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Imigração em Moçambique: Impacto Sociopolítico, Económico e Cultural

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Calton Cadeado Enilde Sarmento Énio Chingotuane Pedro Nhachete

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Maputo, Dezembro de 2009
ÍNDICE--------------------------------------------------------------------------------------------------------2 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.1. Problemática----------------------------------------------------------------------------------------------4 1.2. Objectivos-------------------------------------------------------------------------------------------------5 1.3. Metodologia-----------------------------------------------------------------------------------------------6 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL-----------------------------------------------7 2.1.Debate conceptual----------------------------------------------------------------------------------------7 2.2. Teorias sobre imigração-------------------------------------------------------------------------------10 2.2.1. Modelo de migração do capital humano----------------------------------------------------------10 2.2.2. Teoria do sistema mundial--------------------------------------------------------------------------11 2.2.3. Teoria da modernização-----------------------------------------------------------------------------12 2.2.4. Teoria da Globalização------------------------------------------------------------------------------12 3.ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO-------------------------------------------------------------13 3.1.Legislaçao Internacional--------------------------------------------------------------------------------13 3.2.legislaçao nacional--------------------------------------------------------------------------------------17 4. CARACTERIZAÇÃO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS, ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇÃO DOS IMIGRANTES-- -----------------------------21 4.1 Origem dos imigrantes----------------------------------------------------------------------------------22 4.1.1. Condição sócio económica dos imigrantes em Moçambique ----------------------------------23 4.1.2. Categorias dos Imigrantes em Moçambique------------------------------------------------------26 4.2. Rotas de entrada dos Imigrantes----------------------------------------------------------------------28 4.3. Locais de Fixação---------------------------------------------------------------------------------------31 5. FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE--32 5.1. A teoria Push-Pull--------------------------------------------------------------------------------------33 5.2- O caso de Moçambique--------------------------------------------------------------------------------33 6. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE----------------------------------------36 6.1. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO ---------------------------------36 6.1.1. Segurança----------------------------------------------------------------------------------------------37 6.1.2. Ligação entre Imigração e segurança--------------------------------------------------------------38 6.1.3. Impacto da Imigração na segurança---------------------------------------------------------------40 6.1.4. Impacto da Imigração na Segurança do Estado--------------------------------------------------40 6.1.5. Impacto da Imigração na Segurança Pública-----------------------------------------------------41 6.2.IMPACTO DA IMIGRAÇÃO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA----------------------45 6.2.1- Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia------------------------45 6.2.2. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes-----------------------------47 6.2.3- Impacto da Imigração nos Sectores da Economia-----------------------------------------------49 6.2.4- Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho-------------------------------------------------54
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6.3.IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL DA IMIGRAÇÃO------------------------57 6.3.1. Multiculturalismo ou Assimilação? ---------------------------------------------------------------57 6.3.2. O Transnacionalismo Imigrante--------------------------------------------------------------------62 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes-------------------------------------------------------------------63 6.3.4. Integração Política e Cidadania---------------------------------------------------------------------69 6.3.5. Imigração e Género ----------------------------------------------------------------------------------72 7. SUPERVISÃO E CONTROLO----------------------------------------------------------------------73 7. 1.Constatação sobre Supervisão e Controlo-----------------------------------------------------------74 7.2. Experiencia Europeia e Norte- Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes---------75 7.3. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo------------------------------------77 8. Conclusões e Recomendações-------------------------------------------------------------------------79 9. Referencias------------------------------------------------------------------------------------------------85

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No entanto. igualmente. económicas bem como a existência de catástrofes naturais. igualmente. político de tal forma que alguns Estados ricos e desenvolvidos. social e. 4 . Contudo a procura de melhores condições de vida e de trabalho foram sempre factores determinantes para aqueles que recorrem a imigração. algumas vezes assumem contornos violentos na Europa. um crescente fluxo de imigração legal e ilegal inter-africana e de não africanos que procuram a África Austral e. tendo como causas principais. em alguns casos. ao seu impacto negativo na estabilidade sociopolítica e económica. vários Estados tem vindo a perder população e outros estão a receber um fluxo de imigrantes que tem criado um impacto sociopolítico e económico controverso. paradoxalmente. África contribui em larga medida para o crescimento da imigração. os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial. a queda do bloco soviético na década 90. e outros. impacto positivo do ponto de vista económico. geram enormes fluxos migratórios (nomeadamente imigrantes ilegais em busca de asilo politico) como refere Appleard (1992). A imigração é um fenómeno que tem estado a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle dos Estados a nível mundial. porque como referem Rourke e Sinnot: (2003). estão a desenvolver políticas de imigração para resolver problemas de envelhecimento da população e redução da força produtiva. sociais. particularmente ilegal.1. Com efeito. a permanente situação de refugiados no Corno de África. razões políticas. INTRODUÇÃO A imigração foi sempre uma constante na história da humanidade. a “eurofobia” e a “islamofobia” constituem problemas que estão a criar sentimentos nacionalistas que. No entanto. consoante o momento da história. a imigração cria. vários Estados. principalmente. nos países ricos e desenvolvidos. a nível mundial. estão a debater de forma multilateral e/ ou bilateral a imigração devido. A título de exemplo. regista-se. paradoxalmente. O Interesse no Estudo da imigração variou consideravelmente ao longo do tempo. Acontecimentos como os choques petrolíferos. Neste contexto. O estudo da imigração torna-se particularmente pertinente. a crise financeira asiática de 1997 (que se alastrou depois a diversas economias em desenvolvimento do resto do mundo).

constitui uma fragilidade na forma como deve ser abordada a problemática da imigração. Moçambique. em Moçambique. é. Assim. Paralelamente. Com efeito. um dos maiores receptores de imigrantes que podem ser fonte ou solução de problemas.1. 1. Esta fragilidade pode ser agravada pelo provável crescimento de imigrantes resultante das facilidades de abertura e circulação de pessoas e bens no âmbito da integração regional na África Austral. um país em vias de desenvolvimento que outrora foi um dos maiores “exportadores de mão-de-obra” para a África do Sul. Esta vulnerabilidade constitui um problema que pode ser agravado pela imigração 5 . em Moçambique. Problemática A principal questão que se coloca é que Moçambique não possui uma estratégia nacional de imigração que. O fenómeno imigratório adquire deste modo. faz com que o Estado moçambicano enfrente grandes dificuldades nesta problemática. actualmente. de per si. a concorrência pelo mercado de trabalho e alegado recrudescimento de determinados tipos de crimes associados aos imigrantes levanta receios de ocorrência de ataques xenófobos similares ou piores aos que aconteceram na África do Sul. uma importância inquestionável. A abordagem dos assuntos de imigração. a fraca disponibilidade de mão-de-obra qualificada e as obrigações legais e morais de direitos humanos colocam Moçambique numa situação de “aceitação forçada” da imigração.particularmente Moçambique onde a livre a circulação de pessoas e bens é uma realidade imposta pela integração regional. Portanto. a imigração é uma realidade que coloca Moçambique num dilema permanente em matéria de política ou estratégia nacional de imigração. Paralelamente. aliado ao facto do Estado ter uma fraca capacidade de controlo das mesmas. A extensão das fronteiras. devido a estabilidade sociopolítica. e Moçambique assume-se como um país de destino para um crescente número de cidadãos de nacionalidade estrangeira. permite a entrada massiva de imigrantes dos vários quadrantes de África e do mundo. ligada a dificuldade de coordenação institucional entre os principais agentes ou actores estatais torna o país vulnerável em relação a esta problemática. a inexistência de uma capacidade de controlo das fronteiras nacionais terrestres e marítimas.

Analisar a capacidade institucional de Moçambique em matéria de supervisão e controlo de imigração.2. social. 6 . Objectivos Específicos (i) (ii) (iii) (iv) (v) Identificar as ameaças. oportunidades e desafios sociopolíticos. económicos e culturais da imigração em Moçambique. Discutir o impacto positivo ou negativo da imigração em Moçambique. económica e na segurança de Moçambique. analisar o impacto sociopolítico. estas e outras perguntas somente podem ter resposta através de uma pesquisa que permita uma recolha de informação sobre o real. Assim.ilegal que tem vindo a crescer mas cuja magnitude e impacto holístico é realisticamente desconhecido em Moçambique. cultural. e Analisar os factores que tornam Moçambique num centro de convergência de imigrantes. rotas de entrada e locais de fixação dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique. Como se explica que um país pobre como Moçambique esteja a atrair um número crescente de imigrantes legais e ilegais? Será que o país tem condições materiais e financeiras de controlar o fluxo de imigrantes? Que implicações terão a entrada massiva de imigrantes a curto. Identificar a origem. político. médio e longo prazo no domínio económico. Objectivos Objectivo Geral O trabalho tem como objectivo geral. Alias. é pertinente a realização de estudos sobre a dimensão e o impacto real (positivo e negativo) da imigração na estabilidade sociopolítica. cultural e na segurança do país? 1. económico e cultural da imigração em Moçambique. Esta é uma das questões que sustenta e serve de pretexto para a pesquisa.

Após o trabalho de campo seguiu-se ao processamento da informação recolhida e a produção do relatório de pesquisa obedecendo o método SWOT. directores provinciais. A pesquisa de campo compreendeu duas técnicas fundamentais: A primeira técnica foi baseada em entrevistas abertas individuais e colectivas a grupos alvos constituídos por opinion leaders (empresários.3. políticos e culturais e o departamento de estudos de paz e segurança. as fraquezas. A equipa de pesquisadores foi composta por especialistas de acordo com as exigências que a pesquisa impõe. Foram também colhidos dados estatísticos da situação dos imigrantes em Moçambique. principalmente nas zonas de entrada e fixação de imigrantes. líderes religiosos. académicos. foram escolhidas 7 províncias receptoras do maior número de imigrantes nomeadamente Maputo. Em termos gerais. departamento de estudos sociais. A pesquisa bibliográfica permitiu aos pesquisadores entrar em contacto directo com todos os escritos sobre a imigração. o que possibilitou o reconhecimento de aspectos importantes que cercam o tema em estudo. A escolha dos distritos foi baseada em dois critérios que compreenderam: distritos fronteiriços e costeiros e os grandes centros urbanos.1. organizações da sociedade civil. a segunda técnica baseou-se num inquérito a opinião pública. Em ternos de amostra. Manica. Uma amostragem 7 . Sofala. jornalistas. Foram combinados pesquisadores envolvendo o departamento de economia. deputados e lideres de partidos políticos) e alguns imigrantes. foi realizado um estudo de campo que foi conduzido por uma equipa de pesquisadores do CEEI/ISRI. que consistiu na avaliação dos pontos fortes. Após o levantamento bibliográfico. líderes sindicais. Tete. Metodologia A realização do estudo começou com uma pesquisa bibliográfica com vista a identificar obras de autores que abordam o assunto em estudo. as oportunidades e as ameaças da presença de imigrantes em Moçambique. a identificação de entrevistados da opinião pública foi baseada numa amostragem aleatória da população das regiões alvas. Nampula. Cabo Delgado e Niassa.

Chineses. e a lei do trabalho No 23/2007 de 1 de Agosto. Muitas vezes.probabilística aumenta substancialmente a chance dos participantes serem representativos da população-alvo. o decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. Ao observar-se as leis No 5/93. Para além disso são a raiz de sentimentos racistas. Os equívocos conceptuais e a falta de clarificação do conceito de imigrante são em si uma ameaça a ordem social e política do Estado moçambicano. 2. Poucos instrumentos jurídicos moçambicanos esclarecem de uma forma clara e objectiva o que é o cidadão imigrante. tecnocratas. O termo imigrante só é usado por um grupo esclarecido de políticos. Para o inicio da nossa clarificação. não existe muito rigor na definição do conceito de imigrantes e muito menos uma definição clara da política de imigração. A maioria dos moçambicanos ainda vê o branco. estudantes universitários ou pela média e mesmo aqui. sociólogos. Talvez por ser uma realidade recente para Moçambique. principalmente se estes equívocos permanecerem nas médias e ao nível do discurso político. facilmente se constata que a 8 . um conceito difuso sobre imigração e imigrantes. assegurando a validade interna e externa do estudo.1. Nigerianos. Esta definição baseada na cor da pele demonstra um desconhecimento quase geral da situação dos naturalizados e aqueles moçambicanos de raça não negra que adquiriram a nacionalidade moçambicana na altura da independência. Portugueses ou pela categorização racial como por exemplo. Existe portanto um vazio no que diz respeito ao conceito de imigrante em Moçambique. o conceito aparece pouco esclarecido. e sequer existe um conceito oficial de imigração. o conceito de imigrante é substituído pela categorização étnica dos indivíduos como por exemplo. Debate Conceptual Existe no seio dos analistas políticos. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL 2. 2) nem todo o negro é moçambicano e 3) nem todo o estrangeiro é imigrante. é necessário que fique assente o seguinte: 1) nem todo o não negro é estrangeiro. brancos. muitas vezes manifestados pelos moçambicanos negros nas situações do diaa-dia. Existem também vários entendimentos sobre o conceito de refugiados. o indiano e o árabe como estrangeiro. árabes e negros. considerando somente os negros como nacionais.

com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. visitar. sendo mais frequente a terminologia estrangeiro. os estrangeiros enviados pelos seus estados ou organizações internacionais para trabalhar em Moçambique e os estrangeiros que vem a Moçambique por vontade e iniciativa própria. de pessoas ou populações. 2) tempo de estadia e 3) intenção de trabalhar ou residir em um outro Estado. Normalmente. Na concepção deste trabalho. O acto de transpor a fronteira de um outro país. fazer negócios ou transitar para outro país. perseguição. (REF) O facto de terem transposto a fronteira de um outro Estado e permanecerem temporariamente não lhes coloca na situação de imigrantes e o seu estatuto é protegido pela legislação internacional específica. Para que o indivíduo seja considerado imigrante é necessário que ele tenha vontade de sair do seu país e vontade de permanecer noutro país. De acordo com a lei 5/93. não são considerados imigrantes. de um país para outro. guerras. existe uma necessidade de adicionar um outro critério importante. Para além disso. 9 . existem 3 critérios fundamentais para definir imigrante: 1) transpor as fronteiras de um outro Estado. a legislação moçambicana prefere definir trabalhador estrangeiro e não trabalhador imigrante. não confere. (REF) Como se pode ver por esta definição. Esta definição não espelha claramente o que é um imigrante pois. nem todo o estrangeiro é imigrante. os indivíduos que são forçados a abandonar o seu país por motivos de conflito. limpezas étnicas. Por outro lado. a sua intenção é fazer turismo. A questão que se coloca é: qual é o conceito de imigrante utilizado em Moçambique? O conceito mais conhecido e comummente aceite considera imigração como o movimento de entrada.terminologia imigrante não é usual. a vontade dos indivíduos. o cidadão estrangeiro deve permanecer no país hospedeiro por um médio ou longo período de tempo. categoria de imigrante ao cidadão estrangeiro. Normalmente. Para que isso aconteça. estrangeiro é todo o cidadão que não tenha a nacionalidade moçambicana. sendo considerados refugiados. os indivíduos que se estabelecem no país estrangeiro por convite do Estado ou empresas do país hospedeiro ou que tenham sido enviados por representação pelos seus estados ou organizações internacionais não são considerados imigrantes. Todo aquele que permaneça um curto período de tempo não deve ser considerado imigrante pois. por si só. deve existir uma distinção entre os estrangeiros que estão no país a convite do Estado ou empresas moçambicanas. genocídio.

Torna-se particularmente difícil quando as populações dos dois lados da fronteira se consideram uma comunidade. Segundo alguns autores. REF a definição de imigrante fica associada a questão distância. Adicionado a estes factores. casam-se entre si e possuem traços raciais e fenotípicos semelhantes. os indivíduos enviados para trabalhar em outro país por agências ou organizações internacionais e pessoas enviadas ou empregadas por um Estado fora do seu território para desempenhar funções oficiais. podemos assumir que imigrantes são os indivíduos que se estabelecem voluntariamente num território. Pessoas enviadas ou empregadas por um Estado ou em seu nome fora do seu território que participam de programas de desenvolvimento e outros programas de cooperação. Hoje. é difícil distinguir o moçambicano da nova família ou da família adoptiva. Quem é quem. é uma questão complicada. em conformidade com esse acordo. cuja admissão e estatuto são regulados por acordo com o Estado de emprego e que. não são considerados trabalhadores migrantes. Com base nos pressupostos acima referidos. Enquanto o malawiano mantiver família em Moçambique nos limites da fronteira não é 10 . A circulação não é feita de um país para o outro mas sim de uma casa para outra.A título de exemplo. possuem nomes semelhantes. Quando é que os cidadãos da fronteira se tornam imigrantes é uma questão que preocupa aos moçambicanos. de acordo com a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. não são considerados trabalhadores imigrantes os indivíduos que trabalham nas representações diplomáticas e consulares. Estas populações são incapazes de definir onde é a sua casa e quando a adversidade se instala numa das casas mudam-se para outra casa sem obedecer as regras internacionais. ainda existem zonas de penumbra em relação as populações que vivem nas zonas fronteiriças. falam a mesma língua. cuja admissão e estatuto são regulados pelo direito internacional geral ou específico por acordos ou convenções internacionais. Apesar de este conceito deixar claro quem é o imigrante. deve-se lembrar que durante o conflito armado muitos moçambicanos foram viver nos países vizinhos e criaram laços de parentesco e casamento nesses países. de forma temporária ou permanente com intenção de trabalhar e/ou residir no território nacional. A fronteira fictícia definida em termos geopolíticos não é sentida nem reconhecida em termos socio-antropológicos.

As principais teorias da imigração abordam as razões da imigração. melhores condições de vida e imigração. Esta tendência pode ser comprovada pela migração sul-norte no sentido América latina América do norte.1 Modelo de migração do capital humano De acordo com o modelo de migração do capital humano (REF). existe um acordo entre Moçambique e os países vizinhos que permite as populações fronteiriças circularem livremente num raio de 20 km. a medida que se introduz para o interior do país é considerado imigrante. Neste sentido. o homem movido pela sua racionalidade. uma vez que as fronteiras nacionais são abertas e a demarcação fronteiriça não obedece sempre a marcos geográficos evidentes. são poucos os trabalhos teóricos que abordam o impacto dos imigrantes nos países de acolhimento. África. 2. imigra dos seus mercados para outros mercados motivados pelos elevados salários e melhores condições de trabalho. Europa do leste para a Europa ocidental e inclusive pela migração África austral para África do sul. De acordo com esta teoria. médio oriente. Teorias Sobre Imigração Até hoje não foi possível fazer uma grande teoria da imigração nem uma teoria interdisciplinar porque cada disciplina tem a sua linguagem conceptual e analítica. Por outro lado. incluindo o reassentamento no local de destino). no sentido de que só vai imigrar quem tem condições de financiar os custos inerentes a migração (passaporte.considerado imigrante mas. Dentre as teorias que explicam as razões da imigração existe um denominador comum: a relação salário. 2. sendo frequente a discussão em relação ao impacto dos imigrantes sobre os países de origem. O debate sobre a pessoa do imigrante ainda oferece outras zonas de penumbra que devem ser clarificadas por novos estudos sobre a matéria. viagem e todos os bens e serviços pagos no processo de migração.2. 11 .2. o processo de imigração é auto-selectivo. o conceito de violação de fronteiras é mais virtual do que prático. métodos e conhecimento epistemológico. que é a teoria mais aplicada para explicar movimentos migratórios. Na verdade.

Esta teoria admite que os trabalhadores da periferia querem imigrar para o centro a busca de trabalho e melhores salários. principalmente nos países do ocidente. onde a existência de empregos é escassa e os salários são mais baixos do que a média regional. A teoria do sistema mundial admite também que a periferia também tem os seus centros. com poucos empregos e com baixos salários (Goldstein. A África do Sul pode ser considerada o centro da África Austral. O centro seria mais desenvolvido. terá mais propensão para migrar aquele que tenha condições de financiar estes custos.2.3 Teoria da modernização 12 .2 Teoria do sistema mundial A teoria do sistema mundial vê o mundo como estando constituído por um centro e uma periferia. 2. Esta teoria sustenta que o sistema mundial é caracterizado por hierarquias sobrepostas (Goldstein. na expectativa de recuperar o investimento com os salários altos do país de acolhimento. observa também a relação entre empregos no país de origem e empregos no país de acolhimento. Europa do leste para a Europa ocidental e da América latina para a América do norte.2. o modelo de migração do capital humano não consegue explicar as tendências migratórias para países como Moçambique. O mesmo padrão de migração se verifica na periferia da periferia para o centro da periferia. mais industrializado. factor que explica a mobilidade de trabalhadores imigrantes que saem da África.Segundo esta teoria. 2003:464-465). O modelo de migração do capital humano observa a relação entre salários no país de origem e salários no país de acolhimento. 2. menos industrializada. 2003:465). ao nível nacional. com mais trabalho e melhores salários e a periferia seria menos desenvolvida. Maputo seria o centro e as outras províncias a periferia. médio oriente. Apesar de largamente divulgada e difundida.

