Imigração em Moçambique: Impacto Sociopolítico, Económico e Cultural

Draft

Calton Cadeado Enilde Sarmento Énio Chingotuane Pedro Nhachete

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Maputo, Dezembro de 2009
ÍNDICE--------------------------------------------------------------------------------------------------------2 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.1. Problemática----------------------------------------------------------------------------------------------4 1.2. Objectivos-------------------------------------------------------------------------------------------------5 1.3. Metodologia-----------------------------------------------------------------------------------------------6 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL-----------------------------------------------7 2.1.Debate conceptual----------------------------------------------------------------------------------------7 2.2. Teorias sobre imigração-------------------------------------------------------------------------------10 2.2.1. Modelo de migração do capital humano----------------------------------------------------------10 2.2.2. Teoria do sistema mundial--------------------------------------------------------------------------11 2.2.3. Teoria da modernização-----------------------------------------------------------------------------12 2.2.4. Teoria da Globalização------------------------------------------------------------------------------12 3.ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO-------------------------------------------------------------13 3.1.Legislaçao Internacional--------------------------------------------------------------------------------13 3.2.legislaçao nacional--------------------------------------------------------------------------------------17 4. CARACTERIZAÇÃO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS, ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇÃO DOS IMIGRANTES-- -----------------------------21 4.1 Origem dos imigrantes----------------------------------------------------------------------------------22 4.1.1. Condição sócio económica dos imigrantes em Moçambique ----------------------------------23 4.1.2. Categorias dos Imigrantes em Moçambique------------------------------------------------------26 4.2. Rotas de entrada dos Imigrantes----------------------------------------------------------------------28 4.3. Locais de Fixação---------------------------------------------------------------------------------------31 5. FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE--32 5.1. A teoria Push-Pull--------------------------------------------------------------------------------------33 5.2- O caso de Moçambique--------------------------------------------------------------------------------33 6. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE----------------------------------------36 6.1. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO ---------------------------------36 6.1.1. Segurança----------------------------------------------------------------------------------------------37 6.1.2. Ligação entre Imigração e segurança--------------------------------------------------------------38 6.1.3. Impacto da Imigração na segurança---------------------------------------------------------------40 6.1.4. Impacto da Imigração na Segurança do Estado--------------------------------------------------40 6.1.5. Impacto da Imigração na Segurança Pública-----------------------------------------------------41 6.2.IMPACTO DA IMIGRAÇÃO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA----------------------45 6.2.1- Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia------------------------45 6.2.2. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes-----------------------------47 6.2.3- Impacto da Imigração nos Sectores da Economia-----------------------------------------------49 6.2.4- Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho-------------------------------------------------54
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6.3.IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL DA IMIGRAÇÃO------------------------57 6.3.1. Multiculturalismo ou Assimilação? ---------------------------------------------------------------57 6.3.2. O Transnacionalismo Imigrante--------------------------------------------------------------------62 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes-------------------------------------------------------------------63 6.3.4. Integração Política e Cidadania---------------------------------------------------------------------69 6.3.5. Imigração e Género ----------------------------------------------------------------------------------72 7. SUPERVISÃO E CONTROLO----------------------------------------------------------------------73 7. 1.Constatação sobre Supervisão e Controlo-----------------------------------------------------------74 7.2. Experiencia Europeia e Norte- Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes---------75 7.3. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo------------------------------------77 8. Conclusões e Recomendações-------------------------------------------------------------------------79 9. Referencias------------------------------------------------------------------------------------------------85

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Contudo a procura de melhores condições de vida e de trabalho foram sempre factores determinantes para aqueles que recorrem a imigração. paradoxalmente. social e. regista-se. a “eurofobia” e a “islamofobia” constituem problemas que estão a criar sentimentos nacionalistas que. a crise financeira asiática de 1997 (que se alastrou depois a diversas economias em desenvolvimento do resto do mundo). geram enormes fluxos migratórios (nomeadamente imigrantes ilegais em busca de asilo politico) como refere Appleard (1992). razões políticas. um crescente fluxo de imigração legal e ilegal inter-africana e de não africanos que procuram a África Austral e. algumas vezes assumem contornos violentos na Europa. político de tal forma que alguns Estados ricos e desenvolvidos. em alguns casos. Neste contexto. nos países ricos e desenvolvidos. sociais. a nível mundial. A título de exemplo. impacto positivo do ponto de vista económico. tendo como causas principais. consoante o momento da história. Com efeito. vários Estados tem vindo a perder população e outros estão a receber um fluxo de imigrantes que tem criado um impacto sociopolítico e económico controverso. estão a debater de forma multilateral e/ ou bilateral a imigração devido. INTRODUÇÃO A imigração foi sempre uma constante na história da humanidade. África contribui em larga medida para o crescimento da imigração. a permanente situação de refugiados no Corno de África. O estudo da imigração torna-se particularmente pertinente.1. os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial. e outros. No entanto. igualmente. porque como referem Rourke e Sinnot: (2003). particularmente ilegal. A imigração é um fenómeno que tem estado a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle dos Estados a nível mundial. a imigração cria. 4 . paradoxalmente. No entanto. principalmente. a queda do bloco soviético na década 90. O Interesse no Estudo da imigração variou consideravelmente ao longo do tempo. ao seu impacto negativo na estabilidade sociopolítica e económica. vários Estados. económicas bem como a existência de catástrofes naturais. estão a desenvolver políticas de imigração para resolver problemas de envelhecimento da população e redução da força produtiva. Acontecimentos como os choques petrolíferos. igualmente.

é. Com efeito. Paralelamente. A abordagem dos assuntos de imigração. Problemática A principal questão que se coloca é que Moçambique não possui uma estratégia nacional de imigração que. e Moçambique assume-se como um país de destino para um crescente número de cidadãos de nacionalidade estrangeira. Assim. ligada a dificuldade de coordenação institucional entre os principais agentes ou actores estatais torna o país vulnerável em relação a esta problemática. Paralelamente. Esta fragilidade pode ser agravada pelo provável crescimento de imigrantes resultante das facilidades de abertura e circulação de pessoas e bens no âmbito da integração regional na África Austral. a imigração é uma realidade que coloca Moçambique num dilema permanente em matéria de política ou estratégia nacional de imigração. Moçambique. a inexistência de uma capacidade de controlo das fronteiras nacionais terrestres e marítimas.1. constitui uma fragilidade na forma como deve ser abordada a problemática da imigração. O fenómeno imigratório adquire deste modo. em Moçambique. um país em vias de desenvolvimento que outrora foi um dos maiores “exportadores de mão-de-obra” para a África do Sul. a fraca disponibilidade de mão-de-obra qualificada e as obrigações legais e morais de direitos humanos colocam Moçambique numa situação de “aceitação forçada” da imigração. a concorrência pelo mercado de trabalho e alegado recrudescimento de determinados tipos de crimes associados aos imigrantes levanta receios de ocorrência de ataques xenófobos similares ou piores aos que aconteceram na África do Sul. uma importância inquestionável.particularmente Moçambique onde a livre a circulação de pessoas e bens é uma realidade imposta pela integração regional. devido a estabilidade sociopolítica. um dos maiores receptores de imigrantes que podem ser fonte ou solução de problemas. permite a entrada massiva de imigrantes dos vários quadrantes de África e do mundo. A extensão das fronteiras. Esta vulnerabilidade constitui um problema que pode ser agravado pela imigração 5 . aliado ao facto do Estado ter uma fraca capacidade de controlo das mesmas. Portanto. 1. actualmente. faz com que o Estado moçambicano enfrente grandes dificuldades nesta problemática. de per si. em Moçambique.

Como se explica que um país pobre como Moçambique esteja a atrair um número crescente de imigrantes legais e ilegais? Será que o país tem condições materiais e financeiras de controlar o fluxo de imigrantes? Que implicações terão a entrada massiva de imigrantes a curto. Alias. Objectivos Específicos (i) (ii) (iii) (iv) (v) Identificar as ameaças. cultural.ilegal que tem vindo a crescer mas cuja magnitude e impacto holístico é realisticamente desconhecido em Moçambique. é pertinente a realização de estudos sobre a dimensão e o impacto real (positivo e negativo) da imigração na estabilidade sociopolítica. social. rotas de entrada e locais de fixação dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique. Analisar a capacidade institucional de Moçambique em matéria de supervisão e controlo de imigração. Assim. médio e longo prazo no domínio económico. estas e outras perguntas somente podem ter resposta através de uma pesquisa que permita uma recolha de informação sobre o real. económica e na segurança de Moçambique. político. e Analisar os factores que tornam Moçambique num centro de convergência de imigrantes. Identificar a origem. económico e cultural da imigração em Moçambique. 6 . oportunidades e desafios sociopolíticos. Objectivos Objectivo Geral O trabalho tem como objectivo geral. Esta é uma das questões que sustenta e serve de pretexto para a pesquisa. Discutir o impacto positivo ou negativo da imigração em Moçambique. analisar o impacto sociopolítico. cultural e na segurança do país? 1.2. económicos e culturais da imigração em Moçambique.

organizações da sociedade civil. Uma amostragem 7 . Após o trabalho de campo seguiu-se ao processamento da informação recolhida e a produção do relatório de pesquisa obedecendo o método SWOT. A equipa de pesquisadores foi composta por especialistas de acordo com as exigências que a pesquisa impõe. as oportunidades e as ameaças da presença de imigrantes em Moçambique. Sofala. deputados e lideres de partidos políticos) e alguns imigrantes. Tete. Metodologia A realização do estudo começou com uma pesquisa bibliográfica com vista a identificar obras de autores que abordam o assunto em estudo. Em termos gerais. Nampula. Cabo Delgado e Niassa. jornalistas. as fraquezas. directores provinciais.3. A escolha dos distritos foi baseada em dois critérios que compreenderam: distritos fronteiriços e costeiros e os grandes centros urbanos. A pesquisa bibliográfica permitiu aos pesquisadores entrar em contacto directo com todos os escritos sobre a imigração. foram escolhidas 7 províncias receptoras do maior número de imigrantes nomeadamente Maputo. Foram combinados pesquisadores envolvendo o departamento de economia. a segunda técnica baseou-se num inquérito a opinião pública. Foram também colhidos dados estatísticos da situação dos imigrantes em Moçambique. líderes religiosos. a identificação de entrevistados da opinião pública foi baseada numa amostragem aleatória da população das regiões alvas. académicos.1. A pesquisa de campo compreendeu duas técnicas fundamentais: A primeira técnica foi baseada em entrevistas abertas individuais e colectivas a grupos alvos constituídos por opinion leaders (empresários. Após o levantamento bibliográfico. principalmente nas zonas de entrada e fixação de imigrantes. foi realizado um estudo de campo que foi conduzido por uma equipa de pesquisadores do CEEI/ISRI. líderes sindicais. o que possibilitou o reconhecimento de aspectos importantes que cercam o tema em estudo. que consistiu na avaliação dos pontos fortes. políticos e culturais e o departamento de estudos de paz e segurança. Manica. Em ternos de amostra. departamento de estudos sociais.

Existe portanto um vazio no que diz respeito ao conceito de imigrante em Moçambique. 2. Portugueses ou pela categorização racial como por exemplo. e a lei do trabalho No 23/2007 de 1 de Agosto. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL 2. árabes e negros. tecnocratas. Muitas vezes. o conceito aparece pouco esclarecido. Para além disso são a raiz de sentimentos racistas. estudantes universitários ou pela média e mesmo aqui. Poucos instrumentos jurídicos moçambicanos esclarecem de uma forma clara e objectiva o que é o cidadão imigrante. facilmente se constata que a 8 . não existe muito rigor na definição do conceito de imigrantes e muito menos uma definição clara da política de imigração. um conceito difuso sobre imigração e imigrantes. muitas vezes manifestados pelos moçambicanos negros nas situações do diaa-dia. o indiano e o árabe como estrangeiro.probabilística aumenta substancialmente a chance dos participantes serem representativos da população-alvo. assegurando a validade interna e externa do estudo. Talvez por ser uma realidade recente para Moçambique. o decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. é necessário que fique assente o seguinte: 1) nem todo o não negro é estrangeiro. sociólogos. Existem também vários entendimentos sobre o conceito de refugiados. principalmente se estes equívocos permanecerem nas médias e ao nível do discurso político. 2) nem todo o negro é moçambicano e 3) nem todo o estrangeiro é imigrante. A maioria dos moçambicanos ainda vê o branco. Esta definição baseada na cor da pele demonstra um desconhecimento quase geral da situação dos naturalizados e aqueles moçambicanos de raça não negra que adquiriram a nacionalidade moçambicana na altura da independência.1. Nigerianos. e sequer existe um conceito oficial de imigração. brancos. Para o inicio da nossa clarificação. Os equívocos conceptuais e a falta de clarificação do conceito de imigrante são em si uma ameaça a ordem social e política do Estado moçambicano. o conceito de imigrante é substituído pela categorização étnica dos indivíduos como por exemplo. Chineses. Ao observar-se as leis No 5/93. O termo imigrante só é usado por um grupo esclarecido de políticos. Debate Conceptual Existe no seio dos analistas políticos. considerando somente os negros como nacionais.

o cidadão estrangeiro deve permanecer no país hospedeiro por um médio ou longo período de tempo. estrangeiro é todo o cidadão que não tenha a nacionalidade moçambicana. a legislação moçambicana prefere definir trabalhador estrangeiro e não trabalhador imigrante. visitar. nem todo o estrangeiro é imigrante. O acto de transpor a fronteira de um outro país. deve existir uma distinção entre os estrangeiros que estão no país a convite do Estado ou empresas moçambicanas. sendo considerados refugiados. Por outro lado. Todo aquele que permaneça um curto período de tempo não deve ser considerado imigrante pois. a sua intenção é fazer turismo. com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. os indivíduos que são forçados a abandonar o seu país por motivos de conflito. de pessoas ou populações. perseguição. a vontade dos indivíduos. os estrangeiros enviados pelos seus estados ou organizações internacionais para trabalhar em Moçambique e os estrangeiros que vem a Moçambique por vontade e iniciativa própria. não confere. os indivíduos que se estabelecem no país estrangeiro por convite do Estado ou empresas do país hospedeiro ou que tenham sido enviados por representação pelos seus estados ou organizações internacionais não são considerados imigrantes. A questão que se coloca é: qual é o conceito de imigrante utilizado em Moçambique? O conceito mais conhecido e comummente aceite considera imigração como o movimento de entrada.terminologia imigrante não é usual. (REF) O facto de terem transposto a fronteira de um outro Estado e permanecerem temporariamente não lhes coloca na situação de imigrantes e o seu estatuto é protegido pela legislação internacional específica. Normalmente. limpezas étnicas. existe uma necessidade de adicionar um outro critério importante. Normalmente. existem 3 critérios fundamentais para definir imigrante: 1) transpor as fronteiras de um outro Estado. por si só. Para além disso. 9 . não são considerados imigrantes. Na concepção deste trabalho. Para que isso aconteça. Esta definição não espelha claramente o que é um imigrante pois. categoria de imigrante ao cidadão estrangeiro. de um país para outro. genocídio. sendo mais frequente a terminologia estrangeiro. guerras. fazer negócios ou transitar para outro país. Para que o indivíduo seja considerado imigrante é necessário que ele tenha vontade de sair do seu país e vontade de permanecer noutro país. 2) tempo de estadia e 3) intenção de trabalhar ou residir em um outro Estado. (REF) Como se pode ver por esta definição. De acordo com a lei 5/93.

A fronteira fictícia definida em termos geopolíticos não é sentida nem reconhecida em termos socio-antropológicos. Hoje. não são considerados trabalhadores imigrantes os indivíduos que trabalham nas representações diplomáticas e consulares. REF a definição de imigrante fica associada a questão distância. casam-se entre si e possuem traços raciais e fenotípicos semelhantes. cuja admissão e estatuto são regulados por acordo com o Estado de emprego e que. Quando é que os cidadãos da fronteira se tornam imigrantes é uma questão que preocupa aos moçambicanos. Enquanto o malawiano mantiver família em Moçambique nos limites da fronteira não é 10 . é uma questão complicada. de forma temporária ou permanente com intenção de trabalhar e/ou residir no território nacional. Com base nos pressupostos acima referidos. cuja admissão e estatuto são regulados pelo direito internacional geral ou específico por acordos ou convenções internacionais. não são considerados trabalhadores migrantes. Segundo alguns autores. Apesar de este conceito deixar claro quem é o imigrante. Quem é quem. falam a mesma língua. de acordo com a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. os indivíduos enviados para trabalhar em outro país por agências ou organizações internacionais e pessoas enviadas ou empregadas por um Estado fora do seu território para desempenhar funções oficiais. Pessoas enviadas ou empregadas por um Estado ou em seu nome fora do seu território que participam de programas de desenvolvimento e outros programas de cooperação. A circulação não é feita de um país para o outro mas sim de uma casa para outra. é difícil distinguir o moçambicano da nova família ou da família adoptiva. Torna-se particularmente difícil quando as populações dos dois lados da fronteira se consideram uma comunidade. Adicionado a estes factores. Estas populações são incapazes de definir onde é a sua casa e quando a adversidade se instala numa das casas mudam-se para outra casa sem obedecer as regras internacionais. ainda existem zonas de penumbra em relação as populações que vivem nas zonas fronteiriças. podemos assumir que imigrantes são os indivíduos que se estabelecem voluntariamente num território. em conformidade com esse acordo.A título de exemplo. deve-se lembrar que durante o conflito armado muitos moçambicanos foram viver nos países vizinhos e criaram laços de parentesco e casamento nesses países. possuem nomes semelhantes.

que é a teoria mais aplicada para explicar movimentos migratórios. a medida que se introduz para o interior do país é considerado imigrante. são poucos os trabalhos teóricos que abordam o impacto dos imigrantes nos países de acolhimento. o homem movido pela sua racionalidade. o conceito de violação de fronteiras é mais virtual do que prático. viagem e todos os bens e serviços pagos no processo de migração. melhores condições de vida e imigração.considerado imigrante mas. As principais teorias da imigração abordam as razões da imigração. Teorias Sobre Imigração Até hoje não foi possível fazer uma grande teoria da imigração nem uma teoria interdisciplinar porque cada disciplina tem a sua linguagem conceptual e analítica. métodos e conhecimento epistemológico. África. médio oriente. 11 . De acordo com esta teoria. 2. incluindo o reassentamento no local de destino). Esta tendência pode ser comprovada pela migração sul-norte no sentido América latina América do norte.2. o processo de imigração é auto-selectivo. Dentre as teorias que explicam as razões da imigração existe um denominador comum: a relação salário. Por outro lado.1 Modelo de migração do capital humano De acordo com o modelo de migração do capital humano (REF). Europa do leste para a Europa ocidental e inclusive pela migração África austral para África do sul. no sentido de que só vai imigrar quem tem condições de financiar os custos inerentes a migração (passaporte. existe um acordo entre Moçambique e os países vizinhos que permite as populações fronteiriças circularem livremente num raio de 20 km.2. Neste sentido. uma vez que as fronteiras nacionais são abertas e a demarcação fronteiriça não obedece sempre a marcos geográficos evidentes. O debate sobre a pessoa do imigrante ainda oferece outras zonas de penumbra que devem ser clarificadas por novos estudos sobre a matéria. Na verdade. sendo frequente a discussão em relação ao impacto dos imigrantes sobre os países de origem. imigra dos seus mercados para outros mercados motivados pelos elevados salários e melhores condições de trabalho. 2.

o modelo de migração do capital humano não consegue explicar as tendências migratórias para países como Moçambique. mais industrializado. menos industrializada. O mesmo padrão de migração se verifica na periferia da periferia para o centro da periferia.3 Teoria da modernização 12 .2. factor que explica a mobilidade de trabalhadores imigrantes que saem da África. com mais trabalho e melhores salários e a periferia seria menos desenvolvida. com poucos empregos e com baixos salários (Goldstein. O modelo de migração do capital humano observa a relação entre salários no país de origem e salários no país de acolhimento. Esta teoria admite que os trabalhadores da periferia querem imigrar para o centro a busca de trabalho e melhores salários. A teoria do sistema mundial admite também que a periferia também tem os seus centros. 2003:465). Europa do leste para a Europa ocidental e da América latina para a América do norte. Esta teoria sustenta que o sistema mundial é caracterizado por hierarquias sobrepostas (Goldstein.2. onde a existência de empregos é escassa e os salários são mais baixos do que a média regional. principalmente nos países do ocidente. Apesar de largamente divulgada e difundida. O centro seria mais desenvolvido. Maputo seria o centro e as outras províncias a periferia. A África do Sul pode ser considerada o centro da África Austral. terá mais propensão para migrar aquele que tenha condições de financiar estes custos. observa também a relação entre empregos no país de origem e empregos no país de acolhimento. na expectativa de recuperar o investimento com os salários altos do país de acolhimento. 2003:464-465). médio oriente. ao nível nacional.Segundo esta teoria. 2. 2.2 Teoria do sistema mundial A teoria do sistema mundial vê o mundo como estando constituído por um centro e uma periferia.

