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Caderno de Direito Tributário e Financeiro

Caderno de Direito Tributário e Financeiro

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  • Princípio da Legalidade Tributária
  • Princípio da Irretroatividade Tributária18
  • Princípio da Não-cumulatividade
  • Imunidades Tributárias30
  • Responsabilidade Tributária
  • Lançamento
  • Exclusão do Crédito Tributário
  • Garantias do Crédito Tributário
  • LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
  • Repartição de Receitas Tributárias

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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas. a MP também o será. alíquota. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. I. “b”. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. C/88). de exceção à legalidade está esculpida no art. Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. sem problemas. 7 Originalmente. “c”.: MP 164/04. Dessa feita. CF/88). 155. autorizados por LC. aumento de ITR por MP. Esse. na leitura do Excelso Pretório. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. IV. minudencia o dispositivo constitucional. I. p. CF/88) – como se trata de tributo estadual. a MP não irá incidir (art. Ex. Por meio de delegação. importante destacar que. porque o ato definido pelo convênio.: com a EC 32/01. CTN8. § 2º. CF/88.: pode haver. Segundo a CF/88. IV. § 4º. IV. 150. 62. 97. § 5º. § 4º. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. estipulará originalmente a alíquota. Obs. onde a LO puder dispor. No sentido figurado. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. ICMS-combustível (art. 155. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. O princípio da legalidade está esculpido no art. 8 A única hipótese genuína. Todavia. não nascendo por via de lei. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. CF/88). sob o aspecto técnico. CF/88. § 1º. Ex. No diapasão. CF/88). . 62. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. III. 84). prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. § 4º. 177. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. CTN. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. Neste caso. sendo tributo federal. porque há uma exceção à legalidade. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. Aquela trata de matérias delicadas. 62.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. que são contribuições. § 2º. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). O art. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. Ex. 97. A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). 2004. o que confronta com o art. com delegação dada pelo Governador). CF/88. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. onde LC versar. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César. 155.

§ 1º. mediante prévio requerimento desse (art. CF/88). § 2º. 2004). porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. CF/88. limita o uso da MP em algumas matérias. a criação ou majoração de exações. CTN). Inexoravelmente. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. CTN. 62. 150. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. Tem prazo de vigência de 60 dias. A alteração da base de cálculo. mas seu § 2º expressamente autoriza. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. CTN). “b”. 68. Ex. § 1º. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. Entretanto. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. § 1º. 62. 62. “caput”. RE’s 182.531. Ambas podem criar ou majorar tributos. e “c”. inclusive para contribuições. No mesmo sentido. Todo componente tributário que não estiver no rol do art. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. ausentando-se a disciplina tributária. 97. a lei que altera o tributo é ordinária. essa assertiva não é absoluta. Com a postergação da exigência. só pode ser feita por meio de lei (art. 97. Ao final do interregno total. 97. Todavia. De regra. § 1º. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. Ao revés. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida.6 cerrada. CF/88).971 e 193.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. desde que observadas suas próprias balizas. O art. em princípio. CF/88). 68. § 7º. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. XI.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. III. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. III). . podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). as limitações da LD estão no art. CF/88. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. na LD. 9 STF. 7º. não está sujeita à legalidade estrita (art. Ex. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG.

IEG (art. devendo o tributo observar ambas as regras. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). IOF. CF/88). Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. III.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. IE. CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. IE. parte final. Foi a inclusão do art. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. CF/88. pela EC 42/03. Inspirado no limite dado pela noventalidade. 150. Assim. CF/88. IPI. nonagesimal ou noventalidade). os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. § 1º. CF/88). as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. § 6º. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). CF/88): II. 155. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. só havia a anterioridade anual. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. 195. Exceções à anterioridade anual (art. “c”. tendo também o cunho extrafiscal. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. I. passou a ter eficácia a partir de 2004. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. § 4º. De fato. IOF. de guerra ou de calamidade pública. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. IEG. IV. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. § 4º. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. 150. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. § 1º. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. entre a lei e a exigência do gravame. ICMS e CIDE combustíveis (arts. CF/88): II. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. I. II. III. “c”. 154. prevista no art. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. CF/88). pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. 150. “c”. IR. e 177. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. parte inicial. § 1º. 153. 148. Antes da EC 42/03. 150. acrescidos pela EC 33/01. . CF/88). “in fine”. Empréstimo Compulsório espcial. “b”.

Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. já no Texto Maior. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. CF/88. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. § 2º. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. pois não se encontram no rol das exceções. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. Obs. No ponto. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). No tocante às taxas. No entanto. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. IOF. A isenção. seja essa ordinária ou qualificada. Portanto. . Assim como o IPI. 167). é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. IEG e empréstimo compulsório especial. Dessa forma. § 2º. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. CF/88. 62. para ser transformada em lei. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. não deverá ter aplicação o dispositivo. não no legislativoabstrato. O art. § 2º. visto que. durante o mencionado lapso. IE. Em melhores termos. CF/88. A partir de 2004. como aventa Nogueira (1999. se refere expressamente a impostos. Todavia. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. porque o art. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal. a partir da conversão da MP em lei. só 90 dias depois. o qual impede. vindo também a constituir hipótese de incidência. o IPI é exceção da anterioridade anual. em caso de MP que majore taxa. uma vez majorados em 31 de dezembro. Todavia. A partir de 2004. 62. ao contrário. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. prorrogável por igual período. faz menção literal a imposto. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte. Caso não haja a conversão em lei. A MP tem 60 dias de vigência. 62. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. terão termo inicial na sua publicação. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). p. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. ou seja. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. perpetuando um condenável expediente.8 No tocante ao II.

porque reduzida em relação às demais exações (art. arts. noventalidade. a isenção deve observar a anterioridade anual. No caso. IV. 5º. 195. 104. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. 2666/DF. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). Em suas sucessivas prorrogações. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. Por seu postulado (art. também conhecida como noventena. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). como já disse o Supremo. CF/88. art. O que persiste é mera prorrogação. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. I. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. II. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. 76). III. etc. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. A anterioridade em tela é chamada mitigada. 150. Em contrário senso. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. Ellen Gracie. A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. ou seja. CF/88).9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. não coadunando com o sistema de bases correntes. 150. parte inicial. Min. CF/88). De fato. nonagentídio. devendo observar a anterioridade nonagesimal. II. CF/88). como se fosse um “filme em andamento”. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. CF/88. art. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. CTN. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. A regra não alcança a disposição do art. a revogação não observa a anterioridade. 12 11 . como disse Oliveira e Horvath (2003. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. p. CF/88). a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. rel. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. III. “caput”. 150. 3º. 5º. 195. nas palavras de Aliomar Baleeiro. § 6º. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. “caput”. 150. § 6º. “b”. II. Segundo o STF. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo.

126. para a posteridade. da incapacidade civil (arts. quando aufere renda. Ex.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. 134. Do comportamento do traficante. 118. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. 13 Na Roma antiga. poderiam excluir a responsabilidade tributária. porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. I. Por exemplo. independentemente da forma como foi efetivada. porque o fato gerador não pode assim o ser. Ademais. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. a palavra do soberano latino. Na realidade. I a III. I.: isenção de IPI para taxistas. Seu filho. 14 STJ. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. Ademais. Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. A causa do fato gerador pode ser ilegal. no caso em tela. CF/88 (universalidade do IR). Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. empresarial. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. que se tributem quaisquer pessoas. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. administrativa ou profissional. O princípio em tela. ou de outros fatores que. De igual forma. independentemente da ilicitude da atividade. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. Esta cláusula permite. contestou o pai sobre a atitude. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. como se nota. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. do art. CTN. que significa “não cheira”13. no art. Note os exemplos: a. Como resquício da passagem histórica. incidirá a tributação. é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. à primeira vista. destarte. cerne da isonomia tributária. deve IR ao fisco. além. realizando o fato gerador. 118 e 126. CTN). A fundamentação legal reside no art. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. permaneceu. É o posicionamento também do STF. Assim. 153. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. HC 7444. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência.10 tributação. . mas a essência da hipótese de incidência não. Tito. CTN. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. o traficante de entorpecentes. § 2º. Um menor pode ser contribuinte. ainda que não possa administrar seu patrimônio. I. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. incide a tributação). CTN).

de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. mas um instituto deste decorrente. segundo a capacidade econômica.. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. justificando o comando do art. § 1º. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. em princípio.Art. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. 2004. I. confere à segunda fulcro nos arts. como é o caso do IPI e do ICMS. 212). Portanto. Os desiguais serão diferentemente tratados.11 b. No entanto. “sempre que possível” é limitadora. 145. 2004. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. 146. Note o teor do comando: “sempre que possível. note que a expressão. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. p. op. tal qual explanado na matéria. no entanto. a capacidade tributária só cabe aos impostos. De fato. CF/88. Em tese. 206. 145. trata-se de realização material do princípio em relevo. Aliás. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. e 146-A. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. 145. p. CF/88. p. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. Atribui o fundamento da primeira no art. Desta feita. § 1º. III. Ex.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. 194 e 195. CF/88. configura correlato da isonomia tributária. Do contrário. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. O próprio constituinte assim disse nos arts. a tributação. buscando a justiça fiscal. de acordo com o PEC 59/04). consubstanciados pela LC 123/06. “in fine”. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. há outros que não se coadunam. a técnica de variação de alíquotas. em uma razão não proporcional à base de cálculo. 145. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. com tal sistemática (tributos regressivos). Entretanto. o art. § 1º. A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. 151. Como fora mencionado. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. Não é o entendimento da maioria da doutrina. Ao revés. CF/88. . cit. que. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”. Moreira Alves (apud CASSONE. “d”. diferencia capacidade econômica e contributiva. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. CF/88. § 1º. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. na medida do possível. segundo o autor.

ITR* (art. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. A progressividade do ITR é extrafiscal. II. 153. § 4º. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. CF/88. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. Na segunda. e no IPVA. é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. comercial ou industrial). Objetiva realizar um princípio constitucional. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. 2. e no ITR. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). 156. § 1º.12 da proporcionalidade”. Contudo. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária. I. com a redação da EC 42/03). é um tributo extrafiscal. Tem por objetivo primeiro a arrecadação. 3. 184. a progressividade fiscal é observada no IR. *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL. o que não importa em dizer que ele. universalidade e progressividade. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. com redação conferida pela EC 29/00). menor a alíquota – regressividade). No âmbito tributário. orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. CF/88. CF/88). § 2º. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. exprimida pelo art. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. há julgados que o estendem a outros tributos. o qual é necessariamente progressivo (art.IPTU* (art. valor e localização. No âmbito da CF/88. no IPTU. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. 153.IR (art. não se relacionando com a capacidade contributiva. 153. I. mormente a taxas (STF). Dentre as exações mencionadas. tendo em conta seu uso (residencial. § 4º. CF/88. A segunda é uma espécie da primeira. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. . destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. § 2º. pois o nível de renda assim permite. em si.

a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. Arts. II. CF/88). forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. e 182. I e II. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. a despeito de colocações inconstitucionais. . é possível entender que o art. 182. a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. 182. § 4º. até que o STF se pronuncie. § 2º. XX. XXIII. § 1º e 182. CF/88. elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. 6º. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. CF/88). Lei 10252/01. § 1º. § 1º. § 4º. Progressividade extrafiscal. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. promulgado por meio de lei municipal. 5º. 156. 156. XXIII. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. CF/88). DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. II. Foram somados à função social da propriedade. Observação: após a EC 29/00. Assim. o IPTU ganhou feições de imposto pessoal.13 IPTU – inicialmente. O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios. de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. 145. o constituinte derivado alterou o dispositivo. § 4º. em seus arts. § 1º. Nesse passo. “caput”. Percebendo tal entrave. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. 5º. um imposto real (não pessoal). CF/88). 182. Desta forma. do tempo. A questão se liga ao direito de moradia. CF/88). valor e uso do bem imóvel. CF/88)16. Com base nesta premissa. Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. 21. II. Art. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. CF/88. em razão dos critérios novos anunciados. denotando claramente extrafiscalidade. 39 a 41 e 3º a 8º (art.

CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. de modo a minar a segurança jurídica. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). “a”. pois as exceções estão previstas no art. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. 5º. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. Nesse passo. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. Não perca de vista que o art. sob pena de constituir mera norma nova. No entanto. 17 . seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. III. sem criar situação jurídica paradoxal. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. I e II. Nesse sentido. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. CF/88. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. antes da Emenda Constitucional 29/2000. CF/88). em nome da segurança jurídica. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. atingindo a capacidade contributiva (art. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. não inovando na ordem posta. É possível em qualquer caso. 150. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. 106. CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. É certo que ambos caminham lado a lado. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. alíquotas progressivas para o IPTU. XXXVI. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. Na verdade. 106. pois. § 1º. pois a interpretação caberia ao Judiciário. Art. Evidentes. 145. CTN. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não.

33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. 144. Quanto à definição de julgamento definitivo. no entanto. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). j. sugerir uma retroação da lei. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. 1ª T. poderá alcançar as sanções tributárias.. filiando-se à doutrina germânica-suiça. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. não como mera interpretação. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. Entretanto. 168. A retroação. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. Informativo do STJ n° 324. CTN. p. estabelecer penalidades ou ônus). José Delgado. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. indicavam o prazo de 10 anos. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. 20 19 . 3º da LC 118/05 como lei inovadora. 223 a 226).116-SP. REsp 943. Assim. penalidades já adimplidas. em seu art. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”.15 Nogueira (1999. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. constituindo sua guardiã. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. em mera decisão administrativa na esfera recursal. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. remissão. são líquidas as opiniões. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. de fato. 3º. Min. erigido pela LC 118/05. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. corrobora com o princípio da irretroatividade. não se falará em retroatividade. CTN)21: o art. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. com crédito tributário extinto. mas sim em irretroatividade da lei. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. CTN. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária. CTN. de natureza declaratória. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. 106. apesar de. na aparência. Em dissonância com o legislador. Sabbag (2004. Por recente decisão de sua Corte Especial. fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. “caput”. A LC 118/05. p. I. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. Deste modo. anistia. rel. II – LEI MAIS BENÉFICA. já pacificadas. 19/6/2007. A jurisprudência e a doutrina. p. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. Desta feita. II.). falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. só terá vigor a partir do diploma. Observação (análise do art. não se aplicando a fatos anteriores. 21 Nogueira (1999. etc. O art. 144. “c”. o STJ considerou o art.

Com efeito. o que a reveste de caráter de norma material. § 1º. não excepciona o princípio mencionado. 150. de fundo alemão. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. 144. que aumentar os poderes de investigação. “a”. destarte. que a doutrina mudou o pensar. § 1º. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. portanto. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. III. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. Do mesmo modo. 144. 106. Assim. afastando o enfoque econômico. § 1º. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. ratifica a regra constante do art. o que lhe daria o rótulo de lei material –. É fácil perceber. que o art. CTN. CF/88. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. referida no dispositivo. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. chegasse ao seu fim. Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. há menção à lei que. o art. ampliando as garantias do crédito. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80.. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. nas palavras de Aliomar Baleeiro. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. Importante: há ressalva na parte final do art. CTN. na esteira da doutrina então majoritária . alguns doutrinadores (Luciano Amaro. Nesse passo. uma lei majoradora do IR em 31/12. vez que. Por meio de tal análise. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. “caput”. perquire-se qual o alcance do art. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. atribuiria responsabilidade a terceiros. mas à estrutura formal do lançamento. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo. CTN. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. Nesse contexto. CTN. Não se trata de exceção ao ditame. trata-se de lei adjetiva ou formal. 144. principalmente em congressos e seminários jurídicos. Observe. “antecederia” o fato gerador. é de natureza formal. como já fora dito. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. “per se”. A partir de meados da década de 80. como Machado (1993). adstrita a aspectos rituais de fiscalização.16 vigente no momento do fato gerador.+fn). adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. De fato. isto é. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. CTN. e não formal. esta se encontra somente no art. porque a lei. à luz de um sistema de bases correntes. I e II.. 144. até que o movimento. Por conseguinte. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. à semelhança de um “filme em exibição”. por exemplo. Não obstante o posicionamento citado.

É princípio afeto tãosomente à União. "em conseqüência dessa uniformidade. CF/88. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. 11. LC 105/01. o que incluía dados bancários. promovida pela União.17 (Lei 9430/96. Informativo do STJ n° 328. isto é. 92 do ADCT. 1999) afirma que. Esta. Por fim. LC 105/01. Ademais. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. A Lei 105/01 alterou a redação do art. § 3º. . no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. 11. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. CTN. § 3º. rel. Essa disposição se devia ao art. conforme se depreende do art. adequando-a às colocações da LC 10174/01. Min. I. não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. é claro. 151. 38. CF/88: “. § 1º. 144. entretanto. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. j. 5º. 151.. que instituiu a CPMF. diga-se que. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. ao princípio em tela. conforme se nota na parte final do art. Arnaldo Esteves Lima. “ex vi” do seu art. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. Quanto a esse poder fiscal amplo. 11. I. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. 23/8/2007. 11. Lei 9311/96. § 4º. ou de valor. § 3º. Lei 9113/96. III. tem aplicação retroativa.. com redação dada pela EC 42/03). 152. 151. Assim. CF/88). garantido pelo diploma mais hodierno. o art. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. como se expendeu. Para este renomado autor. Há exceção. segundo jurisprudência pacífica do STJ. do pacto federativo (art. Para Nogueira (1999). Lei 9113/96. No entanto. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. esculpido no art. reais. Lei 4595/64. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. I. § 3º. No diapasão. Baleeiro (apud NOGUEIRA. 1º. surpreendentemente. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. para fins penais. em total dissonância com a doutrina majoritária. HC 31. I. essa retroatividade é permitida. A Lei 9113/96. a regra do art.448-SC. No entanto.). proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. Lei 8383/91. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. mas nunca de lugar". o qual alterou o alcance do art. em letra original. em tese. devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. 150. § 3º. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. à tributação federal. etc. § 1º. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. 60.

mas sim tentativa de equiparação regional. CF/88). Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. Min. ADI 1247 MC/PA. 23 .2001. confisco é “a absorção. Gilmar Mendes. ADI 3673/RJ. j. 151.: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados.11. Plenário. Não é mácula à isonomia. rel. o STF já se manifestou positivamente. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte. o legislador não definiu estritamente o termo. o Supremo declarou a disposição inconstitucional. Com efeito. CF/88. DJU de 27.2003. RMS 17949/ES.2007. mas sim no caso concreto. Dessa feita. rel. DJU de 7. DJU 25. Informativo do STF n° 478. ADI 3389/RJ. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. CF/8823. Em princípio. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. desde que se justifique pela situação concreta apresentada. Sabbag (2004. Ex. XXII. § 2º. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS.9. 24 STF. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”.9. isto é. 152 e 155. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. p. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. Min.9. 155. pelo tributo. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira. excessiva. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. 150. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração. Em outros termos. sua consubstanciação depende da análise “in casu”.2007. j. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. Na mesma esteira. Nesta esteira. Joaquim Barbosa. “g”. CF/88. ADI 2377 MC/MG. XII. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. rel. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. 6. Joaquim Barbosa. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. 152. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. 6. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. Informativo do STF n° 480. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. sendo exprimido no art.5. A União. porquanto fere o comando dos arts. Informativo do STF n° 478. só influenciando na esfera privada de forma reflexa. De fato. j. ADI 3936 MC/PR. O STF corrobora com o enunciado do art. “g”.18 mercado nacional. por assim dizer. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). sob pena de macular o art. IV. De fato.9. por meio de seus tributos federais.9. 19.2007. p. pode ele ser entendido como tributação exacerbada. 126). XII. 5º. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. Min. I.68. Princípio do Não Confisco (art.95. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. § 2º. Destarte. que não leva em conta suas capacidades contributivas”. a jurisprudência STF. ADI 2021 MC/SP. DJU 8.

O imposto será pago mensalmente. diz esse princípio é extensível às multas25. “a” e “b”. desde que a desoneração do consumo seja atingida. Cada tributo terá sua regência própria. § 3º. § 2º. de natureza diversa. CF/88. ao ICMS (art. CF/88). Esse 25 26 STF. § 3º. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. porquanto se trata de taxa. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. 2004. a doutrina indica outros. § 3º. aos impostos residuais da União (art. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. CF/88): a cada entrada. com necessária contraprestação. A base de cálculo é o valor da operação. CF/88. CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03).: mercadoria de R$ 100. § 12. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. 155. 153. CF/88). Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. 150. sendo vendida por R$ 104. I. 153. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. um débito. § 2º. Em termos genéricos. 40). ADIn 2010/DF-MC. 150. como fato gerador. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. p. 5º. LV e LXVIII. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. II. O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. CF/88). com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. Ex. II. para a conservação das rodovias. desonerando a cadeia produtiva. Ex. 153. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). não pode haver exação que erija. compensando-se a diferença entre créditos e débitos. Além desses casos. II. ao contrário do ICMS (art. com alíquota de 4%. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações.19 majoritária. receita e importação (art. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. vez que o fato gerador é outro. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. a cada saída. 195. 154. há um crédito. 195. CF/88). às contribuições sociais residuais federais (art. V. V. § 4º. 155. CF/88). . CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. Dessa forma. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. De igual maneira. II. CF/88).

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

desde então. 14. Luciano Amaro. entre os mantenedores da entidade. Paulo de Barros Carvalho. Nesse contexto. Ademais. ganhou o “status” de lei complementar. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). entendem que se trata de lei complementar. 155. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. . Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. quis mencionar o superávit. em seus três incisos. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. nas palavras de Rui Barbosa. 12ª ed. 2006. No caminho hermenêutico ora trilhado. “ex vi” do art. 146. De fato. CF/88. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN.24 − Entidades de assistência social – ibidem. Amaro (2006). São eles: I. Não se veda o resultado positivo na entidade. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais. 51). o art. no magistério de Sabbag (2004. como Machado (1993). CTN anuncia. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. dependendo de regulamentação futura. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. os requisitos à fruição da imunidade. não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. de integração. Portanto. e não auto-aplicável. § 7º. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. Direito Tributário Brasileiro. 195. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. segundo Maria Helena Diniz. pois o “lucro”. I a III. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. José Eduardo Soares de Melo. sendo assim recepcionado pela CF/88. isto é. vedando-se a apropriação particular do lucro. São Paulo. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. 1996). nem mesmo o “animus lucrandi”. Chimenti (2002). o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. p. Misabel Derzi. Portanto. CF/88. consoante comando exprimido no art. Cassone (2004) e Sabbag (2004). há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). porém. a qualquer título (LC 104/01). Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. Além de tudo. p. em tese.. Nesse passo. Saraiva. II. a expressão merece uma associação cautelosa. Não distribuição do patrimônio ou renda.

devendo passar a recolher os impostos. arrendamento. por fim. pois. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. diante do resultado positivo. a análise é subjetiva. Não aplicação de recursos fora do país. ligado à instituição educacional. não se perderia a imunidade. não os carreando para países estranhos. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. renda ou serviços. Ademais. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. 14. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. A legislação pertinente (art. mera paralisação dos efeitos imunitórios. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. sim. passará. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. em país estrangeiro. CF/88 – repetindo comentário supra. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. É o caso também de instituição filantrópica internacional. merecendo a proteção da imunidade. Análise do art. mediante ato discricionário. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . a qual possui filial no Brasil. É. III. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. se cumprirem a exigência ora analisada. De fato. § 1º. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. § 1º. pode remeter divisas para o exterior. etc). conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. Diga-se. o STF analisa tal comando. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. como uma “punição”. o que não parece de todo apropriado. Amaro (2006.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. § 4º. p. 14. CTN. 14. Nesse passo. CTN de aberrante. I a III. II. entretanto. afastando a interpretação restritiva. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. 150. 157) chama o art. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. havendo respeito à disposição legal. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua.

Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva.692. De fato. normalmente: IPVA (carro da editora). no RE 210. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). AgRgRE 106. Ellen Gracie. 2-3-2003. Min. RE 237. etc. DJU 19-11-03. . Vale dizer que a editora. da constituição. naturalmente.251-2-SP. RE 210. 150.737-SP. p. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. defende Amaro. j.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos)..2001. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. exclusivamente. “b” e “c”). incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. E incidirão. op. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. 150. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38. c. Nessa medida. O STF (Pleno). rel. cit. em razão da teoria da repercussão tributária. ao contrário das demais (“a”. VI.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex. Marco Aurélio. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. RE 286. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. etc. Min. decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. porque está ligada a bens e não pessoas. STF. vi.9. p. aquelas de pouco 38 39 STF. A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada. 4. rel.700/DF. 154. A 2ª Turma. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica.251-2/SP. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. IE. receberá a carga de impostos sobre si. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. DJU 12. Em contrário senso. 42 STF. Independe do conteúdo difundido. entendia cabível a não incidência. A propósito. JORNAIS. DJU 6. ITBI (aquisição de prédio pela editora). É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40.169-7. por exemplo. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. por sua vez. DJU e-1. 10. RE 235. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. isto é. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino). Informativo do STF nº 220. da Constituição. No mesmo sentido. IPI. c. II.11. Pleno. afasta a imunidade. não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados.2001. desde que o lucro fosse reinvestido39. em 2 de fevereiro de 2003. de 5-6-1998. IR (renda da venda dos livros). RE 202.718-SP.

Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária.27 conteúdo informativo. 2º. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). § 6º.8. na condição de periódicos. IX e XIV. STF. DJU 22.2000. Chimenti (2001. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso.1998. Entretanto. VII. independentemente da ausência de conteúdo informativo43. reforçando a tese majoritária. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório. CF/88. Min.183. rel. RE 199. 203. Marco Aurélio. 46 STF. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. d. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. p. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. dentre outros. Moreira Alves. etc.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais. Encontra guarida constitucional nos arts. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. Lembre-se que não havendo tributação.06. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva. foi publicada a Súmula 657 do STF45. RE 101.234. e não em razão do suporte difusor de cultura. e 220. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art.441/RS.2000. as listas telefônicas são imunes. Min. Em sentido contrário. Marco Aurélio. Na mesma idéia. DJU 07. Ex. rel. IV. representada. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF. DJU 12. como equipamentos destinados à função. 150. . RE 183.11. rel.403-SP. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. RE’s 204. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão.308/SP. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. Min.859 e 273. O art. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas. VI. parágrafo único. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. 5º.

28 Resposta: lembre-se que. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. CF/88. 9º do CTN. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. Pergunta: quanto ao art. “a”. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. corresponde à figura da lei ordinária. Nesse passo. abarcando assim. Entretanto.146.Sa. o art. parágrafo VI. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. no que diz respeito aos impostos. por exemplo. O inciso XI do art. 156. CTN.104/01. à guisa do entendimento do STF. o art. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. 4382/02. foi dito que o art. estabelece as condições para o exercício. Lei 9532/97. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. assim como as isentas. 150. parágrafo único. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. D. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. deixa claro que as pessoas imunes. DF e UF). parágrafo VI. VIII. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . 3º. somente por esse fato. não há obrigação principal e muito menos acessória. Pergunta: o art. “c”. Ademais. CTN. VI. “c”. inovam em suas disposições. em seu art. segundo o STF e a doutrina majoritária. sujeitam-se à fiscalização tributária. somente por esse fato. parágrafo único. I a III. XI. Caso haja cobrança de uma contribuição social. daí o teor do art. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. 12. engloba as obrigações acessórias. se não há tributação. Pergunta: uma entidade. não faz jus à imunidade do art. III. 194. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. “c”. sem adjetivo algum. 150. CF/88. as mencionadas disposições citadas por V. III. em tese. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. a obrigação acessória persistirá. conforme expressa disposição constitucional. No entanto. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. “b”. CTN. 14. 2º. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. 150. faz jus à imunidade do art. CF/88. preceituando condição inexistente na citada LC. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). pode. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. VI. “d”. § 2º. CF/88? Resposta: Não. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. E-m. III. respeitando as previsões expressas da CF. 150. o que. uma entidade. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. e o art. § 2º. O termo lei. 146.

12 e 13. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. imunidades e tributos.29 concessão da imunidade. competência tributária. 26). Criou um regime sistematizado. Para Cassone (2004. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. Não funcionou a contento! Politicamente. receber a concessão imunizante. 1999. regras rígidas de competência.637/02. Transformou a Carta de 1946. Destarte. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. por conseqüência. p. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. . Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. até tal diploma. composto de princípios. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. 60. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. em seus arts. Direito Tributário. p. O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. por ocasião do golpe de 1964. 47 Eduardo de Moraes Sabbag. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. I can”). e Lei 10. 118). De fato. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). Porém. § 2º. a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. São Paulo. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. 2004. também do STN. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. CF/88) para garantir a necessária rigidez. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. também o é aquele. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. Aliomar Baleeiro –. Prima Cursos Preparatórios. No Brasil. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo. etc. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal.

de criar tributo. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. direcionado aos entes políticos – que. propiciando uma vida digna. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. 145. dentre outras medidas. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. em sua essência ontológica. somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. à luz do art. CF/88. 2006). É exercido pelos entes políticos (União. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. O poder de tributar. titulares da competência tributária. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. criando tributos até mesmo de forma errônea. Com efeito. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. deve prestar serviços públicos mínimos. preceitua. é extorsivo. Deve-se distinguir. em uma atividade administrativa. em seu art. coercitivamente. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos. Dessa feita. a qual pressupõe um custo para agentes. O instrumento de criação do tributo é a lei. 145. Segundo Carlos Ayres Brito. O ato de tributação. “caput”. diz-se que padece de inconstitucionalidade. “caput”. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. Desta forma. Câmara Municipal) podem instituir tributos. é uma faculdade. aduzido materialmente por meio da tributação. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. “caput”. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. 11. que surge depois da exigência. Dessa forma. Estados. principalmente. sabendo que não tem o todo. sob pena de renúncia de receita e. de responsabilidade fiscal. detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. Ex. Todavia. em conseqüência. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. Assembléia Legislativa. exercício de direito fundamental . A coletividade deve contribuir. a criação de tributos.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. havidos por meio das imunidades e dos princípios. CF/88. O Estado. entretanto. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). DF e Municípios). Neste sentido. para formar o bolo. Câmara Legislativa. de interesse coletivo.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias.

cuja receita deva ser repartida com outro ente político. A CF/88 somente determina a competência tributária. I. XIV. 155 e 156. Ex.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. 159.31 (arts. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. CF/88). CF/88. De forma suplementar ao poder de tributar. 5º. Neste diapasão. ou seja. 10% do IPI aos Estados. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. À guisa dessas não-incidências. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. IX. 159. I. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. se for o caso de tributo. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. assim como é a imunidade de templos e religiões. CF/88). por comando constitucional. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. 22. IV.: arts. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. III. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros. Nordeste e CentroOeste). e lei complementar excepcionalmente. não cria tributos. Quem institui os tributos é a lei ordinária. o constituinte colimou re-equilibrar a federação. CF/88). Todavia. 159. existem as regulações do poder de tributar. é produzida no município. porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. Estados.: arts. CF/88). Entretanto. 148. Em contrapartida. CF/88). em qualquer esfera de Poder. 5º. “a”. . em si. “b”. CF/88). IV. quando estas se aplicam exclusivamente à União. § 6º. o exercício da competência é coercitivo. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. há normas exclusivamente federais. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. é cediço postular que a Constituição. DF e Municípios). simultaneamente. 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. VI. I. concretamente. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. É fato de que toda esta renda. CF/88). “c”. 158. em regra. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. todos os entes políticos (União. 158. 159. CF/88. CF/88. 145 e 150. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. II. CF/88). A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. e 220. aduzida e qualificada pela Constituição. Ex. porque se presta à liberdade de culto (art.: arts. Ex. 21.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. Fazendo tais considerações. Ex. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências.

XXI. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. p. CTN. instituída por lei e cobrada por lançamento. ADIn 1917-DF. convivendo. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. Amaro. Segundo o art. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. na extinção das obrigações. razão pela qual uma lei ordinária estadual. (art. XI. Não se admite o tributo “in natura”. op.. Rio de Janeiro. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. CTN. ou seja. 156 do CTN. 19 a 21. CTN. 17). aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. etc. 3º. Ao sujeito passivo. Na esteira. 162. CC). Informativo do STF n° 136. por exemplo. consegue enxergar. CF/88)50.32 2ª corrente – é integralmente nacional. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. por exemplo. 3º. contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. na letra do art.. CTN. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. de vantagem patrimonial. tributo vem do latim “tributum”. Em sentido totalmente oposto. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. 156. 37. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. I e II. III. 1993. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. 49 A Lei 1624/97-DF. simultaneamente retira dos demais. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. aquele pago com bens agrícolas. por outro lado. diversa de multa. 48 . A definição jurídica de tributo encontra-se no art. a doação (art. com métodos antiquados de pagamento: vale postal. CTN). 2001. 538. “b”. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. 7ª ed. Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. p. Ademais. isto é. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. cit. depreende ferrenha crítica à redação do art. consoante comentário a ser aduzido. Nesse passo. 146. papel selado. estampilha. em que a ela é pressuposto de existência. CC). estaria impedida de versar sobre o tema49. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. Tributo é prestação pecuniária compulsória. CF/88. 50 STF. Curso de Direito Tributário. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. 356 a 359. por representar uma liberalidade. Forense. sob pena de inexistir a tributação. 3º. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo.

com exceção da nomenclatura. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. mas não se lhes equiparam.) e aquelas decorrentes do poder de polícia. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. de um serviço privado de livre concorrência. etc. enquanto preço privado. de preservação ecológica e de emissão de passaporte.. prestados diretamente por ele. op. para tutelar a coletividade. porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). CF/88). por questão de interesse público da coletividade. não existindo outra opção. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. Pode. É o entendimento esposado por Cassone. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. Nesse campo. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. Além disso. O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. 116. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. porque estas. mesmo que deles não se utilize. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. elas aproximam-se dos preços. descentralizar a atividade. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). no máximo. incidirá o ITCMD (art. Inexiste compulsoriedade. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). de . Ambos se submetem ao regime de Direito Privado.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. do contrário. p. cit. mas tão-somente pelos efetivos. por taxas – também conhecido por preço tributário. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. Nesse âmbito. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. No diapasão. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. também conhecida como tarifa52. denomina-se preço público. I e § 1º. diferentemente daqueles. enquanto todos contribuem para ele. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. em relação à lei que as instituiu”. Nessa seara. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. São exações atípicas. é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. No entanto. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. Em tese. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos. Só há aquele meio de uso. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. Ao revés. água e esgoto. é lícito o lucro e a livre concorrência. Ledo engano. Nesse sentido. é chamado de tarifa ou preço privado. 155.