2008:119). os indivíduos saem do sector tradicional para o sector moderno que oferece melhores salários (Brettell. factores de produção como a mão-de-obra. 2008: 118). Para além disso. violência.4 Teoria da globalização De acordo com a teoria da globalização. De acordo com esta teoria. as migrações eram motivadas por dois factores: os factores repulsivos (push factors) e os factores atractivos (pull factors).Os primeiros estudos sobre imigração internacional baseavam-se na teoria da modernização que distinguia o mundo em dois pólos: um desenvolvido e outro pobre. uma vez regressados a origem os conhecimentos adquiridos seriam aplicados para o desenvolvimento do local de origem (Brettell. o imigrante não encontra as condições materiais para aplicar os seus conhecimentos. Esta teoria assenta na assumpção de que existem dois sectores da economia: um moderno e outro tradicional que trocam para além de bens e produtos. os conceitos de push/pull ainda são dominantes na análise sobre movimentos migratórios (Brettell. Vários são os autores que contestam a teoria da modernização defendendo que nem sempre o dinheiro enviado é usado para investimentos mas sim. estagnação económica. e outros. 2. Motivadas pelo consumismo e devido a sua dependência. Em vez de criar desenvolvimento. as gerações de imigrantes vão se sucedendo perpetuando a ligação entre o país de acolhimento e o local de origem. 2008:119). Apesar da teoria da modernização ser contestada na generalidade. Ainda na assumpção desta teoria. a nova onda de imigração internacional é uma consequência directa do processo de globalização. Factores de repulsão: guerra. políticas e económicas que vem acontecendo nas últimas décadas motivadas pela integração da economia mundial e dos mercados nacionais numa economia global movido pelas grandes corporações internacionais. as pessoas deslocam-se dos locais onde abunda mão-de-obra para os locais onde abunda capital. uma vez regressado. para o consumo e. Os estados abandonam gradualmente as 13 . é um conjunto de transformações sociais. fome. esta tendência contribui para o desenvolvimento dos locais de origem pois os imigrantes enviam os seus rendimentos para a origem e esse dinheiro seria usado para investimentos. A globalização por seu turno. a imigração cria comunidades dependentes e consumistas.2. perseguição étnica e política. De acordo com a teoria da modernização. abusos aos direitos humanos. Movidos pela tomada de decisão racional.

uma vez iniciada. Legislação Internacional Para uma avaliação sobre o impacto sociopolítico. os estados sentem que existe uma grande interdependência entre eles e por força disso pactuam e negoceiam cedências mútuas. Os estados tornam-se incapazes de controlar esta dinâmica que extrapola os seus limites territoriais pois. ela se garante por meio de redes regionais de comércio. Os países moldam-se para atrair investimentos de toda espécie e surge uma grande competitividade entre os estados. existem ganhadores e perdedores. Antes de se avaliar o impacto dos imigrantes é preciso perceber o que a lei permite e que oportunidades ou dificuldades ela cria na vida do imigrantes. mão-de-obra e tecnologia. O entra e sai de pessoas é ao mesmo tempo obrigatório porque dinamiza toda uma economia de produção e consumo. Motivando o surgimento de uma aldeia global. ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO 3. Neste mundo sem fronteiras. produção. os estados resistem e continuam a desempenhar o papel de actores privilegiados e detentores da soberania sobre os seus territórios impondo regras de entrada e saída dos factores de produção como capital. 3. O primeiro instrumento internacional que estabelece a liberdade dos indivíduos deslocarem-se para 14 . económico e cultural dos imigrantes em Moçambique. torna-se necessário conhecer a margem de actuação que estes gozam pela legislação internacional e pela legislação nacional. a mobilidade do capital e do comércio provocam uma crescente mobilidade de mão-de-obra dos países perdedores para os países ganhadores tanto do centro como da periferia. É perigoso porque os estados perdem a capacidade de suportar o elevado índice de estrangeiros nos seus territórios. No entanto. Para além da mobilidade de mão-de-obra entre países assiste-se a mobilidade de capital e tecnologia de uma região para outra. investimento e comunicação. Este processo tem sido acompanhado por uma intensa revolução nas tecnologias de comunicação e informação. a aceleração económica e a competitividade não beneficia a todos os estados pois. Os efeitos dessa rapidez de comunicação e informação ultrapassam a dinâmica económica e provocam a uniformização e a homogeneização da cultura das sociedades. No entanto.1. Todavia.barreiras tarifárias e abrem-se ao comércio e ao capital internacional.

das migrações em condições abusivas.obriga os estados membros da OIT a facilitarem a partida. O artigo 6 da mesma convenção defende que. Artigo 14 (1) Todo o homem tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países em caso de perseguição. O artigo 9 desta convenção obriga os estados signatários a permitirem remessas de dinheiro por parte dos imigrantes em conformidade com a legislação monetária nacional. que faz uma revisão da convenção sobre trabalhadores migrantes de 1939) e a Convenção Sobre as Imigrações Efectuadas em Condições Abusivas e Sobre a Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento dos Trabalhadores Imigrantes (convenção No 143 de 1975). e tem o direito de regressar ao seu país. Os membros das representações diplomáticas e consulares. artigo 4. relativas aos trabalhadores imigrantes são: a Convenção Relativa aos Trabalhadores Migrantes (convenção No 97 de 1949. e na Parte II da igualdade de oportunidade e de tratamento. o seu estatuto jurídico é regulado pela convenção de Viena sobre relações Diplomáticas de 18 Abril 1961 e a convenção de Viena sobre relações consulares de 24 Abril 1963. viagem e acolhimento dos trabalhadores imigrantes e. A convenção Nº143 da OIT trata. O artigo 6 desta convenção convoca os estados a tomarem medidas punitivas para os empregadores de imigrantes clandestinos e para a detecção dos imigrantes ilegais. A par dos esforços da ONU. filiação. que nos seus artigos 13 e 14 defendem o seguinte: Artigo 13 (1) Todo o homem tem direito à liberdade de se movimentar e residir dentro das fronteiras dos Estados. em matéria de legislação laboral. toda gente tem o direito a ser reconhecida como uma pessoa em qualquer país e perante a lei. obriga os estados a concederem aos imigrantes tratamento igual ou que não seja menos favorável àquele que beneficiam os nacionais. particularmente na protecção dos trabalhadores imigrantes. na Parte I. inclusive o seu próprio país. artigo 6. Na segunda 15 . Na primeira parte. a convenção alerta para os perigos e a obrigatoriedade dos estados evitarem o emprego de imigrantes ilegais e o trânsito de migrantes clandestinos. (2) Todos têm o direito de deixar qualquer país. As duas principais convenções da OIT. A convenção Nº 97. organizações sindicais e segurança social.outros países é a declaração universal dos direitos do homem assinada a 10 de Dezembro de 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem empreendido vários esforços na protecção dos imigrantes desde a sua criação em 1919. no tocante a remunerações. apesar de residentes num país estrangeiro e exercerem actividades laborais no estrangeiro não são considerados imigrantes.

e ainda. em conformidade com a legislação nacional e em função das obrigações internacionais do Estado em que estão presentes. o direito de manifestar sua religião ou crença. família. de opinião. O instrumento normativo mais importante para a defesa dos trabalhadores imigrantes é a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores migrantes e os membros das suas famílias. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. culturais. e outros bens monetários para o estrangeiro nos termos das regras monetárias do país de acolhimento. as disposições relativas a igualdade de tratamento em matéria de emprego e profissão. Dentre os vários direitos foram incluídos. adoptada pela ONU a 10 de Dezembro de 1990. o direito à propriedade. o direito de manter sua própria língua. o direito de ser iguais perante os tribunais e todos os outros órgãos e entidades da administração da justiça. Segundo esta declaração. poupanças. Os estrangeiros gozam vários direitos. liberdades individuais e colectivas para aqueles que se encontrem legalmente nos seus territórios. o direito de transferir o seu salário. para casar e fundar uma família. A declaração estabelece no artigo 8 algumas disposições relacionadas com os trabalhadores imigrantes defendendo que os estrangeiros têm direito a salários justos e iguais por trabalho de igual valor e o direito de aderir a sindicatos e outras organizações ou associações similares. o direito à vida e à segurança pessoal. a ONU adoptou em 1985 a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. segurança social. o direito à protecção contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada. cultura e tradição. direitos sindicais. Esta convenção reafirma todos os 16 . a convenção reafirma. no lar ou na sua correspondência. no seu Artigo 5. o direito de reunião pacífica. o direito à liberdade de circulação e a liberdade de escolher sua residência no interior do Estado. participar e ficar com o estrangeiro. no artigo 10. obriga os estados a informarem sobre os direitos e obrigações dos imigrantes e os mecanismos para sua protecção e convida os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas.parte. consciência e religião. O artigo 12. o direito para escolher um cônjuge. o direito à liberdade de expressão. o direito à liberdade de pensamento. Para fortalecer os postulados relativos aos imigrantes. o estado de acolhimento deve autorizar que o cônjuge e filhos menores ou dependentes de um estrangeiro que reside legalmente no território do Estado deve ser admitido para acompanhar.

o direito a protecção diplomática e consular a todos os imigrantes e os membros das suas famílias em casos de detenção por actos criminais. adoptado a 15 de Novembro de 2000. estabelecido no artigo 6. no artigo 1. Um destes instrumentos é o Protocolo para Prevenir. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. os estados devem proteger a existência e a identidade nacional ou étnica. é outro instrumento de importante valor para a protecção dos imigrantes nos países de acolhimento. horas de trabalho estabelecidas por lei. A concessão de direitos e liberdades fundamentais aos imigrantes pela legislação internacional tem um efeito determinante no comportamento dos 17 . é convidar os estados a proteger e assistir as vítimas do tráfico e garantir o respeito pelos direitos humanos. De acordo com esta declaração. Um dos objectivos deste protocolo é prevenir e combater o contrabando de imigrantes e proteger os direitos dos imigrantes contrabandeados. de acordo com a legislação e a prática nacionais. férias remuneradas. descanso semanal. religiosa e linguística das minorias dentro dos respectivos territórios e devem incentivar as condições para a promoção dessa identidade. a saúde. esta convenção afirma no artigo 16. horas extras. Especialmente Mulheres e Crianças. a proibição do trabalho forçado exalados no artigo 11 e 23. o artigo 7 convida os estados a aceitarem a permanecia definitiva ou temporária das vítimas de tráfico no seu território. Para além destes instrumentos específicos e centrais. a legislação internacional criou instrumentos normativos para proteger a pessoa do imigrante nos países de acolhimento. Religiosas e Linguísticas adoptado a 18 de Dezembro de 1992. a cessação da relação de trabalho e quaisquer outras condições de trabalho que. a segurança social.pressupostos da declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem e acrescenta postulados relativos a proibição da escravatura e servidão. Mar e Ar. cultural. O outro instrumento é o Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. a ONU desenvolveu vários outros instrumentos destinados a protecção dos estrangeiros. Como se pode depreender. Por sua vez. O artigo 25 acrescenta que os trabalhadores imigrantes têm direito a boas condições de trabalho. são abrangidas aos trabalhadores nacionais. adoptado a 15 de Novembro de 2000. A Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas. Um dos objectivo deste protocolo. que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.

imigrantes e possibilita-lhes exercerem qualquer actividade. Com o inicio da colonização. Legislação Nacional A imigração não é um fenómeno novo na história de África e de Moçambique. Por regra. o livre movimento dos africanos ficou muito restringido e praticas de nomadismo deixaram de existir. Desde os tempos mais remotos. étnicos. culturais ou linguísticos com os proprietários do território. só podia se estabelecer num território ocupado aquele que partilhasse laços familiares.2. Com o advento das 18 . 3. As práticas de nomadismo só reduziram com o advento da agricultura e quando os homens passaram a assumir a terra como propriedade privada e estabeleceram-se os primeiros estados. Este controlo é um dos pilares da soberania do estado e foi aplicado pelas potências europeias nas suas colónias africanas. Apesar destas regras. O princípio da soberania estabelecida no tratado de Westphalia determinou que os estados tenham direito sobre o seu território e os seus habitantes podendo impor as condições de entrada e saída do seu território aos nacionais e não nacionais. estes indivíduos eram diferenciados do resto da população. As instituições dos estados primitivos estabeleceram normas e regras de entrada e permanência de indivíduos em territórios já ocupados. as constantes migrações devido aos atractivos económicos e ambientais obrigaram os estados a aceitarem indivíduos de outras etnias concedendo-lhes espaço para habitação e cultivo. comummente definido depois da partilha de África (na conferencia de Berlim em 1884-85). Por força desta determinação. a livre circulação de pessoas no continente africano sofreu grandes mudanças. A noção de estrangeiro já existia e estes não gozavam dos mesmos direitos e deveres dos naturais. Estas normas e regras primitivas vigoraram em África até o início da colonização europeia. nos países de acolhimento e. Porém. o livre movimento de pessoas entre as várias regiões de África respondeu ao anseio natural dos homens pela sua sobrevivência. A conferência de Berlim definiu a necessidade das potências colonizadoras estabelecerem fronteiras de ocupação de forma a delimitar os seus territórios a semelhança do que era prática no continente europeu. dentro dos limites da lei. Cada potência controlava o seu território e a sua população impedindo a fuga de mão-de-obra para outras colónias. a partir daí afectarem positivamente no desenvolvimento económico desses países.

independentemente da cor. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. restringir e impedir o movimento migratório). As normas sobre entrada. A mesma lei obriga ao cidadão estrangeiro que queira entrar em Moçambique que se apresente nos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos com toda a documentação necessária e que esteja munido de um visto em conformidade com a duração e os objectivos da sua estadia no país. gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. O controlo fronteiriço imposto durante o período colonial passou a ser exercido pelos estados recém independentes o que significou a continuação das políticas migratórias das metrópoles. com passaporte falso 19 . lugar de nascimento. raça. Com efeito. seleccionar. o cidadão estrangeiro que resida ou se encontre em território nacional. A política de imigração dos estados africanos passou a servir 4 objectivos principais (incentivar. as novas nações passaram a ser definidas em função das fronteiras coloniais. sexo. permanência e saída do cidadão estrangeiro em Moçambique são actualmente regidas pela lei 5/93 de 28 de Dezembro. religião. o artigo 35 da constituição afirma que todos os cidadãos são iguais perante a lei. posição social. origem étnica. goza dos mesmos direitos e garantias e está sujeito aos mesmos deveres que o cidadão moçambicano.º 38/2006. excluindo os direitos políticos e os demais direitos e deveres expressamente reservados por lei ao cidadão nacional. os estados vem estabelecendo normas e regras para controlar o movimento de pessoas tanto nacionais como estrangeiros no território nacional. De acordo com o artigo 4 desta lei.independências africanas (1960). Todo aquele que entre no território nacional sem passaporte. Sendo assim. grau de instrução. profissão ou opção política. Todos os residentes no território até a altura da independência eram considerados nacionais e todo o não residente passou a ser estrangeiro. Muitos destes instrumentos. O primeiro instrumento que regula a relação entre o Estado e os cidadãos residentes em Moçambique é a constituição da república. os estados africanos passaram a adoptar normas e regras de controlo fronteiriço estabelecidos pelas ex-metrópoles e adoptaram as normas internacionais relacionados com esta matéria. estado civil dos pais. A partir dai. houve um acordo entre os estados africanos defendendo a irreversibilidade das fronteiras coloniais. Desde o surgimento do estado hobbesiano. estabelecidas nas leis orgânicas dos Estados obedecem aos interesses e motivações dos estados individuais e também das normas e regras internacionalmente criadas. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique e pelo regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n.

através do decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro. ou ainda. pode o Estado moçambicano reservar exclusivamente a cidadãos nacionais determinadas funções ou actividades que se enquadrem nas restrições ao seu exercício por cidadão estrangeiro.ou caducado. a empresa prevaricadora pode ser punida. os que entram por postos não habilitados são considerados migrantes clandestinos. O Artigo 11 desta lei prevê Sanções para as empresas que não observem as normas legais. por cada trabalhador estrangeiro em relação ao qual se verifique a infracção. Sem prejuízo do disposto no número anterior. tem o direito à igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores nacionais. a presente lei estabelece no artigo 6 que. no quadro das normas e princípios de direito internacional e em obediência às cláusulas de reciprocidade acordadas entre a República de Moçambique e qualquer outro país. que o trabalhador estrangeiro. Em relação ao trabalhador imigrante. que exerça uma actividade profissional no território moçambicano. Para além deste dispositivo que vela pela situação dos trabalhadores nacionais. sendo que. As entidades empregadoras devem criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração das empresas. A contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira por entidades empregadoras nacionais e estrangeiras fica sujeita à autorização do Ministro do Trabalho ou de quem este delegar. a lei do trabalho. De acordo com esta lei. O artigo 2 da mesma lei estabelece como condição para a contratação de estrangeiros que A autorização para contratação de trabalhadores estrangeiros fica condicionada à comprovação pelo Centro de Emprego do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de que possuem qualificações académicas ou profissionais necessárias e que não existem cidadãos nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente. Ainda em relação a contratação de trabalhadores estrangeiros. com a multa de dez a oitenta salários mínimos e o trabalhador estrangeiro fica imediatamente suspenso. no artigo 1. lei No 23/2007 de 1 de Agosto. afirma no Artigo 31. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. o governo estabeleceu. nomeadamente em razão do interesse público. A lei do trabalho introduz novas clausula não previstas no decreto-lei 57/2003 20 .

etc). o Estado veda. Muitos países que procuram mão-de-obra procuram acima de tudo avaliar a qualidade desta força de trabalho. Se o país possuir cidadãos com aquelas qualificações não é permitida a contratação dos estrangeiros. americanos. b) 8% Da totalidade dos trabalhadores. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades.64). deve estabelecer de uma forma bem clara a sua política de imigração.ao determinar. nas pequenas empresas. A excepção a regra são os grandes projectos. aptidões. 2008. nível escolar. Para que o país possa seleccionar melhor os imigrantes que pretende. quotas de admissão de trabalhadores estrangeiros. Há empresas que admitem trabalhadores a margem da cota mas precisam de autorização. Não basta admitir estrangeiros. Países europeus. Como seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir é um desafio para o estado moçambicano. a lei defende que a admissão de estrangeiros só pode acontecer no caso de não existir nacionais com aquela qualificação. nas médias empresas. c) 10% Da totalidade dos trabalhadores. A empresa deve justificar que fez pesquisa nacional e que não achou moçambicanos com capacidades. capital. que controla a legalidade laboral se há contratados sem autorização o estado suspende o estrangeiro. no artigo 34. de cortesia. que se contrate estrangeiros que tenham entrado no país mediante visto diplomático. pelo artigo 32 da lei do trabalho. A prioridade para o emprego é dada ao nacionail. de negócios ou de estudante. Torna-se urgente estabelecer políticas com estratégias claras de imigração. oficial. de visitante. 21 . O estado fiscaliza. permanecia e saída de imigrantes. estado de saúde. através da inspecção do trabalho. níveil de vida e o estatuto financeiro (Chiswick. Para além deste controlo. Até hoje. asiáticos e até latino americanos têm uma política de migrações que veda a entrada de imigrantes não-económicos e com poucos ‘skills’ (habilidade definidas de forma mais alargada desde conhecimentos. consoante o tipo de classificação de empresa: a) 5% Da totalidade dos trabalhadores. Moçambique só estabeleceu leis que determinam as regras de entrada. turístico. nas grandes empresas. qualificações.

Além disso. políticos. Esta onda de imigração forçada e legal durou cerca de 5 anos para os Zimbabweanos.4. de acordo com evidências empíricas. Neste contexto. Contudo. Moçambique está na rota da imigração desde a independência. houve casos de cidadãos dos países socialistas e capitalistas. altura da assinatura dos Acordos Gerais de Paz (AGP) e 1994. um país de acolhimento e de trânsito. voluntária. Com efeito. guerrilheiros e activistas da África do Sul. maioritariamente. com base nos artigos 4 e 21 da Constituição de 1975. mais de uma década no caso dos Sul-africanos. o fluxo e a complexidade da imigração cresceram. Zimbabwe. os chamados “cooperantes”. inclusive. desde de 1992-1994. mais de 20 anos para os Timorenses e prevalece uma abertura 22 . assegurado pela situação políticoeconómica caracterizada por guerra de desestabilização e crise económica de tal forma que o fluxo de imigração forçada. enquanto os registos oficiais demonstram uma entrada maciça de imigrantes legais e ilegais. o país recebeu imigrantes no contexto do apoio às lutas contra o colonialismo e imperialismo e luta dos povos pela sua libertação nacional. 4. legal e ilegal era baixo até 1992. Palestina e Timor-Leste que lutavam pela libertação dos seus povos. Com efeito. Nesta altura. o Estado promoveu. ano da realização das primeiras eleições gerais (presidenciais e legislativas) multipartidárias. que se estabeleceram em Moçambique e. até certo ponto. as estatísticas da imigração nacional variam muito e a capacidade estatal de controlo está a ser posta em causa. CARACTERIZAÇAO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE: ORIGENS. uma imigração politicamente selectiva cujo fluxo esteve sob controlo. de certa forma.1 Origens dos imigrantes A imigração politicamente motivada acolheu. ao mesmo tempo. igualmente. em 1975. se tornaram Moçambicanos. ROTAS DE ENTRADA E LOCAIS DE FIXAÇAO DE IMIGRANTES. os registos de estrangeiros residentes tende a flutuar muito porquanto Moçambique representa. Este controle foi.

indianos e bengalis) e do Médio oriente (principalmente libaneses) e da América (fundamentalmente do Brasil). os Somalis. 23 . com particular destaque para Paquistaneses e Bengalis que. os Paquistaneses e os Chineses constituem os grupos de imigrantes predominantes em Moçambique. Senegaleses. os Kenianos e os Tanzanianos compõem o grupo dos imigrantes originários da África Oriental. esta terceira onda é dominada pela imigração massiva de africanos. de poder de influência. procuravam melhores condições sócio-económicas. Guineenses da Guiné Conacry.para o caso dos palestinianos. Nigerianos e Camaroneses representam a África Ocidental. cidadãos do Benin. muitos destes imigrantes regressaram às suas origens de tal forma que esta onda de imigração não foi problemática do ponto de vista demográfico e permaneceu selectiva em relação as nacionalidades. inclusive. depois de 1992-1994. A segunda. No entanto. o número de imigrantes e a variedade de nacionalidades alargouse através de três grandes ondas de imigração. dos ilegais. Quanto aos Grandes Lagos. Sul-africanos e Zimbabueanos são os principais imigrantes da África Austral em Moçambique. foi caracterizada pelo predomínio de Asiáticos. os Libaneses. Com efeito. pois dados quantitativos nacionais e internacionais sobre os imigrantes em Moçambique não revelam a magnitude real em termos de nacionalidades dos imigrantes legais e. retornavam ao país para reaver os bens deixados após a independência. As ondas de imigração pós AGP vieram suplantar do ponto de vista numérico e. paquistaneses. principalmente da África Austral. supostamente. de acordo com evidências empíricas. os Congoleses. os Etíopes. A primeira foi dominada por Portugueses que. da África Ocidental e Oriental. muito menos. Por último. os Nigerianos. os Somalis. A terceira onda de imigração é actual e nela se destacam imigrantes provenientes da Ásia (maioritariamente Chineses. alegadamente. No entanto. os Burundeses e os congoleses constituem as nacionalidades preponderantes. existe uma percepção de que os Portugueses. os Burundeses. dos Grandes lagos. uma grande comunidade imigrante Indiana de várias gerações que esteve presente em todo o país e tinha um grande protagonismo no domínio comercial. Malianos. Neste contexto. No entanto. os Guineenses. os Sul-africanos. esta percepção não tem um suporte estatístico oficial e fidedigno.

por outro. Por seu turno. voluntária. financeiras e a segurança. em todos os outros casos a imigração em Moçambique é descrita como sendo voluntária e.Na imigração africana. alegadamente. Com efeito. alegadamente. destacam-se duas situações completamente distintas. existe um grupo considerável de imigrantes falantes da língua Árabe que se expressam com muita dificuldade tanto em Inglês como em Francês. compostos por homens entre os 21 e 40 anos de idade. e é forçada por instabilidades político-militares. pessoas com um elevado grau de formação e pertencem a “classe média”. estes possuem contratos de trabalho para prestar serviços especializados em empresas. em Moçambique. Sul-africanas que 24 . é considerada um constrangimento à imigração em família. fundamentalmente. Entretanto. indivíduos relativamente estáveis que possuem recursos financeiros e procuram oportunidades para prosperar economicamente. Estes grupos de imigrantes são. maioritariamente falantes de Inglês e/ ou Francês num Moçambique multilinguístico mas que tem o Português como língua oficial. pois estas não são suas línguas. essencialmente. Entretanto. do Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) onde a emigração foi. Na caracterização do imigrante africano. isto é. os africanos e os não africanos. Esta barreira linguística. os Sul-africanos constituem uma excepção em termos sócio-económicos. associada a dificuldades económica. por motivos comerciais. ambos com baixo nível de formação académica exceptuando alguns casos raros.1. na imigração não africana. à excepção da Somália. 4. Por um lado existem pessoas pobres que lutam pela sobrevivência e. os Libaneses constituem um caso de uma mistura entre a imigração forçada e voluntária enquanto nos outros grupos a imigração é. a barreira linguística tem sido minimizada ao longo do processo de integração social. trata-se de um grupo de imigrantes maioritariamente camponês e de outro grupo predominantemente comerciante. pois na sua maioria são. A condição social dos imigrantes que se estabelecem em Moçambique é diversificada em função da sua origem. pois os imigrantes aprendem a língua portuguesa em ambientes formais e informais. Por um lado. Quanto a imigração africana. essencialmente.1 Condição socioeconómica dos imigrantes em Moçambique.

