CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 1 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO - item 1 1.

A ORIGEM HUMANA Neste conteúdo são abordados temas e idéias como: - a teoria evolucionista e a explicação da biologia para a origem e evolução do ser humano; - a colaboração da teoria antropológica sobre a visão da biologia e do evolucionismo; a antropologia defende que a explicação puramente biológica é apenas uma parte de nossa complexa evolução – o papel do comportamento cultural também foi determinante para surgimento de nossa espécie como é hoje. - a antropologia afirma que é falsa a afirmação que o ser humano é determinado pelo clima ou pela herança genética; sim, as populações se adaptam a diferentes meio ambientes para sobreviver, mas não é o meio ambiente que determina nosso comportamento; sim, cada indivíduo é resultado de uma herança genética, o que não significa que é “escravo” dessa herança.

Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da humanidade. Ter costumes e hábitos aprendidos é um comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. O tema possibilita uma abordagem que ressalta a importância da compreensão do ser humano como um ser bio-psico-social, ou seja, somos seres cujo comportamento é determinado ao mesmo tempo: BIO - por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico que temos e como podemos utilizá-lo); PSICO - por nossas experiências pessoais racionais e afetivas de mundo e; SOCIAL - pelo meio social onde vivemos. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda se comunicar através desta ou daquela língua?

Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a História, tem explorado profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. Até o momento puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie, que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei da selva”. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber que alimentos são comestíveis e como devemos preparálos? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Essas questões devem ser respondidas ao longo desse tema. No séc. XIX Charles Darwin (biólogo), afirmou que todas as espécies vivas resultam de uma EVOLUÇÃO ao longo do tempo. Isso significa, que se retornássemos em nosso planeta há milhões de anos atrás não encontraríamos as espécies conforme as vemos hoje. Cada ser vivo, para chegar até hoje, passou por sucessivas e pequenas transformações que possibilitaram sua sobrevivência; esse processo de mudanças orgânicas ocorre por necessidade de ADAPTAÇÃO AO MEIO. Consideremos que as condições do meio como clima, quantidade na oferta de alimentos e todas as questões relacionadas às condições ambientais, estão em constante mudança. Pois bem, as formas de vida existentes precisam acompanhar essas mudanças, estando sujeitas – segundo Darwin – a dois destinos: a) podem se adaptar e ao longo de muitas gerações apresentarem mudanças visíveis; b) não conseguem se adaptar, entrando em extinção. Quais são as espécies que conseguem se adaptar? São as que possuem alguns indivíduos do grupo dotados de características tais que o permitem sobreviver e gerar uma prole (conjunto de filhos/as) que dá continuidade a essas características. Os outros indivíduos de sua mesma espécie que não possuam tais características, não conseguindo “lutar” pela sobrevivência, têm mais chances de morrer sem deixarem descendentes. Assim, após muitas gerações, temos uma espécie que já não se parece com seu primeiro exemplar. A possibilidade da geração de uma prole com características que permitam a adaptação ao meio é, para os evolucionistas, chamada de “seleção natural” – sobrevivem apenas aqueles indivíduos com traços que os permitam a sobrevivência. Ao lado da seleção natural, as mutações aleatórias também são responsáveis pelas modificações de um organismo ao longo do tempo.

Uma das dificuldades do senso-comum em aceitar as idéias evolucionistas, está no fato que não podemos “ver” a evolução acontecendo – apesar de ela estar sempre acontecendo -, isto é, não testemunhamos alterações expressivas, pois as mudanças são muito sutis e ao longo de períodos de tempo muito longos do ponto de vista do ser humano. As alterações podem ser consideradas em intervalos de tempo não inferiores a cem ou duzentos mil anos. Portanto, muito além de qualquer evento que possamos acompanhar. Mas podemos acompanhar sim a luta pela sobrevivência e a mudança de hábitos em muitas espécies, como os pombos que povoam as cidades, mas não estão tão concentrados demograficamente nos campos. Essa espécie encontrou um ambiente ótimo nas cidades construídas pelos seres humanos, aprendendo rapidamente como obter abrigo e alimento, com a vantagem de estar livre de predadores como nas florestas e campos. Faz parte de sua evolução esse novo ambiente. Assim entendemos que a evolução biológica de todas as espécies vivas não acontece sem influencia de muitos fatores, não acontece de forma “mágica” e independente do tipo de meio e hábitos que podemos observar. Hoje em dia o darwinismo está com uma nova roupagem e temos teorias como o pós-darwinismo ou neo-darwinismo, que são conseqüência do desenvolvimento de nossa tecnologia de pesquisa, e do próprio conhecimento cujas portas foram abertas por Charles Darwin para seus sucessores.

"O APARECIMENTO DO HOMO SAPIENS- uma espécie que trabalha" O homem descende do macaco. Essa foi a afirmação polêmica de Darwin na segunda metade do séc. XIX e que dividiu opiniões na sociedade moderna. Essa polêmica permanece até hoje, pois encontrou como opositor o ponto de vista de uma prática humana muito mais antiga que a teoria da evolução: a religião. Não conhecemos nenhuma crença, em nenhuma cultura que coincida e concorde totalmente com a afirmação de Darwin. Da perspectiva das crenças, a criação da vida é atribuída a um “ser criador”, a algo externo e superior a toda a vida existente. Ao conjunto de teorias e explicações que partem desse tipo de raciocínio, denominamos “criacionismo”. Pois bem, para pensar como Darwin e a maior parte dos cientistas até hoje, esqueça suas crenças. A ciência não reconhece como possível a existência de seres superiores que tenham dado origem à vida, e muito menos entende que o ser humano é uma espécie “privilegiada” ou “superior”, seja pela capacidade de raciocínio, seja pela capacidade de criar crenças.

Para os evolucionistas, todas as espécies vivas foram surgindo das transformações de outras já existentes, dando origem a novas espécies, enquanto outras se extinguiram. Os primeiros humanos, chamados cientificamente de hominídeos, surgiram das transformações de algumas famílias de símios que fazem parte dos chimpanzés. Nossa espécie surgiu devido a mudanças biológicas e ao surgimento da cultura. Que mudanças biológicas são essas que nos diferenciam dos símios? O aumento da caixa craniana que nos dotou de um volume cerebral muitas vezes maior que o de um macaco. A postura ereta, que possibilita utilizarmos apenas os membros inferiores para nos locomover. E o surgimento do polegar opositor, que possibilita a nossa espécie da capacidade do chamado “movimento de pinça”. É a partir dessas três características básicas que desenvolvemos inúmeras outras características fascinantes como a capacidade da fala ou ainda a de fabricar instrumentos para nossa sobrevivência. Mas essas características como inteligência, fala e indústria não teriam surgido em nossos ancestrais se não fosse a presença de um tipo de comportamento que ajudou a modelar o corpo de nossos ancestrais, que é o comportamento baseado na CULTURA. Ou seja, a necessidade de comunicação, cooperação e divisão de tarefas facilitou o desenvolvimento dessas características BIOLÓGICAS. · Características biológicas: forma, funcionamento e estrutura do corpo. É a nossa anatomia, características herdadas biologicamente e que não são resultado da nossa escolha pessoal. · Características culturais: todo comportamento que não é baseado nos instintos, mas nas regras de comportamento em grupo que nos permite transformar a natureza para a sobrevivência (trabalho), e nos permite atribuir significados e sentidos ao mundo através dos símbolos (a cor branco simboliza a paz, ou o tipo de vestimenta simboliza status). Durante muito tempo pensou-se que o ser humano já teria surgido plenamente dotado dessas características em conjunto. Hoje sabemos que nossa cultura foi determinante para modelar nossas características biológicas ao longo do tempo, e vice-versa. Nossos ancestrais foram lentamente se transformando em humanos, e essa espécie que somos agora, foi aos poucos sofrendo pequenas transformações que ao longo de milhões de anos nos diferenciaram totalmente de qualquer ancestral símio. No início da história humana, nossos ancestrais eram muito semelhantes a um macaco. Tinham mais pelos pelo corpo, o cérebro era menor e a mandíbula maior. A postura não era totalmente ereta, e as mãos não tinham muita habilidade, pois o polegar ficava mais próximo dos outros dedos. O tamanho do cérebro foi aumentando muito devagar, como também a postura ereta surgiu gradualmente, e igualmente o polegar opositor não surgiu repentinamente. A cada geração, mudanças muito sutis

pois possibilitou ou exigiu que nosso ancestral desenvolvesse comportamentos capazes de mudar nossa estrutura biológica. Sobreviveram lascando uma pedra na outra para conseguir objetos pontiagudos e cortantes que serviam como arma de caça. determinou COMO somos hoje. até que no chamado período “neolítico”. Durante muito tempo o domínio do fogo era um mistério. Nessa época não havia escrita. e não mais viver da caça/coleta que o tornava dependente dos recursos nos territórios habitados. houve uma revolução. independente do sucesso na caça e coleta. Ao fabricar os chamados instrumentos de “pedra lascada”. Eram organizados em bandos que praticavam caça e coleta. que é a mesma que nos permite falar. e os únicos vestígios de comunicação encontrados são as pinturas em cavernas (arte rupestre) e pequenas estatuetas representando figuras femininas. Eram mais uma espécie entre tantas outras.transformaram a espécie. A “revolução neolítica” foi um período marcante em nossa evolução. Dormiam em cavernas. são fruto de uma dura luta por parte de nossos ancestrais para sobreviver em condições pouco favoráveis e convivendo com espécies mais fortes e predadores mais bem preparados fisicamente para tal. Nossos ancestrais não tinham a mesma caixa craniana que temos hoje. Durante quase quatro milhões de anos sobreviveram dessa forma. ao invés de fabricar abrigos. que significa mudanças ao longo do tempo. É nesse momento que o ser humano começa a TRABALHAR. que permitiram o sedentarismo (começamos a construir abrigos e povoados ao invés de habitar em abrigos naturais). e mais que isso. e não viviam em cidades. e nesse período de tempo nossa forma física foi se alterando. portanto não comiam muitos alimentos cozidos. Isso permitiu à nossa espécie se fixar por períodos prolongados em determinados lugares. Essas mudanças por sua vez. mas resulta de um longo e lento processo de evolução. como raspador de alimentos ou qualquer utilidade para a vida humana. e o pouco que puderam fazer então determinou sua sobrevivência. formando aldeias e também colaborou para o crescimento demográfico. durante o qual o ser humano desenvolveu técnicas determinantes para a história de nossa espécie: a agricultura e a domesticação de animais. segue um padrão estabelecido em nossa evolução para obter resultados: . A introdução do trabalho como estratégia de sobrevivência. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. por isso dependiam de deslocamentos constantes em busca de alimento. e nesse processo a cultura teve um papel fundamental. A agricultura e a domesticação de animais significaram a garantia de alimentação dos grupos humanos. não tinham a postura totalmente ereta. É importante compreender que nossa espécie não é fruto de coisas inexplicáveis. Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. e não eram tão inteligentes.

ü e a especialização. cooperar e se especializar permite atingir objetivos com resultados mais efetivos e também possibilita um conjunto social com melhor qualidade de vida. o polegar opositor e a aquisição da fala. Até hoje utilizamos essas habilidades de trabalho em grupo para viabilizar nossa existência social. a capacidade craniana. o ser humano passa a viver em uma sociedade organizada. nenhuma dessas características nos valeria muita coisa se não tivéssemos desenvolvido um tipo de comportamento baseado em regras de convivência social. A partir da escrita e do surgimento das grandes civilizações da Antiguidade como Egito. Grécia e China. provavelmente. A comunicação também sofre uma revolução que foi o surgimento da ESCRITA. mais segurança com as casas fabricadas. conhecemos exatamente como a humanidade se desenvolveu. . Se não tivessem desenvolvido a capacidade de trabalho. divisão do trabalho e uma mente dotada de raciocínio lógico e abstrato ligado à criatividade e imaginação. Mais alimentos disponíveis. Tais condições permitiram aos nossos ancestrais uma organização social mais complexa baseada na SOCIEDADE. Não é possível produzir sozinho tudo que necessitamos em nossa vida. Mas para chegar até esse ponto. Foram nossas capacidades de ORGANIZAÇÃO e COMUNICAÇÃO que definiram tal resultado. Entretanto. maior permanência do grupo. baseado nos princípios acima. isso tudo levou a uma maior reprodução da espécie. ü a cooperação com o grupo. inaugurando o sedentarismo. nos libertando da “lei da selva”. afastando nossa espécie do comportamento instintivo e determinando essa longa e rica viagem chamada HUMANIDADE. nossos ancestrais não teriam tido sucesso em sua evolução. nossos ancestrais percorreram um longo caminho. divisão de grupos em parentesco. e nenhum de nós estaria aqui hoje. O conjunto de tudo que o grupo social produz torna viável uma existência cultural. compartilhando a condição se HUMANOS.ü a divisão de tarefas. Essas características são importantes uma vez que possibilita que cada um de nós realize apenas um tipo de tarefa. e para os quais foram determinantes: a postura ereta. Fixando-se em um lugar. O trabalho humano se fundamenta em características básicas como comunicação e cooperação. e não mais em bandos. A capacidade de dividir tarefas. Ele é o resultado de um processo muito longo no tempo.

segundo essa teoria todas as espécies vivas são fruto de uma longa e lenta evolução. Devemos então compreender que o processo da vida é evolutivo.: 1) A respeito do evolucionismo e dos resultados obtidos por suas pesquisas. 1º bimestre Conteúdo : Conteúdo de 1º bimestre (prova NP-1) DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO .O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano.1 O debate das determinações biológicas e geográficas no comportamento humano. Reconhecer as inconsistências das teses deterministas é um importante aprendizado para valorizar a vida cultural dos povos da humanidade.item 1. clima) onde ele se desenvolve. que denominamos de teorias deterministas.  “Como a Antropologia evidencia a importância da cultura na evolução da espécie humana – a visão do antropólogo Clifford GEERTZ. Título : 1. Além disso. Ou seja. A antropologia discorda dessas idéias. podemos afirmar que: c) A busca de restos humanos pré-históricos nos obrigou a considerar a evolução da espécie humana como outro animal qualquer. indicado na bilbiografia: .” Silas GUERRIERO afirma na pg.1 1. essas teses deterministas descartam a possibilidade do comportamento e valores de um povo ser proveniente de sua historia e das características humanas que giram em torno da experiência de mundo. não apenas o ser humano. e é importante para resolução dos exercícios que você perceba que esses conceitos podem ser observados em nossa vida cotidiana. são totalmente provenientes das características biológicas de um povo (sua carga genética) ou ainda totalmente provenientes do meio ambiente (ecossistema.Exercício resolvido para o item 1. por pretenderem que um povo é determinado por variáveis sobre as quais não há controle humano. 24 do texto “A origem do antropos”.1 . Neste item serão apresentadas todas as idéias acima. inacabado e sem um objetivo ou plano pré-definido. Já é antiga e muito conhecida a idéia segundo a qual as diferenças de comportamento humano de uma cultura para outra.

que são os genes que carregamos e podem ser determinantes nos resultados de nossa reprodução. que o ser humano não teve uma evolução puramente biológica para nos capacitar de inteligência e postura ereta. ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.” E Roque de Barros LARAIA. Entretanto somos portadores de genótipos. Em outras palavras. se o tivéssemos conseguido. na pg. Um indivíduo com o fenótipo “pele clara e olhos azuis” carrega genes com essa informação.“Como Geertz. essa evolução BIOLÓGICA não foi independente de sua “parceira”. 58 do texto “Idéia sobre a origem da cultura” no livro “CULTURA – UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO”: “A cultura desenvolveu-se. não estaríamos aqui contando essa história. mas também é portador de informações genéticas outras. que corresponde à aparência física. de Barros LARAIA discute se somos DETERMINADOS ou não pelo meio ambiente e pela herança genética : Da perspectiva biológica. mas o humano é também produto da cultura. não teríamos diferenças anatômicas tão marcantes frente a nossos parentes mais próximos. Vamos esclarecer alguns aspectos importantes.R. por isso mesmo. provavelmente não teríamos sobrevivido e. simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é. mas antes. o ser humano é uma única espécie. formando um fenótipo próprio. a CULTURA humana. cada indivíduo vai resultar de uma combinação genética de seus antepassados. . podemos afirmar que a cultura é produto do humano. . Esse movimento de populações resultou em aparências distintas para cada grupo populacional. Cada indivíduo possui um fenótipo. compreendida como uma das características da espécie. Não fosse essa extraordinária capacidade de articulação e fabricação de símbolos. Somos todos partes de uma mesma família que foi dividida ao longo do tempo por sucessivas migrações. pois.” A leitura desses textos desenvolve a compreensão predominante atualmente na Antropologia. Assim. popularmente conhecida como “raças humanas”.

que pretendia ser complementar ao anterior e preencher as lacunas explicativas. seja ele um esquimó. . Entretanto. Você mesmo deve estar se lembrando de muitos exemplos que condizem com esse esquema explicativo. É fácil encontrarmos pessoas que atribuem ao clima. à vegetação. também seria um fator DETERMINANTE para a cultura ali desenvolvida. debateram sobre essa questão. Trata-se do determinismo geográfico. um japonês e assim por diante são descendentes de grupos oriundos da África. populações de lugares com clima muito quente. um escocês. todos os indivíduos carregam genes desses primeiros agrupamentos humanos. esses determinismos ainda hoje permeiam a visão de mundo do senso comum. Sim. Mesmo tendo sido totalmente desacreditadas pela ciência. somou-se a esse equívoco científico um outro. Assim. aos animais circundantes. Multiplicavam-se os exemplos de comportamentos diferentes para pessoas da mesma “raça”. Bem. ? TODOS OS SERES HUMANOS EXISTENTES HOJE DESCENDEM DE UM ÚNICO GRUPO HUMANO ORIGINÁRIO DO CONTINENTE AFRICANO. um indiano. Acreditava-se que a cada raça correspondia uma cultura. é importante ressaltar que esse tipo de afirmação logo encontrou “furos”. Não há como refutar que qualquer indivíduo humano. Portanto. surgiram as teorias deterministas. Essa é uma afirmação resultante de um século e meio de pesquisas. mentalidade. pois nem sempre a totalidade dos herdeiros de genes “brancos” ou “negros” apresentavam comportamentos semelhantes entre si. Dessa perspectiva ultrapassada. explicariam costumes. e a ciência.Durante muito tempo a sociedade em geral. O determinismo biológico defendia que a herança genética seria a responsável pelo comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. um dinamarquês. é fundamental que você conheça os pressupostos com os quais a ciência humana contemporânea trabalha. e ao fenótipo de cada população a explicação sobre “porque essas pessoas desse lugar agem de tal forma”. somadas ao fator biológico. valores e tradições. apesar de terem fenótipos diferentes. cujo material arqueológico foi mais recentemente reforçado pelo conhecimento genético. que defendia que a ecologia (o meio ambiente) no qual essa ou aquela população se desenvolveu. ou muito frio teriam sofrido influências que.

que viveram praticamente isoladas umas das outras durante tempo suficiente para que fosse surgindo um tipo de “padrão” que chamamos etnia. NÃO EXISTE UMA DETERMINAÇÃO BIOLÓGICA / GEOGRÁFICA que sustente a explicação sobre a diversidade cultural. O que se aceita hoje é que esses são fatores importantes na relação do ser humano com o meio. seja para se relacionarem uns com os outros. nem ecologia são isolados ou em conjunto a única explicação para o comportamento diferenciado do ser humano dentro de cada cultura. há um LIMITE para tal influência. Mas. até que ponto a essa herança biológica e essa influência do meio têm relação com a diversidade cultural? Leia novamente a questão. como o basquete ou atletismo e que é popularmente divulgado. mas vou formular a seguinte questão sem qualquer preocupação científica ou política. A geografia desempenhou um importante papel para a diversidade de tipos humanos? Sem dúvida! Ao longo do processo evolutivo. Mas não são determinantes. Desculpe.Portanto. seja para sobreviver. e nem biologia. Vamos a exemplos? Tomemos o caso da “facilidade” de indivíduos afrodescendentes para o desempenho em alguns esportes. Não há dúvidas sobre a base biológica que fundamenta essa associação. que foi desenvolvendo aparências distintas como resposta adaptativa ao meio. De fato. Portanto. carregavam um conjunto genético que foi se estabilizando ao longo de séculos e séculos. O que o senso comum diria a esse respeito: “Um indivíduo descendente de brancos pode se desempenhar tão bem quanto um descendente de negros nesses esportes?” A resposta óbvia. os grupos que migravam para esse ou aquele lugar. A quantidade de melanina na pele e a dimensão do aparelho nasal foram sendo modelados para permitir nossa sobrevivência. Como a grande família humana foi seguindo rumos diferentes. e não apenas sobre seu legado biológico. mudanças importantes ocorreram para permitir a sobrevivência de nossa espécie em diferentes meios. somos uma mesma família. para a qual há inúmeros exemplos é: Sim! . Mas vamos refletir melhor sobre o comportamento humano. Isso foi criando fenótipos próprios a cada população humana.

