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DICAS PARA UMA BOA REDAÇÃO

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SEMÂNTICA Semântica é o estudo do sentido das palavras de uma língua.

Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração: Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos: Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante afastado, remoto. Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos: Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim. Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, ou seja, os homônimos: As homônimas podem ser: Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo consertar); Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo); Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo (verbo) - cedo (advérbio); Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar - discriminar (diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido (desacautelado)/ geminada (duplicada) germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) precursor (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / onicolor - unicolor. Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida. Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) - São (santo) Conotação e Denotação: Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra. Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.

FILOSOFIA A filosofia nasceu realizando uma transformação gradual sobre os antigos mitos gregos ou nasceu por uma ruptura radical com os mitos? Mas, o que é um mito?

Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.). A palavra mito vem do grego , e deriva de dois verbos: do verbo (contar, narrar, falar alguma coisa para os outros) e do verbo(conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra - o mito - é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável. Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? De três principais maneiras: 1. Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semi-divinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claroescuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.. A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados. Tomemos um exemplo de narrativa mítica. Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido), exemplo extraído do Banquete 203a, de Platão:

"Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou na porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar - pois o vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis com efeito o que se dá". 2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre forças divinas ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.

O poeta Homero, na Ilíada, epopeia que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer a batalha. A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Páris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos. O mito, narra a origem do mundo e de tudo que existe nele, e a terceira principal maneira de narração mítica é: 3. Encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente. Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra. Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os homens. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens? Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas que nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explicase, assim, a origem dos males do mundo. Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e theogonias. A palavra gonia vem de duas palavras gregas: do verbo (engendrar, produzir, gerar, fazer nascer e crescer) e do substantivo (nascimento, gênese, descendência, gênero, espécie). Gonia, portanto, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Cosmos, por sua vez, quer dizer mundo ordenado e organizado. Assim, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas. Theogonia é uma palavra composta de gonia e , que, em grego, significa: as coisas divinas, os seres divinos, os deuses. A theogonia é, portanto, a narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e antepassados. A filosofia, ao nascer, é uma cosmologia, uma explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições das coisas; para isso, ela nasce de uma transformação gradual dos mitos ou de uma ruptura radical com os mitos? Continua ou rompe com a cosmogonia e a theogonia? Duas foram as respostas dadas pelos estudiosos. A primeira delas foi dada nos fins do século XIX e começo do XX, quando reinava um grande otimismo sobre os poderes científicos e capacidades técnicas do homem. Dizia-se, então, que a filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente. A segunda resposta foi dada a partir de meados do século XX, quando os estudos dos antropólogos e dos historiadores mostraram a importância dos mitos na organização social e cultural das sociedades e como os mitos estão profundamente entranhados nos modos de pensar e de sentir de uma sociedade. Por isso,

as coisas são como são. A filosofia explica o surgimento desses seres por composição. lógica e racional. não admite contradições. consideram-se as duas respostas exageradas e afirma-se que a filosofia. é porém a partir do séc. O mito não se importava com contradições. com o fabuloso e o incompreensível. seco. a filosofia fala em céu. a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo. terrestres (plantas. no passado. no presente e no futuro (isto é. em que consiste a prática científica. Conceito . 2. 3. Mas é sobretudo nos últimos séculos da nossa História. suas correntes e representantes. O que é o conhecimento científico. na totalidade do tempo). Ponto e Gaia. que relação existe entre o conhecimento científico e o mundo real. do mito e da religião. explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. preocupa-se em explicar como e por que. o que temos implícito quando dizemos que conhecemos determinado assunto. vagarosa e gradualmente. percebendo as contradições e limitações dos mitos. quente e frio. terra. TEORIA DO CONHECIMENTO A necessidade de procurar explicar o mundo dando-lhe um sentido e descobrindo-lhe as leis ocultas é tão antiga como o próprio Homem. quais as conseqüências práticas e éticas das descobertas científicas. O mito falava em Urano. A filosofia. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial. ao contrário. É também sobretudo a partir desta época que as implicações da atividade científica na nossa vida quotidiana se têm tornado tão evidentes. acreditavam em seus mitos e que a filosofia nasceu. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros).dizia-se que os gregos. voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. E se é certo que a preocupação com este tipo de questões remonta já à Grécia antiga. que tem recorrido para isso quer ao auxílio da magia. são alguns dos problemas com que nos deparamos frequentemente. de modo que se torne mais fácil a sua compreensão. do interior dos próprios mitos. à contribuição da ciência e da tecnologia. como uma racionalização deles. que é a mesma em todos os seres humanos. transformando-as numa outra coisa. animais. fogo e ar. ao contrário. longínquo e fabuloso. Quais são as diferenças entre filosofia e mito? Podemos apontar três como as mais importantes: 1. mais recentemente. mas exige que a explicação seja coerente. não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica. mar e terra. mas da razão. que se tem dado a importância crescente aos domínios do conhecimento e da ciência. como qualquer outro povo. numa explicação inteiramente nova e diferente. O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas. homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. XVIII que a palavra ciência adquire um sentido mais preciso e mais próximo daquele que hoje lhe damos. ao contrário.úmido. como se adquire. Atualmente. foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas. que não lhe podemos ficar indiferentes. A filosofia. quer. fabulação e coisas incompreensíveis. como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. enquanto a filosofia. além disso. este trabalho pretende fazer um apanhado geral acerca da Teoria do Conhecimento. ou água. Diante desses questionamentos. combinação e separação dos quatro elementos .

as tentativas de conciliação e de superação. Basicamente é conceituada como o estudo de assuntos que outras ciências não conseguem responder e se divide em quatro partes. tão velhas quanto a filosofia. implicitamente. Porém. se interessa pela investigação da natureza. Principais correntes e seus representantes A) O Conhecimento Quanto à Origem A polêmica racionalismo-empirismo tem sido uma das mais persistentes ao longo da história da filosofia. que é a tese de que todo e qualquer conhecimento sintético haure sua origem na experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados. Originário da Grécia Antiga.Essência do Conhecimento e IV Possibilidade do Conhecimento. Mas. assumindo várias manifestações e atitudes. o empirismo foi reformulado através do tempo na Idade Média e Moderna. como a corrente de pensamento que sustenta que a experiência sensorial é a origem única ou fundamental do conhecimento. sendo que três delas possuem correntes que tentam explica-las: I . O que é o conhecimento? Como nós o alcançamos? Podemos conseguir meios para defendê-lo contra o desafio cético? Essas questões são.Origem do Conhecimento e III . a partir do século XVII em diante . II . tornando-se notável as distinções e divergências existentes. é notório que existem características fundamentais. primordialmente na era moderna. as posições intermédias. embora. Abundam. Entre as questões principais que ela tenta responder estão as seguintes.como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna – é que ela tem ocupado um plano central na filosofia.A teoria do conhecimento. e encontra eco ainda hoje em diversas posições de epistemólogos ou filósofos da ciência. ao longo da linha constituída nos seus extremos pelo racionalismo e pelo empirismo radicais. como veremos a seguir. . todos os autores conservam. sem as quais se perde a essência do empirismo e a qual. fontes e validade do conhecimento. Conceitua-se empirismo. sua validade lógica possa transcender o plano dos fatos observados. • Empirismo “O empirismo pode ser definido como a asserção de que todo conhecimento sintético é baseado na experiência.” (Bertrand Russell). ou se reduz a verdades já fundadas no processo de pesquisa dos dados do real.O conhecimento como problema.

que seriam resultado de generalizações a partir de dados da experiência. no que concerne aos juízos matemáticos. Uma das obras baseadas nessa linha é a de John Locke (Ensaios sobre o Entendimento Humano). Quando a redução é feita à mera experiência sensível. cuja validez não assenta na experiência. Na doutrina de Locke. não constituindo exceção as verdades matemáticas. . pois. como as matemáticas. Gottfried Leibniz. sendo válidas dentro de limites determinados. na qual ele explica que as sensações são ponto de partida de tudo aquilo que se conhece. Como já foi dito. os princípios de identidade e de razão suficiente). para os moderados há verdades universalmente validas. explica que a origem temporal dos conhecimentos parte da experiência. existem as verdades de razão. temos o sensismo (ou sensualismo). ao lado delas. existe a admissão de uma esfera de validade lógica a priori e. atribuindo aos juízos analíticos significações de ordem formal enquadradas no domínio das fórmulas lógicas. que na obra Sistema da Lógica diz que todos os conhecimentos científicos resultam de processos indutivos. mas não reduz a ela a validez do conhecimento. Por fim. Ele apresenta a indução como único método científico e afirma que nela resolvem-se tanto o silogismo quanto os axiomas matemáticos. que admite como válido. a moderada e a científica. que nem todas as verdades são verdades de fato. existe no empirismo divergência de pensamentos.Como já foi dito anteriormente. É o caso de John Stuart Mill. implicando sempre a possibilidade de correção. àquilo que é produto de contato direto e imediato com a experiência. e é exatamente esse aspecto que abordaremos a seguir. Esta tendência está longe de alcançar a almejada “unanimidade cientifica”. Um dos grandes representantes do racionalismo. o conhecimento oriundo da experiência ou verificado experimentalmente. O empirismo integral reduz todos os conhecimentos – inclusive os matemáticos – à fonte empírica. Todas as idéias são elaborações de elementos que os sentidos recebem em contato com a realidade. O empirismo moderado. as linhas empíricas. e sim no pensamento. sendo elas: a integral. também denominado genético-psicológico. o qual pode ser nãoempiricamente valido (como nos casos dos juízos analíticos). enquanto as verdades de fato são contingentes e particulares. que são aquelas inerentes ao próprio pensamento humano e dotadas de universalidade e certeza (como por exemplo. portanto não empírica. São três. • Racionalismo É a corrente que assevera o papel preponderante da razão no processo cognoscitivo. há o empirismo científico. os fatos não são fontes de todos os conhecimentos e não nos oferecem condições de “certeza”. afirma em sua obra Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano.

devemos citar uma ramificação do racionalismo que alguns autores consideram autônoma. o racionalismo se preocupa com a idéia fundante que a razão por si mesma logra atingir. lembra que há nele uma concepção metafísica da realidade como condição de sua gnoseologia. Porém. se tenha em conta da mais simples e segura explicação da realidade. muitos autores acreditam em sua autonomia. idéias natas. Hessen. “os conceitos sem as intuições são vazios. Entretanto. por isso. de maneira que a explicação conceitual mais simples. Ele declara que o conhecimento não pode prescindir da experiência. adepto do inatismo. que é o Criticismo. contendo no particularismo contingente de seus elementos. a qual fornece o material cognoscível e nesse ponto coincide com o empirismo. originada de Aristóteles. uma disposição metódica do espírito no sentido de situar. Existe também uma outra linha racionalista. encontramos Reneé Descartes. indagando as suas condições e pressupostos. além disso. que reconhece a existência de “verdades de razão” e. as intuições sem os conceitos são cegas”.Ainda retratando o pensamento racionalista. O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento. que é conceber a realidade como algo de racional. ou seja. que servem de fundamento lógico a todos os elementos com que nos enriquecem a percepção e a representação. de uma série de princípios evidentes. no que esta tem de essencial. operando sobre as imagens que o real oferece. Esses dois pensadores podem ser classificados como representantes do racionalismo ontológico. Concluindo: o intelecto extrai os conceitos ínsitos no real. tem como marca a determinação a priori das condições lógicas das ciências. denominada intelectualismo. realizando-se uma adequação plena entre o entendimento e a realidade. Para ele. um dos adeptos do intelectualismo. Seu maior representante. tanto que só adquire validade universal quando os dados sensoriais são ordenados pela razão. ou seja. o conhecimento é sempre uma subordinação do real à medida do humano. para ele. Segundo palavras do próprio autor. atribui à inteligência função positiva no ato de conhecer. ou seja. Por fim. a razão não contém em si mesma. Immanuel Kant. as verdades universais que o intelecto “lê” e “extrai”. ou em racionalizar o real. verdades universais como idéias natas. devemos entender tal posição como uma análise crítica e profunda dos pressupostos do conhecimento. que afirma que somos todos possuidores. preliminarmente o problema do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”. mas as atinge à vista dos fatos particulares que o intelecto coordena. enquanto seres pensantes. . sustenta também que o conhecimento de base empírica não pode prescindir de elementos racionais. que consiste em entender a realidade como racional. Ele aceita e recusa certas afirmações do empirismo e racionalismo.

que é o realismo e o idealismo. analisaremos o ponto da Teoria do Conhecimento em que há mais divergências. o conhecimento implica sempre numa contribuição positiva e construtora por parte do sujeito cognoscente em razão de algo que está no espírito. Já o realismo tradicional é aquele em que há uma indagação a respeito dos fundamentos. seguindo a linha aristotélica. há uma procura em demonstrar se as teses são verdadeiras. surgindo uma atitude propriamente filosófica. • Realismo Sabendo que a palavra realismo vem do latim res (coisa). B) O Conhecimento Quanto à Essência Nessa parte do estudo. se há conhecimento de algo. sem formular qualquer questionamento a respeito de tal coisa. o sujeito em função do objeto.Conclui-se então. é aquele em que o homem aceita a identidade de seu conhecimento com as coisas que sua mente menciona. conhecer é sempre conhecer algo posto fora de nós. É a atitude do homem comum. dada a sua afirmação fundamental de que nós conhecemos coisas. ou seja. Por último. de maneira que nós conhecemos quando a nossa sensibilidade e inteligência se conformam a algo de exterior a nós. O realismo ingênuo. Há portanto. sendo estas fundamentais pra o pleno conhecimento do assunto. não nos é possível verificar se o objeto . Em outras palavras. que conhece as coisas e as concebem tais e quais aparecem. O realismo ingênuo. uma tese ou doutrina fundamental de que existe uma correlação ou uma adequação da inteligência a “algo” como objeto do conhecimento. mas que. o tradicional e o crítico. podemos conceituar essa corrente como a orientação ou atitude espiritual que implica uma preeminência do objeto. no realismo. também conhecido como pré-filosófico. Para os seguidores desse pensamento. podemos citar o realismo cientifico. De acordo com o . que pela ótica do criticismo. é a independência ontológica da realidade.não apenas criadora do espírito no processo gnosiológico. O realismo é subdividido em três espécies.que nossa subjetividade compreende corresponde ou não ao objeto tal qual é em si mesmo. anteriormente à experiência do ponto de vista gnosiológico. que é a linha do realismo que acentua a verificação de seus pressupostos concluindo pela funcionalidade sujeito-objeto e distinguindo as camadas conhecíveis do real como a participação .

que é a compreensão do real como idealidade (o que equivale dizer a realidade como espírito). o homem cria um objeto com os elementos de sua subjetividade. mas na medida e enquanto são representadas ou pensadas. o idealismo é a doutrina ou corrente de pensamento que subordina ou reduz o conhecimento à representação ou ao processo do pensamento mesmo. Ou seja. que são as duas linhas pertinentes à filosofia. por entender que a verdade das coisas está menos nelas do que em nós. o idealismo “verdadeiro” é aquele desenvolvido a partir de Descartes. onde as idéias ou arquétipos ideais representam a realidade verdadeira. as idéias são o sol que ilumina e torna visíveis as coisas. diz em uma de suas obras que nós só conhecemos aquilo que elevamos ao plano do pensamento. de maneira que só se conhece aquilo que se insere no domínio de nosso espírito e não as coisas como tais. Hegel. no fato de serem “percebidas” ou “pensadas”. pois como ele já dizia. bifurca-se o realismo em tradicional e o crítico. • Idealismo Surgiu na Grécia Antiga com Platão. de maneira que só há realidade como realidade espiritual. Alguns autores entendem que a doutrina platônica poderia ser vista como uma forma de realismo. Seus representantes são Hume. mas sim enquanto participam do ser essencial. denominado de idealismo transcendente. O que interessa à Teoria do Conhecimento. ser é ser percebido e na atitude lógica. onde o que se conhece não são as coisas e sim a imagem delas. Locke e Berkeley. resolvendo o ser em idéia. da qual seriam as realidades sensíveis. que afirma que as coisas não existem por si mesmas. ou seja. o ser não é outra coisa senão idéia. ou é conteúdo de pensamento. há uma tendência a subordinar tudo à formas espirituais ou esquemas. e sim a representação que a nossa consciência forma em razão delas. sem que algo preexista ao objeto (no sentindo gnosiológico). em nossa consciência ou em nossa mente. sem validade em si mesmas. Também chamado de idealismo subjetivo.modo de compreender-se essa “referibilidade a algo”. é o idealismo imanentista. Resumindo: na atitude psicológica. revelando-se como momento ou conteúdo de nossa vida interior. este diz que o homem não conhece as coisas. ser é ser pensado. Podemos conceituá-lo como aquele em que a realidade é cognoscível se e enquanto se projeta no plano da consciência. A outra é a orientação idealista de natureza lógica. O idealismo de Platão reduz o real ao ideal. . No idealismo. Dentro dessa concepção existem duas orientações idealistas. Sintetizando. que parte da afirmação de que só conhecemos o que se converte em pensamento. meras copias imperfeitas. pois para eles. Seu maior representante. Uma é a do idealismo psicológico ou conscienciológico.

na medida em que é. é a coisa em si. mas era assaltado por duvidas no plano do agir ou da conduta humana. Porém. muitos autores recorrem a duas importantes posições: o dogmatismo e o ceticismo. existe em suas obras uma identificação absoluta entre pensamento e realidade. Entretanto. . e a coisa em si. na intenção de afirmar-se a possibilidade de se atingir o absoluto em dadas circunstâncias e modos quando não sob certo prisma. estabelecendo as bases de sua Ética ou de sua Moral. encontramos em Hegel a expressão máxima desse tipo de dogmatismo. adotado em maior extensão. Alguns dogmáticos parciais se julgam aptos para afirmar a verdade absoluta no plano da ação. quanto no da vida pratica ou da Ética. Como o próprio autor diz “o pensamento.C) Possibilidade do Conhecimento Essa parte da teoria do conhecimento é responsável por solucionar a seguinte questão: qual a possibilidade do conhecimento? Para que seja possível respondê-la. é o pensamento puro”. Por conseguinte. os quais veremos abaixo. pois. Existem duas espécies de dogmatismo: o total e o parcial. que não duvidava de seus cálculos matemáticos e da exatidão das ciências enquanto ciências. outros somente admitem tais verdades no plano especulativo. O dogmatismo ético tem como adeptos Hume e Kant. • Dogmatismo É a corrente que se julga em condições de afirmar a possibilidade de conhecer verdades universais quanto ao ser. Esse dogmatismo intransigente. Ou seja. à existência e à conduta. O primeiro é aquele em que a afirmação da possibilidade de se alcançar a verdade ultima é feita tanto no plano da especulação. temos como adepto do dogmatismo teórico. que duvidavam da possibilidade de atingir as verdades últimas enquanto sujeito pensante (homo theoreticus) e afirmavam as razões primordiais de agir. devido à rigorosidade de adequação do pensamento. tem um sentido mais atenuado. Já o parcial. na medida em que é. Daí origina-se a distinção entre dogmatismo teórico e dogmatismo ético. quase não é adotado. é a crença no poder da razão ou da intuição como instrumentos de acesso ao real em si. transcendendo o campo das puras relações fenomenais e sem limites impostos a priori à razão. Blaise Pascal.

Conclusão Esse trabalho buscou de forma concisa reunir informações gerais acerca da Teoria do Conhecimento. Há no ceticismo – assim como no dogmatismo – uma distinção entre absoluto e parcial. dada a equivalência fatal de todas as respostas. baseando-se na visão de Miguel Reale. "caráter". o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. quanto as relativas ao fundo dos fenômenos. seus objetivos e representantes. "costume". ressaltando que este último não será discutido nesse trabalho. procurando . ÉTICA Ética A área da filosofia que estuda o comportamento humano Da Página 3 Pedagogia & Comunicação A palavra ética se origina do termo grego ethos. Ele envolve tanto as verdades metafísicas (da realidade em si mesma). mesmo quando são enunciados juízos sobre algo de maneira provisória. De fato. dada a impossibilidade de qualquer conhecimento certo. mesmo a respeito de opiniões emitidas no âmbito das relações empíricas. que significa "modo de ser". "comportamento". Essa atitude nunca é abandonada pelo ceticismo. Um dos representantes do ceticismo de maior destaque na filosofia moderna é Augusto Comte. sujeitos a refutação à luz de sucessivos testes. não há outra solução para o homem senão a atitude de não formular problemas. o ceticismo se distingue das outras correntes por causa de sua posição de reserva e de desconfiança em relação às coisas. a ética é o estudo desses aspectos do ser humano: por um lado. O ceticismo absoluto é oriundo da Grécia e também denominado pirronismo. Ou seja. Segundo essa corrente.• Ceticismo Consiste numa atitude dubitativa ou uma provisoriedade constante. Prega a necessidade da suspensão do juízo. Ou seja. para os céticos absolutos. reunindo conceitos e origem de algumas correntes.

