MÓDULO DE

:

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

AUTORIA:

Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO Autora: Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES.

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040

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A

PRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO Caros (as) alunos e alunas, Sou a tutora de cada um e de cada uma de vocês. Vamos ler, refletir e considerar proposições sobre um currículo vivo, real e capaz de promover mudanças significativas na mente, no coração e no espaço educacional onde atuam. Pensar em uma profissão significativa é esboçar um projeto de vida. Agora, mais do que descobrir a vocação, é fazer dela um instrumento de construção e intervenção no mundo. É adaptar-se ao mundo de maneira crítica, é saber que a educação não é a solução para tudo, mas é a porta para caminhos infinitos. Temos que ter a consciência que sonhos não devolvem o que há mais de 500 anos vem sendo tirado da gente, mas temos a certeza de que a dignidade, ética, igualdade não devem apenas ser escritas em versos e sonhos, mas devem ser realidades concretas, construídas com sangue e suor. Ser educador é acima de tudo acreditar, é lutar para fazer acontecer. Vamos construir uma educação melhor, conhecendo o que é um currículo, sua organização, seu funcionamento e adotando ações práticas e viabilizadoras de mudanças positivas. Obrigada por acreditarem! Obrigada por estarem aqui! Profª. Marizinha Coqueiro Borges.

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Definir um quadro de referência teórica sobre currículo. Possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre um currículo que seja transformador da realidade e que atenda às diversidades sócioculturais dos educandos. 4 Copyright © 2007. numa perspectiva crítica e transformadora. elementos componentes.O BJETIVOS Compreender o sentido e o significado dos princípios políticos e pedagógicos na elaboração do currículo a partir do conhecimento da estrutura e o funcionamento da Educação Básica Brasileira. Currículo e desenvolvimento social. Adequação curricular nas vertentes da temporalidade e contexto social. Agentes da ação curricular. garantindo a formação integral de cidadãos participativos e aptos a contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Implementação e avaliação de currículo.: Concepções e etapas. Elaboração de programas curriculares. funções. Concepções de educação e seus autores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Reconstrução do conhecimento experiência e mundo . Currículo oculto. E MENTA Conceituação. . real.Parâmetros mínimos necessários – PCN’S. Compreender o currículo escolar como espaço de reconstrução educacional e de especialização do conhecimento pedagógico e refletir sobre a necessidade da construção de práticas pedagógicas específicas a partir do conhecimento de currículo vivo.

.................................................................................................................................................................................. 8 UNIDADE 2 ...................................................................................................................... 12 UNIDADE 3 ............................................................................................................. 47 UNIDADE 11 ................................ 31 UNIDADE 7 ............................ 23 UNIDADE 6 ...................... 12 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo... ........ . 44 O Currículo Multiculturalista e a Educação ....................... ........................ 40 Diferenciar o Currículo Oculto................................................... do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente............................ 51 5 Copyright © 2007................................................................ 15 UNIDADE 4 ....................................................... como Ação do Cotidiano da Escola................ segundo Tomaz Tadeu Da Silva............. 23 O Currículo Segundo Dewey E Tyler ..................................................................................................................... 36 UNIDADE 8 ....................................................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ................................. ..................................................................................................................................................................... 31 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos........ 19 Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo .............. 19 UNIDADE 5 ............................................................................................. 47 Currículo Científico ............................ 40 UNIDADE 9 ... .......................................................... .......................................S UMÁRIO UNIDADE 1 ......................................... 36 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos.......................................................................... segundo Tomaz Tadeu Da Silva.................. 8 Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo.............................................................................................. 15 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo........................... 44 UNIDADE10 .........................

.......................................................................................................... 95 UNIDADE 21 ..................................................... segundo Paulo Freire...................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ......................................... ...................................................................................................................................................... 75 Os Pilares da Educação.......... 85 UNIDADE 19 .................... 99 UNIDADE 22 .............. segundo Paulo Freire..... 104 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro .................... ...... 71 UNIDADE 16 .80 UNIDADE18 ........................................................ ............................... 66 Algumas Reflexões sobre a Educação.......Currículo Científico . 80 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas..................................... 59 UNIDADE 14 ................................................................. 66 UNIDADE 15 ...... 90 UNIDADE 20 ...................................................................................... 122 6 Copyright © 2007..................................................................................................... 116 UNIDADE 25 ............................... 71 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica .... 99 Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua................................................................................................................................................................................................. 55 Breve Biografia Do Educador Paulo Freire ................................. 59 Algumas Reflexões Sobre A Educação..... 95 Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua............................................................................................................. Segundo Declaração da UNESCO De 2002.................................................................... .................... 75 UNIDADE 17 ........................................................................ 90 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ............................................................................ 85 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica ... ............... 55 UNIDADE 13 ..................................................... 110 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro .......... 104 UNIDADE 23 ............................................................. 110 UNIDADE 24 ...................................................................................... 51 UNIDADE 12 .............................................

...... 151 BIBLIOGRAFIA ................................Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar........................................... 137 UNIDADE 29 .................................................. 122 UNIDADE 26 ......................................................................... 134 Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor................................................................. 129 Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar ...................................................................................................... .................. 152 7 Copyright © 2007...................................................................... 146 Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada............................................................................. 140 O Livro Didático .................................................................................... .............................................................................................................................................................. ..................................................................................................... 140 UNIDADE 30 .................................... 134 UNIDADE 28 .............................................. 129 UNIDADE 27 ........ 137 A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular .. 146 GLOSSÁRIO ............................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ...............................................

Embora questões relativas ao "como" do currículo continuem importantes. o currículo é considerado um artefato social e cultural. as relações do currículo com o processo de ensino e aprendizagem. técnicas. vamos discutir as ideias apresentadas por Moreira e Silva (1994). voltada para questões relativas a procedimentos. com a sociedade e com a escola de modo específico. no texto “Sociologia e teoria crítica: uma introdução” (p. 7-30). políticas. elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo "por que" das formas de organização do conhecimento escolar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nessa perspectiva. Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo. crítico e transformador”.( Marizinha Coqueiro Borges). O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica. Nesse sentido. de 8 Copyright © 2007. ir além das suas limitações e ajudar a construir um currículo ativo.U NIDADE 1 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. epistemológicas. capacitar-se. guiada por questões sociológicas. “O professor deve se sentir parte de um coletivo docente. de sua história. métodos. Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo. Isso significa que ele é colocado na moldura mais ampla de suas determinações sociais. Introdução À Teoria Do Currículo Para adentrar no estudo do currículo faz-se necessário revisitar a concepção de currículo de forma geral.

neste texto. Emergência e desenvolvimento da sociologia e da teoria crítica do currículo Os autores focalizam. onde pela primeira vez se elegeu o currículo como foco central da Sociologia da Educação. Seguei 1966. o propósito mais amplo desses especialistas parece ter sido planejar "cientificamente" as 9 Copyright © 2007. que um significativo número de educadores começou a tratar mais sistematicamente de problemas e questões curriculares. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. tanto nos Estados Unidos. Diferentes versões desse surgimento podem ser encontradas na literatura especializada (Cremin. Franklin. 198 I). dando início a uma série de estudos e iniciativas que. Em outras palavras. configuraram o surgimento de um novo campo. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal ele tem uma história. onde o campo se originou e desenvolveu como na Inglaterra.sua produção contextual. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 1975. a preocupação com os processos de racionalização. destaca-se. o currículo sempre foi alvo da atenção de todos os que buscavam entender e organizar o processo educativo escolar. por parte dos superintendentes de sistemas escolares americanos e dos teóricos considerados como precursores do novo campo. sistematização e controle da escola e do currículo. o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas. 1974. foi somente no final do século XIX e no início deste. O currículo está implicado em relações de poder. em curto espaço de tempo. Pinar & Grumet. No entanto. a emergência de uma abordagem sociológica e crítica do currículo. vinculada às formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. nos Estados Unidos. Comum a todas elas. As origens do campo nos Estados Unidos Mesmo antes de se constituir em objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico. o currículo produz identidades individuais e sociais particulares.

substituído pelos monopólios. consideradas úteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e à prática emergentes. então prevalente. não se deve entender o novo campo como monolítico. Para a produção em larga escala foi necessário aumentar as instalações e o número de empregados. às categorias de controle social e eficiência social. tanto em suas origens como em seu posterior desenvolvimento. para a construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta. Todavia. tanto em suas manifestações iniciais como nos estágios subsequentes. então considerada "desejável". Segundo Kliebard (1974). duas grandes tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma volta-se para a elaboração de um currículo que valorizasse os interesses do aluno e a outra. apresentaremos uma breve descrição do contexto sóciohistórico no qual ela emergiu. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A fim de melhor entender como tais intenções informaram o desenvolvimento da nova especialização. As primeiras tendências O campo do currículo tem sido associado. O contexto americano na virada do século Após a Guerra Civil. A primeira contribuiu para o desenvolvimento do que no Brasil se chamou de escolanovismo e a segunda constituiu a semente do que aqui se denominou de tecnicismo. sendo o sistema de competição livre. a economia americana passou a ser dominada pelo capital industrial. A primeira delas é representada pelos trabalhos de Dewey j e Kilpatrick e a segunda pelo pensamento de Bobbitt. O processo de produção tornou-se socializado e mais complexo. já que outras intenções e outros interesses podem ser identificados.atividades pedagógicas e controlá-Ias de modo a evitar que o comportamento e o pensamento do aluno se desviassem de metas e padrões pré-definidos. 10 Copyright © 2007. enquanto procedimentos administrativos sofisticaram-se e assumiram um cunho “científico”.

Pode-se dizer que as duas. políticas e econômicas por que passava o país e que. procuraram adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista que se consolidava. em seus momentos iniciais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . dominaram o pensamento curricular dos anos vinte ao final da década de sessenta e início da década seguinte. juntamente com vestígios e revalorizações de uma perspectiva mais tradicional de escola e de currículo. representaram diferentes respostas às transformações sociais. As duas tendências. ainda que de formas diversas. 11 Copyright © 2007.

Althusser era explícito a respeito dos mecanismos pelos quais essas diferenciadas 12 Copyright © 2007.U NIDADE 2 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. às crianças das diferentes classes: uma visão de mundo apropriada aos que estavam destinados a dominar. O ensaio de Louis Althusser (1983). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Aquele ensaio rompia com a noção liberal e tradicional da educação como desinteressadamente envolvida com a transmissão de conhecimento e lançava as bases para toda a teorização que se seguiria. em particular. Fundamentalmente. "A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos de Estado" marca. o início da preocupação com a questão da ideologia em educação. e a do currículo. Currículo E Ideologia Desde o início da teorização crítica em educação. "ideologia" tem sido um dos conceitos centrais a orientar a análise da escolarização. a outra aos que se destinavam às posições sociais subordinadas. Essas ideias seriam diferencialmente transmitidas. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. garantindo assim a reprodução da estrutura social existente. Além disso. em geral. naturalmente. Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola em diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes "aprenderiam" as atitudes e valores próprios das classes subalternas. na escola. os que fossem até o fim seriam socializados no modo de ver o mundo próprio das classes dominantes. Althusser argumentava que a educação constituiria um dos principais dispositivos através do qual a classe dominante transmitiria suas ideias sobre o mundo social.

visões de mundo eram transmitidas. uma compreensão que nos levou bastante além do esboço de Althusser. Em primeiro lugar. embora de forma mais sutil. mas certamente uma coisa relativamente clara na literatura educacional é o vínculo que a noção de ideologia tem com poder e interesse. Estudos Sociais. é difícil resumir as inúmeras interpretações ligadas ao conceito de ideologia numas poucas proposições. mas estariam presentes. Por um lado. Naturalmente. de fato. o refinamento conceitual foi na direção de afastar a ideia de ver a ideologia como falsa consciência ou como um conjunto de ideias falsas sobre a sociedade. raramente referida. A compreensão do conceito de ideologia como consciência falsa levava facilmente à sua formulação como uma questão epistemológica centrada na dicotomia falso/verdadeiro que a despia de todas as suas conotações políticas. como Matemática e Ciências. houve uma série de contestações conceituais à própria noção de ideologia formulada por Althusser. apresentava. Essa perspectiva permite que escapemos aos impasses colocados pelo equacionamento de ideologia como conhecimento falso e não ideologia como conhecimento verdadeiro. Por outro. essa transmissão da ideologia estaria centralmente a cargo daquelas matérias escolares mais propícias ao "ensino" de ideias sociais e políticas: História. também. De forma geral. É verdade que o ensaio de Althusser não se baseava nessa noção (e sua segunda parte. mas o escasso tratamento dado ao conceito na primeira parte do ensaio podia legar a essa compreensão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o ensaio de Althusser e seus pressupostos foram objeto de crítica e refinamento nos anos que se seguiram à sua publicação. ainda não superada). Embora tenha sido um marco importante e continue sendo uma referência central na teorização crítica em educação. uma noção extremamente sofisticada de ideologia. inúmeros estudos empíricos sobre o funcionamento da escola e da sala de aula ajudaram a aumentar consideravelmente a nossa compreensão do papel da ideologia no processo educacional. 13 Copyright © 2007. Educação Moral. em matérias aparentemente menos sujeitas à contaminação ideológica.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem à realidade ou não. 14 Copyright © 2007. é mais importante saber que vantagens relativas e que relações de poder elas justificam ou legitimam.permitindo também que nos afastemos da noção representacional de conhecimento e linguagem implícita naquele equacionamento. nessa perspectiva. transmitem uma visão do mundo social vinculada aos interesses dos grupos situados em uma posição de vantagem na organização social. está relacionada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões. A ideologia é essencial na luta desses grupos pela manutenção das vantagens que Ihe advêm dessa posição privilegiada. O que caracteriza a ideologia não é a falsidade ou verdade das ideias que veicula. mas o fato de que essas ideias são interessadas. A ideologia. É menos importante saber se as ideias envolvidas na ideologia são falsas ou verdadeiras e. mas saber a quem beneficiam o que implica ao outro ponto conceitual importante: o conceito de ideologia e a relação de poder.

