observação: Na demonstração acima usamos indução implicitamente e de )~ − forma “invertida”. temos que ~ − .3: Dado um número cardinal transfinito = para qualquer cardinal finito .

8.155 Definição 2.2: ℵ ℵ = ℵ .7. pelo Teorema de Schröder-Bernstein.7: Dados os números cardinais ≥ . tomando ℎ. se conclui que : → é injetora também (verifique!).7.8.4. por seguinte. verificar se ~ e ~ implicam | | = | |. pois. podemos definir ∈ ∈ )= → de forma que ℎ) = ∘ ℎ ∘ e : → de forma que ∘ : ∘ . ⋅ = . Definição 2. e ≤ Exercício 2. Demonstraremos esse teorema no final dessa secção. essa definição dá resultados coerentes com os do Teorema 2. pois 1 × ~ e ∅ × = ∅ com | | = . e tais que é transfinito e Teorema 2. para cardinais . se sabe que ℕ × ℕ~ℕ. e . temos | | = cardial 0. onde | | = e | | = .8.8. Teorema 2. Corolário: Tendo os números cardinais . A operação de números cardinais de maior interesse é.2 (produto): O produto entre os cardinais .8. . De fato isso ocorre. de forma análoga. Ou seja.8.8. Ambas as funções são injetoras. .5: O produto de números cardinais é comutativo. ℎ ∈ .6: Considerando os números cardinais . temos Exercício 2. = 1 e 0 = 1. Em particular. afinal. . Essa é definida abaixo através da definição (geral) de produto cartesiano. Teorema 2. tem- com se ≤ com e ≤ . Duas conseqüências imediatas da definição são que 1 ⋅ = qualquer número cardinal. Para o número finitos ≠ 0 e ≠ 0 tais que = | | e = | |.3: Mostre o teorema e o corolário acima. pois. e 0⋅ = 0 para ≤ . tendo que = e = e as bijeções : ~ e : ~ .7.3 (potência): Considerando os números cardinais = | |. que | | = | |.4. Essa definição é consistente com o Teorema 2. temos = . ≤ . no entanto. definimos 0 = 0. é dado por = | × |. e Exemplo 2. O fato de a definição estar bem definida é garantido pelo Teorema 2. onde ≠ 0. para cardinais finitos. temos ℎ) = ℎ )⇔ ∘ℎ∘ = ∘ℎ ∘ ⇔ ∘ℎ∘ ∘ = ∘ℎ ∘ ∘ ⇔ ∘ℎ = ∘ℎ ⇔ ∘ ∘ℎ = ∘ ∘ ℎ ⇔ ℎ = ℎ e. = | | ≠ 0 e = | | ≠ 0. Assim. concluímos que ~ e. denotado por Pode-se ver que.2: Demonstre o teorema acima. definimos e tais que Mas precisamos verificar se essa definição está de fato bem definida. associativo e distributivo em relação à soma.2. a exponenciação (ou potência).8. afinal.

