Imigração em Moçambique: Impacto Sociopolítico, Económico e Cultural

Draft

Calton Cadeado Enilde Sarmento Énio Chingotuane Pedro Nhachete

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Maputo, Dezembro de 2009
ÍNDICE--------------------------------------------------------------------------------------------------------2 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.1. Problemática----------------------------------------------------------------------------------------------4 1.2. Objectivos-------------------------------------------------------------------------------------------------5 1.3. Metodologia-----------------------------------------------------------------------------------------------6 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL-----------------------------------------------7 2.1.Debate conceptual----------------------------------------------------------------------------------------7 2.2. Teorias sobre imigração-------------------------------------------------------------------------------10 2.2.1. Modelo de migração do capital humano----------------------------------------------------------10 2.2.2. Teoria do sistema mundial--------------------------------------------------------------------------11 2.2.3. Teoria da modernização-----------------------------------------------------------------------------12 2.2.4. Teoria da Globalização------------------------------------------------------------------------------12 3.ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO-------------------------------------------------------------13 3.1.Legislaçao Internacional--------------------------------------------------------------------------------13 3.2.legislaçao nacional--------------------------------------------------------------------------------------17 4. CARACTERIZAÇÃO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS, ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇÃO DOS IMIGRANTES-- -----------------------------21 4.1 Origem dos imigrantes----------------------------------------------------------------------------------22 4.1.1. Condição sócio económica dos imigrantes em Moçambique ----------------------------------23 4.1.2. Categorias dos Imigrantes em Moçambique------------------------------------------------------26 4.2. Rotas de entrada dos Imigrantes----------------------------------------------------------------------28 4.3. Locais de Fixação---------------------------------------------------------------------------------------31 5. FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE--32 5.1. A teoria Push-Pull--------------------------------------------------------------------------------------33 5.2- O caso de Moçambique--------------------------------------------------------------------------------33 6. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE----------------------------------------36 6.1. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO ---------------------------------36 6.1.1. Segurança----------------------------------------------------------------------------------------------37 6.1.2. Ligação entre Imigração e segurança--------------------------------------------------------------38 6.1.3. Impacto da Imigração na segurança---------------------------------------------------------------40 6.1.4. Impacto da Imigração na Segurança do Estado--------------------------------------------------40 6.1.5. Impacto da Imigração na Segurança Pública-----------------------------------------------------41 6.2.IMPACTO DA IMIGRAÇÃO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA----------------------45 6.2.1- Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia------------------------45 6.2.2. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes-----------------------------47 6.2.3- Impacto da Imigração nos Sectores da Economia-----------------------------------------------49 6.2.4- Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho-------------------------------------------------54
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6.3.IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL DA IMIGRAÇÃO------------------------57 6.3.1. Multiculturalismo ou Assimilação? ---------------------------------------------------------------57 6.3.2. O Transnacionalismo Imigrante--------------------------------------------------------------------62 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes-------------------------------------------------------------------63 6.3.4. Integração Política e Cidadania---------------------------------------------------------------------69 6.3.5. Imigração e Género ----------------------------------------------------------------------------------72 7. SUPERVISÃO E CONTROLO----------------------------------------------------------------------73 7. 1.Constatação sobre Supervisão e Controlo-----------------------------------------------------------74 7.2. Experiencia Europeia e Norte- Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes---------75 7.3. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo------------------------------------77 8. Conclusões e Recomendações-------------------------------------------------------------------------79 9. Referencias------------------------------------------------------------------------------------------------85

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Com efeito. vários Estados. Neste contexto. sociais. África contribui em larga medida para o crescimento da imigração. No entanto. paradoxalmente. a imigração cria. económicas bem como a existência de catástrofes naturais. estão a debater de forma multilateral e/ ou bilateral a imigração devido. impacto positivo do ponto de vista económico. político de tal forma que alguns Estados ricos e desenvolvidos. INTRODUÇÃO A imigração foi sempre uma constante na história da humanidade. principalmente. 4 . um crescente fluxo de imigração legal e ilegal inter-africana e de não africanos que procuram a África Austral e. a queda do bloco soviético na década 90. a crise financeira asiática de 1997 (que se alastrou depois a diversas economias em desenvolvimento do resto do mundo). O estudo da imigração torna-se particularmente pertinente. O Interesse no Estudo da imigração variou consideravelmente ao longo do tempo. Acontecimentos como os choques petrolíferos. nos países ricos e desenvolvidos. particularmente ilegal. ao seu impacto negativo na estabilidade sociopolítica e económica. vários Estados tem vindo a perder população e outros estão a receber um fluxo de imigrantes que tem criado um impacto sociopolítico e económico controverso. Contudo a procura de melhores condições de vida e de trabalho foram sempre factores determinantes para aqueles que recorrem a imigração. algumas vezes assumem contornos violentos na Europa. porque como referem Rourke e Sinnot: (2003). em alguns casos. No entanto. consoante o momento da história. a permanente situação de refugiados no Corno de África. geram enormes fluxos migratórios (nomeadamente imigrantes ilegais em busca de asilo politico) como refere Appleard (1992). igualmente. os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial. tendo como causas principais. estão a desenvolver políticas de imigração para resolver problemas de envelhecimento da população e redução da força produtiva. regista-se. igualmente. e outros. a “eurofobia” e a “islamofobia” constituem problemas que estão a criar sentimentos nacionalistas que. A título de exemplo. social e. razões políticas. A imigração é um fenómeno que tem estado a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle dos Estados a nível mundial. a nível mundial.1. paradoxalmente.

particularmente Moçambique onde a livre a circulação de pessoas e bens é uma realidade imposta pela integração regional. e Moçambique assume-se como um país de destino para um crescente número de cidadãos de nacionalidade estrangeira. devido a estabilidade sociopolítica. O fenómeno imigratório adquire deste modo. Portanto. em Moçambique. Esta fragilidade pode ser agravada pelo provável crescimento de imigrantes resultante das facilidades de abertura e circulação de pessoas e bens no âmbito da integração regional na África Austral. faz com que o Estado moçambicano enfrente grandes dificuldades nesta problemática. A abordagem dos assuntos de imigração. a fraca disponibilidade de mão-de-obra qualificada e as obrigações legais e morais de direitos humanos colocam Moçambique numa situação de “aceitação forçada” da imigração. em Moçambique. permite a entrada massiva de imigrantes dos vários quadrantes de África e do mundo.1. uma importância inquestionável. 1. aliado ao facto do Estado ter uma fraca capacidade de controlo das mesmas. Paralelamente. Moçambique. Paralelamente. Esta vulnerabilidade constitui um problema que pode ser agravado pela imigração 5 . Com efeito. um dos maiores receptores de imigrantes que podem ser fonte ou solução de problemas. Assim. constitui uma fragilidade na forma como deve ser abordada a problemática da imigração. ligada a dificuldade de coordenação institucional entre os principais agentes ou actores estatais torna o país vulnerável em relação a esta problemática. Problemática A principal questão que se coloca é que Moçambique não possui uma estratégia nacional de imigração que. A extensão das fronteiras. de per si. actualmente. a imigração é uma realidade que coloca Moçambique num dilema permanente em matéria de política ou estratégia nacional de imigração. é. a concorrência pelo mercado de trabalho e alegado recrudescimento de determinados tipos de crimes associados aos imigrantes levanta receios de ocorrência de ataques xenófobos similares ou piores aos que aconteceram na África do Sul. a inexistência de uma capacidade de controlo das fronteiras nacionais terrestres e marítimas. um país em vias de desenvolvimento que outrora foi um dos maiores “exportadores de mão-de-obra” para a África do Sul.

Assim. económica e na segurança de Moçambique. Objectivos Específicos (i) (ii) (iii) (iv) (v) Identificar as ameaças. económico e cultural da imigração em Moçambique. Identificar a origem. Analisar a capacidade institucional de Moçambique em matéria de supervisão e controlo de imigração. político. Alias.2. analisar o impacto sociopolítico. Objectivos Objectivo Geral O trabalho tem como objectivo geral. económicos e culturais da imigração em Moçambique. oportunidades e desafios sociopolíticos. Discutir o impacto positivo ou negativo da imigração em Moçambique. social. Como se explica que um país pobre como Moçambique esteja a atrair um número crescente de imigrantes legais e ilegais? Será que o país tem condições materiais e financeiras de controlar o fluxo de imigrantes? Que implicações terão a entrada massiva de imigrantes a curto. rotas de entrada e locais de fixação dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique. cultural e na segurança do país? 1. 6 . médio e longo prazo no domínio económico. cultural. é pertinente a realização de estudos sobre a dimensão e o impacto real (positivo e negativo) da imigração na estabilidade sociopolítica. estas e outras perguntas somente podem ter resposta através de uma pesquisa que permita uma recolha de informação sobre o real. Esta é uma das questões que sustenta e serve de pretexto para a pesquisa. e Analisar os factores que tornam Moçambique num centro de convergência de imigrantes.ilegal que tem vindo a crescer mas cuja magnitude e impacto holístico é realisticamente desconhecido em Moçambique.

líderes religiosos. A pesquisa de campo compreendeu duas técnicas fundamentais: A primeira técnica foi baseada em entrevistas abertas individuais e colectivas a grupos alvos constituídos por opinion leaders (empresários. A escolha dos distritos foi baseada em dois critérios que compreenderam: distritos fronteiriços e costeiros e os grandes centros urbanos. Foram também colhidos dados estatísticos da situação dos imigrantes em Moçambique. Cabo Delgado e Niassa. políticos e culturais e o departamento de estudos de paz e segurança. Em ternos de amostra. departamento de estudos sociais. organizações da sociedade civil. as fraquezas. académicos. deputados e lideres de partidos políticos) e alguns imigrantes.3. líderes sindicais. Sofala. Após o levantamento bibliográfico. Após o trabalho de campo seguiu-se ao processamento da informação recolhida e a produção do relatório de pesquisa obedecendo o método SWOT. Uma amostragem 7 . jornalistas. a segunda técnica baseou-se num inquérito a opinião pública. Tete. A pesquisa bibliográfica permitiu aos pesquisadores entrar em contacto directo com todos os escritos sobre a imigração. as oportunidades e as ameaças da presença de imigrantes em Moçambique. a identificação de entrevistados da opinião pública foi baseada numa amostragem aleatória da população das regiões alvas. Em termos gerais. Manica.1. A equipa de pesquisadores foi composta por especialistas de acordo com as exigências que a pesquisa impõe. directores provinciais. Foram combinados pesquisadores envolvendo o departamento de economia. Metodologia A realização do estudo começou com uma pesquisa bibliográfica com vista a identificar obras de autores que abordam o assunto em estudo. o que possibilitou o reconhecimento de aspectos importantes que cercam o tema em estudo. foram escolhidas 7 províncias receptoras do maior número de imigrantes nomeadamente Maputo. Nampula. que consistiu na avaliação dos pontos fortes. principalmente nas zonas de entrada e fixação de imigrantes. foi realizado um estudo de campo que foi conduzido por uma equipa de pesquisadores do CEEI/ISRI.

muitas vezes manifestados pelos moçambicanos negros nas situações do diaa-dia. Existem também vários entendimentos sobre o conceito de refugiados. árabes e negros. Os equívocos conceptuais e a falta de clarificação do conceito de imigrante são em si uma ameaça a ordem social e política do Estado moçambicano. e a lei do trabalho No 23/2007 de 1 de Agosto. facilmente se constata que a 8 . 2. principalmente se estes equívocos permanecerem nas médias e ao nível do discurso político. Para além disso são a raiz de sentimentos racistas. estudantes universitários ou pela média e mesmo aqui. um conceito difuso sobre imigração e imigrantes.probabilística aumenta substancialmente a chance dos participantes serem representativos da população-alvo. Nigerianos. Para o inicio da nossa clarificação. Talvez por ser uma realidade recente para Moçambique. Existe portanto um vazio no que diz respeito ao conceito de imigrante em Moçambique. Esta definição baseada na cor da pele demonstra um desconhecimento quase geral da situação dos naturalizados e aqueles moçambicanos de raça não negra que adquiriram a nacionalidade moçambicana na altura da independência. o conceito aparece pouco esclarecido. o decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. Portugueses ou pela categorização racial como por exemplo. considerando somente os negros como nacionais. A maioria dos moçambicanos ainda vê o branco. Debate Conceptual Existe no seio dos analistas políticos. não existe muito rigor na definição do conceito de imigrantes e muito menos uma definição clara da política de imigração. e sequer existe um conceito oficial de imigração. 2) nem todo o negro é moçambicano e 3) nem todo o estrangeiro é imigrante. o indiano e o árabe como estrangeiro. assegurando a validade interna e externa do estudo.1. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL 2. O termo imigrante só é usado por um grupo esclarecido de políticos. brancos. Chineses. Ao observar-se as leis No 5/93. o conceito de imigrante é substituído pela categorização étnica dos indivíduos como por exemplo. Poucos instrumentos jurídicos moçambicanos esclarecem de uma forma clara e objectiva o que é o cidadão imigrante. é necessário que fique assente o seguinte: 1) nem todo o não negro é estrangeiro. Muitas vezes. tecnocratas. sociólogos.

Normalmente. Na concepção deste trabalho. guerras. por si só. Para além disso. não são considerados imigrantes. a sua intenção é fazer turismo. estrangeiro é todo o cidadão que não tenha a nacionalidade moçambicana. os indivíduos que são forçados a abandonar o seu país por motivos de conflito. fazer negócios ou transitar para outro país. deve existir uma distinção entre os estrangeiros que estão no país a convite do Estado ou empresas moçambicanas. de pessoas ou populações. categoria de imigrante ao cidadão estrangeiro. Todo aquele que permaneça um curto período de tempo não deve ser considerado imigrante pois. sendo considerados refugiados. visitar. Esta definição não espelha claramente o que é um imigrante pois. a legislação moçambicana prefere definir trabalhador estrangeiro e não trabalhador imigrante. A questão que se coloca é: qual é o conceito de imigrante utilizado em Moçambique? O conceito mais conhecido e comummente aceite considera imigração como o movimento de entrada. a vontade dos indivíduos. 2) tempo de estadia e 3) intenção de trabalhar ou residir em um outro Estado. 9 . existe uma necessidade de adicionar um outro critério importante. o cidadão estrangeiro deve permanecer no país hospedeiro por um médio ou longo período de tempo. existem 3 critérios fundamentais para definir imigrante: 1) transpor as fronteiras de um outro Estado. (REF) Como se pode ver por esta definição. De acordo com a lei 5/93. limpezas étnicas. genocídio. O acto de transpor a fronteira de um outro país. (REF) O facto de terem transposto a fronteira de um outro Estado e permanecerem temporariamente não lhes coloca na situação de imigrantes e o seu estatuto é protegido pela legislação internacional específica.terminologia imigrante não é usual. não confere. os indivíduos que se estabelecem no país estrangeiro por convite do Estado ou empresas do país hospedeiro ou que tenham sido enviados por representação pelos seus estados ou organizações internacionais não são considerados imigrantes. perseguição. Para que o indivíduo seja considerado imigrante é necessário que ele tenha vontade de sair do seu país e vontade de permanecer noutro país. Para que isso aconteça. nem todo o estrangeiro é imigrante. Normalmente. com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. Por outro lado. de um país para outro. os estrangeiros enviados pelos seus estados ou organizações internacionais para trabalhar em Moçambique e os estrangeiros que vem a Moçambique por vontade e iniciativa própria. sendo mais frequente a terminologia estrangeiro.

Enquanto o malawiano mantiver família em Moçambique nos limites da fronteira não é 10 . é uma questão complicada. Segundo alguns autores. Adicionado a estes factores. cuja admissão e estatuto são regulados por acordo com o Estado de emprego e que. Pessoas enviadas ou empregadas por um Estado ou em seu nome fora do seu território que participam de programas de desenvolvimento e outros programas de cooperação. ainda existem zonas de penumbra em relação as populações que vivem nas zonas fronteiriças. cuja admissão e estatuto são regulados pelo direito internacional geral ou específico por acordos ou convenções internacionais. possuem nomes semelhantes. REF a definição de imigrante fica associada a questão distância. A circulação não é feita de um país para o outro mas sim de uma casa para outra. Hoje. Com base nos pressupostos acima referidos. de acordo com a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. falam a mesma língua. não são considerados trabalhadores imigrantes os indivíduos que trabalham nas representações diplomáticas e consulares. em conformidade com esse acordo. os indivíduos enviados para trabalhar em outro país por agências ou organizações internacionais e pessoas enviadas ou empregadas por um Estado fora do seu território para desempenhar funções oficiais. casam-se entre si e possuem traços raciais e fenotípicos semelhantes.A título de exemplo. Quando é que os cidadãos da fronteira se tornam imigrantes é uma questão que preocupa aos moçambicanos. é difícil distinguir o moçambicano da nova família ou da família adoptiva. Apesar de este conceito deixar claro quem é o imigrante. de forma temporária ou permanente com intenção de trabalhar e/ou residir no território nacional. Quem é quem. não são considerados trabalhadores migrantes. Torna-se particularmente difícil quando as populações dos dois lados da fronteira se consideram uma comunidade. A fronteira fictícia definida em termos geopolíticos não é sentida nem reconhecida em termos socio-antropológicos. deve-se lembrar que durante o conflito armado muitos moçambicanos foram viver nos países vizinhos e criaram laços de parentesco e casamento nesses países. podemos assumir que imigrantes são os indivíduos que se estabelecem voluntariamente num território. Estas populações são incapazes de definir onde é a sua casa e quando a adversidade se instala numa das casas mudam-se para outra casa sem obedecer as regras internacionais.

Por outro lado. De acordo com esta teoria. Na verdade. uma vez que as fronteiras nacionais são abertas e a demarcação fronteiriça não obedece sempre a marcos geográficos evidentes. 2. médio oriente. melhores condições de vida e imigração.considerado imigrante mas. O debate sobre a pessoa do imigrante ainda oferece outras zonas de penumbra que devem ser clarificadas por novos estudos sobre a matéria. Dentre as teorias que explicam as razões da imigração existe um denominador comum: a relação salário. incluindo o reassentamento no local de destino). são poucos os trabalhos teóricos que abordam o impacto dos imigrantes nos países de acolhimento. África. Esta tendência pode ser comprovada pela migração sul-norte no sentido América latina América do norte. Teorias Sobre Imigração Até hoje não foi possível fazer uma grande teoria da imigração nem uma teoria interdisciplinar porque cada disciplina tem a sua linguagem conceptual e analítica. As principais teorias da imigração abordam as razões da imigração. no sentido de que só vai imigrar quem tem condições de financiar os custos inerentes a migração (passaporte. o homem movido pela sua racionalidade. viagem e todos os bens e serviços pagos no processo de migração. Europa do leste para a Europa ocidental e inclusive pela migração África austral para África do sul. Neste sentido. métodos e conhecimento epistemológico. sendo frequente a discussão em relação ao impacto dos imigrantes sobre os países de origem.2. que é a teoria mais aplicada para explicar movimentos migratórios. 2. a medida que se introduz para o interior do país é considerado imigrante. o processo de imigração é auto-selectivo. existe um acordo entre Moçambique e os países vizinhos que permite as populações fronteiriças circularem livremente num raio de 20 km. imigra dos seus mercados para outros mercados motivados pelos elevados salários e melhores condições de trabalho.1 Modelo de migração do capital humano De acordo com o modelo de migração do capital humano (REF). 11 .2. o conceito de violação de fronteiras é mais virtual do que prático.

onde a existência de empregos é escassa e os salários são mais baixos do que a média regional. 2. terá mais propensão para migrar aquele que tenha condições de financiar estes custos. com mais trabalho e melhores salários e a periferia seria menos desenvolvida. A teoria do sistema mundial admite também que a periferia também tem os seus centros. mais industrializado. Esta teoria admite que os trabalhadores da periferia querem imigrar para o centro a busca de trabalho e melhores salários.2. Apesar de largamente divulgada e difundida. menos industrializada.2 Teoria do sistema mundial A teoria do sistema mundial vê o mundo como estando constituído por um centro e uma periferia. Europa do leste para a Europa ocidental e da América latina para a América do norte. Maputo seria o centro e as outras províncias a periferia. O centro seria mais desenvolvido. factor que explica a mobilidade de trabalhadores imigrantes que saem da África. ao nível nacional. 2003:464-465). 2. Esta teoria sustenta que o sistema mundial é caracterizado por hierarquias sobrepostas (Goldstein. o modelo de migração do capital humano não consegue explicar as tendências migratórias para países como Moçambique.2.Segundo esta teoria. A África do Sul pode ser considerada o centro da África Austral. O modelo de migração do capital humano observa a relação entre salários no país de origem e salários no país de acolhimento. O mesmo padrão de migração se verifica na periferia da periferia para o centro da periferia. observa também a relação entre empregos no país de origem e empregos no país de acolhimento. médio oriente.3 Teoria da modernização 12 . 2003:465). com poucos empregos e com baixos salários (Goldstein. na expectativa de recuperar o investimento com os salários altos do país de acolhimento. principalmente nos países do ocidente.

as migrações eram motivadas por dois factores: os factores repulsivos (push factors) e os factores atractivos (pull factors). Ainda na assumpção desta teoria. políticas e económicas que vem acontecendo nas últimas décadas motivadas pela integração da economia mundial e dos mercados nacionais numa economia global movido pelas grandes corporações internacionais. fome. Para além disso. esta tendência contribui para o desenvolvimento dos locais de origem pois os imigrantes enviam os seus rendimentos para a origem e esse dinheiro seria usado para investimentos. De acordo com esta teoria. é um conjunto de transformações sociais. uma vez regressados a origem os conhecimentos adquiridos seriam aplicados para o desenvolvimento do local de origem (Brettell. Movidos pela tomada de decisão racional. Os estados abandonam gradualmente as 13 . Em vez de criar desenvolvimento. 2008:119).Os primeiros estudos sobre imigração internacional baseavam-se na teoria da modernização que distinguia o mundo em dois pólos: um desenvolvido e outro pobre. as pessoas deslocam-se dos locais onde abunda mão-de-obra para os locais onde abunda capital. 2.2. Vários são os autores que contestam a teoria da modernização defendendo que nem sempre o dinheiro enviado é usado para investimentos mas sim. a imigração cria comunidades dependentes e consumistas. estagnação económica. violência. as gerações de imigrantes vão se sucedendo perpetuando a ligação entre o país de acolhimento e o local de origem. para o consumo e. uma vez regressado. Factores de repulsão: guerra. os conceitos de push/pull ainda são dominantes na análise sobre movimentos migratórios (Brettell. 2008: 118). a nova onda de imigração internacional é uma consequência directa do processo de globalização. A globalização por seu turno. Motivadas pelo consumismo e devido a sua dependência. o imigrante não encontra as condições materiais para aplicar os seus conhecimentos. Apesar da teoria da modernização ser contestada na generalidade. perseguição étnica e política. Esta teoria assenta na assumpção de que existem dois sectores da economia: um moderno e outro tradicional que trocam para além de bens e produtos. De acordo com a teoria da modernização. 2008:119).4 Teoria da globalização De acordo com a teoria da globalização. abusos aos direitos humanos. e outros. os indivíduos saem do sector tradicional para o sector moderno que oferece melhores salários (Brettell. factores de produção como a mão-de-obra.