Os primeiros estudos sobre imigração internacional baseavam-se na teoria da modernização que distinguia o mundo em dois pólos: um desenvolvido e outro pobre. Movidos pela tomada de decisão racional. e outros. 2008: 118). os conceitos de push/pull ainda são dominantes na análise sobre movimentos migratórios (Brettell. Esta teoria assenta na assumpção de que existem dois sectores da economia: um moderno e outro tradicional que trocam para além de bens e produtos. fome. Vários são os autores que contestam a teoria da modernização defendendo que nem sempre o dinheiro enviado é usado para investimentos mas sim. Apesar da teoria da modernização ser contestada na generalidade. Em vez de criar desenvolvimento. a imigração cria comunidades dependentes e consumistas. violência. uma vez regressados a origem os conhecimentos adquiridos seriam aplicados para o desenvolvimento do local de origem (Brettell. Factores de repulsão: guerra. Os estados abandonam gradualmente as 13 . De acordo com esta teoria. Motivadas pelo consumismo e devido a sua dependência. políticas e económicas que vem acontecendo nas últimas décadas motivadas pela integração da economia mundial e dos mercados nacionais numa economia global movido pelas grandes corporações internacionais. estagnação económica.2. 2008:119). uma vez regressado. esta tendência contribui para o desenvolvimento dos locais de origem pois os imigrantes enviam os seus rendimentos para a origem e esse dinheiro seria usado para investimentos. factores de produção como a mão-de-obra. é um conjunto de transformações sociais.4 Teoria da globalização De acordo com a teoria da globalização. o imigrante não encontra as condições materiais para aplicar os seus conhecimentos. Ainda na assumpção desta teoria. A globalização por seu turno. De acordo com a teoria da modernização. as pessoas deslocam-se dos locais onde abunda mão-de-obra para os locais onde abunda capital. perseguição étnica e política. a nova onda de imigração internacional é uma consequência directa do processo de globalização. 2. abusos aos direitos humanos. 2008:119). as migrações eram motivadas por dois factores: os factores repulsivos (push factors) e os factores atractivos (pull factors). as gerações de imigrantes vão se sucedendo perpetuando a ligação entre o país de acolhimento e o local de origem. Para além disso. para o consumo e. os indivíduos saem do sector tradicional para o sector moderno que oferece melhores salários (Brettell.

barreiras tarifárias e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. os estados resistem e continuam a desempenhar o papel de actores privilegiados e detentores da soberania sobre os seus territórios impondo regras de entrada e saída dos factores de produção como capital. No entanto.1. Para além da mobilidade de mão-de-obra entre países assiste-se a mobilidade de capital e tecnologia de uma região para outra. os estados sentem que existe uma grande interdependência entre eles e por força disso pactuam e negoceiam cedências mútuas. Este processo tem sido acompanhado por uma intensa revolução nas tecnologias de comunicação e informação. Legislação Internacional Para uma avaliação sobre o impacto sociopolítico. produção. O entra e sai de pessoas é ao mesmo tempo obrigatório porque dinamiza toda uma economia de produção e consumo. O primeiro instrumento internacional que estabelece a liberdade dos indivíduos deslocarem-se para 14 . No entanto. ela se garante por meio de redes regionais de comércio. mão-de-obra e tecnologia. ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO 3. a aceleração económica e a competitividade não beneficia a todos os estados pois. 3. Antes de se avaliar o impacto dos imigrantes é preciso perceber o que a lei permite e que oportunidades ou dificuldades ela cria na vida do imigrantes. Neste mundo sem fronteiras. Motivando o surgimento de uma aldeia global. Os efeitos dessa rapidez de comunicação e informação ultrapassam a dinâmica económica e provocam a uniformização e a homogeneização da cultura das sociedades. Todavia. investimento e comunicação. torna-se necessário conhecer a margem de actuação que estes gozam pela legislação internacional e pela legislação nacional. existem ganhadores e perdedores. uma vez iniciada. a mobilidade do capital e do comércio provocam uma crescente mobilidade de mão-de-obra dos países perdedores para os países ganhadores tanto do centro como da periferia. Os países moldam-se para atrair investimentos de toda espécie e surge uma grande competitividade entre os estados. económico e cultural dos imigrantes em Moçambique. Os estados tornam-se incapazes de controlar esta dinâmica que extrapola os seus limites territoriais pois. É perigoso porque os estados perdem a capacidade de suportar o elevado índice de estrangeiros nos seus territórios.

que nos seus artigos 13 e 14 defendem o seguinte: Artigo 13 (1) Todo o homem tem direito à liberdade de se movimentar e residir dentro das fronteiras dos Estados. particularmente na protecção dos trabalhadores imigrantes. organizações sindicais e segurança social. O artigo 6 da mesma convenção defende que. viagem e acolhimento dos trabalhadores imigrantes e. em matéria de legislação laboral.outros países é a declaração universal dos direitos do homem assinada a 10 de Dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). obriga os estados a concederem aos imigrantes tratamento igual ou que não seja menos favorável àquele que beneficiam os nacionais. o seu estatuto jurídico é regulado pela convenção de Viena sobre relações Diplomáticas de 18 Abril 1961 e a convenção de Viena sobre relações consulares de 24 Abril 1963. que faz uma revisão da convenção sobre trabalhadores migrantes de 1939) e a Convenção Sobre as Imigrações Efectuadas em Condições Abusivas e Sobre a Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento dos Trabalhadores Imigrantes (convenção No 143 de 1975). inclusive o seu próprio país. O artigo 9 desta convenção obriga os estados signatários a permitirem remessas de dinheiro por parte dos imigrantes em conformidade com a legislação monetária nacional. e na Parte II da igualdade de oportunidade e de tratamento. Na primeira parte. no tocante a remunerações. Os membros das representações diplomáticas e consulares. a convenção alerta para os perigos e a obrigatoriedade dos estados evitarem o emprego de imigrantes ilegais e o trânsito de migrantes clandestinos. filiação. artigo 6. e tem o direito de regressar ao seu país. artigo 4. A par dos esforços da ONU. toda gente tem o direito a ser reconhecida como uma pessoa em qualquer país e perante a lei. apesar de residentes num país estrangeiro e exercerem actividades laborais no estrangeiro não são considerados imigrantes. das migrações em condições abusivas. Artigo 14 (1) Todo o homem tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países em caso de perseguição. A convenção Nº143 da OIT trata. (2) Todos têm o direito de deixar qualquer país. relativas aos trabalhadores imigrantes são: a Convenção Relativa aos Trabalhadores Migrantes (convenção No 97 de 1949. A convenção Nº 97. na Parte I. Na segunda 15 . O artigo 6 desta convenção convoca os estados a tomarem medidas punitivas para os empregadores de imigrantes clandestinos e para a detecção dos imigrantes ilegais.obriga os estados membros da OIT a facilitarem a partida. As duas principais convenções da OIT. a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem empreendido vários esforços na protecção dos imigrantes desde a sua criação em 1919.

Esta convenção reafirma todos os 16 . de opinião. em conformidade com a legislação nacional e em função das obrigações internacionais do Estado em que estão presentes. O instrumento normativo mais importante para a defesa dos trabalhadores imigrantes é a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores migrantes e os membros das suas famílias. o direito à propriedade. o direito à liberdade de pensamento. participar e ficar com o estrangeiro. o direito de transferir o seu salário. e outros bens monetários para o estrangeiro nos termos das regras monetárias do país de acolhimento. o estado de acolhimento deve autorizar que o cônjuge e filhos menores ou dependentes de um estrangeiro que reside legalmente no território do Estado deve ser admitido para acompanhar. obriga os estados a informarem sobre os direitos e obrigações dos imigrantes e os mecanismos para sua protecção e convida os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. Segundo esta declaração. o direito para escolher um cônjuge. a ONU adoptou em 1985 a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. o direito à liberdade de circulação e a liberdade de escolher sua residência no interior do Estado. O artigo 12. adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1990. as disposições relativas a igualdade de tratamento em matéria de emprego e profissão. Os estrangeiros gozam vários direitos. poupanças. o direito de ser iguais perante os tribunais e todos os outros órgãos e entidades da administração da justiça. no lar ou na sua correspondência. o direito de reunião pacífica. culturais. para casar e fundar uma família. no artigo 10. o direito à protecção contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada. liberdades individuais e colectivas para aqueles que se encontrem legalmente nos seus territórios. Dentre os vários direitos foram incluídos. Para fortalecer os postulados relativos aos imigrantes. o direito à liberdade de expressão. o direito à vida e à segurança pessoal. segurança social. família. e ainda. o direito de manifestar sua religião ou crença. consciência e religião. no seu Artigo 5. cultura e tradição.parte. o direito de manter sua própria língua. direitos sindicais. A declaração estabelece no artigo 8 algumas disposições relacionadas com os trabalhadores imigrantes defendendo que os estrangeiros têm direito a salários justos e iguais por trabalho de igual valor e o direito de aderir a sindicatos e outras organizações ou associações similares. a convenção reafirma.

A concessão de direitos e liberdades fundamentais aos imigrantes pela legislação internacional tem um efeito determinante no comportamento dos 17 . a segurança social. o artigo 7 convida os estados a aceitarem a permanecia definitiva ou temporária das vítimas de tráfico no seu território. horas de trabalho estabelecidas por lei. férias remuneradas. O outro instrumento é o Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. a cessação da relação de trabalho e quaisquer outras condições de trabalho que. cultural. a proibição do trabalho forçado exalados no artigo 11 e 23. de acordo com a legislação e a prática nacionais. esta convenção afirma no artigo 16. Especialmente Mulheres e Crianças. a legislação internacional criou instrumentos normativos para proteger a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. adoptado a 15 de Novembro de 2000. estabelecido no artigo 6. religiosa e linguística das minorias dentro dos respectivos territórios e devem incentivar as condições para a promoção dessa identidade. Um destes instrumentos é o Protocolo para Prevenir. O artigo 25 acrescenta que os trabalhadores imigrantes têm direito a boas condições de trabalho. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. Religiosas e Linguísticas adoptado a 18 de Dezembro de 1992. descanso semanal. são abrangidas aos trabalhadores nacionais. é outro instrumento de importante valor para a protecção dos imigrantes nos países de acolhimento. no artigo 1. Como se pode depreender. A Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas. Um dos objectivos deste protocolo é prevenir e combater o contrabando de imigrantes e proteger os direitos dos imigrantes contrabandeados.pressupostos da declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem e acrescenta postulados relativos a proibição da escravatura e servidão. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. Mar e Ar. Por sua vez. a ONU desenvolveu vários outros instrumentos destinados a protecção dos estrangeiros. os estados devem proteger a existência e a identidade nacional ou étnica. é convidar os estados a proteger e assistir as vítimas do tráfico e garantir o respeito pelos direitos humanos. a saúde. o direito a protecção diplomática e consular a todos os imigrantes e os membros das suas famílias em casos de detenção por actos criminais. horas extras. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. De acordo com esta declaração. Para além destes instrumentos específicos e centrais. Um dos objectivo deste protocolo.

Porém. Desde os tempos mais remotos. Estas normas e regras primitivas vigoraram em África até o início da colonização europeia. O princípio da soberania estabelecida no tratado de Westphalia determinou que os estados tenham direito sobre o seu território e os seus habitantes podendo impor as condições de entrada e saída do seu território aos nacionais e não nacionais. Com o inicio da colonização. culturais ou linguísticos com os proprietários do território. Apesar destas regras. a livre circulação de pessoas no continente africano sofreu grandes mudanças. a partir daí afectarem positivamente no desenvolvimento económico desses países. A noção de estrangeiro já existia e estes não gozavam dos mesmos direitos e deveres dos naturais. só podia se estabelecer num território ocupado aquele que partilhasse laços familiares.2. Com o advento das 18 . As instituições dos estados primitivos estabeleceram normas e regras de entrada e permanência de indivíduos em territórios já ocupados. Este controlo é um dos pilares da soberania do estado e foi aplicado pelas potências europeias nas suas colónias africanas. o livre movimento dos africanos ficou muito restringido e praticas de nomadismo deixaram de existir. Por regra. o livre movimento de pessoas entre as várias regiões de África respondeu ao anseio natural dos homens pela sua sobrevivência. 3. nos países de acolhimento e. comummente definido depois da partilha de África (na conferencia de Berlim em 1884-85). Legislação Nacional A imigração não é um fenómeno novo na história de África e de Moçambique. Cada potência controlava o seu território e a sua população impedindo a fuga de mão-de-obra para outras colónias.imigrantes e possibilita-lhes exercerem qualquer actividade. étnicos. dentro dos limites da lei. Por força desta determinação. estes indivíduos eram diferenciados do resto da população. A conferência de Berlim definiu a necessidade das potências colonizadoras estabelecerem fronteiras de ocupação de forma a delimitar os seus territórios a semelhança do que era prática no continente europeu. As práticas de nomadismo só reduziram com o advento da agricultura e quando os homens passaram a assumir a terra como propriedade privada e estabeleceram-se os primeiros estados. as constantes migrações devido aos atractivos económicos e ambientais obrigaram os estados a aceitarem indivíduos de outras etnias concedendo-lhes espaço para habitação e cultivo.

estado civil dos pais. Desde o surgimento do estado hobbesiano. seleccionar. raça. permanência e saída do cidadão estrangeiro em Moçambique são actualmente regidas pela lei 5/93 de 28 de Dezembro. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. Com efeito. A mesma lei obriga ao cidadão estrangeiro que queira entrar em Moçambique que se apresente nos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos com toda a documentação necessária e que esteja munido de um visto em conformidade com a duração e os objectivos da sua estadia no país. A partir dai. grau de instrução. houve um acordo entre os estados africanos defendendo a irreversibilidade das fronteiras coloniais. As normas sobre entrada. sexo. De acordo com o artigo 4 desta lei. posição social. goza dos mesmos direitos e garantias e está sujeito aos mesmos deveres que o cidadão moçambicano. as novas nações passaram a ser definidas em função das fronteiras coloniais. independentemente da cor. A política de imigração dos estados africanos passou a servir 4 objectivos principais (incentivar. Muitos destes instrumentos. os estados africanos passaram a adoptar normas e regras de controlo fronteiriço estabelecidos pelas ex-metrópoles e adoptaram as normas internacionais relacionados com esta matéria. o cidadão estrangeiro que resida ou se encontre em território nacional. profissão ou opção política.º 38/2006. O primeiro instrumento que regula a relação entre o Estado e os cidadãos residentes em Moçambique é a constituição da república. gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. O controlo fronteiriço imposto durante o período colonial passou a ser exercido pelos estados recém independentes o que significou a continuação das políticas migratórias das metrópoles. restringir e impedir o movimento migratório). Todos os residentes no território até a altura da independência eram considerados nacionais e todo o não residente passou a ser estrangeiro. Todo aquele que entre no território nacional sem passaporte. com passaporte falso 19 . estabelecidas nas leis orgânicas dos Estados obedecem aos interesses e motivações dos estados individuais e também das normas e regras internacionalmente criadas. religião. lugar de nascimento. origem étnica. Sendo assim. excluindo os direitos políticos e os demais direitos e deveres expressamente reservados por lei ao cidadão nacional. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique e pelo regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n.independências africanas (1960). os estados vem estabelecendo normas e regras para controlar o movimento de pessoas tanto nacionais como estrangeiros no território nacional. o artigo 35 da constituição afirma que todos os cidadãos são iguais perante a lei.

com a multa de dez a oitenta salários mínimos e o trabalhador estrangeiro fica imediatamente suspenso. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. por cada trabalhador estrangeiro em relação ao qual se verifique a infracção. Para além deste dispositivo que vela pela situação dos trabalhadores nacionais. no quadro das normas e princípios de direito internacional e em obediência às cláusulas de reciprocidade acordadas entre a República de Moçambique e qualquer outro país. De acordo com esta lei. lei No 23/2007 de 1 de Agosto. Em relação ao trabalhador imigrante. Ainda em relação a contratação de trabalhadores estrangeiros. afirma no Artigo 31. As entidades empregadoras devem criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração das empresas. que exerça uma actividade profissional no território moçambicano. pode o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou actividades que se enquadrem nas restrições ao seu exercício por cidadão estrangeiro. O artigo 2 da mesma lei estabelece como condição para a contratação de estrangeiros que A autorização para contratação de trabalhadores estrangeiros fica condicionada à comprovação pelo Centro de Emprego do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de que possuem qualificações académicas ou profissionais necessárias e que não existem cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente. Sem prejuízo do disposto no número anterior.ou caducado. nomeadamente em razão do interesse público. que o trabalhador estrangeiro. no artigo 1. através do decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. sendo que. a empresa prevaricadora pode ser punida. a lei do trabalho. tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores nacionais. o governo estabeleceu. A contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira por entidades empregadoras nacionais e estrangeiras fica sujeita à autorização do Ministro do Trabalho ou de quem este delegar. A lei do trabalho introduz novas clausula não previstas no decreto-lei 57/2003 20 . ou ainda. os que entram por postos não habilitados são considerados migrantes clandestinos. O Artigo 11 desta lei prevê Sanções para as empresas que não observem as normas legais. a presente lei estabelece no artigo 6 que.

permanecia e saída de imigrantes. Até hoje. Para além deste controlo. Países europeus. de cortesia. nas pequenas empresas. nas grandes empresas. 2008. oficial. b) 8% Da totalidade dos trabalhadores. Se o país possuir cidadãos com aquelas qualificações não é permitida a contratação dos estrangeiros. Como seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir é um desafio para o estado moçambicano. Moçambique só estabeleceu leis que determinam as regras de entrada. a lei defende que a admissão de estrangeiros só pode acontecer no caso de não existir nacionais com aquela qualificação. de negócios ou de estudante. estado de saúde. americanos. qualificações. Muitos países que procuram mão-de-obra procuram acima de tudo avaliar a qualidade desta força de trabalho. A prioridade para o emprego é dada ao nacionail. nas médias empresas. deve estabelecer de uma forma bem clara a sua política de imigração. 21 . no artigo 34. c) 10% Da totalidade dos trabalhadores. Há empresas que admitem trabalhadores a margem da cota mas precisam de autorização. quotas de admissão de trabalhadores estrangeiros. consoante o tipo de classificação de empresa: a) 5% Da totalidade dos trabalhadores. que controla a legalidade laboral se há contratados sem autorização o estado suspende o estrangeiro. turístico.ao determinar. nível escolar. através da inspecção do trabalho. Torna-se urgente estabelecer políticas com estratégias claras de imigração.64). A excepção a regra são os grandes projectos. aptidões. níveil de vida e o estatuto financeiro (Chiswick. asiáticos e até latino americanos têm uma política de migrações que veda a entrada de imigrantes não-económicos e com poucos ‘skills’ (habilidade definidas de forma mais alargada desde conhecimentos. Para que o país possa seleccionar melhor os imigrantes que pretende. O estado fiscaliza. o Estado veda. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. que se contrate estrangeiros que tenham entrado no país mediante visto diplomático. Não basta admitir estrangeiros. de visitante. capital. A empresa deve justificar que fez pesquisa nacional e que não achou moçambicanos com capacidades. pelo artigo 32 da lei do trabalho. etc).

um país de acolhimento e de trânsito. Além disso. 4. Contudo. ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇAO DE IMIGRANTES.4. Com efeito. de certa forma. Zimbabwe. maioritariamente. legal e ilegal era baixo até 1992. mais de 20 anos para os Timorenses e prevalece uma abertura 22 . políticos. Neste contexto. assegurado pela situação políticoeconómica caracterizada por guerra de desestabilização e crise económica de tal forma que o fluxo de imigração forçada. Com efeito. com base nos artigos 4 e 21 da Constituição de 1975. as estatísticas da imigração nacional variam muito e a capacidade estatal de controlo está a ser posta em causa. de acordo com evidências empíricas. CARACTERIZAÇAO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS. Moçambique está na rota da imigração desde a independência.1 Origens dos imigrantes A imigração politicamente motivada acolheu. o fluxo e a complexidade da imigração cresceram. inclusive. desde de 1992-1994. altura da assinatura dos Acordos Gerais de Paz (AGP) e 1994. se tornaram Moçambicanos. em 1975. enquanto os registos oficiais demonstram uma entrada maciça de imigrantes legais e ilegais. Palestina e Timor-Leste que lutavam pela libertação dos seus povos. voluntária. que se estabeleceram em Moçambique e. o Estado promoveu. Nesta altura. o país recebeu imigrantes no contexto do apoio às lutas contra o colonialismo e imperialismo e luta dos povos pela sua libertação nacional. Esta onda de imigração forçada e legal durou cerca de 5 anos para os Zimbabweanos. ano da realização das primeiras eleições gerais (presidenciais e legislativas) multipartidárias. igualmente. guerrilheiros e activistas da África do Sul. Este controle foi. houve casos de cidadãos dos países socialistas e capitalistas. ao mesmo tempo. os registos de estrangeiros residentes tende a flutuar muito porquanto Moçambique representa. mais de uma década no caso dos Sul-africanos. uma imigração politicamente selectiva cujo fluxo esteve sob controlo. até certo ponto. os chamados “cooperantes”.

