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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC Nº 01089/08 Origem: Prefeitura Municipal de Lagoa Seca Natureza: Denúncia – Verificação de Cumprimento de Acórdão Responsáveis: Edvardo Herculano de Lima Relator: Conselheiro André Carlo Torres Pontes DENÚNCIA. Município de Lagoa Seca. Acórdão. Procedência. Fixação de prazo para restabelecimento da legalidade. Recomendações. Determinação de juntada de cópia da decisão à PCA de 2009 da municipalidade. Verificação de Cumprimento. Omissão. Não cumprimento. Aplicação de multa. Nova determinação.

ACÓRDÃO 00672/12 RELATÓRIO Nos presentes autos, foi examinada denúncia formulada contra a Prefeitura Municipal de Lagoa Seca pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste da Borborema – SINTAB, por meio de sua Presidente, Sra. TEREZINHA DE JESUS F. DE SOUSA. Noticiou a denunciante supostas irregularidades quanto à evasão escolar, ao mau uso de recursos oriundos do FUNDEF e à existência de um excessivo número de prestadores de serviços, durante a gestão do Sr. EDVARDO HERCULANO DE LIMA na Prefeitura Municipal. Depois de toda a instrução processual, os membros desta colenda 2º Câmara, lavraram o Acórdão AC2 TC 236/11, por meio do qual decidiram: a) CONSIDERAR PROCEDENTE a denúncia; b) ASSINAR o prazo de 60 (sessenta) dias para adoção de medidas necessárias ao restabelecimento da legalidade, sob pena de nova multa e de glosa da despesa irregular; c) RECOMENDAR à Administração Municipal de Lagoa Seca para que observe de forma estrita as disposições constitucionais e infraconstitucionais, evitando a reincidência de falhas em ocasiões futuras; d) DETERMINAR a juntada de cópia desta decisão e dos relatórios da Auditoria aos autos do processo de PCA da mesma Prefeitura, relativa ao exercício 2009 para que se apure a ocorrência ou permanência das irregularidades

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PROCESSO TC Nº 01089/08

apuradas nestes autos; e) COMUNICAR o teor do julgamento desta ao denunciante citado, no endereço por ele declinado. Apesar de ter sido devidamente intimado acerca da decisão supra, conforme se observa à fl. 383, o gestor responsável quedou-se inerte. A fim verificar o cumprimento da decisão proferida, os autos foram encaminhados à Corregedoria deste Tribunal, a qual, em relatório inserido às fls. 391/392, concluiu que o AC2 TC 236/11 não foi cumprido. De volta ao gabinete do atual Relator, sem que tenha havido tramitação ao Parquet de contas, agendou-se o processo para a presente sessão, efetuando-se as intimações de estilo. VOTO DO RELATOR Consoante se observa dos autos, após toda a instrução processual, os membros deste Órgão Fracionário julgaram procedente a denúncia formulada em face da gestão municipal de Lagoa Seca, sob a responsabilidade do Sr. EDVARDO HERCULANO DE LIMA. Assim o fizeram em razão de a Auditoria ter constatado irregularidades relativas à evasão escolar, ao mau uso de recursos oriundos do FUNDEF e à existência de excessivo número de prestadores de serviçso contratados pela edilidade. Ante a situação verificada, assinou-se o prazo de 60 (sessenta) dias para adoção das medidas necessárias ao restabelecimento da legalidade, sob pena de aplicação de multa e glosa da despesa irregular. Ainda, determinou-se a juntada de cópia da decisão prolatada e dos relatórios da Auditoria aos autos da PCA do Município, relativas ao exercício de 2009. Decorrido o prazo fixado, não houve qualquer manifestação por parte do gestor interessado, razão pela qual os autos foram enviados à Corregedoria para verificação de cumprimento. Depois de examinar a matéria, lavrou-se relatório no qual se conclui pela não cumprimento da decisão. Do relatório produzido, colhe-se a informação de que o Município de Lagoa Seca efetuou despesas com pessoal acima do limite estabelecido na Lei de Responsabildiade Fiscal durante o exercício de 2009. Esta ultrapassagem, inclusive, consistiu numa das máculas