. O que explica a diversidade cultural. estímulos e condições para chegar a objetivos. Basta que se dedique a aperfeiçoar o que deseja ser. Ele não necessita dos genes para ser isso ou aquilo. se você for analisar esse grupo e o grupo de origem. vamos considerar o que se segue. Vamos supor que você tome uma parcela da população norte-americana de hoje e os coloque para viver durante um longo período de tempo em um outro local. dessa experiência de vida que não se repete exatamente com os mesmos eventos.Entretanto. E a cultura é o resultado. mas acima de tudo está a determinação. Onde quer que se forme um grupo social. O que ocorre é que um indivíduo com facilidades genéticas chega ao mesmo resultado com mais facilidades. se não há determinismos? O ser humano é uma espécie moldável e criativa. precisa se dedicar mais para atingir igual resultado. com características ambientais muitos semelhantes às quais estão acostumados. e não fatores determinantes. Daqui a algumas gerações. Qualquer coletividade está sujeita a um destino próprio. poderá ver que existem características que os diferenciam. o resultado será sempre o mesmo: uma cultura própria. A diversidade cultural é inerente ao ser humano. os desejos e o investimento social que cada indivíduo pode dispor para desenvolver certas características de seu comportamento. das experiências coletivamente vividas. A genética e a geografia são elementos na relação do homem com o meio. Os genes podem ser facilitadores para certas coisas. Isso para qualquer coisa que você possa pensar. cada grupo vai construindo um conjunto absolutamente único que é sua cultura. a cada momento. O ser humano depende de desejos. das soluções criadas. Aquele que tem a genética “contra si”. Concorda? Um indivíduo descendente de brancos que se determine a ser “exemplar” no basquete ou no atletismo pode atingir esse objetivo perfeitamente. Portadores das marcas da história. Em cada grupo social. E assim se dá. as respostas às necessidades e a qualidade dos vínculos sociais resultam de uma história que é única àquele grupo. da mesma forma em todos os lugares. quanto mais o tempo passa.

in LAPLANTINE. Rossano Carvalho. . “Antecedentes históricos do conceito de cultura”.” Esse tipo de afirmação está corretamente associado com que se segue: A ) Determinismo biológico Título : 2. Roque de Barros. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www.org/portal/index. 19ª ed.Um Conceito Antropológico. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES.O surgimento da cultura na humanidade.O surgimento da cultura na humanidade. CULTURA . 17ª ed.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 . 2005. Textos complementares: “A pré-história da Antropologia”. 1º bimestre Conteúdo : CONTEÚDO DO 1º BIMESTRE (PROVA NP-1) Módulo 2 2. pp 30-52. F.O conceito de cultura através da História. pgs. APRENDER ANTROPOLOGIA.. Bibliografia Textos básicos: “Idéia sobre a origem da cultura” (item 2). e não em decorrência de uma educação diferenciada. “O século XVIII: a invenção do conceito de homem”. Antropologia.gpveritas.1: 1) “Um menino e uma menina agem diferentemente em função apenas de seus hormônios. 37-62. Rossano Carvalho.gpveritas. Roque de Barros. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. SP: Brasiliense. Sugestão de texto eletrônico disponível na Web: NUNES. in LARAIA.. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. 2007.org/portal/index. 2005. 2.1 .Exercício resolvido para o tema 1. Cultura. in LARAIA.1). “O desenvolvimento do conceito de cultura” (item 2. CULTURA .Um Conceito Antropológico.

sonhos e mensagens. como podemos relacionar a evolução de nossa espécie e a influencia da cultura no desenvolvimento geral da Humanidade? Somos seres culturais. e passou a depender da cultura? Ou ainda. modelou a evolução até mesmo biológica de nossa espécie. chorar ou sonhar varia imensamente. Compreender como isso se deu. e esse termo pode servir para diferenciar pessoas de acordo com seu status ou ainda para afirmar a superioridade de alguns povos sobre outros. com a visão científica que universaliza a condição cultural humana. e não simplesmente somos “jogados” nele. Nosso comportamento baseado em valores e tradições. é resultado de um modelo coletivo de pensar como devemos ser? Isto significa que aprendemos a estar no mundo. Poderá também identificar a importância da cultura como mediadora das relações humanas e nossa capacidade de comunicação através dos símbolos. são criados de acordo com uma mentalidade coletiva comum. Ao final deste tema.item 2 A antropologia propõe que a cultura é a base de nossa forma de encarar o mundo à nossa volta e dar formas e significados a ele. Esse “modelo” para nos comunicar e dar sentido ao que pensamos. até os símbolos que associamos a crenças. portanto todo o nosso comportamento depende de uma combinação complexa entre característica inatas (que fazem parte de nossa natureza. .Objetivos: O termo “cultura” não é utilizado apenas para descrever o conjunto de conhecimentos e tradições de um povo. você poderá confrontar as noções de cultura do senso-comum que remetem a hierarquias sociais de educação e formação de valores. Mas afinal. E em cada uma das culturas humanas. que chamamos de cultura. incluindo planos pessoais e organização de regras de convivência. Há inúmeras formas em seu uso. Portanto há questões éticas envolvidas com esse conceito. nossa carga genética) e meio social. Identificar a pesquisa antropológica como instrumento de aproximação entre diferentes universos culturais. modifica nossa ética de relação com o meio ambiente. em que momento de nossa evolução o ser humano passou a viver distante da natureza e dos instintos. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO . Desde a língua que falamos para nos comunicar. aquilo que nos faz rir. Vamos considerar que grande parte das coisas que realizamos em nosso dia-a-dia. é dado pela nossa cultura.

por que nosso cérebro se desenvolveu de forma a permitir esse tipo de inteligência que os humanos se gabam por ter exclusividade? Essa questão foi investigada largamente por especialistas tanto das áreas de conhecimento das ciências biológicas como das ciências humanas. de forma surpreendente. junto com outras ciências como a Arqueologia. . Nesse comportamento podemos citar: . e puderam concluir que nosso comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. como fala e fabricação de instrumentos. os indivíduos cujo cérebro não era . etc. essas características foram acentuadas.. ou saber quais alimentos são comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado. explorou profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo animal que nos cerca. a Paleontologia e a História. Mas. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie. . como capacidade de raciocínio e postura ereta. Eles acabaram por definir que não houve na evolução humana apenas um fator isolado que tenha. .tradições e hábitos comuns. . na “lei da selva”. Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos. nos dotado dessa inteligência. mais necessário à sobrevivência seria ter essas capacidades.Mas.ideias e crenças. como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano? Uma resposta bastante simplista. e ainda se comunicar através desta ou daquela língua? Pois a Antropologia. e que se encontra repetida muito comumente. Conforme o aumento gradativo do cérebro[1] permitia o desenvolvimento de habilidades mais complexas.desenvolvimento de linguagens para a comunicação. o comportamento de nossos ancestrais. Assim..desenvolvimento de tecnologia e de saberes. o ser humano nunca foi uma espécie apenas por suas habilidades orgânicas. Pelo contrario. Pelo contrário. pois nossos ancestrais se comportavam de forma cultural. quando o ser humano passou a se comportar de forma cultural? Segundo a antropologia. Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas. é aquela que afirma que somos capazes de desenvolver cultura.regras de comportamento em grupo. pois somos biologicamente dotados de inteligência. que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”. nossa evolução biológica teve influencia de muitos fatores. ou descobriu como fabricar o vidro? Enfim. entre eles.

Ao fabricar os chamados instrumentos de .. ou ainda. Nas palavras de Morin (1973. Portanto. Vera S. entrando em outra. mais do que isso: o ser cultural do homem deve ser entendido como biológico. "desaba o antigo paradigma que opunha natureza e cultura" (p.” (BUSSAB. não deixavam descendentes. Leia aos trechos abaixo. Um fator (biologia) ajudou a modelar o outro (cultura). a seleção natural começou a favorecer genes para o comportamento cultural..desenvolvido o suficiente para adquirir fala ou fabricar instrumentos. Dentro de um jogo complicado. a cada geração. e da inteligência. por outro. aumenta muito a importância da proximidade e das relações sociais por um lado.) A própria cultura é uma característica biológica Há. p. “Biologicamente Cultural”. pois tinham menores chances de sobrevivência. RIBEIRO. também aumenta a sua dependência da cultura para sobreviver. Desse modo. Escapa-se de uma armadilha. que podem ser encontrados no texto que está indicado na bibliografia complementar: “O modo de vida estritamente cultural impõe uma série de exigências para seu funcionamento. um cérebro mais complexo e seu uso para desenvolver habilidades sociais.pdf ) Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de instrumentos. R. (. Então. Assim. Entretanto. assim que nossos ancestrais desenvolveram uma dependência da cultura para sobreviver. Há mais do que um jogo de palavras na afirmação de que o homem é naturalmente cultural. Compreender o impacto da cultura na evolução humana tem sido um desafio constante. se diz atualmente entre muitos cientistas. Para começar. porém. Fernando L. pode-se pensar que a cultura. ou “culturalmente biológicos”. ainda não se foi muito adiante. isso é a “seleção natural” na teoria da evolução de Darwin.. submete. e vice-versa. Ao que tudo indica. mesmo várias décadas depois. Nenhuma espécie envereda por um caminho destes impunemente. texto disponível em: http://pet.92). ao aumentar as chances de sobrevivência do grupo. que somos “biologicamente culturais”.94). apesar da força do argumento.vet. Ao mesmo tempo em que liberta.. criatura e criador da cultura. O homem é a um só tempo.br/puc/vera%20bussab. "o que ocorreu no processo de hominização foi uma aptidão natural para a cultura e a aptidão cultural para desenvolver a natureza humana". eram fundamentais aos nossos ancestrais humanos. de que a chave para a compreensão da natureza humana está na cultura e a chave para a da cultura está na natureza humana.

“pedra lascada”. Leia o trecho que se encontra no livro de nossa bibliográfica básica para esclarecer melhor essa questão: A baleia não é só um mamífero de sangue quente. por alteração gradual de pai a filho. 21ª Ed. no mínimo. pois dota a humanidade de uma flexibilidade adaptativa a tantos ambientes. Cultura . Segundo uma grande quantidade de pesquisas arqueológicas. que a cultura é uma característica que torna a humanidade completamente diferente em seu curso evolutivo. o ser humano não possui capacidades anatômicas muito destacadas como velocidade.. que é a mesma que nos permite falar. ao utilizar os recursos da inteligência de forma cultural. olfato. 2007. Explicando. pois enquanto as outras espécies passam por modificações anatômicas ao longo do tempo para se adaptar a novas condições. superamos limites de nosso organismo. que é a cultura. Encontramos o paralelo e também o contraste na aquisição humana da mesma faculdade. visão ou mesmo força física. Muita coisa perdeu a espécie. nossos braços em nadadeiras e não adquirimos uma cauda. L certo que algumas de suas partes degeneraram. nosso ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro. pgs 40-41) Kroeber chama a cultura de “superorgânico”. as famílias humanas foram adquirindo características físicas diferentes em função tanto da necessidade de adaptação a novos meios. Foram-lhe precisas incontáveis gerações para chegar à sua condição atual. ao passo que a baleia original teve de transformar-se ela mesma em barco. Frente a outros animais. suas garras para segurar e dilacerar. inalterados com relação aos de nossos pais e dos mais remotos ancestrais. mas é reconhecida como o descendente remoto de animais terrestres carnívoros. e adquiriu nadadeiras e cauda. Esse grupo teria começado sua imigração para fora da África entre 65 e 50 mil anos atrás.. Em alguns milhões de anos . talvez. que defendem inclusive. que compensa a falta de expressividade de nosso organismo. que consiste na teoria científica mais aceita. inaugurado pelo americano Alfred KROEBER. mais. o Homem utiliza um “equipamento extra-orgânico”. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. seu pêlo original e as orelhas externas que. Roque de Barros. E isto quer dizer que preservamos intactos nossos corpos e faculdades de nascimento. Nesse longo caminho. nenhuma utilidade teriam na água. Existe toda uma corrente de pensadores na Antropologia. a origem dos primeiros humanos ocorreu no continente africano entre 200 e 100 mil anos atrás. esse animal perdeu suas pernas para correr. como pela combinação da carga genética de cada grupo. (LARAIA. uma camada de banha e a faculdade de reter a respiração. Mas houve um novo poder que ela adquiriu: o de percorrer indefinidamente o oceano. Construímos um barco. Nem precisamos absolutamente entrar na água para navegar. Nós os fazemos e utilizamos. Os nossos meios de navegação marítima são exteriores ao nosso equipamento natural. povoando os outros continentes. um corpo cilíndrico. . Não transformamos. Entretanto.Um Conceito Antropológico. em conjunto do que ganhou.

a notícia de que algum individuo tenha burlado essa regra. Lévi-Strauss afirma que o fato de possuir cultura. O horror moral que provoca em qualquer ser humano. Ou seja. É um marco simbólico. ou memória. em qualquer sociedade evita e pune essa prática. Ou seja. dota a espécie humana de uma característica fenomenal. não há sustentação na afirmação simplista de que tenha sido apenas pela observação de problemas genéticos resultantes dessas relações que o ser humano tenha instituído essa regra. Mas uma forma muito importante de explicar nossa espécie. trata-se de uma das únicas regras que tem validade universal em nossa espécie. uma tem importância especial. Assim. e sim. ela tem uma importância especial.Portanto. Ele afirma inclusive. para ele. não é mais importante que o debate sobre nossa condição de existência. o foco dessa questão sobre a origem da cultura está em conseguir perceber a importância do impacto do comportamento orientado por valores e regras. podemos pensar que de fato. que é a de ter nos distanciado dos instintos. inaugura-se a cultura. Para um grupo iniciado pelo francês Claude Lévi-Strauss. Esse momento teria sido a instituição da regra. que proíbe as relações incestuosas. É uma regra de ordem moral. Segundo Lévi-Strauss. que entre todas as atitudes humanas que nos caracteriza como uma espécie cultural. para Lévi-Strauss. Sua importância. supera em qualquer condição o horror a uma prole com problemas genéticos. a origem da cultura humana coincide com a origem de toda nossa espécie. muito mais do que de efeito prático. que é universal ao ser humano. por marcar em nossa evolução. dos instintos. Já outros antropólogos. Ou seja. como agimos o tempo todo pautados em uma moral. muito mais do que as considerações sobre nosso equipamento biológico. uma ética de mundo que nos dá consciência. Ela sempre existiu. A partir do momento em que nossos ancestrais formularam essa regra. Então. não depende de época ou cultura. compreendem que esse debate sobre a evolução de nossa espécie. está no fato de ter retirado definitivamente o ser humano da esfera da natureza. e ter atitudes inteligentes. . ou tios e sobrinhos. é importante perceber como a cultura nos moldou como seres que agem não apenas preocupados com realizações praticas de sobrevivência. entenda. Concorda? Pois bem. relações sexuais entre indivíduos relacionados por vínculos familiares muito diretos. como pais e filhos. Todo se humano. Outros animais podem fabricar coisas. e faz parte de nossa forma de sobrevivência. o momento em que o ancestral humano deixou de agir como animal e passou a agir como Homem.

SAIBA MAIS “Origem da cultura – a ética da relação ser humano / natureza” Apesar de você não encontrar referência a isso na bibliografia indicada. e todos os indivíduos de sua mesma espécie. e pode ser interpretada como segue. esgotar. se sente também no direito de se apoderar. por ter um cérebro que permite controlar o ambiente e os recursos de nossa sobrevivência. O ser humano tem uma tendência a compreender que sua própria espécie é superior a todas as outras. É também do modelo para realizar esse “progresso”. não apenas o produtor de cultura. O desequilíbrio provocado pelo Homem em seu meio não é consequência apenas da necessidade de avanço industrial e urbano. e subjuga à extinção uma grande quantidade de outras espécies. são “domesticados”. a consequência disso tem sido uma prepotência humana em relação à natureza circundante. Você pode ler mais sobre isso no livro: GUERRIERO Silas (org). o produto da cultura” (LARAIA.Mas é muito mais difícil um animal. SP: Olho d´Água. 57). o ser humano que se sente superior. não se pode garantir que seu instinto não venha a aflorar em certas situações. Mas já não fazem parte da natureza. É isso mesmo. conseguindo agir de forma a negá-lo. Ele afirma que “isso é de importância fundamental para o nosso ponto de vista sobre a natureza do homem que se torna. Procure o capítulo intitulado “As origens do antropos”. Os animais domesticados quase sempre o conseguem. como a exposição a alimentos. vale dizer. num sentido especificamente biológico. é importante ressaltar qual a importância dessa temática sobre a evolução humana e o desenvolvimento de nossa inteligência que nos permite viver em cultura. seu comportamento passa a ser orientado por outras regras que não o instinto. tem sido um meio ambiente que ameaça os destinos de nossa própria espécie. situações de agressividade contra os próprios donos e assim por diante. “Antropos e Psique – o Outro e sua subjetividade”. Cultura.B. controlarem um instinto. Exercício 1) O antropólogo americano Clifford GEERTZ. Como o nome diz. RJ: Jorge Zahar. Essa afirmação faz parte do debate sobre a evolução biológica humana e o surgimento da cultura. E. aos mesmo tempo. afirma que o crescimento cortical humano (o córtex cerebral) foi posterior e não anterior ao surgimento da cultura. mesmo assim. 2005. manipular a natureza. Mas também. Assinale a alternativa correta: e) Propõe pensarmos a evolução biológica humana como um processo simultâneo ao desenvolvimento das habilidades culturais. R. que sofre de uma ausência de ética no relacionamento com as outras espécies vivas. bem conhecido de todos. Infelizmente. 2005 pg. assim. destruir. . O resultado.

Precisamos começar a diferenciar quais são utilizações do chamado senso-comum e. Normalmente as pessoas utilizam essa palavra em frases como: ”O brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. “A cultura oriental é muito antiga”. percepção e pensamento. sendo rico em neurônios e o local do processamento neuronal mais sofisticado e distinto. De acordo com o uso popular. Veja a definição da Wikipedia (http://pt. percebemos que existe uma concepção segundo qual cultura é uma questão de status e está muito relacionada com a aquisição de conhecimento letrado[1]. da razão. percepção. No Homem. atenção. Então ele é um conceito científico certo? É isso mesmo. vamos começar tomando exemplos de como podemos encontrar o uso da palavra cultura em situações cotidianas.1 . É constituído por cerca de 20 bilhões de neurônios. respondendo com uma ação. . foi servindo de estimulo ao desenvolvimento cortical. “A cultura desse lugar é muito atrasada”. por outro lado. se não houvesse córtex não haveria: linguagem. Em animais com capacidade cerebral mais desenvolvida.“O conceito de cultura através da história” A antropologia social tem como conceito central o conceito de CULTURA. linguagem. Na frase “fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. O córtex é o local de representações simbólicas. memória. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 2. que parecem organizados em agrupamentos chamados microcolunas. Para refletir sobre a complexidade desse conceito. “Fulano é uma pessoa que tem muita cultura”. É formado por massa cinzenta e é responsável pela realização dos movimentos no corpo humano. o sentido atribuído a esse conceito é que se trata de uma coisa possível de ser acumulada e que distingue um indivíduo dos demais. por sua vez. consciência. É a sede do entendimento. minimizando a necessidade de aumento de volume. cognição. o córtex forma sulcos para aumentar a área de processamento neuronal. O termo cultura existia muito antes da Antropologia e outras ciências humanas passarem a utilizá-lo para fazer referencia ao conjunto de hábitos que torna uma sociedade algo totalmente única e particular. com uma área de 0. como a ciência antropológica compreende e define cultura.wikipedia.[1] O aumento do cérebro permitiu o desenvolvimento do CÓRTEX CEREBRAL. o desenvolvimento do córtex permitiu o desenvolver da cultura que. o que ele recebe é processado e integrado. O córtex humano tem 2-4mm de espessura. Mas não é essa a origem da palavra. Nesses exemplos já é possível percebermos a complexidade e a multiplicidade do uso que fazemos desse conceito. emoção.org/wiki/C%C3%B3rtex_cerebral ): O córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro dos vertebrados.22m2 (se fosse disposto num plano) e desempenha um papel central em funções complexas do cérebro como na memória.

