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Direito Processual Civil II (1)

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  • Litisconsórcio Voluntário
  • Litisconsórcio Necessário
  • - Paternidade e maternidade - art. 1822º/1 CC
  • - Ou bem móvel utilizado por ambos – art. 1682º/3 b)
  • Coligação
  • Noção
  • O Patrocínio Judiciário como Pressuposto – Quando É Obrigatório
  • Consequências da Falta de Patrocínio Judiciário Obrigatório
  • Natureza da Relação Mandatário-Parte
  • Noção e Problemática
  • Considerações Iniciais
  • - Teixeira de Sousa – objecto é constituído pelo pedido e causa de pedir:
  • Pedido
  • Causa de Pedir
  • As Novas Coordenadas do Processo Civil (com a Revisão do art. 264º)
  • - Se forem essenciais continuam submetidos à alegação (nº 1)
  • Aptidão da Petição Inicial12
  • A Aptidão da Petição Inicial nos Termos do Art. 193º
  • - Pedido ou causa de pedir ininteligível
  • A Recusa da Petição Inicial nos Termos do art. 467º e 474º
  • O Objecto na Petição Inicial e o Objecto Plural
  • - Cumulação Simples – “A e B” – 470º
  • - Pedidos Alternativos – “A ou B” – 468º
  • - Este critério só se usa na cumulação de pedidos simples e na subsidiária
  • imprópria
  • Não Verificação da Litispendência e do Caso Julgado
  • Introdução
  • Admissibilidade Formal da Coligação
  • Coligação Ilegal
  • Coligação Necessária e Pluralidade Subjectiva Subsidiária
  • - Não Oposição
  • Prazo
  • Conteúdo Formal
  • A Concentração
  • - É uma das desigualdades estruturais entre o autor e o réu
  • Conteúdo Material
  • Confissão Qualificada e Complexa
  • Efeitos
  • Réplica
  • - A réplica é a resposta do autor à contestação do réu
  • A Tréplica
  • - Tréplica destina-se a assegurar o contraditório do réu quanto a essas matérias
  • Articulados Supervenientes
  • A Reconvenção17
  • - O réu fica o reconvinte e o autor o reconvido
  • - 274º - compatibilidade das formas de processo – nº 3 – forma igual ou forma
  • - Competência substantiva no nº 2 a)
  • O Problema da Compensação
  • A Revelia
  • Introdução, Noção e Finalidade
  • - Finalidade – a composição provisória da acção
  • - Fazer prova sumária do direito ameaçado – 384º/1
  • Pressupostos: os fundamentos da necessidade da composição provisória
  • Providências Especificadas
  • Providências de Garantia
  • Providências de Regulação
  • Providências Antecipatórias
  • Providências Comuns
  • Subsidiariedade
  • Requisitos
  • Finalidades
  • Características
  • Dependência
  • Celeridade
  • Modificação
  • Cumulação
  • Proporcionalidade
  • Eficácia Relativa
  • Substituição Por Caução
  • Garantia e Execução
  • Caducidade
  • Responsabilidade do Requerente
  • - Nos alimentos nunca é exigível a restituição dos alimentos recebidos – 402º
  • Noção e Efeito dos Negócios Processuais
  • Momento
  • Sujeitos
  • Extinção
  • Requisitos de Validade
  • necessário
  • Negócios de Auto-Composição do Litígio Unilaterais
  • Negócios de Auto-Composição Bilaterais – a Transacção
  • Porquê os Negócios Processuais?

Direito Processual Civil II

Prof. Paula Costa e Silva
António Rolo

I – Teoria Geral dos Pressupostos Processuais (Cont.) A Legitimidade Plural
- Por norma, as acções têm uma relação trilateral (autor, réu e juiz). Contudo, algumas têm uma pluralidade de partes, tendo vários autores, réus ou ambos, configurando, assim, legitimidade processual plural activa, passiva ou mista. - As suas principais expressões serão o litisconsórcio e a coligação - Como distingui-los? A doutrina avança dois critérios: - Unidade/Pluralidade das relações materiais controvertidas - Teixeira de Sousa – indiferenciação dos pedidos – há que aferir se se pedem coisas diferentes ou não.

Litisconsórcio1 2 - Teixeira de Sousa – coincide, em princípio, com uma pluralidade de titulares do objecto do processo, sendo, também, uma legitimidade de segundo grau, pois é uma legitimidade que se decompõe entre os dois titulares, não sendo um mero conjunto ou somatório de legitimidades singulares, mas uma realidade com características próprias. - Montalvão Machado e Paulo Pimenta – à unicidade da relação controvertida corresponde uma pluralidade de partes. - Quando se verifica o litisconsórcio, pode suceder uma consumpção de ilegitimidade plural – a verificação de que os litisconsortes, ou qualquer um deles, não são titulares do objecto do processo consome a análise da legitimidade processual. - Ex: demandam-se dois devedores em litisconsórcio, um deles demonstra que não tem nada que ver com o caso e é absolvido do pedido.

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Teixeira de Sousa, Estudos Sobre o Novo Processo Civil, 1ª Edição, Lex, 1997, pp 151-171 Montalvão Machado e Paulo Pimenta, O Novo Processo Civil, 10ª Edição, Almedina, 2008, PP 74-79

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- Quando à sua origem, o litisconsórcio pode ser: - Voluntário ou Facultativo – é permitido e depende da vontade dos interessados, não se verificando qualquer ilegitimidade se não estiverem todos presentes. - Necessário ou Forçoso – é uma imposição e é indispensável para haver legitimidade

Litisconsórcio Voluntário - Montalvão Machado e Paulo Pimenta – diz-se voluntário o litisconsórcio quando a pluralidade das partes resulta da vontade dos interessados, i.e., embora a questão jurídica diga respeito a vários interessados, a presença de todos na acção respectiva só se verifica porque o autor decidiu propor a acção contra todos os interessados, ou porque vários interessados decidiram instaurar a acção. - Paula Costa e Silva – litisconsórcio regra – se peretrido, não se verifica uma falta de pressupostos. - Teixeira de Sousa – opera sempre que exista uma pluralidade de interessados, activos ou passivos, a chamada regra da coincidência – art. 27º/1 - Verifica-se, portanto, por iniciativa da parte ou partes da causa. - Apesar de estar na disponibilidade das partes, a sua constituição não é irrelevante, pois ele traz inúmeras vantagens, sendo a mais importante a extensão subjectiva do caso julgado – aliás, como afirmam Paulo Pimenta e Montalvão Machado, o próprio art. 27º/1 in fine estabelece que a decisão a proferir deverá ficar circunscrita às partes presentes, vinculando apenas essas, evidência explicada por Paula Costa e Silva, por razões de economia processual e de dispositivo. - É o que sucederá, por exemplo, com as obrigações divisíveis – art. 534º CC – que são obrigações plurais cuja prestação é fixada globalmente, competindo, porém, a cada sujeito apenas uma parte do débito ou crédito comum. - Art. 27º/2 – prevê a hipótese de a lei ou negócio permitirem que o direito comum seja exercido por um só ou que a obrigação comum seja exigida de um só dos interessados, bastando a presença de apenas um deles em juízo para assegurar a legitimidade, como é o caso das obrigações solidárias – 512º CC. - Acção de reivindicação por comproprietário – art. 1405º CC - Teixeira de Sousa distingue ainda:

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- Litisconsórcio comum – quando visa estender o âmbito subjectivo do caso julgado. Ex: obrigado solidário – se credor demandar um, assegurará o cumprimento de toda a dívida, mas não poderá opor a dívida aos demais credores solidários – art. 522º CC - Litisconsórcio conveniente – procura assegurar a produção de certos efeitos, que só através do litisconsórcio pode ser alcançados. Ex: obrigação conjunta – sem participação de todos, só pode ser demandada uma quota parte – art. 27º/1, in fine.

Litisconsórcio Necessário - Paulo Pimenta e Montalvão Machado – corresponde a uma pluralidade de partes obrigatória, não dependendo, simplesmente, da vontade dos interessados. - Paula Costa e Silva – se peretrido, gerará ilegitimidade - Teixeira de Sousa – todos os interessados devem demandar ou ser demandados - Para o autor, interessam fundamentalmente dois critérios - o critério de disponibilidade plural/indisponibilidade individual do objecto do processo – art. 28º/1 (que equivalará ao litisconsórcio necessário legal e convencional; e critério da compatibilidade dos efeitos produzidos (equivale ao natural) – critérios esses, orientadores da fundamentação dogmática dos respectivos tipos de litisconsórcio. Doutrina usualmente divide entre litisconsórcio necessário convencional, legal e natural:

Litisconsórcio Convencional - Aquele que é imposto pela estipulação das partes de um negócio jurídico – art. 28º/1 – ou seja, é de admitir que várias pessoas celebrem determinado negócio jurídico e, ao mesmo tempo ou posteriormente, convencionem que devem estar presentes todos os interessados/outorgantes em eventual discussão judicial relativa a esse negócio. - A lei é omissa em relação à forma do documento, mas Montalvão Machado e Paulo Pimenta acham que a mesma deve constar, pelo menos, de documento escrito, ou até forma mais solene, dependendo do objecto do negócio. - Teixeira de Sousa – para determinar o âmbito, há que analisar o regime das obrigações divisíveis e indivisíveis.

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Se houver uma pluralidade de credores – 538º/1 CC dispõe que qualquer um deles pode exigir a prestação. 535º/1 CC .Direito de Preferência com vários titulares – art. devido à antiga redacção do art. 1410º foi modificado e agora usam-se outros argumentos – obrigado à preferência é quem conhece melhor. o litisconsórcio será voluntário porque. que só de todos eles pode ser exigida – art.Se for indivisível (por natureza.art. lei ou convenção). falava-se em litisconsórcio necessário legal. mesmo que só ao último seja pedida a coisa. Contudo.Se obrigação for divisível. usando-se como argumentos a oponibilidade pelo 3º ao alienante e adquirente. Litisconsórcio Necessário Legal . o litisconsórcio necessário convencional só se verifica se for estipulado em relação aos credores.Obrigação solidária indivisível com pluralidade de devedores. que consagram a solução contrária) . 28º/1 .Direito de indemnização por danos não patrimoniais em caso de morte da vítima – art. que falava em ‘citados os réus’. 1410º CC. 2091º CC (não confundir com o art. justifica demanda de ambos. .É imposto por lei. numa obrigação divisível. 1822º/1 CC . 27º/1.Direitos relativos à herança – art. negócio realizado pelo obrigado à 4 . se não estiverem presentes todos os interessados activos ou passivos. 419º/1 CC – litisconsórcio passivo de alienante e adquirente. 496º/2 CC – litisconsórcio de quem?? . 535º/1 CC diz que o cumprimento só pode ser exigido de todos eles. o art.Contudo o art.Paternidade e maternidade . se forem vários os devedores. o tribunal só conhece da quota-parte do interesse ou da responsabilidade dos sujeitos presentes em juízo – art. in fine – assim. . sendo um litisconsórcio necessário legal e.Responsabilidade civil por acidente de viação – litisconsórcio passivo de seguradora e responsável . . por isso. relativamente a uma obrigação indivisível. nomeadamente: . .Deriva da exigência da lei – art..Assim. resultando num litisconsórcio voluntário. 2078º e 2089º. o litisconsórcio só é necessário se as partes estipularem que o cumprimento apenas é exigível por todos os credores ou todos os devedores. não será um litisconsórcio convencional.

Ou bens imóveis próprios ou comuns e estabelecimento comercial. a não ser que casal esteja em separação de bens – art. 1682º/3 b) . o litisconsórcio necessário entre os cônjuges. 28º não impõe que imposição legal venha apenas do direito substantivo. Assim. 2ª Edição.têm de ser propostas por ambos os cônjuges as acções de que possa resultar a perda ou a oneração de bens que só por ambos podem ser alienados ou a perda de direitos que por ambos podem ser exercidos (integração do critério do risco de perda de Antunes Varela. o exercício do direito de preferência é um caso de litisconsórcio necessário legal activo. 1682º-A/1 . ao contrário das aulas teóricas. 28º-A/1 e 2 – litisconsórcio activo .Art. Coimbra Editora. para a Professora. um acto de disposição de bens móveis administrado por ambos – art.Actos de administração extraordinária de bens comuns do casal – art. incluindo a casa de morada de família – ou. a pluralidade será necessária quanto a direitos que apenas possam ser exercidos por ambos ou bens que só possam ser administrados ou alienados pelos dois. daí eu metê-lo aqui nesta posição.Actos de disposição – quando o objecto do processo for. 1985. . pp 174-176 5 . desenvolvido mais à frente). na minha opinião e na opinião dos autores referidos (e não percebi qual a opinião do resto da doutrina) é um litisconsórcio necessário legal. 28º-A/3 – litisconsórcio passivo . o que me parece a melhor opinião visto que. .Quanto ao litisconsórcio activo. por exemplo. 1678º/3 CC (arrendamento de bem comum por mais de 6 anos – art.preferência é que dá origem ao litígio e o desaparecimento de ‘citados os réus’. 1682º/1 . hoje em dia. Manual de Processo Civil.Ou bem móvel utilizado por ambos – art. nos termos do artigo 419. 1024º CC) .Antunes Varela3 – devem ser propostas por ambos os cônjuges as acções de que possa advir a perda ou oneração de bens que só por ambos possam ser alienados ou a perda de direitos que só por ambos possam ser exercidos – eis a definição de 3 Antunes Varela. o art. independentemente de estar num diploma de direito adjectivo e não substantivo.Montalvão Machado e Paulo Pimenta incluem esta modalidade de litisconsórcio no litisconsórcio necessário legal.Art.º/1 do CC Litisconsórcio Necessário Entre Cônjuges . noutra formulação (Montalvão Machado e Paulo Pimenta) . Assim sendo.

. e a sua explicação relativamente ao elemento do risco de perda é esta: . assim como não será necessário o consentimento do cônjuge proprietário para a acção de condenação que o cônjuge administrador instaure com o fim de cobrar o preço da alienação dos frutos da coisa por ele gerida. .o consentimento do outro cônjuge poderia ser configurado como uma procuração (atributiva de poderes representativos). o outro pode ser suprido judicialmente – art. 28ºA/2 e 1425º . reclamando o substituto como assistente. ou de facto 4 5 José Lebre de Freitas.Mas já não será necessário o consentimento do cônjuge não proprietário para a acção de despejo ou para a acção de majoração da renda. não sendo esse o caso dos cônjuge .Teixeira de Sousa – litisconsórcio pode ser substituído pela propositura da acção por um deles com o consentimento do outro – art.Se não houver consentimento. art. Assim. . necessitará do consentimento de ambos os cônjuges a acção de reivindicação do imóvel pertencente a um deles apenas.Será uma situação de substituição processual voluntária – art. Montalvão Machado e Paulo Pimenta e o que me parece ser a opinião de Paula Costa e Silva e uma imposição legal (art.. pp 173 6 .No que toca ao litisconsórcio passivo entre cônjuges. pelo que me parece. .Lebre de Freitas4 afirma que haverá aqui uma representação e não uma substituição processual. visto a acção envolver o risco de perda de uma coisa que só por ambos pode ser alienada. uma restrição do âmbito de aplicação do litisconsórcio voluntário activo a casos de risco de perda. desde que casado em regime de comunhão (de adquiridos ou geral). .Paula Costa e Silva subscreve a tese da substituição processual. visto que nenhuma delas envolve o risco de perda do imóvel ou de direitos que só por ambos possam ser exercidos.. 28º-A/1). psíquica ou jurídica que afecte as faculdades da parte. . Código de Processo Civil Anotado. Manual. posição radicada na afirmação de Antunes Varela5 de que a substituição é reclamada em situações de incapacidade judiciária. 28º-A/1 . têm de ser propostas contra os cônjuges as acções emergentes de facto praticado por ambos os cônjuges. e perfilhando a opinião de Antunes Varela. 28º-A/2 Antunes Varela.O risco de perda que a acção envolve há de medir-se através da possível improcedência do pedido formulado pelo autor. em casos de deficiência física.Antunes Varela.Há aqui. 28º-A/1 . por se tratar de um acto de administração entre os cônjuges.

