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A utilização da mediação de conflitos no processo judicial - Revista Jus Navigandi - Doutrina e Peças

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A utilização da mediação de conflitos no processo judicial - Revista Jus Navigandi - Doutrina e Peças

Jus Navigandi http://jus.com.br

A utilização da mediação de conflitos no processo judicial
http://jus.com.br/revista/texto/6199
Publicado em 01/2005

Lília Almeida Sousa (http://jus.com.br/revista/autor/lilia-almeida-sousa) SUMÁRIO: 1. Introdução – 2. A mediação de conflitos; 2.1. Tipos de conflitos e sua adequação aos métodos de resolução; 2.2. Conceito de mediação; 2.3. Arbitragem, conciliação e negociação – 3. O mediador; 3.1 Quem pode ser mediador; 3.2 A atuação do mediador; 3.3. A necessidade de regulamentação adequada – 4. Mediação Judicial – 5. Conclusão.

1. INTRODUÇÃO
A mediação é uma forma de solução consensual de conflitos, desenvolvida, tal como conhecemos hoje, na segunda metade do século XX, nos Estados Unidos. No Brasil, a partir da década de noventa, surgiram entidades voltadas para a prática e sistematização da teoria da mediação1, que passou também a ser estudada em algumas instituições de ensino superior. O Projeto de Lei nº 4.827/982, que versa sobre a mediação de conflitos, dispõe, em seu art. 3º, que a mediação poderá ser judicial, sem, no entanto, esclarecer suficientemente o que seria o instituto da "mediação judicial". Diante da atualidade e necessidade de uma adequada regulamentação do tema, neste trabalho tentaremos demarcar os contornos da mediação judicial e analisar sua viabilidade e necessidade no sistema processual brasileiro. O alcance dos objetivos deste trabalho passa pelo estudo do que vem a ser a mediação de conflitos, da atuação do mediador e das normas processuais positivadas.

2. MEDIAÇÃO DE CONFLITOS
2.1. Tipos de conflitos e sua adequação aos métodos de resolução Os conflitos intersubjetivos podem adquirir as mais variadas feições, dependendo do seu objeto, da capacidade de entendimento entre as partes etc. Não é difícil constatar que um conflito familiar possui características diferentes de um conflito entre empresas e que ambos requerem tratamentos diversos. Diante dessa realidade, faz-se necessário explicitar que para cada tipo de conflito é mais apropriado este ou aquele método de solução. Existem conflitos que demandam conhecimentos extremamente técnicos. Há conflitos em que não se vislumbra a menor possibilidade de acordo e que necessitam da força coercitiva do Estado para a sua resolução. Por sua vez, existem conflitos decorrentes de relações que as partes querem preservar e conflitos decorrentes de relações continuadas, como as relações familiares, que se perpetuam no tempo. Outros, mais simples, extinguem-se com um acordo celebrado entre as partes, sem se perpetuarem no tempo. Cada caso, cada situação, adequa-se mais ou menos aos vários métodos de resolução de conflitos, consensuais ou não. Os métodos consensuais mais utilizados serão conceituados a seguir, a começar pela mediação, por ser o objeto de estudo desse trabalho. 2.2. Conceito de mediação Feitas essas considerações, passemos à conceituação de mediação: mediação é o método consensual de solução de conflitos, que visa a facilitação do diálogo entre as partes, para que melhor administrem seus problemas e consigam, por si só, alcançar uma solução3. Administrar bem um conflito é aprender a lidar com o mesmo, de maneira que o relacionamento com a outra parte envolvida não seja prejudicado. A mediação é mais adequada para aqueles conflitos oriundos de relações continuadas ou cuja continuação seja importante, como as relações familiares, empresariais, trabalhistas ou de vizinhança, porque permitirá o restabelecimento ou aprimoramento das mesmas. A esses casos é mais adequada a mediação, mas não há óbices em se utilizar outros métodos, da mesma forma que não há óbices em se utilizar a mediação para a solução de outros tipos de conflitos. É o método mais indicado para esses casos porque possibilita a compreensão do conflito pelas partes, para que possam melhor