Vamos a outro de nossos exemplos. que vão das mais “atrasadas” às mais “avançadas”. mas é importante. surge a noção que cultura é algo que se acumula e se mantém (ou se perde) ao longo do tempo. há a preocupação em situar o conjunto da produção cultural e da história de nosso país.A sociedade em geral pensa cultura como relacionada ao acesso a estudos clássicos e letrados. e somos capazes de perceber que de uma sociedade para outra mudam regras. consiga perceber que o uso popular tem formas de julgar pessoas e povos através de sua cultura. pois são mantidas ao longo do tempo. Normalmente as pessoas se referem ao comportamento coletivo. técnicas e todo o conjunto de valores de um povo. Nesse caso. culinária e assim por diante. ETIMOLOGIA DA PALAVRA CULTURA[2] * Até o séc. ou até mesmo usar preconceitos contra outros. autoridades em cada assunto. já outros elementos se transformam. costumes. folclore. XVIII. que nesse caso. Assim podemos ver que os limites políticos e geográficos que são as nações. existe uma nítida noção popular segundo a qual deve existir uma hierarquia entre as diferentes culturas. sem a lógica do julgamento. na frase “a cultura oriental é muito antiga”. O conhecimento letrado é aquele que não faz parte da “escola da vida”. podem compreender também culturas próprias. Nesse caso. ou pela chamada “educação do povo”. Na frase “a cultura desse lugar é muito atrasada”. nada mais significa que o acesso a informações e à cultura letrada. Finalmente. seja em seu desenvolvimento tecnológico. Já o uso do conceito de cultura pela Antropologia. saberes. arte. valores. religião. É o que você poderá perceber com o texto que segue e utilizando a bibliografia indicada. a palavra cultura existia APENAS com o registro de “agricultura”. tem como idéia central fazer referencia a hábitos. dando a idéia de passagem do tempo. que você como estudante dessa disciplina. autores. É importante ressaltar que não há maneira mais correta ou incorreta de pensar cultura nos exemplos apontados. Comparam-se assim as chamadas “culturas nacionais”. mas que se acumula no conhecimento transmitido por livros. Já numa outra situação como na frase ”o brasileiro precisa valorizar mais sua própria cultura”. Elas querem expressar a existência de culturas que desenvolvem meios para que as necessidades sociais sejam mais bem solucionadas. cultura se torna um conceito que permite fazer discriminações. há a preocupação em pensar cultura como um conjunto de coisas (denominados “elementos da cultura”) que podem se transformar tradições. à qualidade da vida social. Para compreender essa multiplicidade de usos do conceito de cultura. é importante resgatar o processo histórico que transformou seu uso. .

o contato com outros povos prepara o momento seguinte. preocupados em diferenciar pessoas/povos que cultivam a educação refinada (burguesa) * Nos sécs. . aperfeiçoar. Como se deu essa mudança? * Revoluções anteriores – séculos XV. * O contato com povos de outros continentes fora da Europa. COMO A PARTIR DO SÉC. Após isso. consumir.* Em sua origem. o conceito de cultura demonstra já uma relação entre HABILIDADES HUMANAS e o domínio da natureza circundante. os países como conhecemos hoje. pois a classe dominante precisava algum apoio ideológico para convencer diferentes povos que a partir de então eles fariam parte de uma mesma “nação”. Além de agricultura. causou espanto e dividiu as reações da população européia [3]. o “mundo conhecido” pelos povos da Europa se resumia ao Norte da África. na FRANÇA E ALEMANHA surgem duas diferentes definições de cultura (séculos XVIII e XIX) * ALEMANHA – (cultura = “kultur”). O contato com os povos nativos de outros continentes. * A mentalidade européia passa por um impacto de profundas alterações econômicas e sociais (os lucros com as Colônias. XVI e XVII: * RENASCIMENTO * GRANDES NAVEGAÇÕES E A ENTRADA DO “NOVO MUNDO” NO MAPA MUNDI. e que habitam a África. educação. quando o conceito de cultura começa a ser associado a comportamento coletivo de um povo. Isso tudo aplicado ao UNIVERSO humano das coisas e idéias que nos cercam. Veja abaixo. nesse registro demonstrariam nossa capacidade de manipular. utilizar. China e Índia. * Nesse contexto. costumes e tradições. o contato com outros povos). com um modo de vida totalmente desconhecido para eles. Oriente Médio. “aborígenes”. Agricultura é uma habilidade em observar o desenvolvimento das espécies vegetais e aperfeiçoar as condições para o bom desenvolvimento e o cultivo em larga escala. Era necessária a discussão sobre cultura. a palavra cultura adquire uma MULTIPLICIDADE de sentidos. * Os diversos comportamentos culturais humanos. chamados de “índios”. idéia de que um povo cultiva suas tradições * FRANÇA – (cultura = “civilization”). XVIII e XIX estavam em processo de criação os Estados nacionais. hoje ela é associada a conhecimento. * LEMBRE-SE: até o momento das Grandes Navegações. “primitivos”. XVIII A DEFINIÇÃO DA PALAVRA CULTURA SOFRE UMA GRANDE TRANSFORMAÇÃO A partir desse momento histórico. as Américas e a Austrália traz inquietação aos europeus.

têm em comum a tentativa de explicar a diversidade de povos e culturas. 4 do livro Cultura – um conceito antropológico). em oposição ao tipo de pensamento que surge no sec. XIX sofre um profundo impacto da teoria evolucionista de Charles Darwin. “estágios evolutivos para a cultura humana”. foi criado o chamado EVOLUCIONISMO SOCIAL. Esse tipo de pensamento se encontra em quase todos os pensadores de então. assim. cujo exemplo máximo de evolução seria aquela praticada pelos povos europeus. sendo associada TAMBÉM à idéia de COMO UM POVO CULTIVA SEU COMPORTAMENTO COLETIVO. as crenças. e as que surgem após Tylor. e influenciou profundamente cientistas sociais. você pode perceber isso? Continuando. Os primeiros registros do uso científico do conceito de cultura surgem na segunda metade do séc. os costumes e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade". a arte. Todas as definições que antecedem e foram trabalhadas por filósofos dos séculos XVII e XVIII. da mesma forma que existem os estágios evolutivos para cada espécie. ela foi tão importante e revolucionaria que acabou criando o que chamamos nas ciências de PARADIGMA. representavam estágios mais atrasados e pouco importantes em relação aos povos europeus. está bem próximo da forma como na França se desenvolveu esse conceito. . Perceba então que na época não se pensava no plural: “culturas humanas”. a moral. no singular mesmo! Pois havia na época a convicção de que haveria uma única forma de cultura humana. Trata-se de uma teoria que defende existirem ESTÁGIOS EVOLUTIVOS para a cultura humana. com a idéia de evolução multilinear (localize essas idéias no cap. a lei. Vale lembrar que o registro que o senso-comum tem hoje da palavra cultura. XIX (1871). que passa a ser utilizada para além de seu campo original. ou ainda “darwinismo social”. dominamos e orientamos a conduta e o cultivo das relações sociais (registro alemão da palavra). pessoas “civilizadas” e “cultas” e pessoas “atrasadas” e “incultas” (registro francês da palavra).* Perceba como é nesse momento que a palavra cultura amplia seu significado. O autor é Edward TYLOR que definiu cultura como "um conjunto complexo que inclui os conhecimentos. * Também é nesse momento que a palavra cultura passa a ser associada com DISTINÇÃO SOCIAL. Então muitos pensadores utilizam aquela idéia como fonte explicativa para suas próprias questões. No que diz respeito ao conceito de cultura. O séc. Como observamos. Um paradigma é uma teoria que adquire tamanha força explicativa. Quanto aos outros povos. É o que chamamos de evolução unilinear. XX. historiadores e até filósofos daquele século. Apesar de sua teoria ser relativa única e exclusivamente à biologia. Pois o evolucionismo se transformou em paradigma. Atenção a um detalhe importante: repetindo.

por exemplo. Por fim. soluções de toda ordem. Ao associar cultura e genética. menor a sua evolução cultural. não fabricavam metais. como os ingleses. Surgiram termos para marcar pontos nessa linha evolutiva como: selvagens. A principal reação ao evolucionismo tem início com o pensamento de Franz BOAS. que ficou bastante conhecida como Escola Cultural Americana. ciência. Eles eram chamados de bárbaros. que enxergava como uma única linha dentro da qual poderiam ser encaixados em diferentes estágios evolutivos a cultura de cada povo. que possuíam sofisticada tecnologia (lembra-se que Marco Polo trouxe a pólvora da China?). Durante todo o século XX o evolucionismo continuou sendo combatido. mercado.. e eram chamados de selvagens. Os povos indígenas brasileiros. e acabam adquirindo status de verdade. suas ex-colônias. Estado. Isso gera a idéia de múltiplas linhas de culturas (veja que agora aparece o plural). franceses ou alemães entre outros. Neles parecem residir “chaves” e segredos incríveis. um pensador americano de origem alemã. Acredita-se. Entendia-se que quanto maior o acúmulo de semelhanças com todos esses quesitos. metalurgia.Evolução unilinear seria exatamente essa idéia de estágios evolutivos para a cultura humana. árabes e hindus. não apenas utilizam esse pensamento evolucionista para tratar de forma pejorativa outros povos. mas tinham uma “grave” falha: não desenvolveram a ciência. inferiorizando-os. não produziam além do necessário para a subsistência. tecnologia. que não possuíam escrita. dentro dessa concepção de uma linha única e imaginaria de desenvolvimento dos povos? Os critérios eram basicamente a presença ou ausência de quesitos como: escrita. seriam colocados nas etapas mais primitivas dessa linha imaginaria. inclusive. como a conhecemos em sua herança européia[4]. Muitas pessoas até hoje. pois os genes acabaram se tornando mitos no mundo moderno. que curiosamente estavam presentes apenas em algumas sociedades européias e que são as criadoras dessa teoria. Ele funda uma corrente de pensamento denominada PARTICULARISMO HISTÓRICO. aquele pensamento tão antigo e equivocado permanece incrivelmente presente no pensamento do senso-comum até hoje. pois foi divulgado de forma bastante eficiente pelas elites européias que então dominavam todos os povos dos outros continentes. Entretanto. e todos os dados de pesquisas feitas por antropólogos reforçavam cada vez mais os erros do evolucionismo social. maior a evolução de uma cultura. mercado e assim por diante. Como era organizada a “lógica evolutiva” da cultura.. erros de pensamento são criados. Ele defende que cada grupo humano cria um caminho próprio de desenvolvimento. Então seguiriam os povos como os chineses. bárbaros e civilizados. . instituições políticas complexas. Quanto menor a semelhança com esse tipo de aparato cultural.. eram os chamados povos civilizados. que uma suposta “superioridade” cultural seja consequência de uma superioridade genética de alguns povos. algumas sociedades européias.

e criar um novo objeto ou uma nova técnica. 8. tais como o primeiro homem que produziu o fogo através do atrito da madeira seca.) 3. B. 2005. atividade sexual. o homem modifica o seu equipamento superorgânico. Cultura. Em vez de modificar para isto o seu aparato biológico. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o conhecimento existente ao seu dispor. não importa o termo) que determina o seu comportamento e a sua capacidade artística ou profissional. São eles gênios da mesma grandeza de Santos Dumont e Einstein. Em decorrência da afirmação anterior. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo. não teriam ocorrido as demais. E pior do que isto. talvez nem mesmo a espécie humana teria chegado ao que é hoje. RJ: Jorge Zahar. 4. 2. Como já era do conhecimento da humanidade. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. R. é este processo de aprendizagem (socialização ou endoculturação. 48-49) Sabemos que o ser humano apesar de viver em cultura e ter se afastado de seu comportamento geneticamente determinado (= instintos). . A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. vamos destacar alguns trechos de LARAIA (indicado na bibliografia do item) para finalizar: Resumindo. resultante de toda a experiência histórica das gerações anteriores. Adquirindo cultura. o homem foi capaz de romper as barreiras das diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu hábitat. 7. o arco e a flecha etc. pgs. 6. mais do que a herança genética.Por isso é muito importante ressaltar o pensamento de antropólogos como Geertz e Kroeber. ou o primeiro homem que fabricou a primeira máquina capaz de ampliar a força muscular. Nesse ponto. Alimentação. construído pelos participantes vivos e mortos de seu sistema cultural. ou qualquer outro item que faça parte da sobrevivência de nossa espécie possui regras culturais para serem satisfeitos. (Voltaremos a este ponto mais adiante. A cultura é um processo acumulativo. a contribuição de Kroeber para a ampliação do conceito de cultura pode ser relacionada nos seguintes pontos: 1. proteção. Nesta classificação podem ser incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções. A cultura. não perdeu seus instintos. 5. o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir através de atitudes geneticamente determinadas. que colaboram para desmistificar o poder de influencia dos genes em nosso comportamento cultural. a maneira de satisfazer às necessidades vitais é feita de acordo com a cultura. hoje consideradas modestas. Entretanto. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. desde o Iluminismo. determina o comportamento do homem e justifica as suas realizações. (LARAIA. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas. horários de sono. um conceito antropológico.

Lembre-se que as palavras são “coisas vivas” e seu uso pode mudar através do tempo. [4] O pensamento “científico” oriental até hoje é considerado pelo mundo ocidental como carente de valores para legitimar sua racionalidade. pois nossa espécie não necessitou de uma adaptação biológica aos diferentes meios.1 . [1] “Conhecimento letrado” é todo estudo que utiliza o estudo e aprofundamento de um assunto através de livros. leia LAPLANTINE. Ao realizar essa comparação. [3] Para saber mais sobre o assunto. o autor está: D ) demonstrando que a evolução biológica do ser humano é diferente. Conteúdo do 1º bimestre – PROVA NP-1 MÓDULO 3 3. 3. [2] Etimologia – estudo da origem e da evolução das palavras. 1995.1: 1) Alfred KROEBER afirma que existe uma diferença muito grande entre a evolução biológica dos animais e do ser humano. Para fundamentar sua idéia. utiliza roupas e cobertas.Exercício resolvido para o item 2. adquirindo novos sentidos. Aprender Antropologia. pois encontrase permeado de filosofias que por muitos ainda são consideradas “crenças”. pgs. é uma forma de erudição. portanto não são validados como afirmações aceitáveis dentro da metodologia cientifica. um conhecimento que deriva de estudos. ele cita o fato que os ursos polares desenvolveram ao longo de muitas gerações grossas camadas de pelos para sobreviver ao clima de seu meio ambiente. F. ou ganhando novas formas de emprego no vocabulário cotidiano.A diversidade cultural. SP. Brasiliense. Bibliografia Textos básicos . A ANTROPOLOGIA E O ESTUDO DA CULTURA. 37-53. pois possibilita a adaptação a qualquer ambiente sem necessidade da lenta adaptação genética. Etnocentrismo e relativismo cultural. enquanto o ser humano ao invés de desenvolver pelos. A cultura se mostrou como uma forma de adaptação ainda melhor e superior. “A pré historia da Antropologia”.

Um Conceito Antropológico. in LARAIA. Austrália e África. R. O radical latino “anthropos” significa Homem (Ser Humano). E recentemente. ou seja diferentes culturas. o contato entre pessoas e organizações com diferentes referenciais de mundo. A tecnologia. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. em nossa história. Textos complementares NUNES. in SANTOS. a cultura é tudo que for criado pelo ser humano para adaptar suas comunidades às suas bases biológicas (ecossistemas e território).gpveritas. XIX empenhada em aprofundar o conhecimento científico sobre as chamadas “sociedades primitivas”.“Teorias modernas sobre a cultura”.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=64 DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO – item 3 3 – A antropologia e o estudo da cultura Antropologia é uma ciência dedicada ao estudo do Homem. CULTURA . 2005. Hoje. e as mudanças culturais são consequência direta de mudanças no meio. Vamos dividi-las abaixo: 1) teorias que definem cultura como um SISTEMA ADAPTATIVO. O QUE É CULTURA. Para explicar a grande diferença de comportamento entre esses povos e os povos europeus..org/portal/index. mas está em toda parte onde haja contato entre dois povos que cultivam costumes e valores diferentes. Surge no séc.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=63 NUNES.B. intensificou-se num ritmo frenético. 17ª ed. Por isso compreender o conceito científico de cultura é tão importante. Texto disponível eletronicamente no endereço: http://www. Isso ocorreu. com o início da chamada “globalização”. Cultura.gpveritas. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. 2) teorias que definem cultura como um SISTEMA COGNITIVO (teorias idealistas) . como eram chamadas as tribos e povos não-europeus. os nativos das Américas. José Luiz dos. a economia e a organização de um grupo social servem totalmente aos propósitos de promover essa adaptação. 59-64. Antropologia. intitulado “Teorias Modernas sobre a cultura” há uma apresentação de duas correntes diferentes da antropologia quanto à definição do que é cultura.org/portal/index. pois ficou comprovado que a diversidade cultural não gira apenas em torno de “povos primitivos” e “povos civilizados”. Rossano Carvalho. Para esses autores. Rossano Carvalho. “Cultura e Diversidade”. Pgs. No capítulo de LARAIA. pp 07-20. 2006. mas qualquer ambiente social. essa ciência não estuda apenas as tribos ou pequenas comunidades distantes dos centros desenvolvidos. SP: Brasiliense. e “logia” é o estudo. a Antropologia acabou se concentrando no conceito de cultura.

a “chave” para a interpretação. o animal “cão”. tradições.“Se compreende melhor a cultura não como complexos de esquemas concretos de conduta – costumes. sejam elas de ordem prática ou de ordem afetiva seriam organizadas em nossa mente através da receita proporcionada pela nossa cultura. Desenvolvendo ainda mais a mesma idéia do autor acima (Goodenough). uma certa forma de interpretar o mundo.Para esses autores. estamos pensando simbolicamente. Para pensar no cão. Assim. seus modelos de percebê-las. mas a cultura é um MODELO MENTAL. receitas. regras. Traduzindo. Goodenough (1957) . pessoas. racional e estruturada. um conjunto de símbolos “embaralhados” e a nossa cultura proporciona um entendimento desse mundo. (1973) . fórmulas. Por exemplo. a cultura é como um código. condutas ou emoções. É a forma das coisas que as pessoas têm em sua mente. crenças e formas de pensar o mundo fazem parte de nossa cultura. criamos um símbolo que é o som da palavra cão. Tudo que a inteligência traduz em linguagem e símbolos. Para citar algumas idéias dessa última definição que parece ser mais complicada para compreender: W. É melhor. regras. Associamos símbolos a coisas.H. cultura é um SISTEMA DE CONHECIMENTO do mundo. O mundo é um grande código. um conjunto de símbolos. Geertz indica que a cultura é um conjunto de planos e receitas que GOVERNAM A NOSSA CONDUTA. uma organização de tudo isso. está a importância desse debate em torno de diferentes concepções sobre cultura? . Mais uma frase do mesmo autor acima. na visão desse autor. significados e sentidos às coisas do mundo”.“A cultura de uma sociedade consiste em tudo aquilo que se conhece ou acredita para influenciar de uma maneira aceitável os seus membros. Interessa perceber a capacidade humana em desenvolver nos domínios intelectuais o mundo que nos rodeia. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. não existe nada no mundo que o ser humano deixe de atribuir um significado.” Perceba como. e ao pensar através de palavras.“Cultura é um sistema simbólico. Clifford Geertz. Clifford Geertz (1966) . A cultura não é um fenômeno material: não consiste em coisas. Para Geertz. instruções (o que os engenheiros de computação chamam de „programas‟) e que governam a conduta”. todas as nossas atitudes. de forma sistemática. e organizamos o mundo em nossas mentes. a cultura não CONSISTE EM COISAS (bens materiais). Geertz. A capacidade de interpretar símbolos é a base de nosso pensamento. Isso é o que explica a cultura humana. conjuntos de hábitos – mas sim como planos. Em que aspecto exatamente. que nos chama atenção para o fato que o pensamento simbólico é EXCLUSIVAMENTE HUMANO. usos. o que o ser humano produz em termos materiais não é o mais importante. de relacioná-las ou de interpretá-las. que para conseguirmos interpretar precisamos ter o “segredo”. Para ele.

Para qualquer área do conhecimento, é importante compreender que trata-se de definir a condição do ser humano em relação ao restante das espécies. Os teóricos da cultura como sistema adaptativo, concebem que a cultura é uma ferramenta como qualquer outra, e que permite soluções de sobrevivência e reprodução aos membros de nossa espécie, homo sapiens sapiens. Isso a torna interessante, uma vez que “desmistifica” as capacidades humanas, e nos faz olhar para nós mesmos como seres que “batalham” pela sobrevivência como qualquer outro. Já os teóricos mais idealistas, entendem que somos seres cujo cérebro não permite outra forma de uso, a não ser para criar cultura. Nosso órgão pensante se tornou, ao longo da evolução, preparado para entender o mundo através de uma lógica simbólica. Ele nos impele a formar vínculos familiares e afetivos, pensar soluções práticas dentro de concepções culturais, nos pensar como indivíduos que compõem grupos organizados. Isso a torna interessante, pois mostra que essa característica é universal. Não há culturas que produzam indivíduos mais inteligentes ou capazes. Ambas são válidas e seus autores produziram uma grande quantidade de conhecimento através de pesquisas e teorias que aprofundaram nosso saber sobre a nossa própria espécie. Em comum o que se pode perceber nessas teorias é a tentativa de abarcar todas as realizações humanas, representadas em dois níveis complementares que são as realizações materiais e as imateriais. Entre as realizações materiais, podemos citar todo o universo de coisas fabricadas pelo ser humano, de arados até ônibus espaciais. Entre as imateriais estão nossas crenças, conhecimento, arte, idéias e todos os sentimentos. Os autores que enfatizam os aspectos materiais argumentam que eles são importantes uma vez que somos a única espécie a transformar a natureza de forma sistemática, mesmo quando não há necessidades que afetem a sobrevivência. Outros autores, entretanto, entendem que nossas maiores realizações estão contidas nos aspectos imateriais, uma vez que somos a única espécie dotada da capacidade de abstração (pensar em coisas que não estão presentes, criar, imaginar). Mas não usamos essas capacidades realizadoras de qualquer forma, e sim de acordo com regras, normas e hábitos estabelecidos coletivamente. O ponto sobre o qual parece haver muita polêmica é a visão que cada autor tem de ser humano. Aqueles que dão maior importância às nossas realizações materiais procuram ressaltar a nossa capacidade adaptativa, mostrando a cultura como sendo uma forma de solução da sobrevivência, onde grupo social, recursos e meio ambiente se combinam para determinar os hábitos de um povo. Para eles, as técnicas desenvolvidas para solucionar todos os tipos de empresa humana, que vão de uma simples pescaria às necessidades comunicativas, passando por todo tipo de engenhos que nos cercam é que definem propriamente a cultura. Aqui, podemos dizer que cultura equivale a soluções práticas para a existência humana.

