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(Cap. 1) Prólogo

"Partido pela guilhotina da morte Eu recebi uma carta das profundezas O sonho com a minha amante, ela carregava dentro.

Acariciado pela faca mais afiada Eu te pedi para ser minha esposa Os raios do sol ocaso Foram as minhas lágrimas choradas sobre promessas desfeitas.

O constante desejo veemente por seu toque Esse amargo oceano de ódio e dor Essa solidão que eu preciso para ser quem eu sou.

Os oceanos são solitários como eu Alguém levou para longe esta minha dádiva Nenhum carisma para a besta! Mas eu ainda te amo para todo o sempre.

Venha para mim Me entregue de você E de todos os dias da Terra."

Astral Romance (versão de 1997 e 2001) - Nightwish

(Cap. 2) Busca

Notas do capítulo Oi povo :) e ai joia? bem espero que gostem dessa minha nova fic, tem um tempinho que ela martelava na minha cabeça e eu decidi finalmente postá-la. espero que gostem :)

– Mary, eu quero 1Kg de açúcar, por favor. – eu disse à senhora loira, rechonchuda e de bochechas rosadas à minha frente.

– Sim Isabella, já irei pegar querida. – ela disse sorrindo para mim e logo depois entrou em um dos dois corredores ao fundo do armazém.

Enquanto isso eu me escorei no balcão e fiquei a observar o armazém que hoje estava mais vazio. Todos deviam estar na feira, eu supus.

Pelo menos duas vezes na semana acontecia uma feira aqui em Exeter e ao menos uma vez ao mês ocorria algum festival onde pessoas de todos os cantos da Inglaterra vinham para participar. O condado de Devonshire, como nós, os locais, chamamos, é o condado mais próspero e movimentado da Inglaterra. Boa parte da economia gira por aqui e o clima ensolarado chama cada vez mais e mais pessoas de fora para morarem aqui.

Não era raro vermos novos moradores chegando. Perto de minha casa mesmo havia uma casa em construção para uma nova família rica vinda do sul da Inglaterra. Chegariam em um mês, o pedreiro me disse.

Como todo condado, aqui não há segredo. A notícia se espalha rápido e pode-se saber de tudo o que acontece por aqui em uma única tarde conversando com um dos locais. Outra coisa que temos por aqui são superstições. Somos um dos primeiros condados da Inglaterra e descendentes de celtas, sendo assim fazemos festivais da colheita e algumas famílias fazem sacrifícios de animais para louvar algum deus celta do bosque antigo que eu nunca fiz questão de saber.

Confesso que gosto dos festivais, é bom para se divertir e meu pai me permite dançar à noite inteira. Mas por outro lado, não concordo com os sacrifícios de animais que fazem perto do bosque. Falam que isso é necessário para que o deus do bosque segure as criaturas sombrias que moram na escuridão proporcionada pelas árvores. Eu não acredito nisso, acho bobagem, mas boa parte da população aqui acredita.

De qualquer maneira eu não me aproximo do bosque que cerca a cidade de Exeter, capital de Devonshire. Ele me dá calafrios. Está sempre rodeado pela neblina e nada se pode ver além de dois metros por causa da escuridão. A luz solar parece não penetrar no bosque.

Quando era menina me falaram que há uma estrada de terra dentro do bosque que leva até um grandioso castelo. O Castelo Masen, segundo me contavam, era o lar de um príncipe Húngaro que veio fazer da Inglaterra seu novo lar. A história conta que o príncipe era o mais belo rapaz que já havia se visto, ele era alegre e ajudava os aldeões de Devonshire que na época não passava de uma pequena vila. A beleza do rapaz despertou o interesse de várias donzelas, inclusive de uma que estava comprometida. O noivo desta donzela ficou enciumado ao ver que sua noiva e o príncipe estavam ficando mais próximos. Movido pela bebida tirou a vida do rapaz e de sua noiva. Desde então dizem que o castelo é assombrado pelo fantasma do rapaz, que perdido sem o amor vaga pelo castelo desconsolado e perdido.

Alguns vão além, dizem que o espírito do rapaz carrega sede de sangue e vingança e várias pessoas haviam desaparecido quando estavam ao redor do castelo, vítimas da busca pela vingança do príncipe. Desde então as crianças são orientadas a ficar longe do bosque. Eu nunca acreditei nessa história, sempre achei que era uma maneira de convencer as crianças a não adentrarem na mata e se perderem.

Mesmo assim eu ainda prefiro evitar o bosque. Não por medo da lenda, claro, mas pela sensação de mau agouro que aquelas árvores de casca negra me transmitem.

– Aqui está Isabella. São dez libras. – Mary disse colocando um pequeno saco marrom em cima do balcão.

– Mary, pode por favor colocar na conta de meu pai? – eu pedi sem graça à Sra. Newton.

– Oh, Isabella, vocês já me devem trinta e duas libras.

– Eu sei Mary, prometo que iremos pagar. Papai recebeu uma encomenda de queijo de

uma vila aqui perto e logo teremos dinheiro suficiente para te pagar. Ele volta hoje à noite, amanhã de manhã trarei o seu dinheiro. – eu disse suplicante.

Eu e meu pai morávamos sozinhos, minha mãe havia morrido ao me dar a luz e não tenho irmãos. Papai faz queijo de leite de cabra e eu o ajudo, mas nos últimos tempos a venda caiu bastante porque o queijo de leite de vaca estava sendo mais procurado. Não tínhamos dinheiro para comprar uma vaca e acabamos no prejuízo. Felizmente havíamos recebido uma encomenda há uma semana atrás de uma vila nos arredores de Exeter.

– Tudo bem Isabella, sei que as coisas estão difíceis para você e seu pai, mas eu preciso do dinheiro para dar continuidade ao meu negócio. Espero que traga o dinheiro amanhã. Michael, anote ai mais dez libras no nome de Charlie Swan. – Mary disse para o garoto loiro, alto e magrelo que estava flertando mais uma vez com Jéssica Stanley, minha vizinha.

– Claro mamãe, já vou anotar. – ele disse isso e voltou a tecer elogios para Jéssica que estava cada vez mais vermelha.

– Faça isso agora, antes que você se esqueça. – ele bufou e pegou a caderneta. –

Garotos. Ele está naquela faze em que tudo o que se passa em sua cabeça é um rabo de

saia. Vou ter que casá-lo logo com alguma jovem para ver se essa empolgação passa. – Mary disse contrariada para mim e se virou para atender outro cliente.

Eu peguei o saco de açúcar e coloquei na cesta. Enquanto andava na rua em direção à minha casa, vi a carruagem da Duquesa de Devonshire passando e ela acenava para todos alegremente. Ela era linda, Georgiana Cavendish, a mais linda Duquesa que já tivemos é o que a população dizia. Ultimamente ela estava envolvida com a política e sua audácia chocava muitos homens.

– Ficaram sabendo? Dizem que ela vai construir mais um porto em Devonshire. – um

senhor de terno e cartola disse para um grupo de rapazes que estava ao seu lado.

– Tomara que ela consiga, precisamos de mais um porto. O condado está crescendo, não

duvido e logo nos tornamos o maior de toda a Inglaterra. – um rapaz disse para o senhor

que aprovou sua afirmação.

Parei de prestar atenção na conversa e segui meu caminho. Logo estava em casa e comecei a fazer pães, uma vez que não tínhamos mais nenhum na dispensa.

Após passar a tarde na cozinha, fazendo pães e uma torta, eu fui para a varanda de casa tomar um ar. Notei que já era tarde da noite e meu pai já deveria estar aqui.

Passei a madrugada acordada esperando por meu pai, mas ele não apareceu. Assim que amanheceu eu resolvi procura-lo. Não era normal ele demorar tanto e eu precisava que ele chegasse com o dinheiro para pagar Mary e o aluguel da casa que vencia hoje.

Coloquei um vestido azul com mangas cumpridas, pois a manhã estava gelada. Antes que eu pudesse abrir a porta para sair, alguém bateu e eu, contrariada, fui atender.

– Bom dia, Bella. – Jacob Black disse abrindo um grande sorriso ao me ver.

– Senhor Black, por favor me chame de Isabella. Não temos tanta intimidade assim.

– Claro, me desculpe senhorita. – ele disse entrando na casa sem pedir licença.

– Se o senhor me permite, o que faz aqui a essa hora da manhã?

– Hora essa, vim cobrar o aluguel. – ele disse com um sorriso presunçoso nos lábios.

Apesar de jovem Jacob Black possuía bastante posses que foram deixadas por seu pai ao falecer há dois anos atrás. Jacob possuía 28 anos e segundo o que diziam por ai estava procurando uma pretendente para se casar. Eu bem sabia disso, pois ele já havia pedido minha mão diversas vezes. Eu sempre negara, e nas ultimas vezes ele dizia estar testando a sua paciência. Eu não queria me casar com Jacob, ele era muito rude e convencido.

Eu não entendia sua obsessão por mim. Eu sou uma jovem de vinte anos normal de mais, não sou bonita e nem feia. Tenho longos cabelos castanho-escuros que alcançam minha cintura, olhos achocolatados que às vezes ficam em um tom mel, sou bastante pálida e magra, sem muitos atrativos femininos. Não uso maquiagem e nem vestidos caros por não ter condição de comprar. Mas Jacob mesmo assim parecia realmente interessado. Ele uma vez disse que se um dia ficássemos sem dinheiro para pagar o aluguel a divida só seria cessada se eu me casasse com ele. Desde então ele aparece sempre cedo em casa para cobrar o aluguel no dia do vencimento. Eu sempre pagava em dia, até agora.

– Oh, claro. Se não se importa eu peço que venha mais tarde, eu estou de saída agora.

– Não está com nenhum problema, espero. Tem o dinheiro para pagar o aluguel? – ele perguntou me analisando de cima à baixo.

– Não claro que não. – eu disse me virando para pegar meu chapéu e coloca-lo. Não queria que ele visse a mentira em meus olhos. – Não há problema algum, só um

compromisso. Mais tarde quando vier te darei o dinheiro. – eu me virei já indo em direção a porta.

– Tudo bem então. Venho mais tarde. Até mais, senhorita Swan. – ele disse se curvando um pouco e abrindo a porta.

Eu suspirei aliviada pela mentira ter passado despercebida e sai logo atrás de Jacob. Ele entrou em sua carruagem e acenou enquanto se afastava.

Enquanto isso eu comecei a minha busca por meu pai. Eu não sabia para qual vila ele tinha ido, mas sabia que ele tinha ido em direção à casa de Leah Clearwater, uma senhora de idade que morava perto do bosque.

Chegando até a sua humilde residência eu bati em sua porta e logo um senhora morena com longos cabelos grisalhos atendeu a porta. Muitas pessoa evitavam Leah por acharem que ela era uma bruxa, mas ela era somente uma descendente de índios que tinha grande conhecimento sobre ervas.

– Bom dia senhora Leah. Desculpe incomodá-la a essa hora, mas é que preciso de uma informação.

– Oh, tudo bem minha criança. Não quer entrar? – ela disse sorridente. Eu e meu pai

éramos uma das poucas pessoas que a visitavam e por isso ela tinha um grande apreço

por nós.

– Não, hoje não senhora Leah, prometo ser breve. A senhora por acaso não viu meu pai

passando por aqui há dois dias atrás? Ele foi a uma vila para vender queijo e era para ter

retornado ontem à noite.

– Por acaso eu vi sim minha criança. Ele passou aqui para me cumprimentar antes de

seguir seu caminho. Ele me contou que estava indo realizar uma venda e disse que o caminho passava pelo bosque. Eu disse para ele pegar outra rota, um caminho mais longo, mas ele não quis me ouvir. Não, não, senhorita, ele não me ouviu. Eu disse que havia criaturas malignas no bosque e que ele poderia ser vítima delas, mas ele não me ouviu não. Seguiu caminho mesmo assim. Oh, senhor, espero que esteja tudo bem com meu amigo Charlie. – ela disse a ultima frase mais para si do que para mim.

Até aí eu não vi nada de mais. Meu pai era como eu, não acreditava nas histórias da cidade. Eu não acreditava que alguma criatura maligna o havia capturado, com certeza ele estava perdido ou poderia ter acontecido algum imprevisto. De qualquer maneira eu teria que ir atrás dele. Não poderia ficar por aqui, Jacob e Mary iriam atrás de mim hoje cobrar um dinheiro que eu não tinha. Teria que ir atrás de meu pai e ver se conseguia trazê-lo o mais rápido possível para a cidade.

– Oh, muito obrigada senhora Leah. Se não se importa agora eu me vou. Pode por favor me dizer que rota meu pai pegou?

– Ele pegou aquela velha estrada de terra que tem aqui perto. Mas porque pergunta criança? Não está pensando em cometer a mesma loucura que ele, espero.

– Eu preciso encontrar meu pai Senhora Leah. Tenho dívidas para pagar e ele tem o dinheiro. Preciso ir atrás dele antes de ficarmos mal falados na cidade.

– Não faça isso criança, a estrada é perigosa e traiçoeira.

– Não se preocupe Senhora, eu sei me cuidar.

– É cabeça dura como o pai. Está bem, não posso prendê-la aqui, mas se vai mesmo

seguir esse caminho deixe me ajuda-la. Tenho uma égua aqui, que já está bastante velha, mas vai servir para lhe guiar na estrada. Venha criança, ela está logo ali. – dito isso a senhora Leah me guiou para de trás da casa.

Havia um velho celeiro caindo aos pedaços ali e lá dentro havia uma égua branca que comia feno tranquilamente. A senhora Leah a selou para mim e puxou a égua até a entrada da estrada de terra.

– Daqui pra frente criança tome cuidado. Não confie em nada e nem em ninguém. Siga

a estrada até o seu fim e assim sairá do bosque. A vila está do outro lado. Faça boa viagem e não pare no caminho. Tome essa bolsa, ai dentro encontrará pão, um pedaço de peixe salgado e uma pequena garrafa de vinho. – ela disse me entregando uma bolsa

larga de couro marrom.

Eu a prendi firmemente na sela do cavalo e logo depois montei a égua que relinchou um pouco. Provavelmente fazia muito tempo que não era montada.

– Vá enquanto ainda é dia criança. Chegue lá antes do anoitecer. Pendurada na cela você irá encontrar uma lamparina, use-a se necessário.

– Obrigada Senhora Leah. Prometo trazer sua égua sã e salva. – dito isso eu dei um aceno de despedida para senhora idosa que retribuiu meu aceno.

A medida que aprofundávamos no bosque os calafrios que eu sentia em relação a ele foram aumentando. Tentei ignorar, era bobagem sentir medo sem motivo. Não havia nenhum raio de sol por ali, tudo era exageradamente escuro. Acendi a lamparina e a prendi de uma forma segura na cela.

Agora com iluminação, parte do meu medo havia se dissipado. Com o passar do tempo minha visão foi se acostumando à penumbra. Meu estomago roncava mas eu não queria parar para comer. Eu tinha que chegar antes do anoitecer. Mas como eu saberia quando fosse noite? Eu não podia ver o céu dali. O jeito seria seguir caminho sem nenhuma parada.

Não sei quanto tempo havia se passado, horas talvez, mas em um determinado momento eu comecei a ouvir movimentos entre as árvores. A égua ficou inquieta e um uivo pode se ouvir ao longe. A égua relinchou e empinou me derrubando de sua cela. Eu me levantei apressada tentando controla-la, mas era tarde de mais. A égua agora seguia em disparada na direção em que havíamos vindo me deixando para trás.

Me levantei e bati um pouco a mão no vestido para ajeitá-lo. Eu já não usava mais meu chapéu e não consegui avistá-lo em lugar algum. Provavelmente foi parar em meio às

árvores quando cai da égua. Avistei a lamparina caída a alguns metros de mim e fui em sua direção. O jeito seria continuar meu caminho sozinha, não valia a pena voltar, eu sabia que já estava bem longe da casa da senhora Leah. Continuei andando pela estrada segurando a lamparina. Meu estômago roncou alto e eu não precisei andar muito para começar a sentir sede.

Eu tremia de medo e fome. Eu sentia como se as árvores estivessem andando em minha direção me cercando, preparando uma armadilha. Ignorei os pensamentos tolos e continuei andando já exausta. Provavelmente a minha noite mal dormida contribuiu bastante para a minha exaustão tão facilmente adquirida. Em uma determinada parte do caminho comecei a ouvir o barulho de água corrente. Minha garganta ardeu mais ainda pela sede. Como eu estava arrependida de não ter parado para me alimentar.

Exausta, com muita sede e fome, resolvi seguir o som da água corrente. Prestei bem atenção aonde eu estava indo para que eu não me perdesse na volta. Aos poucos eu fui avistando um rio que eu supus ser uma parte do rio Exe que cruzava a cidade de Exeter. Me aproximei mais do rio e pude vislumbrar dali um relance do céu. Era o crepúsculo, o céu estava tingido de um vermelho vivo enquanto o sol se despedia para dar lugar a lua. Eu precisava chegar ao outro lado do bosque depressa, não queria ficar ali à noite. Apesar de sentir que era uma completa besteira, uma vez que não se via diferença de dia e noite no bosque.

Agachei à margem do rio e coloquei a lamparina ao meu lado. Fiz um formato de concha com a minha mão e comecei a tomar a água gelada do rio até acabar com minha sede. Assim que me saciei eu me levantei e peguei a lamparina. No horizonte eu avistei algo que não havia reparado antes, talvez por causa da minha urgência em beber um pouco de água, mas ali estava um enorme castelo negro em meio a uma penumbra e névoa com corvos empoleirados em suas torres.

Se eu seguisse reto de onde eu estava eu logo chegaria a uma ponte velha de madeira que tinha por ali, consequentemente facilitaria a minha ida até aquele castelo que ficava do outro lado do rio em meio a tantas árvores. Seria aquele o castelo do príncipe? Não importava, eu tinha meu caminho para seguir.

Virei de costas, na direção de onde eu tinha vindo, e notei que a lua cheia já estava alta no céu. Ouvi barulhos em meio às árvores e logo depois ouvi alguns uivos. Lobos, com certeza, e eles estavam perto. Notei que os barulhos estavam se aproximando muito rápido e percebi que se ficasse ali seria devorada em instantes pelos lobos.

Senti meu corpo ser tomado por uma energia e me pus a correr em busca de segurança. Fui em direção à ponte e continuei a correr entre as árvores. Meu longo vestido azul prendeu várias vezes em meio às raízes de árvores expostas me levando ao chão inúmeras vezes. Meu joelho ardia, eu sentia que algo escorria pelo meu braço e a manga do vestido grudava a isso. Provavelmente meu sangue, o que era péssimo para mim, isso atrairia com mais facilidade as feras.

Mesmo machucada, eu não parei, continuei a correr até chegar aos portões do castelo. Não sabia por que tinha ido até ali, mas de qualquer maneira era a minha melhor chance de escapar dos lobos. Passei pelo portão que estava entre aberto e depois o fechei. Pelo vão dos grandes portões de ferro vi dois lobos negros ao longe com enormes olhos

amarelos a me olhar. Senti um calafrio passar pela minha coluna e me virei em direção à entrada do castelo.

Uma fina chuva começava e meu vestido molhado começou a grudar em meu corpo enquanto eu andava pelo pátio de pedra do castelo. Sentia estar sendo observada. Olhei para os lados e a única coisa que eu encontrei foram gárgulas me encarando. Ignorei a horrível sensação e me preparei para bater na porta. Por um momento me senti ridícula, provavelmente ninguém morava ali, afinal não sabia de alguém morando em um castelo no meio do bosque. Mas se morasse era melhor não ser indelicada, então bati na porta e ela logo se abriu. Entrei apressada no castelo para me proteger da chuva.

– Obrigada, eu

aberto as portas para mim, mas não encontrei ninguém.

– eu disse apressada tentando agradecer à bondosa alma que havia

Olhei ao redor do castelo e tudo parecia estar bem cuidado, extremamente limpo, mas a decoração era tenebrosa. Antes que eu pudesse fazer qualquer outra análise eu vi um vulto perto da escada coberta pelo tapete vermelho. Eu senti um tremor passar por mim e me vi ser preenchida pelo medo. Será esse o castelo do príncipe e aquele vulto o espírito atormentado do rapaz?

Notas finais do capítulo Reviews? :)

(Cap. 3) Prisioneira

Notas do capítulo Oi gente! Obrigada pelos reviews que recebi :) espero que estejam gostando da fic e espero tbm reviews das leitoras fantasmas :) custa nada fazer a alegria da autora gente xD Indo ao que interessa, vamos ao capitulo. Boa leitura.

Olhei atentamente para o vulto parado na escada e notei que a silhueta era de uma mulher miúda de mais para ser alguém mais velha do que eu. O medo se dissipou assim que eu constatei isso e fiquei feliz por ter sido acolhida por aquela gentil senhorita.

– Oh, obrigada por me abrigar da chuva senhorita. Se não for muito incomodo posso

passar a noite aqui? Prometo não dar trabalho. Eu

que a silhueta se distanciava. – Senhorita e se distanciou mais.

senhorita? – eu disse quando notei

– mas ela pareceu não me ouvir

por favor

Virei para trás e fechei a porta. A chuva estava ficando mais forte e, mesmo com a porta grossa de madeira fechada, eu ainda podia ouvir os trovões. Eu precisava ir atrás da senhorita e pedir por abrigo por essa noite. Não poderia voltar para a estrada tendo lobos a minha espera e uma tempestade lá fora. Fiquei irritada pela falta de hospitalidade e cordialidade da dama que desapareceu entre os corredores sombrios do castelo.

Subi as escadas tremendo um pouco de frio por causa das roupas molhadas. Notei que apenas alguns candelabros estavam acesos e, pela falta de calor no interior do castelo, eu diria que não tinha nenhuma lareira acesa. Cheguei ao topo da escada com dificuldade, pois meu joelho ardia muito e aparentemente o meu tornozelo esquerdo também havia sofrido algo já que latejava.

Chegando ao topo da escada eu segui pelo corredor que a senhorita havia desaparecido. Estava muito escuro ali, mas às vezes tudo se iluminava quando a luz dos raios da tempestade invadiam o corredor pelas imensas janelas de vidro. Durante esses segundos de luz, notei que os vitrais da janela eram repletos de desenhos de humanos disformes e demônios. Uma escolha peculiar, para não dizer estranha e assustadora. As paredes eram escuras, aparentemente um tom estranho de vinho. O chão era de mármore preto e estava bem lustrado. Havia algumas pinturas espalhadas ao longo do corredor de anjos caídos, demônios, santos sendo torturados e outras coisas grotescas que eu não fiz questão de analisar.

Era mais do que óbvio que aquele castelo não estava nem um pouco abandonado devido

a boa limpeza e organização do lugar, mas eu ouso dizer que o decorador deste castelo tem sérios problemas com Deus. Se alguém da Igreja visse isso certamente o chamaria de herege e em pouco tempo estaria excomungado.

Continuei caminhando pelo longo corredor e ao chegar ao final encontrei uma bifurcação. Por onde a dama poderia ter ido? Olhei para direita e não vi ninguém, mas encontrei a silhueta feminina parada ao fundo do corredor da esquerda como se me esperasse.

– Senhorita, que bom que

novamente virando em outro corredor.

– assim que eu comecei a falar a silhueta desapareceu

Fiquei irritada. Era a segunda vez que essa senhorita era indelicada comigo, com certeza ela não era nenhuma dama.

Continuei caminhando com dificuldade indo na direção em que a silhueta foi. Cheguei

ao corredor em que ela havia desaparecido e notei que ao seu final havia outra escada e

a silhueta estava lá em cima me aguardando. Assim que comecei a subir ela desapareceu novamente e eu começava a ficar com raiva da sua falta de modos.

Continuamos com esse jogo sem sentido por mais alguns minutos, e eu já havia desistido de chama-la há muito tempo. Ela parecia estar me guiando para algum lugar bem alto no castelo e meu joelho e tornozelo doíam mais do que nunca agora. Cada vez mais lenta eu andava, mas eu não parei. Precisava de abrigo e talvez aquela senhorita estivesse me guiando para algum quarto. Provavelmente seria um quarto de empregada, já que estávamos bem longe dos outros aposentos, mas qualquer coisa era melhor do que ficar na chuva ao relento. Talvez ela seja uma daquelas ricas que tem aversão a pessoas menos favorecidas e não queira ter nenhum tipo de contado comigo. Bom, pelo menos ela era bondosa em me dar um lugar para ficar.

Virei mais uma vez para outro corredor e a silhueta feminina me aguardava ao seu final. Ela abriu uma porta quando eu apareci e entrou. Eu a segui e encontrei mais escadas para subir. Minha irritação dobrou, mas não reclamei e nem chamei pela senhorita. Não

queria correr o risco de ser expulsa do castelo. Queria saber quem era o dono desse castelo. Ela, talvez? Ou será uma governanta? Não, governanta são mais velhas, a silhueta é claramente de uma menina, talvez um ano mais nova do que eu.

Subi as escadas e cheguei ao seu final exausta. Olhei ao redor mas não consegui enxergar nada, estava muito escuro. Percebi que havia apenas um pequeno feixe de luz vindo de um ponto distante do lugar. Fui até lá e vi ser um pequeno candelabro com apenas uma vela acesa. Segurei-o e tentei iluminar um pouco o lugar, mas de nada adiantou. Percebi que havia outro candelabro ali perto e ao verifica-lo notei que era igual ao que eu segurava. Acendi a outra vela iluminando mais o lugar.

O lugar ficou mais iluminado, mas a diferença não foi muita. Olhando mais ao redor notei outro candelabro e mais outro a distância. Fui até eles e acendi todos que encontrei. No total eram oito candelabros espalhados pelo local, sendo que apenas um era grande. Agora mais iluminado, eu poderia analisar o local. No primeiro momento fiquei um pouco em choque e assustada. Eu estava em um calabouço. Ao fundo havia três celas com portas de madeira e uma janela sem vidro por onde entrava um pouco da chuva deixando o chão perto dali muito molhado. O local estava empoeirado, cheio de teias de aranha e com alguns ratos que passeavam tranquilamente pelo lugar.

– Senhorita, por favor. A senhorita está aqui? Preciso saber por que me trouxe aqui. – disse nervosa e com raiva da senhorita ter me guiado até aquele lugar horrível.

Por que me levara até ali? Por acaso pretendia me prender e me fazer sua prisioneira? Fiquei mais nervosa ainda ao notar que não havia ninguém ali, apenas eu. O que era muito estranho, pois eu não vi ninguém passar por mim.

– Senhorita? Onde está? – chamei mais uma vez.

– Bella? – uma voz rouca soou pelo calabouço me fazendo pular de susto. – Bella, é você? – a voz soou novamente parecendo ser muito familiar desta vez.

– Papai? – eu disse receosa.

Em baixo das portas das celas havia um vão por onde se passava a comida para o prisioneiro. De lá eu vi aparecer uma mão e depois um rosto, o rosto de meu pai.

– Papai! – exclamei surpresa e horrorizada.

Fui até lá e me agachei com dificuldade à sua frente e coloquei o candelabro ao meu lado. Segurei a sua mão que estava muito gelada e quase imediatamente ele começou a tossir.

– Papai! O que está fazendo aqui?

– Bella, como me achou? Não importa. Preciso que saia daqui antes que ele a capture também.

– Ele quem? Não vou deixar o senhor.

– Bella, eu preciso que vá. Há um homem nesse castelo e ele não é humano! Ele me

capturou enquanto eu fugia dos lobos e me refugiava em seu castelo. Ele me aprisionou por invadi-lo e eu olhei bem em seus olhos, ele não é humano Bella! Vá embora, vá antes que ele a descubra. – eu olhava confusa para meu pai que não falava nada racional.

Toquei em sua testa e percebi que ele estava queimando de febre. Ele estava doente e possivelmente delirando por causa da febre, só isso explicaria sua conversa sem sentido. Um vento gelado invadiu o calabouço apagando a maioria das velas. A iluminação agora estava precária e eu mal via o rosto de meu pai, mesmo com uma vela por perto. Ele começou a tossir novamente e percebi que se ele ficasse muito tempo ali naquele chão frio ele poderia piorar e até mesmo morrer.

– O senhor está doente, preciso tirá-lo daqui

assim que senti mãos geladas me puxando pelos punhos.

AH! – soltei um curto grito de susto

– Bella! Deixe-a em paz seu monstro! – meu pai bradava de dentro da sua cela e logo depois ele começou outra crise de tosse.

Olhei para frente tentando encontrar o dono daquelas mãos frias que seguravam meus pulsos tão fortemente, mas nada pude ver na escuridão, apenas uma silhueta masculina bem alta e, aparentemente, bem forte.

– O que faz aqui? – ele disse como uma voz aveludada e forte.

Eu a consideraria a voz mais bonita que já ouvi se ela não estivesse preenchida pela raiva.

– Eu

guiou até aqui.

eu fugi de lobos e me escondi no castelo. Encontrei com uma senhorita e ela me

– Não deveria estar aqui.

– Quem é você? Por que mantém meu pai aprisionado?

– Eu sou o dono deste castelo e seu pai o invadiu, assim como você, senhorita.

