CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 1 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO - item 1 1.

A ORIGEM HUMANA Neste conteúdo são abordados temas e idéias como: - a teoria evolucionista e a explicação da biologia para a origem e evolução do ser humano; - a colaboração da teoria antropológica sobre a visão da biologia e do evolucionismo; a antropologia defende que a explicação puramente biológica é apenas uma parte de nossa complexa evolução – o papel do comportamento cultural também foi determinante para surgimento de nossa espécie como é hoje. - a antropologia afirma que é falsa a afirmação que o ser humano é determinado pelo clima ou pela herança genética; sim, as populações se adaptam a diferentes meio ambientes para sobreviver, mas não é o meio ambiente que determina nosso comportamento; sim, cada indivíduo é resultado de uma herança genética, o que não significa que é “escravo” dessa herança.

Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da humanidade. Ter costumes e hábitos aprendidos é um comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. O tema possibilita uma abordagem que ressalta a importância da compreensão do ser humano como um ser bio-psico-social, ou seja, somos seres cujo comportamento é determinado ao mesmo tempo: BIO - por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico que temos e como podemos utilizá-lo); PSICO - por nossas experiências pessoais racionais e afetivas de mundo e; SOCIAL - pelo meio social onde vivemos. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda se comunicar através desta ou daquela língua?

Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a História, tem explorado profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. Até o momento puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie, que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei da selva”. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber que alimentos são comestíveis e como devemos preparálos? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Essas questões devem ser respondidas ao longo desse tema. No séc. XIX Charles Darwin (biólogo), afirmou que todas as espécies vivas resultam de uma EVOLUÇÃO ao longo do tempo. Isso significa, que se retornássemos em nosso planeta há milhões de anos atrás não encontraríamos as espécies conforme as vemos hoje. Cada ser vivo, para chegar até hoje, passou por sucessivas e pequenas transformações que possibilitaram sua sobrevivência; esse processo de mudanças orgânicas ocorre por necessidade de ADAPTAÇÃO AO MEIO. Consideremos que as condições do meio como clima, quantidade na oferta de alimentos e todas as questões relacionadas às condições ambientais, estão em constante mudança. Pois bem, as formas de vida existentes precisam acompanhar essas mudanças, estando sujeitas – segundo Darwin – a dois destinos: a) podem se adaptar e ao longo de muitas gerações apresentarem mudanças visíveis; b) não conseguem se adaptar, entrando em extinção. Quais são as espécies que conseguem se adaptar? São as que possuem alguns indivíduos do grupo dotados de características tais que o permitem sobreviver e gerar uma prole (conjunto de filhos/as) que dá continuidade a essas características. Os outros indivíduos de sua mesma espécie que não possuam tais características, não conseguindo “lutar” pela sobrevivência, têm mais chances de morrer sem deixarem descendentes. Assim, após muitas gerações, temos uma espécie que já não se parece com seu primeiro exemplar. A possibilidade da geração de uma prole com características que permitam a adaptação ao meio é, para os evolucionistas, chamada de “seleção natural” – sobrevivem apenas aqueles indivíduos com traços que os permitam a sobrevivência. Ao lado da seleção natural, as mutações aleatórias também são responsáveis pelas modificações de um organismo ao longo do tempo.

Uma das dificuldades do senso-comum em aceitar as idéias evolucionistas, está no fato que não podemos “ver” a evolução acontecendo – apesar de ela estar sempre acontecendo -, isto é, não testemunhamos alterações expressivas, pois as mudanças são muito sutis e ao longo de períodos de tempo muito longos do ponto de vista do ser humano. As alterações podem ser consideradas em intervalos de tempo não inferiores a cem ou duzentos mil anos. Portanto, muito além de qualquer evento que possamos acompanhar. Mas podemos acompanhar sim a luta pela sobrevivência e a mudança de hábitos em muitas espécies, como os pombos que povoam as cidades, mas não estão tão concentrados demograficamente nos campos. Essa espécie encontrou um ambiente ótimo nas cidades construídas pelos seres humanos, aprendendo rapidamente como obter abrigo e alimento, com a vantagem de estar livre de predadores como nas florestas e campos. Faz parte de sua evolução esse novo ambiente. Assim entendemos que a evolução biológica de todas as espécies vivas não acontece sem influencia de muitos fatores, não acontece de forma “mágica” e independente do tipo de meio e hábitos que podemos observar. Hoje em dia o darwinismo está com uma nova roupagem e temos teorias como o pós-darwinismo ou neo-darwinismo, que são conseqüência do desenvolvimento de nossa tecnologia de pesquisa, e do próprio conhecimento cujas portas foram abertas por Charles Darwin para seus sucessores.

"O APARECIMENTO DO HOMO SAPIENS- uma espécie que trabalha" O homem descende do macaco. Essa foi a afirmação polêmica de Darwin na segunda metade do séc. XIX e que dividiu opiniões na sociedade moderna. Essa polêmica permanece até hoje, pois encontrou como opositor o ponto de vista de uma prática humana muito mais antiga que a teoria da evolução: a religião. Não conhecemos nenhuma crença, em nenhuma cultura que coincida e concorde totalmente com a afirmação de Darwin. Da perspectiva das crenças, a criação da vida é atribuída a um “ser criador”, a algo externo e superior a toda a vida existente. Ao conjunto de teorias e explicações que partem desse tipo de raciocínio, denominamos “criacionismo”. Pois bem, para pensar como Darwin e a maior parte dos cientistas até hoje, esqueça suas crenças. A ciência não reconhece como possível a existência de seres superiores que tenham dado origem à vida, e muito menos entende que o ser humano é uma espécie “privilegiada” ou “superior”, seja pela capacidade de raciocínio, seja pela capacidade de criar crenças.

Para os evolucionistas, todas as espécies vivas foram surgindo das transformações de outras já existentes, dando origem a novas espécies, enquanto outras se extinguiram. Os primeiros humanos, chamados cientificamente de hominídeos, surgiram das transformações de algumas famílias de símios que fazem parte dos chimpanzés. Nossa espécie surgiu devido a mudanças biológicas e ao surgimento da cultura. Que mudanças biológicas são essas que nos diferenciam dos símios? O aumento da caixa craniana que nos dotou de um volume cerebral muitas vezes maior que o de um macaco. A postura ereta, que possibilita utilizarmos apenas os membros inferiores para nos locomover. E o surgimento do polegar opositor, que possibilita a nossa espécie da capacidade do chamado “movimento de pinça”. É a partir dessas três características básicas que desenvolvemos inúmeras outras características fascinantes como a capacidade da fala ou ainda a de fabricar instrumentos para nossa sobrevivência. Mas essas características como inteligência, fala e indústria não teriam surgido em nossos ancestrais se não fosse a presença de um tipo de comportamento que ajudou a modelar o corpo de nossos ancestrais, que é o comportamento baseado na CULTURA. Ou seja, a necessidade de comunicação, cooperação e divisão de tarefas facilitou o desenvolvimento dessas características BIOLÓGICAS. · Características biológicas: forma, funcionamento e estrutura do corpo. É a nossa anatomia, características herdadas biologicamente e que não são resultado da nossa escolha pessoal. · Características culturais: todo comportamento que não é baseado nos instintos, mas nas regras de comportamento em grupo que nos permite transformar a natureza para a sobrevivência (trabalho), e nos permite atribuir significados e sentidos ao mundo através dos símbolos (a cor branco simboliza a paz, ou o tipo de vestimenta simboliza status). Durante muito tempo pensou-se que o ser humano já teria surgido plenamente dotado dessas características em conjunto. Hoje sabemos que nossa cultura foi determinante para modelar nossas características biológicas ao longo do tempo, e vice-versa. Nossos ancestrais foram lentamente se transformando em humanos, e essa espécie que somos agora, foi aos poucos sofrendo pequenas transformações que ao longo de milhões de anos nos diferenciaram totalmente de qualquer ancestral símio. No início da história humana, nossos ancestrais eram muito semelhantes a um macaco. Tinham mais pelos pelo corpo, o cérebro era menor e a mandíbula maior. A postura não era totalmente ereta, e as mãos não tinham muita habilidade, pois o polegar ficava mais próximo dos outros dedos. O tamanho do cérebro foi aumentando muito devagar, como também a postura ereta surgiu gradualmente, e igualmente o polegar opositor não surgiu repentinamente. A cada geração, mudanças muito sutis

ao invés de fabricar abrigos. É nesse momento que o ser humano começa a TRABALHAR. Durante muito tempo o domínio do fogo era um mistério. e os únicos vestígios de comunicação encontrados são as pinturas em cavernas (arte rupestre) e pequenas estatuetas representando figuras femininas. Essas mudanças por sua vez. como raspador de alimentos ou qualquer utilidade para a vida humana. formando aldeias e também colaborou para o crescimento demográfico. determinou COMO somos hoje. que é a mesma que nos permite falar. A agricultura e a domesticação de animais significaram a garantia de alimentação dos grupos humanos. que significa mudanças ao longo do tempo. por isso dependiam de deslocamentos constantes em busca de alimento. Eram organizados em bandos que praticavam caça e coleta. e nesse processo a cultura teve um papel fundamental. são fruto de uma dura luta por parte de nossos ancestrais para sobreviver em condições pouco favoráveis e convivendo com espécies mais fortes e predadores mais bem preparados fisicamente para tal. que permitiram o sedentarismo (começamos a construir abrigos e povoados ao invés de habitar em abrigos naturais). não tinham a postura totalmente ereta. Nossos ancestrais não tinham a mesma caixa craniana que temos hoje. até que no chamado período “neolítico”. e não mais viver da caça/coleta que o tornava dependente dos recursos nos territórios habitados. Eram mais uma espécie entre tantas outras. Isso permitiu à nossa espécie se fixar por períodos prolongados em determinados lugares. houve uma revolução. Nessa época não havia escrita. Sobreviveram lascando uma pedra na outra para conseguir objetos pontiagudos e cortantes que serviam como arma de caça. pois possibilitou ou exigiu que nosso ancestral desenvolvesse comportamentos capazes de mudar nossa estrutura biológica. A introdução do trabalho como estratégia de sobrevivência. e não eram tão inteligentes. independente do sucesso na caça e coleta. e o pouco que puderam fazer então determinou sua sobrevivência. Ao fabricar os chamados instrumentos de “pedra lascada”.transformaram a espécie. segue um padrão estabelecido em nossa evolução para obter resultados: . A “revolução neolítica” foi um período marcante em nossa evolução. Durante quase quatro milhões de anos sobreviveram dessa forma. durante o qual o ser humano desenvolveu técnicas determinantes para a história de nossa espécie: a agricultura e a domesticação de animais. portanto não comiam muitos alimentos cozidos. Dormiam em cavernas. e mais que isso. Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. e nesse período de tempo nossa forma física foi se alterando. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. e não viviam em cidades. É importante compreender que nossa espécie não é fruto de coisas inexplicáveis. mas resulta de um longo e lento processo de evolução.

Mais alimentos disponíveis. isso tudo levou a uma maior reprodução da espécie. Grécia e China. divisão do trabalho e uma mente dotada de raciocínio lógico e abstrato ligado à criatividade e imaginação. Tais condições permitiram aos nossos ancestrais uma organização social mais complexa baseada na SOCIEDADE. A capacidade de dividir tarefas. Até hoje utilizamos essas habilidades de trabalho em grupo para viabilizar nossa existência social. compartilhando a condição se HUMANOS. conhecemos exatamente como a humanidade se desenvolveu. o ser humano passa a viver em uma sociedade organizada. Ele é o resultado de um processo muito longo no tempo. nossos ancestrais não teriam tido sucesso em sua evolução. O trabalho humano se fundamenta em características básicas como comunicação e cooperação. ü e a especialização. Essas características são importantes uma vez que possibilita que cada um de nós realize apenas um tipo de tarefa. Não é possível produzir sozinho tudo que necessitamos em nossa vida. o polegar opositor e a aquisição da fala. baseado nos princípios acima. Foram nossas capacidades de ORGANIZAÇÃO e COMUNICAÇÃO que definiram tal resultado. provavelmente. nos libertando da “lei da selva”. mais segurança com as casas fabricadas. O conjunto de tudo que o grupo social produz torna viável uma existência cultural. afastando nossa espécie do comportamento instintivo e determinando essa longa e rica viagem chamada HUMANIDADE. maior permanência do grupo. e não mais em bandos. A comunicação também sofre uma revolução que foi o surgimento da ESCRITA. divisão de grupos em parentesco. inaugurando o sedentarismo. e nenhum de nós estaria aqui hoje. Se não tivessem desenvolvido a capacidade de trabalho. A partir da escrita e do surgimento das grandes civilizações da Antiguidade como Egito. .ü a divisão de tarefas. Fixando-se em um lugar. e para os quais foram determinantes: a postura ereta. nenhuma dessas características nos valeria muita coisa se não tivéssemos desenvolvido um tipo de comportamento baseado em regras de convivência social. ü a cooperação com o grupo. Mas para chegar até esse ponto. Entretanto. cooperar e se especializar permite atingir objetivos com resultados mais efetivos e também possibilita um conjunto social com melhor qualidade de vida. a capacidade craniana. nossos ancestrais percorreram um longo caminho.

são totalmente provenientes das características biológicas de um povo (sua carga genética) ou ainda totalmente provenientes do meio ambiente (ecossistema. Título : 1.O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano. inacabado e sem um objetivo ou plano pré-definido. A antropologia discorda dessas idéias. Devemos então compreender que o processo da vida é evolutivo.1 1. que denominamos de teorias deterministas. Já é antiga e muito conhecida a idéia segundo a qual as diferenças de comportamento humano de uma cultura para outra.Exercício resolvido para o item 1. 1º bimestre Conteúdo : Conteúdo de 1º bimestre (prova NP-1) DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO .” Silas GUERRIERO afirma na pg.: 1) A respeito do evolucionismo e dos resultados obtidos por suas pesquisas. Reconhecer as inconsistências das teses deterministas é um importante aprendizado para valorizar a vida cultural dos povos da humanidade.  “Como a Antropologia evidencia a importância da cultura na evolução da espécie humana – a visão do antropólogo Clifford GEERTZ. essas teses deterministas descartam a possibilidade do comportamento e valores de um povo ser proveniente de sua historia e das características humanas que giram em torno da experiência de mundo. e é importante para resolução dos exercícios que você perceba que esses conceitos podem ser observados em nossa vida cotidiana. não apenas o ser humano.item 1. 24 do texto “A origem do antropos”. Além disso. Ou seja. podemos afirmar que: c) A busca de restos humanos pré-históricos nos obrigou a considerar a evolução da espécie humana como outro animal qualquer. Neste item serão apresentadas todas as idéias acima.1 O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano.1 . segundo essa teoria todas as espécies vivas são fruto de uma longa e lenta evolução. por pretenderem que um povo é determinado por variáveis sobre as quais não há controle humano. indicado na bilbiografia: . clima) onde ele se desenvolve.

Em outras palavras. 58 do texto “Idéia sobre a origem da cultura” no livro “CULTURA – UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO”: “A cultura desenvolveu-se. formando um fenótipo próprio. podemos afirmar que a cultura é produto do humano. que são os genes que carregamos e podem ser determinantes nos resultados de nossa reprodução.” E Roque de Barros LARAIA. pois. mas antes. Somos todos partes de uma mesma família que foi dividida ao longo do tempo por sucessivas migrações. Vamos esclarecer alguns aspectos importantes. Assim. mas o humano é também produto da cultura.” A leitura desses textos desenvolve a compreensão predominante atualmente na Antropologia. Cada indivíduo possui um fenótipo. que corresponde à aparência física. Um indivíduo com o fenótipo “pele clara e olhos azuis” carrega genes com essa informação. na pg. não estaríamos aqui contando essa história. não teríamos diferenças anatômicas tão marcantes frente a nossos parentes mais próximos. que o ser humano não teve uma evolução puramente biológica para nos capacitar de inteligência e postura ereta. se o tivéssemos conseguido. mas também é portador de informações genéticas outras. Esse movimento de populações resultou em aparências distintas para cada grupo populacional.R. cada indivíduo vai resultar de uma combinação genética de seus antepassados. Não fosse essa extraordinária capacidade de articulação e fabricação de símbolos. . a CULTURA humana.“Como Geertz. essa evolução BIOLÓGICA não foi independente de sua “parceira”. provavelmente não teríamos sobrevivido e. ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral. . simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é. de Barros LARAIA discute se somos DETERMINADOS ou não pelo meio ambiente e pela herança genética : Da perspectiva biológica. por isso mesmo. Entretanto somos portadores de genótipos. compreendida como uma das características da espécie. o ser humano é uma única espécie. popularmente conhecida como “raças humanas”.

Bem. Essa é uma afirmação resultante de um século e meio de pesquisas. também seria um fator DETERMINANTE para a cultura ali desenvolvida. um escocês. Mesmo tendo sido totalmente desacreditadas pela ciência. é importante ressaltar que esse tipo de afirmação logo encontrou “furos”. . Trata-se do determinismo geográfico. que pretendia ser complementar ao anterior e preencher as lacunas explicativas. e ao fenótipo de cada população a explicação sobre “porque essas pessoas desse lugar agem de tal forma”. Multiplicavam-se os exemplos de comportamentos diferentes para pessoas da mesma “raça”. mentalidade. Sim. É fácil encontrarmos pessoas que atribuem ao clima. Acreditava-se que a cada raça correspondia uma cultura. debateram sobre essa questão. explicariam costumes. ou muito frio teriam sofrido influências que. esses determinismos ainda hoje permeiam a visão de mundo do senso comum. somou-se a esse equívoco científico um outro. valores e tradições. surgiram as teorias deterministas. um indiano. ? TODOS OS SERES HUMANOS EXISTENTES HOJE DESCENDEM DE UM ÚNICO GRUPO HUMANO ORIGINÁRIO DO CONTINENTE AFRICANO. populações de lugares com clima muito quente. O determinismo biológico defendia que a herança genética seria a responsável pelo comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. cujo material arqueológico foi mais recentemente reforçado pelo conhecimento genético. apesar de terem fenótipos diferentes. Você mesmo deve estar se lembrando de muitos exemplos que condizem com esse esquema explicativo. Dessa perspectiva ultrapassada.Durante muito tempo a sociedade em geral. pois nem sempre a totalidade dos herdeiros de genes “brancos” ou “negros” apresentavam comportamentos semelhantes entre si. um dinamarquês. aos animais circundantes. Entretanto. um japonês e assim por diante são descendentes de grupos oriundos da África. é fundamental que você conheça os pressupostos com os quais a ciência humana contemporânea trabalha. que defendia que a ecologia (o meio ambiente) no qual essa ou aquela população se desenvolveu. seja ele um esquimó. à vegetação. todos os indivíduos carregam genes desses primeiros agrupamentos humanos. Portanto. Assim. Não há como refutar que qualquer indivíduo humano. somadas ao fator biológico. e a ciência.

NÃO EXISTE UMA DETERMINAÇÃO BIOLÓGICA / GEOGRÁFICA que sustente a explicação sobre a diversidade cultural. Como a grande família humana foi seguindo rumos diferentes. somos uma mesma família. há um LIMITE para tal influência. carregavam um conjunto genético que foi se estabilizando ao longo de séculos e séculos.Portanto. De fato. que viveram praticamente isoladas umas das outras durante tempo suficiente para que fosse surgindo um tipo de “padrão” que chamamos etnia. Desculpe. seja para se relacionarem uns com os outros. os grupos que migravam para esse ou aquele lugar. mudanças importantes ocorreram para permitir a sobrevivência de nossa espécie em diferentes meios. Não há dúvidas sobre a base biológica que fundamenta essa associação. até que ponto a essa herança biológica e essa influência do meio têm relação com a diversidade cultural? Leia novamente a questão. para a qual há inúmeros exemplos é: Sim! . Mas. Mas vamos refletir melhor sobre o comportamento humano. Isso foi criando fenótipos próprios a cada população humana. Mas não são determinantes. nem ecologia são isolados ou em conjunto a única explicação para o comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. O que o senso comum diria a esse respeito: “Um indivíduo descendente de brancos pode se desempenhar tão bem quanto um descendente de negros nesses esportes?” A resposta óbvia. seja para sobreviver. e não apenas sobre seu legado biológico. e nem biologia. Portanto. Vamos a exemplos? Tomemos o caso da “facilidade” de indivíduos afrodescendentes para o desempenho em alguns esportes. A geografia desempenhou um importante papel para a diversidade de tipos humanos? Sem dúvida! Ao longo do processo evolutivo. mas vou formular a seguinte questão sem qualquer preocupação científica ou política. A quantidade de melanina na pele e a dimensão do aparelho nasal foram sendo modelados para permitir nossa sobrevivência. O que se aceita hoje é que esses são fatores importantes na relação do ser humano com o meio. como o basquete ou atletismo e que é popularmente divulgado. que foi desenvolvendo aparências distintas como resposta adaptativa ao meio.

e não fatores determinantes. precisa se dedicar mais para atingir igual resultado. se você for analisar esse grupo e o grupo de origem. E a cultura é o resultado. cada grupo vai construindo um conjunto absolutamente único que é sua cultura. dessa experiência de vida que não se repete exatamente com os mesmos eventos. das experiências coletivamente vividas. Portadores das marcas da história. estímulos e condições para chegar a objetivos. O que explica a diversidade cultural. Ele não necessita dos genes para ser isso ou aquilo. o resultado será sempre o mesmo: uma cultura própria. Isso para qualquer coisa que você possa pensar. Em cada grupo social. Basta que se dedique a aperfeiçoar o que deseja ser. Os genes podem ser facilitadores para certas coisas. os desejos e o investimento social que cada indivíduo pode dispor para desenvolver certas características de seu comportamento. A diversidade cultural é inerente ao ser humano. . as respostas às necessidades e a qualidade dos vínculos sociais resultam de uma história que é única àquele grupo. O que ocorre é que um indivíduo com facilidades genéticas chega ao mesmo resultado com mais facilidades. da mesma forma em todos os lugares. Vamos supor que você tome uma parcela da população norte-americana de hoje e os coloque para viver durante um longo período de tempo em um outro local. se não há determinismos? O ser humano é uma espécie moldável e criativa. O ser humano depende de desejos. das soluções criadas. E assim se dá. A genética e a geografia são elementos na relação do homem com o meio. mas acima de tudo está a determinação. Concorda? Um indivíduo descendente de brancos que se determine a ser “exemplar” no basquete ou no atletismo pode atingir esse objetivo perfeitamente.Entretanto. vamos considerar o que se segue. com características ambientais muitos semelhantes às quais estão acostumados. Aquele que tem a genética “contra si”. quanto mais o tempo passa. Onde quer que se forme um grupo social. a cada momento. poderá ver que existem características que os diferenciam. Qualquer coletividade está sujeita a um destino próprio. Daqui a algumas gerações.