Para ambos grupos. contratados para prestar serviços ou ocupar cargos de confiança em empresas. meios ilegais. A excepção dos sul-africanos. em empresas de construção civil. os Paquistaneses são. Contudo. tido um papel social positivo para muitas famílias Moçambicanas mas também é altamente lucrativa. Por outro lado. esta percepção da facilidade de prosperidade dos imigrantes é extensiva aos africanos. Em relação aos imigrantes Asiáticos. alegadamente. os Paquistaneses que trabalham no ramo comercial são suspeitos de prosperar usando. a maioria dos imigrantes professa a religião islâmica. os Chineses e os Paquistaneses constituem as nacionalidades mais evidentes no seio da opinião pública. é importante distinguir os portugueses e os brasileiros e os imigrantes da Ásia e Médio Oriente pela sua considerável expressão do ponto de vista numérico e geográfico. Além disso.operam em Moçambique. Mas. dos brasileiros e chineses. muitos estão a ganhar conhecimentos básicos da língua portuguesa no ambiente informal dentro e fora trabalho. Os Chineses constituem um grupo que está. Quanto a imigração não africana. Em relação aos Portugueses e Brasileiros. Esta situação não constitui uma 25 . igualmente. constata-se que também estão em Moçambique muitos técnicos da “classe média/alta”. é importante colocar o alerta para a existência de uma alegada política de exportação de pessoas com objectivos políticos e económicos que incluem a necessidade de assegurar espaços de influência e oportunidades de internacionalização de empresas. Estes não trazem família e são. supostamente. de grosso modo. Alias. dos portugueses. pessoas desfavorecidas que encontram na imigração uma oportunidade para melhorar a sua condição sócio-económica. Por seu turno. Boer falante de Afrikans e Inglês. existe um número considerável de imigrantes. a prestar serviços. particularmente africanos que desenvolvem a chamada medicina tradicional que tem. vistos como indivíduos de uma condição desfavorável mas que rapidamente atingem a prosperidade. fundamentalmente. dentro da imigração Sul-africana existe um número significativo de pessoas que estão em Moçambique na condição de investidores estrangeiros. Além disso. alegadamente. a língua não constitui uma barreira nos objectivos dos imigrantes maioritariamente jovens que raramente trazem família. fundamentalmente da “classe média/alta”.

nacional e transnacional. em Moçambique imigrantes qualificados e não qualificados. pela percepção da dimensão numérica. simultaneamente. 1997: 198). intervenção de uma rede de crime organizado que envolve Moçambicanos e estrangeiros cujas nacionalidades não estão claramente identificadas. um problema institucional.novidade tomando como base ?????? (Huntington. Esta fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. económico e cultural negativo a nível doméstico e internacional. A percepção e descrição da condição sócio-económica dos imigrantes possuem um valor analítico importante para avaliar o grau de ameaça ou de oportunidade que a imigração representa para Moçambique e para os Moçambicanos. actualmente. é livre e com. Além disso. Há. por um lado. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sócio-política e segurança dos indivíduos bem como do Estado se não for operacionalizada a cooperação intra-estatal e internacional. A fragilidade em termos de dados estatísticos é. sob o ponto de vista demográfico. Assim. Este assunto é. alegada. particularmente para Moçambique. pessoas da classe média/alta e de classe baixa. que requer uma abordagem multidisciplinar e de grande cooperação entre Moçambique e os Estados vizinhos que devem assumir uma postura proactiva. 26 . os imigrantes não qualificados e de classe baixa constituem a maioria. o Estado pode actuar de forma proactiva e evitar surpresas estratégicas que podem ter impacto sócio-político. Portanto. em termos operacionais. A imigração qualificada é promovida pelo sector económico. quiça. em termos de extensão e intensidade. Entretanto. o processo de integração regional e a futura liberalização do mercado de trabalho podem ter uma influência no fluxo de imigração para a África Austral e. na caracterização dos imigrantes. existe em Moçambique uma mistura de imigrantes qualificados e não qualificados. particularmente as empresas estrangeiras. Por outro lado pode servir para prever prováveis problemas contra os imigrantes. Esta atitude pode constituir uma forma de colmatar a fragilidade institucional do ponto de vista estatístico e. Enquanto que a imigração não qualificada.

Neste contexto. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro. alegadamente. 2007) e permanentes ou temporários. No caso de Moçambique. ilegal. por exemplo. Neste grupo. Além disso. a lei 5/93 de 28 de Dezembro. os imigrantes podem ser voluntários ou forçados. de acordo com a legislação Moçambicana. Contudo. Uma terceira e última parte. uma vez no país.1 Categorias de imigrantes em Moçambique Existem várias formas de categorização dos imigrantes. decidiram ficar. a percepção de que há. pelas facilidades existentes para a prática de negócios. temporários e clandestinos. esta percepção pode ser simplista se considerar que foram constatados casos de imigrantes ilegais que não tinham Moçambique como destino mas. 23/ 2007 de 1 de Agosto. Quanto a legalidade dos imigrantes. turistas. inclusivamente Moçambicanos. evidências mostram que uma parte significativa vem a Moçambique por meio de empresas com base em quotas legalmente estabelecidas pela lei de trabalho. Uma segunda parte. 4. Homem de negócios e estudantes estrangeiros. em Moçambique. que parece ser a maioria. incide.1. existe o caso da imigração trans-fronteiriça que ocorre através dos postos de migração ao longo da vasta fronteira mas há. Este grupo de imigrantes legais temporários inclui. cidadãos estrangeiros em trânsito. é importante destacar que as autoridades migratórias e policiais detectaram. fundamentalmente. No entanto. em alguns casos.Moçambique representa uma rota de trânsito para imigrantes ilegais e um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. por meios próprios. internos ou internacionais. mais imigrantes ilegais do que legais pode reduzir o peso da constatação de que “Moçambique. vem a Moçambique individualmente e/ ou em grupos. a educação e a saúde e depois permanecem no país tornando-se. igualmente um grande fluxo de imigração com uma forte carga sócio-cultural que não se processa de acordo com a exigência legal migratória. 27 . principalmente. alegadamente. regulares ou irregulares (Oucho. sinais de existência de redes internacionais com ramificações nacionais que se dedicam ao recrutamento e/ou facilitação de imigração legal e. Mas é a legalidade ou ilegalidade dos estrangeiros que tem concentrado maior atenção da opinião pública e das autoridades estatais. vem a Moçambique via contratos de trabalho com entidades estatais como. rota dos imigrantes ilegais e destino dos legais”. sobre a categoria dos estrangeiros permanentes.

o cumprimento desta obrigação está dependente da capacidade fiscalizadora das autoridades migratórias e policiais que tem sido pouco activa devido a fragilidade de meios humanos. o imigrante ilegal de hoje tem-se tornado o imigrante legal de amanhã. Esta é acção do ramo doméstico do crime organizado considerado “contra vigilância”. por meios ilegais com a conivência de agentes do Estado em várias áreas. Em alguns casos. Perante esta situação. Entretanto. constata-se que há imigrantes que chegaram a Moçambique na condição de refugiados e depois se tornaram imigrantes. e 4) imigrantes irregulares. segundo as autoridades de guarda fronteira. como local de destino. as autoridades de guarda fronteira detectaram grupos de mais de 50 imigrantes que viajavam em condições desumanas. Assim. foram constatados casos em que o imigrante legal de hoje torna-se imigrante ilegal de amanhã.No grupo de “imigrantes contratados”. 3) imigrantes trans-fronteiriços. que é invisível e supera a capacidade fiscalizadora do Estado. pois o país está aberto aos imigrantes quanto mais 28 . Passado algum tempo. por exemplo. que se estabelecem permanentemente no país sem intenção de transitar para a RSA mas sem nenhuma documentação ou que estejam em situação de refugiados mas sem a devida documentação. que estabelecem relações de âmbito sócio-culturais ao longo da fronteira entre Moçambique e os países vizinhos. presumivelmente. o tempo de permanência é de 2 anos renováveis de acordo com a lei de trabalho enquanto que não há um limite temporal para os imigrantes legais permanentes que estão a trabalhar na área comercial desde que cumpram com os requisitos preconizados no ordenamento jurídico vigente. estes imigrantes ilegais são. 2) os imigrantes transitórios. Dentre os vários grupos de imigrantes ilegais existem aqueles que ao serem detectados pelas autoridades Moçambicanas são imediatamente repatriados e existem os são chamados a regularizar a sua situação. financeiros e técnicos. mas principalmente para a África do sul. Deste grupo a maioria escala Moçambique como um corredor de trânsito para a África do Sul e uma minoria permanece. tornados legais. Perante a complexidade de imigração em Moçambique é possível distinguir 6 tipos de imigrantes ilegais: 1) os imigrantes legais que se tornam ilegais devido. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique em grupos de 4 ou mais pessoas. Por seu turno. que passam pelo país com objectivo de viajar para outros destinos. Além disso. a expiração do tempo de permanência.

ainda não existe uma base de dados que permita afirmar com exactidão. a percepção é de que existem mais imigrantes ilegais do que legais em Moçambique em trânsito ou em permanência. Mas. terrestre e marítima. Moçambique entrou na rota de imigração. como um corredor de trânsito de imigrantes legais e ilegais para a África do Sul. No final da década de 1990 houve casos de imigrantes ilegais provenientes da Ásia que entraram em Moçambique por via aérea. em grande escala. esta situação permite contornar as autoridades mas também facilita a acção das redes organizadas de recrutamento e facilitação de imigração clandestina. os imigrantes ilegais chegam a Moçambique. devido a mediatização dos casos e a consequente elevação dos níveis de controlo os imigrantes ilegais abandonaram ou reduziram a via aérea como uma opção para a imigração em Moçambique. 29 . A maioria dos imigrantes nesta situação é africana. não existem dados quantitativos globais e exaustivos que revelam a magnitude real em termos de legalidade ou ilegalidade dos imigrantes a nível nacional. os imigrantes estão expostos ao perigo do trafico de pessoas que é um negócio altamente lucrativo mas que ainda não há dados sobre o fenómeno associado a imigração em ou para Moçambique. dos imigrantes africanos ilegais. Do ponto de vista estatístico oficial. No entanto. em Moçambique. 4. com o fim do Apartheid. A entrada dos imigrantes legais e ilegais.2 Rotas de Entrada de Imigrantes Desde a década de 1990.não seja pelo reconhecimento de que a imigração pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de Moçambique. No entanto. Com efeito. à complexidade da acção das redes de imigração clandestina. dentro deste grupo. do ponto de vista empírico. A situação torna-se mais difícil de controlar devido. sobretudo. ocorre por via aérea. Contudo. preferencialmente via terrestre devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira1. Moçambique constitui um destino (temporário ou definitivo) para imigrantes legais. quais as nacionalidades predominantes. Além disso. 1 A imigração Sul-africana é um caso particular que não cabe nesta constatação. Neste contexto.

e Machipanda em Cabo Delgado. de certa forma. em Tete. no Niassa. extensa e com uma supervisão e controle frágil. os imigrantes são escondidos no meio de mercadorias ou em camiões cisternas como forma de ludibriar as autoridades de migração e guarda fronteira. camionistas de longo curso. Neste contexto. Para o efeito. parece que a fronteira marítima está a ser pouco usada na imigração e isso tem servido para menosprezar. Este facto ocorre devido a ausência de receios quanto a legalidade da imigração e pela redução de riscos associados a imigração terrestre ou marítima que está sujeita a redes de recrutamento e facilitação de imigração ilegal. alegadamente. os imigrantes legais usam. Noutros casos. 4. em diversos pontos longe da localização oficial dos postos fronteiriços. Com efeito. As entradas ilegais são feitas. também são pontos de entrada ilegal de imigrantes. um problema da Zâmbia mas principalmente da Tanzania e do Malawi por onde supostamente entra a maioria dos imigrantes ilegais. 30 . Neste contexto. Niassa e Manica. baixo devido ao controle implacável das autoridades fronteiriças do Zimbabwe. a fronteira marítima é. igualmente. na análise das rotas de imigração em Moçambique. igualmente. os distritos fronteiriços do Norte (Cabo Delgado e Niassa) e Centro (Manica mas. Metangula. Com efeito. os imigrantes ilegais atravessam as fronteiras ilegalmente usando a corrupção. há poucas evidências relativamente a entrada de imigrantes ilegais por via das fronteiras marítimas no Lago Niassa e no Rio Rovuma. respectivamente.Por seu turno.2. na zona de Machipanda o fluxo de imigrantes ilegais é. igualmente. Esta realidade coloca a reserva vulnerável a acção de caçadores furtivos. A título de exemplo. No entanto. é considerada uma das mais vulneráveis a imigração ilegal. Este é. a entrada de imigrantes ilegais em Moçambique não pode ser vista como um problema unicamente Moçambicano. a reserva natural de Mecula. principalmente Tete) têm sido os principais pontos de entrada de imigrantes. a norte de Moçambique. A fronteira de Zóbué. Mueda. maioritariamente.1 As Rotas de Entrada Terrestre A rota de imigração terrestre desenvolve-se no sentido Norte e Centro em direcção ao Sul. por exemplo. a via aérea. Entretanto. constitui um ponto de entrada de imigrantes ilegais. os imigrantes tem subornado. de acordo com alguns imigrantes entrevistados. Assim.

Mas. pois estão sendo alargadas as portas de entrada de Moçambique sem a correspondente capacidade humana e. Na maioria dos casos.4. Entretanto. principalmente pela fronteira de Ressano Garcia. o único ponto de entrada de estrangeiros constituiu uma vantagem do ponto de vista de registo controle e supervisão dos imigrantes. neste grupo de imigrantes legais é importante distinguir os que tem Moçambique como destino e os que tem a África do Sul como destino. Neste contexto. Beira. Nampula e Pemba que estão a receber aeronaves estrangeiras pode representar uma fragilidade do ponto de vista de supervisão e controle. Nigéria – África do Sul – Maputo é o trajecto usado pelos Nigerianos. via terrestre. principalmente técnica e tecnológica para fazer face a complexidade da problemática da imigração. na África do Sul. a título de exemplo. o Aeroporto Oliver Thambo. de forma clandestina. a entrada de estrangeiros nesses pontos tem sido excessivamente apenas do ponto de vista turístico e trabalhadores contratados menosprezando a situação no quadro dos dilemas da imigração. durante muito tempo. Com efeito.África do Sul – Maputo e Paquistão África do Sul – Maputo.2 As Rotas de Entrada Aérea As rotas aéreas de imigração legal partem de vários pontos de dentro e de fora do continente Africano. O facto de Maputo ser. Johannesburg e Maputo são pontos incontornáveis de entrada de imigrantes legais. 4. pois são poucos os países que tem ligações aéreas directas para Moçambique. Portanto.3 Locais de fixação dos Imigrantes em Moçambique 31 . os imigrantes Guineenses fazem a rota Guiné Conacry – África do Sul – Maputo. foram constatados casos de imigrantes legais que chegam a Moçambique por meios aéreos mas posteriormente entraram na África do Sul. Alguns Malianos em Moçambique usaram a rota Mali – Quénia – África do Sul– Maputo.2. o alargamento de ligações aéreas do estrangeiro para diversos pontos de Moçambique como Vilankulo. tem sido um ponto de trânsito obrigatório. Além disso. De fora de África salientam-se as rotas Dubai .

são. A existência de mercados informais nos grandes círculos urbanos é apontada como um factor que atrai os imigrantes2. Com efeito. é onde existem as maiores oportunidades de negócio. É importante referir que Maputo e Nampula têm a particularidade de serem. os mercados informais estão progressivamente a ser dominados por imigrantes 32 . uma percepção de que a zona Sul e Norte. Mas. Existe portanto. Centro e Norte de Moçambique de forma a traçar cenários demográficos. existe a percepção de que é no círculo urbano onde se encontram as maiores facilidades de realização de negócios comparativamente ao meio rural. principalmente dos ilegais.Os imigrantes encontram-se fixados em quase toda a dimensão territorial de Moçambique. Neste contexto. Existem. Pelas evidências empíricas. os locais de fixação de imigrantes estão muito associados a interesses maioritariamente económicos. Além disso. a vantagem de estar próxima da África do Sul. Os meios rurais e os espaços suburbanos. igualmente. também. Mas. é difícil sem uma base estatística fiável. económico-sociais e até políticos e de segurança. alegadamente. Maputo e Nampula são grandes corredores de desenvolvimento. a distribuição geográfica. Maputo tem. respectivamente. No entanto. igualmente. por ser menos onerosa. numérica e em termos de nacionalidades não esta documentada nas poucas estatísticas oficias que existem. Esta “geopolítica dos interesses dos imigrantes” é um aspecto que não deve ser ignorado em qualquer avaliação do impacto da imigração em Moçambique. constata-se que os imigrantes tendem a fixar-se em locais de muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos mas facilmente exploráveis. Maputo Província e Nampula são considerados os pontos de maior circulação de dinheiro onde há muitos imigrantes. Nampula e Niassa. mais do que isso. Maputo Cidade. Neste contexto. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano 2 A título de exemplo. nas capitais provinciais de Cabo Delgado. evidências que mostram de que a zona Centro e Norte é onde há abundância de recursos naturais. é importante questionar quais são as nacionalidades predominantes no Sul. mas. o antigo e actual centro de acolhimento de refugiados. há maior circulação de dinheiro do que o meio rural ou suburbano é para acomodação. afirmar em que região do país há mais imigrantes. Além disso. as suas actividades diárias ocorrem nos círculos urbanos pois. espaços preferidos para habitação de imigrantes ilegais que estão constantemente a fugir das autoridades policiais e migratórias.

repartição desigual dos rendimentos. e outros que levam as pessoas a escolherem o país para onde imigrar. de verem os seus direitos civis preservados. 2001:1). e estes factores não tem nenhuma relação com a pobreza ou riqueza. Existem outros factores que estão na origem da imigração. 5. como o comércio internacional. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. a globalização que cria a imigração de quadros e pessoal especializado. 5. que explicam a emigração. a necessidade de investir em novos mercados. violação dos direitos 3 Situações de pobreza absoluta são consideradas um dos principais factores de imigração. O que move as pessoas segundo Kearny.FACTORES QUE EXPLICAM O FLUXO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Para alguns autores como Kearny (1986:353).mas. Por outro lado. igualmente.A teoria Push-Pull Os autores que estudam a imigração são unânimes em afirmar que é necessário que existam razões que levem as pessoas a decidirem imigrar. terem segurança. Regra geral as pessoas são motivadas pela possibilidade de conseguir trabalho. 33 . e quando isto acontece os imigrantes geralmente dirigem-se sobretudo para os países mais próximos. p. 49).1. (Schachter. que vem da pobreza absoluta3. o turismo. é a necessidade que elas têm de se desenvolver como pessoas. Segundo estes autores. Estes são. que vão desde problemas políticos e económicos. diz-nos que existem factores de repulsão (push) que fazem com que as pessoas queiram sair dos seus países de origem. razões essas. nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência. a imigração explica-se a partir da necessidade de desenvolvimento humano. ou melhores condições de trabalho. muitos cientistas sociais acreditam que existe uma combinação de factores económicos e não económicos. clima. repartição desigual dos rendimentos. pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. Esta pobreza muitas vezes é causada por conflitos no país de origem. a mundialização dos negócios. e é a procura desse desenvolvimento que elas deslocam-se das suas zonas de origem para outras. taxas de desemprego elevadas. necessidade de uma formação melhor. A teoria Push-Pull. como diz Kearny. imigrantes legais. e cuidados de saúde (HDR-2009. aparentemente. há.

como pudemos verificar durante as várias entrevistas efectuadas. e a proximidade com África de Sul. formação. factores relacionados com a possibilidade. que influenciam na escolha do local. 34 . 7 Os imigrantes escolhem Moçambique já com algum negócio em mente. e as oportunidades de trabalho. 6 A estabilidade política e económica de que Moçambique goza. A maior parte dos entrevistados durante a realização do estudo afirmaram que Moçambique tornou-se local de eleição dos imigrantes. que seriam os considerados factores pull. que são um conjunto de vantagens comparativas existentes nos países desenvolvidos que atraem essas mesmas pessoas. ou algum conhecimento sobre a situação económica do país. ou do país de imigração4. de investir no país. 5. a internacionalização do comércio. encontra-se numa fase de expansão. dizem ter muita facilidade de praticar algum negócio para a sua subsistência e dos seus familiares afirmaram alguns dos entrevistados 7. 5 A globalização levou a liberdade de trocas comerciais. Assim como existem factores de atracção. e a segurança que estes países podem oferecer. Isto é: existem factores que levam as pessoas abandonarem as suas regiões de origem. Portanto deve existir motivos de atracão que os levam a um certo país. são na sua maioria factores relacionados com a estabilidade política que o país atravessa. Os imigrantes escolhem Moçambique como ponto de fixação porque uma vez aqui instalados. Neste contexto a ideologia da economia do mercado. principalmente devido a sua estabilidade política e económica6. Segundo estes 4 A escolha do país para onde imigrar prende-se muito com a estabilidade política e económica que esses países oferecem. E factores que os levam a escolher Moçambique como ponto de fixação. relacionados com a procura de melhores condições de vida. Portanto os imigrantes. necessidade de investir em novos mercados onde as oportunidades de negócio são melhores. disponibilidade de terras. 2000:82). e assiste-se a internacionalização dos mercados. necessidade de uma formação melhor. (Castles. que. factores de origem social. constitui um elemento chave. e política.O caso de Moçambique No caso de Moçambique o grande fluxo de imigrantes pode ser explicado em parte com base na teoria push-pull. e ainda devido a possibilidade de se praticar o comércio e investir em novas áreas de negócio. boas oportunidades económicas. liberdades politicas.2. Assim como factores relacionados com a globalização5.humanos. para atrair imigrantes. isto porque estes já possuem algum familiar cá. acesso a sistemas de saúde. económica. e outros. que tornou-se um fenómeno a escala mundial. já chegam em Moçambique com um objectivo concreto da sua estadia em Moçambique. esses factores são: procura de mão – de obra. e outros.

profissional. ou opinião pública. de investimento. e/ou profissional. passam a fazer parte do grupo de imigrantes porque segundo os nossos entrevistados. Para explicar este fenómeno. o que explica em parte o grande fluxo de imigrantes naquela região do país. ou perseguição devido a sua raça. sem poder regressar durante um certo período de tempo. o que lhes facilitam todo o processo de deslocação. regra geral a laços previamente existentes entre os países de origem dos imigrantes. Nampula acaba sendo um ponto estratégico devido a existência do centro de refugiados. colonial. ou ainda associação a determinado grupo social. Isto porque estas ligações vão ser uma fonte importante de 8 Refugiado. Os entrevistados referiram-se ainda ao facto de muitos dos imigrantes que entram em Moçambique possuírem já alguma relação de familiaridade. alguns saem e não regressam mais ao centro. e pelo que nos foi dito. p:123). o centro possui uma politica aberta que lhes permite sair a procura de trabalho para a sua subsistência. (Centro de Refugiados de Maratane) mais concretamente na província de Nampula. e passado pouco tempo já tem uma loja. Outro factor importante que explica o fluxo de imigrantes em Moçambique relaciona-se com a existência de um centro de refugiados em Moçambique. encontra-se fora do seu país de origem. e outros. afectivo ou cultural. religião ou nacionalidade. politico. A literatura considera que existem movimentos migratórios que se associam. e os países de acolhimento. militar. Os Refugiados8. que os teóricos não consideram imigrantes voluntários. Portes e Borocz (1989) referem que as imigrações devem ser vistas segundo a teoria das redes sociais: um fenómeno de construção de associações entre pessoas ligadas por algum laço seja ele familiar. que também explicam os fluxos de imigrantes de um país para o outro. 2000. neste momento o centro possui cerca de seis mil habitantes. O grupo de estrangeiros que entra em Moçambique com o objectivo de ir ao centro de refugiado é enorme. é toda a pessoa que por razoes da sua própria segurança. comercial. uma banca num mercado informal. não implicando necessariamente uma aproximação geográfica. Esta teoria serve também para explicar o fluxo de imigrantes para Moçambique. porque pelo que pudemos constatar durante as entrevistas. muitos dos imigrantes que vêm investir em Moçambique tem de alguma forma alguma relação com o país. começam com pequenos negócios. recepção. entre eles. podem ser de índole. 35 . estes laços segundo (Castles.geralmente os imigrantes. e integração.