praticado por um deles, mas em que se pretenda obter decisão susceptível de ser executada sobre bens próprios do outro, mais as situações do art. 28º-A/1, ou seja: - O objecto do processo tiver sido praticado por ambos os cônjuges ou um bem ou direito que só pelos dois possa ser administrado, ou dívida comunicável – art. 28ºA/3 - Dívida de ambos – art. 1691º/1 a) e 1695º (onde diz executados) - Dívidas de um, mas que pelas quais responde todo o património – art. 1691º/1 b), c) e d) - Bens de que ambos podem dispor – art. 1682º/1 e 3, 1682º-A e B - Lebre de Freitas entende que se o autor pretender dar o tratamento das dívidas próprias do autor do acto, executando apenas os seus bens e, subsidiariamente, a meação dos bens comuns, poderá propor a acção só sobre esse cônjuge, sendo aí, um litisconsórcio voluntário, pois aí o credor pode desconhecer os factos (regime de bens, etc.) de que resulta a comunicabilidade da dívida e não ser exigível que os conheça – a tutela do seu interessa leva à voluntariedade do litisconsórcio, enquanto que a consideração do interesse do réu levará a que lhe seja concedida a faculdade de chamar à intervenção principal o seu cônjuge para ser reconhecida a comunicabilidade da dívida e para com ele ser condenado (que romântico). - Contra, Alberto dos Reis afirma que configura uma distorção ao direito substantivo, e Lebre de Freitas responde dizendo que a distorção não constituirá nada de estranho ao nosso sistema jurídico se se configurar o chamamento à intervenção principal do cônjuge não demandado como um ónus do demandado. Parece-me, à luz do art. 28-A/3, o que faz mais sentido, pois, se o autor não quiser demandar o património de ambos os cônjuges, apesar de poder, não se justifica o litisconsórcio necessário. - Assim: - O facto é praticado por um dos cônjuges, a dívida é comunicável e o autor pretende obter decisão susceptível de ser executada sobre os bens próprios do outro (isto é, pretende acção que seja susceptível de ser executada sobre os bens comuns e, subsidiariamente, sobre os bens próprios dos dois cônjuges) - toda a doutrina entende que é um caso de litisconsórcio necessário - O facto é praticado por um dos cônjuges, a dívida é comunicável mas o autor não pretende obter decisão susceptível de ser executada sobre os bens próprios do outro. Divergência doutrinária:

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- Teixeira de Sousa: tem de se seguir o regime imperativo da comunicabilidade de dívidas (1695.º do CC) e, como tal, há litisconsórcio necessário; - Rui Pinto, Lebre de Freitas e Paula Costa e Silva: o autor é o melhor juiz dos seus interesses. Se ele não quer decisão que abranja o outro cônjuge, então não precisa de o demandar. É um caso de litisconsórcio voluntário conveniente. - Pode operar depois da dissolução, declaração de nulidade e anulação do casamento, bastando que actos tenham sido praticados antes da partilha de bens – Teixeira de Sousa

Litisconsórcio Necessário Natural - Art. 28º/2 - aquele que é imposto pela realização do efeito útil moral da decisão. Como concretizar este critério operativo? - Este critério dispõe, basicamente que, se estiverem presentes todas as partes, o litígio poderá estar completamente reduzido, como numa acção de divisão de coisa comum. - Montalvão Machado e Paulo Pimenta – quando a intervenção de todos os interessados se mostre necessária para que a decisão a obter produza o seu efeito útil normal, atenta a natureza da relação jurídica em discussão, sendo que a decisão produz o seu efeito útil normal quando regule definitivamente a situação concreta das partes relativamente ao pedido formulado. - Teixeira de Sousa – repartição dos vários interessados por acções distintas impede composição definitiva entre as partes. - Teixeira de Sousa avança com mais um critério de origem jurisprudencial – evitar soluções contraditórias. Ex: anulação do testamento só tem efeito útil com intervenção de todos os interessados, bem como uma nulidade de negócio jurídico contra vários herdeiros. - O autor fala ainda em duvidosa conjugação com o art. 28/2 in fine, porque, segundo esta, o que releva é que a decisão entre as partes da acção não possa ser afectada por uma outra proferida numa outra causa e não que todos os interessados devam estar em juízo ou que entre eles tenha de verificar-se uma decisão uniforme. Além disso, aparecem uma série de dificuldades práticas, como o suscitamento oficioso de nulidade de acto jurídico – art. 286º - numa acção onde não estão todos os intervenientes presentes, o que cria um dilema, havendo a possibilidade de colocar nas partes ausentes uma disponibilidade de apreciação de uma matéria de conhecimento oficioso.
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- Exemplos de litisconsórcio necessário natural: - Acção de Divisão de Coisa Comum – é obrigatória a presença de todos os comproprietários, atenta a natureza da questão jurídica em causa, pois os interessados não presentes, poderiam, mais tarde, propor uma nova acção para o mesmo fim, cujo desfecho seria passível de modificar a divisão primeiramente operada – a sentença não vincularia os não demandados e não regulava de modo definitivo a questão submetida a apreciação judicial. - Anulação de uma escritura de partilha – exige a intervenção de todos os outorgantes da mesma.

Outras Classificações - Quanto ao reflexo na acção, o litisconsórcio pode ser: - Simples – pluralidade não implica aumento do número de oposições entre as partes – há uma única posição - Recíproco – ex: comproprietário vs. Comproprietário – são ambos titulares do mesmo direito e estão em posições diferentes - Quanto ao conteúdo (dizendo unicamente respeito ao tipo de decisão que o juiz pode emitir), o litisconsórcio pode ser: - Unitário – decisão tem de ser uniforme para todos os litisconsortes – anulação de casamento ou acção de reivindicação em compropriedade (decisão tem se ser uniforme para todos os comproprietários)- Consequência importante: não se pode confessar ou desistir por si só se a decisão tiver que ser uniforme, mas se puderem existir decisões distintas, pode então haver desistência ou transgressão, raciocínio aplicado pela primeira vez pelo STJ em 1999 - Simples – decisão pode ser distinta e não uniforme para cada um dos litisconsortes – não há, necessariamente, uma relação entre o litisconsórcio unitário e o necessário e uma relação entre o litisconsórcio simples e o voluntário. - Quanto à posição das partes, o litisconsórcio pode ser: - Conjunto – todos os litisconsortes activos formulam conjuntamente o pedido contra o demandado ou quando o autor formula o pedido conjuntamente contra todos os litisconsortes demandados. - Subsidiário – objecto da coisa só é apreciada em relação a um litisconsorte activo ou passivo se um outro autor ou réu não for considerado titular do objecto
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A eficácia está limitada ao interesse de cada um na causa. 683º/2 . 197º. .Também no art. 197º b). Aqui estão em causa negócios processuais em que as partes compõem a acção de acordo com a sua vontade e com o seu interesse. mas sim se é simples ou unitário. a desistência e a transacção são livres. .Olhando para o art. O que deve estar em causa não é se o litisconsórcio é voluntário ou necessária. só é possível no litisconsórcio voluntário. 490º . enquanto que no voluntário.º 1 do artigo 298º. 683º . Se for necessário já não pode fazer isto. .Com a falta de citação. 298º.Paula Costa e Silva – o que está em causa é o conteúdo da decisão. não tendo de respeitar critérios de legalidade (determinar quem dos dois tem razão juridicamente) que o juiz tem de respeitar quando profere a decisão de mérito. a confissão.caso de vários vencedores . não se anula o litisconsórcio voluntário. 684º . podemos identificar algumas diferenças de regime entre os dois tipos de litisconsórcio: . 446º-A/2 (o que transigir verá as suas custas reduzidas em 50%). só aproveitam aos outros nos casos do art.Algumas Diferenças de Regime .Não. quanto aos primeiros. 298º/1 . e outro impugna todos. o recurso interposto por uma das partes aproveita aos seus consortes – art. No caso do litisconsórcio necessário só um confessar transgressão não há produção de efeitos com pequenas excepções.Diferença de regime também em relação aos recursos – art. no caso de litisconsórcio voluntário. 197º a) .Se um dos litisconsortes impugna todos os factos menos dois.Juiz pode tomar em consideração os factos confessados por um dos réus para afectar a decisão de mérito? . nomeadamente a nível de custas – art. 10 .no litisconsórcio necessário. limitando-se posteriormente o âmbito do caso julgado – art.se for litisconsórcio voluntário pode por recurso só contra A e B e não contra C. se faltar citação de um dos réus no caso do litisconsórcio necessário. Vide também a parte final do n. 683º/1. anula-se tudo o processado depois das citações – art. podendo o autor requerer que o réu não citado seja citado dentro de um certo prazo – art. os factos estão admitidos por acordo – art.como é óbvio.Negócios jurídicos processuais – art.

28º-A/2 dá a possibilidade de sanação mediante a intervenção principal do cônjuge não presente. porque. obtém a condenação do réu na sua quota-parte da dívida – art.Nas situações de litisconsórcio necessário. 11 . 325º. eu entendo que. 28º/1 in fine – não porque essa parte careça de interesse em demandar ou contradizer.Ex: credor que demanda só um devedor. o litisconsórcio dos cônjuges vai passar a estar no art. quer pelo demandado – art. Seja como for. com prazos do art.Essa ilegitimidade é sanável . mesmo depois do trânsito em julgado do despacho saneador que apreciou a ilegitimidade – art. verifica-se apenas o desaproveitamento de certos benefícios ou vantagens. 495º) que origina absolvição da instância (288º/1 d)) . pelo que deve ter sido uma distracção do legislador. e ainda o art. 27º/1 . o litisconsórcio entre os cônjuges é um litisconsórcio legal. 320º em breve. ex vi art.sendo ela admissível. activa ou passiva. . 323º e efeitos do art. quando fala em ‘litisconsórcio legal’ se possa incluir esse primeiro. 320º a). a ilegitimidade.Excepção dilatória nominada (art. 269º/1 e 2.No litisconsórcio voluntário. 28º mais 28ºA (visto que o artigo 320º não fala em litisconsórcio pelos cônjuges.Nos cônjuges.) Coligação .Remissão para a matéria do objecto plural infra. antes porque esse interesse não pode ser regulado judicialmente sem a presença de todos os interessados. o art. 269º/1 e 325º .No litisconsórcio necessário. conforma-se a ilegitimidade plural da parte desacompanhada – art.Consequências . 328º. 269º/2 . provocada pelo autor até 30 dias depois do trânsito em julgado – art. é sanável mediante a intervenção principal provocada da parte cuja falta gera a ilegitimidade – art. . 494º e)) de conhecimento oficioso (art. no fundo.

Poderes resultam de mandato conferido pelas partes. devido ao maior distanciamento emocional do mandatário judicial com vantagens na obtenção de acordos. . .s na condução da lide em geral ou na prática de certos actos em especial. e actuação do advogado como mediador. 2007. Remédio Marques define patrocínio judiciário como representação técnica e profissional das partes em juízo. pp 323-338 12 . 36º/1 – incluindo o submandato. pp 80-82 8 Paula Costa e Silva. confissão e desistência – art. uma deficiente intervenção processual das partes que possa prejudicar a sua posição substantiva e ainda.‘Profissionais do foro’ significa advogados. 37º/1 . e incluem a transacção. excepcionalmente. 1ª Edição. com fundamento em mandato. por advogados e solicitadore. advogados estagiários e solicitadores . assim. normalmente..O Patrocínio Judiciário6 7 8 Noção . sendo estes os poderes forenses gerais – art. ou. evitando. Coimbra Editora. nomeadamente o auxílio na compreensão do direito adjectivo e subjectivo. 44º/2 . na condução e orientação técnico-jurídica do processo – Remédio Marques .Assim. 6 Remédio Marques.. 37º/2 – por corresponderem aos poderes de auto-determinação da vontade da própria parte. a parte atribui ao mandatário poderes para a representar em todos os actos e termos do processo – art. razões de ordem psicológica.Qual o fundamento da obrigatoriedade do patrocínio judiciário em alguns casos? Razões de ordem técnica. pela Ordem dos Advogados ou juiz – art. o facto do juiz não ser auxiliar das partes.Os poderes forenses especiais têm de ser expressamente atribuídos. a multiplicidade de prazos que as partes desconhecem e o facto do Tribunal ser último recurso para obter uma decisão. pp 252-255 7 Montalvão Machado e Paulo Pimenta.Através desse contrato de mandato.Traduz. o facto do Direito ser um sistema cada vez mais complexo (Deus a falar com Castro Mendes – processo é ‘arte de escribas e fariseus’) que fundamenta a necessidade de protecção de pessoas que não têm aptidão jurídica. o exercício de poderes de representação em tribunal por profissionais do foro. A Acção Declarativa à Luz do Código Revisto. Acto e Processo – a Irrelevância do Dogma da Vontade.. O Novo Processo Civil.

i. dentro de novo prazo.Réu – notificação para suprir irá acompanhada de cominação adequada. 32º ..E quando é obrigatório? Art.Juiz deve mandar notificar a parte e o seu mandatário para.O patrocínio é pressuposto processual quando é obrigatório. . a absolvição do réu da instância – 33º 1ª parte . . tendo de ser verificado no início do processo. . 40º . defesa ficará sem efeito se não suprir – art.e.Perante os tribunais superiores Consequências da Falta de Patrocínio Judiciário Obrigatório . independentemente do valor . notificar a parte faltosa para suprir a falta dentro de certo prazo. em que o valor exceda o recurso ordinário – superior a 5. 678º/2 .O Patrocínio Judiciário como Pressuposto – Quando É Obrigatório .000 € . 33º in fine – o que levará a revelia – art. 33º e 265º/2 – em nome do princípio da oficiosidade. o juiz deve. antes.Art. 13 ..Autor – notificação para suprir irá acompanhada da ‘ameaça’ para a falta de suprimento.Acções de despejo – art.nº1 a) – acções em que seja admitido recurso ordinário.e.absoluta.nº2 b) – acções em que seja sempre admitido recurso.Mandato insuficiente (advogado desistiu) ou irregular (mandato implícito) ou falta de procuração mas existência de mandato – procuração forense não confere poderes: . ser corrigida a falta e ratificado o processado – art. pelo que a procuração forense deve ser junta à petição inicial ou à contestação.Não gera imediatamente as consequências típicas da falta de pressupostos processuais: . 678º/6 . 483º .Acções com jurisprudência contrária à jurisprudência uniformizada – art.mas só o processado com insuficiência. i.nº 1 c) – nos recursos .

Mandatário não é um mero núncio – vontade não é totalmente formada pela parte. as opções processuais acabam por ser do mandatário. 38º não faria sentido se fosse um núncio. conclui Paula Costa e Silva. todos os actos ficam sem efeito. Aliás. dabo tibi ius .Assim.Haverá um caso de falta de mandato.33º) . 14 . 41º . .prazos não continuam a correr até que a parte constitua nova mandatário. para apreciação. o que pode implicar a absolvição da instância do réu ou revelia..E se mandatário tiver sido constituído mas não tiver sido junta a procuração? . . Aliás. . preceitos como o art.prazo para a parte arranjar um novo mandatário . segundo os artigos mencionados.Relação de representação e actos praticados pelo representantes vinculam directamente o cliente (48.parte dá os factos. ratificado pela parte. posteriormente.parte tem que estar impossibilitada. relativamente à parte. as opções estratégicas que podem ser tomadas. mas não indefinidamente (v. 276º .E se mandatário morrer? . 41º/2 Natureza da Relação Mandatário-Parte . advogado dá o direito. estando ainda vinculado a regras deontológicas e ao princípio da legalidade. 284º .Paula Costa e Silva .Existe ainda a figura do patrocínio a título de gestão de negócios – art. A procuração só é relevante quando junta ao processo.da mihi facta.Terá que ser. na maioria das vezes.Se não. . prejuízos para a parte têm de ser objectivamente demonstrados.o advogado tem total liberdade e independência técnica. Até lá é como se não existisse. sob pena do accionamento dos mecanismos do art. nem o art. 33º .º). é uma verdadeira relação de representação. dependendo da posição do mandatário – art. 33º e do pagamento das custas pelo gestor – art. . 459º e 253º . estando vinculado a critérios de legalidade às regras deontológicas da profissão. Mesmo que deva submeter-lhe.Art. mostra-se que o legislador sabe que.