senão uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade. em particular. o currículo e a educação estão profundamente envolvidos em uma política cultural. há diferenças importantes a serem enfatizadas. mas ele é visto. a tradição crítica vê o currículo como terreno de produção e criação simbólica. cultura e currículo constituem um par inseparável já na teoria educacional tradicional. sim. A 15 Copyright © 2007.U NIDADE 3 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. como fundamentalmente político. de certa forma. cultural. continua essa tradição. o que significa que são tanto campos de produção ativa de cultura quanto campos contestados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . nem ela existe de forma unitária e homogênea. a cultura não é vista como um conjunto inerte e estático de valores e conhecimentos a serem transmitidos de forma não problemática a uma nova geração. Em vez disso. o currículo. Na tradição crítica. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. Em contraste com o pensamento convencional sobre a relação entre currículo e cultura. A educação e o currículo são vistos como profundamente envolvidos com o processo cultural. que é a educação e. Entretanto. Nessa visão. A teorização crítica. a educação e o currículo estão. De forma geral. envolvidos com esse processo. ao contrário do pensamento convencional. Continuando Nossas Reflexões Sobre A Teoria Do Currículo Currículo E Cultura Se ideologia e currículo não podem ser vistos separados na teorização educacional crítica.

Aquilo que na visão tradicional é visto como o processo de continuidade cultural da sociedade como um todo. é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. é o terreno privilegiado de manifestação desse conflito. por isso. por outros agentes. apenas como correias transmissoras de uma cultura produzida em outro local.educação e o currículo não atuam. Em vez disso. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. por sua vez. essa transmissão se dá em um contexto cultural de significação ativa dos materiais recebidos. a cultura é o terreno por excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais. 1979). nesse sentido. tal como na visão tradicional. A cultura e o cultural. 16 Copyright © 2007. não existe uma cultura da sociedade. Nessa visão. a cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. é visto aqui como processo de reprodução cultural e social das divisões dessa sociedade. não é visto. a ideia de cultura é inseparável da de grupos e classes sociais. mas o resultado nunca será o intencionado porque. mas como um campo em que se tentará impor tanto a definição particular de cultura da classe ou grupo dominante quanto o conteúdo dessa cultura (BOURDIEU. O currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como um local de transmissão de uma cultura incontestada e unitária. O currículo pode ser movimentado por intenções oficiais de transmissão de uma cultura oficial. a visão tradicional da relação entre cultura e educação/currículo não vê o campo cultural como um terreno contestado. mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos. a cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. de significações. Assim. de sujeitos. então. não estão tanto naquilo que se transmite quanto naquilo que se faz com o que se transmite. precisamente. nessa visão. Obviamente. Na concepção crítica. nessa perspectiva. Em uma sociedade dividida. unitária. O currículo educacional. homogênea e universalmente aceita e praticada e.

Currículo e poder Se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica é a de poder. Nesse entendimento. recriação e. isto é. Isso não quer dizer que a conceituação daquilo que constitui o poder. etnia. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. o poder se manifesta através das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe. É nessa perspectiva que o currículo está centralmente envolvido em relações de poder. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quando discutimos os conceitos de ideologia e cultura. sobretudo. Essas divisões constituem tanto a origem quanto o resultado de relações de poder. 17 Copyright © 2007. É a visão de que a educação e o currículo estão profundamente implicados em relações de poder que dá à teorização educacional crítica seu caráter fundamentalmente político. no contexto da educação e do currículo. em relações sociais em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos à vontade e ao arbítrio de outros. um terreno de produção e de política cultural. como um conjunto de informações e materiais inertes. o conhecimento corporificado no currículo é tanto o resultado de relações de poder quanto seu constituidor. assim. Na visão crítica. Como vimos acima.Essa perspectiva da cultura como um campo contestado e ativo tem implicações importantes para a teoria curricular crítica. seja uma questão facilmente resolvida. é suficiente afirmar aqui que o poder se manifesta em relações de poder. O currículo é. o currículo não é o veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. somos obrigados a rejeitar a visão convencional do currículo que o vê como um veículo de transmissão do conhecimento como uma "coisa". de contestação e transgressão. gênero etc. Se combinarmos essa visão com aquela que questiona a linguagem e o conhecimento como representação e reflexo da "realidade". no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação. Para não entrar em longas e intermináveis discussões conceituais sobre o poder.

expressa os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem em relações de poder. fazendo com que os grupos subjugados continuem subjugados. Documento de identidade – uma introdução às teorias do currículo. Seu aspecto contestado não é demonstração de que o poder não existe. o currículo. enquanto definição "oficial" daquilo que conta como conhecimento válido e importante. 2001 GOODSON. Reconhecer que o currículo está atravessado por relações de poder não significa ter identificado essas relações. ao se apresentar. IVOR F. Desta forma. apesar de seu aspecto contestado. o currículo é expressão das relações sociais de poder. o currículo. Belo Horizonte: Autêntica. no seu aspecto "oficial" como representação dos interesses do poder. no centro de relações de poder.Por um lado. No caso do currículo. Grande parte da tarefa da análise educacional crítica consiste precisamente em efetuar essa identificação. 2. constitui identidades individuais e sociais que ajudam a reforçar as relações de poder existentes.. assim. 18 Copyright © 2007. Tomaz Tadeu da. Por outro lado. Currículo: Teoria e história. ed. 1995. ao expressar essas relações de poder. O currículo está. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . cabe perguntar: que forças fazem com que o currículo oficial seja hegemônico e que forças fazem com que esse currículo aja para produzir identidades sociais que ajudam a prolongar as relações de poder existentes? Leitura de : SILVA. mas apenas de que o poder não se realiza exatamente conforme suas intenções. É exatamente porque o poder não se manifesta de forma tão cristalina e identificável que essa análise é importante. Petrópolis: Vozes.

de estudos e pesquisas sobre o currículo. na História da Educação ocidental moderna. 19 Copyright © 2007. a existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional especializado. tais como a formação de um corpo de especialistas sobre currículo. a formação de disciplinas e departamentos universitários sobre currículo. estritamente falando. antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como "currículo" pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como "currículo". com o currículo. As diferentes filosofias educacionais e as diferentes pedagogias. A emergência do currículo como campo de estudos está estreitamente ligada a processos. mesmo que não utilizassem o termo. Mas as teorias educacionais e pedagógicas não são. de uma forma ou outra. Há antecedentes. bem antes da institucionalização do estudo do currículo como campo especializado. não deixaram de fazer especulações sobre o currículo. de preocupações com a organização da atividade educacional e até mesmo de uma atenção consciente à questão do que ensinar. em diferentes épocas. As professoras e os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos. a partir das discussões sobre as teorias pedagógicas. a institucionalização de setores especializados sobre currículo na burocracia educacional do estado e o surgimento de revistas acadêmicas especializadas sobre currículo. todas as teorias pedagógicas e educacionais são também teorias sobre o currículo.U NIDADE 4 Objetivo: Identificar o processo de construção dos estudos do currículo. De certa forma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo Nascem Os "Estudos Sobre Currículo": As Teorias Tradicionais Segundo Tomaz Tadeu da Silva (2005). teorias sobre o currículo. institucionalizada.

A Didactica Magna. como ressaltam as pesquisas de David Hamilton. sob influência da literatura educacional americana. Portugal muito recentemente. acadêmica. como resultado das sucessivas ondas de imigração. à população? 20 Copyright © 2007. O livro de Bobbitt é escrito num momento crucial da história da educação estadunidense. o estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico. é um desses exemplos. só passou a ser utilizada em países europeus como França. É nesse contexto que Bobbitt escreve. o livro que iria ser considerado o marco no estabelecimento do currículo como um campo especializado de estudos: The currículum. está ligada a preocupações de organização e método. Foram talvez as condições associadas com a institucionalização da educação de massas que permitiram que o campo de estudos do currículo surgisse nos Estados Unidos. a extensão da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores da população. num momento em que diferentes forças econômicas. O termo currículum. no sentido que hoje lhe damos. Quais os objetivos da educação escolarizada: formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral. entretanto. como um campo profissional especializado. Alemanha. É precisamente nessa literatura que o termo surge para designar um campo especializado de estudos. políticas e culturais procuravam moldar os objetivos e as formas da educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. no sentido que modernamente atribuímos ao termo. em 1918. A própria emergência da palavra currículum. o processo de crescente industrialização e urbanização. Estão entre essas condições: a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de João Amós Comenius. as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional. Espanha. É nesse momento que se busca responder questões cruciais sobre as finalidades e os contornos da escolarização de massas.

a preparação para a economia ou a preparação para a democracia? As respostas de Bobbitt eram claramente conservadoras. O sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer outra empresa econômica. que pudesse estabelecer métodos para obtêIos de forma precisa e formas de mensuração que permitissem saber com precisão se eles foram realmente alcançados. O modelo de Bobbitt estava claramente voltado para a economia. Na proposta de Bobbitt. as habilidades práticas necessárias para as ocupações profissionais? Quais as fontes principais do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico. as disciplinas acadêmicas humanísticas.O que se deve ensinar: as habilidades básicas de escrever. ler e contar. Bobbitt propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial. embora sua intervenção buscasse transformar radicalmente o sistema educacional. Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar precisamente que resultados pretendiam obter. deveriam se basear num exame daquelas habilidades necessárias para exercer com eficiência as ocupações profissionais da vida adulta. 21 Copyright © 2007. quais devem ser as finalidades da educação: ajustar as crianças e os jovens à sociedade tal como ela existe ou prepará-Ios para transformá-Ia. Bobbitt queria transferir para a escola o modelo de organização proposto por Frederick Taylor. as disciplinas científicas. O sistema educacional deveria começar por estabelecer de forma precisa quais são seus objetivos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Esses objetivos. a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica propostos por Taylor. os saberes profissionais do mundo ocupacional adulto? O que deve estar no centro do ensino: os saberes "objetivos" do conhecimento organizado ou as percepções e as experiências "subjetivas" das crianças e dos jovens? Em termos sociais. Tal como uma indústria. as disciplinas científicas. Sua palavra-chave era "eficiência". por sua vez.

Gimeno. Uma reflexão sobre a prática. 3ª ed. 2000. O currículo.SACRISTÁN. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . J.. Porto Alegre: Artmed. 22 Copyright © 2007.

