Imigração em Moçambique: Impacto Sociopolítico, Económico e Cultural

Draft

Calton Cadeado Enilde Sarmento Énio Chingotuane Pedro Nhachete

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Maputo, Dezembro de 2009
ÍNDICE--------------------------------------------------------------------------------------------------------2 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.1. Problemática----------------------------------------------------------------------------------------------4 1.2. Objectivos-------------------------------------------------------------------------------------------------5 1.3. Metodologia-----------------------------------------------------------------------------------------------6 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL-----------------------------------------------7 2.1.Debate conceptual----------------------------------------------------------------------------------------7 2.2. Teorias sobre imigração-------------------------------------------------------------------------------10 2.2.1. Modelo de migração do capital humano----------------------------------------------------------10 2.2.2. Teoria do sistema mundial--------------------------------------------------------------------------11 2.2.3. Teoria da modernização-----------------------------------------------------------------------------12 2.2.4. Teoria da Globalização------------------------------------------------------------------------------12 3.ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO-------------------------------------------------------------13 3.1.Legislaçao Internacional--------------------------------------------------------------------------------13 3.2.legislaçao nacional--------------------------------------------------------------------------------------17 4. CARACTERIZAÇÃO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS, ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇÃO DOS IMIGRANTES-- -----------------------------21 4.1 Origem dos imigrantes----------------------------------------------------------------------------------22 4.1.1. Condição sócio económica dos imigrantes em Moçambique ----------------------------------23 4.1.2. Categorias dos Imigrantes em Moçambique------------------------------------------------------26 4.2. Rotas de entrada dos Imigrantes----------------------------------------------------------------------28 4.3. Locais de Fixação---------------------------------------------------------------------------------------31 5. FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE--32 5.1. A teoria Push-Pull--------------------------------------------------------------------------------------33 5.2- O caso de Moçambique--------------------------------------------------------------------------------33 6. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE----------------------------------------36 6.1. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO ---------------------------------36 6.1.1. Segurança----------------------------------------------------------------------------------------------37 6.1.2. Ligação entre Imigração e segurança--------------------------------------------------------------38 6.1.3. Impacto da Imigração na segurança---------------------------------------------------------------40 6.1.4. Impacto da Imigração na Segurança do Estado--------------------------------------------------40 6.1.5. Impacto da Imigração na Segurança Pública-----------------------------------------------------41 6.2.IMPACTO DA IMIGRAÇÃO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA----------------------45 6.2.1- Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia------------------------45 6.2.2. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes-----------------------------47 6.2.3- Impacto da Imigração nos Sectores da Economia-----------------------------------------------49 6.2.4- Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho-------------------------------------------------54
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6.3.IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL DA IMIGRAÇÃO------------------------57 6.3.1. Multiculturalismo ou Assimilação? ---------------------------------------------------------------57 6.3.2. O Transnacionalismo Imigrante--------------------------------------------------------------------62 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes-------------------------------------------------------------------63 6.3.4. Integração Política e Cidadania---------------------------------------------------------------------69 6.3.5. Imigração e Género ----------------------------------------------------------------------------------72 7. SUPERVISÃO E CONTROLO----------------------------------------------------------------------73 7. 1.Constatação sobre Supervisão e Controlo-----------------------------------------------------------74 7.2. Experiencia Europeia e Norte- Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes---------75 7.3. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo------------------------------------77 8. Conclusões e Recomendações-------------------------------------------------------------------------79 9. Referencias------------------------------------------------------------------------------------------------85

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sociais. a imigração cria. porque como referem Rourke e Sinnot: (2003). nos países ricos e desenvolvidos. particularmente ilegal. INTRODUÇÃO A imigração foi sempre uma constante na história da humanidade. tendo como causas principais. a permanente situação de refugiados no Corno de África. O Interesse no Estudo da imigração variou consideravelmente ao longo do tempo. paradoxalmente.1. Neste contexto. estão a debater de forma multilateral e/ ou bilateral a imigração devido. estão a desenvolver políticas de imigração para resolver problemas de envelhecimento da população e redução da força produtiva. principalmente. igualmente. No entanto. igualmente. consoante o momento da história. A imigração é um fenómeno que tem estado a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle dos Estados a nível mundial. a crise financeira asiática de 1997 (que se alastrou depois a diversas economias em desenvolvimento do resto do mundo). económicas bem como a existência de catástrofes naturais. a queda do bloco soviético na década 90. razões políticas. No entanto. político de tal forma que alguns Estados ricos e desenvolvidos. algumas vezes assumem contornos violentos na Europa. geram enormes fluxos migratórios (nomeadamente imigrantes ilegais em busca de asilo politico) como refere Appleard (1992). Contudo a procura de melhores condições de vida e de trabalho foram sempre factores determinantes para aqueles que recorrem a imigração. paradoxalmente. Com efeito. Acontecimentos como os choques petrolíferos. os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial. em alguns casos. vários Estados tem vindo a perder população e outros estão a receber um fluxo de imigrantes que tem criado um impacto sociopolítico e económico controverso. A título de exemplo. a “eurofobia” e a “islamofobia” constituem problemas que estão a criar sentimentos nacionalistas que. O estudo da imigração torna-se particularmente pertinente. social e. ao seu impacto negativo na estabilidade sociopolítica e económica. vários Estados. e outros. um crescente fluxo de imigração legal e ilegal inter-africana e de não africanos que procuram a África Austral e. 4 . regista-se. a nível mundial. impacto positivo do ponto de vista económico. África contribui em larga medida para o crescimento da imigração.

de per si. em Moçambique. Com efeito. constitui uma fragilidade na forma como deve ser abordada a problemática da imigração. Paralelamente. A abordagem dos assuntos de imigração. um país em vias de desenvolvimento que outrora foi um dos maiores “exportadores de mão-de-obra” para a África do Sul. Paralelamente. Problemática A principal questão que se coloca é que Moçambique não possui uma estratégia nacional de imigração que. a imigração é uma realidade que coloca Moçambique num dilema permanente em matéria de política ou estratégia nacional de imigração. a inexistência de uma capacidade de controlo das fronteiras nacionais terrestres e marítimas. O fenómeno imigratório adquire deste modo. ligada a dificuldade de coordenação institucional entre os principais agentes ou actores estatais torna o país vulnerável em relação a esta problemática. aliado ao facto do Estado ter uma fraca capacidade de controlo das mesmas. e Moçambique assume-se como um país de destino para um crescente número de cidadãos de nacionalidade estrangeira. faz com que o Estado moçambicano enfrente grandes dificuldades nesta problemática. devido a estabilidade sociopolítica.1. a concorrência pelo mercado de trabalho e alegado recrudescimento de determinados tipos de crimes associados aos imigrantes levanta receios de ocorrência de ataques xenófobos similares ou piores aos que aconteceram na África do Sul. Esta vulnerabilidade constitui um problema que pode ser agravado pela imigração 5 . actualmente. Esta fragilidade pode ser agravada pelo provável crescimento de imigrantes resultante das facilidades de abertura e circulação de pessoas e bens no âmbito da integração regional na África Austral. A extensão das fronteiras. 1. a fraca disponibilidade de mão-de-obra qualificada e as obrigações legais e morais de direitos humanos colocam Moçambique numa situação de “aceitação forçada” da imigração.particularmente Moçambique onde a livre a circulação de pessoas e bens é uma realidade imposta pela integração regional. um dos maiores receptores de imigrantes que podem ser fonte ou solução de problemas. em Moçambique. permite a entrada massiva de imigrantes dos vários quadrantes de África e do mundo. Portanto. Moçambique. uma importância inquestionável. é. Assim.

Identificar a origem. económica e na segurança de Moçambique. social.2.ilegal que tem vindo a crescer mas cuja magnitude e impacto holístico é realisticamente desconhecido em Moçambique. cultural e na segurança do país? 1. 6 . Discutir o impacto positivo ou negativo da imigração em Moçambique. cultural. analisar o impacto sociopolítico. médio e longo prazo no domínio económico. Alias. oportunidades e desafios sociopolíticos. Como se explica que um país pobre como Moçambique esteja a atrair um número crescente de imigrantes legais e ilegais? Será que o país tem condições materiais e financeiras de controlar o fluxo de imigrantes? Que implicações terão a entrada massiva de imigrantes a curto. Analisar a capacidade institucional de Moçambique em matéria de supervisão e controlo de imigração. estas e outras perguntas somente podem ter resposta através de uma pesquisa que permita uma recolha de informação sobre o real. Objectivos Objectivo Geral O trabalho tem como objectivo geral. Assim. político. Esta é uma das questões que sustenta e serve de pretexto para a pesquisa. económicos e culturais da imigração em Moçambique. é pertinente a realização de estudos sobre a dimensão e o impacto real (positivo e negativo) da imigração na estabilidade sociopolítica. e Analisar os factores que tornam Moçambique num centro de convergência de imigrantes. económico e cultural da imigração em Moçambique. Objectivos Específicos (i) (ii) (iii) (iv) (v) Identificar as ameaças. rotas de entrada e locais de fixação dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique.

Manica. Nampula. políticos e culturais e o departamento de estudos de paz e segurança. Em ternos de amostra. Foram também colhidos dados estatísticos da situação dos imigrantes em Moçambique. A equipa de pesquisadores foi composta por especialistas de acordo com as exigências que a pesquisa impõe. A escolha dos distritos foi baseada em dois critérios que compreenderam: distritos fronteiriços e costeiros e os grandes centros urbanos. Foram combinados pesquisadores envolvendo o departamento de economia. organizações da sociedade civil. deputados e lideres de partidos políticos) e alguns imigrantes. Em termos gerais. departamento de estudos sociais. as oportunidades e as ameaças da presença de imigrantes em Moçambique. Tete. principalmente nas zonas de entrada e fixação de imigrantes. foi realizado um estudo de campo que foi conduzido por uma equipa de pesquisadores do CEEI/ISRI. o que possibilitou o reconhecimento de aspectos importantes que cercam o tema em estudo. foram escolhidas 7 províncias receptoras do maior número de imigrantes nomeadamente Maputo. A pesquisa bibliográfica permitiu aos pesquisadores entrar em contacto directo com todos os escritos sobre a imigração. directores provinciais. líderes sindicais. Após o trabalho de campo seguiu-se ao processamento da informação recolhida e a produção do relatório de pesquisa obedecendo o método SWOT. Metodologia A realização do estudo começou com uma pesquisa bibliográfica com vista a identificar obras de autores que abordam o assunto em estudo. Uma amostragem 7 . líderes religiosos.1. A pesquisa de campo compreendeu duas técnicas fundamentais: A primeira técnica foi baseada em entrevistas abertas individuais e colectivas a grupos alvos constituídos por opinion leaders (empresários. Após o levantamento bibliográfico. Cabo Delgado e Niassa. a segunda técnica baseou-se num inquérito a opinião pública. académicos. as fraquezas. jornalistas. a identificação de entrevistados da opinião pública foi baseada numa amostragem aleatória da população das regiões alvas. que consistiu na avaliação dos pontos fortes.3. Sofala.

Para além disso são a raiz de sentimentos racistas.1. Poucos instrumentos jurídicos moçambicanos esclarecem de uma forma clara e objectiva o que é o cidadão imigrante. Os equívocos conceptuais e a falta de clarificação do conceito de imigrante são em si uma ameaça a ordem social e política do Estado moçambicano. tecnocratas. Talvez por ser uma realidade recente para Moçambique.probabilística aumenta substancialmente a chance dos participantes serem representativos da população-alvo. considerando somente os negros como nacionais. Esta definição baseada na cor da pele demonstra um desconhecimento quase geral da situação dos naturalizados e aqueles moçambicanos de raça não negra que adquiriram a nacionalidade moçambicana na altura da independência. brancos. o decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. O termo imigrante só é usado por um grupo esclarecido de políticos. Existem também vários entendimentos sobre o conceito de refugiados. 2. e a lei do trabalho No 23/2007 de 1 de Agosto. Portugueses ou pela categorização racial como por exemplo. Muitas vezes. 2) nem todo o negro é moçambicano e 3) nem todo o estrangeiro é imigrante. um conceito difuso sobre imigração e imigrantes. sociólogos. é necessário que fique assente o seguinte: 1) nem todo o não negro é estrangeiro. o conceito aparece pouco esclarecido. e sequer existe um conceito oficial de imigração. Chineses. Nigerianos. Debate Conceptual Existe no seio dos analistas políticos. Ao observar-se as leis No 5/93. muitas vezes manifestados pelos moçambicanos negros nas situações do diaa-dia. o conceito de imigrante é substituído pela categorização étnica dos indivíduos como por exemplo. Existe portanto um vazio no que diz respeito ao conceito de imigrante em Moçambique. facilmente se constata que a 8 . não existe muito rigor na definição do conceito de imigrantes e muito menos uma definição clara da política de imigração. estudantes universitários ou pela média e mesmo aqui. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL 2. assegurando a validade interna e externa do estudo. A maioria dos moçambicanos ainda vê o branco. árabes e negros. o indiano e o árabe como estrangeiro. Para o inicio da nossa clarificação. principalmente se estes equívocos permanecerem nas médias e ao nível do discurso político.

Normalmente. Para que o indivíduo seja considerado imigrante é necessário que ele tenha vontade de sair do seu país e vontade de permanecer noutro país. Todo aquele que permaneça um curto período de tempo não deve ser considerado imigrante pois. Por outro lado. De acordo com a lei 5/93. a sua intenção é fazer turismo. Para além disso. categoria de imigrante ao cidadão estrangeiro. deve existir uma distinção entre os estrangeiros que estão no país a convite do Estado ou empresas moçambicanas. Para que isso aconteça. estrangeiro é todo o cidadão que não tenha a nacionalidade moçambicana. (REF) Como se pode ver por esta definição. nem todo o estrangeiro é imigrante. por si só. Normalmente. os indivíduos que se estabelecem no país estrangeiro por convite do Estado ou empresas do país hospedeiro ou que tenham sido enviados por representação pelos seus estados ou organizações internacionais não são considerados imigrantes. sendo considerados refugiados. os indivíduos que são forçados a abandonar o seu país por motivos de conflito. a legislação moçambicana prefere definir trabalhador estrangeiro e não trabalhador imigrante. existe uma necessidade de adicionar um outro critério importante. perseguição. a vontade dos indivíduos. não são considerados imigrantes. limpezas étnicas. com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. de pessoas ou populações. A questão que se coloca é: qual é o conceito de imigrante utilizado em Moçambique? O conceito mais conhecido e comummente aceite considera imigração como o movimento de entrada. de um país para outro. guerras. sendo mais frequente a terminologia estrangeiro. O acto de transpor a fronteira de um outro país. os estrangeiros enviados pelos seus estados ou organizações internacionais para trabalhar em Moçambique e os estrangeiros que vem a Moçambique por vontade e iniciativa própria. 2) tempo de estadia e 3) intenção de trabalhar ou residir em um outro Estado. o cidadão estrangeiro deve permanecer no país hospedeiro por um médio ou longo período de tempo. não confere. (REF) O facto de terem transposto a fronteira de um outro Estado e permanecerem temporariamente não lhes coloca na situação de imigrantes e o seu estatuto é protegido pela legislação internacional específica. 9 . existem 3 critérios fundamentais para definir imigrante: 1) transpor as fronteiras de um outro Estado. Na concepção deste trabalho.terminologia imigrante não é usual. genocídio. fazer negócios ou transitar para outro país. visitar. Esta definição não espelha claramente o que é um imigrante pois.

A fronteira fictícia definida em termos geopolíticos não é sentida nem reconhecida em termos socio-antropológicos. cuja admissão e estatuto são regulados pelo direito internacional geral ou específico por acordos ou convenções internacionais. possuem nomes semelhantes. não são considerados trabalhadores migrantes. é difícil distinguir o moçambicano da nova família ou da família adoptiva. falam a mesma língua. de forma temporária ou permanente com intenção de trabalhar e/ou residir no território nacional. cuja admissão e estatuto são regulados por acordo com o Estado de emprego e que. Apesar de este conceito deixar claro quem é o imigrante. Hoje. de acordo com a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. não são considerados trabalhadores imigrantes os indivíduos que trabalham nas representações diplomáticas e consulares. deve-se lembrar que durante o conflito armado muitos moçambicanos foram viver nos países vizinhos e criaram laços de parentesco e casamento nesses países. Torna-se particularmente difícil quando as populações dos dois lados da fronteira se consideram uma comunidade. Pessoas enviadas ou empregadas por um Estado ou em seu nome fora do seu território que participam de programas de desenvolvimento e outros programas de cooperação. ainda existem zonas de penumbra em relação as populações que vivem nas zonas fronteiriças. Enquanto o malawiano mantiver família em Moçambique nos limites da fronteira não é 10 . A circulação não é feita de um país para o outro mas sim de uma casa para outra. em conformidade com esse acordo. Segundo alguns autores. os indivíduos enviados para trabalhar em outro país por agências ou organizações internacionais e pessoas enviadas ou empregadas por um Estado fora do seu território para desempenhar funções oficiais. Quem é quem. é uma questão complicada. podemos assumir que imigrantes são os indivíduos que se estabelecem voluntariamente num território. Com base nos pressupostos acima referidos. Estas populações são incapazes de definir onde é a sua casa e quando a adversidade se instala numa das casas mudam-se para outra casa sem obedecer as regras internacionais.A título de exemplo. casam-se entre si e possuem traços raciais e fenotípicos semelhantes. Quando é que os cidadãos da fronteira se tornam imigrantes é uma questão que preocupa aos moçambicanos. REF a definição de imigrante fica associada a questão distância. Adicionado a estes factores.

2. existe um acordo entre Moçambique e os países vizinhos que permite as populações fronteiriças circularem livremente num raio de 20 km. viagem e todos os bens e serviços pagos no processo de migração.2. que é a teoria mais aplicada para explicar movimentos migratórios. O debate sobre a pessoa do imigrante ainda oferece outras zonas de penumbra que devem ser clarificadas por novos estudos sobre a matéria. Neste sentido. são poucos os trabalhos teóricos que abordam o impacto dos imigrantes nos países de acolhimento. no sentido de que só vai imigrar quem tem condições de financiar os custos inerentes a migração (passaporte. imigra dos seus mercados para outros mercados motivados pelos elevados salários e melhores condições de trabalho. uma vez que as fronteiras nacionais são abertas e a demarcação fronteiriça não obedece sempre a marcos geográficos evidentes. De acordo com esta teoria. médio oriente. sendo frequente a discussão em relação ao impacto dos imigrantes sobre os países de origem. Esta tendência pode ser comprovada pela migração sul-norte no sentido América latina América do norte. a medida que se introduz para o interior do país é considerado imigrante. o homem movido pela sua racionalidade. Europa do leste para a Europa ocidental e inclusive pela migração África austral para África do sul. Teorias Sobre Imigração Até hoje não foi possível fazer uma grande teoria da imigração nem uma teoria interdisciplinar porque cada disciplina tem a sua linguagem conceptual e analítica. incluindo o reassentamento no local de destino). o conceito de violação de fronteiras é mais virtual do que prático. 2. África.1 Modelo de migração do capital humano De acordo com o modelo de migração do capital humano (REF). o processo de imigração é auto-selectivo. Na verdade. melhores condições de vida e imigração. As principais teorias da imigração abordam as razões da imigração.considerado imigrante mas. 11 . métodos e conhecimento epistemológico.2. Dentre as teorias que explicam as razões da imigração existe um denominador comum: a relação salário. Por outro lado.

O mesmo padrão de migração se verifica na periferia da periferia para o centro da periferia. na expectativa de recuperar o investimento com os salários altos do país de acolhimento. Apesar de largamente divulgada e difundida. terá mais propensão para migrar aquele que tenha condições de financiar estes custos. 2. A teoria do sistema mundial admite também que a periferia também tem os seus centros. onde a existência de empregos é escassa e os salários são mais baixos do que a média regional. O centro seria mais desenvolvido. factor que explica a mobilidade de trabalhadores imigrantes que saem da África.2. Esta teoria sustenta que o sistema mundial é caracterizado por hierarquias sobrepostas (Goldstein.3 Teoria da modernização 12 . Europa do leste para a Europa ocidental e da América latina para a América do norte. médio oriente. com mais trabalho e melhores salários e a periferia seria menos desenvolvida. Esta teoria admite que os trabalhadores da periferia querem imigrar para o centro a busca de trabalho e melhores salários. com poucos empregos e com baixos salários (Goldstein.2 Teoria do sistema mundial A teoria do sistema mundial vê o mundo como estando constituído por um centro e uma periferia.Segundo esta teoria. mais industrializado. 2003:465). 2. O modelo de migração do capital humano observa a relação entre salários no país de origem e salários no país de acolhimento. principalmente nos países do ocidente. menos industrializada. Maputo seria o centro e as outras províncias a periferia.2. A África do Sul pode ser considerada o centro da África Austral. ao nível nacional. o modelo de migração do capital humano não consegue explicar as tendências migratórias para países como Moçambique. 2003:464-465). observa também a relação entre empregos no país de origem e empregos no país de acolhimento.

a nova onda de imigração internacional é uma consequência directa do processo de globalização. Apesar da teoria da modernização ser contestada na generalidade.2. 2. Esta teoria assenta na assumpção de que existem dois sectores da economia: um moderno e outro tradicional que trocam para além de bens e produtos. as gerações de imigrantes vão se sucedendo perpetuando a ligação entre o país de acolhimento e o local de origem. o imigrante não encontra as condições materiais para aplicar os seus conhecimentos. fome. Movidos pela tomada de decisão racional. estagnação económica. De acordo com esta teoria. violência. os conceitos de push/pull ainda são dominantes na análise sobre movimentos migratórios (Brettell. Em vez de criar desenvolvimento. factores de produção como a mão-de-obra. políticas e económicas que vem acontecendo nas últimas décadas motivadas pela integração da economia mundial e dos mercados nacionais numa economia global movido pelas grandes corporações internacionais. A globalização por seu turno. De acordo com a teoria da modernização. uma vez regressado. Para além disso. a imigração cria comunidades dependentes e consumistas. Os estados abandonam gradualmente as 13 . abusos aos direitos humanos. Factores de repulsão: guerra. Motivadas pelo consumismo e devido a sua dependência. Vários são os autores que contestam a teoria da modernização defendendo que nem sempre o dinheiro enviado é usado para investimentos mas sim. 2008:119). e outros. é um conjunto de transformações sociais. os indivíduos saem do sector tradicional para o sector moderno que oferece melhores salários (Brettell. uma vez regressados a origem os conhecimentos adquiridos seriam aplicados para o desenvolvimento do local de origem (Brettell. as pessoas deslocam-se dos locais onde abunda mão-de-obra para os locais onde abunda capital. as migrações eram motivadas por dois factores: os factores repulsivos (push factors) e os factores atractivos (pull factors). 2008: 118). para o consumo e. 2008:119). Ainda na assumpção desta teoria. perseguição étnica e política. esta tendência contribui para o desenvolvimento dos locais de origem pois os imigrantes enviam os seus rendimentos para a origem e esse dinheiro seria usado para investimentos.Os primeiros estudos sobre imigração internacional baseavam-se na teoria da modernização que distinguia o mundo em dois pólos: um desenvolvido e outro pobre.4 Teoria da globalização De acordo com a teoria da globalização.

