Imigração em Moçambique: Impacto Sociopolítico, Económico e Cultural

Draft

Calton Cadeado Enilde Sarmento Énio Chingotuane Pedro Nhachete

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Maputo, Dezembro de 2009
ÍNDICE--------------------------------------------------------------------------------------------------------2 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.1. Problemática----------------------------------------------------------------------------------------------4 1.2. Objectivos-------------------------------------------------------------------------------------------------5 1.3. Metodologia-----------------------------------------------------------------------------------------------6 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL-----------------------------------------------7 2.1.Debate conceptual----------------------------------------------------------------------------------------7 2.2. Teorias sobre imigração-------------------------------------------------------------------------------10 2.2.1. Modelo de migração do capital humano----------------------------------------------------------10 2.2.2. Teoria do sistema mundial--------------------------------------------------------------------------11 2.2.3. Teoria da modernização-----------------------------------------------------------------------------12 2.2.4. Teoria da Globalização------------------------------------------------------------------------------12 3.ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO-------------------------------------------------------------13 3.1.Legislaçao Internacional--------------------------------------------------------------------------------13 3.2.legislaçao nacional--------------------------------------------------------------------------------------17 4. CARACTERIZAÇÃO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS, ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇÃO DOS IMIGRANTES-- -----------------------------21 4.1 Origem dos imigrantes----------------------------------------------------------------------------------22 4.1.1. Condição sócio económica dos imigrantes em Moçambique ----------------------------------23 4.1.2. Categorias dos Imigrantes em Moçambique------------------------------------------------------26 4.2. Rotas de entrada dos Imigrantes----------------------------------------------------------------------28 4.3. Locais de Fixação---------------------------------------------------------------------------------------31 5. FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE--32 5.1. A teoria Push-Pull--------------------------------------------------------------------------------------33 5.2- O caso de Moçambique--------------------------------------------------------------------------------33 6. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE----------------------------------------36 6.1. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO ---------------------------------36 6.1.1. Segurança----------------------------------------------------------------------------------------------37 6.1.2. Ligação entre Imigração e segurança--------------------------------------------------------------38 6.1.3. Impacto da Imigração na segurança---------------------------------------------------------------40 6.1.4. Impacto da Imigração na Segurança do Estado--------------------------------------------------40 6.1.5. Impacto da Imigração na Segurança Pública-----------------------------------------------------41 6.2.IMPACTO DA IMIGRAÇÃO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA----------------------45 6.2.1- Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia------------------------45 6.2.2. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes-----------------------------47 6.2.3- Impacto da Imigração nos Sectores da Economia-----------------------------------------------49 6.2.4- Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho-------------------------------------------------54
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6.3.IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL DA IMIGRAÇÃO------------------------57 6.3.1. Multiculturalismo ou Assimilação? ---------------------------------------------------------------57 6.3.2. O Transnacionalismo Imigrante--------------------------------------------------------------------62 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes-------------------------------------------------------------------63 6.3.4. Integração Política e Cidadania---------------------------------------------------------------------69 6.3.5. Imigração e Género ----------------------------------------------------------------------------------72 7. SUPERVISÃO E CONTROLO----------------------------------------------------------------------73 7. 1.Constatação sobre Supervisão e Controlo-----------------------------------------------------------74 7.2. Experiencia Europeia e Norte- Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes---------75 7.3. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo------------------------------------77 8. Conclusões e Recomendações-------------------------------------------------------------------------79 9. Referencias------------------------------------------------------------------------------------------------85

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porque como referem Rourke e Sinnot: (2003). regista-se. A título de exemplo. nos países ricos e desenvolvidos. No entanto. a queda do bloco soviético na década 90. paradoxalmente. político de tal forma que alguns Estados ricos e desenvolvidos. em alguns casos. principalmente. estão a debater de forma multilateral e/ ou bilateral a imigração devido. a “eurofobia” e a “islamofobia” constituem problemas que estão a criar sentimentos nacionalistas que. vários Estados tem vindo a perder população e outros estão a receber um fluxo de imigrantes que tem criado um impacto sociopolítico e económico controverso. Com efeito. geram enormes fluxos migratórios (nomeadamente imigrantes ilegais em busca de asilo politico) como refere Appleard (1992). consoante o momento da história. um crescente fluxo de imigração legal e ilegal inter-africana e de não africanos que procuram a África Austral e. ao seu impacto negativo na estabilidade sociopolítica e económica. 4 . igualmente. e outros.1. igualmente. O Interesse no Estudo da imigração variou consideravelmente ao longo do tempo. económicas bem como a existência de catástrofes naturais. algumas vezes assumem contornos violentos na Europa. a nível mundial. paradoxalmente. os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial. INTRODUÇÃO A imigração foi sempre uma constante na história da humanidade. África contribui em larga medida para o crescimento da imigração. a crise financeira asiática de 1997 (que se alastrou depois a diversas economias em desenvolvimento do resto do mundo). a imigração cria. sociais. A imigração é um fenómeno que tem estado a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle dos Estados a nível mundial. O estudo da imigração torna-se particularmente pertinente. No entanto. razões políticas. a permanente situação de refugiados no Corno de África. Acontecimentos como os choques petrolíferos. vários Estados. impacto positivo do ponto de vista económico. particularmente ilegal. Contudo a procura de melhores condições de vida e de trabalho foram sempre factores determinantes para aqueles que recorrem a imigração. estão a desenvolver políticas de imigração para resolver problemas de envelhecimento da população e redução da força produtiva. social e. Neste contexto. tendo como causas principais.

a inexistência de uma capacidade de controlo das fronteiras nacionais terrestres e marítimas. em Moçambique. um país em vias de desenvolvimento que outrora foi um dos maiores “exportadores de mão-de-obra” para a África do Sul. devido a estabilidade sociopolítica. a fraca disponibilidade de mão-de-obra qualificada e as obrigações legais e morais de direitos humanos colocam Moçambique numa situação de “aceitação forçada” da imigração. 1. A abordagem dos assuntos de imigração. e Moçambique assume-se como um país de destino para um crescente número de cidadãos de nacionalidade estrangeira. permite a entrada massiva de imigrantes dos vários quadrantes de África e do mundo. uma importância inquestionável. é. Com efeito. Portanto. constitui uma fragilidade na forma como deve ser abordada a problemática da imigração. A extensão das fronteiras. aliado ao facto do Estado ter uma fraca capacidade de controlo das mesmas. faz com que o Estado moçambicano enfrente grandes dificuldades nesta problemática. a imigração é uma realidade que coloca Moçambique num dilema permanente em matéria de política ou estratégia nacional de imigração. Esta fragilidade pode ser agravada pelo provável crescimento de imigrantes resultante das facilidades de abertura e circulação de pessoas e bens no âmbito da integração regional na África Austral. de per si.1. Moçambique. um dos maiores receptores de imigrantes que podem ser fonte ou solução de problemas. Paralelamente. actualmente. ligada a dificuldade de coordenação institucional entre os principais agentes ou actores estatais torna o país vulnerável em relação a esta problemática. Paralelamente. Problemática A principal questão que se coloca é que Moçambique não possui uma estratégia nacional de imigração que. Esta vulnerabilidade constitui um problema que pode ser agravado pela imigração 5 . a concorrência pelo mercado de trabalho e alegado recrudescimento de determinados tipos de crimes associados aos imigrantes levanta receios de ocorrência de ataques xenófobos similares ou piores aos que aconteceram na África do Sul. Assim.particularmente Moçambique onde a livre a circulação de pessoas e bens é uma realidade imposta pela integração regional. em Moçambique. O fenómeno imigratório adquire deste modo.

Assim. analisar o impacto sociopolítico. Analisar a capacidade institucional de Moçambique em matéria de supervisão e controlo de imigração. Objectivos Objectivo Geral O trabalho tem como objectivo geral. cultural e na segurança do país? 1. político. rotas de entrada e locais de fixação dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique.2. Discutir o impacto positivo ou negativo da imigração em Moçambique. económicos e culturais da imigração em Moçambique. económico e cultural da imigração em Moçambique. Esta é uma das questões que sustenta e serve de pretexto para a pesquisa. económica e na segurança de Moçambique. oportunidades e desafios sociopolíticos.ilegal que tem vindo a crescer mas cuja magnitude e impacto holístico é realisticamente desconhecido em Moçambique. e Analisar os factores que tornam Moçambique num centro de convergência de imigrantes. Alias. 6 . cultural. Como se explica que um país pobre como Moçambique esteja a atrair um número crescente de imigrantes legais e ilegais? Será que o país tem condições materiais e financeiras de controlar o fluxo de imigrantes? Que implicações terão a entrada massiva de imigrantes a curto. Objectivos Específicos (i) (ii) (iii) (iv) (v) Identificar as ameaças. médio e longo prazo no domínio económico. Identificar a origem. é pertinente a realização de estudos sobre a dimensão e o impacto real (positivo e negativo) da imigração na estabilidade sociopolítica. social. estas e outras perguntas somente podem ter resposta através de uma pesquisa que permita uma recolha de informação sobre o real.

as fraquezas. Cabo Delgado e Niassa. A pesquisa de campo compreendeu duas técnicas fundamentais: A primeira técnica foi baseada em entrevistas abertas individuais e colectivas a grupos alvos constituídos por opinion leaders (empresários. Metodologia A realização do estudo começou com uma pesquisa bibliográfica com vista a identificar obras de autores que abordam o assunto em estudo. Em ternos de amostra. políticos e culturais e o departamento de estudos de paz e segurança. Nampula.1. as oportunidades e as ameaças da presença de imigrantes em Moçambique. Foram também colhidos dados estatísticos da situação dos imigrantes em Moçambique. principalmente nas zonas de entrada e fixação de imigrantes. a segunda técnica baseou-se num inquérito a opinião pública. Em termos gerais. departamento de estudos sociais. que consistiu na avaliação dos pontos fortes. directores provinciais. deputados e lideres de partidos políticos) e alguns imigrantes. Após o trabalho de campo seguiu-se ao processamento da informação recolhida e a produção do relatório de pesquisa obedecendo o método SWOT. Uma amostragem 7 . líderes sindicais. líderes religiosos. organizações da sociedade civil. foram escolhidas 7 províncias receptoras do maior número de imigrantes nomeadamente Maputo. o que possibilitou o reconhecimento de aspectos importantes que cercam o tema em estudo. Sofala. a identificação de entrevistados da opinião pública foi baseada numa amostragem aleatória da população das regiões alvas. Manica. Após o levantamento bibliográfico. A escolha dos distritos foi baseada em dois critérios que compreenderam: distritos fronteiriços e costeiros e os grandes centros urbanos.3. Tete. Foram combinados pesquisadores envolvendo o departamento de economia. académicos. A pesquisa bibliográfica permitiu aos pesquisadores entrar em contacto directo com todos os escritos sobre a imigração. jornalistas. A equipa de pesquisadores foi composta por especialistas de acordo com as exigências que a pesquisa impõe. foi realizado um estudo de campo que foi conduzido por uma equipa de pesquisadores do CEEI/ISRI.

principalmente se estes equívocos permanecerem nas médias e ao nível do discurso político. o conceito de imigrante é substituído pela categorização étnica dos indivíduos como por exemplo. 2) nem todo o negro é moçambicano e 3) nem todo o estrangeiro é imigrante. Debate Conceptual Existe no seio dos analistas políticos. Ao observar-se as leis No 5/93. Portugueses ou pela categorização racial como por exemplo. Nigerianos. A maioria dos moçambicanos ainda vê o branco. é necessário que fique assente o seguinte: 1) nem todo o não negro é estrangeiro. Existem também vários entendimentos sobre o conceito de refugiados. o decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. muitas vezes manifestados pelos moçambicanos negros nas situações do diaa-dia. Poucos instrumentos jurídicos moçambicanos esclarecem de uma forma clara e objectiva o que é o cidadão imigrante. e a lei do trabalho No 23/2007 de 1 de Agosto. Esta definição baseada na cor da pele demonstra um desconhecimento quase geral da situação dos naturalizados e aqueles moçambicanos de raça não negra que adquiriram a nacionalidade moçambicana na altura da independência. assegurando a validade interna e externa do estudo. Os equívocos conceptuais e a falta de clarificação do conceito de imigrante são em si uma ameaça a ordem social e política do Estado moçambicano. árabes e negros. sociólogos. o conceito aparece pouco esclarecido.1. brancos. Chineses. estudantes universitários ou pela média e mesmo aqui. facilmente se constata que a 8 . Talvez por ser uma realidade recente para Moçambique. 2.probabilística aumenta substancialmente a chance dos participantes serem representativos da população-alvo. e sequer existe um conceito oficial de imigração. tecnocratas. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL 2. Para o inicio da nossa clarificação. Existe portanto um vazio no que diz respeito ao conceito de imigrante em Moçambique. o indiano e o árabe como estrangeiro. considerando somente os negros como nacionais. um conceito difuso sobre imigração e imigrantes. Para além disso são a raiz de sentimentos racistas. Muitas vezes. não existe muito rigor na definição do conceito de imigrantes e muito menos uma definição clara da política de imigração. O termo imigrante só é usado por um grupo esclarecido de políticos.

9 . guerras. sendo considerados refugiados. visitar. os estrangeiros enviados pelos seus estados ou organizações internacionais para trabalhar em Moçambique e os estrangeiros que vem a Moçambique por vontade e iniciativa própria. o cidadão estrangeiro deve permanecer no país hospedeiro por um médio ou longo período de tempo. 2) tempo de estadia e 3) intenção de trabalhar ou residir em um outro Estado. a sua intenção é fazer turismo. não são considerados imigrantes. não confere. estrangeiro é todo o cidadão que não tenha a nacionalidade moçambicana. fazer negócios ou transitar para outro país. genocídio. existe uma necessidade de adicionar um outro critério importante. De acordo com a lei 5/93. Para que o indivíduo seja considerado imigrante é necessário que ele tenha vontade de sair do seu país e vontade de permanecer noutro país. Para que isso aconteça. os indivíduos que se estabelecem no país estrangeiro por convite do Estado ou empresas do país hospedeiro ou que tenham sido enviados por representação pelos seus estados ou organizações internacionais não são considerados imigrantes. sendo mais frequente a terminologia estrangeiro. (REF) O facto de terem transposto a fronteira de um outro Estado e permanecerem temporariamente não lhes coloca na situação de imigrantes e o seu estatuto é protegido pela legislação internacional específica.terminologia imigrante não é usual. de um país para outro. Na concepção deste trabalho. deve existir uma distinção entre os estrangeiros que estão no país a convite do Estado ou empresas moçambicanas. Esta definição não espelha claramente o que é um imigrante pois. Normalmente. categoria de imigrante ao cidadão estrangeiro. Por outro lado. de pessoas ou populações. por si só. os indivíduos que são forçados a abandonar o seu país por motivos de conflito. limpezas étnicas. Todo aquele que permaneça um curto período de tempo não deve ser considerado imigrante pois. com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. Normalmente. perseguição. A questão que se coloca é: qual é o conceito de imigrante utilizado em Moçambique? O conceito mais conhecido e comummente aceite considera imigração como o movimento de entrada. nem todo o estrangeiro é imigrante. (REF) Como se pode ver por esta definição. Para além disso. a legislação moçambicana prefere definir trabalhador estrangeiro e não trabalhador imigrante. existem 3 critérios fundamentais para definir imigrante: 1) transpor as fronteiras de um outro Estado. O acto de transpor a fronteira de um outro país. a vontade dos indivíduos.

A título de exemplo. Quem é quem. A circulação não é feita de um país para o outro mas sim de uma casa para outra. Apesar de este conceito deixar claro quem é o imigrante. não são considerados trabalhadores imigrantes os indivíduos que trabalham nas representações diplomáticas e consulares. em conformidade com esse acordo. casam-se entre si e possuem traços raciais e fenotípicos semelhantes. possuem nomes semelhantes. Pessoas enviadas ou empregadas por um Estado ou em seu nome fora do seu território que participam de programas de desenvolvimento e outros programas de cooperação. de acordo com a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. Estas populações são incapazes de definir onde é a sua casa e quando a adversidade se instala numa das casas mudam-se para outra casa sem obedecer as regras internacionais. Adicionado a estes factores. Com base nos pressupostos acima referidos. Enquanto o malawiano mantiver família em Moçambique nos limites da fronteira não é 10 . cuja admissão e estatuto são regulados pelo direito internacional geral ou específico por acordos ou convenções internacionais. é uma questão complicada. Hoje. não são considerados trabalhadores migrantes. REF a definição de imigrante fica associada a questão distância. os indivíduos enviados para trabalhar em outro país por agências ou organizações internacionais e pessoas enviadas ou empregadas por um Estado fora do seu território para desempenhar funções oficiais. A fronteira fictícia definida em termos geopolíticos não é sentida nem reconhecida em termos socio-antropológicos. podemos assumir que imigrantes são os indivíduos que se estabelecem voluntariamente num território. é difícil distinguir o moçambicano da nova família ou da família adoptiva. Segundo alguns autores. de forma temporária ou permanente com intenção de trabalhar e/ou residir no território nacional. falam a mesma língua. ainda existem zonas de penumbra em relação as populações que vivem nas zonas fronteiriças. deve-se lembrar que durante o conflito armado muitos moçambicanos foram viver nos países vizinhos e criaram laços de parentesco e casamento nesses países. cuja admissão e estatuto são regulados por acordo com o Estado de emprego e que. Quando é que os cidadãos da fronteira se tornam imigrantes é uma questão que preocupa aos moçambicanos. Torna-se particularmente difícil quando as populações dos dois lados da fronteira se consideram uma comunidade.

o processo de imigração é auto-selectivo. métodos e conhecimento epistemológico. são poucos os trabalhos teóricos que abordam o impacto dos imigrantes nos países de acolhimento. que é a teoria mais aplicada para explicar movimentos migratórios. viagem e todos os bens e serviços pagos no processo de migração. O debate sobre a pessoa do imigrante ainda oferece outras zonas de penumbra que devem ser clarificadas por novos estudos sobre a matéria.1 Modelo de migração do capital humano De acordo com o modelo de migração do capital humano (REF). a medida que se introduz para o interior do país é considerado imigrante. África. o homem movido pela sua racionalidade.2.considerado imigrante mas. sendo frequente a discussão em relação ao impacto dos imigrantes sobre os países de origem. Europa do leste para a Europa ocidental e inclusive pela migração África austral para África do sul. o conceito de violação de fronteiras é mais virtual do que prático. 11 . Na verdade. incluindo o reassentamento no local de destino). Esta tendência pode ser comprovada pela migração sul-norte no sentido América latina América do norte. Por outro lado. melhores condições de vida e imigração. 2. médio oriente. Dentre as teorias que explicam as razões da imigração existe um denominador comum: a relação salário. uma vez que as fronteiras nacionais são abertas e a demarcação fronteiriça não obedece sempre a marcos geográficos evidentes. imigra dos seus mercados para outros mercados motivados pelos elevados salários e melhores condições de trabalho. As principais teorias da imigração abordam as razões da imigração. Neste sentido. De acordo com esta teoria. existe um acordo entre Moçambique e os países vizinhos que permite as populações fronteiriças circularem livremente num raio de 20 km.2. Teorias Sobre Imigração Até hoje não foi possível fazer uma grande teoria da imigração nem uma teoria interdisciplinar porque cada disciplina tem a sua linguagem conceptual e analítica. no sentido de que só vai imigrar quem tem condições de financiar os custos inerentes a migração (passaporte. 2.

O modelo de migração do capital humano observa a relação entre salários no país de origem e salários no país de acolhimento. Maputo seria o centro e as outras províncias a periferia. médio oriente. A África do Sul pode ser considerada o centro da África Austral.2. Europa do leste para a Europa ocidental e da América latina para a América do norte. 2. 2.3 Teoria da modernização 12 . menos industrializada. o modelo de migração do capital humano não consegue explicar as tendências migratórias para países como Moçambique. terá mais propensão para migrar aquele que tenha condições de financiar estes custos. com poucos empregos e com baixos salários (Goldstein.Segundo esta teoria.2. Esta teoria admite que os trabalhadores da periferia querem imigrar para o centro a busca de trabalho e melhores salários. O mesmo padrão de migração se verifica na periferia da periferia para o centro da periferia. Apesar de largamente divulgada e difundida.2 Teoria do sistema mundial A teoria do sistema mundial vê o mundo como estando constituído por um centro e uma periferia. na expectativa de recuperar o investimento com os salários altos do país de acolhimento. principalmente nos países do ocidente. A teoria do sistema mundial admite também que a periferia também tem os seus centros. com mais trabalho e melhores salários e a periferia seria menos desenvolvida. factor que explica a mobilidade de trabalhadores imigrantes que saem da África. Esta teoria sustenta que o sistema mundial é caracterizado por hierarquias sobrepostas (Goldstein. mais industrializado. 2003:464-465). ao nível nacional. O centro seria mais desenvolvido. observa também a relação entre empregos no país de origem e empregos no país de acolhimento. onde a existência de empregos é escassa e os salários são mais baixos do que a média regional. 2003:465).

Motivadas pelo consumismo e devido a sua dependência. abusos aos direitos humanos. De acordo com a teoria da modernização. os conceitos de push/pull ainda são dominantes na análise sobre movimentos migratórios (Brettell. violência. perseguição étnica e política. A globalização por seu turno. as pessoas deslocam-se dos locais onde abunda mão-de-obra para os locais onde abunda capital. o imigrante não encontra as condições materiais para aplicar os seus conhecimentos. para o consumo e. políticas e económicas que vem acontecendo nas últimas décadas motivadas pela integração da economia mundial e dos mercados nacionais numa economia global movido pelas grandes corporações internacionais. 2008:119). esta tendência contribui para o desenvolvimento dos locais de origem pois os imigrantes enviam os seus rendimentos para a origem e esse dinheiro seria usado para investimentos. factores de produção como a mão-de-obra. Os estados abandonam gradualmente as 13 . uma vez regressado. 2008: 118). Vários são os autores que contestam a teoria da modernização defendendo que nem sempre o dinheiro enviado é usado para investimentos mas sim. e outros.2.Os primeiros estudos sobre imigração internacional baseavam-se na teoria da modernização que distinguia o mundo em dois pólos: um desenvolvido e outro pobre. estagnação económica. 2008:119). fome. a nova onda de imigração internacional é uma consequência directa do processo de globalização. Factores de repulsão: guerra. as gerações de imigrantes vão se sucedendo perpetuando a ligação entre o país de acolhimento e o local de origem. os indivíduos saem do sector tradicional para o sector moderno que oferece melhores salários (Brettell. 2. Apesar da teoria da modernização ser contestada na generalidade. Para além disso. as migrações eram motivadas por dois factores: os factores repulsivos (push factors) e os factores atractivos (pull factors). Esta teoria assenta na assumpção de que existem dois sectores da economia: um moderno e outro tradicional que trocam para além de bens e produtos. a imigração cria comunidades dependentes e consumistas. Ainda na assumpção desta teoria. Movidos pela tomada de decisão racional. é um conjunto de transformações sociais. uma vez regressados a origem os conhecimentos adquiridos seriam aplicados para o desenvolvimento do local de origem (Brettell. Em vez de criar desenvolvimento.4 Teoria da globalização De acordo com a teoria da globalização. De acordo com esta teoria.

