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UFS - Lingua Portuguesa II

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Língua Portuguesa II

Solange Mendonça Montalvão

São Cristóvão/SE 2009

Língua Portuguesa II
Elaboração de Conteúdo Solange Mendonça Montalvão

Projeto Gráfico e Capa Hermeson Alves de Menezes Diagramação Lucas Barros Oliveira

Reimpressão

Copyright © 2008, Universidade Federal de Sergipe / CESAD. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização por escrito da UFS.

FICHA CATALOGRÁFICA PRODUZIDA PELA BIBLIOTECA CENTRAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
Montalvão, Sobrenome Mendonça. Língua portuguesa ll / Solange Mendonça Montalvão -- São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2008. v.2. 1. Língua portuguesa - Estudo e ensino. 2. Lingüística. 3. Morfologia. 4, Verbo. I. Título. CDU 811.134.3

M762l

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho Vice-Reitor Angelo Roberto Antoniolli Diretoria Pedagógica Clotildes Farias (Diretora) Hérica dos Santos Mota Iara Macedo Reis Daniela Souza Santos Janaina de Oliveira Freitas Diretoria Administrativa e Financeira Edélzio Alves Costa Júnior (Diretor) Sylvia Helena de Almeida Soares Valter Siqueira Alves Coordenação de Cursos Djalma Andrade (Coordenadora) Núcleo de Formação Continuada Rosemeire Marcedo Costa (Coordenadora) Coordenadores de Curso Denis Menezes (Letras Português) Eduardo Farias (Administração) Haroldo Dorea (Química) Hassan Sherafat (Matemática) Hélio Mario Araújo (Geografia) Lourival Santana (História) Marcelo Macedo (Física) Silmara Pantaleão (Ciências Biológicas)

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.......................................................................... 07 AULA 2 Lexema e palavra morfossintática ................................................................................................................ 104 AULA 8 Predicado: classificação do predicado e do predicativo ......................................................... 21 AULA 3 O lexema verbo I ......................................................... 125 AULA 10 Complemento verbal: objeto indireto ...Sumário AULA 1 Palavras e modelos linguísticos ............................................ 135 .................................. 37 AULA 4 O lexema verbo II .... 55 AULA 5 Gramemas relatores: preposições ............................................................... 93 AULA 7 A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais ...................... 115 AULA 9 Complemento verbal: objeto direto ..... 81 AULA 6 Sintagma adjetival e sintagma preposicionado ...........................

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explicitar o entendimento relativo ao conceito de palavra ou lexema. o aluno deverá: estabelecer as devidas diferenças entre os modelos de Palavra e Paradigma e de Item e Arranjo. .Aula PALAVRA E MODELOS LINGUÍSTICOS 1 META Discorrer sobre os conceitos de palavra e sobre os principais modelos de análise linguística. (Fonte: http://www. reconhecer as diferenças entre a palavra fonológica e o vocábulo formal ou mórfico.gettyimages. OBJETIVOS Ao final da aula.com). PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I.

Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Prezados alunos. desvendar a estrutura morfossintática da língua portuguesa é um desafio a todos aqueles que perseguem o grau de licenciatura em língua portuguesa. neste nosso primeiro contato. O exercício do magistério depende. Haverá entre nós. o que repercutirá não só na realização profissional. Entretanto. A busca de conhecimento se autojustifica.lengua. a sólida formação então adquirida irá ajudá-los necessariamente nos estudos de pós-graduação. uma parceria de trabalho e devemos tornála a mais agradável possível. além disso. inclusive. mas ainda na auto-estima. A nossa motivação recíproca é fundamental. 8 . dos conhecimentos adquiridos na graduação.laguia2000.com). (Fonte: http://www. desejo que vocês continuem motivados para o estudo da Morfossintaxe da língua portuguesa. neste semestre.

uma palavra. Nessa perspectiva.. alegando a falta de uniformidade de critérios relativos à sua definição. A sintaxe está contemplada na obra de Apolônio Díscolo. (LAROCA. não podendo ser aplicados automaticamente”. C. 2000.Palavra e modelos linguísticos Aula Compreender as diferentes acepções de palavra implica uma retrospecção relativa às reflexões sobre a linguagem no mundo ocidental e uma síntese de modelos de análise linguística. os lingüistas questionaram a noção de palavra. p. e sua análise do grego (koiné) se volta à Fonética e à Morfologia principalmente. na configuração própria do infinitivo. Esse modelo de análise ainda hoje é adotado em grande parte das nossas gramáticas escolares. Somente por volta de 170 a 90 a. aparece a Técnica Gramatical de Dionísio da Trácia. 9 . O MODELO DE PALAVRA E PARADIGMA Esse modelo acarretou análises centradas na palavra e nas variações por ela sofridas no sentido de expressar as diversas categorias gramaticais. p. 1 UM POUCO DE HISTÓRIA No Ocidente. Número. O estudo do material linguístico deixado pelos gregos permitiu aos linguistas a depreensão do modo através do qual esse povo realizou os seus estudos acerca da linguagem. Modo. DECLÍNIO DA IMPORTÂNCIA DA PALAVRA No início do século XX. Tempo. Pessoa. É importante lembrar que “Nos trabalhos sobre morfologia. Essa obra apresenta relativa independência no tocante à Filosofia. Há. procuraram analisar essa língua como possibilidade de compreender a realidade circundante. acreditavam os gregos que a sua língua (o grego falado em Atenas) refletia a realidade.92). categoria costuma manter o significado de conjunto de propriedades que se associam a determinada parte do discurso como Caso. O interesse pela Filosofia acarretou o interesse pela linguagem. 1994. e todas as formas flexionadas a ela relacionadas – que constituem a sua conjunção – seriam consideradas o seu paradigma. Dessa forma. Vejamos um exemplo. denominaram o modelo aplicado nessas análises de modelo de Palavra e Paradigma.. Gênero. Essas possibilidades de variação de uma palavra eram entendidas como o seu paradigma.21). como vocês devem ter tomado conhecimento no curso de Linguística. inclusive. foram os gregos os primeiros a investigar a linguagem. utilizando-nos da classe dos verbos da língua portuguesa: um verbo como ‘amar’ seria considerado. Aspecto.. pois.” (ROSA. a afirmação de que os “critérios têm suas limitações. Voz.

por manifestarse na forma ‘o’. Retomemos a frase ‘Encontrei-o’. é um caminho no sentido de definir e de delimitar a palavra. (LAROCA.Língua Portuguesa II Maria Nazaré de Carvalho Laroca Mestra em Linguística e Filologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. como pretônicas. da qual se depreendem as propriedades de masculino e de singular. ÓTICA MORFOLÓGICA A análise fonético-fonológica. A análise morfológica vai aí depreender duas palavras distintas: um verbo e um pronome. que. Na perspectiva das dificuldades encontradas relativas à definição de palavra. 1994. Vimos assim. Retomando a frase ‘Encontrei-o’. encaminha análises cujos resultados divergem daqueles apresentados pela Fonologia. Essa pauta é condizente com a palavra fonológica. constituem um só vocábulo. p. cabe a indagação seguinte: Em uma frase como ‘Encontrei-o’. Assim. como vimos. O verbo é depreendido através das suas propriedades morfológicas: a marca {-i}. Temos. ao estudar a disciplina Fonologia da Língua Portuguesa. o grau de tonicidade 1 às sílabas átonas pretônicas ‘en’ e ‘´con’ e o grau 0 à sílaba átona final – o ‘o’ enclítico -. ÓTICA FONÉTICO–FONOLÓGICA Como vocês observaram. por sua vez. é possível a depreensão de vocábulos ou palavras segundo critérios fonético-fonológicos. O pronome é reconhecido morfologicamente. se atribuirmos o grau 3 de tonicidade à sílaba tônica ‘trei’. referentes às categorias gramaticais do gênero e do número. A perspectiva morfossintática. as sílabas ‘en’ e ‘con’. Conforme Mattoso Câmara. referente às categorias gramaticais da pessoa e do número (primeira pessoa do singular). na frase estudada. É professora aposentada da Universidade Federal de Juiz de Fora. pronunciado como uma sílaba átona final. quantas palavras é possível depreender? A resposta a essa pergunta vai depender da ótica adotada na segmentação da frase. chegaremos à seguinte pauta acentual: 1130. numa perspectiva fonético-fonológica. uma só palavra fonológica.22). no sentido de se apoiarem em uma única silaba tônica. o chamado vocábulo fonológico corresponde a uma divisão intermediária entre a sílaba e o grupo de força”. temos o ‘o’ (pronome pessoal do caso oblíquo) evidentemente em posição enclítica. nela detectamos apenas uma silaba tônica ‘trei’. já que “No nível fonológico. as sílabas pronunciadas como um todo. Em posição postônica. encontramos uma única palavra. ÓTICA SINTÁTICA 10 .

Palavra e modelos linguísticos Aula Nessa perspectiva. Vocábulos formais ou mórficos são unidades com autonomia comunicativa (formas livres) ou vocábulos que. Aplicação da técnica . reconhecemos ‘Encontrei’ como uma unidade com autonomia comunicativa. pois. obteremos dois vocábulos formais ou mórficos: ‘encontrei’ e ‘o’. poderíamos ter duas possibilidades de construção. se a frase adquirisse uma feição enfática. 2004. A depreensão dessas unidades se mostra claramente pela técnica de pergunta e resposta. apresentam possibilidade de permutação. (SAUTCHUK. Tomemos a frase ‘Encontrei-o’. 20). Esse modo de reconhecer verbos é congruente com a afirmação de que “apenas verbos articulamse com os pronomes do caso reto”. depreendemos dois vocábulos formais: a forma livre ‘Encontrei’ e a forma dependente ‘o’.Encontrei. p.Eu o encontrei.Você encontrou o livro? . o ‘o’ é entendido como pronome. A propriedade de permutação diz respeito à possibilidade que as formas dependentes têm. 11 . Voltando ao conceito de palavra. Assim. com a presença do pronome pessoal do caso reto ‘eu’. Na frase examinada. percebemos que sua conceituação e consequente depreensão dependem do ponto de vista adotado pelo estudioso. no sentido de mudarem de lugar na frase. Tomando como exemplo ‘Encontrei-o’. . ao analisarmos a construção ‘Encontrei-o’. . um vocábulo formal que é uma forma livre. o verbo ‘Encontrei’ é reconhecido por relacionarse com o pronome pessoal do caso reto ‘eu’. 1 PROPOSTA DE MATTOSO CÂMARA Conforme o pensamento de Mattoso Câmara. em razão da sua função de substituição (substitui qualquer nome masculino e singular) e é considerado do ‘caso oblíquo’ por não exercer a função de sujeito e sim a de complemento verbal (objeto direto). Vejamos o que vêm a ser unidades com autonomia comunicativa: essas unidades são construções lingüísticas que funcionam como frases. na frase ‘Encontrei-o’. podemos afirmar que ‘o’ é uma forma dependente. Assim.Eu encontrei-o. embora destituídos de autonomia comunicativa (formas dependentes).

de modo geral. Essa unidade mínima significativa é também chamada de monema.13). conforme a convenção utilizada pelos linguistas: {’fal-} → morfema lexical (lexema. a Linguística do século XX substitui a importância ocupada pela palavra – no modelo de Palavra e Paradigma (PP) pela relevância dada aos morfemas. seu reconhecimento como morfema está associado ao fato de ser ele marca de segunda pessoa do singular. Vejamos então esses morfemas.Língua Portuguesa II André Martinet Linguista francês conhecido internacionalmente. Convém lembrar que alguns linguistas se utilizam do termo morfema no que respeita às unidades mínimas significativas. segundo Martinet) {-a-} → morfema gramatical (morfema. consequentemente. conforme Martinet) {-s} → morfema gramatical (morfema. Suas obras contemplam não só problemas relacionados à linguística geral. Os monemas foram subcategorizados por Martinet em lexemas – morfemas de significação cultural ou bio-social – e morfemas – monemas de significação gramatical ou linguística. como ‘fal-’. a serviço do funcionamento da língua. morfema é uma unidade significativa mínima a que chegamos na segmentação de uma frase e/ou enunciado da língua. (MARTINET. três unidades mínimas significativas. do número (nos nomes) e. das de modo. por entender que elas permitem maior clareza. 1971. utiliza-se de uma nomenclatura mais econômica. de delimitação da palavra. Lembrando o que vocês já estudaram em Lingüística. O DOMÍNIO DOS MORFEMAS Diante das evidências relativas às dificuldades de conceituação e. -Morfemas (quaisquer unidades mínimas significativas) -Morfemas lexicais (correspondentes aos lexemas de Martinet) -Morfemas gramaticais (correspondentes aos morfemas de Martinet). p. No que se refere ao {-s-}. de forma bastante simplificada. Convém obser var que os radicais. número e pessoa. consoante Martinet). mas também estudos fonético-fonológicos. representados entre chaves. “Um monema é o menor segmento de discurso ao qual se pode atribuir um sentido”. responsável pela noção de primeira conjugação. Como catedrático de Linguística Geral na Sorbonne. Em um verbo como ‘falas’ é possível a depreensão de três morfemas. nos verbos. assim. independentemente de sua significação ser cultural ou linguística. Tomemos agora. 12 . fundou em 1965 a revista La Linguistique. tempo. a exemplo daqueles que permitem a atualização das categorias gramaticais do gênero. A Linguística. sua condição de morfema decorre do fato de ser ela a vogal temática. Preferimos utilizar as expressões morfemas lexicais e morfemas gramaticais. Quanto ao {-a-}. principalmente. A técnica de depreensão de morfemas será apresentada na próxima divisão desta aula. exemplos referentes à nomenclatura abordada. Os morfemas estão. são sempre morfemas lexicais. ou seja.

mas ainda no sentido de receber a marca do plural. pois o que nos leva a deduzir de ‘menino’ a noção de masculino é a ausência do ‘a’. como vocês já devem ter compreendido. Continuando o processo de segmentação. como exemplo. como também a detecção dos princípios que determinam a sua combinação em unidades maiores. podemos concluir que o ‘a’. obteremos formas portadoras de significados lexicais diferentes. esse tipo de significação é sempre conduzido pelos radicais. ausência significativa. Os morfemas estão a serviço da formação de unidades linguísticas a eles superiores. Tomemos. Essa evidência nos permite também responsabilizar o ‘s’ pela noção de plural. se isolarmos o ‘a’ de ‘menina’. Essa sequência. o que nos autoriza concluir que esse ‘s’ é uma unidade mínima de som e significado. se a sequência ‘menin-‘ for substituída por ‘moç-‘ ou por ‘gat-‘. Essa evidência permite concluir que ‘menin-‘ é um morfema lexical. O morfema {-a} constitui a marca de gênero (feminino). é marca de gênero (feminino) e. Voltando agora a nossa atenção à sequência ‘menin-’ com o acréscimo do ‘o’ – ‘menino’ e adotando a perspectiva de Câmara Jr. um termo da língua portuguesa como meninas. é portador de uma significação biossocial [ser humano em processo de desenvolvimento físico e mental]. Dessa forma. Ainda em relação a ‘menina’. 1 MODELO DE ITEM E ARRANJO Esse modelo de análise lingüística inclui não apenas a segmentação dos morfemas. nesse sentido. receberá um ‘o’ (vogal temática nominal). nela não encontramos marca de gênero.. um morfema. já vista por vocês nos cursos de Lingüística e de Língua Portuguesa I. ou seja. isolado inicialmente. em oposição ao 13 .Palavra e modelos linguísticos Aula Relembrado o conceito de morfema. em virtude de ser uma forma presa (forma sem autonomia comunicativa e sem possibilidade de locomoção). entendida como um morfema zero {Ø}. encontraremos a sequência ‘menin-’. um morfema. não só no sentido de ocorrer livremente em um enunciado da língua. Como já foi dito. sejam eles nominais ou verbais. {me’nin-} → morfema lexical {-a-} → morfema gramatical {-s} → morfema gramatical O morfema {me’nin-}. através da técnica da comutação. passemos então ao modelo de Item e Arranjo. Seguem-se as representações dos morfemas depreendidos. A supressão do ‘s’ desse termo acarreta um vazio significativo já que permite a conclusão da noção de singular em relação à categoria gramatical do número.

de oitenta e de noventa. E podemos ainda dizer que “temse condições para determinar a estrutura dos vocábulos em português. a combinação não é aleatória. Assim. primeira etapa da análise alicerçada no modelo de Item e Arranjo. na atribuição de significado a formas mínimas recorrentes com ‘ceb-’ de ‘receber’ de ‘conceber’ ou ‘-duz’ de conduzir. 1985. Exerce o magistério nos programas de graduação e pósgraduação – mestrado e doutorado em Linguística – na Faculdade de Letras dessa Universidade. p. já que o morfema que é marca de gênero {-a} ocorre necessariamente após o morfema lexical {me’nin-}. os quais podem ser constituídos de (. duas possibilidades ocorrem aos linguistas: “a) não considerar tais formas (. Assim. 2000. nos padrões nominais da língua portuguesa.. Publicou várias obras nas áreas da Morfologia.Língua Portuguesa II Ingedore Grunfeld Villaça koch Mestre e doutora em Língua Portuguesa pela PUC – SP.. ou seja. que é chamada Regra de Formação de Palavra. Até agora. teremos um substantivo formado a partir desse verbo 14 . corresponde a um dos padrões nominais da língua portuguesa. Tem obras publicadas no Brasil e no exterior. Seu trabalho contribui de maneira bastante significativa. Durante as décadas de setenta.) atuam sobre palavras existentes na língua”. depreende-se ainda uma ordenação.) como elementos isolados. há a exigência de que a marca de número esteja após a marca de gênero. A linguística. foram detectadas dificuldades relativas à depreensão de morfemas. É importante dizer que produtividade é a formação de palavras por determinada regra. uma vez que. masculino. inclui ainda a explicitação da maneira através da qual esses constituintes se combinam. as análises concernentes do modelo de Item e Arranjo estão centralizadas na noção de morfema. de induzir. Essa organização. no que respeita a ‘meninas’. É livre docente em Análise do Discurso pela Unicamp. 68). 85). No termo ‘menina’. (BASÍLIO. Assim. apesar das recorrências. 31). o ‘ção’ a um verbo. p. Os estudiosos detectaram obstáculos. O morfema {-s}. da Sintaxe e da Linguística Textual e do Discurso. Os seus constituintes imediatos são ‘menina’ e o morfema {-s}. (INGEDORE. Maria Carlota Rosa RETOMADA DA IMPORTÂNCIA DA PALAVRA Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. b) não considerar a atribuição de significado como elemento para considerar ou não uma seqüência como morfema”. se aplicarmos. por exemplo. segundo Maria Carlota Rosa. 1974a. os estudiosos passaram a procurar respostas acerca dos processos de formação de palavras acionados pelos falantes e concluem que “Os processos produtivos de formação de palavras (. Um exemplo de regra de formação de palavra seria dizer que. 68).) morfema lexical (± vogal temática) + morfemas flexionais”. principalmente no campo de Morfologia Derivacional – parte da Morfologia que trata dos processos de formação de palavras. por sua vez é a marca de gênero (plural) em oposição ao singular. É professora titular do Departamento de Linguística do IEL – Unicamp. não considera viável qualquer desses caminhos: “Qualquer dessas soluções é indesejável”. de modo geral.. principalmente no que respeita à Morfologia. p. esse arranjo dos morfemas. p. Esse modelo. 2000... (ROSA. forma não marcada. consideramos os seus morfemas.. os seus padrões estruturais. (ROSA. Conforme vimos. forma não marcada. em relação a ‘meninas’.

também chamadas de lexemas (conceito diferente daquele referente ao lexema de Martinet). que ocorre.ção’ → educação. No modelo de Paradigma e Palavra. pois inclui todas as possibilidades relacionadas a esse lexema no que respeita às propriedades morfossintáticas a ele relacionadas. (LAROCA. Vejamos um exemplo. Esse novo interesse acarretou uma nova acepção de palavra. como qualquer outro lexema. por exemplo. deve ser apresentado em letras caixa-alta. Em relação à frase exemplificada. A representação da palavra léxica ou lexema. já que não se tem conhecimento de distinção entre a palavra entendida como possibilidade e a palavra atualizada. deve ter havido a aplicação da regra considerada no que concerne à palavra educação. No que respeita aos processos de formação de palavras. estão incluídas no conhecimento que o falante tem de sua língua. na língua portuguesa. a noção de palavra não atinge esse nível de abstração. 1994. na área de Linguística. (ROSA. ou seja. desenvolvido pelos gregos. p. É doutora em Linguística pela University of Texas At. Atualmente é professora Adjunta (inativa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.23). por exemplo. p. ‘educar + .Palavra e modelos linguísticos Aula mais o sufixo considerado. Em determinado momento. o lexema verbal é assim representado: AMAR. o léxico é entendido como “o conjunto de palavras que está disponível para a atuação das regras da morfologia”. no tocante aos verbos. Um lexema como VENDER (os lexemas são representados em caixa alta) é uma abstração. 1 Margarida Basílio Graduada em Letras Clássicas pela Universidade Católica do Rio de Janeiro. As palavras léxicas. se destaca na Morfologia. É mestre em Linguística pela mesma Universidade.88). posta em enunciados orais ou escritos. 2000. do emprego do infinitivo impessoal. Austin. e. Sua produção. 15 . corresponde à forma do infinitivo impessoal. Essa nova compreensão de palavra a entende como “uma unidade abstrata do léxico”. na frase seguinte: Amar é a salvação da humanidade. Convém esclarecer que a palavra léxica ou lexema difere. Vejam vocês que as atenções se voltam agora à palavra.

Vale acrescentar que o domínio dos termos mais usuais da nomenclatura da linguística. Dessa forma se compreende o fato de os morfemas terem substituído a palavra nas investigações linguísticas e a consequente adoção de modelo de Item e Arranjo neles concentrado. segundo princípios do estruturalismo americano. milênios a. o entendimento de textos sobre a estrutura e funcionamento da língua ficará muito comprometido e não atingirá os objetivos previstos nos cursos de nível superior. dificuldades relativas à depreensão de morfemas implicaram o redimensionamento do conceito de morfema. sem o domínio desses conceitos. explicam uma interseção no que respeita ao desenvolvimento dos métodos da linguística e às possibilidades de análise referentes à sua estrutura morfossintática. 16 . Mattoso Câmara. com a relativa independência dos estudos sobre a linguagem. aqueles mais utilizados no que se refere às diferentes propostas de análise da língua (portuguesa) são fundamentais. houve o aprimoramento das análises lingüísticas que se sustentaram no modelo de Palavra e Paradigma. RESUMO No Ocidente. principalmente no que se refere à definição de palavra. Nesse sentido. Nas três últimas décadas do século XX. Esse redimensionamento suprime do morfema a importância que lhe era dada na análise morfológica.Língua Portuguesa II CONCLUSÃO Os estudos avançados de Língua Portuguesa. permitiram a depreensão do vocábulo formal ou mórfico. Esse modelo ainda persiste em grande parte das nossas gramáticas escolares. As inconsistências desse modelo. Posteriormente. os lingüistas puderam depreender a palavra fonológica. na vertente morfossintática da língua. são questionadas. Já as análises do Prof. pois. ou seja. C. as reflexões sobre a linguagem surgiram na Grécia. na ótica fonético-fonológica. Inicialmente tais indagações estavam imbricadas na Filosofia.

__________________ correspondem aos lexemas de André Martinet. no mundo ocidental. e) No modelo grego. f) No paradigma verbal se manifestavam as _____________. v) Palavra léxica é uma unidade _____________ do léxico. s) No vocábulo ‘gatos’ existem ___________ morfemas. r) Uma palavra fonológica apresenta uma _________________ tônica. _____________ são monemas de significação gramatical. Complete as lacunas: a) As primeiras reflexões sobre a linguagem. d) O modelo de _____________________ é depreendido das análises linguísticas feitas pelos gregos. u) A formação de palavras por determinada regra é chamada de __________________.Palavra e modelos linguísticos Aula ATIVIDADES 1. q) Os linguistas chamam de ________________ à técnica de depreensão dos morfemas. g) O modelo de _________ e __________ substitui o modelo de Palavra e Paradigma. c) A gramática de Dionísio da Trácia inclui estudos de fonética e de _______________. m) As dificuldades relativas à univocidade do conceito de _____________ permitiram a ascensão dos ___________. p) Os vocábulos mórficos ou formais se dividem em _______________ e formas dependentes. k) Para Martinet. de modo geral. t) As dificuldades relativas à depressão dos morfemas foram levantadas pela __________________________. ocorreram na ____________. 1 17 . o) Sequências linguísticas sem _____________________ mas dotadas da possibilidade de locomoção são chamadas de ______________________. l) Para os linguistas. a conjugação de um verbo era considerada o seu ____________________. os estudos sobre a linguagem feitos pelos gregos eram dependentes da _____________. j) Os monemas portadores de significação cultural são chamados de ____________por André Martinet. h) Os _______________ são as unidades mínimas significativas. b) Inicialmente. n) A depreensão da palavra fonológica é possível graças ao desenvolvimento da ___________________. i) O modelo de Item e Arranjo está centrado no __________.