1). 2005.O surgimento da cultura na humanidade. pgs. Bibliografia Textos básicos: “Idéia sobre a origem da cultura” (item 2). CULTURA . Roque de Barros. in LARAIA. Sugestão de texto eletrônico disponível na Web: NUNES. 2007.O conceito de cultura através da História.1: 1) “Um menino e uma menina agem diferentemente em função apenas de seus hormônios. . F. APRENDER ANTROPOLOGIA.Um Conceito Antropológico. Roque de Barros. 1º bimestre Conteúdo : CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 2 2. CULTURA . 2.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES. in LAPLANTINE.org/portal/index. Rossano Carvalho. 37-62. Textos complementares: “A pré-história da Antropologia”. pp 30-52.Exercício resolvido para o tema 1.” Esse tipo de afirmação está corretamente associado com que se segue: A ) Determinismo biológico Título : 2.org/portal/index.1 . 19ª ed. “O século XVIII: a invenção do conceito de homem”. SP: Brasiliense.Um Conceito Antropológico. 2005. 17ª ed.O surgimento da cultura na humanidade. Antropologia. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. “O desenvolvimento do conceito de cultura” (item 2. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 .. in LARAIA. “Antecedentes históricos do conceito de cultura”. Rossano Carvalho. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. Cultura..gpveritas.gpveritas. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. e não em decorrência de uma educação diferenciada.

Há inúmeras formas em seu uso. Portanto há questões éticas envolvidas com esse conceito.Objetivos: O termo “cultura” não é utilizado apenas para descrever o conjunto de conhecimentos e tradições de um povo. Ao final deste tema. você poderá confrontar as noções de cultura do senso-comum que remetem a hierarquias sociais de educação e formação de valores. é resultado de um modelo coletivo de pensar como devemos ser? Isto significa que aprendemos a estar no mundo. até os símbolos que associamos a crenças. nossa carga genética) e meio social. E em cada uma das culturas humanas. é dado pela nossa cultura. e passou a depender da cultura? Ou ainda. chorar ou sonhar varia imensamente.item 2 A antropologia propõe que a cultura é a base de nossa forma de encarar o mundo à nossa volta e dar formas e significados a ele. . com a visão científica que universaliza a condição cultural humana. portanto todo o nosso comportamento depende de uma combinação complexa entre característica inatas (que fazem parte de nossa natureza. sonhos e mensagens. Identificar a pesquisa antropológica como instrumento de aproximação entre diferentes universos culturais. Esse “modelo” para nos comunicar e dar sentido ao que pensamos. Poderá também identificar a importância da cultura como mediadora das relações humanas e nossa capacidade de comunicação através dos símbolos. que chamamos de cultura. e não simplesmente somos “jogados” nele. como podemos relacionar a evolução de nossa espécie e a influencia da cultura no desenvolvimento geral da Humanidade? Somos seres culturais. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO . e esse termo pode servir para diferenciar pessoas de acordo com seu status ou ainda para afirmar a superioridade de alguns povos sobre outros. incluindo planos pessoais e organização de regras de convivência. modelou a evolução até mesmo biológica de nossa espécie. Nosso comportamento baseado em valores e tradições. modifica nossa ética de relação com o meio ambiente. são criados de acordo com uma mentalidade coletiva comum. Mas afinal. Desde a língua que falamos para nos comunicar. aquilo que nos faz rir. em que momento de nossa evolução o ser humano passou a viver distante da natureza e dos instintos. Compreender como isso se deu. Vamos considerar que grande parte das coisas que realizamos em nosso dia-a-dia.

. Mas. junto com outras ciências como a Arqueologia. Nesse comportamento podemos citar: . o ser humano nunca foi uma espécie apenas por suas habilidades orgânicas. e que se encontra repetida muito comumente.. Conforme o aumento gradativo do cérebro[1] permitia o desenvolvimento de habilidades mais complexas. e puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. Pelo contrário. entre eles. pois somos biologicamente dotados de inteligência. e ainda se comunicar através desta ou daquela língua? Pois a Antropologia. que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”. na “lei da selva”. nossa evolução biológica teve influencia de muitos fatores.desenvolvimento de linguagens para a comunicação. nos dotado dessa inteligência. ou saber quais alimentos são comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado. etc. . . Eles acabaram por definir que não houve na evolução humana apenas um fator isolado que tenha. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos. explorou profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca.ideias e crenças. como fala e fabricação de instrumentos. o comportamento de nossos ancestrais.regras de comportamento em grupo. quando o ser humano passou a se comportar de forma cultural? Segundo a antropologia.tradições e hábitos comuns. essas características foram acentuadas. os indivíduos cujo cérebro não era . Assim.. por que nosso cérebro se desenvolveu de forma a permitir esse tipo de inteligência que os humanos se gabam por ter exclusividade? Essa questão foi investigada largamente por especialistas tanto das áreas de conhecimento das ciências biológicas como das ciências humanas. . como capacidade de raciocínio e postura ereta. Pelo contrario. como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Uma resposta bastante simplista. ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim.desenvolvimento de tecnologia e de saberes. mais necessário à sobrevivência seria ter essas capacidades. pois nossos ancestrais se comportavam de forma cultural. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie. de forma surpreendente.Mas. é aquela que afirma que somos capazes de desenvolver cultura. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas. a Paleontologia e a História.

pdf ) Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. a seleção natural começou a favorecer genes para o comportamento cultural. (. R. criatura e criador da cultura. "o que ocorreu no processo de hominização foi uma aptidão natural para a cultura e a aptidão cultural para desenvolver a natureza humana". entrando em outra. mesmo várias décadas depois. apesar da força do argumento. p. Nenhuma espécie envereda por um caminho destes impunemente.. isso é a “seleção natural” na teoria da evolução de Darwin. a cada geração. Assim.) A própria cultura é uma característica biológica Há.desenvolvido o suficiente para adquirir fala ou fabricar instrumentos. Fernando L. Há mais do que um jogo de palavras na afirmação de que o homem é naturalmente cultural.. Entretanto. "desaba o antigo paradigma que opunha natureza e cultura" (p. de que a chave para a compreensão da natureza humana está na cultura e a chave para a da cultura está na natureza humana. que somos “biologicamente culturais”.vet. Portanto. por outro.. Nas palavras de Morin (1973. Ao que tudo indica. ainda não se foi muito adiante. Escapa-se de uma armadilha.. não deixavam descendentes. mais do que isso: o ser cultural do homem deve ser entendido como biológico. ao aumentar as chances de sobrevivência do grupo. ou “culturalmente biológicos”. se diz atualmente entre muitos cientistas. ou ainda. também aumenta a sua dependência da cultura para sobreviver. Ao fabricar os chamados instrumentos de . Vera S. Dentro de um jogo complicado.94). pode-se pensar que a cultura.br/puc/vera%20bussab. Então.92). RIBEIRO. assim que nossos ancestrais desenvolveram uma dependência da cultura para sobreviver. eram fundamentais aos nossos ancestrais humanos. texto disponível em: http://pet. pois tinham menores chances de sobrevivência. Compreender o impacto da cultura na evolução humana tem sido um desafio constante. Desse modo. porém. que podem ser encontrados no texto que está indicado na bibliografia complementar: “O modo de vida estritamente cultural impõe uma série de exigências para seu funcionamento. Para começar. um cérebro mais complexo e seu uso para desenvolver habilidades sociais. e vice-versa. Ao mesmo tempo em que liberta. submete.” (BUSSAB. O homem é a um só tempo. Leia aos trechos abaixo. Um fator (biologia) ajudou a modelar o outro (cultura). e da inteligência. aumenta muito a importância da proximidade e das relações sociais por um lado. “Biologicamente Cultural”.

Nós os fazemos e utilizamos. superamos limites de nosso organismo. mas é reconhecida como o descendente remoto de animais terrestres carnívoros. 2007. nenhuma utilidade teriam na água. ao passo que a baleia original teve de transformar-se ela mesma em barco. em conjunto do que ganhou. nossos braços em nadadeiras e não adquirimos uma cauda. Mas houve um novo poder que ela adquiriu: o de percorrer indefinidamente o oceano.Um Conceito Antropológico. as famílias humanas foram adquirindo características físicas diferentes em função tanto da necessidade de adaptação a novos meios. (LARAIA. seu pêlo original e as orelhas externas que. visão ou mesmo força física. 21ª Ed. Construímos um barco. E isto quer dizer que preservamos intactos nossos corpos e faculdades de nascimento. que é a mesma que nos permite falar. como pela combinação da carga genética de cada grupo. que defendem inclusive. Os nossos meios de navegação marítima são exteriores ao nosso equipamento natural. Explicando. pois enquanto as outras espécies passam por modificações anatômicas ao longo do tempo para se adaptar a novas condições. Frente a outros animais. que a cultura é uma característica que torna a humanidade completamente diferente em seu curso evolutivo. pgs 40-41) Kroeber chama a cultura de “superorgânico”. Roque de Barros. inaugurado pelo americano Alfred KROEBER. Leia o trecho que se encontra no livro de nossa bibliográfica básica para esclarecer melhor essa questão: A baleia não é só um mamífero de sangue quente. suas garras para segurar e dilacerar. Cultura . L certo que algumas de suas partes degeneraram. inalterados com relação aos de nossos pais e dos mais remotos ancestrais. a origem dos primeiros humanos ocorreu no continente africano entre 200 e 100 mil anos atrás. Esse grupo teria começado sua imigração para fora da África entre 65 e 50 mil anos atrás. no mínimo. que compensa a falta de expressividade de nosso organismo. talvez. . nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. Encontramos o paralelo e também o contraste na aquisição humana da mesma faculdade. mais. esse animal perdeu suas pernas para correr. olfato.. Nem precisamos absolutamente entrar na água para navegar. ao utilizar os recursos da inteligência de forma cultural. Nesse longo caminho. Em alguns milhões de anos . Foram-lhe precisas incontáveis gerações para chegar à sua condição atual. que é a cultura. o ser humano não possui capacidades anatômicas muito destacadas como velocidade. Não transformamos. Segundo uma grande quantidade de pesquisas arqueológicas. Existe toda uma corrente de pensadores na Antropologia. um corpo cilíndrico.. o Homem utiliza um “equipamento extra-orgânico”. Entretanto. uma camada de banha e a faculdade de reter a respiração. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. que consiste na teoria científica mais aceita. por alteração gradual de pai a filho.“pedra lascada”. e adquiriu nadadeiras e cauda. povoando os outros continentes. pois dota a humanidade de uma flexibilidade adaptativa a tantos ambientes. Muita coisa perdeu a espécie.

É uma regra de ordem moral. inaugura-se a cultura. muito mais do que as considerações sobre nosso equipamento biológico. e sim. relações sexuais entre indivíduos relacionados por vínculos familiares muito diretos. dota a espécie humana de uma característica fenomenal. . Lévi-Strauss afirma que o fato de possuir cultura. O horror moral que provoca em qualquer ser humano. para ele. Ela sempre existiu. por marcar em nossa evolução. Outros animais podem fabricar coisas. Sua importância. Assim. como pais e filhos. compreendem que esse debate sobre a evolução de nossa espécie. em qualquer sociedade evita e pune essa prática. Concorda? Pois bem. trata-se de uma das únicas regras que tem validade universal em nossa espécie. como agimos o tempo todo pautados em uma moral. ou memória. Então. podemos pensar que de fato. Mas uma forma muito importante de explicar nossa espécie. Todo se humano. que é universal ao ser humano. Para um grupo iniciado pelo francês Claude Lévi-Strauss. e ter atitudes inteligentes. não é mais importante que o debate sobre nossa condição de existência. entenda. Ou seja. para Lévi-Strauss. a notícia de que algum individuo tenha burlado essa regra. supera em qualquer condição o horror a uma prole com problemas genéticos. dos instintos. está no fato de ter retirado definitivamente o ser humano da esfera da natureza. que entre todas as atitudes humanas que nos caracteriza como uma espécie cultural. que proíbe as relações incestuosas. Ou seja. a origem da cultura humana coincide com a origem de toda nossa espécie. ela tem uma importância especial. uma ética de mundo que nos dá consciência. o momento em que o ancestral humano deixou de agir como animal e passou a agir como Homem. Ele afirma inclusive. Já outros antropólogos. muito mais do que de efeito prático. Ou seja. não há sustentação na afirmação simplista de que tenha sido apenas pela observação de problemas genéticos resultantes dessas relações que o ser humano tenha instituído essa regra. que é a de ter nos distanciado dos instintos. É um marco simbólico. Segundo Lévi-Strauss. uma tem importância especial. e faz parte de nossa forma de sobrevivência. ou tios e sobrinhos.Portanto. não depende de época ou cultura. Esse momento teria sido a instituição da regra. A partir do momento em que nossos ancestrais formularam essa regra. o foco dessa questão sobre a origem da cultura está em conseguir perceber a importância do impacto do comportamento orientado por valores e regras. é importante perceber como a cultura nos moldou como seres que agem não apenas preocupados com realizações praticas de sobrevivência.

é importante ressaltar qual a importância dessa temática sobre a evolução humana e o desenvolvimento de nossa inteligência que nos permite viver em cultura. e subjuga à extinção uma grande quantidade de outras espécies. se sente também no direito de se apoderar. não apenas o produtor de cultura. Assinale a alternativa correta: e) Propõe pensarmos a evolução biológica humana como um processo simultâneo ao desenvolvimento das habilidades culturais. Exercício 1) O antropólogo americano Clifford GEERTZ. assim. R. Os animais domesticados quase sempre o conseguem. não se pode garantir que seu instinto não venha a aflorar em certas situações. o produto da cultura” (LARAIA. 2005 pg.Mas é muito mais difícil um animal. SAIBA MAIS “Origem da cultura – a ética da relação ser humano / natureza” Apesar de você não encontrar referência a isso na bibliografia indicada. Você pode ler mais sobre isso no livro: GUERRIERO Silas (org). É isso mesmo. que sofre de uma ausência de ética no relacionamento com as outras espécies vivas. controlarem um instinto. situações de agressividade contra os próprios donos e assim por diante. Essa afirmação faz parte do debate sobre a evolução biológica humana e o surgimento da cultura. 57). O resultado. mesmo assim. manipular a natureza. o ser humano que se sente superior. É também do modelo para realizar esse “progresso”. 2005. e todos os indivíduos de sua mesma espécie. Procure o capítulo intitulado “As origens do antropos”. Infelizmente. bem conhecido de todos. O desequilíbrio provocado pelo Homem em seu meio não é consequência apenas da necessidade de avanço industrial e urbano.B. aos mesmo tempo. afirma que o crescimento cortical humano (o córtex cerebral) foi posterior e não anterior ao surgimento da cultura. são “domesticados”. Mas já não fazem parte da natureza. RJ: Jorge Zahar. “Antropos e Psique – o Outro e sua subjetividade”. Ele afirma que “isso é de importância fundamental para o nosso ponto de vista sobre a natureza do homem que se torna. E. seu comportamento passa a ser orientado por outras regras que não o instinto. esgotar. num sentido especificamente biológico. O ser humano tem uma tendência a compreender que sua própria espécie é superior a todas as outras. . e pode ser interpretada como segue. Como o nome diz. tem sido um meio ambiente que ameaça os destinos de nossa própria espécie. por ter um cérebro que permite controlar o ambiente e os recursos de nossa sobrevivência. destruir. a consequência disso tem sido uma prepotência humana em relação à natureza circundante. como a exposição a alimentos. Mas também. conseguindo agir de forma a negá-lo. SP: Olho d´Água. Cultura. vale dizer.

22m2 (se fosse disposto num plano) e desempenha um papel central em funções complexas do cérebro como na memória. da razão. “A cultura desse lugar é muito atrasada”.[1] O aumento do cérebro permitiu o desenvolvimento do CÓRTEX CEREBRAL. o sentido atribuído a esse conceito é que se trata de uma coisa possível de ser acumulada e que distingue um indivíduo dos demais. como a ciência antropológica compreende e define cultura. atenção. se não houvesse córtex não haveria: linguagem. com uma área de 0. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 2. percebemos que existe uma concepção segundo qual cultura é uma questão de status e está muito relacionada com a aquisição de conhecimento letrado[1]. percepção. Em animais com capacidade cerebral mais desenvolvida. sendo rico em neurônios e o local do processamento neuronal mais sofisticado e distinto. foi servindo de estimulo ao desenvolvimento cortical. vamos começar tomando exemplos de como podemos encontrar o uso da palavra cultura em situações cotidianas. o córtex forma sulcos para aumentar a área de processamento neuronal. Veja a definição da Wikipedia (http://pt. Então ele é um conceito científico certo? É isso mesmo. . linguagem. Para refletir sobre a complexidade desse conceito. É constituído por cerca de 20 bilhões de neurônios. por sua vez. “Fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. Precisamos começar a diferenciar quais são utilizações do chamado senso-comum e. É a sede do entendimento. emoção.wikipedia. por outro lado. respondendo com uma ação. o que ele recebe é processado e integrado. memória. Nesses exemplos já é possível percebermos a complexidade e a multiplicidade do uso que fazemos desse conceito. que parecem organizados em agrupamentos chamados microcolunas. Na frase “fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. O termo cultura existia muito antes da Antropologia e outras ciências humanas passarem a utilizá-lo para fazer referencia ao conjunto de hábitos que torna uma sociedade algo totalmente única e particular. De acordo com o uso popular. No Homem. percepção e pensamento. Mas não é essa a origem da palavra. cognição. minimizando a necessidade de aumento de volume. o desenvolvimento do córtex permitiu o desenvolver da cultura que. consciência. Normalmente as pessoas utilizam essa palavra em frases como: ”O brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. O córtex humano tem 2-4mm de espessura.org/wiki/C%C3%B3rtex_cerebral ): O córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro dos vertebrados. “A cultura oriental é muito antiga”. É formado por massa cinzenta e é responsável pela realização dos movimentos no corpo humano.1 .“O conceito de cultura através da história” A antropologia social tem como conceito central o conceito de CULTURA. O córtex é o local de representações simbólicas.

à qualidade da vida social. técnicas e todo o conjunto de valores de um povo. autores. Elas querem expressar a existência de culturas que desenvolvem meios para que as necessidades sociais sejam mais bem solucionadas. Assim podemos ver que os limites políticos e geográficos que são as nações. Nesse caso. seja em seu desenvolvimento tecnológico. ou até mesmo usar preconceitos contra outros. XVIII. há a preocupação em pensar cultura como um conjunto de coisas (denominados “elementos da cultura”) que podem se transformar tradições. É o que você poderá perceber com o texto que segue e utilizando a bibliografia indicada. Comparam-se assim as chamadas “culturas nacionais”. Já numa outra situação como na frase ”o brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”.A sociedade em geral pensa cultura como relacionada ao acesso a estudos clássicos e letrados. consiga perceber que o uso popular tem formas de julgar pessoas e povos através de sua cultura. há a preocupação em situar o conjunto da produção cultural e da história de nosso país. existe uma nítida noção popular segundo a qual deve existir uma hierarquia entre as diferentes culturas. podem compreender também culturas próprias. na frase “a cultura oriental é muito antiga”. que vão das mais “atrasadas” às mais “avançadas”. autoridades em cada assunto. a palavra cultura existia APENAS com o registro de “agricultura”. saberes. nada mais significa que o acesso a informações e à cultura letrada. sem a lógica do julgamento. . religião. tem como idéia central fazer referencia a hábitos. valores. mas é importante. é importante resgatar o processo histórico que transformou seu uso. ETIMOLOGIA DA PALAVRA CULTURA[2] * Até o séc. surge a noção que cultura é algo que se acumula e se mantém (ou se perde) ao longo do tempo. dando a idéia de passagem do tempo. Vamos a outro de nossos exemplos. culinária e assim por diante. que nesse caso. Para compreender essa multiplicidade de usos do conceito de cultura. Normalmente as pessoas se referem ao comportamento coletivo. Na frase “a cultura desse lugar é muito atrasada”. já outros elementos se transformam. folclore. Já o uso do conceito de cultura pela Antropologia. ou pela chamada “educação do povo”. arte. É importante ressaltar que não há maneira mais correta ou incorreta de pensar cultura nos exemplos apontados. que você como estudante dessa disciplina. mas que se acumula no conhecimento transmitido por livros. e somos capazes de perceber que de uma sociedade para outra mudam regras. costumes. pois são mantidas ao longo do tempo. cultura se torna um conceito que permite fazer discriminações. Finalmente. Nesse caso. O conhecimento letrado é aquele que não faz parte da “escola da vida”.