– Oh, mas não vê que ele está doente? Ele pode morrer se ficar aqui. Por favor, solte-o.

– Ele não deveria ter invadido! – o homem disse com mais raiva.

– Não foi por querer, por favor, eu faço o que quiser.

– Não há nada que possa fazer, ele é meu prisioneiro. Se não quiser ser uma, sugiro que vá embora imediatamente. – ele disse me jogando no chão frio do calabouço.

Com a queda eu esbarrei no candelabro levando-o ao chão e fazendo a vela se apagar logo em seguida. A escuridão estava maior ainda e o calabouço só se iluminava um pouco quando a luz dos raios entrava pela janela. Ouvi os passos do homem se

afastando e comecei a sentir um desespero em imaginar meu pai jogado para morrer em sua cela.

– Espere! – chamei-o desesperada.

– O que é? – ouvi seus passos se aproximando devagar.

– Eu fico no lugar dele. – disse firme. Eu era mais jovem e com certeza resistiria mais àquelas condições. Meu pai não merecia morrer aqui.

– Bella, não! – meu pai começou a dizer mas logo começou a tossir novamente.

– Você quer que eu a prenda? – a voz do homem agora era mais calma e mesmo no escuro eu sentia que ele me analisava.

– Se eu ficar, o senhor o deixa ir?

– Bella, não faça isso! Já estou velho, já vivi minha vida.

– Deixo, mas com uma condição. – o homem disse rudemente.

– Qualquer coisa. – eu disse já tentando me conformar com a minha futura situação.

– A senhorita deve me prometer que vai ficar para sempre. – estranhei o seu pedido,

mas de qualquer maneira eu não tinha escolha. Eu precisava de meu pai livre e bem.

– Tem a minha palavra. – eu disse por fim.

– Feito. – os passos do homem passou por mim e escutei uma fechadura sendo aberta.

– Bella, não faça isso minha querida. – meu pai disse caído ao meu lado.

Eu tateei no escuro até encontrar suas mãos trêmulas e geladas.

– Não se preocupe papai. Tudo vai acabar bem.

– Bella, minha filha

para longe de mim.

BELLA! – meu pai gritou e senti que ele estava sendo puxando

– ESPERE! ESPERE! – eu gritava tentando ir atrás do vulto do homem que arrastava o corpo de meu pai escada abaixo.

Eu já não podia mais ver nenhum vulto. Desci as escadas e encontrei a porta lá em baixo trancada. Subi novamente em prantos e ao longe pude ouvir os gritos de meu pai. Corri para a janela da torre e lá em baixo vi um homem com vestes negras arrastando meu pai até uma carruagem.

– ME SOLTE, POR FAVOR, MINHA FILHA!

– NÃO TEM MAIS NADA COM ELA. LEVE-O PARA A CIDADE! – o homem

gritou logo depois de jogar meu pai na carruagem e trancá-lo lá.

A carruagem logo se pôs a andar em uma alta velocidade, sendo puxada por dois cavalos negros. Eu logo a perdi de vista, sumindo por fim em meio à tempestade e a floresta. Eu me joguei no chão do calabouço e me pus a chorar. Chorei por não me despedir de meu pai, por nunca mais poder vê-lo e por estar presa em uma torre gelada e úmida até o fim de meus dias.

Escutei a porta lá em baixo ser destrancada e o som de passos subindo. Eu tremi de medo antevendo que agora seria a hora em que seria trancada em minha sela. Chorei mais alto ainda e não conseguindo conter minhas emoções disparei a falar.

– Não consegui dizer adeus. O senhor não me deixou me despedir e eu não vou vê-lo

outra vez. – um silêncio se fez por alguns minutos e eu tentei enxergar algo em meio a escuridão e as lágrimas.

Vi que o homem estava perto da escada. Ouvi seus passos e logo vi uma vela ser acesa.

O homem se aproximou com um candelabro em sua mão e agora eu podia ter uma

maior visão de sua aparência.

Ele usava vestes totalmente negras, e pareciam ser antigas, muito antigas para o nosso tempo. Um pouco de água pingava por suas mangas. Ele devia estar encharcado por causa da chuva forte que tomou. A parte mais iluminada era sua mão e percebi que sua pele era bastante alva, até mais do que a minha. Suas unhas eram um pouco alongadas e pareciam ser afiadas, mas eram incrivelmente lustrosas. Ele era alto, muito alto, e era bem forte como eu supura. Seu rosto estava encoberto pela penumbra mas eu consegui notar que era bem másculo e seus traços eram muito fortes. Eu queria ver os seus olhos, mas aparentemente eles continuariam ser um enigma para mim.

– Vou lhe mostrar o seu quarto. – eu o olhei incrédula. Do que ele falava?

– Meu quarto? Mas eu pensei que

– O quê? Prefere ficar na torre? – ele disse com uma voz fria e rude me fazendo ficar com um pouco de medo.

– N-não. – eu disse um pouco tremula, tanto por frio quanto por medo.

– Então venha comigo. – ele disse por fim virando-se de costas.

Eu levantei com dificuldade e me apressei em segui-lo. Logo estávamos percorrendo

um dos inúmeros corredores daquele grotesco castelo. Em todos os cantos eu encontrava os olhos de gárgulas e pinturas macabras me observando. Seguia o homem em silêncio e às vezes analisava-o um pouco.

Seu andar era firme e razoavelmente lento. Provavelmente ele notara que eu não conseguia acompanha-lo direito. Ele andava elegantemente ereto, alguém que tinha bons modos, com certeza. Bom, em parte, já que ele não tratou eu e meu pai com

cordialidade. A lembrança dele jogando meu pai na carruagem fez a vontade de chorar voltar mas eu tentei ao máximo segurar as lágrimas.

Olhei para o homem a minha frente que seguia em silêncio novamente e analisei seus cabelos. Estavam molhados por causa da chuva e aparentemente eram escuros. Eram lisos, e as mechas pareciam estar bagunçadas.

Não demorou muito e chegamos a um corredor que possuía várias portas ao longo de sua extensão. Ele se dirigiu até uma delas e abriu, ficando parado ao lado da entrada.

– Esse é seu quarto. O castelo é seu lar agora, pode ir aonde quiser, menos na ala oeste.

– ele disse friamente e indicou para que eu entrasse no quarto.

– O que há lá?

– É PROIBIDA! – ele gritou me fazendo dar um passo para trás assustada.

Havia perguntado curiosamente e ao mesmo tempo tentando conseguir mais informações, se soubesse que seria tratada com tanta indelicadeza teria ficado de boca fechada. A falta de modos dos habitantes desse castelo estava me irritando profundamente.

Entrei no quarto e logo em seguida ele me estendeu o candelabro. Peguei-o e olhei para

o homem a minha frente que segurava firmemente a maçaneta da porta.

– Em alguns minutos alguém virá aqui para auxiliá-la e ajudá-la a se aprontar para o jantar.

– Jantar? – eu disse surpresa e no mesmo momento meu estômago roncou me lembrando de que a muito não me alimentava.

– Sim, você vai jantar comigo. E isso não é um pedido. – dito isso o homem fechou a porta com força fazendo um alto estrondo.

Eu coloquei o candelabro em uma mesa ali perto e analisei o quarto. Era grande, estava limpo e bem arrumado. Havia uma lareira de mármore branco no canto que eu desejava estar acesa. Sentei-me na cama e analisei a colcha. Era do tecido mais macio que eu já havia sentido, algo muito caro, com certeza. Parecia ser de um tom azul, mas eu não podia dizer pois estava muito escuro. De repente percebi que lágrimas escorriam pelo meu rosto e comecei a chorar baixinho. Eu estava condenada a passar a minha vida presa em um castelo escuro, frio e sozinha.

Notas finais do capítulo

E ai, reviews? :)

(Cap. 4) Repudio

Notas do capítulo Gente, os reviews vieram tão rápido que eu tive que postar hoje :D obrigada pelos reviews meninas.

Leitoras fantasmas, vamos fazer a alegria da autora para ter capitulos mais rapidamente?

xD

Espero que gostem do cap.

Eu tentava controlar as lágrimas que teimavam a cair quando um toque abafado pôde ser ouvido vindo da porta. Limpei mais que depressa meu rosto, poderia ser aquele homem e não queria que ele me visse chorando. Respirei fundo e tentei dizer o mais firme possível.

– Entre. – eu disse com a voz um pouco rouca pelo choro.

A porta se abriu lentamente e uma jovem senhorita baixinha, de cabelos negros longos e ondulados entrou no quarto. Ela deveria ter dezessete, no máximo dezoito anos. Tinha a pele bem alva, os lábios em um tom avermelhado natural e sua estrutura era delicada e miúda. Usava um vestido verde esmeralda de mangas cumpridas. Achei interessante que ela não usava uma anágua por baixo do vestido como a maioria das damas de hoje em dia. Seu vestido parecia ser de um modelo mais antiquado, mas ainda sim bonito. Estranhei porque as donzelas de hoje em dia amavam as anáguas, quanto mais volumoso o vestido melhor. Mas aquela pequena senhorita de feições delicadas era diferente.

– Olá, como está? – eu fiz uma careta para a sua pergunta absurda e ela pareceu notar, o que era curioso já que o quarto estava muito escuro. – Oh, perdoe-me a pergunta descabida senhorita. É a força do hábito. Vamos começar com algo mais aceitável. Eu sou Alice, e você?

– Isabella, mas pode me chamar de Bella se preferir. – eu disse e escutei ela soltar um risinho.

– Bem, Bella, porque não iluminamos o seu quarto? Está muito escuro aqui. – dito isso ela começou a acender várias luminárias que haviam nas paredes do quarto.

Eu provavelmente estava ocupada demais chorando para ter notado. Eu precisava me recompor. Toda vez que eu mergulhava em lágrimas eu expunha mais ainda o meu estado frágil e deixava de notar as coisas ao meu redor. Isso não era bom.

– Pronto. Melhor, não acha? – ela disse enquanto acendia a ultima luminária e apagava

a vela que utilizou para acendê-la em sua mão.

– Sim, realmente. – disse por educação.

Agora que o quarto estava iluminado eu notei o quanto era bonito. Diferente do restante do castelo o ambiente ali era claro, as paredes eram de um turquesa lindo e haviam detalhes em dourado. O piso era de mármore branco, assim como os detalhes na lareira

e móveis. Havia um grande armário de madeira ao fundo e na parede oposta a lareira

havia outra porta que eu não havia reparado antes. Eu realmente ficava distraída quando chorava. O espaço era bem amplo e tudo ali exalava requinte e luxo.

Procurei pela senhorita Alice pelo quarto e a encontrei agachada próxima a lareira acendendo-a. Agradeci imensamente por ela estar fazendo aquilo, eu estava com muito frio.

Agora sim está melhor. Em minutos o ambiente ficará aquecido senhorita Bella. Posso

te

chamar só de Bella? – eu assenti e ela sorriu.

Parei para analisa-la melhor. Ela era tão alva quanto o homem que havia me trazido até aqui. Seus olhos eram de um estranho ocre que parecia reluzir. Havia algo estranho em sua figura, embora eu não conseguisse dizer o que.

– Bem, Bella, estou aqui para preparar-lhe um banho e novas vestimentas. Deve estar

cansada e faminta, então apressarei em colocar água quente na banheira para que possa se higienizar e descer para o jantar. Meninas! – ela disse um pouco alto a ultima parte e

a porta imediatamente se abriu.

Duas moças, uma baixinha de cabelos castanhos enrolados e outra bem alta de cabelos negros e lisos, entraram. Elas carregam dois baldes cada uma e eles eram enormes. Notei que elas usavam um vestido branco com vermelho e um gorro branco na cabeça, uma espécie de uniforme, devendo assim ser empregadas. A dama Alice foi em direção

à outra porta que havia em meu quarto e a abriu para logo em seguida as moças entrarem no local.

Estiquei um pouco o corpo, curiosa para ver o que tinha lá dentro, e notei ser um banheiro. Eu tinha um banheiro privativo? Isso viria muito a calhar. Escutei o barulho de água sendo despejada e logo em seguida as moças saíram do quarto. Em nenhum momento elas olharam para mim. Deveriam ser competentes em seu serviço.

– Venha Bella, venha enquanto a água está quente. – me levantei da cama e fui em sua direção.

Meu andar estava mais desajeitado. Agora que meu corpo esfriara estava mais difícil ainda me movimentar e a dor em meu joelho e tornozelo eram gritantes. Entrei no banheiro bastante iluminado e fiquei admirada com o requinte e o tamanho. Acho que meu antigo quarto não chegava à metade desse banheiro. Não analisei muito a decoração. Estava ansiosa para tirar a roupa molhada e entrar na água quente, lavando por fim meu corpo sujo de suor e terra.

– Venha, deixe-me ajuda-la. Deve estar congelando com esse vestido molhado. Seus lábios estão até mesmo arroxeados e você está tremendo! – Alice exclamou desmanchando as fitas do meu vestido que foi logo ao chão.

Ela me ajudou a tirar o espartilho restando por fim apenas a camisola de dormir que também estava meio húmida.

– Acho melhor tirar a camisola também. Não acha? – Alice disse e eu corei.

A jovem senhorita parecia extremamente relaxada diante da situação, mas eu estava

muito envergonhada. Nunca havia fica totalmente nua na frente de ninguém.

– Estamos entre mulheres. Não precisa ter vergonha. – ela disse notando meu desconforto.

– Tudo bem. – eu disse por fim retirando a camisola.

– Deixe-me ajuda-la a entrar na banheira. Parece que está com problemas no joelho.

– Sim, me machuquei quando cai na floresta. Meu tornozelo também não está de todo

bem, mas acho que logo melhora. – eu disse aceitando sua ajuda e entrando na banheira

grande de um material branco que eu desconhecia.

– É de porcelana. Ela retém com mais facilidade o calor. – ela disse parecendo ler meus pensamentos e me estendendo sua mão extremamente fria.

Eu tremi com o contado mas nada disse, não seria indelicada. Entrei na banheira apoiando uma parte de meu peso na jovem senhorita e fiquei com apenas uma parte de minhas pernas submersas na deliciosa água morna.

– Nunca vi banheiras de porcelana. Para falar a verdade, estou acostumada ainda com as tinas de madeira. – eu disse mergulhando meu corpo na água morna e soltando um gemido de prazer.

Meu corpo frio logo se acostumou com a água morna e relaxou, melhorando um pouco as dores que eu sentia. Senti uma dor aguda em meu braço e vi que havia um corte ali envolto em um pouco de sangue seco que saia aos poucos na água. O mesmo acontecia com meu joelho machucado.

– Vou deixa-la para que tenha privacidade em seu banho. Aqui há bucha e sabão. – ela

disse mostrando uma prateleira próxima à banheira onde continha a bucha e sabão em diferentes cores. –Lave bem seus ferimentos no braço e no joelho para que não infeccionem. Virei ao final do banho com sua toalha e estarei no quarto separando suas vestimentas para essa noite. Se precisar de algo me chame. – ela sorriu levemente e se retirou do banheiro me deixando só.

Comecei a tomar meu banho, limpei bem meus ferimentos como Alice sugeriu para que não infeccionassem. Logo depois comecei a limpar meu corpo. Me senti envergonhada quando notei a coloração amarronzada da água. Eu não tinha notado que estava tão suja. Logo depois me levantei para me retirar da banheira, no mesmo instante a porta do banheiro se abriu e a senhorita Alice apareceu segurando uma toalha branca. Queria saber como ela sabia que eu havia terminado o meu banho.

A jovem senhorita me envolveu com a toalha e eu fiquei encantada com sua textura fofa e macia. Realmente, tudo aqui parecia ser bem caro e do melhor.

– Obrigada. – eu disse quando ela se afastou me deixando enxugar meu corpo.

– Não há de quê. – ela disse sorridente.

Seu comportamento era tão calmo e alegre que eu quase podia me esquecer da minha atual situação naquele castelo. Quase.

– Senhorita, não é querendo ser indelicada, mas como as coisas serão para mim daqui para frente? – eu disse quando cheguei no quarto e Alice me estendia uma nova camisola.

– Por favor, me chame apenas de Alice. – ela disse delicadamente enquanto eu colocava

a camisola de dormir. – Não sei ao certo como as coisas serão, Bella. Você tem liberdade para andar pelo castelo, menos na ala oeste como já lhe foi dito. Os empregados estarão a sua disposição e poderá ter o que precisar, mas não poderá sair do castelo e aconselho escutar meu irmão quando ele lhe falar algo para não criar problemas e você não correr o risco de parar nas masmorras. – ela disse concentrada e me olhou seriamente.

– Então poderei ter o que precisar, menos minha liberdade? – Alice assentiu me

entregando um belo vestido azul ao mesmo estilo que o seu. – E você é irmã daquele homem rude?

– Sim, sou. O nome dele é Edward, a propósito. Não se preocupe com o comportamento dele, logo você se acostuma. – ela disse suspirando tristemente.

– Como posso me acostumar a tantas indelicadezas? Isso é impossível. – Alice soltou uma leve risada.

– Edward não é tão mal depois que o conhecemos, porque você não lhe dá uma chance de demonstrar?

– Desculpe-me Alice, mas eu não quero conhecê-lo. Eu não quero ter nada haver com

ele. Eu perdi meu pai, meus sonhos e tudo mais por causa dele. – eu disse tentando ser o menos indelicada possível, afinal ela era irmã daquele homem, mas não consegui deixar de soar magoada.

Alice nada disse, apenas deu um leve suspiro.

– Sente-se aqui. Deixe-me pentear seus cabelos. – Alice me indicou o banquinho de uma penteadeira.

Fui até lá e me sentei virada para o espelho da penteadeira vendo Alice pentear meus cabelos molhados pelo reflexo. Enquanto ela penteava delicadamente meus cabelos eu a analisava. Ela era tão miúda e delicada que parecia ser quebrável. E então me lembrei da silhueta feminina que me guiara até a torre. A silhueta e Alice eram igualmente pequenas.

– Alice. – chamei sua atenção delicadamente.

– Sim?

– Foi você que me guiou até aquela torre? – Alice olhou seriamente para meu rosto refletido no espelho.

Ela inspirou fundo e deu um leve sorriso nervoso.

– Oh, bem, sim.

– Por quê? E porque não respondeu aos meus chamados?

– Bem, eu não concordei com a prisão daquele senhor. Mas Edward estava irredutível e

nos ordenou a ficar longe dali. Quando a vi imaginei que poderia libertá-lo e os dois saírem livres daqui. Não respondi seus chamados porque nossas conversas poderiam chamar a atenção de meu irmão, e, como pôde perceber, isso não seria boa coisa. – ela

disse sem me olhar e ao final deu outro sorriso nervoso.

Eu sentia que ela estava mentindo, mas eu não queria dizer nada para não ser indelicada. Ela estava sendo gentil comigo e eu não queria retribuir com maus modos.

– Sabia que ele era meu pai? – perguntei tentando não deixar o assunto morrer.

– Oh, não Bella. Foi uma grande coincidência, não acha? – ela disse olhando para mim e lá estava aquele sorriso nervoso novamente.

– Sim, uma grande coincidência. – eu disse por fim e ela pareceu estar aliviada.

Ela colocou a escova novamente na penteadeira e depois voltou-se para mim apertando minhas bochechas levemente.

– O que está fazendo? – eu disse confusa com seu gesto.

– Provocando um pouco de cor em seu rosto. Está muito pálida. – ela disse e eu apenas

assenti permitindo que ela continuasse apertando minhas bochechas. – Pronto, agora sim. Está pronta, melhor descermos para o jantar, Edward não gosta de ficar esperando.

– Acho que não estou mais com fome. – eu disse sentindo que estava muito cansada.

Em minha mente eu só pensava em meu pai e se ele estaria bem. A preocupação começava a me consumir não deixando espaço para a fome.

– Mas Bella, você precisa se alimentar. – Alice me olhou alarmada.

– Muito obrigada por tudo Alice, mas eu não vou jantar.

– Mas tem que ir!

–Por favor Alice, quero apenas descansar agora. Avise-o que não irei.

– Bella

– ela começou a dizer parecendo estar bem preocupada.

– Por favor. – pedi mais uma vez me sentindo cada vez mais exausta.

– Tudo bem, mas aviso-lhe que Edward não irá gostar. Com licença Bella. – dito isso ela saiu do quarto bem depressa.

Eu retirei o vestido azul e o coloquei em cima do divã em frente à cama. Vestida apenas com a camisola, eu deitei na cama e me cobri com a macia colcha. Logo eu estava dormindo.

Acordei sobressaltada quando ouvi um grande estrondo. Percebi que vinha da porta, alguém batia nela com estrema violência.

– ACHO QUE EU LHE DISSE PARA DESCER PARA O JANTAR! – a voz daquele homem rude, Edward, soou do outro lado.

– NÃO ESTOU COM FOME! – eu gritei e logo depois me repreendi pela falta de educação.

Não importava, na verdade, afinal estava sendo tratada da mesma maneira.

– SAIA LOGO DAÍ OU EU QUEBRO ESSA PORTA! – ele gritou novamente e eu tremi de medo.

Será que ele seria capaz de fazer isso? Um estranho silêncio se fez durante alguns segundos.

– Você vai descer para o jantar? – ele disse do outro lado mais calmo.

– Não. – eu disse simplesmente.

– Me daria um grande prazer, se me acompanhasse no jantar. Por favor. – ele disse dessa vez soando um pouco nervoso.

– Não, obrigada. – eu falei mais delicadamente diante da sua primeira frase educada comigo.

– NÃO PODE FICAR AI PARA SEMPRE. – ele gritou novamente, sua calma e educação desaparecendo.

– POSSO SIM! – eu gritei irritada e logo percebi que minha resposta era absurda.

– PODE? ENTÃO VAI MORRER DE FOME! – ele disse e logo depois ouvi passos pesados se afastando.

Eu senti uma enorme raiva e depois comecei a ter noção do que havia feito. Oh, Deus, e agora? Eu seria trancada aqui? Ele realmente me deixaria sem comer? Foi em meio a tantas duvidas que eu adormeci novamente.

Acordei no meio da noite com o estômago doendo e reclamando pela falta de comida. Arrependi-me no mesmo instante de não ter ido jantar com o senhor Edward. Olhei pela minha janela e vi que a chuva havia parado e, aparentemente, era muito tarde da noite.

Levantei-me e coloquei o meu vestido. Iria me arriscar ir até a cozinha e tentar conseguir algo para eu comer. Era muito tarde, então provavelmente todos estariam dormindo e ninguém me perceberia andando pelo castelo.

Fui mancando até a porta, as dores haviam passado, mas eu ainda caminhava de forma desajeitada. Abri a porta e dei de cara com um homem alto, loiro e esquio me encarando do outro lado do corredor.

– Boa noite. – ele disse educadamente.

– B-boa noite. – eu disse sem jeito por ter sido pega no flagra.

– Sinto muito senhorita, mas recebi ordens para vigiá-la e não deixá-la sair do quarto. – ele disse parecendo realmente sentir muito.

– Oh, mas é que eu acordei com tanta fome. Será que eu não poderia ir até a cozinha e pegar algo para comer? Prometo não me demorar.

– Sinto muito senhorita, mas eu não posso deixar.

– Por favor. – eu supliquei com meus olhos cheios de lágrimas.

Então era isso? Eu ficaria presa em meu quarto agora e sem direito a comida? Ele realmente iria me deixar aqui para que eu morresse de fome? O homem, que não devia ter mais do que 25 anos, soltou um suspiro e depois olhou para os lados do corredor.

– Olhe senhorita, eu realmente não deveria fazer isso, mas eu não concordo com as

atitudes de meu cunhado. Se quiser posso lhe acompanhar até a cozinha, mas devemos fazer o caminho em silêncio para não chamar a atenção.

– Sim, claro, para mim está ótimo. Muito obrigada senhor

– Jasper. Me chame apenas de Jasper. – ele disse e sorriu de canto.

Eu fui em sua direção e ele foi me guiando pelos corredores do castelo. Fiquei feliz que o castelo se encontrava agora todo iluminado. Ele ia na frente para verificar se havia alguém próximo, e logo chegamos em frente à uma grande porta de madeira no piso inferior. Ele a abriu com cuidado e indicou para que eu entrasse. Eu logo me deparei com uma enorme cozinha com uma grande mesa de madeira ao centro. Jasper fechou a porta da cozinha e foi em direção à um grande armário de madeira.

– Sente-se. – Jasper disse enquanto retirava algo do armário.

– Obrigada. – eu disse me sentando em um dos grandes bancos de madeira.

Jasper logo colocou à minha frente um copo, uma jarra de vinho e outra de suco, pão, um prato, colher e uma panela aberta. Dentro da panela eu identifiquei uma sopa, e seu cheiro era esplêndido.

– Ainda está quente. Não faz muito tempo que o jantar foi servido. – ele disse e se sentou à minha frente.

– Obrigada, Jasper.

– Não agradeça. Coma, deve estar faminta. – eu assenti e me pus a servir.

Enchi meu prato com a sopa e logo depois despedacei um pouco do pão nela. Coloquei um pouco de vinho em meu copo e tomei tudo em um gole.

– Cuidado, não queremos que se embriague. – ele disse divertido e eu ri.

Comecei a comer e soltei um gemido de satisfação ao sentir o sabor da sopa.

– Está ótima. A cozinheira tem boa mão.

– Sim, Angela é boa no que faz. – ele disse e eu continuei a comer.

– Você disse que não concordava com seu cunhado. Por acaso seu cunhado é o senhor Edward?

– Sim, ele é meu cunhado. Sou casado com sua irmã, Alice. Você a conheceu.

– Oh, é marido de Alice? Não pensei que ela fosse uma senhora. Ela é encantadora.

– Sim ela é. – ele disse e eu vi um brilho em seu olhar.

Continuei a comer e às vezes olhava de relance para o rapaz à minha frente. Suas vestes eram de um azul marinho muito bonito, mas, como todos deste castelo, ele usava algo muito antigo para o nosso tempo. Seus olhos eram do mesmo tom ocre de Alice. Sua pele era bem alva e seus cabelos loiros eram lisos e arrumados.

– Se importa se eu repetir? – perguntei envergonhada, sentindo que ainda não estava satisfeita.

– Não, coma o quanto quiser.

– Obrigada.

– Eu me importo. – ouvimos uma voz vindo da porta da cozinha e olhamos ao mesmo tempo.

Eu estaquei em choque ao ver o rude senhor Edward parado na porta. Jasper se levantou no mesmo instante, e parecia estar mais branco do que já era.

– Edward, eu

– Poupe-me de suas desculpas Jasper. É melhor ir. – ele disse olhando Jasper com reprovação.

Jasper assentiu e suspirou aliviado e logo se retirava da cozinha. Eu queria pedir para que ele ficasse e me protegesse da ira de Edward, mas eu já havia abusado de sua boa vontade, não queria abusar mais.

Edward olhou para mim com raiva e eu abaixei minha cabeça escondendo meu olhar dele. Ele sentou-se a minha frente e ficou me encarando.

– Pensei que a senhorita não estava com fome. – ele disse sarcástico.

– Estou com fome agora. – eu disse baixinho.

– Então, negou-se a jantar comigo, mas vem à cozinha para comer escondido no meio da noite. Isso não é o comportamento de uma dama.

– Desculpe-me. – eu disse corando de vergonha. Realmente o meu comportamento era nem um pouco louvável.

De repente tomei um susto quando ele esticou sua mão e pegou meu prato. Logo em seguida ele o estava enchendo com sopa e colocando-o a minha frente.

– Coma, não a quero fraca. – ele disse simplesmente.

Eu o encarei incrédula e estaquei ao perceber que seus olhos eram de um topázio intenso com algumas rajadas avermelhadas. Uma cor estranha que nunca tinha visto antes. Ousei reparar mais e notei que ele era o mais belo rapaz que eu já havia visto. Seus cabelos eram na cor bronze e pareciam estar bagunçados, o que lhe dava certo charme. Ele era muito novo, talvez nem tivesse 21 anos, era apenas um rapaz. Notei que suas sobrancelhas se arquearam e ele me olhava inquisitivo. Corei de vergonha por ter sido pega analisando-o e comecei a comer.

Logo eu já havia terminado e ele retirou tudo da mesa. Foi até a porta da cozinha e a abriu.

– Venha. – ele disse friamente.

Eu o segui até estar de volta em meu quarto. Entrei e logo soltei um longo bocejo demonstrando o quanto ainda estava cansada.

– Amanhã cedo Alice e Rosalie irão lhe mostrar o castelo e lhe explicar as regras. Espero que as escute atentamente ou teremos problemas. – ele disse me olhando ameaçadoramente.

Eu assenti e abaixei minha cabeça incomodada com seu olhar. Quando voltei a olhá-lo novamente percebi que ele estava mais próximo. Próximo de mais.

– Senhor? – eu disse confusa com sua aproximação.

– Edward, apenas Edward. – ele disse com uma voz tão suave que me fez arrepiar.

Ele estendeu uma de suas mãos e pegou uma das mechas de meu cabelo ainda húmido. Ele me olhou intensamente e começou a se aproximar mais ainda. Ele colocou seu rosto no vão de meu pescoço e inspirou profundamente. Eu me afastei assustada com a sua aproximação e ousadia repentina.

