Imigração em Moçambique: Impacto Sociopolítico, Económico e Cultural

Draft

Calton Cadeado Enilde Sarmento Énio Chingotuane Pedro Nhachete

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Maputo, Dezembro de 2009
ÍNDICE--------------------------------------------------------------------------------------------------------2 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.1. Problemática----------------------------------------------------------------------------------------------4 1.2. Objectivos-------------------------------------------------------------------------------------------------5 1.3. Metodologia-----------------------------------------------------------------------------------------------6 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL-----------------------------------------------7 2.1.Debate conceptual----------------------------------------------------------------------------------------7 2.2. Teorias sobre imigração-------------------------------------------------------------------------------10 2.2.1. Modelo de migração do capital humano----------------------------------------------------------10 2.2.2. Teoria do sistema mundial--------------------------------------------------------------------------11 2.2.3. Teoria da modernização-----------------------------------------------------------------------------12 2.2.4. Teoria da Globalização------------------------------------------------------------------------------12 3.ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO-------------------------------------------------------------13 3.1.Legislaçao Internacional--------------------------------------------------------------------------------13 3.2.legislaçao nacional--------------------------------------------------------------------------------------17 4. CARACTERIZAÇÃO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS, ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇÃO DOS IMIGRANTES-- -----------------------------21 4.1 Origem dos imigrantes----------------------------------------------------------------------------------22 4.1.1. Condição sócio económica dos imigrantes em Moçambique ----------------------------------23 4.1.2. Categorias dos Imigrantes em Moçambique------------------------------------------------------26 4.2. Rotas de entrada dos Imigrantes----------------------------------------------------------------------28 4.3. Locais de Fixação---------------------------------------------------------------------------------------31 5. FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE--32 5.1. A teoria Push-Pull--------------------------------------------------------------------------------------33 5.2- O caso de Moçambique--------------------------------------------------------------------------------33 6. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE----------------------------------------36 6.1. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO ---------------------------------36 6.1.1. Segurança----------------------------------------------------------------------------------------------37 6.1.2. Ligação entre Imigração e segurança--------------------------------------------------------------38 6.1.3. Impacto da Imigração na segurança---------------------------------------------------------------40 6.1.4. Impacto da Imigração na Segurança do Estado--------------------------------------------------40 6.1.5. Impacto da Imigração na Segurança Pública-----------------------------------------------------41 6.2.IMPACTO DA IMIGRAÇÃO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA----------------------45 6.2.1- Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia------------------------45 6.2.2. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes-----------------------------47 6.2.3- Impacto da Imigração nos Sectores da Economia-----------------------------------------------49 6.2.4- Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho-------------------------------------------------54
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6.3.IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL DA IMIGRAÇÃO------------------------57 6.3.1. Multiculturalismo ou Assimilação? ---------------------------------------------------------------57 6.3.2. O Transnacionalismo Imigrante--------------------------------------------------------------------62 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes-------------------------------------------------------------------63 6.3.4. Integração Política e Cidadania---------------------------------------------------------------------69 6.3.5. Imigração e Género ----------------------------------------------------------------------------------72 7. SUPERVISÃO E CONTROLO----------------------------------------------------------------------73 7. 1.Constatação sobre Supervisão e Controlo-----------------------------------------------------------74 7.2. Experiencia Europeia e Norte- Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes---------75 7.3. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo------------------------------------77 8. Conclusões e Recomendações-------------------------------------------------------------------------79 9. Referencias------------------------------------------------------------------------------------------------85

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a crise financeira asiática de 1997 (que se alastrou depois a diversas economias em desenvolvimento do resto do mundo). Com efeito. A título de exemplo. No entanto. razões políticas. O estudo da imigração torna-se particularmente pertinente. Neste contexto. um crescente fluxo de imigração legal e ilegal inter-africana e de não africanos que procuram a África Austral e. sociais. vários Estados. particularmente ilegal. paradoxalmente. impacto positivo do ponto de vista económico. e outros. económicas bem como a existência de catástrofes naturais. porque como referem Rourke e Sinnot: (2003). O Interesse no Estudo da imigração variou consideravelmente ao longo do tempo. em alguns casos. igualmente. político de tal forma que alguns Estados ricos e desenvolvidos. estão a desenvolver políticas de imigração para resolver problemas de envelhecimento da população e redução da força produtiva. principalmente. estão a debater de forma multilateral e/ ou bilateral a imigração devido. África contribui em larga medida para o crescimento da imigração. Contudo a procura de melhores condições de vida e de trabalho foram sempre factores determinantes para aqueles que recorrem a imigração. geram enormes fluxos migratórios (nomeadamente imigrantes ilegais em busca de asilo politico) como refere Appleard (1992). A imigração é um fenómeno que tem estado a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle dos Estados a nível mundial. algumas vezes assumem contornos violentos na Europa. a imigração cria. a permanente situação de refugiados no Corno de África. a queda do bloco soviético na década 90. vários Estados tem vindo a perder população e outros estão a receber um fluxo de imigrantes que tem criado um impacto sociopolítico e económico controverso. paradoxalmente.1. a nível mundial. os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial. igualmente. Acontecimentos como os choques petrolíferos. 4 . regista-se. No entanto. INTRODUÇÃO A imigração foi sempre uma constante na história da humanidade. consoante o momento da história. tendo como causas principais. nos países ricos e desenvolvidos. social e. a “eurofobia” e a “islamofobia” constituem problemas que estão a criar sentimentos nacionalistas que. ao seu impacto negativo na estabilidade sociopolítica e económica.

constitui uma fragilidade na forma como deve ser abordada a problemática da imigração. Paralelamente. de per si. permite a entrada massiva de imigrantes dos vários quadrantes de África e do mundo. a inexistência de uma capacidade de controlo das fronteiras nacionais terrestres e marítimas. em Moçambique. 1. em Moçambique. O fenómeno imigratório adquire deste modo. um dos maiores receptores de imigrantes que podem ser fonte ou solução de problemas. a imigração é uma realidade que coloca Moçambique num dilema permanente em matéria de política ou estratégia nacional de imigração. devido a estabilidade sociopolítica. actualmente. Portanto. Moçambique.1. uma importância inquestionável. A abordagem dos assuntos de imigração. Com efeito. ligada a dificuldade de coordenação institucional entre os principais agentes ou actores estatais torna o país vulnerável em relação a esta problemática. Paralelamente. é. aliado ao facto do Estado ter uma fraca capacidade de controlo das mesmas. Esta fragilidade pode ser agravada pelo provável crescimento de imigrantes resultante das facilidades de abertura e circulação de pessoas e bens no âmbito da integração regional na África Austral. um país em vias de desenvolvimento que outrora foi um dos maiores “exportadores de mão-de-obra” para a África do Sul. Problemática A principal questão que se coloca é que Moçambique não possui uma estratégia nacional de imigração que. Assim. a concorrência pelo mercado de trabalho e alegado recrudescimento de determinados tipos de crimes associados aos imigrantes levanta receios de ocorrência de ataques xenófobos similares ou piores aos que aconteceram na África do Sul. a fraca disponibilidade de mão-de-obra qualificada e as obrigações legais e morais de direitos humanos colocam Moçambique numa situação de “aceitação forçada” da imigração. e Moçambique assume-se como um país de destino para um crescente número de cidadãos de nacionalidade estrangeira.particularmente Moçambique onde a livre a circulação de pessoas e bens é uma realidade imposta pela integração regional. faz com que o Estado moçambicano enfrente grandes dificuldades nesta problemática. Esta vulnerabilidade constitui um problema que pode ser agravado pela imigração 5 . A extensão das fronteiras.

oportunidades e desafios sociopolíticos. é pertinente a realização de estudos sobre a dimensão e o impacto real (positivo e negativo) da imigração na estabilidade sociopolítica. Alias. económicos e culturais da imigração em Moçambique. Discutir o impacto positivo ou negativo da imigração em Moçambique. estas e outras perguntas somente podem ter resposta através de uma pesquisa que permita uma recolha de informação sobre o real. Assim. cultural. Esta é uma das questões que sustenta e serve de pretexto para a pesquisa. Identificar a origem. Objectivos Específicos (i) (ii) (iii) (iv) (v) Identificar as ameaças. político.2. social. médio e longo prazo no domínio económico. económico e cultural da imigração em Moçambique. económica e na segurança de Moçambique. rotas de entrada e locais de fixação dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique. 6 . Como se explica que um país pobre como Moçambique esteja a atrair um número crescente de imigrantes legais e ilegais? Será que o país tem condições materiais e financeiras de controlar o fluxo de imigrantes? Que implicações terão a entrada massiva de imigrantes a curto.ilegal que tem vindo a crescer mas cuja magnitude e impacto holístico é realisticamente desconhecido em Moçambique. Objectivos Objectivo Geral O trabalho tem como objectivo geral. cultural e na segurança do país? 1. e Analisar os factores que tornam Moçambique num centro de convergência de imigrantes. analisar o impacto sociopolítico. Analisar a capacidade institucional de Moçambique em matéria de supervisão e controlo de imigração.

Após o trabalho de campo seguiu-se ao processamento da informação recolhida e a produção do relatório de pesquisa obedecendo o método SWOT. que consistiu na avaliação dos pontos fortes.3. deputados e lideres de partidos políticos) e alguns imigrantes. Em termos gerais. jornalistas. departamento de estudos sociais. foram escolhidas 7 províncias receptoras do maior número de imigrantes nomeadamente Maputo. organizações da sociedade civil. Foram também colhidos dados estatísticos da situação dos imigrantes em Moçambique. líderes religiosos. Sofala. foi realizado um estudo de campo que foi conduzido por uma equipa de pesquisadores do CEEI/ISRI. a segunda técnica baseou-se num inquérito a opinião pública. Em ternos de amostra. directores provinciais. académicos. Metodologia A realização do estudo começou com uma pesquisa bibliográfica com vista a identificar obras de autores que abordam o assunto em estudo. Cabo Delgado e Niassa.1. A pesquisa bibliográfica permitiu aos pesquisadores entrar em contacto directo com todos os escritos sobre a imigração. a identificação de entrevistados da opinião pública foi baseada numa amostragem aleatória da população das regiões alvas. Foram combinados pesquisadores envolvendo o departamento de economia. A escolha dos distritos foi baseada em dois critérios que compreenderam: distritos fronteiriços e costeiros e os grandes centros urbanos. principalmente nas zonas de entrada e fixação de imigrantes. as fraquezas. líderes sindicais. A pesquisa de campo compreendeu duas técnicas fundamentais: A primeira técnica foi baseada em entrevistas abertas individuais e colectivas a grupos alvos constituídos por opinion leaders (empresários. Tete. Manica. as oportunidades e as ameaças da presença de imigrantes em Moçambique. políticos e culturais e o departamento de estudos de paz e segurança. A equipa de pesquisadores foi composta por especialistas de acordo com as exigências que a pesquisa impõe. Após o levantamento bibliográfico. Uma amostragem 7 . o que possibilitou o reconhecimento de aspectos importantes que cercam o tema em estudo. Nampula.

tecnocratas. árabes e negros. Existem também vários entendimentos sobre o conceito de refugiados. Muitas vezes. Poucos instrumentos jurídicos moçambicanos esclarecem de uma forma clara e objectiva o que é o cidadão imigrante. O termo imigrante só é usado por um grupo esclarecido de políticos. Nigerianos. assegurando a validade interna e externa do estudo. o conceito de imigrante é substituído pela categorização étnica dos indivíduos como por exemplo. Chineses. 2. Talvez por ser uma realidade recente para Moçambique. o conceito aparece pouco esclarecido. o indiano e o árabe como estrangeiro. Ao observar-se as leis No 5/93. Existe portanto um vazio no que diz respeito ao conceito de imigrante em Moçambique. Os equívocos conceptuais e a falta de clarificação do conceito de imigrante são em si uma ameaça a ordem social e política do Estado moçambicano. estudantes universitários ou pela média e mesmo aqui. principalmente se estes equívocos permanecerem nas médias e ao nível do discurso político. Esta definição baseada na cor da pele demonstra um desconhecimento quase geral da situação dos naturalizados e aqueles moçambicanos de raça não negra que adquiriram a nacionalidade moçambicana na altura da independência. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL 2. sociólogos. o decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. não existe muito rigor na definição do conceito de imigrantes e muito menos uma definição clara da política de imigração.probabilística aumenta substancialmente a chance dos participantes serem representativos da população-alvo. Debate Conceptual Existe no seio dos analistas políticos. muitas vezes manifestados pelos moçambicanos negros nas situações do diaa-dia. Para o inicio da nossa clarificação. considerando somente os negros como nacionais. um conceito difuso sobre imigração e imigrantes. Portugueses ou pela categorização racial como por exemplo. 2) nem todo o negro é moçambicano e 3) nem todo o estrangeiro é imigrante. e sequer existe um conceito oficial de imigração. facilmente se constata que a 8 . Para além disso são a raiz de sentimentos racistas. brancos. A maioria dos moçambicanos ainda vê o branco.1. e a lei do trabalho No 23/2007 de 1 de Agosto. é necessário que fique assente o seguinte: 1) nem todo o não negro é estrangeiro.

a legislação moçambicana prefere definir trabalhador estrangeiro e não trabalhador imigrante. sendo mais frequente a terminologia estrangeiro. sendo considerados refugiados. Para além disso. Por outro lado. Esta definição não espelha claramente o que é um imigrante pois. 2) tempo de estadia e 3) intenção de trabalhar ou residir em um outro Estado. com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. perseguição. os indivíduos que se estabelecem no país estrangeiro por convite do Estado ou empresas do país hospedeiro ou que tenham sido enviados por representação pelos seus estados ou organizações internacionais não são considerados imigrantes. genocídio. existe uma necessidade de adicionar um outro critério importante. Para que isso aconteça. não são considerados imigrantes. Normalmente. De acordo com a lei 5/93. Para que o indivíduo seja considerado imigrante é necessário que ele tenha vontade de sair do seu país e vontade de permanecer noutro país. estrangeiro é todo o cidadão que não tenha a nacionalidade moçambicana. Normalmente. A questão que se coloca é: qual é o conceito de imigrante utilizado em Moçambique? O conceito mais conhecido e comummente aceite considera imigração como o movimento de entrada. a vontade dos indivíduos. de pessoas ou populações. os estrangeiros enviados pelos seus estados ou organizações internacionais para trabalhar em Moçambique e os estrangeiros que vem a Moçambique por vontade e iniciativa própria. por si só. (REF) O facto de terem transposto a fronteira de um outro Estado e permanecerem temporariamente não lhes coloca na situação de imigrantes e o seu estatuto é protegido pela legislação internacional específica. fazer negócios ou transitar para outro país. o cidadão estrangeiro deve permanecer no país hospedeiro por um médio ou longo período de tempo. Todo aquele que permaneça um curto período de tempo não deve ser considerado imigrante pois. (REF) Como se pode ver por esta definição. categoria de imigrante ao cidadão estrangeiro. limpezas étnicas. existem 3 critérios fundamentais para definir imigrante: 1) transpor as fronteiras de um outro Estado. não confere. de um país para outro. O acto de transpor a fronteira de um outro país. os indivíduos que são forçados a abandonar o seu país por motivos de conflito.terminologia imigrante não é usual. deve existir uma distinção entre os estrangeiros que estão no país a convite do Estado ou empresas moçambicanas. Na concepção deste trabalho. nem todo o estrangeiro é imigrante. a sua intenção é fazer turismo. visitar. 9 . guerras.

Com base nos pressupostos acima referidos. possuem nomes semelhantes. Segundo alguns autores. Pessoas enviadas ou empregadas por um Estado ou em seu nome fora do seu território que participam de programas de desenvolvimento e outros programas de cooperação. Adicionado a estes factores. Quando é que os cidadãos da fronteira se tornam imigrantes é uma questão que preocupa aos moçambicanos. Quem é quem. Apesar de este conceito deixar claro quem é o imigrante.A título de exemplo. ainda existem zonas de penumbra em relação as populações que vivem nas zonas fronteiriças. não são considerados trabalhadores imigrantes os indivíduos que trabalham nas representações diplomáticas e consulares. os indivíduos enviados para trabalhar em outro país por agências ou organizações internacionais e pessoas enviadas ou empregadas por um Estado fora do seu território para desempenhar funções oficiais. em conformidade com esse acordo. A fronteira fictícia definida em termos geopolíticos não é sentida nem reconhecida em termos socio-antropológicos. de acordo com a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. cuja admissão e estatuto são regulados pelo direito internacional geral ou específico por acordos ou convenções internacionais. Enquanto o malawiano mantiver família em Moçambique nos limites da fronteira não é 10 . podemos assumir que imigrantes são os indivíduos que se estabelecem voluntariamente num território. casam-se entre si e possuem traços raciais e fenotípicos semelhantes. deve-se lembrar que durante o conflito armado muitos moçambicanos foram viver nos países vizinhos e criaram laços de parentesco e casamento nesses países. não são considerados trabalhadores migrantes. Torna-se particularmente difícil quando as populações dos dois lados da fronteira se consideram uma comunidade. Hoje. Estas populações são incapazes de definir onde é a sua casa e quando a adversidade se instala numa das casas mudam-se para outra casa sem obedecer as regras internacionais. REF a definição de imigrante fica associada a questão distância. de forma temporária ou permanente com intenção de trabalhar e/ou residir no território nacional. é difícil distinguir o moçambicano da nova família ou da família adoptiva. A circulação não é feita de um país para o outro mas sim de uma casa para outra. cuja admissão e estatuto são regulados por acordo com o Estado de emprego e que. falam a mesma língua. é uma questão complicada.

2. o processo de imigração é auto-selectivo.considerado imigrante mas. Europa do leste para a Europa ocidental e inclusive pela migração África austral para África do sul. são poucos os trabalhos teóricos que abordam o impacto dos imigrantes nos países de acolhimento. que é a teoria mais aplicada para explicar movimentos migratórios.1 Modelo de migração do capital humano De acordo com o modelo de migração do capital humano (REF). a medida que se introduz para o interior do país é considerado imigrante. Neste sentido. De acordo com esta teoria. Na verdade. As principais teorias da imigração abordam as razões da imigração. Teorias Sobre Imigração Até hoje não foi possível fazer uma grande teoria da imigração nem uma teoria interdisciplinar porque cada disciplina tem a sua linguagem conceptual e analítica. 2. métodos e conhecimento epistemológico. existe um acordo entre Moçambique e os países vizinhos que permite as populações fronteiriças circularem livremente num raio de 20 km.2. o homem movido pela sua racionalidade. Dentre as teorias que explicam as razões da imigração existe um denominador comum: a relação salário. o conceito de violação de fronteiras é mais virtual do que prático. viagem e todos os bens e serviços pagos no processo de migração. Por outro lado. sendo frequente a discussão em relação ao impacto dos imigrantes sobre os países de origem. melhores condições de vida e imigração. incluindo o reassentamento no local de destino). uma vez que as fronteiras nacionais são abertas e a demarcação fronteiriça não obedece sempre a marcos geográficos evidentes. no sentido de que só vai imigrar quem tem condições de financiar os custos inerentes a migração (passaporte. 2. 11 . imigra dos seus mercados para outros mercados motivados pelos elevados salários e melhores condições de trabalho. África. Esta tendência pode ser comprovada pela migração sul-norte no sentido América latina América do norte. médio oriente. O debate sobre a pessoa do imigrante ainda oferece outras zonas de penumbra que devem ser clarificadas por novos estudos sobre a matéria.

o modelo de migração do capital humano não consegue explicar as tendências migratórias para países como Moçambique. observa também a relação entre empregos no país de origem e empregos no país de acolhimento. O centro seria mais desenvolvido. factor que explica a mobilidade de trabalhadores imigrantes que saem da África. na expectativa de recuperar o investimento com os salários altos do país de acolhimento. Maputo seria o centro e as outras províncias a periferia. A teoria do sistema mundial admite também que a periferia também tem os seus centros. 2003:464-465). principalmente nos países do ocidente. Esta teoria sustenta que o sistema mundial é caracterizado por hierarquias sobrepostas (Goldstein. 2003:465). 2.3 Teoria da modernização 12 .2. Europa do leste para a Europa ocidental e da América latina para a América do norte. menos industrializada. A África do Sul pode ser considerada o centro da África Austral. Apesar de largamente divulgada e difundida. O mesmo padrão de migração se verifica na periferia da periferia para o centro da periferia. Esta teoria admite que os trabalhadores da periferia querem imigrar para o centro a busca de trabalho e melhores salários. terá mais propensão para migrar aquele que tenha condições de financiar estes custos. mais industrializado. com mais trabalho e melhores salários e a periferia seria menos desenvolvida.2. 2. O modelo de migração do capital humano observa a relação entre salários no país de origem e salários no país de acolhimento. ao nível nacional.Segundo esta teoria. médio oriente. onde a existência de empregos é escassa e os salários são mais baixos do que a média regional. com poucos empregos e com baixos salários (Goldstein.2 Teoria do sistema mundial A teoria do sistema mundial vê o mundo como estando constituído por um centro e uma periferia.