Outros autores entendem que a solução prática para a vida humana é uma conseqüência de outras capacidades, que muito mais do que nos fazer capazes de fabricar instrumentos, nos faz diferentes de todas as outras espécies existentes. São as capacidades de criar, planejar, prever, avaliar, imaginar, atribuir significado e modificar a natureza não apenas por necessidade de sobrevivência, mas por necessidade de se sentir bem. Podemos denominar isto de capacidade de simbolização. Não construímos o mesmo tipo de prédio para servir a qualquer uso, para cada fim encontramos uma arquitetura. Não é apenas pelos aspectos práticos que o fazemos, mas porque cada espaço deve carregar significados que orientem os indivíduos e os faça compreender como devem se comportar. Os templos são diferentes dos teatros, as casas diferentes dos escritórios (ou pelo menos deveriam ser!). A funcionalidade de cada um desses espaços é tão importante quanto o que nos faz sentir através de suas formas e cores. As formas de nossa casa nos transmitem sensações de pensamentos diferentes de um escritório ou de um templo, através dos símbolos que criamos para cada um deles. Para os autores que defendem a preponderância desse aspecto, cultura equivale à nossa incansável capacidade intelectiva de carregar o mundo de símbolos. Resposta a necessidades práticas, ou respostas a necessidades intelectivas, a cultura é uma forma de estarmos no mundo. Ela nos orienta em cada situação da vida social, como um modelo que recebemos e sobre o qual passamos a vida operando pequenas modificações. Vamos ver mais adiante, que algumas regras presentes nas culturas podem ser modificadas, suprimidas, desgastadas; enquanto outras são mais difíceis de negociar. “É assim, e pronto”. Ou seja, há aspectos mais dinâmicos e outros mais permanentes em cada cultura. Independente da teoria sobre cultura que se utiliza, existem duas reações diferentes na forma de compararmos as culturas. A primeira, que usa a HIERARQUIA para afirmar que existem culturas mais avançadas ou evoluídas. Assim, haveria culturas que, desse ponto de vista, obtêm mais domínio técnico sobre a natureza, ou formulam mais conhecimento letrado. Faz parte do evolucionismo social, já trabalhado em nosso conteúdo anteriormente. A hierarquia entre as culturas também faz parte de uma realidade mundial que se encontra nas relações internacionais. Existem centros de poder econômico que influenciam no julgamento de culturas que se diferenciam delas. Assim, são inferiorizadas as culturas de povos dominados ou dependentes economicamente. Sim, a cultura é uma realização humana na qual as relações de poder também se faz presente. A outra, que é mais presente entre os estudiosos mais contemporâneos das culturas, que não vê sentido em hierarquizar as culturas, pois para fazer isso temos que privilegiar uma delas e tomá-la como referência. Isso faz com que todas as outras sejam subjugadas. Nessa compreensão mais contemporânea, se uma cultura não desenvolveu motores, mas garante a todos os seus membros os recursos de sobrevivência, ela é adaptada ao seu meio. Como faz para resolver isso, passa a ser irrelevante. Exercício resolvido para o item 3

1) A respeito das teorias que definem o conceito de cultura, leia as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: Existe uma grande diversidade cultural na espécie humana. PORQUE Algumas sociedades possuem padrões de conduta e tecnologia atrasadas em relação às outras. c) Ambas as afirmações fazem parte dos estudos da cultura, mas atualmente a segunda não justiça a primeira. MÓDULO 3 3.1 - A diversidade cultural. Etnocentrismo e relativismo cultural. Relativismo cultural e etnocentrismo são conceitos básicos da Antropologia para a compreensão de fenômenos que envolvem CONTATO CULTURAL, ou seja, o contato entre universos culturais DIFERENTES. Esses conceitos se referem a “julgamentos” que podemos ter quando em contato com o “outro” (alguém com padrões culturais diferentes do nosso). Esses julgamentos são responsáveis pela qualidade de nosso contato com a diversidade. Quando o outro tem padrões de comportamento, hábitos e valores muito diferentes dos nossos próprios é possível reagirmos de forma positiva ou negativa a isso. Julgar positivamente ou negativamente o comportamento alheio, tem relação com as atitudes de etnocentrismo ou com o exercício de relativismo que podemos utilizar. RELATIVISMO CULTURAL É considerar o mundo DO PONTO DE VISTA DO OUTRO, entendendo seu sistema simbólico, seus próprios valores de mundo como beleza, justiça, honra, medo, e assim por diante. É deixar de tomar a NOSSA própria cultura (visão de mundo) como medida para julgar os outros. ETNOCENTRISMO O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural (isso é denominado etnocentrismo). Ao pensar de forma etnocêntrica as pessoas depreciam o comportamento daqueles que agem fora dos padrões de sua comunidade. Comportamentos etnocêntricos resultam em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas e idéias ou valores de outros sistemas culturais são vistas como absurdas. O etnocentrismo é um comportamento universal. É comum a crença de que a sua própria sociedade é o centro da humanidade. A antropologia trabalha com alguns conceitos centrais que vamos passar a aprofundar neste tópico.

Cultura, diversidade cultural, relativização e etnocentrismo serão fundamentais para compreender o debate científico e da sociedade em geral em torno do comportamento coletivo humano. O encontro com o diferente suscita reações e atitudes que se vêm vinculadas à posição de poder ou submissão das pessoas na sociedade, bem como de preconceitos e verdades pré-estabelecidas que o senso comum reproduz. A cultura não é uma RECEITA de mundo, no sentido de ser algo inquestionável, sempre inconsciente que controla rigorosamente a todos os indivíduos. Podemos recorrer a uma metáfora para facilitar a compreensão sobre a relação entre os padrões culturais que herdamos/repetimos, e nossa atuação individual: “A mente humana corresponde a um “disco rígido” (hardware), que apesar de capaz de muitas tarefas, não consegue realizar nada sem um programa (software). Esse programa é a cultura.” Vamos lembrar que um software é um programa determinado e fechado, mas que aqui em nossa metáfora, “operando” a cultura há sempre um ser humano. Somos dotados de criatividade, subjetividade, carregamos histórias pessoais e coletivas. Assim, interferimos o tempo todo no “programa” que recebemos. A cultura não é apenas um modelo, um quadro de referência, ela é uma forma de acesso às possibilidades humanas. Há uma dinâmica na relação entre cultura e sujeito, entre sujeito e história, entre indivíduo e grupo. Se pensarmos que a cada cultura corresponde uma diferente “visão de mundo”, percebemos que os indivíduos se organizam mentalmente para estar no mundo de acordo com os valores introjetados de sua cultura. Tornamos “nosso” aquilo que é cultural. Exercitando. Vamos pensar sobre os sentimentos humanos. Obviamente, nossas emoções são universais. Amor, ódio, paixão, rivalidade, raiva, afeto, ironia, alegria, euforia e tudo quanto possamos lembrar agora, fazem parte da humanidade. Entretanto, as EXPERIÊNCIAS QUE SUSCITAM este ou aquele sentimento, e a forma como expressamos o que sentimos isso é cultural. Muitas situações que fazem um brasileiro rir podem não ter o mesmo efeito em pessoas de outros povos. Ou ainda, situações como o funeral que exigem circunspecção e tristeza em algumas culturas podem exigir expressões de alegria em outras. O exercício de relativizar é se colocar na condição do outro. Pois bem, muitas vezes fazemos julgamento equivocados do comportamento alheio, simplesmente pelo fato de desconhecer as motivações que levaram a tal ou qual atitude. Quando não temos a “chave simbólica” que permite a relativização dos costumes, tendemos a nos fechar em nosso etnocentrismo. Tudo bem, precisamos relativizar, não é mesmo?

Etnocentrismo é sempre ruim? Não! Na verdade. não é uma atitude ruim. natural e aceita. Exercício resolvido para o item 3. e quando praticados de forma radical. Em termos práticos. Percebe que deve existir um limite para a prática do relativismo? Relativizar deve ser algo estimulado socialmente. se tornam destrutivos das relações humanas. estamos atingindo um grau de etnocentrismo inaceitável. preferindo um bom arroz com feijão. todas as culturas praticam etnocentrismo de alguma forma. mas dentro de padrões de respeito à integridade física. O etnocentrismo extremo pode levar ao genocídio e às práticas racistas / preconceituosas. na medida em que pode servir para reforçar nossa identidade cultural e nos trazer bem estar dentro de nosso próprio padrão cultural. . Mas quando a aversão ao outro é tão grande que precisamos excluí-lo. é correto que tenhamos reações mais respeitosas e éticas com os “outros”. O oposto também é verdadeiro. e não a partir de valores dominantes de uma cultura alheia que se impõe sobre outras por se considerar superior. cães ou lesmas (o famoso “escargot” francês). assinale aquela que tem relação com o conceito de RELATIVISMO CULTURAL: Resposta do exercício 1): C) julgar uma cultura a partir de seus próprios valores e hábitos. Quando reagimos com aversão ao fato da alimentação em algumas culturas incluir pratos com animais como insetos. podemos correr o risco de não ter mais referencial ético de mundo. isso significaria.Sim. O relativismo extremo pode levar à ausência de noções éticas. destruir seus costumes forçosamente ou mesmo agredi-lo física e moralmente. Mas tanto o relativismo cultural como o etnocentrismo podem ser encontrados em diferentes graus. aceitando qualquer atitude alheia como normal. tornar aceito como normal as mutilações dos órgãos genitais femininos praticados em algumas sociedades de cultura mulçumana. Isso é necessariamente ruim? Bem. Quer dizer que relativizar demais pode ser perigoso? Sim! Quando apenas relativizamos tudo.1 1) Das situações abaixo. por exemplo. principalmente em comunidades africanas. psíquica e moral do outro. estamos sendo um pouco etnocêntricos.

emocional e intelectual no mundo. RIBAS. José Luiz dos. A cultura.MÓDULO 4 4. você será capaz de identificar informações e conceitos sobre a cultura que já desenvolvemos anteriormente.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. bem como da relação do ser humano com sua corporalidade e das noções de saúde e doença. João C. É importante ao final deste item que se perceba a profunda influência da cultura em todas as dimensões de nossa experiência física. Bibliografia Textos básicos “O que se entende por cultura” in SANTOS. SP: Olho d´Água. DESENVOLVIMENTO DE CONTEÚDO . 2005.htm Objetivos: ao final deste tema você deve ser capaz de identificar a importância da cultura como mediadora no processo de construção de nossa visão de mundo.Um Conceito Antropológico. O QUE É CULTURA. Pp 87-96. Roque de Barros. Antropologia – ciência do homem. Textos complementares sugeridos: “Cultura e seus significados”. in GUERRIERO. Horace. “A cultura é dinâmica”. 4. Poderá perceber que apesar de vivermos em uma cultura que determina padrões de comportamento. texto disponível em: http://www. Mércio Pereira. Pp. “Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura”. in GOMES.aguaforte. simbolizar. CULTURA . SP: Brasiliense. “A cultura interfere no plano biológico”. “A cultura tem uma lógica própria”.item 4 Nos textos indicados. 65-101. formigas e leões.com/antropologia/nacirema. MINER. in LARAIA. São Paulo: Contexto. pp 21-50. Silas (org). 2006. 19ª ed. “O olhar”. 2009. Sem comunicação nossa sociedade seria mais semelhante a uma sociedade de outros animais que vivem em coletividade como abelhas.1 . Pgs. e a importância disso para a cultura? A cultura depende de nossa capacidade de comunicação. . “A cultura condiciona a visão de mundo do homem”. 33-51. há um espaço para nossa individualidade.. O foco deste item é a compreensão de cultura em seus aspectos simbólicos. filosofia da cultura. Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR. ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade. a participação dos indivíduos na cultura. Ritos Corporais entre os Nacirema. Vamos desenvolver um pouco mais a compreensão sobre o que é símbolo. 2003. a simbolização da vida social.

Nós convencionamos que a palavra “gato” simboliza aquela espécie de felinos que encontramos na natureza e que se tornou um de nossos animais domésticos. idéias. e até aqui já deu para entender que sem símbolos. e faz com que seja possível a INTERPRETAÇÃO dos conteúdos comunicados. substitui ou sugere algo 1.) 2 aquilo que. o que é símbolo mesmo? Segundo o “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” (edição de 2001): 1 aquilo que. possui valor evocativo. por um principio de analogia formal ou de outra natureza. não pensamos em gatos de tipos muito específicos ou em suas qualidades. Ao entrar em contato com esse fenômeno que se chama comunicação através da Antropologia. A palavra GATO é um dos símbolos para a coisa em si. “cultura é um sistema simbólico (Geertz.A cultura humana tem características que diferenciam nossa forma de vida coletiva. de forma sistemática. Entretanto. o próprio gato. a comunicação humana é baseada na simbolização. o ser humano cria muitos símbolos. representa ou substitui outra coisa. Língua. Apesar de existir uma imensa diversidade de tipos de gatos. Assim: . significados e sentidos „às coisas do mundo‟ “. A cultura depende dos símbolos.. crenças. o que torna necessária a compreensão do contexto cultural onde os símbolos são criados e utilizados para que nossa comunicação seja eficaz e consiga atingir seus objetivos. por pura convenção. Para cada coisa existente. temos que recorrer a um som. faça com que todos os presentes entendam no que o comunicador estava pensando. segundo Geertz. mas antes um som que representa essa realidade. 1973). é possível ampliarmos nossa capacidade de compreensão do outro. Pois bem. A simbolização pode mesmo ser tomada como sinônimo do conceito de cultura. mágico ou místico (. de forma generalizadas sobre gatos.1 aquilo que. que é também um símbolo. quando pensamos em um gato para comunicar uma situação corriqueira envolvendo gatos. Temos por exemplo. Esse é um primeiro passo para entendermos o processo de simbolização. Então a palavra GATO não é a “coisa real” que existe na natureza. Vamos fazer um pequeno exercício para tentar aplicar todas essas definições de símbolo à nossa realidade? A palavra gato. Para o a antropologia atual. de uma cultura para a outra esses significados variam imensamente. valores. não conseguiríamos sequer compartilhar o que se passa em nossas mentes. uma palavra que ao ser pronunciada. Quando pensamos em um gato e queremos comunicar essa idéia básica. característica fundamental e comum da humanidade de atribuir. conceitos.. a representação da flor através dos desenhos. Mas. Para expressar a cultura. racional e estruturada. num contexto cultural. vamos avançando. dependemos da utilização dos símbolos. tudo que faz parte da cultura humana é baseado em símbolos que precisam de uma convenção social para que os indivíduos associem a um mesmo significado.

É um símbolo. não é. 2010 . e é simbolizado nessa imagem que não é tridimensional. ou uma delas. mas deixou de ser ela mesma. pois já deixou de ser o próprio gato. criando assim algo que a representa. apesar de parecer o próprio gato. É uma representação “do gato em si”.Essa imagem fotográfica. Kênia Kemp. e sim bidimensional.

representações artísticas do gato e. de Aldemir Martins. 2001. Essas duas imagens são desenhos.Gato amarelo e flor. ou seja. . portanto.

justiça e beleza. Portanto. que não pode ser reproduzido em toda a sua riqueza e complexidade. a sonoridade ou o movimento) criar um símbolo para algo visto. A maior parte de nossa comunicação diária tem como finalidade narrar. Não está na “flor em si” ser alegre ou triste. bem como todos os conceitos de mundo que dispomos são resultados da criação das culturas humanas. e através dessa comunicação simbólica podemos atribuir qualidades ao mundo. Ao fazer isso. percebido. e não da natureza. belo/feio. Um céu escuro e carregado de nuvens pode simbolizar preocupações e problemas. e escolhemos alguns de seus aspectos a serem ressaltados. são formas de simbolizar experiências e sensações. lembrar. agitado. Bondade. o artista procura através da forma obtida (a forma plástica.também não são o gato em si. retiramos todas as coisas de seus contextos originais. A arte é em essência. Para a terra. “o crucifixo identifica os cristãos”. são valores. onde ele se originou. Ao utilizar um crucifixo. mas aromas que são convencionalmente usados em bebês. idéias e pessoas que não estão presentes. na dança. Os símbolos representam coisas. coisas que não estão presentes. “esse cheiro me lembra a infância”. mas o ser humano atribui a umas e outras certas qualidades. não existe esse tipo de julgamento. podemos compreender que as “coisas em si” são transportadas para a nossa mente. O artista procura sempre “representar algo”. sentido ou experimentado antes. O símbolo facilita e agiliza a comunicação. simbólica. “proibido cães” e outras regras de uso do espaço são símbolos. Cada profissão elege seu símbolo. Na pintura. na música. conceituar. a humanidade atribui. que é Cristo. Essa é uma outra associação possível com os símbolos. descrever. e podemos pensar nelas. transmite idéias complexas e sentimentos. e assim por diante. e tudo isso é possível porque como diz Geertz. os times utilizam brasões. “Essa flor é alegre”. da rotinização de soluções racionalmente pensadas. ou um terremoto pode ser utilizado para simbolizar alguém inquieto. Assim é que nós SIMBOLIZAMOS as experiências vividas. racional e estruturada. ou ainda aromas de um lugar que marcaram a infância de UMA pessoa. placas de trânsito são símbolos. de significados coletivamente construídos. O correto é observarmos que na natureza não existem qualidades que são criadas pelo Homem. uma pessoa é identificada pelos outros como “cristão”. pois a cruz simboliza um evento da figura fundadora dessa fé. “as cores dessa bandeira simbolizam a paz e a riqueza”. A cada cultura corresponde um processo coletivo único . que se expressam através de símbolos. Então. placas de “proibido fumar”. Uma catástrofe da natureza como um terremoto. de forma sistemática. justo/injusto. como bondade/maldade. Não existe “cheiro de infância”. mesmo quando não estamos em sua presença. Tudo na comunicação é símbolo? Sim! Os símbolos são frutos: da persistência humana de olhar para o mundo e ver significados. significados e sentidos às coisas do mundo. não é ruim senão do ponto de vista dos prejuízos que possa causar aos seres humanos. e sim formas simbólicas para elas. cores e emblemas.

Quando nos comunicamos. Por isso utilizamos os símbolos para comunicar quem somos. ou então que a distribuição de pessoas numa sala durante uma . nossa condição. e assim por diante. Assim ocorreu com a logo marca da “Coca-Cola”. eles sejam interpretados de formas inusitadas ou até mesmo. que uma idéia expresse um acontecimento. que é o mundo que nos rodeia. conseguem ter significado para praticamente a humanidade toda. ou ainda a comunicação áudio-visual. Através dos símbolos. portanto? Primeiramente.de criar símbolos. Hoje em dia esse fenômeno é muito comum no mundo da moda e das tendências de comportamento. seja pela linguagem escrita. presente em todo o mundo como um ícone de prazer e do mercado. criatividade. Não interessa muito para o senso comum ter entendimento e investigar a origem de certos símbolos. Interpretar é dar sentido. Ser membros da mesma cultura é uma garantia de que todos estejam interpretando de forma muito semelhante os conteúdos comunicados. materializamos aquilo que é interior à nossa mente. Mas garante que não tenhamos que explicar minuciosamente o tempo todo nosso uso dos conteúdos comunicativos. A maior parte de nossa comunicação é composta de conteúdos que se tornaram convenção social. filmada. Claro que isso não garante eventuais desentendimentos. os chamados “erros de comunicação”. falada. que a comunicação humana é baseada na criação. incorporação e rotinização de símbolos. sem os símbolos não haveria cultura humana. de processos de substituição de uma coisa por aquilo que a significa. por exemplo. A linguagem falada é simbólica. Portanto. por efeito da sistemática e rotina de circulação em outros meios. o que acontece é que as pessoas tendem a dar o sentido mais apropriado ao seu próprio contexto. descreva um sentimento ou uma paisagem. incorretas. ou com o símbolo da juventude dos anos 1960 para “paz e amor”. não realizaríamos nenhuma de nossas capacidades como raciocínio. divulgação. ou “mal entendidos”. a linguagem escrita é simbólica. portanto a maioria dos símbolos cotidianos tem um significado apenas local. também a linguagem gestual. podem ir parar em lugares onde não há essa convenção sobre como ele deve ser interpretado. Mas alguns símbolos. O que aprendemos sobre os símbolos. Isso porque ao saírem de sua cultura original. julgar. o que fazemos. Sem tal comunicação. Como os símbolos cotidianos dependem desse consenso em torno da interpretação. nossas preferências. o conteúdo do que é comunicado é sempre algo que precisa ser interpretado. entender. idéias abstratas e conceitos. que permitem. Em segundo lugar. mas comunicam também coisas imateriais como sentimentos. para utilizá-los da forma mais “adequada”. ou seja. Vamos ler juntos um trecho do texto indicado na bibliografia desse item para concluir sobre a importância da capacidade de simbolização humana no estudo da cultura? Uma maneira mais complicada de apresentar essa dimensão é dizer que a cultura inclui o estudo de processos de simbolização. emotividade e assim por diante. é muito comum que quando usados em um contexto diferente do original. Então. precisamos dominar e compartilhar os mesmos símbolos. os símbolos comunicam não apenas o mundo exterior à nossa mente. Para que nossa comunicação seja eficaz. ou pelas artes.

Muitas vezes julgamos nossas atitudes. mas sem a ação da cultura. Pgs. De fato.41-42) Exercício resolvido do item 4: 1) A capacidade de simbolização e criação cultural pode ser associada às seguintes afirmações: c) A simbolização e a criação da cultura nos possibilitam pensar no que não está presente. a participação dos indivíduos na cultura. a idéia de uma divindade única pode ser vista como significando a unidade da sociedade. A natureza sozinha não constrói um ser humano como o conhecemos.conversa formal possa expressar as relações de hierarquia entre elas. trouxeram uma nova visão sobre o ser humano.1 . COMO OPERA A CULTURA baseado no livro “Cultura . Sem dúvidas a nossa “natureza” (diga-se herança genética). pode ser imensamente responsável por muitos atributos individuais. aborda exemplos de como a cultura afeta nossas vidas em sentidos muito mais profundos do que imaginamos. e comunicar nossa experiência aos próximos. XX o quanto somos também moldados pelo meio social que nos circunda desde o nascimento. não teríamos a complexidade da humanidade. CONTEÚDO DE 1º BIMESTRE (Prova NP-1) 4. ao simbolizar atribuímos significados ao mundo. 2006. preferências e reações como se fossem “naturais”. Assim. mas muito além disso. de Roque LARAIA 1) A CULTURA CONDICIONA A VISÃO DE MUNDO DO HOMEM . SP: Brasiliense. José Luiz dos. que a experiência acumulada seja transmitida e transformada.Um Conceito Antropológico”. O tema da segunda parte do livro de LARAIA. nas brincadeiras infantis tradicionais numa sociedade como a nossa pode-se mostrar a presença simbólica de mecanismos de competição e hierarquia do mundo dos adultos.As principais características da cultura como visão de mundo: herança cultural e formas de compreender o mundo. Esses estudos ampliaram a nossa compreensão sobre diversidade cultural sim. (SANTOS. como se assim tivéssemos nascido. os estudos antropológicos elucidaram ao longo de todo o séc. O QUE É CULTURA. que as informações sejam processadas. os processos de simbolização são muito importantes no estudo da cultura. Entretanto. É a simbolização que permite que o conhecimento seja condensado.

e como explicamos o que nos cerca e o que sentimos. ou mesmo pela mais simples delas . os diferentes comportamentos sociais e mesmo as POSTURAS CORPORAIS são assim produtos de uma HERANÇA CULTURAL. Então. de caminhar. têm visões desencontradas das coisas. além de um movimento desordenado de pessoas e automóveis. desde que fase de nossas vidas essa influência acontece? .Para uma pessoa da cidade. entre tantos outros. .a língua que cada um deles fala. . de comer. . ?Ruth BENEDICT escreveu: “A cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. É parte da nosso PATRIMÔNIO CULTURAL. a floresta é um conjunto desordenado de árvores. Ao passo que para os que nela vivem.nossa alimentação. Mas.Modo de agir. podemos identificar facilmente indivíduos de diferentes culturas por características como: . a cidade possui uma ORDEM física e espacial.o que entendemos como SAÚDE e também a DOENÇA. seja material ou imaterial. a ver o mundo. .nosso gestual e a forma como utilizamos o corpo. ou seja.ex.os sentimentos. .os critérios de beleza. . conhecimentos. ao passo que para os índios que nela vivem. portanto. p. . Da mesma forma como cada família pode deixar aos seus descendentes uma herança material (patrimônio familiar). Assim. e assim por diante. . as apreciações de ordem moral e valorativa.as necessidades e o uso da tecnologia.O oposto também é verdadeiro. a nossa sociedade nos deixa uma HERANÇA de valores. de vestir. uma pessoa do campo vê na cidade uma coleção confusa de ruas e edifícios. e o movimento possui um sentido lógico. Mas. .” . Em cada cultura VARIA IMENSAMENTE o que somos capazes de perceber à nossa volta.as noções de higiene pessoal.a moral.O modo de ver o mundo. temos que a CULTURA influencia nossas vidas em diversos níveis: . ela tem um SIGNIFICADO QUALITATIVO e uma REFERÊNCIA ESPACIAL..uHomens de culturas diferentes enxergam o mundo de forma diferente. modos de agir e pensar. a realidade não é apenas UMA? ** Não! O Homem é condicionado pela sua cultura. Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e.

somos condicionados pela nossa cultura Vamos analisar algumas imagens dessa influência da cultura em diferentes aspectos da vida humana e como os percebemos visualmente.-Desde o parto. .

