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Resenha Hannah Arendt

Resenha Hannah Arendt

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Published by: Victor Daniel Oliveira on Jun 06, 2012
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RESUMO “O totalitarismo é uma forma de domínio radicalmente nova porque não se limita a destruir as capacidades políticas do homem, isolando

-o em relação à vida pública, como faziam as velhas tiranias e os velhos despotismos, mas tende a destruir os próprios grupos e instituições que formam o tecido das relações privadas do homem, tornando-o assim estranho ao mundo e privando-o do seu próprio eu”. A frase inicial nos oferece bem a tônica de todo um trabalho muito bem elaborado por Hannah Arendt. É costumeiro se confundir o conceito de nacionalidade e cidadania, pois o primeiro exprime muito mais a idéia de onde o individuo nasceu e o segundo os seus direitos civis dados pelo estado que o governa. Desde o fim da Primeira Guerra Mundial, a qual foi uma explosão que dilacerou irremediavelmente a comunidades dos países europeus, como nenhuma outra guerra havia feito antes, o clima de instabilidade política e econômica era geral. Não havia o controle da inflação, havia um quadro alarmante de desemprego, pois o desaparecimento progressivo do emprego formal e por tempo indeterminado, cria essas mesmas condições. As relações de trabalho “flexíveis” destroem uma das características fundamentais das sociedades mais civilizadas: A previsibilidade quanto às condições de sobrevivência. Outros agravantes à crise, são as guerras civis que alastravam com seus conflitos sangrentos. Todos esses episódios geraram uma série de pessoas desprovidas de suas pátrias e consequentemente, sem os seus direitos civis. Pois, “uma vez fora de seu país de origem, permaneciam sem lar; quando deixavam seu Estado, tornavam-se apátridas; quando perdiam seus direitos humanos, perdiam todos os direitos: eram o refugo da terra.” O Pós-Primeira Guerra deixou uma atmosfera de desintegração característica em toda Europa, esse clima de destruição poderia ser mais visível nos países derrotados que nos vitoriosos, atingindo seu ponto mais alto nos Estados recém-estabelecidos após a liquidação da Monarquia Dual e do império czarista. O que pareciam pequenas querelas nacionais, sem conseqüência para os destinos políticos do continente, resultaram, no período entre guerras, em novos grupos de vitimas, cujos sofrimentos foram muito diferentes de todos os outros grupos, visto que, a situação que as classes médias desapossadas, os desempregados, os pequenos retierns, os

pensionistas e os que perderam suas propriedades: eles haviam perdido aqueles direitos que até então eram tidos como inalienáveis, ou seja, os Direitos do Homem. Os apátridas e as minorias, dentro de um contexto histórico, se tornaram para muitos Estados “anomalias sociais”, pois, não dispunham de governos que os representassem e protegessem, sendo obrigados a viver sob leis de exceção dos Tratados das Minorias. Nenhum destes tratados adviera diretamente da tradição e das instituições dos próprios Estados-nações. Visto que, acabaram aglutinado vário povos em um só Estado, outorgando a alguns o status de “povos estatais” e lhes confiaram o governo, como por exemplo os eslavos na Tchecoslováquia ou os croatas e eslovenos na Iugoslávia. Como o objetivo de todos era preservar o status quo europeu, a concessão do direito à autodeterminação nacional e à soberania a todos os povos europeus parecia realmente inevitável: a alternativa seria condená-los impiedosamente à posição de povos coloniais, introduzindo assim métodos coloniais na convivência européia. Assim mesmo, os Tratados das Minorias protegiam apenas nacionalidade das quais existia um número considerável em pelo menos dois Estados sucessórios, mas não mencionaram, deixando-as à margem de direito, todas as outras nacionalidades sem governo próprio, concentradas num só país, fazendo com a verdadeira emancipação e a verdadeira soberania popular só podiam ser alcançadas através da completa emancipação nacional, e que os povos privados do seu próprio governo nacional ficariam sem a possibilidade de usufruir dos direitos humanos. A Liga das Nações não expirava confiança por parte das minorias, pois, a Liga, afinal, era composta de estadistas nacionais, cujas simpatias obviamente não estavam com os governos e principalmente com os governos novos. Nem a Liga das Nações nem os Tratados das Minorias teriam evitado que os Estados recém-estabelecidos assimilassem as minorias mais ou menos à força, visto que, os tratados da Liga haviam tentado ignorar o caráter interestadual das minorias, assinando com cada país um tratado separado, bilateral e não multilateral, como se não existissem minorias judaica ou germânica fora das fronteiras dos respectivos Estados. O fato é que, até a ascensão de Hitler, a relação entre os judeus e os alemães era harmoniosa e coesa, até que em 1933, a Alemanha, já nazista, consegui o apoio da maioria das delegações dos grupos minoritários, que abraçaram o anti-semitismo, nascente em todos os Estados sucessórios.

