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Homem e Sociedade - UNIP

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CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 1 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO - item 1 1.

A ORIGEM HUMANA Neste conteúdo são abordados temas e idéias como: - a teoria evolucionista e a explicação da biologia para a origem e evolução do ser humano; - a colaboração da teoria antropológica sobre a visão da biologia e do evolucionismo; a antropologia defende que a explicação puramente biológica é apenas uma parte de nossa complexa evolução – o papel do comportamento cultural também foi determinante para surgimento de nossa espécie como é hoje. - a antropologia afirma que é falsa a afirmação que o ser humano é determinado pelo clima ou pela herança genética; sim, as populações se adaptam a diferentes meio ambientes para sobreviver, mas não é o meio ambiente que determina nosso comportamento; sim, cada indivíduo é resultado de uma herança genética, o que não significa que é “escravo” dessa herança.

Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da humanidade. Ter costumes e hábitos aprendidos é um comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. O tema possibilita uma abordagem que ressalta a importância da compreensão do ser humano como um ser bio-psico-social, ou seja, somos seres cujo comportamento é determinado ao mesmo tempo: BIO - por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico que temos e como podemos utilizá-lo); PSICO - por nossas experiências pessoais racionais e afetivas de mundo e; SOCIAL - pelo meio social onde vivemos. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda se comunicar através desta ou daquela língua?

Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a História, tem explorado profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. Até o momento puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie, que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei da selva”. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber que alimentos são comestíveis e como devemos preparálos? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Essas questões devem ser respondidas ao longo desse tema. No séc. XIX Charles Darwin (biólogo), afirmou que todas as espécies vivas resultam de uma EVOLUÇÃO ao longo do tempo. Isso significa, que se retornássemos em nosso planeta há milhões de anos atrás não encontraríamos as espécies conforme as vemos hoje. Cada ser vivo, para chegar até hoje, passou por sucessivas e pequenas transformações que possibilitaram sua sobrevivência; esse processo de mudanças orgânicas ocorre por necessidade de ADAPTAÇÃO AO MEIO. Consideremos que as condições do meio como clima, quantidade na oferta de alimentos e todas as questões relacionadas às condições ambientais, estão em constante mudança. Pois bem, as formas de vida existentes precisam acompanhar essas mudanças, estando sujeitas – segundo Darwin – a dois destinos: a) podem se adaptar e ao longo de muitas gerações apresentarem mudanças visíveis; b) não conseguem se adaptar, entrando em extinção. Quais são as espécies que conseguem se adaptar? São as que possuem alguns indivíduos do grupo dotados de características tais que o permitem sobreviver e gerar uma prole (conjunto de filhos/as) que dá continuidade a essas características. Os outros indivíduos de sua mesma espécie que não possuam tais características, não conseguindo “lutar” pela sobrevivência, têm mais chances de morrer sem deixarem descendentes. Assim, após muitas gerações, temos uma espécie que já não se parece com seu primeiro exemplar. A possibilidade da geração de uma prole com características que permitam a adaptação ao meio é, para os evolucionistas, chamada de “seleção natural” – sobrevivem apenas aqueles indivíduos com traços que os permitam a sobrevivência. Ao lado da seleção natural, as mutações aleatórias também são responsáveis pelas modificações de um organismo ao longo do tempo.

Uma das dificuldades do senso-comum em aceitar as idéias evolucionistas, está no fato que não podemos “ver” a evolução acontecendo – apesar de ela estar sempre acontecendo -, isto é, não testemunhamos alterações expressivas, pois as mudanças são muito sutis e ao longo de períodos de tempo muito longos do ponto de vista do ser humano. As alterações podem ser consideradas em intervalos de tempo não inferiores a cem ou duzentos mil anos. Portanto, muito além de qualquer evento que possamos acompanhar. Mas podemos acompanhar sim a luta pela sobrevivência e a mudança de hábitos em muitas espécies, como os pombos que povoam as cidades, mas não estão tão concentrados demograficamente nos campos. Essa espécie encontrou um ambiente ótimo nas cidades construídas pelos seres humanos, aprendendo rapidamente como obter abrigo e alimento, com a vantagem de estar livre de predadores como nas florestas e campos. Faz parte de sua evolução esse novo ambiente. Assim entendemos que a evolução biológica de todas as espécies vivas não acontece sem influencia de muitos fatores, não acontece de forma “mágica” e independente do tipo de meio e hábitos que podemos observar. Hoje em dia o darwinismo está com uma nova roupagem e temos teorias como o pós-darwinismo ou neo-darwinismo, que são conseqüência do desenvolvimento de nossa tecnologia de pesquisa, e do próprio conhecimento cujas portas foram abertas por Charles Darwin para seus sucessores.

"O APARECIMENTO DO HOMO SAPIENS- uma espécie que trabalha" O homem descende do macaco. Essa foi a afirmação polêmica de Darwin na segunda metade do séc. XIX e que dividiu opiniões na sociedade moderna. Essa polêmica permanece até hoje, pois encontrou como opositor o ponto de vista de uma prática humana muito mais antiga que a teoria da evolução: a religião. Não conhecemos nenhuma crença, em nenhuma cultura que coincida e concorde totalmente com a afirmação de Darwin. Da perspectiva das crenças, a criação da vida é atribuída a um “ser criador”, a algo externo e superior a toda a vida existente. Ao conjunto de teorias e explicações que partem desse tipo de raciocínio, denominamos “criacionismo”. Pois bem, para pensar como Darwin e a maior parte dos cientistas até hoje, esqueça suas crenças. A ciência não reconhece como possível a existência de seres superiores que tenham dado origem à vida, e muito menos entende que o ser humano é uma espécie “privilegiada” ou “superior”, seja pela capacidade de raciocínio, seja pela capacidade de criar crenças.

Para os evolucionistas, todas as espécies vivas foram surgindo das transformações de outras já existentes, dando origem a novas espécies, enquanto outras se extinguiram. Os primeiros humanos, chamados cientificamente de hominídeos, surgiram das transformações de algumas famílias de símios que fazem parte dos chimpanzés. Nossa espécie surgiu devido a mudanças biológicas e ao surgimento da cultura. Que mudanças biológicas são essas que nos diferenciam dos símios? O aumento da caixa craniana que nos dotou de um volume cerebral muitas vezes maior que o de um macaco. A postura ereta, que possibilita utilizarmos apenas os membros inferiores para nos locomover. E o surgimento do polegar opositor, que possibilita a nossa espécie da capacidade do chamado “movimento de pinça”. É a partir dessas três características básicas que desenvolvemos inúmeras outras características fascinantes como a capacidade da fala ou ainda a de fabricar instrumentos para nossa sobrevivência. Mas essas características como inteligência, fala e indústria não teriam surgido em nossos ancestrais se não fosse a presença de um tipo de comportamento que ajudou a modelar o corpo de nossos ancestrais, que é o comportamento baseado na CULTURA. Ou seja, a necessidade de comunicação, cooperação e divisão de tarefas facilitou o desenvolvimento dessas características BIOLÓGICAS. · Características biológicas: forma, funcionamento e estrutura do corpo. É a nossa anatomia, características herdadas biologicamente e que não são resultado da nossa escolha pessoal. · Características culturais: todo comportamento que não é baseado nos instintos, mas nas regras de comportamento em grupo que nos permite transformar a natureza para a sobrevivência (trabalho), e nos permite atribuir significados e sentidos ao mundo através dos símbolos (a cor branco simboliza a paz, ou o tipo de vestimenta simboliza status). Durante muito tempo pensou-se que o ser humano já teria surgido plenamente dotado dessas características em conjunto. Hoje sabemos que nossa cultura foi determinante para modelar nossas características biológicas ao longo do tempo, e vice-versa. Nossos ancestrais foram lentamente se transformando em humanos, e essa espécie que somos agora, foi aos poucos sofrendo pequenas transformações que ao longo de milhões de anos nos diferenciaram totalmente de qualquer ancestral símio. No início da história humana, nossos ancestrais eram muito semelhantes a um macaco. Tinham mais pelos pelo corpo, o cérebro era menor e a mandíbula maior. A postura não era totalmente ereta, e as mãos não tinham muita habilidade, pois o polegar ficava mais próximo dos outros dedos. O tamanho do cérebro foi aumentando muito devagar, como também a postura ereta surgiu gradualmente, e igualmente o polegar opositor não surgiu repentinamente. A cada geração, mudanças muito sutis

até que no chamado período “neolítico”. Essas mudanças por sua vez. que significa mudanças ao longo do tempo. determinou COMO somos hoje. durante o qual o ser humano desenvolveu técnicas determinantes para a história de nossa espécie: a agricultura e a domesticação de animais. formando aldeias e também colaborou para o crescimento demográfico. É importante compreender que nossa espécie não é fruto de coisas inexplicáveis. e nesse período de tempo nossa forma física foi se alterando. A introdução do trabalho como estratégia de sobrevivência. não tinham a postura totalmente ereta. Eram organizados em bandos que praticavam caça e coleta. segue um padrão estabelecido em nossa evolução para obter resultados: . e o pouco que puderam fazer então determinou sua sobrevivência. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. Nossos ancestrais não tinham a mesma caixa craniana que temos hoje. houve uma revolução. Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. É nesse momento que o ser humano começa a TRABALHAR. Isso permitiu à nossa espécie se fixar por períodos prolongados em determinados lugares. por isso dependiam de deslocamentos constantes em busca de alimento. Nessa época não havia escrita. Sobreviveram lascando uma pedra na outra para conseguir objetos pontiagudos e cortantes que serviam como arma de caça. Eram mais uma espécie entre tantas outras. portanto não comiam muitos alimentos cozidos. que é a mesma que nos permite falar. Durante muito tempo o domínio do fogo era um mistério. e não viviam em cidades. como raspador de alimentos ou qualquer utilidade para a vida humana. Dormiam em cavernas. que permitiram o sedentarismo (começamos a construir abrigos e povoados ao invés de habitar em abrigos naturais). são fruto de uma dura luta por parte de nossos ancestrais para sobreviver em condições pouco favoráveis e convivendo com espécies mais fortes e predadores mais bem preparados fisicamente para tal. e não eram tão inteligentes. e mais que isso. A agricultura e a domesticação de animais significaram a garantia de alimentação dos grupos humanos. Durante quase quatro milhões de anos sobreviveram dessa forma. pois possibilitou ou exigiu que nosso ancestral desenvolvesse comportamentos capazes de mudar nossa estrutura biológica. Ao fabricar os chamados instrumentos de “pedra lascada”. independente do sucesso na caça e coleta. mas resulta de um longo e lento processo de evolução. A “revolução neolítica” foi um período marcante em nossa evolução. e os únicos vestígios de comunicação encontrados são as pinturas em cavernas (arte rupestre) e pequenas estatuetas representando figuras femininas. ao invés de fabricar abrigos. e não mais viver da caça/coleta que o tornava dependente dos recursos nos territórios habitados.transformaram a espécie. e nesse processo a cultura teve um papel fundamental.

Grécia e China. provavelmente. Ele é o resultado de um processo muito longo no tempo. Essas características são importantes uma vez que possibilita que cada um de nós realize apenas um tipo de tarefa. compartilhando a condição se HUMANOS. Entretanto. O conjunto de tudo que o grupo social produz torna viável uma existência cultural. o polegar opositor e a aquisição da fala. afastando nossa espécie do comportamento instintivo e determinando essa longa e rica viagem chamada HUMANIDADE. A capacidade de dividir tarefas. Fixando-se em um lugar. Não é possível produzir sozinho tudo que necessitamos em nossa vida. A comunicação também sofre uma revolução que foi o surgimento da ESCRITA. mais segurança com as casas fabricadas. Até hoje utilizamos essas habilidades de trabalho em grupo para viabilizar nossa existência social. Foram nossas capacidades de ORGANIZAÇÃO e COMUNICAÇÃO que definiram tal resultado. a capacidade craniana. inaugurando o sedentarismo. e para os quais foram determinantes: a postura ereta. nos libertando da “lei da selva”. ü e a especialização. e não mais em bandos. o ser humano passa a viver em uma sociedade organizada. A partir da escrita e do surgimento das grandes civilizações da Antiguidade como Egito. divisão do trabalho e uma mente dotada de raciocínio lógico e abstrato ligado à criatividade e imaginação. Se não tivessem desenvolvido a capacidade de trabalho. divisão de grupos em parentesco. nossos ancestrais percorreram um longo caminho.ü a divisão de tarefas. O trabalho humano se fundamenta em características básicas como comunicação e cooperação. Mais alimentos disponíveis. nenhuma dessas características nos valeria muita coisa se não tivéssemos desenvolvido um tipo de comportamento baseado em regras de convivência social. ü a cooperação com o grupo. isso tudo levou a uma maior reprodução da espécie. Tais condições permitiram aos nossos ancestrais uma organização social mais complexa baseada na SOCIEDADE. . e nenhum de nós estaria aqui hoje. Mas para chegar até esse ponto. cooperar e se especializar permite atingir objetivos com resultados mais efetivos e também possibilita um conjunto social com melhor qualidade de vida. baseado nos princípios acima. conhecemos exatamente como a humanidade se desenvolveu. maior permanência do grupo. nossos ancestrais não teriam tido sucesso em sua evolução.

: 1) A respeito do evolucionismo e dos resultados obtidos por suas pesquisas. Título : 1. A antropologia discorda dessas idéias. indicado na bilbiografia: .Exercício resolvido para o item 1. 1º bimestre Conteúdo : Conteúdo de 1º bimestre (prova NP-1) DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO . Além disso. Ou seja. por pretenderem que um povo é determinado por variáveis sobre as quais não há controle humano. Já é antiga e muito conhecida a idéia segundo a qual as diferenças de comportamento humano de uma cultura para outra.1 . são totalmente provenientes das características biológicas de um povo (sua carga genética) ou ainda totalmente provenientes do meio ambiente (ecossistema.1 O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano. segundo essa teoria todas as espécies vivas são fruto de uma longa e lenta evolução. e é importante para resolução dos exercícios que você perceba que esses conceitos podem ser observados em nossa vida cotidiana. Neste item serão apresentadas todas as idéias acima. que denominamos de teorias deterministas.O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano. clima) onde ele se desenvolve.1 1. Devemos então compreender que o processo da vida é evolutivo.” Silas GUERRIERO afirma na pg. não apenas o ser humano. 24 do texto “A origem do antropos”.  “Como a Antropologia evidencia a importância da cultura na evolução da espécie humana – a visão do antropólogo Clifford GEERTZ.item 1. podemos afirmar que: c) A busca de restos humanos pré-históricos nos obrigou a considerar a evolução da espécie humana como outro animal qualquer. essas teses deterministas descartam a possibilidade do comportamento e valores de um povo ser proveniente de sua historia e das características humanas que giram em torno da experiência de mundo. inacabado e sem um objetivo ou plano pré-definido. Reconhecer as inconsistências das teses deterministas é um importante aprendizado para valorizar a vida cultural dos povos da humanidade.

Esse movimento de populações resultou em aparências distintas para cada grupo populacional. Somos todos partes de uma mesma família que foi dividida ao longo do tempo por sucessivas migrações. popularmente conhecida como “raças humanas”. por isso mesmo. 58 do texto “Idéia sobre a origem da cultura” no livro “CULTURA – UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO”: “A cultura desenvolveu-se. não estaríamos aqui contando essa história. formando um fenótipo próprio. compreendida como uma das características da espécie. se o tivéssemos conseguido. a CULTURA humana. mas também é portador de informações genéticas outras. essa evolução BIOLÓGICA não foi independente de sua “parceira”. podemos afirmar que a cultura é produto do humano. que são os genes que carregamos e podem ser determinantes nos resultados de nossa reprodução. provavelmente não teríamos sobrevivido e.” A leitura desses textos desenvolve a compreensão predominante atualmente na Antropologia. Um indivíduo com o fenótipo “pele clara e olhos azuis” carrega genes com essa informação. Cada indivíduo possui um fenótipo. mas antes. não teríamos diferenças anatômicas tão marcantes frente a nossos parentes mais próximos.” E Roque de Barros LARAIA. que corresponde à aparência física. o ser humano é uma única espécie. . pois. . cada indivíduo vai resultar de uma combinação genética de seus antepassados.R. que o ser humano não teve uma evolução puramente biológica para nos capacitar de inteligência e postura ereta. mas o humano é também produto da cultura.“Como Geertz. Assim. ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral. Vamos esclarecer alguns aspectos importantes. simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é. Entretanto somos portadores de genótipos. na pg. Não fosse essa extraordinária capacidade de articulação e fabricação de símbolos. de Barros LARAIA discute se somos DETERMINADOS ou não pelo meio ambiente e pela herança genética : Da perspectiva biológica. Em outras palavras.

Trata-se do determinismo geográfico. que pretendia ser complementar ao anterior e preencher as lacunas explicativas. ou muito frio teriam sofrido influências que. somou-se a esse equívoco científico um outro. Sim. um indiano. surgiram as teorias deterministas. é fundamental que você conheça os pressupostos com os quais a ciência humana contemporânea trabalha. Mesmo tendo sido totalmente desacreditadas pela ciência. Multiplicavam-se os exemplos de comportamentos diferentes para pessoas da mesma “raça”. . seja ele um esquimó. Dessa perspectiva ultrapassada. debateram sobre essa questão. Não há como refutar que qualquer indivíduo humano. populações de lugares com clima muito quente. é importante ressaltar que esse tipo de afirmação logo encontrou “furos”. à vegetação. aos animais circundantes.Durante muito tempo a sociedade em geral. Portanto. um dinamarquês. e a ciência. O determinismo biológico defendia que a herança genética seria a responsável pelo comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. apesar de terem fenótipos diferentes. ? TODOS OS SERES HUMANOS EXISTENTES HOJE DESCENDEM DE UM ÚNICO GRUPO HUMANO ORIGINÁRIO DO CONTINENTE AFRICANO. Essa é uma afirmação resultante de um século e meio de pesquisas. Acreditava-se que a cada raça correspondia uma cultura. todos os indivíduos carregam genes desses primeiros agrupamentos humanos. Você mesmo deve estar se lembrando de muitos exemplos que condizem com esse esquema explicativo. somadas ao fator biológico. valores e tradições. explicariam costumes. também seria um fator DETERMINANTE para a cultura ali desenvolvida. que defendia que a ecologia (o meio ambiente) no qual essa ou aquela população se desenvolveu. pois nem sempre a totalidade dos herdeiros de genes “brancos” ou “negros” apresentavam comportamentos semelhantes entre si. Assim. É fácil encontrarmos pessoas que atribuem ao clima. um escocês. esses determinismos ainda hoje permeiam a visão de mundo do senso comum. cujo material arqueológico foi mais recentemente reforçado pelo conhecimento genético. e ao fenótipo de cada população a explicação sobre “porque essas pessoas desse lugar agem de tal forma”. um japonês e assim por diante são descendentes de grupos oriundos da África. mentalidade. Bem. Entretanto.