. in fine.Pressuposto serve para retirar dos tribunais os litígios cuja resolução por via judicial não seja indisponível.Pressuposto importante nas acções de simples apreciação: .Também há interesse.Distingue-se da legitimidade. 472º/2 .Condenação in futuram (de prestação futura) quando se pretenda obter o despejo de um prédio no momento em que caducar o contrato de arrendamento – art. pode não gozar de interesse processual na medida em que pode não ter necessidade de propor a acção. embora o autor possa ter interesse directo em demandar e ser o titular da relação material controvertida (tendo legitimidade). pois pode suceder que o autor possa resolver a situação extra-judicialmente.. ela seja contestada pelo futuro réu antes do vencimento – art. que não se traduza num mero capricho do autor. . 662º/1 . pode proceder quando haja uma simples previsão da violação do direito – nas providências cautelares ou condenação em prestações vincendas no quadro de prestações periódicas – art. 1ª Edição.Remédio Marques – o interesse processual consiste na necessidade de usar o processo. A Acção Declarativa à Luz do Código Revisto..Incerteza quanto à afirmação ou negação do direito tem de ser uma incerteza objectiva (brote de factos exteriores) e grave (considerável o prejuízo material ou extrapatrimonial causado pela incerteza). nas obrigações de prestação única.Situação de carência tem de ser real. 472º/1 – a falta levará ao indiferimento – art.O Interesse Processual em Agir9 10 Noção e Problemática .Por vezes. não estando a obrigação vencida. pois. . quando. Coimbra Editora. 381º/1 e 387º/1. 2007. pp 249-252 10 Montalvão Machado e Paulo Pimenta. exprimindo a necessidade ou situação objectiva de carência de tutela judiciária por parte do autor. justificada e razoável.. . 9 Remédio Marques.Paula Costa e Silva – o acesso aos tribunais é livre ou depende de alguma condição? Qual a justificação do acesso aos meios jurisdicionais? . O Novo. pp 82-85 15 . . servindo de freio e prevenindo a dedução percepitada da acção.

na concepção dos últimos autores. pois entende-se que.Nas acções constitutivas e nas de simples apreciação. 446º . pelo que o tribunal deve abster-se de conhecer do mérito da causa ou do objecto do processo. com a questão do pagamento das custas: . sem prejuízo do art. 449º .Listagem não é taxativa. quem deu causa à movimentação do sistema judicial deve sustentá-lo. se se vier a concluir que a obrigação ainda nã ose venceu.’) .A acção declarativa instaurada pelo credor munido de título com manifesta força executiva . . podendo-se interpor recurso de revisão . a falta de interesse em agir gerará a absolvição da instância. 449º/1 é uma cláusula geral (até por estar lá ‘entende-se por. nas palavras de Paula Costa e Silva. . “meios excessivos.. visto que o fundamento do interesse é a de evitar acções inúteis. .Art. o interesse está relacionado.Montalvão Machado e Paulo Pimenta observam que este pressuposto não tem referência expressa na lei. e para Paula Costa e Silva e Montalvão Machado e Paulo Pimenta. recairá sobre o autor o encargo de pagar as custas. penso eu de que). a regra victus victori – quem perde é quem paga as custas.Quanto a acções de condenação. devido ao uso de. desadequados e inúteis” 16 .Dada a sua inutilidade.Para Teixeira de Sousa...Acção Declarativa instaurada pelo autor. salvo se o réu contestar (a não ser que conteste alegando falta de interesse em agir. que já vai ser falado. 510º/1 b) – ou na sentença.Opção pelo processo de declaração quando o autor pode instaurar acção especial . casos de acções tidas como desnecessárias: . 26º/2. 449º/2. a título excepcional. peretrindo a regra victus victori.Assim. 449º contém.Art.Acção de condenação duma obrigação cujo vencimento ocorre apenas com a citação ou depois de proposta a acção. podendo-se incluir alguma situações (usucapiente intenta acção contra proprietário que nunca se opôs) que não cabem à partida nas alíneas do nº 2 do art.o art. o fundamento da necessidade encontra-se na legitimidade – art. no art. deve o juiz absolver o réu do pedido no saneador – art. . .al e) .Paula Costa e Silva – consagra uma responsabilidade objectiva. . 449º.

Só é possível dar razão ao autor se os factos em que ele apoiou a sua pretensão tiverem base numa matéria substancial se só secundariamente é protegida pelo processo. não se aplica o art.E se réu contestar? .Art.Apenas o Professor Teixeira de Sousa defendia que o interesse processual era um pressuposto processual que não era de conhecimento oficioso. num manual que o professor vai publicar em breve. Pressupostos Relativos ao Objecto da Causa11 Considerações Iniciais .Se contestar a falta de interesse. condenação ou constituição/modificação/extinção de uma situação jurídica. não é criativo. . Como a Professora revelou. porque é de interesse público. O Objecto do Processo Civil 17 . 449º .Teixeira de Sousa – objecto é constituído pelo pedido e causa de pedir: Pedido . 510º/1 b) – juiz poderá conhecer logo do mérito da causa no despacho saneador . podendo visar a apreciação da existência/inexistência de um direito ou facto.Tribunal da Relação de Lisboa – excepção dilatória inominada de conhecimento oficioso. é balizada duplamente. . 11 Teixeira de Sousa. .pedido e causa de pedir.O objecto. tanto pela causa de pedir como pelo pedido – é o sistema de limitação dual . ..º do CPC). ele mudou de posição e considera que o interesse é de conhecimento oficioso (495. uma vez que este é adjectivo. a realidade sobre a qual pode recair a actividade judiciária. Se não. ou seja.Forma de tutela jurisdicional que é requerida para uma situação jurídica.A causa de pedir individualiza a pretensão – teoria da substanciação (diferente da do sistema de individualização .objecto é apenas constituído pelo pedido) .Paula Costa e Silva – objecto do processo está dualmente limitado. tudo bem.

originária ou derivada. . situações jurídicas individualizadas por diferentes causas de pedir são sempre situações distintas. 234º/4 – por manifesta improcedência do pedido formulado – art. Assim. composta pelos factos constitutivos da situação jurídica. numa acção real. 234º-A/1 . . o que já veremos com maior detalhe. apenas.Sistema de substanciação está consagrado nos artigos 497º e 498º.É sempre o facto de que origina o direito. . podendo o tribunal corrigir com o jura novit cura (664º). Art. delimita-se a procedibilidade ao conjunto factício limitado. . não podendo pertencer o pedido à ordem moral ou trato social. Só a causa de pedir é objecto de conhecimento pelo tribunal. 18 .Função individualizadora do pedido. justificando despacho liminar – art. da sua legitimidade processual) .O juiz quando vai decidir o pedido está limitado pela causa de pedir.Constituída pelos factos necessários para individualizar a situação jurídica alegada pelo autor. sendo por exemplo. não existindo exaurimento de outras causas de pedir que possam atribuir o mesmo efeito.Mais importante: nos sistema em que o objecto é dualmente delimitado. .Na individualização qualquer causa de pedir é susceptível de ser exaurida em qualquer procedimento. o facto de que resulta a aquisição. Todas as possíveis causas de pedir que concorrem para a produção de qualquer efeito estão integradas naquilo que o tribunal vai ou deve conhecer.Deve ainda referir-se a um efeito jurídico (consequência extraída de uma norma jurídica).Teixeira de Sousa – o pedido deve-se referir à tutela de uma situação jurídica de direito material (autor não pode requerer reconhecimento.. Causa de Pedir .Certeza e identidade do pedido serão analisadas mais à frente em sede de pedidos genéricos e de excepção de litispendência e caso julgado. 498º/4 .Tem de ser uma situação que careça de tutela jurisdicional. que consagram a litispendência e o caso julgado como excepções. a causa de pedir da própria excepção também o limita. da propriedade – v. .

facto jurídico que serve de fundamento à pretensão .Agora.A parte a quem os factos aproveitam e que não corresponde ao convite corre o risco de a decisão de mérito lhe ser desfavorável.º/3.Artigo 264º/1 . . o nº 1 é muito claro – nulidade de todo o processo. Caso contrário. ainda assim esses factos podem vir a resultar "da instrução e discussão da causa”.Paula Costa e Silva (em divergência com Teixeira de Sousa) .Factos complementares ou concretizadores – 508º/3.Art. sendo que o art. já se sabendo do que se trata. se eles não tiverem sido alegados pela parte.. Mas atenção que a possibilidade de o juiz vir a conhecer esses factos não fica precludida com a ausência de resposta ao convite efectuado pelo juiz. Basta atender à letra do 264. factos que integram a causa de pedir.Causa de pedir . .Mas tanto no nº 1 como no nº 3 se fala em factos essenciais. os restantes permitem substanciar a acção. . 264º e 497º estão interligados. . 193º/1 e 2.Art. . porque já é possível discutir alguma coisa com os factos no nº1.cooperação justa e que componha o litígio). 264º/1 são aqueles que imediatamente permitem individualizar a acção.sendo factos essenciais os que permitem individualizar a pretensão.só os factos essenciais à procedência da acção são a causa de pedir. mas não é necessário interpretar estes factos. não se sabendo qual é o fundamento que o leva a pedir. Causa de pedir só está substancialmente preenchida se forem alegados os factos do nº2 e nº3.factos essenciais vs. a) – a integibilidade da causa de pedir permite-nos saber o núcleo duro da pretensão. 264º na sua futura redacção: 19 .As Novas Coordenadas do Processo Civil (com a Revisão do art.factos essenciais à procedência que complementam ou concretizam factos constantes da petição inicial. vejamos o art. na audiência preliminar o juiz ainda pode exortar as partes da audiência a trazerem os factos para um juízo de mérito (266º/1 .Factos que estão no art. . 264º pretende limitar . Factos do 264º/3 só podem ser factos que concorrem para o preenchimento da causa de pedir e para procedência. .. 264º) . a causa de pedir é ininteligível.Nº 3. . desde que respeitam o contraditório e o dispositivos .

mas não eram essenciais. para que haja uma posterior substanciação.Assim: .Lei dizia que complementares e concretizadores eram fundamentais para a procedência. claro). b) já não existe menção à “procedência” e desapareceu qualquer referência à causa de pedir.Legislado tem mera função de individualização.possibilidade do juiz se fundamentar nestes factos depende do princípio dos dispositivo (com contraditório. . .“ Art.O que aconteceu? . desde que sobre eles tenham tido a possibilidade de se pronunciar c) Os factos notórios e aqueles de que o tribunal tem conhecimento por virtude do exercício das suas funções” .nº 1 actual não tem essenciais . . .Paula Costa e Silva . são ainda considerados pelo juiz: a) Os factos instrumentais que resultem da instrução da causa b) Os factos que sejam complemento ou concretização de factos essenciais que as partes hajam alegado e resultem da instrução da causa. 264º 1 – Às partes cabe alegar os factos essenciais que constituem a causa de pedir e aqueles em que se baseiam as excepções invocadas.Tudo está ordenado para a obtenção de uma decisão de mérito e como tal tudo está ordenado para a defesa de direitos subjectivos que possam ser provados.nova alínea b) só dá para os instrumentais . não obstante a procedência depender da substanciação.nº 3 actual tem complementares + concretizadores que são ordenados ainda à procedência .Legislador mudou os princípios a que se submete o processo em Portugal . 20 . 2 – Além dos factos articulados pelas partes. .Na futura al. Aqueles que têm que estar na causa de pedir são os que têm que individualizar a acção.Lei passa a consagrar como causa de pedir apenas factos essenciais e não apenas os essenciais à procedência.

Juiz limitado pelo dispositivo irá ter menores capacidades de obter um verdadeiro juízo de mérito. 193º 12 Montalvão Machado e Paulo Pimenta. temos uma causa de pedir bastante para obter uma decisão. sendo o limite máximo o número 3. . sendo o limite mínimo o réu não perceber o que se está a discutir (actual 193/1 e 2.Se forem essenciais continuam submetidos à alegação (nº 1).. porque nem todos os factos são aproveitados para a decisão. Exemplo: .Porquê é que vai passar a ser assim? Código teria uma solução extrema no nº 3 do 264º. com mérito – art.Causa de pedir para ser bastante.Marido bate na mulher. basta que individualize.Lebre de Freitas fala em individualização mitigada. . se assim for. . Era extrema. mas não como considerado no n. mas há uma concretização (qualificação) que põe em causa a vida comum e que vai orientar e individualizar o processo para uma decisão. Tem que continuar a haver contraditório (projecto al. nº2. . . Mulher pode gostar que lhe bata.Esta alteração vai implicar alteração das coordenadas de como se via o objecto do processo. .Decisão resulta de todos os factos que podem ser considerados. mas que não individualizem. a)). Se juiz os pode considerar oficiosamente abandonou-se zona em que vigorava o princípio do dispositivo. b)).-Porquê? Desde que o réu saiba aquilo que está a ser discutido. 266º . b) do futuro art. tem é de dizer que compromete vida em comum para poder pedir divórcio. 264º podem estar factos essenciais à procedência. na al.Sistema caminha para substanciação mitigada (Teixeira de Sousa) . O Novo..Dispositivo justifica-se no nº 1. 2. porque lei impôs ao juiz uma decisão breve.. Aptidão da Petição Inicial12 A Aptidão da Petição Inicial nos Termos do Art.º 3 do 264. O princípio do dispositivo não é sagrado e os meios de justiça são escassos. pp 104 ss 21 . porque era relativamente formalista.º. passa-se a individualizar.

.Contradição com causa de pedir e pedido ou entre causas de pedir incompatíveis . apesar de ser praxe processual – art.Cumulação de pedidos substancialmente incompatíveis .Um dos mais importantes pressupostos relativos ao objecto do processo é a aptidão da petição inicial – art. 467º/1 c – é preciso indicar a forma de processo – art. 199º estabelece forma de sanação. 467º . 193º/2: . nomeadamente a estabelecida no art. a petição inicial deve observar determinados requisitos.Quando falte a indicação da causa de pedir – relato concreto e específico de factos que fundamentem o pedido . o art. .São vícios tão graves que geram nulidade de todo o processo – art. 193º/1 A Recusa da Petição Inicial nos Termos do art. 474º e).Art.Para que servem os pressupostos do objecto? Servem para individualizar o processo de forma a melhor decidir.Art. Contudo. essa excepção poderá não proceder se valor da causa estiver implicitamente indicado – pode ser sanado com o art. 152º/7 – junção dos duplicados e cópias dos documentos O Objecto na Petição Inicial e o Objecto Plural .Quando falte a indicação do pedido – o tribunal só conhece daquilo que se lhe pede – art. 267º/1 . se tiver havido apoio judiciário ou se autor se inserir em algumas das insenções especiais subjectivas previstas no Código das Custas Judiciais. 467º/3 – junção de documento comprovativo do pagamento da taxa de justiça – art. 474º d) – recusa da petição inicial. Caso contrário. será considerada inepta – art. 22 .Art. se for petição electrónica.Art. 474º f) – tem excepções.Pedido ou causa de pedir ininteligível . Porém.Para ser considerada apta. 150º-A. 467º e 474º .Não é preciso indicar o tipo de acção. . 467º/1 f) – indicação do valor da causa – art. 661º . 476º .

permitindo assegurar a melhor decisão num menor espaço de tempo.Pedidos Alternativos – “A ou B” – 468º .Ele implica que efeitos dos pedidos possam realizar-se em conjunto 23 .Quanto mais complexo for o objecto. Há ordem substantiva na provocação dos efeitos. diferentemente relacionados: . 193º/2. mais dificuldades há em saber quem tem razão em tempo útil – assim. se não – art.Partindo do último ponto do art.Este objecto plural tem limitações de duas ordens: . . 469º .Paula Costa e Silva .Ex: Contrato será anulado e se proceder a anulidade e réu será condenado a entregar aquilo que lhe foi entregue.Cumulação Simples – “A e B” – 470º .No que toca à compatibilidade substantiva.Art. Primeiro pede-se a anulabilidade do contrato e depois o ressarcimento pelos pagamentos efectuados.Cumulação subsidiária própria – art.Os pressupostos estão ordenados a garantir a manutenção da eficácia da instrução e julgamento de uma causa que por sua vez estão ordenadas à obtenção de uma decisão em prazo razoável. estabelece-se a possibilidade de existirem vários objectos. 193º/2 c). então B” .. 289º/1 CC. passando por um crivo de admissibilidade.Nos arts.Deontológica – compatibilidade substancial . certo e limitado. tendo sempre como referência o direito substantivo e tendo em atenção os efeitos do pedido. . .Cumulação subsidiária imprópria – “se A. então B” .“se não A. que já vimos. 468º ss. chegamos ao problemática do objecto plural .Objecto tem que ser uno.Este critério só se usa na cumulação de pedidos simples e na subsidiária imprópria . . . temos o art. objecto tem de ser certo e determinado e limitado.Ontológica – compatibilidade formal . 193º/2 + 193º/1 + 494º b) + 495º + 493º/2 + 288º/1 a) .

não sai frustrada. por exemplo. ou seja. onde há mais que um objecto e quer-se que sejam instruídos todos da mesma forma. Assim. in fine. os arts. 30º são bons. o valor da causa corresponderá à soma de todos os diferentes pedidos da acção. são compatíveis. 306º/3 24 . são ambos semelhantes (mas não idênticos). 31º-A . factores de conexão. . cumular pedidos quando um seja sumário e outro sumarissímo. 31º e não o art. 469º ss remetem-nos para o regime da coligação (só os obstáculos à coligação. tanto a professora como a jurisprudência.Existem requisitos de compatibilidade substantiva em regime de cumulação e cumulação subsidiária imprópria. 30º) sendo o requisito de admissibilidade a compatibilidade de competência do tribunal e a compatibilidade das formas de processo.Para contornar o problema.Não pode exercer função jurisdicional para pedido subsidiário se não houver improcedência de pedido principal. pode-se.Paula Costa e Silva – identidade e compatibilidade são coisas diferentes .Assim. podem ser compatíveis? Só se tramitação for manifestamente decalcada do processo comum ordinário. .Se o autor quer a respectiva produção de efeitos. 470º tem mais um requisito – deve assegurar-se que haja razão para que objectos estejam interligados. tendo cada um deles uma forma de processo diferente. se um objecto plural implicar processo declarativo comum ordinário e sumário. considerando que os do art. então os pedidos têm que ser materialmente compatíveis. haverá uma excepção dilatória inominada de conhecimento oficioso.E as formas especiais. Mas Paula Costa e Silva diz que nada indica isso. portanto. 306º/2. evitando-se uma aplicação rigidamente formal do art. Ou seja.Teixeira de Sousa – art. só mesmo o art. visto que têm todos base no processo ordinário . . 31º/1.. usam o art.Existe um paradigma processual – o processo ordinário – de onde se decalcam os demais tipos de processo comum. o critério está no art. 31º/4. Não se podem arguir dois direitos incompatíveis. . a economia processual. No caso de pedidos subsidiários e alternativos.Se houver cumulação de vários pedidos na mesma acção. para produção simultânea de efeitos. . princípio que serve de base à possibilidade de pluralidade de objectos. sanada pelo art.Se não se verificar. . .No que toca à compatibilidade formal. . sendo que sumário mais sumaríssimo pode dar ordinário – art.

