CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 1 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO - item 1 1.

A ORIGEM HUMANA Neste conteúdo são abordados temas e idéias como: - a teoria evolucionista e a explicação da biologia para a origem e evolução do ser humano; - a colaboração da teoria antropológica sobre a visão da biologia e do evolucionismo; a antropologia defende que a explicação puramente biológica é apenas uma parte de nossa complexa evolução – o papel do comportamento cultural também foi determinante para surgimento de nossa espécie como é hoje. - a antropologia afirma que é falsa a afirmação que o ser humano é determinado pelo clima ou pela herança genética; sim, as populações se adaptam a diferentes meio ambientes para sobreviver, mas não é o meio ambiente que determina nosso comportamento; sim, cada indivíduo é resultado de uma herança genética, o que não significa que é “escravo” dessa herança.

Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da humanidade. Ter costumes e hábitos aprendidos é um comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. O tema possibilita uma abordagem que ressalta a importância da compreensão do ser humano como um ser bio-psico-social, ou seja, somos seres cujo comportamento é determinado ao mesmo tempo: BIO - por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico que temos e como podemos utilizá-lo); PSICO - por nossas experiências pessoais racionais e afetivas de mundo e; SOCIAL - pelo meio social onde vivemos. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda se comunicar através desta ou daquela língua?

Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a História, tem explorado profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. Até o momento puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie, que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei da selva”. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber que alimentos são comestíveis e como devemos preparálos? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Essas questões devem ser respondidas ao longo desse tema. No séc. XIX Charles Darwin (biólogo), afirmou que todas as espécies vivas resultam de uma EVOLUÇÃO ao longo do tempo. Isso significa, que se retornássemos em nosso planeta há milhões de anos atrás não encontraríamos as espécies conforme as vemos hoje. Cada ser vivo, para chegar até hoje, passou por sucessivas e pequenas transformações que possibilitaram sua sobrevivência; esse processo de mudanças orgânicas ocorre por necessidade de ADAPTAÇÃO AO MEIO. Consideremos que as condições do meio como clima, quantidade na oferta de alimentos e todas as questões relacionadas às condições ambientais, estão em constante mudança. Pois bem, as formas de vida existentes precisam acompanhar essas mudanças, estando sujeitas – segundo Darwin – a dois destinos: a) podem se adaptar e ao longo de muitas gerações apresentarem mudanças visíveis; b) não conseguem se adaptar, entrando em extinção. Quais são as espécies que conseguem se adaptar? São as que possuem alguns indivíduos do grupo dotados de características tais que o permitem sobreviver e gerar uma prole (conjunto de filhos/as) que dá continuidade a essas características. Os outros indivíduos de sua mesma espécie que não possuam tais características, não conseguindo “lutar” pela sobrevivência, têm mais chances de morrer sem deixarem descendentes. Assim, após muitas gerações, temos uma espécie que já não se parece com seu primeiro exemplar. A possibilidade da geração de uma prole com características que permitam a adaptação ao meio é, para os evolucionistas, chamada de “seleção natural” – sobrevivem apenas aqueles indivíduos com traços que os permitam a sobrevivência. Ao lado da seleção natural, as mutações aleatórias também são responsáveis pelas modificações de um organismo ao longo do tempo.

Uma das dificuldades do senso-comum em aceitar as idéias evolucionistas, está no fato que não podemos “ver” a evolução acontecendo – apesar de ela estar sempre acontecendo -, isto é, não testemunhamos alterações expressivas, pois as mudanças são muito sutis e ao longo de períodos de tempo muito longos do ponto de vista do ser humano. As alterações podem ser consideradas em intervalos de tempo não inferiores a cem ou duzentos mil anos. Portanto, muito além de qualquer evento que possamos acompanhar. Mas podemos acompanhar sim a luta pela sobrevivência e a mudança de hábitos em muitas espécies, como os pombos que povoam as cidades, mas não estão tão concentrados demograficamente nos campos. Essa espécie encontrou um ambiente ótimo nas cidades construídas pelos seres humanos, aprendendo rapidamente como obter abrigo e alimento, com a vantagem de estar livre de predadores como nas florestas e campos. Faz parte de sua evolução esse novo ambiente. Assim entendemos que a evolução biológica de todas as espécies vivas não acontece sem influencia de muitos fatores, não acontece de forma “mágica” e independente do tipo de meio e hábitos que podemos observar. Hoje em dia o darwinismo está com uma nova roupagem e temos teorias como o pós-darwinismo ou neo-darwinismo, que são conseqüência do desenvolvimento de nossa tecnologia de pesquisa, e do próprio conhecimento cujas portas foram abertas por Charles Darwin para seus sucessores.

"O APARECIMENTO DO HOMO SAPIENS- uma espécie que trabalha" O homem descende do macaco. Essa foi a afirmação polêmica de Darwin na segunda metade do séc. XIX e que dividiu opiniões na sociedade moderna. Essa polêmica permanece até hoje, pois encontrou como opositor o ponto de vista de uma prática humana muito mais antiga que a teoria da evolução: a religião. Não conhecemos nenhuma crença, em nenhuma cultura que coincida e concorde totalmente com a afirmação de Darwin. Da perspectiva das crenças, a criação da vida é atribuída a um “ser criador”, a algo externo e superior a toda a vida existente. Ao conjunto de teorias e explicações que partem desse tipo de raciocínio, denominamos “criacionismo”. Pois bem, para pensar como Darwin e a maior parte dos cientistas até hoje, esqueça suas crenças. A ciência não reconhece como possível a existência de seres superiores que tenham dado origem à vida, e muito menos entende que o ser humano é uma espécie “privilegiada” ou “superior”, seja pela capacidade de raciocínio, seja pela capacidade de criar crenças.

Para os evolucionistas, todas as espécies vivas foram surgindo das transformações de outras já existentes, dando origem a novas espécies, enquanto outras se extinguiram. Os primeiros humanos, chamados cientificamente de hominídeos, surgiram das transformações de algumas famílias de símios que fazem parte dos chimpanzés. Nossa espécie surgiu devido a mudanças biológicas e ao surgimento da cultura. Que mudanças biológicas são essas que nos diferenciam dos símios? O aumento da caixa craniana que nos dotou de um volume cerebral muitas vezes maior que o de um macaco. A postura ereta, que possibilita utilizarmos apenas os membros inferiores para nos locomover. E o surgimento do polegar opositor, que possibilita a nossa espécie da capacidade do chamado “movimento de pinça”. É a partir dessas três características básicas que desenvolvemos inúmeras outras características fascinantes como a capacidade da fala ou ainda a de fabricar instrumentos para nossa sobrevivência. Mas essas características como inteligência, fala e indústria não teriam surgido em nossos ancestrais se não fosse a presença de um tipo de comportamento que ajudou a modelar o corpo de nossos ancestrais, que é o comportamento baseado na CULTURA. Ou seja, a necessidade de comunicação, cooperação e divisão de tarefas facilitou o desenvolvimento dessas características BIOLÓGICAS. · Características biológicas: forma, funcionamento e estrutura do corpo. É a nossa anatomia, características herdadas biologicamente e que não são resultado da nossa escolha pessoal. · Características culturais: todo comportamento que não é baseado nos instintos, mas nas regras de comportamento em grupo que nos permite transformar a natureza para a sobrevivência (trabalho), e nos permite atribuir significados e sentidos ao mundo através dos símbolos (a cor branco simboliza a paz, ou o tipo de vestimenta simboliza status). Durante muito tempo pensou-se que o ser humano já teria surgido plenamente dotado dessas características em conjunto. Hoje sabemos que nossa cultura foi determinante para modelar nossas características biológicas ao longo do tempo, e vice-versa. Nossos ancestrais foram lentamente se transformando em humanos, e essa espécie que somos agora, foi aos poucos sofrendo pequenas transformações que ao longo de milhões de anos nos diferenciaram totalmente de qualquer ancestral símio. No início da história humana, nossos ancestrais eram muito semelhantes a um macaco. Tinham mais pelos pelo corpo, o cérebro era menor e a mandíbula maior. A postura não era totalmente ereta, e as mãos não tinham muita habilidade, pois o polegar ficava mais próximo dos outros dedos. O tamanho do cérebro foi aumentando muito devagar, como também a postura ereta surgiu gradualmente, e igualmente o polegar opositor não surgiu repentinamente. A cada geração, mudanças muito sutis

por isso dependiam de deslocamentos constantes em busca de alimento. pois possibilitou ou exigiu que nosso ancestral desenvolvesse comportamentos capazes de mudar nossa estrutura biológica. e não eram tão inteligentes. e nesse período de tempo nossa forma física foi se alterando. Eram organizados em bandos que praticavam caça e coleta. Nossos ancestrais não tinham a mesma caixa craniana que temos hoje. que é a mesma que nos permite falar. são fruto de uma dura luta por parte de nossos ancestrais para sobreviver em condições pouco favoráveis e convivendo com espécies mais fortes e predadores mais bem preparados fisicamente para tal. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. e não mais viver da caça/coleta que o tornava dependente dos recursos nos territórios habitados. Nessa época não havia escrita. durante o qual o ser humano desenvolveu técnicas determinantes para a história de nossa espécie: a agricultura e a domesticação de animais. e os únicos vestígios de comunicação encontrados são as pinturas em cavernas (arte rupestre) e pequenas estatuetas representando figuras femininas. não tinham a postura totalmente ereta. Sobreviveram lascando uma pedra na outra para conseguir objetos pontiagudos e cortantes que serviam como arma de caça. até que no chamado período “neolítico”. A “revolução neolítica” foi um período marcante em nossa evolução.transformaram a espécie. determinou COMO somos hoje. Durante muito tempo o domínio do fogo era um mistério. Eram mais uma espécie entre tantas outras. mas resulta de um longo e lento processo de evolução. A agricultura e a domesticação de animais significaram a garantia de alimentação dos grupos humanos. Essas mudanças por sua vez. e mais que isso. houve uma revolução. É nesse momento que o ser humano começa a TRABALHAR. Dormiam em cavernas. e nesse processo a cultura teve um papel fundamental. independente do sucesso na caça e coleta. formando aldeias e também colaborou para o crescimento demográfico. ao invés de fabricar abrigos. Ao fabricar os chamados instrumentos de “pedra lascada”. que significa mudanças ao longo do tempo. segue um padrão estabelecido em nossa evolução para obter resultados: . Durante quase quatro milhões de anos sobreviveram dessa forma. que permitiram o sedentarismo (começamos a construir abrigos e povoados ao invés de habitar em abrigos naturais). Isso permitiu à nossa espécie se fixar por períodos prolongados em determinados lugares. e não viviam em cidades. portanto não comiam muitos alimentos cozidos. Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. A introdução do trabalho como estratégia de sobrevivência. e o pouco que puderam fazer então determinou sua sobrevivência. como raspador de alimentos ou qualquer utilidade para a vida humana. É importante compreender que nossa espécie não é fruto de coisas inexplicáveis.

o ser humano passa a viver em uma sociedade organizada. afastando nossa espécie do comportamento instintivo e determinando essa longa e rica viagem chamada HUMANIDADE. mais segurança com as casas fabricadas. A partir da escrita e do surgimento das grandes civilizações da Antiguidade como Egito. Grécia e China. Tais condições permitiram aos nossos ancestrais uma organização social mais complexa baseada na SOCIEDADE. compartilhando a condição se HUMANOS. Entretanto. Se não tivessem desenvolvido a capacidade de trabalho. . Não é possível produzir sozinho tudo que necessitamos em nossa vida. nossos ancestrais percorreram um longo caminho. ü a cooperação com o grupo. maior permanência do grupo. divisão do trabalho e uma mente dotada de raciocínio lógico e abstrato ligado à criatividade e imaginação. Até hoje utilizamos essas habilidades de trabalho em grupo para viabilizar nossa existência social. nos libertando da “lei da selva”. e nenhum de nós estaria aqui hoje. inaugurando o sedentarismo. Fixando-se em um lugar. O conjunto de tudo que o grupo social produz torna viável uma existência cultural. a capacidade craniana. Mas para chegar até esse ponto. isso tudo levou a uma maior reprodução da espécie. conhecemos exatamente como a humanidade se desenvolveu. nossos ancestrais não teriam tido sucesso em sua evolução. cooperar e se especializar permite atingir objetivos com resultados mais efetivos e também possibilita um conjunto social com melhor qualidade de vida. A comunicação também sofre uma revolução que foi o surgimento da ESCRITA. ü e a especialização.ü a divisão de tarefas. O trabalho humano se fundamenta em características básicas como comunicação e cooperação. A capacidade de dividir tarefas. Foram nossas capacidades de ORGANIZAÇÃO e COMUNICAÇÃO que definiram tal resultado. Mais alimentos disponíveis. Ele é o resultado de um processo muito longo no tempo. e não mais em bandos. o polegar opositor e a aquisição da fala. divisão de grupos em parentesco. nenhuma dessas características nos valeria muita coisa se não tivéssemos desenvolvido um tipo de comportamento baseado em regras de convivência social. provavelmente. e para os quais foram determinantes: a postura ereta. baseado nos princípios acima. Essas características são importantes uma vez que possibilita que cada um de nós realize apenas um tipo de tarefa.

item 1.O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano. são totalmente provenientes das características biológicas de um povo (sua carga genética) ou ainda totalmente provenientes do meio ambiente (ecossistema.1 O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano. essas teses deterministas descartam a possibilidade do comportamento e valores de um povo ser proveniente de sua historia e das características humanas que giram em torno da experiência de mundo. A antropologia discorda dessas idéias.  “Como a Antropologia evidencia a importância da cultura na evolução da espécie humana – a visão do antropólogo Clifford GEERTZ. clima) onde ele se desenvolve. Devemos então compreender que o processo da vida é evolutivo. não apenas o ser humano. podemos afirmar que: c) A busca de restos humanos pré-históricos nos obrigou a considerar a evolução da espécie humana como outro animal qualquer. segundo essa teoria todas as espécies vivas são fruto de uma longa e lenta evolução.1 .: 1) A respeito do evolucionismo e dos resultados obtidos por suas pesquisas. Além disso. por pretenderem que um povo é determinado por variáveis sobre as quais não há controle humano. Já é antiga e muito conhecida a idéia segundo a qual as diferenças de comportamento humano de uma cultura para outra. 1º bimestre Conteúdo : Conteúdo de 1º bimestre (prova NP-1) DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO . 24 do texto “A origem do antropos”. e é importante para resolução dos exercícios que você perceba que esses conceitos podem ser observados em nossa vida cotidiana. Ou seja. Neste item serão apresentadas todas as idéias acima. Reconhecer as inconsistências das teses deterministas é um importante aprendizado para valorizar a vida cultural dos povos da humanidade.Exercício resolvido para o item 1. Título : 1. indicado na bilbiografia: .” Silas GUERRIERO afirma na pg. inacabado e sem um objetivo ou plano pré-definido. que denominamos de teorias deterministas.1 1.

mas antes. formando um fenótipo próprio. Entretanto somos portadores de genótipos. provavelmente não teríamos sobrevivido e. . Cada indivíduo possui um fenótipo. mas o humano é também produto da cultura. pois. Assim. o ser humano é uma única espécie.” A leitura desses textos desenvolve a compreensão predominante atualmente na Antropologia. Um indivíduo com o fenótipo “pele clara e olhos azuis” carrega genes com essa informação. na pg. compreendida como uma das características da espécie.R. Esse movimento de populações resultou em aparências distintas para cada grupo populacional. se o tivéssemos conseguido. Somos todos partes de uma mesma família que foi dividida ao longo do tempo por sucessivas migrações. não estaríamos aqui contando essa história. de Barros LARAIA discute se somos DETERMINADOS ou não pelo meio ambiente e pela herança genética : Da perspectiva biológica. essa evolução BIOLÓGICA não foi independente de sua “parceira”. ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral. Vamos esclarecer alguns aspectos importantes. mas também é portador de informações genéticas outras. que são os genes que carregamos e podem ser determinantes nos resultados de nossa reprodução. .” E Roque de Barros LARAIA. Em outras palavras. simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é. a CULTURA humana. popularmente conhecida como “raças humanas”. podemos afirmar que a cultura é produto do humano. que o ser humano não teve uma evolução puramente biológica para nos capacitar de inteligência e postura ereta. cada indivíduo vai resultar de uma combinação genética de seus antepassados. por isso mesmo. que corresponde à aparência física. não teríamos diferenças anatômicas tão marcantes frente a nossos parentes mais próximos.“Como Geertz. 58 do texto “Idéia sobre a origem da cultura” no livro “CULTURA – UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO”: “A cultura desenvolveu-se. Não fosse essa extraordinária capacidade de articulação e fabricação de símbolos.

Acreditava-se que a cada raça correspondia uma cultura. ? TODOS OS SERES HUMANOS EXISTENTES HOJE DESCENDEM DE UM ÚNICO GRUPO HUMANO ORIGINÁRIO DO CONTINENTE AFRICANO. que defendia que a ecologia (o meio ambiente) no qual essa ou aquela população se desenvolveu. explicariam costumes. Portanto. à vegetação. somou-se a esse equívoco científico um outro.Durante muito tempo a sociedade em geral. Entretanto. Multiplicavam-se os exemplos de comportamentos diferentes para pessoas da mesma “raça”. É fácil encontrarmos pessoas que atribuem ao clima. e a ciência. é fundamental que você conheça os pressupostos com os quais a ciência humana contemporânea trabalha. Assim. Você mesmo deve estar se lembrando de muitos exemplos que condizem com esse esquema explicativo. cujo material arqueológico foi mais recentemente reforçado pelo conhecimento genético. somadas ao fator biológico. esses determinismos ainda hoje permeiam a visão de mundo do senso comum. Sim. um escocês. Não há como refutar que qualquer indivíduo humano. seja ele um esquimó. O determinismo biológico defendia que a herança genética seria a responsável pelo comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. um dinamarquês. debateram sobre essa questão. apesar de terem fenótipos diferentes. é importante ressaltar que esse tipo de afirmação logo encontrou “furos”. que pretendia ser complementar ao anterior e preencher as lacunas explicativas. Mesmo tendo sido totalmente desacreditadas pela ciência. Bem. um indiano. pois nem sempre a totalidade dos herdeiros de genes “brancos” ou “negros” apresentavam comportamentos semelhantes entre si. aos animais circundantes. e ao fenótipo de cada população a explicação sobre “porque essas pessoas desse lugar agem de tal forma”. também seria um fator DETERMINANTE para a cultura ali desenvolvida. Essa é uma afirmação resultante de um século e meio de pesquisas. ou muito frio teriam sofrido influências que. populações de lugares com clima muito quente. Dessa perspectiva ultrapassada. mentalidade. valores e tradições. . um japonês e assim por diante são descendentes de grupos oriundos da África. surgiram as teorias deterministas. Trata-se do determinismo geográfico. todos os indivíduos carregam genes desses primeiros agrupamentos humanos.

carregavam um conjunto genético que foi se estabilizando ao longo de séculos e séculos. há um LIMITE para tal influência. somos uma mesma família. mudanças importantes ocorreram para permitir a sobrevivência de nossa espécie em diferentes meios. Mas. nem ecologia são isolados ou em conjunto a única explicação para o comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. Mas vamos refletir melhor sobre o comportamento humano. os grupos que migravam para esse ou aquele lugar. Mas não são determinantes. até que ponto a essa herança biológica e essa influência do meio têm relação com a diversidade cultural? Leia novamente a questão. O que se aceita hoje é que esses são fatores importantes na relação do ser humano com o meio. Portanto. Isso foi criando fenótipos próprios a cada população humana. para a qual há inúmeros exemplos é: Sim! . Vamos a exemplos? Tomemos o caso da “facilidade” de indivíduos afrodescendentes para o desempenho em alguns esportes. e não apenas sobre seu legado biológico. Como a grande família humana foi seguindo rumos diferentes. Não há dúvidas sobre a base biológica que fundamenta essa associação. mas vou formular a seguinte questão sem qualquer preocupação científica ou política. NÃO EXISTE UMA DETERMINAÇÃO BIOLÓGICA / GEOGRÁFICA que sustente a explicação sobre a diversidade cultural.Portanto. seja para se relacionarem uns com os outros. Desculpe. A quantidade de melanina na pele e a dimensão do aparelho nasal foram sendo modelados para permitir nossa sobrevivência. A geografia desempenhou um importante papel para a diversidade de tipos humanos? Sem dúvida! Ao longo do processo evolutivo. De fato. seja para sobreviver. O que o senso comum diria a esse respeito: “Um indivíduo descendente de brancos pode se desempenhar tão bem quanto um descendente de negros nesses esportes?” A resposta óbvia. que foi desenvolvendo aparências distintas como resposta adaptativa ao meio. e nem biologia. como o basquete ou atletismo e que é popularmente divulgado. que viveram praticamente isoladas umas das outras durante tempo suficiente para que fosse surgindo um tipo de “padrão” que chamamos etnia.

se você for analisar esse grupo e o grupo de origem. das soluções criadas. E assim se dá. O que ocorre é que um indivíduo com facilidades genéticas chega ao mesmo resultado com mais facilidades. mas acima de tudo está a determinação. se não há determinismos? O ser humano é uma espécie moldável e criativa. dessa experiência de vida que não se repete exatamente com os mesmos eventos. vamos considerar o que se segue. O que explica a diversidade cultural. O ser humano depende de desejos. . poderá ver que existem características que os diferenciam. Vamos supor que você tome uma parcela da população norte-americana de hoje e os coloque para viver durante um longo período de tempo em um outro local. estímulos e condições para chegar a objetivos. Daqui a algumas gerações. Concorda? Um indivíduo descendente de brancos que se determine a ser “exemplar” no basquete ou no atletismo pode atingir esse objetivo perfeitamente. Isso para qualquer coisa que você possa pensar. E a cultura é o resultado. A diversidade cultural é inerente ao ser humano. Basta que se dedique a aperfeiçoar o que deseja ser. Portadores das marcas da história. com características ambientais muitos semelhantes às quais estão acostumados. Onde quer que se forme um grupo social. a cada momento. A genética e a geografia são elementos na relação do homem com o meio. Ele não necessita dos genes para ser isso ou aquilo. cada grupo vai construindo um conjunto absolutamente único que é sua cultura. os desejos e o investimento social que cada indivíduo pode dispor para desenvolver certas características de seu comportamento. o resultado será sempre o mesmo: uma cultura própria. da mesma forma em todos os lugares. Em cada grupo social. Qualquer coletividade está sujeita a um destino próprio. e não fatores determinantes. quanto mais o tempo passa. precisa se dedicar mais para atingir igual resultado.Entretanto. das experiências coletivamente vividas. Os genes podem ser facilitadores para certas coisas. Aquele que tem a genética “contra si”. as respostas às necessidades e a qualidade dos vínculos sociais resultam de uma história que é única àquele grupo.