Para além da mobilidade de mão-de-obra entre países assiste-se a mobilidade de capital e tecnologia de uma região para outra. ela se garante por meio de redes regionais de comércio. a aceleração económica e a competitividade não beneficia a todos os estados pois. torna-se necessário conhecer a margem de actuação que estes gozam pela legislação internacional e pela legislação nacional. mão-de-obra e tecnologia. Todavia. existem ganhadores e perdedores. a mobilidade do capital e do comércio provocam uma crescente mobilidade de mão-de-obra dos países perdedores para os países ganhadores tanto do centro como da periferia. Este processo tem sido acompanhado por uma intensa revolução nas tecnologias de comunicação e informação. Legislação Internacional Para uma avaliação sobre o impacto sociopolítico. Os efeitos dessa rapidez de comunicação e informação ultrapassam a dinâmica económica e provocam a uniformização e a homogeneização da cultura das sociedades. Neste mundo sem fronteiras. Motivando o surgimento de uma aldeia global. No entanto.1. É perigoso porque os estados perdem a capacidade de suportar o elevado índice de estrangeiros nos seus territórios. O entra e sai de pessoas é ao mesmo tempo obrigatório porque dinamiza toda uma economia de produção e consumo. Os países moldam-se para atrair investimentos de toda espécie e surge uma grande competitividade entre os estados. económico e cultural dos imigrantes em Moçambique. No entanto. ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO 3. Antes de se avaliar o impacto dos imigrantes é preciso perceber o que a lei permite e que oportunidades ou dificuldades ela cria na vida do imigrantes. O primeiro instrumento internacional que estabelece a liberdade dos indivíduos deslocarem-se para 14 . os estados resistem e continuam a desempenhar o papel de actores privilegiados e detentores da soberania sobre os seus territórios impondo regras de entrada e saída dos factores de produção como capital.barreiras tarifárias e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. uma vez iniciada. Os estados tornam-se incapazes de controlar esta dinâmica que extrapola os seus limites territoriais pois. 3. investimento e comunicação. os estados sentem que existe uma grande interdependência entre eles e por força disso pactuam e negoceiam cedências mútuas. produção.

e tem o direito de regressar ao seu país. viagem e acolhimento dos trabalhadores imigrantes e. a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem empreendido vários esforços na protecção dos imigrantes desde a sua criação em 1919. A convenção Nº 97. que faz uma revisão da convenção sobre trabalhadores migrantes de 1939) e a Convenção Sobre as Imigrações Efectuadas em Condições Abusivas e Sobre a Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento dos Trabalhadores Imigrantes (convenção No 143 de 1975). filiação. das migrações em condições abusivas. apesar de residentes num país estrangeiro e exercerem actividades laborais no estrangeiro não são considerados imigrantes. no tocante a remunerações. relativas aos trabalhadores imigrantes são: a Convenção Relativa aos Trabalhadores Migrantes (convenção No 97 de 1949. artigo 4. particularmente na protecção dos trabalhadores imigrantes.obriga os estados membros da OIT a facilitarem a partida. As duas principais convenções da OIT. na Parte I.outros países é a declaração universal dos direitos do homem assinada a 10 de Dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na segunda 15 . O artigo 6 desta convenção convoca os estados a tomarem medidas punitivas para os empregadores de imigrantes clandestinos e para a detecção dos imigrantes ilegais. O artigo 9 desta convenção obriga os estados signatários a permitirem remessas de dinheiro por parte dos imigrantes em conformidade com a legislação monetária nacional. inclusive o seu próprio país. A par dos esforços da ONU. A convenção Nº143 da OIT trata. em matéria de legislação laboral. toda gente tem o direito a ser reconhecida como uma pessoa em qualquer país e perante a lei. Na primeira parte. a convenção alerta para os perigos e a obrigatoriedade dos estados evitarem o emprego de imigrantes ilegais e o trânsito de migrantes clandestinos. o seu estatuto jurídico é regulado pela convenção de Viena sobre relações Diplomáticas de 18 Abril 1961 e a convenção de Viena sobre relações consulares de 24 Abril 1963. organizações sindicais e segurança social. Os membros das representações diplomáticas e consulares. obriga os estados a concederem aos imigrantes tratamento igual ou que não seja menos favorável àquele que beneficiam os nacionais. artigo 6. que nos seus artigos 13 e 14 defendem o seguinte: Artigo 13 (1) Todo o homem tem direito à liberdade de se movimentar e residir dentro das fronteiras dos Estados. O artigo 6 da mesma convenção defende que. Artigo 14 (1) Todo o homem tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países em caso de perseguição. e na Parte II da igualdade de oportunidade e de tratamento. (2) Todos têm o direito de deixar qualquer país.

adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1990. o direito de manifestar sua religião ou crença. O instrumento normativo mais importante para a defesa dos trabalhadores imigrantes é a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores migrantes e os membros das suas famílias. direitos sindicais. e ainda. consciência e religião. cultura e tradição. no lar ou na sua correspondência. a ONU adoptou em 1985 a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. de opinião. Os estrangeiros gozam vários direitos. Para fortalecer os postulados relativos aos imigrantes. culturais. as disposições relativas a igualdade de tratamento em matéria de emprego e profissão. Dentre os vários direitos foram incluídos. Esta convenção reafirma todos os 16 . família.parte. o direito à propriedade. o direito de manter sua própria língua. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. e outros bens monetários para o estrangeiro nos termos das regras monetárias do país de acolhimento. o direito para escolher um cônjuge. em conformidade com a legislação nacional e em função das obrigações internacionais do Estado em que estão presentes. obriga os estados a informarem sobre os direitos e obrigações dos imigrantes e os mecanismos para sua protecção e convida os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. o direito à liberdade de expressão. o direito à vida e à segurança pessoal. o direito à liberdade de pensamento. poupanças. Segundo esta declaração. o direito de ser iguais perante os tribunais e todos os outros órgãos e entidades da administração da justiça. o estado de acolhimento deve autorizar que o cônjuge e filhos menores ou dependentes de um estrangeiro que reside legalmente no território do Estado deve ser admitido para acompanhar. o direito de reunião pacífica. participar e ficar com o estrangeiro. no seu Artigo 5. o direito à liberdade de circulação e a liberdade de escolher sua residência no interior do Estado. a convenção reafirma. para casar e fundar uma família. segurança social. O artigo 12. liberdades individuais e colectivas para aqueles que se encontrem legalmente nos seus territórios. o direito de transferir o seu salário. A declaração estabelece no artigo 8 algumas disposições relacionadas com os trabalhadores imigrantes defendendo que os estrangeiros têm direito a salários justos e iguais por trabalho de igual valor e o direito de aderir a sindicatos e outras organizações ou associações similares. no artigo 10. o direito à protecção contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada.

A concessão de direitos e liberdades fundamentais aos imigrantes pela legislação internacional tem um efeito determinante no comportamento dos 17 . Para além destes instrumentos específicos e centrais. Mar e Ar. horas extras. Como se pode depreender. no artigo 1. Especialmente Mulheres e Crianças. Por sua vez. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. cultural. é outro instrumento de importante valor para a protecção dos imigrantes nos países de acolhimento. Um dos objectivo deste protocolo. A Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas. a legislação internacional criou instrumentos normativos para proteger a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. adoptado a 15 de Novembro de 2000. adoptado a 15 de Novembro de 2000. é convidar os estados a proteger e assistir as vítimas do tráfico e garantir o respeito pelos direitos humanos. religiosa e linguística das minorias dentro dos respectivos territórios e devem incentivar as condições para a promoção dessa identidade. a segurança social. Um dos objectivos deste protocolo é prevenir e combater o contrabando de imigrantes e proteger os direitos dos imigrantes contrabandeados. De acordo com esta declaração. O outro instrumento é o Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. Um destes instrumentos é o Protocolo para Prevenir. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. a saúde. os estados devem proteger a existência e a identidade nacional ou étnica. horas de trabalho estabelecidas por lei. a proibição do trabalho forçado exalados no artigo 11 e 23.pressupostos da declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem e acrescenta postulados relativos a proibição da escravatura e servidão. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. férias remuneradas. Religiosas e Linguísticas adoptado a 18 de Dezembro de 1992. o direito a protecção diplomática e consular a todos os imigrantes e os membros das suas famílias em casos de detenção por actos criminais. o artigo 7 convida os estados a aceitarem a permanecia definitiva ou temporária das vítimas de tráfico no seu território. são abrangidas aos trabalhadores nacionais. estabelecido no artigo 6. a ONU desenvolveu vários outros instrumentos destinados a protecção dos estrangeiros. O artigo 25 acrescenta que os trabalhadores imigrantes têm direito a boas condições de trabalho. de acordo com a legislação e a prática nacionais. esta convenção afirma no artigo 16. descanso semanal. a cessação da relação de trabalho e quaisquer outras condições de trabalho que.

as constantes migrações devido aos atractivos económicos e ambientais obrigaram os estados a aceitarem indivíduos de outras etnias concedendo-lhes espaço para habitação e cultivo.2. estes indivíduos eram diferenciados do resto da população. O princípio da soberania estabelecida no tratado de Westphalia determinou que os estados tenham direito sobre o seu território e os seus habitantes podendo impor as condições de entrada e saída do seu território aos nacionais e não nacionais. o livre movimento de pessoas entre as várias regiões de África respondeu ao anseio natural dos homens pela sua sobrevivência. A conferência de Berlim definiu a necessidade das potências colonizadoras estabelecerem fronteiras de ocupação de forma a delimitar os seus territórios a semelhança do que era prática no continente europeu. Cada potência controlava o seu território e a sua população impedindo a fuga de mão-de-obra para outras colónias. étnicos. Legislação Nacional A imigração não é um fenómeno novo na história de África e de Moçambique. dentro dos limites da lei. Estas normas e regras primitivas vigoraram em África até o início da colonização europeia. Este controlo é um dos pilares da soberania do estado e foi aplicado pelas potências europeias nas suas colónias africanas. Por força desta determinação. A noção de estrangeiro já existia e estes não gozavam dos mesmos direitos e deveres dos naturais. Com o advento das 18 . Apesar destas regras. a partir daí afectarem positivamente no desenvolvimento económico desses países. As práticas de nomadismo só reduziram com o advento da agricultura e quando os homens passaram a assumir a terra como propriedade privada e estabeleceram-se os primeiros estados. o livre movimento dos africanos ficou muito restringido e praticas de nomadismo deixaram de existir. Desde os tempos mais remotos. Por regra. 3.imigrantes e possibilita-lhes exercerem qualquer actividade. As instituições dos estados primitivos estabeleceram normas e regras de entrada e permanência de indivíduos em territórios já ocupados. comummente definido depois da partilha de África (na conferencia de Berlim em 1884-85). nos países de acolhimento e. Porém. a livre circulação de pessoas no continente africano sofreu grandes mudanças. Com o inicio da colonização. culturais ou linguísticos com os proprietários do território. só podia se estabelecer num território ocupado aquele que partilhasse laços familiares.

goza dos mesmos direitos e garantias e está sujeito aos mesmos deveres que o cidadão moçambicano. seleccionar.º 38/2006. Muitos destes instrumentos. Todos os residentes no território até a altura da independência eram considerados nacionais e todo o não residente passou a ser estrangeiro. estado civil dos pais. grau de instrução. excluindo os direitos políticos e os demais direitos e deveres expressamente reservados por lei ao cidadão nacional. A política de imigração dos estados africanos passou a servir 4 objectivos principais (incentivar. A partir dai. o artigo 35 da constituição afirma que todos os cidadãos são iguais perante a lei. restringir e impedir o movimento migratório). sexo. posição social. estabelecidas nas leis orgânicas dos Estados obedecem aos interesses e motivações dos estados individuais e também das normas e regras internacionalmente criadas. independentemente da cor. gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. Desde o surgimento do estado hobbesiano. Sendo assim. As normas sobre entrada. Com efeito. as novas nações passaram a ser definidas em função das fronteiras coloniais. origem étnica. os estados vem estabelecendo normas e regras para controlar o movimento de pessoas tanto nacionais como estrangeiros no território nacional. De acordo com o artigo 4 desta lei. Todo aquele que entre no território nacional sem passaporte. raça. o cidadão estrangeiro que resida ou se encontre em território nacional. permanência e saída do cidadão estrangeiro em Moçambique são actualmente regidas pela lei 5/93 de 28 de Dezembro. os estados africanos passaram a adoptar normas e regras de controlo fronteiriço estabelecidos pelas ex-metrópoles e adoptaram as normas internacionais relacionados com esta matéria. A mesma lei obriga ao cidadão estrangeiro que queira entrar em Moçambique que se apresente nos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos com toda a documentação necessária e que esteja munido de um visto em conformidade com a duração e os objectivos da sua estadia no país. O primeiro instrumento que regula a relação entre o Estado e os cidadãos residentes em Moçambique é a constituição da república. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique e pelo regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. com passaporte falso 19 . profissão ou opção política. religião. houve um acordo entre os estados africanos defendendo a irreversibilidade das fronteiras coloniais. O controlo fronteiriço imposto durante o período colonial passou a ser exercido pelos estados recém independentes o que significou a continuação das políticas migratórias das metrópoles. lugar de nascimento.independências africanas (1960). de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei.

O Artigo 11 desta lei prevê Sanções para as empresas que não observem as normas legais. De acordo com esta lei. a presente lei estabelece no artigo 6 que. lei No 23/2007 de 1 de Agosto. A contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira por entidades empregadoras nacionais e estrangeiras fica sujeita à autorização do Ministro do Trabalho ou de quem este delegar. que o trabalhador estrangeiro. a empresa prevaricadora pode ser punida. que exerça uma actividade profissional no território moçambicano. As entidades empregadoras devem criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração das empresas. ou ainda. afirma no Artigo 31. com a multa de dez a oitenta salários mínimos e o trabalhador estrangeiro fica imediatamente suspenso. sendo que. tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores nacionais. Ainda em relação a contratação de trabalhadores estrangeiros. pode o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou actividades que se enquadrem nas restrições ao seu exercício por cidadão estrangeiro. Para além deste dispositivo que vela pela situação dos trabalhadores nacionais. através do decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. no quadro das normas e princípios de direito internacional e em obediência às cláusulas de reciprocidade acordadas entre a República de Moçambique e qualquer outro país. por cada trabalhador estrangeiro em relação ao qual se verifique a infracção. Em relação ao trabalhador imigrante. a lei do trabalho. Sem prejuízo do disposto no número anterior. nomeadamente em razão do interesse público. O artigo 2 da mesma lei estabelece como condição para a contratação de estrangeiros que A autorização para contratação de trabalhadores estrangeiros fica condicionada à comprovação pelo Centro de Emprego do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de que possuem qualificações académicas ou profissionais necessárias e que não existem cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente. o governo estabeleceu. os que entram por postos não habilitados são considerados migrantes clandestinos.ou caducado. no artigo 1. A lei do trabalho introduz novas clausula não previstas no decreto-lei 57/2003 20 .

nível escolar. níveil de vida e o estatuto financeiro (Chiswick. turístico. nas grandes empresas. oficial. no artigo 34. Se o país possuir cidadãos com aquelas qualificações não é permitida a contratação dos estrangeiros. b) 8% Da totalidade dos trabalhadores. que se contrate estrangeiros que tenham entrado no país mediante visto diplomático. Para que o país possa seleccionar melhor os imigrantes que pretende. consoante o tipo de classificação de empresa: a) 5% Da totalidade dos trabalhadores. permanecia e saída de imigrantes. aptidões. que controla a legalidade laboral se há contratados sem autorização o estado suspende o estrangeiro. americanos. nas pequenas empresas. Muitos países que procuram mão-de-obra procuram acima de tudo avaliar a qualidade desta força de trabalho. Não basta admitir estrangeiros. A excepção a regra são os grandes projectos. 2008. Como seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir é um desafio para o estado moçambicano. 21 . qualificações. Países europeus. de visitante. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. Há empresas que admitem trabalhadores a margem da cota mas precisam de autorização. estado de saúde. etc). A empresa deve justificar que fez pesquisa nacional e que não achou moçambicanos com capacidades. asiáticos e até latino americanos têm uma política de migrações que veda a entrada de imigrantes não-económicos e com poucos ‘skills’ (habilidade definidas de forma mais alargada desde conhecimentos.ao determinar. Para além deste controlo. capital. Torna-se urgente estabelecer políticas com estratégias claras de imigração. deve estabelecer de uma forma bem clara a sua política de imigração.64). de negócios ou de estudante. a lei defende que a admissão de estrangeiros só pode acontecer no caso de não existir nacionais com aquela qualificação. A prioridade para o emprego é dada ao nacionail. através da inspecção do trabalho. O estado fiscaliza. nas médias empresas. pelo artigo 32 da lei do trabalho. c) 10% Da totalidade dos trabalhadores. o Estado veda. de cortesia. Até hoje. Moçambique só estabeleceu leis que determinam as regras de entrada. quotas de admissão de trabalhadores estrangeiros.

4. o país recebeu imigrantes no contexto do apoio às lutas contra o colonialismo e imperialismo e luta dos povos pela sua libertação nacional. voluntária. Este controle foi. as estatísticas da imigração nacional variam muito e a capacidade estatal de controlo está a ser posta em causa. políticos. guerrilheiros e activistas da África do Sul. ano da realização das primeiras eleições gerais (presidenciais e legislativas) multipartidárias.1 Origens dos imigrantes A imigração politicamente motivada acolheu. uma imigração politicamente selectiva cujo fluxo esteve sob controlo. igualmente. assegurado pela situação políticoeconómica caracterizada por guerra de desestabilização e crise económica de tal forma que o fluxo de imigração forçada. que se estabeleceram em Moçambique e. inclusive. de acordo com evidências empíricas. legal e ilegal era baixo até 1992. desde de 1992-1994. Além disso. Esta onda de imigração forçada e legal durou cerca de 5 anos para os Zimbabweanos. Moçambique está na rota da imigração desde a independência. Contudo. ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇAO DE IMIGRANTES. de certa forma. um país de acolhimento e de trânsito. o fluxo e a complexidade da imigração cresceram. Neste contexto. houve casos de cidadãos dos países socialistas e capitalistas. enquanto os registos oficiais demonstram uma entrada maciça de imigrantes legais e ilegais. Nesta altura.4. altura da assinatura dos Acordos Gerais de Paz (AGP) e 1994. mais de 20 anos para os Timorenses e prevalece uma abertura 22 . em 1975. Zimbabwe. com base nos artigos 4 e 21 da Constituição de 1975. se tornaram Moçambicanos. ao mesmo tempo. Com efeito. os chamados “cooperantes”. Com efeito. CARACTERIZAÇAO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS. mais de uma década no caso dos Sul-africanos. Palestina e Timor-Leste que lutavam pela libertação dos seus povos. até certo ponto. os registos de estrangeiros residentes tende a flutuar muito porquanto Moçambique representa. maioritariamente. o Estado promoveu.

No entanto. os Paquistaneses e os Chineses constituem os grupos de imigrantes predominantes em Moçambique. supostamente. indianos e bengalis) e do Médio oriente (principalmente libaneses) e da América (fundamentalmente do Brasil). No entanto. alegadamente. Malianos. retornavam ao país para reaver os bens deixados após a independência. procuravam melhores condições sócio-económicas. principalmente da África Austral. os Somalis. esta percepção não tem um suporte estatístico oficial e fidedigno. uma grande comunidade imigrante Indiana de várias gerações que esteve presente em todo o país e tinha um grande protagonismo no domínio comercial. foi caracterizada pelo predomínio de Asiáticos. os Etíopes. paquistaneses. Com efeito. existe uma percepção de que os Portugueses. 23 . As ondas de imigração pós AGP vieram suplantar do ponto de vista numérico e. No entanto. pois dados quantitativos nacionais e internacionais sobre os imigrantes em Moçambique não revelam a magnitude real em termos de nacionalidades dos imigrantes legais e. A terceira onda de imigração é actual e nela se destacam imigrantes provenientes da Ásia (maioritariamente Chineses. os Burundeses e os congoleses constituem as nacionalidades preponderantes. Por último. dos ilegais. os Somalis. muito menos. Senegaleses. os Kenianos e os Tanzanianos compõem o grupo dos imigrantes originários da África Oriental. com particular destaque para Paquistaneses e Bengalis que.para o caso dos palestinianos. A segunda. Neste contexto. depois de 1992-1994. dos Grandes lagos. de poder de influência. os Burundeses. esta terceira onda é dominada pela imigração massiva de africanos. os Sul-africanos. os Congoleses. Sul-africanos e Zimbabueanos são os principais imigrantes da África Austral em Moçambique. inclusive. os Guineenses. de acordo com evidências empíricas. os Libaneses. Guineenses da Guiné Conacry. Quanto aos Grandes Lagos. A primeira foi dominada por Portugueses que. o número de imigrantes e a variedade de nacionalidades alargouse através de três grandes ondas de imigração. cidadãos do Benin. os Nigerianos. Nigerianos e Camaroneses representam a África Ocidental. muitos destes imigrantes regressaram às suas origens de tal forma que esta onda de imigração não foi problemática do ponto de vista demográfico e permaneceu selectiva em relação as nacionalidades. da África Ocidental e Oriental.

Entretanto. maioritariamente falantes de Inglês e/ ou Francês num Moçambique multilinguístico mas que tem o Português como língua oficial.Na imigração africana. Esta barreira linguística. Sul-africanas que 24 . os africanos e os não africanos. os Libaneses constituem um caso de uma mistura entre a imigração forçada e voluntária enquanto nos outros grupos a imigração é. associada a dificuldades económica. alegadamente.1. pois na sua maioria são. fundamentalmente. isto é. em Moçambique. voluntária. destacam-se duas situações completamente distintas. e é forçada por instabilidades político-militares. 4. na imigração não africana. pois estas não são suas línguas. trata-se de um grupo de imigrantes maioritariamente camponês e de outro grupo predominantemente comerciante. financeiras e a segurança. Com efeito. Entretanto. por outro. Na caracterização do imigrante africano. compostos por homens entre os 21 e 40 anos de idade. pois os imigrantes aprendem a língua portuguesa em ambientes formais e informais. pessoas com um elevado grau de formação e pertencem a “classe média”. existe um grupo considerável de imigrantes falantes da língua Árabe que se expressam com muita dificuldade tanto em Inglês como em Francês. Por um lado.1 Condição socioeconómica dos imigrantes em Moçambique. A condição social dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique é diversificada em função da sua origem. os Sul-africanos constituem uma excepção em termos sócio-económicos. indivíduos relativamente estáveis que possuem recursos financeiros e procuram oportunidades para prosperar economicamente. essencialmente. é considerada um constrangimento à imigração em família. essencialmente. ambos com baixo nível de formação académica exceptuando alguns casos raros. alegadamente. Por seu turno. à excepção da Somália. Estes grupos de imigrantes são. Por um lado existem pessoas pobres que lutam pela sobrevivência e. Quanto a imigração africana. estes possuem contratos de trabalho para prestar serviços especializados em empresas. do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) onde a emigração foi. por motivos comerciais. a barreira linguística tem sido minimizada ao longo do processo de integração social. em todos os outros casos a imigração em Moçambique é descrita como sendo voluntária e.

