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CONSTITUIÇÃO FEDERAL E MEIO AMBIENTE

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL E MEIO AMBIENTE

1. Afirmação de um direito ao meio ambiente 1.1. Direito subjetivo e de titularidade coletiva A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é a primeira Constituição Brasileira em que a expressão "meio ambiente" é mencionada. Em seu art.255, caput, estabelece que: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações." Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O direito ao meio ambiente equilibrado é de cada um, como pessoa humana, independentemente de sua nacionalidade, raça, sexo, idade, estado de saúde, profissão, renda ou residência. O uso do pronome indefinido "todos" alarga a abrangência da norma jurídica, pois, não particularizando quem tem direito ao meio ambiente, evita que se excluam quem quer que seja. O meio ambiente é um bem coletivo de desfrute individual e geral ao mesmo tempo. O direito ao meio ambiente é de cada pessoa, mas não só dela, sendo ao mesmo tempo "transindividual". Por isso, o direito ao meio ambiente entra na categoria de interesse difuso, não se esgotando numa só pessoa, mas se espraiando para uma coletividade indeterminada. A locução "todos têm direito" cria um direito subjetivo, oponível erga omnes, que é completado pelo direito ao exercício da ação popular ambiental (art. 52, LXXIII, da CF). Após a entrada em vigência da Carta de 1988, não se pode mais pensar em tutela ambiental restrita a um único bem. Assim é porque o bem jurídico ambiente é complexo. O meio ambiente é uma totalidade e só assim pode ser compreendido e estudado. O caput do art. 225 é antropocêntrico. É um direito fundamental da pessoa humana, como forma de preservar a vida e a dignidade das pessoas - núcleo essencial dos direitos fundamentais pois ninguém contesta que o quadro da destruição ambiental no mundo compromete a possibilidade de uma existência digna para a Humanidade e põe em risco a própria vida humana. 1.2. Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado Equilíbrio ecológico é o estado de equilíbrio entre os diversos fatores que formam um ecossistema ou habitat, suas cadeias tróficas, vegetação, clima, microorganismos, solo, ar, água, que pode ser desestabilizado pela ação humana, seja por poluição ambiental, por eliminação ou introdução de espécies animais e vegetais. O equilíbrio ecológico não significa uma permanente inalterabilidade das condições naturais. Contudo, a harmonia ou a proporção e a sanidade entre os vários elementos que compõem a ecologia - populações, comunidades, ecossistemas e a biosfera - hão de ser buscadas intensamente pelo Poder Público, pela coletividade e por todas as pessoas. 1.3. Direito ao meio ambiente como bem de uso comum do povo O Código Civil Brasileiro de 1916 já havia inserido a noção de bem de uso comum do povo, com a inclusão de no mínimo os seguintes bens: mares, rios, estradas, praias, ruas e praças. A CF, em seu art. 225, deu uma nova dimensão ao conceito de meio ambiente como bem de uso comum do povo. Não elimina o conceito antigo, mas o amplia. Insere a função social e a função ambiental da propriedade como bases da gestão do meio ambiente, ultrapassando o conceito de propriedade privada e pública. O Poder Público passa a figurar não como proprietário de bens ambientais - das águas e da fauna - mas como um gestor ou gerente, que administra bens que não são dele e, por isso, deve explicar convincentemente sua gestão. A aceitação dessa concepção jurídica vai conduzir o Poder Público a melhor informar, a alargar a participação da sociedade civil na gestão dos bens ambientais e a ter que prestar contas sobre a utilização dos bens "de uso comum do povo", concretizando um "Estado Democrático e Ecológico de Direito."