23 Copyright © 2007. o currículo se resume a uma questão de desenvolvimento. bem como a relação entre as duas vertentes debatidas na época: a vertente estadunidense e a vertente progressista. Na perspectiva de Bobbitt. a uma questão técnica. O currículo é simplesmente uma mecânica. a construção da democracia era mais importante que o funcionamento da economia. Para Dewey. O Currículo Segundo Dewey E Tyler Buscando ampliar a discussão sobre o currículo. vamos incluir as ideias de Dewey. é "desenvolvimento curricular".U NIDADE 5 Objetivo: Traçar a linha de estudos do currículo e os teóricos responsáveis pelos estudos. Contrariando Bobbit. ele achava importante levar em consideração no planejamento curricular. a questão do currículo se transforma numa questão de organização. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática. Numa perspectiva que considera que as finalidades da educação estão dadas pelas exigências profissionais da vida adulta. os interesses e as experiências das crianças e jovens. um conceito que iria dominar a literatura estadunidense sobre currículo até os anos 80. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Não é por acaso que o conceito central. A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. nessa perspectiva. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas como a liderada por John Dewey.

pois. ilustra ele. "a educação. Numa oitava série.. enquanto outras. quanto os modelos mais progressistas de currículo. os educadores vieram a "perceber que é possível estabelecer padrões definitivos para os vários produtos educacionais. o estabelecimento de um padrão permitiria acabar com essa variação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Tal como na indústria. é fundamental. de acordo com Bobbitt. de acordo Com Tyler. de acordo com Bobbitt. como os de Bobbitt e Tyler. Para Bobbitt. na educação. adicionam a um ritmo médio de 105 combinações por minuto". "ao lado. uma reação ao currículo clássico. que emergiram no início do século XX.. digamos. É interessante observar que tanto os modelos mais tecnocráticos. humanista. diz ele. algumas crianças realizam adições "a um ritmo de 35 combinações por minuto". como o de Dewey. constituíam. tal como a usina de fabricação de aço. de certa forma. nos Estados Unidos. O exemplo dado pelo próprio Bobbitt é esclarecedor. Nas últimas décadas. "ensino e instrução" (2 e 3) e "avaliação" (4).) é uma especificação tão definida quanto a que se pode estabelecer para qualquer aspecto do trabalho da fábrica de aços”. numa usina de fabricação de aços. quatro questões básicas:  Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?  Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?  Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?  Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?" As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: "currículo" (1). é um processo de moldagem". que se estabeleçam padrões. O estabelecimento de padrões é tão importante na educação quanto. A organização e o desenvolvimento do currículo devem buscar responder. A capacidade para adicionar a uma velocidade de 65 combinações por minuto (. que havia dominado a educação secundária desde sua 24 Copyright © 2007.

sobretudo da escolarização secundária que era o foco do currículo 25 Copyright © 2007. obviamente. se estabelecera na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. Cada um dos modelos curriculares contemporâneos. nem mesmo os argumentos que no século XIX tinham sido desenvolvidos pela perspectiva do "exercício mental". O modelo progressista. na forma dos chamados trivium (gramática. o currículo humanista simplesmente desconsiderava a psicologia infantil. nesse modelo. música.para a vida moderna e para as atividades laborais das habilidades e conhecimentos cultivados pelo currículo clássico. esse currículo era herdeiro do currículo das chamadas "artes liberais" que. geometria. o tecnocrático e o progressista atacam o modelo humanista por um flanco. O conhecimento dessas obras não estava separado do objetivo de formar um homem (sim. no contexto da ampliação da escolarização de massas. de uma forma que podiam se aplicar a outros conteúdos. aqui. o currículo clássico humanista tinha implicitamente uma "teoria" do currículo. o macho da espécie) que encarnasse esses ideais. atacava o currículo clássico por seu distanciamento dos interesses e das experiências das crianças e dos jovens. O tecnocrático destacava a abstração e a suposta inutilidade .institucionalização. retórica. dialética) e quadrivium (astronomia.e suas respectivas literaturas . vindo da Antiguidade Clássica. Por estar centrado nas matérias clássicas. por exemplo.pouco serviam como preparação para o trabalho da vida profissional contemporânea. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ambas as contestações só puderam surgir. incluindo o domínio das respectivas línguas. Não se aceitava. servia para exercitar os "músculos mentais". O latim e o grego . Como se sabe. sobretudo aquele "centrado na criança". Obviamente. Supostamente. Basicamente. essas obras encarnavam as melhores realizações e os mais altos ideais do espírito humano. o objetivo era introduzir os estudantes ao repertório das grandes obras literárias e artísticas da herança clássica grega e latina. aritmética). segundo a qual a aprendizagem de matérias como o latim.

a Formação de professores pós LDB. “As mudanças curriculares e a prática pedagógica” . O currículo clássico só pôde sobreviver no contexto de uma escolarização secundária de acesso restrito à classe dominante. Faça a leitura do texto indicado abaixo. Débora Barreiros Universidade do Estado do Rio de Janeiro Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Onde não houver adicção. com o chamado movimento de “reconceitualização do currículo”. Os modelos mais tradicionais de currículo. almejamos melhores condições de trabalho e lutamos por um plano de carreira com melhor remuneração. tanto os técnicos quanto os progressistas de base psicológica. na fé que responde ao desvelamento dos mistérios do conhecimento com reverência e zelo (Maria Clara Bingemer). nos Estados Unidos. por sua vez. a partir dos anos 70. E ali germinará entre ambos um processo educativo que encontrará sua fonte na paixão pela vida. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Todos nós. E um aluno. Onde o melhor que há nos seres humanos não estiver totalmente anestesiado. A democratização da escolarização secundária significou também o fim do currículo humanista clássico. professores. deixamos 26 Copyright © 2007. e responda o que é solicitado.clássico humanista. ali estará um professor. só iriam ser definitivamente contestados. Quantos de nós conseguimos? Se não conseguimos. haverá paixão. ouvimos o quanto é essencial uma sólida formação inicial e continuada.

2) Competências e habilidades do professor: o que dizem as Diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica. o que significa ser professor? Ser professor significa ser capaz de ressignificar o seu conhecimento e a sua experiência em cada contexto pedagógico em que se insere. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em seu Art. Em decorrência. novas exigências e todos os aspectos legais da área. Por se tratar de uma área ampla e complexa. Nesse quadro referencial. Os estímulos e a valorização podem ser escassos. mas o comprometimento com a prática pedagógica nos faz articular novos saberes. nº 9394/96. foi intensificado o processo de formação docente. que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).]”. Em outras palavras. de graduação plena. com a publicação do Decreto n. Entretanto. esta lei estabelece. e 4) Educação inclusiva e a formação de professores. a formação de todos os professores em nível superior passou a ser considerada uma utopia para o quadro brasileiro. E que formação é exigida desse novo profissional? Este estudo tem como objetivo analisar alguns aspectos da formação inicial e continuada de professores no Brasil. utopia que não poderia ser alcançada de maneira tão rápida. 3) Educação a Distância: uma estratégia de formação docente. implica abertura e reflexão sobre as ações educativas.. foi instituído que os cursos normais superiores passariam também a ser responsáveis pela 27 Copyright © 2007. "As mudanças curriculares e a prática Pedagógica" Primeiramente cabe destacar que.. Então. em universidades e institutos superiores de educação [. pois estabelece novas habilidades e saberes para esse novo profissional. que mesmo quase submerso ganha força a cada conquista de nossos alunos. a partir da década de 1980. será dividida em quatro momentos: 1) Formação de professores pós-LDB. que “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior.º 3276/99. com os debates e os movimentos sociais. em curso de licenciatura.de trabalhar? Claro que não! O compromisso com a aprendizagem não nos deixa abandonar o barco. 62. o que envolve a elaboração de novos processos de formação.

considerando que. p. cujo percentual de professores sem a formação exigida pela lei é ainda alarmante: “apenas 21% dos profissionais que dão aula de 1ª a 4ª série nas escolas rurais têm graduação. p. o estatuto social e as condições de trabalho dos professores”. No período de 1995 e 1999. principalmente nas escolas das áreas rurais (que são quase metade das mais de 200 mil escolas públicas brasileiras). Tais ações ocorreram de modo a ampliar os espaços de formação e mostrar. 2004). Outro marco é o Parecer CNE/CEB nº 03/2003. enquanto na cidade esse número aumenta para 56. continua sendo exigido para os que dão aulas para alunos da 5ª à 8ª série e para o ensino médio.4%” (Agência Brasil. não apenas direcionado aos cursos de Pedagogia. A partir de 2001. no período de 1995 a 2002. ao Banco Mundial e a outros órgãos financiadores da educação brasileira. visto que exige um projeto amplo para ser compartilhado por todos os futuros docentes da licenciatura. Resumidamente. 28 Copyright © 2007. porém.formação dos docentes da educação básica. Os dados do Censo 2006 também ajudam a pensar em que ponto está a formação de professores exigida no país. foram elaborados parâmetros curriculares. Apesar de toda mudança ocorrida nos últimos anos no que se referem à formação dos professores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como registra o relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. a política focalizou as diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica em nível superior (AGUIAR. resultados notórios sobre a ampliação dos números de professores qualificados. alguns dados divulgados recentemente pela Agência Brasil apontam para uma questão crucial sobre a área. o Ministério da Educação formulou e implementou um conjunto de políticas relacionado à formação continuada. que aponta uma contradição na LDB e dispõe que os professores da educação infantil e da primeira etapa do fundamental precisam apenas do curso normal em nível de ensino médio para exercer o magistério. 1) para melhorar a qualidade da educação é essencial “melhorar o recrutamento. a formação. com foco nas séries iniciais do ensino fundamental. que implicava pensar no currículo dos cursos de formação de professores da educação básica com um diferencial. O diploma. 1). diretrizes e referenciais para formação de professores. 2007. organizada pela UNESCO (1999. de modo que os professores possam “responder ao que deles se espera”.

cujo objetivo é contribuir para a melhoria da formação dos professores e dos alunos. programa de formação inicial dos professores que não possuem a habilitação legal necessária. a sociedade e os professores. num trabalho conjunto com as universidades. Um conjunto de ações de melhoria da qualidade do ensino. fundamentalmente desenvolvido nas áreas de educação infantil e educação fundamental. trabalha práticas pedagógicas que conduzam à consagração da liberdade. junto às instituições de ensino superior (IES) públicas. comunitárias e confessionais. 29 Copyright © 2007. da educação infantil ao ensino médio. de Educação a Distância e de Educação Superior do MEC.Essa reestruturação influencia diretamente as escolas. da solidariedade humana e da promoção e inclusão social. Atualmente. centros de pesquisa e desenvolvimento da educação. Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. Pró-Licenciatura. da convivência social. a distância. Proinfantil. todos passam a recriar alternativas de ação político-pedagógica. Destina-se aos professores da educação infantil em exercício nas creches e pré-escolas das redes públicas. É desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Básica. públicas e privadas sem fins lucrativos para realização de cursos de formação continuada para professores em exercício nas redes estaduais. Pró-Letramento . que tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior. Programa Ética e cidadania.curso de nível médio. Construindo valores na escola e na sociedade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . programa na modalidade a distância que busca a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. o MEC desenvolve os seguintes programas para formação continuada de professores das redes públicas de educação: Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica.Mobilização pela Qualidade da Educação. na modalidade Normal.

com a oferta de cursos de formação continuada para professores nas áreas de Química. Geografia e Língua Portuguesa e Língua Espanhola. Física. deixo algumas perguntas: como promover a formação do professor dentro das competências e habilidades exigidas para o profissional do século XXI? Se a formação pedagógica é relevante para o exercício docente. a teoria ou a prática? (Publicado em 30 de outubro de 2007) 30 Copyright © 2007. Entretanto. estamos ainda distantes da realidade almejada. Nessa perspectiva. que expectativas o profissional tem sobre sua natureza e formas de operacionalização? O que tem maior destaque na formação. História. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Biologia. Todos esses programas visam auxiliar os estados e municípios a cumprir a legislação vigente para o exercício da profissão docente. Matemática. como demonstram os dados.

discutindo alguns autores sobre este tema. que em seu livro “Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo”. Parece evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização especifica sobre currículo. pelo qual ele iria se tornar internacionalmente conhecido e reconhecido. Silva (2005) se volta para os dois livros de Paulo Freire: Educação como prática da liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970). é conhecida sua influência sobre as teorizações de autores e autoras mais diretamente ligados ao desenvolvimento de perspectivas mais propriamente curriculares.U NIDADE 6 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Além disso. Paulo Freire desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo. Em sua obra. Nesse texto. mas quando adentramos na teoria do currículo. 57-63). Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. entretanto. trazer para o estudo trechos do texto “Pedagogia do Oprimido versus Pedagogia dos Conteúdos” (2005 p. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. Vamos discutir as ideias de Paulo Freire. Daí. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . fazse necessário rever o tema na perspectiva do Tomaz Tadeu da Silva. Pode-se dizer que seu esforço de teorização consiste. ao menos em parte. é o livro Pedagogia do Oprimido. Em sua preocupação com a questão epistemológica fundamental ("o que significa conhecer?"). Na verdade. busca em Paulo Freire uma análise comparativa dos currículos. Educação como prática da liberdade está ainda 31 Copyright © 2007. ele discute questões que estão relacionadas com aquelas que comumente estão associadas com teorias mais propriamente curriculares. em responder à questão curricular fundamental: "o que ensinar?". que ele considera como melhor representante do pensamento. como ocorre com outras teorias pedagógicas.

os elementos propriamente pedagógicos do pensamento de Freire estão aí pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicada a uma análise da formação social brasileira. Em primeiro lugar.muito ligado ao pensamento da chamada "ideologia do desenvolvimento" que caracterizava o pensamento de esquerda da época. sua análise deve muito mais à filosofia do que à sociologia e à economia política. "desenvolvimento". O foco está. Está implícita na análise de Freire. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . por outro lado. Pedagogia do Oprimido. por sua vez. aqui. as críticas sociológicas da educação tomam como base a estrutura e o funcionamento da educação institucionalizada nos países desenvolvidos. em aspectos fundamentais. a centralidade do conceito de "desenvolvimento" é deslocada pelo de "revolução". Bowles e Gintis). No segundo. muito menos na dominação como um reflexo das relações econômicas e muito mais na dinâmica própria do processo de dominação. Na verdade. Fanon). Além disso. precisamente. das outras teorizações que iriam constituir as bases de uma teoria educacional crítica (Althusser. Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utilizados por Freire 32 Copyright © 2007. ampliada e modificada pela leitura do "primeiro Marx". Bourdieu e Passeron. Em seu primeiro livro. difere. Em segundo lugar. uma crítica à escola tradicional. Freire adia a transformação da educação formal para depois da revolução. a palavra-chave é. diferentemente daquelas teorizações. do marxismo humanista de Erich Fromm. em Pedagogia do Oprimido. mas sua preocupação está voltada para o desenvolvimento da educação de adultos em países subordinados na ordem mundial. da fenomenologia existencialista e cristã e de críticos do processo de dominação colonial (Memmi. É verdade que a análise que Freire faz da formação social brasileira na primeira parte de Educação como prática da liberdade é profundamente histórica e sociológica. Já a análise que Freire faz do processo de dominação em Pedagogia do Oprimido está baseada numa dialética hegeliana das relações entre senhor e servo.