XVIII e XIX estavam em processo de criação os Estados nacionais. o “mundo conhecido” pelos povos da Europa se resumia ao Norte da África. e que habitam a África. na FRANÇA E ALEMANHA surgem duas diferentes definições de cultura (séculos XVIII e XIX) * ALEMANHA – (cultura = “kultur”). Era necessária a discussão sobre cultura. idéia de que um povo cultiva suas tradições * FRANÇA – (cultura = “civilization”). * A mentalidade européia passa por um impacto de profundas alterações econômicas e sociais (os lucros com as Colônias. China e Índia. Oriente Médio. consumir. * Os diversos comportamentos culturais humanos. pois a classe dominante precisava algum apoio ideológico para convencer diferentes povos que a partir de então eles fariam parte de uma mesma “nação”. educação. * Nesse contexto. . XVI e XVII: * RENASCIMENTO * GRANDES NAVEGAÇÕES E A ENTRADA DO “NOVO MUNDO” NO MAPA MUNDI. o conceito de cultura demonstra já uma relação entre HABILIDADES HUMANAS e o domínio da natureza circundante. costumes e tradições. “aborígenes”. com um modo de vida totalmente desconhecido para eles. as Américas e a Austrália traz inquietação aos europeus. * O contato com povos de outros continentes fora da Europa. preocupados em diferenciar pessoas/povos que cultivam a educação refinada (burguesa) * Nos sécs. Como se deu essa mudança? * Revoluções anteriores – séculos XV. Além de agricultura. Após isso. O contato com os povos nativos de outros continentes. COMO A PARTIR DO SÉC. hoje ela é associada a conhecimento. o contato com outros povos).* Em sua origem. XVIII A DEFINIÇÃO DA PALAVRA CULTURA SOFRE UMA GRANDE TRANSFORMAÇÃO A partir desse momento histórico. aperfeiçoar. Agricultura é uma habilidade em observar o desenvolvimento das espécies vegetais e aperfeiçoar as condições para o bom desenvolvimento e o cultivo em larga escala. Isso tudo aplicado ao UNIVERSO humano das coisas e idéias que nos cercam. “primitivos”. nesse registro demonstrariam nossa capacidade de manipular. quando o conceito de cultura começa a ser associado a comportamento coletivo de um povo. Veja abaixo. utilizar. causou espanto e dividiu as reações da população européia [3]. o contato com outros povos prepara o momento seguinte. * LEMBRE-SE: até o momento das Grandes Navegações. chamados de “índios”. os países como conhecemos hoje. a palavra cultura adquire uma MULTIPLICIDADE de sentidos.

e as que surgem após Tylor. “estágios evolutivos para a cultura humana”. a moral. representavam estágios mais atrasados e pouco importantes em relação aos povos europeus. XIX (1871). Trata-se de uma teoria que defende existirem ESTÁGIOS EVOLUTIVOS para a cultura humana. Quanto aos outros povos. historiadores e até filósofos daquele século. as crenças. com a idéia de evolução multilinear (localize essas idéias no cap. assim. cujo exemplo máximo de evolução seria aquela praticada pelos povos europeus. ela foi tão importante e revolucionaria que acabou criando o que chamamos nas ciências de PARADIGMA. XIX sofre um profundo impacto da teoria evolucionista de Charles Darwin. No que diz respeito ao conceito de cultura. É o que chamamos de evolução unilinear. Os primeiros registros do uso científico do conceito de cultura surgem na segunda metade do séc. XX. que passa a ser utilizada para além de seu campo original. os costumes e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade".* Perceba como é nesse momento que a palavra cultura amplia seu significado. você pode perceber isso? Continuando. sendo associada TAMBÉM à idéia de COMO UM POVO CULTIVA SEU COMPORTAMENTO COLETIVO. e influenciou profundamente cientistas sociais. ou ainda “darwinismo social”. 4 do livro Cultura – um conceito antropológico). a lei. no singular mesmo! Pois havia na época a convicção de que haveria uma única forma de cultura humana. Apesar de sua teoria ser relativa única e exclusivamente à biologia. foi criado o chamado EVOLUCIONISMO SOCIAL. O séc. Atenção a um detalhe importante: repetindo. Então muitos pensadores utilizam aquela idéia como fonte explicativa para suas próprias questões. O autor é Edward TYLOR que definiu cultura como "um conjunto complexo que inclui os conhecimentos. Um paradigma é uma teoria que adquire tamanha força explicativa. têm em comum a tentativa de explicar a diversidade de povos e culturas. * Também é nesse momento que a palavra cultura passa a ser associada com DISTINÇÃO SOCIAL. Vale lembrar que o registro que o senso-comum tem hoje da palavra cultura. a arte. Esse tipo de pensamento se encontra em quase todos os pensadores de então. Perceba então que na época não se pensava no plural: “culturas humanas”. Pois o evolucionismo se transformou em paradigma. dominamos e orientamos a conduta e o cultivo das relações sociais (registro alemão da palavra). em oposição ao tipo de pensamento que surge no sec. Como observamos. pessoas “civilizadas” e “cultas” e pessoas “atrasadas” e “incultas” (registro francês da palavra). Todas as definições que antecedem e foram trabalhadas por filósofos dos séculos XVII e XVIII. está bem próximo da forma como na França se desenvolveu esse conceito. . da mesma forma que existem os estágios evolutivos para cada espécie.

Os povos indígenas brasileiros. algumas sociedades européias.Evolução unilinear seria exatamente essa idéia de estágios evolutivos para a cultura humana. Por fim. como os ingleses. árabes e hindus. Ele funda uma corrente de pensamento denominada PARTICULARISMO HISTÓRICO. e acabam adquirindo status de verdade. inclusive. Ele defende que cada grupo humano cria um caminho próprio de desenvolvimento. metalurgia. franceses ou alemães entre outros. inferiorizando-os. aquele pensamento tão antigo e equivocado permanece incrivelmente presente no pensamento do senso-comum até hoje. ciência. Como era organizada a “lógica evolutiva” da cultura. .. por exemplo. eram os chamados povos civilizados. que ficou bastante conhecida como Escola Cultural Americana. não produziam além do necessário para a subsistência. não apenas utilizam esse pensamento evolucionista para tratar de forma pejorativa outros povos. soluções de toda ordem. Entretanto. instituições políticas complexas. tecnologia. mercado. Surgiram termos para marcar pontos nessa linha evolutiva como: selvagens. como a conhecemos em sua herança européia[4]. não fabricavam metais. que enxergava como uma única linha dentro da qual poderiam ser encaixados em diferentes estágios evolutivos a cultura de cada povo.. pois os genes acabaram se tornando mitos no mundo moderno. Neles parecem residir “chaves” e segredos incríveis. maior a evolução de uma cultura. menor a sua evolução cultural. suas ex-colônias. mercado e assim por diante.. seriam colocados nas etapas mais primitivas dessa linha imaginaria. erros de pensamento são criados. e eram chamados de selvagens. A principal reação ao evolucionismo tem início com o pensamento de Franz BOAS. pois foi divulgado de forma bastante eficiente pelas elites européias que então dominavam todos os povos dos outros continentes. Entendia-se que quanto maior o acúmulo de semelhanças com todos esses quesitos. e todos os dados de pesquisas feitas por antropólogos reforçavam cada vez mais os erros do evolucionismo social. Ao associar cultura e genética. um pensador americano de origem alemã. Isso gera a idéia de múltiplas linhas de culturas (veja que agora aparece o plural). que não possuíam escrita. que uma suposta “superioridade” cultural seja consequência de uma superioridade genética de alguns povos. que curiosamente estavam presentes apenas em algumas sociedades européias e que são as criadoras dessa teoria. bárbaros e civilizados. dentro dessa concepção de uma linha única e imaginaria de desenvolvimento dos povos? Os critérios eram basicamente a presença ou ausência de quesitos como: escrita. Estado. Durante todo o século XX o evolucionismo continuou sendo combatido. Muitas pessoas até hoje. Então seguiriam os povos como os chineses. Quanto menor a semelhança com esse tipo de aparato cultural. Eles eram chamados de bárbaros. Acredita-se. mas tinham uma “grave” falha: não desenvolveram a ciência. que possuíam sofisticada tecnologia (lembra-se que Marco Polo trouxe a pólvora da China?).

que colaboram para desmistificar o poder de influencia dos genes em nosso comportamento cultural. . é este processo de aprendizagem (socialização ou endoculturação. mais do que a herança genética. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein. R. Adquirindo cultura. 5. proteção. 8. Como já era do conhecimento da humanidade. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje. Cultura. Entretanto. (LARAIA. não perdeu seus instintos. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico. tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. horários de sono. atividade sexual. a contribuição de Kroeber para a ampliação do conceito de cultura pode ser relacionada nos seguintes pontos: 1. 4. vamos destacar alguns trechos de LARAIA (indicado na bibliografia do item) para finalizar: Resumindo.) 3. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. não teriam ocorrido as demais. A cultura é um processo acumulativo. 7. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo. não importa o termo) que determina o seu comportamento e a sua capacidade artística ou profissional. a maneira de satisfazer às necessidades vitais é feita de acordo com a cultura. resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. ou qualquer outro item que faça parte da sobrevivência de nossa espécie possui regras culturais para serem satisfeitos. 6. Nesse ponto. Alimentação. ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular. e criar um novo objeto ou uma nova técnica. A cultura. desde o Iluminismo. o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor. (Voltaremos a este ponto mais adiante. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas. o arco e a flecha etc. hoje consideradas modestas.Por isso é muito importante ressaltar o pensamento de antropólogos como Geertz e Kroeber. 2005. B. Em decorrência da afirmação anterior. o homem modifica o seu equipamento superorgânico. 2. um conceito antropológico. pgs. 48-49) Sabemos que o ser humano apesar de viver em cultura e ter se afastado de seu comportamento geneticamente determinado (= instintos). determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu hábitat. RJ: Jorge Zahar. E pior do que isto. construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural.

“A pré historia da Antropologia”. Etnocentrismo e relativismo cultural.A diversidade cultural. é uma forma de erudição. o autor está: D ) demonstrando que a evolução biológica do ser humano é diferente. pgs. 1995. [2] Etimologia – estudo da origem e da evolução das palavras. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 MÓDULO 3 3.1: 1) Alfred KROEBER afirma que existe uma diferença muito grande entre a evolução biológica dos animais e do ser humano. Bibliografia Textos básicos . enquanto o ser humano ao invés de desenvolver pelos. um conhecimento que deriva de estudos. A ANTROPOLOGIA E O ESTUDO DA CULTURA. [4] O pensamento “científico” oriental até hoje é considerado pelo mundo ocidental como carente de valores para legitimar sua racionalidade. SP. A cultura se mostrou como uma forma de adaptação ainda melhor e superior. utiliza roupas e cobertas. Aprender Antropologia.Exercício resolvido para o item 2. pois nossa espécie não necessitou de uma adaptação biológica aos diferentes meios. adquirindo novos sentidos. pois possibilita a adaptação a qualquer ambiente sem necessidade da lenta adaptação genética. F. portanto não são validados como afirmações aceitáveis dentro da metodologia cientifica. Ao realizar essa comparação. Lembre-se que as palavras são “coisas vivas” e seu uso pode mudar através do tempo. Para fundamentar sua idéia. 3. ele cita o fato que os ursos polares desenvolveram ao longo de muitas gerações grossas camadas de pelos para sobreviver ao clima de seu meio ambiente. 37-53. pois encontrase permeado de filosofias que por muitos ainda são consideradas “crenças”. [1] “Conhecimento letrado” é todo estudo que utiliza o estudo e aprofundamento de um assunto através de livros. ou ganhando novas formas de emprego no vocabulário cotidiano. Brasiliense. leia LAPLANTINE. [3] Para saber mais sobre o assunto.1 .

CULTURA . essa ciência não estuda apenas as tribos ou pequenas comunidades distantes dos centros desenvolvidos. 59-64.gpveritas. Cultura. No capítulo de LARAIA. pp 07-20. O QUE É CULTURA. O radical latino “anthropos” significa Homem (Ser Humano). A tecnologia.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES. pois ficou comprovado que a diversidade cultural não gira apenas em torno de “povos primitivos” e “povos civilizados”. José Luiz dos. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. Austrália e África. como eram chamadas as tribos e povos não-europeus.B. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. Surge no séc. ou seja diferentes culturas. E recentemente.Um Conceito Antropológico. “Cultura e Diversidade”. SP: Brasiliense. in LARAIA.org/portal/index. Antropologia. Pgs. 2005. Isso ocorreu.gpveritas. a cultura é tudo que for criado pelo ser humano para adaptar suas comunidades às suas bases biológicas (ecossistemas e território). in SANTOS. intensificou-se num ritmo frenético. Hoje. Textos complementares NUNES. Vamos dividi-las abaixo: 1) teorias que definem cultura como um SISTEMA ADAPTATIVO.org/portal/index. intitulado “Teorias Modernas sobre a cultura” há uma apresentação de duas correntes diferentes da antropologia quanto à definição do que é cultura. mas está em toda parte onde haja contato entre dois povos que cultivam costumes e valores diferentes.“Teorias modernas sobre a cultura”. XIX empenhada em aprofundar o conhecimento científico sobre as chamadas “sociedades primitivas”. os nativos das Américas. Para esses autores. com o início da chamada “globalização”. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. Rossano Carvalho. em nossa história.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO – item 3 3 – A antropologia e o estudo da cultura Antropologia é uma ciência dedicada ao estudo do Homem. 2006. 17ª ed. Rossano Carvalho. e “logia” é o estudo. Para explicar a grande diferença de comportamento entre esses povos e os povos europeus. Por isso compreender o conceito científico de cultura é tão importante. mas qualquer ambiente social. o contato entre pessoas e organizações com diferentes referenciais de mundo.. a Antropologia acabou se concentrando no conceito de cultura. a economia e a organização de um grupo social servem totalmente aos propósitos de promover essa adaptação. e as mudanças culturais são consequência direta de mudanças no meio. R. 2) teorias que definem cultura como um SISTEMA COGNITIVO (teorias idealistas) .

todas as nossas atitudes. Para citar algumas idéias dessa última definição que parece ser mais complicada para compreender: W. Isso é o que explica a cultura humana. Geertz. a cultura não CONSISTE EM COISAS (bens materiais). usos. e ao pensar através de palavras. Clifford Geertz (1966) . característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. uma certa forma de interpretar o mundo. significados e sentidos às coisas do mundo”. Clifford Geertz. sejam elas de ordem prática ou de ordem afetiva seriam organizadas em nossa mente através da receita proporcionada pela nossa cultura. A capacidade de interpretar símbolos é a base de nosso pensamento. estamos pensando simbolicamente. Para Geertz. conjuntos de hábitos – mas sim como planos. crenças e formas de pensar o mundo fazem parte de nossa cultura. Por exemplo. cultura é um SISTEMA DE CONHECIMENTO do mundo. Para pensar no cão. Tudo que a inteligência traduz em linguagem e símbolos. de forma sistemática. Associamos símbolos a coisas. não existe nada no mundo que o ser humano deixe de atribuir um significado.Para esses autores. o animal “cão”. Interessa perceber a capacidade humana em desenvolver nos domínios intelectuais o mundo que nos rodeia.” Perceba como. É melhor. a “chave” para a interpretação. que para conseguirmos interpretar precisamos ter o “segredo”. (1973) . Geertz indica que a cultura é um conjunto de planos e receitas que GOVERNAM A NOSSA CONDUTA. Goodenough (1957) . Desenvolvendo ainda mais a mesma idéia do autor acima (Goodenough). mas a cultura é um MODELO MENTAL. receitas. seus modelos de percebê-las. É a forma das coisas que as pessoas têm em sua mente.“Se compreende melhor a cultura não como complexos de esquemas concretos de conduta – costumes. Mais uma frase do mesmo autor acima.“Cultura é um sistema simbólico. O mundo é um grande código. o que o ser humano produz em termos materiais não é o mais importante. pessoas. um conjunto de símbolos. está a importância desse debate em torno de diferentes concepções sobre cultura? . um conjunto de símbolos “embaralhados” e a nossa cultura proporciona um entendimento desse mundo. criamos um símbolo que é o som da palavra cão. uma organização de tudo isso. Traduzindo. fórmulas. condutas ou emoções. A cultura não é um fenômeno material: não consiste em coisas. e organizamos o mundo em nossas mentes. de relacioná-las ou de interpretá-las. racional e estruturada. instruções (o que os engenheiros de computação chamam de „programas‟) e que governam a conduta”. Para ele.H. tradições. que nos chama atenção para o fato que o pensamento simbólico é EXCLUSIVAMENTE HUMANO. regras. Assim. a cultura é como um código.“A cultura de uma sociedade consiste em tudo aquilo que se conhece ou acredita para influenciar de uma maneira aceitável os seus membros. Em que aspecto exatamente. regras. na visão desse autor.

Para qualquer área do conhecimento, é importante compreender que trata-se de definir a condição do ser humano em relação ao restante das espécies. Os teóricos da cultura como sistema adaptativo, concebem que a cultura é uma ferramenta como qualquer outra, e que permite soluções de sobrevivência e reprodução aos membros de nossa espécie, homo sapiens sapiens. Isso a torna interessante, uma vez que “desmistifica” as capacidades humanas, e nos faz olhar para nós mesmos como seres que “batalham” pela sobrevivência como qualquer outro. Já os teóricos mais idealistas, entendem que somos seres cujo cérebro não permite outra forma de uso, a não ser para criar cultura. Nosso órgão pensante se tornou, ao longo da evolução, preparado para entender o mundo através de uma lógica simbólica. Ele nos impele a formar vínculos familiares e afetivos, pensar soluções práticas dentro de concepções culturais, nos pensar como indivíduos que compõem grupos organizados. Isso a torna interessante, pois mostra que essa característica é universal. Não há culturas que produzam indivíduos mais inteligentes ou capazes. Ambas são válidas e seus autores produziram uma grande quantidade de conhecimento através de pesquisas e teorias que aprofundaram nosso saber sobre a nossa própria espécie. Em comum o que se pode perceber nessas teorias é a tentativa de abarcar todas as realizações humanas, representadas em dois níveis complementares que são as realizações materiais e as imateriais. Entre as realizações materiais, podemos citar todo o universo de coisas fabricadas pelo ser humano, de arados até ônibus espaciais. Entre as imateriais estão nossas crenças, conhecimento, arte, idéias e todos os sentimentos. Os autores que enfatizam os aspectos materiais argumentam que eles são importantes uma vez que somos a única espécie a transformar a natureza de forma sistemática, mesmo quando não há necessidades que afetem a sobrevivência. Outros autores, entretanto, entendem que nossas maiores realizações estão contidas nos aspectos imateriais, uma vez que somos a única espécie dotada da capacidade de abstração (pensar em coisas que não estão presentes, criar, imaginar). Mas não usamos essas capacidades realizadoras de qualquer forma, e sim de acordo com regras, normas e hábitos estabelecidos coletivamente. O ponto sobre o qual parece haver muita polêmica é a visão que cada autor tem de ser humano. Aqueles que dão maior importância às nossas realizações materiais procuram ressaltar a nossa capacidade adaptativa, mostrando a cultura como sendo uma forma de solução da sobrevivência, onde grupo social, recursos e meio ambiente se combinam para determinar os hábitos de um povo. Para eles, as técnicas desenvolvidas para solucionar todos os tipos de empresa humana, que vão de uma simples pescaria às necessidades comunicativas, passando por todo tipo de engenhos que nos cercam é que definem propriamente a cultura. Aqui, podemos dizer que cultura equivale a soluções práticas para a existência humana.

Outros autores entendem que a solução prática para a vida humana é uma conseqüência de outras capacidades, que muito mais do que nos fazer capazes de fabricar instrumentos, nos faz diferentes de todas as outras espécies existentes. São as capacidades de criar, planejar, prever, avaliar, imaginar, atribuir significado e modificar a natureza não apenas por necessidade de sobrevivência, mas por necessidade de se sentir bem. Podemos denominar isto de capacidade de simbolização. Não construímos o mesmo tipo de prédio para servir a qualquer uso, para cada fim encontramos uma arquitetura. Não é apenas pelos aspectos práticos que o fazemos, mas porque cada espaço deve carregar significados que orientem os indivíduos e os faça compreender como devem se comportar. Os templos são diferentes dos teatros, as casas diferentes dos escritórios (ou pelo menos deveriam ser!). A funcionalidade de cada um desses espaços é tão importante quanto o que nos faz sentir através de suas formas e cores. As formas de nossa casa nos transmitem sensações de pensamentos diferentes de um escritório ou de um templo, através dos símbolos que criamos para cada um deles. Para os autores que defendem a preponderância desse aspecto, cultura equivale à nossa incansável capacidade intelectiva de carregar o mundo de símbolos. Resposta a necessidades práticas, ou respostas a necessidades intelectivas, a cultura é uma forma de estarmos no mundo. Ela nos orienta em cada situação da vida social, como um modelo que recebemos e sobre o qual passamos a vida operando pequenas modificações. Vamos ver mais adiante, que algumas regras presentes nas culturas podem ser modificadas, suprimidas, desgastadas; enquanto outras são mais difíceis de negociar. “É assim, e pronto”. Ou seja, há aspectos mais dinâmicos e outros mais permanentes em cada cultura. Independente da teoria sobre cultura que se utiliza, existem duas reações diferentes na forma de compararmos as culturas. A primeira, que usa a HIERARQUIA para afirmar que existem culturas mais avançadas ou evoluídas. Assim, haveria culturas que, desse ponto de vista, obtêm mais domínio técnico sobre a natureza, ou formulam mais conhecimento letrado. Faz parte do evolucionismo social, já trabalhado em nosso conteúdo anteriormente. A hierarquia entre as culturas também faz parte de uma realidade mundial que se encontra nas relações internacionais. Existem centros de poder econômico que influenciam no julgamento de culturas que se diferenciam delas. Assim, são inferiorizadas as culturas de povos dominados ou dependentes economicamente. Sim, a cultura é uma realização humana na qual as relações de poder também se faz presente. A outra, que é mais presente entre os estudiosos mais contemporâneos das culturas, que não vê sentido em hierarquizar as culturas, pois para fazer isso temos que privilegiar uma delas e tomá-la como referência. Isso faz com que todas as outras sejam subjugadas. Nessa compreensão mais contemporânea, se uma cultura não desenvolveu motores, mas garante a todos os seus membros os recursos de sobrevivência, ela é adaptada ao seu meio. Como faz para resolver isso, passa a ser irrelevante. Exercício resolvido para o item 3

1) A respeito das teorias que definem o conceito de cultura, leia as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: Existe uma grande diversidade cultural na espécie humana. PORQUE Algumas sociedades possuem padrões de conduta e tecnologia atrasadas em relação às outras. c) Ambas as afirmações fazem parte dos estudos da cultura, mas atualmente a segunda não justiça a primeira. MÓDULO 3 3.1 - A diversidade cultural. Etnocentrismo e relativismo cultural. Relativismo cultural e etnocentrismo são conceitos básicos da Antropologia para a compreensão de fenômenos que envolvem CONTATO CULTURAL, ou seja, o contato entre universos culturais DIFERENTES. Esses conceitos se referem a “julgamentos” que podemos ter quando em contato com o “outro” (alguém com padrões culturais diferentes do nosso). Esses julgamentos são responsáveis pela qualidade de nosso contato com a diversidade. Quando o outro tem padrões de comportamento, hábitos e valores muito diferentes dos nossos próprios é possível reagirmos de forma positiva ou negativa a isso. Julgar positivamente ou negativamente o comportamento alheio, tem relação com as atitudes de etnocentrismo ou com o exercício de relativismo que podemos utilizar. RELATIVISMO CULTURAL É considerar o mundo DO PONTO DE VISTA DO OUTRO, entendendo seu sistema simbólico, seus próprios valores de mundo como beleza, justiça, honra, medo, e assim por diante. É deixar de tomar a NOSSA própria cultura (visão de mundo) como medida para julgar os outros. ETNOCENTRISMO O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural (isso é denominado etnocentrismo). Ao pensar de forma etnocêntrica as pessoas depreciam o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade. Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas e idéias ou valores de outros sistemas culturais são vistas como absurdas. O etnocentrismo é um comportamento universal. É comum a crença de que a sua própria sociedade é o centro da humanidade. A antropologia trabalha com alguns conceitos centrais que vamos passar a aprofundar neste tópico.

