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Doutrina Codigo Criminal de 1830

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Doutrina

Professor Rolf Koerner Júnior
CÓDIGO CRIMINAL DE 1830 [1] ROLF KOERNER JUNIOR GLÁUCIO ANTONIO PEREIRA (Mestrandos da PUC/SP) Professor Doutor DIRCEU DE MELLO (Orientador) Sumário: 1. Introdução. 2. Fruto da ciência do direito penal seria o Código de 1830? 3. O Código de 1830: de sua vigência ao seu fim. 4. O Código de 1830: momentos antecedentes: a) a lei penal em vigor no Brasil e a necessidade de sua reforma. b) Em Portugal também se queria a reforma constitucional e penal. c) A questão filosófica. d) A questão política (afirmação de poder). e) A questão jurídica. 5. O Código de 1830: o início de sua vigência. 6. O Código de 1830: distonia com a Constituição de 1824. 7. O Código de 1830 e outros códigos do mundo: influência para ele e para os outros. 8. Os projetos e o Código Criminal de 1830. 9. O Código de 1830 e a sua estrutura. 10. Análise crítica da parte I (dos crimes e das penas) do diploma criminal de 1830: a) avanço; b) acientificidade e retrocesso. 11. O Código de 1830: a necessidade de modificá-lo e a lex posterior. Bibliografia. Referências Bibliográficas. 1. Introdução O primeiro código penal nacional vigorou, no Brasil, só a partir de 8 de janeiro de 1831. Até aí, a Assembléia Constituinte, pelo art. 1.o da lei de 20 de outubro de 1823, revigorou a vigência de leis portuguesas [2] , especialmente para o Livro V das Ordenações Filipinas, “enquanto não se organizassem novos códigos ou não fossem revogados aqueles atos legislativos”.[3] O desaparecimento do Código Criminal do Império (de 1830) deu-se com o Decreto n. 847, de 11 de outubro de 1890, que mandava observar um novo Código Penal Brasileiro (1890), com vigência para dali seis meses (cf. Decreto n. 1.127, de 6 de dezembro de 1890). Juridicamente, o Código Criminal de 1830 é fruto de observância de comando da Constituição Imperial de 1824. Com seu art. 179 [4], n. 18, exigia-se “um Código Criminal, fundado nas sólidas bases da justiça e da eqüidade”. Porém, mais forte que o fundamento jurídico, havia, na época, a filosofia (racionalidade do homem) e a política (humanismo racionalista) que, transplantadas para o seio penal, serviram de supedâneo para a substituição da legislação portuguesa por outra que se sintonizava com novas correntes do pensamento e, por razão maior, com a necessidade de reafirmar-se a soberania brasileira em face de Portugal, esta só reconhecida, por Portugal, pelo tratado de paz de 29 de agosto de 1825.[5] Com efeito, lá fora e com repercussão no Brasil, não havia mais como sustentar ou deixar a legislação penal de se conformar com a doutrina libertária da Revolução Francesa (1789). Mas, não só o condicionamento à ideologia burguesa, em

Dessa maneira. finalmente. aqui dentro. debateram o problema criminal: Beccaria. Na época. Sabe-se que. Carrara (1805-1888) e seu Programa do Curso de Direito Criminal. com a obra de clássicos (p. o classicismo [10] fazia escola.[9] 2. lá fora. porém persistente. de modo mais direto. Moacyr Benedicto de Souza fala sobre A Escola Positiva no Brasil e cita nomes ilustres . “que haveria que plasmar segundo os ‘direitos naturais’ do homem”. Não. Em nosso País.o) o principal objetivo do direito criminal e da ciência criminal é prevenir os abusos por parte das autoridades. Como o nosso diploma constitucional só foi jurado em 25 de março de 1824. mas os brasileiros se anteciparam aos portugueses [8] e era indispensável torná-la realidade para o Brasil. Claro que o crime sempre existiu e até antes do período acientífico do direito punitivo. Pedro Lessa (havido como o principal impulsionador das teorias penais positivas no Brasil. com a tala erguida. Afinal. e isso só aconteceu com o Código Criminal Imperial de 1830. o soberano devia conformar-se à lei. seus partidários garantiam foros de cidadania à obra de Iluministas. dois princípios desenvolveram-se: 1. seu magistério repercutia aqui no Brasil. exigia-se a abolição de medidas punitivas cruéis e infamantes.[12] Na sua monografia intitulada “A Influência da Escola Positiva no Direito Penal Brasileiro”[13] . pelo menos. a regra sobre a imprescritibilidade das penas (art. Voltaire. O Código de 1830: de sua vigência ao seu fim . Romilly etc.e. a questãosobre a sobrevivência do poder de mando político. ascensão bastaria para explicar a necessidade da mudança.de João Vieira de Araújo (considerado como o primeiro cultor do positivismo no Brasil e autor de “Ensaio de Direito Penal” (Recife.vagarosa. na época do Império (1822-1888) o positivismo criminológico já se desenvolvia lá fora e. nelas. 2. por exemplo. puderam criticar o Código Criminal do Império [15] e. os portugueses já se regiam pela Constituição damonarquia portuguesa. desde 10 de março de 1821 e sob juramento de oito de junho de 1821. havia. mas uma entidade de direito. Se não o elaboraram. esta defendida por algunspositivistas (Garófalo (1851-1934). Rossi. já se falava em necessidade para as leis. Bentham. advogavam o retorno à idéia de defesa social. o direito de Portugal ainda se aplicava. com a morte devia o Imperador Pedro I escravizar-se ao império da lei. por exemplo).[6] Também com oseu Grito [7] de Independência de vida ou. impunha-se haver proporcionalidade da pena para o delito. “desde os filósofos (Montesquieu. por óbvio. Feuerbach. Mas. 65 [16]). Fruto da ciência do direito penal seria o Código de 1830? No mundo de então (Século XIX). 1884).alguns aqui são só referidos à guisa de exemplificação .[17] 3. então. autorizando. não se podia dizer que o Brasil desamarrara-se definitivamente do jugo português se. 1889)). pelo Aviso de 28 de agosto de 1822? Declarou “aos juízes do crime que deviam regular-se pelas bases da” legislação constitucional portuguesa porque. mandava-se respeitar a pessoalidade para a aplicação de sanção criminal e. pela tese maior. aí está o surgimento da ciência do Direito Penal. Tobias Barreto (o primeiro crítico de Lombroso aqui no Brasil e um positivista à moda brasileira). 1888) e o “Código Criminal Brasileiro” (Recife. “Nova Escola de Direito Criminal” (Recife. Carrara. Pedro. na Itália). ademais. Basicamente.o) o crime não é uma entidade de fato. ” [11] . será que apenas pela Escola Clássica de Direito Penal deixaram-se seduzir os nossos penalistas? Afinal. Melo Freire. o que fez o Príncipe D. porque. Mas.. Rousseau) até aos que. quando. ainda. A referida antecipaçãodeu-se no âmbito penal e não no constitucional. a incorporação do utilitarismo pelo diploma sob comento. foi o período científico que deu à luz o Código Criminal de 1830. Blackstone. segundo o testemunho de Clóvis de Carvalho Junior [14]) e Cândido Motta (discípulo de Pedro Lessa e autor de “Classificação dos Delinqüentes” (1890)). na Europa portuguesa também se alimentava a idéia de mudança.