Bem e Mal. em termos filosóficos? O filósofo contemporâneo espanhol Fernando Savater apresenta uma resposta para essa questão em termos muito simples. ela é possivelmente a área mais prática da filosofia. são valores que não apresentam. Bom e mau. por exemplo. qual o significado da palavra ética. Há uma infinidade de conhecimentos muito interessantes mas sem os quais podemos nos arranjar muito bem para viver. procurando estabelecer as maneiras mais convenientes de sermos e agirmos. lamento muito não ter nem idéia de astrofísica ou de marcenaria. ela se restringe às relações pessoais de cada um. Num sentido mais amplo . por outro. pois a noção de um modo correto de se comportar e posicionar na vida pressupõe que isso seja feito para que cada um conviva em harmonia com os outros.descobrir o que está por trás do nosso modo de ser e de agir. conhece as regras do futebol . E você. que dão tanta satisfação a outras pessoas. A seguir. Num sentido mais restrito. Esse é um excelente ponto de partida para você pensar no assunto: “Há ciências que estudamos por simples interesse de saber coisas novas. do país e do mundo. trata de convivência entre seres humanos na sociedade. Se não sentirmos curiosidade nem necessidade de realizar esses estudos. Mas. nas mais diversas civilizações. poderemos prescindir deles tranqüilamente. para o ser humano. Assim. um caráter absoluto. Eu. A ética acompanha esse desenvolvimento histórico. Ao longo dos tempos. para conseguir um trabalho e ganhar a vida com ele. várias interpretações serão dadas a essas duas noções.da cidade. ele escreveu com o intuito de explicar a questão para o seu filho adolescente. se não me engano. para que isso sirva de base para uma reflexão sobre como ser ético no tempo presente. num livro intitulado Ética para meu filho. para adquirir uma habilidade que nos permita fazer ou utilizar alguma coisa. Como diz o título. a maioria. entretanto.já que ninguém vive numa pequena comunidade isolada -. A ética. Nesse sentido. você pode ler um breve trecho da resposta de Savater para a questão "o que é ética?". antes de mais nada. Considera também como esses valores se aplicam no relacionamento interpessoal. embora essa ignorância nunca me tenha impedido de ir sobrevivendo até hoje. da Editora Martins Fontes. pode-se dizer que a ética trata do que é "bom" e do que é "mau" para nós. portanto. outras. ou melhor. ela se relaciona com a política .

ou deve-se enganá-lo para que ele viva suas últimas horas sem angústia? A mentira não nos convém. sob pretexto de não nos metermos em confusão? Por outro lado. por exemplo. o remédio é escolher e aceitar com humildade o muito que ignoramos. e o que nos convém costumamos dizer que é “bom”. mais cedo ou mais tarde haverá conseqüências muito desagradáveis. porque destrói a confiança na palavra – e todos nós precisamos falar para viver em sociedade – e provoca inimizade entre as pessoas. algo mau. conforme sua vontade. são fundamentais para nossa vida. e o que não nos convém dizemos que é “mau”. por assim dizer. mas devemos consentir que violentem uma garota diante de nós sem interferir. marcenaria. aumentam nossa energia ou produzem sensações agradáveis. mas às vezes parece acabar sendo boa. há coisas que nos convêm. é claro. assim como certos comportamentos e certas atitudes. pois nos cai bem. beber lixívia poderá ser muito adequado. No terreno das relações humanas. mas vive. No entanto. em geral. distinguir entre o bom e o mau. sem exceção – pela compensação que nos traz. A mentira é. Pequenezas desse tipo são importantes. em compensação. quem sempre diz a verdade – doa a quem doer – costuma colher a antipatia de todo o mundo. que saltar de uma varanda do sexto andar não é bom para a saúde. Certos alimentos não nos convêm. mas em outros são más: elas nos convêm e ao mesmo tempo não nos convêm. você desfruta os campeonatos mundiais. Em resumo. Se alguém quiser arrebentar-se o quanto antes. há coisas boas e más para a saúde: é necessário saber o que devemos comer. caem-nos muito mal. os respeitáveis gostos do suicida. O que eu quero dizer é que certas coisas a pessoa pode aprender ou não. Saber o que nos convém. Quero dizer. mas seu abuso contínuo pode ser nocivo. entre todos os saberes possíveis existe pelo menos um imprescindível: o de que certas coisas nos convêm e outras não. Também não é aconselhável ignorar que. Podemos viver de muitos modos. de momento.se. ou que o fogo às vezes aquece e outras vezes queima. ou seja. Como afirmei antes. por exemplo. Em alguns aspectos são boas. é má. mas há modos que não nos deixam viver. Não tem maior importância. Assim. essas ambigüidades ocorrem com maior freqüência ainda. é melhor dizer ao doente de câncer incurável a verdade sobre seu estado. Mas. dispensa olimpicamente a liga americana e todo o mundo sai satisfeito. E preciso saber.mas é bem fraco em beisebol. No entanto. é um conhecimento que todos nós tentamos adquirir – todos. Como ninguém é capaz de saber tudo. e quem interfere ao estilo Indiana Jones para salvar a garota agredida tem maior probabilidade de arrebentar a . às vezes as coisas não são tão simples: certas drogas. como já dissemos. Por exemplo. ou ainda que a água pode matar a sede e também nos afogar. há outras coisas que é preciso saber porque. se dermos um safanão no vizinho cada vez que cruzarmos com ele. ou também cercar-se do maior número possível de inimigos. ou que uma dieta de pregos (perdoem-me os faquires!) e ácido prússico não nos permitirá chegar à velhice. mas às vezes pode parecer útil ou benéfico mentir para obter alguma vantagem. futebol e até mesmo sem saber ler e escrever: vive-se pior. vamos supor que preferimos viver. outras. em geral é inconveniente. ou até para fazer um favor a alguém. Procurar briga com os outros. deixando de lado. decerto. É possível viver sem saber astrofísica. não nos convêm. que não nos convêm se desejamos continuar vivendo. por enquanto.

as abelhas e as formigas. que podem beneficiar indivíduosou toda a sociedade. Definido vulgarmente. o que não acontece com os castores. pois ja houve quem perecessepor causa de sua riquesa ou coragem. Há um bem o qual todas as ciências buscam em comum e o conhecimento deste é de fundamentalimportância sobre nossas vidas. em parte. que só são procuradas emfunção daquelas. abrangendo portanto a finalidade das demais.. para alguns pensadores este objeto seria um bem que. conveniente para nós. podemos nos enganar. Flexibilidade de conceito semelhante existe referênte aos bens. nossa forma de vida. torna-se inacessível e por existir tãograndes divergências consideraremos os conceitos mais razoáveis. De modo que parece prudente atentarmos bem para o que fazemos. aparência de mau. fazendo com que todas as outras coisas tendamtambém a ele. se você preferir. Podemos optar pelo que nos parece bom. tornando .. sendo este último interesse mais divino e nobre. o que deve ser estudado e o que deve ser ensinado. o objeto do nosso estudo será determina – lo em linhas gerais partindo da ciênciapolítica. procurando adquirir um certo saber-viver que nos permita acertar. como dizia Hesiodo .] Resumindo: ao contrário de outros seres. ou arte de viver. nós homens podemos inventar e escolher. ou seja. visto que ela se utiliza sobreas demais ciências e legisla sobre elas. Haja confusão! [. o bem viver. Esse saber-viver. em oposição ao que nos parece mau e inconveniente.A ciência política admite uma flutuação nos seus conceitos de belo e justo. enão absoluta. em certas ocasiões.se existente quase quesomente por convenção. assim como suas finalidades. pois esta define o que é certo. é o que se chama de ética. a busca das ciências políticas pode ser a felicidade. Como podemos inventar e escolher. o ser rico ou ter saúde. por isso vamos nos contentar em encontrar a verdade de forma aproximada. Platão questionava ―Estamos no caminho que parte dos primeiros principios ou estamos nos dirigindo a eles ?‖ e para entrar nesta discusão avisamos desde já que deve-se ter sido educado nos bons hábitos e ser ouvinte. animados ou inanimados. Muitas são as ações das artes e ciências. O que é mau às vezes parece ser mais ou menos bom e o que é bom tem. de tão grandioso.” Resumo do livro ÉTICA A NICÔMACO ÉTICA À NICÔMACO:Livro 1 Toda arte e toda a investigação tende a um bem qualquer.cabeça do que quem segue para casa assobiando.

― Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas. ou os tem e eles são perversos ou a morte levou os bons. O homem bom não encontra conflitos dentro de si. A quem diga que o começo é maisque a metade do caminho pois é mais facil completar o que já esta começado que iniciar um trabalho. mas sim paz entre seus interesses.mas os bens não são uma espécie de elemento comum que corresponda a uma idéia única. a mais aprazível coisa do mundo. pois muitos abuscam incessantemente. pois só nomeio destes surgirão os vencedores. este é em verdade um homem inteiramenteinútil‖ Existem três modos de vida. a riquesa é util mas não faz parte da nossabusca. mas o que por si não pensa. buscados particularmente. age bem. O homem que não se compraz nas ações nobres não é bom pois quem consideraria justo um homemque não sente prazer em fazer o bem. pois é pela saúde do paciente que o médico busca a cura equando esta é alcançada se faz o bem procurado. pois a honra. Esta não correspondência única de idéias faz com que o bemuniversal seja inatigível. mas fica ainda o quadro incompleto. fazendo desta um bem absoluto. As atividades de cada . assim como este conjunto de bens.que são nobres. Portanto a felicidade é a melhor. o homem feliz vive bem. este são os bens no sentido maisverdadeiro da palavra. que alcançada por acaso não é tão realizadora quanto aquela que foi intensamente procurada.ela é nossa busca. a razão. eles se mostram diferentesnas diversas ciências e artes. como afelicidade. o da vida política e o da vida contemplativa. um bem buscado por ele mesmo e não por qualquer outra coisa.alcançará a felicidade. Quanto a vida na busca pelo dinheiro.Consideremos o bem universal. a mais nobre. em uma visão diferente da de Platão . ela é forçada. auto suficiente efinalidade de todas as ações. que só são conquistadaspelos que agem corretamente. sendo o objetivo destas. Concluido isso temos um esboço do que procuramos. podemos dizer quea razão da vida dos primeiros citados (ignorantes) é a felicidade e que a honra é o bem da vida política. deixando de ser o objeto de nossa busca. assim sendo também as coisas nobres e boas da vida . o do homem inútil. Veremos somente mais tardea vida comtemplativa. nos permitindo colocar então avirtude também como uma razão deste modo de vida.aqueles por si mesmos. os bem estão divididos em duas classes.O homem feliz é aquele que consideramos que foi feliz durante a vida e até nos momentos mais difíceis agiucom moral e nobreza. o prazer. Mas a felicidade não é facilmente alcançada sem outros bens (os meios no qual se chega a ela) poisdificilmente um homem que não tem amigos ou filhos. nem acolhe a sabedoria alheia. talves por quererem um reconhecimento de uma vida honesta. pois procuramosaquele que é o absoluto dos absolutos. bom o que escuta os conselhos dos homens judiciosos.Nos jogos olímpicos não são os homens mais fortes e belos que ganham mas os que competem. tudo é buscado ao fim dela. e os que servem para proteger outros bens ou afastar seus opostos.Os bens que se relacionam com a alma são as ações e atividades psíquicas.

pois eles constituem a vitude pelo hábito. assim como o prazer pois ambos não são louvados. ao passo que a virtude moral é adquirida pelo hábito. deve-se colocar um * ao lado do N: . nos tornamos justos praticando a justiça. É representado pela letra maiúscula N. incluindo o zero. assim com um oftalmologista deve também ter um conhecimento geral de todo o corpo para entender o funcionamento dos olhos. Livro 2 A virtude intelectual é adquirida com o tempo. As virtudes são as disposiçõeslouváveis do espírito. deve estudar a alma. nesta visão umhomem de atitudes nobres nunca se tornará um homem infeliz por nunca ter tomado atitudes não nobres ou ignóbeisassim como também a felicidade ou os infortúnios dos amigos e decendentes deste homem antes e depois da morte nãosão capazes de tirar a felicidade de quem a tem ou da-la pra quem nunca a teve. e elas são divididas em intelectuais (como a compreensão ou a sabedoria filosófica) ou morais(como a liberdade ou temperança). assim como asdemais coisas que nos vem por natureza. nós os colocamos como algo que esta acima de nós. quanto mais MATEMÁTICA Conjunto dos Números Naturais São todos os números inteiros positivos. pois anatureza não nos dá virtudes.Louvamos a felicidade? Louvamos aos deuses porque os comparamos conosco e vemos que eles são melhores. onde os legisladores tornam apopulação honesta imponto leis que dizem que se deve agir de uma maneira certa. talves porque temos felicidade comalgo maior. da mesma forma transforma-se umacidade em um lugar ruim para se viver governando–a pelas regras más. mas sim a capacidade de recebe-las e esta se aperfeiçoa pelo hábito.mas quando nos comparamos com a justiça e a felicidade sempre louvamos aquela. sendo por estas virtudes que consideramos os homens. Caso queira representar o conjunto dos números naturais não-nulos (excluindo o zero). primeiro recebemos a potência e depois cumprimos a atividade. ou não. portanto. assim como geramos a virtude a destruimos. O político é o estudioso davirtude e para conhece-la como atividade da alma. um exemplo de como isso acontece é o das cidades-estados.A felicidade é uma vitude e portanto para entender aquela devemos estudar esta.Por toda esta importância é que devemos estudar os atos. nobreza e felicidade a vida.um dá.

5. …} .7.5.2.1.4. 3.2.9. -1. São representados pela letra Z: Z = {… -4. É representado por Z+: Z+ = {0. …} O conjunto dos inteiros possui alguns subconjuntos.3.7. 4. 1.3.1. 0.6. Logo percebemos que este conjunto é igual ao conjunto dos números naturais.11. …} Conjunto dos Números Inteiros São todos os números que pertencem ao conjunto dos Naturais mais os seus respectivos opostos (negativos).3. eles são: .5.10.9.N = {0.8. -2.6.4.10.4. …} N* = {1. 2. -3.Inteiros não negativos São todos os números inteiros que não são negativos.2.6.8.

5. -5.= {…. 7. -2.Inteiros não positivos e não nulos São todos os números do conjunto Z.= {… -4.Inteiros não positivos São todos os números inteiros que não são positivos. Representa-se esse subconjunto por Z*+: Z*+ = {1. -4. 3. …} Z*+ = N* . 6. 0} . -1.Inteiros não negativos e não-nulos É o conjunto Z+ excluindo o zero. -1} Conjunto dos Números Racionais . -3. 4.excluindo o zero. -3. -2. 2.. Z*. Representa-se por Z*-. É representado por Z-: Z.

. que vale 3. como ―12.050505…‖.14159265 ….4142135 …) Conjunto dos Números Reais É formado por todos os conjuntos citados anteriormente (união do conjunto dos racionais com os irracionais).Os números racionais é um conjunto que engloba os números inteiros (Z). Conjunto dos Números Irracionais É formado pelos números decimais infinitos nãoperiódicos. como a raiz quadrada de 2 (1. números decimais finitos (por exemplo. Atualmente.8432) e os números decimais infinitos periódicos (que repete uma sequência de algarismos da parte decimal infinitamente). Os racionais são representados pela letra Q. 743. são também conhecidas como dízimas periódicas. Também são irracionais todas as raízes não exatas. supercomputadores já conseguiram calcular bilhões de casas decimais para o PI. Um bom exemplo de número irracional é o número PI (resultado da divisão do perímetro de uma circunferência pelo seu diâmetro).

Na Antiga Grécia. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem. a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada. em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. construíram uma estética naturalista mas idealizada. Na Antiguidade greco-romana não se vislumbrava qualquer diferenciação entre arte e técnica. bem como a ars latina referiam-se não só a uma habilidade. Sempre associada ao trabalho dos artesãos. e a sua herança continuada pelos diversos períodos político-culturais da Roma Antiga. entre artista e artesão. a composição musical e a poesia não faziam parte da arte. era emocionalista. ao desempenho de uma tarefa. fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo. à profissão. o estilo clássico veio substituir o arcaico. A CULTURA CLÁSSICA A arte e cultura clássicas. muitas vezes denominadas como Antiguidade Clássica. preocupados em compreender a relação entre o homem e o universo). até se tornar uma competência especial na produção de um objecto. A teknê grega. constituem o estilo artístico e cultura predominantes na Grécia Antiga entre os séculos VI e IV a. . a uma espécie de conhecimento técnico. a um saber fazer. mas sobretudo do bafejo de um talento pessoal. O técnico era aquele que executava um trabalho. o mesmo é dizer.C. como o Hermes e Dionísio de Praxíteles ou o Discóbolo. Fídias foi um grande expoente da arte do período. mas também ao trabalho.Representado pela letra R. Com o advento de uma sociedade mais laica e ligada ao pensamento filosófico. os artistas tiveram que buscar uma solução que ligasse o divino (pois a arte ainda era encomendada para representar deuses e motivos religiosos) ao humano (novo campo de interesse ligado à política democrática da pólis e de pensadores como os sofistas e os filósofos. Nesse contexto. Predominaram na época os nus masculinos e a representação de atletas. baseada em cânones que eram a média das características físicas das pessoas mais belas. que era baseado na tradição religiosa pré-democrática e que tinha por característica imagens geometrizadas e pouco naturalistas.

desde o século 4º. O mármore e o bronze eram os materiais preferidos. e no âmbito da arte não apenas as denominadas belas artes. militar e religiosa. mas Plínio. sociedade e organização política. o teatro. Paulo A sociedade medieval européia formou-se a partir de uma série de fatores. Também formam parte da civilização clássica ou civilização greco-romana as demais manifestações da sua cultura. mitologia romana) e a vivência cultural da vida quotidiana (costumes da Antiga Grécia. a economia. e foi nessa época que foi criada a técnica de moldagem em bronze chamada cera perdida. costumes da Antiga Roma).supervisionando o entalhe das esculturas que adornavam o frontão do Partenon. Os conceitos de arte e cultura clássicos incluem a literatura clássica ou greco-romana: as diversas formas da literatura grega e a literatura latina (como a poesia. O período medieval Civilização bárbara forma a Europa Medieval Claudio B. em Atenas. Essa nova . mas também todas as artes menores (estendendo-se por vezes a toda a cultura material). crenças (mitologia clássica — mitologia grega. Recco* Especial para a Folha de S. Chegaram à posteridade principalmente exemplares de escultura. o Velho cita diversos exemplos de pinturas desse período. a historiografia — historiografia clássica — e a filosofia — filosofia grega).

apoiando-se no escravismo e nas conquistas militares. A ocupação de terras por parte dos bárbaros agravou a crise do Império. envolvendo praticamente todos os territórios ao redor do Mediterrâneo. denominada feudal. Os romanos construíram uma grande civilização ao longo de séculos. invasão é um termo que gera confusão. Esse processo é conhecido como "invasões bárbaras". reuniu elementos característicos do Império Romano e outros originários dos povos "bárbaros".sociedade. todos os que não viviam sob suas leis e dentro de suas instituições eram bárbaros. acentuando a ruralização. preso a . Para o romano. e permitiu a formação do "sistema de colonato". Os povos bárbaros migraram do norte da Europa e. pois esse movimento migratório dos povos germânicos não se utilizou necessariamente da violência. caracterizado pela fixação do homem à terra. passaram a ocupar terras dentro das fronteiras romanas. a partir do século 3º.

envolvendo aqueles que conservam o valor guerreiro.obrigações. nas quais vale a palavra e a honra. Uma igreja hierarquizada. justificadora e mantenedora da ordem segundo uma visão dogmática do mundo. encontramos as relações sociais baseadas em laços de fidelidade. Da Roma "civilizada" encontramos o cristianismo como a contribuição mais importante para o mundo feudal. que passou a monopolizar a cultura e formou a ideologia dominante. Do germânico "bárbaro". algumas de origem romana. fortalecendo os laços entre os proprietários _suseranos e vassalos. outras de origem bárbara. a prática de doação de terras tendeu a desenvolver-se. No mesmo período. Eis os embriões da organização socioeconômica medieval. outros rezam e outros combatem". em que "alguns trabalham. Outras várias características foram decisivas na organização desse novo modo de produção. .

que reforça o discurso dominante. e clero regular (aqueles que viviam nos mosteiros). Você se lembra de outros exemplos? A IGREJA MEDIEVAL Igreja Católica Em meio à desorganização administrativa.. franciscanos.Perceba que. . em vários momentos da história. a Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida medieval. Consolidando sua estrutura religiosa. hierarquizado em padres. Mundo e Mosteiros Os sacerdotes da Igreja dividiam-se em duas grandes categorias: clero secular (aqueles que viviam no mundo fora dos mosteiros). diante da fragmentação política da sociedade feudal. bispos. com sede em Roma. econômica e social produzida pelas invasões germânicas e ao esfacelamento do Império Romano. enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana. que obedecia às regras de sua ordem religiosa: veneditinos. arcebispos etc. a Igreja foi difundindo o cristianismo entre os povos bárbaros. conseguiu manter-se como instituição. as noções de civilizado e de bárbaro estão envoltas em preconceitos e não só refletem uma visão maniqueísta da sociedade como possuem uma função ideológica. Valendo-se de sua crescente influência religiosa. dominicanos. carmelitas e agostinianos. servindo como instrumento de unificação. praticamente apenas a Igreja Católica.

o papa contava também com o poder temporal da Igreja. era o administrador político do Patrimônio de São Pedro. em troca da proteção que concedia ao Estado da Igreja. quando se chocaram o papa Gregório VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico. passou a exercer total controle sobre as ações do papa. istoé. constituído por um território italiano doado pelo rei Pepino. à atuação do papa Gregório Magno. As investiduras (nomeações) feitas pelo imperador só visavam os interesses locais. dos francos. considerado sucessor do apóstolo Pedro. do Sacro Império Romano Germânico. o poder advindo da riqueza que acumulara com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da possível recompensa do céu. ao papa ou ao imperador. uma grande "senhora feudal" numa época em que a terra constituía a base de riqueza da sociedade. As raízes desse conflito remontam a meados do século X. afastando-se de sua missão religiosa e. Nem sempre a autoridade do papa era aceitar por todos os membros da Igreja. portanto. Era. Os bispos . devido. Henrique IV. Durante esse período. a Igreja foi contaminada por um clima crescente de corrupção. no século XI. quando o imperador Oto I. desde 756. o Estado da Igreja. em grande parte. perdendo sua autoridade espiritual. mas em fins do século VI ela acabou se firmando. Fundou bispados e abadias. O papa. O Poder Temporal da Igreja Além da autoridade religiosa. bispo de Roma. iniciou um processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer seus poderes.No ponto mais alto da hierarquia eclesiática estava o papa. Exemplo marcante desses conflitos é a Questão da Investiduras. O poder temporal da Igreja levou o papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias medievais. Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa Ocidental. com isso. A Questão das Investiduras e o Movimento Reformista A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de nomear sacerdotes para os cargos eclesiásticos. nomeou seus titulares e.

Instituiu o celibato dos sacerdotes (proibição de casamento). em resposta. Os condenados pela inquisição eram entregues às autoridades administrativas do Estado. visando recuperar a autoridade moral da Igreja. isto é. reagiu furiosamente à atitude do papa e considerou-o deposto. em 1231. Desenvolveuse. Esse conflito foi resolvido somente em 1122. então. do papa Gregório VII. As penas aplicadas a cada caso iam desde a confiscação de bens até a morte em fogueiras. Henrique IV. em 1074. No século XI surgiu um movimento reformista. Adotou-se uma solução de meio termo: caberia ao papa a investidura espiritual dos bispos (representada pelo báculo). Os ideais dos monges de Cluny foram ganhando força dentro da Igreja. nem sempre a fé popular manifestava-se nos termos exatos pretendidos pela doutrina católica. Para combater essas heresias. excomungou Henrique IV. antes de assumir a posse da terra de um bispado. crenças e supertições. que se chocavam com os dogmas da Igreja. em 1073. cuja missão era descobrir e julgar os heréticos. denominadas heresias.e os padres nomeados colocavam o compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa. Tribunais da Inquisição Nos diversos países cristãos. Gregório VII. o bispo deveria jurar fidelidade ao impérador. assinada pelo papa Calixto III e pelo imperador Henrique V. pela Concordata de Worms. antigo monge daquela ordem reformista. liderado pela Ordem Religiosa de Cluny. os tribunais da Inquisição. um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual do papa. em 1075. Eleito papa. o papa Gregório IX criou. que se encarregavam da execução das sentenças. Gregório VII tomou uma série de medidas que julgou necessárias para recuperar a moral da Igreja. imperador do Sacro Império. culminando com a eleição. Havia uma série de doutrinas. As Fases do Processo . e poribiu que o imperador investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos.

O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório e a sentença.

Tempo de Graça

Ao chegar às aldeias e às cidades, os inquisidores solicitavam a todos os acusados de heresia que se apresentassem espontaneamente aos juízes. Era então estabelecido o tempo de graça, que poderia ser de 15 dias a um mês.

O herético que se apresentasse, durante esse período, para confessar seu erro era tratado com certa misericórdia, recebendo geralmente penas leves, a critério do juiz. Terminando o tempo de graça, porém, os juízes do tribunal tornavam-se implacáveis, perseguindo duramente os suspeitos.

Interrogatório

Perante o tribunal, os acusados de heresia eram longamente interrogados pelos os juízes, que faziam de tudo para que o réu confessasse o crime. Caso o réu se recusasse a confessar, podia ser submetido a diversas formas de violência e tortura, como chicotadas, queimaduras com brasas etc.

O manual dos inquisidores, espécie de guia prático do ofício inquisitorial, escrito em 1376 pelo dominicano espanhol Nicolau Eymerich (depois revisto e atualizado, em 1578, por Francisco de La Penã), diz que:

A finalidade da tortura é obrigar o suspeito a confessar a culpa que cala. Pode-se qualificar de sanguinários todos esses juízes de hoje, que recorrem tão facilmente à tortura, sem tentar, através de outros meios, completar a investigação. Esses juízes sanguinários impõem torturas a tal ponto que matam os réus, ou os deixam com membros fraturados, doentes sempre.

O inquisidor deve ter em mente que: o acusado deve ser torturado de tal forma que sai saudável para ser liberado ou para ser executado.

Setença

Arrancada a confissão do réu, os inquisitores proferiam a sentença em uma sessão pública denominada sermão geral. As sentenças previam três tipos básicos de penas: confiscação de bens, prisão e morte.