5º. Títulos da dívida pública. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. esgoto. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. indelegáveis e passíveis de taxação. remunerados por taxa. CTN. Todavia. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. p. gás. etc. 2006. XXIII.: quanto ao serviço funerário. poder-se-ia advogar a natureza tributária. 156. caso contrário. hoje não mais usados. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. é delegável à iniciativa privada. porquanto não usados. é uma prestação “in natura”. Essa já preexistia. De fato. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. em prol da comunidade.). Já o segundo se volta a concessionário. pois salvo melhor juízo. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. não é serviço exclusivo de Estado.). REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. 53 Cf. Ex. os essenciais ao interesse público. os não essenciais. O imposto tem por fato gerador a propriedade. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. cheque e selo já foram algumas dessas formas. a dação. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. Como se trata de norma de eficácia limitada. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. Min. sepultamento. remoção de lixo. Direito Público. sem qualquer outra espécie de remuneração. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. CF/88). em face do desrespeito às normas urbanísticas. quando por ele prestados. energia elétrica. pode também ser objeto de preço. pode ter parcela revertida ao Estado. Eventualmente. etc. A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. mediante utilização efetiva ou potencial (água. sua remuneração pode ser extraída de preço. necessita de LO para regulamentação. continua Amaro (2006). Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. podem incitar a remuneração por meio de taxa. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. não incidindo o “jus puniendi” estatal. ao verificar conveniência da melhor escolha. nessa forma. rel. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. mitigando essa construção. permite exploração de lucro. 54 Cf. não autorizou a incidência da exação em si. nota de rodapé “4”. . Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza.34 Em resumo. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo). no âmbito da competência tributária respectiva. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. Para o eminente ministro. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. Para justificar a existência do IPTU. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. Lapatza (apud AMARO. não acarretam ranhura ao interesse público. telefonia. sendo fixado unicamente para custear um serviço. Moreira Alves.

Entretanto.Lesão à isonomia – o princípio. Essa é a finalidade política da dação. 156. elemento proibido na ordem tributária nacional. bens de categoria inferior. estipulado no art. permitindo resolver as questões na esfera administrativa.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. surge uma brecha a legitimar. havendo uma desigualdade aos iguais. 156. Mas esses argumentos podem ser contestados. 156. 150. A norma do art. conquanto se trata de opção do contribuinte. 156. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. seria inconstitucional. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. há formação de um privilégio. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. porque exorbita de sua competência regulamentadora. Nesse passo. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. Esse dispositivo. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. como rol exemplificativo. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. 5º. Com efeito. CTN55: . Somente alguns possuem imóveis. XI. 146. CTN) e inconstitucional (art. CTN. II. CTN. o gênero REFIS engloba várias categorias. Aqui. CF/88). Juridicamente. porquanto opera discriminação aos iguais. Dessa feita. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. reputando o art. por sua gramática. por metonímia. como está. somente a favorecer certa parcela das pessoas. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. a dação de bens móveis. será de família. Com efeito. CF. em favor da inconstitucionalidade do art. Dentro dessa realidade. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. CF/88). XXXV. se presta. pela necessidade de eficácia da norma. dentre elas o parcelamento. A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. somente parcela poderia efetivar o desejo. XI. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. possibilitando o “sucateamento” do fisco. por colidir com o espírito Carta de 1988. equiparada àquela espécie. “b”. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. XI. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. muito mais afeto à sua realidade. . 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. o Brasil tentou implementar a mesma política. XI. III. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. essa espécie acabou sendo.

O texto do art. gênero da dação em pagamento. permite a dação de imóveis. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. I a III. 11. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. CTN. 156. Em tese. ainda que não exigível .Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. Para solver o problema. mas não proibiu a dação de móveis. art. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. Esse mecanismo favoreceria a economicidade. I a IV. não se permitindo sua exegese restritiva. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. a lei deve viabilizar a intenção. deve ter o desejo atendido. o art. XI. estaria em flagrante afronta à realidade. Afora esses dois casos. poderia pagar com seus bens móveis. . portanto. 111. em seu inciso II. 156. c. certo. 368 a 380. O fisco não aceitar o bem móvel certo. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis.) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. I a XI. “caput”. em interpretação literal. da economicidade e da operabilidade. Na mesma esteira. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. . permite o precatório como forma de crédito líquido. CTN. 156. como tal. porquanto. XI. O devedor quer pagar e. afinal há coincidência de afã com o interesse público. anistias. 170. 110. XI. CC. LEF). O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. a hermenêutica restritiva não pode ter vez. CTN). não urge a interpretação restritiva do art. O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts. poderia haver a compensação da forma descrita. permite a compensação. etc. CTN. Ainda nessa seara.Art. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. CTN. O art. evitaria o movimento da máquina Judiciária. 156. por exemplo). Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções.c. ao descrever a compensação do crédito tributário. no seu art.36 . CTN. o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. lesando a razoabilidade. CTN. ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário. viola os princípios da razoabilidade. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. 156. na seara administrativa. somente depois do processo judicial devido. I a XI. Dessa feita. Com efeito. No ponto. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios.

Via de regra. 15. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios.829-PR. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48.8. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia. Lei 9964/00. e 15. rel. Min. DJU 20/5/2005. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários. a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90).. Informativo do STJ n° 325). Lei 10684/03). constantes do CP. Lei 10684/03. Atualmente. CTN. “caput”. Lei 9964/00 e 9º. realizar a compensação. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. HC 84. 34. REsp 747. Concluindo. na ADIn-MC 2099. Destarte. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. 26/6/2007. O comando autoriza a extinção da punibilidade. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. Informativo do STJ n° 331.144-PR. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. por conseguinte. erigindo um paradoxo.262-DF. 23. Sepúlveda Pertence.805-SP.799-SP.6. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. não erigindo termo final para tal. Min. 14. Min. rel. Informativo do STF n° 476. “caput”. Na esteira. 170.12. RO em HC 77258-2. j. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. Lei 9249/95. CP) nos delitos fiscais. e os arts. Certamente. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. HC 56. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. . “caput”. j. Min. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. perfaz-se a prescrição do delito correspondente. O art. Eros Grau. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais.. HC 77. DJU 16/4/2007. como ocultação de faturamento da empresa. j. dada situação simples. Maria Thereza de Assis Moura.2003). pelo pagamento. HC 81. § 3º. AgRg no REsp 762. Nesse sentido. rel. Min. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. a qualquer tempo. 10. § 3º. CF/88. Arnaldo Esteves Lima. No mesmo sentido. o rel. seguindo os ditames do art. STJ. 288.37 (parcelas vincendas ou vencidas). T. DJU 29/4/2005. 1ª T. 34.986-MS. HC 81611/SP. j. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. no HC 84223/RS. j. 1ª. mormente.611-DF. 100. ADCT. RT 770/492). de modo a favorecer. e 78. DJU 13/3/2006.1999. para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. 13/9/2007. os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. rel. No entanto. porque haveria 56 Os arts. 9º. 5ª T. Lei 9249/95. precatório exprime dívidas de grande valor. Moreira Alves. DJU 1º/2/2006. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação. econômica e relações de consumo56. Min. No ponto.2007. A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto.. § 2º. 57 STF. rel.

CF/88). diversos daqueles já previstos na Carta. No entanto. 1993). a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. Com relação a esta. 153. A lei. por questão de urgência (art. na ADIn 2851. é a tradução da atividade desse mandatário. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. Apesar de razoável a explicação. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. 148. I.38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. ao interesse público. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. Por fim. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). e 139. para o povo e pelo povo. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. É justamente a última que será protegida pela legalidade. No tocante à legitimidade. 1991). CF/88). impostos residuais. 153. CTN)58. CTN. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. O respeito à vontade popular. amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. é o “norte” que deve seguir o agente político. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. segundo colocação do constituinte. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. com exceção do empréstimo compulsório. Ele gere a coletividade em favor dela própria. § 1º. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. o administrador é eleito do povo. trata-se de posição minoritária. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. fazendo cair por terra o argumento supra citado. Sobre esse último (art. inclusive as alimentícias. Dessa forma. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. CTN. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). seriam ultrapassadas pelo mecanismo. 148. por conseguinte. II. CTN). porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art.. VII. Inobstante tal colocação. . a anterioridade. Dessa forma. 1ª Seç. 113. 100. Quem instituirá o imposto seria a LO. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. as dívidas de pequeno porte. há controvérsia doutrinária. EREsp 760290. mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. Ademais. incompatível com a previsão de LC. A finalidade do art. “caput”.

A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. não alcançando a seara penal. A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). “caput”. devendo ser prevista pelo legislador. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). direta ou indiretamente. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. para que.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. 3º. receita da espécie derivada (arts. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. CTN. custear a máquina estatal. o tributo. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). Essa não pode ser presumida. 2006). referida no art. O art. Deve fazê-lo de acordo com a norma. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. 142.39 Tributário. pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. por meio dos serviços públicos. instituído legalmente. todas as exações prestam-se a. de conseqüência administrativa e cível. a grande finalidade da tributação é arrecadar. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. sob a óptica do Direito. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. Paulo de Barros Carvalho. isto é.Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. Improbidade é um ato híbrido. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. 11. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. é necessário que haja dolo. Para essa última conduta. Lei 8429/92). A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento. . CTN. define o lançamento. “caput”. causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. e 11. Em suma. Entendendo essa colocação. § 1º. . O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. Em comentários abaixo. é a manifestação democrática do povo. Lei 4320/64). O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . por uma questão de segurança jurídica. em sentido contrário. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. essa idéia será mais bem delineada. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. 9º.

Aparentemente. Ex. Dessa forma. Na essência. Em regra. na segunda. somente o IPI e o ICMS são indiretos. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise. Excepcionalmente. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. 4º. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. assumindo um viés de tributo indireto. 9º.40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. Nesses últimos. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. Ex. CTN. Em outros. do pagamento de IPTU por parte do locatário. Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. Lei 4320/64.: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. Por não ser ingresso definitivo. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. “caput”. porquanto cobrará o . não restituíveis). É o caso dos impostos. Porém. refere-se aos tributos diretos. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. II. Excepcionalmente. contribuições de melhoria e especiais. são receitas derivadas (ingressos definitivos. Repercussão tributária. 154. O que os faz diferir é justamente sua destinação. Contudo. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. vide expressa previsão legal no art. portanto. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. isto é. CTN). II. agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). haveria uma controvérsia para com o art. restituível). a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. Nesse passo. 4º. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. não deve esse último ser qualificado como “receita”. é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. 123. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado.: IPI e ICMS. Entretanto. CTN). 4º. tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. apesar de não sê-lo na sua natureza. O imposto é uma receita totalmente desvinculada. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. Na primeira situação. CF/88). CTN). II.: IR. I. aos indiretos. É o caso. taxas. por exemplo. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). CTN). não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. Como regra. contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). mesmo não sendo receita. Ex.

rel. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). 170-A. ela é atingida diretamente. Denise Arruda. para furtar-se ao mecanismo. além da prova de ter suportado o encargo tributário. REsp 757. 2ª T. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. 61 60 . incidindo diretamente sobre a renda auferida. rel. seja feito a mais. por ser praticamente impossível sua ocorrência. REsp 757. enquanto no real. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. II.. a “res”. nos casos supra. Todavia. Cediço. que implicam em prestação estatal.909-BA. Min. Castro Meira. 166. Lei 9430/96. esse acabará pagando o tributo. No imposto pessoal. a base de cálculo é a renda. dada a disposição do art. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60.. 22. O fisco cobrará do locador e esse. atinge a renda. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. Na venda dos artigos. Min.441-SC. a alíquota incide diretamente sobre ela. Informativo do STJ n° 327. Informativo do STJ n° 332. CTN. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. ele repassará tais valores. seja invocado61. O contribuinte de direito solicita restituição. com redação pela Lei 11051/0463. O dispositivo permite. como bem dispõe a própria letra normativa. nesse ponto. rel. DJU 14/6/2006. No mesmo sentido é a redação do art.. REsp 653. PIS/COFINS-Importação. CTN)62. Na mesma esteira. § 12. 166. Informativo do STJ n° 332. Na prática. Dessarte. o fisco negar-lhe-á. REsp 962. j. Por décadas. 20/9/2007. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. Eliana Calmon. ICMS). impetra-se mandado de segurança. j. 20/9/2007. sem exceção. O contrário representa o imposto real. DJU 12/12/2005. 2ª T. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. 74. No entanto. 14/8/2007. REsp 449. No entanto. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. Em tese. porque não é titular direto de relação tributária com ele. Complementando. O STJ. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência.203-RS. 1ª T. a qual foi ratificada pela súmula posterior. Eliana Calmon. De fato. a art. exigirá o valor do locatário. as empresas sempre solicitam a compensação. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante. a qual será negada pelo fisco. 62 STJ. rel. Todo imposto. j. AgRg no REsp 673.. O maior exemplo dessa categoria é o IR. Informativo do STJ n° 332. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas).304-PR. Min. CTN. 63 STJ. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. 20/9/2007. a coisa.41 imposto do titular do imóvel. 2ª T. Da denegatória. CTN. 166.203-RS.553-MG. O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. em ação regressiva. STJ. STJ. está-se diante de um imposto real. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. “a”. Min. É o entendimento esposado pelo STF. no imposto pessoal. ao contrário dos demais tributos. j. indiretamente.

Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a. O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte. 4º.Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado.146-RS. AFRMM. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). Contribuições de Melhoria 4. Para profissões regulamentadas (CFM. j. . segundo diz a jurisprudência. à luz do art. IAA.CONDECINE (MP 2228-1/01). d. Impostos 2. Contudo. 149-A. não sobre serviço de caráter geral. Empréstimos Compulsórios 5. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. . No entanto. CF/88). De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. DJU 21/3/2005. anterioridade e irretroatividade.878-SP. .Salário-educação. Min.Para o Sistema “S”65. a CIP é um imposto e não uma contribuição. 8/8/2007. CREFITO. 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida. I. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . rel. conquanto também residual (art. Trata-se de um ente anômalo. Informativo do STJ n° 326. 1ª Seç.924-RJ. REsp 446. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. b. 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). ATP. REsp 705. Eliana Calmon. CIDE-remessas para o exterior. Do empregado.347-SC. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. previstas no ordenamento doméstico. deve surgir mediante a edição de lei complementar. o governo fez aprovar a citada EC. Para "corrigir" tal problema. Para iluminação pública (art. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. Tratando-se de imposto novo. no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país. Taxas 3. Cf. CFP. .FGTS. REsp 895.Contribuição sindical (antigo imposto sindical). “caput”. . Para seguridade social “lato sensu”: . REsp 719. o que fere o princípio da legalidade. c. .42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. DJU 11/4/2005.Fundo Aeroviário (FA). .Para o INCRA (antigo FUNRURAL).502-RS.. STJ. CTN. Para alguns. RESp 431. DJU 25/11/2002. CF/88)64. CFO.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. os quais não foram gerados pelo particular. DJU 2/5/2005. . 154.

saúde. . é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. É uma manifestação da SOBERANIA. CF/88). com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. etc. p. CSLL-importador. “caput”. op. CF/88)..). 22 e ss. DL 1940/82. o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. A competência não foi determinada aleatoriamente. SAT. incluindo a competência. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. DF e Municípios. Contribuição sobre receitas de prognósticos. FINSOCIAL66. Estados. a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. CF/88). CPMF. Sua base de cálculo inclui o ICMS. Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. e amparo ao pequeno agricultor”. auferida por empresas públicas e privadas. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . 195. Com a LC 70/91. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação. 1º. Nas palavras do art. Entretanto. CONFINS-empresa. caracterizando pela competência tributária. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. educação. Nesse sentido. É formado por contribuição específica. exceto aqueles destinados ao exterior. 149. PIS-importador. . Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. o poder de tributar. deve ser sempre limitado. sendo ratificado pela LC 70/91. § 1º. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. I. sob pena de autodestruição. segundo lembra Chimenti. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. polícia. habitação popular. 53. O poder de tributar e sua competência não são exceções. PIS-empresa. CONFINS-importador. punitivo.Limitabilidade – todo poder.. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). cit.43 Do estatutário para o RPPS (art. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”.

Além disso. construindo uma argumentação à parte: .Quanto às taxas. Da mesma maneira.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. 145. um titular não pode tomar o tributo de outro para si.Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável. Em verdade. Ex. mesmo que a competência tributária. 150. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). “b”. Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. não há de se alterá-la por mera medida legislativa. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade.Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. mas o faculta. O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. Além do mecanismo da vedação. porque a Constituição não impõe. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. CF/88). . O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. . mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade). A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). . não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. VI. O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. “caput”. Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. no seu exercício. é irrenunciável. A decadência da competência tributária não se opera. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. CF/88). não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade).

“caput” e §§.45 . 14. O constituinte. É válido o argumento ao menos na seara teórica. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo.. O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos). Entretanto. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária.“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. 11. Instituir o imposto não é injusto. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. 14. 21 e ss. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. previsão na LDO. LC 101/00). “caput”. 68 Segundo Carraza. 14. remissão e anistia. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). Nesse passo. Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). na tarefa do exercício da competência tributária. a.. deverá ser reduzido. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts. 67 . Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. bem como subsídio. arrecadatória. LC 101/00). fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos). CF/88). A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. fiscalizadora. mas o modo de fazê-lo pode ser68. “caput”. incidiria também a obrigatoriedade. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. mas não obrigatório ao legislador. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. LC 101/00). legislativa. LC 101/00). isenção. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art. I e II.Para os impostos. § 3º. op. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. observando um equilíbrio para com os outros. Dessa forma. para evitar o enriquecimento sem causa.Na contribuição de melhoria. ao estipular cada uma das suas treze espécies. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. cit. adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. IE. Aliás. I e II. . Para estabelecer tais estipulações. O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67.

Desta feita. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. Capacidade tributária X capacidade civil. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. legislar. Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político. dela fazendo parte. para justificar essa última. etc. Ele atua em nome do . é obrigatório ao Estado. Quem tem competência tributária. ativa e passiva). Esta delegação é efetivada por LEI. b. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena. CF/88 (EC 42/03). Tratando-se de lei ordinária. pode ser delegada por medida provisória. isenção. Estados. inicialmente alheio à relação tributária. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. O art. denominadas capacidades delegáveis. gozam de suas receitas e administram seus valores. DF e Municípios. sempre possui capacidade tributária ativa. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. anistia. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. Ex. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. A competência tributária é indelegável. § 4º. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. A doutrina majoritária. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. No entanto. fiscalizar e arrecadar. ARRECADAR. podem ser repassadas a um ente terceiro. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária. III. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. Nessas quatro prerrogativas. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. bastando mera lei em sentido estrito.). podendo inclusive defender seus créditos). porque o tributo é bem público indisponível. portanto. Aquele que delega não fica com as receitas. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão. da mesma espécie que instituiu o tributo. 153.46 Partindo desse raciocínio. dependendo do ente político que a possui originariamente. Essas últimas ações.

tradutor juramentado.). Crítica à delegação atípica – com efeito. Sendo assim. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). Além dos entes federados. Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas. VI. No segundo caso. possui personalidade jurídica de Direito Público. Há dois pontos interessantes nessa seara. perito nomeado. Como as entidades parafiscais. com ele permanecendo e administrando-o. Fazenda Pública pode demandar em face de outra. “a”. O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. as entidades parafiscais são também credores tributários. Dependendo do contrato de delegação. não é delegação de capacidade. Há crédito em seu favor. mas não é tributário. como bem preceituou o legislador no art. É o fenômeno da parafiscalidade. mas não integra a Administração. É pessoa “suis generis”. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). arrecadando o tributo.: INSS. . não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. etc. CF/88). nos termos da Lei 4320/64. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. sociedade em comum. como Machado 70 Na ADIn 3026. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. mas da lei. 150. chamados de pessoas formais (condomínio. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). ou seja. contribuições especiais e de melhoria. Nesse contexto. I. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. quanto à devolução de crédito tributário: .No empréstimo compulsório. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal.47 Estado. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. ato natural e característico do instituto. O Estado não pode revogar a delegação.: notários. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. rendas e serviços (art. Sua contabilidade também não é pública. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. . ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. Nesse passo. Em termos tributários. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. tabeliães. Ex. OAB70. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. Alguns doutrinadores. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. Mesmo não sendo pessoa personificada. Ex. não há delegação nenhuma por parte do Estado. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária. 24. qualquer pessoa pode ser autor.Na ação de repetição de indébito. espólio. CF/88. Mas particular não pode ser credor de tributo. não cabendo no tocante às taxas. • Pessoas físicas – é possível. mas a volta não. ela não se sujeita ao controle do TCU.

Nesse sentido. CF/88. dentro de suas Constituições. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. afirmando que o valor teria natureza de exação. social e econômico que tenta fazer. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). . § 1º. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. 146. desde que o serviço não seja local (art. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. através da moeda. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. p. político. CF/88). vedados. Se o Legislativo não acolher o tratado. Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. enquanto a soberania. CF/88. Em ambos. a teor do art. Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: .Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. seus costumes e seus mercados. a maioria dos países veda. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. 154. . Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. CF/88). não concordam com assertiva. de modo a reduzir as barreiras tributárias. I. Alguns autores. utilizando essa nomenclatura. persistem conflitos de competência tributária. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. porquanto somente aí há conflito de competência. Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. I a XXV. em regra.Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. no segundo. bitributação. enquanto a bitributação. denomina-se “bis in idem”. 21. Eles poderão instituí-las. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. uma manifestação externa. 63). relegando à lei complementar tal tarefa (art. 30. excedendo-se na sua autonomia. 149. A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). Essa prática não é proibida. Dessa feita. Paralelamente. 25. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. CF/88) nem da União (art.48 (1993). CF/88). esse não tem validade na ordem interna. § 1º. querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). Não se trata de mitigação da soberania. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. ao segundo. V. Entretanto. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. II. 2004. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno.

Nessa mesma seara.2007. Para legitimar a cobrança do imposto. Com efeito. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. a corte firmou entendimento.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. Informativo do STF nº 399.49 incidência de exação nas operações de exportação. porque se tratam de competências distintas. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. . I. não importa em fato gerador do ICMS. e Lei 10865/04). A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. como fato gerador do ICMS. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. CF/88). não há invasão ou excesso de competência. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. em verdade. IPI. conquanto em situações ímpares. Min. CF/88). CF/88. CF/88. a qual versa sobre o ICMS. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. CF/88). com lucro. independentemente da finalidade do bem importado. CF/88). rel. 155. 153. II. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. CF/88. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. no seu início. Nesse sentido. prevalecendo. No entanto. rel. IPI (art. Informativo do STF nº 469). em regra. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. No Informativo do STF nº 455. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. RE 206069-SP. IX. como está no art. Com a EC 33/01 (art. até 2001. “a”. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. . 155. de modo pacífico. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. rel. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. Esse posicionamento não é absoluto. II. há três fatos geradores diferentes. com o arrendante. “a”. 154. Eros Grau. A EC 42/03 alterou o prospecto. não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. a outra está constitucionalmente autorizada. DJU de 1º. § 2º. o constituinte deixou isso claro no art. na prática. a73 STF. na linha do que vinha decidindo o STJ. III. “a”. Por se tratar de situação excepcional. CF/88). em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. para o acórdão Min. 155. por coincidência. 72 Em tese. para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. IX. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. “a”. Há atividade de mercância. Na mesma esteira. mas não transferência. § 2º. § 2º. a LC 87/96 (art. De fato. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. § 3º.9. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. com a redação dada pela EC 3/93. há um autêntico “bis in idem”. “in fine”. os quais. Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. II) – na verdade. 155. Nesse caso. Assim é o Brasil: ICMS (art. pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . Min. com fulcro na competência distribuída pelo art.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. 146. o “leasing” é um contrato híbrido.2006). 195. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. III. 149. as quais não exerciam atividade importadora de mercância. VIII). vedou tal prática. 30. Ellen Gracie. que a operação de “leasing” internacional. 3º. essa idéia não impera. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). Marco Aurélio. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. 74 A circulação. IV.5. X. ocorrem no mesmo contexto fático. acrescendo-se. § 2º.

II. suas fontes principais são: lei. tal qual está expresso no art. O art. costumes e jurisprudência. CF/88). quanto à majoração da exação. 150. O art. A regra do art. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. a definição do fato gerador (elemento objetivo). “a” e “b”. 5º. Dentro do Direito Tributário. CTN. . II. 59. assentada em posicionamento firmado pelo STF. Exceção à regra da legalidade estrita. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. 2006. a doutrina majoritária. No mesmo diapasão. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. CTN. São Paulo. dentro do sistema constitucional posto. traz. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. decretos e normas complementares. I. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei. 96 a 112. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . Dessa feita. ou seja. o qual. § 4º. em seu bojo. Nesse sentido. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. II. 177. III e IV. 97. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. IPI e IOF) e ao IEG. Direito Administrativo. lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 98 e 99. CTN. VI. começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. O art. traz o chamado princípio da legalidade. Além desses parâmetros. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. CTN. CTN). CF/88. tal qual está no art. 19ª ed. tratados internacionais.Fontes primárias – são as leis. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). II. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. não abarca o ato do executivo dado por decreto. sem ter como base um diploma legal. tanto interno quanto interno. 97. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. do sujeito passivo (elemento subjetivo). decretos legislativos. 97. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. CF/88. o princípio da legalidade tributária. I a VII. 99. 97. regulados respectivamente pelos arts. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. não poderá ser autônomo. O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. Atlas.. com certeza. Em contrário senso. resoluções do Senado. 97. 146. traz o princípio da tipicidade. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. Dessa forma. como LC que é (art. CF/88. 96. CTN. ao contrário do art. é válida e aplicável a previsão do art. em uma interpretação conforme a Constituição (art. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). 84. CTN. CTN. Em verdade. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. No entanto. o decreto executivo. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. doutrina. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. IE. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. “b”.

O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. fazendo com que a disposição daqueles. a tipicidade garante a segurança jurídica.11. V. consoante o preenchimento dos requisitos do art. 98. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. Com efeito. mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. configurando a relação jurídica-tributária. tal qual a redação do art. Não é uma posição pacífica na doutrina. o ar. O art. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. No entanto. 49. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. 2006. I. Em um primeiro assunto. vige o regramento específico. 14. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. 181). O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. Celso de Mello. dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. o STF entende. CTN. complementando a legalidade. 97. Nesse sentido. no tocante à matéria tributária. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). por disposição normativa própria. não sendo aplicado a outras situações. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. Estando nessa seara. p. DJU 30. os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. I e II. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. “caput”. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. 97. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. A soberania interna prevalece. 28. . exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. com base no art. CTN. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. Ademais.1997.1997. O art. CTN. O STJ faz uma leitura semelhante. LC 101/00. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). se refere dos tratados internacionais.5. rel. “in fine”. Min. VI. quando da edição do CTN. Plenário. Dessa feita. CF/88. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. 98. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. O legislador é único que pode fazê-lo. Ext 662-2. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. CTN. j. Em verdade.

20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento.8.2007. sendo essa incontrastável. op. CTN. nesta tarefa. I. entram em vigor na data de sua publicação. CF/88). salvo disposição em contrário. o STF entende dessa maneira. 81 No mesmo sentido. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. Todavia. REsp 480563/RS. Por uma questão de opção do legislador. 6. 84. Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). j.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares.52 Questão que também se coloca quanto ao art. 103. Min. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. . CTN. 16. 100. dispositivo que deve ser concatenado com o art. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. rel. esse argumento não subsume à situação em apreço. . CF/88). circulares. em termos de vigência. I. 98. VIII. 153. j. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. Plenário. CTN). Machado.2005. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. p/ o acórdão Min. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. RE 229096/RS. 79 Em matéria de tributação municipal. STF. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). orig. rel. 103. CTN. Ademais. isso não é possível (art. III. Essas visam completar as fontes primárias. Cármen Lúcia. Dessa forma. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. rel. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais.9.. 78 Nesse passo. A teor do art. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. vedando-se a isenção heterônoma. nos exatos termos do art. As Súmulas 575 do STF. em um autêntico ato de soberania. Atos administrativos – portarias. inicialmente sobre a importação de bacalhau. Luiz Fux. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. cit. Ilmar Galvão. STJ. Na vigência da atual Constituição. CTN. porque o Presidente da República. Min. em que pese não haver opinião do legislativo municipal. atua como chefe de Estado (art. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. ou membro da ALALC. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. 100. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. Informativo do STF n° 476. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. Apesar de não haver precedente jurisprudencial.

97. são conceitos de Direito Privado. 97. Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. Ex. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. 100. Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. 108. São os seguintes. A renúncia de receita por equidade não é possível. Ressalvada estipulação ao reverso. § 2º. CTN). CTN. é um misto de costume e de ato normativo. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. CTN). 103. CTN). não há de se falar em termo inicial de vigência. devendo ser verificado o caso concreto em análise. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. recorre-se a uma seara mais ampla. I e III. Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. III. prestação de serviço. 107 a 112. I a IV. Como são formadas gradativamente.: empresário. 108. CTN). CTN: I. desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. de acordo com os incisos do art.53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. III. CTN). prescrição. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. No exercício da capacidade tributária ativa. os quais serão analisados sucessivamente. VI. decadência. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. locação. CTN). III. segundo uma ordem peremptória. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. Equidade – é o valor maior da justiça. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). II. 109. No entanto. 108. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. IV. mas não sobre os efeitos tributários (art. CTN. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. . CTN. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. 108. IV. § 1º. etc. elas podem ser configuradas como fonte tributária. 100. II. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. Práticas reiteradas da Administração – o art. CTN). 100. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art.

Nesse caso. porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. CTN. CTN). É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. Nessa última. se referem à interpretação da norma tributária. sendo remunerado pela correspondente prestação. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro.54 O art. O art. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. a imunidade recíproca (art. decidiu favoravelmente aos contribuintes. devendo ser utilizada em situações específicas. É o que leciona Carrazza. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado.. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. 111 e 112. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. porque preconiza a aplicação do STF. “a”. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. Os arts. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. 175 a 182. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. Em contrário senso. vez que se liga ao poder de polícia estatal. RE 116121. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. esse entendimento pode ser alterado. tal qual a redação do art. 150. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. CTN. diversa daquela deseja pelo legislador. 83 82 . 110. seguindo tal orientação. Dessa forma. VI. dispõe que não se pode alterar o conceito. CTN. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. Dadas recentes mudanças na composição do STF. Nesse sentido. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. cit. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. em votação folgada no Plenário. no rol de lei municipal. porque. a locação não estaria aí englobada. 112. III. na realidade. No primeiro caso. 151 a 155-A. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. com apenas um voto de dissidência. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. No segundo caso. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. CF/88. bens e serviços). O STF82. devendo ser adaptado à atualidade. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. Pleno. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. há uma extrema exceção. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. 156. não sobre prestação. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. op.

“in fine”. está nesse âmbito. CF/88. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. à guisa de convênios possíveis e existentes. a mais benigna ao contribuinte (art. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. Dessa feita. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. CF/88). traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. 62. Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. CTN. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). CF/88. incorporando o princípio “non olet”). 112. 173.Regular a limitação do poder de tributar. 94. O parágrafo único do art. III. isonomia. ADCT). A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. CTN). Conflito de competência tributária entre entes federados. CTN) e decadência (art. III. CF/88. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. § 1º. lançamento (art. 111. crédito tributário (art. CTN). formando a base do “Super Simples”. 139. CF/88 (base de cálculo. 118. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. 146.: “leasing” interno não é tributado. e se deve à unicidade no âmbito nacional. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. 146. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). II. sua função está perfeita no art. Ex. Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. 174. Como pressuposto. interpretação benéfica. Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). fato gerador e sujeito passivo). “a”.: redução de tributos. Lei Complementar – em matéria tributária. CTN) e a econômica (art. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. O art. . Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. 113. CF/88). CTN). dessa forma. 142. IV. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I. CTN) estão contidas no dispositivo. No entanto. CTN). crescendo e com eles fazendo concorrência. 69. 146. etc. 146. ainda melhor que o atual “Simples”. prescrição (art. a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. c. b. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. Ex. Com efeito.

também citado por Amaro. que muito o utiliza. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. A doutrina. citado pelo primeiro. CTN). 139 a 141. no entanto. CTN). O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas. p. erigindo a chamada tipicidade tributária. a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. Esquematizando.O repasse deve ser imediato. não sendo lícita a retenção. quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. domicílio e lugar do pagamento). CTN. 113 a 127. 156. capitaneada por Jarach. Obrigação tributária – está inserta no art. 258. cit. 113. inserta na norma. com dimensões continentais. op. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. 86 Amaro. Exclusão (art. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. e parágrafo único. 146. quantitativo. deverá obedecer aos seguintes limites: . capacidade tributária. CTN) – engloba a obrigação tributária. . 259. Na esteira do que previa o art.. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. CTN). temporal e espacial.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo.. Em verdade. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). o legislador complementar criou o “Super Simples”. uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer. . critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. Extinção (art. A sistemática. 175. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura. Foi instituído pela LC 123/06. . CF/88. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. III. por tal previsão.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. fica materializado o fato gerador85. cit. nesse passo. op. o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local.Previsão de um cadastro único de contribuintes. algo que ainda não se sucedeu. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. 85 .O regime será opcional aos contribuintes. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. “d”.

117. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. configura-se o fato gerador e. O que persiste é a conclusão do anterior. a exação incide desde já. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. O fato gerador não é a compra e venda. II. 125. ele pode constituir um negócio jurídico. dentre seus elementos acidentais. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. consubstanciado condição suspensiva (art. indo até determinado evento futuro e incerto. como o negócio não produz efeitos. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. Ex. Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. Na reversão. permuta. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). no primeiro. A cobrança no momento do novo registro. em realidade. fica perfeita a obrigação tributária. No segundo caso. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. CTN). etc. a condição implica em efeitos futuros. CC). 127. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). não havendo de se cogitar sua causa. 117. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. I e II. o fato gerador ainda não se deu (art. Do contrário. não há essa real mostra de potencial financeiro. Com efeito. Do mesmo . quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. mesmo no STJ. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. Ademais. por conseqüência. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. independendo de implementação ou não da condição (art. como seu pressuposto. Não há novo consenso. CC).57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. de capacidade econômica objetiva. o fato gerador do ITCMD é a doação. a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. 121. CTN). como ocorreu o fato gerador. Produzido o previsto na lei. Em ambos os casos. porque o preço é devolvido ao alienante original. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. 117. visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. o que torna a defesa fácil. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. Já na retrovenda. arrematação em hasta. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. transmissão é a simples alteração da propriedade. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. não persistindo nova transação negocial. I. CC). Fato gerador condicional (art. Destarte. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda.

: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. estão especificadas no art. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. No entanto. a doação não deve ser excluída da exação. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. conhecidas como deveres instrumentais. CTN) – além da própria fraude tributária. mas não de direito – e. 116. CTN. As obrigações acessórias. por meio da LC 104/01. foi acrescido o parágrafo único ao art. por opção política. De fato. considerou o negócio nulo. de seguir o principal (art. porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. quando as partes queriam praticar outro ato. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. dentro do plano da validade. dissolve-se sociedade. revelam o exercício do poder de polícia do fisco. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. Dessa feita. Com tal intenção. mesmo porque possui caráter autônomo. 194. o que implica em impossibilidade de aplicação. prática de caráter ilícito. a redução da carga tributária. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. Ex. conseguintemente. 167. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. não se admitindo perquirir suas causas. CTN). Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. parágrafo único. ao longo de anos. para não recolher o ITBI correspondente. para Ricardo Lobo Torres. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. 118. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). Não é acessória no sentido do direito privado. não existe tal diploma. porquanto é de eficácia limitada. parágrafo único. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. I e II. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. Cláusula geral antielisão (art. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. 116. Atualmente. Em verdade. CC. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. proibir a elisão fiscal. CTN. 59. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. 87 . apesar de legal87. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. as partes constituem uma sociedade empresária. por conseqüência. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. A Fazenda Pública tem tentado. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. Em verdade. CC/1916). informando-o acerca do pagamento do tributo). há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. o legislador. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”).58 modo. com menor propriedade. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente.

Aliás. a segunda. advindo necessariamente de lei. portanto. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. e da obrigação acessória não cumprida. convertida em sanção pecuniária. a serem escolhidas pelo legislador. Nesse caso. 96. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. o art. a obrigação acessória ainda persiste. Dessa feita. porquanto não há “conversão”. CTN. costumes administrativos. 113. Com efeito. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta.59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. CTN. em parte. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). de sobre ele legislar. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. 113. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. § 3º. CTN). V. prevista na legislação “lato sensu”88. justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). 115. mas a capacidade tributária ativa sim. a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. só é estipulada por lei. “caput”. segundo as necessidades de cada ente. I a IV. § 3º. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. tratados internacionais. O crédito tributário engloba ambas as categorias. as delineia. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). a penalidade. CTN) –. 100. CTN. CTN). No entanto. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. 113. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. CTN). A repartição do poder de tributar (competência). tal qual a defectiva letra do art. CTN. § 3º. mas a obrigação principal. a obrigação principal é de pagar. ainda que administrativa. § 1º. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. sendo um conceito mais amplo que o tributo. CTN). podendo incluir o tributo e a multa. A primeira está descrita no art. caracterizando a capacidade tributária ativa. Dessa forma. de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). no seu § 2º. Mas essa competência pode ser delegada. 97. Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. O art. 113. a uma pessoa autônoma. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. Em suma. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. a competência tributária não é delegável. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. 113. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. a qual não foi propriamente adimplida. 88 . decorrente do seu descumprimento (art. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. decisões administrativas e convênios – art. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária).

37. 149. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. 13.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. “caput”. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. para não permitir a solução de continuidade (art. CTN. porquanto. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. CNM. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles.. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art.). pecou em sua redação. Posteriormente. denominadas parafiscais. 174. a doutrina corrige o erro do legislador. 150. originado a partir do Estado de Goiás (art. para ser ressarcido de sua quota parte. Empréstimo compulsório – o particular. CF/88. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. III. Tributo não nasce do erro de pagamento. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. Nesse passo. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. ADCT). 90 Cf. é meramente sugestivo. Na execução fiscal. consideram-se dois sujeitos passivos tributários. O art. quando de sua nova legislação. 119. op. CC –. “caput”. em sentido contrário. No entanto. Machado. . 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. cit. salvo disposição legal em contrário. O indébito não terá natureza de tributo90. como condôminos de um imóvel. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. Pergunta: inicialmente. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. O particular será credor do Estado. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). asseverando que o rol do art. A decisão é muito mais política que jurídica. mas outras paralelas. mas nunca de fundo fiscal. à existência do Estado Democrático de Direito. Aliás. 119. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. essa já se encontra esgotada. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. fiscalizar e administrar tributos. etc. CTN). Havendo desmembramento territorial. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. a fiscalização pelo TCU. CF/88). dada a “causa petendi” do crédito envolvido. essencial à administração da justiça e. CTN. por sub-rogação. por conseqüência. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. 120. “caput”. 205. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”. não se sub-roga em uma relação tributária. II e XXI. em tese. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. de cunho financeiro. em que pese disposição cristalina do art. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. será substituída a antiga. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). não “numerus clausus”. mas não tributário.

no seu instrumento. em situações bastante específicas. CF/88. ao contrário da seara civil. detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. . em homenagem à garantia do credor.61 Na sujeição passiva. só é possível a solidariedade passiva. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. No entanto. 194. parágrafo único. além do contribuinte e do responsável. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. 121. Pode ser qualquer pessoa. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. CTN). No âmbito tributário. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. 150. CF/88). transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. II. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. mas a lei. “a”. a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. I a III. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. também denominado “schuld” ou “debitum”. “in fine”. parágrafo único. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. CF/88). a massa falida e as sociedades de fato (art. como o espólio. parágrafo único. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. Como se trata de matéria referente à fiscalização. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. Quanto às obrigações acessórias. inclusive o próprio Estado. o sujeito passivo poderá ser. contribuições e empréstimos compulsórios –. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). sendo denominado sujeito passivo direto. com responsabilidade concomitante. § 7º. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. 150. Sem perder de vista a linha de raciocínio. Nesse passo. 126. não se restringindo ao particular. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. e 121. natural ou ordinário. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. não da vontade das partes. VI. terceiro alheio à relação tributária. CTN). Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. No entanto. ilimitada e alternativa pelo débito. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. bem como impostos como de importação.

A rigor. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. sendo favorável ou desfavorável a todos. a relação obrigacional tributária nasce da lei. II. parágrafo único. VII. 134. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. os quais merecem detenção mais apurada. de alguns ou de todos.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida. No primeiro. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. . independentemente da cota-parte de cada qual. Nesse segundo caso. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. De fato. CTN): I. o fisco poderá cobrar de um.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. O art. 123. os demais serão aproveitados. CTN). desenha uma responsabilidade subsidiária. 123. Os arts.Nos benefícios fiscais (isenção. CTN. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. o art. CTN. 134. ou seja. excluindo-se as sociedades de capitais. na qual se pressupõe um benefício de ordem. A integralidade do tributo é devida por todos. I a III. Por fim. VII. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. parágrafo único. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. Obviamente. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. objetivamente. CTN). sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. CTN. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. III. aproveitando todos os devedores solidários. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. III. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. 134. sendo o benefício realizado “intuito personae”. 125. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. No entanto. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. permanecendo a dívida em relação aos demais. extingue-se a obrigação tributária principal.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. O argumento não é oponível ao fisco. só é excepcionado se houver comando legal em contrário. 123 e 124. Ou seja. CTN). e 135. em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário.

sócios e administradores. “caput”. 135. mormente ligada ao recolhimento de tributo. 78. deverá recolher o tributo. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art. III. Os sócios. 204. . o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. ao contrato social ou ao estatuto. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. II. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. LC 123/06). 78. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. e 128. aquele que. segundo o STJ. Nessa hipótese. Se o sócio constar da CDA como devedor.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. Observa-se que é uma responsabilidade integral. a qual integrou ao Texto Maior o art. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador. CTN). 150. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. Características gerais – em qualquer das duas categorias. 78. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. isto é. parágrafo único.O terceiro responsável. § 7º. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. não sendo necessária dolo. Entretanto. a ser efetivada em até 60 dias (art. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. CC. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual . Será medida célere. § 1º. “in fine”. CTN).63 No segundo. na linha do art. CF/88. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. CTN. para responder nos moldes do art. Para que se caracterize infração a normas. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. 50. LC 123/06). 121. 123. não interessa o tipo societário adotado. LC 123/06. com excesso de poder ou com infração à lei. sem praticar o fato gerador. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. como bem vem decidindo o STJ. O art. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. excluindose a pessoa jurídica do correspondente. diversa do não pagamento da exação. A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. qualificado pela lei como sujeito passivo. é possível destacar três traços marcantes: . CTN). deverão ter poder de gerência na empresa. § 3º.

64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. CF/88). por ocorrência de um fato superveniente. a outrem (substituto tributário). Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. “(. porque existe em outros. p. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte. .). as exações correspondentes. uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. Amaro (2006. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados. 195. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade.. o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. porquanto esse sucede aquele. sobretudo.O instituto representa. 307). na substituição. no ato. Ex. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. III. Já na substituição. O IR. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. . como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. p. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. por exemplo. ela já recolhe. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. Essa característica decorre. em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. Em que pese intensos debates hermenêuticos. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. quando no exercício do poder de tributar. Na esteira. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. como a CPMF. Da mesma forma. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. Essa divisão decorre diretamente da lei. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. havendo débito de IPTU atrasado. possui vários exemplos. 2006.. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. da segurança jurídica. ou seja. na sua essência.: na alienação imobiliária (fato superveniente). sendo certo que o liame há de ser econômico. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco.

o consumidor final arcará com a carga tributária. a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. uma postergação. um retardamento (substituição para trás. respectivamente. Informativo do STF nº 469). constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. haveria pesos diversos para a mesma situação. com suas alíquotas. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). DJU 17. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). há uma antecipação na tributação (substituição para frente. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. inclusive no STJ. Com efeito. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. tal qual estabelecido na legislação tributária. utilizada pelo Brasil. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). Em ambas. ora destaca o último. É o entendimento prevalente nos tribunais. Para eliminar custo. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. Para evitar tal ocorrência. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. O fisco teria dado cumprimento à lei. pacote de cigarro.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. Gilmar Mendes. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. 146. Na anterior. porque não se trata de sanção. regressiva ou diferimento fiscal)91. Min. no segundo. contudo. No contexto em tela. Ao revés. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. no caso de exação estadual ou municipal. Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. rel. submeter o responsável a qualquer exação a maior. a exação. Acontecendo situação contrária. sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. o Estado criou a responsabilidade por substituição. utiliza-se a técnica da não cumulação. já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). além da alíquota. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. Nessa última. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. CTN. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. 91 . É uma tese a favor da Fazenda. aduzida com base no art. por norma regional ou local. sem. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. a Administração Fiscal. o fisco realiza a cobrança da diferença. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. unidade de automóvel.8. porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. sendo irrazoável tal posição. fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. não há uniformidade quanto ao entendimento. o que privilegia a segurança jurídica. trabalho. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia.2007. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. No primeiro caso. não cabendo restituição ao substituído final. como é o caso da isenção e da imunidade. O diferimento tributário. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). progressiva. No esquema da substituição. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. pode ser estatuída. No entanto. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas.

o Estado estaria abrindo mão de receita. Restituição – a referida emenda. da máquina administrativa e dos serviços públicos. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. à estimulação ao crime de sonegação. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). Com efeito. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional.66 etc. Além disso. Nesse passo. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. No entanto. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. o direito de restituição compete ao substituído. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. garantiu a restituição dos valores recolhidos. “caput”. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. a qual não legitima a restituição. tutelada pelo arts. Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. porque há um repasse na nota de compra. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. e 170. Dessa feita. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. Porém. CF/88. 1º. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. § 7º. mesmo porque. IV. Nessa ponderação de valores. Vamos ao delineamento dessas considerações. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. a qual acrescentou o art. os empresários estariam onerados. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. Aparentemente. Por liberalidade. Na esteira. a exação já foi recolhida . sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. a sonegação fica eficazmente mitigada. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. o STF optou pela decisão política. 150. promulgada a EC 3/93. tornando a sonegação francamente presente. A substituição tributária é um sistema inteligente. CF/88. caso não ocorra o fato gerador. mediante outras condições. Segundo o STF. Entretanto. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei.

não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). CF/88. O segundo fulcro liga-se ao confisco. não há causa para arrecadação. Preço e valor são conceitos diversos. em realidade. com bastante força política. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. CF/88). Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. Base de cálculo é valor e não preço. não podendo o Estado abrir mão dela. sobre a mudança jurisprudencial. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. Nesse sentido. há grande pressão para alteração legislativa e. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. em tese.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. por quê? Se sim. IV. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. “a”. na primeira. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. produtos de limpeza e fumo. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. a um depósito. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. sendo certo que. o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. montante concretamente agregado. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. A riqueza revelada corresponde àquela existente. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. a sonegação fiscal. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. III. que foi quem efetivamente pagou. os postulantes da tese anterior visam. Ex. prática vedada pelo art. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. principalmente. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. bebidas. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . Dessa feita. 150. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. 146. 93 . .: a base de Cf. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada).Pela não restituição – preliminarmente. medicamentos. Do contrário. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto.67 sobre o montante cheio. havendo uma diferença em favor do fisco.

II. REsp 469. sendo esse transferido integralmente ao sucessor. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art. A aceitação abalaria a segurança jurídica. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. com os fatores já supra mencionados.123-GO. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”. 4º. AgRg no Ag 455. o STJ seguiu a orientação96.386-SP. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. posto que.915-MG. se houvesse um subfaturamento. DJ 24/6/2002. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção. estaria prejudicada. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. Ocorre que o art. a execução é do crédito tributário. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . Quando esse se realiza a valores menores. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. Informativo do STJ nº 319. ADIn 1851/AL. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. Ademais. DJ 4/8/2003. João Otávio de Noronha. § 3º. 2ª T. LRF). 14. A responsabilidade do infrator é pessoal.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. 150. REsp 436. Quanto ao primeiro. Se esse intentar o feito dessa maneira. RMS 13. julgado em 3/5/2007. a Fazenda teria que devolver o montante. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. REsp 552. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei).506-PB. STJ. DJ 11/9/2000. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). . sob pena de abuso de direito. Além disso. principalmente nas multas menores. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. § 3º. A otimização da arrecadação. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. o Judiciário 95 96 STF. em um momento futuro (venda final). CF/88. DJ 28/4/2003. Min. LC 101/00). não há direito à restituição95. § 7º. rel.019-SP. englobando o tributo e a multa. Após o posicionamento do Supremo. DJ 10/3/2003. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. Daí.694-MG. REsp 245.

Esse também tem sido o entendimento do STF98. dos sucessores e de terceiros. . desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. À luz exclusivamente do texto frio da lei. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). Os primeiros são os basilares do Estado. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. Do contrário. gerais e setoriais. por fusão. Assim. 133. CTN.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. essas seriam as disposições normativas. essa última foi estudada em tópico separado. 131. 130. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. O art. com conotações diversas em cada área específica. CTN). trata da transferência empresarial. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). restrito à seara punitiva do delito fiscal. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). I. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. CTN. Em suma. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. Todavia. 132. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). divide os princípios em três categorias: fundamentais. Pergunta: Luciano Amaro. CTN. durante as aulas do curso. Quanto ao segundo. O art. “caput”. CTN. Na esteira. 131. é apenas sugestivo.613-SP. RTJ 78/965. No entanto. Somente o art. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. seja a responsabilidade por transferência por substituição. por incorporação. asseverando que o rol do art. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. RE 83. a corte poderia uniformizar o entendimento. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. 132. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. O art. por substituição e por solidariedade. CTN. 98 STF. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. o art. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. trata da transferência “causa mortis”. com exclusividade. já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. melhor 97 Luis Roberto Barroso. não sendo possível sua extensão a outros. 130. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. II e III. parágrafo único. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. elementares à sua própria existência. “caput”. Optou pela segunda linha. na verdade.

Atualmente. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. .Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. mormente quando se trata de operações societárias (art. pelos atos por ou perante eles praticados. Em verdade. em homenagem à segurança jurídica. a qual possui fé pública. CTN. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão.70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. Pendendo exação sobre a coisa. é a prevalente. CTN. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. Quando. 131 e 132. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. 130. por analogia. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel. VI. do art. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. serão transferidas ao sucessor. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. por exemplo. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. em tese. Essa situação se defere à segurança jurídica. no ato de . em concurso público. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. afinal. a regra é de obrigação “propter rem”. Entretanto. Entretanto. a título subsidiário. parágrafo único. logo posteriormente à hasta. mesmo porque. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. obrigação tributária). no momento da hasta. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. Nesse raciocínio. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. dependendo do ponto de vista. 130. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. em sentido contrário. Mesmo sendo uma execução particular. 132. entendeu a corte que as multas. Pergunta: o STJ. componentes do crédito tributário (na realidade. Posteriormente. ao interpretar o art. CTN). acusando outros débitos não indicados. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. Qual posição. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. Assim. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. CTN). o adquirente não arcará com os débitos fiscais. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. CTN. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. 134.

CTN. CTN. CTN. CTN). O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. é possível alcançar o executado e. 124. Caso haja certidão negativa de dívida. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). VI. . decorrente da própria atividade empresarial. a responsabilidade do adquirente oscilará. não poderá. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. Também não foi prevalente. não responde pelos débitos tributários. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. No entanto. II. em que pese ser integral. “caput”.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. Uma vez que exare certidão negativa. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. considerada não escrita. subseqüentes à alienação (art. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. 134.71 aquisição do imóvel. 133. 133. 208 do CTN. vir a cobrar os valores do adquirente. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . CTN). Antes do repasse do preço ao exeqüente. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. I. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. 133. será subsidiária. Nesse caso. I. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. I. O postulado se fundamenta no art. posteriormente. CTN). conforme art. seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. 130. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. por conseguinte. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. Será integral. 133. genuína engrenagem da economia. a Administração Pública responde por tal informação. 133. No caso da responsabilidade espelhada no art. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. porque a solidariedade não pode ser presumida. perfilhada pelo STJ. parágrafo único. CTN). subsidiariamente. Na operação de trespasse. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. Não foi a tese vencedora. de arrecadação fiscal. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. fonte de riqueza. por Machado (1993) e por Paul Erik. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. de emprego e.

133.72 débitos tributários. § 2º. ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais. a Lei 8620/93. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. no REsp-AgRg 410. 133.080. REsp 717. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos.755. O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. CTN). Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. 13. CTN). Havendo falência ou recuperação judicial. “caput”. Para adaptar o CTN à nova realidade. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art.250-RS e REsp 638. na década de 90. I e II. o qual disciplinou as sociedades limitadas. § 3º. foi promulgada a LC 118/05. . são incompatíveis com o diploma anterior. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. no seu art. CTN. notadamente de contribuições sociais. . dada a função sócio-econômica daquela. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. Dessarte. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. de alguma forma. 13. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores.717-SP. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. II. ao alienante. CTN. 99 STJ. 133. AgRg no Ag 728. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. considerando o negócio do trespasse. as disposições seguem comandos específicos. Do contrário. o STJ se pronunciou sobre a matéria. Em verdade. parágrafo único. caso esse não esteja ligado. enquadrando-se naquelas do art. com fulcro no art. 124. 124. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. 133 da codificação. 133. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante. Contudo. CTN. A revogação foi implícita. Inicialmente. Com efeito. 1052. a qual acresceu três parágrafos ao art. o eventual adimplemento tributário. § 1º. CTN).INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. Pela regra.

Pelo contrário.684-SE. . Lei 8620/93. “caput”. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. 146. geral. a tese da inconstitucionalidade formal do art. toda a estrutura econômica positivada (arts. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. III.898-DF e REsp 839. É a teoria “ultra vires”. fica sufragada. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. e 170. o art. Lei 8620/93. LEF). A constituição de sociedade limitada. “caput”. invertendo-se o ônus da prova. enquanto o CC. Lei 8620/93. 135. 3º. 124. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. o próprio art. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. Por tal argumento.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. Segundo a corte. nesse passo. III. 1º. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. Nesse caso. CF/88. “caput”. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. 13. Lei 8620/93. CTN. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. Esta justificativa também não é própria. A jurisprudência. contida no art. por via reflexa. bem como. A referência que se faz à infringência da lei. mandamento construído pela Lei Maior. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. CF/88) fica prejudicada. foi mudada hodiernamente100. fica reprimida. CTN. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. Lei 8620/93. haverá responsabilidade decorrente. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. Em nenhum momento. “caput”. II. 13. com seus benefícios legais.73 CC). IV. também perfilhada pelo art. “caput”. 13. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. 13. uma vez que o sócio conste da CDA. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. o comando continua válido. REsp 441. o CTN atende ao comando constitucional. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. CTN. Essa tendência. porquanto a Lei 8620/93 é especial. apesar de não haver qualquer decisão tomada. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. Contudo. Dessa feita. “caput”. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. . porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. vigente e eficaz. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. 135. porquanto goza da presunção de constitucionalidade. como bem ventila o art. 13.

o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. é recorrente. 138. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. . sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. Nessa seara. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. Visa primordialmente favorecer o Estado.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. por exemplo. Restringindo um pouco mais. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. CTN? Inicialmente. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. 138. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. Dessa forma. não dando azo à execução pessoal do administrador. a sonegação. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. Esse pode decorrer de situações de mercado. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. Ademais. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. o fisco já estaria cobrando. foi criado instituto da denúncia espontânea. EREsp 690. parágrafo único. quer seja na seara administrativa ou criminal. CTN. com antecipação do pagamento. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. Ag Rg no EDcl do REsp 826. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação.628-PR. incidem multas pesadas sobre o ilícito.133-PR. São os casos. Nesse sentido. quando for percebido nessa prática. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. porque. Para tentar corrigir. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. o Havendo denúncia espontânea. CTN. “caput”. . 138. Contudo. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva.681. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. nesse momento. para que se conceda o benefício previsto no art. É o entendimento esposado pelo STJ101. tal qual a disposição do art.

REsp 831. pressupondo lei específica para tal. CTN. 142 a 150. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. Na mesma esteira.290-PR. Denise Arruda. EREsp 760. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. Deveria caber no parcelamento. em que pese não ser a tese vencedora. 151. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. 155-A. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. CTN). 1ª Seç. Nesse sentido. originário Min. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. aduzido pelo devedor. enquanto o legislador. Lançamento Está disciplinado nos arts. Nesse sentido. o entendimento foi alterado. Informativo do STJ n° 323. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. rel. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. lançamento é um procedimento (na 102 STJ. segundo a jurisprudência do STJ. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. conceitua lançamento. pode afastar qualquer espécie de penalidade. 138. porque o Estado não pode fomentar. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. O art. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. 138. DJU 30/6/2006. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. CTN. 13/6/2007. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. A primeira independe de qualquer norma. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. § 1º. Castro Meira. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. “Data venia”. . De acordo com a jurisprudência supra mencionada. CTN. VI. pelo qual perdoa uma receita. na leitura realizada pelo STJ102. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. Do contrário. não distingue qual a natureza da multa. CTN. rel. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. para acórdão Min. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. enquanto procedimento. como vantagem. 142. j. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. na anistia.. “caput”. O parcelamento. “caput”. “caput”. Dessa feita. indiretamente. de acordo com sua conveniência e oportunidade. a anistia é ato efetivado pelo credor. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. CTN. o inadimplemento tributário.278-PR. tal qual o art. No entanto. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea.

Essa posição não é unânime na doutrina. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. porque o fato . cálculo do montante a ser pago. analogamente. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. V. conseguintemente. mas o devedor continua no direito de pagar. Com base na doutrina estruturalista alemã. em que pese ter havido extinção do crédito tributário. • Como terceiro fundamento. Dessa feita. isto é.76 visão do legislador). 156. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. 142. determinação da matéria a ser tributada. V. Na esteira. porquanto essa é a perda do direito de lançar. Na teoria em tela. Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. Quanto à segunda pergunta. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. terminando com a notificação do contribuinte. criado esse por força da lei. Dessa feita. O que é extinta é a pretensão. o art. “caput”. não o crédito. chamado lançamento. caracterização do fato gerador. Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. Não houve lançamento. CTN). CTN. No entanto. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. CTN). o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. No diapasão. o citado mestre defendeu essa posição clássica. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. a decadência também não extingue o crédito. a mora pressupõe crédito. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). não é possível que o lançamento crie o crédito. ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. porque o lançamento é pressuposto para tal. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. 156. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. materializado pela notificação. incluindo eventual penalidade. ainda que por meio de ação de consignação. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. sem esse aquela inexiste. errou. sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício.

aduzida pela lei. em comentários feitos em aula. o Por declaração. Nos demais casos. Contudo. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. etc. ITR. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. Nesse passo. Ex. devendo ser aduzido pelo contribuinte. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. assim como sua correspondente obrigação. Ademais. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador.: IPTU.: ITBI. o fisco sabe de antemão o valor. Ex. do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. o lançamento constitui dever-poder da Administração. no IPTU. I a IX. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. CTN). também. taxas. aplicável ao crédito e à obrigação. por conseguinte. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. parágrafo único. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. o sujeito passivo paga. contribuições de melhoria. Após tal ato. o momento do nascimento da obrigação – e. cobrando. o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. opiniões diferentes. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. o mestre afirmou que o crédito tributário. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. Ex. daí a razão de serem. autos de infração. CTN). Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. Pergunta: o professor Pedro Barreto. Modalidades de lançamento – para identificá-las. 148 e 149. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. 142.: no ICMS. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. II e IE. O lançamento por declaração está . de sua natureza. Após a cobrança. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. cobrando diretamente do contribuinte.

Contudo. o Mandado de segurança com liminar (arts. Corresponde à maioria das exações. CTN). CTN.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. IPI. Havendo diferença entre o devido e o pago. 5º. haverá lançamento de ofício posterior. calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. “caput”. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. Trata-se de ficção jurídica. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. 5º. XXXV e LXIX. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. Dessa forma. a cobrar eventual diferença. Ex. Não existe decadência do lançamento por homologação. IV. CF/88). “caput”. Posteriormente. constituindo a quitação como meio de prova. ele passa a ser exigível. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. IR. CF/88. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido.78 previsto no art. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . a Administração tributária realiza o ato. interpretando a legislação. CTN). III. 147. etc. Em verdade. o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. 151. O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. e 151. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. Permite a ampla defesa dentro do feito. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. o fisco homologa o valor recolhido (art. Lançado o crédito tributário. CTN). com as devidas peculiaridades do D. 150. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. quando se invoca direito líquido e certo a ser . O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador. 151 a 155-A. 70235/72.: ICMS. inclusive os lançados por homologação. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. CTN). Com base nesse documento. dentro de um PAF. por qualquer uma de suas formas. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. Nessa seara. LV.

ao contrário da primeira. I. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. CTN. 151. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. como já disse o STJ104. rel. Para impedir seus efeitos. visto que está presente o “animus solvendi”. “caput”. II. Dessa forma. o parcelamento (art. instituto denominado moratória (art. 62. 103 . 273. “caput” e parágrafo único. e 151. Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. Com efeito. se houver eventual lançamento. D. . tida antes do lançamento. salvo disposição legal em contrário (art. da postergação da mora com consentimento do Estado. no depósito integral. 207). j. 1ª Seç. José Delgado. 151. EREsp 215. DJU 25/2/2002. CPC). o Depósito do montante integral (art. não objetiva desconstituir o crédito tributário. DJU 26/9/2005. CTN). A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. Com efeito. deveria haver inscrição em dívida ativa. dando azo à execução forçada. II. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI.752-SP. CC). o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. 151. 360. V. CTN). O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art.725-BA. REsp 251. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). a suspensão do crédito tributário. mas não tem condição de pagar o tributo à vista. 151. Lei 1533/51).Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. No entanto. 104 EREsp 479. DJU 3/11/2003. 7º. 5º. por exemplo. p. 12/9/2007. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. CTN)103.641-PR. Nesse caso. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado.350-SP. CF/88. 154. caso haja lançamento durante o curso do processo..589-RJ. à razoabilidade e à eficiência. ou requerer. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. É a situação mais comum. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. 2002. em tese. mormente com o intuito de discutir a dívida. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. Informativo do STJ n° 331. também a título de tutela antecipada na inicial. mas não a única. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. “caput” e I. Do mesmo modo. Min. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. REsp 490. CTN). REsp 258. instituto constante do Direito Privado (art. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. é uma espécie do gênero moratória.79 demonstrado por prova pré-constituída. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. XXXV. I. VI. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. V. em verdade. CTN). 70235/72). Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Previamente à cobrança do débito fiscal. DJU 12/3/2001. É o caso.

não ocorreu. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. Antes. que apurou a legalidade do fato. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. “in fine”.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. CTN). Min. Curso de Processo Civil: Execução. CPC. aplicáveis à execução fiscal (art. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. 2007. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. São Paulo. “caput”. acordos. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. Ellen Gracie. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. e 739-A. o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. no caso de alienação de imóvel. No entanto. . argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. pendem alguns efeitos: . A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. . Ao requerer documento de situação. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. v. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade.: pode participar de licitação ou prestar concurso público. Informativo do STF n° 472). se a demanda for infrutífera. Revista dos Tribunais. LEF). considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. ela não incide. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. Foram erigidas duas teses. a discussão judicial implica em mora. Ex. impede-se a prescrição. Contudo. O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. na realidade. “caput”. Por exemplo. protestam. suspende-se a prescrição. rel. . Por conseqüência. 130. depois. a qual contou com sucessivas reedições. 736. antes do decurso. além de Luiz Wambier. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. Por todos. conquanto.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. 1º. o que. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. 2. A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos.

por vezes.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. . não a suspende. se a exigibilidade não está presente. CF/88. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. caracterizando-se sua intempestividade desde então. nos 30 dias para o recurso administrativo. não corre a prescrição. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. 19/6/2007. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”. tem vez a mora (“ex re”). . a arbitragem. Entretanto. segundo pronunciamento pacífico do STF. rel. Em melhores termos. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. o que. não existe direito absoluto. leitura referendada pelo STJ (STF. CF/88).Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. CF/88) não exige o pagamento de taxas. isto é. . “caput”. reputandose como definitivamente constituído o crédito. 1ª T.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. 160.Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. mormente previstos no art. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial.. 5º. A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial. STJ. mas sim o condicionando. a chance de provimento é muito maior. AC 1.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. de certa feita. CF/88). Informativo do STJ n° 324). Estados. não ocorre. segundo a linguagem própria do CTN.566-MG. direito individual e cláusula pétrea. LV. detém jurisdição. . j. Dessa feita. José Delgado.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. Preclui o direito a recurso administrativo. XXXV. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. segundo alguns fundamentos: . Min. “a”. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário.116-SP. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. Antes de tudo. . a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. REsp 943. não se estaria negando acesso à jurisdição. não sendo exigível o crédito nesse período. 5º. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. DJ 27/4/2007. ao menos na primeira instância administrativa107. “caput”. Por exemplo. DF e Municípios). 5º. 37. LXXIV. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. CTN). além do que a garantia do direito de petição (art. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art.