. Na segunda columa: Nova Zelândia e Brasil. Índia e Inglaterra.Na primeira coluna: África.

para nos sentirmos INCLUÍDOS (o que dá aquela sensação de confiança e autoestima. pálpebras. o processo de treinamento das modelos ocidentais que para serem vistas com roupas e acessórios à venda pela indústria da moda se submetem a dietas incriveis de emagrecimento e treino para o controle do corpo. que desde os cinco anos começam a utilizar argolas no pescoço com o objetivo de esticá-los.2) A CULTURA INTERFERE NO PLANO BIOLÓGICO Ao longo de nossas vidas o nosso corpo físico é intensamente afetado pelas nossas experiências culturais. . obedecer a regras e principalmente. . nosso corpo físico é submetido frequentemente a exigências. frutas e flores. inalar. sugar outras vezes ele é sugado.técnicas de desenhos ou formação de saliências na pele como tatuagens. raízes. rituais ou de espetáculos). rituais que envolvem ou não a participação e presença física do doente que pode ser submetido a todo tipo de intervenção passiva ou ativa – as vezes o doente precisa ingerir. . sementes. grãos e castanhas. mas é possível sim. suas escolhas poderiam ter sido completamente invertidas. . lábios. Neste item você pode ter considerado algumas coisas muito normais e outras repugnantes. carnes dos mais variados tipos e partes de animais (cruas ou cozidas).modelagem do corpo com muitas técnicas diferentes como dietas. Para lembrar alguns exemplos: . . vegetais. preparados químicos conhecidos como remédios. escarificações e implantes subdermais. Neste item você pode se perguntar como nossa indumentária pode interferir no plano biológico. cirurgias e implantes. esportivos.a dieta cotidiana que pode incluir desde insetos. Portanto. alimentos processados industrialmente.perfuração ou alargamento de lóbulos.o tipo de parto que cada cultura oferece e considera melhor. perfurações. saúde e aparência corporal. cortes. As famosas “mulheres girafas” da Tailândia (Ásia). ingestão de bebidas alcoólicas ou qualquer outra que altere igualmente a percepção e reações. quando nos sentimos parte de um todo.formas de tratamento de doenças que pode incluir uma imensa lista como a ingestão de fitoterápicos. . Para manter tradições. . Pense que se você tivesse sido socializado em outra cultura. e muitos outros tipos. quando “pertencemos” a um lugar social). o que o autor chama de “PLANO BIOLÓGICO” é exatamente nossa forma física. movimento e expressões faciais na passarela. fisiculturismo ou treinos especiais (militares.uso de vestuário e adornos corporais. incisões. Pense em quantas situações ao longo de nossas vidas nosso corpo é atingido em função de experiências culturais.as mulheres chinesas que durante séculos enfaixavam os pés para evitar seu livre crescimento. folhas. com ou sem anestesias.

. Interpretamos isso como algo “natural”. a reação do organismo na forma de doença a experiências negativas.a submissão a rotinas que podem gerar lesões físicas e/ou desconfortos psicológicos dos mais variados graus. . mas pode ser considerado incompreensível aos outros. Ter a vida de uma modelo da moda pode parecer normal entre nós.o desenvolvimento de doenças psicossomáticas. tanto quanto perfurar lábios para o uso de botoques nos parece. Não resta dúvidas do quanto submetemos nossos corpos em função das experiências culturais. Você pode fazer o exercício de encontrar outros e tantos inúmeros exemplos. que além de exigir o controle da postura e gestual em função da utilização de vestimentas especiais. exigem também a submissão (em alguns casos) de horas em jejum e em seguida horas de ingestão de uma quantidade incrível de alimentos e bebidas. Vamos ver isso em mais algumas imagens. indignação ou repúdio ao que os “outros” fazem com seus corpos.a participação em festas e ocasiões especiais. .. Entretanto é muito comum a reação de espanto.

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Brasil) foto de Jean P. Segunda coluna: Sumotori (luta tradicional do Japão) .Primeira coluna: Kayapó (Xingú. DUTILEUX. Tailandesa . Desenho de modelo da moda.

apesar de compartilharem a mesma “visão mundo”. a história e o conjunto de valores de seu próprio povo. portanto os motivos biológicos ficam explícitos nesses casos. existem tendências e limites para a socialização. ou 20? ?as diferenciações baseadas na impossibilidade de TODOS os indivíduos serem socializados da MESMA forma: Alguns aspectos se sobrepõem a outros. Porém. a maior parte das sociedades humanas permite uma mais ampla participação na vida cultural aos elementos do sexo masculino.nas quais as mulheres desempenham papéis importantes na vida ritual e econômica -. . e não aos 16. mas provavelmente um desastre ao piano. alguns traços são reforçados e outros não: Einstein era um gênio na física. que impedem que aqueles que estão mais abaixo na pirâmide social. tenham acesso a grande parte da cultura produzida pelo seu grupo. onde o grupo não determina totalmente sua vida. É impossível que todos nós recebamos as MESMAS informações durante nosso crescimento. Em que critérios se baseiam essas diferenças individuais? ?as diferenciações baseadas no sexo dos indivíduos: Com exceção de algumas sociedades africanas . ?as diferenciações baseadas na idade dos indivíduos: Uma criança não está apta a exercer as funções dos adultos. Somos socializados e aprendemos ao longo da vida aquilo que é mais importante para sermos aceitos e participarmos de uma cultura.ex. ?as diferenciações baseadas nas diferenciações de classe social: Nas sociedades que diferenciam os indivíduos de acordo com o pertencimento a determinadas classes sociais. por que podemos ter licença para dirigir e votar aos 18 anos.. portanto existe um espaço na cultura.3) OS INDIVÍDUOS PARTICIPAM DIFERENTEMENTE DE SUA CULTURA É impossível todos os indivíduos de um grupo terem exatamente o mesmo comportamento. Mas nossa participação é sempre diferente de um indivíduo para o outro. há impedimentos etários totalmente arbitrários e criados pela nossa cultura: p. e incapaz de pintar um quadro. A individualidade está garantida em primeiro lugar pelo fato de que nem uma pessoa pode sozinha conhecer e dominar todos os conhecimentos.

casamentos desfeitos. ou por “ignorância” que um grupo social pode parecer “SEM RAZÃO”. Mas. Quando as soluções deixam de ser suficientes. ? A lógica de uma cultura muitas vezes forma o que os antropólogos denominam “sistema de classificação” ou ainda “sistema de categorias”. muito provavelmente sua “explicação” fosse outra. perda de patrimônio. 88) de uma conhecida sua que perguntou a um caipira paulista “como é que o sol morre todos os dias no Oeste e nasce no Leste”. ? Para dar um bom exemplo baseado na cultura brasileira. pelo qual somos profundamente influenciados. nosso esforço intelectual de obter resposta sempre será coerente com o sistema cultural no qual estamos inseridos. mais apropriadas. São conceitos que. podemos tomar o conceito de “inveja”. a categoria do “olho gordo” entra em ação. sejam sociais ou naturais. mas que servem para explicar toda uma infinidade de eventos. que são resultantes da cultura na qual somos socializados. . mas sua “invenção” teve que necessariamente utilizar A LÓGICA DA CULTURA CAIPIRA. doença. Esse conceito forma todo um sistema de classificação e ordenação de mundo para muitos brasileiros. Desemprego. Entretanto. temos que considerar que muitas vezes não é apenas por “falta de conhecimento”. Isto é um conceito que forma um sistema de ordenação de mundo. a categoria da “inveja”. Mediante situações que exigem uma lógica. que parecem “congelar” no tempo? O ritmo de mudanças de uma cultura obedece à lógica da satisfação de seus indivíduos com relação às suas soluções. ocorrem as mudanças. Quando um acontecimento pessoal ou alheio parece “sem explicação”. ele não domina a explicação científica. Laraia cita o exemplo (pg. que as explicações dos “outros”. por que a impressão que algumas culturas mudam mais do que outras. ela sempre será a “nossa lógica” e não a lógica alheia. 5) A CULTURA É DINÂMICA Todo ser humano tem capacidade de questionar seus próprios hábitos e mudá-los.4) A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA Neste capítulo o autor trabalha com a seguinte idéia: temos explicações para o mundo. Fosse ele um gaúcho. a princípio parecem simples. muito eventos com impacto negativo na vida das pessoas são explicadas através da “inveja”. mais corretas. Mesmo ao “inventar” explicações. Muitos podem concluir que ele não sabia explicar. E a resposta obtida foi: “Ele volta apagado durante a noite”. De fato. deixa todos satisfeitos com a explicação. as “nossas explicações” sempre nos parecem mais lógicas. Toda cultura muda com o tempo. Vamos a alguns exemplos do livro. Dificilmente as pessoas se contentam com explicações racionais que tornam a “vítima” única e completamente responsável pelo que lhe aconteceu. de ordem prática ou simbólica. Assim. ou “olho gordo”. entretanto. e “inventou” uma resposta tão simples quanto seu nível de informação sobre o sistema solar.

coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai.terra. as mudanças decorrentes da dinâmica interna podem ser quase imperceptíveis a um observador externo. de Rio Branco (Acre): “Após quase 20 horas num avião monomotor. comandou um sobrevôo que resultou nas primeiras fotografias dos índios de uma das quatro etnias isoladas que vivem na fronteira do Acre com o Peru. Essas fontes podem determinar o ritmo mais lento ou rápido das mudanças.html . As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção. uExterna. Segundo LARAIA (pg. 96). quando as mudanças ocorrem em função do contato com outro sistema cultural. de onde eventualmente temos notícias desse tipo de fenômeno.Essas podem ter duas fontes: uInterna.00. o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior.OI2903379-EI6581. Atualmente é quase inexistente alguma cultura que não tenha contato com outras. No mês de maio de 2008. Ainda existem alguns poucos grupos isolados no mundo. em especial na Amazônia brasileira.br/interna/0.com. Já a mudança decorrente dos contatos entre muitas culturas determina um ritmo mais rápido ao longo de um pequeno espaço de tempo. quando se trata da dinâmica do próprio sistema cultural. A menos que tenham sido decorrentes de invenções tecnológicas exemplares ou de eventos históricos de grande impacto como revoluções e guerras internas. e que traz na abertura da matéria assinada por Altino Machado. sendo o fenômeno de dinâmica cultural mais estudado. o mundo se surpreendeu com fotos que estão disponíveis no jornal eletrônico “Terra Magazine”. enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião..” http://terramagazine. chamado de “etnias isoladas”.

Isso significa que para a Antropologia pode ser questionável afirmar por exemplo que os índios (ou os brasileiros. pela conquista ou pela exposição excessiva (podemos pensar na mídia). ou qualquer grupo cultural) não têm nenhuma escolha quando são influenciados por outras culturas. APENAS EM CASOS DE DOMÍNIO ECONÔMICO E/OU POLÍTICO É QUE UM GRUPO SE VÊ OBRIGADO A ABRIR MÃO DE SEUS PRÓPRIOS COSTUMES E ADOTAR OS DOS DOMINANTES. Adotar comportamentos típicos de outras culturas pode ser resultado de imposições pela violência. AQUELES QUE ACHA POSITIVO ADOTAR OU NÃO.FOTO DE GLEISON MIRANDA. ALGUMAS IMPORTANTES CARACTERÍSTICAS DAS CULTURAS! CADA CULTURA (seu povo) ESCOLHE DENTRE OS ELEMENTOS DE UM OUTRO GRUPO.1: . publicada no mesmo endereço eletrônico disponível acima da imagem. Exercício resolvido para o item 4.

Ritos Corporais entre os Nacirema. http://www.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Texto disponível eletronicamente no endereço.espacoacademico.espacoacademico.1) Um bombeiro pode ser excelente no exercício de sua profissão.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15741999000300009&lng=en&nrm=iso> . 108. http://www. MEC.Sobre a educação no contexto das relações étnico-culturais: PINTO.) Franz BOAS . Celso (org. Jorge Zahar. Regina Pahim.br/040/40pc_diretriz.com.br/scielo. Objetivos: neste item o aluno deve ser capaz de considerar a identidade como um processo de construção cultural e o contato com a diferença como características da condição contemporânea. “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Jorge Zahar. Franz.antropologia. MÓDULO 5 Conteúdo do 2º bimestre – PROVA NP-2 5 .br .com/antropologia/nacirema. Pesqui.) FRANZ BOAS – Antropologia Cultural. Cad. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais.. A explicação da Antropologia para este fato é: Resposta do exercício 1): D) os indivíduos participam diferentemente de sua cultura. (org. C. http://www. Disponível em <http://www. PP. 1999 . in CASTRO.htm “Os métodos da etnologia”.Para conhecer sobre a diversidade de etnias indígenas no Brasil: Instituto Sócio Ambiental.o texto "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" está disponível eletronicamente no seguinte endereço: http://www.socioambiental.scielo. mas pode falhar quando colocado em uma situação que exige apenas foco de atenção baseada no raciocínio intelectual durante muitas horas. especialmente o link “Povos indígenas do Brasil”. 2004. “Raça e Progresso”. . Refletir sobre o papel das tradições e das mudanças culturais em diversas situações e contextos.org/.ANTROPOLOGIA CULTURAL. Nov. * Sugestão de endereços da Internet sobre os temas deste conteúdo: . Diferenças étnico-raciais e formação do professor.com. mas não para todas. especialmente o link para a Revista “Sexta-Feira”. Horace.A diversidade cultural: relações étnico-raciais. n. 2004.aguaforte. assim cada um recebe muitas informações e treinamento para algumas funções.htm Textos complementares: BOAS.htm . MINER. disponível na Web. São Paulo.Comunidade virtual de Antropologia. 67-86.br/040/40pc_diretriz. in CASTRO. Brasília: 2004. http://www.com.

atividades comerciais.Definição de relações étnicas: As relações étnico-culturais são todas as situações nas quais diferentes culturas/etnias são colocadas em contato por qualquer razão. justiça e novos parâmetros para as relações humanas. além de boas doses de ética. Esse “outro” que aparece nas frases acima. Que tal pontuar algumas questões e situações do mundo atual nas quais as relações étnico-culturais estão no centro dos debates e suscitam a reflexão? São questões que trazem à tona o relativismo cultural e o etnocentrismo. Assim dizemos que para haver relativismo ou etnocentrismo deve-se supor a presença da DIFERENÇA. diáspora (que é a dispersão de um povo em consequência de preconceito ou perseguição política. de relação de troca. exploratórias. Atualmente o mundo todo reflete de uma forma mais intensa sobre o convívio entre as diferentes culturas/etnias. A presença de um “outro” em relação ao que se reconhecemos como “nós”. Essas questões / situações seriam: . onde encontra-se outro grupo étnico. do estabelecimento de vínculos de parceria ou amizade. Relativismo cultural e etnocentrismo são formas das pessoas ou sociedades inteiras reagirem ao contato com um grupo culturalmente diferente. pode estar ao nosso lado. religiosa ou étnica) ou mesmo de guerras.Desenvolvimento do item 5 – . como a intenção de ocupação de território. procura de condições de vida diferentes e oportunidades. Esse contato normalmente é motivado por deslocamento de grupos de pessoas de uma etnia para outro(s) lugar(es). não precisa ser alguém de uma cultura distante fisicamente. Os motivos podem ser variados. e supõe que dois ou mais povos que representam suas etnias mantenham por tempo indeterminado alguma forma de convivência.

.Qual é a importância da eleição de Barack Hussein Obama como Presidente dos Estados Unidos da América? .Qual é a realidade dos povos indígenas que convivem com a nossa sociedade nacional aqui no Brasil? E quais são suas reivindicações? .

Como resolver os conflitos entre Israel e a Palestina? .Quais são os principais argumentos a favor e contra a política de cotas para afro-descendentes ingressarem nas universidades públicas brasileiras? ..

A garantia dos direitos humanos e as lutas pelo tratamento igualitário entre os povos têm trazido à tona importantes discussões sobre as relações étnico-culturais. Em um mundo globalizado. um relativo isolamento entre os povos teve como resultado o surgimento de muitas etnias diferentes ao redor do mundo. Elas dependem em grande parte da posição e da capacidade de imparcialidade de quem as responde. preconceito. Cada cultura desenvolve um sistema simbólico que permite aos indivíduos se relacionarem dentro de uma mesma linguagem de mundo. Segundo o dicionário HOUAISS: . exclusão ou práticas moralmente/fisicamente agressivas. são polêmicas sociais. podemos obter respostas muito desencontradas. De qualquer forma. existe uma preocupação geral e a tendência a considerar reprováveis as atitudes que resultem em discriminação. Vamos desenvolver o conceito de ETNIA. Ocorre que durante muitos séculos.. pode-se caracterizar certas respostas como resultado de atitudes etnocêntricas ou relativistas. O que nos leva de volta ao conceito de CULTURA. onde o contato entre as diferentes culturas e povos é cada vez mais intenso e necessário. Dependendo da perspectiva a partir da qual se avalia essas questões.Como e por que é exercido o preconceito contra nordestinos nas regiões sul e sudeste do Brasil? As respostas a essas questões não possuem um consenso.

Na história da Antropologia. De acordo com esse pensamento. Quais eram os pressupostos do EVOLUCIONISMO SOCIAL? Parte da ideia de que haveria uma “escala evolutiva” entre os povos. Um povo pode e deve saber valorizar suas próprias características sem que seja necessário diminuir. o termo é evitado por parte da antropologia atual. O conceito de etnia. contrariamente ao de raça. que relacionavam a base biológica das populações humanas com a cultura. simplesmente pelo fato dela abranger apenas um aspecto da cultura alheia. . que justificou decisões políticas como invasões. por não haver recebido conceituação precisa]. ANTROPOL coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural. ou por ter se tornado tão profunda que apenas se resolve com o extermínio desse outro. discriminar ou repudiar os que são diferentes. O resultado óbvio foi o sentimento de superioridade de algumas culturas sobre outras. Ao recusar essas teorias. podendo ser definida pó uma raça. Sempre que o assunto envolve questões de conflito de interesses entre populações. Raça é uma construção social. ou os hábitos de vestuário / alimentação / higiene desse mesmo outro. dá ênfase aos aspectos da herança cultural de um povo como forma de caracterizar a diferença de comportamento entre as várias populações humanas. que a cultura não é determinada pelo padrão de herança genética de uma população. trata-se de questões étnico-raciais. poderíamos encontrar povos/culturas “mais evoluídos” e outros “menos evoluídos”. desde final do século XIX teve início um movimento de recusa às teorias evolucionistas. ou ainda através de repúdio total ao outro. Entretanto não existe intolerância mais aceitável ou menos aceitável. e não uma realidade biológica. O conceito de “raça” mostra-se impreciso uma vez que tenta determinar divisões em uma espécie que é única: o ser humano. religião e maneiras de agir. Esse pensamento partia do pressuposto que a cultura é determinada pela herança genética de uma população. condenável e pouco efetiva no sentido de resolver conflitos de interesses entre dois ou mais povos. extermínios e a prática da discriminação e do racismo.Etnia. Atualmente é consenso na antropologia. racismo ou ódio. uma cultura ou ambas. É necessário perceber que a intolerância em qualquer dos casos é desnecessária. e este conflito revela questões culturais de qualquer abrangência. a antropologia substituiu o conceito de RAÇA (de base extremamente biologizante) pelo de ETNIA. Esses conflitos podem se revelar com diferentes graus de expressão e intolerância. Um povo pode expressar seu preconceito. tanto por questões bastante específicas como a religião do outro. a etnia pressupõe uma base biológica. refletida principalmente na língua. grupo étnico [Para alguns autores.