Finalmente. Refletindo aqui a crítica mais cientificista ligada à "ideologia do desenvolvimento". O conhecimento se confunde com um ato de depósito . bem como as críticas à escola tradicional feitas pelos ideólogos da "Escola Nova". Na concepção bancária da educação. dissertativo do currículo tradicional. "esperança" ou "humildade". Não se pode imaginar Althusser ou Bourdieu e Passeron falando.em sua análise estão claramente ausentes de análises mais estruturalistas da educação. a teorização de Freire é claramente pedagógica. "fé nos homens". Freire ataca o caráter verbalista. sugere uma análise da escola na sociedade capitalista estadunidense. Na sua ênfase excessiva num verbalismo vazio. mas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser. oco. a analisar a "escola capitalista na França". claramente. o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. o conhecimento expresso no currículo tradicional está profundamente desligado da situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer. o educador exerce sempre um papel ativo. narrativo. 33 Copyright © 2007. enquanto o educando está limitado a uma recepção passiva. o livro de Bowles e Gintis. de "amor". A crítica de Freire ao currículo existente está sintetizada no conceito de "educação bancária". na medida em que ele não se limita a analisar como são a educação e a pedagogia existentes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A educação bancária expressa uma visão epistemológica que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem simplesmente transferidos do professor para o aluno. como faz Freire em Pedagogia do Oprimido e em livros posteriores. Essas diferenças refletem-se inclusive nos títulos dos respectivos livros: enquanto o de Freire ressalta o termo "pedagogia". Nessa concepção.bancário. e o de Baudelot e Establet propõese. por exemplo.

É sobre essas bases que Freire vai desenvolver seu famoso "método". já em Pedagogia do Oprimido. o educando é concebido em termos de falta. há aqui uma comunicação unilateral. um conhecimento do mundo. conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa.Através do conceito de "educação problematizadora". de ignorância. Em vez disso. na medida em que apenas o educador exerce algum papel ativo relativo ao conhecimento. Aqui. Freire busca desenvolver uma concepção que possa se constituir numa alternativa à concepção bancária que ele critica. Na base dessa "educação problematizadora" está uma compreensão radicalmente diferente do que significa "conhecer". de carência. a perspectiva de Freire é claramente fenomenológica. está sempre dirigido para alguma coisa. isto é. Em vez do diálogo. Utilizando o conceito fenomenológico de “intenção”. Na perspectiva da educação problematizadora. Para ele. todos os sujeitos estão ativamente envolvidos no ato de conhecimento. O mundo . o conhecimento. Ele não se limita a criticar o currículo implícito no conceito de "educação bancária". ao invés disso. dialogicamente. instruções detalhadas de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua concepção de "educação problematizadora". é sempre “intencionado”. Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece. 34 Copyright © 2007. É essa intersubjetividade do conhecimento que permite a Freire conceber o ato pedagógico como um ato dialógico. O currículo e a pedagogia se resumem ao papel de preenchimento daquela carência. Na educação bancária torna-se desnecessário o diálogo. educador e educandos criam.o objeto a ser conhecido não é simplesmente "comunicado". para Freire. intersubjetividade. Se conhecer é uma questão de depósito e acumulação de informações e fatos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Conhecer envolve intercomunicação. o ato pedagógico não consiste em simplesmente "comunicar o mundo". Freire fornece. relativamente àqueles fatos e àquelas informações.

entretanto. expressões e conceitos bastante tradicionais. tais como "conteúdos" e "conteúdos programáticos". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .É curioso observar que Freire utiliza. neste livro. Ele está bem consciente. A diferença relativamente às perspectivas tradicionais de currículo está na forma como se constroem esses "conteúdos programáticos". da necessidade do desenvolvimento de um currículo que esteja de acordo com sua concepção de educação e pedagogia. para falar sobre currículo. 35 Copyright © 2007.

Na perspectiva de Freire. mas a devolução organizada. quanto dos educadores diretamente envolvidos nas atividades pedagógicas. nesse aspecto. elaborar os "temas significativos" e fazer o que ele chama de "codificação". Freire não nega o papel dos especialistas que. com os métodos seguidos por modelos mais tradicionais. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. Vamos nesta unidade continuar com as reflexões sobre a percepção de Tomaz Tadeu da Silva sobre currículo. Contrariamente à representação que comumente se faz. em seu "método". Tyler sugeria estudos sobre os aprendizes e sobre a vida ocupacional adulta bem como a opinião dos especialistas das diferentes disciplinas como fontes para o desenvolvimento de objetivos educacionais. Ao menos em Pedagogia do Oprimido. os quais são também ativamente envolvidos nessa pesquisa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ao final. aos quais cabe. por exemplo. 36 Copyright © 2007. como o de Tyler. tudo isso filtrado pela filosofia e pela psicologia educacionais. devem organizar esses temas em unidades programáticas. Paulo Freire acredita que o "conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. interdisciplinarmente. o método sugerido por Paulo Freire. é a própria experiência dos educandos que se torna a fonte primária de busca dos "temas significativos" ou "temas geradores" que vão constituir o "conteúdo programático" do currículo dos programas de educação de adultos. Pode-se comparar. Paulo Freire concede uma importância central. mas o "conteúdo" é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos.U NIDADE 7 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. ao papel tanto dos especialistas nas diversas disciplinas.

37 Copyright © 2007. segundo Freire. antecipando-se à influência posterior dos Estudos Culturais. constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. de certa forma. ele fala em escolha do "conteúdo programático". está baseado precisamente numa definição da cultura como o conjunto das obras de "excelência" produzidas no campo das artes visuais. o currículo tradicional. não se faz uma distinção entre cultura erudita e cultura popular. O que ele destaca é a participação dos educandos nas várias etapas da construção deste "currículo programático".sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou em forma desestruturada". O desenvolvimento dessa noção de cultura tem importantes implicações curriculares. naquele mundo que. conjuntamente. humanista. à definição cultural do currículo que iria caracterizar depois a influência dos estudos culturais sobre os estudos curriculares. do teatro. Se Paulo Freire se antecipou. Ela não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . clássico. apaga as fronteiras entre cultura erudita e cultura popular. Esse conteúdo programático deve ser buscado. que denominou de educação de grupos dominantes por um longo tempo. Numa operação visivelmente curricular. que deve ser feita em conjunto pelo educador e pelos educandos. de uma perspectiva pós-colonialista sobre currículo. da música. Na concepção de cultura. pode-se dizer também que ele inicia o que se poderia chamar no presente contexto. Embora Freire não desenvolva esse tema. naquela realidade. essa crítica do conceito de cultura permite a Paulo Freire desenvolver uma perspectiva curricular que. da literatura. quem sabe. como criação e produção humana. entre “alta” e “baixa” cultura. de uma pedagogia pós-colonialista ou. Mesmo que implicitamente. Essa ampliação do que constitui cultura permite que se veja a chamada "cultura popular" como um conhecimento que legitimamente deve fazer parte do currículo.

Ao se concentrar na perspectiva de grupos dominados em países da América Latina e. se tornar centrais à teoria pós-colonialista. A educação torna-se política apenas na medida em que ela permite que as 38 Copyright © 2007. Saviani não pretendia estar elaborando propriamente uma teoria do currículo. essa dimensão da obra de Paulo Freire pode talvez servir de inspiração para o desenvolvimento de um currículo pós-colonialista que responda às novas condições de dominação que caracterizam a "nova ordem mundial". na pedagogia e no currículo. Tal como Freire. mas sua teorização focaliza questões que pertencem legitimamente ao campo dos estudos curriculares. Em oposição a Paulo Freire. uma prática educacional que não consiga se distinguir da política perde sua especificidade. sobretudo nos estudos literários. Saviani faz uma nítida separação entre educação e política. O predomínio de Paulo Freire no campo educacional brasileiro seria contestado. A perspectiva de Freire era. Paulo Freire antecipa. sobretudo em sua insistência no posicionamento epistemologicamente privilegiado dos grupos dominados: por estarem em posição dominada na estrutura que divide a sociedade entre dominantes e dominados. sobretudo da forma como se manifesta em sua literatura. no início dos anos 80. a perspectiva pós-colonialista. desenvolvida por Demerval Saviani. busca problematizar as relações de poder entre os países que. eram colonizadores e aqueles que eram colonizados. já em Pedagogia do Oprimido. Numa era em que o tema do "multiculturalismo" ganha tanta centralidade.Como se sabe. Essa perspectiva procura privilegiar a perspectiva epistemológica dos povos dominados. desenvolvida. na situação anterior. pela chamada "pedagogia histórico-crítica" ou "pedagogia crítico-social dos conteúdos". Para ele. mais tarde. claramente pós-colonialista. nos países que se tornavam independentes do domínio português. alguns dos temas que iriam. esses grupos tinham um conhecimento da dominação que os grupos dominantes não podiam ter. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . depois.

na teorização de Saviani. Essa ligação limita-se. dentre as pedagogias críticas.O que fez os alunos começarem a buscar a paz e não mais a violência? Por quê? 39 Copyright © 2007. a enfatizar o papel do conhecimento do poder das classes subordinadas. Assista O FILME: ESCRITORES DA LIBERDADE ( 2007). violência e tensão racial. mas os métodos de sua aquisição. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a tarefa de uma pedagogia crítica consiste em transmitir aqueles conhecimentos universais que são considerados como patrimônio da humanidade e não dos grupos sociais que deles se apropriaram. PERGUNTAS:1. a deixar de ver qualquer conexão intrínseca entre conhecimento e poder. Nesse sentido a pedagogia de Saviani aparece como a única. a professora luta para que a sala de aula faça diferença na vida dos estudantes. Diante da corrupção . para Saviani. entretanto. Saviani critica tanto as pedagogias ativas mais liberais quanto a pedagogia libertadora freireana por enfatizarem não a aquisição do conhecimento.História inspiradora envolvendo adolescentes criados no meio da violência e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. uma evidente ligação entre conhecimento e poder.O que fez a professora cativar a atenção dos alunos? 2. Há.classes subordinadas se apropriem do conhecimento que ela transmite como um instrumento cultural que será utilizado na luta política mais ampla. Assim.

