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02-HistoriaContemporaneaII

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Como podemos perceber, a Primeira Guerra Mundial não conseguiu liquidar as contradições entre
os países imperialistas. Eles mantiveram acesas as rivalidades e continuavam em sua busca incessante por
mercados consumidores e matéria-prima. Não foi possível encontrar saída na nova correlação de forças
para minimizar as divergências e evitar novos confrontos de grande magnitude. Isso seria obtido após a
Segunda Guerra Mundial, não através de acordos, como dantes, mas através do medo de que um artefato
nuclear pudesse destruir parte da espécie humana ou talvez todo o planeta.
O tratamento dado aos vencidos, no Tratado de Versalhes, terminou por acirrar os ânimos e provo-
car um sentimento de revanchismo, principalmente na Alemanha, que sofreu punições severas. Versalhes
foi uma paz punitiva imposta pelos vencidos que dificultou uma possível volta do equilíbrio de forças no
continente europeu. O tratado foi considerado injusto e pouco aceitável pelos alemães. Havia insatis-
fação também pelo lado dos vencedores, principalmente entre os japoneses e italianos. Ambos estavam
insatisfeitos com a fatia do bolo que receberam, frustrando suas expectativas.
A política agressiva das três nações (Itália, Alemanha, Japão) descontentes com os tratados pós-
Primeira Guerra Mundial, aliada à falta de ação da Liga das Nações e omissões de França e Inglaterra em
intervir na Guerra Civil Espanhola e na ocupação da Áustria, impulsionaram a segunda guerra. Mas a vis-
ta grossa feita por França e Inglaterra não pode ser considerada acidental. Muito mais preocupadas com
o avanço do socialismo, as duas nações, juntamente com os EUA, pensaram que o avanço da extrema
direita no mundo poderia resolver esse problema sem precisar sujar as mãos, isto porque o pacto entre os
países do Eixo era anti-komitern. Mas foi como deixar a caixa de pandora aberta, porque o objetivo dos
governos fascistas e nazistas não se resumia a extinguir o socialismo do mundo ou impedir novas revolu-
ções sociais, eles alimentavam também uma política expansionista e esta não incluía somente a invasão da
URSS, mas de outros territórios também. Uma vez no poder, os fascistas tomavam o que podiam, recu-
sando-se a jogar segundo as regras da política internacional. Os números da segunda guerra são maiores
e sua capacidade de provocar sofrimento mais assustador do que a Primeira Guerra Mundial.
No decorrer da década de 30, a imprensa em vários países já falava sobre a possibilidade de um novo
conflito mundial. Uma revista européia, em 1931, fez uma enquete sobre a possibilidade de uma nova guerra.

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Os prognósticos não eram positivos. O ex-primeiro ministro da França, M. Caillaux, declarou: “Não tenhamos
ilusões. A última guerra foi a guerra das metralhadoras, dos fuzis e dos submarinos. Se a humanidade for tão louca
em aceitá-la, a próxima guerra será química” (Folha de São Paulo, 29/5/1931). Com a forte tensão internacional
no ar, em 1938, a guerra começava a ser uma certeza. O ministro da defesa sul-africano declarou:
A Europa caminha para a guerra, uma guerra que nenhuma nação deseja, mas contra a qual todos
os governos estão se preparando. A não ser que haja uma completa mudança das perspectivas atuais,
dentro de um ou dois meses, a tensão internacional atingirá, na primavera do próximo ano, seu ponto de
explosão. (Folha de São Paulo, 6/12/1938).
De fato, o cenário de guerra estava novamente montado e o mundo temia as conseqüências desse
novo e provavelmente mais potente conflito mundial. O que fez a probabilidade de 1931 virar certeza em
1939? Vamos compreender?