Por último. os Paquistaneses e os Chineses constituem os grupos de imigrantes predominantes em Moçambique. os Libaneses. o número de imigrantes e a variedade de nacionalidades alargouse através de três grandes ondas de imigração. A primeira foi dominada por Portugueses que. os Burundeses. No entanto. A segunda. com particular destaque para Paquistaneses e Bengalis que. Neste contexto. inclusive. os Guineenses. de poder de influência. esta terceira onda é dominada pela imigração massiva de africanos.para o caso dos palestinianos. uma grande comunidade imigrante Indiana de várias gerações que esteve presente em todo o país e tinha um grande protagonismo no domínio comercial. de acordo com evidências empíricas. os Kenianos e os Tanzanianos compõem o grupo dos imigrantes originários da África Oriental. depois de 1992-1994. 23 . Malianos. indianos e bengalis) e do Médio oriente (principalmente libaneses) e da América (fundamentalmente do Brasil). dos Grandes lagos. os Somalis. os Burundeses e os congoleses constituem as nacionalidades preponderantes. principalmente da África Austral. os Sul-africanos. alegadamente. retornavam ao país para reaver os bens deixados após a independência. os Etíopes. supostamente. da África Ocidental e Oriental. pois dados quantitativos nacionais e internacionais sobre os imigrantes em Moçambique não revelam a magnitude real em termos de nacionalidades dos imigrantes legais e. foi caracterizada pelo predomínio de Asiáticos. os Nigerianos. cidadãos do Benin. No entanto. muito menos. paquistaneses. As ondas de imigração pós AGP vieram suplantar do ponto de vista numérico e. Sul-africanos e Zimbabueanos são os principais imigrantes da África Austral em Moçambique. dos ilegais. existe uma percepção de que os Portugueses. procuravam melhores condições sócio-económicas. os Somalis. muitos destes imigrantes regressaram às suas origens de tal forma que esta onda de imigração não foi problemática do ponto de vista demográfico e permaneceu selectiva em relação as nacionalidades. Guineenses da Guiné Conacry. os Congoleses. esta percepção não tem um suporte estatístico oficial e fidedigno. Senegaleses. A terceira onda de imigração é actual e nela se destacam imigrantes provenientes da Ásia (maioritariamente Chineses. No entanto. Nigerianos e Camaroneses representam a África Ocidental. Com efeito. Quanto aos Grandes Lagos.

os Libaneses constituem um caso de uma mistura entre a imigração forçada e voluntária enquanto nos outros grupos a imigração é. alegadamente. isto é. Quanto a imigração africana. Esta barreira linguística. trata-se de um grupo de imigrantes maioritariamente camponês e de outro grupo predominantemente comerciante. Estes grupos de imigrantes são. Na caracterização do imigrante africano. do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) onde a emigração foi. maioritariamente falantes de Inglês e/ ou Francês num Moçambique multilinguístico mas que tem o Português como língua oficial. os africanos e os não africanos.1 Condição socioeconómica dos imigrantes em Moçambique. essencialmente. por outro. compostos por homens entre os 21 e 40 anos de idade. associada a dificuldades económica. na imigração não africana. pois estas não são suas línguas. financeiras e a segurança. Sul-africanas que 24 . fundamentalmente. em todos os outros casos a imigração em Moçambique é descrita como sendo voluntária e. existe um grupo considerável de imigrantes falantes da língua Árabe que se expressam com muita dificuldade tanto em Inglês como em Francês. por motivos comerciais. ambos com baixo nível de formação académica exceptuando alguns casos raros. pessoas com um elevado grau de formação e pertencem a “classe média”. estes possuem contratos de trabalho para prestar serviços especializados em empresas. Por um lado. Por um lado existem pessoas pobres que lutam pela sobrevivência e. voluntária.Na imigração africana. pois na sua maioria são. A condição social dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique é diversificada em função da sua origem. Com efeito. pois os imigrantes aprendem a língua portuguesa em ambientes formais e informais. em Moçambique. indivíduos relativamente estáveis que possuem recursos financeiros e procuram oportunidades para prosperar economicamente. alegadamente. Por seu turno. e é forçada por instabilidades político-militares. é considerada um constrangimento à imigração em família. os Sul-africanos constituem uma excepção em termos sócio-económicos. a barreira linguística tem sido minimizada ao longo do processo de integração social. essencialmente. destacam-se duas situações completamente distintas. Entretanto. à excepção da Somália. Entretanto. 4.1.

operam em Moçambique. os Paquistaneses são. dos brasileiros e chineses. existe um número considerável de imigrantes. é importante colocar o alerta para a existência de uma alegada política de exportação de pessoas com objectivos políticos e económicos que incluem a necessidade de assegurar espaços de influência e oportunidades de internacionalização de empresas. Esta situação não constitui uma 25 . os Paquistaneses que trabalham no ramo comercial são suspeitos de prosperar usando. Quanto a imigração não africana. Boer falante de Afrikans e Inglês. a língua não constitui uma barreira nos objectivos dos imigrantes maioritariamente jovens que raramente trazem família. a maioria dos imigrantes professa a religião islâmica. Além disso. Em relação aos Portugueses e Brasileiros. fundamentalmente. Mas. vistos como indivíduos de uma condição desfavorável mas que rapidamente atingem a prosperidade. é importante distinguir os portugueses e os brasileiros e os imigrantes da Ásia e Médio Oriente pela sua considerável expressão do ponto de vista numérico e geográfico. Por outro lado. em empresas de construção civil. constata-se que também estão em Moçambique muitos técnicos da “classe média/alta”. alegadamente. dos portugueses. A excepção dos sul-africanos. igualmente. Alias. dentro da imigração Sul-africana existe um número significativo de pessoas que estão em Moçambique na condição de investidores estrangeiros. a prestar serviços. particularmente africanos que desenvolvem a chamada medicina tradicional que tem. Estes não trazem família e são. esta percepção da facilidade de prosperidade dos imigrantes é extensiva aos africanos. Contudo. alegadamente. fundamentalmente da “classe média/alta”. de grosso modo. muitos estão a ganhar conhecimentos básicos da língua portuguesa no ambiente informal dentro e fora trabalho. pessoas desfavorecidas que encontram na imigração uma oportunidade para melhorar a sua condição sócio-económica. Os Chineses constituem um grupo que está. tido um papel social positivo para muitas famílias Moçambicanas mas também é altamente lucrativa. meios ilegais. os Chineses e os Paquistaneses constituem as nacionalidades mais evidentes no seio da opinião pública. supostamente. Em relação aos imigrantes Asiáticos. contratados para prestar serviços ou ocupar cargos de confiança em empresas. Para ambos grupos. Além disso. Por seu turno.

de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sócio-política e segurança dos indivíduos bem como do Estado se não for operacionalizada a cooperação intra-estatal e internacional. Esta atitude pode constituir uma forma de colmatar a fragilidade institucional do ponto de vista estatístico e. 26 . intervenção de uma rede de crime organizado que envolve Moçambicanos e estrangeiros cujas nacionalidades não estão claramente identificadas. por um lado.novidade tomando como base ?????? (Huntington. A imigração qualificada é promovida pelo sector económico. Assim. em termos de extensão e intensidade. Entretanto. particularmente as empresas estrangeiras. o Estado pode actuar de forma proactiva e evitar surpresas estratégicas que podem ter impacto sócio-político. existe em Moçambique uma mistura de imigrantes qualificados e não qualificados. um problema institucional. nacional e transnacional. pela percepção da dimensão numérica. em termos operacionais. é livre e com. A percepção e descrição da condição sócio-económica dos imigrantes possuem um valor analítico importante para avaliar o grau de ameaça ou de oportunidade que a imigração representa para Moçambique e para os Moçambicanos. particularmente para Moçambique. 1997: 198). económico e cultural negativo a nível doméstico e internacional. quiça. A fragilidade em termos de dados estatísticos é. alegada. Há. Além disso. Este assunto é. Portanto. Enquanto que a imigração não qualificada. actualmente. simultaneamente. na caracterização dos imigrantes. Por outro lado pode servir para prever prováveis problemas contra os imigrantes. que requer uma abordagem multidisciplinar e de grande cooperação entre Moçambique e os Estados vizinhos que devem assumir uma postura proactiva. o processo de integração regional e a futura liberalização do mercado de trabalho podem ter uma influência no fluxo de imigração para a África Austral e. pessoas da classe média/alta e de classe baixa. Esta fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. sob o ponto de vista demográfico. em Moçambique imigrantes qualificados e não qualificados. os imigrantes não qualificados e de classe baixa constituem a maioria.

1 Categorias de imigrantes em Moçambique Existem várias formas de categorização dos imigrantes. Neste grupo. Este grupo de imigrantes legais temporários inclui. igualmente um grande fluxo de imigração com uma forte carga sócio-cultural que não se processa de acordo com a exigência legal migratória. Contudo. existe o caso da imigração trans-fronteiriça que ocorre através dos postos de migração ao longo da vasta fronteira mas há. ilegal. decidiram ficar. em alguns casos. em Moçambique. sinais de existência de redes internacionais com ramificações nacionais que se dedicam ao recrutamento e/ou facilitação de imigração legal e. a lei 5/93 de 28 de Dezembro. Além disso. incide. vem a Moçambique via contratos de trabalho com entidades estatais como. os imigrantes podem ser voluntários ou forçados. rota dos imigrantes ilegais e destino dos legais”. turistas. por exemplo. Homem de negócios e estudantes estrangeiros. alegadamente. sobre a categoria dos estrangeiros permanentes. 23/ 2007 de 1 de Agosto. 27 . que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro. que parece ser a maioria. internos ou internacionais. alegadamente. esta percepção pode ser simplista se considerar que foram constatados casos de imigrantes ilegais que não tinham Moçambique como destino mas. Uma terceira e última parte. fundamentalmente.1. inclusivamente Moçambicanos. a educação e a saúde e depois permanecem no país tornando-se. Quanto a legalidade dos imigrantes. 4. temporários e clandestinos. No caso de Moçambique. de acordo com a legislação Moçambicana. pelas facilidades existentes para a prática de negócios.Moçambique representa uma rota de trânsito para imigrantes ilegais e um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. uma vez no país. principalmente. 2007) e permanentes ou temporários. regulares ou irregulares (Oucho. cidadãos estrangeiros em trânsito. é importante destacar que as autoridades migratórias e policiais detectaram. vem a Moçambique individualmente e/ ou em grupos. por meios próprios. a percepção de que há. Neste contexto. Uma segunda parte. mais imigrantes ilegais do que legais pode reduzir o peso da constatação de que “Moçambique. evidências mostram que uma parte significativa vem a Moçambique por meio de empresas com base em quotas legalmente estabelecidas pela lei de trabalho. No entanto. Mas é a legalidade ou ilegalidade dos estrangeiros que tem concentrado maior atenção da opinião pública e das autoridades estatais.

Deste grupo a maioria escala Moçambique como um corredor de trânsito para a África do Sul e uma minoria permanece. estes imigrantes ilegais são. Perante esta situação. constata-se que há imigrantes que chegaram a Moçambique na condição de refugiados e depois se tornaram imigrantes. que é invisível e supera a capacidade fiscalizadora do Estado. as autoridades de guarda fronteira detectaram grupos de mais de 50 imigrantes que viajavam em condições desumanas. e 4) imigrantes irregulares. financeiros e técnicos. Entretanto. que estabelecem relações de âmbito sócio-culturais ao longo da fronteira entre Moçambique e os países vizinhos.No grupo de “imigrantes contratados”. pois o país está aberto aos imigrantes quanto mais 28 . o tempo de permanência é de 2 anos renováveis de acordo com a lei de trabalho enquanto que não há um limite temporal para os imigrantes legais permanentes que estão a trabalhar na área comercial desde que cumpram com os requisitos preconizados no ordenamento jurídico vigente. Perante a complexidade de imigração em Moçambique é possível distinguir 6 tipos de imigrantes ilegais: 1) os imigrantes legais que se tornam ilegais devido. foram constatados casos em que o imigrante legal de hoje torna-se imigrante ilegal de amanhã. segundo as autoridades de guarda fronteira. que passam pelo país com objectivo de viajar para outros destinos. por exemplo. Esta é acção do ramo doméstico do crime organizado considerado “contra vigilância”. o imigrante ilegal de hoje tem-se tornado o imigrante legal de amanhã. o cumprimento desta obrigação está dependente da capacidade fiscalizadora das autoridades migratórias e policiais que tem sido pouco activa devido a fragilidade de meios humanos. Assim. Além disso. Em alguns casos. a expiração do tempo de permanência. 2) os imigrantes transitórios. Por seu turno. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique em grupos de 4 ou mais pessoas. Passado algum tempo. mas principalmente para a África do sul. que se estabelecem permanentemente no país sem intenção de transitar para a RSA mas sem nenhuma documentação ou que estejam em situação de refugiados mas sem a devida documentação. presumivelmente. tornados legais. como local de destino. 3) imigrantes trans-fronteiriços. Dentre os vários grupos de imigrantes ilegais existem aqueles que ao serem detectados pelas autoridades Moçambicanas são imediatamente repatriados e existem os são chamados a regularizar a sua situação. por meios ilegais com a conivência de agentes do Estado em várias áreas.

A maioria dos imigrantes nesta situação é africana. sobretudo. Além disso. esta situação permite contornar as autoridades mas também facilita a acção das redes organizadas de recrutamento e facilitação de imigração clandestina. terrestre e marítima. como um corredor de trânsito de imigrantes legais e ilegais para a África do Sul. a percepção é de que existem mais imigrantes ilegais do que legais em Moçambique em trânsito ou em permanência. os imigrantes estão expostos ao perigo do trafico de pessoas que é um negócio altamente lucrativo mas que ainda não há dados sobre o fenómeno associado a imigração em ou para Moçambique. preferencialmente via terrestre devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira1. No entanto. ocorre por via aérea. devido a mediatização dos casos e a consequente elevação dos níveis de controlo os imigrantes ilegais abandonaram ou reduziram a via aérea como uma opção para a imigração em Moçambique. Neste contexto. Mas. 1 A imigração Sul-africana é um caso particular que não cabe nesta constatação. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique. do ponto de vista empírico. dentro deste grupo. 29 . No final da década de 1990 houve casos de imigrantes ilegais provenientes da Ásia que entraram em Moçambique por via aérea.2 Rotas de Entrada de Imigrantes Desde a década de 1990. quais as nacionalidades predominantes. ainda não existe uma base de dados que permita afirmar com exactidão. No entanto. Do ponto de vista estatístico oficial. dos imigrantes africanos ilegais. A entrada dos imigrantes legais e ilegais. A situação torna-se mais difícil de controlar devido. com o fim do Apartheid. Moçambique constitui um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. à complexidade da acção das redes de imigração clandestina. não existem dados quantitativos globais e exaustivos que revelam a magnitude real em termos de legalidade ou ilegalidade dos imigrantes a nível nacional. Moçambique entrou na rota de imigração. Contudo. 4. em Moçambique. em grande escala.não seja pelo reconhecimento de que a imigração pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de Moçambique. Com efeito.

na zona de Machipanda o fluxo de imigrantes ilegais é. Neste contexto. na análise das rotas de imigração em Moçambique. Este é. por exemplo. os imigrantes legais usam. A título de exemplo. Com efeito. a via aérea. alegadamente. de acordo com alguns imigrantes entrevistados. há poucas evidências relativamente a entrada de imigrantes ilegais por via das fronteiras marítimas no Lago Niassa e no Rio Rovuma. de certa forma. e Machipanda em Cabo Delgado. principalmente Tete) têm sido os principais pontos de entrada de imigrantes. 30 . Metangula. igualmente. Entretanto.1 As Rotas de Entrada Terrestre A rota de imigração terrestre desenvolve-se no sentido Norte e Centro em direcção ao Sul. os imigrantes ilegais atravessam as fronteiras ilegalmente usando a corrupção. igualmente. A fronteira de Zóbué. um problema da Zâmbia mas principalmente da Tanzania e do Malawi por onde supostamente entra a maioria dos imigrantes ilegais. no Niassa. 4.Por seu turno. é considerada uma das mais vulneráveis a imigração ilegal. os imigrantes são escondidos no meio de mercadorias ou em camiões cisternas como forma de ludibriar as autoridades de migração e guarda fronteira. Para o efeito. extensa e com uma supervisão e controle frágil. Esta realidade coloca a reserva vulnerável a acção de caçadores furtivos. a norte de Moçambique. Assim. maioritariamente. constitui um ponto de entrada de imigrantes ilegais. em diversos pontos longe da localização oficial dos postos fronteiriços. os imigrantes tem subornado. a fronteira marítima é. camionistas de longo curso. em Tete. baixo devido ao controle implacável das autoridades fronteiriças do Zimbabwe. Mueda. também são pontos de entrada ilegal de imigrantes. Noutros casos. Com efeito.2. a reserva natural de Mecula. a entrada de imigrantes ilegais em Moçambique não pode ser vista como um problema unicamente Moçambicano. No entanto. Neste contexto. Niassa e Manica. os distritos fronteiriços do Norte (Cabo Delgado e Niassa) e Centro (Manica mas. igualmente. parece que a fronteira marítima está a ser pouco usada na imigração e isso tem servido para menosprezar. As entradas ilegais são feitas. Este facto ocorre devido a ausência de receios quanto a legalidade da imigração e pela redução de riscos associados a imigração terrestre ou marítima que está sujeita a redes de recrutamento e facilitação de imigração ilegal. respectivamente.

via terrestre. o único ponto de entrada de estrangeiros constituiu uma vantagem do ponto de vista de registo controle e supervisão dos imigrantes. Nigéria – África do Sul – Maputo é o trajecto usado pelos Nigerianos. foram constatados casos de imigrantes legais que chegam a Moçambique por meios aéreos mas posteriormente entraram na África do Sul. a entrada de estrangeiros nesses pontos tem sido excessivamente apenas do ponto de vista turístico e trabalhadores contratados menosprezando a situação no quadro dos dilemas da imigração. neste grupo de imigrantes legais é importante distinguir os que tem Moçambique como destino e os que tem a África do Sul como destino.2. Johannesburg e Maputo são pontos incontornáveis de entrada de imigrantes legais. 4. Nampula e Pemba que estão a receber aeronaves estrangeiras pode representar uma fragilidade do ponto de vista de supervisão e controle.4. principalmente técnica e tecnológica para fazer face a complexidade da problemática da imigração. Alguns Malianos em Moçambique usaram a rota Mali – Quénia – África do Sul– Maputo. na África do Sul.3 Locais de fixação dos Imigrantes em Moçambique 31 . o alargamento de ligações aéreas do estrangeiro para diversos pontos de Moçambique como Vilankulo. Entretanto. de forma clandestina. durante muito tempo. Na maioria dos casos. tem sido um ponto de trânsito obrigatório.África do Sul – Maputo e Paquistão África do Sul – Maputo. Além disso. Beira.2 As Rotas de Entrada Aérea As rotas aéreas de imigração legal partem de vários pontos de dentro e de fora do continente Africano. O facto de Maputo ser. principalmente pela fronteira de Ressano Garcia. a título de exemplo. Com efeito. Neste contexto. o Aeroporto Oliver Thambo. Mas. os imigrantes Guineenses fazem a rota Guiné Conacry – África do Sul – Maputo. pois são poucos os países que tem ligações aéreas directas para Moçambique. De fora de África salientam-se as rotas Dubai . Portanto. pois estão sendo alargadas as portas de entrada de Moçambique sem a correspondente capacidade humana e.

os locais de fixação de imigrantes estão muito associados a interesses maioritariamente económicos. a vantagem de estar próxima da África do Sul. existe a percepção de que é no círculo urbano onde se encontram as maiores facilidades de realização de negócios comparativamente ao meio rural. constata-se que os imigrantes tendem a fixar-se em locais de muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos mas facilmente exploráveis. Nampula e Niassa. Com efeito. Os meios rurais e os espaços suburbanos. uma percepção de que a zona Sul e Norte. Existem. os mercados informais estão progressivamente a ser dominados por imigrantes 32 . é difícil sem uma base estatística fiável. Neste contexto. Maputo tem. Além disso. mais do que isso. Pelas evidências empíricas. Maputo e Nampula são grandes corredores de desenvolvimento. mas. espaços preferidos para habitação de imigrantes ilegais que estão constantemente a fugir das autoridades policiais e migratórias. Neste contexto. igualmente. principalmente dos ilegais. Mas. Mas. são. Existe portanto. respectivamente. evidências que mostram de que a zona Centro e Norte é onde há abundância de recursos naturais. É importante referir que Maputo e Nampula têm a particularidade de serem. Maputo Cidade. alegadamente. também. a distribuição geográfica. Além disso. igualmente. as suas actividades diárias ocorrem nos círculos urbanos pois. A existência de mercados informais nos grandes círculos urbanos é apontada como um factor que atrai os imigrantes2. Centro e Norte de Moçambique de forma a traçar cenários demográficos. o antigo e actual centro de acolhimento de refugiados. por ser menos onerosa. afirmar em que região do país há mais imigrantes. No entanto. Maputo Província e Nampula são considerados os pontos de maior circulação de dinheiro onde há muitos imigrantes. nas capitais provinciais de Cabo Delgado. Esta “geopolítica dos interesses dos imigrantes” é um aspecto que não deve ser ignorado em qualquer avaliação do impacto da imigração em Moçambique. é importante questionar quais são as nacionalidades predominantes no Sul. económico-sociais e até políticos e de segurança. numérica e em termos de nacionalidades não esta documentada nas poucas estatísticas oficias que existem.Os imigrantes encontram-se fixados em quase toda a dimensão territorial de Moçambique. é onde existem as maiores oportunidades de negócio. há maior circulação de dinheiro do que o meio rural ou suburbano é para acomodação. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano 2 A título de exemplo.

a mundialização dos negócios. e estes factores não tem nenhuma relação com a pobreza ou riqueza. terem segurança. ou melhores condições de trabalho. repartição desigual dos rendimentos. clima. p. a necessidade de investir em novos mercados. 49). repartição desigual dos rendimentos. que explicam a emigração. O que move as pessoas segundo Kearny. A teoria Push-Pull. Por outro lado. (Schachter. e outros que levam as pessoas a escolherem o país para onde imigrar. muitos cientistas sociais acreditam que existe uma combinação de factores económicos e não económicos. Estes são. que vão desde problemas políticos e económicos.A teoria Push-Pull Os autores que estudam a imigração são unânimes em afirmar que é necessário que existam razões que levem as pessoas a decidirem imigrar.FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Para alguns autores como Kearny (1986:353). e cuidados de saúde (HDR-2009. há. a globalização que cria a imigração de quadros e pessoal especializado. 33 . 5. a imigração explica-se a partir da necessidade de desenvolvimento humano. igualmente. como diz Kearny. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. Esta pobreza muitas vezes é causada por conflitos no país de origem. e é a procura desse desenvolvimento que elas deslocam-se das suas zonas de origem para outras. Segundo estes autores. de verem os seus direitos civis preservados. aparentemente. taxas de desemprego elevadas. Regra geral as pessoas são motivadas pela possibilidade de conseguir trabalho. uma percentagem significativa que opera no mercado formal.1. o turismo. 5. nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência. necessidade de uma formação melhor. que vem da pobreza absoluta3. diz-nos que existem factores de repulsão (push) que fazem com que as pessoas queiram sair dos seus países de origem. imigrantes legais. 2001:1). é a necessidade que elas têm de se desenvolver como pessoas. Existem outros factores que estão na origem da imigração. e quando isto acontece os imigrantes geralmente dirigem-se sobretudo para os países mais próximos. como o comércio internacional. razões essas.mas. violação dos direitos 3 Situações de pobreza absoluta são consideradas um dos principais factores de imigração.

