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Revista Capital 54

Revista Capital 54

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07/19/2013

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DOSSIER Novos tempos, velhos problemas, na cidade de Maputo

DESENVOLVIMENTO AMODER: Tudo por amor às zonas rurais

EMPRESAS Eletrobras vai construir hidroeléctrica em Moçambique

Publicação mensal da S.A. Media Holding . junho de 2012 . 100 Mt

ENERGIA Carvão em fartura. Transporte sem infraestruturas CULTURA Corte orçamental no teatro português enforca projectos em Moçambique

RAJ KUMAR, VICE-REITOR RAJ KUMAR, VICE-REITOR DA JINDAL GLOBAL UNIVERSITY DA JINDAL GLOBAL UNIVERSITY

O CASO DE UMA UNIVERSIDADE qUE FORMA LíDERES MUNDIAIS
THE CASE OF A UNIVERSITY IN INDIA WHICH CREATES LEADERS FOR THE WORLD
MERCADO DE CAPITAIS A negociação de ‘títulos’ na Bolsa de Valores FISCALIDADE IVA – Isenção na fase de prospecção e pesquisa para o sector mineiro e petrolífero

Nº 54 . Ano 05

Afritool
Av. 25 de Setembro, Nr. 2009 Caixa Postal Nr. 2183 Tel. +258 21309068/328998 Fax. +258 21328997/333809 info@afritool.co.mz Maputo - Moçambique

A mAis de 13 Anos A proporcionAr os mAis Altos pAdrões de serviços, com produtos de QuAlidAde, preços competitivos, ideiAs inovAdorAs, Atendimento personAlizAdo
MoçAMbique TANzANiA ChiPre SwAzilâNdiA

delegAçõeS em quelimane, Tete e Nampula

e Material M Equipamento

Ferramentas e Implementos Agricolas

Motocultivador

Motores

édico

editora capital c editora capital c

6 SUMÁRIO

DESTAQUE
DR

ECONOMIA
DR

EMPRESAS
DR

VALORES

19

23
DOSSIER

30

20 32
TDM, p 02 ZAP, p 03 AFRITOOL, p 04 MCEL, p 05 STANDARD BANK, p 08 ERNST & YOUNG, p 11 EDITORA CAPITAL, p 15 TIM, p 17

Novos tempos, velhos problemas em Maputo
O rosto de Maputo está a mudar. De um lado, vemos vestígios de construções desordenadas, de ocupação habitacional desregrada e dum parque automóvel que provoca um avalanche de veículos e um trânsito estrangulado. Mas, ao mesmo tempo, o mercado imobiliário dispara e concentra-se na cidade, deixando antever diversos projectos de condomínios, arranha-céus, business centres, hotéis e vias de acesso novas, um pouco por toda a parte.

NEGÓCIOS
EUA e Moçambique definem prioridades em termos de negócio
Moçambique e os EUA definiram as áreas prioritárias de investimento no país. Moçambique prioriza as infraestruturas, a indústria ligeira e pesada, os biocombustíveis, a geração e transporte de energia hidroeléctrica, solar e eólica ao passo que o país de Uncle Sam centra mais as suas atenções sobre a agricultura, os recursos minerais, o turismo e a energia.

ÍNDICE DE ANUNCIANTES
ENTREPOSTO, p 31 SAL E PIMENTA, p 36 VISÃO JOVEM, p 39 3ª FEIRA I. DE EMBALAGENS E IMPRESSÃO, p 41 TWO RED PENS, p 47 SUPERBRANDS, p 50 CORRE, p 51 BCI, p 52

SUMÁRIO 7

COMUNICADOS
DR DR

BANCA
DR DR

ESTILOS DE VIDA

33
CULTURA

36

37

48

Corte orçamental no teatro português enforca projectos em Moçambique
A crise em Portugal chega mais longe do que se pensa e os estragos fazem-se reproduzir, qual pedra no charco, mesmo em Moçambique. O corte nos subsídios destinados ao teatro em 38% acabou por enforcar projectos conjuntos desenvolvidos por grupos portugueses e moçambicanos. Ou seja, não há budget e, por outro lado, o público também não acorre aos espectáculos como o fazia antigamente.

24 38

ENERGIA
Carvão em fartura. Transporte sem infraestruturas
A produção de carvão agiganta-se a cada dia que passa mas as infraestruturas não acompanham o ritmo e assumem-se como o principal entrave para os operadores do sector. Urge resolver o problema de transporte pois a capacidade actual garante apenas os 5 milhões de toneladas quando a expectativa é que as grandes minas venham facilmente a atingir um volume entre 20 a 30 milhões de toneladas de carvão por ano. Como resolver esse problema em tempo útil?

EDITORIAL 9

A premência dos líderes na nova ordem mundial

O

entendimento da função de liderança talvez seja uma das principais buscas da sociedade nos dias que correm. E por razões óbvias: o destino de uma família, uma empresa, uma comunidade, um país, encontra-se directamente associado à capacidade da sua própria liderança. Nesta nova Era, a discussão sobre se a liderança é ou não é um resultado de traços de personalidade, estilos de influência ou pura marca de nascença torna-se irrelevante e deixa até de fazer algum sentido. A liderança é um conceito que se superioriza à limitação simbólica conferida por rótulos ou categorias, perseguindo antes uma responsabilidade voltada sobretudo para a manutenção saudável da sociedade. O que se pretende - no âmbito de uma aposta global - é formar indivíduos que abracem uma Causa maior e que mobilizem outros afim de que as linhas que tecem a Causa se tornem em si uma realidade. Há pessoas que nascem líderes e outras que aprendem a desenvolver a capacidade de liderança ao longo da vida, seja através da aprendizagem académica ou da experiência profissional. Outros há que nem uma coisa nem outra. Mas num cenário que se debate com o excesso de gestores e com a carência de líderes, o grande desafio será desenvolver o potencial de liderança nos ‘corredores de fundo’. Actualmente, as qualidades de liderança são reconhecidas em termos universais como um elemento-chave na administração das empresas, organizações e governos. Um bom gestor deve ser, por definição, um líder à semelhança de um ‘puro sangue’ que possui qualidades para ser um campeão, mas que deve ser treinado e disciplinado. Ao líder é-lhe exigido que sirva de exemplo e possua ou personifique as qualidades esperadas pelo seu grupo de trabalho ou influência, num nítido exercício de projecção de valores. Assim sendo, os papéis dos líderes devem combinar habilidades técnicas, humanas e conceituais que, por sua vez, devem ser aplicadas em diferentes graus e níveis organizacionais. Agora, imaginem esta ideia expandida à dimensão da teia mundial… Fruto das constantes mudanças globais, as empresas foram forçadas a reestruturar-se e a perseguir o modelo da “excelência de gestão” promovido pelos gurus da especialidade. Neste contexto, as habilidades, o conhecimento, as destrezas e a eficácia passaram a ser desejadas e mais solicitadas na figura que as organizações apelidam de líder do século XXI. De modo a levar as comunidades do planeta a aceitar os crescentes sacrifícios no sentido de concretizar os novos desafios globais, é preciso que sejam preparados novos líderes, que, por sua vez, expliquem a premência de mais sacrifícios e de uma maior dose de dedicação. O líder, nesse contexto, é aquele que consegue convencer um grupo, uma comunidade, ou uma nação, a fazer sacrifícios em prol de uma Causa maior. Esse líder pode ser você!

Helga Nunes

helga.nunes@capital.co.mz

FICHA TÉCNICA
Propriedade e Edição: Southern Africa Media Holding, Lda., Av. Mao Tsé Tung, 1245 – Telefone/Fax (+258) 21 303188 – revista.capital@capital.co.mz – Director Geral: André Dauane – andre.dauane@mozmedia.co.mz – Directora Editorial: Helga Neida Nunes – helga. nunes@mozmedia.co.mz – Redacção: Arsénia Sithoye - arsenia.sithoye@mozmedia.co.mz; Sérgio Mabombo – sergio.mabombo@mozmedia.co.mz – Secretariado Administrativo: Márcia Cruz – revista.capital@capital.co.mz; Cooperação: CTA; Ernst & Young; Ferreira Rocha e Associados; PriceWaterHouseCoopers, ISCIM, INATUR, INTERCAMPUS – Colunistas: António Batel Anjo, E. Vasques; Elias Matsinhe; Federico Vignati; Fernando Ferreira; Hermes Sueia; Joca Estêvão; José V. Claro; Leonardo Júnior; Levi Muthemba; Maria Uamba; Mário Henriques; Nadim Cassamo (ISCIM/IPCI); Paulo Deves; Ragendra de Sousa, Rita Neves, Rolando Wane; Rui Batista; Sara L. Grosso, Vanessa Lourenço; Fotografia: Luís Muianga, Amândio Vilanculo; Gettyimages.pt, Google.com; – Ilustrações: Marta Batista; Pinto Zulu; Raimundo Macaringue; Rui Batista; Vasco B. Capa: António Pereira(Eurobrand) – Paginação: A. Magaia – Design e Grafismo: SA Media Holding – Tradução: E. Vasques – Departamento Comercial: Neusa Simbine – neusa.simbine@mozmedia.co.mz; – Distribuição: Nito Machaiana – nito. machaiana@capital.co.mz; SA Media Holding; Mabuko, Lda. – Registo: N.º 046/GABINFO-DEC/2007 - Tiragem: 7.500 exemplares. Os artigos assinados reflectem a opinião dos autores e não necessariamente da revista. Toda a transcrição ou reprodução, parcial ou total, é autorizada desde que citada a fonte.

junho 2012

revista capital

10 BOLSA DE VALORES EM ALTA TURISMO NACIONAL
Moçambique classificou-se em primeiro lugar, entre os países membros da SADC ao conquistar a platina na feira de turismo, Indaba 2012, África do Sul. Moçambique fez-se representar no certame por 25 operadores turísticos, entre hotéis, resorts, empresas que oferecem o serviço de safari e algumas agências de viagens. O segundo lugar coube à Autoridade de Promoção de Turismo das Maurícias, uma das potências na área de turismo a nível da SADC.

CAPITOON

JIMMY DLUDLU

O guitarrista e músico moçambicano Jimmy Dludlu, com o disco Tonota, foi distinguido com o prémio “Melhor Álbum de Jazz de 2012.” O prémio foi atribuído ao Jimmy Dludlu pela iniciativa “MTN South African Awards” de 2012. O evento, realizado na cidade sul-africana de Sun City, permitiu que Jimmy Dludlu fizesse ecoar o nome de Moçambique no panorama da música internacional, ao vencer este prémio musical.

ACTIVIDADE MINEIRA

A petrolífera norte-americana Anadarko anunciou, recentemente, mais uma descoberta de importantes reservas de gás natural na Bacia do Rovuma. O site oficial da empresa avança que a nova reserva contém cerca de 45 triliões de pés cúbicos – situa-se a quase 20 milhas a noroeste do complexo Prosperidade na Área 1 da Bacia do Rovuma, o que proporciona potenciais vantagens de custo para as opções de desenvolvimento futuro.

EM BAIXA INSEGURANÇA ALIMENTAR

COISAS QUE SE DIZEM…
Alguém cala as vozes sépticas? «Há dois anos, levantavam-se vozes que duvidavam da nossa decisão, pois fundamentavam que a pobreza ainda era de tal dimensão que não havia espaço para um terceiro operador». Presidente Armando Guebuza, a propósito da entrada da Movitel no mercado moçambicano. Chegou, realmente, o dono do “pedaço”? «Em apenas três anos a Movitel vai cobrir 80 por cento da população e assumir a liderança do mercado» Safura da Conceição, PCA da Movitel. “Cadê” o Farejo «Nossa visão é de que as companhias brasileiras estão a perder oportunidades em África». Michael Lalor, director do Africa Business Center. Africas’s Turn «É a primeira vez que África está a ser encarada com seriedade pelo Mundo» Pratibha Thaker, directora da Economist Inteligence Unit para a região de África em alusão ao actual entusiasmo da economia do continente negro. Hollande, o messias? «Estou certo de que, com este resultado, em muitos países houve um alívio, uma esperança». François Hollande, novo presidente da França referindo-se à sua vitória nas eleições.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alertou para o paradoxo de a África Subsahariana registar um crescimento económico superior à média mundial, mas ainda continuar com a maior insegurança alimentar do planeta. Os índices impressionantes de crescimento do PIB em África não se traduziram na eliminação da fome e da má nutrição. A administradora do PNUD, Helen Clark, defende a necessidade de um crescimento inclusivo e políticas centradas nas pessoas e na segurança alimentar.

ALCOOL NO ENSINO

Numa altura em que a economia do País clama por Recursos Humanos melhor qualificados, o consumo de bebidas alcoólicas e estupefacientes propaga-se a um ritmo alarmante nas escolas públicas e privadas. O Jornal “A verdade” descreve apenas um dos muitos casos reportados: Alunos da Escola Secundária de Napipine, na cidade de Nampula, têm faltado às aulas para consumirem bebidas alcoólicas, disponível a menos de 50 metros da escola onde frequentam. A bebida “cabanga”, a um preço de 10 meticais o litro, é um negócio que sustenta inúmeras famílias no país mas cujo efeito colateral consiste em tornar enfermo o sistema de ensino.
revista capital junho 2012

12 MUNDO

NOTÍCIAS
mento que tenha por base dívida vai afundar ainda mais a europa da crise e, por isso, acredita que ninguém irá optar por esta via.c Até as mais nobres empresas faziam tudo para seduzir o americano, seja com um SUV da Porsche (Cayenne), uma ‘pick up’ Honda (Ridgeline) ou Ferraris com porta-copos. Contudo, a China tende agora a arrancar todo este entusiasmo. Comprova o facto o último Salão Internacional do Automóvel realizado em Pequim. No evento firmou-se a certeza de que as vendas bateriam 30 milhões de unidades em 2020. c

PORTUGAL

Lucros da Zon crescem 1.7% no primeiro trimestre

EUA

Dados de emprego aumentam temores sobre economia
O crescimento da economia dos Estados Unidos desacelerou em Abril e muitos americanos desistiram de procurar emprego, um novo sinal de que o país pode estar a caminho de uma primavera economicamente lenta. O número de empregos, fora do sector agrícola, subiu 115.000 recentemente. O desemprego, obtido por uma pesquisa separada em lares americanos, diminuiu um décimo de ponto percentual para 8.1. Os 115.000 postos de trabalho não-agrícolas já estão a gerar temores de que a recuperação está rapidamente a perder fôlego, tal como aconteceu no mesmo período do ano passado.c

Os lucros da Zon Multimédia cresceram 1.7 por cento no primeiro trimestre de 2012 em comparação com o mesmo período de 2011, atingindo os 10.3 milhões de euros. As receitas mantiveram-se estáveis nos 214.2 milhões de euros, apesar do crescimento das adições líquidas em novos serviços, no cabo e no triple Play. No cabo, por exemplo, a Zon registou mais 26.2 mil clientes e no triple Play a operadora tem já 715.7 mil clientes.c

AGENDA 04 a 05 de Setembro de 2012
III Conferência internacional do IESE
O IESE anuncia a realização de uma conferência subordinada ao tema “Moçambique: Acumulação e Transformação num Contexto de Crise Internacional”, a ter lugar em Maputo, nos dias 4 e 5 de Setembro de 2012. Embora o enfoque nacional óbvio desta conferência seja Moçambique, as comunicações podem ser de um carácter mais geral (por exemplo, teórico ou metodológico, ou sobre a África Sub-Sahariana ou África Austral), ou mesmo sobre outro País ou estudo de caso específico, desde que as questões levantadas ou abordadas pela comunicação sejam relevantes para a conferência ou para os debates e dilemas enfrentados por Moçambique e outros Países da África Austral.

ALEMANHA

«Endividamento e falta de competitividade lançaram Europa à crise»

CHINA

Dragão domina sector automóvel de luxo
A China é actualmente o dragão na área de automóveis de luxo. Desde 2009, o país é o maior mercado mundial de veículos leves (estima-se que as vendas em 2012 sejam de mais de 18 milhões). O mercado chinês de automóveis é o que mais cresce actualmente. O facto contraria a anterior tendência da hegemonia americana. Desde o “Ford T”, de 1908 até 2009, a hegemonia dos americanos no sector foi total. Os EUA não só eram o maior mercado de veículos do mundo (no auge, em 2005, foram vendidos quase 17 milhões de veículos), mas também o grande ditador de tendências.