Tornava-se claro que a completa soberania nacional só era possível enquanto existisse uma convivência supranacional de nações européias, porque só o espírito de solidariedade podia impedir o exercício por algum governo de todo o poder potencialmente soberano. Muito mais persistentes na realidade e muito mais profundas em suas conseqüências tem sido a condição de apátrida, que é o mais recente fenômeno de massas de história contemporânea, e a existência de um novo grupo humano, em continuo crescimento, constituído de pessoas sem Estado, grupo sintomático do mundo após a Segunda Guerra Mundial. A culpa de sua existência não pode ser atribuída a um único fator, mas, se considerarmos a diversidade grupal dos apátridas, parece que cada evento político, desde o fim da primeira Guerra Mundial, inevitavelmente acrescentou uma nova categoria aos que já vivam fora da lei, sem nenhuma categoria, por mais que se houvesse alterado a constelação original, jamais pudesse ser devolvida à normalidade. A repatriação e a naturalização eram as principais teorias para resolver os problemas dos apátridas e das nacionalidades, realidade paradoxal aos termos da Declaração dos Direitos Humanos, que para a autora estaria mais vinculado à defesa de Grupo humano e não a defesa do ser humanos individualmente. Esses grupos estavam excluídos de manifestar os seus direitos civis, pois, não tinham um Estado pudesse reapresentá-los, estariam à mercê daqueles que lhe dessem abrigo, dessa forma os direitos humanos, que em sua origem dava autoridade ao Homem de fazer leis responsáveis pela sua própria vivência, não englobaria esses indivíduos.

ANÁLISE

Hannah Arendt, em sua obra Origens do Totalitarismo: anti-semitismo, imperialismo e totalitarismo, concebido na década de 40 e publicado em 1951, realça a singularidade do totalitarismo, como uma nova forma de governo baseada na organização burocrática de massas e apoiada no emprego do terror e da ideologia. Ela consegue, com sucesso, sublinha como a emergência do medo e a fraqueza generalizada das pessoas, que permitiu, com o nazismo na Alemanha e o stalinismo na URSS, a dominação total, inesperada humanos. A incisiva e inesgotável originalidade do abrangente pensamento de Hannah Arendt torna este livro um marco da sua obra, visto que a autora, de origem judaica, o lança ainda na efervescência da Segunda Grande Guerra Mundial, em que os regimes de configuração totalitária emergiram no período entre guerra e conseqüentemente eclodiram com a própria Segunda Guerra. A linguagem utulizada pela autora não é de facil compreenssão, pois ela é uma filosofa, por tanto não tem a pretenção de escrever de forma simples, até mesmo pelo seu grau intelectual. No entanto, aborda muito bem a forma como os Estados totalitarios, malgrado o seu caráter evidentemente criminoso, contavam com o apoio das massas, do monopólio dos meios de comunicação, do controle policial sobre a sociedade. Hannah Arendt apresenta um quadro completo da organização totalitária, fazendo uma crítica da razão governamental totalitária que ainda hoje é pertinente, numa época onde vigoraram regimes com estas características e, mais do que isso, num terreno onde a democracia liberal não afastou por completo os vestígios de uma ideologia de terror que torna o homem supérfluo e uma presa fácil para essas ideologias. No capitulo analisado, intitulado “O declínio do Estado-nação e o fim dos Direitos do Homem”, autora mantém toda a atualidade ao tratar do problema dos apátridas e dos refugiados, [povos sem Estado], fora de todo o sistema legal e expostos à arbitrariedade da polícia. São estes princípios de exclusão da comunidade que, aliados a uma subordinação obrigatória à vontade de um Chefe [o Estado], tornaram possível o totalitarismo. Esses desumanos exemplos expostos por Arendt, lembra-nos dos povos que a poucos anos tiveram que fugir de seus países como os albaneses, os macedônios e outros que para não morrerem, tiveram que abandonar suas casa e porque não seus direitos a cidadania, por causa do governo ditatorial de Slobodan Milošević. e terrível dessa outra face da modernidade ocidental, que também ensejou a democracia, a prosperidade econômica e os direitos

Num presente como o nosso, com genocídios e acumulação de refugiados, pessoas morrem de fome no Haiti, no Iraque, no Afeganistão e em outras partes do globo. Sem falar nas localizadas guerras civis que enfrentamos em nossas cidades, em função do alto índice de desempregados, de criminalidade e corrupção que assolam no país.. Arendt é sem dúvida uma fonte esclarecedora dos grandes fenômenos governamentais que surgiram na Europa no século XX.