Contudo. os Paquistaneses são. dos brasileiros e chineses. vistos como indivíduos de uma condição desfavorável mas que rapidamente atingem a prosperidade. Os Chineses constituem um grupo que está. alegadamente. os Paquistaneses que trabalham no ramo comercial são suspeitos de prosperar usando. particularmente africanos que desenvolvem a chamada medicina tradicional que tem. fundamentalmente da “classe média/alta”. pessoas desfavorecidas que encontram na imigração uma oportunidade para melhorar a sua condição sócio-económica. Em relação aos Portugueses e Brasileiros. existe um número considerável de imigrantes. esta percepção da facilidade de prosperidade dos imigrantes é extensiva aos africanos.operam em Moçambique. a prestar serviços. igualmente. constata-se que também estão em Moçambique muitos técnicos da “classe média/alta”. é importante colocar o alerta para a existência de uma alegada política de exportação de pessoas com objectivos políticos e económicos que incluem a necessidade de assegurar espaços de influência e oportunidades de internacionalização de empresas. em empresas de construção civil. muitos estão a ganhar conhecimentos básicos da língua portuguesa no ambiente informal dentro e fora trabalho. Por outro lado. Estes não trazem família e são. Além disso. Além disso. a língua não constitui uma barreira nos objectivos dos imigrantes maioritariamente jovens que raramente trazem família. meios ilegais. Boer falante de Afrikans e Inglês. supostamente. Esta situação não constitui uma 25 . A excepção dos sul-africanos. dos portugueses. Para ambos grupos. Em relação aos imigrantes Asiáticos. Quanto a imigração não africana. dentro da imigração Sul-africana existe um número significativo de pessoas que estão em Moçambique na condição de investidores estrangeiros. tido um papel social positivo para muitas famílias Moçambicanas mas também é altamente lucrativa. os Chineses e os Paquistaneses constituem as nacionalidades mais evidentes no seio da opinião pública. Por seu turno. fundamentalmente. alegadamente. Alias. a maioria dos imigrantes professa a religião islâmica. é importante distinguir os portugueses e os brasileiros e os imigrantes da Ásia e Médio Oriente pela sua considerável expressão do ponto de vista numérico e geográfico. contratados para prestar serviços ou ocupar cargos de confiança em empresas. de grosso modo. Mas.

na caracterização dos imigrantes. que requer uma abordagem multidisciplinar e de grande cooperação entre Moçambique e os Estados vizinhos que devem assumir uma postura proactiva. os imigrantes não qualificados e de classe baixa constituem a maioria. Além disso. quiça. particularmente para Moçambique. Esta fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. Entretanto. A fragilidade em termos de dados estatísticos é. o Estado pode actuar de forma proactiva e evitar surpresas estratégicas que podem ter impacto sócio-político. em Moçambique imigrantes qualificados e não qualificados. actualmente. por um lado. um problema institucional. 26 . nacional e transnacional. em termos operacionais. existe em Moçambique uma mistura de imigrantes qualificados e não qualificados. económico e cultural negativo a nível doméstico e internacional. em termos de extensão e intensidade. intervenção de uma rede de crime organizado que envolve Moçambicanos e estrangeiros cujas nacionalidades não estão claramente identificadas. alegada. pessoas da classe média/alta e de classe baixa. é livre e com. particularmente as empresas estrangeiras.novidade tomando como base ?????? (Huntington. Por outro lado pode servir para prever prováveis problemas contra os imigrantes. A percepção e descrição da condição sócio-económica dos imigrantes possuem um valor analítico importante para avaliar o grau de ameaça ou de oportunidade que a imigração representa para Moçambique e para os Moçambicanos. Este assunto é. Enquanto que a imigração não qualificada. o processo de integração regional e a futura liberalização do mercado de trabalho podem ter uma influência no fluxo de imigração para a África Austral e. pela percepção da dimensão numérica. sob o ponto de vista demográfico. simultaneamente. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sócio-política e segurança dos indivíduos bem como do Estado se não for operacionalizada a cooperação intra-estatal e internacional. 1997: 198). Há. Esta atitude pode constituir uma forma de colmatar a fragilidade institucional do ponto de vista estatístico e. Assim. Portanto. A imigração qualificada é promovida pelo sector económico.

sinais de existência de redes internacionais com ramificações nacionais que se dedicam ao recrutamento e/ou facilitação de imigração legal e. Uma terceira e última parte. que parece ser a maioria. Este grupo de imigrantes legais temporários inclui. incide. vem a Moçambique individualmente e/ ou em grupos. Neste grupo. a lei 5/93 de 28 de Dezembro. 4. fundamentalmente. vem a Moçambique via contratos de trabalho com entidades estatais como. sobre a categoria dos estrangeiros permanentes. por exemplo. evidências mostram que uma parte significativa vem a Moçambique por meio de empresas com base em quotas legalmente estabelecidas pela lei de trabalho. alegadamente. internos ou internacionais. em Moçambique. alegadamente. ilegal.1 Categorias de imigrantes em Moçambique Existem várias formas de categorização dos imigrantes. rota dos imigrantes ilegais e destino dos legais”. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro. 27 . mais imigrantes ilegais do que legais pode reduzir o peso da constatação de que “Moçambique. turistas. Contudo. 23/ 2007 de 1 de Agosto. é importante destacar que as autoridades migratórias e policiais detectaram. Quanto a legalidade dos imigrantes. principalmente.1. temporários e clandestinos. inclusivamente Moçambicanos. No entanto. regulares ou irregulares (Oucho. esta percepção pode ser simplista se considerar que foram constatados casos de imigrantes ilegais que não tinham Moçambique como destino mas. Homem de negócios e estudantes estrangeiros. a educação e a saúde e depois permanecem no país tornando-se. Mas é a legalidade ou ilegalidade dos estrangeiros que tem concentrado maior atenção da opinião pública e das autoridades estatais. os imigrantes podem ser voluntários ou forçados. Uma segunda parte.Moçambique representa uma rota de trânsito para imigrantes ilegais e um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. decidiram ficar. a percepção de que há. igualmente um grande fluxo de imigração com uma forte carga sócio-cultural que não se processa de acordo com a exigência legal migratória. cidadãos estrangeiros em trânsito. uma vez no país. de acordo com a legislação Moçambicana. em alguns casos. 2007) e permanentes ou temporários. existe o caso da imigração trans-fronteiriça que ocorre através dos postos de migração ao longo da vasta fronteira mas há. Além disso. Neste contexto. No caso de Moçambique. pelas facilidades existentes para a prática de negócios. por meios próprios.

que se estabelecem permanentemente no país sem intenção de transitar para a RSA mas sem nenhuma documentação ou que estejam em situação de refugiados mas sem a devida documentação. tornados legais. e 4) imigrantes irregulares. que estabelecem relações de âmbito sócio-culturais ao longo da fronteira entre Moçambique e os países vizinhos. que passam pelo país com objectivo de viajar para outros destinos. Assim. que é invisível e supera a capacidade fiscalizadora do Estado. Dentre os vários grupos de imigrantes ilegais existem aqueles que ao serem detectados pelas autoridades Moçambicanas são imediatamente repatriados e existem os são chamados a regularizar a sua situação. mas principalmente para a África do sul. a expiração do tempo de permanência. Esta é acção do ramo doméstico do crime organizado considerado “contra vigilância”. Por seu turno. Perante a complexidade de imigração em Moçambique é possível distinguir 6 tipos de imigrantes ilegais: 1) os imigrantes legais que se tornam ilegais devido. segundo as autoridades de guarda fronteira. por meios ilegais com a conivência de agentes do Estado em várias áreas. Passado algum tempo. Além disso. 3) imigrantes trans-fronteiriços. pois o país está aberto aos imigrantes quanto mais 28 . constata-se que há imigrantes que chegaram a Moçambique na condição de refugiados e depois se tornaram imigrantes. Entretanto. Deste grupo a maioria escala Moçambique como um corredor de trânsito para a África do Sul e uma minoria permanece. foram constatados casos em que o imigrante legal de hoje torna-se imigrante ilegal de amanhã. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique em grupos de 4 ou mais pessoas. por exemplo. o cumprimento desta obrigação está dependente da capacidade fiscalizadora das autoridades migratórias e policiais que tem sido pouco activa devido a fragilidade de meios humanos. 2) os imigrantes transitórios. como local de destino. estes imigrantes ilegais são. o tempo de permanência é de 2 anos renováveis de acordo com a lei de trabalho enquanto que não há um limite temporal para os imigrantes legais permanentes que estão a trabalhar na área comercial desde que cumpram com os requisitos preconizados no ordenamento jurídico vigente. financeiros e técnicos. Perante esta situação. as autoridades de guarda fronteira detectaram grupos de mais de 50 imigrantes que viajavam em condições desumanas. o imigrante ilegal de hoje tem-se tornado o imigrante legal de amanhã. presumivelmente. Em alguns casos.No grupo de “imigrantes contratados”.

os imigrantes ilegais chegam a Moçambique. com o fim do Apartheid.2 Rotas de Entrada de Imigrantes Desde a década de 1990. não existem dados quantitativos globais e exaustivos que revelam a magnitude real em termos de legalidade ou ilegalidade dos imigrantes a nível nacional. à complexidade da acção das redes de imigração clandestina. 1 A imigração Sul-africana é um caso particular que não cabe nesta constatação. A entrada dos imigrantes legais e ilegais. sobretudo. Do ponto de vista estatístico oficial. Moçambique entrou na rota de imigração. dos imigrantes africanos ilegais. No entanto. a percepção é de que existem mais imigrantes ilegais do que legais em Moçambique em trânsito ou em permanência. Neste contexto. devido a mediatização dos casos e a consequente elevação dos níveis de controlo os imigrantes ilegais abandonaram ou reduziram a via aérea como uma opção para a imigração em Moçambique. A maioria dos imigrantes nesta situação é africana. Além disso. em Moçambique. esta situação permite contornar as autoridades mas também facilita a acção das redes organizadas de recrutamento e facilitação de imigração clandestina. 4. Mas. No final da década de 1990 houve casos de imigrantes ilegais provenientes da Ásia que entraram em Moçambique por via aérea. do ponto de vista empírico. preferencialmente via terrestre devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira1. os imigrantes estão expostos ao perigo do trafico de pessoas que é um negócio altamente lucrativo mas que ainda não há dados sobre o fenómeno associado a imigração em ou para Moçambique. Com efeito. No entanto. Contudo. quais as nacionalidades predominantes. ocorre por via aérea. Moçambique constitui um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. em grande escala. A situação torna-se mais difícil de controlar devido. terrestre e marítima.não seja pelo reconhecimento de que a imigração pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de Moçambique. ainda não existe uma base de dados que permita afirmar com exactidão. 29 . dentro deste grupo. como um corredor de trânsito de imigrantes legais e ilegais para a África do Sul.

a via aérea. Este facto ocorre devido a ausência de receios quanto a legalidade da imigração e pela redução de riscos associados a imigração terrestre ou marítima que está sujeita a redes de recrutamento e facilitação de imigração ilegal. A fronteira de Zóbué. Assim. As entradas ilegais são feitas. parece que a fronteira marítima está a ser pouco usada na imigração e isso tem servido para menosprezar. a entrada de imigrantes ilegais em Moçambique não pode ser vista como um problema unicamente Moçambicano. na zona de Machipanda o fluxo de imigrantes ilegais é. na análise das rotas de imigração em Moçambique. há poucas evidências relativamente a entrada de imigrantes ilegais por via das fronteiras marítimas no Lago Niassa e no Rio Rovuma. em Tete. maioritariamente. 4. igualmente. no Niassa.2. por exemplo. os imigrantes tem subornado. de acordo com alguns imigrantes entrevistados. A título de exemplo. Neste contexto. de certa forma.1 As Rotas de Entrada Terrestre A rota de imigração terrestre desenvolve-se no sentido Norte e Centro em direcção ao Sul. 30 . No entanto. principalmente Tete) têm sido os principais pontos de entrada de imigrantes. os imigrantes são escondidos no meio de mercadorias ou em camiões cisternas como forma de ludibriar as autoridades de migração e guarda fronteira. Esta realidade coloca a reserva vulnerável a acção de caçadores furtivos. camionistas de longo curso. Niassa e Manica. também são pontos de entrada ilegal de imigrantes. Noutros casos. Entretanto. igualmente. os imigrantes ilegais atravessam as fronteiras ilegalmente usando a corrupção. é considerada uma das mais vulneráveis a imigração ilegal. Mueda. os imigrantes legais usam. e Machipanda em Cabo Delgado. Este é. um problema da Zâmbia mas principalmente da Tanzania e do Malawi por onde supostamente entra a maioria dos imigrantes ilegais. igualmente. Com efeito. a reserva natural de Mecula. Neste contexto. constitui um ponto de entrada de imigrantes ilegais. alegadamente. Metangula. respectivamente. Para o efeito. Com efeito. a fronteira marítima é. baixo devido ao controle implacável das autoridades fronteiriças do Zimbabwe. os distritos fronteiriços do Norte (Cabo Delgado e Niassa) e Centro (Manica mas.Por seu turno. extensa e com uma supervisão e controle frágil. a norte de Moçambique. em diversos pontos longe da localização oficial dos postos fronteiriços.

Beira. foram constatados casos de imigrantes legais que chegam a Moçambique por meios aéreos mas posteriormente entraram na África do Sul. O facto de Maputo ser. a entrada de estrangeiros nesses pontos tem sido excessivamente apenas do ponto de vista turístico e trabalhadores contratados menosprezando a situação no quadro dos dilemas da imigração. pois são poucos os países que tem ligações aéreas directas para Moçambique. Johannesburg e Maputo são pontos incontornáveis de entrada de imigrantes legais. via terrestre. os imigrantes Guineenses fazem a rota Guiné Conacry – África do Sul – Maputo. Nigéria – África do Sul – Maputo é o trajecto usado pelos Nigerianos. Entretanto. de forma clandestina. pois estão sendo alargadas as portas de entrada de Moçambique sem a correspondente capacidade humana e. Com efeito. Na maioria dos casos. Alguns Malianos em Moçambique usaram a rota Mali – Quénia – África do Sul– Maputo. o único ponto de entrada de estrangeiros constituiu uma vantagem do ponto de vista de registo controle e supervisão dos imigrantes. Mas. principalmente pela fronteira de Ressano Garcia. o alargamento de ligações aéreas do estrangeiro para diversos pontos de Moçambique como Vilankulo. Neste contexto.África do Sul – Maputo e Paquistão África do Sul – Maputo.3 Locais de fixação dos Imigrantes em Moçambique 31 . Portanto. na África do Sul. durante muito tempo.2 As Rotas de Entrada Aérea As rotas aéreas de imigração legal partem de vários pontos de dentro e de fora do continente Africano. Além disso. Nampula e Pemba que estão a receber aeronaves estrangeiras pode representar uma fragilidade do ponto de vista de supervisão e controle. a título de exemplo. tem sido um ponto de trânsito obrigatório. 4. o Aeroporto Oliver Thambo.2. De fora de África salientam-se as rotas Dubai . principalmente técnica e tecnológica para fazer face a complexidade da problemática da imigração.4. neste grupo de imigrantes legais é importante distinguir os que tem Moçambique como destino e os que tem a África do Sul como destino.

Além disso. é importante questionar quais são as nacionalidades predominantes no Sul. afirmar em que região do país há mais imigrantes. Com efeito. Maputo Cidade. os mercados informais estão progressivamente a ser dominados por imigrantes 32 . Centro e Norte de Moçambique de forma a traçar cenários demográficos. também. alegadamente. A existência de mercados informais nos grandes círculos urbanos é apontada como um factor que atrai os imigrantes2. numérica e em termos de nacionalidades não esta documentada nas poucas estatísticas oficias que existem. principalmente dos ilegais. são. nas capitais provinciais de Cabo Delgado. há maior circulação de dinheiro do que o meio rural ou suburbano é para acomodação. Maputo Província e Nampula são considerados os pontos de maior circulação de dinheiro onde há muitos imigrantes. uma percepção de que a zona Sul e Norte. os locais de fixação de imigrantes estão muito associados a interesses maioritariamente económicos. existe a percepção de que é no círculo urbano onde se encontram as maiores facilidades de realização de negócios comparativamente ao meio rural. respectivamente. Os meios rurais e os espaços suburbanos. No entanto. Nampula e Niassa. Existem. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano 2 A título de exemplo. o antigo e actual centro de acolhimento de refugiados. igualmente. É importante referir que Maputo e Nampula têm a particularidade de serem. é difícil sem uma base estatística fiável. igualmente. é onde existem as maiores oportunidades de negócio. a vantagem de estar próxima da África do Sul. Pelas evidências empíricas. económico-sociais e até políticos e de segurança. Maputo tem. mas. a distribuição geográfica. Além disso. evidências que mostram de que a zona Centro e Norte é onde há abundância de recursos naturais. Maputo e Nampula são grandes corredores de desenvolvimento. as suas actividades diárias ocorrem nos círculos urbanos pois. Neste contexto. Existe portanto. Esta “geopolítica dos interesses dos imigrantes” é um aspecto que não deve ser ignorado em qualquer avaliação do impacto da imigração em Moçambique. por ser menos onerosa.Os imigrantes encontram-se fixados em quase toda a dimensão territorial de Moçambique. mais do que isso. Neste contexto. Mas. Mas. espaços preferidos para habitação de imigrantes ilegais que estão constantemente a fugir das autoridades policiais e migratórias. constata-se que os imigrantes tendem a fixar-se em locais de muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos mas facilmente exploráveis.

clima. aparentemente. que explicam a emigração. de verem os seus direitos civis preservados. diz-nos que existem factores de repulsão (push) que fazem com que as pessoas queiram sair dos seus países de origem.mas. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. repartição desigual dos rendimentos. muitos cientistas sociais acreditam que existe uma combinação de factores económicos e não económicos. p. 2001:1). terem segurança. que vão desde problemas políticos e económicos.1. 5.FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Para alguns autores como Kearny (1986:353). a imigração explica-se a partir da necessidade de desenvolvimento humano. e cuidados de saúde (HDR-2009. a mundialização dos negócios.A teoria Push-Pull Os autores que estudam a imigração são unânimes em afirmar que é necessário que existam razões que levem as pessoas a decidirem imigrar. 49). e outros que levam as pessoas a escolherem o país para onde imigrar. (Schachter. e quando isto acontece os imigrantes geralmente dirigem-se sobretudo para os países mais próximos. violação dos direitos 3 Situações de pobreza absoluta são consideradas um dos principais factores de imigração. razões essas. ou melhores condições de trabalho. taxas de desemprego elevadas. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. O que move as pessoas segundo Kearny. a globalização que cria a imigração de quadros e pessoal especializado. Por outro lado. e é a procura desse desenvolvimento que elas deslocam-se das suas zonas de origem para outras. Regra geral as pessoas são motivadas pela possibilidade de conseguir trabalho. necessidade de uma formação melhor. Estes são. repartição desigual dos rendimentos. igualmente. imigrantes legais. como o comércio internacional. o turismo. 33 . e estes factores não tem nenhuma relação com a pobreza ou riqueza. Existem outros factores que estão na origem da imigração. é a necessidade que elas têm de se desenvolver como pessoas. 5. como diz Kearny. A teoria Push-Pull. há. Esta pobreza muitas vezes é causada por conflitos no país de origem. que vem da pobreza absoluta3. a necessidade de investir em novos mercados. Segundo estes autores. nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência.

dizem ter muita facilidade de praticar algum negócio para a sua subsistência e dos seus familiares afirmaram alguns dos entrevistados 7. Isto é: existem factores que levam as pessoas abandonarem as suas regiões de origem. disponibilidade de terras. constitui um elemento chave. (Castles. para atrair imigrantes. necessidade de uma formação melhor. Assim como factores relacionados com a globalização5. liberdades politicas. esses factores são: procura de mão – de obra. boas oportunidades económicas. relacionados com a procura de melhores condições de vida. factores relacionados com a possibilidade. e outros. ou do país de imigração4. são na sua maioria factores relacionados com a estabilidade política que o país atravessa. acesso a sistemas de saúde. económica. Neste contexto a ideologia da economia do mercado. A maior parte dos entrevistados durante a realização do estudo afirmaram que Moçambique tornou-se local de eleição dos imigrantes. e outros. encontra-se numa fase de expansão. de investir no país. isto porque estes já possuem algum familiar cá. a internacionalização do comércio. que seriam os considerados factores pull. factores de origem social.humanos. 5. que influenciam na escolha do local. 5 A globalização levou a liberdade de trocas comerciais. 7 Os imigrantes escolhem Moçambique já com algum negócio em mente.O caso de Moçambique No caso de Moçambique o grande fluxo de imigrantes pode ser explicado em parte com base na teoria push-pull. que tornou-se um fenómeno a escala mundial. ou algum conhecimento sobre a situação económica do país. principalmente devido a sua estabilidade política e económica6. 2000:82). que. formação. Segundo estes 4 A escolha do país para onde imigrar prende-se muito com a estabilidade política e económica que esses países oferecem. e as oportunidades de trabalho. Portanto os imigrantes. E factores que os levam a escolher Moçambique como ponto de fixação. Portanto deve existir motivos de atracão que os levam a um certo país. e ainda devido a possibilidade de se praticar o comércio e investir em novas áreas de negócio. e política. Os imigrantes escolhem Moçambique como ponto de fixação porque uma vez aqui instalados. Assim como existem factores de atracção. já chegam em Moçambique com um objectivo concreto da sua estadia em Moçambique. como pudemos verificar durante as várias entrevistas efectuadas. 34 .2. 6 A estabilidade política e económica de que Moçambique goza. que são um conjunto de vantagens comparativas existentes nos países desenvolvidos que atraem essas mesmas pessoas. e assiste-se a internacionalização dos mercados. e a proximidade com África de Sul. necessidade de investir em novos mercados onde as oportunidades de negócio são melhores. e a segurança que estes países podem oferecer.