Ora. | | = e | | = com ∩ = ∅.3. )= )= ). )= ∪ ( ∈ e ∈ ). essa é bijetora.1 (conjunto das Exemplo 2. tenhamos ) → 0. × ) é o conjunto de todas as ~ ) . afinal : ∪ → . temos que ℎ = ℎ e. podemos tomar na imagem de o conjunto )| ) = 1 e isso faz de a função característica de ⊂ ( ∈ )). e números cardinais.1 | = 2 .1 é a função característica de . | | = e | | = .7.156 Observação: Lembre-se que é o conjunto de todas as funções de em . e conjuntos tais que | | = . Definindo a função : ) e : → 0. ) e 0.8. Logo.4: Sendo um número cardinal. ). definimos a função característica de por : → 0. Assim. dados .8: Sendo . = . Isto é. definimos : → ) com ).8. Assim. chega-se no resultado esperado: × ~ ) . × ) = quando. vendo que )= ) = = .3. )= . Antes de continuar. = .8. Já o conjunto é o conjunto de todas as funções : × → .1): sendo um subconjunto de um conjunto não vazio )= . valem em geral. tendo ∈ 0. Para o próximo exemplo. assim. temos . pelo Teorema de Schröder-Bernstein. O conjunto precisamos mostrar que ) = ℎ ∈ .3: Dado não vazio. Demonstração: Sejam . ∈ ) 0 Será demonstrado agora que algumas características da potência de números cardinais finitos se estendem aos cardinais transfinitos.1 ). e conjuntos tais que | | = . é injetora pelo fato de que. temos que Com efeito. ℎ )= )⇒ temos que = . ou seja. usar a notação funções : → . efeito. pois. temos × )= = ℎ. e .1 | = | 0.1 . . (veja que ∩ = ∅ já que os domínios são disjuntos) e ∪ ≠ ∪ ℎ se ≠ ℎ ∈ todo ∈ ∪ pode ser decomposto como = ∪ para algum ∈ e ∈ . Esse resultado é Assim.9: Dados os números cardinais . para cada ∈ e ∈ . mostre que ⋅ = . podemos concluir que | consistente com o Teorema 2. pois × ) = quando. definindo a função : × → ∪ através de . visto )∀ ∈ . então. temos . Teorema 2.1 de forma que 1 ∈ . lembremos da definição de função característica (apresentada no Exemplo 1. pode-se verificar que se trata de uma função injetora e. Podemos. Tomando : ) → com )= cada ∈ e ∈ .1 de forma que )= . = ∈ | | | | )| = | 0. verifiquemos que é de fato uma função. essa é bijetora. Demonstração: Sendo .8. ) ⇒ = . a função é imediatamente injetora. Com onde ∈ ) distintos. se )=ℎ= )=ℎ )= ) ∀ ∈ . para . Exercício 2. Basta-nos mostrar que × ~ ∪ . ∈ ≠ (verifique!) e é sobrejetora já que. QED Teorema 2. funções de em 0.

)= . Para tanto. donde se obtém. a ∈ de conjuntos projeção canônica sobre o conjunto é a função : ∈ → tal que ) ∈ )= . que = = e = e. pois ⊂ . e números cardinais.157 QED Antes de apresentarmos o próximo teorema. se a família de conjuntos é . a) b) (b): Nesse caso também podemos tomar ⊂ .10: Sendo . | | ≤ | |. ∘ )= ∘ . as propriedades da potência apresentadas acima são conhecidas para cardinais finitos. ℎ) ∈ )= ). então: QED Teorema 2. temos que. Bastando definir a função ) ∈ ∈ − ) ) = . definamos : × ) → )= × tal que ∘ . temos as projeções canônicas são : × → tal que . basta mostrar que × ~ × ) . basta. como já aconteceu nas outras operações. ≥ e tais que ≥ ≥ QED e tais que | | = . e . finalmente. decompor essas funções como = ∘ e ℎ= ∘ com ter . temos que ≥ . onde : → × . | | = e ⊂ . se ≥ . ) e )= ∘ ). temos que concluímos que ≥ . ou seja. Demonstração: (a): Sendo os conjuntos . . ∘ )⇔ ∘ = ∘ ∘ )= . ). sem perda de generalidade. ∘ ). sendo )= ). )= e : × → tal que .11: Tendo os números cardinais . donde QED Como dito. . ≥ ≥ e . nos lembremos da definição de projeção canônica. podemos tomar obtido.8.8. que = . → tal que (injetora) : Corolário: Considerando os números cardinais ≥ . observando que éo conjunto de todas as funções : → . e | | = . Assim. ao × . mas. . ℎ ) . pois. Demonstração: Considerando . | | = e | | = . : → × definida por Teorema 2. Em particular. obtemos | | ≤ | |. donde o resultado é Demonstração: Pelo teorema. temos que ∘ . podemos definir ) ∈ )= ∈ de forma que . e conjuntos tais que | | = . Para mostrar que é sobrejetora. há resultados . para todo ∈ . observando que . Considerando a família não vazios. temos que = ) . é injetora.

