MÓDULO DE

:

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

AUTORIA:

Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO Autora: Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES.

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040

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A

PRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO Caros (as) alunos e alunas, Sou a tutora de cada um e de cada uma de vocês. Vamos ler, refletir e considerar proposições sobre um currículo vivo, real e capaz de promover mudanças significativas na mente, no coração e no espaço educacional onde atuam. Pensar em uma profissão significativa é esboçar um projeto de vida. Agora, mais do que descobrir a vocação, é fazer dela um instrumento de construção e intervenção no mundo. É adaptar-se ao mundo de maneira crítica, é saber que a educação não é a solução para tudo, mas é a porta para caminhos infinitos. Temos que ter a consciência que sonhos não devolvem o que há mais de 500 anos vem sendo tirado da gente, mas temos a certeza de que a dignidade, ética, igualdade não devem apenas ser escritas em versos e sonhos, mas devem ser realidades concretas, construídas com sangue e suor. Ser educador é acima de tudo acreditar, é lutar para fazer acontecer. Vamos construir uma educação melhor, conhecendo o que é um currículo, sua organização, seu funcionamento e adotando ações práticas e viabilizadoras de mudanças positivas. Obrigada por acreditarem! Obrigada por estarem aqui! Profª. Marizinha Coqueiro Borges.

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Definir um quadro de referência teórica sobre currículo.Parâmetros mínimos necessários – PCN’S. Currículo e desenvolvimento social. funções.O BJETIVOS Compreender o sentido e o significado dos princípios políticos e pedagógicos na elaboração do currículo a partir do conhecimento da estrutura e o funcionamento da Educação Básica Brasileira. Adequação curricular nas vertentes da temporalidade e contexto social. real. garantindo a formação integral de cidadãos participativos e aptos a contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Reconstrução do conhecimento experiência e mundo . . numa perspectiva crítica e transformadora. Concepções de educação e seus autores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre um currículo que seja transformador da realidade e que atenda às diversidades sócioculturais dos educandos. 4 Copyright © 2007. E MENTA Conceituação. elementos componentes.: Concepções e etapas. Implementação e avaliação de currículo. Elaboração de programas curriculares. Agentes da ação curricular. Compreender o currículo escolar como espaço de reconstrução educacional e de especialização do conhecimento pedagógico e refletir sobre a necessidade da construção de práticas pedagógicas específicas a partir do conhecimento de currículo vivo. Currículo oculto.

.......................................... segundo Tomaz Tadeu Da Silva.. 15 UNIDADE 4 .................... ................................................................... 19 Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo .................................................................................................... do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente.. segundo Tomaz Tadeu Da Silva........................................................... 36 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos........ 47 UNIDADE 11 .................... 36 UNIDADE 8 .................... ................... ... 40 Diferenciar o Currículo Oculto.................................................................................................................... 44 UNIDADE10 ................................. 44 O Currículo Multiculturalista e a Educação .................................................................................................... ........................................ 40 UNIDADE 9 ...............S UMÁRIO UNIDADE 1 ................. 12 UNIDADE 3 ....................... 8 Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo..................................................................................... 12 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo................................. 8 UNIDADE 2 ................................. 23 UNIDADE 6 .................... como Ação do Cotidiano da Escola..... ........................................................................................... 31 UNIDADE 7 ............................... 19 UNIDADE 5 ......................................................... 31 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos............................................................................................................................................................ ...................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ........................................................ 23 O Currículo Segundo Dewey E Tyler ...................................... 15 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo............................ 47 Currículo Científico ........................................................................................................................ 51 5 Copyright © 2007........................................................................................................................................................................................

.................................................................. 95 UNIDADE 21 ........ 59 Algumas Reflexões Sobre A Educação................... 75 Os Pilares da Educação........... 51 UNIDADE 12 ............... 59 UNIDADE 14 ................. 55 Breve Biografia Do Educador Paulo Freire .............................................. 99 Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua.................................................................... .......................................................................................................................................................................................................................................................... 90 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica .............................................................................. 85 UNIDADE 19 .. segundo Paulo Freire.... .............................................................. segundo Paulo Freire...................... ..................... 116 UNIDADE 25 ............................................................................................................... 66 UNIDADE 15 .. 80 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas................................ 99 UNIDADE 22 .........................................................................................................................................................80 UNIDADE18 ........... 95 Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua.................................................................. 122 6 Copyright © 2007......... 104 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ............................ Segundo Declaração da UNESCO De 2002..................................................................................... 90 UNIDADE 20 ................................................... 104 UNIDADE 23 ... 85 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica ..................................................................................... 71 UNIDADE 16 ................................................ ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .............. 66 Algumas Reflexões sobre a Educação........................................................................... 75 UNIDADE 17 ..... 110 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ........................... 55 UNIDADE 13 ....................Currículo Científico ................................................................................................... 71 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica .................. 110 UNIDADE 24 ............. ..................... .........................................................................................

............................................................. 151 BIBLIOGRAFIA .. 137 A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular ............................................................................................. 146 GLOSSÁRIO ................... 140 O Livro Didático ...................................................................................................... ..................................................................... 137 UNIDADE 29 ............................................................................................................................................. 134 UNIDADE 28 ................. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .............................................................................................. 146 Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada............. ............................... 140 UNIDADE 30 ................................... 129 UNIDADE 27 ......................................................... 134 Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor.................................. 122 UNIDADE 26 ................................ ............................................................. 152 7 Copyright © 2007..........................................................................................Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar.................................... 129 Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar ..............................................................

ir além das suas limitações e ajudar a construir um currículo ativo.U NIDADE 1 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. crítico e transformador”. Nesse sentido. políticas. Embora questões relativas ao "como" do currículo continuem importantes.( Marizinha Coqueiro Borges). 7-30). de 8 Copyright © 2007. Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo. técnicas. Introdução À Teoria Do Currículo Para adentrar no estudo do currículo faz-se necessário revisitar a concepção de currículo de forma geral. guiada por questões sociológicas. elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo "por que" das formas de organização do conhecimento escolar. voltada para questões relativas a procedimentos. “O professor deve se sentir parte de um coletivo docente. as relações do currículo com o processo de ensino e aprendizagem. o currículo é considerado um artefato social e cultural. vamos discutir as ideias apresentadas por Moreira e Silva (1994). capacitar-se. Nessa perspectiva. Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo. no texto “Sociologia e teoria crítica: uma introdução” (p. epistemológicas. métodos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de sua história. Isso significa que ele é colocado na moldura mais ampla de suas determinações sociais. O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica. com a sociedade e com a escola de modo específico.

nos Estados Unidos. 1975. 1974. o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. vinculada às formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. foi somente no final do século XIX e no início deste. As origens do campo nos Estados Unidos Mesmo antes de se constituir em objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico. Diferentes versões desse surgimento podem ser encontradas na literatura especializada (Cremin. a preocupação com os processos de racionalização. a emergência de uma abordagem sociológica e crítica do currículo. destaca-se. neste texto. dando início a uma série de estudos e iniciativas que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . onde pela primeira vez se elegeu o currículo como foco central da Sociologia da Educação. onde o campo se originou e desenvolveu como na Inglaterra. Comum a todas elas. sistematização e controle da escola e do currículo. tanto nos Estados Unidos. o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas. Seguei 1966. configuraram o surgimento de um novo campo. No entanto. o propósito mais amplo desses especialistas parece ter sido planejar "cientificamente" as 9 Copyright © 2007. Pinar & Grumet. em curto espaço de tempo. que um significativo número de educadores começou a tratar mais sistematicamente de problemas e questões curriculares. o currículo sempre foi alvo da atenção de todos os que buscavam entender e organizar o processo educativo escolar. 198 I). Franklin. Em outras palavras. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal ele tem uma história. O currículo está implicado em relações de poder. Emergência e desenvolvimento da sociologia e da teoria crítica do currículo Os autores focalizam. por parte dos superintendentes de sistemas escolares americanos e dos teóricos considerados como precursores do novo campo.sua produção contextual.

O contexto americano na virada do século Após a Guerra Civil. não se deve entender o novo campo como monolítico. então considerada "desejável". Segundo Kliebard (1974). sendo o sistema de competição livre. às categorias de controle social e eficiência social. consideradas úteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e à prática emergentes. a economia americana passou a ser dominada pelo capital industrial. apresentaremos uma breve descrição do contexto sóciohistórico no qual ela emergiu. A fim de melhor entender como tais intenções informaram o desenvolvimento da nova especialização. A primeira delas é representada pelos trabalhos de Dewey j e Kilpatrick e a segunda pelo pensamento de Bobbitt. tanto em suas manifestações iniciais como nos estágios subsequentes. 10 Copyright © 2007. Todavia. tanto em suas origens como em seu posterior desenvolvimento. Para a produção em larga escala foi necessário aumentar as instalações e o número de empregados.atividades pedagógicas e controlá-Ias de modo a evitar que o comportamento e o pensamento do aluno se desviassem de metas e padrões pré-definidos. As primeiras tendências O campo do currículo tem sido associado. O processo de produção tornou-se socializado e mais complexo. para a construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta. enquanto procedimentos administrativos sofisticaram-se e assumiram um cunho “científico”. já que outras intenções e outros interesses podem ser identificados. substituído pelos monopólios. então prevalente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . duas grandes tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma volta-se para a elaboração de um currículo que valorizasse os interesses do aluno e a outra. A primeira contribuiu para o desenvolvimento do que no Brasil se chamou de escolanovismo e a segunda constituiu a semente do que aqui se denominou de tecnicismo.

políticas e econômicas por que passava o país e que. procuraram adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista que se consolidava. juntamente com vestígios e revalorizações de uma perspectiva mais tradicional de escola e de currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 11 Copyright © 2007.Pode-se dizer que as duas. em seus momentos iniciais. dominaram o pensamento curricular dos anos vinte ao final da década de sessenta e início da década seguinte. representaram diferentes respostas às transformações sociais. ainda que de formas diversas. As duas tendências.

Currículo E Ideologia Desde o início da teorização crítica em educação. Fundamentalmente. Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola em diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes "aprenderiam" as atitudes e valores próprios das classes subalternas. em particular. O ensaio de Louis Althusser (1983). Essas ideias seriam diferencialmente transmitidas. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. às crianças das diferentes classes: uma visão de mundo apropriada aos que estavam destinados a dominar. Além disso. na escola. os que fossem até o fim seriam socializados no modo de ver o mundo próprio das classes dominantes. em geral. "A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos de Estado" marca. naturalmente. Aquele ensaio rompia com a noção liberal e tradicional da educação como desinteressadamente envolvida com a transmissão de conhecimento e lançava as bases para toda a teorização que se seguiria. a outra aos que se destinavam às posições sociais subordinadas.U NIDADE 2 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. Althusser era explícito a respeito dos mecanismos pelos quais essas diferenciadas 12 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . "ideologia" tem sido um dos conceitos centrais a orientar a análise da escolarização. garantindo assim a reprodução da estrutura social existente. o início da preocupação com a questão da ideologia em educação. Althusser argumentava que a educação constituiria um dos principais dispositivos através do qual a classe dominante transmitiria suas ideias sobre o mundo social. e a do currículo.

em matérias aparentemente menos sujeitas à contaminação ideológica. mas o escasso tratamento dado ao conceito na primeira parte do ensaio podia legar a essa compreensão. o ensaio de Althusser e seus pressupostos foram objeto de crítica e refinamento nos anos que se seguiram à sua publicação. Em primeiro lugar. 13 Copyright © 2007. Embora tenha sido um marco importante e continue sendo uma referência central na teorização crítica em educação. uma compreensão que nos levou bastante além do esboço de Althusser. houve uma série de contestações conceituais à própria noção de ideologia formulada por Althusser. o refinamento conceitual foi na direção de afastar a ideia de ver a ideologia como falsa consciência ou como um conjunto de ideias falsas sobre a sociedade. mas certamente uma coisa relativamente clara na literatura educacional é o vínculo que a noção de ideologia tem com poder e interesse. também. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . embora de forma mais sutil.visões de mundo eram transmitidas. ainda não superada). Por outro. Essa perspectiva permite que escapemos aos impasses colocados pelo equacionamento de ideologia como conhecimento falso e não ideologia como conhecimento verdadeiro. apresentava. A compreensão do conceito de ideologia como consciência falsa levava facilmente à sua formulação como uma questão epistemológica centrada na dicotomia falso/verdadeiro que a despia de todas as suas conotações políticas. uma noção extremamente sofisticada de ideologia. De forma geral. raramente referida. Estudos Sociais. é difícil resumir as inúmeras interpretações ligadas ao conceito de ideologia numas poucas proposições. Educação Moral. É verdade que o ensaio de Althusser não se baseava nessa noção (e sua segunda parte. mas estariam presentes. Por um lado. Naturalmente. essa transmissão da ideologia estaria centralmente a cargo daquelas matérias escolares mais propícias ao "ensino" de ideias sociais e políticas: História. como Matemática e Ciências. de fato. inúmeros estudos empíricos sobre o funcionamento da escola e da sala de aula ajudaram a aumentar consideravelmente a nossa compreensão do papel da ideologia no processo educacional.

É menos importante saber se as ideias envolvidas na ideologia são falsas ou verdadeiras e. O que caracteriza a ideologia não é a falsidade ou verdade das ideias que veicula. é mais importante saber que vantagens relativas e que relações de poder elas justificam ou legitimam. está relacionada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões. mas saber a quem beneficiam o que implica ao outro ponto conceitual importante: o conceito de ideologia e a relação de poder. A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem à realidade ou não. transmitem uma visão do mundo social vinculada aos interesses dos grupos situados em uma posição de vantagem na organização social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A ideologia é essencial na luta desses grupos pela manutenção das vantagens que Ihe advêm dessa posição privilegiada. A ideologia. nessa perspectiva.permitindo também que nos afastemos da noção representacional de conhecimento e linguagem implícita naquele equacionamento. 14 Copyright © 2007. mas o fato de que essas ideias são interessadas.

senão uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade. A 15 Copyright © 2007. o que significa que são tanto campos de produção ativa de cultura quanto campos contestados. A teorização crítica. o currículo. envolvidos com esse processo. continua essa tradição. mas ele é visto. Continuando Nossas Reflexões Sobre A Teoria Do Currículo Currículo E Cultura Se ideologia e currículo não podem ser vistos separados na teorização educacional crítica. de certa forma. a educação e o currículo estão. a tradição crítica vê o currículo como terreno de produção e criação simbólica. o currículo e a educação estão profundamente envolvidos em uma política cultural. cultura e currículo constituem um par inseparável já na teoria educacional tradicional. em particular. A educação e o currículo são vistos como profundamente envolvidos com o processo cultural. Entretanto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a cultura não é vista como um conjunto inerte e estático de valores e conhecimentos a serem transmitidos de forma não problemática a uma nova geração. há diferenças importantes a serem enfatizadas. ao contrário do pensamento convencional. Nessa visão.U NIDADE 3 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. nem ela existe de forma unitária e homogênea. como fundamentalmente político. sim. cultural. Em vez disso. Na tradição crítica. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. que é a educação e. Em contraste com o pensamento convencional sobre a relação entre currículo e cultura. De forma geral.

a cultura é o terreno por excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais. Aquilo que na visão tradicional é visto como o processo de continuidade cultural da sociedade como um todo. Em uma sociedade dividida.educação e o currículo não atuam. a ideia de cultura é inseparável da de grupos e classes sociais. 1979). Em vez disso. por outros agentes. essa transmissão se dá em um contexto cultural de significação ativa dos materiais recebidos. de sujeitos. mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos. a visão tradicional da relação entre cultura e educação/currículo não vê o campo cultural como um terreno contestado. mas o resultado nunca será o intencionado porque. Na concepção crítica. não é visto. unitária. é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. de significações. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. precisamente. a cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. 16 Copyright © 2007. por sua vez. Obviamente. A cultura e o cultural. nesse sentido. O currículo educacional. Assim. O currículo. por isso. nessa visão. homogênea e universalmente aceita e praticada e. nessa perspectiva. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . então. é o terreno privilegiado de manifestação desse conflito. não existe uma cultura da sociedade. tal como na visão tradicional. a cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. mas como um campo em que se tentará impor tanto a definição particular de cultura da classe ou grupo dominante quanto o conteúdo dessa cultura (BOURDIEU. apenas como correias transmissoras de uma cultura produzida em outro local. não estão tanto naquilo que se transmite quanto naquilo que se faz com o que se transmite. é visto aqui como processo de reprodução cultural e social das divisões dessa sociedade. O currículo pode ser movimentado por intenções oficiais de transmissão de uma cultura oficial. Nessa visão. como um local de transmissão de uma cultura incontestada e unitária.

no contexto da educação e do currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . somos obrigados a rejeitar a visão convencional do currículo que o vê como um veículo de transmissão do conhecimento como uma "coisa". Isso não quer dizer que a conceituação daquilo que constitui o poder. gênero etc.Essa perspectiva da cultura como um campo contestado e ativo tem implicações importantes para a teoria curricular crítica. 17 Copyright © 2007. o conhecimento corporificado no currículo é tanto o resultado de relações de poder quanto seu constituidor. isto é. sobretudo. Como vimos acima. como um conjunto de informações e materiais inertes. no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação. Na visão crítica. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. Nesse entendimento. Para não entrar em longas e intermináveis discussões conceituais sobre o poder. um terreno de produção e de política cultural. Currículo e poder Se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica é a de poder. em relações sociais em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos à vontade e ao arbítrio de outros. o poder se manifesta através das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe. O currículo é. seja uma questão facilmente resolvida. é suficiente afirmar aqui que o poder se manifesta em relações de poder. É nessa perspectiva que o currículo está centralmente envolvido em relações de poder. É a visão de que a educação e o currículo estão profundamente implicados em relações de poder que dá à teorização educacional crítica seu caráter fundamentalmente político. o currículo não é o veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. Se combinarmos essa visão com aquela que questiona a linguagem e o conhecimento como representação e reflexo da "realidade". de contestação e transgressão. recriação e. etnia. assim. Essas divisões constituem tanto a origem quanto o resultado de relações de poder. quando discutimos os conceitos de ideologia e cultura.

o currículo. Tomaz Tadeu da. 2001 GOODSON. 1995. Currículo: Teoria e história. constitui identidades individuais e sociais que ajudam a reforçar as relações de poder existentes. Grande parte da tarefa da análise educacional crítica consiste precisamente em efetuar essa identificação. mas apenas de que o poder não se realiza exatamente conforme suas intenções. no centro de relações de poder. Por outro lado. fazendo com que os grupos subjugados continuem subjugados. expressa os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem em relações de poder. Seu aspecto contestado não é demonstração de que o poder não existe. Documento de identidade – uma introdução às teorias do currículo. 2. Desta forma. assim. IVOR F.Por um lado. Reconhecer que o currículo está atravessado por relações de poder não significa ter identificado essas relações. o currículo é expressão das relações sociais de poder. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Petrópolis: Vozes. apesar de seu aspecto contestado. ao se apresentar. Belo Horizonte: Autêntica. O currículo está. no seu aspecto "oficial" como representação dos interesses do poder. enquanto definição "oficial" daquilo que conta como conhecimento válido e importante. No caso do currículo. É exatamente porque o poder não se manifesta de forma tão cristalina e identificável que essa análise é importante.. ed. ao expressar essas relações de poder. o currículo. 18 Copyright © 2007. cabe perguntar: que forças fazem com que o currículo oficial seja hegemônico e que forças fazem com que esse currículo aja para produzir identidades sociais que ajudam a prolongar as relações de poder existentes? Leitura de : SILVA.

a partir das discussões sobre as teorias pedagógicas. teorias sobre o currículo. de estudos e pesquisas sobre o currículo. de uma forma ou outra. institucionalizada. todas as teorias pedagógicas e educacionais são também teorias sobre o currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como "currículo" pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como "currículo". de preocupações com a organização da atividade educacional e até mesmo de uma atenção consciente à questão do que ensinar.U NIDADE 4 Objetivo: Identificar o processo de construção dos estudos do currículo. estritamente falando. com o currículo. Mas as teorias educacionais e pedagógicas não são. 19 Copyright © 2007. As professoras e os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos. De certa forma. tais como a formação de um corpo de especialistas sobre currículo. A emergência do currículo como campo de estudos está estreitamente ligada a processos. na História da Educação ocidental moderna. As diferentes filosofias educacionais e as diferentes pedagogias. em diferentes épocas. Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo Nascem Os "Estudos Sobre Currículo": As Teorias Tradicionais Segundo Tomaz Tadeu da Silva (2005). a existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional especializado. bem antes da institucionalização do estudo do currículo como campo especializado. a institucionalização de setores especializados sobre currículo na burocracia educacional do estado e o surgimento de revistas acadêmicas especializadas sobre currículo. Há antecedentes. a formação de disciplinas e departamentos universitários sobre currículo. mesmo que não utilizassem o termo. não deixaram de fazer especulações sobre o currículo.

Estão entre essas condições: a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação. políticas e culturais procuravam moldar os objetivos e as formas da educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. a extensão da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores da população. Portugal muito recentemente. acadêmica. Quais os objetivos da educação escolarizada: formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral. é um desses exemplos. É nesse momento que se busca responder questões cruciais sobre as finalidades e os contornos da escolarização de massas. Foram talvez as condições associadas com a institucionalização da educação de massas que permitiram que o campo de estudos do currículo surgisse nos Estados Unidos. está ligada a preocupações de organização e método. O livro de Bobbitt é escrito num momento crucial da história da educação estadunidense. É precisamente nessa literatura que o termo surge para designar um campo especializado de estudos. sob influência da literatura educacional americana. entretanto. É nesse contexto que Bobbitt escreve. como resultado das sucessivas ondas de imigração. o estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico. no sentido que modernamente atribuímos ao termo. num momento em que diferentes forças econômicas. no sentido que hoje lhe damos. de João Amós Comenius. o processo de crescente industrialização e urbanização. só passou a ser utilizada em países europeus como França. O termo currículum. Espanha. como um campo profissional especializado. como ressaltam as pesquisas de David Hamilton. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .A Didactica Magna. o livro que iria ser considerado o marco no estabelecimento do currículo como um campo especializado de estudos: The currículum. A própria emergência da palavra currículum. as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional. à população? 20 Copyright © 2007. em 1918. Alemanha.

as disciplinas científicas. que pudesse estabelecer métodos para obtêIos de forma precisa e formas de mensuração que permitissem saber com precisão se eles foram realmente alcançados. deveriam se basear num exame daquelas habilidades necessárias para exercer com eficiência as ocupações profissionais da vida adulta. os saberes profissionais do mundo ocupacional adulto? O que deve estar no centro do ensino: os saberes "objetivos" do conhecimento organizado ou as percepções e as experiências "subjetivas" das crianças e dos jovens? Em termos sociais. as disciplinas acadêmicas humanísticas. Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar precisamente que resultados pretendiam obter. ler e contar. O sistema educacional deveria começar por estabelecer de forma precisa quais são seus objetivos. 21 Copyright © 2007. por sua vez. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .O que se deve ensinar: as habilidades básicas de escrever. as disciplinas científicas. quais devem ser as finalidades da educação: ajustar as crianças e os jovens à sociedade tal como ela existe ou prepará-Ios para transformá-Ia. a preparação para a economia ou a preparação para a democracia? As respostas de Bobbitt eram claramente conservadoras. a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica propostos por Taylor. Bobbitt queria transferir para a escola o modelo de organização proposto por Frederick Taylor. Bobbitt propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial. O modelo de Bobbitt estava claramente voltado para a economia. Na proposta de Bobbitt. O sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer outra empresa econômica. Esses objetivos. as habilidades práticas necessárias para as ocupações profissionais? Quais as fontes principais do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico. embora sua intervenção buscasse transformar radicalmente o sistema educacional. Tal como uma indústria. Sua palavra-chave era "eficiência".