org/portal/index. in LARAIA. 2007.gpveritas. Textos complementares: “A pré-história da Antropologia”. “O século XVIII: a invenção do conceito de homem”.org/portal/index. 17ª ed.O surgimento da cultura na humanidade.” Esse tipo de afirmação está corretamente associado com que se segue: A ) Determinismo biológico Título : 2. 19ª ed. Rossano Carvalho.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 . SP: Brasiliense. .Um Conceito Antropológico.Exercício resolvido para o tema 1.1 . Bibliografia Textos básicos: “Idéia sobre a origem da cultura” (item 2). 37-62. 1º bimestre Conteúdo : CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 2 2.. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR.1: 1) “Um menino e uma menina agem diferentemente em função apenas de seus hormônios. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. Sugestão de texto eletrônico disponível na Web: NUNES. in LAPLANTINE.. APRENDER ANTROPOLOGIA. in LARAIA. pp 30-52. “O desenvolvimento do conceito de cultura” (item 2.1). Roque de Barros. Antropologia. Roque de Barros. pgs. F. CULTURA . 2005. 2.gpveritas. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. 2005.O surgimento da cultura na humanidade. Rossano Carvalho.Um Conceito Antropológico. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. CULTURA . e não em decorrência de uma educação diferenciada. Cultura. “Antecedentes históricos do conceito de cultura”.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES.O conceito de cultura através da História.

sonhos e mensagens. que chamamos de cultura. até os símbolos que associamos a crenças. portanto todo o nosso comportamento depende de uma combinação complexa entre característica inatas (que fazem parte de nossa natureza. Ao final deste tema. Identificar a pesquisa antropológica como instrumento de aproximação entre diferentes universos culturais. Vamos considerar que grande parte das coisas que realizamos em nosso dia-a-dia. e esse termo pode servir para diferenciar pessoas de acordo com seu status ou ainda para afirmar a superioridade de alguns povos sobre outros. Esse “modelo” para nos comunicar e dar sentido ao que pensamos. E em cada uma das culturas humanas. nossa carga genética) e meio social. Portanto há questões éticas envolvidas com esse conceito. . Há inúmeras formas em seu uso. modifica nossa ética de relação com o meio ambiente. como podemos relacionar a evolução de nossa espécie e a influencia da cultura no desenvolvimento geral da Humanidade? Somos seres culturais.Objetivos: O termo “cultura” não é utilizado apenas para descrever o conjunto de conhecimentos e tradições de um povo. modelou a evolução até mesmo biológica de nossa espécie. Mas afinal. Poderá também identificar a importância da cultura como mediadora das relações humanas e nossa capacidade de comunicação através dos símbolos. e passou a depender da cultura? Ou ainda. em que momento de nossa evolução o ser humano passou a viver distante da natureza e dos instintos. é dado pela nossa cultura. chorar ou sonhar varia imensamente. incluindo planos pessoais e organização de regras de convivência. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO . é resultado de um modelo coletivo de pensar como devemos ser? Isto significa que aprendemos a estar no mundo. Desde a língua que falamos para nos comunicar. com a visão científica que universaliza a condição cultural humana. e não simplesmente somos “jogados” nele.item 2 A antropologia propõe que a cultura é a base de nossa forma de encarar o mundo à nossa volta e dar formas e significados a ele. Nosso comportamento baseado em valores e tradições. Compreender como isso se deu. são criados de acordo com uma mentalidade coletiva comum. aquilo que nos faz rir. você poderá confrontar as noções de cultura do senso-comum que remetem a hierarquias sociais de educação e formação de valores.

e puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”. Pelo contrário. e ainda se comunicar através desta ou daquela língua? Pois a Antropologia. por que nosso cérebro se desenvolveu de forma a permitir esse tipo de inteligência que os humanos se gabam por ter exclusividade? Essa questão foi investigada largamente por especialistas tanto das áreas de conhecimento das ciências biológicas como das ciências humanas. o comportamento de nossos ancestrais. como fala e fabricação de instrumentos. como capacidade de raciocínio e postura ereta. e que se encontra repetida muito comumente. na “lei da selva”. Eles acabaram por definir que não houve na evolução humana apenas um fator isolado que tenha. a Paleontologia e a História.ideias e crenças. ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim. ou saber quais alimentos são comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado.desenvolvimento de linguagens para a comunicação.. nos dotado dessa inteligência. pois nossos ancestrais se comportavam de forma cultural. o ser humano nunca foi uma espécie apenas por suas habilidades orgânicas. Assim.regras de comportamento em grupo. . Mas. os indivíduos cujo cérebro não era . essas características foram acentuadas. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas. explorou profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. mais necessário à sobrevivência seria ter essas capacidades. Nesse comportamento podemos citar: . Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie.desenvolvimento de tecnologia e de saberes.Mas. quando o ser humano passou a se comportar de forma cultural? Segundo a antropologia. Conforme o aumento gradativo do cérebro[1] permitia o desenvolvimento de habilidades mais complexas. é aquela que afirma que somos capazes de desenvolver cultura. Pelo contrario. . pois somos biologicamente dotados de inteligência. nossa evolução biológica teve influencia de muitos fatores. junto com outras ciências como a Arqueologia. etc.tradições e hábitos comuns. . de forma surpreendente.. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos. entre eles. . como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Uma resposta bastante simplista.

(. Ao fabricar os chamados instrumentos de . de que a chave para a compreensão da natureza humana está na cultura e a chave para a da cultura está na natureza humana. O homem é a um só tempo. RIBEIRO. Nas palavras de Morin (1973. aumenta muito a importância da proximidade e das relações sociais por um lado. Dentro de um jogo complicado. mesmo várias décadas depois. R. e vice-versa.. Ao que tudo indica. Fernando L. Nenhuma espécie envereda por um caminho destes impunemente. um cérebro mais complexo e seu uso para desenvolver habilidades sociais.) A própria cultura é uma característica biológica Há. apesar da força do argumento. texto disponível em: http://pet. ou ainda. Compreender o impacto da cultura na evolução humana tem sido um desafio constante.desenvolvido o suficiente para adquirir fala ou fabricar instrumentos. entrando em outra. Um fator (biologia) ajudou a modelar o outro (cultura). Há mais do que um jogo de palavras na afirmação de que o homem é naturalmente cultural. também aumenta a sua dependência da cultura para sobreviver. Entretanto.94). pode-se pensar que a cultura. ao aumentar as chances de sobrevivência do grupo. assim que nossos ancestrais desenvolveram uma dependência da cultura para sobreviver.vet. submete. p. Assim. porém. Desse modo. Vera S. por outro. “Biologicamente Cultural”. Leia aos trechos abaixo.br/puc/vera%20bussab. que podem ser encontrados no texto que está indicado na bibliografia complementar: “O modo de vida estritamente cultural impõe uma série de exigências para seu funcionamento. e da inteligência. eram fundamentais aos nossos ancestrais humanos. a seleção natural começou a favorecer genes para o comportamento cultural. se diz atualmente entre muitos cientistas. isso é a “seleção natural” na teoria da evolução de Darwin. Escapa-se de uma armadilha. não deixavam descendentes.92). "desaba o antigo paradigma que opunha natureza e cultura" (p.. mais do que isso: o ser cultural do homem deve ser entendido como biológico.. ainda não se foi muito adiante. a cada geração. ou “culturalmente biológicos”. Ao mesmo tempo em que liberta. que somos “biologicamente culturais”.. criatura e criador da cultura.” (BUSSAB. Então. Para começar. "o que ocorreu no processo de hominização foi uma aptidão natural para a cultura e a aptidão cultural para desenvolver a natureza humana". Portanto. pois tinham menores chances de sobrevivência.pdf ) Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos.

Nem precisamos absolutamente entrar na água para navegar. que defendem inclusive. mas é reconhecida como o descendente remoto de animais terrestres carnívoros. inalterados com relação aos de nossos pais e dos mais remotos ancestrais. o Homem utiliza um “equipamento extra-orgânico”. pois enquanto as outras espécies passam por modificações anatômicas ao longo do tempo para se adaptar a novas condições. Nesse longo caminho. Encontramos o paralelo e também o contraste na aquisição humana da mesma faculdade. por alteração gradual de pai a filho. que consiste na teoria científica mais aceita. Cultura . suas garras para segurar e dilacerar. esse animal perdeu suas pernas para correr. L certo que algumas de suas partes degeneraram. Em alguns milhões de anos . que compensa a falta de expressividade de nosso organismo. Roque de Barros.. Segundo uma grande quantidade de pesquisas arqueológicas. um corpo cilíndrico. Existe toda uma corrente de pensadores na Antropologia. em conjunto do que ganhou. seu pêlo original e as orelhas externas que. pois dota a humanidade de uma flexibilidade adaptativa a tantos ambientes. ao passo que a baleia original teve de transformar-se ela mesma em barco.Um Conceito Antropológico. superamos limites de nosso organismo. no mínimo. 2007. Mas houve um novo poder que ela adquiriu: o de percorrer indefinidamente o oceano. visão ou mesmo força física. (LARAIA. mais.. e adquiriu nadadeiras e cauda. Muita coisa perdeu a espécie. Não transformamos. que é a mesma que nos permite falar. a origem dos primeiros humanos ocorreu no continente africano entre 200 e 100 mil anos atrás. Esse grupo teria começado sua imigração para fora da África entre 65 e 50 mil anos atrás. as famílias humanas foram adquirindo características físicas diferentes em função tanto da necessidade de adaptação a novos meios. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. Construímos um barco. pgs 40-41) Kroeber chama a cultura de “superorgânico”. Explicando. ao utilizar os recursos da inteligência de forma cultural. que é a cultura. talvez. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. como pela combinação da carga genética de cada grupo. olfato. nossos braços em nadadeiras e não adquirimos uma cauda. Entretanto. . nenhuma utilidade teriam na água. povoando os outros continentes. uma camada de banha e a faculdade de reter a respiração. Leia o trecho que se encontra no livro de nossa bibliográfica básica para esclarecer melhor essa questão: A baleia não é só um mamífero de sangue quente. 21ª Ed. Os nossos meios de navegação marítima são exteriores ao nosso equipamento natural. inaugurado pelo americano Alfred KROEBER. o ser humano não possui capacidades anatômicas muito destacadas como velocidade.“pedra lascada”. que a cultura é uma característica que torna a humanidade completamente diferente em seu curso evolutivo. E isto quer dizer que preservamos intactos nossos corpos e faculdades de nascimento. Frente a outros animais. Nós os fazemos e utilizamos. Foram-lhe precisas incontáveis gerações para chegar à sua condição atual.

compreendem que esse debate sobre a evolução de nossa espécie. que entre todas as atitudes humanas que nos caracteriza como uma espécie cultural. podemos pensar que de fato. o foco dessa questão sobre a origem da cultura está em conseguir perceber a importância do impacto do comportamento orientado por valores e regras. ela tem uma importância especial. entenda. e faz parte de nossa forma de sobrevivência. Segundo Lévi-Strauss. e ter atitudes inteligentes. dota a espécie humana de uma característica fenomenal. que é universal ao ser humano. não depende de época ou cultura. . muito mais do que as considerações sobre nosso equipamento biológico. não há sustentação na afirmação simplista de que tenha sido apenas pela observação de problemas genéticos resultantes dessas relações que o ser humano tenha instituído essa regra. muito mais do que de efeito prático. está no fato de ter retirado definitivamente o ser humano da esfera da natureza. Ela sempre existiu. A partir do momento em que nossos ancestrais formularam essa regra. uma ética de mundo que nos dá consciência. Sua importância. Já outros antropólogos. que proíbe as relações incestuosas.Portanto. Ou seja. relações sexuais entre indivíduos relacionados por vínculos familiares muito diretos. O horror moral que provoca em qualquer ser humano. como agimos o tempo todo pautados em uma moral. Assim. É um marco simbólico. Esse momento teria sido a instituição da regra. inaugura-se a cultura. ou tios e sobrinhos. dos instintos. é importante perceber como a cultura nos moldou como seres que agem não apenas preocupados com realizações praticas de sobrevivência. que é a de ter nos distanciado dos instintos. a origem da cultura humana coincide com a origem de toda nossa espécie. Ou seja. para Lévi-Strauss. Outros animais podem fabricar coisas. ou memória. para ele. por marcar em nossa evolução. uma tem importância especial. e sim. como pais e filhos. Concorda? Pois bem. Ou seja. supera em qualquer condição o horror a uma prole com problemas genéticos. Todo se humano. Lévi-Strauss afirma que o fato de possuir cultura. trata-se de uma das únicas regras que tem validade universal em nossa espécie. Então. Para um grupo iniciado pelo francês Claude Lévi-Strauss. a notícia de que algum individuo tenha burlado essa regra. Mas uma forma muito importante de explicar nossa espécie. em qualquer sociedade evita e pune essa prática. Ele afirma inclusive. o momento em que o ancestral humano deixou de agir como animal e passou a agir como Homem. não é mais importante que o debate sobre nossa condição de existência. É uma regra de ordem moral.

que sofre de uma ausência de ética no relacionamento com as outras espécies vivas. por ter um cérebro que permite controlar o ambiente e os recursos de nossa sobrevivência. É também do modelo para realizar esse “progresso”. a consequência disso tem sido uma prepotência humana em relação à natureza circundante. esgotar. Como o nome diz. aos mesmo tempo.B. vale dizer. e todos os indivíduos de sua mesma espécie. 2005. Ele afirma que “isso é de importância fundamental para o nosso ponto de vista sobre a natureza do homem que se torna. manipular a natureza. O desequilíbrio provocado pelo Homem em seu meio não é consequência apenas da necessidade de avanço industrial e urbano. SAIBA MAIS “Origem da cultura – a ética da relação ser humano / natureza” Apesar de você não encontrar referência a isso na bibliografia indicada. o produto da cultura” (LARAIA. O ser humano tem uma tendência a compreender que sua própria espécie é superior a todas as outras. E. 2005 pg. num sentido especificamente biológico. controlarem um instinto. e pode ser interpretada como segue. “Antropos e Psique – o Outro e sua subjetividade”. tem sido um meio ambiente que ameaça os destinos de nossa própria espécie. Procure o capítulo intitulado “As origens do antropos”. É isso mesmo. situações de agressividade contra os próprios donos e assim por diante. 57). Mas também. como a exposição a alimentos. Infelizmente. é importante ressaltar qual a importância dessa temática sobre a evolução humana e o desenvolvimento de nossa inteligência que nos permite viver em cultura. seu comportamento passa a ser orientado por outras regras que não o instinto. afirma que o crescimento cortical humano (o córtex cerebral) foi posterior e não anterior ao surgimento da cultura. destruir. bem conhecido de todos.Mas é muito mais difícil um animal. Exercício 1) O antropólogo americano Clifford GEERTZ. R. Cultura. assim. são “domesticados”. Essa afirmação faz parte do debate sobre a evolução biológica humana e o surgimento da cultura. SP: Olho d´Água. Mas já não fazem parte da natureza. mesmo assim. e subjuga à extinção uma grande quantidade de outras espécies. se sente também no direito de se apoderar. Assinale a alternativa correta: e) Propõe pensarmos a evolução biológica humana como um processo simultâneo ao desenvolvimento das habilidades culturais. RJ: Jorge Zahar. . não se pode garantir que seu instinto não venha a aflorar em certas situações. não apenas o produtor de cultura. conseguindo agir de forma a negá-lo. o ser humano que se sente superior. Os animais domesticados quase sempre o conseguem. Você pode ler mais sobre isso no livro: GUERRIERO Silas (org). O resultado.

memória. que parecem organizados em agrupamentos chamados microcolunas. Nesses exemplos já é possível percebermos a complexidade e a multiplicidade do uso que fazemos desse conceito. É constituído por cerca de 20 bilhões de neurônios. da razão. como a ciência antropológica compreende e define cultura. Em animais com capacidade cerebral mais desenvolvida. consciência. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 2. o desenvolvimento do córtex permitiu o desenvolver da cultura que. emoção. por sua vez. sendo rico em neurônios e o local do processamento neuronal mais sofisticado e distinto. se não houvesse córtex não haveria: linguagem.“O conceito de cultura através da história” A antropologia social tem como conceito central o conceito de CULTURA. linguagem. respondendo com uma ação. Precisamos começar a diferenciar quais são utilizações do chamado senso-comum e. O córtex é o local de representações simbólicas. É a sede do entendimento. No Homem. Na frase “fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. o sentido atribuído a esse conceito é que se trata de uma coisa possível de ser acumulada e que distingue um indivíduo dos demais.[1] O aumento do cérebro permitiu o desenvolvimento do CÓRTEX CEREBRAL. minimizando a necessidade de aumento de volume. .1 . Veja a definição da Wikipedia (http://pt. Normalmente as pessoas utilizam essa palavra em frases como: ”O brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. atenção. O termo cultura existia muito antes da Antropologia e outras ciências humanas passarem a utilizá-lo para fazer referencia ao conjunto de hábitos que torna uma sociedade algo totalmente única e particular. o córtex forma sulcos para aumentar a área de processamento neuronal. cognição. O córtex humano tem 2-4mm de espessura. por outro lado. percepção e pensamento.org/wiki/C%C3%B3rtex_cerebral ): O córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro dos vertebrados. percebemos que existe uma concepção segundo qual cultura é uma questão de status e está muito relacionada com a aquisição de conhecimento letrado[1]. Para refletir sobre a complexidade desse conceito.22m2 (se fosse disposto num plano) e desempenha um papel central em funções complexas do cérebro como na memória. foi servindo de estimulo ao desenvolvimento cortical. É formado por massa cinzenta e é responsável pela realização dos movimentos no corpo humano. “A cultura desse lugar é muito atrasada”.wikipedia. com uma área de 0. “A cultura oriental é muito antiga”. “Fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. Mas não é essa a origem da palavra. Então ele é um conceito científico certo? É isso mesmo. percepção. De acordo com o uso popular. o que ele recebe é processado e integrado. vamos começar tomando exemplos de como podemos encontrar o uso da palavra cultura em situações cotidianas.

mas é importante. costumes. ETIMOLOGIA DA PALAVRA CULTURA[2] * Até o séc. Na frase “a cultura desse lugar é muito atrasada”. há a preocupação em pensar cultura como um conjunto de coisas (denominados “elementos da cultura”) que podem se transformar tradições. . religião. há a preocupação em situar o conjunto da produção cultural e da história de nosso país. autores. técnicas e todo o conjunto de valores de um povo. que vão das mais “atrasadas” às mais “avançadas”. Finalmente. O conhecimento letrado é aquele que não faz parte da “escola da vida”. culinária e assim por diante. arte. à qualidade da vida social.A sociedade em geral pensa cultura como relacionada ao acesso a estudos clássicos e letrados. que você como estudante dessa disciplina. ou pela chamada “educação do povo”. saberes. tem como idéia central fazer referencia a hábitos. já outros elementos se transformam. Comparam-se assim as chamadas “culturas nacionais”. e somos capazes de perceber que de uma sociedade para outra mudam regras. cultura se torna um conceito que permite fazer discriminações. consiga perceber que o uso popular tem formas de julgar pessoas e povos através de sua cultura. XVIII. autoridades em cada assunto. podem compreender também culturas próprias. Normalmente as pessoas se referem ao comportamento coletivo. ou até mesmo usar preconceitos contra outros. que nesse caso. Assim podemos ver que os limites políticos e geográficos que são as nações. folclore. seja em seu desenvolvimento tecnológico. É o que você poderá perceber com o texto que segue e utilizando a bibliografia indicada. mas que se acumula no conhecimento transmitido por livros. Já numa outra situação como na frase ”o brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. É importante ressaltar que não há maneira mais correta ou incorreta de pensar cultura nos exemplos apontados. nada mais significa que o acesso a informações e à cultura letrada. é importante resgatar o processo histórico que transformou seu uso. surge a noção que cultura é algo que se acumula e se mantém (ou se perde) ao longo do tempo. na frase “a cultura oriental é muito antiga”. existe uma nítida noção popular segundo a qual deve existir uma hierarquia entre as diferentes culturas. Para compreender essa multiplicidade de usos do conceito de cultura. valores. Já o uso do conceito de cultura pela Antropologia. Nesse caso. a palavra cultura existia APENAS com o registro de “agricultura”. Elas querem expressar a existência de culturas que desenvolvem meios para que as necessidades sociais sejam mais bem solucionadas. pois são mantidas ao longo do tempo. Vamos a outro de nossos exemplos. sem a lógica do julgamento. Nesse caso. dando a idéia de passagem do tempo.