Os efeitos dessa rapidez de comunicação e informação ultrapassam a dinâmica económica e provocam a uniformização e a homogeneização da cultura das sociedades. torna-se necessário conhecer a margem de actuação que estes gozam pela legislação internacional e pela legislação nacional. uma vez iniciada. ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO 3.1. 3. Os estados tornam-se incapazes de controlar esta dinâmica que extrapola os seus limites territoriais pois. Os países moldam-se para atrair investimentos de toda espécie e surge uma grande competitividade entre os estados. produção. a mobilidade do capital e do comércio provocam uma crescente mobilidade de mão-de-obra dos países perdedores para os países ganhadores tanto do centro como da periferia. Neste mundo sem fronteiras. mão-de-obra e tecnologia. Este processo tem sido acompanhado por uma intensa revolução nas tecnologias de comunicação e informação.barreiras tarifárias e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. O entra e sai de pessoas é ao mesmo tempo obrigatório porque dinamiza toda uma economia de produção e consumo. investimento e comunicação. económico e cultural dos imigrantes em Moçambique. Para além da mobilidade de mão-de-obra entre países assiste-se a mobilidade de capital e tecnologia de uma região para outra. Legislação Internacional Para uma avaliação sobre o impacto sociopolítico. No entanto. É perigoso porque os estados perdem a capacidade de suportar o elevado índice de estrangeiros nos seus territórios. Motivando o surgimento de uma aldeia global. existem ganhadores e perdedores. os estados sentem que existe uma grande interdependência entre eles e por força disso pactuam e negoceiam cedências mútuas. Antes de se avaliar o impacto dos imigrantes é preciso perceber o que a lei permite e que oportunidades ou dificuldades ela cria na vida do imigrantes. os estados resistem e continuam a desempenhar o papel de actores privilegiados e detentores da soberania sobre os seus territórios impondo regras de entrada e saída dos factores de produção como capital. a aceleração económica e a competitividade não beneficia a todos os estados pois. O primeiro instrumento internacional que estabelece a liberdade dos indivíduos deslocarem-se para 14 . No entanto. Todavia. ela se garante por meio de redes regionais de comércio.

artigo 6. particularmente na protecção dos trabalhadores imigrantes. que faz uma revisão da convenção sobre trabalhadores migrantes de 1939) e a Convenção Sobre as Imigrações Efectuadas em Condições Abusivas e Sobre a Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento dos Trabalhadores Imigrantes (convenção No 143 de 1975). que nos seus artigos 13 e 14 defendem o seguinte: Artigo 13 (1) Todo o homem tem direito à liberdade de se movimentar e residir dentro das fronteiras dos Estados. apesar de residentes num país estrangeiro e exercerem actividades laborais no estrangeiro não são considerados imigrantes. toda gente tem o direito a ser reconhecida como uma pessoa em qualquer país e perante a lei. Os membros das representações diplomáticas e consulares. das migrações em condições abusivas. relativas aos trabalhadores imigrantes são: a Convenção Relativa aos Trabalhadores Migrantes (convenção No 97 de 1949.obriga os estados membros da OIT a facilitarem a partida. a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem empreendido vários esforços na protecção dos imigrantes desde a sua criação em 1919. e na Parte II da igualdade de oportunidade e de tratamento. A par dos esforços da ONU. O artigo 6 desta convenção convoca os estados a tomarem medidas punitivas para os empregadores de imigrantes clandestinos e para a detecção dos imigrantes ilegais. O artigo 6 da mesma convenção defende que. viagem e acolhimento dos trabalhadores imigrantes e.outros países é a declaração universal dos direitos do homem assinada a 10 de Dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Artigo 14 (1) Todo o homem tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países em caso de perseguição. organizações sindicais e segurança social. (2) Todos têm o direito de deixar qualquer país. a convenção alerta para os perigos e a obrigatoriedade dos estados evitarem o emprego de imigrantes ilegais e o trânsito de migrantes clandestinos. artigo 4. e tem o direito de regressar ao seu país. O artigo 9 desta convenção obriga os estados signatários a permitirem remessas de dinheiro por parte dos imigrantes em conformidade com a legislação monetária nacional. Na segunda 15 . Na primeira parte. na Parte I. As duas principais convenções da OIT. filiação. em matéria de legislação laboral. A convenção Nº 97. A convenção Nº143 da OIT trata. o seu estatuto jurídico é regulado pela convenção de Viena sobre relações Diplomáticas de 18 Abril 1961 e a convenção de Viena sobre relações consulares de 24 Abril 1963. obriga os estados a concederem aos imigrantes tratamento igual ou que não seja menos favorável àquele que beneficiam os nacionais. inclusive o seu próprio país. no tocante a remunerações.

parte. obriga os estados a informarem sobre os direitos e obrigações dos imigrantes e os mecanismos para sua protecção e convida os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. A declaração estabelece no artigo 8 algumas disposições relacionadas com os trabalhadores imigrantes defendendo que os estrangeiros têm direito a salários justos e iguais por trabalho de igual valor e o direito de aderir a sindicatos e outras organizações ou associações similares. de opinião. participar e ficar com o estrangeiro. Os estrangeiros gozam vários direitos. o direito para escolher um cônjuge. o direito de manifestar sua religião ou crença. Esta convenção reafirma todos os 16 . Para fortalecer os postulados relativos aos imigrantes. o direito à liberdade de circulação e a liberdade de escolher sua residência no interior do Estado. cultura e tradição. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. família. o direito à liberdade de pensamento. Segundo esta declaração. adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1990. liberdades individuais e colectivas para aqueles que se encontrem legalmente nos seus territórios. segurança social. o direito de ser iguais perante os tribunais e todos os outros órgãos e entidades da administração da justiça. o direito de transferir o seu salário. o direito de manter sua própria língua. o direito à propriedade. e ainda. a convenção reafirma. no artigo 10. o direito à vida e à segurança pessoal. o direito à protecção contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada. o direito de reunião pacífica. para casar e fundar uma família. no seu Artigo 5. o estado de acolhimento deve autorizar que o cônjuge e filhos menores ou dependentes de um estrangeiro que reside legalmente no território do Estado deve ser admitido para acompanhar. em conformidade com a legislação nacional e em função das obrigações internacionais do Estado em que estão presentes. as disposições relativas a igualdade de tratamento em matéria de emprego e profissão. consciência e religião. O instrumento normativo mais importante para a defesa dos trabalhadores imigrantes é a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores migrantes e os membros das suas famílias. no lar ou na sua correspondência. culturais. Dentre os vários direitos foram incluídos. poupanças. direitos sindicais. O artigo 12. a ONU adoptou em 1985 a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. e outros bens monetários para o estrangeiro nos termos das regras monetárias do país de acolhimento. o direito à liberdade de expressão.

De acordo com esta declaração. a ONU desenvolveu vários outros instrumentos destinados a protecção dos estrangeiros. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Mar e Ar.pressupostos da declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem e acrescenta postulados relativos a proibição da escravatura e servidão. são abrangidas aos trabalhadores nacionais. esta convenção afirma no artigo 16. no artigo 1. A concessão de direitos e liberdades fundamentais aos imigrantes pela legislação internacional tem um efeito determinante no comportamento dos 17 . horas extras. a proibição do trabalho forçado exalados no artigo 11 e 23. O artigo 25 acrescenta que os trabalhadores imigrantes têm direito a boas condições de trabalho. o direito a protecção diplomática e consular a todos os imigrantes e os membros das suas famílias em casos de detenção por actos criminais. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. o artigo 7 convida os estados a aceitarem a permanecia definitiva ou temporária das vítimas de tráfico no seu território. A Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas. Religiosas e Linguísticas adoptado a 18 de Dezembro de 1992. horas de trabalho estabelecidas por lei. a legislação internacional criou instrumentos normativos para proteger a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. Por sua vez. religiosa e linguística das minorias dentro dos respectivos territórios e devem incentivar as condições para a promoção dessa identidade. Para além destes instrumentos específicos e centrais. a cessação da relação de trabalho e quaisquer outras condições de trabalho que. cultural. os estados devem proteger a existência e a identidade nacional ou étnica. é convidar os estados a proteger e assistir as vítimas do tráfico e garantir o respeito pelos direitos humanos. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. de acordo com a legislação e a prática nacionais. Um dos objectivo deste protocolo. estabelecido no artigo 6. é outro instrumento de importante valor para a protecção dos imigrantes nos países de acolhimento. Como se pode depreender. Especialmente Mulheres e Crianças. descanso semanal. Um dos objectivos deste protocolo é prevenir e combater o contrabando de imigrantes e proteger os direitos dos imigrantes contrabandeados. a segurança social. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. férias remuneradas. a saúde. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Um destes instrumentos é o Protocolo para Prevenir. O outro instrumento é o Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra.

dentro dos limites da lei. étnicos. comummente definido depois da partilha de África (na conferencia de Berlim em 1884-85). As instituições dos estados primitivos estabeleceram normas e regras de entrada e permanência de indivíduos em territórios já ocupados. Legislação Nacional A imigração não é um fenómeno novo na história de África e de Moçambique. culturais ou linguísticos com os proprietários do território. a livre circulação de pessoas no continente africano sofreu grandes mudanças. As práticas de nomadismo só reduziram com o advento da agricultura e quando os homens passaram a assumir a terra como propriedade privada e estabeleceram-se os primeiros estados. Por regra. Este controlo é um dos pilares da soberania do estado e foi aplicado pelas potências europeias nas suas colónias africanas.2. Com o inicio da colonização. nos países de acolhimento e.imigrantes e possibilita-lhes exercerem qualquer actividade. o livre movimento de pessoas entre as várias regiões de África respondeu ao anseio natural dos homens pela sua sobrevivência. Apesar destas regras. 3. Desde os tempos mais remotos. o livre movimento dos africanos ficou muito restringido e praticas de nomadismo deixaram de existir. estes indivíduos eram diferenciados do resto da população. Estas normas e regras primitivas vigoraram em África até o início da colonização europeia. Porém. A noção de estrangeiro já existia e estes não gozavam dos mesmos direitos e deveres dos naturais. Por força desta determinação. só podia se estabelecer num território ocupado aquele que partilhasse laços familiares. A conferência de Berlim definiu a necessidade das potências colonizadoras estabelecerem fronteiras de ocupação de forma a delimitar os seus territórios a semelhança do que era prática no continente europeu. Com o advento das 18 . O princípio da soberania estabelecida no tratado de Westphalia determinou que os estados tenham direito sobre o seu território e os seus habitantes podendo impor as condições de entrada e saída do seu território aos nacionais e não nacionais. as constantes migrações devido aos atractivos económicos e ambientais obrigaram os estados a aceitarem indivíduos de outras etnias concedendo-lhes espaço para habitação e cultivo. Cada potência controlava o seu território e a sua população impedindo a fuga de mão-de-obra para outras colónias. a partir daí afectarem positivamente no desenvolvimento económico desses países.

O primeiro instrumento que regula a relação entre o Estado e os cidadãos residentes em Moçambique é a constituição da república. o artigo 35 da constituição afirma que todos os cidadãos são iguais perante a lei. A partir dai. houve um acordo entre os estados africanos defendendo a irreversibilidade das fronteiras coloniais. goza dos mesmos direitos e garantias e está sujeito aos mesmos deveres que o cidadão moçambicano. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique e pelo regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. posição social. Todo aquele que entre no território nacional sem passaporte. o cidadão estrangeiro que resida ou se encontre em território nacional.independências africanas (1960). De acordo com o artigo 4 desta lei. religião. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. Sendo assim. os estados africanos passaram a adoptar normas e regras de controlo fronteiriço estabelecidos pelas ex-metrópoles e adoptaram as normas internacionais relacionados com esta matéria. restringir e impedir o movimento migratório). origem étnica. profissão ou opção política.º 38/2006. gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. As normas sobre entrada. os estados vem estabelecendo normas e regras para controlar o movimento de pessoas tanto nacionais como estrangeiros no território nacional. as novas nações passaram a ser definidas em função das fronteiras coloniais. O controlo fronteiriço imposto durante o período colonial passou a ser exercido pelos estados recém independentes o que significou a continuação das políticas migratórias das metrópoles. permanência e saída do cidadão estrangeiro em Moçambique são actualmente regidas pela lei 5/93 de 28 de Dezembro. Todos os residentes no território até a altura da independência eram considerados nacionais e todo o não residente passou a ser estrangeiro. raça. A mesma lei obriga ao cidadão estrangeiro que queira entrar em Moçambique que se apresente nos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos com toda a documentação necessária e que esteja munido de um visto em conformidade com a duração e os objectivos da sua estadia no país. Desde o surgimento do estado hobbesiano. estado civil dos pais. lugar de nascimento. estabelecidas nas leis orgânicas dos Estados obedecem aos interesses e motivações dos estados individuais e também das normas e regras internacionalmente criadas. Muitos destes instrumentos. sexo. com passaporte falso 19 . A política de imigração dos estados africanos passou a servir 4 objectivos principais (incentivar. grau de instrução. seleccionar. excluindo os direitos políticos e os demais direitos e deveres expressamente reservados por lei ao cidadão nacional. Com efeito. independentemente da cor.

ou ainda. nomeadamente em razão do interesse público. tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores nacionais. Sem prejuízo do disposto no número anterior. através do decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. no quadro das normas e princípios de direito internacional e em obediência às cláusulas de reciprocidade acordadas entre a República de Moçambique e qualquer outro país. O Artigo 11 desta lei prevê Sanções para as empresas que não observem as normas legais. que exerça uma actividade profissional no território moçambicano. lei No 23/2007 de 1 de Agosto. afirma no Artigo 31. a empresa prevaricadora pode ser punida. Ainda em relação a contratação de trabalhadores estrangeiros. por cada trabalhador estrangeiro em relação ao qual se verifique a infracção. As entidades empregadoras devem criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração das empresas. a presente lei estabelece no artigo 6 que. a lei do trabalho. De acordo com esta lei.ou caducado. pode o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou actividades que se enquadrem nas restrições ao seu exercício por cidadão estrangeiro. Em relação ao trabalhador imigrante. os que entram por postos não habilitados são considerados migrantes clandestinos. o governo estabeleceu. no artigo 1. A lei do trabalho introduz novas clausula não previstas no decreto-lei 57/2003 20 . O artigo 2 da mesma lei estabelece como condição para a contratação de estrangeiros que A autorização para contratação de trabalhadores estrangeiros fica condicionada à comprovação pelo Centro de Emprego do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de que possuem qualificações académicas ou profissionais necessárias e que não existem cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente. com a multa de dez a oitenta salários mínimos e o trabalhador estrangeiro fica imediatamente suspenso. Para além deste dispositivo que vela pela situação dos trabalhadores nacionais. sendo que. que o trabalhador estrangeiro. A contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira por entidades empregadoras nacionais e estrangeiras fica sujeita à autorização do Ministro do Trabalho ou de quem este delegar. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional.

americanos. A prioridade para o emprego é dada ao nacionail. níveil de vida e o estatuto financeiro (Chiswick. qualificações. estado de saúde. quotas de admissão de trabalhadores estrangeiros. c) 10% Da totalidade dos trabalhadores. aptidões. Torna-se urgente estabelecer políticas com estratégias claras de imigração. asiáticos e até latino americanos têm uma política de migrações que veda a entrada de imigrantes não-económicos e com poucos ‘skills’ (habilidade definidas de forma mais alargada desde conhecimentos.ao determinar. a lei defende que a admissão de estrangeiros só pode acontecer no caso de não existir nacionais com aquela qualificação. consoante o tipo de classificação de empresa: a) 5% Da totalidade dos trabalhadores. deve estabelecer de uma forma bem clara a sua política de imigração. Como seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir é um desafio para o estado moçambicano. 2008. permanecia e saída de imigrantes. Muitos países que procuram mão-de-obra procuram acima de tudo avaliar a qualidade desta força de trabalho.64). de cortesia. pelo artigo 32 da lei do trabalho. através da inspecção do trabalho. Há empresas que admitem trabalhadores a margem da cota mas precisam de autorização. Moçambique só estabeleceu leis que determinam as regras de entrada. no artigo 34. nas médias empresas. Não basta admitir estrangeiros. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. que controla a legalidade laboral se há contratados sem autorização o estado suspende o estrangeiro. nas grandes empresas. O estado fiscaliza. o Estado veda. 21 . Até hoje. A empresa deve justificar que fez pesquisa nacional e que não achou moçambicanos com capacidades. Para que o país possa seleccionar melhor os imigrantes que pretende. capital. que se contrate estrangeiros que tenham entrado no país mediante visto diplomático. Países europeus. Para além deste controlo. b) 8% Da totalidade dos trabalhadores. turístico. A excepção a regra são os grandes projectos. de visitante. nas pequenas empresas. de negócios ou de estudante. nível escolar. oficial. etc). Se o país possuir cidadãos com aquelas qualificações não é permitida a contratação dos estrangeiros.

assegurado pela situação políticoeconómica caracterizada por guerra de desestabilização e crise económica de tal forma que o fluxo de imigração forçada. Esta onda de imigração forçada e legal durou cerca de 5 anos para os Zimbabweanos. políticos. Além disso. 4. Neste contexto. um país de acolhimento e de trânsito. Com efeito. houve casos de cidadãos dos países socialistas e capitalistas. Contudo. de certa forma. o Estado promoveu. Com efeito. Palestina e Timor-Leste que lutavam pela libertação dos seus povos. as estatísticas da imigração nacional variam muito e a capacidade estatal de controlo está a ser posta em causa. de acordo com evidências empíricas. Este controle foi. os chamados “cooperantes”. guerrilheiros e activistas da África do Sul. o país recebeu imigrantes no contexto do apoio às lutas contra o colonialismo e imperialismo e luta dos povos pela sua libertação nacional. os registos de estrangeiros residentes tende a flutuar muito porquanto Moçambique representa. CARACTERIZAÇAO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS. mais de 20 anos para os Timorenses e prevalece uma abertura 22 . Moçambique está na rota da imigração desde a independência. voluntária.4.1 Origens dos imigrantes A imigração politicamente motivada acolheu. ano da realização das primeiras eleições gerais (presidenciais e legislativas) multipartidárias. Zimbabwe. ao mesmo tempo. que se estabeleceram em Moçambique e. uma imigração politicamente selectiva cujo fluxo esteve sob controlo. se tornaram Moçambicanos. inclusive. até certo ponto. igualmente. enquanto os registos oficiais demonstram uma entrada maciça de imigrantes legais e ilegais. legal e ilegal era baixo até 1992. maioritariamente. Nesta altura. o fluxo e a complexidade da imigração cresceram. ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇAO DE IMIGRANTES. mais de uma década no caso dos Sul-africanos. com base nos artigos 4 e 21 da Constituição de 1975. altura da assinatura dos Acordos Gerais de Paz (AGP) e 1994. desde de 1992-1994. em 1975.

retornavam ao país para reaver os bens deixados após a independência. depois de 1992-1994. supostamente. os Nigerianos. existe uma percepção de que os Portugueses. A segunda. Quanto aos Grandes Lagos. os Congoleses. indianos e bengalis) e do Médio oriente (principalmente libaneses) e da América (fundamentalmente do Brasil). uma grande comunidade imigrante Indiana de várias gerações que esteve presente em todo o país e tinha um grande protagonismo no domínio comercial. de acordo com evidências empíricas. inclusive. o número de imigrantes e a variedade de nacionalidades alargouse através de três grandes ondas de imigração. Com efeito. Nigerianos e Camaroneses representam a África Ocidental. os Etíopes. No entanto. foi caracterizada pelo predomínio de Asiáticos. os Burundeses e os congoleses constituem as nacionalidades preponderantes. Senegaleses. paquistaneses. os Paquistaneses e os Chineses constituem os grupos de imigrantes predominantes em Moçambique. os Somalis. os Somalis. muitos destes imigrantes regressaram às suas origens de tal forma que esta onda de imigração não foi problemática do ponto de vista demográfico e permaneceu selectiva em relação as nacionalidades. Guineenses da Guiné Conacry. os Guineenses. de poder de influência. os Burundeses. muito menos. principalmente da África Austral. procuravam melhores condições sócio-económicas. A terceira onda de imigração é actual e nela se destacam imigrantes provenientes da Ásia (maioritariamente Chineses.para o caso dos palestinianos. os Libaneses. da África Ocidental e Oriental. Neste contexto. dos ilegais. pois dados quantitativos nacionais e internacionais sobre os imigrantes em Moçambique não revelam a magnitude real em termos de nacionalidades dos imigrantes legais e. No entanto. dos Grandes lagos. os Sul-africanos. com particular destaque para Paquistaneses e Bengalis que. esta percepção não tem um suporte estatístico oficial e fidedigno. A primeira foi dominada por Portugueses que. Sul-africanos e Zimbabueanos são os principais imigrantes da África Austral em Moçambique. 23 . esta terceira onda é dominada pela imigração massiva de africanos. os Kenianos e os Tanzanianos compõem o grupo dos imigrantes originários da África Oriental. alegadamente. cidadãos do Benin. Por último. Malianos. As ondas de imigração pós AGP vieram suplantar do ponto de vista numérico e. No entanto.

alegadamente. pois estas não são suas línguas. Com efeito. Entretanto. Entretanto.1 Condição socioeconómica dos imigrantes em Moçambique. os Sul-africanos constituem uma excepção em termos sócio-económicos. em Moçambique. do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) onde a emigração foi. fundamentalmente. A condição social dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique é diversificada em função da sua origem. trata-se de um grupo de imigrantes maioritariamente camponês e de outro grupo predominantemente comerciante. Esta barreira linguística. a barreira linguística tem sido minimizada ao longo do processo de integração social. Sul-africanas que 24 . na imigração não africana. maioritariamente falantes de Inglês e/ ou Francês num Moçambique multilinguístico mas que tem o Português como língua oficial. à excepção da Somália. estes possuem contratos de trabalho para prestar serviços especializados em empresas. compostos por homens entre os 21 e 40 anos de idade. ambos com baixo nível de formação académica exceptuando alguns casos raros. alegadamente. pois os imigrantes aprendem a língua portuguesa em ambientes formais e informais. em todos os outros casos a imigração em Moçambique é descrita como sendo voluntária e. os Libaneses constituem um caso de uma mistura entre a imigração forçada e voluntária enquanto nos outros grupos a imigração é. essencialmente. Por seu turno. isto é. associada a dificuldades económica. indivíduos relativamente estáveis que possuem recursos financeiros e procuram oportunidades para prosperar economicamente. Estes grupos de imigrantes são. Quanto a imigração africana. existe um grupo considerável de imigrantes falantes da língua Árabe que se expressam com muita dificuldade tanto em Inglês como em Francês. essencialmente. Por um lado. Na caracterização do imigrante africano. financeiras e a segurança. por outro. e é forçada por instabilidades político-militares.Na imigração africana. por motivos comerciais. Por um lado existem pessoas pobres que lutam pela sobrevivência e. é considerada um constrangimento à imigração em família. pessoas com um elevado grau de formação e pertencem a “classe média”. os africanos e os não africanos. voluntária. 4. pois na sua maioria são.1. destacam-se duas situações completamente distintas.

dos brasileiros e chineses. Além disso. supostamente. esta percepção da facilidade de prosperidade dos imigrantes é extensiva aos africanos. Mas. fundamentalmente da “classe média/alta”. contratados para prestar serviços ou ocupar cargos de confiança em empresas. Por outro lado. tido um papel social positivo para muitas famílias Moçambicanas mas também é altamente lucrativa. os Chineses e os Paquistaneses constituem as nacionalidades mais evidentes no seio da opinião pública. Os Chineses constituem um grupo que está. pessoas desfavorecidas que encontram na imigração uma oportunidade para melhorar a sua condição sócio-económica. alegadamente. Alias. dos portugueses. Em relação aos imigrantes Asiáticos. a prestar serviços. de grosso modo. muitos estão a ganhar conhecimentos básicos da língua portuguesa no ambiente informal dentro e fora trabalho.operam em Moçambique. A excepção dos sul-africanos. alegadamente. dentro da imigração Sul-africana existe um número significativo de pessoas que estão em Moçambique na condição de investidores estrangeiros. os Paquistaneses são. meios ilegais. Por seu turno. a maioria dos imigrantes professa a religião islâmica. fundamentalmente. a língua não constitui uma barreira nos objectivos dos imigrantes maioritariamente jovens que raramente trazem família. Além disso. Boer falante de Afrikans e Inglês. igualmente. existe um número considerável de imigrantes. particularmente africanos que desenvolvem a chamada medicina tradicional que tem. Estes não trazem família e são. vistos como indivíduos de uma condição desfavorável mas que rapidamente atingem a prosperidade. Contudo. é importante distinguir os portugueses e os brasileiros e os imigrantes da Ásia e Médio Oriente pela sua considerável expressão do ponto de vista numérico e geográfico. Quanto a imigração não africana. Para ambos grupos. em empresas de construção civil. Em relação aos Portugueses e Brasileiros. é importante colocar o alerta para a existência de uma alegada política de exportação de pessoas com objectivos políticos e económicos que incluem a necessidade de assegurar espaços de influência e oportunidades de internacionalização de empresas. constata-se que também estão em Moçambique muitos técnicos da “classe média/alta”. Esta situação não constitui uma 25 . os Paquistaneses que trabalham no ramo comercial são suspeitos de prosperar usando.