Os Refugiados8. recepção. de investimento. politico. colonial.geralmente os imigrantes. encontra-se fora do seu país de origem. ou opinião pública. Para explicar este fenómeno. profissional. o centro possui uma politica aberta que lhes permite sair a procura de trabalho para a sua subsistência. e integração. neste momento o centro possui cerca de seis mil habitantes. 2000. O grupo de estrangeiros que entra em Moçambique com o objectivo de ir ao centro de refugiado é enorme. Nampula acaba sendo um ponto estratégico devido a existência do centro de refugiados. e/ou profissional. que também explicam os fluxos de imigrantes de um país para o outro. p:123). começam com pequenos negócios. comercial. é toda a pessoa que por razoes da sua própria segurança. passam a fazer parte do grupo de imigrantes porque segundo os nossos entrevistados. Outro factor importante que explica o fluxo de imigrantes em Moçambique relaciona-se com a existência de um centro de refugiados em Moçambique. sem poder regressar durante um certo período de tempo. (Centro de Refugiados de Maratane) mais concretamente na província de Nampula. Esta teoria serve também para explicar o fluxo de imigrantes para Moçambique. o que lhes facilitam todo o processo de deslocação. Portes e Borocz (1989) referem que as imigrações devem ser vistas segundo a teoria das redes sociais: um fenómeno de construção de associações entre pessoas ligadas por algum laço seja ele familiar. muitos dos imigrantes que vêm investir em Moçambique tem de alguma forma alguma relação com o país. podem ser de índole. uma banca num mercado informal. o que explica em parte o grande fluxo de imigrantes naquela região do país. estes laços segundo (Castles. porque pelo que pudemos constatar durante as entrevistas. afectivo ou cultural. ou perseguição devido a sua raça. Os entrevistados referiram-se ainda ao facto de muitos dos imigrantes que entram em Moçambique possuírem já alguma relação de familiaridade. 35 . religião ou nacionalidade. e passado pouco tempo já tem uma loja. que os teóricos não consideram imigrantes voluntários. e os países de acolhimento. entre eles. ou ainda associação a determinado grupo social. regra geral a laços previamente existentes entre os países de origem dos imigrantes. A literatura considera que existem movimentos migratórios que se associam. militar. e pelo que nos foi dito. não implicando necessariamente uma aproximação geográfica. alguns saem e não regressam mais ao centro. Isto porque estas ligações vão ser uma fonte importante de 8 Refugiado. e outros.

e ainda ao facto de muitos imigrantes utilizarem Moçambique como ponte entrarem na vizinha África do Sul. as suas naturalidades. Entretanto. e a facilidade de praticar algum negocio em Moçambique. e do ponto de vista económico isso é positivo. e o negócio informal. Quando abordados os imigrantes dizem que estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida. mais concretamente o comércio. são situações. Os homens e as Mulheres que abandonam os seus países. principalmente dos ilegais. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE 6. e as suas residências de originarias. 6. alguns dos entrevistados afirmam. fazem-no na grande maioria das situações. e a procura de um melhor mercado de trabalho. guerras. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO 36 . mais concretamente na zona norte. As estimativas sobre o volume deste fluxo são difíceis de se obter uma vez que não possuímos dados estatísticos sobre o número dos imigrantes que entraram em Moçambique. que os imigrantes têm estão a controlar os pequenos negócios. No que diz respeito a imigração ilegal é difícil separar a fronteira entre refugiados e imigrantes. Outros factores que explicam o fluxo de imigrantes em Moçambique. violência. Em algumas zonas da província de Nampula e Cabo Delgado o mercado informal esta completamente sob o domínio dos estrangeiros que ali residem. devido ao fraco controlo dos órgão responsáveis pelas actividades comerciais. província de Nampula. O facto é que os factores que levam a imigração são geralmente os mesmos. principalmente o fluxo de imigrantes ilegais. quanto no turismo. perseguição política. tornando o processo de imigração mais seguro. O fluxo de imigração tem estado a aumentar tanto na área de negócios. como a facilidade de entrada no país devido ao fraco controlo das fronteiras. principalmente o negocio informal.informação que lhes vai permitir tomar decisões com algum conhecimento.1. e Cabo delgado. fuga a pobreza desemprego. ou religiosa. em busca de melhores condições de vida económica e de sobrevivência material.

No entanto. Entretanto. especificamente. Portanto. Neste contexto. na actualidade. na África do Sul e a crescente onda de imigração que se regista no país. cresceu o interesse em estudar a relação entre a imigração e a segurança. Com efeito. Contudo. Em Moçambique não existem estudos académicos que abordam. existe um consenso de que qualquer que seja a definição de segurança deve ser contextualizada respondendo a três questões fundamentais: segurança para quem? Sob que ameaças? E contra que valores? 37 .1.1 Segurança O conceito de segurança não é consensual no seio das teorias e dos estudiosos. na actualidade. as autoridades de defesa e segurança referem que este assunto não é recente em Moçambique. bem como o impacto da imigração na segurança. um conceito multi-dimensional e. Isto regista-se com maior destaque. Immigration´s Impact on US National Security and Foreign Policy do US Commission on Immigration Reform constitui. um exemplo da importância do assunto para as instituições de pesquisa e para os Estados. 2008). 6. a ligação e impacto da imigração na segurança. particularmente. também. principalmente ilegal mas.A imigração constitui. isto é um desafio devido a magnitude e variações da imigração. um dos grandes assuntos políticos que esta a ganhar importância na agenda dos Estados e nos Estudos de Segurança. O estudo de Franzblau (1997). mas ganhou maior importância depois da ocorrência da violência xenófoba em 2008. este estudo sobre a ligação e impacto da imigração em Moçambique é pertinente. o Bonn International Center for Conversion tem discutido a influência das organizações da diáspora nos processos de paz e conflitos nos seus Estados de origem. até certo ponto. os efeitos das actividades das diásporas nos interesses de segurança dos Estados hospedeiros e as condições de vida e necessidades de segurança dos imigrantes (Sommer &Warneeck. depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA. problemático. porque a segurança se tornou. igualmente.

podem ser tão perigosas quanto as ameaças militares. Contudo. o conceito de segurança. natural threats.De facto tradicionalmente. Apesar da proeminência que a segurança humana assume no pós guerra fria. o alargamento do conceito de segurança procura mostrar que as ameaças não militares como económicas. resulta. Esta visão de segurança é defendida pelo neo-realista Barry Buzan e pela “abordagem pós modernista ou Critical Human Security (Naidoo. Assim. de acordo com Hough (2004). 2001: 2). Neste contexto. a segurança é definida do ponto de vista estatal. consequentemente. ambientais. com ênfase nas ameaças militares externas contra valores nucleares como a integridade territorial. provavelmente. terminada a guerra fria. representada por teóricos como Hans Morgenthau e que permaneceu largamente incontestável durante a guerra fria (Franzblau. a visão tradicional Realista constitui o paradigma dominante do ponto de vista académico e em termos de abordagem dos governos na condução da política externa dos Estados (Hough. a imigração e o imigrante enquadram-se nos Estudos de segurança tendo em conta a visão de segurança alargada 9 Este interesse supremo. Neste contexto. as instituições e independência política e identidade cultural. a soberania. Para o efeito. altura de grande prevalência de guerras entre Estados. reduziu a prevalência de guerras entre Estados e fenómenos não militares nacionais e internacionais afectaram a segurança dos indivíduos e ganharam proeminência política que obrigou os teóricos a alargar o enfoque dos Estudos de segurança (Hough. Assim. a todo o custo e com todos os meios e recursos a sua disposição. Esta constitui uma visão restrita de segurança defendida pela Teoria Realista preocupada com a sobrevivência de Estado como o interesse nacional supremo9. social identity. isto na discussão sobre segurança para quem? Além disso. 38 . 2004: 8) e. o Estado tem a prerrogativa de impôr sacrifícios que afectem as liberdades e os interesses dos indivíduos. Esta é uma visão tradicional de segurança considerada restrita. os Estados procuram. da história de Relações Internacionais marcada por guerras e contra guerras que determinaram o surgimento e desaparecimento de Estados. a sobrevivência do Estado é um interesse acima de qualquer interesse particular. surgiu o conceito de segurança humana que constitui um “novo paradigma” dos Estudos de Segurança. 1997: 9). defender a sua existência como uma entidade politicamente independente (Freeman Jr. health threats. Esta constitui uma perspectiva que procura mostrar que o indivíduo é tão importante quanto o Estado como referente de segurança. 2004:2). 1997:1). accidental threats e criminal threats.

os refugiados económicos e os refugiados ecológicos10. Este enquadramento coloca. nas situações em que representam ameaça. Neste caso. a imigração numa outra dimensão de segurança que é a segurança pública que constitui matéria de polícia. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de origem e. Assim. por conseguinte. Cabo Verde é um exemplo de país no qual muitas famílias dependem das remessas dos imigrantes. é importante ter em consideração os contextos. criam insegurança humana. isto não deve ser visto de forma generalista e acrítica. em 1970. No entanto. igualmente. às más condições sócio-económicas derivadas da problemática da pobreza. particularmente para os Estados de acolhimento. a imigração pode ser determinada. à insegurança pode estar associada a guerras mas. particularmente dos meados da década de 1990. os refugiados de guerra.2. Assim. Em Moçambique existem. em alguns contextos. Isto ocorre através do envio de dinheiro ou bens que contribuem na subsistência ou sobrevivência dos que não emigraram. refugiados Palestinianos tentaram derrubar o regime do Rei Hussein 10 Os imigrantes da região dos Grandes lagos. muitas famílias cuja segurança humana depende de imigrantes na África do Sul. Nesta perspectiva cabem. A título de exemplo. os imigrantes são. entre outras causas. os imigrantes colocam em causa a estabilidade política dos países acolhimento. também.a actores não estatais e assuntos não militares. igualmente. constituem exemplos de emigração forçada devido a insegurança humana causada pelas guerras enquanto os imigrantes do corno de África representam casos elucidativos de insegurança humana resultante da combinação entre guerras e desastres naturais. maioritariamente. que lida com tranquilidade e ordem pública. Ligação entre imigração e segurança A ligação entre segurança e imigração reside nas causas e nas consequências da imigração. Portanto. porquanto existem vários casos de imigrantes que não representam ameaça a segurança e. Em termos de consequências. Noutros contextos. 6. a imigração promove a segurança humana dos imigrantes e das suas famílias que permanecem nos países de origem.1. pela falta de segurança dos países de origem que. de certa forma. 39 .

uma ameaça política ao regime político do país de acolhimento. existe. 6.II na Jordânia. posteriormente. uma tendência de adoptar uma atitude negativa que incide sobre os Estados de acolhimento e pouca atenção é conferida aos imigrantes e os Estadas de origem. Portanto. do ponto de vista de segurança. defende que os refugiados ou migrantes podem constituir uma oposição ao governo do país de origem. 40 .3. principalmente ilegal. International Security 17: 3. Este impacto negativo incide sobre a segurança pública e não sobre a segurança do 11 Weiner. simultaneamente. Myron 1992/ 93. Este pessimismo é tão grande que se discute mais da ameaça que a imigração representa e pouco a ameaça sobre os imigrantes. os migrantes e / ou refugiados podem ser. imigrantes Moçambicanos baseados na Tanzania desenvolveram uma guerra de libertação que desestabilizou o regime colonial Português e. Myron Weiner citado por Franzblau (1997: 3-11). Moçambique sofreu uma desestabilização políticoeconómica e militar pelo facto de ter acolhido imigrantes da antiga Rodésia do sul e da África do Sul. Stability and International Migration.1. criou condições para o fim do colonialismo e surgimento do Estado Moçambicano. no que ficou conhecido como Setembro Negro (Tembe. formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) no Uganda de onde lançaram ataques que culminaram com o derrube do governo de maioria Hutu. imigrantes Ruandeses. os imigrantes podem ter um impacto positivo e / ou negativo nos seus Estados de origem. do que optimismo. e podem ser tomados como reféns. maioritariamente Tutsis. Além disso. Impacto na segurança Do ponto de vista de segurança. Em Moçambique. o que constitui um risco para os Estados de origem11. a percepção é de que os imigrantes (legais e ilegais) criam um impacto negativo na segurança. nos Estados de acolhimento ou na relação entre ambos. há mais pessimismo e medo da imigração e do imigrante. uma ameaça e um benefício cultural. Neste contexto. 2003: 93). podem ser um fardo ou uma contribuição sócio-económica. nas discussões globais sobre imigração. Security.

Neste contexto. eventualmente. provavelmente fazer surgir no seio dos imigrantes interesses políticos que passem pelo acesso e controle do poder politico local e. não existem evidências (pelo menos até agora) de que os imigrantes legais e ilegais. os imigrantes legais. de acordo com os seus interesses de curto. em Moçambique. O alerta maior incide sobre o facto de alguns países estarem a desenvolver políticas deliberadas de exportação de pessoas a todo o mundo. a imigração pode afectar a segurança na vertente identidade cultural e. levanta-se o alerta segundo o qual. igualmente dedicados a actividades económicas. No entanto. constata-se que um imigrante. 41 .4. possuem agendas políticas que possam colocar em causa qualquer que seja o regime no poder. Impacto da imigração na segurança do Estado Em relação a segurança do Estado. na prática.1. em Moçambique. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. económicos e sociais. Lopes Sibinde12. 6. este é um comportamento normal dos Estados que se guiam. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. a longo prazo. de acordo com a legislação Moçambicana. mas sim pode eventualmente constituir ameaça à ordem e tranquilidade públicas. Neste contexto. sobretudo o ilegal. estão concentrados na materialização de interesses económicos e permanentemente a tentar passar despercebido para não serem descobertos pelas autoridades estatais. apenas. Mesmo essa hipótese não é convincente porque. Além disso. definida segundo a Teoria Realista. 12 Elemento da direcção nacional da migração. com interesses políticos.Estado. Contudo. Representam. médio e longo prazo. quiça nacional. os imigrantes não constituem um grupo politicamente homogéneo. teria asseverado que os imigrantes não constituem de facto uma ameaça à soberania do Estado. Na sua intervenção. os imigrantes ilegais. a segurança nacional. receber ou estar a receber pessoas por encomenda. a mando dos estados de proveniência. muitas pessoas suspeitam de que Moçambique pode. têm os seus direitos políticos bastante restringidos. Por seu turno. Assim. tenta passar-se por despercebido.

a desflorestação causada pelo abate indiscriminado de madeira. é importante questionar até que ponto um provável abandono de imigrantes poderá constituir uma ameaça a estabilidade económica e financeira de Moçambique. florestais e faunísticos valiosos.1. a exploração de ouro a céu aberto nas províncias de Niassa e Manica. os imigrantes fazem-no para “lavagem de dinheiro” e transferências monetárias. Com efeito.fundamentalmente. a exploração de minas a céu aberto. acima de tudo. A título de exemplo. muito dinheiro. a pesca ilegal no Lago Niassa. Quando usam o circuito bancário. Os receios residem no facto de alguns dos imigrantes. o abate de madeira em Cabo Delgado e Sofala. conhecedores da arte da guerra e as suas actividades não estão sob controlo efectivo do Estado. bancário como ficou demonstrado no caso da apreensão de dinheiro na fronteira Machipanda Neste contexto. 6. dos Grandes Lagos e do Corno de África. Há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. No entanto. Além disso. pelas autoridades policiais. pois não se conhece os cadastros dos imigrantes legais e ilegais que se estabelecem ou circulam em Moçambique. principalmente africanos. ilegalmente. principalmente os africanos. a maioria das transferências monetárias não ocorre no circuito formal. recursos minerais. Esta eficiência e eficácia dependem da existência de uma política e consequente estratégia de imigração e. fora do circuito bancário. existem alegações segundo as quais há envolvido em agiotismo. presumivelmente. por interesses e não deve constituir um problema de segurança se as instituições responsáveis pela fiscalização e controle da imigração forem eficientes e eficazes. Neste contexto. existem receios. de animais e a 42 . os imigrantes fazem circular. Neste contexto. pois poucos. têm contas bancárias em Moçambique. do país. casos de imigrantes envolvidos na falsificação de moeda. existem muitas dúvidas sobre as actividades dos imigrantes que têm estado a prosperar de uma forma rápida e grandemente comparativamente aos Moçambicanos.5. de capacidades humanas e tecnológicas. e a caça furtiva na reserva do Niassa. Neste contexto. foram detectados. Impacto na segurança pública Em relação a segurança pública. serem.

os imigrantes legais alimentam. o “Mukhero” que nem sempre cumpre com as obrigações fiscais mas que garante a estabilidade sócio-económica de muitas famílias. a destruição do ecossistema pode ocorrer a curto prazo mas a renovação pode levar muitas gerações se não se tomar em consideração este problema que é multidisciplinar. Uma vez detectados os casos de presença ilegal e actividades criminosas envolvendo imigrantes legais e ilegais. a nível da Cidade e Província de Maputo. de acordo com a legislação internacional. a problemática das mudanças climáticas. na actualidade. os dados revelam que os imigrantes não estão envolvidos na produção. Em relação ao tráfico de droga. muitos 13 14 A segurança ambiental é. Os imigrantes estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas. A preocupação maior reside. O seu envolvimento esta na comercialização que faz parte de um circuito internacional envolvendo cidadãos nacionais. indirectamente. igualmente legais sobre os quais existem muitas dúvidas relativamente a proveniência real do grande volume de dinheiro que geram. da gravidade dos crimes. Os casos bastante mediatizados de mulheres Moçambicanas detidas no Brasil e no Aeroporto de Mavalane. no tráfico de drogas que envolve. No entanto. este não constitui o principal elemento de preocupação do ponto de vista de segurança.poluição dos rios e ribeiros podem constituir. 15 Vereador do conselho municipal da cidade da matola 43 . Com efeito. oculta-se o crime organizado transfronteiriço e que envolvem imigrantes e os nacionais que tem facilitado a circulação e praticas ilícitas dos imigrantes. afirmou que por detrás de imigração. No caso de Moçambique. a longo prazo. nacional e. principalmente. Adérito Notiçe15. por exemplo. Assim. uma ameaça a segurança ambiental de Moçambique1314. principalmente imigrantes ilegais mas. dependendo. um assunto que tem um peso político internacional devido. em Maputo constituem exemplos de alegado tráfico de drogas que é controlado por alguns imigrantes que estão legalmente em Moçambique e simulam negócios formais para esconder esta actividade ilegal. estes são repatriados e/ ou responsabilizados criminalmente.

é de prever que o número de imigrantes em Moçambique tenderá a crescer e isto representa um desafio a capacidade do Estado em matéria de supervisão e controle. neutralizados 12 kenianos que vinham a Moçambique com intenção de assaltar bancos. Assim. muitos imigrantes ilegais com pretensões de alcançar a África do Sul serão forçados a ficar em Moçambique. por exemplo. o impacto negativo da imigração na segurança pública e até humana. Esta situação poderá. Esta situação envolve mais a entidade policial. os imigrantes legais e ilegais podem. a autoridade policial fala da explosão de caixas multi banco. pois a maioria vive legal e honestamente. os imigrantes promovem a corrupção para escapar o controlo das autoridades. de acordo com a opinião de alguns imigrantes. os imigrantes agem como mandantes. provavelmente. o caso de Moçambicanos envolvidos na suposta tentativa de Golpe de Estado no Reino do Lesotho. principalmente Nigerianos e Paquistaneses. fazer com que o criminoso da África do Sul procure locais mais frágeis onde possa operar. os ATMs. foram. 44 . agravar-se a curto e médio prazo se se tomar em consideração o facto de que a África do Sul está a aumentar o seu orçamento no sector de segurança16. Além disso. em Moçambique. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. O envolvimento directo de imigrantes nas actividades criminosas é um risco que eles procuram minimizar ao máximo. Na perspectiva da autoridade policial. Em termos de crimes violentos. os autores morais e os nacionais são os autores materiais. futuramente. na perspectiva de autoridade policial. eventualmente. Neste contexto. Portanto. em Maputo. Segundo os imigrantes. característico de Moçambicanos de tal forma que não exclui a possibilidade de tais actos terem sido cometidos por cidadãos estrangeiros. Este modus operandi não é. Para o efeito. Noutros casos. alegadamente. é uma verdade que atinge uma pequena minoria de imigrantes. A título de exemplo. isto é. por exemplo. estas e outras situações podem. 16 Entre as razões que justificam o elevado investimento Sul-africano na segurança está o facto de a África do Sul ser um dos países com a mais elevada taxa de criminalidade violenta e a realização do Mundial 2010. Moçambique é vítima mas também pode se tornar agente tendo em conta. no problema da internacionalização do crime. os executores vulneráveis devido a sua fraca condição económica e financeira.imigrantes usam a corrupção como uma forma de garantirem a sua presença no país.

de certa forma. para qualquer imigrante a imigração constitui. a assumir uma posição de monopólio de pequenos negócios anteriormente desenvolvidos por moçambicanos. igualmente. um risco a sua segurança humana como demonstram os casos de xenofobia por todo o mundo e. nos círculos urbanos onde é perceptível comentários como “este país é nosso mas os estrangeiros mandam aqui”. Além disso. constata-se que há certos comportamentos xenófobos não violentos. por exemplo. A ligação entre a imigração e a saúde pública é um assunto que tem a ver com os mecanismos de supervisão e controle de entrada e circulação legal e ilegal de estrangeiros e. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. Esta ameaça não militar a segurança está associada. de Moçambicanos imigrantes quando entram em Moçambique. tem sido apresentadas 45 . há Moçambicanos que estão a pronunciamentos hostis pelo facto de estarem a perder espaço e oportunidades de desenvolver negócios a favor dos estrangeiros. principalmente. No entanto. devido a natureza tolerante. em Moçambique. A sua fraca condição sócio-económica forçou-os a imigrar. na África do Sul. particularmente. porque não. a facilidade que os estrangeiros têm de aceder a créditos bancários comparativamente aos Moçambicanos tem provocado um certa animosidade. Este é um sinal de frustração de algumas pessoas que atribuem responsabilidades por algumas dificuldades que enfrentam no dia-a-dia aos imigrantes que estão. A acção de certos imigrantes também contribui para a criação de “mentes e discursos xenófobos” que constituem um risco a segurança dos imigrantes. Entretanto. Alguns imigrantes estão em Moçambique por uma questão de segurança humana. gradualmente. Com efeito. particularmente. associada sexo comercial envolvendo mulheres imigrantes Zimbabweanas. pacífica. No entanto. é uma ameaça real que pode estar. A título de exemplo. em 2008. o HIV/SIDA. às regiões da África Ocidental e dos Grandes Lagos mas que não existem evidências em Moçambique. A maioria dos imigrantes e dos cidadãos Moçambicanos não acredita que há probabilidade de ocorrência de xenofobia. Neste contexto. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas como. a febre-amarela e o ébola.Não menos importante. principalmente na zona centro de Moçambique. não violenta do povo Moçambicano.

os fluxos de imigrantes podem ter diversos efeitos na estrutura económica. a xenofobia em Moçambique manifesta-se de forma não violenta em alguns círculos urbanos. 6. No entanto. sem pressões inflacionistas. alguns dos quais (sobretudo os factores externos) estão relativamente além da capacidade de influência do país de acolhimento. de origem interna e externa. o caso da África do Sul. uma fase latente de um problema que se não for eficientemente gerido pode. Contudo. Os imigrantes se ocupam regra geral. eventualmente.2. A Ponta d´Ouro. 6. ou não. na economia Moçambicana. tomar a forma violenta. dos imigrantes no desenvolvimento económico do país. 2003). O país de acolhimento beneficia como um todo. na Província de Maputo é um dos locais visados. mesmo quando certos grupos de imigrantes ficam em desvantagem. isto é. para além de demonstrarem um carácter empreendedor. independentemente da conjuntura existente.reclamações de tratamentos racistas protagonizados por Sul-africanos brancos. Portanto. por exemplo. 46 . (Almeida.Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia A literatura considera que a imigração tende a estimular. IMPACTO DA IMIGRAÇAO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA O que se pretende neste capítulo é fazer uma leitura dos resultados da contribuição. da imigração. nomeadamente o consumo acrescido de bens correntes. a probabilidade de ocorrência de violência xenófoba contra a segurança dos imigrantes é mínima porque não atinge uma grande maioria da população como é. de certa forma. até agora.1. de profissões que as populações locais não querem. Esta forma de manifestação constitui.2. como os menos qualificados. O Efeito causado na economia de um país envolvido num processo de imigração depende de diversos factores. OIT (2004). a actividade económica do país de acolhimento.