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O MEDIADOR 3. sentido em restringir a mediação aos advogados: um mediador não precisa sequer possuir curso superior. informalismo. é o método no qual as partes submetem a solução de seus litígios a um terceiro. Essa decisão deverá ser acatada pelas partes. que tenha uma formação mais voltada para o caso específico. para melhor esclarecer o que vem a ser a mediação. diante da inexistência de regulamentação da atividade. Na conciliação o que se busca é um acordo. Feito um acordo.br/revista/texto/6199/a-utilizacao-da-mediacao-de-conflitos-no-processo-judicial/print 2/6 . O conciliador pode sugerir às partes o que fazer. que decidirá de acordo com a lei ou com a eqüidade. a mediação poderá culminar na renúncia da queixa-crime ou da representação. pode opinar sobre o caso. não é uma criação recente.2 A atuação do mediador O mediador tem a função precípua de facilitar a comunicação entre as partes. este pode ou não ser homologado pelo Judiciário. 3. formas de manejo dos conflitos. Sua atividade pode até ser considerada um novo tipo de profissão. Isso porque apenas esses direitos podem ser objeto de acordo extra-judicial. Pode-se dizer que um de seus pilares teóricos é o método socrático de busca da verdade. se não houver acordo. confidencialidade e maior compromisso das partes em cumprir os acordos e respeitar a solução encontrada. que visa a comunicação entre as partes. É mais adequada para aqueles conflitos que necessitam de conhecimentos extremamente técnicos para sua solução. técnicas de escuta e comunicação. que é uma ciência interdisciplinar. é o fim da controvérsia em si mesma através de concessões mútuas. diferentemente do mediador. que envolve o conhecimento básico de psicologia. para que possam sozinhas administrar seu conflito. a mediação. deve ser capacitado para a mediação. a facilitação de seu diálogo. embora os conhecimentos de outras áreas sejam bastante úteis à mediação.307/96. Sua função é conduzir o diálogo das partes. vale ressaltar que a mediação pode trazer como vantagens um baixo custo. como já foi explicitado anteriormente.com. 2. Arbitragem. Finalmente. que a encaminhe à essência do que se quer saber. regulada pela Lei 9. caso queiram preservar seu relacionamento. sem sugerir a solução.3. vale ressaltar que a mediação também pode ser feita em se tratando de matéria penal. a conciliação é considerada fracassada. qualquer pessoa pode ser um mediador e o Projeto de Lei em trâmite também não faz restrições. Pode-se dizer que a mediação é uma negociação assistida. bastando que tenha facilitado o diálogo entre as partes e despertado sua capacidade de entenderem-se sozinhas. O diálogo é o fundamento desse método. Nos casos de crimes sujeitos à ação penal privada ou à ação penal pública condicionada. inclusive com seu exemplo. resta diferenciá-la dos demais métodos consensuais de solução de conflitos: arbitragem. a negociação é a forma de solução de um litígio. já que o laudo arbitral tem força de título executivo judicial e sujeita-se à apreciação pelo Judiciário apenas nos casos de nulidade previstos na lei. Atualmente. Em outros países. Cada qual possui características que as tornam mais adequadas para este ou aquele tipo de conflito. a partir de um questionamento bem conduzido. a maiêutica. O mediador. em que as próprias partes resolvem-no sem a participação de um terceiro. O mediador não atua como advogado nem como psicólogo nem como assistente social. longe de impor sentenças. sociologia. A arbitragem. os conflitos só podem envolver direitos patrimoniais disponíveis ou relativamente indisponíveis4. 3.Revista Jus Navigandi . como na Argentina. em que o conhecimento é extraído do interior da mente pela própria pessoa. dentre outros. Essa forma de coordenar a mediação. impõe regras de comunicação. conciliação e negociação. Daí a importância de que as jus. porém. através da escuta e da formulação de perguntas que levem as partes a refletirem sobre o caso. De acordo com cada tipo de conflito é que as partes escolherão o mediador que melhor possa orientá-las. atua como um mediador. é possível. Na mediação. De toda sorte. a mediação judicial só pode ser exercida por advogados. Outrossim.1 Quem pode ser mediador O mediador é um terceiro imparcial. A competência técnica diz respeito à capacitação do mediador. não para que se transacione sobre o direito de ação. a nosso ver.Doutrina e Peças administrá-lo e evitar novos desentendimentos no futuro. conciliação e negociação Por fim. Nos casos sujeitos à ação penal pública incondicionada. a critério das partes. já que não lhes é imposta. Não há. Uma mediação pode ser bem sucedida mesmo sem culminar em um acordo. no Brasil. mas apenas para que as partes dialoguem. É importante frisar que as formas de solução de litígios não são umas melhores que as outras. com competência técnica e eleito pelas partes.18/05/12 A utilização da mediação de conflitos no processo judicial . que pertence ao Estado. escutando-as e formulando perguntas.