Cultura, diversidade cultural, relativização e etnocentrismo serão fundamentais para compreender o debate científico e da sociedade em geral em torno do comportamento coletivo humano. O encontro com o diferente suscita reações e atitudes que se vêm vinculadas à posição de poder ou submissão das pessoas na sociedade, bem como de preconceitos e verdades pré-estabelecidas que o senso comum reproduz. A cultura não é uma RECEITA de mundo, no sentido de ser algo inquestionável, sempre inconsciente que controla rigorosamente a todos os indivíduos. Podemos recorrer a uma metáfora para facilitar a compreensão sobre a relação entre os padrões culturais que herdamos/repetimos, e nossa atuação individual: “A mente humana corresponde a um “disco rígido” (hardware), que apesar de capaz de muitas tarefas, não consegue realizar nada sem um programa (software). Esse programa é a cultura.” Vamos lembrar que um software é um programa determinado e fechado, mas que aqui em nossa metáfora, “operando” a cultura há sempre um ser humano. Somos dotados de criatividade, subjetividade, carregamos histórias pessoais e coletivas. Assim, interferimos o tempo todo no “programa” que recebemos. A cultura não é apenas um modelo, um quadro de referência, ela é uma forma de acesso às possibilidades humanas. Há uma dinâmica na relação entre cultura e sujeito, entre sujeito e história, entre indivíduo e grupo. Se pensarmos que a cada cultura corresponde uma diferente “visão de mundo”, percebemos que os indivíduos se organizam mentalmente para estar no mundo de acordo com os valores introjetados de sua cultura. Tornamos “nosso” aquilo que é cultural. Exercitando. Vamos pensar sobre os sentimentos humanos. Obviamente, nossas emoções são universais. Amor, ódio, paixão, rivalidade, raiva, afeto, ironia, alegria, euforia e tudo quanto possamos lembrar agora, fazem parte da humanidade. Entretanto, as EXPERIÊNCIAS QUE SUSCITAM este ou aquele sentimento, e a forma como expressamos o que sentimos isso é cultural. Muitas situações que fazem um brasileiro rir podem não ter o mesmo efeito em pessoas de outros povos. Ou ainda, situações como o funeral que exigem circunspecção e tristeza em algumas culturas podem exigir expressões de alegria em outras. O exercício de relativizar é se colocar na condição do outro. Pois bem, muitas vezes fazemos julgamento equivocados do comportamento alheio, simplesmente pelo fato de desconhecer as motivações que levaram a tal ou qual atitude. Quando não temos a “chave simbólica” que permite a relativização dos costumes, tendemos a nos fechar em nosso etnocentrismo. Tudo bem, precisamos relativizar, não é mesmo?

psíquica e moral do outro. Em termos práticos. aceitando qualquer atitude alheia como normal. isso significaria. todas as culturas praticam etnocentrismo de alguma forma. Etnocentrismo é sempre ruim? Não! Na verdade. natural e aceita.Sim. Quando reagimos com aversão ao fato da alimentação em algumas culturas incluir pratos com animais como insetos. cães ou lesmas (o famoso “escargot” francês). na medida em que pode servir para reforçar nossa identidade cultural e nos trazer bem estar dentro de nosso próprio padrão cultural. Exercício resolvido para o item 3. podemos correr o risco de não ter mais referencial ético de mundo. por exemplo. . estamos atingindo um grau de etnocentrismo inaceitável. se tornam destrutivos das relações humanas. assinale aquela que tem relação com o conceito de RELATIVISMO CULTURAL: Resposta do exercício 1): C) julgar uma cultura a partir de seus próprios valores e hábitos. tornar aceito como normal as mutilações dos órgãos genitais femininos praticados em algumas sociedades de cultura mulçumana. e quando praticados de forma radical. destruir seus costumes forçosamente ou mesmo agredi-lo física e moralmente. não é uma atitude ruim. estamos sendo um pouco etnocêntricos. Mas tanto o relativismo cultural como o etnocentrismo podem ser encontrados em diferentes graus. O etnocentrismo extremo pode levar ao genocídio e às práticas racistas / preconceituosas.1 1) Das situações abaixo. principalmente em comunidades africanas. O relativismo extremo pode levar à ausência de noções éticas. Quer dizer que relativizar demais pode ser perigoso? Sim! Quando apenas relativizamos tudo. O oposto também é verdadeiro. Percebe que deve existir um limite para a prática do relativismo? Relativizar deve ser algo estimulado socialmente. mas dentro de padrões de respeito à integridade física. e não a partir de valores dominantes de uma cultura alheia que se impõe sobre outras por se considerar superior. preferindo um bom arroz com feijão. é correto que tenhamos reações mais respeitosas e éticas com os “outros”. Mas quando a aversão ao outro é tão grande que precisamos excluí-lo. Isso é necessariamente ruim? Bem.

aguaforte. Textos complementares sugeridos: “Cultura e seus significados”. in GUERRIERO.htm Objetivos: ao final deste tema você deve ser capaz de identificar a importância da cultura como mediadora no processo de construção de nossa visão de mundo. Ritos Corporais entre os Nacirema.1 . Pp 87-96.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. filosofia da cultura. Sem comunicação nossa sociedade seria mais semelhante a uma sociedade de outros animais que vivem em coletividade como abelhas. bem como da relação do ser humano com sua corporalidade e das noções de saúde e doença. Antropologia – ciência do homem. 65-101. RIBAS. José Luiz dos. 2009. SP: Brasiliense. . Pp. a participação dos indivíduos na cultura. SP: Olho d´Água. Roque de Barros. MINER. João C. “A cultura interfere no plano biológico”. Pgs. 2003. texto disponível em: http://www. emocional e intelectual no mundo.item 4 Nos textos indicados. pp 21-50. “Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura”. há um espaço para nossa individualidade. simbolizar. São Paulo: Contexto. “A cultura tem uma lógica própria”. 19ª ed. 2006. Vamos desenvolver um pouco mais a compreensão sobre o que é símbolo. A cultura. 4.Um Conceito Antropológico. ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade. formigas e leões. Bibliografia Textos básicos “O que se entende por cultura” in SANTOS. É importante ao final deste item que se perceba a profunda influência da cultura em todas as dimensões de nossa experiência física. e a importância disso para a cultura? A cultura depende de nossa capacidade de comunicação.com/antropologia/nacirema. Horace. Silas (org). “A cultura é dinâmica”. 2005. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR.. você será capaz de identificar informações e conceitos sobre a cultura que já desenvolvemos anteriormente. in LARAIA.MÓDULO 4 4. in GOMES. 33-51. “A cultura condiciona a visão de mundo do homem”. a simbolização da vida social. “O olhar”. O foco deste item é a compreensão de cultura em seus aspectos simbólicos. Poderá perceber que apesar de vivermos em uma cultura que determina padrões de comportamento. Mércio Pereira. CULTURA . DESENVOLVIMENTO DE CONTEÚDO . O QUE É CULTURA.

e faz com que seja possível a INTERPRETAÇÃO dos conteúdos comunicados. o próprio gato. Vamos fazer um pequeno exercício para tentar aplicar todas essas definições de símbolo à nossa realidade? A palavra gato. Assim: . Língua. dependemos da utilização dos símbolos. não pensamos em gatos de tipos muito específicos ou em suas qualidades. Pois bem.1 aquilo que. Mas. quando pensamos em um gato para comunicar uma situação corriqueira envolvendo gatos. mágico ou místico (. a representação da flor através dos desenhos. crenças. faça com que todos os presentes entendam no que o comunicador estava pensando. vamos avançando. o ser humano cria muitos símbolos. A cultura depende dos símbolos. num contexto cultural. Para o a antropologia atual. significados e sentidos „às coisas do mundo‟ “. Para expressar a cultura. representa ou substitui outra coisa. por pura convenção. que é também um símbolo. Quando pensamos em um gato e queremos comunicar essa idéia básica. é possível ampliarmos nossa capacidade de compreensão do outro. o que é símbolo mesmo? Segundo o “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” (edição de 2001): 1 aquilo que. Esse é um primeiro passo para entendermos o processo de simbolização. Nós convencionamos que a palavra “gato” simboliza aquela espécie de felinos que encontramos na natureza e que se tornou um de nossos animais domésticos. Ao entrar em contato com esse fenômeno que se chama comunicação através da Antropologia.A cultura humana tem características que diferenciam nossa forma de vida coletiva. Temos por exemplo. Então a palavra GATO não é a “coisa real” que existe na natureza. não conseguiríamos sequer compartilhar o que se passa em nossas mentes. temos que recorrer a um som. “cultura é um sistema simbólico (Geertz. segundo Geertz. por um principio de analogia formal ou de outra natureza. racional e estruturada. valores. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. uma palavra que ao ser pronunciada. Apesar de existir uma imensa diversidade de tipos de gatos. de uma cultura para a outra esses significados variam imensamente.. e até aqui já deu para entender que sem símbolos. tudo que faz parte da cultura humana é baseado em símbolos que precisam de uma convenção social para que os indivíduos associem a um mesmo significado. substitui ou sugere algo 1. conceitos. o que torna necessária a compreensão do contexto cultural onde os símbolos são criados e utilizados para que nossa comunicação seja eficaz e consiga atingir seus objetivos. 1973). de forma sistemática. possui valor evocativo.) 2 aquilo que. de forma generalizadas sobre gatos. Para cada coisa existente. mas antes um som que representa essa realidade. idéias. A palavra GATO é um dos símbolos para a coisa em si. A simbolização pode mesmo ser tomada como sinônimo do conceito de cultura. a comunicação humana é baseada na simbolização. Entretanto..

pois já deixou de ser o próprio gato. e sim bidimensional.Essa imagem fotográfica. apesar de parecer o próprio gato. mas deixou de ser ela mesma. e é simbolizado nessa imagem que não é tridimensional. criando assim algo que a representa. ou uma delas. 2010 . não é. É um símbolo. É uma representação “do gato em si”. Kênia Kemp.

portanto. representações artísticas do gato e. ou seja. de Aldemir Martins. 2001.Gato amarelo e flor. Essas duas imagens são desenhos. .

significados e sentidos às coisas do mundo. da rotinização de soluções racionalmente pensadas. O correto é observarmos que na natureza não existem qualidades que são criadas pelo Homem. Na pintura. na dança. Os símbolos representam coisas. Um céu escuro e carregado de nuvens pode simbolizar preocupações e problemas. cores e emblemas. ou um terremoto pode ser utilizado para simbolizar alguém inquieto. são valores. Então. retiramos todas as coisas de seus contextos originais. de significados coletivamente construídos. bem como todos os conceitos de mundo que dispomos são resultados da criação das culturas humanas. que se expressam através de símbolos. placas de trânsito são símbolos. e tudo isso é possível porque como diz Geertz. e através dessa comunicação simbólica podemos atribuir qualidades ao mundo. O artista procura sempre “representar algo”. e podemos pensar nelas. mas aromas que são convencionalmente usados em bebês. Bondade. ou ainda aromas de um lugar que marcaram a infância de UMA pessoa. não existe esse tipo de julgamento. conceituar. Cada profissão elege seu símbolo. na música. Ao utilizar um crucifixo. a humanidade atribui. os times utilizam brasões. A maior parte de nossa comunicação diária tem como finalidade narrar. que é Cristo. descrever. o artista procura através da forma obtida (a forma plástica. Portanto. justiça e beleza. simbólica. Não existe “cheiro de infância”. onde ele se originou. mesmo quando não estamos em sua presença. idéias e pessoas que não estão presentes. Para a terra. de forma sistemática. podemos compreender que as “coisas em si” são transportadas para a nossa mente. “o crucifixo identifica os cristãos”. racional e estruturada. sentido ou experimentado antes. e não da natureza. como bondade/maldade. O símbolo facilita e agiliza a comunicação. agitado. mas o ser humano atribui a umas e outras certas qualidades. Ao fazer isso. transmite idéias complexas e sentimentos. pois a cruz simboliza um evento da figura fundadora dessa fé. belo/feio. placas de “proibido fumar”. “as cores dessa bandeira simbolizam a paz e a riqueza”. que não pode ser reproduzido em toda a sua riqueza e complexidade. Essa é uma outra associação possível com os símbolos. A arte é em essência. A cada cultura corresponde um processo coletivo único . “esse cheiro me lembra a infância”. não é ruim senão do ponto de vista dos prejuízos que possa causar aos seres humanos. a sonoridade ou o movimento) criar um símbolo para algo visto. lembrar. “proibido cães” e outras regras de uso do espaço são símbolos.também não são o gato em si. Uma catástrofe da natureza como um terremoto. Tudo na comunicação é símbolo? Sim! Os símbolos são frutos: da persistência humana de olhar para o mundo e ver significados. e escolhemos alguns de seus aspectos a serem ressaltados. Assim é que nós SIMBOLIZAMOS as experiências vividas. percebido. uma pessoa é identificada pelos outros como “cristão”. são formas de simbolizar experiências e sensações. Não está na “flor em si” ser alegre ou triste. justo/injusto. e sim formas simbólicas para elas. e assim por diante. “Essa flor é alegre”. coisas que não estão presentes.

A linguagem falada é simbólica. podem ir parar em lugares onde não há essa convenção sobre como ele deve ser interpretado. filmada. conseguem ter significado para praticamente a humanidade toda. ou então que a distribuição de pessoas numa sala durante uma . divulgação. portanto a maioria dos símbolos cotidianos tem um significado apenas local. ou pelas artes. presente em todo o mundo como um ícone de prazer e do mercado. Sem tal comunicação. o que fazemos. Assim ocorreu com a logo marca da “Coca-Cola”. Quando nos comunicamos. A maior parte de nossa comunicação é composta de conteúdos que se tornaram convenção social. emotividade e assim por diante. incorretas. incorporação e rotinização de símbolos. Vamos ler juntos um trecho do texto indicado na bibliografia desse item para concluir sobre a importância da capacidade de simbolização humana no estudo da cultura? Uma maneira mais complicada de apresentar essa dimensão é dizer que a cultura inclui o estudo de processos de simbolização. mas comunicam também coisas imateriais como sentimentos. é muito comum que quando usados em um contexto diferente do original. portanto? Primeiramente. Mas alguns símbolos. o conteúdo do que é comunicado é sempre algo que precisa ser interpretado. Portanto. a linguagem escrita é simbólica. ou com o símbolo da juventude dos anos 1960 para “paz e amor”. os símbolos comunicam não apenas o mundo exterior à nossa mente. julgar. Por isso utilizamos os símbolos para comunicar quem somos. sem os símbolos não haveria cultura humana. ou seja. ou ainda a comunicação áudio-visual. que a comunicação humana é baseada na criação. ou “mal entendidos”. o que acontece é que as pessoas tendem a dar o sentido mais apropriado ao seu próprio contexto. criatividade. Como os símbolos cotidianos dependem desse consenso em torno da interpretação. falada. nossas preferências. não realizaríamos nenhuma de nossas capacidades como raciocínio. por exemplo. O que aprendemos sobre os símbolos. eles sejam interpretados de formas inusitadas ou até mesmo. Interpretar é dar sentido. precisamos dominar e compartilhar os mesmos símbolos. Ser membros da mesma cultura é uma garantia de que todos estejam interpretando de forma muito semelhante os conteúdos comunicados. Não interessa muito para o senso comum ter entendimento e investigar a origem de certos símbolos. para utilizá-los da forma mais “adequada”. Então. os chamados “erros de comunicação”. Em segundo lugar.de criar símbolos. descreva um sentimento ou uma paisagem. entender. Através dos símbolos. de processos de substituição de uma coisa por aquilo que a significa. nossa condição. Claro que isso não garante eventuais desentendimentos. Hoje em dia esse fenômeno é muito comum no mundo da moda e das tendências de comportamento. seja pela linguagem escrita. materializamos aquilo que é interior à nossa mente. Isso porque ao saírem de sua cultura original. que uma idéia expresse um acontecimento. por efeito da sistemática e rotina de circulação em outros meios. Para que nossa comunicação seja eficaz. e assim por diante. que é o mundo que nos rodeia. também a linguagem gestual. idéias abstratas e conceitos. que permitem. Mas garante que não tenhamos que explicar minuciosamente o tempo todo nosso uso dos conteúdos comunicativos.

O QUE É CULTURA. 2006. preferências e reações como se fossem “naturais”. ao simbolizar atribuímos significados ao mundo. A natureza sozinha não constrói um ser humano como o conhecemos. O tema da segunda parte do livro de LARAIA. SP: Brasiliense. Pgs. trouxeram uma nova visão sobre o ser humano. XX o quanto somos também moldados pelo meio social que nos circunda desde o nascimento. COMO OPERA A CULTURA baseado no livro “Cultura . Muitas vezes julgamos nossas atitudes. que as informações sejam processadas. os estudos antropológicos elucidaram ao longo de todo o séc. José Luiz dos.41-42) Exercício resolvido do item 4: 1) A capacidade de simbolização e criação cultural pode ser associada às seguintes afirmações: c) A simbolização e a criação da cultura nos possibilitam pensar no que não está presente. Esses estudos ampliaram a nossa compreensão sobre diversidade cultural sim. aborda exemplos de como a cultura afeta nossas vidas em sentidos muito mais profundos do que imaginamos. não teríamos a complexidade da humanidade. mas muito além disso. Sem dúvidas a nossa “natureza” (diga-se herança genética).1 . que a experiência acumulada seja transmitida e transformada.conversa formal possa expressar as relações de hierarquia entre elas. nas brincadeiras infantis tradicionais numa sociedade como a nossa pode-se mostrar a presença simbólica de mecanismos de competição e hierarquia do mundo dos adultos. De fato. mas sem a ação da cultura.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. e comunicar nossa experiência aos próximos. de Roque LARAIA 1) A CULTURA CONDICIONA A VISÃO DE MUNDO DO HOMEM . os processos de simbolização são muito importantes no estudo da cultura. É a simbolização que permite que o conhecimento seja condensado. CONTEÚDO DE 1º BIMESTRE (Prova NP-1) 4. Entretanto.Um Conceito Antropológico”. (SANTOS. a idéia de uma divindade única pode ser vista como significando a unidade da sociedade. pode ser imensamente responsável por muitos atributos individuais. como se assim tivéssemos nascido. a participação dos indivíduos na cultura. Assim.

Assim. .a língua que cada um deles fala.as necessidades e o uso da tecnologia. podemos identificar facilmente indivíduos de diferentes culturas por características como: .os sentimentos. os diferentes comportamentos sociais e mesmo as POSTURAS CORPORAIS são assim produtos de uma HERANÇA CULTURAL. . e assim por diante.O oposto também é verdadeiro. . . .Para uma pessoa da cidade. ou mesmo pela mais simples delas . Ao passo que para os que nela vivem. uma pessoa do campo vê na cidade uma coleção confusa de ruas e edifícios.ex. portanto. temos que a CULTURA influencia nossas vidas em diversos níveis: . p. Da mesma forma como cada família pode deixar aos seus descendentes uma herança material (patrimônio familiar). entre tantos outros. a nossa sociedade nos deixa uma HERANÇA de valores. seja material ou imaterial. modos de agir e pensar. ou seja. . a floresta é um conjunto desordenado de árvores. Em cada cultura VARIA IMENSAMENTE o que somos capazes de perceber à nossa volta.a moral. têm visões desencontradas das coisas. .uHomens de culturas diferentes enxergam o mundo de forma diferente. de caminhar. conhecimentos. de vestir. desde que fase de nossas vidas essa influência acontece? . e o movimento possui um sentido lógico.o que entendemos como SAÚDE e também a DOENÇA.O modo de ver o mundo. as apreciações de ordem moral e valorativa. É parte da nosso PATRIMÔNIO CULTURAL.os critérios de beleza. e como explicamos o que nos cerca e o que sentimos.Modo de agir. Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e. ao passo que para os índios que nela vivem. Então. de comer. . além de um movimento desordenado de pessoas e automóveis. ela tem um SIGNIFICADO QUALITATIVO e uma REFERÊNCIA ESPACIAL.nosso gestual e a forma como utilizamos o corpo.nossa alimentação.” . Mas. Mas. a ver o mundo..as noções de higiene pessoal. a realidade não é apenas UMA? ** Não! O Homem é condicionado pela sua cultura. a cidade possui uma ORDEM física e espacial. . ?Ruth BENEDICT escreveu: “A cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo.