O Poder Público e a coletividade deverão defender e preservar o meio ambiente desejado pela Constituição. O dano . Não é papel isolado do Estado cuidar sozinho do meio ambiente. A saúde dos seres humanos não existe somente numa contraposição a não ter doenças diagnosticadas no presente.para aquilatar se esses elementos estão em estado de sanidade e se de seu uso advêm saúde ou doenças e incômodos para os seres humanos. Portanto. O Protocolo Adicional à Convenção Americana de Direitos Humanos prevê.4. a CF faz um vínculo desse direito com a qualidade de vida.1º.III da CF) e é feita a introdução do direito à sadia qualidade de vida. 2º. orientando-se para uma série de princípios. .como sendo aquelas obrigadas a preservar e defender o meio ambiente. da CF esses três Poderes constam como "Poderes da União". e não qualquer meio ambiente. onde se unem a felicidade do indivíduo e o bem comum. ar. tanto que no art. O meio ambiente a ser defendido e preservado é aquele ecologicamente equilibrado. como se a presença humana no planeta não fosse uma cadeia de elos sucessivos. 11. solo. mas abrange o Poder Legislativo e o Poder Judiciário. A Constituição foi bem-formulada ao terem sido colocados conjuntamente o Poder Público e a coletividade como agentes fundamentais na ação defensora e preservadora do meio ambiente. "Poder Público" não significa só o Poder Executivo.águas. preservação e melhoramento do meio ambiente. São conceitos que precisam de normas e de políticas públicas para serem dimensionados completamente.Toda pessoa tem direito de viver em meio ambiente sadio e a dispor dos serviços públicos básicos. sem comprometer a possibilidade para as gerações futuras de vir a satisfazer as suas necessidades. que: . O art. 2. pois essa tarefa não pode ser eficientemente executada sem a cooperação do corpo social. respondendo às necessidades do presente. O relacionamento das gerações com o meio ambiente não poderá ser levado a efeito de forma separada. Leva-se em conta o estado dos elementos da Natureza . Resguarda-se a dignidade da pessoa humana (art. e em suas Constituições passou a existir a afirmação do direito a um ambiente sadio. com o fim de superar a estreita visão quantitativa. fauna e paisagem .isso já seria meritório. A qualidade de vida é um elemento finalista do Poder Público. seus alicerces estão fincados constitucionalmente para a construção de uma sociedade política ecologicamente democrática e de direito. O direito à vida foi sempre assegurado como direito fundamental nas Constituições Brasileiras. É preciso que ocorra um desenvolvimento sustentado."Poder Público" e "coletividade" . 225 consagra a ética da solidariedade entre as gerações. descumprem a Constituição tanto o Poder Público como a coletividade quando permitem ou possibilitam o desequilíbrio do meio ambiente.1. pois as gerações presentes não podem usar o meio ambiente fabricando a escassez e a debilidade para as gerações vindouras. A Constituição estabelece as presentes e futuras gerações como destinatárias da defesa e da preservação do meio ambiente. Essa ótica influenciou a maioria dos países. O princípio da responsabilidade ambiental entre gerações refere-se a um conceito de economia que conserva o recurso sem esgotá-lo. Mas foram além. em seu Art.. Direito ao meio ambiente como bem essencial à sadia qualidade de vida A sadia qualidade de vida só pode ser conseguida e mantida se o meio ambiente estiver ecologicamente equilibrado. Além de ter afirmado o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Os constituintes poderiam ter criado somente um direito ao meio ambiente sadio . Uma geração deve tentar ser solidária entre todos os que a compõem. O Poder Público e a coletividade e a responsabilidade ambiental entre gerações O texto emprega figuras genéricas . Ter uma sadia qualidade de vida é ter um meio ambiente não-poluído. Contudo. antes expressa no conceito de nível de vida. À "coletividade" cabe também o dever de defender e preservar o meio ambiente se entende que os constituintes fizeram um chamamento à ação dos grupos sociais em prol do meio ambiente.Os Estados-Partes promoverão a proteção. flora. Na Constituição de 1988 há um avanço.