Portanto deve existir motivos de atracão que os levam a um certo país. Isto é: existem factores que levam as pessoas abandonarem as suas regiões de origem. como pudemos verificar durante as várias entrevistas efectuadas. e ainda devido a possibilidade de se praticar o comércio e investir em novas áreas de negócio. necessidade de uma formação melhor. encontra-se numa fase de expansão. que tornou-se um fenómeno a escala mundial. liberdades politicas. Assim como existem factores de atracção. 2000:82). Os imigrantes escolhem Moçambique como ponto de fixação porque uma vez aqui instalados. e assiste-se a internacionalização dos mercados. isto porque estes já possuem algum familiar cá. disponibilidade de terras. Segundo estes 4 A escolha do país para onde imigrar prende-se muito com a estabilidade política e económica que esses países oferecem. dizem ter muita facilidade de praticar algum negócio para a sua subsistência e dos seus familiares afirmaram alguns dos entrevistados 7. Neste contexto a ideologia da economia do mercado. e a proximidade com África de Sul. e as oportunidades de trabalho. (Castles. 6 A estabilidade política e económica de que Moçambique goza.humanos. e outros. principalmente devido a sua estabilidade política e económica6. A maior parte dos entrevistados durante a realização do estudo afirmaram que Moçambique tornou-se local de eleição dos imigrantes. e política. 5. de investir no país. acesso a sistemas de saúde. 7 Os imigrantes escolhem Moçambique já com algum negócio em mente. esses factores são: procura de mão – de obra. Portanto os imigrantes. para atrair imigrantes. e a segurança que estes países podem oferecer. económica. são na sua maioria factores relacionados com a estabilidade política que o país atravessa. a internacionalização do comércio. que. e outros. constitui um elemento chave. factores relacionados com a possibilidade. Assim como factores relacionados com a globalização5. boas oportunidades económicas. factores de origem social. que são um conjunto de vantagens comparativas existentes nos países desenvolvidos que atraem essas mesmas pessoas. ou algum conhecimento sobre a situação económica do país. relacionados com a procura de melhores condições de vida. necessidade de investir em novos mercados onde as oportunidades de negócio são melhores. que influenciam na escolha do local.O caso de Moçambique No caso de Moçambique o grande fluxo de imigrantes pode ser explicado em parte com base na teoria push-pull. já chegam em Moçambique com um objectivo concreto da sua estadia em Moçambique. 34 . ou do país de imigração4. que seriam os considerados factores pull. 5 A globalização levou a liberdade de trocas comerciais. formação.2. E factores que os levam a escolher Moçambique como ponto de fixação.

ou opinião pública. que os teóricos não consideram imigrantes voluntários. e/ou profissional. o centro possui uma politica aberta que lhes permite sair a procura de trabalho para a sua subsistência. que também explicam os fluxos de imigrantes de um país para o outro. o que explica em parte o grande fluxo de imigrantes naquela região do país.geralmente os imigrantes. o que lhes facilitam todo o processo de deslocação. Nampula acaba sendo um ponto estratégico devido a existência do centro de refugiados. e os países de acolhimento. e passado pouco tempo já tem uma loja. entre eles. encontra-se fora do seu país de origem. neste momento o centro possui cerca de seis mil habitantes. Portes e Borocz (1989) referem que as imigrações devem ser vistas segundo a teoria das redes sociais: um fenómeno de construção de associações entre pessoas ligadas por algum laço seja ele familiar. (Centro de Refugiados de Maratane) mais concretamente na província de Nampula. começam com pequenos negócios. recepção. comercial. colonial. politico. alguns saem e não regressam mais ao centro. profissional. uma banca num mercado informal. muitos dos imigrantes que vêm investir em Moçambique tem de alguma forma alguma relação com o país. e integração. ou perseguição devido a sua raça. O grupo de estrangeiros que entra em Moçambique com o objectivo de ir ao centro de refugiado é enorme. Esta teoria serve também para explicar o fluxo de imigrantes para Moçambique. regra geral a laços previamente existentes entre os países de origem dos imigrantes. Isto porque estas ligações vão ser uma fonte importante de 8 Refugiado. Os entrevistados referiram-se ainda ao facto de muitos dos imigrantes que entram em Moçambique possuírem já alguma relação de familiaridade. militar. e outros. 35 . porque pelo que pudemos constatar durante as entrevistas. é toda a pessoa que por razoes da sua própria segurança. de investimento. A literatura considera que existem movimentos migratórios que se associam. religião ou nacionalidade. não implicando necessariamente uma aproximação geográfica. Os Refugiados8. p:123). estes laços segundo (Castles. podem ser de índole. Para explicar este fenómeno. passam a fazer parte do grupo de imigrantes porque segundo os nossos entrevistados. sem poder regressar durante um certo período de tempo. ou ainda associação a determinado grupo social. e pelo que nos foi dito. 2000. afectivo ou cultural. Outro factor importante que explica o fluxo de imigrantes em Moçambique relaciona-se com a existência de um centro de refugiados em Moçambique.

Outros factores que explicam o fluxo de imigrantes em Moçambique. O facto é que os factores que levam a imigração são geralmente os mesmos. principalmente dos ilegais. como a facilidade de entrada no país devido ao fraco controlo das fronteiras. principalmente o negocio informal. principalmente o fluxo de imigrantes ilegais. mais concretamente na zona norte. as suas naturalidades. alguns dos entrevistados afirmam. fazem-no na grande maioria das situações. 6. e o negócio informal. ou religiosa. devido ao fraco controlo dos órgão responsáveis pelas actividades comerciais. e ainda ao facto de muitos imigrantes utilizarem Moçambique como ponte entrarem na vizinha África do Sul.informação que lhes vai permitir tomar decisões com algum conhecimento. tornando o processo de imigração mais seguro. violência. O fluxo de imigração tem estado a aumentar tanto na área de negócios. perseguição política. são situações. As estimativas sobre o volume deste fluxo são difíceis de se obter uma vez que não possuímos dados estatísticos sobre o número dos imigrantes que entraram em Moçambique. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO 36 . Quando abordados os imigrantes dizem que estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE 6. fuga a pobreza desemprego. Os homens e as Mulheres que abandonam os seus países. quanto no turismo. em busca de melhores condições de vida económica e de sobrevivência material. província de Nampula. No que diz respeito a imigração ilegal é difícil separar a fronteira entre refugiados e imigrantes.1. e do ponto de vista económico isso é positivo. que os imigrantes têm estão a controlar os pequenos negócios. mais concretamente o comércio. e a procura de um melhor mercado de trabalho. guerras. e as suas residências de originarias. Entretanto. Em algumas zonas da província de Nampula e Cabo Delgado o mercado informal esta completamente sob o domínio dos estrangeiros que ali residem. e a facilidade de praticar algum negocio em Moçambique. e Cabo delgado.

bem como o impacto da imigração na segurança. Portanto. na África do Sul e a crescente onda de imigração que se regista no país. os efeitos das actividades das diásporas nos interesses de segurança dos Estados hospedeiros e as condições de vida e necessidades de segurança dos imigrantes (Sommer &Warneeck. isto é um desafio devido a magnitude e variações da imigração. um dos grandes assuntos políticos que esta a ganhar importância na agenda dos Estados e nos Estudos de Segurança. igualmente. Entretanto. até certo ponto. na actualidade.A imigração constitui. principalmente ilegal mas. No entanto. particularmente. Em Moçambique não existem estudos académicos que abordam. depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA. porque a segurança se tornou. um conceito multi-dimensional e. Com efeito. um exemplo da importância do assunto para as instituições de pesquisa e para os Estados. o Bonn International Center for Conversion tem discutido a influência das organizações da diáspora nos processos de paz e conflitos nos seus Estados de origem. também.1 Segurança O conceito de segurança não é consensual no seio das teorias e dos estudiosos. Neste contexto.1. especificamente. Isto regista-se com maior destaque. cresceu o interesse em estudar a relação entre a imigração e a segurança. problemático. 2008). a ligação e impacto da imigração na segurança. Immigration´s Impact on US National Security and Foreign Policy do US Commission on Immigration Reform constitui. 6. existe um consenso de que qualquer que seja a definição de segurança deve ser contextualizada respondendo a três questões fundamentais: segurança para quem? Sob que ameaças? E contra que valores? 37 . O estudo de Franzblau (1997). este estudo sobre a ligação e impacto da imigração em Moçambique é pertinente. mas ganhou maior importância depois da ocorrência da violência xenófoba em 2008. as autoridades de defesa e segurança referem que este assunto não é recente em Moçambique. Contudo. na actualidade.

altura de grande prevalência de guerras entre Estados. podem ser tão perigosas quanto as ameaças militares. accidental threats e criminal threats. o Estado tem a prerrogativa de impôr sacrifícios que afectem as liberdades e os interesses dos indivíduos. a visão tradicional Realista constitui o paradigma dominante do ponto de vista académico e em termos de abordagem dos governos na condução da política externa dos Estados (Hough. consequentemente. Assim. Esta constitui uma visão restrita de segurança defendida pela Teoria Realista preocupada com a sobrevivência de Estado como o interesse nacional supremo9. representada por teóricos como Hans Morgenthau e que permaneceu largamente incontestável durante a guerra fria (Franzblau. a soberania. 1997:1). da história de Relações Internacionais marcada por guerras e contra guerras que determinaram o surgimento e desaparecimento de Estados. a segurança é definida do ponto de vista estatal. reduziu a prevalência de guerras entre Estados e fenómenos não militares nacionais e internacionais afectaram a segurança dos indivíduos e ganharam proeminência política que obrigou os teóricos a alargar o enfoque dos Estudos de segurança (Hough. natural threats. health threats. Para o efeito. resulta. Neste contexto. 2004: 8) e. Assim. as instituições e independência política e identidade cultural. 1997: 9). isto na discussão sobre segurança para quem? Além disso. os Estados procuram.De facto tradicionalmente. Neste contexto. terminada a guerra fria. com ênfase nas ameaças militares externas contra valores nucleares como a integridade territorial. ambientais. Esta constitui uma perspectiva que procura mostrar que o indivíduo é tão importante quanto o Estado como referente de segurança. a imigração e o imigrante enquadram-se nos Estudos de segurança tendo em conta a visão de segurança alargada 9 Este interesse supremo. social identity. o conceito de segurança. 2004:2). provavelmente. Contudo. Apesar da proeminência que a segurança humana assume no pós guerra fria. surgiu o conceito de segurança humana que constitui um “novo paradigma” dos Estudos de Segurança. 38 . Esta é uma visão tradicional de segurança considerada restrita. de acordo com Hough (2004). 2001: 2). Esta visão de segurança é defendida pelo neo-realista Barry Buzan e pela “abordagem pós modernista ou Critical Human Security (Naidoo. a todo o custo e com todos os meios e recursos a sua disposição. defender a sua existência como uma entidade politicamente independente (Freeman Jr. o alargamento do conceito de segurança procura mostrar que as ameaças não militares como económicas. a sobrevivência do Estado é um interesse acima de qualquer interesse particular.

a imigração promove a segurança humana dos imigrantes e das suas famílias que permanecem nos países de origem. isto não deve ser visto de forma generalista e acrítica. igualmente. por conseguinte. entre outras causas. em alguns contextos. Cabo Verde é um exemplo de país no qual muitas famílias dependem das remessas dos imigrantes. Neste caso. 6. pela falta de segurança dos países de origem que. Nesta perspectiva cabem. particularmente para os Estados de acolhimento. os imigrantes são. porquanto existem vários casos de imigrantes que não representam ameaça a segurança e. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de origem e. Em Moçambique existem. constituem exemplos de emigração forçada devido a insegurança humana causada pelas guerras enquanto os imigrantes do corno de África representam casos elucidativos de insegurança humana resultante da combinação entre guerras e desastres naturais. A título de exemplo. a imigração numa outra dimensão de segurança que é a segurança pública que constitui matéria de polícia. às más condições sócio-económicas derivadas da problemática da pobreza. Assim. em 1970. à insegurança pode estar associada a guerras mas. os imigrantes colocam em causa a estabilidade política dos países acolhimento. Ligação entre imigração e segurança A ligação entre segurança e imigração reside nas causas e nas consequências da imigração. No entanto. a imigração pode ser determinada. também. criam insegurança humana. Noutros contextos. igualmente.a actores não estatais e assuntos não militares. maioritariamente. particularmente dos meados da década de 1990. nas situações em que representam ameaça. que lida com tranquilidade e ordem pública. os refugiados de guerra.2. refugiados Palestinianos tentaram derrubar o regime do Rei Hussein 10 Os imigrantes da região dos Grandes lagos. Assim. Este enquadramento coloca. Portanto. de certa forma. os refugiados económicos e os refugiados ecológicos10. 39 .1. é importante ter em consideração os contextos. Isto ocorre através do envio de dinheiro ou bens que contribuem na subsistência ou sobrevivência dos que não emigraram. Em termos de consequências. muitas famílias cuja segurança humana depende de imigrantes na África do Sul.

criou condições para o fim do colonialismo e surgimento do Estado Moçambicano. no que ficou conhecido como Setembro Negro (Tembe. maioritariamente Tutsis. e podem ser tomados como reféns. International Security 17: 3. Stability and International Migration. defende que os refugiados ou migrantes podem constituir uma oposição ao governo do país de origem. podem ser um fardo ou uma contribuição sócio-económica. a percepção é de que os imigrantes (legais e ilegais) criam um impacto negativo na segurança. Além disso. uma ameaça e um benefício cultural. 40 . Moçambique sofreu uma desestabilização políticoeconómica e militar pelo facto de ter acolhido imigrantes da antiga Rodésia do sul e da África do Sul. Portanto. Neste contexto. do ponto de vista de segurança. principalmente ilegal. uma ameaça política ao regime político do país de acolhimento. os migrantes e / ou refugiados podem ser. nos Estados de acolhimento ou na relação entre ambos.II na Jordânia. do que optimismo. Impacto na segurança Do ponto de vista de segurança. formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) no Uganda de onde lançaram ataques que culminaram com o derrube do governo de maioria Hutu. simultaneamente. nas discussões globais sobre imigração.1. imigrantes Moçambicanos baseados na Tanzania desenvolveram uma guerra de libertação que desestabilizou o regime colonial Português e. os imigrantes podem ter um impacto positivo e / ou negativo nos seus Estados de origem. imigrantes Ruandeses. existe. Este impacto negativo incide sobre a segurança pública e não sobre a segurança do 11 Weiner. Myron 1992/ 93. Este pessimismo é tão grande que se discute mais da ameaça que a imigração representa e pouco a ameaça sobre os imigrantes. uma tendência de adoptar uma atitude negativa que incide sobre os Estados de acolhimento e pouca atenção é conferida aos imigrantes e os Estadas de origem. Security. 6.3. Em Moçambique. Myron Weiner citado por Franzblau (1997: 3-11). o que constitui um risco para os Estados de origem11. 2003: 93). posteriormente. há mais pessimismo e medo da imigração e do imigrante.

4. os imigrantes ilegais. 41 . constata-se que um imigrante. de acordo com os seus interesses de curto. em Moçambique. a mando dos estados de proveniência. O alerta maior incide sobre o facto de alguns países estarem a desenvolver políticas deliberadas de exportação de pessoas a todo o mundo. mas sim pode eventualmente constituir ameaça à ordem e tranquilidade públicas. 6. Representam. levanta-se o alerta segundo o qual. tenta passar-se por despercebido. Contudo. os imigrantes legais. possuem agendas políticas que possam colocar em causa qualquer que seja o regime no poder. estão concentrados na materialização de interesses económicos e permanentemente a tentar passar despercebido para não serem descobertos pelas autoridades estatais. a segurança nacional. os imigrantes não constituem um grupo politicamente homogéneo. não existem evidências (pelo menos até agora) de que os imigrantes legais e ilegais. muitas pessoas suspeitam de que Moçambique pode. Neste contexto. provavelmente fazer surgir no seio dos imigrantes interesses políticos que passem pelo acesso e controle do poder politico local e. em Moçambique. Impacto da imigração na segurança do Estado Em relação a segurança do Estado. com interesses políticos. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. a imigração pode afectar a segurança na vertente identidade cultural e.Estado. de acordo com a legislação Moçambicana. 12 Elemento da direcção nacional da migração. têm os seus direitos políticos bastante restringidos. a longo prazo. teria asseverado que os imigrantes não constituem de facto uma ameaça à soberania do Estado. este é um comportamento normal dos Estados que se guiam. eventualmente.1. Por seu turno. económicos e sociais. No entanto. médio e longo prazo. definida segundo a Teoria Realista. receber ou estar a receber pessoas por encomenda. Lopes Sibinde12. Além disso. Neste contexto. quiça nacional. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. apenas. na prática. Mesmo essa hipótese não é convincente porque. Assim. Na sua intervenção. igualmente dedicados a actividades económicas. sobretudo o ilegal.

a exploração de minas a céu aberto. Esta eficiência e eficácia dependem da existência de uma política e consequente estratégia de imigração e. Além disso. casos de imigrantes envolvidos na falsificação de moeda. a desflorestação causada pelo abate indiscriminado de madeira. o abate de madeira em Cabo Delgado e Sofala. têm contas bancárias em Moçambique.1. por interesses e não deve constituir um problema de segurança se as instituições responsáveis pela fiscalização e controle da imigração forem eficientes e eficazes. serem. existem alegações segundo as quais há envolvido em agiotismo. de animais e a 42 . Os receios residem no facto de alguns dos imigrantes. Quando usam o circuito bancário. de capacidades humanas e tecnológicas. ilegalmente. No entanto. fora do circuito bancário. pois poucos. pois não se conhece os cadastros dos imigrantes legais e ilegais que se estabelecem ou circulam em Moçambique. a exploração de ouro a céu aberto nas províncias de Niassa e Manica.fundamentalmente. bancário como ficou demonstrado no caso da apreensão de dinheiro na fronteira Machipanda Neste contexto. Há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. é importante questionar até que ponto um provável abandono de imigrantes poderá constituir uma ameaça a estabilidade económica e financeira de Moçambique. existem muitas dúvidas sobre as actividades dos imigrantes que têm estado a prosperar de uma forma rápida e grandemente comparativamente aos Moçambicanos. 6. Impacto na segurança pública Em relação a segurança pública. Com efeito. pelas autoridades policiais. recursos minerais. foram detectados. os imigrantes fazem circular. existem receios. conhecedores da arte da guerra e as suas actividades não estão sob controlo efectivo do Estado. os imigrantes fazem-no para “lavagem de dinheiro” e transferências monetárias. principalmente os africanos. a maioria das transferências monetárias não ocorre no circuito formal. Neste contexto. principalmente africanos. dos Grandes Lagos e do Corno de África.5. Neste contexto. acima de tudo. Neste contexto. florestais e faunísticos valiosos. e a caça furtiva na reserva do Niassa. A título de exemplo. presumivelmente. do país. a pesca ilegal no Lago Niassa. muito dinheiro.

A preocupação maior reside. oculta-se o crime organizado transfronteiriço e que envolvem imigrantes e os nacionais que tem facilitado a circulação e praticas ilícitas dos imigrantes. no tráfico de drogas que envolve. Com efeito. dependendo. estes são repatriados e/ ou responsabilizados criminalmente. este não constitui o principal elemento de preocupação do ponto de vista de segurança. igualmente legais sobre os quais existem muitas dúvidas relativamente a proveniência real do grande volume de dinheiro que geram. nacional e. afirmou que por detrás de imigração.poluição dos rios e ribeiros podem constituir. muitos 13 14 A segurança ambiental é. o “Mukhero” que nem sempre cumpre com as obrigações fiscais mas que garante a estabilidade sócio-económica de muitas famílias. a nível da Cidade e Província de Maputo. a longo prazo. os imigrantes legais alimentam. Assim. No caso de Moçambique. por exemplo. em Maputo constituem exemplos de alegado tráfico de drogas que é controlado por alguns imigrantes que estão legalmente em Moçambique e simulam negócios formais para esconder esta actividade ilegal. principalmente imigrantes ilegais mas. um assunto que tem um peso político internacional devido. Adérito Notiçe15. de acordo com a legislação internacional. O seu envolvimento esta na comercialização que faz parte de um circuito internacional envolvendo cidadãos nacionais. Os imigrantes estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas. No entanto. os dados revelam que os imigrantes não estão envolvidos na produção. Em relação ao tráfico de droga. uma ameaça a segurança ambiental de Moçambique1314. 15 Vereador do conselho municipal da cidade da matola 43 . Os casos bastante mediatizados de mulheres Moçambicanas detidas no Brasil e no Aeroporto de Mavalane. principalmente. na actualidade. a problemática das mudanças climáticas. a destruição do ecossistema pode ocorrer a curto prazo mas a renovação pode levar muitas gerações se não se tomar em consideração este problema que é multidisciplinar. Uma vez detectados os casos de presença ilegal e actividades criminosas envolvendo imigrantes legais e ilegais. da gravidade dos crimes. indirectamente.

em Maputo. pois a maioria vive legal e honestamente. os imigrantes agem como mandantes. Segundo os imigrantes. os imigrantes promovem a corrupção para escapar o controlo das autoridades. na perspectiva de autoridade policial. Portanto. principalmente Nigerianos e Paquistaneses. no problema da internacionalização do crime. Além disso. estas e outras situações podem. em Moçambique. o impacto negativo da imigração na segurança pública e até humana. por exemplo. Em termos de crimes violentos. é de prever que o número de imigrantes em Moçambique tenderá a crescer e isto representa um desafio a capacidade do Estado em matéria de supervisão e controle. A título de exemplo. Assim. eventualmente. fazer com que o criminoso da África do Sul procure locais mais frágeis onde possa operar. alegadamente. Esta situação poderá. de acordo com a opinião de alguns imigrantes. a autoridade policial fala da explosão de caixas multi banco. O envolvimento directo de imigrantes nas actividades criminosas é um risco que eles procuram minimizar ao máximo.imigrantes usam a corrupção como uma forma de garantirem a sua presença no país. Na perspectiva da autoridade policial. 44 . isto é. por exemplo. 16 Entre as razões que justificam o elevado investimento Sul-africano na segurança está o facto de a África do Sul ser um dos países com a mais elevada taxa de criminalidade violenta e a realização do Mundial 2010. os autores morais e os nacionais são os autores materiais. Este modus operandi não é. os ATMs. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. característico de Moçambicanos de tal forma que não exclui a possibilidade de tais actos terem sido cometidos por cidadãos estrangeiros. os imigrantes legais e ilegais podem. Neste contexto. agravar-se a curto e médio prazo se se tomar em consideração o facto de que a África do Sul está a aumentar o seu orçamento no sector de segurança16. neutralizados 12 kenianos que vinham a Moçambique com intenção de assaltar bancos. Moçambique é vítima mas também pode se tornar agente tendo em conta. o caso de Moçambicanos envolvidos na suposta tentativa de Golpe de Estado no Reino do Lesotho. foram. Para o efeito. futuramente. é uma verdade que atinge uma pequena minoria de imigrantes. os executores vulneráveis devido a sua fraca condição económica e financeira. Noutros casos. muitos imigrantes ilegais com pretensões de alcançar a África do Sul serão forçados a ficar em Moçambique. provavelmente. Esta situação envolve mais a entidade policial.

pacífica. No entanto. de Moçambicanos imigrantes quando entram em Moçambique. particularmente. devido a natureza tolerante. não violenta do povo Moçambicano. associada sexo comercial envolvendo mulheres imigrantes Zimbabweanas. tem sido apresentadas 45 . igualmente. na África do Sul. porque não. o HIV/SIDA. A acção de certos imigrantes também contribui para a criação de “mentes e discursos xenófobos” que constituem um risco a segurança dos imigrantes. particularmente. a assumir uma posição de monopólio de pequenos negócios anteriormente desenvolvidos por moçambicanos. de certa forma. A título de exemplo. em Moçambique. No entanto. a facilidade que os estrangeiros têm de aceder a créditos bancários comparativamente aos Moçambicanos tem provocado um certa animosidade. em 2008. gradualmente. Este é um sinal de frustração de algumas pessoas que atribuem responsabilidades por algumas dificuldades que enfrentam no dia-a-dia aos imigrantes que estão. Alguns imigrantes estão em Moçambique por uma questão de segurança humana. Entretanto. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. A sua fraca condição sócio-económica forçou-os a imigrar. um risco a sua segurança humana como demonstram os casos de xenofobia por todo o mundo e. A ligação entre a imigração e a saúde pública é um assunto que tem a ver com os mecanismos de supervisão e controle de entrada e circulação legal e ilegal de estrangeiros e. Com efeito. principalmente na zona centro de Moçambique. é uma ameaça real que pode estar. para qualquer imigrante a imigração constitui. principalmente. Neste contexto. constata-se que há certos comportamentos xenófobos não violentos. há Moçambicanos que estão a pronunciamentos hostis pelo facto de estarem a perder espaço e oportunidades de desenvolver negócios a favor dos estrangeiros. nos círculos urbanos onde é perceptível comentários como “este país é nosso mas os estrangeiros mandam aqui”. A maioria dos imigrantes e dos cidadãos Moçambicanos não acredita que há probabilidade de ocorrência de xenofobia. a febre-amarela e o ébola. às regiões da África Ocidental e dos Grandes Lagos mas que não existem evidências em Moçambique. Esta ameaça não militar a segurança está associada. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas como.Não menos importante. Além disso. por exemplo.