BIOGRAFIA

Nascida numa rica e antiga família judia de Linden, Hanôver, fez os seus estudos universitários de teologia e filosofia em Königsberg (a cidade natal de Kant, hoje Kaliningrado). Arendt estudou filosofia com Martin Heidegger na Universidade de Marburgo, relacionando-se passional e intelectualmente com ele. Posteriormente Arendt foi estudar em Heidelberg, tendo escrito na respectiva universidade uma tese de doutoramento sobre a experiência do amor na obra de Santo Agostinho, sob a orientação do filósofo existencialista Karl Jaspers. A tese foi publicada em 1929. Em 1933 (ano da tomada do poder de Hitler) Arendt foi proibida de escrever uma segunda dissertação que lhe daria o acesso ao ensino nas universidades alemãs por causa da sua condição de judia. O seu crescente envolvimento com o sionismo levá-la-ia a colidir com o anti-semitismo do Terceiro Reich o que a conduziria, seguramente, à prisão. Conseguiu escapar da Alemanha para Paris, onde trabalhou com crianças judias expatriadas e onde conheceu e tornou-se amiga do crítico literário e místico marxista Walter Benjamin. Foi presa (uma segunda vez) em França conjuntamente com o marido, o operário e "marxista crítico" Heinrich Blutcher, e acabaria em 1941 por partir para os Estados Unidos, com a ajuda do jornalista americano Varian Fry. Trabalhou nos Estados Unidos em diversas editoras e organizações judaicas, tendo escrito para o "Weekly Aufbau". Em 1963 é contratada como professora da Universidade de Chicago onde ensina até 1967, ano em que se muda para a New School for Social Research, instituição onde se manterá até à sua morte em 1975. O trabalho filosófico de Hannah Arendt abarca temas como a política, a autoridade, o totalitarismo, a educação, a condição laboral, a violência, e a condição de mulher. Arendt regressaria depois à Alemanha e manteria contato com o seu antigo mentor Martin Heidegger, que se encontrava afastado do ensino, depois da libertação da Alemanha, dadas as suas simpatias nazis. Envolver-se-ia, pessoalmente, na reabilitação do filósofo alemão, o que lhe valeria novas críticas das associações judaicas americanas. Do relacionamento secreto entre ambos ao longo de décadas (inclusive no exílio nos Estados Unidos) seria publicado um livro marcante, "Lettres et autres documents", 19251975, Hannah Arendt, Martin Heidegger, com edição alemã e tradução francesa da responsabilidade das Editions Gallimard. Hannah Arendt faleceu em 1975, e está sepultada em Bard College, Annandaleon-Hudson, Nova Iorque.

PRINCIPAIS OBRAS

O primeiro livro "As origens do totalitarismo" (1951) consolida o seu prestígio como uma das figuras maiores do pensamento político ocidental. Arendt assemelha de forma polémica o nazismo e o comunismo, como ideologias totalitárias, isto é, com uma explicação compreensiva da sociedade mas também da vida individual, e mostra como a via totalitária depende da banalização do terror, da manipulação das massas, do acriticismo face à mensagem do poder. Hitler e Stalin seriam duas faces da mesma moeda tendo alcançado o poder por terem explorado a solidão organizada das massas. Sete anos depois publica "A condição humana" e enfatiza a importância da política como acção e como processo, dirigida à conquista da liberdade. Publica depois "Sobre a Revolução" (1963), talvez o seu maior tributo para o pensamento liberal contemporâneo, e examina a revolução francesa e a revolução americana, mostrando o que têm de comum e de diferente, e defendendo que a preservação da liberdade só é possível se as instituições pós-revolucionárias interiorizarem e mantiverem vivas as idéias revolucionárias. Lembraria os seus concidadãos americanos (entretanto adquiriria a nacionalidade americana) que se se distanciassem dos ideais que tinham inspirado a revolução americana perderiam o seu sentido de pertencer e identidade. Ainda, em 1963, escreveria "Eichmann em Jerusalém" a partir da cobertura jornalística que faria do julgamento do exterminador dos judeus e arquitecto da Solução Final para a The New Yorker. Nesse livro impressionante revela que o grande exterminador dos judeus não era um demônio e um poço de maldade (como o criam os activistas judeus) mas alguëm terrível e horrivelmente normal. Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, sem capacidade de separar o bem do mal, ou de ter mesmo contrição. Esta perspectiva valer-lhe-ia a crítica virulenta das organizações judaicas que a considerariam falsa e abjurariam a insinuação da cumplicidade dos próprios judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt apontara, apenas, para a complexidade da natureza humana, para uma certa "Banalidade do Mal" que surge quando se condescede com o sofrimento, a tortura e a própria prática do mal. Daí conclui que é fundamental manter uma permanente vigilância para garantir a defesa e preservação da liberdade.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS FACULDADE DE HISTÓRIA

RESENHA DO CAPITULO: ARENDT, Hannah. “O declínio do Estado-nação e o fim dos Direitos do homem” In:--, As Origens do Totalitarismo: anti-semitismo, imperialismo e totalitarismo.SP: Cultrix, 2005. (p.300-336).

Resenha como 3ª avaliação da disciplina História Contemporânea I, ministrada pelo professor Dr. Maurício Costa da Faculdade de História da UFPA.

ALUNO: VICTOR DANIEL DE OLIVEIRA ALVES MAT. 0503603801 BELÉM 2007

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