A razão da crise actual é o endividamento e a falta de competitividade, segundo reitera a chanceler alemã Angela Merkel. A mesma salienta que o crescimento tem de passar por reformas estruturais. Merkel sublinha que considera “inequívoco” que o crescimento através de reformas estruturais é sensível, importante e necessário. A chanceler defende ainda que um crescirevista capital junho 2012

BANCA

BCI

13

Chiboleca traz “Sikwembu Xi Ni Kumile” à Mediateca do BCI
Social, a Mediateca do BCI em Maputo, acolheu no dia 9 de Maio, a inauguração da Exposição Individual de Pintura intitulada “Sikwembu Xi Ni Kumile” (“Deus Me Encontrou”), do artista Samuel Chiboleca. Sikwembu Xi Ni Kumile integrou 24 obras de pintura que, na visão do artista, enaltecem o orgulho da nossa moçambicanidade e a nobreza do nosso potencial turístico. Nessa perspectiva, a amostra foi caracterizada pelo uso predominante de três linhas de cor: o Azul, representativo do sol, da praia, do mar, areia e desportos aquáticos; o Verde, associado ao ecoturismo, ao turismo doméstico, aos negócios e à aventura; e a Linha Laranja, representativa da cultura, do entretenimento e do turismo juvenil. Com esta combinação de cores, formas e contrastes, o artista pretende ainda trazer uma mensagem de esperança por um Mundo melhor. Samuel Chiboleca é um artista já consagrado nas lides artísticas do nosso País. Participou em várias exposições colectivas e individuais no País e no estrangeiro, destacando-se nas aparições em países como a Argélia, África do Sul, Malásia e Reino Unido. Tem um registo considerável de prémios obtidos em Moçambique e no exterior.c

o rol de actividades de promoção e incentivo ao desenvolvimento das Artes Moçambicanas, uma vertente destacada do seu programa de Responsabilidade

N

BCI e Dr. Ibraimo Ibraimo premiados pela PMR.africa
res – e altos funcionários governamentais baseados em Moçambique. Os critérios de classificação baseiam-se, de entre outros, em indicadores como o contributo efectivo das instituições para o crescimento e desenvolvimento económico do País; o domínio de competências de gestão; o nível de implementação de políticas de governação corporativa; a capacidade de inovação e o reconhecimento da visibilidade da imagem e marca institucionais. Os prémios atribuídos pela PMR.africa têm se tornado nos últimos anos uma referência incontornável no contexto da gestão pública e privada em Moçambique. O seu objectivo, de acordo com os promotores, é, por um lado, premiar e celebrar a Excelência e, por outro, reconhecer e definir Padrões de Referência que deverão orientar e inspirar a actuação dos demais agentes económicos do mercado. Na perspectiva do BCI, estes prémios representam mais um reconhecimento dos agentes económicos no trabalho desenvolvido pelo Banco nos últimos anos, através da concretização de um posicionamento como Banco Universal de Retalho, dirigido a todos os moçambicanos; para além de um forte compromisso com questões de Responsabilidade Social e de acções de parceria no desenvolvimento sustentado das famílias e das empresas moçambicanas.c

P

ela 3ª vez nos últimos quatro anos, a PMR.africa, prestigiada firma de consultoria e pesquisa empresarial, sedeada na África do Sul, a 28 de Maio do ano corrente atribuiu 2 importantes prémios ao BCI e ao seu Presidente da Comissão Executiva, o Dr. Ibraimo Ibraimo. Na cerimónia Leaders and Achievers realizada esta manhã, no Complexo Indy Village, em Maputo, o BCI, único Banco galardoado, arrecadou o prémio correspondente à categoria de Melhor Banco de Moçambique, onde obteve a melhor classificação geral e o correspondente

Golden Arrow Award 2012. Ao Dr. Ibraimo Ibraimo foi atribuído o Diamond Arrow Award 2012, na sequência da obtenção da melhor classificação na categoria de Empresário Mais Influente no quadro da contribuição para o crescimento e desenvolvimento económico de Moçambique. As distinções em apreço resultam de uma pesquisa sobre Moçambique realizada nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março do corrente ano, sobre uma amostra aleatória constituída por 150 personalidades do sector empresarial – CEO´s, Directores-Gerais, Empresários e Gesto-

14 ÁFRICA

NOTÍCIAS
çambique, que se situou nos oito por cento em 2011. «Entre as economias que cresceram mais rapidamente em 2011, estão os países ricos em recursos, como o Gana, Moçambique e a Nigéria, tendo todos atingido taxas de crescimento superiores a sete por cento», refere o documento.c

CONTINENTE Banco Mundial prevê crescimento superior a cinco por cento este ano

BREVES DOS PALOP´S
ANGOLA Prevista para o final de Junho a primeira exportação de gás natural
A primeira exportação de gás natural angolano está prevista para finais de Junho, segundo o ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos. No final da sessão parlamentar em que o governo angolano foi autorizado, por unanimidade, a legislar sobre o Ajustamento do Regime Fiscal Aplicável ao Projecto Angola LNG, o ministro adiantou que em Maio terão lugar testes de carregamento. Os planos iniciais de exportação do gás natural angolano apontavam para o mercado norte-americano, mas as recentes descobertas deste combustível nos Estados Unidos obrigaram Angola a redireccionar o mercado de exportação, tendo optado pelo asiático, dada a competitiva diferença de preços. No caso dos Estados Unidos, cada unidade BTU (British Termal Unit) seria vendida a dois dólares, enquanto no mercado europeu os valores já subiriam para 6 a 8 dólares, mas o mercado asiático, designadamente o Japão, permitirão vender cada BTU acima de 13 dólares.

ÁFRICA DO SUL País investe 250 milhões de dólares no capital de Ecobank
A Empresa de Investimento Público da África do Sul (PIC), um gabinete de gestão de bens públicos pertencente ao Governo sul-africano, investirá 250 milhões de dólares americanos no capital do Ecobank Transnational Incorporated, proprietária do banco Ecobank, segundo informou a instituição financeira em Lomé.

O Banco Mundial (BM) anunciou previsões de 5,2% para o crescimento económico africano em 2012, num estudo que destaca Moçambique como um dos casos de sucesso da economia africana no ano passado. «Projecta-se um aumento do crescimento para 5,2 % em 2012, com outro aumento para 5,6 %, em 2013, com a recuperação da economia global. Excluída a África do Sul, o crescimento deverá atingir 6,4 % em 2012, antes de se fixar nos 6,6 %, em 2013», refere o relatório Africa’s Pulse, divulgado pelo BM. O BM refere ainda que em 2011 os países africanos registaram, em média, um crescimento de 4,9%, pouco abaixo da média de cinco por cento que o continente registava antes da crise. Excluindo a África do Sul, que representa cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) da Região, o crescimento terá ficado nos 5,9%, um dos mais rápidos das regiões em vias de desenvolvimento. O relatório do BM destaca também o ritmo de crescimento económico de Mo-

CABO VERDE Comércio externo regista decréscimo no primeiro trimestre de 2012
De acordo com um comunicado do Ecobank Transnational Incorporated, esta operação permitirá reforçar os capitais desta estrutura e optimizar a sua capacidade de desenvolver as suas actividades no continente africano. Segundo indicou o banco pan-africano, a compra de acções de 250 milhões de dólares americanos vai materializar-se pela emissão de três bilhões e 125 milhões acções no capital do Ecobank, que representa 19,58 % das acções disponíveis. Após este investimento, a PIC poderá beneficiar de um assento no Conselho de Administração do Ecobank. «É o primeiro investimento maior directo da PIC no exterior da África do Sul», sublinha o comunicado do Ecobank.c Os resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde indicam que o défice da balança comercial evoluiu negativamente (-8,6% face ao mesmo período de 2011) no primeiro trimestre de 2012. Mais precisamente, as importações e as exportações registaram um decréscimo, de 8,8% e de 10,9%, respectivamente, face ao mesmo período do ano transacto. E verificou-se ainda que as reexportações aumentaram 159,9%. Cabo Verde é um país pobre em recursos naturais e, como tal, tem de importar a maioria dos bens que são consumidos. A Europa continua a ser o principal cliente nacional, absorvendo cerca de 99,2% do total das exportações e fornecendo 77,1% do montante total das importações.c

revista capital

junho 2012

16 MOÇAMBIQUE

NOTÍCIAS
lichis, a par do distrito de Sussundenga (Manica). Este fruto é muito apreciado em diversos mercados, nomeadamente na União Europeia e nos EUA e é consumido em conserva ou sem ser transformado.c tina. «Temos, fundamentalmente, estado a receber missões da Argentina e do Chile, então digamos que há uma diversidade de actores em relação aos investimentos em Moçambique».c

EXPORTAÇÃO

Lichias moçambicanas serão exportadas para a África do Sul e Austrália

INVESTIMENTOS

NEGÓCIOS

BRIC em busca de oportunidades em Moçambique
O grupo de países em desenvolvimento conhecido por BRIC (constituído por Brasil, Rússia, Índia e China) pretendem aproveitar as oportunidades de investimento em Moçambique. Com efeito, a China, com um investimento de cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos, foi o maior investidor estrangeiro em Moçambique em 2011 e segundo o director geral adjunto do Centro de Promoção de Investimentos (CPI), Godinho Alves, o gigante asiático possui excelentes condições para manter a liderança este ano, dado ter em negociação projectos orçados em cerca de dois biliões de dólares. «Temos novos actores na lista dos principais investidores em Moçambique, como são os casos da Índia, Noruega e Rússia. Portanto, digamos que temos tido novos actores no âmbito daqueles países chamados os BRIC, que são o caso do Brasil, Rússia, China e Índia. A África do Sul, a Coreia do Sul e o Japão, que neste momento está a mostrar muito interesse pelo nosso país, também se estão a tornar em importantes investidores», disse. Godinho Alves afirmou que o CPI também tem estado a receber propostas de investimentos de variados países da América La-

Mais projectos em negociação para zonas económicas
O GABINETE das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA) está em fase de negociação de alguns projectos estruturantes com potencial de, por si só, atraírem para junto de si outros de menor dimensão. O director do GAZEDA, Danilo Nalá fez menção a três megaprojectos, cujo investimento deverá superar os cinco biliões de dólares norte-americanos. «Estamos a negociar alguns projectos estruturantes para a Zona Económica Especial (ZEE) de Nacala, na província de Nampula e para o Parque Industrial de Beleluane, em Maputo. Sendo assim, temos um projecto de aproveitamentos dos fosfatos em Monapo para uma fábrica de fertilizante em Nacala Velha; um outro se destina ao aproveitamento e transformação das areias pesadas de Angoche em zircão em Nacala, enquanto que o terceiro, a ser implementado no parque industrial de Beloluane terá como objecto o aproveitamento do alumínio da fundição Mozal para a fabricação de cabos eléctricos, jantes para viaturas e outros produtos a fins», disse Danilo Nalá. Desde a sua criação, em Setembro de 2009, o GAZEDA já aprovou mais de 350 milhões de dólares em projectos de investimento que cobrem vários sectores desde a agricultura até à indústria. «Temos, de facto, uma predominância na área da indústria, mas a componente de trocas comerciais é fundamental com cerca de 73 % dos projectos aprovados. Depois, temos a área da indústria, portanto, as grandes unidades industriais que têm estado a surgir com cerca de 60 %, depois temos os serviços e o turismo», disse.c

A empresa Três Rios, de capitais maioritariamente sul-africanos, vai iniciar em 2014 a exportação para a África do Sul e a Austrália de lichias produzidas no distrito de Matutuine, no sul de Moçambique, segundo informou o director das Actividades Económicas de Matutuine, Elias Cuna. Elias Cuna disse ainda que, nos próximos dois anos, a área de produção de lichias naquela região limítrofe com a África do Sul deverá passar dos actuais 100 hectares para aproximadamente 800 hectares. A Três Rios emprega cerca de 150 trabalhadores moçambicanos, número que deverá subir quando forem atingidos os 800 hectares, disse Cuna, adiantando que Matutuine dispõe de condições excelentes e temperatura adequadas para o cultivo de lichis em larga escala. Com a concretização daquela iniciativa, Matutuine deverá tornar-se numa das regiões moçambicanas exportadoras de

NOTA DE RODAPÉ

Moçambique quer atingir os 40% na extracção de petróleo e gás
Moçambique quer aumentar dos atuais 25 para 40% a participação nos futuros blocos de extracção de petróleo e de gás no norte do país, segundo o presidente da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Nelson Ocuane.c

revista capital

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18 REGIÕES

NOTÍCIAS

MAPUTO Gás canalizado poderá tornar-se realidade
A multinacional petroquímica Sasol vai financiar a construção de um gasoduto, de modo a permitir a distribuição de gás canalizado para uso doméstico, industrial e comercial na província de Maputo, reduzindo desta forma as importações de combustível. Para o efeito, iniciará em Setembro a construção de um gasoduto, a partir do centro industrial da Matola, com 15 quilómetros de extensão e um anel de cerca de 35 quilómetros, para permitir a distribuição a cidade de Maputo. A concessão destes financiamentos foi formalizada, com a assinatura de um acordo entre a Sasol, e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), instituição que representa o Estado moçambicano nesta área. O presidente do Conselho de Administração da ENH, Nelson Ocuane, diz que a ligação para os consumidores domésticos será feita de forma gradual e que se pretende cobrir toda a cidade de Maputo e expandir para o distrito de Marracuene num período de 10 anos. Segundo Ocuane, numa primeira fase, o gás canalizado será fornecido a hotéis, hospitais, restaurantes, mas, ao longo do gasoduto, prevê-se o fornecimento às bombas de combustível para o abastecimento de veículos.c

TETE Entrada de megaprojectos dá uma mais-valia nos impostos
A delegação da Autoridade Tributária de Moçambique em Tete arrecadou, durante o primeiro trimestre deste ano, 618.100,77 milhões de meticais de impostos, contra 597.947,05 milhões planificados para o mesmo período. Para o delegado daquela instituição, Arlindo Chissaca, este sucesso deve-se ao empenho dos funcionários e à entrada em funcionamento de vários megaprojectos, que se verifica nos últimos meses naquele ponto do país. «Estamos a conseguir contribuições dos grandes projectos em implementação na província, uma situação aliada ao trabalho árduo que os funcionários da Autoridade Tributária estão a imprimir na colecta de receitas de impostos diversos», disse Chissaca, tendo destacado os esforços que estão a ser empreendidos pela direcção geral da instituição, sobretudo no melhoramento das condições de trabalho, através da edificação de diversas infraestruturas do sector e do parque habitacional, nos postos ao longo da fronteira com os países vizinhos.c

nas, disse em Quelimane que a empresa pretende construir uma segunda linha de alta tensão para melhorar a qualidade da energia fornecida e, consequentemente, reduzir os cortes que, em algum momento, são críticos ao longo da Linha Centro/ Nordeste, afectando o curso normal da vida das pessoas e o funcionamento das instituições. A Linha Centro/Nordeste alimenta as províncias da Zambézia, Tete, Nampula, Cabo Delgado e Niassa. Entretanto, segundo aquele administrador, apesar deste cenário, nos últimos dois anos, aquela empresa fez um grande investimento na linha que tem uma extensão de mais de 1.000 quilómetros visando reduzir as avarias, cortes e disparos. Esse investimento foi feito, particularmente, na substituição de infra-estruturas nos locais considerados críticos. A par deste esforço, há toda a necessidade de manter as infraestruturas existentes. Uma das estratégias encontradas pela empresa para tal é o envolvimento dos líderes comunitários e residentes locais nos trabalhos de manutenção, nomeadamente na limpeza nos pontos por onde se encontram os equipamentos. «Nos locais onde temos infraestruturas metálicas envolvemos as estruturas comunitárias locais», acrescentou Adriano Jonas.c

ZAMBÉZIA Investimento em infraestruturas poderá melhorar a qualidade de energia
A empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM) precisa de um investimento de 300 milhões de dólares para reabilitar ou construir infraestruturas de transporte de energia eléctrica e melhorar a qualidade do produto ao longo da Linha Centro/Nordeste. O administrador da EDM, Adriano Jorevista capital junho2012

DESTAqUE

Brasil abre crédito de apoio à agricultura em Moçambique
O governo brasileiro, através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vai abrir uma linha de crédito no valor de 100 milhões de dólares para a aquisição de equipamento para apoiar o sector agrícola em Moçambique, no âmbito do Programa Mais Alimentos.c

DESTAQUE

ERNST & YOUNG

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O ‘camaleão’ que se adapta aos clientes e apresenta soluções à sua altura

A consultora Ernst & Young ganhou, pela quarta vez consecutiva, o prémio Diamante atribuído pela empresa sul-africana PMR Africa, sendo considerada a melhor empresa de auditoria e consultoria em Moçambique e foi eleita pela Superbrands como uma marca de excelência. Entrevistamos Ismael Faquir, Country Managing Partner da Ernst & Young Moçambique, sobre a história e presença da empresa no mercado, cujo portfolio engloba clientes que operam em todos os ramos e sectores de actividade e aos quais se adapta em pleno.
A Ernst & Young foi um dos intervenientes chave em muitas privatizações feitas no País.  Como é que analisa, hoje, o impacto das referidas privatizações? O processo de privatização teve, como qualquer outro processo, casos de sucesso e outros casos de insucesso. É preciso entender que o papel da EY em todo este processo foi o de prestar assistência técnica às empresas que seriam objecto de privatização no sentido de garantir que estas dispusessem de informação financeira sistematizada para um processo desta natureza. Em alguns casos a nossa assistência consistiu também na reeestruturação dessas empresas. Um dos actuais desafios passa pela integração dos empreendedores moçambicanos nas normas internacionais de contabilidade (IFRS). Como tem respondido o empresariado moçambicano a este desafio? Sendo este um aspecto complexo, diria que as empresas têm respondido de forma positiva às exigências trazidas pelo novo normativo contabilístico. Sendo este um imperativo legal, nada resta às empresas senão aderir e o processo, com o apoio da Autoridade Tributária de Moçambique, tem sido, a meu ver, tratado com relativo sucesso.c
junho 2012 revista capital

Sérgio Mabombo [Texto]

A Ernst & Young conseguiu a proeza de ganhar pela quarta vez consecutiva o prémio Diamante atribuído pela empresa sul-africana PMR Africa, sendo considerada a melhor firma de auditoria e consultoria em Moçambique. A que se deve esse sucesso? Na nossa perspectiva, o sucesso deve-se essencialmente à qualidade das pessoas que compõem a equipa da EY e também ao compromisso firme adoptado pela empresa de prestar um serviço de elevada qualidade. Ao mesmo tempo, a SUPERBRANDS Moçambique, uma organização internacional independente que se dedica à promoção de marcas de excelência em mais de 89 países, escolheu a Ernst & Young como uma das melhores entre os seus concorrentes. Acha que o branding internacional Ernst & Young vos ajuda a ser os líderes de mercado? Sem dúvida que o valor da marca a nível internacional ajuda a alcançar a posição de liderança que a empresa ocupa no mercado local mas, não é por si só garantia de liderança. É preciso salientar que o branding de qualquer uma das big 4 é forte, pelo que o trabalho das equipas locais acaba sendo o mais determinante no posicionamento destas firmas no mercado local.