ou não. O país de acolhimento beneficia como um todo. de profissões que as populações locais não querem. IMPACTO DA IMIGRAÇAO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA O que se pretende neste capítulo é fazer uma leitura dos resultados da contribuição.Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia A literatura considera que a imigração tende a estimular. independentemente da conjuntura existente. isto é.2. alguns dos quais (sobretudo os factores externos) estão relativamente além da capacidade de influência do país de acolhimento. de origem interna e externa. Esta forma de manifestação constitui. o caso da África do Sul. a probabilidade de ocorrência de violência xenófoba contra a segurança dos imigrantes é mínima porque não atinge uma grande maioria da população como é. mesmo quando certos grupos de imigrantes ficam em desvantagem. da imigração. eventualmente. (Almeida. como os menos qualificados. No entanto. por exemplo. para além de demonstrarem um carácter empreendedor.reclamações de tratamentos racistas protagonizados por Sul-africanos brancos. A Ponta d´Ouro. dos imigrantes no desenvolvimento económico do país. até agora. tomar a forma violenta. de certa forma. OIT (2004). 2003). 6. uma fase latente de um problema que se não for eficientemente gerido pode. sem pressões inflacionistas. 46 .1. na economia Moçambicana. O Efeito causado na economia de um país envolvido num processo de imigração depende de diversos factores. nomeadamente o consumo acrescido de bens correntes. Portanto.2. Contudo. os fluxos de imigrantes podem ter diversos efeitos na estrutura económica. a actividade económica do país de acolhimento. 6. na Província de Maputo é um dos locais visados. Os imigrantes se ocupam regra geral. a xenofobia em Moçambique manifesta-se de forma não violenta em alguns círculos urbanos.

nomeadamente numa perspectiva de médio e longo prazo. permitindo um uso mais eficiente da mão-de-obra e. 17 A existência da mão-de obra. aceitam riscos. mais fortes. as imigrações influenciam o desempenho económico do país de acolhimento dos imigrantes. tirania. Podemos considerar pela sua maneira de estar no mercado os imigrantes asiáticos. a elevada capacidade e habilidade aumenta a produtividade do mercado de trabalho. pelo preenchimento dos labour shortges com uma mão-de-obra mais barata e flexível. oriunda do estrangeiro aumenta a oferta de trabalhadores aliviando a pressão da subida dos salários e. sendo que os imigrantes são mais agressivos. os imigrantes económicos tendem a ser os mais capazes. podemos dizer que os imigrantes em Moçambique dividem-se em imigrantes económicos e não económicos. melhor será a eficiência do mercado de trabalho no país de acolhimento porque. consequentemente da inflação. Normalmente quando se deslocam para um mercado é na busca de sucesso e bem-estar. da África ocidental e do corno de África como imigrantes económicos enquanto os imigrantes da África Austral são imigrantes não económicos. são vanguardistas/empreendedores e muitas vezes fisicamente e mentalmente mais aptos. os imigrantes são diferentes dos naturais no que diz respeito a maneira como encaram o mercado. o seu impacto na economia dos países receptores torna-se evidente pois. Os mais hábeis e capazes aumentam a eficiência porque usam menos tempo para completar tarefas. discriminação. e outros. 2008:67).Segundo Stalker (2000). Quando os imigrantes económicos se integram num mercado. desta forma gerar ganhos de produtividade17 De acordo com chiswick (2008:64). Quanto mais hábeis e capazes os imigrantes forem. conflitos. mais determinados. Os imigrantes não económicos podem tornar-se economicamente activos no país de acolhimento e até superar os imigrantes económicos. que geralmente fogem a fome. seca. do mesmo modo que aumenta a eficiência no investimento em capital humano. Estes imigrantes podem ser chamados de imigrantes económicos pois deslocam-se na busca de melhores oportunidades. desertificação. Segundo a teoria de Chiswick acima referida. o que implica na diminuição de custos das empresas (Chiswick. eles acrescentam valor no capital humano dos países de acolhimento. perseguição. pobreza. De acordo com Chaswick (66-67). 47 . árabes. Por outro lado existem os imigrantes não económicos.

principalmente porque o maior número de imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. Os entrevistados referiram no entanto que nem tudo é positivo no que diz respeito a presença dos imigrantes em Moçambique. principalmente no comércio. Zambianos e Tanzanianos) são menos empreendedores e trabalham normalmente por conta de outrem. da África ocidental e do corno de África registam elevados índices de emprendedorismo nos vários sectores da economia.2.2. Malawianos. ou com pouca qualificações que dedicam-se mais ao comércio informal vendendo um pouco de tudo. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes Segundo Oliveira (2005: 18. Por outro lado existem os imigrantes trabalhadores não qualificados. Os estrangeiros que investem em Moçambique e estão devidamente legalizados. a influência árabe na África ocidental e no corno de África dita o comportamento económico destes povos enquanto práticas seculares de comércio tornam os imigrantes do sudoeste da Ásia e do médio oriente exímios empreendedores. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário.40). os imigrantes do sudoeste asiático (indianos e paquistaneses) do médio oriente (árabes). Recursos do grupo étnico 48 . da capacidade financeira e da recepção dos imigrantes no país de acolhimento. que do ponto de vista de rendimentos para o país não traz nenhum benefício. pois. eles cumprem com todas as suas obrigações fiscais.O que se verificou durante o processo de entrevistas foi que a integração económica dos imigrantes em Moçambique. O emprendedorismo dos imigrantes depende muito dos factores acima mencionados. O peso dos factores culturais neste tipo de comportamento é sem dúvida determinante. existe uma série de factores que determinam o sucesso económico dos imigrantes na sociedade de acolhimento: Oportunidades estruturais Recursos pessoais Oportunidades étnicas Contexto político e Classe social do indivíduo. Os imigrantes da região austral (Zimbabweanos. Em termos gerais. das razões de saída do país de origem. depende dos grupos. 6. também contribuem para o desenvolvimento da economia do país.

Malawi e Tanzânia) que entram no país. 49 . Sem uma estrutura sociopolítica e cultural e sem uma legislação que favorece a entrada. arrendar ou pagar por bens e serviços prestados. contrariamente aos imigrantes da região austral (Zimbabwe. Ao lado dos imigrantes asiáticos. Moçambique tem adoptado uma política económica exemplar facilitando a entrada de novos investimentos. Com base no capital de investimento o imigrante vai afectar toda uma cadeia económica ao alugar. é o primeiro factor que determina o sucesso económico dos imigrantes em Moçambique. Imigrantes que se estabeleçam em Moçambique com capital de investimento provocam um impacto mais visível em relação aos que não venham munidos de capital. as oportunidades estruturais. sexo. na sua maioria. estado civil A extensão e abertura do Recursos financeiros mercado comercial de trabalho e O primeiro grupo de factores. senegaleses e guineenses) e do corno de África (etíopes e somalis). sem grande capital e sem grande experiência comercial. permanência e o desenvolvimento de actividades empresariais. As qualificações e a experiência profissional e de negócios que o individuo tenha também jogam favoravelmente para que ele tenha sucesso nos seus negócios e que provoque um impacto positivo na sociedade moçambicana. A experiencia em negócios e o capital demonstrado pelos imigrantes asiáticos (paquistaneses. indianos e chineses) permite-lhes ter maior sucesso económico do que os imigrantes de outras regiões.institucional na sociedade de qualificações. A eliminação gradual dos procedimentos impostos no registo de empresas e na concessão de alvarás de exploração foi um dos principais atractivos a entrada de imigrantes económicos no país. Depois da aplicação das medidas de reajustamento estrutural impostos pelo Banco Mundial nos finais da década 80. munidos de capital e experiencia encontram-se os imigrantes da África ocidental (nigerianos. os imigrantes não teriam o sucesso económico que estão a ter. O segundo grupo de factores é determinado principalmente pelos recursos financeiros do imigrante. acolhimento Legislação profissional e experiência de negócio. A história da comunidade étnica e a sua trajectória económica O funcionamento das redes sociais no seio da comunidade imigrante conhecimento linguístico Idade.

a primeira geração de imigrantes contribui na integração de novos imigrantes na sociedade de acolhimento.Dentro do terceiro grupo de factores (oportunidades étnicas). as redes de imigrantes tem tido um efeito positivo na sua inserção profissional e no mundo dos negócios. os imigrantes mais antigos conhecem redes de apoio mas vastas (Oliveira. Estas redes obedecem ao princípio da solidariedade. Em alguns casos. citado por Heisler (2008:87). o sector primário. no sentido de que. Pelo seu tempo de presença no território moçambicano. De acordo com Oliveira. secundário. confiança. Este conhecimento é difundido pelos imigrantes pré-estabelecidos no país. Os recursos do grupo étnico por vezes podem ser de carácter familiar ou étnico. desde a facilitação a entrada ao país. indústria extractiva. 2005:20). parece que os imigrantes possuem maior informação sobre as oportunidades de negócio em Moçambique. O investidor imigrante entra no mercado conhecendo a estrutura da oferta e procura de determinados produtos empresariais.Impacto da Imigração nos Sectores da Economia A economia de um país pode ser dividida em 3 Sectores fundamentais. Baseiam-se em formas de fidelidade. Grupos étnicos altamente coesos suportam os seus conterrâneos nas sociedades de acolhimento. cooperação e solidariedade (Oliveira. a legalização. O sucesso de alguns grupos étnicos nos países de acolhimento deve-se precisamente a essa solidariedade intra-grupo.2. terciário e quaternário. 2005:27). joga um papel extremamente importante os recursos do grupo étnico. pesca e pecuária. De acordo com Light. Os recursos étnicos são produzidos e reproduzidos por membros de um mesmo grupo. A presença histórica de uma comunidade étnica no país de acolhimento também contribui para definir a trajectória económica dos seus integrantes. os membros do mesmo grupo étnico apoiam-se no país de acolhimento enquanto este apoio não existe no país de origem. 2005:20). O sector primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza e abrange actividades como a agricultura. a indústria transformadora e a 50 .3. imigração cria uma solidariedade reactiva. a concessão de emprego e até na concessão de empréstimos. A primeira vista. 6. que disponibilizam capital para investimento empresarial (Oliveira. O Sector Secundário está relacionado com a transformação das matérias-primas produzidas pelo sector primário em produtos de consumo.

o impacto económico é adverso aos interesses económicos do estado pois. portanto. Este cenário anacrónico para um país com grandes potencialidades agrícolas resulta sobremaneira da incapacidade do estado criar incentivos como a facilitação do crédito. serviços administrativos. O Sector Terciário é o dos serviços. Os serviços são produtos não meterias que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades e incluem actividades como comércio. este sector não demonstra grandes desenvolvimentos. floricultura. O sector agrícola é o menos favorecido em termos de investimentos de imigrantes. Em termos de sectores de actividade. educação. a maioria desta mercadoria é exportada de forma ilegal não contribuindo para as receitas fiscais. são poucos os imigrantes que se concentram em actividades produtivas de facto. falta de subsídios e a elevada carga fiscal sobre os insumos agrícolas. seguros. batata. A par do sector agrícola está o sector das pescas. Na verdade. O sector primário verifica uma grande presença de imigrantes concentrados na sua maioria na industria extractiva. Parece não haver por parte de muitos imigrantes suficiente vontade de arriscar na área produtiva. actividades desse sector. existem várias nacionalidades que fazem maioritariamente a mineração ilegal em províncias como Niassa e Manica na busca de ouro e diamante. O carvão Moçambicano está cotado entre os melhores do mundo e a sua exploração vai incrementar as exportações moçambicanas favorecendo desse modo o PIB e a Balança Comercial. chineses. 51 . saúde. Este sector engloba também actividades ligadas as tecnologia digital como a informática. As fragilidades produtivas do país não são bem aproveitadas pelos imigrantes. A presença de imigrante brasileiros nas minas de carvão ao longo da província de Tete representa um imput considerável para o desenvolvimento desta actividade. infra-estruturas. vietnamitas e imigrantes das Maurícias que exploram um pequeno nicho do mercado agrícola ligado a produção de arroz. onde a presença de imigrantes é quase nula.construção civil são. verificou-se que os imigrantes repartem-se um pouco por todos os sectores com maior peso no sector primário e terciário. serviços bancários. A excepção de alguns farmeiros zimbabueanos que ainda se encontram na província de Manica. etc. Nestes casos. A dinamização das minas de carvão na província de Tete motivou um boom económico nesta província e nos corredores ferroviários que permitem o escoamento desta produção. alguns sulafricanos. multimédia e telecomunicações. portugueses. turismo. transportes. Para além dos brasileiros concentrados na mineração na província de Tete.

pontes e infraestruturas de abastecimento de água nas cidades e vilas). O volume de produção do sector industrial é baixo devido a falta de investimentos nacionais e estrangeiros no sector (Fernando Gil. um sector anteriormente em franca decadência. os imigrantes envolvidos na construção civil possuem qualificações (skills) mais apurados dos que os moçambicanos contribuindo desse modo para a qualidade das infra-estruturas e a rapidez da execução das obras. No entanto. regista-se a criação de várias indústrias de pequeno porte pertencente a imigrantes portugueses. doces. etc) e têxtil (vestuário. calçado. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses e chineses proprietários de empresas de construção civil ou empregados em empresas nacionais. com a chegada de muitos imigrantes em Moçambique assistiu-se a um Boom do sector terciário. Em relação a construção civil. iogurtes.Em termos gerais. paquistaneses. Muitos imigrantes foram responsáveis pela reabertura do comércio rural. Os imigrantes e as empresas dos imigrantes estão envolvidos na construção de habitações e obras públicas (edifícios governamentais. O estado moçambicano enfrenta grandes dificuldades na atracção de investidores estrangeiros para a criação de novas indústrias e para a revitalização das mais de 300 indústrias paralisadas devido a guerra e as falhas do processo de privatização da década 90. Por sua vez. indianos. principalmente no comércio e turismo. a procura de produtos essenciais nas zonas rurais era desfavorecida pela inexistência de uma oferta diversificada e a baixos custos. maurícios. estradas.22. o sector secundário em Moçambique é bastante fraco e incipiente. com o surgimento de novos negócios no país. 52 . etc). pão.11. sumos. Normalmente. O envolvimento dos imigrantes neste sector tem efeitos bastante positivos para o desenvolvimento de infra-estruturas no país. O sector industrial em Moçambique contribui apenas com 12 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB). bolachas.2007). Várias lojas rurais foram abertas e passaram a fornecer produtos essenciais às populações rurais reduzindo as distâncias de deslocação para a aquisição destes produtos. A área comercial é a mais expressiva. Estas infra-estruturas trazem um impacto positivo na economia e sociedade moçambicana. AIM . tendo em conta as potencialidades que o país possui. O impacto dos imigrantes pode ser visto em função da Oferta e Procura de bens e serviços essenciais. uma percentagem considerada muito baixa. Durante muito tempo. principalmente ligados a industria alimentar (açúcar.

etc. Entretanto. consumíveis de escritório e produtos alimentares diversos. somente equilibrada pelos grandes industrias exportadores como a Mozal. A experiência colhida. a disponibilidade de assumir riscos e os baixos preços praticados pelos imigrantes vem sufocando a emergência deste empresariado nacional que vê no empresário imigrante não só um concorrente mas também como adversário. pensões e guest houses em quase todo o país. Pelo facto de estarem maioritariamente ligados ao comércio e pelo facto do país não ter uma base produtiva capaz de alimentar este comércio.Os empresários imigrantes contribuíram sobremaneira para a revitalização da economia moçambicana. é importante referir que a maioria dos imigrantes vira-se para a importação. sal. o fluxo de importações dos imigrantes permitiram que o país estabelecesse ligações com novos mercados. A inexistência de uma base produtiva no país permite que se importe produtos elementares como agulhas. Em termos de parceiros comerciais. Brasil. Gás Natural. Deve-se referir que os artigos importados pelos imigrantes abarcam desde os artigos de luxo aos artigos simples. mobiliário de escritório e de casa. e os países do médio oriente obedecem em certa medida ao volume de imigrantes oriundas destes países. vários são os estabelecimentos hoteleiros pertencentes a imigrantes contribuindo significativamente para o 53 . Em relação a importação e exportação de bens e produtos de Moçambique. a criação do FIIL veio abrir oportunidades de capital para muitos moçambicanos que entretanto começaram a investir nas mesmas áreas. alfinetes. lojas de roupa. A elevada capitalização dos imigrantes em relação aos nacionais desprovidos de capital é notória. o conhecimento sobre os melhores mercados de oferta. tendo impulsionado o desenvolvimento de negócios em áreas como sapatarias. desde os alimentares a maquinaria. A segunda área que sofreu um Boom foi o Turismo. onde assistimos a construção de novos hotéis. Os laços comerciais com países como a China. Roupa diversa. Ao nível das grandes cidades. etc. São normalmente importados produtos como: Sapatos. mercearias. electrodomésticos. Índia. a balança comercial tornou-se mais deficitária. o país tornou-se mais importador com a chegada de imigrantes comerciantes. Nigéria. normalmente representando os países de origem das maiores comunidades imigrantes no país. Por força deste factor.

ao nível dos distritos e zonas rurais o número de imigrantes que exploram o sector é bastante reduzido devido ao fraco retorno de investimentos. não existe uma estratégia de emprego que possa absorver a massa laboral imigrante. principalmente nos casos de indivíduos que ocupam cargos de confiança. privatização dos espaços públicos e exploração do nacional pelos estrangeiros. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses neste sector. um elevado grau de formação. Em termos gerais. o sector turístico é maioritariamente dominado por imigrantes sul-africanos que exploram as potencialidades. necessariamente. O discurso do governo tanto para os nacionais como para os 54 . nem todos imigrantes contratados pelos bancos e pelas empresas apresentam. títulos de propriedade. a relação entre os investidores estrangeiros e os cidadãos nacionais não tem sido pacífica e motiva vários conflitos em torno da posse de terra. A predominância de imigrantes no sector terciário também é sentida ao nível da banca comercial pois. Vários entrevistados denunciam a inoperância das forças policiais e das instituições de justiça. o reduzido tamanho do mercado de trabalho em Moçambique que exclui grande parte dos jovens moçambicanos reflecte-se também na baixa contratação de imigrantes. A maioria dos bancos privados nacionais possui no seu quadro técnico e administrativo imigrantes portugueses qualificados. Gaza e Maputo no sul e Cabo Delgado no norte. principalmente nas províncias costeiras de Inhambane. Por seu lado. destruição de ecossistemas. de acordo com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS). Todavia. contratados para desempenhar funções chaves de chefia e treinamento.4. muitas vezes subornadas pelos investidores imigrantes. Em relação a procura.Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho Quanto ao mercado de trabalho. o impacto dos imigrantes pode ser observado de dois ângulos: a Oferta e a Procura.2. Ao mesmo tempo. No entanto. segregação racial. promoção da prostituição. O sector turístico concorre hoje como um dos sectores em maior expansão no país contribuindo significativamente em divisas e infra-estruturas.aumento da oferta de camas. 6.

Para Abdula. Facto assente é que a maioria dos imigrantes asiáticos. enquanto os imigrantes vindos do Zimbabwe. árabes. Salimo Abdula. Para Abdula. oriundos da África ocidental e do corno de África não procuram o país com objectivo de concorrer para o mercado de trabalho. Apesar do mercado de emprego ser bastante pequeno. como empresas dos outros continentes (AIM – 06. o sector privado continua a recorrer à mão-de-obra estrangeira por falta de alternativa a nível interno. da África ocidental e do Corno de África se empregam 55 . A inserção dos imigrantes económicos em Moçambique acontece de várias maneiras. Somente em casos de inexistência de quadros qualificados em certas áreas que demandam formação especializada é que o Estado recorre a contratação de mão-de-obra estrangeira.2009). árabes. Entretanto. a contratação de trabalhadores estrangeiros continua necessária. para além do negócio. A maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se mostram mais empreendedores que os nacionais. a necessidade de contratação de mão-de-obra estrangeira prende-se com o facto das empresas nacionais não estarem somente a competir ao nível interno mas sim ao nível regional no âmbito da integração regional e ao nível internacional. buscam oportunidades de emprego. o governo moçambicano adoptou políticas que facilitam a entrada de imigrantes no mercado de trabalho. o maior empregador em Moçambique é o Estado e os concursos de ingresso privilegiam a mão-de-obra nacional. especialmente os que são qualificados e capazes de se adaptar. Malawi e Tanzânia buscam.04. os imigrantes destes países não demonstram um elevado nível de empreendedorismo dependendo muitas vezes de pequenos empregos mal remunerados ou se baseando no mercado informal. A experiência mostra que a maior parte dos imigrantes em Moçambique trabalha em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos.estrangeiros é o incentivo ao auto-emprego e ao empreendedorismo. A lei do trabalho também estipula uma série de condicionalismo para a contratação de mão-de-obra estrangeira no sector privado. de acordo com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). apesar de ser dispendiosa uma vez que requer a disponibilização de muitos recursos logísticos. A maioria dos imigrantes asiáticos. Como é sabido. Provavelmente devido a crise económica que se vive no Zimbabwe e a fraca condição económica do Malawi.

as empresas de construção civil dos imigrantes são actualmente aquelas que mais moçambicanos empregam. O peso da contratação de moçambicanos depende também dos sectores da economia. através dos laços étnicos são favorecidos por empréstimos e créditos para iniciarem um negócio próprio. as empresas de mineração são responsáveis pela contratação de muitos moçambicanos. sem nenhumas qualificações e habilidades e sem recursos financeiros. No caso dos hindus e árabes. No sector secundário. por causa disso. para além de ser individual ou basear-se na rede étnica. principalmente nas obras públicas. O tamanho destas empresas determina o volume de contratações dos cidadãos nacionais. A experiência profissional conseguida em firmas de conterrâneos significa. ela costuma basear-se em associações religiosas. a mão-de-obra nacional representa a maioria dos trabalhadores contratados. a contribuição dos imigrantes na criação de emprego depende muito do tamanho das suas empresas. caça ilegal. O maior problema que Moçambique enfrenta é a excessiva onda de imigrantes ilegais. Normalmente os imigrantes ilegais não são imigrantes económicos.nas empresas dos seus conterrâneos e rapidamente mudam da situação de empregado para empregador pois. A par destas encontram-se as empresas de produção alimentar. Normalmente. Alguns estrangeiros criam emprego para os moçambicanos principalmente quando estabelecem grandes empreendimentos ou grandes projectos. Ou permanecem em actividades clandestinas no comércio informal ou ainda em actividades de tráfico e extracção de minérios preciosos. De acordo com Chiswick (2008:71). Apesar de haver nichos consideráveis de imigrantes. Na maioria dos casos. abate ilegal de árvores entre outras actividades ilegais. a fonte de capital. 56 . 2005:15). a chave para o desenvolvimento de actividades independentes (Oliveira. os ilegais tendem a empregar-se em empregos com baixos salários. o imigrante trabalha com os seus conterrâneos por um tempo curto. No sector primário. Em relação a oferta. em muitos casos. mudando-se em seguida para uma actividade individual na base de empréstimos. Esta tendência resulta do facto da maioria dos imigrantes ilegais serem oriundos de zonas pobres. os imigrantes investem em pequenas e médias empresas. os imigrantes ilegais tendem a ser pessoas sem nenhuma qualificação ou com poucas qualificações em relação aos imigrantes legais e.