As estimativas sobre o volume deste fluxo são difíceis de se obter uma vez que não possuímos dados estatísticos sobre o número dos imigrantes que entraram em Moçambique. alguns dos entrevistados afirmam. principalmente o fluxo de imigrantes ilegais. violência. ou religiosa. 6. fazem-no na grande maioria das situações. Os homens e as Mulheres que abandonam os seus países. província de Nampula. mais concretamente o comércio. e a facilidade de praticar algum negocio em Moçambique.informação que lhes vai permitir tomar decisões com algum conhecimento. Em algumas zonas da província de Nampula e Cabo Delgado o mercado informal esta completamente sob o domínio dos estrangeiros que ali residem. e do ponto de vista económico isso é positivo. devido ao fraco controlo dos órgão responsáveis pelas actividades comerciais. fuga a pobreza desemprego. principalmente o negocio informal. IMPACTO NA SEGURANÇA PÚBLICA E DO ESTADO 36 . e a procura de um melhor mercado de trabalho.1. tornando o processo de imigração mais seguro. principalmente dos ilegais. O fluxo de imigração tem estado a aumentar tanto na área de negócios. quanto no turismo. Quando abordados os imigrantes dizem que estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida. as suas naturalidades. são situações. No que diz respeito a imigração ilegal é difícil separar a fronteira entre refugiados e imigrantes. em busca de melhores condições de vida económica e de sobrevivência material. Outros factores que explicam o fluxo de imigrantes em Moçambique. e ainda ao facto de muitos imigrantes utilizarem Moçambique como ponte entrarem na vizinha África do Sul. Entretanto. O facto é que os factores que levam a imigração são geralmente os mesmos. guerras. que os imigrantes têm estão a controlar os pequenos negócios. como a facilidade de entrada no país devido ao fraco controlo das fronteiras. IMPACTO DOS IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE 6. mais concretamente na zona norte. e as suas residências de originarias. perseguição política. e Cabo delgado. e o negócio informal.

na actualidade. Entretanto. bem como o impacto da imigração na segurança. O estudo de Franzblau (1997). Immigration´s Impact on US National Security and Foreign Policy do US Commission on Immigration Reform constitui. 6. o Bonn International Center for Conversion tem discutido a influência das organizações da diáspora nos processos de paz e conflitos nos seus Estados de origem. principalmente ilegal mas. 2008). na África do Sul e a crescente onda de imigração que se regista no país. um conceito multi-dimensional e.1 Segurança O conceito de segurança não é consensual no seio das teorias e dos estudiosos. este estudo sobre a ligação e impacto da imigração em Moçambique é pertinente. particularmente. na actualidade. Contudo. Com efeito. Neste contexto. isto é um desafio devido a magnitude e variações da imigração. depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA.1. as autoridades de defesa e segurança referem que este assunto não é recente em Moçambique. um dos grandes assuntos políticos que esta a ganhar importância na agenda dos Estados e nos Estudos de Segurança. a ligação e impacto da imigração na segurança. os efeitos das actividades das diásporas nos interesses de segurança dos Estados hospedeiros e as condições de vida e necessidades de segurança dos imigrantes (Sommer &Warneeck. especificamente. até certo ponto. existe um consenso de que qualquer que seja a definição de segurança deve ser contextualizada respondendo a três questões fundamentais: segurança para quem? Sob que ameaças? E contra que valores? 37 . um exemplo da importância do assunto para as instituições de pesquisa e para os Estados.A imigração constitui. problemático. também. porque a segurança se tornou. cresceu o interesse em estudar a relação entre a imigração e a segurança. Em Moçambique não existem estudos académicos que abordam. igualmente. No entanto. mas ganhou maior importância depois da ocorrência da violência xenófoba em 2008. Portanto. Isto regista-se com maior destaque.

o conceito de segurança. Esta constitui uma perspectiva que procura mostrar que o indivíduo é tão importante quanto o Estado como referente de segurança. Neste contexto. a imigração e o imigrante enquadram-se nos Estudos de segurança tendo em conta a visão de segurança alargada 9 Este interesse supremo. Apesar da proeminência que a segurança humana assume no pós guerra fria. defender a sua existência como uma entidade politicamente independente (Freeman Jr. podem ser tão perigosas quanto as ameaças militares. a soberania. Esta constitui uma visão restrita de segurança defendida pela Teoria Realista preocupada com a sobrevivência de Estado como o interesse nacional supremo9. consequentemente. terminada a guerra fria. Neste contexto. health threats. reduziu a prevalência de guerras entre Estados e fenómenos não militares nacionais e internacionais afectaram a segurança dos indivíduos e ganharam proeminência política que obrigou os teóricos a alargar o enfoque dos Estudos de segurança (Hough. 2004:2). social identity. de acordo com Hough (2004). 1997: 9). o alargamento do conceito de segurança procura mostrar que as ameaças não militares como económicas. Para o efeito. a todo o custo e com todos os meios e recursos a sua disposição. da história de Relações Internacionais marcada por guerras e contra guerras que determinaram o surgimento e desaparecimento de Estados. 1997:1). as instituições e independência política e identidade cultural. resulta. Esta visão de segurança é defendida pelo neo-realista Barry Buzan e pela “abordagem pós modernista ou Critical Human Security (Naidoo. Assim. 2004: 8) e. os Estados procuram. representada por teóricos como Hans Morgenthau e que permaneceu largamente incontestável durante a guerra fria (Franzblau. Assim. altura de grande prevalência de guerras entre Estados. com ênfase nas ameaças militares externas contra valores nucleares como a integridade territorial. a visão tradicional Realista constitui o paradigma dominante do ponto de vista académico e em termos de abordagem dos governos na condução da política externa dos Estados (Hough. a sobrevivência do Estado é um interesse acima de qualquer interesse particular. Esta é uma visão tradicional de segurança considerada restrita. ambientais. surgiu o conceito de segurança humana que constitui um “novo paradigma” dos Estudos de Segurança. a segurança é definida do ponto de vista estatal. Contudo. provavelmente. 2001: 2). o Estado tem a prerrogativa de impôr sacrifícios que afectem as liberdades e os interesses dos indivíduos.De facto tradicionalmente. isto na discussão sobre segurança para quem? Além disso. accidental threats e criminal threats. 38 . natural threats.

refugiados Palestinianos tentaram derrubar o regime do Rei Hussein 10 Os imigrantes da região dos Grandes lagos. Isto ocorre através do envio de dinheiro ou bens que contribuem na subsistência ou sobrevivência dos que não emigraram. a imigração pode ser determinada. também. os refugiados de guerra. a imigração promove a segurança humana dos imigrantes e das suas famílias que permanecem nos países de origem. Neste caso.2. nas situações em que representam ameaça. que lida com tranquilidade e ordem pública. Cabo Verde é um exemplo de país no qual muitas famílias dependem das remessas dos imigrantes. No entanto. igualmente. constituem exemplos de emigração forçada devido a insegurança humana causada pelas guerras enquanto os imigrantes do corno de África representam casos elucidativos de insegurança humana resultante da combinação entre guerras e desastres naturais. Assim. particularmente dos meados da década de 1990. os imigrantes são. a imigração numa outra dimensão de segurança que é a segurança pública que constitui matéria de polícia. 6. Em Moçambique existem. Nesta perspectiva cabem. isto não deve ser visto de forma generalista e acrítica. pela falta de segurança dos países de origem que. Em termos de consequências. Este enquadramento coloca. maioritariamente. 39 . os imigrantes colocam em causa a estabilidade política dos países acolhimento.a actores não estatais e assuntos não militares. criam insegurança humana. Assim. é importante ter em consideração os contextos. Noutros contextos. Portanto. por conseguinte. porquanto existem vários casos de imigrantes que não representam ameaça a segurança e. de certa forma. em 1970. igualmente. à insegurança pode estar associada a guerras mas.1. Ligação entre imigração e segurança A ligação entre segurança e imigração reside nas causas e nas consequências da imigração. particularmente para os Estados de acolhimento. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de origem e. entre outras causas. em alguns contextos. A título de exemplo. muitas famílias cuja segurança humana depende de imigrantes na África do Sul. às más condições sócio-económicas derivadas da problemática da pobreza. os refugiados económicos e os refugiados ecológicos10.

Stability and International Migration. há mais pessimismo e medo da imigração e do imigrante. Portanto.II na Jordânia. nos Estados de acolhimento ou na relação entre ambos. Em Moçambique. criou condições para o fim do colonialismo e surgimento do Estado Moçambicano. Este impacto negativo incide sobre a segurança pública e não sobre a segurança do 11 Weiner. Além disso. Security. maioritariamente Tutsis. nas discussões globais sobre imigração. existe. Impacto na segurança Do ponto de vista de segurança. principalmente ilegal. Myron Weiner citado por Franzblau (1997: 3-11). o que constitui um risco para os Estados de origem11. Moçambique sofreu uma desestabilização políticoeconómica e militar pelo facto de ter acolhido imigrantes da antiga Rodésia do sul e da África do Sul. Este pessimismo é tão grande que se discute mais da ameaça que a imigração representa e pouco a ameaça sobre os imigrantes. Neste contexto. simultaneamente. 2003: 93). formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) no Uganda de onde lançaram ataques que culminaram com o derrube do governo de maioria Hutu.3. 6. posteriormente. imigrantes Ruandeses. 40 .1. e podem ser tomados como reféns. uma tendência de adoptar uma atitude negativa que incide sobre os Estados de acolhimento e pouca atenção é conferida aos imigrantes e os Estadas de origem. imigrantes Moçambicanos baseados na Tanzania desenvolveram uma guerra de libertação que desestabilizou o regime colonial Português e. os imigrantes podem ter um impacto positivo e / ou negativo nos seus Estados de origem. a percepção é de que os imigrantes (legais e ilegais) criam um impacto negativo na segurança. uma ameaça política ao regime político do país de acolhimento. defende que os refugiados ou migrantes podem constituir uma oposição ao governo do país de origem. os migrantes e / ou refugiados podem ser. International Security 17: 3. do ponto de vista de segurança. Myron 1992/ 93. uma ameaça e um benefício cultural. no que ficou conhecido como Setembro Negro (Tembe. podem ser um fardo ou uma contribuição sócio-económica. do que optimismo.

muitas pessoas suspeitam de que Moçambique pode. têm os seus direitos políticos bastante restringidos. os imigrantes não constituem um grupo politicamente homogéneo. teria asseverado que os imigrantes não constituem de facto uma ameaça à soberania do Estado. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. Assim. provavelmente fazer surgir no seio dos imigrantes interesses políticos que passem pelo acesso e controle do poder politico local e. a imigração pode afectar a segurança na vertente identidade cultural e. Representam. 6. No entanto. receber ou estar a receber pessoas por encomenda. a segurança nacional. apenas. Lopes Sibinde12. levanta-se o alerta segundo o qual. quiça nacional. Neste contexto. com interesses políticos. na prática.4. a longo prazo. os imigrantes legais. em Moçambique. este é um comportamento normal dos Estados que se guiam. Na sua intervenção. eventualmente. constata-se que um imigrante. mas sim pode eventualmente constituir ameaça à ordem e tranquilidade públicas. económicos e sociais. a mando dos estados de proveniência. Além disso. possuem agendas políticas que possam colocar em causa qualquer que seja o regime no poder. sobretudo o ilegal. O alerta maior incide sobre o facto de alguns países estarem a desenvolver políticas deliberadas de exportação de pessoas a todo o mundo. 12 Elemento da direcção nacional da migração. igualmente dedicados a actividades económicas. Impacto da imigração na segurança do Estado Em relação a segurança do Estado. de acordo com a legislação Moçambicana. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. 41 . Neste contexto. tenta passar-se por despercebido. de acordo com os seus interesses de curto.Estado. Contudo. Mesmo essa hipótese não é convincente porque. Por seu turno.1. definida segundo a Teoria Realista. não existem evidências (pelo menos até agora) de que os imigrantes legais e ilegais. em Moçambique. estão concentrados na materialização de interesses económicos e permanentemente a tentar passar despercebido para não serem descobertos pelas autoridades estatais. os imigrantes ilegais. médio e longo prazo.

existem muitas dúvidas sobre as actividades dos imigrantes que têm estado a prosperar de uma forma rápida e grandemente comparativamente aos Moçambicanos. principalmente os africanos. de animais e a 42 . Os receios residem no facto de alguns dos imigrantes. o abate de madeira em Cabo Delgado e Sofala.fundamentalmente. serem. de capacidades humanas e tecnológicas. a exploração de ouro a céu aberto nas províncias de Niassa e Manica. fora do circuito bancário. Há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. por interesses e não deve constituir um problema de segurança se as instituições responsáveis pela fiscalização e controle da imigração forem eficientes e eficazes. ilegalmente. pois não se conhece os cadastros dos imigrantes legais e ilegais que se estabelecem ou circulam em Moçambique. é importante questionar até que ponto um provável abandono de imigrantes poderá constituir uma ameaça a estabilidade económica e financeira de Moçambique. do país. dos Grandes Lagos e do Corno de África. a desflorestação causada pelo abate indiscriminado de madeira. casos de imigrantes envolvidos na falsificação de moeda. a pesca ilegal no Lago Niassa. existem alegações segundo as quais há envolvido em agiotismo. Impacto na segurança pública Em relação a segurança pública. No entanto. acima de tudo. principalmente africanos. a exploração de minas a céu aberto.5. Neste contexto. Neste contexto. a maioria das transferências monetárias não ocorre no circuito formal. Esta eficiência e eficácia dependem da existência de uma política e consequente estratégia de imigração e.1. os imigrantes fazem-no para “lavagem de dinheiro” e transferências monetárias. Quando usam o circuito bancário. foram detectados. muito dinheiro. Neste contexto. pois poucos. presumivelmente. Com efeito. pelas autoridades policiais. florestais e faunísticos valiosos. bancário como ficou demonstrado no caso da apreensão de dinheiro na fronteira Machipanda Neste contexto. e a caça furtiva na reserva do Niassa. Além disso. existem receios. 6. recursos minerais. os imigrantes fazem circular. têm contas bancárias em Moçambique. conhecedores da arte da guerra e as suas actividades não estão sob controlo efectivo do Estado. A título de exemplo.

muitos 13 14 A segurança ambiental é. a longo prazo. em Maputo constituem exemplos de alegado tráfico de drogas que é controlado por alguns imigrantes que estão legalmente em Moçambique e simulam negócios formais para esconder esta actividade ilegal. os imigrantes legais alimentam. Em relação ao tráfico de droga. No entanto. uma ameaça a segurança ambiental de Moçambique1314. de acordo com a legislação internacional. Os casos bastante mediatizados de mulheres Moçambicanas detidas no Brasil e no Aeroporto de Mavalane. Adérito Notiçe15. Assim. na actualidade. Os imigrantes estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas. No caso de Moçambique. afirmou que por detrás de imigração. oculta-se o crime organizado transfronteiriço e que envolvem imigrantes e os nacionais que tem facilitado a circulação e praticas ilícitas dos imigrantes. A preocupação maior reside.poluição dos rios e ribeiros podem constituir. por exemplo. principalmente. nacional e. O seu envolvimento esta na comercialização que faz parte de um circuito internacional envolvendo cidadãos nacionais. este não constitui o principal elemento de preocupação do ponto de vista de segurança. os dados revelam que os imigrantes não estão envolvidos na produção. estes são repatriados e/ ou responsabilizados criminalmente. o “Mukhero” que nem sempre cumpre com as obrigações fiscais mas que garante a estabilidade sócio-económica de muitas famílias. indirectamente. principalmente imigrantes ilegais mas. no tráfico de drogas que envolve. a problemática das mudanças climáticas. a nível da Cidade e Província de Maputo. um assunto que tem um peso político internacional devido. Com efeito. da gravidade dos crimes. 15 Vereador do conselho municipal da cidade da matola 43 . dependendo. a destruição do ecossistema pode ocorrer a curto prazo mas a renovação pode levar muitas gerações se não se tomar em consideração este problema que é multidisciplinar. igualmente legais sobre os quais existem muitas dúvidas relativamente a proveniência real do grande volume de dinheiro que geram. Uma vez detectados os casos de presença ilegal e actividades criminosas envolvendo imigrantes legais e ilegais.

Moçambique é vítima mas também pode se tornar agente tendo em conta. agravar-se a curto e médio prazo se se tomar em consideração o facto de que a África do Sul está a aumentar o seu orçamento no sector de segurança16. Portanto. é de prever que o número de imigrantes em Moçambique tenderá a crescer e isto representa um desafio a capacidade do Estado em matéria de supervisão e controle. Esta situação envolve mais a entidade policial. Em termos de crimes violentos. principalmente Nigerianos e Paquistaneses. muitos imigrantes ilegais com pretensões de alcançar a África do Sul serão forçados a ficar em Moçambique. Assim. os executores vulneráveis devido a sua fraca condição económica e financeira. eventualmente. os imigrantes promovem a corrupção para escapar o controlo das autoridades. os imigrantes agem como mandantes. a autoridade policial fala da explosão de caixas multi banco. os autores morais e os nacionais são os autores materiais. os ATMs. alegadamente. Na perspectiva da autoridade policial. foram. na perspectiva de autoridade policial. Esta situação poderá. provavelmente. O envolvimento directo de imigrantes nas actividades criminosas é um risco que eles procuram minimizar ao máximo. característico de Moçambicanos de tal forma que não exclui a possibilidade de tais actos terem sido cometidos por cidadãos estrangeiros. em Moçambique. neutralizados 12 kenianos que vinham a Moçambique com intenção de assaltar bancos.imigrantes usam a corrupção como uma forma de garantirem a sua presença no país. pois a maioria vive legal e honestamente. Para o efeito. no problema da internacionalização do crime. de acordo com a opinião de alguns imigrantes. fazer com que o criminoso da África do Sul procure locais mais frágeis onde possa operar. por exemplo. isto é. o caso de Moçambicanos envolvidos na suposta tentativa de Golpe de Estado no Reino do Lesotho. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. o impacto negativo da imigração na segurança pública e até humana. estas e outras situações podem. futuramente. 16 Entre as razões que justificam o elevado investimento Sul-africano na segurança está o facto de a África do Sul ser um dos países com a mais elevada taxa de criminalidade violenta e a realização do Mundial 2010. é uma verdade que atinge uma pequena minoria de imigrantes. Noutros casos. Neste contexto. os imigrantes legais e ilegais podem. A título de exemplo. 44 . por exemplo. Segundo os imigrantes. Além disso. Este modus operandi não é. em Maputo.

A maioria dos imigrantes e dos cidadãos Moçambicanos não acredita que há probabilidade de ocorrência de xenofobia. igualmente. Alguns imigrantes estão em Moçambique por uma questão de segurança humana. Entretanto. A título de exemplo. em 2008. de Moçambicanos imigrantes quando entram em Moçambique. às regiões da África Ocidental e dos Grandes Lagos mas que não existem evidências em Moçambique. a assumir uma posição de monopólio de pequenos negócios anteriormente desenvolvidos por moçambicanos. constata-se que há certos comportamentos xenófobos não violentos. associada sexo comercial envolvendo mulheres imigrantes Zimbabweanas. A ligação entre a imigração e a saúde pública é um assunto que tem a ver com os mecanismos de supervisão e controle de entrada e circulação legal e ilegal de estrangeiros e. a febre-amarela e o ébola. há Moçambicanos que estão a pronunciamentos hostis pelo facto de estarem a perder espaço e oportunidades de desenvolver negócios a favor dos estrangeiros. o HIV/SIDA. principalmente. não violenta do povo Moçambicano. nos círculos urbanos onde é perceptível comentários como “este país é nosso mas os estrangeiros mandam aqui”. devido a natureza tolerante. No entanto. na África do Sul. No entanto. Este é um sinal de frustração de algumas pessoas que atribuem responsabilidades por algumas dificuldades que enfrentam no dia-a-dia aos imigrantes que estão. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas como. A sua fraca condição sócio-económica forçou-os a imigrar. tem sido apresentadas 45 . para qualquer imigrante a imigração constitui. porque não. gradualmente. A acção de certos imigrantes também contribui para a criação de “mentes e discursos xenófobos” que constituem um risco a segurança dos imigrantes. Além disso. pacífica. em Moçambique. principalmente na zona centro de Moçambique. por exemplo. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. particularmente. um risco a sua segurança humana como demonstram os casos de xenofobia por todo o mundo e. Neste contexto. a facilidade que os estrangeiros têm de aceder a créditos bancários comparativamente aos Moçambicanos tem provocado um certa animosidade. de certa forma. particularmente.Não menos importante. é uma ameaça real que pode estar. Esta ameaça não militar a segurança está associada. Com efeito.

a xenofobia em Moçambique manifesta-se de forma não violenta em alguns círculos urbanos. No entanto. os fluxos de imigrantes podem ter diversos efeitos na estrutura económica. para além de demonstrarem um carácter empreendedor. de origem interna e externa. 6. a probabilidade de ocorrência de violência xenófoba contra a segurança dos imigrantes é mínima porque não atinge uma grande maioria da população como é. Contudo. o caso da África do Sul. dos imigrantes no desenvolvimento económico do país. nomeadamente o consumo acrescido de bens correntes. 46 . até agora.2. mesmo quando certos grupos de imigrantes ficam em desvantagem. ou não.Visões de alguns autores sobre o impacto da imigração na economia A literatura considera que a imigração tende a estimular. como os menos qualificados.2. Os imigrantes se ocupam regra geral. isto é. na Província de Maputo é um dos locais visados. O país de acolhimento beneficia como um todo. 2003). IMPACTO DA IMIGRAÇAO NA ECONOMIA MOÇAMBICANA O que se pretende neste capítulo é fazer uma leitura dos resultados da contribuição. A Ponta d´Ouro. Portanto. 6. independentemente da conjuntura existente. OIT (2004). sem pressões inflacionistas. alguns dos quais (sobretudo os factores externos) estão relativamente além da capacidade de influência do país de acolhimento. Esta forma de manifestação constitui. da imigração. a actividade económica do país de acolhimento. eventualmente. de profissões que as populações locais não querem. tomar a forma violenta. na economia Moçambicana. de certa forma.1.reclamações de tratamentos racistas protagonizados por Sul-africanos brancos. (Almeida. O Efeito causado na economia de um país envolvido num processo de imigração depende de diversos factores. uma fase latente de um problema que se não for eficientemente gerido pode. por exemplo.

aceitam riscos. Normalmente quando se deslocam para um mercado é na busca de sucesso e bem-estar. De acordo com Chaswick (66-67). e outros. conflitos. mais determinados. tirania. da África ocidental e do corno de África como imigrantes económicos enquanto os imigrantes da África Austral são imigrantes não económicos. permitindo um uso mais eficiente da mão-de-obra e. Por outro lado existem os imigrantes não económicos. 47 . 17 A existência da mão-de obra. perseguição. 2008:67). Quanto mais hábeis e capazes os imigrantes forem. consequentemente da inflação. pelo preenchimento dos labour shortges com uma mão-de-obra mais barata e flexível.Segundo Stalker (2000). árabes. eles acrescentam valor no capital humano dos países de acolhimento. nomeadamente numa perspectiva de médio e longo prazo. são vanguardistas/empreendedores e muitas vezes fisicamente e mentalmente mais aptos. o seu impacto na economia dos países receptores torna-se evidente pois. Segundo a teoria de Chiswick acima referida. podemos dizer que os imigrantes em Moçambique dividem-se em imigrantes económicos e não económicos. os imigrantes são diferentes dos naturais no que diz respeito a maneira como encaram o mercado. mais fortes. sendo que os imigrantes são mais agressivos. Podemos considerar pela sua maneira de estar no mercado os imigrantes asiáticos. oriunda do estrangeiro aumenta a oferta de trabalhadores aliviando a pressão da subida dos salários e. o que implica na diminuição de custos das empresas (Chiswick. desertificação. as imigrações influenciam o desempenho económico do país de acolhimento dos imigrantes. seca. os imigrantes económicos tendem a ser os mais capazes. pobreza. que geralmente fogem a fome. Estes imigrantes podem ser chamados de imigrantes económicos pois deslocam-se na busca de melhores oportunidades. do mesmo modo que aumenta a eficiência no investimento em capital humano. discriminação. a elevada capacidade e habilidade aumenta a produtividade do mercado de trabalho. melhor será a eficiência do mercado de trabalho no país de acolhimento porque. desta forma gerar ganhos de produtividade17 De acordo com chiswick (2008:64). Os mais hábeis e capazes aumentam a eficiência porque usam menos tempo para completar tarefas. Os imigrantes não económicos podem tornar-se economicamente activos no país de acolhimento e até superar os imigrantes económicos. Quando os imigrantes económicos se integram num mercado.