A Ernst & Young foi constituída em Moçambique em 1991 com apenas quatro colaboradores, tendo tido um crescimento significativo ao longo de 20 anos de operações. Aliás, hoje a consultora possui 130 profissionais especializados. Este aumento decorre do crescimento da carteira de clientes e suas necessidades no mercado. que tipo de clientes possui e que relação estabelece com os mesmos? Temos todo o tipo de clientes, desde as multinacionais às empresas públicas e privadas locais. O portfolio de clientes da EY em Moçambique abrange empresas que operam em todos os ramos e sectores de actividades e em quase todos eles com uma presença de liderança ou significativa. Uma das palavras de ordem na prestação de serviços da empresa parece ser o de «oferecer soluções que vão ao encontro do valor que eles procuram». Como é feito e monitorado esse esforço? Esse esforço é feito através da criação de equipas de trabalho ajustadas às necessidades do cliente, com um conhecimento profundo da indústria em que o cliente opera. A atenção constante com as necessidades dos nossos clientes e a maturidade que as nossas equipas apresentam tornam-nos cada vez mais uma referência incontornável na prossecução dos objectivos dos clientes.

20 DOSSIER

O FUTURO DA CIDADE DAS ACÁCIAS

Novos tempos, novo rosto, mas velhos problemas...

Helga Nunes [Foto]

Ao longo dos seus 124 anos, a cidade de Maputo sofreu várias transformações, sendo que as mais significativas ocorreram nas duas últimas décadas. Contribuíram em larga medida para este novo cenário os edifícios que surgiram um pouco por toda cidade, desde os habitacionais, comerciais, instituições públicas, enfim, o mercado imobiliário em todas suas vertentes. Para os próximos tempos, mais do que novo, espera-se um rosto moderno para a cidade, tendo em conta os diversos empreendimentos em curso, quer em termos de infraestruturas, quer no sector imobiliário.

A

pesar dos seus anos de existência sugerirem “velhice”, Maputo tem muita coisa nova e vai contar com empreendimentos mais actualíssimos ainda, para responder ao seu próprio crescimento, não só em termos económicos como demográficos. Actualmente, a “Cidade das Acácias” enfrenta os problemas típicos de uma urbe em franco crescimento por um lado, e por outro, uma pressão criada pelos números acima da sua capacidade. Estes números estão, na sua essência, relacionados com o índice demográfico e com o parque automóvel. É um facto que a cidade foi projectada para um número muito inferior aos 1,5 milhões de habitantes que possui actualmente. Em abono da verdade, a sua fundação foi concebida para cerca de 500
junho 2012

mil, no tempo colonial. O facto do número de habitantes existentes superar exponencialmente a capacidade da urbe gera uma grande pressão sobre a demanda habitacional, acabando por abrir espaço para as construções desordenadas que caracterizam quase todos os bairros periféricos da cidade capital. Dada a complexidade do fenómeno, o problema não termina aqui, antes pelo contrário, estende-se a questões ligadas ao saneamento do meio, fornecimento de água e tanto outros problemas característicos de uma ocupação habitacional desregrada, mas mais do que isso, não planificada pelas estruturas com competência para o efeito. O parque automóvel idem. É largamente estimulado pelo sistema ineficiente de

transportes urbanos que a capital possui, pressionando em última instância as estradas que também não foram projectadas para a avalanche de veículos que hoje se fazem às ruas. Ponderando todos estes aspectos, entre outros, a edilidade de Maputo e o Governo central têm articulado estratégias no sentido de aprovar projectos que, por um lado, respondam aos problemas ora apresentados e, por outro, confiram de facto o “status” de capital à cidade de Maputo. Também dentro deste contexto, mais do que andar lado a lado, os sectores público e privado criam e promovem “uniões” para materializar determinados projectos, à luz do espírito do que é hoje designado por parceria público-privada (PPP).

revista capital

DOSSIER

O FUTURO DA CIDADE DAS ACÁCIAS 21
considerável nos últimos anos. Esta demanda é originada pelo crescimento da banca, seguradoras, expansão de grandes companhias e implantação de pequenas e médias empresas. Vários edifícios estão a ser erguidos na baixa da cidade, ao longo das avenidas Julius Nyerere, Eduardo Mondlane e 24 de Julho, e além da componente habitacional privilegiam igualmente a oferta de escritórios para os mais variados ramos de negócios. Neste contexto, é de destacar também as futuras instalações do Banco de Moçambique, um edifício misto de 30 andares situado na baixa da cidade de Maputo, que vai contar com um parque de viaturas. Tendo em conta o crescimento e a diversificação da economia nacional, o surgimento de mais escritórios no panorama da cidade é algo inevitável. Aliás, um relatório divulgado no ano passado pela consultora britânica imobiliária Knight Frank, designado “Africa Report 2011”, indica que Moçambique está a registar um crescimento na oferta de escritórios em Maputo, citando como exemplo alguns dos empreendimentos de vulto localizados na baixa da cidade. Por último, está o mercado hoteleiro que tem conhecido uma dinâmica com um ritmo mais ligeiro do que o sector habitacional e dos escritórios. O ritmo de crescimento do mercado hoteleiro surge associado à demanda por estas estâncias, daí que o seu crescimento apesar de notório não se equiparar ao que se regista no mercado residencial e dos escritórios.c

Mercado imobiliário em alta Perspectivar o novo rosto da cidade de Maputo passa necessariamente por avaliar as actuais condições em que se apresenta o mercado imobiliário em todas as suas vertentes. O mercado imobiliário a nível nacional está a crescer significativamente, mas vai

continuar concentrado em Maputo por muitos anos. Ora vejamos, estão a surgir grandes projectos imobiliários, mas estes continuam concentrados maioritariamente em Maputo, uma tendência justificada pelo facto dos imóveis localizados na capital possuírem um maior valor comercial. O valor comercial de um imóvel é determinado em função de vários factores, entre eles, a localização. Em virtude disso, o mercado em Maputo vai continuar apetecível aos olhos dos investidores neste ramo. Por conta disso, continuaremos a assistir à proliferação de condomínios e de outros projectos imobiliários em bairros como o Costa do Sol, Sommerschield, entre outros. Outra localização da cidade que merece destaque é a do Zimpeto. Hoje, tanto as casas como os talhões nesta parcela da cidade super-valorizaram por conta da edificação do Estádio Nacional do Zimpeto e da Vila Olímpica. Estes dois empreendimentos desportivos estimularam a construção de diversas casas de particulares assim como de condomínios ao seu redor, que dia pós dia vão conferindo ao Zimpeto uma nova identidade, não apenas sob o ponto de vista da sela de edifícios, como também dos extractos sociais que habitam a zona. Assim, no que tange à habitação, o futuro da cidade de Maputo é promissor, tendo em conta também as tendências dos modelos de construção que além de modernos, mostram-se arrojados. A componente habitacional tem relevo no mercado imobiliário, mas não é a única que regista avanços. O mercado dos escritórios, estimulado largamente por iniciativas privadas, ganhou uma dinâmica

Infraestruturas de envergadura dão suporte à Cidade
PONTE MAPUTO - KA TEMBE

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se materializar, a ponte Maputo-Ka Tembe será sem sombra de dúvida não só uma das mais imponentes infra-estruturas da cidade, mas também do país. A futura ponte Maputo-Ka Tembe, que será edificada sobre a Baía de Maputo terá um comprimento de cerca de 1,5 quilómetros. O empreendimento é de capital importância para a expansão da capital do país que, como dissemos, se debate actualmente com uma excessiva densidade populacional.

Além da ponte, o projecto integra uma estrada que deverá iniciar próximo da zona da Malanga numa extensão de aproximadamente 16 quilómetros, e que vai dar acesso directo à ponte. Com esta ponte, augura-se uma realidade completamente diferente para a cidade capital porque a Nova Maputo vai surgir ali… A ligação à vizinha África do Sul, mais precisamente a Durban, vai ser mais rápida e a região vai registar um desenvolvimento considerável. Com a ponte em causa, espera-se que o número de habitantes na Ka Tembe ascenda de 25 mil para aproxima-

damente 400 mil. Por outro lado, o distrito municipal da Ka Tembe vai conhecer uma nova realidade económica com os projectos turísticos que ali vão despontar por osmose. A notícia da construção da ponte já gerou uma onde especulação tal que muitos locais já começaram a “vender” os seus talhões a preços empolados. Mas a edilidade de Maputo, apercebendo-se da situação e para evitar novos conflitos de terra, decidiu interromper a atribuição de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra para o distrito Municipal da Ka Tembe. c
junho 2012 revista capital

22 DOSSIER

O FUTURO DA CIDADE DAS ACÁCIAS

“Estrada Circular de Maputo”
moçambicano. A rodovia é composta por seis secções, sendo que a primeira parte vai da avenida da Marginal até ao bairro da Costa do Sol, numa extensão de 6,3 quilómetros. Segue-se depois outra secção que passa pelo bairro dos pescadores e que irá terminar no bairro do Chiango, com uma extensão de 19,9 quilómetros. A terceira secção ligará o Chiango à Estrada Nacional Número 1 (EN1), no cruzamento do Grande Maputo, junto ao Estádio Nacional do Zimpeto, com uma extensão de 10,5 quilómetros. A quarta secção parte do Estádio Nacional do Zimpeto até ao distrito de Marracuene com uma extensão de 15,5 quilómetros. A quinta secção liga a EN1 e N4 - vulgarmente designada por Maputo-Witbank, no bairro do Txumene, município da Matola, com uma extensão de 16,3 quilómetros. A sexta secção, que parte do nó da Machava até à praça de 16 de Junho, na cidade de Maputo. Foram projectadas quatro faixas de rodagem para a via, pelo que se espera aliviar o congestionamento do tráfego na cidade de Maputo e da Matola também.c

E

stá previsto para Junho deste ano o arranque das obras de construção da estrada circular de Maputo, com uma extensão de 74 quilómetros, uma obra que vai ligar a capital do país à vila sede do distrito de Marracuene, na província de Maputo. Trata-se de um empreendimento de vulto cuja construção poderá durar 30 meses e estará a cargo da empresa chinesa Road and Bridge Corporation (CRBC). Aliás, a empreiteira já reuniu todo o equipamento necessário, bem como o pessoal técnico para a obra. Até pouco antes do arranque das obras, decorre o processo de harmonização do projecto da estrada circular com

outros de reabilitação, melhoria e construção de rodovias do município de Maputo. Um dos projectos que sofreu alteração é o da recuperação da zona costeira que deveria começar nas proximidades da Escola Náutica, na zona baixa da cidade, até à aldeia dos pescadores. Entretanto, com a estrada circular a via será abrangida, mas já não a partir da Escola Náutica, mas sim do hotel Southern Sun, na marginal. A construção da estrada circular está calculada em 315 milhões de dólares, dos quais 300 milhões de dólares serão financiados por uma linha de crédito do EximBank - Banco de Exportações e Importações da China e os restantes pelo Governo

Requalificações estratégicas na manga
aputo, à semelhança de várias outras cidades, mais antigas e mais modernas, possui bairros e zonas emblemáticas, carregadas de história. Entretanto, algumas dessas zonas têm a sua existência ameaçada por vários problemas, muitos deles relacionados com a excessiva densidade populacional e com as fracas condições de saneamento. Para não deixar isso acontecer, o Conselho Municipal encetou um projecto de requalificação de alguns bairros. Mafalala e Chamanculo constam dos bairros abrangidos. Com o projecto de requalificação, mais do que ostentar um novo rosto, estes bairros vão viver novos e melhores dias no que tange ao saneamento. Nestes bairros o problema do saneamento assume o seu expoente máximo sobretudo na época das chuvas, quando as casas e as vias de acesso ficam completamente alagadas, causando grandes transtornos aos moradores, expondo-os
revista capital junho 2012

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a diversas doenças decorrentes da estagnação da água. Mas com a requalificação, estes problemas poderão prescrever, e estará a assegurada a existência de bairros emblemáticos da história da cidade. Na rota da requalificação também se encontra a Baixa da Cidade de Maputo, sendo que nos próximos oito meses a edilidade deverá ter em mãos o plano de requalificação desta parcela. Com o instrumento, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo pretende evitar que a zona da Baixa continue a desenvolver-se sem alinhamento claro quanto à localização de cada tipo de serviço ali existente. Assim, o plano de requalificação vai estabelecer as áreas para o comércio, sistemas de infraestruturas, zonas por reclassificar; recuperar espaços verdes e identificar o património cultural a ser preservado. Desafios impostos pelo crescimento A necessidade de requalificação da baixa da cidade de Maputo faz parte dos desafios

que vão se colocando à medida que a capital do país vai crescendo. Ou seja, urge adoptar modelos de gestão sustentáveis a médio longo prazo. A excessiva densidade populacional que Maputo apresenta coloca como desafio claro uma aposta firme no ordenamento territorial, sob pena de assistirmos, a pouco e pouco, à “Cidade das Acácias” transformar-se num emaranhado sem igual. A intervenção nas rodovias é uma medida estratégica no sentido de aliviar o tráfego, mas a existência de um sistema de transporte eficiente, eficaz e seguro, mostra-se como uma das soluções do que se vive hoje nas estradas. Fortalecido o sistema de transportes, facilmente se poderá chegar à proibição da importação de viaturas com determinado tempo existência, ou seja, relativamente antigas. Os desafios não param no transporte, passam também pela segurança pública, cujo reforço é imperioso tendo em conta o crescimento económico que se regista. Caso estes e outros desafios sejam enfrentados de forma sábia, ponderando soluções e resultados a médio e longo prazos, mais do que aparente, a beleza da cidade de Maputo poderá ser uma evidência.c

DESENVOLVIMENTO 23

Tudo por amor às zonas rurais
A AMODER começou a trabalhar em 2001 no Niassa com os fundos da Fundação Malonda financiados pela ASDI. Mas a associação já existe desde 1995. O seu primeiro escritório foi instalado em Cuamba com os fundos da União Europeia e a sua missão passava por financiar a comercialização agrícola na região do Corredor de Nacala. Daí a AMODER cresceu e hoje possui também escritórios em Gurúe, Mandimba e Lichinga. Segundo a sua coordenadora, Betty Raunde, a Associação dedica-se ao financiamento do comércio rural e do transporte dos produtos agrícolas, e espera continuar a beneficiar o pequeno comerciante que garante o abastecimento nas zonas rurais.
Helga Nunes [Texto]

NiASSA

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AMODER é a Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural. Um organismo sem fins lucrativos cuja actividade consiste em conceder crédito aos pequenos empresários inseridos nas zonas rurais. A sua opção pelas zonas rurais, no início do seu programa surgiu do facto de existir a necessidade de resolver a lacuna face à comercialização agrícola. Contudo, e com o andar do tempo, a AMODER descobriu que não era só a comercialização agrícola que constituía problema nas zonas rurais. O abastecimento da população em produtos manufacturados como o sabão, açúcar, entre outros, era também uma tónica comum. Neste contexto, a associação acabou por financiar uma gama de actividades como a comercialização dos produtos agrícolas e o transporte dos mesmos. «Ao longo do tempo, fomos crescendo e aumentando o nosso leque de actividades,

que incluem o financiamento de transportes, sobretudo os que se destinam ao escoamento dos produtos agrícolas. E os produtos agrícolas em questão não se limitam aos convencionais, como o milho e o feijão, mas englobam também os produtos produzidos no âmbito de fomento feito por concessionárias como a Mozambique Leaf Tobacco ou a João Ferreira dos Santos. Quando chega o tempo de comercialização, verifica-se sempre o problema da falta de transporte. E nós achamos que valia a pena influenciar a aquisição de viaturas para a circulação de mercadoria», explicou Betty Raunde, coordenadora da AMODER. Apesar do auxílio em termos de financiamento, a Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural deparou-se com a inépcia do seu grupo-alvo em gerir pequenos negócios. «A maior parte dos nossos clientes são de microcrédito. Os mesmos recebem os fundos, geralmente de 5 mil

meticais, e à medida que vão crescendo, a nível de volume de negócios, vão verificando problemas de gestão», constata aquela responsável. Aliás, chega a uma fase de crescimento em que os beneficiários são obrigados a gerir fundos de 100 mil meticais e o negócio cai devido a problemas de gestão. Face a essa dificuldade e como a AMODER não está especializada na área de formação de clientes, vem encetando parcerias no sentido de garantir o crescimento e a sustentabilidade dos negócios dos seus clientes.c
Fundação Malonda Lichinga: Av. Filipe Samuel Magaia, Edificio do INSS Tel: +258 271 288 68 • Fax: +258 271 202 69 Cel: +258 82 300 44 27 Maputo:  Av. Kim Ill Sung 1156 Tel:+258 21 48 76 71 • Fax: +258 21 48 76 70 Cel:+258 82 300 69 30 • Web: http://www.malonda.co.mz Parceiro:

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24 CULTURA

Corte orçamental de 38% no teatro português enforca projectos com Moçambique
Sérgio Mabombo [Reportagem em Portugal]