Portanto. e nem biologia. Vamos a exemplos? Tomemos o caso da “facilidade” de indivíduos afrodescendentes para o desempenho em alguns esportes. os grupos que migravam para esse ou aquele lugar. e não apenas sobre seu legado biológico. que viveram praticamente isoladas umas das outras durante tempo suficiente para que fosse surgindo um tipo de “padrão” que chamamos etnia. Como a grande família humana foi seguindo rumos diferentes. como o basquete ou atletismo e que é popularmente divulgado. O que o senso comum diria a esse respeito: “Um indivíduo descendente de brancos pode se desempenhar tão bem quanto um descendente de negros nesses esportes?” A resposta óbvia. mas vou formular a seguinte questão sem qualquer preocupação científica ou política. mudanças importantes ocorreram para permitir a sobrevivência de nossa espécie em diferentes meios. A geografia desempenhou um importante papel para a diversidade de tipos humanos? Sem dúvida! Ao longo do processo evolutivo. seja para se relacionarem uns com os outros. até que ponto a essa herança biológica e essa influência do meio têm relação com a diversidade cultural? Leia novamente a questão. somos uma mesma família. que foi desenvolvendo aparências distintas como resposta adaptativa ao meio. há um LIMITE para tal influência. carregavam um conjunto genético que foi se estabilizando ao longo de séculos e séculos.Portanto. O que se aceita hoje é que esses são fatores importantes na relação do ser humano com o meio. Mas vamos refletir melhor sobre o comportamento humano. De fato. Mas. Não há dúvidas sobre a base biológica que fundamenta essa associação. NÃO EXISTE UMA DETERMINAÇÃO BIOLÓGICA / GEOGRÁFICA que sustente a explicação sobre a diversidade cultural. Mas não são determinantes. para a qual há inúmeros exemplos é: Sim! . A quantidade de melanina na pele e a dimensão do aparelho nasal foram sendo modelados para permitir nossa sobrevivência. Isso foi criando fenótipos próprios a cada população humana. nem ecologia são isolados ou em conjunto a única explicação para o comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. Desculpe. seja para sobreviver.

poderá ver que existem características que os diferenciam. o resultado será sempre o mesmo: uma cultura própria. O ser humano depende de desejos. O que explica a diversidade cultural. vamos considerar o que se segue. . as respostas às necessidades e a qualidade dos vínculos sociais resultam de uma história que é única àquele grupo. Qualquer coletividade está sujeita a um destino próprio. Concorda? Um indivíduo descendente de brancos que se determine a ser “exemplar” no basquete ou no atletismo pode atingir esse objetivo perfeitamente. e não fatores determinantes. das soluções criadas. O que ocorre é que um indivíduo com facilidades genéticas chega ao mesmo resultado com mais facilidades. Isso para qualquer coisa que você possa pensar. das experiências coletivamente vividas. Onde quer que se forme um grupo social.Entretanto. Basta que se dedique a aperfeiçoar o que deseja ser. Em cada grupo social. Ele não necessita dos genes para ser isso ou aquilo. da mesma forma em todos os lugares. mas acima de tudo está a determinação. A genética e a geografia são elementos na relação do homem com o meio. a cada momento. Portadores das marcas da história. Daqui a algumas gerações. E a cultura é o resultado. os desejos e o investimento social que cada indivíduo pode dispor para desenvolver certas características de seu comportamento. se não há determinismos? O ser humano é uma espécie moldável e criativa. estímulos e condições para chegar a objetivos. precisa se dedicar mais para atingir igual resultado. dessa experiência de vida que não se repete exatamente com os mesmos eventos. com características ambientais muitos semelhantes às quais estão acostumados. Aquele que tem a genética “contra si”. cada grupo vai construindo um conjunto absolutamente único que é sua cultura. E assim se dá. Os genes podem ser facilitadores para certas coisas. quanto mais o tempo passa. A diversidade cultural é inerente ao ser humano. Vamos supor que você tome uma parcela da população norte-americana de hoje e os coloque para viver durante um longo período de tempo em um outro local. se você for analisar esse grupo e o grupo de origem.

pp 30-52. 2005..php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES.” Esse tipo de afirmação está corretamente associado com que se segue: A ) Determinismo biológico Título : 2.Um Conceito Antropológico. e não em decorrência de uma educação diferenciada.org/portal/index.1).gpveritas. .1 .. F.O conceito de cultura através da História. in LARAIA. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 . Roque de Barros. Cultura. 2. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. SP: Brasiliense.Um Conceito Antropológico.O surgimento da cultura na humanidade. in LARAIA. APRENDER ANTROPOLOGIA. Rossano Carvalho.gpveritas. Roque de Barros. 17ª ed. Rossano Carvalho. “O século XVIII: a invenção do conceito de homem”. 2007. 37-62. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. Textos complementares: “A pré-história da Antropologia”. Bibliografia Textos básicos: “Idéia sobre a origem da cultura” (item 2). 19ª ed. Antropologia. Sugestão de texto eletrônico disponível na Web: NUNES. in LAPLANTINE. 1º bimestre Conteúdo : CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 2 2.Exercício resolvido para o tema 1.1: 1) “Um menino e uma menina agem diferentemente em função apenas de seus hormônios. “O desenvolvimento do conceito de cultura” (item 2. CULTURA . pgs. CULTURA .O surgimento da cultura na humanidade.org/portal/index. 2005. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. “Antecedentes históricos do conceito de cultura”.

e não simplesmente somos “jogados” nele. chorar ou sonhar varia imensamente. Esse “modelo” para nos comunicar e dar sentido ao que pensamos. e esse termo pode servir para diferenciar pessoas de acordo com seu status ou ainda para afirmar a superioridade de alguns povos sobre outros.item 2 A antropologia propõe que a cultura é a base de nossa forma de encarar o mundo à nossa volta e dar formas e significados a ele. Poderá também identificar a importância da cultura como mediadora das relações humanas e nossa capacidade de comunicação através dos símbolos. modifica nossa ética de relação com o meio ambiente. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO . em que momento de nossa evolução o ser humano passou a viver distante da natureza e dos instintos. . incluindo planos pessoais e organização de regras de convivência. sonhos e mensagens. Desde a língua que falamos para nos comunicar. Identificar a pesquisa antropológica como instrumento de aproximação entre diferentes universos culturais. aquilo que nos faz rir. Portanto há questões éticas envolvidas com esse conceito. Vamos considerar que grande parte das coisas que realizamos em nosso dia-a-dia. e passou a depender da cultura? Ou ainda. Ao final deste tema.Objetivos: O termo “cultura” não é utilizado apenas para descrever o conjunto de conhecimentos e tradições de um povo. é resultado de um modelo coletivo de pensar como devemos ser? Isto significa que aprendemos a estar no mundo. como podemos relacionar a evolução de nossa espécie e a influencia da cultura no desenvolvimento geral da Humanidade? Somos seres culturais. Há inúmeras formas em seu uso. E em cada uma das culturas humanas. nossa carga genética) e meio social. são criados de acordo com uma mentalidade coletiva comum. é dado pela nossa cultura. Mas afinal. com a visão científica que universaliza a condição cultural humana. modelou a evolução até mesmo biológica de nossa espécie. você poderá confrontar as noções de cultura do senso-comum que remetem a hierarquias sociais de educação e formação de valores. portanto todo o nosso comportamento depende de uma combinação complexa entre característica inatas (que fazem parte de nossa natureza. que chamamos de cultura. Compreender como isso se deu. Nosso comportamento baseado em valores e tradições. até os símbolos que associamos a crenças.

como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Uma resposta bastante simplista. como fala e fabricação de instrumentos. como capacidade de raciocínio e postura ereta. na “lei da selva”. essas características foram acentuadas.Mas. ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim. . pois nossos ancestrais se comportavam de forma cultural. o comportamento de nossos ancestrais. Conforme o aumento gradativo do cérebro[1] permitia o desenvolvimento de habilidades mais complexas. e ainda se comunicar através desta ou daquela língua? Pois a Antropologia. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas.tradições e hábitos comuns. a Paleontologia e a História. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie. o ser humano nunca foi uma espécie apenas por suas habilidades orgânicas. Assim. e que se encontra repetida muito comumente. Nesse comportamento podemos citar: . Pelo contrário. Mas.regras de comportamento em grupo. Pelo contrario. entre eles. é aquela que afirma que somos capazes de desenvolver cultura.desenvolvimento de tecnologia e de saberes. explorou profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. pois somos biologicamente dotados de inteligência. mais necessário à sobrevivência seria ter essas capacidades. quando o ser humano passou a se comportar de forma cultural? Segundo a antropologia. . que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”. . por que nosso cérebro se desenvolveu de forma a permitir esse tipo de inteligência que os humanos se gabam por ter exclusividade? Essa questão foi investigada largamente por especialistas tanto das áreas de conhecimento das ciências biológicas como das ciências humanas.. . nossa evolução biológica teve influencia de muitos fatores. etc. ou saber quais alimentos são comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado. nos dotado dessa inteligência.desenvolvimento de linguagens para a comunicação. os indivíduos cujo cérebro não era ..ideias e crenças. de forma surpreendente. e puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. junto com outras ciências como a Arqueologia. Eles acabaram por definir que não houve na evolução humana apenas um fator isolado que tenha.

R. eram fundamentais aos nossos ancestrais humanos. ou ainda. a seleção natural começou a favorecer genes para o comportamento cultural. Ao fabricar os chamados instrumentos de . um cérebro mais complexo e seu uso para desenvolver habilidades sociais..vet. por outro. também aumenta a sua dependência da cultura para sobreviver. não deixavam descendentes.94). Nenhuma espécie envereda por um caminho destes impunemente. Escapa-se de uma armadilha.) A própria cultura é uma característica biológica Há. Compreender o impacto da cultura na evolução humana tem sido um desafio constante. e vice-versa. pois tinham menores chances de sobrevivência. Então. isso é a “seleção natural” na teoria da evolução de Darwin. Fernando L. mais do que isso: o ser cultural do homem deve ser entendido como biológico..desenvolvido o suficiente para adquirir fala ou fabricar instrumentos. mesmo várias décadas depois. Entretanto. criatura e criador da cultura. p. a cada geração. se diz atualmente entre muitos cientistas. Para começar. Portanto. Ao mesmo tempo em que liberta. Ao que tudo indica.br/puc/vera%20bussab.. ao aumentar as chances de sobrevivência do grupo. e da inteligência. Assim. que podem ser encontrados no texto que está indicado na bibliografia complementar: “O modo de vida estritamente cultural impõe uma série de exigências para seu funcionamento. Leia aos trechos abaixo. Nas palavras de Morin (1973.92). pode-se pensar que a cultura. (. O homem é a um só tempo. Dentro de um jogo complicado. “Biologicamente Cultural”. aumenta muito a importância da proximidade e das relações sociais por um lado. submete. "desaba o antigo paradigma que opunha natureza e cultura" (p. apesar da força do argumento. RIBEIRO. assim que nossos ancestrais desenvolveram uma dependência da cultura para sobreviver. texto disponível em: http://pet. Um fator (biologia) ajudou a modelar o outro (cultura).” (BUSSAB. Vera S. Desse modo.pdf ) Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. "o que ocorreu no processo de hominização foi uma aptidão natural para a cultura e a aptidão cultural para desenvolver a natureza humana". de que a chave para a compreensão da natureza humana está na cultura e a chave para a da cultura está na natureza humana. que somos “biologicamente culturais”. ainda não se foi muito adiante. Há mais do que um jogo de palavras na afirmação de que o homem é naturalmente cultural. porém. ou “culturalmente biológicos”.. entrando em outra.

talvez. que é a cultura. esse animal perdeu suas pernas para correr.. suas garras para segurar e dilacerar. pgs 40-41) Kroeber chama a cultura de “superorgânico”. mas é reconhecida como o descendente remoto de animais terrestres carnívoros. Foram-lhe precisas incontáveis gerações para chegar à sua condição atual. . que defendem inclusive. as famílias humanas foram adquirindo características físicas diferentes em função tanto da necessidade de adaptação a novos meios. a origem dos primeiros humanos ocorreu no continente africano entre 200 e 100 mil anos atrás. que é a mesma que nos permite falar. Frente a outros animais. L certo que algumas de suas partes degeneraram.Um Conceito Antropológico. Não transformamos. Cultura . 2007. Leia o trecho que se encontra no livro de nossa bibliográfica básica para esclarecer melhor essa questão: A baleia não é só um mamífero de sangue quente. Encontramos o paralelo e também o contraste na aquisição humana da mesma faculdade. que consiste na teoria científica mais aceita. que compensa a falta de expressividade de nosso organismo. Existe toda uma corrente de pensadores na Antropologia. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. inalterados com relação aos de nossos pais e dos mais remotos ancestrais. como pela combinação da carga genética de cada grupo. superamos limites de nosso organismo. povoando os outros continentes. que a cultura é uma característica que torna a humanidade completamente diferente em seu curso evolutivo. pois enquanto as outras espécies passam por modificações anatômicas ao longo do tempo para se adaptar a novas condições. Nesse longo caminho. no mínimo. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. Construímos um barco. olfato. Em alguns milhões de anos . uma camada de banha e a faculdade de reter a respiração.“pedra lascada”. um corpo cilíndrico. Nem precisamos absolutamente entrar na água para navegar. inaugurado pelo americano Alfred KROEBER. E isto quer dizer que preservamos intactos nossos corpos e faculdades de nascimento. ao passo que a baleia original teve de transformar-se ela mesma em barco. Segundo uma grande quantidade de pesquisas arqueológicas. Muita coisa perdeu a espécie. o ser humano não possui capacidades anatômicas muito destacadas como velocidade. Mas houve um novo poder que ela adquiriu: o de percorrer indefinidamente o oceano. Os nossos meios de navegação marítima são exteriores ao nosso equipamento natural. ao utilizar os recursos da inteligência de forma cultural.. Entretanto. visão ou mesmo força física. pois dota a humanidade de uma flexibilidade adaptativa a tantos ambientes. nenhuma utilidade teriam na água. Nós os fazemos e utilizamos. Explicando. Roque de Barros. o Homem utiliza um “equipamento extra-orgânico”. por alteração gradual de pai a filho. 21ª Ed. mais. seu pêlo original e as orelhas externas que. nossos braços em nadadeiras e não adquirimos uma cauda. em conjunto do que ganhou. e adquiriu nadadeiras e cauda. (LARAIA. Esse grupo teria começado sua imigração para fora da África entre 65 e 50 mil anos atrás.

O horror moral que provoca em qualquer ser humano. está no fato de ter retirado definitivamente o ser humano da esfera da natureza. a notícia de que algum individuo tenha burlado essa regra. o momento em que o ancestral humano deixou de agir como animal e passou a agir como Homem. Sua importância. ela tem uma importância especial. Já outros antropólogos. Outros animais podem fabricar coisas. entenda. a origem da cultura humana coincide com a origem de toda nossa espécie. que é a de ter nos distanciado dos instintos. Lévi-Strauss afirma que o fato de possuir cultura. podemos pensar que de fato. . e faz parte de nossa forma de sobrevivência. É uma regra de ordem moral. dota a espécie humana de uma característica fenomenal. inaugura-se a cultura. que proíbe as relações incestuosas. ou memória. É um marco simbólico. para Lévi-Strauss. e ter atitudes inteligentes. Esse momento teria sido a instituição da regra. Assim. por marcar em nossa evolução. Ou seja. Ou seja. para ele. Ele afirma inclusive. ou tios e sobrinhos. Então. não é mais importante que o debate sobre nossa condição de existência. Todo se humano. como pais e filhos. Mas uma forma muito importante de explicar nossa espécie. como agimos o tempo todo pautados em uma moral. trata-se de uma das únicas regras que tem validade universal em nossa espécie. supera em qualquer condição o horror a uma prole com problemas genéticos. Ela sempre existiu. Para um grupo iniciado pelo francês Claude Lévi-Strauss. em qualquer sociedade evita e pune essa prática. Segundo Lévi-Strauss. e sim. muito mais do que de efeito prático. é importante perceber como a cultura nos moldou como seres que agem não apenas preocupados com realizações praticas de sobrevivência. uma tem importância especial. não depende de época ou cultura. Concorda? Pois bem. não há sustentação na afirmação simplista de que tenha sido apenas pela observação de problemas genéticos resultantes dessas relações que o ser humano tenha instituído essa regra.Portanto. Ou seja. compreendem que esse debate sobre a evolução de nossa espécie. muito mais do que as considerações sobre nosso equipamento biológico. A partir do momento em que nossos ancestrais formularam essa regra. o foco dessa questão sobre a origem da cultura está em conseguir perceber a importância do impacto do comportamento orientado por valores e regras. dos instintos. uma ética de mundo que nos dá consciência. relações sexuais entre indivíduos relacionados por vínculos familiares muito diretos. que entre todas as atitudes humanas que nos caracteriza como uma espécie cultural. que é universal ao ser humano.

Ele afirma que “isso é de importância fundamental para o nosso ponto de vista sobre a natureza do homem que se torna. O resultado. não apenas o produtor de cultura. a consequência disso tem sido uma prepotência humana em relação à natureza circundante. situações de agressividade contra os próprios donos e assim por diante. SAIBA MAIS “Origem da cultura – a ética da relação ser humano / natureza” Apesar de você não encontrar referência a isso na bibliografia indicada. manipular a natureza. afirma que o crescimento cortical humano (o córtex cerebral) foi posterior e não anterior ao surgimento da cultura. Os animais domesticados quase sempre o conseguem. e pode ser interpretada como segue. Cultura. controlarem um instinto. e subjuga à extinção uma grande quantidade de outras espécies.B. Procure o capítulo intitulado “As origens do antropos”. R. não se pode garantir que seu instinto não venha a aflorar em certas situações. É também do modelo para realizar esse “progresso”. Exercício 1) O antropólogo americano Clifford GEERTZ.Mas é muito mais difícil um animal. Assinale a alternativa correta: e) Propõe pensarmos a evolução biológica humana como um processo simultâneo ao desenvolvimento das habilidades culturais. como a exposição a alimentos. SP: Olho d´Água. seu comportamento passa a ser orientado por outras regras que não o instinto. que sofre de uma ausência de ética no relacionamento com as outras espécies vivas. Como o nome diz. bem conhecido de todos. aos mesmo tempo. O ser humano tem uma tendência a compreender que sua própria espécie é superior a todas as outras. num sentido especificamente biológico. Você pode ler mais sobre isso no livro: GUERRIERO Silas (org). o produto da cultura” (LARAIA. assim. esgotar. Mas também. vale dizer. E. RJ: Jorge Zahar. conseguindo agir de forma a negá-lo. Infelizmente. mesmo assim. 2005 pg. Essa afirmação faz parte do debate sobre a evolução biológica humana e o surgimento da cultura. 2005. Mas já não fazem parte da natureza. É isso mesmo. se sente também no direito de se apoderar. tem sido um meio ambiente que ameaça os destinos de nossa própria espécie. 57). e todos os indivíduos de sua mesma espécie. por ter um cérebro que permite controlar o ambiente e os recursos de nossa sobrevivência. . destruir. O desequilíbrio provocado pelo Homem em seu meio não é consequência apenas da necessidade de avanço industrial e urbano. “Antropos e Psique – o Outro e sua subjetividade”. o ser humano que se sente superior. são “domesticados”. é importante ressaltar qual a importância dessa temática sobre a evolução humana e o desenvolvimento de nossa inteligência que nos permite viver em cultura.

memória. Precisamos começar a diferenciar quais são utilizações do chamado senso-comum e. O córtex é o local de representações simbólicas.1 . que parecem organizados em agrupamentos chamados microcolunas. linguagem. É a sede do entendimento. “A cultura desse lugar é muito atrasada”. sendo rico em neurônios e o local do processamento neuronal mais sofisticado e distinto. minimizando a necessidade de aumento de volume. o sentido atribuído a esse conceito é que se trata de uma coisa possível de ser acumulada e que distingue um indivíduo dos demais.“O conceito de cultura através da história” A antropologia social tem como conceito central o conceito de CULTURA. É constituído por cerca de 20 bilhões de neurônios. o desenvolvimento do córtex permitiu o desenvolver da cultura que.org/wiki/C%C3%B3rtex_cerebral ): O córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro dos vertebrados.[1] O aumento do cérebro permitiu o desenvolvimento do CÓRTEX CEREBRAL. se não houvesse córtex não haveria: linguagem. por sua vez. Então ele é um conceito científico certo? É isso mesmo. É formado por massa cinzenta e é responsável pela realização dos movimentos no corpo humano. Para refletir sobre a complexidade desse conceito.wikipedia. . No Homem. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 2. com uma área de 0. atenção. foi servindo de estimulo ao desenvolvimento cortical. da razão. emoção. O termo cultura existia muito antes da Antropologia e outras ciências humanas passarem a utilizá-lo para fazer referencia ao conjunto de hábitos que torna uma sociedade algo totalmente única e particular. cognição. O córtex humano tem 2-4mm de espessura. o córtex forma sulcos para aumentar a área de processamento neuronal. Em animais com capacidade cerebral mais desenvolvida. De acordo com o uso popular.22m2 (se fosse disposto num plano) e desempenha um papel central em funções complexas do cérebro como na memória. “Fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. Nesses exemplos já é possível percebermos a complexidade e a multiplicidade do uso que fazemos desse conceito. percepção. percebemos que existe uma concepção segundo qual cultura é uma questão de status e está muito relacionada com a aquisição de conhecimento letrado[1]. percepção e pensamento. vamos começar tomando exemplos de como podemos encontrar o uso da palavra cultura em situações cotidianas. o que ele recebe é processado e integrado. “A cultura oriental é muito antiga”. como a ciência antropológica compreende e define cultura. Mas não é essa a origem da palavra. Normalmente as pessoas utilizam essa palavra em frases como: ”O brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. Veja a definição da Wikipedia (http://pt. Na frase “fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. consciência. por outro lado. respondendo com uma ação.

mas que se acumula no conhecimento transmitido por livros.A sociedade em geral pensa cultura como relacionada ao acesso a estudos clássicos e letrados. que nesse caso. Assim podemos ver que os limites políticos e geográficos que são as nações. que você como estudante dessa disciplina. que vão das mais “atrasadas” às mais “avançadas”. consiga perceber que o uso popular tem formas de julgar pessoas e povos através de sua cultura. É importante ressaltar que não há maneira mais correta ou incorreta de pensar cultura nos exemplos apontados. na frase “a cultura oriental é muito antiga”. folclore. cultura se torna um conceito que permite fazer discriminações. XVIII. mas é importante. Comparam-se assim as chamadas “culturas nacionais”. Nesse caso. É o que você poderá perceber com o texto que segue e utilizando a bibliografia indicada. há a preocupação em situar o conjunto da produção cultural e da história de nosso país. seja em seu desenvolvimento tecnológico. arte. autoridades em cada assunto. costumes. Já numa outra situação como na frase ”o brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. e somos capazes de perceber que de uma sociedade para outra mudam regras. saberes. . é importante resgatar o processo histórico que transformou seu uso. ou pela chamada “educação do povo”. a palavra cultura existia APENAS com o registro de “agricultura”. Para compreender essa multiplicidade de usos do conceito de cultura. tem como idéia central fazer referencia a hábitos. Finalmente. O conhecimento letrado é aquele que não faz parte da “escola da vida”. podem compreender também culturas próprias. Normalmente as pessoas se referem ao comportamento coletivo. nada mais significa que o acesso a informações e à cultura letrada. Vamos a outro de nossos exemplos. Já o uso do conceito de cultura pela Antropologia. ETIMOLOGIA DA PALAVRA CULTURA[2] * Até o séc. sem a lógica do julgamento. há a preocupação em pensar cultura como um conjunto de coisas (denominados “elementos da cultura”) que podem se transformar tradições. ou até mesmo usar preconceitos contra outros. dando a idéia de passagem do tempo. Na frase “a cultura desse lugar é muito atrasada”. religião. pois são mantidas ao longo do tempo. existe uma nítida noção popular segundo a qual deve existir uma hierarquia entre as diferentes culturas. técnicas e todo o conjunto de valores de um povo. à qualidade da vida social. Elas querem expressar a existência de culturas que desenvolvem meios para que as necessidades sociais sejam mais bem solucionadas. autores. Nesse caso. surge a noção que cultura é algo que se acumula e se mantém (ou se perde) ao longo do tempo. culinária e assim por diante. valores. já outros elementos se transformam.