-Desde o parto. . somos condicionados pela nossa cultura Vamos analisar algumas imagens dessa influência da cultura em diferentes aspectos da vida humana e como os percebemos visualmente.

. Na segunda columa: Nova Zelândia e Brasil.Na primeira coluna: África. Índia e Inglaterra.

perfurações. grãos e castanhas. mas é possível sim. que desde os cinco anos começam a utilizar argolas no pescoço com o objetivo de esticá-los. e muitos outros tipos. preparados químicos conhecidos como remédios. vegetais. Para lembrar alguns exemplos: . pálpebras. para nos sentirmos INCLUÍDOS (o que dá aquela sensação de confiança e autoestima. . saúde e aparência corporal. rituais ou de espetáculos). sementes.uso de vestuário e adornos corporais. suas escolhas poderiam ter sido completamente invertidas. Neste item você pode ter considerado algumas coisas muito normais e outras repugnantes. Pense em quantas situações ao longo de nossas vidas nosso corpo é atingido em função de experiências culturais. Portanto. nosso corpo físico é submetido frequentemente a exigências. o que o autor chama de “PLANO BIOLÓGICO” é exatamente nossa forma física. fisiculturismo ou treinos especiais (militares. Pense que se você tivesse sido socializado em outra cultura. carnes dos mais variados tipos e partes de animais (cruas ou cozidas). escarificações e implantes subdermais. inalar.técnicas de desenhos ou formação de saliências na pele como tatuagens. Para manter tradições.a dieta cotidiana que pode incluir desde insetos.as mulheres chinesas que durante séculos enfaixavam os pés para evitar seu livre crescimento. alimentos processados industrialmente. rituais que envolvem ou não a participação e presença física do doente que pode ser submetido a todo tipo de intervenção passiva ou ativa – as vezes o doente precisa ingerir. ingestão de bebidas alcoólicas ou qualquer outra que altere igualmente a percepção e reações. quando nos sentimos parte de um todo. cortes. raízes. .2) A CULTURA INTERFERE NO PLANO BIOLÓGICO Ao longo de nossas vidas o nosso corpo físico é intensamente afetado pelas nossas experiências culturais. quando “pertencemos” a um lugar social). lábios. incisões. com ou sem anestesias. . sugar outras vezes ele é sugado.formas de tratamento de doenças que pode incluir uma imensa lista como a ingestão de fitoterápicos. frutas e flores. . o processo de treinamento das modelos ocidentais que para serem vistas com roupas e acessórios à venda pela indústria da moda se submetem a dietas incriveis de emagrecimento e treino para o controle do corpo. esportivos. movimento e expressões faciais na passarela. folhas. . . Neste item você pode se perguntar como nossa indumentária pode interferir no plano biológico. .o tipo de parto que cada cultura oferece e considera melhor.perfuração ou alargamento de lóbulos. cirurgias e implantes. As famosas “mulheres girafas” da Tailândia (Ásia).modelagem do corpo com muitas técnicas diferentes como dietas. obedecer a regras e principalmente.

indignação ou repúdio ao que os “outros” fazem com seus corpos. que além de exigir o controle da postura e gestual em função da utilização de vestimentas especiais. Ter a vida de uma modelo da moda pode parecer normal entre nós. tanto quanto perfurar lábios para o uso de botoques nos parece. . Vamos ver isso em mais algumas imagens. Entretanto é muito comum a reação de espanto. .a submissão a rotinas que podem gerar lesões físicas e/ou desconfortos psicológicos dos mais variados graus.. mas pode ser considerado incompreensível aos outros. a reação do organismo na forma de doença a experiências negativas. exigem também a submissão (em alguns casos) de horas em jejum e em seguida horas de ingestão de uma quantidade incrível de alimentos e bebidas. Interpretamos isso como algo “natural”. . Você pode fazer o exercício de encontrar outros e tantos inúmeros exemplos.o desenvolvimento de doenças psicossomáticas. Não resta dúvidas do quanto submetemos nossos corpos em função das experiências culturais.a participação em festas e ocasiões especiais.

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Tailandesa . DUTILEUX. Brasil) foto de Jean P.Primeira coluna: Kayapó (Xingú. Segunda coluna: Sumotori (luta tradicional do Japão) . Desenho de modelo da moda.

portanto os motivos biológicos ficam explícitos nesses casos..nas quais as mulheres desempenham papéis importantes na vida ritual e econômica -. mas provavelmente um desastre ao piano. onde o grupo não determina totalmente sua vida. por que podemos ter licença para dirigir e votar aos 18 anos. existem tendências e limites para a socialização. e não aos 16. Somos socializados e aprendemos ao longo da vida aquilo que é mais importante para sermos aceitos e participarmos de uma cultura. A individualidade está garantida em primeiro lugar pelo fato de que nem uma pessoa pode sozinha conhecer e dominar todos os conhecimentos. e incapaz de pintar um quadro. Mas nossa participação é sempre diferente de um indivíduo para o outro. portanto existe um espaço na cultura.3) OS INDIVÍDUOS PARTICIPAM DIFERENTEMENTE DE SUA CULTURA É impossível todos os indivíduos de um grupo terem exatamente o mesmo comportamento. Em que critérios se baseiam essas diferenças individuais? ?as diferenciações baseadas no sexo dos indivíduos: Com exceção de algumas sociedades africanas . a história e o conjunto de valores de seu próprio povo. apesar de compartilharem a mesma “visão mundo”.ex. a maior parte das sociedades humanas permite uma mais ampla participação na vida cultural aos elementos do sexo masculino. É impossível que todos nós recebamos as MESMAS informações durante nosso crescimento. ou 20? ?as diferenciações baseadas na impossibilidade de TODOS os indivíduos serem socializados da MESMA forma: Alguns aspectos se sobrepõem a outros. . Porém. ?as diferenciações baseadas na idade dos indivíduos: Uma criança não está apta a exercer as funções dos adultos. alguns traços são reforçados e outros não: Einstein era um gênio na física. há impedimentos etários totalmente arbitrários e criados pela nossa cultura: p. ?as diferenciações baseadas nas diferenciações de classe social: Nas sociedades que diferenciam os indivíduos de acordo com o pertencimento a determinadas classes sociais. que impedem que aqueles que estão mais abaixo na pirâmide social. tenham acesso a grande parte da cultura produzida pelo seu grupo.

perda de patrimônio. sejam sociais ou naturais. entretanto. mas que servem para explicar toda uma infinidade de eventos. Toda cultura muda com o tempo. ? Para dar um bom exemplo baseado na cultura brasileira. deixa todos satisfeitos com a explicação. Vamos a alguns exemplos do livro. ? A lógica de uma cultura muitas vezes forma o que os antropólogos denominam “sistema de classificação” ou ainda “sistema de categorias”. ou por “ignorância” que um grupo social pode parecer “SEM RAZÃO”. Mas. ele não domina a explicação científica. Muitos podem concluir que ele não sabia explicar. de ordem prática ou simbólica. ou “olho gordo”. ocorrem as mudanças. nosso esforço intelectual de obter resposta sempre será coerente com o sistema cultural no qual estamos inseridos. que parecem “congelar” no tempo? O ritmo de mudanças de uma cultura obedece à lógica da satisfação de seus indivíduos com relação às suas soluções. a princípio parecem simples. São conceitos que. . casamentos desfeitos. Desemprego. podemos tomar o conceito de “inveja”. Esse conceito forma todo um sistema de classificação e ordenação de mundo para muitos brasileiros. Isto é um conceito que forma um sistema de ordenação de mundo. muito eventos com impacto negativo na vida das pessoas são explicadas através da “inveja”. Quando as soluções deixam de ser suficientes. muito provavelmente sua “explicação” fosse outra. que as explicações dos “outros”. e “inventou” uma resposta tão simples quanto seu nível de informação sobre o sistema solar. por que a impressão que algumas culturas mudam mais do que outras. Quando um acontecimento pessoal ou alheio parece “sem explicação”. Entretanto. doença. 5) A CULTURA É DINÂMICA Todo ser humano tem capacidade de questionar seus próprios hábitos e mudá-los. que são resultantes da cultura na qual somos socializados. ela sempre será a “nossa lógica” e não a lógica alheia. pelo qual somos profundamente influenciados. mais corretas. a categoria da “inveja”. Mesmo ao “inventar” explicações. temos que considerar que muitas vezes não é apenas por “falta de conhecimento”. Dificilmente as pessoas se contentam com explicações racionais que tornam a “vítima” única e completamente responsável pelo que lhe aconteceu. as “nossas explicações” sempre nos parecem mais lógicas. mas sua “invenção” teve que necessariamente utilizar A LÓGICA DA CULTURA CAIPIRA. Assim. mais apropriadas. 88) de uma conhecida sua que perguntou a um caipira paulista “como é que o sol morre todos os dias no Oeste e nasce no Leste”. Mediante situações que exigem uma lógica. E a resposta obtida foi: “Ele volta apagado durante a noite”. Fosse ele um gaúcho. a categoria do “olho gordo” entra em ação. De fato.4) A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA Neste capítulo o autor trabalha com a seguinte idéia: temos explicações para o mundo. Laraia cita o exemplo (pg.

As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção. enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião. em especial na Amazônia brasileira. de Rio Branco (Acre): “Após quase 20 horas num avião monomotor. No mês de maio de 2008.com.terra. Essas fontes podem determinar o ritmo mais lento ou rápido das mudanças. coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai.00.Essas podem ter duas fontes: uInterna. Segundo LARAIA (pg. Já a mudança decorrente dos contatos entre muitas culturas determina um ritmo mais rápido ao longo de um pequeno espaço de tempo. A menos que tenham sido decorrentes de invenções tecnológicas exemplares ou de eventos históricos de grande impacto como revoluções e guerras internas. chamado de “etnias isoladas”.OI2903379-EI6581. sendo o fenômeno de dinâmica cultural mais estudado.html . e que traz na abertura da matéria assinada por Altino Machado. o mundo se surpreendeu com fotos que estão disponíveis no jornal eletrônico “Terra Magazine”.br/interna/0. Atualmente é quase inexistente alguma cultura que não tenha contato com outras.” http://terramagazine. 96).. de onde eventualmente temos notícias desse tipo de fenômeno. uExterna. Ainda existem alguns poucos grupos isolados no mundo. comandou um sobrevôo que resultou nas primeiras fotografias dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru. quando se trata da dinâmica do próprio sistema cultural. as mudanças decorrentes da dinâmica interna podem ser quase imperceptíveis a um observador externo. o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior. quando as mudanças ocorrem em função do contato com outro sistema cultural.

Exercício resolvido para o item 4.FOTO DE GLEISON MIRANDA. ou qualquer grupo cultural) não têm nenhuma escolha quando são influenciados por outras culturas. Isso significa que para a Antropologia pode ser questionável afirmar por exemplo que os índios (ou os brasileiros. AQUELES QUE ACHA POSITIVO ADOTAR OU NÃO. ALGUMAS IMPORTANTES CARACTERÍSTICAS DAS CULTURAS! CADA CULTURA (seu povo) ESCOLHE DENTRE OS ELEMENTOS DE UM OUTRO GRUPO.1: . pela conquista ou pela exposição excessiva (podemos pensar na mídia). Adotar comportamentos típicos de outras culturas pode ser resultado de imposições pela violência. APENAS EM CASOS DE DOMÍNIO ECONÔMICO E/OU POLÍTICO É QUE UM GRUPO SE VÊ OBRIGADO A ABRIR MÃO DE SEUS PRÓPRIOS COSTUMES E ADOTAR OS DOS DOMINANTES. publicada no mesmo endereço eletrônico disponível acima da imagem.

Sobre a educação no contexto das relações étnico-culturais: PINTO.espacoacademico.. (org.br/040/40pc_diretriz. Objetivos: neste item o aluno deve ser capaz de considerar a identidade como um processo de construção cultural e o contato com a diferença como características da condição contemporânea. Franz. mas pode falhar quando colocado em uma situação que exige apenas foco de atenção baseada no raciocínio intelectual durante muitas horas. mas não para todas. http://www.A diversidade cultural: relações étnico-raciais.htm . Texto disponível eletronicamente no endereço. in CASTRO.socioambiental. Pesqui.) Franz BOAS .espacoacademico. Disponível em <http://www. A explicação da Antropologia para este fato é: Resposta do exercício 1): D) os indivíduos participam diferentemente de sua cultura.com. 108. Horace. MÓDULO 5 Conteúdo do 2º bimestre – PROVA NP-2 5 . especialmente o link para a Revista “Sexta-Feira”. MEC. PP.htm “Os métodos da etnologia”.antropologia. Cad.1) Um bombeiro pode ser excelente no exercício de sua profissão. Diferenças étnico-raciais e formação do professor. 2004.ANTROPOLOGIA CULTURAL. Nov.br/040/40pc_diretriz.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. http://www.o texto "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" está disponível eletronicamente no seguinte endereço: http://www. * Sugestão de endereços da Internet sobre os temas deste conteúdo: . Brasília: 2004. MINER. n. Celso (org. 1999 .Comunidade virtual de Antropologia. “Raça e Progresso”.htm Textos complementares: BOAS.br/scielo. C.org/.Para conhecer sobre a diversidade de etnias indígenas no Brasil: Instituto Sócio Ambiental.scielo. http://www.com. especialmente o link “Povos indígenas do Brasil”.) FRANZ BOAS – Antropologia Cultural. Jorge Zahar. Refletir sobre o papel das tradições e das mudanças culturais em diversas situações e contextos. São Paulo. in CASTRO.com/antropologia/nacirema.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741999000300009&lng=en&nrm=iso> . . “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais. assim cada um recebe muitas informações e treinamento para algumas funções. http://www. 2004. Regina Pahim.aguaforte. Ritos Corporais entre os Nacirema. 67-86.com.br . disponível na Web. Jorge Zahar.

de relação de troca. procura de condições de vida diferentes e oportunidades. religiosa ou étnica) ou mesmo de guerras. do estabelecimento de vínculos de parceria ou amizade. além de boas doses de ética. pode estar ao nosso lado. diáspora (que é a dispersão de um povo em consequência de preconceito ou perseguição política. Essas questões / situações seriam: . Assim dizemos que para haver relativismo ou etnocentrismo deve-se supor a presença da DIFERENÇA. como a intenção de ocupação de território. A presença de um “outro” em relação ao que se reconhecemos como “nós”.Definição de relações étnicas: As relações étnico-culturais são todas as situações nas quais diferentes culturas/etnias são colocadas em contato por qualquer razão. Relativismo cultural e etnocentrismo são formas das pessoas ou sociedades inteiras reagirem ao contato com um grupo culturalmente diferente. justiça e novos parâmetros para as relações humanas. Esse contato normalmente é motivado por deslocamento de grupos de pessoas de uma etnia para outro(s) lugar(es). exploratórias. não precisa ser alguém de uma cultura distante fisicamente. Atualmente o mundo todo reflete de uma forma mais intensa sobre o convívio entre as diferentes culturas/etnias.Desenvolvimento do item 5 – . Que tal pontuar algumas questões e situações do mundo atual nas quais as relações étnico-culturais estão no centro dos debates e suscitam a reflexão? São questões que trazem à tona o relativismo cultural e o etnocentrismo. Os motivos podem ser variados. atividades comerciais. e supõe que dois ou mais povos que representam suas etnias mantenham por tempo indeterminado alguma forma de convivência. Esse “outro” que aparece nas frases acima. onde encontra-se outro grupo étnico.

.Qual é a realidade dos povos indígenas que convivem com a nossa sociedade nacional aqui no Brasil? E quais são suas reivindicações? .Qual é a importância da eleição de Barack Hussein Obama como Presidente dos Estados Unidos da América? .

Como resolver os conflitos entre Israel e a Palestina? ..Quais são os principais argumentos a favor e contra a política de cotas para afro-descendentes ingressarem nas universidades públicas brasileiras? .

. exclusão ou práticas moralmente/fisicamente agressivas. preconceito.Como e por que é exercido o preconceito contra nordestinos nas regiões sul e sudeste do Brasil? As respostas a essas questões não possuem um consenso. O que nos leva de volta ao conceito de CULTURA. pode-se caracterizar certas respostas como resultado de atitudes etnocêntricas ou relativistas. Cada cultura desenvolve um sistema simbólico que permite aos indivíduos se relacionarem dentro de uma mesma linguagem de mundo. Ocorre que durante muitos séculos. podemos obter respostas muito desencontradas. Segundo o dicionário HOUAISS: . existe uma preocupação geral e a tendência a considerar reprováveis as atitudes que resultem em discriminação. um relativo isolamento entre os povos teve como resultado o surgimento de muitas etnias diferentes ao redor do mundo. Elas dependem em grande parte da posição e da capacidade de imparcialidade de quem as responde. Dependendo da perspectiva a partir da qual se avalia essas questões. Em um mundo globalizado. Vamos desenvolver o conceito de ETNIA. são polêmicas sociais. onde o contato entre as diferentes culturas e povos é cada vez mais intenso e necessário. A garantia dos direitos humanos e as lutas pelo tratamento igualitário entre os povos têm trazido à tona importantes discussões sobre as relações étnico-culturais. De qualquer forma.

O conceito de etnia. tanto por questões bastante específicas como a religião do outro. Raça é uma construção social. O resultado óbvio foi o sentimento de superioridade de algumas culturas sobre outras. que a cultura não é determinada pelo padrão de herança genética de uma população. Entretanto não existe intolerância mais aceitável ou menos aceitável. trata-se de questões étnico-raciais. grupo étnico [Para alguns autores. Na história da Antropologia. ou ainda através de repúdio total ao outro. a antropologia substituiu o conceito de RAÇA (de base extremamente biologizante) pelo de ETNIA. podendo ser definida pó uma raça. De acordo com esse pensamento. que relacionavam a base biológica das populações humanas com a cultura. extermínios e a prática da discriminação e do racismo. Esses conflitos podem se revelar com diferentes graus de expressão e intolerância. discriminar ou repudiar os que são diferentes. Esse pensamento partia do pressuposto que a cultura é determinada pela herança genética de uma população. desde final do século XIX teve início um movimento de recusa às teorias evolucionistas. e não uma realidade biológica. que justificou decisões políticas como invasões. condenável e pouco efetiva no sentido de resolver conflitos de interesses entre dois ou mais povos.Etnia. Um povo pode expressar seu preconceito. É necessário perceber que a intolerância em qualquer dos casos é desnecessária. ou os hábitos de vestuário / alimentação / higiene desse mesmo outro. Quais eram os pressupostos do EVOLUCIONISMO SOCIAL? Parte da ideia de que haveria uma “escala evolutiva” entre os povos. . simplesmente pelo fato dela abranger apenas um aspecto da cultura alheia. O conceito de “raça” mostra-se impreciso uma vez que tenta determinar divisões em uma espécie que é única: o ser humano. o termo é evitado por parte da antropologia atual. Ao recusar essas teorias. Atualmente é consenso na antropologia. ou por ter se tornado tão profunda que apenas se resolve com o extermínio desse outro. racismo ou ódio. dá ênfase aos aspectos da herança cultural de um povo como forma de caracterizar a diferença de comportamento entre as várias populações humanas. religião e maneiras de agir. uma cultura ou ambas. e este conflito revela questões culturais de qualquer abrangência. Sempre que o assunto envolve questões de conflito de interesses entre populações. poderíamos encontrar povos/culturas “mais evoluídos” e outros “menos evoluídos”. a etnia pressupõe uma base biológica. Um povo pode e deve saber valorizar suas próprias características sem que seja necessário diminuir. refletida principalmente na língua. contrariamente ao de raça. ANTROPOL coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural. por não haver recebido conceituação precisa].

htm Textos complementares: LAPLANTINE. MEC. 1995.espacoacademico. nas páginas 37-94. Disponível em .Notas sobre uma identidade mestiça e malandra. “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Aprender Antropologia. nas páginas 85 e 86: “Não importa quão fraco o argumento em favor da pureza racial possa ser. “Marcos para uma história do pensamento antropológico”. Enquanto insistirmos numa estratificação segundo camadas raciais.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. nós compreendemos seu apelo social em nossa sociedade. É um conceito social.Percebemos que há um uso político dessas intolerâncias. Concluindo esse conteúdo. os preconceitos e antagonismos raciais irão perder sua importância. Complexo de Zé Carioca . física e socialmente muitos povos para que não consigam reagir a situações de submissão.br/040/40pc_diretriz. Brasília: 2004. Sabemos historicamente a dimensão destrutiva dos discursos sobre uma pretensa “pureza racial” e sabemos das imensas possibilidades de construir relações étnico-raciais mais democráticas e igualitárias. ou devemos tentar reconhecer as condições que levam aos antagonismos fundamentais que nos atormentam?” MÓDULO 5 – item 5. Texto disponível eletronicamente no endereço. mas como membro de sua classe. Podemos ter uma razoável certeza de que. vamos ler um trecho do texto de FRANZ BOAS. o individuo não é julgado como um indivíduo. indicado na bibliografia complementar desse tópico. e que serve como justificativa para ações que atinjam moral. François.1 Conteúdo para a NP-2 (2º bimestre) Item 5. SP: Brasiliense. Especialmente os capítulos de 1 a 5 da Primeira Parte. devemos pagar um preço alto na forma de luta inter-racial será melhor para nos continuar como estamos. Portanto. http://www. . Embora as razoes biológicas aduzidas possam não ser relevantes.1 . a estratificação da sociedade em grupos sociais de caráter racial ira sempre levar à discriminação de raça. preconceito e direitos. Moritz. muito mais que científico. Lilia K.Sobre a formação étnico-racial e a cultura nacional: SCHWARCZ. Eles podem mesmo vir a desaparecer inteiramente. há uma questão de poder que envolve as disputas em torno do conceito de raça. onde quer que os membros de diferentes raças formem um único grupo social com laços fortes.com.Relações étnico-culturais: questões sociais. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais. Tal como em todos os outros agrupamentos humanos bem marcados.