Autor não pode abusar.ou mediante processo de inventário – art. 661º/2 – podendo ser a liquidação realizada em incidente de liquidação – art. não é um pedido genérico nos termos do art. 471º. justifica-se uma compressão do contraditório.Fora das hipóteses do art.Pedido Não Certo ou Genérico . sendo que. sob pena de modificar o exercício do contraditório por parte do réu. poIs quanto mais simples for a forma de processo. embora corresponda a uma obrigação genérica.Não se deve confundir com uma obrigação genérica – um pedido de entrega de 1000 litros de vinho.A justificação é a seguinte: nas situações do art. 265º-A – princípio da adequação formal – é a resposta do sistema a possíveis abusos. 569º CC – confere uma faculdade ao autor para não indicar valor certo do pedido. . .Se pedido for. pela sua indeterminação. podendo-se verificar uma de duas situações: . mas necessitar de concretização ou individualização.Art. 1326º . o que pode fundamentar o indeferimento liminar da petição inicial – art. absolvendo-se o réu da instância. o pedido genérico não é admissível. 234º . Pedidos Cujos Efeitos Se Repercutem No Futuro 25 . . 471º regula a sua admissibilidade. 378º . ininteligível. sendo suprível se autor concretizar pedido. 471º. . 471º. há uma excepção dilatória inominada. o facto do réu não saber em concreto do quê que se está a defender enfraquece o seu contraditório.Se não for verificado pedido genérico de acordo com o art.Se pedido for inteligível. Além disso. e o tribunal pode convidar o autor a concretizar ou individualizar o pedido – art. a petição inicial é deficiente. 193º/2 a). . 471º . para depois se liquidar em sentença – art. para assegurar o direito à acção por parte do autor.Art.Base substantiva – art. 508º/1 b) por analogia. verifica-se ineptidão da petição inicial – art. menos garantia de contraditório existem. o direito reconhece a dificuldade do autor em formular um pedido concreto.

Art.A que casos substantivos se aplica o art.Art. 472º mais 671º (sentença que se prolonga no tempo) mais 781º CC – pode-se condenar para o futuro. 781º CC – perda de benefício do prazo e vencimento automático da obrigação (diferente da venda a prestações) .é para direitos cujas obrigações ainda não estão vencidas – Castro Mendes obrigações exigíveis mais não vencidas. 829º-A CC – apesar da falta de previsão legal específica. a parte. . que existe é que é a termo. autor vai ter que articular com art. 472º . no âmbito de uma venda a prestações. a acção de condenação in futuram é admissível sempre que a falta de título executivo no momento do vencimento da prestação possa causar grave prejuízo ao credor – art.para ter interesse em agir.Ratio – falta a x prestações e presume-se incumpridor .Teixeira de Sousa ainda fala da possibilidade de se usar para obter a condenação a sanção pecuniária compulsória prevista no art. infere-se na necessidade de permitir a imposição judicial da sanção compulsória – 273º/4 . conjuntamente com a condenação relativa às prestações já vencidas mas não cumpridas. Teixeira de Sousa – configuração correcta do direito como prestação vincenda.Assim. perdendo o benefício do prazo porque não pagou na altura certa – é um título executivo com trato sucessivo. 472º? (já que direito substantivo é sempre ponto de partida) . 662º/1 e 2 a) .O art. 497º a 499º . .Art. vindo a verificar-se que está incorrecto nem vencido. .pressupõe a repetição de uma causa 26 . constituíndo uma excepção dilatória conducente à absolvição do réu da instância – arts.Arts. pode haver falta de interesse. 472º para condenações in futuram. . pretende obter a condenação do comprador nas prestações vincendas.Credor pode extra-judicialmente intrepelar devedor para pagar todas as prestações que se venceram com o incumprimento.Se não se verificarem os pressupostos do art. 493º/2 e 288º/1 e) Não Verificação da Litispendência e do Caso Julgado . 472º/1 aplica-se quando. 472º/2 . ..2º .1º é para direitos ainda não existentes e sujeitos a condenação – Castro Mendes concorda e Teixeira de Sousa diz que não é condicional.

A Acção Declarativa.Litispendência – art..Identidade dos pedidos – afere-se pela circunstância de em ambas as acções se pretender obter o mesmo efeito jurídico – art. existe ainda pluralidade de relações materiais controvertidas. .causa repetente é aquela pela qual o réu tenha sido posteriormente citado. deve-se abster de conhecer o mérito da causa. se verificar. pp 403-405 Montalvão Machado e Paulo Pimenta. como já se viu. . 497º/1. O Novo Processo Civil. ao pedido e à causa de pedir – art. aguardando a decisão da a cção relativa ao objecto prejudicial Coligação13 14 Introdução . 13 14 Remédio Marques. 498º/3 .Remédio Marques – a coligação é uma modalidade de pluralidade de partes onde. pp 79-80 27 . há caso julgado – art.Qual a ratio? Evitar que tribunal reproduza ou contradiga decisão anterior – art. . 497º/2 – juiz.Se duas causas estão simultaneamente perante o tribunal. 499º .Identidade da causa de pedir – pretensões deduzidas em ambas as acções derivam de mesmo facto – art.. há litispendência.. 279º/1 – tribunal no qual foi instaurada a acção dependente pode ordenar a suspensão da instância..Se uma causa é proposta depois da anterior ter sido decidida. ainda aí podemos ter litispendência ou caso julgado. do ponto de vista da sua qualidade jurídica e não física – art.Objectos em relação de prejudicialidade – art. .Identidade dos sujeitos – partes sejam as mesmas. 498º/4 .Teixeira de Sousa – a relação de consumpção justifica a arguição da excepção de litispendência ou do caso julgado .Caso julgado – repetente é depois de trânsito em julgado.Montalvão Machado e Paulo Pimenta e Alberto dos Reis – se tiver havido sucessão no direito ou na obrigação. 498º/1 . . 498º/2 .Causa é repetida quando ela é proposta idêntica a outra quanto aos sujeitos. . além da pluralidade de partes.

. 29º LCCG . ver art. Causa de pedir seria diferente porque contrato seria análogo.nº 1 . Meo.um dos pedidos só procede se o principal for avante. quanto a uns. 27º/2.Rui Pinto diz que o legislador quis enquadrar situções de prejudicialidade imprópria. apesar de serem diferentes causas de pedir – art. mas com outro fundamento. A intenta acção de resolução de arrendamento com um fundamento e B também. (Zon. 30º/2 – por ex: intenta-se acção contra Carris por causa dos passes de metro.) Nesses casos. procedência dos pedidos dependa essencialmente da apreciação dos mesmos factos. Acção de reivindicação quando o A é proprietário e este só o será se for julgada procedente o pedido de declaração de nulidade. por ex: A tinha celebrado contrato de compra e venda de um quadro com E.Distingue-se do litisconsórcio .por serem pedidos distintos ou diferenciados . 30º/3 28 .p ex. ou quando vários trabalhadores exijam uma indemnização pelo mesmo facto. . quem costuma fazê-lo são associações como a DECO. quando um réu é demandado como devedor de uma obrigação fundamental e outro como devedor da relação cambiária como avalista.e.Cláusulas contratuais análogas em relação aos contratos celebrados com distribuidoras de serviços de multimédia. relação de prejudicialidade e dependência. etc. . 26º-A. Como E já tinha entregue um quadro a F vem também pedir a entrega deste a A. pois estão a defender interesses difusos. . que têm legitimidade nos termos do art.identidade da mesma causa de pedir.Quando os pedidos formulados contra os diversos réus se fundem na invocação da obrigação cartular.Pode haver ainda coligação quando os pedidos se refiram a cláusulas contratuais análogas. Dá exemplo de A e B coproprietários e arrendaram a C..conexão objectiva para haver coligação . i.Se estiver em jogo questão ligada às cláusulas contratuais gerais. .Pode haver coligação quando os pedidos estiverem numa relação de dependência ou prejudicialidade . e da respectiva relação subjacente. da interpretação e aplicação das mesmas regras de direito ou de cláusulas contratuais perfeitamente análogas. tendo como fundamento contratos diferentes ..Pressuposto do artigo 30º . quanto a outros – art. com fundamento na economia processual.Pode haver coligação quando haja identidade de pedidos e seja a mesma e única a causa de pedir que sustenta os diferentes pedidos formulados . por exemplo. Vem pedir a declaração de nulidade..

e acção não for deduzida contra ou por todos os titulares das distintas relações materialmente controvertidas. em 29 .Quanto às consequências da coligação ilegal. devendo. 31º-A/1. e que não haja uma manifesta incompatibilidade – art. a acção prosseguirá para apreciação do pedido formulado pelo autor que manifeste vontade nesse sentido. competente em razão da matéria e da hierarquia para apreciar os diferentes pedidos – art. se os outros não declararem também pretender a apreciação daqueles que tiverem deduzido. atentar ao art. serão todos notificados para. se estes últimos declararem essa apreciação. que estabelece critérios para saber onde se julga a acção no caso de pluralidade de réus. por exemplo. indicar qual o pedido ou os pedidos que pretende ver apreciado no processo. sob cominação de o réu ou réus serem absolvidos da instância quanto a todos os pedidos – art. 87º. o juiz não deve logo absolvê-los da instância. no prazo fixado. o réu será absolvido da instância quanto a todos os pedidos. desde que a apreciação conjunta seja indispensável ou conveniente para a justa composição do litígio. esclarecerem quais os pedidos que pretendem ver apreciados no processo.Se falta respeitar aos autores. mediante acordo. pode acontecer uma de duas coisas: . e de o tribunal ser internacionalmente competente. notificar o autor para. . a coligação for necessária por motivo da natureza das distintas relações materiais controvertidas. excepcionalmente.Se falta respeitar aos réus. 31º/1. o juiz pode excepcionalmente autorizar a coligação. Isso acontecerá. sim.A admissibilidade da coligação depende da circunstância de aos vários pedidos corresponder a mesma forma de processo (excepto se essa diversidade respeitar apenas ao valor).Se. Na sua falta. no que toca os processos especiais.Admissibilidade Formal da Coligação .Quanto à competência. deverá promover-se a sua intervenção principal (320º-B). Coligação Ilegal . pois.Como já sabemos da matéria dos objectos plurais. Coligação Necessária e Pluralidade Subjectiva Subsidiária . 288º/1 e) e 265º/2 . 31º/2 .

.Teixeira de Sousa: .Se for operante – 484º/1 e 485º a contrario) consideram-se confirmados os factos articulados pelo autor – art. devendo-se também demandar o segurado ou pessoa a quem o facto danoso é imputável. não se considerando confessados os factos alegados pelo autor – dispensa selecção de matéria de facto e audiência preliminar – art. 486º/2 e 487º . no fundo. porque ele foi oral – art. A Acção Declarativa Comum.Não Oposição .acções de indemnização por acidente de viação em que se invoque responsabilidade pelo risco e se demande a seguradora com base numa apólice que não cobre o montante do prejuízo sofrido. Estudos Sobre o Novo Processo Civil. pp 282-298 Lebre de Freitas. . A Contestação15 16 .Podem ainda haver casos de pluralidade subjectiva subsidiária.Revelia (v.Resposta do réu à petição inicial. Por exemplo.. 484º e 485º . não se saber se foi administrador da sociedade ou sociededade que fez contrato. 31º-B. 659º/3) e antecipa a fase da sentença – 484º/2 se for de manifesta simplifidade – nº 3 .Se for inoperante.Contestação em sentido material – qualquer acto praticado pelo réu no qual ele mostre a sua opinião ao autor e ao pedido formulado – tanto na apresentação de um articulado como na prática de um acto (juntar recibo comprovativo do pagamento) – art. sendo. . a manifestação da posição do réu perante o articulado dos autos . 508º-A/1 e) e 508º-B/1 a) e que a audiência final decorre perante um tribunal singular 15 16 Teixeira de Sousa. 484º/1 in fine – tribunal considera-os factos não controvertidos (art. pp 73-107 30 . como consagrado nos arts.. não há consequências quanto ao julgamento da causa.Réu pode tomar duas atittudes perante a petição inicial: .Contestação em sentido formal – articulado de resposta do réu à petição inicial. 488º a 489º/1 – contém em regra uma contestação em sentido material. Infra) – art. no caso de dúvida fundamentada sobre sujeito da relação material controvertida.

Separada. 293º/1 . 501º . 252º-A . prazo é diferente – art.. podendo consistir em defesa por impugnação dos factos articulados pelo autor ou na invocação de excepções dilatórias ou peremptórias – art. .Juntamente com a contestação ou independentemente dela. . 486º/5 – não suspende prazo em curso – art.A contestação do réu marca a sua oposição relativamente ao pedido do autor. 352º-361º CC e 552º-567º CPC . 486º/1 . 236º/2 e 240º/2 e 3 – ou se réu tiver sido citado de continente para Região Autónoma ou para o estrangeiro – art.30 dias a contar a sua citação – art.Mais uma dilação de 5 dias se a citação não tiver sido realizada na pessoa do réu – art. do pedido por excepção peremptória).Esse artigo exige dedução em separado das excepções e tal? 31 .Prazo pode ser prorrogado se tal prorrogação for concedida pelo MP. etc. 488º . 486º/6 Conteúdo Formal .Confissão do pedido – art.Teixeira de Sousa. 486º/2 – beneficiam todos os prazo que termine em último lugar.cabeçalho (réu identifica a acção). – 486º/4 – não podendo ela exceder 30 dias – art. 501º/1 e 2 Prazo . formulado o pedido e indicado o valor – art.Se houver uma pluralidade de réus. 487º . podendo contestar até esse limite .Confissão dos factos – art. quando careça de informação que não possa obter. narração (exposição de factos e tomadas de posição) e conclusão (réu remate dizendo dever ser absolvido da instância por excepção dilatória.escolha de modalidade de defesa depende da posição que o réu pretende assumir – se só negar ou se contriar os factos articulados pelo autor ou ainda alegar factos que obstem ao conhecimento da acção.Articulado de contestação apresenta o mesmo conteúdo formal da petição inicial – art. havendo ainda indicações complementares. o réu pode formular um pedido reconvencional contra o autor – art.

no prazo da sua apresentação – art. 489º/1 – ou. Além disso.Excepções: .É uma das desigualdades estruturais entre o autor e o réu .Ónus de impugnação – não pode ser mais exigente que ónus de alegação do autor. 474º.Inobservância de regras do 488º.Teixeira de Sousa – sim. 110º/4 e 123º/1 Conteúdo Material .Quando a lei expressamente o indique – art. pelo que o réu só deve impugnar ..De facto – contradição pelo réu dos factos articulados na petição inicial – art. nos termos do art. 489º/1. in fine – defesa separada – aquela que pode ou deve ser deduzida fora da contestação – ex: 128º . 1ª parte . se réu fizer de propósito – litigância de má fé – art. 487º/1 . 475º e 476º.Art.A contestação pode revestir as modalidades de defesa por impugnação e por excepção – art. nulidade da decisão – art. Se o forem. 474º por analogia. 487º/2.Factos novos invocados pelo réu – este ónus de alegação vale para o réu como para o autor – factos principais relativos à excepção – art. melhor.Impugnação pode ser directa ou de facto e indirecta ou de direito . 486º/1 – sob pena dos factos não serem considerados. 264º/1 . 506º/2 . como tudo o presente nos arts.Art. 668º/1 d). . fundamentam recusa de recebimento? . 102º/2.De direito – afirma que factos alegados pelo autor não podem produzir efeitos pretendidos pelo autor 32 .Alegação de Factos Supervenientes – art.A contestação em sentido material está submetida a uma regra de concentração/preclusão – toda a defesa deve ser deduzida na contestação – art. 489º/2 – defesa diferida – pode/deve ser apresentada depois prazo. Três situações: . 456º/2 A Concentração .