(PESSOA. Já escrevi bem Uma canção”. há ____________ palavras fonológicas. Leve. Estabeleça diferença entre palavra fonológica e forma livre. Qual a diferença entre a noção de palavra adotada no modelo de Palavra e Paradigma e aquela referente à morfologia derivacional? 4. II) Transcreva duas palavras fonológicas que não constituem vocábulos formais ou mórficos. 5. I) Sublinhe os verbos da passagem transcrita.) (PESSOA. breve.. suave.. IV) Justifique sua resposta. II) Estabeleça possíveis relações entre esses verbos e o conceito de palavra léxica ou lexema. 1987: 74). “Já não vivi em vão. 1987: 383). 3. III) Transcreva três palavras fonológicas que são também vocábulos formais ou mórficos. I) Nesse trecho.Língua Portuguesa II 2. Um canto de ave Sobe no ar (. 18 .

Campinas. Introdução à morfologia. uma abordagem gerativa. SILVA. Pontes. A lingüística sincrônica. 1985. Maria Cecília P. 1980. 1994.. LAROCA.Palavra e modelos linguísticos Aula PRÓXIMA AULA Retomaremos e desenvolveremos o estudo da palavra léxica na aula seguinte. André. KOCH. estudaremos também a palavra morfossintática. Petrópolis: Vozes. UFJF. MARTINET. ROSA. de S. 2 ed. Maria Nazaré de Carvalho. Estruturas lexicais do Português. 19 . São Paulo: Cortez. Ingedore V. Juiz de Fora. 2000. Lingüística aplicada ao Português: morfologia. Nesta mesma aula. Manual de morfologia do Português. 1 REFERÊNCIAS BASÍLIO. Maria Carlota. Margarida. São Paulo: Contexto. 1971. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro.

Aula LEXEMA E A PALAVRA MORFOSSINTÁTICA 2 META Desenvolver o estudo do lexema e da palavra morfossintática. . estabelecer as devidas diferenças entre lexema ou palavra léxica e a palavra morfossintática.gettyimages. OBJETIVOS Ao final desta aula. o aluno deverá: estabelecer as diferenças devidas entre a teoria padrão da Gramática Gerativo–Transformacional e a Hipótese Lexicalista. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I.com). (Fonte: http://www. analisar e descrever a estrutura morfossintática das palavras morfossintáticas relacionadas a lexemas substantivos e lexemas adjetivos. descrever os itens lexicais que compõem o léxico da língua portuguesa.

entidade também abstrata. Veremos os lexemas e as relações mantidas entre eles na organização que constitui o léxico da língua. Por outro lado. (Fonte: vidacheiadecoisas. vamos aprofundar o estudo da palavra léxica ou lexema e estudar a palavra morfossintática.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Inestimável aluno: Conforme anunciamos ao finalizar a aula passada. propriedades essas exigidas pelas regras de construção da frase. 22 . Quanto à palavra morfossintática. São as palavras léxicas as responsáveis pelas principais formas através das quais as diversas línguas recortam o real (inatingível) e compõem a sua realidade. nesta nossa segunda aula. estudaremos a palavra morfossintática e as propriedades a ela relacionadas.wordpress. perde ela um pouco de abstração em relação ao lexema. já que aponta para a forma que as palavras apresentam nos diversos enunciados em que ocorrem.com).

necessárias se tornam algumas considerações acerca dos posicionamentos teóricos que permitiram a formação desses conceitos. 198o. lembramos a posição da gramática tradicional. nos seus princípios concernentes à chamada teoria padrão.mentoS → aprofundamentoN ProlongarV + .mentoS → questionamentoN ConstatarV + . (BASÍLIO. 7). seguem-se exemplos: V = verbo. então. 2 Dessa forma. vocês devem retomar as noções básicas da Gramática Gerativo– Transformacional. afirma que as palavras de uma língua são geradas por regras sintáticas. por exemplo. o léxico de uma língua não pode ser compreendido como um rol.mentoS → prolongamentoN QuestionarV + . Assim. seriam explicados pela aplicação de uma regra sintática. Na gramática tradicional. Numa abordagem gerativa. do estruturalismo e do gerativismo no que respeita aos processos de formação de palavras nas línguas naturais. Para compreender melhor as diferenças entre elas. O léxico de uma língua é entendido. a morfologia derivacional é definida como a parte da gramática da língua que descreve a formação e estrutura das palavras. N = nome AprofundarV + . questionamento. Desse processo chamado de nominalização.çãoS → constataçãoN EducarV + . constatação e educação – formas nominalizadas ou nominalizações – ocorreriam nas estruturas superficiais das frases. Para melhor entendimento dessa parte da aula. como um espaço de vitalidade. A compreensão necessária dos conceitos de palavra léxica ou lexema e de palavra morfossintática acarreta um percurso pela gramática Gerativo– Transformacional. podemos dizer que a morfologia derivacional é a parte da gramática que dá conta da competência do falante nativo no léxico de sua língua.çãoS → educaçãoN Assim. prolongamento. assim como no estruturalismo.O lexema e a palavra morfossintática Aula A palavra léxica e a palavra morfossintática são entidades distintas. uma lista de palavras acompanhadas dos respectivos significados. no qual regras são atualizadas no sentido de criar novas palavras. aprofundamento. A teoria linguística chamada de gramática Gerativo–Transformacional. Nesse sentido. provavelmente vistas na disciplina Linguística. os substantivos terminados pelo sufixo ‘-mento’. p. S = sufixo. Os linguistas gerativistas se deram conta de que alguns casos de derivação implicavam a inclusão de um componente morfológico na sua pro- 23 .

b) o conhecimento da estrutura interna dos itens lexicais. ENTRADAS LEXICAIS LIVRES LEXEMAS Puros – mar. a competência lexical de um falante nativo inclui: “a) o conhecimento de uma lista de entradas lexicais. (ROCHA. livro. A relação das entradas lexicais constitui o léxico de uma língua”. “. correspondente a essa posição de Chomsky. Nesse sentido. 9)..eletrônica. biologia 24 . o conceito de item lexical ou entrada lexical. esclarecer compostos: guarda-roupa. c) o conhecimento subjacente à capacidade de formar entradas lexicais novas. 35). p. podemos dizer que item lexical ou entrada lexical “é uma forma lingistica que o falante conhece ou utiliza. reler. Para uma melhor compreensão no que se refere às entradas lexicais. à chamada Hipótese Lexicalista. (ROCHA. Assim. Vejamos agora. 1984. segue-se um esquema de Rocha (1999. p. em vez disso. Esse tipo de competência corresponde ao conhecimento que o falante nativo possui do léxico da sua língua. secretária. posta de gramática. participar. apud SCALISE. naturalmente. 19). Luiz Carlos de Assis Rocha nos diz que (CHOMSKY. gato. sempre Complexos – simples: livreiro. varrer. café. conclui que certos nominais derivados não podem ser criados através de transformações a partir de um verbo na estrutura profunda e propõe.Língua Portuguesa II Luiz Carlos de Assis Rocha Professor de Língua Portuguesa dos cursos de graduação da Faculdade de Letras da UFMG. 1999. 63). ITEM LEXICAL OU ENTRADA LEXICAL De forma bastante simplificada. É também professor de Linguística dos cursos de pós-graduação dessa mesma faculdade. e. É mestre pela UFMG e doutor pela UFRJ. p. através de regras morfológicas que operam dentro do componente lexical”. assim como as relações entre os vários itens. segundo. isto é. p. vinte.. 1999: 35). o Prof. um tratamento “lexical” para tais verbos. É importante aqui que nos atenhamos na compreensão de competência lexical. rejeitar as agramaticais”. HIPÓTESE LEXICALISTA Chegamos assim. alunos–professores ou futuros professores. cedo. calmo. conforme o pensamento de Basílio (1980.

gal-o verbais – par-a-r. eco-. advérbios. -ec(er) nominais – livro-s. o. Dentre os exemplos do esquema. convém relembrá-las através do conceito seguinte: 25 . Por sua vez. risonh-o. Já em ‘livreiro’. -it(ar).O lexema e a palavra morfossintática Aula VOCÁBULOS DÊITICOS eu. além da evidência de nele não existir mais que um morfema lexical. in-. possui dois morfemas lexicais e corresponde ao que o esquema categoriza como lexema complexo composto. algum. pont-e. ou com sufixo. Vejam que. -log(ia). intersufixos – ção. -latr(ia) prefixos – re-. as entradas lexicais livres correspondem aos lexemas que se dividem em puros e complexos. ou com prefixo e sufixo ao mesmo tempo. bonit-a verbais – caminha-mos. isto. -ice. hidro-. o que autoriza a sua classificação como lexema complexo simples. demonstrativos. a sequência ‘guarda-roupa’. ouv-i-r Conforme vocês devem ter observado. embora. aqui. conforme a classificação tradicional das classes de palavras como dêiticos. que. alegre-s. nosso. comumente apresentada nas nossas gramáticas como palavra composta. hort-a. Os complexos subdividemse em simples e compostos: os simples incluem formas com prefixo. gat-o. ouvi-ndo. consideradas na aula passada. Os lexemas puros são aqueles que não apresentam afixo (prefixo ou sufixo) e que apresentam apenas um morfema lexical. lá 2 DEPENDENTES de. para. uma PRESAS Bases Afixos Desinências hipo-. -agem. nesse termo. Quanto aos vocábulos dêiticos. tomemos o termo ‘gato’. Nesse sentido. temos as formas linguísticas para indicar as pessoas do discurso e relações espaciais no que tange a essas pessoas. os pronomes retos de primeira e de segunda pessoa. não há nem prefixo nem sufixo. venc-e-r. argumenta-r Vogais temáticas nominais – livr-o. temos. anda-va-s. des-. No que respeita às formas dependentes. encontra-se o sufixo ‘-eir(o)’.

ou seja. (CÂMARA. Esperamos que vocês tenham compreendido o conceito de lexema. os lexemas básicos da língua portuguesa são substantivos. Conceitua-se assim uma forma que não é livre porque não pode funcionar isoladamente como comunicação suficiente. segundo Aronoff & Anshen. conjunções e os artigos.) possibilidades para se disjungir da forma livre a que se acha ligada. um Ministro de Estado usou a palavra imexível em um seu pronunciamento. mas também não é presa. De modo geral. como um novo membro da classe dos lexemas adjetivos. com a estrutura interna das palavras complexas fundamentais de uma língua” (ROSA. 1992. portanto. A pronúncia foi consequência de um processo cognitivo que acionou regras de formação de palavras. Foi professor de Linguís. 2000. 70). 2000. fez o doutorado em letras clássicas na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. classes que. 88). Essas entradas situam-se entre os morfemas gramaticais da língua. Quanto às entradas lexicais presas correspondentes aos afixos. Fez vários cursos de Linguística nos Estados Unidos. Dentre outros cursos. Nesse sentido. às desinências nominais e verbais. vocês já devem ter percebido que Léxico e Morfologia interagem. 26 . p. LEXEMAS OU ENTRADAS LEXICAIS Segundo Inez Sautchuk.. referentes à derivação sufixal e prefixal. Publicou várias obras. é assim apresentada: “A morfologia lida. Esses novos membros decorrem sobremaneira dos processos de formação de palavras. uma definição de morfologia. cremos o seu reconhecimento não causar problemas a vocês. podem admitir novos membros. Foi professor visitante de História da Linguística e Estrutura do Português no Instituto Linguístico de Verão em Washington. 88). Assim. p. Em determinado momento da nossa história. p. os linguístas assim dividem a morfologia: morfologia flexional e morfologia lexical. Nessa perspectiva.tica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dentre as entradas lexicais presas. na ótica sincrônica. Lexemas se caracterizam por estarem incluídos em classes abertas. Especializou-se em Linguística (latina e neo-latina) na Universidade do Distrito Federal. Foi o pioneiro do estruturalismo e da Linguística no Brasil. verbos e alguns advérbios. a depender da aceitação dos seus utentes. existem as bases (os conhecidos radicais de origem grega ou latina). palavra potencial que pertence ao léxico já que “O léxico representa o conjunto de palavras que está disponível para a atuação das regras da morfologia”. MexerV + velSuf → mexívelA IPref + mexívelA → imexívelA Esse lexema complexo simples resultante foi atualizado no discurso do ministro. adjetivos. (ROSA. porque é suscetível de (.. Essas sequências linguísticas são chamadas de base pelo fato de serem recorrentes em lexemas compostos.Língua Portuguesa II Joaquim Mattoso Câmara Júnior Nasceu em 1904. temos as nossas conhecidas preposições. O novo lexema criado pode incorporar-se ao léxico da língua. como entradas lexicais dependentes. segundo esta visão.

esse ramo da morfologia trata da relação existente entre lexemas relacionados através do processo da derivação e. no sentido de incorporar as propriedades morfossintáticas referentes à organização das mais diversas frases da língua. antecedida de traço: . Se. Dessa forma. ao se atualizar. Essas possibilidades de variação. ocupar a mesma posição em um determinado enunciado. como tal.) presentes numa palavra morfossintática. como já dissemos. Passemos à exemplificação. já que são formas derivadas destas últimas palavras léxicas. terão de ser levadas em conta pela sintaxe”.O lexema e a palavra morfossintática Aula A morfologia flexional diz respeito “às categorias (. p. cada uma delas. pertencentes a paradigmas diferentes. Atenção à frase seguinte: José é um vendedor. Esse paradigma é constituído por todas as possibilidades de variação do lexema. FRIO e DELICADO.José é um vender. nesse sentido. conceito que será retomado ainda nesta aula. é chamada de palavra morfossintática. não podendo. Vejam ainda a impossibilidade de substituição de ‘frio’ por ‘frieza’ no exemplo seguinte: 2 27 . comprovam ser lexemas distintos. para os processos através dos quais esses lexemas ou palavras léxicas são formadas. A morfologia lexical se volta para a estrutura dos lexemas complexos. nessa frase. É imprescindível também aqui que vocês entendam que todo lexema possui o seu paradigma. É importante lembrar que lexemas.. substituirmos ‘vendedor’ por ‘vender’. Essa definição será melhor compreendida no estudo específico da palavra morfossintática. Vejamos os exemplos: VENDER – VENDEDOR CANTAR – CANTADOR FRIO – FRIEZA DELICADO – DELICADEZA Essas palavras constituem lexemas distintos embora regras morfológicas – regras derivacionais – estabeleçam relações entre elas. FRIEZA e DELICADEZA estão relacionados a VENDER. CANTAR. CANTADOR. incorporam as propriedades morfossintáticas e. (ROSA. teremos a seguinte frase inaceitável e.25). assim. Os lexemas VENDEDOR. 2000..

Quando nos voltamos às possibilidades de manifestação desse lexema.O dia está frieza.Língua Portuguesa II O dia está frio. concluímos que essas formas pertencem a paradigmas diferentes e. VENDEDOR. que se aplicam a uma dada classe”. pertencem a lexemas distintos. 2000. constituem categorias morfossintáticas. Assim. . PALAVRA MORFOSSINTÁTICA Como já temos observado bastante tanto na primeira. A expressão categoria morfossintática diz respeito às “noções relacionadas a essas propriedades. que caracterizam a palavra morfossintática. ou seja. estamos a nos referir às propriedades morfossintáticas. “O lexema é uma palavra considerada como unidade abstrata”. Por sua vez. FRIO e FRIEZA constituem lexemas distintos. (ROSA. Em relação aos lexemas substantivos relacionados a seres sexuados. a categoria morfossintática do gênero se manifesta através da oposição entre o morfema {-a} (marca da propriedade morfossintática do feminino) e o morfema {Ø} (ausência de marcas com valor significativo) referente à propriedade morfossintática de masculino. à palavra como virtualidade. em português. o que implica o lexema acrescido de informações morfossintáticas. A categoria de número apresenta as propriedades morfossintáticas de singular e plural. mas mutuamente exclusivas. quanto nesta segunda aula. Essas evidências são provas de que VENDER. as noções de número e de pessoa referentes ao lexema verbal. 2000. Convém estabelecer diferença entre propriedade morfossintática e categoria morfossintática. 83). 2a e 3a pessoas relativas ao singular e ao plural. p. 83). conforme os exemplos seguintes: menino Ø – menina moço Ø – moça gato Ø – gata pato Ø – pata 28 . consequentemente. Encontrando um contexto em que a substituição de uma forma morfossintática por outra não seja possível. quando queremos nos referir à palavra em potencial. a categoria da pessoa manifesta-se através das propriedades morfossintáticas de 1a. Nesse sentido. reportamo-nos ao lexema da língua. (ROSA. de informações acerca das flexões possíveis referentes a seu paradigma. p.

nem todos recebem uma marca morfológica de gênero. Mesmo assim. O que importa nesta aula é deixar claro que os lexemas substantivos incorporam no seu paradigma palavras morfossintáticas com propriedades morfossintáticas de masculino.5%. Assim. uma vez que esse estudo deve ter sido feito na disciplina Língua Portuguesa I. no que respeita a essa categoria. cônjuge. Conforme já dissemos.5% dos substantivos referem-se a seres não-sexuados e 4. temos a seguinte representação: Categoria morfossintática do número {Ø} {-S } 2 29 . de singular e de plural. podemos aceitar que.” (ROCHA. diz respeito a uma parte não-significante dos substantivos. convém salientar que conforme “pesquisas já realizadas (ROCHA. vamos considerar a categoria do número em português. Com esse objetivo. esse processo morfológico exemplificado. selvagem. pois apenas um percentual muito pequeno de palavras da língua não apresenta as propriedades morfossintáticas de singular e de plural. Em todos eles. Nesse sentido. Não é nosso propósito. Por outro lado. o gênero está explicitado pelos seus determinantes. (IDEM). nesta aula. independentemente da explicitação morfológica concernente aos seres sexuados. pronunciado [u] constitui a vogal temática nominal. Ao tratarmos do gênero.O lexema e a palavra morfossintática Aula O fonema /o/. jacaré. estudarmos exaustivamente a categoria do gênero. Seguem-se exemplos: O pente O telegrama A mesa A lente Em todos esses exemplos. substantivos referentes a seres sexuados. a categoria do gênero é uma categoria sintática.5% a seres sexuados. é o determinante (artigos definidos) o responsável pela explicitação do gênero. homem. podemos dizer. Essa categoria é de grande amplitude em português. 1999. p. é importante lembrar que “todo substantivo pertence ou ao gênero masculino ou ao gênero feminino”. Entretanto. considerada um item lexical preso no que respeita às entradas lexicais existentes no léxico da língua. Nesse sentido. em língua portuguesa. etc. Assim. o nosso objetivo é mostrar as diferenças entre o lexema e o seu paradigma constituído pelas palavras morfossintáticas.196). como criança. de feminino. 1981). 95. desses 4. que. o singular é a forma não marcada e o plural é a forma marcada com o ‘s’.

o lexema acrescido das chamadas propriedades morfossintáticas. Os lexemas CASA e CADEIRA só apresentam duas palavras morfossintáticas – referentes à categoria do número – já que a categoria do gênero escapa às regras morfológicas.Língua Portuguesa II As propriedades morfossintáticas do singular e plural decorrem da oposição entre o morfema zero e o morfema {-s}. ‘leão’ – ‘leões’ e outros semelhantes devem ter sido analisados por vocês durante o curso da disciplina Língua Portuguesa I. embora o conceito de lexema atinja uma abstração maior. apresenta as propriedades morfossintáticas referentes às categorias do gênero e do número. palavras morfossintáticas com a propriedade morfossintática do singular e do plural e com a propriedade morfossintática do masculino ou do feminino. então. no sentido da exemplificação. como ocorrem com todas as palavras morfossintáticas. situam-se num nível abstrato. logo. Observem os seguintes exemplos: pratoØ – pratos camisaØ – camisas elefanteØ – elefantes Exemplos como ‘luz’ – ‘luzes’. em seu paradigma. conforme vimos. no que respeita aos lexemas substantivos referentes a seres sexuados. retomemos esses mesmos lexemas. ou seja. Vejamos as palavras em caixa alta. pois a sua explicitação é sintática. MENINO menino menina meninos meninas CASA casa casas CADEIRA cadeira cadeiras Apenas o paradigma do lexema MENINO inclui quatro palavras morfossintáticas. acrescentando-lhes o seu paradigma. Voltemos. O que importa nesta aula é deixar claro que os lexemas substantivos incorporam. Esses lexemas não se referem a seres sexuados. A abstração 30 . já que esse lexema. Cabe ainda lembrar que essas palavras morfossintáticas. representações de lexemas: MENINO – CASA – CADEIRA Agora. aos conceitos de lexema e de palavras morfossintática. por estar associado de forma extralinguística a um ser sexuado.

a manifestação das categorias morfossintáticas do modo. em todas essas representações das palavras morfossintáticas. Primeira. Presente. no que respeita às chamadas partes do discurso. uma vez as palavras morfossintáticas pertencentes aos mais diversos paradigmas incluem. Tomemos um lexema verbal como AMAR. pode assim ser representado: AMAR amava amavas Paradigma amava amávamos amáveis amavam lexema Como vocês podem observar. O morfema {-va} é responsável pelas propriedades morfossintáticas de indicativo e de passado ou pretérito imperfeito concernente às categorias morfossintáticas do 31 . como as gramáticas afirmam. em língua portuguesa. tanto a categoria do gênero quanto a do número se manifestam através do procedimento sintático da concordância. Passado e Futuro (Tempo). Singular e Plural (Número). há o morfema gramatical {-va} que se manifesta através dos alomorfes{-va} e {-ve}. as marcas de gênero e de número presentes em ‘bonita’ e ‘bonitas’ correspondem a exigências sintáticas de frase.O lexema e a palavra morfossintática Aula das palavras morfossintáticas justifica-se pelo fato de elas constituírem possibilidades em relação ao lexema. As meninas bonitas. Essas noções. da pessoa. Nessas frases. a depreensão de verbos através de critérios morfológicos. no que respeita ao modo indicativo e ao passado imperfeito. É possível. se expressam através de morfemas gramaticais ou gramemas dependentes. A manifestação dessas categorias se dá através da informação das propriedades morfossintáticas a elas relacionadas: Indicativo. (Modo). O fenômeno da alomorfia deve ter sido visto na Língua Portuguesa I ou na Linguística. Subjuntivo. Imperativo. do tempo. conforme as frases seguintes: A menina bonita. O seu paradigma. do número. No que respeita aos nomes adjetivos. de forma generalizada. 2 O LEXEMA VERBO O lexema verbo constitui uma classe de palavra. Segunda e Terceira (Pessoa).

em relação ao plural e à primeira pessoa. Convém lembrar a vocês que as categorias do modo (indicativo) e do tempo (passado imperfeito) nos serviram de exemplo de paradigma em relação ao lexema verbal. O morfema que porta propriedades morfossintáticas referentes a mais de uma categoria morfossintática. palavra morfossintática e vocábulo formal ou mórfico. Os verbos tais quais ocorrem nas frases e/ou enunciados da língua correspondem ao conceito de vocábulo formal ou mórfico apresentado na aula passada. o morfema {-va} é um morfema cumulativo. Esse conceito também diz respeito aos substantivos e aos adjetivos. é chamado de morfema cumulativo. Talvez o gráfico que se segue os ajude a fixar as diferenças entre lexema ou palavra léxica. Assim. e do morfema zero {-Ø} no que respeita à primeira e à terceira pessoas. escrito ‘-m’ estão a serviço do plural no que respeita à segunda pessoa e à terceira pessoa. O paradigma completo de um verbo corresponde a toda a sua conjugação. como vocês já devem ter visto em Linguística e em Língua Portuguesa I. servem-se do {-s} em relação à segunda pessoa. no que concerne ao singular. Vocês devem ter observado que as categorias gramaticais do número e da pessoa também se manifestam através de morfemas cumulativos. respectivamente. As propriedades morfossintáticas concernentes ao plural e as diferentes pessoas assim se expressam: {mos}. As propriedades morfossintáticas referentes às categorias morfossintáticas do número e da pessoa. Lexemas (abstração maior) Palavras morfossintáticas (abstração menor) Vocábulo formal ou mórfico (aspecto concreto) 32 . {-is} e {-n}.Língua Portuguesa II modo e do tempo.