onde foi usado o Teorema ⋅ℵ = 2| ℕ)| ℵ = 2 = 2ℵ = | ℵ ℵ =2 ℵ ℕ)|.8.5: | 2. ≤ ≤2 ⇒ =2 .9 e 2. explicitamente. por onde concluímos que = 2 . basta observar que 2 ≤ ≤ 2 QED Corolário: Considerando o cardinal transfinito se 2 ≤ ≤ .8.158 que se aplicam apenas aos cardinais transfinitos e alguns desses são apresentados abaixo. Ou seja.7.7: ℕ) ℕ)|ℵ = 2ℵ )ℵ = 2ℵ ℕ) ℕ)|.11. ℵ < 2ℵ (Teorema de Cantor) assim como < 2ℵ . temos 2 ≤ ≤ ⋅ 2 ) = 2 = 2 .13 para ter ℵ = ℵ . Demonstração: É imediato pelo teorema. donde também concluímos que “existem tantas funções de ℕ em 1. é um número cardinal Demonstração: Usando os teoremas 2.8.8.8.4: Pelo Teorema 2.2 ℕ .12. = .12: Sendo um cardinal transfinito e tal que 2 ≤ ≤ 2 . pois = = ⋅ = . Exemplo 2.8.8. QED QED Observação: Veja que as propriedades aritméticas dos cardinais transfinitos são tais que um cardinal transfinito é “resistente” à mudança pelas operações apresentadas. “existem tantas funções de ℕ em ℕ quanto subconjuntos de ℕ”. ℵ =2 ℵ = . > 0 é um cardinal finito. temos que ℵ ℵ = ℵ = 2ℵ ( ∈ ℕ). 2ℵ = 1. Exemplo 2.6: ℕ)ℕ = | ℕ )| = 2ℵ = 2ℵ = | ℕ) . ℵ Exemplo 2. temos que vale para = + 1. = . Mas. pois Exemplo 2. 2.13: Se então = . Teorema 2. Para ver que 2 = . e um número cardinal . pois 2 ≤ é um cardinal transfinito e Demonstração: O resultado é imediato para = 1.2 quanto de ℕ em ℕ”. temos que =2 = . quase sempre. o que é um resultado contra-intuitivo.8. Supondo para isto é.8. então =2 . vendo que ℵ = ℕℕ e que 2ℵ = | ℕ)|.8. apenas por um cardinal transfinito maior.8. podendo ser “vencido”. Teorema 2.