em Portugal. nem podia mais conservá-la para a aplicar aos naturais destinatários das normas penais. b) Em Portugal também se queria a reforma constitucional e penal É verdade. Afinal.[18] A aberturaera necessária. Pedro I abdica em 7 de abril. A oposição era forte. mude-se a lei também. o mesmo discurso (e sempre um eterno círculo vicioso) repetia-se: mudando o regime. finalmente. também em 1831. Observa-se que.127. 847. já estavam incorporadas na Constituição de 1821 e. . antes como regente e depois como imperador. Professor Catedrático da Faculdade de Coimbra. só de mentirinha fortalecia-se o detentor do poder na legitimidade. o Professor Aníbal Bruno observou que “a situação de vida política autônoma da nação. disseminavam-se.Vigorou o Código Criminal do Império desde 1831 até 1891. quando se podia celebrar (mais ou menos) o respeito pelos direitos humanos. D. foram adotadas pelo Código Criminal Português de 1852. na época imperial. com os predicados dos direitos humanos. No Brasil.. A imprensa era avessa ao imperador. conforme o testemunho abalizado de Eduardo Correia. não o soberano. Pedro de Alcântara II. o tratamento para o crime e para o criminoso. em seara de direitos humanos. pela abdicação. porque de 1822 até 1831 asleis portuguesas e algumas nossas somente amenizavam ou não resolviam.[20] O homem engrandecera-se. de 6 de dezembro de 1890). Com leis portuguesas e brasileiras sucedendo-se. Sempre o melhor dentre todos. este inspirado pelas fontes estrangeiras. as idéias reformistas. depois. e 1. e Portugal não podia agir diferentemente e também o Brasil de Pedro I. arriscaria o Imperador Pedro I fazer ouvidos moucos à mudança que se operava no mundo e no mundo português também? Obviamente que não. O exemplo francês (Queda da Bastilha e a guilhotina) repercutia em todos os lugares. 4. reclamada mais ainda pelo orgulho nacional e a animosidade contra tudo o que podia lembrar o antigo domínio”. aqui. para onde foi o Imperador Pedro I.[22] c) A questão filosófica A corrente de idéias do iluminismo inspirou a elaboração do Código Criminal do Império (1830). a) A lei penal em vigor no Brasil e a necessidade de sua reforma A dureza e o rigor do discurso liberal ecoava no Brasil e não dava mais para suportar e nem o homem político arriscar-se em não o adotar para o exercício de autoridade. de 11 de outubro de 1890.. Há momentos em que a pressão popular é enorme e o homem político não tem mais como lhe dizer um rotundo não. havia de sintonizar-se com a realidade de uma nova época. Também se trocava o Império pela República brasileira. A pressão popular era forte. o poder na pessoa do pequeno filho D. deixou. O Código de 1830: momentos antecedentes Aos poucos o Brasil foi abandonando a velha legislação portuguesa. Voltar a Portugal era a alternativa para Pedro I que. O mundo mudara. quando foi substituído pelo “Código Penal dos Estados Unidos do Brasil” (Decretos ns. depois a Carta Política do Império (brasileira) de 1824 e. Já havia ciência do Direito Penal. exigia uma legislação própria. Então. A situação de confronto entre brasileiros e portugueses era calamitosa. advêm a Constituição da monarquia portuguesa de 1821. na época com cinco anos de idade e sob o amparo de tutela de José Bonifácio de Andrade e Silva.[19] Ousa-se ir mais longe que o mestre de Pernambuco: na verdade. o Código Criminal do Império de 1830.[21] A seu turno.

d) A questão política (afirmação de poder) A autonomia do país ganhava corpo com uma nova legislação penal. a marca de ferro quente e todas as demais penas cruéis (art. no cárcere. no enfoque geral (pela exemplaridade de advertência. se o senhor (privilegiado) açoitasse o escravo e o castigo fosse empregado moderadamente. As críticas de Marques Perdigão [33] foram veementes. o escravo. pelo açoite. n. por sua vez.[25] No Brasil. àdignidade da pessoa (art. buscar-se-ia. a vitória do liberalismo não foi completa. foi publicada em 8 de janeiro de 1831 na Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça. se delinqüissem. cuja doutrina é encontrável em Frederico Marques [27] .” (art. 19). por exemplo). abolia os açoites. no âmbito jurídico. 13 [34]) estava na Constituição de 1824. como garantia individual (cf. 1. Afinal. que. inexoravelmente.[32] 6. a carta de lei que mandou executá-lo. o diploma punitivo de 1830 foi sancionado em 16 de dezembro de 1830 pelo Imperador Pedro I. Pode-se. mantê-los humildes e submissos. Depois. O princípio da igualdade jurídica (art. porém o tratamento legal ao escravo era diferente do dedicado ao homem livre. 179. para atemorizar os escravos. de que valeria a tese sobre a prevenção geral e especial não houvesse a legislação se abeberado no livre arbítriohumano (a capacidade moral do homem de eleger entre o bem (e não praticar o crime) e o mal (sofrer as conseqüências da pena). o Código Criminal do Império limitava o poder de autoridade. O Código de 1830: o início de sua vigência “Primeiro código autônomo da América Latina” [31] . ele culminou com o aparecimento do Código Criminal do Império. têm certeza sobre o utilitarismo de Jeremy Bentham (1748-1832) influenciar os elaboradores do diploma punitivo imperial. Mas. Ademais. Andrei Koerner afirma que “Quanto aos escravos.o [23] e 33 [24]. porém.. analisar algumas das situações conflitantes envolvendo os dois corpos legislativos. Depois. 179. aqui. Havia gritantes conflitos entre dispositivos da Carta de 1824 e os do diploma punitivo de 1831. e) A questão jurídica Filosofia e política repercutem. cita Vicente de Azevedo. pode-se citar.[30] 5. 60). mas. n. que Cezar Roberto Bitencourt descreve. pela pena. quando incorresse “em pena que não seja a capital ou de galés. aqui. arts. e assim se instalou o movimento codificador. a violência de senhores e feitores era o recurso usual para ‘manter o ritmo de trabalho. no Brasil e em Portugal. evitar ou punir fugas’”. O Código de 1830: distonia com a Constituição de 1824 Com a Constituição outorgada em 1824 derrogou-se a parte política das Ordenações Filipinas. a tortura. Autores como João Mestieri [26]. é dele a concepção sobre El panóptico. seriam punidos tal qual outrem o foi no passado) e especial (quando sob execução. ainda assim. 179. em seu Manual de Direito Penal. A Constituição exigia respeito. sinteticamente. sua Teoria das Penas e as teses a respeito da prevenção. o temor e a certeza de futura punição seriam a tônica para a realização da função preventiva especial da sanção criminal). mas o Código autorizava apenar. a pena serviria para demover o condenado da prática de outras infrações. 21). impedir atitudes de indisciplina ou reprimir revoltas.[28] Sobre o jusfilósofo Bentham.. justificado estaria o fato e isento de pena restaria seu . n. educar os outros.[29] A pequena-grande obra de Beccaria (“Dos Delitos e das Penas”) foi também importante para o projetista do Código Criminal do Império e ninguém ousaria negar que a obra do português Paschoal José de Melo Freire dos Reis inspirou os juristas brasileiros para a elaboração de nossalex poenalis. acima disso.[35] Interessante.