Movidos pela tomada de decisão racional. 2008:119). e outros. as gerações de imigrantes vão se sucedendo perpetuando a ligação entre o país de acolhimento e o local de origem.Os primeiros estudos sobre imigração internacional baseavam-se na teoria da modernização que distinguia o mundo em dois pólos: um desenvolvido e outro pobre. Em vez de criar desenvolvimento. políticas e económicas que vem acontecendo nas últimas décadas motivadas pela integração da economia mundial e dos mercados nacionais numa economia global movido pelas grandes corporações internacionais. os conceitos de push/pull ainda são dominantes na análise sobre movimentos migratórios (Brettell. a nova onda de imigração internacional é uma consequência directa do processo de globalização. Ainda na assumpção desta teoria. esta tendência contribui para o desenvolvimento dos locais de origem pois os imigrantes enviam os seus rendimentos para a origem e esse dinheiro seria usado para investimentos.4 Teoria da globalização De acordo com a teoria da globalização. é um conjunto de transformações sociais. Factores de repulsão: guerra. violência. os indivíduos saem do sector tradicional para o sector moderno que oferece melhores salários (Brettell. Para além disso. Os estados abandonam gradualmente as 13 . Vários são os autores que contestam a teoria da modernização defendendo que nem sempre o dinheiro enviado é usado para investimentos mas sim. factores de produção como a mão-de-obra. Apesar da teoria da modernização ser contestada na generalidade. o imigrante não encontra as condições materiais para aplicar os seus conhecimentos. fome. 2008: 118). De acordo com esta teoria. abusos aos direitos humanos. as pessoas deslocam-se dos locais onde abunda mão-de-obra para os locais onde abunda capital. perseguição étnica e política. A globalização por seu turno. uma vez regressado. as migrações eram motivadas por dois factores: os factores repulsivos (push factors) e os factores atractivos (pull factors). 2008:119). uma vez regressados a origem os conhecimentos adquiridos seriam aplicados para o desenvolvimento do local de origem (Brettell. De acordo com a teoria da modernização. para o consumo e.2. estagnação económica. 2. Motivadas pelo consumismo e devido a sua dependência. Esta teoria assenta na assumpção de que existem dois sectores da economia: um moderno e outro tradicional que trocam para além de bens e produtos. a imigração cria comunidades dependentes e consumistas.

uma vez iniciada. mão-de-obra e tecnologia. ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO 3. investimento e comunicação.1. a aceleração económica e a competitividade não beneficia a todos os estados pois. produção. O entra e sai de pessoas é ao mesmo tempo obrigatório porque dinamiza toda uma economia de produção e consumo. os estados resistem e continuam a desempenhar o papel de actores privilegiados e detentores da soberania sobre os seus territórios impondo regras de entrada e saída dos factores de produção como capital. 3. Este processo tem sido acompanhado por uma intensa revolução nas tecnologias de comunicação e informação. Antes de se avaliar o impacto dos imigrantes é preciso perceber o que a lei permite e que oportunidades ou dificuldades ela cria na vida do imigrantes. Neste mundo sem fronteiras.barreiras tarifárias e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Os efeitos dessa rapidez de comunicação e informação ultrapassam a dinâmica económica e provocam a uniformização e a homogeneização da cultura das sociedades. Legislação Internacional Para uma avaliação sobre o impacto sociopolítico. torna-se necessário conhecer a margem de actuação que estes gozam pela legislação internacional e pela legislação nacional. ela se garante por meio de redes regionais de comércio. económico e cultural dos imigrantes em Moçambique. Motivando o surgimento de uma aldeia global. É perigoso porque os estados perdem a capacidade de suportar o elevado índice de estrangeiros nos seus territórios. No entanto. os estados sentem que existe uma grande interdependência entre eles e por força disso pactuam e negoceiam cedências mútuas. O primeiro instrumento internacional que estabelece a liberdade dos indivíduos deslocarem-se para 14 . No entanto. Para além da mobilidade de mão-de-obra entre países assiste-se a mobilidade de capital e tecnologia de uma região para outra. Os países moldam-se para atrair investimentos de toda espécie e surge uma grande competitividade entre os estados. Todavia. Os estados tornam-se incapazes de controlar esta dinâmica que extrapola os seus limites territoriais pois. a mobilidade do capital e do comércio provocam uma crescente mobilidade de mão-de-obra dos países perdedores para os países ganhadores tanto do centro como da periferia. existem ganhadores e perdedores.

O artigo 9 desta convenção obriga os estados signatários a permitirem remessas de dinheiro por parte dos imigrantes em conformidade com a legislação monetária nacional. Os membros das representações diplomáticas e consulares. O artigo 6 desta convenção convoca os estados a tomarem medidas punitivas para os empregadores de imigrantes clandestinos e para a detecção dos imigrantes ilegais. no tocante a remunerações. artigo 4. toda gente tem o direito a ser reconhecida como uma pessoa em qualquer país e perante a lei. viagem e acolhimento dos trabalhadores imigrantes e. e tem o direito de regressar ao seu país. a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem empreendido vários esforços na protecção dos imigrantes desde a sua criação em 1919. e na Parte II da igualdade de oportunidade e de tratamento. das migrações em condições abusivas. que nos seus artigos 13 e 14 defendem o seguinte: Artigo 13 (1) Todo o homem tem direito à liberdade de se movimentar e residir dentro das fronteiras dos Estados. organizações sindicais e segurança social. o seu estatuto jurídico é regulado pela convenção de Viena sobre relações Diplomáticas de 18 Abril 1961 e a convenção de Viena sobre relações consulares de 24 Abril 1963. A convenção Nº143 da OIT trata. Artigo 14 (1) Todo o homem tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países em caso de perseguição. filiação. As duas principais convenções da OIT. obriga os estados a concederem aos imigrantes tratamento igual ou que não seja menos favorável àquele que beneficiam os nacionais. em matéria de legislação laboral. relativas aos trabalhadores imigrantes são: a Convenção Relativa aos Trabalhadores Migrantes (convenção No 97 de 1949. particularmente na protecção dos trabalhadores imigrantes. (2) Todos têm o direito de deixar qualquer país.outros países é a declaração universal dos direitos do homem assinada a 10 de Dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). O artigo 6 da mesma convenção defende que. a convenção alerta para os perigos e a obrigatoriedade dos estados evitarem o emprego de imigrantes ilegais e o trânsito de migrantes clandestinos. que faz uma revisão da convenção sobre trabalhadores migrantes de 1939) e a Convenção Sobre as Imigrações Efectuadas em Condições Abusivas e Sobre a Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento dos Trabalhadores Imigrantes (convenção No 143 de 1975). inclusive o seu próprio país. Na primeira parte. artigo 6. Na segunda 15 . A par dos esforços da ONU. na Parte I. A convenção Nº 97.obriga os estados membros da OIT a facilitarem a partida. apesar de residentes num país estrangeiro e exercerem actividades laborais no estrangeiro não são considerados imigrantes.

obriga os estados a informarem sobre os direitos e obrigações dos imigrantes e os mecanismos para sua protecção e convida os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. o estado de acolhimento deve autorizar que o cônjuge e filhos menores ou dependentes de um estrangeiro que reside legalmente no território do Estado deve ser admitido para acompanhar. no artigo 10. cultura e tradição. o direito à liberdade de expressão. segurança social. consciência e religião. de opinião. o direito à liberdade de circulação e a liberdade de escolher sua residência no interior do Estado. e ainda. as disposições relativas a igualdade de tratamento em matéria de emprego e profissão. o direito de manter sua própria língua. o direito à propriedade. o direito à vida e à segurança pessoal. participar e ficar com o estrangeiro. a convenção reafirma. para casar e fundar uma família. Esta convenção reafirma todos os 16 . o direito à protecção contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada. Para fortalecer os postulados relativos aos imigrantes. família. o direito de transferir o seu salário. a ONU adoptou em 1985 a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. liberdades individuais e colectivas para aqueles que se encontrem legalmente nos seus territórios.parte. o direito de ser iguais perante os tribunais e todos os outros órgãos e entidades da administração da justiça. e outros bens monetários para o estrangeiro nos termos das regras monetárias do país de acolhimento. em conformidade com a legislação nacional e em função das obrigações internacionais do Estado em que estão presentes. adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1990. Segundo esta declaração. O instrumento normativo mais importante para a defesa dos trabalhadores imigrantes é a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores migrantes e os membros das suas famílias. O artigo 12. Dentre os vários direitos foram incluídos. o direito para escolher um cônjuge. no lar ou na sua correspondência. Os estrangeiros gozam vários direitos. o direito à liberdade de pensamento. direitos sindicais. culturais. A declaração estabelece no artigo 8 algumas disposições relacionadas com os trabalhadores imigrantes defendendo que os estrangeiros têm direito a salários justos e iguais por trabalho de igual valor e o direito de aderir a sindicatos e outras organizações ou associações similares. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. no seu Artigo 5. o direito de reunião pacífica. poupanças. o direito de manifestar sua religião ou crença.

são abrangidas aos trabalhadores nacionais. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. A Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas. estabelecido no artigo 6. O outro instrumento é o Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. férias remuneradas. a segurança social. a ONU desenvolveu vários outros instrumentos destinados a protecção dos estrangeiros. Como se pode depreender. Mar e Ar. Um dos objectivo deste protocolo. a legislação internacional criou instrumentos normativos para proteger a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. horas extras. é convidar os estados a proteger e assistir as vítimas do tráfico e garantir o respeito pelos direitos humanos. adoptado a 15 de Novembro de 2000. religiosa e linguística das minorias dentro dos respectivos territórios e devem incentivar as condições para a promoção dessa identidade. cultural. o artigo 7 convida os estados a aceitarem a permanecia definitiva ou temporária das vítimas de tráfico no seu território. O artigo 25 acrescenta que os trabalhadores imigrantes têm direito a boas condições de trabalho.pressupostos da declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem e acrescenta postulados relativos a proibição da escravatura e servidão. Um destes instrumentos é o Protocolo para Prevenir. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. de acordo com a legislação e a prática nacionais. Especialmente Mulheres e Crianças. descanso semanal. a saúde. no artigo 1. a proibição do trabalho forçado exalados no artigo 11 e 23. esta convenção afirma no artigo 16. é outro instrumento de importante valor para a protecção dos imigrantes nos países de acolhimento. Religiosas e Linguísticas adoptado a 18 de Dezembro de 1992. Para além destes instrumentos específicos e centrais. A concessão de direitos e liberdades fundamentais aos imigrantes pela legislação internacional tem um efeito determinante no comportamento dos 17 . adoptado a 15 de Novembro de 2000. De acordo com esta declaração. a cessação da relação de trabalho e quaisquer outras condições de trabalho que. Por sua vez. Um dos objectivos deste protocolo é prevenir e combater o contrabando de imigrantes e proteger os direitos dos imigrantes contrabandeados. os estados devem proteger a existência e a identidade nacional ou étnica. horas de trabalho estabelecidas por lei. o direito a protecção diplomática e consular a todos os imigrantes e os membros das suas famílias em casos de detenção por actos criminais. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas.

a partir daí afectarem positivamente no desenvolvimento económico desses países. Legislação Nacional A imigração não é um fenómeno novo na história de África e de Moçambique. étnicos. as constantes migrações devido aos atractivos económicos e ambientais obrigaram os estados a aceitarem indivíduos de outras etnias concedendo-lhes espaço para habitação e cultivo.imigrantes e possibilita-lhes exercerem qualquer actividade. Com o inicio da colonização. 3. culturais ou linguísticos com os proprietários do território. As instituições dos estados primitivos estabeleceram normas e regras de entrada e permanência de indivíduos em territórios já ocupados. Este controlo é um dos pilares da soberania do estado e foi aplicado pelas potências europeias nas suas colónias africanas. A noção de estrangeiro já existia e estes não gozavam dos mesmos direitos e deveres dos naturais. só podia se estabelecer num território ocupado aquele que partilhasse laços familiares. nos países de acolhimento e. Desde os tempos mais remotos. o livre movimento de pessoas entre as várias regiões de África respondeu ao anseio natural dos homens pela sua sobrevivência. Porém. Com o advento das 18 . As práticas de nomadismo só reduziram com o advento da agricultura e quando os homens passaram a assumir a terra como propriedade privada e estabeleceram-se os primeiros estados. Cada potência controlava o seu território e a sua população impedindo a fuga de mão-de-obra para outras colónias.2. estes indivíduos eram diferenciados do resto da população. Apesar destas regras. comummente definido depois da partilha de África (na conferencia de Berlim em 1884-85). O princípio da soberania estabelecida no tratado de Westphalia determinou que os estados tenham direito sobre o seu território e os seus habitantes podendo impor as condições de entrada e saída do seu território aos nacionais e não nacionais. o livre movimento dos africanos ficou muito restringido e praticas de nomadismo deixaram de existir. a livre circulação de pessoas no continente africano sofreu grandes mudanças. dentro dos limites da lei. A conferência de Berlim definiu a necessidade das potências colonizadoras estabelecerem fronteiras de ocupação de forma a delimitar os seus territórios a semelhança do que era prática no continente europeu. Estas normas e regras primitivas vigoraram em África até o início da colonização europeia. Por força desta determinação. Por regra.

os estados africanos passaram a adoptar normas e regras de controlo fronteiriço estabelecidos pelas ex-metrópoles e adoptaram as normas internacionais relacionados com esta matéria. Desde o surgimento do estado hobbesiano. O controlo fronteiriço imposto durante o período colonial passou a ser exercido pelos estados recém independentes o que significou a continuação das políticas migratórias das metrópoles. as novas nações passaram a ser definidas em função das fronteiras coloniais. As normas sobre entrada. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. goza dos mesmos direitos e garantias e está sujeito aos mesmos deveres que o cidadão moçambicano. gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. origem étnica. estado civil dos pais. Todos os residentes no território até a altura da independência eram considerados nacionais e todo o não residente passou a ser estrangeiro. Muitos destes instrumentos.º 38/2006. o cidadão estrangeiro que resida ou se encontre em território nacional. com passaporte falso 19 . profissão ou opção política. De acordo com o artigo 4 desta lei. excluindo os direitos políticos e os demais direitos e deveres expressamente reservados por lei ao cidadão nacional.independências africanas (1960). permanência e saída do cidadão estrangeiro em Moçambique são actualmente regidas pela lei 5/93 de 28 de Dezembro. o artigo 35 da constituição afirma que todos os cidadãos são iguais perante a lei. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique e pelo regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. grau de instrução. Todo aquele que entre no território nacional sem passaporte. restringir e impedir o movimento migratório). independentemente da cor. Sendo assim. houve um acordo entre os estados africanos defendendo a irreversibilidade das fronteiras coloniais. lugar de nascimento. A política de imigração dos estados africanos passou a servir 4 objectivos principais (incentivar. Com efeito. os estados vem estabelecendo normas e regras para controlar o movimento de pessoas tanto nacionais como estrangeiros no território nacional. O primeiro instrumento que regula a relação entre o Estado e os cidadãos residentes em Moçambique é a constituição da república. A partir dai. raça. estabelecidas nas leis orgânicas dos Estados obedecem aos interesses e motivações dos estados individuais e também das normas e regras internacionalmente criadas. A mesma lei obriga ao cidadão estrangeiro que queira entrar em Moçambique que se apresente nos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos com toda a documentação necessária e que esteja munido de um visto em conformidade com a duração e os objectivos da sua estadia no país. religião. sexo. seleccionar. posição social.

os que entram por postos não habilitados são considerados migrantes clandestinos. que o trabalhador estrangeiro. afirma no Artigo 31. As entidades empregadoras devem criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração das empresas. a empresa prevaricadora pode ser punida. O artigo 2 da mesma lei estabelece como condição para a contratação de estrangeiros que A autorização para contratação de trabalhadores estrangeiros fica condicionada à comprovação pelo Centro de Emprego do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de que possuem qualificações académicas ou profissionais necessárias e que não existem cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente. a presente lei estabelece no artigo 6 que. pode o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou actividades que se enquadrem nas restrições ao seu exercício por cidadão estrangeiro. nomeadamente em razão do interesse público. no quadro das normas e princípios de direito internacional e em obediência às cláusulas de reciprocidade acordadas entre a República de Moçambique e qualquer outro país. no artigo 1. A lei do trabalho introduz novas clausula não previstas no decreto-lei 57/2003 20 .ou caducado. através do decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. O Artigo 11 desta lei prevê Sanções para as empresas que não observem as normas legais. A contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira por entidades empregadoras nacionais e estrangeiras fica sujeita à autorização do Ministro do Trabalho ou de quem este delegar. De acordo com esta lei. lei No 23/2007 de 1 de Agosto. a lei do trabalho. que exerça uma actividade profissional no território moçambicano. o governo estabeleceu. por cada trabalhador estrangeiro em relação ao qual se verifique a infracção. ou ainda. com a multa de dez a oitenta salários mínimos e o trabalhador estrangeiro fica imediatamente suspenso. Em relação ao trabalhador imigrante. Ainda em relação a contratação de trabalhadores estrangeiros. tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores nacionais. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. sendo que. Sem prejuízo do disposto no número anterior. Para além deste dispositivo que vela pela situação dos trabalhadores nacionais.

A empresa deve justificar que fez pesquisa nacional e que não achou moçambicanos com capacidades. A excepção a regra são os grandes projectos. Como seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir é um desafio para o estado moçambicano. capital. pelo artigo 32 da lei do trabalho.ao determinar. nas pequenas empresas. de negócios ou de estudante. quotas de admissão de trabalhadores estrangeiros. 21 . americanos. O estado fiscaliza. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. de visitante. o Estado veda. A prioridade para o emprego é dada ao nacionail. Torna-se urgente estabelecer políticas com estratégias claras de imigração. Muitos países que procuram mão-de-obra procuram acima de tudo avaliar a qualidade desta força de trabalho. a lei defende que a admissão de estrangeiros só pode acontecer no caso de não existir nacionais com aquela qualificação. Se o país possuir cidadãos com aquelas qualificações não é permitida a contratação dos estrangeiros. estado de saúde. 2008. Para que o país possa seleccionar melhor os imigrantes que pretende. nível escolar. turístico. qualificações. nas grandes empresas. Não basta admitir estrangeiros. c) 10% Da totalidade dos trabalhadores. aptidões. através da inspecção do trabalho. Há empresas que admitem trabalhadores a margem da cota mas precisam de autorização. Até hoje. etc). b) 8% Da totalidade dos trabalhadores. de cortesia. Para além deste controlo. Moçambique só estabeleceu leis que determinam as regras de entrada. níveil de vida e o estatuto financeiro (Chiswick. Países europeus. deve estabelecer de uma forma bem clara a sua política de imigração. oficial. nas médias empresas. que se contrate estrangeiros que tenham entrado no país mediante visto diplomático. consoante o tipo de classificação de empresa: a) 5% Da totalidade dos trabalhadores. que controla a legalidade laboral se há contratados sem autorização o estado suspende o estrangeiro. asiáticos e até latino americanos têm uma política de migrações que veda a entrada de imigrantes não-económicos e com poucos ‘skills’ (habilidade definidas de forma mais alargada desde conhecimentos. permanecia e saída de imigrantes.64). no artigo 34.

Contudo. os chamados “cooperantes”. ano da realização das primeiras eleições gerais (presidenciais e legislativas) multipartidárias. com base nos artigos 4 e 21 da Constituição de 1975. mais de 20 anos para os Timorenses e prevalece uma abertura 22 . que se estabeleceram em Moçambique e. voluntária. Além disso. CARACTERIZAÇAO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS.4. desde de 1992-1994. inclusive. se tornaram Moçambicanos. de certa forma. as estatísticas da imigração nacional variam muito e a capacidade estatal de controlo está a ser posta em causa. até certo ponto. guerrilheiros e activistas da África do Sul. houve casos de cidadãos dos países socialistas e capitalistas. Este controle foi. o Estado promoveu. Moçambique está na rota da imigração desde a independência.1 Origens dos imigrantes A imigração politicamente motivada acolheu. altura da assinatura dos Acordos Gerais de Paz (AGP) e 1994. mais de uma década no caso dos Sul-africanos. de acordo com evidências empíricas. Com efeito. Nesta altura. um país de acolhimento e de trânsito. políticos. 4. ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇAO DE IMIGRANTES. em 1975. Com efeito. assegurado pela situação políticoeconómica caracterizada por guerra de desestabilização e crise económica de tal forma que o fluxo de imigração forçada. Esta onda de imigração forçada e legal durou cerca de 5 anos para os Zimbabweanos. Zimbabwe. maioritariamente. uma imigração politicamente selectiva cujo fluxo esteve sob controlo. o fluxo e a complexidade da imigração cresceram. igualmente. ao mesmo tempo. legal e ilegal era baixo até 1992. Neste contexto. o país recebeu imigrantes no contexto do apoio às lutas contra o colonialismo e imperialismo e luta dos povos pela sua libertação nacional. os registos de estrangeiros residentes tende a flutuar muito porquanto Moçambique representa. Palestina e Timor-Leste que lutavam pela libertação dos seus povos. enquanto os registos oficiais demonstram uma entrada maciça de imigrantes legais e ilegais.

Malianos. foi caracterizada pelo predomínio de Asiáticos. No entanto. procuravam melhores condições sócio-económicas. dos Grandes lagos. No entanto. esta percepção não tem um suporte estatístico oficial e fidedigno. existe uma percepção de que os Portugueses. pois dados quantitativos nacionais e internacionais sobre os imigrantes em Moçambique não revelam a magnitude real em termos de nacionalidades dos imigrantes legais e. os Libaneses. depois de 1992-1994. Nigerianos e Camaroneses representam a África Ocidental. paquistaneses. A primeira foi dominada por Portugueses que. Por último. os Nigerianos. muitos destes imigrantes regressaram às suas origens de tal forma que esta onda de imigração não foi problemática do ponto de vista demográfico e permaneceu selectiva em relação as nacionalidades.para o caso dos palestinianos. da África Ocidental e Oriental. Com efeito. Neste contexto. os Somalis. os Congoleses. retornavam ao país para reaver os bens deixados após a independência. alegadamente. muito menos. indianos e bengalis) e do Médio oriente (principalmente libaneses) e da América (fundamentalmente do Brasil). supostamente. Quanto aos Grandes Lagos. Sul-africanos e Zimbabueanos são os principais imigrantes da África Austral em Moçambique. principalmente da África Austral. A terceira onda de imigração é actual e nela se destacam imigrantes provenientes da Ásia (maioritariamente Chineses. dos ilegais. de poder de influência. os Kenianos e os Tanzanianos compõem o grupo dos imigrantes originários da África Oriental. de acordo com evidências empíricas. os Guineenses. os Burundeses e os congoleses constituem as nacionalidades preponderantes. Guineenses da Guiné Conacry. os Burundeses. cidadãos do Benin. com particular destaque para Paquistaneses e Bengalis que. Senegaleses. o número de imigrantes e a variedade de nacionalidades alargouse através de três grandes ondas de imigração. inclusive. os Somalis. A segunda. 23 . No entanto. esta terceira onda é dominada pela imigração massiva de africanos. As ondas de imigração pós AGP vieram suplantar do ponto de vista numérico e. os Etíopes. os Paquistaneses e os Chineses constituem os grupos de imigrantes predominantes em Moçambique. uma grande comunidade imigrante Indiana de várias gerações que esteve presente em todo o país e tinha um grande protagonismo no domínio comercial. os Sul-africanos.

