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Apostila - Direito Internacional

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Apontamentos de aulas - Prof.

Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
2012
minúscula!! União com letra maiúscula!!

1 - UNIÃO OU REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL????

Há de se compreender que a União não se confunde com a República Federativa do Brasil (Estado Federal), uma vez que a integra.

IMPORTANTE: O legislador constituinte de 1988, ao elaborar nossa lei maior, em diversos artigos
dispôs “acredito que sem perceber”, a República Federativa do Brasil e União como sinônimos. A doutrina se diverge a respeito do assunto tão polêmico, senão vejamos alguns artigos da CF/88: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, União com letra constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos... Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil...

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:... Art. 21. Compete à União:

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I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais;... Segundo José Afonso da Silva a estrutura da RFB é a mesma da União. Exemplo: Não existe diferença entre Chefe de Estado e Chefe de Governo. Quando o Presidente da atua com os Estados Estrangeiros é o Chefe da RFB, quanto atua com enfoque interno é o Chefe da União ou Chefe do Executivo Federal. Seguindo então essa linha de raciocínio, a República Federativa é o todo, o Estado Federal brasileiro, pessoa jurídica de direito público internacional, integrada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Acrescente-se então, que a União somente representa o Estado Federal nos atos de Direito Internacional, pois quem pratica efetivamente os atos de Direito Internacional é a República Federativa do Brasil, juridicamente representada por um órgão da União, que é o Presidente da República. O Estado Federal (República Federativa do Brasil) é que é a pessoa jurídica de direito público internacional. A União, pessoa jurídica de direito público interno, somente é uma das entidades que forma esse todo, o Estado Federal, e que, por determinação constitucional (art. 21, I, CF) tem a competência exclusiva de representá-lo nas suas relações internacionais. Então, perante a comunidade internacional, quem representa é a União e quem pratica os atos é a República Federativa do Brasil.

1.1 – ESTADO OU NAÇÃO???
Estado: É a pessoa jurídica formada por uma sociedade que vive num determinado território e subordinada a uma autoridade soberana. Trata-se do conjunto de poderes políticos e administrativos de uma nação. Nação: Agrupamento humano, cujos membros, fixados em um território, são ligados por laços históricos, culturais, econômicos e lingüísticos.

em muito contribuiu para o desenvolvimento da noção de Guerra Justa. é inegável que os povos da Antiguidade mantinham relações exteriores. havendo alguns autores que o consideram desde a antiguidade e outros que somente o consideram a partir do tratado de Westfália em 1648. A Igreja foi a grande influência no desenvolvimento do direito internacional durante a Idade Média. Todos os homens e as nações estão sujeitos ao direito internacional e a comunidade internacional se mantém coesa por acordos escritos e costumes. Foi ainda no século XIX que os ingleses passaram a considerar a Nação como Estado. Então o direito internacional passa a ser visto como instrumento capaz de criar deveres de cooperação entre os Estados. Mosa etc.Apontamentos de aulas . Boa parte dos juristas internacionais consideram Hugo Grócio como o marco inicial da evolução do direito internacional a partir desta sua principal publicação. o trabalho de codificação (por exemplo. baseando-se na teoria do direito natural. e assim por diante. inaugurada com a Revolução Francesa. posteriormente.Prof. O papa era considerado o árbitro por excelência das relações internacionais e tinha a autoridade para liberar um chefe de Estado do cumprimento de um tratado.EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO INTERNACIONAL (Principais aspectos) Há discordância na doutrina acerca do marco inicial do Direito Internacional. o de Kadesh. comerciavam entre si. De Jure Belli ac Pacis ("do direito da guerra e da paz"). A partir de então. O Estado Moderno tem como características principais a existência da noção de Soberania e a distinção entre a 2012 . declarou a neutralidade perpétua da Suíça e pela primeira vez adotou uma classificação para os agentes diplomáticos. resultou em grande impulso para o direito internacional. Defendeu sobre tudo a separação do que é divino e o que é humano. Embora boa parte dos juristas tenha esse reconhecimento. foi ele quem ajudou a formar o conceito de sociedade internacional. como sendo uma comunidade ligada pela noção de que Estado e seus governantes tem leis que se aplicam a eles. anterior à existência dos Estados Modernos. cidades da Mesopotâmia. Mas o tratado mais famoso da Antigüidade remota é. Surgem as noções de Estado nacional e de soberania estatal. que encerrou a era napoleônica. que viria posteriormente a orientar as unificações italiana e alemã no século XIX. Durante o século XX. a partir do surgimento do Estado Moderno e que vai se solidificar realmente a partir do final da II Guerra Mundial. podemos considerar as duas realidades acerca do direito internacional. Na Idade Contemporânea.C. e um Direito Internacional mais estruturado. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 2 . na medida em que apontou na direção da internacionalização dos grandes rios europeus (Reno. os Estados abandonariam o respeito a uma vaga hierarquia internacional baseada na religião e não mais reconheceriam nenhum outro poder acima de si próprios (soberania). a de um direito internacional rudimentar. É importante salientar. possivelmente. que não se deve confundir o Estado Moderno com o Estado Laico. O tratado mais antigo registrado é o celebrado entre Lagash e Umma. enviavam embaixadores. a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados a) e a proliferação de tratados nascidos na necessidade de acompanhar o intenso intercâmbio internacional do mundo contemporâneo. da Organização das Nações Unidas. é reforçado o conceito de nacionalidade. O Congresso de Viena (1815). XVII) foi um dos principais teóricos do direito internacional no período. relativo à fronteira comum. daí a denominação direito inter-nações ou entre nações (internacional). vinculavam-se por meio de tratados e outras formas de obrigação. o marco histórico do Estado-nação moderno. Hugo Grócio (séc. o direito internacional moderno foi aprofundado e consolidado com a criação da Sociedade das Nações e. Juntamente com Francisco de Vitória. Sua principal obra jurídica. concluído entre Ramsés II do Egito e Hatusil III dos hititas no século XIII a. quais sejam. conceitos consolidados pela Paz de Vestfália (1648).). A Idade Moderna vê nascer o direito internacional tal como o conhecemos hoje. Concluindo.