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om a crise económica instalada em Portugal, o Estado viu-se na contingência de cortar nos subsídios que canalizava aos grupos de teatro em 38 por cento. A redução dos subsídios obrigou a que os grupos teatrais colocassem os seus projectos com o teatro moçambicano em stand-by. E os efeitos fazem-se sentir. O tradicional Festival de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), que se realiza anualmente na cidade do Porto, não contempla a participação de grupos moçambicanos (e de outros grupos africanos no geral) há mais de dois anos, devido à limitação orçamental. Antes da crise, muitos grupos de artes cénicos portugueses contavam com grupos moçambicanos da área para participarem nos eventos por si organizados. O Festival de Teatro Periferias, organizado pelo grupo Chão de Oliva, é um dos poucos eventos que, embora com pouco budget, ainda se aventura em trazer grupos dos países que falam português.
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Por seu lado, o grupo Teatro Extremo, sedeado em Almada, que projectava acções formativas em Maputo e Inhambane, através da sua parceira moçambicana «Lareira», entende que é imperioso que a classe artística não se acomode a este cenário. Mas não é nada fácil… No caso do Ninho das Víboras, um organismo cultural sedeado em Almada, com os 6 mil euros anuais que recebia antes da crise instalada pouco conseguia fazer. Com o corte de 38 por cento do valor, o cenário ficou ainda pior. Entretanto, o grupo não esconde o seu interesse em participar de eventos realizados em Moçambique, sobretudo o Festival de Agosto e a Plataforma de Dança Contemporânea, KINANI. Crise não abala a Ponte artística Moçambique-Portugal O grupo musical Timbila Muzimba, o malogrado pintor Malangatana, o escritor Mia Couto, o músico André Cabaço, os grupos

de teatro Mutumbela Gogo e Mbeu são algumas das entidades artísticas moçambicanas que já passaram por Tondela, fazendo muitos deles negócios chorudos. Estes estiveram na Camara Municipal de Tondela trazidos por José Rui, o produtor artístico e director do espaço Acert, considerada a casa dos artistas moçambicanos em Portugal, numa relação iniciada em 1994. Entretanto, a vitalidade da iniciativa já não é a mesma, devido sobretudo às amarras impostas pela actual crise na economia portuguesa. Não obstante, José Rui, contrariamente a muitas correntes de opinião, afirma que as relações artísticas entre os dois países não estão postas em causa. O produtor e actor justifica afirmando que a relação resulta dos laços de companheirismo e partilha com os criadores moçambicanos. «Nada está dependente da crise, mas sim das duas partes que têm a vontade de continuar a trabalhar e a fazer mais pela cultura dos dois países», afirma. Entretanto, o mesmo não nega que se verifica uma instabilidade nos criadores artísticos que passam a dispor de menos condições para trabalharem. Rui descreve que o próprio PIB de Portugal tem uma componente gerada pela cultura muito significativa. Mas esse contributo irá perder os seus reflexos por não ser atendida a mais-valia artística. Nos dias que correm, e em plena crise, os artistas, criadores, animadores culturais, produtores artísticos acabam por se juntar e passam a ser, eles mesmos, uma força motora que inclusivamente pode substituir a inércia governamental em apoiar a arte. «Nós fazemos isto por paixão e portanto não podemos parar. Temos que dar a volta à situação», afirma. As artes moçambicanas constituem o exemplo vivo, ou a prova da vitalidade referida pelo artista. A justificação é a de que nunca o desenvolvimento artístico do país esteve dependente do financiamento governamental. Entretanto, conclui, tem a vitalidade e a força que se verifica.c

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CULTURA 25

«Arte atrai mega-eventos internacionais a Moçambique»
oçambique tem-se revelado cada vez mais a escolha acertada para a organização de grandes eventos internacionais. A classe artística nacional e estrangeira não deixa de observar que as suas acções têm sido fundamentais para determinar a referida preferência. José Rui, líder do projecto ACERT, sedeado na localidade portuguesa de Tondela, entende que um país que não assume os seus valores culturais não obtém a projecção que os outros têm, principalmente no que diz respeito à atracção de grandes eventos internacionais. «Hoje, os prospectores dos grandes acontecimentos têm no desenvolvimento cultural e artístico um factor valorativo que pode ditar que Maputo, Inhambane ou Beira acolham um grande congresso In-

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«Hoje, os prospectores dos grandes acontecimentos têm no desenvolvimento cultural e artístico um factor valorativo que pode ditar que Maputo, Inhambane ou Beira acolham um grande congresso Internacional»
ternacional», observa o artista. Por seu turno, o músico e actor, Paulo Zowana, refere que actualmente, seja na inauguração de um banco ou de um grande empreendimento, é indispensável a existência de grupos artísticos que criem espetáculo. O mesmo se verificando quando uma delegação empresarial moçambicana ou governamental vai ao Estrangeiro. Nes-

te caso, deve associar a sua visita, mesmo que seja de carácter empresarial, aos valores artísticos moçambicanos, porque isso é um objecto de valorização do próprio País. Actualmente, o Turismo vem ganhando tenuemente algum destaque no panorama económico moçambicano, embora a contribuição para o PIB se estime em apenas 2 por cento. Apesar do ganho, José Rui sublinha que as campanhas de comunicação concentram-se muito mais nas belezas paisagísticas descurando-se a ligação desta à questão cultural. Rui entende que os turistas só poderão levar consigo apenas os sinais paisagísticos e não os sinais humanos, facto que estimula menos a auto-estima dos moçambicanos e não constitui factor competitivo para a atracção dos grandes eventos internacionais.c

DESTAqUE

Prémio Internacional vai para o Restaurante Taverna
Em matéria de globalização com qualidade e mantendo a sua própria especificidade e tradição, está de parabéns o Restaurante Taverna, na Av. Julius Nyerere, por ter arrecadado um galardão e prémio internacional muito especial, a saber, o Prémio Internacional de Qualidade, atribuído pela Business Initiative Direction. O prémio foi entregue em Nova Iorque, no dia 28 de Maio.c
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RAJ KUMAR vICE-REIToR dA JINdAl globAl UNIvERSITy

Líderes para o mundo a partir da Índia
Helga Nunes [texto]

A Jindal Global University é uma instituição de ensino não lucrativa que aposta na educação global e que defende a visão de formar profissionais e académicos especializados em Direito, Gestão e em outras áreas do conhecimento, bem como líderes e empreendedores de envergadura mundial. A Globalização abriu um leque de diversas oportunidades e desafios que, por sua vez, levaram à necessidade de recursos humanos competentes. A perspectiva da JGU, instalada na Índia, passa justamente por suprir essa necessidade, providenciando cursos ajustados aos seus estudantes no sentido de um melhor conhecimento, competência e visão do mundo. Raj Kumar, vice-reitor da JGU, esteve em Maputo e traz para Moçambique o espírito de uma universidade que prepara os futuros líderes do Mundo.
revista capital junho 2012

ENTREVISTA
Como decorreu a origem e qual tem sido o papel da Jindal Global University até ao momento? A Jindal Global University foi criada com um objectivo filantrópico, sem fins lucrativos, de formação de conhecimento e desenvolvimento, pelo senhor Naveen Jindal. Eu tive a oportunidade de me encontrar com ele entre 2006-2007 e persuadi-o então a investir cerca de cem milhões de dólares na criação desta universidade e faculdade de pesquisa intensiva multidisciplinar global. A visão desta instituição passa por promover currículos, cursos, pesquisas, programas e faculdades globais. Portanto, esta ideia de “global” é crítica para a nossa missão, porque acreditamos seriamente que o mundo tornou-se intrinsicamente num lugar interdependente. E isso significa que toda a estrutura - através da qual queremos criar conhecimento - tem de ter em consideração os problemas e as perspectivas de diferentes partes do Mundo, e o facto de que os problemas de diferentes partes do Mundo precisam de ser trazidos para dentro das salas de aulas, para o ensino, para o pedagógico e para a pesquisa. E essa foi a razão pela qual fomos criados na Índia. Na Índia, qualquer universidade pública ou privada tem de ser criada pelo Governo, através de um processo legislativo. Assim, a 27 de Janeiro de 2009, a Universidade foi criada pelo Governo de Haryana, que fica aqui próximo de Deli, a cidade capital da Índia. E qual foi o percurso a seguir à constituição da Jindal Global University? Começamos a primeira escola, a Jindal Global Law School a 30 de Setembro de 2009. E, desde então, a Universidade criou quatro escolas diferentes, a Jindal Global Business School que ministra um Programa MBA; a Jindal School of International Affairs que ministra um MA em Diplomacy Program, e, por fim, a Jindal School of Government and Public Policy que ministra um MA em Public Policy Program. A ideia de criar estas quatro escolas – Direito, Negócios, Assuntos Internacionais e Políticas Públicas – foi tida no sentido de reconhecer que as mesmas irão provocar um impacto significativo no Mundo em termos de formação. Acho curioso falar globalmente e não apenas da índia. A JGU tem estudantes internacionais? Fizemos um enorme esforço para receber alunos internacionais. Quase metade dos nossos professores universitários das diferentes escolas são pessoas de outras partes do Mundo. Os restantes são da Índia, mas com um forte background internacional e licenciaturas provenientes das universidades de Cambridge, Oxford, Harvard, Yale, Columbia, Michigan, e muitas outras universidades de topo do mundo. No que respeita aos estudantes internacionais, estamos seriamente comprometidos em receber estudantes estrangeiros. Presentemente, os estudantes estrangeiros estão limitados à escola de International Affairs, onde ministramos um MA em Diplomacy Program e onde temos diplomatas em missões de serviço na Índia. Adicionalmente, temos muitos programas de intercâmbio através dos quais os estudantes estrangeiros vêm e depois regressam às respectivas universidades, sendo que os nossos estudantes também vão para o estrangeiro. Mas a nossa missão é podermos ter estudantes de todo o Mundo na Jindal. Existe alguma estratégia definida para o mercado moçambicano? Um dos nossos objectivos é conseguirmo-nos conectar com Moçambique. Estou aqui precisamente para acolher os estudantes moçambicanos na nossa Universidade. Na realidade, muitos esforços têm sido feitos na sequência da visita histórica da Primeira Dama de Moçambique à nossa universidade e à Índia, e isso resultou num número de importantes visitas e conversas com as instituições de Moçambique. Penso que a Índia, África e Moçambique, têm muito a ganhar com o fortalecimento do relacionamento académico e institucional, em que os estudantes possam ir para ambos os países e ensinar-se mutuamente. O foco da universidade passa pela liderança? Acertou em cheio. Uma das maiores crises que temos globalmente, e no nosso país, é a falta de liderança. E a falta de liderança não se limita à gestão dos negócios, mas no sentido de assumirmos a responsabilidade perante as sociedades, e aí temos muito a fazer. Essencialmente, precisamos de líderes das áreas do Direito, Negócios, Assuntos Internacionais e Políticas Públicas, que sejam capazes de olhar para os interesses maiores da sociedade quando da tomada de decisões. E esse tipo de liderança vai estar inserido num forte enquadramento ético. A universidade possui relações com outros países africanos, ou este foi o primeiro? Em geral, África tem sido de certa forma

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negligenciada por nós. Todos temos a tendência de olhar para o Ocidente e para a Europa na maioria dos nossos relacionamentos. Mas acho que chegou o tempo da Ásia e da África se juntarem. Índia e Moçambique têm de se juntar. Portanto, este projecto é uma oportunidade enorme porque não temos uma relação antecedente, porque muita da nossa energia no passado focou-se em contruir networks e relacionamentos fortes com as universidades de topo do mundo, nos Estados Unidos da America e nos países desenvolvidos, que eu devo dizer que são todas importantes. Contudo, queremos avançar para a próxima fase. E a próxima fase é podermos ser uma instituição fundamental no contexto asiático, podermos receber estudantes africanos, membros de faculdades, académicos e pensadores de África para fazerem parte deste esforço. Por quê Moçambique? A Índia tem de olhar para África com maior seriedade do que alguma vez fez. Como pessoas, temos muito para partilhar, para lutar. Nós já lidamos com muitos problemas, e entendemos e partilhamos cada um desses problemas de uma forma mais profunda. Por outro lado, temos um forte laço emocional entre os povos da Ásia, Sul da Ásia, e claro Índia e África. E o nosso interesse relacionado com Moçambique, ou melhor com África, foi contextualizado quando tivemos a honra de receber a Primeira Dama de Moçambique. E eu devo dizer que ela é uma pessoa inspiradora. Na altura, a Dra. Maria da Luz Guebuza fez um discurso maravilhoso acerca da importância deste relacionamento entre a África e a Índia, e entre Moçambique e a Índia, e como nós - enquanto Universidade - podemos contribuir para o melhorar. E essa é a razão de estarmos aqui.c
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RAJ KUMAR vICE-RECToR oF JINdAl globAl UNIvERSITy

From India: leaders for the world
Helga Nunes [interview]

A Jintal Global University is a not profitable learning institution which believes in global education and defends the vision to form professionals and academics specialized in Law, Administration and other areas of knowledge, as well as leaders and entrepreneurs of world class. The Globalization opened a range of diverse opportunities and challenges that, in their turn, created the necessity for competent human resources. JGU’s perspective, installed in India, just satisfies such necessity, providing tuition adjusted to their students towards better knowledge, competence and vision of the world. Raj Kumar, vice-rector of JGU, was in Maputo and brings to Mozambique the spirit of a university which prepares the future leaders of the World.
How did it originate and what has been the role of Jintal Global University up to now? The Jintal Global University was created with a philanthropic objective, without lucrative purposes, for the formation of knowledge and development, by Naveen Jindal. I had the opportunity to meet him during 2006-2007 and persuaded him to invest about one hundred million dollars creating this university and faculty of intensive multidisciplinary global research.
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The vision of this institution implies curriculums, courses, investigation, programmes and global faculties. Therefore, the idea of “global” is critical for our mission, because we seriously believe that the world became intrinsically an independent place. This signifies that the whole structure through which we want to create knowledge – has to take into consideration the problems and perspectives from different parts of the world, and the fact that the problems

from different parts of the world need to be brought into classrooms, for teaching, for the pedagogic and for research. That was the reason why we were created in India. In India, any university, public or private, must be created by the Government, through a legislative process. Because of that on 27 January 2009, the University was created by the Government of Haryana, that is close to Deli, the city capital of India.

INTERVIEW
And what was the way forward after the constitution of Jintal Global University? We started the first school, the Jintal Global Law School on 30 September 2009. And, since then the University has created four different schools, the Jintal Global Business School which provides a MBA Programme; the Jintal School of International Affairs which provides an MA in Diplomacy Programme; and, finally, the Jintal School of Government and Public Policy which provides an MA in Public Policy Programme. The idea to create these four schools – Law, Business, International Affairs and Public Policy – was taken because it was recognized that they are going to provoke a significant impact in the world in terms of formation. I find it curious to talk globally and not only about India. Has JGU international students? We made a great effort to get international students. Almost half of our university professors at the different schools are from other parts of the world. The others are from India, but with a strong international background and degrees from the universities of Cambridge, Oxford, Harvard, Yale, Columbia, Michigan, and many other top universities in the world. In what concerns international students, we are seriously committed to accept foreign students. At present foreign students are limited to the International Affairs school, where we provide an MA in Diplomacy Programme and where we have diplomats in work missions in India. Further to that we have many interchange programmes through which foreign students are coming and then return to their respective universities, and our students also go to foreign countries. But our mission is to be able to have students from all the world at Jindal. Is there any defined strategy for the mozambican market? One of our objectives is to be able to connect with Mozambique. I’m here precisely to receive Mozambican students at our university. In fact many efforts have been made following the historic visit of the First Lady of Mozambique to our university and India, which resulted in a great number of important visits and conversations with the institutions in Mozambique. I think that India, Africa and Mozambique have a lot to gain with the strengthening of academic and institutional relationship, and the students can go to both countries and teach each other.

