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O Desenvolvimento da Zona Costeira e os Impactos Ambientais

O Desenvolvimento da Zona Costeira e os Impactos Ambientais

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Publicado porMarlene Palma
Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Direito do Ambiente (FDL). Autora: Silvana Nascimento.
Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Direito do Ambiente (FDL). Autora: Silvana Nascimento.

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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE LISBOA DISCIPLINA DIREITO DO AMBIENTE

Silvana Abreu Nascimento, Nº 17820

O DESENVOLVIMENTO DA ZONA COSTEIRA E OS IMPACTOS AMBIENTAIS

ÍNDICE

I. Introdução………………………………………………………………….…. 2 II. Factores responsáveis pela degradação costeira……………………………. …3 III. Riscos que a zona costeira esta sujeita………………………………………….5 IV. Intervenções na zona costeira…………………………………………….……. 6 V. Análise do ordenamento do território……………………………...……. ……. 8 - Planos de Ordenamento da Orla Costeira - Responsabilidades na Gestão da Zona Costeira - Programa Polis Litoral - Operações Integradas de Requalificação e Valorização da Orla Costeira. VI. Caso particular da Ria Formosa……………………………………………..... 13 VII. Conclusão……………………………………………………………………... 17 VIII. Bibliografia…………………………………………………………………….19

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INTRODUÇÃO
Desde sempre o Homem se fixou nas zonas mais próximas da costa. O mar sempre funcionou como um reservatório de alimento e uma via de comunicação por excelência, permitindo a descoberta de novas civilizações e de novos mundos. Com o desenvolvimento da sociedade moderna, a ocupação do litoral foi-se acentuando cada vez mais. A fuga das populações do interior para a costa, o estabelecimento de comunidades cada vez maiores ao longo da orla marítima e crescente interesse turístico associado ao litoral e às actividades náuticas levaram a um aumento desenfreado das pressões sobre a zona costeira. Estas pressões alteraram, em algumas situações, de forma irreversível, as zonas costeiras a nível mundial, tendo manifestos impactos ambientais negativos não só sobre os ecossistemas marítimos mas também sobre os processos naturais de dinâmica costeira. Com a introdução da ideia de desenvolvimento sustentável tornou-se necessário tomar medidas de protecção da zona costeira. Nos últimos anos, têm sido criados planos, ferramentas e figuras legais que regulamentam o uso da zona costeira, tentando minimizar os efeitos das alterações passadas, bem como diminuir o impacto de intervenções futuras. Neste trabalho será feita uma análise do ordenamento do território enquanto ferramenta na manutenção da integridade da zona costeira, nomeadamente a apresentação dos principais planos nacionais de actuação com relevância para a zona costeira. Os principais factores responsáveis pela degradação costeira, bem como os riscos que a zona costeira está sujeita. Serão ainda apresentados e analisados alguns casos particulares de expansão urbana com impactos ambientais.

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I. Factores responsáveis pela degradação da zona costeira
A posição da faixa litoral dos nossos dias é condicionada pela intervenção de vários fenómenos, que se iniciaram no passado e cuja actividade se prolonga pelos nossos dias. Entre eles podem incluir-se:  Fenómenos de natureza geológica (a que o Homem é estranho e não pode anular, contrariar ou modificar): - As regressões do nível do mar (mar afasta-se do actual litoral) e alternâncias com transgressões do mesmo nível (o mar chega a ultrapassar o território onde se encontra a faixa litoral actual); - A fusão daquelas massas de gelo acumuladas sobre os continentes, originou grande volume de água que voltou aos oceanos e fez subir o nível do mar (esta alternância de regressões e transgressões marinhas é designada por glacio-eustatismo); - A deformação marginal dos continentes, e os movimentos tectónicos que a acompanha, faz com que muitos litorais tendam a mergulhar sob as águas do oceano; - A erosão costeira que não é mais do que a remoção de areias e de outros materiais sedimentares de uma determinada zona. A provocar esse movimento de sedimentos estão as ondas, o vento e a água que vem do continente (erosão eólica e hídrica respectivamente). Este processo origina o avanço do mar e a consequente regressão da costa.  Causas Humanas

A excessiva pressão humana, urbana, industrial, e turística sobre muitas zonas do litoral, tem vindo a originar problemas de gestão ambiental graves, acrescidos quando na proximidade se encontram indústrias altamente poluentes (como as fábricas). É o crescimento descontrolado destes núcleos urbanos o principal factor de degradação do litoral português. Mas os problemas não surgem apenas em terra. Também, e acidentalmente, o litoral encontra-se sujeito a poluição com origem no mar. Assim, destacam-se as seguintes causas de destruição da orla costeira portuguesa com origem na actividade humana: - Derrame de hidrocarbonetos ou de outras substâncias perigosas, geralmente transportados por navios cargueiros; além da ameaça constante - ao longo da costa portuguesa é intenso o tráfego 3