O lexema e a palavra morfossintática Aula CONCLUSÃO Conhecer diferentes teorias que sustentam as análises diversas que se fazem de um objeto de conhecimento é de fundamental importância não só para o entendimento das análises. entendido como um conjunto de entradas lexicais ou itens lexicais a ser acionados pelas regras do componente morfológico. 2 RESUMO Os conceitos de palavra léxica ou lexema e de palavra morfossintática decorrem principalmente da posição de Chomsky em relação às nominalizações. potenciais. encontram-se os lexemas. palavras abstratas. então. Essas propriedades dizem respeito às diferentes categorias morfossintáticas próprias das diferentes línguas naturais. Conhecer os princípios do estruturalismo linguístico da Gramática Gerativo-Transformacional e da sua direção no que respeita à Hipótese Lexicalista é processo indispensável ao entendimento dos conceitos de Lexema ou palavra léxica. à disposição dos utentes da língua não só no sentido da formação de frases e/ou enunciadas através da atualização das palavras morfossintáticas como também no sentido da formação de novos lexemas. cuidamos das categorias do modo. de palavra morfossintática e à compreensão da estrutura da palavra morfossintática em língua portuguesa. professores não se podem furtar de acompanhar as diferentes perspectivas teóricas que sustentam as diversas abordagens feitas a respeito do objeto de estudo da sua disciplina. A palavra morfossintática corresponde ao lexema acrescido das suas propriedades morfossintáticas. O léxico é. tratamos das categorias do gênero e do número. 33 . Em relação aos substantivos e adjetivos da língua portuguesa. É essa crítica a mola propulsora do conhecimento científico. a gramática foi acrescida de um componente morfológico em constante interação com o léxico. Dentre as entradas lexicais. Dessa forma. o que culminou na Hipótese Lexicalista. virtuais. do tempo. De outro modo. do número e da pessoa. Já em relação aos lexemas verbais. mas também no sentido de promover uma apreciação crítica.

desinências. está ligado às _________________ morfossintáticas do ___________ e do tempo. o) As categorias morfossintáticas relacionadas ao lexema verbo são as seguintes: ___________. ______________. apenas lexemas referentes a _______________________ apresentam a categoria morfossintática do gênero. g) São lexemas básicos da língua portuguesa _____________. ____________________ e _________________. l) Essas propriedades morfossintáticas são depreendidas da oposição entre __________ e __________. vogais temáticas são entradas lexicais _______________. passado e futuro são _________________ morfossintáticas. _______________ e alguns _________. em verbos da língua portuguesa. s) A conjugação __________________ de um verbo constitui o seu ________________ completo. h) A morfologia lexical está a serviço da ________________ de palavras léxicas ou ___________________. q) O morfema {-va}. 34 . as nominalizações se explicariam pelo trabalho de regras _________________ no componente ____________ d) O conhecimento de uma lista de entradas _____________ faz parte da competência ______________ do falante.Língua Portuguesa II ATIVIDADES I. ______________. afixos. as palavras de uma língua são formadas por regras _______________________ b) Substantivos terminados pelo sufixo ‘-mento’ decorreriam da aplicação de __________________________ a partir de um ___________ na ___________________________ c) Conforme a __________________________. ___________. n) Verbos. _______________. Preencher as lacunas a) Segundo a teoria padrão referente à Gramática Gerativo– Transformacional. p) Presente. i) Todo ___________ possui o seu paradigma. em português. r) O morfema {-va} é chamado de morfema _____________________. j) O paradigma é formado por ________________________ de _________________ do lexema. f) Entradas lexicais ________________ incluem artigos. em língua portuguesa. podem ser depreendidos através de ______________ morfológicos. k) A categoria do ____________. resulta de uma oposição entre as propriedades morfossintáticas do singular e do ____________. m) Em língua portuguesa. e) Bases.

Justifique a afirmação de que os lexemas básicos são classes abertas. Introdução à morfologia. Margarida. Explicite o seu entendimento a cerca da afirmação de que. Belo Horizonte: UFMG. Em propaganda de televisão nos deparamos com a palavra ‘imperdível’. ROCHA. 1980. 2. 5. em relação aos substantivos. 2 PRÓXIMA AULA Na próxima aula nos deteremos de forma vertical no lexema verbal. Manifeste o seu entendimento no que respeita ao conceito de vogal temática. 2000. II. Estruturas morfológicas do português. Joaquim Mattoso. “a categoria do gênero é uma categoria sintática”. 21 ed. REFERÊNCIAS BASÍLIO. São Paulo: Contexto. 4. 3. CÂMARA JÚNIOR. Petrópolis: Vozes. Estruturas lexicais do português. Os lexemas substantivo e adjetivo devem ter sido estudados na Língua Portuguesa I. uma abordagem gerativa. ROSA. 1992. Explicite o seu entendimento no que respeita à afirmação de que lexemas adjetivos apresentam as categorias do gênero e do número através de procedimento sintático. Diferencie categoria morfossintática de propriedade morfossintática. 1999. Procure explicar o processo de formação dessa palavra no léxico da língua. Petrópolis: Vozes. Maria Carlota. em língua portuguesa. Estrutura da língua portuguesa. 6. Luiz Carlos de Assis. 35 . Responda as questões seguintes 1.O lexema e a palavra morfossintática Aula t) As palavras presentes nas frases e/ou enunciados são denominadas de _______________________ ou mórficos.

o aluno deverá: reconhecer as alomorfias e os alomorfes. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. . (Fonte: tchellodbarros-poesiavisual. analisar e descrever a estrutura dos verbos regulares da língua portuguesa.Aula O LEXEMA VERBO I 3 META Apresentar a descrição da estrutura morfossintática dos lexemas verbais regulares da língua portuguesa.blogspot.com). OBJETIVOS Ao final desta aula.

Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Caros alunos. agora vamos estudar a estrutura morfossintática dos lexemas verbais regulares. Esse estudo implica a análise e a descrição das palavras morfossintáticas relacionadas às categorias verbais. trataremos de conceitos como os de vogal temática. 38 . Assim. (Fonte: bartambemecultura. Analisaremos também as alomorfias relativas a essas desinências.com).blogspot. de desinências modotemporais e número-pessoais.

desabariam 3 39 . a palavra que expressa ação. ENCANTAMENTO. passaremos a considerar algumas definições de verbos nas nossas gramáticas. Para Platão. inclui o verbo entre as dez classes de palavras a serviço da categorização das palavras da língua. uma vez que há no léxico da língua portuguesa lexemas substantivos que expressam a ação ou o resultado da ação. esporadicamente. o número” (BECHARA. 11). Assim. Importa aqui salientar que critérios lógico-discursivos presidiram à distinção entre nomes e verbos. pareceis. 2006. partimos Vós: estais. “substantivos e verbos”. COMEMORAÇÃO. o verbo está associado à ação. os “substantivos” eram reconhecidos por funcionar nas frases como sujeito de um predicado. Essa nomenclatura não “estabelece definição para as classes. “Entende-se por verbo a unidade que significa ação ou processo e organizada para expressar o modo. Nesse sentido. explodiu Nós: ficávamos. Na primeira metade do século XX. almejo Tu: sabes. cantava. ENTENDIMENTO. instituída pela portaria ministerial de 28/01/59. estive. foi feito sobre fundamento lógico. foi. 2004. como constituinte de uma proposição” (LYONS. 1970. demoraram. Transcrevemos os exemplos seguintes: Eu: vou. é a palavra dinâmica. 194). Os estudiosos afirmam ter sido Platão o primeiro a apresentar uma distinção clara entre os substantivos e os verbos. gostavam. Cabe aqui destacar que essa associação não caracteriza ou identifica o verbo no que respeita às outras classes de palavras. estado ou mudança de estado” (MELO. VISUALIZAÇÃO. 27). p. recuperaremos. 1979. p. PROLONGAMENTO. 20). os verbos eram entendidos como palavras que expressam a ação ou a qualidade. vieste. estarás Ele: promete. fico. estavas. como se pode depreender de EDUCAÇÃO. isto é. existe a afirmação de que “é sintaticamente que o reconhecimento das palavras pertencentes à categoria dos verbos se mostra mais eficaz: apenas os verbos articulam-se com os pronomes pessoais do caso reto. (DUARTE. a pessoa. escrevemos. há que considerar que “a definição das mais importantes classes gramaticais. “O VERBO. sois Eles: ficam. p. Nessas duas definições. Assim. permanecias. ficastes. fenômeno cambiante e.” (SAUTCHUCK. temos que colhê-las nas gramáticas”. o tempo. p. p. pareço. Diante de evidências dessas. virá. como já vimos. Lembra a autora que existe a prática da conjugação do verbo no sentido de os iniciantes chegarem à certeza de que determinados lexemas são verbos. os estudiosos se voltam a outros caminhos de reconhecimento dos verbos. Assim. a Nomenclatura Gramatical Brasileira. 134).O lexema verbo I Aula O verbo já havia sido reconhecido nas investigações linguísticas dos gregos. 2000.

Língua Portuguesa II

Não nega, entretanto, Sautchuck que a grande variedade formal dos verbos da língua portuguesa permite a sua fácil identificação por critérios formais ou mórficos. Assim, passaremos a estudar as categorias verbais.

CATEGORIAS VERBAIS
A parte da morfologia que trata das categorias morfossintáticas, entre as quais se incluem as categorias verbais, é chamada, conforme vimos na aula passada de morfologia flexional. Esse estudo, no que respeita ao verbo, trata da maneira através da qual “o verbo se combina (...) com instrumentos gramaticais (morfemas), de tempo, de modo, de pessoa, de número” (BECHARA, 2006, p. 194). É através dessas combinações que as oposições funcionais referentes às categorias se manifestam. Vejamos os seguintes exemplos: Amo Amas Ama vendo vendes vende parto partes parte

As oposições, depreendidas dessas formas correspondentes aos lexemas AMAR, VENDER e PARTIR, dizem respeito à categoria gramatical da pessoa, já que todas elas manifestam o singular e o presente do indicativo. Essa constatação pode ser feita até por alunos do ensino fundamental. Essa oposição, que diz respeito apenas a uma categoria morfossintática, é chamada de oposição simples. As oposições complexas são concernentes a mais de uma categoria morfossintática. De maneira semelhante, percebemos que, entre as formas amo e amamos (indicativo presente), a oposição diz respeito à categoria do número, já que as duas formas estão a serviço da primeira pessoa. De outro modo, cotejadas as sequências amávamos e amaremos, a conclusão é a de que a oposição se situa na categoria de tempo (pretérito imperfeito / futuro do presente). Vocês talvez se perguntem se, em cada par opositivo, é apenas possível a dedução de uma oposição. Tenham, pois, certeza de que não, já que é comum a compreensão de mais de uma oposição em um par opositivo. Observem os exemplos seguintes: Vendias Venderemos partirás partiremos

Em relação a VENDER, é possível inferir-se a diferença entre segunda pessoa do singular e primeira pessoa do plural, o que implica a categoria da

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O lexema verbo I

Aula

pessoa e a de número, uma oposição complexa. De outra forma, deduzimos a diferença entre pretérito imperfeito e futuro do presente, o que acarreta a categoria do tempo, oposição simples. Também em relação a PARTIR, a oposição entre segunda pessoa do singular e primeira pessoa do plural concernentes às categorias da pessoa e de número, exemplifica uma oposição complexa. A depreensão das marcas referentes às propriedades sintáticas concernentes a cada categoria morfossintática será considerada um pouco mais adiante, nesta mesma aula. Uma palavra léxica como um lexema verbo – repetimos o dito nas duas primeiras aulas – é uma palavra abstrata. Assim, inclui, no seu paradigma, todas as palavras morfossintáticas portadoras das propriedades morfossintáticas referentes às categorias verbais. Nesse sentido, a expressão conjugar um verbo vale dizer “É dizê-lo, de acordo com um sistema determinado, um paradigma em todas as suas formas nas diversas pessoas, números, tempos, modos” (BECHARA, 2006, p. 199). Lexemas verbais são considerados regulares, quando as palavras morfossintáticas que constituem o seu paradigma permanecem invariáveis tanto em relação ao radical quanto no que respeita às propriedades morfossintáticas indicadas. Quando o paradigma de um verbo inclui alterações, quer no radical, quer nas terminações, a gramática classifica esse lexema-verbo como irregular.

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ESTRUTURA VERBAL-PADRÃO GERAL
É indiscutível a grandeza da flexão verbal em português. A economia presente nas línguas naturais atua no sentido de indicar duas categorias por meio de um único gramema ou morfema gramatical. Dessa forma, as noções referentes ao modo e ao tempo se manifestam através de um só morfema, o que ocorre também com as significações concernentes ao número e à pessoa. Esses morfemas, por serem responsáveis por mais de um sentido gramatical, são denominados de morfemas cumulativos. Nas gramáticas escolares, são eles chamados de desinências verbais. Assim, quando nos referirmos às desinências verbais, estaremos a falar de morfemas cumulativos. A riqueza e consequente complexidade superficial da “estrutura do verbo” pode ser simbolizada por uma fórmula relativamente simples. Verbo: R + VT + DMT + DNP Andávamos: and + á + va + mos (ZANOTTO, 2001, p. 83).

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Língua Portuguesa II

Normélio Zanotto Gaúcho, do município de Antônio Prado. Formou-se em Letras pela Universidade de Caxias do Sul. Especializou-se em Linguística Aplicada pela PUCRS e em Métodos e Técnicas de Ensino pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente é professor titular e pesquisador do Departamento de Letras da Universidade de Caxias do Sul.

Observem, agora, a leitura referente à fórmula: R = radical (elemento indispensável a qualquer verbo da língua portuguesa) VT = vogal temática (possui duas funções: eufônica, prepara o radical para receber as desinências; categorial, permite agrupar os verbos em três conjugações). DMT = desinência modo-temporal (atualiza as categorias do modo e do tempo). DNP = desinência número-pessoal (representação cumulativa das categorias do número e da pessoa). Vocês sabem, obviamente, que o radical acrescido da vogal temática constitui o tema verbal. Dessa forma, o professor Normélio Zanotto completa a fórmula anterior, com a ilustração seguinte: Verbo: T (R + VT) + D (DMT + DNP) Andávamos: anda (anda + á) + vamos (vamos)

VOGAL TEMÁTICA
A vogal temática permite, como já dissemos, a classificação dos verbos da língua portuguesa em três grupos ou conjugações: primeira conjugação, CI; segunda conjugação, CII; terceira conjugação, CIII. A vogal “a” caracteriza a CI; a vogal “e” identifica a CII; a vogal “i” é própria da CIII. Assim, nadar pertence à CI; vender, à CII e partir, a CIII. Comprova-se, assim, a função classificatória ou taxionômica das nossas vogais temáticas verbais. Essas vogais, nos diversos vocábulos mórficos, formas atualizadoras dos lexemas verbais, sob a ação de regras da morfologia flexional, sofrem alterações. Transcrevemos a seguir uma sistematização referente às configurações da vogal temática “a”. Vogal temática (CI) Na CI, ocorre - a como marca geral - e na P1IdPt2 (alomorfe) - o na P3IdPt2 (alomorfe) Ø na P1IdPr2 no SbPr (ZANOTTO, 2001, p. 88)

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as propriedades morfossintáticas são assim representadas: 3 CATEGORIAS DO MODO (INDICATIVO) E DO TEMPO IdPr = indicativo presente IdPt1 = imperfeito do indicativo IdPt2 = perfeito do indicativo IdPt3 = mais-que-perfeito do indicativo IdFt1 = futuro do presente IdFt2 = futuro de pretérito CATEGORIAS DO MODO (SUBJUNTIVO) E DO TEMPO SbPr = subjuntivo presente SbPt = subjuntivo pretérito ou passado (imperfeito do subjuntivo) SbFt = subjuntivo futuro CATEGORIA DO MODO IMPERATIVO IpAf = imperativo afirmativo IpNeg = imperativo negativo FORMAS NOMINAIS If = infinitivo Gr = gerúndio Pa = particípio Meus alunos. o alomorfe {-o}resulta da proximidade entre a vogal temática {-a}e a desinência {-m}. vocês devem voltar ao curso de Língua Portuguesa I e rever os conceitos de alomorfia e de alomorfe. Já em P3. resultam de uma assimilação parcial decorrente do contexto fonológico em que estão inseridos: a vogal temática {-a-}. os alomorfes /-c-/ e /-Ø/. em contiguidade ao {-i}. No que tange as categorias do modo e do tempo. em P1IdPr. resulta da supressão total da 43 . P5 e P6 (plural). Atenção: representamos os morfemas entre chaves e os alomorfes entre barras. em P1 e P3. em P1 transforma-se no alomorfe {-e-}. A ausência da vogal temática. No que respeita a CI. P2 e P3 (singular) e P4.O lexema verbo I Aula As propriedades morfossintáticas referentes às categorias da pessoa e do número são assim abreviadas: P1. referentes ao IdPt2.

ocorre . Atenção aos exemplos. o verbo vender.Língua Portuguesa II vogal temática {-a-}. Nos tempos e pessoas indicados no quadro apresentado. a ausência da vogal temática decorre da atuação da regra da supressão. Seguem-se exemplos: IdPr IdPt2 IdPr Vogal temática (CII) Na CII. Nesse sentido. No particípio. 2001). 2001. a ausência da vogal temática {-a-} se explica também pela regra da supressão. p. a vogal temática perde a sua função distintiva no que respeita à CII e à CIII. (MATTOSO in ZANOTTO. e no P1IdPt2 no SbPr (Zanotto. “A vogal final átona de um elemento mórfico é suprimida na estrutura de vocábulo. quando se adjunge outro elemento mórfico de vogal inicial diversa”. a vogal temática está representada pelo alomorfe /-i-/ .e no Pa Ø no P1IdPr. Em todo o SbPr. Pa (particípio) – Vend + Ø + ido 44 . Esse fenômeno decorre da ativação da regra da supressão.89) Como vocês sabem. no IdPt1. uma vez que é {-i-} vogal temática da CIII. Um exemplo.e como VT geral . Como exemplo. partir. a vogal temática da CII é {-e}. em contato com a desinência {-o}.

no IdPt1. no que se refere aos tempos e pessoas indicados. apresentadas pelo professor Normélio Zanotto. Em algumas regiões do País o {-e. Especial atenção aos impe- 45 . Esses morfemas gramaticais ou gramemas estão destacados em quadros expostos no decorrer desta aula. P6IdPr e P2IpAf Ø na P1 e P5IdPr. A neutralização acarreta o surgimento de um arquifonema que pode ocorrer na forma de qualquer um dos elementos opositivos em relação aos quais ocorreu a neutralização.corresponde à pronúncia adotada. graças à posição átona final ocupada. no IdPt2 e no SbPr O alomorfe /-e-/. Vocês devem retomar o Curso de Fonologia. decorre da neutralização da oposição entre as vogais temáticas da CII e CIII.e no P2 P3.e como VT geral . ocorre . como também a análise dos verbos regulares das CI.O lexema verbo I Aula Convém lembrar que não separamos entre si as desinências de modo/ tempo e de número/pessoa. CII e CIII. A língua escrita escolheu o /-e-/ como representante do arquifonema. Seguem quadros que explicitam as desinências modo-temporais e número-pessoais. Entretanto. no sentido de relembrar conceito como os de neutralização e de arquifonema. Atenção aos gramemas específicos de cada categoria morfossintática. senão na maior parte das nossas regiões. 3 Vogal temática (CIII) Na CIII. o arquifonema é representado por /-i-/. na grande parte.

DESINÊNCIA MODO-TEMPORAL 46 . Nesse sentido. retomar a formação do Imperativo em gramáticas como as de Celso Cunha e Evanildo Bechara.Língua Portuguesa II rativos afirmativo e negativo.

Conclui-se que as DNPs básicas são. Ø andasse-Ø -s andasse-s Ø andasse-Ø -mos andásse-mos -is andásse-is -m andasse-m 47 .O lexema verbo I Aula 3 (ZANOTO. respectivamente. para cada uma das seis pessoas. 2001. 90) DESINÊNCIA NÚMERO-PESSOAL Nota 1. p.

2001.Língua Portuguesa II (ZANOTTO. p. 92) PRIMEIRA CONJUGAÇÃO – CI 48 .

O lexema verbo I Aula (ZANOTO. p. 2001. 85) 3 SEGUNDA CONJUGAÇÃO – CII 49 .

2001. p. 87) 50 . 86) TERCEIRA CONJUGAÇÃO – CIII (ZANOTTO. 2001. p.Língua Portuguesa II (ZANOTO.

3 RESUMO Esse estudo abordou considerações sobre diferentes conceitos de verbos e sobre a relação entre esses conceitos e possíveis formas de identificação dessa classe de lexemas. mostramos os gramemas identificadores das três diferentes conjugações – as vogais temáticas. essa maneira de trabalhar. optamos por apresentar a análise e descrição desses vocábulos.O lexema verbo I Aula CONCLUSÃO Analisar e descrever a estrutura das palavras morfossintáticas é um processo fundamental no que respeita à explicitação do conhecimento linguístico. na perspectiva da morfologia. 51 . no estudo dos padrões verbais regulares da língua portuguesa. Adotamos. assim. Lembramos que o verbo é a palavra nuclear das nossas orações. já que ele é condição necessária e suficiente da sua existência. Assim. Apresentamos também os gramemas relacionados às diferentes categorias morfossintáticas verbais. Graças à complexidade morfológica do verbo. no que respeita aos padrões regulares.

de ANDRADE) III. k)Apresente as DNPs relativas à P5. Essa marca ocorre em ____________. “Durante uma hora debateram o negócio. e) Lexemas verbais cujas palavras morfossintáticas não se alteram em todo o paradigma são chamados de verbos ou lexemas-verbo _______________. m) Qual o gramema representante da P4 em língua portuguesa? II. depreendemos ___________ posições linguísticas referentes às categorias gramaticais do ____________. da __________ e do ____________. entrevistado. apresentam duas funções: ____________ e ______________ h) Indique. Sublinhe gramemas relacionados às propriedades morfossintáticas referentes ao IdPt1. por meio de abreviações convencionais. i) O fenômeno concernente à variação de um determinado morfema gramatical ou gramema recebe o nome de _________. em língua portuguesa. D. D. de ANDRADE). ao IdPt2. Samuel estava suando”. l) Explique a alomorfia relativa ao IdPt2. Marque as vogais temáticas verbais e/ou alomorfes no trecho seguinte: “O DONO DA USINA. Há excedente de leite no país e o consumo não dá para absorver a produção intensiva. b) A parte da morfologia que trata das categorias _______ é chamada de morfologia flexional. f) Gramemas ou morfemas gramaticais que manifestam mais de uma categoria gramatical são chamados de ___________ g) Vogais temáticas. explicou ao repórter que a situação é grave.” (C.” 52 . c) Quais as categorias morfossintáticas relacionadas às propriedades morfossintáticas do singular e do indicativo? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ d) Cotejadas as formas vivias e viveremos. as propriedades morfossintáticas referentes às categorias gramaticais do modo (indicativo) e do tempo.(C.Língua Portuguesa II ATIVIDADES a) Em português é possível _________ verbos por meio de ____________ morfológicos. j) O gramema {-e} é a marca do SbPr na CI. “Os funcionários dos guichês também apresentavam sinais de ruína.

5. ( ( ( ( ( ) perdido ) perder ) perdendo ) amares ) amado ( ( ( ( ( ) amando ) partido ) partindo ) partir ) partires ( ( ( ( ( ) escrevendo ) escrito ) escrever ) escreveres ) partires 3 V. 4. 6. gerúndio ou particípio. conforme a forma verbal esteja no infinitivo.O lexema verbo I Aula IV. Complete adequadamente a 1a coluna de acordo com a 2a dando atenção ao gramema que está indicado. ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) am – a – r ) vend – e – r ) part – i – r ) part – a ) corr – e – mos ) am – a – va ) am – á – va – mos ) perd – e – rá – s ) perd – e – re – i ) am – a – ria ) am – a – ndo ) part – i – ste ) prend – e – ndo ) am – a – s 1. 7. Marque (I). radical vogal temática desinência modo-temporal desinência número-pessoal desinência de infinitivo desinência do gerúndio desinência de infinitivo 53 . 3. (G) ou (P). 2.

Gladstone Chaves de. Rio de Janeiro: Acadêmica. LYONS. 1970. veremos os chamados verbos irregulares. 1979. Barueri – SP: Manole. Maria Claudete (colaboradora). Introdução à linguística teórica. Gramática escolar da língua portuguesa. Fortaleza: EUFC. DUARTE. John. LIMA. 2 ed. Prática de morfossintaxe. 2000. Gramática fundamental da língua portuguesa. 54 . São Paulo: Companhia Editora Nacional. Classes e categorias em português. Paulo Mozânio Teixeira. 2004. REFERÊNCIAS BECHARA.Língua Portuguesa II PRÓXIMA AULA Na próxima. Inez. Rio de Janeiro: Lucerna. 2006. SAUTCHUCK. MELO. Evanildo.

reconhecer e empregar verbos de radicais supletivos. . a defectividade e a abundância verbais. Descrever as vozes verbais. (Fonte: http://static. operar transformações passiva e reflexiva. OBJETIVOS Ao final do curso.Aula O LEXEMA VERBO II 4 META Mostrar uma possível sistematização da estrutura morfossintática dos lexemas verbais (irregulares) da língua portuguesa. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. Apresentar a supletividade de radicais. o aluno deverá: explicitar o seu conhecimento em relação à irregularidade verbal.blogstorage.com).hi-pi.