Normalmente quando se deslocam para um mercado é na busca de sucesso e bem-estar. sendo que os imigrantes são mais agressivos. discriminação. mais determinados. Por outro lado existem os imigrantes não económicos. De acordo com Chaswick (66-67). desertificação. 2008:67). Segundo a teoria de Chiswick acima referida. nomeadamente numa perspectiva de médio e longo prazo. da África ocidental e do corno de África como imigrantes económicos enquanto os imigrantes da África Austral são imigrantes não económicos. Os imigrantes não económicos podem tornar-se economicamente activos no país de acolhimento e até superar os imigrantes económicos. oriunda do estrangeiro aumenta a oferta de trabalhadores aliviando a pressão da subida dos salários e. pobreza. consequentemente da inflação. são vanguardistas/empreendedores e muitas vezes fisicamente e mentalmente mais aptos. aceitam riscos. 17 A existência da mão-de obra. pelo preenchimento dos labour shortges com uma mão-de-obra mais barata e flexível. a elevada capacidade e habilidade aumenta a produtividade do mercado de trabalho. perseguição. Os mais hábeis e capazes aumentam a eficiência porque usam menos tempo para completar tarefas. Quanto mais hábeis e capazes os imigrantes forem. e outros.Segundo Stalker (2000). mais fortes. 47 . eles acrescentam valor no capital humano dos países de acolhimento. melhor será a eficiência do mercado de trabalho no país de acolhimento porque. desta forma gerar ganhos de produtividade17 De acordo com chiswick (2008:64). Podemos considerar pela sua maneira de estar no mercado os imigrantes asiáticos. conflitos. Estes imigrantes podem ser chamados de imigrantes económicos pois deslocam-se na busca de melhores oportunidades. podemos dizer que os imigrantes em Moçambique dividem-se em imigrantes económicos e não económicos. os imigrantes económicos tendem a ser os mais capazes. Quando os imigrantes económicos se integram num mercado. do mesmo modo que aumenta a eficiência no investimento em capital humano. seca. as imigrações influenciam o desempenho económico do país de acolhimento dos imigrantes. árabes. os imigrantes são diferentes dos naturais no que diz respeito a maneira como encaram o mercado. o seu impacto na economia dos países receptores torna-se evidente pois. permitindo um uso mais eficiente da mão-de-obra e. que geralmente fogem a fome. tirania. o que implica na diminuição de custos das empresas (Chiswick.

das razões de saída do país de origem. Recursos do grupo étnico 48 . principalmente no comércio. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. também contribuem para o desenvolvimento da economia do país. existe uma série de factores que determinam o sucesso económico dos imigrantes na sociedade de acolhimento: Oportunidades estruturais Recursos pessoais Oportunidades étnicas Contexto político e Classe social do indivíduo. Os imigrantes da região austral (Zimbabweanos. da capacidade financeira e da recepção dos imigrantes no país de acolhimento.2. os imigrantes do sudoeste asiático (indianos e paquistaneses) do médio oriente (árabes). O emprendedorismo dos imigrantes depende muito dos factores acima mencionados.2.O que se verificou durante o processo de entrevistas foi que a integração económica dos imigrantes em Moçambique. a influência árabe na África ocidental e no corno de África dita o comportamento económico destes povos enquanto práticas seculares de comércio tornam os imigrantes do sudoeste da Ásia e do médio oriente exímios empreendedores. Por outro lado existem os imigrantes trabalhadores não qualificados. que do ponto de vista de rendimentos para o país não traz nenhum benefício. Os entrevistados referiram no entanto que nem tudo é positivo no que diz respeito a presença dos imigrantes em Moçambique. O peso dos factores culturais neste tipo de comportamento é sem dúvida determinante. Em termos gerais. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes Segundo Oliveira (2005: 18. Zambianos e Tanzanianos) são menos empreendedores e trabalham normalmente por conta de outrem. depende dos grupos. principalmente porque o maior número de imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. Os estrangeiros que investem em Moçambique e estão devidamente legalizados. pois. Malawianos.40). eles cumprem com todas as suas obrigações fiscais. da África ocidental e do corno de África registam elevados índices de emprendedorismo nos vários sectores da economia. ou com pouca qualificações que dedicam-se mais ao comércio informal vendendo um pouco de tudo. 6.

arrendar ou pagar por bens e serviços prestados. A história da comunidade étnica e a sua trajectória económica O funcionamento das redes sociais no seio da comunidade imigrante conhecimento linguístico Idade. sexo. A experiencia em negócios e o capital demonstrado pelos imigrantes asiáticos (paquistaneses. sem grande capital e sem grande experiência comercial. contrariamente aos imigrantes da região austral (Zimbabwe. indianos e chineses) permite-lhes ter maior sucesso económico do que os imigrantes de outras regiões. Sem uma estrutura sociopolítica e cultural e sem uma legislação que favorece a entrada. A eliminação gradual dos procedimentos impostos no registo de empresas e na concessão de alvarás de exploração foi um dos principais atractivos a entrada de imigrantes económicos no país. Imigrantes que se estabeleçam em Moçambique com capital de investimento provocam um impacto mais visível em relação aos que não venham munidos de capital. Malawi e Tanzânia) que entram no país. na sua maioria. Depois da aplicação das medidas de reajustamento estrutural impostos pelo Banco Mundial nos finais da década 80. munidos de capital e experiencia encontram-se os imigrantes da África ocidental (nigerianos. permanência e o desenvolvimento de actividades empresariais. senegaleses e guineenses) e do corno de África (etíopes e somalis). As qualificações e a experiência profissional e de negócios que o individuo tenha também jogam favoravelmente para que ele tenha sucesso nos seus negócios e que provoque um impacto positivo na sociedade moçambicana. Com base no capital de investimento o imigrante vai afectar toda uma cadeia económica ao alugar. Ao lado dos imigrantes asiáticos. é o primeiro factor que determina o sucesso económico dos imigrantes em Moçambique. Moçambique tem adoptado uma política económica exemplar facilitando a entrada de novos investimentos. 49 . estado civil A extensão e abertura do Recursos financeiros mercado comercial de trabalho e O primeiro grupo de factores. O segundo grupo de factores é determinado principalmente pelos recursos financeiros do imigrante. os imigrantes não teriam o sucesso económico que estão a ter.institucional na sociedade de qualificações. as oportunidades estruturais. acolhimento Legislação profissional e experiência de negócio.

secundário. O sucesso de alguns grupos étnicos nos países de acolhimento deve-se precisamente a essa solidariedade intra-grupo. os membros do mesmo grupo étnico apoiam-se no país de acolhimento enquanto este apoio não existe no país de origem. 6. A primeira vista. indústria extractiva. Grupos étnicos altamente coesos suportam os seus conterrâneos nas sociedades de acolhimento. O Sector Secundário está relacionado com a transformação das matérias-primas produzidas pelo sector primário em produtos de consumo. O sector primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza e abrange actividades como a agricultura. joga um papel extremamente importante os recursos do grupo étnico. parece que os imigrantes possuem maior informação sobre as oportunidades de negócio em Moçambique. 2005:20). Os recursos do grupo étnico por vezes podem ser de carácter familiar ou étnico. a legalização. a indústria transformadora e a 50 .Dentro do terceiro grupo de factores (oportunidades étnicas). terciário e quaternário. imigração cria uma solidariedade reactiva. 2005:20). no sentido de que. De acordo com Oliveira.Impacto da Imigração nos Sectores da Economia A economia de um país pode ser dividida em 3 Sectores fundamentais. a primeira geração de imigrantes contribui na integração de novos imigrantes na sociedade de acolhimento. Em alguns casos. Os recursos étnicos são produzidos e reproduzidos por membros de um mesmo grupo. o sector primário. cooperação e solidariedade (Oliveira. citado por Heisler (2008:87). Pelo seu tempo de presença no território moçambicano. Baseiam-se em formas de fidelidade. as redes de imigrantes tem tido um efeito positivo na sua inserção profissional e no mundo dos negócios. A presença histórica de uma comunidade étnica no país de acolhimento também contribui para definir a trajectória económica dos seus integrantes. a concessão de emprego e até na concessão de empréstimos.2. O investidor imigrante entra no mercado conhecendo a estrutura da oferta e procura de determinados produtos empresariais. os imigrantes mais antigos conhecem redes de apoio mas vastas (Oliveira. confiança. 2005:27). De acordo com Light. Estas redes obedecem ao princípio da solidariedade. pesca e pecuária. que disponibilizam capital para investimento empresarial (Oliveira.3. desde a facilitação a entrada ao país. Este conhecimento é difundido pelos imigrantes pré-estabelecidos no país.

este sector não demonstra grandes desenvolvimentos. Em termos de sectores de actividade. verificou-se que os imigrantes repartem-se um pouco por todos os sectores com maior peso no sector primário e terciário. Nestes casos. O sector primário verifica uma grande presença de imigrantes concentrados na sua maioria na industria extractiva. portanto. O Sector Terciário é o dos serviços. turismo. A par do sector agrícola está o sector das pescas.construção civil são. batata. alguns sulafricanos. serviços bancários. Este sector engloba também actividades ligadas as tecnologia digital como a informática. Parece não haver por parte de muitos imigrantes suficiente vontade de arriscar na área produtiva. existem várias nacionalidades que fazem maioritariamente a mineração ilegal em províncias como Niassa e Manica na busca de ouro e diamante. seguros. chineses. Os serviços são produtos não meterias que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades e incluem actividades como comércio. o impacto económico é adverso aos interesses económicos do estado pois. infra-estruturas. saúde. falta de subsídios e a elevada carga fiscal sobre os insumos agrícolas. a maioria desta mercadoria é exportada de forma ilegal não contribuindo para as receitas fiscais. Para além dos brasileiros concentrados na mineração na província de Tete. O carvão Moçambicano está cotado entre os melhores do mundo e a sua exploração vai incrementar as exportações moçambicanas favorecendo desse modo o PIB e a Balança Comercial. vietnamitas e imigrantes das Maurícias que exploram um pequeno nicho do mercado agrícola ligado a produção de arroz. As fragilidades produtivas do país não são bem aproveitadas pelos imigrantes. A excepção de alguns farmeiros zimbabueanos que ainda se encontram na província de Manica. multimédia e telecomunicações. floricultura. 51 . transportes. A dinamização das minas de carvão na província de Tete motivou um boom económico nesta província e nos corredores ferroviários que permitem o escoamento desta produção. serviços administrativos. Na verdade. onde a presença de imigrantes é quase nula. actividades desse sector. Este cenário anacrónico para um país com grandes potencialidades agrícolas resulta sobremaneira da incapacidade do estado criar incentivos como a facilitação do crédito. são poucos os imigrantes que se concentram em actividades produtivas de facto. O sector agrícola é o menos favorecido em termos de investimentos de imigrantes. etc. A presença de imigrante brasileiros nas minas de carvão ao longo da província de Tete representa um imput considerável para o desenvolvimento desta actividade. educação. portugueses.

AIM . um sector anteriormente em franca decadência. pão. paquistaneses. Em relação a construção civil. O estado moçambicano enfrenta grandes dificuldades na atracção de investidores estrangeiros para a criação de novas indústrias e para a revitalização das mais de 300 indústrias paralisadas devido a guerra e as falhas do processo de privatização da década 90. etc). maurícios.11. pontes e infraestruturas de abastecimento de água nas cidades e vilas). principalmente no comércio e turismo. calçado. bolachas. uma percentagem considerada muito baixa. com o surgimento de novos negócios no país. etc) e têxtil (vestuário. Durante muito tempo. Estas infra-estruturas trazem um impacto positivo na economia e sociedade moçambicana. regista-se a criação de várias indústrias de pequeno porte pertencente a imigrantes portugueses. sumos. indianos. O impacto dos imigrantes pode ser visto em função da Oferta e Procura de bens e serviços essenciais. doces. No entanto. Por sua vez. Várias lojas rurais foram abertas e passaram a fornecer produtos essenciais às populações rurais reduzindo as distâncias de deslocação para a aquisição destes produtos. Muitos imigrantes foram responsáveis pela reabertura do comércio rural. o sector secundário em Moçambique é bastante fraco e incipiente. Os imigrantes e as empresas dos imigrantes estão envolvidos na construção de habitações e obras públicas (edifícios governamentais. O envolvimento dos imigrantes neste sector tem efeitos bastante positivos para o desenvolvimento de infra-estruturas no país. Normalmente. 52 . O sector industrial em Moçambique contribui apenas com 12 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB). existe uma considerável presença de imigrantes portugueses e chineses proprietários de empresas de construção civil ou empregados em empresas nacionais. os imigrantes envolvidos na construção civil possuem qualificações (skills) mais apurados dos que os moçambicanos contribuindo desse modo para a qualidade das infra-estruturas e a rapidez da execução das obras.Em termos gerais. O volume de produção do sector industrial é baixo devido a falta de investimentos nacionais e estrangeiros no sector (Fernando Gil. com a chegada de muitos imigrantes em Moçambique assistiu-se a um Boom do sector terciário. tendo em conta as potencialidades que o país possui. principalmente ligados a industria alimentar (açúcar. A área comercial é a mais expressiva. a procura de produtos essenciais nas zonas rurais era desfavorecida pela inexistência de uma oferta diversificada e a baixos custos. iogurtes.2007).22. estradas.

vários são os estabelecimentos hoteleiros pertencentes a imigrantes contribuindo significativamente para o 53 . consumíveis de escritório e produtos alimentares diversos. Gás Natural. mercearias. lojas de roupa. e os países do médio oriente obedecem em certa medida ao volume de imigrantes oriundas destes países. onde assistimos a construção de novos hotéis. etc. Pelo facto de estarem maioritariamente ligados ao comércio e pelo facto do país não ter uma base produtiva capaz de alimentar este comércio. a balança comercial tornou-se mais deficitária. é importante referir que a maioria dos imigrantes vira-se para a importação. Em relação a importação e exportação de bens e produtos de Moçambique. sal. Deve-se referir que os artigos importados pelos imigrantes abarcam desde os artigos de luxo aos artigos simples. Entretanto. a disponibilidade de assumir riscos e os baixos preços praticados pelos imigrantes vem sufocando a emergência deste empresariado nacional que vê no empresário imigrante não só um concorrente mas também como adversário. tendo impulsionado o desenvolvimento de negócios em áreas como sapatarias.Os empresários imigrantes contribuíram sobremaneira para a revitalização da economia moçambicana. Por força deste factor. Roupa diversa. normalmente representando os países de origem das maiores comunidades imigrantes no país. A elevada capitalização dos imigrantes em relação aos nacionais desprovidos de capital é notória. Brasil. electrodomésticos. A inexistência de uma base produtiva no país permite que se importe produtos elementares como agulhas. A experiência colhida. a criação do FIIL veio abrir oportunidades de capital para muitos moçambicanos que entretanto começaram a investir nas mesmas áreas. somente equilibrada pelos grandes industrias exportadores como a Mozal. o conhecimento sobre os melhores mercados de oferta. etc. Os laços comerciais com países como a China. pensões e guest houses em quase todo o país. desde os alimentares a maquinaria. o país tornou-se mais importador com a chegada de imigrantes comerciantes. Nigéria. Ao nível das grandes cidades. A segunda área que sofreu um Boom foi o Turismo. mobiliário de escritório e de casa. Em termos de parceiros comerciais. São normalmente importados produtos como: Sapatos. o fluxo de importações dos imigrantes permitiram que o país estabelecesse ligações com novos mercados. alfinetes. Índia.

muitas vezes subornadas pelos investidores imigrantes. principalmente nos casos de indivíduos que ocupam cargos de confiança. ao nível dos distritos e zonas rurais o número de imigrantes que exploram o sector é bastante reduzido devido ao fraco retorno de investimentos. não existe uma estratégia de emprego que possa absorver a massa laboral imigrante. o impacto dos imigrantes pode ser observado de dois ângulos: a Oferta e a Procura. o reduzido tamanho do mercado de trabalho em Moçambique que exclui grande parte dos jovens moçambicanos reflecte-se também na baixa contratação de imigrantes. títulos de propriedade. necessariamente. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses neste sector. privatização dos espaços públicos e exploração do nacional pelos estrangeiros. segregação racial.Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho Quanto ao mercado de trabalho. nem todos imigrantes contratados pelos bancos e pelas empresas apresentam. A maioria dos bancos privados nacionais possui no seu quadro técnico e administrativo imigrantes portugueses qualificados. Gaza e Maputo no sul e Cabo Delgado no norte. o sector turístico é maioritariamente dominado por imigrantes sul-africanos que exploram as potencialidades. principalmente nas províncias costeiras de Inhambane. a relação entre os investidores estrangeiros e os cidadãos nacionais não tem sido pacífica e motiva vários conflitos em torno da posse de terra. Ao mesmo tempo. Vários entrevistados denunciam a inoperância das forças policiais e das instituições de justiça. A predominância de imigrantes no sector terciário também é sentida ao nível da banca comercial pois. contratados para desempenhar funções chaves de chefia e treinamento. de acordo com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS).aumento da oferta de camas. Em termos gerais. Em relação a procura. No entanto.4. O sector turístico concorre hoje como um dos sectores em maior expansão no país contribuindo significativamente em divisas e infra-estruturas. Por seu lado. O discurso do governo tanto para os nacionais como para os 54 . promoção da prostituição.2. um elevado grau de formação. destruição de ecossistemas. Todavia. 6.

estrangeiros é o incentivo ao auto-emprego e ao empreendedorismo. Para Abdula. buscam oportunidades de emprego. da África ocidental e do Corno de África se empregam 55 . para além do negócio. Facto assente é que a maioria dos imigrantes asiáticos. árabes. a necessidade de contratação de mão-de-obra estrangeira prende-se com o facto das empresas nacionais não estarem somente a competir ao nível interno mas sim ao nível regional no âmbito da integração regional e ao nível internacional. de acordo com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). a contratação de trabalhadores estrangeiros continua necessária. Como é sabido. A maioria dos imigrantes asiáticos. A lei do trabalho também estipula uma série de condicionalismo para a contratação de mão-de-obra estrangeira no sector privado. Salimo Abdula. o governo moçambicano adoptou políticas que facilitam a entrada de imigrantes no mercado de trabalho. A experiência mostra que a maior parte dos imigrantes em Moçambique trabalha em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. os imigrantes destes países não demonstram um elevado nível de empreendedorismo dependendo muitas vezes de pequenos empregos mal remunerados ou se baseando no mercado informal. Para Abdula. oriundos da África ocidental e do corno de África não procuram o país com objectivo de concorrer para o mercado de trabalho. Provavelmente devido a crise económica que se vive no Zimbabwe e a fraca condição económica do Malawi. Somente em casos de inexistência de quadros qualificados em certas áreas que demandam formação especializada é que o Estado recorre a contratação de mão-de-obra estrangeira.04. o sector privado continua a recorrer à mão-de-obra estrangeira por falta de alternativa a nível interno. A inserção dos imigrantes económicos em Moçambique acontece de várias maneiras. Malawi e Tanzânia buscam.2009). árabes. A maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se mostram mais empreendedores que os nacionais. enquanto os imigrantes vindos do Zimbabwe. apesar de ser dispendiosa uma vez que requer a disponibilização de muitos recursos logísticos. Apesar do mercado de emprego ser bastante pequeno. especialmente os que são qualificados e capazes de se adaptar. Entretanto. o maior empregador em Moçambique é o Estado e os concursos de ingresso privilegiam a mão-de-obra nacional. como empresas dos outros continentes (AIM – 06.

através dos laços étnicos são favorecidos por empréstimos e créditos para iniciarem um negócio próprio. as empresas de construção civil dos imigrantes são actualmente aquelas que mais moçambicanos empregam. ela costuma basear-se em associações religiosas. as empresas de mineração são responsáveis pela contratação de muitos moçambicanos. abate ilegal de árvores entre outras actividades ilegais. mudando-se em seguida para uma actividade individual na base de empréstimos. sem nenhumas qualificações e habilidades e sem recursos financeiros. Na maioria dos casos.nas empresas dos seus conterrâneos e rapidamente mudam da situação de empregado para empregador pois. os ilegais tendem a empregar-se em empregos com baixos salários. Alguns estrangeiros criam emprego para os moçambicanos principalmente quando estabelecem grandes empreendimentos ou grandes projectos. o imigrante trabalha com os seus conterrâneos por um tempo curto. O peso da contratação de moçambicanos depende também dos sectores da economia. Ou permanecem em actividades clandestinas no comércio informal ou ainda em actividades de tráfico e extracção de minérios preciosos. caça ilegal. principalmente nas obras públicas. Em relação a oferta. A experiência profissional conseguida em firmas de conterrâneos significa. a fonte de capital. A par destas encontram-se as empresas de produção alimentar. para além de ser individual ou basear-se na rede étnica. No sector primário. Apesar de haver nichos consideráveis de imigrantes. por causa disso. O maior problema que Moçambique enfrenta é a excessiva onda de imigrantes ilegais. Normalmente. 2005:15). Esta tendência resulta do facto da maioria dos imigrantes ilegais serem oriundos de zonas pobres. No sector secundário. a contribuição dos imigrantes na criação de emprego depende muito do tamanho das suas empresas. De acordo com Chiswick (2008:71). os imigrantes investem em pequenas e médias empresas. 56 . em muitos casos. Normalmente os imigrantes ilegais não são imigrantes económicos. os imigrantes ilegais tendem a ser pessoas sem nenhuma qualificação ou com poucas qualificações em relação aos imigrantes legais e. No caso dos hindus e árabes. O tamanho destas empresas determina o volume de contratações dos cidadãos nacionais. a chave para o desenvolvimento de actividades independentes (Oliveira. a mão-de-obra nacional representa a maioria dos trabalhadores contratados.