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marítimo - existe a vulnerabilidade a que qualquer país está sujeito pela poluição transfronteira, gerada noutros países e/ou mesmo continentes. - Descargas de águas de lavagem dos tanques dos petroleiros que cruzam a costa portuguesa, são uma outra causa da poluição, prejudicando as condições ecológicas do meio marinho, a qualidade da água de banho e a limpeza das praias. - Ao nível das águas residuais, os esgotos quer de origem doméstica quer industrial são, na maioria dos casos, directamente lançados para o mar ou para um rio, o qual após maior ou menor autodepuração, é, no final, igualmente conduzido ao mar. A maioria dos municípios e indústrias portuguesas têm este problema por resolver. É raramente encontrado um adequado tratamento em Estações de Tratamento de Águas Residuais, correctamente dimensionado e em perfeita laboração. As consequências deste tratamento insuficiente reflectem-se sobretudo em torno das grandes sociedades, nomeadamente nas áreas da grande Lisboa e do Porto. - Ao nível dos resíduos sólidos e da poluição atmosférica os problemas não se dão com menor gravidade, havendo ainda muito que fazer nestas áreas. - Degradação do potencial agrícola do país provocada pela aceleração dos processos erosivos negativos - permissão da construção urbana e/ou industrial em terrenos de excelente aptidão agrícola; realização de obras portuárias, - Extracção de areias de dunas primárias que, pela penetração de maiores volumes de água salgada dentro de estuários provocam o salgamento de amplas manchas de solos agricultados e substituição dos lençóis de água doce por água salgada. - Insuficiente controle da actividade piscatória (que tem originado a redução dos "stocks" por ultrapassagem da capacidade de recuperação do meio), quer pelos já referidos impactos negativos de obras em zonas estuarianas (com a correspondente destruição dos biótipos que constituem berçários de algumas espécies). - Efeito de estufa provocado pelo excesso de produção de CO2 e outros gases proveniente da poluição industrial (indústrias de celulose refinarias de petróleo, centrais térmicas, fábricas de adubos e de petroquímica), pela desflorestação e outras actividades humanas. Este efeito provoca

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uma aumento da temperatura média da Terra o que conduz a um aumento da velocidade de fusão das massas glaciárias e consequente aumento do nível das águas oceânicas.

II. Riscos que a zona costeira esta sujeita
A zona costeira esta sujeita a um conjunto de riscos de origem diversa, dos quais se destacam os seguintes: Erosão costeira, em estreita ligação com a subida eustatica do nível do mar e de fenómenos storm (sobrelevaçao do nível do mar de natureza meteorológica) surge em resultado da expansão térmica oceânica e do aquecimento global que se traduz no aumento da frequência de episódios erosivos, de galgamentos oceânicos, da maior duração das inundações ribeirinhas e ainda da migração para o interior da zona costeira. Por outro lado também a acção humana tem vindo a acelerar os fenómenos de erosão, designadamente através de obras de engenharia e hidráulica costeira a construção de obras portuárias tem, em diversos casos e por manifesto desrespeito pela dinâmica litoral provocado recuo da linha de costa e sotamar dessas obras, consequência potenciada pela redução de sedimentos, dragagens e /ou exploração de sedimentos em algumas estruturas; A ocorrência de maremotos (tsunamis) em especial na zona costeira ocidental, ao sul de Peniche e no Algarve; A desregulaçao do funcionamento natural dos sistemas e ecossistemas costeiros e particularmente o défice de sedimentos para alimentação das praias e dunas, seja em resultado da destruição do efeito tampão exercido pela zona costeira, em consequência da ocupação maciça, traduzida nas elevadas concentrações de população residente , das actividades económicas que ai se desenvolvem e do turismo intensivo ou na sequencia da diminuição do afluxo de aluviões e da escassez previsível de áreas presentes na plataforma continental próxima; A perda de biodiversidade resultante da sobrecarga dos sistemas da zona costeira, dos episódios erosivos e da salinizaçao das zonas costeiras estuarinas e dos aquíferos litorais, com consequências negativas para os ecossistemas costeiros e para os recursos hídricos; A poluição da agua do mar e das praias, na sequencia quer da circulação ao largo de levado tráfego marítimo, quer de descargas de efluentes industriais ou domésticos em áreas costeiras. Na zona costeira portuguesa existem refinarias, fábricas de celulose e estaleiros de reparação e

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construção naval, bem como outras indústrias pesadas e centrais térmicas exercem sobre o ambiente costeiro impactos directos, como é o caso da produção de resíduos sólidos e líquidos.