Os imigrantes da região austral (Zimbabweanos. Factores que Determinam o Sucesso Económico dos Imigrantes Segundo Oliveira (2005: 18. os imigrantes do sudoeste asiático (indianos e paquistaneses) do médio oriente (árabes). que do ponto de vista de rendimentos para o país não traz nenhum benefício. também contribuem para o desenvolvimento da economia do país.2. Malawianos. Por outro lado existem os imigrantes trabalhadores não qualificados. eles cumprem com todas as suas obrigações fiscais. da capacidade financeira e da recepção dos imigrantes no país de acolhimento. O emprendedorismo dos imigrantes depende muito dos factores acima mencionados. 6. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. O peso dos factores culturais neste tipo de comportamento é sem dúvida determinante.2. Zambianos e Tanzanianos) são menos empreendedores e trabalham normalmente por conta de outrem. principalmente porque o maior número de imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. pois. Recursos do grupo étnico 48 .40). Os estrangeiros que investem em Moçambique e estão devidamente legalizados. existe uma série de factores que determinam o sucesso económico dos imigrantes na sociedade de acolhimento: Oportunidades estruturais Recursos pessoais Oportunidades étnicas Contexto político e Classe social do indivíduo.O que se verificou durante o processo de entrevistas foi que a integração económica dos imigrantes em Moçambique. a influência árabe na África ocidental e no corno de África dita o comportamento económico destes povos enquanto práticas seculares de comércio tornam os imigrantes do sudoeste da Ásia e do médio oriente exímios empreendedores. da África ocidental e do corno de África registam elevados índices de emprendedorismo nos vários sectores da economia. Os entrevistados referiram no entanto que nem tudo é positivo no que diz respeito a presença dos imigrantes em Moçambique. depende dos grupos. ou com pouca qualificações que dedicam-se mais ao comércio informal vendendo um pouco de tudo. das razões de saída do país de origem. principalmente no comércio. Em termos gerais.

Sem uma estrutura sociopolítica e cultural e sem uma legislação que favorece a entrada. arrendar ou pagar por bens e serviços prestados. permanência e o desenvolvimento de actividades empresariais. 49 . na sua maioria. O segundo grupo de factores é determinado principalmente pelos recursos financeiros do imigrante. Malawi e Tanzânia) que entram no país. senegaleses e guineenses) e do corno de África (etíopes e somalis). Com base no capital de investimento o imigrante vai afectar toda uma cadeia económica ao alugar. Ao lado dos imigrantes asiáticos. As qualificações e a experiência profissional e de negócios que o individuo tenha também jogam favoravelmente para que ele tenha sucesso nos seus negócios e que provoque um impacto positivo na sociedade moçambicana. sexo. estado civil A extensão e abertura do Recursos financeiros mercado comercial de trabalho e O primeiro grupo de factores. A história da comunidade étnica e a sua trajectória económica O funcionamento das redes sociais no seio da comunidade imigrante conhecimento linguístico Idade. munidos de capital e experiencia encontram-se os imigrantes da África ocidental (nigerianos. as oportunidades estruturais. indianos e chineses) permite-lhes ter maior sucesso económico do que os imigrantes de outras regiões.institucional na sociedade de qualificações. é o primeiro factor que determina o sucesso económico dos imigrantes em Moçambique. A eliminação gradual dos procedimentos impostos no registo de empresas e na concessão de alvarás de exploração foi um dos principais atractivos a entrada de imigrantes económicos no país. Imigrantes que se estabeleçam em Moçambique com capital de investimento provocam um impacto mais visível em relação aos que não venham munidos de capital. contrariamente aos imigrantes da região austral (Zimbabwe. os imigrantes não teriam o sucesso económico que estão a ter. Depois da aplicação das medidas de reajustamento estrutural impostos pelo Banco Mundial nos finais da década 80. sem grande capital e sem grande experiência comercial. Moçambique tem adoptado uma política económica exemplar facilitando a entrada de novos investimentos. A experiencia em negócios e o capital demonstrado pelos imigrantes asiáticos (paquistaneses. acolhimento Legislação profissional e experiência de negócio.

terciário e quaternário. a indústria transformadora e a 50 . que disponibilizam capital para investimento empresarial (Oliveira. Baseiam-se em formas de fidelidade. O Sector Secundário está relacionado com a transformação das matérias-primas produzidas pelo sector primário em produtos de consumo. Estas redes obedecem ao princípio da solidariedade. citado por Heisler (2008:87). parece que os imigrantes possuem maior informação sobre as oportunidades de negócio em Moçambique. O investidor imigrante entra no mercado conhecendo a estrutura da oferta e procura de determinados produtos empresariais. Este conhecimento é difundido pelos imigrantes pré-estabelecidos no país. a concessão de emprego e até na concessão de empréstimos. 6. Pelo seu tempo de presença no território moçambicano. no sentido de que. indústria extractiva. cooperação e solidariedade (Oliveira. 2005:20).Dentro do terceiro grupo de factores (oportunidades étnicas). a legalização. De acordo com Oliveira. pesca e pecuária. 2005:27). Os recursos étnicos são produzidos e reproduzidos por membros de um mesmo grupo. Os recursos do grupo étnico por vezes podem ser de carácter familiar ou étnico. A presença histórica de uma comunidade étnica no país de acolhimento também contribui para definir a trajectória económica dos seus integrantes. imigração cria uma solidariedade reactiva. O sector primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza e abrange actividades como a agricultura. desde a facilitação a entrada ao país. os membros do mesmo grupo étnico apoiam-se no país de acolhimento enquanto este apoio não existe no país de origem. secundário. os imigrantes mais antigos conhecem redes de apoio mas vastas (Oliveira. confiança. De acordo com Light. Grupos étnicos altamente coesos suportam os seus conterrâneos nas sociedades de acolhimento. a primeira geração de imigrantes contribui na integração de novos imigrantes na sociedade de acolhimento. o sector primário.Impacto da Imigração nos Sectores da Economia A economia de um país pode ser dividida em 3 Sectores fundamentais. as redes de imigrantes tem tido um efeito positivo na sua inserção profissional e no mundo dos negócios.3. A primeira vista. joga um papel extremamente importante os recursos do grupo étnico. 2005:20). Em alguns casos.2. O sucesso de alguns grupos étnicos nos países de acolhimento deve-se precisamente a essa solidariedade intra-grupo.

A par do sector agrícola está o sector das pescas. a maioria desta mercadoria é exportada de forma ilegal não contribuindo para as receitas fiscais. este sector não demonstra grandes desenvolvimentos. multimédia e telecomunicações. As fragilidades produtivas do país não são bem aproveitadas pelos imigrantes. A dinamização das minas de carvão na província de Tete motivou um boom económico nesta província e nos corredores ferroviários que permitem o escoamento desta produção. portugueses. alguns sulafricanos. portanto. saúde. O carvão Moçambicano está cotado entre os melhores do mundo e a sua exploração vai incrementar as exportações moçambicanas favorecendo desse modo o PIB e a Balança Comercial. Este sector engloba também actividades ligadas as tecnologia digital como a informática. A excepção de alguns farmeiros zimbabueanos que ainda se encontram na província de Manica. Na verdade. serviços administrativos. actividades desse sector. Nestes casos. O sector agrícola é o menos favorecido em termos de investimentos de imigrantes. 51 . O sector primário verifica uma grande presença de imigrantes concentrados na sua maioria na industria extractiva. verificou-se que os imigrantes repartem-se um pouco por todos os sectores com maior peso no sector primário e terciário. O Sector Terciário é o dos serviços. seguros. Para além dos brasileiros concentrados na mineração na província de Tete. falta de subsídios e a elevada carga fiscal sobre os insumos agrícolas. o impacto económico é adverso aos interesses económicos do estado pois. batata. são poucos os imigrantes que se concentram em actividades produtivas de facto. onde a presença de imigrantes é quase nula. chineses. etc. Este cenário anacrónico para um país com grandes potencialidades agrícolas resulta sobremaneira da incapacidade do estado criar incentivos como a facilitação do crédito.construção civil são. floricultura. vietnamitas e imigrantes das Maurícias que exploram um pequeno nicho do mercado agrícola ligado a produção de arroz. turismo. A presença de imigrante brasileiros nas minas de carvão ao longo da província de Tete representa um imput considerável para o desenvolvimento desta actividade. serviços bancários. existem várias nacionalidades que fazem maioritariamente a mineração ilegal em províncias como Niassa e Manica na busca de ouro e diamante. Parece não haver por parte de muitos imigrantes suficiente vontade de arriscar na área produtiva. infra-estruturas. educação. Em termos de sectores de actividade. transportes. Os serviços são produtos não meterias que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades e incluem actividades como comércio.

2007). estradas. Normalmente.Em termos gerais. uma percentagem considerada muito baixa. Por sua vez. paquistaneses. o sector secundário em Moçambique é bastante fraco e incipiente. AIM . doces. etc) e têxtil (vestuário. Os imigrantes e as empresas dos imigrantes estão envolvidos na construção de habitações e obras públicas (edifícios governamentais. principalmente ligados a industria alimentar (açúcar. um sector anteriormente em franca decadência. Muitos imigrantes foram responsáveis pela reabertura do comércio rural. Estas infra-estruturas trazem um impacto positivo na economia e sociedade moçambicana. pontes e infraestruturas de abastecimento de água nas cidades e vilas). com a chegada de muitos imigrantes em Moçambique assistiu-se a um Boom do sector terciário. Várias lojas rurais foram abertas e passaram a fornecer produtos essenciais às populações rurais reduzindo as distâncias de deslocação para a aquisição destes produtos. a procura de produtos essenciais nas zonas rurais era desfavorecida pela inexistência de uma oferta diversificada e a baixos custos. O estado moçambicano enfrenta grandes dificuldades na atracção de investidores estrangeiros para a criação de novas indústrias e para a revitalização das mais de 300 indústrias paralisadas devido a guerra e as falhas do processo de privatização da década 90. O sector industrial em Moçambique contribui apenas com 12 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB). No entanto. O impacto dos imigrantes pode ser visto em função da Oferta e Procura de bens e serviços essenciais. A área comercial é a mais expressiva. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses e chineses proprietários de empresas de construção civil ou empregados em empresas nacionais. O envolvimento dos imigrantes neste sector tem efeitos bastante positivos para o desenvolvimento de infra-estruturas no país. tendo em conta as potencialidades que o país possui. O volume de produção do sector industrial é baixo devido a falta de investimentos nacionais e estrangeiros no sector (Fernando Gil.11. Durante muito tempo. sumos. os imigrantes envolvidos na construção civil possuem qualificações (skills) mais apurados dos que os moçambicanos contribuindo desse modo para a qualidade das infra-estruturas e a rapidez da execução das obras.22. iogurtes. etc). calçado. maurícios. bolachas. pão. 52 . principalmente no comércio e turismo. indianos. regista-se a criação de várias indústrias de pequeno porte pertencente a imigrantes portugueses. com o surgimento de novos negócios no país. Em relação a construção civil.

mobiliário de escritório e de casa. São normalmente importados produtos como: Sapatos. Deve-se referir que os artigos importados pelos imigrantes abarcam desde os artigos de luxo aos artigos simples. mercearias. etc. Por força deste factor. Pelo facto de estarem maioritariamente ligados ao comércio e pelo facto do país não ter uma base produtiva capaz de alimentar este comércio. Brasil. normalmente representando os países de origem das maiores comunidades imigrantes no país. tendo impulsionado o desenvolvimento de negócios em áreas como sapatarias. vários são os estabelecimentos hoteleiros pertencentes a imigrantes contribuindo significativamente para o 53 . electrodomésticos. desde os alimentares a maquinaria. Os laços comerciais com países como a China. onde assistimos a construção de novos hotéis. e os países do médio oriente obedecem em certa medida ao volume de imigrantes oriundas destes países. consumíveis de escritório e produtos alimentares diversos. A inexistência de uma base produtiva no país permite que se importe produtos elementares como agulhas. etc. o conhecimento sobre os melhores mercados de oferta. é importante referir que a maioria dos imigrantes vira-se para a importação. Índia. Ao nível das grandes cidades. o país tornou-se mais importador com a chegada de imigrantes comerciantes. Roupa diversa. alfinetes. a disponibilidade de assumir riscos e os baixos preços praticados pelos imigrantes vem sufocando a emergência deste empresariado nacional que vê no empresário imigrante não só um concorrente mas também como adversário. Gás Natural. A elevada capitalização dos imigrantes em relação aos nacionais desprovidos de capital é notória. Em termos de parceiros comerciais. Entretanto. pensões e guest houses em quase todo o país. o fluxo de importações dos imigrantes permitiram que o país estabelecesse ligações com novos mercados. A segunda área que sofreu um Boom foi o Turismo. a balança comercial tornou-se mais deficitária. a criação do FIIL veio abrir oportunidades de capital para muitos moçambicanos que entretanto começaram a investir nas mesmas áreas. lojas de roupa. Nigéria. sal. Em relação a importação e exportação de bens e produtos de Moçambique.Os empresários imigrantes contribuíram sobremaneira para a revitalização da economia moçambicana. A experiência colhida. somente equilibrada pelos grandes industrias exportadores como a Mozal.

nem todos imigrantes contratados pelos bancos e pelas empresas apresentam. de acordo com a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS). A predominância de imigrantes no sector terciário também é sentida ao nível da banca comercial pois.aumento da oferta de camas. Vários entrevistados denunciam a inoperância das forças policiais e das instituições de justiça. Por seu lado.Impacto da Imigração no Mercado de Trabalho Quanto ao mercado de trabalho. ao nível dos distritos e zonas rurais o número de imigrantes que exploram o sector é bastante reduzido devido ao fraco retorno de investimentos. A maioria dos bancos privados nacionais possui no seu quadro técnico e administrativo imigrantes portugueses qualificados. Gaza e Maputo no sul e Cabo Delgado no norte. muitas vezes subornadas pelos investidores imigrantes. O discurso do governo tanto para os nacionais como para os 54 . a relação entre os investidores estrangeiros e os cidadãos nacionais não tem sido pacífica e motiva vários conflitos em torno da posse de terra. Ao mesmo tempo. Em termos gerais. Em relação a procura. principalmente nas províncias costeiras de Inhambane.4. títulos de propriedade. o impacto dos imigrantes pode ser observado de dois ângulos: a Oferta e a Procura. não existe uma estratégia de emprego que possa absorver a massa laboral imigrante. existe uma considerável presença de imigrantes portugueses neste sector. contratados para desempenhar funções chaves de chefia e treinamento. um elevado grau de formação. principalmente nos casos de indivíduos que ocupam cargos de confiança. o reduzido tamanho do mercado de trabalho em Moçambique que exclui grande parte dos jovens moçambicanos reflecte-se também na baixa contratação de imigrantes. 6.2. Todavia. o sector turístico é maioritariamente dominado por imigrantes sul-africanos que exploram as potencialidades. privatização dos espaços públicos e exploração do nacional pelos estrangeiros. No entanto. destruição de ecossistemas. necessariamente. segregação racial. promoção da prostituição. O sector turístico concorre hoje como um dos sectores em maior expansão no país contribuindo significativamente em divisas e infra-estruturas.

buscam oportunidades de emprego.estrangeiros é o incentivo ao auto-emprego e ao empreendedorismo. A inserção dos imigrantes económicos em Moçambique acontece de várias maneiras. os imigrantes destes países não demonstram um elevado nível de empreendedorismo dependendo muitas vezes de pequenos empregos mal remunerados ou se baseando no mercado informal. de acordo com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). A lei do trabalho também estipula uma série de condicionalismo para a contratação de mão-de-obra estrangeira no sector privado. oriundos da África ocidental e do corno de África não procuram o país com objectivo de concorrer para o mercado de trabalho. a contratação de trabalhadores estrangeiros continua necessária. Malawi e Tanzânia buscam.2009). apesar de ser dispendiosa uma vez que requer a disponibilização de muitos recursos logísticos. Para Abdula. Somente em casos de inexistência de quadros qualificados em certas áreas que demandam formação especializada é que o Estado recorre a contratação de mão-de-obra estrangeira. enquanto os imigrantes vindos do Zimbabwe. Como é sabido. Facto assente é que a maioria dos imigrantes asiáticos. especialmente os que são qualificados e capazes de se adaptar. A experiência mostra que a maior parte dos imigrantes em Moçambique trabalha em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. Apesar do mercado de emprego ser bastante pequeno. árabes. o sector privado continua a recorrer à mão-de-obra estrangeira por falta de alternativa a nível interno.04. árabes. a necessidade de contratação de mão-de-obra estrangeira prende-se com o facto das empresas nacionais não estarem somente a competir ao nível interno mas sim ao nível regional no âmbito da integração regional e ao nível internacional. da África ocidental e do Corno de África se empregam 55 . para além do negócio. o governo moçambicano adoptou políticas que facilitam a entrada de imigrantes no mercado de trabalho. Entretanto. A maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se mostram mais empreendedores que os nacionais. Salimo Abdula. como empresas dos outros continentes (AIM – 06. Provavelmente devido a crise económica que se vive no Zimbabwe e a fraca condição económica do Malawi. Para Abdula. o maior empregador em Moçambique é o Estado e os concursos de ingresso privilegiam a mão-de-obra nacional. A maioria dos imigrantes asiáticos.