uma mediação pode ser bem sucedida mesmo sem culminar em um acordo.827/98.Omissis Art. o dever de sigilo do mediador é imposto pela ética. Nesse ponto. pág. Assim sendo. Façamos uma análise de jus. em respeito à boa-fé dos que os procuram.Doutrina e Peças conheça completamente. MEDIAÇÃO JUDICIAL O Projeto de Lei nº 4. mande intimar a parte contrária para comparecer à audiência de tentativa de conciliação ou mediação. Art.Revista Jus Navigandi .com. com a concordância delas. por suas atividades. por esses motivos. 3º .Antes de instaurar o processo. a do mediador é orientar como discuti-lo). inquirir para saber mais. Aplicam-se-lhe. Isso porque o art. inclusive. mas interrompe a prescrição e impede a decadência. bastando que tenha facilitado o diálogo entre as partes e despertado sua capacidade de entenderem-se sozinhas. no que caibam. proíba os mediadores de serem testemunhas. Art. 5º . (Juan Carlos Vezzula. Em alguns países. O mediador deve saber identificar os reais interesses das partes. assim como a responsabilidade dos clientes é discutir o problema. Como se vê. mas não há lei que. Parágrafo único. Até porque o acordo pode ser elaborado só depois da reunião de mediação. mas em conseqüência desta. deve ser feita de forma adequada e completa. O sigilo também é importante porque possibilita às partes a exposição de sua intimidade para a discussão profunda sobre seus reais interesses. A regulamentação da mediação. Roberto Portugal Bacellar. principalmente abordando o aspecto da capacitação técnica dos mediadores. 4º . como nos Estados Unidos6. explicitamente. e fazer um resumo do compreendido. Isso. 6º . suspendendo o processo pelo prazo de até 3 (três) meses. Depois de concordarem em dividi-la ao meio. Código de Processo Penal Interpretado) A análise da atuação do mediador deixa claro que mediação requer treinamento e conhecimentos específicos. prorrogável por igual período. são obrigadas a guardar sigilo: Na doutrina se considera como pessoas que devam guardar segredo profissional aquelas: a) previstas em lei. carece de regulamentação específica. o dever de sigilo dos mediadores sobre fatos conhecidos no exercício de sua atividade é resguardado quanto à obrigatoriedade de prestar testemunho. O mediador judicial está sujeito a compromisso. para manter a credibilidade da atividade. que muito contribui para a pacificação social. comeu a fruta e jogou a casca fora. (Julio Fabrinni Mirabete. a primeira pegou sua metade. 3º e 4º. 4. ou. dispõe. podendo versar sobre todo o conflito ou parte dele. 207 do Código de Processo Penal e 406 do Código de Processo Civil excluem desse dever as pessoas que. sem antecipar-lhe os termos dos conflitos e de sua pretensão eventual. A distribuição do requerimento não previne o juízo. enquanto que a segunda jogou fora a fruta e usou a casca para fazer um doce5. ocultos devido à angústia e ao discurso influenciado pela sociedade. os mediadores são proibidos de serem testemunhas em processos judiciais.br/revista/texto/6199/a-utilizacao-da-mediacao-de-conflitos-no-processo-judicial/print 3/6 . que já está encaminhada pelo projeto de lei nº 4. o interessado pode requerer ao juiz que. b) previstas em regulamentos que disciplinam o exercício da atividade. são as regras da comunicação mais importantes a serem tomadas em conta pelo mediador. As organizações que promovem a mediação costumam prever em seus códigos de ética o dever de sigilo do mediador. Pois. as normas que regulam a responsabilidade e a remuneração dos peritos. É uma atividade que envolve importantes valores sociais e a intimidade dos indivíduos. designar mediador. Escutar atentamente. Teoria da Mediação. mas pode escusar-se ou ser recusado por qualquer das partes. in verbis: Art. no Brasil.Em qualquer tempo ou grau de jurisdição.A mediação é judicial ou extrajudicial. c) previstas em normas consuetudinárias e d) as indicadas pela própria natureza da atividade. cabe um adendo: mesmo no ordenamento jurídico pátrio. em seus arts. pode o juiz buscar convencer as partes da conveniência de se submeterem a mediação extrajudicial.827/98. 