“a Portugal estaria assegurada posição vanguardeira no campo das ciências penais. por exemplo. arts.trabalho forçado (CCI. O castigo só parava para evitar que o escravo morresse. que sustentamos com a Espanha. aplicação e execução das penas. Há muito tempo. passado e voado o tempo desde o Livro V das Ordenações Filipinas. na dicção do art. a crueldade. Para Roberto Lyra. ainda imperava na época imperial. todavia. a absurdidade de certas provas e menosprezava algumas figuras de injustos criminais. “A revisão não se fez. [41] As razões para o abandonodaqueles projetos são referidas pelo Professor Catedrático da Universidade de Coimbra. o Código Criminal do Império (1830) é elogiado. Juridicamente. mas não ousava dissentir dessa fórmula. o caracterizavam”. pôde conhecer sua obra.) os fundamentos econômicos do Estado” [36] legitimavam o poder correcional do senhor em face do escravo e “ninguém podia fiscalizar a execução nos ‘sagrados limites’ dos feudos. Fosse-o. absoluta. e a residência superveniente de D. contra o mérito transcendente de um varão universitário. O penalista sabia que a sua atuação era ilegítima. arbitrária e obsoleta. crê. 14. 38 a 42). Ou as dificuldades do exame. Apesar de privilegiar uns e desprivilegiar outros. Observa-se que. poder-se-ia reprimir e prevenir (geral e especialmente) o crime. “Com certo constrangimento. Assinalando conhecer os argumentos de Beccaria contra as últimas.[44] Mas é em Nélson Hungria que se poderá buscar subsídio importante a respeito da influência que recebeu e deu o Código Criminal para o mundo penal. quando formulou e apresentou o projeto de Código Criminal. em seu “Manual de Derecho Penal”.o).[42] O projeto de Código Criminal de Melo Freire ridicularizava o Livro V das Ordenações Filipinas. Eugenio Raúl Zaffaroni passou a falar bem do Código de 1830 [43] e o Professor Haroldo Valladão elogiou-o. tais as qualidades que. O melhor para a sua época e o primeiro (e dos bons) na América Latina. Melo Freire admitiu. Com efeito.[40] 7. Gritos e depois gemidos cansados eram a rotina. art. A moderação explicava-se pela quantidade de chibatadas. João VI na corte do Rio de Janeiro conservaram na mesma situação estacionária. § 6... Galés “com calceta no pé e corrente de ferro”. Lá.autor (CCI.. o Código Criminal. Estes não foram transformados em lei. para os participantes IV Congresso Internacional de Direito Comparado. na cominação. em Paris. acontecia a mesma coisa. que fará entrar no Código penas corporais e aflitivas bem como capitais. o projetista (brasileiro) Bernardo Pereira de Vasconcelos formou-se e.. considerada a época da elaboração. e de outros países. Acabados em 1789. Melo Freire fora o autor dos projetos de Código de Direito Público e de Código Criminal. 44). Considerou-o . 50). art. que ‘em Portugal não pode por ora haver segurança pública’ sem elas”. Banimento do país (CCI. as guerras. cinqüenta por dia. art. Melo Freire sistematizou a ciência criminal de seu tempo e bem soube trabalhar com o individualismo filosófico: mais o homem e menos o soberano. Insurgia-se contra a crueldade das penas.acreditava-se que só com o temor. em Portugal. enfim. ritual macabro e proibição de enterro “com pompa” para o condenado (CCI. desfalcando o patrimônio anti-cristão”. Eduardo Correia.[39] Aqui em nosso País. ou. O Código de 1830 e outros códigos do mundo: influência para ele e para os outros Paschoal José de Melo Freire dos Reis era professor na Universidade de Coimbra. explica René Ariel Dotti. a legislação criminal do reino”. 60. A seu turno. pelos patrícios brasileiros e pelos estrangeiros. [37] Pena de morte [38]. pela forca. ou o ciúme e inveja da parte da magistratura. certamente. pela certeza de inflição de pena grave. “(. o marasmo geral que produziram na Europa as comoções políticas da França.