Enquanto que a imigração não qualificada. Esta fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. na caracterização dos imigrantes. o Estado pode actuar de forma proactiva e evitar surpresas estratégicas que podem ter impacto sócio-político. intervenção de uma rede de crime organizado que envolve Moçambicanos e estrangeiros cujas nacionalidades não estão claramente identificadas. económico e cultural negativo a nível doméstico e internacional. pela percepção da dimensão numérica. Assim. Entretanto. Por outro lado pode servir para prever prováveis problemas contra os imigrantes. quiça. sob o ponto de vista demográfico. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sócio-política e segurança dos indivíduos bem como do Estado se não for operacionalizada a cooperação intra-estatal e internacional. um problema institucional. A imigração qualificada é promovida pelo sector económico. Portanto. que requer uma abordagem multidisciplinar e de grande cooperação entre Moçambique e os Estados vizinhos que devem assumir uma postura proactiva. alegada. em termos operacionais. A percepção e descrição da condição sócio-económica dos imigrantes possuem um valor analítico importante para avaliar o grau de ameaça ou de oportunidade que a imigração representa para Moçambique e para os Moçambicanos. particularmente para Moçambique. em termos de extensão e intensidade. nacional e transnacional. A fragilidade em termos de dados estatísticos é. os imigrantes não qualificados e de classe baixa constituem a maioria. o processo de integração regional e a futura liberalização do mercado de trabalho podem ter uma influência no fluxo de imigração para a África Austral e. 1997: 198). existe em Moçambique uma mistura de imigrantes qualificados e não qualificados.novidade tomando como base ?????? (Huntington. por um lado. actualmente. 26 . em Moçambique imigrantes qualificados e não qualificados. pessoas da classe média/alta e de classe baixa. Além disso. Este assunto é. Esta atitude pode constituir uma forma de colmatar a fragilidade institucional do ponto de vista estatístico e. é livre e com. Há. simultaneamente. particularmente as empresas estrangeiras.

existe o caso da imigração trans-fronteiriça que ocorre através dos postos de migração ao longo da vasta fronteira mas há. esta percepção pode ser simplista se considerar que foram constatados casos de imigrantes ilegais que não tinham Moçambique como destino mas. 27 . Neste contexto. a percepção de que há. Neste grupo.1. turistas. igualmente um grande fluxo de imigração com uma forte carga sócio-cultural que não se processa de acordo com a exigência legal migratória. 4. rota dos imigrantes ilegais e destino dos legais”. de acordo com a legislação Moçambicana. Quanto a legalidade dos imigrantes. mais imigrantes ilegais do que legais pode reduzir o peso da constatação de que “Moçambique. a lei 5/93 de 28 de Dezembro. uma vez no país. a educação e a saúde e depois permanecem no país tornando-se.Moçambique representa uma rota de trânsito para imigrantes ilegais e um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. No caso de Moçambique. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro. em alguns casos.1 Categorias de imigrantes em Moçambique Existem várias formas de categorização dos imigrantes. em Moçambique. inclusivamente Moçambicanos. 2007) e permanentes ou temporários. é importante destacar que as autoridades migratórias e policiais detectaram. Mas é a legalidade ou ilegalidade dos estrangeiros que tem concentrado maior atenção da opinião pública e das autoridades estatais. sobre a categoria dos estrangeiros permanentes. decidiram ficar. pelas facilidades existentes para a prática de negócios. Além disso. Contudo. Este grupo de imigrantes legais temporários inclui. que parece ser a maioria. cidadãos estrangeiros em trânsito. incide. internos ou internacionais. Uma segunda parte. 23/ 2007 de 1 de Agosto. alegadamente. ilegal. vem a Moçambique individualmente e/ ou em grupos. os imigrantes podem ser voluntários ou forçados. vem a Moçambique via contratos de trabalho com entidades estatais como. temporários e clandestinos. Homem de negócios e estudantes estrangeiros. principalmente. regulares ou irregulares (Oucho. fundamentalmente. alegadamente. por exemplo. Uma terceira e última parte. No entanto. sinais de existência de redes internacionais com ramificações nacionais que se dedicam ao recrutamento e/ou facilitação de imigração legal e. evidências mostram que uma parte significativa vem a Moçambique por meio de empresas com base em quotas legalmente estabelecidas pela lei de trabalho. por meios próprios.

Passado algum tempo. Esta é acção do ramo doméstico do crime organizado considerado “contra vigilância”. o cumprimento desta obrigação está dependente da capacidade fiscalizadora das autoridades migratórias e policiais que tem sido pouco activa devido a fragilidade de meios humanos. por meios ilegais com a conivência de agentes do Estado em várias áreas. 2) os imigrantes transitórios. Em alguns casos. que é invisível e supera a capacidade fiscalizadora do Estado. pois o país está aberto aos imigrantes quanto mais 28 . Perante a complexidade de imigração em Moçambique é possível distinguir 6 tipos de imigrantes ilegais: 1) os imigrantes legais que se tornam ilegais devido. que passam pelo país com objectivo de viajar para outros destinos. tornados legais. Deste grupo a maioria escala Moçambique como um corredor de trânsito para a África do Sul e uma minoria permanece. constata-se que há imigrantes que chegaram a Moçambique na condição de refugiados e depois se tornaram imigrantes. Assim. Por seu turno. o imigrante ilegal de hoje tem-se tornado o imigrante legal de amanhã. Dentre os vários grupos de imigrantes ilegais existem aqueles que ao serem detectados pelas autoridades Moçambicanas são imediatamente repatriados e existem os são chamados a regularizar a sua situação. segundo as autoridades de guarda fronteira. que estabelecem relações de âmbito sócio-culturais ao longo da fronteira entre Moçambique e os países vizinhos. como local de destino. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique em grupos de 4 ou mais pessoas. financeiros e técnicos.No grupo de “imigrantes contratados”. as autoridades de guarda fronteira detectaram grupos de mais de 50 imigrantes que viajavam em condições desumanas. Entretanto. mas principalmente para a África do sul. presumivelmente. a expiração do tempo de permanência. que se estabelecem permanentemente no país sem intenção de transitar para a RSA mas sem nenhuma documentação ou que estejam em situação de refugiados mas sem a devida documentação. estes imigrantes ilegais são. por exemplo. Além disso. foram constatados casos em que o imigrante legal de hoje torna-se imigrante ilegal de amanhã. e 4) imigrantes irregulares. o tempo de permanência é de 2 anos renováveis de acordo com a lei de trabalho enquanto que não há um limite temporal para os imigrantes legais permanentes que estão a trabalhar na área comercial desde que cumpram com os requisitos preconizados no ordenamento jurídico vigente. Perante esta situação. 3) imigrantes trans-fronteiriços.

quais as nacionalidades predominantes. 1 A imigração Sul-africana é um caso particular que não cabe nesta constatação. No final da década de 1990 houve casos de imigrantes ilegais provenientes da Ásia que entraram em Moçambique por via aérea. Contudo. Mas. preferencialmente via terrestre devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira1. ocorre por via aérea. Moçambique constitui um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. A maioria dos imigrantes nesta situação é africana. à complexidade da acção das redes de imigração clandestina. A situação torna-se mais difícil de controlar devido.não seja pelo reconhecimento de que a imigração pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de Moçambique.2 Rotas de Entrada de Imigrantes Desde a década de 1990. Além disso. os imigrantes estão expostos ao perigo do trafico de pessoas que é um negócio altamente lucrativo mas que ainda não há dados sobre o fenómeno associado a imigração em ou para Moçambique. devido a mediatização dos casos e a consequente elevação dos níveis de controlo os imigrantes ilegais abandonaram ou reduziram a via aérea como uma opção para a imigração em Moçambique. No entanto. em grande escala. como um corredor de trânsito de imigrantes legais e ilegais para a África do Sul. A entrada dos imigrantes legais e ilegais. Com efeito. em Moçambique. a percepção é de que existem mais imigrantes ilegais do que legais em Moçambique em trânsito ou em permanência. esta situação permite contornar as autoridades mas também facilita a acção das redes organizadas de recrutamento e facilitação de imigração clandestina. com o fim do Apartheid. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique. No entanto. dos imigrantes africanos ilegais. do ponto de vista empírico. ainda não existe uma base de dados que permita afirmar com exactidão. 4. Do ponto de vista estatístico oficial. Neste contexto. 29 . Moçambique entrou na rota de imigração. não existem dados quantitativos globais e exaustivos que revelam a magnitude real em termos de legalidade ou ilegalidade dos imigrantes a nível nacional. terrestre e marítima. sobretudo. dentro deste grupo.

por exemplo. Neste contexto. Entretanto. igualmente. os imigrantes são escondidos no meio de mercadorias ou em camiões cisternas como forma de ludibriar as autoridades de migração e guarda fronteira. A título de exemplo. baixo devido ao controle implacável das autoridades fronteiriças do Zimbabwe. 4. Neste contexto. a entrada de imigrantes ilegais em Moçambique não pode ser vista como um problema unicamente Moçambicano. constitui um ponto de entrada de imigrantes ilegais. de certa forma. a via aérea. 30 . principalmente Tete) têm sido os principais pontos de entrada de imigrantes. Assim. igualmente. na análise das rotas de imigração em Moçambique. camionistas de longo curso. A fronteira de Zóbué. Este é. Esta realidade coloca a reserva vulnerável a acção de caçadores furtivos.Por seu turno. na zona de Machipanda o fluxo de imigrantes ilegais é. em Tete. Este facto ocorre devido a ausência de receios quanto a legalidade da imigração e pela redução de riscos associados a imigração terrestre ou marítima que está sujeita a redes de recrutamento e facilitação de imigração ilegal. um problema da Zâmbia mas principalmente da Tanzania e do Malawi por onde supostamente entra a maioria dos imigrantes ilegais. extensa e com uma supervisão e controle frágil.1 As Rotas de Entrada Terrestre A rota de imigração terrestre desenvolve-se no sentido Norte e Centro em direcção ao Sul. de acordo com alguns imigrantes entrevistados. Com efeito. a reserva natural de Mecula. Com efeito. em diversos pontos longe da localização oficial dos postos fronteiriços. é considerada uma das mais vulneráveis a imigração ilegal. a fronteira marítima é. igualmente. Noutros casos. os imigrantes legais usam. respectivamente. há poucas evidências relativamente a entrada de imigrantes ilegais por via das fronteiras marítimas no Lago Niassa e no Rio Rovuma. a norte de Moçambique. os distritos fronteiriços do Norte (Cabo Delgado e Niassa) e Centro (Manica mas. e Machipanda em Cabo Delgado. também são pontos de entrada ilegal de imigrantes. Para o efeito. Niassa e Manica. maioritariamente. As entradas ilegais são feitas. alegadamente. Mueda. no Niassa. os imigrantes ilegais atravessam as fronteiras ilegalmente usando a corrupção. os imigrantes tem subornado. Metangula. parece que a fronteira marítima está a ser pouco usada na imigração e isso tem servido para menosprezar. No entanto.2.

Neste contexto. Entretanto. os imigrantes Guineenses fazem a rota Guiné Conacry – África do Sul – Maputo. Na maioria dos casos. o único ponto de entrada de estrangeiros constituiu uma vantagem do ponto de vista de registo controle e supervisão dos imigrantes. a título de exemplo. Beira. De fora de África salientam-se as rotas Dubai . o Aeroporto Oliver Thambo. Além disso. Portanto. foram constatados casos de imigrantes legais que chegam a Moçambique por meios aéreos mas posteriormente entraram na África do Sul.África do Sul – Maputo e Paquistão África do Sul – Maputo. durante muito tempo. Mas. neste grupo de imigrantes legais é importante distinguir os que tem Moçambique como destino e os que tem a África do Sul como destino. Com efeito. Alguns Malianos em Moçambique usaram a rota Mali – Quénia – África do Sul– Maputo. tem sido um ponto de trânsito obrigatório. principalmente pela fronteira de Ressano Garcia.4. pois estão sendo alargadas as portas de entrada de Moçambique sem a correspondente capacidade humana e. Nampula e Pemba que estão a receber aeronaves estrangeiras pode representar uma fragilidade do ponto de vista de supervisão e controle. principalmente técnica e tecnológica para fazer face a complexidade da problemática da imigração. de forma clandestina.3 Locais de fixação dos Imigrantes em Moçambique 31 . Johannesburg e Maputo são pontos incontornáveis de entrada de imigrantes legais. via terrestre. Nigéria – África do Sul – Maputo é o trajecto usado pelos Nigerianos. 4. pois são poucos os países que tem ligações aéreas directas para Moçambique. na África do Sul.2. o alargamento de ligações aéreas do estrangeiro para diversos pontos de Moçambique como Vilankulo.2 As Rotas de Entrada Aérea As rotas aéreas de imigração legal partem de vários pontos de dentro e de fora do continente Africano. a entrada de estrangeiros nesses pontos tem sido excessivamente apenas do ponto de vista turístico e trabalhadores contratados menosprezando a situação no quadro dos dilemas da imigração. O facto de Maputo ser.

é onde existem as maiores oportunidades de negócio. Pelas evidências empíricas. são. numérica e em termos de nacionalidades não esta documentada nas poucas estatísticas oficias que existem. Com efeito. os mercados informais estão progressivamente a ser dominados por imigrantes 32 . é difícil sem uma base estatística fiável. evidências que mostram de que a zona Centro e Norte é onde há abundância de recursos naturais. Maputo Cidade. igualmente. Neste contexto. principalmente dos ilegais. respectivamente. espaços preferidos para habitação de imigrantes ilegais que estão constantemente a fugir das autoridades policiais e migratórias. nas capitais provinciais de Cabo Delgado. constata-se que os imigrantes tendem a fixar-se em locais de muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos mas facilmente exploráveis. A existência de mercados informais nos grandes círculos urbanos é apontada como um factor que atrai os imigrantes2. Mas. Centro e Norte de Moçambique de forma a traçar cenários demográficos. económico-sociais e até políticos e de segurança. é importante questionar quais são as nacionalidades predominantes no Sul. por ser menos onerosa. há maior circulação de dinheiro do que o meio rural ou suburbano é para acomodação. Além disso. as suas actividades diárias ocorrem nos círculos urbanos pois. No entanto. afirmar em que região do país há mais imigrantes. igualmente. mas. Além disso. Existem. alegadamente. o antigo e actual centro de acolhimento de refugiados. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano 2 A título de exemplo. É importante referir que Maputo e Nampula têm a particularidade de serem. existe a percepção de que é no círculo urbano onde se encontram as maiores facilidades de realização de negócios comparativamente ao meio rural. a vantagem de estar próxima da África do Sul.Os imigrantes encontram-se fixados em quase toda a dimensão territorial de Moçambique. Esta “geopolítica dos interesses dos imigrantes” é um aspecto que não deve ser ignorado em qualquer avaliação do impacto da imigração em Moçambique. Os meios rurais e os espaços suburbanos. Maputo tem. uma percepção de que a zona Sul e Norte. também. a distribuição geográfica. mais do que isso. Maputo e Nampula são grandes corredores de desenvolvimento. Nampula e Niassa. Maputo Província e Nampula são considerados os pontos de maior circulação de dinheiro onde há muitos imigrantes. Mas. os locais de fixação de imigrantes estão muito associados a interesses maioritariamente económicos. Neste contexto. Existe portanto.

é a necessidade que elas têm de se desenvolver como pessoas. e é a procura desse desenvolvimento que elas deslocam-se das suas zonas de origem para outras. imigrantes legais. 2001:1). violação dos direitos 3 Situações de pobreza absoluta são consideradas um dos principais factores de imigração.FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Para alguns autores como Kearny (1986:353). igualmente. muitos cientistas sociais acreditam que existe uma combinação de factores económicos e não económicos. Segundo estes autores. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. e quando isto acontece os imigrantes geralmente dirigem-se sobretudo para os países mais próximos. o turismo. Esta pobreza muitas vezes é causada por conflitos no país de origem. nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência. que vem da pobreza absoluta3. taxas de desemprego elevadas. razões essas. repartição desigual dos rendimentos. 33 . Estes são. aparentemente. necessidade de uma formação melhor. há. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. e estes factores não tem nenhuma relação com a pobreza ou riqueza. 5. a imigração explica-se a partir da necessidade de desenvolvimento humano. e outros que levam as pessoas a escolherem o país para onde imigrar. Existem outros factores que estão na origem da imigração. como diz Kearny.A teoria Push-Pull Os autores que estudam a imigração são unânimes em afirmar que é necessário que existam razões que levem as pessoas a decidirem imigrar. a globalização que cria a imigração de quadros e pessoal especializado. que explicam a emigração. e cuidados de saúde (HDR-2009. a necessidade de investir em novos mercados.1. diz-nos que existem factores de repulsão (push) que fazem com que as pessoas queiram sair dos seus países de origem. Por outro lado. A teoria Push-Pull. clima.mas. como o comércio internacional. 5. terem segurança. a mundialização dos negócios. p. que vão desde problemas políticos e económicos. Regra geral as pessoas são motivadas pela possibilidade de conseguir trabalho. de verem os seus direitos civis preservados. O que move as pessoas segundo Kearny. 49). repartição desigual dos rendimentos. (Schachter. ou melhores condições de trabalho.

Isto é: existem factores que levam as pessoas abandonarem as suas regiões de origem. isto porque estes já possuem algum familiar cá. Os imigrantes escolhem Moçambique como ponto de fixação porque uma vez aqui instalados. e a proximidade com África de Sul.O caso de Moçambique No caso de Moçambique o grande fluxo de imigrantes pode ser explicado em parte com base na teoria push-pull. 7 Os imigrantes escolhem Moçambique já com algum negócio em mente. Portanto os imigrantes. necessidade de investir em novos mercados onde as oportunidades de negócio são melhores. boas oportunidades económicas. que são um conjunto de vantagens comparativas existentes nos países desenvolvidos que atraem essas mesmas pessoas. como pudemos verificar durante as várias entrevistas efectuadas.humanos. de investir no país. que seriam os considerados factores pull. que. esses factores são: procura de mão – de obra. 34 . 5. e as oportunidades de trabalho. ou do país de imigração4. formação. e a segurança que estes países podem oferecer. constitui um elemento chave. factores de origem social. E factores que os levam a escolher Moçambique como ponto de fixação. e outros. dizem ter muita facilidade de praticar algum negócio para a sua subsistência e dos seus familiares afirmaram alguns dos entrevistados 7. Assim como existem factores de atracção. são na sua maioria factores relacionados com a estabilidade política que o país atravessa. Portanto deve existir motivos de atracão que os levam a um certo país. Neste contexto a ideologia da economia do mercado. A maior parte dos entrevistados durante a realização do estudo afirmaram que Moçambique tornou-se local de eleição dos imigrantes. encontra-se numa fase de expansão. disponibilidade de terras. Segundo estes 4 A escolha do país para onde imigrar prende-se muito com a estabilidade política e económica que esses países oferecem. liberdades politicas. 5 A globalização levou a liberdade de trocas comerciais. principalmente devido a sua estabilidade política e económica6. e política.2. a internacionalização do comércio. factores relacionados com a possibilidade. acesso a sistemas de saúde. necessidade de uma formação melhor. que tornou-se um fenómeno a escala mundial. já chegam em Moçambique com um objectivo concreto da sua estadia em Moçambique. que influenciam na escolha do local. e outros. ou algum conhecimento sobre a situação económica do país. para atrair imigrantes. Assim como factores relacionados com a globalização5. 2000:82). e ainda devido a possibilidade de se praticar o comércio e investir em novas áreas de negócio. relacionados com a procura de melhores condições de vida. e assiste-se a internacionalização dos mercados. (Castles. económica. 6 A estabilidade política e económica de que Moçambique goza.