30) Conforme já foi dito anteriormente.18/05/12 A utilização da mediação de conflitos no processo judicial . O mediador tem o compromisso de manter sigilo sobre os fatos conhecidos através das reuniões de mediação. faz com que a mediação seja mais adequada para certos casos em que não se queira publicidade. o mediador deve ter direito ao pagamento de seus honorários mesmo quando não há acordo entre as partes mediadas no fim da reunião. em cinco dias da designação. para ilustrar a importância de descobrir-se os reais interesses das partes. cita a história de duas irmãs que brigavam por uma laranja. ao possibilitar o entendimento e a compreensão entre os indivíduos. a norma que poderá disciplinar a matéria permite a utilização da mediação pelo Judiciário.

seu prazo nem sequer começará a correr. não há por que negar-lhes. pensamos que a lei deve prever também a suspensão do prazo prescricional. por terem resolvido seu conflito por meio de acordo. De toda sorte. 4º). Apesar de ser um tanto improvável que as partes ainda tenham condições de diálogo após todo o trâmite processual. a mediação requer preparo específico. Quanto à suspensão do processo por até três meses (art. 115) Poderia ser realizada pelo juiz? Acreditamos que não seria aconselhável atribuir mais essa função ao magistrado. até agora. a falta de preparo dos profissionais. sujeitam-se ao princípio da publicidade. concordamos que é adequada. sem o intermédio do Judiciário. com um novo meio de resolver as disputas. A nosso ver.br/revista/texto/6199/a-utilizacao-da-mediacao-de-conflitos-no-processo-judicial/print 4/6 . não devendo ser imposta: No mundo todo. um setor de mediação. consideramos que a lei também deve prever um momento certo para as partes decidirem se querem ser mediadas.Doutrina e Peças suas disposições. a parte ficaria pressionada a propor a ação apenas para não perder o prazo. as partes devem ter a opção entre a mediação e a conciliação. O texto diz que a qualquer tempo ou grau de jurisdição o juiz poderá convencer as partes a utilizarem-se da mediação (art. por intermédio de mediador indicado pelo Judiciário. 4º). mesmo estando interessada em primeiro tentar resolver a contenda amigavelmente. ademais. inclusive. a escolha do método. Nos lugares onde a mediação foi imposta. prorrogável por igual período. Como alguns conflitos podem ser mais bem solucionados através da mediação. não prevê a suspensão da prescrição durante a suspensão do processo. verificando se são adequadas e sugerindo possíveis modificações. de acordo com o projeto de lei (art. Assim. num baixo índice de acordos. A lei costuma prever a interrupção da prescrição quando o autor pratica atos que demonstrem seu interesse na defesa do direito. os baixos honorários recebidos além da obrigatoriedade. conseguiu-se desafogar o Poder Judiciário. mas uma "tentativa de resolução consensual do conflito". porém. Seria incoerente a lei restringir a realização da mediação judicial a uma determinada fase sob pena de preclusão. o que significa que começa a fluir com o