Ao estudar as vozes verbais. 56 . procuraremos desbravar sendas no sentido de entender o fenômeno da chamada irregularidade verbal. (Fonte: http://tirasdoeuricefalo. verão vocês a possibilidade de escolha no que respeita à passiva e a obrigatoriedade em relação a reflexiva. Esse caminho desemboca nos domínios da defectividade e da abundância dos nossos verbos.com). A anomalia atribuída a alguns verbos é explicada através da supletividade de radicais.blogspot. Nesta aula.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Continuemos a nossa viagem pelo mundo dos verbos.

” (ZANOTTO. dentre as irregularidades no radical. nos chamados anômalos” (ZANOTTO.acréscimo de consoante: vejo. 93). IRREGULARIDADES NA . 4 IRREGULARIDADES NO RADICAL Ainda segundo o Prof.ditongação pelo acréscimo de urna semivogal: caibo. p. são muitos os verbos que possuem radicais alomórficos. 2001. uma vez que constituem diferentes formas de representação no que respeita aos lexemas-verbo tais como se manifestam na forma nominal chamada de infinitivo.P1IDPR “Esse radical especial da P1IdPr pode apresentar várias particularidades como: . Segue-se a análise do Prof. Esses radicais são denominados de radicais alomórficos. peço-lhes que leiam nas gramáticas escolares sobre tempos verbais primitivos e derivados. 93) O fenômeno linguístico que explica as alterações ocorridas nos radicais apresentados é chamado de alomorfia. ressaltamos aquelas que ocorrem na P1IdPr e na P2IdPt2.troca da vogal do radical: durmo. Zanotto. . A fuga aos padrões regulares pode ocorrer no radical (morfema lexical) ou no tema ou nas desinências (morfemas gramaticais ou gramemas). Nesse sentido. no que concerne à P1IdPr. pois elas se mantêm nos vários tempos e modos formados a partir dessas pessoas.troca da consoante do radical: digo. . no que se refere às irregularidades no P1IdPr. . Zanotto.O lexema verbo II Aula VERBOS IRREGULARES São chamados de irregulares os verbos que fogem ao padrão descrito na nossa aula passada. Em língua portuguesa. Considera-se que a irregularidade “vai desde uma simples alternância vocálica até a ocorrência de radicais supletivas para o mesmo verbo.travamento nasal do radical: ponho. p. Mas. apresentamos a relação de alguns deles: 57 . . 2001. É importante reconhecer essas irregularidades.

p. digo. P2IdPt2 IdPt3 SbPt SbFt (ZANOTTO. agrides. trago. cubro. progride. previne. que não levam a irregularidade da P1IdPr a outros tempos e modos costumeiramente dela derivados. 95) 58 . denigrem previno. cirzo. Vejam vocês a relação apresentada por Zanotto: “agrido. denigre. consigo. visto. venho etc. confiro. 94) IRREGULARIDADE DA P2IDPT2 “Essa irregularidade também assume relevância. ´progridem etc. tenho.Língua Portuguesa II “caibo. p. minto. requeiro. cirzem denigro. 94) Há verbos que trazem na P2. poucos deles. isto é.” (ZANOTTO. prefiro reflito. 2001. 2001. previnem. cirze. no SbPt e no SbFt. prevines. posso. acudo. denigres. agride. adiro. ponho. na P3 e na P6 o radical alterado da P1IdPr. progrido. sirvo. já que vai repetir-se nos tempos derivados dessa pessoa. compito. no ldPt3. agridem. 2001.” (ZANOTTO. Atenção à relação seguinte: “sei – saiba hei – haja quero – queira estou – esteja sou – seja vou – vá dou – dê” (ZANOTTO. tusso. cirzes. p. sigo. p. 94) Existem verbos. faço. 2001. vejo. durmo. progrides.

por isso se diz alternância morfêmica. na sua conjugação. sendo essa a única marca que distingue as duas pessoas. a seguir. 4 RADICAIS COM ALTERNÂNCIA VOCÁLICA MORFÊMICA Essa alternância se manifesta através de “uma troca de vogais do radical da P1 e da P3 do IdPt2. no seu paradigma.” P1 Fiz Tive Estive Pude Pus Fui P3 Fez Teve Esteve Pôde Pôs Foi (ZANOTTO. apresentamos. p. radicais totalmente diferentes. 59 . São eles. há dois que apresentam. então. já que apresenta bastantes irregularidades é o verbo pôr. a análise da estrutura desses verbos. Nesse sentido. 2001. os verbos ser e ir. 95) - RADICAIS SUPLETIVOS Dentre os nossos verbos. Um outro verbo que merece destaque. retirada de Zanotto.O lexema verbo II Aula Vocês devem. ir às gramáticas escolares e procurar verbos que apresentem esse tipo de irregularidade.

97) 60 . 2001.Língua Portuguesa II SER (ZANOTTO. p.

98) 61 . p.O lexema verbo II Aula IR 4 (ZANOTTO. 2001.

Língua Portuguesa II PÔR (ZANOTTO. 99) 62 . 2001. p.

100) Lembra Zanotto que “outras irregularidades desinenciais são aleatórias. no decorrer da flexão completa desses verbos. da CII (d + e + Ø + ste) viste – com VT -i.O lexema verbo II Aula IRREGULARIDADE TEMÁTICA Esse tipo de irregularidade pode decorrer da troca referente à vogal temática e da crase concernente à mesma vogal. esquivas a agrupamentos. Dentre 63 . Esses verbos são. p. a descrição do Prof. Zanotto.100) Nesse sentido. assim. DEFECTIVIDADE VERBAL Defectividade verbal é a qualidade abstrata referente a verbos cuja conjugação apresenta falta de algumas formas. p. apresentam a DNP da P5 especial. “Alguns verbos de radicais monossilábicos. “Troca de VT: deste – com VT -e. 100) 4 IRREGULARIDADES DESINENCIAIS O Prof. 2001. Observem por favor. p. da CIII (v + i + Ø + ste) Crase do VT: rir: ri + (i) + r + Ø ler: le + (e) + r + Ø ir: i + (i) + r + Ø crer: cre + (e) + r + Ø Essas crases repetem-se em várias pessoas. cre-des – ri-des i-des – ten-des le-des – ve-des pon-des – vin-des” (ZANOTTO. Zanotto procura sistematizar essas irregularidades.” (ZANOTTO. gramáticas da língua portuguesa devem ser consultadas sempre que necessário. 2001. chamados de defectivos. Em lugar da regular -is aparece -des. 2001.” (ZANOTTO. da CII e da CIII. Há razões para a defectividade verbal.

202) Atenção: Por faltar a esses verbos. e. P4 e P6 do IpAf e IpNeg). só possuem a P4 e a P5. Esses verbos. extorquir. No IpAf. o IpNeg e no IpAf. Segundo o Prof. retorquir. aturdir. a ausência da P1IdPr – remo – poderia se explicar pelo fato de esse vocábulo mórfico ativar na mente dos falantes nativos. P3. (fremir). emolir. “banir. 2006. o significado de objeto utilizado pelos homens para fazer embarcações se deslocarem em superfícies de água. daí aparecer de vez em quando uma forma verbal que a gramática diz não ser usada”. soer. só aparecem as P2 e P5. fremer.” (BECHARA. Assim: 64 . Consideremos as formas ausentes ‘reavo’ e ‘precavo’. explodir. combalir”. por faltar-lhes o SbPr. colorir. por exemplo. fulgir. não possuem o SbPr e o IpNeg. delir. 202) Considerando um verbo defectivo como remir. ruir. Evanildo Bechara. o IpAf. P2. só aparece a P5. aguerrir. p. Em relação à eufonia. florir. haurir. delinquir. renhir. esbaforir. exaurir. aparece ‘o’ ou ‘a’. puir. brandir. Dessa forma. Convém lembrar que “o critério da eufonia pode variar com o tempo e com o gosto dos escritores.Língua Portuguesa II elas. transir. vagir. 2006. p. inanir. abolir. empedernir. ressarcir. A eles faltam os P1. (BECHARA. lembramos os verbos reaver e precaver-(se). Grupo 3 Os verbos ‘precaver’(-se) e ‘reaver’. P3 e P6 do IdPr e as formas derivadas da P1 (SbPr. revelir. p. fornir. a P1IdPr. impingir. faltam-lhes o SbPr. só possuem a P5. falir. falta-lhes o IpNeg. bramir. jungir. esculpir. depois do radical. espargir. 2006. garrir. Grupo 2 Verbos que são unicamente usados nas formas em que vem ‘i’ após o radical. de forma predominante. (BECHARA. lembramos a eufonia e a significação. P2. espavorir. carpir. Essa ausência pode ser justificada pelo fato de as pronúncias das sequências reavo e precavo apresentarem-se dissonantes. os verbos defectivos se distribuem em três grupos: Grupo 1 Verbos que não são conjugados nas pessoas em que. remir. feder. “adir. no IdPr. demolir. 202) Atenção: Também a esses verbos. ressequir.

O lexema verbo II Aula IdPr Precavemos. As formas mais comuns de abundância ocorrem no particípio. rever (= destilar) e pesar (causar tristeza) só são usados nas P3 e P6. Vejam. costumeiramente empregados nos tempos verbais com- 65 . Relampejou durante toda a noite. Observação: Em sentido figurado. adequais Antiquamos. Dessa forma.” 4 ABUNDÂNCIA VERBAL Esse tipo de abundância diz respeito ao fato de existirem verbos que apresentam duas ou mais formas variantes em alguma flexão de uma conjugação. vale dizer. Os verbos com abundância participial apresentam o chamado particípio regular. reavei Aos verbos adequar. antiquais IpAf Adequai. Geralmente designam as vozes de animais. duas ou mais palavras mórficas relacionadas às mesmas informações morfossintáticas. antiquai Os verbos grassar. o exemplo: “Choviam palavras intempestivas. Os verbos que apresentam essas formas variantes são chamados de verbos abundantes. vocês. Verbos unipessoais O lobo das estepes uiva. É importante lembrar a distinção entre verbos unipessoais e verbos impessoais. Já os impessoais são aqueles só utilizados na P3. tanto os verbos impessoais quanto os unipessoais são conjugados em quaisquer das pessoas gramaticais. IdPr Adequamos. reaveis IPAf Precavei. Verbos impessoais Chovia bastante naquele inverno. antiquar cabem as mesmas observações feitas em relação a precaver e reaver. Os unipessoais só se conjugam nas P3 e P6 (terceiras pessoas). precaveis Reavemos.

Língua Portuguesa II postos com os auxiliares TER e HAVER. Exemplos: Os meninos tinham (ou haviam) soltado os balões. O particípio chamado de irregular é empregado com os auxiliares SER e ESTAR. Os balões foram soltos ao entardecer. da CII e da CIII. VERBOS ABUNDANTES 66 . Seguem-se exemplos de particípios abundantes distribuídos em verbos da CI. Vocês devem rever verbos auxiliares e tempos compostos em gramáticas escolares.

prestem atenção às importantes observações concernentes aos particípios abundantes. Com esses verbos. a língua já consagrou o seguinte uso: Ter ou haver ganho. Alguns como absoluto de absorver. isto é. c) Morto é particípio de MORRER e estendeu-se a MATAR. O vento havia enxugado toda a roupa. 4 VERBOS SEM PARTICÍPIO REGULAR ABRIR (aberto) COBRIR (coberto) FAZER (feito) PÔR (posto) 67 . Foram rompidas nossas relações. OBS. ‘gravar’. Enxugado é particípio de enxugar. Atenção aos exemplos seguinte: O vestido enxuto está guardado. Dir-se-á. e) O verbo imprimir possui duplo particípio. b) A forma participial aceite é mais usada em Portugal. continuam na língua. Atenção aos verbos GANHAR. como núcleos de sintagmas adjetivais. Ter ou haver gasto. FICAR. (Essas observações têm como base. usa-se a forma impresso. d) O particípio rompido usa-se também com o auxiliar SER. ANDAR. a) Apenas os chamados particípios irregulares são usados como adjetivos. que outrora serviam para formar tempos-compostos caíram em desuso. e resoluto de resolver. ou foram extraídas da “NOVA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO” de Celso Cunha e Lindley Cintra). um sintagma adjetival. Ter ou haver pago. por exemplo: Este livro foi impresso no Brasil. colheito do verbo colher.: Roto é mais empregado como adjetivo. mas com valor de adjetivo. g) Muitos particípios irregulares. IR e VIR. A ideia foi aceite por todos. ou seja. ‘Enxuto’ é um adjetivo.O lexema verbo II Aula Meus caros alunos. Somente essas formas irregulares se combinam com os verbos ESTAR. GASTAR. Quando significar ‘estampar’. que tem a função sintática de adjunto adnominal de vestido. estão nesse caso: cinto do verbo cingir. PAGA. usa-se apenas o particípio em – ido. Mas. por favor. despeso do verbo despender. ‘infundir’. f) Pelo modelo de entregue formou-se empregue de uso frequente em Portugal e na linguagem popular do Brasil. Dentre outros. Na acepção de ‘produzir movimento’. por outro lado: Foi imprimida enorme velocidade ao veículo.

FALAR – falado – * falo. ESTAR e outros. limpo e correto são usados como adjetivos. do IdPt3. P2. inconveniente. Ainda em relação à abundância de alguns verbos. P3. rude. insolente. com as suas formas variantes. P5 e P6 do IdPt2. 68 . P4.Língua Portuguesa II DIZER (dito) ESCREVER (escrito) VER (visto) VIR (vindo) Os particípios desses verbos são usados indiferentemente com TER.” (CAMILO) Atenção aos empregos equivocados de particípio. Observem os exemplos: “Nunca usei de uma palavra desabrida desde que falo. PEGAR – pegado – * pego PASMAR – pasmado – * pasmo LIMPAR – limpado – * limpo CORRIGIR – corrigido – * correto Pasmo. É importante lembrar a vocês que DESABRIR faz desabrido e não desaberto.” (GARRETT) “Por noite desabrida de janeiro. COMPRAZER E DESCOMPRAZER Esses verbos apresentam duas formas. HAVER. vocês. ao significado de desabrido: áspero. dois vocábulos formais referentes às P1. SER. do SbPt e do SbFt. observem vocês o comportamento dos verbos seguintes. grosseiro. Atenção. conforme o que se expõe em relação a COMPRAZER.

69 . P3 e P6 do IdPr. P3 e P6 do IdPr e na P2 do IpAf. para as P2. ENTUPIR E DESENTUPIR Formas variantes nas P2.O lexema verbo II Aula 4 CONSTRUIR E SEU GRUPO Esses verbos têm formas variantes. Possuem também formas variantes para a P2 do IpAf.

Língua Portuguesa II HAVER Variantes relativas às P4 e P5 do IdPr. (BECHARA. QUERER E REQUERER Presença de formas variantes para a P3 do IdPr. Quanto às variantes quere e requere “são formas que só têm curso em Portugal. sem adoção geral) e requere é forma já antiga na língua”. Variantes referentes à P4 e à P5 do IdPr. XIX – XX. O IpAf não apresenta variação. quere é criação recente (séc. IR Variantes referentes à P4 e à P5 do IdPr. 2006. p. 204) 70 .

2008. Eles ouviram música. VOZES VERBAIS Denomina-se “VOZ ao acidente que expressa a relação entre o processo verbal e o complemento do sujeito.O lexema verbo II Aula VALER Variantes relativas à P3 da IdPr.” (LIMA. 71 . ou seja. Maria estudou a lição. 4 IMPERATIVOS EM – ZER E – ZIR Esses imperativos podem perder o e na P3 TRADUZIR IpAf P2 – traduze tu (ou traduz tu) FAZER IpAf P2 – faze tu (ou faz tu Nós vamos agora estudar a categoria verbal da voz. as vozes dos verbos. p. passiva e reflexiva. As vozes dos verbos mais estudadas são as seguintes: ativa. 123). VOZ ATIVA É chamada voz ativa a forma apresentada pelo verbo no sentido de indicar que a pessoa a que se refere é o agente da ação.

PASSIVA SINTÉTICA OU PRONOMINAL Nessa modalidade de passiva. O verbo SER seria inserido como verbo auxiliar da passiva. Como vocês podem observar. Na ótica padrão da Gramática Gerativo-Transformacional (GGT). A presença desses dois sintagmas nominais. postula-se que todas as frases das línguas possuem duas estruturas básicas: a Estrutura Profunda (EP) e a Estrutura Superficial (ES). de passiva analítica. a análise da denominada passiva sintética ou pronominal. Frutas é o sujeito paciente. Após essas transformações. é incapaz de 72 . teríamos a estrutura superficial da frase passiva que ocorreria numa situação de comunicação da seguinte forma: Frutas foram compradas por Maria. Essas transformações fariam o SN1 e o SN2 trocarem suas posições. à seguinte fórmula: F ® SNVSN. O SN1 é agente da ação verbal e o SN2. o paciente dessa mesma ação. o que se manifestaria na ES das frases. seria precedido de preposição. a sequência por Maria. nas mesmas gramáticas. na sua condição de agente da ação verbal. nas nossas gramáticas. entrariam em ação as regras transformacionais que converteriam a ativa na passiva correspondente. Chamemos o SN que vem antes do verbo de SN1 e o que vem depois do verbo de SN2. Regras sintáticas de transformação ou regras transformacionais converteriam a voz ativa em passiva. costumeiramente a preposição por.Língua Portuguesa II VOZ PASSIVA Chamamos de voz passiva a forma verbal que indica que a pessoa à qual se refere o verbo é o objeto da ação verbal. de forma bastante simplificada. constitui condição necessária para que uma frase na voz ativa possa ser convertida em voz passiva. Há ainda. Por sua vez. Uma frase como Maria comprou frutas teria sido engendrada pelas chamadas regras de reescritura ou de formação de frase e corresponderia. Essa modalidade de passiva que acabamos de considerar é chamada. Nesse contexto estrutural. tais como se apresentam na frase Maria comprou frutas. ou seja. a posição posterior ao mesmo verbo. e o verbo da frase iria ao particípio. na frase. o verbo da frase e/ou oração deve ser também um verbo transitivo direto. o SN2 (paciente ou recipiente da ação verbal) ocuparia a posição anterior ao verbo e o SN1 (agente da ação verbal). um verbo e um objeto direto. A seguir seria processada a concordância verbal. O seu sujeito. Vocês hão de convir que esse modelo corresponde a qualquer frase da língua portuguesa que apresente um sujeito. Nessa posição. correspondente ao objeto direto da voz ativa. A voz ativa das frases estaria organizada na EP. é analisada sintaticamente como agente da passiva. Passemos à exemplificação.

seja confundido com o SE. também se caçam borboletas e andorinhas. É conveniente que vocês revejam esse estudo. 2004: 59). (= sim.” (C. de Andrade) Também se caçam borboletas e andorinhas? Sim.. Tomemos o exemplo seguinte: Vendem frutas naquela praça. ele é compreendido)..” (Machado de Assis) Compreende-se o assombro da tia? Sim. Se aplicarmos a técnica de pergunta e resposta utilizada no reconhecimento do sujeito: “. o sujeito é indeterminado.O lexema verbo II Aula praticar a ação expressa pelo verbo. O sintagma adverbial naquela praça tem a função de adjunto adverbial de lugar. A inserção do SE converteu a voz ativa na passiva pronominal ou sintética. observem os exemplos a seguir: “Compreende-se o assombro da tia. teremos a sequência seguinte. facilmente chegaremos à passiva analítica correspondente à frase observada. Observemos o exemplo seguinte: 73 . 4 PASSIVA DE INFINITIVO Para muitos autores. basta que a transformemos numa pergunta hipotética (SAUTCHUCK. borboletas e andorinhas também são caçadas. D. o que confirmará a condição de passiva sintética no que respeita à frase em análise.. o SN frutas passa a exercer a função de sujeito. O reconhecimento dessa modalidade de passiva pode ser feito com a facilidade através da conversão da frase com o pronome SE na passiva analítica.. é então chamado de pronome apassivador. O pronome SE. (= sim. “. que converte uma frase da voz ativa na passiva sintética correspondente. A classificação do sujeito foi estudada no curso de Língua Portuguesa I. se possível for a conversão dessa estrutura numa passiva analítica. elas também são caçadas). Acresce que a esse verbo se liga necessariamente o pronome SE. Nesse sentido. o assombro da tia é compreendido. como já dissemos.. Vendem-se frutas naquela praça. Se inserirmos o pronome SE na frase. verbos no infinitivo precedidos de preposição formam a chamada passiva de infinitivo.. Esse processo evita que o SE. índice de determinação do sujeito. após isolarmos a oração na qual pretendemos encontrar o sujeito. Nessa frase. Nesse sentido. pronome apassivador. O SN frutas tem a função de objeto direto. Esse pronome é chamado de pronome apassivador ou partícula apassivadora.

estudada cuidadosamente. formada de verbo seguido de pronome obliquo de pessoa igual à que o verbo se refere. VOZ REFLEXIVA A voz reflexiva “é a forma verbal que indica que a pessoa é. Dessa forma. o SN O homem é o sujeito do verbo revela e o pronome se refere-se a esse SN. 1983: 104) Observem o seguinte exemplo: “O homem revela-se na torrente melódica. agente e paciente da ação verbal. de pronome reflexivo. ao mesmo tempo. SN1 V SN1 74 . D.Língua Portuguesa II “Já não transitam pelo correio aquelas cartas de letra miudinha. DE: SN1VSN1 O mesmo índice é apresentado pelos sintagmas nominais. O sistema de índice foi introduzido por Chomsky (1965). esses sintagmas serão considerados referenciais. Retomemos a DE: SN1VSN1 e vejamos como seria uma sequência em língua portuguesa. Ele é chamado.” (BECHARA.” (C. a voz reflexiva é consequência da aplicação obrigatória de regras transformacionais à estrutura profunda de frases que apresentem a seguinte descrição estrutural. Convém lembrar que tanto a passiva sintética quanto a passiva de infinitivo são assim reconhecidas pela conversão na passiva analítica. representado pelo pronome se na função de objeto.. então. segundo a descrição estrutural apresentada. Na perspectiva da Gramática Gerativo-Transformacional.” (C. José feriu José.. de Andrade) Nesse verso. É nesse sentido que se diz esse pronome retomar o SN sujeito. Quanto ao emprego do infinitivo deu-se preferência ao infinitivo não flexionado. D. de Andrade) A seqüência impossíveis de ler pode ser convertida em impossíveis de ser lidas. as referências serão distintas. impossíveis de ler. em caso contrário. Dito de outra forma. com o intuito de traduzir a identidade referencial. se a dois ou mais sintagmas nominais forem atribuídos os mesmos índices. a ação verbal parte do sujeito e recai sobre o próprio sujeito.

é: José feriu-se. 4 VOZ RECÍPROCA Uma variação da voz reflexiva corresponde ao que as gramáticas escolares chamam de voz recíproca. Observemos agora a mudança estrutural após a reflexivização. D. pois a ação expressa pelo verbo indica que os seus agentes a dirigem uns aos outros. de Andrade) Na estrutura profunda dessa frase. Ex. dar-se-ia necessariamente a transformação de reflexivização. rejeitaria tal sequência por considerála agramatical no sentido de não respeitar determinadas regras sintáticas da gramática da língua. 75 . Por essa razão. Impossibilidade de ocorrer em sentença distinta daquela em que ocorre o nome ao qual se referem. 2. 3. Ex: *Se cortou Maria. entendida como o conjunto de regras da língua internalizadas inconscientemente. ME: SN1VSN1 [+REFL] Dessa forma. É característica desse tipo de voz trazer o SN sujeito no plural.. Observem o exemplo: “Os homens entreolharam-se cautelosos.” (C. que substituiria o SN1. Maria cortou-se. a frase gramatical e aceitável decorrente da transformação.O lexema verbo II Aula A gramática. Impossibilidade de ocorrer na posição de sujeito.. Realmente. ultrapassa a fase de aquisição da linguagem. posto após o verbo. Ex: *Maria disse que se cortou. pelo pronome se. essa seqüência não seria usada efetivamente numa atuação de comunicação por utentes da língua portuguesa. O se é pronome de terceira pessoa e atende ao singular e ao plural. São características destribucionais próprias dos reflexivos: 1. Necessidade de possuir as mesmas marcas de pessoa e número do SN ao qual se referem. teríamos a sequência seguinte: Os homens entreolharam os homens.

foram anexados modelos de conjugação desses verbos. segundo as prescrições concernentes à língua padrão. O conhecimento das vozes verbais é fundamental à feitura e à compreensão de textos. Nesse sentido. os dois SNs possuem o mesmo índice. como única marca distintiva entre pessoas gramaticais. CONCLUSÃO É inegável a importância do verbo no que respeita às línguas naturais. Tratou-se também dos radicais supletivos. algumas gramáticas chamam a voz recíproca de reflexiva recíproca. De outro modo. conhecer não só as chamadas irregularidades verbais. 76 . manifestado na troca de vogais do radical. RESUMO Nesta aula foi desenvolvido o estudo dos verbos irregulares. Nesse sentido. esse conhecimento é indispensável a alunos de Letras e a professores de Português. recomendamos que vocês revisitem as nossas gramáticas escolares sempre que tenham dúvidas em relação a quaisquer aspectos relativos aos verbos.Língua Portuguesa II Nessa sequência. na perspectiva da Gramática Gerativo-Transformacional. As vozes verbais foram consideradas. O estudo da defectividade e da abundância verbais também foi feito. Irregularidades relativas a desinências verbais foram também consideradas. Por essa razão. No que respeita às irregularidades do radical. há o fenômeno da alternância morfêmica. Esses verbos apresentam alterações quer no seu radical. o SN posterior ao verbo foi substituído pelo pronome se. como também a defectividade e a abundância dos verbos permite aos utentes da língua expressar-se de forma adequada. inclusive. Dessa forma. Ao finalizar esta aula. quer nas desinências responsáveis pelas informações concernentes às categorias morfossintáticas verbais.