– Senhor

perceber que ele havia ido longe demais.

Edward. Acho que não devemos tomar esse tipo de intimidade. – corei por

Ele me olhou com raiva e depois um sorriso sarcástico brotou em seus lábios.

– E quem disse que eu quero ter qualquer tipo de intimidade com a senhorita? – eu o olhei ultrajada. Sua voz e olhar estavam carregadas de desdém.

Além de tomar liberdades ele agora me tratava como algo sem valor. Fiquei com raiva da sua indelicadeza e por ele me tratar com desprezo.

– Boa noite. – ele disse rudemente e fechou a porta com força.

Eu estava demasiadamente confusa. Uma hora ele me tratava a base de gritos e outra ele tomava liberdades e falava com delicadeza.

Eu já sentia muita raiva daquele rude rapaz por tudo o que ele havia me feito. Agora eu o repudiava por suas atitudes que me deixavam confusa. Eu sentia como se tudo estivesse se juntando para se transformar em ódio.

Notas finais do capítulo Reviews? :)

(Cap. 5) Medo

Notas do capítulo Oi gente, tudo bem? sei que demorei :x geralmente eu posto no dia seguinte (graças aos reviews *--*) mas eu estava dodói e não pude finalizar o cap antes --' agora eu finalmente consegui :) obrigada pelos reviews minhas lindas *o* espero que continuem, assim vcs fazem a minha alegria e eu animo tanto que logo tem mais cap pronto :D espero que gostem.

Acordei no outro dia com o sol já bem alto no céu. Deveriam ser quase meio dia. Dei mais uma espreguiçada antes de me levantar de vez da cama. Passei as mãos em meus cabelos e vi que eles estavam bastante bagunçados. Também pudera, tive uma noite turbulenta cheia de pesadelos. Mas como de costume eu não me lembrava o que eu havia sonhado, apenas sabia que meu pai e o detestável dono do castelo estavam nele.

Enquanto desembaraçava meu cabelo com os dedos, eu observava a vista da janela. O céu estava limpo, e o sol brilhava intensamente. A floresta ao redor do castelo, no entanto, estava rodeada de névoa, e as folhas das árvores estavam amareladas e caindo.

O outono chegara, e logo seria inverno. Eu odiava essa época do ano, preferia o verão e

a primavera com seu sol e flores.

Percebi que minha janela dava para a parte de trás do castelo. Lá embaixo havia uma espessa plantação, logo após um galinheiro, um grande celeiro e um pomar que se

estendia por vários quilômetros, a ponto de eu não poder ver os muros que circundavam

o castelo. Alguns empregados estavam na plantação. Uns colhiam algumas verduras e

outros plantavam. Uma jovem saia dentre as árvores do pomar e retornava com uma cesta cheia de laranjas, peras, cerejas e mais algumas frutas, muito pequenas para que eu pudesse identificar. Outra saia do galinheiro e caminhava rumo ao castelo com uma cesta carregada de ovos.

O castelo aparentemente tinha bastante empregados, mas uma coisa havia me chamado

a atenção: todos tinham o semblante triste. Realizavam as tarefas como se fossem almas penadas, sem realmente terem vontade ou ânimo e com um semblante triste e amargurado.

Enquanto eu refletia sobre o comportamento infeliz dos empregados, ouvi leve batidas na porta e logo ela se abriu.

– Oh, está acordada, que bom. – disse uma Alice bastante sorridente carregando uma

bacia com um jarro dentro. – Vim te preparar para levar você para conhecer o castelo. Te explicarei como as coisas funcionam por aqui e logo depois iremos almoçar, afinal já são quase meio dia. – ela disse colocando a bacia em cima da penteadeira e colocando um pouco da água que havia no jarro dentro.

– Obrigada. – eu disse me sentando na pequena cadeira e lavando o rosto.

Alice me entregou um pano para poder me secar e logo depois ela pediu para que eu me aproximasse mais da bacia para molhar os meus cabelos. Eu fiz o que ela pediu e ela logo despejava a água morna. Ela tirou o excesso de água com um tecido e logo após isso penteou os meus cabelos.

– Quer que eu faça uma trança? Um coque? – ela me perguntou olhando-me através do espelho.

Ela tinha em seus lábios e sorriso gentil, mas agora, com a luz do dia, eu podia lhe analisar melhor e percebi que seu sorriso não chegava aos seus olhos. Ela tinha profundas olheiras, sua pele era extremamente pálida e os lábios coloridos artificialmente. Mas o que mais me intrigava era a sua expressão. Ela exalava infelicidade, tristeza e desânimo. Seus olhos não tinham brilho, pareciam estar mortos.

Senti um arrepio ao pensar assim. Será que eu também ficaria desse jeito? Todos nesse castelo eram tristes e infelizes? Isso seria culpa do senhor Edward? Ela passou as mãos em seus cabelos presos em um coque nervosamente ao perceber que eu a analisava. Corei de vergonha pela indelicadeza e sorri para ela.

– Não, gosto deles soltos. Pode deixar assim.

Tudo bem, é bom que assim secarão rápido. Venha, vamos por um vestido. – ela disse

e

foi em direção ao grande armário de madeira.

Ela o abriu e de lá tirou um vestido vinho com detalhes em dourado. Mostrou-me o vestido e olhou sorrindo para mim.

– O que acha? Esse é bonito, não é?

– É sim, muito. Nunca usei nada tão fino. – eu disse reparando no tecido caro.

– Ficará ótimo em você. Quer ajuda para vesti-lo?

– Oh, sim, por favor. Eu sempre me atrapalho na hora de fechá-lo. Vou precisar de sua ajuda com o espartilho se não se incomoda.

– Ah, não Bella, não precisará de um espartilho. Veja, esse é um modelo antigo, assim

como o meu vestido. – ela disse mostrando seu vestido rosa claro. – Esses vestidos não

se dão bem com espartilho.

Por que usam modelos de roupas antigas? – eu disse não contendo minha curiosidade

e

a olhei um pouco envergonhada pela intromissão.

– Bem, digamos que nossa modista não sabe como são os modelos novos. – ela disse sorrindo nervosamente.

– Se me permite perguntar, porque não compram de fora ou trocam de modista? Não gosta dos novos modelos?

– Oh, não, pelo contrário. – Alice disse e seus olhos por um segundo brilharam mostrando que ela era apaixonada por roupas como toda menina de sua idade.

Menina? Deus, não entrava na minha cabeça que Alice já era uma senhora casada e não mais uma menina.

– Mas acontece que temos a nossa modista há tantos anos, ela mora no castelo e seria

indelicado trocá-la, para não dizer desumano já que ela não tem para onde ir. – Alice disse forçando um sorriso e novamente tive a sensação de que algo a mais se passava. –

Agora vamos, vista-se, temos um castelo para visitar.

Depois de me trocar, eu e Alice andávamos pelo castelo. Caminhávamos tranquilamente ao longo do extenso corredor e notei que já não mancava mais como antes. Estava bem melhor.

Notei também que todas as cortinas estavam fechadas e as velas dos candelabros acesas por causa da escuridão.

– Por que está tudo fechado e nessa penumbra? Não preferem a luz do sol? – eu disse já me sentindo mais a vontade em falar com Alice sem me preocupar em ser indelicada.

– Oh, bem, Edward prefere assim. Deve sempre deixa-las fechadas, nunca as abre. Isso seria catastrófico. – Alice disse e ela me olhou seria.

Eu não entendia bem o porquê disso, a luz do sol nunca fez mal a ninguém, mas eu não iria discutir pois sabia que tudo o que aquele homem rude dizia deveria ser obedecido, mesmo que não tivesse lógica.

– Tudo bem, não irei tocá-las. Mas fico contente que tenham mantido as velas acesas, ontem à noite estava tudo tão escuro.

– Bem, não temos costumes de ter visitas, e sempre nos recolhemos cedo, por isso as velas já estavam apagadas.

– Visitas? Acha que sou uma visita? – a olhei escandalizada.

– Sim, nossa convidada. – uma mulher alta, loira, de uma voz muito doce e traços fortes disse se aproximando.

Ela era muito pálida, tão pálida quanto Alice, e seus olhos também eram daquele estranho tom ocre. Ela usava um vestido vermelho vivo e seus lábios também eram de um vermelho. Seus cabelos eram longos e estavam trançados, seu olhar era firme e frio apesar de carregar um sorriso. Não conseguia dizer sua idade, mas parecia ter 23 anos.

– Bella, essa é minha irmã mais velha, Rosalie. – Alice disse com o seu sorriso triste já tão comum para mim.

– Muito prazer, senhorita. – eu disse dobrando meus joelhos levemente.

– Oh, por favor querida, me chame de Rose. Além do mais, assim como Alice sou uma

senhora casada. – ela disse e sorriu levemente e vi que Alice não era a única a carregar aquele sorriso triste.

– Sim claro, me desculpe.

– Tudo bem, não faz mal.

– Rose, disse que sou convidada, mas receio que isso não seja verdade.

– Bem, faremos o máximo para que se sinta como nossa convidada. Tornará as coisas mais fáceis. – Alice disse me dando um sorriso carinhoso.

Ousei olhar rapidamente para Alice e Rosalie as comparando. Elas não eram parecidas para serem irmãs e estranhei.

– Perdoe-me, mas são tão diferentes. Nem parecem irmãs. – eu disse corando pela ousadia.

– Bem, eu sou fruto do primeiro casamento de meu pai. Minha mãe morreu ao dar a luz

a Edward. Sou a mais velha dos irmãos, Alice é a caçula, fruto do segundo casamento.

– Oh. – foi a única coisa que pude dizer.

– Venha querida, temos muito a lhe mostrar. – Rose disse e voltamos a caminhar pelo castelo.

Descobri que Rosalie e Alice eram ótimas companhias, mas me sentia mais a vontade com Alice que era mais solta e delicada. Rose era um pouco mais fria e quase não sorria. Andamos por quase todo o castelo, visitamos o pomar, a plantação e fiquei com muito entusiasmo quando vi os arbustos de blueberry e amoras. Visitamos o celeiro e descobri que atrás dele havia um estábulo com vários cavalos negros lindos e ao lado estava a carruagem que havia levado meu pai embora.

Sem perceber, lágrimas começaram a descer por meu rosto e senti um corpo frio abraçado a mim. Era Alice, ela afagava meus cabelos enquanto Rose segurava minha mão.

– Bella, porque choras? – Rose disse me analisando.

– Meu pai foi levado por essa carruagem. Sinto tanta falta dele. Será que ele está bem?

– Garanto que está sim, meu marido foi quem o levou para cidade. Se quiser pode falar

com ele depois e perguntar como seu pai estava quando foi deixado lá. – Rosalie disse sorrindo um pouco.

– Como vocês puderam deixar que isso acontecesse? Não se importam com o que

houve? – soltei sem querer ressentida e logo depois me arrependi. – Perdoem-me, eu

– Não temos escolha Isabella. – Rosalie disse me dando um olhar triste e frio.

Logo depois ela se virou e foi em direção ao castelo sem nada a dizer. Acho que fui muito rude, só isso explica seu comportamento hostil. Mas o que ela queria dizer com aquilo?

– Sinto muito, eu não queria

– Shhh, deixe para lá Bella. Rose deve ter ido ver como anda o almoço. Venha, vamos continuar.

Continuamos a andar pelo castelo. Alice me mostrou vários lugares, como a sala de música, o salão de festas, os quartos dos empregados, os seus aposentos e o de Rose, mas não cheguei a conhecer a ala oeste, onde era os aposentos do senhor Edward, pelo que tudo indicava.

– Senhora Alice, desculpe incomodá-la, mas seu marido a está chamando no salão de

jantar. – uma jovem alta, de cabelos pretos presos por um coque disse olhando para

baixo.

Percebi que era uma das jovens que levou baldes de água quente para meu quarto.

– Obrigada por avisar Carmem. Bella, vou ver o que meu marido quer. Pode continuar

inspecionando o castelo se quiser. Volto logo. – dizendo isso Alice se retirou descendo as escadas ali perto.

– Graças a Deus que a senhorita está aqui. – a jovem Carmem disse me dando um sorriso sincero.

– Por favor, me chame de Bella. – eu disse me simpatizando com a jovem.

– É melhor não, o senhor Edward não gosta que os empregados tratem informalmente seus convidados. – ela disse e vi medo e tristeza em seus olhos.

Todos ali pareciam ser tão tristes, solitários, amargurados, frios. Gostaria de saber o que houve para serem assim. Será que eu ousaria investigar? Talvez não seja uma boa ideia. Notei que Carmem não tinha uma pele pálida como seus senhores, pelo contrário, era levemente marcada pelo sol.

– Fico contente que esteja aqui senhorita. Esperávamos por isso há tanto tempo. Talvez

haja esperança afinal. – ela disse baixinho a ultima parte e me olhou com certo brilho nos olhos castanhos que não pude identificar.

– Do que fala Carmem? – perguntei curiosa.

– Oh, nada senhorita, nada de importante. Bobagens apenas. Se me der licença, tenho

que colocar a mesa para o almoço. – dito isso ela se curvou levemente e logo depois se retirou, descendo rapidamente as escadas.

– Estranho. – murmurei enquanto observava a silhueta de Carmem sumir.

Continuei andando pelo castelo, mas logo me via entediada. Não gostava de caminhar por aqueles corredores sombrios sem companhia. As gárgulas e demônios estavam por todo canto me dando calafrios. O ambiente seria bem melhor com um pouco de luz do sol. Será que faria mal abrir um pouco as cortinas? Alice havia me alertado para não fazer isso, mas acho que uma fresta não faria mal a ninguém.

Fui em direção a uma das gigantescas janelas e empurrei um pouco a cortina para o lado. Não pude ver direito através dos vitrais pois eram demasiadamente enfeitados com imagens demoníacas. Pelo menos um pouco de claridade passava, e isso me transmitia uma sensação de conforto.

– O que pensa que está fazendo? – uma voz grosseira, carregada de raiva disse atrás de mim. Era ele, claro.

Eu me voltei para ele e o encontrei em meio a uma penumbra proporcionada por uma estátua retorcida. Nada consegui dizer, estava estupefata com sua beleza. A pouca luz que entrava permitia-me olhar melhor para ele, e não havia nada mais belo que eu já tivesse olhado. Ele possuía traços perfeitos, como se tivesse sido esculpido por mãos divinas. Seus olhos brilhavam na escuridão, sua pele parecia mármore de tão clara e perfeita, seus lábios e seus cabelos pareciam convidar-me para tocá-los. Seu cheiro me atingiu pela primeira vez em cheio, era doce e sensual, e suas vestes eram totalmente

negras, como na outra noite, e isso destacava ainda mais a sua pele perfeita. Mas o meu deslumbramento e encanto foram quebrados quando vi a raiva em seus olhos rodeados por profundas olheiras.

– E então? Não te disseram para nunca chegar perto das cortinas? – ele disse ríspido.

– Sim, m-mas é só um pouco de sol. – disse tentando soar firme e logo depois tremi tamanha a fúria que me olhava.

– Não me importa o que acha, senhorita mal educada. Você deveria ter obedecido!

FECHE ESSAS CORTINAS! – ele bradou e tive a impressão de que ele havia dado um leve rugido.

Assustada, eu me virei para as cortinas e as fechei desajeitadamente. Quando voltei a me virar, ele se encontrava a centímetros de mim e me olhava com fúria, seus olhos estavam curiosamente avermelhados e isso me fez tremer de medo.

– Quando algo é lhe dito para fazer ou não fazer é esperado que obedeça. Estamos

entendidos? – eu assenti rapidamente respirando rápido por causa do susto. – Ótimo, espero que isso não se repita ou teremos problemas. Não quer parar em um calabouço, quer? – ele disse me olhando zombeteiro e aquilo me irritou, mas tentei não transparecer e não piorar a situação.

– Não. – eu disse simplesmente.

– É claro que não. – ele disse com um sorriso sarcástico.

Meu sangue ferveu. Odiava quando as pessoas eram indelicadas comigo e aquele senhor era demasiadamente indelicado. Ah, como eu o repudio! Ele não poderia ser educado como suas irmãs e cunhado? Ele podia ser belo, mas suas indelicadezas o deixavam feio. Tudo bem, talvez eu tenha mentido nesta ultima frase, pois ele era maravilhosamente belo e nada poderia deixa-lo feio, mas seus modos o deixavam desprezível o suficiente para não se querer qualquer convivência social.

– Venha. O almoço estará sendo servido em minutos. – ele disse e seguiu em direção à escada.

Eu fui logo atrás o seguindo, e logo ousei dialogar para saciar a minha curiosidade

daquele homem tão

irritante.

– O senhor não gosta da luz do sol? Não gosta da claridade? Por isso coloca essas cortinas?

– Já lhe disse para me chamar de Edward. – ele disse sem parar de andar ou ao menos olhar para mim.

– Oh, sim, perdoe-me. – eu disse e ele continuou em silêncio. – E então?

– O quê? – ele disse ríspido.

– Não vai responder?

– A única coisa de que precisa saber é que deve permanecer longe das cortinas. – ele disse e vi sua expressão ficar mais séria. Não conseguiria mais nada pelo visto.

– Tudo bem. Eu posso andar lá fora quando quiser? Posso passear pelo pomar e colher frutas?

– Já disse que pode ir aonde quiser. Menos à

– Ala oeste. – eu completei revirando os olhos. Já havia ouvido aquilo várias vezes no dia. – Eu sei. Mas por quê? Lá é seus aposentos?

– Não te interessa.

– É claro que me interessa. Se precisar falar com o senhor, como irei encontrá-lo? – eu

disse tentando ressaltar o óbvio. Nunca se sabia, talvez um dia precisasse daquele rapaz

tão bruto e era bom saber onde encontra-lo.

– Procure minhas irmãs e elas me chamarão. E já lhe disse para não me chamar de senhor. – ele disse visivelmente irritado.

– A decoração de seu castelo é peculiar, para não dizer grotesca. O macabro o atrai?

– Retrata bem o meu estado de espírito. – ele disse com um sorriso zombeteiro nos lábios.

– É por isso que escolheu essa decoração?

– Acho que é meio óbvio, já que lhe disse que retrata o meu estado de espírito. – ele disse rispidamente.

Eu fiquei irritada. Custava ele ser um pouquinho mais educado?

– Edward, porque és tão bruto? – eu disse e logo depois me arrependi por estar de certa forma lhe chamando a atenção.

– Meus modos a incomoda? – ele me olhou divertido e eu abaixei meu olhar corando envergonhada.

– Oh, bem, acho que incomoda todo mundo. Ninguém gosta de ser tratado com

indelicadezas. Não gostaria de ser mais cavalheiro? – eu disse e o olhei ainda corada por

estar passando um pouco dos limites.

– Não, eu não gostaria. Tenho minhas razões para ser assim, e garanto que a senhorita

no meu lugar seria do mesmo modo. – ele disse e pude ver um pouco de tristeza em seu olhar que logo ele tratou de mascarar.

– E quais razões são essas? – indaguei não conseguindo segurar a minha língua.

E de repente eu me vi sendo prensada contra a parede. Edward mantinha seu rosto no

vão de meu pescoço e eu podia senti-lo inspirar o meu cheiro. Um rugido pôde ser ouvido e percebi que esse rugido veio de Edward. Tremi de medo diante de algo tão estranho e inusitado. Senti seus lábios tocar meu pescoço me fazendo ter arrepios. Logo em seguida seus lábios estavam em minha orelha dando leve mordidas.

– A senhorita é muito curiosa. É melhor tomar cuidado Bella, não queremos que algo de ruim lhe aconteça por conta dessa curiosidade. – ele disse de modo divertido e sua respiração me causava arrepios involuntários.

De repente seu rosto estava diante do meu e seus olhos brilhavam demonstrando sua raiva. Ele segurou forte meu rosto entre suas mãos e senti lágrimas se formarem. Eu estava apavorada, com medo de sofrer alguma agressão.

– Para seu próprio bem, não se intrometa aonde não é chamada. Entendidos? – ele disse entre dentes e me olhou com cólera no olhar.

– S-sim. Por favor, m-me solte. Está me ma-machucando. – eu disse tremendo de medo.

De repente Edward pareceu relaxar, me soltou suavemente e me olhou com um pouco de culpa no olhar. Sua expressão parecia torturada e, como se fosse possível, ele parecia ainda mais belo.

– Vamos. Já devem estar servindo o almoço. – falou já andando pelo corredor sem olhar para trás.

Eu o segui de cabeça baixa e durante todo trajeto permanecemos em silêncio. Em pouco

tempo em eu estava no salão de jantar, sentada em uma confortável poltrona acolchoada

e com uma mesa farta à minha frente. Rose, Alice e Jasper já estavam sentados à mesa e sorriram ao me verem entrar. Eu os cumprimentei educadamente e logo depois permaneci em silêncio analisando o salão.

O salão era grande, com piso de mármore preto e um longo tapete vermelho abaixo da

mesa de jantar de madeira. Havia lugar para doze pessoas na mesa e em uma das paredes havia uma grande lareira que não estava acesa. Um grande candelabro dourado residia acima e as janelas, como todas as outras, estavam tampadas por cortinas.

Edward sentou-se em uma das pontas da mesa. Alice estava logo ao seu lado, seguida por Jasper. Do outro lado estava Rosalie e ela parecia olhar impaciente para a porta. Eu havia sido colocada na outra ponta, o que dificultava um pouco a conversa.

– Esse salão é o salão de jantar familiar. É aqui que realizamos nossas refeições em família. Há um outro salão maior, com mais mesas, em caso de recebermos vários convidados. – Alice deu um suspiro de pesar. – Sabe, costumávamos fazer grandes bailes nesse castelo.

– É mesmo? – eu a olhei curiosa.

– Sim, eram os mais grandiosos de toda a região da Inglaterra e era eu quem os preparava. – ela disse sorrindo orgulhosa.

– Perdoe-me Alice, mas eu nunca ouvi falar destes bailes, muito menos deste castelo.

– Ah, querida, mas isso é de se esperar. Faz tanto tempo e você nem era nascida também. – Alice disse soltando uma risadinha.

– Alice! – Edward a repreendeu e ela se calou logo em seguida, ficando com seu semblante triste e sério.

– O que você quis dizer com eu nem era nascida? – eu a olhei confusa e Edward bufou.

– Nada de mais, Bella querida, só uma expressão. – ela disse sorrindo nervosamente.

Que expressão estranha, eu nunca havia ouvido. Será que até nisso eles eram diferentes?

– Há quanto tempo moram aqui?

– Há anos, nem me lembro quantos. – Alice disse parecendo um pouco saudosa.

– Eu nunca havia ouvido falar deste castelo pelas redondezas.

– Isso é porque não saímos muito daqui. Não interagimos com o mundo lá fora. – Rosalie disse com um olhar frio e distante.

– Desculpem o atraso. Acabei de chegar da cidade. – um homem bastante alto, forte, de

cabelos pretos, olhos ocre e pálido disse abrindo a porta. Ele não deveria ter mais do

que 27 anos e parecia estar muito cansado.

– Bella, esse é meu marido, Emmett. – Rosalie disse nos apresentando.

– Finalmente nos conhecemos. – ele disse se curvando um pouco para me saudar.

– Não é querendo ser indelicada, mas você veio da cidade?

– Sim, fui buscar algumas coisas que faltavam no castelo. – ele disse depositante um beijo carinhoso da testa de Rosalie e se sentando ao seu lado logo em seguida.

– Foi você quem levou meu pai? – eu disse com os olhos cheios de água da lembrança.

– Sim, eu o levei senhorita. – ele disse me olhando com cautela.

– Por favor, me chame de Bella. E como ele está? Está ferido? Está doente? O deixou em casa?

– Eu o deixei em sua casa sim. Estava febril e tossia muito. Uma senhora passava na

hora e o viu, disse que era uma amiga e ficou para cuidar dele. Ele está bem Bella,

garanto. – ele disse e eu soltei um suspiro aliviada.

– Provavelmente era a senhora Leah. – eu murmurei.

– Chega de conversa. – Edward disse bruto. – Podem começar.

– Não vamos esperar Esme? – Alice o olhou preocupada.

– Não. Ela resolveu passar o dia pintando. – ele disse um pouco aborrecido.

– Ela ainda está

– Rose tentou dizer mas foi cortada por Edward.

– Sim, está. – ele disse por fim e Rosalie assentiu.

Logo depois começamos a comer. Algumas empregadas entraram servindo vinho em nossas taças de cristais. Enquanto eu comia ficava imaginando quem seria Esme. Outra irmã, talvez? Aonde estaria os pais deles? Sem querer eu olhei para onde Edward estava sentado e reparei que não havia nada em seu prato ou copo. Seu olhar era distante, pensativo. Gostaria de saber o que se passava na cabeça daquele jovem mal educado.

De repente notei que ele me encarava e eu baixei o meu olhar para meu prato, corando por ter sido pega no flagra. Ouvi uma cadeira se arrastando e logo depois passos duros indo até a porta.

– Não vai ficar hoje? – Alice perguntou mas ele já havia se retirado.

Ela soltou um suspiro e voltou a comer seu faisão.

Após o almoço, Alice resolveu visitar Esme e saiu tão apressada que não pude perguntar quem era essa mulher. Jasper disse que iria dar uma olhada nos cavalos, enquanto Rosalie e Emmett subiram para seus aposentos. E eu? Bem, eu estava perambulando pelo castelo, afinal não tinha nada o que eu pudesse fazer no momento.

Tentei conversar com alguns empregados, mas eles não eram de muita conversa. Sempre me olhavam com aquele brilho de esperança e logo depois saiam correndo. Eu estava entediada. Já havia ido lá fora duas vezes para provar um pouco das amoras, que eram incrivelmente doces e suculentas, e já havia dado várias voltas no castelo. Sinto falta de um bom livro, isso me distrairia ao longo do dia. Eu adoro ler, um dos meus passatempos prediletos, mas nem sempre tinha dinheiro para comprar algum livro ou conseguia algum emprestado, já que a maioria das pessoas que eu conhecia não eram fãs da literatura. Acabava lendo o mesmo livro repetidas vezes só para ter a sensação de estar lendo algo. Pensei em pedir para Alice ou Rose algum livro emprestado mas não as encontrei. Pensei em passar um tempo no salão de música ou pintura, mas eu não tocava ou pintava.

Voltei aos meus aposentos e olhei pela janela. Já estava anoitecendo e eu ainda não havia feito nada de interessante. Depois de dar tantas voltas pelo castelo ele acabou se tornando sem graça para mim, não mais uma novidade. Foi então que me lembrei que havia uma parte do castelo que eu não havia visitado: a ala oeste. O que será que havia lá? Era demasiadamente grande para ser somente os aposentos de Edward. Demasiadamente grande para ser pega no flagra, eu pontuei. Então me decidi, iria inspecionar a ala oeste. Quem sabe não achava algo interessante? Talvez houvesse uma biblioteca por lá. Um castelo grande como esse deveria ter uma biblioteca.

Deixei meus aposentos e fui em direção à ala oeste. A cada passo que eu dava eu olhava para os lados tentando ver se não havia alguém e tentando fazer o mínimo de barulho. Em poucos minutos eu estava ao pé da escada que dava para a ala oeste. Inspirei fundo e comecei a subir. O lugar era como o restante do castelo, muito bem limpo e macabro. Havia várias portas ali e resolvi abrir uma porta grande de madeira com detalhes prateados. Abri cuidadosamente e olhei para dentro, constatei que não havia ninguém e entrei.

O lugar estava empoeirado. Haviam vários quadros ali, alguns eram de Alice e Jasper, outros de Emmett e Rosalie. Alguns eram de uma mulher de cabelos acobreados e longos, outros de uma jovem de cabelos ondulados e castanhos. Havia também uma pintura de um homem loiro com fortes olhos azuis. Percebi que nos retratos de Alice, Jasper, Emmett e Rosalie havia algo de diferente. Demorei para perceber que eram seus olhos. Os seus olhos nos retratos não eram ocre. Alice tinha olhos verdes, Jasper e Rosalie azuis e Emmett castanho.

Mas porque mudar a cor em um retrato? Antes que eu pudesse inspecionar melhor os quadros, eu vi que tinha outro mais ao fundo e ele estava todo rasgado. Me aproximei tentando juntar os pedaços para ver a imagem, mas ouvi um barulho ao longe. Parei sobressaltada, alguém poderia estar se aproximando. Ouvi o barulho novamente e percebi que era um gemido. Um gemido sofrido de dor e era de alguém que estava ali dentro. Será que alguém estava machucado, precisando de ajuda? Comecei a seguir o barulho e me deparei com um corredor longo que levou a um quarto. Estranho, porque haveria um quarto aqui? O quarto estava todo bagunçado, com móveis quebrados e algumas teias de aranha.