2000. comercial. é toda a pessoa que por razoes da sua própria segurança. Isto porque estas ligações vão ser uma fonte importante de 8 Refugiado. sem poder regressar durante um certo período de tempo. e outros. e/ou profissional. militar. de investimento. ou opinião pública. politico. A literatura considera que existem movimentos migratórios que se associam. afectivo ou cultural. e passado pouco tempo já tem uma loja. uma banca num mercado informal. o centro possui uma politica aberta que lhes permite sair a procura de trabalho para a sua subsistência. ou ainda associação a determinado grupo social. podem ser de índole. religião ou nacionalidade. que os teóricos não consideram imigrantes voluntários. e integração. começam com pequenos negócios. estes laços segundo (Castles. regra geral a laços previamente existentes entre os países de origem dos imigrantes. Portes e Borocz (1989) referem que as imigrações devem ser vistas segundo a teoria das redes sociais: um fenómeno de construção de associações entre pessoas ligadas por algum laço seja ele familiar. o que explica em parte o grande fluxo de imigrantes naquela região do país. Para explicar este fenómeno. o que lhes facilitam todo o processo de deslocação. ou perseguição devido a sua raça. e os países de acolhimento. Os entrevistados referiram-se ainda ao facto de muitos dos imigrantes que entram em Moçambique possuírem já alguma relação de familiaridade. não implicando necessariamente uma aproximação geográfica. alguns saem e não regressam mais ao centro. passam a fazer parte do grupo de imigrantes porque segundo os nossos entrevistados. O grupo de estrangeiros que entra em Moçambique com o objectivo de ir ao centro de refugiado é enorme. encontra-se fora do seu país de origem. colonial. porque pelo que pudemos constatar durante as entrevistas. p:123). Outro factor importante que explica o fluxo de imigrantes em Moçambique relaciona-se com a existência de um centro de refugiados em Moçambique. e pelo que nos foi dito. Esta teoria serve também para explicar o fluxo de imigrantes para Moçambique. Nampula acaba sendo um ponto estratégico devido a existência do centro de refugiados. muitos dos imigrantes que vêm investir em Moçambique tem de alguma forma alguma relação com o país. que também explicam os fluxos de imigrantes de um país para o outro. (Centro de Refugiados de Maratane) mais concretamente na província de Nampula. neste momento o centro possui cerca de seis mil habitantes.geralmente os imigrantes. entre eles. profissional. recepção. 35 . Os Refugiados8.

principalmente dos ilegais. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE 6. como a facilidade de entrada no país devido ao fraco controlo das fronteiras. guerras. O facto é que os factores que levam a imigração são geralmente os mesmos. que os imigrantes têm estão a controlar os pequenos negócios. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO 36 . Entretanto. violência.informação que lhes vai permitir tomar decisões com algum conhecimento. mais concretamente o comércio. as suas naturalidades. alguns dos entrevistados afirmam. em busca de melhores condições de vida económica e de sobrevivência material. fazem-no na grande maioria das situações. e do ponto de vista económico isso é positivo. O fluxo de imigração tem estado a aumentar tanto na área de negócios. Outros factores que explicam o fluxo de imigrantes em Moçambique. e a facilidade de praticar algum negocio em Moçambique. Em algumas zonas da província de Nampula e Cabo Delgado o mercado informal esta completamente sob o domínio dos estrangeiros que ali residem. e a procura de um melhor mercado de trabalho. fuga a pobreza desemprego. e Cabo delgado. As estimativas sobre o volume deste fluxo são difíceis de se obter uma vez que não possuímos dados estatísticos sobre o número dos imigrantes que entraram em Moçambique. devido ao fraco controlo dos órgão responsáveis pelas actividades comerciais. tornando o processo de imigração mais seguro. são situações. No que diz respeito a imigração ilegal é difícil separar a fronteira entre refugiados e imigrantes. perseguição política. ou religiosa. Os homens e as Mulheres que abandonam os seus países. quanto no turismo. e as suas residências de originarias.1. 6. principalmente o negocio informal. e o negócio informal. principalmente o fluxo de imigrantes ilegais. e ainda ao facto de muitos imigrantes utilizarem Moçambique como ponte entrarem na vizinha África do Sul. província de Nampula. mais concretamente na zona norte. Quando abordados os imigrantes dizem que estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida.

na África do Sul e a crescente onda de imigração que se regista no país. Contudo. existe um consenso de que qualquer que seja a definição de segurança deve ser contextualizada respondendo a três questões fundamentais: segurança para quem? Sob que ameaças? E contra que valores? 37 . os efeitos das actividades das diásporas nos interesses de segurança dos Estados hospedeiros e as condições de vida e necessidades de segurança dos imigrantes (Sommer &Warneeck. 2008). na actualidade. na actualidade. Neste contexto. Em Moçambique não existem estudos académicos que abordam. isto é um desafio devido a magnitude e variações da imigração. Portanto. depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA.1. mas ganhou maior importância depois da ocorrência da violência xenófoba em 2008. Isto regista-se com maior destaque. Entretanto. também.A imigração constitui. principalmente ilegal mas. porque a segurança se tornou. este estudo sobre a ligação e impacto da imigração em Moçambique é pertinente. a ligação e impacto da imigração na segurança. até certo ponto. 6. um dos grandes assuntos políticos que esta a ganhar importância na agenda dos Estados e nos Estudos de Segurança. um conceito multi-dimensional e. cresceu o interesse em estudar a relação entre a imigração e a segurança. Immigration´s Impact on US National Security and Foreign Policy do US Commission on Immigration Reform constitui. especificamente. O estudo de Franzblau (1997). No entanto. bem como o impacto da imigração na segurança. igualmente. Com efeito. o Bonn International Center for Conversion tem discutido a influência das organizações da diáspora nos processos de paz e conflitos nos seus Estados de origem. particularmente.1 Segurança O conceito de segurança não é consensual no seio das teorias e dos estudiosos. um exemplo da importância do assunto para as instituições de pesquisa e para os Estados. problemático. as autoridades de defesa e segurança referem que este assunto não é recente em Moçambique.

o conceito de segurança. Apesar da proeminência que a segurança humana assume no pós guerra fria. altura de grande prevalência de guerras entre Estados. 2004: 8) e. Esta é uma visão tradicional de segurança considerada restrita. o alargamento do conceito de segurança procura mostrar que as ameaças não militares como económicas. resulta. os Estados procuram. health threats. a visão tradicional Realista constitui o paradigma dominante do ponto de vista académico e em termos de abordagem dos governos na condução da política externa dos Estados (Hough. 38 . Neste contexto. defender a sua existência como uma entidade politicamente independente (Freeman Jr. a segurança é definida do ponto de vista estatal. Para o efeito. a imigração e o imigrante enquadram-se nos Estudos de segurança tendo em conta a visão de segurança alargada 9 Este interesse supremo. provavelmente. 1997:1). natural threats.De facto tradicionalmente. Esta constitui uma perspectiva que procura mostrar que o indivíduo é tão importante quanto o Estado como referente de segurança. Assim. o Estado tem a prerrogativa de impôr sacrifícios que afectem as liberdades e os interesses dos indivíduos. Esta visão de segurança é defendida pelo neo-realista Barry Buzan e pela “abordagem pós modernista ou Critical Human Security (Naidoo. a soberania. a todo o custo e com todos os meios e recursos a sua disposição. consequentemente. surgiu o conceito de segurança humana que constitui um “novo paradigma” dos Estudos de Segurança. representada por teóricos como Hans Morgenthau e que permaneceu largamente incontestável durante a guerra fria (Franzblau. Assim. com ênfase nas ameaças militares externas contra valores nucleares como a integridade territorial. de acordo com Hough (2004). accidental threats e criminal threats. isto na discussão sobre segurança para quem? Além disso. da história de Relações Internacionais marcada por guerras e contra guerras que determinaram o surgimento e desaparecimento de Estados. 1997: 9). podem ser tão perigosas quanto as ameaças militares. Esta constitui uma visão restrita de segurança defendida pela Teoria Realista preocupada com a sobrevivência de Estado como o interesse nacional supremo9. a sobrevivência do Estado é um interesse acima de qualquer interesse particular. Neste contexto. reduziu a prevalência de guerras entre Estados e fenómenos não militares nacionais e internacionais afectaram a segurança dos indivíduos e ganharam proeminência política que obrigou os teóricos a alargar o enfoque dos Estudos de segurança (Hough. social identity. Contudo. 2004:2). ambientais. 2001: 2). as instituições e independência política e identidade cultural. terminada a guerra fria.

isto não deve ser visto de forma generalista e acrítica. Assim. Em termos de consequências. em alguns contextos. A título de exemplo. criam insegurança humana. igualmente. igualmente. os refugiados de guerra. os refugiados económicos e os refugiados ecológicos10. os imigrantes colocam em causa a estabilidade política dos países acolhimento. particularmente dos meados da década de 1990. Noutros contextos. 39 .a actores não estatais e assuntos não militares. os imigrantes são. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de origem e. Em Moçambique existem. de certa forma. particularmente para os Estados de acolhimento. Cabo Verde é um exemplo de país no qual muitas famílias dependem das remessas dos imigrantes. porquanto existem vários casos de imigrantes que não representam ameaça a segurança e. é importante ter em consideração os contextos. às más condições sócio-económicas derivadas da problemática da pobreza. a imigração numa outra dimensão de segurança que é a segurança pública que constitui matéria de polícia. 6. muitas famílias cuja segurança humana depende de imigrantes na África do Sul. No entanto. em 1970. a imigração pode ser determinada. Portanto. Nesta perspectiva cabem. refugiados Palestinianos tentaram derrubar o regime do Rei Hussein 10 Os imigrantes da região dos Grandes lagos. à insegurança pode estar associada a guerras mas. entre outras causas.1. Isto ocorre através do envio de dinheiro ou bens que contribuem na subsistência ou sobrevivência dos que não emigraram. que lida com tranquilidade e ordem pública. também. maioritariamente.2. nas situações em que representam ameaça. a imigração promove a segurança humana dos imigrantes e das suas famílias que permanecem nos países de origem. Ligação entre imigração e segurança A ligação entre segurança e imigração reside nas causas e nas consequências da imigração. por conseguinte. constituem exemplos de emigração forçada devido a insegurança humana causada pelas guerras enquanto os imigrantes do corno de África representam casos elucidativos de insegurança humana resultante da combinação entre guerras e desastres naturais. Este enquadramento coloca. pela falta de segurança dos países de origem que. Neste caso. Assim.

Neste contexto. Este pessimismo é tão grande que se discute mais da ameaça que a imigração representa e pouco a ameaça sobre os imigrantes. o que constitui um risco para os Estados de origem11. Este impacto negativo incide sobre a segurança pública e não sobre a segurança do 11 Weiner. Além disso. uma tendência de adoptar uma atitude negativa que incide sobre os Estados de acolhimento e pouca atenção é conferida aos imigrantes e os Estadas de origem. uma ameaça política ao regime político do país de acolhimento. Moçambique sofreu uma desestabilização políticoeconómica e militar pelo facto de ter acolhido imigrantes da antiga Rodésia do sul e da África do Sul. 40 . Stability and International Migration. imigrantes Moçambicanos baseados na Tanzania desenvolveram uma guerra de libertação que desestabilizou o regime colonial Português e. nos Estados de acolhimento ou na relação entre ambos. Myron Weiner citado por Franzblau (1997: 3-11). podem ser um fardo ou uma contribuição sócio-económica. e podem ser tomados como reféns. há mais pessimismo e medo da imigração e do imigrante. no que ficou conhecido como Setembro Negro (Tembe. Portanto. maioritariamente Tutsis. International Security 17: 3. formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) no Uganda de onde lançaram ataques que culminaram com o derrube do governo de maioria Hutu. a percepção é de que os imigrantes (legais e ilegais) criam um impacto negativo na segurança. principalmente ilegal. Security. nas discussões globais sobre imigração.1.3. do que optimismo. do ponto de vista de segurança.II na Jordânia. Impacto na segurança Do ponto de vista de segurança. defende que os refugiados ou migrantes podem constituir uma oposição ao governo do país de origem. 6. os imigrantes podem ter um impacto positivo e / ou negativo nos seus Estados de origem. posteriormente. simultaneamente. Em Moçambique. imigrantes Ruandeses. 2003: 93). os migrantes e / ou refugiados podem ser. existe. Myron 1992/ 93. uma ameaça e um benefício cultural. criou condições para o fim do colonialismo e surgimento do Estado Moçambicano.

teria asseverado que os imigrantes não constituem de facto uma ameaça à soberania do Estado. 41 . No entanto. sobretudo o ilegal. eventualmente. 6. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. levanta-se o alerta segundo o qual. apenas. tenta passar-se por despercebido. não existem evidências (pelo menos até agora) de que os imigrantes legais e ilegais. em Moçambique. provavelmente fazer surgir no seio dos imigrantes interesses políticos que passem pelo acesso e controle do poder politico local e. na prática. Representam. Lopes Sibinde12. com interesses políticos. de acordo com os seus interesses de curto. Assim. este é um comportamento normal dos Estados que se guiam. a longo prazo. constata-se que um imigrante. de acordo com a legislação Moçambicana. Na sua intervenção. médio e longo prazo. Mesmo essa hipótese não é convincente porque.Estado. receber ou estar a receber pessoas por encomenda. Neste contexto. Além disso.4. muitas pessoas suspeitam de que Moçambique pode. O alerta maior incide sobre o facto de alguns países estarem a desenvolver políticas deliberadas de exportação de pessoas a todo o mundo. a imigração pode afectar a segurança na vertente identidade cultural e. os imigrantes não constituem um grupo politicamente homogéneo. possuem agendas políticas que possam colocar em causa qualquer que seja o regime no poder. 12 Elemento da direcção nacional da migração. definida segundo a Teoria Realista. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. igualmente dedicados a actividades económicas. têm os seus direitos políticos bastante restringidos. mas sim pode eventualmente constituir ameaça à ordem e tranquilidade públicas. em Moçambique. os imigrantes legais. estão concentrados na materialização de interesses económicos e permanentemente a tentar passar despercebido para não serem descobertos pelas autoridades estatais. quiça nacional.1. os imigrantes ilegais. económicos e sociais. a mando dos estados de proveniência. a segurança nacional. Impacto da imigração na segurança do Estado Em relação a segurança do Estado. Contudo. Neste contexto. Por seu turno.

principalmente africanos. os imigrantes fazem circular. principalmente os africanos.1. Os receios residem no facto de alguns dos imigrantes. fora do circuito bancário. serem. a maioria das transferências monetárias não ocorre no circuito formal. a exploração de ouro a céu aberto nas províncias de Niassa e Manica. Neste contexto. pois não se conhece os cadastros dos imigrantes legais e ilegais que se estabelecem ou circulam em Moçambique. existem receios. Neste contexto. Quando usam o circuito bancário.fundamentalmente. ilegalmente. de capacidades humanas e tecnológicas. e a caça furtiva na reserva do Niassa.5. pelas autoridades policiais. conhecedores da arte da guerra e as suas actividades não estão sob controlo efectivo do Estado. presumivelmente. A título de exemplo. Esta eficiência e eficácia dependem da existência de uma política e consequente estratégia de imigração e. têm contas bancárias em Moçambique. Impacto na segurança pública Em relação a segurança pública. Com efeito. muito dinheiro. existem alegações segundo as quais há envolvido em agiotismo. foram detectados. Há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. por interesses e não deve constituir um problema de segurança se as instituições responsáveis pela fiscalização e controle da imigração forem eficientes e eficazes. Além disso. Neste contexto. No entanto. casos de imigrantes envolvidos na falsificação de moeda. a exploração de minas a céu aberto. a desflorestação causada pelo abate indiscriminado de madeira. pois poucos. recursos minerais. existem muitas dúvidas sobre as actividades dos imigrantes que têm estado a prosperar de uma forma rápida e grandemente comparativamente aos Moçambicanos. 6. é importante questionar até que ponto um provável abandono de imigrantes poderá constituir uma ameaça a estabilidade económica e financeira de Moçambique. bancário como ficou demonstrado no caso da apreensão de dinheiro na fronteira Machipanda Neste contexto. os imigrantes fazem-no para “lavagem de dinheiro” e transferências monetárias. acima de tudo. a pesca ilegal no Lago Niassa. florestais e faunísticos valiosos. dos Grandes Lagos e do Corno de África. de animais e a 42 . do país. o abate de madeira em Cabo Delgado e Sofala.

Com efeito. a nível da Cidade e Província de Maputo. por exemplo. estes são repatriados e/ ou responsabilizados criminalmente. Adérito Notiçe15. oculta-se o crime organizado transfronteiriço e que envolvem imigrantes e os nacionais que tem facilitado a circulação e praticas ilícitas dos imigrantes. O seu envolvimento esta na comercialização que faz parte de um circuito internacional envolvendo cidadãos nacionais. igualmente legais sobre os quais existem muitas dúvidas relativamente a proveniência real do grande volume de dinheiro que geram. este não constitui o principal elemento de preocupação do ponto de vista de segurança. Em relação ao tráfico de droga. na actualidade. em Maputo constituem exemplos de alegado tráfico de drogas que é controlado por alguns imigrantes que estão legalmente em Moçambique e simulam negócios formais para esconder esta actividade ilegal. No entanto. um assunto que tem um peso político internacional devido. o “Mukhero” que nem sempre cumpre com as obrigações fiscais mas que garante a estabilidade sócio-económica de muitas famílias. Os imigrantes estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas. os dados revelam que os imigrantes não estão envolvidos na produção. principalmente imigrantes ilegais mas. afirmou que por detrás de imigração. uma ameaça a segurança ambiental de Moçambique1314. a destruição do ecossistema pode ocorrer a curto prazo mas a renovação pode levar muitas gerações se não se tomar em consideração este problema que é multidisciplinar. Uma vez detectados os casos de presença ilegal e actividades criminosas envolvendo imigrantes legais e ilegais. principalmente.poluição dos rios e ribeiros podem constituir. nacional e. No caso de Moçambique. Assim. da gravidade dos crimes. muitos 13 14 A segurança ambiental é. A preocupação maior reside. os imigrantes legais alimentam. a longo prazo. no tráfico de drogas que envolve. indirectamente. dependendo. a problemática das mudanças climáticas. Os casos bastante mediatizados de mulheres Moçambicanas detidas no Brasil e no Aeroporto de Mavalane. 15 Vereador do conselho municipal da cidade da matola 43 . de acordo com a legislação internacional.

Moçambique é vítima mas também pode se tornar agente tendo em conta. 44 . agravar-se a curto e médio prazo se se tomar em consideração o facto de que a África do Sul está a aumentar o seu orçamento no sector de segurança16. o caso de Moçambicanos envolvidos na suposta tentativa de Golpe de Estado no Reino do Lesotho. a autoridade policial fala da explosão de caixas multi banco. de acordo com a opinião de alguns imigrantes. Este modus operandi não é. na perspectiva de autoridade policial. eventualmente. futuramente. os imigrantes legais e ilegais podem. estas e outras situações podem. em Maputo. os ATMs. muitos imigrantes ilegais com pretensões de alcançar a África do Sul serão forçados a ficar em Moçambique.imigrantes usam a corrupção como uma forma de garantirem a sua presença no país. neutralizados 12 kenianos que vinham a Moçambique com intenção de assaltar bancos. pois a maioria vive legal e honestamente. por exemplo. provavelmente. isto é. Assim. A título de exemplo. Portanto. 16 Entre as razões que justificam o elevado investimento Sul-africano na segurança está o facto de a África do Sul ser um dos países com a mais elevada taxa de criminalidade violenta e a realização do Mundial 2010. Segundo os imigrantes. é de prever que o número de imigrantes em Moçambique tenderá a crescer e isto representa um desafio a capacidade do Estado em matéria de supervisão e controle. foram. os imigrantes agem como mandantes. característico de Moçambicanos de tal forma que não exclui a possibilidade de tais actos terem sido cometidos por cidadãos estrangeiros. os imigrantes promovem a corrupção para escapar o controlo das autoridades. Esta situação envolve mais a entidade policial. no problema da internacionalização do crime. em Moçambique. Esta situação poderá. os executores vulneráveis devido a sua fraca condição económica e financeira. por exemplo. o impacto negativo da imigração na segurança pública e até humana. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. fazer com que o criminoso da África do Sul procure locais mais frágeis onde possa operar. alegadamente. O envolvimento directo de imigrantes nas actividades criminosas é um risco que eles procuram minimizar ao máximo. Noutros casos. os autores morais e os nacionais são os autores materiais. Em termos de crimes violentos. Neste contexto. Além disso. principalmente Nigerianos e Paquistaneses. Na perspectiva da autoridade policial. Para o efeito. é uma verdade que atinge uma pequena minoria de imigrantes.

é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. a facilidade que os estrangeiros têm de aceder a créditos bancários comparativamente aos Moçambicanos tem provocado um certa animosidade. igualmente. No entanto. de Moçambicanos imigrantes quando entram em Moçambique. nos círculos urbanos onde é perceptível comentários como “este país é nosso mas os estrangeiros mandam aqui”. Com efeito. tem sido apresentadas 45 . No entanto. principalmente na zona centro de Moçambique. às regiões da África Ocidental e dos Grandes Lagos mas que não existem evidências em Moçambique. Além disso. A ligação entre a imigração e a saúde pública é um assunto que tem a ver com os mecanismos de supervisão e controle de entrada e circulação legal e ilegal de estrangeiros e. Esta ameaça não militar a segurança está associada. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas como.Não menos importante. particularmente. associada sexo comercial envolvendo mulheres imigrantes Zimbabweanas. particularmente. é uma ameaça real que pode estar. A acção de certos imigrantes também contribui para a criação de “mentes e discursos xenófobos” que constituem um risco a segurança dos imigrantes. a febre-amarela e o ébola. principalmente. devido a natureza tolerante. o HIV/SIDA. Alguns imigrantes estão em Moçambique por uma questão de segurança humana. Este é um sinal de frustração de algumas pessoas que atribuem responsabilidades por algumas dificuldades que enfrentam no dia-a-dia aos imigrantes que estão. não violenta do povo Moçambicano. há Moçambicanos que estão a pronunciamentos hostis pelo facto de estarem a perder espaço e oportunidades de desenvolver negócios a favor dos estrangeiros. pacífica. gradualmente. um risco a sua segurança humana como demonstram os casos de xenofobia por todo o mundo e. constata-se que há certos comportamentos xenófobos não violentos. de certa forma. para qualquer imigrante a imigração constitui. em Moçambique. a assumir uma posição de monopólio de pequenos negócios anteriormente desenvolvidos por moçambicanos. A sua fraca condição sócio-económica forçou-os a imigrar. por exemplo. porque não. Neste contexto. A título de exemplo. na África do Sul. em 2008. Entretanto. A maioria dos imigrantes e dos cidadãos Moçambicanos não acredita que há probabilidade de ocorrência de xenofobia.