3ª ed. Uma reflexão sobre a prática.SACRISTÁN. Gimeno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O currículo.. 2000. J. 22 Copyright © 2007. Porto Alegre: Artmed.

é "desenvolvimento curricular". O currículo é simplesmente uma mecânica. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas como a liderada por John Dewey. o currículo se resume a uma questão de desenvolvimento. 23 Copyright © 2007. os interesses e as experiências das crianças e jovens. a uma questão técnica. a construção da democracia era mais importante que o funcionamento da economia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . bem como a relação entre as duas vertentes debatidas na época: a vertente estadunidense e a vertente progressista. vamos incluir as ideias de Dewey. A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática. Não é por acaso que o conceito central. Na perspectiva de Bobbitt. ele achava importante levar em consideração no planejamento curricular. Para Dewey. nessa perspectiva. um conceito que iria dominar a literatura estadunidense sobre currículo até os anos 80. Contrariando Bobbit. O Currículo Segundo Dewey E Tyler Buscando ampliar a discussão sobre o currículo. a questão do currículo se transforma numa questão de organização. Numa perspectiva que considera que as finalidades da educação estão dadas pelas exigências profissionais da vida adulta.U NIDADE 5 Objetivo: Traçar a linha de estudos do currículo e os teóricos responsáveis pelos estudos.

A organização e o desenvolvimento do currículo devem buscar responder. Nas últimas décadas. Para Bobbitt.. A capacidade para adicionar a uma velocidade de 65 combinações por minuto (. digamos.Tal como na indústria.) é uma especificação tão definida quanto a que se pode estabelecer para qualquer aspecto do trabalho da fábrica de aços”.. de acordo Com Tyler. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . constituíam. nos Estados Unidos. quanto os modelos mais progressistas de currículo. tal como a usina de fabricação de aço. "ensino e instrução" (2 e 3) e "avaliação" (4). "a educação. O estabelecimento de padrões é tão importante na educação quanto. humanista. uma reação ao currículo clássico. de acordo com Bobbitt. como os de Bobbitt e Tyler. os educadores vieram a "perceber que é possível estabelecer padrões definitivos para os vários produtos educacionais. Numa oitava série. numa usina de fabricação de aços. é fundamental. enquanto outras. de acordo com Bobbitt. diz ele. o estabelecimento de um padrão permitiria acabar com essa variação. que emergiram no início do século XX. "ao lado. ilustra ele. de certa forma. É interessante observar que tanto os modelos mais tecnocráticos. é um processo de moldagem". pois. que havia dominado a educação secundária desde sua 24 Copyright © 2007. que se estabeleçam padrões. adicionam a um ritmo médio de 105 combinações por minuto". algumas crianças realizam adições "a um ritmo de 35 combinações por minuto". quatro questões básicas:  Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?  Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?  Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?  Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?" As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: "currículo" (1). O exemplo dado pelo próprio Bobbitt é esclarecedor. na educação. como o de Dewey.

sobretudo da escolarização secundária que era o foco do currículo 25 Copyright © 2007. no contexto da ampliação da escolarização de massas. O latim e o grego . sobretudo aquele "centrado na criança". retórica. segundo a qual a aprendizagem de matérias como o latim. servia para exercitar os "músculos mentais". obviamente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . nesse modelo. incluindo o domínio das respectivas línguas.pouco serviam como preparação para o trabalho da vida profissional contemporânea. o macho da espécie) que encarnasse esses ideais. Supostamente.institucionalização. Basicamente. nem mesmo os argumentos que no século XIX tinham sido desenvolvidos pela perspectiva do "exercício mental". essas obras encarnavam as melhores realizações e os mais altos ideais do espírito humano. o tecnocrático e o progressista atacam o modelo humanista por um flanco. Por estar centrado nas matérias clássicas. aritmética). se estabelecera na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. música. dialética) e quadrivium (astronomia. Não se aceitava. atacava o currículo clássico por seu distanciamento dos interesses e das experiências das crianças e dos jovens. vindo da Antiguidade Clássica. na forma dos chamados trivium (gramática. Cada um dos modelos curriculares contemporâneos. Obviamente. o objetivo era introduzir os estudantes ao repertório das grandes obras literárias e artísticas da herança clássica grega e latina. O modelo progressista. Ambas as contestações só puderam surgir. Como se sabe. O tecnocrático destacava a abstração e a suposta inutilidade . esse currículo era herdeiro do currículo das chamadas "artes liberais" que. o currículo humanista simplesmente desconsiderava a psicologia infantil. O conhecimento dessas obras não estava separado do objetivo de formar um homem (sim. geometria. de uma forma que podiam se aplicar a outros conteúdos. o currículo clássico humanista tinha implicitamente uma "teoria" do currículo.para a vida moderna e para as atividades laborais das habilidades e conhecimentos cultivados pelo currículo clássico.e suas respectivas literaturas . por exemplo. aqui.

E ali germinará entre ambos um processo educativo que encontrará sua fonte na paixão pela vida. na fé que responde ao desvelamento dos mistérios do conhecimento com reverência e zelo (Maria Clara Bingemer). Onde o melhor que há nos seres humanos não estiver totalmente anestesiado. a partir dos anos 70.clássico humanista. Débora Barreiros Universidade do Estado do Rio de Janeiro Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Onde não houver adicção. almejamos melhores condições de trabalho e lutamos por um plano de carreira com melhor remuneração. haverá paixão. só iriam ser definitivamente contestados. ouvimos o quanto é essencial uma sólida formação inicial e continuada. ali estará um professor. por sua vez. “As mudanças curriculares e a prática pedagógica” . tanto os técnicos quanto os progressistas de base psicológica.a Formação de professores pós LDB. com o chamado movimento de “reconceitualização do currículo”. professores. O currículo clássico só pôde sobreviver no contexto de uma escolarização secundária de acesso restrito à classe dominante. Faça a leitura do texto indicado abaixo. E um aluno. e responda o que é solicitado. Os modelos mais tradicionais de currículo. deixamos 26 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Quantos de nós conseguimos? Se não conseguimos. nos Estados Unidos. A democratização da escolarização secundária significou também o fim do currículo humanista clássico. Todos nós.

o que envolve a elaboração de novos processos de formação. será dividida em quatro momentos: 1) Formação de professores pós-LDB. Entretanto. com os debates e os movimentos sociais. foi instituído que os cursos normais superiores passariam também a ser responsáveis pela 27 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pois estabelece novas habilidades e saberes para esse novo profissional.. mas o comprometimento com a prática pedagógica nos faz articular novos saberes. implica abertura e reflexão sobre as ações educativas. o que significa ser professor? Ser professor significa ser capaz de ressignificar o seu conhecimento e a sua experiência em cada contexto pedagógico em que se insere. 3) Educação a Distância: uma estratégia de formação docente. 2) Competências e habilidades do professor: o que dizem as Diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica. Por se tratar de uma área ampla e complexa. em seu Art. Então. Os estímulos e a valorização podem ser escassos.º 3276/99. foi intensificado o processo de formação docente. nº 9394/96. que “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Em outras palavras. que mesmo quase submerso ganha força a cada conquista de nossos alunos. em curso de licenciatura. com a publicação do Decreto n. utopia que não poderia ser alcançada de maneira tão rápida. Nesse quadro referencial. Em decorrência. "As mudanças curriculares e a prática Pedagógica" Primeiramente cabe destacar que.de trabalhar? Claro que não! O compromisso com a aprendizagem não nos deixa abandonar o barco. novas exigências e todos os aspectos legais da área. de graduação plena.]”. E que formação é exigida desse novo profissional? Este estudo tem como objetivo analisar alguns aspectos da formação inicial e continuada de professores no Brasil. esta lei estabelece.. e 4) Educação inclusiva e a formação de professores. em universidades e institutos superiores de educação [. 62. a partir da década de 1980. a formação de todos os professores em nível superior passou a ser considerada uma utopia para o quadro brasileiro.

Apesar de toda mudança ocorrida nos últimos anos no que se referem à formação dos professores. 28 Copyright © 2007. com foco nas séries iniciais do ensino fundamental. A partir de 2001. o Ministério da Educação formulou e implementou um conjunto de políticas relacionado à formação continuada. diretrizes e referenciais para formação de professores. Os dados do Censo 2006 também ajudam a pensar em que ponto está a formação de professores exigida no país. foram elaborados parâmetros curriculares. resultados notórios sobre a ampliação dos números de professores qualificados. 1) para melhorar a qualidade da educação é essencial “melhorar o recrutamento. 1). a formação. cujo percentual de professores sem a formação exigida pela lei é ainda alarmante: “apenas 21% dos profissionais que dão aula de 1ª a 4ª série nas escolas rurais têm graduação. organizada pela UNESCO (1999. Outro marco é o Parecer CNE/CEB nº 03/2003. não apenas direcionado aos cursos de Pedagogia. principalmente nas escolas das áreas rurais (que são quase metade das mais de 200 mil escolas públicas brasileiras).formação dos docentes da educação básica. enquanto na cidade esse número aumenta para 56. visto que exige um projeto amplo para ser compartilhado por todos os futuros docentes da licenciatura. alguns dados divulgados recentemente pela Agência Brasil apontam para uma questão crucial sobre a área. Resumidamente. que implicava pensar no currículo dos cursos de formação de professores da educação básica com um diferencial. p. 2004). 2007. O diploma. considerando que. que aponta uma contradição na LDB e dispõe que os professores da educação infantil e da primeira etapa do fundamental precisam apenas do curso normal em nível de ensino médio para exercer o magistério. Tais ações ocorreram de modo a ampliar os espaços de formação e mostrar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . No período de 1995 e 1999. como registra o relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. o estatuto social e as condições de trabalho dos professores”. continua sendo exigido para os que dão aulas para alunos da 5ª à 8ª série e para o ensino médio. a política focalizou as diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica em nível superior (AGUIAR. no período de 1995 a 2002. p. ao Banco Mundial e a outros órgãos financiadores da educação brasileira. de modo que os professores possam “responder ao que deles se espera”.4%” (Agência Brasil. porém.

Proinfantil. públicas e privadas sem fins lucrativos para realização de cursos de formação continuada para professores em exercício nas redes estaduais. fundamentalmente desenvolvido nas áreas de educação infantil e educação fundamental. programa de formação inicial dos professores que não possuem a habilitação legal necessária. É desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Básica. Destina-se aos professores da educação infantil em exercício nas creches e pré-escolas das redes públicas. da educação infantil ao ensino médio. centros de pesquisa e desenvolvimento da educação. Atualmente.Essa reestruturação influencia diretamente as escolas. a sociedade e os professores. Um conjunto de ações de melhoria da qualidade do ensino. da convivência social. que tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior. Programa Ética e cidadania. de Educação a Distância e de Educação Superior do MEC. 29 Copyright © 2007. todos passam a recriar alternativas de ação político-pedagógica. o MEC desenvolve os seguintes programas para formação continuada de professores das redes públicas de educação: Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica. Pró-Letramento . comunitárias e confessionais. Construindo valores na escola e na sociedade. da solidariedade humana e da promoção e inclusão social.curso de nível médio. cujo objetivo é contribuir para a melhoria da formação dos professores e dos alunos.Mobilização pela Qualidade da Educação. a distância. trabalha práticas pedagógicas que conduzam à consagração da liberdade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. num trabalho conjunto com as universidades. na modalidade Normal. junto às instituições de ensino superior (IES) públicas. programa na modalidade a distância que busca a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. Pró-Licenciatura.

deixo algumas perguntas: como promover a formação do professor dentro das competências e habilidades exigidas para o profissional do século XXI? Se a formação pedagógica é relevante para o exercício docente.com a oferta de cursos de formação continuada para professores nas áreas de Química. estamos ainda distantes da realidade almejada. Biologia. como demonstram os dados. Geografia e Língua Portuguesa e Língua Espanhola. que expectativas o profissional tem sobre sua natureza e formas de operacionalização? O que tem maior destaque na formação. a teoria ou a prática? (Publicado em 30 de outubro de 2007) 30 Copyright © 2007. Todos esses programas visam auxiliar os estados e municípios a cumprir a legislação vigente para o exercício da profissão docente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . História. Nessa perspectiva. Física. Entretanto. Matemática.

discutindo alguns autores sobre este tema. 57-63). Em sua preocupação com a questão epistemológica fundamental ("o que significa conhecer?").U NIDADE 6 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. como ocorre com outras teorias pedagógicas. que ele considera como melhor representante do pensamento. ao menos em parte. ele discute questões que estão relacionadas com aquelas que comumente estão associadas com teorias mais propriamente curriculares. é conhecida sua influência sobre as teorizações de autores e autoras mais diretamente ligados ao desenvolvimento de perspectivas mais propriamente curriculares. Daí. Na verdade. Silva (2005) se volta para os dois livros de Paulo Freire: Educação como prática da liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970). busca em Paulo Freire uma análise comparativa dos currículos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Parece evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização especifica sobre currículo. Em sua obra. fazse necessário rever o tema na perspectiva do Tomaz Tadeu da Silva. Paulo Freire desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo. Pode-se dizer que seu esforço de teorização consiste. Educação como prática da liberdade está ainda 31 Copyright © 2007. entretanto. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. é o livro Pedagogia do Oprimido. pelo qual ele iria se tornar internacionalmente conhecido e reconhecido. que em seu livro “Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo”. Nesse texto. Além disso. mas quando adentramos na teoria do currículo. Vamos discutir as ideias de Paulo Freire. trazer para o estudo trechos do texto “Pedagogia do Oprimido versus Pedagogia dos Conteúdos” (2005 p. em responder à questão curricular fundamental: "o que ensinar?".

No segundo. por sua vez.muito ligado ao pensamento da chamada "ideologia do desenvolvimento" que caracterizava o pensamento de esquerda da época. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utilizados por Freire 32 Copyright © 2007. Fanon). em Pedagogia do Oprimido. os elementos propriamente pedagógicos do pensamento de Freire estão aí pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicada a uma análise da formação social brasileira. Pedagogia do Oprimido. por outro lado. ampliada e modificada pela leitura do "primeiro Marx". em aspectos fundamentais. as críticas sociológicas da educação tomam como base a estrutura e o funcionamento da educação institucionalizada nos países desenvolvidos. do marxismo humanista de Erich Fromm. Freire adia a transformação da educação formal para depois da revolução. Em primeiro lugar. aqui. das outras teorizações que iriam constituir as bases de uma teoria educacional crítica (Althusser. muito menos na dominação como um reflexo das relações econômicas e muito mais na dinâmica própria do processo de dominação. a palavra-chave é. Bourdieu e Passeron. da fenomenologia existencialista e cristã e de críticos do processo de dominação colonial (Memmi. sua análise deve muito mais à filosofia do que à sociologia e à economia política. diferentemente daquelas teorizações. uma crítica à escola tradicional. Na verdade. É verdade que a análise que Freire faz da formação social brasileira na primeira parte de Educação como prática da liberdade é profundamente histórica e sociológica. "desenvolvimento". Em seu primeiro livro. a centralidade do conceito de "desenvolvimento" é deslocada pelo de "revolução". Em segundo lugar. precisamente. mas sua preocupação está voltada para o desenvolvimento da educação de adultos em países subordinados na ordem mundial. Está implícita na análise de Freire. difere. Além disso. Bowles e Gintis). O foco está. Já a análise que Freire faz do processo de dominação em Pedagogia do Oprimido está baseada numa dialética hegeliana das relações entre senhor e servo.

oco. narrativo.bancário. A educação bancária expressa uma visão epistemológica que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem simplesmente transferidos do professor para o aluno. e o de Baudelot e Establet propõese. 33 Copyright © 2007. o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. Nessa concepção. o livro de Bowles e Gintis. "fé nos homens". a analisar a "escola capitalista na França". Na sua ênfase excessiva num verbalismo vazio. "esperança" ou "humildade". Na concepção bancária da educação. Refletindo aqui a crítica mais cientificista ligada à "ideologia do desenvolvimento". o conhecimento expresso no currículo tradicional está profundamente desligado da situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer. claramente. dissertativo do currículo tradicional. O conhecimento se confunde com um ato de depósito . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . enquanto o educando está limitado a uma recepção passiva. na medida em que ele não se limita a analisar como são a educação e a pedagogia existentes. Essas diferenças refletem-se inclusive nos títulos dos respectivos livros: enquanto o de Freire ressalta o termo "pedagogia". Não se pode imaginar Althusser ou Bourdieu e Passeron falando. Finalmente.em sua análise estão claramente ausentes de análises mais estruturalistas da educação. a teorização de Freire é claramente pedagógica. bem como as críticas à escola tradicional feitas pelos ideólogos da "Escola Nova". por exemplo. Freire ataca o caráter verbalista. de "amor". como faz Freire em Pedagogia do Oprimido e em livros posteriores. o educador exerce sempre um papel ativo. sugere uma análise da escola na sociedade capitalista estadunidense. A crítica de Freire ao currículo existente está sintetizada no conceito de "educação bancária". mas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser.

Através do conceito de "educação problematizadora". instruções detalhadas de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua concepção de "educação problematizadora". educador e educandos criam. Freire busca desenvolver uma concepção que possa se constituir numa alternativa à concepção bancária que ele critica. conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa. Na educação bancária torna-se desnecessário o diálogo. o conhecimento. para Freire. O currículo e a pedagogia se resumem ao papel de preenchimento daquela carência. a perspectiva de Freire é claramente fenomenológica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . isto é. Ele não se limita a criticar o currículo implícito no conceito de "educação bancária". Para ele.o objeto a ser conhecido não é simplesmente "comunicado". ao invés disso. de carência. Em vez disso. É essa intersubjetividade do conhecimento que permite a Freire conceber o ato pedagógico como um ato dialógico. um conhecimento do mundo. Em vez do diálogo. está sempre dirigido para alguma coisa. Aqui. dialogicamente. Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece. já em Pedagogia do Oprimido. É sobre essas bases que Freire vai desenvolver seu famoso "método". de ignorância. intersubjetividade. Conhecer envolve intercomunicação. Na perspectiva da educação problematizadora. o educando é concebido em termos de falta. O mundo . Se conhecer é uma questão de depósito e acumulação de informações e fatos. Na base dessa "educação problematizadora" está uma compreensão radicalmente diferente do que significa "conhecer". relativamente àqueles fatos e àquelas informações. Freire fornece. Utilizando o conceito fenomenológico de “intenção”. 34 Copyright © 2007. há aqui uma comunicação unilateral. todos os sujeitos estão ativamente envolvidos no ato de conhecimento. na medida em que apenas o educador exerce algum papel ativo relativo ao conhecimento. é sempre “intencionado”. o ato pedagógico não consiste em simplesmente "comunicar o mundo".

35 Copyright © 2007. tais como "conteúdos" e "conteúdos programáticos". entretanto. neste livro. A diferença relativamente às perspectivas tradicionais de currículo está na forma como se constroem esses "conteúdos programáticos". para falar sobre currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da necessidade do desenvolvimento de um currículo que esteja de acordo com sua concepção de educação e pedagogia.É curioso observar que Freire utiliza. expressões e conceitos bastante tradicionais. Ele está bem consciente.

o método sugerido por Paulo Freire. mas o "conteúdo" é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos. Pode-se comparar. mas a devolução organizada. Tyler sugeria estudos sobre os aprendizes e sobre a vida ocupacional adulta bem como a opinião dos especialistas das diferentes disciplinas como fontes para o desenvolvimento de objetivos educacionais. interdisciplinarmente. Contrariamente à representação que comumente se faz. com os métodos seguidos por modelos mais tradicionais. em seu "método". Ao menos em Pedagogia do Oprimido. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. é a própria experiência dos educandos que se torna a fonte primária de busca dos "temas significativos" ou "temas geradores" que vão constituir o "conteúdo programático" do currículo dos programas de educação de adultos. devem organizar esses temas em unidades programáticas. quanto dos educadores diretamente envolvidos nas atividades pedagógicas. Freire não nega o papel dos especialistas que. os quais são também ativamente envolvidos nessa pesquisa. tudo isso filtrado pela filosofia e pela psicologia educacionais. aos quais cabe. Paulo Freire acredita que o "conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição. Vamos nesta unidade continuar com as reflexões sobre a percepção de Tomaz Tadeu da Silva sobre currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. por exemplo. como o de Tyler. nesse aspecto. elaborar os "temas significativos" e fazer o que ele chama de "codificação". 36 Copyright © 2007. ao papel tanto dos especialistas nas diversas disciplinas.U NIDADE 7 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. ao final. Paulo Freire concede uma importância central. Na perspectiva de Freire.

da literatura. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que denominou de educação de grupos dominantes por um longo tempo. do teatro. entre “alta” e “baixa” cultura. constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. que deve ser feita em conjunto pelo educador e pelos educandos. pode-se dizer também que ele inicia o que se poderia chamar no presente contexto. antecipando-se à influência posterior dos Estudos Culturais. essa crítica do conceito de cultura permite a Paulo Freire desenvolver uma perspectiva curricular que. quem sabe. de uma pedagogia pós-colonialista ou. está baseado precisamente numa definição da cultura como o conjunto das obras de "excelência" produzidas no campo das artes visuais. 37 Copyright © 2007. Se Paulo Freire se antecipou. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. segundo Freire. Na concepção de cultura. ele fala em escolha do "conteúdo programático". naquele mundo que. como criação e produção humana. apaga as fronteiras entre cultura erudita e cultura popular.sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou em forma desestruturada". Numa operação visivelmente curricular. O desenvolvimento dessa noção de cultura tem importantes implicações curriculares. clássico. O que ele destaca é a participação dos educandos nas várias etapas da construção deste "currículo programático". Embora Freire não desenvolva esse tema. de uma perspectiva pós-colonialista sobre currículo. naquela realidade. conjuntamente. Mesmo que implicitamente. humanista. da música. Essa ampliação do que constitui cultura permite que se veja a chamada "cultura popular" como um conhecimento que legitimamente deve fazer parte do currículo. à definição cultural do currículo que iria caracterizar depois a influência dos estudos culturais sobre os estudos curriculares. Esse conteúdo programático deve ser buscado. de certa forma. Ela não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. não se faz uma distinção entre cultura erudita e cultura popular. o currículo tradicional.

esses grupos tinham um conhecimento da dominação que os grupos dominantes não podiam ter. Em oposição a Paulo Freire. a perspectiva pós-colonialista. sobretudo nos estudos literários. mais tarde. Paulo Freire antecipa.Como se sabe. Saviani faz uma nítida separação entre educação e política. busca problematizar as relações de poder entre os países que. Para ele. sobretudo em sua insistência no posicionamento epistemologicamente privilegiado dos grupos dominados: por estarem em posição dominada na estrutura que divide a sociedade entre dominantes e dominados. Essa perspectiva procura privilegiar a perspectiva epistemológica dos povos dominados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . desenvolvida. nos países que se tornavam independentes do domínio português. depois. Tal como Freire. Saviani não pretendia estar elaborando propriamente uma teoria do currículo. desenvolvida por Demerval Saviani. claramente pós-colonialista. eram colonizadores e aqueles que eram colonizados. já em Pedagogia do Oprimido. Ao se concentrar na perspectiva de grupos dominados em países da América Latina e. A perspectiva de Freire era. pela chamada "pedagogia histórico-crítica" ou "pedagogia crítico-social dos conteúdos". se tornar centrais à teoria pós-colonialista. no início dos anos 80. A educação torna-se política apenas na medida em que ela permite que as 38 Copyright © 2007. uma prática educacional que não consiga se distinguir da política perde sua especificidade. sobretudo da forma como se manifesta em sua literatura. na pedagogia e no currículo. mas sua teorização focaliza questões que pertencem legitimamente ao campo dos estudos curriculares. na situação anterior. alguns dos temas que iriam. essa dimensão da obra de Paulo Freire pode talvez servir de inspiração para o desenvolvimento de um currículo pós-colonialista que responda às novas condições de dominação que caracterizam a "nova ordem mundial". Numa era em que o tema do "multiculturalismo" ganha tanta centralidade. O predomínio de Paulo Freire no campo educacional brasileiro seria contestado.