Estava muito escuro, a única iluminação vinha da luz da lua que entrava por um sacada. Ouvi o gemido novamente e percebi que ele vinha à minha esquerda. Olhei na direção e vi que haviam duas silhuetas em meio a escuridão. Forçando um pouco as vistas eu vi Edward segurando fortemente uma das empregadas em seus braços enquanto sugava seu pescoço. Um filete de sangue escapou por onde ele sugava e eu soltei um gritinho assustada. O que ele fazia com a moça? Edward na mesma hora me olhou com olhos vermelhos em brasa e soltou a jovem que foi ao chão desmaiada. Percebi que a jovem era Carmem. Seus olhos me deixaram apavorada e sem ver dei dois passos para trás esbarrando em um móvel. Edward me olhava com ódio, uma cólera que eu nunca vira antes.

– Por quê? – ele disse ríspido. – Por que veio aqui?

– Eu

a Carmem.

m-me

desculpe

– tentei dizer temendo que ele fizesse comigo o mesmo que fez

– EU AVISEI PARA NUNCA VIR AQUI! – ele bradou vindo em minha direção.

– Não quis causar mal. – eu disse tentando me afastar dele.

– FAZ IDEIA DO QUE PODERIA TER ACONTECIDO? – ele disse derrubando alguns móveis e lançando uma cadeira quebrada na parede.

– Por favor, pare! – eu disse em meio às lágrimas de pavor.

– SAIA! – quando ele disse isso eu consegui desviar dele e fui em direção ao corredor correndo. – VÁ EM BORA! – escutei ele gritando a plenos pulmões.

Eu chorava e soluçava enquanto corria apavorada em direção à saída do castelo. Enquanto eu abria a porta para finalmente me ver livre desse pesadelo, eu ouvi a voz de Jasper.

– Aonde você vai? – ele disse parecendo visivelmente preocupado e percebi que ao seu lado estava Rosalie e Emmett.

– Sei que prometi, mas não posso ficar aqui nem mais um minuto. – disse por fim saindo e fechando a porta.

– NÃO, ESPERE, ESPERE! – escutei Emmett gritar, mas eu não parei.

Continuei correndo, ainda chorando pela cena que presenciara minutos atrás. O que será que foi aquilo? Por que ele sugava o sangue daquela pobre jovem? E seus olhos, aquilo não era normal. Ele pretendia fazer o mesmo comigo? Meu pai tinha razão, ele não era humano.

Estava tão absorta em minhas perguntas que não reparei que já estava correndo pela

floresta e que estava encharcada pela chuva que havia começado. Ouvi barulhos dentre

as árvores e logo a minha frente surgiu um grande lobo negro de olhos amarelos. Eu

estaquei paralisada. Ao seu lado surgiu mais três lobos que rosnavam e mostravam os dentes para mim. Antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, eu vi um dos lobos saltar em minha direção.

Fechei os olhos, esperando pelo pior.

Notas finais do capítulo

E ai gostaram? Reviews? :)

(Cap. 6) Salva

Notas do capítulo Oi meninas :D Demorei pq não parei em casa u.u inclusive fiz esse cap de madrugada, se não não ia dar pra postar. Amei todos os reviews e espero que as leitoras fantasmas e sumidas apareçam. Beijos, apreciem o cap. Vou responder o review mais tarde pq agora to saindo u.u

A dor não veio. Nem a sensação de algo se chocando contra mim. Escutei ganidos e

rosnados furiosos. Ousei abrir meus olhos. Soltei um grito com a imagem que estava a minha frente. Edward segurava um lobo pela jugular e quebrava o seu pescoço, à sua volta havia entranhas e carcaças de dois lobos. Ele jogou o corpo do terceiro lobo no chão e, o quarto e ultimo lobo, fugiu uivando. Ao longe eu ouvi outros uivos.

– Bella. – Edward disse entre um gemido de dor.

Ele estava ensanguentado. Ele tinha uma ferida profunda em seu peito e braço e eu podia jurar ver um osso ali. Meu estômago revirou, senti que iria vomitar. Meu queixo não parava de bater de frio e terror. Sentia que meu corpo iria entrar em colapso a qualquer instante. Senti que iria desmaiar, mas quem caiu foi Edward. Fui em sua direção temendo o pior. Deus! Não o deixe morrer! Toquei seu rosto com as mãos trêmulas e vi que ele ainda estava consciente.

– Temos que sair daqui. Virão mais atrás de você. Não sei se aguento soltando outro gemido de dor.

Ah! – ele falou

Um uivo veio da floresta densa e escura. Eu quase não enxergava. Barulhos se aproximando entre as árvores. Eram os lobos, tinha certeza. Puxei Edward pelo seu braço bom e o ajudei a se levantar. Apoiei seu corpo no meu e cambaleei um pouco com o seu peso. Por sorte suas pernas estavam bem, senão não conseguiria nos tirar dali, mas o seu caminhar às vezes vacilava e eu via que ele estava tonto. O sangue escorria ávido de seus ferimentos e com certeza era o causador de sua tontura e fraqueza. Com dificuldade, e o mais depressa que eu pude, eu nos tirei dali. Sentia que uma energia me movia e eu acredito que essa energia seria o desespero.

Não sei quanto tempo levou, pareceu uma eternidade, mas eu me encontrava agora batendo na porta do castelo com o pouco de forças que ainda me restava. Edward soltava alguns gemidos de dor, ele estava mais tonto e quase caia. Seu ferimento teria que ser estancado com urgência ou ele morreria. Esse pensamento fez meu coração doer. Eu tinha que salvá-lo. Era o mínimo que eu podia fazer depois de ter sido salva por ele, ele se arriscou por mim. Por quê? Eu não fazia ideia e não me importava agora, tudo o que eu queria era sair dessa chuva, desse frio e salvar Edward.

– Meu Deus! – disse uma Rosalie chocada – Emmett, Jasper, Alice, venham até aqui! – ela gritou enquanto me ajudava a carregar Edward para dentro.

– Edward! Oh, meu Deus, está ferido! – Alice disse e nos levou para um salão ali perto onde uma lareira residia acesa.

Rosalie me ajudou a colocar Edward em uma poltrona acolchoada vermelha que estava em frente à lareira. Ele gemeu um pouco e se acomodou. Ainda estava consciente, o que era bom.

– Temos que estancar o ferimento. – eu disse para Alice que assentiu.

– Vou buscar água morna para limpar o ferimento e bandagens. – ela disse se retirando.

– Traga medicamentos, ele precisará de algo para a dor.

– Não precisa Bella. Apenas um curativo será o suficiente. – Alice disse e deu um leve sorriso de alívio.

Apenas um curativo? Ele estava com ferimentos profundos e pude jurar ver um osso exposto. Como ela podia achar que tudo estava bem? Ele precisava de remédios para a

dor, que deveria estar insuportável, e algo para evitar uma infecção. Sem falar de pontos.

Mas Alice, ele vai precisar. Deveriam chamar um médico, será necessário dar pontos

e

– Bella, querida, não se preocupe. Tudo vai ficar bem. – Rosalie disse e olhou para Alice que logo depois se retirou – Como está se sentindo?

– O que você acha? – Edward disse ríspido e eu o olhei surpresa.

Ele estava mais lúcido, tinha uma carranca no rosto e seus ferimentos quase não sangravam mais. Ele estava mais pálido do que o normal, mas ainda sim estava muito bem para alguém que quase havia sido mutilado. Eu comecei a ficar assustada com isso, mas meu medo veio de vez quando eu lembrei de que ele (definitivamente) não era humano.

– Bella querida, está encharcada e tremendo! Pedirei para Carmem lhe preparar um

banho quente. Vá para o seu quarto, ela logo estará lá. – Rosalie disse parecendo um pouco preocupada.

Carmem? Ela estava bem? Não estava morta? Rosalie sabia o que havia acontecido com ela? Eu tinha tantas dúvidas.

– Não se preocupe Rosalie, estou bem.

– Não, querida, não está. Adoecerá assim.

– O que aconteceu? – Jasper disse se aproximando com Emmett. – Encontramos Alice

no corredor e ela nos disse que Edward se feriu. Ele está bem? Bella! Está tremendo!

– Não se preocupe Jasper, estou bem. – disse chegando mais perto da lareira para me

aquecer. – Fomos atacados por lobos. Edward me salvou, mas acabou saindo ferido. – eu disse olhando para a face molhada de Edward que ainda estava em uma carranca.

Deus! Seus cabelos estavam ainda mais bagunçados! E o tom escuro de seus cabelos molhados se contrastava muito mais com sua pele. Ele agora pressionava o seu braço ruim com o seu braço bom e sua ferida em seu peito já não sangrava mais. Estranho.

– Aqueles malditos lobos. – Emmett disse com um pouco de raiva.

– Eles não são entusiasmantes, mas veja, tudo tem seu lado positivo. – Jasper disse olhando rapidamente para mim e senti que algo me escapava naquela conversa.

– Sim, realmente. – Emmett disse com um sorriso zombeteiro.

– Aqui está. – Alice disse entrando com uma bacia e alguns panos em seu braço.

Eu tomei a bacia de seus braços e ela me olhou curiosa. Eu sentia que deveria fazer aquilo, era o mínimo depois de ter sido salva por aquele homem estranho e rude.

Vencendo meu medo, e colocando minhas indagações momentaneamente de lado, eu me aproximei da poltrona de Edward e me agachei próxima a ele colocando a bacia no chão. Alice me entregou um pano branco e eu vi um brilho estranho em seus olhos. Ela sorria, e pela primeira vez não era um sorriso triste. Molhei o pano na água morna e senti minhas mãos frias agradecerem por isso.

– Agora, deixe me ver. – eu disse me aproximando com o pano úmido do braço de Edward.

Senti que todos nos observavam ansiosos. Edward desviou o braço fazendo uma carranca e eu tentei novamente alcançar o seu braço. Outra vez, Edward desviou. Ele podia ser menos teimoso, não via que isso era para seu bem? A ferida precisava ser limpa a fim de evitar uma infecção. Como faríamos os curativos? Ainda suspeitava de que ele precisaria de pontos.

– Fique quieto. – eu disse por fim nervosa por sua infantilidade.

Avancei um pouco mais bruta dessa vez e consegui atingir o local do ferimento. Edward soltou um rugido alto e eu me afastei um pouco.

– ISSO DÓI! – ele bradou e seu hálito quente me atingiu em cheio.

– Se ficar quieto não vai doer tanto. – eu disse séria e deixando meus modos de lado.

Quando se tratava de Edward, a boa educação não era necessária.

– Se você não tivesse fugido isso não teria acontecido. – ele disse me olhando acusador.

– Se não tivesse me assustado eu não teria fugido! – eu disse elevando um pouco minha voz ultrajada e colocando minhas mãos em minha cintura.

Eu o encarei desafiadoramente e ele me olhava com a boca aberta, espantado. Logo ele se recompôs e a carranca estava de volta.

– Hora, e você não deveria ter ido à ala oeste. – isso era verdade, mas ele também deveria ser um cavalheiro.

– E você deveria controlar seus nervos. – eu cruzei os meus braços e o encarei.

Ficamos nos encarando desafiadoramente por um bom tempo até que, para a minha surpresa, ele cedeu. Ele apoiou sua cabeça em seu braço bom e fez uma expressão emburrada bufando logo em seguida. Ele poderia não ser humano, mas não passava de um rapaz mal educado. Nesse caso, uma criança emburrada.

– Agora fique quieto. Isso pode arder.

– O quê? – ele disse, mas já era tarde.

Eu pressionava seu ferimento com o pano úmido pela água morna e começava a limpar. Ele soltou alguns resmungos e virou sua face para o outro lado escondendo uma careta.

O ferimento, como eu suspeitava, estava sujo de terra e havia algumas folhas grudadas, mas estranhamente não sangrava mais e parecia não ser mais tão profundo assim. Talvez Alice estivesse com a razão, talvez ele realmente não fosse precisar de pontos.

– Aproposito, obrigada. Por salvar a minha vida. – eu disse delicadamente.

Ele se virou e me olhou surpreso. Seus olhos não mais estavam no tom vermelho que eu vira em seu quarto, voltara a ser topázio com algumas manchas avermelhadas. Sua carranca se suavizou e vi uma expressão arrependida aparecer.

– Eu sinto muito. – ele falou levemente.

Sua voz sempre tão ríspida agora estava aveludada e se tornara a voz mais linda que eu ouvi. Corei diante do meu pensamento inapropriado e apenas assenti. Continuei cuidando de seu ferimento e ele agora estava pensativo e não mais reclamava de dor. O pano estava manchado, mas era de sangue seco, o ferimento não sangrava mais. Fiz um curativo em seu braço, e quando fui cuidar do machucado em seu peito estaquei surpresa. Não havia nada lá.

– Bella, querida, acho que está bom. Suba, tome um banho quente antes que pegue um resfriado. – Alice disse me levantando.

Tentei disfarçar minha estupefação pela minha descoberta e apenas assenti. Como era possível? O que ele era? Alice me contaria? Ela sabia o que estava acontecendo, todos sabiam, eu tinha certeza.

– Edward, você também. Você está todo encharcado e sujo! – Rosalie disse estendendo a mão para ajuda-lo, mas ele se recusou.

– Estou bem. – ele disse frio e logo se levantou.

Olhei para trás antes de sair e encontrei olhares esperançosos voltados para mim. Por que me olhavam assim?

– Se apronte. Você irá jantar comigo. – Edward disse com seu habitual tom frio, passando por mim e saindo da sala.

– Irei mandar alguma criada para seus aposentos preparar-lhe um banho. Vá indo enquanto isso. – Alice disse e eu assenti me retirando por fim da sala.

Eu acendia as velas de meu quarto quando escutei alguém batendo à porta.

– Entre. – falei educadamente

– Com licença, senhorita. – dizendo isso Carmem entrou acompanhada de outra jovem.

Ambas carregavam grandes baldes e foram rumo ao banheiro. Logo elas estavam saindo, mas eu não podia deixa-la ir assim.

– Carmem, espera.

– Sim senhorita? – ela disse e ficou parada à porta enquanto a outra jovem ia embora.

– Você está bem?

– Sim senhorita, porque pergunta?

– Carmem, eu a vi com ele. Eu vi o que ele fazia. Não está machucada? Precisa de

ajuda? – eu disse preocupada, mas o que eu mais queria saber era o que ele fazia com

ela.

Carmem me olhou surpresa, por um momento achei que não respirava. Parecia pálida.

– Desculpe-me senhorita, mas acho que não posso falar sobre isso. Com licença. – dito isso Carmem saiu apressada não me deixando tempo para protestar.

Continuaria com minhas dúvidas por mais um tempo, mas eu iria investigar e descobrir o que estava havendo. Tirei minhas roupas molhadas e tomei meu banho. Meu corpo agradeceu quando entrou em contado com a água morna. Lavei-me, tirando toda a sujeira grudada. Encarei a prateleira com os sabões coloridos e comecei a cheirar um por um. Na noite anterior não estava com cabeça para fazer isso, mas desta vez decidi que um deles eu usaria sempre e seria o que continha o aroma de morango. Lavei meus cabelos e ensaboei meu corpo com ele até ter certeza que não exalava nenhum odor desagradável.

Sai da banheira e me sequei. Os ferimentos em meu braço e joelho estavam bem, e o meu tornozelo não mais doía.

Fui até o grande armário de madeira e tirei um vestido azul escuro de lá, com detalhes em renda preta. Vesti-me rapidamente e me apressei para jantar com o jovem rude. Estava ansiosa para lhe fazer perguntas, e tomaria cuidado para estar afastada dele desta vez, assim não sofreria nenhuma espécie de “ataque”.

Durante meu caminho até o salão de jantar reparei que os corredores estavam vazios. Ao entrar no salão não encontrei ninguém, apenas Edward sentado em seu lugar com trajes limpos e provavelmente de banho tomado. Ele se aproximou e quase

imediatamente me senti embriagada por seu cheiro. Era algo tão diferente, masculino

afrodisíaco. e

Edward e ele me olhava de uma maneira estranha, como se fosse me devorar, e ele parecia estar inspirando fortemente o ar.

Corei com meu pensamento estranho e nada louvável. Olhei para

Ele colocou suas mãos levemente em minhas costas e me guiou para uma cadeira perto de seu assento. Ele puxou a cadeira e esperou que eu me sentasse. Oh, Deus, isso não estava nos meus planos. Eu pretendia ficar longe dele. Não querendo ser indelicada e abusar de sua boa vontade, eu me sentei e logo depois ele foi para o seu lugar.

– Os outros não virão jantar? – perguntei curiosamente.

– Não, estamos sós. – ele disse me olhando intensamente e eu abaixei o meu olhar

constrangida. – Permita-me. – falou pegando meu prato e me servindo um pouco das maravilhas culinárias que estavam à minha frente.

– Não vai comer? – perguntei quando ele terminou de me servir e notei que ele não tinha a intenção de fazer o mesmo para si.

– Não. – ele disse simplesmente sem ser ríspido, o que foi uma grande surpresa.

Logo depois ele colocou um pouco de vinho em minha taça. Se ele estava me servindo

era porque estávamos realmente a sós, não havia nem mesmo os empregados por perto.

O que ele tinha em mente? Meu estômago revirava enquanto eu fazia indagações. Temi

vomitar se começasse a comer algo mais consistente então optei por comer uma uva. Era leve e serviria até que eu me acalmasse. Peguei a uva extremamente madura do

prato e levei à boca. Dei uma leve mordida até à sua metade e soltei um gemido de satisfação diante tamanha doçura. Nunca havia experimentado uma uva tão doce e suculenta, ficava maravilhada em como as frutas daqui eram demasiadamente deliciosas.

De repente escutei um arfar. Olhei para Edward e ele me olhava boquiaberto e um pouco ofegante. Céus, o que ele tinha? Será que estava passando mal? Ele tinha um olhar diferente e me olhava de forma tão intensa que me fez arrepiar. Suas pupilas estavam dilatadas e ele parecia analisar cada movimento meu. Corei por causa de sua inspeção e ele soltou um leve rosnar. Mas não era um rosnar de raiva e nem de fúria, era de algo que eu não entendia e não conseguia identificar.

Não vi quando ele fez o movimento, mas quando percebi a face de Edward estava à centímetros da minha. Ele estendeu a sua mão e a colocou entre meus cabelos molhados me fazendo ficar presa ao seu olhar. Ele se aproximou mais um pouco e senti meu coração acelerar. O que ele estava fazendo? Não importava, eu só sabia que queria. Estava ansiosa para descobrir suas intenções. Ele roçou seus lábios levemente nos meus e eu soltei um suspiro de prazer, ficando surpresa com o tanto que aquele contato me agradava.

O hálito de Edward estava contra minha boca, sua respiração estava acelerada, ansiosa.

Seu cheiro me deixava tonta e me fazia ansiar por mais contato. Mas da mesma forma rápida que começou, acabou. Edward de repente quebrou o contato e se afastou. Acomodou-se melhor em sua cadeira, fechou os olhos e inspirou fundo. Eu fiquei com meu olhar abaixado, desconcertada pelo o que tinha acabado de ocorrer. Deus! Ele iria me beijar? O que ele pretendia com isso? Antes que eu chegasse a alguma conclusão senti suas mãos frias sob as minhas.

– Bella

– ele disse de uma forma tão doce e amável que me deixou maravilhada.

Mas em seu olhar eu encontrei angustia, tristeza, desespero

solidão.

– Acho que está na hora de você saber um pouco mais sobre mim.

Notas finais do capítulo

E ai? Reviews? :)

(Cap. 7) A Fera

Notas do capítulo Oi meninas, tudo bom? Anem, tô triste, algumas leitoras sumiram :x De qualquer maneira obrigada quem comenta :D Comentem também leitoras fantasmas, custa nada fazer a alegria dessa probre autora ^^ OBSERVAÇÃO IMPORTANTE NO FINAL

Edward insistiu que eu jantasse antes da nossa conversa. Eu comi meio sem graça, pois seus olhos estavam sempre em mim. Quando eu terminei, Edward abriu uma porta que havia ao fundo do salão de jantar. Como eu nunca havia reparado nessa porta? Estou demasiadamente distraída nos últimos dois dias. Ele me guiou através daquela porta e fomos parar em um amplo jardim florido.

O pátio era de pedra e o jardim enfeitado com rosas de vários tipos e cores, mas a

predominante era a vermelha. Haviam algumas árvores floridas por ali e bancos brancos espalhados pelo pátio. O chão estava coberto de folhas e uma leve brisa fazia com que mais folhas caíssem. Edward me levou para um dos bancos e se sentou, indicando logo em seguida para eu fazer o mesmo. Dei uma olhada ao meu redor, distraída com tamanha beleza. O céu estava limpo, a chuva havia passado e a lua cheia estava alta no céu. O lugar estava na penumbra, éramos iluminados apenas pelo luar. Olhei sorrindo para Edward e ele me estendeu uma rosa vermelha, me pegando de surpresa.

– Nossa, obrigada. – eu disse estupefata com seu gesto.

– Viu? Eu sei ser um cavalheiro quando eu quero. – ele disse sorrindo um pouco.

– Poderia querer mais vezes. – eu disse e logo depois me arrependi. – Perdoe-me, fui grosseira.

– Tudo bem, não é como se eu não te entendesse. – ele disse e desviou o seu olhar para a lua.

Ele parecia tão calmo ali, sentado admirando a lua. Cheirei levemente a rosa e sorri. Seu perfume era delicioso, mais perfumada do que qualquer rosa que eu já vira. Ela tinha algumas gotículas de água em suas pétalas e folhas e estava muito bem cuidada, como o resto das outras flores.

– Tudo aqui é tão lindo. – eu murmurei e Edward se voltou para mim.

– Gosta daqui?

– Sim, é encantador. Pena que o inverno está chegando e logo não restará mais nada. – eu disse triste.

– É verdade, mas depois do inverno sempre vem a primavera. – ele disse e deu um leve sorriso.

– Acho que é isso que torna a vida suportável. Depois de algo ruim, sempre vem algo bom.

– Eu não diria isso. – ele falou ficando sério. O que eu disse de errado?

– Por que fala assim?

– Por que nem sempre algo bom acontece após um fato ruim. Às vezes a parte ruim perdura. – falou olhando o horizonte, perdido em seus pensamentos.

– Sempre há esperança. – eu falei, não querendo acreditar em seu ponto de vista.

– Talvez. – ele disse dando um leve sorriso torto, fazendo com que meu coração

acelerasse. – Sinto muito que você tenha presenciado aquilo em meu quarto. Não era

para você ter visto. – ele falou um tanto triste.

– Está tudo bem. – disse querendo acreditar em minha própria afirmação. – Se me permite, tenho uma pergunta a fazer.

– Pergunte.

– Saiba que apenas pergunto por que a curiosidade me corrói

– Imagino, você é uma jovem bastante curiosa. – ele disse sorrindo zombeteiro me fazendo corar.

– Bem, sim, apesar de tentar controlar.

– Não se preocupe. Agora, a sua pergunta seria? – ele me olhou inquisitivo e eu suspeitava que ele já sabia o que eu iria perguntar.

– Edward

o que é você? – ele suspirou alto e me olhou sério.

– Eu não sei. – sua resposta me surpreendeu e eu o olhei pasma.

– Não sabe?

– Bella, se lembra quando eu disse que havia chegado a hora de você saber um pouco

mais sobre mim? – eu assenti e ele continuou. – Há mais de trezentos anos, eu e minhas irmãs viemos da Hungria para fazer da Inglaterra o nosso novo lar. Nossos pais nos visitavam frequentemente, mas não podiam ficar pois tinham um reino para cuidar.

– Oh, meu Deus! Você é o príncipe das lendas! – eu disse surpresa. Seria possível?

– Sim, eu sou. Mas suas lendas estão erradas, a história é completamente diferente do que contam por ai. São apenas especulações, ninguém nunca soube o que ocorreu de verdade, a não ser minha família e os empregados.

– Quer dizer que vocês moram aqui a mais de trezentos anos? Não envelhecem? Não morrem? Até mesmo os empregados? – eu falei mais incrédula do que nunca.

– Sim, Bella, nós fomos amaldiçoados. – ele disse com pesar.

– Amaldiçoados? Isso é possível?

– Sim, é. Eu já fui cético como você também. Deixe-me contar como tudo começou.

– Sim, por favor. – eu disse e ele riu levemente pela minha curiosidade.

– Na época eu não era um rapaz grosseiro, como você gosta de acentuar, eu era alegre,

cortês, gentil e muito estimado pelas pessoas. Quando chegamos não havia cidades, apenas vilas ao redor e eu ajudava sempre que podia os locais. Eu tomava conta da região e era responsável pelas minhas irmãs. Apesar de Rose ser a mais velha, eu era o homem, então eu era o dono do Castelo e tinha que cuidar de tudo. Meu pai se orgulhava muito de mim, dizia que eu seria um bom rei para a Hungria. – Edward soltou um longo suspiro antes de continuar – Rosalie e Alice gostavam de estar entre o povoado e em poucos meses Rosalie já se encontrava apaixonada por um local e se casou com ele. Apesar de não ser nobre, nosso pai aprovou a união pois Rosalie o amava. Ele sempre superestimou o amor, nos ensinou desde pequeno que deveríamos fazer de tudo para ficar com a pessoa amada, mas também sempre ressaltava os nossos deveres para com o nosso país. Sendo assim, não seria surpresa que eu me tornasse um romântico. As jovens das vilas ficavam deslumbradas com meus encantos e eu adorava cortejá-las. Eu era um grande namorador. – ele falou e soltou uma risada.

Era tão estranho vê-lo rir, ele sempre estava com uma carranca no rosto. Ele parecia um pouco mais leve agora, e com um olhar tão saudoso que me deixava ainda mais curiosa.

– Ainda sim, eu não passava dos cortejos. Respeitava demais as donzelas para ir além.

Logo depois do casamento de Rose, Alice se casou com um duque e eu vi que apenas eu não havia encontrado o amor. Emmet e Jasper me apresentavam primas e outras donzelas na esperança de que eu me apaixonasse, mas isso nunca aconteceu. Os anos passavam e eu já estava com vinte um anos quando meu pai trouxe da Hungria minha futura esposa. Ela era uma condessa, seu nome era Tanya, ela era loira e possuía traços perfeitos. Era o tipo de senhorita que deixava os homens aos seus pés e gostava disso. Mas para a surpresa de todos, eu não gostei dela. Seu olhar frio e seu ar esnobe me davam náuseas. Discuti com meu pai, eu não queria me casar com ela, queria me casar por amor como minhas irmãs. Mas ele disse que eu estava passando da idade de me casar, que se não tivesse nenhuma pretendente teria que me casar com Tanya. Era inadmissível que eu estivesse solteiro quando fosse subir ao trono.

– Mas já estava na hora de você assumir o seu lugar? Pensei que seu pai

teria

bom

falecer

primeiro. – eu disse sem graça pela indelicadeza.

– Bem, é o que diz a tradição, mas meu pai estava cansado e doente. Esquecia

facilmente as coisas e isso para o governo era péssimo. Eu teria que inevitavelmente assumir o seu lugar e deveria ter uma esposa quando isso acontecesse. Não vi outra saída a não ser tentar gostar de Tanya. Eu bem que tentei mas a sua presença me enjoava, já ela estava cada vez mais encantada por mim. Foram vários dias tentando até

que resolvi jogar tudo para o alto, fui até uma taverna e tinha a intenção de me

embriagar quando eu vi uma bela donzela saindo de lá. Era Christal, ela era a filha do dono, tinha ido ajudar o pai com os fregueses. Fiquei louco por ela, era tão linda e delicada, diferente das outras jovens. Passei semanas cortejando-a às escondidas, ela sempre me evitava pois estava noiva. Até que em uma semana ela sucumbiu, e tivemos uma intensa noite de amor. Voltei ao castelo feliz, estava ansioso para contar ao meu pai que havia encontrado minha futura esposa. – Edward de repente se calou e sua

expressão era séria

torturada.

– Edward? – eu disse largando a rosa no banco e tocando seu ombro.

Ele tocou minha mão com delicadeza e a acariciou levemente com seus dedos frios. Era um gesto tão carinhoso e gentil, e ao mesmo tempo tão carente. Ele tirou sua mão da minha e eu retirei minha mão de seu ombro. Ele se voltou para mim e me deu um sorriso triste.

– Meu pai havia acabado de voltar de viajem e detestou as minhas boas novas. Ele havia

comunicado ao reino que eu iria me casar com Tanya e que quando retornasse seria para oficializar o noivado. Um rei nunca pode voltar com sua palavra, todos estavam ansiosos pela união, principalmente os nobres. Ele ordenou-me esquecer Christal e arrumar minhas malas para ir embora. Naquela mesma noite eu mandei uma carta falando de minha situação para Christal e falando que iriamos fugir, pois era ela quem eu queria ao meu lado. Esperei ansioso por sua resposta e tudo o que recebi foi uma simples carta dizendo que tudo não passou de um erro e em baixo havia um grande “adeus”. Fiquei transtornado, e quando vi já estava na estrada rumo à sua casa. Eu a encontrei nos braços de seu noivo, os dois bêbados na taverna rindo. Quando ela me viu ela me disse que nunca foi nenhuma donzela e que tudo não havia passado de um jogo. Era disso que ela gostava, enganar rapazes românticos, quebrar seus corações por diversão. E seu noivo era cumplice, ele gostava de ver a face arrasada dos rapazes. Eu vi naquele momento que eles não tinham escrúpulos, eram dois loucos a procura de um idiota para se divertirem. Fiquei confuso, frustrado, furioso. Não entendia porque haviam feito aquilo comigo. Comecei uma luta corporal com o noivo dela e saí perdendo, sendo esfaqueado no abdômen. Saí da taverna humilhado, deixando para trás a risada dos bêbados.