A par destas encontram-se as empresas de produção alimentar. Normalmente. a fonte de capital. sem nenhumas qualificações e habilidades e sem recursos financeiros. Alguns estrangeiros criam emprego para os moçambicanos principalmente quando estabelecem grandes empreendimentos ou grandes projectos. Apesar de haver nichos consideráveis de imigrantes. Na maioria dos casos. No sector secundário.nas empresas dos seus conterrâneos e rapidamente mudam da situação de empregado para empregador pois. abate ilegal de árvores entre outras actividades ilegais. Em relação a oferta. através dos laços étnicos são favorecidos por empréstimos e créditos para iniciarem um negócio próprio. 56 . os imigrantes investem em pequenas e médias empresas. 2005:15). mudando-se em seguida para uma actividade individual na base de empréstimos. ela costuma basear-se em associações religiosas. principalmente nas obras públicas. O maior problema que Moçambique enfrenta é a excessiva onda de imigrantes ilegais. por causa disso. a contribuição dos imigrantes na criação de emprego depende muito do tamanho das suas empresas. os imigrantes ilegais tendem a ser pessoas sem nenhuma qualificação ou com poucas qualificações em relação aos imigrantes legais e. as empresas de construção civil dos imigrantes são actualmente aquelas que mais moçambicanos empregam. No sector primário. a mão-de-obra nacional representa a maioria dos trabalhadores contratados. A experiência profissional conseguida em firmas de conterrâneos significa. O tamanho destas empresas determina o volume de contratações dos cidadãos nacionais. em muitos casos. Esta tendência resulta do facto da maioria dos imigrantes ilegais serem oriundos de zonas pobres. caça ilegal. O peso da contratação de moçambicanos depende também dos sectores da economia. os ilegais tendem a empregar-se em empregos com baixos salários. as empresas de mineração são responsáveis pela contratação de muitos moçambicanos. No caso dos hindus e árabes. para além de ser individual ou basear-se na rede étnica. o imigrante trabalha com os seus conterrâneos por um tempo curto. a chave para o desenvolvimento de actividades independentes (Oliveira. De acordo com Chiswick (2008:71). Normalmente os imigrantes ilegais não são imigrantes económicos. Ou permanecem em actividades clandestinas no comércio informal ou ainda em actividades de tráfico e extracção de minérios preciosos.

o enfoque teórico recai sobre dois aspectos fundamentais: a integração ou incorporação dos imigrantes e a assimilação dos imigrantes nos países de acolhimento ou nas sociedades receptoras. Outro problema com o qual a inspecção do trabalho se depara muitas vezes é com as diferenças salariais entre os estrangeiros e os Moçambicanos. onde existem várias lojas de pequena e média estatura ocorre um alargamento do mercado de emprego. IMPACTO SOCIOPOLÍTICO E CULTURAL Do ponto de vista sócio-antropológico. os comerciantes imigrantes contribuem para a redução do desemprego no país18. 6. os comerciantes não empregam moçambicanos. A par de uma análise em função da oferta e procura. Por serem empresas de pequenas dimensões. A discussão teórica sobre a assimilação dos imigrantes é a mais antiga e a mais dominante nos estudos sócio-antropológicos sobre a imigração. As constantes greves de moçambicanos empregados em obras controladas por chineses demonstraram situações de exploração. descriminação e racismo dos chineses para os moçambicanos e demonstraram uma grande diferença na cultura de trabalho entre os dois povos. A título de exemplo. Tanto a 18 Quando os imigrantes desenvolvem actividades empresariais. No comércio informal está situação torna-se mais grave porque os imigrantes. as lojas dos comerciantes imigrantes contratam de 1 a 5 trabalhadores nacionais e em alguns casos. criam novos postos de trabalho e expandem a oferta de bens e serviços na sociedade a preços competitivos (Oliveira. a área comercial ganha maior vantagem na contratação de moçambicanos em relação as outras áreas como o turismo.3. 2005:16). O relacionamento também não é pacífico quando o imigrante goza de mais benefícios na relação de trabalho ou quando este ocupa cargos de chefia passíveis de ser ocupados por nacionais. o impacto dos imigrantes no mercado de trabalho pode ser vista ao nível das relações laborais. 57 .No sector terciário. o relacionamento entre trabalhadores imigrantes e nacionais mostra-se em muitos casos bastante tenso principalmente na construção civil. favorecer e proteger a contratação de trabalhadores nacionais é notório que alguns estrangeiros abrem as suas lojas comerciais e só contratam estrangeiros ou familiares. nem sequer chegam a empregar moçambicanos porque são eles próprios que fazem a gestão do seu pequeno negócio. Apesar da lei do trabalho incentivar. Entretanto. por causa da largura do sector comercial formal. Ainda que em pequena escala.

línguas. clínicas que aplicam métodos de tratamento chineses. Deve-se reconhecer que Moçambique sempre teve uma diversidade cultural interna.assimilação dos imigrantes como a sua integração nas sociedades de acolhimento dependem de dois factores principais: esforços das sociedades receptoras em admitirem imigrantes e a vontade dos imigrantes. costumes e tradições diferentes.3. Estes novos imputs contribuem para uma nova miscigenação cultural derivada da agregação de novas culturas. Não haja dúvidas que a diversidade cultural pode trazer benefícios as sociedades de acolhimento. lojas de roupa brasileira. a diversidade cultural pode ser interna e externa. diversidade na culinária. Os painéis luminosos de lojas e restaurantes demonstram claramente a diversidade cultural de Moçambiquie. novos valores sócio-políticos. As questões que se podem levantar aqui são: 1) será que os imigrantes procuram se assimilar a sociedade moçambicana ou procuram simplesmente a integração ou incorporação? 2) Será que a sociedade moçambicana quer assimilar os imigrantes ou simplesmente integra-los? Que benefícios ou prejuízos Moçambique tem partindo destas hipóteses em questão? Que impacto existe para Moçambique ao assimilar ou integrar imigrantes? 6. Apesar de Moçambique ter uma herança multicultural resultante do cruzamento de povos negros Bantos e Khoisan. restaurantes italianos. encontram-se restaurantes chineses. o país recebe hoje novos imputs culturais resultantes do cruzamento dos povos moçambicanos originários com os povos imigrantes de diversas origens. Mas essa diversidade e multiculturalidade são 58 . povos brancos da Europa e povos árabes do oriente médio. Para estes autores.1. brasileira e sul-aficana que espelham a dimensão positiva da diversidade cultural. Exemplos são trazidos da realidade americana. Hoje. Entretanto. multilinguísticas e multireligiosas). diversidade musical e na dança. surge uma nova cultura de trabalho. etc. diversidade linguística. a diversidade cultural contribui para o enriquecimento dos estados tanto a nível material e cultural pois. etc. Existem vários autores dos assuntos de migração que defendem a necessidade das sociedades receptoras de imigrantes tornarem-se multi-culturais e diversas. talhos portugueses. Multiculturalismo ou Assimilação? Um dos maiores impactos culturais da imigração é o surgimento de sociedades multiculturais (multiétnicas.

o vértice da moçambicanidade. Para que haja choques culturais entre imigrantes e nacionais. concentrados de forma expressiva pode suscitar manifestações de xenofobia por parte dos naturais (Seyferth. A presença de grupos étnicos formados no curso do processo imigratório. Ela traz uma sociedade estruturada em camadas culturais distintas e específicas. Em relação aos imigrantes. 1997:95-96). seus valores e seus âmbitos (Martins. cada qual com sua própria lógica. os imigrantes que se concentram em certas áreas passam a ter domínio sobre a vida económica e cultural dessa área e começam a excluir os moçambicanos do seu meio.convergentes. estabelecida pelas políticas de unidade nacional e do respeito pela pluralidade étnica. Enclave étnico é um processo que emerge da concentração em determinadas áreas de imigrantes de uma mesma nacionalidade representando uma ameaça cultural. não há dúvidas de que a xenofobia vai acontecer em Moçambique pois. se o número de imigrantes crescer os moçambicanos podem ficar violentos. a sua multiculturalidade é externa e por isso não é convergente. a concentração e a homogeneidade da população imigrante contam muito. Os estados devem evitar a concentração de imigrantes por comunidades sob o risco de se enfrentar choques e conflitos. O nacional torna-se empregado do imigrante e estes exploram-lhes como escravos e maltratam-lhes. o grupo tenderá a valorizar a sua cultura. Na perspectiva de alguns entrevistados. 2008:2). Elas convergem para um único vértice . tamanho. concentração e homogeneidade deve ser controlada pelos decisores políticos na sua política de imigração. mais concentrado e homogéneo for. o tamanho. Quanto maior o grupo. Tamanho Concentração Homogeneidade A tríade. A situação pode piorar com a abolição do visto de entrada ao nível da SADC. o seu modus vivendi e dificilmente negociará a sua identidade 59 . Os perigos do multiculturalismo manifestam-se principalmente quando os imigrantes estabelecem enclaves étnicos. No futuro.

A presença de Malawianos. crenças. quanto menor. 19 Quando se fala de valores. os estados receptores procuram introduzir novos valores culturais sobre os imigrantes através da aculturação. Autores americanos defendem esta posição desde as primeiras grandes vagas de imigração para o território americano. a cultura é entendida como uma estrutura. sociedade ou povo (Etienne: 1997) 60 . aquilo que é importante. A assimilação dos imigrantes é vista por muitos autores dos assuntos de imigração como uma questão estratégica para a sobrevivência de qualquer estado que admita a entrada de muitos imigrantes no seu território. costumes e os conhecimentos compartilhados por esse grupo. Como consequência. assimilando o modus vivendi do país de acolhimento. os estados procuram tornar os imigrantes iguais aos nacionais pois. O risco Da xenofobia só podia ser debelado através da imposição de uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país. 1997). valores. belo ou feio. Através da aculturação. 1997:96). valioso. A tentativa de construção de um novo estado e a necessidade de criação do cidadão americano tornou os Estados Unidos num grande defensor da teoria da assimilação. a cultura torna-se uma herança social e o elo máximo de ligação entre as gerações. por uma sociedade ou por um povo. Por causa disso. A eles são dados nomes injuriosos e difamadores. o factor cultural representa a grande fronteira de distinção entre os grupos numa sociedade20. O imigrante era obrigado a assumir uma nova identidade nacional e aprender novos valores defendidos pela sociedade americana19. justo e injusto. 20 Segundo a visão estruturalista de Levi-strauss. aceitável ou inaceitável. No lado inverso. compartilhadas por pessoas numa sociedade. fala-se de ideias colectivas. desconcentrado e heterogéneo maior será a necessidade de negociar a sua identidade e assumir os valores culturais do país de acolhimento. A cultura engloba um sistema de ideias. de forma a promover o equilíbrio populacional ou através da assimilação (Seyferth. tudo aquilo que foi criado e construído por um grupo de seres humanos. e outros valores que são tomados em conta pelo grupo para sustentar a sua vida em sociedade. que definem os critérios do desejável. As manifestações xenófobicas dos moçambicanos começaram com os insultos aos imigrantes. ela é assumida como elemento estratégico para a sobrevivência das sociedades (Seyferth. Zimbabueanos e tanzanianos em comunidades concentradas pode representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. Neste sentido. A cultura seria então. A assimilação é prática usada pelos estados modernos de forma a garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota.para assumir a identidade do país de acolhimento. ele considera a cultura como um património comum dos membros de uma sociedade e que este património é transmitido de geração em geração.

O direito internacional convida os estados a reconhecerem e respeitarem o pluralismo cultural. Para ele. indianos. o direito dos imigrantes manterem sua própria língua. mantêm alguma ligação com a cultura e sociedade de origem [. Esta situação é visível principalmente entre as comunidades agrupadas de etíopes. a unidade de raça. árabes que resistem a pressão assimiladora da sociedade moçambicana. A lei moçambicana não faz nenhum esforço para quebrar a permanência da cultura dos 61 . mas. “os imigrantes. os imigrantes em grupo dificilmente se deixam assimilar pois.]. enquanto os imigrantes não forem assimilados. citado por klumb (2009:3). 1997:101). De acordo com Charles Krauthammer (2005). vão permanecer alienados dos valores políticos e culturais do país de acolhimento. a unidade de língua e a unidade do pensamento nacional (Seyferth. o real problema não é a imigração mas sim a assimilação pois. em geral. os grupos erguem fortalezas para proteger a sua cultura. a declaração dos direitos humanos dos indivíduos que não são nacionais dos países onde vivem. Para além disso. a convenção No 143 da OIT e a convenção internacional para protecção de todos os trabalhadores imigrantes e os membros das suas famílias são exemplo de alguns instrumentos internacionais que limitam as capacidades dos estados assimilarem os imigrantes. De acordo com o presidente brasileiro Getúlio Vargas. os laços culturais com os seus países de origem assim como dar possibilidade das crianças dos imigrantes a oportunidade de terem uma educação na sua língua materna. A palavra quisto revela uma concepção negativa ao considerar os imigrantes como um cancro para a sociedade Moçambicana. De acordo com Seyferth. Portanto. qualquer país pode ter imigrantes mas nem todos conseguem assimila-los.. por mais que os laços com seus países de origem estejam diluídos”. A invasão de estrangeiros constitui hoje um desafio para os estados. manter a cultura originária e a língua materna é um direito dos imigrantes e isso implica a prevalência de quistos étnicos. principalmente. “Um país não é apenas um conglomerado de indivíduos dentro de um trecho de território. A declaração universal dos direitos do homem. cultura e tradição.Enquanto o imigrante como indivíduo isolado pode facilmente sofrer o processo de assimilação/aculturação.” O primeiro obstáculo ao processo de assimilação é o direito internacional. Dave Gibson (2005). guardam sempre alguma forma de identidade étnica.. considera que a imigração sem assimilação é igual a invasão. Por seu lado. somalis. estes instrumentos convidam os estados a preservarem as identidades culturais e étnicas.

progressivamente. Assim.3. comunica-se constantemente com o país de origem. O primeiro acto de nacionalização atingiu o sistema de ensino em língua estrangeira: a nova legislação obrigou as chamadas “escolas estrangeiras” a modificar seus currículos e dispensar os professores “desnacionalizados”. por parte dos imigrantes. etc. especialmente os filhos dos imigrantes. sexo. 6. este dispositivo constitucional resulta da consciência do legislador de que a população moçambicana é marcada por uma acentuada heterogeneidade étnica e por isso possui uma diversidade cultural. inclusive nas actividades religiosas (Seyferth. da cultura dominante. partido político. 1997:96-97). idade. constroem (criam) e reforçam os laços com os seus países de origem (Heisler. desapareceram as publicações em língua estrangeira. viagens constantes ao país de origem. credo. principalmente a imprensa étnica. uma nova identidade: a identidade transnacional. Por força deste dispositivo constitucional. O imigrante transnacional é cidadão ‘daqui’ e ‘de lá’ e envolve-se em actividades transnacionais como: envio de dinheiro ao país de origem.imigrantes. as que não conseguiram (ou não quiseram) cumprir a lei foram fechadas. Moçambique não tem nenhuma política de assimilação dos imigrantes para prejuízo do estado. O risco da afirmação de identidades étnicas e religiosas por parte de algumas comunidades imigrantes e o risco do surgimento de enclaves étnicos devem fazer parte de uma política firme de controlo de imigrantes. o estado deve criar condições de induzir a assimilação.2. que admitem mais facilmente a introdução de novos valores culturais. Os melhores mecanismos de assimilação são: o mercado de trabalho e as instituições de educação21. De acordo com Heisler. 2008:95). Alias. ela protege todos os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos sem distinção de raça. Contrariamente a outras sociedades mais experientes na recepção dos imigrantes. foi proibido o uso de línguas estrangeiras em público. Enquanto o impacto cultural dos imigrantes ainda não é muito manifesto. 62 . e algumas sociedades recreativas. desportivas e culturais que não aceitaram as mudanças. 21 No Brasil. o estado é impotente para forçar a assimilação dos imigrantes ou dos seus descendentes. A campanha de nacionalização (assimilação) foi implementada durante o Estado Novo (1937-1945). A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo estado. atingindo todos os possíveis alienígenas. estes laços criam uma comunidade transnacional. Alias. criam associações ligadas ao país de origem. A partir de 1939. O Transnacionalismo Imigrante O transnacionalismo imigrante refere-se a situação em que os imigrantes mantêm. nacionalidade. a intervenção directa recrudesceu e a exigência de “abrasileiramento” através da assimilação tornou-se impositiva.

assistem e escutam rádio e televisão do país de origem, votam nas eleições do país de origem, etc (Heisler, 2008:96). O trans-nacionalismo imigrante pode ocorrer com maior frequência em zonas fronteiriças e é cada vez mais facilitado pelos avanços tecnológicos criadas nos transportes e comunicações e as facilidades criadas pela globalização. O trans-nacionalismo emerge como uma questão de análise porque representa um desafio para os estados de acolhimento. Pelo facto de não permanecerem permanentemente em Moçambique, resultado das idas e voltas ao país de origem os imigrantes transnacionais acarretam problemas de dupla lealdade, não fazem grandes investimentos que exijam a permanência no país e são responsáveis pela maior remessa de divisas de Moçambique para os países de origem, muitas vezes saindo sem declaração. Estes aspectos tomados de forma leviana não aparentam nenhuma ameaça para a estabilidade e segurança do estado mas, numa análise mais fria percebe-se que o imigrante transnacional representa uma fragilidade para os estados receptores porque o imigrante transnacional permanece enraizado ao seu país de origem, culturalmente, politicamente e economicamente. Os imigrantes asiáticos árabes, indianos, paquistaneses e bengaleses residentes em Moçambique, mantêm uma forte ligação com suas sociedades de origem e respectivas tradições culturais pois, não existe nenhuma pressão da sociedade moçambicana para a sua assimilação. O que se observa é a coexistência e o confronto diferencial no qual imigrantes buscam acomodar-se aos padrões da cultura hospedeira sem, no entanto, perder seus traços distintivos, num esforço dirigido à construção e manutenção das redes e identidades sociais (Fígoli e Vilela, 2004:1). O imigrante africano é por natureza mais transnacional que o imigrante europeu. Os fortes laços familiares enraizados na cultura africana impede o desenraizamento total dos seus locais de origem. Existe no seio dos africanos um sentido de obrigação em ajudar os seus. Por força disso, a maioria dos imigrantes africanos residentes em Moçambique são responsáveis pela maior remessa de dinheiro para o exterior sem nenhuma declaração ao estado, são também responsáveis pela criação das maiores redes de facilitação da imigração. Estas redes, são responsáveis pelo convite e facilitação da entrada de mais imigrantes dos seus países de origem, tanto de forma legal como ilegal.

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Por força da sua característica transnacional, desenraizados de Moçambique, os imigrantes transnacionais são muito propensos a se auto-excluirem dos processos sociopolíticos do país e são também propensos a excluir os nacionais do seu convívio. Em virtude de se sentirem diferentes dos nacionais eles criam espaços de inclusão baseados na sua etnia. Nesse sentido, a consciência das diferenças tem promovido a construção de identidades étnicas, as quais são artifícios culturais de interacção, organização e resistência ao desaparecimento social, físico e simbólico imposto pela sociedade dominante (Fígoli e Vilela, 2004:4). 6.3.3. Integração Social dos Imigrantes O maior interesse da integração é conceder direitos sociais aos imigrantes sem prejuízo das suas identidades culturais. A integração do imigrante não significa a «assimilação» ou a supressão de sua identidade cultural. Certamente, a integração requer esforço para entrar na vida social e estabelecer relações de convivência, para aprender a língua da nação e adequar-se às leis e às exigências trabalhistas mas não implica a aculturação. A integração dos imigrantes em Moçambique depende de dois factores principais: a vontade dos imigrantes se integrarem e a vontade dos moçambicanos integrarem. A vontade dos moçambicanos integrarem depende de factores como raça, religião e a capacidade financeira dos imigrantes. Em Moçambique, existem comunidades bastantes fachadas e que não permitem a integração rápida dos imigrantes nem dos moçambicanos que não são originárias dessa comunidade. Este tipo de comunidades é adverso ao multiculturalismo e podem manifestar o xenofobismo. Entretanto, pode-se assumir que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade, indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. No geral, os moçambicanos são muito receptivos aos imigrantes havendo no entanto uma percepção diferente em relação a tipologia dos imigrantes. Aspectos raciais e étnicos têm um peso muito grande na atitude dos moçambicanos. Imigrantes europeus e asiáticos (Paquistanês, Indiano, Bengali) têm maiores chances de serem bem acomodados do que os imigrantes africanos. Ao imigrante europeu e asiático está conotada a condição financeira e a criação de oportunidades de
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emprego. Existe também uma grande receptividade dos imigrantes árabe-muçulmanos nas províncias de predominância islâmica. Todavia, nas províncias de pouca expressão islâmica manifesta-se alguma hostilidade. A percepção em relação aos chineses é ainda de alguma resistência e hostilidade muito provavelmente devido a introdução bastante recente na sociedade moçambicana. Por causa do pendor financeiro dos europeus e asiáticos são-lhes criadas facilidades, de acesso a documentos, licenças e alvarás, muitas vezes em prejuízo do cidadão moçambicano. Com efeito, são constantemente reportados casos de favorecimento a imigrantes estrangeiros em todo o país. Pode-se inferir que os imigrantes contribuem para o crescimento de actos de corrupção e clientelismo. Na análise da receptividade dos imigrantes, também é pertinente avaliar a distância percorrida pelo imigrante. As distâncias etno-linguísticas dos imigrantes do corno de África e da África ocidental diferem grandemente da distância etno-linguística dos imigrantes vindos da África austral. A semelhança cultural e linguística permite uma facilidade de integração dos zimbabweanos, malawianos, zambianos e tanzanianos principalmente nas províncias próximas dos seus países de origem. A mudança cultural não cria choques constantes. Esta situação também beneficia aos imigrantes portugueses e brasileiros, que compartilham com os moçambicanos a mesma língua e, de certa forma, alguns valores culturais. Em relação aos imigrantes vindos da África ocidental, do corno de África e da África central, a grande diferença etno-linguística cria um choque cultural verdadeiro obrigando a uma aprendizagem e mutações drásticas. Todavia, o factor religioso também contribui para reduzir as distâncias etno-linguísticas e criar laços de amizade. Em termos gerais, a sociedade moçambicana é receptiva e acolhedora, por esse motivo, os imigrantes tem tido sucesso nos negócios que provocam um impacto positivo na sociedade. No sentido oposto, se a sociedade moçambicana fosse fechada e repulsiva em relação aos imigrantes, eles não teriam chances de sucesso e o seu impacto seria negativo para a sociedade. Por causa da receptividade dos moçambicanos, a maioria dos imigrantes que criam negócios em Moçambique tornam-se bem sucedidos e expandem os seus negócios, aumentando gradualmente o seu investimento no país. A receptividade do país cria confiança no imigrante e por via disso mantêm as suas contas bancárias no país, reduzem as remessas de dinheiro para o país de origem,

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principalmente ao nível dos distritos. Em relação a vontade dos imigrantes. destacar a grande resistência de alguns grupos em estabelecer laços matrimoniais com os moçambicanos. sujos. ridicularizados. ao nível dos maiores centros urbanos. trafica mulheres. pela escola e pela religião. O citadino não se escandaliza facilmente com os casamentos entre imigrantes e nacionais nem com a pujança económica de alguns imigrantes havendo maior preocupação com a oferta de bens e serviços a preços baixos. que se consideram lesados.estabelecem negócios maiores. culturais e até linguísticas tem maior propensão em se integrar na sociedade moçambicana em relação aos imigrantes asiáticos e europeus. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. Os estereótipos mais frequentes são: todo o imigrante é criminoso. em poucas palavras pode se dizer que o imigrante investe na permanência a longo prazo. etc. Nestes grupos. Entre a comunidade indiana por exemplo predomina. A hostilidade costuma manifestar-se em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido num ambiente de escassez e pobreza. a percentagem dos casamentos intraétnicos ainda é muito acentuada. Nalguns casos os imigrantes são afastados do convívio social. a 66 . Existem no entanto momentos em que a sociedade moçambicana demonstra sinais de hostilidade e indiferença. compram imóveis. hostilizados pelos nacionais porque eles são uma ameaça e um perigo para a posição social e económica dos nacionais. trafica droga. pelo trabalho. a presença dos imigrantes levanta sentimentos de indiferença. O imigrante africano. pelas suas características raciais. existe um diferencial bastante grande em relação aos imigrantes africanos e os imigrantes asiáticos e europeus. Entretanto. comprar bens de luxo ou construir habitações mais belas) provoca uma hostilidade latente no seio dos moçambicanos. namorar ou casar com as mulheres mais belas. feiticeiros. são de baixo nível. São criados estereótipos que minam a convivência entre os imigrantes e os nacionais. Quanto a integração pelo casamento. Sempre que um grupo de imigrantes ou um imigrante acumula vantagens e benefícios em detrimento dos nacionais e ou lesar os interesses da sociedade local (vender produtos a preços baixos em comparação com os nacionais. Normalmente.