Pela sua enorme importância a defesa e segurança da zona costeira são essenciais no âmbito de uma gestão responsável, exigindo uma conjugação harmoniosa da ocupação humana com a gestão preventiva dos riscos associados, nomeadamente, os processos erosivos, as zonas ameaçadas pelo mar e a subida do nível das águas do mar.

III. Intervenções na zona costeira
Face a não reversibilidade da destruição dos ecossistemas nasce então uma urgente necessidade de tomar medidas de protecção especiais em relação aos espaços litorais: O processo de erosão costeira assume aspectos preocupantes numa percentagem significativa do litoral continental, obrigando a intervenções diversas, umas planeadas e estruturadas, outras executadas em condições de emergência em zonas sensíveis, onde a segurança de bens e pessoas pode estar em causa. As intervenções efectuadas pelo INAG têm por objectivo mitigar ou solucionar alguns dos problemas da orla costeira, designadamente os relacionados com a manutenção, em termos médios, da linha de costa actual, através de operações de reparação e manutenção de obras de protecção costeira já existentes (que protegem frentes edificadas), da execução de obras novas previstas em POOC, de alimentação artificial de praias, da reconstituição e preservação de cordões dunares e consolidação de arribas.

Obras de reparação das estruturas de defesa costeira da costa da Caparica e da cova do vapor:

Estas obras, promovidas pelo Instituto da Água (INAG), visam contribuir para a estabilização de um trecho da costa de grande interesse balnear e com uma frente urbana edificada susceptível de ser atingida pelas acções directas e indirectas do mar. A necessidade de uma intervenção geral de reparação e de arranjo integrado da envolvente, resulta da verificação da existência de uma carência generalizada de areia nas praias, ficando estas praticamente imersas em preia-mar e de uma degradação clara de grande parte das obras de protecção existentes, apresentando um encurtamento generalizado dos esporões pela destruição de

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grande parte das respectivas cabeças e corpo, e o rebaixamento e destruição de zonas significativas das suas estruturas. Estas operações de reperfilar os esporões existentes conforme previsto no projecto e fixado no processo de concurso, desenrolaram-se de norte para sul, de forma a ir melhorando a capacidade de retenção das areias. Se existirem várias frentes de trabalho, esta sequência deverá ser observada dentro de cada zona abrangida pela frente. Por esta razão as obras começaram na Cova do Vapor.

Reperfilar a obra aderente existente na frente urbana:

Reconhecendo o papel vital que a mesma desempenha em termos de defesa;

Rematando o coroamento desta obra aderente de forma a ter um tratamento de inserção no arruamento marginal, mas possibilitando futuros acessos a equipamentos pesados para efeitos de manutenção.

Após a conclusão destas obras de reparação das estruturas de protecção costeira, e em intervenção não incluída nesta, está previsto efectuar o enchimento artificial com areias deste troço de costa, com a colocação de cerca de 2.000.000 m3 de areias retiradas em manchas de empréstimo já especificamente caracterizadas pelo Instituto Hidrográfico para este efeito e/ou em dragagens da APL (Administração do Porto de Lisboa) para fins portuários, se ocorrer uma oportunidade temporal para realizar uma intervenção conjunta.

Requalificação da Concha e da Marginal de São Martinho do Porto:

Em paralelo com este tratamento do uso urbano foram efectuados trabalhos de recuperação e re(criação) de habitats. Nestes se incluiu a estabilização dunar, com plantações protegidas por paliçadas que contribuíram, não só para a retenção da areia das dunas, mas também para a criação de um uso mais cívico desta área por parte das populações locais e dos visitantes, devido ao seu efeito de vedação das áreas naturais. Foram ainda criadas duas áreas de sapal, intervenção que teve um carácter inovador. Na margem esquerda da Foz do Rio Tornada, foram ainda efectuadas intervenções pontuais nas arribas, com o desmonte de blocos instáveis.