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The focus of the university attends to leadership? You are correct. One of the biggest crisis that we have globally, and in our country is the lack of leadership. And the lack of leadership is not limited to business management, but in the sense of assuming responsibilities towards societies, and there we have a lot to do. Essentially we need leaders in the areas of Law, Business, International Affairs and Public Policy, which should be able to look for the bigger interests of society when taking decisions. And that kind of leadership is going to be inserted in a strong etic context. Does the university have relations with other African countries, or is this the first? In general, Africa has been in some ways neglected by us. We all have the tendency to look to the West and to Europe in the majority of our relationships. But I think the time has come for Asia and Africa to get together. India and Mozambique must get together. Therefore this project is a great opportunity because we don’t have a previous relationship, because most of our energy in the past was directed to build networks and strong relationships with the top universities of the world, in the United States of America and in deve-

loped countries, which I must say are all important. However, we want to move to the next phase. And the next phase will be to be able to be a fundamental institution in the Asian context, to be able to receive African students, members of faculties, academics and thinkers from Africa to be part of that effort. Why Mozambique? India must look into Africa with greater seriousness that ever did. As persons, we have a lot to share, to fight for. We have dealt with many problems and we understand and share each one of those problems in a more profound way. On the other hand we have a strong emotional link between the peoples of Asia, South Asia, and clearly India and Africa. And our interest related to Mozambique, or even better with Africa, was contextualised when we had the honour to receive the visit of the First Lady of Mozambique. And I must say that she is an inspiring person. At the time, Dra Maria da Luz Guebuza made a marvellous speech about the importance of this relationship between Africa and India and between Mozambique an India, and how we –as university- can contribute to improvement. That is the reason why we are here..c
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30 EMPRESAS

Eletrobras vai construir hidroeléctrica em Moçambique

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estatal brasileira Eletrobras planeja iniciar a construção de uma usina hidroeléctrica e duas linhas de transmissão em Moçambique a partir de 2013. A informação foi dada pelo presidente da estatal, José da Costa, que se encontrou no Rio de Janeiro com o primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali. O investimento no país africano faz parte do processo de internacionalização da Eletrobras, que também avalia negócios no Uruguai, Peru, na Nicarágua, Guiana, Guiana Francesa e no Suriname. No caso de Moçambique, já foi feito o estu-

do de pré-viabilidade e o próximo passo é preparar o estudo de viabilidade, que deve durar cerca de um ano e meio, incluindo o estudo de engenharia financeira da obra. Costa adiantou que serão construídas uma hidroeléctrica de 1,5 mil megawatts (MW) no Norte do país e duas linhas de transmissão, de 600 kilovolts (kV) e cerca de 1,5 mil quilometros de extensão cada. O custo da usina é projectado em 2,3 biliões de dólares e o das linhas em 3,7 biliões, totalizando um investimento de 6 biliões. Quando entrar em operação, o sistema vai praticamente dobrar a oferta de energia

em Moçambique. As conversas preliminares indicam que a Eletrobras entrará com 49% de participação nos empreendimentos e que o controlo (51%) será da empresa estatal moçambicana de energia EDM. Uma das linhas de transmissão fará a ligação com a África do Sul e a outra linha, segundo Costa, terá o objectivo de capilarizar a distribuição energética por todo o país que, actualmente, só consegue abastecer 20% da população com a rede de energia eléctrica.c

BREVES CDM contribui com água canalizada em Nampula
Perto de 10 mil residentes dos bairros Natiquiri, Murrapaniua e Mutauanha, na cidade de Nampula, dispõem de água canalizada, no âmbito de um projecto orçado em quatro milhões de meticais, desenvolvido pelo FIPAG-Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água, em parceria com a CDM-Cervejas de Moçambique, no quadro das acções socialmente responsáveis desta cervejeira. Para a concretização desta iniciativa, que tem por objectivo facilitar o acesso da água potável à população, através da isenção de taxas de ligação domiciliária, a CDM contribuiu para a compra de materiais de ligação, entre outros acessórios. A acção decorre da iniciativa do FIPAG denominada “Uma Família, Uma Ligação”, que perspectiva o alcance de uma cobertura de abastecimento urbano de água em 70 por cento até 2014.c

Insitec vende 25% do capital social da Ceta - Construção e Serviços

inte e cinco por cento do capital social da Ceta, Construção e Serviços foram vendidos a investidores moçambicanos permitindo um encaixe de 457,6 milhões de meticais (16,5 milhões de dólares), informou em Maputo o presidente da empresa. De acordo com Celso Correia, esta alienação de capital foi realizada através de uma oferta privada de 70 mil acções e de uma oferta pública 17 500 acções, tendo cada acção sido vendida a 5 231,60 meticais e passando a empresa a contar com cerca de 300 accionistas. Referindo que a decisão de vender apenas a moçambicanos visa privilegiar o crescimento da empresa com investidores locais, Celso Correia acrescentou que essa

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preferência, contudo, não encerra a porta a estrangeiros. A Ceta, Construção e Serviços, a maior empresa moçambicana de engenharia e de construção civil, havia sido adquirida em Maio de 2011 pelo grupo moçambicano Insitec. A Ceta iniciou as suas actividades em Moçambique há 32 anos e tem tido uma operação de âmbito nacional, com obras dispersas em todo o território moçambicano, com destaque para as zonas centro e norte, com as províncias de Tete e Cabo Delgado a representarem, em conjunto, desde 2008, mais de 50% da carteira de negócios da empresa. As obras relativas ao reassentamento das populações, da responsabilidade da Vale e da Rio Tinto, serão executadas pela Ceta.c

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FACTOS & NÚMEROS 31

CÁ DENTRO

LÁ FORA

1.000 títulos mineiros
Existem, actualmente, 1.000 títulos mineiros que foram concessionados em Moçambique. Os mesmos incluem a prospecção e pesquisa, concessões e certificados mineiros.

Macau: 31 milhões de turistas
O número de turistas em Macau irá crescer ainda mais no presente ano, pelo menos 10% face ao recorde de 28 milhões registados em 2011. o crescimento de visitantes será suportado pelos visitantes da China continental.

Minérios = 90% da energia consumida
Carvão, petróleo e gás constituem 90% da energia consumida. Os biocombustíveis e a energia eólica ainda irão levar algum tempo para se firmarem no mercado.

81% de empresas com liquidez débil.
81% das empresas em Portugal afirmam ter problemas de liquidez devido aos atrasos nos pagamentos. O aumento perfaz 4% comparativamente a 2011.

130 carros são inspecionados por dia
130 é a média diária dos carros que são inspecionados no Centro de Inspecção de viaturas do Zimpeto.

500 projectos na África Subsahariana
o banco Mundial financia na região da áfrica Subsahariana cerca de 500 projectos, na qualidade de parceiro de 48 países.

32 NEGÓCIOS

Moçambique e EUA definem áreas prioritárias de negócio
Sérgio Mabombo [Texto]

do pela recente aprovação do projecto da companhia Biworld International Cement Factory. O organismo irá instalar uma fábrica de cimento em Muxúnguè, na província de Sofala, avaliado em 58.5 milhões de dólares. Ao mesmo tempo, a China e a Noruega surgem na segunda e terceira posições no ranking em referência.c

Camarão moçambicano aguarda reabertura do mercado americano

oçambique e Estados Unidos da America (EUA) deram a conhecer as prioridades das áreas de investimento no País. Enquanto Moçambique prioriza as áreas de infraestruturas, indústria ligeira e pesada; biocombustíveis, geração e transporte de energia hidroeléctrica, solar e eólica, aos Estados Unidos interessa mais os sectores de agricultura, recursos minerais, turismo, energia e hotelaria. As prioridades dos dois países definidas pelo presidente de Moçambique, Armando Guebuza, e pela embaixadora dos Estados Unidos em Moçambique, Leslie Rowe, foram reveladas durante a Conferência de negócios Moçambique e EUA realizada em Maputo, sob o lema Let’s do Business. Com efeito, os americanos já tinham confirmado que o seu interesse na área da agricultura é mesmo a sério, ao aprovarem recentemente uma linha de financiamento de 500 mil dólares. O fundo, anunciado pelo representante-adjunto de Comércio daquele país, Demétrios Marantis, irá custear a capacitação e o aumento da produtividade agrícola em Moçambique. Por outro lado, a nova abordagem das relações comerciais entre os dois países, no âmbito do Acordo Quadro de Comércio e Investimento Estados Unidos-Moçambique (TIFA) e da Lei para o Crescimento e Oportunidades para África (AGOA) poderá acelerar ainda mais o actual quadro de negócios entre os dois países. Só entre Outubro de 2010 e igual período
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de 2011, o comércio bilateral entre os dois países cresceu de 289 milhões de dólares para 418 milhões de dólares. O referido quadro económico, sublinhado pelo ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, reflecte a vontade cada vez mais crescente de cooperação entre os EUA e Moçambique em diversificadas áreas. EUA explora apenas a “superfície” do mercado moçambicano Até agora, o empresariado americano apenas esgravatou a superfície das largas oportunidades que o mercado moçambicano oferece, segundo constata o presidente de Moçambique, Armando Guebuza. Os investidores americanos têm a oportunidade de explorar outras áreas, segundo observa o PR, apontando ainda o potencial de Moçambique no que tange às áreas de recursos naturais, onde existe ouro, ferro, titânio, mármore, pedras preciosas e calcário, entre outros. Verifica-se, por outro lado, que o investimento americano é igualmente bem-vindo na área das infraestruturas, uma componente que tem limitado a velocidade a que a economia moçambicana já devia ter alcançado. Apesar de, até ao momento, os EUA explorarem superficialmente as oportunidades em Moçambique, os mesmos assumiram, no terceiro trimestre do presente ano, a liderança no “ranking” do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) no País. Este comando dos americanos é impulsiona-

A embaixada dos EUA, em coordenação com o Ministério das Pescas, leva a cabo acções de formação aos pescadores moçambicanos visando dotá-los com as técnicas de pesca que se enquadram nos padrões ambientais actualmente exigidos. Segundo os mesmos padrões, explicados pela embaixadora dos EUA em Moçambique, leslie Rowe, o mercado americano não permite a entrada no seu seio de camarão cujo processo de pesca fira os padrões ambientais internacionais, tal como o arrasto de tartarugas. A previsão de Moçambique poder colocar o seu camarão no mercado americano ainda não conhece datas, mas leslie Rowe garante que há avanços encorajadores nesse sentido. Enquanto o imbróglio de entrada no mercado americano não conhece desfecho, o Executivo moçambicano não deixa de fazer as suas projecções sobre a venda deste produto marinho. As actuais projecções indicam que Moçambique poderá exportar cerca de 17.9 toneladas de camarão de aquacultura até finais de 2012. As cifras representam um aumento considerável atendendo que em 2011 foram exportadas apenas dez mil toneladas.c

VALORES 33

Capital Humano
Helena Taipo cria agência de recrutamento juvenil Graça Machel é presidente da Escola de Estudos Orientais e Africanos de Londres
A moçambicana Graça Machel, mulher do ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela, foi nomeada presidente da Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS), da Universidade de Londres. O presidente do Conselho de Administração da SOAS, Tim Miller, destacou o empenho de Graça Machel, viúva do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, na defesa dos direitos das crianças e das mulheres, como factores de peso na escolha para o cargo. “Este é um momento imensamente orgulhoso da SOAS. A senhora Machel é altamente considerada como uma defensora internacional dos direitos das mulheres e das crianças, e pelo seu trabalho como ativista social e política. As suas realizações fazem dela uma grande inspiração para muitos, incluindo o nosso próprio pessoal e os estudantes”, afirmou Tim Miller. Referindo-se ao cargo, a nomeada elogiou a instituição pela formação de activistas e líderes na mudança económica, política e social em todo o mundo. “Estou ansiosa em fazer uma modesta contribuição para o excelente trabalho na SOAS”, afirmou Graça Machel, actual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), uma ONG moçambicana de promoção dos direitos das mulheres e crianças. Graça Machel, ex-ministra da educação de Moçambique no Governo do seu falecido primeiro marido, Samora Machel, substitui no cargo de presidente da SOAS a baronesa Helena Kennedy, que ocupou o posto nos últimos dez anos.c

O governo vai criar uma agência de recrutamento de jovens para trabalharem nas empresas de exploração mineira que operam no território nacional, tal como acontece para a contratação da mão-de-obra para as minas da África do Sul, segundo revelou a ministra do Trabalho, Maria Helena Taipo. Taipo não revelou a data em que se vai criar esta agência de recrutamento de jovens para trabalharem nas empresas de exploração mineira no país, mas garantiu ser um dado adquirido, porque “é um dever do governo criar formas eficazes de empregar os jovens deste país, porque a riqueza também lhes pertence”. Helena Taipo explicou que essa agência não vai olhar para a experiência profissional no período de contratação, tal como acontece com o recrutamento da mão-de-obra para as minas da África do Sul, que é feita através da Teba.c

+ VALORES
Faisal Mkhize foi indicado para o cargo de administrador delegado do Barclays Bank Moçambique, um dos maiores bancos comerciais e operar em Moçambique, em substituição de Paul Nice, que vinha desempenhando as funções nos últimos cinco anos. Um comunicado da instituição cita a presidente do Conselho Executivo dos grupo Absa Bank e Barclays África a dizer que o novo administrador delegado terá como principal responsabilidade a colaboração do alinhamento da estratégia global do Barclays.

Gonçalo Marques, até há pouco tempo era consultor na firma Ferreira Rocha & Associados (parceira da revista Capital), agora é o novo Branch Manager da Pam Golding Mozambique, e será o responsável por todo o negócio da referida sociedade.

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34 OBSERVATÓRIO DO TURISMO

Turistas estrangeiros: Passeio e turismo acima dos negócios

caracterização dos turistas estrangeiros, entrevistados no âmbito do II Estudo de Satisfação do Turista na Cidade de Maputo, indica que o propósito principal da sua vinda à capital do País prende-se com o Passeio e Turismo (47%). A categoria dos negócios surge logo a seguir na lista de intenções, com 41%, e em terceiro e quarto lugares aparecem as Férias (32%) e as Visitas a amigos e familiares (25%) como objectivos principais. A primeira vaga do Estudo de Satisfação

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indicava que os estrangeiros vinham a Maputo mais a negócios (36%) e, numa segunda perspectiva, a Passeio e Turismo (18%). Outro dado curioso é que enquanto o I Estudo referia que 10% dos turistas vinham em Missão de Serviço, agora apenas 2% preenchem essa categoria. Tal inversão de propósitos poderá colocar-se com a época particularmente devotada à realização de passeio, turismo e férias, uma vez que o Estudo foi levado a cabo no final do ano de 2011. Não obstante, Maputo não deixa de possuir

as características ideais para o incremento da realização de eventos empresariais e organizacionais ao longo do ano, pois a leitura deixa antever que os negócios continuam em alta nas intenções dos turistas estrangeiros (subindo de 36% para 41%), apesar da época ser mais propícia à realização de actividades de lazer. Aliás, as férias, que registavam apenas 15% das preferências dos estrangeiros, subiram para 32%.c

70% dos turistas ficam mais de 7 dias em Maputo
II Estudo de Satisfação do Turista da Cidade de Maputo, orientado pelo Observatório do Turismo e realizado em Novembro de 2011, revela que 65% dos entrevistados nacionais fica entre 10 ou mais dias na capital do País. De igual modo, a selecção de dados permitiu chegar à conclusão de que 84% dos turistas domésticos fica mais de 7 dias em Maputo, o que corresponde a um núme-

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ro significativo de inquiridos. Ao mesmo tempo, mais de metade dos estrangeiros (57% ) permanece mais de 7 dias na mesma cidade, um dado francamente positivo. O I Estudo de Satisfação do Turista da Cidade de Maputo, realizado em Agosto de 2011, havia revelado que 78% dos turistas nacionais e estrangeiros fica mais de 4 dias em Maputo. Actualmente, e de acordo com a 2ª vaga do mesmo Estudo

realizado em Novembro, chega-se à conclusão de que 70% dos turistas (nacionais e estrangeiros) permanecem mais de 7 dias em Maputo. Neste âmbito, o desafio coloca-se no sentido de aumentar estes tempos de permanência não só face aos turistas que vêm da África do Sul como de Portugal, Brasil, Inglaterra e outros países europeus e asiáticos.c

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OBSERVATÓRIO DO TURISMO 35

MITUR, INEFP, CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE MAPUTO, SNV

«Maputo e Inhambane Hospitaleiros» vão formar 800 ‘informais’

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Comissão Europeia irá desembolsar 271 mil euros para formar 800 trabalhadores do mercado informal nas províncias de Maputo e Inhambane. Com a designação de ‘Maputo e Inhambane Hospitaleiro’, a iniciativa é implementada pelo Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFP), juntamente com o Ministério do Turismo e a Cooperação Holandesa para o Desenvolvimento (SNV), e em parceria com o Conselho Municipal da Cidade de Maputo. Segundo Mualua Muchaca, responsável do INEFP pela iniciativa, Maputo e Inhambane hospitaleiros é um projecto que tem tudo para dar certo. Os implementadores do projecto pretendem que as 800 vagas sejam repartidas em 50 por cento para cada província, Maputo e Inhambane. Por outro lado, a iniciativa pretende criar melhores condições de vida para os vendedores informais, segundo o responsável do INEFP.

A parceria firmada com o Conselho Municipal de Maputo permitiu que este organismo soubesse que existe um reforço nas acções de consciencialização dos vendedores informais, considerados os maiores produtores de lixo. Aliás, os mentores do projecto empreenderam já uma aproximação junto dos vendedores informais, facto que permitiu que estes falassem das suas limitações e sobre a necessidade de melhoria das suas condições de vida. A resolução das limitações do público-alvo chamou a conjugação de esforços da SNV, do INEFP, do Ministério do Turismo e do Conselho Municipal, entre outros organismos. O presidente do Conselho Municipal já sugeriu que o projecto envidasse esforços no sentido de transformar os vendedores informais em formais. Segundo Federico Vignati, assessor económico e de desenvolvimento da SNV (Cooperação Holandesa para o Desenvolvimento), a indústria do turismo permite

que os micro e pequenos empreendedores, e os próprios informais, entrem no circuito deste sector, enquanto as demais indústrias exigem um investimento em maquinaria e recursos humanos provenientes do Estrangeiro. A indústria do turismo é um dos poucos sectores onde o capital humano possui um peso muito forte. No mesmo âmbito, a hospitalidade das pessoas é um factor tão importante quanto a própria gastronomia. E este é um dos diversos aspectos que será largamente transmitido aos formandos. Por outro lado, a limpeza e higiene por parte dos vendedores informais será a tónica dominante, durante o decorrer de toda a iniciativa. Embora a formação seja o ponto de partida, a promoção de uma reflexão e o desenvolvimento de micro-pólos onde os trabalhadores informais possam trabalhar constitui o objectivo estabelecido a longo termo.c

Entre os melhores destinos turísticos
ara o jornal ‘Financial Times’, Moçambique é uma das grandes atracções do mercado turístico do ano. O jornal recolheu a opinião de vários agentes de viagens que apontaram alguns dos destinos que deverão ser