A Ponta d´Ouro. Contudo. O país de acolhimento beneficia como um todo. No entanto. nomeadamente o consumo acrescido de bens correntes.reclamações de tratamentos racistas protagonizados por Sul-africanos brancos. uma fase latente de um problema que se não for eficientemente gerido pode. como os menos qualificados. da imigração. O Efeito causado na economia de um país envolvido num processo de imigração depende de diversos factores. 6.2. mesmo quando certos grupos de imigrantes ficam em desvantagem. dos imigrantes no desenvolvimento económico do país. por exemplo. 6. ou não.Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia A literatura considera que a imigração tende a estimular. isto é. 46 . os fluxos de imigrantes podem ter diversos efeitos na estrutura económica. de profissões que as populações locais não querem. eventualmente. tomar a forma violenta. a xenofobia em Moçambique manifesta-se de forma não violenta em alguns círculos urbanos. a actividade económica do país de acolhimento. o caso da África do Sul. a probabilidade de ocorrência de violência xenófoba contra a segurança dos imigrantes é mínima porque não atinge uma grande maioria da população como é. de certa forma. OIT (2004).2. independentemente da conjuntura existente. sem pressões inflacionistas.1. Os imigrantes se ocupam regra geral. IMPACTO DA IMIGRAÇAO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA O que se pretende neste capítulo é fazer uma leitura dos resultados da contribuição. na economia Moçambicana. de origem interna e externa. Esta forma de manifestação constitui. (Almeida. até agora. para além de demonstrarem um carácter empreendedor. Portanto. na Província de Maputo é um dos locais visados. 2003). alguns dos quais (sobretudo os factores externos) estão relativamente além da capacidade de influência do país de acolhimento.

pelo preenchimento dos labour shortges com uma mão-de-obra mais barata e flexível. tirania. e outros. Os mais hábeis e capazes aumentam a eficiência porque usam menos tempo para completar tarefas. consequentemente da inflação. conflitos. do mesmo modo que aumenta a eficiência no investimento em capital humano. Normalmente quando se deslocam para um mercado é na busca de sucesso e bem-estar. seca. aceitam riscos. sendo que os imigrantes são mais agressivos. discriminação. pobreza. são vanguardistas/empreendedores e muitas vezes fisicamente e mentalmente mais aptos. De acordo com Chaswick (66-67). as imigrações influenciam o desempenho económico do país de acolhimento dos imigrantes. mais determinados. Quando os imigrantes económicos se integram num mercado. que geralmente fogem a fome. perseguição. desta forma gerar ganhos de produtividade17 De acordo com chiswick (2008:64). melhor será a eficiência do mercado de trabalho no país de acolhimento porque.Segundo Stalker (2000). Por outro lado existem os imigrantes não económicos. Quanto mais hábeis e capazes os imigrantes forem. podemos dizer que os imigrantes em Moçambique dividem-se em imigrantes económicos e não económicos. 17 A existência da mão-de obra. árabes. permitindo um uso mais eficiente da mão-de-obra e. Estes imigrantes podem ser chamados de imigrantes económicos pois deslocam-se na busca de melhores oportunidades. da África ocidental e do corno de África como imigrantes económicos enquanto os imigrantes da África Austral são imigrantes não económicos. Podemos considerar pela sua maneira de estar no mercado os imigrantes asiáticos. os imigrantes são diferentes dos naturais no que diz respeito a maneira como encaram o mercado. oriunda do estrangeiro aumenta a oferta de trabalhadores aliviando a pressão da subida dos salários e. eles acrescentam valor no capital humano dos países de acolhimento. Os imigrantes não económicos podem tornar-se economicamente activos no país de acolhimento e até superar os imigrantes económicos. 47 . o que implica na diminuição de custos das empresas (Chiswick. nomeadamente numa perspectiva de médio e longo prazo. o seu impacto na economia dos países receptores torna-se evidente pois. 2008:67). mais fortes. os imigrantes económicos tendem a ser os mais capazes. a elevada capacidade e habilidade aumenta a produtividade do mercado de trabalho. Segundo a teoria de Chiswick acima referida. desertificação.

os imigrantes do sudoeste asiático (indianos e paquistaneses) do médio oriente (árabes). Zambianos e Tanzanianos) são menos empreendedores e trabalham normalmente por conta de outrem. existe uma série de factores que determinam o sucesso económico dos imigrantes na sociedade de acolhimento: Oportunidades estruturais Recursos pessoais Oportunidades étnicas Contexto político e Classe social do indivíduo.40). Os imigrantes da região austral (Zimbabweanos. principalmente no comércio. O emprendedorismo dos imigrantes depende muito dos factores acima mencionados. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes Segundo Oliveira (2005: 18. Em termos gerais.O que se verificou durante o processo de entrevistas foi que a integração económica dos imigrantes em Moçambique. a influência árabe na África ocidental e no corno de África dita o comportamento económico destes povos enquanto práticas seculares de comércio tornam os imigrantes do sudoeste da Ásia e do médio oriente exímios empreendedores. Os estrangeiros que investem em Moçambique e estão devidamente legalizados. Recursos do grupo étnico 48 . Os entrevistados referiram no entanto que nem tudo é positivo no que diz respeito a presença dos imigrantes em Moçambique. pois. principalmente porque o maior número de imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. das razões de saída do país de origem. O peso dos factores culturais neste tipo de comportamento é sem dúvida determinante. da capacidade financeira e da recepção dos imigrantes no país de acolhimento.2. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. também contribuem para o desenvolvimento da economia do país. 6. eles cumprem com todas as suas obrigações fiscais. da África ocidental e do corno de África registam elevados índices de emprendedorismo nos vários sectores da economia. que do ponto de vista de rendimentos para o país não traz nenhum benefício. Por outro lado existem os imigrantes trabalhadores não qualificados. Malawianos.2. ou com pouca qualificações que dedicam-se mais ao comércio informal vendendo um pouco de tudo. depende dos grupos.

as oportunidades estruturais. acolhimento Legislação profissional e experiência de negócio. munidos de capital e experiencia encontram-se os imigrantes da África ocidental (nigerianos. Imigrantes que se estabeleçam em Moçambique com capital de investimento provocam um impacto mais visível em relação aos que não venham munidos de capital. sexo. indianos e chineses) permite-lhes ter maior sucesso económico do que os imigrantes de outras regiões. As qualificações e a experiência profissional e de negócios que o individuo tenha também jogam favoravelmente para que ele tenha sucesso nos seus negócios e que provoque um impacto positivo na sociedade moçambicana. A eliminação gradual dos procedimentos impostos no registo de empresas e na concessão de alvarás de exploração foi um dos principais atractivos a entrada de imigrantes económicos no país. permanência e o desenvolvimento de actividades empresariais. A história da comunidade étnica e a sua trajectória económica O funcionamento das redes sociais no seio da comunidade imigrante conhecimento linguístico Idade.institucional na sociedade de qualificações. estado civil A extensão e abertura do Recursos financeiros mercado comercial de trabalho e O primeiro grupo de factores. na sua maioria. Moçambique tem adoptado uma política económica exemplar facilitando a entrada de novos investimentos. 49 . Malawi e Tanzânia) que entram no país. senegaleses e guineenses) e do corno de África (etíopes e somalis). Ao lado dos imigrantes asiáticos. Depois da aplicação das medidas de reajustamento estrutural impostos pelo Banco Mundial nos finais da década 80. arrendar ou pagar por bens e serviços prestados. A experiencia em negócios e o capital demonstrado pelos imigrantes asiáticos (paquistaneses. os imigrantes não teriam o sucesso económico que estão a ter. contrariamente aos imigrantes da região austral (Zimbabwe. O segundo grupo de factores é determinado principalmente pelos recursos financeiros do imigrante. é o primeiro factor que determina o sucesso económico dos imigrantes em Moçambique. Sem uma estrutura sociopolítica e cultural e sem uma legislação que favorece a entrada. Com base no capital de investimento o imigrante vai afectar toda uma cadeia económica ao alugar. sem grande capital e sem grande experiência comercial.

2005:20). a legalização. O Sector Secundário está relacionado com a transformação das matérias-primas produzidas pelo sector primário em produtos de consumo. os membros do mesmo grupo étnico apoiam-se no país de acolhimento enquanto este apoio não existe no país de origem. O investidor imigrante entra no mercado conhecendo a estrutura da oferta e procura de determinados produtos empresariais. Os recursos étnicos são produzidos e reproduzidos por membros de um mesmo grupo. Estas redes obedecem ao princípio da solidariedade. A primeira vista. 2005:27). os imigrantes mais antigos conhecem redes de apoio mas vastas (Oliveira. a indústria transformadora e a 50 . Os recursos do grupo étnico por vezes podem ser de carácter familiar ou étnico. citado por Heisler (2008:87). desde a facilitação a entrada ao país. Em alguns casos. confiança. 2005:20). o sector primário. parece que os imigrantes possuem maior informação sobre as oportunidades de negócio em Moçambique. secundário. O sucesso de alguns grupos étnicos nos países de acolhimento deve-se precisamente a essa solidariedade intra-grupo. cooperação e solidariedade (Oliveira. Este conhecimento é difundido pelos imigrantes pré-estabelecidos no país.2. De acordo com Light. O sector primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza e abrange actividades como a agricultura. Pelo seu tempo de presença no território moçambicano. A presença histórica de uma comunidade étnica no país de acolhimento também contribui para definir a trajectória económica dos seus integrantes. as redes de imigrantes tem tido um efeito positivo na sua inserção profissional e no mundo dos negócios. 6. De acordo com Oliveira. a primeira geração de imigrantes contribui na integração de novos imigrantes na sociedade de acolhimento.Dentro do terceiro grupo de factores (oportunidades étnicas). indústria extractiva. imigração cria uma solidariedade reactiva.3. terciário e quaternário. Grupos étnicos altamente coesos suportam os seus conterrâneos nas sociedades de acolhimento. pesca e pecuária.Impacto da Imigração nos Sectores da Economia A economia de um país pode ser dividida em 3 Sectores fundamentais. Baseiam-se em formas de fidelidade. a concessão de emprego e até na concessão de empréstimos. que disponibilizam capital para investimento empresarial (Oliveira. no sentido de que. joga um papel extremamente importante os recursos do grupo étnico.

Os serviços são produtos não meterias que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades e incluem actividades como comércio. As fragilidades produtivas do país não são bem aproveitadas pelos imigrantes. este sector não demonstra grandes desenvolvimentos. Este cenário anacrónico para um país com grandes potencialidades agrícolas resulta sobremaneira da incapacidade do estado criar incentivos como a facilitação do crédito. saúde. floricultura. Em termos de sectores de actividade. Nestes casos. serviços bancários. A excepção de alguns farmeiros zimbabueanos que ainda se encontram na província de Manica. 51 . batata. chineses. existem várias nacionalidades que fazem maioritariamente a mineração ilegal em províncias como Niassa e Manica na busca de ouro e diamante. etc. A presença de imigrante brasileiros nas minas de carvão ao longo da província de Tete representa um imput considerável para o desenvolvimento desta actividade. seguros. transportes.construção civil são. infra-estruturas. onde a presença de imigrantes é quase nula. actividades desse sector. O sector agrícola é o menos favorecido em termos de investimentos de imigrantes. Na verdade. alguns sulafricanos. verificou-se que os imigrantes repartem-se um pouco por todos os sectores com maior peso no sector primário e terciário. O sector primário verifica uma grande presença de imigrantes concentrados na sua maioria na industria extractiva. o impacto económico é adverso aos interesses económicos do estado pois. multimédia e telecomunicações. educação. turismo. Parece não haver por parte de muitos imigrantes suficiente vontade de arriscar na área produtiva. A dinamização das minas de carvão na província de Tete motivou um boom económico nesta província e nos corredores ferroviários que permitem o escoamento desta produção. portanto. falta de subsídios e a elevada carga fiscal sobre os insumos agrícolas. portugueses. Para além dos brasileiros concentrados na mineração na província de Tete. A par do sector agrícola está o sector das pescas. vietnamitas e imigrantes das Maurícias que exploram um pequeno nicho do mercado agrícola ligado a produção de arroz. serviços administrativos. Este sector engloba também actividades ligadas as tecnologia digital como a informática. O Sector Terciário é o dos serviços. são poucos os imigrantes que se concentram em actividades produtivas de facto. a maioria desta mercadoria é exportada de forma ilegal não contribuindo para as receitas fiscais. O carvão Moçambicano está cotado entre os melhores do mundo e a sua exploração vai incrementar as exportações moçambicanas favorecendo desse modo o PIB e a Balança Comercial.

Estas infra-estruturas trazem um impacto positivo na economia e sociedade moçambicana. o sector secundário em Moçambique é bastante fraco e incipiente. Por sua vez. pão. com o surgimento de novos negócios no país. os imigrantes envolvidos na construção civil possuem qualificações (skills) mais apurados dos que os moçambicanos contribuindo desse modo para a qualidade das infra-estruturas e a rapidez da execução das obras. paquistaneses. bolachas. Várias lojas rurais foram abertas e passaram a fornecer produtos essenciais às populações rurais reduzindo as distâncias de deslocação para a aquisição destes produtos. uma percentagem considerada muito baixa. regista-se a criação de várias indústrias de pequeno porte pertencente a imigrantes portugueses. indianos. O impacto dos imigrantes pode ser visto em função da Oferta e Procura de bens e serviços essenciais. principalmente ligados a industria alimentar (açúcar. tendo em conta as potencialidades que o país possui. O envolvimento dos imigrantes neste sector tem efeitos bastante positivos para o desenvolvimento de infra-estruturas no país. iogurtes. Muitos imigrantes foram responsáveis pela reabertura do comércio rural. Normalmente. A área comercial é a mais expressiva. a procura de produtos essenciais nas zonas rurais era desfavorecida pela inexistência de uma oferta diversificada e a baixos custos. estradas. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses e chineses proprietários de empresas de construção civil ou empregados em empresas nacionais. etc) e têxtil (vestuário. No entanto. O sector industrial em Moçambique contribui apenas com 12 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB). O estado moçambicano enfrenta grandes dificuldades na atracção de investidores estrangeiros para a criação de novas indústrias e para a revitalização das mais de 300 indústrias paralisadas devido a guerra e as falhas do processo de privatização da década 90. calçado. Os imigrantes e as empresas dos imigrantes estão envolvidos na construção de habitações e obras públicas (edifícios governamentais.22. pontes e infraestruturas de abastecimento de água nas cidades e vilas). 52 . AIM . O volume de produção do sector industrial é baixo devido a falta de investimentos nacionais e estrangeiros no sector (Fernando Gil. com a chegada de muitos imigrantes em Moçambique assistiu-se a um Boom do sector terciário. maurícios. um sector anteriormente em franca decadência.Em termos gerais. sumos. Durante muito tempo.11.2007). principalmente no comércio e turismo. doces. Em relação a construção civil. etc).

é importante referir que a maioria dos imigrantes vira-se para a importação. e os países do médio oriente obedecem em certa medida ao volume de imigrantes oriundas destes países. Índia. Ao nível das grandes cidades. mobiliário de escritório e de casa. o país tornou-se mais importador com a chegada de imigrantes comerciantes. a disponibilidade de assumir riscos e os baixos preços praticados pelos imigrantes vem sufocando a emergência deste empresariado nacional que vê no empresário imigrante não só um concorrente mas também como adversário. A inexistência de uma base produtiva no país permite que se importe produtos elementares como agulhas. etc. vários são os estabelecimentos hoteleiros pertencentes a imigrantes contribuindo significativamente para o 53 . sal. A segunda área que sofreu um Boom foi o Turismo. São normalmente importados produtos como: Sapatos. A elevada capitalização dos imigrantes em relação aos nacionais desprovidos de capital é notória. o conhecimento sobre os melhores mercados de oferta. o fluxo de importações dos imigrantes permitiram que o país estabelecesse ligações com novos mercados. pensões e guest houses em quase todo o país. consumíveis de escritório e produtos alimentares diversos. Gás Natural.Os empresários imigrantes contribuíram sobremaneira para a revitalização da economia moçambicana. A experiência colhida. mercearias. alfinetes. electrodomésticos. a criação do FIIL veio abrir oportunidades de capital para muitos moçambicanos que entretanto começaram a investir nas mesmas áreas. Em relação a importação e exportação de bens e produtos de Moçambique. lojas de roupa. Em termos de parceiros comerciais. etc. tendo impulsionado o desenvolvimento de negócios em áreas como sapatarias. onde assistimos a construção de novos hotéis. a balança comercial tornou-se mais deficitária. Entretanto. Nigéria. Roupa diversa. Os laços comerciais com países como a China. Pelo facto de estarem maioritariamente ligados ao comércio e pelo facto do país não ter uma base produtiva capaz de alimentar este comércio. somente equilibrada pelos grandes industrias exportadores como a Mozal. Brasil. Deve-se referir que os artigos importados pelos imigrantes abarcam desde os artigos de luxo aos artigos simples. Por força deste factor. normalmente representando os países de origem das maiores comunidades imigrantes no país. desde os alimentares a maquinaria.

principalmente nos casos de indivíduos que ocupam cargos de confiança. contratados para desempenhar funções chaves de chefia e treinamento.Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho Quanto ao mercado de trabalho. principalmente nas províncias costeiras de Inhambane. promoção da prostituição. segregação racial. Todavia. A predominância de imigrantes no sector terciário também é sentida ao nível da banca comercial pois. A maioria dos bancos privados nacionais possui no seu quadro técnico e administrativo imigrantes portugueses qualificados. ao nível dos distritos e zonas rurais o número de imigrantes que exploram o sector é bastante reduzido devido ao fraco retorno de investimentos. necessariamente. nem todos imigrantes contratados pelos bancos e pelas empresas apresentam. 6. o reduzido tamanho do mercado de trabalho em Moçambique que exclui grande parte dos jovens moçambicanos reflecte-se também na baixa contratação de imigrantes. o sector turístico é maioritariamente dominado por imigrantes sul-africanos que exploram as potencialidades. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses neste sector. títulos de propriedade. a relação entre os investidores estrangeiros e os cidadãos nacionais não tem sido pacífica e motiva vários conflitos em torno da posse de terra.aumento da oferta de camas. Em relação a procura. Por seu lado. privatização dos espaços públicos e exploração do nacional pelos estrangeiros. de acordo com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS). Ao mesmo tempo. O sector turístico concorre hoje como um dos sectores em maior expansão no país contribuindo significativamente em divisas e infra-estruturas. No entanto. muitas vezes subornadas pelos investidores imigrantes. O discurso do governo tanto para os nacionais como para os 54 .2. o impacto dos imigrantes pode ser observado de dois ângulos: a Oferta e a Procura. não existe uma estratégia de emprego que possa absorver a massa laboral imigrante. Em termos gerais. Vários entrevistados denunciam a inoperância das forças policiais e das instituições de justiça. Gaza e Maputo no sul e Cabo Delgado no norte.4. um elevado grau de formação. destruição de ecossistemas.

apesar de ser dispendiosa uma vez que requer a disponibilização de muitos recursos logísticos. de acordo com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). Para Abdula. Somente em casos de inexistência de quadros qualificados em certas áreas que demandam formação especializada é que o Estado recorre a contratação de mão-de-obra estrangeira. A maioria dos imigrantes asiáticos. especialmente os que são qualificados e capazes de se adaptar.2009). árabes. o maior empregador em Moçambique é o Estado e os concursos de ingresso privilegiam a mão-de-obra nacional. Salimo Abdula.04. o sector privado continua a recorrer à mão-de-obra estrangeira por falta de alternativa a nível interno. A inserção dos imigrantes económicos em Moçambique acontece de várias maneiras. da África ocidental e do Corno de África se empregam 55 . Facto assente é que a maioria dos imigrantes asiáticos. árabes. os imigrantes destes países não demonstram um elevado nível de empreendedorismo dependendo muitas vezes de pequenos empregos mal remunerados ou se baseando no mercado informal. Apesar do mercado de emprego ser bastante pequeno. Como é sabido. A lei do trabalho também estipula uma série de condicionalismo para a contratação de mão-de-obra estrangeira no sector privado. como empresas dos outros continentes (AIM – 06.estrangeiros é o incentivo ao auto-emprego e ao empreendedorismo. Provavelmente devido a crise económica que se vive no Zimbabwe e a fraca condição económica do Malawi. o governo moçambicano adoptou políticas que facilitam a entrada de imigrantes no mercado de trabalho. a contratação de trabalhadores estrangeiros continua necessária. A maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se mostram mais empreendedores que os nacionais. Malawi e Tanzânia buscam. Para Abdula. a necessidade de contratação de mão-de-obra estrangeira prende-se com o facto das empresas nacionais não estarem somente a competir ao nível interno mas sim ao nível regional no âmbito da integração regional e ao nível internacional. Entretanto. oriundos da África ocidental e do corno de África não procuram o país com objectivo de concorrer para o mercado de trabalho. A experiência mostra que a maior parte dos imigrantes em Moçambique trabalha em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. buscam oportunidades de emprego. para além do negócio. enquanto os imigrantes vindos do Zimbabwe.

O tamanho destas empresas determina o volume de contratações dos cidadãos nacionais. através dos laços étnicos são favorecidos por empréstimos e créditos para iniciarem um negócio próprio. A par destas encontram-se as empresas de produção alimentar. ela costuma basear-se em associações religiosas. os imigrantes investem em pequenas e médias empresas. a fonte de capital. Apesar de haver nichos consideráveis de imigrantes. abate ilegal de árvores entre outras actividades ilegais. Alguns estrangeiros criam emprego para os moçambicanos principalmente quando estabelecem grandes empreendimentos ou grandes projectos. as empresas de mineração são responsáveis pela contratação de muitos moçambicanos. No sector primário. Normalmente. Em relação a oferta. a contribuição dos imigrantes na criação de emprego depende muito do tamanho das suas empresas. para além de ser individual ou basear-se na rede étnica. os ilegais tendem a empregar-se em empregos com baixos salários. Ou permanecem em actividades clandestinas no comércio informal ou ainda em actividades de tráfico e extracção de minérios preciosos. sem nenhumas qualificações e habilidades e sem recursos financeiros.nas empresas dos seus conterrâneos e rapidamente mudam da situação de empregado para empregador pois. por causa disso. o imigrante trabalha com os seus conterrâneos por um tempo curto. O peso da contratação de moçambicanos depende também dos sectores da economia. O maior problema que Moçambique enfrenta é a excessiva onda de imigrantes ilegais. De acordo com Chiswick (2008:71). os imigrantes ilegais tendem a ser pessoas sem nenhuma qualificação ou com poucas qualificações em relação aos imigrantes legais e. mudando-se em seguida para uma actividade individual na base de empréstimos. Na maioria dos casos. caça ilegal. No sector secundário. 56 . a chave para o desenvolvimento de actividades independentes (Oliveira. a mão-de-obra nacional representa a maioria dos trabalhadores contratados. Esta tendência resulta do facto da maioria dos imigrantes ilegais serem oriundos de zonas pobres. principalmente nas obras públicas. 2005:15). A experiência profissional conseguida em firmas de conterrâneos significa. em muitos casos. Normalmente os imigrantes ilegais não são imigrantes económicos. as empresas de construção civil dos imigrantes são actualmente aquelas que mais moçambicanos empregam. No caso dos hindus e árabes.