A maioria dos condenados à morte eram queimados vivos numa grande fogueira. Somente a alguns permitia-se o estrangulamento antes de serem lançados ao fogo.

A defesa dos interesses das classes dominantes

A ação dos tribunais da Inquisição estendeu-se por vários reinos cristão: Itália, França, Alemanha, Portugal e, especialmente, Espanha. Nesse último país, a Inquisição penetrou profundamente na vida social, possuindo uma gigantesca burocracia pública com cerca de vinte e cinco mil funcionários a serviço do movimento inquisitorial.

Pressionada pelas monarquias católicas, a Inquisição desempenhou um papel político e social, freando os movimentos contrários às classes dominantes e, dessa maneira, ultrapassando sua finalidade declarada de proceder ao mero combate às heresias religiosas

Cruzadas

Atendendo ao apelo do papa Urbano II, em 1095, foram organizadas na Europa expedições militares conhecidas como cruzadas, cujo objetivo oficial era conquistar os lugares sagrados do cristianismo (Jerusalém, por exemplo) que estavam em poder dos muçulmanos.

Entretanto, além da questão religiosa, outras causas motivaram as cruzadas: a mentalidade guerreira da nobreza feudal, canalizada pela Igreja contra inimigos externos do cristianismo (os muçulmanos); e o interesse econômico de dominar importantes cidades comerciais do Oriente.

De 1096 a 1270, a cristandade européia organizou oito cruzadas, tendo como bandeira promover guerra santa contra os infiéis muçulmanos.

As Conseqüências

As principais conseqüências do período das cruzadas foram:

Empobrecimento dos senhores feudais, que tiveram suas economias arrasadas com os esforços despendidos nas guerras;

Fortalecimento do poder real, à medida que os senhores feudais perdiam suas forças;

Reabertura do Mediterrâneo e conseqüente desenvolvimento do intercâmbio comercial entre a Europa e Oriente;

IDADE MODERNA Ao pensar em modernidade, muitas pessoas logo imaginam que estamos fazendo referência aos acontecimentos, instituições e formas de agir presente no Mundo Contemporâneo. De fato, esse termo se transformou em palavra fácil para muitos daqueles que tentam definir em uma única palavra o mundo que vivemos. Contudo, não podemos pensar que esse contexto mais dinâmico e mutante surgiu do nada, que não possua uma historicidade.

Entre os séculos XVI e XVIII, um volume extraordinário de transformações estabeleceu uma nova percepção de mundo, que ainda pulsa em nossos tempos. Encurtar distâncias, desvendar a natureza, lançar em mares nunca antes navegados foram apenas uma das poucas realizações que definem esse período

os reis europeus assistiram a consumação de seu poder hegemônico. antes tão extensas e progressivas. Além disso. Tronos e parlamentos fizeram uma curiosa ciranda em apenas um piscar de olhos. se hoje tanto se fala em tecnologia e globalização. De fato. não podemos refutar a ligação intrínseca entre esses dois fenômenos e a Idade Moderna. Nesse curto espaço de quase quatro séculos. também foi importante para que a dinâmica de um comércio de natureza intercontinental viesse a acontecer. Com . além de contribuir para o acúmulo de capitais na Europa. ganharam uma sensação mais intensa e volátil. O advento das Grandes Navegações. bem como experimentaram as várias revoluções liberais defensoras da divisão do poder político e da ampliação dos meios de intervenção política. as percepções do tempo e do espaço.histórico. O processo de formação das monarquias nacionais pode ser um dos mais interessantes exemplos que nos revela tal feição.

dialogando com eventos mais específicos. Aquele mesmo que parece ser tão volátil nesse instigante período histórico. a Idade Moderna pode parecer um tanto confusa por conta da fluidez dos vários fatos históricos que se afixam e. Não por acaso. a mentalidade econômica de empresários. Em um primeiro olhar. o desenvolvimento de novas máquinas e instrumentos desenvolveram em território britânico o advento da Revolução Industrial.. Apesar disso. Em pouco tempo. consumidores. se reconfiguram. logo em seguida. No século XVIII.isso. é possível balizar as medidas que fazem essa ponte entre os tempos contemporâneo e moderno.. . as ações econômicas tomadas em um lugar passariam a repercutir em outras parcelas do planeta. o espírito investigativo dos cientistas e filósofos iluministas catapultou a busca pelo conhecimento em patamares nunca antes observados. Basta contar com um pouco do tempo. operários e patrões fixaram mudanças que são sentidas até nos dias de hoje.

2. promover a unificação territorial do país. nos reinados." XXX Resposta: 1. 1. logo o rei vê de mais longe e mais alto.MODELOS DO ABSOLUTISMO 1. Afirma a doutrina do "absolutismo de direito divino" e qoe o trono não é lugar do homem e sim do próprio Deus. Portugal: Dinastia de Avis. O absolutismo inglês era disfarçado. neste texto ele cita que a autoridade do rei era reconhecida por Deus. 1.2. Inglaterra: o auge do absolutismo inglês ocorre durante a dinastia Tudor. cita que o rei era a expressão do Estado e o detentor da soberania. no reinado D.3.1. Jacques Bossuet > Obra "A política inspirada nas Sagradas Escrituras".2 Espanha: o apogeu ocorre no século XVI com a dinastia Habsburgo. que chegara ao poder após a Guerra das Duas Rosas. 2. pois o murmúrio era um passo para a sedição/revolta. cabendo aos súditos apenas a obediência passiva. uma fé. impor obediência a sua população e dar proteção à burguesia. e foi resultado das navegações espanholas e do encontro entre europeus e ameríndios (outrora chamado de descoberta do Novo Mundo ou América).4. > Obra "Tratado do direito da paz e da guerra". uma lei. suprimindo a independência dos feudos e submetendo a nobreza. 1. o controle da rota marítima para as Índias. Thomas Hobbes > Livro "Leviatã".ABSOLUTISMO Antes de explicar eu vou refrescar a memória: "Só a força e a autoridade de uma monarquia centralizada poderiam. onde afirma que a ordem interna da sociedade só poderia se preservada pelo Estado através da autoridade ilimitada do soberano. pois havia o . 2.3. Jean Bodin > Texto "A doutrina da soberania do Estado". suprimindo. FORMAS DO ABSOLUTISMO (durante o seu apogeu) 2. Sua autoridade despótica tinha origem não em uma escolha divina e sim nos poderes absolutos que o povo lhe havia conferido. Manuel I. o descobrimento do Brasil e o monopólio das especiarias orientais levaram ao ponto mais alto o absolutismo português. O périplo africano. o Venturoso." "Absolutismo: um rei. e Felipe II. nos reinados de Carlos V. Deve-se obedecer ao rei sem murmurar.1. Hugo Grotius (É um dos fundadores do Direito Internacional).

madeira. O RENASCIMENTO NA EUROPA O Renascimento do Comércio na Europa Com o sistema feudal em decadência. O renascimento comercial da Europa Ocidental fez com que a circulação de dinheiro e a economia das regiões crescessem. surgiram novas técnicas de produção. As principais cidades da rota comercial européia eram Veneza e Gênova. cereais. peixes. as melhorias na pirataria inglesa. como a da região de Champagne. sendo que a principal liga as cidades da Itália à Flandres. Nessas rotas. o comércio foi ressurgindo em vários lugares da Europa Ocidental. uma associação comercial de mais de 80 cidades. ferro e cobre.4. que se destacava pelos seus produtos de lã. Flandres e Frankfurt.fortaleceram a imagem do rei 2. e a fundação da Virgínia . passando pela França. rotas comerciais. Com sede em Lübeck. Essas técnicas fizeram com que a mão-de-obra daquela época migrasse da agricultura para outras funções. França: Dinastia Bourbon. Assim. A região de Flandres também era outro importante centro comercial. que devido a sua posição geográfica privilegiada. como artesanato e comércio. iniciada por Richelieu e concluída por Mazarino. Na região norte da Europa. foram estabelecidas também.. o florescimento das cidades. . A criação do anglicanismo (ruptura com o catolicismo). tecidos. grandes feiras eram estabelecidas. o comércio era controlado pela Liga Hanseática. a política naval e colonial e a destruição da Armada espanhola. tornaram-se grandes centros urbanos e comerciais.parlamento. ocasionando também. Com a expansão comercial em toda a Europa Ocidental. foi precedida dos "grandes cardeais". Autores: Leonal Mello & Luís Costa. essa associação comercial comercializava principalmente.o Rei Sol . Luís XIV .primeira colônia inglesa na América do norte . a personificação mais perfeita do monarca absoluto. Fonte(s): Livro de História Moderna e Contemporânea.

desenvolvendo indelevelmente a indústria do país e dinamizando o comércio. principalmente no caso espanhol. com particular incidência neste último.O IDEÁRIO MERCANTILISTA Diferente de país para país. dominando os mares. Outra importante forma de impedir a entrada de importações e consequente saída de divisas era a proteção aduaneira (taxas alfandegárias). o mercantilismo confunde-se com a figura daquele estadista. o mercantilismo tinha um matiz muito mais comercial. facilitado pela capacidade de transporte e intercâmbio de produtos que aqueles países detinham. todavia. de controlo e estímulo da atividade económica. o mercantilismo teve implantação nos séculos XVI e XVIII. bem como a contabilidade atualizada. não evitando. agora centralizada. o mercantilismo assentava. a uma conceção política de construção de um estado forte e poderoso no conjunto das nações.e manufaturas para prover os cofres nacionais de ouro. das comunicações aos portos. sobretudo. Geograficamente. para prover os cofres nacionais de receitas capazes de suportar os elevados encargos do aparelho do Estado. Já em Inglaterra e na Holanda. destaca-se na França de Jean-Baptiste Colbert. do nacionalismo económico.ultrapassando o conceito de susbsistência até então dominante na agricultura . as colónias na maior parte das vezes. regiões às quais o mercantilismo dará uma atenção cada vez maior.O mercantilismo traduz também a relação cada vez mais estreita da economia à política. nomeadamente para pagamento das avultadas e caras importações de que dependiam. Com o mercantilismo. relação entre o valor das exportações e o das importações. introduzidas pelas diretrizes mercantilistas de controlo e organização da atividade económica. Neste país.Historicamente. que visava principalmente os artigos de luxo ou os considerados improdutivos. que promoveu ao máximo as exportações de produtos agícolas . do intervencionismo e protecionismo estatais. são cada vez mais comuns nos estados europeus. Algumas das medidas assentavam no desenvolvimento de infraestruturas no país. Nas monarquias ibéricas. estrutura basilar da nação e sua maior fonte de riqueza e prestígio. na criação de mercados exteriores para os produtos nacionais. As estimativas e cálculos orçamentais. a sua saída para o estrangeiro. o mercantilismo associa-se. aparece pela primeira vez o conceito de balança comercial. Há também uma remodelação do funcionalismo e uma maior fiscalização. dando ênfase ao primado da civilização material. na proteção e transporte dos metais preciosos oriundos das minas americanas. principalmente o colonial. . pois a sua atividade produtiva nunca fora alvo de incentivos. Esta corrente de pensamento económico defendia uma organização e regulamentação da atividade produtiva e comercial como forma de se conseguir construir um aparelho económico capaz de conduzir os países à desejada acumulação de riquezas. basicamente. cada vez mais pesado e oneroso.

pelo grande economista inglês John M. Até o século XV. os recursos para realizar as navegações oceânicas que possibilitaram o comércio com a Áfricà. De qualquer modo. ou seja. pois algumas das suas matrizes e linhas essenciais foram retomadas.e no desenvolvimento do capitalismo. principalmente no sentido do combate ao luxo e à ociosidade. coube ao Estado reunir capitais. a figura do marquês de Pombal como símbolo do mercantilismo português. os europeus realizavam trocas no Oriente Médio e no Norte da África. da valorização e fomento da produção nacional e incremento do comércio através das companhias de monopólio. sistemas com muito maior poder de resposta às tendências da economia que se avizinhavam com a industrialização crescente. liderada pelos portugueses durante o século XV.O século XVIII marca.Em Portugal. armas e suprimentos. Principalmente depois do recuo da expansão cruzadista no Oriente Médio e do avanço turco naquela região. e da expansão marítima. No entanto. Num primeiro momento. pois encontravase totalmente voltado para o comércio com a Ásia. contudo. navios. de novos territórios para realizar comércio. o fim do mercantilismo como corrente de pensamento económico no poder. Portugal deu reduzida importância à nova terra. Keynes (1883-1946) na sua teoria económica. a abertura das rotas atlânticas apresentava imensas dificuldades. no século XVIII. Nos diversos países europeus e especialmente em Portugal. Razões do expansionismo português A procura de mercados. A EXPANSÃO MARÍTIMA A descoberta do Brasil foi o resultado do desenvolvimento econômico da Europa nos fins da Idade Média. surgiram também medidas e práticas mercantilistas. espanhola e inglesa. Destacando-se. Ásia e finalmente a chegada ao continente . o ―Mar Tenebroso‖ (Oceano Atlântico) colocou-se como a única alternativa para a expansão do comércio europeu. tornando-se quase impossível a empresas particulares isoladas. que aliás influenciou largamente o New Deal que permitiu sair da Grande Depressão. de certa forma mesclando as correntes francesa. homens. e a estreiteza desses mercados foi colocada em evidência durante a crise do século XIV. foi o mais importante fator da expansão marítima dos europeus nos séculos XV e XVI. o ideário mercantilista não sucumbiu com a indústria. em pleno século XX. dando lugar ao liberalismo económico anunciado no fisiocratismo . outra faceta do mercantilismo europeu.

caso de Portugal. ainda que entre as duas classes existissem divergências quanto aos objetivos finais: os mercadores desejavam fazer comércio. os desejos de realizar saques e tomar terras por parte dos nobres portugueses foram freqüentemente disfarçados com o espírito de cruzada. foi o primeiro grande passo da aventura expansionista portuguesa. Ceuta era importante centro muçulmano no Norte da Africae. Um primeiro objetivo: Ceuta Situada em frente ao Estreito Gibraltar. Em Portugal e em várias nações européias. A belicosidade. Esta reunião de meios materiais o Estado realizou coletando empréstimos. visando a tomada de novas terras e possíveis pilhagens. os portugueses tomaram Ceuta. o êxodo para a beira-mar tornou constante a falta de mão-de-obra no campo.amerícano. fortaleceu ainda mais o poder real. No ano de 1415. O pretexto de combater pela cruz ajudou a impulsionar inúmeras conquistas de territórios mouros e africanos. e um grande centro comercial do Marrocos. a crise da agricultura e a decadência econômica dos nobres. um outro fator de grande importância na expansão foi a crise ―do feudalismo. Tal progresso resultou do emprego de recursos crescentes no campo da técnica e da ciência por parte dos reis e dos comerciantes. Mas as frustrações não . reunindo grandes recursos e esperanças. Uma saída para esta nobreza foi dedicar-se cada vez mais a guerras. Depois da Revolução de 1383 os reis agricultores da primeira dinastia (Borgonha) cederam lugar aos reis mercadores. o Estado encontrava-se fortalecido desde antes do século XV e pôde investir capitais e controlar. uma vez realizado. ponto final de rotas transaarianas que traziam ouro e produtos orientais do Egito e do Sudão. ali realizando uma rica pilhagem no momento da conquista. enquanto os grandes senhores queriam terras e o produto dos saques. em detalhes. Era uma cidade muito importante por ser base de piratas muçulmanos que atuavam no Mediterrâneo. um tipo de prática que teve um bom exemplo na Escola de Sagres. impostos e coordenando as atividades dos comerciantes através da política mercantilista. especialmente nos campos da matemática. No caso português. Um outro fator fundamental para as grandes navegações foi o grande progresso técnicocientífico da época. astronomia e construção naval. Nobres e burgueses uniram-se no expansionismo. no início do século XV. o processo de expansão que.

O lucro e os juros. As caravanas com ouro e produtos orientais foram desviadas e a região esvaziou-se‘ economicamente. A Reforma Luterana . Trabalhadores urbanos. começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo.tardaram. Por outro lado. fruto do pensamento renascentista. nela permanecendo ilhados pelos mouros permanentemente hostis. pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. estava cada vez mais inconformada. com mais acesso a livros. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais. A burguesia comercial. perdendo sua identidade. O homem renascentista. em plena expansão no século XVI. eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos. pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza. A Igreja Católica vinha. REFORMA PROTESTANTE E A NÃO REFORMA Motivos O processo de reformas religiosas teve início no século XVI. com a venda das indulgências (venda do perdão). a manutenção militar do domínio português implicava crescentes despesas. Os conquistadores não conseguiram ir além dos limites da cidade. Ao mesmo tempo. Podemos destacar como causas dessas reformas : abusos cometidos pela Igreja Católica e uma mudança na visão de mundo. o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma. principalmente o que diz respeito ao celibato. deixavam a população insatisfeita. No campo político. os reis estavam descontentes com o papa. típicos de um capitalismo emergente. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão. desde o final da Idade Média. O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas.

Em suas teses. Henrique VIII funda o anglicanismo e aumenta seu poder e suas posses. Lutero não so defendeu suas teses como mostrou a necessidade da reforma da Igreja Católica. De acordo com Calvino a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica. a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. A Contra-Reforma Católica Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis. A Reforma Calvinista João Calvino: reforma na França Na França. através da ação dos jesuítas. No Concílio de Trento ficou definido : . João Calvino começou a Reforma Luterana no ano de 1534. Em 16 de abril de 1521. Embora tenha sido contrário ao comércio. . Calvino também defendeu a idéia da predestinação (a pessoa nasce com sua vida definida). Martinho Lutero foi convocado as desmentir as suas 95 teses na Dieta de Worms. Essa idéia calvinista. atraiu muitos burgueses e banqueiros para o calvinismo. convocada pelo imperador Carlos V. o rei Henrique VIII rompeu com o papado. A Reforma Anglicana Na Inglaterra. Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras.O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências e propunha a fundação do luteranismo ( religião luterana ).Catequização dos habitantes de terras descobertas. De acordo com Lutero. teve grande apoio dos reis e príncipes da época. bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento) com o objetivo de traçar um plano de reação. após este se recusar a cancelar o casamento do rei. condenou o culto à imagens e revogou o celibato.

O BRASIL E A AMERICA NOS QUADROS DO SISTEMA COLONIAL EUROPEU O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial Novais. Bota). está intimamente ligada à da expansão comercial e colonial européia na época moderna.Retomada do Tribunal do Santo Ofício . e logo desenvolvida em larga escala com o povoamento e valorização econômica da América. In: Brasil em Perspectiva (org. colocou católicos e protestantes em guerra por motivos puramente religiosos. A atividade colonizadora dos povos europeus na época moderna.. Fernando A. inaugurada com a ocupação e utilização das ilhas atlânticas. pp. os problemas e os mecanismos de conjunto que agitaram a política imperial lusitana. por exemplo.52 A História do Brasil. Intolerância Em muitos países europeus as minorias religiosas foram perseguidas e muitas guerras religiosas ocorreram. o Brasil-colônia refletiu. Por outro lado. Procuraremos sintetizar as linhas mestras do sistema colonial da época mercantilista. em todo o largo período da sua formação colonial. São Paulo. Parte integrante do império ultramarino português. 47 . Carlos G. desta forma. 1971. em busca do equilíbrio europeu. distingue-se da empresa de exploração . Difusão Européia do Livro. frutos do radicalismo. a história da expansão ultramarina e da exploração colonial portuguesa se desenrola no amplo quadro da competição entre as várias potências. e se encaminharam os problemas políticos de que esta região foi o teatro. é na história do sistema geral de colonização européia moderna que devemos procurar o esquema de determinações dentro do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil na primeira fase de sua história. o rei mandou assassinar milhares de calvinistas na chamada Noite de São Bartolomeu.Inquisição : punir e condenar os acusados de heresias . nos três primeiros séculos. tentando marcar a posição do Brasil nesse contexto. Na França. A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648).Criação do Index Librorium Proibitorium (Índice de Livros Proibidos): evitar a propagação de idéias contrárias à Igreja Católica.

revelavam-se incapazes do propiciar a acumulação de meios indispensáveis ao empreendimento. se é possível e mesmo útil estabelecer a distinção. a fim de superar os entraves derivados do monopólio das importações orientais pelos venezianos e muçulmanos e a escassez do metal nobre. por seu turno. desencadeando um conjunto de tensões.. a colonização se insere no processo de superação das barreiras que se antepuseram. no fim da Idade Mordia. ] Devemos reter aqui apenas os elementos indispensáveis para a compreensão da história do sistema colonial. Em outras palavras. como um desdobramento da expansão marítimo-comercial européia que assinala a abertura dos Tempos Modernos [. a colonização promoverá a intervenção direta dos empresários europeus no âmbito da produção. através das quais se criam condições. em primeiro lugar. vigorosamente consolidado a partir do século XI. sobretudo a partir do século XIV. organização de uma economia complementar voltada para o mercado metropolitano. organizado em função desse movimento.. o caráter de exploração comercial não é abandonado pela empresa ultramarina européia. Desta forma.. o . podese dizer que nos entrepostos africanos e asiáticos a atividade econômica dos europeus (pelo menos nesta primeira fase) se circunscreve nos limites da circulação das mercadorias. o grau muito elevado de risco da empresa. ao desenvolvimento da economia mercantil. as formas de organização empresarial então existentes. entretanto. ao mesmo tempo para as mudanças na organização política européia e para a abertura de novas rotas e conquistas de maiores mercados [. e mais. envolvendo povoamento europeu. Efetivamente.comercial que desde o século XV já vinham realizando os portugueses nos numerosos entrepostos do litoral atlântico-africano e no mundo indiano. e ao fortalecimento das camadas urbanas e burguesas. no final do período. no processo histórico concreto as duas formas não são sucessivas. o que exigia larga mobilização do recursos. mas coexistentes. a empresa colonial é mais complexa. esse caráter de exploração mercantil marca profundamente o tipo de vida econômica que se organizará nas áreas coloniais. implicavam em dificuldades técnicas (navegação do Mar Oceano) e econômicas (o alto custo de investimentos. ] Como desdobramento da expansão comercial. Pelo contrário. dado seu caráter embrionário. Para tanto. Com efeito. intensificara o ritmo das atividades econômicas no curso de toda a segunda Idade Média. cumpre destacar a conexão que vincula os dois processos paralelos de expansão mercantil e a formação de Estados de tipo moderno. uma série de fatores internos e externos põem em xeque a possibilidade de se prosseguir na linha de desenvolvimento econômico. pois.. A colonização da época moderna se apresenta. o renascimento do comércio. Contudo. a abertura de novas rotas. quando ela se desdobra na atividade mais complexa da colonização. cumpre acrescentar logo em seguida que. Realmente.

toda atividade econômica colonial se orientará segundo os interesses da burguesia comercial da Europa. uns após outros abrindo caminho no ultramar e participando da exploração colonial: Portugal. da qual foi um desdobramento. Na medida em que os velhos reinos medievais se organizam em Estados do tipo moderno. por outro lado desencadeados os mecanismos de exploração comercial e colonial do ultramar. vão. O monopólio do comércio das colônias pela metrópole define o sistema colonial porque é através dele que as colônias preenchem a sua função histórica. e os problemas tradicionais da velha Europa se complicam com novos atritos pela partilha do mundo colonial. o equilíbrio europeu. isto é. Inglaterra. a burguesia mercantil metropolitana pode forçar a baixa dos seus preços até o mínimo além do qual se tornaria antieconômica a produção. Paralelamente. que lhes dão sentido. Em outras palavras. na metrópole ou alhures a preço de mercado. capaz de mobilizar recursos em escala nacional. se vendidos em outros países trata-se de ingresso externo. os produtos . em fator essencial do poder do Estado metropolitano.. reservando a si com exclusividade a aquisição dos produtos coloniais. como resultado do esforço econômico coordenado pelos novos Estados modernos. Espanha. transferem-se rendas da massa da população metropolitana (bem como dos produtores coloniais) para a burguesia mercantil. quimera constante da diplomacia na época Moderna. É emoldurada no complicado quadro dessas tensões que se desenrola a história da colonização e do sistema colonial [. E realmente. Países-Baixos. Temos assim os dois elementos essenciais à compreensão do modo de organização e dos mecanismos de funcionamento do antigo Sistema Colonial: como instrução de expansão da economia mercantil européia. unificados e centralizados. constitui-se. postulando um certo grau de centralização do poder para tornar-se realizável. França. por seu turno. apropriado pelos mercadores metropolitanos. fortalece-se reversivamente o Estado colonizador. ] incorporou da expansão comercial. agudizam-se as tensões políticas entre as várias potências.. tornou-se um prérequisito à expansão ultramarina. em face das condições desta nos fins da Idade Média e início da Época Moderna. enfim. Igualmente. as colônias se constituem em instrumento de poder das respectivas metrópoles. respondem aos estímulos que lhes deram origem que formam a sua razão de ser. e se lançam à elaboração de seus respectivos impérios coloniais. a revenda.Estado centralizado. comercial e colonial. na própria metrópole ou no mercado europeu. cria uma margem de lucros do monopólio apropriada pelos mercadores intermediários: se vendido no próprio mercado consumidor metropolitano os produtos coloniais. torna-se cada vez mais difícil. enquanto se sucedem as hegemonias coloniais ou continentais. a expansão marítima. do século XV ao XVII realizam sucessivamente a transição para a forma moderna de Estado. adquirindo a preço de mercado.