basta mostrar que ) é enumerável. O fato de existir ∈ com conjuntos disjuntos dois a dois é garantido de forma análoga ao que já foi feito. ∈ 0 ∪ ℕ) com < . onde um conjunto infinito. é garantido da seguinte forma: para cada ∈ Λ.8: O conjunto dos subconjuntos finitos de um conjunto )= enumerável é enumerável. Teorema 2. Ou seja. o que nos leva a tentar generalizar as noções de soma e produto entre números cardinais. Ou seja.8. |=| ∈ |. Mas temos noções generalizadas dessas operações de conjuntos. )| para todo Exercício 2. então tomemos | |=ℵ . sendo . ) = ∈ℕ ).1: Dada uma coleção de conjuntos ∈ disjuntos dois a dois com | | = . que é bijetora.9. o conjunto )| é ∈ é enumerável. Tal fato é evidente se é finito.159 ) ) | Exemplo 2. pois estamos incluindo o conjunto vazio). pois a função : )→ )× ) tal que )= ). para = .9. − . assim temos que | )| ≤ )∈ para todo ∈ e que − | )× )| ≤ |ℕ × ℕ| = ℵ . com ∈ . pois ∈ . Nesse caso. Observação: Veja que não se explicita a forma como se escolhe cada na função definida acima. se ∈ e ∈ são tais que | | = | |. é necessário verificar que a definição está bem definida. Supondo ∈ ) é enumerável. isso é claro pelo fato de ) = ∅ . Como ∈ a união enumerável de conjuntos enumeráveis é enumerável. 2. Definição 2. ou seja. temos: ∈ e ≤ que ∈ famílias de números cardinais tais ∈ ∈ . que ) pode ser escrito como )∪ Para tanto. então basta definir = ∈ ): ∈ → ∈ . demonstremos que vale para = + 1. Já o fato de que. definimos a soma entre esses números cardinais por: ∈ )= .1: Sendo ≤ ∀ ∈ Λ.5: Mostre que.8. Também )= )| | | = 1 = obtemos que vale para = 2. se trata de uma função escolha. Ora. observemos que todo ∈ − ). pois os domínios dos são disjuntos entre si assim como os contradomínios. observemos que onde )= )| | | = − 1 ( − 1. Para = 1. )= … )…) = e ∈ = ∈ Como antes. é injetora. se é enumerável. temos temos | ∈ que existe : ~ .9 – Generalizações e o Teorema de König A soma e o produto de números cardinais foram definidos através da união e do produto cartesiano.

160 Demonstração: Sendo e tais que | | = e | |= . donde se conclui que ∈ ≤ ∈ . ≤ ∀ ∈ Λ e.9. ∈ uma coleção de . Por QED Corolário: Sendo um cardinal transfinito e números cardinais não nulos tal que |Λ| = e = max . vê-se que se trata de uma bijeção e. disjuntos uns dos outros assim como os contradomínios. .1: Segue do último teorema um resultado esperado: ∈ℕ 1 = ℵ . dessa forma temos que ≤ .2: Dado Λ de forma que |Λ| = ∈ QED e um número cardinal . Assim.7). assim. ∈ . Isso porque 1 ≤ ℵ e ∈ℕ 1 ≥ ℵ (mostre isso). Logo. hipótese.3: Considerando as famílias de números cardinais . podemos definir ): ∈ = ∈ → ∈ .8. Logo. Exemplo 2. tomemos um . ∈ ≤ ∈ = . Teorema 2. Mas. temos que: Assim. ∈ = pelo corolário do Teorema de Schröder-Bernstein. existem as bijeções : ~ . No entanto o corolário pode ser generalizado ao acrescentar a noção de supremo de um conjunto (faremos isso na próxima secção). que é injetora pelo fato dos domínios dos serem |≤| ∈ |.9. assim. temos que: ∈ ∈ ∈ e = ∈ ∈ . | ∈ donde segue o resultado. Ora. ℵ ≤ ∈ℕ 1 ≤ ∈ℕ ℵ . ∈ ∈ existem funções injetoras : → e. sendo um cardinal transfinito e ∈ ≤ ∈ . com | | = ℵ e ∈ℕ ∩ é o Delta de Kronecker). donde o resultado é obtido observando que ℵ = | ∈ℕ |. QED Observação: Nem todo conjunto de números cardinais admite máximo (por exemplo. onde usamos o teorema. Por outro lado. ℕ não possui máximo). ∈ ∈ ∈ ∈ ×Λ = |Λ| = ~ tal que × Λ. ≤ ∈ e = ∈ 1≤ ∈ . Assim. Definindo : ×Λ→ ). o corolário acima vale apenas para conjuntos onde esse máximo exista. ∈ Demonstração: Por um lado. temos que = ∈ (Teorema 2. temos que ∈ = ∈ Teorema 2. )= ∈ Demonstração: Sendo =| |= ∈ =| = ∈ |. portanto.9. e que | ∈ℕ | = ℵ ( ∈ℕ ~ℕ pelo = ℵ ( fato da união enumerável de conjuntos enumeráveis ser enumerável).