Todavia. mão-de-obra e tecnologia. 3. Os países moldam-se para atrair investimentos de toda espécie e surge uma grande competitividade entre os estados.barreiras tarifárias e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Os efeitos dessa rapidez de comunicação e informação ultrapassam a dinâmica económica e provocam a uniformização e a homogeneização da cultura das sociedades. os estados resistem e continuam a desempenhar o papel de actores privilegiados e detentores da soberania sobre os seus territórios impondo regras de entrada e saída dos factores de produção como capital. existem ganhadores e perdedores. uma vez iniciada. No entanto. O primeiro instrumento internacional que estabelece a liberdade dos indivíduos deslocarem-se para 14 . a mobilidade do capital e do comércio provocam uma crescente mobilidade de mão-de-obra dos países perdedores para os países ganhadores tanto do centro como da periferia. os estados sentem que existe uma grande interdependência entre eles e por força disso pactuam e negoceiam cedências mútuas. ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO 3. Legislação Internacional Para uma avaliação sobre o impacto sociopolítico. produção. Os estados tornam-se incapazes de controlar esta dinâmica que extrapola os seus limites territoriais pois. Antes de se avaliar o impacto dos imigrantes é preciso perceber o que a lei permite e que oportunidades ou dificuldades ela cria na vida do imigrantes. Este processo tem sido acompanhado por uma intensa revolução nas tecnologias de comunicação e informação. Motivando o surgimento de uma aldeia global. económico e cultural dos imigrantes em Moçambique. torna-se necessário conhecer a margem de actuação que estes gozam pela legislação internacional e pela legislação nacional. No entanto. Para além da mobilidade de mão-de-obra entre países assiste-se a mobilidade de capital e tecnologia de uma região para outra. O entra e sai de pessoas é ao mesmo tempo obrigatório porque dinamiza toda uma economia de produção e consumo. a aceleração económica e a competitividade não beneficia a todos os estados pois. ela se garante por meio de redes regionais de comércio. É perigoso porque os estados perdem a capacidade de suportar o elevado índice de estrangeiros nos seus territórios.1. investimento e comunicação. Neste mundo sem fronteiras.

toda gente tem o direito a ser reconhecida como uma pessoa em qualquer país e perante a lei. O artigo 6 desta convenção convoca os estados a tomarem medidas punitivas para os empregadores de imigrantes clandestinos e para a detecção dos imigrantes ilegais. a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem empreendido vários esforços na protecção dos imigrantes desde a sua criação em 1919. A convenção Nº143 da OIT trata. no tocante a remunerações.obriga os estados membros da OIT a facilitarem a partida. em matéria de legislação laboral. apesar de residentes num país estrangeiro e exercerem actividades laborais no estrangeiro não são considerados imigrantes. artigo 6. obriga os estados a concederem aos imigrantes tratamento igual ou que não seja menos favorável àquele que beneficiam os nacionais. Na segunda 15 . que nos seus artigos 13 e 14 defendem o seguinte: Artigo 13 (1) Todo o homem tem direito à liberdade de se movimentar e residir dentro das fronteiras dos Estados. que faz uma revisão da convenção sobre trabalhadores migrantes de 1939) e a Convenção Sobre as Imigrações Efectuadas em Condições Abusivas e Sobre a Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento dos Trabalhadores Imigrantes (convenção No 143 de 1975).outros países é a declaração universal dos direitos do homem assinada a 10 de Dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). particularmente na protecção dos trabalhadores imigrantes. o seu estatuto jurídico é regulado pela convenção de Viena sobre relações Diplomáticas de 18 Abril 1961 e a convenção de Viena sobre relações consulares de 24 Abril 1963. A par dos esforços da ONU. Os membros das representações diplomáticas e consulares. organizações sindicais e segurança social. na Parte I. O artigo 9 desta convenção obriga os estados signatários a permitirem remessas de dinheiro por parte dos imigrantes em conformidade com a legislação monetária nacional. viagem e acolhimento dos trabalhadores imigrantes e. a convenção alerta para os perigos e a obrigatoriedade dos estados evitarem o emprego de imigrantes ilegais e o trânsito de migrantes clandestinos. relativas aos trabalhadores imigrantes são: a Convenção Relativa aos Trabalhadores Migrantes (convenção No 97 de 1949. e tem o direito de regressar ao seu país. artigo 4. filiação. e na Parte II da igualdade de oportunidade e de tratamento. Artigo 14 (1) Todo o homem tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países em caso de perseguição. das migrações em condições abusivas. O artigo 6 da mesma convenção defende que. A convenção Nº 97. Na primeira parte. As duas principais convenções da OIT. (2) Todos têm o direito de deixar qualquer país. inclusive o seu próprio país.

o direito à vida e à segurança pessoal. o direito à liberdade de pensamento. e outros bens monetários para o estrangeiro nos termos das regras monetárias do país de acolhimento. Esta convenção reafirma todos os 16 . no lar ou na sua correspondência. liberdades individuais e colectivas para aqueles que se encontrem legalmente nos seus territórios. Segundo esta declaração. e ainda. O instrumento normativo mais importante para a defesa dos trabalhadores imigrantes é a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores migrantes e os membros das suas famílias. para casar e fundar uma família. Os estrangeiros gozam vários direitos. O artigo 12. o direito à propriedade. segurança social. obriga os estados a informarem sobre os direitos e obrigações dos imigrantes e os mecanismos para sua protecção e convida os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. no artigo 10. cultura e tradição. o direito de manter sua própria língua. de opinião. o estado de acolhimento deve autorizar que o cônjuge e filhos menores ou dependentes de um estrangeiro que reside legalmente no território do Estado deve ser admitido para acompanhar. o direito à liberdade de circulação e a liberdade de escolher sua residência no interior do Estado. direitos sindicais. o direito para escolher um cônjuge. família.parte. A declaração estabelece no artigo 8 algumas disposições relacionadas com os trabalhadores imigrantes defendendo que os estrangeiros têm direito a salários justos e iguais por trabalho de igual valor e o direito de aderir a sindicatos e outras organizações ou associações similares. o direito à protecção contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada. o direito à liberdade de expressão. as disposições relativas a igualdade de tratamento em matéria de emprego e profissão. adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1990. Para fortalecer os postulados relativos aos imigrantes. em conformidade com a legislação nacional e em função das obrigações internacionais do Estado em que estão presentes. consciência e religião. o direito de transferir o seu salário. Dentre os vários direitos foram incluídos. o direito de ser iguais perante os tribunais e todos os outros órgãos e entidades da administração da justiça. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. a ONU adoptou em 1985 a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. participar e ficar com o estrangeiro. a convenção reafirma. culturais. no seu Artigo 5. poupanças. o direito de manifestar sua religião ou crença. o direito de reunião pacífica.

adoptado a 15 de Novembro de 2000. são abrangidas aos trabalhadores nacionais. estabelecido no artigo 6. De acordo com esta declaração. o direito a protecção diplomática e consular a todos os imigrantes e os membros das suas famílias em casos de detenção por actos criminais. a proibição do trabalho forçado exalados no artigo 11 e 23. horas extras. religiosa e linguística das minorias dentro dos respectivos territórios e devem incentivar as condições para a promoção dessa identidade. Um destes instrumentos é o Protocolo para Prevenir.pressupostos da declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem e acrescenta postulados relativos a proibição da escravatura e servidão. A concessão de direitos e liberdades fundamentais aos imigrantes pela legislação internacional tem um efeito determinante no comportamento dos 17 . cultural. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. esta convenção afirma no artigo 16. Religiosas e Linguísticas adoptado a 18 de Dezembro de 1992. é convidar os estados a proteger e assistir as vítimas do tráfico e garantir o respeito pelos direitos humanos. os estados devem proteger a existência e a identidade nacional ou étnica. Um dos objectivos deste protocolo é prevenir e combater o contrabando de imigrantes e proteger os direitos dos imigrantes contrabandeados. é outro instrumento de importante valor para a protecção dos imigrantes nos países de acolhimento. no artigo 1. Um dos objectivo deste protocolo. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. A Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas. Como se pode depreender. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. O artigo 25 acrescenta que os trabalhadores imigrantes têm direito a boas condições de trabalho. férias remuneradas. a segurança social. adoptado a 15 de Novembro de 2000. a saúde. Para além destes instrumentos específicos e centrais. a cessação da relação de trabalho e quaisquer outras condições de trabalho que. O outro instrumento é o Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. a legislação internacional criou instrumentos normativos para proteger a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. Especialmente Mulheres e Crianças. a ONU desenvolveu vários outros instrumentos destinados a protecção dos estrangeiros. de acordo com a legislação e a prática nacionais. descanso semanal. Mar e Ar. Por sua vez. o artigo 7 convida os estados a aceitarem a permanecia definitiva ou temporária das vítimas de tráfico no seu território. horas de trabalho estabelecidas por lei.

Este controlo é um dos pilares da soberania do estado e foi aplicado pelas potências europeias nas suas colónias africanas. dentro dos limites da lei. as constantes migrações devido aos atractivos económicos e ambientais obrigaram os estados a aceitarem indivíduos de outras etnias concedendo-lhes espaço para habitação e cultivo. As práticas de nomadismo só reduziram com o advento da agricultura e quando os homens passaram a assumir a terra como propriedade privada e estabeleceram-se os primeiros estados. O princípio da soberania estabelecida no tratado de Westphalia determinou que os estados tenham direito sobre o seu território e os seus habitantes podendo impor as condições de entrada e saída do seu território aos nacionais e não nacionais. o livre movimento de pessoas entre as várias regiões de África respondeu ao anseio natural dos homens pela sua sobrevivência. Por regra. Desde os tempos mais remotos. só podia se estabelecer num território ocupado aquele que partilhasse laços familiares.2. Cada potência controlava o seu território e a sua população impedindo a fuga de mão-de-obra para outras colónias. Por força desta determinação. A conferência de Berlim definiu a necessidade das potências colonizadoras estabelecerem fronteiras de ocupação de forma a delimitar os seus territórios a semelhança do que era prática no continente europeu. A noção de estrangeiro já existia e estes não gozavam dos mesmos direitos e deveres dos naturais. Legislação Nacional A imigração não é um fenómeno novo na história de África e de Moçambique. Estas normas e regras primitivas vigoraram em África até o início da colonização europeia. As instituições dos estados primitivos estabeleceram normas e regras de entrada e permanência de indivíduos em territórios já ocupados.imigrantes e possibilita-lhes exercerem qualquer actividade. a livre circulação de pessoas no continente africano sofreu grandes mudanças. estes indivíduos eram diferenciados do resto da população. étnicos. comummente definido depois da partilha de África (na conferencia de Berlim em 1884-85). Com o inicio da colonização. nos países de acolhimento e. o livre movimento dos africanos ficou muito restringido e praticas de nomadismo deixaram de existir. Com o advento das 18 . 3. Porém. Apesar destas regras. culturais ou linguísticos com os proprietários do território. a partir daí afectarem positivamente no desenvolvimento económico desses países.

profissão ou opção política. seleccionar. lugar de nascimento. os estados africanos passaram a adoptar normas e regras de controlo fronteiriço estabelecidos pelas ex-metrópoles e adoptaram as normas internacionais relacionados com esta matéria. Sendo assim. o artigo 35 da constituição afirma que todos os cidadãos são iguais perante a lei. houve um acordo entre os estados africanos defendendo a irreversibilidade das fronteiras coloniais. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique e pelo regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. A partir dai. Com efeito. origem étnica. estado civil dos pais. os estados vem estabelecendo normas e regras para controlar o movimento de pessoas tanto nacionais como estrangeiros no território nacional. Todos os residentes no território até a altura da independência eram considerados nacionais e todo o não residente passou a ser estrangeiro. Todo aquele que entre no território nacional sem passaporte. excluindo os direitos políticos e os demais direitos e deveres expressamente reservados por lei ao cidadão nacional. A mesma lei obriga ao cidadão estrangeiro que queira entrar em Moçambique que se apresente nos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos com toda a documentação necessária e que esteja munido de um visto em conformidade com a duração e os objectivos da sua estadia no país.º 38/2006. com passaporte falso 19 . goza dos mesmos direitos e garantias e está sujeito aos mesmos deveres que o cidadão moçambicano. posição social. religião. grau de instrução. permanência e saída do cidadão estrangeiro em Moçambique são actualmente regidas pela lei 5/93 de 28 de Dezembro. O primeiro instrumento que regula a relação entre o Estado e os cidadãos residentes em Moçambique é a constituição da república.independências africanas (1960). independentemente da cor. estabelecidas nas leis orgânicas dos Estados obedecem aos interesses e motivações dos estados individuais e também das normas e regras internacionalmente criadas. As normas sobre entrada. De acordo com o artigo 4 desta lei. as novas nações passaram a ser definidas em função das fronteiras coloniais. raça. Desde o surgimento do estado hobbesiano. gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. o cidadão estrangeiro que resida ou se encontre em território nacional. A política de imigração dos estados africanos passou a servir 4 objectivos principais (incentivar. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. sexo. Muitos destes instrumentos. restringir e impedir o movimento migratório). O controlo fronteiriço imposto durante o período colonial passou a ser exercido pelos estados recém independentes o que significou a continuação das políticas migratórias das metrópoles.

que exerça uma actividade profissional no território moçambicano. com a multa de dez a oitenta salários mínimos e o trabalhador estrangeiro fica imediatamente suspenso. a empresa prevaricadora pode ser punida. o governo estabeleceu. pode o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou actividades que se enquadrem nas restrições ao seu exercício por cidadão estrangeiro. A contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira por entidades empregadoras nacionais e estrangeiras fica sujeita à autorização do Ministro do Trabalho ou de quem este delegar. De acordo com esta lei. que o trabalhador estrangeiro. sendo que. Sem prejuízo do disposto no número anterior. A lei do trabalho introduz novas clausula não previstas no decreto-lei 57/2003 20 . O Artigo 11 desta lei prevê Sanções para as empresas que não observem as normas legais. através do decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. lei No 23/2007 de 1 de Agosto. Ainda em relação a contratação de trabalhadores estrangeiros. no artigo 1.ou caducado. a lei do trabalho. ou ainda. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. O artigo 2 da mesma lei estabelece como condição para a contratação de estrangeiros que A autorização para contratação de trabalhadores estrangeiros fica condicionada à comprovação pelo Centro de Emprego do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de que possuem qualificações académicas ou profissionais necessárias e que não existem cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente. a presente lei estabelece no artigo 6 que. Em relação ao trabalhador imigrante. afirma no Artigo 31. tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores nacionais. Para além deste dispositivo que vela pela situação dos trabalhadores nacionais. no quadro das normas e princípios de direito internacional e em obediência às cláusulas de reciprocidade acordadas entre a República de Moçambique e qualquer outro país. os que entram por postos não habilitados são considerados migrantes clandestinos. por cada trabalhador estrangeiro em relação ao qual se verifique a infracção. nomeadamente em razão do interesse público. As entidades empregadoras devem criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração das empresas.

Muitos países que procuram mão-de-obra procuram acima de tudo avaliar a qualidade desta força de trabalho. que controla a legalidade laboral se há contratados sem autorização o estado suspende o estrangeiro. 21 . níveil de vida e o estatuto financeiro (Chiswick. aptidões. oficial. capital. A prioridade para o emprego é dada ao nacionail. Para que o país possa seleccionar melhor os imigrantes que pretende. nas grandes empresas. americanos. no artigo 34. quotas de admissão de trabalhadores estrangeiros. Não basta admitir estrangeiros. a lei defende que a admissão de estrangeiros só pode acontecer no caso de não existir nacionais com aquela qualificação. asiáticos e até latino americanos têm uma política de migrações que veda a entrada de imigrantes não-económicos e com poucos ‘skills’ (habilidade definidas de forma mais alargada desde conhecimentos. A excepção a regra são os grandes projectos. Até hoje. de cortesia. permanecia e saída de imigrantes. nas pequenas empresas. deve estabelecer de uma forma bem clara a sua política de imigração. Como seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir é um desafio para o estado moçambicano. A empresa deve justificar que fez pesquisa nacional e que não achou moçambicanos com capacidades. que se contrate estrangeiros que tenham entrado no país mediante visto diplomático. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. Para além deste controlo. c) 10% Da totalidade dos trabalhadores. o Estado veda. consoante o tipo de classificação de empresa: a) 5% Da totalidade dos trabalhadores. Há empresas que admitem trabalhadores a margem da cota mas precisam de autorização. etc). b) 8% Da totalidade dos trabalhadores.ao determinar. Torna-se urgente estabelecer políticas com estratégias claras de imigração. nível escolar. Se o país possuir cidadãos com aquelas qualificações não é permitida a contratação dos estrangeiros. através da inspecção do trabalho. nas médias empresas. Moçambique só estabeleceu leis que determinam as regras de entrada. O estado fiscaliza. estado de saúde. pelo artigo 32 da lei do trabalho. de negócios ou de estudante.64). 2008. Países europeus. de visitante. qualificações. turístico.

um país de acolhimento e de trânsito. enquanto os registos oficiais demonstram uma entrada maciça de imigrantes legais e ilegais. ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇAO DE IMIGRANTES. igualmente. voluntária. mais de uma década no caso dos Sul-africanos. políticos. as estatísticas da imigração nacional variam muito e a capacidade estatal de controlo está a ser posta em causa. houve casos de cidadãos dos países socialistas e capitalistas. Nesta altura. legal e ilegal era baixo até 1992. Este controle foi. de acordo com evidências empíricas. com base nos artigos 4 e 21 da Constituição de 1975. guerrilheiros e activistas da África do Sul. Contudo. se tornaram Moçambicanos. os chamados “cooperantes”. ano da realização das primeiras eleições gerais (presidenciais e legislativas) multipartidárias. ao mesmo tempo. de certa forma. uma imigração politicamente selectiva cujo fluxo esteve sob controlo. maioritariamente. assegurado pela situação políticoeconómica caracterizada por guerra de desestabilização e crise económica de tal forma que o fluxo de imigração forçada. CARACTERIZAÇAO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS. os registos de estrangeiros residentes tende a flutuar muito porquanto Moçambique representa. em 1975. mais de 20 anos para os Timorenses e prevalece uma abertura 22 . Além disso. altura da assinatura dos Acordos Gerais de Paz (AGP) e 1994. 4. inclusive. Com efeito. Moçambique está na rota da imigração desde a independência. o fluxo e a complexidade da imigração cresceram. até certo ponto.1 Origens dos imigrantes A imigração politicamente motivada acolheu. Palestina e Timor-Leste que lutavam pela libertação dos seus povos. Neste contexto. o país recebeu imigrantes no contexto do apoio às lutas contra o colonialismo e imperialismo e luta dos povos pela sua libertação nacional.4. o Estado promoveu. Com efeito. que se estabeleceram em Moçambique e. desde de 1992-1994. Zimbabwe. Esta onda de imigração forçada e legal durou cerca de 5 anos para os Zimbabweanos.

cidadãos do Benin. procuravam melhores condições sócio-económicas. uma grande comunidade imigrante Indiana de várias gerações que esteve presente em todo o país e tinha um grande protagonismo no domínio comercial. os Etíopes. Com efeito. de poder de influência. Neste contexto. existe uma percepção de que os Portugueses. os Congoleses. os Burundeses e os congoleses constituem as nacionalidades preponderantes. dos ilegais. os Libaneses. os Somalis. muitos destes imigrantes regressaram às suas origens de tal forma que esta onda de imigração não foi problemática do ponto de vista demográfico e permaneceu selectiva em relação as nacionalidades. da África Ocidental e Oriental. muito menos. os Guineenses. alegadamente. principalmente da África Austral. Quanto aos Grandes Lagos. pois dados quantitativos nacionais e internacionais sobre os imigrantes em Moçambique não revelam a magnitude real em termos de nacionalidades dos imigrantes legais e. paquistaneses. os Sul-africanos. Nigerianos e Camaroneses representam a África Ocidental. depois de 1992-1994. No entanto. Malianos. No entanto. A primeira foi dominada por Portugueses que. de acordo com evidências empíricas. os Nigerianos. Senegaleses. os Paquistaneses e os Chineses constituem os grupos de imigrantes predominantes em Moçambique. Sul-africanos e Zimbabueanos são os principais imigrantes da África Austral em Moçambique. esta terceira onda é dominada pela imigração massiva de africanos. os Kenianos e os Tanzanianos compõem o grupo dos imigrantes originários da África Oriental. Por último. os Somalis. supostamente. esta percepção não tem um suporte estatístico oficial e fidedigno. No entanto. dos Grandes lagos. indianos e bengalis) e do Médio oriente (principalmente libaneses) e da América (fundamentalmente do Brasil). foi caracterizada pelo predomínio de Asiáticos. A terceira onda de imigração é actual e nela se destacam imigrantes provenientes da Ásia (maioritariamente Chineses. A segunda. 23 . os Burundeses. As ondas de imigração pós AGP vieram suplantar do ponto de vista numérico e.para o caso dos palestinianos. inclusive. retornavam ao país para reaver os bens deixados após a independência. Guineenses da Guiné Conacry. o número de imigrantes e a variedade de nacionalidades alargouse através de três grandes ondas de imigração. com particular destaque para Paquistaneses e Bengalis que.

fundamentalmente. essencialmente. Entretanto. à excepção da Somália. Estes grupos de imigrantes são. pessoas com um elevado grau de formação e pertencem a “classe média”.Na imigração africana. ambos com baixo nível de formação académica exceptuando alguns casos raros. e é forçada por instabilidades político-militares. voluntária. Com efeito. Por seu turno. Sul-africanas que 24 . alegadamente. A condição social dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique é diversificada em função da sua origem. indivíduos relativamente estáveis que possuem recursos financeiros e procuram oportunidades para prosperar economicamente. é considerada um constrangimento à imigração em família. os Sul-africanos constituem uma excepção em termos sócio-económicos. isto é. pois estas não são suas línguas. estes possuem contratos de trabalho para prestar serviços especializados em empresas. em todos os outros casos a imigração em Moçambique é descrita como sendo voluntária e. por outro. pois na sua maioria são. Quanto a imigração africana. Esta barreira linguística. na imigração não africana. do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) onde a emigração foi. os Libaneses constituem um caso de uma mistura entre a imigração forçada e voluntária enquanto nos outros grupos a imigração é. trata-se de um grupo de imigrantes maioritariamente camponês e de outro grupo predominantemente comerciante. alegadamente. Por um lado. a barreira linguística tem sido minimizada ao longo do processo de integração social. essencialmente. os africanos e os não africanos.1. pois os imigrantes aprendem a língua portuguesa em ambientes formais e informais. existe um grupo considerável de imigrantes falantes da língua Árabe que se expressam com muita dificuldade tanto em Inglês como em Francês.1 Condição socioeconómica dos imigrantes em Moçambique. financeiras e a segurança. 4. associada a dificuldades económica. destacam-se duas situações completamente distintas. por motivos comerciais. Entretanto. compostos por homens entre os 21 e 40 anos de idade. Na caracterização do imigrante africano. maioritariamente falantes de Inglês e/ ou Francês num Moçambique multilinguístico mas que tem o Português como língua oficial. Por um lado existem pessoas pobres que lutam pela sobrevivência e. em Moçambique.