Essa ligação limita-se. Assim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .História inspiradora envolvendo adolescentes criados no meio da violência e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. PERGUNTAS:1. violência e tensão racial. a tarefa de uma pedagogia crítica consiste em transmitir aqueles conhecimentos universais que são considerados como patrimônio da humanidade e não dos grupos sociais que deles se apropriaram. a enfatizar o papel do conhecimento do poder das classes subordinadas. uma evidente ligação entre conhecimento e poder. para Saviani. Saviani critica tanto as pedagogias ativas mais liberais quanto a pedagogia libertadora freireana por enfatizarem não a aquisição do conhecimento. Nesse sentido a pedagogia de Saviani aparece como a única. Há. a professora luta para que a sala de aula faça diferença na vida dos estudantes. Diante da corrupção . entretanto. na teorização de Saviani.O que fez a professora cativar a atenção dos alunos? 2. mas os métodos de sua aquisição. dentre as pedagogias críticas.O que fez os alunos começarem a buscar a paz e não mais a violência? Por quê? 39 Copyright © 2007. Assista O FILME: ESCRITORES DA LIBERDADE ( 2007).classes subordinadas se apropriem do conhecimento que ela transmite como um instrumento cultural que será utilizado na luta política mais ampla. a deixar de ver qualquer conexão intrínseca entre conhecimento e poder.

como Ação do Cotidiano da Escola. de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (.. valores e orientações.) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes. daí ser preciso revisitar o conceito e as teorias sobre o currículo oculto. Vale perguntar. explícito.. contribuem. do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente. como forma de desocultar o currículo oculto: Quais questões uma teoria do currículo buscaria responder? Currículo oculto – conceito e teorias. 2001. Diferenciar o Currículo Oculto. p 78).. sem fazer parte do currículo oficial.. Currículo Oculto Caros alunos! Discutir concepção de currículo passa pela questão de “ler e ver” nas entrelinhas." (SILVA. comportamentos.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Currículo oculto “O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que. 40 Copyright © 2007.U NIDADE 8 Objetivo: Identificar o currículo oculto nas práticas pedagógicas dos profissionais da educação.

um educador americano. a explícita e formal. entre outros conteúdos”. mas que elas são também agentes de socialização e sendo um espaço social.A primeira pessoa a utilizar a expressão “currículo oculto”. calcular. o explícito e formal. pois temos em 1938 John Dewey referindo-se a uma “aprendizagem colateral” de atitudes que ocorre de modo simultâneo ao currículo explícito. todas as discussões em torno do papel implícito e explícito da escolarização chegam a diferentes conclusões. e a implícita e informal. escrever. em seu livro Life in Classrroms (1968) para referir-se às “características estruturais da sala de aula que contribuíam para o processo de socialização”. mas todos concordam que as escolas não ensinam os alunos apenas a “ler. e o oculto e informal. 41 Copyright © 2007. foi Philip Jackson. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é anterior. a origem da noção de currículo oculto. tem um duplo currículo. Segundo Giroux. Logo a ideia é de que o currículo escolar é concretizado de duas maneiras. Mas.

porém não é possível separar os efeitos destas mensagens das de natureza cognitiva. nessa definição expressava-se mais através de rituais. eram as relações sociais na escola. A ideologia. apontavam de certa forma. na análise que Bowles e Gintis fizeram da escola capitalista americana. Como lembramos. através do "principio da correspondência". A ideologia e os aparelhos ideológicos de estado. As teorias do currículo oculto É sabido que embora não constitua propriamente uma teoria. para uma noção que tinha características similares às que eram atribuídas ao "currículo oculto". o currículo oculto está junto com as normas de comportamento social como as de concepções de conhecimentos. A noção de currículo oculto estava implícita. o sistema. Ele utiliza a sua experiência para transmitir o conteúdo da disciplina e esta experiência é uma forma de currículo oculto. "Aprendia-se" a 42 Copyright © 2007. que eram responsáveis pela socialização de crianças e jovens nas normas e atitudes necessárias para uma boa adaptação às exigências do trabalho capitalista. mais do que seu conteúdo explícito. que são ligadas às experiências didáticas. que é conhecida por quem a ocultou (o professor. Aqui. etc.O currículo oculto é geralmente associado às mensagens de natureza afetiva. como atitudes e valores. o currículo oculto pode estar sendo utilizado na relação pedagógica sem que o professor perceba. Althusser fornecia uma definição de ideologia que destacava sua dimensão prática e material.). gestos e práticas corporais do que através de manifestações verbais. Mesmo que não diretamente relacionada à escola. Isto é. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no qual há uma intenção oculta. por exemplo. a noção de ideologia desenvolvida por Althusser na segunda parte de seu famoso ensaio. a noção de "currículo oculto" exerceu uma forte e estranha atração em quase todas as perspectivas críticas iniciais sobre currículo. Ele está oculto para o estudante. Assim.

em no máximo 25 linhas o perfil do educador com proposta demistificadora do currículo. Consultar. Na teorização de Bernstein.ideologia através dessas práticas: uma definição que se aproxima bastante da definição de currículo oculto. discutir e analisar o currículo oculto implica na possibilidade de termos consciência de algo que está oculto e desocultá-lo. conhecer. tornando-o mais eficaz e com possibilidade de mudanças. sendo utilizado por praticamente toda perspectiva crítica de currículo em seu período inicial. por exemplo. o importante desse estudo é saber o que fazer com um currículo oculto quando o encontramos. Atividade Dissertativa O currículo apresenta no seu escopo ideologias e crenças.answers.com/question/index?qid=20070514064926AAvRosq. Mas. é através da estrutura do currículo e da pedagogia que se aprendem os códigos de classe. Mas é claro que o conceito de currículo oculto se estendeu para muito além desses exemplos.yahoo. http://br. De que forma ele é possível de ser aplicado dentro de sala de aula? Apresente por escrito . 43 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A teorização crítica.

ameaça a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais” (1997. “no plano cultural. da região. quando eles perguntam: 44 Copyright © 2007. Segundo Lucíola Licínio C. ao mesmo tempo em que cria grupos de identidades tão importantes para o consumo. etc. do país.rapidez nas comunicações devido à sofisticação da tecnologia acessa a informações.U NIDADE 9 Objetivo: Analisar a concepção de currículo multiculturalista O Currículo Multiculturalista e a Educação No mundo atual. a globalização da cultura. Santos. viabilizada pelo desenvolvimento espantoso dos diferentes meios de comunicação. p. O público escolar mudou.30). As necessidades sociais e culturais são outras. da cidade. da nação. P. Utilizamos o texto e imagem de Fernandes & Mota (2007) para refletir sobre as ideias do currículo multicultural. A globalização ocupou o espaço do bairro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . deparamo-nos com uma nova ordem mundial .

ganha o discurso da política. é visto como uma solução para os “problemas” colocados à sociedade dominante. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Os autores defendem o multiculturalismo como atitude de resistência e propõem como alternativa a um sistema curricular ultrapassado Foto: monumento em homenagem ao índio incendiado O que é um currículo multiculturalista Santos (2004) nos conta que um currículo multiculturalista implica em questões como diferença e identidade. A educação brasileira não promove a tolerância como deveria. Todavia. brincar de matar índio. sua essência é visceralmente ambígua: de um lado. tomamos o multiculturalismo como um discurso que. Aqui."Que coisa estranha. o multiculturalismo tem como origem as reivindicações dos grupos dominados e por outro lado. ao transcender os campos da Antropologia. de matar gente”. lançando o foco reivindicações que antes eram 45 Copyright © 2007.

o discurso sobre o multiculturalismo crítico. Antes. (consultar em http://www. pacífico. Neste caso. querendo participar de diálogos interculturais. um currículo multicultural deve atender algumas expectativas:  preocupar-se em desfazer preconceitos e estereótipos. e nenhuma está em posição de superioridade em relação à outra. não se coaduna com os interesses do multiculturalismo crítico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . uma atitude “multiculturalista crítica” rejeita a apropriação de seu discurso: luta por seu espaço de representação. Por isso. com a aceitação do diferente e do diverso. repetindo Santos (2004. Neste sentido. em detrimento à homogeneização gestada à lógica do capital excludente. é imprescindível alterar o cânon curricular. o multiculturalismo se apóia em uma ideologia que entende a diversidade numa perspectiva de mobilização política. A aceitação passiva de se acrescentar pontos de dada cultura em um discurso homogeneizador.br/perspectivas/anais/GT0507. 46 Copyright © 2007.ufop.htm). 90). entende que a diversidade não pode ser um fim em si mesma: ela deve estar entrelaçada à justiça social.  difundir e conhecer saberes diversos. em contrapartida àqueles validados pelo cânon da cultura dominante. E.ichs. partindo-se do princípio de que toda e qualquer cultura apresenta pontos fortes e fracos. “o multiculturalismo nos faz lembrar que a igualdade não pode ser obtida simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico”.  privilegiar a diversidade cultural. para refletir sobre “as formas pelas quais a diferença é produzida por relações sociais de assimetria”. como base das relações sociais democráticas. p.legadas ao descaso.  promover contatos interculturais.

realizou sonhos de uma vida mais folgada substituindo o trabalho pesado por máquinas. uma mudança de entendimento ampla e difundida. Recursivo. A Ciência spenceriana – é uma adaptação do empirismo de Isaac Newton e do racionalismo de René Descartes. Relacional e Rigoroso de caráter aberto e experimental. “Pós-modernismo significa coisas diferentes para pessoas diferentes” afirma Willian Doll. um paradigma. que leva à busca de novas maneiras de pensar e agir em todos os campos de empreendimento humano. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Doll apresenta sua visão de uma utopia de currículo “em que ninguém é dono da verdade e todos têm o direito de ser compreendidos”. para a educação e o currículo. temos a Ciência como uma das obsessões dominantes.U NIDADE 10 Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. social e educacional norte-americano durante sete ou oito décadas deste século. aplicou essa estrutura de mudança à teoria do currículo. Willian Doll. seus métodos na área intelectual dominaram – áreas da Filosofia. então. Currículo Científico O século XX é marcado por uma revolução intelectual e conceitual. 47 Copyright © 2007. Caracteriza o currículo imaginado de quatro Rs: Rico. e nem todos concordam com essa descrição. Existe um contraste fundamental entre os sistemas abertos e fechados da estrutura pós-moderna emergente. Como povo. Psicologia e teoria educacional. O paradigma moderno foi construído sobre o pensamento intelectual. educador perceptivo. Tornou a América-do-norte uma região líder entre as áreas industriais do mundo.tornou-se para as Ciências Sociais.

[Nós precisamos] escolher e combinar as tradições seletivamente. Administração.O paradigma sobre o currículo e seus métodos é histórico _ produto de uma mentalidade específica ocidental. orientada segundo o Iluminismo_ desenvolvido nos últimos 300 ou 400 anos (Toulmin. paradoxal. Avaliando o primeiro se tem uma compreensão melhor do último. eleger aqueles aspectos do passado e do presente que parecem mais relevantes para a tarefa em questão. Literatura.. MODERNISMO E PÓS-MODERNISMO. as Ciências Sociais e a Teologia. 48 Copyright © 2007.”. Jencks diz ser uma mistura de princípios modernistas como “história”. Filosofia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. Para entendermos o novo paradigma e as implicações do currículo.. Uma Ciência contemporânea imbuída de criatividade e indeterminismo. outro aspecto destacado por Toulmim. O pensamento pós-moderno invadiu as Artes. o pós-modernismo é um movimento novo demais para definir a si mesmo e muito variado e dicotômico. O paradigma pós-moderno eventualmente se desenvolverá sobre a Ciência. dialética e desafiadora. A estrutura pósmoderna é estrutural e simultaneamente.. Matemática. O pós-modernismo apresenta uma natureza eclética: Conforme Jencks (1987) diz. o trazer esses códigos aos remanescentes. aberta e transformativa. é preciso entender e fazer algumas distinções entre o modernismo e o pós-modernismo. numa visão do futur. Segundo Stephen Toulmin. O pluralismo é o “ismo” da nossa época. 1990).(página 7) O pós-moderno presta atenção ao passado para. Ciência. Humanidades. “verdade” e “consistência.

Os gregos desenvolveram uma epistemologia. Eles acreditavam que a riqueza agora seria criada não pela guerra. especialmente a Física e a Astronomia. esta foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista. Newton desenvolveu no final do século XVII esta nova cosmologia. Durante os séculos XVI e XVII. Visionários sociais do século XVIII. claro/escuro podiam ser concebidas e definidas somente em termos da união destes opostos. PARADIGMA MODERNO: UMA VISÃO FECHADA. A contínua melhoria material das vidas de todas as pessoas era vistos nas visões do iluminismo e Industrial como objetivo alcançáveis. tecnocrática. 49 Copyright © 2007. dependia de um universo fechado. A realidade e a existência pessoal consistiam na luta ou equilíbrio entre estes opostos. uma Metafísica e uma Cosmologia em que qualidades como bom/mau. A parte mais importante desta visão.moderno. esta cosmologia chegou ao fim. em cima/embaixo. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta não uma visão fechada. como Pierre Laplace. o determinismo causa efeito matematicamente mensurado. é possível categorizar a história do pensamente ocidental em três metaparadigmas: prémoderno. moderno e pós . Utilizando a ciência. e sim pela produção industrial. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como estrutura organizadora.Planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda é um dos desafios educacionais do modo pós-moderno. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. liberalmente desenvolvido. Augusto Comte e outros viram nascer uma nova era – uma era industrial.

Juan Ignácio et al.COLL. procedimentos e atitudes. Os conteúdos na Reforma: Ensino e aprendizagem de conceitos. César. 2000. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Porto Alegre: Artes Médicas. POZO. 50 Copyright © 2007.

especialmente o currículo “cientifico”). “The Elimination of Waste in Education”. Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. 1986. Aplicado à educação isso significa: educar o indivíduo de acordo com suas capacidades. 269. 1916. pág. Não obstante.que culturais. .Cubberley. 1912. As nossas escolas são em certo sentido nas quais os produtos brutos (as crianças) são moldados e transformados em produtos que satistifaçam às várias demandas da vida. Currículo Científico Estas citações refletem quão completamente e o pensamento do industrialismo permeava o pensamento social e o currículo escolar.U NIDADE 11 Transforma o material bruto no produto para qual ele melhor se adapta. Uma vez que nem sempre era possível chegar a um acordo sobre quais eram “as características” do “melhor” 51 Copyright © 2007. a virada do século realmente mostrou uma mudança de ênfase . página 2). Franklin Bobbitt (1918) via o currículo como centrando-se nos déficits ou nas “deficiências dos indivíduos” (página 45) . -Bobbitt. Public School Administration. página 338. quer pessoais . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quer sociais. O currículo tornou-se uma “preocupação nacional” (Kliebard. poderíamos inclusive dizer uma obsessão nacional.do professor (epitomizado na América rural do século XIX por Mark Hopkins sentado na extremidade de um tronco de árvore para o currículo. e o currículo cientifico estava baseado na eficiência e na padronização.

A intencionalidade 52 Copyright © 2007. Nós definimos o bom ensino que resulta numa boa aprendizagem. não estou negando a observação de Hebert Kliebard (1986) de que o currículo norte-americano. Ao retratar o currículo escolar como envolto no manto da ciência modernista. A qualidade humana não é modelada ao igualarmos os sistemas vivos aos sistemas abertos ser humano significa ir além das estruturas biológicas e termodinâmicas. a seleção e organização das experiências para refletir esses objetivos. Bobbitt considerou importante ir ao próprio local de trabalho e medir isso em termos científicos. transferido. ou “sobre o que constituí a eficiência social” (1918 página 51). poderes que podiam gerar outros poderes num ciclo evolutivo interminável. AS IDEIAS MODERNISTAS. estou dizendo que essas ideologias tiveram um efeito maior no nível da retórica e do discurso do que no nível da atividade de sala de aula.trabalho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para que não sejam escolhidos objetivos inadequados. que deve agir como uma peneira na seleção de objetivos. Sobre currículo adotaram a versão fechada que significa através do foco o conhecimento é transmitido. Embora eles discordassem sobre as origens das capacidades de linguagem. Pelo contrário.a competência: poderes que podiam tanto transformar quanto ser transformados. originou-se de um “compromisso não muito metódico” entre ideologias opostas (página 29). parecem enfatizar primeiramente a escolha dos objetivos. A transmissão estrutura o nosso processo de ensino-aprendizagem. A predeterminação dos objetos. Jean Piaget e Noam Chomsky também desenvolveram estudos diagnósticos das capacidades de linguagem. seguidas por avaliações para determinar se os objetos foram atingidos. ambos deixaram de lado os déficits de desempenho para focar os poderes potenciais . e que mesmo nessas ideologias concorrentes havia uma obediência geral aos princípios da ciência modernista. Tyler fala sobre “uma filosofia educacional aceitável” (página 13). eclético em natureza.

Entretanto. resoluções definições.segundo o autor é uma parte importante do ser humano e parte da intencionalidade é o desejo e a ação relativos ao fechamento. nós/outros. mas local. do sujeito/objeto. É a interação complexa entre abertura e fechamento em vários níveis. Neste caso só há transformação se houver interação do indivíduo com o meio ou o objeto de transformação. Segundo o autor o discurso passado e recente sobre o currículo não prestou atenção à complexidade do pensamento humano e adotou o paradigma comportamentalista que J. mente/corpo. currículo/pessoa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ao mesmo tempo o pós-modernismo busca uma integração eclética. Aquelas capacidades que nas palavras de Jerome Bruner (1973) nos permite “ir além da informação dada”. No entanto. Esta visão contribuiu para um conceito curricular em que o treinamento em atividades pré-escolhidas substituiu o desenvolvimento da capacidade transformativa. 53 Copyright © 2007.13) São essas capacidades (intencionalidades. esta integração é um processo vivo negociada. comunicação) que os educadores e curricularistas admitem que atualmente precisem ser desenvolvidas e que caracterizam a qualidade do ser humano. O pós-modernismo propõe uma visão social. molecular) essenciais para haver transformações. (pág 158) Assim as atividades complexas desenvolvidas pelo homem e a capacidades que eles possuem acima e além dos animais foram desprezadas ou negligenciadas. biológico. (consciente. Portanto.B Watson (1913) colocou “Não reconhece nenhuma linha divisória entre o homem e o animal”. portanto devemos adotar uma visão aberta para termos uma perspectiva cosmológica e ecológica. não pré-ordenada e criada e nem descoberta. autoorganização. professor/aluno. ela depende em parte de nós e nossas ações. somos responsáveis pelo futuro dos outros e nosso. pessoal e intelectual bem diferente. a abertura humana contém seu próprio paradoxo. (cap.

54 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e faça a Atividade 1.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. no site da ESAB. no link “Atividades”.

Brasil. Breve Biografia Do Educador Paulo Freire Sabemos que não é possível falar de educação sem ter em mente as ideias do grande educador brasileiro. Nascido em 19 de setembro de 1921 de pais de classe média no Recife. 55 Copyright © 2007. uma experiência que o levaria a se preocupar com os pobres e o ajudaria a construir seu método particular de ensino . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Paulo Freire conheceu a pobreza e a fome durante a depressão de 1929. voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. Paulo Reglus Neves Freire educador brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. Portanto. Paulo Freire. tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica.U NIDADE 12 Objetivo: Conhecer o educador Paulo Freire e suas contribuições para a educação. faz-se necessário conhecer um pouquinho de sua trajetória histórica: quem foi e o que fez. e mundialmente aclamado.

Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, ele nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor, numa escola do antigo segundo grau ensinando a língua portuguesa. Em 1944, ele se casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho. Os dois trabalharam juntos pelo resto de suas vidas e tiveram cinco filhos. Em 1946, Freire foi indicado Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres, Freire começou a se envolver com um movimento não ortodoxo chamado Teologia da Libertação. Uma vez que era necessário que o pobre soubesse ler e escrever para que tivesse o direito de votar nas eleições presidenciais. Em 1961, ele foi indicado para diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, e em 1962 ele teve sua primeira oportunidade para uma aplicação significante de suas teorias, quando ele ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em apenas 45 dias. Em resposta a esse experimento, o Governo Brasileiro aprovou a criação de centenas de círculos de cultura ao redor do país. Em 1964, o golpe militar extinguiu este esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida ele passou por um breve exílio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, Freire publicou seu primeiro livro, Educação como prática da liberdade. O livro foi bem recebido, e Freire foi convidado a ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969. No ano anterior, ele escrevera seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, o qual foi traduzido para vários idomas como o espanhol, o inglês em 1970, e até o Hebraico em 1981. Por ocasião da crise política entre a ditadura militar que governava o Brasil e o socialista-cristão Paulo Freire, o livro não foi publicado no Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo de liberalização cultural.
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Depois de um ano em Cambridge, Freire se mudou para Geneva, Suíça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial de Igrejas. Durante este tempo Freire atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente Guinea Bissau e Moçambique. Em 1979, ele já podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Freire se filiou ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi indicado Secretário de Educação para São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias sobre educação popular. O instituto mantém os arquivos de Paulo Freire. Freire morreu de ataque cardíaco em 2 de maio de 1997 às 6h53 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

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Paulo Freire http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=YzURD6CgVs4 www.paulofreire.org (INSTITUTO PAULO FREIRE) www.paulofreire.ufpb.br (BIBLIOTECA PAULO FREIRE) www.pucsp.br/paulofreire (CÁTEDRA PAULO FREIRE)

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rigorosamente curiosos. a terra”. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando. a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognoscíveis. exigindo a presença de educadores e educandos criativos. Nessa perspectiva. incluímos aqui o resumo do livro “Pedagogia da Autonomia”.U NIDADE 13 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. o professor de jovens e adultos. A pesquisa se faz importante também. E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. 59 Copyright © 2007. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. humildes e persistentes. muito mais que de outras modalidades. a natureza. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. Assim. consequentemente de professor reflexivo. na perspectiva de Paulo Freire. investigadores e inquietos. todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível. A Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou as gentes. Sabemos que o educador democrático trabalha com os educandos. segundo Paulo Freire. os mares. tem necessidade de buscar sempre novas e melhores formas de educar. Algumas Reflexões Sobre A Educação. os rios. com a finalidade de suscitar o espírito de pesquisador e.

O livro é uma obra que apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos. já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. mas. principalmente. é que esta obra se faz imprescindível. além de educar. Agindo em favor de uma sociedade mais justa e igualitária. através. de uma formação crítica e consciente dos estudantes que. É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno. como: simplicidade. porém nem sempre adotados pela sociedade atual. estará formando para um futuro melhor. conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas. 60 Copyright © 2007. pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado. que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos. bom senso (ética em geral) e esperança. sobretudo com as de baixa renda. Alguns postulados apresentados no livro Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócioeducativo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mantendo-se assim o status quo. humanismo. Enfatiza alguns aspectos primordiais. condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais. atentando para a necessidade de formação ética dos educadores. construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais. valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade. dos veículos de comunicação de massa. valorizando a curiosidade dos educandos e educadores. Como eixo norteador de sua prática pedagógica.

e esta consciência é que nos instiga 61 Copyright © 2007. porque ensinar não é transferir conhecimento. que critica. em suas socializações com os outros e com o professor. Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos. dessa maneira. Para Freire. que tem sonhos. se comunica e que dá sugestões. faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco. sem questionamentos. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção[2]. que opina. Segundo o autor. Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto. que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos.Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade. a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho". essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e. Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro. que pensa. ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções. pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social. sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza. Defende ainda que a teoria deva ser adequada à prática cotidiana do professor. que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la. sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada. temos consciência de que somos inacabados. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo.

portanto a autoavaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica. O bom senso requer que sejamos coerentes. Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo. mas não determinado. senso investigativo. Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética. pois ensinar exige humildade. diminuindo a distância entre o discurso e a prática. pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação.a pesquisar. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento. O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância. centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade. enfim. mas no alvoroço dos inquietos. intuição. Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado. passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história. pronto e inalterável. tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade. O educador não deve barrar a curiosidade do aluno. Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade. sua capacidade de ir além. julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . perceber criticamente e modificar o que está condicionado. 62 Copyright © 2007. No capítulo Ensinar é uma especificidade humana. o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática. autoridade e competência no decorrer de sua prática docente. sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças.

A reflexão sobre as palavras do texto. isto é. O educador como um ser histórico. construindo e redescobrindo estes saberes. buscando a qualidade. mostra que o prazer e o amor são os primeiros ingredientes para a transformação da sociedade. para que o educando construa assim a sua autonomia. pensante. mas dando significados. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. tem como objetivo refletir um pouco mais sobre as concepções educacionais. Para Freire. Deve procurar mostrar o que pensa. no livro. O propósito de resgatar as ideias de Freire. e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos. juntamente com o esclarecimento político dos educadores.Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica. crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. O educador deve saber escutar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos. neste livro. uma vez que o mesmo por si só já direciona o educador para a prática educativa amorosa e portanto. dos quais a educação também faz parte. tendo na educação um instrumento de libertação. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo. expressando a afetividade. indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos. não obstante transmitindo saberes. demonstra que Paulo Freire escreve e discursa. político. porém de uma formação científica séria. pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos. acima de tudo. É com a mais brilhante 63 Copyright © 2007. considerando que fomos programados mais para aprender e por consequência para ensinar. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam às vezes de maneira sutil. intervir e conhecer. pois ameaçam confundir a curiosidade. é o significado do ensinar. ensinar exige querer bem aos educandos. a nosso ver. com amor pelo que faz.

vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. Enfim. ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. da importância de se poder fazer a diferença no sistema social. onde ambos aprendem ambos adquirem e sanam dúvidas. ambos crescem como seres humanos. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale à pena. É a mensagem de que para ensinar precisamos. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. 64 Copyright © 2007. no-econômico e no político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõem de meios financeiros para obter cultura e informação. antes de qualquer coisa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

intelectual. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 65 Copyright © 2007. ‘troca: o professor aprende com o aluno.. vizinhos ou seus alunos (se for o caso). Que tal aplicar os conhecimentos sobre as teorias do desenvolvimento realizando a atividade de pesquisa e prática. Dentre as mais comuns.Sabe-se que as contribuições de Paulo Freire sofreram inadequações quanto suas interpretações. Justifique sua escolha. ”e “partir dos conhecimentos dos educandos. ir além”. Situem as características deste grupo num determinado período do desenvolvimento e busque estabelecer as relações entre os diferentes aspectos do desenvolvimento (afetivo. todos em idade de educação infantil. abaixo: Escolha um pequeno grupo de crianças.. temos: “na sala de aula todos são iguais”. mas não são desiguais”. pode ser parentes.. físico e social).. Qual desses equívocos se identifica com a premissa “educandos e educadores são diferentes e é bom que o sejam.

 Conscientização. não somente enquanto indivíduos. fé e confiança. um educador humanista e militante. sem dúvida alguma. Nutre-se de amor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . “É preciso ter a coragem de nos experimentarmos democraticamente”. na perspectiva de Paulo Freire. 66 Copyright © 2007.  Consciência articulada com a práxis. Sua concepção de educação parte sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto.  Movimento de massas. esperança.U NIDADE 14 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. humildade. Algumas Reflexões sobre a Educação. PEDAGOGIA DIALÓGICA Paulo Freire foi. Essa primeira virtude do diálogo consiste no respeito aos educandos. Diálogo é relação horizontal. Outra virtude: a tolerância. segundo Paulo Freire. Outra virtude fundamental é escutar as urgências e opções do educando. Entende que educação é processo de:  Diálogo crítico. mas também enquanto expressão de uma prática social. que é a “virtude de conviver com o diferente para poder brigar com o antagônico”. Uma Pedagogia para a Libertação.

O diálogo é. A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. “Ninguém liberta ninguém. Tem um método dialético de pensar. A educação torna-se um ato de depositar (como nos bancos). que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido. educação é um processo de humanização. o “saber” é uma doação. não separa teoria e prática. EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EDUCAÇÃO PROBLEMATIZADORA Na concepção bancária (Burguesa):  O educador é o que sabe e os educados. Humanismo: Doutrina filosófica que tem no homem o valor supremo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . entre oprimidos e opressores. jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela. NA CONCEPÇÃO PROBLEMATIZADORA: Funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos. os que não sabem. portanto. 67 Copyright © 2007. aos que nada sabem.  O educador é o sujeito do processo. enquanto os educandos são meros objetos. dos que se julgam sábios. históricas. uma exigência existencial. definindo-se a partir dessa perspectiva as exigências psicológicas. econômicas e sociais que condicionam a vida humana.Para Freire. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.  O educador é o que pensa e os educandos.

Significa assumir sua ingenuidade com ele. afirmou ele. Propõe a recepção passiva de um conhecimento empacotado. jamais chama os educados a pensar. mas uma postura de quem deve dirigir os trabalhados e um estudo sério. Respeitar o aluno não significa deixá-lo na ingenuidade. Freire acha que é muito mais cômodo. para ultrapassá-la. é a tomada de consciência de sua própria situação de oprimido. mas também não pode abandoná-lo à própria sorte.Paulo Freire refere-se à categoria diálogo não apenas como método. O professor autoritário não humaniza. mais necessário para a libertação do oprimido. O PAPEL DIRETIVO DO EDUCADOR Paulo Freire não desconsiderava o papel diretivo e informativo da educação. ser autoritário. O educador revolucionário. 68 Copyright © 2007. para um educador. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O educador libertador convida os educandos a um pensar crítico e reflexivo da realidade. Nessa nova teoria de conhecimento. mas como estratégia para respeitar o saber do aluno que chega à escola. mas desumaniza. não pode manipular os alunos. o ato de conhecimento na relação educativa. o saber mais importante. a fazer uma nova leitura de sua realidade. porque a prepotência não exige competência ou respeito e dispensa explicações. Essa diretividade não é uma posição de quem comanda para fazer uma coisa ou outra. expressa pela dominação política e pela exploração econômica a que é submetido. daí a necessidade de elaborar uma nova teoria do conhecimento.

o trabalho cooperativo. Educação é vida! 69 Copyright © 2007. John Dewey e a Escola Nova O que a pedagogia de Paulo Freire aproveita do pensamento de Jonh Dewey é a ideia de aprender fazendo. desde que motivados interiormente para isso.Paulo Freire no contexto do pensamento pedagógico contemporâneo O pensamento de Paulo Freire pode ser relacionado com o de muitos educadores contemporâneos. à crença na possibilidade de os homens resolverem. Carl Rogers e a pedagogia centrada no aluno Freire não defendia o princípio da não diretividade como Rogers. seus problemas. o método de iniciar o trabalho educativo pela fala (linguagem) dos alunos.  A aula não é o momento do depósito do conteúdo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . eles próprios. mas existem pontos em comum como:  Respeito à liberdade de expressão individual. com sentimentos e emoções.  O aluno deve ser autor de sua aprendizagem. que no ensino tradicional encontra-se distante do aluno.  Provas e exames não são os únicos instrumentos de avaliação. A educação deve ter uma visão do aluno como pessoa inteira. a relação entre teoria e prática. O método de Paulo Freire procura aproximar a figura do professor.

A humildade. Enquanto Vygostsky enfoca a dinâmica psicológica.Vygotsky e os educadores revolucionários soviéticos Em época e lugares diferentes. abstrações e outras formas do pensar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. a simplicidade e o otimismo são também características comuns aos dois educadores. ambos perceberam a necessidade de associar a conquista da palavra à conquista da história. Através das palavras. 70 Copyright © 2007. Freire se concentra no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e na análise da linguagem. os seres humanos formulam generalizações.

A aceitação por uma determinada abordagem pedagógica também será baliza para a forma como praticamos a avaliação e o olhar sobre o erro. diante do mundo e seu pensar sobre educação. possibilitador de novas atitudes paradigmáticas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como possibilidade ou não de reconstrução do conhecimento. A percepção sobre o ensino. vai definir sua atitude. O quadro síntese que lhes é apresentado anuncia de forma clara e com propriedade sobre a Visão Tradicional e Novo Paradigma na Educação.U NIDADE 15 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). Pois este parâmetro definirá nossas ações pedagógicas e relações interpessoais desenvolvidas no binômio professor – aluno. digo que não é o uso de recursos educacionais que me faz um educador transformador. A nomenclatura sobre estas duas concepções pode sofrer variação. a sua relação com o conhecimento. mas a relação que 71 Copyright © 2007. As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ANÁLISE COMPARATIVA DE REFERENCIAIS EDUCACIONAIS A análise de referenciais sobre abordagens trabalhadas na educação tem como objetivo relembrar o caro cursista que como educador é muito importante termos bem definido nossa concepção educacional. mas devemos ter como embasamento o seu núcleo de abordagem e de pensar sobre a educação. buscando superá-las. o ambiente de sala de aula. metodologia de trabalho. Parafraseando Paulo Freire. a postura do professor.

estabeleço do conhecimento com o meu aluno. É estimulador de um ambiente plural. ALUNO APRENDIZ Elemento passivo no Centro de referência agente e da autor ação do processo de ensino. físico destinado AMBIENTE DE APRENDIZAGEM ao Não está delimitado por espaço físico. instrutor. do fragmentada conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . SALA DE AULA Espaço ensino. EDUCADOR informações. mas pela concepção de aprendizagem. o aprender a conviver. educacional. o transmitir aprender a fazer. processo de aprendizagem. 72 Copyright © 2007. Quando sou aquela que ensina e aprende com seu aluno. o aprender a ser. Quadro-Síntese Visão Tradicional VALORES/PERCEPÇÕES Novo Paradigma VALORES/PERCEPÇÕES Visão mecanicista e Visão sistêmica do conhecimento. numa relação dialógica do saber. ENSINO EDUCAÇÃO Ação. gerenciada de pelo Enfatiza o aprender a conhecer. INSTRUTOR Foco do processo de ensino. multidimensional. quando me percebo ensinante a aprendente.

CONTEÚDOS Currículo disciplinas predeterminado, isoladas ou

CONTEÚDOS com Processo temas significativa

integrado do

de

construção

conhecimento,

fragmentados.

interdisciplinaridade.

Visão Tradicional
OBJETIVOS

Novo Paradigma
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Comportamentais função de

e

com Desenvolvimento

de

conhecimentos,,

controle

do habilidades e atitudes apropriadas para

professor sobre o conteúdo a realização de um propósito. ministrado.
MEIOS MEIOS

Servem pessoas.

para

treinar

as Desenvolvem formas sofisticadas de comunicação multidimensional e

sensorial que facilitam a aprendizagem.
RESULTADOS RESULTADOS

Alcance dos objetivos que Demonstração podem ser mensurados.

do

alcance

de

competência nas dimensões aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

73 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

DA PRÁTICA INSTRUCIONAL À PRÁXIS EDUCACIONAL Contextos: político,

econômico, social, científico, cultural, tecnológico.

(Direcionam um novo olhar sobre as práticas educacionais.) Educação Tradicional – paradigma de separação sujeito e objeto  fragmenta o conhecimento e suas estruturas. Educadores séc. XXI – fundamentados na nova visão do mundo  globalidade e atuação como integradores conhecimento e problemáticas contemporâneas. As formas de olhar e de representar a realidade definem um arcabouço conceitual  sujeitos / objetos
Referenciais para uma nova práxis educacional

 teoria cognitivista  teoria humanista  teoria sóciocrítica. O foco das três teorias:  o pensar crítico;  o pensar criativo;  a aplicação dos conhecimentos.
Fusão- aprender a conviver e aprender a ser  relações interpessoais.

74 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

U

NIDADE

16

Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor), buscando superá-las. Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002. 1-QUANTO À DIMENSÃO: APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER Objetivo pedagógico: é o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico, com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento, ou seja, – aprender a conhecer e a pensar. (SAI)-_apresenta atitude de investigação e organização do conhecimento É o desenvolvimento de habilidades e procedimentos que levam o indivíduo a aprender a conhecer,... na escola, em museus e bibliotecas,... através das mídias e em ambientes fora da escola desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano, de seu saber e de suas aptidões, como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors, 1996:8). DESENVOLVIMENTO DO APRENDER A CONHECER Aprender a conhecer: interpretação da realidade – conceitos, princípios, fatos, proposições e teorias – visão global contextualizada. Prática tradicional: plano de curso – aula – conteúdo  temas  subtemas  divisão de tempo – transmissão de informação. Paradigma: construção do conhecimento e transferência para a vida cotidiana.“... modernidade educativa é a didática do aprender a conhecer, ou do saber pensar...”

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criticar) para autorealização pessoal e social.  paradoxos.  argumentação.(Pedro Demo.  pensar próprio.  classificação. 1993) Pensar crítico:  comparação.  metáforas.  interrogações divergentes. Metodologias e estratégias devem priorizar o pensamento reflexivo (questionar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 76 Copyright © 2007. Pensar criativo:  tempestade de ideias.  imaginação. posicionarse.  análise. Enfoque indutivo: ideias particulares  conceitos  universal. Em relação aos conteúdos Enfoque dedutivo: ideias gerais  conclusão  particular.  solução criativa de problemas. original. ATUAÇÃO DO PROFESSOR: METODOLOGIA Atua como mediador entre o saber sistematizado e as condições lógicas do aprendiz. atuar.

EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO:  experiências de aprendizagem – crítica. Educar para o êxito / habilidades e destrezas. Desenvolvimento do aprender a fazer: O aprender a fazer é a habilidade de usar o conhecimento de maneira original em situações específicas. Neste processo a pessoa acrescenta saberes pessoais e contextualiza o conhecimento. novos paradigmas. posicionamentos. aplicação do conhecimento em uma prática refletida e planejada.  integração com o meio e com o outro.Enfoque reflexivo / Criador: atividade intelectual  problema  avaliado. como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors.  organização do pensamento – realidade-meio. por meio de capacidades. análise. Aprendizagem – ocorre com produção de mudança em ações. indissociáveis. Aprender a conhecer e aprender a fazer são. 77 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . produzindo desta forma. Está ligada (para-sai) à questão da formação profissional. discutido  alternativas. habilidades e atitudes. É transpor o conhecimento para a vida. Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? …desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano. de seu saber e de suas aptidões. 1996:8). APRENDER A FAZER Objetivo pedagógico: estimular a transformação da teoria em ação.

precisam aprender a viver em grupo. Homem uno e singular e ao mesmo tempo múltiplo e complexo  conceitos de interdependência e inter relacionamento entre os seres. com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento. onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. de ser pessoa. 78 Copyright © 2007. Isto é. portanto. mais efetivo e aprende a ser em relação ao outro.. É o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico. ou seja. Princípio unidade / diversidade. aprende a conhecer o outro e se conhecer através do outro. (Cortelazzo. se as pessoas que aí vivem..  Aprender a viver juntos envolve as relações interpessoais  sinergia  solução de conflitos  respeito ao outro. aprender a conhecer a pensar. o aluno tem sua autoestima aumentada .DIMENSÃO APRENDER A SER / APRENDER A CONVIVER Objetivo pedagógico: estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades individuais – cognitivas. de conviver e ser criativo. APRENDER A CONVIVER POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . torna-se mais produtivo. fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que. 2000) Desenvolvimento do aprender a ser / conviver Consciência individual e social  fortalecer a reflexão. Esta dimensão refere-se à evolução da pessoa e a sua maneira de ser e de se autoconduzir. DIMENSÃO APRENDER A SER Desenvolvendo suas habilidades e competências específicas de forma colaborativa no projeto.

juízos. mas possibilitar vivências. sentimentos. o conceito que uma pessoa tem de si reflete-se na formação de inferências. exercício da fluência de ideias e cultivo do pensamento divergente e inovador. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Indicadores do processo de desenvolvimento da dimensão ser / conviver: Autoconceito  a imagem. descrições sobre os outros e si mesmos. psicodramas. Ex: Técnicas: tempestade de ideias. Conviver / Dinâmica grupal – aprimora o processo de crescimento psicológico e de tomada de consciência subjetiva. analogias. PENSAR CRIATIVO Estimular o pensamento criativo não significa ensinar criatividade (disciplina). 79 Copyright © 2007.

doutorou-se em Harvard (1931). governado por estímulos do meio externo. nascido na França em 1904 e falecido em 1990. funda o Centro de Estudos de Epistemologia 80 Copyright © 2007. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas. respectivamente. Em 1995. autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento PIAGET e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética. Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. Skinner afirma que o nosso comportamento só pode ser explicado mediante um rígido determinismo. no processo de aprendizagem que consiste Skinner na formação de uma associação entre um estímulo e uma resposta aprendida através da contiguidade. a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Firmado como um dos principais behavioristas. BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS condicionamento clássico. suas principais obras são sobre o behaviorismo e o mito da liberdade. lecionou nas Universidades de Minnesota e de Indiana. Jean Piaget. nascido em 1896 e falecido em 1980. psicólogo e biólogo suíço. buscando superá-las. Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais. Acredita na aprendizagem por consequências recompensadas e pelo Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). em Genebra. Skinner afirma ainda que o fracasso dos professores esteja na negligência do método. afirma que o homem é um ser manipulável. psicólogo norte-americano. foi autor de importantes trabalhos sobre a aprendizagem e o ensino programado.U NIDADE 17 Burrhus Frederic Skinner.

impede a formação de inteligências inventivas. a criança começa a pensar logicamente. O professor deve depositar no aluno confiança. a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. críticas e pensadoras. foi professor de Psicologia na Universidade de Chicago e secretário executivo do Centro de Aconselhamento Terapêutico. fez uma exposição geral do seu método não diretivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Genética. sem mascarações. e suas aplicações à educação e a outros campos. lecionou na Universidade de Rochester. onde também transpôs para a educação sua concepção terapêutica. elaborou e definiu seu método de terapia centrada no cliente. Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. psicólogo norte-americano. o primeiro período se dá dos 2 aos 7 anos de idade. verdadeira. Rogers acredita que os seres humanos têm natural potencialidade de aprender. afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança. apreço. sem ostentar uma simples aparência no contato com os alunos. formou-se na Universidade de Colúmbia. quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo. de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento. e esta relação deve ser aberta. O terceiro período de dá dos 11 aos 15 anos. o facilitador Rogers (professor) deve ser uma pessoa real. onde se especializou em problemas infantis. O segundo período se dá dos 7 aos 11 anos. Em 1945. Nascido em 1902 e falecido em 1987. crédito. onde passou a ser diretor. o mesmo acredita que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar é relacionada com seus 81 Copyright © 2007. Piaget critica severamente à escola tradicional. Rogers diz que para facilitação da aprendizagem. onde as habilidades como a linguagem e o desenho são Piaget desenvolvidos.