. há uma questão de poder que envolve as disputas em torno do conceito de raça.Relações étnico-culturais: questões sociais. 1995. Bibliografia básica: Relações étnico-culturais. Podemos ter uma razoável certeza de que.htm Textos complementares: LAPLANTINE. nós compreendemos seu apelo social em nossa sociedade.br/040/40pc_diretriz.” Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. vamos ler um trecho do texto de FRANZ BOAS.com.1 . MEC. Portanto. É um conceito social. “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. onde quer que os membros de diferentes raças formem um único grupo social com laços fortes. Disponível em .1 Conteúdo para a NP-2 (2º bimestre) Item 5. SP: Brasiliense. devemos pagar um preço alto na forma de luta inter-racial será melhor para nos continuar como estamos. “Marcos para uma história do pensamento antropológico”.espacoacademico. François. e que serve como justificativa para ações que atinjam moral. mas como membro de sua classe. Texto disponível eletronicamente no endereço. Brasília: 2004. Especialmente os capítulos de 1 a 5 da Primeira Parte. Moritz. Tal como em todos os outros agrupamentos humanos bem marcados.Percebemos que há um uso político dessas intolerâncias.Notas sobre uma identidade mestiça e malandra. os preconceitos e antagonismos raciais irão perder sua importância. Aprender Antropologia. preconceito e direitos. Sabemos historicamente a dimensão destrutiva dos discursos sobre uma pretensa “pureza racial” e sabemos das imensas possibilidades de construir relações étnico-raciais mais democráticas e igualitárias. Complexo de Zé Carioca . Concluindo esse conteúdo. nas páginas 37-94. a estratificação da sociedade em grupos sociais de caráter racial ira sempre levar à discriminação de raça. Embora as razoes biológicas aduzidas possam não ser relevantes. Enquanto insistirmos numa estratificação segundo camadas raciais. Lilia K. nas páginas 85 e 86: “Não importa quão fraco o argumento em favor da pureza racial possa ser. o individuo não é julgado como um indivíduo. Eles podem mesmo vir a desaparecer inteiramente. muito mais que científico. física e socialmente muitos povos para que não consigam reagir a situações de submissão. indicado na bibliografia complementar desse tópico. http://www. ou devemos tentar reconhecer as condições que levam aos antagonismos fundamentais que nos atormentam?” MÓDULO 5 – item 5.Sobre a formação étnico-racial e a cultura nacional: SCHWARCZ.

o extermínio de inimigos que oferecessem “resistência” para ser conquistado. as diferenças culturais eram tomadas como algo “natural”. Não existe um único motivo. mesmo a Igreja. Do ponto de vista das práticas dos navegantes e governos europeus. os povos de países onde o capitalismo não produzira a mesma riqueza permaneciam à margem desse processo. a partir de 1492 quando a Europa passou a navegar por todo o globo. Entretanto. devido a condições históricas. questionasse os métodos e consequências desumanas desse sistema. ou “darwinismo social” dominava as explicações científicas sobre a diversidade cultural. as Navegações fizeram parte do ambiente intelectual que deu surgimento às ciências da sociedade dois séculos mais tarde – as Grandes Navegações ocorrem no século XVI e o surgimento de uma filosofia social no século XVIII.br/portal/publicacoes/rbcs_00_29/rbcs29_03. foram elementos responsáveis pela crescente aproximação de culturas. pois antes disso as explicações religiosas sobre as diferentes sociedades. Portanto. Evolucionismo social e poder: No século XIX. a imposição de leis que colocam um povo vencido em condições desfavoráveis perante o conquistador.http://www. o ser humano se torna objeto de investigação científica como um dos resultados da empreitada colonialista da Europa. que viviam em democracias recémcriadas. que colocavam o vencedor como aquele que estabelece as regras do “jogo” e por ser “mais forte” podia utilizar qualquer recurso para manter o poder. bastavam a todos. As guerras e conquistas. considerando a história da humanidade. Por isso. A diversidade étnica e o contato cultural O contato entre diferentes culturas sempre existiu. até o século XIX os europeus consideravam muito natural dominar e submeter outros povos. Da perspectiva científica. ou fruto da vontade divina. O objetivo é analisar o preconceito como uma forma de desrespeito aos direitos dos povos e suas culturas. esse contato não promoveu qualquer tipo de preocupação política ou intelectual até o momento conhecido como “Grandes Navegações”. os Estados nacionais.anpocs. não sendo pensadas como algo sobre o qual fosse preciso refletir e explicar. . com a publicação dos primeiros trabalhos científicos no século XIX. Sempre havia sido assim na história até então. O “evolucionismo social”. mas uma série de razões relacionadas a isto.org. os interesses relacionados à conquista de territórios coloniais. Ou seja. ou ainda estabelecimento de comércio com povos extra-europeus. A escravidão.htm Este item aprofunda os temas relacionados à diversidade cultural e as relações entre grupos com culturas diferentes. como acontecem atualmente. antes do evento colonialista. tudo era praticado sem que qualquer instituição. apesar da conquista de direitos pelos cidadãos europeus e norte-americanos.

escolas. pois naquela época o poder influenciou a produção de conhecimento. ou outros povos como “atrasados” em sua mentalidade geral. e esse domínio econômico e militar passou a contar com uma justificativa científica. e não existe superioridade racial/étnica que possa ser defendida sob nenhuma base científica. A antropologia começa a defender que cada cultura segue seus próprios caminhos de transformação. egípcios). Em suas obras. Os europeus foram dominantes desde as Grandes Navegações até a II Guerra Mundial. e sim como um sistema que permite aos indivíduos de um grupo se relacionar com o mundo. Quanto mais afastado do modo de vida europeu. que afirmava sua superioridade cultural e histórica. Assim. A busca de “progresso” é algo típico das sociedades do capitalismo-industrial. Franz BOAS nos Estados Unidos. A esse tipo de prática chamamos “eurocentrismo”. etc. por exemplo. e em uma escala intermediária. por isso dominava grande parte do mundo. a população européia era “mais evoluída” culturalmente. os povos indígenas do Brasil como “preguiçosos”. Antes disso tudo. exército. A mudança histórica – relativismo cultural e direito dos povos É a partir das primeiras décadas do século XX que esse cenário de submissão cultural começa a se modificar. e uma das ex-colônias (Estados Unidos da América) terem desenvolvido o pensamento científico. e depois sua extensão americana se sentisse a vontade para julgar. e LÉVI-STRAUSS na França são importantes autores que representam essa mudança. China e povos orientais em geral. sistema de leis. África e Austrália eram os “povos primitivos”. macedônios.Para os europeus. As populações nativas da América (povos pré-colombianos). Esse pensamento deu margem para que a sociedade européia primeiro. sendo muito “cômodo” criar uma teoria onde seu próprio povo era considerado centro do mundo. houveram grandes impérios mantidos por povos do Mediterrâneo (romanos. O fato de apenas os povos europeus até aquele momento. Na antropologia cresce a produção de conhecimento que demonstrava os erros do evolucionismo social e de qualquer pensamento que classificasse os povos como “atrasados” ou “evoluídos”. considerando os eventos históricos que marcam seu povo. de qualquer perspectiva que se abordasse a questão. chamados de “povos bárbaros”. eles demonstram que não existe base científica para aceitar que exista um único modelo de “avanço” cultural e que todos os povos devam segui-lo. ou ainda por povos . a teoria do evolucionismo social foi criada e reproduzida pelo mesmo povo que detinha o poder dominador sobre os outros.) mais primitivos eram considerados. Índia. Agora são os norte-americanos. A cultura não deve ser encarada apenas como uma questão de avanço técnico. era o fundamento que sustentava todo esse esquema que colocava a diversidade cultural dentro de uma escala classificatória que identificava cada povo como representante de um “momento evolutivo” diferente. estariam as civilizações do Oriente Médio. e do tipo de suas instituições organizadoras da vida social (o tipo de Estado. família e parentesco.

nascimento. mas na sociedade como um todo. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.onubrasil. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. quer se trate de um território independente. acabam sofrendo discriminações e violências de todo tipo. é que o preconceito contra um povo. Artigo IV. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros.org. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. sem distinção de qualquer espécie. sob tutela. 1. idioma. seja por suas características genéticas ou de comportamento. 16:00) . Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. através do ensino e da educação. desumano ou degradante. riqueza. são resultantes de SITUAÇÕES DE PODER. Artigo I. sem governo próprio. Aqueles povos submetidos a um poder de fora. por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva. Portanto não há nada na genética ou na geografia de qualquer povo que possa ser apontado como fator explicativo da cultura.do Oriente Próximo (turcos. 2.php. cor. se esforce. ou qualquer outra condição. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. tendo sempre em mente esta Declaração. sexo. árabes) e também por orientais (chineses e japoneses). Grandes civilizações se desenvolveram na Índia e no norte da África muito antes dos europeus. a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. Artigo III. origem nacional ou social. Já vimos isso anteriormente nos itens que abordaram o “determinismo biológico” e o “determinismo geográfico”. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. trecho extraído em original completo disponível em: http://www. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel. Artigo II. religião. acessado em 04/3/2011. Artigo V. com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) e a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS em 1948. lembra? O que as ciências da sociedade demonstram. (Documento publicado pelas Nações Unidas no Brasil. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa.br/documentos_direitoshumanos. Leia a um trecho da Declaração abaixo: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. e. Todo ser humano tem direito à vida. seja de raça. opinião política ou de outra natureza. É a partir do final da II Grande Guerra. à liberdade e à segurança pessoal. que tem início uma mudança não apenas dentro das ciências. otomanos.

um trecho do documento “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. entre a população católica e os protestantes. As pessoas atingidas negativamente se vêem excluídas de conceitos positivos como de beleza.espacoacademico. pois juntamente com as questões de discriminação étnica.htm Esse trecho traz importantes conceitos e revela uma importante questão das relações étnico-raciais no Brasil atualmente. a formação de atitudes. como referências de sucesso em grandes empresas e assim por diante. ele. como heróis em livros didáticos ou de literatura popular. as ações afirmativas têm como objetivo modificar a mentalidade geral através de atitudes que invertam as representações negativas que predominam sobre uma etnia ou grupo social específico por sua cultura ou comportamento. sociais.com. e são responsáveis por criar o termo “ação afirmativa”. preconceito. Abaixo. identidade. religiosos. eram progressistas e estavam unidos pelo reconhecimento dos direitos. à demanda da população afrodescendente. cujo líder Martin Luther KING marca a história do século XX. de gênero (como por exemplo. entre outros. antropológicas oriundas da realidade brasileira. e busca combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente os negros. contra o regime de apartheid. valor moral. Ou seja. discriminação e direitos. no sentido de políticas de ações afirmativas. como modelos de publicidade. sucesso. de política curricular. que ainda aparece também com sinônimos como “discriminação positiva” ou “ação positiva”. na área da educação. Questões introdutórias O parecer procura oferecer uma resposta. de políticas de reparações. isto é. Essas manifestações ocorreram em muitos países. cultura. posturas e valores que . apesar de nem todos apoiarem. essas manifestações ficaram conhecidas como o movimento internacional pelos direitos civis. propõe à divulgação e produção de conhecimentos. Esse movimento rapidamente contou com o apoio de parcelas da população. Eles trouxeram à tona um grande debate social em torno de racismo. entre outras.Entre 1954 e 1980. publicado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. e foram incentivadas por diferentes questões étnicas como na Irlanda. de minorias políticas e assim por diante. Nesta perspectiva. Esses registros são as formas preconceituosas que são reproduzidas e “ensinam” as pessoas como tratar discriminatoriamente alguns grupos. MEC. alguns setores da sociedade que sofriam muito com o preconceito étnico ou outras formas de discriminação. ou na África do Sul. São ações políticas que pretendem retirar os registros negativos que a sociedade cria em torno de uma etnia ou grupo social. eles são excluídos como modelos de personagens bons e belos na televisão ou cinema.br/040/40pc_diretriz. fundada em dimensões históricas. dos homossexuais). Trata. começam a se manifestar publicamente para denunciar as injustiças sofridas contra as quais o restante da sociedade se omitia. Portanto. Brasília: 2004 e que pode ser encontrado na íntegra no endereço eletrônico: http://www. Em conjunto. que apesar de brancos. e de reconhecimento e valorização de sua história. O mais conhecido desses movimentos foi o movimento negro anti-segregacionista norte-americano. vieram outras como os direitos femininos. heroísmo.

ou seja. cursarem cada um dos níveis de ensino. buscando-se especificamente desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira. de Reconhecimento e Valorização. de europeus. iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um. modo de tratar as pessoas negras. seus pensamentos. permanência e sucesso na educação escolar. no que diz respeito à educação. Políticas de reparações voltadas para a educação dos negros devem oferecer garantias a essa população de ingresso. além de desempenharem com qualificação uma profissão. explicadas. 205. individual e coletiva. bem como para atuar como cidadãos responsáveis e participantes. dificilmente. expressarem visões de mundo próprias. igualmente. bem como valorização da diversidade daquilo que distingue os negros dos outros grupos que compõem a população brasileira. que assinala o dever do Estado de garantir indistintamente. que alterou a Lei 9394/1996.eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial . materiais. de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação de políticas. É importante salientar que tais políticas têm como meta o direito dos negros se reconhecerem na cultura nacional. passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10639/2003. cidadão ou profissional. posturas. Reconhecimento implica justiça e iguais direitos sociais. também. políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista. entre descendentes de africanos. assim como o é o reconhecimento e valorização da história. lógicas. Visa também a que tais medidas se concretizem em iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações. gestos. bem como em virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população. valorização e afirmação de direitos. estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. Cabe ao Estado promover e incentivar políticas de reparações. os postos à margem. raciocínios. para todos. no pós-abolição. E isto requer mudança nos discursos. se os negros não atingem os mesmos patamares que os não negros. Art. sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das relações entre diferentes grupos étnico-raciais. de aquisição das competências e dos conhecimentos tidos como indispensáveis para continuidade nos estudos. dos danos psicológicos. de asiáticos. enquanto pessoa. com formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo e discriminações. desconsiderando as desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos para os negros. assim como de todos cidadãos brasileiros. É necessário sublinhar que tais políticas têm. civis. descendentes de europeus. como meta o direito dos negros. Sem a intervenção do Estado. povos indígenas. Requer também que se conheça a sua história e cultura apresentadas. tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da diversidade. culturais e econômicos. entre eles os afro-brasileiros. e povos indígenas. .descendentes de africanos. A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento. sociais. orientados por professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos. de Ações Afirmativas A demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir os descendentes de africanos negros. romperão o sistema meritocrático que agrava desigualdades e gera injustiça. mito este que difunde a crença de que. de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática. de condições para alcançar todos os requisitos tendo em vista a conclusão de cada um dos níveis de ensino. a fim de superar a desigualdade étnico-racial presente na educação escolar brasileira. ao reger-se por critérios de exclusão. em que todos. manifestarem com autonomia. e as estatísticas o mostram sem deixar dúvidas. nos diferentes níveis de ensino. por meio da educação. de valorização do patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. Políticas de Reparações. em escolas devidamente instaladas e equipadas. Estas condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade. no que cumpre ao disposto na Constituição Federal. é por falta de competência ou de interesse. fundados em preconceitos e manutenção de privilégios para os sempre privilegiados. cultura e identidade dos descendentes de africanos.

. conjuntos de ações políticas dirigidas à correção de desigualdades raciais e sociais. com o objetivo de combate ao racismo e a discriminações. Reconhecer é também valorizar. divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra desencadeados pelos africanos escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade. contem com instalações e equipamentos sólidos. a textura de seus cabelos. Significa buscar. fazendo pouco das religiões de raiz africana. tais como: a Convenção da UNESCO de 1960. atualizados. compreender seus valores e lutas. palavras e atitudes que. Discriminação Racial. sendo capazes de corrigir posturas. de estudar questões que dizem respeito à comunidade negra. sua cultura e história. próprios de uma sociedade hierárquica e desigual. Xenofobia e Discriminações Correlatas de 2001.Reconhecer exige que se questionem relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos. velada ou explicitamente violentas. bem como a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. orientadas para oferta de tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens e marginalização criadas e mantidas por estrutura social excludente e discriminatória. menosprezados em virtude de seus antepassados terem sido explorados como escravos. piadas de mau gosto sugerindo incapacidade. ser sensível ao sofrimento causado por tantas formas de desqualificação: apelidos depreciativos. Nos trechos em itálico e sublinhado estão destacados alguns importantes princípios das políticas de ações afirmativas traçadas pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. freqüentados em sua maioria por população negra. e servem apenas como fixação de aprendizado. direcionada ao combate ao racismo em todas as formas de ensino. Reconhecer exige que os estabelecimentos de ensino. Implica criar condições para que os estudantes negros não sejam rejeitados em virtude da cor da sua pele. bem como a Conferência Mundial de Combate ao Racismo. com professores competentes no domínio dos conteúdos de ensino. Abaixo estão algumas questões importantes para que você responda e que estão esclarecidas nos trechos em destaque no texto acima reproduzido: 1) Quais populações são alvos da preocupação sobre a condição de exclusão ou tratamento preconceituoso? 2) Qual o argumento do documento sobre a ênfase nas políticas de reparação voltadas à comunidade de afrodescendentes pelo Estado brasileiro? 3) Em que âmbitos da vida social o tratamento desigual ao negros requer mudanças para obtermos justiça e direitos iguais? 4) Como o documento define “ações afirmativas”? Essas perguntas acima devem servir como forma de auxiliar na interpretação do texto em destaque. desde as formas individuais até as coletivas. Reconhecer exige a valorização e respeito às pessoas negras. não sejam desencorajados de prosseguir estudos. à sua descendência africana. no sentido de que venham a relacionar-se com respeito. Ações afirmativas atendem ao determinado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. brincadeiras. atitudes e palavras que impliquem desrespeito e discriminação. expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros. ridicularizando seus traços físicos. comprometidos com a educação de negros e brancos. isto é. Para compreender a importância das discussões que envolvem as relações étnico-culturais atualmente. leia abaixo uma das questões dissertativas do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) realizado pelo MEC anualmente. Políticas de reparações e de reconhecimento formarão programas de ações afirmativas.

„É preciso fazer o debate. (. 03 jul.) Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 30 jun. Por isso ter vindo aqui já foi um avanço‟.. mas que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso. . 2006.) Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas afirmativas. há também os que adotam a posição de que o critério para cotas nas Universidades Públicas não deva ser restritivo. num texto coerente e coeso.0 pontos) Agora.. As duas propostas estão prontas para serem votadas na Câmara.” (Agência Estado-Brasil. leia os dois textos a seguir. frei David Raimundo dos Santos.. acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e defende a adoção do sistema de cotas. (valor: 5. vamos analisar o quadro de correção elaborado para a prova.. a polêmica foi reacesa. Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”. que nada mais é do que uma grade de correção para as questões dissertativas em que constam os pontos como deveriam ter sido abordados pelos estudantes para obter o valor considerado. (. disse. PADRÃO DE RESPOSTA – ENADE 2006 QUESTÃO 9 Tema – Políticas Públicas / Políticas Afirmativas / Sistema de Cotas “raciais” a) O aluno deverá apresentar.0 pontos) b) um argumento coerente utilizado por aqueles que o defendem. chamado de “Padrão resposta”. identifique. mas o movimento quer que os projetos sejam retirados da pauta.ENADE 2006 – Prova de FORMAÇÃO GERAL para todos os cursos (QUESTÃO 9 – DISCURSIVA): Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção de “sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional. Yvonne Maggie.) O diretor executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). com adaptação.) Texto II “Desde a última quinta-feira. 2006. Texto I “Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem no Congresso um manifesto contra a votação dos projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros em Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial. a) um argumento coerente utilizado por aqueles que o criticam.” (Folha de S. (valor: 5.Paulo – Cotidiano. no atual debate social. quando um grupo de intelectuais entregou ao Congresso Nacional um manifesto contrário à adoção de cotas raciais no Brasil. a essência de um dos argumentos a seguir contra o sistema de cotas.

a qualidade acadêmica pode ficar ameaçada por alunos despreparados. A cota não tira direitos. É preciso.O acesso à Universidade Pública que não esteja unicamente vinculado ao mérito acadêmico pode provocar a falência do ensino público e gratuito. por exemplo.. Além disso. visto que todos são iguais perante a lei.Implantar uma classificação racial oficial dos cidadãos brasileiros. estabelecer cotas raciais no serviço público e criar privilégios nas relações comerciais entre poder público e empresas privadas que utilizem cotas raciais na contratação de funcionários é um equívoco. (valor: 5. fazer uma reparação. . Nesse sentido. a essência de um dos argumentos a seguir a favor do sistema de cotas. . Para se tratar desigualmente os desiguais.Políticas dirigidas a grupos “raciais” estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem produzir efeito contrário. Há necessidade de diferenciar a igualdade formal ( do ordenamento jurídico e da estrutura estatal) da igualdade material (igualdade de fato na vida econômica). manteve-se a centralização política e a exclusão de grande parte da população brasileira na maioria dos direitos. Não sendo assim. . num texto coerente e coeso. . no sentido proposto. . o País passará a definir os direitos das pessoas com base na tonalidade da pele e a História já condenou veementemente essas tentativas. O princípio da igualdade assume hoje um significado complexo que deve envolver o princípio da igualdade na lei. na verdade. mas rediscute a distribuição dos bens escassos da nação até que a distribuição igualitária dos serviços públicos seja alcançada. pode gerar ainda mais preconceito.O sistema de cotas valorizaria excessivamente a raça. Ao longo da História. favorecendo as faculdades da rede privada de ensino superior. . . é a raça humana. perante a lei e em suas dimensões formais e materiais. somente. . dando-se respaldo legal ao conceito de “raça”.Não se pode ocultar a diversidade e as especificidades sociopolíticas e culturais do povo brasileiro. a principal luta é a de reivindicar propostas que incluam maiores investimentos na educação básica.É preciso avaliar sobre que “igualdade” se está tratando quando se diz que ela está ameaçada com os projetos em questão.0 pontos) b) O aluno deverá apresentar. é possível o acirramento da intolerância. então.A adoção de identidades étnicas e culturais não deve ser imposta pelo Estado. . e o que existe. é preciso um fundamento razoável e um fim legítimo e não um fundamento que envolve a diferença baseada. perpetuando-se o mando sobre uma enorme massa de população.Diversos dispositivos dos projetos (Lei de cotas e Estatuto da Igualdade Racial) ferem o princípio constitucional da igualdade política e jurídica. na cor da pele. Sendo aprovado tal estatuto. há dificuldade para definir quem é negro porque no País domina a miscigenação. A autorização da inclusão de dados referentes ao quesito raça/cor em instrumentos de coleta de dados em fichas de instituições de ensino e nas de atendimento em hospitais.O acesso à Universidade deve basear-se em um único critério: o de mérito.