Boer falante de Afrikans e Inglês. Para ambos grupos. Em relação aos Portugueses e Brasileiros. igualmente. Os Chineses constituem um grupo que está. fundamentalmente. Por outro lado. dentro da imigração Sul-africana existe um número significativo de pessoas que estão em Moçambique na condição de investidores estrangeiros. alegadamente. Alias. Estes não trazem família e são. particularmente africanos que desenvolvem a chamada medicina tradicional que tem. vistos como indivíduos de uma condição desfavorável mas que rapidamente atingem a prosperidade. Quanto a imigração não africana. a maioria dos imigrantes professa a religião islâmica.operam em Moçambique. de grosso modo. A excepção dos sul-africanos. Além disso. dos portugueses. Esta situação não constitui uma 25 . a língua não constitui uma barreira nos objectivos dos imigrantes maioritariamente jovens que raramente trazem família. a prestar serviços. é importante colocar o alerta para a existência de uma alegada política de exportação de pessoas com objectivos políticos e económicos que incluem a necessidade de assegurar espaços de influência e oportunidades de internacionalização de empresas. Por seu turno. supostamente. fundamentalmente da “classe média/alta”. os Paquistaneses são. constata-se que também estão em Moçambique muitos técnicos da “classe média/alta”. tido um papel social positivo para muitas famílias Moçambicanas mas também é altamente lucrativa. Em relação aos imigrantes Asiáticos. é importante distinguir os portugueses e os brasileiros e os imigrantes da Ásia e Médio Oriente pela sua considerável expressão do ponto de vista numérico e geográfico. alegadamente. Mas. existe um número considerável de imigrantes. os Chineses e os Paquistaneses constituem as nacionalidades mais evidentes no seio da opinião pública. meios ilegais. Além disso. contratados para prestar serviços ou ocupar cargos de confiança em empresas. os Paquistaneses que trabalham no ramo comercial são suspeitos de prosperar usando. dos brasileiros e chineses. pessoas desfavorecidas que encontram na imigração uma oportunidade para melhorar a sua condição sócio-económica. em empresas de construção civil. Contudo. muitos estão a ganhar conhecimentos básicos da língua portuguesa no ambiente informal dentro e fora trabalho. esta percepção da facilidade de prosperidade dos imigrantes é extensiva aos africanos.

de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sócio-política e segurança dos indivíduos bem como do Estado se não for operacionalizada a cooperação intra-estatal e internacional. 26 . em Moçambique imigrantes qualificados e não qualificados. actualmente. Esta fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. simultaneamente. económico e cultural negativo a nível doméstico e internacional. em termos operacionais. em termos de extensão e intensidade.novidade tomando como base ?????? (Huntington. que requer uma abordagem multidisciplinar e de grande cooperação entre Moçambique e os Estados vizinhos que devem assumir uma postura proactiva. nacional e transnacional. Há. por um lado. quiça. intervenção de uma rede de crime organizado que envolve Moçambicanos e estrangeiros cujas nacionalidades não estão claramente identificadas. na caracterização dos imigrantes. Esta atitude pode constituir uma forma de colmatar a fragilidade institucional do ponto de vista estatístico e. A percepção e descrição da condição sócio-económica dos imigrantes possuem um valor analítico importante para avaliar o grau de ameaça ou de oportunidade que a imigração representa para Moçambique e para os Moçambicanos. Entretanto. A imigração qualificada é promovida pelo sector económico. um problema institucional. Portanto. Além disso. Assim. sob o ponto de vista demográfico. o processo de integração regional e a futura liberalização do mercado de trabalho podem ter uma influência no fluxo de imigração para a África Austral e. alegada. Por outro lado pode servir para prever prováveis problemas contra os imigrantes. o Estado pode actuar de forma proactiva e evitar surpresas estratégicas que podem ter impacto sócio-político. os imigrantes não qualificados e de classe baixa constituem a maioria. 1997: 198). pessoas da classe média/alta e de classe baixa. é livre e com. Enquanto que a imigração não qualificada. particularmente para Moçambique. particularmente as empresas estrangeiras. A fragilidade em termos de dados estatísticos é. pela percepção da dimensão numérica. Este assunto é. existe em Moçambique uma mistura de imigrantes qualificados e não qualificados.

decidiram ficar. é importante destacar que as autoridades migratórias e policiais detectaram. incide. internos ou internacionais. Uma terceira e última parte. No caso de Moçambique. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro. igualmente um grande fluxo de imigração com uma forte carga sócio-cultural que não se processa de acordo com a exigência legal migratória. por meios próprios. a percepção de que há. a educação e a saúde e depois permanecem no país tornando-se. sobre a categoria dos estrangeiros permanentes. 27 . inclusivamente Moçambicanos. turistas. temporários e clandestinos. Homem de negócios e estudantes estrangeiros. uma vez no país. ilegal. Quanto a legalidade dos imigrantes. Neste grupo. rota dos imigrantes ilegais e destino dos legais”.1 Categorias de imigrantes em Moçambique Existem várias formas de categorização dos imigrantes. a lei 5/93 de 28 de Dezembro. 23/ 2007 de 1 de Agosto. evidências mostram que uma parte significativa vem a Moçambique por meio de empresas com base em quotas legalmente estabelecidas pela lei de trabalho. Neste contexto. alegadamente. os imigrantes podem ser voluntários ou forçados. que parece ser a maioria. Contudo. Uma segunda parte. em Moçambique. sinais de existência de redes internacionais com ramificações nacionais que se dedicam ao recrutamento e/ou facilitação de imigração legal e. principalmente. 2007) e permanentes ou temporários. pelas facilidades existentes para a prática de negócios. cidadãos estrangeiros em trânsito. Além disso. Mas é a legalidade ou ilegalidade dos estrangeiros que tem concentrado maior atenção da opinião pública e das autoridades estatais. Este grupo de imigrantes legais temporários inclui.1. vem a Moçambique individualmente e/ ou em grupos. de acordo com a legislação Moçambicana. por exemplo.Moçambique representa uma rota de trânsito para imigrantes ilegais e um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. esta percepção pode ser simplista se considerar que foram constatados casos de imigrantes ilegais que não tinham Moçambique como destino mas. mais imigrantes ilegais do que legais pode reduzir o peso da constatação de que “Moçambique. fundamentalmente. regulares ou irregulares (Oucho. alegadamente. 4. vem a Moçambique via contratos de trabalho com entidades estatais como. em alguns casos. No entanto. existe o caso da imigração trans-fronteiriça que ocorre através dos postos de migração ao longo da vasta fronteira mas há.

financeiros e técnicos.No grupo de “imigrantes contratados”. o imigrante ilegal de hoje tem-se tornado o imigrante legal de amanhã. que é invisível e supera a capacidade fiscalizadora do Estado. pois o país está aberto aos imigrantes quanto mais 28 . Por seu turno. o cumprimento desta obrigação está dependente da capacidade fiscalizadora das autoridades migratórias e policiais que tem sido pouco activa devido a fragilidade de meios humanos. 3) imigrantes trans-fronteiriços. por exemplo. mas principalmente para a África do sul. Deste grupo a maioria escala Moçambique como um corredor de trânsito para a África do Sul e uma minoria permanece. o tempo de permanência é de 2 anos renováveis de acordo com a lei de trabalho enquanto que não há um limite temporal para os imigrantes legais permanentes que estão a trabalhar na área comercial desde que cumpram com os requisitos preconizados no ordenamento jurídico vigente. Além disso. tornados legais. e 4) imigrantes irregulares. constata-se que há imigrantes que chegaram a Moçambique na condição de refugiados e depois se tornaram imigrantes. segundo as autoridades de guarda fronteira. Assim. que passam pelo país com objectivo de viajar para outros destinos. como local de destino. Passado algum tempo. Perante esta situação. Entretanto. a expiração do tempo de permanência. as autoridades de guarda fronteira detectaram grupos de mais de 50 imigrantes que viajavam em condições desumanas. Dentre os vários grupos de imigrantes ilegais existem aqueles que ao serem detectados pelas autoridades Moçambicanas são imediatamente repatriados e existem os são chamados a regularizar a sua situação. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique em grupos de 4 ou mais pessoas. Perante a complexidade de imigração em Moçambique é possível distinguir 6 tipos de imigrantes ilegais: 1) os imigrantes legais que se tornam ilegais devido. Esta é acção do ramo doméstico do crime organizado considerado “contra vigilância”. 2) os imigrantes transitórios. presumivelmente. por meios ilegais com a conivência de agentes do Estado em várias áreas. que se estabelecem permanentemente no país sem intenção de transitar para a RSA mas sem nenhuma documentação ou que estejam em situação de refugiados mas sem a devida documentação. foram constatados casos em que o imigrante legal de hoje torna-se imigrante ilegal de amanhã. Em alguns casos. que estabelecem relações de âmbito sócio-culturais ao longo da fronteira entre Moçambique e os países vizinhos. estes imigrantes ilegais são.

ainda não existe uma base de dados que permita afirmar com exactidão.2 Rotas de Entrada de Imigrantes Desde a década de 1990. No final da década de 1990 houve casos de imigrantes ilegais provenientes da Ásia que entraram em Moçambique por via aérea. A situação torna-se mais difícil de controlar devido. à complexidade da acção das redes de imigração clandestina. Mas. em Moçambique. 4. 1 A imigração Sul-africana é um caso particular que não cabe nesta constatação. ocorre por via aérea. os imigrantes estão expostos ao perigo do trafico de pessoas que é um negócio altamente lucrativo mas que ainda não há dados sobre o fenómeno associado a imigração em ou para Moçambique. A maioria dos imigrantes nesta situação é africana. dentro deste grupo. No entanto. em grande escala. Além disso. terrestre e marítima. Contudo. do ponto de vista empírico. quais as nacionalidades predominantes. com o fim do Apartheid. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique. Moçambique entrou na rota de imigração. 29 .não seja pelo reconhecimento de que a imigração pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de Moçambique. esta situação permite contornar as autoridades mas também facilita a acção das redes organizadas de recrutamento e facilitação de imigração clandestina. dos imigrantes africanos ilegais. Com efeito. Moçambique constitui um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. A entrada dos imigrantes legais e ilegais. Neste contexto. como um corredor de trânsito de imigrantes legais e ilegais para a África do Sul. não existem dados quantitativos globais e exaustivos que revelam a magnitude real em termos de legalidade ou ilegalidade dos imigrantes a nível nacional. No entanto. Do ponto de vista estatístico oficial. sobretudo. preferencialmente via terrestre devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira1. devido a mediatização dos casos e a consequente elevação dos níveis de controlo os imigrantes ilegais abandonaram ou reduziram a via aérea como uma opção para a imigração em Moçambique. a percepção é de que existem mais imigrantes ilegais do que legais em Moçambique em trânsito ou em permanência.

Niassa e Manica.1 As Rotas de Entrada Terrestre A rota de imigração terrestre desenvolve-se no sentido Norte e Centro em direcção ao Sul. No entanto. extensa e com uma supervisão e controle frágil. constitui um ponto de entrada de imigrantes ilegais. baixo devido ao controle implacável das autoridades fronteiriças do Zimbabwe. maioritariamente. em diversos pontos longe da localização oficial dos postos fronteiriços. camionistas de longo curso.Por seu turno. Entretanto. de certa forma. respectivamente. os imigrantes são escondidos no meio de mercadorias ou em camiões cisternas como forma de ludibriar as autoridades de migração e guarda fronteira. As entradas ilegais são feitas. Com efeito. Com efeito. igualmente. os distritos fronteiriços do Norte (Cabo Delgado e Niassa) e Centro (Manica mas. Noutros casos.2. igualmente. A título de exemplo. Assim. Para o efeito. a fronteira marítima é. os imigrantes legais usam. também são pontos de entrada ilegal de imigrantes. na zona de Machipanda o fluxo de imigrantes ilegais é. 4. Metangula. alegadamente. um problema da Zâmbia mas principalmente da Tanzania e do Malawi por onde supostamente entra a maioria dos imigrantes ilegais. Esta realidade coloca a reserva vulnerável a acção de caçadores furtivos. A fronteira de Zóbué. a entrada de imigrantes ilegais em Moçambique não pode ser vista como um problema unicamente Moçambicano. por exemplo. os imigrantes ilegais atravessam as fronteiras ilegalmente usando a corrupção. de acordo com alguns imigrantes entrevistados. Neste contexto. na análise das rotas de imigração em Moçambique. Este facto ocorre devido a ausência de receios quanto a legalidade da imigração e pela redução de riscos associados a imigração terrestre ou marítima que está sujeita a redes de recrutamento e facilitação de imigração ilegal. no Niassa. os imigrantes tem subornado. igualmente. Neste contexto. Mueda. a reserva natural de Mecula. principalmente Tete) têm sido os principais pontos de entrada de imigrantes. a norte de Moçambique. Este é. em Tete. a via aérea. é considerada uma das mais vulneráveis a imigração ilegal. há poucas evidências relativamente a entrada de imigrantes ilegais por via das fronteiras marítimas no Lago Niassa e no Rio Rovuma. e Machipanda em Cabo Delgado. 30 . parece que a fronteira marítima está a ser pouco usada na imigração e isso tem servido para menosprezar.

2. via terrestre. Alguns Malianos em Moçambique usaram a rota Mali – Quénia – África do Sul– Maputo. principalmente técnica e tecnológica para fazer face a complexidade da problemática da imigração.2 As Rotas de Entrada Aérea As rotas aéreas de imigração legal partem de vários pontos de dentro e de fora do continente Africano. Além disso. De fora de África salientam-se as rotas Dubai . na África do Sul. Mas. Entretanto.3 Locais de fixação dos Imigrantes em Moçambique 31 . O facto de Maputo ser.4. pois são poucos os países que tem ligações aéreas directas para Moçambique. principalmente pela fronteira de Ressano Garcia. Nampula e Pemba que estão a receber aeronaves estrangeiras pode representar uma fragilidade do ponto de vista de supervisão e controle. durante muito tempo. Na maioria dos casos. de forma clandestina. o alargamento de ligações aéreas do estrangeiro para diversos pontos de Moçambique como Vilankulo. 4. foram constatados casos de imigrantes legais que chegam a Moçambique por meios aéreos mas posteriormente entraram na África do Sul. neste grupo de imigrantes legais é importante distinguir os que tem Moçambique como destino e os que tem a África do Sul como destino. Com efeito. Nigéria – África do Sul – Maputo é o trajecto usado pelos Nigerianos. a título de exemplo. o único ponto de entrada de estrangeiros constituiu uma vantagem do ponto de vista de registo controle e supervisão dos imigrantes. Beira. Neste contexto. a entrada de estrangeiros nesses pontos tem sido excessivamente apenas do ponto de vista turístico e trabalhadores contratados menosprezando a situação no quadro dos dilemas da imigração. Portanto. Johannesburg e Maputo são pontos incontornáveis de entrada de imigrantes legais. o Aeroporto Oliver Thambo. os imigrantes Guineenses fazem a rota Guiné Conacry – África do Sul – Maputo. tem sido um ponto de trânsito obrigatório.África do Sul – Maputo e Paquistão África do Sul – Maputo. pois estão sendo alargadas as portas de entrada de Moçambique sem a correspondente capacidade humana e.

afirmar em que região do país há mais imigrantes. o antigo e actual centro de acolhimento de refugiados. constata-se que os imigrantes tendem a fixar-se em locais de muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos mas facilmente exploráveis. há maior circulação de dinheiro do que o meio rural ou suburbano é para acomodação. evidências que mostram de que a zona Centro e Norte é onde há abundância de recursos naturais. É importante referir que Maputo e Nampula têm a particularidade de serem. é onde existem as maiores oportunidades de negócio. Existe portanto. Neste contexto. é importante questionar quais são as nacionalidades predominantes no Sul. uma percepção de que a zona Sul e Norte. Maputo Província e Nampula são considerados os pontos de maior circulação de dinheiro onde há muitos imigrantes. mais do que isso. respectivamente. Centro e Norte de Moçambique de forma a traçar cenários demográficos. alegadamente. Mas. igualmente. No entanto. Neste contexto. espaços preferidos para habitação de imigrantes ilegais que estão constantemente a fugir das autoridades policiais e migratórias. mas. é difícil sem uma base estatística fiável. existe a percepção de que é no círculo urbano onde se encontram as maiores facilidades de realização de negócios comparativamente ao meio rural. também. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano 2 A título de exemplo. Nampula e Niassa. Pelas evidências empíricas.Os imigrantes encontram-se fixados em quase toda a dimensão territorial de Moçambique. nas capitais provinciais de Cabo Delgado. os locais de fixação de imigrantes estão muito associados a interesses maioritariamente económicos. Esta “geopolítica dos interesses dos imigrantes” é um aspecto que não deve ser ignorado em qualquer avaliação do impacto da imigração em Moçambique. a vantagem de estar próxima da África do Sul. principalmente dos ilegais. económico-sociais e até políticos e de segurança. Os meios rurais e os espaços suburbanos. Além disso. A existência de mercados informais nos grandes círculos urbanos é apontada como um factor que atrai os imigrantes2. Maputo tem. Maputo e Nampula são grandes corredores de desenvolvimento. as suas actividades diárias ocorrem nos círculos urbanos pois. são. igualmente. os mercados informais estão progressivamente a ser dominados por imigrantes 32 . a distribuição geográfica. Existem. Mas. Além disso. Com efeito. Maputo Cidade. por ser menos onerosa. numérica e em termos de nacionalidades não esta documentada nas poucas estatísticas oficias que existem.

que vem da pobreza absoluta3.A teoria Push-Pull Os autores que estudam a imigração são unânimes em afirmar que é necessário que existam razões que levem as pessoas a decidirem imigrar. Por outro lado.mas. nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência. há. é a necessidade que elas têm de se desenvolver como pessoas. A teoria Push-Pull. Segundo estes autores. a imigração explica-se a partir da necessidade de desenvolvimento humano. O que move as pessoas segundo Kearny. (Schachter. 5. de verem os seus direitos civis preservados. como o comércio internacional. 5. Estes são. e estes factores não tem nenhuma relação com a pobreza ou riqueza. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. 49).1. igualmente. 33 . a necessidade de investir em novos mercados. necessidade de uma formação melhor. violação dos direitos 3 Situações de pobreza absoluta são consideradas um dos principais factores de imigração. aparentemente. e é a procura desse desenvolvimento que elas deslocam-se das suas zonas de origem para outras. como diz Kearny. que vão desde problemas políticos e económicos. diz-nos que existem factores de repulsão (push) que fazem com que as pessoas queiram sair dos seus países de origem.FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Para alguns autores como Kearny (1986:353). Regra geral as pessoas são motivadas pela possibilidade de conseguir trabalho. Existem outros factores que estão na origem da imigração. razões essas. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. o turismo. p. e quando isto acontece os imigrantes geralmente dirigem-se sobretudo para os países mais próximos. a mundialização dos negócios. que explicam a emigração. muitos cientistas sociais acreditam que existe uma combinação de factores económicos e não económicos. e outros que levam as pessoas a escolherem o país para onde imigrar. repartição desigual dos rendimentos. imigrantes legais. a globalização que cria a imigração de quadros e pessoal especializado. repartição desigual dos rendimentos. ou melhores condições de trabalho. 2001:1). terem segurança. e cuidados de saúde (HDR-2009. taxas de desemprego elevadas. Esta pobreza muitas vezes é causada por conflitos no país de origem. clima.