temos: ∈ ∈ e ∈ ≤ | Demonstração: Sendo e coleções de conjuntos tais que ∈ ∈ |= e | |= para todo ∈ Λ. sem perda de generalidade. SUGESTÃO: Use o exercício 3. então existem funções : ~ e. assim. assim. tomar |≤| ∈ |. vale que: e o . Assim. pois ⊂ e. por onde se conclui que ∈ ∈ | ∈ Λ. pois.9. =| ∈ |= QED Teorema 2. como mostram os teoremas abaixo.9. e considerando o número cardinal . temos que | ∈ ⊂ .2: Sendo ∈ uma coleção de conjuntos com | definimos o produto entre esses números cardinais por: = .9. ∈ Demonstração: Tomemos = | || | = . podemos.6: Considerando a família de números cardinais número cardinal .5: Dadas as famílias de números cardinais tais que ≤ ∀ ∈ Λ. ∈ ∈ ∈ ∈ e ∈ × ∈ de |= QED – 3. ∈ tal que | | = . ∈ Exercício 2. Esse produto está bem definido. Convencionaremos que ∈ = 0 quando = 0 para algum Algumas características do produto (já válidas em casos menos gerais) continuam válidas nesse caso mais geral. mostre que × = × . ∈ ∈ QED ∈ ∈ Teorema 2.4: Sendo Λ tal que |Λ| = temos que = . podemos definir a bijeção ) ∈ = ) : ∈ → tal que . Teorema 2.9.1: Para completar a demonstração acima. se e são tais que ∈ ∈ | | = | |.161 Demonstração: Tomemos as coleções de conjuntos forma que | | = e | | = . Exercícios II ∈ ∈ ∈ Agora generalizaremos a noção de produto entre números cardinais. =| ∈ ∈ | ∈ × |= ∈ . Assim. ∈ ∈ ∈ |=| ∈ |.9. |= Definição 2.

essa é bijetora.162 = Demonstração: Tomemos uma coleção de conjuntos ∈ de forma que | |= ) = | ∈ |)| | = e um conjunto tal que | | = .9. é injetora. ∈ afinal : ∈ → . Exemplo 2. mas vejamos alguns exemplos. definida por ∈ QED Teorema 2. ∈ℕ ∈ℕ ℵ ℵ Exercício 2.9. tem-se que: ∈ ∈ ∈ ∈ uma família de números cardinais e = ∈ um Demonstração: Sendo ∈ uma coleção de conjuntos disjuntos dois a dois tais que | | = e um conjunto tal | | = . um resultado contra-intuitivo. devemos mostrar que ) ~ ∈ | .8. pois ≥ 2 ∀ ≥ 2. Como ∈ ) |. donde segue que ≥ ∈ℕ 2 = 2ℵ . Ora. já que os domínios são disjuntos) e todo ∈ ) ∈ ∈ ∈ pode ser decomposto como = ∈ para algum . onde : → ∈ ∈ ∈ ) e : ∈ → é a projeção canônica sobre . ∈ℕ ℵ =ℵ ∈ℕ = 2ℵ (veja o Exemplo 2. temos que sendo ∘ ) ∈ = ∘ ) ∈ ⇔ ∘ = ∘ ∀ ∈ Λ ). ∈ )= ).2: Exemplo 2. = = 2ℵ . . pois. definindo a função : ∈ → através de ∈ ) ∈ = ∈ ( ∈ ). definamos ∈ ∈ ) → )∈ )= : tal que ∘ ) ∈ . que são os casos menos gerais dos dois últimos teoremas. (mostre isso). Basta-nos mostrar que ∈ ∈ ~ . ∈ Em geral é bastante complexo analisar produtos de números cardinais. Mas também temos ∈ℕ ∈ℕ ℵ = ℵ .10.9.8. Para tanto. ∈ = ∈ℕ ℵ ∈ pode ser decomposto como = ≤ ℵ ℵ Exemplo 2.8 e 2. Para mostrar que é sobrejetora.2: Mostre que ∈ ) ∈ ∈ para algum .9.8.4: = 2ℵ )ℵ = 2ℵ ℵ = 2ℵ e =2 ∈ℕ 2 ∈ℕ 2 ℵ ℵ ℵ donde segue que ∈ℕ 2 = ∈ℕ 2 = 2 .9. basta donde se obtém que = ) ∈ ∈ ) ∈ = ) escrever cada como ∘ ) ∈ com : → ∈ ∈ )= ) .7: Sendo número cardinal.4). QED Observação: Veja as demonstrações dos teoremas 2.3: que 2ℵ . ≠ ∈ se ≠ para ∈ algum ∈ Λ (veja que ∩ = ∅ se ≠ . pois.