Por serem empresas de pequenas dimensões. O relacionamento também não é pacífico quando o imigrante goza de mais benefícios na relação de trabalho ou quando este ocupa cargos de chefia passíveis de ser ocupados por nacionais. A discussão teórica sobre a assimilação dos imigrantes é a mais antiga e a mais dominante nos estudos sócio-antropológicos sobre a imigração. o impacto dos imigrantes no mercado de trabalho pode ser vista ao nível das relações laborais. No comércio informal está situação torna-se mais grave porque os imigrantes. Apesar da lei do trabalho incentivar. As constantes greves de moçambicanos empregados em obras controladas por chineses demonstraram situações de exploração. descriminação e racismo dos chineses para os moçambicanos e demonstraram uma grande diferença na cultura de trabalho entre os dois povos. nem sequer chegam a empregar moçambicanos porque são eles próprios que fazem a gestão do seu pequeno negócio. 2005:16). os comerciantes imigrantes contribuem para a redução do desemprego no país18. o relacionamento entre trabalhadores imigrantes e nacionais mostra-se em muitos casos bastante tenso principalmente na construção civil. favorecer e proteger a contratação de trabalhadores nacionais é notório que alguns estrangeiros abrem as suas lojas comerciais e só contratam estrangeiros ou familiares. Ainda que em pequena escala. as lojas dos comerciantes imigrantes contratam de 1 a 5 trabalhadores nacionais e em alguns casos.3. por causa da largura do sector comercial formal.No sector terciário. A par de uma análise em função da oferta e procura. A título de exemplo. onde existem várias lojas de pequena e média estatura ocorre um alargamento do mercado de emprego. o enfoque teórico recai sobre dois aspectos fundamentais: a integração ou incorporação dos imigrantes e a assimilação dos imigrantes nos países de acolhimento ou nas sociedades receptoras. Outro problema com o qual a inspecção do trabalho se depara muitas vezes é com as diferenças salariais entre os estrangeiros e os Moçambicanos. 6. os comerciantes não empregam moçambicanos. criam novos postos de trabalho e expandem a oferta de bens e serviços na sociedade a preços competitivos (Oliveira. Tanto a 18 Quando os imigrantes desenvolvem actividades empresariais. a área comercial ganha maior vantagem na contratação de moçambicanos em relação as outras áreas como o turismo. 57 . IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL Do ponto de vista sócio-antropológico. Entretanto.

etc. a diversidade cultural pode ser interna e externa. As questões que se podem levantar aqui são: 1) será que os imigrantes procuram se assimilar a sociedade moçambicana ou procuram simplesmente a integração ou incorporação? 2) Será que a sociedade moçambicana quer assimilar os imigrantes ou simplesmente integra-los? Que benefícios ou prejuízos Moçambique tem partindo destas hipóteses em questão? Que impacto existe para Moçambique ao assimilar ou integrar imigrantes? 6. a diversidade cultural contribui para o enriquecimento dos estados tanto a nível material e cultural pois. restaurantes italianos.assimilação dos imigrantes como a sua integração nas sociedades de acolhimento dependem de dois factores principais: esforços das sociedades receptoras em admitirem imigrantes e a vontade dos imigrantes. multilinguísticas e multireligiosas). Para estes autores. Não haja dúvidas que a diversidade cultural pode trazer benefícios as sociedades de acolhimento. lojas de roupa brasileira. costumes e tradições diferentes. etc. encontram-se restaurantes chineses. Hoje. o país recebe hoje novos imputs culturais resultantes do cruzamento dos povos moçambicanos originários com os povos imigrantes de diversas origens. novos valores sócio-políticos. diversidade linguística. diversidade na culinária. Entretanto. Exemplos são trazidos da realidade americana. línguas. diversidade musical e na dança.3. Deve-se reconhecer que Moçambique sempre teve uma diversidade cultural interna. clínicas que aplicam métodos de tratamento chineses. Apesar de Moçambique ter uma herança multicultural resultante do cruzamento de povos negros Bantos e Khoisan. Os painéis luminosos de lojas e restaurantes demonstram claramente a diversidade cultural de Moçambiquie. Mas essa diversidade e multiculturalidade são 58 . talhos portugueses.1. surge uma nova cultura de trabalho. Existem vários autores dos assuntos de migração que defendem a necessidade das sociedades receptoras de imigrantes tornarem-se multi-culturais e diversas. Estes novos imputs contribuem para uma nova miscigenação cultural derivada da agregação de novas culturas. brasileira e sul-aficana que espelham a dimensão positiva da diversidade cultural. povos brancos da Europa e povos árabes do oriente médio. Multiculturalismo ou Assimilação? Um dos maiores impactos culturais da imigração é o surgimento de sociedades multiculturais (multiétnicas.

o grupo tenderá a valorizar a sua cultura. A situação pode piorar com a abolição do visto de entrada ao nível da SADC. Para que haja choques culturais entre imigrantes e nacionais. A presença de grupos étnicos formados no curso do processo imigratório. Enclave étnico é um processo que emerge da concentração em determinadas áreas de imigrantes de uma mesma nacionalidade representando uma ameaça cultural. seus valores e seus âmbitos (Martins. o tamanho. Ela traz uma sociedade estruturada em camadas culturais distintas e específicas. os imigrantes que se concentram em certas áreas passam a ter domínio sobre a vida económica e cultural dessa área e começam a excluir os moçambicanos do seu meio. Quanto maior o grupo. Na perspectiva de alguns entrevistados. estabelecida pelas políticas de unidade nacional e do respeito pela pluralidade étnica. 2008:2). 1997:95-96). Em relação aos imigrantes. O nacional torna-se empregado do imigrante e estes exploram-lhes como escravos e maltratam-lhes. tamanho. Elas convergem para um único vértice . o seu modus vivendi e dificilmente negociará a sua identidade 59 . No futuro. concentrados de forma expressiva pode suscitar manifestações de xenofobia por parte dos naturais (Seyferth.o vértice da moçambicanidade.convergentes. não há dúvidas de que a xenofobia vai acontecer em Moçambique pois. Tamanho Concentração Homogeneidade A tríade. se o número de imigrantes crescer os moçambicanos podem ficar violentos. cada qual com sua própria lógica. Os perigos do multiculturalismo manifestam-se principalmente quando os imigrantes estabelecem enclaves étnicos. concentração e homogeneidade deve ser controlada pelos decisores políticos na sua política de imigração. a concentração e a homogeneidade da população imigrante contam muito. mais concentrado e homogéneo for. a sua multiculturalidade é externa e por isso não é convergente. Os estados devem evitar a concentração de imigrantes por comunidades sob o risco de se enfrentar choques e conflitos.

belo ou feio. 1997:96). ele considera a cultura como um património comum dos membros de uma sociedade e que este património é transmitido de geração em geração. compartilhadas por pessoas numa sociedade. A tentativa de construção de um novo estado e a necessidade de criação do cidadão americano tornou os Estados Unidos num grande defensor da teoria da assimilação. A presença de Malawianos. No lado inverso. A cultura seria então. O imigrante era obrigado a assumir uma nova identidade nacional e aprender novos valores defendidos pela sociedade americana19. os estados procuram tornar os imigrantes iguais aos nacionais pois. crenças. As manifestações xenófobicas dos moçambicanos começaram com os insultos aos imigrantes. Por causa disso. os estados receptores procuram introduzir novos valores culturais sobre os imigrantes através da aculturação. valioso. desconcentrado e heterogéneo maior será a necessidade de negociar a sua identidade e assumir os valores culturais do país de acolhimento. Autores americanos defendem esta posição desde as primeiras grandes vagas de imigração para o território americano. Neste sentido. ela é assumida como elemento estratégico para a sobrevivência das sociedades (Seyferth. por uma sociedade ou por um povo. A assimilação dos imigrantes é vista por muitos autores dos assuntos de imigração como uma questão estratégica para a sobrevivência de qualquer estado que admita a entrada de muitos imigrantes no seu território. assimilando o modus vivendi do país de acolhimento. e outros valores que são tomados em conta pelo grupo para sustentar a sua vida em sociedade. Como consequência. a cultura é entendida como uma estrutura. A cultura engloba um sistema de ideias. valores. o factor cultural representa a grande fronteira de distinção entre os grupos numa sociedade20.para assumir a identidade do país de acolhimento. A assimilação é prática usada pelos estados modernos de forma a garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. aquilo que é importante. de forma a promover o equilíbrio populacional ou através da assimilação (Seyferth. costumes e os conhecimentos compartilhados por esse grupo. 19 Quando se fala de valores. que definem os critérios do desejável. 1997). tudo aquilo que foi criado e construído por um grupo de seres humanos. quanto menor. Através da aculturação. sociedade ou povo (Etienne: 1997) 60 . 20 Segundo a visão estruturalista de Levi-strauss. aceitável ou inaceitável. O risco Da xenofobia só podia ser debelado através da imposição de uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. A eles são dados nomes injuriosos e difamadores. justo e injusto. fala-se de ideias colectivas. a cultura torna-se uma herança social e o elo máximo de ligação entre as gerações. Zimbabueanos e tanzanianos em comunidades concentradas pode representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado.

principalmente. mas. A lei moçambicana não faz nenhum esforço para quebrar a permanência da cultura dos 61 . 1997:101). considera que a imigração sem assimilação é igual a invasão. o real problema não é a imigração mas sim a assimilação pois. Dave Gibson (2005). guardam sempre alguma forma de identidade étnica. a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. citado por klumb (2009:3). mantêm alguma ligação com a cultura e sociedade de origem [. vão permanecer alienados dos valores políticos e culturais do país de acolhimento. De acordo com Charles Krauthammer (2005). os imigrantes em grupo dificilmente se deixam assimilar pois. em geral.]. De acordo com Seyferth. A palavra quisto revela uma concepção negativa ao considerar os imigrantes como um cancro para a sociedade Moçambicana. árabes que resistem a pressão assimiladora da sociedade moçambicana. “os imigrantes. “Um país não é apenas um conglomerado de indivíduos dentro de um trecho de território. Para ele. somalis. cultura e tradição. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. Para além disso. o direito dos imigrantes manterem sua própria língua. De acordo com o presidente brasileiro Getúlio Vargas. A declaração universal dos direitos do homem. Portanto. por mais que os laços com seus países de origem estejam diluídos”. A invasão de estrangeiros constitui hoje um desafio para os estados. Por seu lado. indianos.” O primeiro obstáculo ao processo de assimilação é o direito internacional. estes instrumentos convidam os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas.. Esta situação é visível principalmente entre as comunidades agrupadas de etíopes. qualquer país pode ter imigrantes mas nem todos conseguem assimila-los. a convenção No 143 da OIT e a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores imigrantes e os membros das suas famílias são exemplo de alguns instrumentos internacionais que limitam as capacidades dos estados assimilarem os imigrantes. os grupos erguem fortalezas para proteger a sua cultura. manter a cultura originária e a língua materna é um direito dos imigrantes e isso implica a prevalência de quistos étnicos.. a unidade de raça. enquanto os imigrantes não forem assimilados. a unidade de língua e a unidade do pensamento nacional (Seyferth. O direito internacional convida os estados a reconhecerem e respeitarem o pluralismo cultural.Enquanto o imigrante como indivíduo isolado pode facilmente sofrer o processo de assimilação/aculturação.

Enquanto o impacto cultural dos imigrantes ainda não é muito manifesto. Alias. Moçambique não tem nenhuma política de assimilação dos imigrantes para prejuízo do estado. idade.2. que admitem mais facilmente a introdução de novos valores culturais. O Transnacionalismo Imigrante O transnacionalismo imigrante refere-se a situação em que os imigrantes mantêm. A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo estado.imigrantes. desportivas e culturais que não aceitaram as mudanças. comunica-se constantemente com o país de origem. viagens constantes ao país de origem. A campanha de nacionalização (assimilação) foi implementada durante o Estado Novo (1937-1945). 62 . da cultura dominante. 1997:96-97). Por força deste dispositivo constitucional. inclusive nas actividades religiosas (Seyferth. desapareceram as publicações em língua estrangeira. uma nova identidade: a identidade transnacional. ela protege todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos sem distinção de raça. partido político. especialmente os filhos dos imigrantes. O imigrante transnacional é cidadão ‘daqui’ e ‘de lá’ e envolve-se em actividades transnacionais como: envio de dinheiro ao país de origem. etc. o estado é impotente para forçar a assimilação dos imigrantes ou dos seus descendentes. nacionalidade. atingindo todos os possíveis alienígenas. 21 No Brasil. A partir de 1939. este dispositivo constitucional resulta da consciência do legislador de que a população moçambicana é marcada por uma acentuada heterogeneidade étnica e por isso possui uma diversidade cultural. principalmente a imprensa étnica. credo. 2008:95). De acordo com Heisler. Alias. O primeiro acto de nacionalização atingiu o sistema de ensino em língua estrangeira: a nova legislação obrigou as chamadas “escolas estrangeiras” a modificar seus currículos e dispensar os professores “desnacionalizados”. a intervenção directa recrudesceu e a exigência de “abrasileiramento” através da assimilação tornou-se impositiva. por parte dos imigrantes. Os melhores mecanismos de assimilação são: o mercado de trabalho e as instituições de educação21. constroem (criam) e reforçam os laços com os seus países de origem (Heisler. sexo. criam associações ligadas ao país de origem. e algumas sociedades recreativas. progressivamente.3. as que não conseguiram (ou não quiseram) cumprir a lei foram fechadas. O risco da afirmação de identidades étnicas e religiosas por parte de algumas comunidades imigrantes e o risco do surgimento de enclaves étnicos devem fazer parte de uma política firme de controlo de imigrantes. Assim. Contrariamente a outras sociedades mais experientes na recepção dos imigrantes. estes laços criam uma comunidade transnacional. 6. o estado deve criar condições de induzir a assimilação. foi proibido o uso de línguas estrangeiras em público.

assistem e escutam rádio e televisão do país de origem, votam nas eleições do país de origem, etc (Heisler, 2008:96). O trans-nacionalismo imigrante pode ocorrer com maior frequência em zonas fronteiriças e é cada vez mais facilitado pelos avanços tecnológicos criadas nos transportes e comunicações e as facilidades criadas pela globalização. O trans-nacionalismo emerge como uma questão de análise porque representa um desafio para os estados de acolhimento. Pelo facto de não permanecerem permanentemente em Moçambique, resultado das idas e voltas ao país de origem os imigrantes transnacionais acarretam problemas de dupla lealdade, não fazem grandes investimentos que exijam a permanência no país e são responsáveis pela maior remessa de divisas de Moçambique para os países de origem, muitas vezes saindo sem declaração. Estes aspectos tomados de forma leviana não aparentam nenhuma ameaça para a estabilidade e segurança do estado mas, numa análise mais fria percebe-se que o imigrante transnacional representa uma fragilidade para os estados receptores porque o imigrante transnacional permanece enraizado ao seu país de origem, culturalmente, politicamente e economicamente. Os imigrantes asiáticos árabes, indianos, paquistaneses e bengaleses residentes em Moçambique, mantêm uma forte ligação com suas sociedades de origem e respectivas tradições culturais pois, não existe nenhuma pressão da sociedade moçambicana para a sua assimilação. O que se observa é a coexistência e o confronto diferencial no qual imigrantes buscam acomodar-se aos padrões da cultura hospedeira sem, no entanto, perder seus traços distintivos, num esforço dirigido à construção e manutenção das redes e identidades sociais (Fígoli e Vilela, 2004:1). O imigrante africano é por natureza mais transnacional que o imigrante europeu. Os fortes laços familiares enraizados na cultura africana impede o desenraizamento total dos seus locais de origem. Existe no seio dos africanos um sentido de obrigação em ajudar os seus. Por força disso, a maioria dos imigrantes africanos residentes em Moçambique são responsáveis pela maior remessa de dinheiro para o exterior sem nenhuma declaração ao estado, são também responsáveis pela criação das maiores redes de facilitação da imigração. Estas redes, são responsáveis pelo convite e facilitação da entrada de mais imigrantes dos seus países de origem, tanto de forma legal como ilegal.

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Por força da sua característica transnacional, desenraizados de Moçambique, os imigrantes transnacionais são muito propensos a se auto-excluirem dos processos sociopolíticos do país e são também propensos a excluir os nacionais do seu convívio. Em virtude de se sentirem diferentes dos nacionais eles criam espaços de inclusão baseados na sua etnia. Nesse sentido, a consciência das diferenças tem promovido a construção de identidades étnicas, as quais são artifícios culturais de interacção, organização e resistência ao desaparecimento social, físico e simbólico imposto pela sociedade dominante (Fígoli e Vilela, 2004:4). 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes O maior interesse da integração é conceder direitos sociais aos imigrantes sem prejuízo das suas identidades culturais. A integração do imigrante não significa a «assimilação» ou a supressão de sua identidade cultural. Certamente, a integração requer esforço para entrar na vida social e estabelecer relações de convivência, para aprender a língua da nação e adequar-se às leis e às exigências trabalhistas mas não implica a aculturação. A integração dos imigrantes em Moçambique depende de dois factores principais: a vontade dos imigrantes se integrarem e a vontade dos moçambicanos integrarem. A vontade dos moçambicanos integrarem depende de factores como raça, religião e a capacidade financeira dos imigrantes. Em Moçambique, existem comunidades bastantes fachadas e que não permitem a integração rápida dos imigrantes nem dos moçambicanos que não são originárias dessa comunidade. Este tipo de comunidades é adverso ao multiculturalismo e podem manifestar o xenofobismo. Entretanto, pode-se assumir que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade, indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. No geral, os moçambicanos são muito receptivos aos imigrantes havendo no entanto uma percepção diferente em relação a tipologia dos imigrantes. Aspectos raciais e étnicos têm um peso muito grande na atitude dos moçambicanos. Imigrantes europeus e asiáticos (Paquistanês, Indiano, Bengali) têm maiores chances de serem bem acomodados do que os imigrantes africanos. Ao imigrante europeu e asiático está conotada a condição financeira e a criação de oportunidades de
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emprego. Existe também uma grande receptividade dos imigrantes árabe-muçulmanos nas províncias de predominância islâmica. Todavia, nas províncias de pouca expressão islâmica manifesta-se alguma hostilidade. A percepção em relação aos chineses é ainda de alguma resistência e hostilidade muito provavelmente devido a introdução bastante recente na sociedade moçambicana. Por causa do pendor financeiro dos europeus e asiáticos são-lhes criadas facilidades, de acesso a documentos, licenças e alvarás, muitas vezes em prejuízo do cidadão moçambicano. Com efeito, são constantemente reportados casos de favorecimento a imigrantes estrangeiros em todo o país. Pode-se inferir que os imigrantes contribuem para o crescimento de actos de corrupção e clientelismo. Na análise da receptividade dos imigrantes, também é pertinente avaliar a distância percorrida pelo imigrante. As distâncias etno-linguísticas dos imigrantes do corno de África e da África ocidental diferem grandemente da distância etno-linguística dos imigrantes vindos da África austral. A semelhança cultural e linguística permite uma facilidade de integração dos zimbabweanos, malawianos, zambianos e tanzanianos principalmente nas províncias próximas dos seus países de origem. A mudança cultural não cria choques constantes. Esta situação também beneficia aos imigrantes portugueses e brasileiros, que compartilham com os moçambicanos a mesma língua e, de certa forma, alguns valores culturais. Em relação aos imigrantes vindos da África ocidental, do corno de África e da África central, a grande diferença etno-linguística cria um choque cultural verdadeiro obrigando a uma aprendizagem e mutações drásticas. Todavia, o factor religioso também contribui para reduzir as distâncias etno-linguísticas e criar laços de amizade. Em termos gerais, a sociedade moçambicana é receptiva e acolhedora, por esse motivo, os imigrantes tem tido sucesso nos negócios que provocam um impacto positivo na sociedade. No sentido oposto, se a sociedade moçambicana fosse fechada e repulsiva em relação aos imigrantes, eles não teriam chances de sucesso e o seu impacto seria negativo para a sociedade. Por causa da receptividade dos moçambicanos, a maioria dos imigrantes que criam negócios em Moçambique tornam-se bem sucedidos e expandem os seus negócios, aumentando gradualmente o seu investimento no país. A receptividade do país cria confiança no imigrante e por via disso mantêm as suas contas bancárias no país, reduzem as remessas de dinheiro para o país de origem,

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etc. culturais e até linguísticas tem maior propensão em se integrar na sociedade moçambicana em relação aos imigrantes asiáticos e europeus. a percentagem dos casamentos intraétnicos ainda é muito acentuada. a 66 . que se consideram lesados. a presença dos imigrantes levanta sentimentos de indiferença. são de baixo nível. A hostilidade costuma manifestar-se em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido num ambiente de escassez e pobreza. O citadino não se escandaliza facilmente com os casamentos entre imigrantes e nacionais nem com a pujança económica de alguns imigrantes havendo maior preocupação com a oferta de bens e serviços a preços baixos. principalmente ao nível dos distritos. O imigrante africano. Nestes grupos. trafica droga. São criados estereótipos que minam a convivência entre os imigrantes e os nacionais. Existem no entanto momentos em que a sociedade moçambicana demonstra sinais de hostilidade e indiferença. sujos. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. Nalguns casos os imigrantes são afastados do convívio social. Sempre que um grupo de imigrantes ou um imigrante acumula vantagens e benefícios em detrimento dos nacionais e ou lesar os interesses da sociedade local (vender produtos a preços baixos em comparação com os nacionais. existe um diferencial bastante grande em relação aos imigrantes africanos e os imigrantes asiáticos e europeus. em poucas palavras pode se dizer que o imigrante investe na permanência a longo prazo. Os estereótipos mais frequentes são: todo o imigrante é criminoso. feiticeiros. Entre a comunidade indiana por exemplo predomina. Normalmente.estabelecem negócios maiores. ridicularizados. pela escola e pela religião. pelas suas características raciais. Entretanto. Em relação a vontade dos imigrantes. comprar bens de luxo ou construir habitações mais belas) provoca uma hostilidade latente no seio dos moçambicanos. compram imóveis. ao nível dos maiores centros urbanos. destacar a grande resistência de alguns grupos em estabelecer laços matrimoniais com os moçambicanos. Quanto a integração pelo casamento. trafica mulheres. namorar ou casar com as mulheres mais belas. hostilizados pelos nacionais porque eles são uma ameaça e um perigo para a posição social e económica dos nacionais. pelo trabalho.