Ainda que em pequena escala. criam novos postos de trabalho e expandem a oferta de bens e serviços na sociedade a preços competitivos (Oliveira. As constantes greves de moçambicanos empregados em obras controladas por chineses demonstraram situações de exploração. 57 . O relacionamento também não é pacífico quando o imigrante goza de mais benefícios na relação de trabalho ou quando este ocupa cargos de chefia passíveis de ser ocupados por nacionais. No comércio informal está situação torna-se mais grave porque os imigrantes. Entretanto. por causa da largura do sector comercial formal. A par de uma análise em função da oferta e procura. Tanto a 18 Quando os imigrantes desenvolvem actividades empresariais. as lojas dos comerciantes imigrantes contratam de 1 a 5 trabalhadores nacionais e em alguns casos. 2005:16). Por serem empresas de pequenas dimensões. os comerciantes imigrantes contribuem para a redução do desemprego no país18. Outro problema com o qual a inspecção do trabalho se depara muitas vezes é com as diferenças salariais entre os estrangeiros e os Moçambicanos. nem sequer chegam a empregar moçambicanos porque são eles próprios que fazem a gestão do seu pequeno negócio. favorecer e proteger a contratação de trabalhadores nacionais é notório que alguns estrangeiros abrem as suas lojas comerciais e só contratam estrangeiros ou familiares.3. o enfoque teórico recai sobre dois aspectos fundamentais: a integração ou incorporação dos imigrantes e a assimilação dos imigrantes nos países de acolhimento ou nas sociedades receptoras. A título de exemplo.No sector terciário. os comerciantes não empregam moçambicanos. onde existem várias lojas de pequena e média estatura ocorre um alargamento do mercado de emprego. Apesar da lei do trabalho incentivar. a área comercial ganha maior vantagem na contratação de moçambicanos em relação as outras áreas como o turismo. IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL Do ponto de vista sócio-antropológico. descriminação e racismo dos chineses para os moçambicanos e demonstraram uma grande diferença na cultura de trabalho entre os dois povos. o relacionamento entre trabalhadores imigrantes e nacionais mostra-se em muitos casos bastante tenso principalmente na construção civil. 6. o impacto dos imigrantes no mercado de trabalho pode ser vista ao nível das relações laborais. A discussão teórica sobre a assimilação dos imigrantes é a mais antiga e a mais dominante nos estudos sócio-antropológicos sobre a imigração.

Hoje. lojas de roupa brasileira. encontram-se restaurantes chineses. Apesar de Moçambique ter uma herança multicultural resultante do cruzamento de povos negros Bantos e Khoisan. Mas essa diversidade e multiculturalidade são 58 . surge uma nova cultura de trabalho. Existem vários autores dos assuntos de migração que defendem a necessidade das sociedades receptoras de imigrantes tornarem-se multi-culturais e diversas. etc. clínicas que aplicam métodos de tratamento chineses. As questões que se podem levantar aqui são: 1) será que os imigrantes procuram se assimilar a sociedade moçambicana ou procuram simplesmente a integração ou incorporação? 2) Será que a sociedade moçambicana quer assimilar os imigrantes ou simplesmente integra-los? Que benefícios ou prejuízos Moçambique tem partindo destas hipóteses em questão? Que impacto existe para Moçambique ao assimilar ou integrar imigrantes? 6. a diversidade cultural pode ser interna e externa. diversidade na culinária. costumes e tradições diferentes. restaurantes italianos. a diversidade cultural contribui para o enriquecimento dos estados tanto a nível material e cultural pois. Deve-se reconhecer que Moçambique sempre teve uma diversidade cultural interna. Multiculturalismo ou Assimilação? Um dos maiores impactos culturais da imigração é o surgimento de sociedades multiculturais (multiétnicas. etc. novos valores sócio-políticos. Exemplos são trazidos da realidade americana. Entretanto.assimilação dos imigrantes como a sua integração nas sociedades de acolhimento dependem de dois factores principais: esforços das sociedades receptoras em admitirem imigrantes e a vontade dos imigrantes. povos brancos da Europa e povos árabes do oriente médio. Os painéis luminosos de lojas e restaurantes demonstram claramente a diversidade cultural de Moçambiquie. talhos portugueses. Para estes autores. línguas. Estes novos imputs contribuem para uma nova miscigenação cultural derivada da agregação de novas culturas. brasileira e sul-aficana que espelham a dimensão positiva da diversidade cultural.1. multilinguísticas e multireligiosas).3. diversidade musical e na dança. Não haja dúvidas que a diversidade cultural pode trazer benefícios as sociedades de acolhimento. o país recebe hoje novos imputs culturais resultantes do cruzamento dos povos moçambicanos originários com os povos imigrantes de diversas origens. diversidade linguística.

Os estados devem evitar a concentração de imigrantes por comunidades sob o risco de se enfrentar choques e conflitos. 2008:2).convergentes. A presença de grupos étnicos formados no curso do processo imigratório. Em relação aos imigrantes. concentrados de forma expressiva pode suscitar manifestações de xenofobia por parte dos naturais (Seyferth. Tamanho Concentração Homogeneidade A tríade. mais concentrado e homogéneo for. não há dúvidas de que a xenofobia vai acontecer em Moçambique pois. Enclave étnico é um processo que emerge da concentração em determinadas áreas de imigrantes de uma mesma nacionalidade representando uma ameaça cultural. concentração e homogeneidade deve ser controlada pelos decisores políticos na sua política de imigração. 1997:95-96). Quanto maior o grupo.o vértice da moçambicanidade. a concentração e a homogeneidade da população imigrante contam muito. o grupo tenderá a valorizar a sua cultura. estabelecida pelas políticas de unidade nacional e do respeito pela pluralidade étnica. cada qual com sua própria lógica. seus valores e seus âmbitos (Martins. o seu modus vivendi e dificilmente negociará a sua identidade 59 . o tamanho. Para que haja choques culturais entre imigrantes e nacionais. Os perigos do multiculturalismo manifestam-se principalmente quando os imigrantes estabelecem enclaves étnicos. Ela traz uma sociedade estruturada em camadas culturais distintas e específicas. No futuro. se o número de imigrantes crescer os moçambicanos podem ficar violentos. tamanho. Elas convergem para um único vértice . a sua multiculturalidade é externa e por isso não é convergente. os imigrantes que se concentram em certas áreas passam a ter domínio sobre a vida económica e cultural dessa área e começam a excluir os moçambicanos do seu meio. A situação pode piorar com a abolição do visto de entrada ao nível da SADC. O nacional torna-se empregado do imigrante e estes exploram-lhes como escravos e maltratam-lhes. Na perspectiva de alguns entrevistados.

Autores americanos defendem esta posição desde as primeiras grandes vagas de imigração para o território americano. As manifestações xenófobicas dos moçambicanos começaram com os insultos aos imigrantes. A assimilação dos imigrantes é vista por muitos autores dos assuntos de imigração como uma questão estratégica para a sobrevivência de qualquer estado que admita a entrada de muitos imigrantes no seu território. 20 Segundo a visão estruturalista de Levi-strauss. 19 Quando se fala de valores. 1997). tudo aquilo que foi criado e construído por um grupo de seres humanos. aquilo que é importante. de forma a promover o equilíbrio populacional ou através da assimilação (Seyferth. quanto menor. Como consequência. assimilando o modus vivendi do país de acolhimento. crenças. A presença de Malawianos. a cultura é entendida como uma estrutura. justo e injusto. que definem os critérios do desejável. A cultura engloba um sistema de ideias. belo ou feio. Por causa disso. por uma sociedade ou por um povo. No lado inverso. A assimilação é prática usada pelos estados modernos de forma a garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. ele considera a cultura como um património comum dos membros de uma sociedade e que este património é transmitido de geração em geração. costumes e os conhecimentos compartilhados por esse grupo. a cultura torna-se uma herança social e o elo máximo de ligação entre as gerações. Através da aculturação. sociedade ou povo (Etienne: 1997) 60 .para assumir a identidade do país de acolhimento. os estados procuram tornar os imigrantes iguais aos nacionais pois. ela é assumida como elemento estratégico para a sobrevivência das sociedades (Seyferth. A tentativa de construção de um novo estado e a necessidade de criação do cidadão americano tornou os Estados Unidos num grande defensor da teoria da assimilação. Zimbabueanos e tanzanianos em comunidades concentradas pode representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. o factor cultural representa a grande fronteira de distinção entre os grupos numa sociedade20. e outros valores que são tomados em conta pelo grupo para sustentar a sua vida em sociedade. aceitável ou inaceitável. A cultura seria então. os estados receptores procuram introduzir novos valores culturais sobre os imigrantes através da aculturação. Neste sentido. fala-se de ideias colectivas. valioso. compartilhadas por pessoas numa sociedade. 1997:96). valores. O imigrante era obrigado a assumir uma nova identidade nacional e aprender novos valores defendidos pela sociedade americana19. desconcentrado e heterogéneo maior será a necessidade de negociar a sua identidade e assumir os valores culturais do país de acolhimento. A eles são dados nomes injuriosos e difamadores. O risco Da xenofobia só podia ser debelado através da imposição de uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país.

Enquanto o imigrante como indivíduo isolado pode facilmente sofrer o processo de assimilação/aculturação.. Dave Gibson (2005). De acordo com Seyferth. manter a cultura originária e a língua materna é um direito dos imigrantes e isso implica a prevalência de quistos étnicos. em geral. estes instrumentos convidam os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas. Esta situação é visível principalmente entre as comunidades agrupadas de etíopes. árabes que resistem a pressão assimiladora da sociedade moçambicana. considera que a imigração sem assimilação é igual a invasão. vão permanecer alienados dos valores políticos e culturais do país de acolhimento. mas. a convenção No 143 da OIT e a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores imigrantes e os membros das suas famílias são exemplo de alguns instrumentos internacionais que limitam as capacidades dos estados assimilarem os imigrantes. somalis. principalmente. citado por klumb (2009:3). indianos. a unidade de raça. guardam sempre alguma forma de identidade étnica. A palavra quisto revela uma concepção negativa ao considerar os imigrantes como um cancro para a sociedade Moçambicana. enquanto os imigrantes não forem assimilados. qualquer país pode ter imigrantes mas nem todos conseguem assimila-los. mantêm alguma ligação com a cultura e sociedade de origem [. A invasão de estrangeiros constitui hoje um desafio para os estados. cultura e tradição. De acordo com Charles Krauthammer (2005). a unidade de língua e a unidade do pensamento nacional (Seyferth. 1997:101). De acordo com o presidente brasileiro Getúlio Vargas. os imigrantes em grupo dificilmente se deixam assimilar pois. Para além disso. o direito dos imigrantes manterem sua própria língua. “os imigrantes. “Um país não é apenas um conglomerado de indivíduos dentro de um trecho de território. Por seu lado. A declaração universal dos direitos do homem. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. por mais que os laços com seus países de origem estejam diluídos”.. os grupos erguem fortalezas para proteger a sua cultura. a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem.” O primeiro obstáculo ao processo de assimilação é o direito internacional. O direito internacional convida os estados a reconhecerem e respeitarem o pluralismo cultural.]. Portanto. o real problema não é a imigração mas sim a assimilação pois. A lei moçambicana não faz nenhum esforço para quebrar a permanência da cultura dos 61 . Para ele.

da cultura dominante. o estado é impotente para forçar a assimilação dos imigrantes ou dos seus descendentes. Por força deste dispositivo constitucional. Assim. De acordo com Heisler.2. uma nova identidade: a identidade transnacional. estes laços criam uma comunidade transnacional. as que não conseguiram (ou não quiseram) cumprir a lei foram fechadas. 62 . atingindo todos os possíveis alienígenas. A campanha de nacionalização (assimilação) foi implementada durante o Estado Novo (1937-1945). Alias. inclusive nas actividades religiosas (Seyferth. comunica-se constantemente com o país de origem. Alias. O risco da afirmação de identidades étnicas e religiosas por parte de algumas comunidades imigrantes e o risco do surgimento de enclaves étnicos devem fazer parte de uma política firme de controlo de imigrantes.imigrantes. desapareceram as publicações em língua estrangeira. idade. Os melhores mecanismos de assimilação são: o mercado de trabalho e as instituições de educação21. por parte dos imigrantes. Contrariamente a outras sociedades mais experientes na recepção dos imigrantes. 21 No Brasil. 2008:95). que admitem mais facilmente a introdução de novos valores culturais. 1997:96-97). A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo estado. este dispositivo constitucional resulta da consciência do legislador de que a população moçambicana é marcada por uma acentuada heterogeneidade étnica e por isso possui uma diversidade cultural. Enquanto o impacto cultural dos imigrantes ainda não é muito manifesto. e algumas sociedades recreativas.3. o estado deve criar condições de induzir a assimilação. O imigrante transnacional é cidadão ‘daqui’ e ‘de lá’ e envolve-se em actividades transnacionais como: envio de dinheiro ao país de origem. desportivas e culturais que não aceitaram as mudanças. a intervenção directa recrudesceu e a exigência de “abrasileiramento” através da assimilação tornou-se impositiva. O Transnacionalismo Imigrante O transnacionalismo imigrante refere-se a situação em que os imigrantes mantêm. foi proibido o uso de línguas estrangeiras em público. credo. Moçambique não tem nenhuma política de assimilação dos imigrantes para prejuízo do estado. viagens constantes ao país de origem. constroem (criam) e reforçam os laços com os seus países de origem (Heisler. etc. especialmente os filhos dos imigrantes. nacionalidade. criam associações ligadas ao país de origem. sexo. progressivamente. 6. O primeiro acto de nacionalização atingiu o sistema de ensino em língua estrangeira: a nova legislação obrigou as chamadas “escolas estrangeiras” a modificar seus currículos e dispensar os professores “desnacionalizados”. principalmente a imprensa étnica. ela protege todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos sem distinção de raça. partido político. A partir de 1939.

assistem e escutam rádio e televisão do país de origem, votam nas eleições do país de origem, etc (Heisler, 2008:96). O trans-nacionalismo imigrante pode ocorrer com maior frequência em zonas fronteiriças e é cada vez mais facilitado pelos avanços tecnológicos criadas nos transportes e comunicações e as facilidades criadas pela globalização. O trans-nacionalismo emerge como uma questão de análise porque representa um desafio para os estados de acolhimento. Pelo facto de não permanecerem permanentemente em Moçambique, resultado das idas e voltas ao país de origem os imigrantes transnacionais acarretam problemas de dupla lealdade, não fazem grandes investimentos que exijam a permanência no país e são responsáveis pela maior remessa de divisas de Moçambique para os países de origem, muitas vezes saindo sem declaração. Estes aspectos tomados de forma leviana não aparentam nenhuma ameaça para a estabilidade e segurança do estado mas, numa análise mais fria percebe-se que o imigrante transnacional representa uma fragilidade para os estados receptores porque o imigrante transnacional permanece enraizado ao seu país de origem, culturalmente, politicamente e economicamente. Os imigrantes asiáticos árabes, indianos, paquistaneses e bengaleses residentes em Moçambique, mantêm uma forte ligação com suas sociedades de origem e respectivas tradições culturais pois, não existe nenhuma pressão da sociedade moçambicana para a sua assimilação. O que se observa é a coexistência e o confronto diferencial no qual imigrantes buscam acomodar-se aos padrões da cultura hospedeira sem, no entanto, perder seus traços distintivos, num esforço dirigido à construção e manutenção das redes e identidades sociais (Fígoli e Vilela, 2004:1). O imigrante africano é por natureza mais transnacional que o imigrante europeu. Os fortes laços familiares enraizados na cultura africana impede o desenraizamento total dos seus locais de origem. Existe no seio dos africanos um sentido de obrigação em ajudar os seus. Por força disso, a maioria dos imigrantes africanos residentes em Moçambique são responsáveis pela maior remessa de dinheiro para o exterior sem nenhuma declaração ao estado, são também responsáveis pela criação das maiores redes de facilitação da imigração. Estas redes, são responsáveis pelo convite e facilitação da entrada de mais imigrantes dos seus países de origem, tanto de forma legal como ilegal.

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Por força da sua característica transnacional, desenraizados de Moçambique, os imigrantes transnacionais são muito propensos a se auto-excluirem dos processos sociopolíticos do país e são também propensos a excluir os nacionais do seu convívio. Em virtude de se sentirem diferentes dos nacionais eles criam espaços de inclusão baseados na sua etnia. Nesse sentido, a consciência das diferenças tem promovido a construção de identidades étnicas, as quais são artifícios culturais de interacção, organização e resistência ao desaparecimento social, físico e simbólico imposto pela sociedade dominante (Fígoli e Vilela, 2004:4). 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes O maior interesse da integração é conceder direitos sociais aos imigrantes sem prejuízo das suas identidades culturais. A integração do imigrante não significa a «assimilação» ou a supressão de sua identidade cultural. Certamente, a integração requer esforço para entrar na vida social e estabelecer relações de convivência, para aprender a língua da nação e adequar-se às leis e às exigências trabalhistas mas não implica a aculturação. A integração dos imigrantes em Moçambique depende de dois factores principais: a vontade dos imigrantes se integrarem e a vontade dos moçambicanos integrarem. A vontade dos moçambicanos integrarem depende de factores como raça, religião e a capacidade financeira dos imigrantes. Em Moçambique, existem comunidades bastantes fachadas e que não permitem a integração rápida dos imigrantes nem dos moçambicanos que não são originárias dessa comunidade. Este tipo de comunidades é adverso ao multiculturalismo e podem manifestar o xenofobismo. Entretanto, pode-se assumir que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade, indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. No geral, os moçambicanos são muito receptivos aos imigrantes havendo no entanto uma percepção diferente em relação a tipologia dos imigrantes. Aspectos raciais e étnicos têm um peso muito grande na atitude dos moçambicanos. Imigrantes europeus e asiáticos (Paquistanês, Indiano, Bengali) têm maiores chances de serem bem acomodados do que os imigrantes africanos. Ao imigrante europeu e asiático está conotada a condição financeira e a criação de oportunidades de
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emprego. Existe também uma grande receptividade dos imigrantes árabe-muçulmanos nas províncias de predominância islâmica. Todavia, nas províncias de pouca expressão islâmica manifesta-se alguma hostilidade. A percepção em relação aos chineses é ainda de alguma resistência e hostilidade muito provavelmente devido a introdução bastante recente na sociedade moçambicana. Por causa do pendor financeiro dos europeus e asiáticos são-lhes criadas facilidades, de acesso a documentos, licenças e alvarás, muitas vezes em prejuízo do cidadão moçambicano. Com efeito, são constantemente reportados casos de favorecimento a imigrantes estrangeiros em todo o país. Pode-se inferir que os imigrantes contribuem para o crescimento de actos de corrupção e clientelismo. Na análise da receptividade dos imigrantes, também é pertinente avaliar a distância percorrida pelo imigrante. As distâncias etno-linguísticas dos imigrantes do corno de África e da África ocidental diferem grandemente da distância etno-linguística dos imigrantes vindos da África austral. A semelhança cultural e linguística permite uma facilidade de integração dos zimbabweanos, malawianos, zambianos e tanzanianos principalmente nas províncias próximas dos seus países de origem. A mudança cultural não cria choques constantes. Esta situação também beneficia aos imigrantes portugueses e brasileiros, que compartilham com os moçambicanos a mesma língua e, de certa forma, alguns valores culturais. Em relação aos imigrantes vindos da África ocidental, do corno de África e da África central, a grande diferença etno-linguística cria um choque cultural verdadeiro obrigando a uma aprendizagem e mutações drásticas. Todavia, o factor religioso também contribui para reduzir as distâncias etno-linguísticas e criar laços de amizade. Em termos gerais, a sociedade moçambicana é receptiva e acolhedora, por esse motivo, os imigrantes tem tido sucesso nos negócios que provocam um impacto positivo na sociedade. No sentido oposto, se a sociedade moçambicana fosse fechada e repulsiva em relação aos imigrantes, eles não teriam chances de sucesso e o seu impacto seria negativo para a sociedade. Por causa da receptividade dos moçambicanos, a maioria dos imigrantes que criam negócios em Moçambique tornam-se bem sucedidos e expandem os seus negócios, aumentando gradualmente o seu investimento no país. A receptividade do país cria confiança no imigrante e por via disso mantêm as suas contas bancárias no país, reduzem as remessas de dinheiro para o país de origem,

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Quanto a integração pelo casamento. Existem no entanto momentos em que a sociedade moçambicana demonstra sinais de hostilidade e indiferença. feiticeiros. O citadino não se escandaliza facilmente com os casamentos entre imigrantes e nacionais nem com a pujança económica de alguns imigrantes havendo maior preocupação com a oferta de bens e serviços a preços baixos. que se consideram lesados. sujos. Os estereótipos mais frequentes são: todo o imigrante é criminoso.estabelecem negócios maiores. comprar bens de luxo ou construir habitações mais belas) provoca uma hostilidade latente no seio dos moçambicanos. em poucas palavras pode se dizer que o imigrante investe na permanência a longo prazo. São criados estereótipos que minam a convivência entre os imigrantes e os nacionais. O imigrante africano. Sempre que um grupo de imigrantes ou um imigrante acumula vantagens e benefícios em detrimento dos nacionais e ou lesar os interesses da sociedade local (vender produtos a preços baixos em comparação com os nacionais. pelo trabalho. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. Em relação a vontade dos imigrantes. Normalmente. Entre a comunidade indiana por exemplo predomina. Nestes grupos. culturais e até linguísticas tem maior propensão em se integrar na sociedade moçambicana em relação aos imigrantes asiáticos e europeus. Nalguns casos os imigrantes são afastados do convívio social. compram imóveis. a percentagem dos casamentos intraétnicos ainda é muito acentuada. namorar ou casar com as mulheres mais belas. pelas suas características raciais. principalmente ao nível dos distritos. ao nível dos maiores centros urbanos. são de baixo nível. a 66 . pela escola e pela religião. a presença dos imigrantes levanta sentimentos de indiferença. trafica droga. destacar a grande resistência de alguns grupos em estabelecer laços matrimoniais com os moçambicanos. trafica mulheres. A hostilidade costuma manifestar-se em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido num ambiente de escassez e pobreza. ridicularizados. etc. hostilizados pelos nacionais porque eles são uma ameaça e um perigo para a posição social e económica dos nacionais. existe um diferencial bastante grande em relação aos imigrantes africanos e os imigrantes asiáticos e europeus. Entretanto.