Nessa vertente. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. Não há litígio jurisdicional instalado. A garantia não provém de disposição constitucional. Se houver vício no PAF. 5º. considerou o depósito recursal como inconstitucional. Dentro dessa idéia. CF/88. . CF/88). tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. Segundo o STF. ao revés. não obstante poder determinar condicionantes para tal. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. XXXV. porque. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. Ademais. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. por conseguinte. caso houvesse insucesso na seara administrativa. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. o que não se liga ao mérito da questão. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. respeitados os direitos adquiridos. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. por motivo de conveniência ou oportunidade. Em verdade. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. Até poucas décadas atrás. a apreciação judicial”. Para a doutrina processualista.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. em recente decisão. em matéria fiscal. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. 5º. dentro de um PAF. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. Dessa feita. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. e ressalvada. o Excelso Pretório. porque a celeridade não é seguida (art. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. inviabilizando a continuidade do PAF. não assistindo razão para recorrer à via judicial. não causando prejuízo ao administrado. como antecipação de penhora. em todos os casos. porque deles não se originam direitos. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. na realidade. legitimidade. LXXVIII. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. Dessa feita. mas sim legal. para que esses ganhem confiabilidade e. Porém. ou revogá-los.

frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. REsp 943. AgRg no RMS 14.. Lei 9432/97). Em contrapartida. Na esteira. 33. Informativo do STF nº 461. ADIn 1. não obsta a execução. Lei 9432/97). § 2º. para a Administração Tributária. . j.. 19/6/2007.976-7-DF. 33. há certeza de que. 111 STF. AgRg no Ag 829. RE 388. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. rel. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. rel. Isso significa que o depósito a menor. DJU 9/9/2002. tendo sido declarado como inconstitucional111. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. sendo improcedente o feito. limitado o arrolamento.937/92. Segundo a corrente. 9. 64. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D. Lei 9432/97). o percentual de 30% foi novamente contestado. 1ª T.corroborada pelo STJ . que regula o processo administrativo fiscal. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal.2007. j. 70235/72. 20/9/2007. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. j. 110 Nos termos do art. Doutrinariamente. Marco Aurélio. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. Nesse caso. “caput”. RE 311. alterado pela Lei 10522/02. STJ. Em qualquer caso. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios. § 2º. 2º. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. 64.). em eventual execução futura. § 4º. com piso de R$ 500. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. sem prejuízo do seguimento do recurso. Dentro desse contexto. DJU 5/6/2007. Min.. A presunção se 109 109 83 STF.566-MG.116-SP. a natureza jurídica é híbrida. Min.00 (art. infringindo o contraditório.030-RJ. João Otávio de Noronha.359. rel. DJU 26/10/2001. D. porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente. rel. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. Min. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. 64. AC 1. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários. 2ª T. 70235/72. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. 64. prevista nas hipóteses do art. Lei 9432/97. José Delgado. Devido à recente mudança de composição do STF. segundo entendimento estipulado pelo STJ. Min. valor entendido pelo contribuinte. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art.000. § 7º.). DJU 27/4/2007. (. Informativo do STJ n° 332. Joaquim Barbosa. Lei 8. o art. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. ADIn 1976/DF. I a IX. o arrolado não poderá alienar.. § 3º. “In verbis”: Art.. 112 STF.4.023-3/RJ. Informativo do STJ n° 324. (.932-SP..

A priori. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). imposta pelo fisco. a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro. afetando sobremaneira a governabilidade. 2º. 163. CTN. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente.2007. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. como lembra Chimenti (2002. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. a subordinação. 9º. II a IV. em 24 horas. 151. II. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. por uma questão de lógica. 4º. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. AC 1657 MC/RJ. Ademais. . pois passa a ser “res in judicia”. Na consignação. por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. “caput”. Conseguintemente. Em contrário. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. 27.84 encontra em favor do credor. Dessa forma. é lícita. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. adendo componente da LDO (art. Informativo do STF n° 473. II. não consubstanciando receita em sentido estrito. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. 798. II. porquanto se trata de autêntica imputação (art. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. Min. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. O ônus da prova se defere ao contribuinte. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. não cabendo indicação de bens. a CEF pague o primeiro. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. orig. No plano orçamentário. CPC). Dessa feita. Como já fora mencionado. Sob os auspícios do Direito Financeiro. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. Destarte. j. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. o juiz expede o alvará de levantamento para que. Nos embargos à execução. LC 101/00). O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. por meio de ação cautelar. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. DL 1593/77. rel. 207). § 3º. esvaziando-o. LEF). Joaquim Barbosa. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. rel. por meio do poder geral de cautela (art.6. STF. CTN). p. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito. p/ o acórdão Min. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. com redação dada pela Lei 9822/99. Cezar Peluso.

Ministro Cezar Peluso. pois ele é espécie do gênero moratória. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. desde que preenchidos os requisitos legais.8. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. . 5º. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. rel. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. 323 e 547 do STF115 “in casu”. Min. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. 150. Antes do diploma. Contudo. DJU 17. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. 151. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. não se aplicam as Súmulas 70. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. Lei 10522/02. CTN. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. Nesse sentido. O art. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. Cármen Lúcia. previsto no comando impugnado. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva.85 relator para o acórdão. reveste-se de razoabilidade. parágrafo único. a carga tributária do IPI. não cabendo no caso de parcelamento. valendo o “pacta sunt servanda”. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). XIII. Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. Em realidade. com a maior alíquota existente. o art. 155-A. Lei 9249/95. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. 151. CTN. 83. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. Ademais. CF/88)116. Lei 9430/96. dispõe que o pagamento. “caput”. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. com vista a desencorajar o empresário do segmento. § 1º. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. se acompanhada de pagamento. I a IV. 116 STF. V. Com a conversão do comando no art.2007. repetiu tal tipo permissivo. Na esteira. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. ADIn 395. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. O art. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas. CTN. Mais ainda. CTN. 10. realizado antes do recebimento da denúncia. 151. expressamente prevista no art. Informativo do STF n° 467. penal e empresarial. Em sendo assim. para a exclusão de multas moratórias. 34. I. muito pela situação ímpar apresentada. constitui autêntica intervenção estatal por indução. emprestando o raciocínio do Direito Privado. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora.

Para pacificar a controvérsia. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. HC 81611. o parcelamento. 116. por aplicação analógica do art. por inexistência de previsão legal expressa. Cezar Peluso. . no caso concreto. CP. Lei 8137/90. 2ª T. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). se há delito formal. rel. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. HC 85048-RS. retificando a terminologia adotada. 1º. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. no art. Para preencher a lacuna. “caput”. 15. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. I. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). Inicialmente. rel. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. I. caso o delito seja material. HC 84345-PR. II. Ressalta-se. § 2º. CP). qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. Posteriormente. Min. e 168-A. Lei 8137/90. enquanto a previdenciária. Sepúlveda Pertence. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. § 1º. não havendo de se falar em princípio da consunção. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. No diapasão. Lei 8137/90. porém. 138. 117 118 STF.86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. Destarte. Min. o art. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). 168-A.. segundo preceitua o Supremo118. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. Dessa feita. “caput”. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. HC 91542/RJ. aplica-se a disposição do art. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. 119 STF. 18. 337-A. CP. o delito de falso fica caracterizado. o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. Contudo. 297. Em melhores termos. Como a lei penal mais benéfica retroage. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. recorre-se ao art. 9º. desde que haja. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. Havendo crime previdenciário. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. em seu art. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. a qualquer tempo. CP. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. sendo previdenciária. Contudo. ao passo que nessa. 2º.9. para suspender a pretensão punitiva. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). que a falsificação de documento público (art. Informativo do STF n° 480. 120 STF. 337-A. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. j.2007. Sendo sonegação tributária não previdenciária. Naquela. “caput”. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. STF. 2º.

O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência.87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. estabelece o recurso administrativo e. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). 151. com base nos arts. 2730/98). 162. para essa hipótese. CTN. 798 a 803 do CPC. antes de proferida a decisão final. Ao que parece. VIII do CTN). seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. o professor Pedro Barreto. LVII. em sua obra. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 155-A. § 4º. em sala de aula. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. 151. definidos nos arts. em momento algum. CTN. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. Perguntas: com referência ao art. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. o art. 1º. I. CTN. I. inclusive oferecimento de denúncia. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. Para corrigir e inibir tal prática. 5º. 1º e 2º. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. Em um primeiro plano. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. 5º. III. 151. 156. CTN. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. CF/88). Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. I. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. III. V. o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. ao interpretar o art. não caberá. CTN)? Em caso positivo. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. Por fim. o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. afirma ser hipótese de suspensão. O autor. a previsão do art. D. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. e 2º. portanto. previu que os decursos de . Contudo. Lei 8137/90. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. IV. na esfera administrativa. juntamente com seus parágrafos. em face do art. CTN. CTN. 155-A. o legislador complementar resolveu incluir o art. o MS. Além dessas vias. § 2º. 151. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário.

. 174. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. Ao revés. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo.88 parcelamento a serem concedidos por E. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. enquanto essa. CTN. com o direito potestativo de lançar. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. V. “in fine”. LEF. Nesse passo. sujeitos à lesão. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. CTN. Os direitos potestativos lesivos. V. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. errando o legislador na redação do art. A doutrina os reputa como direitos frágeis. CTN. Mais ainda: o art. § 4º. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. No outro pólo. DF e M. principalmente os contratos. estão os direitos potestativos. 155-A. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. e 40. entendidos como direitos potestativos. 156. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. constituindo caso de parcelamento heterônomo. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. revelam direitos subjetivos. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. Aquela termina com a pretensão de direito. 156. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. 168 e 169. Em que pese a boa intenção do legislador. o legislador quis dizer “lei geral”. § 4º. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. em face de inércia. da titularidade. mediante lei específica. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. que não comporta lesão. com base em Pontes de Miranda. A decadência é tratada genericamente nos arts. só cabe sujeição. Dessa feita. isto é. houve impropriedade lógica. a prescrição que corre contra o contribuinte. nos arts. 173 e 150. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. CTN. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. CTN. É um direito robusto. são só resolúveis no tempo. o negócio jurídico. A esse. a decadência se refere a “normas agendi”.

sujeitos à decadência. porque não pode promover a ação competente para cobrança. • O que é a interrupção da decadência tributária. Em verdade. quer seja ele subjetivo ou potestativo.89 dizem respeito a direitos subjetivos. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. . a decadência só é tratada. não se sujeitam ao decurso do tempo. A partir daí. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. em um só dispositivo: o art. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. o qual também é de cinco anos (art. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. quando é adquirido. Por conseqüência. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. Dessa forma. o legislador posterga essa baliza. Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. no primeiro ano civil em que se podia lançar. CTN). Por imperativo lógico. “caput”. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. No entanto. Adotando o prazo geral do CTN. os quais buscam a pacificação das relações sociais. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. CTN). “caput”. 173. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. Durante tal interregno. esse último também não está inerte. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. 173. Depois do decurso. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. por comportarem direitos potestativos não lesivos. De outra sorte. “cria-se o crédito” –. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. 174. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. o decurso decadencial fica “suspenso”. sendo imprescritíveis. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. não corre prazo de prescrição. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. A partir do lançamento. no CTN. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. as ações meramente declaratórias. começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”.

Nesse montante. não existe decadência da homologação. não a homologação. Não existe decadência do lançamento por homologação. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. não se falando em decadência. Quanto a esse. O credor tem parcial crédito para com o devedor. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. Nesse caso. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. Não se perquiri . persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. No tocante à diferença.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. Nesse âmbito. CTN. descontando-se o valor já recolhido. De outra parte. o fisco lançar. por conseqüência. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. Dessa feita. há extinção do crédito tributado. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. quando esse paga a menor. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. e. calcular o montante e recolher antecipadamente. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. persiste pagamento parcial. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. desde que antes do decurso prescricional. inclusive os lançados por homologação. Nesse sentido. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. ficando sujeito à decadência. extinção parcial do crédito tributário. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo.90 II. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. não devendo. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. a priori. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. passando a se sujeitar à decadência. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. I. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. 173.

mas postergou o termo inicial de sua contagem. Os . § 4º. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). CTN. “caput”. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. em face de uma questão política de isonomia. o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. correndo os decursos simultaneamente. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. 150. para realizar a homologação tácita (art. 173. quantitativa e qualitativamente. Com efeito. Conseguintemente. o fisco não consegue. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. Com o crescimento da população. CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. Dessa feita. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. 413). a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. 150. é realizado de forma híbrida ou de ofício. qual seja. no prazo decadencial de cinco anos. para o lançamento (decadencial). o art. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. § 4º. Dessa forma. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. a gama de fatos geradores. 173. foi erigido o postulado em relevo. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. 2006. CTN). a tese não alterou o prazo decadencial. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. CTN). 173. o tempo de cinco anos. Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. p. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência. 3º. O art. 150. foi deferida a extensão do decurso. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. Para mitigar a sonegação. traz uma exceção à regra espelhada pelo art. I. § 4º. não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. CTN). “caput”. Para Amaro (2006). na contrapartida da decadência. Por interpretação sistemática do próprio CTN. CTN) quanto para homologação tácita (art. 173. foram por demais majorados. “caput”. a partir do fato gerador. em conjunto. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção.91 se o lançamento está sujeito à homologação. CTN. o STJ passou a aceitar esse entendimento.

o ato é definitivamente anulado. 150. 207. I. seu raciocínio parte de premissa errada. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. 150. CTN. CTN). No entanto. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. 173. Contudo. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. o STJ não teria se fundado no art. não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. DJU 8. Sendo procedente o procedimento. LC 118/05. 173. e o art. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. REsp 289. Porém. § 4º. com pagamento de parte do montante devido. 150. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita.5.142/SP (2000/0090249-7). cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência.2003.181/MG (2000.407/SP (98. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. CDC. porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. 3º. o lapso de decadência está diminuído. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. porque o art. “caput” e I. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. Para o inadimplemento parcial. REsp 276. caso haja pagamento parcial. Dessa feita.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. CTN. a contagem se faz nos moldes do art. prevê que haja algum pagamento. 123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. por exemplo –. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art. Dessa forma. CTN. não havendo qualquer pagamento. CTN). § 4º. porquanto peticiona pela sua revisão.2003. O termo inicial. O segundo é bem evidente. aplica-se o art. I. CTN. nos tributos sujeitos à homologação. CTN. aplica-se o art. DJU 30. é fixado na ocorrência do fato gerador. DJU 17. 150. em clara afronta à previsão legislativa. CC).2000. II. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. Por acaso. 26. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. No entanto.2.6. o qual inexiste. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. Entretanto. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência. 0123113-8). Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). 173. CTN. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. desde que o legislador expressamente preveja123. 173. 173. § 4º. CTN.88733-4). Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ. Com efeito. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. A priori. . de interrupção ou de suspensão (art. Interrupção de decadência – em regra. II. § 4º. quanto ao segundo dispositivo. Quanto à primeira hipótese.

pois ele é afeto ao teor do art. ao final deste ato. é necessário apurar. cada qual com sua peculiaridade. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. É a implementação do princípio da segurança jurídica. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. 1) Com efeito. “Art. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. o prazo a ser observado será o prescricional. na qual fica configurada obrigação líquida. Deverá então lançar e autuar. 150 da referida Lei”. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). tratando-se de lançamento direto ou de ofício. o Fisco. 174 do CTN. A partir daí só caberá Execução Fiscal. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. certa e exigível. regulado pelo art. a extinção do crédito tributário ocorre. 2) Caso haja pagamento parcial. devendo ser analisados alguns desdobramentos. Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. Surgirá então. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. 168 do CTN. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito.172. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. mediante procedimento administrativo vinculado. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). não poderá fazê-lo. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. cuidado. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. Isto quer dizer que ambos. o teor do crédito tributário. no momento de “homologar”. por meio de execução fiscal. ou seja. 168 da Lei no 5. portanto. Caso não tenha feito corretamente. no exercício de fiscalização. previsto no sistema jurídico brasileiro. 174 do CTN. a Administração Pública Tributária. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. . no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. mais uma vez. conseqüentemente. já que incompleta esta fase. caso seja necessário.

que esse decurso é de 30 dias (art. De acordo com o art. do inadimplemento ou da lesão. com o inadimplemento do devedor. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. Para fins de entendimento majoritário. é necessário extrair certidão da dívida ativa. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. 174. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. é repetido o decurso para o pagamento. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. por conseguinte. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. 585. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. LEF. O CTN prevê. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. CPC). porquanto matéria atinente à LC (art. 2º. em que há sua interposição. o lançamento constitui o crédito. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. Mesmo considerando a construção do legislador.94 Depois de lançado o crédito tributário. como já mencionado. não corre prescrição. Além dessa dívida constituída. nos termos da LEF. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. A partir do 31º dia. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. Entretanto. CTN). . a Administração toma providências para a cobrança do débito. o crédito estaria definitivamente constituído. No entanto. mas não definitivamente. o legislador previu situação insólita. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. no silêncio de lei ordinária específica. “b”. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. De fato. materializada pela ação de execução fiscal. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. Dentro dessa discussão. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. “caput”. posição atualmente refutada pela doutrina. No entanto. 160. Não efetivando o inadimplemento. VII. Em verdade. Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. porém. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. § 3º. CF/88). surge a lesão e. “caput”. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. Há um contrasenso. Nesse intervalo. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. Por incrível que pareça. 146. III. o qual poderá modificar o ato. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. sobre o qual não incide a prescrição. abre-se novo prazo para pagamento. CTN. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento.

ou seja. Prescinde de garantia do juízo. Não encontrando qualquer bem penhorável. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. 40. surgindo a lesão ao direito do fisco. A partir da citação. parágrafo único. com redação dada pela LC 118/05). Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. . 174. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. LEF). creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. I. CTN. Acolhendo a defesa. como diploma protetivo do credor fiscal. A tese pró-contribuinte. justamente pelo princípio da celeridade processual. No despacho citatório do processo. e 8º. se a prescrição foi interrompida. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. interrompe-se a prescrição tributária (arts. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. em sede de cognição sumária. CTN. Passado o decurso “in albis”. § 3º. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. A partir daí. Não tem natureza de ação. que não depende de dilação probatória. Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. § 2º. parágrafo único. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. fundando-se no art. LEF). LEF). a execução fica suspensa. muito pelo qual a LEF. o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. o juiz julgará a execução extinta. CTN. a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. parágrafo único. I a IV. o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. Desse ponto. A execução estará extinta. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. 174. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. Não encontra previsão legal. E verdade. 9º. I. passou a considerar que. Depois de um ano. 174. termo inicial da prescrição qüinqüenal. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento.

dentro 125 .. CTN. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. Em razão da Lei 11280/06. LEF). Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. sob pena de nulidade absoluta do ato. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. Além dessa. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. Lumen Júris. “in fine”. 11. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. porque é possível sua renúncia por razões outras. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. existe a prescrição bienal do art. Havendo conflito entre CPC e LEF. 2006. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. não sobre a intercorrente. pelo simples decurso do tempo. suspende-se o processo por um ano. Nesse caso. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. não configurando direito subjetivo do contribuinte. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. 169. 191. Rio de Janeiro. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. Sendo assim. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. 13 ed. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. § 5º.280/2006. Para solver o entrave. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. Nesse sentido. segundo bem aponta parte da doutrina. v. trata-se de interregno prescricional. de fato. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. no lapso de cinco anos. Em contrário. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. não localizados bens penhoráveis. 127 Na verdade. 40. 1º. A revogação do art. CPC). Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. vindo a favorecer o fisco. Lições de Direito Processual Civil. fato que sugere o instituto da prescrição. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. a Lei 11051/04. Entretanto. mesmo porque há interesse público em jogo. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. 191 do texto codificado”. manifesta-se a doutrina majoritária. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. CTN. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. § 4º. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. LEF). 194 do Código Civil pela Lei n. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. Rodrigo Mazei e Câmara. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. há uma autolesão. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 219. 168. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. 2.

Nesse caso. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. 97. RE 544246/SE. § 4º. 150. viola a cláusula da reserva de plenário (art.835-SC. não persiste qualquer dúvida. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. CF/88). Corte Especial. “in fine”. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. o qual.2007. rel. 128 STF. O STJ. j. a qual previu expressamente. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. contados do pagamento129. o decurso de cinco anos. 195. salvo se o decurso prescricional decenal.736-PE. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. 165. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. em seu art. Destarte. “b”. Teori Albino Zavascki. implica em diminuição do lapso. contados a partir do fato gerador. iniciado sob a égide da interpretação anterior. mas sim o próprio contribuinte dá causa. respeitando comando dado pelo Supremo. EREsp 644.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação.5. 28/8/2007. desde que indevido (a mais). operada por órgão fracionário do STJ. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. j. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. O art. CONFINS. Informativo do STF nº 467.831-SP. CTN. Castro Meira. DJU 27/8/2007. 168. Por óbvio. com base no art. Min. EREsp 435. I. faturamento. Em recente decisão. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. Informativo do STJ n° 322. EREsp 644. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. 129 STJ. aproveitando-se o fisco dessa situação. respectivamente. Min. a teor do que definira o constituinte128. 15. 130 STJ. Quanto a tributo lançado de ofício. Pois bem. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. Informativo do STJ n° 329. 2ª T. Segundo a leitura da corte. rel. consoante já supra comentado. 6/6/2007. CTN. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado). declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. REsp 955. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. 3º e 4º. não é o terceiro que lesa o direito alheio. I e II.. DJU 4/6/2007. . I. Até a EC 20/98. Dentro dessa perspectiva. nos tributos sujeitos à homologação. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. Porém. j. a controvérsia se instalou. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. Nesse passo. a lançamento de ofício e por homologação. Min. Em raciocínio simplista. entendimento atualmente não mais vigorante. mal ou bem. CF/88. rel. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. o primeiro é aquele que extingue o crédito. 3º. mormente quanto aos seus arts. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. Sepúlveda Pertence.736-PE. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. CF/88). Observe que a demanda será condenatória.

Para solver o caos no âmbito do fisco. a COFINS sobre receita. 169. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). passou a existir somente uma. devido à vacância do diploma em 120 dias. Nesse passo. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. “caput”. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. 195. sendo vencido (Informativo 408 do STF). esse tinha duas margens interpretativas e. caso a decisão definitiva seja denegatória. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. Gilmar Mendes. Entretanto. além da ação judicial de repetição de indébito. 169. característica inerente à inovação da ordem jurídica. o Executivo fez aprovar a LC 118/05. as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. Todavia. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. CF/88. . CTN). I. LC 118/05). a EC 20/98 operou a mudança. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. XXXVI. veio a LC 110/01 para resolver a querela. Para revestir o diploma de constitucionalidade. 3º. 131 STJ. 5º. “caput”. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. O STJ. 106. Entretanto. tal qual a própria redação dos arts. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. já permitia outras contribuições não cominadas. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. § 4º. a ser julgado pelo seu pleno. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). a qual chegou no STF por via de RE. depois dela. CTN. o relator. justamente por ele erigida. padecia de inconstitucionalidade formal. com efeito retroativo. desde que instituída por LC. o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. porque. Na segunda opção. Em verdade. votou pela constitucionalidade. antes daquela. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). CTN). Nesse sentido.98 constitucional não falava em empregador. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. CF/88. bem como não versava sobre receita. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. LC 118/05. restringindo-se a dois anos (art. Foi uma decisão de extremo bom senso. Com efeito. A partir do pagamento indevido. À guisa do debate. ficando a prescrição obstada a partir de então. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. 3º e 4º. criada por MP e convertida em LO. dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. não sendo acolhida. pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. Segundo o tribunal. essa posição é contestável. O art. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. guardião da lei federal. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. residuais.

Segundo Daniel Assumpção. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. 3º. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. Para Sabbag (2004. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). fora da previsão legal. quer seja intercorrente (art. visto que “ocorrem antes do . Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. O ISS está afeto à prestação de serviços e. indiretamente ligado ao bem de família. sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. quer seja ordinária (arts. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. a qual não preclui. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. 4º parágrafo 2º. portanto. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. e 219. LEF). tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. existe a previsão das receitas. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. Precisam atacar sim. § 5º. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. CPC). Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. “caput”. Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. 205). IV.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. 40. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. § 4º. 174.COFINS. p. as condições da ação. CTN. Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. presente no capítulo V do Título III.

Respeitando o respeitável mentor do CTN. 205). 26/6/2007. o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. Sempre decorrente de lei. p. 2ª T. Todavia. CTN). consoante comentário já realizado. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. 171). A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. II. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. CTN). não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. “ex vi” dos arts. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. o art. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. Celeumas à parte. 139 c. por ser uma endonorma. e 176. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. Desta feita. Informativo do STJ n° 325. 176. assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. 175. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. Eliana Calmon. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. “g”. isto é. 2004. Neste raciocínio. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. CTN. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. p. j. Neste diapasão. CF/88)133. isto é. rel. a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores. de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. 133 STJ. 150.c. § 6º. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. Rubens Gomes de Souza. 175. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. neste.575-MG. Como se sujeita à reserva legal. 177. 2004). 1999). . à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). 175. REsp 723. CTN. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. CTN. A posição MAJORITÁRIA afirma que. parágrafo único. Min. pois. CTN). 155. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. parágrafo único.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. O art. Em verdade. art. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. mas não as acessórias (art.. parágrafo único. CF/88. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. 1999. imunidades e princípios). devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. XII. § 2º.

Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. 208). Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. mas a infração. REsp 575. pode ser revogada a qualquer tempo. a isenção pode ser geral ou específica. pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. Herman Benjamin. 11/9/2007. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. a retirada da sanção tributária pecuniária. Ela é o PERDÃO.101 peculiares”. Ex. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. “caput”. Na ANISTIA. “caput”. bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. CTN (NOGUEIRA. A geral é aquela decorrente diretamente de lei. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM.c. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. III. I. desde que observada a anterioridade originária (art. p. 1999). A específica é aquela que depende de verificação. 177. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. parte inicial. CTN).: revogação do art. 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. nos termos da legislação. Entretanto. da situação apresentada pelo contribuinte. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). por diploma de igual hierarquia àquele concessório. Para Sabbag (2004). Para Nogueira (1999). essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. indireta ou indenizatória dessas exações. Cf. CTN. 178 c. 1999). ou seja.806-PE. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. desde que devidamente prevista em diploma competente. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). a anistia alcançará 134 135 STJ. já existe. mediante requerimento. Em termos classificatórios. por expressa manifestação legislativa (art. 178. versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. j. incondicional ou condicional. Neste caso. rel. Porém. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. Mesmo assim. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). 179. no campo concreto. 137 Apesar da posição pessoal do autor. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. Min. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. Informativo do STJ n° 331. Qualquer penalidade. A condicional é irrevogável. pode ser passível de anistia. Segundo Sabbag (2004. como bem ventila o art. não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. art. pelo fisco. opera causa de extinção da punibilidade. como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. . há certas diferenças para com a isenção. CTN). em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). CTN). A pena pode ainda não existir no plano formal. a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. 177. 8º. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. 104.

IV. Direito Tributário. permitindo a penhora da coisa. CPC (bens impenhoráveis). op. 16. art. A natureza de receita pública. Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto.. I. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. 3º..: art. 649. porque a benesse cabível seria a remissão (art. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). 1º. a anistia não se confunde com a remissão (art. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. VI. op. cit. apoiada pela maioria da doutrina. à imposição de penalidade tributária. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. e outros. CTN). requer um tratamento desigual relegado ao fisco. 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. 2004)139. não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos). conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. 156. não há de se cogitar a anistia (SABBAG. impostas ou formalizadas). 184. bem como os crimes e as contravenções (art. 4ª ed. enquanto aquela. Dessarte. 97. não abrange as sanções já lançadas. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. “caput”. São Paulo. As disposições só são válidas entre particulares. porque colimam a isonomia. 183 a 193. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. ou seja. II. Coleção Sinopses Jurídicas. admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. 156. encontra resistência em doutrina isolada. baseado na citada LC. “in fine”. direcionada ao custeio das funções públicas. cit. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco. havendo notificação do contribuinte. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. Essa linha. . v. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade. 2002. Também não alcança os atos cometidos com dolo. cláusulas de inalienabilidade. não há mais de se falar em anistia. CTN). CTN. simulação ou fraude. 184. Lei 8009/90 (bem de família). se a impenhorabilidade for legalmente instituída. I e IV. IV. a anistia retroage a fatos já ocorridos. Desta feita. pela notificação –. Ricardo Cunha Chimenti. essa colocação também se aplica ao fisco. como Sabbag. 139 Sabbag. Contudo. Ex. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. Com efeito. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. cit. Ex. mas sim em remissão. CTN). “caput” e parágrafo único. 142. op. podendo o legislador inovar nesse sentido. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. CTN). I a X. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). Amaro. Saraiva. O legislador ordinário determina-lo-á. 180.. 180.: art. CTN). de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. Dessa feita.102 tais fenômenos. CTN.. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138.

CTN) – depois da citação válida. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. Fraude à “execução fiscal” (art. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. “caput”. não existe fraude. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). como título executivo extrajudicial. CTN). exige-se regular citação do executado. etc. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. Depois de ajuizada a demanda. o devedor não paga no prazo legal. 185. em qualquer órgão. § 2º. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. § 1º. 185. 185-A. se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta. o que ainda não é pacífico. CTN). Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. instruirá a inicial da execução fiscal. Lei 8009/90). mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. já existe o ambiente jurídico para tal. importam em fraude à execução. não nomeia bens nem é verificado. Todo esse trâmite demanda muito tempo. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. incide a mencionada fraude. essa é mais profunda. Trata-se de presunção absoluta. depois da hasta pública. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. A certidão de dívida ativa. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. de esgoto. CTN. 185. . Ex. Para tal. Como o imóvel restante não é penhorável. 185-A. CTN). de eletricidade. tornando-o passível de penhora (art.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível.103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. I e II. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. 185-A. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. pelo meirinho. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. CTN). o saldo será restituído ao devedor (art. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. porque. apta a registrar patrimônio (art.). entidade ou instituição. “caput”. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. cada um de $100. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. o sujeito passivo aliena um desses. pública ou privada. dentro do processo civil. Depois de inscrita a dívida ativa. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. Para responder se há ou não fraude ao fisco. Para ficar submetido à indisponibilidade. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. 185-A. “Penhora on-line” (art. 3º. No âmbito tributário. do contrário.

o DF e os Municípios. CTN). Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. Essa disposição só cabe se divisível o bem. visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. 41. No mesmo raciocínio. possivelmente. CTN). Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. na dicção do art. o produto da arrematação é entregue à massa. porquanto estatui que os impostos estaduais . p. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. CTN). “caput”. ao revés. p. 187. ele vai à hasta pública. 1ª parte. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. devolvendo-se o saldo ao devedor. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. 209. e 188. Nesse caso. p. de acordo com o arts. 186 e 188. a qual abrange os entes políticos (art. os Estados. LF. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. 194. Todavia. 147. 209. I a III. 84. o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. O constituinte dá indício dessa assertiva. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. a norma geral será o CTN. porque. Em verdade. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. 2006. Sabbag (2004. nos termos de seu art. LF. e 186. CTN. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. de indenização por dano moral. 83. Crédito tributário na falência (arts. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. CC. “caput”. Nessa última hipótese. Todavia. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). Nesse passo. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). Secundando o legislador do CTN. O feito permanece no seu juízo privativo. CTN). CF/88). Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. e o segundo seja anterior à falência (arts. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. São a União. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. Sabbag (2004. 479). Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa.

70235/72). Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. 1ª parte. 56. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. “caput”. Sabbag (2004. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. 70235/72). 52. CF/88). 2001. 2001. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. CTN. p. 194. D. CF/88). apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. Quanto a esses. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. 76). Mesmo que não haja configuração de crime. apesar de vigorar correção monetária. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. p. 245) avança um pouco mais. podendo abarcar. 76). 70235/72. I e . nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. 37. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). na resposta. Amaro (2006. 48. 54. 52. aplicável à Administração Tributária. Apesar disso. “caput”. 175. Em verdade. CTN). Nesse ponto. parágrafo único. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. Consulta – o art. D. D. A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. É matéria regulamentada pelo D. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. XV. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. Destinatários – usando a terminologia do codex. o art. disposição que é reforçada pelo art. 48. CF/88). a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. III e IV. I a VIII. § 2º. 52. p. 200. parágrafo único. Da resposta proferida. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. é abrangente as determinações do legislador. Quando pende consulta. terceiros alheios. impessoalidade. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. No entanto. D.105 correspondentes são incumbência da União (art. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. CTN. 78. 147. os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. mormente no que concerne às obrigações acessórias. 161. Assim como no PAF. “caput”. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. nos termos dos arts. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. 2ª parte. a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. CTN. II. refere-se ao procedimento de consulta. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. moralidade. 147. quando devam prestar informações. CF/88). publicidade e eficiência (art. p. e 55. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. CTN). 70235/72).

120).106 II. “b” e “c”. como rememora Chimenti (2002. médicos e outros. Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. I a VII. 195. 197. como ensina Robson Baroni. D. Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. 70235/72). “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. CTN). 54. 5º. e 1193. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. 70235/72). O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. No ambiente tributário. p. 46. CTN). psicólogos. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. No entanto. por exemplo. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. quaisquer livros comerciais. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. 1190. arrola vários obrigados nessa faina. O art. 197. p. III. 197. 119). VII. . consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. Porém. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. CTN). sendo considerada ineficaz (SABBAG. CF/88). em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. colocando desta forma um manto sobre o segredo. 195. além de documentos relativos a lançamento. p. 2006. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. CTN. 2002. p. CC. “caput”. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. parágrafo único. parágrafo único. 242). D. Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. 481). a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. No entanto. Nessa hipótese. Lei 8112/91. tem o dever de prestar informações ao fisco. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. os arts. sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. quando o causídico estiver exercendo função atípica. 197. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art.: advogados. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. 2004. No entanto. X e XII. ou previdenciária. sacerdotes. como inventariante ou como administrador judicial em falência. § 1º. CTN. D. 2006. 70235/72. o julgamento da dúvida será feito por instância única. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. Ex. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. 483). para torná-lo indevassável. parágrafo único. “caput”. CTN). 33. CC). 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. p. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO.