A integração pelo trabalho é a estratégia mais fácil de integração de estrangeiros. chineses. nem sempre esta situação é apreciada por todos os moçambicanos. por parte de grande parte da população. etíope casada com um homem negro moçambicano. é a união de indivíduos mais aparentados do que a média da população. principalmente entre imigrantes africanos e os moçambicanos. etíopes. na música. paquistaneses. onde a população mestiça representa uma grande fasquia da população. Moçambique concorre hoje para uma situação semelhante a do Brasil.endogamia. A mistura manifesta-se visivelmente na culinária. libanesa. Normalmente os imigrantes homens são vistos como uma fonte de recursos financeiros para as famílias das suas namoradas moçambicanas. é a partir da convivência no trabalho que se estabelecem redes de amizade e solidariedade entre os imigrantes e os moçambicanos. na indumentária e na linguagem dos indivíduos. os imigrantes acabam ganhando algum suporte por parte de famílias moçambicanas vulneráveis. o impacto imediato deste tipo de casamentos é o aumento de mestiços e mulatos no país. Neste contexto. Em relação aos imigrantes europeus e asiáticos esta situação muda de figura. Os europeus e americanos são mais abertos ao relacionamento interétnico e existem muitos casamentos entre brancos e negros. Existem alguns casos de indivíduos que romperam com a endogamia étnica mas esta iniciativa só é tomada pelos homens sendo raro ver uma indiana. Esta mestiçagem não se manifesta somente ao nível físico dos indivíduos como também no aspecto cultural dos mesmos. relacionados pela ascendência. O objectivo desta atitude é a continuação da descendência étnica dos imigrantes e isso tem um impacto no aumento dessa população em Moçambique. Em várias ocasiões assiste-se a manifestações racistas promovidas por mestiços e mulatos contra negros e de negros contra mulatos. Aqui. chinesa. de que os mestiços e mulatos são beneficiados e que gozam de melhores condições de vida. Normalmente. Raramente a comunidade hindu aceita casamentos inter-étnicos. somaliana. Naturalmente. ou seja. paquistanesa. Esta tendência assiste-se também no seio de comunidades fachadas como os somalianos. São raros os casos do 67 . Existe uma crença errada. Contudo. que é um sistema em que os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados. os sentimentos de desigualdade e privação relativa jogam um papel muito grande para incendiar o conflito. libaneses.

Existem situações de descriminação por parte dos cidadãos de raça branca. chineses e moçambicanos constitui também um grande impedimento para o estreitamento desses laços. os asiáticos e europeus não enviam os seus filhos para as escolas públicas. podemos encontrar a escola Sul-africana. Através da escola. O efeito desta prática manifesta-se com a criação de círculos de amizade baseadas na relação étnico-racial. Os muçulmanos enviam os seus filhos para a escola muçulmana. portuguesa. por parte destes imigrantes. este cenário é relativamente diferente. A facilidade de abertura de escolas particulares e escolas étnicas. asiáticos e em alguns casos árabes em relação aos moçambicanos de raça negra. A título de exemplo. sueca. O envio dos filhos de imigrantes para as escolas públicas ao lado de crianças moçambicanas é outra estratégia que permite uma maior integração da segunda geração na sociedade moçambicana.surgimento de redes de amizade e solidariedade. os filhos de imigrantes aprendem não só a língua moçambicana mas todo um sistema de valores defendidos pela sociedade e pelo estado moçambicano. Ao nível dos distritos e das províncias mais recônditas é frequente os filhos de imigrantes frequentarem as escolas públicas ao lado dos moçambicanos e a integração aqui torna-se mais rápida. de exclusão e manifestações de superioridade por parte dos imigrantes 68 . escola Sueca. não existe nenhum espaço de integração e envolvimento entre os nacionais e estes estrangeiros provocando em alguns casos sentimentos racistas. é muito grande. etc. Ao nível das grandes cidades. Muitas destas escolas obedecem um currículo do país de origem e as aulas são leccionadas na língua materna dos imigrantes. os europeus enviam os seus filhos para a escola internacional. etc. para a necessidade de defesa da pátria e ainda para a igualdade e respeito pela diferença contribuem para formatar a segunda geração de imigrantes e enquadra-los como moçambicanos. que representam as nacionalidades existentes nessas cidades. Os currículos escolares orientados para a unidade nacional. reduzindo desse modo o distanciamento dos país da cultura moçambicana. escola Americana. A enorme distância cultural entre brancos. nenhum investimento em aprender a cultura Moçambicana. Não existe. Provavelmente por motivos da classe económica e/ou interesse em manter os seus filhos com os hábitos culturais e linguísticos dos países de origem. São os filhos dos imigrantes que regressados a casa vão transmitir de forma indirecta a língua e os valores moçambicanos.

a nacionalidade era o pressuposto principal da cidadania. Como consequência.4. participando de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração. Para além disso. cidadania é a condição que uma pessoa natural de um estado tem de gozar de direitos que lhe permitem participar da vida política desse mesmo estado. para ser cidadão. a divulgação do árabe assume-se hoje como uma realidade. na indumentária e no sistema de valores defendidos pelos seus crentes. Os direitos políticos são regulados em Moçambique pela Constituição da República (2004).3. Para se ser nacional de um estado o indivíduo deve ter nascido nesse estado ou pedir para aderir ao estado através da naturalização que passa por critérios de aceitação definidos nas respectivas constituições. seja ao concorrer a cargo público (indirecto). o alastramento do islão em Moçambique esta a ter um impacto nos hábitos alimentares. os Sheikes muçulmanos divulgam o sagrado alcorão em árabe. A nacionalidade moçambicana pode ser originária ou adquirida. seja ao votar (directo). que são as escolas de aprendizagem do alcorão. Enquanto a maioria dos missionários cristãos divulga a sua mensagem em português e inclusive nas línguas locais. Tradicionalmente. contribuem também para a propagação do árabe entre os moçambicanos. Deve ficar claro no entanto que não existe nenhum conflito entre o sistema de valores islâmicos e Moçambicanos pois. A partir do momento que os imigrantes se apresentam nos cultos das confissões religiosas presentes em Moçambique abre-se um espaço para a integração efectiva na vida social da sociedade moçambicana. A cidadania é. portanto. Portanto. só gozam de 69 . o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. Integração Política e Cidadania Em direito e na assumpção original. Hoje. há mais falantes do árabe em Moçambique. Por outro lado. o indivíduo devia ser natural do estado. 6. Este distanciamento pode ter efeitos nefastos no futuro. As madrassas. Uma das estratégias mais fáceis de inserção ou integração social dos imigrantes é a partir da religião. Segundo a constituição. a implantação da religião islâmica em Moçambique pré-data ao colonialismo e a independência. a vinda de missionários cristãos e sheikes muçulmanos tem um impacto imediato no alastramento e na evangelização de regiões outrora ateístas.chegando em alguns casos a manifestar discriminação.

a cidadania não só envolve direitos mas também deve envolver participação (Heisler. Como conceder cidadania aos imigrantes sem naturaliza-los é uma questão impensável se tomarmos o conceito tradicional de cidadania como factor estanque. os imigrantes exercem a cidadania ao participarem directa ou indirectamente nas decisões que afectam as suas vidas. direito a habitação. Num mundo contemporâneo marcado por crescentes migrações internacionais e por uma trans-nacionalidade que permite às pessoas mudarem de um país para o outro sem necessariamente aderir a uma nova cultura e realidade. 70 . quer dizer. Marshall. os Estados e as sociedades se questionam sobre o conceito de cidadania e de pertença a uma dada sociedade (Bertonha. Segundo Heisler. culturais e abranger toda a panóplia dos direitos humanos. Dentre os vários factores que estão na origem das profundas transformações ocorridas no conceito de cidadania. mais do que nunca. económicos. Para estes autores. H. Vários analistas defendem a necessidade de alargar o conceito de cidadania para incluir direitos e deveres sociais. 2007:92). não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. A constituição limita o espaço de participação política dos cidadãos de nacionalidade adquirida. A vasta gama de direitos concedidos aos imigrantes e que os estados são obrigados a respeitar. (2007:93) A declaração universal dos direitos do homem e as várias convenções que protegem os direitos dos imigrantes e os direitos das minorias servem de base de concessão da cidadania aos imigrantes. 2004:2). a imigração ocupa um lugar central (Cardoso. Estes instrumentos concedem cidadania aos imigrantes ao defenderem direitos individuais e colectivos aos imigrantes: o direito ao trabalho e salário justo. Segundo T. citado por Heisler (2007:93). Este dispositivo constitucional aparece como o primeiro instrumento de exclusão dos imigrantes na participação na vida pública. direito ao associativismo e a ingressar em sindicatos. Política e Social. existem três tipos de cidadania: a Cidadania Civil. direito a culto das suas religiões. direito a. permite aos imigrantes o exercício da cidadania nos estados de acolhimento. 2006). liberdade de opinião etc… Hoje. O reconhecimento da contribuição económica dos imigrantes e seus descendentes nos países de acolhimento levanta cada vez mais questões de cidadania. independentemente da nacionalidade do imigrante. o relacionamento entre imigrantes e o estado deve espelhar a nova realidade internacional.direitos políticos os cidadãos moçambicanos.

No entanto. 2004:6). A medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país. A constituição moçambicana abre espaço para a participação política limitada dos imigrantes na vida pública do estado. Através da influência sobre o poder político. os imigrantes vão se aproximando das elites políticas e vão firmando laços de amizade e de negócios com estas elites. pela capacidade de influenciar o poder político e a tomada de decisões públicas. facilidades de importação e exportação de produtos. para além do usufruto de direitos e deveres. a manipulação e influência dos grupos sociais mais fracos.Pode-se assumir que em Moçambique. concessão de alvarás de forma facilitada e a protecção policial. aos imigrantes são concedidos direitos de exploração exclusiva de certas mercadorias. nem todos os imigrantes são abrangidos por ela pois. o exercício da cidadania passa. Amiúde. nem todos os imigrantes desfrutam das mesmas condições de vida (Cardoso. As relações de clientelismo estão enraizadas em toda extensão do território nacional. Pode-se dizer que a ascensão económica dos imigrantes cativa-os a ter uma maior participação política em Moçambique. 1) o distanciamento por parte dos imigrantes dos centros de poder local e central. os imigrantes usufruem de direitos de cidadania. serviços e condições de empregabilidade aos seus cidadãos. 2) analfabetismo ou ignorância em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais que lhes são garantidos pelos tratados internacionais e pela legislação nacional. entenda-se cidadania no sentido mais abrangente do termo. Através de ofertas e trocas de favores. sendo unicamente limitados de exercer cargos políticos específicos e de votar e ser eleito em eleições parlamentares. 3) condições de vida precária que lhes impossibilitam advogar ou pagar serviços de advocacia nas instituições do estado e 4) devido a incapacidade do estado Moçambicano prover bens. 71 . os imigrantes vão se transformando progressivamente num grupo de interesse cada vez mais forte e influente. A aproximação entre imigrantes e elites governantes começa desde os centros de poder local até ao governo central. Apesar da lei abrir espaço para o usufruto da cidadania a todos os imigrantes. em alguns casos. A manipulação e influência dos imigrantes sobre o poder político superam. créditos nas instituições financeiras. Grande parte da população imigrante em Moçambique não tem como fazer valer os seus direitos por vários motivos sendo os mais determinantes.

Existe. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. Sofala e Tete. 6. estudam e concorrem nas universidades públicas e privadas. Todavia.3.Quando questionado sobre a concessão de cidadania aos imigrantes em Moçambique. Estas mulheres.5. 2002:8). Todavia. As mulheres que outrora executavam trabalhos domésticos mudam a sua postura em Moçambique. a maioria dos entrevistados limitou-se a relatar sobre os aspectos negativos dessa situação sem exemplificalos. Muitas tornam-se ajudantes nos negócios dos seus maridos e outras entram na actividade comercial. fazem negócios próprios. que imigram por força da situação de crise económica no Zimbabwe não têm um peso económico muito grande por não realizam actividades comerciais por excelência. Grande parte delas são prostitutas e só uma pequena fasquia realiza actividades comerciais. O maior número de imigrantes residentes em Moçambique é do sexo masculino. são activistas e ganham consciência política. Imigração e Género Em termos de género. A emergência de políticos de origem imigrante ou descendente de imigrantes ainda é algo impensável na realidade moçambicana. ganham uma nova consciência de participação na vida pública. As mulheres de outras nacionalidades normalmente não imigram sozinhas sendo na sua maioria dependentes dos seus maridos. organizam-se associações. as mulheres libertam-se e assumem um papel de 72 . o contributo da população imigrante em Moçambique é bastante diferenciado. As associações de imigrantes são por excelência o primeiro veículo de inserção na vida política moçambicana. A luta pelos direitos de cidadania concentra-se hoje na exigência de superação dos obstáculos administrativo-legais que dificultavam a regularização da situação dos imigrantes que solicitam autorização de residência e a exigência de integração efectiva das gerações descendentes (Albuquerque. uma pequena fasquia de mulheres imigrantes vindas maioritariamente do Zimbabwe e que permanecem nas províncias centrais de Manica. O facto de serem acompanhantes retira-lhes a capacidade de contribuírem para a economia moçambicana. no entanto. Pode-se concluir que as mulheres não são imigrantes económicos. Entretanto. existem mulheres acompanhantes que se tornam imigrantes económicas. Com o trabalho assalariado. Recorre-se principalmente a falta de lealdade com os estados moçambicano e a defesa de interesses estrangeiros.

entre outros. 2008:126-127). Como se pode perceber. permanência e saída do País. as estratégias de integração da mulher islâmica são diferentes da estratégia do homem islâmico. comunidades carentes que. os direitos. 7. Relativamente à entrada de imigrantes no País.de 28 de Dezembro. provar que possui 73 . no seu nº1. No seio das comunidades islâmicas o papel da mulher obedece aos preceitos da religião islâmica. O seu envolvimento se estende ao nível nacional e são desenhados programas de construção de escolas. no seu artigo I. não partilham do mesmo credo. Por via desta organização. as mulheres muçulmanas procuram integrar-se na vida social moçambicana. esta comunidade se envolve directamente para prestar auxílio humanitário em situações de desastres naturais. naturalizadas e imigrantes. o regulamento que estabelece as normas jurídicas aplicáveis ao cidadão estrangeiro. SUPERVISÃO E CONTROLO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Em Moçambique. o artigo 9. o passaporte ou documento equiparado valido. ao abrigo da lei nº 5/93. reabilitação de centros de saúde. deveres. marítima ou aérea obriga-se a entrar no Pais pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. que envolve tanto muçulmanas nacionais. através da organização feminina islâmica. no posto fronteiriço. plasmados no decreto nº 38/2006 de 27 de Setembro. Muitas delas não exercem nenhuma actividade comercial e permanecem afastadas da vida pública. o contributo destas mulheres é nulo. e garantias.vanguarda (Brettell. na maioria dos casos. que torna necessário regulamentar o regime jurídico do cidadão estrangeiro. uma organização de carris humanitário. Nestes casos. Todavia. relativas á entrada. onde o conselho de ministros decretou. Nota-se por exemplo que as mulheres muçulmanas têm maiores problemas de integração na sociedade moçambicana. crianças órfãs. a mulher muçulmana tem a oportunidade de desenvolver programas de apoio as pessoas mais necessitadas como velhos. por via terrestre. a supervisão e controlo de imigrantes é garantido pelas disposições legais. apresentar. Para além disso. estabelece que todo o cidadão que pretenda entrar na República de Moçambique.

o artigo 38. nos comboios. aeroportos. isto porque cada vez verifica-se muito afluxo de imigrantes ilegais que escapam as autoridades em muitos centros urbanos. Aparecendo imigrantes que vivem em Moçambique sem documentos legais. navios. clarifica que será facultada a entrada livre dos funcionários dos serviços de migração para o exercício da sua função fiscalizadora. sobretudo os ilegais. sobretudo a ilegal e outras irregularidades de passagem clandestina da fronteira. constituindo perigo à segurança e modus vivendo dos nacionais. 74 .Constatação sobre Supervisão e Controlo. A equipa de pesquisa constatou no terreno que a supervisão e controlo são feitos. para posterior adopção. nas residências. aeronaves e onde a sua presença seja necessária. fluviais. vistos caducados. No entanto. estratégias e planeamento operacional. somos da opinião de que as autoridades locais devem ser mandatários para recolher dados referentes à imigração. lacustres. regista-se dificuldades para a supervisão e controlo de imigrantes. Sublinha-se que as instituições encarregues para a supervisão e controlo. o que acontece normalmente é a entrada e permanência de estrangeiros imigrantes sem observância do legislado e regulamentos que regem sobre esta matéria. de medidas.meios de subsistência e prestar informações adicionais que lhe forem solicitadas pelo inspector de migração. depois voltam com credenciais passados pelo centro de acolhimento de Nampula. no tocante a imigrantes em geral e particularmente para imigrantes ilegais. dai urge necessidade de ampliação de mecanismos de supervisão e controlo. quando são repatriados. Estações marítimas. De acordo com os entrevistados. ao nível central. 1. não de forma eficiente. chegando a embaraçar as autoridades. 7. Em relação à fiscalização. caminhos-de-ferro. sem documentos de autorização de permanência e residência. No entanto. praticando actividades ilegais bem como a deficiência de controlo do retorno de imigrantes repatriados. tem demonstrado fragilidades no seu exercício. dado que estes.

casas de hóspedes e similares. ou cedam a qualquer título. imigrantes que vivem em diferentes residências sem nenhuma comunicação por boletim individual de alojamento. Huntington. por consequência. no prazo de cinco dias por meio de boletim individual de alojamento. em virtude de a primeira ter característica montanhosa e muito extensa e a segunda apenas por ser uma costa extensa. os imigrantes. nos locais onde não haja a polícia da PRM ou administração local. com o relatório de desenvolvimento humano 2009. reside no facto de trazer a experiencia de como estes países abordam este fenómeno de imigração. a união europeia (UE).Outra situação constatada é o facto de aparecerem em quase todos os distritos visitados. sobretudo a políticas de supervisão e controlo. Como resultados. Alguns dos entrevistados atribuem a fraca supervisão e controlo dos imigrantes. lançado recentemente pelo programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD). Samuel (2006:233). que preconiza que os hotéis. onde as remessas atingem cerca de 40 mil milhões de dólares ano para o continente. a vulnerabilidade da fronteira terrestre e marítima. Deste modo. motéis. casa ou habitação a estrangeiro. bem como todos aqueles que albergam estrangeiro ou arrende. a falta de disponibilidade de meios materiais. meios técnicos adequados e recursos humanos qualificados. elegeu-se as experiencias europeias e norte-americana na supervisão e controlo de imigrantes. mesmo por sublocação. a sua pertinência.Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes Para este trabalho. serão responsáveis pela maior parte do crescimento futuro nas sociedades ocidentais. Fazendo a alusão a Africanos que vivem em diferentes partes do Mundo. ficam obrigados a comunica-lo.2 Experiencia Europeia e Norte. parques de campismo. pelo contrário. pousadas. 7. contrastando deste modo. que defende que a migração é inevitável e pode melhorar a vida de milhões de pessoas no Mundo. os ocidentais receiam cada vez mais “ estar 75 . tem elevadas taxas de fertilidades e. violando o artigo 33 no seu nº 1. defende um combate cerrado para travar a imigração. aos serviços de migração. estalagens. De acordo com P.

como é o caso de algumas organizações da sociedade civil em Portugal. no contexto da presidência francesa da UE.Proibir os processos de regularização colectiva Salienta-se que esta posição da UE tem sido contestada pelos alguns membros da união. onde visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais. o discurso de S. 3. fome.Huntington. muitas vezes vitimas de redes sem escrúpulos. aprovado pelo conselho de ministros a 25 de Setembro do presente ano. a UE22 aprovou o que designou de pacto europeu sobre a imigração e asilo. senão o recurso à clandestinidade.Refrear o controlo das fronteiras 5. e que se confrontam com a lei 22 Site: http://www. não por exércitos e carros blindados. priorizando a adopção do “ cartão azul ”.Facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito. mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida.Concretizar uma politica europeia de asilo 4. tratam de indivíduos que não encontram outra opção.net. para o recrutamento de mão. cuja proposta foi apresentada pelo Nicolas Sarkozy. No entanto. obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas ou que muito simplesmente tentaram mudar a vida. veneram outros deuses. insegurança. No entanto. onde alegam que são homens e mulheres que procuram fugir á miséria. a saber: 1.Organizar a imigração legal. mas por imigrantes que falam outras línguas. acompanhada de uma fortificação nos meios de supervisão e controlo de imigrantes que escalam aquele continente. 76 . beneficiam da segurança social e ameaçam o seu modo de vida”. ocupam as suas terras. revela claramente que a Europa apela para um sentimento anti-imigração.agora a ser invadidos. 2.de-obra qualificada. o que normalmente chamam na Europa de política de ‘’ imigração zero”.blocomotiva. pertencem a outras culturas e também lhes roubam os empregos.

no. Limitação de reagrupamentos . tem a ver com aquilo que a UE considera de sabotagem aos esforços de combater a imigração ilegal por parte da vizinha Turquia. tornou mais rigorosas as leis que regulam o direito de asilo. Samuel (2006:239). Uma situação que julgamos ser necessário comentar. A experiencia Italiana nesta matéria de supervisão e controlo de imigrantes reside no facto de introduzir uma lei de testes de ADN. ampliou os quadros dos serviços de imigração e 23 24 25 Site:http://gladio.blogspot. fazendo de regra à excepção e recusando à generalidade dos imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana23. Atitude vista como reivindicação da Turquia.blogspot. Expulsão de imigrantes indesejáveis .A). Colocação de um sistema comum de informação sobre os vistos. queixando-se que recebe apenas 70 euros por cada imigrante ilegal em contraste com a Grécia que recebe 1000 euros.que diz cinicamente que “ cada caso” é um “ caso”.com Site:htt://gladio. Deste modo pode se afirmar que a UE25 gasta milhões de euros só para lidar com a imigração ilegal e criou a agencia Frontex (aferrolhamento das fronteiras da UE) de vigilância das fronteiras para lutar contra a imigração clandestina. explica ainda que os Estados Unidos da América (E. 77 . consubstanciado em: .sapo.com Site:htt://imigrantes. que alega que a UE não paga o mesmo que paga a Grécia para ajudar a deportar os imigrantes ilegais. Generalização dos identificadores biométricos P. regras selectivas e politicas securitarios24. visto como sendo instrumento de perseguição dos ciganos. Imigração selectiva .U. sobretudo na administração Clinton.Huntingnton. ligando todos os consulados .pt. endureceu o controlo sobre a imigração. que constantemente interfere activamente com radar contra as patrulhas marítimas anti-imigraçãoilegal da UE no mar egeu.

a equipa de pesquisa constatou no terreno que as diligências.405. Rusgas nos estabelecimentos comerciais. DADOS ESTATISTICOS DE MOVIMENTO MIGRATORIO.3. de trânsito e do destino. há que destacar algumas diligências embora periódicas em conjunto entre a PRM e a Migração. A opinião de muitos observadores. embarcações. portos. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo Embora. com vantagens recíprocas para os países de origem e do destino. Controlo e verificação nos autocarros colectivos.naturalização. carros particulares. Vide a baixo o mapa dos dados estatísticos de número de estrangeiros repatriados e expulsos dos últimos 10 anos. se registe a falta de meios matérias e humanos qualificados para a supervisão e controlo de imigrantes que escalam Moçambique. não chegam a efectivar-se regularmente devido a falta de meios já referenciados anteriormente. comboios e aeronaves .200. Os fluxos não deveriam ser impedidos mas sim geridos. consubstanciada em: . aeroportos. racionalizados. 7. NÚMERO DE ESTRANGEIROS REPATRIADOS E EXPULSOS POR CONTRAVENÇÃO MIGRATÓRIA DESDE O ANO 2000 AO 1º SEMESTRE DO ANO 2009 ANO 2000 2001 Movimento Migratório 6.0 55 Observação 78 . Repatriamento dos ilegais .189 5. reforçou o patrulhamento fronteiriço e construiu barreiras fiscais ao longo da fronteira com México. casas de pastos e residências desconfiadas .884 Estrangeiros Repatriados 291 238 Estrangeiros Expulsos 0. quanto ao fenómeno é de que deveria existir um princípio de responsabilidade partilhada que envolvesse os países de origem. tem se verificado um esforço para conter a supervisão e controlo. Expulsão em caso de delito Contudo. mas mesmo assim.