* Nesse contexto. Como se deu essa mudança? * Revoluções anteriores – séculos XV. idéia de que um povo cultiva suas tradições * FRANÇA – (cultura = “civilization”). com um modo de vida totalmente desconhecido para eles. utilizar. consumir. Além de agricultura. Era necessária a discussão sobre cultura. aperfeiçoar. * LEMBRE-SE: até o momento das Grandes Navegações. preocupados em diferenciar pessoas/povos que cultivam a educação refinada (burguesa) * Nos sécs. COMO A PARTIR DO SÉC. as Américas e a Austrália traz inquietação aos europeus. * O contato com povos de outros continentes fora da Europa. chamados de “índios”. a palavra cultura adquire uma MULTIPLICIDADE de sentidos. Agricultura é uma habilidade em observar o desenvolvimento das espécies vegetais e aperfeiçoar as condições para o bom desenvolvimento e o cultivo em larga escala. Oriente Médio. . o contato com outros povos prepara o momento seguinte. XVIII A DEFINIÇÃO DA PALAVRA CULTURA SOFRE UMA GRANDE TRANSFORMAÇÃO A partir desse momento histórico. Veja abaixo. pois a classe dominante precisava algum apoio ideológico para convencer diferentes povos que a partir de então eles fariam parte de uma mesma “nação”. “aborígenes”. nesse registro demonstrariam nossa capacidade de manipular. o “mundo conhecido” pelos povos da Europa se resumia ao Norte da África. O contato com os povos nativos de outros continentes. hoje ela é associada a conhecimento. quando o conceito de cultura começa a ser associado a comportamento coletivo de um povo. Isso tudo aplicado ao UNIVERSO humano das coisas e idéias que nos cercam. na FRANÇA E ALEMANHA surgem duas diferentes definições de cultura (séculos XVIII e XIX) * ALEMANHA – (cultura = “kultur”). Após isso. os países como conhecemos hoje. XVI e XVII: * RENASCIMENTO * GRANDES NAVEGAÇÕES E A ENTRADA DO “NOVO MUNDO” NO MAPA MUNDI.* Em sua origem. * Os diversos comportamentos culturais humanos. XVIII e XIX estavam em processo de criação os Estados nacionais. o conceito de cultura demonstra já uma relação entre HABILIDADES HUMANAS e o domínio da natureza circundante. China e Índia. causou espanto e dividiu as reações da população européia [3]. * A mentalidade européia passa por um impacto de profundas alterações econômicas e sociais (os lucros com as Colônias. o contato com outros povos). costumes e tradições. educação. e que habitam a África. “primitivos”.

a lei. as crenças. Vale lembrar que o registro que o senso-comum tem hoje da palavra cultura. No que diz respeito ao conceito de cultura. cujo exemplo máximo de evolução seria aquela praticada pelos povos europeus. e influenciou profundamente cientistas sociais. em oposição ao tipo de pensamento que surge no sec. representavam estágios mais atrasados e pouco importantes em relação aos povos europeus. pessoas “civilizadas” e “cultas” e pessoas “atrasadas” e “incultas” (registro francês da palavra). * Também é nesse momento que a palavra cultura passa a ser associada com DISTINÇÃO SOCIAL. Então muitos pensadores utilizam aquela idéia como fonte explicativa para suas próprias questões. Trata-se de uma teoria que defende existirem ESTÁGIOS EVOLUTIVOS para a cultura humana. a moral. XX. foi criado o chamado EVOLUCIONISMO SOCIAL. assim. os costumes e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade". a arte. têm em comum a tentativa de explicar a diversidade de povos e culturas. O autor é Edward TYLOR que definiu cultura como "um conjunto complexo que inclui os conhecimentos. XIX sofre um profundo impacto da teoria evolucionista de Charles Darwin. Um paradigma é uma teoria que adquire tamanha força explicativa. Quanto aos outros povos. Como observamos. Pois o evolucionismo se transformou em paradigma. Todas as definições que antecedem e foram trabalhadas por filósofos dos séculos XVII e XVIII.* Perceba como é nesse momento que a palavra cultura amplia seu significado. . XIX (1871). ou ainda “darwinismo social”. É o que chamamos de evolução unilinear. você pode perceber isso? Continuando. da mesma forma que existem os estágios evolutivos para cada espécie. Apesar de sua teoria ser relativa única e exclusivamente à biologia. 4 do livro Cultura – um conceito antropológico). dominamos e orientamos a conduta e o cultivo das relações sociais (registro alemão da palavra). historiadores e até filósofos daquele século. com a idéia de evolução multilinear (localize essas idéias no cap. ela foi tão importante e revolucionaria que acabou criando o que chamamos nas ciências de PARADIGMA. Esse tipo de pensamento se encontra em quase todos os pensadores de então. O séc. e as que surgem após Tylor. que passa a ser utilizada para além de seu campo original. Os primeiros registros do uso científico do conceito de cultura surgem na segunda metade do séc. Perceba então que na época não se pensava no plural: “culturas humanas”. está bem próximo da forma como na França se desenvolveu esse conceito. no singular mesmo! Pois havia na época a convicção de que haveria uma única forma de cultura humana. sendo associada TAMBÉM à idéia de COMO UM POVO CULTIVA SEU COMPORTAMENTO COLETIVO. Atenção a um detalhe importante: repetindo. “estágios evolutivos para a cultura humana”.

um pensador americano de origem alemã. algumas sociedades européias. mas tinham uma “grave” falha: não desenvolveram a ciência. e acabam adquirindo status de verdade. inferiorizando-os. Acredita-se. A principal reação ao evolucionismo tem início com o pensamento de Franz BOAS. eram os chamados povos civilizados. metalurgia. Estado. Os povos indígenas brasileiros. mercado e assim por diante. que uma suposta “superioridade” cultural seja consequência de uma superioridade genética de alguns povos. Por fim. pois foi divulgado de forma bastante eficiente pelas elites européias que então dominavam todos os povos dos outros continentes.. instituições políticas complexas. maior a evolução de uma cultura. como a conhecemos em sua herança européia[4]. pois os genes acabaram se tornando mitos no mundo moderno. suas ex-colônias. árabes e hindus. não fabricavam metais. não produziam além do necessário para a subsistência. soluções de toda ordem. não apenas utilizam esse pensamento evolucionista para tratar de forma pejorativa outros povos. aquele pensamento tão antigo e equivocado permanece incrivelmente presente no pensamento do senso-comum até hoje. erros de pensamento são criados. ciência. Quanto menor a semelhança com esse tipo de aparato cultural. Então seguiriam os povos como os chineses. Eles eram chamados de bárbaros. por exemplo. Durante todo o século XX o evolucionismo continuou sendo combatido. Surgiram termos para marcar pontos nessa linha evolutiva como: selvagens. seriam colocados nas etapas mais primitivas dessa linha imaginaria. Ele defende que cada grupo humano cria um caminho próprio de desenvolvimento. Ele funda uma corrente de pensamento denominada PARTICULARISMO HISTÓRICO. mercado. que enxergava como uma única linha dentro da qual poderiam ser encaixados em diferentes estágios evolutivos a cultura de cada povo. Muitas pessoas até hoje. menor a sua evolução cultural. Neles parecem residir “chaves” e segredos incríveis. que ficou bastante conhecida como Escola Cultural Americana.. que possuíam sofisticada tecnologia (lembra-se que Marco Polo trouxe a pólvora da China?). inclusive. e todos os dados de pesquisas feitas por antropólogos reforçavam cada vez mais os erros do evolucionismo social. como os ingleses. dentro dessa concepção de uma linha única e imaginaria de desenvolvimento dos povos? Os critérios eram basicamente a presença ou ausência de quesitos como: escrita. tecnologia. que curiosamente estavam presentes apenas em algumas sociedades européias e que são as criadoras dessa teoria. franceses ou alemães entre outros. Entretanto. Como era organizada a “lógica evolutiva” da cultura.Evolução unilinear seria exatamente essa idéia de estágios evolutivos para a cultura humana. Ao associar cultura e genética. Entendia-se que quanto maior o acúmulo de semelhanças com todos esses quesitos. bárbaros e civilizados. Isso gera a idéia de múltiplas linhas de culturas (veja que agora aparece o plural). . e eram chamados de selvagens. que não possuíam escrita..

Como já era do conhecimento da humanidade. A cultura. vamos destacar alguns trechos de LARAIA (indicado na bibliografia do item) para finalizar: Resumindo. 5. a maneira de satisfazer às necessidades vitais é feita de acordo com a cultura. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções. não importa o termo) que determina o seu comportamento e a sua capacidade artística ou profissional. hoje consideradas modestas. não perdeu seus instintos. RJ: Jorge Zahar. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas. Entretanto. ou qualquer outro item que faça parte da sobrevivência de nossa espécie possui regras culturais para serem satisfeitos. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. 2005.Por isso é muito importante ressaltar o pensamento de antropólogos como Geertz e Kroeber. 7. um conceito antropológico. (LARAIA. 8. Nesse ponto. construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural. o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu hábitat. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor. B. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico. resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. A cultura é um processo acumulativo.) 3. Em decorrência da afirmação anterior. pgs. 6. e criar um novo objeto ou uma nova técnica. tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca. Adquirindo cultura. é este processo de aprendizagem (socialização ou endoculturação. o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas. atividade sexual. proteção. não teriam ocorrido as demais. 2. E pior do que isto. Cultura. R. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. desde o Iluminismo. que colaboram para desmistificar o poder de influencia dos genes em nosso comportamento cultural. ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular. o arco e a flecha etc. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo. horários de sono. talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje. (Voltaremos a este ponto mais adiante. 48-49) Sabemos que o ser humano apesar de viver em cultura e ter se afastado de seu comportamento geneticamente determinado (= instintos). o homem modifica o seu equipamento superorgânico. mais do que a herança genética. a contribuição de Kroeber para a ampliação do conceito de cultura pode ser relacionada nos seguintes pontos: 1. Alimentação. . 4.

Exercício resolvido para o item 2. leia LAPLANTINE. Aprender Antropologia. pgs.1: 1) Alfred KROEBER afirma que existe uma diferença muito grande entre a evolução biológica dos animais e do ser humano. [2] Etimologia – estudo da origem e da evolução das palavras. enquanto o ser humano ao invés de desenvolver pelos. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 MÓDULO 3 3. SP. [4] O pensamento “científico” oriental até hoje é considerado pelo mundo ocidental como carente de valores para legitimar sua racionalidade. F. um conhecimento que deriva de estudos. Brasiliense. 37-53. pois nossa espécie não necessitou de uma adaptação biológica aos diferentes meios.A diversidade cultural. A cultura se mostrou como uma forma de adaptação ainda melhor e superior. é uma forma de erudição. Bibliografia Textos básicos . Ao realizar essa comparação. Lembre-se que as palavras são “coisas vivas” e seu uso pode mudar através do tempo. pois encontrase permeado de filosofias que por muitos ainda são consideradas “crenças”. utiliza roupas e cobertas. A ANTROPOLOGIA E O ESTUDO DA CULTURA. Etnocentrismo e relativismo cultural. pois possibilita a adaptação a qualquer ambiente sem necessidade da lenta adaptação genética. [3] Para saber mais sobre o assunto. portanto não são validados como afirmações aceitáveis dentro da metodologia cientifica. “A pré historia da Antropologia”. [1] “Conhecimento letrado” é todo estudo que utiliza o estudo e aprofundamento de um assunto através de livros. o autor está: D ) demonstrando que a evolução biológica do ser humano é diferente. ele cita o fato que os ursos polares desenvolveram ao longo de muitas gerações grossas camadas de pelos para sobreviver ao clima de seu meio ambiente. 3. 1995. ou ganhando novas formas de emprego no vocabulário cotidiano.1 . Para fundamentar sua idéia. adquirindo novos sentidos.

Um Conceito Antropológico.“Teorias modernas sobre a cultura”. “Cultura e Diversidade”. SP: Brasiliense.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES. Cultura. O radical latino “anthropos” significa Homem (Ser Humano).org/portal/index. Antropologia. XIX empenhada em aprofundar o conhecimento científico sobre as chamadas “sociedades primitivas”. intensificou-se num ritmo frenético. No capítulo de LARAIA. Textos complementares NUNES. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. com o início da chamada “globalização”. in SANTOS. o contato entre pessoas e organizações com diferentes referenciais de mundo. mas está em toda parte onde haja contato entre dois povos que cultivam costumes e valores diferentes. Surge no séc. em nossa história. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. José Luiz dos. Para explicar a grande diferença de comportamento entre esses povos e os povos europeus. ou seja diferentes culturas. Hoje. Por isso compreender o conceito científico de cultura é tão importante. pp 07-20.org/portal/index. e “logia” é o estudo. R. a cultura é tudo que for criado pelo ser humano para adaptar suas comunidades às suas bases biológicas (ecossistemas e território). CULTURA . 59-64. a Antropologia acabou se concentrando no conceito de cultura. intitulado “Teorias Modernas sobre a cultura” há uma apresentação de duas correntes diferentes da antropologia quanto à definição do que é cultura. Austrália e África. Vamos dividi-las abaixo: 1) teorias que definem cultura como um SISTEMA ADAPTATIVO. Pgs. 2005. Para esses autores.gpveritas. 2) teorias que definem cultura como um SISTEMA COGNITIVO (teorias idealistas) . Isso ocorreu. O QUE É CULTURA. 2006. como eram chamadas as tribos e povos não-europeus. mas qualquer ambiente social. e as mudanças culturais são consequência direta de mudanças no meio. os nativos das Américas. a economia e a organização de um grupo social servem totalmente aos propósitos de promover essa adaptação. Rossano Carvalho. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. A tecnologia.. 17ª ed.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO – item 3 3 – A antropologia e o estudo da cultura Antropologia é uma ciência dedicada ao estudo do Homem. pois ficou comprovado que a diversidade cultural não gira apenas em torno de “povos primitivos” e “povos civilizados”.B. in LARAIA. E recentemente. Rossano Carvalho.gpveritas. essa ciência não estuda apenas as tribos ou pequenas comunidades distantes dos centros desenvolvidos.

Desenvolvendo ainda mais a mesma idéia do autor acima (Goodenough). seus modelos de percebê-las. crenças e formas de pensar o mundo fazem parte de nossa cultura. Clifford Geertz. que para conseguirmos interpretar precisamos ter o “segredo”. a cultura não CONSISTE EM COISAS (bens materiais). (1973) . sejam elas de ordem prática ou de ordem afetiva seriam organizadas em nossa mente através da receita proporcionada pela nossa cultura. A cultura não é um fenômeno material: não consiste em coisas.“Cultura é um sistema simbólico. está a importância desse debate em torno de diferentes concepções sobre cultura? . significados e sentidos às coisas do mundo”. Isso é o que explica a cultura humana. receitas. cultura é um SISTEMA DE CONHECIMENTO do mundo. o animal “cão”. Goodenough (1957) . racional e estruturada. instruções (o que os engenheiros de computação chamam de „programas‟) e que governam a conduta”. e organizamos o mundo em nossas mentes.“Se compreende melhor a cultura não como complexos de esquemas concretos de conduta – costumes. condutas ou emoções. e ao pensar através de palavras. Em que aspecto exatamente. a “chave” para a interpretação. Por exemplo. estamos pensando simbolicamente. na visão desse autor.H. mas a cultura é um MODELO MENTAL.Para esses autores. Assim. Para citar algumas idéias dessa última definição que parece ser mais complicada para compreender: W. conjuntos de hábitos – mas sim como planos. que nos chama atenção para o fato que o pensamento simbólico é EXCLUSIVAMENTE HUMANO. a cultura é como um código. A capacidade de interpretar símbolos é a base de nosso pensamento. Para ele. um conjunto de símbolos. É a forma das coisas que as pessoas têm em sua mente. criamos um símbolo que é o som da palavra cão.“A cultura de uma sociedade consiste em tudo aquilo que se conhece ou acredita para influenciar de uma maneira aceitável os seus membros. fórmulas. pessoas. Interessa perceber a capacidade humana em desenvolver nos domínios intelectuais o mundo que nos rodeia. regras. não existe nada no mundo que o ser humano deixe de atribuir um significado.” Perceba como. um conjunto de símbolos “embaralhados” e a nossa cultura proporciona um entendimento desse mundo. Tudo que a inteligência traduz em linguagem e símbolos. Para pensar no cão. regras. uma certa forma de interpretar o mundo. todas as nossas atitudes. Clifford Geertz (1966) . de forma sistemática. Geertz. Mais uma frase do mesmo autor acima. Traduzindo. O mundo é um grande código. É melhor. tradições. de relacioná-las ou de interpretá-las. Para Geertz. Associamos símbolos a coisas. uma organização de tudo isso. usos. o que o ser humano produz em termos materiais não é o mais importante. Geertz indica que a cultura é um conjunto de planos e receitas que GOVERNAM A NOSSA CONDUTA. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir.

Para qualquer área do conhecimento, é importante compreender que trata-se de definir a condição do ser humano em relação ao restante das espécies. Os teóricos da cultura como sistema adaptativo, concebem que a cultura é uma ferramenta como qualquer outra, e que permite soluções de sobrevivência e reprodução aos membros de nossa espécie, homo sapiens sapiens. Isso a torna interessante, uma vez que “desmistifica” as capacidades humanas, e nos faz olhar para nós mesmos como seres que “batalham” pela sobrevivência como qualquer outro. Já os teóricos mais idealistas, entendem que somos seres cujo cérebro não permite outra forma de uso, a não ser para criar cultura. Nosso órgão pensante se tornou, ao longo da evolução, preparado para entender o mundo através de uma lógica simbólica. Ele nos impele a formar vínculos familiares e afetivos, pensar soluções práticas dentro de concepções culturais, nos pensar como indivíduos que compõem grupos organizados. Isso a torna interessante, pois mostra que essa característica é universal. Não há culturas que produzam indivíduos mais inteligentes ou capazes. Ambas são válidas e seus autores produziram uma grande quantidade de conhecimento através de pesquisas e teorias que aprofundaram nosso saber sobre a nossa própria espécie. Em comum o que se pode perceber nessas teorias é a tentativa de abarcar todas as realizações humanas, representadas em dois níveis complementares que são as realizações materiais e as imateriais. Entre as realizações materiais, podemos citar todo o universo de coisas fabricadas pelo ser humano, de arados até ônibus espaciais. Entre as imateriais estão nossas crenças, conhecimento, arte, idéias e todos os sentimentos. Os autores que enfatizam os aspectos materiais argumentam que eles são importantes uma vez que somos a única espécie a transformar a natureza de forma sistemática, mesmo quando não há necessidades que afetem a sobrevivência. Outros autores, entretanto, entendem que nossas maiores realizações estão contidas nos aspectos imateriais, uma vez que somos a única espécie dotada da capacidade de abstração (pensar em coisas que não estão presentes, criar, imaginar). Mas não usamos essas capacidades realizadoras de qualquer forma, e sim de acordo com regras, normas e hábitos estabelecidos coletivamente. O ponto sobre o qual parece haver muita polêmica é a visão que cada autor tem de ser humano. Aqueles que dão maior importância às nossas realizações materiais procuram ressaltar a nossa capacidade adaptativa, mostrando a cultura como sendo uma forma de solução da sobrevivência, onde grupo social, recursos e meio ambiente se combinam para determinar os hábitos de um povo. Para eles, as técnicas desenvolvidas para solucionar todos os tipos de empresa humana, que vão de uma simples pescaria às necessidades comunicativas, passando por todo tipo de engenhos que nos cercam é que definem propriamente a cultura. Aqui, podemos dizer que cultura equivale a soluções práticas para a existência humana.

Outros autores entendem que a solução prática para a vida humana é uma conseqüência de outras capacidades, que muito mais do que nos fazer capazes de fabricar instrumentos, nos faz diferentes de todas as outras espécies existentes. São as capacidades de criar, planejar, prever, avaliar, imaginar, atribuir significado e modificar a natureza não apenas por necessidade de sobrevivência, mas por necessidade de se sentir bem. Podemos denominar isto de capacidade de simbolização. Não construímos o mesmo tipo de prédio para servir a qualquer uso, para cada fim encontramos uma arquitetura. Não é apenas pelos aspectos práticos que o fazemos, mas porque cada espaço deve carregar significados que orientem os indivíduos e os faça compreender como devem se comportar. Os templos são diferentes dos teatros, as casas diferentes dos escritórios (ou pelo menos deveriam ser!). A funcionalidade de cada um desses espaços é tão importante quanto o que nos faz sentir através de suas formas e cores. As formas de nossa casa nos transmitem sensações de pensamentos diferentes de um escritório ou de um templo, através dos símbolos que criamos para cada um deles. Para os autores que defendem a preponderância desse aspecto, cultura equivale à nossa incansável capacidade intelectiva de carregar o mundo de símbolos. Resposta a necessidades práticas, ou respostas a necessidades intelectivas, a cultura é uma forma de estarmos no mundo. Ela nos orienta em cada situação da vida social, como um modelo que recebemos e sobre o qual passamos a vida operando pequenas modificações. Vamos ver mais adiante, que algumas regras presentes nas culturas podem ser modificadas, suprimidas, desgastadas; enquanto outras são mais difíceis de negociar. “É assim, e pronto”. Ou seja, há aspectos mais dinâmicos e outros mais permanentes em cada cultura. Independente da teoria sobre cultura que se utiliza, existem duas reações diferentes na forma de compararmos as culturas. A primeira, que usa a HIERARQUIA para afirmar que existem culturas mais avançadas ou evoluídas. Assim, haveria culturas que, desse ponto de vista, obtêm mais domínio técnico sobre a natureza, ou formulam mais conhecimento letrado. Faz parte do evolucionismo social, já trabalhado em nosso conteúdo anteriormente. A hierarquia entre as culturas também faz parte de uma realidade mundial que se encontra nas relações internacionais. Existem centros de poder econômico que influenciam no julgamento de culturas que se diferenciam delas. Assim, são inferiorizadas as culturas de povos dominados ou dependentes economicamente. Sim, a cultura é uma realização humana na qual as relações de poder também se faz presente. A outra, que é mais presente entre os estudiosos mais contemporâneos das culturas, que não vê sentido em hierarquizar as culturas, pois para fazer isso temos que privilegiar uma delas e tomá-la como referência. Isso faz com que todas as outras sejam subjugadas. Nessa compreensão mais contemporânea, se uma cultura não desenvolveu motores, mas garante a todos os seus membros os recursos de sobrevivência, ela é adaptada ao seu meio. Como faz para resolver isso, passa a ser irrelevante. Exercício resolvido para o item 3

1) A respeito das teorias que definem o conceito de cultura, leia as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: Existe uma grande diversidade cultural na espécie humana. PORQUE Algumas sociedades possuem padrões de conduta e tecnologia atrasadas em relação às outras. c) Ambas as afirmações fazem parte dos estudos da cultura, mas atualmente a segunda não justiça a primeira. MÓDULO 3 3.1 - A diversidade cultural. Etnocentrismo e relativismo cultural. Relativismo cultural e etnocentrismo são conceitos básicos da Antropologia para a compreensão de fenômenos que envolvem CONTATO CULTURAL, ou seja, o contato entre universos culturais DIFERENTES. Esses conceitos se referem a “julgamentos” que podemos ter quando em contato com o “outro” (alguém com padrões culturais diferentes do nosso). Esses julgamentos são responsáveis pela qualidade de nosso contato com a diversidade. Quando o outro tem padrões de comportamento, hábitos e valores muito diferentes dos nossos próprios é possível reagirmos de forma positiva ou negativa a isso. Julgar positivamente ou negativamente o comportamento alheio, tem relação com as atitudes de etnocentrismo ou com o exercício de relativismo que podemos utilizar. RELATIVISMO CULTURAL É considerar o mundo DO PONTO DE VISTA DO OUTRO, entendendo seu sistema simbólico, seus próprios valores de mundo como beleza, justiça, honra, medo, e assim por diante. É deixar de tomar a NOSSA própria cultura (visão de mundo) como medida para julgar os outros. ETNOCENTRISMO O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural (isso é denominado etnocentrismo). Ao pensar de forma etnocêntrica as pessoas depreciam o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade. Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas e idéias ou valores de outros sistemas culturais são vistas como absurdas. O etnocentrismo é um comportamento universal. É comum a crença de que a sua própria sociedade é o centro da humanidade. A antropologia trabalha com alguns conceitos centrais que vamos passar a aprofundar neste tópico.