1. arts. A seu turno. Apesar de criticá-lo. com Melo Freire e seu Projeto de Código Criminal apresentado em 1789. ao Visconde de Alcântara (Ministro da Justiça) referendá-lo. principalmente porque o projeto adotou a pena de morte. “pouco veio a influir sobre a redação final” [48] do diploma punitivo. 8.dos crimes e das penas. e mais os códigos da Áustria (1803). C. arts.[46] A experiência portuguesa. 68 a 178. José da Costa Carvalho e J. Não conseguiu. II . o Código Criminal do Império (1830) foi adotado como modelo pela Espanha (1848.sem alguma originalidade e não ser decalque ou imitação servil de códigos europeus.dos crimes particulares. coube ao Senado adotá-lo inteiramente. pelos países da América Latina e Portugal (1852). em 16 de setembro de 1830. 10. em 23 de outubro de 1830. pela Câmara dos Deputados. depois de haver discussão de artigos do projeto.[45] Assim também Aníbal Bruno dizia: “obra legislativa realmente honrosa para a cultura jurídica nacional”. A Câmara dos Deputados elegeu o de Pereira de Vasconcelos [47]. em torna-viagem. e. Espanha (1822) e Louisiana (1825) serviram para o projetista montar e codificar a lei penal brasileira. Análise crítica da parte I (dos crimes e das penas) do diploma criminal de 1830: a) avanço A cidadania de dignidade brasileira muito ganhou com o Código Criminal de 1830. A. J. Havia muitas críticas. 1850 e 1878). de Almeida e Albuquerque. para a comissão mista formada por deputados e senadores (Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. C. ao Imperador D. Carneiro Leão e Muniz Barreto). arts. Seus 313 artigos são distribuídos da seguinte forma em seu corpo: I . Hungria o tinha como “obra notável de legislação”. da Silva Maia.dos crimes públicos. M. todavia ela foi excluída para os crimes políticos. A carta de lei mandou executá-lo em 8 de janeiro de 1831. que. 179 a 275.o a 67. 9. 276 a 313. Parma (1820). IV . no exterior. Pedro I sancionar. o Decreto de Código Criminal. aprovado. O Código de 1830 e a sua estrutura No Código Criminal de 1830 estão ausentes as partes geral e especial. Os projetos e o Código Criminal de 1830 Bernardo Pereira de Vasconcelos e José Clemente Pereira apresentaram os seus projetos em 4 e 15 de maio de 1827. Finalmente. emendas foram propostas. ainda escolhido por comissão ad hoc (Pinto da Gama. porque suas novidades eram velharias. Xavier de Carvalho queriaaprovar por aclamação a proposta de Bernardo de Vasconcelos. França (fonte principal e mais importante.Baviera (1813). arts. .dos crimes policiais. 1810). III . depois. de Deus e Silva). Por óbvio que nem sempre o diploma continha o que era de melhor cientificamente. Nápoles (1819). Com efeito. conforme proposta de Rego Barros.

Quando menor de 21 anos. 192. 179. 13). XX) e exigia haver dignidade no cumprimento da pena de prisão (art. tivesse o sujeito idade inferior a catorze anos. Tobias Barreto fundou a responsabilidade exclusivamente na causalidade da omissão. Considerou a codelinqüência como causa de agravação da pena (art. parágrafo 17). XXI [57]). o legislador imperial criou (e antes da lei belga) a responsabilidade sucessiva para os crimes de imprensa (art. arts.830 concebeu-os no art. repelindo a idéia de limitá-la através da exigência do dever de agir”. Pela menoridade... n.º.o. 13. 16 e §§ 2. ou para promover interesse pessoal seu: . n.) os primeiros comentadores do Código Imperial de 1830 pouco trataram da matéria. a disposição do Título V. 10. especificamente no Capítulo I.o).. parágrafo 10). silenciaram sobre os delitos comissivos por omissão. 179. aumentou e promoveu à categoria de autônomas. A doutrina desapercebeu-se dessa disposição num primeiro momento e. houvesse obrado com discernimento. que trata dos crimes contra a boa ordem e administração pública. no Código de 1830. no passado. 179. Com base na doutrina alemã de Von Bar. parágrafo primeiro). 1º [52] e 33 [53]).Deixarem de proceder contra os delinqüentes que a lei lhes mandar prender.[49] Como avanços de nossa primeira codificação. 14 e 17). é que Tobias Barreto versou seriamente o assunto. 18.. por affeição. A seu turno. o diploma penal de 1830 era liberalizante porque. XIII). 55 [58]). CCI. não era considerado criminoso (art. Feuerbach. era internado para correção (art. pode-se apontar: a) contemplado com a Constituição de 1824 (art.o) e a motivação determinante do crime fora considerada (art. Humanizou a execução da morte do condenado e suprimiu as penas infamantes.879. conforme a natureza proibitiva ou preceptiva do mandato infringido. Para os loucos de todo . § 1. Quando o fizeram. Esse aspecto é posto por Basileu Garcia. pela sanção capital. o código de 1830 assegurou cidadania aonullum crimen. Schwartz. para os crimes e para as penas. 179. Acerca dos crimes omissivos. definia-se o crime doloso (arts. 11. Na época imperial. 7. Só em 1879. nulla poena sine lege (arts. somente em 1.º .o. Relativamente aos omissivos impróprios. para o homicídio. n. 2. o delinqüente teria a pena atenuada (art. accusar. A Constituição de 1824 dizia haver igualdade jurídica entre os homens (art. é que Tobias Barreto debruçou-se sobre o assunto. Como exemplo típico de conduta omissiva leia-se. o Código Criminal de 1. No âmbito da responsabilidade. com a complementação dos arts. 49) e sempre individualizável o encarceramento (art. 2.Serão julgados prevaricadores os empregados públicos que. § 5.Nesse aspecto. com abolição expressa do confisco e da infâmia (art. 48 e 49). I [50] e XI [51]). Com a mesma idade. ódio ou contemplação. 129 . quase como regra. distinguiu entre crimes comissivos e omissivos. Glaser e Von Buri. ou seja: “Julgar-se-há crime ou delito: Toda a acção ou omissão voluntária contrária ás leis penaes”.º.o. Subdividiu os omissivos em próprios e impróprios a pessoas a quem a lei impõe certas normas de proceder.[55] Também impunha a personalidade das penas. processar e punir”. Conta o saudoso Professor Alcides Munhoz Netto [54] que: “(. introduziu o princípio do dia-multa (art. ns. parágrafo 1. as críticas eram merecidas. 179. 16.º. Secção I: “Art. não outras como as que se envolviam com a falsa premissa de aumento da criminalidade e os críticos buscavam destruir o caráter liberal do diploma criminal. Relativamente à pena pecuniária. permitida a sua substituição por regime menos gravoso (prisão simples. art. CCI. 7. com os atributos prospectivo e irretroativo da lex poenalis. 10. 12. as penas privativas de liberdade para hipóteses puníveis. e 3. XXI [56].