– Que horror! Qual o sentido de brincarem com seus sentimentos?

– Uma coisa que eu aprendi, Bella, é que o ser humano é mau e ele não precisa de

razões para ser mau. Ele pode torturar alguém simplesmente porque não gostou de seu rosto. Ele pode maldizer uma pessoa, simplesmente porque se satisfaz assim. Foi isso o que aconteceu. Foi tudo uma diversão, um passa tempo. Nada havia sido real.

– Eu sinto muito. – eu disse sendo verdadeira e ele sorriu levemente, mas logo esse sorriso se desfez.

–Quando cheguei ao castelo quem me recebeu foi Tanya. Eu estava chorando e gritando. Ela me acolheu em seus braços e começou a chorar, pois eu estava morrendo. Ela dizia que conhecia forçar ocultas e que poderia me salvar, que tudo ficaria bem. Eu falei que nada ficaria bem porque meu coração havia sido quebrado. Tanya me indagou sobre o que eu falava e lhe contei tudo o que havia acontecido. Ela me largou no chão,

se sentindo traída, disse que eu não precisava me preocupar pois eu não iria morrer,

nunca, ela cuidaria para que eu vivesse durante muito tempo

o que ela fez. Eu não acreditava em magia, mas Tanya tinha conhecimento dela, e então ela me amaldiçoou, a mim e a minha família.

em um inferno. E foi isso

– Deus! Mas por quê?

– Tanya sentiu que eu a havia usado. Havia conquistado ela para depois abandoná-la,

mas não foi assim. No entanto, ela sempre havia sido uma pessoa rancorosa e vingativa. O seu coração ficou cheio disso quando eu revelei o que havia ocorrido.

– E depois? O que aconteceu? – perguntei não aguentando de curiosidade.

– Minha ferida cicatrizou, mas o meu corpo ficou gelado como o de um cadáver, a

minha aparência era a de um morto. Meus olhos, antes verdes, perderam a cor e ficaram sem vida. O mesmo aconteceu com a minha família, todos ficaram como cadáveres. O castelo também se transformou, antes era todo iluminado e cheio de esculturas de anjos. Ele se transformou em algo tenebroso e profano. A floresta ao redor ficou escura e densa. Mas isso não foi o pior. Meu pai vendo o que ela havia feito tentou mata-la em um ato de fúria, mas foi ele quem saiu morto. Usando seus dons, Tanya fugiu nos deixando à mercê de sua maldição. Tentamos ir atrás dela, mas descobrimos que sua maldição tinha outros efeitos. À luz do sol nós enfraquecemos. Minha família pode passar um pouco mais de tempo exposto, mas comigo é pior. Cinco minutos são o suficiente para que eu fique fraco até mesmo para andar, enquanto eles conseguem ficar até três horas até chegarem nesse estágio.

– Então, com você, a maldição foi pior?

– Muito. Eu não posso me alimentar, a comida não fica em meu estômago, é imediatamente rejeitada.

– Do que você se alimenta então? – eu perguntei temerosa, já sabendo a resposta.

– De sangue. A primeira vez que descobri isso foi um choque e quase matei uma das

empregadas. Descobri que isso só acontecia comigo, pelo menos uma vez por semana eu sentia a urgência de sorver sangue e atacava algum empregado. Felizmente nunca matei ninguém, minha audição ficou mais aguçada com a maldição e eu sempre paro quando escuto o coração começar a bater fraco. Descobri também que, ao contrário dos outros, os meus reflexos são mais rápidos e minha força é maior, algo necessário quando se caça na floresta.

– Caçar? Como assim? – perguntei sem entender o que ele quis dizer.

– Sorver sangue humano por algum tempo foi algo perturbador, então passei a caçar os

lobos que surgiram na floresta. Foi ai que surgiu a lenda do Deus do Bosque. – ele disse

e riu um pouco.

– Ah! Isso explica muita coisa. O que você quis dizer com “os lobos que surgiram”?

– Quando Tanya transformou a floresta, ela colocou lobos nele que servem de vigias.

Todo empregado, ou forasteiro, que tenta sair do castelo é morto. Se alguém estiver caminhando pelo bosque eles o guiam até o castelo. A pessoa busca abrigo e depois tenta ir embora, mas é morta assim que sai. Alguns empregados tentaram fugir depois de tudo o que ocorreu mas foram mortos logo em seguida. Os únicos que não são atacados são minha família, e eu, claro. Mas isso não é uma vantagem, de qualquer jeito, visto que se sairmos daqui, mesmo que à noite, não poderíamos viver como pessoas comuns na cidade. Passaríamos o dia escondidos e as pessoas começariam a falar. Logo haveria rumores de que havíamos vendido a alma para o diabo ou que éramos bruxos. Não demoraria e estaríamos ardendo em uma fogueira. – ele disse dando um sorriso sem humor.

– Os empregados, por que não são como vocês?

– Não sabemos. Alguns anos depois, recebemos uma carta de Tanya que estava em seu

leito de morte. Ela se dizia arrependida pelo que tinha feito e dizia que havia um meio

de quebrar a maldição. Ela esclareceu outras coisas, como o fato de que não voltaríamos

a ser humanos até que a maldição se quebrasse e que os empregados só voltariam a envelhecer quando nós voltássemos.

– Há um meio então? E qual é? – eu disse pulando de ansiedade e Edward riu.

– Sabe, em minhas caçadas muitas vezes eu saia machucado e logo descobri que eu

cicatrizava incrivelmente rápido. O ruim é que logo depois eu sentia sede de sangue. –

ele falou cabisbaixo e isso me chamou para um alerta.

– Quando voltamos da floresta, você

pouco. Esse assunto me perturbava.

você

se alimentou? – eu perguntei corando um

– Sim, de uma das empregadas. Não se preocupe, ela está bem, eu nunca matei ninguém

e nem pretendo. Além do mais, elas se recuperam rápido. – ele parou de falar e ficou me analisando.

De repente senti seus dedos frios em minha bochecha esquerda. Ele a tocava tão delicadamente e de forma tão suave que me fez ter um leve arrepio e corar levemente.

– Você não tem noção do quanto me tenta quando faz isso. – ele disse arfando.

– Isso o-o que? – falei desconcertada.

– Corar. Te deixa tão linda e deliciosa. Seu cheiro fica ainda mais ressaltado. Como me

faz querer prova-la

– ele disse descendo sua mão para meu pescoço e acariciando ali.

Tremi fortemente com esse contato e ele na mesma hora retirou a mão. Olhei para baixo desconcertada e senti minhas bochechas arderem.

– Então

– disse tentando mudar de assunto – Por que prendeu meu pai aqui?

– Bem, durante alguns anos tivemos problemas com os moradores locais. Várias

pessoas vieram ver o que tinha acontecido conosco e acabaram presas no castelo.

Algumas fugiam assustadas com o lugar e acabavam mortas pelos lobos, outras nós levávamos de volta à vila e elas espalhavam a noticia do que viram para os outros e logo tínhamos mais visitas. – será que foi assim que surgiram as lendas? Possivelmente.

– Me desculpe, mas, te interrompendo, por que vocês não levam os empregados para a cidade como vocês faziam com essas pessoas?

– Do que adiantaria? Eles não envelhecem, e até juntarem dinheiro para mudarem para outra cidade as pessoas já teriam notado.

– Oh, sim, faz todo o sentido. Continue.

– Como eu dizia, essas pessoas geravam grandes transtornos, principalmente as

religiosas. Demoramos e evitar essas inconveniências. Quando seu pai apareceu ele fugia dos lobos e tentou se esconder no castelo. Subiu procurando por algum morador e me encontrou me alimentando. Sei que já percebeu como meus olhos ficam quando me alimento ou quando estou com raiva, e quando ele viu isso saiu correndo de volta para a floresta. Eu não podia deixar que mais uma pessoa fosse morta, então o capturei e o prendi aqui. Pretendia leva-lo de volta para a cidade depois de conversar com ele e pedir por sigilo. No entanto você apareceu, se ofereceu para ficar no lugar dele e eu aceitei. – ele disse sorrindo para mim.

– Você me enganou! Seu miserável, bastardo! – eu bradei me levantando em um pulo.

– Hora essa, senhorita, eu precisava que você ficasse. – ele sorriu sarcástico.

– Para quê? Para ser sua prisioneira?! – como ele ousava? Ele me enganou, meu pai não estava condenado a ficar preso afinal de contas.

– Tenho meus motivos. – ele disse sério.

– E que motivos são esse? Exijo saber! – eu disse o enfrentando.

– Você não exige nada, senhorita! – ele me enfrentou de volta e eu recuei com medo.

– Meu pai vai contar aos outros. Ele trará alguém para me tirar daqui! – falei petulante empinando o nariz

– E porque ele faria isso? Sabendo que tenho sua filha em minhas mãos, ele tem muito

mais a perder do que eu. – ele disse se aproximando de mim e segurando forte meu rosto em uma de suas mãos. – Seu pai é um homem sensato, senhorita, ele sabe que se ele fizer algo que eu não goste a sua vida estará em perigo.

– Teria coragem de me matar? – eu disse arregalando os olhos.

– Antes você do que eu. Você sabe, todos aqui deste castelo dependem de mim para por um fim nessa maldição. Se eu morrer, o que será deles?

– Me surpreende que ninguém ainda tenha tentado mata-lo. Você é desprezível. – falei ríspida, fervendo de ódio por ter sido enganada e agora eu estava à mercê dele.

– Oh, mas já tentaram, minha cara dama. Mas é como eu disse, eles precisam de mim.

– Pobres almas. Depender de um bastardo deve ser terrível. – eu falei com rispidez e seu aperto em meu rosto aumentou. Assim como a raiva em seus olhos.

– Me despreza tanto assim?

– Eu o odeio. – falei com nojo. Por um momento ele pareceu magoado, mas logo a fúria estava de volta em seu olhar.

– É mesmo? – dito isso ele me puxou pela cintura até ficar grudada em seu corpo.

– Me solte! Seu bruto! Arrogante! Bastardo! Mentiroso! – eu batia meus punhos com força no peito de Edward mas de nada parecia adiantar.

Quando eu menos esperava seus lábios frios estavam sob os meus me calando. Ele me beijava com fúria e logo sua língua estava de encontro com a minha. O que estava acontecendo comigo? Meu corpo estava mole, minha cabeça parecia nublada, meu coração doía de tão rápido que batia. Por que eu não o parava? Eu não conseguia pensar, só sentir. Seu corpo estava maravilhosamente colado ao meu, seus braços me apertavam mais perto a ele, minhas mãos estavam em seus cabelos o puxando para mim. Havia urgência em nossos lábios e gemidos escapavam de nós a todo segundo. Então o beijo parou. Seus braços não estavam mais à minha volta e eu estava tonta, tentando entender tudo o que havia acontecido. Escutei uma risada e encontrei Edward sorrindo sarcástico para mim, enquanto tentava ajeitar seus cabelos naturalmente bagunçados.

– Hora, do que está rindo? – perguntei brava.

– Sabe o que dizem senhorita? Que o contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença.

(n/a: obrigada pela dica da frase, Myfanfics, sua linda ;D)

– O que quer dizer com isso? – eu disse confusa e irritada por seu sorriso que não sumia.

– Que esse beijo, senhorita Isabella

afastei corando fortemente com a lembrança. –

mas com certeza eu não senti a indiferença nele. – ele falou e se afastou em direção à porta rindo. – Boa noite.

– ele se aproximou e tocou meus lábios mas eu me

pode

até ter tido um pouco de ódio,

Ele disse e saiu sem nem ao menos olhar para trás. Grosso! Estúpido! Céus, onde estava com a cabeça quando o deixei me beijar? Meus lábios, antes imaculados, haviam sido

violados por aquela

bufando durante todo o caminho. Como ele ousava? Primeiro me usou e

depois

irritada comigo mesma quando percebi que havia gostado. Sim, eu havia. Foi uma sensação maravilhosa e eu odiava isso. Como eu posso ter achado maravilhoso o beijo daquele sem educação? Fiquei apenas de camisola e me joguei na cama pensando em nossa conversa.

fera! Retornei para os meus aposentos contrariada, irritada e

roubou-me

um beijo! Eu podia sentir seus lábios ainda contra os meus e fiquei

Ele não havia me respondido quando perguntei como se quebrava a maldição. Maldito! Me distraiu para que ele não tivesse que me falar. E o que ele era? Como ele não podia saber? Será que não suspeitava de nada? O que ele quis dizer com não sentir a indiferença em meu beijo? Tantas dúvidas. Mas isso não ficaria assim, eu iria esclarecer toda essa história. Assim que eu acordasse iria atrás dele.

P.d.v autora

Edward estava na sacada de seu quarto observando a lua com um sorriso bobo. Estava distraído, pensando no beijo que dera em Isabella, mas ouviu quando alguém se aproximou. O som dos cacos de vidro sendo pisoteados diziam-lhe que a pessoa estava vindo para a sacada.

– Sabe, acho que você deveria ser mais cavalheiro, ela aprecia isso.– Alice falou. Ela na certa estava espiando a conversa dos dois por uma das janelas.

– Eu sei, mas é que às vezes ela me irrita.

– Você sempre está irritado.

– Mais de 300 anos enclausurado faz isso. – Edward disse zombeteiro e olhou para a

irmã que tinha o semblante fechado. – Vai dar tudo certo. – ele disse adivinhando o que se passava na mente da caçula.

– Se você continuar sendo tão rude eu acho que não haverá esperança.

– Eu não diria isso. – Edward falou sorrindo, voltando a olhar para a lua e lembrando-se do beijo.

Ele no fundo sabia que Isabella havia gostado do beijo. E geniosa como ela era, se não sentisse algo não o teria deixado tocá-la. Ele ainda sentia os lábios quentes da jovem nos seus. Se fechasse os olhos podia sentir ela em seus braços. Tão quente, frágil, tão desejosa. Ele havia se sentido atraído por ela desde que a viu. Às vezes ficava irritado consigo mesmo pelo tanto que a presença da senhorita mexia com ele. Era algo novo, diferente, estranho, que ele negava no inicio ser algo para se dar a devida atenção. Quem era ela afinal? Apenas uma forasteira. Mas agora ele via, ela era mais do que isso. Nunca sentira algo igual, nem por Christal. As coisas começavam a fazer sentido.

– Deus, está apaixonado! – Alice o olhou surpresa. Chegara a pensar várias vezes que isso nunca iria acontecer.

– Não sei ainda, sinto algo novo, mas não posso dizer ainda o que é.

– É paixão, está sorrindo igual a um bobo apaixonado. – a caçula disse e um brilho diferente apareceu em seus olhos.

– Sabe, acho que vou seguir seu conselho. Vou começar a ser mais cavalheiro. –

Edward disse lembrando-se do modo que tratou Isabella. Sentiu-se mal logo em seguida. Estranho, há anos não ligava para os bons modos e etiqueta.

Alice nada disse, apenas sorria pensando em contar às boas novas para os demais.

– Como está Esme, saiu do quarto? – Edward perguntou preocupado com a madrasta.

– Está melhor, a febre passou. – Alice falou aliviada. Não gostava de ver a mãe tão mal.

– Ótimo, amanhã levarei Bella para que a conheça.

– Faça isso, ela está aguardando. – Edward assentiu e Alice foi se retirando quando lembrou-se de algo. – Edward, vai contar tudo a Bella?

– Não. – ele soltou um suspiro. – Não quero influenciá-la.

– Entendo. Faz bem, ela pode se sentir obrigada a algo.

– É o que penso.

– Posso mandar as empregadas virem arrumar seu quarto? – Alice falou esperançosa.

– Para quê? Se eu ficar com raiva vou destruir tudo de novo.

– Eu sei, mas Bella pode querer ficar aqui Edward considerava fantasioso.

– Alice falou pensando em um futuro que

Será que chegariam a tanto? Será que um dia dividiriam os aposentos? Edward achava impossível, mas a fantasia o encantava no momento.

– Tudo bem. Mande-as vir de manhã. – Alice sorriu e saiu do quarto sem falar mais nada.

Sem querer, Alice e Edward estavam alimentando esperanças e imaginando algo que poderia não passar de sonho. Edward se sentiu por um momento feliz. Será que nem tudo estava perdido? Ele esperava que sim.

Um pouco longe dali, um homem de quarenta anos residia em sua cama enfermo. Sua única amiga, uma senhora de idade, cuidava dele. Nos últimos dias havia recebido a visita de cobradores. Com o dinheiro emprestado de sua amiga, pôde pagá-los sem problemas, mas um dos cobradores não ia embora. Ele aguardava por Bella.

– Charlie, mais uma vez, onde está Isabella? Preciso ter uma conversa importante com ela. – Jacob falava impaciente.

– Meu jovem, não vê que ele está doente? – a senhora Leah suplicava pela compreensão.

– Já lhe disse, ela está no castelo. Está com aquele monstro! – Charlie falou antes de começar a tossir novamente.

Jacob saiu do quarto contrariado. Precisava saber do paradeiro de Isabella e não

conseguia tirar nada daquele velho maluco. Velho maluco? A mente de Jacob começava

a funcionar agora bolando uma ideia.

– É isso! – bradou antes de se retirar da casa.

Ele caminhava apressado pelas ruas desertas e escuras. Um sorriso grande brotava em seus lábios. Isabella seria sua agora, disso ele não tinha dúvidas.

Notas finais do capítulo

Meninas, uma florzinha muito fofa está postando em seu site algumas fanfics e a Bella e

a Fera foi escolhida para ser postada lá. Então já avisando que não é plágio nem nada, ela tem a minha autorização :) O link é esse para quem quiser ir lá dar uma olhada http://twilight-dream.tumblr.com/

E ai florzinhas, reviews? :)

(Cap. 8) Presente?

Notas do capítulo

Oi meninas :) demorei um pouquinho pq estou novamente entretida com os livros da Anne Rice *--* já lhes disse que amo Lestat? Não? Pois bem, eu amo aquele príncipe moleque, ele é tão mal *o* O cap ficou até grandinho, espero que gostem :) Nosso principe incompreendido está melhorando o humor, mas por quanto tempo? OBRIGADO A TODAS QUE COMENTAM, SUAS LINDAS :)

E gasparzinhas, vamos dar um oi? :D

Mal eu havia acordado e me encontrava andando apressada pelos corredores. Encontrei com Rosalie no caminho conversando com Jasper, ambos sorriam e tinham um brilho diferente no olhar. Estranho, desde que chegara era a expressão mais relaxada que eu já havia visto eles terem. Alguma coisa boa tinha acontecido, mas eu não estava com tempo para tentar saber o que era.

– Bom dia Bella. – Rosalie falando me dando um leve sorriso.

– Bom dia. – Jasper a acompanhou.

– Bom dia. – respondi apressada passando por eles.

– Aonde vai com tanta pressa? – Rosalie perguntou.

– Falar com Edward. Ele me deve respostas. – falei sem parar de caminhar.

Estava muito concentrada em meus objetivos para ligar para a etiqueta.

– Não acho que seja uma boa ideia. Ele sempre acorda de mau humor. – Jasper falou e percebi que me seguiam.

– Corrigindo, ele sempre está de mau humor. – falei fazendo pouco caso.

– Bem, isso é verdade. – ele falou

– Está indo para a ala oeste? – foi a vez de Rosalie falar.

– Sim.

– Sabe que ele não vai gostar de te ver lá. – Rosalie falou um pouco preocupada.

– Ele não tem que gostar. – falei convicta.

Os passos atrás de mim pararam e eu não olhei para trás para saber aonde eles tinham ido. Continuei o meu caminho, estava nervosa por ontem à noite. Quanta audácia a desse rapaz! Beijar-me a força, que absurdo! E ainda não me deu respostas completas.

Bati na porta de seu quarto e já fui logo entrando. Estava sem paciência e decidida a não

usar os meus bons modos com essa

bater a porta na minha cara. Ele faria isso? Com certeza. Rude como ele era não perderia a oportunidade.

fera! Além do mais, não queria correr o risco dele

Andei mais cautelosa pelo corredor que levava até o seu quarto e me arrependi por não ter esperado ele abrir a porta. Ele estava seminu. Vestia apenas as calças e estava colocando uma blusa de seda preta quando eu entrei.

– Ora essa. – eu murmurei contrariada e corando.

Virei-me logo em seguida constrangida, ficando de costas para Edward que ria.

– Ora essa digo eu, senhorita. Onde estão os modos que valoriza tanto? Não sabe que

uma dama não deve entrar assim no quarto de um rapaz? Pode ficar mal falada. – ele

disse rindo mais ainda.

– Meus modos não serão gastos com o senhor, uma vez que não tens modos comigo. – falei irritada.

Aproveitei para analisar o quarto. Estava todo escuro, pouco iluminado por algumas velas. Havia cacos de vidro e espelhos espalhados pelo chão. Uma escrivaninha jazia destruída em um canto e a sacada estava fechada por grossas cortinas pretas de veludo.

– Então, o que veio fazer aqui? Veio ver-me me trocar ou tem algo mais interessante em mente? – ele disse com um tom divertido e com um pouco de malícia. Abusado.

– Vim lhe fazer algumas perguntas, e não ficar olhando para o senhor.

– Detesto quando me chama de senhor. – ele falou ao pé do meu ouvido e senti um arrepio subir pelo meu corpo.

Por Deus! Ele não estava agora mesmo do outro lado do quarto? Agora estava aqui,

encostado às minhas costas, me segurando pela cintura enquanto falava ao pé de meu

ouvido. Tanta sensualidade

argh!

Como eu odeio quando ele faz isso.

– Pois bem, Edward, se me permite dizer, acho que não deveria tomar certas liberdades comigo. – falei tirando suas mãos de minha cintura.

Amaldiçoei-me por tremer com esse contato.

– A senhorita é uma péssima mentirosa. – ele falou voltando a agarrar minha cintura com mais força e me colando ao seu corpo.

– O-o que quer d-dizer? – maldição! Agora até me fazer gaguejar ele fazia.

Se bem que ele já havia provocado isso outras vezes. Mas eu preferiria mil vezes

gaguejar por medo do que por sensação que ele me provoca.

uma

atração nervosa! Deus, como eu odeio essa

– Que a senhorita anseia que eu tome certas liberdades. Não é isso Bella? Você não me anseia?

– Ora, não seja pretencioso. – consegui dizer firme mas ele riu.

– Eu posso sentir isso pela sua pele que se arrepia com o meu toque. – ele falou

sensualmente em meu ouvido e eu me arrepiei mais ainda. Que ódio! – Posso ver pelo seu modo trêmulo de falar, posso dizer isso ainda por causa de sua respiração ofegante. Você me deseja, tanto quanto eu a desejo.

Oh, ele me deseja? Então porque era tão rude? Será por isso que ele sempre arranja um meio de me tocar? Eu o desejava? Eu não sabia dizer. Só sabia que meu coração acelerava quando ele estava perto, minha pele queimava com o seu toque, seu cheiro me inebriava e eu sentia algo estranho em minha intimidade. Isso é desejo? Não tinha certeza, pois eu nunca havia sentido isso antes. Era tão estranho e confuso. Era errado.

– Ora essa, minha pele se arrepia porque suas mãos são frias, e eu às vezes gaguejo por estar desconcertada. – disse me afastando de seu aperto.

– Está em negação? Se quiser posso ajuda-la a ver tudo mais claramente. – ele disse com um sorriso zombeteiro no rosto e se aproximando.

Ele ainda não estava completamente vestido e me vi forçando meu olhar para longe. Deus, porque fizeste uma criatura tão bonita?

– Não se atreva a se aproximar. Vista-se logo pois temos que conversar. – eu disse me afastando e quando vi estava encurralada em um canto na parede. Maldição, era uma armadilha.

– Ah, eu tenho planos muito melhores para os nossos lábios. – ele falou se aproximando como um leão preparado para atacar sua presa.

Antes que eu pudesse protestar, o meu corpo estava sendo prensado na parede. Os lábios de Edward estavam ávidos nos meus, nossos corpos se moldavam maravilhosamente.

– Bella

– ele disse entre um gemido me fazendo gemer também.

Suas mãos desceram por minhas coxas fazendo com que minhas pernas ficassem ao redor de sua cintura. De repente fiquei em choque. O que estávamos fazendo? Meu Deus! Edward parou quando viu o meu choque e me soltou. Fiquei escorada na parede,

respirando ofegante. Edward estava sentado na cama, com a cabeça entre as mãos. Foi

tudo tão rápido. Tudo tão errado

e ao mesmo tempo tão certo.

– Perdoe-me, passei dos limites. – ele disse sem olhar para mim, parecia envergonhado.

– Espere-me lá fora, vou terminar de me aprontar. – eu fiz o que ele disse, sem falar algo ou olhar para trás.

Eu ainda estava ofegante quando fechei a porta do quarto. Meu coração batia

descompassado, sentia minhas bochechas em brasa. Céus, como pude me deixar levar?

Tudo culpa daquele

cabimento. No entanto, eu queria

Claro que sim. Imagina se eu faria algo do tipo algum dia. Será?

bastardo!

Arrastando eu, uma donzela, em uma sedução sem

e muito. Será que eu realmente fora influenciada?

Quando eu sai ele parecia arrependido de seu comportamento. Até pediu perdão. Mas espera, porque arrependido? Ele sabia que nós não devíamos? Ele não queria? Meus pensamentos foram interrompidos quando empregadas se aproximaram segurando baldes e esfregões.

– Senhorita, o que faz aqui? – uma empregada ruiva falou me olhando com desdém. Eu não estava de bom humor para aguentar isso.

– Hora, e lhe devo satisfações por quê? – falei com o mesmo tom de desdém. É, eu estava bem irritada hoje.

– Foi só uma pergunta. – ela falou fazendo careta.

– Vamos Victoria, viemos para fazer nosso serviço e não para ficar de papo. – uma

senhora de mais ou menos quarenta anos e cabelos grisalhos falou ríspida para a jovem que fechou a cara na hora. – Com licença senhorita. – a senhora disse amável para mim.

Assim que abriram a porta, Edward saiu de dentro do quarto. Estava esplêndido com suas habituais vestes negras. A ruiva o encarou descaradamente e eu me senti nervosa por isso. Que desfrutável!

– Vamos dar uma volta pelo castelo. – ele falou estendendo-me o braço como um bom cavalheiro.

– Tudo bem. – eu disse surpresa com seu gesto.

As empregadas entraram no quarto, e senti os olhares da desfrutável em mim antes de fechar a porta. O que ela tinha?

– Qual é o problema dela? – perguntei mais para mim, mas Edward escutou.

– Ela quem? – ele perguntou curioso enquanto caminhávamos lentamente pelo corredor.

– A empregada ruiva. Ela parece não gostar de mim.

– Oh, não se preocupe com isso, ela deve estar só enciumada. – ele disse com um sorriso divertido.

– Enciumada?

– Sim. Victoria dizia que iria acabar com a maldição, mas não foi bem sucedida. Ela deve temer que você se saia melhor que ela.

– Eu? Mas o que eu tenho haver com isso?

– Preciso de você para conseguir lidar com a maldição.

– É por isso que me prendeu? Precisa de mim?

– Sim. E, tecnicamente, você não está presa. – ele disse com um sorriso divertido. Ah, como ele é atrevido!

– Como se quebra a maldição? Você não me disse na noite passada. – disse lembrando- me que ele havia me distraído da resposta.

– Infelizmente não posso contar.

– E por que não?

– Para que nada de inconveniente aconteça. Entenda, poderia ser a nossa salvação, mas também poderia ser um desastre. Não quero correr o risco. – ele disse

e logo depois ficou sério. Entendi que não era para tocar mais no assunto.

– Certo. Bem, você disse que não sabe o que é. Como isso é possível? Você não fez pesquisas? Já tentaram achar meios alternativos para quebrar a maldição?

– Sim, eu realmente não sei. É claro que fiz pesquisas, e o mais próximo que consegui me relacionar foi com criaturas da noite conhecidas como vampiros. Você já ouviu falar?

– Sim. – eu assenti e logo depois consegui relacionar algumas coisas.

– Mas as coisas não batem completamente. Vampiros queimam no sol, eu apenas

enfraqueço. Vampiros não têm reflexo e temem crucifixos, eu tenho reflexo e adoro

crucifixos. Acho que sou uma criatura nova, algo criado por Tanya. Não tenho certeza.

– ele suspirou e ficou um momento pensativo antes de continuar. – E sim, já tentamos

achar meios alternativos, mas uma maldição não pode ser quebrada nem por aquele que

a fez. Só há um meio e nenhum mais. Emmett e Jasper saíram em carruagens à procura

de feiticeiros e todos disseram a mesma coisa. A busca quase custou as vidas de Emmett

e Jasper. O sol consumia suas energias durante o dia e à noite tinham que lidar com

aldeões supersticiosos. Fugiam de uma emboscada de fanáticos religiosos quando voltaram. Tudo o que nos resta é esperar que a solução dada por Tanya um dia aconteça.