O homem deve pensar mais em termos de controle e utilização da Natureza.ambiental das emissões e dos lançamentos de rejeitos não deve superar a absorção da parte do próprio meio ambiente.enfim. O consumo dos recursos não-renováveis deve-se limitar a um nível mínimo. devem ser reduzidos numa medida calculável e submetida a contrato de seguro. A diversidade de formas de vida deveria ser encarada como um tesouro nacional e internacional. que estão presentes na comunidade. Diante dessa obrigação constitucional de ser preservada a diversidade genética no País. a fauna e a flora . A Constituição determina ao Poder Público "fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético". I). os ecossistemas e o patrimônio genético 3. Dever do Poder Público de preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e dos ecossistemas Para a efetividade do direito assegurado no art. 4. exceto no caso de algumas espécies que são parasitas diretos ou competidores. Esta norma geral. as UCs sao espaços territoriais especialmente protegidos para proteger ou restaurar ecossistemas. Conservação do ecossistema em lugar da conservação desta ou daquela espécie.foi objeto de um posicionamento de vanguarda dos constituintes de 1988. a relação entre as espécies e número de indivíduos ou biomassa e a dispersão (arranjo espacial) dos indivíduos de cada espécie. Do dever do Poder Público de preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético A Constituição. aí compreendido todo o material de origem vegetal.: a Lei 9985/00 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservaçao. Para isso pode se fazer pesquisas inclusive dentro das UCs. orientada para o crescimento contínuo. isto é. dos Estados. com valor real ou potencial. na ordem dos seus valores. Assim. caput. §1º. 225. causa enormes problemas à ordenação atual da sociedade industrial. microbiana ou outra que contenha unidades funcionais de hereditariedade. é claramente do nosso interesse preservar a extraordinária diversificação representada por alguns táxons que se desenvolveram durante a evolução da biosfera através de milhões de anos. As espécies. Ex. e não em termos de extermínio total. Outro aspecto de grande importância é a estrutura em espécies do ecossistema. 225. O Poder Público precisa prevenir na origem os problemas de poluição e de degradação da Natureza. do Distrito Federal e dos Municípios está a de "combater . por atividades e obras. 3. a qualidade de vida. A estrutura em espécies não inclui somente o número e tipos de espécies presentes..2. Não basta permitir a perpetuidade das espécies e dos ecossistemas. porém a diversidade das espécies. parecem-me inconstitucionais as atividades e obras que possam extinguir uma espécie ou ecossistema.1. da CF. mas a Constituição ordena que o Poder Público zele pela integridade desse patrimônio. 3. Entre a competência comum da União. O risco ambiental O risco para a vida. colocou com prioridade o patrimônio genético do País. Grandes riscos ambientais. o risco para o meio ambiente . pois constituem a fonte dessa diversidade. Podem ser de proteção integral (sendo proibido seu uso direito ou indireto) ou de uso sustentável. a redução voluntária dos territórios em que vivem normalmente as espécies. Patrimônio genético pode ser entendido como o conjunto de material genético. agride o dever da conservação íntegra do patrimônio genético. que possam prejudicar outros recursos. Enquanto não tivermos uma evidência realmente científica que indique o contrário. animal. já exigida pela geração atual. incumbe ao Poder Público "preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais" (art. ocasionando acasalamentos que provoquem degenerescência da espécie. que possa ser importante para as gerações presentes e futuras.

na forma da lei.e. Visa a evitar uma prevenção falsa ou deturpada. indicando o periculum in mora como um dos critérios para antecipar a ação administrativa eficiente para proteger o homem e a biota. §1º. quando o empreendimento já iniciou sua . prazer em derramar sangue. Esse Estudo não pode ser concomitante e nem posterior à implantação da obra ou à realização da atividade. Interdição das praticas que submetam os animais a crueldade e interpretação da expressão "na forma da lei" Diz a Constituição: "Para assegurar a efetividade desse direito.a poluição em qualquer de suas formas" (art.) VII . A valorização da prevenção através do Estudo Prévio de Impacto Ambiental A Constituição preceitua que: "Para assegurar a efetividade desse direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado incumbe ao Poder Público: IV .EIA. competindo à União. em matéria ambiental.exigir. IV). §1º.proteger a fauna e a flora.EIA. VI). 225. §1º. incumbe ao Poder Público: (. o momento temporal em que ele deverá ser utilizado.. Caráter prévio do EPIA O Estudo Prévio de Impacto Ambiental deve ser anterior ao licenciamento ambiental da obra ou da atividade. Quando se chega a uma situação irreversível é porque nada há mais para fazer . que.24. A Constituição criou especificamente esse instituto jurídico.o que quer dizer que há atos cruéis que acabam tornando-se hábitos. muitas vezes chamados erroneamente de manifestações culturais. por exemplo). por isso. O disposto no art. Myriam Fritz-Legendre afirma que "o termo 'extinção' parece traduzir a idéia de irreversibilidade". sem rodeios. tem que ser controlado pelo Poder Público (art. é inegável que a semente desse princípio está contida no art. sem sombra de dúvidas. seja efetivada a ênfase na prevenção do dano ambiental. Três pontos podem ser destacados no mandamento constitucional: 6. 