Entre 1957 e 1963 lecionou História e Filosofia da Educação. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. junto a outros brasileiros exilados. sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática e a teoria se inter-relacionam num processo de constante aperfeiçoamento. Citamos como algumas de suas obras: “Educação como prática de Liberdade”. Freire enfatizando a transformação da prática cria a categoria pedagógica da conscientização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que assessorou diversos movimentos populares em vários locais do mundo. Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento. após suas primeiras experiências com educação de trabalhadores. a qual visa à formação da autonomia intelectual do cidadão para intervir sobre a realidade. Paulo Freire nascido em 1921 em Recife. criou a IDAC (Instituto de Paulo Freire Ação Cultural). na gestão da prefeita Luisa Erundina. do PT. Em 1970. “A importância do ato de ler”. seu método ganha forma com o movimento de Cultura Popular de Recife.próprios objetivos. em Genebra. Formou-se em Direito na Universidade de Recife. suas atividades são interrompidas com o Golpe Militar de 1964. e a mesma deve ter uma contínua abertura à experiência e à incorporação dentro de si mesmo. Retornando do exílio. do processo de mudança. Em 1961. Freire continua com suas atividades e assume cargos em Universidades e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. Em 1963. aplicada à educação. 82 Copyright © 2007. Em 1964. “Vivendo e aprendendo”. “Cartas à Guiné Bissau”. “Pedagogia do Oprimido”. e falecido em 1997. o qual determinou sua prisão.

Rogers afirma que é por meio de Rogers atos que se adquire uma aprendizagem mais significativa. Suas teorias apresentam tendências construtivistas. cujo objetivo baseia-se no condicionamento do ser humano. criatividade e autoconfiança. Engloba-se dentro de um pensamento pedagógico progressista. um professor real. Skinner Segundo Skinner o homem é um ser manipulável. e a avaliação sobre outros olhares. A mesma apresenta também dimensões interacionistas. no papel estruturante do sujeito. Maturação. envolvendo seu cotidiano. Acredita nas concepções tradicionais. Rogers valoriza a autocrítica. prática). o mesmo acredita na questão do reforço (treino. e a mesma acontece quando o aluno participa deste processo. Para que haja interesse. ser uma pessoa. governado por estímulos do meio externo. o conteúdo deve ter valor para o aluno. Propôs quanto à questão do facilitador. a passividade de professores e alunos transmitirem e receberem um "conhecimento empacotado" o que 83 Copyright © 2007. acreditando que estas ações contribuem para a autonomia. transmissões Piaget sociais e culturais. exercício. são fatores desenvolvidos nesta teoria. critica os mecanismos de introjeção da Freire Ideologia dominante. coloca o indivíduo como transformador da realidade através de um trabalho de conscientização e politização. cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. a autoapreciação. como aumento de produção. e o indivíduo aparece como produto do meio. Acredita que os seres humanos têm um potencial natural de aprender. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . equilibração.PARALELO DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS Problemas resolvidos através de uma tecnologia do comportamento. experiências físicas. onde o progresso do indivíduo é limitado por si mesmo. Afirma que o educador deve assumir princípios e valores.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . considerando que a criança passa por todas as etapas. O professor traz para suas aulas um modelo pronto. como um ato criador. como por exemplo: um prêmio para o vencedor. 84 Copyright © 2007. o qual se dá em etapas Piaget sucessivas. as situações que produzirão o conhecimento. O aluno deve vivenciar a prática. onde o aluno tem Skinner que repetir exatamente igual.aumenta o índice de analfabetismo. E para que isso aconteça o professor usa estímulos. e a criança o construirá. mas deveria ser proporcionada uma educação politizada. acreditando Rogers que o indivíduo tem dentro de si a capacidade de compreender os fatores de sua vida. deve ser realizado dentro de um contexto social. acreditando que o indivíduo não devia ser alfabetizado Freire apenas para a leitura e escrita. Tem sua preocupação voltada para a alfabetização de jovens e adultos. De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo). o aluno tem liberdade de direcionar e conduzir o seu processo de aprendizagem. envolve a compreensão da realidade. Propõe liberdade para o indivíduo construir. onde alunos são objetos no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. superando as barreiras chamadas “mecanismos”. PERFIL DO MODELO DE PROCESSO PEDAGÓGICO Propõe o conhecimento como algo que vem do exterior para o interior. os materiais devem ser concretos. Freire afirma que o aprendizado da leitura e da escrita.

como metodologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 85 Copyright © 2007. onde o trabalho tinha posição central. e são necessárias técnicas construídas com base na experimentação e documentação. e buscava pela necessidade tentativas de experiências renovadoras de ensino. o qual apresentou Freinet um confronto entre a escola tradicional e a escola proposta por ele. De acordo com Freinet devem ser proporcionadas oportunidades para que se produza o conhecimento. afirmando que esses instrumentos aprofundam o conhecimento e o desenvolvimento de sua ação. lutou na 1ª Guerra Mundial. foi um dos educadores mais marcantes da escola fundamental de seu país. Freinet afirmava a existência de uma dependência entre a escola e o meio social.U NIDADE 18 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). Freinet é considerado como um grande crítico da escola tradicional. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS Nascido na França em 1896 e falecido em 1966. sua principal obra foi o livro “Educação pelo trabalho”. buscando superá-las.

Seus trabalhos e pesquisas demonstraram uma preocupação em integrar os objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e cultural. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no que se refere à alfabetização. Ferreiro contribuiu para a compreensão do processo de aprendizagem. De acordo com Ferreiro é preciso diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização. não existe um método com todos os passos predeterminados. silábico-alfabética.Emília Ferreiro. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita. os quais surgem da interação com a linguagem Ferreiro escrita. o valor das letras e sílabas. e a alfabética onde a criança domina. transformando a escrita convencional e produzindo escritas estranhas ao adulto. orientada por Piaget. apesar de a criança construir seu próprio conhecimento. silábica onde a criança interpreta a letra à sua maneira. enfim. onde a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada. pois as crianças não chegam na escola vazia. Para Ferreiro. (SAI atualmente aos 62 anos) . psicolinguística argentina. no México. demonstrando a existência de mecanismos no sujeito que aprende. que favoreçam a reflexão sobre a escrita. e que emergem de uma forma muito particular em cada um dos sujeitos. doutorou-se pela Universidade de Genebra. foi professora em várias Universidades latino-americanas e européias. onde a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas.É pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional. As crianças interpretam o ensino que recebem. atribuindo o valor de sílaba a cada letra. cabe ao professor organizar atividades. Desenvolveu trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita. 86 Copyright © 2007. a mesma afirma que a criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica.

É no processo de ensinoaprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo. 87 Copyright © 2007. Quanto ao conhecimento Vygotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador ir além do que ela pode aprender é ineficaz. pensamento e linguagem. entendia o homem como um ser ativo. sobretudo pela interação social. Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60. Este pensador teve uma produção intelectual intensa. que ocorre na interação com os adultos e os colegas. para ampliar seu conhecimento". onde o professor torna-se figura fundamental. e no Brasil só início da década de 80. E a educação como um processo social. no qual o mesmo é transformador dessas ações. o ideal é partir do que ela domina. também fez cursos de medicina. De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas Vygotsky nas relações sociais que o homem mantém. nascido em 1896 e falecido em 1934. Para Vygotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá. e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. sistemático de construção da humanidade. aos 37 anos de idade. afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. sendo a aprendizagem um processo essencialmente social. Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético ( Karl Marx) para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista na Psicologia. formado em Direito. de origem belgo-russo.Lev Semenovich Vigotsky. o colega de classe. Construtor de propostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação. que age sobre o mundo sempre em relações sociais. história e filosofia. sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. e atualmente seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo. um parceiro importante na “Educação”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

mas . Não pode ir além de da vida na escola. . . entre mestres e alunos (identificando-se neste ponto com Copyright © 2007. . onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas aprendizage Ferreiro afirma m se dá sobre tudo pela interação social. .COMPARAÇÃO DE IDEIAS E PRINCIPAIS PONTOS DE SUPERAÇÃO Skinner -A Piaget .Processo de alfabetização Vigotsky -A Ferreiro . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . aprendizag Piaget é a pessoa em é a conexão entre o estímulo e a resposta e que o que constrói seu próprio conhecimento. . manipulável.Processo aparecimen ações mútuas não avança educativo nunca to do entre o indivíduo e estímulo evoca a resposta.A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de relação de domínio crucial para ou de liberdade a aprendizag em.Como Vigotsky.De acordo com entre os seres humanos.A criança geradoras”. experimen alunos “palavras tal.Importância de a educação . Aprendiza gem pensar o desenvolvime nto da criança de maneira Freire a pedagogia deveria ser flexível. sim uma ação cultural que resultaria numa será neutro.De acordo com Freinet -A aprendiza Freire . -Homem é visto como um robô do meio em estágios. e é preciso diagnosticar seu grau de conhecimento antes de iniciar o processo de alfabetização. participativa e .Como Piaget. Ferreiro afirma gem se dá iniciado por através do palavras tateio conhecidas pelos sobre a importância de respeitar o nível de desenvolviment o do aluno. de forma direta da construção do 88 desenvolvimento da criança.E como Piaget.O professor deve através da incentivar ao máximo o diálogo respeitar o nível de habilidade prospectiva e que não é porque não o aluno participa retrospectiva. aprender que governado evolui por por estímulos do meio ambiente externo. A relação entre o educador e o aluno é o meio. até a maturidade intelectual.Homem ser sozinha. . Ferreiro coloca que os alunos nunca chegam à escola vazios. -A aprendizage m da criança inicia-se desde o seu1º dia de vida.

fora para dentro. onde o Desenvolvim ento é um processo acontece de conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo. cabe ao professor proporcionar Consideraç mesmo enfatiza a ão da realidade importância da interação entre comportame Superando em ntal é moldada. o ento ambiental. manipulada todos os pontos as em que os teorias propostas por Skinner. mas da livre compreender na condicionamentos. que alunos estão inseridos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 89 Copyright © 2007. consciência sociedade seu dos alunos. condicionam ser manipulável.O indivíduo não deve apenas aprender formar e controlada considera o pelo indivíduo como um situações onde o . qual aprende através de palavras fora de um formam um Valorização contexto. . - mestre e educador).que vive cuja natureza sua capacidade.Professores conhecimento é e colegas buscado e construído. - Freinet. conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvime nto da criança. próprio papel. nem deixá-las agir sozinha.

de um lado.U NIDADE 19 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). de outro. trabalhar na perspectiva de uma profunda e efetiva transformação social. de revelações e ações” As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica Faz-se necessário refletir sobre as concepções educacionais e como essas se realizam e a partir daí. “Seduzida por uma antiga paixão que é o ato de educar. a uma audição interminável. Quando o professor tem boa verbalização (discurso coerente. todo o conteúdo. acredito que ensinar a ler e a escrever é mais que uma revolução. o professor autoritário impõe um ritmo frenético à sua própria atividade e espera que os alunos absorvam. quando ele apresenta dificuldade de expressão. é bom relembrar as características de tais concepções. “esgotar o programa ou o livro didático adotado”. consistente e claro). acompanhada de anotações mecânicas. 90 Copyright © 2007. com uma passividade também frenética. cópia de um texto oral. os procedimentos didáticos reduzem-se a exposição sem fim. a aula torna-se suportável. Didaticamente. pois não há tempo para que o aluno reflita sobre o que está anotando. de saberes. ela transforma-se numa tortura intelectual: o aluno tenta anotar o que houve e não entende o que está ouvindo. É o descortinamento de vida. como por exemplo.no fundo. os conhecimentos por ele demonstrados. cuja missão é repassar todas as informações. Ocorre. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Assim. Concepção autoritária Nesta concepção. A maioria das aulas se transforma num ditado . Como princípio fundamental. O professor se coloca como único detentor do conhecimento. buscando superá-las.

do controle. Na verdade. não se ouve a trilha sonora nem se aprecia a beleza das imagens.especialmente daquele que. expressa na ansiedade de anotarem até os suspiros do professor .então. não leva os alunos a utilizá-Ia e cobra. O plano de curso apresenta-se como uma entidade autônoma de dependências internas (unidades-programa). 91 Copyright © 2007. muito mais às exigências fiscalizadoras dos órgãos intermediários. Nas famosas semanas de planejamento . do que às necessidades dos alunos. da preocupação com a hierarquia e a busca do consenso está na insegurança do professor. muito menos. Raramente articulam conteúdos.formulam-se os planos de curso que. são meros elencos sequenciais de conteúdos programáticos. um processo mais ou menos semelhante ao de alguém que assiste a um filme com legendas: "lê-se" o filme. Aliás. muito menos. generalizadamente. que pouco ou nada têm a ver com as demais séries. nas verificações da aprendizagem. assistir às aulas já é uma expressão denotativa da cultura da passividade imposta ao discente. tudo o que foi dado em aula. dificuldades prérequisitais. referem-se ao curso como um todo (integração vertical). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . No que diz respeito ao Relacionamento. a raiz da imposição. com a vida do aluno. passivamente. estabelece uma relação com os alunos cm que o respeito mútuo não se constrói no reconhecimento das diferenças igualitárias. Na maioria de nossas escolas. Valendo-se de uma definição institucional da autoridade. códigos próprios etc. mesmo exigindo a aquisição do livro didático. reduzem-se a simples programas de série. nem. os alunos nem assistem às aulas. É muito comum a angústia dos alunos. Ainda que haja. na maioria das vezes.quase sempre anteriores aos primeiros contactos com os discentes . ouvem-nas. além de não levarem em conta a realidade dos alunos e seus conhecimentos adquiridos em outros meios. objetivos e procedimentos e. uma denúncia da burocratização do ensino. mas nas distinções hierarquizadoras. anteriores e posteriores. os professores autoritários continuam atendendo.

mas anárquicas. seja ela qual for".Concepção anárquica "[. essa verdadeira antipedagogia foi uma tentativa de aplicação dos princípios psicanalíticos a projeto escolar. o ludismo inspirado no engodo de que só se aprende brincando. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ou. Neill (19970. princípio fundamental da Escola de Summerhill. a substituição de docentes por discentes (sem a finalidade precípua de prepará-Ios para o magistério). preconizando a abstenção dos educadores. Nas escolas brasileiras não se observam às propostas anarquistas. que não são fruto. Assim. sem qualquer constrangimento que pudesse causar traumas ou neuroses. quando muito. na medida em que não é necessário grande empenho e. 22) certamente é a maior inspiração do que estamos denominando por concepção anárquica. Na concepção anárquica dá-se ênfase à aprendizagem. A didática consiste em não usar qualquer didática. a indiferença quanto ao ambiente necessário à concentração e ao trabalho intelectual.. . de A. dependendo de suas disposições individuais. São os famosos estudos dirigidos sem direção. ao lado da passividade do educador (sua presença é necessária?).. numa espécie de democratismo confortável (para o educador).. deixando ao aluno o livre curso para as manifestações automotivadas ou.] renunciar a toda disciplina. toda moral preconcebida. de deliberações doutrinárias. toda sugestão. toda instrução religiosa. como ocorre na maioria das vezes. Na realidade. 92 Copyright © 2007. S. à autoaprendizagem. ou o conflito. negociadas no próprio coletivo dos discentes. ou melhor. muito menos. Na permissividade gerada pela ausência de diretriz tudo é possível: ou o consenso. a liberação de aulas sob a pressão dos mais fúteis motivos etc. como as primeiras. de modo a viabilizar somente a satisfação dos desejos do educando. para que os alunos percebam os aperfeiçoamentos necessários. trabalho. os inúmeros trabalhos exigidos dos alunos (que fazem meras colagens) e que nunca são corrigidos detalhadamente. mas algo que dela se aproxima. o dissenso generalizado. p. manifesta-se uma grande atividade ou não dos educandos..

Partindo do princípio de que todo ser humano é capaz de aprender (e também de ensinar). interpretações. Enquanto a primeira está preocupada com as leis. os papéis são reconhecidos pelas competências específicas.”. 2000) representa a síntese dialética (não eclética) entre as posições autoritárias e as anárquicas. sem que se respeitem às diferenças. perseguidos. p. isto é. claramente explícitos. Sempre se oportunizam fora dos já consagrados modos 93 Copyright © 2007. pela mútua persuasão. a segunda volta-se para uma espécie de "correção progressiva dos dados da experiência e da reflexão". com fronteiras nitidamente definidas e grau crescente de complexidade. E só ela é capaz de resgatar a qualidade do trabalho escolar. isto é. Ao invés da preocupação com a “ciência-disciplina: conjunto de descrições. para cuja formulação contribuem todos os envolvidos no processo. como dizia Goldmann (1978. 48)”. busca-se a “ciência-processo”. metódica e sistematicamente. Nessa concepção trabalha-se com objetivos. legitimadas pelas descobertas compartilhadas e pela racionalidade dos avanços. leis. modelos. juízos de fato. “a contínua elaboração. como afirma Newton Freire Maia (1991. postulados. e as divergências (sempre presentes) não constituem mero exercício de esgrima intelectual ou uma disputa em si. axiomas. teorias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . neutralidade científica. no sentido de ser instrumento eficiente e eficaz da transformação social. 18). ritmos e histórias de vida próprios. mas um espaço de respeito pelas diferenças. oportunidades de rompimento com fronteiras ortodoxamente estabelecidas. O controle ou a permissividade são substituídos pela negociação. Ninguém se impõe a ninguém. sem hierarquizações dos atores escolares. Não se forma o cidadão sem a Escola Cidadã. verdades absolutas e universais.Concepção democrática A concepção democrática (segundo GADOTTI & ROMÃO. p. a relação professor e aluno torna-se um processo de constante ensino e aprendizagem de mão dupla: os caminhos do ensino descortinam horizontes para a aprendizagem e esta revela instrumentos e mecanismos para o aperfeiçoamento do primeiro. ampliação e revisão. etc.

concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. É a atitude ingênua mais frequente supor que cabe ao educador formar.diferentes de se resolverem situações-problema (muitas vezes. professor e aluno. plasmar o aluno (como se costuma dizer). 94 Copyright © 2007. A segurança de todos não se estabelece em hierarquias previamente institucionalizadas ou pactuadas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Discuta com seus colegas sobre esta temática. mas na descoberta progressiva dos papéis e funções diferenciados. descobridor. o saber. trabalharão o tempo todo: o primeiro. como provocador. o segundo. como provocado. ambos. Essas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. O educando como puro "objeto" da educação. incentivador. colocando criticamente seu ponto de vista. cosistematizador e coavaliador/avaliado. com economia de energia e de tempo). sistematizador e avaliador. E.

tomar-se a si mesmo como objeto de sua compreensão. e a representação mental de si. as ideias se originam das ideias. porque esta só existe quando a percepção do estado presente da consciência é acompanhada da ideia clara de todos seus determinantes. isto é. A consciência ingênua pode refletir sobre si. Por isso julga-se um ponto de partida absoluto.. do objeto. que tem como conceito a representação mental da realidade exterior. faz-se necessário resgatar a noção de consciência. Assim. A concepção ingênua A concepção ingênua é aquela que procede de uma consciência ingênua. acredita que suas ideias vêm dela mesma. consciência ingênua é aquela que . porém não chega a ser uma autoconsciência. A realidade é apenas recebida ou enquadrada em um sistema de ideias que se cria por si mesmo. Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua. Antes da discussão sobre as concepções da consciência ingênua e crítica. 95 Copyright © 2007. uma origem incondicional. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a autoconsciência (VIEIRA PINTO. E. do sujeito. do mundo.não inclui em sua representação da realidade exterior e de si mesma a compreensão das condições e determinantes que a fazem pensar tal como pensa. Não inclui a referência ao mundo objetivo como seu determinante fundamental.por motivos que cabe à análise filosófica examinar . porém não se identifica com a autoconsciência. da totalidade da realidade objetiva que sobre ela influi (o que só ocorre com a consciência crítica). 2000).U NIDADE 20 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. A simples reflexão sobre si pode ser apenas introspecção.

portanto. histórico. nacional. Noção falsa em relação à criança. A concepção ingênua da educação No campo da educação. em seu conteúdo ou aquilo que percebe em função das condições históricas e sociais de sua realidade. A educação escolar sempre toma o educando já como portador de um acervo de conhecimentos (por exemplo. e traduz-se em uma fonte de equívocos. a consciência ingênua é sempre nociva. Não podem levar à completa e rápida solução dos problemas que considera. Concebe-se segundo a categoria de processo. a linguagem na criança ou o 96 Copyright © 2007. A consciência crítica. por essência. que não são. pois está ligada a um mundo objetivo que é um processo e reflete em si esta objetividade nas mesmas condições lógicas que definem um processo. em particular.A consciência crítica A consciência crítica é a representação mental do mundo exterior e de si. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e sim pelo fato de perceber seu conteúdo acompanhado da representação de seus determinantes objetivos. social. pois verdadeiras. de intentos frustrados. É. no qual se encontra. quando reflete sobre si (sobre seu conteúdo). torna-se verdadeiramente autoconsciência. e muito mais. Refere-se a si mesma sempre necessariamente no espaço e no tempo em que vive. acompanhada da clara percepção dos condicionamentos objetivos que a fazem ter tal representação. histórica. Estes pertencem ao mundo real. do grau de desenvolvimento do processo nacional ao qual pertence). pois engendra as mais equivocadas ideias. de desperdício de recursos. não pelo simples fato de chegar a ser objeto para si. A autoconsciência é. pois. Inclui necessariamente a referência à objetividade como origem de seu modo de ser. uma consciência justificativa de si (em sua forma ou procedimento. material. o que implica compreender que o mundo objetivo é uma totalidade dentro da qual se encontra inserida. O educando como "ignorante" em sentido absoluto. todavia em relação ao adulto. que se traduzem em ações e juízos que não coincidem com a essência do processo real.