No sector terciário. criam novos postos de trabalho e expandem a oferta de bens e serviços na sociedade a preços competitivos (Oliveira. No comércio informal está situação torna-se mais grave porque os imigrantes. o enfoque teórico recai sobre dois aspectos fundamentais: a integração ou incorporação dos imigrantes e a assimilação dos imigrantes nos países de acolhimento ou nas sociedades receptoras. nem sequer chegam a empregar moçambicanos porque são eles próprios que fazem a gestão do seu pequeno negócio. os comerciantes imigrantes contribuem para a redução do desemprego no país18. A discussão teórica sobre a assimilação dos imigrantes é a mais antiga e a mais dominante nos estudos sócio-antropológicos sobre a imigração. O relacionamento também não é pacífico quando o imigrante goza de mais benefícios na relação de trabalho ou quando este ocupa cargos de chefia passíveis de ser ocupados por nacionais. As constantes greves de moçambicanos empregados em obras controladas por chineses demonstraram situações de exploração. Apesar da lei do trabalho incentivar. por causa da largura do sector comercial formal. IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL Do ponto de vista sócio-antropológico. 2005:16). 57 . A título de exemplo. o impacto dos imigrantes no mercado de trabalho pode ser vista ao nível das relações laborais. Outro problema com o qual a inspecção do trabalho se depara muitas vezes é com as diferenças salariais entre os estrangeiros e os Moçambicanos. Por serem empresas de pequenas dimensões. favorecer e proteger a contratação de trabalhadores nacionais é notório que alguns estrangeiros abrem as suas lojas comerciais e só contratam estrangeiros ou familiares. A par de uma análise em função da oferta e procura. Tanto a 18 Quando os imigrantes desenvolvem actividades empresariais. os comerciantes não empregam moçambicanos. Entretanto. Ainda que em pequena escala. as lojas dos comerciantes imigrantes contratam de 1 a 5 trabalhadores nacionais e em alguns casos. 6. onde existem várias lojas de pequena e média estatura ocorre um alargamento do mercado de emprego. descriminação e racismo dos chineses para os moçambicanos e demonstraram uma grande diferença na cultura de trabalho entre os dois povos. a área comercial ganha maior vantagem na contratação de moçambicanos em relação as outras áreas como o turismo. o relacionamento entre trabalhadores imigrantes e nacionais mostra-se em muitos casos bastante tenso principalmente na construção civil.3.

costumes e tradições diferentes. encontram-se restaurantes chineses. talhos portugueses. Entretanto. restaurantes italianos. As questões que se podem levantar aqui são: 1) será que os imigrantes procuram se assimilar a sociedade moçambicana ou procuram simplesmente a integração ou incorporação? 2) Será que a sociedade moçambicana quer assimilar os imigrantes ou simplesmente integra-los? Que benefícios ou prejuízos Moçambique tem partindo destas hipóteses em questão? Que impacto existe para Moçambique ao assimilar ou integrar imigrantes? 6.assimilação dos imigrantes como a sua integração nas sociedades de acolhimento dependem de dois factores principais: esforços das sociedades receptoras em admitirem imigrantes e a vontade dos imigrantes. a diversidade cultural contribui para o enriquecimento dos estados tanto a nível material e cultural pois.1. povos brancos da Europa e povos árabes do oriente médio. Estes novos imputs contribuem para uma nova miscigenação cultural derivada da agregação de novas culturas. Existem vários autores dos assuntos de migração que defendem a necessidade das sociedades receptoras de imigrantes tornarem-se multi-culturais e diversas. Multiculturalismo ou Assimilação? Um dos maiores impactos culturais da imigração é o surgimento de sociedades multiculturais (multiétnicas. Deve-se reconhecer que Moçambique sempre teve uma diversidade cultural interna. brasileira e sul-aficana que espelham a dimensão positiva da diversidade cultural. novos valores sócio-políticos. Exemplos são trazidos da realidade americana. surge uma nova cultura de trabalho. o país recebe hoje novos imputs culturais resultantes do cruzamento dos povos moçambicanos originários com os povos imigrantes de diversas origens. lojas de roupa brasileira. Apesar de Moçambique ter uma herança multicultural resultante do cruzamento de povos negros Bantos e Khoisan. diversidade linguística. diversidade na culinária. Hoje. multilinguísticas e multireligiosas). línguas. clínicas que aplicam métodos de tratamento chineses. Os painéis luminosos de lojas e restaurantes demonstram claramente a diversidade cultural de Moçambiquie. Mas essa diversidade e multiculturalidade são 58 . etc. Não haja dúvidas que a diversidade cultural pode trazer benefícios as sociedades de acolhimento. diversidade musical e na dança.3. Para estes autores. etc. a diversidade cultural pode ser interna e externa.

1997:95-96). Elas convergem para um único vértice . concentrados de forma expressiva pode suscitar manifestações de xenofobia por parte dos naturais (Seyferth. Tamanho Concentração Homogeneidade A tríade. Na perspectiva de alguns entrevistados. Os perigos do multiculturalismo manifestam-se principalmente quando os imigrantes estabelecem enclaves étnicos. Os estados devem evitar a concentração de imigrantes por comunidades sob o risco de se enfrentar choques e conflitos. o grupo tenderá a valorizar a sua cultura. mais concentrado e homogéneo for.convergentes.o vértice da moçambicanidade. A situação pode piorar com a abolição do visto de entrada ao nível da SADC. A presença de grupos étnicos formados no curso do processo imigratório. O nacional torna-se empregado do imigrante e estes exploram-lhes como escravos e maltratam-lhes. Ela traz uma sociedade estruturada em camadas culturais distintas e específicas. o tamanho. os imigrantes que se concentram em certas áreas passam a ter domínio sobre a vida económica e cultural dessa área e começam a excluir os moçambicanos do seu meio. cada qual com sua própria lógica. Em relação aos imigrantes. a concentração e a homogeneidade da população imigrante contam muito. estabelecida pelas políticas de unidade nacional e do respeito pela pluralidade étnica. o seu modus vivendi e dificilmente negociará a sua identidade 59 . Quanto maior o grupo. Enclave étnico é um processo que emerge da concentração em determinadas áreas de imigrantes de uma mesma nacionalidade representando uma ameaça cultural. tamanho. seus valores e seus âmbitos (Martins. não há dúvidas de que a xenofobia vai acontecer em Moçambique pois. Para que haja choques culturais entre imigrantes e nacionais. concentração e homogeneidade deve ser controlada pelos decisores políticos na sua política de imigração. a sua multiculturalidade é externa e por isso não é convergente. No futuro. se o número de imigrantes crescer os moçambicanos podem ficar violentos. 2008:2).

A cultura engloba um sistema de ideias. Neste sentido. desconcentrado e heterogéneo maior será a necessidade de negociar a sua identidade e assumir os valores culturais do país de acolhimento. A tentativa de construção de um novo estado e a necessidade de criação do cidadão americano tornou os Estados Unidos num grande defensor da teoria da assimilação. A eles são dados nomes injuriosos e difamadores. 1997). valioso. Como consequência. e outros valores que são tomados em conta pelo grupo para sustentar a sua vida em sociedade. de forma a promover o equilíbrio populacional ou através da assimilação (Seyferth. 19 Quando se fala de valores. Autores americanos defendem esta posição desde as primeiras grandes vagas de imigração para o território americano. A presença de Malawianos. tudo aquilo que foi criado e construído por um grupo de seres humanos. os estados receptores procuram introduzir novos valores culturais sobre os imigrantes através da aculturação. quanto menor. fala-se de ideias colectivas. que definem os critérios do desejável. A assimilação é prática usada pelos estados modernos de forma a garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. As manifestações xenófobicas dos moçambicanos começaram com os insultos aos imigrantes. Através da aculturação. compartilhadas por pessoas numa sociedade. justo e injusto. o factor cultural representa a grande fronteira de distinção entre os grupos numa sociedade20. crenças. por uma sociedade ou por um povo. a cultura torna-se uma herança social e o elo máximo de ligação entre as gerações. costumes e os conhecimentos compartilhados por esse grupo.para assumir a identidade do país de acolhimento. sociedade ou povo (Etienne: 1997) 60 . belo ou feio. A assimilação dos imigrantes é vista por muitos autores dos assuntos de imigração como uma questão estratégica para a sobrevivência de qualquer estado que admita a entrada de muitos imigrantes no seu território. os estados procuram tornar os imigrantes iguais aos nacionais pois. ela é assumida como elemento estratégico para a sobrevivência das sociedades (Seyferth. aquilo que é importante. O risco Da xenofobia só podia ser debelado através da imposição de uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. assimilando o modus vivendi do país de acolhimento. No lado inverso. Zimbabueanos e tanzanianos em comunidades concentradas pode representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. ele considera a cultura como um património comum dos membros de uma sociedade e que este património é transmitido de geração em geração. valores. 1997:96). a cultura é entendida como uma estrutura. O imigrante era obrigado a assumir uma nova identidade nacional e aprender novos valores defendidos pela sociedade americana19. Por causa disso. A cultura seria então. 20 Segundo a visão estruturalista de Levi-strauss. aceitável ou inaceitável.

a unidade de raça. A invasão de estrangeiros constitui hoje um desafio para os estados.Enquanto o imigrante como indivíduo isolado pode facilmente sofrer o processo de assimilação/aculturação. somalis. a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. De acordo com Charles Krauthammer (2005).]. estes instrumentos convidam os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. o real problema não é a imigração mas sim a assimilação pois. a unidade de língua e a unidade do pensamento nacional (Seyferth. “Um país não é apenas um conglomerado de indivíduos dentro de um trecho de território.. A declaração universal dos direitos do homem. os grupos erguem fortalezas para proteger a sua cultura. O direito internacional convida os estados a reconhecerem e respeitarem o pluralismo cultural. o direito dos imigrantes manterem sua própria língua. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. Por seu lado. De acordo com Seyferth. citado por klumb (2009:3). De acordo com o presidente brasileiro Getúlio Vargas. considera que a imigração sem assimilação é igual a invasão. “os imigrantes. manter a cultura originária e a língua materna é um direito dos imigrantes e isso implica a prevalência de quistos étnicos.. Para ele. a convenção No 143 da OIT e a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores imigrantes e os membros das suas famílias são exemplo de alguns instrumentos internacionais que limitam as capacidades dos estados assimilarem os imigrantes. indianos. principalmente. Esta situação é visível principalmente entre as comunidades agrupadas de etíopes. enquanto os imigrantes não forem assimilados. Para além disso. A lei moçambicana não faz nenhum esforço para quebrar a permanência da cultura dos 61 . mas. 1997:101). os imigrantes em grupo dificilmente se deixam assimilar pois. vão permanecer alienados dos valores políticos e culturais do país de acolhimento. qualquer país pode ter imigrantes mas nem todos conseguem assimila-los. Dave Gibson (2005). mantêm alguma ligação com a cultura e sociedade de origem [. cultura e tradição. A palavra quisto revela uma concepção negativa ao considerar os imigrantes como um cancro para a sociedade Moçambicana. Portanto. por mais que os laços com seus países de origem estejam diluídos”. guardam sempre alguma forma de identidade étnica.” O primeiro obstáculo ao processo de assimilação é o direito internacional. em geral. árabes que resistem a pressão assimiladora da sociedade moçambicana.

credo. Alias. viagens constantes ao país de origem. desapareceram as publicações em língua estrangeira. A partir de 1939. atingindo todos os possíveis alienígenas. De acordo com Heisler. principalmente a imprensa étnica. 6. inclusive nas actividades religiosas (Seyferth. Contrariamente a outras sociedades mais experientes na recepção dos imigrantes. Alias. O primeiro acto de nacionalização atingiu o sistema de ensino em língua estrangeira: a nova legislação obrigou as chamadas “escolas estrangeiras” a modificar seus currículos e dispensar os professores “desnacionalizados”. nacionalidade. ela protege todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos sem distinção de raça. Moçambique não tem nenhuma política de assimilação dos imigrantes para prejuízo do estado. sexo. Os melhores mecanismos de assimilação são: o mercado de trabalho e as instituições de educação21. 2008:95). por parte dos imigrantes.3. 1997:96-97). desportivas e culturais que não aceitaram as mudanças. que admitem mais facilmente a introdução de novos valores culturais. o estado é impotente para forçar a assimilação dos imigrantes ou dos seus descendentes. especialmente os filhos dos imigrantes. O imigrante transnacional é cidadão ‘daqui’ e ‘de lá’ e envolve-se em actividades transnacionais como: envio de dinheiro ao país de origem. Por força deste dispositivo constitucional. 21 No Brasil. O Transnacionalismo Imigrante O transnacionalismo imigrante refere-se a situação em que os imigrantes mantêm. constroem (criam) e reforçam os laços com os seus países de origem (Heisler. comunica-se constantemente com o país de origem. este dispositivo constitucional resulta da consciência do legislador de que a população moçambicana é marcada por uma acentuada heterogeneidade étnica e por isso possui uma diversidade cultural. as que não conseguiram (ou não quiseram) cumprir a lei foram fechadas. da cultura dominante. Assim. estes laços criam uma comunidade transnacional. foi proibido o uso de línguas estrangeiras em público.imigrantes. idade. o estado deve criar condições de induzir a assimilação.2. A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo estado. partido político. 62 . progressivamente. e algumas sociedades recreativas. uma nova identidade: a identidade transnacional. a intervenção directa recrudesceu e a exigência de “abrasileiramento” através da assimilação tornou-se impositiva. O risco da afirmação de identidades étnicas e religiosas por parte de algumas comunidades imigrantes e o risco do surgimento de enclaves étnicos devem fazer parte de uma política firme de controlo de imigrantes. etc. A campanha de nacionalização (assimilação) foi implementada durante o Estado Novo (1937-1945). criam associações ligadas ao país de origem. Enquanto o impacto cultural dos imigrantes ainda não é muito manifesto.

assistem e escutam rádio e televisão do país de origem, votam nas eleições do país de origem, etc (Heisler, 2008:96). O trans-nacionalismo imigrante pode ocorrer com maior frequência em zonas fronteiriças e é cada vez mais facilitado pelos avanços tecnológicos criadas nos transportes e comunicações e as facilidades criadas pela globalização. O trans-nacionalismo emerge como uma questão de análise porque representa um desafio para os estados de acolhimento. Pelo facto de não permanecerem permanentemente em Moçambique, resultado das idas e voltas ao país de origem os imigrantes transnacionais acarretam problemas de dupla lealdade, não fazem grandes investimentos que exijam a permanência no país e são responsáveis pela maior remessa de divisas de Moçambique para os países de origem, muitas vezes saindo sem declaração. Estes aspectos tomados de forma leviana não aparentam nenhuma ameaça para a estabilidade e segurança do estado mas, numa análise mais fria percebe-se que o imigrante transnacional representa uma fragilidade para os estados receptores porque o imigrante transnacional permanece enraizado ao seu país de origem, culturalmente, politicamente e economicamente. Os imigrantes asiáticos árabes, indianos, paquistaneses e bengaleses residentes em Moçambique, mantêm uma forte ligação com suas sociedades de origem e respectivas tradições culturais pois, não existe nenhuma pressão da sociedade moçambicana para a sua assimilação. O que se observa é a coexistência e o confronto diferencial no qual imigrantes buscam acomodar-se aos padrões da cultura hospedeira sem, no entanto, perder seus traços distintivos, num esforço dirigido à construção e manutenção das redes e identidades sociais (Fígoli e Vilela, 2004:1). O imigrante africano é por natureza mais transnacional que o imigrante europeu. Os fortes laços familiares enraizados na cultura africana impede o desenraizamento total dos seus locais de origem. Existe no seio dos africanos um sentido de obrigação em ajudar os seus. Por força disso, a maioria dos imigrantes africanos residentes em Moçambique são responsáveis pela maior remessa de dinheiro para o exterior sem nenhuma declaração ao estado, são também responsáveis pela criação das maiores redes de facilitação da imigração. Estas redes, são responsáveis pelo convite e facilitação da entrada de mais imigrantes dos seus países de origem, tanto de forma legal como ilegal.

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Por força da sua característica transnacional, desenraizados de Moçambique, os imigrantes transnacionais são muito propensos a se auto-excluirem dos processos sociopolíticos do país e são também propensos a excluir os nacionais do seu convívio. Em virtude de se sentirem diferentes dos nacionais eles criam espaços de inclusão baseados na sua etnia. Nesse sentido, a consciência das diferenças tem promovido a construção de identidades étnicas, as quais são artifícios culturais de interacção, organização e resistência ao desaparecimento social, físico e simbólico imposto pela sociedade dominante (Fígoli e Vilela, 2004:4). 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes O maior interesse da integração é conceder direitos sociais aos imigrantes sem prejuízo das suas identidades culturais. A integração do imigrante não significa a «assimilação» ou a supressão de sua identidade cultural. Certamente, a integração requer esforço para entrar na vida social e estabelecer relações de convivência, para aprender a língua da nação e adequar-se às leis e às exigências trabalhistas mas não implica a aculturação. A integração dos imigrantes em Moçambique depende de dois factores principais: a vontade dos imigrantes se integrarem e a vontade dos moçambicanos integrarem. A vontade dos moçambicanos integrarem depende de factores como raça, religião e a capacidade financeira dos imigrantes. Em Moçambique, existem comunidades bastantes fachadas e que não permitem a integração rápida dos imigrantes nem dos moçambicanos que não são originárias dessa comunidade. Este tipo de comunidades é adverso ao multiculturalismo e podem manifestar o xenofobismo. Entretanto, pode-se assumir que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade, indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. No geral, os moçambicanos são muito receptivos aos imigrantes havendo no entanto uma percepção diferente em relação a tipologia dos imigrantes. Aspectos raciais e étnicos têm um peso muito grande na atitude dos moçambicanos. Imigrantes europeus e asiáticos (Paquistanês, Indiano, Bengali) têm maiores chances de serem bem acomodados do que os imigrantes africanos. Ao imigrante europeu e asiático está conotada a condição financeira e a criação de oportunidades de
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emprego. Existe também uma grande receptividade dos imigrantes árabe-muçulmanos nas províncias de predominância islâmica. Todavia, nas províncias de pouca expressão islâmica manifesta-se alguma hostilidade. A percepção em relação aos chineses é ainda de alguma resistência e hostilidade muito provavelmente devido a introdução bastante recente na sociedade moçambicana. Por causa do pendor financeiro dos europeus e asiáticos são-lhes criadas facilidades, de acesso a documentos, licenças e alvarás, muitas vezes em prejuízo do cidadão moçambicano. Com efeito, são constantemente reportados casos de favorecimento a imigrantes estrangeiros em todo o país. Pode-se inferir que os imigrantes contribuem para o crescimento de actos de corrupção e clientelismo. Na análise da receptividade dos imigrantes, também é pertinente avaliar a distância percorrida pelo imigrante. As distâncias etno-linguísticas dos imigrantes do corno de África e da África ocidental diferem grandemente da distância etno-linguística dos imigrantes vindos da África austral. A semelhança cultural e linguística permite uma facilidade de integração dos zimbabweanos, malawianos, zambianos e tanzanianos principalmente nas províncias próximas dos seus países de origem. A mudança cultural não cria choques constantes. Esta situação também beneficia aos imigrantes portugueses e brasileiros, que compartilham com os moçambicanos a mesma língua e, de certa forma, alguns valores culturais. Em relação aos imigrantes vindos da África ocidental, do corno de África e da África central, a grande diferença etno-linguística cria um choque cultural verdadeiro obrigando a uma aprendizagem e mutações drásticas. Todavia, o factor religioso também contribui para reduzir as distâncias etno-linguísticas e criar laços de amizade. Em termos gerais, a sociedade moçambicana é receptiva e acolhedora, por esse motivo, os imigrantes tem tido sucesso nos negócios que provocam um impacto positivo na sociedade. No sentido oposto, se a sociedade moçambicana fosse fechada e repulsiva em relação aos imigrantes, eles não teriam chances de sucesso e o seu impacto seria negativo para a sociedade. Por causa da receptividade dos moçambicanos, a maioria dos imigrantes que criam negócios em Moçambique tornam-se bem sucedidos e expandem os seus negócios, aumentando gradualmente o seu investimento no país. A receptividade do país cria confiança no imigrante e por via disso mantêm as suas contas bancárias no país, reduzem as remessas de dinheiro para o país de origem,

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A hostilidade costuma manifestar-se em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido num ambiente de escassez e pobreza. hostilizados pelos nacionais porque eles são uma ameaça e um perigo para a posição social e económica dos nacionais. compram imóveis. Entretanto. existe um diferencial bastante grande em relação aos imigrantes africanos e os imigrantes asiáticos e europeus. etc. trafica droga. trafica mulheres. Nalguns casos os imigrantes são afastados do convívio social. pela escola e pela religião. Existem no entanto momentos em que a sociedade moçambicana demonstra sinais de hostilidade e indiferença. O imigrante africano. pelo trabalho. culturais e até linguísticas tem maior propensão em se integrar na sociedade moçambicana em relação aos imigrantes asiáticos e europeus. feiticeiros. são de baixo nível. Normalmente. O citadino não se escandaliza facilmente com os casamentos entre imigrantes e nacionais nem com a pujança económica de alguns imigrantes havendo maior preocupação com a oferta de bens e serviços a preços baixos. Quanto a integração pelo casamento. a 66 . Em relação a vontade dos imigrantes. principalmente ao nível dos distritos. ridicularizados. Nestes grupos.estabelecem negócios maiores. em poucas palavras pode se dizer que o imigrante investe na permanência a longo prazo. a percentagem dos casamentos intraétnicos ainda é muito acentuada. que se consideram lesados. Os estereótipos mais frequentes são: todo o imigrante é criminoso. Sempre que um grupo de imigrantes ou um imigrante acumula vantagens e benefícios em detrimento dos nacionais e ou lesar os interesses da sociedade local (vender produtos a preços baixos em comparação com os nacionais. ao nível dos maiores centros urbanos. pelas suas características raciais. sujos. comprar bens de luxo ou construir habitações mais belas) provoca uma hostilidade latente no seio dos moçambicanos. a presença dos imigrantes levanta sentimentos de indiferença. namorar ou casar com as mulheres mais belas. destacar a grande resistência de alguns grupos em estabelecer laços matrimoniais com os moçambicanos. São criados estereótipos que minam a convivência entre os imigrantes e os nacionais. Entre a comunidade indiana por exemplo predomina. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento.