– Então é algo que depende do acaso?

– Podemos dizer que sim.

– Quem trouxe a carta de Tanya?

– Um corvo enfeitiçado.

– Um corvo? – eu disse surpresa.

– Sim. Um carteiro não poderia vir até aqui. Junto com a carta ela mandou um espelho, também enfeitiçado que está guardado em meu quarto.

– Por que ela mandaria um espelho?

– Edward, é você? Ouço sua voz meu querido. – uma voz doce soou ao fim do corredor.

Virando a curva uma dama um tanto baixinha, com cabelos em um tom caramelo, pele muito alva, lábios avermelhados, olhos ocres e amorosos apareceu. Ela não devia ter mais de trinta anos e usava um vestido verde esmeralda com renda francesa preta, digno de uma rainha. Mas ela era estranhamente familiar. Me lembrei da sala com quadros no quarto de Edward. Sim, ela era uma das moças dos quadros.

– Oh, ai está você. – ela disse vindo em nossa direção toda sorridente. – E vejo que está com sua esposa. – ela sorriu mais ainda para mim enquanto eu corava.

– Esme, ela não é minha esposa. – Edward disse um pouco desconcertado.

– Ah, não? Como se chama minha jovem? Quantos anos têm? – ela disse me olhando curiosamente.

– Me chamo Isabella senhora, mas pode me chamar de Bella. Eu tenho vinte anos.

– Bem, Bella, pode me chamar de Esme. – ela disse dando um sorriso carinhoso. – Vinte anos? Suponho então que já esteja casada.

– Oh, não senhora. – eu disse corando. Isso era meio vergonhoso, pois eu já passava da hora de casar.

– Mesmo? Mas você deve se casar. Minha filha Alice mesmo se casou aos 18, uma idade perfeita. Conhece Alice?

– Sim Esme, eu a conheço.

– Ela é adorável, não é? – eu assenti. – Ora essa, não vejo porque de você e Edward não

se casarem. Ele ainda está solteiro e seu pai está a procura de uma noiva para ele. Você seria perfeita Bella, tão jovem e bonita. Fazem um belo par sabia?

– Esme

– Edward tentou dizer, mas foi cortado.

– Edward, sabe que seu pai quer que se case, e já que não tem pretendentes, melhor que

seja Bella, não acha? – eu olhei para Edward inquisitiva e ele fez sinal para que eu não

falasse nada. – Ele está ansioso para que você vá para a Hungria e assumo o trono. Será um desgosto para ele e para a nação se não estiver casado quando chegar a hora.

– Sim, é verdade. Tens toda razão. – Edward disse tristonho. – Falarei com ele.

– Que bom, fico feliz. – ela disse dando um grande sorriso de contentamento.

– Ai está você. – Alice disse enquanto se aproximava um pouco ofegante. – Te procurei em todo canto, mãe. Vamos voltar pra o quarto.

– Não quero filha, cansei daquele quarto. Quero dar uma volta pelo bosque enquanto ainda não é inverno.

– Mãe, a senhora não está bem

– Por que essas cortinas estão fechadas?

– Mãe, por favor

– Mas filha

a senhora precisa repousar.

– Mãe, a senhora não quer voltar a passar mal quer? Papai ficará furioso quando souber que está sendo negligente com sua saúde.

– Está bem. – Esme disse suspirando. – Carlisle anda tão nervoso, não quero que ele fique ainda mais. – Esme disse acompanhando uma Alice cabisbaixa e triste.

Assim que elas se foram eu olhei para Edward confusa.

– Pensei que seu pai havia morrido. – eu disse em um fio de voz.

– E morreu.

– Mas Esme

– Esme está doente, Bella. Isso acontece de tempos em tempos desde a morte de meu

pai. Nós falamos que é a febre, porque ela arde em febre durante esses dias e fica com o juízo um tanto perturbado. Ela age como se nada tivesse acontecido, como se não lembrasse de nada, e depois piora. Passa a falar sozinha e a pintar suas memórias em vários quadros, e então melhora de novo, volta a agir como se nada tivesse acontecido até recobrar o juízo. Ela está melhorando, achamos que ela estaria boa hoje, mas acho

que ainda levará alguns dias. – ele soltou um longo suspiro de pesar e olhou o horizonte.

– Sinto muito que tenha presenciado isso.

– Olha

importo. – eu disse por fim.

– eu disse tocando carinhosamente sua mão fechada em punho. – Eu não me

Sua mão relaxou e ele tocou levemente os meus dedos.

– Obrigado. – ele disse cabisbaixo enquanto ainda acariciava a minha mão com seus dedos frios.

– Pelo quê? – perguntei confusa.

– Por não julgar. Do que gosta Bella? Sente falta de algo?

– Bem, além do meu pai, claro, sinto a falta de um bom livro. Por que pergunta?

– Bem, até agora você não julgou ninguém e não fez escândalos ou ofensas. Quero fazer algo que mostre meu agradecimento por sua compreensão e paciência. – eu o olhei sem entender e ele parecia pensativo. –Venha, tenho algo para você. – ele disse com um sorriso sincero no rosto me fazendo sorrir também.

Oh, como eu adorava quando ele sorria. Sem ironia, sarcasmos e a zombaria, apenas a inocência e a simplicidade. Parecia que tudo era tão diferente, tão leve, ele poderia ser sempre assim. De repente senti algo estranho em meu coração, como se ele se aquecesse. Esperança? Sim, eu tinha a esperança que Edward iria mudar. Será que isso poderia acontecer? Seria tão mais agradável, além do que é óbvio que essa couraça de maus modos é apenas uma máscara. Ele a tiraria por mim? Eu sentia que Edward poderia ser tão diferente. Há algo enterrado nele e eu gostaria de trazer à tona.

– Algo para mim?

– Sim. Acho que você vai gostar. – ele disse sorridente.

Caminhamos por alguns corredores da ala oeste e chegamos a um corredor onde ao final havia grandes portas de madeira decoradas com ouro.

– Agora feche os olhos. – ele disse e eu fiz uma careta. – É uma surpresa. Não a estrague. – ele disse rindo.

Contrariada, eu fiz o que ele pediu. Logo depois ouvi as portas rangerem ao serem abertas. Edward segurou minha mão e me guiou para dentro. Eu deveria estar com medo, não deveria? Afinal, era um homem rude me guiando para uma sala desconhecida. Mas eu não estava. Estava ansiosa e sentia que eu nutria uma certa confiança por aquele rapaz tão solitário. Será isso o que o afligia tanto? A solidão?

– Já posso abrir?

– Espere, vou acender as velas. – ele disse e ouvi os seus passos se distanciarem.

Esperei por mais alguns instantes, mas já não me aguentava de curiosidade.

– Agora, já posso abrir? – falei impaciente e Edward riu.

– Sim, agora. – abri os olhos e me deparei com uma enorme biblioteca.

Ela possuía três andares, estava abarrotada com livros dos mais diferentes tamanhos e cores. Havia escadas espalhadas pela biblioteca que levavam até o topo, poltronas, divãs e uma grande lareira que Edward acabava de acender. Havia também várias pinturas espalhadas pela biblioteca e um grande globo terrestre ali perto.

– Não é possível! Eu nunca vi tantos livros em toda a minha vida.

– Você gostou?

– Que maravilha! – eu disse rodopiando na grande biblioteca admirando todo o seu esplendor.

– Então é sua. – eu o olhei admirada e surpresa, ele apenas sorria.

– Muito obrigada. – eu disse com lágrimas em meus olhos de tanta emoção.

– Obrigado você.

– Está sendo quase um anjo agora. – eu disse rindo e me aproximei de uma das estantes.

Tantos nomes conhecidos e desconhecidos estavam ali. Mal podia esperar para começar minhas leituras.

– Anjo? – ele falou dando uma risada sem humor. – Sou um monstro Bella, essa é a verdade.

Ele falou e um semblante triste assumiu sua face. Ele se sentou em uma das poltronas perto da lareira e ficou olhando para as chamas. Ele parecia tão solitário e perdido ali. Senti um aperto em meu coração e me aproximei. Não podia deixa-lo assim, era o mínimo que eu podia fazer, afinal ele estava sendo maravilhoso comigo nas ultimas horas. Havia até me dado uma biblioteca! Eu precisava ajuda-lo. Ajoelhei-me perto de sua poltrona e ele olhou-me confuso, a tristeza em seus olhos estava bem presente.

– Você não é um monstro. – eu disse tocando levemente suas mãos que estavam em seu colo.

– Eu sou, e você sabe disso. – ele disse dando um sorriso sem humor.

– Não, não é. O que você é não é escolha sua, nem foi por sua culpa, foi apenas o

capricho de uma mulher vingativa. A verdadeira monstruosidade e distorção estão em nossa alma. Sua alma não é distorcida, posso ver isso. Você pode até tentar distorcê-la por conta desse fardo que carrega, mas não consegue.

– Pensei que me odiasse. – ele falou sério, me olhando com um brilho estranho no olhar.

– No começo, talvez. Mas sempre nos deixamos nos levar pelas aparências nas

primeiras impressões. Agora que eu finalmente começo a conhecê-lo eu te entendo. Você é a prova de que a beleza está no interior, eu posso até ter te desprezado, mas agora vejo que não tive motivos. Seus comportamentos, apesar de irritantes, são os reflexos do que a sua vida tem sido, mas você é mais do que isso. Cabe a você decidir se quer demonstrar isso a mim ou não. – eu falei dando um leve sorriso.

Senti minhas bochechas arderem de repente, a compreensão invadindo a minha mente. Eu estava surpresa com o que havia falado, até aquele momento nem eu tinha noção do que pensava. Fiquei surpresa por ter concluído isso tão facilmente enquanto falava com ele, e feliz por ser tudo verdade. Sim, eu havia exposto o que sentia a ele. Era estranho como eu havia mudado de opinião em tão pouco tempo.

– Você é mais do que eu esperava. – Edward falou afagando minha bochecha e sorrindo.

Havia um brilho tão intenso e estranho em seu rosto, ele parecia feliz. Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa, ele se levantou e foi até uma das estantes, retornando em seguida com um livro grosso de capa verde.

– Gosta da história de “Sir. Gawain e o Cavaleiro Verde”?

– Nunca ouvi ou li. – disse sendo sincera e ele sorriu.

– É sobre Gawain, um cavaleiro da távola redonda, sobrinho de Rei Artur. É uma ótima

história. – ele falou e se sentou ao meu lado em cima, do tapete feito de pele de urso. –

Quer que eu leia para você?

– Adoraria. – falei sorrindo e me sentando mais confortavelmente no tapete.

Ele sorriu para mim, abriu o livro e começou a ler.

Ficamos ali, lendo e sentados em frente à lareira até o cair da noite. Deixamos a biblioteca apenas duas vezes para que eu pudesse me alimentar, mas logo estávamos de volta. Lá fora eu podia ouvir o vento, e a temperatura parecia mais amena. O inverno estava chegando.

Notas finais do capítulo E ai reviews? Indicações? Vaai gente, eu sou boa nas recompensas :) fiz anteontem, que gosta segue aí: http://livethesecrets.tumblr.com/ :*

(Cap. 9) Inverno

Notas do capítulo Oi lindas :D eu tava ficando louca já, preocupa pq eu não conseguia achar um tempo pra escrever

OO' tive que fazer de madrugada --' mas valeu a pena, pq recebi reviews LINDOS e uma indicação LINDA! Então só tenho a dizer MUUUUITO OBRIGADA MENINAS :D

O cap de hoje é dedicado à Joicee por sua linda indicação, obrigada fofa amei :D

OBRIGADA TAMBÉM ÀS GASPARZINHAS CAMARADAS QUE APARECERAM

:D

Espero que não sumam, adoram a presença de vocês :) me faz até escrever de

madrugada ç.ç estou com olheiras enormes, falando nisso u.u mas faz parte.

Indo ao que interessa

permanece? oh, tantas coisas para acontecer no proximo cap *o* beijos, aproveitem.

o nosso príncipe está mudado

hummm, mas será que isso

Semanas haviam se passado desde o dia em que eu vim parar aqui neste castelo. Eu e Edward nos aproximamos, ouso dizer que nos tornamos amigos. Estamos sempre na biblioteca, entretidos em alguma história, ou na sala de música, onde ele tenta me ensinar piano. Edward sempre acha algo novo para fazermos, afim de que eu não fique entediada, e a cada dia que passa eu aprendo mais sobre ele e mais eu fico deslumbrada. Às vezes ele voltava a ser rude e sarcástico, mas logo eu o fazia rir e tudo ficava bem de novo. Aos poucos eu estava tirando a couraça que cobria Edward e eu não podia ficar mais feliz, pois eu via que isso estava fazendo bem para todos, principalmente Edward.

Às vezes tínhamos alguma inconveniência, como os olhares enciumados da empregada desfrutável, mas Edward sempre levava tudo na brincadeira e era bom ver que ele tinha senso de humor. Aconteceu de algumas vezes ele ter me beijado, mas nada urgente ou violento, era sempre calmo e doce, apenas o tocar dos lábios. Era estranho o modo como eu me sentia em relação a ele, só de pensar em seu nome meu coração acelerava e uma ansiedade surgia. Sempre quis saber por que ele me roubava beijos, mas a vergonha nunca me deixou pronunciar algo.

A verdade era que eu estava me sentindo bem ali, o clima no castelo não parecia mais

tão sombrio. No entanto algo faltava, faltava a presença de meu pai. Estaria ele bem?

Gostaria tanto de saber.

– Já está acordada? – Edward disse entrando em meu quarto.

– Edward! Já lhe disse que isso não se faz! – eu disse me cobrindo com o lençol.

Ultimamente Edward estava com a mania irritante de entrar em meu quarto sem bater.

Já havia acontecido dele quase me pegar apenas de camisola. Eu senti minhas

bochechas arderem com esse pensamento. A camisola é branca, quase transparente, seria um total desastre se ele me visse nessas condições. Imagine? Seria uma situação embaraçosa a qual todos iriam nos julgar mal. Não seria nada bom. Se bem que, quem iria julgar? Ninguém estaria presente. Não importa, eu iria me julgar.

– Eu sei, eu sei. Os modos. – Edward disse revirando os olhos. –Não preciso disso com você. – ele disse dando um sorriso torto e sentando-se na beirada da cama.

– O que está querendo dizer meu senhor? – eu disse o olhando irritada e me cobrindo melhor com os lençóis.

– Que tenho intimidade o suficiente com a senhorita para entrar sem bater. Além do que, a senhorita é mestre em entrar no meu quarto do mesmo modo. – ele falou zombeteiro, claramente para me irritar.

– Ora essa, não seja pretensioso. Nem se fosse meu noivo teria intimidade comigo. E sabe que é diferente, eu posso fazer isso. – falei empinando o nariz e ele riu.

– Será mesmo que nunca teria intimidade comigo? Nunca se sabe. – ele disse dando de

ombros e rindo da minha cara indignada. – Vamos lá Bella, apronte-se. Tenho algo para lhe mostrar.

– E o que é?

– Não seja curiosa, não cai bem em uma dama. – ele disse me olhando com falsa reprovação e eu bufei.

– Tudo bem, saia então. Ficarei pronta em alguns minutos.

– Tudo bem, eu espero. – ele falou se acomodando mais em minha cama.

– Eu disse para sair.

– E por quê? Eu posso esperar aqui. – ele falou sorrindo torto.

– Edward

– eu falei o repreendendo.

– Tudo bem, estava apenas brincando. – ele falou sorrindo e se levantando. – Te espero no corredor. Ah! E pegue um casaco, está um dia frio. – ele depositou um beijo demorado em minha testa e logo depois se retirou.

O lugar aonde ele havia beijado parecia estar queimando e eu sentia que estava enrubescida. Deus! Por que sinto tantas sensações estranhas quando estou perto dele? Levantei-me e pus-me logo a me arrumar. Lavei meu rosto e penteei meus cabelos com pressa. Coloquei um vestido vermelho com detalhes dourados, peguei um sobretudo preto e fui para o corredor. Edward estava parado, escorado em uma das tantas esculturas macabras do castelo. Estava esplêndido, como sempre. Definitivamente a criatura mais bela de todas. Ele sorriu ao me ver e meu coração se aqueceu, adorava vê- lo sorrir.

– Você demorou. – ele falou tentando me repreender.

– Uma dama nunca se atrasa meu caro senhor, ela chega precisamente na hora em que deseja. – falei petulante e ele riu.

– Tenho que parar de conviver com você, está ficando boa em me dar respostas. – ele falou me dando o braço para que eu segurasse.

– Você não ousaria, sabe que não pode viver sem mim. – falei divertida.

– Realmente. – ele falou e me olhou com um brilho tão intenso no olhar que tive que desviar.

Ele me levou até um dos vários jardins do castelo. Para ser mais precisa, ele estava me levando para o maior deles. O que ele queria lá? Espere, e o sol?

– Espere, ainda é dia, não podemos sair. – eu falei exasperada antes dele abrir a porta.

– Não se preocupe, no momento podemos. Venha, venha antes que não dê mais.

Ele abriu a porta e entrou no jardim. Eu fui atrás, preocupada com o que poderia lhe ocorrer. O que ele tinha na cabeça para se expor ao sol desta maneira? Ele só poderia estar louco.

– Edward, você

Meu Deus! – eu exclamei quando vi o que me aguardava.

O jardim estava coberto de neve. As rosas estavam congeladas, assim como a agua da fonte, e os galhos das árvores estavam cheios de cristais de gelo. O inverno havia finalmente chegado, deve ter nevado a noite inteira, pois a neve chegava em meus joelhos. Eu tremi de frio e me apressei em colocar o sobretudo. Assim que eu terminei de fazê-lo uma bola de neve me atingiu no ombro.

– Ei! – eu exclamei e vi um vapor saindo de minha boca.

– Não fique aí parada, não viemos aqui para ficar só olhando. – Edward disse rindo e tacando outra bola de neve em mim.

– Mas o senhor é realmente um atrevido. – eu disse pegando um punhado de neve e jogando nele.

Infelizmente ele era ágil e eu não o acertei, o que me deixou irritada.

– A senhorita precisa melhorar essa pontaria. – ele falou rindo e tacando mais bolas de neve.

Eu me pus a correr dali, caso contrário seria bombardeada. Fui até uma árvore e a usei de escudo. Edward ria, se divertindo, e eu comecei a rir também. Preparei uma bola de neve e fiquei à espreita para a hora certa. Ele veio em minha direção, e quando estava se aproximando eu tive uma ideia. Havia um pouco de neve aglomerada em alguns galhos daquela árvore, e seria a revanche perfeita. Mirei em um dos galhos e atingi em cheio. Na mesma hora, Edward passava por baixo e uma grande quantidade de neve caiu em cima dele o levando ao chão. Eu não aguentei, e logo soltei uma estrondosa gargalhada.

– Acho que a minha mira está muito boa, meu senhor. – eu disse zombando de Edward que me olhava ultrajado.

Sua aparência era a mais cômica. Ele estava com a metade do corpo coberto pela neve, seus cabelos estavam esbranquiçados, assim como seus cílios e sobrancelhas.

– Minha querida Bellla

adoráveis sorrisos tortos e me olhando como se eu fosse uma preza.

reze para que eu não a pegue. – ele disse me dando um de seus

Oh, oh. Era nessas horas em que eu saia correndo. E foi o que eu fiz, me pus a correr, tropeçando algumas vezes por causa das dificuldades proporcionadas pela neve. Olhei para trás e vi que Edward quase me alcançava, comecei a soltar alguns gritinhos misturados com algumas risadas diante da ansiedade da caçada. Edward apenas gargalhava atrás de mim, e não demorou muito para ele me alcançar.

– PEGUEI! – ele gritou me segurando em seus braços.

Eu me debati um pouco para me soltar dele e acabamos desequilibrando e caindo na neve. Gargalhávamos tanto diante de nosso comportamento infantil que podia apostar que todo o castelo ouvia. Aos poucos nossas gargalhadas foram sessando para simples risadas. Foi então que percebi que Edward estava com o seu corpo sobre o meu e ele me olhava de forma carinhosa. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas e Edward sorriu, acariciando-as. Suas mãos estavam tão geladas quanto a neve que estávamos deitados, mas eu não me importava. O frio era irrelevante neste momento.

Não está com frio? – ele perguntou me olhando preocupadamente.

Não. – respondi sincera. – O sol não o afeta agora?

Não há sol, minha querida. – foi então que eu notei que ele tinha razão, não havia sol,

o

dia estava nublado.

Oh, isso é bom. – eu disse sorrindo e ele sorriu junto.

O olhar de Edward ficou mais intenso, e percebi que ele olhava para meus lábios. Ele iria me beijar? Oh, eu queria tanto. Há dias ele não me beijava e eu sentia como se precisasse disso agora, como se sentisse uma carência por seus lábios.

– Acho melhor entrarmos, ou vai congelar. – ele disse sem jeito já se levantando.

Espera, ele não ia me beijar? Ele não quer me beijar? Será que ele não gosta dos meus beijos? Ah, mas eu queria tanto. Sem perceber eu leve minhas mãos aos seus cabelos o prendendo no lugar. Ele me olhou confuso e eu logo percebi o que estava fazendo. Afastei minhas mãos um pouco nervosa e um sorriso surgiu em seus lábios perfeitos. O que? Ele ria da minha irracionalidade? Antes que eu pudesse completar o raciocínio, seus lábios estavam nos meus. Doce, calmo, terno. Deus, como eu senti falta destes lábios. Sua boca, ao contrário de seu corpo, parecia quente. Seu hálito me inebriava cada vez mais e, quando vi, eu o estava puxando para mim segurando firmemente em seus cabelos.

O beijo aumentou a intensidade, se tornou aquele beijo urgente que ele me roubava no

início. Eu também gostava desses beijos, e muito. Senti sua língua explorar minha boca

e soltei um suspiro de satisfação. Edward de repente separou nossos lábios. Sua pupila estava dilatada e ele respirava ofegante.

– Vamos para dentro. Aqui está frio. – ele falou e eu assenti.

Ele me ajudou a me levantar e entramos no castelo. Eu não olhei para ele por estar ainda envergonhada, mas vi que ele me guiava para algum lugar. Olhei para os lados para saber aonde íamos e vi que estávamos na ala oeste, perto de seus aposentos. Olhei para Edward inquisitiva, ele ainda parecia estar ofegante e pareceu andar com mais pressa. Os cabelos dele estavam húmidos por conta da neve e deduzi que os meus não estariam diferentes.

Entramos em seus aposentos e Edward fechou a porta. Seguimos em silêncio até estarmos em seu quarto, agora, totalmente limpo e organizado.

– O que estamos fazendo aqui? – perguntei curiosa.

– Não quer tirar o casaco? Ele está molhado, pode adoecer assim. – Edward disse se aproximando e tirando o casaco por mim.

Me senti sem graça, ele parecia estar analisando cada parte de mim enquanto tirava o casaco.

– Obrigada. – falei ainda sem graça.

De repente o quarto parecia menor e abafado. Edward me olhava de uma maneira estranha, quase felina.

– Edward, está tudo bem? – eu disse sentindo a tensão aumentar no ar a medida que ele se aproximava.

– Sim, minha querida e doce Bella. – ele falou acariciando minhas bochechas.

Logo em seguida suas mãos foram para os meus cabelos e me puxavam para um beijo. As mãos de Edward desceram para as minhas costas, me segurando fortemente de encontro ao seu corpo. Sem ver eu já estava com as mãos em seus cabelos, os puxando fortemente. Edward soltou um gemido abafado por nosso beijo e senti suas mãos mexendo em minhas costas. Espasmos percorreram meu corpo quando ele cheirou e começou a beijar meu pescoço e clavícula. Senti-me tonta, inebriada.

Senti que meus ombros estavam nus, e que algo era puxado para baixo, passando por meus braços. Pulei sobressaltada ao notar que era meu vestido e que agora eu estava apenas de camisola na frente de Edward.

– Edward! Que diabos! O que está fazendo? Ficou maluco? Eu sou uma donzela! – eu exclamei nervosa e tentando colocar meu vestido, sendo impedida por Edward.

– Não, Bella, eu quero e você também. – ele falou me olhando com algo que entendi ser desejo.

Senti um tremor passar por meu corpo quando constatei isso.

– Não Edward. É errado! Nós nem mesmo somos casados. Eu devo me entregar apenas ao meu marido.

eu

sou uma donzela, e

– Então case-se comigo.

– O que disse?

– Case-se comigo. – ele repetiu me olhando intensamente, entendi que falava sério.

– Edward

– eu tentei argumentar mas fui silenciada por seus lábios.

– Seja minha Bella. – ele falou voltando a me beijar.

Senti que era depositada na cama, e que seu peso estava sobre mim. Eu não consegui pensar em mais nada, não conseguia raciocinar, apenas sentia as mãos de Edward percorreram ávidas o meu corpo.

– Edward, eu estava pensando

OH, DEUS! – exclamou alto uma Alice em choque.

– Alice? – Edward falou e eu aproveitei para sair debaixo dele.

Corri para onde estava meu vestido e pus-me a vesti-lo. Alice olhava indignada para Edward que a olhava com ódio.

– Não sabe bater? – Edward falou ríspido.

– Não achei que fosse necessário, agora vejo que sim. – Alice o olhou com raiva agora.

– O que veio fazer aqui? – Edward perguntou raivoso e eu já saia quando Alice me impediu.

– Fique Bella, eu iria dar esse recado para você também. – Alice falou sem tirar o seu olhar acusador de Edward.

Eu apenas assenti e continuei aonde estava de cabeça baixa, ansiando para poder sair logo daquele lugar.

– Que recado? – Edward falou se levantando e a olhando com desprezo.

– Bem, hoje, se bem me lembro, é seu aniversário. Pensei que poderíamos comemorar

com um jantar especial esta noite. Seria uma pequena comemoração, com um pouco de valsa e música. Bella seria sua companhia, claro.

– Acho uma bobagem. – ele falou voltando a se sentar na cama.

– Mas, é seu aniversário. Deveríamos celebrar. – eu disse em um fio de voz.

– Bella tem razão Edward, não seja desagradável. – Alice falou ríspida.

– Continuo achando uma bobagem. – Edward falou com desdém fazendo Alice suspirar.

– Bella, vá para seus aposentos. Tome um banho, desça para o almoço e depois se

apronte para o jantar. Ele vai acontecer você querendo ou não Edward. – Alice falou e vi Edward se levantando para enfrenta-la.

Vi ali o inicio de uma batalha e me pus logo a sair dali. Estava tão embaraçada pela

situação, que nem ao menos olhei para trás ou disse algo. Caminhei pelos corredores inconformada. Eu realmente iria me entregar a ele? Deus, sim! Eu me sentia tão

desfrutável e vulgar por isso.

p.d.v autora

– Não preciso de um jantar, Alice. – Edward disse irritado com a irmã.

– Oh, sim, precisa. Essa é uma grande oportunidade, não vê? E aonde estava com a

cabeça de ter liberdades com Bella? Ela é uma donzela, sabia? Merece mais do que isso

seu irresponsável.

– Sim, eu sei Alice, por isso mesmo pedi sua mão.

– Fez o quê? – Alice disse incrédula.

– Pedi sua mão em casamento.

– E o que ela disse?

– Não sei, não consegui deixar que ela respondesse. – Edward falou com um sorriso divertido.

A verdade era que o rapaz temia em ouvir um não, pensou que se a seduzisse talvez tivesse algo ao seu favor e pudesse transformar um não em sim. Mas logo se arrependeu

do que fez, sentindo o peso das palavras de sua irmã sobre si. Sim, Bella era uma

donzela, e merecia mais do que isso.

Ele queria lhe dar tudo o que ela merecia e mais um pouco. Estava apaixonado, não era nenhuma surpresa, e a queria para si assim como queria ser humano outra vez, podendo assim lhe dar o que era dela de direito: a felicidade. Ela nunca seria feliz ao lado de um monstro, por mais que a bondade da jovem o dissesse o contrário, ele estava convicto de que era sim um monstro. Teria que agir com calma, ter certeza das coisas, continuar com o plano original para assim, talvez, se ver livre da maldição e poder viver uma vida plena, feliz e humana ao lado de Bella.

Sim, ela merecia mais. Ele faria isso por ela, trancaria seus instintos primitivos que teimavam em sair. Ah, mas a ideia de que quase a teve o atormentava. Seu corpo macio e quente sob o seu era uma sensação esplêndida. Como queria ter essa sensação novamente, sentir sua pela sedosa sob seus dedos e escutar seus gemidos inconscientes. Ela era uma perdição, mas também sua possível salvação. Sim, ele faria isso por ela, ela merecia mais.

– Tudo bem Alice, organize o jantar. – Edward falou sorrindo para a caçula que retribuiu o sorriso.

Hoje teriam uma grande noite, seguiriam o plano original. Edward, talvez, nesta noite, descobrisse o que havia guardado para ele no coração da doce e linda Isabella.

Notas finais do capítulo

E ai reviews? Indicações? Já provei que recompenso :) obrigada a todas que comentam,

às fiéis, às novatas e as gasparzinhas camaradas :D

(Cap. 10) Adeus.