Esse pensamento iluminista contribuiu para que houvesse a Revolução Industrial. o Estado real' a política burguesa. sendo assim. a Europa era marcada pela ascendência da burguesia ao poder. o grupo privilegiado se apropria mais uma vez de lucros extraordinários. época em que ocorreram diversas revoluções. face às demais potências. assim como uma série de movimentos nativistas foi realizada na colônia portuguesa. na Inglaterra. dando início ao capitalismo industrial. Num e noutro sentido uma parte significativa da massa de renda real gerada pela produção da colônia é transferida pelo sistema de colonização para a metrópole e apropriada pela burguesia mercantil. a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Estado centralizado e sistema colonial conjugam-se pois para acelerar a acumulação de capital comercial pela burguesia mercantil europeia CRISE NO SISTEMA COLONIAL PORTUGUES E ESPANHOL Crise do Sistema Colonial Por Tiago Soriano Para que possamos entender a crise no sistema colonial. precisamos retroceder no tempo. . e vivia-se o Século das Luzes. aos séculos XVII e XVIII. como na América do Norte. e diante dos produtores coloniais e mesmo das demais camadas da população metropolitana. mais especificamente. os industriais desejassem o fim das colônias. e revendendo-os na colônia a preços monopolistas.de consumo colonial (produtos manufaturados sobretudo). de modo que. que defendia a liberdade. para que estas pudessem consumir os seus produtos. abrindo novas fontes de tributação. e simultaneamente se fortalece. essa transferência corresponde às necessidades históricas de expansão da economia capitalista de mercado na etapa de sua formação. a igualdade e a felicidade entre os homens. o Iluminismo burguês – filosofia cultuada pelo racionalismo. modificando totalmente as relações econômicas. além de fornecerem matérias-primas baratas. tanto na Europa. Nesse período. A Revolução Industrial ocorreu por volta de 1760. contrário ao Antigo Regime. garantindo o funcionamento do sistema. Ao mesmo tempo.

e a Conspiração dos Suassunas. REVOLUÇÃO GLORIOSA DA INGLATERRA A Revolução Gloriosa ɤ' foi uma revolução em grande parte não-violenta (por vezes chamada de "Revolução sem sangue"[1]). Um dos principais movimentos emancipacionistas foi a Inconfidência Mineira. que teve lugar no Reino Unido em 1688-1689. as Treze Colônias inglesas tornam-se independentes.Com a Revolução Americana no ano de 1770. em 1789. na qual o rei Jaime II. em 1789. em 1801. Essas revoluções e principalmente a independência dos Estados Unidos da América. e após longa guerra de independência contra a Metrópole – Inglaterra –. declaram independência no ano de 1776. sendo substituído por sua filha. Outros importantes movimentos emancipacionistas foram a Conjuração Baiana ou dos Alfaiates. Maria II e pelo genro. Outra mudança política ocorrida foi a Revolução Francesa. Escócia e País de Gales. católico. o nobre neerlandês Guilherme. Jaime II tornou-se vítima da batalha política entre católicos e protestantes. além do próprio desenvolvimento das colônias – resultado do investimento e das explorações realizadas pelos colonizadores –. foi a primeira rejeição ao sistema colonial português. assim como. Príncipe de Orange Guilherme III. apesar de seu caráter idealista. da dinastia Stuart. favorecendo definitivamente a quebra do antigo sistema colonial. as ideias iluministas. caracterizada pela ascensão da burguesia francesa ao poder. foi removido do trono de Inglaterra. foram fatores que repercutiram nas colônias portuguesas. das colônias de povoamento. . bem como entre os direitos seculares da coroa e os poderes políticos do Parlamento. A crise no sistema colonial decorreu pelo surgimento de novas ideias e pelas transformações econômicas e sociais. em 1798. devido aos abusos do fiscalismo português nas regiões auríferas – regiões que contém ouro – vários movimentos emancipacionistas foram realizados contra os colonos portugueses. e. e que. gerando na população colonial. os colonos ingleses. conhecido também como Guilherme de Orange Durante o seu reinado de oito anos. o sentimento de emancipação.

[2][3] Desde Henrique VIII. liberais. e Jaime fugiu para Kent. reuniu-se a convenção do parlamento. a situação foi controlada. Jaime II foi perdendo seu prestígio por algumas políticas consideradas indesejadas. irmão e predecessor de Jaime. Até ali. . A memória da execução de Carlos I ainda estava viva. como governadores conjuntos . quando teve um filho. Guilherme liderava a Holanda. onde foi capturado. Maria. Em 1689. e os whigs. Guilherme de Orange foi então coroado Rei. o trono teria passado para a sua filha protestante. Guilherme e Maria desembarcaram em Brixham. então em guerra com a França: a Guerra da Grande Aliança. Apesar de uma revolta em apoio a Jaime na Escócia .os tories. com o título de Guilherme III. o que o limitava perante ambos os partidos do parlamento . A revolta nas Highlands escocesas foi domada. onde Jaime usou os sentimentos católicos locais para tentar recuperar o trono em 1689-1690. procurando reconduzir o país para o catolicismo. até aqui leais ao rei.O principal problema de Jaime II era não ser protestante. A questão degradou-se em 1688. Foi lançada uma conspiração para depor Jaime e substituí-lo por sua filha Maria e seu marido Guilherme de Orange. desertou. Vendo a hipótese de adicionar a Inglaterra à sua aliança. em 5 de Novembro de 1688 com um grande exército neerlandês.a primeira rebelião Jacobita . também tivesse praticado a tolerância religiosa. O exército de Jaime. e decidiu-se que a fuga de James equivalia à abdicação. e Maria foi coroada como Rainha. pelo que lhe foi permitido viajar para a França. conservadores. Embora Carlos II. Devon.um arranjo que eles aceitaram. comandado pelo futuro duque de Marlborough. uniram-se aos membros da oposição Whig e propuseram-se a resolver a crise. Líderes do partido Tory.e na Irlanda. ele era tão abertamente católico quanto Jaime II. conhecido como the old pretender. com o título de Maria II tanto na Inglaterra como na Escócia. A perspectiva de uma dinastia católica tornara-se então real. os católicos eram discriminados. O trono foi oferecido a Guilherme e Maria. Qualquer tentativa de reforma tentada por Jaime era vista como suspeita. e fortalecer seu poder. ambos protestantes. James Francis Edward Stuart. em prejuízo do Parlamento. como a criação de um exército permanente e sobretudo a tolerância religiosa.

Essa transformação foi possível devido a uma combinação de fatores. Ao longo do processo (que de acordo com alguns autores se registra até aos nossos dias). desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. entre outros eventos. expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX. tornou impossível o retorno de um católico à monarquia e acabou com as tentativas recentes de instauração do absolutismo monárquico nas ilhas britânicas. grupos de artesãos podiam se organizar e dividir algumas etapas do processo.[4] O evento marcou a submissão da coroa ante o parlamento. e Jaime foi expulso da Irlanda no seguimento da batalha de Boyne. no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. como o liberalismo econômico. O capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente. . a máquina foi superando o trabalho humano. os novos monarcas devem a sua posição ao parlamento. uma nova relação entre capital e trabalho se impôs.apesar da vitória Jacobita na batalha de Killiecrankie. tais como o motor a vapor. Antes da Revolução Industrial. Dependendo da escala. A aprovação. Iniciada no Reino Unido em meados do século XVIII. ao circunscrever os poderes do rei. O sucesso da Revolução Gloriosa veio sete anos depois do falhanço da Rebelião Monmouth em destituir o rei. a era da agricultura foi superada. novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa. pelo parlamento. a atividade produtiva era artesanal e manual (daí o termo manufatura). A EXPANSÃO E A INDUSTRIALIZAÇÃO EUROPEIA A Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. A Revolução Gloriosa foi um dos eventos mais importantes na longa evolução dos poderes do Parlamento do Reino Unido e da Coroa Britânica. Esses trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam muitas (se não todas) etapas do processo produtivo. a acumulação de capital e uma série de invenções. mas muitas vezes um mesmo artesão cuidava de todo o processo. da Bill of Rights (declaração de direitos). A partir de então.

na passagem do capitalismo comercial para o industrial. em geral. iniciada na Grã-Bretanha. mais tarde. sob influência dos princípios iluministas. com ênfase nos países onde a Reforma Protestante tinha conseguido destronar a influência da Igreja Católica: Inglaterra. a busca por novas áreas para colonizar e descarregar os produtos maciçamente produzidos pela Revolução Industrial produziu uma acirrada disputa entre as potências industrializadas. de expansão colonialista e das primeiras lutas e conquistas dos trabalhadores. Nos países fiéis ao catolicismo. 2) a existência de um mercado em expansão para seus produtos. Suécia. Para Marx. responsáveis pela crise do Antigo Regime. Países Baixos. De acordo com a teoria de Karl Marx. do produto final e do lucro. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa que. Esse momento de passagem marca o ponto culminante de uma evolução tecnológica. integrou o conjunto das chamadas Revoluções Burguesas do século XVIII. A Revolução Industrial ocorreu primeiramente na Europa devido a três fatores: 1) os comerciantes e os mercadores europeus eram vistos como os principais manufaturadores e comerciantes do mundo. Escócia. detendo ainda a confiança e reciprocidade dos governantes quanto à manutenção da economia em seus estados. na eclosão. no plano das Relações Internacionais. assinalam a transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. perdendo a posse da matéria-prima. a América do Norte e a América do . econômica e social que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam aos donos dos meios de produção os quais passaram a receber todos os lucros. Durante a maior parte do período. a África. tendo a Índia. razão pela qual é denominado como Era Vitoriana. da Primeira Guerra Mundial (1914). mais tarde. a Revolução Industrial. um período de acelerado progresso econômico-tecnológico. o trono britânico foi ocupado pela rainha Vitória (1837-1901). o século XIX foi marcado pela hegemonia mundial britânica. a Revolução Industrial eclodiu. uma vez que passaram a trabalhar para um patrão (na qualidade de empregados ou operários). causando diversos conflitos e um crescente espírito armamentista que culminou. Ao final do período. e num esforço declarado de copiar aquilo que se fazia nos países mais avançados tecnologicamente: os países protestantes.Com a Revolução Industrial os trabalhadores perderam o controle do processo produtivo. O trabalho realizado com as máquinas ficou conhecido por maquinofatura. Com a evolução do processo. o capitalismo seria um produto da Revolução Industrial e não sua causa.

adquirir matériasprimas e máquinas e contratar empregados. que forneceu ao seu capitalismo a estabilidade que faltava para expandir os investimentos e ampliar os lucros. as atividades industriais e comerciais estavam cartelizadas pelo rígido sistema de guildas. Os trabalhadores dirigiram-se para os centros urbanos em busca de trabalho nas manufaturas. Um desses acordos foi o Tratado de Methuen. A Grã-Bretanha firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países. cidade britânica. O processo de enriquecimento britânico adquiriu maior impulso após a Revolução Inglesa. principais matérias-primas utilizadas neste período. Dispunham de mão-de-obra em abundância desde a Lei dos Cercamentos de Terras. razão pela qual a entrada de novos competidores e a inovação tecnológica eram muito limitados. por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português. em 1703. Antes da liberalização econômica. já na China. onde praticamente não existia progresso econômico.Sul sido integradas ao esquema da expansão econômica européia. considerada um dos berços da Revolução Industrial. além de uma reserva adequada (e posteriormente excedente) de mão-deobra. a taxa de juros era de cerca de 30% ao ano. pode se constatar que a taxa de juros no final do século XVIII era de cerca de 5% ao ano. Para ilustrar a relativa abundância do capital que existia na Inglaterra. que provocou o êxodo rural. O Reino Unido foi pioneiro no processo da Revolução Industrial por diversos fatores: Pela aplicação de uma política econômica liberal desde meados do século XVIII.[1] O pioneirismo do Reino Unido Coalbrookdale. e 3) o contínuo crescimento de sua população. A Grã-Bretanha possuía grandes reservas de ferro e de carvão mineral em seu subsolo. que oferecia um mercado sempre crescente de bens manufaturados. . celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa. Com a liberalização da indústria e do comércio ocorreu um enorme progresso tecnológico e um grande aumento da produtividade em um curto espaço de tempo. A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas.

o capitalismo e a liberdade individual promoveria o progresso de forma harmoniosa. Ele dizia que o individualismo é útil para a sociedade. se a cozinheira pensa no salário dela. Para o autor escocês. O que. Seu raciocínio era este: quando uma pessoa busca o melhor para si.O liberalismo de Adam Smith Adam Smith. Do mesmo jeito. Portanto. "o Estado deveria intervir o mínimo possível sobre a economia". E por que um açougueiro vende uma carne muito boa para uma pessoa que nunca viu antes? Porque deseja que ela se alimente bem ou porque está olhando para o lucro que terá com futuras vendas? Graças ao individualismo dele o freguês pode comprar boa carne. seu individualismo será benéfico para ela e para seu patrão. Trabalham bem para poder garantir seu salário e emprego. nela mesma ou no pagamento que receberá no final do mês? De qualquer maneira. para lucrar. Desse modo. Os investimentos e o comércio seriam totalmente liberados. As novidades da Revolução Industrial trouxeram muitas dúvidas. é correto afirmar que os capitalistas só pensam em seus lucros. já que o individualismo é bom para toda a sociedade. como se houvesse uma "mão invisível" ajeitando tudo. têm que vender produtos bons e baratos. o mercado funcionaria automaticamente. em primeiro lugar. Sem a intervenção do Estado. você saberia explicar quais os motivos dela? Será porque ama o seu patrão e quer vê-lo feliz ou porque está pensando. . Seu livro A Riqueza das Nações (1776) é considerado uma das obras fundadoras da ciência econômica. Mas. O pensador escocês Adam Smith procurou responder racionalmente às perguntas da época. os trabalhadores pensam neles mesmos. a economia poderia crescer com vigor. cada empresário faria o que bem entendesse com seu capital. E. Ou seja. Se as forças do mercado agissem livremente. toda a sociedade é beneficiada. sem ter de obedecer a nenhum regulamento criado pelo governo. o Estado é quem atrapalhava a liberdade dos indivíduos. para Adam Smith. Exemplo: quando uma cozinheira prepara uma deliciosa carne assada. no fim. Então. o ideal seria que as pessoas pudessem atender livremente a seus interesses individuais. é ótimo para a sociedade.

que provocou mudanças políticas e econômicas em toda a Europa.A REVOLUÇÃO FRANCESA E O CONGRESSO DE VIENA O Congresso de Viena foi uma conferência entre embaixadores das grandes potências europeias que aconteceu na capital austríaca. as discussões prosseguiram. Após o fim da época napoleônica. tendo reassumido o poder da França em Março de 1815. O Ato Final do Congresso foi assinado nove dias antes da derrota final de Napoleão na batalha de Waterloo em 18 de Junho de 1815. no caso do Brasil). Prússia e Reino Unido) sentiram a necessidade de selar um tratado para . no qual se estabeleciam as indenizações a pagar pela França aos países vencedores. cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a derrota da França napoleônica na primavera anterior. restaurar os respectivos tronos às famílias reais derrotadas pelas tropas de Napoleão Bonaparte (como a restauração dos Bourbon) e firmar uma aliança entre os burgueses. alteradas pelas conquistas de Napoleão. entre 2 de maio de 1814 e 9 de Junho de 1815. Mesmo diante do regresso do imperador Napoleão I do exílio. e restaurar a ordem absolutista do Antigo Regime. Índice [esconder] 1 Objetivo 2 Medidas 3 Participantes 4 Princípios 5 Consequências 6 Bibliografia 7 Ligações externas [editar] Objetivo O objetivo foi reorganizar as fronteiras europeias. iniciar a colonização (como visto na Revolução Liberal do Porto. Rússia. os países vencedores (Áustria. Os termos de paz foram estabelecidos com a assinatura do Tratado de Paris (30 de Maio de 1814).

diplomata destacado na Rússia. António de Saldanha da Gama. embora fosse nominalmente representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros. Portugal é representado por três Ministros Plenipotenciários: D. incluindo a hipótese de intervir nas independências da América. Instrumento de Ação: Santa Aliança. diplomata destacado em Estocolmo. já que momentos de instabilidade eram vividos e temia-se uma nova revolução. nas últimas semanas. Contra isso foi criada a "Doutrina Monroe" (América para Americanos) [editar] Participantes O congresso foi presidido pelo estadista austríaco Príncipe Klemens Wenzel von Metternich (que também representava seu país). Duque de Wellington. A França estava representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord. Conde de Palmela. Pedro de Sousa Holstein. aliança político-militar reunindo exércitos de Russia . O Reino Unido foi inicialmente representado pelo seu Secretário dos Negócios Estrangeiros. após fevereiro de 1815 por Arthur Wellesley.restabelecer a paz e a estabilidade política na Europa. após Wellington ter partido para dar combate a Napoleão. pelo Conde de Clancarty. o Visconde de Castlereagh. [editar] Medidas Foram adotados uma política e um instrumento de ação: Política: Restauração legitimista e compensações territoriais. A Prússia foi representada pelo príncipe Karl August von Hardenberg. Prussia e Austria prontos para intervir em qualquer situação que ameaçasse o Antigo Regime. o seu Chanceler e o diplomata e acadêmico Wilhelm von Humboldt. e D. contando ainda com a presença do seu Ministro de Negócios Estrangeiros e do Barão Wessenberg como deputado. Joaquim Lobo da Silveira. . A Rússia foi defendida pelo seu Imperador Alexandre I.

Inicialmente. mas o Ministro Talleyrand conseguiu incluir-se nesses conselhos desde as primeiras semanas de negociações. Metternich Karl August von Hardenberg Wilhelm von Humboldt Arthur Wellesley . os representantes das quatro potências vitoriosas esperavam excluir os franceses de participar nas negociações mais sérias.

Suécia e dos estados alemães). Isto levou a um comentário famoso pelo Príncipe de Ligne: le Congrès ne marche pas. No encerramento do Congresso de Viena. pelo Artigo 105 do Acto Final. Na verdade o que existia era um " leilão" entre povos e territórios. a maioria das delegações pouco tinha que fazer. algumas questões dos representantes de Espanha. Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. pelo que o anfitrião.Alexandre I Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord Francisco II O congresso nunca teve uma sessão plenária de facto: as sessões eram informais entre as grandes potências. ele dança). o direito português ao território de Olivença foi reconhecido. Francisco II. Portugal. il danse (o Congresso não anda. oferecia entretenimento para as manter ocupadas. [editar] Princípios . Devido à maior parte dos trabalhos ser feito por estas cinco potências (com.

defendido sobretudo por Talleyrand a partir do qual se consideravam legítimos os governos e as fronteiras que vigoravam antes da Revolução Francesa. que guilhotinou ao rei absolutista e criou um regime republicano.As diretrizes fundamentais do Congresso de Viena foram: o princípio da legitimidade. Contudo. assim. quando suas raízes já haviam sido sacudidas pelos exércitos de Napoleão Outra decisão importante das grandes potências reunidas em Viena foi a consagração da ideia de equilíbrio do poder. que acabou com os privilégios reais e instituiu o direito legítimo de propriedade aos burgueses. aliados à sua capacidade política e militar. e anexando outros territórios a países adjacentes. Os governos absolutistas defendiam a intervenção militar nos reinos em que houvesse ameaça de revoltas liberais. a República. como o caso da Bélgica que foi anexada aos Países Baixos. no plano geopolítico. O princípio do equilíbrio. a restauração. o acesso não foi respeitado. assim como da intervenção estrangeira. como. . defendeu a organização equilibrada dos poderes econômico e político europeus dividindo territórios de alguns países. que era a grande preocupação das monarquias absolutistas. Segundo essa perspectiva. porque as quatro potências do Congresso trataram de obter algumas vantagens na hora de desenhar a nova organização geopolítica da Europa. Os representantes dos governos mais reacionários acreditavam que poderiam.garantindo com isso que os Bourbons retornassem ao poder com a anuência dos vencedores. Em 1815. Atendia os interesses dos Estados vencedores na guerra contra Napoleão Bonaparte. mas ao mesmo tempo buscava salvaguardar a França de perdas territoriais. a Confederação Alemã que foi dividida em 39 Estados sendo a Prússia e a Áustria como líderes. a consagração do conceito de "fronteiras geográficas": O princípio da legitimidade. provocaram todo aquele período de guerras. restaurar o Antigo Regime e bloquear o avanço liberal. por exemplo. o equilíbrio de poder e. considerava-se que só fora possível o fenômeno Napoleão na Europa porque ele havia juntado uma tal soma de recursos materiais e humanos que. O princípio da restauração. as fronteiras da Europa foram refeitas. uma vez que se tratava de recolocar a Europa na mesma situação política em que se encontrava antes da Revolução Francesa.