esse contato não promoveu qualquer tipo de preocupação política ou intelectual até o momento conhecido como “Grandes Navegações”. Evolucionismo social e poder: No século XIX. os interesses relacionados à conquista de territórios coloniais. pois antes disso as explicações religiosas sobre as diferentes sociedades. que viviam em democracias recémcriadas.http://www. até o século XIX os europeus consideravam muito natural dominar e submeter outros povos. Não existe um único motivo. O objetivo é analisar o preconceito como uma forma de desrespeito aos direitos dos povos e suas culturas. que colocavam o vencedor como aquele que estabelece as regras do “jogo” e por ser “mais forte” podia utilizar qualquer recurso para manter o poder. como acontecem atualmente. A escravidão. ou ainda estabelecimento de comércio com povos extra-europeus.anpocs. as diferenças culturais eram tomadas como algo “natural”. ou “darwinismo social” dominava as explicações científicas sobre a diversidade cultural. considerando a história da humanidade. questionasse os métodos e consequências desumanas desse sistema. Ou seja. Da perspectiva científica. as Navegações fizeram parte do ambiente intelectual que deu surgimento às ciências da sociedade dois séculos mais tarde – as Grandes Navegações ocorrem no século XVI e o surgimento de uma filosofia social no século XVIII. Sempre havia sido assim na história até então. mesmo a Igreja. a partir de 1492 quando a Europa passou a navegar por todo o globo. não sendo pensadas como algo sobre o qual fosse preciso refletir e explicar. os povos de países onde o capitalismo não produzira a mesma riqueza permaneciam à margem desse processo. ou fruto da vontade divina.htm Este item aprofunda os temas relacionados à diversidade cultural e as relações entre grupos com culturas diferentes. o ser humano se torna objeto de investigação científica como um dos resultados da empreitada colonialista da Europa.org. o extermínio de inimigos que oferecessem “resistência” para ser conquistado. Do ponto de vista das práticas dos navegantes e governos europeus. tudo era praticado sem que qualquer instituição. com a publicação dos primeiros trabalhos científicos no século XIX. bastavam a todos. A diversidade étnica e o contato cultural O contato entre diferentes culturas sempre existiu. apesar da conquista de direitos pelos cidadãos europeus e norte-americanos. mas uma série de razões relacionadas a isto. antes do evento colonialista.br/portal/publicacoes/rbcs_00_29/rbcs29_03. foram elementos responsáveis pela crescente aproximação de culturas. Por isso. Entretanto. devido a condições históricas. As guerras e conquistas. . os Estados nacionais. a imposição de leis que colocam um povo vencido em condições desfavoráveis perante o conquistador. O “evolucionismo social”. Portanto.

e esse domínio econômico e militar passou a contar com uma justificativa científica. O fato de apenas os povos europeus até aquele momento. Esse pensamento deu margem para que a sociedade européia primeiro. Quanto mais afastado do modo de vida europeu. os povos indígenas do Brasil como “preguiçosos”. por isso dominava grande parte do mundo. A esse tipo de prática chamamos “eurocentrismo”. A busca de “progresso” é algo típico das sociedades do capitalismo-industrial. e LÉVI-STRAUSS na França são importantes autores que representam essa mudança. Índia. Agora são os norte-americanos. ou outros povos como “atrasados” em sua mentalidade geral. macedônios. A antropologia começa a defender que cada cultura segue seus próprios caminhos de transformação. por exemplo. A mudança histórica – relativismo cultural e direito dos povos É a partir das primeiras décadas do século XX que esse cenário de submissão cultural começa a se modificar. houveram grandes impérios mantidos por povos do Mediterrâneo (romanos. escolas. era o fundamento que sustentava todo esse esquema que colocava a diversidade cultural dentro de uma escala classificatória que identificava cada povo como representante de um “momento evolutivo” diferente. de qualquer perspectiva que se abordasse a questão. e do tipo de suas instituições organizadoras da vida social (o tipo de Estado. a população européia era “mais evoluída” culturalmente. exército. que afirmava sua superioridade cultural e histórica. e sim como um sistema que permite aos indivíduos de um grupo se relacionar com o mundo. sistema de leis. sendo muito “cômodo” criar uma teoria onde seu próprio povo era considerado centro do mundo. família e parentesco. Em suas obras. África e Austrália eram os “povos primitivos”. estariam as civilizações do Oriente Médio. etc. eles demonstram que não existe base científica para aceitar que exista um único modelo de “avanço” cultural e que todos os povos devam segui-lo. Assim.) mais primitivos eram considerados. chamados de “povos bárbaros”. e em uma escala intermediária. A cultura não deve ser encarada apenas como uma questão de avanço técnico. China e povos orientais em geral. Franz BOAS nos Estados Unidos. considerando os eventos históricos que marcam seu povo. ou ainda por povos .Para os europeus. Antes disso tudo. egípcios). e não existe superioridade racial/étnica que possa ser defendida sob nenhuma base científica. e depois sua extensão americana se sentisse a vontade para julgar. e uma das ex-colônias (Estados Unidos da América) terem desenvolvido o pensamento científico. a teoria do evolucionismo social foi criada e reproduzida pelo mesmo povo que detinha o poder dominador sobre os outros. As populações nativas da América (povos pré-colombianos). Na antropologia cresce a produção de conhecimento que demonstrava os erros do evolucionismo social e de qualquer pensamento que classificasse os povos como “atrasados” ou “evoluídos”. pois naquela época o poder influenciou a produção de conhecimento. Os europeus foram dominantes desde as Grandes Navegações até a II Guerra Mundial.

através do ensino e da educação. é que o preconceito contra um povo. 2. (Documento publicado pelas Nações Unidas no Brasil. riqueza. desumano ou degradante. Artigo IV. lembra? O que as ciências da sociedade demonstram. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Já vimos isso anteriormente nos itens que abordaram o “determinismo biológico” e o “determinismo geográfico”. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. origem nacional ou social. ou qualquer outra condição. e. idioma. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. 16:00) . quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. quer se trate de um território independente. Leia a um trecho da Declaração abaixo: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. à liberdade e à segurança pessoal.onubrasil. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. tendo sempre em mente esta Declaração.br/documentos_direitoshumanos. acabam sofrendo discriminações e violências de todo tipo. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva.php. opinião política ou de outra natureza. cor. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros. Grandes civilizações se desenvolveram na Índia e no norte da África muito antes dos europeus. sem governo próprio. são resultantes de SITUAÇÕES DE PODER. sem distinção de qualquer espécie. 1. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. sob tutela.org. se esforce. Artigo I. mas na sociedade como um todo. Aqueles povos submetidos a um poder de fora. seja de raça. seja por suas características genéticas ou de comportamento. que tem início uma mudança não apenas dentro das ciências. sexo. nascimento. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. Todo ser humano tem direito à vida. acessado em 04/3/2011. árabes) e também por orientais (chineses e japoneses). com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) e a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS em 1948. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel. É a partir do final da II Grande Guerra. Artigo V. trecho extraído em original completo disponível em: http://www. Portanto não há nada na genética ou na geografia de qualquer povo que possa ser apontado como fator explicativo da cultura. Artigo III.do Oriente Próximo (turcos. otomanos. religião. a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. Artigo II.

cultura. Brasília: 2004 e que pode ser encontrado na íntegra no endereço eletrônico: http://www. religiosos. publicado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. de gênero (como por exemplo.br/040/40pc_diretriz. entre outros. posturas e valores que . de minorias políticas e assim por diante. Essas manifestações ocorreram em muitos países. e de reconhecimento e valorização de sua história.com. que ainda aparece também com sinônimos como “discriminação positiva” ou “ação positiva”. no sentido de políticas de ações afirmativas. O mais conhecido desses movimentos foi o movimento negro anti-segregacionista norte-americano. à demanda da população afrodescendente. essas manifestações ficaram conhecidas como o movimento internacional pelos direitos civis. Esses registros são as formas preconceituosas que são reproduzidas e “ensinam” as pessoas como tratar discriminatoriamente alguns grupos.Entre 1954 e 1980. as ações afirmativas têm como objetivo modificar a mentalidade geral através de atitudes que invertam as representações negativas que predominam sobre uma etnia ou grupo social específico por sua cultura ou comportamento. como heróis em livros didáticos ou de literatura popular. valor moral. contra o regime de apartheid. Eles trouxeram à tona um grande debate social em torno de racismo. sucesso. um trecho do documento “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. e busca combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente os negros.espacoacademico. dos homossexuais). São ações políticas que pretendem retirar os registros negativos que a sociedade cria em torno de uma etnia ou grupo social. propõe à divulgação e produção de conhecimentos. Ou seja. na área da educação. discriminação e direitos. vieram outras como os direitos femininos. começam a se manifestar publicamente para denunciar as injustiças sofridas contra as quais o restante da sociedade se omitia.htm Esse trecho traz importantes conceitos e revela uma importante questão das relações étnico-raciais no Brasil atualmente. As pessoas atingidas negativamente se vêem excluídas de conceitos positivos como de beleza. heroísmo. Esse movimento rapidamente contou com o apoio de parcelas da população. a formação de atitudes. antropológicas oriundas da realidade brasileira. sociais. identidade. apesar de nem todos apoiarem. MEC. fundada em dimensões históricas. Portanto. como modelos de publicidade. e foram incentivadas por diferentes questões étnicas como na Irlanda. ou na África do Sul. entre a população católica e os protestantes. de política curricular. Nesta perspectiva. preconceito. eles são excluídos como modelos de personagens bons e belos na televisão ou cinema. entre outras. como referências de sucesso em grandes empresas e assim por diante. eram progressistas e estavam unidos pelo reconhecimento dos direitos. isto é. e são responsáveis por criar o termo “ação afirmativa”. cujo líder Martin Luther KING marca a história do século XX. ele. alguns setores da sociedade que sofriam muito com o preconceito étnico ou outras formas de discriminação. de políticas de reparações. que apesar de brancos. pois juntamente com as questões de discriminação étnica. Trata. Questões introdutórias O parecer procura oferecer uma resposta. Em conjunto. Abaixo.

bem como valorização da diversidade daquilo que distingue os negros dos outros grupos que compõem a população brasileira. tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. permanência e sucesso na educação escolar. dos danos psicológicos. os postos à margem. de europeus. por meio da educação. entre eles os afro-brasileiros. assim como o é o reconhecimento e valorização da história. É importante salientar que tais políticas têm como meta o direito dos negros se reconhecerem na cultura nacional. povos indígenas. sociais. enquanto pessoa. fundados em preconceitos e manutenção de privilégios para os sempre privilegiados. de aquisição das competências e dos conhecimentos tidos como indispensáveis para continuidade nos estudos. raciocínios. estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. gestos. Políticas de Reparações. no que cumpre ao disposto na Constituição Federal. ao reger-se por critérios de exclusão. com formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo e discriminações. entre descendentes de africanos. além de desempenharem com qualificação uma profissão. seus pensamentos. em que todos. no que diz respeito à educação. de condições para alcançar todos os requisitos tendo em vista a conclusão de cada um dos níveis de ensino.eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial . ou seja. valorização e afirmação de direitos. se os negros não atingem os mesmos patamares que os não negros. E isto requer mudança nos discursos. Políticas de reparações voltadas para a educação dos negros devem oferecer garantias a essa população de ingresso. de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática. mito este que difunde a crença de que. civis. que assinala o dever do Estado de garantir indistintamente. buscando-se especificamente desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira. romperão o sistema meritocrático que agrava desigualdades e gera injustiça. . materiais. em escolas devidamente instaladas e equipadas. Art. Cabe ao Estado promover e incentivar políticas de reparações. dificilmente. É necessário sublinhar que tais políticas têm. sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das relações entre diferentes grupos étnico-raciais. igualmente. Requer também que se conheça a sua história e cultura apresentadas. é por falta de competência ou de interesse. expressarem visões de mundo próprias. culturais e econômicos. Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade. bem como em virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população. de Reconhecimento e Valorização. descendentes de europeus. que alterou a Lei 9394/1996. passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10639/2003. individual e coletiva. no pós-abolição. como meta o direito dos negros. A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento.descendentes de africanos. políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista. orientados por professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos. e povos indígenas. lógicas. explicadas. a fim de superar a desigualdade étnico-racial presente na educação escolar brasileira. manifestarem com autonomia. de asiáticos. iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um. nos diferentes níveis de ensino. para todos. Sem a intervenção do Estado. de Ações Afirmativas A demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir os descendentes de africanos negros. Visa também a que tais medidas se concretizem em iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações. cursarem cada um dos níveis de ensino. posturas. de valorização do patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. bem como para atuar como cidadãos responsáveis e participantes. modo de tratar as pessoas negras. cultura e identidade dos descendentes de africanos. Estas condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade. desconsiderando as desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos para os negros. cidadão ou profissional. de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação de políticas. também. e as estatísticas o mostram sem deixar dúvidas. 205. assim como de todos cidadãos brasileiros. Reconhecimento implica justiça e iguais direitos sociais.

leia abaixo uma das questões dissertativas do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) realizado pelo MEC anualmente. comprometidos com a educação de negros e brancos. à sua descendência africana. menosprezados em virtude de seus antepassados terem sido explorados como escravos. bem como a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. ser sensível ao sofrimento causado por tantas formas de desqualificação: apelidos depreciativos. não sejam desencorajados de prosseguir estudos. bem como a Conferência Mundial de Combate ao Racismo. expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros. atualizados. próprios de uma sociedade hierárquica e desigual. sendo capazes de corrigir posturas. contem com instalações e equipamentos sólidos. Discriminação Racial. Reconhecer exige que os estabelecimentos de ensino. com professores competentes no domínio dos conteúdos de ensino. Implica criar condições para que os estudantes negros não sejam rejeitados em virtude da cor da sua pele. desde as formas individuais até as coletivas. Abaixo estão algumas questões importantes para que você responda e que estão esclarecidas nos trechos em destaque no texto acima reproduzido: 1) Quais populações são alvos da preocupação sobre a condição de exclusão ou tratamento preconceituoso? 2) Qual o argumento do documento sobre a ênfase nas políticas de reparação voltadas à comunidade de afrodescendentes pelo Estado brasileiro? 3) Em que âmbitos da vida social o tratamento desigual ao negros requer mudanças para obtermos justiça e direitos iguais? 4) Como o documento define “ações afirmativas”? Essas perguntas acima devem servir como forma de auxiliar na interpretação do texto em destaque. sua cultura e história. a textura de seus cabelos. Xenofobia e Discriminações Correlatas de 2001. . isto é. palavras e atitudes que. ridicularizando seus traços físicos. Políticas de reparações e de reconhecimento formarão programas de ações afirmativas. Para compreender a importância das discussões que envolvem as relações étnico-culturais atualmente. velada ou explicitamente violentas. divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra desencadeados pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade. piadas de mau gosto sugerindo incapacidade. freqüentados em sua maioria por população negra. fazendo pouco das religiões de raiz africana. orientadas para oferta de tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens e marginalização criadas e mantidas por estrutura social excludente e discriminatória. de estudar questões que dizem respeito à comunidade negra. brincadeiras. Nos trechos em itálico e sublinhado estão destacados alguns importantes princípios das políticas de ações afirmativas traçadas pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. atitudes e palavras que impliquem desrespeito e discriminação. Ações afirmativas atendem ao determinado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Reconhecer é também valorizar. tais como: a Convenção da UNESCO de 1960. no sentido de que venham a relacionar-se com respeito. e servem apenas como fixação de aprendizado.Reconhecer exige que se questionem relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos. conjuntos de ações políticas dirigidas à correção de desigualdades raciais e sociais. Significa buscar. compreender seus valores e lutas. direcionada ao combate ao racismo em todas as formas de ensino. com o objetivo de combate ao racismo e a discriminações. Reconhecer exige a valorização e respeito às pessoas negras.

” (Folha de S.0 pontos) Agora. chamado de “Padrão resposta”. num texto coerente e coeso. „É preciso fazer o debate. leia os dois textos a seguir. que nada mais é do que uma grade de correção para as questões dissertativas em que constam os pontos como deveriam ter sido abordados pelos estudantes para obter o valor considerado. mas que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso. frei David Raimundo dos Santos. .Paulo – Cotidiano.) Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.” (Agência Estado-Brasil.) O diretor executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). 30 jun. a essência de um dos argumentos a seguir contra o sistema de cotas. quando um grupo de intelectuais entregou ao Congresso Nacional um manifesto contrário à adoção de cotas raciais no Brasil.ENADE 2006 – Prova de FORMAÇÃO GERAL para todos os cursos (QUESTÃO 9 – DISCURSIVA): Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção de “sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional.. há também os que adotam a posição de que o critério para cotas nas Universidades Públicas não deva ser restritivo. As duas propostas estão prontas para serem votadas na Câmara. vamos analisar o quadro de correção elaborado para a prova. com adaptação. a) um argumento coerente utilizado por aqueles que o criticam. acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e defende a adoção do sistema de cotas. Yvonne Maggie. Texto I “Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem no Congresso um manifesto contra a votação dos projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros em Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial. (valor: 5.) Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas afirmativas.0 pontos) b) um argumento coerente utilizado por aqueles que o defendem. 2006. 2006. mas o movimento quer que os projetos sejam retirados da pauta. (. 03 jul. identifique... Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”. disse. Por isso ter vindo aqui já foi um avanço‟.) Texto II “Desde a última quinta-feira. PADRÃO DE RESPOSTA – ENADE 2006 QUESTÃO 9 Tema – Políticas Públicas / Políticas Afirmativas / Sistema de Cotas “raciais” a) O aluno deverá apresentar. (valor: 5. no atual debate social. (.. a polêmica foi reacesa.

perante a lei e em suas dimensões formais e materiais. . Sendo aprovado tal estatuto. visto que todos são iguais perante a lei. pode gerar ainda mais preconceito. . dando-se respaldo legal ao conceito de “raça”.Não se pode ocultar a diversidade e as especificidades sociopolíticas e culturais do povo brasileiro. Ao longo da História. Além disso. . e o que existe. . mas rediscute a distribuição dos bens escassos da nação até que a distribuição igualitária dos serviços públicos seja alcançada. somente. por exemplo. o País passará a definir os direitos das pessoas com base na tonalidade da pele e a História já condenou veementemente essas tentativas.Implantar uma classificação racial oficial dos cidadãos brasileiros. há dificuldade para definir quem é negro porque no País domina a miscigenação. a qualidade acadêmica pode ficar ameaçada por alunos despreparados.Diversos dispositivos dos projetos (Lei de cotas e Estatuto da Igualdade Racial) ferem o princípio constitucional da igualdade política e jurídica.0 pontos) b) O aluno deverá apresentar. É preciso. é preciso um fundamento razoável e um fim legítimo e não um fundamento que envolve a diferença baseada. . manteve-se a centralização política e a exclusão de grande parte da população brasileira na maioria dos direitos. no sentido proposto. A cota não tira direitos. estabelecer cotas raciais no serviço público e criar privilégios nas relações comerciais entre poder público e empresas privadas que utilizem cotas raciais na contratação de funcionários é um equívoco. é a raça humana. num texto coerente e coeso.. .O acesso à Universidade deve basear-se em um único critério: o de mérito.É preciso avaliar sobre que “igualdade” se está tratando quando se diz que ela está ameaçada com os projetos em questão. Há necessidade de diferenciar a igualdade formal ( do ordenamento jurídico e da estrutura estatal) da igualdade material (igualdade de fato na vida econômica).O sistema de cotas valorizaria excessivamente a raça. A autorização da inclusão de dados referentes ao quesito raça/cor em instrumentos de coleta de dados em fichas de instituições de ensino e nas de atendimento em hospitais. a principal luta é a de reivindicar propostas que incluam maiores investimentos na educação básica. .Políticas dirigidas a grupos “raciais” estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem produzir efeito contrário. favorecendo as faculdades da rede privada de ensino superior. na verdade. Nesse sentido. então. perpetuando-se o mando sobre uma enorme massa de população. (valor: 5. fazer uma reparação. O princípio da igualdade assume hoje um significado complexo que deve envolver o princípio da igualdade na lei.A adoção de identidades étnicas e culturais não deve ser imposta pelo Estado. . Para se tratar desigualmente os desiguais. Não sendo assim.O acesso à Universidade Pública que não esteja unicamente vinculado ao mérito acadêmico pode provocar a falência do ensino público e gratuito. a essência de um dos argumentos a seguir a favor do sistema de cotas. na cor da pele. é possível o acirramento da intolerância. .