( ) caber i. ( ) ser d. Verbo AMAR _______________ (tu) Não _________________ (tu) _______________ (você) Não _________________ (você) _______________ (nós) Não _________________ (nós) _______________ (vós) Não _________________ (vós) _______________ (vocês) Não _________________ (vocês) 2. Verbo VENDER _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) 3. c) ( ) Aquele engenheiro constrói belas pontes.O lexema verbo II Aula ATIVIDADES I. b) ( ) Nós nos comprazemos com a sua vitória. ( ) valer b. I (V. ( ) ir e. a) ( ) A gordura entope o cano da pia. ( ) pôr h. anômalo) a. Explique a abundância desses verbos. III. ( ) haver g. Verbo PARTIR _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) 4 Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) 77 . Conjugue o futuro do subjuntivo dos verbos VER e IR. ( ) cerzir IV. Indique as frases cujos verbos são abundantes. irregular) e A (V. d) ( ) Todos permaneceram em silêncio. Conjugar os Imperativos Afirmativo e Negativo dos verbos indicados: 1. Marque R (V. regular). ( ) agredir c.) V. ( ) amar f. e) ( ) O menino estava muito cansado. (Ir a gramáticas. II.

Verbo APRESSAR-SE _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) VI. Espero que você tenha recebido a encomenda. A distribuição de prêmios foi suspensa. 6. 78 . Ninguém tinha sido convidado para a festa. 3. Os meninos gozarão da oportunidade de brincar. Passar da passiva para a ativa. A esta altura novas terras terão sido descobertas. 2. (Só a segunda oração) 9. Duas mil pessoas assistiram ao espetáculo. Verbo PÔR _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) 5. 03. 09. 07. 5. 04. quando possível. As minas tinham sido descobertas pelos colonizadores. 06. (IDEM) 10. Ninguém ouviu a sua voz. Ah! Se eles tivessem chegado mais cedo! 11. 01. as seguintes frases: 1. Os romanos invadiram a Gália. 05. 10. Espero que você receba a encomenda. 4. Os alunos haviam terminado a prova mais cedo. 12.Língua Portuguesa II 4. Passar para a voz passiva. Os funcionários receberam o carnê de pagamento. 02. O Papa teria sido visto durante o desfile. Todos eles partirão ao anoitecer. VII. As novas terras tinham sido descobertas pelos espanhóis. As minas foram descobertas pelos colonizadores. Estes móveis teriam sido comprados no século passado. Ele se batizou na capelinha da fazenda. 8. 7. A rua foi asfaltada este mês. 08. Amas a tua pátria. Os aniversariantes partirão o bolo.

Luiz.O lexema verbo II Aula VIII. Eles nunca se importaram com ninguém. 06. Prática de morfossintaxe. São Paulo: Companhia Editora Nacional: 1989. LIMA. 08. CUNHA. Gramática escolar da língua portuguesa. 79 . 47 ed. dolorosos gritos haviam sido ouvidos por todos os vizinhos. 13. É necessário que cumpramos as regras do regulamento. (PA) 01. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 04. Não se conhecem os motivos por que foi demitido. CINTRA. 02. A prática tem demonstrado as vantagens de serem alteradas as normas em apreço. 12. 14. 2006. Espero que você realmente tenha compreendido tudo. Moderna gramática portuguesa. porque roubara o relógio da professora. 07. 10. O presente fora escolhido com todo o carinho. As latas eram recolhidas pelo lixeiro. Digamos que já é conhecido o assunto. 1985. Celso. SAUTCHUCK. _______. 4 REFERÊNCIAS BECHARA. Gramática normativa da língua portuguesa. Na noite anterior. Pedro tinha medo de ser castigado pela polícia. F. Rio de Janeiro: José Olimpio. Rocha. A1iviar-se-ão estas dores com lágrimas. Evanildo. Barueri – SP: Manole. 09. 05. O carro foi finalmente consertado. O dissídio já havia sido homologado. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 2008. passar para a voz passiva. Não sei se serão aprovados os novos estatutos. Os 1adrões foram identificados por uma testemunha. L. 33 ed. Exercício de conversão de vozes do verbo O que estiver na voz ativa. 11. (AP) O que estiver na voz passiva. 2004. passar para a voz ativa. 15. 03. Rio de Janeiro: Lucerna.

. o aluno deverá: reconhecer preposições e locuções prepositivas. OBJETIVOS Ao final da aula. descrever as funções construídas pelas preposições.gettyimages. depreender as principais relações determinadas pelas preposições.com). PRÉ-REQUISITOS Revisitar a aula de número 2 e retomar as noções de léxico e de entradas lexicais.Aula GRAMEMAS RELATORES: PREPOSIÇÕES 5 META Conceituar os gramemas relatores chamados de preposições e demonstrar as principais relações determinadas por esses gramemas. Língua Portuguesa I (Fonte: http://www. empregar preposições essenciais e acidentais.

(Fonte: 3. o trabalho de desbravamento concernente à estrutura morfossintática da língua portuguesa.com). caríssimos. chamados de preposições nas nossas gramáticas escolares.blogspot.bp. iniciar esta aula com a investigação morfossintáticosemântica dos gramemas relatores. 82 . Essa abordagem implica a categorização desses relatores e a apresentação das principais locuções chamadas de locuções prepositivas.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Continuemos. então. Apresentaremos as principais relações indicadas pelas preposições na ótica do Prof. Cabenos. José Oiticica.

segundo os quais os casos se manifestam. Portugal. Cada caso indica a função sintática da palavra. ou seja. De outra forma. o SN A menina é entendido como sujeito por vir antes do verbo. corresponde a um princípio sistêmico dessa língua. perdeu as flexões referentes aos casos. pois o latim. depois. se a função exercida fosse a de objeto indireto. a terminação – em. mediados pela sua ordem e por instrumentos chamados de preposições. No português. por terminar em – a (caso nominativo) é o sujeito da frase. transformado em português. Já a língua portuguesa não se utiliza nem de declinações nem de casos no que se refere às oposições manifestadas entre as diferentes funções sintáticas. Essa evidência. Nessa frase. vocês devem ter compreendido o porquê de essa língua ser classificada como língua sintática ou flexiva. a posição do vocábulo na frase não é relevante no que respeita à sua função sintática. A língua latina situa-se entre as chamadas línguas sintéticas ou flexivas em virtude de suas funções sintáticas (construídas pelas suas palavras ou vocábulos mórficos) serem depreendidas das flexões identificadoras dos chamados casos. Tomemos o seguinte exemplo: Puella ↓ A menina matrem ↓ a mãe amat ↓ ama 5 Nessa frase. Existem paradigmas latinos chamados de declinações. A perspectiva histórica ou diacrônica nos mostra que o português resultou das modificações sofridas pela variante do latim que os soldados romanos levaram à Península Ibérica. A menina ama a mãe. Em relação ao latim. Observem também que Puella.Gramemas relatores: preposições Aula O estudo dos gramemas relatores chamados de preposições enseja algumas observações acerca de princípios sistêmicos da língua portuguesa. indica que esse vocábulo mórfico exerce a função de objeto direto do verbo amat. Nesse sentido. as funções sintáticas são depreendidas das relações entre os vocábulos mórficos ou formais. considerados na sua relação com a língua latina. um vocábulo cuja terminação correspondesse ao chamado caso acusativo seria analisado como objeto direto. a terminação da palavra corresponderia ao caso dativo. especificamente à região onde se formou o Condado Portucalense e. Essa variante do latim levada à Ibéria correspondia ao chamado latim castrense. Por exemplo. Já o sintagma nominal a mãe é entendido como objeto direto por 83 . como já dissemos. de matrem. Retomemos a tradução da frase latina analisada. à modalidade de latim falado pelos soldados de Roma.

Vocês hão de se perguntar se. trás.Língua Portuguesa II vir depois do verbo e por não se apresentar precedido de preposição obrigatória. São essenciais as preposições que só ocorrem na língua como preposições. por. salvo. visto.. p. sobre.. mediante. passaram a sê-lo. D. quando esses gramemas estão a serviço da união. sob. O latim. eles podem ser chamados de gramemas relatores. Os lexemas. no latim. para. Vejamos os exemplos seguintes: “Você não vai me pedir a certidão de idade. PREPOSIÇÕES Gramemas relatores que servem a relacionar palavras correspondem aos vocábulos tradicionalmente conhecidos como preposições As nossas gramáticas classificam as preposições em essenciais e acidentais. A resposta é que elas existiam e existem. A importância das preposições veio crescendo gradativamente no decorrer da evolução do latim ao português. só depois. ante. Entretanto. perdeu a organização sistêmica sintética em prol do princípio analítico. 84 . como já vimos. sem. afora. como durante. Essa maneira de agrupar inclui vocábulos tradicionalmente chamados de conjunções e de preposições. etc. as funções sintáticas dessa língua não são prioritariamente marcadas por elas. a exemplo de a. Os gramemas são os elementos responsáveis pela significação gramatical ou linguística dos sistemas linguísticos. entre elas. conforme. são responsáveis pela significação cultural ou biossocial no que respeita à organização semântica das línguas. não existiam preposições. da relação entre palavras e/ou orações. entre. segundo. Vocês podem agora melhor entender o fato de muitos estudiosos afirmarem que as palavras de uma língua podem apresentar significação nocional ou significação meramente funcional ou linguística. feito. ao transformar-se em português. em.” (C. exceto. GRAMEMAS RELATORES Quando estudamos as entradas lexicais que compõem o léxico da língua (aula no 2). e. como. 2004. Esses elementos pertencem ao inventário fechado da língua e podem ser agrupados conforme “alguns papéis fixos que vierem a exercer morfossintaticamente” (SAUTCHUK. contra. 27). dissemos que. fora. Passemos então ao estudo das preposições da língua portuguesa. As preposições acidentais são aquelas que primitivamente não eram preposições. desde. de ANDRADE). com. tirante. É nesse sentido que dizemos que a língua portuguesa é analítica. situam-se os lexemas e os gramemas. perante. Ainda segundo a autora. de.

” É conveniente vocês revisitarem gramáticas de língua portuguesa. Algumas vezes. ou com”. p.. a preposição é acidental. no segundo exemplo. É importante. e estava perdendo um tempo precioso. Em geral. encontramos locuções prepositivas constituídas de duas preposições. Todos saíram. D. os exemplos: Não saia sem mim.Gramemas relatores: preposições Aula “. Isso durante quinze dias”. Não saímos por causa da chuva. (C. No segundo exemplo. lembrar a vocês a existência das locuções prepositivas. Locução prepositiva “é o grupo de palavras com valor de uma preposição (. como a gramática de Evanildo Bechara ou a de Celso Cunha. Tomemos os exemplos: O garoto escondeu-se atrás do móvel. a locução prepositiva é constituída de advérbio ou locução adverbial. O ofício foi redigido de acordo com o modelo. pois antecede a forma pronominal reta ... a palavra destacada medeia a relação entre aconteceu (elíptico) e quinze dias.. pois sempre ocorreu como preposição na língua portuguesa. O fato de durante já haver sido empregada com outra função morfológica acarreta-lhe a classificação de preposição acidental. o vocábulo de é uma preposição. a preposição é essencial. a. essa preposição será acidental. Apenas as preposições essenciais antecedem as formas pronominais oblíquas tônicas. como nas frases seguintes: “Mostrava-se bom para com todos. por favor. É chamada de essencial. 2006. Uma maneira de fazer a distinção entre preposição essencial e preposição acidental é a seguinte: observar preposições que antecedem as formas pronominais oblíquas tônicas e também aquelas que antecedem as chamadas formas retas.). Observem. vez que está mediando a relação entre certidão e idade. 5 85 . 294). (BECHARA.eu. No caso de a preposição anteceder uma forma pronominal reta. seguida da preposição de. DE ANDRADE) No primeiro exemplo.” “Foi até ao colégio. haja vista a sua posição anterior ao pronome oblíquo tônico mim. No primeiro exemplo. exceto eu.

Língua Portuguesa II PRINCIPAIS PREPOSIÇÕES E LOCUÇÕES PREPOSITIVAS (BECHARA. Algumas vezes a preposição aparece distanciada do antecedente ou do consequente. Nesse sentido. necessária se torna a observação cuidadosa com vistas a sua identificação. A preposição liga duas palavras entre si de forma que ela e o seu consequente constituam um bloco indivisível que vai funcionar como complemento do seu antecedente. 2006) Vocês devem prestar bastante atenção no que respeita ao antecedente e ao consequente das preposições. 86 .

Vive DE esmolas. Objeto indireto: Isto depende DE VOCÊ. Copo D’água. Leiam as estrofes seguintes e completem as lacunas: “Põe na virtude Filha querida De tua vida Todo o primor. Copo DE vidro. Não dês à sorte. Que tanto ilude. 87 . Copo DE vinho. Formiga DE roça. Andar DE cócoras. Copo DE vinho.Gramemas relatores: preposições Aula Façamos. Saiu DE manhã. 2. PREPOSIÇÃO: CONSEQUENTE _______________ Em (na) _______________ _______________ DE _______________ A à _______________ _______________ _______________ SEM _ _______________ RELAÇÕES CONSTRUÍDAS PELA PREPOSIÇÃO Entende-se por relação preposicional a idéia trazida pela preposição. 5 Atenção: Casos há em que a preposição não indica relação alguma: 1. Veio DE Salvador. Sem a virtude. O livro DE José. (VISCONDE DE PEDRA BRANCA) ANTECEDENTE. então. Morreu DE fome. Objeto direto preposicionado: Comer DO BOM e DO MELHOR. Algum valor”. uma breve atividade. como se mostrará a seguir com a preposição DE: Relação de MATÉRIA: Relação de CONTEÚDO: Relação de FIM: Relação de MEIO: Relação de MODO: Relação de TEMPO: Relação de ORIGEM Relação de POSSE: Relação de CAUSA: Relação de QUALIDADE: Vestido DE seda. Carteira DE dinheiro.

FAVOR FAVOR DE.Eu o tinha POR sábio. come lá uma vez POR . expulsaram-no A pau. POR vezes.Repartiu o dinheiro COM todos (POR todos.).ONDE: estou EM casa . RELAÇÕES INDICADAS PELAS PREPOSIÇÕES (Segundo José Oiticica) . estava LONGE DE casa.LIMITE . . Complemento nominal: Ter necessidade DE DINHEIRO.MODO tela. passa aqui Às vezes. vivia SEM . .ESTADO recursos. Fez isso EM pura perda (EM vão). etc.Morre POR mim.INTENSIDADE .EFEITO .Preparou-se PARA a desforra. 4. .INSTRUMENTO . . .MATÉRIA sola . caminhava JUNTO A mim. contou POR grosas. PARA COM). recebi-o COMO amigo. debruçou-se A FIM . vivia DE esmolas. EM ATENÇÃO A. pisar EM falso. (Locuções: EM PROL DE.MEDIDA . seguira MEDIANTE um passaporte. . Locução verbal: COMEÇOU A FALAR. a água saía SEM violência (ausência de intensidade).Bateu COM força.MEIO gação do meio). realizou o ne.gócio COM vantagem. ele me tinha NA CONTA .Vendeu A braças. EM .Copo DE vidro.Passamos COM licença (SEM LICENÇA é a ne. preso COM . ACABOU DE SAIR.LUGAR DONDE: vim DE Mendes PARA ONDE: vou A Minas POR ONDE: foi POR outro caminho . . ia COM cau.Vem aqui DE VEZ EM vez.Foi ATÉ o portão.ESTIMATIVA DE tolo. andou DE trem. . estamos PERTO DE ti.Olhar DE esguelha. permanecerá ATÉ maio.FREQUÊNCIA outra.FIM DE ouvi-lo. . . (Locuções: POR MEIO DE.Língua Portuguesa II 3. ENTRE todos).DISTÂNCIA 88 . . parede pintada A óleo.Partiu COM esperança (esperançado). estava COM fome.Está A quatro metros.DISTRIBUIÇÃO .Escreve COM pena de pato. . EM BENEFÍCIO DE. saltou SEM cuidado (negação do modo). .

OPOSIÇÃO . bateu DE ENCONTRO À rocha. .Discutiram ENTRE si. remou AO REVÉS Da corrente. morreu DE repente (Idem). .Deu ouro POR papel. de outra forma. . O conhecimento desses gramemas facilita. .REFERÊNCIA . etc. lutamos CONTRA as ondas. combinaram um COM o outro. tua casa.Combater COM o inimigo.TROCA .Falou POR mim.QUALIDADE . chorou DURANTE uma semana. uma notícia ótima.Ficaram A mil réis. jogou EM VEZ DE Paulo. ficava AO LADO DE meu tio. vendi POR dois contos. surgiu DE improviso (negação do PRAZO). deu o navio EM TROCA DE alimentos. .Dois estão PARA seis.Exército DE um milhão de homens. Nesse sentido.PRAZO . foi escalado EM LUGAR DE Mário. morou aí POR algum tempo (prazo indefinido).Fez a travessia EM quatro horas. há bens que vêm DE males. 89 . casa COM trinta quartos. navegou AO ARREPIO Das águas.QUANTIDADE . etc.(essa dupla referência forma a proporção).Júpiter descendia DE Saturno. o uso eficaz de uma língua implica sobremaneira a destreza referente ao emprego das preposições. .PREÇO .Gramemas relatores: preposições Aula .PROVENIÊNCIA . como três PARA nove . óleo DE rícino. . estava ACIMA Da mesa. 5 CONCLUSÃO Os gramemas preposicionais em si e o seu emprego caracterizam a estrutura morfossintática das diferentes línguas naturais. EM RELAÇÃO À minha. procedimentos didáticos que incluem a feitura de exercícios que facilitem a internalização desse saber. .POSIÇÃO .RECIPROCIDADE .Está ENTRE a cruz e a caldeirinha. li. COM REFERÊNCIA A isso. ficarei lá POR vinte e quatro horas. .É um coração DE ouro. . está de graça.SUBSTITUIÇÃO .

e as bastas madeixas ainda mais negras do (16) que ele”. que dá entrada à (8) sala de (9) recepção. chamadas de essenciais por só ocorrerem na língua como preposições. e lindas flores. in “A escrava Isaura”) ANTECEDENTE: PREPOSIÇÃO: CONSEQUENTE: RELAÇÃO: ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ 90 (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) A (ao) DE DE A (ao) SEM A (à) DE (do) A (à) DE ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ . que serve de (3) vestíbulo ao (4) edifício. (BERNARDO GUIMARÃES. QUANDO FOR O CASO: “Subamos os degraus. As linhas do (12) perfil desenham-se distintamente entre (13) o ébano da (14) caixa do (15) piano. Logo à (6) direita do (7) corredor encontramos aberta uma larga porta. a evidência das relações construídas por esses vocábulos encaminha a uma revisão no que concerne a essa afirmação. TEXTO PARA IDENTIFICAÇÃO DOS ANTECEDENTES E DOS CONSEQUENTES DE CADA PREPOSIÇÃO. Entremos sem (5) cerimônia.língua sintética ou flexiva . há preposições. ATIVIDADES A seguir.Língua Portuguesa II RESUMO A língua portuguesa. vocês devem ler o texto. vasta e luxuosamente mobiliada. Embora gramáticos digam que preposições são vazias de conteúdo nocional.utiliza-se sistematicamente das preposições no sentido da oposição das suas diferentes funções sintáticas. caracterizada como língua analítica em oposição ao latim . que conduzem ao (1) alpendre. No português. BEM COMO DAS RELAÇÕES CONSTRUÍDAS. Acha-se ali sozinha e sentada ao (10) piano uma bela e nobre figura de (11) moça. todo engrinaldado de (2) viçosos festões. prestar atenção ao texto que segue com o objetivo de fazer a atividade programada. há ainda aquelas que ora se apresentam como preposições e ora se manifestam com outros comportamentos morfossintáticos.

o sintagma introduzido por preposição REFERÊNCIAS BECHARA. 91 .Gramemas relatores: preposições Aula ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ (10) A (ao) (11) DE (12) DE (do) (13) entre (14) DE (da) (15) DE (do) (16) DE (do) ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ 5 A comprovação da existência das relações construídas pelas preposições põe em xeque a afirmação de que preposições são vazias. Barueri – SP: Manole. Inez. SAUTCHUK. inclusive. Evanildo. Prática de morfossintaxe. 2004. 2006. ou seja. Gramática escolar da língua portuguesa. PRÓXIMA AULA Na próxima aula veremos. destituídas de conteúdo nacional. Rio de Janeiro: Lucerna.

Analisar e descrever a organização e o emprego do sintagma preposicionado. identificar as funções do sintagma adjetivo. (Fonte: dislexiaparatodos.Aula SINTAGMA ADJETIVAL E SINTAGMA PREPOSICIONADO 6 META Descrever a estrutura e o funcionamento do sintagma adjetival. o aluno deverá: descrever a estrutura do sintagma adjetivo. identificar as funções do sintagma preposicionado. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. descrever a estrutura do sintagma preposicionado. OBJETIVOS Ao final da aula. .blogspot.com).