A Áustria anexou a região dos Bálcãs. Tratava-se de manter forças armadas exatamente para preservar a paz alcançada. A Inglaterra ficou com a estratégica Ilha de Malta. A garantia da paz residia. A Bélgica. haveria a necessidade de manutenção de exércitos? Os estadistas reunidos em Viena foram unânimes em responder afirmativamente. Finlândia e a Bessarábia. de tal maneira que uma potência não pudesse ser mais poderosa que a outra (equilíbrio de poder). A Prússia ficou com parte da Saxônia. a partir de então. trataram de pô-lo em prática. Os Principados Alemães formaram a Confederação Alemã com 38 Estados. quando esse conceito foi substituído pelo conceito de "fronteiras ideológicas". industrializada. Uma vez estabelecida a paz. a Prússia e a Áustria participavam dessa Confederação . da Polônia e com as províncias do Reno. foi obrigada a unir-se aos Países Baixos. [editar] Consequências A Rússia anexou parte da Polônia. tal como aconteceu com a partilha da Polônia. resultando num mapa europeu em que as etnias e as nacionalidades não foram levadas em consideração. por exemplo. no contexto da Guerra Fria. formando o Reino dos Países Baixos.As grandes potências decidiram então dividir os recursos materiais e humanos da Europa. da Westfália. O Império Otomano manteve o controle dos povos cristãos do Sudeste da Europa. A Suécia e a Noruega uniram-se. o Ceilão e a Colônia do Cabo. nenhum outro Napoleão se atreveria a desafiar seu vizinho. O princípio geopolítico das "fronteiras geográficas" perdurou até o término da Segunda Guerra Mundial. anexando recursos de seus vizinhos e pondo em risco todo o sistema de estados europeus. o que lhe garantiu o controle das rotas marítimas. . Sendo esse o critério estabelecido. mas tiveram restauradas as suas antigas dinastias. sendo assim. A Espanha e Portugal não foram recompensados com ganhos territoriais. sabedor de que este contaria com os mesmos recursos. Restabelecimento dos Estados Pontifícios. na preservação das fronteiras geográficas estabelecidas justamente para evitar que qualquer potência viesse a romper o equilíbrio.

perceber que a independência do Brasil. que se estende até 1822 com o "sete de setembro". levaremos em consideração duas importantes questões: Em primeiro lugar. debilitado pela Revolução Industrial na Inglaterra e principalmente pela difusão . iniciada com as revoltas de emancipação no final do século XVIII. entender que o 07 de setembro de 1822 não foi um ato isolado do príncipe D. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo. era na verdade. estabeleceu-se: o princípio da livre-navegação do Reno e do Meuse. Foram os primeiros movimentos sociais da história do Brasil a questionar o pacto colonial e assumir um caráter republicano. que personifica o acontecimento na figura de D. que se manteve com as mesmas características do período colonial. O PROCESSO DE INDEPENDENCIA DO BRASIL O processo de independência do Brasil Para compreender o verdadeiro significado histórico da independência do Brasil. a condenação do tráfico de escravos. faremos uma breve avaliação histórica do processo de independência do Brasil. Esta situação de crise do antigo sistema colonial. parte integrante da decadência do Antigo Regime europeu. destacando-se a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. No Brasil. e. e sim um acontecimento que integra o processo de crise do Antigo Sistema Colonial. Pedro. Além das disposições políticas territoriais.O Congresso de Viena logrou garantir a paz na Europa. medidas favoráveis para a melhoria das condições dos judeus. determinando sua proibição ao norte da linha do Equador. restringiu-se à esfera política. Em segundo lugar. de suma importância. Valorizando essas duas questões. um regulamento sobre a prática das atividades diplomáticas entre os países. não alterando em nada a realidade sócio-econômica. Era apenas o início do processo de independência política do Brasil. Pedro. "O Grito do Ipiranga". essa crise foi marcada pelas rebeliões de emancipação. Desde as últimas décadas do século XVIII assinala-se na América Latina a crise do Antigo Sistema Colonial.

Outros pontos que contribuíram para debilitar o movimento foram a precária articulação militar e a postura regionalista. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão. A influência da loja maçônica Cavaleiros da Luz deu um sentido mais intelectual ao movimento que contou . O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de abril de 1789). marginalizava as camadas mais populares. como intelectuais. o de mais baixa condição social. Após decreto de D. assinalado pela passagem da idade moderna para a contemporânea. iniciando prisões acompanhadas de uma verdadeira devassa. Tiradentes. O mais grave contudo foi a ausência de uma postura clara que defendesse a abolição da escravatura. onde provavelmente foi assassinado. o alferes conhecido como Tiradentes. já que nove anos mais tarde iniciava-se na Bahia a Revolta dos Alfaiates. Maria I é revogada a pena de morte dos inconfidentes. representada pela transição do capitalismo comercial para o industrial.e esvaziou a conspiração.seria o pretexto para deflagar a revolta . Todos negaram sua participação no movimento. outros em prisão perpétua. e religiosos. menos Joaquim José da Silva Xavier. foi o único condenado à morte por enforcamento. configurando-se num movimento elitista estendendo-se no máximo às camadas médias da sociedade. que juntos formarão a base ideológica para a Independência dos Estados Unidos (1776) e para a Revolução Francesa (1789). militares. Trata-se de um dos mais importantes movimentos de transição na História. pelo qual foram condenados. ou seja. que assumiu a responsabilidade de liderar o movimento. Sua composição social por exemplo.do liberalismo econômico e dos princípios iluministas. O exemplo parece que não assustou a todos. já que em outros aspectos ficou muito a desejar. exceto a de Tiradentes. Os líderes do movimento foram presos e enviados para o Rio de Janeiro responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei). Alguns tem a pena transformada em prisão temporária. também chamada de Conjuração Baiana. O desfecho do movimento foi assinalado quando o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama -. Os Movimentos de Emancipação A Inconfidência Mineira destacou-se por ter sido o primeiro movimento social republicanoemancipacionista de nossa história. Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder da metrópole. Eis aí sua importância maior. reivindicavam a emancipação e a república para o Brasil e na prática preocupavam-se com problemas locais de Minas Gerais.

Para Inglaterra industrializada. o Brasil deixava de ser colônia. já que trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos republicanos. Esta última. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim. em 1808 com a abertura dos portos. tanto fornecedores. Em 1820. enquanto que os intelectuais foram absolvidos.Eram pretos. mestiços. Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês. para entrar na esfera do domínio britânico. como a Conjuração do Rio de Janeiro em 1794. a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco (1801) e a Revolução Pernambucana de 1817. índios. Implantou-se uma monarquia constitucional. Apesar de contidas todas essas rebeliões foram determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil. como consumidores. que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal. Controlado pelo governo. Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. O monopólio não mais existia. Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade). em detrimento das tradicionais relações com Portugal. pobres em geral. já na época que D. além de soldados e religiosos. acentuando as relações com a Inglaterra. que inaugura a política de D. Essa dependência acentua-se com a vinda de D. Justamente por possuír uma composição social mais abrangente com participação popular. é considerado a primeira medida formal em direção ao "sete de setembro". João VI no Brasil. a revolta pretendia uma república acompanhada da abolição da escravatura. as lideranças populares do movimento foram executadas por enforcamento. o que deu um caráter . Outros movimentos de emancipação também foram controlados.também com uma ativa participação de camadas populares como os alfaiates João de Deus e Manuel dos Santos Lira. João VI ao Brasil. A Família Real no Brasil e a Preponderância Inglesa Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole. a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados. Esse episódio. os interesses da elite agrária brasileira. João VI havia se estabelecido no Brasil. a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em Portugal com a Revolução do Porto.

essa revolução assume uma postura recolonizadora sobre o Brasil. Pedro. responsáveis pela divisão da região em repúblicas. afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva . A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes. por tratar-se de uma burguesia mercantil que tomava o poder. solicitando sua permanência no Brasil. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação. D. Pedro em 9 de janeiro de 1822. É claro que D. a independência foi imposta verticalmente. com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural. em torno do qual se concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. João VI para Portugal e as exigências para que também o príncipe regente voltasse. Pedro é sondado para ficar no Brasil. Com a volta de D. ao mesmo tempo. o que evidentemente ameaçaria seus privilégios. Mas. Diga ao povo que fico". Dessa forma. representados pelo latifúndio e escravismo. Era preciso ganhar o apoio de D. D. Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. D. a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola. Contudo.liberal ao movimento. que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócioeconômica colonial. que sentia-se duplamente ameaçada em seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência na América Espanhola. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia. pois sua partida poderia representar o esfacelamento do país. O Significado Histórico da Independência A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios. o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. João VI retorna para Portugal e seu filho aproxima-se ainda mais da aristocracia rural brasileira. Cedendo às pressões. estou pronto.

Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822). Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo.. que já começara 14 anos atrás. bradou: "É tempo. sendo expulso da província.. monocultura e latifúndio). com a abertura dos portos. após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos. caso o príncipe não retornasse imediatamente. com ameaça de envio de tropas. em São Paulo. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil. pois Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a demitir-se. embora a coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822. Gonçalves Ledo. Independência ou morte. Maria Leopoldina. José Clemente Pereira e outros.. o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se. D. juntamente com carta sua e de D.. que ficara no Rio de Janeiro como regente. permaneceram inalteradas. José Bonifácio. Em Portugal. onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. No dia sete de setembro de 1822 D. que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822). Pedro que se encontrava às margens do riacho Ipiranga. a reação tornava-se radical. Pedro. EXPANSÃO CAFEEIRA NO BRASIL TRABALHO ESCRAVO PARA O TRABALHO LIVRE TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE NO BRASIL TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE NO BRASIL .(patriarca da independência). O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política. que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos. São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas. transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe. A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. oferecido pela maçonaria e pelo Senado. Estamos separados de Portugal". Era o início do Império.

As histórias do direito do trabalho e da justiça do trabalho aparecem. como se após a obscura escravidão negra do passado nascesse. b) o período de transição da escravidão para o trabalho livre. como fatos simultâneos e . com destaque para a década de 30. no final do último quartel do século XIX. A regulação do trabalho livre no Brasil.ALGUNS PARADOXOS HISTÓRICOS DO DIREITO DO TRABALHO Sidnei Machado (*)[1] 1. cronológico. O direito do trabalho dos manuais é apresentado como fruto da intervenção estatal. no ambiente de um direito social em emergência. O silêncio do direito do trabalho Este texto não tem a pretensão de recontar a história do trabalho livre no Brasil. aparece como um processo linear. a partir das primeiras leis no começo século XX. dando conta da saga da formação de um direito a partir do rompimento com a exploração desumana do trabalho escravo. assim. preocupado com a condição humana do operariado. evidencia de início um paradoxo: o advento da propalada libertação do trabalho escravo se dava via uma regulamentação rígida na contratação e na disciplina imposta aos trabalhadores. enfim. salvo poucas exceções. rumo a uma forma racionalizada e humana de trabalho: o trabalho livre. Mas a história ―oficial‖ afirma que. mas numa perspectiva de um olhar refletido para o presente. um recorte histórico para fixar dois destacados momentos da exploração e da regulamentação jurídica da venda da força de trabalho: a) o período de formação e exploração da mão-de-obra escrava. estávamos libertando nossos escravos. o direito do trabalho. dessa forma. A história do direito do trabalho no Brasil. enfim. Fazemos. Nosso propósito é reler um importante período de nossa história não com os olhos de hoje.

Ignora-se. esclarece que ―a ocupação econômica das terras americanas constitui um episódio da expansão comercial da Europa‖. Essa na verdade é mais uma história do emprego no Brasil e não do trabalho. no seu clássico ―Formação Econômica do Brasil‖. eloqüente. Por outro lado. . 2. a vasta historiografia nas ciências sociais com pesquisas importantes sobre o modo de produção baseado no trabalho escravo e sua conturbada transição para o trabalho livre. não assegurou a Portugal a manutenção da colônia. no mercado de trabalho e na contratação do trabalho no Brasil. na verdade. somente a ocupação representava verdadeiro domínio. na era da nova hegemonia neoliberal. a história do trabalho anterior ao trabalho livre tem poucas referências na historiografia do direito do trabalho. especialmente Portugal. lido da perspectiva das vítimas da história. Primeiro. merecendo uma referência na maioria das vezes meramente ilustrativa do curso de direito do trabalho. Emergência e esgotamento da exploração do trabalho escravo A utilização do trabalho escravo no Brasil colonial se deu dentro do projeto de expansão comercial e agrícola dos países colonizadores. senão renovados processos de recomposição no modo de produção. esse resgate pode permitir ler e compreender as recentes mutações no emprego.convergentes do mesmo processo histórico. por completo. este compreendido como modo de produção e reprodução da vida. Por fim. Nesse período.[2] Assim. os gastos de defesa eram bastante elevados. no entanto.[3] O primeiro interesse dos espanhóis e portugueses pela América foi o ouro acumulado. ameaçada de ocupação. Celso Furtado. revela que não tivemos grandes rupturas na regulamentação do trabalho. é ocultado (às vezes negado) todo processo sócio-econômico que deu caldo à formação do trabalho livre no Brasil. A mera exploração do ouro. Esse silêncio do direito do trabalho é. cujo contexto.

do trabalho de índios escravizados. tornando-se a base de um sistema de produção. porém. Para a expansão da plantação do açúcar no Brasil. Os escravos montaram as indústrias açucareiras. Havia.Como os portugueses já possuíam experiência no cultivo do açúcar em grande escala nas ilhas do Atlântico. na proporção de um a cada dez escravos. e o transporte de Portugal era economicamente inviável. a escravidão tornou-se a única alternativa para a sobrevivência do colono europeu na América. Portanto. a escassez de mão-de-obra era então o maior desafio. a junção desse conhecimento técnico dos portugueses com a capacidade de transporte dos holandeses na Europa permitiu a produção do açúcar em larga escala no Brasil. pelo menos. fazendo com que o preço do produto caísse. . A necessidade política de colonização das terras e a ausência de uma mão-de-obra excedente na península ibérica na época. Inviável a utilização do indígena. inicialmente. O principal problema para essa expansão seria a mão-de-obra inexistente na colônia. Apesar das dificuldades de cooptação do silvícola – custo de transporte e o meio físico – a indústria açucareira teve grande expansão. a primeira etapa da formação econômica do Brasil se dá pela utilização de mãode-obra preexistente na exploração de minérios e pela produção de artigos agrícolas tropicais com uso de mão-de-obra escrava. No século XVIII a exploração do ouro permitiu ao país grande expansão. o uso de trabalhadores assalariados. Portugal utilizou-se. O monopólio da produção do açúcar entrou em decadência com o início da produção nas ilhas das Antilhas. Até a metade do século XIX. a estrutura econômica do país estava ainda centrada no uso da mão-de-obra escrava. levaram Portugal a optar pela introdução da mão-de-obra escrava africana (negra). Por isso.

Assim. acarretaram uma crise política na colônia. 3. Essa atividade utilizava mão-de-obra local. É nesse contexto que o café começa a surgir como nova fonte de riqueza. O proprietário de engenho. . A transição para o trabalho livre O século XVII é uma nova etapa de crise econômica. tinha de manter a sua subsistência. Essa cooperação da mão-de-obra indígena foi o que permitiu a grande expansão territorial no século XVII. em pequena escala. as invasões holandesas interromperam a expansão da indústria açucareira. A economia estava ainda centrada no ouro. começou-se a introduzir a produção da pecuária extensiva. na criação de gado. para uma população livre de dois milhões. com a aquisição de materiais de construção e de mão-de-obra escrava. Os acontecimentos políticos de 1808 a 1810 provocaram grande repercussão no Brasil. formada majoritariamente pelos índios. Aliadas ao baixo preço e à perda do monopólio. além da compra do escravo. Os jesuítas chegaram a desenvolver técnicas racionais de caça ao indígena. desenvolvendo uma economia puramente de subsistência. No século XVII. A crise fez com que a caça aos índios se tornasse condição de sobrevivência dos povoados. o que gerava um elevado custo fixo. Paralelamente à indústria açucareira. na indústria açucareira e. o processo de formação da renda e de acumulação de capital se deu com gastos em compra de equipamentos para a indústria. A atividade de criação (principalmente a pecuária extensiva) criou novas formas de divisão do trabalho e especialização. A concorrência inglesa provocou uma forte pressão pelo fim do tráfico e uso da mão-de-obra escrava . Cai a rendaper capita para cinqüenta dólares.

Ficavam devendo as passagens. trazidos com a convicção de uma natural superioridade de raça com uma ética própria para o trabalho. questão de grande inquietação nacional. comissões de contrato. então. no Rio Grande do Sul. ao contrário da indústria açucareira. A expansão cafeeira. foi a imigração européia. Em 1852. obrigando a colônia a pagar tarifas protecionistas à Inglaterra. apenas o uso da terra e de escravos. ficando sem condições de inserção social e de sobrevivência. a revolução industrial passou a exigir cada vez mais mão-de-obra. financiado pelo governo. Em 1824 foi criada a primeira colônia alemã em São Leopoldo. Começam-se a criar. Nesse contexto. dadas as condições contratuais onerosas impostas aos imigrantes. além de outras despesas. Sendo o café a alternativa. os chamados ―braços para a lavoura‖. Por outro lado. Na plantação de café.Os acordos firmados por Portugal com a Inglaterra (1810-1827). então em debate no país: como fazer a transição da economia brasileira para a produção de café se não havia no país mão-de-obra disponível? Em 1850. na época imperial. os escravos libertos passaram a não ter trabalho. o que a tornou escassa. A princípio não havia uma solução alternativa. não era necessária a utilização de equipamentos. os imigrantes vendiam seu trabalho para o futuro. Na Europa. retardou o processo de desenvolvimento. a mãode-obra livre do país não servia aos propósitos da produção cafeeira(tradição). transporte. bastava ainda resolver a questão da mão-de-obra. começa a contratar diretamente imigrantes na Europa (80 famílias alemãs). colônias de imigrantes. pois era mais vantajoso ao proprietário. O trabalho foi oferecido ao trabalhador europeu. Por meio de contratos de parceria. Vergueiro. A solução preconizada. . encontra dificuldades pelo estancamento da importação de mão-de-obra escrava. o Brasil tinha dois milhões de escravos. por outro lado.

Conquanto haja uma inexplicável lacuna na bibliografia do direito do trabalho. Com isso. o trabalho assalariado foi. as leis de locação e serviços de 1830. disciplinando os contornos do trabalho livre. Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável. O período de transição da escravidão para o trabalho livre é longo. Demais. o fator econômico de maior importância. renunciando ao modelo de parceria. 1837 e 1879. sendo talvez a primeira experiência na . Os assalariados geravam gastos em consumo e o proprietário em consumo e acumulação. seu rudimentar desenvolvimento mental limita extremamente suas ‗necessidades‘. no fim do século XIX. A importação de mãode-obra européia tem início na década de 1850. representam o principal marco na experiência de intervenção estatal na contratação de trabalho livre no Brasil. Por isso a segunda metade do século XIX é um período marcado pela preocupação de constituição e regulamentação legal do uso do trabalho livre no Brasil. o ex-escravo passa a viver para suprir apenas as suas necessidades. por exemplo. pois ―quase não possuindo hábitos de vida familiar. a elevação de seu salário acima de suas necessidades – que estão definidas pelo nível de subsistência de um escravo – determina de imediato uma forte preferência pelo ócio‖. 4.[4] Por isso. a idéia de acumulação de riqueza é praticamente estranha. com vistas à transição para a formação de um mercado de trabalho livre.O escravo negro não tinha cultura e estímulo para participar de um modelo de parceria. A regulamentação do trabalho livre na lei de locação de serviços A extinção do uso da mão-de-obra escrava no Brasil se deu por um processo lento e gradual. A regulação dessas novas modalidades de uso da mão-de-obra contou com a mediação do Estado (Império).

eram obrigados a assinar contratos de parceria com o importador para trabalhar nas lavouras de café do Estado de São Paulo. Tinha direito à meação no resultado da venda. o espaço jurídico do trabalho livre era representado somente pelas leis de 1830 e de 1837. greves. A primeira regulamentava apenas os contratos entre nacionais e estrangeiros e. Nas colônias. fatos que redundaram na acusação de Portugal ao Brasil da prática de uma escravidão disfarçada. o clima era de insegurança generalizada no cumprimento dos contratos. Outras cláusulas apareciam nos regulamentos das colônias. O não cumprimento do contrato gerava multa ao colono. A lei de 1837 possuía 17 artigos sobre contratos de locação de . além de comunicar o contratante com seis meses de antecedência. com aplicação de penas severas aos infratores. A lei de 13 de setembro de 1830 possuía apenas oito artigos. multa e a pena de prisão de oito dias a três meses. o que reclamaria uma regulamentação jurídica mais eficiente do que a então vigente. desentendimentos. a segunda dispunha apenas sobre trabalho de estrangeiros. poderia lhe representar além da rescisão. tais como as que imponham um controle disciplinar rigoroso.importação de colonos pela firma Vergueiro & Cia. As dívidas contraídas na imigração eram pagas com juros de 6% ao ano. O contratante adiantava as despesas de transporte da Europa às colônias e o necessário à subsistência inicial. O descumprimento do contrato pelo colono. Até então. o imigrante recebia determinado número de pés de café para cultivar. Contudo. não podendo o colono deixar de cumprir o contrato antes de saldá-las integralmente. para os fazendeiros. por exemplo. Os colonos eram cativados para o paraíso de terras férteis e abundantes. Os primeiros imigrantes trazidos por empresas importadoras. sem grande disciplina. passando a conviver com a mão-de-obra escrava nas fazendas. rebeldia contra controle moral e disciplinar severo imposto nas colônias. denúncias de cobranças de taxas abusivas pelo importador. As experiências iniciais do trabalho livre do colono foram marcadas por inúmeros conflitos. em geral. oferecendo trabalho livre. já que sequer especificava os prazos para os contratos.

de trabalhadores libertos nacionais e estrangeiros. de 22. como mecanismo de combate à vadiagem. Os contratos de locação de serviços e de parceria podiam ser feitos por nacionais e estrangeiros. se recusasse ao trabalho.serviços. em 1879. previa a obrigação do homem livre de contratar. regulamentando os contratos na agricultura. disciplinando a locação de serviços e as modalidades de parcerias agrícolas e pecuárias. aliada à crescente dificuldade de importação de escravos negros da África a partir da década de 60. permanecendo na propriedade. registrada na Câmara Municipal. Conhecida como a Lei Sinimbu. Eram consideradas como justas causas. a embriaguez. Porém.[5] Os fazendeiros também reclamavam uma legislação de permitisse garantias dos investimentos feitos na mão-de-obra. cinco para estrangeiros e sete para os libertos. ao mesmo tempo em que fazia a regulação minuciosa da contratação do trabalho livre. disposições antigreves e contra quaisquer resistências coletivas ao trabalho. em 1871. Continha. A relação conflituosa entre fazendeiros e colonos. A pena de prisão era aplicável caso o locador se ausentasse sem justo motivo ou se. justificando a rescisão contratual pelo locatário.[6] Após quase dez anos de discussão.1879. 2. na repressão às greves e. exige que se use a mãode-obra nativa. sinalizando com a abolição da escravidão. com oitenta e seis artigos.820. ainda.03. que lhes propiciasse uma adequada produtividade. a doença prolongada. somente deixando de ser aplicada caso o trabalhador livre . foi enfim editado o Decreto n. A promulgação da lei do Ventre Livre. entre outras faltas consideradas graves. Podiam ter duração de seis anos para brasileiros. contemplava. dado que tinham um conteúdo bastante vago. forçando os nativos ao trabalho na lavoura. um capítulo dedicado à matéria penal e outro a competências e procedimentos processuais. considerada um mal. essas leis não tiveram grande repercussão. a imperícia e a insubordinação do locador. Previa a lei a obrigação de contratar. além das obrigações contratuais entre trabalhadores e fazendeiros. sempre por escritura pública. ainda. eliminando assim a vadiagem. criou as condições para uma legislação que. no cumprimento dos contratos.

A lei. É visível o grande esforço revelado pela lei. trata-se de um momento histórico relevante na história do direito do trabalho. A grande imigração italiana do final do século já se dá por modalidade de contratos de parceria entre colono e fazendeiro. tratada na lei de locação de serviços. com a obrigação de firmar novo contrato. incentivava os imigrantes europeus ao trabalho na colônia. nos anos que se seguiram. O contratualismo requentado Não se pode celebrar acriticamente a liberdade de trabalho como um valor em si mesmo. de forma disciplinada e produtiva. este entendido como a relação de compra e venda de mão-de-obra. redefine relações de poder e introduz uma nova organização e um novo controle sobre o trabalho. Nesse contexto. A lei de 1879 certamente permitiu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. Sem dúvida. para garantir aos fazendeiros a manutenção do controle da mão-de-obra dos trabalhadores livres e libertos. 5. a legislação sobre relações de trabalho. O longo período de transição possibilitou também uma adaptação dos fazendeiros à nova relação de trabalho. mediante rígidas obrigações contratuais. Os libertos continuavam com sua situação regulada pela Lei do Ventre Livre. sem perder de vista o papel desempenhado pelo contratualismo na formação e justificação política e teórica da venda da força de trabalho (livre) através do instrumento do contrato . numa política que constrangia os nacionais ao trabalho e. Tudo ditado pelos imperativos das exigências de ―liberdade de trabalho‖. Após libertos. ficando sob inspeção por cinco anos. sendo finalmente revogada em 1890. assegurando a prestação de serviço.estivesse servindo o exército. Houve também um refluxo na imigração. a lei passou a receber críticas dos fazendeiros pelo nível de intervenção do Império. passam a ser obrigados a trabalhar. então perde vigor. Algumas disposições funcionaram como garantia ao fazendeiro ou importador do pagamento de despesas de viagens do estrangeiro imigrante. por outro lado. No entanto.