449 328 1. Influenciado pela legislação internacional.973 11 2008 5.113. O facto de nenhum instrumento jurídico moçambicano apresentar uma definição clara do cidadão imigrante e a não existência de um conceito oficial de imigração e imigrante pode representar handicap com efeitos negativos na definição de uma política de imigração. cuja sua identificação e localização.883.359 imigrantes ilegais e em termos de expulsões o ano de 2008 registou um recorde de 128 imigrantes.718 2.901. mencionar a pessoa do imigrante. Salienta-se que à percepção de que o número de imigrantes ilegais tende a crescer em cada dia que passa.950 5. a lei moçambicana concede uma grande margem de actuação aos imigrantes permitindo-lhes usufruir das oportunidades socioeconómicas que o país oferece.525.496.454 128 2009 2.0 0. Os governos dos estados que ratificam estes instrumentos comprometem-se a aplicar essas disposições e obrigam-se a garantir protecção aos imigrantes nos seus territórios. As estatísticas reportam em si que a supervisão e controlo são feitos embora com as dificuldades apontadas anteriormente.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Vários são os instrumentos jurídicos internacionais que protegem a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. A semelhança da declaração universal dos direitos do homem. todos os instrumentos que protegem a pessoa do imigrante estabelece normas que servem de modelo para a legislação dos estados particulares.731 8.102 5.0 2007 2.480.297 0.A 2006 6. para fins de repatriamento. sem.0 02 0.346 3. 79 . o número de imigrantes oscila em cada ano que passa.359 0.2002 2003 2004 2005 3.519 3.677. Contudo. Moçambique adoptou uma legislação aberta aos estrangeiros.0 Ano de supressão de visto com R. sobretudo nos distritos fronteiriços.829 7. 8. Com destaque para o ano de 2006.288 85 Fonte: Ministério do interior.S. escapa as autoridades competentes.689.652 2. no entanto.351 17. onde se registou um número recorde de repatriamentos 7. direcção nacional de migração Tal como reporta o mapa.

tornou-se num corredor de trânsito para imigrantes ilegais com destino a RSA. marítima e aérea. Com efeito. Índia. Moçambique figura hoje como um dos grandes receptores de imigrantes na região. logísticas para às capacidades do Estado controlar este movimento. médio oriente (Líbano). económica e social. devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira terrestre que o país tem. essa abertura é hoje desafiada com uma entrada maciça de imigrantes legais e legais no país. por ser 80 . Ocidental. A maioria dos imigrantes que entram no país não possui nenhuma qualificação.• Moçambique. mas. Tanto os imigrantes sem qualificações como os imigrantes qualificados se concentram nos locais de grande interesse económicos. Sudoeste asiático (Paquistão. Entretanto. Central. As autoridades competentes para supervisionar e controlar os imigrantes. tanto pelas vias terrestres. do Sudoeste Asiático e do Médio Oriente que entram no pais na condição de empregados. Moçambique para além de ser um destino preferencial de imigrantes legais e ilegais. onde há muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos e facilmente exploráveis. Ásia (China) América (Brasil) e Europa (Portugal) que entram de forma legal e clandestina no país. pois há maior circulação de dinheiro e o meio rural ou suburbano é para acomodação. Alias. possuem qualificações ou capital de investimento. a facilidade de investimento e a integração regional atraem cada vez mais imigrantes interessados em alcançar sucesso económico no país. Grandes Lagos e Corno de África). Bangladesh). também. Enquanto os imigrantes legais obedecem aos postos oficiais de entrada de estrangeiros. entram na condição de desempregados e representam uma categoria de imigrantes não económicos exceptuando os imigrantes Portugueses. principalmente dos ilegais. a maioria dos imigrantes ilegais prefere as rotas terrestres. São cada vez mais alarmantes os números de imigrantes vindos dos países da África (Austral. a estabilidade política. Chineses. O número crescente de imigrantes que cada vez mais procuram o país representa uma ameaça as fragilidades institucionais. Os círculos urbanos constituem os locais onde os imigrantes desenvolvem as suas actividades. enfrentam dificuldades de ordem material e humano para levarem ao bom termo a tarefa que lhes é incumbida. foi e continua sendo um país aberto a acomodação de estrangeiros de todas as partes do mundo. Brasileiros. Em virtude destas fragilidades e por causa dos atractivos que o país oferece.

são vanguardistas e são mais empreendedores. recursos minerais. Não menos importante. que do ponto de vista de receitas traz poucos benefícios ao estado e não cria muitas vagas de emprego para os moçambicanos. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. Neste contexto. verificou-se que a maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se concentram em três áreas principais: o comércio. Por esse motivo. igualmente. imigrantes legais. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. turismo e serviços. No entretanto. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. Representam. Por outro lado. Todavia. Para além disso. há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. ilegalmente. florestais e faunísticos valiosos e estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas como o tráfico de drogas. Efectivamente. Estes são. aceitam riscos. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais.menos onerosa. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de acolhimento. os trabalhadores imigrantes trabalham em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. a maioria dos imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. do país. alegadamente. com a chegada de muitos imigrantes em 81 . Com efeito. Em termos do impacto dos imigrantes na segurança do estado e na segurança pública constatou-se que. os imigrantes legais e ilegais podem. apenas. aparentemente. constatou-se que os imigrantes contribuem em grande medida para o desenvolvimento económico do país pois. eles são mais agressivos nos negócios. maioritariamente. há. Em relação ao impacto económico. a entrada de imigrantes contribui para o aumento de investimentos que criam postos de trabalho para os Moçambicanos e aumentam a arrecadação de receitas fiscais por parte do estado. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano mas. existe um grande pessimismo e medo da imigração e dos imigrantes. os imigrantes são. Em relação ao mercado de trabalho. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. Apesar deste pessimismo manifestado pela opinião pública. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes.

o estado moçambicano não exerce nenhuma pressão no sentido assimilar os imigrantes residentes no país. Em termos gerais. pela escola e pela religião. A constituição da República não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. constatou-se que os imigrantes gozam de uma larga liberdade cultural podendo manifestar as suas crenças religiosas. no sentido dos direitos políticos pois. ao se alargar o conceito de 82 . Normalmente.Moçambique surgiram novos negócios no país e alguns sectores de actividade sofreram um Boom jamais visto. Do ponto de vista sociopolítico e cultural. dependendo muitas vezes de aspectos raciais e étnicos. Todavia. a hostilidade costuma se manifestar em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido e a indiferença manifesta-se ao nível das cidades. A receptividade da sociedade moçambicana permite que os imigrantes tenham sucesso nos negócios e que provocam um impacto positivo na sociedade. permitindo desse modo que permaneçam alienados dos valores políticos e culturais do país. os imigrantes transnacionais mantêm e reforçam os laços com os seus países de origem. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. pelo trabalho. Para além destes factores. Apesar do estado criar condições de integração dos imigrantes no país. Em termos gerais constatou-se que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade. a sociedade moçambicana íntegra mais facilmente os imigrantes da região Austral. usar a sua língua de origem. o transnacionalismo imigrante torna o processo de assimilação difícil pois. os portugueses e os brasileiros em relação aos imigrantes de outras regiões e nacionalidades. principalmente na área comercial. Por sua vez. Em termos da integração dos imigrantes em Moçambique. os seus hábitos culturais. apesar de existem comunidades bastante fachada e que não permitem a integração rápida dos imigrantes. adicionado ao respeito ao multiculturalismo é factores que impossibilitam a assimilação dos imigrantes. observou-se que a sociedade moçambicana é bastante aberta a integração dos imigrantes. Normalmente. indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. estes ainda não usufruem de direitos de cidadania. O respeito aos instrumentos internacionais de protecção aos imigrantes. Com efeito. e ainda gozam de todas as liberdades consagrados na declaração universal dos direitos do homem.

Recomendações Finais Deste modo. que os receios das manifestações ainda não se fizeram sentir de forma violenta em Moçambique. A imigração é e foi sempre uma constante na história da humanidade e Moçambique deve estar pronto para lidar com este fenómeno pois. pode-se afirmar que a fragilidade em termos de dados estatísticos são uma fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. constata-se que os imigrantes gozam de direitos de cidadania. muitas mulheres tornam-se ajudantes dos seus maridos. Sublinha-se que a medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país influenciando o poder político na tomada de decisões que afectam as suas vidas. verificou-se que existe uma grande diferenciação da participação dos imigrantes em termos de género. 8. Por força disso. ela está a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle do Estado moçambicano. consubstanciadas em: 83 . a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes.cidadania para incluir direitos e deveres sociais. Neste sentido. Enquanto o impacto da população masculina é mais visível. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sociopolítica e segurança dos indivíduos bem como do Estado. Todavia. Paralelamente. o impacto da população feminina não é muito notória. culturais e direitos humanos. sob o ponto de vista demográfico. algumas criam negócios particulares e outras tornam-se mais activas no seio das organizações ou associações de imigrantes. Sublinhar no entanto.1. Esta situação deve-se fundamentalmente ao numero reduzido de mulheres imigrantes em Moçambique. Por último. económicos. a recomendação que se pode fazer é de que as instituições de supervisão e controlo devem ampliar esforços de mobilização de meios materiais e humanos para uma execução cabal das suas tarefas e deve estudar e aperfeiçoar urgentemente estratégias e métodos de controlar os imigrantes. as mulheres não têm um peso económico muito grande.

nível escolar. os que reúnem alguma formação para desempenho das actividades que se propõem. relativo aos imigrantes ilegais ou clandestinos. independentemente do seu objectivo cá. nas residências. bem como de sanidade mental. como forma de fazer uma melhor monitorização e controlo das actividades que os mesmos praticam cá. como forma de prevenir a propagação de doenças contagiosas que eventualmente podem ser trazidas por estes. física e que demonstrem capacidade de se instalar e trabalhar. percepção de da situação. pensões. do qual constitui prioridade para entrada de imigrantes. 84 . • Os imigrantes que entram em Moçambique devem ser alvos de um maior acompanhamento. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. • • Os métodos de supervisão e controlo devem ter em conta: fluxo de dados. estalagens e outros lugares suspeitos. • Moçambique deve desenvolver uma política e uma estratégia de imigração que possa seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir. casas de pastos. policia. deve-se adoptar um sistema de testagem e Controlo de estado de saúde de imigrantes. • Aplicação com rigor do artigo 43.• Supervisão e Controlo com rigor nos pontos de entrada. autoridades judiciais e ministério publico). • • Mobilização de meios adequados e recursos humanos devidamente formados para vigiar a extensa fronteira terrestre e marítima. e um mecanismo de resolução de eventuais litígios de competências entre as autoridades. Intensificação de supervisão e controlo de imigrantes. capacidade de reacção e intercâmbio da informação com outros Estados Necessário a existência de intercâmbio de informação entre as autoridades competentes (guarda-fronteiras. estado de saúde. • Ainda nos pontos de entrada. que ficam obrigados a suportarem as despesas do retorno ou de repatriamento. alfândegas. níveis de vida e o estatuto financeiro. dos imigrantes que reúnem todas as condições exigidas pela lei. alojamento e outros encargos administrativos. tais como: mercados. incluindo alimentação. qualificações. estaleiros e nos pontos de maior concentração populacional. • Adoptar uma política selectiva e criteriosa. hotéis.

organizado pelo Grupo SIETAR Portugal (Society for Intercultural Education Training and Research) . 85 . REFERENCIAS Bibliografia Livros e Artigos (Goldstein. Almada. A assimilação é importante para garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. Rosana: Associações étnicas e o desafio da participação política de jovens descendentes de imigrantes Comunicação apresentada no 1º Colóquio Intercultural “A Comunicação Entre Culturas”. comunidades concentradas podem representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado.• Para atrair mais imigrantes económicos. o estado moçambicano deve criar condições propícias ao investimento estrangeiro. o Estado deve impor uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. Para alcançar este objectivo. reduzindo a carga fiscal e estabelecendo linhas de crédito que possam beneficiar o imigrante. Albuquerque.9 e 10 de Maio de 2002. • O Estado deve evitar que grupos imigrantes etnicamente homogéneos se concentrem em grandes números numa região pois. 2003:464-465). • • A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo Estado. Portugal. reduzindo os procedimentos de criação de empresas. o estado deve vedar direitos de cidadania política aos imigrantes. Entretanto. O Estado deve criar condições para uma maior integração dos imigrantes concedendo-lhes direitos económicos e sociais. • O Estado moçambicano deve adoptar uma política de assimilação dos imigrantes como instrumento estratégico para a sobrevivência estado.

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os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. Fontes Primárias Maputo Luís Mambero (Secretário Permanente da Província de Maputo) Capião Samuel Faduque (Director da Ordem Pública ao nível da Província de Maputo) Adérito Notiço (Vereador para a área de Actividades Económicas e Serviços no município da Cidade da Matola) Eugénio Simbine (Director Provincial do Plano e Finanças da Província de Maputo) Di-Stefano Xavier Honwana (Director Provincial da Migração em Maputo) Arnaldo Chefo (Porta voz do Comando da cidade ao nível de Maputo) Lúcio Jorge (Gerente do BCI. Lei 5/93 de 28 de Dezembro. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique. Regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. Protocolo para Prevenir. Lei do trabalho Lei No 23/2007 de 1 de Agosto.Decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. Dependência da Pigal) Secretário Permanente da Cidade de Maputo 89 . Especialmente Mulheres e Crianças. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. Mar e Ar. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.º 38/2006. adoptado a 15 de Novembro de 2000. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra.

imigrante Indiano) Alberto Chidadale (Administrador de Namaacha) Marcos Waze (Chefe das Operações da Polícia da república de Moçambique em Namaacha) Maria Macamo (Chefe do Posto Fronteiriço de Travessia de Namaacha) Arlete (Directora das Actividades económicas em Namaacha) Eugénio Makukule (Chefe do Departamento de Indústria na Direcção das Actividades Económicas) Reginaldo Macamo (Chefe de turno no Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Gabriel Bila (“Facilitador” de imigração ilegal em Ressano Garcia) Catopole e Matavel (Comandantes da Polícia de Guarda fronteira do Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Manica Mário Inácio Omia (Secretário permanente da província de Manica) Joaquim Zefanias (Secretario permanente distrital de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. Central Sindical (OTM-CS)) Coffe (Chefe do Departamento Central do Movimento Migratório na direcção de Migração) Babu (Armazenista da Gulf Trading. de nacionalidade Maliano. fixado na cidade de Chimoio desde 2007) Mousinho Alberto Carlos (Director provincial do trabalho da província de Manica) Fernando Tefule (Administrador do distrito de Manica– província de Manica) Gelindo Baltazar Vumbuca (Sub-inspector e Chefe das operações da PRM no distrito de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. trabalhador de obras. 26 anos de idade) António Maquina (Secretário permanente da província de Manica) Edson Mulanzira (Jovem de 22 anos. de nacionalidade Maliano. imigrante Zimbabweano.Mondlane Nataniel (Chefe do Departamento de Formação na Migração) Rodrigo César Mabote (Director das Finanças no Governo da Cidade de Maputo) Xavier Timane (Chefe do Departamento de Indústria ao nível da Indústria e Comércio no Governo da Cidade de Maputo) Francisco Mazoio (Organização dos Trabalhadores de Moçambique. 26 anos de idade) Filipe Lucas Cumbe (Director provincial de migração de Manica) 90 .

de nacionalidade Bengali) Abdul Majid (Comerciante de produtos da primeira necessidade em Caia. de nacionalidade Bengali) Amine Whael Vali Mahomed (Comerciante agro-retalhista na cidade da Beira. Nigeriano de 42 anos de idade) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. Indiano de 30 anos de idade) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. 37 anos de idade) Faizal Raul Daude (Motorista de camiões de longo curso da Empresa TRANSRIVER) José Fernando Tefula (Administrador do distrito de Manica) Joaquim Zefanias (Secretário permanente do distrito de Manica– província de Manica) Marcelino Jaime Mugumanha (Inspector da policia e comandante da 7ª companhia da foça de guarda fronteiras de Machipanda– Manica) Sofala António Maquina (Secretario permanente da província de Sofala) Zacarias Cossa (Comandante provincial da PRM na província de Sofala) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. Paquistanês de 32 anos de idade) Michel w. nacionalidade de Guine) Gausse Tara (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado de ferro ) desde 2008. desde 2003. de nacionalidade Maliano. Okoro (Importador e Comerciante de acessórios de veículos na cidade da Beira. desde 1999. desde 2005. desde 1998. de nacionalidade Bengali) José Cuele António (Administrador do distrito de Caia – província de Sofala ) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) 91 . 30 anos) Koita Thirou (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2005.Rogério Jorge Tomé (Chefe de departamento da policia de protecção– Chimoio) Alberto Limene (Chefe do posto de migração de Machipanda– Manica) Ibraimo Barry (Comerciante de roupa na cidade Chimoio desde 2008. de nacionalidade Maliano. desde 2005. desde 2001.

UCM) Gilberto Cochelane (despachante aduaneiro) Zé Rufino José Afonso (estudante da UP e funcionário da procuradoria de Tete) Manuel Paulo (Adjunto Superintendente da Polícia.Direcção do Plano e Finanças) Domingos Muleque (Chefe do Departamento do Comercio. Zobué) José Francisco Xavier (Chefe do Posto Migratório.Direcção Provincial da Industria e Comércio) Dr. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Hermenegildo Santana Chimarzene (Docente de Metodologia de Trabalho IntelectualUniversidade Católica de Moçambique.Chefe do estado Maior do 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Sargento da Polícia. Tete) Jaime Sousa (Chefe do Departamento de Nacionais e Estrangeiros. desde 2001. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) Gabriel Andre Chofomo (Chefe da Secção de Reconhecimento. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Zobué) Niassa 92 .Comandante da 4ª companhia de Zobué.Chefe dos efectivos do Batalhão. Indiano de 30 anos de idade) Tete Claudina Maria de São José Mazalo (Secretária Permanente da Província de Tete) Jamal Chande (comandante geral da Polícia da província de Tete) Ofélio Jeremias (inspector chefe da direcção provincial do trabalho) César Sampaio e António Namahate (Comando da Guarda Fronteira.Direcção Provincial de Migração) Mariano Miguel José (Director Provincial Adjunto. Zobué) Ofélio Amisse Alfredo (Comandante da Companhia.Maria Lavinea M. Hamede (Directora provincial de migração de Sofala) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. Zobué) Santos Rafael (Guarda da Polícia.

Manuel Domingos Cidade (Chefe da Repartição da Logistica e Finanças. Niassa) Carlos Abudo Momade (Administrador do Distrito do Lago) Inácio Angelo (Representante da Direcção Distrital de Migração) José Napuite (Comandante Distrital da PRM) Edson Felix (Representante da Direcção Distrital das Alfandegas) Paulo Saide (Director Distrital das Actividades económicas) Nampula Armando Fietinies ( DIRECTOR PROVINCIAL DE IMIGRAÇAO) Amisse António (DIRECTOR PROVINCIAL DE TRABALHO) Arsenia Massigue( Comandante provincial) Antonio Mussupai (INAR) Hamide satar (representante da associação islâmica de Nampula) Antonio Pilate( Administrador de Nacala) Francisco Mucanheia (Secretario permanete Nampula) Pa Fernao Massena (Director da afaculdade de direito da Universidade católica) Rui Buco (Técnico de Emprego) Mario Camilo (Director de trabalho de Nacala) Cabo Delgado 93 .Substituto do Comandante da Companhia.Ivete Alane (Secretária Permanente Provincial) João J.Guarda Fronteira de Niassa) Afonso Yassin (Chefe da Secção de Reconhecimento e Investigação) Dra.Director Substituto da Direcção Provincial de Migração. Mahunguele (Comandante Provincial da Polícia. Maria Ernesto Ndupa (Directora Provincial do Trabalho) Luis David Mandau (Chefe do Departamento do Movimento Migratório. Niassa) Dr.

João Motim Rodrigues (Director provincial de trabalho) Raul Ossufo Omar (Director da Ordem e segurança. Cabo Delgado) Alberto Estêvão Ntanga (Técnico de Emprego) Alfredo Bento Muhurua (Chefe da repartição em Mueda) Cassimiro Antonio Cadre (Chefe da repartição do reconhecimento de Investigação) Higino Sumale ( Chefe das operações do comando distrital em mueda) Bené( director de migração Cabo delgado) Stik satar( Imigrante / Libanes) Terry Leopold (IMIGRANTE DO SENEGAL) Issufo Hassan ( Imigrante Tanzania) 94 .