coligação ilegal de autores ou réus. a litispendência. . insuficiência ou irregularidade da procuração. in fine Defesa Por Impugnação .falta de pressuposto processual – excepção dilatória – art. falta de constituição de advogado. 490º/2 . falta de autorização ou deliberação que autor devesse obter. 493º/2 – incompetência tribunal. daí levar à absolvição do pedido e não da instância – art.1º . importem a improcedência total ou parcial do pedido – art. 493º/3 – funda-se no direito substantivo e não processual.Esse quantum exige a exposição pelo réu dos motivos da sua oposição ao autor e das razões da controvérsia entre as partes . falta. 664º 1ª parte – e tribunal deve controlar efeitos pretendidos .Invocação de factos que obstam à apreciação do mérito da acção ou que. mas acabam por sê-lo com a impugnação dos factos principais 33 .Teixeira de Sousa – ponto sensível prende-se com o quantum da impugnação. pluralidade ilegal. falta de personalidade ou capacidade judiciária do autor ou réu. peretrição tribunal arbitral .Atenção que matéria de Direito é de conhecimento oficioso – art. caso julgado. com a sua suficiência . 487º/2 2ª parte ..Factos instrumentais não têm de ser impugnados. modificativa ou extintiva do direito invocado pelo autor.excepção peremptória alegações de um facto impeditivo. i.Basta ao réu apresentar uma versão contraposta à do autor – art. 490º/1 – caso contrário.Impugnação directa deve abranger os factos principais articulados pelo autor na petição inicial – art.2º . consideram-se admitidos por acordo os factos que não forem contestados.e. 487º/2.Distinção das excepções peremptórias – nelas o réu limita-se a negar efeito. Defesa Por Excepção . ilegitimidade do autor ou do réu. e na impugnação réu opõe a esse efeito alegações de um facto impeditivo. modificativo ou extintivo de um direito – art. servindo de causa impeditiva. modificativo ou extintivo.. nulidade de todo o processo.

Só é exigível que o réu tome posição sobre os factos que conheça ou deva conhecer segundo as regras da experiência comum ou em cumprimento de um dever de informação .O ónus de impugnação é especificado ou expresso? Art. i. se não. sob pena de violar dever de veracidade.Art. mas a sua impugnação torna-se desnecessária ou supérfula .STJ – análise casuística – critério de juízo de proporcionalidade com a complexidade da causa . . 490º .Se réu não tem o dever de conhecer o facto – conduta de 3º .. desde a reforma. 490º/2 in fine – facto não é expressamente impugnado. 544º/2 . que obrigava o réu a tomar posição sobre cada ponto. desvirtuando-a. como a causa de pedir. de nada lhe serve afirmar que não o conhece – art.Se impugnar facto de conduzir carro do acidente.Concluíndo. que a impugnação fosse feita especificadamente. pois ninguém pode negar a veracidade de algo que não conheça – art.É indirecta quando o réu. Deixou de ser ónus de impugnação especificada. 490º/3 – sendo equivalente à admissão .É directa quando réu nege directa e frontalmente os factos .não tá lá – admite-se contestação genérica por negação.Lebre de Freitas – deixou de ser exigido.e. confessando ou admitindo parte dos factos alegados. não é preciso impugnar outros factos relativos à responsabilidade 34 . eles são irrelevantes.. 490º/4 – certas entidades . . consideram-se os instrumentos a ele respeitantes e. facto por facto. .Se réu não o pode ignorar. se facto principal por impugnado.ele não pode impugnar. .VER CONTESTAÇÃO CONTRADITÓRIA – ART. 456º/2 b) .Art. afirma factos cuja existência é incompatível com a realidade de outros alegados pelo autor no âmbito de uma mesma causa de pedir. 31º-A ANALOGIA O Ónus de Impugnação . pelo autor.Só há ónus de impugnação de factos instrumentais para se impgunar prova – art.

Teixeira de Sousa – inaceitável – inversão do ónus da prova da excepção peremptória no art. 360º CCiv – apesar de poder provar a sua inexactidão . que não admitem confissão. por exemplo. 360º CCiv – teria como consequência que incumberia que autor provasse inexistência da excepção .contestação torna litigioso o direito afirmado em juízo. 490º/2 e 352º CCiv .1º . 490º/2 (que só podem ser provados por documento escrito.Não se aplica indivisibilidade – autor continua a ter que provar factos constitutivos do seu direito e réu os factos impeditivos.Notificação – art.réplica – 502º . o que vale para. 492º 35 ..ou venda – 876º .2º . 342º/2 CC . que remete para o 354º CC) ou do art.Complexa – réu confessa mas invoca factos impeditivos.Impossibilidade jurídica – se não for admissível confissão – art.Qualificada – réu confessa facto mas fornece-lhe um diferente enquadramento jurídico – ‘recebi o dinheiro. modificativos ou extintivos Efeitos . mas afirma que já a restituiu .Processuais e substantivos . Excepto nos casos do art. Ex: réu aceita ter recebido quantia emprestada. modificativos ou extintivos do efeito pretendido.Não impugnando um facto.Indivisibilidade – art. 490º/4 Confissão Qualificada e Complexa . ele considera-se admitido. mas foi uma doação e não um mútuo’ . efeito cominatório semelhante àquele que se verifica na revelia – a fictia confessio. a proibição da cessão do direito – 579º . 358º/1 – tem de aceitar tudo como verdadeiro – art.Impugnação indirecta – autor que se queira aproveitar da prova dela resultante – art.

a réplica destina-se a possibilitar a impugnação pelo autor da excepção invocada pelo réu ou alegação de uma contra-excepção . a réplica consisten a contestação de uma excepção oposta pelo réu ou na dedução de uma excepção contra o pedido reconvencional formulado pelo réu – art. 502º/1 e 2 .Num sentido material. 3º-A – e do contraditório – art.A réplica é admissível sempre que o réu deduza alguma excepção ou formule um pedido reconvencional – art. modificativos ou extintivos oponíveis a esse pedido – art. 490º/2. por impugnação ou por excepção – art. . a réplica serve para o autor impugnar os factos constitutivos que o réu tenha alegado como fundamento do seu pedido reconvencional de apreciação da situação jurídica e para ele próprio excepcionar os factos impeditivos.Nas acções de simples apreciação negativa. a admissão por acordo dos factos não impugnados – art.Esta admissão não se verifica nas situações previstas no art.Num sentido formal a réplica é um articulado que o autor apresenta em resposta à contestação do réu . 502º/2 Conteúdo Material .A réplica é a resposta do autor à contestação do réu . a réplica em sentido formal sê-lo-á também em sentido material. devendo-se considerar impugnados os factos alegados pelo réu que forem incompatíveis com aqueles que constarem de qualquer desses articulados do autor.No segundo caso. 36 . havendo que se conjugar o conteúdo da réplica com o da petição inicial. 3º/1 a 3 . . 505º.Réplica .A justificação da réplica encontra-se no princípio da igualdade das partes – art. 487º/1 – do pedido reconvencional .No primeiro caso. em regra.Teixeira de Sousa: pode ser entendida num sentido formal ou material: . 502º/1: . a réplica permite a apresentação pelo autor de qualquer contestação.Se o articulado referido na primeira hipótese contiver aquela impugnação ou dedução daquela excepção.A falta da réplica ou a não impugnação dos factos novos alegados pelo réu implica.

476º 37 . se operante. se o autor não tiver fundamento para a a apresentar – se não preencher 502º/1 CC – não pode justificá-la com a alteração do pedido ou causa de pedir Prazo . a falta de réplica implica a revelia do reconvindo quanto a esse pedido – art. 475º/1 – e agravar do despacho que a confirme – art.Acessoriamente a estas funções. in fine. nesses casos. . pelo que. 504º Rejeição . 502º/3.A réplica pode ser rejeitada pela secretaria sempre que se verifique um dos vícios formais que justifica a recusa da petição inicial – art.Se acção for de simples apreciação negativa ou o réu tiver deduzido um pedido reconvencional. esteja impedido ou tenha dificuldade em apresentar o seu articulado – art.Semelhantemente ao estabelecido para a recusa deste articulado.Se o réu tiver formulado um pedido reconvencional.Alargamento do prazo justifica-se pela circusntância de a réplica assumir. a réplica pode ser utilizada para o autor alterar unilateralmente o pedido ou a causa de pedir – art. 502º/3. 474º . esse prazo é de 3 dias – art. . em benefício do MP ou do autor que. 484º/1 . Caso a recusa seja mantida. determina a confissão dos factos articulados pelo réu como fundamento do seu pedido reconvencional – art. 484º/1 – que. A dependência desta função acessória perante as funções essenciais da réplica determina que aquela alteraçã osó pode ser realizada quando esse articulado for admissível nos termos gerais.A réplica deve ser apresentada dentro de 15 dias a contar da notificação da contestação – art.Qualquer destes prazos é prorrogável até ao limite da sua duplicação. a função de contestação dos factos alegados pelo réu e do pedido reconvencional formulado por esta parte . 1ª parte. por motivo ponderoso. . 273º/1 e 2. pode apresentar outra réplica no prazo de 10 dias – art. 475º/2. o autor pode reclamar para o juiz – art..

a falta de tréplica. a não impugnação da nova causa de pedir e a não contestação da excepção alegada pelo autor na réplica determinam. 503º/1 Conteúdo Material . quer o novo pedido formulado.Tréplica destina-se a assegurar o contraditório do réu quanto a essas matérias. em regra.A tréplica só é admissível em duas situações – art.O recebimento da tréplica pode ser recusado pela secretaria se se verificar qualquer dos vícios formais que fundamentam a rejeição da petição inicial 38 . 273º/1 e 2 – e réu quiser contestar a admissibilidade dessa modificação.A tréplica deve ser apresentada nos 15 dias seguintes à notificação da apresentação da réplica – art. a impugnação da admissibilidade da modificação do pedido ou da causa de pedir realizada pelo autor na réplica – art. . 505º Prazo . 504º Rejeição . nos termos e condições do prazo da contestação – art.O ónus de impugnação também vale na tréplica.Prazo pode ser prorrogado até ao limite de 15 dias.Quando o réu tiver deduzido um pedido reconvencional e o autor tiver alegado contra esse pedido uma excepção e o réu desejar contestá-la por impugnação ou pela invocação de uma contra-excepção .Acepção material – contestação do réu das excepções opostas à reconvenção da réplica. 503º/2 . Assim. 273º/1 e 2 ou a contestação da nova causa de pedir ou do novo pedido apresentado pelo autor na réplica – art.art. . a admissão por acordo desses factos e dessa excepção .Resposta do réu à réplica do autor .Quando o autor tiver modificado na réplica o pedido ou a causa de pedir – art.A Tréplica . 503º/1 .Acepção formal – articulado de resposta do réu à réplica do autor .

se esta não se realizar. 39 . como réplica – esse pedido ou a sua causa de pedir – art. importa assegurar o contraditório do autor – o art. dada a sua superveniência.Não havendo mais nenhum outro articulado. na audiência final – art. 474º . ponto. 506º/4 estabelece que o articulado superveniente deve ser rejeitado quando. o contraditório do autor quanto a esse novo pedido ou causa de pedir reconvencional também tem de ser assegurado na audiência preliminar ou final – aplicação analógica do art. 3º/4 diz que o autor pode responder a essa contra-excepção na audiência preliminar – art. ainda. por culpa da parte.. .Admita-se. 3º/4 .Impugnação de documento apresentado com a tréplica – art. que réu formulou um pedido reconvencional e que essa mesma parte modificou na tréplica – que vale.Não havendo mais nenhum articulado. in fine – mais difícil: o art. aplica-se o 476º . é superveniente. 506º/2. ele for apresentado fora de tempo. quando a parte não tenha tido conhecimento atempado do facto por culpa própria – 506º/3 – a superveniência subjectiva pressupõe o desconhecimento culposo do facto. 544º/1 e 546º/1 Articulados Supervenientes . 506º/1 – essa superveniência pode ser: .Art. 526º. i. 508º-A – ou. 651º e 652º .Utilizados para a alegação de factos que. 501º/1 – o autor pode contestar na réplica esse pedido através da dedução de uma excepção. 1ª parte – facilmente determinável – se facto ocorreu depois da apresentação do articulado.Se recusa for confirmada.Objectiva – quando os factos ocorrerem posteriormente ao momento da apresentação do articulado da parte – 506º/2.prorrogação do prazo por 10 dias Contraditório . à qual o réu pode responder na tréplica com a alegação de uma contra-excepção .Subjectiva – quando a parte só tiver conhecimento dos factos ocorridos depois de findar o prazo de apresentação do articulado – art.Reclamação – art.Se o réu tiver formulado um pedido reconvencional – art.aplicação analógica . 475º/1 – e agravar do despacho – nº 2 . quanto à reconvenção. não puderam ser invocados nos articulados normais – art..e. 273º/1 e 2 .

se os factos ocorrerem o utiverem sido conhecidos em data posterior à marcação dessa audiência – 506º/3 c). 507º/2. .. assim como o despacho de admissão ou rejeição. 506º/6 . 508º-A/2 b) e 512º/2.Como determinar a culpa? Como litigância de má fé – art. 507º/1. quanto à secretaria. quando sejam posteriores ao termo da audiência preliminar ou esta não se tenha realizado – art. 506º/3 b) . . 273º . 1ª parte 40 . 456º/2 – exige negligência grave.Aplica-se o art.Se o articulado superveniente for apresentado depois da designação do dia para a audiência final – 506º/3 b) – nada se suspende ou adia e realiza-se no decurso dela o despacho de admissão. Ex: autor reivindica propriedade sobre uma coisa com base num contrato de compra e venda e que.Se o facto superveniente for alegado na própria audiência final – art. 506º/3 a) . também aqui se exige. o tribunal ordena a notificação da parte contrária para responder no prazo de 10 dias – art. in fine – são incluídos ou aditados à base instrutória – art.Finalmente. 2ª parte . . torna-se herdeiro do alegado vendedor – demandante pode invocar novo título sucessório. se houver e se os factos hajam ocorrido ou tenham sido conhecidos até ao respectivo encerramento – art. 506º/4. sobre essa marcação.Esta alteração da causa de pedir baseada em factos supervenientes não está sujeita às condições exigidas pelo art. a notificação da parte contrária e a resposta desta – art. a resposta da parte contrária e o despacho que ordene ou recuse o aditamento à base instrutória – art. .Os factos que interessem à decisão da causa e que se tornem controvertidos pela impugnação da contraparte – art. na audiência de discussão e julgamento.Através de um articulado superveniente pode ser invocada uma nova causa de pedir ou uma nova excepção.Prazos – pode ser apresentado em três momentos diferentes: . .Nos 10 dias posteriores à notificação da data designada para a realização da audiência de discussão e julgamento – arts. durante a causa. 506º/4. 506º/3 c) – a sua apresentação realiza-se oralmente e fica consignada na acta.Audiência preliminar.Se o articulado for aceite. 474º por analogia.

a reconvenção apresenta a mesma estrutura formal da petição inicial – fundamentos de facto. pedido. sem prejuízo do disposto no art.A Reconvenção17 -Serve também para o réu deduzir pedidos contra o autor. por via do art. elementos eventuais. hierárquica e internacional .Competência substantiva no nº 2 a) .Valor? 300º/2? Não.Se ela for inadmissível. 274º/1 . 17 Lebre de Freitas. sendo uma questão de estratégia processual .Ela não pode ser recusada por falta de indicação do seu valor. mas o processo inicial continua a decorrer.O réu fica o reconvinte e o autor o reconvido . 274º/3.compatibilidade das formas de processo – nº 3 – forma igual ou forma semelhante .Deduzida separadamente e com os elementos e indicações do art. d) e e). 2010. não o fizer. convidado a fazê-lo. 98º .Requisitos de Admissibilidade: . em exercício do direito de acção e ampliação do objecto do processo – art. mas não será atendida se o reconvinte. 501º/1 e 2.A absolvição do réu do pedido/instância não obsta à apreciação do pedido reconvencional. . como a petição inicial. 274º/2 – tem de se verificar algum dos elementos de conexão com o pedido do autor que estão indicados no artigo. com a consequente absolvição do reconvindo da instância reconvencional . 31º/2 e 3 . a menos que este seja dependente do formulado pelo autor – art. reimpressão. A Acção Declarativa Comum à Luz do Código Revisto. mas a consequência da ineptidão não é a nulidade de todo o processo.material.Art. mas apenas a nulidade circunscrita à própria reconvenção.Competência absoluta – art. há absolvição da instância. de direito. 308º/2 mais 447º-A .A reconvenção pode ser inepta. pp 108-113 41 . valor.274º . . e não se poderá verificar nenhum dos requisitos negativos de compatibilidade processual a que se refere o art. 274º/6 .Passos para saber a admissibilidade: .É facultativa. 467º c).