Os dados historiográficos nos forçam a reconhecer que a formação da contratação (ou relação) individual do trabalho no Brasil não é fruto de ―evolução histórica‖ que se confundiria com a conquista da liberdade humana ou a liberdade de trabalho. As demandas atuais por maior flexibilidade na contratação do trabalho. curiosamente aparecem sob o paradoxo de uma exigência por novas regulamentações. a nova regulamentação em curso é mediada pelo Estado. pode-se reconhecer que a história do direito do trabalho representa. Mais do que curiosidades históricas. com os impactos profundos no conteúdo do trabalho. tudo com garantias contratuais. no tempo de trabalho e na organização produtiva (organização do trabalho e novas tecnologias). nestes trópicos predominaram os interesses de ocupação da terra e sua exploração. Não se ignora. se dá por um processo que teve como preocupação a garantia de mão-de-obra. pelo direito do trabalho.de trabalho. a efetiva mutação no mercado de trabalho a partir do fim do século XX. [7] A legislação do trabalho livre no Brasil aparece mediando o paradoxo da liberação do trabalho com imperativo de liberdade e. temos uma história particular. Porém. vale dizer. . obviamente. em essência. o direito aparece com o papel de fazer a transição paradigmática. um processo de adaptação de uma sociedade rural aos imperativos do capitalismo da sociedade industrial. dissociada dos processos de desenvolvimento que se deram nos países então em processo de industrialização. impondo a disciplina e a obrigação de trabalho. Novamente. por outro lado. Em verdade. Enquanto nesses países o trabalho livre assalariado é introduzido como uma necessidade de desenvolvimento e expansão do capitalismo ainda incipiente.

As excepções são Úrano e Plutão. asteróides. porque a sua órbita é a mais inclinada (18 graus) e a mais elíptica de todos os planetas. a maior parte dos satélites dos planetas e os asteróides giram em volta do Sol na mesma direcção. a que chamamos o Sol. Os satélites dos planetas. asteróides. à distância de 4. Saturno. Júpiter. que estão inclinados para um lado. Os planetas orbitam o Sol num mesmo plano. Os planetas. em órbitas aproximadamente circulares. uma de biliões de galáxias conhecidas. cometas. Composição do Sistema Solar O Sol contém 99. chamado a eclíptica. Por isso. Neptuno e Plutão.GEOGRAFIA Sistema solar O nosso sistema solar consiste de uma estrela média. A estrela conhecida mais próxima do Sol é uma estrela anã vermelha chamada Proxima Centauri. A nossa galáxia. os planetas Mercúrio. Marte.85% de toda a matéria do Sistema Solar. em conjunto com as estrelas locais visíveis numa noite clara. A tabela seguinte é uma lista da distribuição de massa no nosso Sistema Solar. Têm os nomes de Grande Nuvem de Magalhães e Pequena Nuvem de Magalhães. contêm apenas 0.01% ? . orbitam em volta do centro da nossa galáxia.85% Planetas: 0.3 anos-luz. que são visíveis do hemisfério sul. que se condensaram a partir do mesmo disco de matéria de onde se formou o Sol. viaja pelo espaço intergaláctico. Úrano. A galáxia grande mais próxima é a Galáxia de Andromeda. Inclui: os satélites dos planetas.015%. O eixo de rotação da maior parte dos planetas é aproximadamente perpendicular à eclíptica. Plutão está mais perto do Sol do que Neptuno. Se olharmos de cima do polo norte solar. O sistema solar completo. Sol: 99. ou próximo. meteoróides e o meio interplanetário constituem os restantes 0. Júpiter contém mais do dobro da matéria de todos os outros planetas juntos. numerosos cometas. tal como a Via Láctea. mas é 4 vezes mais massiva e está a 2 milhões de anos-luz de distância. os planetas orbitam num sentido anti-horário. um disco em espiral com 200 biliões de estrelas a que chamamos Via Láctea.135% da massa do sistema solar. Vénus. A Via Láctea tem duas pequenas galáxias orbitando na proximidade. durante uma parte da sua órbita.135% Cometas: 0. e o espaço interplanetário. Os planetas. É uma galáxia em espiral. O Sol é a fonte mais rica de energia electromagnética (principalmente sob a forma de calor e luz) do sistema solar. e meteoróides. Terra. Plutão é um caso especial.

chamados placas tectônicas.00005% Planetas Menores: 0. O gás interplanetário é um ténue fluxo de gás e de partículas carregadas. com o restante consistindo de continentes e ilhas. O interior da Terra permanece ativo. Não se conhece a existência de água no estado líquido em equilíbrio. a biosfera terrestre alterou significativamente a atmosfera e outros fatores abióticos do planeta. A poeira interplanetária consiste de partículas sólidas microscópicas.plasma -. permitindo a proliferação de organismos aeróbicos. permitindo a vida no planeta. Longe de ser um nada absoluto.[18] As propriedades físicas do planeta. A TERRA A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol. Lar de milhões de espécies de seres vivos. que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos.0000001% ? Meio Interplanetário: 0. este "espaço" vácuo compõe o meio interplanetário. parece ser um vazio completo.0000001% ? Espaço Interplanetário Quase todo o sistema solar.[nota 5] Os polos geográficos da Terra encontram-se maioritariamente cobertos por mantos de gelo ou por banquisas. um núcleo externo .[19][20] A sua superfície exterior está dividida em vários segmentos rígidos.54 bilhões (mil milhões) de anos. É também o maior dos quatro planetas telúricos.que flui do Sol.[14][15][16][17] e a vida surgiu na sua superfície um bilhão de anos depois. O planeta formou-se há 4. Inclui diversas formas de energia e pelo menos dois componentes materiais: poeira interplanetária e gás interplanetário. a Terra é o único corpo celeste onde é conhecida a existência de vida. bloqueia radiação solar prejudicial. principalmente protões e electrões -. bem como a formação de uma camada de ozônio. a qual. chamado o vento solar. em conjunto com o campo magnético terrestre. os quais contêm muitos lagos e outros corpos de água que contribuem para a hidrosfera. permitiram que a vida persistisse durante este período. em volume. na superfície de qualquer outro planeta. Acredita-se que a Terra poderá suportar vida durante pelo menos outros 500 milhões de anos. Desde então. necessária à manutenção da vida como a conhecemos.0000002% ? Meteoróides: 0. com um manto espesso e relativamente sólido. o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. bem como suas história geológica e órbita. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul.[13] incluindo os humanos. Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta por oceanos de água salgada.Satélites: 0.

Os recursos minerais da Terra em conjunto com os produtos da biosfera. A ATMOSFERA A atmosfera terrestre Última atualização: 07/04/2011 às 00:12:36 Share on twitterShare on facebookShare on orkutShare on emailMore Sharing ServicesÍndice "Você Sabia?" A atmosfera da Terra é uma fina camada de gases que circunda o nosso planeta.8 bilhões de anos atrás.líquido que gera um campo magnético. impactos de asteroides causaram mudanças significativas na superfície terrestre. à medida que nos afastamos da superfície do nosso planeta a atmosfera vai se tornando cada vez mais rarefeita até que ela se mistura . 480 quilômetros de espessura. a Terra orbita o Sol uma vez por cada 366. Entre aproximadamente 4. durante o intenso bombardeio tardio. comércio e ação militar. tendo começado a orbitá-la há 4. a crença numa Terra plana. e um núcleo interno sólido.[22] A Lua é o único satélite natural conhecido da Terra. que interagem entre si por meio da diplomacia. No presente. cerca de 80% dela. ou em que a Terra é o centro do universo. fornecem recursos que são utilizados para suportar uma população humana global.1 e 3.53 bilhões de anos. Não existe um lugar bem definido onde podemos dizer que a atmosfera da Terra termina. No entanto. A Terra interage com outros objetos no espaço. Estes habitantes da Terra estão agrupados em cerca de 200 estados soberanos. o que equivale a 365.4° em relação à perpendicular ao seu plano orbital.24 dias solares). composto sobretudo por ferro. viagens. podemos dizer que a maior parte da atmosfera da Terra.26 dias solares ou um ano sideral.[nota 6] O eixo de rotação da Terra possui uma inclinação de 23. está na região situada até 16 quilômetros de altura medido a partir da superfície do nosso planeta. no total. incluindo a sua personificação em uma deidade. Ela possui. As culturas humanas desenvolveram várias crenças sobre o planeta. É responsável pelas marés.26 rotações sobre o seu próprio eixo.[21] produzindo variações sazonais na superfície do planeta com período igual a um ano tropical (365. estabiliza a inclinação axial da Terra e abranda gradualmente a rotação do planeta. ela não se distribui homogeneamente e. Por ser uma distribuição gasosa. por conseguinte. e uma perspectiva moderna do mundo como um ambiente integrado que requer proteção. em particular com o Sol e a Lua.

O oxigênio é um gás muito reativo e sob circunstâncias "normais" se combina rapidamente com outros elementos. ao longo do tempo. a tectônica de placas e os processos biológicos que ocorrem na Terra mantém agora um fluxo contínuo de dióxido de carbono tirado da atmosfera para estes vários "sorvedouros" e que mais tarde retorna para ela de novo. uma quantidade muitíssimo maior de dióxido de carbono na atmosfera da Terra quando ela foi formada mas. Sem a vida não haveria oxigênio livre.03% de dióxido de carbono. Não existe uma borda definida que separe a atmosfera da Terra do meio interplanetário. . Assim. um processo no qual gases como o dióxido de carbono.naturalmente com o espaço interplanetário. A temperatura na Terra e o "efeito estufa" A fina camada gasosa que forma a nossa atmosfera isola a Terra de temperaturas extremas. 21% de oxigênio. impedindo-a de atingir a superfície terrestre.9% de argônio. Ela mantém o calor dentro da atmosfera e também bloqueia a passagem da maior parte da radiação ultravioleta proveniente do Sol. cerca de 0. dióxido de enxofre e nitrogênio foram liberados do interior da Terra por meio das emissões dos vulcões e por outros processos. cerca de 0. este dióxido de carbono foi quase todo incorporado nas rochas carbonadas embora uma parte menor dele tenha sido dissolvido nos oceanos e consumido pelas plantas vivas. Nossa atmosfera tem 78% de nitrogênio. A formação da atmosfera da Terra A atmosfera da Terra foi formada pela remoção de gás do próprio planeta. Havia. vapor de água. As formas de vida existentes da Terra foram modificando a composição da atmosfera durante os seus processos evolutivos. Um ponto muito interessante do ponto de vista químico é a presença de oxigênio livre. provavelmente. Assim. e água. sabemos que o oxigênio existente na atmosfera da Terra é produzido e mantido por processos biológicos que ocorrem no nosso planeta.

em setembro de 1922. continente africano. tal como a conhecemos. A pressão atmosférica No nível do mar a pressão atmosférica é de cerca de 1 atmosfera mas à medida que você atinge altitudes cada vez maiores a pressão do ar vai diminuindo. no continente Antártico.A temperatura mais fria até hoje registrada na Terra foi obtida pela sonda Vostok em julho de 1983. A atmosfera da Terra é dividida na seguintes partes: Troposfera . graça ao efeito estufa a temperatura da Terra vai de um frígido -21o C para um confortável + 14o C. Podemos então dizer que as temperaturas na Terra variam no intervalo entre -88o Celsius e 58o Celsius. respectivamente. parte desta radiação é refletida pelas camadas inferiores da atmosfera de volta para a superfície do planeta. se você subir uma montanha com uma altitude de 3000 metros ao chegar ao seu topo a pressão do ar é de 0. A temperatura mais quente até hoje registrada na Terra foi obtida na Líbia. o que equivale a um intervalo entre 185 K e 331 K. seria impossível. 58o Celsius. Assim. A atmosfera da Terra permite que uma parte da radiação infravermelho incidente sobre a superfície do planeta escape de volta para o espaço. -88o Celsius.6805 atmosferas e haverá bem menos oxigênio para respirar. Não é preciso ir a altitudes extremamente altas para sentir isto. A pequena quantidade de dióxido de carbono que existe permanentemente na atmosfera da Terra é extremamente importante para a manutenção da temperatura na superfície do nosso planeta via efeito estufa (greenhouse effect). O efeito estufa eleva a temperatura da superfície da Terra cerca de 35o C acima do que ela teria se ele não existisse. Ocorre então o efeito estufa. Sabemos que sem o efeito estufa os oceanos congelariam e a vida na Terra. Por exemplo. que aprisiona calor na atmosfera terrestre. No entanto.

A mesosfera se estende entre 17 a 80 km acima da superfície da Terra. A tropopausa é caracterizada por pouca ou nenhuma mudança na temperatura à medida que a altitude aumenta. A estratosfera se caracteriza por um ligeiro aumento de temperatura com o aumento de altitude e pela ausência de nuvens. Ela contém muitos íons e elétrons livres (plasma). um isótopo do oxigênio. é crucial para a sobrevivência dos seres vivos na Terra. 17 km de altura. Os íons são criados quando a luz do Sol atinge os átomos e arranca alguns elétrons. cirroestratus e cirrocúmulos. A mesosfera é caracterizada por temperaturas que rapidamente diminuem à medida que a a altitude aumenta. Somente as nuvens mais altas. Exosfera . Ela é parte da termosfera. estão na estratosfera inferior. até cerca de 640 km. A ionosfera está localizada entre a mesosfera e a exosfera. Tropopausa É a zona limite. os cirrus.É a região mais baixa da atmosfera da Terra (ou da atmosfera de qualquer planeta). O clima e as nuvens ocorrem na troposfera. Sobre a Terra ela vai do nível do chão. Estratosfera É a camada atmosférica entre a troposfera e a mesosfera. Mesosfera É a camada atmosférica entre a estratosfera e a ionosfera. entre a troposfera e a estratosfera da atmosfera da Terra. A camada de ozônio absorve uma grande quantidade da radiação ultravioleta proveniente do Sol impedindo-a de atingir a superfície da Terra. aproximadamente. A ionosfera começa a cerca de 70-80 km de altura e continua por centenas de quilômetros. As auroras ocorrem na ionosfera. ou da água. ou camada de transição. Ionosfera É uma das camadas mais altas da atmosfera da Terra. O ozônio. Na troposfera a temperatura geralmente diminui à medida que a altitude aumenta. que chamamos de "nível do mar". A estratosfera se estende entre 17 e 50 km acima da superfície da Terra. até. A camada de ozônio da Terra está localizada na estratosfera.

principalmente às grandes multinacionais envolvidas com pesquisas de produtos farmacêuticos. A biodiversidade amazônica atualmente é estudada. Ela é a camada da atmosfera localizada entre a mesosfera e o espaço exterior. Na verdade. a maior parte do oxigênio que forma a nossa atmosfera não é produzido por plantas e sim pelos oceanos que cobrem mais de 70% do nosso planeta. Quanto ao desmatamento do "pulmão do mundo" é uma pena que os auto-intitulados "países desenvolvidos" não tenham tido esta mesma preocupação quando desmataram . por outro fazia com que as pessoas repetissem algo que a ciência já havia comprovado não ser verdadeiro. mas sim pelas riquezas que ela pode oferecer. o que não é. A Amazônia hoje é cobiçada não por ser "pulmão do mundo". Isto não é verdade. A exosfera vai de aproximadamente 640 km de altura até cerca de 1280 km. não podemos fazer esta defesa baseada em premissas falsas. e a temperatura é muito baixa. É um patrimônio biológico incomparável. pesquisada e catalogada por inúmeros grupos estrangeiros sem que tenhamos informações detalhadas sobre o que foi pesquisado. o que era muito bom. uma vez que os átomos do gás estão muito amplamente espaçados. Florestas Tropicais e a mentira propagada Durante muito tempo repetiu-se a exaustão que "a Amazônia é o pulmão do mundo". No entanto.É a camada mais externa da atmosfera da Terra. riquíssimo e ainda bastante inexplorado. A termosfera inclui a exosfera e parte da ionosfera. Na termosfera a temperatura aumenta com a altitude. Se por um lado esta notícia servia como justificativa maior para a defesa da floresta amazônica. onde a pressão atmosférica é muito baixa. Com isso queria-se dizer que nossa atmosfera dependia fortemente dos processos de trocas gasosas que ocorriam nas imensas árvores das florestas tropicais. A camada mais inferior da exosfera é chamada de "nível crítico de escape". Termosfera É uma classificação térmica. Lutar contra o desmatamento da Amazônia é uma obrigação de todos nós. medida.

O cinturão de radiação Van Allen O primeiro satélite artificial norte-americano. Esse processo ocorre há bilhões de anos e o . Os oceanos da Terra Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta com água. A água líquida é. satélite de Júpiter. e água líquida abaixo da superfície de Europa. A Terra é o único planeta do Sistema Solar sobre o qual a água pode existir em forma líquida na sua superfície. essencial para a vida como nós a conhecemos. certamente. A capacidade calorífica dos oceanos também é muito importante para manter a temperatura da Terra relativamente estável. no dia 31 de janeiro de 1958 descobriu uma intensa zona de radiação circundando a Terra. Não replantaram quase nada. Aliás. era conhecida pelo ditado de que um esquilo poderia ir de uma floresta a outra sem por os pés no chão. Esta região é agora chamada de cinturões de radiação Van Allen. sendo modificadas pela ação erosiva de agentes externos (chuvas. lançado de Cabo Canaveral. embora eles possam ter ocorrido em Marte no passado. um processo único no Sistema Solar hoje. embora possa existir metano ou etano líquidos na superfície de Titan. A Inglaterra. ventos etc. mas acham que podem servir de exemplo nesta área. Os Estados Unidos também desmataram suas florestas e quase aniquilaram seus maiores animais com estúpidas e desnecessárias matanças de bisões. que provocou uma enorme fome na região há alguns séculos. por exemplo. Hoje o pobre esquilo deve ir de trem ou de avião se não quiser pisar o solo inglês por que as árvores destas florestas há muito deixaram de existir substituídas por grama para pasto de ovelhas. Flórida. foi um enorme desmatamento deste tipo. satélite de Saturno. A água líquida também é responsável pela maior parte da erosão e do desgaste das rochas dos continentes da Terra.) e agentes internos (erupções vulcânicas e tectonismo). feito pelos ingleses na Escócia.quase completamente seus territórios. ESTRUTURA GEOLÓGICA BRASILEIRA As rochas da crosta terrestre estão em constante processo de transformação.

Sua formação é a mais antiga. Escudos cristalinos Responsável por aproximadamente 36% do território nacional. gnaisses.876 quilômetros quadrados). no Brasil essas áreas são denominadas de ―terra roxa‖. A decomposição do basalto é responsável por fertilizar o solo. Bacias sedimentares Essa formação recobre cerca de 60% do território brasileiro. é um terreno proterozoico. cascalho e calcário. BIOLOGIA CÉLULAS EUCARIONTES E PROCARIONTES . níquel. grafita e elevações como a serra do Mar. Já nos terrenos proterozoicos. Ela apresenta composição diferente conforme os terrenos arqueozoicos (32% do território nacional) e proterozoicos (4% do território). prata. além de minerais radioativos (urânio e tório). chumbo. glacial e continental nas partes mais baixas do relevo. no estado do Pará. há rochas metamórficas que formam jazidas minerais (ferro. O Brasil. diamantes e manganês). bacias sedimentares e terrenos vulcânicos. Esse processo originou a formação de rochas como o basalto e o diabásio.514. apresentando pequena riqueza mineral. ouro. possui estrutura geológica composta por três tipos distintos: escudos cristalinos. essa formação ocorreu no período pré-cambriano. xisto betuminoso. consequência da intensa deposição de sedimentos de origem marinha. Nesses terrenos é possível encontrar petróleo e carvão mineral. por apresentar uma grande extensão territorial (8. Terrenos vulcânicos São áreas que sofreram a ação de derrames vulcânicos.conhecimento da estrutura geológica de um determinado local é de fundamental importância na análise do relevo e dos possíveis recursos minerais existentes. No primeiro é possível encontrar rochas como o granito. areia. A serra dos Carajás. São constituídas de espessas camadas de rochas sedimentares.

o que são células Eucariontes e Procariontes ? Quais são as diferenças ? Você quer saber ? Então . As células procariontes não possuem certas organelas . o complexo de Golgi e o retículo endoplasmático. São estruturas altamente diferenciadas. os ingredientes que devem passar. mas nas procariontes este está ―boiando‖ no citoplasma.As células são as menores porções vivas de um ser vivo. continue lendo… As células procariontes ou procariotas ( a figura a sua esquerda) são diferentes das eucariontes . Estrutura básica da Membrana Plasmática Modelo Mosaico Fluido . A carioteca é uma membrana que separa o material genético do citoplasma. do lado externo. na natureza. tanto para dentro como para fora das células. Cada tijolo de uma casa. A fluidez esta condicionada ao tipo de ligações intermoleculares na membrana. ou atravessando completamente a membrana.Sugerido por Singer e Nicholson. Porém. só visível ao microscópio eletrônico. as plantas e os animais possuem células eucariontes. destinadas a uma compartimentação única. onde as proteínas da membrana estão engastadas na camada lipídica. seria uma célula de um ser vivo pluricelular. individualizando o material nuclear da célula. O termo mosaico se deve ao aspecto da membrana na microscopia eletrônica. são flexíveis e fluidas. As células eucariontes ou eucariotas (a figura logo abaixo) possuem a carioteca. Veja bem: em ambas células existe o material genético. Sua espessura está entre 6 a 9 nm. como: a mitocôndria. o material genético está no núcleo – separado pela carioteca do restante da célula. MEMBRANA PLASMÁTICA Membrana celular (ou membrana plasmática ou membrana citoplasmática ou plasmalema) É o envoltório que toda célula possui (define seu limites. . Já os fungos. Elas são capazes de selecionar. Existe uma grande variedade proteínas membranais. As bactérias e as algas azuis possuem este tipo de células. do lado interno. e mantém as diferenças essenciais entre os meios interno e externo). Sua maior diferença é que as células procariontes não possuem carioteca. Elas podem ser comparadas a tijolos de uma casa. E na célula eucarionte. por mecanismos de transporte ativo e passivo.

que exercem várias funções. Nenhum modelo está pronto. Os poros têm diâmetro variável apresentando um valor médio de 0. tem sistema para transporte ativo de íons. Enzimas: É um importante catalisador que une ou separa moléculas. Estruturas da membrana: . fosfatidilserina e fosfalipidiletanolamina. por encontrar apoio em varias evidencias experimentais. As moléculas de colesterol aumentam as propriedades da barreira da bicamada lipídica e devido a seus rígidos anéis planos de esteróides diminuem a mobilidade e torna a bicamada lipídica menos fluida. o modelo do mosaico fluido é o mais aceito. negativa ou serem destituídos de cargas. Esses canais podem ter carga positiva. seletivamente permeável (controla e entrada e saída de substâncias). Os canais . esfingomielina. modelo mosaico fluido Ligações na Membrana A membrana não é uma estrutura covalente. etc. Todas as membrana biológicas são constituídas por uma dupla camada lipídica aproximadamente (45%) e proteína (55%) é altamente higroscópica. A maioria dos lipídios que compõe a membrana são fosfolipídios dos quais predominam: fosfatidilcolina. Permitem a passagem de moléculas pequenas cujo diâmetro seja inferior ao diâmetro do poro. hidrofóbicas. As forças que mantém as biomoléculas na membrana . a evolução das pesquisas irá melhorar o conhecimento atual. Composição e propriedades da Membrana. são coulombianas. possui poros.Atualmente.Poros ou canais: são "falhas" na membrana constituídas por proteínas ou por moléculas lipídicas. As membranas plasmáticas de um eucariócitos contém quantidades particularmente grande de colesterol. e diversas enzimas encravadas na dupla camada lipídica.8 nm.pontes de H.

são fenômenos que ocorrem na membrana celular que explicam como as células nervosas podem ser excitadas e transmitir esta excitação para outra parte do sistema nervoso e sistema muscular.com carga positiva facilitam a passagem de moléculas negativas e vice-versa. mas neste caso a função não é alimentar. . Algumas células de organismos multicelulares também podem realizar esses processos. Os canais podem apresentar portões. Dentro da células existem um complexo ambiente químico. proteínas e saís inorgânicos (LIC). freqüentemente estão associados aos operadores. Os processos de membrana. As células estão imersas em uma outra grande solução. As soluções dentro e fora da células tem diferentes composições. . os processos de permeabilidade celular receptores.Zonas de difusão facilitada: são regiões que possuem moléculas de uma determinada espécie química. Alguns receptores podem estar acoplados a canais regulando. constituído principalmente por água. denominado meio intracelular. Fagocitose . E sabemos que as reações bioquímicas podem ocorrer somente nesta solução. A endocitose pode ocorrer de duas maneiras: por fagocitose ou por pinocitose. e este fato é muito importante para a função da célula. . em alta concentração. (células estas ditas excitáveis) que podem reagir a estímulos vindos do ambiente externo. Esses processos são chamados genericamente de endocitose e geralmente ocorrem em células que constituem organismos unicelulares. Moléculas afins se difundem com facilidade através dessas zonas.Receptores: são locais (sítios) específicos da membrana onde podem se encaixar moléculas (mensageiras) que passam uma determinada informação à célula. em especial a célula do neurônio e células musculares. Como já foi mencionado nosso corpo é constituído predominantemente por água. FOGOCITOSE E PINOCITOSE Fagocitose e Pinocitose Em algumas células ocorrem processos que permitem a entrada de partículas (sólidas ou líquidas) do meio externo para o interior da célula. que é denominada meio extracelular (LEC). Exemplos: lipídios e proteínas.Operadores: são estruturas protéicas capazes de realizar transporte contra um gradiente de concentração do soluto transportado. e sim de defesa. dessa forma. Operam no sentido unidirecional e são dependentes do fornecimento de energia (ATP). vivendo em meio aquoso.