6º. por intermédio do BACEN ou da CVM. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. porquanto o art. 3º. “caput”. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. 5º. Antes do referido diploma. Na terceira hipótese supra aduzida. CF/88. Concessão de parcelamento ou de moratória. 199. mediante lei ou convênio (art. 199. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. CTN). parágrafo único. 199. desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. Enfim. I e II. Com fulcro no art. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. X e XII. p. Na esteira do diploma. “caput”. § 3º. os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. Sabbag (2004. 58. Representação fiscal para fins criminais. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. CF/88). 58. O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. A LC 105/01. 198. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. em face do art. LC 105/01). CF/88. Requisição de CPI (art. §§ 1º a 3º. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. “caput”. . A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. CTN). § 3º. Entretanto. § 3º. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. a ser efetivada mediante recibo. inclusive entre entes políticos diversos. CTN). importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. perante o STF. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. CTN): Requisição de autoridade judicial. independentemente de vênia judicial. No diapasão. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. que está tendo sua constitucionalidade contestada. 198. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. “caput”. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. CTN. LC 105/01). o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art.107 Em regra.

LC 105/01. 196. a teor do que se posiciona a jurisprudência. § 1º. cópia deve ser entregue. p. O Ministério Público. presentes indícios de crime de ação penal pública. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. 5º. 122). cuja lavratura também encontra previsão nos arts. é possível extrair seu sentido ontológico. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. “caput”. os quais comporão autos. parágrafo único. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. CTN. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. CTN). 173. se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. 2002. LC 105/01). No entanto. p. D. Todavia. expressamente esculpida no art. a denúncia não é válida.108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. 10. quando da apuração de crimes contra a Administração. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. 138. Não sendo possível. Segundo o autor. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. CTN). 482). essa responderá objetivamente (art. “caput”. Nos termos do art. 11. “caput” e parágrafo único. 145. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. 9º. 8º. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. Em contrapartida à mencionada ADIn. porquanto assentadas no art. LC 105/01). Chimenti (2002. Como postula Amaro (2006. e 6º. Depois desse momento. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. mediante recibo. quer sejam acessórias”. De fato. 70235/72. quer sejam principais. bem como a prática de atos que importem omissão. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. Sabbag (2004. LC 105/01). CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. o qual será apresentado ao inquirido. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. p. . apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. parágrafo único. “caput”. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. ao fiscalizado (art. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. 196. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. “caput” e parágrafo único. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. CF/88. quando é confeccionado documento apartado. 120). comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. LC 105/01). § 4º. o legislador lhe fez referência como procedimento. p. “in fine”. não a fiscalização em si. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. 1º. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN.

o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. p. DJ 30/6/1997. 171). 2001. é considerada inconstitucional pelo STF. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. No primeiro caso. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). 2002. com o livro e a folha de inscrição (art. 19/6/2007. Uma vez perfeita a inscrição. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa.789-PA. aliás. III. com efeito.830. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. D. 38. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente. rel. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. mesmo em sede recursal. representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). geralmente de 30 dias (art. RE 233582/RJ. . descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. 5º. CPC. José Delgado. 14.8. DJ 1º/6/1992. também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. CTN).. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). STJ. várias legislações. Esse é iniciado por auto de infração. 503. 204. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. 77). O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. entendimento secundado pelo STJ143. no decurso assinalado. Dessa decisão. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. I a V. porquanto todos têm direito ao sossego público.073-DF. VII. CF/88). Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. “caput”. p. CTN). DJ 27/4/2007. “caput”. data de inscrição e identificação do PAF. Exatamente por essa razão. extingue-se o crédito tributário. j. No apontamento. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. o crédito tributário (não suspenso. Min. CTN). o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. Notificado da instauração do procedimento. de 1980”. orig. fundamento legal. sob pena de nulidade do ato (art. Joaquim Barbosa. p/ o acórdão Min. Essa exigência. 1ª T. e no RMS 240-SP. porque se trata de aplicação do art.566-MG. 38.2007. AC 1. Marco Aurélio. “caput” e parágrafo único. XXXIV e XXXV. 16. e parágrafo único. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. DJ 28/5/2001. como precedente na ADI 1. parágrafo único. “caput”. LEF. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. Segundo o STF. 201. Segundo Chimenti (2002. nos termos do art. como já se posicionou o STF. 151. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. Informativo do STJ n° 324. rel. rel. p. formada a coisa julgada administrativa. De outra parte. 203. 38 da Lei nº 6. com precedentes no AgRg no Ag 112. Plenário. Min. o único formado unilateralmente 143 143 STF. 585. REsp 943. escoradas no art. CTN). 70235/72). o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. LEF. devem ficar perfeitos vários dados. cadastro eletrônico). Informativo do STF n° 476. CPC).109 “caput”. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. j.116-SP. 202. 171). prossegue o PAF. valor devido. CF/88. 145 STF. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. no segundo.

207. CTN. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. 204. Nesse sentido. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. e 2º. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. p. CTN). apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. De outra sorte. EREsp 602. juros. LEF). parágrafo único.982-RS. Nessa situação. Informativo do STJ n° 325. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. há doutrina que defende. 212). a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. implica em vício insanável. 252). Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. 1ª T. Min. j. 2004. 151. 206. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. LEF. p. I a VI. 27/6/2007. mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. pode ser extraída certidão de dívida ativa. j. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. realização de certos atos ou participação em algumas situações. o art. 147 STJ. dispensa a exibição do documento.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. AgRg no REsp 942. Por esse motivo. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. nesse ponto. Informativo do STJ n° 332. parágrafo único. Todavia. é exigida prova da quitação de tributos. Para celebração de determinados negócios. naquilo que concerne à parte modificada. Min. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art.663-SP. 253). rel. Amaro (2006. CF/88. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. CTN).. p. parágrafo único. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. contados do requerimento (art. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. Nessa hipótese. A partir da ativação. DJU 13/3/2000. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. § 1º.402-RS. DJU 26/6/2007. 486) diz que o STJ. 205. CTN). Humberto Martins. 5º. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. XXXIV. 2004. 20/9/2007. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. CTN. § 8º. 201. p. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal.002-SP. correção e eventuais penalidades. 203. REsp 196. José Delgado. rel. 2006. os arts. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. sujeito à nulidade absoluta146.. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. O art. incluindo principal. 1ª Seç. CTN. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. como já está pacificado na jurisprudência. “b”. a qual. AgRg no REsp 932. 146 . pela gravidade. 6º. A presunção ora em comento é relativa.

“caput”. parágrafo único. Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. sendo detida pelas pessoas políticas. 208. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. CTN. “caput”. CTN). excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. Lei 11457/07. CTN). CTN). o art. “caput”. 7º. Entretanto. sem interrupção. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. em contrário senso. § 1º. CTN). A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB.: o . Ex. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. Dessa forma. “Os prazos serão contínuos. por dolo ou fraude. valendo como dias sem funcionamento. Em relação à SRFB. parágrafo único. Quando atua com culpa. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. No último caso. 2º. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. Com efeito. formando um só órgão. “caput”. A competência tributária é indelegável. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. arrecadação e administração de tributos. como bem vem aventando a jurisprudência. vale lembrar a colocação do autor. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. No entanto. o art. Impostos em Espécie Introdução – o art. Antes de tudo. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. mas a CND terá efeito liberatório geral. Em decorrência. 2º. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. 255). domingos ou feriados” (SABBAG. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. p. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. No entanto.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. 2004. Prazos no CTN A teor do art. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. Lei 11457/07. 210. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. 210. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. pelos sábados. 208.

as Receitas Estaduais. ES e PE). como notas. a bitributação do mesmo fato gerador. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. enquanto outras não148. há tratamento tributário diferenciado. Aquele resulta da atividade humana. Fechando o ciclo. hodiernamente. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros. que está no trajeto indústria-comércio. permitiu. O inciso II fala do IE. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. de modo concreto.112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. Essa mutação constitucional. Nesse contexto. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. Depois da reforma constitucional. Ex. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. 155. Dentro deste universo. à padronização de alguns documentos fiscais. não é mercadoria. indica os impostos de competência da União. o que pode gerar conflitos de legislação. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. incidia sobre mercadorias. quando a exação seria devida no emissor. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. “a”. é necessário. a arrepio da Constituição. para o Exterior. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. consoante comentário já realizado. vez que o II incide sobre PRODUTOS. Para tentar dirimir tal entrave. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional.: a geladeira. Seu inciso I fala do II. Ex. envolvendo tudo que ela consegue produzir. Entretanto. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA. Para solver tais entraves. preliminarmente. . a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. para tornar mais eficaz o recolhimento. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. em sede de exceção. NÃO SOBRE MERCADORIAS. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. o ICMS. até a EC 33/01. Pode ser natural ou totalmente artificial. Produto é gênero. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). em operações de importação. CF/88). O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. passaram a adotar um modo operante simplificador. 153. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. porquanto da sua natureza jurídica. Para entendê-los. do qual mercadoria é espécie. IX. muito criticada pela doutrina. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. A prática é totalmente inconstitucional. ou seja. CF/88. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais.

total ou parcial. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. complementação ou acondicionamento de produto exportado. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. insumos. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. Neste sentido. Portanto. Aliás. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. quer seja para consumo. etc. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. nacionalização segundo entendimento doutrinário. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. Desta feita. produtos naturais ou industrializados. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. porque há TEMPORARIEDADE na operação. À primeira vista. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. esse fenômeno. manutenção. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. troca. ao prescrever a “exportação. por exemplo. O conceito de exportação. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. 153. em seu art. CF/88. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. Porém. a outro país não configuram exportação e. equipamentos. pareceria que se trata de uma redundância. a natureza do produto. 153. é análogo ao anterior149. ou utilizada na fabricação. etc. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. para o art. isto é. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. para o exterior. Quanto ao II. nem importação.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. incluindo. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. complementação ou acondicionamento de outra exportada. de produtos”. Neste sentido. ou abandonados. fabricação. II. por conseqüência. Produtos não despachados. Dessa feita. 149 . Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. Restituição. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. sob o enfoque semântico. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. dá-se por atos procedimentais. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. remessas de produtos para repontecialização. quer seja para operações de mercância. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. para países estrangeiros. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. I. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”.

É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. § 1º. da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. 153. o Fisco. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. deve ser usada sistemicamente. Desta feita. no consumo interno. 22. pois a autorização contida no art. Em relação às operações de mercado exterior. por vezes. o eventual devedor – sempre será a União. § 1º. não se deduz a capacidade contributiva. VIII. . pois há interesses nacionais em jogo. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. Conseguintemente. por conseguinte. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. e 150. em decorrência de licitação internacional. com base em contrato. § 1º. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). no país. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. reais e indiretos. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. de acordo com a situação presente. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. O II e o IE incidem. CF/88. que funciona como interveniente comercial. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. 153. à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. 2004). em última análise. na balança de pagamentos do país. Nessa hipótese. o negociador no comércio externo – e. Além disso. CF/88). São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. Portanto. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. os Ministérios da Fazenda. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. Daí decorre o conceito de Dívida Externa.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. vez que ambos são proporcionais. CF/88). no mercado interno. a serem majoradas ou diminuídas. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES.

Segundo o art. Espacialmente. nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. 19. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. I. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. sob o controle aduaneiro. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. ou com suspensão parcial. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. fisicamente. DL 37/66). Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. O aspecto material do II é representado. eletronicamente. O interessado no comércio exterior deve. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. em regra. No critério temporal. com a suspensão do pagamento de tributos. . zona primária compreende as faixas internas de portos. de um ponto a outro do território aduaneiro. o interessado poderá. Mas há regimes aduaneiros especiais.115 Desta forma. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. por conseqüência. portanto. CTN). II. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. antes de tudo. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. 33. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. 91030/85. Já para o IE. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. 33. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. aeroportos. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. pela entrada do produto no território nacional (art. então. Uma vez AUTORIZADA. endereçando-o. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. com suspensão total do pagamento dos tributos. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. DL 37/66. efetivar o negócio. 2004). para seu uso ou consumo. no caso de utilização econômica. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. os conteúdos a serem comercializados. mediante a declaração de importação (DI). Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. o Fisco poderá fiscalizar. com suspensão do pagamento de tributos.

A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. § 1º. o art. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. 20.116 Outros acontecimentos. o segundo critério é comumente utilizado para o II. atualmente para o IE. D. Do contrário. o DL 37/66 e o D. Neste sentido. Em referência ao II. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. Os valores irrisórios. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. D. pois produtos importados. CTN). atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. 4543/02 (CASSONE. a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. 214. para reparo ou substituição. Destarte. De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. Este comando decorre dos arts. nunca “ad valorem”. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. em que pese a previsão do art. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. 4543/02). também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. escapam à incidência da exação. tem-se a exação proporcional (art. CTN). CF/88 e 21 do CTN. por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. de acordo com a previsão do art. 2434/88. o legislador assim previu para o IE (art. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. 214. CF/88). Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. . II. 5º. 24. 20. consoante comentário supra aduzido (art. 2472/88 confirmaram essa premissa. a base de cálculo é sempre fixada. de acordo com o critério do art. Na mesma esteira. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. I. III. § 2º. D. 150. CTN). De fato. chegando-se a uma base de cálculo atribuída. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. § 1º. No diapasão. 20. Nesse passo. a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. para evitar a mera evasão de divisas. II. Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. 20. CTN. nos termos das respectivas legislações. I e II. CTN. 153. tem-se o conceito “AD VALOREM”. 2004). “caput”.

a despeito da essencialidade. 2637/98. 153. notícias da imprensa. 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. 4543/02). portanto. como configurador do fato gerador. pertence ao Executivo. § 3º. CP). I e II. 215. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. Além das considerações tributárias. estabelecidas no art. menor será a alíquota incidente. O comando determina também que será não-cumulativo. I a IV. aquele. Para o IE. via de regra. mediante a declaração de arremate. os quais são objeto do delito de descaminho (art. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. CTN). . “caput”. vermelho e preto). as alíquotas do II serão maiores. é de 30% sobre o valor do produto (art. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. para o IE. 153. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. O desembaraço aduaneiro. O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. D. Para o II. País de origem. § 1º. quanto mais vital é o produto. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. 215. podendo ser reduzida (art. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. § 2º. 27. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. 153. A normatização do IPI é dada pelo D. de acordo com os canais enquadrados (verde. a alíquota. D. 215.117 ESSENCIALIDADE. I e II. O constituinte determinou algumas características. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. 318. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. Para otimizar as operações. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. Ex. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. 22. 4543/02). Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. dada a previsão constitucional do art. IV. CF/88. CF/88. § 1º. Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. dado o comando contido no art. A prerrogativa. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. freqüência do importador. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. CTN). 153. CF/88. a qual pode ser confundida com entorpecente. de consumidores e de importadores. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. cinza. CF/88. com conseqüentes facilitações. se há produção interna de algum bem. D. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. no que tange à exação em tela. Esta equação não se resolve facilmente. Todavia. Nesta situação. partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor.

4544/02. A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. extrativismo industrial. A partir do primeiro estágio. cit. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. § 3º. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. até que venha a converter-se em produto consumível. como prescreve o art. pois se trata da maior alíquota existente. o acondicionamento. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). mas incide a noventalidade (art. 2001). etc. oscilando de 0 a 363. O caminho. 150.: indústria de ternos e alfaiate. Para diferenciálos. o beneficiamento. já incide o IPI. de início. Em sentido contrário. “in fine”. com fulcro em jurisprudência do STJ. do mais básico ao mais supérfluo. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). “c”. CF/88.118 modificado pelo D. op. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. I a V. CF/88) sobre o imposto em relevo. até que possa chegar ao consumidor final. Para os ALIMENTOS. deve ser verificado: recurso natural. parágrafo único. Características – o art. indústria de transformação. 2001. demonstra Cassone. CF/88. 153. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. 46. Desta feita. parágrafo único. desde a natureza até o consumidor. 95. Ex. 153. o produto passa a constituir um semi-elaborado. 153 . Portanto. o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo.. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. o produto “in natura”. § 1º. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. CF/88). O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. Na esteira.5%. indústria de base. de modo estanque. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. Livraria do Advogado. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. porquanto se configura um produto industrializado. indústria de montagem. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. a seara do IPI engloba a transformação. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. Porto Alegre. a exação citada somente exclui a extração da natureza. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. Objeto – está no art. p. Para o citado autor. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. em proveito da organização e não de terceiros. É o que diz o art. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. III. Nesta situação. 46. CTN. IV. Neste sentido. 3º. como fato gerador. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto. 150. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. D. CTN. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art.

o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. incide a exação. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. a exação possui repercussão do encargo financeiro. Todas as vezes que houver saída de um bem. persistirá um crédito. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. CF/88). computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. 2001). mas sim do comprador. II. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. o responsável passou a ser definido como depositário da União. toda vez que houver entrada do bem. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. III. a cada nova agregação do processo industrial. mesmo se tratando de exação indireta. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. já que não é ônus seu.119 (apud PAULSEN. A partir da Lei 8866/94. Além disso. Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. § 3º. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. podem existir saídas em que não incide o IPI. De fato. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. Em outras palavras. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. Dessa feita. haverá débito. Quando o alienante realiza a venda. o critério da seletividade pela essencialidade. Nesse sistema. A cada operação de circulação. o adquirente escritura o crédito decorrente e o . Existe a possibilidade. No entanto. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. escritura o débito em seu livro de registro cabível. 153. passa a ser depositário infiel. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. Para evitar o “efeito cascata”. na quinzena de totalização. O IPI será apurado mensalmente. mas o contribuinte de direito (responsável). CF/88). 153. Desta forma. desde que a fase anterior seja tributada. conquanto se caracteriza o fato imponível. O inciso II expressa a não-cumulatividade. O ICMS. 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. Entretanto. Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. Na seqüência. seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. de haver mais imposto de crédito que de débito. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. § 3º.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

1º. Sepúlveda Pertence. 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. p. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. determina que a alíquota máxima diária será de 1. 4494/02). Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. “caput”. Na transmissão – será o preço. O art. valor nominal ou valor da cotação em bolsa. p. rel.9. por exemplo. j. 4494/02. entregue ou posto à disposição do contratante (art. Para a base de cálculo. D. 4494/02). 29. ADI-MC 1763/DF. Trata-se de imunidade parcial. I a IV. D. Ele tem um valor cambiário. rel. . D.5%. 22. 4494/02). 4494/02). Ilmar Galvão. “caput”. de moeda estrangeira ou de documento representativo. como é o cheque de viagem.5% ao dia (art. com alíquota de 25% (art. CF/88). 4494/02. D. “caput”. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. 6º. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. D. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. D.08. “caput” e § 2º.033/90. Min. 11. Desta feita. 1993). 4494/02). 7º. RE 232467. 159 124 . 4494/02. “caput” e § 1º. Min.98. pagamento ou resgate deles (art.fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão. D. j. 4494/02). 20. D. 19. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. “caput”. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. da Lei n° 8. O ouro é um valor de referência mundial. O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. computando-se o ágio ou deságio. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. D. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. 160 STF. 4494/02). na conformação do que der a lei (art. 14. D. A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. 25. Sabbag (2004. D. em que pese sua natureza de mercadoria. 28. “caput” e parágrafo único. 21. enquanto ativo financeiro. 153. transmissão. recebido. I a VII. § 5º. 27. “caput”. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. 2004. 4494/02). distinguem-se três situações. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. 13. A alíquota será de 25% (art. No pagamento ou no resgate – é o preço. a depender da hipótese de incidência (SABBAG.1999.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

2001). a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. Ademais. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. o que. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. pelo art. § 3º. Se convincentes os argumentos exprimidos. incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. LC 105/01). No terceiro. arbitrado ou presumido. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. dimensionado. aos olhos do poder tributante. portanto precisamente legal. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. CALCULADO. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). no mínimo. Base de cálculo – é exprimida. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. III. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. Do contrário. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. em um primeiro momento. é encaminhado expediente ao Ministério Público. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. as contribuições incidentes na venda. Entretanto. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. calculada sobre o preço da revenda. sendo. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. como bem diz o citado autor. O fisco. CTN. nos estritos ditames da norma positiva. de modo geral. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. então. no Brasil. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. aos olhos de alguns juristas. os impostos. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). não há nenhuma conseqüência jurídica. Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. De fato. Não sendo possível. 44. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. 1º. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. seis anos para fins de comprovação do IR. O primeiro é o “quantum” preciso. por opção do . Nenhuma transação. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. Por fim.

32%: profissões regulamentadas. DE 15% OU DE 27. Não conseguindo fazê-lo. a partir da renda tributável. Sobre esta.000. etc. alienação de bens de pequeno valor. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel.00. excetos os de carga. sobre a renda. Havendo lucro. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. para consumo. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. recorre-se. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. relacionadas no art. como ajuda de custo.130 contribuinte.000. PRESCINDE-SE desta exigência. deve-se comprová-las documentalmente. operam-se as DEDUÇÕES. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções. A partir daí. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. No simplificado. . cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. alimentação.000. já mencionadas). A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte. RIR). Já no primeiro. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. Ante a inexistência deste último dado. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. o fisco arbitrará a base de cálculo. pela autoridade tributária.6%: receita proveniente de revenda. forma o resultado final. encontrando a base de cálculo. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil. intermediação de negócios. 647 RIR. encontrando-se a base de cálculo. a renda corresponde ao lucro. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. poupança. de combustíveis derivados de petróleo. em um segundo momento. Para as PESSOAS JURÍDICAS. mas é proprietário de vários imóveis. segue-se o mesmo trâmite da declaração completa. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos. IV. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade. Há atividades com percentuais específicos: 1. Para efeitos do IR. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. O critério temporal é o lapso de 12 meses. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. esta será a base de cálculo. através de registro. Com outros resultados. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente). O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO.00. alienação de um único imóvel.: contribuinte que declara não ter renda. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. bolsas de estudo. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta.00. administração. por meios indiciários. incide ALÍQUOTA ZERO. Ex. levada a cabo. de acordo com a tabela progressiva estipulada. álcool etílico carburante e gás natural. Nas deduções do modelo completo.5%. 262. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). ao lucro presumido. Optando pelo segundo.

Desse modo. por meio do CARNE-LEÃO. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. mas decorre de lei (“ex lege”). o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. quando se tem fonte pagadora pessoa física. 42 e ss. Vale . Em face do Direito Tributário. o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. além de deduzir os custos de previdência. bancos comerciais. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados.. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. que será feito no ano seguinte.131 cálculo. Entretanto. esta obrigação não é facultativa. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. Só depois do exercício financeiro anual. rendimentos ou ganhos do exterior. Além disso. No tocante ao IRPF. I a VI. Em qualquer dos casos de incidência. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. ao contrário do IRPF. Na realidade. 246. Na prestação de contas anual. etc. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. Para resolver o entrave. em contrário. logo depois. RIR. É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. Neste caso. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. A opção por lucro real. bastando meros cálculos matemáticos. porque. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. Neste sentido. De fato. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. quer seja em uma empresa. o período de apuração do IR é de 12 meses. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. Como o fato gerador do IR é complessivo. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. sociedades de crédito imobiliário. Todavia. nesta modalidade. então. os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. favorece sempre o contribuinte. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). empresas de seguros. quer seja quanto a uma pessoa natural. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. “factoring”. para. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. empresas de arrendamento mercantil. Desta feita. sempre haverá recolhimento de tributo. as que tiverem lucros. instituições financeiras. A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. bancos de investimento. Entretanto. o art. Lei 8981/95). a fiscalização é materialmente mais facilitada.. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). valem as consultorias. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). Nesta situação.

Ademais.9. Min. a “circulação de mercadorias (. por conseguinte. Informativo do STF n° 478. incidindo o 172 STF. p. j. O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. ADI 2021 MC/SP. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física. ADI 3936 MC/PR. nos termos do art. XII. 1º. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir. Para ela.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação. Plenário. rel. Cassone.9. Portanto.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. “caput”. op. j. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal. 19. Desta feita. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido.11.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física. a aferição e. “g”. Informativo do STF n° 480. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual. Obs. RMS 17949/ES. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. cit. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. j. DJU 25. ou seja. Joaquim Barbosa. Marco Aurélio.. DJU de 27. a antecipação é diversa. LC 24/75 (art. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. Liga-se à atividade de mercância. Min. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica.2003. Pelo lucro presumido. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa. 173 Para Sabbag. . Min. rel.95. Gilmar Mendes. ADI 2377 MC/MG. DJU 17.2007.5. o art.2007. Informativo do STF n° 478. ADI 1247 MC/PA. exclusivamente. 99/99. § 2º.9. DJU 8.. Joaquim Barbosa. em um balanço parcial do ano (seis meses). 155. O fisco deu uma terceira alternativa. Nesse sentido. p. DJU 7. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO.8.2007.68. 6. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): . cit. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. Estatisticamente. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. Uma vez que. No diapasão. CF/88. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período. 6... rel. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. com a correspondente antecipação neste período. II. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. 450. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”.9.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. a antecipação são MENSAIS. A MP 219914/01. 155. ADI 3389/RJ. CF/88). ADIn 2747/DF. direta ou indiretamente. 291.2001. ADI 3673/RJ. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. Min.2007.9. op. 102/00 e 114/02). produtos que estão na linha da circulação. rel.

perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. j. p. ou pessoa – fretamento). Não importa se há efetivamente o transporte. 19. utensílios e implementos a título de comodato”. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante.. 116. no momento do negócio jurídico. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho.u. 18/9/2007.1998. § 2º. porque há mudança de titularidade. Min.. não existir a movimentação física do produto. op. Nesse passo.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. v. um crédito”. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho. não há transmissão da titularidade. Havido o transporte mediante pagamento. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG. que a produz.633. Basta que o serviço seja prestado. citados por Cassone. João Otávio de Noronha.612-RJ. Informativo do STJ n° 332. p. II. É também cediço definir “mercadoria”.u. 452). De outra sorte. 1ª T. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria.. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. . incide o ICMS. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. rel. situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art. CF/88).1998. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. rel. chama-se produto manufaturado ou artefato. Ilmar Galvão.1997. Desta feita. 29.. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. 2004)177. Min. a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa. consuma-se o fato gerador. REsp 756. IX. a cada entrada.9. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. um débito. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175. desde que se trate de operação de mercado. o qual destina-se ao comércio (SABBAG. rel.737. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. cit. aplicando-se o art. ínsito no art. II. carga.133 ICMS.. Marco Aurélio. p. o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS. DJU 7. Ex. 2004. 34. neste caso. . apesar de. CF/88. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174. p. DJU 12.8. RE 200379-4/SP. 449: “a coisa. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular.prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004. apesar de haver movimentação de mercadoria. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. Min. Está fora o transporte intramunicipal. RJ/IOB 1/11. 155. “a”. o conceito de serviço. 2ª T..4. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins.951-SP. p. 177 STF. 43. o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. CTN. v. 2ª T. 2004)176. considerado produto. RE 194. enquanto se acha na disponibilidade do industrial.300-9/SP. 452). deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. RTJ 78/215)”. 175 STJ. 2004). j.5.1997. 155. Ex. segundo entendimento do STF.

§ 2º. bens. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. a retransmissão. Min. pois houve contrato. CF/88. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. acrescida pela EC 42/03). incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. não pode ser tributado pela via do ICMS. No critério espacial. a movimentação é obstada. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. Além disso. Informativo do STJ n° 325.. rel. mercadorias ou valores. 2004). Quando a prestação se dá em parcelas.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. por alguma razão. . e § 1º. Geralmente. Graças ao art. . Neste caso. 2ª T. restaurantes e estabelecimentos similares. “d”. por qualquer meio. STJ. Nesse caso.prestação de serviço de comunicação. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. com transporte de várias peças ou componentes. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. LC 87/96179. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada).103-MG. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. 454). IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. I a V. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. incide o ICMS. João Otávio de Noronha. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. 155. j. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. a transmissão. REsp 726. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. 2º. pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. não há prestação de serviço de transporte. p. X. 2004. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. 26/6/2007. a recepção. conquanto o legislador não a distinguiu. 2004). o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. inclusive a geração. 2º. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. por qualquer via. de pessoas. não há incidência da exação (SABBAG. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. I a III. desde que não propague o sinal por qualquer meio. as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. a emissão. pois se gratuita for. II.

§ 2º. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. CF/88) . II.. 453). A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art.. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento. CF/88. de fato. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente.). p. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI. decorrentes de operações interestaduais. 155. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS. em contrário à vontade do constituinte originário. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. 2º. apesar de não constar do rol do art. VIII – a entrada. . ao considerá-la como mercadoria. O imposto incide também: (. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. 155.135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. II. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana.. sendo chamada de insumo público. pois faz parte de um preceito secundário. à exceção do art. LC 87/96: Art. CF/88). II. 298.. p. de petróleo. Controvérsia também se estabelece sobre o art. utilizou-se da regra prevista no art. “c”. não prevista no texto do art.). XII. II. pende uma dúvida. por intermédio da EC 33/01. § 1º.. 155. II. Todavia. Alguns a consideram insumo de produção. e de energia elétrica. de competência dos Municípios. § 3º. (. por pessoa física ou jurídica. § 2º. CF/88. CF/88. II . O legislador infraconstitucional. quando não destinados à comercialização ou à industrialização.). a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. 155. CF/88. no território do Estado destinatário. CF/88). O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. 153.. Para Cassone (2004. quanto ao consumo residencial. 2º O imposto incide sobre: (. 155. § 3º. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior.. § 1º. cit. op. mas aquele o fez. I. VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 155.

Nesse caso. CF/88). RE’s 176. “a”. segundo alíquota mínima de 1%. 155. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). I e II. XI. Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. “b”. Em contrário senso. 155. CF/88). 288). entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. CF/88). p. Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. para transporte aéreo. real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). § 5º. devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. 153. ISSQN. p. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira.). VI. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. “d”. De outra feita. X. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. Ele tem um valor cambiário. esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. 182 STF. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. § 2º. Os programas de computador sofrem dupla disciplina. enquanto a Resolução 95/96.464/SP. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). enquanto ativo financeiro. 150. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. CF/88). “a”. § 2º. ou serviços (art. CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. § 2º. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. Será incidente na extração da matéria-prima. X. III. CF/88). 155. etc. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. 3º. devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. ICMS. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. Nas palavras de Sabbag (2004. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização. Atualmente. Desta feita. § 5º. não incide o ICMS. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). V. . em que pese sua natureza de mercadoria. O ouro é um valor de referência mundial. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. há configuração do fato gerador de ambas exações.626-3/SP e 199. a ser divida de acordo com o art.136 legislador estadual – art. 2004. 155. CF/88). 155. 458-480)182. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. I a IX. jornais. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. § 2º. § 2º. 150. LC 87/96): I – operações com livros.

X. de competência dos Municípios. p. 306) e Cassone (2004. com alíquota de ICMS de 12%. VIII – operações de arrendamento mercantil. § 7º. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. segundo dizem Sabbag (2004. LC 87/96). Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. LC 87/96. 4º. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. 2º. p. 3º. que realize. 4º. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. “caput”. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. com base no art. CF/88). ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. parágrafo único. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. parágrafo único. comercial ou de outra espécie. física ou jurídica. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. DL 406/68).137 IV – operações com ouro. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. I e II. mesmo sem habitualidade (art. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. do total da operação (100%). I. 3º. § 2º. “c”. Ex. destinada a (art. 155. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. § 1º. deve ser abatida a . pelo próprio autor da saída. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 462). estabelecimento da mesma empresa. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado.: mercadoria custa R$ 500. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. I a IV. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar.

CTN). de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. obtendo-se a percentagem real (88%).: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. p.13636). RJ/IOB 1/9. Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. Em contrário senso. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação. Ex. STJ. no momento da ocorrência do fato gerador. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação. I.1999. REsp 67947/MG. d) importado do exterior. CF/88. os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. “a”. considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação. por exemplo). o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. 462). RE 101103-3/RS. é (art. R$ 568. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. rel. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. à vista do adquirente (CASSONE. j. isto é. ou seja. STF. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. sendo tributada por meio do IOF (art. § 1º. “a”.. com fulcro no art. STF. Cesar Asfor Rocha. Min.138 alíquota (12%). 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. como dispuser a legislação tributária. No mesmo sentido. o do domicílio do adquirente. No mesmo comando. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. 1ª T. II. I a IV. Segundo o art. 2004.826. 64.6. LC 87/96. 1. ou o título que a represente. integram a base de cálculo do ICMS.18 (12% de 568. quando não estabelecido. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. 13. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea. e) importado do exterior.18) para o fisco. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). f) aquele onde seja realizada a licitação. 13. 184 183 . Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. § 1º. II. b) onde se encontre.13636. RE 212209/RS.18: o contribuinte de fato paga esse valor. 30. Informativo do STF n° 154.

c) o do estabelecimento destinatário do serviço. lubrificantes e combustíveis dele derivados. assim entendido o da geração. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. repetição. b) onde se encontre o transportador.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. crustáceos e moluscos. . emissão. IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. por contribuinte. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. d) onde seja cobrado o serviço. por contribuinte. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. na hipótese de captura de peixes. I a XIII. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. 12. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. na hipótese da utilização. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. ampliação e recepção. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial. cartão. quando prestado por meio de satélite. i) o de desembarque do produto. no Estado do transmitente. na hipótese da utilização. nos demais casos. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. inclusive consumidor final. transmissão e retransmissão. como dispuser a legislação tributária. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. II – do fornecimento de alimentação. ou assemelhados com que o serviço é pago. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha.