O armamento maciço reiniciado pela Alemanha assustou as potências capitalistas rivais, que
também aceleraram a reposição de seu estoque bélico, procurando bloquear a soberania alemã na Eu-
ropa. Esta estava novamente ganhando força e se tornando uma potência mundial. A Alemanha tinha
necessidade de disparar a guerra antes que as potências mundiais rivais - leia-se Inglaterra e França
– aumentassem seu poder bélico. O ônus do rearmamento alemão levou a uma crise financeira que
precisava ser contornada com o saque de economias adjacentes, dando início à invasão e à anexação de
outros territórios, que já observamos anteriormente.
Segundo Oswaldo Coggiola, a segunda guerra foi uma solução possível para a superação da crise
econômica que havia se instalado. Enquanto a primeira guerra teve por motivo a redistribuição de territó-
rios entre as potencias imperialistas, o segundo confronto anexou um motor artificial (indústria de guerra)
à máquina capitalista. A guerra foi ao mesmo tempo interimperialista e contra-revolucionária, pois tanto os
países o eixo como as potencias aliadas estavam interessados em barrar a expansão do comunismo.
Além da Alemanha, outras duas nações estavam pondo em prática sua política expansionista. A
Itália, depois de ter invadido a Abissínia em 1935 e a Etiópia em 1936, anexa a Albânia, em 1939. O Japão,
em 1931, invade a Manchúria e, posteriormente, a China, em 1937. Os três países formaram o chamado
Eixo, a partir dos acordos de amizade e cooperação entre Alemanha e Itália em 1936, com o ingresso do
Japão nesta aliança logo depois, em 1940.
As potências européias rivais pensaram ter conseguido brecar a expansão do eixo na con-
ferência de Munique, em 1938. Nesta, com a presença da Alemanha, Itália, França e Inglaterra,
acordou-se a entrega dos Sudetos à Alemanha, definiram-se as fronteiras européias e houve decla-
rações mútuas de não-agressão.
Um ano depois, a Alemanha quebrou o acordo de não-agressão ao decidir invadir a Polônia
para obter uma saída para o mar, reconquistando o corredor polonês. Diante da agressão, a reação
inglesa e francesa foi declarar guerra à Alemanha.
Além da Alemanha, ninguém parecia estar muito interessado em entrar em outra guerra. As conse-
qüências da Grande Guerra somadas à depressão de 1929 tinham deixado os países europeus em estado
de calamidade, mas a possibilidade da Alemanha exercer uma hegemonia no continente europeu não po-
dia ser confirmada e o novo confronto explodiu, mostrando um cenário de degradação e atrocidades que
tornou essa segunda guerra bem mais desumana. Racismo e política sistemática de extermínio de civis,
acrescentaram um tom diferente à segunda guerra, que diferiu dos conflitos anteriores.
Utilizando-se da guerra relâmpago, os alemães, em 1940, ocupam a Dinamarca e a Noruega e,
posteriormente, Holanda e Bélgica, objetivando chegar até à França. Em 1940, Paris é tomada após a
vitória alemã sobre a coalizão franco-inglesa. Diante das vitórias alemãs, a Itália, que permanecia neu-
tra, tomou coragem e entrou na guerra pelo lado alemão, honrando o acordo feito em 1940. A Itália
sofreu mais derrotas do que vitórias, em especial da Inglaterra, e sua participação ficou aquém do apoio
que os alemães esperavam.

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MAPA DO AVANÇO ALEMÃO NA EUROPA RETIRADO DO SITE www.historia.uff.br/nec/mapas/mapgfas.jpg

A segunda fase da guerra inicia-se em 1941, quando Hitler decide invadir a URSS. Os Estados
Unidos saem do seu isolamento e passam a fornecer ajuda à União Soviética. A declaração de guerra
estadunidense aconteceu depois que o Japão atacou a base militar americana de Pearl Harbor, no Havaí,
em dezembro de 1941. Em resposta, foi feita a declaração de guerra ao Eixo.
Diferente do que é mostrado na filmografia estadunidense, a virada da guerra aconteceu depois
da derrota alemã em Leningrado, cidade símbolo da revolução socialista de 1917, e posteriormente em
Stalingrado, e não pela entrada dos Estados Unidos na guerra. Apesar de sua entrada ter influenciado nos
combates posteriores, o acontecimento não foi determinante.
Após 2 anos de conflito e com o inverno russo marcando 21º graus abaixo de zero, as tropas nazis-
tas se renderam. Daí os soldados russos saíram do seu território e, como um rolo compressor, dirigiram-
se em direção a Berlim, libertando a Hungria, Tchecoslováquia, Polônia e Finlândia, que ficaram sobre
influência soviética após o conflito.

Memórias de Guerra

Abaixo podemos ler trechos de escritos deixados por soldados de guerra que morreram durante o
conflito. São três relatos diferentes. O primeiro é de um soldado alemão que expõe sobre parte do coti-
diano da guerra: a angústia de esperar por novos acontecimentos. O segundo é de um soldado japonês
que, no seu adeus aos pais, se questiona sobre o sentido da guerra e sua participação nela. O terceiro é de
um metalúrgico que virou soldado de um grupo de resistência francês liderado por Misak Manouchian.
Ele foi preso e fuzilado junto com 23 outros combatentes do grupo pelos alemães, no fim da guerra. As
cartas dos combatentes do grupo têm em comum uma mesma passagem: a morte perto do fim da guerra
e a impossibilidade de ver a vitória dos Aliados. Vamos acompanhar os escritos e refletir sobre eles?
Tornamo-nos uma máquina de esperar. No momento esperamos a comida, depois será a correspon-
dência e a qualquer momento uma bomba inimiga que poderia acabar com nossa ansiosa e tediosa espera.
Heinrich Straken (1919-1945). Soldado de guerra. (Informação retirada do documentário Nós que

aqui estamos por vós esperamos).