Isto é: existem factores que levam as pessoas abandonarem as suas regiões de origem. e outros. factores relacionados com a possibilidade. E factores que os levam a escolher Moçambique como ponto de fixação. encontra-se numa fase de expansão. são na sua maioria factores relacionados com a estabilidade política que o país atravessa. 7 Os imigrantes escolhem Moçambique já com algum negócio em mente. Assim como factores relacionados com a globalização5. que influenciam na escolha do local. a internacionalização do comércio. esses factores são: procura de mão – de obra. constitui um elemento chave. que seriam os considerados factores pull. e ainda devido a possibilidade de se praticar o comércio e investir em novas áreas de negócio. de investir no país. formação. e a proximidade com África de Sul.humanos. e outros. 5. dizem ter muita facilidade de praticar algum negócio para a sua subsistência e dos seus familiares afirmaram alguns dos entrevistados 7. 5 A globalização levou a liberdade de trocas comerciais. que tornou-se um fenómeno a escala mundial. Neste contexto a ideologia da economia do mercado. económica. (Castles. como pudemos verificar durante as várias entrevistas efectuadas. necessidade de investir em novos mercados onde as oportunidades de negócio são melhores. 6 A estabilidade política e económica de que Moçambique goza. isto porque estes já possuem algum familiar cá. e as oportunidades de trabalho. A maior parte dos entrevistados durante a realização do estudo afirmaram que Moçambique tornou-se local de eleição dos imigrantes. liberdades politicas. ou algum conhecimento sobre a situação económica do país. disponibilidade de terras.O caso de Moçambique No caso de Moçambique o grande fluxo de imigrantes pode ser explicado em parte com base na teoria push-pull. e política. 2000:82). necessidade de uma formação melhor. que são um conjunto de vantagens comparativas existentes nos países desenvolvidos que atraem essas mesmas pessoas. Portanto os imigrantes. ou do país de imigração4. acesso a sistemas de saúde. que. 34 . relacionados com a procura de melhores condições de vida. factores de origem social. Portanto deve existir motivos de atracão que os levam a um certo país. Os imigrantes escolhem Moçambique como ponto de fixação porque uma vez aqui instalados. Assim como existem factores de atracção. boas oportunidades económicas. e assiste-se a internacionalização dos mercados.2. para atrair imigrantes. já chegam em Moçambique com um objectivo concreto da sua estadia em Moçambique. e a segurança que estes países podem oferecer. Segundo estes 4 A escolha do país para onde imigrar prende-se muito com a estabilidade política e económica que esses países oferecem. principalmente devido a sua estabilidade política e económica6.

ou ainda associação a determinado grupo social. que também explicam os fluxos de imigrantes de um país para o outro. ou opinião pública. p:123). e integração. de investimento. que os teóricos não consideram imigrantes voluntários. religião ou nacionalidade. e passado pouco tempo já tem uma loja. ou perseguição devido a sua raça. profissional. comercial. o que explica em parte o grande fluxo de imigrantes naquela região do país. Para explicar este fenómeno. 35 . colonial. uma banca num mercado informal. o que lhes facilitam todo o processo de deslocação. recepção. Os Refugiados8. 2000. passam a fazer parte do grupo de imigrantes porque segundo os nossos entrevistados.geralmente os imigrantes. alguns saem e não regressam mais ao centro. podem ser de índole. militar. porque pelo que pudemos constatar durante as entrevistas. A literatura considera que existem movimentos migratórios que se associam. o centro possui uma politica aberta que lhes permite sair a procura de trabalho para a sua subsistência. encontra-se fora do seu país de origem. neste momento o centro possui cerca de seis mil habitantes. começam com pequenos negócios. Outro factor importante que explica o fluxo de imigrantes em Moçambique relaciona-se com a existência de um centro de refugiados em Moçambique. entre eles. estes laços segundo (Castles. e pelo que nos foi dito. e outros. Esta teoria serve também para explicar o fluxo de imigrantes para Moçambique. regra geral a laços previamente existentes entre os países de origem dos imigrantes. Nampula acaba sendo um ponto estratégico devido a existência do centro de refugiados. Portes e Borocz (1989) referem que as imigrações devem ser vistas segundo a teoria das redes sociais: um fenómeno de construção de associações entre pessoas ligadas por algum laço seja ele familiar. muitos dos imigrantes que vêm investir em Moçambique tem de alguma forma alguma relação com o país. sem poder regressar durante um certo período de tempo. O grupo de estrangeiros que entra em Moçambique com o objectivo de ir ao centro de refugiado é enorme. Isto porque estas ligações vão ser uma fonte importante de 8 Refugiado. e/ou profissional. (Centro de Refugiados de Maratane) mais concretamente na província de Nampula. politico. é toda a pessoa que por razoes da sua própria segurança. afectivo ou cultural. e os países de acolhimento. não implicando necessariamente uma aproximação geográfica. Os entrevistados referiram-se ainda ao facto de muitos dos imigrantes que entram em Moçambique possuírem já alguma relação de familiaridade.

violência. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE 6. O facto é que os factores que levam a imigração são geralmente os mesmos. No que diz respeito a imigração ilegal é difícil separar a fronteira entre refugiados e imigrantes. as suas naturalidades. província de Nampula. fazem-no na grande maioria das situações. como a facilidade de entrada no país devido ao fraco controlo das fronteiras. O fluxo de imigração tem estado a aumentar tanto na área de negócios.1. e do ponto de vista económico isso é positivo. principalmente o negocio informal. mais concretamente na zona norte. Quando abordados os imigrantes dizem que estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida. guerras. principalmente dos ilegais. e o negócio informal.informação que lhes vai permitir tomar decisões com algum conhecimento. 6. tornando o processo de imigração mais seguro. e Cabo delgado. e a procura de um melhor mercado de trabalho. perseguição política. são situações. devido ao fraco controlo dos órgão responsáveis pelas actividades comerciais. e a facilidade de praticar algum negocio em Moçambique. e ainda ao facto de muitos imigrantes utilizarem Moçambique como ponte entrarem na vizinha África do Sul. alguns dos entrevistados afirmam. e as suas residências de originarias. Outros factores que explicam o fluxo de imigrantes em Moçambique. fuga a pobreza desemprego. Os homens e as Mulheres que abandonam os seus países. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO 36 . ou religiosa. em busca de melhores condições de vida económica e de sobrevivência material. que os imigrantes têm estão a controlar os pequenos negócios. Em algumas zonas da província de Nampula e Cabo Delgado o mercado informal esta completamente sob o domínio dos estrangeiros que ali residem. As estimativas sobre o volume deste fluxo são difíceis de se obter uma vez que não possuímos dados estatísticos sobre o número dos imigrantes que entraram em Moçambique. principalmente o fluxo de imigrantes ilegais. quanto no turismo. Entretanto. mais concretamente o comércio.

na África do Sul e a crescente onda de imigração que se regista no país. Isto regista-se com maior destaque.1. um dos grandes assuntos políticos que esta a ganhar importância na agenda dos Estados e nos Estudos de Segurança. 2008). até certo ponto. Em Moçambique não existem estudos académicos que abordam. um conceito multi-dimensional e. cresceu o interesse em estudar a relação entre a imigração e a segurança. Portanto. principalmente ilegal mas. a ligação e impacto da imigração na segurança. Immigration´s Impact on US National Security and Foreign Policy do US Commission on Immigration Reform constitui. isto é um desafio devido a magnitude e variações da imigração. bem como o impacto da imigração na segurança. Contudo. especificamente. o Bonn International Center for Conversion tem discutido a influência das organizações da diáspora nos processos de paz e conflitos nos seus Estados de origem. problemático. Neste contexto. Com efeito. 6. porque a segurança se tornou. na actualidade. particularmente. igualmente. O estudo de Franzblau (1997).A imigração constitui. um exemplo da importância do assunto para as instituições de pesquisa e para os Estados. este estudo sobre a ligação e impacto da imigração em Moçambique é pertinente. as autoridades de defesa e segurança referem que este assunto não é recente em Moçambique. existe um consenso de que qualquer que seja a definição de segurança deve ser contextualizada respondendo a três questões fundamentais: segurança para quem? Sob que ameaças? E contra que valores? 37 . os efeitos das actividades das diásporas nos interesses de segurança dos Estados hospedeiros e as condições de vida e necessidades de segurança dos imigrantes (Sommer &Warneeck. mas ganhou maior importância depois da ocorrência da violência xenófoba em 2008.1 Segurança O conceito de segurança não é consensual no seio das teorias e dos estudiosos. na actualidade. No entanto. Entretanto. depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA. também.

Esta constitui uma visão restrita de segurança defendida pela Teoria Realista preocupada com a sobrevivência de Estado como o interesse nacional supremo9. Apesar da proeminência que a segurança humana assume no pós guerra fria. Contudo. Assim. podem ser tão perigosas quanto as ameaças militares. social identity. o alargamento do conceito de segurança procura mostrar que as ameaças não militares como económicas. a soberania. terminada a guerra fria. consequentemente. 1997: 9). natural threats. 38 . o conceito de segurança. Assim. Esta é uma visão tradicional de segurança considerada restrita. o Estado tem a prerrogativa de impôr sacrifícios que afectem as liberdades e os interesses dos indivíduos.De facto tradicionalmente. as instituições e independência política e identidade cultural. 2001: 2). provavelmente. a imigração e o imigrante enquadram-se nos Estudos de segurança tendo em conta a visão de segurança alargada 9 Este interesse supremo. Neste contexto. a todo o custo e com todos os meios e recursos a sua disposição. 2004: 8) e. defender a sua existência como uma entidade politicamente independente (Freeman Jr. health threats. 2004:2). representada por teóricos como Hans Morgenthau e que permaneceu largamente incontestável durante a guerra fria (Franzblau. Para o efeito. reduziu a prevalência de guerras entre Estados e fenómenos não militares nacionais e internacionais afectaram a segurança dos indivíduos e ganharam proeminência política que obrigou os teóricos a alargar o enfoque dos Estudos de segurança (Hough. a segurança é definida do ponto de vista estatal. de acordo com Hough (2004). altura de grande prevalência de guerras entre Estados. 1997:1). surgiu o conceito de segurança humana que constitui um “novo paradigma” dos Estudos de Segurança. accidental threats e criminal threats. isto na discussão sobre segurança para quem? Além disso. Esta constitui uma perspectiva que procura mostrar que o indivíduo é tão importante quanto o Estado como referente de segurança. ambientais. com ênfase nas ameaças militares externas contra valores nucleares como a integridade territorial. Esta visão de segurança é defendida pelo neo-realista Barry Buzan e pela “abordagem pós modernista ou Critical Human Security (Naidoo. Neste contexto. os Estados procuram. resulta. da história de Relações Internacionais marcada por guerras e contra guerras que determinaram o surgimento e desaparecimento de Estados. a visão tradicional Realista constitui o paradigma dominante do ponto de vista académico e em termos de abordagem dos governos na condução da política externa dos Estados (Hough. a sobrevivência do Estado é um interesse acima de qualquer interesse particular.

particularmente para os Estados de acolhimento. de certa forma. Assim. 6. também. constituem exemplos de emigração forçada devido a insegurança humana causada pelas guerras enquanto os imigrantes do corno de África representam casos elucidativos de insegurança humana resultante da combinação entre guerras e desastres naturais. os imigrantes colocam em causa a estabilidade política dos países acolhimento. que lida com tranquilidade e ordem pública. Neste caso. os imigrantes são. particularmente dos meados da década de 1990. em 1970. isto não deve ser visto de forma generalista e acrítica. Isto ocorre através do envio de dinheiro ou bens que contribuem na subsistência ou sobrevivência dos que não emigraram. é importante ter em consideração os contextos. a imigração promove a segurança humana dos imigrantes e das suas famílias que permanecem nos países de origem. Cabo Verde é um exemplo de país no qual muitas famílias dependem das remessas dos imigrantes.a actores não estatais e assuntos não militares. Nesta perspectiva cabem. à insegurança pode estar associada a guerras mas. Este enquadramento coloca. Noutros contextos. os refugiados de guerra. muitas famílias cuja segurança humana depende de imigrantes na África do Sul. Assim. em alguns contextos. Portanto. a imigração numa outra dimensão de segurança que é a segurança pública que constitui matéria de polícia. porquanto existem vários casos de imigrantes que não representam ameaça a segurança e. 39 . nas situações em que representam ameaça. No entanto. a imigração pode ser determinada. igualmente. Em Moçambique existem.1. às más condições sócio-económicas derivadas da problemática da pobreza. Em termos de consequências. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de origem e. por conseguinte. pela falta de segurança dos países de origem que. entre outras causas. Ligação entre imigração e segurança A ligação entre segurança e imigração reside nas causas e nas consequências da imigração.2. refugiados Palestinianos tentaram derrubar o regime do Rei Hussein 10 Os imigrantes da região dos Grandes lagos. criam insegurança humana. A título de exemplo. maioritariamente. os refugiados económicos e os refugiados ecológicos10. igualmente.

o que constitui um risco para os Estados de origem11. Este pessimismo é tão grande que se discute mais da ameaça que a imigração representa e pouco a ameaça sobre os imigrantes. 40 . 6. Em Moçambique. Impacto na segurança Do ponto de vista de segurança. simultaneamente. formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) no Uganda de onde lançaram ataques que culminaram com o derrube do governo de maioria Hutu.3. nas discussões globais sobre imigração. maioritariamente Tutsis. os imigrantes podem ter um impacto positivo e / ou negativo nos seus Estados de origem.1. Myron 1992/ 93. os migrantes e / ou refugiados podem ser. Security. 2003: 93). Neste contexto. uma tendência de adoptar uma atitude negativa que incide sobre os Estados de acolhimento e pouca atenção é conferida aos imigrantes e os Estadas de origem. Stability and International Migration. principalmente ilegal. Moçambique sofreu uma desestabilização políticoeconómica e militar pelo facto de ter acolhido imigrantes da antiga Rodésia do sul e da África do Sul. existe. e podem ser tomados como reféns. há mais pessimismo e medo da imigração e do imigrante. podem ser um fardo ou uma contribuição sócio-económica. do ponto de vista de segurança. imigrantes Ruandeses. Este impacto negativo incide sobre a segurança pública e não sobre a segurança do 11 Weiner. International Security 17: 3. imigrantes Moçambicanos baseados na Tanzania desenvolveram uma guerra de libertação que desestabilizou o regime colonial Português e. Myron Weiner citado por Franzblau (1997: 3-11). do que optimismo. no que ficou conhecido como Setembro Negro (Tembe. Além disso.II na Jordânia. Portanto. defende que os refugiados ou migrantes podem constituir uma oposição ao governo do país de origem. a percepção é de que os imigrantes (legais e ilegais) criam um impacto negativo na segurança. uma ameaça e um benefício cultural. nos Estados de acolhimento ou na relação entre ambos. criou condições para o fim do colonialismo e surgimento do Estado Moçambicano. uma ameaça política ao regime político do país de acolhimento. posteriormente.

têm os seus direitos políticos bastante restringidos. a longo prazo. levanta-se o alerta segundo o qual. 6. definida segundo a Teoria Realista. de acordo com a legislação Moçambicana. estão concentrados na materialização de interesses económicos e permanentemente a tentar passar despercebido para não serem descobertos pelas autoridades estatais. Assim. com interesses políticos. Neste contexto. os imigrantes legais. mas sim pode eventualmente constituir ameaça à ordem e tranquilidade públicas. a mando dos estados de proveniência. No entanto. os imigrantes ilegais. a imigração pode afectar a segurança na vertente identidade cultural e. sobretudo o ilegal. Neste contexto. na prática.Estado. apenas. 41 . Por seu turno. Contudo.4. receber ou estar a receber pessoas por encomenda. possuem agendas políticas que possam colocar em causa qualquer que seja o regime no poder.1. eventualmente. teria asseverado que os imigrantes não constituem de facto uma ameaça à soberania do Estado. a segurança nacional. constata-se que um imigrante. muitas pessoas suspeitam de que Moçambique pode. provavelmente fazer surgir no seio dos imigrantes interesses políticos que passem pelo acesso e controle do poder politico local e. os imigrantes não constituem um grupo politicamente homogéneo. em Moçambique. de acordo com os seus interesses de curto. este é um comportamento normal dos Estados que se guiam. tenta passar-se por despercebido. não existem evidências (pelo menos até agora) de que os imigrantes legais e ilegais. Na sua intervenção. médio e longo prazo. Mesmo essa hipótese não é convincente porque. Representam. quiça nacional. económicos e sociais. Além disso. O alerta maior incide sobre o facto de alguns países estarem a desenvolver políticas deliberadas de exportação de pessoas a todo o mundo. em Moçambique. igualmente dedicados a actividades económicas. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. Lopes Sibinde12. 12 Elemento da direcção nacional da migração. Impacto da imigração na segurança do Estado Em relação a segurança do Estado. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas.

fora do circuito bancário. Neste contexto. foram detectados. Há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. presumivelmente. Quando usam o circuito bancário. de animais e a 42 . de capacidades humanas e tecnológicas. No entanto. recursos minerais. dos Grandes Lagos e do Corno de África. pois poucos. Impacto na segurança pública Em relação a segurança pública.1. a exploração de minas a céu aberto. Neste contexto. a pesca ilegal no Lago Niassa. bancário como ficou demonstrado no caso da apreensão de dinheiro na fronteira Machipanda Neste contexto. existem alegações segundo as quais há envolvido em agiotismo. pois não se conhece os cadastros dos imigrantes legais e ilegais que se estabelecem ou circulam em Moçambique. por interesses e não deve constituir um problema de segurança se as instituições responsáveis pela fiscalização e controle da imigração forem eficientes e eficazes. florestais e faunísticos valiosos. e a caça furtiva na reserva do Niassa. os imigrantes fazem circular. é importante questionar até que ponto um provável abandono de imigrantes poderá constituir uma ameaça a estabilidade económica e financeira de Moçambique. conhecedores da arte da guerra e as suas actividades não estão sob controlo efectivo do Estado. Com efeito. serem. muito dinheiro. Os receios residem no facto de alguns dos imigrantes. existem muitas dúvidas sobre as actividades dos imigrantes que têm estado a prosperar de uma forma rápida e grandemente comparativamente aos Moçambicanos.fundamentalmente. os imigrantes fazem-no para “lavagem de dinheiro” e transferências monetárias. Neste contexto. acima de tudo. Esta eficiência e eficácia dependem da existência de uma política e consequente estratégia de imigração e. ilegalmente. têm contas bancárias em Moçambique. 6. casos de imigrantes envolvidos na falsificação de moeda. a maioria das transferências monetárias não ocorre no circuito formal. o abate de madeira em Cabo Delgado e Sofala. a desflorestação causada pelo abate indiscriminado de madeira. do país.5. existem receios. principalmente os africanos. principalmente africanos. Além disso. A título de exemplo. a exploração de ouro a céu aberto nas províncias de Niassa e Manica. pelas autoridades policiais.

os imigrantes legais alimentam. Os imigrantes estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas. A preocupação maior reside. a destruição do ecossistema pode ocorrer a curto prazo mas a renovação pode levar muitas gerações se não se tomar em consideração este problema que é multidisciplinar. este não constitui o principal elemento de preocupação do ponto de vista de segurança. um assunto que tem um peso político internacional devido. uma ameaça a segurança ambiental de Moçambique1314.poluição dos rios e ribeiros podem constituir. os dados revelam que os imigrantes não estão envolvidos na produção. a longo prazo. No entanto. o “Mukhero” que nem sempre cumpre com as obrigações fiscais mas que garante a estabilidade sócio-económica de muitas famílias. No caso de Moçambique. O seu envolvimento esta na comercialização que faz parte de um circuito internacional envolvendo cidadãos nacionais. dependendo. no tráfico de drogas que envolve. igualmente legais sobre os quais existem muitas dúvidas relativamente a proveniência real do grande volume de dinheiro que geram. oculta-se o crime organizado transfronteiriço e que envolvem imigrantes e os nacionais que tem facilitado a circulação e praticas ilícitas dos imigrantes. principalmente imigrantes ilegais mas. Assim. Uma vez detectados os casos de presença ilegal e actividades criminosas envolvendo imigrantes legais e ilegais. a nível da Cidade e Província de Maputo. em Maputo constituem exemplos de alegado tráfico de drogas que é controlado por alguns imigrantes que estão legalmente em Moçambique e simulam negócios formais para esconder esta actividade ilegal. Adérito Notiçe15. estes são repatriados e/ ou responsabilizados criminalmente. nacional e. Os casos bastante mediatizados de mulheres Moçambicanas detidas no Brasil e no Aeroporto de Mavalane. da gravidade dos crimes. 15 Vereador do conselho municipal da cidade da matola 43 . Em relação ao tráfico de droga. indirectamente. principalmente. de acordo com a legislação internacional. por exemplo. a problemática das mudanças climáticas. afirmou que por detrás de imigração. muitos 13 14 A segurança ambiental é. na actualidade. Com efeito.

Esta situação poderá. principalmente Nigerianos e Paquistaneses. Em termos de crimes violentos. o caso de Moçambicanos envolvidos na suposta tentativa de Golpe de Estado no Reino do Lesotho. Para o efeito. é de prever que o número de imigrantes em Moçambique tenderá a crescer e isto representa um desafio a capacidade do Estado em matéria de supervisão e controle. em Moçambique. eventualmente. Esta situação envolve mais a entidade policial. neutralizados 12 kenianos que vinham a Moçambique com intenção de assaltar bancos. em Maputo. 44 . agravar-se a curto e médio prazo se se tomar em consideração o facto de que a África do Sul está a aumentar o seu orçamento no sector de segurança16. por exemplo. provavelmente. O envolvimento directo de imigrantes nas actividades criminosas é um risco que eles procuram minimizar ao máximo. A título de exemplo. o impacto negativo da imigração na segurança pública e até humana. os imigrantes promovem a corrupção para escapar o controlo das autoridades. de acordo com a opinião de alguns imigrantes. a autoridade policial fala da explosão de caixas multi banco. os autores morais e os nacionais são os autores materiais. é uma verdade que atinge uma pequena minoria de imigrantes. foram. Moçambique é vítima mas também pode se tornar agente tendo em conta. os imigrantes agem como mandantes.imigrantes usam a corrupção como uma forma de garantirem a sua presença no país. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. os ATMs. estas e outras situações podem. isto é. os imigrantes legais e ilegais podem. por exemplo. característico de Moçambicanos de tal forma que não exclui a possibilidade de tais actos terem sido cometidos por cidadãos estrangeiros. pois a maioria vive legal e honestamente. Este modus operandi não é. no problema da internacionalização do crime. Portanto. fazer com que o criminoso da África do Sul procure locais mais frágeis onde possa operar. os executores vulneráveis devido a sua fraca condição económica e financeira. Na perspectiva da autoridade policial. 16 Entre as razões que justificam o elevado investimento Sul-africano na segurança está o facto de a África do Sul ser um dos países com a mais elevada taxa de criminalidade violenta e a realização do Mundial 2010. na perspectiva de autoridade policial. muitos imigrantes ilegais com pretensões de alcançar a África do Sul serão forçados a ficar em Moçambique. Neste contexto. Além disso. Noutros casos. Assim. futuramente. alegadamente. Segundo os imigrantes.

constata-se que há certos comportamentos xenófobos não violentos. na África do Sul. não violenta do povo Moçambicano. principalmente na zona centro de Moçambique. No entanto. porque não. pacífica. A ligação entre a imigração e a saúde pública é um assunto que tem a ver com os mecanismos de supervisão e controle de entrada e circulação legal e ilegal de estrangeiros e. de Moçambicanos imigrantes quando entram em Moçambique. particularmente. nos círculos urbanos onde é perceptível comentários como “este país é nosso mas os estrangeiros mandam aqui”. Esta ameaça não militar a segurança está associada. gradualmente. Com efeito. de certa forma. para qualquer imigrante a imigração constitui. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas como. há Moçambicanos que estão a pronunciamentos hostis pelo facto de estarem a perder espaço e oportunidades de desenvolver negócios a favor dos estrangeiros. Este é um sinal de frustração de algumas pessoas que atribuem responsabilidades por algumas dificuldades que enfrentam no dia-a-dia aos imigrantes que estão. a febre-amarela e o ébola. A maioria dos imigrantes e dos cidadãos Moçambicanos não acredita que há probabilidade de ocorrência de xenofobia. em Moçambique. Alguns imigrantes estão em Moçambique por uma questão de segurança humana. a assumir uma posição de monopólio de pequenos negócios anteriormente desenvolvidos por moçambicanos. A sua fraca condição sócio-económica forçou-os a imigrar. às regiões da África Ocidental e dos Grandes Lagos mas que não existem evidências em Moçambique. a facilidade que os estrangeiros têm de aceder a créditos bancários comparativamente aos Moçambicanos tem provocado um certa animosidade. tem sido apresentadas 45 .Não menos importante. No entanto. em 2008. é uma ameaça real que pode estar. A título de exemplo. Entretanto. devido a natureza tolerante. por exemplo. associada sexo comercial envolvendo mulheres imigrantes Zimbabweanas. Neste contexto. um risco a sua segurança humana como demonstram os casos de xenofobia por todo o mundo e. A acção de certos imigrantes também contribui para a criação de “mentes e discursos xenófobos” que constituem um risco a segurança dos imigrantes. particularmente. igualmente. o HIV/SIDA. Além disso. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. principalmente.