que o tratado ao ser incorporado ao Direito Interno. pessoa de estado que não ratificou o Estatuto de Roma (criou o Tribunal Penal Internacional). em cada Casa do Congresso Nacional. quanto ao relacionamento entre o direito internacional e o direito interno de determinado Estado:  Dualismo (o direito internacional e o direito interno são completamente independentes e a validade da norma de um não depende do outro).  Monismo com supremacia do direito internacional (a ordem jurídica é uma só. Ex. que se desvincula do poder da Igreja (Estado absolutista). Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 sociedade civil e o Estado. § 3º. muito antes desta emenda. e. em caso afirmativo. poderá ser julgado. têm a mesma importância. representativos dos direitos e deveres aplicáveis no âmbito da sociedade internacional. e  Monismo com supremacia do direito interno (uma única a ordem jurídica. qual das duas ordens jurídicas deveria prevalecer. assenta-se como lei ordinária federal. é um desdobramento do Estado Moderno. positivos e costumeiros. Será público quando se referir aos direitos e deveres dos próprios Estados em suas relações. Ausência de hierarquia entre as normas: Todos os acordos.Prof. Ex. a teoria da incorporação em relação aos direitos humanos. ou seja.Apontamentos de aulas . Quando o Tribunal Penal Internacional houver a indicação de investigação pelo conselho de Segurança da ONU.DIREITO INTERNACIONAL E DIREITO NACIONAL (INTERNO) O direito Internacional pode ser tratado. Manifestação do consentimento: Um estado só vai se submeter a uma norma se manifestar seu consentimento a ela. alterado pela Emenda Constitucional nº 45/2004. O Brasil não firmou sua posição de forma clara. comerciais ou penais emanadas de outro Estado. 1997. Exceções: O costume internacionalmente reconhecido: prevalece a vontade da sociedade internacional. Os juristas discutem a possibilidade de conflito entre o direito interno de um determinado país e o direito internacional e. o que pode ser visto através das normas constitucionais. (OBS. Três sistemas básicos são reconhecidos. Já no direito interno prevalece o princípio da verticalidade). por três quintos dos votos dos respectivos membros. obedecem ao princípio da horizontalidade. serão equivalentes às emendas constitucionais. A CF/88 proclama em seu artigo 5º.” O STF vem entendendo. mas as normas de direito internacional devem ajustar-se ao direito interno). do poder monárquico (Estado Liberal). que ora revelam uma tendência ao dualismo. ora ao monismo. de leis civis. como o conjunto de princípios e normas. 2012 . preambularmente. a particulares sujeitos a um determinado Estado. e privado quando tratar da aplicação. posteriormente.: Kadaf (Omar Umashir) – Ex Presidente do Sudão. tratados. mas as normas de direito interno devem ajustar-se ao direito internacional). em especial ao determinar que: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. 3 . em dois turnos.: EUA e o protocolo de Kyoto. 4 – Características da Ordem Jurídica Internacional Ausência de autoridade superior: Todos os estados são juridicamente iguais no cenário das relações exteriores. já o Estado Laico.