Por um lado existem pessoas pobres que lutam pela sobrevivência e. indivíduos relativamente estáveis que possuem recursos financeiros e procuram oportunidades para prosperar economicamente. essencialmente. Na caracterização do imigrante africano. maioritariamente falantes de Inglês e/ ou Francês num Moçambique multilinguístico mas que tem o Português como língua oficial. destacam-se duas situações completamente distintas. compostos por homens entre os 21 e 40 anos de idade. Esta barreira linguística.1 Condição socioeconómica dos imigrantes em Moçambique. financeiras e a segurança. ambos com baixo nível de formação académica exceptuando alguns casos raros. os Sul-africanos constituem uma excepção em termos sócio-económicos. Com efeito. estes possuem contratos de trabalho para prestar serviços especializados em empresas. pois os imigrantes aprendem a língua portuguesa em ambientes formais e informais. A condição social dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique é diversificada em função da sua origem. trata-se de um grupo de imigrantes maioritariamente camponês e de outro grupo predominantemente comerciante. na imigração não africana. pois na sua maioria são.1. 4. à excepção da Somália. por outro. a barreira linguística tem sido minimizada ao longo do processo de integração social. em todos os outros casos a imigração em Moçambique é descrita como sendo voluntária e. Entretanto.Na imigração africana. fundamentalmente. em Moçambique. voluntária. associada a dificuldades económica. Quanto a imigração africana. os Libaneses constituem um caso de uma mistura entre a imigração forçada e voluntária enquanto nos outros grupos a imigração é. Por um lado. é considerada um constrangimento à imigração em família. e é forçada por instabilidades político-militares. Estes grupos de imigrantes são. pois estas não são suas línguas. alegadamente. existe um grupo considerável de imigrantes falantes da língua Árabe que se expressam com muita dificuldade tanto em Inglês como em Francês. pessoas com um elevado grau de formação e pertencem a “classe média”. isto é. Entretanto. os africanos e os não africanos. Por seu turno. alegadamente. por motivos comerciais. Sul-africanas que 24 . do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) onde a emigração foi. essencialmente.

tido um papel social positivo para muitas famílias Moçambicanas mas também é altamente lucrativa. Mas. Por outro lado. alegadamente. fundamentalmente da “classe média/alta”. contratados para prestar serviços ou ocupar cargos de confiança em empresas. a prestar serviços. Por seu turno. Contudo. Além disso. é importante distinguir os portugueses e os brasileiros e os imigrantes da Ásia e Médio Oriente pela sua considerável expressão do ponto de vista numérico e geográfico. é importante colocar o alerta para a existência de uma alegada política de exportação de pessoas com objectivos políticos e económicos que incluem a necessidade de assegurar espaços de influência e oportunidades de internacionalização de empresas. Em relação aos Portugueses e Brasileiros. a maioria dos imigrantes professa a religião islâmica. pessoas desfavorecidas que encontram na imigração uma oportunidade para melhorar a sua condição sócio-económica. constata-se que também estão em Moçambique muitos técnicos da “classe média/alta”. Esta situação não constitui uma 25 . existe um número considerável de imigrantes. esta percepção da facilidade de prosperidade dos imigrantes é extensiva aos africanos. particularmente africanos que desenvolvem a chamada medicina tradicional que tem. de grosso modo. Além disso. Os Chineses constituem um grupo que está. a língua não constitui uma barreira nos objectivos dos imigrantes maioritariamente jovens que raramente trazem família. os Paquistaneses são. Alias. meios ilegais. alegadamente. em empresas de construção civil. Para ambos grupos. Boer falante de Afrikans e Inglês. dos brasileiros e chineses. fundamentalmente. A excepção dos sul-africanos. os Paquistaneses que trabalham no ramo comercial são suspeitos de prosperar usando. dos portugueses. os Chineses e os Paquistaneses constituem as nacionalidades mais evidentes no seio da opinião pública. vistos como indivíduos de uma condição desfavorável mas que rapidamente atingem a prosperidade. Em relação aos imigrantes Asiáticos. dentro da imigração Sul-africana existe um número significativo de pessoas que estão em Moçambique na condição de investidores estrangeiros. Quanto a imigração não africana. Estes não trazem família e são. supostamente. igualmente. muitos estão a ganhar conhecimentos básicos da língua portuguesa no ambiente informal dentro e fora trabalho.operam em Moçambique.

pela percepção da dimensão numérica. actualmente. nacional e transnacional. simultaneamente. os imigrantes não qualificados e de classe baixa constituem a maioria.novidade tomando como base ?????? (Huntington. em Moçambique imigrantes qualificados e não qualificados. particularmente para Moçambique. Este assunto é. sob o ponto de vista demográfico. A percepção e descrição da condição sócio-económica dos imigrantes possuem um valor analítico importante para avaliar o grau de ameaça ou de oportunidade que a imigração representa para Moçambique e para os Moçambicanos. pessoas da classe média/alta e de classe baixa. alegada. quiça. Esta fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. um problema institucional. em termos de extensão e intensidade. em termos operacionais. A fragilidade em termos de dados estatísticos é. que requer uma abordagem multidisciplinar e de grande cooperação entre Moçambique e os Estados vizinhos que devem assumir uma postura proactiva. o processo de integração regional e a futura liberalização do mercado de trabalho podem ter uma influência no fluxo de imigração para a África Austral e. 1997: 198). Esta atitude pode constituir uma forma de colmatar a fragilidade institucional do ponto de vista estatístico e. na caracterização dos imigrantes. Por outro lado pode servir para prever prováveis problemas contra os imigrantes. por um lado. 26 . o Estado pode actuar de forma proactiva e evitar surpresas estratégicas que podem ter impacto sócio-político. Entretanto. é livre e com. Enquanto que a imigração não qualificada. particularmente as empresas estrangeiras. A imigração qualificada é promovida pelo sector económico. Assim. Além disso. económico e cultural negativo a nível doméstico e internacional. intervenção de uma rede de crime organizado que envolve Moçambicanos e estrangeiros cujas nacionalidades não estão claramente identificadas. Portanto. existe em Moçambique uma mistura de imigrantes qualificados e não qualificados. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sócio-política e segurança dos indivíduos bem como do Estado se não for operacionalizada a cooperação intra-estatal e internacional. Há.

Mas é a legalidade ou ilegalidade dos estrangeiros que tem concentrado maior atenção da opinião pública e das autoridades estatais.1. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro. a lei 5/93 de 28 de Dezembro. 27 . alegadamente. sinais de existência de redes internacionais com ramificações nacionais que se dedicam ao recrutamento e/ou facilitação de imigração legal e. decidiram ficar. existe o caso da imigração trans-fronteiriça que ocorre através dos postos de migração ao longo da vasta fronteira mas há. em alguns casos. a percepção de que há. por meios próprios. 4. Neste contexto. por exemplo. turistas. os imigrantes podem ser voluntários ou forçados. ilegal. Além disso. pelas facilidades existentes para a prática de negócios. alegadamente. uma vez no país. Contudo. internos ou internacionais. No entanto. de acordo com a legislação Moçambicana. fundamentalmente. vem a Moçambique individualmente e/ ou em grupos. é importante destacar que as autoridades migratórias e policiais detectaram. evidências mostram que uma parte significativa vem a Moçambique por meio de empresas com base em quotas legalmente estabelecidas pela lei de trabalho. em Moçambique.Moçambique representa uma rota de trânsito para imigrantes ilegais e um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. incide. No caso de Moçambique. que parece ser a maioria. principalmente. rota dos imigrantes ilegais e destino dos legais”. temporários e clandestinos. 23/ 2007 de 1 de Agosto. Uma segunda parte. Quanto a legalidade dos imigrantes. a educação e a saúde e depois permanecem no país tornando-se. inclusivamente Moçambicanos. Este grupo de imigrantes legais temporários inclui. esta percepção pode ser simplista se considerar que foram constatados casos de imigrantes ilegais que não tinham Moçambique como destino mas. 2007) e permanentes ou temporários. regulares ou irregulares (Oucho. vem a Moçambique via contratos de trabalho com entidades estatais como. cidadãos estrangeiros em trânsito. Uma terceira e última parte. igualmente um grande fluxo de imigração com uma forte carga sócio-cultural que não se processa de acordo com a exigência legal migratória. Homem de negócios e estudantes estrangeiros. Neste grupo. mais imigrantes ilegais do que legais pode reduzir o peso da constatação de que “Moçambique. sobre a categoria dos estrangeiros permanentes.1 Categorias de imigrantes em Moçambique Existem várias formas de categorização dos imigrantes.

Além disso. o imigrante ilegal de hoje tem-se tornado o imigrante legal de amanhã. que é invisível e supera a capacidade fiscalizadora do Estado. Em alguns casos. tornados legais. Esta é acção do ramo doméstico do crime organizado considerado “contra vigilância”. financeiros e técnicos. Dentre os vários grupos de imigrantes ilegais existem aqueles que ao serem detectados pelas autoridades Moçambicanas são imediatamente repatriados e existem os são chamados a regularizar a sua situação. Passado algum tempo. presumivelmente. Deste grupo a maioria escala Moçambique como um corredor de trânsito para a África do Sul e uma minoria permanece. mas principalmente para a África do sul. Entretanto. Por seu turno. por meios ilegais com a conivência de agentes do Estado em várias áreas. foram constatados casos em que o imigrante legal de hoje torna-se imigrante ilegal de amanhã. as autoridades de guarda fronteira detectaram grupos de mais de 50 imigrantes que viajavam em condições desumanas. por exemplo. 3) imigrantes trans-fronteiriços. pois o país está aberto aos imigrantes quanto mais 28 . que passam pelo país com objectivo de viajar para outros destinos. a expiração do tempo de permanência. o tempo de permanência é de 2 anos renováveis de acordo com a lei de trabalho enquanto que não há um limite temporal para os imigrantes legais permanentes que estão a trabalhar na área comercial desde que cumpram com os requisitos preconizados no ordenamento jurídico vigente. que estabelecem relações de âmbito sócio-culturais ao longo da fronteira entre Moçambique e os países vizinhos. Perante a complexidade de imigração em Moçambique é possível distinguir 6 tipos de imigrantes ilegais: 1) os imigrantes legais que se tornam ilegais devido. como local de destino.No grupo de “imigrantes contratados”. Assim. o cumprimento desta obrigação está dependente da capacidade fiscalizadora das autoridades migratórias e policiais que tem sido pouco activa devido a fragilidade de meios humanos. segundo as autoridades de guarda fronteira. Perante esta situação. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique em grupos de 4 ou mais pessoas. estes imigrantes ilegais são. constata-se que há imigrantes que chegaram a Moçambique na condição de refugiados e depois se tornaram imigrantes. e 4) imigrantes irregulares. que se estabelecem permanentemente no país sem intenção de transitar para a RSA mas sem nenhuma documentação ou que estejam em situação de refugiados mas sem a devida documentação. 2) os imigrantes transitórios.

No entanto. 29 . do ponto de vista empírico.2 Rotas de Entrada de Imigrantes Desde a década de 1990. 4. A situação torna-se mais difícil de controlar devido. à complexidade da acção das redes de imigração clandestina. A entrada dos imigrantes legais e ilegais. Além disso. em Moçambique. como um corredor de trânsito de imigrantes legais e ilegais para a África do Sul. A maioria dos imigrantes nesta situação é africana. sobretudo. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique. Mas. quais as nacionalidades predominantes. ocorre por via aérea. Contudo. os imigrantes estão expostos ao perigo do trafico de pessoas que é um negócio altamente lucrativo mas que ainda não há dados sobre o fenómeno associado a imigração em ou para Moçambique. Neste contexto. Moçambique entrou na rota de imigração. em grande escala. No entanto. 1 A imigração Sul-africana é um caso particular que não cabe nesta constatação. a percepção é de que existem mais imigrantes ilegais do que legais em Moçambique em trânsito ou em permanência.não seja pelo reconhecimento de que a imigração pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de Moçambique. ainda não existe uma base de dados que permita afirmar com exactidão. dentro deste grupo. não existem dados quantitativos globais e exaustivos que revelam a magnitude real em termos de legalidade ou ilegalidade dos imigrantes a nível nacional. esta situação permite contornar as autoridades mas também facilita a acção das redes organizadas de recrutamento e facilitação de imigração clandestina. Com efeito. Moçambique constitui um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. terrestre e marítima. Do ponto de vista estatístico oficial. devido a mediatização dos casos e a consequente elevação dos níveis de controlo os imigrantes ilegais abandonaram ou reduziram a via aérea como uma opção para a imigração em Moçambique. dos imigrantes africanos ilegais. No final da década de 1990 houve casos de imigrantes ilegais provenientes da Ásia que entraram em Moçambique por via aérea. preferencialmente via terrestre devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira1. com o fim do Apartheid.

respectivamente. Esta realidade coloca a reserva vulnerável a acção de caçadores furtivos. As entradas ilegais são feitas. Este facto ocorre devido a ausência de receios quanto a legalidade da imigração e pela redução de riscos associados a imigração terrestre ou marítima que está sujeita a redes de recrutamento e facilitação de imigração ilegal. A título de exemplo. a fronteira marítima é. e Machipanda em Cabo Delgado. em Tete. a norte de Moçambique. na análise das rotas de imigração em Moçambique. maioritariamente. por exemplo. constitui um ponto de entrada de imigrantes ilegais. baixo devido ao controle implacável das autoridades fronteiriças do Zimbabwe. igualmente. extensa e com uma supervisão e controle frágil. os imigrantes legais usam. parece que a fronteira marítima está a ser pouco usada na imigração e isso tem servido para menosprezar. a reserva natural de Mecula. de acordo com alguns imigrantes entrevistados. Este é. os imigrantes são escondidos no meio de mercadorias ou em camiões cisternas como forma de ludibriar as autoridades de migração e guarda fronteira.2. Niassa e Manica. Com efeito. no Niassa. Com efeito. um problema da Zâmbia mas principalmente da Tanzania e do Malawi por onde supostamente entra a maioria dos imigrantes ilegais. também são pontos de entrada ilegal de imigrantes. Mueda.Por seu turno. camionistas de longo curso. Noutros casos. na zona de Machipanda o fluxo de imigrantes ilegais é. Neste contexto. os imigrantes ilegais atravessam as fronteiras ilegalmente usando a corrupção. em diversos pontos longe da localização oficial dos postos fronteiriços. é considerada uma das mais vulneráveis a imigração ilegal. alegadamente. igualmente. principalmente Tete) têm sido os principais pontos de entrada de imigrantes. os imigrantes tem subornado. Assim. No entanto. A fronteira de Zóbué. 30 . 4. a via aérea. de certa forma. Metangula. há poucas evidências relativamente a entrada de imigrantes ilegais por via das fronteiras marítimas no Lago Niassa e no Rio Rovuma. igualmente. Neste contexto.1 As Rotas de Entrada Terrestre A rota de imigração terrestre desenvolve-se no sentido Norte e Centro em direcção ao Sul. Entretanto. os distritos fronteiriços do Norte (Cabo Delgado e Niassa) e Centro (Manica mas. Para o efeito. a entrada de imigrantes ilegais em Moçambique não pode ser vista como um problema unicamente Moçambicano.

África do Sul – Maputo e Paquistão África do Sul – Maputo. a entrada de estrangeiros nesses pontos tem sido excessivamente apenas do ponto de vista turístico e trabalhadores contratados menosprezando a situação no quadro dos dilemas da imigração.2. Além disso. de forma clandestina. De fora de África salientam-se as rotas Dubai .2 As Rotas de Entrada Aérea As rotas aéreas de imigração legal partem de vários pontos de dentro e de fora do continente Africano. pois estão sendo alargadas as portas de entrada de Moçambique sem a correspondente capacidade humana e. principalmente pela fronteira de Ressano Garcia. os imigrantes Guineenses fazem a rota Guiné Conacry – África do Sul – Maputo.4. Alguns Malianos em Moçambique usaram a rota Mali – Quénia – África do Sul– Maputo. pois são poucos os países que tem ligações aéreas directas para Moçambique. tem sido um ponto de trânsito obrigatório. a título de exemplo. Portanto. O facto de Maputo ser. Nampula e Pemba que estão a receber aeronaves estrangeiras pode representar uma fragilidade do ponto de vista de supervisão e controle. principalmente técnica e tecnológica para fazer face a complexidade da problemática da imigração. Mas. Beira. Neste contexto. Na maioria dos casos. Entretanto. o único ponto de entrada de estrangeiros constituiu uma vantagem do ponto de vista de registo controle e supervisão dos imigrantes. na África do Sul. 4. via terrestre. durante muito tempo. neste grupo de imigrantes legais é importante distinguir os que tem Moçambique como destino e os que tem a África do Sul como destino. Nigéria – África do Sul – Maputo é o trajecto usado pelos Nigerianos.3 Locais de fixação dos Imigrantes em Moçambique 31 . o Aeroporto Oliver Thambo. o alargamento de ligações aéreas do estrangeiro para diversos pontos de Moçambique como Vilankulo. Com efeito. Johannesburg e Maputo são pontos incontornáveis de entrada de imigrantes legais. foram constatados casos de imigrantes legais que chegam a Moçambique por meios aéreos mas posteriormente entraram na África do Sul.

constata-se que os imigrantes tendem a fixar-se em locais de muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos mas facilmente exploráveis. espaços preferidos para habitação de imigrantes ilegais que estão constantemente a fugir das autoridades policiais e migratórias. mas. Maputo Cidade. mais do que isso. evidências que mostram de que a zona Centro e Norte é onde há abundância de recursos naturais. também. é onde existem as maiores oportunidades de negócio. os locais de fixação de imigrantes estão muito associados a interesses maioritariamente económicos. igualmente. Além disso. A existência de mercados informais nos grandes círculos urbanos é apontada como um factor que atrai os imigrantes2. No entanto.Os imigrantes encontram-se fixados em quase toda a dimensão territorial de Moçambique. Maputo Província e Nampula são considerados os pontos de maior circulação de dinheiro onde há muitos imigrantes. é difícil sem uma base estatística fiável. nas capitais provinciais de Cabo Delgado. afirmar em que região do país há mais imigrantes. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano 2 A título de exemplo. igualmente. o antigo e actual centro de acolhimento de refugiados. Nampula e Niassa. a distribuição geográfica. Centro e Norte de Moçambique de forma a traçar cenários demográficos. é importante questionar quais são as nacionalidades predominantes no Sul. É importante referir que Maputo e Nampula têm a particularidade de serem. respectivamente. Mas. são. por ser menos onerosa. os mercados informais estão progressivamente a ser dominados por imigrantes 32 . Com efeito. uma percepção de que a zona Sul e Norte. existe a percepção de que é no círculo urbano onde se encontram as maiores facilidades de realização de negócios comparativamente ao meio rural. alegadamente. Maputo tem. Esta “geopolítica dos interesses dos imigrantes” é um aspecto que não deve ser ignorado em qualquer avaliação do impacto da imigração em Moçambique. económico-sociais e até políticos e de segurança. Neste contexto. Neste contexto. Maputo e Nampula são grandes corredores de desenvolvimento. Além disso. Os meios rurais e os espaços suburbanos. Existem. Pelas evidências empíricas. a vantagem de estar próxima da África do Sul. Existe portanto. numérica e em termos de nacionalidades não esta documentada nas poucas estatísticas oficias que existem. principalmente dos ilegais. há maior circulação de dinheiro do que o meio rural ou suburbano é para acomodação. Mas. as suas actividades diárias ocorrem nos círculos urbanos pois.

e cuidados de saúde (HDR-2009. nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência. Por outro lado. e estes factores não tem nenhuma relação com a pobreza ou riqueza. 33 . 49). repartição desigual dos rendimentos. que vem da pobreza absoluta3. a mundialização dos negócios. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. clima. o turismo. igualmente. 5. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. a imigração explica-se a partir da necessidade de desenvolvimento humano. 5. muitos cientistas sociais acreditam que existe uma combinação de factores económicos e não económicos. aparentemente. é a necessidade que elas têm de se desenvolver como pessoas.mas. (Schachter. e outros que levam as pessoas a escolherem o país para onde imigrar. razões essas. taxas de desemprego elevadas. necessidade de uma formação melhor. como o comércio internacional. violação dos direitos 3 Situações de pobreza absoluta são consideradas um dos principais factores de imigração. que vão desde problemas políticos e económicos. diz-nos que existem factores de repulsão (push) que fazem com que as pessoas queiram sair dos seus países de origem. que explicam a emigração. ou melhores condições de trabalho. a globalização que cria a imigração de quadros e pessoal especializado. Existem outros factores que estão na origem da imigração.A teoria Push-Pull Os autores que estudam a imigração são unânimes em afirmar que é necessário que existam razões que levem as pessoas a decidirem imigrar. a necessidade de investir em novos mercados.1. há. e quando isto acontece os imigrantes geralmente dirigem-se sobretudo para os países mais próximos. Estes são. de verem os seus direitos civis preservados. A teoria Push-Pull. 2001:1). repartição desigual dos rendimentos. Regra geral as pessoas são motivadas pela possibilidade de conseguir trabalho. O que move as pessoas segundo Kearny. terem segurança. p.FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Para alguns autores como Kearny (1986:353). Segundo estes autores. como diz Kearny. e é a procura desse desenvolvimento que elas deslocam-se das suas zonas de origem para outras. imigrantes legais. Esta pobreza muitas vezes é causada por conflitos no país de origem.