225. para a indução e direção de comportamentos. sustentado no valor cultural ou recreativo que possa representar determinada atividade humana em relação aos animais. Se a Constituição não mencionou expressamente o princípio da precaução (que manda prevenir mesmo na incerteza do risco). VI). o Poder Público e a coletividade têm o dever de exigir medidas eficazes e rápidas na manutenção de toda forma de vida. Crueldade é "a característica ou condição do que é cruel. que é preciso proibir as práticas que põem risco a existência da fauna e da flora. destarte. no emprego de técnicas (como a biotecnologia) e de substâncias (como agrotóxicos). sem nenhuma dúvida. causar dor". A Constituição Brasileira foi a primeira a inserir o Estudo de Impacto Ambiental . Diante das situações de risco previstas na Constituição. a que se dará publicidade" (art. 6.1. na forma da lei. VII). Analisando a Constituição Brasileira.23.. têm função ecológica (art. ao obrigar à prevenção do risco do dano ambiental. 225. por meio de políticas públicas. O risco na produção (da energia nuclear..V). o Estudo de Impacto Ambiental . §1º. na comercialização. vedadas. consistente em acobertar perversidades ou violências sob o manto antropocentrista. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente Estudo Prévio de Impacto Ambiental. as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. a Constituição diz.. As práticas que provoquem a extinção das espécies (como represamento das águas em grandes áreas ou uso incontrolado de queimadas) devem ser vedadas. que tem uma diferença com o instituto já existente. provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade". 5. V e VII. A Constituição teve o mérito de focalizar o tema e de proibir a crueldade contra os animais. O texto constitucional fala em "práticas" . Percebe-se o equívoco que muitas vezes acontece. inegavelmente.. não só a humana. normas-objetivo determinantes dos fins a serem perseguidos pelo Estado e pela sociedade. O texto constitucional inseriu o termo "Prévio" para situar. A Constituição incorporou a metodologia das medidas liminares. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre o "controle da poluição" (art. 225 da Constituição Federal encerra.. possibilitando.225.

2. O EPIA e o direito a informação O EPIA deve ser publico. mesmo uma pequena alteração só pode ser feita por lei. pois dar publicidade é partilhar a informação. Ao contrário do que pode ocorrer como nos casos de sigilo industrial ou comercial. Áreas protegidas e patrimônio nacional como a Floresta Amazônica Brasileira.o sentido da expressão "dará publicidade" é publicar. 7. 6.sido obstada pelo Poder Judiciário. Poderão essas áreas serem criadas por lei. a Mata Atlântica. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justificam sua proteção" (art.3. paisagem) . E vemos que foi necessária a previsão constitucional. 7. a dimensão da vedação de utilização não ficou unificada para todos os tipos de unidades de conservação. unidades de conservação. ficando proibida "qualquer utilização" que comprometa a integridade64 das referidas características ou atributos.1. ar. através de ação civil pública. pois passa a ser dever do Poder Público levar o teor do Estudo ao conhecimento público.isto é. ainda que não prevista expressamente pela Constituição.implantação ou quando os planos de construção foram elaborados sem o EPIA. Dar publicidade ao Estudo transcende o conceito de possibilitar a leitura do Estudo ao público. tendo a tentativa . evita-se assim tentativas de escapar tentado escapar de elaborar a avaliação ambiental. na forma da lei. áreas de preservação permanente. pois . sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei.apoiada por forças poderosas . A alteração e a supressão das áreas protegidas somente através de lei Diz a Constituição Federal: "Para assegurar a efetividade desse direito.. Não se protege um ou outro atributo. flora.definir. incumbe ao Poder Público: (. Ao dizer a Constituição "veda qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justificam sua proteção". A Constituição inova profundamente na proteção dos espaços territoriais. nele nada há de secreto.o Estudo de Impacto em órgão de comunicação adequado. por todos os meios eficazes e disponíveis..ainda que em resumo .salvo melhor juízo . solo. subsolo. e. A norma constitucional não abriu qualquer exceção à modificação dos espaços territoriais. assim. mas todos ao mesmo tempo e em conjunto. e não uma parte . decreto. 225. a unidade de conservação fica integralmente protegida conforme seu tipo legal. §1º. como. Conforme for o tipo de unidade de conservação haverá uma justificativa para sua proteção. sendo todo seu conteúdo.. não pode haver dispensa de elaboração do EPIA. águas. Veda-se a utilização para não fragmentar a proteção do espaço e para não debilitar os "componentes" do espaço (fauna. 