COMO A PARTIR DO SÉC.* Em sua origem. e que habitam a África. o contato com outros povos prepara o momento seguinte. * Os diversos comportamentos culturais humanos. causou espanto e dividiu as reações da população européia [3]. XVI e XVII: * RENASCIMENTO * GRANDES NAVEGAÇÕES E A ENTRADA DO “NOVO MUNDO” NO MAPA MUNDI. a palavra cultura adquire uma MULTIPLICIDADE de sentidos. idéia de que um povo cultiva suas tradições * FRANÇA – (cultura = “civilization”). * Nesse contexto. chamados de “índios”. com um modo de vida totalmente desconhecido para eles. consumir. XVIII e XIX estavam em processo de criação os Estados nacionais. Como se deu essa mudança? * Revoluções anteriores – séculos XV. aperfeiçoar. Além de agricultura. hoje ela é associada a conhecimento. o contato com outros povos). * A mentalidade européia passa por um impacto de profundas alterações econômicas e sociais (os lucros com as Colônias. * LEMBRE-SE: até o momento das Grandes Navegações. * O contato com povos de outros continentes fora da Europa. educação. o “mundo conhecido” pelos povos da Europa se resumia ao Norte da África. O contato com os povos nativos de outros continentes. na FRANÇA E ALEMANHA surgem duas diferentes definições de cultura (séculos XVIII e XIX) * ALEMANHA – (cultura = “kultur”). Era necessária a discussão sobre cultura. nesse registro demonstrariam nossa capacidade de manipular. quando o conceito de cultura começa a ser associado a comportamento coletivo de um povo. Após isso. “aborígenes”. os países como conhecemos hoje. Agricultura é uma habilidade em observar o desenvolvimento das espécies vegetais e aperfeiçoar as condições para o bom desenvolvimento e o cultivo em larga escala. . Isso tudo aplicado ao UNIVERSO humano das coisas e idéias que nos cercam. XVIII A DEFINIÇÃO DA PALAVRA CULTURA SOFRE UMA GRANDE TRANSFORMAÇÃO A partir desse momento histórico. preocupados em diferenciar pessoas/povos que cultivam a educação refinada (burguesa) * Nos sécs. pois a classe dominante precisava algum apoio ideológico para convencer diferentes povos que a partir de então eles fariam parte de uma mesma “nação”. utilizar. “primitivos”. Veja abaixo. as Américas e a Austrália traz inquietação aos europeus. costumes e tradições. China e Índia. Oriente Médio. o conceito de cultura demonstra já uma relação entre HABILIDADES HUMANAS e o domínio da natureza circundante.

* Também é nesse momento que a palavra cultura passa a ser associada com DISTINÇÃO SOCIAL. com a idéia de evolução multilinear (localize essas idéias no cap. “estágios evolutivos para a cultura humana”. XIX sofre um profundo impacto da teoria evolucionista de Charles Darwin. e influenciou profundamente cientistas sociais. os costumes e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade". 4 do livro Cultura – um conceito antropológico). Quanto aos outros povos. Pois o evolucionismo se transformou em paradigma. Todas as definições que antecedem e foram trabalhadas por filósofos dos séculos XVII e XVIII. cujo exemplo máximo de evolução seria aquela praticada pelos povos europeus. historiadores e até filósofos daquele século. a arte. Trata-se de uma teoria que defende existirem ESTÁGIOS EVOLUTIVOS para a cultura humana. . no singular mesmo! Pois havia na época a convicção de que haveria uma única forma de cultura humana. as crenças. ela foi tão importante e revolucionaria que acabou criando o que chamamos nas ciências de PARADIGMA. está bem próximo da forma como na França se desenvolveu esse conceito. Esse tipo de pensamento se encontra em quase todos os pensadores de então. sendo associada TAMBÉM à idéia de COMO UM POVO CULTIVA SEU COMPORTAMENTO COLETIVO. têm em comum a tentativa de explicar a diversidade de povos e culturas. ou ainda “darwinismo social”. dominamos e orientamos a conduta e o cultivo das relações sociais (registro alemão da palavra). No que diz respeito ao conceito de cultura. representavam estágios mais atrasados e pouco importantes em relação aos povos europeus. a lei. É o que chamamos de evolução unilinear. XIX (1871). O séc. Perceba então que na época não se pensava no plural: “culturas humanas”. você pode perceber isso? Continuando. da mesma forma que existem os estágios evolutivos para cada espécie. Apesar de sua teoria ser relativa única e exclusivamente à biologia. Atenção a um detalhe importante: repetindo. Os primeiros registros do uso científico do conceito de cultura surgem na segunda metade do séc. XX. O autor é Edward TYLOR que definiu cultura como "um conjunto complexo que inclui os conhecimentos. Vale lembrar que o registro que o senso-comum tem hoje da palavra cultura. em oposição ao tipo de pensamento que surge no sec. e as que surgem após Tylor. assim. a moral. Então muitos pensadores utilizam aquela idéia como fonte explicativa para suas próprias questões. que passa a ser utilizada para além de seu campo original.* Perceba como é nesse momento que a palavra cultura amplia seu significado. foi criado o chamado EVOLUCIONISMO SOCIAL. Como observamos. Um paradigma é uma teoria que adquire tamanha força explicativa. pessoas “civilizadas” e “cultas” e pessoas “atrasadas” e “incultas” (registro francês da palavra).

pois os genes acabaram se tornando mitos no mundo moderno. inferiorizando-os.. Neles parecem residir “chaves” e segredos incríveis. algumas sociedades européias. não apenas utilizam esse pensamento evolucionista para tratar de forma pejorativa outros povos. que uma suposta “superioridade” cultural seja consequência de uma superioridade genética de alguns povos. aquele pensamento tão antigo e equivocado permanece incrivelmente presente no pensamento do senso-comum até hoje. seriam colocados nas etapas mais primitivas dessa linha imaginaria. que curiosamente estavam presentes apenas em algumas sociedades européias e que são as criadoras dessa teoria. como a conhecemos em sua herança européia[4]. metalurgia. Durante todo o século XX o evolucionismo continuou sendo combatido.Evolução unilinear seria exatamente essa idéia de estágios evolutivos para a cultura humana. dentro dessa concepção de uma linha única e imaginaria de desenvolvimento dos povos? Os critérios eram basicamente a presença ou ausência de quesitos como: escrita. um pensador americano de origem alemã. Entendia-se que quanto maior o acúmulo de semelhanças com todos esses quesitos. soluções de toda ordem. bárbaros e civilizados. árabes e hindus. que não possuíam escrita. Eles eram chamados de bárbaros. eram os chamados povos civilizados. que enxergava como uma única linha dentro da qual poderiam ser encaixados em diferentes estágios evolutivos a cultura de cada povo. ciência. que possuíam sofisticada tecnologia (lembra-se que Marco Polo trouxe a pólvora da China?). . erros de pensamento são criados. Ao associar cultura e genética. suas ex-colônias. pois foi divulgado de forma bastante eficiente pelas elites européias que então dominavam todos os povos dos outros continentes. que ficou bastante conhecida como Escola Cultural Americana. mercado.. menor a sua evolução cultural. tecnologia. e acabam adquirindo status de verdade. mas tinham uma “grave” falha: não desenvolveram a ciência. mercado e assim por diante. inclusive. instituições políticas complexas.. Ele funda uma corrente de pensamento denominada PARTICULARISMO HISTÓRICO. Isso gera a idéia de múltiplas linhas de culturas (veja que agora aparece o plural). Acredita-se. não produziam além do necessário para a subsistência. Estado. Os povos indígenas brasileiros. como os ingleses. Muitas pessoas até hoje. Ele defende que cada grupo humano cria um caminho próprio de desenvolvimento. Quanto menor a semelhança com esse tipo de aparato cultural. Como era organizada a “lógica evolutiva” da cultura. franceses ou alemães entre outros. maior a evolução de uma cultura. Entretanto. e eram chamados de selvagens. Surgiram termos para marcar pontos nessa linha evolutiva como: selvagens. por exemplo. não fabricavam metais. e todos os dados de pesquisas feitas por antropólogos reforçavam cada vez mais os erros do evolucionismo social. A principal reação ao evolucionismo tem início com o pensamento de Franz BOAS. Por fim. Então seguiriam os povos como os chineses.

48-49) Sabemos que o ser humano apesar de viver em cultura e ter se afastado de seu comportamento geneticamente determinado (= instintos). R. o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu hábitat. Em decorrência da afirmação anterior. vamos destacar alguns trechos de LARAIA (indicado na bibliografia do item) para finalizar: Resumindo. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico. pgs. é este processo de aprendizagem (socialização ou endoculturação. hoje consideradas modestas. 4. não importa o termo) que determina o seu comportamento e a sua capacidade artística ou profissional. determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas. não teriam ocorrido as demais. e criar um novo objeto ou uma nova técnica. a maneira de satisfazer às necessidades vitais é feita de acordo com a cultura. 2. 6. talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje. 7. B. RJ: Jorge Zahar. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções. desde o Iluminismo. 5. não perdeu seus instintos. atividade sexual. 2005. . mais do que a herança genética. ou qualquer outro item que faça parte da sobrevivência de nossa espécie possui regras culturais para serem satisfeitos. ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular. Como já era do conhecimento da humanidade. horários de sono. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas. proteção. (Voltaremos a este ponto mais adiante. (LARAIA.Por isso é muito importante ressaltar o pensamento de antropólogos como Geertz e Kroeber. o arco e a flecha etc. Nesse ponto. um conceito antropológico. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo. 8. construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural. Entretanto. A cultura é um processo acumulativo. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein.) 3. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca. Adquirindo cultura. que colaboram para desmistificar o poder de influencia dos genes em nosso comportamento cultural. E pior do que isto. a contribuição de Kroeber para a ampliação do conceito de cultura pode ser relacionada nos seguintes pontos: 1. Alimentação. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Cultura. o homem modifica o seu equipamento superorgânico. A cultura.

pois encontrase permeado de filosofias que por muitos ainda são consideradas “crenças”. Lembre-se que as palavras são “coisas vivas” e seu uso pode mudar através do tempo. SP. ele cita o fato que os ursos polares desenvolveram ao longo de muitas gerações grossas camadas de pelos para sobreviver ao clima de seu meio ambiente. um conhecimento que deriva de estudos. A cultura se mostrou como uma forma de adaptação ainda melhor e superior. é uma forma de erudição. [1] “Conhecimento letrado” é todo estudo que utiliza o estudo e aprofundamento de um assunto através de livros. 3. A ANTROPOLOGIA E O ESTUDO DA CULTURA. F. o autor está: D ) demonstrando que a evolução biológica do ser humano é diferente. utiliza roupas e cobertas. Etnocentrismo e relativismo cultural. pgs. Para fundamentar sua idéia. [2] Etimologia – estudo da origem e da evolução das palavras. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 MÓDULO 3 3. enquanto o ser humano ao invés de desenvolver pelos. 37-53. “A pré historia da Antropologia”. [4] O pensamento “científico” oriental até hoje é considerado pelo mundo ocidental como carente de valores para legitimar sua racionalidade.Exercício resolvido para o item 2. leia LAPLANTINE. pois possibilita a adaptação a qualquer ambiente sem necessidade da lenta adaptação genética. ou ganhando novas formas de emprego no vocabulário cotidiano. Aprender Antropologia. [3] Para saber mais sobre o assunto. pois nossa espécie não necessitou de uma adaptação biológica aos diferentes meios. portanto não são validados como afirmações aceitáveis dentro da metodologia cientifica.A diversidade cultural. Ao realizar essa comparação.1 . Brasiliense. 1995.1: 1) Alfred KROEBER afirma que existe uma diferença muito grande entre a evolução biológica dos animais e do ser humano. Bibliografia Textos básicos . adquirindo novos sentidos.

Austrália e África. 2005.gpveritas. in LARAIA. Rossano Carvalho. mas está em toda parte onde haja contato entre dois povos que cultivam costumes e valores diferentes. 2) teorias que definem cultura como um SISTEMA COGNITIVO (teorias idealistas) . ou seja diferentes culturas. “Cultura e Diversidade”.. Textos complementares NUNES. SP: Brasiliense. 59-64. Hoje.gpveritas. a Antropologia acabou se concentrando no conceito de cultura. intitulado “Teorias Modernas sobre a cultura” há uma apresentação de duas correntes diferentes da antropologia quanto à definição do que é cultura. Cultura. 2006. Vamos dividi-las abaixo: 1) teorias que definem cultura como um SISTEMA ADAPTATIVO.org/portal/index. com o início da chamada “globalização”. e as mudanças culturais são consequência direta de mudanças no meio. Antropologia. a cultura é tudo que for criado pelo ser humano para adaptar suas comunidades às suas bases biológicas (ecossistemas e território). José Luiz dos. 17ª ed. Surge no séc. Para explicar a grande diferença de comportamento entre esses povos e os povos europeus. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. CULTURA . a economia e a organização de um grupo social servem totalmente aos propósitos de promover essa adaptação.Um Conceito Antropológico. os nativos das Américas. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. Isso ocorreu. R. O QUE É CULTURA. E recentemente.org/portal/index. e “logia” é o estudo. Para esses autores. como eram chamadas as tribos e povos não-europeus. pois ficou comprovado que a diversidade cultural não gira apenas em torno de “povos primitivos” e “povos civilizados”. in SANTOS. em nossa história.“Teorias modernas sobre a cultura”. Rossano Carvalho. A tecnologia. O radical latino “anthropos” significa Homem (Ser Humano). essa ciência não estuda apenas as tribos ou pequenas comunidades distantes dos centros desenvolvidos. o contato entre pessoas e organizações com diferentes referenciais de mundo.B. Pgs. intensificou-se num ritmo frenético. pp 07-20. mas qualquer ambiente social. No capítulo de LARAIA. XIX empenhada em aprofundar o conhecimento científico sobre as chamadas “sociedades primitivas”.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO – item 3 3 – A antropologia e o estudo da cultura Antropologia é uma ciência dedicada ao estudo do Homem.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES. Por isso compreender o conceito científico de cultura é tão importante. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www.

crenças e formas de pensar o mundo fazem parte de nossa cultura. o que o ser humano produz em termos materiais não é o mais importante. Assim. Desenvolvendo ainda mais a mesma idéia do autor acima (Goodenough). Isso é o que explica a cultura humana. regras. O mundo é um grande código. Interessa perceber a capacidade humana em desenvolver nos domínios intelectuais o mundo que nos rodeia. a cultura não CONSISTE EM COISAS (bens materiais). A capacidade de interpretar símbolos é a base de nosso pensamento. mas a cultura é um MODELO MENTAL.H. Para pensar no cão. a “chave” para a interpretação. o animal “cão”. Goodenough (1957) . todas as nossas atitudes. Por exemplo. tradições. e ao pensar através de palavras.” Perceba como. usos. receitas. Para citar algumas idéias dessa última definição que parece ser mais complicada para compreender: W.“Cultura é um sistema simbólico.Para esses autores. instruções (o que os engenheiros de computação chamam de „programas‟) e que governam a conduta”. que para conseguirmos interpretar precisamos ter o “segredo”. Associamos símbolos a coisas. Mais uma frase do mesmo autor acima. regras. (1973) . Clifford Geertz (1966) . Geertz indica que a cultura é um conjunto de planos e receitas que GOVERNAM A NOSSA CONDUTA. um conjunto de símbolos “embaralhados” e a nossa cultura proporciona um entendimento desse mundo. Traduzindo. pessoas. criamos um símbolo que é o som da palavra cão. significados e sentidos às coisas do mundo”.“A cultura de uma sociedade consiste em tudo aquilo que se conhece ou acredita para influenciar de uma maneira aceitável os seus membros. sejam elas de ordem prática ou de ordem afetiva seriam organizadas em nossa mente através da receita proporcionada pela nossa cultura. conjuntos de hábitos – mas sim como planos. a cultura é como um código. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. Tudo que a inteligência traduz em linguagem e símbolos. um conjunto de símbolos. não existe nada no mundo que o ser humano deixe de atribuir um significado. uma certa forma de interpretar o mundo. de relacioná-las ou de interpretá-las. racional e estruturada. Clifford Geertz. está a importância desse debate em torno de diferentes concepções sobre cultura? . e organizamos o mundo em nossas mentes. na visão desse autor. Para Geertz. A cultura não é um fenômeno material: não consiste em coisas. cultura é um SISTEMA DE CONHECIMENTO do mundo. Em que aspecto exatamente. seus modelos de percebê-las. Para ele. É a forma das coisas que as pessoas têm em sua mente. uma organização de tudo isso. que nos chama atenção para o fato que o pensamento simbólico é EXCLUSIVAMENTE HUMANO.“Se compreende melhor a cultura não como complexos de esquemas concretos de conduta – costumes. condutas ou emoções. de forma sistemática. estamos pensando simbolicamente. É melhor. Geertz. fórmulas.

Para qualquer área do conhecimento, é importante compreender que trata-se de definir a condição do ser humano em relação ao restante das espécies. Os teóricos da cultura como sistema adaptativo, concebem que a cultura é uma ferramenta como qualquer outra, e que permite soluções de sobrevivência e reprodução aos membros de nossa espécie, homo sapiens sapiens. Isso a torna interessante, uma vez que “desmistifica” as capacidades humanas, e nos faz olhar para nós mesmos como seres que “batalham” pela sobrevivência como qualquer outro. Já os teóricos mais idealistas, entendem que somos seres cujo cérebro não permite outra forma de uso, a não ser para criar cultura. Nosso órgão pensante se tornou, ao longo da evolução, preparado para entender o mundo através de uma lógica simbólica. Ele nos impele a formar vínculos familiares e afetivos, pensar soluções práticas dentro de concepções culturais, nos pensar como indivíduos que compõem grupos organizados. Isso a torna interessante, pois mostra que essa característica é universal. Não há culturas que produzam indivíduos mais inteligentes ou capazes. Ambas são válidas e seus autores produziram uma grande quantidade de conhecimento através de pesquisas e teorias que aprofundaram nosso saber sobre a nossa própria espécie. Em comum o que se pode perceber nessas teorias é a tentativa de abarcar todas as realizações humanas, representadas em dois níveis complementares que são as realizações materiais e as imateriais. Entre as realizações materiais, podemos citar todo o universo de coisas fabricadas pelo ser humano, de arados até ônibus espaciais. Entre as imateriais estão nossas crenças, conhecimento, arte, idéias e todos os sentimentos. Os autores que enfatizam os aspectos materiais argumentam que eles são importantes uma vez que somos a única espécie a transformar a natureza de forma sistemática, mesmo quando não há necessidades que afetem a sobrevivência. Outros autores, entretanto, entendem que nossas maiores realizações estão contidas nos aspectos imateriais, uma vez que somos a única espécie dotada da capacidade de abstração (pensar em coisas que não estão presentes, criar, imaginar). Mas não usamos essas capacidades realizadoras de qualquer forma, e sim de acordo com regras, normas e hábitos estabelecidos coletivamente. O ponto sobre o qual parece haver muita polêmica é a visão que cada autor tem de ser humano. Aqueles que dão maior importância às nossas realizações materiais procuram ressaltar a nossa capacidade adaptativa, mostrando a cultura como sendo uma forma de solução da sobrevivência, onde grupo social, recursos e meio ambiente se combinam para determinar os hábitos de um povo. Para eles, as técnicas desenvolvidas para solucionar todos os tipos de empresa humana, que vão de uma simples pescaria às necessidades comunicativas, passando por todo tipo de engenhos que nos cercam é que definem propriamente a cultura. Aqui, podemos dizer que cultura equivale a soluções práticas para a existência humana.

Outros autores entendem que a solução prática para a vida humana é uma conseqüência de outras capacidades, que muito mais do que nos fazer capazes de fabricar instrumentos, nos faz diferentes de todas as outras espécies existentes. São as capacidades de criar, planejar, prever, avaliar, imaginar, atribuir significado e modificar a natureza não apenas por necessidade de sobrevivência, mas por necessidade de se sentir bem. Podemos denominar isto de capacidade de simbolização. Não construímos o mesmo tipo de prédio para servir a qualquer uso, para cada fim encontramos uma arquitetura. Não é apenas pelos aspectos práticos que o fazemos, mas porque cada espaço deve carregar significados que orientem os indivíduos e os faça compreender como devem se comportar. Os templos são diferentes dos teatros, as casas diferentes dos escritórios (ou pelo menos deveriam ser!). A funcionalidade de cada um desses espaços é tão importante quanto o que nos faz sentir através de suas formas e cores. As formas de nossa casa nos transmitem sensações de pensamentos diferentes de um escritório ou de um templo, através dos símbolos que criamos para cada um deles. Para os autores que defendem a preponderância desse aspecto, cultura equivale à nossa incansável capacidade intelectiva de carregar o mundo de símbolos. Resposta a necessidades práticas, ou respostas a necessidades intelectivas, a cultura é uma forma de estarmos no mundo. Ela nos orienta em cada situação da vida social, como um modelo que recebemos e sobre o qual passamos a vida operando pequenas modificações. Vamos ver mais adiante, que algumas regras presentes nas culturas podem ser modificadas, suprimidas, desgastadas; enquanto outras são mais difíceis de negociar. “É assim, e pronto”. Ou seja, há aspectos mais dinâmicos e outros mais permanentes em cada cultura. Independente da teoria sobre cultura que se utiliza, existem duas reações diferentes na forma de compararmos as culturas. A primeira, que usa a HIERARQUIA para afirmar que existem culturas mais avançadas ou evoluídas. Assim, haveria culturas que, desse ponto de vista, obtêm mais domínio técnico sobre a natureza, ou formulam mais conhecimento letrado. Faz parte do evolucionismo social, já trabalhado em nosso conteúdo anteriormente. A hierarquia entre as culturas também faz parte de uma realidade mundial que se encontra nas relações internacionais. Existem centros de poder econômico que influenciam no julgamento de culturas que se diferenciam delas. Assim, são inferiorizadas as culturas de povos dominados ou dependentes economicamente. Sim, a cultura é uma realização humana na qual as relações de poder também se faz presente. A outra, que é mais presente entre os estudiosos mais contemporâneos das culturas, que não vê sentido em hierarquizar as culturas, pois para fazer isso temos que privilegiar uma delas e tomá-la como referência. Isso faz com que todas as outras sejam subjugadas. Nessa compreensão mais contemporânea, se uma cultura não desenvolveu motores, mas garante a todos os seus membros os recursos de sobrevivência, ela é adaptada ao seu meio. Como faz para resolver isso, passa a ser irrelevante. Exercício resolvido para o item 3

1) A respeito das teorias que definem o conceito de cultura, leia as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: Existe uma grande diversidade cultural na espécie humana. PORQUE Algumas sociedades possuem padrões de conduta e tecnologia atrasadas em relação às outras. c) Ambas as afirmações fazem parte dos estudos da cultura, mas atualmente a segunda não justiça a primeira. MÓDULO 3 3.1 - A diversidade cultural. Etnocentrismo e relativismo cultural. Relativismo cultural e etnocentrismo são conceitos básicos da Antropologia para a compreensão de fenômenos que envolvem CONTATO CULTURAL, ou seja, o contato entre universos culturais DIFERENTES. Esses conceitos se referem a “julgamentos” que podemos ter quando em contato com o “outro” (alguém com padrões culturais diferentes do nosso). Esses julgamentos são responsáveis pela qualidade de nosso contato com a diversidade. Quando o outro tem padrões de comportamento, hábitos e valores muito diferentes dos nossos próprios é possível reagirmos de forma positiva ou negativa a isso. Julgar positivamente ou negativamente o comportamento alheio, tem relação com as atitudes de etnocentrismo ou com o exercício de relativismo que podemos utilizar. RELATIVISMO CULTURAL É considerar o mundo DO PONTO DE VISTA DO OUTRO, entendendo seu sistema simbólico, seus próprios valores de mundo como beleza, justiça, honra, medo, e assim por diante. É deixar de tomar a NOSSA própria cultura (visão de mundo) como medida para julgar os outros. ETNOCENTRISMO O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural (isso é denominado etnocentrismo). Ao pensar de forma etnocêntrica as pessoas depreciam o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade. Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas e idéias ou valores de outros sistemas culturais são vistas como absurdas. O etnocentrismo é um comportamento universal. É comum a crença de que a sua própria sociedade é o centro da humanidade. A antropologia trabalha com alguns conceitos centrais que vamos passar a aprofundar neste tópico.