Normalmente os imigrantes homens são vistos como uma fonte de recursos financeiros para as famílias das suas namoradas moçambicanas. é a união de indivíduos mais aparentados do que a média da população. principalmente entre imigrantes africanos e os moçambicanos. Existem alguns casos de indivíduos que romperam com a endogamia étnica mas esta iniciativa só é tomada pelos homens sendo raro ver uma indiana. nem sempre esta situação é apreciada por todos os moçambicanos. Esta mestiçagem não se manifesta somente ao nível físico dos indivíduos como também no aspecto cultural dos mesmos. Aqui. chinesa. somaliana. Normalmente. que é um sistema em que os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados. libaneses. Existe uma crença errada. etíope casada com um homem negro moçambicano. Contudo. onde a população mestiça representa uma grande fasquia da população. Neste contexto. Em várias ocasiões assiste-se a manifestações racistas promovidas por mestiços e mulatos contra negros e de negros contra mulatos. na música. é a partir da convivência no trabalho que se estabelecem redes de amizade e solidariedade entre os imigrantes e os moçambicanos. chineses. Raramente a comunidade hindu aceita casamentos inter-étnicos. A mistura manifesta-se visivelmente na culinária. ou seja. por parte de grande parte da população. Esta tendência assiste-se também no seio de comunidades fachadas como os somalianos. A integração pelo trabalho é a estratégia mais fácil de integração de estrangeiros. paquistanesa. os sentimentos de desigualdade e privação relativa jogam um papel muito grande para incendiar o conflito. Naturalmente. Em relação aos imigrantes europeus e asiáticos esta situação muda de figura. Os europeus e americanos são mais abertos ao relacionamento interétnico e existem muitos casamentos entre brancos e negros. na indumentária e na linguagem dos indivíduos. Moçambique concorre hoje para uma situação semelhante a do Brasil. relacionados pela ascendência. paquistaneses. etíopes.endogamia. de que os mestiços e mulatos são beneficiados e que gozam de melhores condições de vida. São raros os casos do 67 . o impacto imediato deste tipo de casamentos é o aumento de mestiços e mulatos no país. O objectivo desta atitude é a continuação da descendência étnica dos imigrantes e isso tem um impacto no aumento dessa população em Moçambique. libanesa. os imigrantes acabam ganhando algum suporte por parte de famílias moçambicanas vulneráveis.

sueca. etc. Provavelmente por motivos da classe económica e/ou interesse em manter os seus filhos com os hábitos culturais e linguísticos dos países de origem. os europeus enviam os seus filhos para a escola internacional. Os muçulmanos enviam os seus filhos para a escola muçulmana. por parte destes imigrantes. os asiáticos e europeus não enviam os seus filhos para as escolas públicas. Através da escola. este cenário é relativamente diferente. que representam as nacionalidades existentes nessas cidades. asiáticos e em alguns casos árabes em relação aos moçambicanos de raça negra. Muitas destas escolas obedecem um currículo do país de origem e as aulas são leccionadas na língua materna dos imigrantes. A enorme distância cultural entre brancos. O efeito desta prática manifesta-se com a criação de círculos de amizade baseadas na relação étnico-racial. é muito grande. portuguesa. A título de exemplo. Ao nível dos distritos e das províncias mais recônditas é frequente os filhos de imigrantes frequentarem as escolas públicas ao lado dos moçambicanos e a integração aqui torna-se mais rápida. Existem situações de descriminação por parte dos cidadãos de raça branca. chineses e moçambicanos constitui também um grande impedimento para o estreitamento desses laços. não existe nenhum espaço de integração e envolvimento entre os nacionais e estes estrangeiros provocando em alguns casos sentimentos racistas. os filhos de imigrantes aprendem não só a língua moçambicana mas todo um sistema de valores defendidos pela sociedade e pelo estado moçambicano. nenhum investimento em aprender a cultura Moçambicana. reduzindo desse modo o distanciamento dos país da cultura moçambicana. São os filhos dos imigrantes que regressados a casa vão transmitir de forma indirecta a língua e os valores moçambicanos.surgimento de redes de amizade e solidariedade. Não existe. etc. escola Sueca. A facilidade de abertura de escolas particulares e escolas étnicas. podemos encontrar a escola Sul-africana. Os currículos escolares orientados para a unidade nacional. O envio dos filhos de imigrantes para as escolas públicas ao lado de crianças moçambicanas é outra estratégia que permite uma maior integração da segunda geração na sociedade moçambicana. Ao nível das grandes cidades. escola Americana. para a necessidade de defesa da pátria e ainda para a igualdade e respeito pela diferença contribuem para formatar a segunda geração de imigrantes e enquadra-los como moçambicanos. de exclusão e manifestações de superioridade por parte dos imigrantes 68 .

6. Para além disso. o indivíduo devia ser natural do estado. Portanto. os Sheikes muçulmanos divulgam o sagrado alcorão em árabe.4. Os direitos políticos são regulados em Moçambique pela Constituição da República (2004). a nacionalidade era o pressuposto principal da cidadania. a divulgação do árabe assume-se hoje como uma realidade. A partir do momento que os imigrantes se apresentam nos cultos das confissões religiosas presentes em Moçambique abre-se um espaço para a integração efectiva na vida social da sociedade moçambicana. Hoje. só gozam de 69 . Tradicionalmente. o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. Este distanciamento pode ter efeitos nefastos no futuro. há mais falantes do árabe em Moçambique. Para se ser nacional de um estado o indivíduo deve ter nascido nesse estado ou pedir para aderir ao estado através da naturalização que passa por critérios de aceitação definidos nas respectivas constituições. a vinda de missionários cristãos e sheikes muçulmanos tem um impacto imediato no alastramento e na evangelização de regiões outrora ateístas. cidadania é a condição que uma pessoa natural de um estado tem de gozar de direitos que lhe permitem participar da vida política desse mesmo estado. Enquanto a maioria dos missionários cristãos divulga a sua mensagem em português e inclusive nas línguas locais. portanto. seja ao votar (directo).chegando em alguns casos a manifestar discriminação. Segundo a constituição. As madrassas.3. que são as escolas de aprendizagem do alcorão. Deve ficar claro no entanto que não existe nenhum conflito entre o sistema de valores islâmicos e Moçambicanos pois. na indumentária e no sistema de valores defendidos pelos seus crentes. Por outro lado. a implantação da religião islâmica em Moçambique pré-data ao colonialismo e a independência. contribuem também para a propagação do árabe entre os moçambicanos. Como consequência. o alastramento do islão em Moçambique esta a ter um impacto nos hábitos alimentares. Integração Política e Cidadania Em direito e na assumpção original. para ser cidadão. A nacionalidade moçambicana pode ser originária ou adquirida. participando de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração. seja ao concorrer a cargo público (indirecto). Uma das estratégias mais fáceis de inserção ou integração social dos imigrantes é a partir da religião. A cidadania é.

citado por Heisler (2007:93). direito a culto das suas religiões. Política e Social. Num mundo contemporâneo marcado por crescentes migrações internacionais e por uma trans-nacionalidade que permite às pessoas mudarem de um país para o outro sem necessariamente aderir a uma nova cultura e realidade. direito ao associativismo e a ingressar em sindicatos. económicos. Como conceder cidadania aos imigrantes sem naturaliza-los é uma questão impensável se tomarmos o conceito tradicional de cidadania como factor estanque. permite aos imigrantes o exercício da cidadania nos estados de acolhimento. a cidadania não só envolve direitos mas também deve envolver participação (Heisler. culturais e abranger toda a panóplia dos direitos humanos. a imigração ocupa um lugar central (Cardoso. liberdade de opinião etc… Hoje. O reconhecimento da contribuição económica dos imigrantes e seus descendentes nos países de acolhimento levanta cada vez mais questões de cidadania. existem três tipos de cidadania: a Cidadania Civil. Estes instrumentos concedem cidadania aos imigrantes ao defenderem direitos individuais e colectivos aos imigrantes: o direito ao trabalho e salário justo.direitos políticos os cidadãos moçambicanos. Este dispositivo constitucional aparece como o primeiro instrumento de exclusão dos imigrantes na participação na vida pública. 70 . quer dizer. direito a habitação. Segundo Heisler. direito a. Segundo T. H. (2007:93) A declaração universal dos direitos do homem e as várias convenções que protegem os direitos dos imigrantes e os direitos das minorias servem de base de concessão da cidadania aos imigrantes. independentemente da nacionalidade do imigrante. Vários analistas defendem a necessidade de alargar o conceito de cidadania para incluir direitos e deveres sociais. Para estes autores. A constituição limita o espaço de participação política dos cidadãos de nacionalidade adquirida. os imigrantes exercem a cidadania ao participarem directa ou indirectamente nas decisões que afectam as suas vidas. Marshall. 2007:92). não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. Dentre os vários factores que estão na origem das profundas transformações ocorridas no conceito de cidadania. 2004:2). mais do que nunca. o relacionamento entre imigrantes e o estado deve espelhar a nova realidade internacional. 2006). os Estados e as sociedades se questionam sobre o conceito de cidadania e de pertença a uma dada sociedade (Bertonha. A vasta gama de direitos concedidos aos imigrantes e que os estados são obrigados a respeitar.

3) condições de vida precária que lhes impossibilitam advogar ou pagar serviços de advocacia nas instituições do estado e 4) devido a incapacidade do estado Moçambicano prover bens. A aproximação entre imigrantes e elites governantes começa desde os centros de poder local até ao governo central. para além do usufruto de direitos e deveres. a manipulação e influência dos grupos sociais mais fracos. créditos nas instituições financeiras. 2004:6). Apesar da lei abrir espaço para o usufruto da cidadania a todos os imigrantes. os imigrantes vão se transformando progressivamente num grupo de interesse cada vez mais forte e influente. A medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país. 1) o distanciamento por parte dos imigrantes dos centros de poder local e central. entenda-se cidadania no sentido mais abrangente do termo. Pode-se dizer que a ascensão económica dos imigrantes cativa-os a ter uma maior participação política em Moçambique. concessão de alvarás de forma facilitada e a protecção policial. o exercício da cidadania passa. aos imigrantes são concedidos direitos de exploração exclusiva de certas mercadorias. Amiúde. serviços e condições de empregabilidade aos seus cidadãos. Através de ofertas e trocas de favores. Grande parte da população imigrante em Moçambique não tem como fazer valer os seus direitos por vários motivos sendo os mais determinantes.Pode-se assumir que em Moçambique. nem todos os imigrantes são abrangidos por ela pois. pela capacidade de influenciar o poder político e a tomada de decisões públicas. A constituição moçambicana abre espaço para a participação política limitada dos imigrantes na vida pública do estado. em alguns casos. facilidades de importação e exportação de produtos. 2) analfabetismo ou ignorância em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais que lhes são garantidos pelos tratados internacionais e pela legislação nacional. os imigrantes usufruem de direitos de cidadania. As relações de clientelismo estão enraizadas em toda extensão do território nacional. nem todos os imigrantes desfrutam das mesmas condições de vida (Cardoso. os imigrantes vão se aproximando das elites políticas e vão firmando laços de amizade e de negócios com estas elites. Através da influência sobre o poder político. No entanto. A manipulação e influência dos imigrantes sobre o poder político superam. sendo unicamente limitados de exercer cargos políticos específicos e de votar e ser eleito em eleições parlamentares. 71 .

as mulheres libertam-se e assumem um papel de 72 . que imigram por força da situação de crise económica no Zimbabwe não têm um peso económico muito grande por não realizam actividades comerciais por excelência. Existe. a maioria dos entrevistados limitou-se a relatar sobre os aspectos negativos dessa situação sem exemplificalos. existem mulheres acompanhantes que se tornam imigrantes económicas. Todavia. As mulheres de outras nacionalidades normalmente não imigram sozinhas sendo na sua maioria dependentes dos seus maridos. As mulheres que outrora executavam trabalhos domésticos mudam a sua postura em Moçambique. A emergência de políticos de origem imigrante ou descendente de imigrantes ainda é algo impensável na realidade moçambicana. Entretanto.Quando questionado sobre a concessão de cidadania aos imigrantes em Moçambique. organizam-se associações. no entanto. fazem negócios próprios. Imigração e Género Em termos de género. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. ganham uma nova consciência de participação na vida pública. A luta pelos direitos de cidadania concentra-se hoje na exigência de superação dos obstáculos administrativo-legais que dificultavam a regularização da situação dos imigrantes que solicitam autorização de residência e a exigência de integração efectiva das gerações descendentes (Albuquerque. Estas mulheres. são activistas e ganham consciência política. As associações de imigrantes são por excelência o primeiro veículo de inserção na vida política moçambicana. Recorre-se principalmente a falta de lealdade com os estados moçambicano e a defesa de interesses estrangeiros. Muitas tornam-se ajudantes nos negócios dos seus maridos e outras entram na actividade comercial. Grande parte delas são prostitutas e só uma pequena fasquia realiza actividades comerciais. o contributo da população imigrante em Moçambique é bastante diferenciado. uma pequena fasquia de mulheres imigrantes vindas maioritariamente do Zimbabwe e que permanecem nas províncias centrais de Manica. O maior número de imigrantes residentes em Moçambique é do sexo masculino. 6. Com o trabalho assalariado.3. Sofala e Tete. estudam e concorrem nas universidades públicas e privadas. Pode-se concluir que as mulheres não são imigrantes económicos. O facto de serem acompanhantes retira-lhes a capacidade de contribuírem para a economia moçambicana.5. Todavia. 2002:8).

permanência e saída do País. provar que possui 73 . o passaporte ou documento equiparado valido. deveres. que envolve tanto muçulmanas nacionais. no seu artigo I. 2008:126-127). e garantias. através da organização feminina islâmica. o contributo destas mulheres é nulo. Muitas delas não exercem nenhuma actividade comercial e permanecem afastadas da vida pública. o artigo 9. comunidades carentes que. Todavia. as estratégias de integração da mulher islâmica são diferentes da estratégia do homem islâmico. SUPERVISÃO E CONTROLO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Em Moçambique. por via terrestre. O seu envolvimento se estende ao nível nacional e são desenhados programas de construção de escolas. 7. os direitos.de 28 de Dezembro. reabilitação de centros de saúde. uma organização de carris humanitário. a supervisão e controlo de imigrantes é garantido pelas disposições legais. o regulamento que estabelece as normas jurídicas aplicáveis ao cidadão estrangeiro. no posto fronteiriço. Nota-se por exemplo que as mulheres muçulmanas têm maiores problemas de integração na sociedade moçambicana. apresentar. no seu nº1. na maioria dos casos. Como se pode perceber. ao abrigo da lei nº 5/93. que torna necessário regulamentar o regime jurídico do cidadão estrangeiro.vanguarda (Brettell. plasmados no decreto nº 38/2006 de 27 de Setembro. as mulheres muçulmanas procuram integrar-se na vida social moçambicana. Nestes casos. marítima ou aérea obriga-se a entrar no Pais pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. naturalizadas e imigrantes. entre outros. crianças órfãs. estabelece que todo o cidadão que pretenda entrar na República de Moçambique. Para além disso. relativas á entrada. onde o conselho de ministros decretou. Relativamente à entrada de imigrantes no País. Por via desta organização. esta comunidade se envolve directamente para prestar auxílio humanitário em situações de desastres naturais. não partilham do mesmo credo. No seio das comunidades islâmicas o papel da mulher obedece aos preceitos da religião islâmica. a mulher muçulmana tem a oportunidade de desenvolver programas de apoio as pessoas mais necessitadas como velhos.

Estações marítimas. quando são repatriados. aeronaves e onde a sua presença seja necessária. caminhos-de-ferro. tem demonstrado fragilidades no seu exercício. o artigo 38. praticando actividades ilegais bem como a deficiência de controlo do retorno de imigrantes repatriados. estratégias e planeamento operacional. Sublinha-se que as instituições encarregues para a supervisão e controlo. De acordo com os entrevistados. isto porque cada vez verifica-se muito afluxo de imigrantes ilegais que escapam as autoridades em muitos centros urbanos. 1. para posterior adopção. lacustres. dai urge necessidade de ampliação de mecanismos de supervisão e controlo. chegando a embaraçar as autoridades. constituindo perigo à segurança e modus vivendo dos nacionais. o que acontece normalmente é a entrada e permanência de estrangeiros imigrantes sem observância do legislado e regulamentos que regem sobre esta matéria. vistos caducados. 7. sem documentos de autorização de permanência e residência. Aparecendo imigrantes que vivem em Moçambique sem documentos legais. não de forma eficiente. sobretudo os ilegais.meios de subsistência e prestar informações adicionais que lhe forem solicitadas pelo inspector de migração. navios. nas residências. 74 . regista-se dificuldades para a supervisão e controlo de imigrantes. A equipa de pesquisa constatou no terreno que a supervisão e controlo são feitos. de medidas. no tocante a imigrantes em geral e particularmente para imigrantes ilegais. aeroportos. dado que estes. ao nível central. depois voltam com credenciais passados pelo centro de acolhimento de Nampula. sobretudo a ilegal e outras irregularidades de passagem clandestina da fronteira. No entanto. No entanto. clarifica que será facultada a entrada livre dos funcionários dos serviços de migração para o exercício da sua função fiscalizadora.Constatação sobre Supervisão e Controlo. Em relação à fiscalização. somos da opinião de que as autoridades locais devem ser mandatários para recolher dados referentes à imigração. fluviais. nos comboios.

mesmo por sublocação. que preconiza que os hotéis. a união europeia (UE).2 Experiencia Europeia e Norte. imigrantes que vivem em diferentes residências sem nenhuma comunicação por boletim individual de alojamento. elegeu-se as experiencias europeias e norte-americana na supervisão e controlo de imigrantes. estalagens. parques de campismo. onde as remessas atingem cerca de 40 mil milhões de dólares ano para o continente. com o relatório de desenvolvimento humano 2009. por consequência.Outra situação constatada é o facto de aparecerem em quase todos os distritos visitados. Huntington.Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes Para este trabalho. Deste modo. violando o artigo 33 no seu nº 1. no prazo de cinco dias por meio de boletim individual de alojamento. ficam obrigados a comunica-lo. Samuel (2006:233). pousadas. lançado recentemente pelo programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD). casa ou habitação a estrangeiro. tem elevadas taxas de fertilidades e. os imigrantes. a falta de disponibilidade de meios materiais. sobretudo a políticas de supervisão e controlo. Fazendo a alusão a Africanos que vivem em diferentes partes do Mundo. serão responsáveis pela maior parte do crescimento futuro nas sociedades ocidentais. De acordo com P. aos serviços de migração. casas de hóspedes e similares. contrastando deste modo. bem como todos aqueles que albergam estrangeiro ou arrende. Alguns dos entrevistados atribuem a fraca supervisão e controlo dos imigrantes. pelo contrário. a vulnerabilidade da fronteira terrestre e marítima. Como resultados. os ocidentais receiam cada vez mais “ estar 75 . que defende que a migração é inevitável e pode melhorar a vida de milhões de pessoas no Mundo. motéis. a sua pertinência. defende um combate cerrado para travar a imigração. nos locais onde não haja a polícia da PRM ou administração local. meios técnicos adequados e recursos humanos qualificados. 7. reside no facto de trazer a experiencia de como estes países abordam este fenómeno de imigração. em virtude de a primeira ter característica montanhosa e muito extensa e a segunda apenas por ser uma costa extensa. ou cedam a qualquer título.

No entanto. o discurso de S. mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida. priorizando a adopção do “ cartão azul ”. no contexto da presidência francesa da UE. aprovado pelo conselho de ministros a 25 de Setembro do presente ano. 3. o que normalmente chamam na Europa de política de ‘’ imigração zero”. mas por imigrantes que falam outras línguas. obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas ou que muito simplesmente tentaram mudar a vida.Facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito.Refrear o controlo das fronteiras 5. acompanhada de uma fortificação nos meios de supervisão e controlo de imigrantes que escalam aquele continente. revela claramente que a Europa apela para um sentimento anti-imigração. 76 . a UE22 aprovou o que designou de pacto europeu sobre a imigração e asilo. fome. veneram outros deuses.net. como é o caso de algumas organizações da sociedade civil em Portugal. ocupam as suas terras. não por exércitos e carros blindados.blocomotiva.agora a ser invadidos.Proibir os processos de regularização colectiva Salienta-se que esta posição da UE tem sido contestada pelos alguns membros da união. senão o recurso à clandestinidade. tratam de indivíduos que não encontram outra opção. onde visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais. para o recrutamento de mão. insegurança.Huntington.Organizar a imigração legal. pertencem a outras culturas e também lhes roubam os empregos. beneficiam da segurança social e ameaçam o seu modo de vida”. muitas vezes vitimas de redes sem escrúpulos. e que se confrontam com a lei 22 Site: http://www. No entanto. cuja proposta foi apresentada pelo Nicolas Sarkozy. 2.de-obra qualificada. a saber: 1. onde alegam que são homens e mulheres que procuram fugir á miséria.Concretizar uma politica europeia de asilo 4.

A). Generalização dos identificadores biométricos P.U. endureceu o controlo sobre a imigração. Deste modo pode se afirmar que a UE25 gasta milhões de euros só para lidar com a imigração ilegal e criou a agencia Frontex (aferrolhamento das fronteiras da UE) de vigilância das fronteiras para lutar contra a imigração clandestina. ligando todos os consulados . consubstanciado em: . regras selectivas e politicas securitarios24. tem a ver com aquilo que a UE considera de sabotagem aos esforços de combater a imigração ilegal por parte da vizinha Turquia. Colocação de um sistema comum de informação sobre os vistos. que constantemente interfere activamente com radar contra as patrulhas marítimas anti-imigraçãoilegal da UE no mar egeu. Limitação de reagrupamentos .sapo. explica ainda que os Estados Unidos da América (E.blogspot. que alega que a UE não paga o mesmo que paga a Grécia para ajudar a deportar os imigrantes ilegais.que diz cinicamente que “ cada caso” é um “ caso”. fazendo de regra à excepção e recusando à generalidade dos imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana23. Samuel (2006:239).blogspot.com Site:htt://gladio.pt. queixando-se que recebe apenas 70 euros por cada imigrante ilegal em contraste com a Grécia que recebe 1000 euros. Imigração selectiva . sobretudo na administração Clinton. 77 . Atitude vista como reivindicação da Turquia. tornou mais rigorosas as leis que regulam o direito de asilo.no. Expulsão de imigrantes indesejáveis .Huntingnton. ampliou os quadros dos serviços de imigração e 23 24 25 Site:http://gladio.com Site:htt://imigrantes. A experiencia Italiana nesta matéria de supervisão e controlo de imigrantes reside no facto de introduzir uma lei de testes de ADN. visto como sendo instrumento de perseguição dos ciganos. Uma situação que julgamos ser necessário comentar.