Cultura, diversidade cultural, relativização e etnocentrismo serão fundamentais para compreender o debate científico e da sociedade em geral em torno do comportamento coletivo humano. O encontro com o diferente suscita reações e atitudes que se vêm vinculadas à posição de poder ou submissão das pessoas na sociedade, bem como de preconceitos e verdades pré-estabelecidas que o senso comum reproduz. A cultura não é uma RECEITA de mundo, no sentido de ser algo inquestionável, sempre inconsciente que controla rigorosamente a todos os indivíduos. Podemos recorrer a uma metáfora para facilitar a compreensão sobre a relação entre os padrões culturais que herdamos/repetimos, e nossa atuação individual: “A mente humana corresponde a um “disco rígido” (hardware), que apesar de capaz de muitas tarefas, não consegue realizar nada sem um programa (software). Esse programa é a cultura.” Vamos lembrar que um software é um programa determinado e fechado, mas que aqui em nossa metáfora, “operando” a cultura há sempre um ser humano. Somos dotados de criatividade, subjetividade, carregamos histórias pessoais e coletivas. Assim, interferimos o tempo todo no “programa” que recebemos. A cultura não é apenas um modelo, um quadro de referência, ela é uma forma de acesso às possibilidades humanas. Há uma dinâmica na relação entre cultura e sujeito, entre sujeito e história, entre indivíduo e grupo. Se pensarmos que a cada cultura corresponde uma diferente “visão de mundo”, percebemos que os indivíduos se organizam mentalmente para estar no mundo de acordo com os valores introjetados de sua cultura. Tornamos “nosso” aquilo que é cultural. Exercitando. Vamos pensar sobre os sentimentos humanos. Obviamente, nossas emoções são universais. Amor, ódio, paixão, rivalidade, raiva, afeto, ironia, alegria, euforia e tudo quanto possamos lembrar agora, fazem parte da humanidade. Entretanto, as EXPERIÊNCIAS QUE SUSCITAM este ou aquele sentimento, e a forma como expressamos o que sentimos isso é cultural. Muitas situações que fazem um brasileiro rir podem não ter o mesmo efeito em pessoas de outros povos. Ou ainda, situações como o funeral que exigem circunspecção e tristeza em algumas culturas podem exigir expressões de alegria em outras. O exercício de relativizar é se colocar na condição do outro. Pois bem, muitas vezes fazemos julgamento equivocados do comportamento alheio, simplesmente pelo fato de desconhecer as motivações que levaram a tal ou qual atitude. Quando não temos a “chave simbólica” que permite a relativização dos costumes, tendemos a nos fechar em nosso etnocentrismo. Tudo bem, precisamos relativizar, não é mesmo?

assinale aquela que tem relação com o conceito de RELATIVISMO CULTURAL: Resposta do exercício 1): C) julgar uma cultura a partir de seus próprios valores e hábitos. mas dentro de padrões de respeito à integridade física. não é uma atitude ruim. se tornam destrutivos das relações humanas. Quando reagimos com aversão ao fato da alimentação em algumas culturas incluir pratos com animais como insetos. O etnocentrismo extremo pode levar ao genocídio e às práticas racistas / preconceituosas. Isso é necessariamente ruim? Bem. e quando praticados de forma radical. aceitando qualquer atitude alheia como normal. tornar aceito como normal as mutilações dos órgãos genitais femininos praticados em algumas sociedades de cultura mulçumana. principalmente em comunidades africanas. Em termos práticos. por exemplo. Quer dizer que relativizar demais pode ser perigoso? Sim! Quando apenas relativizamos tudo. estamos sendo um pouco etnocêntricos. Etnocentrismo é sempre ruim? Não! Na verdade. cães ou lesmas (o famoso “escargot” francês). Mas tanto o relativismo cultural como o etnocentrismo podem ser encontrados em diferentes graus. Mas quando a aversão ao outro é tão grande que precisamos excluí-lo. estamos atingindo um grau de etnocentrismo inaceitável.1 1) Das situações abaixo. O relativismo extremo pode levar à ausência de noções éticas. na medida em que pode servir para reforçar nossa identidade cultural e nos trazer bem estar dentro de nosso próprio padrão cultural. preferindo um bom arroz com feijão. destruir seus costumes forçosamente ou mesmo agredi-lo física e moralmente. podemos correr o risco de não ter mais referencial ético de mundo.Sim. é correto que tenhamos reações mais respeitosas e éticas com os “outros”. psíquica e moral do outro. e não a partir de valores dominantes de uma cultura alheia que se impõe sobre outras por se considerar superior. todas as culturas praticam etnocentrismo de alguma forma. isso significaria. Exercício resolvido para o item 3. natural e aceita. O oposto também é verdadeiro. Percebe que deve existir um limite para a prática do relativismo? Relativizar deve ser algo estimulado socialmente. .

Textos complementares sugeridos: “Cultura e seus significados”. Sem comunicação nossa sociedade seria mais semelhante a uma sociedade de outros animais que vivem em coletividade como abelhas. bem como da relação do ser humano com sua corporalidade e das noções de saúde e doença. Ritos Corporais entre os Nacirema. texto disponível em: http://www. DESENVOLVIMENTO DE CONTEÚDO . MINER. a simbolização da vida social. Roque de Barros. 4. formigas e leões. ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo.com/antropologia/nacirema. há um espaço para nossa individualidade.1 . José Luiz dos. 33-51. “O olhar”. São Paulo: Contexto. 2003. Pp 87-96. CULTURA . 2005. Antropologia – ciência do homem. 65-101. O QUE É CULTURA. in GUERRIERO. Silas (org). SP: Brasiliense. Mércio Pereira. RIBAS. A cultura. in LARAIA. Pgs. pp 21-50. in GOMES.MÓDULO 4 4. você será capaz de identificar informações e conceitos sobre a cultura que já desenvolvemos anteriormente. emocional e intelectual no mundo.item 4 Nos textos indicados. “Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura”. “A cultura interfere no plano biológico”. Pp. simbolizar.htm Objetivos: ao final deste tema você deve ser capaz de identificar a importância da cultura como mediadora no processo de construção de nossa visão de mundo. “A cultura condiciona a visão de mundo do homem”. a participação dos indivíduos na cultura. É importante ao final deste item que se perceba a profunda influência da cultura em todas as dimensões de nossa experiência física.. Horace.Um Conceito Antropológico. 2009. filosofia da cultura. Poderá perceber que apesar de vivermos em uma cultura que determina padrões de comportamento. Bibliografia Textos básicos “O que se entende por cultura” in SANTOS. “A cultura é dinâmica”. “A cultura tem uma lógica própria”. e a importância disso para a cultura? A cultura depende de nossa capacidade de comunicação. João C. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. SP: Olho d´Água. Vamos desenvolver um pouco mais a compreensão sobre o que é símbolo. O foco deste item é a compreensão de cultura em seus aspectos simbólicos. 2006.aguaforte. 19ª ed. .

que é também um símbolo.) 2 aquilo que. o que é símbolo mesmo? Segundo o “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” (edição de 2001): 1 aquilo que. por pura convenção. possui valor evocativo. Mas. A palavra GATO é um dos símbolos para a coisa em si. “cultura é um sistema simbólico (Geertz. não pensamos em gatos de tipos muito específicos ou em suas qualidades. é possível ampliarmos nossa capacidade de compreensão do outro. Quando pensamos em um gato e queremos comunicar essa idéia básica. uma palavra que ao ser pronunciada. temos que recorrer a um som. num contexto cultural. e faz com que seja possível a INTERPRETAÇÃO dos conteúdos comunicados. faça com que todos os presentes entendam no que o comunicador estava pensando. vamos avançando. racional e estruturada. A simbolização pode mesmo ser tomada como sinônimo do conceito de cultura. de forma sistemática.. o ser humano cria muitos símbolos. Ao entrar em contato com esse fenômeno que se chama comunicação através da Antropologia. Apesar de existir uma imensa diversidade de tipos de gatos. substitui ou sugere algo 1. e até aqui já deu para entender que sem símbolos. Entretanto. Para expressar a cultura. Língua. A cultura depende dos símbolos.1 aquilo que. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. por um principio de analogia formal ou de outra natureza. de forma generalizadas sobre gatos. Esse é um primeiro passo para entendermos o processo de simbolização. Temos por exemplo. mas antes um som que representa essa realidade.A cultura humana tem características que diferenciam nossa forma de vida coletiva. Vamos fazer um pequeno exercício para tentar aplicar todas essas definições de símbolo à nossa realidade? A palavra gato. conceitos. a representação da flor através dos desenhos. Para o a antropologia atual. mágico ou místico (. valores. de uma cultura para a outra esses significados variam imensamente.. dependemos da utilização dos símbolos. crenças. o próprio gato. representa ou substitui outra coisa. idéias. Para cada coisa existente. não conseguiríamos sequer compartilhar o que se passa em nossas mentes. o que torna necessária a compreensão do contexto cultural onde os símbolos são criados e utilizados para que nossa comunicação seja eficaz e consiga atingir seus objetivos. Nós convencionamos que a palavra “gato” simboliza aquela espécie de felinos que encontramos na natureza e que se tornou um de nossos animais domésticos. a comunicação humana é baseada na simbolização. significados e sentidos „às coisas do mundo‟ “. Então a palavra GATO não é a “coisa real” que existe na natureza. 1973). segundo Geertz. Pois bem. quando pensamos em um gato para comunicar uma situação corriqueira envolvendo gatos. tudo que faz parte da cultura humana é baseado em símbolos que precisam de uma convenção social para que os indivíduos associem a um mesmo significado. Assim: .

pois já deixou de ser o próprio gato. e sim bidimensional.Essa imagem fotográfica. mas deixou de ser ela mesma. 2010 . criando assim algo que a representa. Kênia Kemp. É uma representação “do gato em si”. É um símbolo. e é simbolizado nessa imagem que não é tridimensional. ou uma delas. não é. apesar de parecer o próprio gato.

ou seja.Gato amarelo e flor. Essas duas imagens são desenhos. representações artísticas do gato e. de Aldemir Martins. . 2001. portanto.

a humanidade atribui. são valores. onde ele se originou. que se expressam através de símbolos. justo/injusto. significados e sentidos às coisas do mundo. “esse cheiro me lembra a infância”. que não pode ser reproduzido em toda a sua riqueza e complexidade. e podemos pensar nelas. de significados coletivamente construídos. e através dessa comunicação simbólica podemos atribuir qualidades ao mundo. O símbolo facilita e agiliza a comunicação. placas de trânsito são símbolos.também não são o gato em si. Cada profissão elege seu símbolo. transmite idéias complexas e sentimentos. “as cores dessa bandeira simbolizam a paz e a riqueza”. “proibido cães” e outras regras de uso do espaço são símbolos. pois a cruz simboliza um evento da figura fundadora dessa fé. que é Cristo. mas o ser humano atribui a umas e outras certas qualidades. racional e estruturada. agitado. Um céu escuro e carregado de nuvens pode simbolizar preocupações e problemas. descrever. Assim é que nós SIMBOLIZAMOS as experiências vividas. Na pintura. sentido ou experimentado antes. Portanto. de forma sistemática. A maior parte de nossa comunicação diária tem como finalidade narrar. coisas que não estão presentes. bem como todos os conceitos de mundo que dispomos são resultados da criação das culturas humanas. cores e emblemas. O correto é observarmos que na natureza não existem qualidades que são criadas pelo Homem. lembrar. são formas de simbolizar experiências e sensações. simbólica. percebido. Os símbolos representam coisas. conceituar. Não existe “cheiro de infância”. “Essa flor é alegre”. uma pessoa é identificada pelos outros como “cristão”. na música. Ao fazer isso. podemos compreender que as “coisas em si” são transportadas para a nossa mente. Tudo na comunicação é símbolo? Sim! Os símbolos são frutos: da persistência humana de olhar para o mundo e ver significados. e escolhemos alguns de seus aspectos a serem ressaltados. da rotinização de soluções racionalmente pensadas. o artista procura através da forma obtida (a forma plástica. mesmo quando não estamos em sua presença. justiça e beleza. não existe esse tipo de julgamento. os times utilizam brasões. Não está na “flor em si” ser alegre ou triste. Para a terra. Bondade. e não da natureza. A arte é em essência. O artista procura sempre “representar algo”. mas aromas que são convencionalmente usados em bebês. Essa é uma outra associação possível com os símbolos. placas de “proibido fumar”. Uma catástrofe da natureza como um terremoto. Então. como bondade/maldade. e sim formas simbólicas para elas. ou um terremoto pode ser utilizado para simbolizar alguém inquieto. e tudo isso é possível porque como diz Geertz. não é ruim senão do ponto de vista dos prejuízos que possa causar aos seres humanos. e assim por diante. A cada cultura corresponde um processo coletivo único . na dança. idéias e pessoas que não estão presentes. a sonoridade ou o movimento) criar um símbolo para algo visto. belo/feio. ou ainda aromas de um lugar que marcaram a infância de UMA pessoa. retiramos todas as coisas de seus contextos originais. “o crucifixo identifica os cristãos”. Ao utilizar um crucifixo.

que a comunicação humana é baseada na criação. falada. por exemplo. nossa condição. Para que nossa comunicação seja eficaz. Ser membros da mesma cultura é uma garantia de que todos estejam interpretando de forma muito semelhante os conteúdos comunicados. ou seja. incorporação e rotinização de símbolos. Então. Mas alguns símbolos. Sem tal comunicação. Mas garante que não tenhamos que explicar minuciosamente o tempo todo nosso uso dos conteúdos comunicativos. ou com o símbolo da juventude dos anos 1960 para “paz e amor”. os chamados “erros de comunicação”. Quando nos comunicamos. Hoje em dia esse fenômeno é muito comum no mundo da moda e das tendências de comportamento. Assim ocorreu com a logo marca da “Coca-Cola”. O que aprendemos sobre os símbolos. Portanto. materializamos aquilo que é interior à nossa mente. emotividade e assim por diante. sem os símbolos não haveria cultura humana. seja pela linguagem escrita. Isso porque ao saírem de sua cultura original. os símbolos comunicam não apenas o mundo exterior à nossa mente. precisamos dominar e compartilhar os mesmos símbolos. Claro que isso não garante eventuais desentendimentos. ou pelas artes. idéias abstratas e conceitos. Por isso utilizamos os símbolos para comunicar quem somos. que permitem. eles sejam interpretados de formas inusitadas ou até mesmo. que uma idéia expresse um acontecimento. incorretas. Em segundo lugar. A maior parte de nossa comunicação é composta de conteúdos que se tornaram convenção social. ou “mal entendidos”. de processos de substituição de uma coisa por aquilo que a significa. descreva um sentimento ou uma paisagem. e assim por diante. ou então que a distribuição de pessoas numa sala durante uma . presente em todo o mundo como um ícone de prazer e do mercado. o conteúdo do que é comunicado é sempre algo que precisa ser interpretado. nossas preferências. A linguagem falada é simbólica. o que fazemos. Vamos ler juntos um trecho do texto indicado na bibliografia desse item para concluir sobre a importância da capacidade de simbolização humana no estudo da cultura? Uma maneira mais complicada de apresentar essa dimensão é dizer que a cultura inclui o estudo de processos de simbolização. ou ainda a comunicação áudio-visual. podem ir parar em lugares onde não há essa convenção sobre como ele deve ser interpretado. Através dos símbolos. para utilizá-los da forma mais “adequada”. o que acontece é que as pessoas tendem a dar o sentido mais apropriado ao seu próprio contexto. divulgação. filmada. não realizaríamos nenhuma de nossas capacidades como raciocínio. criatividade.de criar símbolos. portanto? Primeiramente. é muito comum que quando usados em um contexto diferente do original. também a linguagem gestual. que é o mundo que nos rodeia. julgar. Como os símbolos cotidianos dependem desse consenso em torno da interpretação. entender. mas comunicam também coisas imateriais como sentimentos. Interpretar é dar sentido. portanto a maioria dos símbolos cotidianos tem um significado apenas local. Não interessa muito para o senso comum ter entendimento e investigar a origem de certos símbolos. conseguem ter significado para praticamente a humanidade toda. a linguagem escrita é simbólica. por efeito da sistemática e rotina de circulação em outros meios.

não teríamos a complexidade da humanidade. CONTEÚDO DE 1º BIMESTRE (Prova NP-1) 4. que a experiência acumulada seja transmitida e transformada. O tema da segunda parte do livro de LARAIA.41-42) Exercício resolvido do item 4: 1) A capacidade de simbolização e criação cultural pode ser associada às seguintes afirmações: c) A simbolização e a criação da cultura nos possibilitam pensar no que não está presente. Entretanto.conversa formal possa expressar as relações de hierarquia entre elas. XX o quanto somos também moldados pelo meio social que nos circunda desde o nascimento. a participação dos indivíduos na cultura. O QUE É CULTURA. 2006. Assim. como se assim tivéssemos nascido. preferências e reações como se fossem “naturais”. Pgs. SP: Brasiliense. (SANTOS. mas muito além disso. os processos de simbolização são muito importantes no estudo da cultura. José Luiz dos.Um Conceito Antropológico”. de Roque LARAIA 1) A CULTURA CONDICIONA A VISÃO DE MUNDO DO HOMEM . trouxeram uma nova visão sobre o ser humano. que as informações sejam processadas. COMO OPERA A CULTURA baseado no livro “Cultura . mas sem a ação da cultura. a idéia de uma divindade única pode ser vista como significando a unidade da sociedade. os estudos antropológicos elucidaram ao longo de todo o séc.1 . Esses estudos ampliaram a nossa compreensão sobre diversidade cultural sim. Muitas vezes julgamos nossas atitudes. ao simbolizar atribuímos significados ao mundo.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. É a simbolização que permite que o conhecimento seja condensado. pode ser imensamente responsável por muitos atributos individuais. e comunicar nossa experiência aos próximos. Sem dúvidas a nossa “natureza” (diga-se herança genética). aborda exemplos de como a cultura afeta nossas vidas em sentidos muito mais profundos do que imaginamos. A natureza sozinha não constrói um ser humano como o conhecemos. nas brincadeiras infantis tradicionais numa sociedade como a nossa pode-se mostrar a presença simbólica de mecanismos de competição e hierarquia do mundo dos adultos. De fato.

ao passo que para os índios que nela vivem. . ela tem um SIGNIFICADO QUALITATIVO e uma REFERÊNCIA ESPACIAL. e assim por diante. Da mesma forma como cada família pode deixar aos seus descendentes uma herança material (patrimônio familiar). de vestir. os diferentes comportamentos sociais e mesmo as POSTURAS CORPORAIS são assim produtos de uma HERANÇA CULTURAL. desde que fase de nossas vidas essa influência acontece? . ou seja.O oposto também é verdadeiro.” . uma pessoa do campo vê na cidade uma coleção confusa de ruas e edifícios.a língua que cada um deles fala.as noções de higiene pessoal.Para uma pessoa da cidade. a nossa sociedade nos deixa uma HERANÇA de valores. podemos identificar facilmente indivíduos de diferentes culturas por características como: . p. . . ou mesmo pela mais simples delas . .O modo de ver o mundo.ex.Modo de agir.o que entendemos como SAÚDE e também a DOENÇA. . a floresta é um conjunto desordenado de árvores. a cidade possui uma ORDEM física e espacial.nosso gestual e a forma como utilizamos o corpo. temos que a CULTURA influencia nossas vidas em diversos níveis: . e o movimento possui um sentido lógico.nossa alimentação. . conhecimentos.os sentimentos. têm visões desencontradas das coisas. . Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e. ?Ruth BENEDICT escreveu: “A cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. a realidade não é apenas UMA? ** Não! O Homem é condicionado pela sua cultura.as necessidades e o uso da tecnologia. . É parte da nosso PATRIMÔNIO CULTURAL. .a moral.uHomens de culturas diferentes enxergam o mundo de forma diferente. seja material ou imaterial. Mas.. portanto. de caminhar. Então. Mas. Assim. entre tantos outros. e como explicamos o que nos cerca e o que sentimos. de comer. Ao passo que para os que nela vivem.os critérios de beleza. além de um movimento desordenado de pessoas e automóveis. modos de agir e pensar. Em cada cultura VARIA IMENSAMENTE o que somos capazes de perceber à nossa volta. a ver o mundo. as apreciações de ordem moral e valorativa.