A célula produz expansões da membrana plasmática (pseudópodes) que envolvem as partículas e as englobam. que lhe irão servir de alimento. pois ao longo do desenvolvimento muitas células morrem como parte normal do processo. que passa a se chamar vacúolo residual. Essa segunda bolsa recebe o nome de vacúolo digestivo e o processo todo é chamado de digestão intracelular heterofágica. A digestão intracelular autofágica é relacionada a um importante mecanismo das células eucarióticas chamado de apoptose. quando ela digere material da própria célula (como organelas velhas em processo de degeneração) fala-se em digestão intracelular autofágica e os vacúolos são chamados de vacúolos autofágicos. As amebas e protozoários. Quando as células que já não têm utilidade perdem a capacidade de se autodestruir. (que contém as enzimas digestivas). Este processo nada mais é do que a morte programada de uma célula que ocorre normalmente. por exemplo. também chamada de suicídio celular.Processo utilizado pela célula para englobar partículas sólidas. utilizam-se do processo de fagocitose para capturar . A morte programada é essencial para o desenvolvimento e funcionamento de vários tecidos. a partícula fica em uma bolsa que recebe o nome de fagossomo. podendo ser depois eliminado da célula. elas perdem a função e formam massas de células como os tumores. Primeiramente. isto é. Em ambos os casos. Depois esta bolsa se une ao lisossomo. Quando o processo de digestão intracelular ocorre sem que o material digerido venha de fora por meio da fagocitose. o material não digerido permanece no interior da bolsa membranosa. para que a digestão aconteça e os materiais úteis sejam aproveitados pela célula.

são digeridas nesse processo. forma-se uma bolsa membranosa chamada de pinossomo. por exemplo. *Retículo Endoplasmático: Sistema de canais membranosos. Isto ocorre.). que participam da síntese de macromoléculas e transporte de substância dentro da célula. O caminho inverso também pode ser percorrido por determinadas substâncias que devem ser eliminadas da célula. em meio aquoso. Em nosso organismo.partículas alimentares que. em um processo inverso ao que ocorre na fagocitose.. *Retículo Endoplasmático . . Posteriormente esses materiais são digeridos e aproveitados pela célula. eliminando seu conteúdo para o exterior da célula. através de um processo chamado de clasmocitose e que garante a eliminação de resíduos celulares não digeridos. por exemplo. como por exemplo. ORGANELAS CELULARES Organelas Celulares Organelas presentes no citoplasma *Ribossomos: síntese de proteínas.liso: síntese de lipídios (gorduras. onde a bolsa se funde a ela. No organismo humano. é através do processo de pinocitose que as células do intestino delgado capturam gotículas de lipídios resultantes da digestão. colesterol. inativando-as. nas etapas de respiração celular. As proteínas sintetizadas podem permanecer no próprio citosol. contendo o alimento em seu interior. como bactérias. alguns glóbulos brancos utilizam a fagocitose para englobar microorganismos invasores. Pinocitose Processo semelhante ao da fagocitose. Os resíduos envoltos em uma bolsa membranosa são levados até a membrana plasmática. em organismos unicelulares.. ou podem ser transportadas para outros locais dentro da célula. na mitocôndria. uma vez dentro da célula. Quando as bordas desse canal se fecham. esteróides. pelo qual certas células ingerem líquidos ou pequenas partículas através de minúsculos canais que se formam em sua membrana plasmática. participando das etapas do metabolismo celular.

que significa semente. . que resulta em gás carbônico e água. Apresenta funções heterofágicas (referente à digestão de substâncias que entram na célula). onde são acumuladas em vesículas. por analogia aos frutos. sendo local de produção de proteínas. soma = corpo): Realiza a digestão intracelular. Realiza uma oxidação biológica intracelular de compostos orgânicos (na presença de oxigênio). quebra). O nome que ele escolheu expressa essa convicção: a palavra ―núcleo‖ vem do grego nux. *Mitocôndria: respiração celular (geração de energia). não haviam compreendido a enorme importância dessas estruturas para a vida das células. mas que irão atuar fora dela (enzimas por exemplo).1858) é considerado o descobridor do núcleo celular. que são os lisossomos. *Aparelho de Golgi: são bolsas membranosas e achatadas. Estas enzimas são produzidas no RER. conduzidas pelo aparelho de Golgi. e este processo gera a liberação de energia. Brown imaginou que o núcleo fosse a semente da célula.*Retículo endoplasmático – rugoso: encontram aderidos a sua superfície externa ribossomos. Embora muitos citologistas anteriores a ele já tivessem observados núcleos. *Centríolos: Além de desempenharem papel importante no processo de divisão celular formando os pólos. Estrutura que apresenta enzimas digestivas capazes de digerir um grande número de produtos orgânicos. que podem armazenar e transformar substâncias que chegam via retículo endoplasmático. são responsáveis pela formação de cílios e flagelos. que é utilizada no metabolismo celular. *Lisossomos (do grego lysis = dissolução. O NUCLEO O núcleo celular O pesquisador escocês Robert Brown (1773. as quais serão transportadas internamente para o Complexo de Golgi. e autofágicas (referentes à digestão de materiais e organelas da própria célula). podem também eliminar substâncias produzidas pela célula. O grande mérito de Brown foi justamente reconhecer o núcleo como componente fundamental das células.

Hoje. o material hereditário está separado do citoplasma por uma membrana – a carioteca – enquanto na célula procarionte o material hereditário se encontra mergulhado diretamente no líquido citoplasmático. sabemos que o núcleo é o centro de controle das atividades celulares e o ―arquivo‖ das informações hereditárias. A carioteca A carioteca (do grego karyon. caixa) é um envoltório formado por duas membranas lipoprotéicas cuja organização molecular é semelhante as demais . Os componentes do núcleo O núcleo das célula que não estão em processo de divisão apresenta um limite bem definido. A maior parte do volume nuclear é ocupada por uma massa filamentosa denominada cromatina. Na célula eucarionte. Células eucariontes e procariontes A membrana celular presente nas células eucariontes. que a célula transmite às suas filhas ao se reproduzir. visível apenas ao microscópio eletrônico. mas ausente nas procariontes. núcleo e theke. devido à presença da carioteca ou membrana nuclear. Existem ainda um ou mais corpos densos (nucléolos) e um líquido viscoso (cariolinfa ou nucleoplasma). invólucro.

abrindo-se para dar passagem a determinadas moléculas e fechando-se em seguida. Dessa forma. Neste caso. A face interna da carioteca encontra-se a lâmina nuclear.membranas celulares. Entre essas duas membranas existe um estreito espaço. Poros da carioteca A carioteca é perfurada por milhares de poros. se comunica com o retículo endoplasmático e. a carioteca pode controlar a entrada e a saída de substâncias. fenômenos que ocorrem durante a divisão celular. Os poros nucleares são mais do que simples aberturas. A lâmina nuclear participa da fragmentação e da reconstituição da carioteca. Em cada poro existe uma complexa estrutura protéica que funciona como uma válvula. através das quais determinadas substâncias entram e saem do núcleo. apresenta ribossomos aderidos à sua superfície. A cromatina . em algumas partes. chamado cavidade perinuclear. o espaço entre as duas membranas nucleares é uma continuação do espaço interno do retículo endoplasmático. muitas vezes. A face externa da carioteca. uma rede de proteínas que lhe dá sustentação.

de consistência mais frouxa. cor) é um conjunto de fios. foi denominado eucromatina (do grego eu. (2) Filamento de cromatina (DNA com histonas). Este RNA é um ácido nucléico produzido a partir o DNA das regiões específicas da cromatina e se constituirá um dos principais componentes dos ribossomos presentes no citoplasma. verdadeiro). nota-se que certas regiões da cromatina se coram mais intensamente do que outras. (Existem agora duas cópias da molécula de DNA) (5) Cromossoma em metafase Os nucléolos Na fase que a célula eucariótica não se encontra em divisão é possível visualizas vários nucléolos. Cada nucléolo é um corpúsculo esférico. cada um deles formado por uma longa molécula de DNA associada a moléculas de histonas. não membranoso. Esses fios são os cromossomos. um tipo especial de proteína. O restante do material cromossômico. (4) Cromatina condensada em profase. que se refere à cromatina mais densamente enrolada.A cromatina (do grego chromatos. de aspecto esponjoso quando visto ao microscópio eletrônico. Quando se observam núcleos corados ao microscópio óptico. diferente). acertadamente. associados a algumas regiões específicas da cromatina. foi criado o termo heterocromatina (do grego heteros. (3) Cromatina condensada em interfase com centrómeros. ou mais condensadas. Isso acontece durante os eventos que caracterizam a divisão . rico em RNA ribossômico (a sigla RNA provém do inglês RiboNucleic Acid). Os antigos citologistas já haviam observados esse fato e imaginado. do que outras. É importante perceber que ao ocorrer a espiralação cromossômica os nucléolos vão desaparecendo lentamente. Diferentes níveis de condensação do DNA. (1) Cadeia simples de DNA . que as regiões mais coradas correspondiam a porções dos cromossomos mais enroladas. Para assinalar diferenças entre os tipos de cromatina.

tornando-se progressivamente mais curtos e grossos. é uma massa de filamentos chamados de cromossomos. obteríamos 46 filamentos. Se pudéssemos separar. o DNA. A cromatina da célula interfásica. Os preparativos para a divisão celular têm inicio com a condensação dos cromossomos. Alguns anos mais tarde. uma vez que sua espessura não ultrapassa 30 nm. um por um. o pesquisador alemão Robert J. os cromossomos de uma célula interfásica humana. no final da divisão do núcleo. como já foi mencionada. Colocado em linha. . o núcleo e os cromossomos passam por grandes modificações. Em 1924. Constituição química e arquitetura dos cromossomos Descobrir a natureza química dos cromossomos foi uma árdua tarefa que mobilizou centenas de cientistas e muitos anos de trabalho. descobriu-se que a cromatina também é rica em proteínas denominadas histonas. A estrutura dos cromossomos Cromossomos da célula interfásica O período de vida da célula em que ela não está em processo de divisão é denominado interfase. que começam a se enrolar sobre si mesmos. Cromossomos da célula em divisão Quando a célula vai se dividir. Feugen desenvolveu uma técnica especial de coloração que permitiu demonstrar que o DNA é um dos principais componentes dos cromossomos.celular. os cromossomos humanos formariam um fio de 5 cm de comprimento. logos e finos. O primeiro constituinte cromossômico a ser identificado foi o ácido desoxirribonucléico. O reaparecimento dos nucléolos ocorre com a desespiralação dos cromossomos. invisível ao microscópio óptico. até assumirem o aspecto de bastões compactos.

e se localiza num segmento mais fino denominado de constricção primária. O desenvolvimento das sucessivas fases da mitose são dependentes dos componentes do aparelho mitótico Aparelho Mitótico O aparelho mitótico é constituído pelos fusos. chamadas constrições. aparecem como regiões ―estranguladas‖ do bastão cromossômico. as regiões eucromáticas se enrolam mais frouxamente do que as heterocromáticas. cada uma delas contém uma única molécula de DNA. devido a esse alto grau de empacotamento. que estão condensadas mesmo durante a interfase. telófase e intérfase nas quais ocorrem grande modificações no núcleo e no citoplasma. que se originam nos cinetecóro 3. O áster é um grupo de microtúbulos irradiados que convergem em direção do centríolo. As fibras do fuso são constituídas por: 1. anáfase.Constrições cromossômicas Durante a condensação cromossômica. microtúbulos polares que se originam no polo. É um processo contínuo que é dividido didaticamente em 5 fases: Profáse. Microtúbulos cinetecóricos. As cromátides estão ligadas entre si através do centrômero. característico de todas as células somáticas vegetais e animais. No cromossomo condensado. as heterocromatinas. Cada cromossoma é composto por duas estruturas simétricas: as cromátides. que é uma região do cromossoma que se liga ao fuso mitótico. ásteres e cromossomos. centríolos. Mitose A mitose é um processo de divisão celular. Fases da Mitose Prófase . metáfase. Microtúbulos livres. 2.

O ciclo reprodutivo sexual envolve a alternância de gerações de células haplóides. e na maioria das células possuem existência como cromossomos independentes. A mistura de genomas é realizada pela fusão de células haplóides que formam células diplóides.A prófase começa com o aumento do volume nuclear e com a condensação da cromatina. um cromossomo paterno e 1 cromossoma materno. Essas duas versões são chamadas de homologas. Este tipo de reprodução assexuada é simples e direta e produz organismos geneticamente iguais. acompanhadas por uma só duplicação cromossômica. A meiose consiste em duas divisões celulares. Meiose O que é meiose? A meiose é um processo de divisão celular em que uma célula diplóide (2n) forma quatro células haplóides (n). Verifica-se que cada cromossomo é constituído de duas cromátides unidas pelo centrômero. Essas duas versões são denominadas de homólogos. Com exceção dos cromossomos que determinam o sexo. um núcleo de célula diplóide contém 2 versões similares de cada cromossomo autossomo. Posteriormente novas células diplóides são geradas quando os descendentes de células diplóides se dividem pelo processo de meiose. Quando o DNA é duplicado pelo processo de replicação. ou seja. com gerações de células diplóides. na intérfase. A reprodução sexual por sua vez. envolve uma mistura de genomas de 2 indivíduos. cada um desses cromossomos é replicado dando origem as cromátides que são então . formando os cromossomos. Organismos simples podem reproduzir-se através de divisões simples. para produzir um indivíduo que diferem geneticamente de seus parentais. o que significa que a duplicação dos cromossomos ocorreu antes da prófase.

devido a ativação de sítios únicos para a meiose. Vimos que a mitose resulta em células com o mesmo número de cromossomas. A meiose é um processo que envolve 2 divisões celulares com somente uma duplicação de cromossomas. que são células diplóides. As espermatogônias e ovogônias. O gameta é dotado de uma cópia do cromossoma materno ou paterno. Fases da Meiose A meiose ocorre apenas nas células das linhagens germinativas masculina e feminina e é constituída por duas divisões celulares: Meiose I e Meiose II. O esquema geral da meiose A meiose envolve duas divisões celulares. a fusão resultaria em uma célula com 92 cromossomas. pois reduz o número de cromossomos de um estado diplóide (2n) para o haplóide (n). Experimentalmente demonstra-se que eventos decisivos ocorrem em G2. Na meiose o cromossomo produzido possui apenas a metade do número de cromossomos. onde observam-se: 1) Período S longo. Exemplificando: O homem possui 46 cromossomas. O processo geral obedece ao seguinte esquema: . teríamos como resultado células com o dobro de cromossomas e isso ocorreria em progressão. se ocorre se a fusão dessas células. A meiose é precedida por um período de intérfase ( G1.separadas durante a anáfase e migram para os polos celulares. ou seja somente um cromossomo no lugar de um par de homólogos. Os gametas se originam de células denominadas espermatogonias e ovogonias. A meiose ( meioum = diminuir ) ocorre nas células produtoras de gametas. As células filhas dessas células desenvolvem ciclo celular. Podemos definir meiose como sendo o processo pelo qual número de cromossomos é reduzido a metade. A primeira divisão meiótica é chamada reducional. A segunda divisão é chamada equacional e mantém o número haplóide. A regulação do processo meiótico inicia-se durante a fase mitótica. G2 ) com eventos semelhantes aos observados na mitose. A meiose desenvolveu-se para evitar essa progressão. Desta maneira cada célula filha recebe uma cópia do cromossomo paterno e uma cópia do cromossoma materno. e num determinado momento da fase G2 do ciclo celular ocorrem alterações que levam as células a entrar em meiose e darem origem a células háploides ou seja células que possuem a metade do número (n) de cromossomas da espécie. S. Os gametas masculinos e femininos ( espermatozóides e óvulos ) que são produzidos nos testículos e ovários respectivamente as gônadas femininas e masculinas. sofrem sucessivas divisões mitóticas. 2) aumento do volume nuclear.

deixando para fora apenas a região anterior do corpo. Esses animais têm sexos separados e a fecundação é externa. diferenciam-se os folhetos germinativos ou embrionários. . Como o vitelo é uma substância inerte. que darão origem a todos os tecidos e órgãos. No ponto de invaginação surge um orifício denominado blastóporo. Os cordados são animais que possuem notocorda. mesoderma (o intermediário) e endoderma (o mais interno). A gastrulação ocorre por um processo denominado invaginação dos blastômeros para o interior da blastocele. como é o caso do anfioxo. a cavidade interna que se forma é o intestino primitivo ou arquêntero. como se um dedo empurrasse a parede de uma bexiga. vamos tomar como exemplo o que ocorre em animais cordados.EMBRIOLOGIA 2. GASTRULAÇÃO Gastrulação Para falarmos da gastrulação. Esses folhetos são: ectoderma (o mais externo). A notocorda persiste no adulto de alguns animais cordados. excluindo alguns peixes. Segmentação ou clivagem Segmentação ou clivagem consiste em sucessivas divisões do zigoto num determinado número de células chamadas blastômeros. representados pelo anfioxo e pelas rãs. O término da segmentação ocorre com a formação da blástula. O anfioxo é um animal de cerca de 6 cm de comprimento que vive enterrado na areia em águas rasas do ambiente marinho. A blastocele se reduz e chega a desaparecer. a notocorda regride totalmente ou quase totalmente e a coluna vertebral se desenvolve a partir da mesoderma. Na gastrulação. Nos animais vertebrados. um bastonete flexível que fica no dorso do embrião. quando este apresenta-se em excesso pode dificultar e até mesmo impedir a segmentação do ovo. O ovo do anfioxo é oligolécito e a sua segmentação é total subigual. A quantidade de vitelo que o ovo apresenta determina o tipo de segmentação.

(Há quem considere o mesentoderma como endoderma e o mesoderma formado a partir do endoderma. Esses animais são chamados diblásticos ou diploblásticos. Fala-se. A gastrulação das rãs ocorre por invaginação e também por epibolia. . como é o caso dos cordados. Existem entretanto. Por epibolia os micrômeros passam a se dividir rapidamente e acabam por recobrir os macrômeros. fala-se em desenvolvimento direto. os óvulos são heterolécitos e a segmentação é total desigual. logo a seguir ao mesoderma e ao endoderma. Ocorre também a diferenciação dos três folhetos germinativos: o ectoderma. em desenvolvimento indireto. o mesoderma e o endoderma. Os micrômeros insinuam-se para dentro da blastocele. o girino que sofre metamorfose. Por invaginação forma-se uma fenda: o blastóporo. Os óvulos possuem um envoltório gelatinoso que desseca em contato com o ar.Os animais que possuem três folhetos germinativos são chamados triblásticos ou triploblásticos. Quando a fase larval não está presente. Neste caso. pois há uma fase larval. O esquema acima descreve de forma simplificada a gastrulação em anfioxo. animais que possuem apenas dois folhetos germinativos: o ectoderma e o endoderma. como e o caso dos cnidários. todo o desenvolvimento embrionário ocorre na água. O blastóporo adquire o aspecto de um círculo.) Nas rãs a fecundação é externa. Os micrômeros insinuam-se primeiramente pelo lábio ventral. Forma-se uma larva aquática. nesses casos. a camada interna que reveste diretamente o arquêntero é chamada mesentoderma e dará origem. originando o adulto. Assim. delimitando o arquêntero.

ao se formar. À massa celular que se organiza neste instante se denomina blástula. três outras características são fundamentais:  formação dos folhetos embrionários ou germinativos. Na espécie humana. na gastrulação das rãs. [editar] Formação do Embrião O zigoto. Nos animais. o interior da blástula possui uma cavidade. sofre sucessivas mitoses. iniciando uma diferenciação celular. Neurulação. . originando células que constituem a mórula. Blástula. a blastocele. que dará origem ao embrião propriamente dito. As mitoses prosseguem e as células começam a se distribuir em regiões específicas. além de o embrião aumentar de volume. ligado à formação da placenta. A blástula admite uma divisão espacial: as células periféricas constituem o trofoblasto. Mórula.Assim. Gastrulação. ORGANOGENESE A Organogênese é o processo de desenvolvimento do embrião.   formação do arquêntero ou intestino primitivo. orifício de comunicação do arquêntero com o exterior. formação do blastóporo. que darão origem a todos os tecidos e órgãos. e as células mais internas formam o embrioblasto. além do embrioblasto. a blástula recebe o nome de blastocisto. envolve um conjunto de cinco etapas:      Segmentação ou clivagem.