7 Os imigrantes escolhem Moçambique já com algum negócio em mente. e assiste-se a internacionalização dos mercados. e a segurança que estes países podem oferecer. 2000:82). e ainda devido a possibilidade de se praticar o comércio e investir em novas áreas de negócio. a internacionalização do comércio. factores de origem social. que tornou-se um fenómeno a escala mundial.2. necessidade de uma formação melhor. disponibilidade de terras.O caso de Moçambique No caso de Moçambique o grande fluxo de imigrantes pode ser explicado em parte com base na teoria push-pull. ou algum conhecimento sobre a situação económica do país. Assim como existem factores de atracção. Assim como factores relacionados com a globalização5. como pudemos verificar durante as várias entrevistas efectuadas. necessidade de investir em novos mercados onde as oportunidades de negócio são melhores. Os imigrantes escolhem Moçambique como ponto de fixação porque uma vez aqui instalados. factores relacionados com a possibilidade. constitui um elemento chave. 6 A estabilidade política e económica de que Moçambique goza. que. já chegam em Moçambique com um objectivo concreto da sua estadia em Moçambique. de investir no país.humanos. Segundo estes 4 A escolha do país para onde imigrar prende-se muito com a estabilidade política e económica que esses países oferecem. (Castles. 5. Isto é: existem factores que levam as pessoas abandonarem as suas regiões de origem. económica. encontra-se numa fase de expansão. principalmente devido a sua estabilidade política e económica6. Portanto os imigrantes. e as oportunidades de trabalho. esses factores são: procura de mão – de obra. formação. 5 A globalização levou a liberdade de trocas comerciais. A maior parte dos entrevistados durante a realização do estudo afirmaram que Moçambique tornou-se local de eleição dos imigrantes. e a proximidade com África de Sul. Portanto deve existir motivos de atracão que os levam a um certo país. e política. Neste contexto a ideologia da economia do mercado. são na sua maioria factores relacionados com a estabilidade política que o país atravessa. ou do país de imigração4. isto porque estes já possuem algum familiar cá. que seriam os considerados factores pull. acesso a sistemas de saúde. 34 . liberdades politicas. relacionados com a procura de melhores condições de vida. boas oportunidades económicas. dizem ter muita facilidade de praticar algum negócio para a sua subsistência e dos seus familiares afirmaram alguns dos entrevistados 7. que influenciam na escolha do local. E factores que os levam a escolher Moçambique como ponto de fixação. e outros. para atrair imigrantes. e outros. que são um conjunto de vantagens comparativas existentes nos países desenvolvidos que atraem essas mesmas pessoas.

ou perseguição devido a sua raça. e outros. é toda a pessoa que por razoes da sua própria segurança. Os entrevistados referiram-se ainda ao facto de muitos dos imigrantes que entram em Moçambique possuírem já alguma relação de familiaridade. e os países de acolhimento. e/ou profissional. de investimento. politico. colonial.geralmente os imigrantes. militar. Outro factor importante que explica o fluxo de imigrantes em Moçambique relaciona-se com a existência de um centro de refugiados em Moçambique. e passado pouco tempo já tem uma loja. não implicando necessariamente uma aproximação geográfica. entre eles. que os teóricos não consideram imigrantes voluntários. 35 . começam com pequenos negócios. 2000. muitos dos imigrantes que vêm investir em Moçambique tem de alguma forma alguma relação com o país. (Centro de Refugiados de Maratane) mais concretamente na província de Nampula. Isto porque estas ligações vão ser uma fonte importante de 8 Refugiado. encontra-se fora do seu país de origem. o centro possui uma politica aberta que lhes permite sair a procura de trabalho para a sua subsistência. podem ser de índole. e pelo que nos foi dito. afectivo ou cultural. porque pelo que pudemos constatar durante as entrevistas. ou ainda associação a determinado grupo social. profissional. estes laços segundo (Castles. sem poder regressar durante um certo período de tempo. religião ou nacionalidade. Os Refugiados8. neste momento o centro possui cerca de seis mil habitantes. O grupo de estrangeiros que entra em Moçambique com o objectivo de ir ao centro de refugiado é enorme. ou opinião pública. uma banca num mercado informal. Nampula acaba sendo um ponto estratégico devido a existência do centro de refugiados. A literatura considera que existem movimentos migratórios que se associam. que também explicam os fluxos de imigrantes de um país para o outro. e integração. comercial. passam a fazer parte do grupo de imigrantes porque segundo os nossos entrevistados. regra geral a laços previamente existentes entre os países de origem dos imigrantes. alguns saem e não regressam mais ao centro. Esta teoria serve também para explicar o fluxo de imigrantes para Moçambique. p:123). Para explicar este fenómeno. o que explica em parte o grande fluxo de imigrantes naquela região do país. recepção. Portes e Borocz (1989) referem que as imigrações devem ser vistas segundo a teoria das redes sociais: um fenómeno de construção de associações entre pessoas ligadas por algum laço seja ele familiar. o que lhes facilitam todo o processo de deslocação.

como a facilidade de entrada no país devido ao fraco controlo das fronteiras. e Cabo delgado. alguns dos entrevistados afirmam. são situações. e do ponto de vista económico isso é positivo. As estimativas sobre o volume deste fluxo são difíceis de se obter uma vez que não possuímos dados estatísticos sobre o número dos imigrantes que entraram em Moçambique. e a procura de um melhor mercado de trabalho. tornando o processo de imigração mais seguro. 6. fazem-no na grande maioria das situações. Outros factores que explicam o fluxo de imigrantes em Moçambique. as suas naturalidades. quanto no turismo. devido ao fraco controlo dos órgão responsáveis pelas actividades comerciais. No que diz respeito a imigração ilegal é difícil separar a fronteira entre refugiados e imigrantes.1.informação que lhes vai permitir tomar decisões com algum conhecimento. mais concretamente o comércio. principalmente o fluxo de imigrantes ilegais. principalmente dos ilegais. que os imigrantes têm estão a controlar os pequenos negócios. O facto é que os factores que levam a imigração são geralmente os mesmos. perseguição política. e o negócio informal. guerras. em busca de melhores condições de vida económica e de sobrevivência material. e as suas residências de originarias. ou religiosa. Os homens e as Mulheres que abandonam os seus países. Em algumas zonas da província de Nampula e Cabo Delgado o mercado informal esta completamente sob o domínio dos estrangeiros que ali residem. principalmente o negocio informal. violência. Entretanto. e ainda ao facto de muitos imigrantes utilizarem Moçambique como ponte entrarem na vizinha África do Sul. província de Nampula. O fluxo de imigração tem estado a aumentar tanto na área de negócios. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE 6. fuga a pobreza desemprego. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO 36 . Quando abordados os imigrantes dizem que estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida. e a facilidade de praticar algum negocio em Moçambique. mais concretamente na zona norte.

O estudo de Franzblau (1997). as autoridades de defesa e segurança referem que este assunto não é recente em Moçambique. Immigration´s Impact on US National Security and Foreign Policy do US Commission on Immigration Reform constitui. o Bonn International Center for Conversion tem discutido a influência das organizações da diáspora nos processos de paz e conflitos nos seus Estados de origem. um dos grandes assuntos políticos que esta a ganhar importância na agenda dos Estados e nos Estudos de Segurança. Contudo. principalmente ilegal mas. Portanto. porque a segurança se tornou. Com efeito. cresceu o interesse em estudar a relação entre a imigração e a segurança. bem como o impacto da imigração na segurança. particularmente. na actualidade. problemático. na África do Sul e a crescente onda de imigração que se regista no país. um exemplo da importância do assunto para as instituições de pesquisa e para os Estados. na actualidade. Isto regista-se com maior destaque. os efeitos das actividades das diásporas nos interesses de segurança dos Estados hospedeiros e as condições de vida e necessidades de segurança dos imigrantes (Sommer &Warneeck. Em Moçambique não existem estudos académicos que abordam. mas ganhou maior importância depois da ocorrência da violência xenófoba em 2008. especificamente. No entanto. isto é um desafio devido a magnitude e variações da imigração. 6. Entretanto. um conceito multi-dimensional e. também. até certo ponto. 2008). este estudo sobre a ligação e impacto da imigração em Moçambique é pertinente. existe um consenso de que qualquer que seja a definição de segurança deve ser contextualizada respondendo a três questões fundamentais: segurança para quem? Sob que ameaças? E contra que valores? 37 . igualmente. a ligação e impacto da imigração na segurança.A imigração constitui. depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA. Neste contexto.1 Segurança O conceito de segurança não é consensual no seio das teorias e dos estudiosos.1.

Esta constitui uma perspectiva que procura mostrar que o indivíduo é tão importante quanto o Estado como referente de segurança. reduziu a prevalência de guerras entre Estados e fenómenos não militares nacionais e internacionais afectaram a segurança dos indivíduos e ganharam proeminência política que obrigou os teóricos a alargar o enfoque dos Estudos de segurança (Hough. Assim. terminada a guerra fria. 2001: 2).De facto tradicionalmente. consequentemente. a segurança é definida do ponto de vista estatal. a sobrevivência do Estado é um interesse acima de qualquer interesse particular. health threats. 38 . 1997:1). 1997: 9). da história de Relações Internacionais marcada por guerras e contra guerras que determinaram o surgimento e desaparecimento de Estados. o Estado tem a prerrogativa de impôr sacrifícios que afectem as liberdades e os interesses dos indivíduos. podem ser tão perigosas quanto as ameaças militares. Apesar da proeminência que a segurança humana assume no pós guerra fria. surgiu o conceito de segurança humana que constitui um “novo paradigma” dos Estudos de Segurança. os Estados procuram. a todo o custo e com todos os meios e recursos a sua disposição. provavelmente. representada por teóricos como Hans Morgenthau e que permaneceu largamente incontestável durante a guerra fria (Franzblau. accidental threats e criminal threats. altura de grande prevalência de guerras entre Estados. Para o efeito. a visão tradicional Realista constitui o paradigma dominante do ponto de vista académico e em termos de abordagem dos governos na condução da política externa dos Estados (Hough. 2004: 8) e. de acordo com Hough (2004). Esta visão de segurança é defendida pelo neo-realista Barry Buzan e pela “abordagem pós modernista ou Critical Human Security (Naidoo. 2004:2). Assim. ambientais. a imigração e o imigrante enquadram-se nos Estudos de segurança tendo em conta a visão de segurança alargada 9 Este interesse supremo. com ênfase nas ameaças militares externas contra valores nucleares como a integridade territorial. Esta é uma visão tradicional de segurança considerada restrita. resulta. Contudo. natural threats. o conceito de segurança. social identity. Neste contexto. Esta constitui uma visão restrita de segurança defendida pela Teoria Realista preocupada com a sobrevivência de Estado como o interesse nacional supremo9. defender a sua existência como uma entidade politicamente independente (Freeman Jr. a soberania. Neste contexto. o alargamento do conceito de segurança procura mostrar que as ameaças não militares como económicas. as instituições e independência política e identidade cultural. isto na discussão sobre segurança para quem? Além disso.

1. Nesta perspectiva cabem. Este enquadramento coloca. que lida com tranquilidade e ordem pública. Cabo Verde é um exemplo de país no qual muitas famílias dependem das remessas dos imigrantes. Neste caso. igualmente. às más condições sócio-económicas derivadas da problemática da pobreza. os refugiados de guerra. nas situações em que representam ameaça. 39 . isto não deve ser visto de forma generalista e acrítica. os imigrantes são. igualmente. pela falta de segurança dos países de origem que. a imigração pode ser determinada. é importante ter em consideração os contextos. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de origem e. criam insegurança humana. Assim. a imigração numa outra dimensão de segurança que é a segurança pública que constitui matéria de polícia. também. Em termos de consequências. por conseguinte. Portanto. Assim. constituem exemplos de emigração forçada devido a insegurança humana causada pelas guerras enquanto os imigrantes do corno de África representam casos elucidativos de insegurança humana resultante da combinação entre guerras e desastres naturais. porquanto existem vários casos de imigrantes que não representam ameaça a segurança e. os imigrantes colocam em causa a estabilidade política dos países acolhimento. em alguns contextos. particularmente para os Estados de acolhimento. em 1970. 6. particularmente dos meados da década de 1990. Em Moçambique existem. à insegurança pode estar associada a guerras mas. os refugiados económicos e os refugiados ecológicos10. Noutros contextos. maioritariamente.a actores não estatais e assuntos não militares. Ligação entre imigração e segurança A ligação entre segurança e imigração reside nas causas e nas consequências da imigração. A título de exemplo.2. de certa forma. muitas famílias cuja segurança humana depende de imigrantes na África do Sul. entre outras causas. a imigração promove a segurança humana dos imigrantes e das suas famílias que permanecem nos países de origem. Isto ocorre através do envio de dinheiro ou bens que contribuem na subsistência ou sobrevivência dos que não emigraram. No entanto. refugiados Palestinianos tentaram derrubar o regime do Rei Hussein 10 Os imigrantes da região dos Grandes lagos.

no que ficou conhecido como Setembro Negro (Tembe. do que optimismo. International Security 17: 3. do ponto de vista de segurança. Este pessimismo é tão grande que se discute mais da ameaça que a imigração representa e pouco a ameaça sobre os imigrantes. Neste contexto. imigrantes Moçambicanos baseados na Tanzania desenvolveram uma guerra de libertação que desestabilizou o regime colonial Português e. Em Moçambique. simultaneamente. existe. Impacto na segurança Do ponto de vista de segurança. podem ser um fardo ou uma contribuição sócio-económica. os imigrantes podem ter um impacto positivo e / ou negativo nos seus Estados de origem. Myron Weiner citado por Franzblau (1997: 3-11). Security.3.II na Jordânia. e podem ser tomados como reféns. Portanto. a percepção é de que os imigrantes (legais e ilegais) criam um impacto negativo na segurança. nas discussões globais sobre imigração. uma ameaça política ao regime político do país de acolhimento. imigrantes Ruandeses. defende que os refugiados ou migrantes podem constituir uma oposição ao governo do país de origem. principalmente ilegal. os migrantes e / ou refugiados podem ser. Moçambique sofreu uma desestabilização políticoeconómica e militar pelo facto de ter acolhido imigrantes da antiga Rodésia do sul e da África do Sul. 40 . 6. uma ameaça e um benefício cultural. Além disso. formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) no Uganda de onde lançaram ataques que culminaram com o derrube do governo de maioria Hutu. nos Estados de acolhimento ou na relação entre ambos. o que constitui um risco para os Estados de origem11. posteriormente. 2003: 93). criou condições para o fim do colonialismo e surgimento do Estado Moçambicano. Myron 1992/ 93. Este impacto negativo incide sobre a segurança pública e não sobre a segurança do 11 Weiner.1. uma tendência de adoptar uma atitude negativa que incide sobre os Estados de acolhimento e pouca atenção é conferida aos imigrantes e os Estadas de origem. maioritariamente Tutsis. há mais pessimismo e medo da imigração e do imigrante. Stability and International Migration.

eventualmente. Lopes Sibinde12. definida segundo a Teoria Realista. Assim. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. médio e longo prazo. Mesmo essa hipótese não é convincente porque. económicos e sociais. estão concentrados na materialização de interesses económicos e permanentemente a tentar passar despercebido para não serem descobertos pelas autoridades estatais. a mando dos estados de proveniência.4. Contudo. mas sim pode eventualmente constituir ameaça à ordem e tranquilidade públicas.1. provavelmente fazer surgir no seio dos imigrantes interesses políticos que passem pelo acesso e controle do poder politico local e. tenta passar-se por despercebido. a longo prazo. Por seu turno. Na sua intervenção. levanta-se o alerta segundo o qual. possuem agendas políticas que possam colocar em causa qualquer que seja o regime no poder. quiça nacional. sobretudo o ilegal. na prática. Além disso. os imigrantes legais. a segurança nacional. apenas. constata-se que um imigrante. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. O alerta maior incide sobre o facto de alguns países estarem a desenvolver políticas deliberadas de exportação de pessoas a todo o mundo. os imigrantes ilegais. não existem evidências (pelo menos até agora) de que os imigrantes legais e ilegais. igualmente dedicados a actividades económicas. com interesses políticos. em Moçambique. a imigração pode afectar a segurança na vertente identidade cultural e. de acordo com a legislação Moçambicana. No entanto. Impacto da imigração na segurança do Estado Em relação a segurança do Estado. receber ou estar a receber pessoas por encomenda. este é um comportamento normal dos Estados que se guiam. Neste contexto. Representam. teria asseverado que os imigrantes não constituem de facto uma ameaça à soberania do Estado. têm os seus direitos políticos bastante restringidos. os imigrantes não constituem um grupo politicamente homogéneo. 6. em Moçambique. 12 Elemento da direcção nacional da migração. Neste contexto. muitas pessoas suspeitam de que Moçambique pode. 41 .Estado. de acordo com os seus interesses de curto.

Neste contexto. Os receios residem no facto de alguns dos imigrantes. Neste contexto. casos de imigrantes envolvidos na falsificação de moeda. ilegalmente. pois poucos. por interesses e não deve constituir um problema de segurança se as instituições responsáveis pela fiscalização e controle da imigração forem eficientes e eficazes. é importante questionar até que ponto um provável abandono de imigrantes poderá constituir uma ameaça a estabilidade económica e financeira de Moçambique. florestais e faunísticos valiosos. No entanto. presumivelmente. muito dinheiro. 6. do país. foram detectados. têm contas bancárias em Moçambique. A título de exemplo. a desflorestação causada pelo abate indiscriminado de madeira. serem. a pesca ilegal no Lago Niassa. fora do circuito bancário.fundamentalmente. existem muitas dúvidas sobre as actividades dos imigrantes que têm estado a prosperar de uma forma rápida e grandemente comparativamente aos Moçambicanos. dos Grandes Lagos e do Corno de África. e a caça furtiva na reserva do Niassa. de capacidades humanas e tecnológicas. conhecedores da arte da guerra e as suas actividades não estão sob controlo efectivo do Estado. Com efeito. de animais e a 42 . a exploração de ouro a céu aberto nas províncias de Niassa e Manica. o abate de madeira em Cabo Delgado e Sofala.5. os imigrantes fazem circular. existem receios. principalmente africanos. Além disso.1. bancário como ficou demonstrado no caso da apreensão de dinheiro na fronteira Machipanda Neste contexto. acima de tudo. pelas autoridades policiais. Impacto na segurança pública Em relação a segurança pública. a exploração de minas a céu aberto. Esta eficiência e eficácia dependem da existência de uma política e consequente estratégia de imigração e. Quando usam o circuito bancário. recursos minerais. existem alegações segundo as quais há envolvido em agiotismo. Neste contexto. principalmente os africanos. Há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. os imigrantes fazem-no para “lavagem de dinheiro” e transferências monetárias. pois não se conhece os cadastros dos imigrantes legais e ilegais que se estabelecem ou circulam em Moçambique. a maioria das transferências monetárias não ocorre no circuito formal.

15 Vereador do conselho municipal da cidade da matola 43 . A preocupação maior reside. indirectamente. estes são repatriados e/ ou responsabilizados criminalmente. na actualidade. a nível da Cidade e Província de Maputo. muitos 13 14 A segurança ambiental é. este não constitui o principal elemento de preocupação do ponto de vista de segurança. Uma vez detectados os casos de presença ilegal e actividades criminosas envolvendo imigrantes legais e ilegais. uma ameaça a segurança ambiental de Moçambique1314. Os imigrantes estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas. afirmou que por detrás de imigração. um assunto que tem um peso político internacional devido. os dados revelam que os imigrantes não estão envolvidos na produção. a longo prazo. dependendo. o “Mukhero” que nem sempre cumpre com as obrigações fiscais mas que garante a estabilidade sócio-económica de muitas famílias. em Maputo constituem exemplos de alegado tráfico de drogas que é controlado por alguns imigrantes que estão legalmente em Moçambique e simulam negócios formais para esconder esta actividade ilegal. os imigrantes legais alimentam. a problemática das mudanças climáticas. Em relação ao tráfico de droga. no tráfico de drogas que envolve. oculta-se o crime organizado transfronteiriço e que envolvem imigrantes e os nacionais que tem facilitado a circulação e praticas ilícitas dos imigrantes. principalmente imigrantes ilegais mas. Os casos bastante mediatizados de mulheres Moçambicanas detidas no Brasil e no Aeroporto de Mavalane. a destruição do ecossistema pode ocorrer a curto prazo mas a renovação pode levar muitas gerações se não se tomar em consideração este problema que é multidisciplinar. por exemplo. Assim. principalmente. da gravidade dos crimes. O seu envolvimento esta na comercialização que faz parte de um circuito internacional envolvendo cidadãos nacionais.poluição dos rios e ribeiros podem constituir. Com efeito. No entanto. Adérito Notiçe15. nacional e. No caso de Moçambique. igualmente legais sobre os quais existem muitas dúvidas relativamente a proveniência real do grande volume de dinheiro que geram. de acordo com a legislação internacional.

os imigrantes legais e ilegais podem. por exemplo. alegadamente. a autoridade policial fala da explosão de caixas multi banco. futuramente. é de prever que o número de imigrantes em Moçambique tenderá a crescer e isto representa um desafio a capacidade do Estado em matéria de supervisão e controle. estas e outras situações podem. o impacto negativo da imigração na segurança pública e até humana. Segundo os imigrantes. os imigrantes promovem a corrupção para escapar o controlo das autoridades. Esta situação poderá. os ATMs. no problema da internacionalização do crime. isto é. A título de exemplo. fazer com que o criminoso da África do Sul procure locais mais frágeis onde possa operar. é uma verdade que atinge uma pequena minoria de imigrantes. Na perspectiva da autoridade policial. Esta situação envolve mais a entidade policial. os autores morais e os nacionais são os autores materiais. por exemplo. neutralizados 12 kenianos que vinham a Moçambique com intenção de assaltar bancos. Além disso. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. Moçambique é vítima mas também pode se tornar agente tendo em conta.imigrantes usam a corrupção como uma forma de garantirem a sua presença no país. O envolvimento directo de imigrantes nas actividades criminosas é um risco que eles procuram minimizar ao máximo. característico de Moçambicanos de tal forma que não exclui a possibilidade de tais actos terem sido cometidos por cidadãos estrangeiros. os imigrantes agem como mandantes. em Maputo. Em termos de crimes violentos. de acordo com a opinião de alguns imigrantes. eventualmente. principalmente Nigerianos e Paquistaneses. em Moçambique. Assim. pois a maioria vive legal e honestamente. Portanto. na perspectiva de autoridade policial. Para o efeito. Este modus operandi não é. agravar-se a curto e médio prazo se se tomar em consideração o facto de que a África do Sul está a aumentar o seu orçamento no sector de segurança16. muitos imigrantes ilegais com pretensões de alcançar a África do Sul serão forçados a ficar em Moçambique. provavelmente. Noutros casos. o caso de Moçambicanos envolvidos na suposta tentativa de Golpe de Estado no Reino do Lesotho. 16 Entre as razões que justificam o elevado investimento Sul-africano na segurança está o facto de a África do Sul ser um dos países com a mais elevada taxa de criminalidade violenta e a realização do Mundial 2010. foram. os executores vulneráveis devido a sua fraca condição económica e financeira. 44 . Neste contexto.

Esta ameaça não militar a segurança está associada. A maioria dos imigrantes e dos cidadãos Moçambicanos não acredita que há probabilidade de ocorrência de xenofobia. porque não. particularmente. particularmente. principalmente. um risco a sua segurança humana como demonstram os casos de xenofobia por todo o mundo e. é uma ameaça real que pode estar. nos círculos urbanos onde é perceptível comentários como “este país é nosso mas os estrangeiros mandam aqui”. principalmente na zona centro de Moçambique. para qualquer imigrante a imigração constitui. às regiões da África Ocidental e dos Grandes Lagos mas que não existem evidências em Moçambique. A acção de certos imigrantes também contribui para a criação de “mentes e discursos xenófobos” que constituem um risco a segurança dos imigrantes. de Moçambicanos imigrantes quando entram em Moçambique. constata-se que há certos comportamentos xenófobos não violentos. Com efeito. a facilidade que os estrangeiros têm de aceder a créditos bancários comparativamente aos Moçambicanos tem provocado um certa animosidade. há Moçambicanos que estão a pronunciamentos hostis pelo facto de estarem a perder espaço e oportunidades de desenvolver negócios a favor dos estrangeiros. associada sexo comercial envolvendo mulheres imigrantes Zimbabweanas. pacífica. Este é um sinal de frustração de algumas pessoas que atribuem responsabilidades por algumas dificuldades que enfrentam no dia-a-dia aos imigrantes que estão. No entanto. igualmente. Entretanto. não violenta do povo Moçambicano. A título de exemplo. Neste contexto.Não menos importante. gradualmente. A ligação entre a imigração e a saúde pública é um assunto que tem a ver com os mecanismos de supervisão e controle de entrada e circulação legal e ilegal de estrangeiros e. A sua fraca condição sócio-económica forçou-os a imigrar. na África do Sul. No entanto. Alguns imigrantes estão em Moçambique por uma questão de segurança humana. em 2008. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas como. de certa forma. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. por exemplo. a assumir uma posição de monopólio de pequenos negócios anteriormente desenvolvidos por moçambicanos. devido a natureza tolerante. o HIV/SIDA. em Moçambique. a febre-amarela e o ébola. tem sido apresentadas 45 . Além disso.