O educando como puro "objeto" da educação. educada e dirigente da sociedade. não é concebida como "ignorância de algo". A educação como dever moral da fração adulta. A educação como transferência de um conhecimento finito. Porém a noção de ignorância é tomada aqui em sentido abstrato. o significado e a valoração eminentemente sociais da educação. em dar caráter absoluto às divisões em graus. etc. procedimento que parte do suposto direito de domínio. e por isso não reconhecem nele a dignidade de sujeito. Esta ingenuidade é grave. o meio onde vivem. o saber. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . isto é. instruída. em um diálogo esclarecedor e não em uma imposição de ideias. Estas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. e que essa mensagem não se modifica com as condições de tempo e lugar. com os interesses do educador e com o mesmo ato de ser transmitida. de uma consciência sobre outra. o adulto a educar é absolutamente "ignorante". de acordo com determinado método. Absolutiza-se o conceito de "ignorante" para as classes populares. Este conhecimento prévio é o resultado da prática social do homem (criança ou adulto) e de sua formação até o momento em que começar a receber educação institucionalizada. A criança e o adulto vêm à escola já preparada (inclusive para desejar vir à escola) por outra escola geral. carreira. de consciência autônoma (para si). A principal nocividade desta atitude está em preceituar limites ao processo pedagógico. porque converte a educação em ato caritativo e transfere para o plano dos valores éticos (inteiramente alheios a este problema) a essência. Esta ingenuidade se refere à noção de conteúdo e forma da educação. E a atitude ingênua mais freqüente é supor que cabe ao educador formar. enquanto se relativiza esse mesmo conceito para as elites (a fim 97 Copyright © 2007. de um conjunto de noções. Concebem o educando como objeto. que só pode ser educada. Para a consciência ingênua. de algum conhecimento (sempre concreto). níveis. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. plasmar o aluno (como se costuma dizer).trabalho no adulto). que é a sociedade. Supõe que o professor é apenas o transmissor de uma mensagem definitivamente escrita.

porém. no site da ESAB. que é concretamente sabida por outro. este outro ignora muitas coisas que o primeiro sabe. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . enquanto o membro da elite é culto porque sabe alguma coisa. Como. no link “Atividades”. A consciência ingênua necessita absolutizar a ignorância. que revela o caráter interessado da noção de ignorância: o homem do povo é ignorante porque não sabe alguma coisa.de que os representantes dessa elite possam aparecer como não ignorantes). e faça a Atividade 2 . 98 Copyright © 2007. o que só pode fazer convertendo-a em uma noção irreal. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. Um indivíduo não pode ignorar assim alguma coisa. o caráter da ignorância é sempre relativo. Vê-se a duplicidade de critérios.

em virtude de ser a única que é capaz de oferecer o conteúdo e o método mais eficaz para a instrução (alfabetização. escolarização) tem que se fazer 99 Copyright © 2007. Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua. Alguns aspectos específicos da concepção crítica da educação: Primeiro aspecto . Sua instrução formal (alfabetização. A concepção crítica é a antítese da ingênua e repudia os pontos de vista anteriormente expostos. É a única que está dotada da verdadeira funcionalidade e utilidade. mas nem por isso pode ser considerado como um desconhecedor absoluto.o educando como sabedor e desconhecedor. historicidade (a educação como processo) e totalidade (a educação como ato social que implica o ambiente íntegro da existência humana. posto que. não poderia sobreviver. universidade) da criança e do adulto. o mundo e todos os fatores culturais e materiais que influem sobre ele). O educando evidentemente não sabe aquilo que necessita aprender (ler e escrever).U NIDADE 21 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. Particularmente há que mencionar as de: objetividade (caráter social do processo pedagógico). É em verdade um homem culto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . definidores desta última. o país.. tendo em conta àquelas finalidades. pois conduz à mudança da situação do homem e da realidade à qual pertence. escola secundária. concreticidade (caráter vital da educação como transformação do ser do homem). se não fosse assim. no sentido objetivo (não idealista) do conceito de cultura. A concepção crítica da educação A concepção crítica da educação procede segundo as categorias que definem o modo crítico de pensar.

sempre partindo da base cultural que possui e que reflita o estado de desconhecimento (material e cultural) da sociedade à qual pertence. Aquilo que desconhece é o que até agora não teve necessidade de aprender, e se tem podido viver até agora como analfabeto é porque as condições de sua sociedade não exigiam dele o conhecimento da leitura e da escrita. Segundo aspecto - o educando é o "sujeito" da educação e nunca o objeto dela. Necessitase da ação do professor para se alfabetizar, instruir-se, isso não significa que seja o objeto "sobre o qual" o educador atua, e sim unicamente que é componente indispensável de um processo comum, aquele pelo qual a sociedade como um todo se desenvolve se educa, se constrói, pela interação de todos os indivíduos. A educação é um diálogo amistoso entre dois sujeitos. A rigor, deve-se dizer que a educação não tem objeto; e sim somente objetivo. É a sociedade que, em sua totalidade, se comporta como agente-paciente do processo educativo. Por consequência, a expressão teórica perfeita da natureza histórico-antropológica da educação resume-se nesta expressão: A sociedade educa. As concepções ingênuas da educação rebaixam o educando a condição de "objeto" e o levam a conceber-se a si mesmo como ser passivo, no qual o professor infunde o saber que possui. Este ponto de vista é:  moralmente insultante (pois ignora a dignidade própria do homem pelo simples fato de ser homem, não importando se é letrado ou não);  antropologicamente errôneo (pois ignora que o aluno é portador de uma cultura, de capacidade de pensar logicamente em função de seu contexto social);  psicologicamente esterilizante (pois desanima, inibe e impede os estímulos para a aprendizagem, uma vez que recusa ao alfabetizando sua capacidade de fazer-se instruído por si, como sujeito);

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 pedagogicamente nocivo (pois deixa de aproveitar o saber do analfabeto como ponto de partida para o desenvolvimento de novos conhecimentos). Terceiro aspecto - a educação consiste em uma nova proporção entre conhecimento e desenvolvimento. Excluída a ideia ingênua de um princípio absoluto do saber no indivíduo que se educa (por exemplo, que se alfabetiza), a educação só pode consistir em dotá-Io de novos conhecimentos, que se irão somar ao que "já sabe, ou substituir as ideias erradas, ingênuas que possuía. É, portanto um novo balanço do saber, agora em um plano mais alto do processo cultural. Este caráter de proporção entre conhecimento e desconhecimento repete-se em todos os graus da educação, até nos mais altos (o universitário, a investigação mais avançada). A educação é uma aquisição retificadora, corretora do saber (da cultura) tornado inadequado, anacrônico, porque não corresponde mais ao grau de conhecimento de uma sociedade que passa a exigir mais do indivíduo (conquanto saber agora imprestável, não era errado para a etapa anterior, da qual se pretende que o educando se eleve). Crítica do conceito de "saber" Para a consciência ingênua, o saber se apresenta como um conjunto de conhecimentos absolutos, abstratos, a - históricos. É produto do espírito puro, sem relação causal de parte da realidade do mundo, ou somente com uma relação de tipo ocasional ou apriorista. O espírito por si só é capaz, em última análise, de engendrar e de justificar o saber. Para a consciência crítica, o saber é o produto da existência real, objetiva, concreta, material do homem em seu mundo (sendo este concebido como uma totalidade concreta em processo), imprimindo-se em seu espírito sob a forma de ideias ou pensamentos que se concatenam regularmente, logicamente. Os caracteres do saber, segundo a teoria crítica, são: Relativo – é o que uma cultura entende por saber, em uma de suas fases, deixa de sê-Ia em outra fase, ou não o é em outra cultura. Daí a ingenuidade radical do critério da tradição (por exemplo: a teoria heliocêntrica).
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Concreto - sempre aquilo que um determinado indivíduo ou uma sociedade (uma cultura) pode descobrir conhecer, criar ou imaginar, em função da etapa de seu processo de desenvolvimento, que lhe dá a possibilidade de constituir-se em consciência para si. Existencial - no sentido de ser constitutivo da realidade do indivíduo, e não algo adjetivo, externo, agregado por causalidade a seu ser. Como é a imagem do mundo material na consciência, pode-se dizer que o homem é o que sabe. Sendo um processo (temporal), sua etapa mais alta é aquela na qual o homem sabe o que é. Empírico - com este qualificativo quer dizer-se que o saber, direta ou indiretamente, deriva da experiência. Recusa-se assim qualquer origem inata ou a priori para as ideias. O homem em seu trato multimilenar com a natureza e com os outros homens, na sociedade, vai criando suas ideias e descobrindo as leis de acordo com as quais estas se combinam de maneira verdadeira, válida (isto é, verificável pela experiência, pela prática social). Racional - o saber é o produto da capacidade racional do homem, de sua razão, que é a faculdade intelectual (exclusiva do ser humano), de criar ideias e de enlaçá-las por procedimentos lógicos (indutivos, dedutivos, analógicos), denominados raciocínios, que se submetem a um critério de verdade. O saber é por natureza lógico. Porém este atributo não deve ser tomado em sentido absoluto e sim como relativo à etapa do processo social em que vive o indivíduo que enuncia uma proposição. Histórico - sendo o saber a manifestação intelectual da consciência, tem a mesma historicidade intrínseca desta. Toda valoração do saber é um dado do próprio saber e por isso é válida unicamente para a fase histórica em que é anunciada. É o saber constituído em cada momento do tempo histórico que engendra os novos conhecimentos. Mas, como estes são as modificações (a negação) do conhecimento anterior, o saber é simultaneamente o saber (em sua positividade atual) e não-saber, como certeza presente de sua inexatidão ou falsidade futura, identificados ambos na mesma unidade.

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Reestruturação curricular: novos mapas culturais. Com isto. Fecundo . pois na essência de sua afirmação de si encontram-se a possibilidade e a necessidade de sua superação (por força de sua própria validez positiva) e a passagem a um conhecimento distinto. aprendido. 103 Copyright © 2007. Tem que ser entendida em seu autêntico caráter dialético. Porto Alegre: Sulina.Não dogmático . Esta atitude não deve ser confundida com o ceticismo. mais alto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o relativismo vulgar. A cultura acumula em si o que é conservado. SILVA. sempre transformador da realidade. “O homem é um ser plenamente biológico.no sentido de que é sempre um conhecimento gerador de outro conhecimento. o probabilismo. 1996. assim. fica excluído o caráter contemplativo. e. mais exato (que suprime. Luiz Eron da.” Construa um texto de no mínimo uma lauda. novas perspectivas educacionais. O saber crítico é. porém incorpora o saber anterior enquanto etapa necessária de sua gênese). e comporta normas e princípios de aquisição. argumentando criticamente seu posicionamento sobre esta afirmativa. não prático do saber. seria um primata do mais baixo nível. se não dispusesse plenamente da cultura. transmitido. ornamental.por isso o saber é antidogmático por natureza. mas.

ao mesmo tempo tradução e reconstrução. e o reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil. AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. mas pode também fortalecê-lo. pelo déficit de emoção. de ideia. comporta a interpretação. sob forma da palavra. em algum grau. por conseguinte.AQUILES DO CONHECIMENTO A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja. Mas Marx nem Engels escaparam destes erros. porque o erro e a ilusão não se reconhecem. de teoria. ameaçado pelo erro e pela ilusão. é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e.U NIDADE 22 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída. O CALCANHAR. A afetividade pode asfixiar o conhecimento. na visão do autor Edgar Morin. o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 1. 104 Copyright © 2007. o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais. O conhecimento. Marx e Engels enunciaram justamente em: A ideologia alemã que os homens sempre elaboraram falsas concepções de si próprios e do que fazem do mundo onde vivem. Este conhecimento. de sua visão do mundo e de seus princípios do conhecimento. está sujeito ao erro. ou mesmo destruída.DE. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo.

subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente. contudo. a afetividade e a vida é irracional. a subjetividade. Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio. dialoga com o real que lhe resiste.A educação deve-se dedicar. e não a propriedade de um sistema de ideias. por conseguinte. A tendência a projetar sobre o outro a causa do mal faz com que cada um minta para si próprio. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto. imaginário e real. Aos erros da razão: O que permite a distinção entre vigília e sonho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o sono da vigília. Os erros mentais: Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção. o subjetivo do objetivo. o irracionalizável. o obscuro. 105 Copyright © 2007. sabe que a mente humana não poderia ser onisciente. Reconhece-se a verdadeira racionalidade pela capacidade de identificar suas insuficiências. Negocia com a irracionalidade. é o fruto do debate argumentado das ideias. ilusões e cegueiras. sem detectar esta mentira da qual. aberta por natureza. é autor. à identificação da origem de erros. de amor e de arrependimento. A verdadeira racionalidade. mas autocrítica. Os erros intelectuais: As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica. O racionalismo que ignora os seres. que a realidade comporta mistério. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica. o imaginário do real. do determinismo e do mecanicismo. É não só crítica.

ser implacável na busca da verdade. A NOOLOGIA. depois prossegue na universidade ou na vida profissional. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles. primeiro com o selo da cultura familiar. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO As doutrinas e ideologias dominantes dispõem. e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. O imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. mas somente podemos fazê-lo com a ajuda das ideias. da escolar em seguida. Um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou cegar. Uma teoria deve ajudar a orientar estratégias cognitivas que são dirigidas por sujeitos humanos. POSSESSÃO. a seleção sociológica e cultural das ideias raramente obedece é sua verdade. revelar e ocultar. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro. pode. igualmente. Devemos manter uma luta crucial contra as ideias. ao contrário. nem imporá seu veredicto do modo autoritário.As cegueiras paradigmáticas: Os indivíduos conhecem. da força imperativa que traz a evidência aos convencidos e da força coercitiva que suscita o medo inibidor nos outros. O imprinting é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido. deveria ser relativizada e domesticada . 106 Copyright © 2007. Assim. Uma ideia ou teoria não deveria ser simplesmente instrumentalizada. A rejeição de evidências em nome da evidência.

afetivo e racional. unidades complexas.O INESPERADO E quando o inesperado se manifesta. social. esta reforma é paradigmática e. autocríticas. como o ser humano ou a sociedade. O dever principal da educação é de armar cada um para o combate vital para a lucidez. em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo. Necessitamos civilizar nossas teorias. OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE DA PERTINÊNCIA NO CONHECIMENTO Para articular e organizar os conhecimentos e assim conhecer e reconhecer os problemas do mundo é necessário a reforma do pensamento. Para que o conhecimento seja pertinente. 107 Copyright © 2007. ou seja. reflexivas. é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias. 2. o conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável. programática: é a questão fundamental da educação. críticas. não. A contextualização é condição essencial da eficácia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . são multidimensionais dessa forma. a educação deverá torná-lo evidente . A INCERTEZA DO CONHECIMENTO De qualquer forma. racionais.(O contexto SAI) . Segundo Pascal Pensees é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo. já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento.O multidimensional. o ser humano é o ao mesmo tempo biológico. O global (as relações entre o todo e as partes). psíquico. Tão pouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. Entretanto. desenvolver nova geração de teorias abertas. aptas a se autoreformar.

Em consequência. e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões. ao contexto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . OS PROBLEMAS ESSENCIAIS Quanto mais os problemas se tornam multidimensionais. A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e. de forma correlata. 108 Copyright © 2007. assim como ao enfraquecimento da solidariedade. As mentes formadas pelas disciplinas perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes. a educação deve promover a inteligência geral apta ao complexo. mais eles se tornam impensáveis. Ao mesmo tempo. produziu nova cegueira para os problemas globais. A falsa racionalidade O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico. assim como em todos os campos da técnica. do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos naturais. nem de análise pela síntese. estimular o uso total da inteligência geral. maior é a incapacidade de pensar sua multimensionalidade. quanto mais a crise progride. fundamentais e complexos. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade. técnicos e especialistas. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades. de modo multidimensional e dentro da concepção global. mais progride a incapacidade de pensar a crise. a começar por parte dos cientistas. Incapaz de considerar o contexto e o complexo planetário. a inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. é preciso conjugá-las. mais os problemas se tornam planetários.

Editora Cortez.MORIN. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Edgar. 1999.São Paulo. 109 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

a fim de situar a condição humana no mundo. O circuito cérebro/mente/cultura 110 Copyright © 2007.. na visão do autor Edgar Morin. as artes.. não somente a filosofia e a história. mas. Continuamos nesta unidade nossas reflexões sobre os conhecimentos que todo educador (do futuro) necessita ter para melhor desempenho em suas atividades profissionais. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 3-ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA Para a educação do futuro. mas também a literatura. Como seres vivos deste Planeta. seria um primata do mais baixo nível. se não dispusesse plenamente da cultura. O HUMANO DO HUMANO Unidualidade O homem é um ser plenamente biológico. dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas. aprendido. é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais. devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica. bem como integrar a contribuição inestimável das humanidades.U NIDADE 23 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. e comporta normas e princípios de aquisição. dependemos vitalmente da biosfera terrestre. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a poesia. A cultura acumula em si o que é conservado. transmitido.

pela técnica (Homo faber). 111 Copyright © 2007. traz em si o cosmo. É preciso conceber a unidade do múltiplo. A mente é o surgimento do cérebro que suscita a cultura. constitui ele próprio um cosmo. Todo ser humano. O ser humano é complexo e traz em si. pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus). sua diversidade na unidade. de modo bipolarizado. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em que cada um dos termos é necessário ao outro. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas. que não existiria sem o cérebro. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. a multiplicidade do uno. Todo ser.Uma tríade em circuito entre cérebro/mente/cultura. caracteres antagonistas:  sapiens e demens (sábio e louco)  faber e ludens (trabalhador e lúdico)  empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)  economicus e consumans (econômico e consumidor)  prosaicus e poeticus (prosaico e poético) Homo complexus Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. Sapiens/demens O século XX deverá abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens). pelas atividades utilitárias (Homo economicus). tal como o ponto de um holograma. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. mesmo aquele fechado na mais banal das vidas.

possuem os mesmos caracteres fundamentais de humanidade. possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para a identidade e a consciência terrenas. E a educação. A esperança Sendo verdade que o gênero humano. No jogo contraditório dos possíveis 112 Copyright © 2007. pode-se então vislumbrar para o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. mas um turbilhão em movimento. que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo. brancos vêm da mesma espécie. destinos. estamos submersos na complexidade do mundo. desprovido de centro organizador. negros. mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora. que deve trabalhar na era planetária. Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro. culturas. Mas ela levou à extraordinária diversidade de línguas. as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade. da Internet. cuja dialógica cérebro/mente não está encerrada.4-ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA Na era das telecomunicações. A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora. fontes de inovação e de criação em todos os domínios. A ERA PLANETÁRIA A diáspora da humanidade não produziu nenhuma cisão genética: pigmeus. amarelos. da informação. índios. encontra-se no cerne dessa missão. O planeta não é um sistema global.

mas também sermos terrenos. a comungar. esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável. melhorar.Aquilo que porta o pior perigo traz também as melhores esperanças: é a própria mente humana. Devemo-nos dedicar não só a dominar. viver. o risco de ilusões e de erro. então. mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 6-ENSINAR A COMPREENSÃO 113 Copyright © 2007. e é por isso que o problema da reforma do pensamento tornou-se vital. entre arquipélagos de certezas. mas a condicionar. 5-ENFRENTAR AS INCERTEZAS A INCERTEZA DO CONHECIMENTO. a comunicar. Pode-se. A IDENTIDADE E A CONSCIÊNCIA TERRENA É necessário aprender a “estar aqui” no planeta. Precisamos doravante aprender a ser. uma aventura incerta que comporta em si mesma. não mais somente pertencer a uma cultura. com certeza. O desafio e a estratégia O inesperado torna-se possível e se realiza. pois. permanentemente. vimos com frequência que o improvável se realiza mais do que o provável. dividir e comunicar como humanos do planeta Terra. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver. saibamos. é o que se aprende somente nas .e por meio de – culturas singulares. a dividir. compreender. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas. considerar ou calcular os efeitos em curto prazo de uma ação. O conhecimento é.

O egocentrismo O egocentrismo cultiva a self-deception. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Por isso. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto. compreender. 114 Copyright © 2007. abraçar junto. Se soubermos compreender antes de condenar. Etnocentrismo e sociocentrismo O etnocentrismo e o sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes egosociocêntricas do que contra seus sintomas. educar para a compreensão humana é outra. tapeação de si mesmo. pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem. por este motivo. deve ser uma das finalidades da educação do futuro. provocada pela autojustificação.O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. a causa de todos os males. E. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa. estaremos no caminho da humanização das relações humanas. A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. estrangeiro ou não. AS DUAS COMPREENSÕES Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Dada a importância da educação para a compreensão. a antropo-ética.COMPREENSÃO. esta deve ser a tarefa da educação do futuro. ÉTICA E CULTURA PLANETÁRIAS A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a compreensão. ou seja. HUMANIDADE COMO DESTINO PLANETÁRIO Sós e em conjunto com a política do homem. por outro. a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. O futuro da democracia A regeneração democrática supõe a regeneração do civismo. o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades. pessoa jurídica e responsável. da solidariedade intelectual e moral da humanidade. exprime desejos e interesses. o desenvolvimento da antropo-ética. em todos os níveis educativos e em todas as idades. o verdadeiro humanismo. 115 Copyright © 2007. o indivíduo é cidadão. 7-A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO O CIRCUITO INDIVÍDUO/SOCIEDADE: ENSINAR A DEMOCRACIA Na democracia. a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e da responsabilidade. é responsável e solidário com sua cidade. por um lado. e reforma do pensamento. a política de civilização.