. somos condicionados pela nossa cultura Vamos analisar algumas imagens dessa influência da cultura em diferentes aspectos da vida humana e como os percebemos visualmente.-Desde o parto.

Na segunda columa: Nova Zelândia e Brasil.Na primeira coluna: África. Índia e Inglaterra. .

perfurações. quando nos sentimos parte de um todo. mas é possível sim.técnicas de desenhos ou formação de saliências na pele como tatuagens. sementes. .perfuração ou alargamento de lóbulos. . suas escolhas poderiam ter sido completamente invertidas.o tipo de parto que cada cultura oferece e considera melhor.2) A CULTURA INTERFERE NO PLANO BIOLÓGICO Ao longo de nossas vidas o nosso corpo físico é intensamente afetado pelas nossas experiências culturais. quando “pertencemos” a um lugar social). nosso corpo físico é submetido frequentemente a exigências. Para manter tradições. movimento e expressões faciais na passarela. inalar. esportivos. raízes. . o processo de treinamento das modelos ocidentais que para serem vistas com roupas e acessórios à venda pela indústria da moda se submetem a dietas incriveis de emagrecimento e treino para o controle do corpo. .a dieta cotidiana que pode incluir desde insetos. As famosas “mulheres girafas” da Tailândia (Ásia). Pense em quantas situações ao longo de nossas vidas nosso corpo é atingido em função de experiências culturais.uso de vestuário e adornos corporais. preparados químicos conhecidos como remédios. Neste item você pode ter considerado algumas coisas muito normais e outras repugnantes. incisões. fisiculturismo ou treinos especiais (militares. . grãos e castanhas. frutas e flores. rituais ou de espetáculos).modelagem do corpo com muitas técnicas diferentes como dietas. para nos sentirmos INCLUÍDOS (o que dá aquela sensação de confiança e autoestima. pálpebras. ingestão de bebidas alcoólicas ou qualquer outra que altere igualmente a percepção e reações.formas de tratamento de doenças que pode incluir uma imensa lista como a ingestão de fitoterápicos. cortes. cirurgias e implantes. Para lembrar alguns exemplos: . com ou sem anestesias. sugar outras vezes ele é sugado. rituais que envolvem ou não a participação e presença física do doente que pode ser submetido a todo tipo de intervenção passiva ou ativa – as vezes o doente precisa ingerir. alimentos processados industrialmente. e muitos outros tipos. folhas. vegetais. Neste item você pode se perguntar como nossa indumentária pode interferir no plano biológico. . obedecer a regras e principalmente. escarificações e implantes subdermais. Pense que se você tivesse sido socializado em outra cultura.as mulheres chinesas que durante séculos enfaixavam os pés para evitar seu livre crescimento. lábios. saúde e aparência corporal. o que o autor chama de “PLANO BIOLÓGICO” é exatamente nossa forma física. que desde os cinco anos começam a utilizar argolas no pescoço com o objetivo de esticá-los. Portanto. carnes dos mais variados tipos e partes de animais (cruas ou cozidas). .

tanto quanto perfurar lábios para o uso de botoques nos parece. . que além de exigir o controle da postura e gestual em função da utilização de vestimentas especiais. Interpretamos isso como algo “natural”. exigem também a submissão (em alguns casos) de horas em jejum e em seguida horas de ingestão de uma quantidade incrível de alimentos e bebidas.a participação em festas e ocasiões especiais.o desenvolvimento de doenças psicossomáticas. Não resta dúvidas do quanto submetemos nossos corpos em função das experiências culturais. mas pode ser considerado incompreensível aos outros.. Vamos ver isso em mais algumas imagens.a submissão a rotinas que podem gerar lesões físicas e/ou desconfortos psicológicos dos mais variados graus. . Entretanto é muito comum a reação de espanto. a reação do organismo na forma de doença a experiências negativas. indignação ou repúdio ao que os “outros” fazem com seus corpos. . Ter a vida de uma modelo da moda pode parecer normal entre nós. Você pode fazer o exercício de encontrar outros e tantos inúmeros exemplos.

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DUTILEUX. Tailandesa . Desenho de modelo da moda.Primeira coluna: Kayapó (Xingú. Segunda coluna: Sumotori (luta tradicional do Japão) . Brasil) foto de Jean P.

mas provavelmente um desastre ao piano. portanto existe um espaço na cultura. Somos socializados e aprendemos ao longo da vida aquilo que é mais importante para sermos aceitos e participarmos de uma cultura. alguns traços são reforçados e outros não: Einstein era um gênio na física. existem tendências e limites para a socialização. tenham acesso a grande parte da cultura produzida pelo seu grupo. ou 20? ?as diferenciações baseadas na impossibilidade de TODOS os indivíduos serem socializados da MESMA forma: Alguns aspectos se sobrepõem a outros. Em que critérios se baseiam essas diferenças individuais? ?as diferenciações baseadas no sexo dos indivíduos: Com exceção de algumas sociedades africanas . há impedimentos etários totalmente arbitrários e criados pela nossa cultura: p. onde o grupo não determina totalmente sua vida. apesar de compartilharem a mesma “visão mundo”. portanto os motivos biológicos ficam explícitos nesses casos. Mas nossa participação é sempre diferente de um indivíduo para o outro. A individualidade está garantida em primeiro lugar pelo fato de que nem uma pessoa pode sozinha conhecer e dominar todos os conhecimentos. e não aos 16.nas quais as mulheres desempenham papéis importantes na vida ritual e econômica -.ex. . ?as diferenciações baseadas nas diferenciações de classe social: Nas sociedades que diferenciam os indivíduos de acordo com o pertencimento a determinadas classes sociais. É impossível que todos nós recebamos as MESMAS informações durante nosso crescimento. ?as diferenciações baseadas na idade dos indivíduos: Uma criança não está apta a exercer as funções dos adultos. a maior parte das sociedades humanas permite uma mais ampla participação na vida cultural aos elementos do sexo masculino. e incapaz de pintar um quadro..3) OS INDIVÍDUOS PARTICIPAM DIFERENTEMENTE DE SUA CULTURA É impossível todos os indivíduos de um grupo terem exatamente o mesmo comportamento. que impedem que aqueles que estão mais abaixo na pirâmide social. a história e o conjunto de valores de seu próprio povo. por que podemos ter licença para dirigir e votar aos 18 anos. Porém.

entretanto. Quando um acontecimento pessoal ou alheio parece “sem explicação”. E a resposta obtida foi: “Ele volta apagado durante a noite”. mais corretas. Mediante situações que exigem uma lógica. que parecem “congelar” no tempo? O ritmo de mudanças de uma cultura obedece à lógica da satisfação de seus indivíduos com relação às suas soluções. que as explicações dos “outros”. de ordem prática ou simbólica. perda de patrimônio. mais apropriadas. por que a impressão que algumas culturas mudam mais do que outras. 88) de uma conhecida sua que perguntou a um caipira paulista “como é que o sol morre todos os dias no Oeste e nasce no Leste”. pelo qual somos profundamente influenciados. Assim. mas sua “invenção” teve que necessariamente utilizar A LÓGICA DA CULTURA CAIPIRA. as “nossas explicações” sempre nos parecem mais lógicas. ocorrem as mudanças. . Esse conceito forma todo um sistema de classificação e ordenação de mundo para muitos brasileiros. a princípio parecem simples. ela sempre será a “nossa lógica” e não a lógica alheia. deixa todos satisfeitos com a explicação. ele não domina a explicação científica. e “inventou” uma resposta tão simples quanto seu nível de informação sobre o sistema solar. ou “olho gordo”. a categoria da “inveja”. Quando as soluções deixam de ser suficientes. Muitos podem concluir que ele não sabia explicar. Toda cultura muda com o tempo. Desemprego. nosso esforço intelectual de obter resposta sempre será coerente com o sistema cultural no qual estamos inseridos. muito provavelmente sua “explicação” fosse outra. Entretanto. De fato. casamentos desfeitos. Vamos a alguns exemplos do livro. ? Para dar um bom exemplo baseado na cultura brasileira. sejam sociais ou naturais. Laraia cita o exemplo (pg. São conceitos que. Fosse ele um gaúcho. Dificilmente as pessoas se contentam com explicações racionais que tornam a “vítima” única e completamente responsável pelo que lhe aconteceu. Mas. a categoria do “olho gordo” entra em ação. muito eventos com impacto negativo na vida das pessoas são explicadas através da “inveja”. doença.4) A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA Neste capítulo o autor trabalha com a seguinte idéia: temos explicações para o mundo. podemos tomar o conceito de “inveja”. Isto é um conceito que forma um sistema de ordenação de mundo. temos que considerar que muitas vezes não é apenas por “falta de conhecimento”. ou por “ignorância” que um grupo social pode parecer “SEM RAZÃO”. mas que servem para explicar toda uma infinidade de eventos. Mesmo ao “inventar” explicações. 5) A CULTURA É DINÂMICA Todo ser humano tem capacidade de questionar seus próprios hábitos e mudá-los. ? A lógica de uma cultura muitas vezes forma o que os antropólogos denominam “sistema de classificação” ou ainda “sistema de categorias”. que são resultantes da cultura na qual somos socializados.

as mudanças decorrentes da dinâmica interna podem ser quase imperceptíveis a um observador externo.” http://terramagazine. comandou um sobrevôo que resultou nas primeiras fotografias dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru.com. sendo o fenômeno de dinâmica cultural mais estudado. Segundo LARAIA (pg. o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior. em especial na Amazônia brasileira. Já a mudança decorrente dos contatos entre muitas culturas determina um ritmo mais rápido ao longo de um pequeno espaço de tempo. quando se trata da dinâmica do próprio sistema cultural. Atualmente é quase inexistente alguma cultura que não tenha contato com outras.html . As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção. quando as mudanças ocorrem em função do contato com outro sistema cultural.br/interna/0. No mês de maio de 2008. uExterna.00.Essas podem ter duas fontes: uInterna.. o mundo se surpreendeu com fotos que estão disponíveis no jornal eletrônico “Terra Magazine”. e que traz na abertura da matéria assinada por Altino Machado.terra. de onde eventualmente temos notícias desse tipo de fenômeno. 96). de Rio Branco (Acre): “Após quase 20 horas num avião monomotor. enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião. Essas fontes podem determinar o ritmo mais lento ou rápido das mudanças. A menos que tenham sido decorrentes de invenções tecnológicas exemplares ou de eventos históricos de grande impacto como revoluções e guerras internas. chamado de “etnias isoladas”.OI2903379-EI6581. Ainda existem alguns poucos grupos isolados no mundo. coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai.

Isso significa que para a Antropologia pode ser questionável afirmar por exemplo que os índios (ou os brasileiros.FOTO DE GLEISON MIRANDA. ou qualquer grupo cultural) não têm nenhuma escolha quando são influenciados por outras culturas. APENAS EM CASOS DE DOMÍNIO ECONÔMICO E/OU POLÍTICO É QUE UM GRUPO SE VÊ OBRIGADO A ABRIR MÃO DE SEUS PRÓPRIOS COSTUMES E ADOTAR OS DOS DOMINANTES. Adotar comportamentos típicos de outras culturas pode ser resultado de imposições pela violência. AQUELES QUE ACHA POSITIVO ADOTAR OU NÃO.1: . Exercício resolvido para o item 4. publicada no mesmo endereço eletrônico disponível acima da imagem. ALGUMAS IMPORTANTES CARACTERÍSTICAS DAS CULTURAS! CADA CULTURA (seu povo) ESCOLHE DENTRE OS ELEMENTOS DE UM OUTRO GRUPO. pela conquista ou pela exposição excessiva (podemos pensar na mídia).

Disponível em <http://www. Ritos Corporais entre os Nacirema.A diversidade cultural: relações étnico-raciais.org/. disponível na Web.br/scielo. http://www. Celso (org.Sobre a educação no contexto das relações étnico-culturais: PINTO.scielo. Regina Pahim. * Sugestão de endereços da Internet sobre os temas deste conteúdo: .. A explicação da Antropologia para este fato é: Resposta do exercício 1): D) os indivíduos participam diferentemente de sua cultura. assim cada um recebe muitas informações e treinamento para algumas funções. especialmente o link para a Revista “Sexta-Feira”. 2004. 108. MEC.br/040/40pc_diretriz. PP. mas pode falhar quando colocado em uma situação que exige apenas foco de atenção baseada no raciocínio intelectual durante muitas horas. especialmente o link “Povos indígenas do Brasil”.br . Brasília: 2004.socioambiental.) Franz BOAS . Pesqui.1) Um bombeiro pode ser excelente no exercício de sua profissão. São Paulo. MÓDULO 5 Conteúdo do 2º bimestre – PROVA NP-2 5 .Para conhecer sobre a diversidade de etnias indígenas no Brasil: Instituto Sócio Ambiental.espacoacademico.htm . n. Franz. in CASTRO. in CASTRO.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741999000300009&lng=en&nrm=iso> . Nov.br/040/40pc_diretriz. http://www.) FRANZ BOAS – Antropologia Cultural.o texto "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" está disponível eletronicamente no seguinte endereço: http://www. 67-86. Objetivos: neste item o aluno deve ser capaz de considerar a identidade como um processo de construção cultural e o contato com a diferença como características da condição contemporânea. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais. http://www. “Raça e Progresso”. C. Refletir sobre o papel das tradições e das mudanças culturais em diversas situações e contextos.htm Textos complementares: BOAS. Texto disponível eletronicamente no endereço. Jorge Zahar.com.aguaforte.espacoacademico.com. Diferenças étnico-raciais e formação do professor. . “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. MINER. 2004. Horace. Cad. 1999 . (org.htm “Os métodos da etnologia”. http://www.Comunidade virtual de Antropologia.antropologia. Jorge Zahar.ANTROPOLOGIA CULTURAL.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.com.com/antropologia/nacirema. mas não para todas.

não precisa ser alguém de uma cultura distante fisicamente. além de boas doses de ética. Os motivos podem ser variados. do estabelecimento de vínculos de parceria ou amizade. Atualmente o mundo todo reflete de uma forma mais intensa sobre o convívio entre as diferentes culturas/etnias. Esse contato normalmente é motivado por deslocamento de grupos de pessoas de uma etnia para outro(s) lugar(es). de relação de troca. procura de condições de vida diferentes e oportunidades. Assim dizemos que para haver relativismo ou etnocentrismo deve-se supor a presença da DIFERENÇA. pode estar ao nosso lado.Desenvolvimento do item 5 – . e supõe que dois ou mais povos que representam suas etnias mantenham por tempo indeterminado alguma forma de convivência. Esse “outro” que aparece nas frases acima.Definição de relações étnicas: As relações étnico-culturais são todas as situações nas quais diferentes culturas/etnias são colocadas em contato por qualquer razão. como a intenção de ocupação de território. diáspora (que é a dispersão de um povo em consequência de preconceito ou perseguição política. justiça e novos parâmetros para as relações humanas. atividades comerciais. onde encontra-se outro grupo étnico. Que tal pontuar algumas questões e situações do mundo atual nas quais as relações étnico-culturais estão no centro dos debates e suscitam a reflexão? São questões que trazem à tona o relativismo cultural e o etnocentrismo. exploratórias. Relativismo cultural e etnocentrismo são formas das pessoas ou sociedades inteiras reagirem ao contato com um grupo culturalmente diferente. A presença de um “outro” em relação ao que se reconhecemos como “nós”. Essas questões / situações seriam: . religiosa ou étnica) ou mesmo de guerras.

Qual é a realidade dos povos indígenas que convivem com a nossa sociedade nacional aqui no Brasil? E quais são suas reivindicações? ..Qual é a importância da eleição de Barack Hussein Obama como Presidente dos Estados Unidos da América? .

.Quais são os principais argumentos a favor e contra a política de cotas para afro-descendentes ingressarem nas universidades públicas brasileiras? .Como resolver os conflitos entre Israel e a Palestina? .

existe uma preocupação geral e a tendência a considerar reprováveis as atitudes que resultem em discriminação. A garantia dos direitos humanos e as lutas pelo tratamento igualitário entre os povos têm trazido à tona importantes discussões sobre as relações étnico-culturais.Como e por que é exercido o preconceito contra nordestinos nas regiões sul e sudeste do Brasil? As respostas a essas questões não possuem um consenso.. pode-se caracterizar certas respostas como resultado de atitudes etnocêntricas ou relativistas. Ocorre que durante muitos séculos. Em um mundo globalizado. Segundo o dicionário HOUAISS: . onde o contato entre as diferentes culturas e povos é cada vez mais intenso e necessário. preconceito. podemos obter respostas muito desencontradas. Vamos desenvolver o conceito de ETNIA. um relativo isolamento entre os povos teve como resultado o surgimento de muitas etnias diferentes ao redor do mundo. são polêmicas sociais. O que nos leva de volta ao conceito de CULTURA. Elas dependem em grande parte da posição e da capacidade de imparcialidade de quem as responde. exclusão ou práticas moralmente/fisicamente agressivas. Dependendo da perspectiva a partir da qual se avalia essas questões. De qualquer forma. Cada cultura desenvolve um sistema simbólico que permite aos indivíduos se relacionarem dentro de uma mesma linguagem de mundo.

Quais eram os pressupostos do EVOLUCIONISMO SOCIAL? Parte da ideia de que haveria uma “escala evolutiva” entre os povos. uma cultura ou ambas. poderíamos encontrar povos/culturas “mais evoluídos” e outros “menos evoluídos”. Na história da Antropologia. que relacionavam a base biológica das populações humanas com a cultura. Esses conflitos podem se revelar com diferentes graus de expressão e intolerância. O conceito de etnia. É necessário perceber que a intolerância em qualquer dos casos é desnecessária. a etnia pressupõe uma base biológica. ANTROPOL coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural. o termo é evitado por parte da antropologia atual.Etnia. Entretanto não existe intolerância mais aceitável ou menos aceitável. por não haver recebido conceituação precisa]. ou ainda através de repúdio total ao outro. Atualmente é consenso na antropologia. ou os hábitos de vestuário / alimentação / higiene desse mesmo outro. O resultado óbvio foi o sentimento de superioridade de algumas culturas sobre outras. condenável e pouco efetiva no sentido de resolver conflitos de interesses entre dois ou mais povos. Raça é uma construção social. grupo étnico [Para alguns autores. Sempre que o assunto envolve questões de conflito de interesses entre populações. ou por ter se tornado tão profunda que apenas se resolve com o extermínio desse outro. Um povo pode expressar seu preconceito. a antropologia substituiu o conceito de RAÇA (de base extremamente biologizante) pelo de ETNIA. racismo ou ódio. discriminar ou repudiar os que são diferentes. Um povo pode e deve saber valorizar suas próprias características sem que seja necessário diminuir. simplesmente pelo fato dela abranger apenas um aspecto da cultura alheia. que justificou decisões políticas como invasões. religião e maneiras de agir. Ao recusar essas teorias. desde final do século XIX teve início um movimento de recusa às teorias evolucionistas. podendo ser definida pó uma raça. refletida principalmente na língua. Esse pensamento partia do pressuposto que a cultura é determinada pela herança genética de uma população. e este conflito revela questões culturais de qualquer abrangência. contrariamente ao de raça. De acordo com esse pensamento. dá ênfase aos aspectos da herança cultural de um povo como forma de caracterizar a diferença de comportamento entre as várias populações humanas. . O conceito de “raça” mostra-se impreciso uma vez que tenta determinar divisões em uma espécie que é única: o ser humano. extermínios e a prática da discriminação e do racismo. tanto por questões bastante específicas como a religião do outro. e não uma realidade biológica. que a cultura não é determinada pelo padrão de herança genética de uma população. trata-se de questões étnico-raciais.

Tal como em todos os outros agrupamentos humanos bem marcados. mas como membro de sua classe. Texto disponível eletronicamente no endereço. Enquanto insistirmos numa estratificação segundo camadas raciais. a estratificação da sociedade em grupos sociais de caráter racial ira sempre levar à discriminação de raça. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais.br/040/40pc_diretriz.Relações étnico-culturais: questões sociais. Podemos ter uma razoável certeza de que. ou devemos tentar reconhecer as condições que levam aos antagonismos fundamentais que nos atormentam?” MÓDULO 5 – item 5. Moritz. o individuo não é julgado como um indivíduo. Aprender Antropologia. devemos pagar um preço alto na forma de luta inter-racial será melhor para nos continuar como estamos. MEC. É um conceito social. vamos ler um trecho do texto de FRANZ BOAS. Embora as razoes biológicas aduzidas possam não ser relevantes. Concluindo esse conteúdo.1 Conteúdo para a NP-2 (2º bimestre) Item 5. . 1995. Eles podem mesmo vir a desaparecer inteiramente. “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana.Percebemos que há um uso político dessas intolerâncias.com. François.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. preconceito e direitos.htm Textos complementares: LAPLANTINE. onde quer que os membros de diferentes raças formem um único grupo social com laços fortes. “Marcos para uma história do pensamento antropológico”.Notas sobre uma identidade mestiça e malandra. há uma questão de poder que envolve as disputas em torno do conceito de raça. Portanto. Especialmente os capítulos de 1 a 5 da Primeira Parte. nós compreendemos seu apelo social em nossa sociedade.Sobre a formação étnico-racial e a cultura nacional: SCHWARCZ. Sabemos historicamente a dimensão destrutiva dos discursos sobre uma pretensa “pureza racial” e sabemos das imensas possibilidades de construir relações étnico-raciais mais democráticas e igualitárias. Brasília: 2004. os preconceitos e antagonismos raciais irão perder sua importância. nas páginas 85 e 86: “Não importa quão fraco o argumento em favor da pureza racial possa ser. Lilia K. muito mais que científico. física e socialmente muitos povos para que não consigam reagir a situações de submissão.1 . http://www. e que serve como justificativa para ações que atinjam moral. nas páginas 37-94. indicado na bibliografia complementar desse tópico.espacoacademico. Complexo de Zé Carioca . Disponível em . SP: Brasiliense.