Por que não extinguir. não se punia. do Código Criminal de 1830. o mito sobre a igualdade jurídica era destruído pelo diploma punitivo. açoutes (art. 44 e 45. causa de isenção de responsabilidade (art. por que o entendimento sumulado só insiste em autorizar o reconhecimento de falta de justa causa para o emitente de cheque sem provisão de fundos em poder do sacado e não para os demais crimes contra o patrimônio? b) acientificidade e retrocesso Sobre a culpa stricto sensu. para os homens livres (art. fuga de preso por negligência do carcereiro. 39 a 41. para a frente do juiz (art. ainda. todavia pecava ele ao permitir. 10. o arbítrio judicial na fixação da pena (art. no art.o e 2. ridicularizar o sujeito (exposição). da Lei n. na lei sob comento. 60 [66]) as garantias acenadas. Inovação de vulto trouxe o Código Criminal de 1830. galés perpétuas (art. Assim também era o tratamento para a coação irresistível (art. por descuido ou negligência). 153. 34. lamentavelmente maltratada pelo egoísmo e pelo elitismo de moderno legislador brasileiro. 71. que pressupõem todos conhecedores das leis da sociedade”. Quando condenado à morte. Na negação de garantias alimentava-se o Código Criminal de 1830. art. exigia-se. Se assim decidia a jurisprudência imperial.. Magalhães Noronha [61] discordava de outros. Como regra geral.e. 3º [62]. Havendo a morte pela forca (art. “por mais veemente que seja”. legalmente. “a mentalidade jurídica . 19 [59] e 20 [60]). 33. constitucionalmente. e no art. mas a lei mandava satisfazer o mal causado (art. não conduzia à escusabilidade. sem delongas ordinárias da Lei n.o) e o fortuito (art.a parte. hoje ainda uma grande e apaixonante tese criminológica. na época. o que punha em xeque o princípio da legalidade individualizada. galés (arts. que proibia condenação fundada em presunção. suas decisões punham de manifesto a negativa de vigência à regra do art. pois permitia a prisão perpétua (arts. particularmente à reparação civil do dano (arts. parte final [65]). par.033 de 20 de setembro de 1871 (arts. porque o escravo desmerecia (CCI. Sobre o erro acerca da proibição. repara o dano ou restitui a coisa nos crimes sem violência ou grave ameaça. a punibilidade para o autor primário com bons antecedentes nas infrações patrimoniais? Havendo o pagamento. 68. parágrafos 1. 125. Apontou que o legislador do Império não definiu a infração imprudente. n. Nesse aspecto.[63] Com efeito. Havia individualização (fase da cominação).gênero havia. falta de exação no cumprimento de deveres. como exceção. A lei mandava observar o ritual descrito nas regras dos arts. estava impregnada pelo pensamento de que o conhecimento das leis deve sempre ser presumido.209/84 (arrependimento posterior). 60) [67]. 18 a 21). 179.099/95. 2. omissão do Código Criminal de 1830 foi suprida pela Lei 2.. voluntariamente. par. o Professor Munhoz Netto fazia ver que a aplicação do art. a legislação imperial não abandonou a crueldade para a pena e sua execução. par. 38). porque.o). para o abuso no exercício do princípio de utilidade da pena capital. Da desumanidade ia-se para a indignidade e. 16. 85). 7.o). 9. E. 4.o). Nessas hipóteses. 3. É o caso da regra do art. 10. 36. os . 10. A seu turno. em ferro.. 62) e ser trazido o escravo. Mínimo é o prêmio para quem. 2. 11). também Araújo Filgueira Júnior [64] falou na escusa pela ignorância do direito (e ela) “não se conformar com os princípios do direito criminal. 60). porém contemplava o fato culposo do homem em diversos dispositivos (p. XIII). pura e simplesmente.

privilegiar os crentes de igreja e supervalorizar as práticas religiosas. Recife. Mas. BIBLIOGRAFIA ARAÚJO. propôs-se a ampla reforma lei criminal. tomo 1. de outro lado. de um lado. Interessava ao Estado resgatar a sua natureza liberalizante de há muito combalida. 65) 11. Era também vedada ‘a propaganda de doutrinas que. Rio de Janeiro. Só com a abolição da escravatura (Lei Áurea. o escravo que matasse a seu senhor. CCI. no Sistema de Justiça Criminal. art. institutos (crime culposo. I. BECCARIA. Com efeito.o. 42). Forense. 18 de setembro de 1851. 278)”. 15 de outubro de 1886) e regrava o direito penal internacional (4 de agosto de 1875). Nova Escola de Direito Criminal. a República foi proclamada (15 de novembro de 1889) e um novo tempo iniciou para a História do Brasil com o advento de trabalhos jurídicos (bons ou maus) que redundaram no Código Penal dos Estados Unidos do Brasil (1890). parágrafo segundo). dispor sobre o dano. vol. sob a Lei de 20 de junho de 1835. Saraiva. 9. 20 de setembro de 1871). 4 de setembro de 1850. “à sua mulher. Até antes.parentes e amigos não podiam enterrar com pompa o corpo do enforcado. São Paulo. . 276). A preocupação em tornar certo o conteúdo de comando infracional não bastava. Aníbal. Depois. A imprescritibilidade das penas impostas por sentença era absurda (art. 37) impedia-se a detração. com a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888. Dos Delitos e das Penas. 1884. Parte Geral. tipificar infrações militares. ________. Antes. do culto de outra religião que não ao do Estado (art. destruam as verdades fundamentais da existência de Deus e da imortalidade da alma’ (art. conformou-se a lei penal do Império ao novo status quo. com morte. mas. O Código de 1830: a necessidade de modificá-lo e a lex posterior Modificação substancial sofreu o Código Criminal de 1830. Por exemplo. 1889.º. modificava-os (a exclusão da natureza genérica atribuída ao estelionato. Cezar Roberto. Manual de Direito Penal. sob pena de crime (art. A igreja anglicana participava do privilégio da extraterritorialidade. Direito Penal. não separada a Igreja do Estado. ou publicamente em qualquer lugar. pelo júri. 1976. Recife. o legislador de 1830 quis conferir dignidade ao Direito Penal ao não julgar criminosos “Os que fizerem analyses razoáveis dos princípios e usos religiosos” (art. punia-se. 2000. BITENCOURT. 13 de maio de 1888). diretamente.[68] Se processual a prisão (para prevenir a fugida. BRUNO. uma ou outra lei introduzia. incêndio e outros delitos. João Vieira de. a descendentes e ascendentes”. desmereceu a ciência penal porque insistia em confundir direito e religião. 20 de setembro de 1871). definia novos crimes (ao reprimir o tráfico de africanos. Parte Geral. “o código proibia a celebração em casa ou edifício com alguma forma exterior de templo. Ensaio de Direito Penal.