U NIDADE 8 Objetivo: Identificar o currículo oculto nas práticas pedagógicas dos profissionais da educação. comportamentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. Vale perguntar.. Currículo oculto “O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que. explícito. como forma de desocultar o currículo oculto: Quais questões uma teoria do currículo buscaria responder? Currículo oculto – conceito e teorias. contribuem. 2001." (SILVA... p 78).. valores e orientações. do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente. daí ser preciso revisitar o conceito e as teorias sobre o currículo oculto. de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (. Diferenciar o Currículo Oculto. como Ação do Cotidiano da Escola. sem fazer parte do currículo oficial. Currículo Oculto Caros alunos! Discutir concepção de currículo passa pela questão de “ler e ver” nas entrelinhas. 40 Copyright © 2007.) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes.

calcular. Segundo Giroux.A primeira pessoa a utilizar a expressão “currículo oculto”. mas que elas são também agentes de socialização e sendo um espaço social. pois temos em 1938 John Dewey referindo-se a uma “aprendizagem colateral” de atitudes que ocorre de modo simultâneo ao currículo explícito. escrever. todas as discussões em torno do papel implícito e explícito da escolarização chegam a diferentes conclusões. a explícita e formal. foi Philip Jackson. Logo a ideia é de que o currículo escolar é concretizado de duas maneiras. em seu livro Life in Classrroms (1968) para referir-se às “características estruturais da sala de aula que contribuíam para o processo de socialização”. mas todos concordam que as escolas não ensinam os alunos apenas a “ler. a origem da noção de currículo oculto. e a implícita e informal. e o oculto e informal. entre outros conteúdos”. tem um duplo currículo. o explícito e formal. um educador americano. Mas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é anterior. 41 Copyright © 2007.

através do "principio da correspondência". gestos e práticas corporais do que através de manifestações verbais. por exemplo. o currículo oculto pode estar sendo utilizado na relação pedagógica sem que o professor perceba. Ele está oculto para o estudante. no qual há uma intenção oculta. Aqui. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para uma noção que tinha características similares às que eram atribuídas ao "currículo oculto". o sistema. Althusser fornecia uma definição de ideologia que destacava sua dimensão prática e material. As teorias do currículo oculto É sabido que embora não constitua propriamente uma teoria. apontavam de certa forma. A noção de currículo oculto estava implícita. A ideologia. a noção de "currículo oculto" exerceu uma forte e estranha atração em quase todas as perspectivas críticas iniciais sobre currículo. nessa definição expressava-se mais através de rituais. "Aprendia-se" a 42 Copyright © 2007. na análise que Bowles e Gintis fizeram da escola capitalista americana.). que eram responsáveis pela socialização de crianças e jovens nas normas e atitudes necessárias para uma boa adaptação às exigências do trabalho capitalista. Ele utiliza a sua experiência para transmitir o conteúdo da disciplina e esta experiência é uma forma de currículo oculto. A ideologia e os aparelhos ideológicos de estado. Isto é.O currículo oculto é geralmente associado às mensagens de natureza afetiva. a noção de ideologia desenvolvida por Althusser na segunda parte de seu famoso ensaio. Como lembramos. porém não é possível separar os efeitos destas mensagens das de natureza cognitiva. como atitudes e valores. mais do que seu conteúdo explícito. que são ligadas às experiências didáticas. que é conhecida por quem a ocultou (o professor. eram as relações sociais na escola. etc. o currículo oculto está junto com as normas de comportamento social como as de concepções de conhecimentos. Assim. Mesmo que não diretamente relacionada à escola.

sendo utilizado por praticamente toda perspectiva crítica de currículo em seu período inicial. é através da estrutura do currículo e da pedagogia que se aprendem os códigos de classe. Na teorização de Bernstein. discutir e analisar o currículo oculto implica na possibilidade de termos consciência de algo que está oculto e desocultá-lo.com/question/index?qid=20070514064926AAvRosq. tornando-o mais eficaz e com possibilidade de mudanças. http://br. A teorização crítica. Mas. em no máximo 25 linhas o perfil do educador com proposta demistificadora do currículo. Mas é claro que o conceito de currículo oculto se estendeu para muito além desses exemplos.ideologia através dessas práticas: uma definição que se aproxima bastante da definição de currículo oculto. Atividade Dissertativa O currículo apresenta no seu escopo ideologias e crenças. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Consultar.yahoo. 43 Copyright © 2007.answers. conhecer. De que forma ele é possível de ser aplicado dentro de sala de aula? Apresente por escrito . por exemplo. o importante desse estudo é saber o que fazer com um currículo oculto quando o encontramos.

P.U NIDADE 9 Objetivo: Analisar a concepção de currículo multiculturalista O Currículo Multiculturalista e a Educação No mundo atual. etc. a globalização da cultura. quando eles perguntam: 44 Copyright © 2007. A globalização ocupou o espaço do bairro.30). p. As necessidades sociais e culturais são outras. da nação. ameaça a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais” (1997. do país. Utilizamos o texto e imagem de Fernandes & Mota (2007) para refletir sobre as ideias do currículo multicultural. “no plano cultural. O público escolar mudou. da região. deparamo-nos com uma nova ordem mundial . ao mesmo tempo em que cria grupos de identidades tão importantes para o consumo. Santos.rapidez nas comunicações devido à sofisticação da tecnologia acessa a informações. viabilizada pelo desenvolvimento espantoso dos diferentes meios de comunicação. Segundo Lucíola Licínio C. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da cidade.

Os autores defendem o multiculturalismo como atitude de resistência e propõem como alternativa a um sistema curricular ultrapassado Foto: monumento em homenagem ao índio incendiado O que é um currículo multiculturalista Santos (2004) nos conta que um currículo multiculturalista implica em questões como diferença e identidade. Aqui. tomamos o multiculturalismo como um discurso que. Todavia. A educação brasileira não promove a tolerância como deveria. ganha o discurso da política. é visto como uma solução para os “problemas” colocados à sociedade dominante. de matar gente”. sua essência é visceralmente ambígua: de um lado."Que coisa estranha. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o multiculturalismo tem como origem as reivindicações dos grupos dominados e por outro lado. brincar de matar índio. lançando o foco reivindicações que antes eram 45 Copyright © 2007. ao transcender os campos da Antropologia.

em contrapartida àqueles validados pelo cânon da cultura dominante. o multiculturalismo se apóia em uma ideologia que entende a diversidade numa perspectiva de mobilização política.ufop.  difundir e conhecer saberes diversos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em detrimento à homogeneização gestada à lógica do capital excludente. como base das relações sociais democráticas. o discurso sobre o multiculturalismo crítico.  privilegiar a diversidade cultural. entende que a diversidade não pode ser um fim em si mesma: ela deve estar entrelaçada à justiça social. pacífico. E. para refletir sobre “as formas pelas quais a diferença é produzida por relações sociais de assimetria”. A aceitação passiva de se acrescentar pontos de dada cultura em um discurso homogeneizador. repetindo Santos (2004.legadas ao descaso. “o multiculturalismo nos faz lembrar que a igualdade não pode ser obtida simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico”. Neste sentido. Neste caso.ichs.  promover contatos interculturais. 46 Copyright © 2007. partindo-se do princípio de que toda e qualquer cultura apresenta pontos fortes e fracos. querendo participar de diálogos interculturais. Por isso. Antes. é imprescindível alterar o cânon curricular. com a aceitação do diferente e do diverso. um currículo multicultural deve atender algumas expectativas:  preocupar-se em desfazer preconceitos e estereótipos. 90). e nenhuma está em posição de superioridade em relação à outra. (consultar em http://www.br/perspectivas/anais/GT0507.htm). uma atitude “multiculturalista crítica” rejeita a apropriação de seu discurso: luta por seu espaço de representação. não se coaduna com os interesses do multiculturalismo crítico. p.

seus métodos na área intelectual dominaram – áreas da Filosofia. social e educacional norte-americano durante sete ou oito décadas deste século. 47 Copyright © 2007. Relacional e Rigoroso de caráter aberto e experimental. Recursivo. então. Existe um contraste fundamental entre os sistemas abertos e fechados da estrutura pós-moderna emergente. aplicou essa estrutura de mudança à teoria do currículo. realizou sonhos de uma vida mais folgada substituindo o trabalho pesado por máquinas. Como povo. O paradigma moderno foi construído sobre o pensamento intelectual. Willian Doll. “Pós-modernismo significa coisas diferentes para pessoas diferentes” afirma Willian Doll. que leva à busca de novas maneiras de pensar e agir em todos os campos de empreendimento humano. Caracteriza o currículo imaginado de quatro Rs: Rico. Currículo Científico O século XX é marcado por uma revolução intelectual e conceitual. uma mudança de entendimento ampla e difundida. Tornou a América-do-norte uma região líder entre as áreas industriais do mundo. educador perceptivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 10 Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna.tornou-se para as Ciências Sociais. e nem todos concordam com essa descrição. Psicologia e teoria educacional. um paradigma. Doll apresenta sua visão de uma utopia de currículo “em que ninguém é dono da verdade e todos têm o direito de ser compreendidos”. A Ciência spenceriana – é uma adaptação do empirismo de Isaac Newton e do racionalismo de René Descartes. para a educação e o currículo. temos a Ciência como uma das obsessões dominantes.

MODERNISMO E PÓS-MODERNISMO. Uma Ciência contemporânea imbuída de criatividade e indeterminismo. [Nós precisamos] escolher e combinar as tradições seletivamente. Filosofia. 1990). Para entendermos o novo paradigma e as implicações do currículo.(página 7) O pós-moderno presta atenção ao passado para. é preciso entender e fazer algumas distinções entre o modernismo e o pós-modernismo. dialética e desafiadora.. O paradigma pós-moderno eventualmente se desenvolverá sobre a Ciência. “verdade” e “consistência.”. paradoxal. o pós-modernismo é um movimento novo demais para definir a si mesmo e muito variado e dicotômico. Ciência. orientada segundo o Iluminismo_ desenvolvido nos últimos 300 ou 400 anos (Toulmin. numa visão do futur. Literatura.. Avaliando o primeiro se tem uma compreensão melhor do último. Humanidades. eleger aqueles aspectos do passado e do presente que parecem mais relevantes para a tarefa em questão. o trazer esses códigos aos remanescentes. Jencks diz ser uma mistura de princípios modernistas como “história”.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O pensamento pós-moderno invadiu as Artes. Matemática. O pós-modernismo apresenta uma natureza eclética: Conforme Jencks (1987) diz.. outro aspecto destacado por Toulmim. as Ciências Sociais e a Teologia. Segundo Stephen Toulmin. O pluralismo é o “ismo” da nossa época. A estrutura pósmoderna é estrutural e simultaneamente. aberta e transformativa. Administração. 48 Copyright © 2007.O paradigma sobre o currículo e seus métodos é histórico _ produto de uma mentalidade específica ocidental.

A parte mais importante desta visão. como estrutura organizadora. dependia de um universo fechado. moderno e pós . liberalmente desenvolvido.moderno. Os gregos desenvolveram uma epistemologia. é possível categorizar a história do pensamente ocidental em três metaparadigmas: prémoderno. e sim pela produção industrial. Utilizando a ciência. 49 Copyright © 2007. Augusto Comte e outros viram nascer uma nova era – uma era industrial. Eles acreditavam que a riqueza agora seria criada não pela guerra. A realidade e a existência pessoal consistiam na luta ou equilíbrio entre estes opostos. PARADIGMA MODERNO: UMA VISÃO FECHADA. esta foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista. Visionários sociais do século XVIII. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como Pierre Laplace. tecnocrática. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta não uma visão fechada. uma Metafísica e uma Cosmologia em que qualidades como bom/mau. Newton desenvolveu no final do século XVII esta nova cosmologia. o determinismo causa efeito matematicamente mensurado. em cima/embaixo. esta cosmologia chegou ao fim.Planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda é um dos desafios educacionais do modo pós-moderno. especialmente a Física e a Astronomia. A contínua melhoria material das vidas de todas as pessoas era vistos nas visões do iluminismo e Industrial como objetivo alcançáveis. Durante os séculos XVI e XVII. claro/escuro podiam ser concebidas e definidas somente em termos da união destes opostos.

POZO. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 50 Copyright © 2007. 2000. Porto Alegre: Artes Médicas.COLL. César. procedimentos e atitudes. Juan Ignácio et al. Os conteúdos na Reforma: Ensino e aprendizagem de conceitos.

-Bobbitt. quer sociais.U NIDADE 11 Transforma o material bruto no produto para qual ele melhor se adapta. Aplicado à educação isso significa: educar o indivíduo de acordo com suas capacidades.que culturais.do professor (epitomizado na América rural do século XIX por Mark Hopkins sentado na extremidade de um tronco de árvore para o currículo. . e o currículo cientifico estava baseado na eficiência e na padronização. a virada do século realmente mostrou uma mudança de ênfase . pág. página 338. Currículo Científico Estas citações refletem quão completamente e o pensamento do industrialismo permeava o pensamento social e o currículo escolar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . especialmente o currículo “cientifico”). 1986. 1912. 269. Não obstante.Cubberley. Public School Administration. As nossas escolas são em certo sentido nas quais os produtos brutos (as crianças) são moldados e transformados em produtos que satistifaçam às várias demandas da vida. Uma vez que nem sempre era possível chegar a um acordo sobre quais eram “as características” do “melhor” 51 Copyright © 2007. página 2). O currículo tornou-se uma “preocupação nacional” (Kliebard. 1916. poderíamos inclusive dizer uma obsessão nacional. Franklin Bobbitt (1918) via o currículo como centrando-se nos déficits ou nas “deficiências dos indivíduos” (página 45) . “The Elimination of Waste in Education”. Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. quer pessoais .

estou dizendo que essas ideologias tiveram um efeito maior no nível da retórica e do discurso do que no nível da atividade de sala de aula. Bobbitt considerou importante ir ao próprio local de trabalho e medir isso em termos científicos. AS IDEIAS MODERNISTAS. A transmissão estrutura o nosso processo de ensino-aprendizagem. Nós definimos o bom ensino que resulta numa boa aprendizagem. para que não sejam escolhidos objetivos inadequados. seguidas por avaliações para determinar se os objetos foram atingidos. A predeterminação dos objetos. a seleção e organização das experiências para refletir esses objetivos. Pelo contrário. Tyler fala sobre “uma filosofia educacional aceitável” (página 13). A intencionalidade 52 Copyright © 2007. Ao retratar o currículo escolar como envolto no manto da ciência modernista. originou-se de um “compromisso não muito metódico” entre ideologias opostas (página 29). eclético em natureza. Sobre currículo adotaram a versão fechada que significa através do foco o conhecimento é transmitido.trabalho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .a competência: poderes que podiam tanto transformar quanto ser transformados. poderes que podiam gerar outros poderes num ciclo evolutivo interminável. não estou negando a observação de Hebert Kliebard (1986) de que o currículo norte-americano. Jean Piaget e Noam Chomsky também desenvolveram estudos diagnósticos das capacidades de linguagem. ambos deixaram de lado os déficits de desempenho para focar os poderes potenciais . A qualidade humana não é modelada ao igualarmos os sistemas vivos aos sistemas abertos ser humano significa ir além das estruturas biológicas e termodinâmicas. e que mesmo nessas ideologias concorrentes havia uma obediência geral aos princípios da ciência modernista. que deve agir como uma peneira na seleção de objetivos. Embora eles discordassem sobre as origens das capacidades de linguagem. parecem enfatizar primeiramente a escolha dos objetivos. ou “sobre o que constituí a eficiência social” (1918 página 51). transferido.