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As intervenções ao nível da vegetação tiveram como objectivo a requalificação das áreas existentes, a criação de novas zonas com vegetação e com a erradicação da vegetação infestante, nomeadamente de chorão. A área de intervenção do projecto enquadra-se numa zona com unidades com características e potencialidades diferentes, nomeadamente as seguintes: - As praias: ao longo da baía, que gozam de uma situação paisagística de rara beleza, posicionadas em anfiteatro natural para um cenário de arribas “rasgadas” pelo mar. São o grande atractivo deste local, sobretudo na época estival; - As dunas: na extrema sul, que antes da intervenção se apresentavam bastante degradadas, sobretudo por acção antrópica; - A bafa: num plano de água de conformação semicircular, com a foz do Rio Tornada a Sudoeste, marginada aqui por alguns canaviais e maciços de tamargueiras; - As arribas: com elevado valor paisagístico; - As zonas urbanas de São Martinho e de Salir do Porto

IV. Análise do ordenamento do território
Portugal tem uma das legislações mais antigas sobre a temática das zonas costeira com a criação no século XIX do conceito de Domínio Público Marítimo. Contudo, o reconhecimento da importância da gestão da zona costeira em Portugal surge efectivamente no início da década de 70 com o despertar das preocupações ambientais e a constatação da intensificação da procura das zonas costeiras para fins turísticos. Esta preocupação traduziu-se na publicação do Decreto-lei n.º 468/71, de 5 de Novembro que estabelece o regime jurídico dos terrenos do Domínio Público Hídrico (DPH), e tinha como principal objectivo acautelar os efeitos potenciais causados pelo recuo da linha de costa, tendo como preocupação a defesa de pessoas e bens (Ferrão, 2006). Esta lei ao introduzir o conceito de zona adjacente permitiu assegurar a constituição de uma faixa de protecção ao longo do litoral, medida inovadora a nível europeu. No entanto, a gestão da zona costeira manteve-se essencialmente direccionada para o sector portuário da navegação e transportes marítimos, cuja tutela cabia a Direcção-Geral de Portos. Posteriormente, com a transposição da Carta Europeia do Litoral, no início da década de noventa, considerou-se este espaço como uma unidade biofísica específica cuja gestão teria que ser encarada de forma integrada e não sectorial. Neste sentido, através da aplicação do decreto-lei 451/91, de 4 de Dezembro, a jurisdição da zona

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costeira sem interesse portuário foi transferida para o Ministério do Ambiente, juntamente com o acréscimo de poder nos domínios de ordenamento do território. Em 1993, com a decisão de elaboração dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) alargou-se a responsabilidade do ordenamento da zona costeira para além do DPH a uma faixa terrestre de protecção que se estende até aos 500 m da linha da costa e numa faixa marítima definida pela batimétrica 30. O desenvolvimento dos POOC pretendia assim definir uma estratégia a longo prazo para a defesa e uso sustentável da zona costeira (Veloso Gomes, F. et al, 2007). Estes planos especiais de ordenamento do território – os POOC - constituem-se como um meio de intervenção do Governo, tendo em vista a prossecução de objectivos de interesse nacional com repercussão espacial, estabelecendo regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais e assegurando a permanência dos sistemas indispensáveis à utilização sustentável do território. Os principais objectivos destes instrumentos prendem-se por uma lado com o ordenamento e compatibilização dos diferentes usos da orla costeira, incluindo o uso balnear com a correspondente valorização das praias com interesse estratégico e por outro a preservação dos valores naturais em presença e a prevenção dos riscos naturais. A costa continental portuguesa encontra-se sujeita à disciplina de ocupação da litoral estabelecida nos 9 POOC aprovados. Nos arquipélagos dos Açores e Madeira a legislação foi adequada às condições regionais.

Planos de Ordenamento da Orla Costeira

Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira, de acordo com a legislação em vigor, são considerados Planos especiais de Ordenamento do Território, foram instituídos pelo Decreto-Lei nº 309/93, de 2 de Setembro. Os fenómenos responsáveis pelas condições presentes no litoral são de natureza diversa e com expressões geográficas que ultrapassam os limites locais, regionais e mesmo nacionais. Neste contexto é possível distinguir entre as que apresentam difícil controlo e aquelas que mediante um planeamento e gestão integrados são passíveis de ser controladas. Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC), surgem como um instrumento enquadrador que as pode conduzir a uma melhoria, valorização e gestão dos recursos presentes no litoral. O INAG, no âmbito das suas competências, promoveu a elaboração dos 6 dos 9 POOC estabelecidos, correspondentes aos seguintes troços: Caminha-Espinho, Ovar-Marinha Grande, Alcobaça-Mafra, Cidadela-São Julião da Barra, Sado-Sines e Burgau-Vilamoura. A elaboração dos POOC relativos 9

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aos restantes troços, Sintra-Sado, Sines-Burgau e Vila Moura-Vila Real de Stº António, por corresponderem maioritariamente a áreas que integram a rede nacional de áreas protegidas, foi da responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza. Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira abrangem uma faixa ao longo do litoral, a qual se designa por zona terrestre de protecção, cuja largura máxima é de 500m, contados a partir do limite da margem das águas do mar, ajustável sempre que se justifique, e uma faixa marítima de protecção que tem com limite inferior a batimétrica - 30. Com os objectivos de:
    

Ordenar os diferentes usos e actividades específicas da orla costeira; Classificar as praias e regulamentar o uso balnear; Valorizar e qualificar as praias consideradas estratégicas por motivos ambientais e turísticos; Enquadra o desenvolvimento das actividades específicas da orla costeira; Assegurar a defesa e conservação da natureza;

Os POOC preocupam-se, especialmente com a protecção e integridade biofísica do espaço, com a valorização dos recursos existentes e a conservação dos valores ambientais e paisagísticos.