848º/1 CC. nessa parte. Além disso.Castro Mendes – a compensação é sempre objecto do pedido reconvencional. na parte relativa à compensação? Ou seja. inteiramente distinta e autónoma em relação à outra. como uma excepção peremptória? . visto que o facto jurídico que serve de fundamento à defesa é o mesmo que serve de fundamento à reconvenção . entendendo que o destaque dado à compensação no art. uma relação jurídica nova.Se crédito reconvencional for de montante superior ao da acção. nos termos do art. não ampliando o objecto do processo – tal corresponde. a compensação.Lebre de Freitas – só constituirá reconvenção quando já tinha sido invocada extrajudicialmente. há. enquanto o contracrédito não excede o crédito do autor. . quererá isso dizer que a invocação da compensação constitui sempre reconvenção. só geneticamente coenxa com a que extingue. afinal. a nível processual. pelo que o pedido reconvencional se reveste de autonomia – a ampliação é nítida e portanto. nos limites do pedido do autor. devendo ela ser apreciada à luz dos pressupostos processuais. Apesar da complicação que é analisar uma parte do crédito em sede de reconvenção e de excepção. ao conceito de excepção peremptória. pois neste caso constitui. o autor afirma que. . Também diz que.Qual o alcance do art. ao admitir a reconvenção quando o réu pretenda obter a compensação. visto que vem trazer para o processo. 274º/2 b). a questão não é duvidosa quando o réu pretenda condenar o autor a pagar o excesso. uma excepção peremptória.O Problema da Compensação . 274º/2 a) como manifestação de inércia proveniente do código anterior – quis-se deixar claro que as modificações introduzidas no direito civil e o consequente desaparecimento da compensação judiciária não afectam a admissibilidade da reconvenção pelo excesso.Conclui Lebre de Freitas – só pelo excesso a favor do réu há reconvenção. 274º/2 a). como a competência . sendo excepção peremptória. de tal modo que esta renasce se a nova for declarada nula. reconvenção.Teixeira de Sousa argumenta que preceito é inútil se não tiver outro alcance – a admissibilidade da reconvenção pelo excesso decorre já do art. réu pode demandar o excesso em processo diferente 42 . não sendo a reconvenção obrigatória. não obstante ela ser uma causa de extinção das obrigações – 847º CC – e parecer dever ser classificada. não é o único caso em que é apreciada no processo uma relação jurídica distinta daquela a que o pedido se refere – a novação constitui uma relação obrigacional distinta. situa-se no âmbito do pedido por este formulado.

A contestação constitui um ónus da parte. i. 233º/6 e 248º.A Revelia .e.A revelia operante implica uma importante consequência quanto à decisão da acção.Absoluta – quando o réu não pratica qualquer acto na acção pendente . . sendo que as situações que a ela conduzem são comuns a todos os processos. assim. não existindo. tenha havido citação e permaneça na situação de revelia absoluta – v. . que se produz ex lege e não ex voluntate – a revelia operante implica a confissão dos factos articulados pelo autor – art.Revelia Operante e Inoperante . 463º e 464º) – efeito cominatório semi-pleno .. mas pratica em juízo qualquer outro acto processual. a parte pode solicitar a revisão da decisão transitada – o fundamento dessa revisão é a aplicação analógica do art.Revelia Absoluta e Relativa . 485º Efeitos . Daí decorre que a revelia não determina a aplicação ao réu de qualquer sanção.quando produz efeitos quanto à composição da acção . que consiste na abstenção definitiva de contestação.Inoperante quando esses efeitos não se realizam.Relativa se o réu não contesta. qualquer dever.Operante .Composição da Acção . e nos demais casos do art. quando a falta de contestação nada implica quanto à decisão da causa. 771º/1 d) 43 . designadamente a constituição de mandatário judicial.Esta confissão pode ser anulada? Sim – após a declaração de nulidade ou anulação daquela confissão. É inoperante nos casos em que o réu não constitua mandatário. 484º/1 (aplica-se ao processo sumário e sumaríssimo – v.Paula Costa e Silva – traduz uma ideia de inactividade do réu Modalidades .A composição da acção pode ser decisivamente influenciada pela omissão de um acto processual – trata-se da revelia do réu. . só desvantagens.

quer à sua natureza operante ou inoperante. Juiz profere imediatamente a sentença final – art. o efeito é. ela dispensa a selecção da matéria de facto – art. . . basicamente. 484º/2.Matéria ‘confessada’ não prevalece sobre a matéria de conhecimento oficioso. .Trâmites da Acção . in fine. tribunal deve certificar-se que citação foi bem feita – art. visto que réu não constitui advogado.Se absoluta. . nomeadamente as excepções dilatórias de que o tribunal deve conhecer ex officio – art. 345º CC – se a confissão presumida respeitar a factos impossíveis ou notoriamente inexistentes ou se o autor tiver formulado um pedido ilegal ou juridiamente impossível. 508-B/2 e 787º e a convocação da audiência preliminar para fixação da base instrutória – 508º-B e 787º.a não sanação da falta ou nulidade da citação – art. 484º/2 – portanto. o processo é facultado para exame pelo prazo de 10 dias sucessivamente ao advogado do autor e do réu.e que obstem à apreciação do mérito da causa – 288º/3 – no caso. . 195º e 198º . essa confissão não é admissível..Art. por exemplo. sem prévias alegações de qualquer um dos advogados. atendendo quer ao seu carácter absoluto ou relativo. 771º f) a decisão transitada em julgado ou se oponha à execução – art.A revelia produz efeitos sobre a tramitação da acção. 44 .Se operante e relativa. 495º . 508º-A/1 e). solução imposta pela igualdade. o réu impugne. se revelia absoluta se mantiver. através do recurso extraordinário de revisão – art. sendo a sentença proferida de seguida – art. 483º . de o tribunal ser absolutamente incompetente. 813º d).Se inoperante.permite que. a passagem da fase dos articulados para a fase da sentença. Essa revelia implica sempre que ela não decorra do aproveitamento da contestação de um litisconsorte – 485º a) – que a audiência final se realiza perante um tribunal singular.

Encontram-se uma série de garantias. Noção e Finalidade . ele já não existisse.Se juiz não tem tempo.Tutela cautelar era meramente conservativa. encontrar regulação provisória ou antecipa-se a tutela requerida .Percurso histórico que foi absorvendo a tutela antecipatória. Estudos sobre o Novo Processo Civil. imutável e perguntar o que é necessário para que se aceite isto? . . mas já urgência de manutenção do estado dos lugares. . ele terá que se basear naquilo que o requerente diz é provavelmente real e que o provavelmente real é provavelmente verdade.Pode-se visar garantir um alegado direito. Nesta última não há urgência em prevenir situação. mas que requerem tempo exaurido de consolidação que podem ser postas em causa pelo risco do objecto litigioso. . no 668.Isso justifica-se sempre que ela seja necessária para assegurar a utilidade da decisão e a efectividade da tutela jurisdicional – art. . 18 Teixeira de Sousa. que só vai conseguir determinar-se efectivamente e de forma consolidada com um processo exauriente.º CC). pp 226-255 45 .º.A circunstância das coisas faz como que apenas a possibilidade daquela decisão efectiva seja útil. que pode levar à decisão estável. porque o que a parte pede não é o que melhor pode tutelar. tornando-se necessário obter uma composição provisória da situação .II – Fins do Processo e Tipos de Tutela A Tutela Cautelar– as Providências Cautelares18 Introdução.Nem sempre a regulação dos interesses conflituantes pode aguardar o proferimento da decisão do tribunal. Espécie de violação do dispositivo. porque o juiz está a interpretar adequadamente a postulação da parte.É possível o proferimento de decisões com menos averiguações dos factos. comparado com o arquétipo do processo ordinário. mas que não tem base de sustentação pela urgência da decisão. . 2º/2 + 20º/1 CRP .Apenas se afasta o dispostivo num plano formal. mas ele apenas protege o que a parte quer. A sua origem é o arresto (619. Visava-se garantir ao credor que não era possível ao devedor distratar bens do seu património que quando surgisse a possibilidade de executar o património.

383º/1 – devido à sua necessária substituição pela tutela que vier a ser definida na acção . .É dogmaticamente insustentável dizer que há uma decisão que não tende a ser estável quando existe um juízo de certeza. sendo que essa provisoriedade resulta quer da circunstância de elas corresponderem a uma tutela qualitativamente distinta na acção principal – art. mas atinge a real existência de um direito. e se o juiz pode obter mais que isso.Modelo da inversão do contencioso . o contraditório é prévio..quem tem o ónus de “propor” uma acção depois de decretada a providência é o requerido de modo a destruir essa providência.Dois problemas do regime: . o juiz não tenha conseguido uma percepção de probabilidade de existência de um direito.Não foi este o modelo escolhido na actual revisão do CPC: .Objecto de providência cautelar nem é o mesmo – ex: acção restituição provisória da posse – posse vs. o contraditório é diferido para momento posterior à decisão. porque poderia através da sua conduta podia por em risco a eficácia da providência.Provisoriedade – as providências cautelares fornecem uma composição provisória. .387. podendo haver diferimento do contraditório também quando parte não pode tomar conhecimento.. .Acessoriedade . .Finalidade – a composição provisória da acção .Segunda acção pode-se não justificar (segundo a professora) numa única acção: . pelo que se fosse previamente anunciada a decisão.Em regra. os PC seriam formatados.tutela definitiva e não provisória. .Não se compreende como uma decisão transitada em julgado sobre a existência de um direito (387-A/1) pode ser posta em causa. Exemplo dos computadores usados para fins ilegais. mas aqui.Essa diferença qualitativa vê-se bem a nível probatório onde se exige uma mera justificação como indício seguro . .Acessoriedade da providência é imediata consequência de regime que se não instaurado processo principal importaria a caducidade da providência cautelar. propriedade 46 .A e C da reforma . Impõe um grau mínimo de conhecimento.Atendendo às características da prova. as consequência têm que ser diferentes .º .

art. 394º e 408º e no outro permite-se – art. Se ele disser que tivesse corrido como procedimento comum e dispensava audiência.Providência – art. 387º .º .Assim.recusada se impuser demasiado prejuízo ao requerido – art.Recurso do requerido – art. 234º-A/1 . 386º .Produção de prova – art.Proíbe-se audição nos casos dos arts. . .Assim. juiz pode indeferir liminarmente o pedido quando ele seja manifestamente improcedente ou contiver excepções dilatórias insanáveis – art. 388º/1 a) e oposição – art. 388º/1 b) .ouve-se previamente o requerido ou dispensava audiência do requerido.Citação do réu depende de prévio despacho judicial – art.Convolação . 385º .. como já sabemos.Summaria cognitio – para atingir a sua finalidade. 234º/4 b) . Se não dispensar.Algumas providências cautelares podem ser decretadas sem audição prévia – art. 383º/4 .Fazer prova sumária do direito ameaçado – 384º/1 . é instrumental perante as situações jurídicas .Não há litispendência – art.Lebre Freitas e o 385. 47 .e providência cautelar não é vinculativa na acção principal – art.Ouvirá requerido neste caso . por causa do princípio do contraditório. 385º/1 e 2 . não poderá existir convolação.º .388. 387º . a composição tem de ser concedida com celeridade. as providências cautelares implicam necessariamente uma apreciação sumária da situação através de procedimentos simplificados e rápidos . pois também serve os fins gerais de garantia que são prosseguidos pela tutela jurisdicional . 3º/2 . 497º .Composição provisória não se deixa de se incluir nessa instrumentalidade. então pode haver convolação.Instrumentalidade – a tutela processual no geral.audiência depois de diferida providência cautelar.

o mesmo valendo para a contra-prova – art. . .A mera justificação também é suficiente para a demonstração pelo requerido de que o dano que ele sofreria com o decretamento da providência exceda consideravelmente aquele que o requerente pretende evitar – 387º/2 – e para a prova de qualquer excepção por ele oposta. Ele terá que considerar que a desproporção entre violação alegada e aquela que pode vir a ser infligida no património no requerido que seja de tal forma grande que não valerá a pena correr o risco.Basta serem demonstradas dúvidas sobre a probabilidade dos factos 48 .Se faltar este pressuposto. 384º/1. 387º/1 e 403º/2.Periculum in mora é o dano que seria provocado quer por uma lesão iminente quer pela continuação de uma lesão em curso.Pressupostos: os fundamentos da necessidade da composição provisória Periculum in Mora ..Prova de que a situação jurídica alegada é provável ou verosímil .Paula Costa e Silva . .e.Providências cautelares exigem apenas a prova sumária do direito acautelado.Não se aplica se numa acção principal já tiver sido proferida uma decisão desfavorável – decisão com recurso pendente – não se pode pôr a probabilidade a prevalecer sobre a apreciação já feita. falta a necessidade da composição e providência cautelar não poderá ser requerida. . que representa uma convicção do tribunal da quela situação: . 407º/1 e 423º/1 – bem como o receio da lesão – 381º/1 e 384º/1 . i.Summaria cognitio – grau de prova suficiente para a demonstração da situação jurídica – não é prova stricto sensu.Evitar lesão grave e dificilmente reparável – art.A necessidade da composição provisória decorre do prejuízo que a demora na decisão da causa e na composição definitiva provocaria na parte que carece de acautelamento. a demonstração da probabilidade séria da existência do direito alegado – art. 346 CCiv . Fumus Boni Iuris . 381º .juiz sabe que só existe a probabilidade de existir o direito.

a regulação provisória ou antecipação da tutela através de um meio mais adequado – providência cautelar não é o meio mais célere e económico de proteger o direito . arbitramento de reparação provisória.Pode ser requerido pelo credor que demonstre a probabilidade da existência do seu crédito – ainda que sujeito a termo ou a uma condição resolutiva – e tenha justo receio de perda da sua garantia patrimonial – art.Lei admite várias providências típicas. . 407º/2 .. embargo de obra nova e suspensão de deliberações sociais) ou antecipam a tutela (alimentos) Providências de Garantia .Não haverá interesse processual quando o requerente possa atingir garantia do direito. 406º/1 – título executivo .Consiste na apreensão judicial de bens do devedor – art. arrolamento) regulam provisoriamente (restituição provisória da posse. em regra. se o credor beneficiar de uma garantia pessoal ou o credor estiver protegido por outra forma – reserva de propriedade – falta interesse processual 49 .Arresto – art. 381º/3 . e admite. quando nenhuma seja aplicável.O arresto e o arrolamento são providências cautelares cuja finalidade específica é garantir a realização de uma pretensão e assegurar a sua execução. 406º/2 – ou de bens transmitidos pelo vendedor a terceiro – art. nomeadamente uma garantia real. pois a providência cautelar exercia uma função de garantia. 406º/1 . embargo de obra nova e o arrolamento. suspensão de deliberações sociais. alimentos provisórios. Providências Especificadas .As outras são providências nominadas – restituição provisória da posse. uma providência cautelar comum no âmbito residual – art.Arresto não se justifica se o crédito estiver assegurado por uma garantia real e. 347º .Teixeira de Sousa subdivide-as naqueles que garantem um direito (arresto.Outras – o interesse falta sempre que requerente possua outra garantia.A não ser – prova plena – art. arresto. Arresto .