B Watson (1913) colocou “Não reconhece nenhuma linha divisória entre o homem e o animal”. Entretanto. (consciente. Aquelas capacidades que nas palavras de Jerome Bruner (1973) nos permite “ir além da informação dada”.segundo o autor é uma parte importante do ser humano e parte da intencionalidade é o desejo e a ação relativos ao fechamento. No entanto. ela depende em parte de nós e nossas ações. a abertura humana contém seu próprio paradoxo. biológico. (cap. mas local.13) São essas capacidades (intencionalidades. pessoal e intelectual bem diferente. Segundo o autor o discurso passado e recente sobre o currículo não prestou atenção à complexidade do pensamento humano e adotou o paradigma comportamentalista que J. mente/corpo. somos responsáveis pelo futuro dos outros e nosso. autoorganização. não pré-ordenada e criada e nem descoberta. professor/aluno. (pág 158) Assim as atividades complexas desenvolvidas pelo homem e a capacidades que eles possuem acima e além dos animais foram desprezadas ou negligenciadas. do sujeito/objeto. currículo/pessoa. esta integração é um processo vivo negociada. portanto devemos adotar uma visão aberta para termos uma perspectiva cosmológica e ecológica. Esta visão contribuiu para um conceito curricular em que o treinamento em atividades pré-escolhidas substituiu o desenvolvimento da capacidade transformativa. ao mesmo tempo o pós-modernismo busca uma integração eclética. comunicação) que os educadores e curricularistas admitem que atualmente precisem ser desenvolvidas e que caracterizam a qualidade do ser humano. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . molecular) essenciais para haver transformações. nós/outros. 53 Copyright © 2007. Portanto. Neste caso só há transformação se houver interação do indivíduo com o meio ou o objeto de transformação. resoluções definições. O pós-modernismo propõe uma visão social. É a interação complexa entre abertura e fechamento em vários níveis.

e faça a Atividade 1. no link “Atividades”. 54 Copyright © 2007.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. no site da ESAB. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Breve Biografia Do Educador Paulo Freire Sabemos que não é possível falar de educação sem ter em mente as ideias do grande educador brasileiro. Paulo Freire conheceu a pobreza e a fome durante a depressão de 1929. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica. Portanto.U NIDADE 12 Objetivo: Conhecer o educador Paulo Freire e suas contribuições para a educação. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. uma experiência que o levaria a se preocupar com os pobres e o ajudaria a construir seu método particular de ensino . Nascido em 19 de setembro de 1921 de pais de classe média no Recife. Paulo Reglus Neves Freire educador brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. Paulo Freire. e mundialmente aclamado. faz-se necessário conhecer um pouquinho de sua trajetória histórica: quem foi e o que fez. voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. 55 Copyright © 2007. Brasil.

Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, ele nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor, numa escola do antigo segundo grau ensinando a língua portuguesa. Em 1944, ele se casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho. Os dois trabalharam juntos pelo resto de suas vidas e tiveram cinco filhos. Em 1946, Freire foi indicado Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres, Freire começou a se envolver com um movimento não ortodoxo chamado Teologia da Libertação. Uma vez que era necessário que o pobre soubesse ler e escrever para que tivesse o direito de votar nas eleições presidenciais. Em 1961, ele foi indicado para diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, e em 1962 ele teve sua primeira oportunidade para uma aplicação significante de suas teorias, quando ele ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em apenas 45 dias. Em resposta a esse experimento, o Governo Brasileiro aprovou a criação de centenas de círculos de cultura ao redor do país. Em 1964, o golpe militar extinguiu este esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida ele passou por um breve exílio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, Freire publicou seu primeiro livro, Educação como prática da liberdade. O livro foi bem recebido, e Freire foi convidado a ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969. No ano anterior, ele escrevera seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, o qual foi traduzido para vários idomas como o espanhol, o inglês em 1970, e até o Hebraico em 1981. Por ocasião da crise política entre a ditadura militar que governava o Brasil e o socialista-cristão Paulo Freire, o livro não foi publicado no Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo de liberalização cultural.
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Depois de um ano em Cambridge, Freire se mudou para Geneva, Suíça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial de Igrejas. Durante este tempo Freire atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente Guinea Bissau e Moçambique. Em 1979, ele já podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Freire se filiou ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi indicado Secretário de Educação para São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias sobre educação popular. O instituto mantém os arquivos de Paulo Freire. Freire morreu de ataque cardíaco em 2 de maio de 1997 às 6h53 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

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Paulo Freire http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=YzURD6CgVs4 www.paulofreire.org (INSTITUTO PAULO FREIRE) www.paulofreire.ufpb.br (BIBLIOTECA PAULO FREIRE) www.pucsp.br/paulofreire (CÁTEDRA PAULO FREIRE)

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U NIDADE 13 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. os mares. a natureza. A pesquisa se faz importante também. segundo Paulo Freire. Nessa perspectiva. E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível. a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognoscíveis. investigadores e inquietos. os rios. a terra”. rigorosamente curiosos. com a finalidade de suscitar o espírito de pesquisador e. humildes e persistentes. 59 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. tem necessidade de buscar sempre novas e melhores formas de educar. Sabemos que o educador democrático trabalha com os educandos. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. exigindo a presença de educadores e educandos criativos. muito mais que de outras modalidades. Algumas Reflexões Sobre A Educação. consequentemente de professor reflexivo. o professor de jovens e adultos. na perspectiva de Paulo Freire. A Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou as gentes. incluímos aqui o resumo do livro “Pedagogia da Autonomia”. Assim.

Enfatiza alguns aspectos primordiais. Agindo em favor de uma sociedade mais justa e igualitária. sobretudo com as de baixa renda. 60 Copyright © 2007. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno. bom senso (ética em geral) e esperança. mantendo-se assim o status quo. dos veículos de comunicação de massa.O livro é uma obra que apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos. de uma formação crítica e consciente dos estudantes que. É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos. porém nem sempre adotados pela sociedade atual. valorizando a curiosidade dos educandos e educadores. como: simplicidade. humanismo. Alguns postulados apresentados no livro Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócioeducativo. é que esta obra se faz imprescindível. que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos. através. valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade. Como eixo norteador de sua prática pedagógica. Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas. além de educar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas. atentando para a necessidade de formação ética dos educadores. condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais. principalmente. estará formando para um futuro melhor. já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado. conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais.

temos consciência de que somos inacabados. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo. dessa maneira. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção[2]. Para Freire. em suas socializações com os outros e com o professor. Segundo o autor. Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto. que tem sonhos. sem questionamentos. pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. Defende ainda que a teoria deva ser adequada à prática cotidiana do professor. que critica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza. Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos. e esta consciência é que nos instiga 61 Copyright © 2007. faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco. sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada. que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la.Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos. que opina. porque ensinar não é transferir conhecimento. estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação. a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho". se comunica e que dá sugestões. que pensa. ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções. de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social. Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro. essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e.

perceber criticamente e modificar o que está condicionado. 62 Copyright © 2007. acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados. enfim. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento. O educador não deve barrar a curiosidade do aluno. centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade. O bom senso requer que sejamos coerentes. O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. diminuindo a distância entre o discurso e a prática. pronto e inalterável. No capítulo Ensinar é uma especificidade humana. sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças. intuição. sua capacidade de ir além. Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade. mas não determinado. passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história.a pesquisar. pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação. pois ensinar exige humildade. Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética. Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado. o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância. Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo. mas no alvoroço dos inquietos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade. julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária. senso investigativo. autoridade e competência no decorrer de sua prática docente. portanto a autoavaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica.

buscando a qualidade.Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica. mas dando significados. ensinar exige querer bem aos educandos. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam às vezes de maneira sutil. A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos. O propósito de resgatar as ideias de Freire. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. não obstante transmitindo saberes. político. considerando que fomos programados mais para aprender e por consequência para ensinar. além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos. pensante. O educador como um ser histórico. mostra que o prazer e o amor são os primeiros ingredientes para a transformação da sociedade. intervir e conhecer. indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas. O educador deve saber escutar. neste livro. acima de tudo. tendo na educação um instrumento de libertação. porém de uma formação científica séria. com amor pelo que faz. e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos. a nosso ver. para que o educando construa assim a sua autonomia. demonstra que Paulo Freire escreve e discursa. pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos. pois ameaçam confundir a curiosidade. É com a mais brilhante 63 Copyright © 2007. Deve procurar mostrar o que pensa. Para Freire. construindo e redescobrindo estes saberes. juntamente com o esclarecimento político dos educadores. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. isto é. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tem como objetivo refletir um pouco mais sobre as concepções educacionais. uma vez que o mesmo por si só já direciona o educador para a prática educativa amorosa e portanto. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo. A reflexão sobre as palavras do texto. dos quais a educação também faz parte. expressando a afetividade. é o significado do ensinar. no livro.

64 Copyright © 2007. Enfim. onde ambos aprendem ambos adquirem e sanam dúvidas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É a mensagem de que para ensinar precisamos. antes de qualquer coisa. no-econômico e no político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõem de meios financeiros para obter cultura e informação. ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale à pena. da importância de se poder fazer a diferença no sistema social.vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. ambos crescem como seres humanos.

. Dentre as mais comuns. 65 Copyright © 2007. temos: “na sala de aula todos são iguais”. Situem as características deste grupo num determinado período do desenvolvimento e busque estabelecer as relações entre os diferentes aspectos do desenvolvimento (afetivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . intelectual... Que tal aplicar os conhecimentos sobre as teorias do desenvolvimento realizando a atividade de pesquisa e prática.Sabe-se que as contribuições de Paulo Freire sofreram inadequações quanto suas interpretações.. Justifique sua escolha. vizinhos ou seus alunos (se for o caso). abaixo: Escolha um pequeno grupo de crianças. ‘troca: o professor aprende com o aluno. pode ser parentes. Qual desses equívocos se identifica com a premissa “educandos e educadores são diferentes e é bom que o sejam. ir além”. ”e “partir dos conhecimentos dos educandos. mas não são desiguais”. físico e social). todos em idade de educação infantil.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Entende que educação é processo de:  Diálogo crítico. Nutre-se de amor. um educador humanista e militante. 66 Copyright © 2007. esperança. Diálogo é relação horizontal. Outra virtude fundamental é escutar as urgências e opções do educando. fé e confiança. que é a “virtude de conviver com o diferente para poder brigar com o antagônico”.U NIDADE 14 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. Sua concepção de educação parte sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto. mas também enquanto expressão de uma prática social.  Movimento de massas. Uma Pedagogia para a Libertação. PEDAGOGIA DIALÓGICA Paulo Freire foi. Essa primeira virtude do diálogo consiste no respeito aos educandos. sem dúvida alguma. Outra virtude: a tolerância. “É preciso ter a coragem de nos experimentarmos democraticamente”.  Conscientização. não somente enquanto indivíduos. segundo Paulo Freire. Algumas Reflexões sobre a Educação. na perspectiva de Paulo Freire.  Consciência articulada com a práxis. humildade.

os que não sabem. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. enquanto os educandos são meros objetos. “Ninguém liberta ninguém. definindo-se a partir dessa perspectiva as exigências psicológicas. aos que nada sabem. portanto. EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EDUCAÇÃO PROBLEMATIZADORA Na concepção bancária (Burguesa):  O educador é o que sabe e os educados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  O educador é o sujeito do processo. O diálogo é. A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. econômicas e sociais que condicionam a vida humana. dos que se julgam sábios. Humanismo: Doutrina filosófica que tem no homem o valor supremo. educação é um processo de humanização. entre oprimidos e opressores. que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido. uma exigência existencial. históricas. Tem um método dialético de pensar. NA CONCEPÇÃO PROBLEMATIZADORA: Funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos. 67 Copyright © 2007.Para Freire. o “saber” é uma doação. jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela. não separa teoria e prática. A educação torna-se um ato de depositar (como nos bancos).  O educador é o que pensa e os educandos.