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mais procurados pelos turistas. “Com uma linha costeira de 2.500 km inexplorada, plena de belezas, Moçambique é o último grito dos destinos litorais”. Quem o diz é Will Jones da agência de viagens Journeys by Design. Mas Joel Zack, da agência Heritage Tours, não lhe fi ca atrás: “Moçambique oferece o luxo sem perder a sensação de se estar em África. As praias são fantásticas e as pessoas muito amáveis”. No que diz respeito ao turismo de topo, ou de luxo, o destaque vai para Azura na ilha de Quilalea (www.azura--retreats.com), situada no arquipélago das Quirimbas, no norte do País. Uma noite neste paraíso do Índico não fi ca por menos de 595 dólares/ noite por pessoa. Poucos deverão ter ouvido falar deste complexo turístico, pois só abriu no passado mês de Dezembro. Oferece nove villas situadas no lado menos habitado da pequena ilha, cercadas por um verdadeiro santuário marinho. Ainda neste arquipé-

lago, há a opção do resort Vamizi (www. vamizi.com), com diárias a 590 dólares/ noite por pessoa e o lodge da Ilha de Ibo (www.iboisland. com), um pouco mais acessíveis às carteiras, por 335 dólares/noite por pessoa. A ilha do Bazaruto, mais a sul, atrai também as atenções das agências de viagem, “para aqueles que procuram praias paradisíacas”, que inclui o segundo Azura, na ilha de Benguerra. Outro dos destinos mais procurados é o Parque Nacional da Gorongosa (www.gorongosa.net). Com um efectivo que possui menos animais do que os parques da vizinha África do Sul, a Gorongosa tem muito menos visitas e por isso se encontra menos explorada. A agência Explore Gorongosa (www.exploregorongosa.com) oferece, por 440 dólares/noite por pessoa, alojamento em tendas e programas de visitas de exploração ao Parque.c

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36 COMUNICADOS

MOVITEL

Movitel ambiciona liderança do mercado
A terceira operadora de telefonia móvel de Moçambique, Movitel, iniciou formalmente a actividade, tendo já conseguido 415 mil clientes no serviço pré-pago, de acordo com Safura da Conceição, presidente do Conselho de Administração da empresa. Decorrendo de uma parceria entre o grupo moçambicano SPI – Gestão e Investimentos (20%), a Ivespar (10%), subsidiária do grupo SPI, e a empresa Viettel (70%), controlada a 100% pelo Ministério da Defesa do Vietname, a Movitel investiu até à data 177 milhões de dólares, dos 400 milhões de dólares que anunciou, tendo instalado já 12.500 quilómetros de fibra óptica e 1.800 estações de base, para as redes 2G e 3G. A empresa, que pretende tornar-se líder de mercado, e fornecer todos os serviços passíveis sob a plataforma de telefonia móvel, tendo como ponto de partida o acesso à Internet, quer chegar a 80% da

população de Moçambique nos primeiros três anos de actividade e atingir 10 milhões de clientes, sobretudo nas zonas rurais, até ao quinto ano. Segundo Safura da Conceição, a Movitel representa actualmente 70% de todos os sistemas de fibra óptica em Moçambique e a rede da empresa já cobre 105 dos 128 distritos do país, tendo conseguido 415 mil assinantes do serviço pré-pago sem ter feito um único anúncio.c

Pereira da Costa disse que aqueles resultados deverão ocorrer na data mencionada devido à diminuição dos custos fixos e do aumento da base de clientes.c

ZAP

Lucros em Angola e Moçambique só em 2013
A Zap, fornecedora de serviços de TV por subscrição via satélite da Zon Multimédia em Angola e Moçambique, deverá começar a dar lucro e atingir um fluxo de caixa disponível positivo ainda este ano ou no princípio de 2013, garantiu José Pereira da Costa, administrador financeiro da Zon. A Zon Multimédia, que atingiu 10,3 milhões de euros de lucro, entre Janeiro e Março – mais 1,7% do que no período homólogo – consolidou, pela primeira vez, a participação de 30% que detém na Zap. Os restantes 70% pertencem à empresária angolana Isabel dos Santos, que reforçou para 15% a participação na Zon Multimédia.c

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revista capital

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SECTOR

BANCA 37

BCI-Banco Comercial e de Investimento lucra 26 milhões em 2011

O

BCI de Moçambique anunciou um crescimento de quase 3%, para 26 milhões de euros, nos seus resultados líquidos de

2011. Segundo o relatório e contas do BCI, a instituição bancária atingiu no ano passado resultados líquidos de 940 285 milhões de meticais, contra 916.850 milhões de meticais (25 milhões de euros) em 2010. Os activos líquidos totalizaram 50,84 mil milhões de meticais (1,3 mil milhões de euros), o que corresponde a um aumento de 8% face aos activos líquidos alcançados em 2010. Estes resultados assentam em grande parte na evolução dos activos financeiros, o equivalente a 3,64 mil milhões de meticais (100 milhões de euros) e da Carteira de

Crédito a Clientes, que foi de mais 1,88 mil milhões de meticais (52 milhões de euros). «Relativamente ao principal indicador de estabilidade financeira, o BCI apresentava a 31 de Dezembro de 2011 um Rácio de Solvabilidade de 13,07% (12,26% em 2010), superior ao mínimo de oito% exigido pelo quadro regulamentar do Banco de Moçambique», refere o BCI. «Estes dados são o reflexo claro dos investimentos efectuados nos últimos três anos, no crescimento da Rede Comercial do BCI e na melhoria dos níveis de penetração e de serviço dos canais electrónicos no País (BCI Directo Telefone, eBanking, Mobile, ATM e POS), que têm merecido a confiança e a preferência de um número crescente de Clientes», garante o grupo bancário. Por outro lado, o volume de negócios cres-

ceu 10%, para 70,5 milhões de meticais, com enfoque para a Banca de Retalho onde o volume de depósitos teve um crescimento de 35%, ascendendo a 16,69 mil milhões de Meticais. O volume de crédito a clientes subiu 54%, totalizando 6,44 milhões de meticais, contra um volume de crédito de 27% no ano de 2010. A quota de mercado no crédito a clientes atingiu 32%, enquanto a de mercado em depósitos alcançou os 28%, sendo que quota de mercado em activos se fixou em 26%. O BCI é detido em 51% pela CGD, em 30% pelo Banco Português de Investimentos (BPI), 18% por um grupo moçambicano de investimentos (Insitec) e o restante capital pertence a outros accionistas locais.

MozaBanco financia PME’s

O

Moza Banco está a oferecer desde o dia 16 de Abril, uma linha de crédito destinada ao desenvolvimento das PME´S - Pequenas e Médias empresas, no âmbito de um acordo assinado com o IPEME – Instituto de Promoção de Pequenas e Médias Empresas. «Com esta linha de financiamento, cria-se oportunidade para a multiplicação de empreendedores porquanto estes são pessoas que se dedicam à criação de novas empresas ou negócios, e consequentemente a de emprego. Nós, no Moza Banco, acreditamos que as PME´S podem ser um exemplo de sucesso e de afirmação das empresas nacionais no contexto da crescente integração regional a nível da SADC», segundo Inaete Merali, Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco aquando da assinatu-

ra acordo. A parceria entre as duas instituições abrange outros domínios das correspondentes atribuições de interesse comum e, em especial, a realização de seminários e demais eventos similares de divulgação de acções e produtos específicos do Moza Banco que respondam às necessidades das PME’s em matéria de financiamento. As pequenas e médias empresas têm fundamental importância económica e social para a economia moçambicana, por gerarem empregos numa época em que o País atravessa uma das mais sérias crises de desemprego enquanto a sociedade e o governo buscam alternativas em todas as fontes de geração de renda e emprego para a população economicamente activa.c

DESTAqUE

Banca agregada ao sistema da Janela Única Electrónica

A

Autoridade Tributária de Moçambique (AT) rubricou com os bancos First National Bank (FNB), Moza Banco, SA, e Banco Único, SA, um acordo de adesão ao sistema da JUE (Janela Única Electrónica).

Trata-se de um sistema que visa transmitir maior celeridade ao processo de desembaraço aduaneiro de mercadorias e diminuir gradualmente os custos de desalfandegamento, bem como o volume de papéis envolvidos no processo.

A assinatura do acordo entre aqueles bancos e o sistema JUE surge no âmbito dos esforços que visam a modernização dos serviços públicos e a crescente melhoria da capacidade de controlo e cobrança de receitas do Estado.c
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38 SECTOR

BANCA

Moçambique regista aumento Reservas Internacionais Líquidas

A

s Reservas Internacionais Líquidas de Moçambique aumentaram cerca de 36 milhões de dólares durante a primeira quinzena de Maio, segundo revelam os dados provisórios do Banco de Moçambique. Paralelamente, no período em análise, registou-se um saldo de reservas internacionais líquidas de 2.238 milhões de dólares. Contribuíram para estes resultados as compras líquidas de divisas efectuadas pelo Banco de Moçambique no Mercado Cambial Interbancário (MCI) no valor de 38,3 milhões de dólares, depósitos líquidos efectuados pelos bancos comerciais nesta entidade na ordem de 28 milhões dólares. Por outro lado, a entrada líquida de fundos a favor dos projectos do governo no valor de 9,4 milhões dólares e juros líquidos de aplicações de activos no exterior na ordem de 0,7 milhões dólares foram preponderantes para o alcance destes resultados. Este aumento foi reduzido por perdas cambiais líquidas no valor de 23,5 milhões dólares, diversos pagamentos realizados pelo Estado no montante global de 7,7 milhões dólares, perdas decorrentes do efei-

to-preço nas operações envolvendo ouro, avaliado em 7,5 milhões dólares, amortização do serviço da dívida pública externa no valor de 0,7 milhão dólares e diversos movimentos na ordem de 1,1 milhões de dólares. Enquanto isso, os depósitos dos Bancos comerciais no Banco de Moçambique diminuíram. No fecho da quinzena em análise, o saldo das reservas bancárias foi de 12.337,1 milhões de meticais, correspondente a uma redução de 520 milhões de meticais em relação ao final da quinzena anterior, determinado, simultaneamente, pela componente denominada em moeda nacional em 160,4 milhões de meticais e em moeda estrangeira em 359,5 milhões de meticais. A redução das reservas bancárias em moeda nacional foi justificada pela aplicação líquida de fundos das instituições de crédito na janela Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) no valor de 1.685,6 milhões de meticais e vencimento líquido da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) no valor de 2,9 milhões de meticais. Entretanto, a redução foi atenuada por compras líquidas de divisas pelo Banco

de Moçambique no MCI no contravalor de 1.248,5 milhões de meticais depósitos líquidos de numerário efectuado pelas instituições de crédito no valor de 188,3 milhões, injecção de liquidez realizada no âmbito da execução orçamental na ordem de 73,8 milhões e vencimento líquido de Bilhetes do Tesouro no valor de 17,5 milhões de meticais. Ainda na primeira-quinzena deste mês, registou-se uma redução das taxas de juro do Mercado Monetário Interbancário. Assim, as taxas de juro dos Bilhetes de Tesouro para as maturidades de 91, 182 e 364 dias reduziram 1,52 pontos percentuais, 61 pontos base e 44 pontos base para 4,97 por cento, 6,40 e 7,75, respectivamente. Por seu turno, a taxa de juro das permutas de liquidez entre as instituições de crédito foi de 5,37 por cento, o correspondente a menos de 1,88 pontos percentuais em relação à observada no fecho da quinzena anterior. As taxas de juro de intervenções do Banco de Moçambique, nomeadamente, a FPC e a FPD, mantiveram-se em 13,5 por cento e 3,0 por cento, respectivamente.c

Barclays inaugura agência no Alto-Maé
Barclays Bank Moçambique inaugurou no dia 29 de Maio a sua nova Agência do Alto-Maé, num evento que contou com a presença do vice-governador do Banco de Moçambique, António Pinto de Abreu, da governadora da Cidade de Maputo, Lucília José Hama e do presidente do Conselho Municipal, David Simango. Estiveram também presentes importantes quadros séniores do Barclays Bank Moçambique, entre eles Luisa Diogo, a nova PCA o Faisal Mkhize, presidente da Comissão Executiva do Banco e Agnelo Laice, o administrador das Operações desta instituição. O Barclays Bank mostra-se agora renovado e com uma identidade visual mais mod-

O

erna e apelativa, já existente nas suas duas agências mais recentemente inauguradas: Lichinga e Alto-Maé. A inauguração desta nova agência enquadra-se no compromisso do Banco em servir cada vez melhor os seus clientes e manter elevados os padrões de qualidade na sua vasta rede de agências. Na ocasião, o vice-governador do Banco de Moçambique, António Pinto de Abreu, fez um apelo aos bancos comerciais no sentido de expandirem os serviços financeiros às zonas rurais. A nova agência coloca à disposição dos seus clientes duas ATM, quatro caixas para serviços variados e 15 colaboradores incluindo o gerente da agência.c

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SECTOR

ENERGIA 39

Carvão em fartura. Transporte sem infraestruturas
Sérgio Mabombo [Texto]

A

produção de carvão agiganta-se cada vez mais em Moçambique e a resposta por parte de infraestrutura é o principal entrave, segundo a constatação geral da 3ª Conferência de Minas e Energias de Moçambique. Se, por um lado, persiste a indefinição quanto ao mecanismo de transporte das volumosas quantidades de carvão, por outro lado, já se aponta o dedo a algumas mineradoras cuja capacidade de produção é superior a 16 milhões de toneladas. Ou seja, a capacidade actual da infraestrutura de transporte é de apenas 5 milhões de toneladas, segundo dados de Casimiro Francisco, presidente da Associação Moçambicana para o Desenvolvimento do Carvão Mineral (AMDCM) e o mais certo é que a produção fique à espera de transporte para chegar ao mercado internacional. Estima-se que até Agosto, a capacidade de escoamento possa ascender a 6 milhões de toneladas. O ideal seria, segundo Casimiro Francisco, que até ao final deste ano, ou mesmo até meados de 2013, o País garanta a capacidade para o transporte de 12 milhões de toneladas de carvão. As grandes minas que arrancaram com a produção (Benga, Moatize) facilmente podem vir a atingir 20 a 30 milhões de toneladas por ano. Números estes que por sua vez podem vir a ser superados. Só a mine-

radora Vale, segundo a Revista Energia & Indústria Extractiva, poderá ascender à capacidade de produzir 11 milhões de toneladas por ano, até 2014. Casimiro Francisco estima que várias outras mineradoras, as quais brevemente vão arrancar com a produção, poderão possibilitar que nos próximos 10 anos se atinja a produção de 100 milhões de toneladas de carvão por ano. O investimento na área carbonífera já ascende a cifra dos 12 biliões de dólares, enquanto na parte infraestrutural soma-se um investimento de 24 biliões de dólares, ou seja, o dobro do valor da produção. CTA quer encaixe para escoar carvão A CTA (Confederação das Associações Económicas de Moçambique) encara a fraca rede de infraestruturas de escoamento de carvão como uma oportunidade de negócio para os seus associados. Para explorar essa possibilidade, o organismo já está a elaborar um documento, o qual irá discutir junto com o Governo, e que engloba os parâmetros que norteiam o enquadramento do empresariado nacional no negócio de escoamento do carvão. Sem deixar de reconhecer que o investimento neste sector é “elevadíssimo”, o presidente da CTA, Rogério Manuel, ex-

plica que há várias formas práticas que poderão permitir um encaixe do sector privado nacional na provisão de infraestruturas de escoamento de carvão. Umas das referidas formas passa pelo sistema de Joint Venture, onde a aliança entre duas ou mais entidades independentes irá permitir a partilha do risco, dos investimentos, das responsabilidades e dos lucros dos associados no negócio de escoamento do carvão. Com as reservas de carvão descobertas a superarem em muito as 23 mil milhões de toneladas, a percepção é de que o sector privado nacional poderá fazer um negócio lucrativo, caso consiga implantar a infraestrutura que as mineradoras tanto precisam. Por outro lado, existe o impulso das quantidades de carvão que se projecta virem a ser escoadas nos próximos anos. Os dados do Ministério dos Recursos Minerais indicam que até 2014, o escoamento de carvão poderá atingir um pico de 50 milhões por ano. «O sector privado está envolvido mas não está dentro», segundo Rogério Manuel, explicando que as portas para que o sector privado nacional esteja dentro do processo estão abertas, mas que o empresário nacional está descapitalizado. c

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40 SECTOR

ENERGIA

Há muito gás natural por descobrir
esquisas feitas até agora em Moçambique revela que ainda há muita área por explorar quanto ao gás natural. Um estudo comparativo da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) revela que o delta de Níger possui uma densidade de 71 furos por quilómetro quadrado, contra apenas 3 feitos nas mesmas dimensões em Moçambique. «Continuamos com uma grande extensão de bacias sedimentares por explorar e quem sabe até petróleo», estima o administrador da ENH, Paulino Gregório. Mas, enquanto o gás vai sendo ciclicamente descoberto, decorrem em paralelo alguns projectos de distribuição que vão ganhando espaço. Um deles é o da construção do gasoduto que irá ligar as cidades de Matola a Maputo, a ter início em Agos-

P

to do presente ano. Para o efeito já foi assinado, em Abril último, um memorando de entendimento entre a ENH e a companhia sul-africana Sasol. A iniciativa representa o pontapé de saída para que até Setembro de 2013 se inicie o fornecimento de gás de cozinha nas duas urbes. Calcula-se que o investimento envolvido no projecto se salde em 35 milhões de dólares. Logo que se alcance o pico da produção projectada para os próximos seis anos, a contribuição do gás natural no PIB poderá atingir 13 por cento, contra a actual contribuição, que varia entre 1 a 1,7 por cento. Enquanto a demanda do gás cresce em Moçambique, o Executivo está a elaborar, em simultâneo, o Plano Director de Gás que irá definir as prioridades na utilização do produto, sobretudo no que diz respeito

ao plano de exportação. O novo poço da Galp, onde se estima a existência de cerca de 40 triliões de pés cúbicos, constitui apenas uma ponta do Icerberg das descobertas que serão anunciadas nos próximos tempos, segundo a previsão dos especialistas do sector das energias presentes na 3ª Conferência de Minas e Energias de Moçambique. Por outro aldo, a parceria entre a Sasol e a Petromoc, que contempla sobretudo a área do gás, a qual já resultou na instalação de 20 estações de abastecimento, poderá alargar consideravelmente o mercado de gás ainda por descobrir. Segundo Ebbie Haan, director executivo da Sasol Petroleum, a mais-valia da parceria reside na partilha de infraestruturas de transporte do produto.c

Produção da Vale será de 11 milhões toneladas/ano até 2014
mineradora brasileira Vale projecta exportar, até 2014, cerca de 11 milhões de toneladas de carvão metalúrgico. Durante a 3ª Conferência de Minas e Energias de Moçambique realizada em Abril, o organismo avançou que o investimento para o efeito é estimado em 1.9 biliões de dólares. Não obstante, o organismo projecta elevar o valor para 6.4 biliões visando acelerar ainda mais as suas acções. O director de operações de carvão da em-

A

presa, Paulo Horta, avança que o organismo já emprega cerca de 1.141 profissionais no País. E desse efectivo sabe-se que 85 por cento é composto por mão-de-obra nacional. O carvão de Moatize, explorado pela mineradora Vale, é actualmente transportado pela linha de Sena, com mais de 600 Km até ao Porto da Beira. Entretanto, o sistema ainda está longe de satisfazer as ambições da expansão de produção projetada pela empresa.