Do ponto de vista das práticas dos navegantes e governos europeus. os povos de países onde o capitalismo não produzira a mesma riqueza permaneciam à margem desse processo. antes do evento colonialista. não sendo pensadas como algo sobre o qual fosse preciso refletir e explicar. com a publicação dos primeiros trabalhos científicos no século XIX. as Navegações fizeram parte do ambiente intelectual que deu surgimento às ciências da sociedade dois séculos mais tarde – as Grandes Navegações ocorrem no século XVI e o surgimento de uma filosofia social no século XVIII. a partir de 1492 quando a Europa passou a navegar por todo o globo.org. as diferenças culturais eram tomadas como algo “natural”. foram elementos responsáveis pela crescente aproximação de culturas. que colocavam o vencedor como aquele que estabelece as regras do “jogo” e por ser “mais forte” podia utilizar qualquer recurso para manter o poder. apesar da conquista de direitos pelos cidadãos europeus e norte-americanos. A escravidão. pois antes disso as explicações religiosas sobre as diferentes sociedades. . As guerras e conquistas.anpocs. Portanto. Por isso. o extermínio de inimigos que oferecessem “resistência” para ser conquistado. O “evolucionismo social”. tudo era praticado sem que qualquer instituição. o ser humano se torna objeto de investigação científica como um dos resultados da empreitada colonialista da Europa. que viviam em democracias recémcriadas. questionasse os métodos e consequências desumanas desse sistema. até o século XIX os europeus consideravam muito natural dominar e submeter outros povos. os interesses relacionados à conquista de territórios coloniais. Evolucionismo social e poder: No século XIX. Da perspectiva científica. A diversidade étnica e o contato cultural O contato entre diferentes culturas sempre existiu. a imposição de leis que colocam um povo vencido em condições desfavoráveis perante o conquistador. mesmo a Igreja. bastavam a todos. ou fruto da vontade divina. devido a condições históricas. Não existe um único motivo. considerando a história da humanidade. Entretanto. esse contato não promoveu qualquer tipo de preocupação política ou intelectual até o momento conhecido como “Grandes Navegações”. os Estados nacionais. mas uma série de razões relacionadas a isto. Sempre havia sido assim na história até então.br/portal/publicacoes/rbcs_00_29/rbcs29_03.htm Este item aprofunda os temas relacionados à diversidade cultural e as relações entre grupos com culturas diferentes. ou “darwinismo social” dominava as explicações científicas sobre a diversidade cultural. como acontecem atualmente. Ou seja. O objetivo é analisar o preconceito como uma forma de desrespeito aos direitos dos povos e suas culturas.http://www. ou ainda estabelecimento de comércio com povos extra-europeus.

A esse tipo de prática chamamos “eurocentrismo”. e do tipo de suas instituições organizadoras da vida social (o tipo de Estado. A busca de “progresso” é algo típico das sociedades do capitalismo-industrial. de qualquer perspectiva que se abordasse a questão. e depois sua extensão americana se sentisse a vontade para julgar. Agora são os norte-americanos. ou ainda por povos . Em suas obras. e sim como um sistema que permite aos indivíduos de um grupo se relacionar com o mundo. etc. chamados de “povos bárbaros”. e esse domínio econômico e militar passou a contar com uma justificativa científica. e não existe superioridade racial/étnica que possa ser defendida sob nenhuma base científica. egípcios). considerando os eventos históricos que marcam seu povo. Assim. ou outros povos como “atrasados” em sua mentalidade geral. Franz BOAS nos Estados Unidos. a teoria do evolucionismo social foi criada e reproduzida pelo mesmo povo que detinha o poder dominador sobre os outros. houveram grandes impérios mantidos por povos do Mediterrâneo (romanos. Os europeus foram dominantes desde as Grandes Navegações até a II Guerra Mundial. sistema de leis. exército. sendo muito “cômodo” criar uma teoria onde seu próprio povo era considerado centro do mundo. Esse pensamento deu margem para que a sociedade européia primeiro. família e parentesco. A cultura não deve ser encarada apenas como uma questão de avanço técnico. e uma das ex-colônias (Estados Unidos da América) terem desenvolvido o pensamento científico. Na antropologia cresce a produção de conhecimento que demonstrava os erros do evolucionismo social e de qualquer pensamento que classificasse os povos como “atrasados” ou “evoluídos”. Antes disso tudo.) mais primitivos eram considerados. A mudança histórica – relativismo cultural e direito dos povos É a partir das primeiras décadas do século XX que esse cenário de submissão cultural começa a se modificar. que afirmava sua superioridade cultural e histórica. China e povos orientais em geral. a população européia era “mais evoluída” culturalmente. e LÉVI-STRAUSS na França são importantes autores que representam essa mudança. por exemplo. os povos indígenas do Brasil como “preguiçosos”.Para os europeus. por isso dominava grande parte do mundo. Índia. pois naquela época o poder influenciou a produção de conhecimento. África e Austrália eram os “povos primitivos”. escolas. e em uma escala intermediária. As populações nativas da América (povos pré-colombianos). Quanto mais afastado do modo de vida europeu. macedônios. O fato de apenas os povos europeus até aquele momento. era o fundamento que sustentava todo esse esquema que colocava a diversidade cultural dentro de uma escala classificatória que identificava cada povo como representante de um “momento evolutivo” diferente. estariam as civilizações do Oriente Médio. eles demonstram que não existe base científica para aceitar que exista um único modelo de “avanço” cultural e que todos os povos devam segui-lo. A antropologia começa a defender que cada cultura segue seus próprios caminhos de transformação.

sob tutela. Artigo III. árabes) e também por orientais (chineses e japoneses). mas na sociedade como um todo. 2. (Documento publicado pelas Nações Unidas no Brasil. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. quer se trate de um território independente. se esforce. Leia a um trecho da Declaração abaixo: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. Portanto não há nada na genética ou na geografia de qualquer povo que possa ser apontado como fator explicativo da cultura.php. Já vimos isso anteriormente nos itens que abordaram o “determinismo biológico” e o “determinismo geográfico”. É a partir do final da II Grande Guerra. 1. 16:00) . a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. lembra? O que as ciências da sociedade demonstram. nascimento. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Artigo IV. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo I.br/documentos_direitoshumanos. com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) e a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS em 1948. Todo ser humano tem direito à vida. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade.onubrasil. idioma. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. religião. opinião política ou de outra natureza. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. trecho extraído em original completo disponível em: http://www. acabam sofrendo discriminações e violências de todo tipo. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. que tem início uma mudança não apenas dentro das ciências. riqueza. ou qualquer outra condição. acessado em 04/3/2011. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros. seja de raça. desumano ou degradante. sem distinção de qualquer espécie. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel. é que o preconceito contra um povo. Grandes civilizações se desenvolveram na Índia e no norte da África muito antes dos europeus. sem governo próprio.do Oriente Próximo (turcos. Aqueles povos submetidos a um poder de fora. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. são resultantes de SITUAÇÕES DE PODER. Artigo V.org. seja por suas características genéticas ou de comportamento. através do ensino e da educação. cor. origem nacional ou social. Artigo II. tendo sempre em mente esta Declaração. e. à liberdade e à segurança pessoal. otomanos. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. sexo.

Esses registros são as formas preconceituosas que são reproduzidas e “ensinam” as pessoas como tratar discriminatoriamente alguns grupos. preconceito. Ou seja. como modelos de publicidade. Portanto. fundada em dimensões históricas. eram progressistas e estavam unidos pelo reconhecimento dos direitos. O mais conhecido desses movimentos foi o movimento negro anti-segregacionista norte-americano. As pessoas atingidas negativamente se vêem excluídas de conceitos positivos como de beleza. de minorias políticas e assim por diante.htm Esse trecho traz importantes conceitos e revela uma importante questão das relações étnico-raciais no Brasil atualmente. como referências de sucesso em grandes empresas e assim por diante. e busca combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente os negros. contra o regime de apartheid. na área da educação. Trata.espacoacademico. Em conjunto. entre a população católica e os protestantes. eles são excluídos como modelos de personagens bons e belos na televisão ou cinema. Eles trouxeram à tona um grande debate social em torno de racismo. alguns setores da sociedade que sofriam muito com o preconceito étnico ou outras formas de discriminação. Questões introdutórias O parecer procura oferecer uma resposta. Nesta perspectiva. Esse movimento rapidamente contou com o apoio de parcelas da população. cujo líder Martin Luther KING marca a história do século XX. entre outras. no sentido de políticas de ações afirmativas. propõe à divulgação e produção de conhecimentos. que apesar de brancos. entre outros. isto é. essas manifestações ficaram conhecidas como o movimento internacional pelos direitos civis.br/040/40pc_diretriz. sociais. identidade. valor moral. de política curricular. pois juntamente com as questões de discriminação étnica. ou na África do Sul. apesar de nem todos apoiarem. um trecho do documento “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”.com. publicado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. São ações políticas que pretendem retirar os registros negativos que a sociedade cria em torno de uma etnia ou grupo social. dos homossexuais). e foram incentivadas por diferentes questões étnicas como na Irlanda.Entre 1954 e 1980. à demanda da população afrodescendente. vieram outras como os direitos femininos. como heróis em livros didáticos ou de literatura popular. sucesso. religiosos. Brasília: 2004 e que pode ser encontrado na íntegra no endereço eletrônico: http://www. começam a se manifestar publicamente para denunciar as injustiças sofridas contra as quais o restante da sociedade se omitia. e são responsáveis por criar o termo “ação afirmativa”. e de reconhecimento e valorização de sua história. ele. MEC. antropológicas oriundas da realidade brasileira. discriminação e direitos. Essas manifestações ocorreram em muitos países. cultura. as ações afirmativas têm como objetivo modificar a mentalidade geral através de atitudes que invertam as representações negativas que predominam sobre uma etnia ou grupo social específico por sua cultura ou comportamento. a formação de atitudes. de políticas de reparações. posturas e valores que . que ainda aparece também com sinônimos como “discriminação positiva” ou “ação positiva”. heroísmo. de gênero (como por exemplo. Abaixo.

de Reconhecimento e Valorização. de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação de políticas. como meta o direito dos negros. dificilmente. ao reger-se por critérios de exclusão. Visa também a que tais medidas se concretizem em iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações. para todos. de condições para alcançar todos os requisitos tendo em vista a conclusão de cada um dos níveis de ensino. Sem a intervenção do Estado. enquanto pessoa. no que diz respeito à educação.eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial . entre eles os afro-brasileiros. individual e coletiva. raciocínios. de valorização do patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. em escolas devidamente instaladas e equipadas. expressarem visões de mundo próprias. É necessário sublinhar que tais políticas têm. assim como de todos cidadãos brasileiros. se os negros não atingem os mesmos patamares que os não negros. desconsiderando as desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos para os negros. Políticas de reparações voltadas para a educação dos negros devem oferecer garantias a essa população de ingresso. em que todos. é por falta de competência ou de interesse. . Estas condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade. passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10639/2003. que assinala o dever do Estado de garantir indistintamente. buscando-se especificamente desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira. seus pensamentos. permanência e sucesso na educação escolar. civis. lógicas. posturas. cursarem cada um dos níveis de ensino. mito este que difunde a crença de que. políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista. explicadas. de asiáticos. de Ações Afirmativas A demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir os descendentes de africanos negros. valorização e afirmação de direitos. povos indígenas. ou seja. além de desempenharem com qualificação uma profissão. com formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo e discriminações. Requer também que se conheça a sua história e cultura apresentadas. também. Cabe ao Estado promover e incentivar políticas de reparações. Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade. cultura e identidade dos descendentes de africanos. cidadão ou profissional. 205. a fim de superar a desigualdade étnico-racial presente na educação escolar brasileira. fundados em preconceitos e manutenção de privilégios para os sempre privilegiados. Políticas de Reparações. que alterou a Lei 9394/1996. A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento. de aquisição das competências e dos conhecimentos tidos como indispensáveis para continuidade nos estudos. sociais. no pós-abolição. descendentes de europeus. nos diferentes níveis de ensino. de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática. Art. assim como o é o reconhecimento e valorização da história. e povos indígenas. bem como em virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população. orientados por professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos. os postos à margem. É importante salientar que tais políticas têm como meta o direito dos negros se reconhecerem na cultura nacional. romperão o sistema meritocrático que agrava desigualdades e gera injustiça. E isto requer mudança nos discursos. modo de tratar as pessoas negras. estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. bem como valorização da diversidade daquilo que distingue os negros dos outros grupos que compõem a população brasileira. dos danos psicológicos. igualmente. materiais. por meio da educação. sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das relações entre diferentes grupos étnico-raciais. tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. culturais e econômicos. gestos. bem como para atuar como cidadãos responsáveis e participantes. no que cumpre ao disposto na Constituição Federal. iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um.descendentes de africanos. Reconhecimento implica justiça e iguais direitos sociais. e as estatísticas o mostram sem deixar dúvidas. manifestarem com autonomia. entre descendentes de africanos. de europeus.

divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra desencadeados pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade. compreender seus valores e lutas. conjuntos de ações políticas dirigidas à correção de desigualdades raciais e sociais. Reconhecer é também valorizar. palavras e atitudes que. bem como a Conferência Mundial de Combate ao Racismo. piadas de mau gosto sugerindo incapacidade. próprios de uma sociedade hierárquica e desigual. atualizados. menosprezados em virtude de seus antepassados terem sido explorados como escravos.Reconhecer exige que se questionem relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos. sua cultura e história. . direcionada ao combate ao racismo em todas as formas de ensino. Nos trechos em itálico e sublinhado estão destacados alguns importantes princípios das políticas de ações afirmativas traçadas pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Discriminação Racial. com o objetivo de combate ao racismo e a discriminações. Significa buscar. Abaixo estão algumas questões importantes para que você responda e que estão esclarecidas nos trechos em destaque no texto acima reproduzido: 1) Quais populações são alvos da preocupação sobre a condição de exclusão ou tratamento preconceituoso? 2) Qual o argumento do documento sobre a ênfase nas políticas de reparação voltadas à comunidade de afrodescendentes pelo Estado brasileiro? 3) Em que âmbitos da vida social o tratamento desigual ao negros requer mudanças para obtermos justiça e direitos iguais? 4) Como o documento define “ações afirmativas”? Essas perguntas acima devem servir como forma de auxiliar na interpretação do texto em destaque. ser sensível ao sofrimento causado por tantas formas de desqualificação: apelidos depreciativos. Reconhecer exige que os estabelecimentos de ensino. a textura de seus cabelos. sendo capazes de corrigir posturas. atitudes e palavras que impliquem desrespeito e discriminação. freqüentados em sua maioria por população negra. à sua descendência africana. não sejam desencorajados de prosseguir estudos. Implica criar condições para que os estudantes negros não sejam rejeitados em virtude da cor da sua pele. e servem apenas como fixação de aprendizado. leia abaixo uma das questões dissertativas do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) realizado pelo MEC anualmente. isto é. desde as formas individuais até as coletivas. Políticas de reparações e de reconhecimento formarão programas de ações afirmativas. com professores competentes no domínio dos conteúdos de ensino. Ações afirmativas atendem ao determinado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. comprometidos com a educação de negros e brancos. velada ou explicitamente violentas. contem com instalações e equipamentos sólidos. tais como: a Convenção da UNESCO de 1960. bem como a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. fazendo pouco das religiões de raiz africana. de estudar questões que dizem respeito à comunidade negra. no sentido de que venham a relacionar-se com respeito. orientadas para oferta de tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens e marginalização criadas e mantidas por estrutura social excludente e discriminatória. Xenofobia e Discriminações Correlatas de 2001. brincadeiras. ridicularizando seus traços físicos. Reconhecer exige a valorização e respeito às pessoas negras. Para compreender a importância das discussões que envolvem as relações étnico-culturais atualmente. expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros.

num texto coerente e coeso.Paulo – Cotidiano. Yvonne Maggie. com adaptação..” (Agência Estado-Brasil. 30 jun. acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e defende a adoção do sistema de cotas. 2006. quando um grupo de intelectuais entregou ao Congresso Nacional um manifesto contrário à adoção de cotas raciais no Brasil. que nada mais é do que uma grade de correção para as questões dissertativas em que constam os pontos como deveriam ter sido abordados pelos estudantes para obter o valor considerado. Por isso ter vindo aqui já foi um avanço‟. a) um argumento coerente utilizado por aqueles que o criticam. vamos analisar o quadro de correção elaborado para a prova. Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”.. chamado de “Padrão resposta”.ENADE 2006 – Prova de FORMAÇÃO GERAL para todos os cursos (QUESTÃO 9 – DISCURSIVA): Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção de “sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional. a essência de um dos argumentos a seguir contra o sistema de cotas. disse.) Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas afirmativas.. a polêmica foi reacesa.” (Folha de S. frei David Raimundo dos Santos.) Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.0 pontos) Agora. mas que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso. 2006. leia os dois textos a seguir. identifique. (. „É preciso fazer o debate. 03 jul. (. As duas propostas estão prontas para serem votadas na Câmara.) Texto II “Desde a última quinta-feira. .) O diretor executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). PADRÃO DE RESPOSTA – ENADE 2006 QUESTÃO 9 Tema – Políticas Públicas / Políticas Afirmativas / Sistema de Cotas “raciais” a) O aluno deverá apresentar.0 pontos) b) um argumento coerente utilizado por aqueles que o defendem. há também os que adotam a posição de que o critério para cotas nas Universidades Públicas não deva ser restritivo. no atual debate social.. (valor: 5. mas o movimento quer que os projetos sejam retirados da pauta. (valor: 5. Texto I “Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem no Congresso um manifesto contra a votação dos projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros em Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial.

dando-se respaldo legal ao conceito de “raça”. (valor: 5. favorecendo as faculdades da rede privada de ensino superior.O sistema de cotas valorizaria excessivamente a raça. num texto coerente e coeso.O acesso à Universidade deve basear-se em um único critério: o de mérito. Não sendo assim. Para se tratar desigualmente os desiguais. O princípio da igualdade assume hoje um significado complexo que deve envolver o princípio da igualdade na lei.Não se pode ocultar a diversidade e as especificidades sociopolíticas e culturais do povo brasileiro. mas rediscute a distribuição dos bens escassos da nação até que a distribuição igualitária dos serviços públicos seja alcançada. a essência de um dos argumentos a seguir a favor do sistema de cotas. na verdade. . A cota não tira direitos. somente. perpetuando-se o mando sobre uma enorme massa de população. o País passará a definir os direitos das pessoas com base na tonalidade da pele e a História já condenou veementemente essas tentativas. Sendo aprovado tal estatuto. por exemplo.0 pontos) b) O aluno deverá apresentar. há dificuldade para definir quem é negro porque no País domina a miscigenação. e o que existe. então. Além disso. fazer uma reparação.Implantar uma classificação racial oficial dos cidadãos brasileiros. .Diversos dispositivos dos projetos (Lei de cotas e Estatuto da Igualdade Racial) ferem o princípio constitucional da igualdade política e jurídica. estabelecer cotas raciais no serviço público e criar privilégios nas relações comerciais entre poder público e empresas privadas que utilizem cotas raciais na contratação de funcionários é um equívoco. pode gerar ainda mais preconceito. . Há necessidade de diferenciar a igualdade formal ( do ordenamento jurídico e da estrutura estatal) da igualdade material (igualdade de fato na vida econômica). a qualidade acadêmica pode ficar ameaçada por alunos despreparados.É preciso avaliar sobre que “igualdade” se está tratando quando se diz que ela está ameaçada com os projetos em questão. . na cor da pele. é preciso um fundamento razoável e um fim legítimo e não um fundamento que envolve a diferença baseada. A autorização da inclusão de dados referentes ao quesito raça/cor em instrumentos de coleta de dados em fichas de instituições de ensino e nas de atendimento em hospitais. Ao longo da História. Nesse sentido. é possível o acirramento da intolerância.A adoção de identidades étnicas e culturais não deve ser imposta pelo Estado.O acesso à Universidade Pública que não esteja unicamente vinculado ao mérito acadêmico pode provocar a falência do ensino público e gratuito. É preciso. . visto que todos são iguais perante a lei. manteve-se a centralização política e a exclusão de grande parte da população brasileira na maioria dos direitos. . . a principal luta é a de reivindicar propostas que incluam maiores investimentos na educação básica.. . é a raça humana. . perante a lei e em suas dimensões formais e materiais. no sentido proposto.Políticas dirigidas a grupos “raciais” estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem produzir efeito contrário.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA: SANTOS. L. os números revelam. inclusive. 1) O conceito de etnia veio a substituir o de raça. é injusta e equivocada.. O QUE É CULTURA. um construto em que grupos sociais se identificam e são identificados. cultura popular e erudita. visto que a metodologia dos vestibulares acaba por beneficiar os alunos egressos das escolas particulares e dos cursinhos caros. in. portanto. cultura popular e erudita.br/cdrom/bosi/bosi.pdf . defende-se um projeto político contra a opressão e a favor do respeito às diferenças. não há diferenças de rendimento entre alunos cotistas e não-cotistas. SP: Brasiliense. . Bibliografia complementar: .0 pontos) Exercício com resposta para fixação de conteúdo. 2006 “A cultura em nossa sociedade”.Pesquisas revelam que. . .Dizer que é difícil definir quem é negro é uma hipocrisia. e os abusos ideológicos de povos dominantes que o utilizaram como justificativa histórica para subjugar e exterminar povos. 51-79. Cultura brasileira e culturas brasileiras http://www. que no quesito freqüência os cotistas estão em vantagem (são mais assíduos). .Não se pode negar a dimensão racial como uma categoria de análise das relações sociais brasileiras. Admitir as diferenças não significa utilizá-las para inferiorizar um povo. Alfredo. trata-se de um conceito político aplicado ao processo social construído sobre diferenças humanas. pois: C ) não existe base científica que comprove a validade do uso do conceito de raça.As Universidades Públicas no Brasil sempre operaram num velado sistema de cotas para brancos afortunados. . meios de comunicação. trataram de bani-lo. MÓDULO 6 6 – A cultura na sociedade atual: nacionalidade. J.ufrgs. meios de comunicação – 2º bimestre 6 . uma pessoa pertencente a um determinado grupo social.Sobre a cultura nacional: BOSI. A acusação de que a defesa do sistema de cotas promove a criação de grupos sociais estanques não procede. pp.A cultura na sociedade atual: nacionalidade.A utilização das expressões “raça” e “racismo” pelos que defendem o sistema de cotas está relacionada ao entendimento informal. para as Universidades que já adotaram o sistema de cotas. (valor: 5. pois não faltam agentes sociais versados em identificar negros e discriminá-los.Na luta por ações afirmativas e pelo Estatuto da Igualdade Racial se defende muito mais do que o aumento de vagas para o trabalho e o ensino. e nunca como purismo biológico.