Responsabilidades na Gestão da Zona Costeira
Em Portugal a responsabilidade da gestão da zona costeira está repartida por diferentes entidades sendo que, fora das áreas de interesse portuário, esta é da responsabilidade do MAOTDR. Mesmo dentro deste Ministério, as competências estavam, até há bem, pouco tempo, divididas por diferentes institutos. Esta dispersão, levou a que os modelos seguidos na implementação dos instrumentos de planeamento da zona costeira correspondessem a processos clássicos de execução que têm resultando em intervenções casuística, não tendo sido possível, até agora, a concretização de formas integradas e complexas de intervenção que envolvam os diversos agentes com competências na zona costeira Gestão Integrada da Zona Costeira (GIZC) No âmbito da Recomendação n.º 2002/413/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 30 de Maio – que indica os princípios gerais e as opções para uma estratégia de gestão integrada de zonas costeiras na Europa – cabe aos Estados membros estabelecer os fundamentos de tal estratégia, a qual deverá garantir a protecção e requalificação do litoral, o seu desenvolvimento económico e social, bem como a coordenação de políticas com incidência na orla costeira, nomeadamente a 10

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Directiva Quadro da Água (2000/60/CE, 23 de Outubro), já transposta para o regime jurídico Português pela Lei 58/2005, de 29 de Dezembro (Lei da Água). Por outro lado, a própria Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável sustenta que há a necessidade de promover uma política integrada e coordenada de ordenamento, planeamento e gestão da zona costeira nacional, que vise assegurar quer a sua protecção, valorização e requalificação ambiental e paisagística, quer o seu desenvolvimento económico e social. Neste sentido, o Programa do XVII Governo assumiu, desde logo, uma visão estratégica para gestão integrada da zona costeira, consagrando para as estas zonas o desenvolvimento de uma política integrada e coordenada, em articulação com a política do Mar, que favoreça a protecção ambiental e a valorização paisagística, mas que enquadre, também, a sustentabilidade e a qualificação das actividades económicas que aí se desenvolvem. Tendo o Governo assumido esta visão estratégica, o MAOTDR apresentou publicamente em 2006 as bases de uma estratégia que sustente uma política de ordenamento, planeamento e gestão da zona costeira portuguesa, continental e insular, nas suas vertentes terrestres e marinha. A definição proposta como base para a Gestão Integrada da Zona Costeira (Veloso Gomes, et al., 2007) assume um novo conceito territorial de intervenção, que não se esgota na faixa regulamentada pelos POOC, mas se prolonga por uma largura tipicamente de ordem quilométrica que permitirá uma abordagem integrada e integradora dos diferentes problemas presentes quer no litoral quer nas zonas adjacentes. Após a definição do conceito, foram identificados 8 objectivos fundamentais que integram 37 opções estratégicas que alicerçam as Bases Estratégicas de suporte à GIZC Nacional. As opções estratégicas foram hierarquizadas (curto e médio/longo prazo) e agregadas em tipologias, salientando-se que, as opções estratégicas identificadas como prioritárias (a concretizar a curto prazo), apresentam uma significativa dependência de medidas jurídicas, institucionais e administrativas. No entanto o Grupo de Trabalho também considera existir um conjunto de medidas operativas e financeiras, que deverão ser concretizadas a curto prazo.