podemos tomar ⊂ . Sem perda de isso. ⊂ é uma inclusão própria e. ∈ ∈ QED Observação: Veja que em * acabamos usando o Axioma da Escolha.2. Teorema 2. consideremos ∈ ∈ generalidade. donde segue que ∈ Λ ≠ ∅ e | | > 0. ⊂ e = ∈ ∈ ∈ ( é uma partição de ). Para ∈ e tais que | | = e | | = . que ∈ ∈ ∈ tal | | = . pode-se ver que. tomemos : → tal ∈ ∈ ) ∈ = ∈ = ) ⊂ . ) ∈ ∉ ∉ .8 (Teorema de König): Dadas as famílias de números cardinais < ∀ ∈ Λ. Podemos mostrar isso observando que o Axioma da Escolha é equivalente a afirmar que ≠ ∅ se Λ ≠ ∅ e ≠ ∅ ∀ ∈ Λ (veja a Definição ∈ 4. definição. então e isso vale para cada ∈ Λ.163 O último exemplo mostra que o próximo teorema não é um resultado trivial. resultados finais . por tal que ∉ . ∈ ∈ < ∈ = . de fato. essa função é injetora (verifique!). basta observar que : → é sobrejetora). Portanto temos que | | ≤ que ∈ ) e | | < | | (para ver que | | ≤ | |. Percebe-se. se ) ∈ ∈ ) ∈ ∉ ∈ . 2. Com efeito. deve ser possível encontrar uma coleção que de conjuntos ∈ disjuntos dois a dois de forma que | | = . tem-se |Λ| = ∈ 1 < ∈ 2= | | 2 . Sendo Agora suponhamos. usando o Axioma da Escolha. Como as inclusões ⊂ são próprias. tem-se que: ∈ e ∈ tais que Demonstração: Primeiramente. sendo 1 < 2. pois. equivalente ao Axioma da Escolha. Ora. ter um conjunto com um elemento de )= ) ∈ − . demonstremos que ∈ ≤ .10 – Generalizações de máximos e mínimos. A utilização do Axioma da Escolha na demonstração acima foi crucial e.3). Assim. ∈ Assim. não poderia ser diferente. para cada ∈ Λ. sendo |. ∈ 0 = 0 < ≠ ∅. portanto. existe. o que contraria nossa hipótese de que ∈ = e mostra o absurdo. mas . pois se tomou um elemento de cada − sem explicitar nenhum procedimento. obtemos esse mesmo resultado através do teorema. mostrando que ≤ ∈ ∉ . Mas. para cada ∈ Λ. pois. Da fato. que a característica marcante do teorema e o que lhe dá importância é o fato de se garantir a desigualdade com “<” em vez de “≤”. pois a afirmação acima é. então. na verdade. Tomando : ∈ → de forma que cada conjunto ∈ ∈ com = . pode-se. ∈ | |=| ∈ O Teorema de König pode ser visto como uma generalização do Teorema de Cantor. dessa forma.9. ) ∈ * não pertence a nenhum . equivalências do Axioma da Escolha. por absurdo.