6. III). pois recentemente tentou-se transformar uma via interna de comunicação do Parque Nacional de Iguaçu em estrada de rodagem. portaria ou resolução. sua utilização far-se-á. espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. As áreas protegidas 7.APPs e reservas legais florestais. implicitamente está contida no texto constitucional. A Constituição foi explícita ao vedar toda forma de utilização que fira qualquer atributo do espaço territorial protegido. Proibição de qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justificam a proteção dos espaços territoriais A utilização dessas unidades de conservação e/ou áreas de proteção ambiental só poderá ser feita de modo que não comprometa a totalidade dos atributos que justificam a proteção desses espaços. dentro de condições que assegurem a preservação do meio .2. o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional. a Serra do Mar. O estudo prévio de impacto ambiental deve ser exigido sem qualquer exceção Não é uma faculdade e sim uma obrigação. As características de cada tipo de unidade de conservação é que farão surgir o regime de proteção para esse espaço territorial. Deixar o Estudo à disposição do público não é cumprir o preceito constitucional.) III . A audiência pública no EPIA.acessível ao público. em todas as unidades da Federação. por exemplo.

).. do art. de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente. na Constituição. condição indispensável para a instalação de usina nuclear que sua localização seja definida em lei federal. pois pode vetar as iniciativas nucleares do Poder Executivo.ambiente. 9. XIV). Inovou. pelos próprios particulares. Diz o §2º. "c"). depois. De tal magnitude estava a degradação causada pela exploração dos recursos minerais. I. em exame. constitucionalmente. a fazer parte do processo de exploração de recursos minerais. . §4º. dos recursos naturais existentes naquelas áreas que estejam sujeitas ao domínio privado. Nenhum órgão público poderá autorizar qualquer pesquisa ou lavra mineral em que não esteja prevista a recuperação ambiental. Em seu §1º. o parágrafo que encerra o art. Além disso. o licenciamento da mesma. A recuperação do meio ambiente passou. isto é. mas não esqueceu da reparação. Diante da obrigação do §2º. O Supremo Tribunal Federal entende que essas áreas não se transformaram em bens da União por serem chamadas de "patrimônio nacional". do art. valorizou a prevenção. O traço marcante no texto constitucional é o controle da energia nuclear pelo Congresso Nacional. que a Constituição Federal precisou entrar especificamente na aplicação do princípio da reparação. A obrigação de reparar o dano ambiental A Constituição agasalha os princípios da restauração. para afirmar que "independe da existência de culpa" (art. não impede a utilização. O texto é pedagógico no dizer que essas áreas integram o "patrimônio nacional"." No §3º. qualquer atividade nuclear militar. É. Nem toda atividade nuclear ficou submetida à prévia fiscalização do Congresso Nacional (só a usina nuclear). recuperação e reparação do meio ambiente no art. XXIII. a legislação infraconstitucional não poderá ser complacente ou omissa com os que deixarem de efetuar a referida recuperação. pois "aprovar as iniciativas nucleares do Poder Executivo" é uma competência do Parlamento exercida a posteriori. "Esta disposição traduz a idéia de reencontrar a dinâmica que existia antes. no uso de sua competência "exclusiva". vetando. indicando que os regionalismos não se devem sobrepor aos interesses ambientais nacionais.). 225 consta a obrigação de reparar o dano causado ao meio ambiente. Há de se reconhecer que são áreas frágeis e possuidoras de expressiva diversidade biológica. sem o quê não poderão ser instaladas" (§6º. 49. 225: Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado. Acentua este parágrafo que a obrigação de reparar é independente da aplicação de sanções penais e administrativas. não torna permissiva a legislação ambiental nas áreas não contempladas no texto. e é da competência exclusiva do Congresso Nacional "aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares" (art. São duas etapas diferentes: escolha do local para situar a usina e. Entrou na matéria de responsabilidade civil por danos nucleares. Mas já é um avanço enorme o poder que passou a ter o Congresso Nacional. Houve omissão no texto constitucional. 225 diz: "As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal.255. Assim. na forma da lei. aponta a obrigação de "restaurar os processos ecológicos essenciais". 8. 225. desde que observadas às prescrições legais e respeitadas as condições necessárias à preservação ambiental. O Direito Ambiental. "a"). O controle da energia nuclear A Constituição teve uma atenção especial para tratar da matéria. O §4º. portanto. não sujeita à sanção do Presidente da República. 225. toda atividade nuclear só será admitida mediante a aprovação do Congresso Nacional (art. 21. do art. XXIII. portanto. Sobre a localização das usinas nucleares. pois se deixou de incluir o cerrado e a caatinga.. 21. dizendo que "toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos". inclusive quanto ao uso dos recursos naturais (art.