A ampliação da capacidade de escoamento do Corredor de Nacala é tida como a alternativa viável pela entidade brasileira. Com uma participação de 5 por cento detida actualmente pelo Estado moçambicano, a Vale teve a sua primeira produção de carvão em Agosto de 2011. O início das operações, do transporte e do embarque do carvão apenas tiveram lugar em Setembro do ano passado.c

Demanda de electricidade irá duplicar até 2021

A

demanda de electricidade moçambicana irá duplicar nos próximos dez anos, segundo avança a Sasol no relatório anual referente ao exercício de 2011. Com uma produção actual de 14 Twh (catorze Terrawatt por hora), as projecções da Sasol calculam que até 2021, a procura da eletricidade moçambicana poderá alcançar cerca de 30 Twh. Tal demanda será alimentada pelos megaprojectos - cada vez numerosos na região austral de África, sobretudo na África do Sul e no Zimbabwe. A nível interno a tendência será a mesma, segundo o que foi previsto na 3.ª Conferência de Minas e Energias, realizada em Maputo no mês de Abril.
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Demanda de electricidade moçambicana

Fonte: Sasol

Entretanto, o fornecimento de energia para o consumo interno irá continuar limitado até 2020, devido à referida procura de eletricidade na região. Na mesma senda, existem os atrasos nos grandes projectos hídricos no país, segundo dados da Electricidade de Moçambique. Mas, por outro lado, projecta-se uma maior procura de energias limpas. O director executivo da Sasol Petroleum International, Ebbie Haan, assegura que os planos de expansão do organismo em Moçambique assentam nas energias limpas. A iniciativa poderá equilibrar a procura da energia convencional, tal como advoga a estratégia do Governo no contexto da previsão da alta demanda.c

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42 FISCALIDADE

PRICEWATERHOUSECOOPERS

Carolina Balate*

IVA – Isençã pesquisa pa entre outras
avultados sem, contudo, terem a certeza de vendas futuras, dado que, após este período pode-se chegar à conclusão de que não existem recursos naturais suficientes que justifiquem a continuação da actividade no local e o início da fase seguinte. Assim, tais empresas estão impossibilitadas de deduzir o IVA incorrido por não registarem ainda vendas, o que as coloca numa situação de acumulação de crédito de IVA, ficando as mesmas obrigadas a solicitar com frequência o reembolso do IVA ao Estado. Com os pedidos de reembolso sistemáticos surgem outros problemas, tais como demora na obtenção de respostas pelas entidades competentes, inspecções realizadas pelo fisco, pedidos de documentação adicional, entre outros. Desta forma, a alteração introduzida vem resolver parte do problema enfrentado pelas empresas do sector mineiro e petrolífero sem, contudo, solucionar por completo a questão. Por um lado, porque a isenção apenas se refere à aquisição de serviços, não fazendo qualquer referência à aquisição de bens, no âmbito das actividades realizadas na fase de prospecção e pesquisa. Por outro lado, porque a isenção abrange apenas a fase de prospecção e pesquisa não abrangendo a fase de desenvolvimento que, pela sua natureza, continua a ser uma fase de grandes investimentos e em que a situação de acumulação de crédito de imposto se irá manter. Esta isenção apenas abrange a aquisição destes serviços por entidades mineiras ou petrolíferas, não se estendendo aos respectivos prestadores de serviços. Salienta-se que o IVA incorrido por entidades que prestam estes serviços isentos aos sectores de actividade referidos é dedutível, nos termos do artigo 19, nº 1, alínea b), parágrafo iv do CIVA. Ou seja, embora prestem serviços isentos, é-lhes permitido deduzir o IVA que incorrem nas aquisições que efectuam para a prestação destes serviços isentos. Imposto dedutível – responsabilização solidária Outra alteração que merece destaque é a constante do artigo 18º, nº 5 que exclui do direito à dedução o IVA incorrido pelo sujeito passivo quando o fornecedor dos bens ou serviços não tenha entregue ao Estado o imposto liquidado, quando “o sujeito passivo tenha ou devesse ter conheci-

A
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pós termos abordado na nossa publicação anterior as recentes alterações ao Código e ao Regulamento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC), na presente edição vamo-nos debruçar sobre as recentes alterações legislativas em sede de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), materializadas na Lei nº 3/2012, publicada a 23 de Janeiro e no Decreto 4/2012, de 24 de Fevereiro.

Isenções nas operações internas A nível das isenções nas operações internas, nos termos da nova redacção do Art. 9º, foi alargado o âmbito de isenção, passando a estar isentas de IVA, entre outras, operações como a produção de rações destinadas à alimentação de animais de reprodução e abate para o consumo humano, produção de insecticidas, bem como a transmissão de medicamentos destinados à aplicação veterinária. Ficam igualmente isentas do imposto as transmissões de bens efectuadas por entidades públicas ou organismos sem fins lucrativos. Ainda nos termos do Art.9º, e tendo em vista incentivar e dinamizar a indústria nacional, foi concedida uma extensão do prazo para o benefício de isenção na transmissão de bens relacionados com a indústria nacional de açúcar, óleo alimentar e sabão. Assim, a isenção que havia expirado em Dezembro de 2010 foi estendida por mais 5 anos, passando a ser válida até 31 de Dezembro de 2015. Isenções nos sectores da indústria mineira e petrolífera Uma das principais alterações introduzidas, e que vem, com certeza, responder aos problemas que se vinham verificando nas empresas do sector petrolífero e mineiro, nomeadamente a nível de reembolsos de IVA, está reflectida no Art. 14 nº2 do CIVA, onde se acrescentou a alínea c), nos termos da qual passa a estar isenta de IVA “a aquisição de serviços relativos à perfuração, pesquisa e construção de infra-estruturas no âmbito da actividade mineira e petrolífera na fase de prospecção e pesquisa”. Tal alteração era aguardada nos sectores em apreço, uma vez que grande parte das referidas empresas encontram-se, actualmente, na fase de prospecção e pesquisa, com consequentes investimentos iniciais
revista capital junho 2012

PricewaterhouseCoopers Pestana Rovuma Hotel, Centro de Escritórios, 5.º andar, Caixa Postal 796, Maputo, Moçambique T: (+258) 21 350400, (+258) 21 307615/20, F: (+258) 21 307621/320299, E-mail: maputo@mz.pwc.com www.pwc.com

FISCALIDADE

PRICEWATERHOUSECOOPERS 43

ão na fase de prospecção e ara o sector mineiro e petrolífero s alterações legislativas
mento de que o transmitente dos bens ou prestador de serviços não dispõe de adequada estrutura empresarial susceptível de exercer a actividade declarada”. Com este dispositivo legal, a Administração Fiscal pretende responsabilizar solidariamente o sujeito passivo que beneficiou do serviço, pelo incumprimento da obrigação de entrega do imposto liquidado pelo prestador desses bens ou serviços, penalizando o primeiro através da proibição de dedução do IVA suportado. No entanto, entendemos que este dispositivo legal é bastante abstracto, ficando o sujeito passivo à mercê da interpretação discricionária da Administração Fiscal, dado que a Lei não refere quais as evidências que o sujeito passivo deverá apresentar, de forma a provar que o mesmo envidou todos os esforços tendentes a comprovar que o fornecedor dispunha da referida “adequada estrutura empresarial susceptível de exercer a actividade declarada”. Será que, para além da factura ou documento equivalente legalmente emitidos, a simples declaração fiscal de início de actividades na qual consta o NUIT, o regime de contabilidade, volume de negócios, etc. seria evidência bastante para provar a boa fé do sujeito passivo? Ou então uma declaração escrita emitida pelo próprio fornecedor a confirmar que possui estrutura empresarial para exercer a actividade declarada? Estas são as questões que deixamos em aberto e que esperamos que sejam esclarecidas pela Administração Fiscal para que o sujeito passivo não seja penalizado pela má conduta do fornecedor. Redução da base tributável para determinadas prestações de serviços de obras públicas Outra alteração que terá grande impacto, especialmente para o sector da construção, encontra-se reflectida no Art. 15 nº2 alínea l), nos termos do qual “Para as prestações de serviços de obras públicas em construção e reabilitação de estradas, pontes e infra-estruturas de abastecimento de água e electrificação rural, ao valor tributável (...) deduz-se 60% do mesmo, para efeitos da liquidação de imposto”. Esta alteração vem reduzir a base tributária do imposto nas prestações de serviços supra indicadas. Para efeitos de aplicação da alteração acima referida, enquadra-se na definição de infra-estruturas de abastecimento de água as barragens, estações de tratamento de água e grandes sistemas de abastecimento de água e na definição de electrificação rural inclui-se a construção e reabilitação de infra-estruturas de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica nas zonas rurais, no âmbito de projectos públicos de electrificação rural. A complementar esta alteração, o Art. 4º do Regulamento do CIVA foi igualmente alterado, por forma a reflectir que, para efeitos de determinação da matéria colectável das actividades relacionadas com infra-estruturas de abastecimento de água e electrificação rural, o IVA incidirá apenas sobre 40% da matéria colectável. Alteração do prazo para dedução de IVA Com implicação directa na contabilidade dos sujeitos passivos merece também destaque a alteração ao Art. 21 do CIVA, relativa ao prazo para o exercício do direito à dedução do IVA. O nº 3 do referido artigo fica agora mais claro ao referir que “a dedução é efectuada no período de imposto correspondente à data da emissão da factura ou documento equivalente na respectiva declaração periódica”. Isto vem reflectir o que já estava a acontecer na prática uma vez que, apesar da redacção anterior do referido artigo indicar que a dedução poderia ser efectuada no período em que se verificasse a recepção das facturas ou documento equivalente, na prática os contribuintes enfrentavam sérias dificuldades para a dedução do IVA quando se usava como referência a data de recepção da factura e não a data da emissão. Com o nº 4 do mesmo artigo, igualmente introduzido com a alteração do CIVA, as Autoridades Fiscais vêm permitir que o prazo para a dedução possa ser estendido por 60 dias, sempre que não seja possível ao sujeito passivo deduzir o IVA no período do imposto correspondente à data da emissão da factura, ou seja nos 30 dias seguintes. Esta alteração será uma grande mais-valia para os sujeitos passivos pois vem permitir que estes possam exercer o direito de dedução por um período mais alargado, o que anteriormente não era permitido e que gerava graves problemas de dedutibilidade do imposto e a perda de avultadas somas do imposto suportado pelos sujeitos passivos, atendendo a que, terminados os 30 dias após a data de emissão das facturas já não era possível deduzir o imposto e muitas vezes os sujeitos passivos não tinham sequer recebido as facturas em apreço dos seus fornecedores ou prestadores de serviços. Alteração ao Regulamento do CIVA Finalmente, e no que se refere ao Regulamento do CIVA, foi alterado o Art. 6º, nos termos do qual passa ser considerada como competente para efeitos de pagamento de imposto, a Direcção da Área Fiscal do local onde se situa a sede ou qualquer estabelecimento secundário do sujeito passivo, devendo-se, para o efeito, considerar como estabelecimento secundário, um local de direcção, sucursal, filial, agência, escritório, fábrica, oficina ou qualquer outro estabelecimento do sujeito passivo. Com esta alteração, os sujeitos passivos passam a estar obrigados a efectuar o pagamento do IVA em qualquer Direcção da Área Fiscal, onde tenham qualquer forma de representação, contrariamente ao que acontecia antes, onde imposto deveria ser pago apenas na Direcção da Área Fiscal da sede do sujeito passivo, portanto tudo era centralizado a nível da sede. Entendemos que esta alteração poderá trazer implicações não muito desejáveis, principalmente a nível das grandes empresas que possuam estabelecimentos secundários em quase todo o país, pois estas ficarão obrigadas a organizar vários processos de pagamento do imposto. Em vez de simplificar o processo de pagamento do imposto, esta alteração poderá trazer mais burocracia e mais custos administrativos para estes sujeitos passivos, pois terão que se organizar de tal forma que seja possível separar as transacções de cada estabelecimento secundário e efectuar o pagamento nas repartições de finanças competentes.

Manager PwC
Este artigo é de natureza geral e meramente informativa, não se destinando a qualquer entidade ou situação particular, e não substitui aconselhamento profissional adequado para um caso concreto. A PricewaterhouseCoopers Legal não se responsabilizará por qualquer dano ou prejuízo emergente de uma decisão tomada (ou deixada de tomar) com base na informação aqui descrita. junho 2012 revista capital

44 MERCADO DE CAPITAIS

PRIME CONSULTING MOÇAMBIQUE

Raúl Peres*

A negociação de “títulos – Parte I

S

endo a Bolsa de Valores um verdadeiro mercado para a transacção de valores mobiliários, constitui cerne da matéria que diz respeito à bolsa, em geral, saber-se como é que a negociação dos “títulos” é feita. Existem nos diversos mercados vários sistemas de negociação, ou modelos de formação dos preços e distribuição das compras e vendas pelos interessados. A negociação pode decorrer por pregão oral ou através de sistemas informatizados, pode decorrer em períodos segmentados de acordo com diversos critérios ou de forma global e contínua, pode decorrer com maior ou menor intervenção de sistemas, mais ou menos complexos, de “arrumação” e priorização das ofertas de compra e de venda e determinação dos preços. Vamos no presente artigo cingir-nos à descrição do modelo de negociação implementado na Bolsa de Valores de Moçambique. Enquadramento geral Referimos em artigos anteriores alguns elementos gerais de contexto, nomeadamente que a negociação na BVM é sempre “a contado” ou “à vista” – conceitos que têm a ver com o prazo para entregas e pagamentos dos valores transacionados. Vimos também que é a BVM que regulamenta a organização e o funcionamento das sessões de bolsa, incluindo a determinação do número de sessões normais de bolsa e o horário da sua realização; as sessões especiais de bolsa serão organizadas e a sua realização anunciada caso a caso, e sobre estas não nos debruçaremos no presente artigo.

Sistema de negociação A negociação decorre através de um sistema que poderemos apelidar de “Sistema de Negociação por Chamada”. Trata-se de um sistema através do qual todas as ofertas de compra e de venda, para cada valor mobiliário, são objecto de tratamento conjunto, num ou mais momentos pré-determinados da sessão de bolsa, gerando em consequência a realização de operações, para cada “título”, a uma única cotação, em cada chamada. Numa sessão de bolsa poderá haver apenas uma, ou várias, “chamadas” para cada valor transaccionável. A BVM adoptou igualmente um sistema, aplicável exclusivamente a valores de dívida, e apenas para os casos em que as operações tenham por objecto uma quantidade significativa de valores mobiliários (parametrizada pela BVM), em que a negociação poderá igualmente decorrer através do sistema de registo. Seja no sistema normal de chamada, seja no âmbito da aplicação do sistema de registo de transacções de grandes lotes de valores de dívida, a BVM utiliza um sistema informático para o registo das ofertas por parte dos operadores de bolsa, para a determinação do preço de negociação e para o fecho das operações - distribuição das quantidades suscetíveis de transacção entre os diversos envolvidos (critérios de alocação incluindo rateios quando e a eles haja lugar). No sistema em uso na BVM, compete aos operadores de bolsa a introdução das ofertas de compra e de venda no sistema e, sendo caso disso, a sua alteração ou cancelamento; a determinação das cotações e

o fecho de operações ocorrem automaticamente. Ordens de Bolsa As ordens de bolsa devem ser dadas aos operadores de bolsa pelos interessados, devendo os operadores numerar sequencialmente todas as ordens de bolsa que recebam, e assegurar-se que estas contenham as informações necessárias ao seu tratamento, devendo, assim, conter obrigatoriamente as seguintes indicações: - Identificação do ordenante; - Natureza da ordem (compra ou venda); - Identificação dos valores mobiliários a transaccionar; - Quantidade a transaccionar; - Preço; quanto ao preço, as ordens de bolsa podem ser “ao melhor”, quando não indiquem qualquer limite para o preço de compra ou de venda, ou “com limite de preço”, quando estipulem o preço máximo a que o comprador está disposto a comprar ou o preço mínimo a que o vendedor aceita vender. - Prazo de validade; quanto ao prazo, as ordens de bolsa podem ser válidas para uma só sessão de bolsa, ou para as sessões de bolsa que decorram até uma determinada data, que não poderá exceder sessenta dias. - Indicação do intermediário financeiro e número de conta em que os valores se encontram depositados ou registados, no caso de ordens de venda dadas directamente a um operador de bolsa, tendo por objecto valores depositados ou registados junto de outro intermediário; - Indicação do intermediário financeiro e número de conta em que o ordenante pretende que os valores a adquirir venham a

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MERCADO DE CAPITAIS

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s” na Bolsa de Valores

ser depositados ou registados, tratando-se de ordem de compra dada diretamente a um operador de bolsa, salvo se o ordenante pretender que os valores comprados fiquem depositados ou registados junto do próprio operador de bolsa; - Data e hora em que a ordem é dada (as ordens de bolsa podem ser dadas aos operadores de bolsa em qualquer momento, antes da abertura das sessões de bolsa ou no decurso destas, e podem ser modificadas ou canceladas pelo ordenante em qualquer momento, desde que não tenham sido executadas). As principais regras de base na negociação No sistema de negociação por chamada, a cotação (preço de transacção) de um dado “título” apenas pode variar dentro de determinados parâmetros, de chamada para chamada; há, assim, variações máximas e mínimas de cotações admissíveis, que são

regulamentadas pela BVM, e que são determinadas percentualmente por referência à cotação-base. Entende-se por cotação-base a última cotação efetuada, desde que verificada na própria sessão de bolsa (caso haja lugar a mais do que uma chamada por sessão) ou numa das quatro sessões anteriores. Não se tendo verificado qualquer operação sobre o valor mobiliário em causa nas quatro sessões de bolsa anteriores, a cotação-base é a última posição de compra registada, ou a última posição de venda registada, ou ainda, existindo ambas após uma determinada chamada, a respectiva média, em qualquer caso desde que o registo da ou das posições se haja efectuado numa das quatro sessões de bolsa anteriores. A determinação do intervalo máximo de variação de cotações far-se-á, sendo caso disso, por arredondamento para o preço mais próximo contido dentro desses limi-

tes, por forma a respeitar a variação mínima de cotações admissível. A possibilidade de registo de posições de compra e de venda obedece, com as devidas adaptações, ao estabelecido relativamente à cotação-base. No próximo artigo iremos descrever em detalhe como se processa o decurso de uma sessão de bolsa, isto é, como decorre efectiva e concretamente a negociação “por chamada” e a negociação “por registo”, incluindo nomeadamente a determinação das cotações e o fecho das operações.