Cultura, diversidade cultural, relativização e etnocentrismo serão fundamentais para compreender o debate científico e da sociedade em geral em torno do comportamento coletivo humano. O encontro com o diferente suscita reações e atitudes que se vêm vinculadas à posição de poder ou submissão das pessoas na sociedade, bem como de preconceitos e verdades pré-estabelecidas que o senso comum reproduz. A cultura não é uma RECEITA de mundo, no sentido de ser algo inquestionável, sempre inconsciente que controla rigorosamente a todos os indivíduos. Podemos recorrer a uma metáfora para facilitar a compreensão sobre a relação entre os padrões culturais que herdamos/repetimos, e nossa atuação individual: “A mente humana corresponde a um “disco rígido” (hardware), que apesar de capaz de muitas tarefas, não consegue realizar nada sem um programa (software). Esse programa é a cultura.” Vamos lembrar que um software é um programa determinado e fechado, mas que aqui em nossa metáfora, “operando” a cultura há sempre um ser humano. Somos dotados de criatividade, subjetividade, carregamos histórias pessoais e coletivas. Assim, interferimos o tempo todo no “programa” que recebemos. A cultura não é apenas um modelo, um quadro de referência, ela é uma forma de acesso às possibilidades humanas. Há uma dinâmica na relação entre cultura e sujeito, entre sujeito e história, entre indivíduo e grupo. Se pensarmos que a cada cultura corresponde uma diferente “visão de mundo”, percebemos que os indivíduos se organizam mentalmente para estar no mundo de acordo com os valores introjetados de sua cultura. Tornamos “nosso” aquilo que é cultural. Exercitando. Vamos pensar sobre os sentimentos humanos. Obviamente, nossas emoções são universais. Amor, ódio, paixão, rivalidade, raiva, afeto, ironia, alegria, euforia e tudo quanto possamos lembrar agora, fazem parte da humanidade. Entretanto, as EXPERIÊNCIAS QUE SUSCITAM este ou aquele sentimento, e a forma como expressamos o que sentimos isso é cultural. Muitas situações que fazem um brasileiro rir podem não ter o mesmo efeito em pessoas de outros povos. Ou ainda, situações como o funeral que exigem circunspecção e tristeza em algumas culturas podem exigir expressões de alegria em outras. O exercício de relativizar é se colocar na condição do outro. Pois bem, muitas vezes fazemos julgamento equivocados do comportamento alheio, simplesmente pelo fato de desconhecer as motivações que levaram a tal ou qual atitude. Quando não temos a “chave simbólica” que permite a relativização dos costumes, tendemos a nos fechar em nosso etnocentrismo. Tudo bem, precisamos relativizar, não é mesmo?

e quando praticados de forma radical. não é uma atitude ruim. se tornam destrutivos das relações humanas. todas as culturas praticam etnocentrismo de alguma forma. O relativismo extremo pode levar à ausência de noções éticas. Quer dizer que relativizar demais pode ser perigoso? Sim! Quando apenas relativizamos tudo. natural e aceita. aceitando qualquer atitude alheia como normal. destruir seus costumes forçosamente ou mesmo agredi-lo física e moralmente. estamos sendo um pouco etnocêntricos. Mas quando a aversão ao outro é tão grande que precisamos excluí-lo.1 1) Das situações abaixo. principalmente em comunidades africanas. estamos atingindo um grau de etnocentrismo inaceitável. na medida em que pode servir para reforçar nossa identidade cultural e nos trazer bem estar dentro de nosso próprio padrão cultural. cães ou lesmas (o famoso “escargot” francês). . Exercício resolvido para o item 3. assinale aquela que tem relação com o conceito de RELATIVISMO CULTURAL: Resposta do exercício 1): C) julgar uma cultura a partir de seus próprios valores e hábitos. psíquica e moral do outro. podemos correr o risco de não ter mais referencial ético de mundo. Etnocentrismo é sempre ruim? Não! Na verdade.Sim. Isso é necessariamente ruim? Bem. por exemplo. isso significaria. Em termos práticos. é correto que tenhamos reações mais respeitosas e éticas com os “outros”. O etnocentrismo extremo pode levar ao genocídio e às práticas racistas / preconceituosas. e não a partir de valores dominantes de uma cultura alheia que se impõe sobre outras por se considerar superior. mas dentro de padrões de respeito à integridade física. preferindo um bom arroz com feijão. tornar aceito como normal as mutilações dos órgãos genitais femininos praticados em algumas sociedades de cultura mulçumana. Mas tanto o relativismo cultural como o etnocentrismo podem ser encontrados em diferentes graus. Percebe que deve existir um limite para a prática do relativismo? Relativizar deve ser algo estimulado socialmente. Quando reagimos com aversão ao fato da alimentação em algumas culturas incluir pratos com animais como insetos. O oposto também é verdadeiro.

Vamos desenvolver um pouco mais a compreensão sobre o que é símbolo. 2006. “A cultura condiciona a visão de mundo do homem”. “O olhar”. “Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura”. RIBAS.MÓDULO 4 4. você será capaz de identificar informações e conceitos sobre a cultura que já desenvolvemos anteriormente. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. Textos complementares sugeridos: “Cultura e seus significados”. in LARAIA.. e a importância disso para a cultura? A cultura depende de nossa capacidade de comunicação. Mércio Pereira.1 .As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. in GUERRIERO. Ritos Corporais entre os Nacirema.Um Conceito Antropológico. Pp. CULTURA . Sem comunicação nossa sociedade seria mais semelhante a uma sociedade de outros animais que vivem em coletividade como abelhas. É importante ao final deste item que se perceba a profunda influência da cultura em todas as dimensões de nossa experiência física. SP: Olho d´Água. A cultura. João C. emocional e intelectual no mundo. Poderá perceber que apesar de vivermos em uma cultura que determina padrões de comportamento.aguaforte. 4. 65-101.item 4 Nos textos indicados. formigas e leões. filosofia da cultura. a participação dos indivíduos na cultura. SP: Brasiliense. bem como da relação do ser humano com sua corporalidade e das noções de saúde e doença. 33-51. Bibliografia Textos básicos “O que se entende por cultura” in SANTOS. texto disponível em: http://www. Pp 87-96. “A cultura tem uma lógica própria”. O QUE É CULTURA. simbolizar. 2005. in GOMES. Horace.htm Objetivos: ao final deste tema você deve ser capaz de identificar a importância da cultura como mediadora no processo de construção de nossa visão de mundo. . pp 21-50. a simbolização da vida social. “A cultura interfere no plano biológico”. Antropologia – ciência do homem. Silas (org). São Paulo: Contexto. 2003. José Luiz dos. O foco deste item é a compreensão de cultura em seus aspectos simbólicos. Roque de Barros. 19ª ed. 2009. MINER.com/antropologia/nacirema. DESENVOLVIMENTO DE CONTEÚDO . Pgs. ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade. há um espaço para nossa individualidade. “A cultura é dinâmica”.

valores. mágico ou místico (. é possível ampliarmos nossa capacidade de compreensão do outro. Assim: . Nós convencionamos que a palavra “gato” simboliza aquela espécie de felinos que encontramos na natureza e que se tornou um de nossos animais domésticos. Para o a antropologia atual. racional e estruturada. A palavra GATO é um dos símbolos para a coisa em si. de forma generalizadas sobre gatos. num contexto cultural. o próprio gato. A simbolização pode mesmo ser tomada como sinônimo do conceito de cultura. por pura convenção. “cultura é um sistema simbólico (Geertz. vamos avançando. Então a palavra GATO não é a “coisa real” que existe na natureza. significados e sentidos „às coisas do mundo‟ “. substitui ou sugere algo 1. e faz com que seja possível a INTERPRETAÇÃO dos conteúdos comunicados.1 aquilo que.. tudo que faz parte da cultura humana é baseado em símbolos que precisam de uma convenção social para que os indivíduos associem a um mesmo significado. A cultura depende dos símbolos. a comunicação humana é baseada na simbolização. Pois bem. não conseguiríamos sequer compartilhar o que se passa em nossas mentes. de forma sistemática. conceitos.A cultura humana tem características que diferenciam nossa forma de vida coletiva. o ser humano cria muitos símbolos. crenças. não pensamos em gatos de tipos muito específicos ou em suas qualidades. Mas. segundo Geertz. Esse é um primeiro passo para entendermos o processo de simbolização.. faça com que todos os presentes entendam no que o comunicador estava pensando. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. o que é símbolo mesmo? Segundo o “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” (edição de 2001): 1 aquilo que. o que torna necessária a compreensão do contexto cultural onde os símbolos são criados e utilizados para que nossa comunicação seja eficaz e consiga atingir seus objetivos. Entretanto. Para expressar a cultura. e até aqui já deu para entender que sem símbolos. Língua. dependemos da utilização dos símbolos. por um principio de analogia formal ou de outra natureza. Vamos fazer um pequeno exercício para tentar aplicar todas essas definições de símbolo à nossa realidade? A palavra gato. Ao entrar em contato com esse fenômeno que se chama comunicação através da Antropologia. temos que recorrer a um som. 1973).) 2 aquilo que. de uma cultura para a outra esses significados variam imensamente. uma palavra que ao ser pronunciada. Apesar de existir uma imensa diversidade de tipos de gatos. a representação da flor através dos desenhos. mas antes um som que representa essa realidade. Temos por exemplo. representa ou substitui outra coisa. possui valor evocativo. Quando pensamos em um gato e queremos comunicar essa idéia básica. Para cada coisa existente. quando pensamos em um gato para comunicar uma situação corriqueira envolvendo gatos. que é também um símbolo. idéias.

ou uma delas. apesar de parecer o próprio gato. pois já deixou de ser o próprio gato. É uma representação “do gato em si”. 2010 .Essa imagem fotográfica. mas deixou de ser ela mesma. não é. e é simbolizado nessa imagem que não é tridimensional. criando assim algo que a representa. Kênia Kemp. É um símbolo. e sim bidimensional.

. ou seja. portanto. de Aldemir Martins.Gato amarelo e flor. 2001. representações artísticas do gato e. Essas duas imagens são desenhos.

como bondade/maldade. Um céu escuro e carregado de nuvens pode simbolizar preocupações e problemas. A arte é em essência. simbólica. agitado. percebido. da rotinização de soluções racionalmente pensadas. O correto é observarmos que na natureza não existem qualidades que são criadas pelo Homem. a sonoridade ou o movimento) criar um símbolo para algo visto. A maior parte de nossa comunicação diária tem como finalidade narrar. “as cores dessa bandeira simbolizam a paz e a riqueza”. podemos compreender que as “coisas em si” são transportadas para a nossa mente. que não pode ser reproduzido em toda a sua riqueza e complexidade. transmite idéias complexas e sentimentos. que se expressam através de símbolos. e não da natureza. são formas de simbolizar experiências e sensações. belo/feio. justo/injusto. o artista procura através da forma obtida (a forma plástica. são valores. não é ruim senão do ponto de vista dos prejuízos que possa causar aos seres humanos. sentido ou experimentado antes. Assim é que nós SIMBOLIZAMOS as experiências vividas. e sim formas simbólicas para elas. lembrar. justiça e beleza. retiramos todas as coisas de seus contextos originais. conceituar. onde ele se originou. Para a terra. Os símbolos representam coisas. “Essa flor é alegre”. os times utilizam brasões. Não existe “cheiro de infância”. Ao utilizar um crucifixo. Tudo na comunicação é símbolo? Sim! Os símbolos são frutos: da persistência humana de olhar para o mundo e ver significados. que é Cristo. e escolhemos alguns de seus aspectos a serem ressaltados. coisas que não estão presentes. de significados coletivamente construídos. e assim por diante. na dança. “o crucifixo identifica os cristãos”. O artista procura sempre “representar algo”. mesmo quando não estamos em sua presença. Na pintura. a humanidade atribui. A cada cultura corresponde um processo coletivo único . cores e emblemas. descrever. Então. Portanto. não existe esse tipo de julgamento. idéias e pessoas que não estão presentes. e tudo isso é possível porque como diz Geertz. na música. pois a cruz simboliza um evento da figura fundadora dessa fé. Cada profissão elege seu símbolo. racional e estruturada. bem como todos os conceitos de mundo que dispomos são resultados da criação das culturas humanas. placas de “proibido fumar”. e através dessa comunicação simbólica podemos atribuir qualidades ao mundo. Essa é uma outra associação possível com os símbolos. ou ainda aromas de um lugar que marcaram a infância de UMA pessoa. mas o ser humano atribui a umas e outras certas qualidades. uma pessoa é identificada pelos outros como “cristão”. de forma sistemática. “proibido cães” e outras regras de uso do espaço são símbolos. ou um terremoto pode ser utilizado para simbolizar alguém inquieto. Ao fazer isso. Bondade. “esse cheiro me lembra a infância”.também não são o gato em si. significados e sentidos às coisas do mundo. mas aromas que são convencionalmente usados em bebês. placas de trânsito são símbolos. e podemos pensar nelas. Não está na “flor em si” ser alegre ou triste. O símbolo facilita e agiliza a comunicação. Uma catástrofe da natureza como um terremoto.

ou ainda a comunicação áudio-visual. portanto a maioria dos símbolos cotidianos tem um significado apenas local. A linguagem falada é simbólica. ou com o símbolo da juventude dos anos 1960 para “paz e amor”. presente em todo o mundo como um ícone de prazer e do mercado. ou “mal entendidos”. Isso porque ao saírem de sua cultura original. e assim por diante. os chamados “erros de comunicação”. conseguem ter significado para praticamente a humanidade toda. Mas garante que não tenhamos que explicar minuciosamente o tempo todo nosso uso dos conteúdos comunicativos. mas comunicam também coisas imateriais como sentimentos. para utilizá-los da forma mais “adequada”. incorporação e rotinização de símbolos. que permitem. a linguagem escrita é simbólica. de processos de substituição de uma coisa por aquilo que a significa. precisamos dominar e compartilhar os mesmos símbolos. Através dos símbolos. Assim ocorreu com a logo marca da “Coca-Cola”. nossas preferências. divulgação. ou seja. idéias abstratas e conceitos. Então. também a linguagem gestual. que uma idéia expresse um acontecimento. portanto? Primeiramente. O que aprendemos sobre os símbolos. Sem tal comunicação. eles sejam interpretados de formas inusitadas ou até mesmo. filmada.de criar símbolos. julgar. que a comunicação humana é baseada na criação. por efeito da sistemática e rotina de circulação em outros meios. Vamos ler juntos um trecho do texto indicado na bibliografia desse item para concluir sobre a importância da capacidade de simbolização humana no estudo da cultura? Uma maneira mais complicada de apresentar essa dimensão é dizer que a cultura inclui o estudo de processos de simbolização. incorretas. sem os símbolos não haveria cultura humana. Ser membros da mesma cultura é uma garantia de que todos estejam interpretando de forma muito semelhante os conteúdos comunicados. por exemplo. Hoje em dia esse fenômeno é muito comum no mundo da moda e das tendências de comportamento. Em segundo lugar. ou então que a distribuição de pessoas numa sala durante uma . o que acontece é que as pessoas tendem a dar o sentido mais apropriado ao seu próprio contexto. Interpretar é dar sentido. que é o mundo que nos rodeia. podem ir parar em lugares onde não há essa convenção sobre como ele deve ser interpretado. o que fazemos. materializamos aquilo que é interior à nossa mente. nossa condição. descreva um sentimento ou uma paisagem. Para que nossa comunicação seja eficaz. A maior parte de nossa comunicação é composta de conteúdos que se tornaram convenção social. é muito comum que quando usados em um contexto diferente do original. emotividade e assim por diante. não realizaríamos nenhuma de nossas capacidades como raciocínio. seja pela linguagem escrita. Mas alguns símbolos. Como os símbolos cotidianos dependem desse consenso em torno da interpretação. Claro que isso não garante eventuais desentendimentos. falada. os símbolos comunicam não apenas o mundo exterior à nossa mente. Quando nos comunicamos. Portanto. ou pelas artes. Por isso utilizamos os símbolos para comunicar quem somos. o conteúdo do que é comunicado é sempre algo que precisa ser interpretado. entender. Não interessa muito para o senso comum ter entendimento e investigar a origem de certos símbolos. criatividade.

a idéia de uma divindade única pode ser vista como significando a unidade da sociedade. Muitas vezes julgamos nossas atitudes. e comunicar nossa experiência aos próximos. É a simbolização que permite que o conhecimento seja condensado.conversa formal possa expressar as relações de hierarquia entre elas. José Luiz dos.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. CONTEÚDO DE 1º BIMESTRE (Prova NP-1) 4. (SANTOS.Um Conceito Antropológico”.1 . 2006. nas brincadeiras infantis tradicionais numa sociedade como a nossa pode-se mostrar a presença simbólica de mecanismos de competição e hierarquia do mundo dos adultos. de Roque LARAIA 1) A CULTURA CONDICIONA A VISÃO DE MUNDO DO HOMEM . XX o quanto somos também moldados pelo meio social que nos circunda desde o nascimento. como se assim tivéssemos nascido.41-42) Exercício resolvido do item 4: 1) A capacidade de simbolização e criação cultural pode ser associada às seguintes afirmações: c) A simbolização e a criação da cultura nos possibilitam pensar no que não está presente. preferências e reações como se fossem “naturais”. pode ser imensamente responsável por muitos atributos individuais. Entretanto. a participação dos indivíduos na cultura. O QUE É CULTURA. SP: Brasiliense. Sem dúvidas a nossa “natureza” (diga-se herança genética). Pgs. que a experiência acumulada seja transmitida e transformada. COMO OPERA A CULTURA baseado no livro “Cultura . Assim. aborda exemplos de como a cultura afeta nossas vidas em sentidos muito mais profundos do que imaginamos. trouxeram uma nova visão sobre o ser humano. não teríamos a complexidade da humanidade. os processos de simbolização são muito importantes no estudo da cultura. mas sem a ação da cultura. O tema da segunda parte do livro de LARAIA. ao simbolizar atribuímos significados ao mundo. que as informações sejam processadas. os estudos antropológicos elucidaram ao longo de todo o séc. De fato. Esses estudos ampliaram a nossa compreensão sobre diversidade cultural sim. A natureza sozinha não constrói um ser humano como o conhecemos. mas muito além disso.

a ver o mundo. . a floresta é um conjunto desordenado de árvores. além de um movimento desordenado de pessoas e automóveis.a moral. Em cada cultura VARIA IMENSAMENTE o que somos capazes de perceber à nossa volta. . Mas.o que entendemos como SAÚDE e também a DOENÇA. . a realidade não é apenas UMA? ** Não! O Homem é condicionado pela sua cultura. de caminhar. . Da mesma forma como cada família pode deixar aos seus descendentes uma herança material (patrimônio familiar). entre tantos outros. de comer. ela tem um SIGNIFICADO QUALITATIVO e uma REFERÊNCIA ESPACIAL. p. e como explicamos o que nos cerca e o que sentimos. ao passo que para os índios que nela vivem. a nossa sociedade nos deixa uma HERANÇA de valores.” . .a língua que cada um deles fala. . modos de agir e pensar..Modo de agir. ?Ruth BENEDICT escreveu: “A cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. as apreciações de ordem moral e valorativa. ou seja. Ao passo que para os que nela vivem. os diferentes comportamentos sociais e mesmo as POSTURAS CORPORAIS são assim produtos de uma HERANÇA CULTURAL. de vestir.Para uma pessoa da cidade. Então.nossa alimentação. Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e. têm visões desencontradas das coisas. conhecimentos. seja material ou imaterial. ou mesmo pela mais simples delas .O modo de ver o mundo. . portanto.ex. Assim. a cidade possui uma ORDEM física e espacial.nosso gestual e a forma como utilizamos o corpo. desde que fase de nossas vidas essa influência acontece? . . uma pessoa do campo vê na cidade uma coleção confusa de ruas e edifícios. podemos identificar facilmente indivíduos de diferentes culturas por características como: . Mas.as necessidades e o uso da tecnologia.O oposto também é verdadeiro. É parte da nosso PATRIMÔNIO CULTURAL. . temos que a CULTURA influencia nossas vidas em diversos níveis: . e o movimento possui um sentido lógico.as noções de higiene pessoal.uHomens de culturas diferentes enxergam o mundo de forma diferente.os critérios de beleza.os sentimentos. e assim por diante.