Não há comprometimento sem o livre querer do partícipe (Estado). Já as fontes formais correspondem ao conjunto de normas jurídicas propriamente ditas. Equidade “ex equo et bono” — É o exato ponto de equilíbrio entre dois ou mais partes conflitantes. justificar a submissão de Estados soberanos aos mandamentos das normas internacionais. Jurisprudência Internacional — Só forma jurisprudência para o direito internacional público as decisões que forem proferidas por tribunais internacionais. ou políticas que levam ao aparecimento das segundas. sociais. As primeiras correspondem às razões históricas. Atos Unilaterais Normativos dos Estados: Condutas realizadas pelos Estados. a origem da sua obrigatoriedade. mais restrita. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 Descentralização: Cada Estado vai atuar de acordo com sua soberania. Ex: Pacta sunt servanta (Tratados livremente constituídos devem ser fielmente cumpridos). este rol é exemplificativo. São elas: Teoria voluntarista: Assevera que o Direito Internacional tem por alicerce a manifestação volitiva dos Estados. Inicialmente podemos classificar as fontes do DIP (ou qualquer outro ramo do direito) em fontes materiais e fontes formais. Ex: Resoluções da ONU . e que servem de base as decisões internacionais. Obs.Prof. equidade. mas que se tornam uma regra no cenário internacional. Vejamos: Costumes — O costume internacionalmente reconhecido vincula as partes como norma não escrita. Sob essa teoria existem quatro linhas de pensamento. costumes internacionais.Apontamentos de aulas . as quais o intérprete poderá recorrer sempre que pretender resolver uma questão à luz do direito das gentes. doutrina. mais generalizada. Doutrina Internacional — A doutrina mais aceita no direito internacional público é aquela mais ampla. sem o consentimento de quem quer que seja (em ração da soberania). Princípios gerais do direito — valores que apontam uma caminho a seguir.: Não existe hierarquia entre as fontes de direito internacional público. As decisões das Organizações Internacionais Intergovernamentais e os atos unilaterais normativos dos Estados também são considerados fontes secundárias. No direito internacional privado é a mais específica. Decisões da das OII: São fontes porque contém as características de abstração e generalidade. Fontes Primárias: tratados internacionais. isto é. as fontes materiais são também chamadas de pré-juridicas ou metajurídicas. A recomendação se for violada não traz consigo a aplicação de sanções. 5 – Fontes do direito Internacional Público: Vide art.são apenas recomendações. princípios gerais do direito. Fontes Secundárias: São considerados meios auxiliares: jurisprudência. A equidade é a única fonte de direito internacional público que só pode ser aplicada se as partes com isso concordarem. 38 da Corte Internacional de Justiça (estatuto). 6 – Fundamentos do Direito Internacional Público Diversas correntes doutrinárias procuram explicar o fundamento do direito internacional. Existem duas teorias que expressão a obrigatoriedade dessas normas. 2012 . culturais. de 1945. Por isto. Sistema de sanções precário: As vezes só funcional para uma das partes.