é a união de indivíduos mais aparentados do que a média da população. paquistaneses.endogamia. por parte de grande parte da população. libanesa. Raramente a comunidade hindu aceita casamentos inter-étnicos. Normalmente. o impacto imediato deste tipo de casamentos é o aumento de mestiços e mulatos no país. Em várias ocasiões assiste-se a manifestações racistas promovidas por mestiços e mulatos contra negros e de negros contra mulatos. Normalmente os imigrantes homens são vistos como uma fonte de recursos financeiros para as famílias das suas namoradas moçambicanas. Neste contexto. Contudo. Os europeus e americanos são mais abertos ao relacionamento interétnico e existem muitos casamentos entre brancos e negros. Existe uma crença errada. os imigrantes acabam ganhando algum suporte por parte de famílias moçambicanas vulneráveis. os sentimentos de desigualdade e privação relativa jogam um papel muito grande para incendiar o conflito. chinesa. principalmente entre imigrantes africanos e os moçambicanos. Naturalmente. somaliana. paquistanesa. ou seja. nem sempre esta situação é apreciada por todos os moçambicanos. na música. Moçambique concorre hoje para uma situação semelhante a do Brasil. Esta tendência assiste-se também no seio de comunidades fachadas como os somalianos. São raros os casos do 67 . Existem alguns casos de indivíduos que romperam com a endogamia étnica mas esta iniciativa só é tomada pelos homens sendo raro ver uma indiana. Aqui. Em relação aos imigrantes europeus e asiáticos esta situação muda de figura. onde a população mestiça representa uma grande fasquia da população. libaneses. é a partir da convivência no trabalho que se estabelecem redes de amizade e solidariedade entre os imigrantes e os moçambicanos. A integração pelo trabalho é a estratégia mais fácil de integração de estrangeiros. A mistura manifesta-se visivelmente na culinária. etíope casada com um homem negro moçambicano. chineses. etíopes. O objectivo desta atitude é a continuação da descendência étnica dos imigrantes e isso tem um impacto no aumento dessa população em Moçambique. Esta mestiçagem não se manifesta somente ao nível físico dos indivíduos como também no aspecto cultural dos mesmos. relacionados pela ascendência. na indumentária e na linguagem dos indivíduos. de que os mestiços e mulatos são beneficiados e que gozam de melhores condições de vida. que é um sistema em que os acasalamentos se dão entre indivíduos aparentados.

reduzindo desse modo o distanciamento dos país da cultura moçambicana. etc. sueca. Não existe. por parte destes imigrantes. portuguesa. A facilidade de abertura de escolas particulares e escolas étnicas.surgimento de redes de amizade e solidariedade. nenhum investimento em aprender a cultura Moçambicana. A enorme distância cultural entre brancos. este cenário é relativamente diferente. Existem situações de descriminação por parte dos cidadãos de raça branca. os asiáticos e europeus não enviam os seus filhos para as escolas públicas. Os currículos escolares orientados para a unidade nacional. que representam as nacionalidades existentes nessas cidades. não existe nenhum espaço de integração e envolvimento entre os nacionais e estes estrangeiros provocando em alguns casos sentimentos racistas. chineses e moçambicanos constitui também um grande impedimento para o estreitamento desses laços. São os filhos dos imigrantes que regressados a casa vão transmitir de forma indirecta a língua e os valores moçambicanos. O envio dos filhos de imigrantes para as escolas públicas ao lado de crianças moçambicanas é outra estratégia que permite uma maior integração da segunda geração na sociedade moçambicana. é muito grande. Muitas destas escolas obedecem um currículo do país de origem e as aulas são leccionadas na língua materna dos imigrantes. para a necessidade de defesa da pátria e ainda para a igualdade e respeito pela diferença contribuem para formatar a segunda geração de imigrantes e enquadra-los como moçambicanos. A título de exemplo. etc. de exclusão e manifestações de superioridade por parte dos imigrantes 68 . escola Americana. O efeito desta prática manifesta-se com a criação de círculos de amizade baseadas na relação étnico-racial. Ao nível dos distritos e das províncias mais recônditas é frequente os filhos de imigrantes frequentarem as escolas públicas ao lado dos moçambicanos e a integração aqui torna-se mais rápida. os europeus enviam os seus filhos para a escola internacional. asiáticos e em alguns casos árabes em relação aos moçambicanos de raça negra. Através da escola. Provavelmente por motivos da classe económica e/ou interesse em manter os seus filhos com os hábitos culturais e linguísticos dos países de origem. Ao nível das grandes cidades. os filhos de imigrantes aprendem não só a língua moçambicana mas todo um sistema de valores defendidos pela sociedade e pelo estado moçambicano. Os muçulmanos enviam os seus filhos para a escola muçulmana. podemos encontrar a escola Sul-africana. escola Sueca.

Os direitos políticos são regulados em Moçambique pela Constituição da República (2004). Para se ser nacional de um estado o indivíduo deve ter nascido nesse estado ou pedir para aderir ao estado através da naturalização que passa por critérios de aceitação definidos nas respectivas constituições. Segundo a constituição. Uma das estratégias mais fáceis de inserção ou integração social dos imigrantes é a partir da religião. cidadania é a condição que uma pessoa natural de um estado tem de gozar de direitos que lhe permitem participar da vida política desse mesmo estado. a implantação da religião islâmica em Moçambique pré-data ao colonialismo e a independência. Para além disso. a nacionalidade era o pressuposto principal da cidadania. Por outro lado. só gozam de 69 . A cidadania é. contribuem também para a propagação do árabe entre os moçambicanos. Integração Política e Cidadania Em direito e na assumpção original. Como consequência. há mais falantes do árabe em Moçambique. seja ao votar (directo). o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. Deve ficar claro no entanto que não existe nenhum conflito entre o sistema de valores islâmicos e Moçambicanos pois. Enquanto a maioria dos missionários cristãos divulga a sua mensagem em português e inclusive nas línguas locais.3. Portanto. Este distanciamento pode ter efeitos nefastos no futuro. A nacionalidade moçambicana pode ser originária ou adquirida.chegando em alguns casos a manifestar discriminação. seja ao concorrer a cargo público (indirecto). participando de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração. As madrassas. Hoje. Tradicionalmente.4. na indumentária e no sistema de valores defendidos pelos seus crentes. que são as escolas de aprendizagem do alcorão. o indivíduo devia ser natural do estado. a vinda de missionários cristãos e sheikes muçulmanos tem um impacto imediato no alastramento e na evangelização de regiões outrora ateístas. a divulgação do árabe assume-se hoje como uma realidade. o alastramento do islão em Moçambique esta a ter um impacto nos hábitos alimentares. A partir do momento que os imigrantes se apresentam nos cultos das confissões religiosas presentes em Moçambique abre-se um espaço para a integração efectiva na vida social da sociedade moçambicana. 6. os Sheikes muçulmanos divulgam o sagrado alcorão em árabe. portanto. para ser cidadão.

O reconhecimento da contribuição económica dos imigrantes e seus descendentes nos países de acolhimento levanta cada vez mais questões de cidadania. A vasta gama de direitos concedidos aos imigrantes e que os estados são obrigados a respeitar. direito a culto das suas religiões. o relacionamento entre imigrantes e o estado deve espelhar a nova realidade internacional. 2007:92). quer dizer. a cidadania não só envolve direitos mas também deve envolver participação (Heisler. liberdade de opinião etc… Hoje. económicos. direito ao associativismo e a ingressar em sindicatos. Dentre os vários factores que estão na origem das profundas transformações ocorridas no conceito de cidadania. direito a. existem três tipos de cidadania: a Cidadania Civil. Para estes autores. independentemente da nacionalidade do imigrante.direitos políticos os cidadãos moçambicanos. Segundo Heisler. 70 . Política e Social. citado por Heisler (2007:93). H. Como conceder cidadania aos imigrantes sem naturaliza-los é uma questão impensável se tomarmos o conceito tradicional de cidadania como factor estanque. não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. direito a habitação. os imigrantes exercem a cidadania ao participarem directa ou indirectamente nas decisões que afectam as suas vidas. os Estados e as sociedades se questionam sobre o conceito de cidadania e de pertença a uma dada sociedade (Bertonha. Vários analistas defendem a necessidade de alargar o conceito de cidadania para incluir direitos e deveres sociais. permite aos imigrantes o exercício da cidadania nos estados de acolhimento. mais do que nunca. 2006). Este dispositivo constitucional aparece como o primeiro instrumento de exclusão dos imigrantes na participação na vida pública. (2007:93) A declaração universal dos direitos do homem e as várias convenções que protegem os direitos dos imigrantes e os direitos das minorias servem de base de concessão da cidadania aos imigrantes. Segundo T. Num mundo contemporâneo marcado por crescentes migrações internacionais e por uma trans-nacionalidade que permite às pessoas mudarem de um país para o outro sem necessariamente aderir a uma nova cultura e realidade. Estes instrumentos concedem cidadania aos imigrantes ao defenderem direitos individuais e colectivos aos imigrantes: o direito ao trabalho e salário justo. culturais e abranger toda a panóplia dos direitos humanos. A constituição limita o espaço de participação política dos cidadãos de nacionalidade adquirida. a imigração ocupa um lugar central (Cardoso. Marshall. 2004:2).

sendo unicamente limitados de exercer cargos políticos específicos e de votar e ser eleito em eleições parlamentares. 1) o distanciamento por parte dos imigrantes dos centros de poder local e central. para além do usufruto de direitos e deveres. concessão de alvarás de forma facilitada e a protecção policial. As relações de clientelismo estão enraizadas em toda extensão do território nacional. a manipulação e influência dos grupos sociais mais fracos. os imigrantes usufruem de direitos de cidadania. nem todos os imigrantes desfrutam das mesmas condições de vida (Cardoso. 71 . os imigrantes vão se aproximando das elites políticas e vão firmando laços de amizade e de negócios com estas elites. 3) condições de vida precária que lhes impossibilitam advogar ou pagar serviços de advocacia nas instituições do estado e 4) devido a incapacidade do estado Moçambicano prover bens. em alguns casos. Pode-se dizer que a ascensão económica dos imigrantes cativa-os a ter uma maior participação política em Moçambique. nem todos os imigrantes são abrangidos por ela pois. facilidades de importação e exportação de produtos. Apesar da lei abrir espaço para o usufruto da cidadania a todos os imigrantes. 2004:6).Pode-se assumir que em Moçambique. A manipulação e influência dos imigrantes sobre o poder político superam. Amiúde. No entanto. A aproximação entre imigrantes e elites governantes começa desde os centros de poder local até ao governo central. A medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país. A constituição moçambicana abre espaço para a participação política limitada dos imigrantes na vida pública do estado. aos imigrantes são concedidos direitos de exploração exclusiva de certas mercadorias. o exercício da cidadania passa. os imigrantes vão se transformando progressivamente num grupo de interesse cada vez mais forte e influente. serviços e condições de empregabilidade aos seus cidadãos. Através de ofertas e trocas de favores. Através da influência sobre o poder político. Grande parte da população imigrante em Moçambique não tem como fazer valer os seus direitos por vários motivos sendo os mais determinantes. entenda-se cidadania no sentido mais abrangente do termo. pela capacidade de influenciar o poder político e a tomada de decisões públicas. 2) analfabetismo ou ignorância em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais que lhes são garantidos pelos tratados internacionais e pela legislação nacional. créditos nas instituições financeiras.

a maioria dos entrevistados limitou-se a relatar sobre os aspectos negativos dessa situação sem exemplificalos. Com o trabalho assalariado. Sofala e Tete. estudam e concorrem nas universidades públicas e privadas. A emergência de políticos de origem imigrante ou descendente de imigrantes ainda é algo impensável na realidade moçambicana. Recorre-se principalmente a falta de lealdade com os estados moçambicano e a defesa de interesses estrangeiros. no entanto. são activistas e ganham consciência política. 2002:8). As mulheres de outras nacionalidades normalmente não imigram sozinhas sendo na sua maioria dependentes dos seus maridos. o contributo da população imigrante em Moçambique é bastante diferenciado. as mulheres libertam-se e assumem um papel de 72 . que imigram por força da situação de crise económica no Zimbabwe não têm um peso económico muito grande por não realizam actividades comerciais por excelência. A luta pelos direitos de cidadania concentra-se hoje na exigência de superação dos obstáculos administrativo-legais que dificultavam a regularização da situação dos imigrantes que solicitam autorização de residência e a exigência de integração efectiva das gerações descendentes (Albuquerque. Pode-se concluir que as mulheres não são imigrantes económicos. Entretanto. Grande parte delas são prostitutas e só uma pequena fasquia realiza actividades comerciais. Todavia. Existe. Imigração e Género Em termos de género. existem mulheres acompanhantes que se tornam imigrantes económicas. organizam-se associações. Todavia. As associações de imigrantes são por excelência o primeiro veículo de inserção na vida política moçambicana. As mulheres que outrora executavam trabalhos domésticos mudam a sua postura em Moçambique.3. Muitas tornam-se ajudantes nos negócios dos seus maridos e outras entram na actividade comercial. uma pequena fasquia de mulheres imigrantes vindas maioritariamente do Zimbabwe e que permanecem nas províncias centrais de Manica. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. fazem negócios próprios. O facto de serem acompanhantes retira-lhes a capacidade de contribuírem para a economia moçambicana.Quando questionado sobre a concessão de cidadania aos imigrantes em Moçambique. Estas mulheres. 6. O maior número de imigrantes residentes em Moçambique é do sexo masculino. ganham uma nova consciência de participação na vida pública.5.

através da organização feminina islâmica. o passaporte ou documento equiparado valido. Como se pode perceber. as mulheres muçulmanas procuram integrar-se na vida social moçambicana. Por via desta organização. 7. e garantias. as estratégias de integração da mulher islâmica são diferentes da estratégia do homem islâmico. 2008:126-127). No seio das comunidades islâmicas o papel da mulher obedece aos preceitos da religião islâmica. reabilitação de centros de saúde. comunidades carentes que. ao abrigo da lei nº 5/93. esta comunidade se envolve directamente para prestar auxílio humanitário em situações de desastres naturais. Nota-se por exemplo que as mulheres muçulmanas têm maiores problemas de integração na sociedade moçambicana. os direitos. marítima ou aérea obriga-se a entrar no Pais pelos postos fronteiriços oficialmente estabelecidos para o efeito. que torna necessário regulamentar o regime jurídico do cidadão estrangeiro. por via terrestre. deveres. o regulamento que estabelece as normas jurídicas aplicáveis ao cidadão estrangeiro. SUPERVISÃO E CONTROLO DE IMIGRANTES EM MOÇAMBIQUE Em Moçambique. Relativamente à entrada de imigrantes no País. Para além disso. no posto fronteiriço. relativas á entrada. O seu envolvimento se estende ao nível nacional e são desenhados programas de construção de escolas. naturalizadas e imigrantes. Nestes casos.de 28 de Dezembro. o artigo 9. uma organização de carris humanitário. permanência e saída do País. estabelece que todo o cidadão que pretenda entrar na República de Moçambique. que envolve tanto muçulmanas nacionais. a supervisão e controlo de imigrantes é garantido pelas disposições legais. Muitas delas não exercem nenhuma actividade comercial e permanecem afastadas da vida pública. onde o conselho de ministros decretou. plasmados no decreto nº 38/2006 de 27 de Setembro. não partilham do mesmo credo. entre outros. provar que possui 73 . apresentar. o contributo destas mulheres é nulo. a mulher muçulmana tem a oportunidade de desenvolver programas de apoio as pessoas mais necessitadas como velhos. na maioria dos casos. no seu nº1. Todavia. crianças órfãs. no seu artigo I.vanguarda (Brettell.

o que acontece normalmente é a entrada e permanência de estrangeiros imigrantes sem observância do legislado e regulamentos que regem sobre esta matéria. lacustres. caminhos-de-ferro. nas residências. para posterior adopção. praticando actividades ilegais bem como a deficiência de controlo do retorno de imigrantes repatriados. dai urge necessidade de ampliação de mecanismos de supervisão e controlo. dado que estes. não de forma eficiente. estratégias e planeamento operacional. sobretudo os ilegais. aeronaves e onde a sua presença seja necessária. Sublinha-se que as instituições encarregues para a supervisão e controlo. De acordo com os entrevistados. Em relação à fiscalização. navios. isto porque cada vez verifica-se muito afluxo de imigrantes ilegais que escapam as autoridades em muitos centros urbanos. depois voltam com credenciais passados pelo centro de acolhimento de Nampula.Constatação sobre Supervisão e Controlo. constituindo perigo à segurança e modus vivendo dos nacionais.meios de subsistência e prestar informações adicionais que lhe forem solicitadas pelo inspector de migração. Estações marítimas. nos comboios. ao nível central. no tocante a imigrantes em geral e particularmente para imigrantes ilegais. somos da opinião de que as autoridades locais devem ser mandatários para recolher dados referentes à imigração. 1. 74 . fluviais. sem documentos de autorização de permanência e residência. 7. quando são repatriados. tem demonstrado fragilidades no seu exercício. regista-se dificuldades para a supervisão e controlo de imigrantes. clarifica que será facultada a entrada livre dos funcionários dos serviços de migração para o exercício da sua função fiscalizadora. No entanto. o artigo 38. vistos caducados. Aparecendo imigrantes que vivem em Moçambique sem documentos legais. A equipa de pesquisa constatou no terreno que a supervisão e controlo são feitos. aeroportos. sobretudo a ilegal e outras irregularidades de passagem clandestina da fronteira. de medidas. No entanto. chegando a embaraçar as autoridades.

tem elevadas taxas de fertilidades e.Outra situação constatada é o facto de aparecerem em quase todos os distritos visitados. a sua pertinência. no prazo de cinco dias por meio de boletim individual de alojamento. ficam obrigados a comunica-lo. com o relatório de desenvolvimento humano 2009. meios técnicos adequados e recursos humanos qualificados. que preconiza que os hotéis. defende um combate cerrado para travar a imigração. a falta de disponibilidade de meios materiais.2 Experiencia Europeia e Norte. parques de campismo. Alguns dos entrevistados atribuem a fraca supervisão e controlo dos imigrantes. 7. violando o artigo 33 no seu nº 1. motéis. nos locais onde não haja a polícia da PRM ou administração local. lançado recentemente pelo programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD). a união europeia (UE). Fazendo a alusão a Africanos que vivem em diferentes partes do Mundo. pousadas. contrastando deste modo. De acordo com P. imigrantes que vivem em diferentes residências sem nenhuma comunicação por boletim individual de alojamento. ou cedam a qualquer título. bem como todos aqueles que albergam estrangeiro ou arrende. Deste modo. elegeu-se as experiencias europeias e norte-americana na supervisão e controlo de imigrantes. aos serviços de migração. os imigrantes.Americana na Supervisão e Controlo de Imigrantes Para este trabalho. serão responsáveis pela maior parte do crescimento futuro nas sociedades ocidentais. os ocidentais receiam cada vez mais “ estar 75 . pelo contrário. a vulnerabilidade da fronteira terrestre e marítima. Samuel (2006:233). casa ou habitação a estrangeiro. reside no facto de trazer a experiencia de como estes países abordam este fenómeno de imigração. mesmo por sublocação. onde as remessas atingem cerca de 40 mil milhões de dólares ano para o continente. por consequência. sobretudo a políticas de supervisão e controlo. estalagens. Huntington. que defende que a migração é inevitável e pode melhorar a vida de milhões de pessoas no Mundo. em virtude de a primeira ter característica montanhosa e muito extensa e a segunda apenas por ser uma costa extensa. casas de hóspedes e similares. Como resultados.

o que normalmente chamam na Europa de política de ‘’ imigração zero”. para o recrutamento de mão.Huntington. ocupam as suas terras. senão o recurso à clandestinidade.net. mas por imigrantes que falam outras línguas. onde visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais. veneram outros deuses. 76 .Organizar a imigração legal. a saber: 1. e que se confrontam com a lei 22 Site: http://www.de-obra qualificada. priorizando a adopção do “ cartão azul ”.Facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito.agora a ser invadidos. pertencem a outras culturas e também lhes roubam os empregos. 2. tratam de indivíduos que não encontram outra opção. acompanhada de uma fortificação nos meios de supervisão e controlo de imigrantes que escalam aquele continente. mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida. como é o caso de algumas organizações da sociedade civil em Portugal. 3.Refrear o controlo das fronteiras 5. cuja proposta foi apresentada pelo Nicolas Sarkozy. obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas ou que muito simplesmente tentaram mudar a vida.blocomotiva. insegurança. No entanto. muitas vezes vitimas de redes sem escrúpulos. o discurso de S. revela claramente que a Europa apela para um sentimento anti-imigração.Proibir os processos de regularização colectiva Salienta-se que esta posição da UE tem sido contestada pelos alguns membros da união. não por exércitos e carros blindados. onde alegam que são homens e mulheres que procuram fugir á miséria. beneficiam da segurança social e ameaçam o seu modo de vida”. a UE22 aprovou o que designou de pacto europeu sobre a imigração e asilo. fome.Concretizar uma politica europeia de asilo 4. no contexto da presidência francesa da UE. aprovado pelo conselho de ministros a 25 de Setembro do presente ano. No entanto.

com Site:htt://gladio. Limitação de reagrupamentos .blogspot. A experiencia Italiana nesta matéria de supervisão e controlo de imigrantes reside no facto de introduzir uma lei de testes de ADN.que diz cinicamente que “ cada caso” é um “ caso”.Huntingnton. visto como sendo instrumento de perseguição dos ciganos. Generalização dos identificadores biométricos P. endureceu o controlo sobre a imigração. Imigração selectiva . que alega que a UE não paga o mesmo que paga a Grécia para ajudar a deportar os imigrantes ilegais.blogspot. Samuel (2006:239). fazendo de regra à excepção e recusando à generalidade dos imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana23.A). tornou mais rigorosas as leis que regulam o direito de asilo. que constantemente interfere activamente com radar contra as patrulhas marítimas anti-imigraçãoilegal da UE no mar egeu. explica ainda que os Estados Unidos da América (E. ligando todos os consulados . Colocação de um sistema comum de informação sobre os vistos.sapo.pt. Expulsão de imigrantes indesejáveis . ampliou os quadros dos serviços de imigração e 23 24 25 Site:http://gladio. sobretudo na administração Clinton. 77 . consubstanciado em: . regras selectivas e politicas securitarios24.com Site:htt://imigrantes.no. Uma situação que julgamos ser necessário comentar.U. queixando-se que recebe apenas 70 euros por cada imigrante ilegal em contraste com a Grécia que recebe 1000 euros. Deste modo pode se afirmar que a UE25 gasta milhões de euros só para lidar com a imigração ilegal e criou a agencia Frontex (aferrolhamento das fronteiras da UE) de vigilância das fronteiras para lutar contra a imigração clandestina. Atitude vista como reivindicação da Turquia. tem a ver com aquilo que a UE considera de sabotagem aos esforços de combater a imigração ilegal por parte da vizinha Turquia.

a equipa de pesquisa constatou no terreno que as diligências. mas mesmo assim. de trânsito e do destino. quanto ao fenómeno é de que deveria existir um princípio de responsabilidade partilhada que envolvesse os países de origem. Rusgas nos estabelecimentos comerciais. se registe a falta de meios matérias e humanos qualificados para a supervisão e controlo de imigrantes que escalam Moçambique.405. Diligências feitas pelas instituições de supervisão e controlo Embora. embarcações. Os fluxos não deveriam ser impedidos mas sim geridos. Expulsão em caso de delito Contudo. casas de pastos e residências desconfiadas . 7. Repatriamento dos ilegais .884 Estrangeiros Repatriados 291 238 Estrangeiros Expulsos 0. portos. comboios e aeronaves . reforçou o patrulhamento fronteiriço e construiu barreiras fiscais ao longo da fronteira com México.189 5. racionalizados. com vantagens recíprocas para os países de origem e do destino. DADOS ESTATISTICOS DE MOVIMENTO MIGRATORIO. não chegam a efectivar-se regularmente devido a falta de meios já referenciados anteriormente. consubstanciada em: .naturalização.0 55 Observação 78 . Controlo e verificação nos autocarros colectivos. carros particulares.3.200. NÚMERO DE ESTRANGEIROS REPATRIADOS E EXPULSOS POR CONTRAVENÇÃO MIGRATÓRIA DESDE O ANO 2000 AO 1º SEMESTRE DO ANO 2009 ANO 2000 2001 Movimento Migratório 6. aeroportos. há que destacar algumas diligências embora periódicas em conjunto entre a PRM e a Migração. Vide a baixo o mapa dos dados estatísticos de número de estrangeiros repatriados e expulsos dos últimos 10 anos. tem se verificado um esforço para conter a supervisão e controlo. A opinião de muitos observadores.

sobretudo nos distritos fronteiriços.677. Salienta-se que à percepção de que o número de imigrantes ilegais tende a crescer em cada dia que passa. onde se registou um número recorde de repatriamentos 7.S.102 5. o número de imigrantes oscila em cada ano que passa. Moçambique adoptou uma legislação aberta aos estrangeiros.950 5. todos os instrumentos que protegem a pessoa do imigrante estabelece normas que servem de modelo para a legislação dos estados particulares.0 Ano de supressão de visto com R. mencionar a pessoa do imigrante. O facto de nenhum instrumento jurídico moçambicano apresentar uma definição clara do cidadão imigrante e a não existência de um conceito oficial de imigração e imigrante pode representar handicap com efeitos negativos na definição de uma política de imigração.351 17.113. Os governos dos estados que ratificam estes instrumentos comprometem-se a aplicar essas disposições e obrigam-se a garantir protecção aos imigrantes nos seus territórios.0 2007 2. no entanto.2002 2003 2004 2005 3. a lei moçambicana concede uma grande margem de actuação aos imigrantes permitindo-lhes usufruir das oportunidades socioeconómicas que o país oferece.973 11 2008 5.731 8.519 3. direcção nacional de migração Tal como reporta o mapa.0 0. Contudo.689.829 7. 8.454 128 2009 2.652 2. As estatísticas reportam em si que a supervisão e controlo são feitos embora com as dificuldades apontadas anteriormente.359 imigrantes ilegais e em termos de expulsões o ano de 2008 registou um recorde de 128 imigrantes.297 0.525. cuja sua identificação e localização.480.883.359 0.901.449 328 1. escapa as autoridades competentes.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Vários são os instrumentos jurídicos internacionais que protegem a pessoa do imigrante nos países de acolhimento.288 85 Fonte: Ministério do interior. A semelhança da declaração universal dos direitos do homem. sem. Com destaque para o ano de 2006.0 02 0.346 3.496.A 2006 6. Influenciado pela legislação internacional. 79 . para fins de repatriamento.718 2.