LC 87/96). que seja contribuinte do imposto (art. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. concomitantes ou subseqüentes. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. LC 87/96). Não-cumulatividade. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. “caput”. a qualquer título. VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. a recepção. que não se realizar (art. como definido na lei complementar aplicável. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. correspondente ao fato gerador presumido. a retransmissão. 5º e 6º. LC 87/96). § 2º. a transmissão. feita por qualquer meio.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. § 1º. X – do recebimento. 6º. pelo destinatário. ou de título que a represente. inclusive a geração. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. XIII – da utilização. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. de serviço prestado no exterior. de qualquer natureza. a emissão. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. sejam antecedentes. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. LC 87/96). 6º. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. 10. “caput”. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. a responsabilidade pelo seu pagamento. por contribuinte.

ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. um crédito”. valor do imposto anteriormente cobrado. 20.R$ 10. 21. Sendo o ativo alienado em até cinco anos. o crédito não vige. I e II. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. com as devidas alterações da LC 102/00.00 = R$ 40. diga respeito à operação estranha à empresa. não há de argüir a regra da não-cumulatividade. 20. § 2º. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. exceto se se tratar de saída para o exterior. LC 87/96). valor do ICMS a pagar – R$ 50. a LC 87/96. § 2º. CF/88. “caput”. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. LC 87/96). § 1º.000. Do contrário. Nessas hipóteses. I a IV. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção. parágrafo único. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. real ou simbólica. LC 87/96). LC 87/96). LC 87/96). 155. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. . 21. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária. devendo o contribuinte também realizar o estorno (art. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. II – para comercialização ou prestação de serviço. § 1º.000. De fato. caso a operação for isenta ou não tributada.00. Salvo prova em contrário. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia. II.00. 20. LC 87/96). presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. 21. II. LC 87/96). De outra sorte.141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. exceto as destinadas ao exterior.000. o crédito será definitivo. LC 87/96). 20. 23. Quando a operação subseqüente for de exportação. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. Entretanto. No creditamento de ICMS.000. perecer ou perder-se. 33.000.00. Com efeito. Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. § 3º. no estabelecimento (art. o art. “a” e “b”. O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. LC 87/96). § 2º. 19.00 .

no prazo de quinze dias da respectiva notificação. Se o montante dos créditos superar os dos débitos. deteriorar-se ou extraviar-se. Eliana Calmon. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. em sua escrita fiscal. e I. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. j. parágrafo único. 24. 25. 2ª T. No entanto. III. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. também devidamente atualizados. a diferença será transportada para o período seguinte (art. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. o contribuinte substituído poderá se creditar. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. LC 87/96). Convênio 115/96).795-RJ. versando sobre ICMS. § 1º. O Convênio 115/96. . procederá ao estorno dos créditos lançados. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. 2ª parte. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. LC 87/96). LC 87/98). 10. A prestação em comento. LC 87/96). fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. § 2º. A Lei estadual poderá. 24. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. 10. LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. Min. 186 STJ. 20. 20/9/2007. do valor objeto do pedido. com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. 21. popularmente conhecida como “pager”. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. 20. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. IV – vier a perecer. § 1º. “caput”. § 2º. nos casos de saldos credores acumulados. LC 87/96). I a IV. o contribuinte substituído. se for o caso. I e II. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. permitir que (art. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. Com base nessa interpretação.. § 1º.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. LC 87/98). Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. REsp 805. Informativo do STJ n° 332. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. rel.

rel. 190 STJ. REsp 73. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. Também TJRJ. 3º. 23.946-MS. Informativo do STJ n° 323. v. o STJ resolveu alterar sua posição.084. “caput”. u. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. Com base no entendimento do Supremo. 194 STF. j. Néri da Silveira. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. decorrente de operação de importação de mercadoria187. cancelando o referido verbete195. rel. RE 193817/RJ. à materialidade do fato. Castro Meira. bens decorrentes de sinistro. a outros contribuintes do mesmo Estado. REsp 23533/SP.97. Min. rel.10. j. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. incidia a referida exação. 188 187 . Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. RE 192711/SP.. Min. CC). é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”.99. Com essa idéia. j. DL 406/68. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. 191 STF. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. ADInMC 1648/MG.05. lavrando-se o auto de infração devido. Informativo do STJ nº 331. 1º. REsp 919. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. Informativo do STF n° 478. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art. REsp 564. a alíquota a incidir é a interna. não aquela determinada para operações interestaduais. 6. incide o ICMS”. 610. RMS 12. com julgamento ainda pendente até a data indicada. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. EREsp 149. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. 1ª Seç.08. Pleno. e § 1º. nas condições que definir. Operações com salvados de sinistros – o art. ADI 1648/MG. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. Todavia. m. RJ/IOB 1/11. Dessarte. RE 172282-7/SP.769-DF. quando a adquirente realizava a alienação deles. LC 87/96. v. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. Min.9. Ilmar Galvão.. de bens salvados de sinistros.062-GO. 192 STJ. RT 726/383. segundo já disse o Supremo191.96. DJU 20/3/2000. Nas operações de importação.. rel. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. Essa prática é STF. DJU 28. o STF vinha entendendo diferente. IX. j.223-MT. DJU 1º/7/2002. em substituição ao seu enunciado 577.552-RJ. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. DJU 16/8/2004. 13. 11/9/2007. II. Min. 1ª T. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal. 195 STJ. não ficando abarcada pelo ICMS..2007. Dessa feita. Castro Meira. Gilmar Mendes. 13/6/2007. 2ª T. Min. “in fine”. rel. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. Ilmar Galvão. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. essa atuação se presta à identificação do contribuinte. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. Min. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. STF.. rel. j.143 II – sejam transferidos.

316-DF. Nas razões do recurso. . parágrafo único. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração.97. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. DJU 2/6/2003. inciso I. 02. REsp 513.543-PR.repudiada pela jurisprudência .12.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. STJ: REsp 493. na íntegra. rel. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. REsp 789. reafirme-se. REsp 700. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF. Informativo do STJ n° 326. § 2º. cuja constitucionalidade foi declarada e que. DJU 3 30. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. da Constituição Federal. DJU 1º/3/2007. j. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. Min. rel. MS 38. do Diploma Maior. Des. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. LC 70/91. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença. articula-se com a ofensa ao artigo 195. Veja.96. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. Getúlio Moraes Oliveira. Marco Aurélio sobre a matéria.631-96. o voto do Min. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art. 7/8/2007. “caput”. lei esta. DJU 15/9/2003.781-RS. Eliana Calmon.371-CE.04.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. já citada). 8078 – ementa oficial. da citada lei complementar. por força do artigo 102. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90).. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. 2ª T. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN . j. p. 2º.

145 de cálculo da Cofins. o ICMS. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. Quanto à oportunidade. da mencionada lei englobar. parágrafo único. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). antes. apontou para o envolvimento. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. Em 29 imediato. Por isso mesmo. de 30 de dezembro de 1991. na espécie. o Relator. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. página 722 a 755. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. segunda- . foram observados os pressupostos de recorribilidade. Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. terça-feira. 2º. deverá. terça-feira. preconizando o não-conhecimento do recurso. ministro Moreira Alves. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). segunda-feira. assevera-se que. já que o dia 3. É o relatório. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. terça-feira. no que. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. Noutro passo. na base do cálculo da COFINS. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. Por outro lado. foi feriado forense. aludindo a memoriais distribuídos. 9º. 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. apenas dos artigos 1º. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91).

atenta ao passo que se avizinhava. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . segunda-feira. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. consagrando-se. ou seja. A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. de interpretação de norma estritamente legal. o ICMS (folha 92 a 94). alínea “b”. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1.146 feira. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. parágrafo. inciso I. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). nas razões do recurso. Sob o ângulo do prequestionamento. na espécie. analisando estes embargos. tem-se como prequestionada a matéria. da Constituição Federal. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. inciso I. tudo a partir. terça-feira. portanto. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. refutou a argüição de inconstitucionalidade. não menos correto é que a recorrente. Portanto. no sentido de adentrar a sede extraordinária. ou seja. utilizando a adjuntiva “ou”. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. assim. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. na forma do acórdão de folha 115 a 117. Portanto. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. considerado o teor primitivo do preceito. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). juntamente com o faturamento. prescinde de referência a artigo. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. na base de incidência da Cofins. A Corte já assentou que o prequestionamento. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. é certo. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. na citada alínea. Resta examinar o específico. Já aqui entendeu. da Constituição Federal. a receita. no que. Sob o ângulo do prequestionamento.519-2/DF. a violência ao artigo 195. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. Aí. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. Mesmo assim. como causa de pedir. tal como prevista no artigo 195. fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador.950/94. Pois bem. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. a utilização de formas sacramentais. exsurge a tempestividade deste recurso. destarte. Há de se examinar. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101). a viabilizarem o cotejo. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República.

incluindo este no que se entende como faturamento. implicando.147 o ICMS. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam.519-2/DF. conflita. A conclusão a que chegou a Corte de origem. o faturamento e o lucro. não sobre o faturamento. com o dispositivo constitucional. a partir de premissa errônea. afastou a possibilidade de incluir-se. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. assim. em si. sob o ângulo do faturamento. o que se dirá quanto a um ônus. Não pode. por exemplo. o sentido técnico-jurídico. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. o que percebido por aquele que a realiza. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. os acessórios. Este decorre. em si. importando. para o contribuinte. a incidência da Cofins sobre o ICMS. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. de um negócio jurídico. ou seja.758: “se a lei . A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. revelador da incidência sobre o faturamento. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. desse modo. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. de uma operação. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. isto sim. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. na redação primitiva da Carta. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. o ICMS. ter-se-á. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. o valor devido a título de IPI. então. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. ou seja. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. emprestando. ainda que mediata. por isso mesmo. ao vocábulo “salários”. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. o valor do negócio. ou não. O valor deste revela. fiel à dicção constitucional. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. servir à incidência da Cofins. ou seja. a prevalecer o que decidido. por tal motivo. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. Por isso mesmo. na base de incidência da Cofins. a incidência de contribuição sobre imposto. importa na incidência do tributo que é a Cofins. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. a cargo do empregador. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. No caso dos autos. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71.

Conforme previsto no preceito constitucional em comento. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. por isso mesmo. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. pela Constituição Federal. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. isso sim.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. para mim. não englobando. parcela diversa.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. Por tais razões. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . 110. em si. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. com sentido didático. com razão maior. pelas Constituições dos Estados. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . de exportação o que não é exportação. Admitir o contrário é querer. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. na expressão “folha de salários”. ônus fiscal. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria. a inclusão do que satisfeito a administradores. ao valor da mercadoria ou do serviço. mais do que isso. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. Conforme salientado pela melhor doutrina. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. quer de serviço. a cobrança considerado. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. Por isso mesmo. implica manipulação geradora de insegurança e. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. autônomos e avulsos. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. que é o faturamento. assim. expressa ou implicitamente. entender que a expressão “faturamento” envolve. de expressões e de vocábulos. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. alterando. no emprego de institutos. como é o relativo ao ICMS. de renda o que não é renda. Se alguém fatura ICMS. conforme visto. A contrário sensu. o conteúdo e o alcance de institutos. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. surge simplesmente pedagógica. não pode. como é o relativo ao ICMS.RTJ 66/165. A lei tributária não pode alterar a definição. o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. a revelar que: Art. ao sentido próprio que eles possuem. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. conceitos e formas de direito privado utilizados. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. a duplicidade de ônus fiscal a um só título. um desembolso.

LC 87/96). 2º. como diz Rui Barbosa Nogueira. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. 155. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. I a III. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. a exação será devida ao Estado de origem. dado o permissivo do art. o ICMS é devido no local onde houve o consumo.149 intentada. quem as determina então? Resposta: errado. Essa regra. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. § 1º. 1º. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. 155. Pergunta: no caso do art. segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. § 4º. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. 2º. CF/88. CF/88 (“circulação de mercadorias”). bem próxima do . CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. em operações entre contribuintes do ICMS. na situação anterior. LC 87/96. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. III. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. inverto os ônus da sucumbência. X. LC 87/96). inclusive lubrificantes. 155. 1ª parte. § 1º. II. III. CF/88. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. § 3º. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. É o que a doutrina chama de imunidade. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. Não tendo tal destino. em se tratando de gás natural. tal diploma inexiste. IV. 155. “b”. III. Pergunta: o art. tais como fixados na sentença prolatada. 155. Entretanto. na mesma proporção de outras mercadorias. 155. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. X. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. A partir da disposição do art. Atualmente. § 2º. § 2º. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. nos termos do art. derivados de petróleo e energia elétrica (art. considerado o faturamento. o ICMS incide sobre combustíveis. I. Com isso. 3º. o valor correspondente ao ICMS. consoante art. Pergunta: as regras do art. § 2º.

Dessa feita. um débito. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. I. previsto no art. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. 134. p. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. “a” e “b”. um crédito. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido.v. § 2º. Lei 8927/88 do Paraná. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. 2004. DOE-PJ 23-6-95. mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. no entanto. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. 314). É o caso. como previsto no art. 314).: doador. A Constituição de 1967. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. CF/88). como bem lembra Sabbag (2004. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). a hipótese de incidência é a saída. p. III e IV. CF/67. por exemplo. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. No entanto. 289 da Lei 6015/73. e CASSONE. o sistema congrega outras regras. 23. p. Nos termos do art. a cada saída. quando ele realizar o recolhimento. Sua constitucionalização. CF/88. no caso do cessionário não arcar com o imposto. 53-4. Dessa feita. CTN. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. 2004. p. . 6º. 432). possuidor. sendo de competência dos Estados e do DF. j. só ocorreu a partir da Carta de 1891. CSM. 156. Trata-se do mesmo imposto do art. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. I. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. Assim. do oficial de registro. a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. assim como sua EC 1/69. 155. como é o caso do art. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. 2004. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. p. 11-5-95. 197 TJSP. p. 155. seguem um mandamento geral: a cada entrada. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. previam o impostos de transmissão como único. Dessarte. o ITBI (art. II.150 que existe no IPI. I. Com o advento da atual CF/88. II. 314. no seu mister. em 1810 (CASSONE. No Brasil. VI. mas sim pela efetivação do ato197. m. No entanto. 431). sendo de competência dos Municípios. desdobrado em duas espécies (SABBAG. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). Além do comando geral da substituição tributária por compensação.. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). 42. Ex. caso o donatário não recolha a exação. CF/88). estando presentes em todas suas subseqüentes. CTN. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD.

Causa Mortis no inventário por morte presumida”. 2004. o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. 22 e 23. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. I e II. I. também não haverá incidência do ITCMD (art. 36. Nesse caso. tratando-se de morte presumida (art. 146. compra. visto que inexiste outro diploma específico. decorremnte de capital anteriormente subscrito. . quer por ato de liberalidade. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. CC) ou de ausência (arts. em posição minoritária. ou se o autor da herança tinha bens. CTN. 35. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. I e II. Na primeira hipótese. Não é o que vem fazendo os Estados. 155. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. não atingindo outros situados além de sua competência territorial. Entretanto. Nesse caso. Elemento temporal – estatui o art. com a homologação do juiz. III. CTN). CF/88). ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. 35. No caso de doações feitas por sociedades por ações. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. 36. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. nos termos do art. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. Por derradeiro. CTN). as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. impõe-se ressaltar que. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. “caput”. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. No entanto. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. CC). Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. Nesse passo. isto é. “caput”. quer em decorrência da morte. p. § 1º. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. Observa-se. “caput”. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. parágrafo único. 315). em que pese a previsão expressa do constituinte no art. cessão e locação de imóveis (art. 155. com autorização judiciária das cortes. Cassone (2004. no caso de transmissão por fato “causa mortis”.151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. p. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. 155. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. I e II. Ademais. § 1º. CTN. “a” e “b”. 37. CTN). parágrafo único. 35. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. CF/88). CTN). LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. 7º. não incide a exação em comento (art. “a”. III. CF/88. CF/88) ainda é o CTN.

96. Assim como a base de cálculo. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. III. Não é o que apregoa o referido autor. j. Ap.02. j. Com fulcro no art. não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206. e 155. CTN). oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. p. a qual estipula o percentual teto de 8%. 150. 204 STJ. entendimento ressonante no STJ204. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. Lançamento – é feito na forma mista. 21. 2ª T. 155. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. CPC. 9. e em jurisprudência do STJ201. e REsp 253.777-1/6. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. 2004. 316). o art. Informativo do STJ n° 328. v. Para essa linha de pensamento. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão.01. Castro Meira. 201 202 STJ.. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. CF/88) é setorial. aéreos e aquáticos. 1245. 13. Segundo Sabbag (2004. Civ. CC. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito. REsp 12. mas sim a via administrativa. Aplica-se.. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. rel. 1ª T.546-RJ. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. 245. “caput”. englobando meios de transporte terrestre. . 1ª C. tido no momento da transmissão (art. apesar de homologados e transitados os cálculos. quer seja ela para frente ou para trás. p. CF/88. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza..152 (CASSONE.4.u. 205 TJSP. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. antes da homologação judicial do cálculo. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento. 21/8/2007. “caput”.92. 38. a decisão judicial é interlocutória. CTN). observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. 1034. XLV. Atualmente. IV. Nesse caso. “in casu”. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”.3540-DF. CF/88). § 3º. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento. Obs. EDcl no REsp 927. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. 5º. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. desde que dotados de força motriz própria. atacável por agravo e não por apelação205. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. Contudo. CTN. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. 39. de Direito Privado. § 1º. 147. 436). Aliás.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. CTN).530-SP.10. o diploma competente é a Resolução 9/92. Min.

são de propriedade da União. tratando-se de veículo novo. III. sua definição. como jornais e revistas que militam na área. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. CF/88). o art. falecendo competência estadual para a tributação.931-SP. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. DJU 9-5-97. 155. No tocante à base de cálculo.153 porquanto vale o local de registro do bem. IV. 2004. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. Segundo Sabbag (2004. dada pelo art. Ilmar Galvão. Min. Com efeito. Não foi o que acolheu o STF. 38. nos exatos termos do comando do art. 34. 146. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. 2004. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. CBA define que os aeroportos. § 3º. porquanto não fala em força motora própria. A partir desses critérios objetivos. ou seja. em essência. 150. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. por meio da EC 42/03. ainda que complementar ou alternativa à natural. 106. No entanto. Na ausência do referido diploma federal. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. CF/88). “a”. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. locais onde elas manobram. apto a transportar pessoas ou coisas. 311). I. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. há de ter força-motriz própria. 310). p. rel. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. STF. o constituinte derivado. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. Acerca da alíquota.1999. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. RE 134509/AM. “caput”. j. Ademais. Marco Aurélio. 10. pessoa natural ou jurídica. Visto que esse atualmente falece à existência. “caput”. AG (AgRg) 167777/DF. É a posição assentada no Pretório Excelso207. p. Quanto à aeronaves. mediante reações aerodinâmicas. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). 312). desde que observe a vedação ao confisco (art. RE 236. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. Art. CF/88). os Estados e o DF exercem a competência plena (art. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. p. ADCT. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. . quis imprimir 207 208 STF. devendo ser regulado por LC (art. rel. § 6º. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. 24. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. a partir de 1º de janeiro.8. No aspecto temporal. No tocante ao conceito de veículo. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. É tributo de competência estadual e distrital. Min. § 3º. CF/88). 106.

desde que o legislador estadual assim acate. 158. Usucapião e desapropriação. Impostos dos Municípios – o art. CF/88). aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. II. RDA 73/160 e RTJ 117/652. Na realidade. Dessa feita. 150. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. VI. STF. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). nos exatos termos do art. de templos. 313). cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. CF/88). porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. Chimenti (2002. Caso o proprietário transmita a propriedade. e § 2º. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. CTN). metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. sob pena de inconstitucionalidade. III. Trata-se de comando reduzido. elenca os impostos municipais. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. O lançamento é feito por homologação. 32. podem gozar de isenção (SABBAG. de instituições de ensino e assistência social. ITBI. Para Sabbag (2004). o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. fica impossível analisar cada um. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. Por imperativo lógico-jurídico. Quanto à taxa de licenciamento. de partidos políticos (inclusive suas fundações). p. “caput”. isto é. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. No inciso I do art. como já disse o STF210. VI. O fato gerador é a propriedade. p. § 6º. É cobrado ano a ano. 150. . 2004. Sabbag (2004. CF/88. I a III. sem fins lucrativos. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. 155. Na repartição de receitas. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. CF/88. CF/88. incide a exação. 156. Veículos de interesse socioeconômico específico. não pressupõem pagamento de ITBI. p. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. transporte público de passageiros e terraplenagem. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. por serem formas de aquisição originária da propriedade. ISS (de qualquer natureza). de entidades sindicais de trabalhadores. 156. como agroindústria. Mesmo assim. porque abrange só atribuição de competência. exação que exige transmissão.154 progressividade facultativa ao IPVA (art. “a” a “c”. Pelo grande número. CF/88). 313) entende ser inconstitucional.

rede de iluminação pública. Em tese. Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. até a CF/88. Lei 10257/01). para permitir o aumento da arrecadação. com ou seu postes para distribuição domiciliar. § 2º. V. nos termos do art. “f”. Lei 10257/01). Uma vez que se destine a fins agrários. I a V. Por deficiência da Administração Pública. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. pertenças e móveis atinentes ao prédio. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. 33 e 38. o que não ocorre com o ITBI. onde inexiste. No IPTU. CC). inclusive a ocorrência de mais de um deles. Ex. o novo senhor receba o carnê fiscal. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. o imóvel será considerado rural. nos termos do art. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. esculpindo o princípio da legalidade. Todavia. o qual é determinado por lei local. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). 33. 4º. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. respectivamente). a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. extrativistas vegetais ou agroempresariais. Com efeito. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. Na maioria das vezes. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. parágrafo único. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. computando-se tão-só as acessões (art. ficou conhecido pelo valor do cadastro. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. abastecimento de água. no ano subseqüente. sistema de esgotos sanitários.: na cidade de Paraibuna. a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. atribuindo índice para a atualização. CTN. 32. descontínua a esta. 32. valor venal não é valor de venda. não integram a base de cálculo do IPTU (art. 182. Contudo. Neste sentido. quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. CF/88. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. Com a promulgação da atual Carta. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. o art. No entanto. com canalização de águas pluviais. CF/88. I a V. elegendo-se sempre o maior. seja quais forem. I. CTN). pecuários. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). Se isto for feito por decreto .155 deve ser averbado para que. 41. 33. parágrafo único. o legislador houve por bem alterar o referencial. CTN. pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. onde existe o plano. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. Em verdade. “caput” e § 1º. CTN. Em conseqüência. § 1º. Para o ITBI. 150.

CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. estabelece princípios a serem seguidos. § 2º. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. O art. De uma forma geral. por inconstitucionalidade. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. isto é. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. 156. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. § 1º. Por conseguinte. de acordo com a localização e o uso do imóvel. Ex. É necessário. I. elas dependem do critério a ser usado.: posse de imóvel. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. 97. 156. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. editando a Súmula 656212. § 1º. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. ou seja. . § 1º. não se restringindo ao valor venal do imóvel. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido. 145. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. há inconstitucionalidade. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. CF/88 (princípio da capacidade contributiva). Na prática. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. Ex. CTN. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. incisiva. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. surge uma polêmica. Na cidade de São Paulo. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI.156 administrativo. aplicada ao ITBI. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. Sua alíquota pode oscilar entre 0. como lembra Sabbag (2004). Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva.5 a 1. considerando sempre a maior. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. concordar com as posições de Sabbag (2004). É importante também destacar algumas particularidades do IPTU. CF/88. a progressividade do art. consoante o disposto no art. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. Ex. Desta feita. O STF corroborou com a posição. Diz respeito sim à sua forma de incidência. Entretanto. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária.5%. entretanto. por herança. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais.

157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. . acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. § 4º. Ex. fusão ou extinção de empresa. § 2º. O art. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. 182. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. tratando-se de autênticas imunidades. etc. I. 156. I. O art. troca. então. um imóvel. o remanescente é dividido entre os sócios. Se houver. Na extinção da pessoa jurídica. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. “Ex vi” da EC 29/00. Nessa situação. Ex. como alienação.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. § 2º. localização e uso do imóvel. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. I.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. cada um fica com sua parte. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. há incidência de ITBI. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes. não houve autêntica intenção extrafiscal. caução. nas palavras de Chimenti (2002. p. CF/88. 136. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. há incidência do ITBI. Não incidência – casos do Direito Comercial. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. Nesta situação. Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. op. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. O próprio art. nessa devolução. mas não há incidência de ITBI. § 2º. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. como lembra Sabbag. “in fine”. “A” passa. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. CF/88).: empresa que opera no mercado imobiliário. há transmissão onerosa. de acordo com a exegese do art. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. 156. CF/88. na sua parte final. cisão. Ex. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. ao se separar a pessoa jurídica. 156. 128) e Sabbag (2004). CTN. Segundo o autor. cit. II. mas sim de aumento de arrecadação. CF/88.

não sendo abrangidos os empregados. e 5º. Ex. “b”. § 2º. sob pena de configurar “bis in idem”. CF/88. e § 3º. 155. “b”. Informativo do STF n° 476. 6º. Min. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”. II. “caput”. Não assim agindo. tal qual o art.. II. sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. 9º. . 214 STF. § 2º. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. I e II. LC 116/03). determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. 406/68 (SABBAG. não contidos no DL. contemplando a modernidade.: avanços tecnológicos. 6º. no tocante à atividade dos advogados).158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. III. LC 116/03. de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos. rel. IX. No caso de subempreitadas. A lista é taxativa. 2º.2007. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. j. As alíquotas. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. 151. “caput”. os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. I. o comando é constitucional. Ilmar Galvão. § 3º. Alguns opinam que a situação acabou piorando. RE 262598/PR. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. com o intuito de prever situações que não existiam na época. existem alguns aspectos polêmicos. inclusive esgotos. de vigilância e segurança patrimoniais. telefonia). D. Aliás. Ainda que isento ou imune. Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. Com referência ao ISSQN. CTN. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. o art. oscilam entre 2 e 5% (art. 1ª T. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. parágrafo único. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). 7º. 8º. III. CF/88. CF/88. não se aplicando a disposição do art. 14. LC 116/88). LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. O rol abrange cerca de 230 serviços. DL 406/68).8. desde que haja o fato gerador da obrigação. CF/88). sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. divididos em 40 itens. com referência a serviços de construção civil em geral. § 1º. segundo entendimento do STF. 156. III. 155. 2004). CF/88)214. essas não integram a base de cálculo (art. § 2º. enquanto não vier LC específica (art. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. e 10. Segundo o STF. Desta feita. “caput”. CF/88) nem isenção heterônoma (art. transporte intermunicipal e interestadual. 108. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. 2004). de coleta e reciclagem de detritos. 156. 150. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. LC 116/03). deve ele recolher o ITBI. No entanto.

Em face do rol taxativo. . conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. A LC 116/03. Portanto. LEF). Mas acabou não retratando todos. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). criou três possíveis alternativas. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. segundo já disse o STF. o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. depois do último diploma. Por último. I. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. a serem observadas necessariamente nesta ordem: . do contrário. 3º. a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. . II a XXII. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. DL 406/68). até a LC 116/03. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. tal estipulação é inconstitucional. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. ressalta-se que o DL 406/68. “caput”. está em vigor integralmente. A LC 116/03.Domicílio do tomador (art. Ademais. eles devem editar leis municipais correspondentes. Com referência especificamente a estes. Logo. ab-rogado nos demais. Segundo Carrazza (1991). I. “a”. Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. sendo. somente em 2004. Havendo a obrigação em mais de um lugar. 12. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. 3º. tendo o CPC função subsidiária (art. não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria. Entretanto. nos casos por ela abarcados. Portanto. 1º.Local da prestação do serviço (art. convivendo com a parte “viva” do citado DL.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. 12. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. “b”. . III. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. LC 116/03). em seu art. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN.159 O art. DL 406/68). Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). 2004). o DL 406/68 continua em vigência. 156. adaptandose à LC 116/03. Neste mister. por conseguinte. CF/88. CF/88. foi recepcionado como LC. LC 116/03). Assim. “in fine”. 3º. 146.

ao que parece. decorre do poder de “imperium” do Estado.320. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. em coro com a melhor doutrina. 20ª ed. Forense. 2. p. 101). 208. v.. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. Por conseguinte. dos Estados. porquanto se trata de procedimento executório especial. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. 2003. e Vicente Greco Filho. 101. v. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. 130. § 1º . p. sendo formada unilateralmente. Saraiva. 585. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. tenham eles natureza tributária ou não. Nesse passo. Segundo Câmara (2006. outrora denominados dívida ativa. para sua validade. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. 208). redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. com as alterações posteriores. § 3º. 215 . p. o que constitui o título em tela. sem participação do devedor. 16ª ed. LEF). op. cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. sem demais considerações. Humberto Theodoro Júnior. São Paulo. assim como outras processuais.160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. 2006. Em paralelo. VII. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. O legislador. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215.. 3. não necessita. na realidade. dos Municípios e do Distrito Federal. Câmara (2006. e Chimenti.. Segundo Chimenti (2002. 2003. 1997. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. Essa prerrogativa material. Conseguintemente. o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art.Qualquer valor. Uma vez inscrita a dívida. p. Assis (apud CÂMARA. Rio de Janeiro. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. CPC). Curso de Direito Processual Civil. p. Cf. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. preservou incólume a regência da execução fiscal. 2º. A LEF é claramente prófazendária. cit. de 17 de março de 1964. p. 211). como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. 2º. p.

massa (falida ou da insolvência civil). de que essa não possui dívida ativa. por meio da ADIn 3026. No entanto. “caput”. 4º. De outra sorte. massa e espólio. LEF). 2º. fala em “decisão de primeira instância”. Sendo assim. LEF. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. concernentes à OAB. adequando-a ao novo senhor da coisa. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. por débitos fiscais. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. No tocante às exações reais. fiador. . pois foi ratificada sua natureza autárquica. I a VI. 41. CPC). se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. RT 697/131. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. e 2º. Informativo do STJ n° 330. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. ampliada pela jurisprudência. Por exclusão. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. Nesse ponto. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. 721/290.. 2º. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. § 8º. REsp 840. Nessa demanda. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. fiador. o rito a ser seguido não será da LEF. 1ª T. Câmara (2006. como já está pacificado na jurisprudência. Apesar desse raciocínio. CPC. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. é feita nova citação ao atual proprietário. 730 e 731. O STF. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. I. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. Competência – de acordo com a redação do art. A posição do autor é. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. universal ou singular).623-BA. há precedentes no STJ. LEF: devedor. CPC. 578. com correlata distribuição de competência do poder de tributar. 737/340. § 5º. § 8º. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. j. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. Min. 6/9/2007. seguiu os precedentes do STJ. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. rel. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. 369) faz interessante observação (art. Dessa feita. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ.161 O art. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. p. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. No ponto. espólio. de certa forma. não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. Luiz Fux.

§ 3º. I e III. III. incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. e 15. CTN. CTN). CTN). 87. o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. CF/88. se o crédito fiscal dele se originar. CTN). Não importa a natureza do tributo. o domicílio será aquele de sua sede ou. 127. 109. CTN). 127. a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. 127. § 4º. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. Nessa hipótese. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. parágrafo único. esculpido no art. o domicílio será definido por essa. 127. 127. Em verdade. quando esse apresentar mais de um. 127.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). no aspecto espacial. II. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. na ausência da eleição. 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. No entanto. 127. I. II. CPC. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. a qual detém competência tributária (art. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. o art. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. Inexistente essa no domicílio estabelecido. quando houver mais de um. CTN). . CTN. Entretanto. § 1º. quando desconhecida ou incerta. No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. se imposto ou contribuição social (arts. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. § 2º. Quando os tributos forem de competência da União. o qual define o domicílio tributário. I a III. a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. 108. “caput”. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. CTN). o centro de suas atividades (art. quanto a outros estabelecimentos. CF/88). 127. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). Lei 5010/66). Em tese. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. • Foro da situação dos bens. 578. I a III. e 109. incluindo empresários individuais. CPC.

e VII. Nesse passo. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. 2º da Lei n. CPC). § 2º. por aplicação analógica do art. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. V. 2002. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art.937/92) (CHIMENTI. p. Dessarte.397/92. . a penhora de bens do patrimônio do executado. LEF. “caput”. CPC. assim como qualquer outra cautelar (art. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. 78). e 29. de insolvência civil ou de inventário. nos termos do art. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta. Lei 8397/92).163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. p. “in fine”. 747. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. 798. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. LEF). 2º. será ela aí julgada (art. Nesse caso. No entanto. avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. Lei 8397/92). 20. 2001. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. 1º. São as hipóteses em que o devedor. se dessa forma fosse. intenta aliená-los. CPC. Por óbvio. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito. 8397/92). parágrafo único. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. excepcionalmente. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. Lei 8397/92 (art. por conseguinte. 94. parágrafo único. 207). não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. “caput”. CPC. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e. 5º. LEF). Carmona (2004. 578. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. é permitida. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. 2º. “caput”. uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). “Pela ação cautelar fiscal (L. Nesse sentido. pois. “in fine”. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. 20. 8. parágrafo único. antes ou depois da ação de execução fiscal. “b”. Com efeito. de liquidação. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. p.