U NIDADE 24 Objetivo: Enfatizar a natureza construtiva e não linear de um currículo pós-moderno fundamentado nos pressupostos teóricos de Piaget. Portanto. ampla e indeterminada. Na perspectiva de um estudo construtivista e não linear de um currículo pós-moderno. autor da obra em estudo. o currículo concomitantemente é limitado. usar o conceito de transformação (nesse caso específico dos materiais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . advoga que um currículo construtivo emerge da ação e interação dos participantes. departamentos de educação estadual. Dewey e Bruner. um problema ou uma alteração. obrigados a desenvolver seu próprio currículo numa interação conjunta uns com os outros. Um sistema se autoorganiza quando há uma perturbação. Esse mesmo autor segue argumentando que. CONSTRUINDO UMA MATRIZ DE CURRÍCULO. 1949/1973 apud Doll) – que a perturbação desempenha para auxiliá-lo. Doll. Acrescenta propugnando que na medida em que é modelado à luz de uma matriz. processos. a orientação geral de onde eles partem (livros didáticos. implica dizer que professores e alunos precisam ser livres. É. os valores e o senso de comunidades imprescindíveis à sociedade. das ideias e dos participantes) como centro do currículo. Tal abordagem é apontada sob “múltiplos usos” e/ou “múltiplas perspectivas” (Stephen Gould: 1990 apud Doll) do currículo bem como do papel – “força positiva” (Bruner & Postman. O raciocínio exposto é sequenciado através do debate sobre a autoorganização. de fato. cheio de focos que se interseccionam e uma rede relacionada de significados. este processo de desenvolvimento do currículo via reflexão recursiva (consequências das ações passadas como a problemática das ações vindouras) que determina as atitudes. Prigogine. 116 Copyright © 2007. organizações profissionais ou tradição passada) precisa ser também geral. guias de currículo. exatamente. encorajados.

no transcorrer do currículo. costumes e tradições locais. o papel do professor (autoridade) é definido a partir do “prima interpares”. as questões de procedimento. Àquela. significa que o docente deve dedicar tempo para dialogar seriamente com os discentes a respeito das ideias “deles” como “ideias deles”. oportuniza dedicada atenção às possíveis “anomalias” e/ou “erros” no decorrer do processo mencionado anteriormente. assim transformativo e pós-moderno. Este desenvolvimento comum. desenvolver o novo papel explicitado é um desafio que os educadores e seus programas de educação necessitam enfrentar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . por sua vez. a primeira óptica. 117 Copyright © 2007. fica óbvio. A suposição pós-moderna aduzida propugna o diálogo como condição sine qua non de todo o processo. não um “ditador” de fora. o aluno. Na referida estrutura. para William. Nesse tocante. Afinal. desempenhar. interpretações e perspectivas entrem em cena. Assim. “primeiro entre iguais”. que o controle e a autoridade são desenvolvidos internamente. professores. é imperativo para que o ecletismo e o foco polissêmico predominantes no pós-modernismo sejam empregados criativamente. Num currículo. analisar o material aduzido e simultaneamente de brincar com este material de maneira imaginativa e sutil.Esta última óptica acentua que a perturbação só vai desencadear a autoorganização quando o meio ambiente for suficientemente rico e aberto para que múltiplos usos. metodologia e valores – permeados por um processo dialogal – são sempre decisões abrangendo os alunos. interpretar. numa estrutura situacional – “estado de coisa local” – o educador é um “líder de dentro” e. precisa conhecer bem o material estudado e ter confiança pessoal suficiente para ser capaz de resolver. ao diálogo. Em outras palavras. ou seja. Noutros termos. isto é. haja vista que a transformação está indubitavelmente associada a ele.

com mais focos. uma história encoraja. Essa integração possibilita a vida ser experienciada e desenvolvida. como docentes. 118 Copyright © 2007. necessitamos aduzir as nossas lições de modo suficientemente narrativo para encorajar os nossos educandos a explorar conosco as possibilidades oriundas do diálogo com o texto. planos e propósitos não emergem apenas antes. planos e propósitos. um currículo fundamentado em infinitos padrões dentro de parâmetros estabelecidos é uma estrutura curricular cada vez mais rica. é natural que se dê ênfase à capacidade que o ser humano tem de planejar intencionalmente. pois é criativa consequentemente aberta/heurística e nos ajuda a ver o que não vemos) e a lógica (fechada/excludente nos auxilia a ver com mais evidência aquilo que já vemos). Nesse sistema são originados parâmetros ou limites e uma infinidade de relações dentro desses parâmetros. Assim. vivenciar e avaliar objetivos. Assim. mas também a partir da ação conforme argumentara Dewey – os planos surgem da ação e são alterados também através da ação. Em outros termos. Arraigada à movimentação supracitada está a suposição de um “sistema aberto/transformativo" por estar sempre em fluxo.Para a viabilidade do que está sendo discutido. Nesse contexto dialogal. inter-relações emergindo e sendo geradas. desafia o leitor a interpretar. Prosseguindo com a ideia de um currículo de cunhos pedagógico e epistemológico interativos. redes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para o homem é de suma relevância determinar. uma vez que a realidade é constituída por antíteses. interação num processo dinâmico de (re) construção. Na suposição apontada por Júnior – uma estrutura curricular que se apropria dos conceitos de autoorganização e transformação – os objetivos. a iniciar uma comunicação com o texto. faz-se necessário numa construção de currículo à interação entre a metáfora (geradora de diálogo. conforme discurso do próprio Doll.

concepções essenciais e vocabulários peculiares. A Linguagem – incluso leitura. 119 Copyright © 2007. narrativas. é relevante acentuar que as principais disciplinas acadêmicas ministradas nas escolas possuem seus próprios contextos históricos. literatura e comunicação oral – exerce sua riqueza ao centrar-se intensamente (porém não de modo excludente) na interpretação de metáforas. A Matemática apropria-se de sua riqueza ao “brincar com padrões”. os quatro “Rs” – Riqueza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a linguagem está irrefutavelmente acoplada à cultura. Sendo assim. Alicerçados por essa comunidade destinada a ajudar todos os sujeitos por meio da crítica e do diálogo estão os critérios norteadores de um currículo de caráter transformador pósmodernista. desenvolventes. é preciso que sejam estabelecidas comunidades sociais dinâmicas. Relações e Rigor. a suas camadas de significado consequentemente a suas múltiplas possibilidades ou interpretações. Recursão. mitos. isto é. perturbações e possibilidades intrínsecas a um currículo que o torna rico e transformador. Isso implica dizer que são as problemáticas. Riqueza – corresponde à profundidade do currículo. “comprovadoras” referentes ao mundo em que vivemos. Entretanto. cuja função é auxiliar o indivíduo através de críticas construtivas que possam contribuir para o desenvolvimento de poderes intelectuais e sociais.Subjacente ao aspecto notabilizado está à avaliação interativa funcionando como um “feedback” do processo iterativo de fazer-criticar-fazer-criticar. A Ciência – anexando à biológica e a física – pode ser encarada sob a óptica de hipóteses intuitivas. Logo. indagadoras. cada uma delas interpretará a riqueza à luz de seu próprio prisma. Nesse tocante. para que isso ocorra. escrita.

inquirir. Cada final é um novo início e cada início emerge de um final anterior conforme salientara Dewey. As relações pedagógicas consistem em relacionar o que está sendo ensinado com a realidade experimentada pelo educando. Isto posto. História. Para tanto. valoriza e aplica a recursão não há início nem final fixo. respondam àquilo que fora realizado por nós. Recursão – advém do termo “recorrer”. Economia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . uma mera repetição. tem como objetivo desenvolver a competência (capacidade de organizar. por conseguinte dar sentido ao ensino ministrado. é preciso que outros atores do processo – colegas. professores – observem. Cabe à reflexão. 120 Copyright © 2007. ou seja. interpretações. Geografia e Sociologia – extraem sua concepção de riqueza do diálogo sobre ou da negociação de passagens entre diversas interpretações (muitas vezes concorrentes) das questões sociais. empregar as coisas de forma heurística). Por possuir uma estrutura aberta. “ocorrer novamente” do latim “recurrere” e vincula-se à raiz da palavra currículo (“currere”: correr). é oportuno notabilizar que o conceito de desenvolver riqueza via diálogo. critiquem. os processos fazer e refletir-sobre-o fazer são prioritários nas intraconexões curriculares. combinar. Relações – numa perspectiva pós-moderna de um currículo transformador. a recursão tornar-se-ia vazia. Portanto. geração e comprovação de hipóteses e do brincar com padrões pode ser aplicado sobre todos os aspectos de um currículo. conectar os pensamentos. dar-se-ão através da dualidade pedagógica e cultural convergentes entre si. num currículo que respeita. Sem essa ação reflexiva resultante do diálogo.As Ciências Sociais – Antropologia. nesse tangente.

Logo. é o mais relevante dos quatro critérios exaustivamente (porém não esgotados) abarcados. Como professores. 121 Copyright © 2007. o rigor significa procurar intencionalmente diferentes alternativas. em suma. observação científica e precisão matemática) com o interlocutor. relações. ele é a mescla dessa indeterminância subjacente com a interpretação (desenvolvimento das várias alternativas aduzidas pela indeterminância). entre os nossos e os dos outros. conexões. as tendências paralelamente discutidas (lógica escolástica. desempenhamos o ato de ensinar quando auxiliamos os outros a negociar passagens entre seus construtos e os nossos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Rigor – à medida que traz em seu bojo. segundo Doll. Essas se referem à contextualização cultural do ensino a partir do olhar local e global (interconexões) do mundo em que se está inserido.Concomitantes às relações supracitadas estão às culturais.

Segundo a autora deste pensamento. enfim por chamar mais atenção no coletivo. É muito difícil cuidar de várias crianças ou adolescentes de uma só vez. por isso o cuidado ou atenção acaba sendo no coletivo e não no individual. A realidade escolar na verdade é basicamente composta de salas de aulas cheias com uma média de 30 a 40 alunos por classe e. Então o olhar avaliativo tem de percorrer toda a sala de uma só vez sem olhar ninguém em especial. dizendo em toda a sala de aula. Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar. barulhento. o correto é olhar um por um e não como um conjunto.demonstrando. abordaremos reflexões sobre o livro: O jogo do contrário em avaliação de Jussara Hoffmann. na maioria das vezes sem uma estrutura correta para acomodar tantos de uma só vez. Jussara Hoffmann. Nesta unidade. 122 Copyright © 2007. respondão. ou melhor. Normalmente só se presta atenção em alguém mais destacável. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. vamos refletir sobre proposições pedagógicas de autores nacionais que apresentam uma perspectiva transformadora da realidade em relação ao processo de avaliar. por falar muito alto. ou seja. um número mais como um indivíduo único. Caro cursista. Especificamente. participativo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 25 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em sala de aula. criativo. que chama mais atenção por ser: Ativo.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas muitas vezes não têm a oportunidade de avaliar ou tentar saber o quanto seu aluno realmente aprendeu em tudo que lhe foi ensinado. Universidades. O caminho da aprendizagem deve ser único e não coletivo feito de aluno para aluno. que trabalha com o aluno de difícil aprendizagem nas escolas. mas usar técnicas e formas diversificadas de ensinamentos para os alunos. Os professores ensinam seus conteúdos. carinho. não nos alunos.Por causa da correria do dia a dia a avaliação acaba ficando prejudicada porque os professores têm muitos afazeres e “correm” todo o tempo para poder dar conta de suas responsabilidades pessoais e profissionais. Muitos alunos ficam anônimos porque não se destacam na multidão. “No Programa de Assessoria em Avaliação Educacional (PAAE) foi observado o uso da expressão “difícil”. O estudo de casos constitui no acompanhamento intensivo. não somente o ensinamento tradicional. 123 Copyright © 2007. Para o aluno aprender verdadeiramente deve haver afeto. casos difíceis” de compreender e de acompanhar em termos de seu desempenho na escola. mas as dificuldades sentidas por parte dos professores do programa. com o objetivo de estudar e debater temas atuais em avaliação. para desenvolver novas práticas nas escolas. atenção. porque são tímidos e calados e quase nunca são notados. A aprendizagem é bem ampla e deve abranger vários fatores para sua conquista definitiva. desta forma sobra muito pouco tempo para a avaliação relativa ao aluno individualmente. Este programa de educação era destinado a Educação Infantil. não somente o nome mais um pouco da vida em família ou enquanto cidadão. O correto é saber um pouco sobre cada aluno.

a criatividade. 124 Copyright © 2007. porém se valorizou as opiniões. as diferenças.  Tempo de reflexão sobre suas tarefas e manifestações de aprendizagem.  Interação com colegas de trabalho.Os estudos de casos se tornaram positivos. AVALIAÇÃO MEDIADORA EM TRÊS TEMPOS. Demonstrando respeito e dedicando. onde houve muita troca de pedidos de auxílio em casos diversos onde receberam sugestões de vários tipos. através de exemplos a realidade de cada professor/aprendiz. As diferenças são enormes mesmo com relação a grupos de um mesmo grupo ou escola. Procuraram fazer um processo de individualidade com cada professor ou cada Instituição. Ensinando técnicas para diversos pontos em seu plano profissional:  Conselho de Classe. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . confiantes.  Aprendendo tomar decisões sobre diversos assuntos. tempo para cada profissional do grupo em particular. muitos debates com apresentações de diversos casos. pais e alunos. a espontaneidade. com aulas teóricas. menos agitados e mais felizes. puderem tornar: alunos alfabetizados. Todos os professores se juntaram buscando respostas em comum com os colegas em vários casos.  Tempo de reconstrução das práticas avaliativas e/ou de invenção de estratégias pedagógicas para promover melhores oportunidades de aprendizagem. Os estudos avaliativos foram divididos em três etapas:  Tempo de admiração dos alunos. pois em pouco tempo. mais falantes. Foram feitos vários estudos com algumas etapas com uma duração média de um mês.

Muitos profissionais demonstraram dinamismo e puderam se soltar mais desta forma fazendo valer a intenção dos “Programas de Assessoria” para estes profissionais. A admiração do professor para com seus alunos ou vice-versa, se inicia a partir de que se comece a conhecer o aluno, com os professores de anos anteriores e da análise das tarefas de seus alunos. O tempo de admiração não é em apenas uma semana de aulas, mais sim com o passar do tempo e da amizade que criarem com o passar do tempo. O educador deve ficar sempre atento à vida de seu aluno, em casa e com a família, para captar experiências já vividas, para projetar o futuro das ações pedagógicas, para saber as dimensões em que se deve desafiar, para avançar em todas as áreas do saber. E claro sabendo respeitar o tempo de cada um em separado, de acordo com suas dificuldades e deficiências. A observação em avaliação consiste em compreender cada aluno em separado. Através de um olhar, de sua história de vida, de suas possibilidades e vontades. Muitas vezes o fracasso escolar parece ter explicação, mas para que explicar se não entende ou compreende o motivo real. Muitas questões relativas ao fracasso podem ser vistas e analisadas na própria sala de aula. Antes de tentar compreender ou explicar é preciso respeitar e aceitar as várias diferenças e culturas. Muitas pessoas culpam as outras mesmo sem antes pensar de quem é a culpa por determinado fato sem mesmo pensar como seria tal atenção se nos colocarmos no mesmo lugar do próximo. Não é correto julgar o não aprender com a falta ou necessidade diversa, inclusive financeira, mesmo se forem oferecidas condições iguais ou semelhantes de aprendizagem para todos os alunos em comum, por igual.
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O aprendizado do aluno pressupõe-se em: A atenção e a presença do educador, a concentração que inclui a escuta é o silêncio e ruídos na comunicação. A entrega ao outro, estar aberto a ouvi-lo, partindo de suas hipóteses, de seu pensar, adequando o seu ritmo ao do professor. A escuta da aprendizagem em sua história, o que significa o professor estudar a si próprio. O tempo de admiração dos alunos, através de uma visão mais ampla, sobre sua história e sobre seu jeito de aprender. O olhar estudioso, curioso, pesquisador, selecionar os dados, ordenar, classificar e comparar. A qualidade das reflexões concorreu fortemente ao fato destes estudos serem compartilhados por professores de diferentes escolas, estudando sobre alunos de diferentes séries e idades, independente de serem da rede pública ou privada; Para se compreender o aluno ou suas dificuldades antes de tudo é necessário diálogo com:  O aluno;  A família;  Antigos professores;  Outros profissionais, que o cercam no ambiente escolar; Esta realidade deve ser vivenciada diariamente e não às vezes, devendo ser constante. Os professores devem trocar experiências e informações pertinentes a cada aluno em especial. Devendo criar espaços e tempos disponíveis para a troca entre os profissionais. O caminho é e sempre será o diálogo entre todos os envolvidos desta forma, pode ser esperado um retorno nas avaliações educacionais. E porque não fazendo fazer dinâmica envolvendo professores e alunos, uma maior interação, uma maior vivência, entre todos, fazendo de uma forma menos formal.

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O novo pode assustar no início, mas também motiva principalmente quando se trata de diversão ligada à educação, mudando um pouco o tradicional de todos os dias. O olhar avaliativo é por natureza complexo e multidimensional, caracterizado por interpretações de diferentes intensidades (qualidades), sobre as diversas dimensões de aprendizagem do aluno, que se realizam a partir da educação, da sociedade. O julgamento de cada avaliador é sempre complexo e subjetivo porque variam de acordo com seus conceitos. A multiplicidade de perguntas pode fazer a diferença, tanto no sentido da palavra do educador, ou no sentido da escrita, com relação à avaliação. Com relação ao conceito relativo à multidimensões não existem dados objetivos que levem à certeza de nada, mas há o compromisso com a ética, para a formação do aluno, com respeito e dignidade. Sempre observar as atividades dos alunos, de preferência durante sua realização, dialogar com o aluno durante sua estada na escola ou na sala de aula. Durante a observação alguns tópicos foram constatados:  O aluno com relação ao contexto sociocultural e a sua própria história de vida:  Convivência familiar, investigação de toda sua vida enquanto ser humano, sua religiosidade, profissão, entre outros; Ao Cenário educativo: Localização da escola, relação para com os outros, interação com os colegas, professores e demais profissionais da escola, disponibilidade de aprendizagem, locais adequados para um bom estudo e aprendizado como: bibliotecas e salas de informática.

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procurando entender as necessidades e dificuldades de cada aluno em especial. conteúdos estudados por cada um. afetividade para com cada um. para que seu aprendizado seja bem significativo no momento atual. passado e o futuro de cada um individualmente. inclusive necessários para a avaliação educacional do aluno. principalmente os sonhos e sofrimentos diários de cada aluno. Procurando juntar e entender o presente. Qualquer detalhe despercebido tem sua importância e pode prejudicar a avaliação daquele aluno. O correto é se basear em todos os tópicos e não em um específico. as respostas para as dificuldades não são percebidas de imediato. Porém a autora “Jussara Hoffmann” acredita que a escola deve viver o presente. já frequentadas por ele.Currículo em desenvolvimento: Os objetivos traçados por cada aluno. na atual escola e em outras. 128 Copyright © 2007. projetos almejados e principalmente a área de interesse do aluno. porque todos são de grande importância para a vida escolar do aluno. As questões de aprendizagem: Observar o histórico escolar do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. olhando os diversos pontos de vista. É preciso ter clareza de que as atividades dos alunos são de dimensões diferentes para se realizar um trabalho eticamente responsável: á agressividades. Através de um diálogo e uma boa observação o professor pode interpretar ou orientar melhor seu aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Subjetivo: Porque só se entende ou se vê quando o outro entra em contato com você ou entra em sintonia com outra pessoa. Há não ser o professor ninguém. torna o olhar mais rigoroso. Também saber interpretar e observar em várias direções. por querer olhar mais profundamente. detectando suas dificuldades. na família ou mesmo no próprio ambiente escolar. Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar O professor deve prestar atenção nas atividades do aluno. agitação. Os objetivos de conhecimento e de investigação permanente do professor. ausência e outras diversas questões não justificam problemas de aprendizagem. tentando dar um significado a tudo o que vê e observa. Fazer com que o aluno mostre 129 Copyright © 2007. poderá avaliar o aluno ou mesmo definir ou decidir o que é importante ensinar ao aluno. Fazer uma boa observação pode auxiliar na melhor forma de ajudar o aluno da melhor maneira de ensinar de facilitar o aprendizado.U NIDADE 26 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em salas de aula. pois muitas vezes seu mau desempenho pode ser proveniente de algum problema. O professor deve observar mais também desvendar é saber lidar com suas limitações e dificuldades.demonstrando.

sem falar ou mesmo. expressar sentimentos diversos e demonstrar suas diferenças. Promover o entendimento para com as diferenças de cada aluno: de ideias. quando se destacam em estar à procura de algo novo. mas agir de forma a compreendê-lo. A escola deve promover o conhecimento no aluno. A criança e o jovem estão se autoavaliando. O problema do desenvolvimento do aluno na escola vem do motivo pelo qual não se desperta o interesse na consciência do mesmo. Observar a realização das tarefas do aluno é de extrema importância para a avaliação e o aprendizado. que lhe foi dada pelo professor. Procurar olhar com olhos mais atentos e não se deixar influenciar por uma primeira impressão. expressão. abrindo espaço para um diálogo aberto a todos os alunos. mudando rapidamente de atitude. 130 Copyright © 2007. tomar consciência de seus limites e poder aprender mais e mais sempre. interferir. fazendo com que ele reflita. sempre lembrando de observar e dialogar com o aluno mesmo que de longe. partindo de alguma motivação.e revele seus sentidos os ensinando a reagir. demonstrando mais afeto por quem lhes dedicou cuidados e respeito. adquirindo responsabilidades e demonstre potencialidades próprias de cada um. A autoavaliação é a tomada de consciência do aluno sobre o processo de aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Procurar uma interação juntamente com seus alunos para melhor observar. Despertando o interesse em aprender mais e mais. reage positivamente à atenção diferenciada. raça. O aluno quando está sendo cuidado. revelando um maior comprometimento com suas tarefas e seus avanços. quando procuram a ajuda do professor. sobre o aprender e sobre suas participações nas atividades escolares. sentimentos. independente da idade. fazer uma abordagem com os alunos os instruindo a escrever. reaja. pelo simples prazer da curiosidade.

131 Copyright © 2007. discutir as dificuldades e traçar medidas pedagógicas adequadas a cada perfil do aluno. Priorizar ao aluno ou a turma de maior necessidade analisando seu caso em particular e também uma análise grupal sobre seus trabalhos realizados em sala. por causa de tráficos. trocar ideias e dar sugestões sobre determinado aluno. por motivos familiares. Se necessário fazendo encaminhamentos pedagógicos e psicológicos para o auxílio do aluno em suas dificuldades. O conselho de classe é um momento de compartilhar experiências e vivências. Analisar cada perfil em separado visando sua convivência familiar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Durante um conselho de classe que se deve. sem ação. sem atenção. financeiros. trocando pontos de vista entre todos os professores ligados a cada aluno analisado. sem criatividade.Se um professor tentar entender ou procurar conversar com seu aluno ou mesmo parar para observar mais de perto pode descobrir muito sobre ele inclusive como sanar algumas dificuldades demonstradas pelo aluno. Porém questões relacionadas a atitudes de alunos não explicam as questões de aprendizagem. podendo haver outros fatores. É sempre necessário que se tenha um mediador. Usar o conselho para compartilhar casos isolados ou de grupos de alunos. Nunca desistir de um aluno por achá-lo difícil. para que se assegure a cordialidade diante de opiniões diversas. diferentes evitando desavenças e confusões desnecessárias. Muitas crianças e jovens estão fora das escolas. se procurar observar pode perceber que pode haver algo por trás de tudo. devendo ser bem usado para a solução de problemas. problemas emocionais envolvendo o aluno perante a sociedade em que está inserido. sejam quais forem principalmente pedagógicos. mas nunca antes notada pelo profissional.

todas as escolas devem contar com profissionais qualificados para auxiliar ou analisar em tomada de decisões.Os arquivos são de grande importância para a observação de caso por caso. onde sempre se pode recorrer para colher frutos ou mesmo buscar ideias pedagógicas para uma melhor forma de agir em sala de aula. já o julgando doente sem saber antes o motivo real de tal mau comportamento.  Fonoaudiólogos. A escola tem de estar sempre de acordo com normas que não excedam.  Psicopedagogos. Não julgar sem antes investigar. onde caso necessário possam fazer um acompanhamento do aluno. As escolas precisam contar com ajuda médica de diversos tipos de especialistas como:  Psiquiatras. que acaba sendo um grande fator que possa desencadear o desenvolvimento moral de crianças e jovens. extrapolem ou mesmo que com exagerada repressão.  entre outros que possam se encaminhar à escola para um acompanhamento com os alunos e porque não com os profissionais da escola. ou mesmo por não conseguir se desenvolver na aprendizagem. 132 Copyright © 2007. por sua roupa. obviamente mediante uma certeza de haver um problema. antes de julgá-lo sem conhecimento prévio. Antes de encaminhá-lo para uma ajuda médica. É importante que as escolas possam contar com profissionais adequados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O aluno não deve ser julgado por algum ato que tenha cometido. antes de se julgar devemos procurar o motivo ou causa do problema.