De referir que recentemente foi disponibilizado, para consulta pública, o documento da Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira (INAG, 2009), que vem reforçar os valores da identidade, da sustentabilidade, do ordenamento e da segurança como pilares de uma visão a 20 anos para a costa portuguesa. A Estratégia vem associar a estes valores, por um lado, o desenvolvimento de conhecimentos científicos adequados para suporte à decisão e, por outro, a necessidade de uma gestão eficaz e responsável, baseada no princípio da precaução, da articulação e co-responsabilização intersectorial e no envolvimento dos actores locais. 11

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De entre as vinte medidas definidas, destaca-se a implementação do Programa de Intervenção Prioritária de Valorização da Zona Costeira que integra o Plano de Acção para o Litoral 2007-2013. Este Plano resulta da avaliação que foi feita em 2005 dos POOC na costa continental portuguesa que, com base na análise comparada dos resultados obtidos em cada um dos POOC apresenta um balanço global da sua execução no que se refere aos principais pontos fortes e dificuldades destes instrumentos. Desta avaliação é então estabelecido um Plano de Acção que propõe um conjunto de medidas para melhorar a implementação dos POOC e consagra, por um lado, o conjunto de acções prioritárias a desenvolver no período de 2007 a 2013 – e que serviram de base à definição dos objectivos do QREN em matéria de requalificação e valorização da orla costeira – por outro, a necessidade de intervenções específicas de reposição da legalidade no domínio hídrico, e estabelece a realização de operações integradas de requalificação costeira (Pinto, M.J., 2007) para situações mais complexas e que exigem uma maior articulação entre os diversos actores seja pela sua dimensão física e financeira, seja pelo tipo de acções que abrange (ex. intervenção em zonas de risco, requalificação de áreas urbanas em domínio público marítimo, requalificação de áreas naturais degradas), seja pela diversidade de entidades públicas com jurisdição no território, cuja actuação é necessário articular. Estas intervenções devem ter uma dimensão significativa, sempre que necessário de escalasupramunicipal, tendo como objectivos não apenas a prevenção dos riscos, a valorização do território e a protecção dos valores naturais, mas também o desenvolvimento económico e social, promovendo o emprego e a coesão territorial. Neste contexto, a Resolução de Conselho de Ministros n.º 90/2008, de 3 de Junho, determina a realização de um conjunto de operações de requalificação e valorização de zonas de risco e de áreas naturais degradadas situadas no litoral, em espaços de intervenção prioritária, designado por Polis Litoral — Operações de Requalificação e Valorização da Orla Costeira

Programa Polis Litoral - Operações Integradas de Requalificação e Valorização da Orla Costeira.
Os objectivos essenciais destas intervenções são: i) Potenciar os recursos ambientais como factor de competitividade, através da valorização das actividades económicas ligadas aos recursos do litoral e associando-as à preservação dos recursos naturais;

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ii) Proteger e requalificar a zona costeira, tendo em vista a defesa da costa, a promoção da conservação da natureza e biodiversidade, a renaturalização e a reestruturação de zonas lagunares e a preservação do património natural e paisagístico;

iii) Prevenir e defender pessoas, bens e sistemas de riscos naturais;

iv) Promover a fruição pública do litoral, suportada na requalificação dos espaços balneares e do património ambiental e cultural. A execução deste Programa “Polis Litoral”, será assegurada por empresas públicas a constituir sob a forma de sociedade comercial de capitais exclusivamente públicos, com a participação maioritária do Estado e minoritária dos municípios territorialmente abrangidos. O conteúdo operativo de cada uma das operações “Polis Litoral” deve constar de um Plano Estratégico, cuja aprovação deve ser precedida de avaliação ambiental de planos e programas nos termos do Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, a realizar pela respectiva sociedade gestora.

Estão identificadas três áreas de intervenção prioritária neste âmbito: Ria Formosa, litoral Norte e Ria de Aveiro, podendo a posteriori serem abrangidas outras áreas. Abrangem no seu conjunto 151 km de frente costeira, 220 km de frentes lagunares e estuarinas, a financiar pelo Estado, municípios, entidades privadas e com recurso a fundos comunitários no âmbito do QREN.

V. Caso particular da Ria Formosa
As consequências da expansão urbana na Ria Formosa:

A Ria Formosa tem, ao longo dos últimos anos, sofrido muitas perturbações devido a exagerada expansão urbana. As águas da Ria Formosa, e também as águas dos estuários e costeiras, estão sujeitas a elevados níveis de contaminação devido sobretudo às descargas de águas residuais urbanas e industriais não tratadas e às escorrências agrícolas. Contudo, estas zonas são provavelmente as mais afectadas pela poluição, devido à sua localização a jusante das áreas de maior densidade populacional, industrialização, intensificação agrícola e actividades portuárias.

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A bacia da Ria Formosa é que manifesta maior quantidade de cargas poluentes, surgindo as situações mais desfavoráveis nas zonas interiores próximo das áreas urbanas, onde a circulação da água é reduzida. Assim sendo, a biodiversidade do parque natural da Ria Formosa, como também no Algarve, está sujeita a vários agentes de ameaça (expansão urbana/intervenção humana), alguns dos quais podem provocar, a curto e médio prazo, o desaparecimento regional de um conjunto significativo de espécies e habitats.