3. DADOS ESTATISTICOS DE MOVIMENTO MIGRATORIO. embarcações. tem se verificado um esforço para conter a supervisão e controlo.200.0 55 Observação 78 . NÚMERO DE ESTRANGEIROS REPATRIADOS E EXPULSOS POR CONTRAVENÇÃO MIGRATÓRIA DESDE O ANO 2000 AO 1º SEMESTRE DO ANO 2009 ANO 2000 2001 Movimento Migratório 6. portos. 7. racionalizados. se registe a falta de meios matérias e humanos qualificados para a supervisão e controlo de imigrantes que escalam Moçambique. Os fluxos não deveriam ser impedidos mas sim geridos. A opinião de muitos observadores. comboios e aeronaves . Controlo e verificação nos autocarros colectivos. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo Embora. há que destacar algumas diligências embora periódicas em conjunto entre a PRM e a Migração.189 5. casas de pastos e residências desconfiadas . Vide a baixo o mapa dos dados estatísticos de número de estrangeiros repatriados e expulsos dos últimos 10 anos. consubstanciada em: . com vantagens recíprocas para os países de origem e do destino. reforçou o patrulhamento fronteiriço e construiu barreiras fiscais ao longo da fronteira com México. mas mesmo assim. não chegam a efectivar-se regularmente devido a falta de meios já referenciados anteriormente. quanto ao fenómeno é de que deveria existir um princípio de responsabilidade partilhada que envolvesse os países de origem. aeroportos.naturalização. Repatriamento dos ilegais . de trânsito e do destino. Rusgas nos estabelecimentos comerciais.405. a equipa de pesquisa constatou no terreno que as diligências. Expulsão em caso de delito Contudo. carros particulares.884 Estrangeiros Repatriados 291 238 Estrangeiros Expulsos 0.

2002 2003 2004 2005 3. 8.731 8.0 0.102 5.346 3.113.359 0.A 2006 6. Os governos dos estados que ratificam estes instrumentos comprometem-se a aplicar essas disposições e obrigam-se a garantir protecção aos imigrantes nos seus territórios.288 85 Fonte: Ministério do interior. sem.950 5. direcção nacional de migração Tal como reporta o mapa.677. onde se registou um número recorde de repatriamentos 7.689.449 328 1. Com destaque para o ano de 2006.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Vários são os instrumentos jurídicos internacionais que protegem a pessoa do imigrante nos países de acolhimento.S.480.718 2.901. Salienta-se que à percepção de que o número de imigrantes ilegais tende a crescer em cada dia que passa. O facto de nenhum instrumento jurídico moçambicano apresentar uma definição clara do cidadão imigrante e a não existência de um conceito oficial de imigração e imigrante pode representar handicap com efeitos negativos na definição de uma política de imigração.525. Contudo.454 128 2009 2.652 2. As estatísticas reportam em si que a supervisão e controlo são feitos embora com as dificuldades apontadas anteriormente.883.829 7.359 imigrantes ilegais e em termos de expulsões o ano de 2008 registou um recorde de 128 imigrantes. todos os instrumentos que protegem a pessoa do imigrante estabelece normas que servem de modelo para a legislação dos estados particulares.0 Ano de supressão de visto com R. A semelhança da declaração universal dos direitos do homem.973 11 2008 5.0 02 0. Moçambique adoptou uma legislação aberta aos estrangeiros. 79 . cuja sua identificação e localização. Influenciado pela legislação internacional. sobretudo nos distritos fronteiriços. o número de imigrantes oscila em cada ano que passa. escapa as autoridades competentes.351 17. para fins de repatriamento.297 0. mencionar a pessoa do imigrante.519 3. a lei moçambicana concede uma grande margem de actuação aos imigrantes permitindo-lhes usufruir das oportunidades socioeconómicas que o país oferece.496. no entanto.0 2007 2.

Alias. a estabilidade política. entram na condição de desempregados e representam uma categoria de imigrantes não económicos exceptuando os imigrantes Portugueses. também. O número crescente de imigrantes que cada vez mais procuram o país representa uma ameaça as fragilidades institucionais. Grandes Lagos e Corno de África). essa abertura é hoje desafiada com uma entrada maciça de imigrantes legais e legais no país. marítima e aérea. Brasileiros. médio oriente (Líbano). Sudoeste asiático (Paquistão. possuem qualificações ou capital de investimento. principalmente dos ilegais. Tanto os imigrantes sem qualificações como os imigrantes qualificados se concentram nos locais de grande interesse económicos. onde há muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos e facilmente exploráveis. tornou-se num corredor de trânsito para imigrantes ilegais com destino a RSA. devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira terrestre que o país tem. A maioria dos imigrantes que entram no país não possui nenhuma qualificação. Central. São cada vez mais alarmantes os números de imigrantes vindos dos países da África (Austral. Os círculos urbanos constituem os locais onde os imigrantes desenvolvem as suas actividades. Moçambique para além de ser um destino preferencial de imigrantes legais e ilegais. Ásia (China) América (Brasil) e Europa (Portugal) que entram de forma legal e clandestina no país. Em virtude destas fragilidades e por causa dos atractivos que o país oferece. As autoridades competentes para supervisionar e controlar os imigrantes. Ocidental. económica e social. por ser 80 . tanto pelas vias terrestres. foi e continua sendo um país aberto a acomodação de estrangeiros de todas as partes do mundo. Entretanto. a facilidade de investimento e a integração regional atraem cada vez mais imigrantes interessados em alcançar sucesso económico no país. pois há maior circulação de dinheiro e o meio rural ou suburbano é para acomodação. Chineses. mas. do Sudoeste Asiático e do Médio Oriente que entram no pais na condição de empregados. Com efeito. a maioria dos imigrantes ilegais prefere as rotas terrestres. Bangladesh).• Moçambique. logísticas para às capacidades do Estado controlar este movimento. Índia. Enquanto os imigrantes legais obedecem aos postos oficiais de entrada de estrangeiros. Moçambique figura hoje como um dos grandes receptores de imigrantes na região. enfrentam dificuldades de ordem material e humano para levarem ao bom termo a tarefa que lhes é incumbida.

aparentemente. alegadamente. eles são mais agressivos nos negócios. Em relação ao mercado de trabalho. Em relação ao impacto económico. No entretanto. florestais e faunísticos valiosos e estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas como o tráfico de drogas. Representam. turismo e serviços. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de acolhimento. Todavia. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano mas. do país. imigrantes legais. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. maioritariamente. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. existe um grande pessimismo e medo da imigração e dos imigrantes. Efectivamente. recursos minerais. aceitam riscos. a entrada de imigrantes contribui para o aumento de investimentos que criam postos de trabalho para os Moçambicanos e aumentam a arrecadação de receitas fiscais por parte do estado. Não menos importante. Em termos do impacto dos imigrantes na segurança do estado e na segurança pública constatou-se que. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. Por outro lado. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas. igualmente. Para além disso. que do ponto de vista de receitas traz poucos benefícios ao estado e não cria muitas vagas de emprego para os moçambicanos. há. constatou-se que os imigrantes contribuem em grande medida para o desenvolvimento económico do país pois. Neste contexto. verificou-se que a maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se concentram em três áreas principais: o comércio.menos onerosa. Apesar deste pessimismo manifestado pela opinião pública. apenas. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. com a chegada de muitos imigrantes em 81 . os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. ilegalmente. os trabalhadores imigrantes trabalham em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. Estes são. os imigrantes são. a maioria dos imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. Com efeito. Por esse motivo. são vanguardistas e são mais empreendedores. os imigrantes legais e ilegais podem.

Apesar do estado criar condições de integração dos imigrantes no país. a hostilidade costuma se manifestar em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido e a indiferença manifesta-se ao nível das cidades. e ainda gozam de todas as liberdades consagrados na declaração universal dos direitos do homem. adicionado ao respeito ao multiculturalismo é factores que impossibilitam a assimilação dos imigrantes. indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. O respeito aos instrumentos internacionais de protecção aos imigrantes. Por sua vez. apesar de existem comunidades bastante fachada e que não permitem a integração rápida dos imigrantes. observou-se que a sociedade moçambicana é bastante aberta a integração dos imigrantes. o estado moçambicano não exerce nenhuma pressão no sentido assimilar os imigrantes residentes no país. os seus hábitos culturais. Em termos da integração dos imigrantes em Moçambique. Com efeito. os portugueses e os brasileiros em relação aos imigrantes de outras regiões e nacionalidades. A constituição da República não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes.Moçambique surgiram novos negócios no país e alguns sectores de actividade sofreram um Boom jamais visto. Em termos gerais. Todavia. o transnacionalismo imigrante torna o processo de assimilação difícil pois. Normalmente. A receptividade da sociedade moçambicana permite que os imigrantes tenham sucesso nos negócios e que provocam um impacto positivo na sociedade. os imigrantes transnacionais mantêm e reforçam os laços com os seus países de origem. ao se alargar o conceito de 82 . Do ponto de vista sociopolítico e cultural. no sentido dos direitos políticos pois. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. principalmente na área comercial. constatou-se que os imigrantes gozam de uma larga liberdade cultural podendo manifestar as suas crenças religiosas. estes ainda não usufruem de direitos de cidadania. pelo trabalho. Em termos gerais constatou-se que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade. a sociedade moçambicana íntegra mais facilmente os imigrantes da região Austral. dependendo muitas vezes de aspectos raciais e étnicos. pela escola e pela religião. permitindo desse modo que permaneçam alienados dos valores políticos e culturais do país. Normalmente. Para além destes factores. usar a sua língua de origem.

as mulheres não têm um peso económico muito grande. Enquanto o impacto da população masculina é mais visível. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sociopolítica e segurança dos indivíduos bem como do Estado.1.Recomendações Finais Deste modo. Sublinhar no entanto. económicos. a recomendação que se pode fazer é de que as instituições de supervisão e controlo devem ampliar esforços de mobilização de meios materiais e humanos para uma execução cabal das suas tarefas e deve estudar e aperfeiçoar urgentemente estratégias e métodos de controlar os imigrantes. Esta situação deve-se fundamentalmente ao numero reduzido de mulheres imigrantes em Moçambique. Por força disso. pode-se afirmar que a fragilidade em termos de dados estatísticos são uma fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. 8. constata-se que os imigrantes gozam de direitos de cidadania. consubstanciadas em: 83 . ela está a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle do Estado moçambicano. sob o ponto de vista demográfico. A imigração é e foi sempre uma constante na história da humanidade e Moçambique deve estar pronto para lidar com este fenómeno pois. verificou-se que existe uma grande diferenciação da participação dos imigrantes em termos de género.cidadania para incluir direitos e deveres sociais. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. Neste sentido. Sublinha-se que a medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país influenciando o poder político na tomada de decisões que afectam as suas vidas. Paralelamente. o impacto da população feminina não é muito notória. Por último. muitas mulheres tornam-se ajudantes dos seus maridos. algumas criam negócios particulares e outras tornam-se mais activas no seio das organizações ou associações de imigrantes. culturais e direitos humanos. Todavia. que os receios das manifestações ainda não se fizeram sentir de forma violenta em Moçambique.

estalagens e outros lugares suspeitos. percepção de da situação. • Ainda nos pontos de entrada. estaleiros e nos pontos de maior concentração populacional. 84 . • • Os métodos de supervisão e controlo devem ter em conta: fluxo de dados. casas de pastos. autoridades judiciais e ministério publico). capacidade de reacção e intercâmbio da informação com outros Estados Necessário a existência de intercâmbio de informação entre as autoridades competentes (guarda-fronteiras. que ficam obrigados a suportarem as despesas do retorno ou de repatriamento. os que reúnem alguma formação para desempenho das actividades que se propõem. dos imigrantes que reúnem todas as condições exigidas pela lei. tais como: mercados. nível escolar. pensões. do qual constitui prioridade para entrada de imigrantes. e um mecanismo de resolução de eventuais litígios de competências entre as autoridades. física e que demonstrem capacidade de se instalar e trabalhar. níveis de vida e o estatuto financeiro. • Aplicação com rigor do artigo 43. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. • • Mobilização de meios adequados e recursos humanos devidamente formados para vigiar a extensa fronteira terrestre e marítima. como forma de prevenir a propagação de doenças contagiosas que eventualmente podem ser trazidas por estes. bem como de sanidade mental.• Supervisão e Controlo com rigor nos pontos de entrada. • Os imigrantes que entram em Moçambique devem ser alvos de um maior acompanhamento. • Moçambique deve desenvolver uma política e uma estratégia de imigração que possa seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir. alojamento e outros encargos administrativos. estado de saúde. relativo aos imigrantes ilegais ou clandestinos. nas residências. independentemente do seu objectivo cá. qualificações. incluindo alimentação. como forma de fazer uma melhor monitorização e controlo das actividades que os mesmos praticam cá. policia. • Adoptar uma política selectiva e criteriosa. hotéis. Intensificação de supervisão e controlo de imigrantes. deve-se adoptar um sistema de testagem e Controlo de estado de saúde de imigrantes. alfândegas.

organizado pelo Grupo SIETAR Portugal (Society for Intercultural Education Training and Research) . 2003:464-465). o estado deve vedar direitos de cidadania política aos imigrantes. Entretanto. • • A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo Estado. comunidades concentradas podem representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado.9 e 10 de Maio de 2002. • O Estado deve evitar que grupos imigrantes etnicamente homogéneos se concentrem em grandes números numa região pois. 85 . o Estado deve impor uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. Portugal. Almada. reduzindo os procedimentos de criação de empresas. Albuquerque. • O Estado moçambicano deve adoptar uma política de assimilação dos imigrantes como instrumento estratégico para a sobrevivência estado. Para alcançar este objectivo. REFERENCIAS Bibliografia Livros e Artigos (Goldstein. reduzindo a carga fiscal e estabelecendo linhas de crédito que possam beneficiar o imigrante.• Para atrair mais imigrantes económicos. Rosana: Associações étnicas e o desafio da participação política de jovens descendentes de imigrantes Comunicação apresentada no 1º Colóquio Intercultural “A Comunicação Entre Culturas”. O Estado deve criar condições para uma maior integração dos imigrantes concedendo-lhes direitos económicos e sociais. o estado moçambicano deve criar condições propícias ao investimento estrangeiro. A assimilação é importante para garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota.

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Lei do trabalho Lei No 23/2007 de 1 de Agosto. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. Lei 5/93 de 28 de Dezembro. Mar e Ar. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. Protocolo para Prevenir. Fontes Primárias Maputo Luís Mambero (Secretário Permanente da Província de Maputo) Capião Samuel Faduque (Director da Ordem Pública ao nível da Província de Maputo) Adérito Notiço (Vereador para a área de Actividades Económicas e Serviços no município da Cidade da Matola) Eugénio Simbine (Director Provincial do Plano e Finanças da Província de Maputo) Di-Stefano Xavier Honwana (Director Provincial da Migração em Maputo) Arnaldo Chefo (Porta voz do Comando da cidade ao nível de Maputo) Lúcio Jorge (Gerente do BCI. adoptado a 15 de Novembro de 2000.º 38/2006. Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei.Decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. Dependência da Pigal) Secretário Permanente da Cidade de Maputo 89 . que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique. Especialmente Mulheres e Crianças. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.

fixado na cidade de Chimoio desde 2007) Mousinho Alberto Carlos (Director provincial do trabalho da província de Manica) Fernando Tefule (Administrador do distrito de Manica– província de Manica) Gelindo Baltazar Vumbuca (Sub-inspector e Chefe das operações da PRM no distrito de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. Central Sindical (OTM-CS)) Coffe (Chefe do Departamento Central do Movimento Migratório na direcção de Migração) Babu (Armazenista da Gulf Trading. de nacionalidade Maliano. 26 anos de idade) António Maquina (Secretário permanente da província de Manica) Edson Mulanzira (Jovem de 22 anos. trabalhador de obras. imigrante Indiano) Alberto Chidadale (Administrador de Namaacha) Marcos Waze (Chefe das Operações da Polícia da república de Moçambique em Namaacha) Maria Macamo (Chefe do Posto Fronteiriço de Travessia de Namaacha) Arlete (Directora das Actividades económicas em Namaacha) Eugénio Makukule (Chefe do Departamento de Indústria na Direcção das Actividades Económicas) Reginaldo Macamo (Chefe de turno no Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Gabriel Bila (“Facilitador” de imigração ilegal em Ressano Garcia) Catopole e Matavel (Comandantes da Polícia de Guarda fronteira do Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Manica Mário Inácio Omia (Secretário permanente da província de Manica) Joaquim Zefanias (Secretario permanente distrital de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. imigrante Zimbabweano. de nacionalidade Maliano.Mondlane Nataniel (Chefe do Departamento de Formação na Migração) Rodrigo César Mabote (Director das Finanças no Governo da Cidade de Maputo) Xavier Timane (Chefe do Departamento de Indústria ao nível da Indústria e Comércio no Governo da Cidade de Maputo) Francisco Mazoio (Organização dos Trabalhadores de Moçambique. 26 anos de idade) Filipe Lucas Cumbe (Director provincial de migração de Manica) 90 .

desde 1998. Okoro (Importador e Comerciante de acessórios de veículos na cidade da Beira. Indiano de 30 anos de idade) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. desde 2005. de nacionalidade Bengali) Abdul Majid (Comerciante de produtos da primeira necessidade em Caia.Rogério Jorge Tomé (Chefe de departamento da policia de protecção– Chimoio) Alberto Limene (Chefe do posto de migração de Machipanda– Manica) Ibraimo Barry (Comerciante de roupa na cidade Chimoio desde 2008. 37 anos de idade) Faizal Raul Daude (Motorista de camiões de longo curso da Empresa TRANSRIVER) José Fernando Tefula (Administrador do distrito de Manica) Joaquim Zefanias (Secretário permanente do distrito de Manica– província de Manica) Marcelino Jaime Mugumanha (Inspector da policia e comandante da 7ª companhia da foça de guarda fronteiras de Machipanda– Manica) Sofala António Maquina (Secretario permanente da província de Sofala) Zacarias Cossa (Comandante provincial da PRM na província de Sofala) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. desde 2005. de nacionalidade Maliano. Paquistanês de 32 anos de idade) Michel w. desde 2001. de nacionalidade Bengali) Amine Whael Vali Mahomed (Comerciante agro-retalhista na cidade da Beira. desde 2003. desde 1999. Nigeriano de 42 anos de idade) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. 30 anos) Koita Thirou (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2005. nacionalidade de Guine) Gausse Tara (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado de ferro ) desde 2008. de nacionalidade Maliano. de nacionalidade Bengali) José Cuele António (Administrador do distrito de Caia – província de Sofala ) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) 91 .

Zobué) Ofélio Amisse Alfredo (Comandante da Companhia. Zobué) José Francisco Xavier (Chefe do Posto Migratório. Sargento da Polícia. Zobué) Santos Rafael (Guarda da Polícia.UCM) Gilberto Cochelane (despachante aduaneiro) Zé Rufino José Afonso (estudante da UP e funcionário da procuradoria de Tete) Manuel Paulo (Adjunto Superintendente da Polícia. Hamede (Directora provincial de migração de Sofala) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. Tete) Jaime Sousa (Chefe do Departamento de Nacionais e Estrangeiros. Hermenegildo Santana Chimarzene (Docente de Metodologia de Trabalho IntelectualUniversidade Católica de Moçambique.Comandante da 4ª companhia de Zobué. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Indiano de 30 anos de idade) Tete Claudina Maria de São José Mazalo (Secretária Permanente da Província de Tete) Jamal Chande (comandante geral da Polícia da província de Tete) Ofélio Jeremias (inspector chefe da direcção provincial do trabalho) César Sampaio e António Namahate (Comando da Guarda Fronteira. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Zobué) Niassa 92 .Chefe dos efectivos do Batalhão. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Direcção Provincial da Industria e Comércio) Dr. desde 2001.Direcção Provincial de Migração) Mariano Miguel José (Director Provincial Adjunto.Direcção do Plano e Finanças) Domingos Muleque (Chefe do Departamento do Comercio.Chefe do estado Maior do 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) Gabriel Andre Chofomo (Chefe da Secção de Reconhecimento.Maria Lavinea M.

Niassa) Carlos Abudo Momade (Administrador do Distrito do Lago) Inácio Angelo (Representante da Direcção Distrital de Migração) José Napuite (Comandante Distrital da PRM) Edson Felix (Representante da Direcção Distrital das Alfandegas) Paulo Saide (Director Distrital das Actividades económicas) Nampula Armando Fietinies ( DIRECTOR PROVINCIAL DE IMIGRAÇAO) Amisse António (DIRECTOR PROVINCIAL DE TRABALHO) Arsenia Massigue( Comandante provincial) Antonio Mussupai (INAR) Hamide satar (representante da associação islâmica de Nampula) Antonio Pilate( Administrador de Nacala) Francisco Mucanheia (Secretario permanete Nampula) Pa Fernao Massena (Director da afaculdade de direito da Universidade católica) Rui Buco (Técnico de Emprego) Mario Camilo (Director de trabalho de Nacala) Cabo Delgado 93 .Substituto do Comandante da Companhia.Guarda Fronteira de Niassa) Afonso Yassin (Chefe da Secção de Reconhecimento e Investigação) Dra. Maria Ernesto Ndupa (Directora Provincial do Trabalho) Luis David Mandau (Chefe do Departamento do Movimento Migratório.Ivete Alane (Secretária Permanente Provincial) João J. Niassa) Dr. Manuel Domingos Cidade (Chefe da Repartição da Logistica e Finanças.Director Substituto da Direcção Provincial de Migração. Mahunguele (Comandante Provincial da Polícia.

João Motim Rodrigues (Director provincial de trabalho) Raul Ossufo Omar (Director da Ordem e segurança. Cabo Delgado) Alberto Estêvão Ntanga (Técnico de Emprego) Alfredo Bento Muhurua (Chefe da repartição em Mueda) Cassimiro Antonio Cadre (Chefe da repartição do reconhecimento de Investigação) Higino Sumale ( Chefe das operações do comando distrital em mueda) Bené( director de migração Cabo delgado) Stik satar( Imigrante / Libanes) Terry Leopold (IMIGRANTE DO SENEGAL) Issufo Hassan ( Imigrante Tanzania) 94 .

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