nascimento do próprio direito. achamos que a lei deve prever não uma "tentativa obrigatória de conciliação". como no caso vislumbrado no artigo em comento. seja qual for a fase em que se encontre o processo. que instiga seu antagonismo7. O projeto de lei. cabendo às partes. Como já foi dito. como na Argentina. enquanto se estiver tentando outra forma de resolver a contenda. Diante disso. in fine). produziu um movimento de rejeição pelo qual só resultou. a lei dispõe que será impedida pela distribuição do requerimento.Revista Jus Navigandi . Ocorre que somente alguns casos sujeitos à decadência serão atingidos por esse efeito. a mediação. 6º do projeto atribui à distribuição do requerimento de intimação para a mediação realizada antes da instauração do processo (mediação prévia) o efeito de interromper a prescrição e impedir a decadência do direito. que podem até prejudicar a mediação por realçarem o antagonismo das partes. pedir a desistência da ação ou do recurso. onde a mediação é praticada e se respeita a norma fundamental de deixar seu uso à exclusiva vontade das partes. Foi assim que. será mediação extrajudicial. se quiserem obter esse acordo por meio da mediação. (Juan Carlos Vezzula. não há porque continuar a prática dos atos processuais. pode ser organizado em conjunto com a Defensoria Pública. já que este deve necessariamente ser eleito por aquelas. As partes devem ter a liberdade de utilizarem ou não a mediação. O mediador. Parece que o termo mediação judicial designa. pág. para isso. com seus próprios princípios e objetivos. O texto deixa explícita a possibilidade de as partes recusarem o mediador indicado. quanto à decadência. ou seja. pois esta orienta-se pelo princípio da liberdade e autonomia da vontade. 4º. como já foi dito antes. que. Se for realizada durante o processo ou não. nas fases atualmente reservadas à tentativa de conciliação pelo Código de Processo Civil e Lei dos Juizados Especiais. Assim. Se a lei não previsse a interrupção . mesmo sendo judicial. alguns casos requerem várias reuniões. é preciso uma atmosfera propícia. durante a realização da mediação. com uma mudança de cultura. é importante que a lei permita a mediação em qualquer grau de jurisdição. Por fim. que lhes inspire desvirtuaria a atividade e prejudicaria seus resultados. deve ser sigilosa.18/05/12 A utilização da mediação de conflitos no processo judicial . A decadência é o prazo para o exercício de um direito. O art. Diante da possibilidade de uma das partes utilizar-se da mediação no intuito de protelar o feito.ou a suspensão . visando sempre a melhor utilização da atividade em comento. a mediação coordenada pelos mediadores judiciais deve ser realizada em um local destinado para isso. a qualquer tempo. A Justiça e ouros conceitos.da prescrição. continua a ser um método autônomo de solução de conflitos. Assim. já que as partes podem. a mediação realizada durante o processo. A mediação. descubram seus reais interesses ocultos. para facilitar sua operacionalização. Um desses objetivos é fazer com que as partes conversem. já que há casos em que a mediação precisa ser realizada em diversas reuniões para alcançar um resultado satisfatório8. Os processos judiciais.com. como deve ser realizada a mediação judicial? Deve ser realizada em audiência submetendo-se à publicidade? Pensamos que a mediação. são resolvidos mais de setenta e cinco por cento dos casos que de outra forma teriam ido diretamente ao Poder Judiciário. o que sobrecarregaria ainda mais os juízes. por sua vez. para que seja impedida pela jus. via de regra.