que possibilita o gozo e o lucro para o proprietário. salvo nos casos previstos em lei. II . IV . 11. função social e fiscalização pela sociedade. há o componente ambiental. Desenvolvimento ambiental e desenvolvimento sustentado A defesa do meio ambiente é uma dessas questões que obrigatoriamente devem constar da agenda econômica pública e privada. A defesa do meio ambiente não é uma questão de gosto.10. É preciso regrá-los no que se passou a chamar de desenvolvimento sustentado.3. VI). justa e solidária". A defesa do meio ambiente passa a fazer parte do desenvolvimento nacional (arts. VIII . mas um fator que a Carta Maior manda levar em conta. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Petrobrás. um desenvolvimento social. Banco do Brasil) coloque no seu estatuto jurídico "sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade". VII . Entre seus princípios básicos está a "concepção do meio ambiente em sua totalidade. Os constituintes de 1988 foram sábios em fazer essa junção de princípios para tentar bem conduzir o País e formar uma sociedade "livre. Juntam-se.defesa do consumidor. Os direitos de propriedade e do meio ambiente. independentemente de autorização de órgãos públicos. III . Afirmar a propriedade tem uma função social não é transformá-la em vítima da sociedade. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. A função social da propriedade e o meio ambiente Não existe um conflito entre o direito de propriedade e a proteção jurídica do meio ambiente. Registro a determinação da Constituição de que a Administração indireta (empresas públicas e sociedades de economia mista e suas subsidiárias . Como um dos objetivos da lei está o incentivo à participação individual e coletiva.2.livre concorrência.como. IX . §1º. 225. 170 e 32).defesa do meio ambiente. são compatíveis.redução das desigualdades regionais e sociais. tem por fim assegurar a todos existência digna. Pretende-se um desenvolvimento ambiental. 170. um desenvolvimento econômico. por exemplo. de ideologia e de moda.. conforme os ditames da justiça social. V . uma função social é tratar a propriedade como um ente isolado na sociedade. inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. VI . Parágrafo único. A fruição da propriedade não pode legitimar a emissão de poluentes que vão invadir a propriedade de outros indivíduos.795/1999 dispôs sobre a educação ambiental e instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. Mas outros elementos aglutinam-se a esse: além do fator social. também. Há o elemento individual. desde que se tenha uma compreensão sistemática do ordenamento jurídico brasileiro. Reconhecer que a propriedade tem.propriedade privada. 11. considerando a interdependência entre o meio natural.1. A ordem econômica. O desenvolvimento e o meio ambiente 11.soberania nacional.tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. A Lei 9. .função social da propriedade. O conteúdo da propriedade não reside num só elemento. sob o enfoque da sustentabilidade". 11. observados os seguintes princípios: I . Os princípios da atividade econômica brasileira No Título VII ("Da Ordem Econômica e Financeira") são apresentados os princípios gerais da atividade econômica: "Art. O direito a educação ambiental A Constituição diz que incumbe ao Poder Público "promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização Publica para a preservação do meio ambiente" (art. aí.busca do pleno emprego. o sócio-econômico e o cultural.

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