-Desde o parto. somos condicionados pela nossa cultura Vamos analisar algumas imagens dessa influência da cultura em diferentes aspectos da vida humana e como os percebemos visualmente. .

.Na primeira coluna: África. Na segunda columa: Nova Zelândia e Brasil. Índia e Inglaterra.

para nos sentirmos INCLUÍDOS (o que dá aquela sensação de confiança e autoestima. Neste item você pode ter considerado algumas coisas muito normais e outras repugnantes. Para lembrar alguns exemplos: . Para manter tradições. carnes dos mais variados tipos e partes de animais (cruas ou cozidas). .a dieta cotidiana que pode incluir desde insetos. e muitos outros tipos.o tipo de parto que cada cultura oferece e considera melhor. frutas e flores. vegetais. nosso corpo físico é submetido frequentemente a exigências. quando “pertencemos” a um lugar social). preparados químicos conhecidos como remédios. grãos e castanhas. . incisões.2) A CULTURA INTERFERE NO PLANO BIOLÓGICO Ao longo de nossas vidas o nosso corpo físico é intensamente afetado pelas nossas experiências culturais. o que o autor chama de “PLANO BIOLÓGICO” é exatamente nossa forma física.as mulheres chinesas que durante séculos enfaixavam os pés para evitar seu livre crescimento. mas é possível sim. . rituais que envolvem ou não a participação e presença física do doente que pode ser submetido a todo tipo de intervenção passiva ou ativa – as vezes o doente precisa ingerir. cirurgias e implantes. escarificações e implantes subdermais. Pense em quantas situações ao longo de nossas vidas nosso corpo é atingido em função de experiências culturais. sementes. perfurações. .modelagem do corpo com muitas técnicas diferentes como dietas. Pense que se você tivesse sido socializado em outra cultura. obedecer a regras e principalmente. lábios. o processo de treinamento das modelos ocidentais que para serem vistas com roupas e acessórios à venda pela indústria da moda se submetem a dietas incriveis de emagrecimento e treino para o controle do corpo. sugar outras vezes ele é sugado. Neste item você pode se perguntar como nossa indumentária pode interferir no plano biológico. quando nos sentimos parte de um todo.técnicas de desenhos ou formação de saliências na pele como tatuagens. pálpebras. folhas. raízes. rituais ou de espetáculos). que desde os cinco anos começam a utilizar argolas no pescoço com o objetivo de esticá-los. . alimentos processados industrialmente. movimento e expressões faciais na passarela. inalar. . As famosas “mulheres girafas” da Tailândia (Ásia). Portanto. . esportivos. cortes.formas de tratamento de doenças que pode incluir uma imensa lista como a ingestão de fitoterápicos. suas escolhas poderiam ter sido completamente invertidas.perfuração ou alargamento de lóbulos. fisiculturismo ou treinos especiais (militares. saúde e aparência corporal. ingestão de bebidas alcoólicas ou qualquer outra que altere igualmente a percepção e reações.uso de vestuário e adornos corporais. com ou sem anestesias.

a participação em festas e ocasiões especiais. que além de exigir o controle da postura e gestual em função da utilização de vestimentas especiais. Entretanto é muito comum a reação de espanto. mas pode ser considerado incompreensível aos outros.a submissão a rotinas que podem gerar lesões físicas e/ou desconfortos psicológicos dos mais variados graus. . Ter a vida de uma modelo da moda pode parecer normal entre nós. . . Vamos ver isso em mais algumas imagens.o desenvolvimento de doenças psicossomáticas. tanto quanto perfurar lábios para o uso de botoques nos parece. indignação ou repúdio ao que os “outros” fazem com seus corpos.. Não resta dúvidas do quanto submetemos nossos corpos em função das experiências culturais. Interpretamos isso como algo “natural”. a reação do organismo na forma de doença a experiências negativas. Você pode fazer o exercício de encontrar outros e tantos inúmeros exemplos. exigem também a submissão (em alguns casos) de horas em jejum e em seguida horas de ingestão de uma quantidade incrível de alimentos e bebidas.

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Tailandesa . Segunda coluna: Sumotori (luta tradicional do Japão) .Primeira coluna: Kayapó (Xingú. DUTILEUX. Brasil) foto de Jean P. Desenho de modelo da moda.

existem tendências e limites para a socialização. e incapaz de pintar um quadro. Mas nossa participação é sempre diferente de um indivíduo para o outro. por que podemos ter licença para dirigir e votar aos 18 anos. que impedem que aqueles que estão mais abaixo na pirâmide social. tenham acesso a grande parte da cultura produzida pelo seu grupo.ex. A individualidade está garantida em primeiro lugar pelo fato de que nem uma pessoa pode sozinha conhecer e dominar todos os conhecimentos. apesar de compartilharem a mesma “visão mundo”. Somos socializados e aprendemos ao longo da vida aquilo que é mais importante para sermos aceitos e participarmos de uma cultura. ?as diferenciações baseadas na idade dos indivíduos: Uma criança não está apta a exercer as funções dos adultos. Em que critérios se baseiam essas diferenças individuais? ?as diferenciações baseadas no sexo dos indivíduos: Com exceção de algumas sociedades africanas . portanto os motivos biológicos ficam explícitos nesses casos. ?as diferenciações baseadas nas diferenciações de classe social: Nas sociedades que diferenciam os indivíduos de acordo com o pertencimento a determinadas classes sociais.. onde o grupo não determina totalmente sua vida.nas quais as mulheres desempenham papéis importantes na vida ritual e econômica -. . ou 20? ?as diferenciações baseadas na impossibilidade de TODOS os indivíduos serem socializados da MESMA forma: Alguns aspectos se sobrepõem a outros. alguns traços são reforçados e outros não: Einstein era um gênio na física. a história e o conjunto de valores de seu próprio povo. a maior parte das sociedades humanas permite uma mais ampla participação na vida cultural aos elementos do sexo masculino. há impedimentos etários totalmente arbitrários e criados pela nossa cultura: p. Porém. É impossível que todos nós recebamos as MESMAS informações durante nosso crescimento. mas provavelmente um desastre ao piano. portanto existe um espaço na cultura.3) OS INDIVÍDUOS PARTICIPAM DIFERENTEMENTE DE SUA CULTURA É impossível todos os indivíduos de um grupo terem exatamente o mesmo comportamento. e não aos 16.

? Para dar um bom exemplo baseado na cultura brasileira. Entretanto. por que a impressão que algumas culturas mudam mais do que outras. casamentos desfeitos. deixa todos satisfeitos com a explicação. Esse conceito forma todo um sistema de classificação e ordenação de mundo para muitos brasileiros. que parecem “congelar” no tempo? O ritmo de mudanças de uma cultura obedece à lógica da satisfação de seus indivíduos com relação às suas soluções. Toda cultura muda com o tempo. as “nossas explicações” sempre nos parecem mais lógicas. mais corretas.4) A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA Neste capítulo o autor trabalha com a seguinte idéia: temos explicações para o mundo. perda de patrimônio. ou por “ignorância” que um grupo social pode parecer “SEM RAZÃO”. Quando as soluções deixam de ser suficientes. nosso esforço intelectual de obter resposta sempre será coerente com o sistema cultural no qual estamos inseridos. 5) A CULTURA É DINÂMICA Todo ser humano tem capacidade de questionar seus próprios hábitos e mudá-los. ele não domina a explicação científica. Fosse ele um gaúcho. e “inventou” uma resposta tão simples quanto seu nível de informação sobre o sistema solar. ? A lógica de uma cultura muitas vezes forma o que os antropólogos denominam “sistema de classificação” ou ainda “sistema de categorias”. De fato. temos que considerar que muitas vezes não é apenas por “falta de conhecimento”. muito provavelmente sua “explicação” fosse outra. muito eventos com impacto negativo na vida das pessoas são explicadas através da “inveja”. ou “olho gordo”. Muitos podem concluir que ele não sabia explicar. São conceitos que. mas sua “invenção” teve que necessariamente utilizar A LÓGICA DA CULTURA CAIPIRA. 88) de uma conhecida sua que perguntou a um caipira paulista “como é que o sol morre todos os dias no Oeste e nasce no Leste”. a categoria do “olho gordo” entra em ação. Mas. podemos tomar o conceito de “inveja”. Mediante situações que exigem uma lógica. Isto é um conceito que forma um sistema de ordenação de mundo. Quando um acontecimento pessoal ou alheio parece “sem explicação”. doença. a princípio parecem simples. pelo qual somos profundamente influenciados. que são resultantes da cultura na qual somos socializados. Laraia cita o exemplo (pg. ocorrem as mudanças. Vamos a alguns exemplos do livro. mas que servem para explicar toda uma infinidade de eventos. Assim. sejam sociais ou naturais. Dificilmente as pessoas se contentam com explicações racionais que tornam a “vítima” única e completamente responsável pelo que lhe aconteceu. entretanto. Desemprego. E a resposta obtida foi: “Ele volta apagado durante a noite”. que as explicações dos “outros”. ela sempre será a “nossa lógica” e não a lógica alheia. . mais apropriadas. Mesmo ao “inventar” explicações. de ordem prática ou simbólica. a categoria da “inveja”.

o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior. comandou um sobrevôo que resultou nas primeiras fotografias dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru. as mudanças decorrentes da dinâmica interna podem ser quase imperceptíveis a um observador externo.terra.OI2903379-EI6581.html . e que traz na abertura da matéria assinada por Altino Machado. quando se trata da dinâmica do próprio sistema cultural. em especial na Amazônia brasileira.. de Rio Branco (Acre): “Após quase 20 horas num avião monomotor.00. coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai. As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção. enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião.” http://terramagazine. Já a mudança decorrente dos contatos entre muitas culturas determina um ritmo mais rápido ao longo de um pequeno espaço de tempo. Segundo LARAIA (pg.com. sendo o fenômeno de dinâmica cultural mais estudado. A menos que tenham sido decorrentes de invenções tecnológicas exemplares ou de eventos históricos de grande impacto como revoluções e guerras internas. quando as mudanças ocorrem em função do contato com outro sistema cultural. o mundo se surpreendeu com fotos que estão disponíveis no jornal eletrônico “Terra Magazine”. No mês de maio de 2008.br/interna/0. 96).Essas podem ter duas fontes: uInterna. Essas fontes podem determinar o ritmo mais lento ou rápido das mudanças. Ainda existem alguns poucos grupos isolados no mundo. chamado de “etnias isoladas”. uExterna. Atualmente é quase inexistente alguma cultura que não tenha contato com outras. de onde eventualmente temos notícias desse tipo de fenômeno.

publicada no mesmo endereço eletrônico disponível acima da imagem. pela conquista ou pela exposição excessiva (podemos pensar na mídia). ALGUMAS IMPORTANTES CARACTERÍSTICAS DAS CULTURAS! CADA CULTURA (seu povo) ESCOLHE DENTRE OS ELEMENTOS DE UM OUTRO GRUPO. Isso significa que para a Antropologia pode ser questionável afirmar por exemplo que os índios (ou os brasileiros.1: . ou qualquer grupo cultural) não têm nenhuma escolha quando são influenciados por outras culturas. AQUELES QUE ACHA POSITIVO ADOTAR OU NÃO. APENAS EM CASOS DE DOMÍNIO ECONÔMICO E/OU POLÍTICO É QUE UM GRUPO SE VÊ OBRIGADO A ABRIR MÃO DE SEUS PRÓPRIOS COSTUMES E ADOTAR OS DOS DOMINANTES. Adotar comportamentos típicos de outras culturas pode ser resultado de imposições pela violência. Exercício resolvido para o item 4.FOTO DE GLEISON MIRANDA.

Regina Pahim. Jorge Zahar. http://www. especialmente o link para a Revista “Sexta-Feira”. “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Celso (org.ANTROPOLOGIA CULTURAL.br . * Sugestão de endereços da Internet sobre os temas deste conteúdo: . http://www. Cad. 108. http://www.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. PP. Nov. São Paulo. Disponível em <http://www. Pesqui.com. n.Sobre a educação no contexto das relações étnico-culturais: PINTO. A explicação da Antropologia para este fato é: Resposta do exercício 1): D) os indivíduos participam diferentemente de sua cultura.A diversidade cultural: relações étnico-raciais.scielo. Horace. especialmente o link “Povos indígenas do Brasil”. “Raça e Progresso”.. MEC.socioambiental. (org.1) Um bombeiro pode ser excelente no exercício de sua profissão. in CASTRO.com. Jorge Zahar. 1999 . MÓDULO 5 Conteúdo do 2º bimestre – PROVA NP-2 5 . Franz.espacoacademico.Para conhecer sobre a diversidade de etnias indígenas no Brasil: Instituto Sócio Ambiental.htm .) Franz BOAS . Refletir sobre o papel das tradições e das mudanças culturais em diversas situações e contextos. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais. Objetivos: neste item o aluno deve ser capaz de considerar a identidade como um processo de construção cultural e o contato com a diferença como características da condição contemporânea. 2004.Comunidade virtual de Antropologia. C.com/antropologia/nacirema.br/scielo.br/040/40pc_diretriz. disponível na Web.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741999000300009&lng=en&nrm=iso> .espacoacademico. mas não para todas.antropologia.br/040/40pc_diretriz.o texto "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" está disponível eletronicamente no seguinte endereço: http://www.org/. Ritos Corporais entre os Nacirema. MINER. in CASTRO. assim cada um recebe muitas informações e treinamento para algumas funções.htm “Os métodos da etnologia”.com. 2004. Brasília: 2004.htm Textos complementares: BOAS. .aguaforte. 67-86. http://www.) FRANZ BOAS – Antropologia Cultural. Texto disponível eletronicamente no endereço. mas pode falhar quando colocado em uma situação que exige apenas foco de atenção baseada no raciocínio intelectual durante muitas horas. Diferenças étnico-raciais e formação do professor.

Desenvolvimento do item 5 – . além de boas doses de ética. diáspora (que é a dispersão de um povo em consequência de preconceito ou perseguição política. Atualmente o mundo todo reflete de uma forma mais intensa sobre o convívio entre as diferentes culturas/etnias. procura de condições de vida diferentes e oportunidades. não precisa ser alguém de uma cultura distante fisicamente. Que tal pontuar algumas questões e situações do mundo atual nas quais as relações étnico-culturais estão no centro dos debates e suscitam a reflexão? São questões que trazem à tona o relativismo cultural e o etnocentrismo. como a intenção de ocupação de território.Definição de relações étnicas: As relações étnico-culturais são todas as situações nas quais diferentes culturas/etnias são colocadas em contato por qualquer razão. onde encontra-se outro grupo étnico. religiosa ou étnica) ou mesmo de guerras. do estabelecimento de vínculos de parceria ou amizade. Essas questões / situações seriam: . atividades comerciais. exploratórias. justiça e novos parâmetros para as relações humanas. Assim dizemos que para haver relativismo ou etnocentrismo deve-se supor a presença da DIFERENÇA. Os motivos podem ser variados. pode estar ao nosso lado. e supõe que dois ou mais povos que representam suas etnias mantenham por tempo indeterminado alguma forma de convivência. Esse “outro” que aparece nas frases acima. Esse contato normalmente é motivado por deslocamento de grupos de pessoas de uma etnia para outro(s) lugar(es). de relação de troca. Relativismo cultural e etnocentrismo são formas das pessoas ou sociedades inteiras reagirem ao contato com um grupo culturalmente diferente. A presença de um “outro” em relação ao que se reconhecemos como “nós”.

Qual é a realidade dos povos indígenas que convivem com a nossa sociedade nacional aqui no Brasil? E quais são suas reivindicações? .Qual é a importância da eleição de Barack Hussein Obama como Presidente dos Estados Unidos da América? ..

.Quais são os principais argumentos a favor e contra a política de cotas para afro-descendentes ingressarem nas universidades públicas brasileiras? .Como resolver os conflitos entre Israel e a Palestina? .

existe uma preocupação geral e a tendência a considerar reprováveis as atitudes que resultem em discriminação. são polêmicas sociais. De qualquer forma. onde o contato entre as diferentes culturas e povos é cada vez mais intenso e necessário.. pode-se caracterizar certas respostas como resultado de atitudes etnocêntricas ou relativistas. Ocorre que durante muitos séculos. um relativo isolamento entre os povos teve como resultado o surgimento de muitas etnias diferentes ao redor do mundo. Dependendo da perspectiva a partir da qual se avalia essas questões. preconceito. Elas dependem em grande parte da posição e da capacidade de imparcialidade de quem as responde. Segundo o dicionário HOUAISS: . exclusão ou práticas moralmente/fisicamente agressivas.Como e por que é exercido o preconceito contra nordestinos nas regiões sul e sudeste do Brasil? As respostas a essas questões não possuem um consenso. A garantia dos direitos humanos e as lutas pelo tratamento igualitário entre os povos têm trazido à tona importantes discussões sobre as relações étnico-culturais. Cada cultura desenvolve um sistema simbólico que permite aos indivíduos se relacionarem dentro de uma mesma linguagem de mundo. O que nos leva de volta ao conceito de CULTURA. Vamos desenvolver o conceito de ETNIA. podemos obter respostas muito desencontradas. Em um mundo globalizado.

ou por ter se tornado tão profunda que apenas se resolve com o extermínio desse outro. extermínios e a prática da discriminação e do racismo. racismo ou ódio. grupo étnico [Para alguns autores. poderíamos encontrar povos/culturas “mais evoluídos” e outros “menos evoluídos”. Ao recusar essas teorias. O conceito de “raça” mostra-se impreciso uma vez que tenta determinar divisões em uma espécie que é única: o ser humano. religião e maneiras de agir. e não uma realidade biológica. Quais eram os pressupostos do EVOLUCIONISMO SOCIAL? Parte da ideia de que haveria uma “escala evolutiva” entre os povos. a etnia pressupõe uma base biológica. simplesmente pelo fato dela abranger apenas um aspecto da cultura alheia. que justificou decisões políticas como invasões. O resultado óbvio foi o sentimento de superioridade de algumas culturas sobre outras. Um povo pode e deve saber valorizar suas próprias características sem que seja necessário diminuir. desde final do século XIX teve início um movimento de recusa às teorias evolucionistas. Na história da Antropologia. É necessário perceber que a intolerância em qualquer dos casos é desnecessária. ou os hábitos de vestuário / alimentação / higiene desse mesmo outro. a antropologia substituiu o conceito de RAÇA (de base extremamente biologizante) pelo de ETNIA. podendo ser definida pó uma raça. Entretanto não existe intolerância mais aceitável ou menos aceitável. condenável e pouco efetiva no sentido de resolver conflitos de interesses entre dois ou mais povos. por não haver recebido conceituação precisa]. que relacionavam a base biológica das populações humanas com a cultura. O conceito de etnia. Esse pensamento partia do pressuposto que a cultura é determinada pela herança genética de uma população. refletida principalmente na língua. uma cultura ou ambas. ANTROPOL coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural. que a cultura não é determinada pelo padrão de herança genética de uma população.Etnia. e este conflito revela questões culturais de qualquer abrangência. dá ênfase aos aspectos da herança cultural de um povo como forma de caracterizar a diferença de comportamento entre as várias populações humanas. Sempre que o assunto envolve questões de conflito de interesses entre populações. . discriminar ou repudiar os que são diferentes. o termo é evitado por parte da antropologia atual. tanto por questões bastante específicas como a religião do outro. trata-se de questões étnico-raciais. Um povo pode expressar seu preconceito. ou ainda através de repúdio total ao outro. contrariamente ao de raça. Raça é uma construção social. Atualmente é consenso na antropologia. De acordo com esse pensamento. Esses conflitos podem se revelar com diferentes graus de expressão e intolerância.

É um conceito social. muito mais que científico. nós compreendemos seu apelo social em nossa sociedade. Embora as razoes biológicas aduzidas possam não ser relevantes. Concluindo esse conteúdo. os preconceitos e antagonismos raciais irão perder sua importância. Especialmente os capítulos de 1 a 5 da Primeira Parte. a estratificação da sociedade em grupos sociais de caráter racial ira sempre levar à discriminação de raça. Brasília: 2004. MEC. mas como membro de sua classe.br/040/40pc_diretriz.espacoacademico. . Enquanto insistirmos numa estratificação segundo camadas raciais. física e socialmente muitos povos para que não consigam reagir a situações de submissão.Sobre a formação étnico-racial e a cultura nacional: SCHWARCZ. nas páginas 37-94. indicado na bibliografia complementar desse tópico. há uma questão de poder que envolve as disputas em torno do conceito de raça. preconceito e direitos. Moritz.1 . Podemos ter uma razoável certeza de que. “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Lilia K. o individuo não é julgado como um indivíduo.Relações étnico-culturais: questões sociais. http://www. devemos pagar um preço alto na forma de luta inter-racial será melhor para nos continuar como estamos.com. ou devemos tentar reconhecer as condições que levam aos antagonismos fundamentais que nos atormentam?” MÓDULO 5 – item 5. e que serve como justificativa para ações que atinjam moral. Portanto. SP: Brasiliense. Tal como em todos os outros agrupamentos humanos bem marcados.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. nas páginas 85 e 86: “Não importa quão fraco o argumento em favor da pureza racial possa ser. François. Eles podem mesmo vir a desaparecer inteiramente. Aprender Antropologia. 1995. Sabemos historicamente a dimensão destrutiva dos discursos sobre uma pretensa “pureza racial” e sabemos das imensas possibilidades de construir relações étnico-raciais mais democráticas e igualitárias. Disponível em . vamos ler um trecho do texto de FRANZ BOAS. Texto disponível eletronicamente no endereço. onde quer que os membros de diferentes raças formem um único grupo social com laços fortes. “Marcos para uma história do pensamento antropológico”.htm Textos complementares: LAPLANTINE.Percebemos que há um uso político dessas intolerâncias. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais.Notas sobre uma identidade mestiça e malandra.1 Conteúdo para a NP-2 (2º bimestre) Item 5. Complexo de Zé Carioca .