A Ponta d´Ouro. 6. a actividade económica do país de acolhimento. 2003). a probabilidade de ocorrência de violência xenófoba contra a segurança dos imigrantes é mínima porque não atinge uma grande maioria da população como é. Esta forma de manifestação constitui. IMPACTO DA IMIGRAÇAO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA O que se pretende neste capítulo é fazer uma leitura dos resultados da contribuição. independentemente da conjuntura existente. dos imigrantes no desenvolvimento económico do país. o caso da África do Sul. 46 . tomar a forma violenta. No entanto. sem pressões inflacionistas. Contudo. de origem interna e externa. Os imigrantes se ocupam regra geral. de certa forma. ou não.1.2.reclamações de tratamentos racistas protagonizados por Sul-africanos brancos. de profissões que as populações locais não querem.2.Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia A literatura considera que a imigração tende a estimular. uma fase latente de um problema que se não for eficientemente gerido pode. nomeadamente o consumo acrescido de bens correntes. para além de demonstrarem um carácter empreendedor. alguns dos quais (sobretudo os factores externos) estão relativamente além da capacidade de influência do país de acolhimento. OIT (2004). (Almeida. eventualmente. O país de acolhimento beneficia como um todo. mesmo quando certos grupos de imigrantes ficam em desvantagem. isto é. até agora. como os menos qualificados. por exemplo. os fluxos de imigrantes podem ter diversos efeitos na estrutura económica. a xenofobia em Moçambique manifesta-se de forma não violenta em alguns círculos urbanos. na Província de Maputo é um dos locais visados. O Efeito causado na economia de um país envolvido num processo de imigração depende de diversos factores. Portanto. 6. na economia Moçambicana. da imigração.

e outros. Podemos considerar pela sua maneira de estar no mercado os imigrantes asiáticos. 17 A existência da mão-de obra. pobreza. mais determinados. podemos dizer que os imigrantes em Moçambique dividem-se em imigrantes económicos e não económicos. conflitos. Segundo a teoria de Chiswick acima referida. o seu impacto na economia dos países receptores torna-se evidente pois. os imigrantes são diferentes dos naturais no que diz respeito a maneira como encaram o mercado. Por outro lado existem os imigrantes não económicos. consequentemente da inflação. De acordo com Chaswick (66-67). aceitam riscos. seca. perseguição. são vanguardistas/empreendedores e muitas vezes fisicamente e mentalmente mais aptos. Os imigrantes não económicos podem tornar-se economicamente activos no país de acolhimento e até superar os imigrantes económicos. oriunda do estrangeiro aumenta a oferta de trabalhadores aliviando a pressão da subida dos salários e. Os mais hábeis e capazes aumentam a eficiência porque usam menos tempo para completar tarefas. sendo que os imigrantes são mais agressivos. eles acrescentam valor no capital humano dos países de acolhimento. desertificação. da África ocidental e do corno de África como imigrantes económicos enquanto os imigrantes da África Austral são imigrantes não económicos. os imigrantes económicos tendem a ser os mais capazes. Quanto mais hábeis e capazes os imigrantes forem. as imigrações influenciam o desempenho económico do país de acolhimento dos imigrantes. 2008:67).Segundo Stalker (2000). desta forma gerar ganhos de produtividade17 De acordo com chiswick (2008:64). Quando os imigrantes económicos se integram num mercado. pelo preenchimento dos labour shortges com uma mão-de-obra mais barata e flexível. melhor será a eficiência do mercado de trabalho no país de acolhimento porque. Estes imigrantes podem ser chamados de imigrantes económicos pois deslocam-se na busca de melhores oportunidades. 47 . Normalmente quando se deslocam para um mercado é na busca de sucesso e bem-estar. o que implica na diminuição de custos das empresas (Chiswick. que geralmente fogem a fome. do mesmo modo que aumenta a eficiência no investimento em capital humano. árabes. a elevada capacidade e habilidade aumenta a produtividade do mercado de trabalho. discriminação. tirania. mais fortes. permitindo um uso mais eficiente da mão-de-obra e. nomeadamente numa perspectiva de médio e longo prazo.

Em termos gerais. pois. os imigrantes do sudoeste asiático (indianos e paquistaneses) do médio oriente (árabes). principalmente porque o maior número de imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. existe uma série de factores que determinam o sucesso económico dos imigrantes na sociedade de acolhimento: Oportunidades estruturais Recursos pessoais Oportunidades étnicas Contexto político e Classe social do indivíduo. das razões de saída do país de origem. Por outro lado existem os imigrantes trabalhadores não qualificados. ou com pouca qualificações que dedicam-se mais ao comércio informal vendendo um pouco de tudo. eles cumprem com todas as suas obrigações fiscais. depende dos grupos. 6. Malawianos. O peso dos factores culturais neste tipo de comportamento é sem dúvida determinante. a influência árabe na África ocidental e no corno de África dita o comportamento económico destes povos enquanto práticas seculares de comércio tornam os imigrantes do sudoeste da Ásia e do médio oriente exímios empreendedores. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes Segundo Oliveira (2005: 18. da capacidade financeira e da recepção dos imigrantes no país de acolhimento. Recursos do grupo étnico 48 . Os imigrantes da região austral (Zimbabweanos.40). Os estrangeiros que investem em Moçambique e estão devidamente legalizados.2. Os entrevistados referiram no entanto que nem tudo é positivo no que diz respeito a presença dos imigrantes em Moçambique.2. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. também contribuem para o desenvolvimento da economia do país. O emprendedorismo dos imigrantes depende muito dos factores acima mencionados. que do ponto de vista de rendimentos para o país não traz nenhum benefício. principalmente no comércio. Zambianos e Tanzanianos) são menos empreendedores e trabalham normalmente por conta de outrem.O que se verificou durante o processo de entrevistas foi que a integração económica dos imigrantes em Moçambique. da África ocidental e do corno de África registam elevados índices de emprendedorismo nos vários sectores da economia.

49 . Imigrantes que se estabeleçam em Moçambique com capital de investimento provocam um impacto mais visível em relação aos que não venham munidos de capital. as oportunidades estruturais. acolhimento Legislação profissional e experiência de negócio. na sua maioria. sexo. Com base no capital de investimento o imigrante vai afectar toda uma cadeia económica ao alugar. senegaleses e guineenses) e do corno de África (etíopes e somalis). Ao lado dos imigrantes asiáticos.institucional na sociedade de qualificações. contrariamente aos imigrantes da região austral (Zimbabwe. é o primeiro factor que determina o sucesso económico dos imigrantes em Moçambique. os imigrantes não teriam o sucesso económico que estão a ter. Sem uma estrutura sociopolítica e cultural e sem uma legislação que favorece a entrada. munidos de capital e experiencia encontram-se os imigrantes da África ocidental (nigerianos. Moçambique tem adoptado uma política económica exemplar facilitando a entrada de novos investimentos. sem grande capital e sem grande experiência comercial. O segundo grupo de factores é determinado principalmente pelos recursos financeiros do imigrante. As qualificações e a experiência profissional e de negócios que o individuo tenha também jogam favoravelmente para que ele tenha sucesso nos seus negócios e que provoque um impacto positivo na sociedade moçambicana. estado civil A extensão e abertura do Recursos financeiros mercado comercial de trabalho e O primeiro grupo de factores. arrendar ou pagar por bens e serviços prestados. A história da comunidade étnica e a sua trajectória económica O funcionamento das redes sociais no seio da comunidade imigrante conhecimento linguístico Idade. A eliminação gradual dos procedimentos impostos no registo de empresas e na concessão de alvarás de exploração foi um dos principais atractivos a entrada de imigrantes económicos no país. A experiencia em negócios e o capital demonstrado pelos imigrantes asiáticos (paquistaneses. permanência e o desenvolvimento de actividades empresariais. Depois da aplicação das medidas de reajustamento estrutural impostos pelo Banco Mundial nos finais da década 80. Malawi e Tanzânia) que entram no país. indianos e chineses) permite-lhes ter maior sucesso económico do que os imigrantes de outras regiões.

2005:20). os imigrantes mais antigos conhecem redes de apoio mas vastas (Oliveira. O sucesso de alguns grupos étnicos nos países de acolhimento deve-se precisamente a essa solidariedade intra-grupo. confiança. a concessão de emprego e até na concessão de empréstimos. Grupos étnicos altamente coesos suportam os seus conterrâneos nas sociedades de acolhimento. Baseiam-se em formas de fidelidade. O Sector Secundário está relacionado com a transformação das matérias-primas produzidas pelo sector primário em produtos de consumo. a indústria transformadora e a 50 . secundário. imigração cria uma solidariedade reactiva. Estas redes obedecem ao princípio da solidariedade. 6.2. a legalização. citado por Heisler (2008:87). O investidor imigrante entra no mercado conhecendo a estrutura da oferta e procura de determinados produtos empresariais. Este conhecimento é difundido pelos imigrantes pré-estabelecidos no país.Dentro do terceiro grupo de factores (oportunidades étnicas). Os recursos do grupo étnico por vezes podem ser de carácter familiar ou étnico. os membros do mesmo grupo étnico apoiam-se no país de acolhimento enquanto este apoio não existe no país de origem. as redes de imigrantes tem tido um efeito positivo na sua inserção profissional e no mundo dos negócios. o sector primário. a primeira geração de imigrantes contribui na integração de novos imigrantes na sociedade de acolhimento. De acordo com Oliveira.3. parece que os imigrantes possuem maior informação sobre as oportunidades de negócio em Moçambique. no sentido de que. Em alguns casos. A presença histórica de uma comunidade étnica no país de acolhimento também contribui para definir a trajectória económica dos seus integrantes. Pelo seu tempo de presença no território moçambicano. desde a facilitação a entrada ao país. terciário e quaternário.Impacto da Imigração nos Sectores da Economia A economia de um país pode ser dividida em 3 Sectores fundamentais. cooperação e solidariedade (Oliveira. 2005:27). A primeira vista. Os recursos étnicos são produzidos e reproduzidos por membros de um mesmo grupo. pesca e pecuária. De acordo com Light. 2005:20). joga um papel extremamente importante os recursos do grupo étnico. que disponibilizam capital para investimento empresarial (Oliveira. O sector primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza e abrange actividades como a agricultura. indústria extractiva.

Este cenário anacrónico para um país com grandes potencialidades agrícolas resulta sobremaneira da incapacidade do estado criar incentivos como a facilitação do crédito. Na verdade. floricultura. serviços administrativos. A presença de imigrante brasileiros nas minas de carvão ao longo da província de Tete representa um imput considerável para o desenvolvimento desta actividade. Os serviços são produtos não meterias que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades e incluem actividades como comércio. serviços bancários. O sector agrícola é o menos favorecido em termos de investimentos de imigrantes. portugueses. saúde. Nestes casos. falta de subsídios e a elevada carga fiscal sobre os insumos agrícolas. transportes. são poucos os imigrantes que se concentram em actividades produtivas de facto. etc. Parece não haver por parte de muitos imigrantes suficiente vontade de arriscar na área produtiva. As fragilidades produtivas do país não são bem aproveitadas pelos imigrantes. alguns sulafricanos. O Sector Terciário é o dos serviços. chineses. infra-estruturas. este sector não demonstra grandes desenvolvimentos. Este sector engloba também actividades ligadas as tecnologia digital como a informática. turismo. multimédia e telecomunicações. verificou-se que os imigrantes repartem-se um pouco por todos os sectores com maior peso no sector primário e terciário. portanto. O sector primário verifica uma grande presença de imigrantes concentrados na sua maioria na industria extractiva. 51 . O carvão Moçambicano está cotado entre os melhores do mundo e a sua exploração vai incrementar as exportações moçambicanas favorecendo desse modo o PIB e a Balança Comercial. seguros. onde a presença de imigrantes é quase nula. A excepção de alguns farmeiros zimbabueanos que ainda se encontram na província de Manica. Para além dos brasileiros concentrados na mineração na província de Tete. educação. vietnamitas e imigrantes das Maurícias que exploram um pequeno nicho do mercado agrícola ligado a produção de arroz. batata. a maioria desta mercadoria é exportada de forma ilegal não contribuindo para as receitas fiscais. A dinamização das minas de carvão na província de Tete motivou um boom económico nesta província e nos corredores ferroviários que permitem o escoamento desta produção. actividades desse sector. existem várias nacionalidades que fazem maioritariamente a mineração ilegal em províncias como Niassa e Manica na busca de ouro e diamante. A par do sector agrícola está o sector das pescas.construção civil são. Em termos de sectores de actividade. o impacto económico é adverso aos interesses económicos do estado pois.

22. 52 . principalmente no comércio e turismo.Em termos gerais. etc) e têxtil (vestuário. Estas infra-estruturas trazem um impacto positivo na economia e sociedade moçambicana. uma percentagem considerada muito baixa. indianos. o sector secundário em Moçambique é bastante fraco e incipiente. O impacto dos imigrantes pode ser visto em função da Oferta e Procura de bens e serviços essenciais. Muitos imigrantes foram responsáveis pela reabertura do comércio rural. Várias lojas rurais foram abertas e passaram a fornecer produtos essenciais às populações rurais reduzindo as distâncias de deslocação para a aquisição destes produtos. tendo em conta as potencialidades que o país possui. O sector industrial em Moçambique contribui apenas com 12 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB).11. sumos. Durante muito tempo. regista-se a criação de várias indústrias de pequeno porte pertencente a imigrantes portugueses. Em relação a construção civil. a procura de produtos essenciais nas zonas rurais era desfavorecida pela inexistência de uma oferta diversificada e a baixos custos. principalmente ligados a industria alimentar (açúcar. Por sua vez. A área comercial é a mais expressiva. maurícios. No entanto. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses e chineses proprietários de empresas de construção civil ou empregados em empresas nacionais. calçado. com a chegada de muitos imigrantes em Moçambique assistiu-se a um Boom do sector terciário.2007). O volume de produção do sector industrial é baixo devido a falta de investimentos nacionais e estrangeiros no sector (Fernando Gil. com o surgimento de novos negócios no país. pão. O estado moçambicano enfrenta grandes dificuldades na atracção de investidores estrangeiros para a criação de novas indústrias e para a revitalização das mais de 300 indústrias paralisadas devido a guerra e as falhas do processo de privatização da década 90. doces. os imigrantes envolvidos na construção civil possuem qualificações (skills) mais apurados dos que os moçambicanos contribuindo desse modo para a qualidade das infra-estruturas e a rapidez da execução das obras. estradas. Normalmente. etc). O envolvimento dos imigrantes neste sector tem efeitos bastante positivos para o desenvolvimento de infra-estruturas no país. AIM . paquistaneses. iogurtes. pontes e infraestruturas de abastecimento de água nas cidades e vilas). Os imigrantes e as empresas dos imigrantes estão envolvidos na construção de habitações e obras públicas (edifícios governamentais. bolachas. um sector anteriormente em franca decadência.

pensões e guest houses em quase todo o país. A elevada capitalização dos imigrantes em relação aos nacionais desprovidos de capital é notória. Roupa diversa. a balança comercial tornou-se mais deficitária. sal. alfinetes. mobiliário de escritório e de casa. lojas de roupa. a disponibilidade de assumir riscos e os baixos preços praticados pelos imigrantes vem sufocando a emergência deste empresariado nacional que vê no empresário imigrante não só um concorrente mas também como adversário.Os empresários imigrantes contribuíram sobremaneira para a revitalização da economia moçambicana. é importante referir que a maioria dos imigrantes vira-se para a importação. etc. vários são os estabelecimentos hoteleiros pertencentes a imigrantes contribuindo significativamente para o 53 . o conhecimento sobre os melhores mercados de oferta. tendo impulsionado o desenvolvimento de negócios em áreas como sapatarias. Nigéria. Ao nível das grandes cidades. A inexistência de uma base produtiva no país permite que se importe produtos elementares como agulhas. A segunda área que sofreu um Boom foi o Turismo. Os laços comerciais com países como a China. Entretanto. etc. onde assistimos a construção de novos hotéis. mercearias. Gás Natural. Por força deste factor. normalmente representando os países de origem das maiores comunidades imigrantes no país. São normalmente importados produtos como: Sapatos. Em relação a importação e exportação de bens e produtos de Moçambique. o país tornou-se mais importador com a chegada de imigrantes comerciantes. Brasil. A experiência colhida. Pelo facto de estarem maioritariamente ligados ao comércio e pelo facto do país não ter uma base produtiva capaz de alimentar este comércio. consumíveis de escritório e produtos alimentares diversos. electrodomésticos. Índia. o fluxo de importações dos imigrantes permitiram que o país estabelecesse ligações com novos mercados. a criação do FIIL veio abrir oportunidades de capital para muitos moçambicanos que entretanto começaram a investir nas mesmas áreas. Deve-se referir que os artigos importados pelos imigrantes abarcam desde os artigos de luxo aos artigos simples. desde os alimentares a maquinaria. e os países do médio oriente obedecem em certa medida ao volume de imigrantes oriundas destes países. somente equilibrada pelos grandes industrias exportadores como a Mozal. Em termos de parceiros comerciais.

um elevado grau de formação. A maioria dos bancos privados nacionais possui no seu quadro técnico e administrativo imigrantes portugueses qualificados. o sector turístico é maioritariamente dominado por imigrantes sul-africanos que exploram as potencialidades. de acordo com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS). segregação racial. Gaza e Maputo no sul e Cabo Delgado no norte. promoção da prostituição. principalmente nas províncias costeiras de Inhambane. destruição de ecossistemas. ao nível dos distritos e zonas rurais o número de imigrantes que exploram o sector é bastante reduzido devido ao fraco retorno de investimentos. contratados para desempenhar funções chaves de chefia e treinamento. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses neste sector. a relação entre os investidores estrangeiros e os cidadãos nacionais não tem sido pacífica e motiva vários conflitos em torno da posse de terra. o impacto dos imigrantes pode ser observado de dois ângulos: a Oferta e a Procura.Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho Quanto ao mercado de trabalho.2.4. títulos de propriedade. No entanto. A predominância de imigrantes no sector terciário também é sentida ao nível da banca comercial pois. Em relação a procura. Todavia. Por seu lado. muitas vezes subornadas pelos investidores imigrantes. Ao mesmo tempo. O discurso do governo tanto para os nacionais como para os 54 . não existe uma estratégia de emprego que possa absorver a massa laboral imigrante. principalmente nos casos de indivíduos que ocupam cargos de confiança. privatização dos espaços públicos e exploração do nacional pelos estrangeiros. o reduzido tamanho do mercado de trabalho em Moçambique que exclui grande parte dos jovens moçambicanos reflecte-se também na baixa contratação de imigrantes. necessariamente. Em termos gerais. 6. Vários entrevistados denunciam a inoperância das forças policiais e das instituições de justiça. nem todos imigrantes contratados pelos bancos e pelas empresas apresentam.aumento da oferta de camas. O sector turístico concorre hoje como um dos sectores em maior expansão no país contribuindo significativamente em divisas e infra-estruturas.

A maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se mostram mais empreendedores que os nacionais. Como é sabido. Malawi e Tanzânia buscam. buscam oportunidades de emprego. o maior empregador em Moçambique é o Estado e os concursos de ingresso privilegiam a mão-de-obra nacional. Para Abdula. apesar de ser dispendiosa uma vez que requer a disponibilização de muitos recursos logísticos. árabes. como empresas dos outros continentes (AIM – 06. os imigrantes destes países não demonstram um elevado nível de empreendedorismo dependendo muitas vezes de pequenos empregos mal remunerados ou se baseando no mercado informal. A lei do trabalho também estipula uma série de condicionalismo para a contratação de mão-de-obra estrangeira no sector privado. Facto assente é que a maioria dos imigrantes asiáticos. o sector privado continua a recorrer à mão-de-obra estrangeira por falta de alternativa a nível interno. Salimo Abdula. Somente em casos de inexistência de quadros qualificados em certas áreas que demandam formação especializada é que o Estado recorre a contratação de mão-de-obra estrangeira. Provavelmente devido a crise económica que se vive no Zimbabwe e a fraca condição económica do Malawi. A experiência mostra que a maior parte dos imigrantes em Moçambique trabalha em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. árabes. Para Abdula.estrangeiros é o incentivo ao auto-emprego e ao empreendedorismo. enquanto os imigrantes vindos do Zimbabwe. oriundos da África ocidental e do corno de África não procuram o país com objectivo de concorrer para o mercado de trabalho. o governo moçambicano adoptou políticas que facilitam a entrada de imigrantes no mercado de trabalho. a necessidade de contratação de mão-de-obra estrangeira prende-se com o facto das empresas nacionais não estarem somente a competir ao nível interno mas sim ao nível regional no âmbito da integração regional e ao nível internacional.04. Apesar do mercado de emprego ser bastante pequeno. para além do negócio.2009). a contratação de trabalhadores estrangeiros continua necessária. especialmente os que são qualificados e capazes de se adaptar. A maioria dos imigrantes asiáticos. A inserção dos imigrantes económicos em Moçambique acontece de várias maneiras. da África ocidental e do Corno de África se empregam 55 . Entretanto. de acordo com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

ela costuma basear-se em associações religiosas. Na maioria dos casos. Esta tendência resulta do facto da maioria dos imigrantes ilegais serem oriundos de zonas pobres. os imigrantes investem em pequenas e médias empresas. a fonte de capital. Normalmente. De acordo com Chiswick (2008:71). para além de ser individual ou basear-se na rede étnica. o imigrante trabalha com os seus conterrâneos por um tempo curto. a chave para o desenvolvimento de actividades independentes (Oliveira. O peso da contratação de moçambicanos depende também dos sectores da economia.nas empresas dos seus conterrâneos e rapidamente mudam da situação de empregado para empregador pois. Em relação a oferta. abate ilegal de árvores entre outras actividades ilegais. O maior problema que Moçambique enfrenta é a excessiva onda de imigrantes ilegais. em muitos casos. No sector secundário. O tamanho destas empresas determina o volume de contratações dos cidadãos nacionais. Apesar de haver nichos consideráveis de imigrantes. as empresas de construção civil dos imigrantes são actualmente aquelas que mais moçambicanos empregam. principalmente nas obras públicas. No sector primário. as empresas de mineração são responsáveis pela contratação de muitos moçambicanos. por causa disso. A experiência profissional conseguida em firmas de conterrâneos significa. mudando-se em seguida para uma actividade individual na base de empréstimos. No caso dos hindus e árabes. Alguns estrangeiros criam emprego para os moçambicanos principalmente quando estabelecem grandes empreendimentos ou grandes projectos. 56 . sem nenhumas qualificações e habilidades e sem recursos financeiros. através dos laços étnicos são favorecidos por empréstimos e créditos para iniciarem um negócio próprio. A par destas encontram-se as empresas de produção alimentar. a contribuição dos imigrantes na criação de emprego depende muito do tamanho das suas empresas. caça ilegal. Ou permanecem em actividades clandestinas no comércio informal ou ainda em actividades de tráfico e extracção de minérios preciosos. os ilegais tendem a empregar-se em empregos com baixos salários. Normalmente os imigrantes ilegais não são imigrantes económicos. 2005:15). os imigrantes ilegais tendem a ser pessoas sem nenhuma qualificação ou com poucas qualificações em relação aos imigrantes legais e. a mão-de-obra nacional representa a maioria dos trabalhadores contratados.