mas se diferencia deste por ter caráter internacional. Princípio do pacta sunt servanda (os acordos devem ser cumpridos). o processo para homologação de sentença estrangeira era da competência do Supremo Tribunal Federal. 45/2004. Trata-se. Esta teoria desdobra cinco linhas de pensamento No entanto. até os de natureza estritamente internacional. pela Resolução n°. Princípio do uso ou ameaça de força. 7 – Princípios Gerais de Direito Internacional Público O direito internacional acata certos princípios reconhecidos pela generalidade dos Estados nacionais como obrigatórios. Ex: Declaração Internacional dos direitos humanos da ONU de 1948. Princípio da boa fé no cumprimento das obrigações internacionais. É similar à carta precatória. Princípio da obrigação de reparar o dano. X. como o da autodeterminação dos povos. cumpra-se) é do Superior Tribunal de Justiça. que não é automaticamente aplicável ao direito internacional no âmbito de uma organização internacional. de acordo com o artigo 105 da Constituição Federal. principalmente.Prof. Princípio da lex posterior derogat priori (a lei posterior derroga a anterior). Princípio de não intervenção nos assuntos internos dos Estados. o Superior Tribunal de Justiça passou a ter a competência para processar e 2012 . No Brasil. da Constituição Federal determina que compete ao juiz federal a execução de carta rogatória. dentre outros:             Princípio da não-agressão. apenas se tiver acatado previamente esta forma decisória. São considerados princípios gerais do direito internacional público. O artigo 109. Princípio da continuidade do Estado ou igualdade soberana dos Estados. 8 – Homologação de sentença estrangeira no Brasil e Carta rogatória A carta rogatória é um instrumento jurídico de cooperação entre dois países. até 2004. I. Princípio da autodeterminação dos povos. os quais preferem o ordenamento jurídico e à manifestação de vontade dos Estados. por exemplo. tradicionalmente expresso no princípio pacta sunt servanda (em latim . e não possui fins executórios. (Exceto com autorização prévia do Conselho de segurança da ONU ou no exercício de legítima defesa). tomada por maioria. seria o JUS COGENS (um direito internacional sem consentimento). por exemplo. No Brasil. após concessão de "exequatur" pelo STJ. costumes e normas. da Constituição Federal. de um instrumento de intercâmbio processual que viabiliza medidas judiciais entre diferentes países. A carta rogatória tem por objetivo a realização de atos e diligências processuais no exterior. a competência para se conceder o exequatur (significando execute-se. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 Teoria objetivista: Defendem a obrigatoriedade do direito internacional. Este instrumento se encontra regulado pelo artigo 202 do Código de Processo Civil (lei 5879/73) e. os Estados estão obrigados a aceitar uma decisão que lhes for contrária. com base em seus próprios princípios. de 04 de maio de 2005. portanto. i.os acordos devem ser cumpridos). 09 do STJ. a mais consagrada é a doutrina que o identifica no consentimento. Princípio da coexistência pacífica ou proibição da propaganda de guerra. Um Estado é obrigado no plano internacional apenas se tiver consentido em vincular-se juridicamente.Apontamentos de aulas . Princípio da solução pacífica de controvérsias. Após a Emenda Constitucional n. É uma norma inderrogável pela vontade das partes e possui obrigatoriedade material. Princípio do dever de cooperação internacional. desde os de fundamento lógico. em conjunto ou separadamente. como. audição de testemunhas. Isto é válido até mesmo para o princípio majoritário. pelo disposto no artigo 105.

havendo contestação. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 julgar os feitos relativos à homologação de sentença estrangeira e também à concessão de exequatur às cartas rogatórias conforme já mencionado. Os requisitos das alíneas (a).haver sido proferida por autoridade competente. Trabalhista e Administrativa. o processo será submetido a julgamento pela Corte Especial do STJ e distribuído a um dos Ministros que compõem este Órgão Julgador (arts. d) que a parte contra a qual se pretende executar a decisão tenha sido devidamente citada e tenha garantido o exercício de seu direito de defesa. cuja finalidade é atingir os objetivos comuns determinados por seus membros constituintes. constituída mediante ato internacional (geralmente um tratado). é atribuição do Presidente do STJ homologar sentenças estrangeiras e conceder exequatur às cartas rogatórias. e 9º. e) que a decisão tenha força de coisa julgada e/ou executória no Estado em que foi ditada. 2º.Prof. (e) e (f) devem estar contidos na cópia autêntica da sentença ou do laudo arbitral. Vejamos o disposto no artigo: "Art. de caráter relativamente permanente.ter transitado em julgado. (c). inclusive por intermédio da celebração de tratados com outras organizações internacionais e com Estados. III . A Convenção 2012 . adquirem personalidade internacional independente da de seus membros constituintes. 20." 9 – Sujeitos de direito internacional público Uma organização internacional é uma associação voluntária de sujeitos de direito internacional (quase sempre Estados). dotada de regulamento e órgãos de direção próprios. Constituem requisitos obrigatórios para homologação de sentença estrangeira no Brasil: I . desde que a sua execução seja requerida em país que também o integre. portanto.estar autenticada pelo cônsul brasileiro e acompanhada de tradução por tradutor oficial ou juramentado no Brasil. Atualmente.Apontamentos de aulas . de 04/05/2005. § 1º. porém. assim como os documentos anexos necessários. (d). a sentença estrangeira proferida em país integrante do MERCOSUL. adquirir direitos e contrair obrigações em seu nome e por sua conta.terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia. nos termos do seu ato constitutivo. As sentenças e os laudos arbitrais a que se refere o artigo anterior terão eficácia extraterritorial nos Estados-Partes quando reunirem as seguintes condições: a) que venham revestidos das formalidades externas necessárias para que sejam considerados autênticos no Estado de origem. podendo. da Resolução nº 09/STJ. As organizações internacionais. f) que claramente não contrariem os princípios de ordem pública do Estado em que se solicita seu reconhecimento e/ou execução. uma vez constituídas. e IV . segundo as normas do Estado requerido sobre jurisdição internacional. preenchidos os requisitos do artigo 20 do Protocolo de Las Leñas sobre Cooperação e Assistência Jurisdicional em matéria Civil. b) que estejam. Comercial. devidamente traduzidos para o idioma oficial do Estado em que se solicita seu reconhecimento e execução. c) que emanem de um órgão jurisdicional ou arbitral competente. OBS: Não requer homologação. II .