O mesoderma somático (ou somatopleura) origina o âmnio e o cório. a mesoderma induz a ectoderme a formar o tubo neural (também chamado de canal neural). isto é. Já a esplancnopleura (mesoderma esplâncnico) gera o alantóide e o saco vitelino. tireóide. A cavidade gastrocele. também é básica à formação do revestimento interno dos tratos digestório e respiratório. chifres etc. cascos. Compreende a formação da mesoderma. de formação de órgãos. conhecida também como arquentero. este último dará origem aos folhetos da mesoderma e endoderma. Nessa perspectiva. Há o surgimento de uma cavidade. Os três folhetos embrionários dão origem a órgãos e estruturas do corpo do embrião.). unhas.Após a formação da blástula. a córnea (esses três últimos no olho). o pericárdio -revestimento cardíaco . O folheto parietal também é chamado de mesoderma somático. surgindo com os marsupiais e aumento . ao passo que o folheto visceral pode ser ainda denominado mesoderma esplâncnico. entre outros. que origina os músculos lisos e cardíacos. estruturas que revestem externamente o embrião. é dividida em epímero. é válido afirmar que:  A ectoderma origina a epiderme e seus anexos (pêlos. gônadas e ureteres. já se observa o celoma. anal e nasal). [editar] Anexos Embrionários Resultam dos folhetos parietal e visceral. o cristalino. ao contrário da blastocele que não possuía abertura. além dos anexos embrionários. o hipômero. identificam-se os folhetos ectodérmicos e mesentodérmicos. o sistema nervoso (através do tubo neural). Na gástrula.  Já a endoderma é o folheto do qual surgem o os alvéolos pulmonares e as seguintes glândulas: fígado. possui uma abertura chamada blastóporo. O mesômero. A partir daí. A passagem da fase de gástrula à de nêurula é denominada neurulação. três mucosas corpóreas (oral. paratireóide. formada pelo dobramento da gástrula sobre si mesma. a hipófise. O epímero forma o esqueleto axial. mesômero e hipômero. A conclusão do desenvolvimento embrionário se dá com o processo organogenético. Em seguida o embrião atinge a fase de nêurula. o esmalte dos dentes. A placenta é um órgão de origem fetomaterna que ocorre exclusivamente em mamíferos. ocorrem divisões e especializações celulares. o embrião tem seu desenvolvimento continuado com a gastrulação. além de três serosas: pleura (reveste externamente o pulmão). rins. a derme (tecido conjuntivo) e o tecido muscular. a retina. processo pelo qual a blástula origina a gástrula.e peritônio (abdomem). Lembrando que alguns autores consideram a fase de neurulação como a primeira fase do processo de Organogênese. Na nêurula. Por fim. por sua vez. [editar] Organogênese Durante a organogênese.  A mesoderma.

GENÉTICA Cromossomos e genes O que são genes? As moléculas de DNA dos cromossomos contêm ―receitas‖ para a fabricação de todas as proteínas da célula. não possuem placenta. Cada ―receita‖ é um gene. Conceito de genoma Um cromossomo é comparável a um livro de receita de proteínas. Portanto. apesar de mamíferos. o gene é uma seqüência de nucleotídeos do DNA que pode ser transcrita em uma versão de RNA e conseqüentemente traduzida em uma proteína. O Ornitorrinco e a equidna.a complexidade entre os eutérios. constituída por 46 volumes. e o núcleo de uma célula humana é comparável a uma biblioteca. que contêm o .

e tinha um prazo previsto de 15 anos. centenas de laboratórios de todo o mundo se uniram à tarefa de seqüenciar. O projeto foi fundado em 1990. com as informações para a fabricação dos milhares de tipos de proteínas necessários à vida. Projeto Genoma Humano O Projeto Genoma Humano (PGH) teve por objetivo o mapeamento do genoma humano. é necessário que ele seja antes amplificado numa reação em cadeia da polimerase. Para o seqüenciamento de um gene. os cientistas mapearam o genoma humano através do Projeto Genoma Humano. e a identificação de todos os nucleotídeos que o compõem. desta vez utilizando didesoxirribonucleotídeos marcados com fluoróforos para a determinação da seqüência. os genes que codificam as proteínas do corpo humano e também aquelas seqüências de DNA que não são genes. . e então clonado em bactérias. Atualmente. Consistiu num esforço mundial para se decifrar o genoma. com um financiamento de 3 milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. é denominado genoma. dois anos antes do previsto. um primeiro esboço do genoma foi anunciado em 26 de Junho de 2000. graças a modernas técnicas de identificação dos genes. executa-se uma nova reação em cadeia (PCR). um a um. Após a iniciativa do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos. Laboratórios de países em desenvolvimento também participaram do empreendimento com o objetivo de formar mãode-obra qualificada em genômica. O conjunto completo de genes de uma espécie.receituário completo de todas as proteínas do indivíduo. Após a obtenção de quantidade suficiente de DNA. Devido à grande cooperação da comunidade científica internacional. associada aos avanços no campo da bioinformática e das tecnologias de informação.

estimou-se que todos os genes (em torno de 25. Kessler Substâncias químicas envolvidas na transmissão de caracteres hereditários e na produção de proteínas compostos que são o principal constituinte dos seres vivos. a conclusão do genoma já está facilitando o desenvolvimento de fármacos muito mais potentes. A dupla hélice é um fator essencial na replicação do DNA durante a divisão celular cada hélice serve de molde para outra nova. Muito pouco dessa maior parte do material genético tem sua seqüência conhecida. DNA O ácido desoxirribonucléico é uma molécula formada por duas cadeias na forma de uma dupla hélice. . ESTRUTURA DNA RNA DNA e RNA sobre Biologia por Cynara C. com o seqüenciamento de 99% do genoma humano.000) haviam sido seqüenciados. A adenina. São ácidos nucléicos encontrados em todas as células e também são conhecidos em português pelas siglas ADN e ARN (ácido desoxirribonucléico e ácido ribonucléico).99%. Apesar dessas lacunas. e existe provavelmente por razões estruturais. assim como a compreensão de diversas doenças genéticas humanas. De acordo com a moderna Biologia . C citosina ou G guanina). Os trabalhos do projeto foram dados como concluídos em 2003. enquanto que a maior parte parece não conter instruções para a formação de proteínas.Em 14 de Abril de 2003. Por limitações tecnológicas. com uma precisão de 99. Com a tecnologia da época. um grupo fosfato e uma base nitrogenada (T timina. aproximadamente 50% codificam para proteínas de função conhecida. De todos os genes que tiveram sua seqüência determinada. Essas partes incluem. por exemplo. partes do DNA que possuem muitas repetições de bases nitrogenadas também ainda não foram totalmente seqüenciadas. Deve-se lembrar que nem todo o DNA humano foi seqüenciado. o DNA faz RNA. um comunicado de imprensa conjunto anunciou que o projeto foi concluído com sucesso. que faz proteína (embora existam exceções os retrovírus. Estimativas atuais concluem que apenas cerca de 2% do material genético humano é composto de genes. os centrômeros e os telômeros dos cromossomos. Essas cadeias são constituídas por um açúcar (desoxirribose). como o vírus da Aids).

Cada grupo de três bases (ACC. Um pedaço de ácido nucléico com cerca de mil nucleotídeos de comprimento pode. e citosina sempre com guanina). para onde se dirige o RNA mensageiro. Código genético A informação contida no DNA. Existem apenas dois fenótipos possíveis. O código genético. no núcleo das células. o alelo recessivo só se manifesta em homozigotia. A sequência indica uma outra sequência. ou seja: Ex: . A adenina. no processo chamado transcrição. ser responsável pela síntese de uma proteína composta por centenas de aminoácidos. DOMINÂNCIA COMPLETA E INCOMPLETA Dominância completa Nos casos de dominância completa. na forma de unidades conhecidas como genes. está registrada na sequência de suas bases na cadeia (timina sempre ligada à adenina. um grupo fosfato e uma base nitrogenada (U uracila. Um grupo reunindo um açúcar. um fosfato e uma base é um "nucleotídeo". os ribossomos. GAG. portanto. Essa produção de proteínas com base em um código é a base da Engenharia genética. o indivíduo heterozigótico vai apresentar um fenótipo diferente dos indivíduos homozigóticos.) é chamado códon e é específico para um tipo de aminoácido. o RNA mensageiro é por sua vez lido por moléculas de RNA de transferência. ou seja. Nos ribossomos. o indivíduo heterozigótico apresenta o fenótipo condicionado pelo alelo dominante. Ex: Dominância incompleta Nos casos de dominância incompleta. Neste caso vai apresentar um fenótipo intermédio entre os dois indivíduos homozigóticos antagónicos. a de aminoácidos substâncias que constituem as proteínas.RNA O ácido ribonucléico (RNA) é uma molécula também formada por um açúcar (ribose). para isso ele forma um tipo específico de RNA. Já a "fábrica" de proteínas fica no citoplasma celular em estruturas específicas. O DNA não é o fabricante direto das proteínas. o código genético . Na transcrição. apenas os genes relacionados à proteína que se quer produzir são copiados na forma de RNA mensageiro. está no DNA. C citosina ou G guanina). CGU etc. o RNA mensageiro. responsável pelo transporte dos aminoácidos até o local onde será montada a cadeia protéica.

caracterizada pela presença de pêlos brancos na maior parte do corpo do animal. isto é. no rabo. com faixas amarelas perto das pontas. *gene cch: condiciona a pelagem chinchila. cchch. Neste caso vai apresentar um fenótipo que resulta da mistura dos dois indivíduos homozigóticos antagónicos. Coloração de pelagem em coelhos Nos coelhos existem quatro genes alelos que participam da coloração da pelagem. *gene C: condiciona a pelagem selvagem ou aguti. com manchas pretas ou marrons nas orelhas. o coelho é totalmente branco. Cada indivíduo poderá ter no máximo 2 alelos diferentes sendo um de origem materna e outra de origem paterna portanto. Cch. Ccch. caracterizada por pêlos cinza-claros sem faixas amarelas. A ordem de dominância de um gene sobre outro ou outros ocorre na seguinte seqüência: C>cch>ch>ca Utilizando-se esta seqüência de dominância podemos construir os seguintes genótipos e obter os seguintes fenótipos: GENÓTIPO CC. Cca cchcch. que se caracteriza pela presença de pêlos pretos ou marrom-escuros. cchca FENÓTIPO aguti ou selvagem chinchila . contrastantes. no focinho e nas patas. o indivíduo heterozigótico vai apresentar um fenótipo diferente dos indivíduos homozigóticos. a determinação de um caráter os alelos interagem dois a dois. ou seja: Ex: POLIALELISMO Polialelia ou Alelos múltiplos São caracteres condicionados por 3 ou mais genes alelos.Co-dominância Nos casos de co-dominância. *gene ca: determina a pelagem albina. *gene ch: condiciona a pelagem Himalaia.

Grupo B – possui somente o aglutinogênio B. Grupo O – não possui aglutinogênios. Grupo AB – possui somente o aglutinogênio A e B. grupo AB e grupo O. Caso contrário. não pode ter aglutinina anti-A. chca caca himalaia albino OS GRUPOS SANGUINEOS Os grupos sanguíneos O fornecimento seguro de sangue de um doador para um receptor requer o conhecimento dos grupos sanguíneos. De acordo com a presença ou não dessas hemácias. chamadas aglutininas: aglutinina anti-A e aglutinina anti-B. Se uma pessoa possui aglutinogênio A. Nas hemácias humanas podem existir dois tipos de proteínas: o aglutinogênio A e o aglutinogênio B. o que pode entupir vasos . Nos seres humanos existem os seguintes tipos básicos de sangue em relação aos sistema ABO: grupo A. o sangue é assim classificado:     Grupo A – possui somente o aglutinogênio A. ocorrem reações que provocam a aglutinação ou o agrupamento de hemácias.chch. da mesma maneira. Estudaremos dois sistemas de classificação de grupos sanguíneos na espécie humana: os sistemas ABO e Rh. se possui aglutinogênio B. não pode ter aglutinina anti-B. grupo B. No plasma sanguíneo humano podem existir duas proteínas. Cada pessoa pertence a um desses grupos sanguíneos.

perceberam que elas produziam anticorpos.sanguíneos e comprometer a circulação do sangue no organismo. sendo geneticamente recessivos. . Anti-Rh não existe naturalmente no sangue das pessoas. Indivíduos que apresentam o fator Rh são conhecidos como Rh+. Na tabela abaixo você pode verificar o tipo de aglutinogênio e o tipo de aglutinina existentes em cada grupo sanguíneo: Grupo sanguíneo A B AB Aglutinogênio Aglutinina A B AeB anti-B anti-A Não possui anti-A e anti-B O Não possui FATOR RH ERITROBLASTOSE FETAL Há formas de se driblar a eritroblastose fetal. sendo fabricado apenas por indivíduos Rh-. Esse processo pode levar a pessoa à morte. Ao injetar sangue deste em cobaias. Os indivíduos que não apresentam o fator h são denominados h . Assim. apresentando os genótipos ou h. com genótipo rr. gradativamente e. que foi denominado fator RH e o anticorpo produzido no sangue da cobaia foi denominado de anti-Rh. Em 1940. nos casos de transfusão sanguínea. quando recebem sangue Rh+. h pode doar para h ou Rh+ e Rh+ só doa para Rh+ . esta que atinge 1 criança a cada 200 nascimentos. concluíram que havia nas hemácias do sangue do macaco um antígeno. assim. Landsteiner e Wiener realizaram experiências com o sangue do macaco Rhesus.

A eritroblastose fetal, ou doença de Rhesus, doença hemolítica por incompatibilidade de Rh ou doença hemolítica do recém-nascido ocorre em 1 entre 200 nascimentos e consiste na destruição das hemácias do feto de h+ pelos anticorpos de mãe h .

Para que exista risco de uma mãe de fator negativo dar a luz a uma criança Rh+ com a doença, deverá ter sido previamente sensibilizada com sangue de fator positivo por transfusão de sangue errônea ou, ainda, gestação de uma criança fator positivo, cujas hemácias passaram para a circulação materna.

Em razão dessa destruição, o indivíduo torna-se anêmico e, em face da deposição de bilirrubina em vários tecidos, poderá apresentar icterícia, cujo acúmulo substancial é tóxico ao sistema nervoso, podendo causar lesões graves e irreversíveis. Criança natimorta, com paralisia cerebral ou portadora de deficiência mental ou auditiva também pode ocorrer. Nos casos em que o filho é RH (-) e a mãe (+) não há problema, porque a produção de anticorpos pela criança só inicia cerca de seis meses após o nascimento.

Como resposta à anemia, são produzidas e lançadas no sangue hemácias imaturas, eritroblastos. A doença é chamada de Eritroblastose Fetal pelo fato de haver eritroblastos na circulação do feto.

Normalmente, os cuidados com o recém-nascido afetado pela doença envolvem a fotossensibilização (luz néon, que destrói a bilirrubina) e a substituição do sangue Rh+ da criança por sangue h .

A maioria das hemorragias transplacentais ocorre na hora do parto. Se a passagem em quantidade de hemácias do sangue do feto para o sangue da mãe for detectada, pode-se administrar gamaglobulina anti-Rh, eliminando as hemácias fetais do sangue materno, evitando assim a sensibilização e a possível concepção de um bebê com eritroblastose.

ORGANISMO GENÉTICAMENTE MODIFICADO OGM

O que é um Organismo Genéticamente Modificado ? Entende-se por organismo geneticamente modificado (OGM) todo o organismo cujo seu material genético foi manipulado de modo a favorecer alguma característica desejada.

Normalmente quando se fala em Organismos geneticamente modificados refere-se aos organismos transgénicos, mas estes não são exactamente a mesma coisa. Um transgénico é um organismo geneticamente modificado, mas um organismo geneticamente modificado não é obrigatoriamente um transgénico.

Um OGM é um organismos cujo material genético foi manipulado e um transgénico é um organismo que possui um ou mais genes (uma porção de DNA que codifica uma ou mais proteínas) de outro organismo no seu material genético, ou seja, uma bactéria, por exemplo, pode ser modificada geneticamente para expressar mais vezes uma proteína, mas não é um transgénico, já que não recebeu nenhum gene de outro ser vivo. Em síntese, um organismo geneticamente modificado só é considerado um transgénico se for introduzido no seu material genético parte de material genético de outro ser.

CÉLULAS TRONCOS

Célula-tronco é um tipo de célula com duas capacidades especiais: a de se transformar em, outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele, o que torna diferente das demais, que só podem trazer parte de um tecido específico (por exemplo: células epiteliais não constituem nada além de pele); e a de poder gerar cópias idênticas de si mesmas.Por causa dessas capacidades, as células-tronco estão sendo muito pesquisadas, pois o intuito é usa-las como células substitutas em tecidos lecionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.Tudo parece perfeito, no entanto, há um agravante: alguns tipos de células-tronco só são encontrados em embriões, o que gera sérios problemas de ordem ética e religiosa, afinal, entre outras coisas, ainda não se tem certeza se o uso de células embrionárias pode causar tumores nos pacientes, e os grupos que se opõem, entre eles a Igreja, afirmam que a técnica envolve a morte de um ser humano, apesar de ainda em estado embrionário.

TEORIAS EVOLUTIVAS DISTRIBUIÇÃO DOS ANIMAIS

Distribuição geográfica dos animais - zoogeografia.

Os animais tendem a se dispersar pelo mundo, porém nem todas as espécies estão presentes em todos os lugares. Certas regiões se caracterizam pela presença de determinados animais. A distribuição zoogeográficas que mais se utiliza foi proposta por Alfred Russel Wallace (1823-1913), a mapa abaixo é uma representação aproximada da distribuição dos animais pelo globo.

As zonas zoogeográficas.

Região Neártica. Compreende a América do Norte (EUA, Canadá e México) e Groelândia, não há macacos nesta região, nem marsupiasi e xenartras (uma superordem de mamíferos placentários). Os animais característicos dessa região são: bisão americano, lince, antílope, caribu, lobo ou coiote, boi almiscarado, marmota, castor, urso, búfalo, cavalo águi e falcão.

Região Neotropical. Compreende a América Central e do Sul, englobando partes do sul do México. Nela estão presentes os seguintes animais: macacos, sagui, xenartas (tamanduá, a preguisa e o tatu), marsupiasis, roedores, lagomorfos (coelhos e lebres), lhamas, várias aves como tucano, arara, papagaio, ema, siriema, contor, etc.

Região paleártica. É a região que sofreu os maiores impactos do ser humano, abrange a Europa, África do norte (ao norte do Saara) e Ásia (norte do Himalaia). Seus principais animais são: cavalo, urso europeu, lobo, raposa, ouriço, rena, alce, javali, rouxinol, cuco e cegonha.

Região Etiópica. Toda África ao sul do Saara, incluindo Madagascar e ilhas adjacentes. Seus animais são: zebra, girafa, leão, tigre, elefante, rinoceronte, hipopótamo, camelo, avestruz, crocodilo do Nilo, gorila, chimpanzé, lêmures de Madagascar.

Região Oriental. Compreende o sul da Ásia, Filipinas e Cingapura. Ali se encontram: elefante indiano, tigre de bengala, pavão, macaco Rhesus, orangotango, gibão, tarsiódes (gênero de primata), etc.

Região Astraliana. Astrália, Tasmânia, Nova Guiné e Nova Zelândia, toda essa região foi separada dos outros continentes há mais de 80 milhões de anos, o que deu a ele características zoogeográfica especiais. Seus principais animais são: monotremos (ornitorrinco e équidna), marsupiais, (canguru e coala), quivi (ave quase totalmente sem asa), tuatara (réptil lagartiforme), lêmures, e macacos platirrinos.

Os ventos podem estar . ainda.FATORES ABIÓTICOS fatores abióticos do ecossistema O zoólogo Ernst Haeckel. Só os mamíferos e as aves são homeotérmicos. Estas condições são ótimas para o desenvolvimento de grandes florestas ricas em vegetais e animais. Normalmente as regiões quentes apresentam alta pluviosidade. em ambos os ambientes. evaporandose. de uma unidade funcional que inclui outros tipos de organismos e o seu meio físico envolvente. criador da palavra ecologia. será distribuída pelos heterotróficos.Existem animais e plantas que estão adaptados a regiões frias. Esta. como acontece nas florestas tropicais. determinam o clima de uma região. Atua diretamente sobre os organismos. o que torna difícil o seu estudo isolado. O vapor da água. Na realidade. A energia solar é também responsável pela manutenção da temperatura ambiental. em certas fases da sua vida. É o caso das grandes cavernas e das grandes profundidades oceânicas. reconheceu que os organismos não vivem isolados. Em consequência. Em conjunto. As atividades metabólicas são fortemente afetadas pela temperatura ambiental. condensa e origina a chuva. A temperatura. Os seres vivos podem viver em dois grandes ambientes: expostos ao ar (seres terrestres) ou imersos na água (seres aquáticos).A luz (radiação solar) é um dos principais fatores que agem como determinantes do clima. a humidade. Em qualquer destes ambientes estão sujeitos às condições físicas. sendo a sua absorção pelas plantas fotossintéticas de importância vital para a comunidade. que é o conjunto das espécies que ocupam a mesma área. aqueles que vivem. A energia luminosa. Uma espécie que não tolere as condições físicas de um ecossistema não conseguirá sobreviver nele. que representa um dos fatores limitantes da distribuição dos organismos na Terra.Um fator que pode alterar a temperatura ambiental e a distribuição das chuvas é o vento. mantém a humidade do ar e constitui um ponto-chave no ciclo da água dos ecossistemas. Existem. muita humidade e muita luz. transformada pelos fotossintéticos em energia química. Os ambientes pouco iluminados têm poucas plantas (produtores) e são ocupados pelos animais e pelos decompositores. a luminosidade e os ventos são os principais fatores físicos ambientais. estes fatores são interdependentes. Fazem parte de uma "família". a comunidade. tem a sua estrutura e limites controlados pelos fatores físicos. outros a regiões quentes e ainda os que suportam grandes variações da temperatura e conseguem sobreviver em regiões com diferentes climas. A temperatura decorrente da radiação solar afeta a evaporação da água. Hoje define-se ecologia como o estado da interação entre os organismos com o seu meio biótico (vivo) e o seu meio abiótico (físico). ao encontrar regiões frias em altitude.

estabelecer as principais linhas de evolução desses grupos. por exemplo. São conhecidas por sistemas naturais. que dele se utilizam para a polinização e também para a disseminação das sementes.relacionados diretamente com o ciclo dos organismos vivos. O homem primitivo. nomenclatura e classificação dos seres vivos denomina-se sistemática ou taxonomia. aéreos e terrestres. Um outro fator ambiental que exerce influência nos organismos é o solo. Encontramos também no solo substâncias resultantes da decomposição dos organismos mortos. Alguns classificavam em voadores e não-voadores. ou seja. . tomando por base o hábitat. Atualmente. O solo é ainda o nicho ecológico de muitos seres vivos subterrâneos. pois ordenam naturalmente os organismos. de acordo com suas semelhanças e diferenças. A tentativa de sistematizar o mundo vivo é muito antiga e os critérios empregados pelos naturalistas variavam muito. Esses sistemas de classificação que utilizam critérios arbitrários. são chamados sistemas artificiais. Eles são refletem as semelhanças e diferenças fundamentais entre os seres vivos. visando o estabelecimento das relações de parentesco evolutivo entre eles. A distribuição de objetos ou seres em grupos. tomando por base a locomoção. outros os classificavam em aquáticos. SERES VIVOS Classificação dos seres vivos Uma característica inerente ao ser humano é a tendência de reunir em grupos os objetos ou seres que apresentam características semelhantes. Este é a base de fixação das raízes das plantas. os sistemas de classificação consideram um conjunto de caracteres relevantes. os quais permitem verificar as relações de parentesco evolutivo e estabelecer a filogenia dos diferentes grupos. principalmente com os vegetais. e é dele que estas retiram a água e os nutrientes inorgânicos essenciais para a vida de todo o ecossistema. é o que se chama de classificação. já distribuía os seres vivos em dois grupos: comestíveis e não comestíveis. O ramo da Biologia que trata da descrição.

Assim dentro das características evolutivas. . podemos usar como critério de classificação o número e o tipo de células: bactérias são unicelulares e procariontes. plantas seres autótrofos.Árvore filogenética dos seres vivos. animais são pluricelulares e eucariontes. por exemplo. ao falarmos de animais e plantas. Ao considerarmos bactérias e animais. podemos usar como critério de classificação o tipo de nutrição: animais são seres heterótrofos.

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