é injusta e equivocada. MÓDULO 6 6 – A cultura na sociedade atual: nacionalidade. visto que a metodologia dos vestibulares acaba por beneficiar os alunos egressos das escolas particulares e dos cursinhos caros.A cultura na sociedade atual: nacionalidade.0 pontos) Exercício com resposta para fixação de conteúdo. in. .Na luta por ações afirmativas e pelo Estatuto da Igualdade Racial se defende muito mais do que o aumento de vagas para o trabalho e o ensino..pdf .A utilização das expressões “raça” e “racismo” pelos que defendem o sistema de cotas está relacionada ao entendimento informal. trata-se de um conceito político aplicado ao processo social construído sobre diferenças humanas. e os abusos ideológicos de povos dominantes que o utilizaram como justificativa histórica para subjugar e exterminar povos. inclusive.ufrgs. Bibliografia complementar: . cultura popular e erudita. L. pp. Alfredo. um construto em que grupos sociais se identificam e são identificados.As Universidades Públicas no Brasil sempre operaram num velado sistema de cotas para brancos afortunados. meios de comunicação.Não se pode negar a dimensão racial como uma categoria de análise das relações sociais brasileiras. SP: Brasiliense. 51-79.Pesquisas revelam que. cultura popular e erudita. não há diferenças de rendimento entre alunos cotistas e não-cotistas. para as Universidades que já adotaram o sistema de cotas. os números revelam. Cultura brasileira e culturas brasileiras http://www. .br/cdrom/bosi/bosi. pois: C ) não existe base científica que comprove a validade do uso do conceito de raça. Admitir as diferenças não significa utilizá-las para inferiorizar um povo. 1) O conceito de etnia veio a substituir o de raça. . trataram de bani-lo. . uma pessoa pertencente a um determinado grupo social. J. portanto.Dizer que é difícil definir quem é negro é uma hipocrisia.Sobre a cultura nacional: BOSI. . pois não faltam agentes sociais versados em identificar negros e discriminá-los. O QUE É CULTURA. defende-se um projeto político contra a opressão e a favor do respeito às diferenças. que no quesito freqüência os cotistas estão em vantagem (são mais assíduos). meios de comunicação – 2º bimestre 6 . BIBLIOGRAFIA BÁSICA: SANTOS. e nunca como purismo biológico. (valor: 5. A acusação de que a defesa do sistema de cotas promove a criação de grupos sociais estanques não procede. 2006 “A cultura em nossa sociedade”.

da cultura humana. mesmo quando passa por eventos semelhantes e utiliza as mesmas convenções sociais. sendo impossível separarmos a cultura de um povo de sua história. Entretanto. . ocorre também com relação à sociedade nacional. Como resultado das interferências pessoais em um dado conjunto de instituições. como estratégias locais de sobrevivência e reprodução. como resultante de um processo complexo de desenvolvimento que envolve conhecimento e condições técnicas-econômicas de implantação. simbólico. costumes. Em geral. facilmente consegue-se relacionar a nossa vida material como a tecnologia. por exemplo. na visão de mundo desse povo. Assim. dando como certo que se trata de algo que não procede de escolhas e muito menos de formas coletivas de vivência. percebemos que não é possível encontrar os mesmos resultados. O fato é que a história de qualquer grupo social interfere o tempo todo em seu presente. no primeiro exemplo. é um elemento agregador que promove a intermediação das relações entre os indivíduos. é o resultado das relações entre os indivíduos e seu grupo social. Mas quando observamos a passagem do tempo (= história) em dois grupos diferentes que utilizam o mesmo referencial cultural. regras. Assim como ocorre com os regionalismos. Portanto as culturas regionais e nacionais se referem sempre a experiências compartilhadas por uma população durante um período de tempo suficiente para deixar marcas nas relações sociais. estamos falando de um aspecto imaterial. podemos afirmar que estamos em um mesmo momento da história de nossa espécie. temos a existência de regiões geográficas que definem regiões culturais diferentes. É possível observar um grupo social a partir de sua perspectiva histórica. e como resultado percebemos que cada grupo é único. cada povo em seu local específico. valores morais ou formas de julgamento são o resultado de um processo histórico de nosso grupo social. Isso porque. em âmbitos que envolvem nossa evolução e nossa relação com o meio ambiente. Portanto. mas não se encontram desvinculadas da história da espécie humana como um todo. leis e tecnologia que formam uma totalidade social é que podemos perceber a CARACTERÍSTICA.DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO É muito comum que as pessoas em seu dia-a-dia não se deem conta que nossos hábitos. as pessoas tendem a naturalizar mais essa dimensão humana. No Brasil. As diferentes histórias de cada povo podem ser interpretadas antropologicamente. a cultura nesse caso. a ESPECIFICIDADE de uma cultura. Esta é a base do que denominamos CULTURA REGIONAL. Entretanto. ou cultura nacional. A experiência histórica em cada uma delas determinou características particulares dentro da grande totalidade que chamamos de “cultura brasileira”.

Devido à própria natureza da sociedade de classes em que vivemos. É que. Ao mesmo tempo em que cada um de nós é marcado pela história de nosso grupo social. Somos ao mesmo tempo resultados de uma HERANÇA cultural e produtores dessa herança para as próximas gerações. cultura erudita e cultura de massa. a partir de uma idéia de refinamento pessoal. expresso pela filosofia. esse conhecimento erudito se contrapunha ao conhecimento havido pela maior parte da população. capazes de criar grupos de pessoas que se identificam e mantêm características e hábitos próprios. tais com a universidade. da renda como determinante das posições na hierarquia social. ou recusando-os e enfraquecendo sua importância. e que aos poucos passou também a ser entendido como uma forma de cultura. advogados. e que por sua vez se associam a um conjunto de valores morais. superado. pela ciência e pelo saber produzido e controlado em instituições da sociedade nacional. ou de gosto. Esse aspecto das preocupações com a cultura nasce assim voltado para o conhecimento erudito ao qual só tinham acesso setores das classes dominantes desses países. as academias. utilizamos os conceitos de cultura popular. um conhecimento que supunha inferior. Nossas condições materiais de existência afetam nossas condições psíquicas e culturais. ou estéticos. a cultura popular. Entende-se por cultura popular as manifestações . buscando o que há de específico nelas.. sua dinâmica e principalmente. essas instituições estão fora do controle das classes dominadas. ao longo da história a cultura dominante desenvolveu um universo de legitimidade própria. notamos certos padrões de comportamento que se associam a padrões de consumo. cultura se transformou na descrição das formas de conhecimento dominantes nos Estados nacionais que se formavam na Europa a partir do fim da Idade Média. atrasado. Em nossa sociedade. procurando entender a sua lógica interna. As preocupações com cultura popular são tentativas de classificar as formas de pensamento e ação das populações mais pobres de uma sociedade. podemos então detalhar alguns aspectos importantes da vida cultural em nossa sociedade atualmente. Se partirmos dessa compreensão de cultura como resultado da vida sócio-histórica dos indivíduos que atuam em um grupo. José Luiz dos SANTOS explica: Comecemos por esta última indagação. (. Para facilitar a compreensão desse fenômeno. ou em outras palavras. também marcamos essa história. Assim. as ordens profissionais (de médicos. a qual é bem antiga na história das preocupações com cultura.) De fato.. existe a questão do pertencimento a classes sociais. com a possibilidade de reforçar certos comportamentos. as implicações políticas que possam ter. engenheiros e outras).Neste âmbito é que reside a questão da relação indivíduo-sociedade. e a única forma de consciência disso se expressa através da necessidade pessoal em defender e preservar certos traços de comportamento e recusar outros. Não nos damos conta disso em nosso cotidiano. Vamos ao texto indicado para leitura na bibliografia deste módulo para esclarecer essa classificação da cultura. e vice-versa. repetindo-os e mantendo-os atuantes.

Eles se apropriam dessa cultura através de contratos e divulgam todo tipo de produção cultural através do mercado para que as pessoas adquiram esse material.L. gravadoras. ou mesmo como estratégia de sobrevivência. pois são muitas pessoas. e psicológico. admiração e que lhes mostra a vida como um espetáculo. artesãos. Na massa. do convívio e da informalidade.54-55) A conclusão é que denominamos cultura erudita toda a produção material e imaterial resultante de conhecimento intelectual e técnicos especializados.culturais dessas classes. grupos de comunicação) que visa lucro com os produtos culturais. mesmo sendo suas contemporâneas. 2006. pp. Quer ter personalidade. Já a cultura popular é uma produção resultante de conhecimentos da tradição oral. que dependem de treinamento constante e dedicação – de tempo e de investimentos financeiros. A cultura de massa resulta do trabalho empresarial sobre produtos e artistas tanto da cultura erudita quanto da cultura popular. São artistas. é um fenômeno que depende da existência dos meios de comunicação de massa como o rádio. o indivíduo gosta de ser diferente. ou trabalhadores que dominam sua técnica de forma autodidata e reproduzem aprendizados que passam de geração a geração. Não há criadores espontâneos da cultura de massa. gosta porque esse consumo lhe dá status e uma boa visibilidade social. produtoras. Portanto podemos falar em uma cultura popular de massas. e uma cultura erudita de massas? Sim! Para exemplificar. mas não quer chamar a atenção. mas igual. e tem uma relação mais emocional que crítica em relação ao gosto. A massa é ao mesmo tempo um fenômeno quantitativo. E quanto à cultura de massa? Bem. Repete as opiniões alheias. O indivíduo que faz parte da massa responde de forma imatura ao que recebe. Gosta porque todos gostam. letrados. um palco e uma audiência que espera ser entretida por um apresentador que lhes proporciona carisma. Esse tipo de programa se baseia na antiga receita do circo. O treinamento normalmente é proporcionado com baixos investimentos. e assim o inclui em um movimento. que estão fora de suas instituições. porque o mesmo conteúdo atinge um imenso número de pessoas ao mesmo tempo. os livros que se tornam campeões de vendas. (Santos. a televisão. Já a maior parte dos programas televisivos de auditório. normalmente são um exemplo da cultura erudita de massas. pois não é capaz de ter opinião própria. Há empresários e técnicos. que existem independentemente delas. o cinema. São classificados como “de massa”. atrelados a uma empresa (editoras. exemplifica a cultura popular de massa. . porque está na moda. J. a imprensa. a Internet e assim por diante. manifestações diferentes da cultura dominante.

o exótico. cuja fama ou merecimento são passageiros e questionáveis. a cultura de massa substitui necessidades até mesmo de devoção religiosa. Há os que se referem a esse comportamento como “alienado”. a partir da seguinte proposta: . Para isso você deve fazer uma redação de no mínimo dez linhas e no máximo 30 linhas. Os indivíduos se sentem seguros ao reproduzir o gosto da indústria cultural de massa. Algumas escolas de estudo dos fenômenos sociais relacionadas aos meios de comunicação de massa conceituam diferentemente essa reação da população ao funcionamento da cultura de massa. que extrapolam os objetivos de mercado. da homogeneização. de diversão. Este é um exercício de redação temática e reflexiva. ou a massa é quem exige esse tipo de cultura? Uma pequena parcela de nossa sociedade tem acesso à cultura erudita. o gosto sempre vai reproduzir a adesão aos mesmos tipos de produtos culturais. A massa prefere o entretenimento. É um círculo vicioso: a indústria cultural é que modela o gosto da massa. Eles circulam em meios onde o interesse está para além da atenção da mídia e da carreira bem sucedida empresarialmente. E isso não é propriamente uma alienação. sem receber nada de realmente original ou que não seja meramente divertido. incentivando e valorizando o comportamento padronizado. o de difícil aceitação pela massa. Segundo essa escola.A cultura de massa é um importante fenômeno econômico. Já outros teóricos. Portanto você pode utilizar tanto os conceitos trabalhados neste módulo. Essa indústria se beneficia da padronização de gosto. cultural e psicológico de nossa sociedade atualmente. Esses tipos de cultura não pretendem se tornar produtos de sucesso. É uma referência de estilo de vida. Assim. sem considerarmos a influência e os propósitos da cultura de massa. defendem que a cultura de massa é o “espírito” de nosso tempo. E também a cultura popular depende do envolvimento e interesse populares. E assim. Quem é que não tem nostalgia de programas e até mesmo de propagandas de sua infância? Até mesmo nossa biografia e memória afetiva dependem da exposição aos produtos dessa indústria cultural. O objetivo é fazer um exercício de sensibilização da percepção sobre os fenômenos da cultura contemporânea. O espaço que a mídia dá ao padrão é infinitamente maior que o espaço dado ao diferente. e sim uma característica da cultura de nossa época. Agora idolatramos pessoas da mídia. sensibilidade ou percepção aguçada. não é possível compreendermos nossa relação com a cultura em nossa sociedade. todos somos alienados. pois perdemos a capacidade racional de crítica. que se dá através de escolas e universidades muito seletivas. como dos textos indicados ou de pesquisa pessoal sobre esse conteúdo. ao participar do consumo cultural de massa. e para isso os estimula. a diversão descomprometida ao envolvimento com produtos e gostos que exigem reflexão. de informação. Além de estar presente em todos os aspectos da nossa vida.

José Luiz dos. por exemplo. Disponível em <http://www. pg.o foco na questão abordada: está colocado de forma adequada.poder e cultura. pode ser entendida como uma forma de controle social.” (SANTOS.A cultura na sociedade atual. Exercício com resposta 1) Leia o trecho a seguir e escolha entre as alternativas aquela que corresponde ao pensamento expresso pelo autor: “Da mesma forma. que mantêm as desigualdades básicas da sociedade em benefício da minoria da população. 2004 . 10. mas não toda a população. O QUE É CULTURA. Peça a um colega ou um professor que leia seu texto e faça uma auto-avaliação onde você considere algumas habilidades que puderam ser trabalhadas. consegue abordar os aspectos mais relevantes? . MÓDULO 7 Conteúdo para a prova NP-2 – 2º bimestre 7 . A ampliação de seus domínios como. J. n.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132004000200004&lng=en&nrm=iso> .scielo. Faça uma reflexão onde você é capaz de expor ao leitor a influência da mídia e dos espetáculos de massa no comportamento dos indivíduos. pois uma minoria tem acesso ao conhecimento erudito. Rio de Janeiro. v.Sobre cultura e relações de poder no Brasil: . O QUE É CULTURA. 2. assistir a filmes de sucesso ou ler publicações como revistas de grande tiragem e circulação. através da expansão da rede de escolas e de atendimento médico.Observe a reação das pessoas em situação de exposição a produtos da indústria cultural. Pense em eventos para grandes multidões como espetáculos musicais ou esportivos. SP: Brasiliense. desenvolvimento e conclusões. 2006. Guillermo.br/scielo. 56) A) para o autor. como a cultura erudita é desde sempre associada com as classes dominantes. TAKS. a divisão entre cultura erudita e popular mostra uma relação de poder. Mana.o ritmo de seu texto: introdução ao tema. Bibliografia básica: “Cultura e relações de poder” in SANTOS. como ver vitrines da moda. poder e meio ambiente: FOLADORI. 80-86.Sobre o tema cultura. Javier. está sendo repetitivo ou não. Bibliografia complementar e endereços para pesquisas eletrônicas: .L. você está sendo objetivo. pp. Como sugestão: . Oct. sua expansão pode ser vista como uma expansão colonizadora. Um olhar antropológico sobre a questão ambiental.

e também em assunto institucional. empresas ou editoras que comercializam arte. Chamamos a isso de “democratização da cultura”. é necessário lembrar que a cultura está sujeita às disputas e conflitos que. e não uma minoria. Portanto. artigo publicado no Jornal da Embratel. Os indivíduos mais qualificados conseguem ocupar posições mais privilegiadas economicamente. Os poderes econômico e político têm um efeito direto sobre a cultura. da arte ao saber.br/urbanismo5/artigos/artigos_mr. a erradicação do analfabetismo é muito importante para toda a sociedade. Toda essa relação de poder foi colocada até agora.dentro de uma única sociedade que possui a mesma influência cultural. Por isso dizemos que saber é poder. costumes e saberes. dentro de uma sociedade leva diferentes grupos a ocuparem posições em uma hierarquia que os torna menos poderosos ou. Roberto. E entre diferentes culturas. a cultura popular deve ter incentivo para não depender apenas dos interesses empresariais que querem vender mais e acabam deixando de lado verdadeiros talentos. da diversão ao saber.ufsc. Disponível em <http://www. ou seja. sejam de acesso a uma maioria. podemos falar que independente de classes sociais e posições de poder. Assim. No processo histórico de formação da sociedade capitalista. A indústria. em uma sociedade de classes.pdf> Desenvolvimento do conteúdo Até aqui foi ressaltado o conceito de cultura como algo que identifica um povo. Você tem cultura. de todas as classes sociais. Rio de Janeiro. diversão e saberes. o comércio e a oferta de serviços se tornaram especialidades que dependem do domínio também da tecnologia. os recursos não são divididos de forma igualitária. os meios de comunicação de massa devem diversificar sua programação. alguns grupos possuem mais riqueza e por isso têm acesso a mais informação. Quando um Estado coloca em prática uma política de democratização cultural. como seus hábitos. na outra escala. aos bens culturais como um todo. Dessa perspectiva. com bastante poder. A cultura se transformou em assunto de mercado.arq. o domínio dos saberes técnicos especializados foi importante para criar noções como progresso e desenvolvimento. e interessa a todos. Alguns grupos pressionam o Estado para que os bens culturais. 1981. através de produtoras. existe uma intensa movimentação de interesses na forma como a cultura “circula” em nossa sociedade. sua missão deve ser a de dar apoio às várias formas de manifestação cultural: a cultura erudita deve chegar ao público que não tem dinheiro para pagar por ela. educação formal. como as escolas e órgãos públicos dedicados a ela. todos fazem parte de uma mesma totalidade. dando igual espaço a todas as manifestações culturais. Entretanto. é possível afirmar que as relações de poder interferem? Sim! . Ocorre que.daMATTA.

Algumas nações mais poderosas economicamente no cenário mundial garantem mais acesso a educação. temos que compreendê-la como um processo. E como vamos dar poder para isso que a gente mal sabe o que é? Mas. O QUE É CULTURA. A cultura seria um poder? Na verdade. Veja a seguir: Como o livro aborda o poder da cultura? O que eu tento apresentar no livro é que a idéia de cultura nasce a partir de relações de poder. É um livro sobre a função política da cultura. Quero dar uma perspectiva nova. Eu parto da definição de cultura da Unesco. Não existe cultura sem relação de poder.Da mesma forma como alguns grupos conseguem o domínio econômico dentro de uma sociedade. Cultura eu defino como um plasma invisível que a gente não consegue identificar. (SANTOS. Elas também influenciam mais as outras do que são por elas influenciadas. mas nas sociedades de classe seu controle e benefícios não pertencem a todos. às crenças. Para transformar o quê? . O assunto do livro está bastante relacionado com a nossa discussão. Para aprofundar um pouco mais esse assunto. na época do lançamento de seu livro “O Poder da Cultura”. Esse "para transformar" não está contemplado no conceito da Unesco. É por isso que as lutas pela universalização dos benefícios da cultura são ao mesmo tempo lutas contra as relações de dominação entre as sociedades contemporâneas. desigualdades no plano cultural. SP: Brasiliense. Eu faço uma análise da cultura a partir das dinâmicas socioculturais com esse filtro das relações de poder. eu falo do poder de quem faz cultura. O que nesse aspecto ocorre no interior das sociedades contemporâneas ocorre também na relação entre as sociedades. sem dúvida. seja um poder no sentido do cidadão. Isso se deve ao fato de que as relações entre os membros dessas sociedades são marcadas por desigualdades profundas. Sem querer contrapor essa definição. Os preconceitos culturais podem marcar uma sociedade que possui diferentes etnias e grupos com culturas muito próprias em seu interior. tento buscar mais do conceito. pela Editora Peirópolis. por isso têm acesso a uma parte “privilegiada” da cultura. apropriação. abaixo está reproduzido um trecho da entrevista com o autor Leonardo Brant. da capacidade de se manifestar. aos saberes de forma geral. José Luiz. E como conseqüência disso. como também a história das relações entre as diferentes nações em cada época. da cultura como o que você pode extrair desse modo de vida e dos valores para transformar. de tal modo que a apropriação dessa produção comum se faz em benefício dos interesses que dominam o processo social. São lutas pela transformação da cultura. é uma produção coletiva. Esse processo acompanha a história de uma nação. Há aí controle. e contra as desigualdades básicas das relações sociais no interior das sociedades. 2006: pgs. A diversidade cultural é acompanhada de diferenças de poder. como temos visto. a própria cultura acaba por apresentar poderosas marcas de desigualdade. e também à arte e diversão. entre diferentes sociedades essa mesma disputa ocorre. 84-86) Como a cultura é dinâmica. colocar suas pautas e desenvolver a sua ação política. que está relacionada aos modos de vida. quem faz cultura tem poder. aos valores. Vamos ler um trecho do autor indicado na bibliografia para concluir esse módulo: A cultura. Portanto podemos afirmar que há desigualdade cultural entre os povos atualmente. está em constante mudança. mas também pode marcar as relações entre povos que ocupam mais ou menos poder.

mas é a que temos. A nação brasileira sequer sabe o que é serviço cultural. seja da cultura popular. para o jornal Gazeta online. da arte contemporânea. dentro do ambiente em que vivemos . está muito subordinada a ditames de comportamento que foram dados e construídos por sistemas culturais preestabelecidos que muitas vezes a gente não se dá conta que existem. E aí eu falo de qualquer dinâmica cultural. saber a que veio. é correto afirmar que a cultura está influenciada pelas relações de poder econômico e político? . Apesar disso. nos dias de hoje a circulação da cultura está muito associada ao capital. de educação. qualquer tipo de expressão e processo que passe pela questão cultural. Para isso o Estado precisa fornecer esses tais serviços culturais. Faz parte do processo cultural tentar explicitar um pouco mais as relações de poder. A sociedade precisa incorporar esses processos. Não devemos abrir mão dele por uma coisa que não sabemos o que é. se identificar. Por isso “ter cultura” é algo que exige investimentos pessoais e sociais. Quando a gente construir dez anos de investimentos diretos e consolidados que sejam isentos. Sabe o que é serviço de saúde. o que você acha das leis de incentivo? Com certeza não é a melhor maneira de se realizar atividade cultural no país. embora muitas pessoas não queiram admitir . Nesse sentido de transformações. os artistas devem ter função social ou política? Mesmo sem se dar conta.com/_conteudo/2010/04/629540-entrevista+++leonardo+brant+++especialista+na+area+de+politicas+culturais. mas outra coisa é a dimensão cultural da economia. eles estão ali. Aí a gente começa a compreender o sistema financeiro e que tem uma relação de equilíbrio entre o lado cultural e o econômico. Se eu me transformar. Faz parte da estratégia dos sistemas de poder de informação não falar sobre os meandros de seu próprio sistema. A nossa sociedade do consumo. Como é esse acesso à cultura pela população? Existe o direito de conhecer as outras culturas.de um país capitalista. do espetáculo. Não temos direito ao conhecimento existente em espaços como uma biblioteca. mesmo que não se faça com uma intenção específica. Essas dimensões são convergentes. Isso acontece porque fomos alijados desse direito na formação do nosso Estado. do grupo social e da sociedade como um todo. autônomos. Então como se dá a transformação da cultura em produto? Eu considero essa dimensão econômica da cultura. Eles têm uma dimensão política que é intrínseca ao fazer cultural.html>) Concluindo. Exercício com resposta para o módulo 71) A cultura é o conjunto de idéias. e não seja algo atrelado a questões políticas e eleitorais. de tentar se reconhecer. Vai te transformar e auxiliar no embate cotidiano que o ser humano tem. que tem diversas nuances. (entrevista de Tatiana WUO. É um assunto polêmico. porque por enquanto é só um discurso. Nesse processo. texto disponível em <http://gazetaonline. aí teremos um sistema um pouco mais desenvolvido. mas acho que não devemos abrir mão da lei de incentivo em troca de um discurso de retomada do papel do Estado na cultura. existem os efeitos políticos. Mas o mais importante é se transformar. Assim como existe uma dimensão social e econômica no fazer cultural.globo. O grande desafio com política pública no Brasil é como universalizar esses serviços. tradições e costumes de um povo.importante. sim. saberes. na data de 25/04/2010. mesmo que você não queira olhar para eles. eu transformo meu entorno e eu transformo a sociedade. como se dão e como a nossa relação com esses sistemas de construção do imaginário acontece.A gente desde o começo apresenta a cultura do ponto de vista do indivíduo.