José Luís Bolzan de. 5. um fator positivo.com. Discordamos. Uma lei de mediação para o Brasil. Porém. 2002. de que os conflitos.htm.já se poderia fazer uma mediação para resolver as discordâncias entre os sócios. p.. Tânia.87 São Paulo: n. Código de Processo Penal Interpretado. São Paulo: Atlas. ou seja. é natural e até mesmo necessário que seja introduzido no processo judicial. o processo perante o Judiciário só deve aparecer na impossibilidade de auto-superação do conflito pelos interessados. não sendo um requisito para a sua utilização no processo judicial. para que a mediação seja instituída junto ao Judiciário é preciso que antes passe a fazer parte da cultura dos cidadãos. São Paulo: Revista do Processo. A mediação no contexto dos modelos consensuais de resolução dos conflitos. pois devemos incentivar o uso de métodos não-adversariais de solução de conflitos: .rtf. jus. acesso em 10/05/03. no caso da anulação de cláusulas do estatuto de uma empresa por um dos sócios: antes mesmo da aprovação do estatuto – fato que dá início à decadência da ação de anulação . China. A Nova Ciência: Mediação.Revista Jus Navigandi . data vênia. por exemplo. Disponível em: www. A mediação de conflitos e ouros métodos não-adversariais de resolução de controvérsias.htm. anped. mediare. Revista Consulex. nesses casos a mediação sempre será realizada depois de iniciado o prazo decadencial. 122-134.472-487. contribuem para a evolução e desenvolvimento das pessoas e da sociedade.750. As modificações maiores seriam em relação aos recursos humanos e materiais necessários a sua operacionalização pelo Judiciário. CONCLUSÃO Fundamentando-se na idéia da visão positiva do conflito. Segundo Juan Carlos Vezzula. Em conclusão. que a existência de um setor de mediação judicial à disposição dos jurisdicionados é um fator de divulgação da atividade e. no caso do exercício do direito de anular casamento.br. a inclusão da mediação na cultura dos cidadãos é necessária para que se atinjam os melhores resultados possíveis. MIRABETE. v. MARINO.br/artigos/cnc21. Disponível em: www.1998. Acreditamos justamente no oposto. MORGADO. dessa opinião. se bem administrados pelas partes. melhor seria que a lei também atribuísse o efeito interruptivo ou suspensivo para decadência. No Brasil. deixando para o Judiciário apenas os casos que realmente precisam de sua intervenção./se. Porto Alegre: Livraria do Advogado. é necessário que se queira fazer a mediação sobre um direito que ainda não surgiu. A introdução da mediação no processo judicial contribuirá para a sua divulgação e. como o prazo decadencial da ação inicia-se do conhecimento do motivo. MORAIS. abr. 1999. acesso em: 08/04/03 BACCELAR. LEHMKUHL. Essa situação é possível. Práticas Pedagógicas e Saberes Docentes na Educação em Direitos Humanos. Roberto Portugal. mas não ao ponto de inviabilizálo.com. Revista dos Tribunais. nº 28. n. a mediação entremostra-se uma atividade promissora nos países em que vem sendo utilizada.18/05/12 A utilização da mediação de conflitos no processo judicial . Patrícia Lima. Japão. Contribuirá também para a diminuição das demandas judiciais. sua prática por algumas entidades especializadas e por universidades demonstra sua importância e o crescimento de sua procura como método de resolução de conflitos.9 ed.jus. 24. Patrícia Monica. V. (Roberto Portugal Bacellar. NALINI. por isso. mediare. Disponível em: www. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA. para a sua maior utilização pelos cidadãos. br/25/patricialimamorgadot04. acesso em: 08/04/03. a realização de uma mediação só tem sentido se o consorte já conhecer o motivo que enseja a anulação matrimônio. Mediação e arbitragem – alternativas à jurisdição. O Brasil e a mediação penal. Acesso em 30/04/2003. abril de 1999. p. O que é mediação?.Doutrina e Peças distribuição do requerimento. como nos Estados Unidos. Mílard Zhaf Alves. ________. assim. Julio Fabbrine. Austrália e Argentina. jul.1999.com. que deverão ter à disposição um modelo consensual que propicie a resolução pacífica e não adversarial da lide. Org.Br/ artigos/ lei_mediação.com. José Renato. A mediação no contexto do métodos consensuais de resolução dos conflitos) O sistema processual vigente é capaz de recepcionar o novo instituto sem grandes modificações legais. por exemplo. Disponível em: www.. 95.br/revista/texto/6199/a-utilizacao-da-mediacao-de-conflitos-no-processo-judicial/print 5/6 . Assim.