“caput”. 4º. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. 135. Em regra. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. e Súmula 40 do TFR. CTN. 800. CF/88). o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. No direito. Lei 8397/92). Lei 8397/92. devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. inclusive quanto à competência da Justiça Federal. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. como declaratória negativa de débito. Lei 5010/66. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. CF/88. além dos fatos. A norma não requer má-fé. e 15. o foro da matéria). III. 4º. Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . No aspecto formal. § 3º. exatamente o lançamento definitivo do tributo. quando presentes. a regra de competência segue o comando do art. 4º. O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. “caput”. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. Lei 8397/92). é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. Lei 8397/92. No pedido. “caput”. CTN). §§ 1º e 2º. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. o art. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. Tratando-se de tributo estadual ou municipal. 127. prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. §§ 1º e 2º. Além da prova do perigo na demora (art. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. competente é a Justiça Estadual. Lei 8397/92). mediante medida cautelar fiscal (art. 109. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. I a IX. Lei 8397/92. I e III. 5º. I a IX. de repetição de indébito. não podendo ir além disso. II. já mencionada). o pleiteante deverá demonstrar. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). De fato. I. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. dolo ou culpa do acionista controlador. Lei 8397/92). Sendo tributo federal. Como se trata de medida cautelar. 109. 2º. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. competente será a Justiça Federal (art. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. etc. De fato. Lei 8397/92). 2º. O STJ não concorda com esse comando. I. 3º. quando existentes. Nesse ponto. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. “caput”. CPC. 3º.

§ 1º. Para tal. aplicando-o restritivamente. qualificação e endereço do requerido. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. “caput”. 10. 1ª T. 185-A. 9º. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. 8º. Depois da produção probatória. Lei 8397/92. 2º. De acordo com a interpretação da corte. Luiz Fux. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. Para suprir a deficiência. não havendo contestação. Lei 8397/92). j.. 174. Entretanto. LEF. a medida não é efetivada de plano. 135. Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. 18/9/2007. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. excepcionalmente. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. “caput”. caso o requerido trave conhecimento com a demanda. O art. CTN. Lei 8397/92). III. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. a LC 118/05 trouxe o art. Se o devedor contesta. Lei 8397/92). observada a ordem de preferência do dispositivo (art. 9º. 4º. o rigor da medida. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art.165 daqueles que já foram sócios. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. porquanto a legitimidade do crédito tributário. diante da não localização 220 STJ. nos termos do art. 6º. REsp 841. I a IV. CTN. Nesse âmbito. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. tem-se a decisão. através do convênio BACEN-Jud. o devedor será citado (art. 8º. provas a serem produzidas. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. Min. 7º. LEF). parágrafo único. a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. I. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. Essa atuação é feita por meio eletrônico. Sendo infrutífera a diligência. “caput”. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. 185-A. “caput”. CTN. quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. Ainda no tocante ao art. Informativo do STJ n° 332. CTN). Lei 8397/92). É também plausível o pedido de liminar. parágrafo único. rel. “caput”. . I a IX. requerimento para citação. Lei 8397/92. “caput”. Na contestação ou a qualquer tempo. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. Lei 8397/92. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. “caput”. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. 9º. dentro do decurso legal de cinco dias (art. De outra parte. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art.173-PB. Lei 8397/920). I a IV.

§ 3º. Com efeito. comuns a qualquer exordial. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. porque estão presumidos na CDA. Entretanto. § 4º. LEF. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. Por óbvio. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos.00 (art. 40. LEF). 64. Não sendo frutíferas novas tentativas. 40. 64. “caput”. 64. Lei 9532/97). Fora essas hipóteses. 64. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. e Súmula 314 do STJ. não é adequada a cautelar. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. Lei 9532/97). não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. Com efeito. devendo revestir-se de formalidades mínimas. o art. 40. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. não se exige o requerimento genérico de prova. Lei 9532/97).166 e conseqüente não citação do devedor.000. processada perante a Justiça Estadual. 14. sua não suspensão. 64. Entretanto. começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. 40. LEF). Lei 9532/97). 64. § 3º. o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. já mencionada). porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. § 4º. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. o juiz manda arquivar o processo. servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. Arrolamento fiscal – nos termos do art. § 7º. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. Depois do decurso de um ano. tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. § 4º. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. LEF. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. 6º. LEF). § 2º. LEF). §§ 8º e 9º. “caput”. não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. com piso de R$ 500. o arrolado não poderá alienar. I a III. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. não sendo encontrados bens para o arresto. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. Essa restrição poderá. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. Lei 9532/97. Lei 9532/97). O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. Lei 9532/97). pedido e requerimento de citação do executado (art. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. I. § 5º. não é composta tão-só por esses elementos. futuramente. 64. I a III. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. . Nesse caso.

“d”. op. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. “caput”. I a IV. sob pena de penhora imediata (art. segundo entende a jurisprudência. LEF). Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. I a V. III. o Avaliação dos bens constritos. e 6º. 26. LEF. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). 8º. o Determinação da penhora. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. 7º. p. O mandado será remetido ao executado por via postal. 282. O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. LEF (GRECO FILHO. 8º. não prevalecendo o estatuído no art. 8º. II.. sem embargo das custas e demais despesas. VI. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. 102). 2003. § 3º. valor inicial da dívida. 2º. Se escolhida a forma editalícia. 8º. CPC. se estiver em termos. nos termos do art. “caput”. Despacho inicial – o art. I a VI. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. 102). caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. LEF. Theodoro Júnior. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. LEF). LEF). 6º. 653. fundamento e natureza da dívida. § 2º. CPC. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. 222. salvo se o exeqüente requerer de outra forma. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. caso não haja indicação da data do recebimento (art. origem. Ademais. LEF). p. 2003. CPC). domicílio e residência deles – se possível. fazendo jus o executado. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. 8º. o Citação do executado. § 5º. se neles expresso o valor da dívida (art. por ser esse norma geral e não especial. cit. correção monetária e forma de cálculo – se incidente. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. p. . LEF). sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. devendo ser expedido correspondente mandado. Greco Filho (2003. e §§ 1º e 2º. com o devido aviso de recebimento (AR). o Registro da penhora. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. “caput”.167 qual se depreende do confronto entre os arts. data e número de inscrição da dívida ativa. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. CPC). número do processo administrativo ou do auto de infração.

§ 1º. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. se a prescrição foi interrompida. A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. 372) apregoa que. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. 2006. os autos serão arquivados (art. LEF). representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. “caput”. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. 219. § 3º. é a posição defendida por Câmara (2006. LEF). p. e EmbDiv no REsp 743867/MG. Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. fundando-se no art. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição. 372) e por Câmara (2006. 40. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. CTN). 8º. 2003.168 (publicação por 30 ou 60 dias. CPC. CTN). 371). “caput”. 40. CTN. LEF). a partir do arquivamento do feito. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. p. se o executado. p. como diploma protetivo do credor fiscal. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. A melhor doutrina. 103). I. haveria autêntica mácula à isonomia. 174. 223 STJ. IV. p. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. passou a considerar que. se não houver órgão da procuradoria na comarca. p. 25. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. Em sentido contrário. A tese pró-contribuinte. Sobre o tema. LEF. LEF) estão delineados no art. 2006. § 1º. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. 40. e 174. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. muito pelo qual a LEF. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. Não havendo bens a serem penhorados. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. 8º. . 174. 8º. § 2º. REsp 914879/SP. “caput”. 2006. 371). LEF). § 2º. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. LEF. No entanto. a execução ficará suspensa. parágrafo único. parágrafo único. encontrar-se no exterior – art. no segundo caso. assim como o decurso prescricional (art. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. p.

A revogação do art. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. 185-A. tornou-se matéria de ordem pública. o que o agiliza e o torna mais eficaz. § 4º. Nesse caso. 219. § 5º. como já disse o STJ. CPC). 194 do Código Civil pela Lei n. CPC). Para solver o entrave. LEF). 219. atingindo os feitos em curso. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução.280/2006. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. porque é possível sua renúncia por razões outras. mesmo porque há interesse público em jogo. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). 1º. Havendo conflito entre CPC e LEF. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. é aplicada imediatamente. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. Em razão da Lei 11280/06. Entretanto. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. porque prescrição é matéria de defesa disponível. § 5º. além de positivar a prescrição intercorrente. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. a partir da Lei 11280/06. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. “caput” e § 2º. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. a Lei 11051/04. pelo simples decurso do tempo. CTN). “in fine”. Nesse caso. sem prévia oitiva do fisco. 191. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. 191 do texto codificado”. pelo princípio da especialidade. 40. aplica-se a segunda. já mencionada). 269. IV. não configurando direito subjetivo do contribuinte. 11. não sobre a intercorrente. . 2006). Sendo assim. como norma processual. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. LEF). Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. sob pena de nulidade absoluta do ato.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento.

185-A. na nova redação do art. como bem vem entendendo a jurisprudência. 2: o legislador do CPC. não há óbice à sua efetivação. o que ainda não é pacífico. 151. I a VIII. . I. Em contrário senso. muito pelo qual o art. no diapasão da Lei 6830/80. encargos e custas judiciais (art. CPC. 11. 8º. e 1647. CC). LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. § 1º. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. LEF): 1. 1: caso seja oferecido bem imóvel. juros. trouxe tal previsão na execução ordinária. No ponto. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. não há dever processual em fazê-lo novamente. o saldo será revertido ao devedor. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. CTN).170 valor da dívida. Segundo Greco Filho. Não tendo tais finalidades. de acordo com a ordem sugestiva do art. dada pela Lei 11382/06. não há de se argúi-la. § 3º. LEF). II. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. Opções do executado – recebido o mandado de citação. Obs. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. correção. tendo o decreto limite exatamente nele. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. móveis a imóveis. 9º. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. desde que incidente correção monetária225. cit. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. CTN). I a IV. porque. 2. LEF. Nomeação de bens próprios à penhora. I a XI. Caso seja ultrapassado o teto. 655-A. podendo ser feito de várias formas (art. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. Ex. Em princípio. é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. somando-se o principal. Fiança bancária. 8º. § 1º. “caput”. 4. CF/88). o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art. 3. depois da hasta pública. Obs. multa de mora. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 9º.. 655. LEF. preferiu. de uma forma geral. op. 5º. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. XXXV. “caput”. deverá adimplir totalmente o débito. não há de se requisitar o depósito em comento. Indicação de bens de terceiros à penhora.

A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. A rigor. rel. 185. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. a jurisprudência do STJ firmou posição226. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. REsp 787. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). LEF. LEF). pelo juiz. O arresto. Eliana Calmon. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. provisório ou definitivo são os títulos. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. caracterizam fraude à execução. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. I a IV. 13.171 qualificação de sua conduta. CPC. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. o Permanecer inerte – nessa hipótese. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. j. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. CTN) – depois da citação válida. Em ambos os regimes. 13. Execução provisória e definitiva – o art. CPC. 185. A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. “caput”. § 1º. CPC. . valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. será solicitado. julgados rejeitados. aguardando o trânsito em julgado. LEF). a execução fiscal ficará obstada. Com esse entendimento. 652. 4º. 2º. CTN). 2ª T. LEF). Conseguintemente. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. e 680. dar-se-á a penhora ou o arresto. Min. § 3º. 1º. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. 13.339-SP. como bem indica Chimenti (2002. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. fala em execução provisória ou definitiva. a execução prossegue nos moldes provisórios. para a ordinária. Fraude à execução fiscal (art. nos termos do art. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. 208). Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. essa é mais profunda. 601. inspirando a nova redação do art. Informativo do STJ n° 324. Nesse passo. “caput”. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. 19/6/2007. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. p. como indisponibilidade de bens. Nesse contexto. consoante comentário supra já feito. sobre o qual decidirá o julgador (arts. CPC. 600. “caput”. qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. CPC). laudo de avaliador judicial. ao final. No âmbito tributário. dentro do processo civil.. dependendo da situação encontrada. 587.

A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. como título executivo extrajudicial. 14. Câmara. Nesse caso. mediante publicação em diário oficial. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. § 3º. o cônjuge também deverá ser informado (art. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). CPC. LEF). CTN. LEF. se estabelecimento comercial. dispensa-se a publicação exigida pelo art. § 2º. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. Em hipótese de concurso de credores fazendários. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. 2. LEF). . 655. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. se valores mobiliários. Penhora – uma vez efetivada. a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. se veículo. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art. o art. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. quer seja por meio de depósito integral do valor. No caso da execução ordinária.. Todo esse trâmite demanda muito tempo. à guisa das fraudes contra credores. LEF). determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. 12. para quem ao art. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. um novo instituto: fraude à administração fiscal. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. no DETRAN. VII. 3. CPC. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. se imóvel. cit. op. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. Tratase de presunção relativa227. 4. 227 228 Cf. I a III. 1º. Havendo constrição sobre bem imóvel. sociedade comercial e Junta Comercial. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. ou seja. “caput”. 12. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. na execução fiscal (art. aplicando-se o art. 185. no CRI. na Junta Comercial. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. o executado deverá ser intimado. A certidão de dívida ativa. Dessa feita. instruirá a inicial da execução fiscal. Ambos documentos são idôneos. Câmara (2006) afirma que surgiu. LEF). a partir intimação de sua juntada aos autos. “caput”. na Bolsa de Valores. 612. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. De fato. 12. 12.172 administrativo. “caput”. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. Depois de ajuizada a demanda.

736. LEF. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. Como defesas atípicas231. deverá arcar com os custos da produção probatória. e REsp 611. Ademais. 615-A. I a III. 26/6/2007. CPC). há de ser observada dentro do possível. DJU 29/11/1999. na execução ordinária. 9º. . LEF. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. a jurisprudência tem entendido que. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. Informativo do STJ n° 325. 738. LEF).173 o art. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. consoante entendimento do STJ230. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. DJU 18/4/2005. Câmara (2006. LEF). não se admite compensação. § 3º. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. Recebidos os embargos. No demais. ou pela própria penhora “ex officio”. j. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. “caput”. REsp 729. LEF). CPC). sua recusa é entendida como requerimento de perícia. LEF). Min. A ordem de preferência do art. perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal. I a VIII. “caput”. p. uma vez seguida a gradação legal. CPC). relevância na fundamentação. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. salvo se houver expresso requerimento do embargante. “caput”. LEF). traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. 17. § 2º.970-SP. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. No caso.712-SP. LEF). porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. o oferecimento de embargos. 16. posição não pacificada na doutrina. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. Como matéria de defesa. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. LEF). “caput”. 11. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. contados do depósito.. 16. Nesse passo. Defesa – como defesa típica. § 1º. 2ª T. A partir do registro. REsp 130. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. Não havendo essa última. 16. parágrafo único. II. 18. bem como é inaplicável reconvenção (art. rel. certo e exigível (art. se houver prova oral a ser produzida (art. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal.500-RS. e 739-A. Resolvidas as questões. 11. Eliana Calmon. 739-A. 17 e parágrafo único. I a IV. CPC.

p. 23. cabe agravo de instrumento. não há preclusão. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). Ambas também não comportam dilação probatória. 466. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. 22. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. por se tratar de decisão interlocutória. Há um prazo preclusivo representado pela penhora. Da exceção de préexecutividade. LEF). Durante esse interregno.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública.: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. 275-290. 209. Obs. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez.. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. Hasta pública – não sendo oferecidos embargos. LEF). p. § 2º. Havendo rejeição. remetendo decisão para os embargos. Caso haja acolhimento. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. p. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. Rio de Janeiro. pode ser atacada por agravo. não podendo rejeitá-la “in limine”. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. 22. há extinção do processo sem resolução do mérito. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). A Súmula 121 231 Chimenti. como entende a jurisprudência. Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. Forense. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. cit. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir. com antecedência de dez a trinta dias. 1992. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. LEF). • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). cit. O juiz não as pode conhecer de ofício. Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. op. . A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. op. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. Contudo. Como interlocutória. “caput” e 1º.. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. “caput”. pode ser atacável por agravo de instrumento. segundo citação de Câmara. É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente.

30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). . não é possível. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. dentre outros. “caput”. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. O art. II. promovida pela Fazenda Pública. Tratando-se de dívida nãotributária. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. estabelece que a norma geral há de definir. incidindo juros de 1% ao mês. é permitida nova penhora. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. LEF): 1. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. CPC. CPC). § 1º. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. Havendo débito tributário. sem outra oportunidade de embargos ao executado. Nesse caso. Não há infringência ao princípio da licitação (art. pessoalmente. do dia e hora da realização do leilão”. 146. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. I e II. “caput”. ao estabelecer as condições do ato (art. 23. 161. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. 647. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. 746. 745-A. “caput”. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. “b”. o demandado deve depositar. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. 155-A. 24. LEF). 37. § 1º. permite faculdade de parcelamento ao executado. sendo que. CPC). “caput”. recorre-se ao art. “caput”. em princípio. pagando-se o restante em seis parcelas mensais. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. 2. no decurso dos embargos. CPC. CF/88. O art. 691 e 692. tem preferência sobre a arrematação. “caput”. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. 2006. desde que não haja preço vil (arts. Atrasando qualquer mensalidade. 689-A. No caso de empresa governamental. II. por lanços. 374). permite a realização de hasta pública eletrônica. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. CPC. XXIV. CPC). o regime de parcelamento. caso os embargos não tenham sido oferecidos. hora e local do ato. CTN. 685-C. CF/88). A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. Parcelamento – o art.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. à execução fiscal tributária. p. não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. cabem embargos à arrematação (art. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. “caput”. Para pagar. CPC). incidem juros de 10% e a execução prossegue. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. 745-A. CTN). não é necessário observar o piso da avaliação.

105. “caput” e § 2º. 34. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. 897. 236 No mesmo sentido. op. já configura o duplo grau. III. “a”. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. 209). 375)236. 1997. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235.. por meio do seu agravo de petição (art. vem Greco Filho. parágrafo único. p. LEF). 475.. de acordo com a exigência do art. São Paulo. no juízo cognitivo (embargos do executado). muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. 102. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. “a”. 34. 103. Como bem indica Câmara (2006. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. p. Ademais.176 igualdade de condições). 2006. p. 24. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. É solução que favorece a celeridade. p. não é apelação. CPC). p. lembra que. Nessas hipóteses de menor monta. p.00. o recurso contra decisão de primeira instância. em seguida. Em contrário à posição explanada. conquanto se aplica o art. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. o valor gira em torno de R$ 553. independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. cit. que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. quando for o caso. 234 . 188. LEF). 2002. CLT). Obs. 2002. nos limites de sua competência. CF/88 (CHIMENTI. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. Câmara (2006. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. Nessa linha. Carlos Henrique Abrão et al. LEF). p. p. Trata-se de princípio constitucional implícito. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. “caput”. perfilhada por Chimenti (2002.43 UFIR’s)234. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. CPC). CPC (CHIMENTI. §§ 2º e 3º. RT. LEF). 225. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. 211). O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. 34. “in fine”. III. 375). 188. atualmente. o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada. II. CF/88). o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. 210). “a” a “d”.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art.

p. como lembra Câmara (2006. op. na execução fiscal. nas causas de alçada. 209. cit. CPC. não deve haver o reexame necessário. Chimenti. não cabe sua incidência nas causas de alçada. se aplicado literalmente o art.. De fato. 475. 238 No mesmo sentido. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. . defende que.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. 375). II. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”. p.

. Finanças é termo que vem do latim “finis”. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. p. da coisa pública. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. 1996). de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. 2003. Mas. 2001. parágrafo único. valem todas as regras quanto a normas gerais. p. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. termo. 29). I e II. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. entretanto. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. Ou seja. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. Dessa feita. p. No ponto. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. 16). as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. No dizer da teoria geral do direito. p. 24. Distingue-se do Direito Tributário. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. Foi a primeira idéia de despesa pública. Envolve fenômenos de ordem social. Até o Estado absolutista. econômica. Estados e DF (art. permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. Os institutos da propriedade e da liberdade. o qual designa fim. na Inglaterra. aderindo-se à ciência econômica. No século XIII. estatística e política. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. 24. A competência para legislar sobre direito tributário. CF/88). Em verdade. de início. como lembram Oliveira e Horvath (2003. Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. ainda eram praticamente inexistentes. 24). 23). buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. é pré-jurídica. monetariamente. Consta que. vez que constitui o sustentáculo material do país. a atividade financeira extrapola a seara jurídica. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. No ponto. 2003. porque preparar a feitura de normas aplicáveis. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. obtém suporte para exercer suas atividades.

No quadro da ciência jurídica. São Paulo.. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. o Direito Financeiro. 151. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. I e II. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. Entretanto. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. p. Führer e Führer (2001. CTN). de seu poder de imposição. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. CF/88). Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. Administrativo. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. sua ligação com o Direito Constitucional é particular. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. Ex. Preço público e tarifa são formas de receita originária. assim como qualquer outro ramo. Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. na maioria das vezes. não fazendo uso. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. 2003. sendo integral. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. II. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. tem alicerce fim na CF/88. 17) as chamam de facultativas. Todavia. Dentro da distribuição de competência. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. CF/88). inclusive de Direito Financeiro. 30.179 CF/88). da atuação estatal como agente privado. III. o qual pode ser feito em um MS e. 30. as receitas podem ser classificadas. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). deve ser convertido em renda para configurá-la. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. quanto à origem. Em melhores palavras.: depósito judicial. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). p. Doutrinariamente. o primeiro. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. Por esse motivo. Em tese. Revista dos Tribunais. conforme supra mencionado –. p. no dizer de Kelsen (1998). não se confundindo com taxa. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. 239 . 2001. Processual Civil e Penal. Resultam. Com efeito. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. são diferentes. com as derrogações de Direito Público). fiança e empréstimos em geral. 17) são caução. 6ª ed. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. Manual de Direito Financeiro. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art.

São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. “caput”’. No contexto. O exemplo típico é o tributo. e 195. a doutrina majoritária tem-nos como tributos. III. 157 a 162. Como lembram Oliveira e Horvath (2003. III. dentro do Direito Financeiro. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. consoante a disposição do art.: repartição da arrecadação tributária. Sob o aspecto do Direito Tributário. a esse pertencem (art. I e II. 154. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. acrescido pela EC 39/02. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. § 4º. I. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. 37). nos moldes dos arts. sua essência de tributo. . podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. Ex. proveniente de veículos licenciados no Município. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. lei ou destinadas ao SUS – art. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. a receita continua sendo classificada como transferida. perfazendo receita transferida. 25. Ex. III. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. “caput”. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. o caráter tributário colocar-los-ia. sob pena de configurar receita transferida. na classificação de receitas derivadas. Dentre os exemplos mais corriqueiros. o próprio STF. VI. as quais têm origem no poder de polícia estatal. dada a competência tributária deferida pelo art. § 4º. Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. Não poderia criar mais exações. o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. por meio de sua Súmula 418240. CF/88 (acrescido pela EC 45/04).: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe.180 17). receita não podem ser. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. CF/88. na esteira. Obs. 149-A. como inconstitucional. 153. o repasse de metade da renda de IPVA. pende um grande paradoxo. CF/88. p. Em contrário senso. 148. 65) consideram o art. o que desvirtua. CF/88). as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. pronunciou-se em sentido contrário. Seriam qualificados como entradas temporárias. de acordo com o 153. “in fine”. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. 158. assim como o são as penalidades. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. a taxa é considerada receita derivada. Segundo os autores. porquanto o crédito decorrente será resgatado. p. Oliveira e Horvath (2003. por exemplo (arts. 155. CF/88).: apesar de ter origem tributária. CF/88). 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. em parte. No entanto. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). CF/88.

17). 1ª T. Luiz Fux. 154. DJU 15/10/1963. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER. 2001. REsp 802. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. 14/8/2007. 242 STJ. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. a atualidade do serviço. Quanto ao critério da periodicidade. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório. porque não se reverte com exclusividade para o erário.: preço do selo de correspondência. Informativo do STJ n° 327. STJ. Min. CC). REsp’s 848. existiria preço público.: herança jacente deferida ao Município (art. entendendo que não há escolha pelo usuário. sendo de fruição facultativa. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. p. a natureza será de taxa. II. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. como nos tributos. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. tendo em conta os preços praticados no mercado. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. Ademais. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado. A taxa não respeita esse mecanismo. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado..489. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. 1844. 3º.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. existindo taxa se for de Direito Público. sendo único nessa espécie de avença administrativa. como em uma compra e venda. de acordo com o mercado. No raciocínio. j.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. por exclusão. haverá preço público. olhando a figura do prestador. Preço público não leva a lucro. CTN. Ex. ao contrário da taxa. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. Também não deve ser confundida com preço público. RE 54491-PE. ainda que potencial. dentro de um patamar razoável. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. Não tem natureza tributária. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido. deverá ser módica também. sendo revertido para o próprio Estado.559-MS. de sorte a garantir. O STJ adota a última corrente. rel. sendo facultativo. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. Ex. a teor do art. Ex. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário. presente a autonomia das partes. CF/88 (imposto especial de guerra). Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. Uma primeira corrente. segundo entendimento do STJ e do STF241. . Tarifas. persistirá taxa. como se afigura no art.247 e 167.

a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. valendo os pagamentos tão-só aos juros. 2º. j. nesse passo. 1ª T. custas judiciais e licenciamento ambiental. Destarte. o segundo entendimento. rel. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. V. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. porque se refere especificamente à tributação. p. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento. rel. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. Nelson Jobim. 13. a LRF erige presunções legais de ao erário. porque esse é sempre devido quando há prestação. segundo a doutrina. 243 244 STF. empresas governamentais e MP (art. concessão de garantia e restos a pagar (art. LRF). LRF). não coincide com o conceito de dívida consolidada. cujo principal não é resgatável. I a V. Informativo do STF n° 471. seguridade social. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. De fato. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. §§ 2º e 3º. A dívida pública fundada. 150. CF/88. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. RE 181475. 2003. fundos. autarquias. mesmo que inexista rodovia alternativa. Juntamente com a Lei 8429/92. Ademais. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. p.2007. Informativo do STJ 322. REsp 617. I a III. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. Municípios. Gilmar Mendes. 2001. Apesar disso. dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. Judiciário. despesas com pessoal. o STF.002-PR. 245 STF. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. em três situações: emissão de passaporte. Min. No entanto. Estados. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. o art. 23). Rcl 2138/DF. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. § 1º. aquela considerada perpétua.. 1º. 29. No contexto. Em suma. Min.6. a priori. José Delgado. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. STJ. 5/6/2007. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público.182 excepcionada. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. em recente julgamento. O STF. . ou seja. a qual não é obrigatória. Tribunais de Contas. p/ o acórdão Min. o define como tributo da espécie taxa243. rel. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). deve ser interpretada à luz da época de sua edição. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. j. 53). dívidas consolidada e mobiliária. CONCEITOS (art. “in fine”. Tecnicamente. DF. precatórios não pagos. orig. ao contrário da flutuante.

“caput”. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. 11. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. “caput”. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. 44. à luz do dispositivo em apreço. • Repasse aos municípios e Estados. CF/88). menos (art. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. agropecuárias. O art. parágrafo único. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH.183 o art. I. passim). LRF). 11. LRF). dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. transferências correntes e outras receitas também correntes”. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. Lei 4320/64. porém constitucional na sanção esculpida no art. • Contribuições previdenciárias. ou seja. “caput”. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. LC 101/00. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. patrimoniais. § 4º. LRF) • Repasses constitucionais e legais. aquisição financiada de bens. 11. II. etc. LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. dada a classificação do art. Lei 101/00. • Contribuições para RPPS e compensações. industriais. 2003. 25. LC 101/00. . CC). trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. Oliveira e Horvath (2003. 2º. CF/88). trata-se de ato-condição. DF e Municípios na instituição de todos os tributos. característica intrínseca daquela. “caput”. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. abertura de crédito. De fato. Estados e Municípios. 29. VII. No ponto. de contribuições. parágrafo único. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. A constitucionalidade do art. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. 1º. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. • Concessão de garantia – um ente garante outro. 11. 11. 360. “caput”. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. A definição de transferências voluntárias está no art. LRF. “caput”. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. 47) defendem que o art. “a” a “c”. lei ou destinadas ao SUS. 11. • Operações de crédito – mútuo. de serviços. • PIS/PASEP. 153. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. I. p. LC 101/00.

o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). . mediante expressa consideração na lei orçamentária. para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. • Receitas de ICMS (LC 87/96). ou seja. de benefícios fiscais. e 212.Contrapartida em receita suficiente. LC 101/00). 2º. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. CF/88). não podendo o ente gastar mais que pode. § 1º. 60. . “caput”. § 3º. (art.184 Na receita corrente líquida. o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II.Documentação. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. LRF). 77. 167. de reduções de base de cálculo. representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos.Previsão em lei específica. IPI e IOF (art. ADCT. I ou II. 14. A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. o Previsão na LDO. 14. LRF). de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. social de emergência). II. A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. Apresentam algumas características: . como elevação de base de cálculo. CF/88). de sorte a provar sua origem e destinação. 25). ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). 14. como lembram Führer e Führer (2001. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). § 3º. LRF). § 1º. educação básica. p. § 2º. “caput”. FPM. etc. I. IV. . ADCT). A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. 14. IE. NE e CO. 14. FPE. LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. estão incluídas (art. fundo para desenvolvimento do N.

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

“caput”. 59. Lei 4320/64). Lei 4320/64). ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. 74. 12. 60 LRF). e 71. 165.. LRF). Todavia. da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. mobiliária. 11. sem embargo do controle popular ou privado (art. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. Lei 4320/64. 11. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. § 9º. 150. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. operações de crédito e concessão de garantia (art. 1º. . Estados. Lei 4320/64). inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. deve observar a legalidade estrita (art. § 2º. CF/88.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. CALAMIDADE PÚBLICA. a Lei 4320/64. 70. § 1º. 66. ou proveniente de repasse de outras pessoas. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. “caput”. LRF). a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. CF/88). 65. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. 9º. CF/88). § 2º. • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. I e II. Sua exigência. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. 51. Lei 4320/64). 39. industrial. II e parágrafo único. DF e Municípios (art. desde que destinadas a despesas correntes (art. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art. • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. § 1º. 53. “caput” e § 1º. CF/88). LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. LRF. “caput” e parágrafo único. limitação de empenho fica dispensada (art. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. I. Lei 4320/64). patrimonial. dentre outros princípios. • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. Lei 4320/64). “caput”. I a VI. etc. Lei 4320/64).

sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. desde fique patente o caráter econômico da operação. salvo menção expressa em lei (art. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. Lei 4320/64). como guerra. porque aí constituiria subvenção social. As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. comunicando-se . 40. bem como para os programas especiais de trabalho. Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. aquisição de instalações. § 4º. educação e assistência social). • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. Lei 4320/64. § 5º. 41. 19. § 2º. Lei 4320/64). Em qualquer caso. 12. podendo ser sociais ou econômicas (art. as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. 12. 12. “caput”. Lei 4320/64). Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. 12. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. ao contrário dos investimento. não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. Lei 4320/64).: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. ficando evidente o caráter social. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. Lei 4320/64). 42. “caput”.190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. 21. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos. § 6º. As inversões. I a III. podendo ser suplementares (para reforço). 12. Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. I e II. no mesmo raciocínio. Lei 4320/64). Lei 4320/64). inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. comoção intestina ou calamidade pública) – art. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. § 3º. Obs. 16. ressalvado o custeio de suas atividades. “caput”. § 3º. • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. 12. Lei 4320/64). Lei 4320/64). e 18. Lei 4320/64). I a III. Lei 4320/64).

segundo dotações de orçamento específicas. § 2º. parágrafo único. Lei 4320/64). Lei 4320/64). LRF. 58. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. “caput”. “Ex vi” dos arts. o gasto público fica facultado para o administrador. estão incluídos . do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. Lei 4320/64). • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. “caput” e § 1º. a teor do que dispõe o art. Lei 4320/64). • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. 62. “caput”. 60. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. Lei 4320/64). É documento que certifica a origem do gasto. • Empenho (art. desde que prevista no orçamento. contendo nome desse.191 posteriormente o Legislativo (art. 15. natureza e valor da despesa. “caput”. Lei 4320/64). dentro da lei orçamentária anual. Lei 4320/64). 65. a dívida com prazo menor que 12 meses. § 3º. 59. “caput”. • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. e 30. 64. Lei 4320/64). § 7º. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 64. “caput”. 44. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. 60. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. 61. Lei 4320/64. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. No entanto. de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. além dos precatórios não pagos. 14. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. Cada categoria de despesa é prevista. “caput”. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). Lei 4320/64). “caput”. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. 60. bem como a dedução do saldo disponível (art. Lei 4320/64). Toda despesa depende de prévio empenho (art. CF/88. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. § 3º. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. 62 e 63. 71. com identificação do credor. Mediante previsão em despesa mensal. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. Lei 4320/64). 29. 98.

sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. e 44. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. excluindo-se a dívida pública (principal e juros). 2003. 1996. Com efeito.192 na dívida consolidada. CF/88). • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). 2003. Malheiros. op. p. 92.. passim). . III. 1º. 1996. 105). os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. controle de sua execução também pelo povo. outro. 2001. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). por meio de instituições populares. Führer e Führer (2001. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. p. Posteriormente. III. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. Curso de Direito Constitucional Positivo. 107). É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. depósitos e débitos de tesouraria (art. p. como decorrente da democracia participativa (SILVA. “f”. vinculação do governante às decisões tomadas. I e III. Lei 4320/64). 250 Oliveira e Horvath. e 3º. Nesse passo. 2003. serviço da dívida a pagar. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. não constitui simples fato opinativo. 23). 106). incluindo a dívida pública. 2003. a consulta popular orçamentária. citando Genro. o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. São Paulo. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. 99). p. era mera peça contábil. cit. O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. dentro da idéia de democracia participativa. O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. Para exemplificar a colocação. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. No início. talhada por Silva. independentemente do efetivo pagamento. p. Historicamente. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. 4º. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. 11ª ed. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa.. I a IV. nem apenas simples plano de governo. O orçamento não pode ser mera peça financeira. 2003. p. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. 101). Lei 10257/01250. p. à luz dos arts. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. valores magnos da democracia atual.