Com menos de 20 anos, Kato Matsuda (1927-1945) já participava da guerra. Em correspondência

aos pais, ele escreveu:

No meu silêncio já refleti muito sobre o sentido e a finalidade desta guerra, mas estar aí junto de
vocês seria uma grande humilhação... Conforta-me aquele ditado japonês: “a morte é mais leve do que a

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pluma. A responsabilidade de viver é tão pesada quanto uma montanha”.

Adeus, Kato.

Assim como Kato, muitos refletiam sobre o sentido da guerra. Alguns perceberam que estavam
na guerra para assegurar o poderio de seus governantes. Acreditavam que lutavam por certas ideologias,
mas foi no front que entenderam as reais motivações que os colocaram naquela situação. Pelos motivos
de outrem, muitos pereceram nos campos de batalha.
No decorrer da guerra houve formação de grupos de resistência em oposição ao nazismo que procura-
vam auxiliar as tropas aliadas e pessoas perseguidas a emigrarem. Os membros da resistência eram chamados
de partisans e atuaram em vários países sob o domínio alemão. Em 21 de fevereiro de 1944, membros da resis-
tência dos trabalhadores imigrantes, liderados por Misak Manouchian, primeira resistência ao nazismo em ter-
ritório francês, foram presos e fuzilados. Abaixo, a carta escrita por um dos combatentes, Spartaco Fontanot.
Querida mamãe: De todas as pessoas que conheço, a senhora é a única que vai sentir mais, por isso
meus últimos pensamentos são para a senhora. Não culpe ninguém mais por minha morte, porque eu
mesmo escolhi minha sorte.

Não sei como lhe escrever, porque, mesmo tendo a cabeça clara, não consigo encontrar as palavras
certas. Assumi meu lugar no Exército de Libertação, e morro quando a luz da vitória já começa a brilhar
[...] vou ser fuzilado daqui a pouco com 23 camaradas.
Depois da guerra a senhora deve exigir seus direitos a uma pensão. Eles lhe entregarão minhas coisas
na prisão, só que estou ficando com o colete de papai, porque não quero que o frio me faça tremer [...]
Mais uma vez, digo adeus. Coragem!
Seu filho, Spartaco.
Spartaco Fontanot, imigrante italiano na França, fugido do fascismo de Mussolini, metalúrgico, 22
anos, membro do grupo resistente de Misak Manouchian, 1944, in Hobsbawm (2001: 144).

O Brasil participou, de forma mais efetiva, na Segunda Guerra Mundial, com o envio de ho-
mens para o conflito depois que navios brasileiros foram torpedeados pela marinha alemã. Vamos
acompanhar o texto abaixo para entendermos de forma mais detalhada a situação.
Durante 239 dias, entre setembro de 1944 e maio do ano seguinte, mais de 25.000 soldados
e oficiais brasileiros estiveram na Itália combatendo o nazismo. Foi a maior e mais sangrenta ope-
ração de guerra em que o País esteve envolvido neste século, amargando um saldo de quase 500
mortos e 3.000 feridos nas fileiras nacionais. Do outro lado da trincheira, a Força Expedicionária
Brasileira (FEB) capturou cerca de 20.000 soldados inimigos, saindo vitoriosa em oito batalhas.
A entrada do Brasil na guerra se deu contra o Eixo, em agosto de 1942. A decisão foi tomada
depois do afundamento de vários navios brasileiros pela marinha alemã, o que desencadeara em
todo o País uma série de campanhas populares e de manifestações públicas de indignação.
Comprometido com as lutas internacionais, o governo Vargas rompia sua tradicional atitu-
de de expectativa; e essa ruptura, implicando na decisão do bloco “democrático”, à frente única
antifascista, revaloriza uma ideologia que não podia deixar de ter efeitos políticos internos. Vargas,
prevendo o restabelecimento do sistema representativo, tenta capitalizar essas mudanças; daí a
intensidade com que foram utilizadas as técnicas de propaganda, as paradas públicas, os discursos
associando poderio militar e a industrialização de que o seu governo fora o principal promotor.
Finalmente, o reatamento das relações com a União Soviética e sua reabilitação ideológica. A

Atenção

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exibição das tropas integrantes da Força Expedicionária Brasileira, comandada pelo general Mas-
carenhas de Morais, antes de sua partida para a Europa, em 1944, foi mais uma oportunidade para
revalorizar os efeitos do “Estado Nacional”. Já em fins de 1943, no sexto aniversário do golpe de
37, data que deveria ser realizado o plebiscito previsto na Constituição, Getúlio prometia eleições
para o fim da guerra e reiterava as intenções em abril de 1944.
Revista Veja 15/5/1985.

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