4 | U Prìmeìro de [aneìro Ierça·Ieira, 29 de Vaio de 2û12

cµìnìoc
IN1kûûuÇÅû
Para continuaçäo desta série, fui buscar um português, que
se notabilizou mundialmente pelas invenções, descobertas
-
çäo ao futuro, como a utilizaçäo das energias renovaveis. Na
fantastica invençäo da maquina solar, foi muito prejudicado
pelos grandes monopolios que estavam ja entäo ligados ao pe-
troleo. Chegou a apresentar um projecto para irrigar todo o
territorio português. O que ha escrito sobre o Padre Himalaya
é muito, mas impossível de abordar em täo limitado espaço.
Mesmo resumido, vale a pena ler com atençäo o que se segue.
¥IûA f ûßkA
PAûkf CA1ûlICû, CIfN1IS1A f IN¥fN1ûk.
Nascido em Cendufe, Arcos de Valdevez, 9.12.1868, tomou o nome de bap-
tismo de Manuel Antonio Gomes, e foi mais tarde no Seminario de Braga,
um seu colega lhe destinara por ser de elevada estatura. Viria a tornar-se um
notavel português a nível mundial, quando em 1904, ganhou o Grand Prix na
Exposiçäo Universal de St. Louis, nos Estados Unidos da América, com 2 me-
dalhas de ouro e 1 de prata, pela invençäo e realizaçäo de uma maquina solar
- o Pyrheliophero! Portugal entrava ha 108 anos, na historia das energias re-
novaveis. Na mais importante Exposiçäo Universal até aquele momento, muita
a luz do sol para um ponto focal onde se situava o forno solar. O ¨Pyrheliophe-
ro", era uma gigantesca maquina solar, tinha cerca de 80 metros quadrados e
obtinha uma temperatura na ordem dos 3.300º, no forno. Era um enorme re-
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tados engenhosamente na armaçäo de ferro, formando a superfície parabolica.
diante de todos, derretia granito, basalto e varios metais. Mostrou-se ao mun-
do, que uma poderosa fonte, a energia solar, poderia trazer uma possibilidade
enorme de produzir energia gratuita, re-
novavel e näo poluitiva. O Padre Himalaya
referiu, que seria possível a aplicaçäo da
maquina solar para produzir força motriz
através de caldeiras a vapor e o uso de altas
temperaturas para utilizaçäo na siderurgia.
Porém, näo foi possível dar seguimento
consistente à experiência de pioneirismo
na utilizaçäo da energia solar, pois estavam
ja lançados os fundamentos da tecnologia
dos motores a explosäo, cuja energia, esco-
lhida pelos grandes monopolios, assentava
no petroleo. Perdia-se uma oportunidade
para precaver o esgotamento do planeta,
para impedir as contaminações resultantes
das poluições globais (marés negras, chu-
vas acidas, alterações climatéricas, etc.) e
sobretudo, a possibilidade de um outro
tipo de desenvolvimento ecologicamente
sustentado, graças a uma energia renova-
vel gratuita e disseminada por toda a parte.
cr,n|nc µcrtn,ne· t,i
Iaare uíma|aya
A tecnociência do momento näo poderia prever o alcance da-
quele cientista português que se atrevera a pensar num futuro
diferente para a humanidade. O Padre Himalaya tinha ja um
projecto de aparelhos de dimensões diversas e com objectivos
múltiplos. Mas o silêncio e ostracismo sobre as energias reno-
vaveis que pairam até hoje, resultam seguramente também das
oposições mais profundas: os lucros continuariam a impor-se
aos interesses públicos. Inventou ainda, na América, a Hima-
laíte, uma polvora com base no clorato de potassio. Veio para
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laíte, no Barreiro, mas o fabrico da polvora so começou depois da implantaçäo
da República, por volta de 1911. Dos explosivos, Himalaya fabricou cartuchos
de himalaíte e participou activamente numa campanha de arborizaçäo do país,
aconselhando o uso de explosivos para fazer os furos no solo. Veio ainda a ser
autor de variadas patentes: um motor directo e um turbo motor, uma farinha
alimentar baseada em pequenos crustaceos misturados em farelo e ainda um
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bém quem falasse, na altura, de maquinas militares, canhões, engenhos com
explosivos para fazer chover e um ¨sonar", quando pertenceu a uma comissäo
de inventos de guerra para apoio aos Aliados, durante a Guerra de 1914 / 1918.
Ja em 4 de Agosto de 1908 o Padre Himalaya tinha apresentado um projec-
to para um plano nacional, que apontava para uma larga descentralizaçäo de
açudes, albufeiras e pequenas represas que permitissem, através de canais e
sistemas elevatorios simples, irrigar todo o territorio de Portugal. Himalaya
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zaçäo de barragens hidroeléctricas. Nesse texto de 1908 o Padre Himalaya defen-
dia o uso de energias renovaveis: a energia das marés, o uso das vagas do oceano
e ainda a generalizaçäo da energia eolica. Neste plano geral, o padre cientista
articulava para o desenvolvimento sustentado do nosso país: agricultura, açudes
de energia proveniente do Sol, do vento, da agua e da biomassa. Quando, em
1909, tremores de terra sacudiram a cidade de Lisboa e destruíram as vilas de Sa-
mora e Benavente, Himalaya mostrou-se um conhecedor de
vulcanologia e avançou com espantosas intuições: o uso dos
¨géisers" para futura energia geotérmica. Desenvolveu, mes-
mo, aspectos metodologicos sobre ¨jardins agrícolas, onde
as crianças aprenderiam o processo de semear, de cultivar e
multiplicar as suas propriedades alimentícias, industriais e
medicinais": Os jardins escolares agrícolas, junto a escolas,
deviam obedecer a uma boa conservaçäo e a utilizaçäo dos
produtos do solo. O Padre Himalaya voltou à América em
1920 e em 1922, tendo aí visitado centros universitarios e
feito numerosas experiências tecnologicas. Viveu depois na
Damaia e Amadora antes de partir para a Argentina. Numa
entrevista ao jornal ¨O Século", Himalaya revela o dramatis-
mo do nosso país: uma potencialidade excepcional de sonho
e ao mesmo tempo uma inércia provinciana. Na Argentina
onde permanece durante seis anos, escreve um livro sobre
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ças da Natureza. Voltou de la em 1932, cansado e doente, e a
21.12.1933, morria, com 63 anos, em Viana do Castelo.
*Criador da petição Metro
para a Trofa
Henrìque coyctto`

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