da cultura humana. Isso porque. . mesmo quando passa por eventos semelhantes e utiliza as mesmas convenções sociais. por exemplo. regras. estamos falando de um aspecto imaterial. valores morais ou formas de julgamento são o resultado de um processo histórico de nosso grupo social. No Brasil. é o resultado das relações entre os indivíduos e seu grupo social. Entretanto. É possível observar um grupo social a partir de sua perspectiva histórica. e como resultado percebemos que cada grupo é único. Como resultado das interferências pessoais em um dado conjunto de instituições. Portanto. Entretanto. no primeiro exemplo. ocorre também com relação à sociedade nacional. temos a existência de regiões geográficas que definem regiões culturais diferentes. Em geral.DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO É muito comum que as pessoas em seu dia-a-dia não se deem conta que nossos hábitos. ou cultura nacional. Assim. simbólico. as pessoas tendem a naturalizar mais essa dimensão humana. cada povo em seu local específico. costumes. como resultante de um processo complexo de desenvolvimento que envolve conhecimento e condições técnicas-econômicas de implantação. As diferentes histórias de cada povo podem ser interpretadas antropologicamente. leis e tecnologia que formam uma totalidade social é que podemos perceber a CARACTERÍSTICA. mas não se encontram desvinculadas da história da espécie humana como um todo. dando como certo que se trata de algo que não procede de escolhas e muito menos de formas coletivas de vivência. facilmente consegue-se relacionar a nossa vida material como a tecnologia. como estratégias locais de sobrevivência e reprodução. em âmbitos que envolvem nossa evolução e nossa relação com o meio ambiente. podemos afirmar que estamos em um mesmo momento da história de nossa espécie. A experiência histórica em cada uma delas determinou características particulares dentro da grande totalidade que chamamos de “cultura brasileira”. Esta é a base do que denominamos CULTURA REGIONAL. a ESPECIFICIDADE de uma cultura. a cultura nesse caso. O fato é que a história de qualquer grupo social interfere o tempo todo em seu presente. Portanto as culturas regionais e nacionais se referem sempre a experiências compartilhadas por uma população durante um período de tempo suficiente para deixar marcas nas relações sociais. percebemos que não é possível encontrar os mesmos resultados. na visão de mundo desse povo. Mas quando observamos a passagem do tempo (= história) em dois grupos diferentes que utilizam o mesmo referencial cultural. Assim como ocorre com os regionalismos. é um elemento agregador que promove a intermediação das relações entre os indivíduos. sendo impossível separarmos a cultura de um povo de sua história.

pela ciência e pelo saber produzido e controlado em instituições da sociedade nacional. Assim. esse conhecimento erudito se contrapunha ao conhecimento havido pela maior parte da população. ou estéticos. Somos ao mesmo tempo resultados de uma HERANÇA cultural e produtores dessa herança para as próximas gerações. e que por sua vez se associam a um conjunto de valores morais. José Luiz dos SANTOS explica: Comecemos por esta última indagação. É que. notamos certos padrões de comportamento que se associam a padrões de consumo. ou em outras palavras. Entende-se por cultura popular as manifestações . Devido à própria natureza da sociedade de classes em que vivemos. tais com a universidade. a cultura popular. cultura erudita e cultura de massa. Esse aspecto das preocupações com a cultura nasce assim voltado para o conhecimento erudito ao qual só tinham acesso setores das classes dominantes desses países. atrasado. ou recusando-os e enfraquecendo sua importância. repetindo-os e mantendo-os atuantes. a partir de uma idéia de refinamento pessoal. advogados. e que aos poucos passou também a ser entendido como uma forma de cultura. as academias. buscando o que há de específico nelas. da renda como determinante das posições na hierarquia social. Em nossa sociedade. as implicações políticas que possam ter. engenheiros e outras). as ordens profissionais (de médicos. sua dinâmica e principalmente. (. também marcamos essa história. superado. utilizamos os conceitos de cultura popular. Vamos ao texto indicado para leitura na bibliografia deste módulo para esclarecer essa classificação da cultura. Nossas condições materiais de existência afetam nossas condições psíquicas e culturais.. expresso pela filosofia. Ao mesmo tempo em que cada um de nós é marcado pela história de nosso grupo social. As preocupações com cultura popular são tentativas de classificar as formas de pensamento e ação das populações mais pobres de uma sociedade. e vice-versa. Para facilitar a compreensão desse fenômeno. a qual é bem antiga na história das preocupações com cultura. cultura se transformou na descrição das formas de conhecimento dominantes nos Estados nacionais que se formavam na Europa a partir do fim da Idade Média. e a única forma de consciência disso se expressa através da necessidade pessoal em defender e preservar certos traços de comportamento e recusar outros. capazes de criar grupos de pessoas que se identificam e mantêm características e hábitos próprios.) De fato. Não nos damos conta disso em nosso cotidiano. existe a questão do pertencimento a classes sociais. Se partirmos dessa compreensão de cultura como resultado da vida sócio-histórica dos indivíduos que atuam em um grupo. procurando entender a sua lógica interna. ao longo da história a cultura dominante desenvolveu um universo de legitimidade própria.Neste âmbito é que reside a questão da relação indivíduo-sociedade. um conhecimento que supunha inferior. ou de gosto. podemos então detalhar alguns aspectos importantes da vida cultural em nossa sociedade atualmente.. com a possibilidade de reforçar certos comportamentos. essas instituições estão fora do controle das classes dominadas.

(Santos. e assim o inclui em um movimento. que estão fora de suas instituições. e psicológico. e tem uma relação mais emocional que crítica em relação ao gosto.54-55) A conclusão é que denominamos cultura erudita toda a produção material e imaterial resultante de conhecimento intelectual e técnicos especializados. letrados. o indivíduo gosta de ser diferente. Na massa. que dependem de treinamento constante e dedicação – de tempo e de investimentos financeiros. é um fenômeno que depende da existência dos meios de comunicação de massa como o rádio. mesmo sendo suas contemporâneas. mas não quer chamar a atenção. O indivíduo que faz parte da massa responde de forma imatura ao que recebe. normalmente são um exemplo da cultura erudita de massas. atrelados a uma empresa (editoras. a televisão. Eles se apropriam dessa cultura através de contratos e divulgam todo tipo de produção cultural através do mercado para que as pessoas adquiram esse material. 2006. A cultura de massa resulta do trabalho empresarial sobre produtos e artistas tanto da cultura erudita quanto da cultura popular. do convívio e da informalidade. Já a cultura popular é uma produção resultante de conhecimentos da tradição oral. Quer ter personalidade. São artistas. J. pois são muitas pessoas. Há empresários e técnicos. os livros que se tornam campeões de vendas. e uma cultura erudita de massas? Sim! Para exemplificar. artesãos. que existem independentemente delas. Já a maior parte dos programas televisivos de auditório. exemplifica a cultura popular de massa. Esse tipo de programa se baseia na antiga receita do circo. A massa é ao mesmo tempo um fenômeno quantitativo. o cinema. porque o mesmo conteúdo atinge um imenso número de pessoas ao mesmo tempo. manifestações diferentes da cultura dominante. a Internet e assim por diante. admiração e que lhes mostra a vida como um espetáculo. Não há criadores espontâneos da cultura de massa. produtoras.L. . Repete as opiniões alheias. ou mesmo como estratégia de sobrevivência. Gosta porque todos gostam. grupos de comunicação) que visa lucro com os produtos culturais. a imprensa. pp. pois não é capaz de ter opinião própria. gosta porque esse consumo lhe dá status e uma boa visibilidade social.culturais dessas classes. um palco e uma audiência que espera ser entretida por um apresentador que lhes proporciona carisma. E quanto à cultura de massa? Bem. ou trabalhadores que dominam sua técnica de forma autodidata e reproduzem aprendizados que passam de geração a geração. O treinamento normalmente é proporcionado com baixos investimentos. São classificados como “de massa”. mas igual. gravadoras. porque está na moda. Portanto podemos falar em uma cultura popular de massas.

A cultura de massa é um importante fenômeno econômico. Portanto você pode utilizar tanto os conceitos trabalhados neste módulo. sem considerarmos a influência e os propósitos da cultura de massa. Para isso você deve fazer uma redação de no mínimo dez linhas e no máximo 30 linhas. ou a massa é quem exige esse tipo de cultura? Uma pequena parcela de nossa sociedade tem acesso à cultura erudita. Eles circulam em meios onde o interesse está para além da atenção da mídia e da carreira bem sucedida empresarialmente. Segundo essa escola. o de difícil aceitação pela massa. a diversão descomprometida ao envolvimento com produtos e gostos que exigem reflexão. O espaço que a mídia dá ao padrão é infinitamente maior que o espaço dado ao diferente. cultural e psicológico de nossa sociedade atualmente. de diversão. e para isso os estimula. Além de estar presente em todos os aspectos da nossa vida. Já outros teóricos. Este é um exercício de redação temática e reflexiva. É um círculo vicioso: a indústria cultural é que modela o gosto da massa. Os indivíduos se sentem seguros ao reproduzir o gosto da indústria cultural de massa. o exótico. não é possível compreendermos nossa relação com a cultura em nossa sociedade. todos somos alienados. É uma referência de estilo de vida. ao participar do consumo cultural de massa. que extrapolam os objetivos de mercado. como dos textos indicados ou de pesquisa pessoal sobre esse conteúdo. E assim. o gosto sempre vai reproduzir a adesão aos mesmos tipos de produtos culturais. O objetivo é fazer um exercício de sensibilização da percepção sobre os fenômenos da cultura contemporânea. Algumas escolas de estudo dos fenômenos sociais relacionadas aos meios de comunicação de massa conceituam diferentemente essa reação da população ao funcionamento da cultura de massa. incentivando e valorizando o comportamento padronizado. a partir da seguinte proposta: . pois perdemos a capacidade racional de crítica. cuja fama ou merecimento são passageiros e questionáveis. E também a cultura popular depende do envolvimento e interesse populares. Assim. Agora idolatramos pessoas da mídia. da homogeneização. de informação. E isso não é propriamente uma alienação. Há os que se referem a esse comportamento como “alienado”. sem receber nada de realmente original ou que não seja meramente divertido. que se dá através de escolas e universidades muito seletivas. defendem que a cultura de massa é o “espírito” de nosso tempo. e sim uma característica da cultura de nossa época. Esses tipos de cultura não pretendem se tornar produtos de sucesso. Essa indústria se beneficia da padronização de gosto. sensibilidade ou percepção aguçada. A massa prefere o entretenimento. Quem é que não tem nostalgia de programas e até mesmo de propagandas de sua infância? Até mesmo nossa biografia e memória afetiva dependem da exposição aos produtos dessa indústria cultural. a cultura de massa substitui necessidades até mesmo de devoção religiosa.

que mantêm as desigualdades básicas da sociedade em benefício da minoria da população. O QUE É CULTURA. J. pp. Bibliografia básica: “Cultura e relações de poder” in SANTOS. José Luiz dos. O QUE É CULTURA. por exemplo. sua expansão pode ser vista como uma expansão colonizadora. Como sugestão: . 2004 . através da expansão da rede de escolas e de atendimento médico. SP: Brasiliense. 10. como a cultura erudita é desde sempre associada com as classes dominantes. consegue abordar os aspectos mais relevantes? . Javier. você está sendo objetivo. 2006. poder e meio ambiente: FOLADORI. está sendo repetitivo ou não. 80-86. Um olhar antropológico sobre a questão ambiental. Mana.Sobre cultura e relações de poder no Brasil: . Disponível em <http://www.poder e cultura. 2.o ritmo de seu texto: introdução ao tema. desenvolvimento e conclusões. pg.Observe a reação das pessoas em situação de exposição a produtos da indústria cultural. Oct. Pense em eventos para grandes multidões como espetáculos musicais ou esportivos. mas não toda a população. A ampliação de seus domínios como. n.L.br/scielo. pois uma minoria tem acesso ao conhecimento erudito.o foco na questão abordada: está colocado de forma adequada. 56) A) para o autor. TAKS.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132004000200004&lng=en&nrm=iso> . Exercício com resposta 1) Leia o trecho a seguir e escolha entre as alternativas aquela que corresponde ao pensamento expresso pelo autor: “Da mesma forma. como ver vitrines da moda.” (SANTOS. MÓDULO 7 Conteúdo para a prova NP-2 – 2º bimestre 7 . Bibliografia complementar e endereços para pesquisas eletrônicas: .scielo. Peça a um colega ou um professor que leia seu texto e faça uma auto-avaliação onde você considere algumas habilidades que puderam ser trabalhadas. Rio de Janeiro. a divisão entre cultura erudita e popular mostra uma relação de poder.Sobre o tema cultura. Faça uma reflexão onde você é capaz de expor ao leitor a influência da mídia e dos espetáculos de massa no comportamento dos indivíduos. pode ser entendida como uma forma de controle social.A cultura na sociedade atual. assistir a filmes de sucesso ou ler publicações como revistas de grande tiragem e circulação. v. Guillermo.

Ocorre que. na outra escala. educação formal. Dessa perspectiva. empresas ou editoras que comercializam arte. e interessa a todos. os meios de comunicação de massa devem diversificar sua programação. podemos falar que independente de classes sociais e posições de poder. Disponível em <http://www. da diversão ao saber. Os indivíduos mais qualificados conseguem ocupar posições mais privilegiadas economicamente. ou seja. através de produtoras. costumes e saberes. Quando um Estado coloca em prática uma política de democratização cultural. sejam de acesso a uma maioria. o comércio e a oferta de serviços se tornaram especialidades que dependem do domínio também da tecnologia. como seus hábitos. alguns grupos possuem mais riqueza e por isso têm acesso a mais informação. como as escolas e órgãos públicos dedicados a ela.daMATTA. Alguns grupos pressionam o Estado para que os bens culturais. A cultura se transformou em assunto de mercado. aos bens culturais como um todo. E entre diferentes culturas. Entretanto. Você tem cultura. Assim. Portanto. 1981. Roberto. dentro de uma sociedade leva diferentes grupos a ocuparem posições em uma hierarquia que os torna menos poderosos ou. dando igual espaço a todas as manifestações culturais.pdf> Desenvolvimento do conteúdo Até aqui foi ressaltado o conceito de cultura como algo que identifica um povo. sua missão deve ser a de dar apoio às várias formas de manifestação cultural: a cultura erudita deve chegar ao público que não tem dinheiro para pagar por ela. Toda essa relação de poder foi colocada até agora. é necessário lembrar que a cultura está sujeita às disputas e conflitos que.br/urbanismo5/artigos/artigos_mr.arq. é possível afirmar que as relações de poder interferem? Sim! . Chamamos a isso de “democratização da cultura”.dentro de uma única sociedade que possui a mesma influência cultural. com bastante poder. os recursos não são divididos de forma igualitária. da arte ao saber. Rio de Janeiro. de todas as classes sociais. A indústria. todos fazem parte de uma mesma totalidade.ufsc. diversão e saberes. a cultura popular deve ter incentivo para não depender apenas dos interesses empresariais que querem vender mais e acabam deixando de lado verdadeiros talentos. artigo publicado no Jornal da Embratel. a erradicação do analfabetismo é muito importante para toda a sociedade. o domínio dos saberes técnicos especializados foi importante para criar noções como progresso e desenvolvimento. e também em assunto institucional. Os poderes econômico e político têm um efeito direto sobre a cultura. e não uma minoria. existe uma intensa movimentação de interesses na forma como a cultura “circula” em nossa sociedade. em uma sociedade de classes. No processo histórico de formação da sociedade capitalista. Por isso dizemos que saber é poder.

e contra as desigualdades básicas das relações sociais no interior das sociedades. eu falo do poder de quem faz cultura. aos valores. Cultura eu defino como um plasma invisível que a gente não consegue identificar. está em constante mudança. por isso têm acesso a uma parte “privilegiada” da cultura. É por isso que as lutas pela universalização dos benefícios da cultura são ao mesmo tempo lutas contra as relações de dominação entre as sociedades contemporâneas. E como vamos dar poder para isso que a gente mal sabe o que é? Mas. Para transformar o quê? . como também a história das relações entre as diferentes nações em cada época. Veja a seguir: Como o livro aborda o poder da cultura? O que eu tento apresentar no livro é que a idéia de cultura nasce a partir de relações de poder. Não existe cultura sem relação de poder. quem faz cultura tem poder. colocar suas pautas e desenvolver a sua ação política. Quero dar uma perspectiva nova. desigualdades no plano cultural. abaixo está reproduzido um trecho da entrevista com o autor Leonardo Brant. e também à arte e diversão. Para aprofundar um pouco mais esse assunto. Eu faço uma análise da cultura a partir das dinâmicas socioculturais com esse filtro das relações de poder. a própria cultura acaba por apresentar poderosas marcas de desigualdade. que está relacionada aos modos de vida. SP: Brasiliense. pela Editora Peirópolis. apropriação. aos saberes de forma geral. E como conseqüência disso. Portanto podemos afirmar que há desigualdade cultural entre os povos atualmente. Esse processo acompanha a história de uma nação. Os preconceitos culturais podem marcar uma sociedade que possui diferentes etnias e grupos com culturas muito próprias em seu interior. mas também pode marcar as relações entre povos que ocupam mais ou menos poder. O assunto do livro está bastante relacionado com a nossa discussão. tento buscar mais do conceito. Há aí controle. Esse "para transformar" não está contemplado no conceito da Unesco. 84-86) Como a cultura é dinâmica. mas nas sociedades de classe seu controle e benefícios não pertencem a todos. Isso se deve ao fato de que as relações entre os membros dessas sociedades são marcadas por desigualdades profundas. O que nesse aspecto ocorre no interior das sociedades contemporâneas ocorre também na relação entre as sociedades. de tal modo que a apropriação dessa produção comum se faz em benefício dos interesses que dominam o processo social. seja um poder no sentido do cidadão.Da mesma forma como alguns grupos conseguem o domínio econômico dentro de uma sociedade. (SANTOS. Sem querer contrapor essa definição. É um livro sobre a função política da cultura. Vamos ler um trecho do autor indicado na bibliografia para concluir esse módulo: A cultura. São lutas pela transformação da cultura. na época do lançamento de seu livro “O Poder da Cultura”. da cultura como o que você pode extrair desse modo de vida e dos valores para transformar. 2006: pgs. é uma produção coletiva. O QUE É CULTURA. temos que compreendê-la como um processo. às crenças. Eu parto da definição de cultura da Unesco. José Luiz. Algumas nações mais poderosas economicamente no cenário mundial garantem mais acesso a educação. Elas também influenciam mais as outras do que são por elas influenciadas. da capacidade de se manifestar. como temos visto. sem dúvida. A cultura seria um poder? Na verdade. A diversidade cultural é acompanhada de diferenças de poder. entre diferentes sociedades essa mesma disputa ocorre.