Paulo Freire refere-se à categoria diálogo não apenas como método. mas desumaniza. mas como estratégia para respeitar o saber do aluno que chega à escola. O professor autoritário não humaniza. Essa diretividade não é uma posição de quem comanda para fazer uma coisa ou outra. Nessa nova teoria de conhecimento. O educador libertador convida os educandos a um pensar crítico e reflexivo da realidade. para ultrapassá-la. Propõe a recepção passiva de um conhecimento empacotado. mas também não pode abandoná-lo à própria sorte. Freire acha que é muito mais cômodo. o ato de conhecimento na relação educativa. expressa pela dominação política e pela exploração econômica a que é submetido. Significa assumir sua ingenuidade com ele. é a tomada de consciência de sua própria situação de oprimido. a fazer uma nova leitura de sua realidade. 68 Copyright © 2007. afirmou ele. daí a necessidade de elaborar uma nova teoria do conhecimento. O educador revolucionário. ser autoritário. o saber mais importante. porque a prepotência não exige competência ou respeito e dispensa explicações. O PAPEL DIRETIVO DO EDUCADOR Paulo Freire não desconsiderava o papel diretivo e informativo da educação. jamais chama os educados a pensar. mas uma postura de quem deve dirigir os trabalhados e um estudo sério. Respeitar o aluno não significa deixá-lo na ingenuidade. mais necessário para a libertação do oprimido. não pode manipular os alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para um educador.

mas existem pontos em comum como:  Respeito à liberdade de expressão individual. John Dewey e a Escola Nova O que a pedagogia de Paulo Freire aproveita do pensamento de Jonh Dewey é a ideia de aprender fazendo. seus problemas. A educação deve ter uma visão do aluno como pessoa inteira. Educação é vida! 69 Copyright © 2007. o método de iniciar o trabalho educativo pela fala (linguagem) dos alunos.  A aula não é o momento do depósito do conteúdo.Paulo Freire no contexto do pensamento pedagógico contemporâneo O pensamento de Paulo Freire pode ser relacionado com o de muitos educadores contemporâneos. Carl Rogers e a pedagogia centrada no aluno Freire não defendia o princípio da não diretividade como Rogers. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . à crença na possibilidade de os homens resolverem. O método de Paulo Freire procura aproximar a figura do professor.  O aluno deve ser autor de sua aprendizagem. que no ensino tradicional encontra-se distante do aluno. a relação entre teoria e prática. com sentimentos e emoções. desde que motivados interiormente para isso.  Provas e exames não são os únicos instrumentos de avaliação. eles próprios. o trabalho cooperativo.

abstrações e outras formas do pensar. a simplicidade e o otimismo são também características comuns aos dois educadores. A linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. Freire se concentra no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e na análise da linguagem. A humildade. Através das palavras. Enquanto Vygostsky enfoca a dinâmica psicológica. 70 Copyright © 2007. ambos perceberam a necessidade de associar a conquista da palavra à conquista da história.Vygotsky e os educadores revolucionários soviéticos Em época e lugares diferentes. os seres humanos formulam generalizações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Pois este parâmetro definirá nossas ações pedagógicas e relações interpessoais desenvolvidas no binômio professor – aluno. a postura do professor. A nomenclatura sobre estas duas concepções pode sofrer variação. mas devemos ter como embasamento o seu núcleo de abordagem e de pensar sobre a educação. mas a relação que 71 Copyright © 2007. como possibilidade ou não de reconstrução do conhecimento. digo que não é o uso de recursos educacionais que me faz um educador transformador. A aceitação por uma determinada abordagem pedagógica também será baliza para a forma como praticamos a avaliação e o olhar sobre o erro. metodologia de trabalho. A percepção sobre o ensino. diante do mundo e seu pensar sobre educação. buscando superá-las. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . possibilitador de novas atitudes paradigmáticas. a sua relação com o conhecimento. o ambiente de sala de aula.U NIDADE 15 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). Parafraseando Paulo Freire. vai definir sua atitude. As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ANÁLISE COMPARATIVA DE REFERENCIAIS EDUCACIONAIS A análise de referenciais sobre abordagens trabalhadas na educação tem como objetivo relembrar o caro cursista que como educador é muito importante termos bem definido nossa concepção educacional. O quadro síntese que lhes é apresentado anuncia de forma clara e com propriedade sobre a Visão Tradicional e Novo Paradigma na Educação.

do fragmentada conhecimento. numa relação dialógica do saber. Quadro-Síntese Visão Tradicional VALORES/PERCEPÇÕES Novo Paradigma VALORES/PERCEPÇÕES Visão mecanicista e Visão sistêmica do conhecimento. mas pela concepção de aprendizagem. instrutor. ALUNO APRENDIZ Elemento passivo no Centro de referência agente e da autor ação do processo de ensino. ENSINO EDUCAÇÃO Ação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . gerenciada de pelo Enfatiza o aprender a conhecer.estabeleço do conhecimento com o meu aluno. Quando sou aquela que ensina e aprende com seu aluno. É estimulador de um ambiente plural. EDUCADOR informações. 72 Copyright © 2007. o aprender a conviver. o aprender a ser. INSTRUTOR Foco do processo de ensino. multidimensional. físico destinado AMBIENTE DE APRENDIZAGEM ao Não está delimitado por espaço físico. SALA DE AULA Espaço ensino. processo de aprendizagem. quando me percebo ensinante a aprendente. o transmitir aprender a fazer. educacional.

CONTEÚDOS Currículo disciplinas predeterminado, isoladas ou

CONTEÚDOS com Processo temas significativa

integrado do

de

construção

conhecimento,

fragmentados.

interdisciplinaridade.

Visão Tradicional
OBJETIVOS

Novo Paradigma
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Comportamentais função de

e

com Desenvolvimento

de

conhecimentos,,

controle

do habilidades e atitudes apropriadas para

professor sobre o conteúdo a realização de um propósito. ministrado.
MEIOS MEIOS

Servem pessoas.

para

treinar

as Desenvolvem formas sofisticadas de comunicação multidimensional e

sensorial que facilitam a aprendizagem.
RESULTADOS RESULTADOS

Alcance dos objetivos que Demonstração podem ser mensurados.

do

alcance

de

competência nas dimensões aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

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DA PRÁTICA INSTRUCIONAL À PRÁXIS EDUCACIONAL Contextos: político,

econômico, social, científico, cultural, tecnológico.

(Direcionam um novo olhar sobre as práticas educacionais.) Educação Tradicional – paradigma de separação sujeito e objeto  fragmenta o conhecimento e suas estruturas. Educadores séc. XXI – fundamentados na nova visão do mundo  globalidade e atuação como integradores conhecimento e problemáticas contemporâneas. As formas de olhar e de representar a realidade definem um arcabouço conceitual  sujeitos / objetos
Referenciais para uma nova práxis educacional

 teoria cognitivista  teoria humanista  teoria sóciocrítica. O foco das três teorias:  o pensar crítico;  o pensar criativo;  a aplicação dos conhecimentos.
Fusão- aprender a conviver e aprender a ser  relações interpessoais.

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U

NIDADE

16

Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor), buscando superá-las. Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002. 1-QUANTO À DIMENSÃO: APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER Objetivo pedagógico: é o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico, com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento, ou seja, – aprender a conhecer e a pensar. (SAI)-_apresenta atitude de investigação e organização do conhecimento É o desenvolvimento de habilidades e procedimentos que levam o indivíduo a aprender a conhecer,... na escola, em museus e bibliotecas,... através das mídias e em ambientes fora da escola desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano, de seu saber e de suas aptidões, como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors, 1996:8). DESENVOLVIMENTO DO APRENDER A CONHECER Aprender a conhecer: interpretação da realidade – conceitos, princípios, fatos, proposições e teorias – visão global contextualizada. Prática tradicional: plano de curso – aula – conteúdo  temas  subtemas  divisão de tempo – transmissão de informação. Paradigma: construção do conhecimento e transferência para a vida cotidiana.“... modernidade educativa é a didática do aprender a conhecer, ou do saber pensar...”

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criticar) para autorealização pessoal e social.  classificação.  imaginação. original.  análise.  paradoxos. Pensar criativo:  tempestade de ideias.  pensar próprio. Metodologias e estratégias devem priorizar o pensamento reflexivo (questionar. 1993) Pensar crítico:  comparação.  solução criativa de problemas. ATUAÇÃO DO PROFESSOR: METODOLOGIA Atua como mediador entre o saber sistematizado e as condições lógicas do aprendiz. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Enfoque indutivo: ideias particulares  conceitos  universal. 76 Copyright © 2007.(Pedro Demo.  argumentação.  metáforas.  interrogações divergentes. atuar. Em relação aos conteúdos Enfoque dedutivo: ideias gerais  conclusão  particular. posicionarse.

habilidades e atitudes. como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors. posicionamentos.  integração com o meio e com o outro. discutido  alternativas. Desenvolvimento do aprender a fazer: O aprender a fazer é a habilidade de usar o conhecimento de maneira original em situações específicas. novos paradigmas. aplicação do conhecimento em uma prática refletida e planejada. indissociáveis. de seu saber e de suas aptidões. Neste processo a pessoa acrescenta saberes pessoais e contextualiza o conhecimento. Aprendizagem – ocorre com produção de mudança em ações. Educar para o êxito / habilidades e destrezas. APRENDER A FAZER Objetivo pedagógico: estimular a transformação da teoria em ação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO:  experiências de aprendizagem – crítica. Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? …desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano.Enfoque reflexivo / Criador: atividade intelectual  problema  avaliado.  organização do pensamento – realidade-meio. Aprender a conhecer e aprender a fazer são. É transpor o conhecimento para a vida. por meio de capacidades. 1996:8). produzindo desta forma. 77 Copyright © 2007. Está ligada (para-sai) à questão da formação profissional. análise.

onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. aprender a conhecer a pensar. se as pessoas que aí vivem. de conviver e ser criativo. APRENDER A CONVIVER POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada. DIMENSÃO APRENDER A SER Desenvolvendo suas habilidades e competências específicas de forma colaborativa no projeto. Princípio unidade / diversidade. ou seja..  Aprender a viver juntos envolve as relações interpessoais  sinergia  solução de conflitos  respeito ao outro. Esta dimensão refere-se à evolução da pessoa e a sua maneira de ser e de se autoconduzir. com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento. o aluno tem sua autoestima aumentada . portanto. 2000) Desenvolvimento do aprender a ser / conviver Consciência individual e social  fortalecer a reflexão. mais efetivo e aprende a ser em relação ao outro. torna-se mais produtivo. precisam aprender a viver em grupo. fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que.DIMENSÃO APRENDER A SER / APRENDER A CONVIVER Objetivo pedagógico: estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades individuais – cognitivas. (Cortelazzo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Isto é.. É o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico. de ser pessoa. aprende a conhecer o outro e se conhecer através do outro. Homem uno e singular e ao mesmo tempo múltiplo e complexo  conceitos de interdependência e inter relacionamento entre os seres. 78 Copyright © 2007.

79 Copyright © 2007. psicodramas. o conceito que uma pessoa tem de si reflete-se na formação de inferências. analogias. Conviver / Dinâmica grupal – aprimora o processo de crescimento psicológico e de tomada de consciência subjetiva. mas possibilitar vivências.Indicadores do processo de desenvolvimento da dimensão ser / conviver: Autoconceito  a imagem. descrições sobre os outros e si mesmos. exercício da fluência de ideias e cultivo do pensamento divergente e inovador. PENSAR CRIATIVO Estimular o pensamento criativo não significa ensinar criatividade (disciplina). Ex: Técnicas: tempestade de ideias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sentimentos. juízos.