L.As Universidades Públicas no Brasil sempre operaram num velado sistema de cotas para brancos afortunados.Sobre a cultura nacional: BOSI. trata-se de um conceito político aplicado ao processo social construído sobre diferenças humanas. cultura popular e erudita.A cultura na sociedade atual: nacionalidade. pois: C ) não existe base científica que comprove a validade do uso do conceito de raça. cultura popular e erudita. meios de comunicação – 2º bimestre 6 . defende-se um projeto político contra a opressão e a favor do respeito às diferenças. 51-79. um construto em que grupos sociais se identificam e são identificados. meios de comunicação.Dizer que é difícil definir quem é negro é uma hipocrisia. para as Universidades que já adotaram o sistema de cotas. A acusação de que a defesa do sistema de cotas promove a criação de grupos sociais estanques não procede. in. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: SANTOS. Admitir as diferenças não significa utilizá-las para inferiorizar um povo. . J. que no quesito freqüência os cotistas estão em vantagem (são mais assíduos). pp. .A utilização das expressões “raça” e “racismo” pelos que defendem o sistema de cotas está relacionada ao entendimento informal. MÓDULO 6 6 – A cultura na sociedade atual: nacionalidade. pois não faltam agentes sociais versados em identificar negros e discriminá-los. SP: Brasiliense. ..Na luta por ações afirmativas e pelo Estatuto da Igualdade Racial se defende muito mais do que o aumento de vagas para o trabalho e o ensino.ufrgs. 1) O conceito de etnia veio a substituir o de raça. O QUE É CULTURA.0 pontos) Exercício com resposta para fixação de conteúdo. . .Não se pode negar a dimensão racial como uma categoria de análise das relações sociais brasileiras. visto que a metodologia dos vestibulares acaba por beneficiar os alunos egressos das escolas particulares e dos cursinhos caros. Alfredo. portanto. é injusta e equivocada. uma pessoa pertencente a um determinado grupo social.pdf .br/cdrom/bosi/bosi. Bibliografia complementar: .Pesquisas revelam que. trataram de bani-lo. os números revelam. não há diferenças de rendimento entre alunos cotistas e não-cotistas. e os abusos ideológicos de povos dominantes que o utilizaram como justificativa histórica para subjugar e exterminar povos. e nunca como purismo biológico. 2006 “A cultura em nossa sociedade”. Cultura brasileira e culturas brasileiras http://www. inclusive. (valor: 5.

por exemplo. como resultante de um processo complexo de desenvolvimento que envolve conhecimento e condições técnicas-econômicas de implantação. leis e tecnologia que formam uma totalidade social é que podemos perceber a CARACTERÍSTICA. Mas quando observamos a passagem do tempo (= história) em dois grupos diferentes que utilizam o mesmo referencial cultural. . Assim. Isso porque. É possível observar um grupo social a partir de sua perspectiva histórica. regras. sendo impossível separarmos a cultura de um povo de sua história. facilmente consegue-se relacionar a nossa vida material como a tecnologia. valores morais ou formas de julgamento são o resultado de um processo histórico de nosso grupo social.DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO É muito comum que as pessoas em seu dia-a-dia não se deem conta que nossos hábitos. Portanto as culturas regionais e nacionais se referem sempre a experiências compartilhadas por uma população durante um período de tempo suficiente para deixar marcas nas relações sociais. Em geral. as pessoas tendem a naturalizar mais essa dimensão humana. estamos falando de um aspecto imaterial. temos a existência de regiões geográficas que definem regiões culturais diferentes. como estratégias locais de sobrevivência e reprodução. costumes. Entretanto. Assim como ocorre com os regionalismos. Portanto. no primeiro exemplo. cada povo em seu local específico. da cultura humana. Esta é a base do que denominamos CULTURA REGIONAL. podemos afirmar que estamos em um mesmo momento da história de nossa espécie. O fato é que a história de qualquer grupo social interfere o tempo todo em seu presente. Entretanto. simbólico. mesmo quando passa por eventos semelhantes e utiliza as mesmas convenções sociais. ocorre também com relação à sociedade nacional. As diferentes histórias de cada povo podem ser interpretadas antropologicamente. Como resultado das interferências pessoais em um dado conjunto de instituições. A experiência histórica em cada uma delas determinou características particulares dentro da grande totalidade que chamamos de “cultura brasileira”. ou cultura nacional. percebemos que não é possível encontrar os mesmos resultados. a cultura nesse caso. dando como certo que se trata de algo que não procede de escolhas e muito menos de formas coletivas de vivência. é um elemento agregador que promove a intermediação das relações entre os indivíduos. na visão de mundo desse povo. mas não se encontram desvinculadas da história da espécie humana como um todo. em âmbitos que envolvem nossa evolução e nossa relação com o meio ambiente. a ESPECIFICIDADE de uma cultura. No Brasil. é o resultado das relações entre os indivíduos e seu grupo social. e como resultado percebemos que cada grupo é único.

também marcamos essa história. esse conhecimento erudito se contrapunha ao conhecimento havido pela maior parte da população. Ao mesmo tempo em que cada um de nós é marcado pela história de nosso grupo social. Nossas condições materiais de existência afetam nossas condições psíquicas e culturais. a qual é bem antiga na história das preocupações com cultura. utilizamos os conceitos de cultura popular. e que aos poucos passou também a ser entendido como uma forma de cultura. Para facilitar a compreensão desse fenômeno. e a única forma de consciência disso se expressa através da necessidade pessoal em defender e preservar certos traços de comportamento e recusar outros. ao longo da história a cultura dominante desenvolveu um universo de legitimidade própria. Vamos ao texto indicado para leitura na bibliografia deste módulo para esclarecer essa classificação da cultura. Assim. a partir de uma idéia de refinamento pessoal. essas instituições estão fora do controle das classes dominadas. sua dinâmica e principalmente. da renda como determinante das posições na hierarquia social. Entende-se por cultura popular as manifestações .) De fato. As preocupações com cultura popular são tentativas de classificar as formas de pensamento e ação das populações mais pobres de uma sociedade. um conhecimento que supunha inferior. advogados.. as academias. buscando o que há de específico nelas. ou estéticos.. procurando entender a sua lógica interna. cultura se transformou na descrição das formas de conhecimento dominantes nos Estados nacionais que se formavam na Europa a partir do fim da Idade Média. Se partirmos dessa compreensão de cultura como resultado da vida sócio-histórica dos indivíduos que atuam em um grupo. capazes de criar grupos de pessoas que se identificam e mantêm características e hábitos próprios. com a possibilidade de reforçar certos comportamentos. notamos certos padrões de comportamento que se associam a padrões de consumo. as ordens profissionais (de médicos. (. a cultura popular. ou de gosto. Devido à própria natureza da sociedade de classes em que vivemos. as implicações políticas que possam ter. Esse aspecto das preocupações com a cultura nasce assim voltado para o conhecimento erudito ao qual só tinham acesso setores das classes dominantes desses países. Não nos damos conta disso em nosso cotidiano. e que por sua vez se associam a um conjunto de valores morais. José Luiz dos SANTOS explica: Comecemos por esta última indagação. ou recusando-os e enfraquecendo sua importância. podemos então detalhar alguns aspectos importantes da vida cultural em nossa sociedade atualmente. engenheiros e outras). expresso pela filosofia. repetindo-os e mantendo-os atuantes. tais com a universidade. ou em outras palavras.Neste âmbito é que reside a questão da relação indivíduo-sociedade. Somos ao mesmo tempo resultados de uma HERANÇA cultural e produtores dessa herança para as próximas gerações. pela ciência e pelo saber produzido e controlado em instituições da sociedade nacional. e vice-versa. Em nossa sociedade. cultura erudita e cultura de massa. É que. superado. atrasado. existe a questão do pertencimento a classes sociais.

E quanto à cultura de massa? Bem. O treinamento normalmente é proporcionado com baixos investimentos. ou trabalhadores que dominam sua técnica de forma autodidata e reproduzem aprendizados que passam de geração a geração. Portanto podemos falar em uma cultura popular de massas. Na massa. Esse tipo de programa se baseia na antiga receita do circo. Gosta porque todos gostam. Já a cultura popular é uma produção resultante de conhecimentos da tradição oral. produtoras. grupos de comunicação) que visa lucro com os produtos culturais. e uma cultura erudita de massas? Sim! Para exemplificar. a imprensa.L. a Internet e assim por diante. do convívio e da informalidade. gravadoras. e assim o inclui em um movimento. A massa é ao mesmo tempo um fenômeno quantitativo. mas igual. Já a maior parte dos programas televisivos de auditório. pois não é capaz de ter opinião própria. é um fenômeno que depende da existência dos meios de comunicação de massa como o rádio. atrelados a uma empresa (editoras.culturais dessas classes. pois são muitas pessoas. A cultura de massa resulta do trabalho empresarial sobre produtos e artistas tanto da cultura erudita quanto da cultura popular. (Santos. o indivíduo gosta de ser diferente.54-55) A conclusão é que denominamos cultura erudita toda a produção material e imaterial resultante de conhecimento intelectual e técnicos especializados. São artistas. São classificados como “de massa”. o cinema. que existem independentemente delas. artesãos. e psicológico. exemplifica a cultura popular de massa. mas não quer chamar a atenção. que dependem de treinamento constante e dedicação – de tempo e de investimentos financeiros. pp. Eles se apropriam dessa cultura através de contratos e divulgam todo tipo de produção cultural através do mercado para que as pessoas adquiram esse material. porque está na moda. manifestações diferentes da cultura dominante. J. letrados. um palco e uma audiência que espera ser entretida por um apresentador que lhes proporciona carisma. admiração e que lhes mostra a vida como um espetáculo. e tem uma relação mais emocional que crítica em relação ao gosto. gosta porque esse consumo lhe dá status e uma boa visibilidade social. 2006. O indivíduo que faz parte da massa responde de forma imatura ao que recebe. Há empresários e técnicos. normalmente são um exemplo da cultura erudita de massas. mesmo sendo suas contemporâneas. Quer ter personalidade. que estão fora de suas instituições. porque o mesmo conteúdo atinge um imenso número de pessoas ao mesmo tempo. os livros que se tornam campeões de vendas. . ou mesmo como estratégia de sobrevivência. Repete as opiniões alheias. a televisão. Não há criadores espontâneos da cultura de massa.

não é possível compreendermos nossa relação com a cultura em nossa sociedade. sensibilidade ou percepção aguçada. incentivando e valorizando o comportamento padronizado. o exótico. a cultura de massa substitui necessidades até mesmo de devoção religiosa. Há os que se referem a esse comportamento como “alienado”. Para isso você deve fazer uma redação de no mínimo dez linhas e no máximo 30 linhas. Este é um exercício de redação temática e reflexiva. a diversão descomprometida ao envolvimento com produtos e gostos que exigem reflexão. Esses tipos de cultura não pretendem se tornar produtos de sucesso. ou a massa é quem exige esse tipo de cultura? Uma pequena parcela de nossa sociedade tem acesso à cultura erudita. pois perdemos a capacidade racional de crítica. É um círculo vicioso: a indústria cultural é que modela o gosto da massa. Algumas escolas de estudo dos fenômenos sociais relacionadas aos meios de comunicação de massa conceituam diferentemente essa reação da população ao funcionamento da cultura de massa. Além de estar presente em todos os aspectos da nossa vida. que se dá através de escolas e universidades muito seletivas. cultural e psicológico de nossa sociedade atualmente. o gosto sempre vai reproduzir a adesão aos mesmos tipos de produtos culturais. Portanto você pode utilizar tanto os conceitos trabalhados neste módulo. da homogeneização. ao participar do consumo cultural de massa.A cultura de massa é um importante fenômeno econômico. É uma referência de estilo de vida. Eles circulam em meios onde o interesse está para além da atenção da mídia e da carreira bem sucedida empresarialmente. Agora idolatramos pessoas da mídia. Os indivíduos se sentem seguros ao reproduzir o gosto da indústria cultural de massa. a partir da seguinte proposta: . A massa prefere o entretenimento. que extrapolam os objetivos de mercado. E assim. todos somos alienados. E também a cultura popular depende do envolvimento e interesse populares. E isso não é propriamente uma alienação. e sim uma característica da cultura de nossa época. Assim. Quem é que não tem nostalgia de programas e até mesmo de propagandas de sua infância? Até mesmo nossa biografia e memória afetiva dependem da exposição aos produtos dessa indústria cultural. de informação. Segundo essa escola. Essa indústria se beneficia da padronização de gosto. defendem que a cultura de massa é o “espírito” de nosso tempo. O objetivo é fazer um exercício de sensibilização da percepção sobre os fenômenos da cultura contemporânea. de diversão. cuja fama ou merecimento são passageiros e questionáveis. sem considerarmos a influência e os propósitos da cultura de massa. o de difícil aceitação pela massa. O espaço que a mídia dá ao padrão é infinitamente maior que o espaço dado ao diferente. sem receber nada de realmente original ou que não seja meramente divertido. como dos textos indicados ou de pesquisa pessoal sobre esse conteúdo. Já outros teóricos. e para isso os estimula.

80-86. pode ser entendida como uma forma de controle social. pp. Faça uma reflexão onde você é capaz de expor ao leitor a influência da mídia e dos espetáculos de massa no comportamento dos indivíduos.scielo. O QUE É CULTURA. Pense em eventos para grandes multidões como espetáculos musicais ou esportivos. José Luiz dos.o foco na questão abordada: está colocado de forma adequada. Rio de Janeiro.” (SANTOS. n. v.Sobre o tema cultura. Como sugestão: . A ampliação de seus domínios como. por exemplo. assistir a filmes de sucesso ou ler publicações como revistas de grande tiragem e circulação. TAKS. Exercício com resposta 1) Leia o trecho a seguir e escolha entre as alternativas aquela que corresponde ao pensamento expresso pelo autor: “Da mesma forma. MÓDULO 7 Conteúdo para a prova NP-2 – 2º bimestre 7 .php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132004000200004&lng=en&nrm=iso> .Sobre cultura e relações de poder no Brasil: . Guillermo. desenvolvimento e conclusões. 2006. 2. como a cultura erudita é desde sempre associada com as classes dominantes. consegue abordar os aspectos mais relevantes? .A cultura na sociedade atual. Oct. J. 2004 . está sendo repetitivo ou não. pois uma minoria tem acesso ao conhecimento erudito. Um olhar antropológico sobre a questão ambiental. Disponível em <http://www. a divisão entre cultura erudita e popular mostra uma relação de poder. SP: Brasiliense. poder e meio ambiente: FOLADORI. Bibliografia complementar e endereços para pesquisas eletrônicas: . 56) A) para o autor.poder e cultura. que mantêm as desigualdades básicas da sociedade em benefício da minoria da população. Bibliografia básica: “Cultura e relações de poder” in SANTOS. O QUE É CULTURA.br/scielo. você está sendo objetivo. Javier.Observe a reação das pessoas em situação de exposição a produtos da indústria cultural. como ver vitrines da moda.o ritmo de seu texto: introdução ao tema. 10. através da expansão da rede de escolas e de atendimento médico. pg. Peça a um colega ou um professor que leia seu texto e faça uma auto-avaliação onde você considere algumas habilidades que puderam ser trabalhadas. mas não toda a população.L. Mana. sua expansão pode ser vista como uma expansão colonizadora.

Roberto. E entre diferentes culturas. Entretanto. sejam de acesso a uma maioria. alguns grupos possuem mais riqueza e por isso têm acesso a mais informação. e também em assunto institucional.ufsc. No processo histórico de formação da sociedade capitalista. dando igual espaço a todas as manifestações culturais.daMATTA.pdf> Desenvolvimento do conteúdo Até aqui foi ressaltado o conceito de cultura como algo que identifica um povo. existe uma intensa movimentação de interesses na forma como a cultura “circula” em nossa sociedade. empresas ou editoras que comercializam arte. A indústria. artigo publicado no Jornal da Embratel. Chamamos a isso de “democratização da cultura”. A cultura se transformou em assunto de mercado. através de produtoras. como seus hábitos. costumes e saberes. Alguns grupos pressionam o Estado para que os bens culturais. na outra escala. Você tem cultura. podemos falar que independente de classes sociais e posições de poder. educação formal. o comércio e a oferta de serviços se tornaram especialidades que dependem do domínio também da tecnologia. Os indivíduos mais qualificados conseguem ocupar posições mais privilegiadas economicamente. Disponível em <http://www. 1981. da arte ao saber. a erradicação do analfabetismo é muito importante para toda a sociedade. da diversão ao saber. Quando um Estado coloca em prática uma política de democratização cultural. Dessa perspectiva. os meios de comunicação de massa devem diversificar sua programação. como as escolas e órgãos públicos dedicados a ela. Por isso dizemos que saber é poder. e não uma minoria.dentro de uma única sociedade que possui a mesma influência cultural. Ocorre que. ou seja. Assim. de todas as classes sociais. Rio de Janeiro. dentro de uma sociedade leva diferentes grupos a ocuparem posições em uma hierarquia que os torna menos poderosos ou. todos fazem parte de uma mesma totalidade. e interessa a todos. a cultura popular deve ter incentivo para não depender apenas dos interesses empresariais que querem vender mais e acabam deixando de lado verdadeiros talentos. Toda essa relação de poder foi colocada até agora.arq.br/urbanismo5/artigos/artigos_mr. os recursos não são divididos de forma igualitária. é necessário lembrar que a cultura está sujeita às disputas e conflitos que. em uma sociedade de classes. com bastante poder. sua missão deve ser a de dar apoio às várias formas de manifestação cultural: a cultura erudita deve chegar ao público que não tem dinheiro para pagar por ela. o domínio dos saberes técnicos especializados foi importante para criar noções como progresso e desenvolvimento. é possível afirmar que as relações de poder interferem? Sim! . Os poderes econômico e político têm um efeito direto sobre a cultura. diversão e saberes. aos bens culturais como um todo. Portanto.

como temos visto. SP: Brasiliense. A diversidade cultural é acompanhada de diferenças de poder. da cultura como o que você pode extrair desse modo de vida e dos valores para transformar. Esse processo acompanha a história de uma nação. eu falo do poder de quem faz cultura. O que nesse aspecto ocorre no interior das sociedades contemporâneas ocorre também na relação entre as sociedades. apropriação. E como conseqüência disso. pela Editora Peirópolis. da capacidade de se manifestar. aos saberes de forma geral. Algumas nações mais poderosas economicamente no cenário mundial garantem mais acesso a educação. seja um poder no sentido do cidadão. Elas também influenciam mais as outras do que são por elas influenciadas. aos valores. mas nas sociedades de classe seu controle e benefícios não pertencem a todos. abaixo está reproduzido um trecho da entrevista com o autor Leonardo Brant. 84-86) Como a cultura é dinâmica. O QUE É CULTURA. Quero dar uma perspectiva nova. a própria cultura acaba por apresentar poderosas marcas de desigualdade. entre diferentes sociedades essa mesma disputa ocorre. São lutas pela transformação da cultura. Eu parto da definição de cultura da Unesco. às crenças. Veja a seguir: Como o livro aborda o poder da cultura? O que eu tento apresentar no livro é que a idéia de cultura nasce a partir de relações de poder. Esse "para transformar" não está contemplado no conceito da Unesco. O assunto do livro está bastante relacionado com a nossa discussão. Os preconceitos culturais podem marcar uma sociedade que possui diferentes etnias e grupos com culturas muito próprias em seu interior. e também à arte e diversão. 2006: pgs. Vamos ler um trecho do autor indicado na bibliografia para concluir esse módulo: A cultura. Sem querer contrapor essa definição. Portanto podemos afirmar que há desigualdade cultural entre os povos atualmente. quem faz cultura tem poder. e contra as desigualdades básicas das relações sociais no interior das sociedades. mas também pode marcar as relações entre povos que ocupam mais ou menos poder. (SANTOS. por isso têm acesso a uma parte “privilegiada” da cultura. na época do lançamento de seu livro “O Poder da Cultura”. Para aprofundar um pouco mais esse assunto. colocar suas pautas e desenvolver a sua ação política. de tal modo que a apropriação dessa produção comum se faz em benefício dos interesses que dominam o processo social. É por isso que as lutas pela universalização dos benefícios da cultura são ao mesmo tempo lutas contra as relações de dominação entre as sociedades contemporâneas. temos que compreendê-la como um processo. José Luiz.Da mesma forma como alguns grupos conseguem o domínio econômico dentro de uma sociedade. sem dúvida. A cultura seria um poder? Na verdade. Isso se deve ao fato de que as relações entre os membros dessas sociedades são marcadas por desigualdades profundas. é uma produção coletiva. Para transformar o quê? . está em constante mudança. desigualdades no plano cultural. como também a história das relações entre as diferentes nações em cada época. Eu faço uma análise da cultura a partir das dinâmicas socioculturais com esse filtro das relações de poder. tento buscar mais do conceito. Não existe cultura sem relação de poder. É um livro sobre a função política da cultura. E como vamos dar poder para isso que a gente mal sabe o que é? Mas. Cultura eu defino como um plasma invisível que a gente não consegue identificar. Há aí controle. que está relacionada aos modos de vida.