As guerras e conquistas. Portanto. o extermínio de inimigos que oferecessem “resistência” para ser conquistado.http://www. Por isso. as Navegações fizeram parte do ambiente intelectual que deu surgimento às ciências da sociedade dois séculos mais tarde – as Grandes Navegações ocorrem no século XVI e o surgimento de uma filosofia social no século XVIII. o ser humano se torna objeto de investigação científica como um dos resultados da empreitada colonialista da Europa. devido a condições históricas.htm Este item aprofunda os temas relacionados à diversidade cultural e as relações entre grupos com culturas diferentes. pois antes disso as explicações religiosas sobre as diferentes sociedades. considerando a história da humanidade. tudo era praticado sem que qualquer instituição. os Estados nacionais. Evolucionismo social e poder: No século XIX. antes do evento colonialista. Entretanto.org. como acontecem atualmente. questionasse os métodos e consequências desumanas desse sistema. apesar da conquista de direitos pelos cidadãos europeus e norte-americanos.br/portal/publicacoes/rbcs_00_29/rbcs29_03. as diferenças culturais eram tomadas como algo “natural”. Do ponto de vista das práticas dos navegantes e governos europeus. até o século XIX os europeus consideravam muito natural dominar e submeter outros povos. os povos de países onde o capitalismo não produzira a mesma riqueza permaneciam à margem desse processo. O “evolucionismo social”. foram elementos responsáveis pela crescente aproximação de culturas. Não existe um único motivo. os interesses relacionados à conquista de territórios coloniais. ou “darwinismo social” dominava as explicações científicas sobre a diversidade cultural. ou fruto da vontade divina. que viviam em democracias recémcriadas. ou ainda estabelecimento de comércio com povos extra-europeus. . não sendo pensadas como algo sobre o qual fosse preciso refletir e explicar. que colocavam o vencedor como aquele que estabelece as regras do “jogo” e por ser “mais forte” podia utilizar qualquer recurso para manter o poder. Sempre havia sido assim na história até então. A diversidade étnica e o contato cultural O contato entre diferentes culturas sempre existiu. mas uma série de razões relacionadas a isto. esse contato não promoveu qualquer tipo de preocupação política ou intelectual até o momento conhecido como “Grandes Navegações”. Ou seja. Da perspectiva científica. com a publicação dos primeiros trabalhos científicos no século XIX. a imposição de leis que colocam um povo vencido em condições desfavoráveis perante o conquistador. O objetivo é analisar o preconceito como uma forma de desrespeito aos direitos dos povos e suas culturas. mesmo a Igreja.anpocs. a partir de 1492 quando a Europa passou a navegar por todo o globo. bastavam a todos. A escravidão.

ou ainda por povos . e LÉVI-STRAUSS na França são importantes autores que representam essa mudança. O fato de apenas os povos europeus até aquele momento. chamados de “povos bárbaros”. e esse domínio econômico e militar passou a contar com uma justificativa científica. por exemplo. A antropologia começa a defender que cada cultura segue seus próprios caminhos de transformação. e do tipo de suas instituições organizadoras da vida social (o tipo de Estado. China e povos orientais em geral. As populações nativas da América (povos pré-colombianos).) mais primitivos eram considerados. e uma das ex-colônias (Estados Unidos da América) terem desenvolvido o pensamento científico. A esse tipo de prática chamamos “eurocentrismo”. e sim como um sistema que permite aos indivíduos de um grupo se relacionar com o mundo. estariam as civilizações do Oriente Médio. Antes disso tudo. era o fundamento que sustentava todo esse esquema que colocava a diversidade cultural dentro de uma escala classificatória que identificava cada povo como representante de um “momento evolutivo” diferente. considerando os eventos históricos que marcam seu povo. que afirmava sua superioridade cultural e histórica. Quanto mais afastado do modo de vida europeu. os povos indígenas do Brasil como “preguiçosos”. pois naquela época o poder influenciou a produção de conhecimento. sendo muito “cômodo” criar uma teoria onde seu próprio povo era considerado centro do mundo. de qualquer perspectiva que se abordasse a questão. Franz BOAS nos Estados Unidos. Em suas obras. houveram grandes impérios mantidos por povos do Mediterrâneo (romanos. Esse pensamento deu margem para que a sociedade européia primeiro. família e parentesco. Assim. eles demonstram que não existe base científica para aceitar que exista um único modelo de “avanço” cultural e que todos os povos devam segui-lo. exército. ou outros povos como “atrasados” em sua mentalidade geral. e não existe superioridade racial/étnica que possa ser defendida sob nenhuma base científica. egípcios). e depois sua extensão americana se sentisse a vontade para julgar. A mudança histórica – relativismo cultural e direito dos povos É a partir das primeiras décadas do século XX que esse cenário de submissão cultural começa a se modificar. A cultura não deve ser encarada apenas como uma questão de avanço técnico. a população européia era “mais evoluída” culturalmente. Índia. por isso dominava grande parte do mundo. etc. escolas. Na antropologia cresce a produção de conhecimento que demonstrava os erros do evolucionismo social e de qualquer pensamento que classificasse os povos como “atrasados” ou “evoluídos”. macedônios. A busca de “progresso” é algo típico das sociedades do capitalismo-industrial.Para os europeus. Agora são os norte-americanos. e em uma escala intermediária. África e Austrália eram os “povos primitivos”. Os europeus foram dominantes desde as Grandes Navegações até a II Guerra Mundial. a teoria do evolucionismo social foi criada e reproduzida pelo mesmo povo que detinha o poder dominador sobre os outros. sistema de leis.

tendo sempre em mente esta Declaração. mas na sociedade como um todo. lembra? O que as ciências da sociedade demonstram. Já vimos isso anteriormente nos itens que abordaram o “determinismo biológico” e o “determinismo geográfico”. 2. Todo ser humano tem direito à vida. religião. através do ensino e da educação. Leia a um trecho da Declaração abaixo: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. opinião política ou de outra natureza. trecho extraído em original completo disponível em: http://www. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. idioma. acessado em 04/3/2011. Aqueles povos submetidos a um poder de fora. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. riqueza. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. se esforce. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. (Documento publicado pelas Nações Unidas no Brasil. cor. sem governo próprio. por promover o respeito a esses direitos e liberdades.do Oriente Próximo (turcos. sexo.br/documentos_direitoshumanos. com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) e a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS em 1948. seja por suas características genéticas ou de comportamento. Portanto não há nada na genética ou na geografia de qualquer povo que possa ser apontado como fator explicativo da cultura. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. à liberdade e à segurança pessoal. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. Artigo II. quer se trate de um território independente. desumano ou degradante. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. acabam sofrendo discriminações e violências de todo tipo. e. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva. Grandes civilizações se desenvolveram na Índia e no norte da África muito antes dos europeus. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. 16:00) . que tem início uma mudança não apenas dentro das ciências. Artigo III. Artigo I. 1. É a partir do final da II Grande Guerra.onubrasil. sob tutela. sem distinção de qualquer espécie. otomanos. é que o preconceito contra um povo. nascimento. Artigo V. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros. ou qualquer outra condição. são resultantes de SITUAÇÕES DE PODER. seja de raça. Artigo IV.org. árabes) e também por orientais (chineses e japoneses).php. origem nacional ou social.

contra o regime de apartheid. começam a se manifestar publicamente para denunciar as injustiças sofridas contra as quais o restante da sociedade se omitia. antropológicas oriundas da realidade brasileira. dos homossexuais). identidade. valor moral. Esse movimento rapidamente contou com o apoio de parcelas da população. Trata. fundada em dimensões históricas. que apesar de brancos. Nesta perspectiva. como heróis em livros didáticos ou de literatura popular. entre outras. e busca combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente os negros. que ainda aparece também com sinônimos como “discriminação positiva” ou “ação positiva”.com. ele. discriminação e direitos. isto é. Esses registros são as formas preconceituosas que são reproduzidas e “ensinam” as pessoas como tratar discriminatoriamente alguns grupos.espacoacademico. de política curricular. posturas e valores que . pois juntamente com as questões de discriminação étnica. entre a população católica e os protestantes. Portanto. As pessoas atingidas negativamente se vêem excluídas de conceitos positivos como de beleza. O mais conhecido desses movimentos foi o movimento negro anti-segregacionista norte-americano. Eles trouxeram à tona um grande debate social em torno de racismo. cultura. eram progressistas e estavam unidos pelo reconhecimento dos direitos. sucesso. de minorias políticas e assim por diante. heroísmo. de gênero (como por exemplo. propõe à divulgação e produção de conhecimentos.br/040/40pc_diretriz. Ou seja. Em conjunto. e foram incentivadas por diferentes questões étnicas como na Irlanda. essas manifestações ficaram conhecidas como o movimento internacional pelos direitos civis. Abaixo. como modelos de publicidade. no sentido de políticas de ações afirmativas. Essas manifestações ocorreram em muitos países. a formação de atitudes. religiosos. alguns setores da sociedade que sofriam muito com o preconceito étnico ou outras formas de discriminação. Questões introdutórias O parecer procura oferecer uma resposta. um trecho do documento “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. cujo líder Martin Luther KING marca a história do século XX. Brasília: 2004 e que pode ser encontrado na íntegra no endereço eletrônico: http://www. à demanda da população afrodescendente. eles são excluídos como modelos de personagens bons e belos na televisão ou cinema. apesar de nem todos apoiarem. na área da educação.Entre 1954 e 1980. as ações afirmativas têm como objetivo modificar a mentalidade geral através de atitudes que invertam as representações negativas que predominam sobre uma etnia ou grupo social específico por sua cultura ou comportamento. vieram outras como os direitos femininos.htm Esse trecho traz importantes conceitos e revela uma importante questão das relações étnico-raciais no Brasil atualmente. de políticas de reparações. e são responsáveis por criar o termo “ação afirmativa”. preconceito. entre outros. publicado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. sociais. São ações políticas que pretendem retirar os registros negativos que a sociedade cria em torno de uma etnia ou grupo social. MEC. como referências de sucesso em grandes empresas e assim por diante. ou na África do Sul. e de reconhecimento e valorização de sua história.

para todos. os postos à margem. de condições para alcançar todos os requisitos tendo em vista a conclusão de cada um dos níveis de ensino. de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação de políticas. sociais. Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade. cursarem cada um dos níveis de ensino. posturas. Art. de valorização do patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. além de desempenharem com qualificação uma profissão. Políticas de Reparações. . estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista. bem como valorização da diversidade daquilo que distingue os negros dos outros grupos que compõem a população brasileira. de Reconhecimento e Valorização. no pós-abolição. descendentes de europeus. ao reger-se por critérios de exclusão. individual e coletiva. assim como o é o reconhecimento e valorização da história. que alterou a Lei 9394/1996. Requer também que se conheça a sua história e cultura apresentadas. civis. e as estatísticas o mostram sem deixar dúvidas. Visa também a que tais medidas se concretizem em iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações. ou seja. dos danos psicológicos. cultura e identidade dos descendentes de africanos. fundados em preconceitos e manutenção de privilégios para os sempre privilegiados. É importante salientar que tais políticas têm como meta o direito dos negros se reconhecerem na cultura nacional. nos diferentes níveis de ensino. iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um. que assinala o dever do Estado de garantir indistintamente. Políticas de reparações voltadas para a educação dos negros devem oferecer garantias a essa população de ingresso. a fim de superar a desigualdade étnico-racial presente na educação escolar brasileira. com formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo e discriminações. Sem a intervenção do Estado. buscando-se especificamente desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira. Estas condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade. de asiáticos. orientados por professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos. por meio da educação. também. valorização e afirmação de direitos. como meta o direito dos negros. E isto requer mudança nos discursos. explicadas. mito este que difunde a crença de que. lógicas. gestos. Cabe ao Estado promover e incentivar políticas de reparações. de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática. se os negros não atingem os mesmos patamares que os não negros. bem como em virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população. dificilmente. materiais. assim como de todos cidadãos brasileiros. culturais e econômicos. raciocínios. no que cumpre ao disposto na Constituição Federal. em escolas devidamente instaladas e equipadas. modo de tratar as pessoas negras. entre eles os afro-brasileiros. povos indígenas. entre descendentes de africanos. em que todos. enquanto pessoa. A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento. É necessário sublinhar que tais políticas têm. de europeus. permanência e sucesso na educação escolar. tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. de Ações Afirmativas A demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir os descendentes de africanos negros. Reconhecimento implica justiça e iguais direitos sociais. cidadão ou profissional. seus pensamentos. sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das relações entre diferentes grupos étnico-raciais. 205. passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10639/2003.descendentes de africanos. igualmente. bem como para atuar como cidadãos responsáveis e participantes. e povos indígenas. desconsiderando as desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos para os negros.eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial . de aquisição das competências e dos conhecimentos tidos como indispensáveis para continuidade nos estudos. expressarem visões de mundo próprias. romperão o sistema meritocrático que agrava desigualdades e gera injustiça. no que diz respeito à educação. manifestarem com autonomia. é por falta de competência ou de interesse.

desde as formas individuais até as coletivas. Reconhecer exige que os estabelecimentos de ensino. palavras e atitudes que. com professores competentes no domínio dos conteúdos de ensino. e servem apenas como fixação de aprendizado. Implica criar condições para que os estudantes negros não sejam rejeitados em virtude da cor da sua pele. orientadas para oferta de tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens e marginalização criadas e mantidas por estrutura social excludente e discriminatória. Discriminação Racial. bem como a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Significa buscar. comprometidos com a educação de negros e brancos. ser sensível ao sofrimento causado por tantas formas de desqualificação: apelidos depreciativos. piadas de mau gosto sugerindo incapacidade. não sejam desencorajados de prosseguir estudos. velada ou explicitamente violentas. à sua descendência africana. sendo capazes de corrigir posturas. com o objetivo de combate ao racismo e a discriminações. atitudes e palavras que impliquem desrespeito e discriminação. Nos trechos em itálico e sublinhado estão destacados alguns importantes princípios das políticas de ações afirmativas traçadas pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. conjuntos de ações políticas dirigidas à correção de desigualdades raciais e sociais.Reconhecer exige que se questionem relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos. Xenofobia e Discriminações Correlatas de 2001. expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros. a textura de seus cabelos. tais como: a Convenção da UNESCO de 1960. isto é. Para compreender a importância das discussões que envolvem as relações étnico-culturais atualmente. Reconhecer é também valorizar. no sentido de que venham a relacionar-se com respeito. Ações afirmativas atendem ao determinado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. leia abaixo uma das questões dissertativas do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) realizado pelo MEC anualmente. sua cultura e história. atualizados. compreender seus valores e lutas. brincadeiras. divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra desencadeados pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade. bem como a Conferência Mundial de Combate ao Racismo. . fazendo pouco das religiões de raiz africana. Abaixo estão algumas questões importantes para que você responda e que estão esclarecidas nos trechos em destaque no texto acima reproduzido: 1) Quais populações são alvos da preocupação sobre a condição de exclusão ou tratamento preconceituoso? 2) Qual o argumento do documento sobre a ênfase nas políticas de reparação voltadas à comunidade de afrodescendentes pelo Estado brasileiro? 3) Em que âmbitos da vida social o tratamento desigual ao negros requer mudanças para obtermos justiça e direitos iguais? 4) Como o documento define “ações afirmativas”? Essas perguntas acima devem servir como forma de auxiliar na interpretação do texto em destaque. menosprezados em virtude de seus antepassados terem sido explorados como escravos. contem com instalações e equipamentos sólidos. de estudar questões que dizem respeito à comunidade negra. próprios de uma sociedade hierárquica e desigual. direcionada ao combate ao racismo em todas as formas de ensino. Reconhecer exige a valorização e respeito às pessoas negras. freqüentados em sua maioria por população negra. ridicularizando seus traços físicos. Políticas de reparações e de reconhecimento formarão programas de ações afirmativas.

frei David Raimundo dos Santos.) Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.ENADE 2006 – Prova de FORMAÇÃO GERAL para todos os cursos (QUESTÃO 9 – DISCURSIVA): Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção de “sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional. (valor: 5. (.. 2006. Por isso ter vindo aqui já foi um avanço‟. há também os que adotam a posição de que o critério para cotas nas Universidades Públicas não deva ser restritivo.” (Folha de S. mas que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso. mas o movimento quer que os projetos sejam retirados da pauta.) O diretor executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). vamos analisar o quadro de correção elaborado para a prova. acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e defende a adoção do sistema de cotas. a essência de um dos argumentos a seguir contra o sistema de cotas.” (Agência Estado-Brasil. quando um grupo de intelectuais entregou ao Congresso Nacional um manifesto contrário à adoção de cotas raciais no Brasil.. chamado de “Padrão resposta”. 2006..0 pontos) Agora. a polêmica foi reacesa.0 pontos) b) um argumento coerente utilizado por aqueles que o defendem. no atual debate social. num texto coerente e coeso. 30 jun. (. a) um argumento coerente utilizado por aqueles que o criticam. Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”. que nada mais é do que uma grade de correção para as questões dissertativas em que constam os pontos como deveriam ter sido abordados pelos estudantes para obter o valor considerado. disse.. Texto I “Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem no Congresso um manifesto contra a votação dos projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros em Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial. As duas propostas estão prontas para serem votadas na Câmara.) Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas afirmativas.) Texto II “Desde a última quinta-feira. com adaptação. 03 jul. identifique. leia os dois textos a seguir. „É preciso fazer o debate. PADRÃO DE RESPOSTA – ENADE 2006 QUESTÃO 9 Tema – Políticas Públicas / Políticas Afirmativas / Sistema de Cotas “raciais” a) O aluno deverá apresentar. . (valor: 5.Paulo – Cotidiano. Yvonne Maggie.

É preciso. A cota não tira direitos. na cor da pele. . é possível o acirramento da intolerância.Não se pode ocultar a diversidade e as especificidades sociopolíticas e culturais do povo brasileiro. . na verdade. no sentido proposto. manteve-se a centralização política e a exclusão de grande parte da população brasileira na maioria dos direitos.Implantar uma classificação racial oficial dos cidadãos brasileiros. . O princípio da igualdade assume hoje um significado complexo que deve envolver o princípio da igualdade na lei.O acesso à Universidade Pública que não esteja unicamente vinculado ao mérito acadêmico pode provocar a falência do ensino público e gratuito.O acesso à Universidade deve basear-se em um único critério: o de mérito. somente. há dificuldade para definir quem é negro porque no País domina a miscigenação. pode gerar ainda mais preconceito.Políticas dirigidas a grupos “raciais” estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem produzir efeito contrário. ..É preciso avaliar sobre que “igualdade” se está tratando quando se diz que ela está ameaçada com os projetos em questão. Além disso.0 pontos) b) O aluno deverá apresentar. . . Para se tratar desigualmente os desiguais. é a raça humana. .A adoção de identidades étnicas e culturais não deve ser imposta pelo Estado. . a essência de um dos argumentos a seguir a favor do sistema de cotas.O sistema de cotas valorizaria excessivamente a raça. perante a lei e em suas dimensões formais e materiais. e o que existe. Sendo aprovado tal estatuto. favorecendo as faculdades da rede privada de ensino superior. visto que todos são iguais perante a lei. num texto coerente e coeso. Ao longo da História. Nesse sentido. o País passará a definir os direitos das pessoas com base na tonalidade da pele e a História já condenou veementemente essas tentativas. a qualidade acadêmica pode ficar ameaçada por alunos despreparados. é preciso um fundamento razoável e um fim legítimo e não um fundamento que envolve a diferença baseada. (valor: 5. Há necessidade de diferenciar a igualdade formal ( do ordenamento jurídico e da estrutura estatal) da igualdade material (igualdade de fato na vida econômica). a principal luta é a de reivindicar propostas que incluam maiores investimentos na educação básica. fazer uma reparação. então. perpetuando-se o mando sobre uma enorme massa de população. . estabelecer cotas raciais no serviço público e criar privilégios nas relações comerciais entre poder público e empresas privadas que utilizem cotas raciais na contratação de funcionários é um equívoco. mas rediscute a distribuição dos bens escassos da nação até que a distribuição igualitária dos serviços públicos seja alcançada. Não sendo assim. por exemplo. dando-se respaldo legal ao conceito de “raça”.Diversos dispositivos dos projetos (Lei de cotas e Estatuto da Igualdade Racial) ferem o princípio constitucional da igualdade política e jurídica. A autorização da inclusão de dados referentes ao quesito raça/cor em instrumentos de coleta de dados em fichas de instituições de ensino e nas de atendimento em hospitais.