A nação brasileira sequer sabe o que é serviço cultural. Se eu me transformar. de educação. mesmo que você não queira olhar para eles. existem os efeitos políticos. eu transformo meu entorno e eu transformo a sociedade. E aí eu falo de qualquer dinâmica cultural.html>) Concluindo. se identificar. na data de 25/04/2010. Apesar disso. porque por enquanto é só um discurso.importante. O grande desafio com política pública no Brasil é como universalizar esses serviços. dentro do ambiente em que vivemos . é correto afirmar que a cultura está influenciada pelas relações de poder econômico e político? . Essas dimensões são convergentes.de um país capitalista. Assim como existe uma dimensão social e econômica no fazer cultural. mas acho que não devemos abrir mão da lei de incentivo em troca de um discurso de retomada do papel do Estado na cultura. mas outra coisa é a dimensão cultural da economia. como se dão e como a nossa relação com esses sistemas de construção do imaginário acontece. Quando a gente construir dez anos de investimentos diretos e consolidados que sejam isentos. Mas o mais importante é se transformar.globo. eles estão ali. Como é esse acesso à cultura pela população? Existe o direito de conhecer as outras culturas. Nesse sentido de transformações. Nesse processo. mas é a que temos. os artistas devem ter função social ou política? Mesmo sem se dar conta. Eles têm uma dimensão política que é intrínseca ao fazer cultural. É um assunto polêmico. e não seja algo atrelado a questões políticas e eleitorais. sim. Exercício com resposta para o módulo 71) A cultura é o conjunto de idéias. Faz parte da estratégia dos sistemas de poder de informação não falar sobre os meandros de seu próprio sistema. Aí a gente começa a compreender o sistema financeiro e que tem uma relação de equilíbrio entre o lado cultural e o econômico. está muito subordinada a ditames de comportamento que foram dados e construídos por sistemas culturais preestabelecidos que muitas vezes a gente não se dá conta que existem. saber a que veio. Por isso “ter cultura” é algo que exige investimentos pessoais e sociais. do grupo social e da sociedade como um todo. nos dias de hoje a circulação da cultura está muito associada ao capital. o que você acha das leis de incentivo? Com certeza não é a melhor maneira de se realizar atividade cultural no país. Isso acontece porque fomos alijados desse direito na formação do nosso Estado.com/_conteudo/2010/04/629540-entrevista+++leonardo+brant+++especialista+na+area+de+politicas+culturais. A sociedade precisa incorporar esses processos. Não devemos abrir mão dele por uma coisa que não sabemos o que é. de tentar se reconhecer. da arte contemporânea. Para isso o Estado precisa fornecer esses tais serviços culturais. qualquer tipo de expressão e processo que passe pela questão cultural. autônomos. texto disponível em <http://gazetaonline. (entrevista de Tatiana WUO. A nossa sociedade do consumo. tradições e costumes de um povo. mesmo que não se faça com uma intenção específica. embora muitas pessoas não queiram admitir . Então como se dá a transformação da cultura em produto? Eu considero essa dimensão econômica da cultura. aí teremos um sistema um pouco mais desenvolvido. saberes. Sabe o que é serviço de saúde. Faz parte do processo cultural tentar explicitar um pouco mais as relações de poder. Não temos direito ao conhecimento existente em espaços como uma biblioteca. do espetáculo. Vai te transformar e auxiliar no embate cotidiano que o ser humano tem.A gente desde o começo apresenta a cultura do ponto de vista do indivíduo. que tem diversas nuances. seja da cultura popular. para o jornal Gazeta online.

c)Sim. acessado em 10/03/2009. Então preste atenção: multicultural se refere a uma sociedade que é formada por muitas etnias (=culturas) diferentes. 205-214. Sugestão de sítios da Internet: “Tribos de Brasília” – blog editado por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília: http://bsbtribos. Mércio Pereira. e portanto uma minoria privilegiada economicamente tem acesso a mais bens culturais. S (Org. IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE. MÓDULO 8 8. São Paulo: Ed. Stuart. filosofia da cultura. O outro e sua subjetividade. Pp.blogspot. 2004. e que de alguma forma fazem questão de manter hábitos próprios e suas tradições. “Identidade cultural”. pois na sociedade capitalista a cultura se transformou em bens comercializados.com/2006/moda-e-tribos-urbanas/. Antropologia – ciência do homem. ANTROPOS E PSIQUE. Ed. 21:12. K. “Moda e Tribos Urbanas” – blog editado por Queila Ferraz Monteiro. KEMP. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: HALL. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO Segundo Stuart HALL MULTICULTURAL: características sociais e problemas de governabilidade apresentados por sociedades com diferentes comunidades culturais. MULTICULTURALISMO: estratégias e políticas usadas para governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade em sociedades multiculturais. 21:00. São Paulo: Contexto. 2003. 7ª ed. 5ª. in GOMES. . Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção em diversos cursos superiores e de pós-graduação: http://www.com/.fashionbubbles..). Rio de Janeiro: DP&A. 2009. in GUERRIERO. acessado em 10/03/2009. Identidade cultural na atualidade: multiculturalismo e tribalismo urbano – 2º bim BIBLIOGRAFIA BÁSICA: “O futuro da antropologia”. Olho D‟água.

cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3186) Identidade versus Diferença – São conceitos inseparáveis e mutuamente determinados: não temos como perceber ou definir uma identidade cultural sem relacionar com alguma outra que é DIFERENTE dela. de um numero cada vez maior de etnias. formam sociedades MULTICULTURAIS. ou mesmo demanda de mercado. é uma forma de atitude política que se baseia no reforço das IDENTIDADES CULTURAIS: A globalização do capital e a circulação intensificada de informações.que tomam os mais diversos setores da vida social. Isso os torna multiculturais também. o direito à diferença. Portanto o debate do multiculturalismo nos leva aos conceitos de IDENTIDADE CULTURAL. longe de uniformizar o planeta (como propalado por certas interpretações fatalistas). . quem quer ser igual a quem. Atualmente. quase todos os países europeus. e consequentemente de DIFERENÇA CULTURAL.Apesar de comporem uma mesma sociedade nacional. programas de apoio aos grupos marginalizados. e enfrentam muitos problemas políticos para que todos se sintam INCLUÍDOS. Quem é igual a quem em uma sociedade multicultural? Ou mais. Enciclopédia Eletrônica. educação bilingüe.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.itaucultural. disponível em: ttp://www. começam a conhecer a convivência com a participação em sua população. Mulheres. não apenas com direitos iguais. e haver uma CULTURA NACIONAL que agrega a todos indistintamente. homossexuais. um país multicultural convive com setores que se diferenciam muito em sua forma de convivência. Muitos países no mundo de hoje são sociedades multiculturais. negros (ou afro-americanos). populações latino-americanas ("hispanos" ou chicanos) e migrantes em geral se fazem presentes como atores políticos a partir da marcação de diferenças de gênero. no período colonial. Faziam parte da história de territórios colonizados. mas que sejam igualmente valorizados como parte de uma sociedade múltipla. Cotas paras minorias.as "políticas compensatórias" ou as "ações afirmativas" . trazem consigo a afirmação de identidades locais e regionais. a partir das garantias igualitárias. O multiculturalismo como expressão cultural da atualidade. com a ajuda de novas tecnologias. que eram ocupados por uma sociedade etnicamente homogênea. As sociedades multiculturais não eram comuns até a década de 80. demandas de serviços e políticas. assim como a formação de sujeitos políticos que reivindicam. ações anti-racistas e antidiscriminatórias são experimentadas em toda a parte. quem quer ser diferente e mesmo assim tratado igualmente? O Brasil e os Estados Unidos são países que desde sua criação. A cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social . (FONTE: Itaú Cultural. culturais e étnicas.

de qualquer cultura que seja. e que nas sociedades contemporâneas faz parte de uma exigência para nossos posicionamentos e atitudes. como intersubjetivamente. Ao entrar em contato com diferentes setores e ordens da sociedade. pode conhecer. a um “estilo pessoal”. entrar em contato e experimentar a totalidade desse conjunto. A cada uma delas o sujeito avalia qual seu grau de envolvimento e como delas se aproxima. Nenhum indivíduo. “Eu considero justo que as pessoas tomem ESTA tal atitude em tal situação?”. vestuário e adornos corporais. Qual seja: “As pessoas têm direito a serem iguais sempre que a diferença as tornar inferiores. os indivíduos passam pelos processos de socialização. a “ter personalidade” (que no senso comum é um conceito difuso e polissêmico). pois entende que podemos “perder” nossa identidade). através de práticas coletivas próprias. Boaventura de Souza Santos. . “Eu percebo beleza NESTA forma de aparência social?” Tais questionamentos fazem parte da capacidade de REFLEXÃO que cada um de nós possui. DESTA forma. recebem a visão de mundo de sua cultura. “Eu me sinto bem ao pensar sobre esse assunto DESTA maneira?”. Perguntas como: “Fazer isso. A identidade cultural de um grupo se manifesta tanto externamente. rituais. A cada cultura corresponde um imenso e vasto repertório de hábitos. a uma “atitude pessoal”. por exemplo. Para constituir uma identidade. endoculturação. Somos o tempo todo “cobrados” a uma “opinião pessoal”. práticas sociais e agendas políticas. Somos cobrados a “ter identidade” (também uma outra noção do senso comum bastante confusa.Diferença.” O conceito de identidade cultural permite compreender os processos através dos quais os indivíduos passam a tomar como “gosto” ou “preferência pessoal” um conjunto que expressa sua subjetividade e o coloca nas relações interpessoais de forma a sentir que pertence a um coletivo. capazes de informar o modo como indivíduos marginalizados são posicionados e construídos em teorias sociais dominantes. Todos os conceitos trabalhados anteriormente nos outros módulos fazem parte dos processos de identificação. quando cada indivíduo entende como próprio de si mesmo um conjunto de hábitos e formas de sensibilidade que foram coletivamente constituídas. me dá prazer?”. têm também direito a serem diferentes sempre que a igualdade colocar em risco suas identidades. um iminente sociólogo da atualidade tem uma frase que colabora de forma excepcional para a compreensão do debate sobre a identidade e o direito à diferença. ou o direito à diferença: conjunto de princípios que organizam elementos culturais e princípios de valores de inclusão e exclusão. A diferença está no seguinte ponto. saberes. valores. introjetam os valores. cada indivíduo entra em um processo de identificação. técnicas. onde os elementos de sua subjetividade vão se reorganizando em função de novas experiências. contudo.

a identidade cultural de um ou outro grupo que crie uma identidade será aceita pela maioria que segue o modelo imposto. temos a oportunidade de obter informações ou participar de diferentes grupos que relacionam os elementos culturais de forma original e passam a construir uma “identidade própria”. Nesse contato. cada grupo precisa se fazer contrastar dos demais. Entretanto. que são impostos a todos os indivíduos dessa dada sociedade. O estereótipo se realiza quando a sociedade cria uma imagem mental (um imaginário) falso com idéias que reduzem a identidade cultural de um certo grupo a conteúdos que pretendem denegrir. o que faz com que pareça que identidade é sempre uma questão de escolha.processual: faz parte de um sistema complexo (pois inclui a referência dada pelo grupo. . podemos encontrar um amplo espectro de grupos que se identificam de forma bem distinta. a sociedade tenta reprimir o processo de desenvolvimento dessas identidades. uma opção. o preconceito.contrastiva: para que se destaque de forma única. Nas sociedades modernizadas atualmente. Essa identidade pode ser compreendida dentro dos seguintes processos: .relacional: é “em relação” ao outro que afirmamos nossa identidade. As identidades hegemônicas correspondem a modelos do padrão moral. nos fazendo mais próximos ou distantes de uma ou outra forma de identidade coletiva. existem processos de constituição de grupos com identidades que de alguma forma negam ou entram em conflito com esse padrão hegemônico. A referência da diferença é o que faz a identidade. a subjetividade. em nossa trajetória pessoal e os contatos sociais que vão se sucedendo ao longo da vida. como através da punição moral e da vigilância através de normas e leis. Nesse caso. tanto através de mecanismos de socialização. tratando os indivíduos participantes através de estratégias que geram exclusão social – o estereótipo. as relações entre os vários grupos com diferentes identidades e assim por diante). há como um “padrão” de comportamento social. Ser estigmatizado em função de características de comportamento ou crenças é algo que podemos encontrar em referência a diversas identidades sociais ao longo da história. podemos nos identificar mais. É como . Estamos falando sobre a forma como certos grupos exercem PODER sobre outros.Bem. e desde que as atitudes dos indivíduos se enquadrem dentro desse padrão aceito. e contínuo ao longo da vida de cada indivíduo. ou seja. Para cada grupo social existem identidades que são hegemônicas. seus participantes passam a receber um tratamento social desigual cuja mensagem bastante clara é: “não aceitamos sua identidade”. Desta forma. diminuir a importância desse tipo de comportamento. o estigma. Mas não é exatamente assim que acontece no cotidiano das pessoas. . ou menos com cada tipo de comportamento. dominantes em relação a muitas outras. Quando há uma severa desaprovação relacionada a certa identidade social.

exigindo um tratamento que não gere exclusão social ou desigualdade de direitos aos cidadãos. pois se organiza em torno de associações lógicas questionáveis e sem contato com a realidade sobre a qual pretende afirmar qualquer coisa. cujos traços característicos ou comportamento expresso não correspondiam ao modelo hegemônico. esclarecimento e receptividade da sociedade. Atualmente o conceito de minoria se refere a essa dimensão da posse do poder de controle sobre a moral da sociedade ou da ausência desse mesmo poder. ou de uma forma de orientação da sexualidade. À posse do discurso sobre os direitos ou da ausência do reconhecimento social de direitos iguais. “rotular alguém”. . É um conceito sobre pessoas que é pré-estabelecido. O preconceito é um julgamento estabelecido previamente a qualquer conhecimento aceitável. Também correspondia ao termo maioria. mesmo porque essa questão é muito relativa ao universo social ao qual esse ou aquele grupo pode estar relacionado. ou de uma crença. estigma ou estereótipos. São as chamadas “ações afirmativas”. Por que essa referência de dimensões? Minoria e maioria? Exatamente a o que elas se referem? Apenas ao número de pessoas? Entendia-se que estatisticamente. Um dos traços marcantes da sociedade contemporânea tem sido exatamente esse. “Os negros são inferiores”. mas possuem força moral sobre a maioria dos indivíduos do grupo. que foge dos padrões tradicionais e se organiza em torno de propostas de ação que gere impacto positivo. Não existe mais a noção de maioria ou minoria estatística. cuja mobilização procura gerar um debate na sociedade em termos de direitos de igualdade e reverter situações de preconceito. e inferiores também em termos de poder ou alcance para fazer valer a legitimidade de sua identidade coletiva. e que se organizam em torno de reivindicações de direitos sociais. Essas associações fazem a ligação entre características físicas e conteúdo mental. Uma minoria pode ser constituída por traços básicos de uma etnia. Os critérios que possibilitam criar essas idéias não possuem comprovação e não são demonstráveis. por conseguir impor através da hegemonia um modelo padrão de identificação. Ele procurava designar a existência de grupos dentro da sociedade contemporânea. O termo “minorias sociais” surge a partir da década de 70 do séc.comumente se diz. Um pré-conceito de fato. psicológico ou moral dos “outros”. “as louras são burras”. a maioria das pessoas correspondia às expectativas dos padrões morais que regem a conduta dentro de nossa sociedade. Num certo contexto a minoria é realmente menor estatisticamente em relação a certo universo de pessoas. Afinal. À minoria corresponderia então grupos estatisticamente inferiores. Um determinado grupo social passa a ser reconhecido como “minoria social” quando vem de alguma forma se expressar. É uma nova forma de atuação política. XX. Setores da sociedade que possuem características marcantes o suficiente para que lhes seja atribuída uma identidade. quando as pessoas tomam contato com a realidade do outro há uma possibilidade de se abandonar preconceitos. mas em outro contexto essa minoria pode representar até mesmo uma maioria estatística. “os pobres são ladrões” são afirmações carregadas de preconceito.

as vezes rejeitando os mecanismos que seduzem os indivíduos a participar dele. travestis. Ao lado das chamadas minorias sociais. “jipeiros”. principalmente grupos étnicos que em muitos lugares são oprimidos por sua condição de origem. para além do que o senso comum consegue compreender. valores e rituais que os diferenciam da sociedade em geral. formando essas “tribos” são a expressão de novas formas de sensibilidade social. atividades de sociabilidade. quem é “de fora”. Esses grupos se constituem em torno de estilos de vida.São chamadas minorias hoje. grupos de orientação religiosa não católica ou protestante. “metaleiros”. não consegue compreender. construindo uma estética própria. implantes. experimentam novas formas de convívio social e colocam em jogo novos valores. o senso comum considera “exagero” e reprime ou procura desmoralizar através do estigma. O que esse fenômeno social nos mostra. eles provocam na sociedade uma reflexão sobre nossos padrões de conduta. Normalmente. atividades lúdicas. piercings. Sem a pretensão de se tornarem dominadores. “góticos”. Com o crescimento do mercado capitalista de consumo. escarificação entre outros). “modernos primitivos” (que praticam muitos estilos de modificação corporal como tatuagens. Os grupos que se organizam em torno de estilos de vida. transgêneros. e não “disfarçar” para não serem notados. Os indivíduos que fazem parte de uma “tribo urbana” não ocultam essa forma de gosto ou identidade. podemos encontrar grupos que se organizam em torno de propostas de lazer. as pessoas que participam dessas tribos. Vamos citar alguns: “rappers”. e compartilham diferentes modos de vida. as vezes colaborando para aumentar seu repertório. São as chamadas “tribos urbanas”. podemos testemunhar o fenômeno da formação desse tipo de constituição de uma coletividade. Exercício com resposta para o item 81) Quando muitas culturas convivem dentro de uma mesma nação. Em grandes cidades do mundo todo. arte e que em alguns casos. surgiu uma forma de expressão de identidades que com ele dialoga. desde o final da II Guerra Mundial. “emos”. a atuação política se faz também presente. . é que atualmente os indivíduos procuram refletir sobre sua subjetividade e expressá-la de formas criativas e originais. é correto associar ao conceito de: c) Multiculturalismo. consumo. e fazem questão de serem reconhecidos por ela. “skatistas”. e utilizam um linguajar com gírias e termos que. Através da convivência nesses grupos. grupos de orientação sexual não heterossexual (homossexuais. Eles querem exatamente mostrar essa diferença. bissexuais). Por isso utilizam um vestuário característico. “moto bikers”. se reúnem em locais que acabam sendo reconhecidos como “seu território”.

Luiz Henrique. é tentar encontrar uma perspectiva de abordagem desse outro. Nesse tipo de pesquisa. que seja imparcial. Bibliografia complementar: Instituto Goiano de História e Antropologia. PASSADOR. Bibliografia básica: “Metodologia”. in GOMES. F. o cientista passa um longo período de tempo convivendo na cultura que quer conhecer. São Paulo: Contexto.1 E sobre a pesquisa antropológica? Qual sua importância para essa temática das identidades contemporâneas? A pesquisa de campo reescreveu a história da antropologia. ele não chega com questionários prontos e não se preocupa com a quantidade de respostas obtidas para a mesma questão. pp 29-49. mas passa a participar de algumas atividades com seus anfitriões. texto disponível em: http://www. Mércio Pereira. “Os pais fundadores da etnografia – Boas e Malinowski”. Ela veio a ser uma alternativa às chamadas “pesquisas de gabinete”.br/ucg/institutos/igpa/site/home/secao. procurando se colocar sempre que possível no lugar do outro. SP: Olho d´Água. Pp. 53-67. Desenvolvimento do conteúdo – item 8. Sua principal preocupação é obter “informantes”. 2003. in Aprender Antropologia. . Antropologia – ciência do homem. A partir do contato direto entre pesquisador e cultura pesquisada. mas não tão distante como o do observador de laboratório. portanto. O campo da antropologia: constituição de uma ciência do homem. 2009.1 . Ele também não se limita a ser um observador. que são pessoas que lhe facilitam o trânsito. O principal.MÓDULO 8 – item 8. Pesquisa de Campo. os contatos e debatem com o pesquisador sobre suas dúvidas a respeito do que está sendo observado.Identidade cultural na atualidade: pesquisa antropológica. PP.1 CONTEÚDO PARA A PROVA NP-2 – 2º bimestre 8. os pressupostos sobre cultura e comportamento humano sofreram mudanças importantes. Ou seja. Brasiliense.75-92.ucg. Ele se torna o que chamamos de “observador participante”. in ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade. filosofia da cultura. que se caracteriza por manter o pesquisador distante da vida real dos indivíduos que pretende conhecer.asp?id_secao=1731&id_unidade=1 LAPLANTINE.

Assim. Podemos com isso refletir melhor sobre as relações com a diversidade. é necessária uma imparcialidade em seu discurso. teses e artigos que abordam ENCONTROS COM O OUTRO. alguns grupos ou culturas inteiras. O resultado é que temos hoje uma grande produção de textos. dominam saberes. farmácia. Os relatos produzidos pelos antropólogos em campo são chamados de “etnografias”. quando ele pode garantir que não estará sendo etnocêntrico. É o mesmo que “se colocar no lugar do outro”. dentro de sua própria visão de mundo. mas também procura evitar o risco de se transformar no outro. o pesquisador promove uma mudança interna de valores e permite que o outro seja interpretado dentro de seu próprio conjunto de conceitos. . como em sociedades alheias. que literalmente significa o registro escrito da experiência étnica.Ao observar. Ao mudar sua própria subjetividade. O antropólogo. que para cada tipo de profissional podem se transformar em dados importantes. Nos campos da pedagogia. publicidade. mas também participar. Após a permanência em campo. ou qualquer outro pesquisador que utilize essa técnica de pesquisa. física e subjetivamente. Mas consegue interpretar esse outro modo de vida dentro de sua própria razão e lógica. que passaram a produzir pesquisas semelhantes. Esse distanciamento posterior é o período de reflexão sobre os dados obtidos. técnicas ou simplesmente mantêm hábitos. administração. não faz para os outros. consegue obter uma riqueza de detalhes sobre o modo de vida dos “outros” que é muito superior a outros métodos. nem da do outro. entre outros já existe uma grande produção de pesquisas que recorrem ao método da antropologia para obter resultados qualitativos muito interessantes. Não está “em defesa” de ninguém. o que faz sentido para nós. teorias. ele deve procurar a elaboração de uma interpretação que possa garantir a imparcialidade. o pesquisador tem a oportunidade de utilizar o “olhar antropológico”. sem distorcê-los. e dentro da ética exigida. e vice-versa. Muitos campos de atuação profissional têm se beneficiado com pesquisas que exploram os saberes. e há a procura de um meio termo. Muitas vezes. educação física. muitas vezes. enfim todo o universo de grupos que podem estar dentro de nossa própria sociedade. O que acontece é que. o pesquisador se retira. As técnicas de observação de campo da antropologia influenciaram muitos campos de estudo. Não é mesmo? por isso esse tipo de pesquisa tem como objetivo “traduzir” diferentes comportamentos. nutrição. depois de preparado metodologicamente. o conjunto de valores. Como cientista. mas com objetivos específicos de suas próprias áreas de atuação e saber. marketing. no qual o pesquisador consiga falar sobre o outro sem ser etnocêntrico. nem de sua própria cultura.

mas interpretando esse outro de forma a respeitar sua própria lógica. .11) A pesquisa antropológica propõe que o observador-pesquisador participe de atividades rotineiras do grupo estudado. e é denominada etnografia ou pesquisa de campo. Esse contato com a cultura estudada tem como objetivo: d) Compreender uma cultura alheia sem a necessidade de julgá-la.Exercício resolvido para o item 8.

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