os comerciantes imigrantes contribuem para a redução do desemprego no país18. Tanto a 18 Quando os imigrantes desenvolvem actividades empresariais. Outro problema com o qual a inspecção do trabalho se depara muitas vezes é com as diferenças salariais entre os estrangeiros e os Moçambicanos. O relacionamento também não é pacífico quando o imigrante goza de mais benefícios na relação de trabalho ou quando este ocupa cargos de chefia passíveis de ser ocupados por nacionais. os comerciantes não empregam moçambicanos. Por serem empresas de pequenas dimensões. nem sequer chegam a empregar moçambicanos porque são eles próprios que fazem a gestão do seu pequeno negócio. onde existem várias lojas de pequena e média estatura ocorre um alargamento do mercado de emprego. No comércio informal está situação torna-se mais grave porque os imigrantes. 57 . 6. A título de exemplo. o relacionamento entre trabalhadores imigrantes e nacionais mostra-se em muitos casos bastante tenso principalmente na construção civil. Entretanto.3. As constantes greves de moçambicanos empregados em obras controladas por chineses demonstraram situações de exploração. favorecer e proteger a contratação de trabalhadores nacionais é notório que alguns estrangeiros abrem as suas lojas comerciais e só contratam estrangeiros ou familiares. o impacto dos imigrantes no mercado de trabalho pode ser vista ao nível das relações laborais. IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL Do ponto de vista sócio-antropológico. por causa da largura do sector comercial formal. a área comercial ganha maior vantagem na contratação de moçambicanos em relação as outras áreas como o turismo. A par de uma análise em função da oferta e procura. o enfoque teórico recai sobre dois aspectos fundamentais: a integração ou incorporação dos imigrantes e a assimilação dos imigrantes nos países de acolhimento ou nas sociedades receptoras. descriminação e racismo dos chineses para os moçambicanos e demonstraram uma grande diferença na cultura de trabalho entre os dois povos. A discussão teórica sobre a assimilação dos imigrantes é a mais antiga e a mais dominante nos estudos sócio-antropológicos sobre a imigração. 2005:16). as lojas dos comerciantes imigrantes contratam de 1 a 5 trabalhadores nacionais e em alguns casos. Apesar da lei do trabalho incentivar.No sector terciário. Ainda que em pequena escala. criam novos postos de trabalho e expandem a oferta de bens e serviços na sociedade a preços competitivos (Oliveira.

o país recebe hoje novos imputs culturais resultantes do cruzamento dos povos moçambicanos originários com os povos imigrantes de diversas origens. Apesar de Moçambique ter uma herança multicultural resultante do cruzamento de povos negros Bantos e Khoisan. línguas. Exemplos são trazidos da realidade americana. restaurantes italianos. costumes e tradições diferentes. etc. novos valores sócio-políticos.3. a diversidade cultural contribui para o enriquecimento dos estados tanto a nível material e cultural pois. Mas essa diversidade e multiculturalidade são 58 . surge uma nova cultura de trabalho. As questões que se podem levantar aqui são: 1) será que os imigrantes procuram se assimilar a sociedade moçambicana ou procuram simplesmente a integração ou incorporação? 2) Será que a sociedade moçambicana quer assimilar os imigrantes ou simplesmente integra-los? Que benefícios ou prejuízos Moçambique tem partindo destas hipóteses em questão? Que impacto existe para Moçambique ao assimilar ou integrar imigrantes? 6. lojas de roupa brasileira. diversidade linguística. Estes novos imputs contribuem para uma nova miscigenação cultural derivada da agregação de novas culturas.1. Existem vários autores dos assuntos de migração que defendem a necessidade das sociedades receptoras de imigrantes tornarem-se multi-culturais e diversas. diversidade musical e na dança. Deve-se reconhecer que Moçambique sempre teve uma diversidade cultural interna.assimilação dos imigrantes como a sua integração nas sociedades de acolhimento dependem de dois factores principais: esforços das sociedades receptoras em admitirem imigrantes e a vontade dos imigrantes. talhos portugueses. Multiculturalismo ou Assimilação? Um dos maiores impactos culturais da imigração é o surgimento de sociedades multiculturais (multiétnicas. brasileira e sul-aficana que espelham a dimensão positiva da diversidade cultural. povos brancos da Europa e povos árabes do oriente médio. a diversidade cultural pode ser interna e externa. Não haja dúvidas que a diversidade cultural pode trazer benefícios as sociedades de acolhimento. Hoje. Entretanto. etc. clínicas que aplicam métodos de tratamento chineses. Para estes autores. Os painéis luminosos de lojas e restaurantes demonstram claramente a diversidade cultural de Moçambiquie. diversidade na culinária. encontram-se restaurantes chineses. multilinguísticas e multireligiosas).

Na perspectiva de alguns entrevistados. Quanto maior o grupo. 1997:95-96). Elas convergem para um único vértice . 2008:2). Em relação aos imigrantes. O nacional torna-se empregado do imigrante e estes exploram-lhes como escravos e maltratam-lhes. cada qual com sua própria lógica. A presença de grupos étnicos formados no curso do processo imigratório. Ela traz uma sociedade estruturada em camadas culturais distintas e específicas. mais concentrado e homogéneo for. Os perigos do multiculturalismo manifestam-se principalmente quando os imigrantes estabelecem enclaves étnicos. estabelecida pelas políticas de unidade nacional e do respeito pela pluralidade étnica. concentração e homogeneidade deve ser controlada pelos decisores políticos na sua política de imigração. No futuro. Os estados devem evitar a concentração de imigrantes por comunidades sob o risco de se enfrentar choques e conflitos. os imigrantes que se concentram em certas áreas passam a ter domínio sobre a vida económica e cultural dessa área e começam a excluir os moçambicanos do seu meio. a sua multiculturalidade é externa e por isso não é convergente. se o número de imigrantes crescer os moçambicanos podem ficar violentos. tamanho.o vértice da moçambicanidade.convergentes. não há dúvidas de que a xenofobia vai acontecer em Moçambique pois. Tamanho Concentração Homogeneidade A tríade. o grupo tenderá a valorizar a sua cultura. A situação pode piorar com a abolição do visto de entrada ao nível da SADC. concentrados de forma expressiva pode suscitar manifestações de xenofobia por parte dos naturais (Seyferth. Para que haja choques culturais entre imigrantes e nacionais. o seu modus vivendi e dificilmente negociará a sua identidade 59 . o tamanho. a concentração e a homogeneidade da população imigrante contam muito. Enclave étnico é um processo que emerge da concentração em determinadas áreas de imigrantes de uma mesma nacionalidade representando uma ameaça cultural. seus valores e seus âmbitos (Martins.

os estados receptores procuram introduzir novos valores culturais sobre os imigrantes através da aculturação. a cultura é entendida como uma estrutura. 1997:96). 19 Quando se fala de valores. os estados procuram tornar os imigrantes iguais aos nacionais pois. de forma a promover o equilíbrio populacional ou através da assimilação (Seyferth. quanto menor. A eles são dados nomes injuriosos e difamadores. compartilhadas por pessoas numa sociedade. A assimilação dos imigrantes é vista por muitos autores dos assuntos de imigração como uma questão estratégica para a sobrevivência de qualquer estado que admita a entrada de muitos imigrantes no seu território. costumes e os conhecimentos compartilhados por esse grupo. Zimbabueanos e tanzanianos em comunidades concentradas pode representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. desconcentrado e heterogéneo maior será a necessidade de negociar a sua identidade e assumir os valores culturais do país de acolhimento. 1997). assimilando o modus vivendi do país de acolhimento. Neste sentido. valores. tudo aquilo que foi criado e construído por um grupo de seres humanos. O imigrante era obrigado a assumir uma nova identidade nacional e aprender novos valores defendidos pela sociedade americana19. Autores americanos defendem esta posição desde as primeiras grandes vagas de imigração para o território americano. crenças. e outros valores que são tomados em conta pelo grupo para sustentar a sua vida em sociedade. ele considera a cultura como um património comum dos membros de uma sociedade e que este património é transmitido de geração em geração. A tentativa de construção de um novo estado e a necessidade de criação do cidadão americano tornou os Estados Unidos num grande defensor da teoria da assimilação. sociedade ou povo (Etienne: 1997) 60 . aquilo que é importante. fala-se de ideias colectivas. a cultura torna-se uma herança social e o elo máximo de ligação entre as gerações. belo ou feio. No lado inverso. aceitável ou inaceitável. Como consequência. Através da aculturação. que definem os critérios do desejável. o factor cultural representa a grande fronteira de distinção entre os grupos numa sociedade20. justo e injusto. valioso. Por causa disso. ela é assumida como elemento estratégico para a sobrevivência das sociedades (Seyferth. A cultura engloba um sistema de ideias. O risco Da xenofobia só podia ser debelado através da imposição de uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. 20 Segundo a visão estruturalista de Levi-strauss. A cultura seria então. A presença de Malawianos. A assimilação é prática usada pelos estados modernos de forma a garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota.para assumir a identidade do país de acolhimento. por uma sociedade ou por um povo. As manifestações xenófobicas dos moçambicanos começaram com os insultos aos imigrantes.

De acordo com Seyferth. indianos. o direito dos imigrantes manterem sua própria língua. Esta situação é visível principalmente entre as comunidades agrupadas de etíopes. mantêm alguma ligação com a cultura e sociedade de origem [. De acordo com Charles Krauthammer (2005).]. “os imigrantes. qualquer país pode ter imigrantes mas nem todos conseguem assimila-los. o real problema não é a imigração mas sim a assimilação pois. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. principalmente. Para além disso.Enquanto o imigrante como indivíduo isolado pode facilmente sofrer o processo de assimilação/aculturação. a convenção No 143 da OIT e a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores imigrantes e os membros das suas famílias são exemplo de alguns instrumentos internacionais que limitam as capacidades dos estados assimilarem os imigrantes. “Um país não é apenas um conglomerado de indivíduos dentro de um trecho de território. Para ele. a unidade de raça. os imigrantes em grupo dificilmente se deixam assimilar pois. Portanto. a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. em geral. árabes que resistem a pressão assimiladora da sociedade moçambicana. estes instrumentos convidam os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. enquanto os imigrantes não forem assimilados. por mais que os laços com seus países de origem estejam diluídos”.. somalis. Dave Gibson (2005). 1997:101). O direito internacional convida os estados a reconhecerem e respeitarem o pluralismo cultural. cultura e tradição. A invasão de estrangeiros constitui hoje um desafio para os estados. A lei moçambicana não faz nenhum esforço para quebrar a permanência da cultura dos 61 . citado por klumb (2009:3). mas. A declaração universal dos direitos do homem. De acordo com o presidente brasileiro Getúlio Vargas. A palavra quisto revela uma concepção negativa ao considerar os imigrantes como um cancro para a sociedade Moçambicana. a unidade de língua e a unidade do pensamento nacional (Seyferth. considera que a imigração sem assimilação é igual a invasão. Por seu lado. os grupos erguem fortalezas para proteger a sua cultura. vão permanecer alienados dos valores políticos e culturais do país de acolhimento. guardam sempre alguma forma de identidade étnica.” O primeiro obstáculo ao processo de assimilação é o direito internacional. manter a cultura originária e a língua materna é um direito dos imigrantes e isso implica a prevalência de quistos étnicos..

A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo estado. o estado deve criar condições de induzir a assimilação.3. A campanha de nacionalização (assimilação) foi implementada durante o Estado Novo (1937-1945). principalmente a imprensa étnica. este dispositivo constitucional resulta da consciência do legislador de que a população moçambicana é marcada por uma acentuada heterogeneidade étnica e por isso possui uma diversidade cultural. Enquanto o impacto cultural dos imigrantes ainda não é muito manifesto. estes laços criam uma comunidade transnacional. Moçambique não tem nenhuma política de assimilação dos imigrantes para prejuízo do estado. inclusive nas actividades religiosas (Seyferth. A partir de 1939. 6. que admitem mais facilmente a introdução de novos valores culturais. O primeiro acto de nacionalização atingiu o sistema de ensino em língua estrangeira: a nova legislação obrigou as chamadas “escolas estrangeiras” a modificar seus currículos e dispensar os professores “desnacionalizados”. especialmente os filhos dos imigrantes. constroem (criam) e reforçam os laços com os seus países de origem (Heisler. De acordo com Heisler. progressivamente. Contrariamente a outras sociedades mais experientes na recepção dos imigrantes. Os melhores mecanismos de assimilação são: o mercado de trabalho e as instituições de educação21. partido político. criam associações ligadas ao país de origem. da cultura dominante.imigrantes. 2008:95). nacionalidade. O risco da afirmação de identidades étnicas e religiosas por parte de algumas comunidades imigrantes e o risco do surgimento de enclaves étnicos devem fazer parte de uma política firme de controlo de imigrantes. etc. desportivas e culturais que não aceitaram as mudanças. credo. foi proibido o uso de línguas estrangeiras em público. sexo. ela protege todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos sem distinção de raça. Por força deste dispositivo constitucional. Alias. viagens constantes ao país de origem. por parte dos imigrantes. Assim. comunica-se constantemente com o país de origem. idade. 21 No Brasil. desapareceram as publicações em língua estrangeira. atingindo todos os possíveis alienígenas. a intervenção directa recrudesceu e a exigência de “abrasileiramento” através da assimilação tornou-se impositiva. O imigrante transnacional é cidadão ‘daqui’ e ‘de lá’ e envolve-se em actividades transnacionais como: envio de dinheiro ao país de origem. 62 . e algumas sociedades recreativas. Alias. O Transnacionalismo Imigrante O transnacionalismo imigrante refere-se a situação em que os imigrantes mantêm. o estado é impotente para forçar a assimilação dos imigrantes ou dos seus descendentes. 1997:96-97).2. as que não conseguiram (ou não quiseram) cumprir a lei foram fechadas. uma nova identidade: a identidade transnacional.

assistem e escutam rádio e televisão do país de origem, votam nas eleições do país de origem, etc (Heisler, 2008:96). O trans-nacionalismo imigrante pode ocorrer com maior frequência em zonas fronteiriças e é cada vez mais facilitado pelos avanços tecnológicos criadas nos transportes e comunicações e as facilidades criadas pela globalização. O trans-nacionalismo emerge como uma questão de análise porque representa um desafio para os estados de acolhimento. Pelo facto de não permanecerem permanentemente em Moçambique, resultado das idas e voltas ao país de origem os imigrantes transnacionais acarretam problemas de dupla lealdade, não fazem grandes investimentos que exijam a permanência no país e são responsáveis pela maior remessa de divisas de Moçambique para os países de origem, muitas vezes saindo sem declaração. Estes aspectos tomados de forma leviana não aparentam nenhuma ameaça para a estabilidade e segurança do estado mas, numa análise mais fria percebe-se que o imigrante transnacional representa uma fragilidade para os estados receptores porque o imigrante transnacional permanece enraizado ao seu país de origem, culturalmente, politicamente e economicamente. Os imigrantes asiáticos árabes, indianos, paquistaneses e bengaleses residentes em Moçambique, mantêm uma forte ligação com suas sociedades de origem e respectivas tradições culturais pois, não existe nenhuma pressão da sociedade moçambicana para a sua assimilação. O que se observa é a coexistência e o confronto diferencial no qual imigrantes buscam acomodar-se aos padrões da cultura hospedeira sem, no entanto, perder seus traços distintivos, num esforço dirigido à construção e manutenção das redes e identidades sociais (Fígoli e Vilela, 2004:1). O imigrante africano é por natureza mais transnacional que o imigrante europeu. Os fortes laços familiares enraizados na cultura africana impede o desenraizamento total dos seus locais de origem. Existe no seio dos africanos um sentido de obrigação em ajudar os seus. Por força disso, a maioria dos imigrantes africanos residentes em Moçambique são responsáveis pela maior remessa de dinheiro para o exterior sem nenhuma declaração ao estado, são também responsáveis pela criação das maiores redes de facilitação da imigração. Estas redes, são responsáveis pelo convite e facilitação da entrada de mais imigrantes dos seus países de origem, tanto de forma legal como ilegal.

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Por força da sua característica transnacional, desenraizados de Moçambique, os imigrantes transnacionais são muito propensos a se auto-excluirem dos processos sociopolíticos do país e são também propensos a excluir os nacionais do seu convívio. Em virtude de se sentirem diferentes dos nacionais eles criam espaços de inclusão baseados na sua etnia. Nesse sentido, a consciência das diferenças tem promovido a construção de identidades étnicas, as quais são artifícios culturais de interacção, organização e resistência ao desaparecimento social, físico e simbólico imposto pela sociedade dominante (Fígoli e Vilela, 2004:4). 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes O maior interesse da integração é conceder direitos sociais aos imigrantes sem prejuízo das suas identidades culturais. A integração do imigrante não significa a «assimilação» ou a supressão de sua identidade cultural. Certamente, a integração requer esforço para entrar na vida social e estabelecer relações de convivência, para aprender a língua da nação e adequar-se às leis e às exigências trabalhistas mas não implica a aculturação. A integração dos imigrantes em Moçambique depende de dois factores principais: a vontade dos imigrantes se integrarem e a vontade dos moçambicanos integrarem. A vontade dos moçambicanos integrarem depende de factores como raça, religião e a capacidade financeira dos imigrantes. Em Moçambique, existem comunidades bastantes fachadas e que não permitem a integração rápida dos imigrantes nem dos moçambicanos que não são originárias dessa comunidade. Este tipo de comunidades é adverso ao multiculturalismo e podem manifestar o xenofobismo. Entretanto, pode-se assumir que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade, indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. No geral, os moçambicanos são muito receptivos aos imigrantes havendo no entanto uma percepção diferente em relação a tipologia dos imigrantes. Aspectos raciais e étnicos têm um peso muito grande na atitude dos moçambicanos. Imigrantes europeus e asiáticos (Paquistanês, Indiano, Bengali) têm maiores chances de serem bem acomodados do que os imigrantes africanos. Ao imigrante europeu e asiático está conotada a condição financeira e a criação de oportunidades de
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emprego. Existe também uma grande receptividade dos imigrantes árabe-muçulmanos nas províncias de predominância islâmica. Todavia, nas províncias de pouca expressão islâmica manifesta-se alguma hostilidade. A percepção em relação aos chineses é ainda de alguma resistência e hostilidade muito provavelmente devido a introdução bastante recente na sociedade moçambicana. Por causa do pendor financeiro dos europeus e asiáticos são-lhes criadas facilidades, de acesso a documentos, licenças e alvarás, muitas vezes em prejuízo do cidadão moçambicano. Com efeito, são constantemente reportados casos de favorecimento a imigrantes estrangeiros em todo o país. Pode-se inferir que os imigrantes contribuem para o crescimento de actos de corrupção e clientelismo. Na análise da receptividade dos imigrantes, também é pertinente avaliar a distância percorrida pelo imigrante. As distâncias etno-linguísticas dos imigrantes do corno de África e da África ocidental diferem grandemente da distância etno-linguística dos imigrantes vindos da África austral. A semelhança cultural e linguística permite uma facilidade de integração dos zimbabweanos, malawianos, zambianos e tanzanianos principalmente nas províncias próximas dos seus países de origem. A mudança cultural não cria choques constantes. Esta situação também beneficia aos imigrantes portugueses e brasileiros, que compartilham com os moçambicanos a mesma língua e, de certa forma, alguns valores culturais. Em relação aos imigrantes vindos da África ocidental, do corno de África e da África central, a grande diferença etno-linguística cria um choque cultural verdadeiro obrigando a uma aprendizagem e mutações drásticas. Todavia, o factor religioso também contribui para reduzir as distâncias etno-linguísticas e criar laços de amizade. Em termos gerais, a sociedade moçambicana é receptiva e acolhedora, por esse motivo, os imigrantes tem tido sucesso nos negócios que provocam um impacto positivo na sociedade. No sentido oposto, se a sociedade moçambicana fosse fechada e repulsiva em relação aos imigrantes, eles não teriam chances de sucesso e o seu impacto seria negativo para a sociedade. Por causa da receptividade dos moçambicanos, a maioria dos imigrantes que criam negócios em Moçambique tornam-se bem sucedidos e expandem os seus negócios, aumentando gradualmente o seu investimento no país. A receptividade do país cria confiança no imigrante e por via disso mantêm as suas contas bancárias no país, reduzem as remessas de dinheiro para o país de origem,

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pelo trabalho. a percentagem dos casamentos intraétnicos ainda é muito acentuada. culturais e até linguísticas tem maior propensão em se integrar na sociedade moçambicana em relação aos imigrantes asiáticos e europeus. trafica mulheres. Em relação a vontade dos imigrantes. a 66 .estabelecem negócios maiores. compram imóveis. Sempre que um grupo de imigrantes ou um imigrante acumula vantagens e benefícios em detrimento dos nacionais e ou lesar os interesses da sociedade local (vender produtos a preços baixos em comparação com os nacionais. destacar a grande resistência de alguns grupos em estabelecer laços matrimoniais com os moçambicanos. Normalmente. em poucas palavras pode se dizer que o imigrante investe na permanência a longo prazo. São criados estereótipos que minam a convivência entre os imigrantes e os nacionais. são de baixo nível. etc. sujos. ridicularizados. que se consideram lesados. hostilizados pelos nacionais porque eles são uma ameaça e um perigo para a posição social e económica dos nacionais. comprar bens de luxo ou construir habitações mais belas) provoca uma hostilidade latente no seio dos moçambicanos. namorar ou casar com as mulheres mais belas. Quanto a integração pelo casamento. pelas suas características raciais. principalmente ao nível dos distritos. Nestes grupos. Entretanto. pela escola e pela religião. feiticeiros. existe um diferencial bastante grande em relação aos imigrantes africanos e os imigrantes asiáticos e europeus. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. a presença dos imigrantes levanta sentimentos de indiferença. O citadino não se escandaliza facilmente com os casamentos entre imigrantes e nacionais nem com a pujança económica de alguns imigrantes havendo maior preocupação com a oferta de bens e serviços a preços baixos. Entre a comunidade indiana por exemplo predomina. Existem no entanto momentos em que a sociedade moçambicana demonstra sinais de hostilidade e indiferença. Os estereótipos mais frequentes são: todo o imigrante é criminoso. ao nível dos maiores centros urbanos. A hostilidade costuma manifestar-se em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido num ambiente de escassez e pobreza. Nalguns casos os imigrantes são afastados do convívio social. trafica droga. O imigrante africano.