Paula Costa e Silva: requisitos do arresto: . 822º .Ao arresto são aplicáveis as disposições relativas à penhora – 406º/2: . tanto faz que seja de entrega de coisa. valor. . de que é dependente a acção principal. os bens fazem sempre parte do objecto mediato ou imediato da acção principal. por exemplo. poderá haver arresto? Arrolamento .Esta providência visa a conservação de bens ou documentos determinados – art. Desde que seja direito de crédito.º CPC.Arresto quando a obrigação é de entrega de coisa certa? 931. .Qualquer um dos cônjuges pode requerer o arrolamento de bens comuns ou dos seus bens próprios que sejam administrados pelo outro – art. . Os bens servem função de garantia. susceptíveis de arresto os bens penhoráveis – art. 424º/1.Justifica-se também o arrolamento de uma fracção de um prédio que é objecto de um contrato-promessa se existir o risco do promitente-vendedor a alienar a um terceiro. etc.Efectivação da penhora – art. 427º/1 . .Agora com pagamento com termo.Paula Costa e Silva: . 838º ss – o direito que arrestante adquire de ser pago com preferência a qualquer outro credor que não tenha garantia real anterior – 846º . 421º/1 – que são descritos. Arrola para a composição não se alterar. podendo também recair sobre contas bancárias. avaliados ou depositados – art. .. 819º CC – falta interesse processual . facto.Existência de um crédito. ou de documentos – art. Exemplo de alguém de compra uma biblioteca e o vendedor continua a vender livros separadamente. 422º/1 – só podendo ocorrer quando haja necessidade de proceder à arrecadação de herança.no arresto o crédito do requerente não tem nada a ver com os bens que ele pede de arresto. móveis ou imóveis .Também não pode ser decretado se o credor estiver em condições de nomear bens à penhora – art.Só são. .No arrolamento. assim.Diferenciação do arresto . 50 .Arrolamento destina-se a evitar o extravio de bens.

num outro direito real ou pessoal de gozo. retenção ou fruição do objecto possuído. violentamente privado do exercício. 392º/3 . 412º/2 e 3 Suspensão de Deliberações Sociais .O possuidor que for esbulhado com violência.O esbulhador nunca é ouvido previamente ao decretamento da providência cautelar. em consequência de obra. qualquer sócio pdoe requerer no prazo de 10 dias. mas também de uma acção de reivindicação. tem o direito de ser restituído provisoramente. pois ela afecta a paz social . pode ser requerida quando o ocupante mudou a fechadura da porta e recusa a entrega das novas chaves – é com base na violência que tem de se tomar uma decisão o mais célere possível.prazo de 15 dias Embargo de Obra Nova .. 396º/1 51 . mas também por aquela que é dirigida contra coisas. mas apenas turbação – 661º/3 . i. desde que prove qualidade de sócio e mostre que execução pode causar dano apreciável – art.Pode ser também por via extrajudicial – art. trabalho ou serviço que cause ou ameace causar prejuízo – art. . 412º/1 .juiz tem que decidir um prazo – 382º/2.Se alguma associação ou sociedade tomar em assembleia geral.e. desde que o alegue e prove com os factos que constituem a posse. aos estatutos ou ao contrato.Pode ser judicial ou extrajudicial – o primeiro só pode ser requerido por quem se sentir ofendido no seu direito de propriedade. o esbulho e a violência – art.Ela é justificada não só pela violência ou ameaças contra as pessoas.Paula Costa e Silva . .Providências de Regulação Restituição Provisória da Posse .1279º CC . 393º .Ela é normalmente dependente de uma acção possessória.juiz pode condenar na manutenção da posse que não houver prova de esbulho violento. Assim. que a execução dessas deliberações seja suspensa. deliberações contrárias à lei.

Dano tem de ser apreciável mas não irreparável ou de difícil reparação – por não causar dano reparável. 399º/1 – tomando em consideração o que for estritamente necessário para sustento. 398º . se requerente não tiver sido regularmente convocado para ela. 381º/3 – as não 52 . seja pedida uma prestação de alimentos – art. como reparação provisória do dano – art.Como dependência da acção de indemnização fundada em morte ou lesão corporal. 396º/3 . não pode ser requerida a suspensão de deliberação de recebimento de dividendos.. a garantia da execução da decisão final. 399º/1 – como acção de maternidade ou paternidade . sob forma de renda mensal. habitação e vestuário e da acção – 399º/2 Arbitramento de Reparação . 397º/2 – nem pode ser requerido se deliberação já estiver executada. Providências Antecipatórias Alimentos Provisórios .Não cabendo em nenhuma das providências nominadas.Só pode ser decretada se se verificar uma situação de necessidade em consequência das lesões sofridas e se estiver indiciada a existênca da obirgação de indemnizar a cargo do requerido – art.Prazo conta desde o dia da assembleia e. a regulação provisória e a antecipação da tutela podem ser obtidas através de uma providência cautelar não especificada – art.Quantia mensal – art.Pode ser requerida como dependência da acção em que. a data em que ele soube – art. pode o lesado requrer o arbitramento de uma quantia certa. 403º/1 . nem pode ser decretada se prejuízo da sua não execução for maior do que da execução – art. principal ou acessoriamente.O mesmo regime para suspensão de deliberações de assembleias de condóminos – art. 403º/2 Providências Comuns Subsidiariedade .

381º/1 . antes da acção ser proposta ou na pendência dela. Requisitos . promitente comprador pode requerer que promitente vendedor se abstenha de alienar o prédio que foi objecto de promessa com eficácia real.especificadas só podem ser requeridas quando nenhuma nominada possa ser utilizada no caso concreto. chapeú.Dado o largo âmbito de aplicação do arresto e do arrolamento. se era abstractamente aplicável. 53 . as providências cautelares comuns destinar-se-ão primordialmente a regular provisoriamente uma situação e a antecipar a tutela definitiva. .Nenhuma nominada pode ser abstractamente aplicável e não que a providência aplicável deixe de o ser por motivos respeitantes ao caso – se quer arresto e não estão preenchidos os requisitos. há mais. .Fundado receio de que outrem. etc. . .O excesso considerável do dano que se pretende evitar com a providência sobre o prejuízo resultante do seu decretamento – art. 387º/2 Finalidades .Podem ser utilizadas para regulação provisória de uma situação – ex: vendedor que pretende anular o contrato que compra e vende pode pedir que comprador não realize o registo. etc. suspender um sócio da gerência.Adequação da providência concretamente requerida à efectividade do direito ameaçado – art.Podem ser usadas também como providências antecipatórias – inquilino de um prédio que reside no último andar e que diariamente sobe com uma criançºa pode pedir que dono repare os elevadores.Além do requisito da subsidiariedade. cause lesão grave e dificilmente reparável ao direito do requerente – art. 381º/1 e 387º .

Características Dependência . mas há que reconhecer que essa caducidade nem sempre produz efeitos práticos.As providências cautelares podem ser solicitadas mesmo quando não esteja pendente nenhuma acção – art. pode-se pedir arrolamento dos bens que lhe deverão ser restituídos – art. ainda que uma delas seja julgada injustificada ou tenha caducado – 381º/4 – Teixeira de Sousa – este preceito deve ser entendido assim – é possível voltar a requerer uma nova providência que anteriormente foi rejeitada sempre que surjam factos supervenientes que a possam justificar. mas nunca após o trânsito em julgado da decisão desta acção. mas.Providência requerida condiciona e é condicionada pelo objecto da acção principal – assim. a restituição provisória da posse só pode ser requerida em conjugação com uma acção na qual se discuta a titularidade d ocorrespondente direito e se exija a restituição da mesma coisa – art. Se em providência evitar que comerciante venda certos bens e não vier a propor a acção. porque visam compor provisoriamente a situação das partes. 289º/1 CC .Como dependência da mesma causa.Dada essa dependência. 383º/1. mantém-se aquela dependência – a providência tem de ser adequada ao direito que se pretenda constituir – se estiver pendente processo de anulação. não pode ser requerida mais do que uma providência relativa ao mesmo objecto. já atingiu os seus objectivos.As providências cautelares têm por objecto obter uma composição provisória. mesmo assim.O art. 381º/2 estabelece que o direito que se pretende acautelar ou tutelar com a providência pode ser um direito já existente ou um direito ainda a constituir.Podem ser requeridas antes da propositura da acção principal ou durante a sua pendência – 383º/1. 1278º . 389º/1 a) estabelece a caducidade da providência. mas a acção principal nunca chega a ser proposta.É certo que o art. in fine. . 389º/1 d) + 289º/2 . sendo decretadas em processos especiais próprios e. in fine – isso possibilita a situação em que a providência é requerida. . as providências caducam se a acção principal vier a ser julgada improcedente – art. 381º/1 . . são dependência de uma acção cujo objecto é a própria situação acautelada – v. 389º/1 c) – ou se o réu vier a ser absolvido da instância e o autor não propuser uma nova acção num novo prazo – art. 54 .

394º e 408º/1 Modificação . os prazos processuais não se suspendem sequer durante as férias judiciais – 144º/1 . . aquela providência possa substituir totalmente os efeitos práticos da acção principal. precedendo qualquer serviço judicial não urgente – 382º/1 . Celeridade . .Ela pode-se tornar definitiva através de um negócio celebrado pelas partes – aí não é precisa acção principal . 390º/1. 1ª parte – podendo decretar uma providência distinta daquela que foi solicitada – v.As providências cautelares são apreciadas e decretadas nos procedimentos cautelares. Tmb 661º/3 . .Mesmo assim. 382º/2 – os procedimentos cautelares instaurados perante o tribunal compentente devem ser decididos no máximo de 2 meses ou de 15 dias se o requerido não tiver sido citado – art. 273º/1 e 2 55 .Art. 392º/3. 385º/1. em certas hipóteses. acha Teixeira de Sousa.A omissão da propositura da acção principal pelo requerente da providência fálo incorrer em responsabilidade perante o requerido – art. interpretação e aplicação das regras de direito – 661º .e pressupõe que factos alegados possibilitem essa conversão. eles revestem sempre carácter urgente.Uma idêntica modificação da providência pelo próprio requerente não é condicionada pelo art.Como consequência dessa urgência.O tribunal não está adstrito à providência requerida – art. Dada a celeridade indispensável a essas providências. a dependência da providência cautelar perante a acção principal não impede que.Conclui Teixeira de Sousa – sempre que a providência seja acompanhada do reconhecimento do direito acautelado ou tutelado ou de uma transacção sobre esse direito. a definitividade da providência não fica dependente de qualquer acção principal.Esta faculdade concedida ao tribunal decorre da não vinculação deste órgão à indagação..

por exemplo.Como a providência caduca se a acção vier a ser juglada improcedente por sentença transitada em julgado – art. .O requerente pode solicitar o decretamento de várias providências cautelares num mesmo procedimento cautelar.Podem-se cumular duas ou mais providências cautelares se. in fine – podem-se cumular tanto diferentes providências especificadas. 387º/2 + 397º/2 .As medidas provisórias não podem impor ao requerido um sacrifício desproporcionado relativamente aos interesses que o requerente deseje acautelar ou tutelar provisoriamente – art. desde que a tramitação destas não seja absolutamente incompatível e corresponda a um interesse relevante ou seja indispensável para a justa composição do litígio – art. 394º e 408º/1 – e a medida se mostrar injustificada. 383º/1 for admissível cumulação dos respectivos pedidos. 56 . 389º/1 c) – também isso demonstra que o seu decretamento não é vinculativo na acção principal .Também a desistência da providência e a confissão do pedido – art. na acção de que são dependentes – art. 392º/3. pedir ao mesmo tempo o arrolamento e o arresto.A desproporção conduz ao indeferimento parcial da providência – se o requerido não for ouvido antes do decretamento da providência – art. Proporcionalidade . tornar a concessão da providência dependente de caução – art. Não pode. 385º/1.Cumulação . a solicitação do requerido. para lhe entregarem uma coisa.Podem-se também decretar várias providências referentes a uma única situação jurídica. desde que haja uma certa compatibilidade prática. . nominadas e comuns. o requerente é responsável por danos que culposamente causar ao requerido – art. 390º/2 Eficácia Relativa .Medidas tomadas devem ser adequadas às situações que se pretende acautelar ou tutelar . .Um das consequências da summaria cognitio é a insusceptibilidade de a decisão proferida no procedimento cautelar produzir qualquer efeito de caso julgado na acção principal – não tem – 383º/4 . 390º/1 – podendo o tribunal. 293º/1 – não podem condicionar a apreciação da acção principal.

elas possuem uma vigência provisória.Quanto à transacção.As providências cautelares destinam-se a obter uma composição provisória que tutela ou acautela o interesse na efectividade da tutela jurisdicional . 387º/3 e embargo de obra nova – 419º/1 Garantia e Execução . sendo título executivo – art. ela caduca se o requerente não propuser a acção da qual é dependente – art. al. 383º/1 – no prazo de 30 dias.prazo é encurtado para 10 dias a contar da notificação do requerente da realizaão da notificação ao reuquerido do decretamento da providência – 389º/2 57 .Uma vez requerida.Isso não impede que interesse possa ser tutelado doutra forma – é o que acontece com a caução a substituir a providência nas não-especificadas – art. extinção do direito .Sendo uma decisão provisória.As providências que se traduzem na imposição de uma obrigação são susceptíveis de ser executadas. Substituição Por Caução . nem pretendem eternizar-se por essa via: . há que verificar – 293º/2 e 1248º CC – se ela vale apenas para a situação provisória ou para toda ela. para assegurar a efectividade da providência cautelar decretada. dado que incorre no crime de desobediência qualificada aquele que infrija a sua execução coerciva – 391º + 348º CP . a providência merece tutela penal. 46º a) Caducidade . 389º/1 – por exemplo. 384º/2 + 829-A/1 CC . se ela impuser uma prestação de facto infungível e esta não exigir especiais qualidades científicas ou artísticas do requerido – art. elas caducam se decisão ver a ser proferida na acção principal e seja incompatível com a medida decretada – art.. a fixação de uma sanção pecuniária compulsória. contados da data da notificação da decisão que a ordenou.Se a providência cautelar não for requerida na pendência da acção principal .Como já vimos.É admissível. e). Se requerido não tiver sido ouvido – 385º .

389º/1 e) .A caducidade da providência não opera automaticamente e nem sequer é de conhecimento oficioso. apesar da existência do direito. a caducidade da providência abrange-a na totalidade. o requerente não está impedido de provar.Esta responsabilidade pressupõe que a providência é injustificada no momento em que é requerida. se tivesse sido devidamente apreciado no procedimento.Arresto – ver 410º . 389º/4 – conjuntamento com o levantamento o tribunal pode ordenar as medidas necessárias a repor a situação anterior ao decretamento da providência Responsabilidade do Requerente . se requerente não tiver agido com a prudência normal. .Se a providência for injustificada. ou venha a caducar por facto imputável ao requerente – art. 383º/4 58 . e que.Esta responsabilidade pressupõe a culpa do requerente. por negligência do requerente. 389º/1 .Pode suceder que a providência se venha a mostrar injustificada pela falta do direito acautelado ou falta de fundamento para o seu decretamento. se retardar a pronúncia da decisão sobre o mérito na acção principal – 389º/1 b) + d) . que o direito existia mesmo. O levantamento da providência com fundamento na sua caducidade depende da solicitação do requerido. é responsável por todos os danos causados ao requerido – 390º/1 + 621º CC no arresto. que pode consistir na falta da prudência – 390º/1 – aferida pela negligência do requerente – art. 456º/2 – só grave. na posterior acção de indemnização.. É uma contrapartida da provisoriedade das providências cautelares – 390º/2 . 389º/1 c) – e se direito se extinguir em parte – art.Caduca se.Nestes casos. teria justificado o decretamento da providência. Não afasta se direito não existia e passou a existir. bem como também é irrelevante a desistência – art.Normalmente. mas também são pensáveis situações de caducidade parcial da providência – se acção for julgada parcialmente improcedente no despacho saneador – 510º/1 b) – a providência decretada só caduca na parte respectiva – art. ou não vem a ser confirmada pela decisão proferida na acção principal. .Nos alimentos nunca é exigível a restituição dos alimentos recebidos – 402º . que é apreciada após a audição do requerente – art.

por exemplo.Não é da responsabilidade se desistência se tornar supervenientemente inútil por acto do requerido. .A responsabilidade do requerente pressupõe que a providência é injustificada no momento em que é requerida ou não vem a ser confirmada pela decisão proferida na acção principal. os negócios processuais serem aqueles que produzem efeitos de carácter processual. etc.nem atribuir a um documento um valor probatório distinto. 19 Teixeira de Sousa. pois eles também podem produzir efeitos obrigacionais. podendo elas incorrer.. 293º/1 .São a expressão da autonomia das partes em processo civil. autonomia essa manifestada no âmbito das normas dispositivas e afastada das normas injuntivas.Teixeira de Sousa .Apesar de. . em responsabilidade obrigacional.O requerido tem direito a ser colocado na situação em que se encontraria se a providência não tivesse sido decretada – 562º CC A Tutela e os Negócios Processuais – a Composição da Acção Por Negócio Processual19 Noção e Efeito dos Negócios Processuais . a transacção pode impor certas obrigações às partes. Assim.Assim.Paula Costa e Silva – o processo actua e justifica-se enquanto (ou quando já) não é possível resolvê-los através da autonomia das partes. e também não há se requerido tiver omitido no procedimento cautelar em que a providência foi decretada. Estudos sobre o Novo Processo Civil. Por exemplo.e. actos de auto-composição podem valer em processo. i. bem como é irrelevante a desistência – art. pp 193-206 59 . isso não significa que esses negócios só possam realizar aqueles efeitos. . a alegação de uma excepção oponível ao direito acautelado e apenas invocada na acção principal. em princípio. – é a disponibilidade sobre os efeitos processuais que afere a admissibilidade dos negócios processuais. actos processuais de carácter processual que constituem. modificam ou extinguem uma situação processual . . as partes não podem alterar as regras sobre a competência material – 66º e 77º .os negócios processuais são os negócios jurídicos que produzem directamente efeitos processuais..