1954. 1990. A Escola Positiva Penal. CORREIA. São Paulo. 1971. São Paulo. Rio de Janeiro. Criminologia. Direito Criminal. FERREIRA. 1980. HUNGRIA. O Homem Delinqüente e a Sociedade Criminógena. DIAS. 1984. 1988. 1980. edição do autor. Rio de Janeiro. Luiz Alberto. José Frederico. n. Max Limonad. MACHADO. MARQUES. 1975. São Paulo. I. MESTIERI. Coimbra. Parte Geral. Revista do Instituto dos Advogados do Paraná. Direito Penal Normativo. José Konfino . Curitiba. Viveiros de. Parte Geral. Forense. Judiciário e Cidadania na Constituição da República Brasileira. Araújo. Teoria Elementar do Direito Criminal. Coimbra Editora.. Comentários ao Código Penal. 1984. Bases e Alternativas para um Sistema de Penas. José Konfino . in Ciência Penal. ________. Rio de Janeiro.CARVALHO JR. Editora Hucitec. Reforma Penal Brasileira. Rio de Janeiro. Manuel da Costa. I. 1957. Saraiva.Editor. Eduardo. Código Criminal do Império do Brasil. Rio de Janeiro. João. Curitiba. Campinas. NORONHA. 1971. Anotado. 1997. 1987. Ano II. A Nova Escola Penal. Andrei. LYRA. Rio de Janeiro. MARTINS. Virgilio. Forense. KOERNER. _________.º volume. Waldemar. Sistema de Direito Penal Brasileiro. tomo I. página 14. Do Crime Culposo. 2000. DOTTI. A Moderna Teoria do Fato Punível. Livraria Almedina. Magalhães. Parte Geral. Direito Penal. Clóvis de. São Paulo. São Paulo. Rio de Janeiro. Heleno Cláudio. Direito Criminal. CIRINO DOS SANTOS. Salgado. 1975. Juarez. Rio de Janeiro. Jorge de Figueiredo et ANDRADE. ________. Freitas Bastos. René Ariel. Limitada. 4. 1974. vol. Coimbra. A Ignorância da Antijuridicidade em Matéria Penal. CASTRO. São Paulo. E. Saraiva. MUNHOZ NETTO. .Crimes Omissivos (relatório geral apresentado ao Colóquio de Direito Penal Preparatório do XIII Congresso Internacional de Direito Penal).Editor. 1984. Forense. vol. DONNICI. FILGUEIRA JR. I. São Paulo. Alcides. História do Direito Constitucional Brasileiro. Nélson et FRAGOSO. Forense. 1988. 1876. vol. Roberto. 1978. 1913.º 06. n. A Criminalidade no Brasil (Meio Milênio de Repressão). RT. Tratado de Direito Penal. 1.

179 é encontrável no Título VIII. cedendo-lhe e transferindo-lhe. o Decreto de 5 de março de 1790 diminuiu o tempo de segredo dos presos e facilitou a comutação das penas. corroborados pelo Decreto de 11 de janeiro de 1802 que tornava obrigatória a referida comutação afora as exceções que registrava”. estabeleceram regras visando a maior cautela na aplicação da pena de morte. Tratado de Direito Penal. [6] cf. 2000. José Konfino .igualdade de todos perante a lei”. Nessa obra. Princípios Básicos de Direito Penal. inúmeras leis sucederam-na. a tortura. p. THOMPSON. transmissível a seus legítimos sucessores” (cf. 1984. Rio de Janeiro. como a que aconteceu em 23 de maio de 1821. confirmatórios e ampliativos do Decreto de 20 de agosto de 1777. pode-se também falar em reforma parcial. São Paulo. 20 . [3] A respeito. p. sobre todos. escura ou infeta. SIQUEIRA. e outros quaisquer ferros inventados para martirizar homens ainda não julgados a sofrer qualquer pena aflitiva por sentença final”. ficando implicitamente abolido para sempre o uso de correntes. 44). Curso de Direito Penal Brasileiro. poderiam os réus usar do recurso de graça (Const. em caso nenhum. Limitada.Editor. Coimbra Editora. sobre a matéria penal. Haroldo. [2] Augusto Thompson escreveu a monografia intitulada Escorço Histórico do Direito Criminal Luso-Brasileiro (RT.a não retroatividade da lei penal”. . art. Pedro por Imperador. Freitas Bastos. de 11 de março de 1797 e de 12 de dezembro de 1801 alargaram a possibilidade de comutação da pena de morte. SOUZA. 4o.que. São Paulo.Desde já ficam abolidos os açoites. a soberania. Teoria do Delito. Parte Geral. 67. Miguel. a importância da aludida Constituição não fica jungida ao n. sim para amenizar a questão criminal. 1950. muito amado e prezado filho D. [4] O referido art. pois que a prisão deve só servir para guardar as pessoas e nunca para as adoecer e flagelar.Nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente. tomo I. há outras novidades de garantia.. “os Decretos de 20 de agosto de 1790 e de 13 de novembro de 1790. com o Decreto do Príncipe Regente D. os Decretos de 27 de janeiro de 1797. RT. Nas suas palavras. Veio a Constituição de 1824 e. e a seu. Assim: “13 . a marca de ferro quente e todas as mais penas cruéis.). nele. “19 .PRADO. Pedro: “Art. . Saraiva. São Paulo. 179. Mas. grilhões. 29 de março de 2001. Francisco Assis de. possa alguém ser lançado em segredo ou masmorra estreita. RT. 1954. fala sobre a longevidade das Ordenações e conta que. não para fazê-la desaparecer. Augusto. TOLEDO. § 8o. tomo I. Rio de Janeiro. Luiz Régis. 119 e 120). VALLADÃO. “3 . O homem delinqüente e a sociedade criminógena. [7] Grito do Ipiranga. 1950. Moacyr Benedicto de. Jorge de Figueiredo Dias e Manuel da Costa Andrade (Criminologia. o último substituindo-a pela de ‘trabalhos públicos na cidade de Lisboa’. “Das Disposições Gerais e Garantias dos Direitos Civil e Políticos dos Cidadãos Brasileiros”. ler Galdino Siqueira. 18 do citado art. História do Direito Constitucional Brasileiro. não haverá em caso algum confiscação de bens. Escorço Histórico do Direito Criminal Luso-Brasileiro. conta Waldemar Ferreira que se “reconheceu o Brasil na categoria de império independente dos Reinos de Portugal e Algarves. (pp. Rio de Janeiro. Particularmente ao Brasil de antes do Código Criminal de 1830. São Paulo. 1976). com a Lei de setembro de 1826. nem a infâmia do Réu se transmitirá aos parentes em qualquer grau que seja”. p. historicamente. 101. História do Direito Especialmente do Direito Brasileiro. São Paulo. Tratado de Direito Penal. porque. 1982. REALE JR. [5] A respeito do referido tratado de paz. Parte Geral. algemas. 1980. A Influência da Escola Positiva no Direito Penal Brasileiro. 7). Portanto. Livraria e Editora Universitária de Direito. 1986. 2000. 1976. Galdino. São Paulo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] São Paulo. Em 18 de junho de 1822. Parte Geral. São Paulo. através de medidas de caráter processual. Max Limonad. criava-se regentes juízes de fato para julgamento de abuso de liberdade de imprensa. RT. depois.. de sua livre vontade.