A mistura manifesta-se visivelmente na culinária. ou seja. São raros os casos do 67 . libanesa. etíope casada com um homem negro moçambicano. de que os mestiços e mulatos são beneficiados e que gozam de melhores condições de vida. Em várias ocasiões assiste-se a manifestações racistas promovidas por mestiços e mulatos contra negros e de negros contra mulatos. Neste contexto. na música. somaliana. etíopes. na indumentária e na linguagem dos indivíduos. relacionados pela ascendência. é a união de indivíduos mais aparentados do que a média da população. é a partir da convivência no trabalho que se estabelecem redes de amizade e solidariedade entre os imigrantes e os moçambicanos. principalmente entre imigrantes africanos e os moçambicanos. que é um sistema em que os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados. Existem alguns casos de indivíduos que romperam com a endogamia étnica mas esta iniciativa só é tomada pelos homens sendo raro ver uma indiana. por parte de grande parte da população. libaneses. paquistaneses. Raramente a comunidade hindu aceita casamentos inter-étnicos. Existe uma crença errada. Moçambique concorre hoje para uma situação semelhante a do Brasil. O objectivo desta atitude é a continuação da descendência étnica dos imigrantes e isso tem um impacto no aumento dessa população em Moçambique. Naturalmente. Contudo. nem sempre esta situação é apreciada por todos os moçambicanos. chineses. Em relação aos imigrantes europeus e asiáticos esta situação muda de figura. Aqui. o impacto imediato deste tipo de casamentos é o aumento de mestiços e mulatos no país. Esta mestiçagem não se manifesta somente ao nível físico dos indivíduos como também no aspecto cultural dos mesmos. os sentimentos de desigualdade e privação relativa jogam um papel muito grande para incendiar o conflito. onde a população mestiça representa uma grande fasquia da população. Os europeus e americanos são mais abertos ao relacionamento interétnico e existem muitos casamentos entre brancos e negros. A integração pelo trabalho é a estratégia mais fácil de integração de estrangeiros. chinesa. paquistanesa.endogamia. os imigrantes acabam ganhando algum suporte por parte de famílias moçambicanas vulneráveis. Normalmente. Esta tendência assiste-se também no seio de comunidades fachadas como os somalianos. Normalmente os imigrantes homens são vistos como uma fonte de recursos financeiros para as famílias das suas namoradas moçambicanas.

Ao nível dos distritos e das províncias mais recônditas é frequente os filhos de imigrantes frequentarem as escolas públicas ao lado dos moçambicanos e a integração aqui torna-se mais rápida. A título de exemplo. A facilidade de abertura de escolas particulares e escolas étnicas. Os currículos escolares orientados para a unidade nacional. São os filhos dos imigrantes que regressados a casa vão transmitir de forma indirecta a língua e os valores moçambicanos. Os muçulmanos enviam os seus filhos para a escola muçulmana. este cenário é relativamente diferente. A enorme distância cultural entre brancos.surgimento de redes de amizade e solidariedade. escola Americana. chineses e moçambicanos constitui também um grande impedimento para o estreitamento desses laços. Através da escola. Provavelmente por motivos da classe económica e/ou interesse em manter os seus filhos com os hábitos culturais e linguísticos dos países de origem. os filhos de imigrantes aprendem não só a língua moçambicana mas todo um sistema de valores defendidos pela sociedade e pelo estado moçambicano. reduzindo desse modo o distanciamento dos país da cultura moçambicana. por parte destes imigrantes. Existem situações de descriminação por parte dos cidadãos de raça branca. sueca. asiáticos e em alguns casos árabes em relação aos moçambicanos de raça negra. de exclusão e manifestações de superioridade por parte dos imigrantes 68 . Muitas destas escolas obedecem um currículo do país de origem e as aulas são leccionadas na língua materna dos imigrantes. escola Sueca. os asiáticos e europeus não enviam os seus filhos para as escolas públicas. os europeus enviam os seus filhos para a escola internacional. não existe nenhum espaço de integração e envolvimento entre os nacionais e estes estrangeiros provocando em alguns casos sentimentos racistas. é muito grande. Ao nível das grandes cidades. Não existe. portuguesa. O envio dos filhos de imigrantes para as escolas públicas ao lado de crianças moçambicanas é outra estratégia que permite uma maior integração da segunda geração na sociedade moçambicana. O efeito desta prática manifesta-se com a criação de círculos de amizade baseadas na relação étnico-racial. etc. podemos encontrar a escola Sul-africana. que representam as nacionalidades existentes nessas cidades. nenhum investimento em aprender a cultura Moçambicana. para a necessidade de defesa da pátria e ainda para a igualdade e respeito pela diferença contribuem para formatar a segunda geração de imigrantes e enquadra-los como moçambicanos. etc.

que são as escolas de aprendizagem do alcorão. Integração Política e Cidadania Em direito e na assumpção original. A partir do momento que os imigrantes se apresentam nos cultos das confissões religiosas presentes em Moçambique abre-se um espaço para a integração efectiva na vida social da sociedade moçambicana. Uma das estratégias mais fáceis de inserção ou integração social dos imigrantes é a partir da religião. Hoje.chegando em alguns casos a manifestar discriminação. seja ao votar (directo). o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. o indivíduo devia ser natural do estado. portanto. Os direitos políticos são regulados em Moçambique pela Constituição da República (2004). A nacionalidade moçambicana pode ser originária ou adquirida. As madrassas. Enquanto a maioria dos missionários cristãos divulga a sua mensagem em português e inclusive nas línguas locais.4. Tradicionalmente. a nacionalidade era o pressuposto principal da cidadania. Para se ser nacional de um estado o indivíduo deve ter nascido nesse estado ou pedir para aderir ao estado através da naturalização que passa por critérios de aceitação definidos nas respectivas constituições. Para além disso. os Sheikes muçulmanos divulgam o sagrado alcorão em árabe. Portanto. na indumentária e no sistema de valores defendidos pelos seus crentes. A cidadania é. a implantação da religião islâmica em Moçambique pré-data ao colonialismo e a independência. 6. só gozam de 69 . contribuem também para a propagação do árabe entre os moçambicanos.3. Por outro lado. participando de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração. cidadania é a condição que uma pessoa natural de um estado tem de gozar de direitos que lhe permitem participar da vida política desse mesmo estado. a vinda de missionários cristãos e sheikes muçulmanos tem um impacto imediato no alastramento e na evangelização de regiões outrora ateístas. seja ao concorrer a cargo público (indirecto). Este distanciamento pode ter efeitos nefastos no futuro. para ser cidadão. Deve ficar claro no entanto que não existe nenhum conflito entre o sistema de valores islâmicos e Moçambicanos pois. Segundo a constituição. o alastramento do islão em Moçambique esta a ter um impacto nos hábitos alimentares. há mais falantes do árabe em Moçambique. Como consequência. a divulgação do árabe assume-se hoje como uma realidade.

económicos. Para estes autores. direito ao associativismo e a ingressar em sindicatos. 2006). a cidadania não só envolve direitos mas também deve envolver participação (Heisler.direitos políticos os cidadãos moçambicanos. Dentre os vários factores que estão na origem das profundas transformações ocorridas no conceito de cidadania. 2004:2). Estes instrumentos concedem cidadania aos imigrantes ao defenderem direitos individuais e colectivos aos imigrantes: o direito ao trabalho e salário justo. (2007:93) A declaração universal dos direitos do homem e as várias convenções que protegem os direitos dos imigrantes e os direitos das minorias servem de base de concessão da cidadania aos imigrantes. Marshall. os Estados e as sociedades se questionam sobre o conceito de cidadania e de pertença a uma dada sociedade (Bertonha. Vários analistas defendem a necessidade de alargar o conceito de cidadania para incluir direitos e deveres sociais. A constituição limita o espaço de participação política dos cidadãos de nacionalidade adquirida. 70 . mais do que nunca. culturais e abranger toda a panóplia dos direitos humanos. A vasta gama de direitos concedidos aos imigrantes e que os estados são obrigados a respeitar. H. o relacionamento entre imigrantes e o estado deve espelhar a nova realidade internacional. direito a. permite aos imigrantes o exercício da cidadania nos estados de acolhimento. Num mundo contemporâneo marcado por crescentes migrações internacionais e por uma trans-nacionalidade que permite às pessoas mudarem de um país para o outro sem necessariamente aderir a uma nova cultura e realidade. quer dizer. os imigrantes exercem a cidadania ao participarem directa ou indirectamente nas decisões que afectam as suas vidas. direito a habitação. 2007:92). Segundo Heisler. O reconhecimento da contribuição económica dos imigrantes e seus descendentes nos países de acolhimento levanta cada vez mais questões de cidadania. Este dispositivo constitucional aparece como o primeiro instrumento de exclusão dos imigrantes na participação na vida pública. independentemente da nacionalidade do imigrante. existem três tipos de cidadania: a Cidadania Civil. Como conceder cidadania aos imigrantes sem naturaliza-los é uma questão impensável se tomarmos o conceito tradicional de cidadania como factor estanque. a imigração ocupa um lugar central (Cardoso. citado por Heisler (2007:93). Segundo T. liberdade de opinião etc… Hoje. direito a culto das suas religiões. não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. Política e Social.

Através de ofertas e trocas de favores. facilidades de importação e exportação de produtos. Pode-se dizer que a ascensão económica dos imigrantes cativa-os a ter uma maior participação política em Moçambique. nem todos os imigrantes são abrangidos por ela pois. A manipulação e influência dos imigrantes sobre o poder político superam. os imigrantes vão se transformando progressivamente num grupo de interesse cada vez mais forte e influente. nem todos os imigrantes desfrutam das mesmas condições de vida (Cardoso. 2004:6).Pode-se assumir que em Moçambique. Através da influência sobre o poder político. A constituição moçambicana abre espaço para a participação política limitada dos imigrantes na vida pública do estado. aos imigrantes são concedidos direitos de exploração exclusiva de certas mercadorias. Apesar da lei abrir espaço para o usufruto da cidadania a todos os imigrantes. os imigrantes usufruem de direitos de cidadania. Grande parte da população imigrante em Moçambique não tem como fazer valer os seus direitos por vários motivos sendo os mais determinantes. sendo unicamente limitados de exercer cargos políticos específicos e de votar e ser eleito em eleições parlamentares. em alguns casos. para além do usufruto de direitos e deveres. concessão de alvarás de forma facilitada e a protecção policial. 3) condições de vida precária que lhes impossibilitam advogar ou pagar serviços de advocacia nas instituições do estado e 4) devido a incapacidade do estado Moçambicano prover bens. o exercício da cidadania passa. os imigrantes vão se aproximando das elites políticas e vão firmando laços de amizade e de negócios com estas elites. 71 . 2) analfabetismo ou ignorância em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais que lhes são garantidos pelos tratados internacionais e pela legislação nacional. serviços e condições de empregabilidade aos seus cidadãos. A aproximação entre imigrantes e elites governantes começa desde os centros de poder local até ao governo central. entenda-se cidadania no sentido mais abrangente do termo. a manipulação e influência dos grupos sociais mais fracos. As relações de clientelismo estão enraizadas em toda extensão do território nacional. A medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país. créditos nas instituições financeiras. No entanto. 1) o distanciamento por parte dos imigrantes dos centros de poder local e central. pela capacidade de influenciar o poder político e a tomada de decisões públicas. Amiúde.

Existe.3. Estas mulheres. Imigração e Género Em termos de género. fazem negócios próprios. A luta pelos direitos de cidadania concentra-se hoje na exigência de superação dos obstáculos administrativo-legais que dificultavam a regularização da situação dos imigrantes que solicitam autorização de residência e a exigência de integração efectiva das gerações descendentes (Albuquerque. Entretanto. Com o trabalho assalariado. O facto de serem acompanhantes retira-lhes a capacidade de contribuírem para a economia moçambicana. Todavia. a maioria dos entrevistados limitou-se a relatar sobre os aspectos negativos dessa situação sem exemplificalos. no entanto. existem mulheres acompanhantes que se tornam imigrantes económicas. que imigram por força da situação de crise económica no Zimbabwe não têm um peso económico muito grande por não realizam actividades comerciais por excelência. 2002:8). O maior número de imigrantes residentes em Moçambique é do sexo masculino. Grande parte delas são prostitutas e só uma pequena fasquia realiza actividades comerciais. Sofala e Tete. organizam-se associações. Recorre-se principalmente a falta de lealdade com os estados moçambicano e a defesa de interesses estrangeiros.Quando questionado sobre a concessão de cidadania aos imigrantes em Moçambique. 6. As mulheres de outras nacionalidades normalmente não imigram sozinhas sendo na sua maioria dependentes dos seus maridos. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. A emergência de políticos de origem imigrante ou descendente de imigrantes ainda é algo impensável na realidade moçambicana. As mulheres que outrora executavam trabalhos domésticos mudam a sua postura em Moçambique. Muitas tornam-se ajudantes nos negócios dos seus maridos e outras entram na actividade comercial. As associações de imigrantes são por excelência o primeiro veículo de inserção na vida política moçambicana. as mulheres libertam-se e assumem um papel de 72 . uma pequena fasquia de mulheres imigrantes vindas maioritariamente do Zimbabwe e que permanecem nas províncias centrais de Manica.5. estudam e concorrem nas universidades públicas e privadas. Todavia. são activistas e ganham consciência política. Pode-se concluir que as mulheres não são imigrantes económicos. o contributo da população imigrante em Moçambique é bastante diferenciado. ganham uma nova consciência de participação na vida pública.

uma organização de carris humanitário. no posto fronteiriço. o contributo destas mulheres é nulo. Por via desta organização. relativas á entrada. por via terrestre. e garantias. as estratégias de integração da mulher islâmica são diferentes da estratégia do homem islâmico. estabelece que todo o cidadão que pretenda entrar na República de Moçambique. naturalizadas e imigrantes. O seu envolvimento se estende ao nível nacional e são desenhados programas de construção de escolas. reabilitação de centros de saúde. marítima ou aérea obriga-se a entrar no Pais pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. 7. o regulamento que estabelece as normas jurídicas aplicáveis ao cidadão estrangeiro. o artigo 9. as mulheres muçulmanas procuram integrar-se na vida social moçambicana. Muitas delas não exercem nenhuma actividade comercial e permanecem afastadas da vida pública. onde o conselho de ministros decretou. na maioria dos casos. a supervisão e controlo de imigrantes é garantido pelas disposições legais. entre outros. Relativamente à entrada de imigrantes no País. o passaporte ou documento equiparado valido.de 28 de Dezembro. plasmados no decreto nº 38/2006 de 27 de Setembro. Nestes casos. que envolve tanto muçulmanas nacionais. Como se pode perceber. crianças órfãs. SUPERVISÃO E CONTROLO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Em Moçambique. Para além disso. deveres. Nota-se por exemplo que as mulheres muçulmanas têm maiores problemas de integração na sociedade moçambicana. a mulher muçulmana tem a oportunidade de desenvolver programas de apoio as pessoas mais necessitadas como velhos. Todavia. esta comunidade se envolve directamente para prestar auxílio humanitário em situações de desastres naturais.vanguarda (Brettell. permanência e saída do País. os direitos. provar que possui 73 . ao abrigo da lei nº 5/93. no seu artigo I. que torna necessário regulamentar o regime jurídico do cidadão estrangeiro. no seu nº1. comunidades carentes que. 2008:126-127). No seio das comunidades islâmicas o papel da mulher obedece aos preceitos da religião islâmica. apresentar. através da organização feminina islâmica. não partilham do mesmo credo.

estratégias e planeamento operacional. De acordo com os entrevistados. Estações marítimas. Aparecendo imigrantes que vivem em Moçambique sem documentos legais. Sublinha-se que as instituições encarregues para a supervisão e controlo. o que acontece normalmente é a entrada e permanência de estrangeiros imigrantes sem observância do legislado e regulamentos que regem sobre esta matéria. aeronaves e onde a sua presença seja necessária. chegando a embaraçar as autoridades. não de forma eficiente. regista-se dificuldades para a supervisão e controlo de imigrantes. depois voltam com credenciais passados pelo centro de acolhimento de Nampula. navios.Constatação sobre Supervisão e Controlo.meios de subsistência e prestar informações adicionais que lhe forem solicitadas pelo inspector de migração. clarifica que será facultada a entrada livre dos funcionários dos serviços de migração para o exercício da sua função fiscalizadora. ao nível central. lacustres. sobretudo a ilegal e outras irregularidades de passagem clandestina da fronteira. de medidas. constituindo perigo à segurança e modus vivendo dos nacionais. sem documentos de autorização de permanência e residência. No entanto. Em relação à fiscalização. caminhos-de-ferro. 7. fluviais. vistos caducados. A equipa de pesquisa constatou no terreno que a supervisão e controlo são feitos. praticando actividades ilegais bem como a deficiência de controlo do retorno de imigrantes repatriados. 74 . para posterior adopção. sobretudo os ilegais. no tocante a imigrantes em geral e particularmente para imigrantes ilegais. tem demonstrado fragilidades no seu exercício. nas residências. isto porque cada vez verifica-se muito afluxo de imigrantes ilegais que escapam as autoridades em muitos centros urbanos. somos da opinião de que as autoridades locais devem ser mandatários para recolher dados referentes à imigração. No entanto. dai urge necessidade de ampliação de mecanismos de supervisão e controlo. aeroportos. 1. o artigo 38. quando são repatriados. dado que estes. nos comboios.

no prazo de cinco dias por meio de boletim individual de alojamento. por consequência.2 Experiencia Europeia e Norte. Samuel (2006:233). que defende que a migração é inevitável e pode melhorar a vida de milhões de pessoas no Mundo. nos locais onde não haja a polícia da PRM ou administração local. pousadas. bem como todos aqueles que albergam estrangeiro ou arrende. Fazendo a alusão a Africanos que vivem em diferentes partes do Mundo. contrastando deste modo. imigrantes que vivem em diferentes residências sem nenhuma comunicação por boletim individual de alojamento. defende um combate cerrado para travar a imigração. reside no facto de trazer a experiencia de como estes países abordam este fenómeno de imigração. elegeu-se as experiencias europeias e norte-americana na supervisão e controlo de imigrantes. a falta de disponibilidade de meios materiais. que preconiza que os hotéis. os ocidentais receiam cada vez mais “ estar 75 .Outra situação constatada é o facto de aparecerem em quase todos os distritos visitados.Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes Para este trabalho. a vulnerabilidade da fronteira terrestre e marítima. estalagens. casa ou habitação a estrangeiro. Como resultados. aos serviços de migração. a sua pertinência. pelo contrário. De acordo com P. motéis. 7. Deste modo. ou cedam a qualquer título. mesmo por sublocação. ficam obrigados a comunica-lo. violando o artigo 33 no seu nº 1. serão responsáveis pela maior parte do crescimento futuro nas sociedades ocidentais. tem elevadas taxas de fertilidades e. meios técnicos adequados e recursos humanos qualificados. onde as remessas atingem cerca de 40 mil milhões de dólares ano para o continente. com o relatório de desenvolvimento humano 2009. a união europeia (UE). Alguns dos entrevistados atribuem a fraca supervisão e controlo dos imigrantes. em virtude de a primeira ter característica montanhosa e muito extensa e a segunda apenas por ser uma costa extensa. Huntington. sobretudo a políticas de supervisão e controlo. lançado recentemente pelo programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD). parques de campismo. os imigrantes. casas de hóspedes e similares.

tratam de indivíduos que não encontram outra opção. revela claramente que a Europa apela para um sentimento anti-imigração. no contexto da presidência francesa da UE. e que se confrontam com a lei 22 Site: http://www. a UE22 aprovou o que designou de pacto europeu sobre a imigração e asilo. acompanhada de uma fortificação nos meios de supervisão e controlo de imigrantes que escalam aquele continente. não por exércitos e carros blindados. cuja proposta foi apresentada pelo Nicolas Sarkozy. o que normalmente chamam na Europa de política de ‘’ imigração zero”. No entanto.de-obra qualificada. senão o recurso à clandestinidade. beneficiam da segurança social e ameaçam o seu modo de vida”. 2. onde alegam que são homens e mulheres que procuram fugir á miséria.Refrear o controlo das fronteiras 5.Facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito. insegurança. onde visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais. 76 . fome.Huntington. aprovado pelo conselho de ministros a 25 de Setembro do presente ano.net. para o recrutamento de mão. veneram outros deuses.Organizar a imigração legal. mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida.Concretizar uma politica europeia de asilo 4. o discurso de S. ocupam as suas terras. obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas ou que muito simplesmente tentaram mudar a vida. priorizando a adopção do “ cartão azul ”. muitas vezes vitimas de redes sem escrúpulos. como é o caso de algumas organizações da sociedade civil em Portugal.blocomotiva. mas por imigrantes que falam outras línguas. a saber: 1.agora a ser invadidos. pertencem a outras culturas e também lhes roubam os empregos. No entanto.Proibir os processos de regularização colectiva Salienta-se que esta posição da UE tem sido contestada pelos alguns membros da união. 3.

blogspot. Expulsão de imigrantes indesejáveis . que alega que a UE não paga o mesmo que paga a Grécia para ajudar a deportar os imigrantes ilegais. A experiencia Italiana nesta matéria de supervisão e controlo de imigrantes reside no facto de introduzir uma lei de testes de ADN. fazendo de regra à excepção e recusando à generalidade dos imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana23. explica ainda que os Estados Unidos da América (E.blogspot. ampliou os quadros dos serviços de imigração e 23 24 25 Site:http://gladio. tornou mais rigorosas as leis que regulam o direito de asilo.Huntingnton.U. visto como sendo instrumento de perseguição dos ciganos. sobretudo na administração Clinton. Uma situação que julgamos ser necessário comentar.com Site:htt://gladio. Samuel (2006:239). ligando todos os consulados . Limitação de reagrupamentos .com Site:htt://imigrantes. regras selectivas e politicas securitarios24. endureceu o controlo sobre a imigração. Imigração selectiva .no. 77 . queixando-se que recebe apenas 70 euros por cada imigrante ilegal em contraste com a Grécia que recebe 1000 euros. Colocação de um sistema comum de informação sobre os vistos.sapo. Deste modo pode se afirmar que a UE25 gasta milhões de euros só para lidar com a imigração ilegal e criou a agencia Frontex (aferrolhamento das fronteiras da UE) de vigilância das fronteiras para lutar contra a imigração clandestina.A). consubstanciado em: .pt. tem a ver com aquilo que a UE considera de sabotagem aos esforços de combater a imigração ilegal por parte da vizinha Turquia. Generalização dos identificadores biométricos P. que constantemente interfere activamente com radar contra as patrulhas marítimas anti-imigraçãoilegal da UE no mar egeu. Atitude vista como reivindicação da Turquia.que diz cinicamente que “ cada caso” é um “ caso”.

com vantagens recíprocas para os países de origem e do destino.200. tem se verificado um esforço para conter a supervisão e controlo.0 55 Observação 78 . Vide a baixo o mapa dos dados estatísticos de número de estrangeiros repatriados e expulsos dos últimos 10 anos. de trânsito e do destino. mas mesmo assim. reforçou o patrulhamento fronteiriço e construiu barreiras fiscais ao longo da fronteira com México.884 Estrangeiros Repatriados 291 238 Estrangeiros Expulsos 0. 7. embarcações. casas de pastos e residências desconfiadas . Rusgas nos estabelecimentos comerciais. não chegam a efectivar-se regularmente devido a falta de meios já referenciados anteriormente. Repatriamento dos ilegais . A opinião de muitos observadores. NÚMERO DE ESTRANGEIROS REPATRIADOS E EXPULSOS POR CONTRAVENÇÃO MIGRATÓRIA DESDE O ANO 2000 AO 1º SEMESTRE DO ANO 2009 ANO 2000 2001 Movimento Migratório 6. Expulsão em caso de delito Contudo.3. consubstanciada em: . comboios e aeronaves . racionalizados. a equipa de pesquisa constatou no terreno que as diligências. Controlo e verificação nos autocarros colectivos. quanto ao fenómeno é de que deveria existir um princípio de responsabilidade partilhada que envolvesse os países de origem. se registe a falta de meios matérias e humanos qualificados para a supervisão e controlo de imigrantes que escalam Moçambique. há que destacar algumas diligências embora periódicas em conjunto entre a PRM e a Migração.405.naturalização.189 5. aeroportos. Os fluxos não deveriam ser impedidos mas sim geridos. carros particulares. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo Embora. portos. DADOS ESTATISTICOS DE MOVIMENTO MIGRATORIO.