podendo manter relações diplomáticas com outros sujeitos de direito internacional. as organizações internacionais podem ser classificadas quanto a sua natureza e quanto a sua composição. Com a criação das organizações surge o multilateralismo. estão vocacionadas para acolher o maior número possível de Estados. deve estar de acordo com os seguintes critérios: ter pelo menos três Estados com direito a voto. esta recai sobre todos os seus Estados membros. de 1986. Quanto à natureza. privilégios e imunidades. previstas já no Pacto da Sociedade das Nações. e não às chamadas organizações não-governamentais. estas. Quando tais grupos mostram ter força suficiente para possuir e exercer poderes similares ao do Estado contra o qual se rebelam. uma vez que o montante é incluído no orçamento. Em geral. Estas organizações devem cumprir os mesmos requisitos previstos para a efetivação da proteção diplomática por parte dos Estados. e ter objetivo internacional. Seus representantes estão amparados por garantias diplomáticas.Personalidades internacionais ou coletividades não-estatais a) Beligerantes — São movimentos armados da população. mas ainda por atos de particulares realizados em sua sede. Não existem normas específicas para responsabilidade internacional das organizações internacionais. cultural ou econômica. Esta última é constituída por pessoas internacionais identificadas entre si no aspecto geográfico. 9. a sociedade internacional pode reconhecer sua 2012 . O bilateralismo pressupõe assuntos específicos dos países contratantes enquanto o multilateralismo é constituído entre vários Estados. de maneira a estender. como principais. o Direito de Convenção (concluir acordos internacionais em nome próprio). agíndo preventivamente na manutenção da paz e da segurança internacional. As primeiras tratam de questões conflitivas. como a União Européia. o Direito de Missão ou Ligação. como no caso das indenizações pagas pela ONU aos estrangeiros que se encontravam no Congo quando da atuação das forças especiais da ONU. Uma organização internacional. as organizações internacionais possuem o direito de legação. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais. se encontram. e um alcance regional. formadas pela sociedade civil e que podem. eventualmente. que tem como objetivo manter relações com os demais sujeitos de Direito Internacional. como é o caso da ONU. ter interesses e atuação internacionais. tendo uma aplicação mais extensa. quando a organização internacional faz pagamento de indenização. apresentam um alcance universal. ter estrutura formal. No caso do direito de legação passivo. politicamente organizados. que utilizem a luta armada (a ponto de constituir guerra civil) para fins políticos.Apontamentos de aulas . o qual é formado por contribuições desses Estados. Passando à análise dos direitos das organizações internacionais. cultural ou econômico. os funcionários não devem ter a mesma nacionalidade. aos observadores que recebe. como é o caso da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Referente à sua composição. É o caso da ONU (Organização das Nações Unidas). buscou disciplinar as normas de direito internacional aplicáveis ao poder convencional das organizações internacionais. sem restrições de índole geográfica. utilizam-se das normas existentes para a responsabilidade dos Estados. tanto o direito de legação ativo (enviar representante) como o passivo (recebê-lo) são exercidos por meio de observadores.Prof. inclusive o esgotamento dos recursos internos. pelo menos três Estados devem contribuir substancialmente para a sociedade. OBS. a organização internacional pode celebrar tratados ("Acordos de Sede") com o Estado em cujo território está localizada. para se caracterizar como tal. O relacionamento entre Estados ocorre de forma bilateral. Em relação ás suas espécies. inclusive controlando partes do território do Estado. o termo organização internacional aplica-se apenas às organizações constituídas por Estados. estas se organizam em políticas ou técnicas. As organizações internacionais são passíveis de ação de responsabilidade internacional não só por atos de seus órgãos competentes através de seus funcionários. As técnicas têm sua atuação relacionadas à cooperação técnica em áreas específicas. Em direito internacional. Nos termos de seu ato constitutivo. muitas vezes.1 . Exemplificando. o Mercosul e as Organizações dos Estados Americanos (OEA).