p. São Paulo. tomo 1o. 65 . 1982. n. 1980) afirmar: “A influência que os avanços do direito estrangeiro exerceriam em nossa formação a partir do último quartel do século XIX foi acentuada. a Constituição Federal de 1988. vol. [18] Salgado Martins despertou-se para a necessidade de haver um desenvolvimento pacífico do Brasil imperial (cf. Paula Pessoa (“Código Criminal Anotado”). [15] Também o Professor Magalhães Noronha (Direito Penal. com os pesados encargos deixados pela colonização portuguesa. levando-lhes os responsáveis a adotar medidas prontas e enérgicas no sentido de não sofrerem. e nenhuma deve passar da pessoa do delinqüente. Tratado de Direito Penal. Mas. [21] Em magnífico trabalho intitulado “A Criminalidade no Brasil (Meio Milênio de Repressão” . (p.. p. Pedro I: “O assassinato de Líbero Badaró em São Paulo. 12. 28) [13] Livraria e Editora Universitária de Direito. Campinas. São Paulo. a marca de ferro quente. e todas as mais penas cruéis e infamantes ficam em conseqüência abolidas” (p. p. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático” (inciso XLIV). I. alarmaram as monarquias vizinhas. Nos casos. [17] Presentemente. p. à qual era aplicada a pena de morte. [24] “Art. seriam eles ultrapassados. citado por Luiz Régis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro. [22] A respeito.. 96). Coimbra. Ele cita os nomes de Brás Florentino (“Lições de Direito Criminal”). Os positivistas chamavam de clássicos os seus antecessores. I. no Rio de Janeiro. 5o. 1o. também eles. 1976.”. p. os efeitos da ‘anarquia republicana’”. Sistema de Direito Penal Brasileiro.Nenhuma lei. 4. em seu art. p. no Brasil. Magalhães Noronha. I. se encontram neste Código vestígios da tradição portuguesa. “Ensaios sobre a tentativa criminal”. [11] Consultar Figueiredo Dias e Costa (ob. “Mandato Criminal”. por exemplo. Também Galdino Siqueira fala na influência do positivismo para a elaboração do Código Criminal de 1830 (v. e muito menos a penal. p. Rio de Janeiro. sobretudo após 1789. Ano II. e a Noite das Garrafadas em 1830. civis os militares.Não haverá crime ou delicto (palavras synonimas neste Código) sem uma lei anterior que o qualifique”. 22).Forense. considera imprescritíveis o crime de racismo (inciso XLII) e o que envolva “ação de grupos armados. [14] A Escola Positiva Penal. em “Bases e Alternativas para um Sistema de Penas” (Curitiba. a infâmia. 33 . [12] René Ariel Dotti cita Viveiros de Castro (“A Nova Escola Penal”.. cf. Carlos Perdigão e Francisco Luís. in Ciência Penal. “Comentário e Crítica ao Código Criminal Brasileiro” e “Estudos de Direito”. o baraço e pregão. as fontes do Código de 52 são principalmente estrangeiras”. da Constituição portuguesa de 1821: “Art.. 1997. Toda pena deve ser proporcionada ao delito. cit. 118 e 119). p. que resultariam na abdicação de Dom Pedro I. [16] “Art. 127. 1971. [9] Em José Frederico Marques (Tratado de Direito Penal. consultar Direito Criminal. A confiscação de bens. 2000. [10] Classicismo é conceito que revela uma acabada tradição. [19] Direito Penal. autor de “Menores e Loucos”. os açoites.119). 1971. Parte Geral. São Paulo. escreveu Augusto Thompson (Escorço Histórico do Direito Criminal LusoBrasileiro. [20] “Os episódios que se sucediam na França. Parte Geral. bastante raros. “Fundamento do Direito de Punir”. p. 118) há referência ao art. 1913) para. 178. para o Prof. . em que o autor tece considerações acerca das fontes do Código de 1852: “Só em alguns casos. pé de página n. a tortura. Volume. Saraiva. nada mais foram que o final de uma luta entre várias facções da aristocracia rural brasileira. vol. RT. “Delitos por Omissão”. e na punição da adúltera em flagrante delito. Rio de Janeiro. 1984 . 106. p. Rio de Janeiro.19. em 1831” (p. “Prolegômenos do Estudo do Direito Criminal”. 1o. 48). 7 e 8). principalmente através das doutrinas do positivismo”. será estabelecida sem absoluta necessidade. em outubro de 1829. Livraria Almedina. vol.Nenhum crime será punido com penas que não estejão estabelecidas nas leis. 12 . o maior jurista da época foi Tobias Barreto. . no sentido negativo ou pejorativo. Asùa. 60 e 61) enfatiza o trabalho magnífico de juspenalistas da época de vigência do Código de 1830. Pois. [23] “Art. da punição do crime de simulação.As penas impostas aos réos não prescreveráõ em tempo algum”. inspirada nas Ordenações. Tomás Alves Júnior (“Anotações teóricas e práticas ao Código Criminal”). 71).o Professor carioca Virgílio Donnici escreveu a respeito do momento imediatamente antecedente à abdicação de D. 1975. Forense.[8] O Código Criminal Português é de 1852. de resto.