2 (mínimo e máximo): Diz-se que é o elemento mínimo (ou menor elemento) de um conjunto e denotamos por = min . Para todo . que ≥ quando ⊂ . temos que é uma relação de ordem total em satisfeitas as seguintes condições: a) b) c) d) Para todo ∈ .10. Pode-se notar que. para cada ∈ ℕ. . ) e . ∈ . ) não são comparáveis (não se pode dizer que um é maior que o outro). quando ∈ e. mas estendendo para ordens parciais. diz-se que é o elemento máximo (ou maior elemento) de um conjunto e denotamos por = max . ∀ ∈ . ≥ definido por . na verdade. ≥ (reflexibilidade). para . De forma análoga. ≥ ou ≥ (totalidade). pode existir alguma coleção de conjuntos onde valha a propriedade (d) da definição. Inicialmente. então ≥ (transitividade). ≤ . já apresentada no final do Capítulo I. esse pode ser parcialmente ordenado pela relação ⊂ ℕ ) onde . ) ≥ . Por exemplo. ) se = e ≥ (essa última ordem é a usual dos naturais). Se ≥ e ≥ . Se ≥ e ≥ . os elementos . )∈ . o conjunto ×ℕ= . Com Mas podemos “enfraquecer” a ordem tirando a última condição (a (d)) e mantendo as outras. ∈ . antes devemos apresentar alguns conceitos e resultados novos. Exemplo 2. Notemos que é possível que existam subconjuntos de um conjunto parcialmente ordenado que sejam. ∀ ∈ . vamos relembrar algumas definições e acrescentar algumas outras que nos serão pertinentes não só aqui. × uma se forem Definição 2. na família considerada acima.1: Considerando o conjunto ℕ .164 Nessa subsecção vamos realizar as demonstrações pendentes. Definição 2.1 (ordem total): Sendo um conjunto e ⊂ relação binária em . Observação: Veja que toda ordem total é também uma ordem parcial. mas. Relembremos agora as noções de mínimo e máximo. )∈ℕ | = é uma cadeia de ℕ . então = (anti-simetria). se ≠ .10.10. ≥ (≥ é uma relação de ordem parcial). A primeira definição a ser relembrada é a de ordem total. mas ao longo de todo o texto. Tal ordem é dita parcial e um exemplo natural dessa ocorre quando se tem uma família de conjuntos e definimos. quando ∈ e. Observação: Uma nomenclatura comum (e adotá-la-emos) é chamar os subconjuntos totalmente ordenados de um conjunto parcialmente ordenado de cadeias. totalmente ordenados pela ordem considerada. mas.