porque esse acto nunca poderia reproduzir ou 60 . 293º/2. antes do trânsito em julgado (v. 677º). . se for realizada antes da sua citação. podendo até haver execução específica e suspensão da instância no processo em que deveria ter sido invocada – art. a solução é distinta.Podem levantar-se algumas dúvidas sobre se os negócios processuais podem ser concluídos depois do proferimento da decisão sobre o mérito da causa.Diferente é a situação da desistência da instância realizada após o proferimento da decisão sobre o mérito da causa. Devido ao seu carácter unilateral. 267º/1 . diz Teixeira de Sousa. 680º/1 . o réu confesse um pedido que tribunal afirmou procedente. . Como podemos ver. por ex. são formados pela vontade exclusiva do autor ou do réu. 1248º CC – o réu pode intervir em qualquer transacção que. 276º CPC e 830º CC . devido ao seu carácter unilateral. é ainda uma transacção extra-judicial. podem estes negócios estar sujeitos a contrato-promessa biltateral ou sinalagmático.Quanto à participação do demandado numa transacção. naturalmente.O momento ad quem da admissibilidade da confissão do pedido é a citação do réu – art. 681º/2 e 3 – os negócios processuais que repetem o conteúdo daquela decisão convertem-se numa renúncia ao recurso que a parte vencida podia interpor – art. Importa verificar se autor pode desistir do pedido depois do proferimento pelo tribunal de uma sentença absolutória.. a Professora distingue entre aqueles que são unilaterais e bilaterais: . quando.Dentro dos negócios de auto-composição do lítigio. 293º/1. . embora. Momento . o mesmo valendo para a transacção – art. Contudo.Teixeira de Sousa – resposta deve ser negativa sempre que esses actos reproduzam o conteúdo da decisão proferida.Dentro dos bilaterais está a transacção. negociada entre ambas as partes processuais.Dentro dos unilaterais estarão a desistência (por parte do autor) e a confissão (por parte do réu). se o réu pode confessar o pedido após a prolaçºão de uma sentença com qualquer um desses conteúdos.A desistência e a confissão do pedido podem ser realizadas em qualquer momento da tramitação da acção – art. A justificação é a falta de interesse processual da parte ou partes. pode-se configurar esse negócio como uma renúncia a interpor recurso ordinário – art. dada a categoria substantiva do negócio – art.

as partes da acção. Extinção . mesmo que o réu não tenha contestado. pois não está a exercer um direito próprio. 287º d) e 294º 61 .Nada impede que as partes de uma transacção incluam nesta ou ou mais terceiros ou concluam através dela um contrato a favor de terceiro nos termos do art. deve entender-se que ela é inadmissível sempre que a sentença proferida seja desfavorável ao autor. em princípio. constituiria um meio de o autor impedir a produção de efeitos dessa decisão. de outra forma. . se tiver intervindo uma parte acessória – 330º/1 e 335º/1 – esta só pode celebrar uma transacção se dela também participar a respectiva parte principal. resolvida ou rescindida. só pode desistir acompanhado de todos os herdeiros.A desistência e a confissão só podem provir de partes principais e. existe uma lacuna quanto ao momento no qual o autor a pode realizar. visto que. dê ou não o seu consentimento. 443º/1 . porque. ou seja.Contudo. observadas as regras gerais referentes aos actos negociais. nas quais podem ou até devem participar terceiros estranhos à acção .repetir o conteúdo dessa sentença.Há situações. embora a sua extinção não afecte os efeitos processuais produzidos. Como esta desistência depende da aceitação do réu que contesta – art. só a transacção pode ser revogada. há que considerar a relevância e os efeitos da sentença homologatória desses negócios – art. .Os negócios processuais pelos quais as partes conformam a decisão da causa podem extinguir-se por iniciativa delas. Além disso. Sujeitos . não há nenhum art. varia. contudo. Depois dessa homologação.Os sujeitos dos três negócios processuais são. 296º/1 – a solução.cabeça-de-casal que instaura contra administrador da herança uma acção de prestação de contas. quanto à desistência. como a extinção da instância – arts. quanto à admissibilidade dessa desistência após o proferimento da decisão de mérito. e ainda que a desistência não esteja condicionada à sua aceitação. consoante o réu que contestou. . do tipo do 293º. 300º/3.

pais não podem autonomamente neogicar transacção.Existem algumas especialidades quando a desistência. e em alguns casos.Numa situação plurilocalizada. Ex: pais e filhos – art. estes negócios. precedento autorização especial. nos 10 dias seguintes. 301º/3. 301º/2. a formação do negócio processual é regulada pela lei aplicável à substância do negócio – art. como se pode concluir especialmente da invalidade prevista nos arts.A desistência. a confissão e a transacção devem ser apreciadas atendendo à sua qualidade como negócios processuais e como actos jurídicos. 301º/1 e 3. 286º) – a sentença homologatória é notificada ao mandante podendo este..Mandatário – art. nomeadamente quanto aos sujeitos e à sua vontade. 1889º CC . o acto é havido por ratificado e sana-se a nulidade – art. . esses representantes só podem desistir. por exemplo. esses pressupostos só têm autonomia quando não sejam consumidos pelos requisitos gerais dos actos jurídicos. i. reconhecimento de dívida) . – mas. etc. 62 . 35º/1 CC Representação . 36º e 37º . sociedades. confessar ou transigir com observância do âmbito e limites dos seus poderes de representação. 297º. declarar que não ratifica. Nos termos do art. e a acção de nulidade no art. quando não são tipificados como negócios materiais (como sucede com a transacção no art.A nulidade da confissão.Como actos processuais elas deveriam exigir os normais pressupostos dos actos processuais – capacidade e representação judiciária. desistência ou transacção quando provenha unicamente da falta de poderes do representante ou insuficiência do mandato. . Essa regra está estabelecida no 301º/1. estando. 280º. produtores de idênticos efeitos (p ex. patrocínio. 1248º CC) são tratados. quanto ao seu regime.Os negócios processuais que conformam a decisão da causa exigem os requisitos gerais de qualquer negócio jurídico. Se nada fizer. 776º c) . 300º/5. é sanável (excepcional ao art.e. Obtida a declaração de nulidade ou anulação depois do trânsito em julgado da sentença.Requisitos de Validade .ver acima . sujeitos ao art. parte pode impugná-la no recurso extraordinário de revisão – art. 771º d). seguindo-se a fase recisória – art. como os correspondentes negócios substantivos. confissão ou transacção resultem de actos praticados por representantes de pessoas colectivas. incapazes ou ausentes.

A indisponibilidade relativa verifica-se nas acções de divórcio e separação judicial de pessoas e bens – nelas. mas somente daquele em que cada um dos litisconsortes possui um interesse autonomizável perante o interesse dos outros litisconsortes. . 295º/2 . ele só pode ser exercido por todos eles. . desistência ou transacção.Teixeira de Sousa – a admissibilidade desses negócios processuais não pode depender da origem voluntária ou necessária do litisconsórcio – o art. como não produz efeitos sobre o objecto do processo. conforma-se uma hipótese de desistência do pedido realizada por um litisconsorte necessário. 59º/1 CSC – nenhum deles pode desistir do pedido. . exclui esses negócios proveniente por um único litisconsorte necessário.Pode ser absoluta – se não for admitida em nenhum dos negócios processuais – ou relativa. o art.Há que observar as especialidades impostas pelas situações de litisconsórcio – quanto a elas.O art. não pode provir de qualquer litisconsórcio voluntário. desistência e transacção por cada um dos litisconsortes. porque a decisão da causa tem de ser uniforme. 299º/1. quando limitada ao interesse de cada um deles. 298º/1. a desistência do pedido e a transacção não são admissíveis relativamente a situações indisponíveis – art. mas admite-se que algum deles declare que não o pretende exercer – se essa declaração for emitida durante a pendência da acção. se for em alguns. devendo entender-se aqui litisconsórcio simples e não unitário. Ex: apesar do litisconsórcio entre os sócios que instauram uma acção de anulação de uma deliberação social ser voluntário – art. para o professor. 299º/2 63 . Disponibilidade . 298º/2. mas o autor pode desistir do pedido – art.A confissão. 1814º e 1869º CC. .A indisponibilidade absoluta verifica-se nas acções de investigação de maternidade ou paternidade – art.Legitimidade . é livre a confissão. A desistência da instância. dado o carácter irrenunciável do estado de filho.Também sucede que nem todo o litisconsórcio necessário obsta à participação de um único dos litisconsortes na confissão. nos casos de litisconsórcio voluntário. Ex: se direito de preferência pertencer simultaneamente a vários titulares. . 298º/1 estipula que. pelo que o art. não são admissíveis a confissão do pedido e a transacção. 298º/2 refere-se somente ao litisconsórcio unitário. não é indisponível – art.

o executado alegue qualquer das causas que determinam nulidade ou anulabilidade – art. nem celebrar transacção . na oposição à execução baseada na sentença. confissão ou transacção. 1250º . pela sua qualidade processual. por documento autêntico ou particular – art. a nulidade desse contrato – art. já que o contrato não é a única forma de aquisição da propriedade. 815º/2 Negócios de Auto-Composição do Litígio Unilaterais 64 . 220º e 875º CC .na acção de prestação de contas instaurada pelo cabeça-de-casal contra o administrador da herança. não é possível obter efeitos que só podem ser produzidos através de uma sentença judicial. aquele não pode desistir do pedido sem estar acompanhado dos demais.Certos efeitos. a confissão e a transacção ficam cobertas pela força do caso julgado dessa decisão.Com o trânsito em julgado da sentença homologatória – 677º .Quanto à transacção extrajudicial. mas não obsta à admissibilidade da acção desintada à declaração de nulidade ou à anulação de qualquer desses negócios – 301º/2. 63º/2 RAU. .A desistência. não possui qualquer disponibilidade sobre o objecto do processo – dado que o substituto não pode dispor desse objecto. Limites Substantivos . como no art. Se autor reivindica imóvel apresentando como título de aquisição um documento particular. . não podem ser negociados – neste caso a resolução do contrato fundada na falta de cumprimento por parte do arrendatário.Só são admissíveis em casos em que os efeitos por ele produzifdos não poderiam ser obtidos no próprio processo pendente.Os negócios processuais não podem ser celebrados pela parte que.Através da desistência. essa parte não pode desistir ou confessar o pedido. a confissão e a transacção podem fazer-se por termo no processo ou. 300º/1 . segundo as exigências da lei substantiv.a desistência. o documento autêntico só é exigido quando dela possa derivar algum efeito para o qual seja requerido estrutura pública – art. Forma e Homologação . nem impede que.não obsta à validade da confissão do pedido.. que tem de ser decretada por tribunal.

o autor poderá repetir o pedido noutro processo. não se pode desistir da instância quanto a uma proção da indemnização. fazendo-se de conta que a acção nunca esteve pendente.Negócio unilateral através do qual o autor renuncia à obtenção da tutela jurisdicional requerida. cessar a excepção de litispendência.Desistência da Instância . nos termos e limites do art. quando seja depois da contestação. não marcando qualquer posição do autor relativamente à situação jurídica.extinção do direito alegado. Desistência do Pedido . 295º/2 – extinguindo a instância sem definir nada quanto à situação jurídica alegada. 296º/1 – devendo ela ser comunicada ao tribunal. a desistência necessitará do seu consentimento se realizada depois do oferecimento da contestação – aplicação analógica do art. não interessando saber situação préexistente. 296º/1 . se assim o entender.Se réu tiver formulado pedido reconvencional. extinguindo-se todos os efeitos produzidos pela pendência da causa e actos praticados durante essa pendência. mas na hipótese do efeito de caso julgado da decisão da causa se estender a essa parte demandada mesmo que se torne terceiro perante a acção. não se deve deduzir do seu consentimento para a desistência da instância uma semelhante desistência para a instância reconvencional – só sucederá quando a reconvenção for dependente do pedido formulado pelo autor – art. . Assim. 296º/2.A desistência só é possível no litisconsórcio simples.Não regula situação substantiva. 296º/2 por analogia . . tendo uma eficácia dilatória.Negócio unilateral através do qual o autor reconhece a falta de fundamento do pedido formulado .Assim. por exemplo. Faz. por exemplo.A desistência da instância apenas faz cessar o processo pendente – art. .Os efeitos retroagem ao momento da propositura da acção. . fique dependente da aceitação do réu – art. 65 . É isso que justifica que a eficácia da desistência da instância.

Não apenas compõe o lítigo. mas afirma que só o satisfará quando essa parte cumprir a respectiva prestação sinalagmática. da situação jurídica invocada pelo autor.Ela pode ser total ou parcial – 293º/1 – e extinção ou constituição da situação jurídica provocada pela desistência do pedido releva em todas as situações nas quais a existência desse direito constitua uma questão prejudicial para a apreciação de um outro objecto. podendo ser total ou parcial – art. 294º e 287º d) – essa extinção ou modificação é acompanhada do efeito substantivo daquela confissão.Diferentemente da desistência da instância. a desistência do pedido representa o reconhecimento pelo autor de que a situação jurídica alegada não existe ou se extinguiu. a complexa depende da aceitação do autor – é o que se extrai do art. consoante seja total ou parcial. 293º/1 .A confissão do pedido implica.art. Mas. 360º CC .Confissão é simples quando réu reconhece o pedido tal como é formulado pelo autor. . .A confissão não pode ser submetida a qualquer condição.Pode ser preventiva ou extra judicial – para prevenir litígio – ou judicial – quando põe termo a processo pendente. . .Confissão é complexa quando o réu reconhece o pedido do autor. quanto à confissão do pedido subsidiário – art. Confissão do Pedido .Negócio unilateral pelo qual o réu reconhece o fundamento do pedido formulado pelo autor. Negócios de Auto-Composição Bilaterais – a Transacção . Ex: réu confessa crédito pretendido pelo autor. 66 .Ao contrário da simples. a extinção ou modificação da instância – art. 1248º/1 CC – contrato pela qual as partes previnem ou terminam um litígio mediante recíprocas concessões. total ou parcial. como também previne o litígio: . mas opõe-lhe um contra-efeito. 469º/1 – deve entender-se que só vale para o caso do pedido principal vir a improceder.A desistência do pedido extingue a situação jurídica que o autor pretendia tutelar – art. que é o reconhecimento. .. 295º/1 .

a qual.. pode resultar de uma alteração quantitativa do objecto do litígio ou constituição. numa modificação do pedido – redução – ou extinção da instância – arts. modificação ou extinção de outra situação substantiva. Quando nos afeiçoamos demais a esses grupos ou categorias temos a tendência de não querer ver que há realidades que não se enquadram nas categorias que construímos. como se viu. pois se fosse jurisdicional diria respeito ao tribunal (iuris dictio – dizer o direito).Os materiais são os que se referem à definição da situação substantiva entre as partes. 1248º/2. 294º e 287º d) .A transacção produz efeitos materiais e processuais. . 67 . . atendendo à amplitude da transacção em relação ao objecto do processo. Serve assim como exemplo primário para as dificuldades de classificação.Todos nós quando estudamos temos a tendência para agrupar o nosso conhecimento com base num ou mais elementos comuns das coisas que pertencem (ou vão pertencer) ao mesmo grupo. Esta ideia vem já do Aristotéles. e como tal são como que um pequeno ornitorrinco jurídico.Ela pode ser ainda quantitativa – aquela em que as concessões se traduzem numa modificação do quantum objecto da causa – ou novatória – aquela em que as concessões mútuas entre as partes implicam a constituição. .Os grupos ou categorias são abstracções que construímos para sistematizar o nosso conhecimento. criou muitas dificuldades em matéria de classificação às ciências da biologia e que por mais de um século não conseguiu ser encaixado em qualquer categoria de ordem e espécie. pelas suas características. modificação ou extinção de direitos diversos do objecto do litígio – art. Foi o que aconteceu com o ornitorrinco que é um animal que.É um acto judicial e não jurisdicional.Os efeitos processuais traduzem-se. . Acontece porém que a vida real (e a natureza) não quer saber de grupos ou categorias . Porquê os Negócios Processuais? .Os negócios processuais também trazem as suas dificuldades de classificação.

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