Cabe-nos inicialmente estudar a organização interna do sintagma adjetivo ou adjetival. (Fonte: http://www. Dessa forma. será feito o estudo do sintagma preposicionado.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Estamos na sexta etapa da nossa viagem no domínio da morfossintaxe.com). Serão estudados os gramemas transpositores e os papéis sintáticos referentes ao sintagma preposicionado. A seguir. Descreveremos os contextos em que esses sintagmas exercem suas diferentes funções e estabeleceremos pontes na direção da análise tradicional. consideraremos tanto o sintagma adjetivo básico quanto o derivado.gettyimages. 94 .

que funciona como modificador do núcleo do SN. O nosso propósito. 38) A morfossintaxe. Segundo Saussure. restringe o conceito de sintagma a uma ótica “mais funcional de uso da língua pelo falante”. ou seja. podemos dizer que a 95 . Esse SN apresenta a seguinte organização sintático-semântica: determinação – núcleo – modificação. Sintagma Verbal (SV). o termo inteligente está incluído no SN uma menina inteligente. Vejam vocês que a área de modificação está preenchida pelo SAdj inteligente. para quem sintagma é a combinação de formas mínimas em unidade linguisticamente superior”. É possível a seguinte classificação dos sintagmas: Sintagma Nominal (SN). em qualquer nível de análise.) (PERINI. 2004. (SAUTCHUCK.. relações depreendidas de termos igualmente presentes nas frases e/ou enunciadas são chamadas de relações sintagmáticas e relações entre termos ausentes dos enunciados e presentes na mente dos falantes. p. Esse conceito segue ainda o pioneirismo de Saussure.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula Dentre os postulados Saussureanos concernentes à organização da linguagem e à atitude do estudioso em relação à mesma linguagem. de modo geral. Sintagma Adjetivo (SAdj). SINTAGMA ADJETIVO-FUNÇÕES Iniciemos o estudo do sintagma adjetivo ou adjetival com um possível conceito funcional: “Podemos definir o SAdj como uma classe de constituintes que podem desempenhar a função de modificador (. por apresentarem alguma zona comum. “Em sentido amplo. p. pelo elemento que constitui a condução necessária e suficiente de sua existência. são as relações associativas. (SAUTCHUCK. Observemos o exemplo seguinte: Maria é uma menina inteligente.38) Assim. p. Sua atuação manifesta-se no campo da teoria e análise linguística. 6 Mário Perini Alberto Doutor pela University of Texas (1974).. 1888. Assim. O estudo do sintagma pressupõe. (SAUTCHUCK. 38) Os sintagmas se definem principalmente pelo seu núcleo. 2004. consideramos sintagma como toda construção sintática que constitua um “‘bloco’ significativo ou funcional no eixo horizontal. Nesse sentido. Sintagma Adverbial (SAdv). ainda conforme Sautchuck. formado a partir de uma ou mais de uma unidade linguística de nível imediatamente inferior”. emergem sobremaneira as chamadas relações associativas (ou paradigmáticas) e as relações sintagmáticas. inteligente modifica menina. é analisar e descrever os sintagmas adjetivo e preposicionado. p. Foi professor da PUC de Minas. assim. Nesse exemplo. Atualmente leciona como professor voluntário da Universidade Federal de Minas Gerais. nesta aula. 2004. 112). todo sintagma é a construção que resulta da articulação de pelo menos duas unidades linguísticas. conforme vocês viram em Linguística. Sintagma Preposicionado (SPrep). É autor das seguintes obras publicadas pela Parábola Editorial: A Língua do Brasil Amanhã e outros Mistérios (2008) e Princípios de Lingüística Descritiva. a ótica das relações sintagmáticas. da UNICAMP e das universidades de Illinois e Mississipi.

o SAdj feliz se refere ao pronome a. em feliz o complemento do predicado.Língua Portuguesa II função do modificador é sempre preenchida por um SAdj. algumas vezes a função de modificador vem preenchida por uma sequência de valor adjetivo iniciada por uma preposição. entretanto SAdjs podem exercer funções diferentes daquelas de modificador. entretanto. tomemos o exemplo: Nós a consideramos feliz. Ver frase – Gosto de doce de coco – A sequência de coco tem a função de modificador em relação a doce. como veremos adiante. Essa referência é responsável pela função de predicativo atribuída a feliz. Nessa frase. o Prof. A organização interna da sequência corresponde. Convém ainda lembrar que SAdjs podem se expandir na forma de orações subordinadas adjetivas como no seguinte exemplo: Os livros que comprei são bons. 1998: 113). A análise sintática tradicional o considera predicativo do sujeito. SINTAGMA ADJETIVO-ESTRUTURA INTERNA A dificuldade de descrever a estrutura interna do SAdj assim se expressa: “A estrutura interna do SAdj encerra alguns mistérios. Observemos então a frase seguinte: Maria está feliz. Perini. embora coco seja um substantivo. De outra forma. (PERINI. o SAdj feliz se refere a Maria. A seguir. Esse tipo de sintagma será analisado logo após o estudo do SAdj. Perini apresenta uma possibilidade de sistematização referente ao SAdj. Mesmo assim. É nessa direção que passamos a estudar a estrutura interna desse sintagma. A sequência que comprei é uma oração subordinada adjetiva. Nesse sentido. na perspectiva do Prof. Assim. que é o substituto de um nome feminino e singular. Continuemos a nossa reflexão acerca das funções do SAdj. é um SAdj chamado de derivado. complemento do predicado e predicativo. A perspectiva de análise adotada pelo Prof. o SAdj pode exercer três funções: modificador. Nessa frase. Nesse sentido. é também um sintagma adjetivo derivado. a um sintagma preposicionado (SPrep). que estão ainda à espera de estudos aprofundados”. 96 . então. Perini reconhece.

o NSA é fantasma (um nome de natureza substantivo). realmente sempre 6 97 . Quanto ao NSA. É essa a razão da inaceitabilidade da sequencia seguinte: . Nessa frase. Em satisfeita com a nota. Voltemos as nossas atenções ao núcleo do SAdj. viu uma árvore fantasma. Essa troca afetaria a unidade do sintagma. um bloco funcional e significativo.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula Atenção ao exemplo seguinte: Maria ficou satisfeita com a nota. Nessa frase. Quando um SAdj inclui uma sequência iniciada por preposição. podemos dizer que ele “é preenchido por palavras únicas (e não sequência de preposição + SN). No bosque. satisfeita é o NSA e com a nota. Há possibilidade de mais de um identificador na estrutura do SAdj. uma vez que tanto satisfeita quanto com a nota não aceitam a troca de suas posições. pode ocorrer no SAdj. Logo. No segundo exemplo. Observemos o exemplo: Maria ficou satisfeita demais com a vida. o SAdj é realmente sempre muito satisfeita com a vida. 1998: 114). Vejam-se os exemplos: Gostavam de música clássica. Nesse sintagma. o núcleo do sintagma adjetivo é clássica (um adjetivo). (PERINI. Considerarmos satisfeita com a nota um sintagma adjetivo decorre da evidência de que satisfeita e com a nota constituem uma unidade. Além do NSA e do CSA. o NSA é precedido de três elementos. esse componente ocupa a última posição no sintagma. essa sequência deve ocupar a última posição no sintagma. como ocorre na sequência a seguir: Maria está realmente sempre muito satisfeita com a vida. demais tem a função de intensificador na estrutura do SAdj. Nesse exemplo. tradicionalmente classificados como “adjetivos” ou “substantivos”.Maria está com a nota satisfeita. um outro elemento chamado de intensificador. No primeiro exemplo. componente iniciado com preposição. o sintagma adjetivo satisfeita com a nota apresenta dois componentes satisfeita e com a nota.

podem ocorrer outros elementos pertencentes à categoria do _________________. Segundo Sautchuk. O NSA é preenchido por ____________ ou por ______________. 3. Perini. 4. 3. 7. Encontraram-no sozinho. Os familiares estavam ávidos de vingança. ATIVIDADES I. 4. 3. 5. III. II. Convém ainda lembrar a vocês que o modificador é analisado tradicionalmente como adjunto adnominal. conceitue sintagma. 2. 2. O NSA e o __________ constituem um único bloco funcional. Muitos a consideravam inoportuna. O estudo dos sintagmas implica a ótica das relações ________. 6. 2.Língua Portuguesa II muito. No SAdj. Os meninos ficaram alegres com a notícia. 1. Sintagmas adjetivais podem exercer ainda as funções de ____________________ e _____________. Segundo o Prof. 98 . Todos estavam encantados com a criança. resguardadas as devidas diferenças. Cabe aqui lembrar a vocês que sintagmas adjetivos com tantos intensificadores não ocorrem com frequência em situações de comunicação. Naquele momento todos ficaram atentos ao sinal. estes três termos podem ser incluídos na categoria de intensificador. 4. As meninas estavam assustadas com a notícia. Todos estavam alegres. além do NSA e do CSA. Completar as lacunas 1.. As pessoas ficaram curiosas a respeito do desmaio. O NSA e o _________não admitem troca de __________. Indique o SAdj com a função de complemento do predicado (predicativo do sujeito na análise tradicional). SAdjs podem expandir-se na forma de _________ subordinadas _______________. A paciente continuava dominada pelo medo. 5. Sublinhe o CSA 1. 5.

tendo lecionado por 26 anos na UFRJ. os pronomes relativos. 6 José Carlos de Azeredo Professor adjunto da UERJ. p. conforme vimos ao estudar o sintagma adjetivo. (AZEREDO. 1990). (AZEREDO. Convém atentar para a economia linguística conferida pela transposição: um conjunto finito de transpositores permite um número ilimitado de construções linguisticas. “Eles se formam regularmente na língua para as mesmas funções dos sintagmas adjetivais e dos sintagmas adverbiais”. 152). 2000. onde coordena o mestrado em língua portuguesa do Instituto de Letras. as conjunções. Dentre os transpositores estão as preposições. o SAdj formado de adjetivo. “Chamam-se básicos os sintagmas formados por uma classe de palavras apta a constituir por si só respectivo sintagma”. reeditado sucessivamente. necessário se torna a consideração dos conceitos de sintagma básico e de sintagma derivado. o SAdv formado de advérbio.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula Passemos ao estudo do Sintagma preposicionado. por exemplo. Assim. A transposição se utiliza. Nessa sequência. são básicos os seguintes sintagmas: o SN formado de substantivo ou de palavra substantiva. Observem os exemplos: A criança brinca. SAdv (básico) Já os sintagmas derivados são aqueles que são obtidos por transposição. 2000. É nesse sentido que podemos dizer que de lua é um sintagma adjetivo derivado. SAdj (básico) A menina chegou ontem. p. a expressão de lua é um sintagma preposicionado formado do transpositor de e do SN lua. Esse sintagma preposicionado tem o valor de um adjetivo. Preposições servem também de 99 . SN (básico) A criança está feliz. 152). a transposição é um processo gramatical que utiliza transpositores (gramemas independentes relatores) para obter um número infinito de construções a serviço dos utentes da língua. Atenção ao seguinte exemplo: Era uma bela noite de lua. Inclusive o sintagma de lua pode ser substituído por enluarada. do pronome relativo que para introduzir orações subordinadas adjetivas que ocupam a posição de um sintagma adjetivo. Os sintagmas preposicionados (SPreps) são sintagmas derivados cujos transpositores são preposições. SINTAGMA PREPOSICIONADO Antes de conceituarmos o sintagma preposicionado. É autor de Iniciação à sintaxe do português (JORGE ZAHAR.

aliás “todo CN será sempre representado por um sintagma preposicionado”. A preposição que introduz esse sintagma é desprovida de conteúdo nocional. respectivamente. Complementos nominais são também organizados na forma de sintagmas preposicionados. o que pode ser observado no exemplo seguinte: Os japoneses resistem às provocações. de maneira idêntica àquelas dos SPreps em função de OI. É importante lembrar que as preposições dos sintagmas preposicionados que exercem a função de CN são. p.Língua Portuguesa II transpositores no sentido de organizar sintagmas preposicionados com o valor de advérbio. 43). Esse bloco pode ocupar a mesma posição ocupada por um sintagma adverbial. É nesse sentido que muitos estudiosos a chamam de preposição vazia. conforme a sequência seguinte: Os dinossauros viviam aqui. É essa organização que é encontrada nos complementos verbais chamados de objetos indiretos. nesse sentido. Esse objeto indireto se constitui de um sintagma preposicionado formado da preposição a + o SN (as provocações). Aqui é advérbio. Nessa frase. O sintagma preposicionado é constituído de “preposição e sintagma nominal”. 100 . No que respeita aos sintagmas preposicionados com a função de objeto indireto (OI). a sequência neste planeta é um sintagma preposicionado. as provocações têm a função de OI. Nessa sequência. Os sintagmas preposicionados pelas férias. conforme o exemplo seguinte: Os dinossauros viviam neste planeta. o sintagma neste planeta é um sintagma adverbial. a sua preposição é vazia de qualquer noção semântica. 86). (SAUTCHUK. vazios de conteúdo nocional. perto e certeza. Ela é apenas um elo sintático. A certeza da vitória sempre esteve presente. O menino estava perto de mim. 2004. 2004. pois o bloco se inicia com a preposição em (em + este = neste) e se segue do SN este planeta. de mim e da vitória exercem a função de CN em relação a ansiosos. (SAUTCHUCK. p. Observemos as seguintes construções: Estavam ansiosos pelas férias.

Esperamos POR VOCÊ. (*) Estas duas funções podem ser construídas sem preposição. Vejamos: Elegeram-no DEPUTADO. OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO Amar A DEUS. Tenho-o POR HONESTO. PREDICATIVO DO OBJETO INDIRETO (*) Chamei-lhe DE TOLO. Ele é querido DE TODOS. PREDICATIVO DO SUJEITO O doce é DE LEITE. ADJUNTO ADNOMINAL Ele fuma cigarro DE PALHA. 9. Morou EM BARCELONA. 3. Máquina DE ESCREVER. Chamei-lhe TOLO. PREDICATIVO DO OBJETO DIRETO (*) Escolheram José PARA COORDENADOR. Viu A NÓS a tarde passada. 10. O Brasil foi colonizado PELOS PORTUGUESES. AGENTE DA PASSIVA A América foi descoberta POR COLOMBO. 2. Gostas DE LEITE? 4. Saiu COM A IRMÃ. A rua DO PRÍNCIPE. Pensei muito EM VOCÊ. Tomava café COM LEITE.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula SINTAGMAS PREPOSICIONADOS-FUNÇÕES SINTÁTICAS Funções construídas com a preposição 1. Devemos ser úteis À PÁTRIA. Cidade DE ARACAJU. Eles ficaram DE TANGA. OBJETO INDIRETO Ele obedece AO REGIME. A rua DO SOL. Elegeram-no COMO DEPUTADO. COMPLEMENTO NOMINAL Tens necessidade DE DINHEIRO? Morava perto DO RIO. 7. 8. 5. APOSTO O rio DAS MORTES. ADJUNTO ADVERBIAL Saiu DE MANHÃ. 6. 6 101 . A rua DA AURORA.

sintagma preposicionado (SPrep) e sintagma adverbial (SAdv). complemento nominal.Língua Portuguesa II CONCLUSÃO A estrutura sintagmática da língua portuguesa é tecida por meio dos seguintes sintagmas: sintagma nominal (SN). O primeiro desses sintagmas é responsável por funções de especificação. nessa aula. O intensificador sempre se refere ao NSA. de qualificação ou de predicação. o sintagma adjetival exerce ainda as funções de predicativo e de complemento do predicado. A nossa atenção. no que diz respeito a estudantes de Letras e a professores de língua portuguesa. Esse complemento (CSA) tem sempre a função sintática de complemento nominal em relação ao adjetivo núcleo do sintagma adjetival (NSA). agente da passiva. é inegável a importância do conhecimento da estrutura e do funcionamento tanto do sintagma adjetival quanto do sintagma preposicionado. objeto direto preposicionado. A estrutura desse sintagma pode apresentar ainda elementos da categoria de intensificador. O segundo sintagma (SPrep) é responsável. 102 . O sintagma adjetival pode concluir um complemento iniciado por preposição. pela organização de diferentes funções envolvidas na formação das frases do português. predicativo do objeto indireto e aposto. Além da função de sintagma de adjunto adnominal. As preposições introdutórias de objetos indiretos e de complementos nominais são vazias de conteúdo nocional. Essa importância se potencializa. inclusive. predicativo do sujeito. sintagma adjetival (SAdj). sintagma verbal (SV). adjunto adverbial. RESUMO O sintagma adjetival é uma organização linguística cujo núcleo é um adjetivo. Dessa forma. Sintagmas preposicionados exercem as funções de objeto indireto e de complemento nominal. objeto indireto. Os sintagmas preposicionados exercem dez funções sintáticas: adjunto adnominal. dirigiu-se aos sintagmas adjetival e preposicionado. Sintagmas preposicionados são formados de preposição e sintagma nominal. É próprio desse sintagma preencher a área lógico-semântica da modificação. É nesse sentido que se diz que modificadores exercem a função sintática de adjuntos adnominais dos nomes aos quais se referem.

2. 4. 3.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula ATIVIDADES I. Barueri – SP: Manole. José Carlos de. Mário Alberto. Estabeleça intersecção entre o objeto indireto e o complemento nominal no que respeita à preposição que os introduz. cujas preposições são chamadas de vazias.São Paulo. Entregaram os doces às crianças. Sublinhe sintagmas preposicionados. 6. Gramática descritiva do português. Fundamentos de gramática do português. Todos estamos atentos ao sinal. Objetos indiretos são sintagmas ______________. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Sintagmas preposicionados podem exercer as funções de sintagmas __________ e de sintagmas ______________. SAUTCHUCK. II. Maria gostou do doce de leite. 3. 5. Prática de morfossintaxe. 2004. Sintagmas _____________ são obtidos por transposições. 7. 8. Conjunções. O sintagma adjetivo formado de ____________é um sintagma básico. Completar as lacunas 1. 2000. 6 REFERÊNCIAS AZEREDO. Não concordaram com a proposta. Inez. ______________ e pronomes relativos são gramemas __________ ou ___________________. As preposições que introduzem objetos indiretos são _________ de conteúdo ________________. 1998. 5. 4. Os _______________ dos sintagmas ________________ são preposições. III. 1. Sintagmas formados por determinada classe de palavra apta a formar por si próprio o sintagma são chamados de sintagmas _____________ 2. A cadeira de balanço era confortável. PERINI. 103 .

gettyimages.com). OBJETIVOS Ao final desta aula.Aula A ESTRUTURA DO SINTAGMA VERBAL E OS PADRÕES FRASAIS 7 META Analisar e descrever os padrões frasais da língua portuguesa e sua relação com a predicação verbal. analisar os padrões frasais da língua portuguesa e a predicação verbal. (Fonte: http://www. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. o aluno deverá: demonstrar o papel estruturante do verbo no SV. .

A partir desse estudo. o que implica a análise da estrutura do predicado.com). 106 .gettyimages. veremos os padrões frasais nos quais se incluem o número ilimitado de frases da nossa língua.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Nesta sétima aula. (Fonte: http://www. vamos explorar a transitividade dos nossos verbos.

A PVI corresponde a uma exigência de concordância: o verbo concorda com o sujeito. 150). duas significações entre as quais se estabelece a relação predicativa – o sujeito e o predicado”. o ponto de vista de quem fala em relação àquilo que diz. 7 107 . Observemos as frases seguintes: Os meninos jogavam na praia. Chovia bastante. um SN e um SV. Conforme o que vocês já estudaram. na maioria das vezes.Concordância do verbo com o sujeito. Lembramos as seguintes principais evidências que sustentam o papel estruturante do verbo: . o lexema verbal GOSTAR apresenta-se no IdFt2. é de entendimento que o predicado é a parte básica da oração e que o seu núcleo estruturante é o verbo. (AZEREDO.A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula É tradicional a divisão da oração em dois constituintes. Já no segundo exemplo. Atenção aos exemplos seguintes: O gato pulou. (BECHARA. e uma das possibilidades de ela ser conceituada é a seguinte: “Chamase oração a unidade gramatical constituída em torno do verbo”. inclui a possibilidade de orações sem sujeito. No exemplo. p. a língua portuguesa. No primeiro exemplo. revisitar a aula sobre sujeito. ou as suas regras de formação de frase. Assim. p. corresponde a uma conação atenuada. Essa evidência nos fez aceitar a afirmação seguinte: “Oração se caracteriza por ter uma palavra fundamental que é o verbo (ou sintagma verbal) que reúne. consequentemente. O segundo exemplo Chovia bastante não apresenta SN e. no que respeita a essa disciplina. ou seja. 2000. 408). Lembrem-se vocês de que já estudaram a estrutura do SN e a função de sujeito em Língua Portuguesa I.Atitude do enunciador manifestada em desinências modo-temporais. O SN que antecede o SV tem a função de sujeito. o SN O gato e o SV pulou são os constituintes da oração “O gato pulou”. Gostaríamos de silêncio. entretanto. Esse tempo verbal está relacionado à atitude do enunciador. não possui sujeito. 1999. o verbo ou o lexema verbal JOGAR ocorre no IdPt (pretérito imperfeito do indicativo) e na PVI (3a pessoa do plural). Na primeira frase. É conveniente. .

melhor dizendo. Vejamos diferentes comportamentos de verbos. que ocupa a posição de sujeito. 108 . Observem o exemplo: Trovejou bastante naquela noite. verbos a que a Nomenclatura Gramatical Brasileira denomina de verbos transitivos diretos e indiretos. c) Verbos transitivos – diretos ou indiretos. um SN na função de objeto direto (OD) e um SPrep no papel de objeto indireto (OI). Nessa sequência. p. Os indiretos aceitam SN na posição de sujeito e. a) Verbos impessoais intransitivos. Nessa sequência. pedem um SPrep (Objeto Indireto). ou seja. o SN o livro tem a função de OD. na posição de complemento. Os transitivos diretos admitem SN na posição de sujeito e na posição de complemento. compreende-se que o seu comportamento nas mais diversas frases e/ou enunciados permita a determinação dos modelos básicos de estrutura de frase. Veja-se a frase seguinte: Joãozinho é inteligente. d) Verbos chamados de bitransitivos. Atenção ao exemplo: Os jogadores corriam bastante. Esses verbos se constroem com três sintagmas.Língua Portuguesa II ESTRUTURAS DO PREDICADO Pelo fato de o verbo ser o elemento estruturante do predicado e a condição da oração. um SN no papel de sujeito. já que trovejou não apresenta SN na área do sujeito. 2002. “verbos que recusam sintagmas nominais” (AZEREDO. Os jogadores. configurado no seu núcleo. e) Verbos chamados de ligação. Observemos a construção a seguir: Joãozinho entregou o livro a seu irmão. ou verbos cópula. Esse exemplo comprova a existência de verbos intransitivos impessoais. e o SPrep a seu irmão é o OI. 171). b) Verbos pessoais intransitivos são aqueles que aceitam apenas o SN na posição de sujeito. há um só SN. as diferentes classes sintáticas dos verbos. Esses verbos são considerados por muitos como morfemas gramaticais (gramemas independentes) uma vez que sua função primordial é unir o SN sujeito ao predicado.

Os tipos de sintagmas são selecionados pelo verbo.. Considerando-se as posições estruturais da oração irradiadas do verbo – as valências verbais – é possível estabelecer os padrões frasais da língua portuguesa. 2000. salienta-se a evidência de que o verbo ocupa o centro da oração: à sua volta. SAdv II. SAdv SN III. F → SNSV SV → V (SAdv) O menino dormiu. SN ou O menino estudou cuidadosamente a lição. há posições estruturais a serem preenchidas pelos sintagmas. Se um verbo forma uma oração ao lado de um SN. p. F → SNSV Sς → VSN (SAdv) O menino estudou a lição. “a grande maioria dos verbos constrói-se com pelo menos um SN. (AZEREDO. vocês podem entender o conceito de valência. p. F → SNSV SV → V SPrep (SAdv) O menino necessita de cuidados. ou O menino dormiu rapidamente. “Chamamos de valência de um verbo ao conjunto das posições estruturais que irradiam desse verbo. a regra é que esse SN seja o sujeito da oração” (AZEREDO. 172).. De tudo o que já foi dito. Os verbos considerados no grupo a constituem um grupo bastante pequeno no que respeita aos outros grupos de verbos. 7 PADRÕES FRASAIS I. Na frase Joãozinho estudou a lição. 172). irradia duas posições estruturais a serem ocupadas por dois sintagmas nominais: o SN Joãozinho e o SN a lição. 2000. o verbo é funciona como ponte entre o SN sujeito Joãozinho e o SAdj inteligente.A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula Nessa sequência.”. Nessa direção. entendido na análise sintática tradicional como predicativo do sujeito. Dessa forma. SPrep 109 . o verbo estudou acarreta.

o seu verbo pertence ao conjunto dos verbos transitivos indiretos. se comparado ao número daqueles que caracterizam esses seis modelos de frase. SAdv ou O menino vai alegremente ao colégio. Predicativo ou O menino está sempre alegre. há obrigatoriamente uma posição pós-verbal ocupada por um SPrep. que faz parte do conjunto dos verbos pessoais intransitivos. SAdv Predicativo Como vocês devem ter percebido. cujos verbos. No padrão I. conforme vimos. pois não corresponde à exigência do verbo. No padrão II. No padrão III. F → SNSV SV → V SAdv (SAdv) O menino vai ao colégio. Essa conclusão se explica pela constatação de que o número desses verbos é irrelevante. o único elemento obrigatório é o verbo.Língua Portuguesa II ou O menino necessita urgentemente de cuidados. O padrão IV é organizado a partir de verbos transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo. o verbo é transitivo direto. F → SNSV SV → VSN SPrep (SAdv) O menino entregou o livro ao irmão. em todos esses modelos há um SN sujeito. uma vez que. F → SNSV SV → V Predicativo (SAdv) O menino está alegre. são impessoais intransitivos. sua valência inclui uma posição estrutural pós-verbal ocupada por um SN. SN SPrep ou O menino entregou alegremente o livro ao irmão. O padrão V contempla verbos considerados pessoais intransitivos 110 . SAdv SAdv VI. Esses padrões não incluem orações sem sujeito. mas não o exigem. SAdv SN SPrep V. Todos os modelos aceitam esse sintagma. Assim. O sintagma adverbial (SAdv) é elemento opcional. SAdv SPrep IV.

44). p. 2006. Essa agramaticalidade decorre da ausência do SAdv na mesa. Joãozinho viu a estrela. predicados complexos e podem ser chamados de verbos transitivos circunstanciais. Veja-se o exemplo: Joãozinho pôs o livro na mesa. 2006. entendido como termo preposicionado que delimita a natureza semântico-sintática do verbo.. 44) e “Alguns autores preferem classificar esses complementos como complementos adverbiais. o Padrão VI se caracteriza pela presença de um predicativo do sujeito.Joãozinho pôs o livro. Observemos os exemplos: Voz ativa I. que. após a transformação devida. .A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Os verbos que necessitam de sintagmas adverbiais de natureza complementar organizam. na Estrutura Profunda. passa a funcionar como sujeito da passiva. p. Por fim.” (BECHARA. aqui. Lembramos o entendimento de que a voz passiva é resultado de transformações aplicadas à Estrutura Profunda de uma frase que inclui um SN com a função de objeto direto (paciente) e um SN sujeito (agente). Predicado ou Sintagma verbal 111 . “Muitas vezes o complemento relativo. que dele vem separado por um verbo de ligação. na estrutura profunda apresentam um SV com um SN obrigatório. pois. O caráter complementar desse sintagma adverbial justifica o V Padrão Frasal.. chamado de cópula. Nesse sentido. organizam-se segundo os padrões II ou IV. exprime uma circunstância. teremos a sequência agramatical. frases e/ou enunciados com estrutura passiva. as frases atualizadas na modalidade passiva são frases que. SAdv Se retirarmos dessa frase o SAdv na mesa.” (BECHARA. 7 PADRÕES FRASAIS E VOZ PASSIVA É conveniente. embora a sua valência inclua a posição ocupada por determinados SAdvs. Nesse sentido. que vocês retomem o estudo da voz passiva. No que respeita aos padrões frasais da língua portuguesa.