346 3. mencionar a pessoa do imigrante. sem.496. 8. onde se registou um número recorde de repatriamentos 7.102 5. O facto de nenhum instrumento jurídico moçambicano apresentar uma definição clara do cidadão imigrante e a não existência de um conceito oficial de imigração e imigrante pode representar handicap com efeitos negativos na definição de uma política de imigração. Moçambique adoptou uma legislação aberta aos estrangeiros. direcção nacional de migração Tal como reporta o mapa. Influenciado pela legislação internacional. A semelhança da declaração universal dos direitos do homem. a lei moçambicana concede uma grande margem de actuação aos imigrantes permitindo-lhes usufruir das oportunidades socioeconómicas que o país oferece.901.A 2006 6. Com destaque para o ano de 2006.351 17.113.454 128 2009 2.S. Contudo.2002 2003 2004 2005 3. para fins de repatriamento. Os governos dos estados que ratificam estes instrumentos comprometem-se a aplicar essas disposições e obrigam-se a garantir protecção aos imigrantes nos seus territórios.519 3.449 328 1. cuja sua identificação e localização.0 02 0.829 7. 79 .950 5.288 85 Fonte: Ministério do interior.718 2. no entanto.480. todos os instrumentos que protegem a pessoa do imigrante estabelece normas que servem de modelo para a legislação dos estados particulares.883.689.652 2.677.359 0. o número de imigrantes oscila em cada ano que passa.973 11 2008 5.0 2007 2.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Vários são os instrumentos jurídicos internacionais que protegem a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. sobretudo nos distritos fronteiriços.525.359 imigrantes ilegais e em termos de expulsões o ano de 2008 registou um recorde de 128 imigrantes. escapa as autoridades competentes. Salienta-se que à percepção de que o número de imigrantes ilegais tende a crescer em cada dia que passa.0 0.731 8.297 0. As estatísticas reportam em si que a supervisão e controlo são feitos embora com as dificuldades apontadas anteriormente.0 Ano de supressão de visto com R.

Entretanto. Alias. essa abertura é hoje desafiada com uma entrada maciça de imigrantes legais e legais no país. Com efeito. As autoridades competentes para supervisionar e controlar os imigrantes. Central. Brasileiros. por ser 80 . Ocidental. tanto pelas vias terrestres. enfrentam dificuldades de ordem material e humano para levarem ao bom termo a tarefa que lhes é incumbida. Grandes Lagos e Corno de África). Os círculos urbanos constituem os locais onde os imigrantes desenvolvem as suas actividades. Chineses. logísticas para às capacidades do Estado controlar este movimento.• Moçambique. Bangladesh). possuem qualificações ou capital de investimento. pois há maior circulação de dinheiro e o meio rural ou suburbano é para acomodação. Em virtude destas fragilidades e por causa dos atractivos que o país oferece. mas. devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira terrestre que o país tem. São cada vez mais alarmantes os números de imigrantes vindos dos países da África (Austral. económica e social. Ásia (China) América (Brasil) e Europa (Portugal) que entram de forma legal e clandestina no país. Moçambique figura hoje como um dos grandes receptores de imigrantes na região. médio oriente (Líbano). O número crescente de imigrantes que cada vez mais procuram o país representa uma ameaça as fragilidades institucionais. A maioria dos imigrantes que entram no país não possui nenhuma qualificação. entram na condição de desempregados e representam uma categoria de imigrantes não económicos exceptuando os imigrantes Portugueses. Enquanto os imigrantes legais obedecem aos postos oficiais de entrada de estrangeiros. também. a maioria dos imigrantes ilegais prefere as rotas terrestres. a estabilidade política. Moçambique para além de ser um destino preferencial de imigrantes legais e ilegais. do Sudoeste Asiático e do Médio Oriente que entram no pais na condição de empregados. a facilidade de investimento e a integração regional atraem cada vez mais imigrantes interessados em alcançar sucesso económico no país. Índia. Tanto os imigrantes sem qualificações como os imigrantes qualificados se concentram nos locais de grande interesse económicos. foi e continua sendo um país aberto a acomodação de estrangeiros de todas as partes do mundo. Sudoeste asiático (Paquistão. marítima e aérea. onde há muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos e facilmente exploráveis. tornou-se num corredor de trânsito para imigrantes ilegais com destino a RSA. principalmente dos ilegais.

que do ponto de vista de receitas traz poucos benefícios ao estado e não cria muitas vagas de emprego para os moçambicanos. igualmente. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de acolhimento. florestais e faunísticos valiosos e estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas como o tráfico de drogas. os trabalhadores imigrantes trabalham em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. constatou-se que os imigrantes contribuem em grande medida para o desenvolvimento económico do país pois. Não menos importante. Em relação ao impacto económico. Por esse motivo. Com efeito. turismo e serviços. Apesar deste pessimismo manifestado pela opinião pública. os imigrantes legais e ilegais podem. apenas.menos onerosa. Estes são. Para além disso. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. Por outro lado. Efectivamente. do país. Em termos do impacto dos imigrantes na segurança do estado e na segurança pública constatou-se que. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano mas. Representam. verificou-se que a maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se concentram em três áreas principais: o comércio. Em relação ao mercado de trabalho. maioritariamente. são vanguardistas e são mais empreendedores. imigrantes legais. os imigrantes são. eles são mais agressivos nos negócios. recursos minerais. a maioria dos imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. com a chegada de muitos imigrantes em 81 . aceitam riscos. alegadamente. há. Neste contexto. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. existe um grande pessimismo e medo da imigração e dos imigrantes. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. Todavia. No entretanto. aparentemente. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. a entrada de imigrantes contribui para o aumento de investimentos que criam postos de trabalho para os Moçambicanos e aumentam a arrecadação de receitas fiscais por parte do estado. ilegalmente.

Do ponto de vista sociopolítico e cultural. pelo trabalho. apesar de existem comunidades bastante fachada e que não permitem a integração rápida dos imigrantes. o estado moçambicano não exerce nenhuma pressão no sentido assimilar os imigrantes residentes no país. usar a sua língua de origem. ao se alargar o conceito de 82 . adicionado ao respeito ao multiculturalismo é factores que impossibilitam a assimilação dos imigrantes. estes ainda não usufruem de direitos de cidadania. principalmente na área comercial. indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. Apesar do estado criar condições de integração dos imigrantes no país. e ainda gozam de todas as liberdades consagrados na declaração universal dos direitos do homem. Todavia. permitindo desse modo que permaneçam alienados dos valores políticos e culturais do país. pela escola e pela religião. constatou-se que os imigrantes gozam de uma larga liberdade cultural podendo manifestar as suas crenças religiosas. A receptividade da sociedade moçambicana permite que os imigrantes tenham sucesso nos negócios e que provocam um impacto positivo na sociedade. os portugueses e os brasileiros em relação aos imigrantes de outras regiões e nacionalidades. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. no sentido dos direitos políticos pois.Moçambique surgiram novos negócios no país e alguns sectores de actividade sofreram um Boom jamais visto. A constituição da República não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. Normalmente. a sociedade moçambicana íntegra mais facilmente os imigrantes da região Austral. Em termos gerais. Para além destes factores. Normalmente. Com efeito. os seus hábitos culturais. os imigrantes transnacionais mantêm e reforçam os laços com os seus países de origem. o transnacionalismo imigrante torna o processo de assimilação difícil pois. Em termos gerais constatou-se que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade. O respeito aos instrumentos internacionais de protecção aos imigrantes. Por sua vez. Em termos da integração dos imigrantes em Moçambique. dependendo muitas vezes de aspectos raciais e étnicos. a hostilidade costuma se manifestar em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido e a indiferença manifesta-se ao nível das cidades. observou-se que a sociedade moçambicana é bastante aberta a integração dos imigrantes.

8. Por força disso. muitas mulheres tornam-se ajudantes dos seus maridos.Recomendações Finais Deste modo. constata-se que os imigrantes gozam de direitos de cidadania. Enquanto o impacto da população masculina é mais visível. pode-se afirmar que a fragilidade em termos de dados estatísticos são uma fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. algumas criam negócios particulares e outras tornam-se mais activas no seio das organizações ou associações de imigrantes. consubstanciadas em: 83 . as mulheres não têm um peso económico muito grande. Neste sentido. Por último. ela está a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle do Estado moçambicano. culturais e direitos humanos. económicos. Esta situação deve-se fundamentalmente ao numero reduzido de mulheres imigrantes em Moçambique. A imigração é e foi sempre uma constante na história da humanidade e Moçambique deve estar pronto para lidar com este fenómeno pois. o impacto da população feminina não é muito notória. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sociopolítica e segurança dos indivíduos bem como do Estado. a recomendação que se pode fazer é de que as instituições de supervisão e controlo devem ampliar esforços de mobilização de meios materiais e humanos para uma execução cabal das suas tarefas e deve estudar e aperfeiçoar urgentemente estratégias e métodos de controlar os imigrantes. verificou-se que existe uma grande diferenciação da participação dos imigrantes em termos de género.cidadania para incluir direitos e deveres sociais. Sublinha-se que a medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país influenciando o poder político na tomada de decisões que afectam as suas vidas. Sublinhar no entanto. sob o ponto de vista demográfico. Todavia. que os receios das manifestações ainda não se fizeram sentir de forma violenta em Moçambique.1. Paralelamente. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes.

Intensificação de supervisão e controlo de imigrantes. capacidade de reacção e intercâmbio da informação com outros Estados Necessário a existência de intercâmbio de informação entre as autoridades competentes (guarda-fronteiras. autoridades judiciais e ministério publico). nas residências. independentemente do seu objectivo cá. qualificações.• Supervisão e Controlo com rigor nos pontos de entrada. 84 . • Os imigrantes que entram em Moçambique devem ser alvos de um maior acompanhamento. hotéis. do qual constitui prioridade para entrada de imigrantes. níveis de vida e o estatuto financeiro. • Adoptar uma política selectiva e criteriosa. policia. os que reúnem alguma formação para desempenho das actividades que se propõem. física e que demonstrem capacidade de se instalar e trabalhar. alojamento e outros encargos administrativos. deve-se adoptar um sistema de testagem e Controlo de estado de saúde de imigrantes. bem como de sanidade mental. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. que ficam obrigados a suportarem as despesas do retorno ou de repatriamento. estalagens e outros lugares suspeitos. • Moçambique deve desenvolver uma política e uma estratégia de imigração que possa seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir. dos imigrantes que reúnem todas as condições exigidas pela lei. pensões. • Ainda nos pontos de entrada. e um mecanismo de resolução de eventuais litígios de competências entre as autoridades. estaleiros e nos pontos de maior concentração populacional. como forma de prevenir a propagação de doenças contagiosas que eventualmente podem ser trazidas por estes. • Aplicação com rigor do artigo 43. nível escolar. como forma de fazer uma melhor monitorização e controlo das actividades que os mesmos praticam cá. • • Os métodos de supervisão e controlo devem ter em conta: fluxo de dados. incluindo alimentação. percepção de da situação. estado de saúde. tais como: mercados. alfândegas. • • Mobilização de meios adequados e recursos humanos devidamente formados para vigiar a extensa fronteira terrestre e marítima. relativo aos imigrantes ilegais ou clandestinos. casas de pastos.

Entretanto. REFERENCIAS Bibliografia Livros e Artigos (Goldstein.• Para atrair mais imigrantes económicos. reduzindo a carga fiscal e estabelecendo linhas de crédito que possam beneficiar o imigrante. 2003:464-465). • O Estado deve evitar que grupos imigrantes etnicamente homogéneos se concentrem em grandes números numa região pois. Albuquerque. Para alcançar este objectivo. A assimilação é importante para garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. reduzindo os procedimentos de criação de empresas.9 e 10 de Maio de 2002. organizado pelo Grupo SIETAR Portugal (Society for Intercultural Education Training and Research) . comunidades concentradas podem representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. • • A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo Estado. Rosana: Associações étnicas e o desafio da participação política de jovens descendentes de imigrantes Comunicação apresentada no 1º Colóquio Intercultural “A Comunicação Entre Culturas”. Almada. o estado deve vedar direitos de cidadania política aos imigrantes. o Estado deve impor uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. Portugal. 85 . o estado moçambicano deve criar condições propícias ao investimento estrangeiro. O Estado deve criar condições para uma maior integração dos imigrantes concedendo-lhes direitos económicos e sociais. • O Estado moçambicano deve adoptar uma política de assimilação dos imigrantes como instrumento estratégico para a sobrevivência estado.

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Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. Mar e Ar. Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. adoptado a 15 de Novembro de 2000. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Protocolo para Prevenir. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. Fontes Primárias Maputo Luís Mambero (Secretário Permanente da Província de Maputo) Capião Samuel Faduque (Director da Ordem Pública ao nível da Província de Maputo) Adérito Notiço (Vereador para a área de Actividades Económicas e Serviços no município da Cidade da Matola) Eugénio Simbine (Director Provincial do Plano e Finanças da Província de Maputo) Di-Stefano Xavier Honwana (Director Provincial da Migração em Maputo) Arnaldo Chefo (Porta voz do Comando da cidade ao nível de Maputo) Lúcio Jorge (Gerente do BCI. Especialmente Mulheres e Crianças. Lei do trabalho Lei No 23/2007 de 1 de Agosto. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei.º 38/2006.Decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique. Regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. Dependência da Pigal) Secretário Permanente da Cidade de Maputo 89 . Lei 5/93 de 28 de Dezembro. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.

Central Sindical (OTM-CS)) Coffe (Chefe do Departamento Central do Movimento Migratório na direcção de Migração) Babu (Armazenista da Gulf Trading. imigrante Indiano) Alberto Chidadale (Administrador de Namaacha) Marcos Waze (Chefe das Operações da Polícia da república de Moçambique em Namaacha) Maria Macamo (Chefe do Posto Fronteiriço de Travessia de Namaacha) Arlete (Directora das Actividades económicas em Namaacha) Eugénio Makukule (Chefe do Departamento de Indústria na Direcção das Actividades Económicas) Reginaldo Macamo (Chefe de turno no Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Gabriel Bila (“Facilitador” de imigração ilegal em Ressano Garcia) Catopole e Matavel (Comandantes da Polícia de Guarda fronteira do Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Manica Mário Inácio Omia (Secretário permanente da província de Manica) Joaquim Zefanias (Secretario permanente distrital de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. de nacionalidade Maliano. imigrante Zimbabweano. 26 anos de idade) Filipe Lucas Cumbe (Director provincial de migração de Manica) 90 . 26 anos de idade) António Maquina (Secretário permanente da província de Manica) Edson Mulanzira (Jovem de 22 anos. trabalhador de obras.Mondlane Nataniel (Chefe do Departamento de Formação na Migração) Rodrigo César Mabote (Director das Finanças no Governo da Cidade de Maputo) Xavier Timane (Chefe do Departamento de Indústria ao nível da Indústria e Comércio no Governo da Cidade de Maputo) Francisco Mazoio (Organização dos Trabalhadores de Moçambique. de nacionalidade Maliano. fixado na cidade de Chimoio desde 2007) Mousinho Alberto Carlos (Director provincial do trabalho da província de Manica) Fernando Tefule (Administrador do distrito de Manica– província de Manica) Gelindo Baltazar Vumbuca (Sub-inspector e Chefe das operações da PRM no distrito de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007.

Nigeriano de 42 anos de idade) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. desde 2005. desde 2003. de nacionalidade Bengali) José Cuele António (Administrador do distrito de Caia – província de Sofala ) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) 91 . Paquistanês de 32 anos de idade) Michel w. de nacionalidade Maliano. Indiano de 30 anos de idade) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. de nacionalidade Bengali) Abdul Majid (Comerciante de produtos da primeira necessidade em Caia. 30 anos) Koita Thirou (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2005. de nacionalidade Maliano. nacionalidade de Guine) Gausse Tara (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado de ferro ) desde 2008. desde 2005. 37 anos de idade) Faizal Raul Daude (Motorista de camiões de longo curso da Empresa TRANSRIVER) José Fernando Tefula (Administrador do distrito de Manica) Joaquim Zefanias (Secretário permanente do distrito de Manica– província de Manica) Marcelino Jaime Mugumanha (Inspector da policia e comandante da 7ª companhia da foça de guarda fronteiras de Machipanda– Manica) Sofala António Maquina (Secretario permanente da província de Sofala) Zacarias Cossa (Comandante provincial da PRM na província de Sofala) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. desde 1999. de nacionalidade Bengali) Amine Whael Vali Mahomed (Comerciante agro-retalhista na cidade da Beira.Rogério Jorge Tomé (Chefe de departamento da policia de protecção– Chimoio) Alberto Limene (Chefe do posto de migração de Machipanda– Manica) Ibraimo Barry (Comerciante de roupa na cidade Chimoio desde 2008. desde 2001. Okoro (Importador e Comerciante de acessórios de veículos na cidade da Beira. desde 1998.

Zobué) José Francisco Xavier (Chefe do Posto Migratório. desde 2001. Hermenegildo Santana Chimarzene (Docente de Metodologia de Trabalho IntelectualUniversidade Católica de Moçambique.Direcção do Plano e Finanças) Domingos Muleque (Chefe do Departamento do Comercio. Tete) Jaime Sousa (Chefe do Departamento de Nacionais e Estrangeiros.Comandante da 4ª companhia de Zobué.Chefe dos efectivos do Batalhão. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) Gabriel Andre Chofomo (Chefe da Secção de Reconhecimento.Direcção Provincial de Migração) Mariano Miguel José (Director Provincial Adjunto.UCM) Gilberto Cochelane (despachante aduaneiro) Zé Rufino José Afonso (estudante da UP e funcionário da procuradoria de Tete) Manuel Paulo (Adjunto Superintendente da Polícia. Hamede (Directora provincial de migração de Sofala) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira.Direcção Provincial da Industria e Comércio) Dr.Chefe do estado Maior do 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) Ofélio Amisse Alfredo (Comandante da Companhia. Sargento da Polícia. Indiano de 30 anos de idade) Tete Claudina Maria de São José Mazalo (Secretária Permanente da Província de Tete) Jamal Chande (comandante geral da Polícia da província de Tete) Ofélio Jeremias (inspector chefe da direcção provincial do trabalho) César Sampaio e António Namahate (Comando da Guarda Fronteira.Maria Lavinea M.Zobué) Niassa 92 . Zobué) Santos Rafael (Guarda da Polícia. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.

Mahunguele (Comandante Provincial da Polícia.Guarda Fronteira de Niassa) Afonso Yassin (Chefe da Secção de Reconhecimento e Investigação) Dra. Niassa) Carlos Abudo Momade (Administrador do Distrito do Lago) Inácio Angelo (Representante da Direcção Distrital de Migração) José Napuite (Comandante Distrital da PRM) Edson Felix (Representante da Direcção Distrital das Alfandegas) Paulo Saide (Director Distrital das Actividades económicas) Nampula Armando Fietinies ( DIRECTOR PROVINCIAL DE IMIGRAÇAO) Amisse António (DIRECTOR PROVINCIAL DE TRABALHO) Arsenia Massigue( Comandante provincial) Antonio Mussupai (INAR) Hamide satar (representante da associação islâmica de Nampula) Antonio Pilate( Administrador de Nacala) Francisco Mucanheia (Secretario permanete Nampula) Pa Fernao Massena (Director da afaculdade de direito da Universidade católica) Rui Buco (Técnico de Emprego) Mario Camilo (Director de trabalho de Nacala) Cabo Delgado 93 . Manuel Domingos Cidade (Chefe da Repartição da Logistica e Finanças. Niassa) Dr.Substituto do Comandante da Companhia.Director Substituto da Direcção Provincial de Migração.Ivete Alane (Secretária Permanente Provincial) João J. Maria Ernesto Ndupa (Directora Provincial do Trabalho) Luis David Mandau (Chefe do Departamento do Movimento Migratório.

João Motim Rodrigues (Director provincial de trabalho) Raul Ossufo Omar (Director da Ordem e segurança. Cabo Delgado) Alberto Estêvão Ntanga (Técnico de Emprego) Alfredo Bento Muhurua (Chefe da repartição em Mueda) Cassimiro Antonio Cadre (Chefe da repartição do reconhecimento de Investigação) Higino Sumale ( Chefe das operações do comando distrital em mueda) Bené( director de migração Cabo delgado) Stik satar( Imigrante / Libanes) Terry Leopold (IMIGRANTE DO SENEGAL) Issufo Hassan ( Imigrante Tanzania) 94 .

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