10.1 . 1. 2 e 3 serão os elementos minimais e os elementos 1.2.2.2 . 2 . 1. Observação: Nem sempre os elementos maximal e minimal são únicos. em particular. 1. ∈ é dito um elemento maximal quando = max para alguma cadeia maximal de . ∅.3 .3 = e o minimal (e também mínimo) é ∅.3 .3 .1: Mostre a equivalência entre as definições (citada acima).3 e 2.2. Junto com a idéia de conjunto das cotas superiores e inferiores vem mais uma generalização da definição de mínimo e máximo. De forma semelhante. Exercício 2.2. 1 .3 . Analogamente.10. ter )= ∈ | ≥ ∀ ∈ )= ∈ | ≤ ∀ ∈ .2 . tomar o conjunto com a mesma ordem e observar que os elementos 1 . 1. 3 . 3. 2.4 (elementos maximais e minimais): Dado um conjunto parcialmente ordenado.10. 1 . ) − ∅. 2 .1 .2. 3 . Definição 2. 1. Observa-se que ) é parcialmente ) e ⊂ ).2. 1 . que são definições mais práticas. Observação: Outro nome comum para cota superior é majorante e. no entanto.3 . é uma cadeia maximal quando não está incluída propriamente numa outra cadeia.3 e ∅. esse é uma cota superior de e o análogo também ocorre caso tenha mínimo. no exemplo acima. 2 .2.2. ∈ é dito uma cota superior de se ≥ ∀ ∈ . como segue abaixo.2 . 1. minorante. se possui máximo.2. Além ordenado pela relação de inclusão (com ≤ quando . Isto é.2 . O elemento maximal (e máximo também) desse conjunto é 1.3 (cadeia maximal): Sendo um conjunto parcialmente ordenado e sendo ⊂ uma cadeia. basta. ∅. mas. ∈ é dito uma cota inferior de se ≤ ∀ ∈ . ∅.10. Segue da definição acima uma forma de generalização das noções de máximo e mínimo. 2.165 Definição 2. 3 . ∈ disso.3 . poder-se-ia definir elemento maximal como ∈ tal que ≥ ⇒ = e elemento minimal por ∈ tal que ≤ ⇒ = (≤ sendo uma ordem parcial).5 (cotas superiores e inferiores): Sendo um conjunto parcialmente ordenado e ⊂ . 1. não deixam clara a intenção da definição. para cota inferior. Exemplo 2.2: Consideremos o conjunto = 1. 1.3 e ) = ∅. e . ∅.10.3 são todas cadeias maximais.3 .3 . Isto é. 1. por essa relação. Definição 2. Com efeito. é dito uma cadeia maximal quando não existe cadeia ⊂ tal que ⊂ seja uma inclusão própria. 1. É interessante muitas vezes definir o conjunto de todas as cotas superiores ou inferiores de ⊂ . ∈ é dito um elemento minimal quando = min para alguma cadeia maximal de . 3.3 . ∅. 1. De forma equivalente. 1. Observe que. 2.3 serão maximais.

≤ ∈ . ∈ = pelo corolário do Teorema de Schröder-Bernstein. são únicos. donde se tem que ℵ = sup ℕ. temos que = ∈ (Teorema 2.8. a menor das dito o supremo de .2. em geral. assim.10. Logo.2: Mostre que o supremo e o ínfimo. embora ℕ não possua máximo. ℵ ≥ ∀ ∈ ℕ e. ∈ é = max ).10. pois é a menor das cotas superiores. Podemos agora generalizar o corolário do Teorema 2. dessa forma temos que ≤ .1: Sendo um cardinal transfinito e ∈ uma coleção de números cardinais não nulos tal que |Λ| = e = sup . Teorema 2. Também se pode ver que 1 = inf ℕ. e denotamos sup .2. donde se conclui que ≤ ∈ ∈ ≤ ∈ . onde foi usado o Teorema 2. se ). Além disso.9.3: Dado o conjunto ℕ ∪ ℵ com a ordem definida para cardinais. Demonstração: Por um lado. Por outro lado. temos que = ∈ ∈ . quando existem. que um conjunto ⊂ possua ínfimo ou supremo. Exemplo 2.9. ∈ é dito o ínfimo de e denotamos por inf . Observemos que tanto o supremo como o ínfimo de podem ou não pertencer ao conjunto (dependendo de se possui ou não máximo ou mínimo). Exercício 2. QED Vê-se que a demonstração sofreu apenas uma pequena modificação. se = min cotas superiores. isto é. Mas.10.10. ≤ ∀ ∈ Λ e. Ora. = ∈ 1 ≤ ∈ .166 Definição 2. Além disso.6 (ínfimo e supremo): Considerando um conjunto parcialmente ordenado e ⊂ . ≤ ∈ ∀ ∈ Λ e assim.7). ∈ ≤ ∈ = . ou seja. ℵ = min ℵ . não é garantido. a maior das cotas inferiores. . sendo um cardinal transfinito e ∈ . De forma semelhante. obviamente.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->