a actividade económica do país de acolhimento. como os menos qualificados. 2003).2. tomar a forma violenta. uma fase latente de um problema que se não for eficientemente gerido pode.2.Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia A literatura considera que a imigração tende a estimular. eventualmente. Esta forma de manifestação constitui. No entanto. o caso da África do Sul. para além de demonstrarem um carácter empreendedor. da imigração. OIT (2004). 6. na Província de Maputo é um dos locais visados. por exemplo. IMPACTO DA IMIGRAÇAO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA O que se pretende neste capítulo é fazer uma leitura dos resultados da contribuição. O país de acolhimento beneficia como um todo. ou não. até agora. dos imigrantes no desenvolvimento económico do país. sem pressões inflacionistas. alguns dos quais (sobretudo os factores externos) estão relativamente além da capacidade de influência do país de acolhimento. de origem interna e externa. 46 . O Efeito causado na economia de um país envolvido num processo de imigração depende de diversos factores.reclamações de tratamentos racistas protagonizados por Sul-africanos brancos. mesmo quando certos grupos de imigrantes ficam em desvantagem. na economia Moçambicana. A Ponta d´Ouro. Os imigrantes se ocupam regra geral. Portanto. 6. a probabilidade de ocorrência de violência xenófoba contra a segurança dos imigrantes é mínima porque não atinge uma grande maioria da população como é. de certa forma. Contudo. isto é. a xenofobia em Moçambique manifesta-se de forma não violenta em alguns círculos urbanos. os fluxos de imigrantes podem ter diversos efeitos na estrutura económica. de profissões que as populações locais não querem. (Almeida. nomeadamente o consumo acrescido de bens correntes. independentemente da conjuntura existente.1.

desta forma gerar ganhos de produtividade17 De acordo com chiswick (2008:64). árabes. são vanguardistas/empreendedores e muitas vezes fisicamente e mentalmente mais aptos. 2008:67). desertificação.Segundo Stalker (2000). consequentemente da inflação. mais fortes. o seu impacto na economia dos países receptores torna-se evidente pois. mais determinados. a elevada capacidade e habilidade aumenta a produtividade do mercado de trabalho. o que implica na diminuição de custos das empresas (Chiswick. do mesmo modo que aumenta a eficiência no investimento em capital humano. Os mais hábeis e capazes aumentam a eficiência porque usam menos tempo para completar tarefas. da África ocidental e do corno de África como imigrantes económicos enquanto os imigrantes da África Austral são imigrantes não económicos. oriunda do estrangeiro aumenta a oferta de trabalhadores aliviando a pressão da subida dos salários e. que geralmente fogem a fome. tirania. Segundo a teoria de Chiswick acima referida. Por outro lado existem os imigrantes não económicos. podemos dizer que os imigrantes em Moçambique dividem-se em imigrantes económicos e não económicos. 17 A existência da mão-de obra. e outros. discriminação. Os imigrantes não económicos podem tornar-se economicamente activos no país de acolhimento e até superar os imigrantes económicos. seca. pelo preenchimento dos labour shortges com uma mão-de-obra mais barata e flexível. permitindo um uso mais eficiente da mão-de-obra e. Quando os imigrantes económicos se integram num mercado. pobreza. melhor será a eficiência do mercado de trabalho no país de acolhimento porque. conflitos. eles acrescentam valor no capital humano dos países de acolhimento. 47 . aceitam riscos. perseguição. Estes imigrantes podem ser chamados de imigrantes económicos pois deslocam-se na busca de melhores oportunidades. Normalmente quando se deslocam para um mercado é na busca de sucesso e bem-estar. Podemos considerar pela sua maneira de estar no mercado os imigrantes asiáticos. sendo que os imigrantes são mais agressivos. as imigrações influenciam o desempenho económico do país de acolhimento dos imigrantes. De acordo com Chaswick (66-67). Quanto mais hábeis e capazes os imigrantes forem. nomeadamente numa perspectiva de médio e longo prazo. os imigrantes económicos tendem a ser os mais capazes. os imigrantes são diferentes dos naturais no que diz respeito a maneira como encaram o mercado.

da África ocidental e do corno de África registam elevados índices de emprendedorismo nos vários sectores da economia. principalmente porque o maior número de imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. que do ponto de vista de rendimentos para o país não traz nenhum benefício. a influência árabe na África ocidental e no corno de África dita o comportamento económico destes povos enquanto práticas seculares de comércio tornam os imigrantes do sudoeste da Ásia e do médio oriente exímios empreendedores. das razões de saída do país de origem. também contribuem para o desenvolvimento da economia do país. Os imigrantes da região austral (Zimbabweanos.2. pois. Recursos do grupo étnico 48 . Os estrangeiros que investem em Moçambique e estão devidamente legalizados.O que se verificou durante o processo de entrevistas foi que a integração económica dos imigrantes em Moçambique.40). eles cumprem com todas as suas obrigações fiscais. existe uma série de factores que determinam o sucesso económico dos imigrantes na sociedade de acolhimento: Oportunidades estruturais Recursos pessoais Oportunidades étnicas Contexto político e Classe social do indivíduo. O peso dos factores culturais neste tipo de comportamento é sem dúvida determinante. Por outro lado existem os imigrantes trabalhadores não qualificados. da capacidade financeira e da recepção dos imigrantes no país de acolhimento. depende dos grupos.2. os imigrantes do sudoeste asiático (indianos e paquistaneses) do médio oriente (árabes). Zambianos e Tanzanianos) são menos empreendedores e trabalham normalmente por conta de outrem. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes Segundo Oliveira (2005: 18. principalmente no comércio. 6. Malawianos. O emprendedorismo dos imigrantes depende muito dos factores acima mencionados. Os entrevistados referiram no entanto que nem tudo é positivo no que diz respeito a presença dos imigrantes em Moçambique. ou com pouca qualificações que dedicam-se mais ao comércio informal vendendo um pouco de tudo. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. Em termos gerais.

munidos de capital e experiencia encontram-se os imigrantes da África ocidental (nigerianos. Imigrantes que se estabeleçam em Moçambique com capital de investimento provocam um impacto mais visível em relação aos que não venham munidos de capital. contrariamente aos imigrantes da região austral (Zimbabwe. permanência e o desenvolvimento de actividades empresariais. na sua maioria. Malawi e Tanzânia) que entram no país. senegaleses e guineenses) e do corno de África (etíopes e somalis). O segundo grupo de factores é determinado principalmente pelos recursos financeiros do imigrante. Ao lado dos imigrantes asiáticos. indianos e chineses) permite-lhes ter maior sucesso económico do que os imigrantes de outras regiões. acolhimento Legislação profissional e experiência de negócio. As qualificações e a experiência profissional e de negócios que o individuo tenha também jogam favoravelmente para que ele tenha sucesso nos seus negócios e que provoque um impacto positivo na sociedade moçambicana. Depois da aplicação das medidas de reajustamento estrutural impostos pelo Banco Mundial nos finais da década 80.institucional na sociedade de qualificações. sexo. arrendar ou pagar por bens e serviços prestados. A história da comunidade étnica e a sua trajectória económica O funcionamento das redes sociais no seio da comunidade imigrante conhecimento linguístico Idade. 49 . os imigrantes não teriam o sucesso económico que estão a ter. estado civil A extensão e abertura do Recursos financeiros mercado comercial de trabalho e O primeiro grupo de factores. é o primeiro factor que determina o sucesso económico dos imigrantes em Moçambique. A experiencia em negócios e o capital demonstrado pelos imigrantes asiáticos (paquistaneses. sem grande capital e sem grande experiência comercial. Sem uma estrutura sociopolítica e cultural e sem uma legislação que favorece a entrada. Moçambique tem adoptado uma política económica exemplar facilitando a entrada de novos investimentos. as oportunidades estruturais. Com base no capital de investimento o imigrante vai afectar toda uma cadeia económica ao alugar. A eliminação gradual dos procedimentos impostos no registo de empresas e na concessão de alvarás de exploração foi um dos principais atractivos a entrada de imigrantes económicos no país.

indústria extractiva. 2005:20). citado por Heisler (2008:87). cooperação e solidariedade (Oliveira. 6. De acordo com Oliveira. O sector primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza e abrange actividades como a agricultura. as redes de imigrantes tem tido um efeito positivo na sua inserção profissional e no mundo dos negócios. desde a facilitação a entrada ao país. o sector primário. joga um papel extremamente importante os recursos do grupo étnico. A primeira vista. Pelo seu tempo de presença no território moçambicano. Estas redes obedecem ao princípio da solidariedade. a indústria transformadora e a 50 . O sucesso de alguns grupos étnicos nos países de acolhimento deve-se precisamente a essa solidariedade intra-grupo.Impacto da Imigração nos Sectores da Economia A economia de um país pode ser dividida em 3 Sectores fundamentais. os membros do mesmo grupo étnico apoiam-se no país de acolhimento enquanto este apoio não existe no país de origem. Em alguns casos. Baseiam-se em formas de fidelidade. Este conhecimento é difundido pelos imigrantes pré-estabelecidos no país. a concessão de emprego e até na concessão de empréstimos. confiança.2. A presença histórica de uma comunidade étnica no país de acolhimento também contribui para definir a trajectória económica dos seus integrantes. os imigrantes mais antigos conhecem redes de apoio mas vastas (Oliveira. parece que os imigrantes possuem maior informação sobre as oportunidades de negócio em Moçambique. 2005:20). 2005:27). no sentido de que. Os recursos do grupo étnico por vezes podem ser de carácter familiar ou étnico. que disponibilizam capital para investimento empresarial (Oliveira. Grupos étnicos altamente coesos suportam os seus conterrâneos nas sociedades de acolhimento. imigração cria uma solidariedade reactiva.Dentro do terceiro grupo de factores (oportunidades étnicas).3. O Sector Secundário está relacionado com a transformação das matérias-primas produzidas pelo sector primário em produtos de consumo. De acordo com Light. O investidor imigrante entra no mercado conhecendo a estrutura da oferta e procura de determinados produtos empresariais. a primeira geração de imigrantes contribui na integração de novos imigrantes na sociedade de acolhimento. terciário e quaternário. Os recursos étnicos são produzidos e reproduzidos por membros de um mesmo grupo. a legalização. pesca e pecuária. secundário.

A presença de imigrante brasileiros nas minas de carvão ao longo da província de Tete representa um imput considerável para o desenvolvimento desta actividade. falta de subsídios e a elevada carga fiscal sobre os insumos agrícolas. Este cenário anacrónico para um país com grandes potencialidades agrícolas resulta sobremaneira da incapacidade do estado criar incentivos como a facilitação do crédito.construção civil são. turismo. este sector não demonstra grandes desenvolvimentos. existem várias nacionalidades que fazem maioritariamente a mineração ilegal em províncias como Niassa e Manica na busca de ouro e diamante. são poucos os imigrantes que se concentram em actividades produtivas de facto. batata. saúde. O sector primário verifica uma grande presença de imigrantes concentrados na sua maioria na industria extractiva. alguns sulafricanos. Este sector engloba também actividades ligadas as tecnologia digital como a informática. O Sector Terciário é o dos serviços. Na verdade. actividades desse sector. multimédia e telecomunicações. O sector agrícola é o menos favorecido em termos de investimentos de imigrantes. chineses. portugueses. A par do sector agrícola está o sector das pescas. verificou-se que os imigrantes repartem-se um pouco por todos os sectores com maior peso no sector primário e terciário. o impacto económico é adverso aos interesses económicos do estado pois. Em termos de sectores de actividade. seguros. Para além dos brasileiros concentrados na mineração na província de Tete. portanto. A dinamização das minas de carvão na província de Tete motivou um boom económico nesta província e nos corredores ferroviários que permitem o escoamento desta produção. educação. O carvão Moçambicano está cotado entre os melhores do mundo e a sua exploração vai incrementar as exportações moçambicanas favorecendo desse modo o PIB e a Balança Comercial. Parece não haver por parte de muitos imigrantes suficiente vontade de arriscar na área produtiva. a maioria desta mercadoria é exportada de forma ilegal não contribuindo para as receitas fiscais. 51 . infra-estruturas. A excepção de alguns farmeiros zimbabueanos que ainda se encontram na província de Manica. floricultura. Os serviços são produtos não meterias que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades e incluem actividades como comércio. Nestes casos. serviços bancários. serviços administrativos. vietnamitas e imigrantes das Maurícias que exploram um pequeno nicho do mercado agrícola ligado a produção de arroz. transportes. etc. onde a presença de imigrantes é quase nula. As fragilidades produtivas do país não são bem aproveitadas pelos imigrantes.

iogurtes. maurícios. etc). existe uma considerável presença de imigrantes portugueses e chineses proprietários de empresas de construção civil ou empregados em empresas nacionais. pão. Por sua vez. Várias lojas rurais foram abertas e passaram a fornecer produtos essenciais às populações rurais reduzindo as distâncias de deslocação para a aquisição destes produtos. um sector anteriormente em franca decadência. Os imigrantes e as empresas dos imigrantes estão envolvidos na construção de habitações e obras públicas (edifícios governamentais. bolachas. indianos. O volume de produção do sector industrial é baixo devido a falta de investimentos nacionais e estrangeiros no sector (Fernando Gil. paquistaneses. regista-se a criação de várias indústrias de pequeno porte pertencente a imigrantes portugueses. Durante muito tempo. O envolvimento dos imigrantes neste sector tem efeitos bastante positivos para o desenvolvimento de infra-estruturas no país. 52 . Normalmente.Em termos gerais. com o surgimento de novos negócios no país. O impacto dos imigrantes pode ser visto em função da Oferta e Procura de bens e serviços essenciais. tendo em conta as potencialidades que o país possui. uma percentagem considerada muito baixa.22. a procura de produtos essenciais nas zonas rurais era desfavorecida pela inexistência de uma oferta diversificada e a baixos custos. Em relação a construção civil. O estado moçambicano enfrenta grandes dificuldades na atracção de investidores estrangeiros para a criação de novas indústrias e para a revitalização das mais de 300 indústrias paralisadas devido a guerra e as falhas do processo de privatização da década 90. AIM . No entanto. estradas. Estas infra-estruturas trazem um impacto positivo na economia e sociedade moçambicana. os imigrantes envolvidos na construção civil possuem qualificações (skills) mais apurados dos que os moçambicanos contribuindo desse modo para a qualidade das infra-estruturas e a rapidez da execução das obras.2007). com a chegada de muitos imigrantes em Moçambique assistiu-se a um Boom do sector terciário. A área comercial é a mais expressiva. pontes e infraestruturas de abastecimento de água nas cidades e vilas). principalmente ligados a industria alimentar (açúcar. etc) e têxtil (vestuário. O sector industrial em Moçambique contribui apenas com 12 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB). Muitos imigrantes foram responsáveis pela reabertura do comércio rural. principalmente no comércio e turismo.11. sumos. doces. calçado. o sector secundário em Moçambique é bastante fraco e incipiente.

onde assistimos a construção de novos hotéis. Gás Natural. Nigéria. a criação do FIIL veio abrir oportunidades de capital para muitos moçambicanos que entretanto começaram a investir nas mesmas áreas. sal. é importante referir que a maioria dos imigrantes vira-se para a importação. consumíveis de escritório e produtos alimentares diversos. etc. normalmente representando os países de origem das maiores comunidades imigrantes no país. alfinetes. Brasil. e os países do médio oriente obedecem em certa medida ao volume de imigrantes oriundas destes países. o fluxo de importações dos imigrantes permitiram que o país estabelecesse ligações com novos mercados. São normalmente importados produtos como: Sapatos. desde os alimentares a maquinaria. mercearias. mobiliário de escritório e de casa. a disponibilidade de assumir riscos e os baixos preços praticados pelos imigrantes vem sufocando a emergência deste empresariado nacional que vê no empresário imigrante não só um concorrente mas também como adversário.Os empresários imigrantes contribuíram sobremaneira para a revitalização da economia moçambicana. Roupa diversa. Em termos de parceiros comerciais. A inexistência de uma base produtiva no país permite que se importe produtos elementares como agulhas. A elevada capitalização dos imigrantes em relação aos nacionais desprovidos de capital é notória. lojas de roupa. Deve-se referir que os artigos importados pelos imigrantes abarcam desde os artigos de luxo aos artigos simples. etc. Entretanto. pensões e guest houses em quase todo o país. Em relação a importação e exportação de bens e produtos de Moçambique. somente equilibrada pelos grandes industrias exportadores como a Mozal. o conhecimento sobre os melhores mercados de oferta. Por força deste factor. Pelo facto de estarem maioritariamente ligados ao comércio e pelo facto do país não ter uma base produtiva capaz de alimentar este comércio. electrodomésticos. A segunda área que sofreu um Boom foi o Turismo. Os laços comerciais com países como a China. Índia. Ao nível das grandes cidades. A experiência colhida. vários são os estabelecimentos hoteleiros pertencentes a imigrantes contribuindo significativamente para o 53 . tendo impulsionado o desenvolvimento de negócios em áreas como sapatarias. o país tornou-se mais importador com a chegada de imigrantes comerciantes. a balança comercial tornou-se mais deficitária.

o impacto dos imigrantes pode ser observado de dois ângulos: a Oferta e a Procura. A predominância de imigrantes no sector terciário também é sentida ao nível da banca comercial pois. No entanto. a relação entre os investidores estrangeiros e os cidadãos nacionais não tem sido pacífica e motiva vários conflitos em torno da posse de terra. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses neste sector. Em relação a procura.4. segregação racial. principalmente nas províncias costeiras de Inhambane. o reduzido tamanho do mercado de trabalho em Moçambique que exclui grande parte dos jovens moçambicanos reflecte-se também na baixa contratação de imigrantes. O discurso do governo tanto para os nacionais como para os 54 . 6. promoção da prostituição. um elevado grau de formação. O sector turístico concorre hoje como um dos sectores em maior expansão no país contribuindo significativamente em divisas e infra-estruturas. Gaza e Maputo no sul e Cabo Delgado no norte. Em termos gerais. ao nível dos distritos e zonas rurais o número de imigrantes que exploram o sector é bastante reduzido devido ao fraco retorno de investimentos. não existe uma estratégia de emprego que possa absorver a massa laboral imigrante. A maioria dos bancos privados nacionais possui no seu quadro técnico e administrativo imigrantes portugueses qualificados. principalmente nos casos de indivíduos que ocupam cargos de confiança. privatização dos espaços públicos e exploração do nacional pelos estrangeiros.2. títulos de propriedade. nem todos imigrantes contratados pelos bancos e pelas empresas apresentam. Vários entrevistados denunciam a inoperância das forças policiais e das instituições de justiça. de acordo com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS).aumento da oferta de camas. Por seu lado. Todavia. necessariamente.Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho Quanto ao mercado de trabalho. muitas vezes subornadas pelos investidores imigrantes. Ao mesmo tempo. contratados para desempenhar funções chaves de chefia e treinamento. o sector turístico é maioritariamente dominado por imigrantes sul-africanos que exploram as potencialidades. destruição de ecossistemas.

Facto assente é que a maioria dos imigrantes asiáticos. A maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se mostram mais empreendedores que os nacionais. a contratação de trabalhadores estrangeiros continua necessária.04. árabes. os imigrantes destes países não demonstram um elevado nível de empreendedorismo dependendo muitas vezes de pequenos empregos mal remunerados ou se baseando no mercado informal. Como é sabido. oriundos da África ocidental e do corno de África não procuram o país com objectivo de concorrer para o mercado de trabalho. como empresas dos outros continentes (AIM – 06. enquanto os imigrantes vindos do Zimbabwe. o governo moçambicano adoptou políticas que facilitam a entrada de imigrantes no mercado de trabalho. o maior empregador em Moçambique é o Estado e os concursos de ingresso privilegiam a mão-de-obra nacional.estrangeiros é o incentivo ao auto-emprego e ao empreendedorismo. da África ocidental e do Corno de África se empregam 55 . apesar de ser dispendiosa uma vez que requer a disponibilização de muitos recursos logísticos. de acordo com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). o sector privado continua a recorrer à mão-de-obra estrangeira por falta de alternativa a nível interno. Salimo Abdula. A lei do trabalho também estipula uma série de condicionalismo para a contratação de mão-de-obra estrangeira no sector privado. para além do negócio. A inserção dos imigrantes económicos em Moçambique acontece de várias maneiras. Malawi e Tanzânia buscam.2009). buscam oportunidades de emprego. Apesar do mercado de emprego ser bastante pequeno. árabes. Para Abdula. Somente em casos de inexistência de quadros qualificados em certas áreas que demandam formação especializada é que o Estado recorre a contratação de mão-de-obra estrangeira. especialmente os que são qualificados e capazes de se adaptar. A maioria dos imigrantes asiáticos. a necessidade de contratação de mão-de-obra estrangeira prende-se com o facto das empresas nacionais não estarem somente a competir ao nível interno mas sim ao nível regional no âmbito da integração regional e ao nível internacional. A experiência mostra que a maior parte dos imigrantes em Moçambique trabalha em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. Para Abdula. Entretanto. Provavelmente devido a crise económica que se vive no Zimbabwe e a fraca condição económica do Malawi.

os imigrantes ilegais tendem a ser pessoas sem nenhuma qualificação ou com poucas qualificações em relação aos imigrantes legais e. No sector secundário. sem nenhumas qualificações e habilidades e sem recursos financeiros. Alguns estrangeiros criam emprego para os moçambicanos principalmente quando estabelecem grandes empreendimentos ou grandes projectos. A par destas encontram-se as empresas de produção alimentar. a mão-de-obra nacional representa a maioria dos trabalhadores contratados. abate ilegal de árvores entre outras actividades ilegais. principalmente nas obras públicas. No sector primário. No caso dos hindus e árabes. 56 . Esta tendência resulta do facto da maioria dos imigrantes ilegais serem oriundos de zonas pobres. em muitos casos. caça ilegal. os ilegais tendem a empregar-se em empregos com baixos salários. através dos laços étnicos são favorecidos por empréstimos e créditos para iniciarem um negócio próprio. A experiência profissional conseguida em firmas de conterrâneos significa. Ou permanecem em actividades clandestinas no comércio informal ou ainda em actividades de tráfico e extracção de minérios preciosos. a chave para o desenvolvimento de actividades independentes (Oliveira. Em relação a oferta.nas empresas dos seus conterrâneos e rapidamente mudam da situação de empregado para empregador pois. o imigrante trabalha com os seus conterrâneos por um tempo curto. Normalmente os imigrantes ilegais não são imigrantes económicos. Apesar de haver nichos consideráveis de imigrantes. as empresas de mineração são responsáveis pela contratação de muitos moçambicanos. 2005:15). a fonte de capital. a contribuição dos imigrantes na criação de emprego depende muito do tamanho das suas empresas. ela costuma basear-se em associações religiosas. para além de ser individual ou basear-se na rede étnica. os imigrantes investem em pequenas e médias empresas. por causa disso. O maior problema que Moçambique enfrenta é a excessiva onda de imigrantes ilegais. De acordo com Chiswick (2008:71). mudando-se em seguida para uma actividade individual na base de empréstimos. as empresas de construção civil dos imigrantes são actualmente aquelas que mais moçambicanos empregam. Normalmente. Na maioria dos casos. O tamanho destas empresas determina o volume de contratações dos cidadãos nacionais. O peso da contratação de moçambicanos depende também dos sectores da economia.