Notas do capítulo Olá meninas lindas do meu coração :D ATENÇÃO GALERA! Gente, vou pedir a paciência de vcs, minha mãe tá muito doente e eu que to cuidando

dela. Por isso o cap demorou um pouco, mas vou fazer de tudo para postar sempre rápido pq tenho muito carinho pelos reviews e indicações de vcs, tenho que retribuir né? Por isso, mesmo custando minhas madrugadas, vai ter sempre mais de um cap por semana para vocês :D MUUUITO OBRIGADA PELOS REVIEWS :D CAPÍTULO DEDICADO À: Mah e BabiCullen pelas lindas indicações *--* amei meninas, obrigada pela motivação :D

indo ao que interessa espero que gostem.

cap um pouco tenso :x

p.d.v autora

– Não acho que ela vá voltar. – falou Seth soando entediado.

– Ela vai voltar sim, porque não voltaria? O pai está doente, terá que voltar. – Jacob falou irritado com o comentário inconveniente de seu empregado e amigo.

– Já faz mais de um mês. Onde acha que ela está? – Seth falou soltando logo depois um longo bocejo.

– Visitando algum parente, talvez. Talvez nem saiba que o pai está doente.

– Por que diz isso?

– Bella é muito afetuosa e apegada com o pai. Se soubesse, certamente já estaria aqui.

– Realmente gosta da moça? Ou apenas está interessado em sua beleza? – perguntou

Seth curioso. Ele não entendia a obsessão de seu chefe, afinal ele era rico e tinha várias pretendentes, além de que Bella não poderia oferecer um bom dote.

– Os dois meu caro amigo. Os dois. – Jacob falou.

Sim, ele gostava da moça, gostava de sua personalidade, pureza e inocência. A esposa perfeita para ele. Mas a beleza, ah! A beleza da jovem o conquistou desde a primeira

vez que se viram. Tão linda, meiga e delicada. Ela povoava seus sonhos mais íntimos e isso o atormentava dia após dia. Ele não aguentava mais esperar, teria que ter a moça, nem que para isso tivesse que usar de medidas drásticas.

Ficaria ali com Seth de tocaia em frente à casa da jovem por mais uma noite. A escuridão os escondia, o frio atrapalhava, a ansiedade estimulava. Ficariam até o amanhecer, depois disso descansariam e outros dois empregados tomariam seus lugares. Qualquer movimento na casa Jacob saberia.

Estavam cansados da rotina da vigília, e a noite apenas começava. Onde Bella estaria? Jacob se atormentava com essa questão. Estaria ela nos braços de outro homem? Não podia suportar a ideia. Não, Bella não seria capaz disso. Era muito pura para se apaixonar por qualquer homem. Só havia um homem para ela, e esse homem era ele. A única coisa que o irritava era que depois de casados ele teria que aturar o pai maluco de sua futura esposa. Mas por ela, por ela ele aguentaria tudo.

Como seriam seus filhos? Belos, com certeza. Afinal a mãe era linda, assim como o pai. Seria um legado e tanto. Jacob sorriu com esse pensamento.

– Por que sorri? – Seth perguntou curioso.

– Nada meu amigo, apenas saiba que a espera valerá a pena. – falou dando um sorriso ainda maior.

Oh, sim, a espera valeria. Quando Isabella chegasse ele falaria com ela, se ela negasse sua proposta, bem, ele sabia como resolver isso.

p.d.v. Bella

– Está tão linda. Parece uma princesa. – disse uma senhorita Alice muito sorridente olhando-me pelo espelho.

– Ora, obrigada. – eu disse sorrindo sem graça.

– Pronto. – Rosalie disse sorrindo para mim, depois de terminar de prender meu cabelo.

Eu me levantei da cadeira em frente à penteadeira e Alice me fez dar uma volta para que ela apreciasse melhor sua “obra prima”.

Eu estava com um vestido azul safira com detalhes dourados na saia, cintura e busto. As mangas eram compridas, pois a noite estava muito fria, mesmo com tantas lareiras acesas no castelo. Eu usava grandes brincos esmeraldas emprestados por Rosalie, em meu colo não havia nada, apenas um leve decote o realçava. Os saltos que eu usava eram bem altos, mas o sapato era incrivelmente confortável. Meus cabelos estavam presos pela metade por uma presilha, algumas mechas caiam em meu rosto e eu usava um pouco de cor nos lábios.

Durante o tempo em que Alice e Rosalie passaram me vestindo, descobri que Alice gostava muito de fazer isso. Ela gostava de arrumar as outras pessoas, preparar festas,

organizar jantares, por mais pequenos que fossem. Ela parecia feliz, o que era muito bom, já que eu não gostava de seu típico olhar triste e vazio.

– Está perfeita! Edward vai adorar! Sabia que ele adora quando veste azul? – Alice falou muito animada.

– Oh, mesmo? – falei sem jeito.

– Melhor descer, o jantar deve estar pronto e Edward deve já estar esperando. – Rosalie falando dando-me um sorriso gentil.

– Não vão mesmo jantar conosco? – perguntei.

– Não, esse jantar é para vocês dois. – Rosalie falou.

– Mas o aniversário é de Edward. Todos deveriam estar presentes. – eu disse vendo Alice e Rosalie irem em direção à porta.

– Acredite, Edward prefere assim. – Alice falou dando um singelo sorriso. – Vamos?

– Sim.

Caminhamos em silêncio durante todo o trajeto. De vez enquando elas trocavam olhares

e sorriam. Elas estavam estranhamente felizes esta noite. Será que era por causa do

aniversário? Ainda sim, o comportamento delas era muito estranho. Paramos em frente

a um dos salões de festa, eu podia ouvir o som dos violinos tocando lá dentro. Olhei

para os lados e não encontrei Alice e nem Rosalie. Estava sozinha em frente à grande porta de madeira.

Abri a porta e me deparei com um grande salão todo iluminado com uma grande mesa de madeira farta no centro. Havia um grande candelabro de cristal no teto, várias lareiras com detalhes dourados, pinturas macabras por todos os lados e alguns eram retratos da família em sua forma humana, o piso era de um vinho lustroso e ao fundo

havia uma sacada envolta por pesadas cortinas azuis. Podia se ver a neve caindo lá fora

e um pouco do vento frio entrava, mas a sensação de frio era insignificante por causa das inúmeras lareiras. Havia também um pequeno palco reservado para músicos em grandes bailes, e ali realmente havia alguns músicos tocando uma das magníficas melodias de Johann Bach.

Meus olhos finalmente se fixaram em Edward parado ao lado de uma das lareiras. Ele estava magnífico, mais do que ultimamente. Como era possível? Em seus trajes tipicamente negros havia pequenos detalhes dourados em sua gola e mangas. Era um traje fino, digno de um príncipe. Ele olhava distraído para as chamas trêmulas, parecia bastante pensativo, a ponto de não notar minha presença.

Me aproximei cautelosamente dele, e ele ainda não havia notado minha presença. Toquei seu ombro levemente e ele se virou para mim um pouco sobressaltado. Seus olhos me percorreram e vi suas pupilas dilatarem. Meu rosto corou com sua inspeção e ele sorriu quando viu meu rubor.

– Está linda. – ele disse com sua voz suave e aveludada.

– Obrigada. – eu disse abaixando meu olhar. – Feliz Aniversário. Desculpe não ter

cumprimentado mais cedo, eu não sabia que era seu aniversário. – eu disse sem graça.

– Não se preocupe com isso, no entanto eu agradeço o cumprimento. – ele falou

sorrindo. – Venha, vamos jantar. – ele disse estendendo seu braço para eu pegar.

– Você quer dizer que eu vou jantar. – eu disse rindo e o acompanhando até a mesa. – Acho um exagero esse tanto de comida. Não dou conta disso tudo. – falei divertida enquanto me sentava na cadeira que ele havia puxado. – Obrigada. – agradeci e o observei ir em direção ao seu assento.

– Coma o quanto quiser, não se preocupe com isso. Se pudesse, eu a acompanharia. – ele disse sorrindo sem humor.

– Seria ótimo, mas a sua companhia já me contenta. – eu disse corando. Não acredito que disse isso.

– Minha companhia a agrada? – ele falou me olhando curioso e começou a me servir, já que eu ainda não havia me movido.

– Bem, não é das melhores, mas dá para se apreciar. – eu disse com um pouco de humor e ele riu.

– É bom saber. – ele riu mais ainda e depositou o prato cheio à minha frente.

– Tudo parece delicioso. – eu disse sentindo minha boca se encher d’água.

– Realmente. – ele falou um pouco triste.

– Sente falta disso? – perguntei um pouco triste por ele.

– O quê? De ser humano? – ele perguntou me olhando.

– Bem, eu ia perguntar sobre se alimentar de comida, mas já que você falou, acho que posso abranger a pergunta agora. – falei um pouco sem jeito.

– Bem, faz tanto tempo que eu quase não me lembro mais. – ele disse suspirando fundo.

– Não lembro mais qual é o gosto da comida, como é matar a sede com água ou como é

aquecer o corpo ao sol. Ainda sim eu sinto falta, lembro que gostava do sabor do vinho e de comer bastante no jantar. Queria saber como é ter essas sensações novamente. – ele disse dando um sorriso triste.

Um pouco receosa, eu estendi minha mão e toquei a mão dele fazendo um carinho tímido.

– Não se preocupe, tenho certeza que você vai conseguir quebrar a maldição. E aí você

poderá voltar a comer o quanto quiser e cavalgar ao sol, como disse várias vezes que

fazia. – ele sorriu para mim e retribuiu o carinho.

– Espero que sim, não quero ser

resto da eternidade. Não aguentaria viver mais alguns anos assim, prefiro a morte. – ele disse sério.

isso

– ele disse apontando para si mesmo. – para o

– Nunca mais diga isso. Tirar a própria vida é um ato muito covarde e egoísta. – eu disse o repreendendo e retirando minha mão.

– É, realmente. – ele falou simplesmente.

– Vocês contrataram músicos para esse jantar? Como os trouxeram aqui? – disse olhando para os músicos.

– Não, eles são os músicos do castelo. Ficaram felizes quando Alice pediu para que tocassem para nós. Há anos não têm uma “plateia”. – ele disse sorrindo.

– Imagino que mesmo sendo uma plateia tão pequena, ainda sim deve ser maravilhoso ter para quem tocar.

– Um músico quase sempre toca para si mesmo, mas realmente é maravilhoso quando

se tem alguém para apreciar sua música. – eu concordei e comecei o meu jantar.

Durante todo o jantar conversamos amenidades. Perguntei sobre Esme e Edward me disse que a febre voltara. Estava mais forte desta vez e ele não entendia por que. A companhia de Edward realmente era agradável e a cada sorriso que ele dava meu coração disparava feliz. Ele me provocava sensações novas e estranhas a mim. Às vezes me sentia tão confusa.

– Quando anos está fazendo hoje? – perguntei curiosamente.

– 322, eu acho. – ele falou e riu. – Às vezes me atrapalho com a quantidade de anos que já se passaram.

– Nossa, você está bem para alguém tão velho. – falei brincando e ele gargalhou um pouco.

– Eu uso um ótimo creme para a pele. – ele falou divertido.

– Em questão de aparência, quantos anos você teria?

– Vinte um, tecnicamente estaria fazendo vinte e dois hoje. – ele suspirou e depois

olhou para meu prato. – Está satisfeita? – eu assenti. – Ótimo, que tal dançarmos um pouco?

– Dançar? – eu disse um pouco nervosa. – Eu não sei dançar, apenas sei danças folclóricas pois não precisam de nenhuma técnica. – falei envergonhada.

– Ora, Bella, eu te ensino.

– Não acho uma boa ideia. – falei receosa.

– Bella, é meu aniversário. – ele falou me olhando como se fosse uma criança pedindo doce.

– Tudo bem, senhor chantagista. – falei pegando sua mão e o acompanhando para a parte livre do salão.

– Assim você me insulta senhorita. – ele falou rindo e colocando seus braços à minha volta. – Pronta?

– Não. – falei nervosa e ele riu mais ainda.

Adorava vê-lo rindo, e sentia meu orgulho se inflar por saber que seus sorrisos eram por minha causa. Edward era outro, se tornou um rapaz alegre e gentil, mas é claro que ele não havia abandonado sua antiga personalidade por completo, a prova disso é o modo como havia tratado Alice esta manhã.

Edward ignorou meu receio e iniciou uma valsa, guiando meus passos. Ele ia bem devagar, ao ritmo da música. Provavelmente não queria que eu me atrapalhasse. Apesar de ter um pouco de dificuldade consegui acompanha-lo. Riamos e Edward se divertia me rodopiando. Até que a música ficou mais lenta e passamos a dançar mais próximos. Era ótimo estar nos braços de Edward, e quando vi eu estava com a cabeça apoiada em seu ombro.

– Bella, você está feliz aqui comigo? – a pergunta me pegou de surpresa, e eu levantei minha cabeça para olhá-lo.

Ele estava sério, e me olhava profundamente nos olhos. Refleti sobre sua pergunta e respondi.

– Estou. – eu disse sincera. Eu realmente estava feliz, mas não completamente feliz.

– O que foi? – Edward perguntou notando meu semblante mudar de feliz para preocupada.

– Se pudesse ver meu pai novamente, só por um momento. Eu sinto tanta falta. – eu disse suspirando.

Edward segurou meu rosto entre suas mãos e me olhou de uma forma estranha, diferente. Emanava algo forte de seus olhos e senti um arrepio passar por meu corpo. No entanto, não consegui identificar o que era, apenas sabia que gostava.

– Há um meio. – ele falou e eu o olhei confusa.

Ele pegou a minha mão e me puxou para fora do salão.

– Edward, aonde vamos? – perguntei mas ele não respondeu, deixei então que me guiasse e me mostrasse o que ele queria.

Fomos em direção à ala oeste, e quando chegamos em seu quarto senti meu rosto arder com a vergonha. A cena de hoje de manhã ainda povoava meus pensamentos. Edward procurava algo em um armário e me olhou de relance, notou meu rubor e suspirou.

– Sinto muito por hoje de manhã. Foi errado, não deveria ter feito aquilo. – ele disse parecendo envergonhado.

– Não, não foi errado. – eu disse em um fio de voz.

– Não? – ele me olhou confuso.

– Eu queria. Não senti que era errado. – falei sem olhá-lo.

Um silêncio pairou durante alguns minutos até que ele voltou a procurar algo no armário e dizer por fim.

– Minha proposta ainda está de pé. – eu sabia do que ele falava. Ele falava do pedido de casamento. – Aqui está. – ele disse se aproximando segurando um espelho de mão oval e cheio de adornos dourados com prata. – Lembra que eu disse que Tanya havia mandado uma carta e junto com ela havia vindo um espelho? – eu assenti e ele continuou. – Esse espelho é enfeitiçado, tem o poder de mostrar quem você deseja. Basta falar e ele mostrará. Ela mandou para que fosse nossa porta para o mundo exterior. – ele falou me entregando o espelho.

Eu olhei curiosamente para o espelho. Parecia ser um espelho normal, eu podia ver meu reflexo como qualquer outro.

– Eu quero ver meu pai, agora. – eu falei e uma luz azul forte emanou do espelho, fazendo com que eu protegesse meus com uma das mãos.

E então eu ouvi um barulho. Alguém tossindo muito, como se estivesse ali no quarto. Procurei para ver quem era e vi que o som vinha do espelho. Nele havia a imagem de meu pai, deitado em sua cama enquanto tossia muito. A senhora Leah estava com ele, colocando uma toalha húmida em sua testa.

Charlie, precisamos chamar um médico. – a senhora Leah dizia preocupada.

Não, não temos dinheiro minha amiga. – meu pai dizia rouco iniciando outra crise.

Mas Charlie, você pode morrer assim.

Não vou morrer Leah, tenho que viver. Tenho que resgatar minha filha. – ele dizia tossindo novamente, dessa vez cuspindo um pouco de sangue.

Oh, Deus, está piorando! – Leah disse assustada.

– Papai, oh meu Deus! Está doente, e pode morrer! – eu disse alarmada.

Edward estava de costas, voltado para a sacada. Ele olhava para a noite escura e fria, e parecia ainda assim não ver nada.

– Então, você deve ir. – ele falou soando distante.

– O que disse? – falei incrédula.

– Seu pai precisa de você. Eu a liberto, já não é mais minha prisioneira. – ele falou me olhando e vi tristeza em seus olhos.

– Quer dizer, que estou livre? – falei um pouco em choque.

– Está. – ele falou simplesmente. – Pedirei para Emmett leva-la. – ele falou e foi até uma escrivaninha, retirando de lá uma pequena bolsinha de veludo. – Para o médico de seu pai. – ele disse me entregando a bolsinha.

– Obrigada. – eu disse ainda não acreditando no que estava acontecendo. – Edward, eu

– Não precisa dizer nada Bella. Espero que seu pai fique bem. Leve o espelho com

você, será um modo de olhar para trás e poder se lembrar de mim. – ele falou com uma expressão arrasada e amargurada, saindo logo em seguida do quarto.

– Espere, Edward, espere. – eu chamei indo atrás dele.

Mas eu não o achei em lugar algum, dei várias voltas no castelo chamando por ele mas ninguém me respondia.

– Bella. – escutei uma voz grave atrás de mim e me deparei com Emmett. Ele parecia triste, sem esperança.

– Emmett, onde está Edward?

– Ele me pediu para leva-la. Vamos, uma nevasca está se aproximando. Temos que ir antes que chegue.

– Mas Emmett, quero me despedir, preciso falar com Edward

falei quase chorando. Meu coração doía por causa da iminente separação.

há tanto para se dizer. –

– Sinto muito Bella, mas temos que ir. – ele falou arrasado e entendi que eu não tinha escolha.

De repente me senti em uma encruzilhada, dividida em dois caminhos. Eu não queria partir, eu não queria deixar Edward, eu havia me afeiçoado tanto a ele e não queria perder o meu único amigo. Amigo? Essa palavra soava tão errada. Eu não queria deixa- lo, eu queria estar sempre ao seu lado e aceitar sua proposta. Mas por outro lado, meu pai precisava de mim. Precisava que eu cuidasse dele e precisava de um médico. Eu não podia abandoná-lo justo quando necessitava de mim, ele sempre esteve ao meu lado quando precisei. Eu precisava ir, e sentia meu coração ser dilacerado.

Segui Emmett em silêncio, as lágrimas descendo incessante por meu rosto. Logo eu

estava na carruagem à caminho de casa. Casa

Havia sido por um mês. Eu voltaria ver Edward outra vez? Esse pergunta me

seria o castelo minha casa também?

martirizava. Lá fora a neve voltava a cair, e eu sentia que mais frio do que a estação estava meu coração. Edward. Tudo o que eu pensava era em Edward. Segurava o espelho que ele me dera junto ao peito me segurando para não pedir para ver sua imagem nele. Temia vê-lo e pedir para voltar. Eu faria isso, mesmo sabendo que isso significaria a morte de meu pai? Deus! Eu estava tão confusa.

Autora p.d.v

Edward estava na biblioteca, olhando para os flocos de neve caindo da sacada. Aquela biblioteca lhe proporcionava tantas memórias boas. Bella, sua doce e amada Bella se fora. Seu coração estava morto, assim como sua esperança.

– Edward, o que você fez? – Alice disse se aproximando do irmão enquanto secava algumas lágrimas que teimavam em cair.

– Tive que deixa-la ir. – ele disse com uma voz trêmula.

– Mas por quê? – Alice pedia suplicante. Não entendia como Edward deixara a ultima esperança deles ir embora. Estavam todos perdidos.

– Por que eu a amo. – Edward falou por fim deixando que as lágrimas de sangue manchassem sua face.

Alice ficou assustada por um momento, há séculos Edward não chorava. Viu o desespero do irmão e sentiu seu próprio desespero aumentar. Sim, estavam perdidos. Condenados àquela existência para sempre. Ainda sim Alice sentiu um pouco de contentamento, nunca imaginou que Edward voltasse a amar novamente, muito menos verdadeiramente. Por que o destino nos faz sofrer? Alice não sabia a resposta.

Edward se perguntava se um dia veria o rosto de sua amada outra vez. Ele queria esperar que sim, mas o pessimismo o controlava. Por que ela voltaria? Poderia ter uma vida normal, se casar com um homem bom e humano, ela tinha o mundo à sua disposição sem nada para atrapalhá-la ou impedi-la. Por que voltaria? Ali ficaria presa, escrava de um só lugar e sendo amada por um monstro que nada podia lhe oferecer. Bella estava perdida para ele.

– AAAAH! – Edward rugiu alto para a noite, desejando que o grito aplacasse sua dor.

Mas de nada adiantou, a dor continuava ali, intensa. Ele não queria viver em um mundo onde não poderia ter Bella. Viver não tinha mais sentido.

Notas finais do capítulo E ai, reviews? Indicações? Vaaai, eu sempre retribuo :D

(Cap. 11) Desordem

Notas do capítulo Oi meninas, tudo bem?

Mais um capítulo para vocês flores :D avisando que a partir desse capítulo começamos

a reta final da fic.

OBRIGADA PELO REVIEWS SUAS LINDAS CAP. DEDICADO À: kirst pela linda indicação *--*

Obrigada a todas que desejaram melhoras para mim mãe, valorizo muito isso :) infelizmente ela ainda não está boa. Estou sentindo falta de algumas leitoras que sempre comentavam :x

E então gasparzinhas, vamos dar um oi? :)

Espero que gostem do capítulo :)

Autora p.d.v

A neve já não caía mais e a temperatura havia baixado consideravelmente. Seth estava

escorado em uma árvore, seus olhos estavam pesados pelo sono e o frio contribuía para

a torpeza. Já seu patrão estava bastante acordado, não desgrudava o olho da casa

simples à sua frente, o frio era insignificante para ele. Não ligava para a ardência nas

juntas de suas mãos por conta do frio, pouco lhe importava, ele tinha que ficar de olho.

A rua estava deserta, mas ao longe ouviu o som de cascos. Cutucou Seth que se

sobressaltou, fez sinal para que ele fizesse silêncio e ficaram ouvindo. O som de cascos se aproximando rapidamente os deixava em alerta. Quem estaria na rua a essa hora? A

cidade toda dormia.

Ao longe viram se aproximar uma carruagem negra com um homem grande e corpulento guiando dois robustos cavalos. Ele se aproximou e parou em frente à casa da futura senhora Black. O homem desceu e abriu a porta da carruagem. De lá desceu Isabella, com um vestido lindo, digno de uma princesa. Onde conseguira aquilo? Os Swan não tinham dinheiro para tanto luxo. Ela estava maravilhosa, Jacob desejou estar ao seu lado para observá-la melhor. Ela trocou algumas palavras com o cocheiro e depois o abraçou. Jacob sentiu seu sangue ferver de ódio. Como ele ousava tocar no que era seu? Como ela ousava ter afeto por outro homem? Teriam um caso? Não, Isabella não era disso.

O semblante de Isabella e do cocheiro eram de quebrar o coração. Os dois estavam

arrasados. O que havia de errado? O cocheiro se afastou, subiu na carruagem e, pegando

as rédeas, sumiu na escuridão da noite. Jacob olhou para sua amada, ela limpava seu rosto das lágrimas que caíam. O que estava acontecendo? Onde ela esteve durante todo este tempo? Por que se vestia assim? O que era aquilo em suas mãos? Teria ela conseguido um marido rico? Não, isso nunca, se tivesse, seria viúva logo no inicio do casamento.

Ela caminhou até sua casa, bateu na porta e foi recebida pela senhora que Jacob considerava desprezível. As duas se abraçaram e logo depois Isabella entrou. Jacob ainda estava confuso com tudo o que presenciara, mas deixou sua confusão para depois. Tinha algo mais importante a fazer.

– Seth, avise Eleazar que ele deve vir imediatamente. Chame Sam, peça para ele acordar alguns vizinhos.

– Acordar alguns vizinhos? O que planeja?

– Ora, não vê? Com uma plateia tudo ficará mais fácil. Ninguém gosta de escândalos,

além do mais a vizinhança toda sabe da loucura do velho. Me apoiarão caso algo ocorra.

– Jacob falou e um sorriso cínico brotou em seus lábios.

Seth não esperou por uma nova ordem. Correu com dificuldade em direção ao seu cavalo e pôs-se a cumprir os comandos de seu patrão. Jacob ficou ali, parado em frente

à casa, feliz por sua iminente vitória.

Bella p.d.v

– Bella, eu pensei que nunca mais ia vê-la outra vez. – meu pai disse rouco após me abraçar.

Ele estava pálido, com os olhos fundos e expressão apática. Estava muito doente, e precisando de mim, ficou óbvio isso assim que vi seu semblante melhorar quando me

viu. Doía muito pensar em Edward, mas eu havia feito certo em vir em socorro de meu pai. Apesar de ser praticamente impossível, no momento, tentei não pensar em Edward

e em nossa não-despedida. Eu já sentia tanto a sua falta.

– Não diga isso. – falei tentando não transparecer minha tristeza.

– Estou tão feliz que esteja aqui, e bem. Como você escapou? – meu pai falou tossindo um pouco logo em seguida.

– Oh, ele me libertou.

– Aquele monstro horrível? – ele falou me olhando incrédula.

– Mas ele está diferente. Ele está mudado. – falei um pouco saudosa e meu pai me olhou estranhamente.

Papai olhou para as minhas mãos e antes que ele conseguisse perguntar porque eu segurava um espelho, ele começou a tossir. Ele levou um lenço à boca e quando retirou havia uma mancha de sangue ali. Depositei o espelho na cômoda e fui em direção à senhora Leah que estava parada na porta do quarto e lhe entreguei a bolsinha de veludo.

– Senhora Leah, sei que a senhora já fez mais do que poderíamos pedir, mas peço que, por favor, chame um médico. Meu pai está muito doente e precisa ser tratado

imediatamente. Nesta bolsa há dinheiro suficiente para custeá-lo. – ela pegou a bolsinha

e olhou para as moedas de ouro que havia lá dentro.

– Oh, Isabella, é muito dinheiro minha jovem. Onde conseguiu isso? – ela perguntou sorrindo, parecia aliviada.

– Um amigo me deu. – falei, não conseguindo conter um suspiro triste.

– Isabella, estás bem? – Leah perguntou um pouco preocupada.

– Sim Leah, está tudo bem. – disse tentando segurar minhas lágrimas.

– Bem, não sei quem é esse seu amigo senhorita Isabella, mas fico imensamente grata. Meu amigo Charlie realmente precisa de um médico. O trarei bem rápido, não me demoro. – ela falou segurando firme a bolsinha e colocando um casaco.

Logo depois ela saiu e eu voltei para o quarto de meu pai. Quando entrei ele me olhava curioso, me media da cabeça aos pés.

– Bella, onde conseguiu esse vestido? Você está usando joias? – ele perguntou, tentando se sentar.

– Não faça esforço. Deite-se papai. – eu disse inclinando seu corpo para trás e ele cedeu.

– Como conseguiu fugir?

– Eu não fugi papai, já disse. Edward me libertou. E o vestido e as joias são emprestados de suas irmãs.

– Edward? Chama aquilo de Edward? Não consigo acreditar nisso, eu vi o monstro que ele era, não acredito que a tenha deixado ir a troco de nada.

– Papai, Edward não é um monstro. – disse soando magoada.

– Do que está falando? Ouve o que diz? Ele deveria ser destruído, assim nunca mais chegaria perto de você outra vez.

– Não sabe o que diz. – falei e estava pronta para lhe contar tudo, mas um toque abafado me fez mudar os planos. – Quem será a essa hora? – disse me levantando e indo em direção à porta.

Quando eu a abri, me deparei com um homem alto e esquio, tinha cabelos pretos e alguns fios brancos se destoavam. Deveria ter cinquenta anos, e seu olhar era incrivelmente frio.

– O que deseja? – perguntei educadamente. Para vir ali àquela hora, deveria ser algo sério.

– Boa noite senhorita, eu vim para internar seu pai. – ele disse esboçando um sorriso que me dava a sensação de mau agouro.

– Meu pai? – perguntei não entendendo sobre o que ele falava. Seria ele o médico? Onde está a senhora Leah?

– Não se preocupe, nós cuidaremos bem dele. – ele disse saindo um pouco do meu campo de visão e me mostrando o que havia atrás dele.

Havia pessoas curiosas na rua, algumas luzes das casas estavam acesas. Reconheci alguns de meus vizinhos, dentre eles estava Jéssica que ria de algo que sua prima Lauren lhe falava. Jacob estava ali, perto de minha casa, me olhava de um jeito estranho

e com um sorriso vitorioso nos lábios. Havia também uma grande carruagem marrom

parada, nela estava escrito Sanatório Eleazar. Sanatório? Foi ai que a compreensão me atingiu como um tapa. Alguns homens se aproximavam segurando uma camisa de força

e me olhavam zombeteiros.

– Meu pai não é louco! – eu bradei exasperada.

– Ele delirou como um louco, nós todos ouvimos suas histórias, não foi? – um jovem rapaz ao lado de Jacob falou e vi várias pessoas concordando.