*Administrador da Prime Consulting Moçambique rperes@prime-consulting.org

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Elsa dos Santos *

CV ou ‘venda-se’ a si mesmo

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m bom Curriculum Vitae é uma ferramenta de marketing pessoal: um relatório de qualificações e experiências, elaborado para produzir o máximo de impacto junto da entidade empregadora. É uma ferramenta concebida com o intuito de despertar o interesse das entidades empregadoras e levarem-nas a agendar uma entrevista, por forma a conhecê-lo melhor. O seu Curriculum Vitae deve ser utilizado para o apresentar da forma mais atractiva e positiva possível. Este documento é a oportunidade de se “vender a si mesmo”, pelo que se deve concentrar em apontar todos os objectivos alcançados. Lembre-se que os responsáveis pela admissão de novos colaboradores, os profissionais de recursos humanos e as empresas de recrutamento lêem currículos por uma das seguintes razões: têm uma vaga para preencher ou um problema para resolver. Um CV é um anúncio publicitário de 30 segundos no qual deve ser reflectido todo o potencial do candidato ao empregador, naquele curto espaço temporal. O Curriculum Vitae será também o seu perfil quando comparecer a uma entrevista. Deverá ser, portanto, de fácil leitura, incluindo detalhes suficientes para contar a sua história de forma precisa e honesta. Ser-lhe-á pedido para justificar e desenvolver as suas exigências, para dar mais informação e para estabelecer uma ponte entre o seu passado e o seu futuro. Deve mostrar que o seu Curriculum Vitae oferece uma imagem actualizada daquilo que pode oferecer ou do contributo que pode dar. Ao Elaborar o Curriculum Vitae terá a oportunidade de fazer uma autoavaliação sobre os seus pontos fortes e fracos e, consequentemente, sobre as suas necessidades de desenvolvimento pois cada posto de emprego está acompanhado do perfil desejado e de requisitos necessários. Muitas vezes, podemos compensar as lacunas procurando formação complementar. “Acreditem, é possível aprender, é possível crescer e é possível desenvolver o nosso potencial”! Existem várias opiniões sobre a forma como um Curriculum Vitae deve ser elaborado. No nosso ponto de vista não exisjunho 2012

tem respostas absolutas, no entanto, há indicadores importantes que devem ser tidos em conta. Diferentes formatos de CV Existem três formatos principais que poderá usar quando estiver a fazer o seu curriculum: Curriculum Cronológico - Este é o estilo mais comum de CV. A história profissional é organizada por ordem inversa à da realização. Começa por descrever a situação actual e relata em seguida por ordem decrescente as experiências profissionais anteriores. (particularmente apropriado quando é utilizado com o fim de arranjar uma entrevista para um emprego). Curriculum Funcional - Neste formato, a informação é organizada não por datas mas por funções desempenhadas ou competências profissionais (poderá ser o mais apropriado para aqueles que procuram dar uma mudança de rumo à sua carreira, ou que querem dar ênfase a um leque de competências acumuladas num longo período de tempo). Curriculum Misto - Neste formato procura-se obter uma combinação dos dois tipos anteriores. Tenta-se optimizar o rigor do modelo cronológico com a flexibilidade e versatilidade do modelo funcional. Sugestões para a redacção de um bom Curriculum a) Identificação: A primeira página do CV deve começar com a sua identificação: quem é; onde mora; contactos telefónicos (e-mail é opcional) e os seus dados pessoais. Resumo Profissional ou Perfil (opcional): O resumo profissional constitui um inventário hierarquizado das qualificações mais importantes. Deverá ter idealmente, 20 a 30 palavras separadas por ponto final. Poderá estar mais direccionado para competências, e descrever a forma como se vê, quais os pontes fortes e o que tem para oferecer. Objectivo de candidatura (op-

cional): Uma ou duas frases que descrevam sinteticamente qual a posição que pretende alcançar no seu próximo passo de carreira. d) Habilitações Académicas e Profissionais: Comece pelo grau académico mais recente, seguido por ordem cronológica decrescente de outras qualificações anteriores. Poderá registar nesta secção as acções de formação frequentadas nos últimos anos que possam constituir alguma vantagem em relação à função a que concorre. Esta secção permite-nos também reflectir sobre as nossas necessidades de formação e) Experiência Profissional: Inicie a descrição das suas experiências profissionais por ordem cronológica inversa. Assegure-se que não existem intervalos de tempo inexplicados ao longo do seu percurso profissional. Procure ser exacto nas datas, títulos de funções e responsabilidades inerentes à função. f) Conhecimentos de Línguas: Registe nesta secção os seus conhecimentos linguísticos referindo especificamente o nível de conhecimento em termos orais, verbais e escritos. g) Conhecimentos Informáticos: Registe nesta secção os seus conhecimentos informáticos quer sejam eles na óptica do utilizador ou de programação. h) Diversos ou Outros Interesses: Coloque no final as informações que, não sendo expressamente requeridas, constituam elementos importantes: pertença a associações; publicações e interesses. O que apresentamos acima, são apenas algumas “dicas” que podem ajudar. Na verdade um bom CV é bem mais complexo e exige trabalho! Fazer um CV tem regras e método e exige tempo e dedicação, afinal trata-se da primeira impressão que causamos num potencial empregador.
(*) Directora da Prime Consulting Moçambique esantos@prime-consulting.org

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MARK’IT PUBLICIDADE & EXPOSIÇÃO DE MARKETING
A TwoRedPens apresenta orgulhosamente a Exposição de Mark’It de 15 a 16 de Agosto de 2012. A iniciativa vai-se realizar no estádio de Mbombela. Esta será a primeira exposição de publicidade e marketing pela Lowveld business para Lowveld business. A região de Lowveld de Mpumalanga tem vindo a registar um enorme crescimento económico nas últimas duas décadas. Os Negócios na nossa área cresceram e diversificaram-se e agora as indústrias podem apoiá-los. Mais do que nunca, tornou-se crucial para os negócios publicitarem, posicionarem-se e diferenciarem-se nesta plataforma de negócios competitivos com as estratégias efectivas de marketing. A Publicidade e marketing na Lowveld já não precisam de uma experiência intimidativa, morosa ou dispendiosa. Os investidores também já não precisam de visitar as regiões vizinhas para encontrar especialistas em Publicidade e Marketing. A TwoRedPens, um negócio de marketing e publicidade em Nelspruit, acredita que existe uma pletora de publicidade e soluções de marketing na Lowveld disponíveis para todos os negócios dentro da Lowveld, grandes ou pequenos. A Mark’It fará ofertas de publicidade e marketing mais acessíveis sejam para o negócio local juntando estas indústrias locais sob o mesmo tecto, durante dois dias. A entrada será livre com a apresentação de cartões de visitas, no registo de entrada. Venha conhecer os líderes das indústrias da publicidade e de Marketing da Lowveld, da publicidade do pequeno sector do mercado para os maiores e mais fortes. Mark’It dá as oportunidades às indústrias de publicidade e marketing para se apresentarem profissionalmente, e pessoalmente, para os proprietários de negócios e gestores de marketing na grande região da Lowveld. Acreditamos que este tipo de plataforma de marketing, que verá os expositores a apertarem as mãos dos potenciais clientes, (frente a frente), é um importante acréscimo para outras maneiras de alcançar o grupo alvo de audiência na Lowveld. Os expositores da Mark’it a expor os seu produtos & serviços serão destas categorias: • Órgãos de publicidade / Meios publicitários • Brindes Promocionais / Corporativos • Desenhadores Gráficos • Consultores de Marketing • Publicidade Exterior “Outdoor Advertising” • Alojamento de páginas web-designers • Tipografia / serigrafia • Planeadores de Eventos • Ponto de Venda - material de publicidade • Retalho & Exibição • Sociedades Industriais

48 ESTILOS DE VIDA

Suaves e dóceis cores do reggae
as Tony é tão sereno e envolvente como as músicas que faz! Canta pausadamente no sotaque falado em África. E cada música é uma história! Convidou-nos para um espectáculo no passado dia 5 de Maio, no palco do Champ´s bar, em Malhampswene, longe do barulho habitual da cidade capital, Maputo, para degustar do seu afro-moz-reggae… Simplesmente fantástico é como se pode classificar o trabalho musical deste artista cuja simpatia hipnotizou a moldura humana ali presente. A casa de pastos estava repleta de fãs quando Ras Tony chegou ao palco com o rótulo de bom! Sem ter que provar nada, havia simplesmente de mostrar seu produto a um público que deixava transbordar a sede de ver e ouvir o melhor da música afro-reggae, emprestado por Ras Tony com os préstimos da banda Xitende. “Jah Bless África” foi o tema eleito, contagiando uma moldura humana considerável que vibrou com passos de dança, delírios e assobios. Era, na verdade, o princípio de uma noite entre “gajos bons”, quer do lado da plateia como do palco. Lia-se no semblante de cada artista a emoção de passear a classe perante uma plateia de luxo que ali acorreu massivamente. Matxote soprou com tarimba o seu saxofone, comovendo Mafir na viola baixo que fez harmonia sinfónica com Juma na guitarra e Valy nos teclados. Jorge na bateria e Ifraimo na percussão, davam um ritmo

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bem vindo aos seus ouvidos

especial ao afro-reggae, enquanto as vozes de Iva e Gina, nos coros, espalhavam um perfume artístico ao concerto. Ras Tony não deixou seus créditos por mãos alheias e se o reggae for uma “indefinição”, este músico mostrou naquela noite que se encaixa nessa falta de limites! “Utha vuya univalelissa” é o tema com o qual Ras Tony e sua turma contagiou de emoção a plateia que os acompanhou em coros e até solicitou bis em vários momentos. Mas “Silasie”, “Bablon System”, “Lola”, “Música a bordo” “Roots music”, entre outros, fizeram a noite de afro-moz-reggae incomensurável, temas estes que arrancaram vibrantes aplausos do público.

Cada fã buscou o melhor lugar para ver de perto este expoente máximo do afro-reggae moçambicano. A entrada não podia ser melhor e depois de medir a temperatura do público, já dominado e rendido às evidências, a banda despediu-se mas era o público quem não aceitava esse “divórcio” imediato. O quotidiano na nossa África material despida da causa humana e social, inspirou esta obra às vezes frágil mas elegante, outras vezes robusta. Guerra é vencível. Reconciliação é possível, pois “quem não gosta de reggae, não o conhece”, dispara o autor de “Summer holiday”! c

“Dá Licença” vence prémio lusófono
oi com “Dá Licença”, que o fotógrafo moçambicano Mauro Pinto sagrou-se vencedor do prémio BESPhoto 2012 - o maior galardão de fotografia do mundo lusófono. De Novembro de 2011 a Janeiro de 2012 o artista fotografou Mafalala, bairro histórico da cidade das acácias, que viu nascer Eusébio e Craveirinha, num trabalho que lhe valeu o prémio de 40 mil euros e o reconhecimento internacional. Podia ser qualquer bairro das periferias de Maputo mas Mauro Pinto optou por Mafalala: «Este bairro está carregado de sabedoria, de emoção. Estou a mostrar uma dignidade de um povo, de Mafalala mas também do povo moçambicano», defende.
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“Dá licença” é um pedido de entrada na intimidade das pessoas, no interior das suas habitações, feitas de chapas de zinco: «As pessoas só são conhecidas a partir do interior. Interior de um ser, interior de uma casa. Fui feliz porque consegui mostrar a dignidade dessas pessoas. Elas abriram-

-se, falando comigo, abrindo para mostrar o que elas são», conta. Mauro Pinto espera ver o bairro tirar partido da sua vitória, num prémio tão importante como o BESPhoto: «Acredito que o trabalho vá trazer retornos para o bairro. Apesar de já ser conhecido pelas pessoas que lá nasceram, com esta dimensão do meu trabalho, exposto num dos mais importantes museus do mundo, espero que o conhecimento do bairro leve a sua preservação, de modo a ser reconhecido como património mundial». O trabalho “Dá licença” estará em exposição até dia 27 de Maio, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa. c

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“ Um presente para Si”
Cuide do seu corpo como um templo sagrado que deve ser amado e respeitado. o Evasões Spa, o seu espaço de serenidade e conforto, prepara-se para o receber disponibilizando as melhores terapias para tratar de si. Inaugure-se com uma sessão de sauna, para libertar os seus poros de toxinas prejudiciais, seguida de uma massagem de assinatura Evasões que o fará relaxar e renovar energias, recriando laços entre si e o universo. Alocar algumas horas do seu dia a tratar de si, deverá ser uma prioridade para o novo ano. Não adie o prazer, faça uma pausa e regozije-se.

“DINA” conquista 6º prémio internacional

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curta-metragem “DINA” tornou-se o filme moçambicano de ficção com mais prémios internacionais ao vencer a categoria Prix de l’Organisation Internationale de la Francophonie du meilleur court-métrage, Afrique Connexion, no Festival Internacional de Cinema Vues d´Afrique. A 28ª edição deste Festival de filmes de África e das Caraíbas decorreu, entre 27 de Abril e 6 de Maio de 2012, em Montreal, no Canadá. Este é o 6º prémio internacional arrecadado por “DINA”, um emocionante filme sobre o impacto da violência doméstica contra a mulher na sociedade e na família. Outros prémios já arrecadados por “DINA” incluem: Special Jury Prize no Fest’Afilm - Festival Lusófono e Francófono de Montpellier, França; Melhor Curta-Metragem no Internacional Images Film Festival (IIFF), Zimbabué. “Dina” foi ainda premiado como melhor curta-metragem nos festivais internacionais de cinema da Nigéria (AMAA), Burundi (FESTICAB), e Camarões (Écrans Noirs).

Escrito e realizado pelo jovem Moçambicano Mickey Fonseca, o filme conta a história de uma adolescente de 14 anos cuja vida sofre profundas mudanças depois de descobrir que está grávida. A “curta” integra uma série de 4 filmes moçambicanos retratando a problemática da violência baseada no género, e especificamente a violência doméstica contra a mulher. A série foi produzida por Pipas Forjaz e Mickey Fonseca (Mahla Filmes) para a organização não-governamental N´weti Comunicação para Saúde, em 2010, com financiamento da Embaixada do Reino dos Países-Baixos. c

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As 10 Mais SUPERMARCAS
o dia 26 de Abril foi realizado o primeiro Media Meeting com as 10 MAIS SUPERBRANDS, no Centro Hípico de Maputo. Entre os convidados estiveram presentes os Directores de Marketing das Superbrands, Conselho, Parceiros e Media Local. Para o especialista de Marketing, Dr.Rui Ilhéu, do BCI, afirma que o evento era muito acolhedor, proporcionando troca de know-how com as Superbrands e elogiou a simpátia com que foram recebidos. A escolha do local teve como objectivo principal proporcionar uma experiência, relacionando um desporto de qualidade reconhecido mas nem sempre integrado nos nossos hábitos quotidianos. Assim explicamos, de forma concreta, todo o processo que uma Marca tem que percorrer para atingir o patamar de excelência ao ser reconhecida como sendo uma

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editora capital c

marca Superbrands. Neste dia vivemos uma experiência para melhor compreender conceitos tais como potência, força, velocidade e disciplina, valores integrados no dia-a-dia do Marketing de uma marca. As SUPERMARCAS: 2M, Açúcar Nacional, Água da Namaacha, BCI, DStv, Ernst&Young, Laurentina, mcel , Millennium bim e Miramar em forma de premiação receberam simbolicamente um “galhardete” como símbolo da sua performance. Cada marca foi vista como “Codelaria”, o “Cavalo” era o produto e o cavaleiro o seu marketing, os dois em parceria e coesão deram-nos um exemplo e uma rápida demonstração sobre Hipismo. Este foi o kick off da Superbrands em Moçambique que pretende actuar no mercado interagindo com as marcas e seus gestores para juntos conquistar ainda mais o “heartshare” do consumidor.c

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