O relacionamento também não é pacífico quando o imigrante goza de mais benefícios na relação de trabalho ou quando este ocupa cargos de chefia passíveis de ser ocupados por nacionais. criam novos postos de trabalho e expandem a oferta de bens e serviços na sociedade a preços competitivos (Oliveira. A título de exemplo.No sector terciário. a área comercial ganha maior vantagem na contratação de moçambicanos em relação as outras áreas como o turismo. onde existem várias lojas de pequena e média estatura ocorre um alargamento do mercado de emprego. A discussão teórica sobre a assimilação dos imigrantes é a mais antiga e a mais dominante nos estudos sócio-antropológicos sobre a imigração. As constantes greves de moçambicanos empregados em obras controladas por chineses demonstraram situações de exploração. o impacto dos imigrantes no mercado de trabalho pode ser vista ao nível das relações laborais. favorecer e proteger a contratação de trabalhadores nacionais é notório que alguns estrangeiros abrem as suas lojas comerciais e só contratam estrangeiros ou familiares. 6. as lojas dos comerciantes imigrantes contratam de 1 a 5 trabalhadores nacionais e em alguns casos. Por serem empresas de pequenas dimensões. por causa da largura do sector comercial formal. o enfoque teórico recai sobre dois aspectos fundamentais: a integração ou incorporação dos imigrantes e a assimilação dos imigrantes nos países de acolhimento ou nas sociedades receptoras. 2005:16). Outro problema com o qual a inspecção do trabalho se depara muitas vezes é com as diferenças salariais entre os estrangeiros e os Moçambicanos. o relacionamento entre trabalhadores imigrantes e nacionais mostra-se em muitos casos bastante tenso principalmente na construção civil. IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL Do ponto de vista sócio-antropológico. descriminação e racismo dos chineses para os moçambicanos e demonstraram uma grande diferença na cultura de trabalho entre os dois povos. Ainda que em pequena escala. Apesar da lei do trabalho incentivar. Entretanto.3. os comerciantes não empregam moçambicanos. No comércio informal está situação torna-se mais grave porque os imigrantes. 57 . nem sequer chegam a empregar moçambicanos porque são eles próprios que fazem a gestão do seu pequeno negócio. Tanto a 18 Quando os imigrantes desenvolvem actividades empresariais. os comerciantes imigrantes contribuem para a redução do desemprego no país18. A par de uma análise em função da oferta e procura.

Apesar de Moçambique ter uma herança multicultural resultante do cruzamento de povos negros Bantos e Khoisan. etc. talhos portugueses. Para estes autores. Mas essa diversidade e multiculturalidade são 58 . a diversidade cultural pode ser interna e externa. restaurantes italianos. Multiculturalismo ou Assimilação? Um dos maiores impactos culturais da imigração é o surgimento de sociedades multiculturais (multiétnicas. diversidade linguística. diversidade musical e na dança. Não haja dúvidas que a diversidade cultural pode trazer benefícios as sociedades de acolhimento. encontram-se restaurantes chineses. brasileira e sul-aficana que espelham a dimensão positiva da diversidade cultural. Exemplos são trazidos da realidade americana.3. diversidade na culinária. As questões que se podem levantar aqui são: 1) será que os imigrantes procuram se assimilar a sociedade moçambicana ou procuram simplesmente a integração ou incorporação? 2) Será que a sociedade moçambicana quer assimilar os imigrantes ou simplesmente integra-los? Que benefícios ou prejuízos Moçambique tem partindo destas hipóteses em questão? Que impacto existe para Moçambique ao assimilar ou integrar imigrantes? 6. povos brancos da Europa e povos árabes do oriente médio. etc. clínicas que aplicam métodos de tratamento chineses.assimilação dos imigrantes como a sua integração nas sociedades de acolhimento dependem de dois factores principais: esforços das sociedades receptoras em admitirem imigrantes e a vontade dos imigrantes. Estes novos imputs contribuem para uma nova miscigenação cultural derivada da agregação de novas culturas. línguas. Hoje. Entretanto. multilinguísticas e multireligiosas). costumes e tradições diferentes. Os painéis luminosos de lojas e restaurantes demonstram claramente a diversidade cultural de Moçambiquie. surge uma nova cultura de trabalho. o país recebe hoje novos imputs culturais resultantes do cruzamento dos povos moçambicanos originários com os povos imigrantes de diversas origens.1. novos valores sócio-políticos. Deve-se reconhecer que Moçambique sempre teve uma diversidade cultural interna. lojas de roupa brasileira. Existem vários autores dos assuntos de migração que defendem a necessidade das sociedades receptoras de imigrantes tornarem-se multi-culturais e diversas. a diversidade cultural contribui para o enriquecimento dos estados tanto a nível material e cultural pois.

tamanho. Enclave étnico é um processo que emerge da concentração em determinadas áreas de imigrantes de uma mesma nacionalidade representando uma ameaça cultural. a concentração e a homogeneidade da população imigrante contam muito. concentrados de forma expressiva pode suscitar manifestações de xenofobia por parte dos naturais (Seyferth. seus valores e seus âmbitos (Martins. se o número de imigrantes crescer os moçambicanos podem ficar violentos. Quanto maior o grupo. 2008:2). A presença de grupos étnicos formados no curso do processo imigratório. cada qual com sua própria lógica. Ela traz uma sociedade estruturada em camadas culturais distintas e específicas. Para que haja choques culturais entre imigrantes e nacionais. Em relação aos imigrantes. Elas convergem para um único vértice . 1997:95-96). Na perspectiva de alguns entrevistados. A situação pode piorar com a abolição do visto de entrada ao nível da SADC. a sua multiculturalidade é externa e por isso não é convergente. mais concentrado e homogéneo for. O nacional torna-se empregado do imigrante e estes exploram-lhes como escravos e maltratam-lhes. o grupo tenderá a valorizar a sua cultura. Tamanho Concentração Homogeneidade A tríade. estabelecida pelas políticas de unidade nacional e do respeito pela pluralidade étnica. No futuro. não há dúvidas de que a xenofobia vai acontecer em Moçambique pois. o tamanho. o seu modus vivendi e dificilmente negociará a sua identidade 59 . os imigrantes que se concentram em certas áreas passam a ter domínio sobre a vida económica e cultural dessa área e começam a excluir os moçambicanos do seu meio. Os estados devem evitar a concentração de imigrantes por comunidades sob o risco de se enfrentar choques e conflitos. Os perigos do multiculturalismo manifestam-se principalmente quando os imigrantes estabelecem enclaves étnicos.convergentes.o vértice da moçambicanidade. concentração e homogeneidade deve ser controlada pelos decisores políticos na sua política de imigração.

costumes e os conhecimentos compartilhados por esse grupo. quanto menor.para assumir a identidade do país de acolhimento. Como consequência. A assimilação dos imigrantes é vista por muitos autores dos assuntos de imigração como uma questão estratégica para a sobrevivência de qualquer estado que admita a entrada de muitos imigrantes no seu território. tudo aquilo que foi criado e construído por um grupo de seres humanos. que definem os critérios do desejável. e outros valores que são tomados em conta pelo grupo para sustentar a sua vida em sociedade. 1997). A presença de Malawianos. A eles são dados nomes injuriosos e difamadores. justo e injusto. desconcentrado e heterogéneo maior será a necessidade de negociar a sua identidade e assumir os valores culturais do país de acolhimento. fala-se de ideias colectivas. ele considera a cultura como um património comum dos membros de uma sociedade e que este património é transmitido de geração em geração. Por causa disso. O risco Da xenofobia só podia ser debelado através da imposição de uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. A cultura engloba um sistema de ideias. de forma a promover o equilíbrio populacional ou através da assimilação (Seyferth. por uma sociedade ou por um povo. crenças. os estados procuram tornar os imigrantes iguais aos nacionais pois. valioso. o factor cultural representa a grande fronteira de distinção entre os grupos numa sociedade20. belo ou feio. A cultura seria então. 20 Segundo a visão estruturalista de Levi-strauss. Zimbabueanos e tanzanianos em comunidades concentradas pode representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. aceitável ou inaceitável. aquilo que é importante. Autores americanos defendem esta posição desde as primeiras grandes vagas de imigração para o território americano. O imigrante era obrigado a assumir uma nova identidade nacional e aprender novos valores defendidos pela sociedade americana19. valores. A tentativa de construção de um novo estado e a necessidade de criação do cidadão americano tornou os Estados Unidos num grande defensor da teoria da assimilação. sociedade ou povo (Etienne: 1997) 60 . compartilhadas por pessoas numa sociedade. No lado inverso. Neste sentido. a cultura é entendida como uma estrutura. 1997:96). os estados receptores procuram introduzir novos valores culturais sobre os imigrantes através da aculturação. a cultura torna-se uma herança social e o elo máximo de ligação entre as gerações. 19 Quando se fala de valores. assimilando o modus vivendi do país de acolhimento. As manifestações xenófobicas dos moçambicanos começaram com os insultos aos imigrantes. ela é assumida como elemento estratégico para a sobrevivência das sociedades (Seyferth. Através da aculturação. A assimilação é prática usada pelos estados modernos de forma a garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota.

O direito internacional convida os estados a reconhecerem e respeitarem o pluralismo cultural. De acordo com o presidente brasileiro Getúlio Vargas. “Um país não é apenas um conglomerado de indivíduos dentro de um trecho de território. por mais que os laços com seus países de origem estejam diluídos”. os grupos erguem fortalezas para proteger a sua cultura. principalmente. De acordo com Charles Krauthammer (2005). mantêm alguma ligação com a cultura e sociedade de origem [. citado por klumb (2009:3).” O primeiro obstáculo ao processo de assimilação é o direito internacional. A invasão de estrangeiros constitui hoje um desafio para os estados. em geral. A declaração universal dos direitos do homem. 1997:101). “os imigrantes. o direito dos imigrantes manterem sua própria língua. De acordo com Seyferth.]. A lei moçambicana não faz nenhum esforço para quebrar a permanência da cultura dos 61 .. Por seu lado. cultura e tradição. árabes que resistem a pressão assimiladora da sociedade moçambicana. os imigrantes em grupo dificilmente se deixam assimilar pois. manter a cultura originária e a língua materna é um direito dos imigrantes e isso implica a prevalência de quistos étnicos. Esta situação é visível principalmente entre as comunidades agrupadas de etíopes. somalis. A palavra quisto revela uma concepção negativa ao considerar os imigrantes como um cancro para a sociedade Moçambicana. a unidade de raça. enquanto os imigrantes não forem assimilados. considera que a imigração sem assimilação é igual a invasão. Portanto. guardam sempre alguma forma de identidade étnica. estes instrumentos convidam os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. a unidade de língua e a unidade do pensamento nacional (Seyferth.. Para além disso. qualquer país pode ter imigrantes mas nem todos conseguem assimila-los. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna.Enquanto o imigrante como indivíduo isolado pode facilmente sofrer o processo de assimilação/aculturação. mas. indianos. vão permanecer alienados dos valores políticos e culturais do país de acolhimento. a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. Para ele. o real problema não é a imigração mas sim a assimilação pois. a convenção No 143 da OIT e a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores imigrantes e os membros das suas famílias são exemplo de alguns instrumentos internacionais que limitam as capacidades dos estados assimilarem os imigrantes. Dave Gibson (2005).

imigrantes. 21 No Brasil. desapareceram as publicações em língua estrangeira. 62 . O imigrante transnacional é cidadão ‘daqui’ e ‘de lá’ e envolve-se em actividades transnacionais como: envio de dinheiro ao país de origem. desportivas e culturais que não aceitaram as mudanças. O risco da afirmação de identidades étnicas e religiosas por parte de algumas comunidades imigrantes e o risco do surgimento de enclaves étnicos devem fazer parte de uma política firme de controlo de imigrantes. etc. criam associações ligadas ao país de origem. O primeiro acto de nacionalização atingiu o sistema de ensino em língua estrangeira: a nova legislação obrigou as chamadas “escolas estrangeiras” a modificar seus currículos e dispensar os professores “desnacionalizados”. inclusive nas actividades religiosas (Seyferth. sexo. ela protege todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos sem distinção de raça.2. por parte dos imigrantes. 2008:95). Alias. uma nova identidade: a identidade transnacional. viagens constantes ao país de origem. principalmente a imprensa étnica. estes laços criam uma comunidade transnacional. a intervenção directa recrudesceu e a exigência de “abrasileiramento” através da assimilação tornou-se impositiva. Contrariamente a outras sociedades mais experientes na recepção dos imigrantes. O Transnacionalismo Imigrante O transnacionalismo imigrante refere-se a situação em que os imigrantes mantêm. Enquanto o impacto cultural dos imigrantes ainda não é muito manifesto. o estado deve criar condições de induzir a assimilação. especialmente os filhos dos imigrantes. constroem (criam) e reforçam os laços com os seus países de origem (Heisler. Alias. progressivamente. partido político. o estado é impotente para forçar a assimilação dos imigrantes ou dos seus descendentes. Os melhores mecanismos de assimilação são: o mercado de trabalho e as instituições de educação21. Moçambique não tem nenhuma política de assimilação dos imigrantes para prejuízo do estado. Assim.3. A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo estado. as que não conseguiram (ou não quiseram) cumprir a lei foram fechadas. idade. e algumas sociedades recreativas. da cultura dominante. comunica-se constantemente com o país de origem. atingindo todos os possíveis alienígenas. este dispositivo constitucional resulta da consciência do legislador de que a população moçambicana é marcada por uma acentuada heterogeneidade étnica e por isso possui uma diversidade cultural. foi proibido o uso de línguas estrangeiras em público. De acordo com Heisler. credo. 1997:96-97). 6. A campanha de nacionalização (assimilação) foi implementada durante o Estado Novo (1937-1945). Por força deste dispositivo constitucional. A partir de 1939. nacionalidade. que admitem mais facilmente a introdução de novos valores culturais.

assistem e escutam rádio e televisão do país de origem, votam nas eleições do país de origem, etc (Heisler, 2008:96). O trans-nacionalismo imigrante pode ocorrer com maior frequência em zonas fronteiriças e é cada vez mais facilitado pelos avanços tecnológicos criadas nos transportes e comunicações e as facilidades criadas pela globalização. O trans-nacionalismo emerge como uma questão de análise porque representa um desafio para os estados de acolhimento. Pelo facto de não permanecerem permanentemente em Moçambique, resultado das idas e voltas ao país de origem os imigrantes transnacionais acarretam problemas de dupla lealdade, não fazem grandes investimentos que exijam a permanência no país e são responsáveis pela maior remessa de divisas de Moçambique para os países de origem, muitas vezes saindo sem declaração. Estes aspectos tomados de forma leviana não aparentam nenhuma ameaça para a estabilidade e segurança do estado mas, numa análise mais fria percebe-se que o imigrante transnacional representa uma fragilidade para os estados receptores porque o imigrante transnacional permanece enraizado ao seu país de origem, culturalmente, politicamente e economicamente. Os imigrantes asiáticos árabes, indianos, paquistaneses e bengaleses residentes em Moçambique, mantêm uma forte ligação com suas sociedades de origem e respectivas tradições culturais pois, não existe nenhuma pressão da sociedade moçambicana para a sua assimilação. O que se observa é a coexistência e o confronto diferencial no qual imigrantes buscam acomodar-se aos padrões da cultura hospedeira sem, no entanto, perder seus traços distintivos, num esforço dirigido à construção e manutenção das redes e identidades sociais (Fígoli e Vilela, 2004:1). O imigrante africano é por natureza mais transnacional que o imigrante europeu. Os fortes laços familiares enraizados na cultura africana impede o desenraizamento total dos seus locais de origem. Existe no seio dos africanos um sentido de obrigação em ajudar os seus. Por força disso, a maioria dos imigrantes africanos residentes em Moçambique são responsáveis pela maior remessa de dinheiro para o exterior sem nenhuma declaração ao estado, são também responsáveis pela criação das maiores redes de facilitação da imigração. Estas redes, são responsáveis pelo convite e facilitação da entrada de mais imigrantes dos seus países de origem, tanto de forma legal como ilegal.

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Por força da sua característica transnacional, desenraizados de Moçambique, os imigrantes transnacionais são muito propensos a se auto-excluirem dos processos sociopolíticos do país e são também propensos a excluir os nacionais do seu convívio. Em virtude de se sentirem diferentes dos nacionais eles criam espaços de inclusão baseados na sua etnia. Nesse sentido, a consciência das diferenças tem promovido a construção de identidades étnicas, as quais são artifícios culturais de interacção, organização e resistência ao desaparecimento social, físico e simbólico imposto pela sociedade dominante (Fígoli e Vilela, 2004:4). 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes O maior interesse da integração é conceder direitos sociais aos imigrantes sem prejuízo das suas identidades culturais. A integração do imigrante não significa a «assimilação» ou a supressão de sua identidade cultural. Certamente, a integração requer esforço para entrar na vida social e estabelecer relações de convivência, para aprender a língua da nação e adequar-se às leis e às exigências trabalhistas mas não implica a aculturação. A integração dos imigrantes em Moçambique depende de dois factores principais: a vontade dos imigrantes se integrarem e a vontade dos moçambicanos integrarem. A vontade dos moçambicanos integrarem depende de factores como raça, religião e a capacidade financeira dos imigrantes. Em Moçambique, existem comunidades bastantes fachadas e que não permitem a integração rápida dos imigrantes nem dos moçambicanos que não são originárias dessa comunidade. Este tipo de comunidades é adverso ao multiculturalismo e podem manifestar o xenofobismo. Entretanto, pode-se assumir que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade, indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. No geral, os moçambicanos são muito receptivos aos imigrantes havendo no entanto uma percepção diferente em relação a tipologia dos imigrantes. Aspectos raciais e étnicos têm um peso muito grande na atitude dos moçambicanos. Imigrantes europeus e asiáticos (Paquistanês, Indiano, Bengali) têm maiores chances de serem bem acomodados do que os imigrantes africanos. Ao imigrante europeu e asiático está conotada a condição financeira e a criação de oportunidades de
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emprego. Existe também uma grande receptividade dos imigrantes árabe-muçulmanos nas províncias de predominância islâmica. Todavia, nas províncias de pouca expressão islâmica manifesta-se alguma hostilidade. A percepção em relação aos chineses é ainda de alguma resistência e hostilidade muito provavelmente devido a introdução bastante recente na sociedade moçambicana. Por causa do pendor financeiro dos europeus e asiáticos são-lhes criadas facilidades, de acesso a documentos, licenças e alvarás, muitas vezes em prejuízo do cidadão moçambicano. Com efeito, são constantemente reportados casos de favorecimento a imigrantes estrangeiros em todo o país. Pode-se inferir que os imigrantes contribuem para o crescimento de actos de corrupção e clientelismo. Na análise da receptividade dos imigrantes, também é pertinente avaliar a distância percorrida pelo imigrante. As distâncias etno-linguísticas dos imigrantes do corno de África e da África ocidental diferem grandemente da distância etno-linguística dos imigrantes vindos da África austral. A semelhança cultural e linguística permite uma facilidade de integração dos zimbabweanos, malawianos, zambianos e tanzanianos principalmente nas províncias próximas dos seus países de origem. A mudança cultural não cria choques constantes. Esta situação também beneficia aos imigrantes portugueses e brasileiros, que compartilham com os moçambicanos a mesma língua e, de certa forma, alguns valores culturais. Em relação aos imigrantes vindos da África ocidental, do corno de África e da África central, a grande diferença etno-linguística cria um choque cultural verdadeiro obrigando a uma aprendizagem e mutações drásticas. Todavia, o factor religioso também contribui para reduzir as distâncias etno-linguísticas e criar laços de amizade. Em termos gerais, a sociedade moçambicana é receptiva e acolhedora, por esse motivo, os imigrantes tem tido sucesso nos negócios que provocam um impacto positivo na sociedade. No sentido oposto, se a sociedade moçambicana fosse fechada e repulsiva em relação aos imigrantes, eles não teriam chances de sucesso e o seu impacto seria negativo para a sociedade. Por causa da receptividade dos moçambicanos, a maioria dos imigrantes que criam negócios em Moçambique tornam-se bem sucedidos e expandem os seus negócios, aumentando gradualmente o seu investimento no país. A receptividade do país cria confiança no imigrante e por via disso mantêm as suas contas bancárias no país, reduzem as remessas de dinheiro para o país de origem,

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existe um diferencial bastante grande em relação aos imigrantes africanos e os imigrantes asiáticos e europeus. ao nível dos maiores centros urbanos. que se consideram lesados. comprar bens de luxo ou construir habitações mais belas) provoca uma hostilidade latente no seio dos moçambicanos. Em relação a vontade dos imigrantes. pela escola e pela religião. a percentagem dos casamentos intraétnicos ainda é muito acentuada. sujos. Nalguns casos os imigrantes são afastados do convívio social. Sempre que um grupo de imigrantes ou um imigrante acumula vantagens e benefícios em detrimento dos nacionais e ou lesar os interesses da sociedade local (vender produtos a preços baixos em comparação com os nacionais. pelas suas características raciais. Normalmente. Os estereótipos mais frequentes são: todo o imigrante é criminoso. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. O imigrante africano. trafica mulheres. a presença dos imigrantes levanta sentimentos de indiferença. em poucas palavras pode se dizer que o imigrante investe na permanência a longo prazo. são de baixo nível. principalmente ao nível dos distritos. a 66 . namorar ou casar com as mulheres mais belas. A hostilidade costuma manifestar-se em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido num ambiente de escassez e pobreza. hostilizados pelos nacionais porque eles são uma ameaça e um perigo para a posição social e económica dos nacionais. São criados estereótipos que minam a convivência entre os imigrantes e os nacionais. trafica droga. Quanto a integração pelo casamento. Nestes grupos.estabelecem negócios maiores. culturais e até linguísticas tem maior propensão em se integrar na sociedade moçambicana em relação aos imigrantes asiáticos e europeus. etc. Existem no entanto momentos em que a sociedade moçambicana demonstra sinais de hostilidade e indiferença. Entretanto. destacar a grande resistência de alguns grupos em estabelecer laços matrimoniais com os moçambicanos. O citadino não se escandaliza facilmente com os casamentos entre imigrantes e nacionais nem com a pujança económica de alguns imigrantes havendo maior preocupação com a oferta de bens e serviços a preços baixos. Entre a comunidade indiana por exemplo predomina. compram imóveis. ridicularizados. feiticeiros. pelo trabalho.