A construção descontrolada é uma das várias consequências do crescimento demográfico verificado nas últimas décadas. A ria Formosa é um bom exemplo da destruição da natureza, devido ao crescimento urbano em torno do parque, pois neste existem mais de 1000 habitantes que conseguiram construir ilegalmente casas que no decorrer foram sendo legalizadas. Agravar esta situação existe ainda uma especulação imobiliária na qual tende a expandir as suas construções a terrenos fora do perímetro urbano, ou seja, nas áreas ditas naturais provocando uma degradação da paisagem. Outras consequências desta expansão urbana reflectem-se na perda contínua de áreas naturais, perturbação do meio natural por actividades turísticas, pressão humana sobre os recursos naturais, erosão costeira devido à ocupação do cordão dunar, pelas operações de dragagem, pela diminuição do trânsito sedimentar e pela construção de barras e molhes.

Esta expansão urbana na ria é sobretudo devido às discrepâncias do ordenamento nos diferentes níveis de planeamento que contribuem para a desvalorização das entidades com responsabilidade no ordenamento do território o que dificulta aceitação e consequente execução de medidas para resguardar e potencializar os valores naturais da ria Formosa.

Uma possível solução para esta situação é uma revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa, no qual deveria constar a proibição do aumento de edificações dispersas evitando o aumento de problemas de poluição difusa e sobre-exploração.

Ainda nesta zona da Ria Formosa podemos abordar um exemplo de prejuízos ambientais e financeiros devido a erosão costeira e a acção do homem: o empreendimento turístico de Vale do Lobo. Vale de lobo é um empreendimento turístico de luxo a “beira do precipício”. Aquando da construção do empreendimento a direcção regional de portos aconselhou Vale de lobo a recuar na construção inicialmente prevista por esta se situar numa área de grande fragilidade sob o ponto de 14

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vista da erosão. Mas a revelia dos técnicos que acharam que não se deveria fazer ali uma urbanização decidiu-se avançar e então construiu-se o Vale do Lobo, que esta na desembocada de um pequeno curso de agua, que foi completamente artificializado. Como as numerosas vivendas que foram feitas tinham muitos jardins, com relvados e um campo de golfe a rega acabou por impregnar as areias das arribas e acabou por desencadear movimentos de queda de parte da arriba, também contribuiu para esta situação o facto desta esta zona sofrer de uma intensa erosão costeira.

Não são de aceitar soluções destas, de expansão e densificação dos núcleos urbanos que ignorem a realidade de venerabilidade das zonas de implantação.

Turismo, Construção e Erosão

Um estudo elaborado pelo Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), de Março de 2001, "Projecto de Reflexão sobre o Desenvolvimento Sustentável da Zona Costeira" equacionou as várias dimensões dos problemas associados à gestão do litoral. Segundo o estudo, o "principal factor que obrigou a uma crescente preocupação sobre a zona costeira foi, muito provavelmente, o turismo". O turismo é considerado "o principal responsável pela utilização do litoral, estando associado aos gravíssimos problemas de ordenamento do território (e ocupação de zonas de risco) ". A erosão, os riscos associados à elevação do nível médio do mar e a poluição são outros dos aspectos referidos, concretamente e em ligação, como exigindo especial atenção de gestores e políticos. Analisando a gestão da zona costeira, o estudo afirma que: "A grande fragmentação de responsabilidades entre as instituições que intervêm na gestão da orla costeira cria conflitos de natureza jurisdicional e impede ou dificulta a resolução das questões concretas relativas ao desenvolvimento sustentável tanto ao nível das entidades públicas como privadas. Por outro lado, estas diversas instituições têm perspectivas, prioridades e interesses muito diversos e de difícil compatibilização. A inexistência de um mecanismo de coordenação prejudica a gestão integrada e sustentável da orla costeira e tende a promover um desenvolvimento baseado na solução de conflitos de forma casuística, nomeadamente por via de mecanismos de pressão sobre as instituições e o recurso a processos dilatórios".