nem sempre seguido. atribuindo-lhes status de Estado. caracterizando-se como organização internacional não-governamental. porém. já que possui apenas cidadãos e não nacionais. Os tratados concluídos com a Santa Sé sobre matéria religiosa e que prevêem privilégios para católicos são chamados de concordatas. por ser um Estado laico. Sua personalidade jurídica dá-se em três âmbitos: no direito humanitário. Embora a Suíça e outros Estados atribuam a tal comitê personalidade jurídica internacional. A rigor. não pode celebrá-las sem ofender sua ordem constitucional. do ponto de vista jurídico. o comitê não pode celebrar tratados com Estados ou Organizações Internacionais. 10 – Tratados Internacionais Tratado é o acordo internacional celebrado por escrito entre dois ou mais Estados ou outros sujeitos de Direito Internacional. sob a égide do direito internacional.Prof. cuja luta atinge certo grau de efetividade. o povo. não se confundo com o Estado do Vaticano. Aqueles que possuem a cidadania vaticana não perdem sua nacionalidade originária. e mantenha “relações diplomáticas” com mais de 90 Estados. A Santa Sé. tal personalidade é. uma pseudo personalidade. localizada em Roma. configurando o enclave. com direito de voz e não de voto. entretanto. Entretanto. entendem que não há inconstitucionalidade por ser o Vaticano um Estado como outro qualquer. O Brasil mantém relações diplomáticas com o Vaticano. c) Movimentos de libertação nacional — São movimentos que visam à independência de povos. A prática internacional registra o uso livre dos diversos sinônimos da palavra “tratado”. Existe. não é reconhecida pela comunidade internacional como Estado soberano.Apontamentos de aulas . d) Soberana Ordem Militar de Malta — É uma comunidade monástica. f) Comitê Internacional da Cruz Vermelha — É uma organização independente e neutra que tem por fim proporcionar proteção e assistência às vítimas da guerra e da violência armada. Logo. Os direitos e deveres dos insurgentes dependem do que lhes é atribuído pelos Estados que os reconhecem. e) Santa Sé — O Estado da Cidade do Vaticano teve sua condição de Estado reconhecida pelos tratados de Latrão de 1929. embora muitos considerem isso inconstitucional. no entanto. O Vaticano tem capacidade para firmar tratados. independente de sua designação específica. b) Insurgentes — São grupos sublevados dentro de um Estado que visam a tomada do poder. diante dos quais a OLP age na qualidade de observadora. pois o última está submetido ao poder da primeira. de se atribuir a certos tratados nomes específicos. instituição máxima da Igreja Católica. O maior exemplo de movimento de libertação nacional é a OLP. na verdade. sem. não se confundindo com as Organizações Internacionais. inclusive o Brasil. mas não faz parte da ONU nem fez parte da Liga das Nações. o hábito. constituir guerra civil ou zona livre. O Vaticano é um Estado sem o elemento pessoal. em alguns casos. que embora tenha uma Constituição na qual se diz soberana e sujeito de Direito Internacional Público. Outros. como Estado que é. tais nomes importam pouco e não são aplicados de maneira coerente. reconhecida pela ONU como representante do povo palestino junto a si e seus órgãos. inclusive para submetê-los aos tratados sobre guerra. como por exemplo: 2012 . no direito dos tratados e nas relações internacionais. já que a Cruz Vermelha é uma entidade de direito privado. O território do Vaticano encontra-se dentro da cidade de Roma. qual seja. formam um só ente jurídico. O Brasil. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 condição de beligerantes. por funcionar em estreita dependência da Santa Sé.