Então como se dá a transformação da cultura em produto? Eu considero essa dimensão econômica da cultura. sim. saberes. mesmo que você não queira olhar para eles. eu transformo meu entorno e eu transformo a sociedade. saber a que veio. para o jornal Gazeta online. Sabe o que é serviço de saúde. tradições e costumes de um povo. da arte contemporânea. Se eu me transformar. texto disponível em <http://gazetaonline. O grande desafio com política pública no Brasil é como universalizar esses serviços. está muito subordinada a ditames de comportamento que foram dados e construídos por sistemas culturais preestabelecidos que muitas vezes a gente não se dá conta que existem. E aí eu falo de qualquer dinâmica cultural. É um assunto polêmico. Não temos direito ao conhecimento existente em espaços como uma biblioteca. nos dias de hoje a circulação da cultura está muito associada ao capital.A gente desde o começo apresenta a cultura do ponto de vista do indivíduo. eles estão ali. embora muitas pessoas não queiram admitir . os artistas devem ter função social ou política? Mesmo sem se dar conta.importante. Aí a gente começa a compreender o sistema financeiro e que tem uma relação de equilíbrio entre o lado cultural e o econômico. Não devemos abrir mão dele por uma coisa que não sabemos o que é. Para isso o Estado precisa fornecer esses tais serviços culturais. porque por enquanto é só um discurso. de educação. autônomos. Por isso “ter cultura” é algo que exige investimentos pessoais e sociais. A nossa sociedade do consumo. mas é a que temos. Apesar disso. A sociedade precisa incorporar esses processos. Mas o mais importante é se transformar. seja da cultura popular. e não seja algo atrelado a questões políticas e eleitorais. Assim como existe uma dimensão social e econômica no fazer cultural. existem os efeitos políticos. de tentar se reconhecer. do grupo social e da sociedade como um todo. Quando a gente construir dez anos de investimentos diretos e consolidados que sejam isentos. Faz parte do processo cultural tentar explicitar um pouco mais as relações de poder. Isso acontece porque fomos alijados desse direito na formação do nosso Estado. do espetáculo. A nação brasileira sequer sabe o que é serviço cultural. é correto afirmar que a cultura está influenciada pelas relações de poder econômico e político? . (entrevista de Tatiana WUO. Nesse sentido de transformações. Exercício com resposta para o módulo 71) A cultura é o conjunto de idéias. Eles têm uma dimensão política que é intrínseca ao fazer cultural. na data de 25/04/2010. mas acho que não devemos abrir mão da lei de incentivo em troca de um discurso de retomada do papel do Estado na cultura. mesmo que não se faça com uma intenção específica.globo. que tem diversas nuances. Como é esse acesso à cultura pela população? Existe o direito de conhecer as outras culturas. aí teremos um sistema um pouco mais desenvolvido. se identificar. Essas dimensões são convergentes. qualquer tipo de expressão e processo que passe pela questão cultural. Vai te transformar e auxiliar no embate cotidiano que o ser humano tem.com/_conteudo/2010/04/629540-entrevista+++leonardo+brant+++especialista+na+area+de+politicas+culturais.html>) Concluindo. Nesse processo. Faz parte da estratégia dos sistemas de poder de informação não falar sobre os meandros de seu próprio sistema. mas outra coisa é a dimensão cultural da economia. como se dão e como a nossa relação com esses sistemas de construção do imaginário acontece.de um país capitalista. o que você acha das leis de incentivo? Com certeza não é a melhor maneira de se realizar atividade cultural no país. dentro do ambiente em que vivemos .

e portanto uma minoria privilegiada economicamente tem acesso a mais bens culturais. in GUERRIERO.). Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção em diversos cursos superiores e de pós-graduação: http://www. 7ª ed. 2003.com/.com/2006/moda-e-tribos-urbanas/. 21:12. “Moda e Tribos Urbanas” – blog editado por Queila Ferraz Monteiro.c)Sim. acessado em 10/03/2009. Olho D‟água. acessado em 10/03/2009. São Paulo: Contexto. pois na sociedade capitalista a cultura se transformou em bens comercializados.blogspot. ANTROPOS E PSIQUE. Stuart. O outro e sua subjetividade. e que de alguma forma fazem questão de manter hábitos próprios e suas tradições. Mércio Pereira. MÓDULO 8 8. Então preste atenção: multicultural se refere a uma sociedade que é formada por muitas etnias (=culturas) diferentes. Rio de Janeiro: DP&A. 2009. filosofia da cultura. 2004. Identidade cultural na atualidade: multiculturalismo e tribalismo urbano – 2º bim BIBLIOGRAFIA BÁSICA: “O futuro da antropologia”. Pp.fashionbubbles. “Identidade cultural”. Ed. 205-214.. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO Segundo Stuart HALL MULTICULTURAL: características sociais e problemas de governabilidade apresentados por sociedades com diferentes comunidades culturais. MULTICULTURALISMO: estratégias e políticas usadas para governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade em sociedades multiculturais. IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: HALL. in GOMES. K. 21:00. . São Paulo: Ed. Antropologia – ciência do homem. KEMP. S (Org. Sugestão de sítios da Internet: “Tribos de Brasília” – blog editado por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília: http://bsbtribos. 5ª.

Muitos países no mundo de hoje são sociedades multiculturais. programas de apoio aos grupos marginalizados. começam a conhecer a convivência com a participação em sua população. não apenas com direitos iguais. Atualmente. de um numero cada vez maior de etnias. culturais e étnicas. Quem é igual a quem em uma sociedade multicultural? Ou mais.org. Enciclopédia Eletrônica. formam sociedades MULTICULTURAIS. Cotas paras minorias. Mulheres. a partir das garantias igualitárias.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.as "políticas compensatórias" ou as "ações afirmativas" . e enfrentam muitos problemas políticos para que todos se sintam INCLUÍDOS. ações anti-racistas e antidiscriminatórias são experimentadas em toda a parte. Isso os torna multiculturais também. . educação bilingüe. Faziam parte da história de territórios colonizados. demandas de serviços e políticas. As sociedades multiculturais não eram comuns até a década de 80. longe de uniformizar o planeta (como propalado por certas interpretações fatalistas).itaucultural. com a ajuda de novas tecnologias. Portanto o debate do multiculturalismo nos leva aos conceitos de IDENTIDADE CULTURAL. que eram ocupados por uma sociedade etnicamente homogênea. populações latino-americanas ("hispanos" ou chicanos) e migrantes em geral se fazem presentes como atores políticos a partir da marcação de diferenças de gênero. homossexuais. O multiculturalismo como expressão cultural da atualidade. (FONTE: Itaú Cultural. mas que sejam igualmente valorizados como parte de uma sociedade múltipla. assim como a formação de sujeitos políticos que reivindicam. ou mesmo demanda de mercado. quem quer ser diferente e mesmo assim tratado igualmente? O Brasil e os Estados Unidos são países que desde sua criação. quase todos os países europeus. disponível em: ttp://www. e consequentemente de DIFERENÇA CULTURAL.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3186) Identidade versus Diferença – São conceitos inseparáveis e mutuamente determinados: não temos como perceber ou definir uma identidade cultural sem relacionar com alguma outra que é DIFERENTE dela. negros (ou afro-americanos). trazem consigo a afirmação de identidades locais e regionais. um país multicultural convive com setores que se diferenciam muito em sua forma de convivência. é uma forma de atitude política que se baseia no reforço das IDENTIDADES CULTURAIS: A globalização do capital e a circulação intensificada de informações. no período colonial.que tomam os mais diversos setores da vida social.Apesar de comporem uma mesma sociedade nacional. quem quer ser igual a quem. o direito à diferença. A cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social . e haver uma CULTURA NACIONAL que agrega a todos indistintamente.

Qual seja: “As pessoas têm direito a serem iguais sempre que a diferença as tornar inferiores. por exemplo. Perguntas como: “Fazer isso. . e que nas sociedades contemporâneas faz parte de uma exigência para nossos posicionamentos e atitudes. capazes de informar o modo como indivíduos marginalizados são posicionados e construídos em teorias sociais dominantes. têm também direito a serem diferentes sempre que a igualdade colocar em risco suas identidades. “Eu considero justo que as pessoas tomem ESTA tal atitude em tal situação?”. Ao entrar em contato com diferentes setores e ordens da sociedade. A cada uma delas o sujeito avalia qual seu grau de envolvimento e como delas se aproxima. pois entende que podemos “perder” nossa identidade). Somos cobrados a “ter identidade” (também uma outra noção do senso comum bastante confusa.” O conceito de identidade cultural permite compreender os processos através dos quais os indivíduos passam a tomar como “gosto” ou “preferência pessoal” um conjunto que expressa sua subjetividade e o coloca nas relações interpessoais de forma a sentir que pertence a um coletivo. “Eu percebo beleza NESTA forma de aparência social?” Tais questionamentos fazem parte da capacidade de REFLEXÃO que cada um de nós possui. pode conhecer. através de práticas coletivas próprias. práticas sociais e agendas políticas. valores. A diferença está no seguinte ponto. Nenhum indivíduo. a “ter personalidade” (que no senso comum é um conceito difuso e polissêmico). Todos os conceitos trabalhados anteriormente nos outros módulos fazem parte dos processos de identificação. me dá prazer?”. A identidade cultural de um grupo se manifesta tanto externamente. “Eu me sinto bem ao pensar sobre esse assunto DESTA maneira?”. introjetam os valores. recebem a visão de mundo de sua cultura.Diferença. vestuário e adornos corporais. a um “estilo pessoal”. contudo. quando cada indivíduo entende como próprio de si mesmo um conjunto de hábitos e formas de sensibilidade que foram coletivamente constituídas. A cada cultura corresponde um imenso e vasto repertório de hábitos. DESTA forma. de qualquer cultura que seja. como intersubjetivamente. onde os elementos de sua subjetividade vão se reorganizando em função de novas experiências. um iminente sociólogo da atualidade tem uma frase que colabora de forma excepcional para a compreensão do debate sobre a identidade e o direito à diferença. Para constituir uma identidade. Somos o tempo todo “cobrados” a uma “opinião pessoal”. os indivíduos passam pelos processos de socialização. saberes. técnicas. entrar em contato e experimentar a totalidade desse conjunto. rituais. endoculturação. ou o direito à diferença: conjunto de princípios que organizam elementos culturais e princípios de valores de inclusão e exclusão. a uma “atitude pessoal”. Boaventura de Souza Santos. cada indivíduo entra em um processo de identificação.

podemos nos identificar mais. o estigma. em nossa trajetória pessoal e os contatos sociais que vão se sucedendo ao longo da vida. dominantes em relação a muitas outras. Para cada grupo social existem identidades que são hegemônicas. Nas sociedades modernizadas atualmente. que são impostos a todos os indivíduos dessa dada sociedade. a sociedade tenta reprimir o processo de desenvolvimento dessas identidades. ou menos com cada tipo de comportamento. podemos encontrar um amplo espectro de grupos que se identificam de forma bem distinta. Entretanto. e contínuo ao longo da vida de cada indivíduo. a subjetividade. O estereótipo se realiza quando a sociedade cria uma imagem mental (um imaginário) falso com idéias que reduzem a identidade cultural de um certo grupo a conteúdos que pretendem denegrir.Bem.relacional: é “em relação” ao outro que afirmamos nossa identidade. existem processos de constituição de grupos com identidades que de alguma forma negam ou entram em conflito com esse padrão hegemônico. Essa identidade pode ser compreendida dentro dos seguintes processos: . Nesse contato. tratando os indivíduos participantes através de estratégias que geram exclusão social – o estereótipo. diminuir a importância desse tipo de comportamento. o preconceito. e desde que as atitudes dos indivíduos se enquadrem dentro desse padrão aceito. temos a oportunidade de obter informações ou participar de diferentes grupos que relacionam os elementos culturais de forma original e passam a construir uma “identidade própria”. É como . as relações entre os vários grupos com diferentes identidades e assim por diante). Nesse caso. Quando há uma severa desaprovação relacionada a certa identidade social. nos fazendo mais próximos ou distantes de uma ou outra forma de identidade coletiva. . o que faz com que pareça que identidade é sempre uma questão de escolha. Mas não é exatamente assim que acontece no cotidiano das pessoas. como através da punição moral e da vigilância através de normas e leis. tanto através de mecanismos de socialização.contrastiva: para que se destaque de forma única. ou seja. As identidades hegemônicas correspondem a modelos do padrão moral. há como um “padrão” de comportamento social. a identidade cultural de um ou outro grupo que crie uma identidade será aceita pela maioria que segue o modelo imposto. Ser estigmatizado em função de características de comportamento ou crenças é algo que podemos encontrar em referência a diversas identidades sociais ao longo da história.processual: faz parte de um sistema complexo (pois inclui a referência dada pelo grupo. uma opção. A referência da diferença é o que faz a identidade. seus participantes passam a receber um tratamento social desigual cuja mensagem bastante clara é: “não aceitamos sua identidade”. cada grupo precisa se fazer contrastar dos demais. Estamos falando sobre a forma como certos grupos exercem PODER sobre outros. . Desta forma.

psicológico ou moral dos “outros”. Ele procurava designar a existência de grupos dentro da sociedade contemporânea. quando as pessoas tomam contato com a realidade do outro há uma possibilidade de se abandonar preconceitos. À posse do discurso sobre os direitos ou da ausência do reconhecimento social de direitos iguais. XX. Essas associações fazem a ligação entre características físicas e conteúdo mental. Num certo contexto a minoria é realmente menor estatisticamente em relação a certo universo de pessoas. É uma nova forma de atuação política. Afinal. e que se organizam em torno de reivindicações de direitos sociais. O termo “minorias sociais” surge a partir da década de 70 do séc. Os critérios que possibilitam criar essas idéias não possuem comprovação e não são demonstráveis. Um dos traços marcantes da sociedade contemporânea tem sido exatamente esse. que foge dos padrões tradicionais e se organiza em torno de propostas de ação que gere impacto positivo. É um conceito sobre pessoas que é pré-estabelecido. cuja mobilização procura gerar um debate na sociedade em termos de direitos de igualdade e reverter situações de preconceito. exigindo um tratamento que não gere exclusão social ou desigualdade de direitos aos cidadãos. ou de uma crença. “Os negros são inferiores”. São as chamadas “ações afirmativas”. Uma minoria pode ser constituída por traços básicos de uma etnia. “os pobres são ladrões” são afirmações carregadas de preconceito. a maioria das pessoas correspondia às expectativas dos padrões morais que regem a conduta dentro de nossa sociedade. Não existe mais a noção de maioria ou minoria estatística. Por que essa referência de dimensões? Minoria e maioria? Exatamente a o que elas se referem? Apenas ao número de pessoas? Entendia-se que estatisticamente. mas em outro contexto essa minoria pode representar até mesmo uma maioria estatística.comumente se diz. Um determinado grupo social passa a ser reconhecido como “minoria social” quando vem de alguma forma se expressar. estigma ou estereótipos. ou de uma forma de orientação da sexualidade. cujos traços característicos ou comportamento expresso não correspondiam ao modelo hegemônico. “rotular alguém”. Também correspondia ao termo maioria. À minoria corresponderia então grupos estatisticamente inferiores. esclarecimento e receptividade da sociedade. Um pré-conceito de fato. “as louras são burras”. e inferiores também em termos de poder ou alcance para fazer valer a legitimidade de sua identidade coletiva. pois se organiza em torno de associações lógicas questionáveis e sem contato com a realidade sobre a qual pretende afirmar qualquer coisa. Atualmente o conceito de minoria se refere a essa dimensão da posse do poder de controle sobre a moral da sociedade ou da ausência desse mesmo poder. O preconceito é um julgamento estabelecido previamente a qualquer conhecimento aceitável. Setores da sociedade que possuem características marcantes o suficiente para que lhes seja atribuída uma identidade. mas possuem força moral sobre a maioria dos indivíduos do grupo. . por conseguir impor através da hegemonia um modelo padrão de identificação. mesmo porque essa questão é muito relativa ao universo social ao qual esse ou aquele grupo pode estar relacionado.

transgêneros. “jipeiros”. Normalmente. podemos encontrar grupos que se organizam em torno de propostas de lazer. formando essas “tribos” são a expressão de novas formas de sensibilidade social. e não “disfarçar” para não serem notados. é que atualmente os indivíduos procuram refletir sobre sua subjetividade e expressá-la de formas criativas e originais. “modernos primitivos” (que praticam muitos estilos de modificação corporal como tatuagens. Através da convivência nesses grupos. eles provocam na sociedade uma reflexão sobre nossos padrões de conduta. o senso comum considera “exagero” e reprime ou procura desmoralizar através do estigma. não consegue compreender. Os grupos que se organizam em torno de estilos de vida. surgiu uma forma de expressão de identidades que com ele dialoga. desde o final da II Guerra Mundial. valores e rituais que os diferenciam da sociedade em geral. atividades lúdicas. Ao lado das chamadas minorias sociais. “skatistas”. consumo. construindo uma estética própria. . principalmente grupos étnicos que em muitos lugares são oprimidos por sua condição de origem. as pessoas que participam dessas tribos. implantes. é correto associar ao conceito de: c) Multiculturalismo. Esses grupos se constituem em torno de estilos de vida. grupos de orientação religiosa não católica ou protestante. O que esse fenômeno social nos mostra. Por isso utilizam um vestuário característico. se reúnem em locais que acabam sendo reconhecidos como “seu território”. podemos testemunhar o fenômeno da formação desse tipo de constituição de uma coletividade. Eles querem exatamente mostrar essa diferença. experimentam novas formas de convívio social e colocam em jogo novos valores. a atuação política se faz também presente. “emos”. quem é “de fora”. as vezes rejeitando os mecanismos que seduzem os indivíduos a participar dele. arte e que em alguns casos. bissexuais). e utilizam um linguajar com gírias e termos que. para além do que o senso comum consegue compreender. Exercício com resposta para o item 81) Quando muitas culturas convivem dentro de uma mesma nação. travestis. “góticos”. atividades de sociabilidade.São chamadas minorias hoje. escarificação entre outros). Com o crescimento do mercado capitalista de consumo. piercings. Vamos citar alguns: “rappers”. e compartilham diferentes modos de vida. grupos de orientação sexual não heterossexual (homossexuais. Os indivíduos que fazem parte de uma “tribo urbana” não ocultam essa forma de gosto ou identidade. e fazem questão de serem reconhecidos por ela. Em grandes cidades do mundo todo. “metaleiros”. as vezes colaborando para aumentar seu repertório. “moto bikers”. São as chamadas “tribos urbanas”. Sem a pretensão de se tornarem dominadores.

filosofia da cultura. 53-67. procurando se colocar sempre que possível no lugar do outro. Sua principal preocupação é obter “informantes”. portanto. Brasiliense. Ou seja. . pp 29-49. O principal. Luiz Henrique. Pesquisa de Campo.asp?id_secao=1731&id_unidade=1 LAPLANTINE. 2009. in Aprender Antropologia. o cientista passa um longo período de tempo convivendo na cultura que quer conhecer. Ela veio a ser uma alternativa às chamadas “pesquisas de gabinete”.MÓDULO 8 – item 8. Antropologia – ciência do homem. PASSADOR. mas passa a participar de algumas atividades com seus anfitriões. PP.1 CONTEÚDO PARA A PROVA NP-2 – 2º bimestre 8.1 . ele não chega com questionários prontos e não se preocupa com a quantidade de respostas obtidas para a mesma questão. que seja imparcial. “Os pais fundadores da etnografia – Boas e Malinowski”.ucg. in ANTROPOS E PSIQUE – o outro e sua subjetividade. os contatos e debatem com o pesquisador sobre suas dúvidas a respeito do que está sendo observado. São Paulo: Contexto. Desenvolvimento do conteúdo – item 8.br/ucg/institutos/igpa/site/home/secao. texto disponível em: http://www. que são pessoas que lhe facilitam o trânsito.Identidade cultural na atualidade: pesquisa antropológica. Bibliografia básica: “Metodologia”. Bibliografia complementar: Instituto Goiano de História e Antropologia. Ele também não se limita a ser um observador. SP: Olho d´Água. é tentar encontrar uma perspectiva de abordagem desse outro. A partir do contato direto entre pesquisador e cultura pesquisada. Pp.75-92. 2003. O campo da antropologia: constituição de uma ciência do homem.1 E sobre a pesquisa antropológica? Qual sua importância para essa temática das identidades contemporâneas? A pesquisa de campo reescreveu a história da antropologia. F. Ele se torna o que chamamos de “observador participante”. Mércio Pereira. in GOMES. os pressupostos sobre cultura e comportamento humano sofreram mudanças importantes. mas não tão distante como o do observador de laboratório. que se caracteriza por manter o pesquisador distante da vida real dos indivíduos que pretende conhecer. Nesse tipo de pesquisa.

mas com objetivos específicos de suas próprias áreas de atuação e saber. É o mesmo que “se colocar no lugar do outro”. O antropólogo. dentro de sua própria visão de mundo. farmácia. marketing. quando ele pode garantir que não estará sendo etnocêntrico. é necessária uma imparcialidade em seu discurso. nem da do outro. o pesquisador tem a oportunidade de utilizar o “olhar antropológico”. que literalmente significa o registro escrito da experiência étnica. o conjunto de valores. Nos campos da pedagogia. Não é mesmo? por isso esse tipo de pesquisa tem como objetivo “traduzir” diferentes comportamentos. Não está “em defesa” de ninguém. nem de sua própria cultura. As técnicas de observação de campo da antropologia influenciaram muitos campos de estudo. depois de preparado metodologicamente. teses e artigos que abordam ENCONTROS COM O OUTRO. Após a permanência em campo. que passaram a produzir pesquisas semelhantes. publicidade. no qual o pesquisador consiga falar sobre o outro sem ser etnocêntrico. mas também participar. Como cientista. Muitos campos de atuação profissional têm se beneficiado com pesquisas que exploram os saberes. O resultado é que temos hoje uma grande produção de textos. ele deve procurar a elaboração de uma interpretação que possa garantir a imparcialidade. e dentro da ética exigida. educação física. Os relatos produzidos pelos antropólogos em campo são chamados de “etnografias”. sem distorcê-los. Muitas vezes. não faz para os outros. ou qualquer outro pesquisador que utilize essa técnica de pesquisa. o pesquisador se retira. dominam saberes. técnicas ou simplesmente mantêm hábitos. enfim todo o universo de grupos que podem estar dentro de nossa própria sociedade. Esse distanciamento posterior é o período de reflexão sobre os dados obtidos. mas também procura evitar o risco de se transformar no outro. Podemos com isso refletir melhor sobre as relações com a diversidade. . como em sociedades alheias. O que acontece é que. Ao mudar sua própria subjetividade. que para cada tipo de profissional podem se transformar em dados importantes. administração. física e subjetivamente. o que faz sentido para nós. Mas consegue interpretar esse outro modo de vida dentro de sua própria razão e lógica. muitas vezes.Ao observar. alguns grupos ou culturas inteiras. e há a procura de um meio termo. e vice-versa. Assim. consegue obter uma riqueza de detalhes sobre o modo de vida dos “outros” que é muito superior a outros métodos. nutrição. o pesquisador promove uma mudança interna de valores e permite que o outro seja interpretado dentro de seu próprio conjunto de conceitos. entre outros já existe uma grande produção de pesquisas que recorrem ao método da antropologia para obter resultados qualitativos muito interessantes. teorias.

Esse contato com a cultura estudada tem como objetivo: d) Compreender uma cultura alheia sem a necessidade de julgá-la.11) A pesquisa antropológica propõe que o observador-pesquisador participe de atividades rotineiras do grupo estudado.Exercício resolvido para o item 8. . mas interpretando esse outro de forma a respeitar sua própria lógica. e é denominada etnografia ou pesquisa de campo.

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