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PROCESSO TC Nº 01089/08 apontadas no relatório inicial da Auditoria, quando da análise das contas anuais relativas àquele período de gestão (Processo TC n.º 05326/10). Além da informação supra, confrontando os dados integrantes dos relatórios iniciais das contas anuais relativas aos exercícios financeiros de 2008 e 2009, observa-se que os valores dispendidos com contratação temporária mantiveram-se praticamente estáveis, na ordem de R$ 1.122.735,97 e R$ 1.090.884,00, respectivamente. Por outro lado, consultando o Sistema SAGRES, relativamente ao exercício de 2010, observa-se aumento dos valores concernentes à contratação por excepcional interesse público, cujos pagamentos alcançaram a cifra de R$ 1.237.505,08. Neste norte, é forçoso reconhecer que não foram adotadas as medidas necessárias ao restabelecimento da legalidade, tais quais determinadas por essa Corte de Contas. A decisão do profeirda apenas reforçou o cumprimento da lei a que todo e qualquer cidadão está obrigado, muito mais em se tratando de gestores do erário, uma vez ser a atenção aos preceitos constitucionais e legais requisito de atuação regular dos agentes públicos. A conduta em direção oposta a essa premissa é tão grave que a legislação a tipifica como crime. Veja-se: Código Penal. Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Outro não é o tratamento dado pela Lei de Improbidade Administrativa (Lei Nacional nº 8.429/92): Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente: I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência; II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

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PROCESSO TC Nº 01089/08 Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. O gestor responsável, Sr. EDVARDO HERCULANO DE LIMA, malgrado tenha sido devidamente notificado da decisão, não adotou as providências necessárias ao exato restabelecimento da legalidade, sujeitando-se, por conseguinte, a aplicação de sanção pecuniária por descumprimento de determinação do TCE/PB. Quanto à redução do excessivo número de contratados por tempo determinado, objeto das medidas a serem adotadas, entende-se ser de bom alvitre averiguá-la no âmbito dos processos relativos às contas anuais da municipalide referenete aos exercícios subsequentes à decisão, porquanto dali constam todos os dados atinentes aos gastos com pessoal, notadamente quanto aos valores envolvidos, ultrapassagem ou não dos limites estabelecidos, etc. DIANTE DE TODO O EXPOSTO, VOTO no sentido de que os membros deste Órgão Fracionário: 1. 236/11; 2. APLIQUEM MULTA de R$ 3.000,00 ao Senhor EDVARDO HERCULANO DE LIMA, com fulcro no art. 56, IV da LCE 18/93; 3. DETERMINEM a remessa de cópias das decisões proferidas nestes autos, assim como dos relatórios da Unidade Técnica de Instrução, ao processo de prestação de contas anuais subseqüente à decisão (2011), com intuito de avaliar os gastos decorrentes de contratações temporárias. DECLAREM o NÃO CUMPRIMENTO do Acórdão AC2 TC

DECISÃO DA 2ª CÂMARA DO TCE/PB Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo TC Nº 01089/08, em cujo teor foi julgada procedente denúncia formulada em face de atos irregulares praticados durante a gestão do Sr. EDVARDO HERCULANO DE LIMA, na Prefeitura Municipal de Lagoa Seca, sendo-lhe assinado o prazo de 60 (sessenta) dias para o restabelecimento da legalidade,

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PROCESSO TC Nº 01089/08

ACORDAM os membros integrantes da 2ª Câmara do Tribunal de Contas do Estado, à unanimidade, em sessão realizada nesta data, em: I. DECLARAR o NÃO CUMPRIMENTO do Acórdão AC2 TC 236/11; II. APLICAR MULTA de R$ 3.000,00 (três mil reais) ao Senhor EDVARDO HERCULANO DE LIMA, com fulcro no art. 56, IV da LCE 18/93, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, cabendo ação a ser impetrada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), em caso do não recolhimento voluntário, e a intervenção do Ministério Público Estadual, na hipótese de omissão da PGE, nos termos do § 4º do art. 71 da Constituição Estadual; III. DETERMINAR remessa de cópias das decisões proferidas nestes autos, assim como dos relatórios da Unidade Técnica de Instrução, ao processo de prestação de contas anuais subseqüente à decisão (2011), com intuito de avaliar os gastos decorrentes de contratações temporárias. Publique-se, registre-se e cumpra-se. TCE – Sala das Sessões do Tribunal Pleno. Plenário Ministro João Agripino. João Pessoa, 08 de maio de 2012.

Conselheiro André Carlo Torres Pontes Presidente em exercício e relator

Subprocuradora Geral Sheyla Barreto Braga de Queiroz Representante do Ministério Público de Contas

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