.As Universidades Públicas no Brasil sempre operaram num velado sistema de cotas para brancos afortunados. pp. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: SANTOS. pois não faltam agentes sociais versados em identificar negros e discriminá-los. os números revelam. Cultura brasileira e culturas brasileiras http://www.Dizer que é difícil definir quem é negro é uma hipocrisia.br/cdrom/bosi/bosi. . 1) O conceito de etnia veio a substituir o de raça.Sobre a cultura nacional: BOSI. é injusta e equivocada. 2006 “A cultura em nossa sociedade”. meios de comunicação.ufrgs. Alfredo. trata-se de um conceito político aplicado ao processo social construído sobre diferenças humanas. O QUE É CULTURA. 51-79.. . inclusive.0 pontos) Exercício com resposta para fixação de conteúdo. que no quesito freqüência os cotistas estão em vantagem (são mais assíduos). para as Universidades que já adotaram o sistema de cotas. e os abusos ideológicos de povos dominantes que o utilizaram como justificativa histórica para subjugar e exterminar povos. A acusação de que a defesa do sistema de cotas promove a criação de grupos sociais estanques não procede. MÓDULO 6 6 – A cultura na sociedade atual: nacionalidade.A utilização das expressões “raça” e “racismo” pelos que defendem o sistema de cotas está relacionada ao entendimento informal. portanto.A cultura na sociedade atual: nacionalidade. visto que a metodologia dos vestibulares acaba por beneficiar os alunos egressos das escolas particulares e dos cursinhos caros. defende-se um projeto político contra a opressão e a favor do respeito às diferenças. Bibliografia complementar: . um construto em que grupos sociais se identificam e são identificados. pois: C ) não existe base científica que comprove a validade do uso do conceito de raça.Pesquisas revelam que. trataram de bani-lo. . cultura popular e erudita. e nunca como purismo biológico. J. meios de comunicação – 2º bimestre 6 .Na luta por ações afirmativas e pelo Estatuto da Igualdade Racial se defende muito mais do que o aumento de vagas para o trabalho e o ensino. L. in. (valor: 5. . SP: Brasiliense.pdf . uma pessoa pertencente a um determinado grupo social. Admitir as diferenças não significa utilizá-las para inferiorizar um povo. cultura popular e erudita.Não se pode negar a dimensão racial como uma categoria de análise das relações sociais brasileiras. não há diferenças de rendimento entre alunos cotistas e não-cotistas.

Como resultado das interferências pessoais em um dado conjunto de instituições. como resultante de um processo complexo de desenvolvimento que envolve conhecimento e condições técnicas-econômicas de implantação. Mas quando observamos a passagem do tempo (= história) em dois grupos diferentes que utilizam o mesmo referencial cultural. Isso porque. as pessoas tendem a naturalizar mais essa dimensão humana. costumes.DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO É muito comum que as pessoas em seu dia-a-dia não se deem conta que nossos hábitos. leis e tecnologia que formam uma totalidade social é que podemos perceber a CARACTERÍSTICA. no primeiro exemplo. Entretanto. e como resultado percebemos que cada grupo é único. em âmbitos que envolvem nossa evolução e nossa relação com o meio ambiente. podemos afirmar que estamos em um mesmo momento da história de nossa espécie. ou cultura nacional. O fato é que a história de qualquer grupo social interfere o tempo todo em seu presente. mesmo quando passa por eventos semelhantes e utiliza as mesmas convenções sociais. Portanto. temos a existência de regiões geográficas que definem regiões culturais diferentes. Assim. facilmente consegue-se relacionar a nossa vida material como a tecnologia. a ESPECIFICIDADE de uma cultura. percebemos que não é possível encontrar os mesmos resultados. valores morais ou formas de julgamento são o resultado de um processo histórico de nosso grupo social. Assim como ocorre com os regionalismos. estamos falando de um aspecto imaterial. Portanto as culturas regionais e nacionais se referem sempre a experiências compartilhadas por uma população durante um período de tempo suficiente para deixar marcas nas relações sociais. é o resultado das relações entre os indivíduos e seu grupo social. simbólico. No Brasil. Em geral. da cultura humana. ocorre também com relação à sociedade nacional. É possível observar um grupo social a partir de sua perspectiva histórica. por exemplo. na visão de mundo desse povo. a cultura nesse caso. regras. As diferentes histórias de cada povo podem ser interpretadas antropologicamente. . é um elemento agregador que promove a intermediação das relações entre os indivíduos. como estratégias locais de sobrevivência e reprodução. A experiência histórica em cada uma delas determinou características particulares dentro da grande totalidade que chamamos de “cultura brasileira”. sendo impossível separarmos a cultura de um povo de sua história. Entretanto. Esta é a base do que denominamos CULTURA REGIONAL. dando como certo que se trata de algo que não procede de escolhas e muito menos de formas coletivas de vivência. cada povo em seu local específico. mas não se encontram desvinculadas da história da espécie humana como um todo.

Assim. ou estéticos. Não nos damos conta disso em nosso cotidiano. ou de gosto. procurando entender a sua lógica interna. Somos ao mesmo tempo resultados de uma HERANÇA cultural e produtores dessa herança para as próximas gerações. repetindo-os e mantendo-os atuantes. e que por sua vez se associam a um conjunto de valores morais. Ao mesmo tempo em que cada um de nós é marcado pela história de nosso grupo social. atrasado. ou em outras palavras. Em nossa sociedade. Devido à própria natureza da sociedade de classes em que vivemos. existe a questão do pertencimento a classes sociais. as implicações políticas que possam ter. da renda como determinante das posições na hierarquia social. e a única forma de consciência disso se expressa através da necessidade pessoal em defender e preservar certos traços de comportamento e recusar outros. utilizamos os conceitos de cultura popular. expresso pela filosofia. esse conhecimento erudito se contrapunha ao conhecimento havido pela maior parte da população. pela ciência e pelo saber produzido e controlado em instituições da sociedade nacional. (. essas instituições estão fora do controle das classes dominadas. também marcamos essa história.. Vamos ao texto indicado para leitura na bibliografia deste módulo para esclarecer essa classificação da cultura. Entende-se por cultura popular as manifestações . e que aos poucos passou também a ser entendido como uma forma de cultura. e vice-versa. capazes de criar grupos de pessoas que se identificam e mantêm características e hábitos próprios. a cultura popular. sua dinâmica e principalmente.. a partir de uma idéia de refinamento pessoal. as academias.) De fato. cultura erudita e cultura de massa. engenheiros e outras). advogados. ao longo da história a cultura dominante desenvolveu um universo de legitimidade própria. buscando o que há de específico nelas. Se partirmos dessa compreensão de cultura como resultado da vida sócio-histórica dos indivíduos que atuam em um grupo. podemos então detalhar alguns aspectos importantes da vida cultural em nossa sociedade atualmente. As preocupações com cultura popular são tentativas de classificar as formas de pensamento e ação das populações mais pobres de uma sociedade. a qual é bem antiga na história das preocupações com cultura. tais com a universidade. Nossas condições materiais de existência afetam nossas condições psíquicas e culturais. Para facilitar a compreensão desse fenômeno. cultura se transformou na descrição das formas de conhecimento dominantes nos Estados nacionais que se formavam na Europa a partir do fim da Idade Média. ou recusando-os e enfraquecendo sua importância. Esse aspecto das preocupações com a cultura nasce assim voltado para o conhecimento erudito ao qual só tinham acesso setores das classes dominantes desses países. superado. José Luiz dos SANTOS explica: Comecemos por esta última indagação.Neste âmbito é que reside a questão da relação indivíduo-sociedade. com a possibilidade de reforçar certos comportamentos. as ordens profissionais (de médicos. É que. um conhecimento que supunha inferior. notamos certos padrões de comportamento que se associam a padrões de consumo.

um palco e uma audiência que espera ser entretida por um apresentador que lhes proporciona carisma. ou trabalhadores que dominam sua técnica de forma autodidata e reproduzem aprendizados que passam de geração a geração.54-55) A conclusão é que denominamos cultura erudita toda a produção material e imaterial resultante de conhecimento intelectual e técnicos especializados. manifestações diferentes da cultura dominante. (Santos. atrelados a uma empresa (editoras. E quanto à cultura de massa? Bem. O treinamento normalmente é proporcionado com baixos investimentos. e psicológico. Esse tipo de programa se baseia na antiga receita do circo. e uma cultura erudita de massas? Sim! Para exemplificar. pp.L. exemplifica a cultura popular de massa. normalmente são um exemplo da cultura erudita de massas. que dependem de treinamento constante e dedicação – de tempo e de investimentos financeiros. os livros que se tornam campeões de vendas. Há empresários e técnicos. A cultura de massa resulta do trabalho empresarial sobre produtos e artistas tanto da cultura erudita quanto da cultura popular. São classificados como “de massa”. admiração e que lhes mostra a vida como um espetáculo. o indivíduo gosta de ser diferente. produtoras. Portanto podemos falar em uma cultura popular de massas. é um fenômeno que depende da existência dos meios de comunicação de massa como o rádio. ou mesmo como estratégia de sobrevivência. 2006. pois não é capaz de ter opinião própria. . A massa é ao mesmo tempo um fenômeno quantitativo. Na massa. grupos de comunicação) que visa lucro com os produtos culturais. gosta porque esse consumo lhe dá status e uma boa visibilidade social. que estão fora de suas instituições. mas igual. letrados. a Internet e assim por diante. mesmo sendo suas contemporâneas. Não há criadores espontâneos da cultura de massa. porque está na moda. gravadoras. do convívio e da informalidade. Já a cultura popular é uma produção resultante de conhecimentos da tradição oral. a televisão. mas não quer chamar a atenção. J. que existem independentemente delas. São artistas. porque o mesmo conteúdo atinge um imenso número de pessoas ao mesmo tempo. Eles se apropriam dessa cultura através de contratos e divulgam todo tipo de produção cultural através do mercado para que as pessoas adquiram esse material. Gosta porque todos gostam. Repete as opiniões alheias. pois são muitas pessoas. o cinema. Quer ter personalidade. artesãos. e tem uma relação mais emocional que crítica em relação ao gosto. O indivíduo que faz parte da massa responde de forma imatura ao que recebe. e assim o inclui em um movimento.culturais dessas classes. a imprensa. Já a maior parte dos programas televisivos de auditório.

Há os que se referem a esse comportamento como “alienado”. Esses tipos de cultura não pretendem se tornar produtos de sucesso. da homogeneização. a diversão descomprometida ao envolvimento com produtos e gostos que exigem reflexão. Essa indústria se beneficia da padronização de gosto. Portanto você pode utilizar tanto os conceitos trabalhados neste módulo. A massa prefere o entretenimento. que extrapolam os objetivos de mercado. a partir da seguinte proposta: . O objetivo é fazer um exercício de sensibilização da percepção sobre os fenômenos da cultura contemporânea. ou a massa é quem exige esse tipo de cultura? Uma pequena parcela de nossa sociedade tem acesso à cultura erudita. E também a cultura popular depende do envolvimento e interesse populares. a cultura de massa substitui necessidades até mesmo de devoção religiosa. Segundo essa escola. Além de estar presente em todos os aspectos da nossa vida. Os indivíduos se sentem seguros ao reproduzir o gosto da indústria cultural de massa. o gosto sempre vai reproduzir a adesão aos mesmos tipos de produtos culturais. É uma referência de estilo de vida. Já outros teóricos. Algumas escolas de estudo dos fenômenos sociais relacionadas aos meios de comunicação de massa conceituam diferentemente essa reação da população ao funcionamento da cultura de massa. defendem que a cultura de massa é o “espírito” de nosso tempo.A cultura de massa é um importante fenômeno econômico. sem receber nada de realmente original ou que não seja meramente divertido. sem considerarmos a influência e os propósitos da cultura de massa. e sim uma característica da cultura de nossa época. O espaço que a mídia dá ao padrão é infinitamente maior que o espaço dado ao diferente. o de difícil aceitação pela massa. E assim. ao participar do consumo cultural de massa. o exótico. Este é um exercício de redação temática e reflexiva. de informação. É um círculo vicioso: a indústria cultural é que modela o gosto da massa. e para isso os estimula. Agora idolatramos pessoas da mídia. incentivando e valorizando o comportamento padronizado. Assim. sensibilidade ou percepção aguçada. cultural e psicológico de nossa sociedade atualmente. Eles circulam em meios onde o interesse está para além da atenção da mídia e da carreira bem sucedida empresarialmente. Quem é que não tem nostalgia de programas e até mesmo de propagandas de sua infância? Até mesmo nossa biografia e memória afetiva dependem da exposição aos produtos dessa indústria cultural. E isso não é propriamente uma alienação. cuja fama ou merecimento são passageiros e questionáveis. Para isso você deve fazer uma redação de no mínimo dez linhas e no máximo 30 linhas. de diversão. todos somos alienados. não é possível compreendermos nossa relação com a cultura em nossa sociedade. como dos textos indicados ou de pesquisa pessoal sobre esse conteúdo. que se dá através de escolas e universidades muito seletivas. pois perdemos a capacidade racional de crítica.

que mantêm as desigualdades básicas da sociedade em benefício da minoria da população.scielo. Rio de Janeiro. sua expansão pode ser vista como uma expansão colonizadora. Como sugestão: . como ver vitrines da moda. SP: Brasiliense. consegue abordar os aspectos mais relevantes? . desenvolvimento e conclusões.o ritmo de seu texto: introdução ao tema.Sobre cultura e relações de poder no Brasil: . pois uma minoria tem acesso ao conhecimento erudito.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132004000200004&lng=en&nrm=iso> .” (SANTOS. Bibliografia complementar e endereços para pesquisas eletrônicas: . Faça uma reflexão onde você é capaz de expor ao leitor a influência da mídia e dos espetáculos de massa no comportamento dos indivíduos. Mana. Peça a um colega ou um professor que leia seu texto e faça uma auto-avaliação onde você considere algumas habilidades que puderam ser trabalhadas. 2. 80-86.L. como a cultura erudita é desde sempre associada com as classes dominantes. 56) A) para o autor.Observe a reação das pessoas em situação de exposição a produtos da indústria cultural. pg. através da expansão da rede de escolas e de atendimento médico. MÓDULO 7 Conteúdo para a prova NP-2 – 2º bimestre 7 . Bibliografia básica: “Cultura e relações de poder” in SANTOS. a divisão entre cultura erudita e popular mostra uma relação de poder. está sendo repetitivo ou não. por exemplo. pp. Javier.Sobre o tema cultura. J. Pense em eventos para grandes multidões como espetáculos musicais ou esportivos. Guillermo. Um olhar antropológico sobre a questão ambiental. 2004 . 10.A cultura na sociedade atual. v. O QUE É CULTURA. Exercício com resposta 1) Leia o trecho a seguir e escolha entre as alternativas aquela que corresponde ao pensamento expresso pelo autor: “Da mesma forma.o foco na questão abordada: está colocado de forma adequada. Oct. A ampliação de seus domínios como. TAKS. mas não toda a população. você está sendo objetivo. assistir a filmes de sucesso ou ler publicações como revistas de grande tiragem e circulação. 2006.br/scielo. José Luiz dos. Disponível em <http://www.poder e cultura. n. pode ser entendida como uma forma de controle social. O QUE É CULTURA. poder e meio ambiente: FOLADORI.

Dessa perspectiva. Rio de Janeiro. e não uma minoria. é necessário lembrar que a cultura está sujeita às disputas e conflitos que. empresas ou editoras que comercializam arte. na outra escala.ufsc. alguns grupos possuem mais riqueza e por isso têm acesso a mais informação. Por isso dizemos que saber é poder. A cultura se transformou em assunto de mercado. aos bens culturais como um todo.br/urbanismo5/artigos/artigos_mr. E entre diferentes culturas. Assim. Alguns grupos pressionam o Estado para que os bens culturais. a cultura popular deve ter incentivo para não depender apenas dos interesses empresariais que querem vender mais e acabam deixando de lado verdadeiros talentos.dentro de uma única sociedade que possui a mesma influência cultural. da diversão ao saber. como seus hábitos. sejam de acesso a uma maioria. existe uma intensa movimentação de interesses na forma como a cultura “circula” em nossa sociedade. como as escolas e órgãos públicos dedicados a ela. de todas as classes sociais. o domínio dos saberes técnicos especializados foi importante para criar noções como progresso e desenvolvimento. diversão e saberes. o comércio e a oferta de serviços se tornaram especialidades que dependem do domínio também da tecnologia. através de produtoras. No processo histórico de formação da sociedade capitalista. Quando um Estado coloca em prática uma política de democratização cultural. Você tem cultura. Ocorre que. Chamamos a isso de “democratização da cultura”. Toda essa relação de poder foi colocada até agora. Os indivíduos mais qualificados conseguem ocupar posições mais privilegiadas economicamente. 1981. da arte ao saber.pdf> Desenvolvimento do conteúdo Até aqui foi ressaltado o conceito de cultura como algo que identifica um povo. todos fazem parte de uma mesma totalidade. artigo publicado no Jornal da Embratel. ou seja. é possível afirmar que as relações de poder interferem? Sim! . dentro de uma sociedade leva diferentes grupos a ocuparem posições em uma hierarquia que os torna menos poderosos ou. podemos falar que independente de classes sociais e posições de poder. os recursos não são divididos de forma igualitária. e interessa a todos.daMATTA. A indústria. os meios de comunicação de massa devem diversificar sua programação. e também em assunto institucional. Disponível em <http://www. Roberto. educação formal. dando igual espaço a todas as manifestações culturais. a erradicação do analfabetismo é muito importante para toda a sociedade. Entretanto. em uma sociedade de classes.arq. costumes e saberes. Os poderes econômico e político têm um efeito direto sobre a cultura. com bastante poder. Portanto. sua missão deve ser a de dar apoio às várias formas de manifestação cultural: a cultura erudita deve chegar ao público que não tem dinheiro para pagar por ela.

Algumas nações mais poderosas economicamente no cenário mundial garantem mais acesso a educação. O que nesse aspecto ocorre no interior das sociedades contemporâneas ocorre também na relação entre as sociedades. temos que compreendê-la como um processo. Isso se deve ao fato de que as relações entre os membros dessas sociedades são marcadas por desigualdades profundas. E como conseqüência disso. de tal modo que a apropriação dessa produção comum se faz em benefício dos interesses que dominam o processo social. apropriação. Elas também influenciam mais as outras do que são por elas influenciadas. Quero dar uma perspectiva nova. Para aprofundar um pouco mais esse assunto. como temos visto. da cultura como o que você pode extrair desse modo de vida e dos valores para transformar. entre diferentes sociedades essa mesma disputa ocorre. José Luiz. aos saberes de forma geral. e contra as desigualdades básicas das relações sociais no interior das sociedades. está em constante mudança. desigualdades no plano cultural. Eu parto da definição de cultura da Unesco. tento buscar mais do conceito. que está relacionada aos modos de vida. a própria cultura acaba por apresentar poderosas marcas de desigualdade. abaixo está reproduzido um trecho da entrevista com o autor Leonardo Brant. O QUE É CULTURA. mas nas sociedades de classe seu controle e benefícios não pertencem a todos. Cultura eu defino como um plasma invisível que a gente não consegue identificar. Vamos ler um trecho do autor indicado na bibliografia para concluir esse módulo: A cultura. (SANTOS. e também à arte e diversão. por isso têm acesso a uma parte “privilegiada” da cultura. A diversidade cultural é acompanhada de diferenças de poder. O assunto do livro está bastante relacionado com a nossa discussão. da capacidade de se manifestar. Há aí controle. SP: Brasiliense. seja um poder no sentido do cidadão. como também a história das relações entre as diferentes nações em cada época. Eu faço uma análise da cultura a partir das dinâmicas socioculturais com esse filtro das relações de poder. 84-86) Como a cultura é dinâmica. sem dúvida.Da mesma forma como alguns grupos conseguem o domínio econômico dentro de uma sociedade. aos valores. Esse "para transformar" não está contemplado no conceito da Unesco. às crenças. mas também pode marcar as relações entre povos que ocupam mais ou menos poder. Não existe cultura sem relação de poder. Para transformar o quê? . São lutas pela transformação da cultura. Esse processo acompanha a história de uma nação. 2006: pgs. pela Editora Peirópolis. colocar suas pautas e desenvolver a sua ação política. Portanto podemos afirmar que há desigualdade cultural entre os povos atualmente. Veja a seguir: Como o livro aborda o poder da cultura? O que eu tento apresentar no livro é que a idéia de cultura nasce a partir de relações de poder. A cultura seria um poder? Na verdade. E como vamos dar poder para isso que a gente mal sabe o que é? Mas. é uma produção coletiva. Os preconceitos culturais podem marcar uma sociedade que possui diferentes etnias e grupos com culturas muito próprias em seu interior. É por isso que as lutas pela universalização dos benefícios da cultura são ao mesmo tempo lutas contra as relações de dominação entre as sociedades contemporâneas. Sem querer contrapor essa definição. É um livro sobre a função política da cultura. na época do lançamento de seu livro “O Poder da Cultura”. eu falo do poder de quem faz cultura. quem faz cultura tem poder.

Nesse processo. Isso acontece porque fomos alijados desse direito na formação do nosso Estado. mesmo que não se faça com uma intenção específica. nos dias de hoje a circulação da cultura está muito associada ao capital. Se eu me transformar. para o jornal Gazeta online. mesmo que você não queira olhar para eles. Apesar disso. aí teremos um sistema um pouco mais desenvolvido. mas é a que temos. (entrevista de Tatiana WUO. Faz parte da estratégia dos sistemas de poder de informação não falar sobre os meandros de seu próprio sistema.com/_conteudo/2010/04/629540-entrevista+++leonardo+brant+++especialista+na+area+de+politicas+culturais. da arte contemporânea. Então como se dá a transformação da cultura em produto? Eu considero essa dimensão econômica da cultura.importante. Aí a gente começa a compreender o sistema financeiro e que tem uma relação de equilíbrio entre o lado cultural e o econômico.A gente desde o começo apresenta a cultura do ponto de vista do indivíduo. dentro do ambiente em que vivemos . os artistas devem ter função social ou política? Mesmo sem se dar conta. A nação brasileira sequer sabe o que é serviço cultural. Não devemos abrir mão dele por uma coisa que não sabemos o que é. do grupo social e da sociedade como um todo. É um assunto polêmico. Assim como existe uma dimensão social e econômica no fazer cultural. do espetáculo. Essas dimensões são convergentes. O grande desafio com política pública no Brasil é como universalizar esses serviços. que tem diversas nuances. se identificar. e não seja algo atrelado a questões políticas e eleitorais. qualquer tipo de expressão e processo que passe pela questão cultural.html>) Concluindo. existem os efeitos políticos. A nossa sociedade do consumo. eles estão ali.de um país capitalista. de educação. porque por enquanto é só um discurso. autônomos. saber a que veio.globo. tradições e costumes de um povo. como se dão e como a nossa relação com esses sistemas de construção do imaginário acontece. seja da cultura popular. sim. saberes. está muito subordinada a ditames de comportamento que foram dados e construídos por sistemas culturais preestabelecidos que muitas vezes a gente não se dá conta que existem. mas acho que não devemos abrir mão da lei de incentivo em troca de um discurso de retomada do papel do Estado na cultura. Nesse sentido de transformações. A sociedade precisa incorporar esses processos. eu transformo meu entorno e eu transformo a sociedade. na data de 25/04/2010. Por isso “ter cultura” é algo que exige investimentos pessoais e sociais. Para isso o Estado precisa fornecer esses tais serviços culturais. Quando a gente construir dez anos de investimentos diretos e consolidados que sejam isentos. Vai te transformar e auxiliar no embate cotidiano que o ser humano tem. texto disponível em <http://gazetaonline. E aí eu falo de qualquer dinâmica cultural. o que você acha das leis de incentivo? Com certeza não é a melhor maneira de se realizar atividade cultural no país. Faz parte do processo cultural tentar explicitar um pouco mais as relações de poder. Eles têm uma dimensão política que é intrínseca ao fazer cultural. Exercício com resposta para o módulo 71) A cultura é o conjunto de idéias. mas outra coisa é a dimensão cultural da economia. é correto afirmar que a cultura está influenciada pelas relações de poder econômico e político? . de tentar se reconhecer. Sabe o que é serviço de saúde. Não temos direito ao conhecimento existente em espaços como uma biblioteca. embora muitas pessoas não queiram admitir . Mas o mais importante é se transformar. Como é esse acesso à cultura pela população? Existe o direito de conhecer as outras culturas.

Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção em diversos cursos superiores e de pós-graduação: http://www.). 2003. acessado em 10/03/2009.fashionbubbles. Antropologia – ciência do homem. KEMP. 21:12. O outro e sua subjetividade. “Identidade cultural”. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO Segundo Stuart HALL MULTICULTURAL: características sociais e problemas de governabilidade apresentados por sociedades com diferentes comunidades culturais. 7ª ed. São Paulo: Ed. .. 5ª. ANTROPOS E PSIQUE.com/2006/moda-e-tribos-urbanas/. Pp. MULTICULTURALISMO: estratégias e políticas usadas para governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade em sociedades multiculturais. acessado em 10/03/2009. 2009. São Paulo: Contexto. Então preste atenção: multicultural se refere a uma sociedade que é formada por muitas etnias (=culturas) diferentes. in GOMES. 21:00. Mércio Pereira. Stuart. in GUERRIERO. 205-214. Olho D‟água. Ed. IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE. e que de alguma forma fazem questão de manter hábitos próprios e suas tradições. filosofia da cultura. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: HALL.com/.c)Sim. MÓDULO 8 8. S (Org.blogspot. Sugestão de sítios da Internet: “Tribos de Brasília” – blog editado por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília: http://bsbtribos. K. “Moda e Tribos Urbanas” – blog editado por Queila Ferraz Monteiro. pois na sociedade capitalista a cultura se transformou em bens comercializados. e portanto uma minoria privilegiada economicamente tem acesso a mais bens culturais. 2004. Identidade cultural na atualidade: multiculturalismo e tribalismo urbano – 2º bim BIBLIOGRAFIA BÁSICA: “O futuro da antropologia”. Rio de Janeiro: DP&A.

assim como a formação de sujeitos políticos que reivindicam. quem quer ser diferente e mesmo assim tratado igualmente? O Brasil e os Estados Unidos são países que desde sua criação. disponível em: ttp://www. Muitos países no mundo de hoje são sociedades multiculturais. começam a conhecer a convivência com a participação em sua população. negros (ou afro-americanos). mas que sejam igualmente valorizados como parte de uma sociedade múltipla. trazem consigo a afirmação de identidades locais e regionais. é uma forma de atitude política que se baseia no reforço das IDENTIDADES CULTURAIS: A globalização do capital e a circulação intensificada de informações. quase todos os países europeus. não apenas com direitos iguais. Faziam parte da história de territórios colonizados.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3186) Identidade versus Diferença – São conceitos inseparáveis e mutuamente determinados: não temos como perceber ou definir uma identidade cultural sem relacionar com alguma outra que é DIFERENTE dela. e enfrentam muitos problemas políticos para que todos se sintam INCLUÍDOS. com a ajuda de novas tecnologias. e consequentemente de DIFERENÇA CULTURAL. longe de uniformizar o planeta (como propalado por certas interpretações fatalistas). que eram ocupados por uma sociedade etnicamente homogênea. demandas de serviços e políticas.as "políticas compensatórias" ou as "ações afirmativas" . Quem é igual a quem em uma sociedade multicultural? Ou mais. As sociedades multiculturais não eram comuns até a década de 80. culturais e étnicas. homossexuais. Cotas paras minorias.org. educação bilingüe.que tomam os mais diversos setores da vida social. .br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index. ações anti-racistas e antidiscriminatórias são experimentadas em toda a parte. Atualmente. populações latino-americanas ("hispanos" ou chicanos) e migrantes em geral se fazem presentes como atores políticos a partir da marcação de diferenças de gênero. um país multicultural convive com setores que se diferenciam muito em sua forma de convivência. no período colonial. o direito à diferença. e haver uma CULTURA NACIONAL que agrega a todos indistintamente. Mulheres.itaucultural. formam sociedades MULTICULTURAIS. ou mesmo demanda de mercado. Isso os torna multiculturais também. quem quer ser igual a quem. (FONTE: Itaú Cultural. programas de apoio aos grupos marginalizados. a partir das garantias igualitárias. de um numero cada vez maior de etnias.Apesar de comporem uma mesma sociedade nacional. Portanto o debate do multiculturalismo nos leva aos conceitos de IDENTIDADE CULTURAL. O multiculturalismo como expressão cultural da atualidade. Enciclopédia Eletrônica. A cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social .

valores. através de práticas coletivas próprias. Para constituir uma identidade. recebem a visão de mundo de sua cultura. introjetam os valores. A diferença está no seguinte ponto. Todos os conceitos trabalhados anteriormente nos outros módulos fazem parte dos processos de identificação. . cada indivíduo entra em um processo de identificação. Perguntas como: “Fazer isso. Somos cobrados a “ter identidade” (também uma outra noção do senso comum bastante confusa. práticas sociais e agendas políticas. “Eu percebo beleza NESTA forma de aparência social?” Tais questionamentos fazem parte da capacidade de REFLEXÃO que cada um de nós possui. um iminente sociólogo da atualidade tem uma frase que colabora de forma excepcional para a compreensão do debate sobre a identidade e o direito à diferença. os indivíduos passam pelos processos de socialização. A cada cultura corresponde um imenso e vasto repertório de hábitos. DESTA forma. a um “estilo pessoal”. por exemplo. me dá prazer?”. têm também direito a serem diferentes sempre que a igualdade colocar em risco suas identidades. Somos o tempo todo “cobrados” a uma “opinião pessoal”.Diferença. “Eu me sinto bem ao pensar sobre esse assunto DESTA maneira?”. a “ter personalidade” (que no senso comum é um conceito difuso e polissêmico). entrar em contato e experimentar a totalidade desse conjunto. ou o direito à diferença: conjunto de princípios que organizam elementos culturais e princípios de valores de inclusão e exclusão. A identidade cultural de um grupo se manifesta tanto externamente. pois entende que podemos “perder” nossa identidade). e que nas sociedades contemporâneas faz parte de uma exigência para nossos posicionamentos e atitudes. rituais. Ao entrar em contato com diferentes setores e ordens da sociedade. “Eu considero justo que as pessoas tomem ESTA tal atitude em tal situação?”.” O conceito de identidade cultural permite compreender os processos através dos quais os indivíduos passam a tomar como “gosto” ou “preferência pessoal” um conjunto que expressa sua subjetividade e o coloca nas relações interpessoais de forma a sentir que pertence a um coletivo. a uma “atitude pessoal”. técnicas. onde os elementos de sua subjetividade vão se reorganizando em função de novas experiências. Qual seja: “As pessoas têm direito a serem iguais sempre que a diferença as tornar inferiores. pode conhecer. Boaventura de Souza Santos. quando cada indivíduo entende como próprio de si mesmo um conjunto de hábitos e formas de sensibilidade que foram coletivamente constituídas. de qualquer cultura que seja. contudo. vestuário e adornos corporais. saberes. A cada uma delas o sujeito avalia qual seu grau de envolvimento e como delas se aproxima. Nenhum indivíduo. como intersubjetivamente. capazes de informar o modo como indivíduos marginalizados são posicionados e construídos em teorias sociais dominantes. endoculturação.

tratando os indivíduos participantes através de estratégias que geram exclusão social – o estereótipo. o estigma. Ser estigmatizado em função de características de comportamento ou crenças é algo que podemos encontrar em referência a diversas identidades sociais ao longo da história. a identidade cultural de um ou outro grupo que crie uma identidade será aceita pela maioria que segue o modelo imposto. dominantes em relação a muitas outras. nos fazendo mais próximos ou distantes de uma ou outra forma de identidade coletiva. podemos encontrar um amplo espectro de grupos que se identificam de forma bem distinta. em nossa trajetória pessoal e os contatos sociais que vão se sucedendo ao longo da vida. . Entretanto. Estamos falando sobre a forma como certos grupos exercem PODER sobre outros. Nas sociedades modernizadas atualmente. Nesse contato. como através da punição moral e da vigilância através de normas e leis. tanto através de mecanismos de socialização. seus participantes passam a receber um tratamento social desigual cuja mensagem bastante clara é: “não aceitamos sua identidade”.relacional: é “em relação” ao outro que afirmamos nossa identidade.contrastiva: para que se destaque de forma única. Desta forma. Essa identidade pode ser compreendida dentro dos seguintes processos: . Nesse caso. . As identidades hegemônicas correspondem a modelos do padrão moral. Para cada grupo social existem identidades que são hegemônicas. a sociedade tenta reprimir o processo de desenvolvimento dessas identidades. temos a oportunidade de obter informações ou participar de diferentes grupos que relacionam os elementos culturais de forma original e passam a construir uma “identidade própria”. e desde que as atitudes dos indivíduos se enquadrem dentro desse padrão aceito. as relações entre os vários grupos com diferentes identidades e assim por diante).processual: faz parte de um sistema complexo (pois inclui a referência dada pelo grupo. há como um “padrão” de comportamento social. Quando há uma severa desaprovação relacionada a certa identidade social. ou seja.Bem. uma opção. É como . existem processos de constituição de grupos com identidades que de alguma forma negam ou entram em conflito com esse padrão hegemônico. o preconceito. O estereótipo se realiza quando a sociedade cria uma imagem mental (um imaginário) falso com idéias que reduzem a identidade cultural de um certo grupo a conteúdos que pretendem denegrir. Mas não é exatamente assim que acontece no cotidiano das pessoas. a subjetividade. podemos nos identificar mais. A referência da diferença é o que faz a identidade. e contínuo ao longo da vida de cada indivíduo. diminuir a importância desse tipo de comportamento. o que faz com que pareça que identidade é sempre uma questão de escolha. ou menos com cada tipo de comportamento. que são impostos a todos os indivíduos dessa dada sociedade. cada grupo precisa se fazer contrastar dos demais.

por conseguir impor através da hegemonia um modelo padrão de identificação. “rotular alguém”. XX. É uma nova forma de atuação política. mas possuem força moral sobre a maioria dos indivíduos do grupo. Um determinado grupo social passa a ser reconhecido como “minoria social” quando vem de alguma forma se expressar. Um pré-conceito de fato. “Os negros são inferiores”. psicológico ou moral dos “outros”. ou de uma forma de orientação da sexualidade. estigma ou estereótipos. Uma minoria pode ser constituída por traços básicos de uma etnia. “as louras são burras”. cuja mobilização procura gerar um debate na sociedade em termos de direitos de igualdade e reverter situações de preconceito. que foge dos padrões tradicionais e se organiza em torno de propostas de ação que gere impacto positivo. Também correspondia ao termo maioria. Setores da sociedade que possuem características marcantes o suficiente para que lhes seja atribuída uma identidade. “os pobres são ladrões” são afirmações carregadas de preconceito. Ele procurava designar a existência de grupos dentro da sociedade contemporânea. Essas associações fazem a ligação entre características físicas e conteúdo mental. À posse do discurso sobre os direitos ou da ausência do reconhecimento social de direitos iguais. São as chamadas “ações afirmativas”. e inferiores também em termos de poder ou alcance para fazer valer a legitimidade de sua identidade coletiva. . cujos traços característicos ou comportamento expresso não correspondiam ao modelo hegemônico. a maioria das pessoas correspondia às expectativas dos padrões morais que regem a conduta dentro de nossa sociedade. Não existe mais a noção de maioria ou minoria estatística. À minoria corresponderia então grupos estatisticamente inferiores. mas em outro contexto essa minoria pode representar até mesmo uma maioria estatística. Atualmente o conceito de minoria se refere a essa dimensão da posse do poder de controle sobre a moral da sociedade ou da ausência desse mesmo poder. Num certo contexto a minoria é realmente menor estatisticamente em relação a certo universo de pessoas. exigindo um tratamento que não gere exclusão social ou desigualdade de direitos aos cidadãos. O preconceito é um julgamento estabelecido previamente a qualquer conhecimento aceitável. É um conceito sobre pessoas que é pré-estabelecido. quando as pessoas tomam contato com a realidade do outro há uma possibilidade de se abandonar preconceitos. esclarecimento e receptividade da sociedade. Afinal.comumente se diz. Por que essa referência de dimensões? Minoria e maioria? Exatamente a o que elas se referem? Apenas ao número de pessoas? Entendia-se que estatisticamente. Um dos traços marcantes da sociedade contemporânea tem sido exatamente esse. Os critérios que possibilitam criar essas idéias não possuem comprovação e não são demonstráveis. mesmo porque essa questão é muito relativa ao universo social ao qual esse ou aquele grupo pode estar relacionado. e que se organizam em torno de reivindicações de direitos sociais. O termo “minorias sociais” surge a partir da década de 70 do séc. pois se organiza em torno de associações lógicas questionáveis e sem contato com a realidade sobre a qual pretende afirmar qualquer coisa. ou de uma crença.

São chamadas minorias hoje. “jipeiros”. e não “disfarçar” para não serem notados. a atuação política se faz também presente. podemos encontrar grupos que se organizam em torno de propostas de lazer. as vezes rejeitando os mecanismos que seduzem os indivíduos a participar dele. eles provocam na sociedade uma reflexão sobre nossos padrões de conduta. é correto associar ao conceito de: c) Multiculturalismo. “metaleiros”. grupos de orientação religiosa não católica ou protestante. quem é “de fora”. atividades de sociabilidade. O que esse fenômeno social nos mostra. Exercício com resposta para o item 81) Quando muitas culturas convivem dentro de uma mesma nação. é que atualmente os indivíduos procuram refletir sobre sua subjetividade e expressá-la de formas criativas e originais. bissexuais). formando essas “tribos” são a expressão de novas formas de sensibilidade social. e utilizam um linguajar com gírias e termos que. construindo uma estética própria. grupos de orientação sexual não heterossexual (homossexuais. Os grupos que se organizam em torno de estilos de vida. escarificação entre outros). “emos”. Normalmente. São as chamadas “tribos urbanas”. “góticos”. arte e que em alguns casos. desde o final da II Guerra Mundial. e fazem questão de serem reconhecidos por ela. principalmente grupos étnicos que em muitos lugares são oprimidos por sua condição de origem. “moto bikers”. se reúnem em locais que acabam sendo reconhecidos como “seu território”. Vamos citar alguns: “rappers”. implantes. “modernos primitivos” (que praticam muitos estilos de modificação corporal como tatuagens. transgêneros. piercings. surgiu uma forma de expressão de identidades que com ele dialoga. . Por isso utilizam um vestuário característico. Com o crescimento do mercado capitalista de consumo. Eles querem exatamente mostrar essa diferença. Os indivíduos que fazem parte de uma “tribo urbana” não ocultam essa forma de gosto ou identidade. para além do que o senso comum consegue compreender. Esses grupos se constituem em torno de estilos de vida. Sem a pretensão de se tornarem dominadores. o senso comum considera “exagero” e reprime ou procura desmoralizar através do estigma. travestis. Através da convivência nesses grupos. consumo. podemos testemunhar o fenômeno da formação desse tipo de constituição de uma coletividade. Em grandes cidades do mundo todo. valores e rituais que os diferenciam da sociedade em geral. experimentam novas formas de convívio social e colocam em jogo novos valores. as pessoas que participam dessas tribos. não consegue compreender. Ao lado das chamadas minorias sociais. e compartilham diferentes modos de vida. atividades lúdicas. “skatistas”. as vezes colaborando para aumentar seu repertório.

São Paulo: Contexto. Ou seja. A partir do contato direto entre pesquisador e cultura pesquisada. F. Bibliografia complementar: Instituto Goiano de História e Antropologia. 2009.asp?id_secao=1731&id_unidade=1 LAPLANTINE. Sua principal preocupação é obter “informantes”.ucg. Desenvolvimento do conteúdo – item 8. texto disponível em: http://www. portanto. Pp. . Pesquisa de Campo. Nesse tipo de pesquisa.MÓDULO 8 – item 8.1 E sobre a pesquisa antropológica? Qual sua importância para essa temática das identidades contemporâneas? A pesquisa de campo reescreveu a história da antropologia. Ele se torna o que chamamos de “observador participante”. Ele também não se limita a ser um observador. Bibliografia básica: “Metodologia”. 2003. Mércio Pereira. in ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade.Identidade cultural na atualidade: pesquisa antropológica. ele não chega com questionários prontos e não se preocupa com a quantidade de respostas obtidas para a mesma questão. 53-67. filosofia da cultura. PASSADOR. O principal.1 CONTEÚDO PARA A PROVA NP-2 – 2º bimestre 8. que são pessoas que lhe facilitam o trânsito. Brasiliense. mas não tão distante como o do observador de laboratório. que seja imparcial. in Aprender Antropologia. que se caracteriza por manter o pesquisador distante da vida real dos indivíduos que pretende conhecer. O campo da antropologia: constituição de uma ciência do homem. in GOMES. Antropologia – ciência do homem. é tentar encontrar uma perspectiva de abordagem desse outro. o cientista passa um longo período de tempo convivendo na cultura que quer conhecer.75-92.1 . PP.br/ucg/institutos/igpa/site/home/secao. mas passa a participar de algumas atividades com seus anfitriões. os pressupostos sobre cultura e comportamento humano sofreram mudanças importantes. Ela veio a ser uma alternativa às chamadas “pesquisas de gabinete”. pp 29-49. procurando se colocar sempre que possível no lugar do outro. SP: Olho d´Água. Luiz Henrique. os contatos e debatem com o pesquisador sobre suas dúvidas a respeito do que está sendo observado. “Os pais fundadores da etnografia – Boas e Malinowski”.

As técnicas de observação de campo da antropologia influenciaram muitos campos de estudo. alguns grupos ou culturas inteiras. Nos campos da pedagogia. muitas vezes. Assim. O antropólogo. mas também participar. o que faz sentido para nós. nem da do outro. É o mesmo que “se colocar no lugar do outro”. quando ele pode garantir que não estará sendo etnocêntrico. marketing. ou qualquer outro pesquisador que utilize essa técnica de pesquisa. Ao mudar sua própria subjetividade. técnicas ou simplesmente mantêm hábitos. mas também procura evitar o risco de se transformar no outro. dentro de sua própria visão de mundo. Muitos campos de atuação profissional têm se beneficiado com pesquisas que exploram os saberes.Ao observar. dominam saberes. O resultado é que temos hoje uma grande produção de textos. Os relatos produzidos pelos antropólogos em campo são chamados de “etnografias”. teses e artigos que abordam ENCONTROS COM O OUTRO. nem de sua própria cultura. não faz para os outros. publicidade. Muitas vezes. o pesquisador tem a oportunidade de utilizar o “olhar antropológico”. física e subjetivamente. enfim todo o universo de grupos que podem estar dentro de nossa própria sociedade. Após a permanência em campo. que para cada tipo de profissional podem se transformar em dados importantes. e há a procura de um meio termo. Podemos com isso refletir melhor sobre as relações com a diversidade. O que acontece é que. consegue obter uma riqueza de detalhes sobre o modo de vida dos “outros” que é muito superior a outros métodos. depois de preparado metodologicamente. Mas consegue interpretar esse outro modo de vida dentro de sua própria razão e lógica. entre outros já existe uma grande produção de pesquisas que recorrem ao método da antropologia para obter resultados qualitativos muito interessantes. como em sociedades alheias. Esse distanciamento posterior é o período de reflexão sobre os dados obtidos. o pesquisador promove uma mudança interna de valores e permite que o outro seja interpretado dentro de seu próprio conjunto de conceitos. que literalmente significa o registro escrito da experiência étnica. e vice-versa. educação física. Como cientista. sem distorcê-los. . teorias. é necessária uma imparcialidade em seu discurso. nutrição. ele deve procurar a elaboração de uma interpretação que possa garantir a imparcialidade. e dentro da ética exigida. Não é mesmo? por isso esse tipo de pesquisa tem como objetivo “traduzir” diferentes comportamentos. Não está “em defesa” de ninguém. administração. farmácia. o pesquisador se retira. no qual o pesquisador consiga falar sobre o outro sem ser etnocêntrico. mas com objetivos específicos de suas próprias áreas de atuação e saber. que passaram a produzir pesquisas semelhantes. o conjunto de valores.

mas interpretando esse outro de forma a respeitar sua própria lógica. Esse contato com a cultura estudada tem como objetivo: d) Compreender uma cultura alheia sem a necessidade de julgá-la. . e é denominada etnografia ou pesquisa de campo.11) A pesquisa antropológica propõe que o observador-pesquisador participe de atividades rotineiras do grupo estudado.Exercício resolvido para o item 8.

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