§ 4º. . 12. As receitas de capital são as seguintes (art. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla.Amortização de empréstimos. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado.Operações de crédito. . 11 e 12. § 4º. . Lei 4320/64): De custeio. de cunho temporário e de “status” ordinário. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. Receitas correntes são as seguintes (art. assim como as despesas. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. Lei 4320/64): • Investimentos. Tributárias. Lei 4320/64): Patrimoniais. Transferidas. As despesas correntes são as seguintes (art. Resultantes das transferências correntes. 11. COntribuições. “caput”. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. “caput”. com o intuito de manter a “máquina estatal”. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. Serviços. 12. As despesas de capital são as seguintes (art. Lei 4320/64): . • Transferências de capital.Alienações de bens. 11. seria autêntico ato administrativo. Quanto às receitas. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. Industriais. . As receitas podem ser correntes ou de capital. quanto às despesas.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido).193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. Oliveira e Horvath (2003. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. p. Agropecuárias.

comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. 18). I a V. 165. e 5º. I a III. 17. 35. 3º e 4º. consubstancia documento programático. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. obedecidos os princípios de unidade. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. LRF. Ao mesmo tempo. 4º. LRF). estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. como auxílios e subvenções). § 1º. O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. 2001. § 1º. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. 4º. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. LRF. metas do ano anterior.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. 4º. LRF). I. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). Por conseqüência. § 5º. § 2º. LRF). § 2º. 167. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. vinculando o ente público. p. 173. ADCT). . LDO e lei orçamentária anual (art. LRF). do RGPS. contendo a discriminação da receita e da despesa. O art. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. Ademais. 4º. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. I. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. sob pena de responsabilização do administrador (arts. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. demonstrativo de renúncia de receita (art. situação dos fundos. CF/88. Obs. qual seja o Anexo de Metas Fiscais. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. §§ 1º. ressalta-se a previsão do art. Dentre eles. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. “caput”. CF/88. CF/88). Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. §§ 1º e 2º. qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. tal qual estabelece o art. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). do RPPS e do FAT. traz outros elementos da LDO. “caput”. É um desdobramento do planejamento programa. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. 165. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. § 1º. receitas. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art.

suplementares e extraordinários. . despesas. 22. é um documento que estipula as metas em receitas. “caput”. incluindo metas de inflação. LRF). COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art. § 1º. Justificativa das despesas e receitas.Parâmetros das políticas monetária. ou seja. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. na verdade. o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. 4º. contendo receita dos três exercícios anteriores. com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . II.Definição de despesas irrelevantes.Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital). uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. . Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. item atinente somente à União. . simultaneamente. creditícia e cambial. o Tabelas explicativas. resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos. I a IV.Consonância com o plano plurianual.Créditos adicionais: especiais. § 2º. o qual deve incluir a reserva de contingência. 35. . saldos de crédito especial. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. . . a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. ADCT). além de despesa do exercício anterior. Traz. restos a pagar e outro compromissos). . do ano da proposta e do ano da aplicação. . além de analisar o realizado nos três anteriores. de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual.Previsão de restos a pagar. CF/88).195 De uma forma geral. 165.Anexos de metas e de riscos fiscais.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. o Projeto de lei do orçamento. do ano da proposta e do ano da aplicação. consubstancia a realização desse no exercício seguinte. Exposição e justificação da política econômico-financeira. de obrigação contraída. Obs.Limitação de empenho. flutuante.

ADCT). “caput”. § 8º. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. III. Além dessas previsões. Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. § 2º. Que trate de serviço da dívida. “a” a “d”. “caput”. temse aplicado. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. o quadro deve ser atualizado. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. Oliveira e Horvath (2003. I e II. 23. “a” e “b”. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. CF/88. CF/88. 57. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. salvo erro material (art. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. por analogia. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. 166. O projeto do plano plurianual. aplica-se a previsão do art. considerando o estimado na proposta inicial. 166. por imperativo lógico. ou seja. I. III. § 3º. ADCT). contidos no orçamento anterior. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. 35. tendo em conta o realizado e o saldo restante. I a III. 35. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. Indicação da correspondente receita a custear a despesa.196 Obs. De outra parte. 166. devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. o art. § 2º. 251 . ADCT). § 2º. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. § 2º. § 2º. III. 35. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. por meio de créditos especiais e suplementares. 33. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. Lei 4320/64. dotação de pessoal e correspondentes encargos. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. autorizando-se as despesas uma a uma. Lei 4320/64). 35. 32. II. § 3º. ADCT). Nessas hipóteses. CF/88). 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. de acordo com o art. Lei 4320/64).: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. p. A cada ano. 32. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. 35. com redação dada pela EC 50/06 (art. VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo.

I. Lei 4320/64). Nas operações de crédito. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. 3º. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. 36. LRF). § 3º. 5º. 5º. Entretanto. A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. Lei 4320/64). dentro do possível. Lei 4320/64). Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. I a III. observância do plano plurianual e da LDO (art. dependendo. parágrafo único. § 4º. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. 36. RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. a ordem cronológica. tudo dentro de cada elemento (art. “caput”. há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. A lei orçamentária anual é regida por princípios. 2º “caput”. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. CF/88). visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. Na LO. 3º. desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. LRF). II e § 2º. Pelo desiderato em tela. Ademais. LRF). 7º. sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. será liquidada no seu último ano de vigência (art. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. LRF). Lei 4320/64). nesse último caso. 6º. 5º. § 5º. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. desde a promulgação da CF/88. sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. Pela universalidade. Caso se refira a despesa de plano plurianual. 5º. CF/88). à anualidade (Súmula 66 do STF. 4º e 57. Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. § 4º. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. mas não liquidadas até tal data (art. Havendo receita específica disponível. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. LRF). as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. Lei 4320/64). já comentada). I a VI. salvo se incluído no plano plurianual (art. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. parágrafo único. 166. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. “caput”. Lei 4320/64). o próprio orçamento indicará as fontes de receita. 37. 5º. 150. de déficit de caixa.

salvo no caso de investimentos em projetos de obras. matéria estranha à sua essência. nele. CF/88). da seguridade social (relativa às ações de saúde. 150. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. CF/88). Entretanto. 165. Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. I a III. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. 165. o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. “caput” e parágrafo único. Unidade – a peça orçamentária é única. 5º. somente estarão previstas receitas e despesas. Não haverá. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. CF/88. Em melhores termos. Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. 165. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. em que pese o orçamento ser único. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. “caput”. Exclusividade – no orçamento. CF/88. 34. 194.198 Direta e Indireta de todos os Poderes). § 4º. de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. fiscal e de investimento. Lei 4320/64). irá tratar dos orçamentos da seguridade social. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. a incidir no exercício financeiro. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. § 5º. 12. englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. Lei 4320/64). o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. De acordo com a unidade. 20. § 5º. CF/88. Lei 4320/64). O silêncio do constituinte no art. Esse comando não ofende a unidade. Obs. § 8º. A lei orçamentária anual. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. fez o . ou seja. incluindo a saúde. I a VI. não se admitindo dotações globais (art.: deve haver discriminação da destinação da despesa. porque. O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). há sua divisão em três contas diversas. Anualidade – é lei de vigência temporária. excetuando-se a seguridade social. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. segundo o art.

167. Não-afetação – o art. CF/88). CF/88. II e VII. 165. II e III. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. ADCT. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. . Oliveira e Horvath (2003. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. 157 a 159. No entanto. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. CF/88. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. DF e Municípios. p. como a razoabilidade e a proporcionalidade. Aliás. CF/88). 77. § 8º. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. Oliveira e Horvath (2003. 167. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. incluindo os ditames do sistema posto. Em sede de exceção. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. etc. I a XII. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. serviço da dívida. 212. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. Além disso. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. fundo ou programa. De outra parte. § 2º. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. XXII. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. CF/88. verdadeira decisão política. 60. pagamento de servidores. 23. CF/88. p. § 4º. CF/88. educação. nos termos do art.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. bem como na formação do FUNDEB (art. quando existe situação premente. p. CF/88. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. “caput”. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. 37. e no art. 198. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. IV.

165. o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. ADCT). § 8º. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. LRF). capitaneada por Silva (1996). CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. p. I a III. § 2º. § 6º. LRF). “caput”. 20). A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. No entanto. II e III. 2001. além de outros requisitos (art. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. 4º. 198. 2003). porquanto componente do projeto da LDO. na linha do que determina o art. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. Lei 4320/64. e 77. 32. p. • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. Lei 4320/64). Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. O art. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. forte corrente. • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. 212. 59. § 1º. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. 5º. já que inexiste LC reguladora da situação. “caput”. o Executivo deve deixar à disposição do MP. 165. 59. LDO e LO anual). isto é. conferindo-lhes os mesmos efeitos. “caput”. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. 5º. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. No entanto. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. como lembra Führer e Führer (2001. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. Lei 4320/54. CF/88). 32. 166. componente da LDO – art. Na esteira. § 3º. naquilo que ainda não foi . a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. CF/88) e saúde (art. operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. 21). por analogia. o art. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. § 2º.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. CF/88. CF/88).

rel. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. 2003. 31. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. Celso de Mello. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. . § 5º. Lei 4320/64). Lei 4320/64). EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. 166. § 2º. Min. 102. Lei 4320/64)253. 252 253 STF. em regra. pois. sendo objeto do balanço orçamentário (art. 77. como é o caso das leis orçamentárias. DJU de 23-4-04. concomitante e subseqüente (art. • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. exarando-se parecer prévio do TC (art. Espécies de controle – existem o interno. o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. 70. p. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade. apresentadas na comissão mista. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). 147). não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. 37. 82. “caput” e § 1º. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. j. 77. CF/88). Lei 4320/64). devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. I a III. dentro da leitura que o STF do art. o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. Emendas aos PL’s. CF/88). O poder de emenda. legitimidade e economicidade (art. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. Lei 4320/64). CF/88252. 47 e 50. Lei 4320/64. não existe TC nos Municípios. Obs. CF/88). § 3º. Terminada a análise pela comissão. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art.201 peremptoriamente decidido (art. como já disse o STF. 75. 166. 82. Refere-se à aplicação da lei orçamentária. o externo e o popular. 21-9-94.050-MC. ADIn 1. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. CF/88). “caput”.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente. é amplo. § 6º. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. porquanto esse não o previu expressamente. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. I a III. §§ 3º e 4º. 166. § 4º. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal.

É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. “caput”. 104 e 105. 160). 254 STF. • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. 107. ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. p. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. rel. Na RPV. 2003. CF/88. 99. Para Oliveira e Horvath (2003. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. 103. Em melhores termos. Lei 4320/64). olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. “caput”.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. 161). PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. §§ 1º a 4º. 100. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. Lei 4320/64). § 1º. a qual é mais abrangente. ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. CF/88). o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. porque contrariou o art. p. assim como o saldo patrimonial (art. Com efeito. ADIn 4662-600. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. trata-se de exame formal das contas públicas. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. No diapasão. ao contrário das verbas não alimentares (art. comportando o balanço industrial (art. p.2001. 191). Oliveira e Horvath (2003. “caput” e parágrafo único. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. Lei 4320/64). CF/88. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. . 105. 164) defendem que o precatório alimentar. Lei 4320/64). não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). Com base em pronunciamento do STF. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH.5. 110. consubstanciando o balanço financeiro (art. I a V. Celso de Mello. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). deve ser pago imediatamente e com correção. mormente quanto ao seu trâmite legal. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. Lei 4320/64). Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. DJU 10. 2003. 100. 60. § 4º. p. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas. Min.

IV. reforça a tese apresentada. Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. p. “caput”. 177). o seqüestro fica autorizado. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. “De lege ferenda”. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. “caput”. Min. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. p. 166). em primeiro plano. I e II. 17. 202) e a própria inércia da jurisdição. ADCT. 100. Oliveira e Horvath (2003. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. a medida pode recair sobre numerário estatal. 78. com a receita seqüestrada. O art. De fato. 649. na linha do entendimento do Excelso Pretório. p. Lei 10259/01). os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. No âmbito da União. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. rel. haja vista a cristalina determinação do art. Nos créditos sujeitos à moratória do art. ADCT. p. “caput”. ADCT. têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. Nesse passo. Sepúlveda Pertence. para pagamento de precatórios. “caput”. qualquer preterido. p. No ponto. p. ADCT. 100. Oliveira e Horvath (2003. 204). 2003. No entanto. Oliveira e Horvath (2003. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. 33. 2003. com redação dada pela Lei 11382/06. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. CF/88. CF/88. Ademais. pode requerer a cautelar em comento. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. Não sendo possível. conquanto não se trata de tutela satisfativa. No entanto. ADCT. a constrição engloba qualquer quantia pública. 2003. autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. Trata-se de comando absoluto. § 2º. § 1º-A. não necessariamente o requerente da medida. Nesse sentido. “caput”. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. CPC. como já disse o STF. 2003. o art. . 78. p.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. Dessarte. com já disse o STF. IF 139-1/SP. O precatório alimentar tem definição no art. 202). superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. § 2º. 100. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. 87. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. além de pela inobservância na ordem de pagamento. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. 33. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. a jurisprudência entende que. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. será pago o primeiro da fila.

a fidelidade funcional dos agentes da Administra. 70. concomitante e posterior. e 100. a justa indenização e a própria segurança jurídica. com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. mediante o preenchimento dos requisitos do art. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. por ser obra da competência constitucional derivada. Dessa forma. 5º. pelo Poder Executivo. inicialmente e de forma ampla. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. p. 2001. 71. o direito adquirido. legalidade e economicidade. 78. “caput” e § 3º. XXXV. XXXVI. 75. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. . viola a coisa julgada. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. 22). ressalvada a competência revisora do Judiciário”.204 única. “caput”. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. pode haver controle privado ou popular. ADCT. 74. 2003. de aposentadoria. não há controle prévio. “caput”. No ponto. 5º. Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. “caput”. Analisa as contas dos administradores públicos. acaba proferindo decisões. O órgão é formado por nove ministros. isto é. Lei 4320/64. no art. 77. 196). porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. p. 2003. com auxílio do TCU – art. O controle interno baseia-se na hierarquia. Controle orçamentário – está previsto. observância de documentação e demais formalidades normativas. Além desses. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. “caput”. 70. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. 73. 22). p. o art. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. § 1º. “caput”. CF/88). I a IV. XXIV. segundo os arts. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. CF/88. A segunda diz respeito à previsão legal. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. 73. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. previsto no art. 2001. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). “caput”. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. no exercício de suas atribuições. a isonomia. p. CF/88). Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. 2003. § 2º. Ao contrário do anterior. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. p. 213). a disposição do art. No sistema doméstico. realizando o conseqüente julgamento. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. CF/88.. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. 184). CF/88. CF/88). o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório.

o TCU tem função meramente opinativa. 71. inclusive na plenitude das atribuições. Lei 4320/64). o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. LRF). p. 82. § 2º. 216). cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. O documento será encaminhado ao Parlamento. 258 STF. “caput”. Em tese. LRF. 31. 75. “caput”. Trata-se de norma central. essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. Ilmar Galvão. Os TCE’s (e TCM’s. 2003. rel. Informativo do STF n° 475. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. 224). Na mesma cautelar. 257 . “caput” e parágrafo único. 82. rel.2007. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. Os requisitos subjetivos do art. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. § 1º. Se o Presidente. § 4º. com exceção do Presidente da República. p. p/ o acórdão Min. mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. 56. No âmbito municipal. Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. Apesar de haver vedação à criação de órgão. Nessa última hipótese. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. 2003. 224). o art. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. “caput”. CF/88. j. que irá acatá-lo ou não. também se encontra com a eficácia suspensa. pelo CN (art. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Carlos Britto.8. p. sendo formado por sete conselheiros (art. No entanto. 57. § 1º. Ademais. CF/88). CF/88). As funções do TC estão enumeradas no art. ADI 2238 MC/DF. I a XI. 2003. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual.205 Presidente da República. CF/88). o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. 73. composto por sete conselheiros. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. quanto ao chefe do Executivo. CF/88. no caso da União – art. o TCU emite parecer. 8. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. Plenário. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. Segundo o STF. I e II. Min. devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). alternadamente. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. XXIV. 73. orig. 84. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. e o restante. Lei 4320/64). quando existentes) observam a composição e formação do TCU. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município.

CF/88). 71. porque seu órgão auxiliar (art. • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. p. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. o TC susta a execução. 72. com respectivo registro. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. Ademais. reforma ou pensão). operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. § 1º. financeiras. mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. como multas. Não sendo possível a convalidação. em princípio. partir da comunicação do tribunal. legitimidade e economicidade. 217). CF/88). • Aplicar sanções. em um típico controle concomitante. § 3º. nessa hipótese.. Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. 219). CF/88). 70. CF/88). embargo de obras. X. comunica o Poder enquadrante da UA irregular. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. como lembram Oliveira e Horvath (2003.206 não político. “caput”. Se o TC encontrar entraves. As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. etc. sendo certo que contratos devem ser obstados. • Sustar atos que não observem legalidade. “caput”. p. não mais existe o controle prévio de despesa. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. As medidas impostas devem estar previstas em lei. CF/88). 71. Para Oliveira e Horvath (2003. comunicando o Legislativo em seguida (art. preconizando que. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. com todos os . orçamentárias. 71. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. Essas inspeções e auditorias contábeis. 71. sempre sob os auspícios da legalidade. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art. da legitimidade e da economicidade das despesas (art. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. § 4º. Nessa faina. CF/88). dentro da esfera de atribuições do próprio TC. só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. Trata-se da fiscalização propriamente dita. a decisão se defere a esse. • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo.

p. • Participação popular e audiências públicas. como lecionam Führer e Führer (2001. 223). disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. A cada bimestre. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. pois. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. a partir do art. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. A cada quatro meses. Com efeito. 48. Se ultrapassados. 22). das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. LRF: • Planos. Ainda dentro do sistema de controle externo. § 4º. Nesse contexto. Dentre eles. • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). 129. III. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. • Prestação de contas e parecer prévio. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. nessa hipótese. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. além das demandas penais. das concessões de garantias. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. “caput”. dos gastos com pessoal. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. 37. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. e da Lei 8429/92. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. nos termos do art.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. . CF/88. No seu mister fiscalizatório. Trata-se de matéria de direito e não de fato. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. CF/88. Depois do período legal para saneamento. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. • Orçamentos. p. • LDO. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. o TCU se limita a aplicar à lei. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. desde que haja redução de 25% no primeiro deles.

. previsão orçamentária. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. demonstrações do exercício anterior (art. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo.Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. atualmente são obtidos por MP. Fá-lo-á por meio de empréstimos. § 1º. Nesse caso. CF/88). Créditos públicos – além das receitas originárias. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. 165. 49. 52. Lei 4320/64. § 2º. LRF). Apesar do exposto.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. § 2º. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. I a III. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. LRF). o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. ao menos por meio de autorização genérica. finalidade pública devidamente comprovada. Lei 4320/64): . derivadas ou transferidas. 51. entre 30 de abril e 31 de maio. § 3º. O crédito correspondente deve ser reforçado. . Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente. fazendo surgir a categoria em comento. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. I a III. “caput”. fundos.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. ou seja.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. . pendendo inconstitucionalidade. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. Administração Indireta e previdência (art. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. DF e Municípios. mormente os suplementares. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. todos os créditos adicionais. CF/88). LRF). De outra parte. O Senado controla as operações de crédito. 41. Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. 62. I e II. 51. e 53. Podem ser de três tipos (art. parágrafo único. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. § 5º. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). como guerra. 40. previstas no art. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. Créditos adicionais – são autorizações de despesas. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). comoção intestina ou calamidade pública.

p. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. p. 148. o empréstimo público seria movimento de caixa. em contratar. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. em estabelecer as cláusulas. segundo Oliveira e Horvath (2003. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. p. p. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. 231). p. necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. o ato-condição. 2003). Dessa forma. É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. 2003. p. 2003. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. sendo posição atualmente ultrapassada. seria regido pelo Direito Público. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. a avença celebrada. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. ato-subjetivo. p. em autêntico ajuste consensual). * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. 234). 238). 22. O segundo é a celebração do contrato em si. não poderia ser objeto de execução específica. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. 234). Ademais. isto é. a teor dos contratos privados. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. V a VII. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. CF/88).209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. 52. CF/88). 233). É a posição prevalente. a qual autoriza. porque se balizam pelo direito comum. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. Sob o aspecto financeiro. p. I e II. impende a liberdade de contratar. 2003. CF/88. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. De outra feita. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. o qual seria regido pelo Direito Privado. O mecanismo dos empréstimos públicos. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. segundo Oliveira e Horvath (2003. VII. 2003. restringe e regula as operações de crédito. . Oliveira e Horvath (2003. limita. referente ao segundo momento. ato de soberania do Estado. 232). que têm autêntica essência tributária à luz do art.

as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. LRF. pretensa credora do ente público. 35. O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. O art. No ponto. p. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . à luz do parecer do Ministro da Fazenda. Na via jurisdiciona internacional. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. Não atendidos os requisitos da lei. por meio de entidades a eles ligadas. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. etc. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. como o próprio FMI e a OMC. De outro lado. A instituição financeira. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. como o embargo comercial. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. “caput”. p. desde que haja previsão legal. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. LRF. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. correção. taxa administrativa. 35. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. veda operação de crédito entre os entes federados. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. LRF). A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. “caput”. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra. a despesa é considerada nula.). visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. Além disso. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. Eles podem ser usados para quitação de tributos. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. § 1º. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. O documento tem um caráter técnico. No ponto. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. 2003. 32. direta ou indiretamente. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. Os títulos são colocados à venda. O art. Führer e Führer (2001. emitindo parecer. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. a qual é realizada a fundo perdido.

deverão ser observadas. nas operações de crédito. LRF). I a VI. 32. II. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. III. Para Führer e Führer (2001. LRF). 167. LRF): o Requerimento do interessado. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. em crédito adicional ou lei específica. Obs. § 3º. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. I a IV.211 com outra concedente (art. LRF). 40. Maiores que as despesas de capital (art. 167. 40. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. IV. LRF (art. § 1º. LRF). além das condições para garantia interna. excluindo REFIS (art. p. o Não superação do valor em despesa de capital. § 1º. 35. “b”. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. 35. 31). LRF). As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. CF/88). CF/88). com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. I. § 1º. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. 25. que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. Por fim. 38. 40. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. salvo antecipação de receita. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. LRF). 35. Obs. LRF). § 1º. Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). II. LRF). I a II. o Expressa autorização em LO orçamentária. § 1º. § 2º. premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. § 1º. “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. É possível. 35. “caput”. . III.

V. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. Nesse contexto. Oliveira e Horvath (2003. V. os créditos públicos podem ser federais. I e II.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. pagando-se devidamente o devido. Para eles. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. 244). etc. cotação do ouro. emissão de títulos da dívida pública mobiliária. CF/88). o que. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. 34. 38. o Consolidada – não existe pagamento do principal. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. Os motivos espelhados nos arts 34. CF/88). menos que 12 meses. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . comentando essa última hipótese. caracteriza uma discrepância técnica. com mais .Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. como já disse o STF. LC 101/00). consoante comentário já feito anteriormente. CF/88). como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. p. “a”. Pode ser índice oficial legal. etc. Nesse passo. envolvendo mais de um exercício. estaduais ou municipais. a ser demonstrada pela unidade intervinda. I. 35. Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. moeda forte estrangeira.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. em tese. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. 167. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). . realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. Com referência ao prazo de pagamento. e 35. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. o mandatário não está coagido a exarar a medida. mesmo que haja vênia judicial. só incidindo sobre juros. § 4º. I. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. Observa-se. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. o ato seria vinculado. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. apesar de constituir ato discricionário. “a”. CF/88.

p. Distrito Federal e Municípios. “caput”. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. sob pena de constituir verdadeira moratória. e 52. não podendo ser imposta pelo tomador. § 3º. subsidiariamente. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. I. No ponto. Lembre-se que o povo. 16. 1º. As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. a Lei Orgânica e. 30. em verdade. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. CF/88. § 1º. o Texto Constitucional. VI. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. A doutrina não cogita de nenhum ferimento. de novação objetiva. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. 2003. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. . CPC). Pergunta: a proposta constante dos arts. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . ocorrerá da mesma forma. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. possa prevalecer.Por consolidação – trata-se. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. LC 101/00? Resposta: cuidado. CF/88). I a III. interno ou externo. apenas funcional e administrativa. Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. tornando inexigível seu direito de crédito. LC 101/00. financeiras e administrativas. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. não fere o pacto federativo? Resposta: não. Nos Estados. CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. 166. Não há de ser imposta pelo devedor. com a devida legitimidade. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. Deve ser feita efetivada por opção do credor. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. § 3º. 88.213 vantagens. titular do poder. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. . Pergunta: existe a comissão prevista no art. 100. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. 249). qualquer credor.

LC 101/00.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. o art.títulos da dívida pública estadual e municipal. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. Legislativo aprove. 43. 43. à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. para que o P. 164 da Constituição. aos segurados’. LC 101/00. 43. esta lei foi recepcionada como lei complementar. Os ensinamentos do Prof. CF/88. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza. I e II. 249 e 250 da Constituição. a providência. Assim. Para interpretar esse questionamento. VI da CF explicita que o “P. Nesse contexto. de qualquer natureza. § 2º. Pergunta: em face do art. geral e próprio dos servidores públicos. 52. a teor do art. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. § 9º. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. inclusive a suas empresas controladas. aplicável a todos os entes da Federação. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. aos segurados e ao Poder Público. já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. 165. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. § 2º. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo.empréstimos. autarquias e demais ‘longa manus’”. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. I e II. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. II .

Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. refletir um benefício ao Poder Público. § 3º. seja como aumento patrimonial. Pergunta: o art. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. Tal orçamento é chamado de superavitário. 5º e incisos do Decreto 200/67. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. é o lucro resultante de. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. vinculando-as a fins não-econômicos. Lei 4320/64. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. morais. 148. são “longa manus” do Estado. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". Assim. “caput”. ou seja. 18. em um orçamento. qualquer despesa deve. A leitura do art. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. por meio de sua fiscalização. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . não se falando assim em devolução posterior. elas não podem ter caráter econômico. 39 § 2º. Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. Nesse sentido. Lei 4320/64). 12. Lei 4320/64. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. O Ministério Público poderá. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. para ser gerada. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. 59. conforme art. Em face da localização topográfica do art. No que diz respeito às fundações. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. Pergunta: quando define subvenção econômica. ou seja. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. § 2º. Nesse sentido. culturais ou de assistência). esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. CF/88. § 1º. Lei 4320/64).215 Resposta: inicialmente. II. O oposto seria "déficit". se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. já que a CF foi publicada em 1988. ter mais ganhos do que gastos. 39.

216 bens ou serviços. sendo criado em 25 de novembro de 1937. 111. serão consideradas ‘não autorizadas. Pará e Paraíba. por meio das atividades de controle interno. 159. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). . sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. § 4º. “c”. 177. É matéria constante dos arts. 177. CF/88)259. 25% dos impostos residuais instituídos (arts. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. Caso não cumpram este perfil. prestando a orientação normativa necessária. 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. p. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. e 157. “caput”. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. 154. III. 157. II. 159. CF/88). principalmente contidos no ADCT. CF/88. CF/88). distribuídos na forma de LO federal. § 4º. correição. como órgão central. Foi extinto em 1971. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. II. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. 157 a 162. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. Em âmbito federal. A CGU também deve exercer. CF/88). CF/88). no âmbito do Poder Executivo. temos a Secretaria de Orçamento Federal. Pergunta: o órgão previsto no art. auditoria pública. I. 29% da CIDE-combustíveis (art. Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. além de outros dispositivos esparsos. II. CF/88). e 159. 71). essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. devendo o restante ser rateado pelos demais (art. I. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). suas autarquias e fundações públicas (art. 1. Orçamento e Gestão. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. como por exemplo. 2003. vinculada ao Ministério do Planejamento. § 2º.

161.3. Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. . sendo (art. 159. I. considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela. 159. I. II. 159. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. CF/88). j. Joaquim Barbosa. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. I. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. e § 1º. 3. “c”.2005.5% do IR (art.2. CF/88). quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. quando houver delegação de capacidade ativa (arts. CF/88). CF/88). 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. III. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art.2005. suas autarquias e fundações públicas (art. CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. 158. CF/88). Informativo do STF n° 467). § 5º. 153. CF/88). 93. Nordeste e Centro-Oeste. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art. II. 4. 16. e § 1º. segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. ADI 3262/MT. I.2007. CF/88). 159. o ITR. I.3/4. 158. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art. . ADI 1423/SP. 2. O montante do ICMS. DJU 4. Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. “b”. § 1º. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. 157. . DJU 2. CF/88). Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21. e 158. Min. CF/88). segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. 159. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art.2004. Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. I.5% do IR (art. ADCT). § 4º. desde que exista LO federal regulamentando (art. DJU 18. § 5º. ADCT).5. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. III. CF/88). § 4º. 158. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território.2. 153. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art. 153. “a”.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. no mínimo. CF/88). 158. 82. CF/88). rel.Até ¼. § 3º. 25% do ICMS. CF/88). I. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território). IV e parágrafo único. Fundos de Distribuição – nesse contexto. ADI 2728/AM. I.

II e III. FPE e FPM (art. “caput”. podem ser apontadas duas exceções. 157.218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). CF/88). “c”. incluindo das autarquias. DF e Municípios (arts. um relatório com os seguintes dados (art. III. Nordeste e Centro-Oeste (art. ADENE. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. CF/88). a ser revisada a cada lustro (art. 162. até o último dia do mês subseqüente. 159. 161. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. 198. o Valores tributários repassados e recebidos. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. CF/88). e 158. 5. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. II. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. I. 77. Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. CF/88). o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. ADCT. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. CF/88). Repasse e fiscalização – em regra. I. como ADAM. CF/88). I. entre 2003 e 2007. permanecendo aqueles estatuídos no art. os Estados. 159. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. 160. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. 160. 6. CF/88). considerado como ativo financeiro (art. 161. I e II. CF/88). CF/88). o Recursos não-tributários recebidos. enquanto o legislador complementar for inerte. nos termos de LO federal. CF/88): o Total da arrecadação tributária. § 2º. etc. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. “caput”. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. “caput”. ADCT. Contudo. 153. 76. “a” e “b”. §§ 1º e 2º. 76. parágrafo único. No tocante à fiscalização. IR arrecadado por Estados. decorrente de repasse. fundo ou despesa. 212. § 5º. o Expressão numérica dos critérios de rateio.. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. 161. . A União. I. parágrafo único. § 5º. CF/88). O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE.

II. 8. 206. Advindas de operações de crédito. 212. repasse de IPI sobre exportações. . atualmente em 30%. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art. CF/88. CF/88). Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. 80. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). ADCT): 0. “caput”. e §§ 3º e 4º. financiamento de programas a setores produtivos do Norte.38% da CPMF. IV. o 0. 80. Obs. definidas na LC 111/01. I a III. 159. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. Percentual dos Estado. ADCT: As três situações anteriores. dos 0. § 1º. Nordeste e Centro-Oeste.219 7. CF/88).: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. sendo regulado pela LC 111/01. DF e Municípios – art. CF/88). 72. ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. 211. 80.75% sobre o PIS/PASEP. 153. ADCT). I a VI. Territórios e Municípios. Outras. excluindo-se as hipóteses do art. ADCT). CF/88). o Outras receitas previstas em lei específica. o Parcela da CSLL. Produto do ITR. Repasse do ITR aos Municípios (art. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. CF/88). 5% do IPI sobre produtos supérfluos. incluindo suas autarquias e fundações.08%. definidos nos termos de LO federal (art. 167. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. É formado pelas seguintes receitas (art. ADCT. 23. “caput”. CF/88). É formado pelas seguintes receitas (art. DF. repasse da CIDE-combustíveis (art. I a VI. 72. parágrafo único. “caput”. 239. 9. e 60. VII. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. 83. § 5º. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. I a III. § 5º. 158. 2º) Formação do FPE e do FPM. o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União.

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