CONCLUSÃO Estudamos a predicação verbal e os modelos de frase da língua portuguesa. transitivos diretos. o SN (sujeito) corresponde ao SN (objeto direto) da voz ativa. os verbos podem ser impessoais intransitivos. Frases na voz passiva decorrem de transformações aplicadas à estrutura profunda de frases cujos modelos são o padrão II ou o padrão IV. 112 . O respeito a essa norma é essencial no que respeita a nossa profissão. é possível a passiva a seguir: Voz passiva O brinquedo foi entregue ao irmão por Joãozinho. transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo. Voz ativa Joãozinho entregou o brinquedo ao irmão. Voz passiva A estrela foi vista por José. SN (sujeito) O SN objeto direto da voz ativa passou a sujeito da voz passiva. SN (sujeito) Nessa frase. já que tal conhecimento está a serviço da construção e do reconhecimento de frases que respondem às exigências da Norma Culta da Língua. pessoais intransitivos. o SN o brinquedo é objeto. Nesse sentido. verbos transitivos circunstanciais e verbos cópula ou de ligação. chamados de Padrões Frasais da língua portuguesa. logo. o SN a estrela é objeto direto. RESUMO Vimos que o verbo é o princípio estruturante do predicado e da oração.Língua Portuguesa II Nesse sintagma verbal. Predicado ou SV Nesse SV. transitivos indiretos. As valências desses verbos são responsáveis pelos seis modelos de estrutura de frase. Conhecer tais estruturas e mecanismos é de grande valia para todos nós.

” (OTTO LARA RESENDE) 7 113 . disse ( ) Guiomar. “Nisto a solenidade começara ( ). “Ainda retiniam ( ) as últimas badaladas das trindades. “Sedentas de absoluto. A.” (TAUNAY) 10.. “As araras morreram ( ). “As faces eram ( ) talvez pálidas demais. decretos e acórdãos. “O velho saiu ( ) satisfeito e foi levar ( ) a nova ao Leonardo. “A cerimônia continuou ( ).A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula ATIVIDADES I. como à abstração. leis. politicamente. “Permite-me ( ) uma pergunta?” (RICARDO ALBERTO) 15. Aderem ( ) ou repudiam ( ) de acordo com um mecanismo emocional que não admite ( ) o meio-tom. ele pediu ( ) ao porteiro o favor de solicitar ( ) dos demais condôminos que suspendessem ( ) a cotidiana remessa de despojos. “A minha perna um bicho mau levou ( ). DE ALMEIDA) 19. “Os paraguaios fizeram ( ) justiça a Antônio João. “Digo-te ( ) que deve ser ( ) um papel muito importante”.” VIRIATO CORREIA) 14. “(Beldroegas) vivia ( ) obsedado com os avisos. “O menino voltou ( ) constrangido. “A princípio. com um inato horror ao relativismo. 3.” (M. de uma firme nitidez. utilizando-se de números.” (LIMA BARRETO) 11. nem à força dos fatos. portarias.” (JOAQUIM NABUCO) 12. DA SILVA).” (JOSÉ DE ALENCAR) 8. “A música tomou ( ) o seu lugar numa saleta ao lado. (RICARDO ALBERTO) 16.” (M. “Conhecia ( ) regularmente a língua portuguesa. as mulheres são ( ) sempre. assim: (1) intransitivo (2) transitivo direto (3) transitivo indireto (4) transitivo direto e indireto (ao mesmo tempo) (5) de ligação 1. Não cedem ( ) aos argumentos da razão. RAMOS) 2. “Não precisa falar ( ).” (MACHADO DE ASSIS) 18. DE ALMEIDA) 4.” (C. “A boiada arranca ( ).” (R. Identificar os verbos quanto ao complemento. traduzia ( ) francês.. A. já sei ( ) que me acha ( ) bonita.”(MEDEIROS E ALBUQUERQUE) 7. e sabia ( ) um pouco de latim.” (LEDO IVO) 17.” (EUCLIDES DA CUNHA) 13.” (MEDEIROS E ALBUQUERQUE) 5. NETO) 9.” (MEDEIROS E ALBUQUERQUE) 6. que pulou ( ) de contente. “Sua carta deu-me ( ) imenso prazer.” (G.

. _________ b. 2. BECHARA.” c) “. Indique o padrão correspondente a cada frase._________ l. _________ f. José Carlos de.” g) “Daí a pouco o gerente mostrava-lhe a caixa registradora. filhinha.” f) “Estela riu da sua ignorância. Rio de Janeiro: Lucerna. de certo modo. Fundamentos de gramática de português. _________ d. D..” d) “O movimento de fregueses declinava..Língua Portuguesa II 20. Gramática escolar da língua portuguesa. o espetáculo já é ( ) edificante e. Sublinhe o SV das frases seguintes a) “O gerente olhou o relógio.” j) “As vozes eram as mesmas._________ h. _________ j.” b) “Estela soprou um balão.” n) “O rapazinho não parecia interessado na crítica ao Governo._________ o. 2000.” k) “A história certa eles não contam. antecipa ( ) o futuro que nos espera ( ). _________ m.Vovô._________ PRÓXIMA AULA Na aula subsequente estudaremos a classificação do predicado e do predicat ivo.. _________ c.” (C. “Em países industrializados. DE ANDRADE) III. 114 . _________ n.” e) “Não mexa nas gavetas.” h) “Como as pessoas são mentirosas.” l) “.. sobretudo nos grandes centros. filha. a. a filha ficou ainda mais longe no Peru.” o) “Eu lhe vendo as minhas. _________ k. 2006.” i) “Do salão vinham os gritos. Evanildo. ed... o senhor é um monstro.” m) “Não te censuro. _________ g. REFERÊNCIAS AZEREDO. Rio de Janeiro: Jorge Zahar._________ i..” (OTTO LARA RESENDE) II._________ e.

(Fonte: http://www.Aula PREDICADO: E DO PREDICATIVO CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO 8 META Descrever os diferentes tipos de Predicado. . analisar as estruturas próprias das diferentes atualizações do predicativo.gettyimages. o aluno deverá: analisar e reconhecer as estruturas concernentes aos diferentes predicados. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I.com). OBJETIVOS Ao final desta aula. reconhecer as modalidades do predicativo. Mostrar as especificidades do Predicativo.

Faltam-nos apenas três aulas. 116 .com). estamo-nos aproximando do final deste percurso nos domínios da morfossintaxe da língua portuguesa. Nela. (Fonte: http://www. incluída esta de número 8. analisaremos as diferentes modalidades de predicado. o que implica o estudo do predicativo que ocorre tanto em predicados simples quanto em predicados complexos. fiéis companheiros de viagem.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Alunos.gettyimages. Todos os que optaram pela continuidade sentir-se-ão fortes no sentido de haverem ultrapassado os obstáculos encontrados.

p. quando há informação semântica nocional no verbo. Quando essa natureza se encerra no próprio verbo. 2006. p. Dizendo de outra forma. o predicado é chamado de complexo. 2006.32). torna-se necessário delimitá-la mediante um termo complementar. “Se. Joãozinho dorme. mas também aquela feita pelos gramáticos classificam o predicado. “dizemos que é um predicado simples ou incomplexo” (BECHARA. entretanto. Joãozinho comprou um DVD.” (BECHARA. Vejamos os exemplos: I. Por essa razão. a significação do verbo for muito ampla. Já o predicado complexo é formado dos verbos transitivos.. núcleo de predicado. segundo sua natureza semântico-sintática. Em casos desses.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO Não só a descrição feita pelos linguistas.” (CUNHA & CINTRA. 32). o núcleo do sintagma verbal. esse verbo constitui o núcleo do predicado. 1978.. Predicado verbal Núcleo: estuda Cabe-nos aqui apresentar uma categorização do predicado. 8 PREDICADO VERBAL Dizemos que o predicado é verbal. 117 . p. SV Predicado verbal Predicado complexo Vocês devem ter inferido que a classe do predicado simples ou incomplexo é constituída dos chamados verbos intransitivos. 129). Nesse sentido. esse verbo pertence ao conjunto dos lexemas da língua. SV Predicado verbal Predicado simples ou incomplexo II. VERBAL ou VERBO-NOMINAL. “O PREDICADO pode ser NOMINAL. Passemos ao seguinte exemplo: Joãozinho estuda muito.

esse complemento predicativo apresenta as seguintes características: a) É expresso por substantivo. permanecer e mais alguns.. Esse complemento. adjetivo.. A mãe é uma amiga. PREDICADO NOMINAL E PREDICATIVO “O PREDICADO NOMINAL é formado por um VERBO DE LIGAÇÃO + PREDICATIVO” (CUNHA. 129). Esses verbos estão a serviço da relação entre o SN sujeito e um complemento chamado. parecer. Joãozinho estuda muito. Cabe ainda lembrar que o entendimento de um verbo como transitivo ou intransitivo só é possível através de frases e/ou enunciados. Joãozinho estuda música. Na segunda. conforme as frases seguintes. o verbo se expande através do SN música. o verbo estuda está empregado como intransitivo. p. Meu amigo é aquele. numeral ou advérbio.” (BECHARA. conhecidos como verbos de ligação. nas nossas gramáticas escolares. quando flexionável. ficar. 118 .Língua Portuguesa II Nesse sentido. b) Concorda com o sujeito em gênero e número. vimos que há verbo que são considerados verbos cópula pelo fato de não apresentarem sentido nocional. 2008. seu núcleo pode ser um verbo transitivo ou um verbo intransitivo. ocorre como um verbo transitivo (direto). estar. Quando estudamos o lexema verbo. Segundo Bechara.42) Observem-se os exemplos: O menino é estudioso. nas análises descritivas. 42). CINTRA. p. II. Voltando então ao predicado verbal. Nesse sentido. Na primeira frase. 1978. o predicado verbal inclui tanto verbos intransitivos quanto verbos transitivos. “Outro tipo de complemento verbal é o predicativo. (BECHARA. p. I. c) É comutado pelo pronome invariável o. é denominado de predicativo do sujeito. Suas dificuldades são duas. Dessa forma. de complemento do SV. A vida não é assim. 2008. que delimita a natureza semântico-sintática de um reduzido número de verbos: ser. pronome.

É essa referência que autoriza a afirmação de que o SAdj 119 . A mãe o é. assim. SV e Joãozinho estava apressado. Dessa forma. no SV. os nossos gramáticos chamam esse predicado de verbo-nominal. temos. Vimos. o núcleo do sintagma verbal é o verbo. o verbo (Encontraram). quer em predicados complexos. Observemos a sequência. Até agora vimos o predicativo do sujeito. A mãe é uma amiga. SV Esse sintagma verbal possui dois núcleos: o verbo (caminhava) e o adjetivo (apressado). SV Na primeira delas. Já nos predicados complexos. o predicativo se refere ao SN do sujeito. Encontraram Joãozinho desmaiado. Joãozinho caminhava apressado. o predicado verbo-nominal com predicativo do SN sujeito.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula Veja-se a comutação: O menino é estudioso. Na segunda. o SN objeto direto (Joãozinho) e o SAdj (desmaiado). O menino o é. o predicativo se refere ao complemento verbal. Nos predicados simples. é o adjetivo apressado. seja ele um SN ou um SPrep. isso ocorre em virtude de a frase resultar da síntese de duas outras: Joãozinho caminhava. que se refere ao SN. N1 N2 . 8 PREDICADO VERBO-NOMINAL PREDICATIVO E VERBOS NOCIONAIS O predicativo pode ocorrer quer em predicados simples. Nessa oração de sujeito indeterminado.

Quando a comutação inclui o SAdj. é indispensável que se inclua na frase o SAdj caído. agora. Comutação: Encontraram-no. Assim. Encontraram o livro desejado. Convém ainda lembrar que o predicativo pode relacionar-se ao SPrep que funciona como objeto indireto.Língua Portuguesa II (desmaiado) é predicativo do SN (Joãozinho). Se substituirmos a seqüência o menino caído pelo pronome o. O teste da comutação comprovou então que caído é predicativo do objeto direto. devemos nos servir da comutação. conforme o exemplo seguinte: 120 . no sentido de substituir o SN objeto pelo pronome átono correspondente. convém lembrar que a oração é fruto da síntese das construções seguintes: Encontraram Joãozinho. Nesse caso. o SAdj é predicativo do SN. a frase. Analisemos. ele é chamado de predicativo do objeto direto. Essa construção não preserva as informações contidas em viram o menino caído. Predicado verbal Joãozinho estava desmaiado. Predicado nominal Dessa forma. Quando o predicativo se refere ao SN objeto direto. Viram-no caído. Essa última sequência é agramatical. Em caso contrário. Às vezes nos deparamos com a dificuldade no sentido de distinguir entre o predicativo do objeto direto e o adjunto adnominal. teremos: Viram-no. manifestado através do SN o menino. Por sua vez. * Encontraram-no desejado. SN SAdj. o predicado é verbo-nominal. Viram o menino caído. na oração Encontraram Joãozinho desmaiado. temos a prova de que esse sintagma é adjunto adnominal.

relacione-se ele com o SN sujeito ou com o SN objeto direto ou por um advérbio. Joãozinho encontrou o amigo assim. Vocês observaram então que tanto o predicativo do objeto direto quanto o do objeto indireto não se incluem no processo da comutação. Joãozinho encontrou o amigo desmaiado. A profissão escolhida por vocês inclui necessariamente esse tipo de conhecimento. Joãozinho caminha assim. Optamos por seguir a tradição e chamá-lo simplesmente predicativo. mas principalmente que tenham feito as devidas relações entre os fenômenos apresentados e a maneira através da qual eles foram analisados e explicados. alguns autores preferem dar-lhe nome especial: anexo predicativo. Em razão dessa possibilidade. predicativo atributivo ou atributo predicativo. Também nessa frase. Na próxima. Lembra o professor Evanildo Bechara que é sempre possível substituir o predicativo. Joãozinho caminhava abatido. 121 . comutamos apenas o complemento verbal representado pelo SPrep ao moço pelo prenome conveniente. 8 CONCLUSÃO É nosso desejo que vocês tenham não só relembrado o que viram durante o Curso Fundamental e o Curso Médio no tocante à classificação do Predicado e do Predicativo. o que resulta na sequência Chamavam-lhe de profeta. estudaremos de forma vertical o complemento verbal.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula Chamavam ao moço de profeta. Chegamos ao final da aula.

( ) “O jantar correu muito pouco animado. ( ) “Foi terrível o conflito. afinal. furiosa.” (CAROLINA NABUCO) 14.” (CAROLINA NABUCO) 12. Nesses casos.” (RUI BARBOSA) 8.” (ALUÍSIO AZEVEDO) 10. ATIVIDADES Identificar os predicados: (1) Predicado verbal (2) Predicado nominal (3) Predicado verbo-nominal do 1o tipo (4) Predicado verbo-nominal do 2o tipo 1. ( ) “Lamparinas caminhava atrás. Nos casos dos predicados complexos.” (CAROLINA NABUCO) 122 . ( ) “Estas considerações sugeriram um ardil a Nuno Álvares. ( ) “O autom6vel vinha cheio.” (ALUÍSIO AZEVEDO) 9.” (A.” (CAROLINA NABUCO) 13.” (GARRETT) 7. HERCULANO) 4. furioso. ( ) “Entrou em Portugal com um exército. HERCULANO) 3. o predicativo pode referir-se ao SN sujeito (predicativo do sujeito). ( ) “A rataria morreu de fome nos buracos. ( ) “Os olivais de Santarém lá estão ainda. ( ) “Reinava entre nós D.” (ALUÍSIO AZEVEDO) 11. ( ) “Eu quero ficar sozinha.” (A.Língua Portuguesa II RESUMO As nossas gramáticas escolares explicam o predicado ou a estrutura do sintagma verbal através de um modelo tripartido: predicado verbal. ( ) “A confusão tornou-se. a estrutura do SV inclui o chamado complemento verbal.. O predicado verbal traz necessariamente como núcleo um verbo nocional. ao SN objeto direto (predicativo do objeto direto) ou ao SPrep objeto indireto (predicativo do objeto indireto).. HERCULANO) 2. HERCULANO) 6. Essa função é a de ponte entre o SN sujeito e o seu predicativo.” (A. ( ) “Iolanda permaneceu na mesma posição. predicado nominal e predicado verbo-nominal. quando o seu verbo não apresenta conteúdo nocional. Nos casos dos predicados simples ou incomplexos. HERCULANO) 5.” (A. ( ) “Mas a lembrança do horrível sucesso estava sempre presente no espírito do moço alcaide. completa. Os predicados verbo-nominais se estruturam a partir de verbos nocionais mas incluem sequências com a função de predicativo.” (A. Fernando. o seu verbo é intransitivo. manifestado por meio de SN ou de SPrep. O predicado é classificado como nominal. ( ) “A velha estacara no meio da sala.

L. 2006.” (CAROLINA NABUCO) 20.” (CAROLINA NABUCO) 17. SAUTCHUK. Barueri – SP: Manole. nessa entrevista que ninguém lhe ( ) encomendara.” (CAROLINA NABUCO) 16. Celso & CINTRA. Nova gramática do português contemporâneo. 123 . ( ) “Achou-o mais magro ainda. ( ) “Julgara-se até então. horrorizada. Luiz. ( ) “Quero dizer a você somente isto: ( ) deixe minha irmã quieta.Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Gramática escolar da língua portuguesa. e depois com um surto crescente de indignação.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula 15. F. Rio de Janeiro: Lucerna. um porta-voz da família. ( ) “Nica chegou atrasada à mesa de família.”(CAROLINA NABUCO) 18. Evanildo.” (CAROLINA NABUCO) 8 REFERÊNCIAS BECHARA. CUNHA. 1985. 2004. ( ) “Há desses enganos na vida. Prática de morfossintaxe.” (CAROLINA NABUCO) 19. ( ) “Nica fixou a irmã primeiro com incredulidade. Lindley.

. internos e preposicionados. Apresentar técnicas de identificação do OD e mostrar objetos diretos pleonásticos. identificar o SN objeto direto. (Fonte: pontucom.com). o aluno deverá: utilizar-se das técnicas de reconhecimento do OD. reconhecer objetos diretos pleonásticos.blogspot.Aula COMPLEMENTO VERBAL: OBJETO DIRETO 9 META Conceituar objeto direto. OBJETIVOS Ao final desta aula. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. internos e preposicionados.

Língua Portuguesa II

INTRODUÇÃO
Nesta aula, caros alunos, continuando a nossa observação no que respeita à estrutura do predicado, vamo-nos deter no estudo do complemento verbal chamado de Objeto Direto. Assim, estudaremos o sintagma nominal que ocorre obrigatoriamente na área do predicado. Veremos então, que o SN objeto direto é um sintagma autônomo, já que, responde a imposição da valência verbal. Trataremos de estratégias de identificação dessa modalidade de complemento verbal e da possibilidade de esse complemento adquirir feição pleonástica e de apresentar-se preposicionado.

(Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br).

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Complemento verbal: objeto direto

Aula

Ao estudarmos a estrutura do predicado, vimos que os predicados podem ser classificados como simples ou incomplexos e como complexos. Diferentemente da auto-suficiência da organização semântico-sintática dos verbos dos predicados incomplexos, os verbos dos predicados complexos não possuem essa auto-suficiência, o que acarreta o preenchimento da área do predicado denominada de área complementar. Na perspectiva dos Padrões Frasais estudados, são predicados complexos os que caracterizam os Padrões II, III, IV e V. Nesses modelos de frase, os verbos, chamados de transitivos “exigem complementos obrigatórios que lhes integrem o sentido.” (SAUTCHUCK, 2004: 72). O verbo é chamado de TRANSITIVO DIRETO quando ele se articula diretamente com o seu complemento, ou seja, quando entre ele e o seu complemento não ocorre preposição obrigatória. Esse complemento é então chamado de OBJETO DIRETO. Assim: “D. Plácida foi buscar um espelho...” SN (OD) O SN um espelho liga-se ao verbo sem a mediação de preposição.

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CARACTERÍSTICAS MORFOSSINTÁTICAS DO COMPLEMENTO VERBAL OBJETO DIRETO
Os verbos transitivos, como já vimos, exigem complementos obrigatórios, no sentido de lhes entregarem o sentido. Vejamos uma forma prática de identificação do complemento dos verbos transitivos – o objeto direto. Essa forma de reconhecimento sustenta-se na evidência de que o objeto direto, de forma semelhante ao sujeito, possui uma natureza morfológica substantiva, ou seja, “pode ser expresso por meio de um sintagma nominal.” (SAUTCHUCK, 2004: 72). Entretanto, o SN objeto direto ocupa, na frase, a área do complemento verbal. Por essa razão, esse SN não pode ser substituído por um pronome reto (como ocorre com o SN sujeito). A substituição é, então, feita por um pronome do caso oblíquo. Essa comutação tem como parâmetro a chamada norma culta do português. Assim, chegamos à seguinte generalização: Pronomes pessoais do caso oblíquo devem ocupar a posição do objeto direto. (Na substituição, os pronomes oblíquos o, a, os, as podem se apresentar nas formas eufônicas lo, la, los, las, no, na, nos, nas.) A técnica utilizada no reconhecimento ou na identificação do OD é semelhante àquela usada na identificação do sujeito, o que foi apresentado na aula sobre sujeito, do Curso de Língua Portuguesa I. É a técnica de pergunta e resposta.