Ocidental. foi e continua sendo um país aberto a acomodação de estrangeiros de todas as partes do mundo. São cada vez mais alarmantes os números de imigrantes vindos dos países da África (Austral. a facilidade de investimento e a integração regional atraem cada vez mais imigrantes interessados em alcançar sucesso económico no país. Sudoeste asiático (Paquistão. Os círculos urbanos constituem os locais onde os imigrantes desenvolvem as suas actividades. económica e social. Enquanto os imigrantes legais obedecem aos postos oficiais de entrada de estrangeiros. médio oriente (Líbano). tanto pelas vias terrestres. marítima e aérea.• Moçambique. enfrentam dificuldades de ordem material e humano para levarem ao bom termo a tarefa que lhes é incumbida. Índia. Grandes Lagos e Corno de África). Entretanto. Moçambique figura hoje como um dos grandes receptores de imigrantes na região. Central. do Sudoeste Asiático e do Médio Oriente que entram no pais na condição de empregados. O número crescente de imigrantes que cada vez mais procuram o país representa uma ameaça as fragilidades institucionais. Com efeito. a maioria dos imigrantes ilegais prefere as rotas terrestres. pois há maior circulação de dinheiro e o meio rural ou suburbano é para acomodação. Bangladesh). a estabilidade política. logísticas para às capacidades do Estado controlar este movimento. Ásia (China) América (Brasil) e Europa (Portugal) que entram de forma legal e clandestina no país. mas. tornou-se num corredor de trânsito para imigrantes ilegais com destino a RSA. essa abertura é hoje desafiada com uma entrada maciça de imigrantes legais e legais no país. Brasileiros. Moçambique para além de ser um destino preferencial de imigrantes legais e ilegais. devido a fragilidade de supervisão e controle da extensa fronteira terrestre que o país tem. As autoridades competentes para supervisionar e controlar os imigrantes. onde há muita circulação de dinheiro ou existência de recursos naturais valiosos e facilmente exploráveis. possuem qualificações ou capital de investimento. Alias. também. entram na condição de desempregados e representam uma categoria de imigrantes não económicos exceptuando os imigrantes Portugueses. por ser 80 . Em virtude destas fragilidades e por causa dos atractivos que o país oferece. A maioria dos imigrantes que entram no país não possui nenhuma qualificação. principalmente dos ilegais. Chineses. Tanto os imigrantes sem qualificações como os imigrantes qualificados se concentram nos locais de grande interesse económicos.

pois o exercício das suas actividades não pode ocorrer sem obedecer a documentos e procedimentos legais. existe um grande pessimismo e medo da imigração e dos imigrantes. turismo e serviços. há. Estes são. limitam-se a praticar um comércio informal muito precário. vistos como um factor de ameaça a segurança para os Estados de acolhimento. Com efeito. Todavia. constatou-se que os imigrantes contribuem em grande medida para o desenvolvimento económico do país pois. a maioria dos imigrantes presentes em Moçambique não faz investimentos de grande porte. os trabalhadores imigrantes trabalham em empresas dos conterrâneos e poucos são os que trabalham em empresas de moçambicanos. verificou-se que a maioria dos imigrantes em Moçambique trabalha por conta própria e se concentram em três áreas principais: o comércio. Efectivamente. uma ameaça a ordem e tranquilidade públicas. aceitam riscos. os imigrantes legais e ilegais podem. Em relação ao mercado de trabalho. apenas. No entretanto. Representam. Não menos importante. Em termos do impacto dos imigrantes na segurança do estado e na segurança pública constatou-se que. os imigrantes não constituem uma ameaça a integridade territorial nem a sobrevivência do Estado Moçambicano. a crescente entrada de imigrantes de várias origens pode contribuir para a propagação de doenças infecto-contagiosas. estar a contribuir para a importação de novos modus operandis e sofisticação de crimes. que do ponto de vista de receitas traz poucos benefícios ao estado e não cria muitas vagas de emprego para os moçambicanos. Em relação ao impacto económico. é o impacto que a imigração e os imigrantes podem representar a saúde pública. Por outro lado. maioritariamente. Para além disso. do país. aparentemente. recursos minerais. eles são mais agressivos nos negócios.menos onerosa. florestais e faunísticos valiosos e estão associados ao contrabando mercadorias lícitas e ilícitas como o tráfico de drogas. imigrantes legais. há evidências de que imigrantes legais e ilegais estão a explorar e a retirar. Por esse motivo. com a chegada de muitos imigrantes em 81 . igualmente. os imigrantes são. Neste contexto. alegadamente. O mercado informal é ponto de principal circulação dos imigrantes no meio urbano mas. uma percentagem significativa que opera no mercado formal. a entrada de imigrantes contribui para o aumento de investimentos que criam postos de trabalho para os Moçambicanos e aumentam a arrecadação de receitas fiscais por parte do estado. ilegalmente. Apesar deste pessimismo manifestado pela opinião pública. são vanguardistas e são mais empreendedores.

dependendo muitas vezes de aspectos raciais e étnicos. Todavia. A receptividade da sociedade moçambicana permite que os imigrantes tenham sucesso nos negócios e que provocam um impacto positivo na sociedade. Por sua vez. os portugueses e os brasileiros em relação aos imigrantes de outras regiões e nacionalidades. ao se alargar o conceito de 82 . a hostilidade costuma se manifestar em relação aos imigrantes que atingem sucesso económico muito rápido e a indiferença manifesta-se ao nível das cidades. adicionado ao respeito ao multiculturalismo é factores que impossibilitam a assimilação dos imigrantes. os imigrantes transnacionais mantêm e reforçam os laços com os seus países de origem. Com efeito. Em termos gerais. o transnacionalismo imigrante torna o processo de assimilação difícil pois. permitindo desse modo que permaneçam alienados dos valores políticos e culturais do país. pela escola e pela religião. a sociedade moçambicana íntegra mais facilmente os imigrantes da região Austral. constatou-se que os imigrantes gozam de uma larga liberdade cultural podendo manifestar as suas crenças religiosas. Normalmente. principalmente na área comercial. no sentido dos direitos políticos pois. O respeito aos instrumentos internacionais de protecção aos imigrantes. Para além destes factores. Do ponto de vista sociopolítico e cultural. estes ainda não usufruem de direitos de cidadania. A constituição da República não estabelecendo nenhum direito e dever político aos imigrantes. Em termos gerais constatou-se que a atitude da sociedade moçambicana comporta três comportamentos diferentes: receptividade. as estratégias de integração dos imigrantes em Moçambique passam por 4 formas: a integração pelo casamento. pelo trabalho.Moçambique surgiram novos negócios no país e alguns sectores de actividade sofreram um Boom jamais visto. Em termos da integração dos imigrantes em Moçambique. observou-se que a sociedade moçambicana é bastante aberta a integração dos imigrantes. os seus hábitos culturais. apesar de existem comunidades bastante fachada e que não permitem a integração rápida dos imigrantes. o estado moçambicano não exerce nenhuma pressão no sentido assimilar os imigrantes residentes no país. e ainda gozam de todas as liberdades consagrados na declaração universal dos direitos do homem. indiferença e hostilidade em relação a presença de imigrantes no país. Apesar do estado criar condições de integração dos imigrantes no país. usar a sua língua de origem. Normalmente.

Esta situação deve-se fundamentalmente ao numero reduzido de mulheres imigrantes em Moçambique. Por força disso. económicos. Enquanto o impacto da população masculina é mais visível. de planificação de desenvolvimento e garantia de estabilidade sociopolítica e segurança dos indivíduos bem como do Estado. Sublinhar no entanto. muitas mulheres tornam-se ajudantes dos seus maridos. ela está a crescer e a assumir contornos que ultrapassam a capacidade de supervisão e controle do Estado moçambicano. Sublinha-se que a medida em que famílias de imigrantes tornam-se socialmente mais integradas e economicamente mais prósperas vão exigindo maior participação na vida pública do país influenciando o poder político na tomada de decisões que afectam as suas vidas. Paralelamente. sob o ponto de vista demográfico. consubstanciadas em: 83 . que os receios das manifestações ainda não se fizeram sentir de forma violenta em Moçambique. a participação associativa como forma de participação política e de conquista de espaços de cidadania começa a ganhar força no seio de algumas comunidades imigrantes. as mulheres não têm um peso económico muito grande. pode-se afirmar que a fragilidade em termos de dados estatísticos são uma fragilidade institucional pode contribuir para o surgimento de problemas estruturais a longo prazo. a recomendação que se pode fazer é de que as instituições de supervisão e controlo devem ampliar esforços de mobilização de meios materiais e humanos para uma execução cabal das suas tarefas e deve estudar e aperfeiçoar urgentemente estratégias e métodos de controlar os imigrantes. Neste sentido. verificou-se que existe uma grande diferenciação da participação dos imigrantes em termos de género. algumas criam negócios particulares e outras tornam-se mais activas no seio das organizações ou associações de imigrantes. culturais e direitos humanos.Recomendações Finais Deste modo. Por último. constata-se que os imigrantes gozam de direitos de cidadania. 8. Todavia.cidadania para incluir direitos e deveres sociais. A imigração é e foi sempre uma constante na história da humanidade e Moçambique deve estar pronto para lidar com este fenómeno pois. o impacto da população feminina não é muito notória.1.

níveis de vida e o estatuto financeiro. • Adoptar uma política selectiva e criteriosa. qualificações. concedendo visas a pessoas em função das suas habilidades. estado de saúde. e um mecanismo de resolução de eventuais litígios de competências entre as autoridades. nível escolar. alojamento e outros encargos administrativos. alfândegas. deve-se adoptar um sistema de testagem e Controlo de estado de saúde de imigrantes. Intensificação de supervisão e controlo de imigrantes. independentemente do seu objectivo cá. • Aplicação com rigor do artigo 43. como forma de prevenir a propagação de doenças contagiosas que eventualmente podem ser trazidas por estes. nas residências. como forma de fazer uma melhor monitorização e controlo das actividades que os mesmos praticam cá. • • Os métodos de supervisão e controlo devem ter em conta: fluxo de dados. tais como: mercados.• Supervisão e Controlo com rigor nos pontos de entrada. que ficam obrigados a suportarem as despesas do retorno ou de repatriamento. • • Mobilização de meios adequados e recursos humanos devidamente formados para vigiar a extensa fronteira terrestre e marítima. autoridades judiciais e ministério publico). • Moçambique deve desenvolver uma política e uma estratégia de imigração que possa seleccionar os imigrantes que o país precisa admitir. • Os imigrantes que entram em Moçambique devem ser alvos de um maior acompanhamento. capacidade de reacção e intercâmbio da informação com outros Estados Necessário a existência de intercâmbio de informação entre as autoridades competentes (guarda-fronteiras. casas de pastos. 84 . relativo aos imigrantes ilegais ou clandestinos. hotéis. do qual constitui prioridade para entrada de imigrantes. estalagens e outros lugares suspeitos. os que reúnem alguma formação para desempenho das actividades que se propõem. percepção de da situação. • Ainda nos pontos de entrada. policia. física e que demonstrem capacidade de se instalar e trabalhar. estaleiros e nos pontos de maior concentração populacional. dos imigrantes que reúnem todas as condições exigidas pela lei. pensões. bem como de sanidade mental. incluindo alimentação.

O Estado deve criar condições para uma maior integração dos imigrantes concedendo-lhes direitos económicos e sociais. organizado pelo Grupo SIETAR Portugal (Society for Intercultural Education Training and Research) . REFERENCIAS Bibliografia Livros e Artigos (Goldstein. • O Estado deve evitar que grupos imigrantes etnicamente homogéneos se concentrem em grandes números numa região pois. 2003:464-465). o estado deve vedar direitos de cidadania política aos imigrantes. Portugal. reduzindo os procedimentos de criação de empresas. o estado moçambicano deve criar condições propícias ao investimento estrangeiro. Albuquerque. Almada. 85 .9 e 10 de Maio de 2002.• Para atrair mais imigrantes económicos. reduzindo a carga fiscal e estabelecendo linhas de crédito que possam beneficiar o imigrante. Rosana: Associações étnicas e o desafio da participação política de jovens descendentes de imigrantes Comunicação apresentada no 1º Colóquio Intercultural “A Comunicação Entre Culturas”. • • A política de associativismo baseado na origem nacional deve ser controlada pelo Estado. comunidades concentradas podem representar uma ameaça aos valores culturais e a segurança do estado. Entretanto. Para alcançar este objectivo. A assimilação é importante para garantir a coesão social e a valoração do sentimento patriota. • O Estado moçambicano deve adoptar uma política de assimilação dos imigrantes como instrumento estratégico para a sobrevivência estado. o Estado deve impor uma política imigratória que distribua os imigrantes por todo o país.

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Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por Terra. Protocolo para Prevenir.Decreto-lei 57/2003 de 11 de Dezembro.º 38/2006. Mar e Ar. Regulamento da lei 5/93 aprovado pelo Decreto n. adicionado à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. Lei do trabalho Lei No 23/2007 de 1 de Agosto. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Especialmente Mulheres e Crianças. os procedimentos para a contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira visando regular o regime jurídico do trabalho de estrangeiros em território nacional. adoptado a 15 de Novembro de 2000. Lei 5/93 de 28 de Dezembro. de 27 de Dezembro que estabelece os procedimentos a tomar em função da lei. Dependência da Pigal) Secretário Permanente da Cidade de Maputo 89 . que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas. que estabelece o regime jurídico do cidadão estrangeiro em Moçambique. Fontes Primárias Maputo Luís Mambero (Secretário Permanente da Província de Maputo) Capião Samuel Faduque (Director da Ordem Pública ao nível da Província de Maputo) Adérito Notiço (Vereador para a área de Actividades Económicas e Serviços no município da Cidade da Matola) Eugénio Simbine (Director Provincial do Plano e Finanças da Província de Maputo) Di-Stefano Xavier Honwana (Director Provincial da Migração em Maputo) Arnaldo Chefo (Porta voz do Comando da cidade ao nível de Maputo) Lúcio Jorge (Gerente do BCI.

de nacionalidade Maliano. Central Sindical (OTM-CS)) Coffe (Chefe do Departamento Central do Movimento Migratório na direcção de Migração) Babu (Armazenista da Gulf Trading.Mondlane Nataniel (Chefe do Departamento de Formação na Migração) Rodrigo César Mabote (Director das Finanças no Governo da Cidade de Maputo) Xavier Timane (Chefe do Departamento de Indústria ao nível da Indústria e Comércio no Governo da Cidade de Maputo) Francisco Mazoio (Organização dos Trabalhadores de Moçambique. 26 anos de idade) Filipe Lucas Cumbe (Director provincial de migração de Manica) 90 . trabalhador de obras. imigrante Zimbabweano. 26 anos de idade) António Maquina (Secretário permanente da província de Manica) Edson Mulanzira (Jovem de 22 anos. de nacionalidade Maliano. imigrante Indiano) Alberto Chidadale (Administrador de Namaacha) Marcos Waze (Chefe das Operações da Polícia da república de Moçambique em Namaacha) Maria Macamo (Chefe do Posto Fronteiriço de Travessia de Namaacha) Arlete (Directora das Actividades económicas em Namaacha) Eugénio Makukule (Chefe do Departamento de Indústria na Direcção das Actividades Económicas) Reginaldo Macamo (Chefe de turno no Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Gabriel Bila (“Facilitador” de imigração ilegal em Ressano Garcia) Catopole e Matavel (Comandantes da Polícia de Guarda fronteira do Posto Fronteiriço de Travessia de Ressano Garcia) Manica Mário Inácio Omia (Secretário permanente da província de Manica) Joaquim Zefanias (Secretario permanente distrital de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007. fixado na cidade de Chimoio desde 2007) Mousinho Alberto Carlos (Director provincial do trabalho da província de Manica) Fernando Tefule (Administrador do distrito de Manica– província de Manica) Gelindo Baltazar Vumbuca (Sub-inspector e Chefe das operações da PRM no distrito de Manica) Aboubacar Dialo (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2007.

30 anos) Koita Thirou (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado do ferro) desde 2005. desde 1998. Paquistanês de 32 anos de idade) Michel w.Rogério Jorge Tomé (Chefe de departamento da policia de protecção– Chimoio) Alberto Limene (Chefe do posto de migração de Machipanda– Manica) Ibraimo Barry (Comerciante de roupa na cidade Chimoio desde 2008. Indiano de 30 anos de idade) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. Nigeriano de 42 anos de idade) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. Okoro (Importador e Comerciante de acessórios de veículos na cidade da Beira. de nacionalidade Bengali) Abdul Majid (Comerciante de produtos da primeira necessidade em Caia. de nacionalidade Maliano. desde 2005. 37 anos de idade) Faizal Raul Daude (Motorista de camiões de longo curso da Empresa TRANSRIVER) José Fernando Tefula (Administrador do distrito de Manica) Joaquim Zefanias (Secretário permanente do distrito de Manica– província de Manica) Marcelino Jaime Mugumanha (Inspector da policia e comandante da 7ª companhia da foça de guarda fronteiras de Machipanda– Manica) Sofala António Maquina (Secretario permanente da província de Sofala) Zacarias Cossa (Comandante provincial da PRM na província de Sofala) Abdul Mutualibo (Comerciante de produtos de primeira necessidade em Caia. nacionalidade de Guine) Gausse Tara (Comerciante de roupa na cidade de Chimoio (mercado de ferro ) desde 2008. desde 2001. desde 1999. desde 2003. de nacionalidade Bengali) José Cuele António (Administrador do distrito de Caia – província de Sofala ) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) 91 . de nacionalidade Bengali) Amine Whael Vali Mahomed (Comerciante agro-retalhista na cidade da Beira. de nacionalidade Maliano. desde 2005.

Zobué) Niassa 92 .Direcção Provincial da Industria e Comércio) Dr. Zobué) José Francisco Xavier (Chefe do Posto Migratório. Zobué) Ofélio Amisse Alfredo (Comandante da Companhia. Hamede (Directora provincial de migração de Sofala) João Loiane Gumende (Comandante distrital da PRM de Caia) Maike Hudani (Comerciante retalhista na cidade da Beira. Sargento da Polícia. Zobué) Santos Rafael (Guarda da Polícia.Chefe do estado Maior do 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Comandante da 4ª companhia de Zobué.Direcção Provincial de Migração) Mariano Miguel José (Director Provincial Adjunto. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.UCM) Gilberto Cochelane (despachante aduaneiro) Zé Rufino José Afonso (estudante da UP e funcionário da procuradoria de Tete) Manuel Paulo (Adjunto Superintendente da Polícia. Hermenegildo Santana Chimarzene (Docente de Metodologia de Trabalho IntelectualUniversidade Católica de Moçambique.Maria Lavinea M.Direcção do Plano e Finanças) Domingos Muleque (Chefe do Departamento do Comercio. 3º Batalhão da Guarda Fronteira. Zobué) Gabriel Andre Chofomo (Chefe da Secção de Reconhecimento. Indiano de 30 anos de idade) Tete Claudina Maria de São José Mazalo (Secretária Permanente da Província de Tete) Jamal Chande (comandante geral da Polícia da província de Tete) Ofélio Jeremias (inspector chefe da direcção provincial do trabalho) César Sampaio e António Namahate (Comando da Guarda Fronteira. 3º Batalhão da Guarda Fronteira.Chefe dos efectivos do Batalhão. Tete) Jaime Sousa (Chefe do Departamento de Nacionais e Estrangeiros. desde 2001.

Substituto do Comandante da Companhia. Maria Ernesto Ndupa (Directora Provincial do Trabalho) Luis David Mandau (Chefe do Departamento do Movimento Migratório.Guarda Fronteira de Niassa) Afonso Yassin (Chefe da Secção de Reconhecimento e Investigação) Dra.Ivete Alane (Secretária Permanente Provincial) João J. Niassa) Dr. Mahunguele (Comandante Provincial da Polícia. Niassa) Carlos Abudo Momade (Administrador do Distrito do Lago) Inácio Angelo (Representante da Direcção Distrital de Migração) José Napuite (Comandante Distrital da PRM) Edson Felix (Representante da Direcção Distrital das Alfandegas) Paulo Saide (Director Distrital das Actividades económicas) Nampula Armando Fietinies ( DIRECTOR PROVINCIAL DE IMIGRAÇAO) Amisse António (DIRECTOR PROVINCIAL DE TRABALHO) Arsenia Massigue( Comandante provincial) Antonio Mussupai (INAR) Hamide satar (representante da associação islâmica de Nampula) Antonio Pilate( Administrador de Nacala) Francisco Mucanheia (Secretario permanete Nampula) Pa Fernao Massena (Director da afaculdade de direito da Universidade católica) Rui Buco (Técnico de Emprego) Mario Camilo (Director de trabalho de Nacala) Cabo Delgado 93 .Director Substituto da Direcção Provincial de Migração. Manuel Domingos Cidade (Chefe da Repartição da Logistica e Finanças.

João Motim Rodrigues (Director provincial de trabalho) Raul Ossufo Omar (Director da Ordem e segurança. Cabo Delgado) Alberto Estêvão Ntanga (Técnico de Emprego) Alfredo Bento Muhurua (Chefe da repartição em Mueda) Cassimiro Antonio Cadre (Chefe da repartição do reconhecimento de Investigação) Higino Sumale ( Chefe das operações do comando distrital em mueda) Bené( director de migração Cabo delgado) Stik satar( Imigrante / Libanes) Terry Leopold (IMIGRANTE DO SENEGAL) Issufo Hassan ( Imigrante Tanzania) 94 .

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