– Bella? – meu pai disse se aproximando da porta.

– Papai, tem que se deitar, não pode ficar no frio. – disse preocupada.

– Charlie, conte de novo velhote, como era esse monstro? – o rapaz disse novamente e eu comecei a sentir a raiva crescer consideravelmente.

– O mostro? Tinha olhos vermelhos e bebia sangue começaram a rir.

– meu pai começou a dizer e todos

– Papai, não deveria estar aqui. – eu disse tentando coloca-lo para dentro. – Oh, Deus! Está ardendo em febre – senti sua pele quente ao tocá-lo.

– Viu só minha jovem? Seu pai está louco, o melhor a fazer é leva-lo daqui para trata-lo.

– o homem que bateu à minha porta falou frio.

– Não vou deixar! – eu disse convicta.

– Ora essa, Isabella, seja sensata. Você não quer cuidar desse velho maluco quer? E eu não quero um louco como vizinho. – Lauren disse e logo depois um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios.

– Não me importo que o que ache Lauren, e não deveria se preocupar com isso já que não é da sua conta. – falei ríspida, perdendo a paciência e colocando minha boa educação de lado.

Lauren me olhou parecendo ofendida, e logo depois outro vizinho, John Barnes, um velho conservador, se pronunciou.

– É claro que é da nossa conta senhorita Swan. Um senhor louco pode ser perigoso. No inicio podem ser delírios, mas e depois? Não quero escândalos e nem tragédias em nossa vizinhança que sempre foi pacífica. – ele falou sério e autoritário.

– Não ligo para o que acha senhor John, meu pai não será levado daqui sem minha

autorização. Ele está doente, o médico irá chegar em instantes. Ele precisa de cuidados médicos, não de intrometidos. – falei ríspida e seca, perdendo o controle.

– Levem ele daqui. – o homem de olhar frio falou e os outros dois homens que estavam perto da carruagem se aproximaram.

– Não, não podem fazer isso. – eu disse enquanto os homens entravam em minha casa e arrastavam meu pai para fora.

– Pobre Bella, eu lamento sobre o seu pai. – Jacob falou se aproximando e se colocando no caminho entre meu pai e eu.

– Você sabe que ele não é louco. – eu disse suplicante, precisava de aliados.

– Eu poderia até esclarecer essa situação. Se

– ele disse me olhando estranhamente.

– Se o que? – disse desconfiada e ele deu um sorriso que me provocou um tremor de medo.

– Se casar comigo. – ele falou e senti um tom sombrio em sua fala.

– O quê? – falei incrédula.

– Uma palavra sua e tudo se resolverá. – então era isso? Era tudo um plano insano para ele se casar comigo.

– Nunca! – falei olhando-o com nojo e ele olhou para mim com raiva.

– Você é quem sabe. – ele falou frio.

– Bella! – meu pai gritou enquanto era jogado na carruagem.

Deus! O que eu podia fazer? Meu pai estava doente, precisava urgente de um médico e o que faziam com ele era tremendamente injusto. Ele não é louco, e se fosse porque tinham interesse nisso? Como provar que a acusação de sua loucura é infundada?

Mostrar

fui atrás do presente de Edward. Ele seria a prova de que meu pai não estava louco.

é isso! O espelho! O espelho mostra quem queremos. Sem pensar duas vezes

– Meu pai não é louco e posso provar isso! – falei alto voltando para a rua.

Todos pararam e me observavam curiosamente. Jacob me olhava espantado e vi um pouco de contrariação em sua face.

–Me mostre Edward. – eu disse erguendo o espelho e a luz azul refletiu.

Logo depois pôde se escutar um som alto de rugido. As pessoas à minha volta olhavam atônitas para o espelho, e algumas estavam assustadas. Inclinei minha cabeça para conseguir ver a imagem que elas viam. Edward estava na sacada de seu quarto, seu rosto estava manchado de sangue e seus olhos estavam em um vermelho intenso e brilhante. Ele rugia alto, à plenos pulmões, parecia ferido, sozinho. Meu coração doeu e deixei escapar uma lágrima. Oh, Edward, como eu queria estar com você.

– Oh Deus! – as pessoas à minha volta começaram a se manifestar.

– É um monstro!

– Que horror!

– Ele é perigoso! – ouvi alguém dizer e não me contive.

– Oh, não, não! Ele é muito bom e gentil. É meu amigo. – eu disse com carinho, tocando a imagem sofrida de Edward no espelho.

– Se eu não a conhecesse diria que está interessada nesse monstro. – Jacob disse rudemente.

– Ele não é um monstro Jacob, você é! – falei o enfrentando e ele logo tomou o espelho de minha mão e segurou meu pulso com força.

– Você está louca como seu pai. Esse monstro irá atrás de nosso sangue, vai nos

perseguir à noite. – Jacob bradava para todos que ouviam. – Nós temos que ir atrás dele. Nós temos que matar a Fera! – Jacob falou por fim e vários homens concordavam e já

empunhavam suas espadas e alguns empunhavam revolveres.

– Não! Não podem fazer isso! – eu disse, as lágrimas nublando minha visão.

– Quem vem comigo? – Jacob disse indo em direção ao seu cavalo e tirando de lá um

revolver. – Deixem o velho Charlie em casa e vamos matar essa Fera! – Jacob falou

para os homens que seguravam meu pai e eles jogaram-no ao chão.

– Papai! – eu gritei.

– Senhor Swan! – Leah disse se aproximando acompanhada de um médico. Graças a Deus, meu pai ficaria bem. – O que está havendo?

– Não há tempo para explicações. Devemos partir imediatamente. – Jacob falou me

arrastando dali, alguns homens nos acompanhando. – E você, Isabella, irá nos mostrar o caminho. Ou seu pai terá um fim mais trágico de que seu amado monstro!

Autora p.d.v

– Edward! – Alice gritou se aproximando afobada do irmão que estava desolado em seu quarto.

– O que quer Alice? Deixe-me em minha agonia. – Edward disse, a voz embargada pelo choro.

– Edward, homens armados se aproximam do castelo. Eles tem o espelho e

– Já não me importa mais, deixe que venham. – Edward falou com sua voz vazia.

Eles tinham o espelho? Isabella os mandara para se vingar? Ele não importava, já não queria mais viver. Morrer lhe traria um grande alivio.

– Mas Edward

nos olhos dos homens lá fora.

– insistiu sua irmã desesperada e ainda assustada com a fúria que viu

– Deixe que venham Alice, se escondam, saiam de seu caminho. Deixe que me achem.

– Edward, não

– Vá Alice, não há nada que se possa fazer.

Alice saiu do quarto de Edward desolada e desesperada. Temia pelo irmão e precisava fazer algo. Mas o quê? Se sobressaltou quando escutou um estrondo alto vindo lá de baixo. Alguém batia com força na porta do castelo. As fechaduras antigas cederam e logo os invasores percorriam os corredores do castelo procurando pela Fera com sede de sangue.

À frente deles estava Jacob, e sendo arrastada por ele estava a jovem Isabella aos

prantos e desesperada. A esperança se esvaia em cada lágrima sua. O fim chegara para o seu recém descoberto amor.

Notas finais do capítulo

E ai, reviews? Indicações? Prometo que recompenso postando até segunda u.u

(Cap. 12) Confronto

Notas do capítulo Oi meninas, e ai joinha?

Sei que prometi postar na segunda, mas não estava bem emocionalmente e acabei não conseguindo escrever :/ hoje estou melhor e finalizei o capitulo, não está dos melhores, mas foi o que consegui. Obrigada a todas que desejaram melhoras para minha mãe, felizmente ela está melhor :D OBRIGADA GALERINHA LINDA PELOS REVIEWS :D Gostei de ver algumas gasparzinhas camaradas apareceram e deram um oi :D vamos das mais "ois" meninas?

E o final se aproxima, e as coisas ficam mais tensas.

NÃO ME MATEM, OU EU VOLTO PRA PUXAR O PÉ u.u boa leitura :)

– Onde ele está? – Jacob bradou enquanto me sacudia com força.

– Eu não sei, e mesmo se soubesse não lhe diria! – o enfrentei e ele me olhou com ódio para logo em seguida jogar meu corpo ao chão com violência.

– Gosta tanto daquela aberração que o protege? Acho melhor ficar paradinha aqui, se entrar em meu caminho não irei pensar duas vezes e mato os dois! – ele falou se afastando e começando a vasculhar os cômodos ali do corredor.

Maldição! Estávamos na ala oeste e no corredor dos aposentos de Edward. Deus, por favor, que Edward não esteja aqui, que ele esteja em algum lugar seguro. Jacob verificava cada cômodo e arrombava todas as portas que estavam fechadas. Eu me levantei e ousei me aproximar, no mesmo instante ele se aproximou da porta que levava ao quarto de Edward e a abriu.

– Não! – exclamei e logo depois levei às mãos à minha boca para tentar conter o grito.

Para a minha infelicidade, Jacob escutou, e me olhava de forma divertida e maliciosa.

– Então é aqui que ele se esconde. – ele disse entrando, a arma em punho.

Corri atrás, não poderia deixar que algo acontecesse com meu amor. Sim, amor. Percebi tarde de mais que amava Edward e queria passar o resto da minha vida ao seu lado. A ideia de perdê-lo me dilacerava. Eu o protegeria, nem que isso custasse minha vida. Mas assim que passei pela porta Jacob agarrou o meu braço com força. Ele estava fora de si, era um louco.

– O que eu lhe disse? Se entrar em meu caminho eu lhe mato, e não queremos isso não

é? Futura senhora Black!

– Nunca serei sua. – falei com ódio e cuspi em sua face.

A cólera tomou conta de suas feições, o aperto em meu braço aumentou. Senti que

estava sendo lançada para longe, e enquanto caia senti uma dor aguda na parte de trás da minha cabeça. Tudo ficou embaçado primeiro para depois sumir na escuridão.

Autora p.d.v

Jacob olhava para o corpo inerte de sua noiva ao chão com ódio. Como ela pôde cuspir em sua face? Menina geniosa. Um sorriso surgiu nos lábios de Jacob, seria ela geniosa na lua-de-mel? Ele esperava que sim, gostava de jovens ousadas. Segurando firme o

revólver, ele voltou sua atenção para a busca. Sentiu o arrepio surgir ao observar o lugar. Estava repleto de quadros e móveis destruídos. Encontrou um corredor e seguiu por ali.

Ficou surpreso ao ver que o corredor levava a um quarto bagunçado, com pedaços de móveis espalhados e cacos de vidros pelo chão. Em uma sacada viu o corpo de um rapaz vestido de negro, ele olhava para a lua e parecia alheio ao intruso em seus aposentos. Jacob sentiu seu estômago embrulhar. Bella estivera ali? Com ele no quarto? Sozinha? Era melhor ela ainda ser donzela, ou ela encontraria sua ira quando fossem para a lua-de-mel.

Edward olhava perdido para a lua, sua visão turva por conta das lágrimas de sangue que não cessavam. Destruíra metade de seu quarto novamente, mas dessa vez não encontrou alívio nenhum para o seu tormento. Ouviu passos cautelosos atrás dele, mas ele não deu importância. Não queria mais ouvir nenhum pedido de suas irmãs e cunhados. Não suportava mais a dor que sentia. Isabella, ah, a sua doce e linda Isabella estava no castelo. Ele queria vê-la mas reprimiu esse desejo, não queria ver o desprezo em seu

olhar enquanto ela realizava a sua vingança. Ele era merecedor dela, não iria lutar, ele a havia prendido, privando-a da convivência com seu pai e do mundo exterior. Quem não

o odiaria por isso? No entanto, por breves momentos poderia jurar que ela estava feliz

ao seu lado, que ela gostava dele. Pobre fera, pobre e coitada fera, era um iludido. A quem queria enganar? Ela nunca o iria querer ao seu lado.

Um estrondo tomou conta do quarto. Edward sentiu como se algo pegasse fogo em seu ombro, olhou para ele e encontrou um pouco de sangue. Jacob ria enquanto analisava a expressão da criatura à sua frente. A bala havia atingido o ombro da fera por trás, saindo do outro lado e formando um buraco por onde passou. O buraco feito era o bastante para fazer qualquer um gritar e ter uma hemorragia até morrer, mas, no entanto, o rapaz não esboçava dor alguma e o sangue mal escorria dali. Jacob ficou espantado, mas depois se lembrou que ele não era humano. Contrariado apontou a arma novamente, mas sentiu se paralisar quando o rapaz ferido se virou para encará-lo. Havia tristeza e algo mais profundo e perigoso em sua expressão. As manchas de sangue em sua face contratavam com a pele alva e isso assustou Jacob. Não humano, definitivamente. Não esperou mais, Jacob apontou a arma novamente para a fera à sua frente e ele não esboçou nenhuma reação.

– Seja mais eficaz desta vez senhor, e mire no coração. – a fera falou para Jacob que se surpreendeu.

– Deseja a morte?

– E porque não?

– Não prolonguemos mais, façamos sua vontade. – Jacob falou zombeteiro mirando no coração do rapaz.

– Por favor, deixe-me facilitar as coisas. – a fera falou deixando Jacob confuso.

Logo em seguida ele abriu alguns botões de sua vestimenta e a segurou para os lados, expondo seu peito nu e definido.

– Pronto, assim não haverá erros. – Edward disse sem nenhuma emoção.

Jacob se surpreendeu com seu gesto e notou que a ferida em seu ombro não estava mais aberta. Ficou horrorizado. Ele não podia morrer? Se curava tão rápido assim? Seria isso um jogo? Ah, do que lhe interessava afinal? Sua preza estava facilitando sua morte e ele não perderia essa oportunidade. Se o tiro no coração não funcionasse ele daria outro e mais outro, até a besta cair morta no chão.

Edward estava exausto, não aguentava mais aquela vida. Não valeria apena viver sem sua doce Isabella afinal. Onde estaria ela? Não presenciaria a sua morte? Sentiu um aperto no coração e desejou que o homem à sua frente atirasse logo, acabando com sua agonia.

– Não, Jacob, não. – uma voz fraca disse de dentro do quarto e ambos se viraram para ver quem era.

Era Isabella, se aproximava cambaleando até a sacada. Um filete de sangue escorria pelo seu pescoço e ombro. Ela ainda vestia as roupas da melhor, e também pior, noite que Edward já tivera na vida. Os olhos da jovem estavam marejados, olhava com desespero para os dois homens parados à sua frente.

– Ora essa, minha futura esposa veio ver a morte da fera? Sente-se querida, fique à

vontade. Prometo ser rápido, logo depois partiremos e marcaremos a data do casamento.

– Jacob falou divertido e aquelas palavras feriram Edward ainda mais.

Ela estava noiva, prometida a outro? Não valia à pena viver.

– Eu NUNCA me casaria com você. A morte é mais atraente. No entanto, se o deixar

em paz, se o deixar vivo eu tentando conter o choro.

eu

me caso com você. – a jovem disse com dificuldade,

Edward se sentiu entrar em choque. O que ela dizia? Então ela não desejava se unir a outro, mas faria para salvá-lo? Faria algo pior do que a morte só para vê-lo vivo? Então, isso significava que ela não veio se vingar, ela não veio presenciar sua morte.

– Faria isso, só para deixar esse monstro vivo? – Jacob falou raivoso, não gostava do meio que Isabella colocava as coisas, como o casamento deles sendo um grande sacrifício.

– Já lhe disse, ele não é monstro Jacob. Você é! – a jovem bradou o enfrentando, furiosa por ele estar atentando contra a vida de seu amado.

Edward sentiu uma pontada de alegria ao ouvir a frase de Isabella. Então ela falava a verdade, ela não acha que ele é um monstro. Sentiu a força voltar para os seus membros e a razão lhe dar lucidez. Ele não iria morrer, não sabendo que seu amor estava disposta a se sacrificar por ele. Não, ele se sacrificaria por ela, ela já havia feito de mais, havia voltado para ele, não para julgar, não para se vingar, mas para tentar mantê-lo a salvo. Era mais do que ele podia pedir.

Jacob sentiu a cólera tomar conta de seu corpo. Como sua noiva ousava enfrenta-lo dessa maneira?

– Vou ensiná-la a me tratar como se deve. Não se pode falar assim com seu futuro

marido. – Jacob se aproximou de Isabella com ódio no olhar, a mão se levantando,

pronta para lhe proferir um tapa.

– Não se atreva a tocar nela. – Edward disse segurando o pulso de Jacob com extrema força, fazendo-o gemer de dor.

Jacob mirou a arma para disparar em Edward, mas este pegou a arma com a velocidade que lhe foi dada pela maldição. Jacob nem ao menos viu o que aconteceu, apenas percebeu que seu revolver estava no chão em pedaços. Furioso, e movido também pelo medo, Jacob avançou em Edward no intuito de iniciar uma luta corporal. Edward desviou de seus ataques e empurrou Jacob para longe. Jacob foi lançado em direção à sacada, caindo logo em seguida.

Edward se aproximou da sacada e constatou que Jacob havia caído em uma das calhas e sua queda havia sido amortecida pela neve ainda fofa.

– Edward, por favor, fique aqui. Não quero que se machuque, por favor, não poderia perdê-lo. – Isabella disse em meio às lágrimas que teimavam em cair.

Edward tocou o rosto da jovem com ternura e percebeu que nos olhos de sua amada havia amor. Estaria ele enganado? Mais parecia um sonho, um sonho que poderia ser destruído por um homem louco que ainda estava vivo.

– Bella, preciso fazer isso. – ele disse se afastando. – Não se preocupe, eu volto para você. – ele completou para acalmar a jovem.

Mas o que queria mesmo era lhe tomar nos braços, e tê-la ali para sempre. Para sempre sua Isabella. Ele precisava garantir esse sonho. Agora que ela havia voltado, valia apena viver. Ele saltou a sacada, alcançando a calha em que Jacob estava caído. Ele ainda se levantava, estava atordoado pela queda. Edward resolveu surpreendê-lo, se escondendo entre as gárgulas e a escuridão.

– Ora, venha até aqui e lute! – Jacob bradou se pondo de pé, sabia que a fera estava por perto. – Está apaixonado por ela fera? E porque ela vai querer você, quando pode ter alguém como eu? – Jacob provocou, desejando que a criatura saísse das sombras para o combate.

E funcionou, aquela frase atingiu Edward no íntimo. Ele sabia que era verdade, porque

Bella iria querê-lo se poderia ter qualquer homem ao seu lado? Mas ela queria, sim, ele viu isso nos olhos da jovem, ela o queria. E ele iria garantir que fosse ele a estar ao seu lado.

– Bella é minha! – Jacob gritou assim que viu a fera sair da escuridão.

Edward avançou em Jacob, jogando seu corpo para o outro lado. Quando Jacob fez menção de se levantar Edward o agarrou pelo pescoço, o deixando pendurado no ar. Cego pela fúria, Edward afrouxou o aperto no pescoço do homem, pronto para jogá-lo

lá em baixo.

– Não, não, por favor, não me solte, não me deixe cair. Eu faço qualquer coisa, faço qualquer coisa! – Jacob implorou percebendo a morte iminente.

A expressão de Edward se suavizou. Ele era melhor do que isso, matá-lo o

transformaria em um verdadeiro monstro. Suportaria estar ao lado de Bella sabendo disso? Aos poucos ele trouxe Jacob para a segurança da calha, olhou bem fundo nos olhos amedrontados do homem que respirava com dificuldade.

– Saia daqui, deixe-nos em paz. – Edward disse jogando o corpo do homem na neve grudada à calha.

– Edward! – lá de cima uma voz doce e angustiada o chamava. Edward olhou para cima e encontrou o rosto de sua amada.

– Bella! – ele exclamou enquanto escalava facilmente até a sacada de seu quarto. – Estou tão feliz que tenha voltado. – ele exclamou assim que chegou a sacada.

Colocou uma de suas mãos entre os cabelos de sua amada e a outra alisou o rosto manchado de lágrimas. Um sorriso se formou nos lábios de ambos, estavam juntos enfim. Jacob presenciou a cena, estava enojado com o amor que os dois exalavam um

pelo outro. Isabella amava a fera, estava claro isso, nunca poderia ser dele. Ódio. Tanto tempo perdido, tanto investimento, tanta espera para nada. Se ela não fosse dele, também não seria do monstro. Tirou uma adaga que ficava presa em sua bota, subiu a sacada e a empunhou, pronto para atingir o coração de Isabella, sua amada perdida.

Edward percebeu a tempo o que estava prestes a acontecer, tirou Isabella rapidamente do caminho levando a facada por ela. A adaga atingiu em cheio seu coração, a dor era excruciante, a morte era certa.

Jacob se assustou ao ver que errara o alvo, mas não se deixou abater. Não, tudo estava em seu devido lugar agora.

– Ora, ora. Saiu melhor do que eu pensei. – ele falou gargalhando alto.

Com o resto das forças que ainda tinha, Edward se aproximou do homem que ainda se deleitava com sua gargalhada e o empurrou da sacada. Logo a gargalhada se transformou em um grito. Dessa vez Jacob não conseguiu se segurar, sua queda foi livre. A morte o recebeu em seus braços no pátio do castelo.

Na sacada, Edward estava no chão, a cabeça apoiada no colo de sua amada que chorava. O sangue escorria livre de seu ferimento, a dor dificultava Edward falar e até mesmo respirar. Ele tirou a adaga de onde estava cravada e urrou tamanha a dor. Então era esse, o seu fim.

– V-você voltou. Eu

com dificuldade, tentando manter seus olhos abertos.

eu

pensei

que

nunca mais ia vê-la o-outra vez. – Edward disse

– É claro que voltei, não podia deixa-lo. Foi tudo minha culpa

chorando ainda mais, seu coração doía como se ela própria tivesse levado a facada.

– a jovem exclamou

– Talvez, seja melhor

melhor assim.

– Não fale desse jeito. Você vai melhorar. Estamos juntos agora, tudo vai acabar bem, vai ver. – Isabella disse tentando estancar o sangue com um pedaço de seu vestido rasgado.

– Ao menos pude ver você

jovem, mas a fraqueza o impedia.

uma

última vez. – Edward disse tentando tocar o rosto da

Sentiu a força de seu corpo se esvair junto com o sangue de seu ferimento. Ele sabia que aquele ferimento era fatal, o único que poderia matá-lo, Tanya o havia avisado. Era engraçado como ele, que tantas vezes desejou a morte, agora desejava tanto viver. Queria viver ao lado de sua doce e linda Isabella, mesmo que fosse como amaldiçoado. Mas ele iria morrer, sentia isso a cada dificuldade em respirar. Estava feliz, no entanto, por pelo menos tê-la visto antes de sucumbir à escuridão eterna. Seus olhos pesavam, não conseguia mais mantê-los abertos. A inconsciência o abraçou e a morte já o cumprimentava antes de iniciar a sua jornada final.

por

corpo inerte de seu amado.

– Não, não. Por favor

favor não me deixe. – Isabella disse se jogando em cima do

Ela sentia vontade de gritar, mas a dor em seu coração era tanta que não conseguia emitir nenhum som. Então era esse, o fim de uma história de amor que nem ao menos começou.

– Eu te amo.

Isabella disse de olhos fechados, o rosto apoiado no peito daquele que uma vez fora o seu primeiro, e para sempre único, amor.

Fim.

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RÁ, É MENTIRINHA KKKKKKK NÃO SOU DOIDA DE ACABAR AQUI NÉ GENTE? SÓ MAIS DOIS CAPÍTULOS E AÍ SIM O FINAL ABSOLUTO.

Notas finais do capítulo

E ai reviews? Indicações? Vamos lá galerinha, estamos na reta final, vcs sabem como

funciona, me façam feliz que eu faço vocês felizes :D beijos lindas :*

(Cap. 13) Milagre

Notas do capítulo Oi meninas, tudo bem? :)

Era pra postar ontem, mas eu tava tão cansada que terminei o capitulo agora. KKKKK Assustei algumas de vcs né? OBRIGADA POR TODOS OS RIVIEWS SUAS LINDAS :D Obrigada às gasparzinhas camaradas que resolveram dar um "oi"

e

as outras gasparzinhas, vamos aparecer tbm? :D

E

vamos ao penúltimo capítulo.

NOTA IMPORTANTE NO FINAL (É SÉRIO, É PRA LER VIU?) ;)

Autora p.d.v.

Os homens que acompanharam Jacob até o castelo andavam cautelosos pelos corredores. Estavam assustados e a decoração macabra do lugar os aterrorizava. Verificaram vários cômodos, mas felizmente todos estavam vazios. Não queriam transparecer, afinal eram considerados um dos mais fortes e valentes da vizinhança, mas estavam com medo, muito medo. Temiam encontrar os moradores daquele castelo, afinal, que criatura maligna moraria em um local tão macabro? Filhos do mal, do demônio, certamente.

O grupo estava dividido em diferentes partes do castelo, mas ambos os grupos tinham

um só pensamento: fugir. Reuniram-se novamente no salão principal, suas expressões não mais escondendo o medo. Não ligavam para Jacob, não ligavam para a jovem maluca e nem para os possíveis monstros que habitavam aquele castelo. Iriam embora,

iriam fugir, abandonar a missão suicida. Salvar suas vidas era mais importante, não queriam permanecer nem mais um minuto naquele local profano.

Então fugiram, abriram a pesada porta de madeira, correram com dificuldade pelo pátio coberto pela neve e chegaram até o grande portão de ferro. Sentiram alívio ao passarem pelo portão, mas o alivio durou pouco. Em meio às árvores havia grandes lobos negros com olhos amarelos que reluziam na escuridão. Esperavam pela próxima vítima com a ilusão de liberdade. Os homens não sabiam, como poderiam saber? O caminho para se livrar do macabro castelo também era o caminho certo para a morte.

Não tiveram tempo para uma reação. Os lobos atacaram, cada um se deliciando com uma vítima. Matariam todos primeiro, depois se preocupariam em se alimentar da carcaça. Alguns conseguiram reagir, mas a força dos lobos sobrenaturais tornavam seus esforços inúteis.

por um eles caíram, até não restar mais ninguém vivo. Os lobos grunhiram em satisfação e iniciaram o banquete.

1

2

3

um

Jasper abraçava uma Alice trêmula e chorosa. Rosalie se controlava para não perder o controle e Emmett segurava sua mão para lhe dar força. Esme, ainda com a febre, não entendia o que estava acontecendo. Porque estavam ali, no calabouço frio e húmido da torre, amuados como ratos? Do que tinham que temer? Do que se escondiam? Tentou várias vezes se manifestar, mas seus familiares disseram para ela permanecer quieta. Ela via o medo em seus olhos, ela sabia que algo ruim acontecia, mas o que era? Preferiu não contraria-los, quando fosse a hora se pronunciaria.

Jasper estava ficando inquieto e impaciente, queria lutar, queria defender seu cunhado, queria enfrentar os invasores. Mas como? Não tinham armas, apenas algumas espadas sem corte e desgastadas pelo tempo. Luta corporal? Fora de questão. Estavam em menor número, desarmados e não tinham a força de Edward. Ele e Emmett sabiam que tinham que permanecer ali, cuidando de suas mulheres e agindo como covardes.

Rose e Alice estavam aflitas, sentiam que algo ruim estava acontecendo com o irmão tão amado. Sabiam que se houvesse uma luta ela provavelmente não seria justa, contavam com os poderes de Edward para que ele se safasse. Como ele pôde se entregar tão facilmente à morte? Alice não conseguia perdoa-lo. Rose, no entanto, o entendia.

Trezentos anos naquela vida miserável deixaria qualquer um louco e desejoso da morte, ainda mais não tendo ninguém para amar. O que seria dela sem Emmett? Sim, ela o entedia e perdoava.

Emmett arriscou dar uma olhada pela janela, o vento frio cortava seu rosto. Com muita dificuldade notou que algo acontecia na noite escura. Perto do grande portão de ferro, algo se movia ali. Deixou sua visão se acostumar com a noite escura, e a lua, saindo de trás de uma nuvem escura, iluminou o que ele tanto tentava ver. Ele viu os lobos em cima de vários corpos, se alimentando dos que uma vez foram os invasores do castelo. Por um momento ele ficou confuso, porque os lobos se alimentavam dos invasores? Então ele entendeu, eles tentaram fugir. Alguma coisa tinha dado errado, porque eles fugiram?

Um grito invadiu a noite silenciosa atraindo a atenção de todos. Um arrepio passou por cada um deles. Alice começou a chorar mais, Rosalie também se entregou ao choro.

Sentiam que algo ruim havia acontecido. Edward

viu algo no pátio, esticou seu corpo mais para fora da janela, estremecendo um pouco por conta do frio, tentava ver o que havia ali. Com um pouco mais de esforço, conseguiu ter uma visão melhor e percebeu que o que havia ali era um corpo, o corpo de um homem. Por um momento sentiu medo, seria aquele o corpo de Edward? Mas percebeu que não, aquele era o corpo do homem que arrastava Bella até o castelo.

seria ele o dono do grito? Emmett

– Eu não aguento mais, preciso ver como Edward está! – Alice disse se levantando de repente e pondo-se a correr para fora da torre.

O seu movimento foi tão inesperado e tão repentino que por um momento ninguém t