O objectivo desta atitude é a continuação da descendência étnica dos imigrantes e isso tem um impacto no aumento dessa população em Moçambique. Esta tendência assiste-se também no seio de comunidades fachadas como os somalianos. etíope casada com um homem negro moçambicano. chineses. A integração pelo trabalho é a estratégia mais fácil de integração de estrangeiros. na indumentária e na linguagem dos indivíduos. é a união de indivíduos mais aparentados do que a média da população. Esta mestiçagem não se manifesta somente ao nível físico dos indivíduos como também no aspecto cultural dos mesmos. paquistanesa. ou seja. libaneses. é a partir da convivência no trabalho que se estabelecem redes de amizade e solidariedade entre os imigrantes e os moçambicanos. Naturalmente. os imigrantes acabam ganhando algum suporte por parte de famílias moçambicanas vulneráveis. etíopes. chinesa. Existem alguns casos de indivíduos que romperam com a endogamia étnica mas esta iniciativa só é tomada pelos homens sendo raro ver uma indiana. Em relação aos imigrantes europeus e asiáticos esta situação muda de figura. que é um sistema em que os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados. relacionados pela ascendência. Raramente a comunidade hindu aceita casamentos inter-étnicos. de que os mestiços e mulatos são beneficiados e que gozam de melhores condições de vida. paquistaneses. Existe uma crença errada. onde a população mestiça representa uma grande fasquia da população. libanesa. Normalmente os imigrantes homens são vistos como uma fonte de recursos financeiros para as famílias das suas namoradas moçambicanas. os sentimentos de desigualdade e privação relativa jogam um papel muito grande para incendiar o conflito. São raros os casos do 67 . Aqui. Moçambique concorre hoje para uma situação semelhante a do Brasil. Os europeus e americanos são mais abertos ao relacionamento interétnico e existem muitos casamentos entre brancos e negros. por parte de grande parte da população. Em várias ocasiões assiste-se a manifestações racistas promovidas por mestiços e mulatos contra negros e de negros contra mulatos.endogamia. A mistura manifesta-se visivelmente na culinária. Normalmente. na música. Contudo. o impacto imediato deste tipo de casamentos é o aumento de mestiços e mulatos no país. principalmente entre imigrantes africanos e os moçambicanos. Neste contexto. nem sempre esta situação é apreciada por todos os moçambicanos. somaliana.

para a necessidade de defesa da pátria e ainda para a igualdade e respeito pela diferença contribuem para formatar a segunda geração de imigrantes e enquadra-los como moçambicanos. por parte destes imigrantes. O envio dos filhos de imigrantes para as escolas públicas ao lado de crianças moçambicanas é outra estratégia que permite uma maior integração da segunda geração na sociedade moçambicana. Ao nível dos distritos e das províncias mais recônditas é frequente os filhos de imigrantes frequentarem as escolas públicas ao lado dos moçambicanos e a integração aqui torna-se mais rápida. asiáticos e em alguns casos árabes em relação aos moçambicanos de raça negra. sueca. os europeus enviam os seus filhos para a escola internacional. A título de exemplo. escola Sueca. São os filhos dos imigrantes que regressados a casa vão transmitir de forma indirecta a língua e os valores moçambicanos. etc. podemos encontrar a escola Sul-africana. reduzindo desse modo o distanciamento dos país da cultura moçambicana. de exclusão e manifestações de superioridade por parte dos imigrantes 68 . etc. não existe nenhum espaço de integração e envolvimento entre os nacionais e estes estrangeiros provocando em alguns casos sentimentos racistas.surgimento de redes de amizade e solidariedade. escola Americana. Através da escola. Existem situações de descriminação por parte dos cidadãos de raça branca. Ao nível das grandes cidades. Os currículos escolares orientados para a unidade nacional. Não existe. chineses e moçambicanos constitui também um grande impedimento para o estreitamento desses laços. A enorme distância cultural entre brancos. Os muçulmanos enviam os seus filhos para a escola muçulmana. os asiáticos e europeus não enviam os seus filhos para as escolas públicas. é muito grande. O efeito desta prática manifesta-se com a criação de círculos de amizade baseadas na relação étnico-racial. A facilidade de abertura de escolas particulares e escolas étnicas. Provavelmente por motivos da classe económica e/ou interesse em manter os seus filhos com os hábitos culturais e linguísticos dos países de origem. que representam as nacionalidades existentes nessas cidades. nenhum investimento em aprender a cultura Moçambicana. portuguesa. os filhos de imigrantes aprendem não só a língua moçambicana mas todo um sistema de valores defendidos pela sociedade e pelo estado moçambicano. Muitas destas escolas obedecem um currículo do país de origem e as aulas são leccionadas na língua materna dos imigrantes. este cenário é relativamente diferente.

portanto. Deve ficar claro no entanto que não existe nenhum conflito entre o sistema de valores islâmicos e Moçambicanos pois. participando de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração. a divulgação do árabe assume-se hoje como uma realidade. cidadania é a condição que uma pessoa natural de um estado tem de gozar de direitos que lhe permitem participar da vida política desse mesmo estado. Para além disso. Tradicionalmente. a vinda de missionários cristãos e sheikes muçulmanos tem um impacto imediato no alastramento e na evangelização de regiões outrora ateístas. o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. As madrassas. Portanto. Os direitos políticos são regulados em Moçambique pela Constituição da República (2004). Enquanto a maioria dos missionários cristãos divulga a sua mensagem em português e inclusive nas línguas locais. A nacionalidade moçambicana pode ser originária ou adquirida. para ser cidadão. A cidadania é. Como consequência. contribuem também para a propagação do árabe entre os moçambicanos. Uma das estratégias mais fáceis de inserção ou integração social dos imigrantes é a partir da religião. seja ao votar (directo). Integração Política e Cidadania Em direito e na assumpção original. a implantação da religião islâmica em Moçambique pré-data ao colonialismo e a independência. seja ao concorrer a cargo público (indirecto). há mais falantes do árabe em Moçambique. Para se ser nacional de um estado o indivíduo deve ter nascido nesse estado ou pedir para aderir ao estado através da naturalização que passa por critérios de aceitação definidos nas respectivas constituições. só gozam de 69 . Este distanciamento pode ter efeitos nefastos no futuro. na indumentária e no sistema de valores defendidos pelos seus crentes. A partir do momento que os imigrantes se apresentam nos cultos das confissões religiosas presentes em Moçambique abre-se um espaço para a integração efectiva na vida social da sociedade moçambicana.chegando em alguns casos a manifestar discriminação. Hoje. Segundo a constituição. a nacionalidade era o pressuposto principal da cidadania. Por outro lado.3. o alastramento do islão em Moçambique esta a ter um impacto nos hábitos alimentares. os Sheikes muçulmanos divulgam o sagrado alcorão em árabe. que são as escolas de aprendizagem do alcorão. o indivíduo devia ser natural do estado. 6.4.

direito ao associativismo e a ingressar em sindicatos. 2004:2). direito a habitação. direito a. Estes instrumentos concedem cidadania aos imigrantes ao defenderem direitos individuais e colectivos aos imigrantes: o direito ao trabalho e salário justo. 70 . Marshall. culturais e abranger toda a panóplia dos direitos humanos. H. A constituição limita o espaço de participação política dos cidadãos de nacionalidade adquirida. 2006). mais do que nunca. A vasta gama de direitos concedidos aos imigrantes e que os estados são obrigados a respeitar. os imigrantes exercem a cidadania ao participarem directa ou indirectamente nas decisões que afectam as suas vidas. quer dizer. a imigração ocupa um lugar central (Cardoso. liberdade de opinião etc… Hoje. O reconhecimento da contribuição económica dos imigrantes e seus descendentes nos países de acolhimento levanta cada vez mais questões de cidadania. Vários analistas defendem a necessidade de alargar o conceito de cidadania para incluir direitos e deveres sociais. Política e Social. Segundo T. a cidadania não só envolve direitos mas também deve envolver participação (Heisler. Segundo Heisler. 2007:92). existem três tipos de cidadania: a Cidadania Civil. Este dispositivo constitucional aparece como o primeiro instrumento de exclusão dos imigrantes na participação na vida pública. permite aos imigrantes o exercício da cidadania nos estados de acolhimento. direito a culto das suas religiões.direitos políticos os cidadãos moçambicanos. o relacionamento entre imigrantes e o estado deve espelhar a nova realidade internacional. Dentre os vários factores que estão na origem das profundas transformações ocorridas no conceito de cidadania. Como conceder cidadania aos imigrantes sem naturaliza-los é uma questão impensável se tomarmos o conceito tradicional de cidadania como factor estanque. os Estados e as sociedades se questionam sobre o conceito de cidadania e de pertença a uma dada sociedade (Bertonha. não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. citado por Heisler (2007:93). (2007:93) A declaração universal dos direitos do homem e as várias convenções que protegem os direitos dos imigrantes e os direitos das minorias servem de base de concessão da cidadania aos imigrantes. Para estes autores. económicos. Num mundo contemporâneo marcado por crescentes migrações internacionais e por uma trans-nacionalidade que permite às pessoas mudarem de um país para o outro sem necessariamente aderir a uma nova cultura e realidade. independentemente da nacionalidade do imigrante.

Através da influência sobre o poder político. serviços e condições de empregabilidade aos seus cidadãos. pela capacidade de influenciar o poder político e a tomada de decisões públicas. Apesar da lei abrir espaço para o usufruto da cidadania a todos os imigrantes. nem todos os imigrantes desfrutam das mesmas condições de vida (Cardoso. Pode-se dizer que a ascensão económica dos imigrantes cativa-os a ter uma maior participação política em Moçambique.Pode-se assumir que em Moçambique. os imigrantes usufruem de direitos de cidadania. créditos nas instituições financeiras. Através de ofertas e trocas de favores. A medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país. Grande parte da população imigrante em Moçambique não tem como fazer valer os seus direitos por vários motivos sendo os mais determinantes. 2004:6). A constituição moçambicana abre espaço para a participação política limitada dos imigrantes na vida pública do estado. 1) o distanciamento por parte dos imigrantes dos centros de poder local e central. em alguns casos. facilidades de importação e exportação de produtos. As relações de clientelismo estão enraizadas em toda extensão do território nacional. o exercício da cidadania passa. os imigrantes vão se aproximando das elites políticas e vão firmando laços de amizade e de negócios com estas elites. nem todos os imigrantes são abrangidos por ela pois. 71 . A aproximação entre imigrantes e elites governantes começa desde os centros de poder local até ao governo central. a manipulação e influência dos grupos sociais mais fracos. entenda-se cidadania no sentido mais abrangente do termo. Amiúde. A manipulação e influência dos imigrantes sobre o poder político superam. sendo unicamente limitados de exercer cargos políticos específicos e de votar e ser eleito em eleições parlamentares. No entanto. os imigrantes vão se transformando progressivamente num grupo de interesse cada vez mais forte e influente. aos imigrantes são concedidos direitos de exploração exclusiva de certas mercadorias. concessão de alvarás de forma facilitada e a protecção policial. para além do usufruto de direitos e deveres. 2) analfabetismo ou ignorância em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais que lhes são garantidos pelos tratados internacionais e pela legislação nacional. 3) condições de vida precária que lhes impossibilitam advogar ou pagar serviços de advocacia nas instituições do estado e 4) devido a incapacidade do estado Moçambicano prover bens.

As mulheres de outras nacionalidades normalmente não imigram sozinhas sendo na sua maioria dependentes dos seus maridos. Sofala e Tete. organizam-se associações. Recorre-se principalmente a falta de lealdade com os estados moçambicano e a defesa de interesses estrangeiros. Entretanto. ganham uma nova consciência de participação na vida pública. A emergência de políticos de origem imigrante ou descendente de imigrantes ainda é algo impensável na realidade moçambicana. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. que imigram por força da situação de crise económica no Zimbabwe não têm um peso económico muito grande por não realizam actividades comerciais por excelência. 2002:8). Todavia. O maior número de imigrantes residentes em Moçambique é do sexo masculino. o contributo da população imigrante em Moçambique é bastante diferenciado. fazem negócios próprios.3. Com o trabalho assalariado. Estas mulheres. estudam e concorrem nas universidades públicas e privadas. são activistas e ganham consciência política. uma pequena fasquia de mulheres imigrantes vindas maioritariamente do Zimbabwe e que permanecem nas províncias centrais de Manica. A luta pelos direitos de cidadania concentra-se hoje na exigência de superação dos obstáculos administrativo-legais que dificultavam a regularização da situação dos imigrantes que solicitam autorização de residência e a exigência de integração efectiva das gerações descendentes (Albuquerque. Grande parte delas são prostitutas e só uma pequena fasquia realiza actividades comerciais.5. O facto de serem acompanhantes retira-lhes a capacidade de contribuírem para a economia moçambicana. As associações de imigrantes são por excelência o primeiro veículo de inserção na vida política moçambicana. existem mulheres acompanhantes que se tornam imigrantes económicas. Pode-se concluir que as mulheres não são imigrantes económicos. as mulheres libertam-se e assumem um papel de 72 . As mulheres que outrora executavam trabalhos domésticos mudam a sua postura em Moçambique. Existe. a maioria dos entrevistados limitou-se a relatar sobre os aspectos negativos dessa situação sem exemplificalos. no entanto. Todavia. 6. Muitas tornam-se ajudantes nos negócios dos seus maridos e outras entram na actividade comercial. Imigração e Género Em termos de género.Quando questionado sobre a concessão de cidadania aos imigrantes em Moçambique.

o contributo destas mulheres é nulo. No seio das comunidades islâmicas o papel da mulher obedece aos preceitos da religião islâmica. as mulheres muçulmanas procuram integrar-se na vida social moçambicana. os direitos. Relativamente à entrada de imigrantes no País. ao abrigo da lei nº 5/93. O seu envolvimento se estende ao nível nacional e são desenhados programas de construção de escolas. permanência e saída do País. apresentar. e garantias. o passaporte ou documento equiparado valido. no seu nº1. crianças órfãs. na maioria dos casos. o regulamento que estabelece as normas jurídicas aplicáveis ao cidadão estrangeiro. reabilitação de centros de saúde. por via terrestre. a mulher muçulmana tem a oportunidade de desenvolver programas de apoio as pessoas mais necessitadas como velhos. Como se pode perceber. 2008:126-127). entre outros. marítima ou aérea obriga-se a entrar no Pais pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. plasmados no decreto nº 38/2006 de 27 de Setembro. que envolve tanto muçulmanas nacionais. Por via desta organização. não partilham do mesmo credo. provar que possui 73 . a supervisão e controlo de imigrantes é garantido pelas disposições legais. deveres.vanguarda (Brettell. através da organização feminina islâmica. as estratégias de integração da mulher islâmica são diferentes da estratégia do homem islâmico. no seu artigo I. estabelece que todo o cidadão que pretenda entrar na República de Moçambique. Nestes casos.de 28 de Dezembro. uma organização de carris humanitário. 7. onde o conselho de ministros decretou. que torna necessário regulamentar o regime jurídico do cidadão estrangeiro. Todavia. Para além disso. no posto fronteiriço. SUPERVISÃO E CONTROLO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Em Moçambique. Muitas delas não exercem nenhuma actividade comercial e permanecem afastadas da vida pública. Nota-se por exemplo que as mulheres muçulmanas têm maiores problemas de integração na sociedade moçambicana. o artigo 9. esta comunidade se envolve directamente para prestar auxílio humanitário em situações de desastres naturais. naturalizadas e imigrantes. comunidades carentes que. relativas á entrada.

constituindo perigo à segurança e modus vivendo dos nacionais. No entanto. nas residências.Constatação sobre Supervisão e Controlo. caminhos-de-ferro. navios. não de forma eficiente. ao nível central. A equipa de pesquisa constatou no terreno que a supervisão e controlo são feitos. fluviais. Sublinha-se que as instituições encarregues para a supervisão e controlo. 7. vistos caducados. sobretudo a ilegal e outras irregularidades de passagem clandestina da fronteira. No entanto. praticando actividades ilegais bem como a deficiência de controlo do retorno de imigrantes repatriados.meios de subsistência e prestar informações adicionais que lhe forem solicitadas pelo inspector de migração. Em relação à fiscalização. Aparecendo imigrantes que vivem em Moçambique sem documentos legais. para posterior adopção. De acordo com os entrevistados. estratégias e planeamento operacional. dai urge necessidade de ampliação de mecanismos de supervisão e controlo. nos comboios. regista-se dificuldades para a supervisão e controlo de imigrantes. 74 . lacustres. o que acontece normalmente é a entrada e permanência de estrangeiros imigrantes sem observância do legislado e regulamentos que regem sobre esta matéria. 1. quando são repatriados. somos da opinião de que as autoridades locais devem ser mandatários para recolher dados referentes à imigração. dado que estes. no tocante a imigrantes em geral e particularmente para imigrantes ilegais. sobretudo os ilegais. depois voltam com credenciais passados pelo centro de acolhimento de Nampula. aeroportos. Estações marítimas. tem demonstrado fragilidades no seu exercício. o artigo 38. de medidas. clarifica que será facultada a entrada livre dos funcionários dos serviços de migração para o exercício da sua função fiscalizadora. isto porque cada vez verifica-se muito afluxo de imigrantes ilegais que escapam as autoridades em muitos centros urbanos. chegando a embaraçar as autoridades. aeronaves e onde a sua presença seja necessária. sem documentos de autorização de permanência e residência.

a sua pertinência. violando o artigo 33 no seu nº 1. sobretudo a políticas de supervisão e controlo. a união europeia (UE). Huntington. contrastando deste modo. em virtude de a primeira ter característica montanhosa e muito extensa e a segunda apenas por ser uma costa extensa. estalagens. nos locais onde não haja a polícia da PRM ou administração local. reside no facto de trazer a experiencia de como estes países abordam este fenómeno de imigração.Outra situação constatada é o facto de aparecerem em quase todos os distritos visitados. pousadas. tem elevadas taxas de fertilidades e. onde as remessas atingem cerca de 40 mil milhões de dólares ano para o continente. a vulnerabilidade da fronteira terrestre e marítima. Samuel (2006:233).2 Experiencia Europeia e Norte. por consequência. os imigrantes. no prazo de cinco dias por meio de boletim individual de alojamento. ficam obrigados a comunica-lo. com o relatório de desenvolvimento humano 2009. elegeu-se as experiencias europeias e norte-americana na supervisão e controlo de imigrantes. ou cedam a qualquer título. Fazendo a alusão a Africanos que vivem em diferentes partes do Mundo.Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes Para este trabalho. que defende que a migração é inevitável e pode melhorar a vida de milhões de pessoas no Mundo. a falta de disponibilidade de meios materiais. motéis. serão responsáveis pela maior parte do crescimento futuro nas sociedades ocidentais. casa ou habitação a estrangeiro. lançado recentemente pelo programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD). aos serviços de migração. bem como todos aqueles que albergam estrangeiro ou arrende. Alguns dos entrevistados atribuem a fraca supervisão e controlo dos imigrantes. casas de hóspedes e similares. meios técnicos adequados e recursos humanos qualificados. De acordo com P. Como resultados. que preconiza que os hotéis. defende um combate cerrado para travar a imigração. pelo contrário. 7. imigrantes que vivem em diferentes residências sem nenhuma comunicação por boletim individual de alojamento. mesmo por sublocação. Deste modo. os ocidentais receiam cada vez mais “ estar 75 . parques de campismo.

pertencem a outras culturas e também lhes roubam os empregos. não por exércitos e carros blindados. obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas ou que muito simplesmente tentaram mudar a vida. priorizando a adopção do “ cartão azul ”. cuja proposta foi apresentada pelo Nicolas Sarkozy. 2. a UE22 aprovou o que designou de pacto europeu sobre a imigração e asilo.agora a ser invadidos. e que se confrontam com a lei 22 Site: http://www.Refrear o controlo das fronteiras 5. 3. tratam de indivíduos que não encontram outra opção. no contexto da presidência francesa da UE. o discurso de S.de-obra qualificada. a saber: 1.Organizar a imigração legal.net.Huntington. onde alegam que são homens e mulheres que procuram fugir á miséria. aprovado pelo conselho de ministros a 25 de Setembro do presente ano.Facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito.Concretizar uma politica europeia de asilo 4. o que normalmente chamam na Europa de política de ‘’ imigração zero”. beneficiam da segurança social e ameaçam o seu modo de vida”. mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida.blocomotiva. fome. para o recrutamento de mão. No entanto. muitas vezes vitimas de redes sem escrúpulos. insegurança. acompanhada de uma fortificação nos meios de supervisão e controlo de imigrantes que escalam aquele continente. mas por imigrantes que falam outras línguas. No entanto. senão o recurso à clandestinidade. onde visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais. 76 . revela claramente que a Europa apela para um sentimento anti-imigração. como é o caso de algumas organizações da sociedade civil em Portugal. veneram outros deuses.Proibir os processos de regularização colectiva Salienta-se que esta posição da UE tem sido contestada pelos alguns membros da união. ocupam as suas terras.

blogspot.sapo. Generalização dos identificadores biométricos P.que diz cinicamente que “ cada caso” é um “ caso”. ampliou os quadros dos serviços de imigração e 23 24 25 Site:http://gladio. explica ainda que os Estados Unidos da América (E.com Site:htt://imigrantes. tem a ver com aquilo que a UE considera de sabotagem aos esforços de combater a imigração ilegal por parte da vizinha Turquia. Uma situação que julgamos ser necessário comentar. consubstanciado em: . Imigração selectiva .com Site:htt://gladio. ligando todos os consulados . visto como sendo instrumento de perseguição dos ciganos. que alega que a UE não paga o mesmo que paga a Grécia para ajudar a deportar os imigrantes ilegais. Samuel (2006:239).Huntingnton.U. Deste modo pode se afirmar que a UE25 gasta milhões de euros só para lidar com a imigração ilegal e criou a agencia Frontex (aferrolhamento das fronteiras da UE) de vigilância das fronteiras para lutar contra a imigração clandestina. endureceu o controlo sobre a imigração. sobretudo na administração Clinton.A). Expulsão de imigrantes indesejáveis . A experiencia Italiana nesta matéria de supervisão e controlo de imigrantes reside no facto de introduzir uma lei de testes de ADN. fazendo de regra à excepção e recusando à generalidade dos imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana23. regras selectivas e politicas securitarios24. queixando-se que recebe apenas 70 euros por cada imigrante ilegal em contraste com a Grécia que recebe 1000 euros. Limitação de reagrupamentos . tornou mais rigorosas as leis que regulam o direito de asilo.blogspot. que constantemente interfere activamente com radar contra as patrulhas marítimas anti-imigraçãoilegal da UE no mar egeu.pt.no. Atitude vista como reivindicação da Turquia. Colocação de um sistema comum de informação sobre os vistos. 77 .