Luckesi.Jussara Hoffman 133 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Cipriano Carlos. Quem melhor do que o professor para ajudar o aluno da melhor maneira possível. O jogo do contrário em avaliação. São Paulo: Cortez. para no futuro fazer ou auxiliar para que se torne um adulto responsável. mas sem exageros ou excessos ou mesmo sem regras. tudo na quantidade certa para não extrapolar com seu aluno e desta forma podendo moldar seu caráter e desenvolvimento. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 1998.Limite é bom e necessário. honesto e porque não essencial para outras pessoas.

Sem informação não é possível promover participação. é imprescindível discutir ideias sobre a construção de uma avaliação democrática. é necessário reconhecer que as práticas rotineiras para ela muitas vezes são utilizadas como atos de uso e abuso de poder e. reflexão. Outros autores consideram que é vantajoso que o professor avaliador. Esse posicionamento.U NIDADE 27 Objetivo: Identificar os pressupostos que permitam uma avaliação da aprendizagem que ignore as metas e os programas para analisar os resultados sem os vieses. o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo realmente alcançados. porém não é único. as condições de realização. É preciso implementar práticas em que os alunos participem efetivamente dos processos avaliativos. contribuem para que o fracasso escolar seja encarado como fracasso pessoal do aluno. sem vieses. que respeite o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los e de serem orientados e ajudados em suas dificuldades. ignore as metas do programa para analisar os resultados da avaliação tais como eles se apresentam. as 134 Copyright © 2007. de modo geral. Ao se analisar a questão da avaliação. Assim. Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor. de acordo com as propostas curriculares os planos de ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Por que avaliação? Para muitos autores. as ações. compreensão de erros e êxitos e também não é possível garantir que os alunos assumam responsabilidades perante a própria aprendizagem e sintam-se estimulados a progredir. pelo menos num primeiro momento. por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor nos quais se definam objetivamente as finalidades.

A avaliação praticada põe a descoberto o chamado currículo oculto dos professores e é por seu intermédio que se reconhecem facilmente os objetivos implícitos. Portanto. a prática pedagógica efetivamente exercida e a avaliação praticada são atividades inseparáveis que se condicionam mutuamente. duas questões merecem destaque: Qual o papel da avaliação num processo de implementação curricular que toma como ponto de partida o desenvolvimento de capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania e colocam em relevância o contexto social em que se produz a aprendizagem dos alunos? A avaliação como elemento integrante de uma proposta curricular e a tomada de decisões direcionadas para o aprimoramento das aprendizagens dos alunos são questões-chave para quem ensina e aprende. 135 Copyright © 2007. que seguramente foram promovidos de forma significativa. na maneira de conceber a aprendizagem.  Buscar estratégias e sequências didáticas adequadas às condições de aprendizagem dos alunos. Quanto a isso. Embora ainda não seja amplamente praticada. por outro lado também se sabe que é por meio dela que se revelam as incoerências pedagógicas. há certo consenso em relação a sua relevância e à compreensão de seus aspectos mais importantes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. a avaliação formativa está muito difundida e. e que os alunos perceberam como mais importantes. na interpretação e na abordagem dos conteúdos implicam repensar as finalidades da avaliação. em que o aluno reestrutura seu conhecimento por meio das atividades que lhe são propostas. a saber:  Considerar a aprendizagem um amplo processo. Se por um lado sabe-se que mudanças na definição de objetivos. no plano das representações.

A construção do conhecimento supõe a superação dos erros. mas como manifestação de um processo de construção. por um processo sucessivo de revisões críticas.  Diagnosticar as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las. a avaliação não pode ter um papel classificatório. uma vez que eles revelam as representações e estratégias dos alunos.  Evidenciar aspectos de êxito nas aprendizagens. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Interpretar os erros não como deficiências pessoais. excludente e punitivo. descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal. Ampliar os conhecimentos do professor sobre os aspectos cognitivos do aluno. 136 Copyright © 2007. Se a educação é um direito de todos. compreender como ele aprende identificar suas representações mentais e as estratégias que utiliza para resolver uma situação de aprendizagem.  Considerar os erros como objetos de estudo. Explique que papel ela deve representar e exponha.

procuram identificar os conhecimentos iniciais dos alunos. Isso implica buscar informações para compreender como cada aluno atua diante das tarefas propostas e possibilitar os meios de formação que respondam adequadamente às características particulares desses alunos. e também supor os contextos heterogêneos em que ocorrem as aprendizagens. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 28 Objetivo: Analisar os objetivos que embasam avaliação para o desenvolvimento das capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania. uma vez que ela pressupõe uma grande quantidade de decisões a serem tomadas. realizar a avaliação formativa em classes numerosas ou quando o professor atua em várias turmas. É preciso. Enfim. procuram observar não só os resultados. essas experiências também têm representado dificuldades de ordens diversas e bastante complexas para os professores. 137 Copyright © 2007. em distintas singularidades de cada situação didática que se avalia. ainda que em tímidas experiências. Porém. decidir sobre a intervenção adequada para superar determinadas dificuldades dos alunos. portanto. dispor de tempo e instrumentos apropriados para recolher informações etc. detectam erros e dificuldades. buscam com mais frequência adaptar as programações em função de resultados de diagnósticos iniciais. como por exemplo: identificar as causas que provocam erros na aprendizagem. Assim. sem recorrer a provas e testes. é preciso inicialmente considerar que a avaliação não pode ser um processo de responsabilidade única do professor. modificar suas práticas de avaliação. reforçam êxitos nas aprendizagens. incorporar outros aspectos que permitam ao professor compartilhar a avaliação e poder praticá-la com a função de regular o processo de ensino e aprendizagem. Para avançar no sentido de encontrar respostas para essas questões. A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular Influenciados por essas ideias os professores têm tentado. mas também os processos de aprendizagem.

experiências anteriores etc. – como pelo contexto social em que ela se desenvolve. Um exemplo: têm se multiplicado. é necessário promover processos de negociação que lhes permitam compartilhar as mesmas ideias sobre os objetivos a serem atingidos. os alunos nem sempre percebem. dos instrumentos e critérios de avaliação do professor.  O êxito na aprendizagem também é garantido pelas mediações que se produzem entre o aluno e o professor e entre um aluno e os demais. Por isso. A aprendizagem pode ser favorecida se os alunos se apropriarem progressivamente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 138 Copyright © 2007. da mesma maneira. por meio de situações didáticas adequadas. motivação. nos últimos anos. mediante estratégias e instrumentos de autoavaliação que propiciem a construção de um sistema pessoal para regular seus processos de aprendizagem.  A autonomia dos alunos é promovida quando o professor compartilha com eles o controle e a responsabilidade sobre suas aprendizagens. as demandas do professor. que podem servir também como um interessante modo de fazer registros a serem utilizados na avaliação e contribuir ainda para que cada professor faça sua autoavaliação. as investigações sobre o uso de portfólios. Em função de distintos esquemas de conhecimento e contextos culturais. uma vez que propõem a interação e a gestão social da aula e possibilitam o compartilhamento de responsabilidades sobre a aprendizagem. influenciada tanto pelas características pessoais – esquemas de pensamento. ideias prévias. Esses novos aspectos imprimem um caráter comunicativo e abrem novas perspectivas para a avaliação.Pensar a avaliação como função reguladora da aprendizagem significa levar em conta que:  A aprendizagem se concebe como uma construção pessoal do sujeito que aprende. Eles direcionam o professor a buscar alternativas didáticas que auxiliem o aluno a aprender a aprender.

139 Copyright © 2007.” Discuta com seus companheiros. o que você entendeu sobre esta afirmativa de Edgar Morin. É preciso conceber a unidade do múltiplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .“Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. a multiplicidade do uno. sua diversidade na unidade.

A partir de 2003. O PNLD distribui gratuitamente obras didáticas para todos os alunos das oito séries da rede pública de ensino fundamental. essa política está consubstanciada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). 140 Copyright © 2007. os estados e municípios podem solicitar alterações desde que devidamente comprovada à ocorrência do erro. com a finalidade de prover as escolas das redes federal. centrando estudos norteadores para a seleção. municipais e do distrito federal é feita com base no censo escolar realizado anualmente pelo o Instituto de Estudos a Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inepe/MEC) que serve de parâmetro para todas as ações do FNDE. municipais e do Distrito Federal com obras didáticas e paradidáticas e dicionários de qualidade. O Livro Didático Desde 1929. as escolas de educação especial pública e as instituições privadas definidas pelo o censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram incluídas no programa. inclusive para o livro didático. A definição do qualitativo de exemplares ser adquirido para as escolas estaduais. para conhecimentos dos estados e municípios.U NIDADE 29 Objetivo: Desenvolver estudos voltados para a escolha de livros didáticos mais qualificados em sala de aula. quando o governo brasileiro criou um órgão específico para legislar sobre a política do livro didático. Os resultados do processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando. o Instituto Nacional do Livro (INL). estaduais. Em caso de desconformidade. Atualmente.

Em 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Produção. admitiam-se duas formas de execução: a centralizada (com as ações integralmente a cargo do FNDE) e a descentralizada (ações desenvolvidas pelas Unidades de Federação.  Distribuição. Até o PNLD 2006.O PNLD é mantido pelo FNDE com recursos financeiros do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação. A seguir.  Guia do livro.  Período de utilização. Em 2006.  Avaliação.  Alternância.7 milhões.  Ampliação: O FNDE ampliou sua área de atuação e passou a distribuir: o Dicionários o Livros em Braille o Livros para a educação especial 141 Copyright © 2007. São Paulo foi o único cotado no PNLD 2005 e 2006 optou pela descentralização). não se admitindo mais o repasse de recursos financeiros para que o próprio Estado realize as aquisições.  Aquisição. o FNDE executa o programa de forma centralizada para todas as UFs.  Qualidade física. Atualmente. o investimento foi de R$ 563.9 milhões.  Escolha.  Pedido. via convênio firmado com FNDE. as principais ações da execução centralizada:  Inscrição das editoras. o valor previsto no orçamento é de R$ 679. mediante repasse de recursos do governo federal.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mais 13% do total inicial de livros. E também pela escolha dos professores. A falta de conservação e a não devolução das obras levam o FNDE a adquirir. as escolas das redes públicas podem verificar a disponibilidade dos livros nas unidades educacionais mais próximas e registrar possíveis sobras em sua instituição.o Livros para o ensino médio SISCORT O sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort) no site eletrônico do FNDE. Os livros do PNLD devem ser utilizados pelos os estudantes três anos consecutivos. ele não resolve o problema de falta de livros por má conservação ou pela não devolução das obras pelos os estudantes no final do ano. para repor os que não foram devolvidos ou que estejam sem condição de uso. CONSERVAÇÃO DE LIVROS Embora o Siscort seja um instrumento valioso para auxiliar as escolas e as secretarias de Educação. a encontrarem obras para remanejamento. até chegar ao condicionamento dos livros em suportes de madeira (paletes) nos postos avançados dos Correios instalados dentro das editoras. a cada ano. 142 Copyright © 2007. O início do processo se dá com a avaliação física e de conteúdo das obras apresentadas pelos autores e editoras. passa pela elaboração e distribuição do Guia do Livro Didático. GERENCIAMENTO O gerenciamento logístico é um dos procedimentos mais importantes no processo de distribuição dos livros didáticos e acervos. continua com a negociação com as editoras.

8 milhões de alunos.  Guias de livros didáticos PNLD no respectivo ano de 2007.8 milhões de alunos.294 acervos com 7 exemplares paras as salas se aula de alunos de 5ª a 8ª série. os Correios entregam os livros didáticos diretamente às escolas públicas urbanas. Pelo PNLD 2006 dicionários serão atendidos mais de 764 mil salas de aula de quase 174. DADOS ESTATÍSTICOS Entre 1994 e 2005. beneficiando mais de 29. um total de 1. Nesse período. o FNDE adquiriu cerca de 519 mil acervos. por sua vez.  Guias de livros didáticos e editoras. 143 Copyright © 2007. devem entregá-los aos estabelecimentos de ensino antes no início do ano letivo. do ano respectivo de 2007. para a utilização nos anos letivos de 1995 a 2006. o PNLD adquiriu.  Inscrição e cadastramento. CONSULTAS  Acompanhamento da distribuição.7 mil escolas.7 mil escolas públicas do ensino fundamental. Já os acervos destinados às escolas rurais são entregues nas secretarias municipais de educação ou nas prefeituras que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . matriculados em cerca de 163. cada um com 9 dicionários.DISTRIBUIÇÃO De acordo com a estratégia de distribuição.  Cronograma de atendimento. que serão utilizados coletivamente pelos alunos de 1ª a 4ª série em cada sala de aula e 247. 077 bilhão de unidades de livros. distribuídos para uma média anual de 30.  Editais. Para isso.2 bilhões. o PNLD investiu R$ 34.

br/home/index.jsp?arquivo=livro_didatico. de 23/03/2003 – Controle de qualidade.963 de 29/08/2005 – dispõe sobre as normas de conduta para o processo de execução dos Programas do Livro. página 98.Livros em Braille.  Resolução n 05.br 144 Copyright © 2007. de 11/07/2003. de 14/12/2044 – Dispõe sobre a aquisição de dicionários de Língua Portuguesa para o PNLD/2006. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de 24/08/2004 – Ensino fundamental e educação Especial.  Resolução nº 32. 21/02/2005 – Vida útil dos livros.  Portaria Ministerial nº.LEGISLAÇÃO  Diário Oficial da União.  Resolução nº 40. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE Tel: (61) 3966/49/19 ou 3966/49/15 http://www. de 20/05/2003 – Avaliação pedagógica das obras.gov. Seção 1.  Resolução nº 24.  Resolução n 38.  Resolução nº 03. de 18/06/2004 – Reserva técnica.html) Email: cac@fnde.  Resolução nº 14.gov. CONTATOS 0800-616161 – Central de Atendimento ao cidadão (ligação gratuita).  Resolução Nº 34. de 15/10/2003 – Ensino Médio. de 01/10/2003 – Multas contratuais.fnde. de 01/10/2003 – Aplicação de penalidades. 2.  Resolução nº 30. 15 de dezembro de 2004.  Resolução nº 55.

a avaliação não pode ter um papel classificatório. 145 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . excludente e punitivo. Explique qual o papel ela deve representar descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal.Se a educação é um direito de todos.

segundo Ferreira (1999. desenhos. caro cursista! Você percebeu que. 1612).” nós revisitamos desde a trajetória histórica do currículo passando por grandes expoentes educacionais.U NIDADE 30 Objetivo: Trabalhar a avaliação da aprendizagem de forma dinâmica e criativa . de modo a ser apreciado por especialistas e professores. Agora vamos discutir informações sobre o Portfólio. possibilitando aos alunos efetiva e crítica participação no ensino e aprendizagem. as quais apresentam as 146 Copyright © 2007. às concepções que norteiam a prática educativa. ao estudar o Módulo “Concepções Educacionais e Currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nesse caso. Originariamente. Essa rica fonte de informação permite aos críticos e aos próprios artistas iniciantes compreender o processo em desenvolvimento e oferecer sugestões que encorajem sua continuidade. p. estampas etc. o portfólio é uma coleção de suas produções. que se constitui em mais um instrumento de avaliação e também como uma forma de desmistificar a avaliação da aprendizagem no ensino de jovens e adultos. o portfólio apresenta várias possibilidades. Bom. Vejamos: O que é um portifólio? O portfólio é um dos procedimentos de avaliação condizentes com a avaliação formativa. uma delas é a sua construção pelo aluno. Em educação. que já sabemos têm muita informação e conhecimento. Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada. o portfólio é uma pasta grande e fina na qual os artistas e os fotógrafos iniciantes colocam amostras de suas produções. Porta-fólio ou portfólio. é uma "pasta de cartão usada para guardar papéis. as quais apresentam a qualidade e a abrangência do seu trabalho.".

progresso ou desempenho em uma determinada área. As pessoas expressam um caráter eminentemente avaliativo sobre objetos. selecionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-Ias no portfólio. Os autores Arter e Spandel (1992) entendem o portfólio como: [.evidências de sua aprendizagem. situações. 207). O portfólio é um procedimento de avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso. e evidência de autoreflexão pelo aluno. (p. a reflexão pelo aluno sobre sua aprendizagem. A seleção dos trabalhos a serem incluídos é feita por meio de autoavaliação crítica e cuidadosa. que envolve o julgamento da qualidade da produção e das estratégias de aprendizagem utilizadas. em conjunto. Não é uma pasta onde se arquivam textos. as linhas básicas para a seleção. Pois eles são participantes ativos da avaliação. 147 Copyright © 2007. Esses juízos se apresentam impregnados de (pré) conceitos e valores acerca da sociedade e do mundo que os cercam. que se revela de múltiplas formas no cotidiano. Percebe-se que o portfólio é mais do que uma coleção de trabalhos do aluno. 2001. com orientação do professor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . possam acompanhar o seu progresso (VILLAS BOAS. A compreensão individual do que constitui qualidade em um determinado contexto e dos processos de aprendizagem envolvidos é desenvolvida pelos alunos desde o início de suas experiências escolares. os alunos são participantes ativos desse processo. fatos e sobre si mesmas. 36) Esse entendimento inclui três ideias básicas: a avaliação é um processo em desenvolvimento. Avaliação desmistificada A avaliação tem como característica ser uma tarefa. os critérios para julgamento do mérito.. inerente ao ser humano.. É organizado por ele. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio. p.] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços. para que.

O repensar da prática de avaliar a aprendizagem na educação. pois transcende determinações historicamente validadas que concebem o ato de avaliar atrelado diretamente ao ato de medir. métodos e instrumentos. de homem e de sociedade. que objetiva ser um instrumento auxiliar da aprendizagem. Avaliação desmistificada contribui significativamente para o avanço do conhecimento sobre a avaliação. o termo avaliação assume como característica essencial à função de medir e quantificar. possibilitando a prática de uma forma de avaliar que ultrapassa o encarceramento da quantificação. Essa situação. A realização do modelo de avaliação formativa exige do educador uma compreensão das formas de avaliação e uma reflexão sobre os propósitos e os obstáculos calcados no ato de avaliar. é contínua a existência de representações inibidoras que atrelam a ação avaliativa às perspectivas meramente burocráticas. evidentemente. ressaltando o valor da objetividade por meio de técnicas. desde os seus primórdios. trazendo em sua caracterização as marcas do tempo histórico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . marcadas pela exigência legal da certificação. exige dos educadores uma reflexão 148 Copyright © 2007. especialmente. exige deixar de lado as representações centradas na certificação e compreender o ato de avaliar como um instrumento de reflexão e suporte para aqueles que constroem o cotidiano da educação.A avaliação da aprendizagem como fenômeno educacional apresenta-se como área específica de conhecimento. no contexto da avaliação formativa. Historicamente. pela seletividade. da quantificação do saber por meio de notas e. O autor destaca outro modelo. Entretanto. denominado avaliação formativa. A obra do filósofo francês Charles Hadji. o percurso de concepções filosóficas a partir de diferentes visões de mundo.

A segunda parte da obra. No eixo motriz dessa análise. da sociedade e da transformação do sistema social. a teorização sobre a avaliação formativa pode ser percebida. é possível encontrar pistas bem precisas de aquisição do conhecimento de forma construtiva. Certamente. a avaliação é compreendida como um instrumento pedagógico a serviço do êxito do aluno. na tentativa de colocar a avaliação como elemento ativo do processo de aprendizagem. do desenvolvimento dos indivíduos e. além de possibilitar melhores formas de intervenção. ressaltando que a ausência da primeira pode levar a um imobilismo pedagógico. a leitura dessa obra poderá fornecer indicadores teóricos capazes de contribuir para a ultrapassagem de determinados limites. no sentido de contribuir para a construção do saber e a apropriação do conhecimento. capaz de contribuir para o enfretamento das indagações e o desvelamento dos condicionamentos e determinantes da prática pedagógica cotidiana. a fim de reverter o quadro tradicional. Nesse modelo. denominada Agir. Na primeira parte da obra. permeado pela 149 Copyright © 2007. compreendendo que a prática da avaliação depende da significação empreendida ao ato de ensinar. Nesse sentido. Aqui o autor explora e resguarda a íntima relação da teoria com a ação. Apresenta um esforço teórico na direção da implementação de proposições. os educadores e demais profissionais envolvidos com a tarefa de avaliar são convidados a incluir em suas reflexões o real significado do princípio que coloca a avaliação (desmistificada) a serviço da aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no âmbito educacional como um conjunto de contribuições que podem sinalizar para o aprimoramento do conhecimento sobre essas realidades. portanto. denominada Compreender. delineia as dimensões teóricas da avaliação de forma mais concreta e contextualiza formas de aplicabilidade por meio do Guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa (p.continuada e sistemática.70).

é necessário reafirmar que a avaliação é apenas um processo geral de condução da ação e do ensino e aprendizagem. que favorece consideravelmente a significativa situação do fracasso escolar. O filme mostra o início dos trabalhos de Freud. 150 Copyright © 2007. e também o momento decisivo que precisa ser concebido como um ato amoroso e uma operação de leitura orientada da realidade. enfocando seus estudos sobre a interpretação dos sonhos. além do achatamento na aquisição do conhecimento. Finalizando. que tem como diferença a necessidade do educador se abster de convicções impregnadas de inércia e imobilismo e caminhar na perspectiva de uma convicção criadora. além da alma.seletividade e pela discriminação. Assista ao filme Freud. direção de John Huston (EUA. 1962) e procure refletir sobre o processo de construção da sua teoria. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Restringiu-se amiúde o termo “empirismo” à filosofia clássica moderna Endógeno . que significa “experiência”. fontes e validade do conhecimento. 151 Copyright © 2007.Fenômeno ou processo interno.G LOSSÁRIO Apriorismo – A priori (do latim.A autoestima pode ser definida como o sentimento que se tem ligado a autoimagem. Interação entre o indivíduo e a cultura. também chamada teoria do conhecimento. são funções psicointelectuais superiores. para Vygotsky. é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural.. adquiridas a partir de atividades sociais que aparecem no decurso do desenvolvimento das crianças. Interacionismo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza. Egocentrismo – É a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio. « partindo daquilo que vem antes »).. Interpsiquico – Segundo Vygotsky. onde. que consiste no pensamento dedutivo. O que a pessoa pensa de si mesmo. Autoestima . Culturalista – postura da vertente de psicólogos e dos cientistas sociais que destacam o papel da cultura na explicação dos fenômenos. é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento. que se realiza no interior Epistemologia – A epistemologia. Empirismo – O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria. ou seja.

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