Raramente a comunidade hindu aceita casamentos inter-étnicos. é a união de indivíduos mais aparentados do que a média da população. Esta mestiçagem não se manifesta somente ao nível físico dos indivíduos como também no aspecto cultural dos mesmos. os sentimentos de desigualdade e privação relativa jogam um papel muito grande para incendiar o conflito. O objectivo desta atitude é a continuação da descendência étnica dos imigrantes e isso tem um impacto no aumento dessa população em Moçambique. chinesa. Normalmente os imigrantes homens são vistos como uma fonte de recursos financeiros para as famílias das suas namoradas moçambicanas. o impacto imediato deste tipo de casamentos é o aumento de mestiços e mulatos no país. principalmente entre imigrantes africanos e os moçambicanos. por parte de grande parte da população. Em várias ocasiões assiste-se a manifestações racistas promovidas por mestiços e mulatos contra negros e de negros contra mulatos. somaliana. chineses. A mistura manifesta-se visivelmente na culinária. Normalmente. Existe uma crença errada. etíopes. na indumentária e na linguagem dos indivíduos.endogamia. relacionados pela ascendência. Naturalmente. nem sempre esta situação é apreciada por todos os moçambicanos. paquistanesa. São raros os casos do 67 . etíope casada com um homem negro moçambicano. ou seja. Os europeus e americanos são mais abertos ao relacionamento interétnico e existem muitos casamentos entre brancos e negros. A integração pelo trabalho é a estratégia mais fácil de integração de estrangeiros. onde a população mestiça representa uma grande fasquia da população. Neste contexto. Moçambique concorre hoje para uma situação semelhante a do Brasil. paquistaneses. Em relação aos imigrantes europeus e asiáticos esta situação muda de figura. na música. os imigrantes acabam ganhando algum suporte por parte de famílias moçambicanas vulneráveis. Contudo. libanesa. Aqui. de que os mestiços e mulatos são beneficiados e que gozam de melhores condições de vida. que é um sistema em que os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados. Esta tendência assiste-se também no seio de comunidades fachadas como os somalianos. é a partir da convivência no trabalho que se estabelecem redes de amizade e solidariedade entre os imigrantes e os moçambicanos. Existem alguns casos de indivíduos que romperam com a endogamia étnica mas esta iniciativa só é tomada pelos homens sendo raro ver uma indiana. libaneses.

asiáticos e em alguns casos árabes em relação aos moçambicanos de raça negra. sueca. para a necessidade de defesa da pátria e ainda para a igualdade e respeito pela diferença contribuem para formatar a segunda geração de imigrantes e enquadra-los como moçambicanos. de exclusão e manifestações de superioridade por parte dos imigrantes 68 . escola Americana. Ao nível das grandes cidades. Existem situações de descriminação por parte dos cidadãos de raça branca. São os filhos dos imigrantes que regressados a casa vão transmitir de forma indirecta a língua e os valores moçambicanos. é muito grande. Os muçulmanos enviam os seus filhos para a escola muçulmana. Os currículos escolares orientados para a unidade nacional. por parte destes imigrantes. O envio dos filhos de imigrantes para as escolas públicas ao lado de crianças moçambicanas é outra estratégia que permite uma maior integração da segunda geração na sociedade moçambicana. chineses e moçambicanos constitui também um grande impedimento para o estreitamento desses laços. A facilidade de abertura de escolas particulares e escolas étnicas.surgimento de redes de amizade e solidariedade. etc. reduzindo desse modo o distanciamento dos país da cultura moçambicana. que representam as nacionalidades existentes nessas cidades. escola Sueca. portuguesa. este cenário é relativamente diferente. os europeus enviam os seus filhos para a escola internacional. Muitas destas escolas obedecem um currículo do país de origem e as aulas são leccionadas na língua materna dos imigrantes. O efeito desta prática manifesta-se com a criação de círculos de amizade baseadas na relação étnico-racial. A título de exemplo. os asiáticos e europeus não enviam os seus filhos para as escolas públicas. os filhos de imigrantes aprendem não só a língua moçambicana mas todo um sistema de valores defendidos pela sociedade e pelo estado moçambicano. A enorme distância cultural entre brancos. podemos encontrar a escola Sul-africana. Não existe. não existe nenhum espaço de integração e envolvimento entre os nacionais e estes estrangeiros provocando em alguns casos sentimentos racistas. Ao nível dos distritos e das províncias mais recônditas é frequente os filhos de imigrantes frequentarem as escolas públicas ao lado dos moçambicanos e a integração aqui torna-se mais rápida. etc. nenhum investimento em aprender a cultura Moçambicana. Através da escola. Provavelmente por motivos da classe económica e/ou interesse em manter os seus filhos com os hábitos culturais e linguísticos dos países de origem.

Tradicionalmente.chegando em alguns casos a manifestar discriminação. a divulgação do árabe assume-se hoje como uma realidade. Enquanto a maioria dos missionários cristãos divulga a sua mensagem em português e inclusive nas línguas locais. os Sheikes muçulmanos divulgam o sagrado alcorão em árabe. Hoje. cidadania é a condição que uma pessoa natural de um estado tem de gozar de direitos que lhe permitem participar da vida política desse mesmo estado. a nacionalidade era o pressuposto principal da cidadania. Uma das estratégias mais fáceis de inserção ou integração social dos imigrantes é a partir da religião. na indumentária e no sistema de valores defendidos pelos seus crentes. A partir do momento que os imigrantes se apresentam nos cultos das confissões religiosas presentes em Moçambique abre-se um espaço para a integração efectiva na vida social da sociedade moçambicana. seja ao concorrer a cargo público (indirecto). contribuem também para a propagação do árabe entre os moçambicanos. 6. Para se ser nacional de um estado o indivíduo deve ter nascido nesse estado ou pedir para aderir ao estado através da naturalização que passa por critérios de aceitação definidos nas respectivas constituições. A nacionalidade moçambicana pode ser originária ou adquirida. As madrassas.3. para ser cidadão. o alastramento do islão em Moçambique esta a ter um impacto nos hábitos alimentares. que são as escolas de aprendizagem do alcorão. o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. Este distanciamento pode ter efeitos nefastos no futuro. Os direitos políticos são regulados em Moçambique pela Constituição da República (2004). participando de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração. portanto. seja ao votar (directo). a vinda de missionários cristãos e sheikes muçulmanos tem um impacto imediato no alastramento e na evangelização de regiões outrora ateístas. Por outro lado. Para além disso. Segundo a constituição. A cidadania é. a implantação da religião islâmica em Moçambique pré-data ao colonialismo e a independência.4. há mais falantes do árabe em Moçambique. só gozam de 69 . o indivíduo devia ser natural do estado. Integração Política e Cidadania Em direito e na assumpção original. Como consequência. Portanto. Deve ficar claro no entanto que não existe nenhum conflito entre o sistema de valores islâmicos e Moçambicanos pois.

Como conceder cidadania aos imigrantes sem naturaliza-los é uma questão impensável se tomarmos o conceito tradicional de cidadania como factor estanque. a cidadania não só envolve direitos mas também deve envolver participação (Heisler. 70 .direitos políticos os cidadãos moçambicanos. direito a habitação. direito a culto das suas religiões. Vários analistas defendem a necessidade de alargar o conceito de cidadania para incluir direitos e deveres sociais. não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. os Estados e as sociedades se questionam sobre o conceito de cidadania e de pertença a uma dada sociedade (Bertonha. Para estes autores. direito a. 2006). a imigração ocupa um lugar central (Cardoso. A vasta gama de direitos concedidos aos imigrantes e que os estados são obrigados a respeitar. Política e Social. Segundo Heisler. H. Dentre os vários factores que estão na origem das profundas transformações ocorridas no conceito de cidadania. mais do que nunca. Estes instrumentos concedem cidadania aos imigrantes ao defenderem direitos individuais e colectivos aos imigrantes: o direito ao trabalho e salário justo. Segundo T. liberdade de opinião etc… Hoje. citado por Heisler (2007:93). A constituição limita o espaço de participação política dos cidadãos de nacionalidade adquirida. económicos. Num mundo contemporâneo marcado por crescentes migrações internacionais e por uma trans-nacionalidade que permite às pessoas mudarem de um país para o outro sem necessariamente aderir a uma nova cultura e realidade. 2004:2). o relacionamento entre imigrantes e o estado deve espelhar a nova realidade internacional. quer dizer. Marshall. permite aos imigrantes o exercício da cidadania nos estados de acolhimento. existem três tipos de cidadania: a Cidadania Civil. os imigrantes exercem a cidadania ao participarem directa ou indirectamente nas decisões que afectam as suas vidas. 2007:92). (2007:93) A declaração universal dos direitos do homem e as várias convenções que protegem os direitos dos imigrantes e os direitos das minorias servem de base de concessão da cidadania aos imigrantes. independentemente da nacionalidade do imigrante. culturais e abranger toda a panóplia dos direitos humanos. direito ao associativismo e a ingressar em sindicatos. O reconhecimento da contribuição económica dos imigrantes e seus descendentes nos países de acolhimento levanta cada vez mais questões de cidadania. Este dispositivo constitucional aparece como o primeiro instrumento de exclusão dos imigrantes na participação na vida pública.

facilidades de importação e exportação de produtos. 3) condições de vida precária que lhes impossibilitam advogar ou pagar serviços de advocacia nas instituições do estado e 4) devido a incapacidade do estado Moçambicano prover bens. os imigrantes vão se transformando progressivamente num grupo de interesse cada vez mais forte e influente. pela capacidade de influenciar o poder político e a tomada de decisões públicas. aos imigrantes são concedidos direitos de exploração exclusiva de certas mercadorias. Amiúde. 1) o distanciamento por parte dos imigrantes dos centros de poder local e central. nem todos os imigrantes são abrangidos por ela pois. concessão de alvarás de forma facilitada e a protecção policial. nem todos os imigrantes desfrutam das mesmas condições de vida (Cardoso. para além do usufruto de direitos e deveres. os imigrantes usufruem de direitos de cidadania. 2) analfabetismo ou ignorância em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais que lhes são garantidos pelos tratados internacionais e pela legislação nacional. o exercício da cidadania passa. serviços e condições de empregabilidade aos seus cidadãos. Apesar da lei abrir espaço para o usufruto da cidadania a todos os imigrantes. Através da influência sobre o poder político. As relações de clientelismo estão enraizadas em toda extensão do território nacional. Pode-se dizer que a ascensão económica dos imigrantes cativa-os a ter uma maior participação política em Moçambique. a manipulação e influência dos grupos sociais mais fracos. entenda-se cidadania no sentido mais abrangente do termo. A constituição moçambicana abre espaço para a participação política limitada dos imigrantes na vida pública do estado. A medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país. Grande parte da população imigrante em Moçambique não tem como fazer valer os seus direitos por vários motivos sendo os mais determinantes. 2004:6).Pode-se assumir que em Moçambique. 71 . A aproximação entre imigrantes e elites governantes começa desde os centros de poder local até ao governo central. em alguns casos. créditos nas instituições financeiras. Através de ofertas e trocas de favores. A manipulação e influência dos imigrantes sobre o poder político superam. os imigrantes vão se aproximando das elites políticas e vão firmando laços de amizade e de negócios com estas elites. No entanto. sendo unicamente limitados de exercer cargos políticos específicos e de votar e ser eleito em eleições parlamentares.

Muitas tornam-se ajudantes nos negócios dos seus maridos e outras entram na actividade comercial. são activistas e ganham consciência política. o contributo da população imigrante em Moçambique é bastante diferenciado. Imigração e Género Em termos de género. O facto de serem acompanhantes retira-lhes a capacidade de contribuírem para a economia moçambicana. Todavia. estudam e concorrem nas universidades públicas e privadas. a maioria dos entrevistados limitou-se a relatar sobre os aspectos negativos dessa situação sem exemplificalos. no entanto. Sofala e Tete. uma pequena fasquia de mulheres imigrantes vindas maioritariamente do Zimbabwe e que permanecem nas províncias centrais de Manica. 2002:8). O maior número de imigrantes residentes em Moçambique é do sexo masculino. as mulheres libertam-se e assumem um papel de 72 . 6. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. As associações de imigrantes são por excelência o primeiro veículo de inserção na vida política moçambicana. organizam-se associações. Todavia. As mulheres de outras nacionalidades normalmente não imigram sozinhas sendo na sua maioria dependentes dos seus maridos. fazem negócios próprios.3. A luta pelos direitos de cidadania concentra-se hoje na exigência de superação dos obstáculos administrativo-legais que dificultavam a regularização da situação dos imigrantes que solicitam autorização de residência e a exigência de integração efectiva das gerações descendentes (Albuquerque. Estas mulheres.5. A emergência de políticos de origem imigrante ou descendente de imigrantes ainda é algo impensável na realidade moçambicana. Recorre-se principalmente a falta de lealdade com os estados moçambicano e a defesa de interesses estrangeiros. que imigram por força da situação de crise económica no Zimbabwe não têm um peso económico muito grande por não realizam actividades comerciais por excelência. Pode-se concluir que as mulheres não são imigrantes económicos. As mulheres que outrora executavam trabalhos domésticos mudam a sua postura em Moçambique. ganham uma nova consciência de participação na vida pública. Existe. Entretanto.Quando questionado sobre a concessão de cidadania aos imigrantes em Moçambique. Grande parte delas são prostitutas e só uma pequena fasquia realiza actividades comerciais. Com o trabalho assalariado. existem mulheres acompanhantes que se tornam imigrantes económicas.

crianças órfãs. 2008:126-127). Muitas delas não exercem nenhuma actividade comercial e permanecem afastadas da vida pública. esta comunidade se envolve directamente para prestar auxílio humanitário em situações de desastres naturais. por via terrestre.vanguarda (Brettell. que torna necessário regulamentar o regime jurídico do cidadão estrangeiro. os direitos. o passaporte ou documento equiparado valido. plasmados no decreto nº 38/2006 de 27 de Setembro. Por via desta organização. no posto fronteiriço. marítima ou aérea obriga-se a entrar no Pais pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. que envolve tanto muçulmanas nacionais. Nota-se por exemplo que as mulheres muçulmanas têm maiores problemas de integração na sociedade moçambicana. comunidades carentes que. o regulamento que estabelece as normas jurídicas aplicáveis ao cidadão estrangeiro. No seio das comunidades islâmicas o papel da mulher obedece aos preceitos da religião islâmica. as mulheres muçulmanas procuram integrar-se na vida social moçambicana. Todavia. Nestes casos. a mulher muçulmana tem a oportunidade de desenvolver programas de apoio as pessoas mais necessitadas como velhos. 7. reabilitação de centros de saúde. no seu nº1. no seu artigo I. Para além disso. o artigo 9. as estratégias de integração da mulher islâmica são diferentes da estratégia do homem islâmico. SUPERVISÃO E CONTROLO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Em Moçambique. Como se pode perceber. a supervisão e controlo de imigrantes é garantido pelas disposições legais. não partilham do mesmo credo. na maioria dos casos. através da organização feminina islâmica. relativas á entrada. provar que possui 73 . onde o conselho de ministros decretou. Relativamente à entrada de imigrantes no País.de 28 de Dezembro. e garantias. naturalizadas e imigrantes. permanência e saída do País. o contributo destas mulheres é nulo. O seu envolvimento se estende ao nível nacional e são desenhados programas de construção de escolas. deveres. entre outros. estabelece que todo o cidadão que pretenda entrar na República de Moçambique. ao abrigo da lei nº 5/93. uma organização de carris humanitário. apresentar.

o artigo 38. 74 . aeroportos. A equipa de pesquisa constatou no terreno que a supervisão e controlo são feitos. regista-se dificuldades para a supervisão e controlo de imigrantes.Constatação sobre Supervisão e Controlo. somos da opinião de que as autoridades locais devem ser mandatários para recolher dados referentes à imigração.meios de subsistência e prestar informações adicionais que lhe forem solicitadas pelo inspector de migração. No entanto. 1. navios. nos comboios. dai urge necessidade de ampliação de mecanismos de supervisão e controlo. vistos caducados. nas residências. De acordo com os entrevistados. no tocante a imigrantes em geral e particularmente para imigrantes ilegais. fluviais. estratégias e planeamento operacional. ao nível central. dado que estes. para posterior adopção. sobretudo a ilegal e outras irregularidades de passagem clandestina da fronteira. sobretudo os ilegais. Estações marítimas. constituindo perigo à segurança e modus vivendo dos nacionais. Sublinha-se que as instituições encarregues para a supervisão e controlo. depois voltam com credenciais passados pelo centro de acolhimento de Nampula. caminhos-de-ferro. o que acontece normalmente é a entrada e permanência de estrangeiros imigrantes sem observância do legislado e regulamentos que regem sobre esta matéria. chegando a embaraçar as autoridades. clarifica que será facultada a entrada livre dos funcionários dos serviços de migração para o exercício da sua função fiscalizadora. não de forma eficiente. de medidas. sem documentos de autorização de permanência e residência. isto porque cada vez verifica-se muito afluxo de imigrantes ilegais que escapam as autoridades em muitos centros urbanos. lacustres. Em relação à fiscalização. praticando actividades ilegais bem como a deficiência de controlo do retorno de imigrantes repatriados. 7. quando são repatriados. No entanto. Aparecendo imigrantes que vivem em Moçambique sem documentos legais. tem demonstrado fragilidades no seu exercício. aeronaves e onde a sua presença seja necessária.

serão responsáveis pela maior parte do crescimento futuro nas sociedades ocidentais.Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes Para este trabalho. estalagens. meios técnicos adequados e recursos humanos qualificados. aos serviços de migração. Huntington. Como resultados. bem como todos aqueles que albergam estrangeiro ou arrende. a vulnerabilidade da fronteira terrestre e marítima. em virtude de a primeira ter característica montanhosa e muito extensa e a segunda apenas por ser uma costa extensa. tem elevadas taxas de fertilidades e. pousadas.Outra situação constatada é o facto de aparecerem em quase todos os distritos visitados. contrastando deste modo. que defende que a migração é inevitável e pode melhorar a vida de milhões de pessoas no Mundo. De acordo com P. Fazendo a alusão a Africanos que vivem em diferentes partes do Mundo. parques de campismo. 7. violando o artigo 33 no seu nº 1. Alguns dos entrevistados atribuem a fraca supervisão e controlo dos imigrantes. casa ou habitação a estrangeiro. nos locais onde não haja a polícia da PRM ou administração local. reside no facto de trazer a experiencia de como estes países abordam este fenómeno de imigração. sobretudo a políticas de supervisão e controlo. ou cedam a qualquer título. lançado recentemente pelo programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD). pelo contrário. casas de hóspedes e similares. Deste modo. Samuel (2006:233). por consequência. a sua pertinência. a união europeia (UE). elegeu-se as experiencias europeias e norte-americana na supervisão e controlo de imigrantes. onde as remessas atingem cerca de 40 mil milhões de dólares ano para o continente. os imigrantes. no prazo de cinco dias por meio de boletim individual de alojamento. os ocidentais receiam cada vez mais “ estar 75 .2 Experiencia Europeia e Norte. que preconiza que os hotéis. motéis. defende um combate cerrado para travar a imigração. ficam obrigados a comunica-lo. com o relatório de desenvolvimento humano 2009. mesmo por sublocação. a falta de disponibilidade de meios materiais. imigrantes que vivem em diferentes residências sem nenhuma comunicação por boletim individual de alojamento.

a UE22 aprovou o que designou de pacto europeu sobre a imigração e asilo. mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida. e que se confrontam com a lei 22 Site: http://www. como é o caso de algumas organizações da sociedade civil em Portugal. acompanhada de uma fortificação nos meios de supervisão e controlo de imigrantes que escalam aquele continente.Huntington. a saber: 1.Refrear o controlo das fronteiras 5. o que normalmente chamam na Europa de política de ‘’ imigração zero”. tratam de indivíduos que não encontram outra opção. 76 .Organizar a imigração legal. 2. o discurso de S.de-obra qualificada. No entanto. para o recrutamento de mão.Concretizar uma politica europeia de asilo 4. insegurança. no contexto da presidência francesa da UE. fome.agora a ser invadidos. 3. No entanto. aprovado pelo conselho de ministros a 25 de Setembro do presente ano. beneficiam da segurança social e ameaçam o seu modo de vida”.blocomotiva. muitas vezes vitimas de redes sem escrúpulos. cuja proposta foi apresentada pelo Nicolas Sarkozy. revela claramente que a Europa apela para um sentimento anti-imigração. senão o recurso à clandestinidade. veneram outros deuses. obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas ou que muito simplesmente tentaram mudar a vida. priorizando a adopção do “ cartão azul ”. onde alegam que são homens e mulheres que procuram fugir á miséria.Proibir os processos de regularização colectiva Salienta-se que esta posição da UE tem sido contestada pelos alguns membros da união. onde visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais.net. pertencem a outras culturas e também lhes roubam os empregos. ocupam as suas terras.Facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito. não por exércitos e carros blindados. mas por imigrantes que falam outras línguas.

blogspot. A experiencia Italiana nesta matéria de supervisão e controlo de imigrantes reside no facto de introduzir uma lei de testes de ADN. tornou mais rigorosas as leis que regulam o direito de asilo. tem a ver com aquilo que a UE considera de sabotagem aos esforços de combater a imigração ilegal por parte da vizinha Turquia. Atitude vista como reivindicação da Turquia. 77 . Samuel (2006:239).blogspot. Deste modo pode se afirmar que a UE25 gasta milhões de euros só para lidar com a imigração ilegal e criou a agencia Frontex (aferrolhamento das fronteiras da UE) de vigilância das fronteiras para lutar contra a imigração clandestina. sobretudo na administração Clinton. Uma situação que julgamos ser necessário comentar. explica ainda que os Estados Unidos da América (E. consubstanciado em: .U. ampliou os quadros dos serviços de imigração e 23 24 25 Site:http://gladio. visto como sendo instrumento de perseguição dos ciganos. Imigração selectiva . Limitação de reagrupamentos .Huntingnton. endureceu o controlo sobre a imigração. regras selectivas e politicas securitarios24. ligando todos os consulados . Generalização dos identificadores biométricos P. Colocação de um sistema comum de informação sobre os vistos.A). que alega que a UE não paga o mesmo que paga a Grécia para ajudar a deportar os imigrantes ilegais.no.com Site:htt://gladio.com Site:htt://imigrantes. fazendo de regra à excepção e recusando à generalidade dos imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana23. que constantemente interfere activamente com radar contra as patrulhas marítimas anti-imigraçãoilegal da UE no mar egeu.pt. queixando-se que recebe apenas 70 euros por cada imigrante ilegal em contraste com a Grécia que recebe 1000 euros. Expulsão de imigrantes indesejáveis .que diz cinicamente que “ cada caso” é um “ caso”.sapo.