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O DESENVOLVIMENTO DA ZONA COSTEIRA E OS IMPACTOS AMBIENTAIS

João Alveirinho Dias, especialista em erosão costeira e professor da Universidade do Algarve, considera que há uma prioridade: um correcto ordenamento do território. Um ordenamento que não abarca apenas especificamente a orla costeira: "As zonas costeiras são profundamente dependentes das bacias hidrográficas, designadamente no que se refere ao abastecimento sedimentar, e todas as intervenções efectuadas nestas acabam por se reflectir naquelas. Em Portugal, a maior parte da erosão costeira que se verifica deve-se a deficiências sedimentares, sendo as barragens provavelmente os principais responsáveis, juntamente com a extracção de areias nos estuários e nos rios e as dragagens portuárias". Assim, como refere o estudo do CNADS, "as areias que deveriam ir alimentar o litoral, vão para a indústria de construção". Para Alveirinho Dias, existem desde logo certos aspectos prioritários na gestão e ordenamento da orla costeira. "Devem-se considerar sempre e de forma prioritária os riscos naturais, evitando a ocupação permanente das zonas de maior risco" e "urge conseguir dar a volta aos célebres direitos adquiridos, responsáveis por grande parte da ocupação de zonas de risco elevado, e fazer com que os direitos da população portuguesa na generalidade – incluindo os direitos nos nossos vindouros – sejam mais importante do que os direitos dos privados".

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CONCLUSÃO

Conclui-se que o Homem tem, desde sempre, eleito a zona litoral como local de fixação ou de passagem, pela riqueza de recursos naturais (terrestre e marinho) que a caracteriza. Este fenómeno leva a que esta zona esteja sujeita a fortes pressões que têm como consequência, entre outras: a degradação da paisagem; a sobre-exploração dos recursos e poluição do ambiente; a alteração do uso do solo, com a sua impermeabilização para construção de infra-estruturas e consequentes implicações ao nível das ocorrências e drenagens naturais; a ocupação de zonas de risco e o desordenamento do território litoral. Os efeitos desta concentração populacional são tão mais graves quanto mais frágeis e importantes são os valores naturais que se concentram na zona litoral. A complexidade de interesses, competências e valores em causa na zona costeira portuguesa tem levado à procura de soluções de gestão eficazes que permitam assegurar um efectivo desenvolvimento sustentável e equilibrado deste território. A proposta de realização de operações integradas – o Polis Litoral – passou pela definição de unidades territoriais específicas espacialmente complementares que permitem uma abordagem coerente e integradora de acções/projectos cuja realização competiria a diversas entidades, e a conjugação de esforços humanos e financeiros para levar a cabo operações de grande impacto territorial e que se pretendem catalizadoras do desenvolvimento da região em que se inserem. De entre as unidades territoriais já seleccionadas, a operação Ria Formosa, pelas suas características bióticas mas também sociais, pelas enormes fragilidades que apresenta e pelo grave risco de erosão costeira, é sem dúvida um exemplo da abordagem. As intervenções Polis Litoral, em geral, e a intervenção na Ria Formosa, em particular, encontramse ainda numa fase muito preliminar que não permite para já uma avaliação consistente do impacto gerado. No entanto, é previsível que a profunda transformação territorial que será levada a cabo irá produzir impactos positivos a nível local, regional e nacional.

Não são de aceitar soluções de expansão e densificação dos núcleos urbanos que ignorem a realidade de venerabilidade das zonas de implantação ao admitirem que a administração central proporcionara, sob o ponto de vista técnico e financeiro, obras de defesa do aglomerado em relação as investidas no mar. Os Planos Directores Municipais e os planos de Pormenor terão de considerar a especificidade das situações a luz da problemática global do litoral.

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Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) consagram estes modelos de não expansão. Mas continua a assistir-se a uma densificação do edificado nos aglomerados urbanos junto da costa, mesmo em situações de grande vulnerabilidade e risco às acções do mar e uma pressão para a construção de novos empreendimentos muitas vezes com a invocação de “direitos e expectativas adquiridas” nomeadamente a nível de Planos Municipais. É necessário preparar planos de Ordenamento mais adaptativos que num horizonte temporal mais alargado contemplem o previsível agravamento da ocorrência e intensidade das catástrofes (delimitação de zonas adjacentes, zonas com restrições a edificabilidade)

É necessário encontrar formas de promover uma gestão activa do litoral em geral e da zona costeira em particular conciliando os vários interesses em presença, promovendo o desenvolvimento sustentável desta extensa e importante faixa do território português.

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BIBLIOGRAFIA

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Zona Costeira em Portugal – Uma Reflexão Crítica - Egberto Melo Moreira Jr. Ana César machado -“ Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira e da sua compatibilidade com os restantes institutos de ordenamento do território e preservação do litoral”.

A erosão costeira como factor condicionante da sustentabilidade: Paulo Borges1, Goreti Lameiras, Helena Calado, Departamento de Geociências, Universidade dos Açores.

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Programa Operacional Regional do Algarve 2007-2013. Revista da Gestão Costeira Integrada 7 (2007) A Gestão da Zona Costeira Portuguesa, Fernando Veloso Gomes.

Webgrafia: - http://www.inag.pt - http://www.quercus.pt - Instituto de Conservação da Natureza. Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa.

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