comercial e cultural (Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa).Prof. Acordo: É geralmente usado para os tratados de cunho econômico. ou acordos complementares ou interpretativos de tratados ou convenções anteriores. Aparece designando acordos menos formais que os tratados. Exemplo: Modus vivendi de 1936 sobre a navegação do Reno. "Pacto da Sociedade ou Nações".Apontamentos de aulas . que originou a ONU e tem sido usada para dar relevância a um tratado ou convenção como. Carta: É um tratado solene em que se estabelecem direitos. Pacto: É utilizado principalmente para os tratados solenes e de teor político. Quando um Estado passa a ser Parte no Estatuto. econômica. Compromisso: Acordo. Estatuto: É geralmente empregado para os tratados coletivos. ele aceita a competência e dizeres mencionados no documento. Exemplo: Carta da ONU. e seu aspecto aproximase ao das atas de negociação. declarando-os livre aos navios mercantes de todos os Estados. são concluídos pelo chefe do poder executivo. ou entre os próprios cidadãos e estrangeiros. Aplica-se o ato para dirimir conflitos e controvérsias entre cidadãos e o Estado. Ex: Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. É utilizado ainda para designar a ata final de uma conferência internacional (Ata). na prática diplomática brasileira. arranjo e memorando: Termo de aparecimento recente. Tratado seria o ato bilateral ou multilateral ao qual se deseja atribuir especial relevância política. Modus vivendi: Acordo provisório. Concordata: Tratado assinado pela Santa Sé sobre assuntos religiosos. financeiro. em que as partes se comprometem a solucionar seus litígios mediante arbitragem. os atos bilaterais ou multilaterais com reduzido número de participantes e importância relativa. mas reconhece e afirma direitos fundamentais universais existentes. sociais e culturais”. de natureza política. Ato: É apresentado como tratado internacional quando estabelece regras de direito. Entende-se por acordo. tem sido utilizado pelas autoridades brasileiras para designar textos que independem de aprovação do Legislativo. tanto para acordos bilaterais. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 Tratado: É o acordo internacional celebrado por escrito entre dois ou mais Estados ou outros sujeitos do Direito Internacional. "Pacto Internacional dos direitos econômicos. por exemplo. Convenção: É um tipo de tratado que cria normas gerais. Declaração: É usada para os acordos que criam princípios jurídicos é um documento abrangente que aborda os direitos dos povos. Tem sido usado. Troca de Notas: Acordo sobre matéria administrativa. Este tipo de tratado ela não estabelece novos direitos. de forma direita sem aprovação parlamentar. Exemplos: as convenções de Viena sobre relações diplomáticas. comercial. 2012 . geralmente bilateral. que regulamentou a navegação no Rio Congo e no Rio Níger e seus afluentes. de forma a permitir que jurisdição externa passe a fazer parte de seu ordenamento jurídico. A terminologia também é empregada para denominar atos constitutivos de organizações internacionais. Exemplo: Memorandum brasileiro-uruguaio sobre serviços aéreos não regulares de carga. Acordos em forma simplificada ou Acordos Executivos: Tem forma simplificada. A expressão "pacto" foi utilizada pela primeira vez no Pacto da Liga das Nações. Protocolo: É um termo que tem sido usado nas mais diversas acepções. Exemplo: Ato geral de Berlim de 26 de fevereiro de1885. deveres e obrigações. quanto para multilaterais. oriundos de conferências internacionais e versando sobre o assunto de interesse geral. preferivelmente sob a forma de "protocolo de intenções". "Pacto Internacional de Direitos Civis Políticos". cultural. relações consulares e direito dos tratados. Normalmente reserva-se o termo Convenção a atos multilaterais. de 1980. científica e técnica. Ajuste.

geralmente bilateral e provisório. Acordo de sede: Acordo em que um Estado permite a instalação física de uma organização internacional em seu território. em regra. necessita. Acomodação ou compromisso: Acordo. Palavra não utilizada no Brasil. Exemplo: Convênio de Intercâmbio Cultural Brasil . 2012 .Apontamentos de aulas . de aprovação do Legislativo. pois tem por finalidade regulamentar a aplicação de um tratado anterior.Prof. em que as partes se comprometem a solucionar seus litígios mediante arbitragem.Japão de 1961. Robson Salustiano Direito Internacional Público – Parte 01 De 01/02/12 à 28/02/12 Convênio: Palavra utilizada para tratados que versam sobre matéria cultural ou transporte.

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