ANTROPOS E PSIQUE. acessado em 10/03/2009. pois na sociedade capitalista a cultura se transformou em bens comercializados. Olho D‟água. IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE. São Paulo: Contexto. 2009. Stuart. Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção em diversos cursos superiores e de pós-graduação: http://www. filosofia da cultura. São Paulo: Ed. e portanto uma minoria privilegiada economicamente tem acesso a mais bens culturais. K. 5ª. S (Org. 205-214. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO Segundo Stuart HALL MULTICULTURAL: características sociais e problemas de governabilidade apresentados por sociedades com diferentes comunidades culturais. MULTICULTURALISMO: estratégias e políticas usadas para governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade em sociedades multiculturais. Sugestão de sítios da Internet: “Tribos de Brasília” – blog editado por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília: http://bsbtribos. in GUERRIERO.c)Sim. e que de alguma forma fazem questão de manter hábitos próprios e suas tradições.com/2006/moda-e-tribos-urbanas/. Ed. “Moda e Tribos Urbanas” – blog editado por Queila Ferraz Monteiro. 2004. KEMP.blogspot. O outro e sua subjetividade.com/. Pp.fashionbubbles. in GOMES. Identidade cultural na atualidade: multiculturalismo e tribalismo urbano – 2º bim BIBLIOGRAFIA BÁSICA: “O futuro da antropologia”. MÓDULO 8 8. Antropologia – ciência do homem. 2003. .). BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: HALL. Então preste atenção: multicultural se refere a uma sociedade que é formada por muitas etnias (=culturas) diferentes. 7ª ed. Rio de Janeiro: DP&A. 21:00. acessado em 10/03/2009. 21:12. “Identidade cultural”.. Mércio Pereira.

a partir das garantias igualitárias.org. quase todos os países europeus. Quem é igual a quem em uma sociedade multicultural? Ou mais. longe de uniformizar o planeta (como propalado por certas interpretações fatalistas). e haver uma CULTURA NACIONAL que agrega a todos indistintamente. um país multicultural convive com setores que se diferenciam muito em sua forma de convivência. As sociedades multiculturais não eram comuns até a década de 80. programas de apoio aos grupos marginalizados. mas que sejam igualmente valorizados como parte de uma sociedade múltipla.que tomam os mais diversos setores da vida social. O multiculturalismo como expressão cultural da atualidade. Mulheres. disponível em: ttp://www.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index. e consequentemente de DIFERENÇA CULTURAL. e enfrentam muitos problemas políticos para que todos se sintam INCLUÍDOS. com a ajuda de novas tecnologias. demandas de serviços e políticas.Apesar de comporem uma mesma sociedade nacional. A cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social . (FONTE: Itaú Cultural. Muitos países no mundo de hoje são sociedades multiculturais. ações anti-racistas e antidiscriminatórias são experimentadas em toda a parte. não apenas com direitos iguais. formam sociedades MULTICULTURAIS. o direito à diferença. Enciclopédia Eletrônica. ou mesmo demanda de mercado.as "políticas compensatórias" ou as "ações afirmativas" . Atualmente. é uma forma de atitude política que se baseia no reforço das IDENTIDADES CULTURAIS: A globalização do capital e a circulação intensificada de informações. Portanto o debate do multiculturalismo nos leva aos conceitos de IDENTIDADE CULTURAL. que eram ocupados por uma sociedade etnicamente homogênea. trazem consigo a afirmação de identidades locais e regionais. homossexuais. quem quer ser igual a quem.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3186) Identidade versus Diferença – São conceitos inseparáveis e mutuamente determinados: não temos como perceber ou definir uma identidade cultural sem relacionar com alguma outra que é DIFERENTE dela. educação bilingüe. começam a conhecer a convivência com a participação em sua população.itaucultural. culturais e étnicas. populações latino-americanas ("hispanos" ou chicanos) e migrantes em geral se fazem presentes como atores políticos a partir da marcação de diferenças de gênero. Faziam parte da história de territórios colonizados. . Cotas paras minorias. quem quer ser diferente e mesmo assim tratado igualmente? O Brasil e os Estados Unidos são países que desde sua criação. de um numero cada vez maior de etnias. Isso os torna multiculturais também. no período colonial. negros (ou afro-americanos). assim como a formação de sujeitos políticos que reivindicam.

endoculturação. . saberes. A cada uma delas o sujeito avalia qual seu grau de envolvimento e como delas se aproxima. os indivíduos passam pelos processos de socialização. “Eu considero justo que as pessoas tomem ESTA tal atitude em tal situação?”. a “ter personalidade” (que no senso comum é um conceito difuso e polissêmico). pois entende que podemos “perder” nossa identidade). Ao entrar em contato com diferentes setores e ordens da sociedade. Somos o tempo todo “cobrados” a uma “opinião pessoal”. entrar em contato e experimentar a totalidade desse conjunto.Diferença. a um “estilo pessoal”. práticas sociais e agendas políticas. técnicas. onde os elementos de sua subjetividade vão se reorganizando em função de novas experiências. têm também direito a serem diferentes sempre que a igualdade colocar em risco suas identidades. Para constituir uma identidade. Qual seja: “As pessoas têm direito a serem iguais sempre que a diferença as tornar inferiores. como intersubjetivamente.” O conceito de identidade cultural permite compreender os processos através dos quais os indivíduos passam a tomar como “gosto” ou “preferência pessoal” um conjunto que expressa sua subjetividade e o coloca nas relações interpessoais de forma a sentir que pertence a um coletivo. contudo. A identidade cultural de um grupo se manifesta tanto externamente. vestuário e adornos corporais. “Eu me sinto bem ao pensar sobre esse assunto DESTA maneira?”. por exemplo. valores. “Eu percebo beleza NESTA forma de aparência social?” Tais questionamentos fazem parte da capacidade de REFLEXÃO que cada um de nós possui. a uma “atitude pessoal”. introjetam os valores. ou o direito à diferença: conjunto de princípios que organizam elementos culturais e princípios de valores de inclusão e exclusão. DESTA forma. cada indivíduo entra em um processo de identificação. pode conhecer. A diferença está no seguinte ponto. Boaventura de Souza Santos. rituais. Todos os conceitos trabalhados anteriormente nos outros módulos fazem parte dos processos de identificação. Somos cobrados a “ter identidade” (também uma outra noção do senso comum bastante confusa. capazes de informar o modo como indivíduos marginalizados são posicionados e construídos em teorias sociais dominantes. de qualquer cultura que seja. e que nas sociedades contemporâneas faz parte de uma exigência para nossos posicionamentos e atitudes. me dá prazer?”. Nenhum indivíduo. quando cada indivíduo entende como próprio de si mesmo um conjunto de hábitos e formas de sensibilidade que foram coletivamente constituídas. Perguntas como: “Fazer isso. através de práticas coletivas próprias. A cada cultura corresponde um imenso e vasto repertório de hábitos. um iminente sociólogo da atualidade tem uma frase que colabora de forma excepcional para a compreensão do debate sobre a identidade e o direito à diferença. recebem a visão de mundo de sua cultura.

uma opção. As identidades hegemônicas correspondem a modelos do padrão moral. . o preconceito.Bem. podemos encontrar um amplo espectro de grupos que se identificam de forma bem distinta. as relações entre os vários grupos com diferentes identidades e assim por diante). existem processos de constituição de grupos com identidades que de alguma forma negam ou entram em conflito com esse padrão hegemônico.contrastiva: para que se destaque de forma única. A referência da diferença é o que faz a identidade. Nas sociedades modernizadas atualmente. há como um “padrão” de comportamento social. O estereótipo se realiza quando a sociedade cria uma imagem mental (um imaginário) falso com idéias que reduzem a identidade cultural de um certo grupo a conteúdos que pretendem denegrir. Nesse caso. a identidade cultural de um ou outro grupo que crie uma identidade será aceita pela maioria que segue o modelo imposto. . Estamos falando sobre a forma como certos grupos exercem PODER sobre outros. nos fazendo mais próximos ou distantes de uma ou outra forma de identidade coletiva. Mas não é exatamente assim que acontece no cotidiano das pessoas. tratando os indivíduos participantes através de estratégias que geram exclusão social – o estereótipo. a sociedade tenta reprimir o processo de desenvolvimento dessas identidades. a subjetividade. o estigma. tanto através de mecanismos de socialização. Entretanto. ou seja.processual: faz parte de um sistema complexo (pois inclui a referência dada pelo grupo. dominantes em relação a muitas outras. É como . e contínuo ao longo da vida de cada indivíduo. podemos nos identificar mais. como através da punição moral e da vigilância através de normas e leis. Desta forma. cada grupo precisa se fazer contrastar dos demais. temos a oportunidade de obter informações ou participar de diferentes grupos que relacionam os elementos culturais de forma original e passam a construir uma “identidade própria”. Quando há uma severa desaprovação relacionada a certa identidade social. Ser estigmatizado em função de características de comportamento ou crenças é algo que podemos encontrar em referência a diversas identidades sociais ao longo da história. seus participantes passam a receber um tratamento social desigual cuja mensagem bastante clara é: “não aceitamos sua identidade”. em nossa trajetória pessoal e os contatos sociais que vão se sucedendo ao longo da vida. ou menos com cada tipo de comportamento. Essa identidade pode ser compreendida dentro dos seguintes processos: .relacional: é “em relação” ao outro que afirmamos nossa identidade. que são impostos a todos os indivíduos dessa dada sociedade. diminuir a importância desse tipo de comportamento. Para cada grupo social existem identidades que são hegemônicas. Nesse contato. o que faz com que pareça que identidade é sempre uma questão de escolha. e desde que as atitudes dos indivíduos se enquadrem dentro desse padrão aceito.

Não existe mais a noção de maioria ou minoria estatística. Um pré-conceito de fato. O preconceito é um julgamento estabelecido previamente a qualquer conhecimento aceitável. pois se organiza em torno de associações lógicas questionáveis e sem contato com a realidade sobre a qual pretende afirmar qualquer coisa. XX. ou de uma forma de orientação da sexualidade. mas possuem força moral sobre a maioria dos indivíduos do grupo. cujos traços característicos ou comportamento expresso não correspondiam ao modelo hegemônico. “os pobres são ladrões” são afirmações carregadas de preconceito. mesmo porque essa questão é muito relativa ao universo social ao qual esse ou aquele grupo pode estar relacionado. Os critérios que possibilitam criar essas idéias não possuem comprovação e não são demonstráveis. Também correspondia ao termo maioria. a maioria das pessoas correspondia às expectativas dos padrões morais que regem a conduta dentro de nossa sociedade. É um conceito sobre pessoas que é pré-estabelecido. psicológico ou moral dos “outros”. O termo “minorias sociais” surge a partir da década de 70 do séc. esclarecimento e receptividade da sociedade. estigma ou estereótipos. por conseguir impor através da hegemonia um modelo padrão de identificação. Essas associações fazem a ligação entre características físicas e conteúdo mental. ou de uma crença. “as louras são burras”. Um determinado grupo social passa a ser reconhecido como “minoria social” quando vem de alguma forma se expressar. Um dos traços marcantes da sociedade contemporânea tem sido exatamente esse. À posse do discurso sobre os direitos ou da ausência do reconhecimento social de direitos iguais. À minoria corresponderia então grupos estatisticamente inferiores. que foge dos padrões tradicionais e se organiza em torno de propostas de ação que gere impacto positivo. e que se organizam em torno de reivindicações de direitos sociais. e inferiores também em termos de poder ou alcance para fazer valer a legitimidade de sua identidade coletiva. Ele procurava designar a existência de grupos dentro da sociedade contemporânea. Afinal. É uma nova forma de atuação política. exigindo um tratamento que não gere exclusão social ou desigualdade de direitos aos cidadãos. . Num certo contexto a minoria é realmente menor estatisticamente em relação a certo universo de pessoas. “Os negros são inferiores”. “rotular alguém”. mas em outro contexto essa minoria pode representar até mesmo uma maioria estatística. Atualmente o conceito de minoria se refere a essa dimensão da posse do poder de controle sobre a moral da sociedade ou da ausência desse mesmo poder. cuja mobilização procura gerar um debate na sociedade em termos de direitos de igualdade e reverter situações de preconceito. Por que essa referência de dimensões? Minoria e maioria? Exatamente a o que elas se referem? Apenas ao número de pessoas? Entendia-se que estatisticamente. Uma minoria pode ser constituída por traços básicos de uma etnia. Setores da sociedade que possuem características marcantes o suficiente para que lhes seja atribuída uma identidade. quando as pessoas tomam contato com a realidade do outro há uma possibilidade de se abandonar preconceitos. São as chamadas “ações afirmativas”.comumente se diz.

é que atualmente os indivíduos procuram refletir sobre sua subjetividade e expressá-la de formas criativas e originais. . atividades de sociabilidade. não consegue compreender. “jipeiros”. eles provocam na sociedade uma reflexão sobre nossos padrões de conduta. “moto bikers”. Sem a pretensão de se tornarem dominadores. Eles querem exatamente mostrar essa diferença. São as chamadas “tribos urbanas”. Em grandes cidades do mundo todo. e fazem questão de serem reconhecidos por ela. Ao lado das chamadas minorias sociais.São chamadas minorias hoje. Com o crescimento do mercado capitalista de consumo. e não “disfarçar” para não serem notados. quem é “de fora”. “modernos primitivos” (que praticam muitos estilos de modificação corporal como tatuagens. “metaleiros”. implantes. “emos”. as vezes rejeitando os mecanismos que seduzem os indivíduos a participar dele. desde o final da II Guerra Mundial. grupos de orientação sexual não heterossexual (homossexuais. podemos testemunhar o fenômeno da formação desse tipo de constituição de uma coletividade. transgêneros. formando essas “tribos” são a expressão de novas formas de sensibilidade social. Normalmente. e utilizam um linguajar com gírias e termos que. Esses grupos se constituem em torno de estilos de vida. consumo. se reúnem em locais que acabam sendo reconhecidos como “seu território”. as vezes colaborando para aumentar seu repertório. é correto associar ao conceito de: c) Multiculturalismo. e compartilham diferentes modos de vida. principalmente grupos étnicos que em muitos lugares são oprimidos por sua condição de origem. Os indivíduos que fazem parte de uma “tribo urbana” não ocultam essa forma de gosto ou identidade. podemos encontrar grupos que se organizam em torno de propostas de lazer. para além do que o senso comum consegue compreender. arte e que em alguns casos. O que esse fenômeno social nos mostra. “skatistas”. Exercício com resposta para o item 81) Quando muitas culturas convivem dentro de uma mesma nação. Vamos citar alguns: “rappers”. escarificação entre outros). a atuação política se faz também presente. bissexuais). grupos de orientação religiosa não católica ou protestante. Os grupos que se organizam em torno de estilos de vida. surgiu uma forma de expressão de identidades que com ele dialoga. as pessoas que participam dessas tribos. experimentam novas formas de convívio social e colocam em jogo novos valores. “góticos”. piercings. valores e rituais que os diferenciam da sociedade em geral. o senso comum considera “exagero” e reprime ou procura desmoralizar através do estigma. Através da convivência nesses grupos. atividades lúdicas. construindo uma estética própria. travestis. Por isso utilizam um vestuário característico.

pp 29-49. PP. que seja imparcial. in GOMES. F. Sua principal preocupação é obter “informantes”. filosofia da cultura. Bibliografia complementar: Instituto Goiano de História e Antropologia. Nesse tipo de pesquisa. texto disponível em: http://www. que são pessoas que lhe facilitam o trânsito. Ele também não se limita a ser um observador. ele não chega com questionários prontos e não se preocupa com a quantidade de respostas obtidas para a mesma questão. PASSADOR. Desenvolvimento do conteúdo – item 8. in ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade. O campo da antropologia: constituição de uma ciência do homem.asp?id_secao=1731&id_unidade=1 LAPLANTINE. Ela veio a ser uma alternativa às chamadas “pesquisas de gabinete”. mas não tão distante como o do observador de laboratório. é tentar encontrar uma perspectiva de abordagem desse outro. São Paulo: Contexto.1 CONTEÚDO PARA A PROVA NP-2 – 2º bimestre 8.MÓDULO 8 – item 8. Mércio Pereira. que se caracteriza por manter o pesquisador distante da vida real dos indivíduos que pretende conhecer. mas passa a participar de algumas atividades com seus anfitriões. Ou seja. procurando se colocar sempre que possível no lugar do outro.ucg. “Os pais fundadores da etnografia – Boas e Malinowski”.Identidade cultural na atualidade: pesquisa antropológica. 53-67. os pressupostos sobre cultura e comportamento humano sofreram mudanças importantes. 2003. Ele se torna o que chamamos de “observador participante”. A partir do contato direto entre pesquisador e cultura pesquisada. Luiz Henrique. Pesquisa de Campo.75-92. Bibliografia básica: “Metodologia”. Pp. O principal. SP: Olho d´Água. os contatos e debatem com o pesquisador sobre suas dúvidas a respeito do que está sendo observado. Antropologia – ciência do homem. .br/ucg/institutos/igpa/site/home/secao. portanto.1 E sobre a pesquisa antropológica? Qual sua importância para essa temática das identidades contemporâneas? A pesquisa de campo reescreveu a história da antropologia. in Aprender Antropologia.1 . Brasiliense. o cientista passa um longo período de tempo convivendo na cultura que quer conhecer. 2009.

física e subjetivamente. o pesquisador se retira. mas também procura evitar o risco de se transformar no outro. ele deve procurar a elaboração de uma interpretação que possa garantir a imparcialidade. Podemos com isso refletir melhor sobre as relações com a diversidade.Ao observar. Ao mudar sua própria subjetividade. O que acontece é que. como em sociedades alheias. Não é mesmo? por isso esse tipo de pesquisa tem como objetivo “traduzir” diferentes comportamentos. consegue obter uma riqueza de detalhes sobre o modo de vida dos “outros” que é muito superior a outros métodos. . nutrição. dominam saberes. é necessária uma imparcialidade em seu discurso. farmácia. que literalmente significa o registro escrito da experiência étnica. administração. É o mesmo que “se colocar no lugar do outro”. publicidade. e há a procura de um meio termo. Mas consegue interpretar esse outro modo de vida dentro de sua própria razão e lógica. nem da do outro. enfim todo o universo de grupos que podem estar dentro de nossa própria sociedade. depois de preparado metodologicamente. entre outros já existe uma grande produção de pesquisas que recorrem ao método da antropologia para obter resultados qualitativos muito interessantes. e vice-versa. educação física. quando ele pode garantir que não estará sendo etnocêntrico. Muitas vezes. técnicas ou simplesmente mantêm hábitos. O antropólogo. Assim. nem de sua própria cultura. O resultado é que temos hoje uma grande produção de textos. que para cada tipo de profissional podem se transformar em dados importantes. que passaram a produzir pesquisas semelhantes. o conjunto de valores. alguns grupos ou culturas inteiras. não faz para os outros. teses e artigos que abordam ENCONTROS COM O OUTRO. Muitos campos de atuação profissional têm se beneficiado com pesquisas que exploram os saberes. sem distorcê-los. ou qualquer outro pesquisador que utilize essa técnica de pesquisa. e dentro da ética exigida. o pesquisador promove uma mudança interna de valores e permite que o outro seja interpretado dentro de seu próprio conjunto de conceitos. Os relatos produzidos pelos antropólogos em campo são chamados de “etnografias”. Nos campos da pedagogia. muitas vezes. dentro de sua própria visão de mundo. o que faz sentido para nós. Não está “em defesa” de ninguém. o pesquisador tem a oportunidade de utilizar o “olhar antropológico”. marketing. mas também participar. no qual o pesquisador consiga falar sobre o outro sem ser etnocêntrico. Após a permanência em campo. As técnicas de observação de campo da antropologia influenciaram muitos campos de estudo. teorias. Como cientista. mas com objetivos específicos de suas próprias áreas de atuação e saber. Esse distanciamento posterior é o período de reflexão sobre os dados obtidos.

mas interpretando esse outro de forma a respeitar sua própria lógica. Esse contato com a cultura estudada tem como objetivo: d) Compreender uma cultura alheia sem a necessidade de julgá-la.11) A pesquisa antropológica propõe que o observador-pesquisador participe de atividades rotineiras do grupo estudado. . e é denominada etnografia ou pesquisa de campo.Exercício resolvido para o item 8.

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