NÚMERO DE ESTRANGEIROS REPATRIADOS E EXPULSOS POR CONTRAVENÇÃO MIGRATÓRIA DESDE O ANO 2000 AO 1º SEMESTRE DO ANO 2009 ANO 2000 2001 Movimento Migratório 6. portos. Controlo e verificação nos autocarros colectivos. de trânsito e do destino. embarcações.200. mas mesmo assim. tem se verificado um esforço para conter a supervisão e controlo. aeroportos.0 55 Observação 78 . a equipa de pesquisa constatou no terreno que as diligências. comboios e aeronaves . quanto ao fenómeno é de que deveria existir um princípio de responsabilidade partilhada que envolvesse os países de origem.884 Estrangeiros Repatriados 291 238 Estrangeiros Expulsos 0. se registe a falta de meios matérias e humanos qualificados para a supervisão e controlo de imigrantes que escalam Moçambique. casas de pastos e residências desconfiadas .3. Repatriamento dos ilegais . DADOS ESTATISTICOS DE MOVIMENTO MIGRATORIO. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo Embora. não chegam a efectivar-se regularmente devido a falta de meios já referenciados anteriormente. racionalizados. há que destacar algumas diligências embora periódicas em conjunto entre a PRM e a Migração. Os fluxos não deveriam ser impedidos mas sim geridos. A opinião de muitos observadores. consubstanciada em: . carros particulares. com vantagens recíprocas para os países de origem e do destino. 7. Rusgas nos estabelecimentos comerciais.405. Expulsão em caso de delito Contudo.naturalização. Vide a baixo o mapa dos dados estatísticos de número de estrangeiros repatriados e expulsos dos últimos 10 anos.189 5. reforçou o patrulhamento fronteiriço e construiu barreiras fiscais ao longo da fronteira com México.

Os governos dos estados que ratificam estes instrumentos comprometem-se a aplicar essas disposições e obrigam-se a garantir protecção aos imigrantes nos seus territórios. Contudo. o número de imigrantes oscila em cada ano que passa.0 Ano de supressão de visto com R.102 5. Moçambique adoptou uma legislação aberta aos estrangeiros.677.829 7. direcção nacional de migração Tal como reporta o mapa.731 8. mencionar a pessoa do imigrante.689. 8. todos os instrumentos que protegem a pessoa do imigrante estabelece normas que servem de modelo para a legislação dos estados particulares.883.351 17.950 5.359 0. para fins de repatriamento.288 85 Fonte: Ministério do interior.2002 2003 2004 2005 3. Salienta-se que à percepção de que o número de imigrantes ilegais tende a crescer em cada dia que passa. A semelhança da declaração universal dos direitos do homem.113.S.297 0. no entanto.480. onde se registou um número recorde de repatriamentos 7.0 02 0.519 3. 79 .CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Vários são os instrumentos jurídicos internacionais que protegem a pessoa do imigrante nos países de acolhimento.0 0. As estatísticas reportam em si que a supervisão e controlo são feitos embora com as dificuldades apontadas anteriormente. Influenciado pela legislação internacional.A 2006 6.525.652 2.718 2. sobretudo nos distritos fronteiriços.973 11 2008 5. Com destaque para o ano de 2006.454 128 2009 2. sem. O facto de nenhum instrumento jurídico moçambicano apresentar uma definição clara do cidadão imigrante e a não existência de um conceito oficial de imigração e imigrante pode representar handicap com efeitos negativos na definição de uma política de imigração. cuja sua identificação e localização. escapa as autoridades competentes.496.449 328 1.359 imigrantes ilegais e em termos de expulsões o ano de 2008 registou um recorde de 128 imigrantes.0 2007 2.346 3. a lei moçambicana concede uma grande margem de actuação aos imigrantes permitindo-lhes usufruir das oportunidades socioeconómicas que o país oferece.901.

Sudoeste asiático (Paquistão. Alias. possuem qualificações ou capital de investimento. a facilidade de investimento e a integração regional atraem cada vez mais imigrantes interessados em alcançar sucesso económico no país. também. entram na condição de desempregados e representam uma categoria de imigrantes não económicos exceptuando os imigrantes Portugueses. São cada vez mais alarmantes os números de imigrantes vindos dos países da África (Austral. enfrentam dificuldades de ordem material e humano para levarem ao bom termo a tarefa que lhes é incumbida. por ser 80 . principalmente dos ilegais. essa abertura é hoje desafiada com uma entrada maciça de imigrantes legais e legais no país. Central. pois há maior circulação de dinheiro e o meio rural ou suburbano é para acomodação. A maioria dos imigrantes que entram no país não possui nenhuma qualificação. logísticas para às capacidades do Estado controlar este movimento. Índia. marítima e aérea. Chineses. Bangladesh). tanto pelas vias terrestres. a maioria dos imigrantes ilegais prefere as rotas terrestres. As autoridades competentes para supervisionar e controlar os imigrantes. Ocidental. Grandes Lagos e Corno de África). devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira terrestre que o país tem.• Moçambique. económica e social. Brasileiros. tornou-se num corredor de trânsito para imigrantes ilegais com destino a RSA. Os círculos urbanos constituem os locais onde os imigrantes desenvolvem as suas actividades. foi e continua sendo um país aberto a acomodação de estrangeiros de todas as partes do mundo. mas. Ásia (China) América (Brasil) e Europa (Portugal) que entram de forma legal e clandestina no país. Entretanto. Em virtude destas fragilidades e por causa dos atractivos que o país oferece. O número crescente de imigrantes que cada vez mais procuram o país representa uma ameaça as fragilidades institucionais. onde há muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos e facilmente exploráveis. do Sudoeste Asiático e do Médio Oriente que entram no pais na condição de empregados. Tanto os imigrantes sem qualificações como os imigrantes qualificados se concentram nos locais de grande interesse económicos. Moçambique figura hoje como um dos grandes receptores de imigrantes na região. Enquanto os imigrantes legais obedecem aos postos oficiais de entrada de estrangeiros. Com efeito. a estabilidade política. Moçambique para além de ser um destino preferencial de imigrantes legais e ilegais. médio oriente (Líbano).

Todavia. turismo e serviços. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de acolhimento. existe um grande pessimismo e medo da imigração e dos imigrantes. constatou-se que os imigrantes contribuem em grande medida para o desenvolvimento económico do país pois. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário.menos onerosa. Efectivamente. Para além disso. Apesar deste pessimismo manifestado pela opinião pública. aparentemente. Em relação ao impacto económico. os imigrantes são. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. Estes são. que do ponto de vista de receitas traz poucos benefícios ao estado e não cria muitas vagas de emprego para os moçambicanos. com a chegada de muitos imigrantes em 81 . Com efeito. No entretanto. a entrada de imigrantes contribui para o aumento de investimentos que criam postos de trabalho para os Moçambicanos e aumentam a arrecadação de receitas fiscais por parte do estado. Neste contexto. Em termos do impacto dos imigrantes na segurança do estado e na segurança pública constatou-se que. Por esse motivo. imigrantes legais. ilegalmente. maioritariamente. os imigrantes legais e ilegais podem. alegadamente. Não menos importante. recursos minerais. eles são mais agressivos nos negócios. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. florestais e faunísticos valiosos e estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas como o tráfico de drogas. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. aceitam riscos. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. Em relação ao mercado de trabalho. há. do país. igualmente. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano mas. os trabalhadores imigrantes trabalham em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. Representam. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas. a maioria dos imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. verificou-se que a maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se concentram em três áreas principais: o comércio. são vanguardistas e são mais empreendedores. há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. Por outro lado. apenas. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais.

Moçambique surgiram novos negócios no país e alguns sectores de actividade sofreram um Boom jamais visto. os imigrantes transnacionais mantêm e reforçam os laços com os seus países de origem. os portugueses e os brasileiros em relação aos imigrantes de outras regiões e nacionalidades. no sentido dos direitos políticos pois. Normalmente. indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. O respeito aos instrumentos internacionais de protecção aos imigrantes. e ainda gozam de todas as liberdades consagrados na declaração universal dos direitos do homem. a hostilidade costuma se manifestar em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido e a indiferença manifesta-se ao nível das cidades. Em termos da integração dos imigrantes em Moçambique. o estado moçambicano não exerce nenhuma pressão no sentido assimilar os imigrantes residentes no país. a sociedade moçambicana íntegra mais facilmente os imigrantes da região Austral. os seus hábitos culturais. adicionado ao respeito ao multiculturalismo é factores que impossibilitam a assimilação dos imigrantes. observou-se que a sociedade moçambicana é bastante aberta a integração dos imigrantes. permitindo desse modo que permaneçam alienados dos valores políticos e culturais do país. Para além destes factores. Normalmente. A receptividade da sociedade moçambicana permite que os imigrantes tenham sucesso nos negócios e que provocam um impacto positivo na sociedade. estes ainda não usufruem de direitos de cidadania. o transnacionalismo imigrante torna o processo de assimilação difícil pois. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. A constituição da República não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. Com efeito. Em termos gerais. usar a sua língua de origem. Do ponto de vista sociopolítico e cultural. Em termos gerais constatou-se que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade. Por sua vez. ao se alargar o conceito de 82 . dependendo muitas vezes de aspectos raciais e étnicos. Apesar do estado criar condições de integração dos imigrantes no país. principalmente na área comercial. Todavia. constatou-se que os imigrantes gozam de uma larga liberdade cultural podendo manifestar as suas crenças religiosas. pelo trabalho. apesar de existem comunidades bastante fachada e que não permitem a integração rápida dos imigrantes. pela escola e pela religião.

as mulheres não têm um peso económico muito grande. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes.cidadania para incluir direitos e deveres sociais. Por último. verificou-se que existe uma grande diferenciação da participação dos imigrantes em termos de género. sob o ponto de vista demográfico. Neste sentido. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sociopolítica e segurança dos indivíduos bem como do Estado. algumas criam negócios particulares e outras tornam-se mais activas no seio das organizações ou associações de imigrantes. Todavia. culturais e direitos humanos. Paralelamente. muitas mulheres tornam-se ajudantes dos seus maridos.1. Enquanto o impacto da população masculina é mais visível. A imigração é e foi sempre uma constante na história da humanidade e Moçambique deve estar pronto para lidar com este fenómeno pois. ela está a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle do Estado moçambicano. Sublinha-se que a medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país influenciando o poder político na tomada de decisões que afectam as suas vidas. que os receios das manifestações ainda não se fizeram sentir de forma violenta em Moçambique. pode-se afirmar que a fragilidade em termos de dados estatísticos são uma fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. o impacto da população feminina não é muito notória.Recomendações Finais Deste modo. consubstanciadas em: 83 . constata-se que os imigrantes gozam de direitos de cidadania. 8. Esta situação deve-se fundamentalmente ao numero reduzido de mulheres imigrantes em Moçambique. económicos. Por força disso. Sublinhar no entanto. a recomendação que se pode fazer é de que as instituições de supervisão e controlo devem ampliar esforços de mobilização de meios materiais e humanos para uma execução cabal das suas tarefas e deve estudar e aperfeiçoar urgentemente estratégias e métodos de controlar os imigrantes.

• • Mobilização de meios adequados e recursos humanos devidamente formados para vigiar a extensa fronteira terrestre e marítima. 84 . autoridades judiciais e ministério publico). • Moçambique deve desenvolver uma política e uma estratégia de imigração que possa seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades.• Supervisão e Controlo com rigor nos pontos de entrada. policia. qualificações. • Os imigrantes que entram em Moçambique devem ser alvos de um maior acompanhamento. estaleiros e nos pontos de maior concentração populacional. bem como de sanidade mental. os que reúnem alguma formação para desempenho das actividades que se propõem. • Ainda nos pontos de entrada. alfândegas. tais como: mercados. que ficam obrigados a suportarem as despesas do retorno ou de repatriamento. estado de saúde. do qual constitui prioridade para entrada de imigrantes. e um mecanismo de resolução de eventuais litígios de competências entre as autoridades. nível escolar. deve-se adoptar um sistema de testagem e Controlo de estado de saúde de imigrantes. independentemente do seu objectivo cá. dos imigrantes que reúnem todas as condições exigidas pela lei. estalagens e outros lugares suspeitos. pensões. hotéis. • Aplicação com rigor do artigo 43. incluindo alimentação. níveis de vida e o estatuto financeiro. nas residências. como forma de fazer uma melhor monitorização e controlo das actividades que os mesmos praticam cá. alojamento e outros encargos administrativos. capacidade de reacção e intercâmbio da informação com outros Estados Necessário a existência de intercâmbio de informação entre as autoridades competentes (guarda-fronteiras. casas de pastos. • • Os métodos de supervisão e controlo devem ter em conta: fluxo de dados. física e que demonstrem capacidade de se instalar e trabalhar. • Adoptar uma política selectiva e criteriosa. relativo aos imigrantes ilegais ou clandestinos. como forma de prevenir a propagação de doenças contagiosas que eventualmente podem ser trazidas por estes. Intensificação de supervisão e controlo de imigrantes. percepção de da situação.

reduzindo os procedimentos de criação de empresas. • O Estado moçambicano deve adoptar uma política de assimilação dos imigrantes como instrumento estratégico para a sobrevivência estado. A assimilação é importante para garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. Rosana: Associações étnicas e o desafio da participação política de jovens descendentes de imigrantes Comunicação apresentada no 1º Colóquio Intercultural “A Comunicação Entre Culturas”. Entretanto. O Estado deve criar condições para uma maior integração dos imigrantes concedendo-lhes direitos económicos e sociais. Portugal. 2003:464-465).9 e 10 de Maio de 2002. Albuquerque. REFERENCIAS Bibliografia Livros e Artigos (Goldstein. • O Estado deve evitar que grupos imigrantes etnicamente homogéneos se concentrem em grandes números numa região pois. Almada.• Para atrair mais imigrantes económicos. comunidades concentradas podem representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. reduzindo a carga fiscal e estabelecendo linhas de crédito que possam beneficiar o imigrante. o estado deve vedar direitos de cidadania política aos imigrantes. Para alcançar este objectivo. 85 . • • A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo Estado. o estado moçambicano deve criar condições propícias ao investimento estrangeiro. o Estado deve impor uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. organizado pelo Grupo SIETAR Portugal (Society for Intercultural Education Training and Research) .

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adoptado a 15 de Novembro de 2000. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. Especialmente Mulheres e Crianças. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. Mar e Ar. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. Fontes Primárias Maputo Luís Mambero (Secretário Permanente da Província de Maputo) Capião Samuel Faduque (Director da Ordem Pública ao nível da Província de Maputo) Adérito Notiço (Vereador para a área de Actividades Económicas e Serviços no município da Cidade da Matola) Eugénio Simbine (Director Provincial do Plano e Finanças da Província de Maputo) Di-Stefano Xavier Honwana (Director Provincial da Migração em Maputo) Arnaldo Chefo (Porta voz do Comando da cidade ao nível de Maputo) Lúcio Jorge (Gerente do BCI. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei.º 38/2006.Decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. Dependência da Pigal) Secretário Permanente da Cidade de Maputo 89 . que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. Protocolo para Prevenir. Lei do trabalho Lei No 23/2007 de 1 de Agosto. Lei 5/93 de 28 de Dezembro.

fixado na cidade de Chimoio desde 2007) Mousinho Alberto Carlos (Director provincial do trabalho da província de Manica) Fernando Tefule (Administrador do distrito de Manica– província de Manica) Gelindo Baltazar Vumbuca (Sub-inspector e Chefe das operações da PRM no distrito de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. Central Sindical (OTM-CS)) Coffe (Chefe do Departamento Central do Movimento Migratório na direcção de Migração) Babu (Armazenista da Gulf Trading. de nacionalidade Maliano. 26 anos de idade) Filipe Lucas Cumbe (Director provincial de migração de Manica) 90 . imigrante Indiano) Alberto Chidadale (Administrador de Namaacha) Marcos Waze (Chefe das Operações da Polícia da república de Moçambique em Namaacha) Maria Macamo (Chefe do Posto Fronteiriço de Travessia de Namaacha) Arlete (Directora das Actividades económicas em Namaacha) Eugénio Makukule (Chefe do Departamento de Indústria na Direcção das Actividades Económicas) Reginaldo Macamo (Chefe de turno no Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Gabriel Bila (“Facilitador” de imigração ilegal em Ressano Garcia) Catopole e Matavel (Comandantes da Polícia de Guarda fronteira do Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Manica Mário Inácio Omia (Secretário permanente da província de Manica) Joaquim Zefanias (Secretario permanente distrital de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. de nacionalidade Maliano. 26 anos de idade) António Maquina (Secretário permanente da província de Manica) Edson Mulanzira (Jovem de 22 anos. trabalhador de obras.Mondlane Nataniel (Chefe do Departamento de Formação na Migração) Rodrigo César Mabote (Director das Finanças no Governo da Cidade de Maputo) Xavier Timane (Chefe do Departamento de Indústria ao nível da Indústria e Comércio no Governo da Cidade de Maputo) Francisco Mazoio (Organização dos Trabalhadores de Moçambique. imigrante Zimbabweano.

desde 2003. de nacionalidade Bengali) Abdul Majid (Comerciante de produtos da primeira necessidade em Caia. desde 2005. de nacionalidade Maliano. nacionalidade de Guine) Gausse Tara (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado de ferro ) desde 2008. desde 1999. de nacionalidade Bengali) Amine Whael Vali Mahomed (Comerciante agro-retalhista na cidade da Beira. 37 anos de idade) Faizal Raul Daude (Motorista de camiões de longo curso da Empresa TRANSRIVER) José Fernando Tefula (Administrador do distrito de Manica) Joaquim Zefanias (Secretário permanente do distrito de Manica– província de Manica) Marcelino Jaime Mugumanha (Inspector da policia e comandante da 7ª companhia da foça de guarda fronteiras de Machipanda– Manica) Sofala António Maquina (Secretario permanente da província de Sofala) Zacarias Cossa (Comandante provincial da PRM na província de Sofala) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia.Rogério Jorge Tomé (Chefe de departamento da policia de protecção– Chimoio) Alberto Limene (Chefe do posto de migração de Machipanda– Manica) Ibraimo Barry (Comerciante de roupa na cidade Chimoio desde 2008. Okoro (Importador e Comerciante de acessórios de veículos na cidade da Beira. Paquistanês de 32 anos de idade) Michel w. desde 2005. desde 2001. de nacionalidade Bengali) José Cuele António (Administrador do distrito de Caia – província de Sofala ) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) 91 . Indiano de 30 anos de idade) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. Nigeriano de 42 anos de idade) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. desde 1998. 30 anos) Koita Thirou (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2005. de nacionalidade Maliano.

Zobué) Niassa 92 . Hermenegildo Santana Chimarzene (Docente de Metodologia de Trabalho IntelectualUniversidade Católica de Moçambique. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Direcção Provincial da Industria e Comércio) Dr. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Sargento da Polícia.Direcção Provincial de Migração) Mariano Miguel José (Director Provincial Adjunto. desde 2001. Zobué) Santos Rafael (Guarda da Polícia.Chefe do estado Maior do 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Comandante da 4ª companhia de Zobué.Direcção do Plano e Finanças) Domingos Muleque (Chefe do Departamento do Comercio. Indiano de 30 anos de idade) Tete Claudina Maria de São José Mazalo (Secretária Permanente da Província de Tete) Jamal Chande (comandante geral da Polícia da província de Tete) Ofélio Jeremias (inspector chefe da direcção provincial do trabalho) César Sampaio e António Namahate (Comando da Guarda Fronteira. Hamede (Directora provincial de migração de Sofala) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira.UCM) Gilberto Cochelane (despachante aduaneiro) Zé Rufino José Afonso (estudante da UP e funcionário da procuradoria de Tete) Manuel Paulo (Adjunto Superintendente da Polícia.Maria Lavinea M. Tete) Jaime Sousa (Chefe do Departamento de Nacionais e Estrangeiros. Zobué) Gabriel Andre Chofomo (Chefe da Secção de Reconhecimento.Chefe dos efectivos do Batalhão. Zobué) Ofélio Amisse Alfredo (Comandante da Companhia. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) José Francisco Xavier (Chefe do Posto Migratório.

Substituto do Comandante da Companhia.Ivete Alane (Secretária Permanente Provincial) João J.Director Substituto da Direcção Provincial de Migração.Guarda Fronteira de Niassa) Afonso Yassin (Chefe da Secção de Reconhecimento e Investigação) Dra. Mahunguele (Comandante Provincial da Polícia. Niassa) Dr. Maria Ernesto Ndupa (Directora Provincial do Trabalho) Luis David Mandau (Chefe do Departamento do Movimento Migratório. Niassa) Carlos Abudo Momade (Administrador do Distrito do Lago) Inácio Angelo (Representante da Direcção Distrital de Migração) José Napuite (Comandante Distrital da PRM) Edson Felix (Representante da Direcção Distrital das Alfandegas) Paulo Saide (Director Distrital das Actividades económicas) Nampula Armando Fietinies ( DIRECTOR PROVINCIAL DE IMIGRAÇAO) Amisse António (DIRECTOR PROVINCIAL DE TRABALHO) Arsenia Massigue( Comandante provincial) Antonio Mussupai (INAR) Hamide satar (representante da associação islâmica de Nampula) Antonio Pilate( Administrador de Nacala) Francisco Mucanheia (Secretario permanete Nampula) Pa Fernao Massena (Director da afaculdade de direito da Universidade católica) Rui Buco (Técnico de Emprego) Mario Camilo (Director de trabalho de Nacala) Cabo Delgado 93 . Manuel Domingos Cidade (Chefe da Repartição da Logistica e Finanças.

Cabo Delgado) Alberto Estêvão Ntanga (Técnico de Emprego) Alfredo Bento Muhurua (Chefe da repartição em Mueda) Cassimiro Antonio Cadre (Chefe da repartição do reconhecimento de Investigação) Higino Sumale ( Chefe das operações do comando distrital em mueda) Bené( director de migração Cabo delgado) Stik satar( Imigrante / Libanes) Terry Leopold (IMIGRANTE DO SENEGAL) Issufo Hassan ( Imigrante Tanzania) 94 .João Motim Rodrigues (Director provincial de trabalho) Raul Ossufo Omar (Director da Ordem e segurança.

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