405. há que destacar algumas diligências embora periódicas em conjunto entre a PRM e a Migração. NÚMERO DE ESTRANGEIROS REPATRIADOS E EXPULSOS POR CONTRAVENÇÃO MIGRATÓRIA DESDE O ANO 2000 AO 1º SEMESTRE DO ANO 2009 ANO 2000 2001 Movimento Migratório 6. de trânsito e do destino. 7. consubstanciada em: . casas de pastos e residências desconfiadas . Expulsão em caso de delito Contudo.naturalização. Controlo e verificação nos autocarros colectivos. DADOS ESTATISTICOS DE MOVIMENTO MIGRATORIO. Rusgas nos estabelecimentos comerciais.3. reforçou o patrulhamento fronteiriço e construiu barreiras fiscais ao longo da fronteira com México.189 5. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo Embora. portos. embarcações. Os fluxos não deveriam ser impedidos mas sim geridos. Vide a baixo o mapa dos dados estatísticos de número de estrangeiros repatriados e expulsos dos últimos 10 anos. não chegam a efectivar-se regularmente devido a falta de meios já referenciados anteriormente.200. carros particulares. se registe a falta de meios matérias e humanos qualificados para a supervisão e controlo de imigrantes que escalam Moçambique. comboios e aeronaves . racionalizados. aeroportos. quanto ao fenómeno é de que deveria existir um princípio de responsabilidade partilhada que envolvesse os países de origem. com vantagens recíprocas para os países de origem e do destino. tem se verificado um esforço para conter a supervisão e controlo. mas mesmo assim. A opinião de muitos observadores. a equipa de pesquisa constatou no terreno que as diligências.0 55 Observação 78 .884 Estrangeiros Repatriados 291 238 Estrangeiros Expulsos 0. Repatriamento dos ilegais .

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Vários são os instrumentos jurídicos internacionais que protegem a pessoa do imigrante nos países de acolhimento.973 11 2008 5.0 0. 79 .950 5. Com destaque para o ano de 2006. 8.0 02 0. A semelhança da declaração universal dos direitos do homem.901.351 17.359 0.689. cuja sua identificação e localização.883.2002 2003 2004 2005 3.677.0 2007 2. Moçambique adoptou uma legislação aberta aos estrangeiros.0 Ano de supressão de visto com R.113.102 5. todos os instrumentos que protegem a pessoa do imigrante estabelece normas que servem de modelo para a legislação dos estados particulares. Os governos dos estados que ratificam estes instrumentos comprometem-se a aplicar essas disposições e obrigam-se a garantir protecção aos imigrantes nos seus territórios. Salienta-se que à percepção de que o número de imigrantes ilegais tende a crescer em cada dia que passa.496.525. sobretudo nos distritos fronteiriços.454 128 2009 2. direcção nacional de migração Tal como reporta o mapa. As estatísticas reportam em si que a supervisão e controlo são feitos embora com as dificuldades apontadas anteriormente. Influenciado pela legislação internacional. sem.359 imigrantes ilegais e em termos de expulsões o ano de 2008 registou um recorde de 128 imigrantes. a lei moçambicana concede uma grande margem de actuação aos imigrantes permitindo-lhes usufruir das oportunidades socioeconómicas que o país oferece.731 8. O facto de nenhum instrumento jurídico moçambicano apresentar uma definição clara do cidadão imigrante e a não existência de um conceito oficial de imigração e imigrante pode representar handicap com efeitos negativos na definição de uma política de imigração. o número de imigrantes oscila em cada ano que passa.480.519 3.297 0.A 2006 6. Contudo.S. mencionar a pessoa do imigrante. escapa as autoridades competentes.718 2. no entanto.346 3.288 85 Fonte: Ministério do interior. para fins de repatriamento. onde se registou um número recorde de repatriamentos 7.449 328 1.829 7.652 2.

tanto pelas vias terrestres. a estabilidade política. São cada vez mais alarmantes os números de imigrantes vindos dos países da África (Austral. do Sudoeste Asiático e do Médio Oriente que entram no pais na condição de empregados. a maioria dos imigrantes ilegais prefere as rotas terrestres. principalmente dos ilegais. essa abertura é hoje desafiada com uma entrada maciça de imigrantes legais e legais no país. Ocidental. económica e social. Moçambique para além de ser um destino preferencial de imigrantes legais e ilegais. Os círculos urbanos constituem os locais onde os imigrantes desenvolvem as suas actividades. a facilidade de investimento e a integração regional atraem cada vez mais imigrantes interessados em alcançar sucesso económico no país. possuem qualificações ou capital de investimento. Ásia (China) América (Brasil) e Europa (Portugal) que entram de forma legal e clandestina no país. mas. Entretanto. As autoridades competentes para supervisionar e controlar os imigrantes. também. logísticas para às capacidades do Estado controlar este movimento. médio oriente (Líbano). Central. Enquanto os imigrantes legais obedecem aos postos oficiais de entrada de estrangeiros.• Moçambique. Tanto os imigrantes sem qualificações como os imigrantes qualificados se concentram nos locais de grande interesse económicos. devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira terrestre que o país tem. O número crescente de imigrantes que cada vez mais procuram o país representa uma ameaça as fragilidades institucionais. Índia. Bangladesh). tornou-se num corredor de trânsito para imigrantes ilegais com destino a RSA. Em virtude destas fragilidades e por causa dos atractivos que o país oferece. onde há muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos e facilmente exploráveis. enfrentam dificuldades de ordem material e humano para levarem ao bom termo a tarefa que lhes é incumbida. pois há maior circulação de dinheiro e o meio rural ou suburbano é para acomodação. Brasileiros. Chineses. Com efeito. foi e continua sendo um país aberto a acomodação de estrangeiros de todas as partes do mundo. Sudoeste asiático (Paquistão. Alias. Moçambique figura hoje como um dos grandes receptores de imigrantes na região. marítima e aérea. entram na condição de desempregados e representam uma categoria de imigrantes não económicos exceptuando os imigrantes Portugueses. Grandes Lagos e Corno de África). por ser 80 . A maioria dos imigrantes que entram no país não possui nenhuma qualificação.

Para além disso. há. turismo e serviços. aceitam riscos. do país. florestais e faunísticos valiosos e estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas como o tráfico de drogas. Em termos do impacto dos imigrantes na segurança do estado e na segurança pública constatou-se que. igualmente. ilegalmente. os imigrantes legais e ilegais podem. Em relação ao impacto económico. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. Com efeito. No entretanto.menos onerosa. Apesar deste pessimismo manifestado pela opinião pública. que do ponto de vista de receitas traz poucos benefícios ao estado e não cria muitas vagas de emprego para os moçambicanos. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. constatou-se que os imigrantes contribuem em grande medida para o desenvolvimento económico do país pois. Representam. a maioria dos imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. apenas. Neste contexto. os trabalhadores imigrantes trabalham em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. são vanguardistas e são mais empreendedores. recursos minerais. alegadamente. Todavia. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano mas. Por esse motivo. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de acolhimento. aparentemente. há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. Efectivamente. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. verificou-se que a maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se concentram em três áreas principais: o comércio. Por outro lado. eles são mais agressivos nos negócios. a entrada de imigrantes contribui para o aumento de investimentos que criam postos de trabalho para os Moçambicanos e aumentam a arrecadação de receitas fiscais por parte do estado. os imigrantes são. Não menos importante. com a chegada de muitos imigrantes em 81 . existe um grande pessimismo e medo da imigração e dos imigrantes. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. Estes são. Em relação ao mercado de trabalho. maioritariamente. imigrantes legais.

Em termos da integração dos imigrantes em Moçambique. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. apesar de existem comunidades bastante fachada e que não permitem a integração rápida dos imigrantes. indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. usar a sua língua de origem. a sociedade moçambicana íntegra mais facilmente os imigrantes da região Austral. A constituição da República não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. ao se alargar o conceito de 82 . o transnacionalismo imigrante torna o processo de assimilação difícil pois. Em termos gerais. a hostilidade costuma se manifestar em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido e a indiferença manifesta-se ao nível das cidades. Por sua vez. permitindo desse modo que permaneçam alienados dos valores políticos e culturais do país. constatou-se que os imigrantes gozam de uma larga liberdade cultural podendo manifestar as suas crenças religiosas. os imigrantes transnacionais mantêm e reforçam os laços com os seus países de origem. Do ponto de vista sociopolítico e cultural. pela escola e pela religião. adicionado ao respeito ao multiculturalismo é factores que impossibilitam a assimilação dos imigrantes.Moçambique surgiram novos negócios no país e alguns sectores de actividade sofreram um Boom jamais visto. A receptividade da sociedade moçambicana permite que os imigrantes tenham sucesso nos negócios e que provocam um impacto positivo na sociedade. observou-se que a sociedade moçambicana é bastante aberta a integração dos imigrantes. pelo trabalho. Todavia. Com efeito. O respeito aos instrumentos internacionais de protecção aos imigrantes. dependendo muitas vezes de aspectos raciais e étnicos. principalmente na área comercial. no sentido dos direitos políticos pois. estes ainda não usufruem de direitos de cidadania. Apesar do estado criar condições de integração dos imigrantes no país. Normalmente. e ainda gozam de todas as liberdades consagrados na declaração universal dos direitos do homem. o estado moçambicano não exerce nenhuma pressão no sentido assimilar os imigrantes residentes no país. os seus hábitos culturais. Para além destes factores. Normalmente. Em termos gerais constatou-se que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade. os portugueses e os brasileiros em relação aos imigrantes de outras regiões e nacionalidades.

Por força disso. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes.cidadania para incluir direitos e deveres sociais. algumas criam negócios particulares e outras tornam-se mais activas no seio das organizações ou associações de imigrantes. as mulheres não têm um peso económico muito grande.1. muitas mulheres tornam-se ajudantes dos seus maridos. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sociopolítica e segurança dos indivíduos bem como do Estado. Sublinhar no entanto. verificou-se que existe uma grande diferenciação da participação dos imigrantes em termos de género. o impacto da população feminina não é muito notória. Esta situação deve-se fundamentalmente ao numero reduzido de mulheres imigrantes em Moçambique. Enquanto o impacto da população masculina é mais visível.Recomendações Finais Deste modo. económicos. sob o ponto de vista demográfico. culturais e direitos humanos. Neste sentido. Paralelamente. constata-se que os imigrantes gozam de direitos de cidadania. 8. consubstanciadas em: 83 . Todavia. pode-se afirmar que a fragilidade em termos de dados estatísticos são uma fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. A imigração é e foi sempre uma constante na história da humanidade e Moçambique deve estar pronto para lidar com este fenómeno pois. ela está a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle do Estado moçambicano. Por último. Sublinha-se que a medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país influenciando o poder político na tomada de decisões que afectam as suas vidas. que os receios das manifestações ainda não se fizeram sentir de forma violenta em Moçambique. a recomendação que se pode fazer é de que as instituições de supervisão e controlo devem ampliar esforços de mobilização de meios materiais e humanos para uma execução cabal das suas tarefas e deve estudar e aperfeiçoar urgentemente estratégias e métodos de controlar os imigrantes.

• Adoptar uma política selectiva e criteriosa. nas residências. • • Os métodos de supervisão e controlo devem ter em conta: fluxo de dados. do qual constitui prioridade para entrada de imigrantes. incluindo alimentação. qualificações. deve-se adoptar um sistema de testagem e Controlo de estado de saúde de imigrantes. Intensificação de supervisão e controlo de imigrantes. como forma de prevenir a propagação de doenças contagiosas que eventualmente podem ser trazidas por estes. e um mecanismo de resolução de eventuais litígios de competências entre as autoridades. níveis de vida e o estatuto financeiro. • Ainda nos pontos de entrada. casas de pastos. 84 . estalagens e outros lugares suspeitos. estado de saúde. alfândegas. dos imigrantes que reúnem todas as condições exigidas pela lei. nível escolar. os que reúnem alguma formação para desempenho das actividades que se propõem. bem como de sanidade mental. que ficam obrigados a suportarem as despesas do retorno ou de repatriamento. autoridades judiciais e ministério publico). • • Mobilização de meios adequados e recursos humanos devidamente formados para vigiar a extensa fronteira terrestre e marítima. relativo aos imigrantes ilegais ou clandestinos. física e que demonstrem capacidade de se instalar e trabalhar. percepção de da situação. alojamento e outros encargos administrativos. tais como: mercados. policia. • Os imigrantes que entram em Moçambique devem ser alvos de um maior acompanhamento. estaleiros e nos pontos de maior concentração populacional. capacidade de reacção e intercâmbio da informação com outros Estados Necessário a existência de intercâmbio de informação entre as autoridades competentes (guarda-fronteiras.• Supervisão e Controlo com rigor nos pontos de entrada. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. como forma de fazer uma melhor monitorização e controlo das actividades que os mesmos praticam cá. independentemente do seu objectivo cá. hotéis. • Moçambique deve desenvolver uma política e uma estratégia de imigração que possa seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir. • Aplicação com rigor do artigo 43. pensões.

reduzindo os procedimentos de criação de empresas. o estado deve vedar direitos de cidadania política aos imigrantes. • O Estado moçambicano deve adoptar uma política de assimilação dos imigrantes como instrumento estratégico para a sobrevivência estado.• Para atrair mais imigrantes económicos. Entretanto. comunidades concentradas podem representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. organizado pelo Grupo SIETAR Portugal (Society for Intercultural Education Training and Research) .9 e 10 de Maio de 2002. 85 . Almada. o Estado deve impor uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. o estado moçambicano deve criar condições propícias ao investimento estrangeiro. Albuquerque. 2003:464-465). O Estado deve criar condições para uma maior integração dos imigrantes concedendo-lhes direitos económicos e sociais. • • A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo Estado. Portugal. REFERENCIAS Bibliografia Livros e Artigos (Goldstein. reduzindo a carga fiscal e estabelecendo linhas de crédito que possam beneficiar o imigrante. • O Estado deve evitar que grupos imigrantes etnicamente homogéneos se concentrem em grandes números numa região pois. Rosana: Associações étnicas e o desafio da participação política de jovens descendentes de imigrantes Comunicação apresentada no 1º Colóquio Intercultural “A Comunicação Entre Culturas”. A assimilação é importante para garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. Para alcançar este objectivo.

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Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. Protocolo para Prevenir. Fontes Primárias Maputo Luís Mambero (Secretário Permanente da Província de Maputo) Capião Samuel Faduque (Director da Ordem Pública ao nível da Província de Maputo) Adérito Notiço (Vereador para a área de Actividades Económicas e Serviços no município da Cidade da Matola) Eugénio Simbine (Director Provincial do Plano e Finanças da Província de Maputo) Di-Stefano Xavier Honwana (Director Provincial da Migração em Maputo) Arnaldo Chefo (Porta voz do Comando da cidade ao nível de Maputo) Lúcio Jorge (Gerente do BCI. Regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. Lei 5/93 de 28 de Dezembro. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Lei do trabalho Lei No 23/2007 de 1 de Agosto. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. Dependência da Pigal) Secretário Permanente da Cidade de Maputo 89 . Especialmente Mulheres e Crianças. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.Decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. Mar e Ar. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei.º 38/2006. adoptado a 15 de Novembro de 2000.

trabalhador de obras. de nacionalidade Maliano. Central Sindical (OTM-CS)) Coffe (Chefe do Departamento Central do Movimento Migratório na direcção de Migração) Babu (Armazenista da Gulf Trading. imigrante Zimbabweano. fixado na cidade de Chimoio desde 2007) Mousinho Alberto Carlos (Director provincial do trabalho da província de Manica) Fernando Tefule (Administrador do distrito de Manica– província de Manica) Gelindo Baltazar Vumbuca (Sub-inspector e Chefe das operações da PRM no distrito de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. de nacionalidade Maliano. 26 anos de idade) António Maquina (Secretário permanente da província de Manica) Edson Mulanzira (Jovem de 22 anos. imigrante Indiano) Alberto Chidadale (Administrador de Namaacha) Marcos Waze (Chefe das Operações da Polícia da república de Moçambique em Namaacha) Maria Macamo (Chefe do Posto Fronteiriço de Travessia de Namaacha) Arlete (Directora das Actividades económicas em Namaacha) Eugénio Makukule (Chefe do Departamento de Indústria na Direcção das Actividades Económicas) Reginaldo Macamo (Chefe de turno no Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Gabriel Bila (“Facilitador” de imigração ilegal em Ressano Garcia) Catopole e Matavel (Comandantes da Polícia de Guarda fronteira do Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Manica Mário Inácio Omia (Secretário permanente da província de Manica) Joaquim Zefanias (Secretario permanente distrital de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. 26 anos de idade) Filipe Lucas Cumbe (Director provincial de migração de Manica) 90 .Mondlane Nataniel (Chefe do Departamento de Formação na Migração) Rodrigo César Mabote (Director das Finanças no Governo da Cidade de Maputo) Xavier Timane (Chefe do Departamento de Indústria ao nível da Indústria e Comércio no Governo da Cidade de Maputo) Francisco Mazoio (Organização dos Trabalhadores de Moçambique.

de nacionalidade Maliano. de nacionalidade Bengali) José Cuele António (Administrador do distrito de Caia – província de Sofala ) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) 91 . nacionalidade de Guine) Gausse Tara (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado de ferro ) desde 2008. desde 1998. de nacionalidade Bengali) Amine Whael Vali Mahomed (Comerciante agro-retalhista na cidade da Beira. Okoro (Importador e Comerciante de acessórios de veículos na cidade da Beira. de nacionalidade Maliano. desde 2005.Rogério Jorge Tomé (Chefe de departamento da policia de protecção– Chimoio) Alberto Limene (Chefe do posto de migração de Machipanda– Manica) Ibraimo Barry (Comerciante de roupa na cidade Chimoio desde 2008. Indiano de 30 anos de idade) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. Paquistanês de 32 anos de idade) Michel w. de nacionalidade Bengali) Abdul Majid (Comerciante de produtos da primeira necessidade em Caia. desde 1999. desde 2005. 30 anos) Koita Thirou (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2005. desde 2003. desde 2001. 37 anos de idade) Faizal Raul Daude (Motorista de camiões de longo curso da Empresa TRANSRIVER) José Fernando Tefula (Administrador do distrito de Manica) Joaquim Zefanias (Secretário permanente do distrito de Manica– província de Manica) Marcelino Jaime Mugumanha (Inspector da policia e comandante da 7ª companhia da foça de guarda fronteiras de Machipanda– Manica) Sofala António Maquina (Secretario permanente da província de Sofala) Zacarias Cossa (Comandante provincial da PRM na província de Sofala) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. Nigeriano de 42 anos de idade) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira.

3º Batalhão da Guarda Fronteira.UCM) Gilberto Cochelane (despachante aduaneiro) Zé Rufino José Afonso (estudante da UP e funcionário da procuradoria de Tete) Manuel Paulo (Adjunto Superintendente da Polícia. Zobué) Ofélio Amisse Alfredo (Comandante da Companhia.Zobué) Niassa 92 .Chefe do estado Maior do 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) Santos Rafael (Guarda da Polícia. Sargento da Polícia. Tete) Jaime Sousa (Chefe do Departamento de Nacionais e Estrangeiros. desde 2001.Direcção Provincial da Industria e Comércio) Dr.Maria Lavinea M.Direcção do Plano e Finanças) Domingos Muleque (Chefe do Departamento do Comercio. Hermenegildo Santana Chimarzene (Docente de Metodologia de Trabalho IntelectualUniversidade Católica de Moçambique. Zobué) José Francisco Xavier (Chefe do Posto Migratório. Indiano de 30 anos de idade) Tete Claudina Maria de São José Mazalo (Secretária Permanente da Província de Tete) Jamal Chande (comandante geral da Polícia da província de Tete) Ofélio Jeremias (inspector chefe da direcção provincial do trabalho) César Sampaio e António Namahate (Comando da Guarda Fronteira. Zobué) Gabriel Andre Chofomo (Chefe da Secção de Reconhecimento. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Chefe dos efectivos do Batalhão. Hamede (Directora provincial de migração de Sofala) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira.Comandante da 4ª companhia de Zobué. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Direcção Provincial de Migração) Mariano Miguel José (Director Provincial Adjunto.

Niassa) Carlos Abudo Momade (Administrador do Distrito do Lago) Inácio Angelo (Representante da Direcção Distrital de Migração) José Napuite (Comandante Distrital da PRM) Edson Felix (Representante da Direcção Distrital das Alfandegas) Paulo Saide (Director Distrital das Actividades económicas) Nampula Armando Fietinies ( DIRECTOR PROVINCIAL DE IMIGRAÇAO) Amisse António (DIRECTOR PROVINCIAL DE TRABALHO) Arsenia Massigue( Comandante provincial) Antonio Mussupai (INAR) Hamide satar (representante da associação islâmica de Nampula) Antonio Pilate( Administrador de Nacala) Francisco Mucanheia (Secretario permanete Nampula) Pa Fernao Massena (Director da afaculdade de direito da Universidade católica) Rui Buco (Técnico de Emprego) Mario Camilo (Director de trabalho de Nacala) Cabo Delgado 93 . Maria Ernesto Ndupa (Directora Provincial do Trabalho) Luis David Mandau (Chefe do Departamento do Movimento Migratório. Niassa) Dr.Guarda Fronteira de Niassa) Afonso Yassin (Chefe da Secção de Reconhecimento e Investigação) Dra.Substituto do Comandante da Companhia. Manuel Domingos Cidade (Chefe da Repartição da Logistica e Finanças.Ivete Alane (Secretária Permanente Provincial) João J.Director Substituto da Direcção Provincial de Migração. Mahunguele (Comandante Provincial da Polícia.

Cabo Delgado) Alberto Estêvão Ntanga (Técnico de Emprego) Alfredo Bento Muhurua (Chefe da repartição em Mueda) Cassimiro Antonio Cadre (Chefe da repartição do reconhecimento de Investigação) Higino Sumale ( Chefe das operações do comando distrital em mueda) Bené( director de migração Cabo delgado) Stik satar( Imigrante / Libanes) Terry Leopold (IMIGRANTE DO SENEGAL) Issufo Hassan ( Imigrante Tanzania) 94 .João Motim Rodrigues (Director provincial de trabalho) Raul Ossufo Omar (Director da Ordem e segurança.

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