). 47. Penal e Constitucional) para o congresso de sábios (Cortes Constituintes eleitas em dezembro de 1820. Sistema de Direito Penal Brasileiro. A torre de inspeção está também rodeada de uma galeria coberta com uma gelosia transparente que permite ao inspetor registrar todas as celas sem ser visto. Parte Geral. cujas pequenas cavidades podem ser vistas todas desde um ponto central. segundo o plano que lhes proponho. [39] Augusto Thompson. citado por René Ariel Dotti (Bases e Alternativas para o Sistema de Penas. homicídio agravado e latrocínio. grande permeabilidade às idéias do seu tempo e do seu meio”. 1980. p. imorredoura a sua obra. 196.). 1990. 2. José Konfino Editor. 1980. sem olvidar os da liberdade individual. 13 . Augusto Thompson.”. Freitas Bastos. 179. p. vol. p. é no Direito Penal que se apresenta. p. Nélson Hungria. [38] para insurreição de escravos. Rio de Janeiro. [36] Direito Penal Normativo. deveria ser um edifício circular. 43. 1965. p. [28] Acerca da experiência portuguesa. [27] Tratado de Direito Penal.A lei será igual para todos. 2000. 1980. Rio de Janeiro. 145. 50. quer castigue. São Paulo. [31] cf. Paschoal de Mello Freire encarregado de elaborar o Código de Direito Criminal. em um só pensamento de dotar o país de uma lei que lhe consultasse os interesses de segurança. Para Bentham. Direito Penal Normativo.. sendo a obra submetida à comissão de censura criada em 1789. Rio de Janeiro. p. I. São Paulo. [29] “(. p. deu-se a máxima publicidade ao referido diploma: “ciente a nação de como correram as discussões e votações. 39).. 2000. Editora Hucitec. [35] Judiciário e Cidadania na Constituição da República Brasileira. p. Uma galeria em cada andar serve para a comunicação e cada pequena cela tem uma porta que se abre para a galeria. Uma torre ocupa o centro e esta é o lugar dos inspetores: mas a torre não está dividida em mais do que três andares. porque está disposta de forma que cada um domine plenamente dois andares das celas.. que vem a ultimar após cinco anos. Escorço Histórico (etc. José Konfino . que é a faculdade de ver com um olhar tudo o que nele se faz”.) Uma casa de Penitência. 90. Introdução e Parte Geral. ou melhor dizendo.. José Konfino Editor. A severidade das críticas impediu a promulgação do Código Criminal de Mello Freire. São Paulo. 43. a sua contribuição (projetos de Código Civil. Saraiva. 82. p. ler Salgado Martins. e ob. [32] Para Galdino Siqueira.) [30] Em Portugal. vol. n. Bentham endereçou. [33] Manual do Código Penal Brazileiro. todavia. O inspetor invisível reina como um espírito” (Manual de Direito Penal. 165)).) a Rainha Maria I nomeia. 1986. Curitiba. em pé de página sob o n. São Paulo.[25] Aliás.. I. Todo edifício é como uma colméia. em 1783. A respeito. citação reproduzida em Princípios Básicos de Direito Penal de Francisco de Assis Toledo (Saraiva. a respeito História do Direito Especialmente do Direito Brasileiro. 52).. Embora ausente a sensação de sua presença é tão eficaz como se estivesse presente. 70). Com uma simples olhada vê um terço dos presos. p. [43] cf. p. Tratado de Direito Penal. [44] V. “(. (loc..Editor. tomo 1o. Comentários ao Código Penal. [37] Roberto Lyra. p. em 1821. o nome panóptico expressa: “em uma só palavra a sua utilidade essencial. Os quartos dos presos formariam o edifício da circunferência com seis andares e podemos imaginar esses quartos com umas pequenas celas abertas pela parte interna. 106. 107. [40] Reforma Penal Brasileira. porque uma grade de ferro bastante larga ou deixa inteiramente à vista. A respeito. 132. São Paulo. Escorço (etc. Escorço (etc. [42] apud Augusto Thompson. 106 e 107. Parte Geral. 188. ler Augusto Thompson. tomo I. I. [34] “Art. .). da dedicação com que se houveram todos. 25. São Paulo. e movimentando-se em um pequeno espaço pode ver a todos em um minuto. 1988. 1957.). p. “mais do que qualquer outra disciplina jurídica. quer proteja. 1950. edição do autor. n. p. refletindo o seu grau de cultura e civilização” (cf. [41] cf. restando. p. Escorço (etc. 18). São Paulo. I. p. Forense. pé de página n. Forense. dois edifícios encaixados um no outro.. como das primeiras sistematizações modernas da legislação penal. cit. pois data seu projeto de 1788”. 121. 1975. p. vol. do cuidado na escolha dos membros das comissões revisoras. (A respeito ler Teoria do Delito de Miguel Reale Junior (RT. São Paulo. 1988.. [26] Teoria Elementar do Direito Criminal. p.

. o projeto de Clemente Pereira não foi recusado pura e simplesmente. 48. leva à responsabilidade objetiva.) que para entrar na regular discussão conforme a ordem dos trabalhos. 1978.”. antes. [58] “A pena de multa obrigará os réos ao pagamento de uma quantia pecuniária que será sempre regulada pelo que os condemnados puderem haver em cada um dia pelos seus bens. [67] os açoites foram abolidos com a revogação do art. . tomo I. Sobre o medo de autores penalistas. poderá mais facilmente levar-se a possível perfeição com menor número de retoques acrescentados àqueles que a Comissão já lhe deu. p. 178.”. [65] “(. quer castigue . São Paulo. Freitas Bastos. conforme suas circunstâncias. 1984. ainda na atualidade. de acordo com o seu ilustre autor”. médio ou mínimo. cuja prudente variedade muito concorre para a bem regulada distribuição delas. [49] citado por Francisco de Assis Toledo. Vasconcelos.) salvo o caso em que aos juízes se permitir arbítrio”. Forense. volume I. 60. Forense... por virtude de lei anterior. [46] Direito Penal. p. São Paulo. 1978..) havendo diversas casas para separação dos réus. quando a Lei especificamente a não designar de outro modo”. 53. 1980. [54] “Crimes Omissivos”. pela Lei de 15 de outubro de 1886. e bem arejadas . tomo 1o. [61] Do Crime Culposo. [53] “Nenhum crime será punido com penas que não estejão estabelecidas nas leis. Anotado. Rio.. página 14.. vol. limpas. nem com mais ou menos daquellas que estiverem decretadas para punir o crime no grão maximo. 47 e seguintes)) que ambos foram impressos. 53.. 14. deve ser lida a crítica segura de Juarez Cirino dos Santos (a Moderna Teoria do Fato Punível. sem conhecimento do mal e intenção de o praticar”.. [47] Mas. salvo o caso em que aos juizes se permitir arbítrio”. porém se preferiu o elaborado por Vasconcelos: “(. e na forma por ela prescrita”. e natureza de seus crimes”. n. razoáveis e eqüitativas. tomo I. e por mais munido na divisão das penas. n. p. [56] “As cadeias serão seguras. p. p. que se recusam ou não afastam esse absurdo entendimento. 1974. Rio. Forense. 2000. publicado na Revista do Instituto dos Advogados do Paraná.. 248). por ser aquele que. Contam os anais (reproduzidos por Hungria (Comentários ao Código Penal. desaparecera a pena de açoite. Princípios Básicos de Direito Penal. [66] “Se o réo for escravo. Saraiva. [60] lesões culposas. Saraiva. [57] “(. I. Forense. empregos ou industria.[45] Comentários ao Código Penal. Rio. 1876. p. [63] Ignorância da Antijuridicidade em Matéria Penal. 6. por mais amplo no desenvolvimento das máximas jurídicas. p. se prefira o do Sr. relatório geral apresentado ao Colóquio de Direito Penal Preparatório do XIII Congresso Internacional de Direito Penal. quer proteja. 10. [50] “Nenhum cidadão pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.”. p.. isto é. tomo I. que.. Forense. irremediavelmente. [55] “A lei será igual para todos. e incorrer em pena que não seja a capital . Direito Penal. [59] Crime de homicídio culposo. [64] autor de Código Criminal do Império do Brasil. 1980. [62] “Não haverá criminoso ou delinquente sem má fé.. [52] “Não haverá crime ou delicto (palavras synonimas neste Código) sem uma lei anterior que o qualifique”.. 178. em 10 de julho de 1835. 1978. senão pela autoridade competente. [51] “Ninguém será sentenciado.º 06. p. [48] Aníbal Bruno.

José Konfino . 43.[68] Roberto Lyra. . Direito Penal Normativo. p. 1975.Editor.

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