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Língua Portuguesa II

Passemos à exemplificação: I. O menino encontrou o livro de matemática. (Técnica da pergunta e resposta) - O menino encontrou o livro de matemática? - Sim, o menino o encontrou. II. Os meninos compraram os livros. - Os meninos compraram os livros? - Sim, os meninos compraram-nos. III. Os meninos vão visitar os amigos. - Os meninos vão visitar os amigos? - Sim, os meninos vão visitá-los. No exemplo I, a sequência substituída pelo pronome o – O livro de matemática – é o objeto direto da frase. Na frase II, o pronome oblíquo, na forma nos, substitui os livros; assim, o SN os livros é o OD dessa frase. No exemplo III, o OD é os amigos, SN substituído por los. Atenção: Resumindo, eis as condições que se devem observar na localização do objeto direto, através da técnica apresentada. “- deve-se dar sempre uma resposta completa, não omitindo nenhum termo não substituído; - o pronome obliquo concorda sempre em gênero e/ou número com o núcleo do objeto direto; - objeto direto é termo representado por sintagma nominal autônomo, apesar de haver casos estilísticos em que ele pode aparecer excepcionalmente preposicionado.” (SAUTCHUCK, 2004, p. 73) Cabe aqui explicitar os conceitos de sintagma autônomo e de sintagma interno. “Consideramos sintagmas autônomos aqueles que se movimentam sozinhos no eixo sintagmático, nele ocupando diferentes posições e constituindo-se, inclusive, de outros sintagmas internos. Estes, por sua vez, estão contidos nos autônomos, não tendo liberdade de se movimentar além do sintagma que os contém, pois estão presos a algum elemento desse sintagma”. (SAUTCHUCK, 2004, p. 44). Os sintagmas internos exercem as funções sintáticas de adjuntos adnominais ou de complementos nominais. Os sintagmas que exercem as outras funções sintáticas são sintagmas autônomos. Vocês estudaram as funções de adjunto adnominal e de complemento nominal na disciplina Língua Portuguesa I. Vejamos exemplos:

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Complemento verbal: objeto direto

Aula

1. A leitura é útil a todos. O sintagma preposicionado a todos está ligado a útil. Nesse sentido, é complemento nominal de útil e, consequentemente, é um sintagma interno. 2. Joãozinho gosta de sorvete de coco. O sintagma preposicionado de coco está diretamente ligado ao nome sorvete no sentido de especificá-lo. A preposição de constrói uma relação de qualidade. Assim, dizemos que as preposições que introduzem adjuntos adnominais estão a serviço de relações nocionais ou semânticas. Voltemos as nossas atenções ao SN objeto direto. Ainda no encalço do reconhecimento do objeto direto, lembramos uma outra técnica: a possibilidade de se apassivar a oração em que se suspeita haver um objeto direto, já que o sujeito da voz passiva corresponde ao objeto direto da voz ativa. Dessa forma: Joãozinho comprou uma revista no Shopping. (Ativa) Uma revista foi comprada por Joãozinho, no Shopping. (Passiva) O SN uma revista é o sujeito da frase na passiva; conclui-se, então, que, na ativa correspondente, esse sintagma tem a função de objeto direto. Às vezes, o objeto direto de uma oração se manifesta através de uma sequência de natureza substantiva, conforme o que se segue: O pai disse não. Todos sabem que ele é inocente. Em contextos desses, os termos que puderem ser comutados, substituídos pelo pronome demonstrativo neutro o, pronome substantivo, são objetos diretos. Vejam-se as substituições: O pai o disse. Todos o sabem. Nessas frases, o vocábulo o é objeto direto. Logo, as sequências substituídas por esse pronome são também objetos diretos. Há ainda que lembrar a estratégia de topicalização no que respeita ao reconhecimento do objeto direto. Nesse sentido, faz-se a transposição do termo que se acredita ser objeto direto, para a esquerda do verbo. Essa topicalizaçao “permite, sem ser obrigatória, a presença dos pronomes o, a, os, as, junto ao verbo, repetindo o objeto direto transposto.” (BECHARA, 2006, p. 35). Assim,

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2000. o esforço e o amor. vale dizer. Essa topicalização promove o chamado objeto direto repetido ou pleonástico. “As noites. b) A palavra cognata deve estar acompanhada de um modificador.. há duas condições: a) O SN deve ser uma palavra cognata no que respeita ao verbo da oração.. O sintagma adjetivo vil é um modificador em relação a morte. manifestado através da enumeração “A generosidade. (BECHARA. que repete o objeto direto topicalizado. sentado em uma pedra.63).Língua Portuguesa II O menino viu o lobo mau. A repetição do objeto direto decorre da “necessidade expressiva ou reforço de ênfase. assim. está topicalizado para a esquerda do verbo. Nessa frase. p. p. “A repetição de um termo da oração por outro de sentido e função equivalente se denomina pleonasmo. ensinaste-os tu com toda a sublimidade. o objeto direto topicalizado As noites repete-se após passava na forma as. a relação entre o verbo e o SN pode ser de natureza ideológica. OBJETO DIRETO INTERNO Um verbo intransitivo pode ocorrer com um SN obrigatório em posição pós-verbal. o esforço e o amor. Temos. Para que isso aconteça. Chorarás lágrimas de sangue. 2000. Topicalização O lobo mau. verbo e SN devem partilhar o mesmo radical (cognatos etimológicos). o menino o viu. Tomemos exemplos: “Morrerás morte vil da mão de um forte. À direita do verbo aparece o pronome os. p. há uma relação metonímica entre chorarás e lágrimas. o sintagma preposicionado de sangue especifica lágrimas. nesse sentido.34) O objeto direto.46) Vejamos: “A generosidade..” (HERCULANO. passava-as fora do pequeno rancho de peles. Além dessa relação simbólica. De outra forma. 130 . é um objeto direto pleonástico. que.” (Humberto de Campos) Nessa frase. um caso de objeto direto pleonástico.” (KURY..” (Gonçalves Dias) O SN morte vil tem como núcleo morte cognato em relação a morrerás.

chamados de objetos diretos oracionais.”. indefinidos.” d) Com pronomes substantivos demonstrativos.) i) Na expressão de reciprocidade um ao outro (e flexões): “Amai-vos uns aos outros.” (An.” “Feriu-se a si mesmo. “A estas penas nem o esquecimento cura. será feito na disciplina Língua Portuguesa III. não a nós. sobretudo quando se segue a verbos que exprimem sentimentos.” c) Quando é pronome pessoal tônico (uso obrigatório): “Ofendeste a ele.” Antes de finalizarmos esta aula. não os temo. 14. RVH. lembramos que o OBJETO DIRETO muitas vezes se manifesta através de uma oração subordinada substantiva chamada.” (Matias Aires. Quando se usa a ordem inversa: “Venceram aos chineses os japoneses.) h) Para evitar ambiguidade: 1.” g) Quando vem antecipado: “Aos maus. interrogativos: “Apreciei mais a este. 9 131 . de objetiva direta. “Tati. O estudo dos objetos diretos assim construídos.Complemento verbal: objeto direto Aula OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO O objeto direto “não raro vem regido da preposição a. que tratará da sintaxe do período composto.” (KURY. então.” f) Com numerais substantivos: “Aprovei a ambos. 2000: 45) Eis os principais casos em que ocorre o objeto direto preposicionado: a) Em certas expressões da língua em que aparecem substantivos próprios: “Louvemos a Deus. Na comparação: “Respeitava-o como à sua mãe.” “Ofendeu a todos indistintamente. “Os romanos adoravam a Júpiter.” b) Quando o substantivo indica pessoa: “Estimo a meus pais. Machado. Essa oração pode ser introduzida pelo gramema relator que ou trazer o seu verbo no infinitivo.” “A quem preferes?” e) Com pronome de tratamento: “Muito estimamos a V.” 2.Sa. a Garota”.”.

. Além disso.” M.” (C. b) “Eu ia resolver praticamente este pequeno problema de estática e de boas maneiras..Língua Portuguesa II CONCLUSÃO Nesta aula. O estilo da língua adota. estudamos o complemento verbal chamado de objeto direto. arranjava os cabelos.. contavam as cabeças.. Como técnicas de reconhecimento dessa modalidade de complemento verbal. transforme em estrutura passiva as passagens em que ele se encontra. de Assis) d) “Não nos falta música. mediam o sangue. quando o núcleo do SN é cognato ou ideologicamente relacionado no que respeita ao seu verbo.. Desvendar essas estruturas é uma imposição a todos os professores e alunos do curso de Letras/Português. de Andrade) 132 . de Assis) b) “Com efeito. Ocorre ainda o chamado objeto direto interno. alaga-a muitos palmos a dentro. Sublinhe os objetos diretos nos trechos a seguir.” II. consequentemente. o que configura o objeto direto pleonástico. a repetição do objeto direto. a cada navio que chegava da Europa. cuja ausência implica inaceitabilidade e/ou agramaticalidade. de Assis). nem gosto particular em ouvi-la. ATIVIDADES I.” (M.. transcreviam os horrores.” M. à interação social. RESUMO O objeto direto se caracteriza por não apresentar preposição obrigatória. A partir do reconhecimento do OD. em alguns casos. a) “Virgília punha o chapéu. quando a onda investe a praia.” (M.. os jornais. a) “Um exemplo da segunda classe constitui o presente capítulo. Esse estudo implicou a análise e a descrição das estruturas através das quais se manifesta esse tipo de complemento verbal. o conhecimento de variadas possibilidades estilísticas concernentes às estruturas-padrão da língua é de grande valia no que respeita à produção de textos orais e escritos e. atava as fitas. A Língua Portuguesa admite construções com objeto direto preposicionado. D. de Assis) c) “. sobressaem-se a comutação (substituição do provável objeto direto pelo pronome oblíquo o ou uma das suas variações) e a transformação passiva no que respeita à frase observada...

de Andrade) e) “Escolhe entre janelas abertas e penetra em quartos de moças. e) O poeta compõe versos.” (de uma canção) h) ( ) “Os sinos já não há quem os toque.” (C. A topicalização referente à questão anterior gerou objeto direto _____________ V. C. D. c) A cigarra faz canções.” c) ( ) “Este lugar delicioso e triste / Cansada de viver / Tinha escolhido / para morrer a mísera Lindóia. e) Abel matou Caim. IV.” (J. de Andrade) d) “Eu perseguia o mito literário.” (Basílio da Gama) d) ( ) “Quem vos ouve. D..” g) ( ) “Um sonho mais lindo sonhei.” ( ) j) ( ) “Fico para te ver. Topicalize para a esquerda o objeto das seguintes orações e repita-o depois do verbo através de um pronome pessoal adequado. D. a) Jesus amou todos os homens. a) A leoa defende a cria.Complemento verbal: objeto direto Aula c) “Alguns recebiam manifestações de apreço. o aljôfar d’água ainda a roreja ( ).. como à doce mangaba que corou em manhã de chuva!” (Alencar) f) ( ) “Entre dois ladrões crucificaram os judeus a Jesus.” (C. ( ) a mim ouve... (1) Objeto direto (2) Objeto direto preposicionado (3) Objeto direto interno (4) Objeto direto pleonástico a) ( ) “Ele e o mancebo trocaram a fumaça da despedida. Branco) k) ( ) “Sonhavam sonhos esquisitos. no sentido de acrescentar preposições aos objetos diretos. ( ) fico para te ouvir. d) Não esqueça os filhos. b) Os gregos adoravam Palas Atena.” 9 133 . b) As nuvens encobrem a lua.” (C.” ( ) i) ( ) “Amava-o apenas a ele. Sublinhar e classificar o complemento verbal.. VI. de Andrade) III. Modifique as frases seguintes. d) As crianças viram o desastre.” (C.) b) ( ) “Todos eles viveram uma vida feliz.” e) ( ) “Iracema saiu do banho. c) Entrevistei ambos. A..

Barueri – SP: Manole. Inez. 134 .Língua Portuguesa II PRÓXIMA AULA Na próxima aula. 16 ed. 2000. 2000. Lições de português. Rio de Janeiro: Lucerna. KURY. Prática de morfossintaxe. SAUTCHUK. Evanildo. 2004. trataremos do objeto indireto e do complemento circunstancial. São Paulo: Ática. REFERÊNCIAS BECHARA. Novas lições de análise sintática. Adriano da Gama.

Aula COMPLEMENTO VERBAL: OBJETO INDIRETO 10 META Apresentar as possibilidades de análise no que respeita ao Sintagma Preposicionado que ocupa obrigatoriamente a área do predicado. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I.nossanoite. o aluno deverá: analisar o complemento verbal que se manifesta através do sintagma preposicionado. OBJETIVOS No final desta aula.br). mostrar diferenças entre o objeto indireto e o complemento relativo.com. . (Fonte: http://www. reconhecer verbos transitivos circunstanciais ou adverbiais e identificar o complemento circunstancial.

(Fonte: www. 136 . no que respeita às funções sintáticas manifestadas pelo Sintagma Preposicionado obrigatório que ocupa a área do complemento verbal.com.br). chegamos à nossa décima e última aula.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Meus queridos alunos. A ela destinamos o estudo do Objeto Indireto. Mostraremos perspectivas que não coincidem com a ótica da NGB. do Complemento Relativo e do Complemento Circunstancial.portalsaofrancisco. Apresentaremos formas de identificação dessas funções sintáticas introduzidas por preposições obrigatórias e mostraremos em que consiste a obrigatoriedade da preposição.

Complemento verbal: objeto indireto Aula Na aula passada. estudamos o complemento verbal manifestado na forma de objeto direto. a área complementar. por sua vez. Maria aspira o ar puro do campo (sorver). no complemento relativo e no complemento circunstancial. Dessa forma. p. Nessa frase. os que pedem complemento introduzido por preposição necessária. a serviço das exigências sintáticas (gramaticais) da língua. gramema relator. ou à sua obrigatoriedade temos: 137 . Maria aspira ao ar puro do campo (almejar). a sequência se torna inaceitável e agramatical.” (BECHARA.Maria escreveu os pais. pelos falantes nativos. aos pais é um SPrep que se introduz pela preposição a à qual se segue o SN os pais. Esse sintagma preposicionado responde à valência do verbo escrever. quando o gramema está ausente mas ainda pela mudança de sentido do verbo acarretada pela ausência de preposição. Essa preposição tem caráter obrigatório. decorre do fato de a inaceitabilidade resultar da ausência da preposição. ou seja. Assim. 2000. Essa obrigatoriedade assim se explica: retirada da frase a preposição. como já vimos. No que respeita ao chamado objeto indireto. como frase da língua. Convém ainda dizer que a obrigatoriedade da preposição se comprova não só pela agramaticalidade da frase. Assim. temos uma modalidade de complemento que se relaciona a verbos “transitivos indiretos. que exige a presença de sintagma dessa natureza. A agramaticalidade. A inaceitabilidade decorre da rejeição dessa sequência. A existência do complemento verbal. pressupõe um verbo cuja valência impõe o preenchimento da área destinada ao complemento. Maria escreveu aos pais. 52) 10 OBJETO INDIRETO O fato de o objeto indireto ser introduzido por preposição obrigatória permite que se diga que a função de objeto indireto é preenchida por um sintagma preposicionado. Ainda em relação à necessidade da preposição. Agora vamos tratar do complemento verbal configurado no objeto indireto. .

entendido como o conjunto das coisas das quais José se possa lembrar. Esse complemento se inicia pela preposição a e pode ser substituído pelo pronome lhe.Agramaticalidade Os meninos amam aos pais. 2000. Maria lhe escreveu. de uvas é um complemento verbal também iniciado pela preposição de.. Evanildo Bechara que a NGB. p. Para Bechara. Maria escreveu ao pai. Dessa forma. com o objetivo de simplificação. Além dessa característica sintática. Assim. Assim. . Diz o Prof.Os meninos gostam carros . seriam objetos indiretos apenas os complementos verbais iniciados pelas preposições a ou para. OD preposicionado. Nessa frase. José gosta de uvas. Ao lado desta preposição necessária corre a preposição que pode ser dispensada ou que aparece como recurso estilístico da clareza do pensamento. A sequência do compromisso é iniciada pela preposição de.. A distância da ideia de partitivo e a relação estreita com o 138 . Nessa frase. OD A preposição a em aos pais é um recurso estilístico no sentido de pôr em evidência a pessoa a quem é dirigida a ação verbal. complementos esses que podem ser substituídos pelo pronome lhe (ou lhes). Assim. ao pai é o complemento verbal do verbo escrever. José se lembrou do compromisso. Vejamos agora.52). (BECHARA.Língua Portuguesa II Insistimos (. se pode justificar o entendimento de Bechara no sentido de classificar complementos desses como complementos partitivos. a organização semântica aponta para a ideia de parte em contraposição ao todo. Complementos verbais geralmente principiados pela preposição de são classificados por Bechara de complementos partitivos e de complemento de relação. chama de objetos indiretos complementos verbais preposicionados de natureza bastante diferentes.) em dizer preposição necessária para fazer referência àquela que não pode ser retirada sem prejuízo do sentido ou da correção da frase. ou Os meninos amam os pais.

Rocha Lima evidencia o caráter objetal do complemento verbal chamado de objeto indireto: “O objeto indireto representa o SER ANIMADO a que se dirige ou destina a ação ou estado que o processo verbal expressa. como tais. Rocha Lima. a predicação de um verbo de significação relativa. na terceira pessoa. e essa característica acarreta a impossibilidade de o objeto indireto se apresentar na forma de oração subordinada. 250) “(. o objeto indireto é marcado pelo traço + pessoa. 2008. custou muito ao menino aceitar esta situação. b) “Junta-se à unidade formada de verbo + objeto direto. Maria ofereceu o livro ao seu irmão. com o valor de objeto direto. Inclusive. 2008.” (LIMA.248).” (LIMA. OD OI Essa frase organiza-se segundo o Padrão Frasal IV. Dentre os casos incontroversos de objeto indireto citados por Lima. 251) “Capitu propôs metê-lo em um colégio.. então. Esse entendimento de complemento de relação é equivalente ao conceito seguinte: “Complemento relativo é o complemento que. que os complementos verbais chamados de objetos indiretos pela NGB englobam complementos partitivos e complementos relativos na perspectiva de mestres da língua como os professores Rocha Lima e Evanildo Bechara. o que não corresponde à perspectiva da NGB. ligado ao verbo por uma preposição determinada (a. algumas vezes. 2008. p. integra. 2008. designando a pessoa em quem se manifesta a ação. Lembrem-se de que esta é a ótica do Prof. etc. indicando o possuidor de alguma coisa. obrigatórios. Na ótica de Rocha Lima. poder ser substituído pelo pronome ‘lhe’ (lhes). lembramos os seguintes: a) “Complemento de verbos acompanhados de objeto direto”.). o objeto indireto caracteriza-se morfologicamente por se iniciar pela preposição a e. donde só viesse aos sábados. em. O predicado apresenta dois complementos verbais e.Complemento verbal: objeto indireto Aula verbo podem explicar a classificação de complemento de relação dada por Bechara à sequência de uvas. pela preposição ‘para’ e também por.) mandou cortar a cabeça a Adonias. 10 139 .” (Machado de Assis). p.. de. p.” (LIMA. para ele. p.” (Vieira) Observação: O modelo corrente não aceita essa análise e reconhece em a Adonias um adjunto adnominal. com. c) “Liga-se os verbos intransitivos impessoais.” (LIMA. 251) Vocês devem ter compreendido.

. não lhe peço. Vocês devem ter-se dado conta de que os casos de complemento verbal iniciados pela preposição de incluem-se. Sublinhar os complementos relativos. e o seu objeto indireto é ao menino.“Confiaste-me todos os teus segredos. Complemento relativo.“A cozinheira começava a cortar as asas ao pássaro. 140 . ATIVIDADES I.” . para Rocha Lima.“O médico apertava a mão a todos os doentes. . . p. ela.” . Complemento relativo.” (LIMA. o sujeito de custou é aceitar esta situação. não lhe devo.A jovem entregou a carta à amiga.Língua Portuguesa II Nesse exemplo. Assim. . O complemento relativo não aceita ser substituído pelas formas pronominais lhe.” II. antecedidos de preposição.“Que Deus nos dê um resto de alento.252) A menina precisa de conselhos. nos casos de complemento relativo.Os adolescentes precisam de cuidados.” . eles. A aceitação é referente às formas tônicas ele.Adolescentes gostam de música pop. As providências dependem do despacho.“Tudo vos dava uma impressão agradável.” . . ou em cujo proveito ela se realiza. As providências dependem dele. DISTINÇÃO ENTRE COMPLEMENTO RELATIVO E OBJETO INDIRETO (ROCHA LIMA) O complemento relativo “não representa a pessoa ou coisa a que se destina a ação. Complemento relativo. Indicar o objeto indireto nas frases seguintes: . ao rico.“Ao pobre.” .“Comunicou a desconfiança aos colegas. lhes. 2008.Os irmãos não reparavam na pequena. elas.” .Os pais assistiam ao desfile.

Dessa forma. Reescreva as frases apresentadas no item II. de janeiro findo. é importante deixar claro o seguinte: o professor Evanildo Bechara inclui entre as possibilidades de objeto indireto. o OI é chamado por Bechara de dativo de opinião. “Só hoje lhe responde à carta. p. “Trabalha para o bem geral da família.” OI Em casos desses. uma vez que representa “a pessoa a quem pertence uma opinião. Atenção à frase seguinte: “Prendam-me esse homem!” OI Em relação a essa possibilidade de objeto indireto.” (BECHARA. 2000. O Prof.” (BECHARA. podem aparecer dois objetos indiretos referidos ao mesmo verbo. vejam o seguinte: “Em casos bastante limitados. p. 53). sequências que ocorrem em predicados nominais. Bechara inclui ainda. conforme o exemplo seguinte: “José pareceu-lhe adoentado. vivamente interessada na ação expressa pelo verbo. a expressão que manifesta “a pessoa ou coisa que. 2000.. p. sequências que não são substituídas pelas formas lhe e lhes. p. 49).” (KURY.Complemento verbal: objeto indireto Aula .) a coisa em cujo proveito ou prejuízo se pratica a ação. entre as possibilidades de objeto indireto. 2000. Assim. 2000.O menino indicou o caminho ao soldado. substituindo os complementos relativos pelos pronomes convenientes. caso em que o objeto indireto pode servir a um verbo de ligação. Bechara a entende como dativo ético.” Objeto indireto (OI) O Prof.” (BECHARA.” OI OI 141 . Bechara afirma que essa modalidade de objeto indireto pode ser chamada de dativo de interesse já que manifesta “(. 53) 10 DUPLO OBJETO INDIRETO Caros alunos. III. ou seja. Continuando o estudo do objeto indireto. 53). procura captar a simpatia ou benevolência do ouvinte..

Iremos a Roma.253). um dos dois.” (LIMA.” OI OIP Aos homenageados. como já vimos. com verbos que exigem complemento de sentido locativo. que implica o entendimento dos chamados verbos transitivos circunstanciais. os demais complementos verbais. p. a NGB não estabelece diferenças entre complemento de relação ou complemento relativo e objeto indireto. Nesse sentido. O verbo dessa frase iremos exige a preposição a no sentido de ligá-lo a Roma. temos o complemento circunstancial.Língua Portuguesa II Nessa frase lhe e à carta são objetos indiretos relacionados ao verbo respondo. “Diante de expressões do tipo: Irei à cidade.” “Parecia-lhe a ela estar em um mundo fantástico. Voltei do trabalho. Complemento circunstancial. entregam-lhes as medalhas. apresentado por um pronome pessoal ou por um substantivo. Tanto os complementos relativos quanto os objetos indiretos se distribuem pelos Padrões Frasais III e IV. Vejamos a opinião de Bechara no tocante a complementos locativos. 142 . Assism. OBJETO INDIRETO PLEONÁSTICO “A expressividade pode provocar o aparecimento de um objeto indireto pleonástico. Esse tipo de complemento é assim conceituado: “É um complemento de natureza adverbial – tão indispensável à construção do verbo quanto. em outros casos. OI OIP Como vocês devem ter compreendido. Objetos costuma vir antecipado. nome de valor locativo. É conveniente que vocês revisitem o estudo dos Padrões Frasais. 2008. o entendimento do objeto indireto não é coincidente no que respeita a gramáticos como Rocha Lima e Bechara e à postura adotada pela NGB. COMPLEMENTO CIRCUNSTANCIAL A Nomenclatura Gramatical Brasileira não trata desse tipo de complemento. Assim.

No início desta aula. p. Apresentar e cotejar pontos de vista diferentes e algumas vezes conflitantes além de aumentar a visão de mundo. como principalmente. estabelecemos relação entre as suas diferentes modalidades e os Padrões Frasais da língua portuguesa. havíamos dito que tanto objeto indireto quanto complementos adverbiais se manifestam através de sintagmas preposicionados. o que permite a sua identificação. é importante que vocês estejam atentos no que respeita à Regência Verbal. Esse complemento foi estudado na ótica de conceituados gramáticos da língua sem perder de vista a perspectiva da Nomenclatura Gramatical Brasileira.” (BECHARA. denominados de verbos transitivos circunstanciais ou transitivos adverbiais.Complemento verbal: objeto indireto Aula tínhamos a rigor de falar em verbos transitivos adverbiais. o Complemento Partitivo e o Complemento de Relação ou Complemento Relativo. Essa perspectiva de análise é mais congruente no que respeita aos fatos da língua do que a postura adotada pela NGB.. Nesse sentido. agradeço a todos vocês pela persistência no sentido de acompanharem um curso de morfossintaxe a distância. RESUMO Esta aula se voltou para o estudo do complemento verbal manifestado através do Sintagma Preposicionado. assim. 2000. Contra o conceito de complemento. Caríssimos alunos. Por último.52).. a Nomenclatura Gramatical Brasileira arrola tais casos entre os adjuntos adverbiais. isto é. sempre que a dúvida se estabeleça. 10 CONCLUSÃO Esta aula tratou das especificidades do complemento verbal iniciado por preposição. detivemo-nos na possibilidade de análise que identifica complementos circunstanciais requisitados por verbos de caráter transitivo e. na vida pessoal. na disciplina Língua Portuguesa III e não só na vida profissional. Mostramos diferenças entre o Objeto Indireto. 143 . É importante que vocês consultem dicionários de Regência Verbal sempre que necessário for. Durante o tratamento do complemento verbal preposicionado. os que pedem como complemento uma expressão adverbial. o que se configura no sintagma preposicionado. Vocês compreenderam então que a inclusão do Padrão V entre os modelos de frase concernentes à língua portuguesa implica a aceitação de verbos transitivos circunstanciais. Foram estudadas as especificidades do Objeto Indireto. Desejo-lhes êxito na avaliação final. exercita a razão crítica. aspectos não considerados pela NGB.

. Reescreva a frase transcrita.Ele te indicou o caminho. . IV. . KURY. V. Lições de português.Ele vos mostrará a verdade. Gramática normativa da língua portuguesa. substituindo o objeto direto e o indireto pelos pronomes adequados. conforme o modelo. .No jardim encantado. Rocha. Evanildo. . Adriano da Gama.Os senadores defendiam-se das acusações. .As crianças foram à praia.As crianças da África necessitam de ajuda.O esquilo morava na árvore grande. as árvores conversavam. Transcreva. substituindo o objeto indireto pelo devido pronome.Maria agradeceu a gentileza ao amigo. 2000. Rio de Janeiro: José Olympio. . . OD OI A mãe lho entregou. .Alice chegou ao País das Maravilhas. 2008. Novas lições de análise sintática.Língua Portuguesa II ATIVIDADES I. uma frase que contenha sintagma preposicionado na função de objeto indireto. 47 ed.Os refugiados dependiam de ajuda humanitária. . 144 . .Os hindus nos mostram seus costumes. . Rio de Janeiro: Lucerna. O que você pode concluir da questão de número IV? REFERÊNCIAS BECHARA. Indique os complementos circunstanciais . Reescreva as frases seguintes. LIMA.O coelho dormia sossegadamente. em relação ao item I. 16. .A moça agradeceu ao amigo o gesto. Modelo: A mãe entregou o livro ao filho. ed. 2000.Ela lhe ofereceu ajuda.Os esquilos gostam de nozes. São Paulo: Ática. II. . III.

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