inama.68-78. Fascículo nº 5. Revista Consulex.113-120.br/revista/texto/6199>.6.827/98. 568 (/revista/edicoes/2005/1/26). A mediação no contexto dos modelos consensuais de resolução de conflitos.com. pág. Não serve de testemunha se o caso for a um tribunal.br/revista/autor/lilia-almeida-sousa) Procuradora Federal.org. ________. Ângela Oliveira.10) 4 Direitos relativamente indisponíveis são aqueles direitos indisponíveis que podem ter seu valor convencionado. Amauri Mascaro. um anteprojeto de iniciativa da Escola Nacional de Magistratura e OAB de São Paulo. n. Lília Almeida. pág. 26 (/revista/edicoes/2005/1/26) jan. Brasília: v.os "Regulamentos . jus. que pouco ou nada dele fica como era originalmente(. diz: " o mediador tem que merecer a confiança das partes. bem como os respectivos "Códigos de Ética". 3 "Devemos. As informações que recebe das partes são confidenciais. nº 1. Recebe instruções sobre o que dizer e como dizer. São Paulo: LTr. 6 Amauri Mascaro do Nascimento.foi fundado em 1997 por representantes de várias instituições sediadas em diverso Estados brasileiros.18/05/12 A utilização da mediação de conflitos no processo judicial . A utilização da mediação de conflitos no processo judicial.p. O desafio é encontrar os mecanismos que facilitem uma resolução democrática.) normalmente o cliente é sustentado na sua posição e seu ódio pelo adversário é incrementado. CONSELHO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – CONIMA. Juan Carlos.br/). p. (/revista/edicoes/2005/1) 2005 (/revista/edicoes/2005) .harmonizadores da prática daqueles institutos. Disponível em: www. promover uma visão positiva do conflito.mediare. 71) Autor Lília Almeida Sousa (http://jus. dos mesmos. 5 Roberto Portugal Bacellar.com. janeiro de 1997.Revista Jus Navigandi . O mediador. foi apresentado ao Congresso um outro texto. 122-134. como a pensão alimentícia. 1993. Teoria e prática da mediação.. Curitiba: Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil.Teoria da mediação. n. Potomac houve vinte e seis reuniões de mediação. Acesso em: 18 maio 2012." (Juan Carlos Vezzula. ano 10 (/revista/edicoes/2005).com. A mediação. Dessa iniciativa resultou a elaboração de dois documentos fundamentais à Arbitragem e à Mediação no Brasil . Disponível em: <http://jus. todas as necessárias fórmulas legais. descrevendo o serviço de mediação existente nos Estados Unidos. Revista do Ministério Público de Trabalho.1. de acordo com Sime (1994).org. Teresina." (Arbitragem e Mediação. Disponível em: www.br INSTITUTO NACIONAL DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM – INAMA. tornando mais rígido e inescrutável seu verdadeiro interesse original.br/revista/texto/6199/a-utilizacao-da-mediacao-de-conflitos-no-processo-judicial/print 6/6 .mediare." (Arbitragem e mediação. 2 Após o Projeto de Lei nº 4. Práticas Pedagógicas e Saberes Docentes Na Educação Em Direitos Humanos. como espaço crítico das diferenças. pág. NOTAS 1 O CONIMA – Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem .br (http://www. Os tribunais reconhecem esse direito pelo qual o serviço lutou. 33 e 36) 8 Amauri Mascaro do Nascimento cita um caso que bem ilustra essa possibilidade: " No caso da Cia. Arbitragem e mediação. Disponível em: www.Modelo" . Arbitragem no sistema jurídico brasileiro. coord. A justiça e outros conceitos in: Mediação – métodos de resolução de controvérsias. 1998.Doutrina e Peças NASCIMENTO." (Patrícia Lima Morgado.68-78.) 7 "quando um conflito é levado à justiça.. TEIXEIRA.br MEDIARE – Centro de mediação de conflitos. Houve acordo. Sálvio de Figueiredo. Existem conflitos porque existem diferenças em vários níveis. A empresa foi representada por um escritório de advocacia contratado para esse fim. set. versando sobre mediação paraprocessual.com.3. p. Jus Navigandi. conima. 1999. os quais são de observância obrigatória pelos Árbitros e Mediadores das Instituições associadas ao CONIMA. pós-graduada em Direito Processual Civil pela Universidade de Fortaleza Informações sobre o texto Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT SOUSA. e não autoritária. VEZZULA. pág. REVISTA DO PENSAR: Nova Cultural. incrementam tanto o conflito inicial. n.com. por exemplo. 1986.

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