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O que é literatura - Interpretação de textos

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Published by: Ana Alencar Barbosa Camponez on May 28, 2012
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INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

TEXTO 1 Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? (Luís Vaz de Camões) TEXTO 2 VISTA CANSADA Otto Lara Resende Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Davalhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

como seriam os olhos sujos. Além disso. edição de 23 de fevereiro de 1992 • (Responda no seu caderno) Sobre o texto 1: a) À primeira vista. suicidando-se. ninguém vê. Texto publicado no jornal “Folha de S. aparentemente irreconciliáveis. utiliza-se ironia e de sarcasmo. heterônimo de Fernando Pessoa. / Reparasse que nascera deveras. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.” Contrapõe-se dois jeitos de ver o mundo: como se fosse pela última vez. ou as figuras menores na base das estátuas erigidas para os vencedores”? g) As pessoas ao seu redor veem o mundo desse modo. gastos. c) Troque idéias com seus colegas e seu professor sobre o poema. uma união de idéias contrárias. estabelece-se uma diferença. Cite exemplos. Que trechos ilustram isso? e) No texto. refere-se possivelmente a Alberto Caeiro. ao nascer. Por quê? b) Esse texto apresenta predominantemente a linguagem figurada. os pobres que moram nos porões cujas janelas beiram a calçada. Na sua opinião. em que se diferenciam esses modos de ver? c) Assim como no poema de Camões. Marido que nunca viu a própria mulher. ou pela primeira. Paulo”. isso existe às pampas. opacos. de fato. e à maneira como morreu. apresenta-se um paradoxo.. opacos? E os atentos e limpos? f) Que relações podemos estabelecer entre o texto e esta afirmação da pesquisadora Jeanne Marie Gagnebin. Na sua opinião./ Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do Mundo. também chamada de conotativa. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia. Há pai que nunca viu o próprio filho.Uma criança vê o que o adulto não vê. e aos seguintes versos seus: “Sei ter o pasmo essencial/ Que tem uma criança se. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que. sintetizando o seu conteúdo? Sobre o texto 2: a) O poema de Camões utiliza intensamente a linguagem figurada. jornalista e romancista estadunidense.. E o texto de Otto Lara Resende? b) Esse texto refere-se a Ernest Hemingway (1899-1961).. Que leituras são possíveis? d) Que título você daria ao poema.. Em que trecho do texto isso se evidencia? Que leitura você faz dessa contradição? d) Em alguns momentos. com a vista cansada? . É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença. ao referir aos olhos e ao olhar. esse poema pode causar um certo estranhamento. “a criança vê aquilo que o adulto não vê mais.

pode ser também que ninguém desse por sua ausência. pela mesma porta. Lá estava sempre. mas não é. nunca o viu. não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Gente. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. Para ser notado. é um contentamento descontente. a gente banaliza o olhar. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. você não vê. disse o poeta. o porteiro teve que morrer. . Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa. você não sabe. não vemos. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. é servir a quem vence.TEXTO 1 Amor é fogo que arde sem se ver. Marido que nunca viu a própria mulher. e não se sente. é dor que desatina sem doer. Parece fácil. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. é um cuidar que ganha em se perder. Uma criança vê o que o adulto não vê. o vencedor. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. se tão contrário a si é o mesmo Amor? (Luís Vaz de Camões) TEXTO 2 . Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. é ferida que dói. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia. coisas. Vê não-vendo. morre comigo um certo modo de ver. Davalhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência.VISTA CANSADA Otto Lara Resende Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. pontualíssimo. já não desperta curiosidade. De tanto ver. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. é nunca contentar-se de contente. de fato. opacos. Olhar de despedida. E vemos? Não. Se eu morrer. de tanto ver. É um não querer mais que bem querer. o que nos é familiar. Mas há sempre o que ver. É querer estar preso por vontade. o mesmo porteiro. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho. O que nos cerca. Em 32 anos. Você sai todo dia. é um andar solitário entre a gente. O diabo é que. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que. isso existe às pampas. cumprindo o rito. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. de quem não crê que a vida continua. por exemplo. é ter com quem nos mata. lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade. sem ver. bichos.

e aos seguintes versos seus: “Sei ter o pasmo essencial/ Que tem uma criança se. opacos? E os atentos e limpos? . não chama mais a atenção.Também se utiliza da linguagem figurada: “Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. jornalista e romancista estadunidense. que se encanta com as coisas que vê. Que trechos ilustram isso? . utiliza-se ironia e de sarcasmo. esse poema pode causar um certo estranhamento. / Reparasse que nascera deveras.Em ambos os textos. Primeira vez: um olhar de novidade. E o texto de Otto Lara Resende? . É como se ele quisesse definir o indefinível e explicar o inexplicável. f) Que relações podemos estabelecer entre o texto e esta afirmação da pesquisadora Jeanne Marie Gagnebin. d) Que título você daria ao poema. gastos.” b) Esse texto refere-se a Ernest Hemingway (1899-1961). . suicidando-se. pode ser também que ninguém desse por sua ausência. ao referir aos olhos e ao olhar.” Contrapõe-se dois jeitos de ver o mundo: como se fosse pela última vez. .. c) Troque idéias com seus colegas e seu professor sobre o poema. c) Assim como no poema de Camões. uma união de idéias contrárias. em que se diferenciam esses modos de ver? . Por quê? . Sobre o texto 2: a) O poema de Camões utiliza intensamente a linguagem figurada.Pessoal. Na sua opinião.Pessoal.“Vê não vendo”. edição de 23 de fevereiro de 1992 Sobre o texto 1: a) À primeira vista. b) Esse texto apresenta predominantemente a linguagem figurada.Sujos gastos. também chamada de conotativa. Paulo”. “Amor é fogo que arde sem se ver”.Texto publicado no jornal “Folha de S. Em que trecho do texto isso se evidencia? Que leitura você faz dessa contradição? .Última vez: um olhar de despedida. e) No texto.. É a ideia de ver não vendo. ao nascer. heterônimo de Fernando Pessoa. os pobres que moram nos porões cujas janelas beiram a calçada.Neste poema.. ./ Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do Mundo.” . e à maneira como morreu. aparentemente irreconciliáveis. O que se torna rotineiro. Além disso. como seriam os olhos sujos. cumprindo o rito. refere-se possivelmente a Alberto Caeiro. Que leituras são possíveis? .“Um dia o porteiro cometeu a descortesia de morrer. inventando contrastes para caracterizar esse “mistério” que é o amor. Cite exemplos. estabelece-se uma diferença.“Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa. Camões procurou conceituar a natureza contraditória do amor.Devido à junção de idéias contrárias. d) Em alguns momentos. “a criança vê aquilo que o adulto não vê mais.Atentos e limpos: os olhos sensíveis. opacos: os que não vêem mais as novidades do mundo. etc. Na sua opinião. são os olhos limpos das crianças que são capazes de ver a beleza do mundo e de sentir a miséria e a violência das gentes que sofrem. ou pela primeira.. apresenta-se um paradoxo. ou as figuras menores na base das estátuas erigidas para os vencedores”? . sintetizando o seu conteúdo? . “É ferida que dói e não se sente”.

com a vista cansada? . .Pessoal.g) As pessoas ao seu redor veem o mundo desse modo.

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