As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas. BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS condicionamento clássico. psicólogo norte-americano. Firmado como um dos principais behavioristas. respectivamente. em Genebra. buscando superá-las. suas principais obras são sobre o behaviorismo e o mito da liberdade. afirma que o homem é um ser manipulável. doutorou-se em Harvard (1931). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . lecionou nas Universidades de Minnesota e de Indiana. autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento PIAGET e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética. no processo de aprendizagem que consiste Skinner na formação de uma associação entre um estímulo e uma resposta aprendida através da contiguidade. Skinner afirma ainda que o fracasso dos professores esteja na negligência do método. Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. funda o Centro de Estudos de Epistemologia 80 Copyright © 2007. nascido em 1896 e falecido em 1980. Acredita na aprendizagem por consequências recompensadas e pelo Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). psicólogo e biólogo suíço. foi autor de importantes trabalhos sobre a aprendizagem e o ensino programado. Skinner afirma que o nosso comportamento só pode ser explicado mediante um rígido determinismo.U NIDADE 17 Burrhus Frederic Skinner. Em 1995. Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais. governado por estímulos do meio externo. a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau. nascido na França em 1904 e falecido em 1990. Jean Piaget.

sem mascarações. Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. Rogers diz que para facilitação da aprendizagem. O terceiro período de dá dos 11 aos 15 anos. a criança começa a pensar logicamente. verdadeira. onde também transpôs para a educação sua concepção terapêutica. fez uma exposição geral do seu método não diretivo. Nascido em 1902 e falecido em 1987. crédito. afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança. sem ostentar uma simples aparência no contato com os alunos. formou-se na Universidade de Colúmbia. quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo. foi professor de Psicologia na Universidade de Chicago e secretário executivo do Centro de Aconselhamento Terapêutico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . onde se especializou em problemas infantis. de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento. o facilitador Rogers (professor) deve ser uma pessoa real. Piaget critica severamente à escola tradicional. críticas e pensadoras.Genética. e suas aplicações à educação e a outros campos. o primeiro período se dá dos 2 aos 7 anos de idade. a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. lecionou na Universidade de Rochester. Em 1945. onde passou a ser diretor. Rogers acredita que os seres humanos têm natural potencialidade de aprender. o mesmo acredita que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar é relacionada com seus 81 Copyright © 2007. apreço. O professor deve depositar no aluno confiança. O segundo período se dá dos 7 aos 11 anos. elaborou e definiu seu método de terapia centrada no cliente. onde as habilidades como a linguagem e o desenho são Piaget desenvolvidos. impede a formação de inteligências inventivas. psicólogo norte-americano. e esta relação deve ser aberta.

na gestão da prefeita Luisa Erundina. Paulo Freire nascido em 1921 em Recife. e a mesma deve ter uma contínua abertura à experiência e à incorporação dentro de si mesmo. Em 1961. seu método ganha forma com o movimento de Cultura Popular de Recife. e falecido em 1997. Freire continua com suas atividades e assume cargos em Universidades e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. 82 Copyright © 2007. que assessorou diversos movimentos populares em vários locais do mundo. Retornando do exílio. Em 1963. após suas primeiras experiências com educação de trabalhadores. “Cartas à Guiné Bissau”. “A importância do ato de ler”. Em 1964. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . suas atividades são interrompidas com o Golpe Militar de 1964. Formou-se em Direito na Universidade de Recife. a qual visa à formação da autonomia intelectual do cidadão para intervir sobre a realidade. junto a outros brasileiros exilados. participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. Entre 1957 e 1963 lecionou História e Filosofia da Educação. criou a IDAC (Instituto de Paulo Freire Ação Cultural). Citamos como algumas de suas obras: “Educação como prática de Liberdade”. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. o qual determinou sua prisão. Em 1970. “Pedagogia do Oprimido”. do PT. Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento.próprios objetivos. “Vivendo e aprendendo”. Freire enfatizando a transformação da prática cria a categoria pedagógica da conscientização. em Genebra. aplicada à educação. do processo de mudança. sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática e a teoria se inter-relacionam num processo de constante aperfeiçoamento.

Skinner Segundo Skinner o homem é um ser manipulável. e a mesma acontece quando o aluno participa deste processo. exercício. cujo objetivo baseia-se no condicionamento do ser humano. Rogers valoriza a autocrítica. Acredita nas concepções tradicionais. no papel estruturante do sujeito. Suas teorias apresentam tendências construtivistas. equilibração. o mesmo acredita na questão do reforço (treino. e a avaliação sobre outros olhares. A mesma apresenta também dimensões interacionistas. Acredita que os seres humanos têm um potencial natural de aprender. transmissões Piaget sociais e culturais. governado por estímulos do meio externo. onde o progresso do indivíduo é limitado por si mesmo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Maturação. prática). Propôs quanto à questão do facilitador. envolvendo seu cotidiano. ser uma pessoa. acreditando que estas ações contribuem para a autonomia. a autoapreciação. experiências físicas. coloca o indivíduo como transformador da realidade através de um trabalho de conscientização e politização. criatividade e autoconfiança. um professor real.PARALELO DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS Problemas resolvidos através de uma tecnologia do comportamento. Para que haja interesse. Engloba-se dentro de um pensamento pedagógico progressista. o conteúdo deve ter valor para o aluno. Rogers afirma que é por meio de Rogers atos que se adquire uma aprendizagem mais significativa. como aumento de produção. são fatores desenvolvidos nesta teoria. Afirma que o educador deve assumir princípios e valores. critica os mecanismos de introjeção da Freire Ideologia dominante. cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. a passividade de professores e alunos transmitirem e receberem um "conhecimento empacotado" o que 83 Copyright © 2007. e o indivíduo aparece como produto do meio.

O professor traz para suas aulas um modelo pronto. E para que isso aconteça o professor usa estímulos. acreditando que o indivíduo não devia ser alfabetizado Freire apenas para a leitura e escrita. como um ato criador. onde alunos são objetos no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. o aluno tem liberdade de direcionar e conduzir o seu processo de aprendizagem. envolve a compreensão da realidade. os materiais devem ser concretos. PERFIL DO MODELO DE PROCESSO PEDAGÓGICO Propõe o conhecimento como algo que vem do exterior para o interior. como por exemplo: um prêmio para o vencedor. Propõe liberdade para o indivíduo construir. 84 Copyright © 2007. deve ser realizado dentro de um contexto social. acreditando Rogers que o indivíduo tem dentro de si a capacidade de compreender os fatores de sua vida. superando as barreiras chamadas “mecanismos”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . considerando que a criança passa por todas as etapas. as situações que produzirão o conhecimento. mas deveria ser proporcionada uma educação politizada. O aluno deve vivenciar a prática. De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo). o qual se dá em etapas Piaget sucessivas. Tem sua preocupação voltada para a alfabetização de jovens e adultos. Freire afirma que o aprendizado da leitura e da escrita. e a criança o construirá. onde o aluno tem Skinner que repetir exatamente igual.aumenta o índice de analfabetismo.

Freinet afirmava a existência de uma dependência entre a escola e o meio social. foi um dos educadores mais marcantes da escola fundamental de seu país. onde o trabalho tinha posição central. o qual apresentou Freinet um confronto entre a escola tradicional e a escola proposta por ele. Freinet é considerado como um grande crítico da escola tradicional. lutou na 1ª Guerra Mundial. afirmando que esses instrumentos aprofundam o conhecimento e o desenvolvimento de sua ação. 85 Copyright © 2007. e são necessárias técnicas construídas com base na experimentação e documentação. e buscava pela necessidade tentativas de experiências renovadoras de ensino. sua principal obra foi o livro “Educação pelo trabalho”. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS Nascido na França em 1896 e falecido em 1966.U NIDADE 18 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). De acordo com Freinet devem ser proporcionadas oportunidades para que se produza o conhecimento. como metodologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . buscando superá-las.

demonstrando a existência de mecanismos no sujeito que aprende. e a alfabética onde a criança domina. (SAI atualmente aos 62 anos) . o valor das letras e sílabas. Para Ferreiro. transformando a escrita convencional e produzindo escritas estranhas ao adulto. 86 Copyright © 2007. onde a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas. pois as crianças não chegam na escola vazia. apesar de a criança construir seu próprio conhecimento.Emília Ferreiro. atribuindo o valor de sílaba a cada letra. os quais surgem da interação com a linguagem Ferreiro escrita. Desenvolveu trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita. não existe um método com todos os passos predeterminados. Seus trabalhos e pesquisas demonstraram uma preocupação em integrar os objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e cultural. no México. orientada por Piaget. De acordo com Ferreiro é preciso diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização. psicolinguística argentina. onde a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada. a mesma afirma que a criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita. enfim. cabe ao professor organizar atividades. e que emergem de uma forma muito particular em cada um dos sujeitos. no que se refere à alfabetização. foi professora em várias Universidades latino-americanas e européias. Ferreiro contribuiu para a compreensão do processo de aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . As crianças interpretam o ensino que recebem. silábico-alfabética.É pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional. que favoreçam a reflexão sobre a escrita. silábica onde a criança interpreta a letra à sua maneira. doutorou-se pela Universidade de Genebra.

e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. e no Brasil só início da década de 80. sendo a aprendizagem um processo essencialmente social. e atualmente seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo. que age sobre o mundo sempre em relações sociais. o ideal é partir do que ela domina. o colega de classe. no qual o mesmo é transformador dessas ações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de origem belgo-russo. sistemático de construção da humanidade.Lev Semenovich Vigotsky. também fez cursos de medicina. entendia o homem como um ser ativo. É no processo de ensinoaprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo. um parceiro importante na “Educação”. pensamento e linguagem. sobretudo pela interação social. Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético ( Karl Marx) para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista na Psicologia. que ocorre na interação com os adultos e os colegas. nascido em 1896 e falecido em 1934. Para Vygotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá. história e filosofia. sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. onde o professor torna-se figura fundamental. Construtor de propostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação. formado em Direito. De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas Vygotsky nas relações sociais que o homem mantém. Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60. 87 Copyright © 2007. Quanto ao conhecimento Vygotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador ir além do que ela pode aprender é ineficaz. para ampliar seu conhecimento". Este pensador teve uma produção intelectual intensa. aos 37 anos de idade. afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. E a educação como um processo social.

aprender que governado evolui por por estímulos do meio ambiente externo. Aprendiza gem pensar o desenvolvime nto da criança de maneira Freire a pedagogia deveria ser flexível.De acordo com entre os seres humanos. .Como Vigotsky. mas . -A aprendizage m da criança inicia-se desde o seu1º dia de vida. -Homem é visto como um robô do meio em estágios. Ferreiro coloca que os alunos nunca chegam à escola vazios.De acordo com Freinet -A aprendiza Freire . aprendizag Piaget é a pessoa em é a conexão entre o estímulo e a resposta e que o que constrói seu próprio conhecimento. até a maturidade intelectual. experimen alunos “palavras tal. sim uma ação cultural que resultaria numa será neutro. .Como Piaget. Ferreiro afirma gem se dá iniciado por através do palavras tateio conhecidas pelos sobre a importância de respeitar o nível de desenvolviment o do aluno.A criança geradoras”. e é preciso diagnosticar seu grau de conhecimento antes de iniciar o processo de alfabetização. participativa e .Homem ser sozinha. A relação entre o educador e o aluno é o meio. onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas aprendizage Ferreiro afirma m se dá sobre tudo pela interação social.Processo de alfabetização Vigotsky -A Ferreiro . . de forma direta da construção do 88 desenvolvimento da criança. Não pode ir além de da vida na escola. manipulável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .E como Piaget. .O professor deve através da incentivar ao máximo o diálogo respeitar o nível de habilidade prospectiva e que não é porque não o aluno participa retrospectiva. . .Importância de a educação .Processo aparecimen ações mútuas não avança educativo nunca to do entre o indivíduo e estímulo evoca a resposta.COMPARAÇÃO DE IDEIAS E PRINCIPAIS PONTOS DE SUPERAÇÃO Skinner -A Piaget . entre mestres e alunos (identificando-se neste ponto com Copyright © 2007.A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de relação de domínio crucial para ou de liberdade a aprendizag em.

qual aprende através de palavras fora de um formam um Valorização contexto. - Freinet. cabe ao professor proporcionar Consideraç mesmo enfatiza a ão da realidade importância da interação entre comportame Superando em ntal é moldada.O indivíduo não deve apenas aprender formar e controlada considera o pelo indivíduo como um situações onde o . o ento ambiental.Professores conhecimento é e colegas buscado e construído. fora para dentro. mas da livre compreender na condicionamentos. 89 Copyright © 2007. - mestre e educador). nem deixá-las agir sozinha. consciência sociedade seu dos alunos. próprio papel. . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que alunos estão inseridos. condicionam ser manipulável. manipulada todos os pontos as em que os teorias propostas por Skinner. conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvime nto da criança.que vive cuja natureza sua capacidade. onde o Desenvolvim ento é um processo acontece de conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo.

Assim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como por exemplo. consistente e claro). quando ele apresenta dificuldade de expressão. de outro. acredito que ensinar a ler e a escrever é mais que uma revolução. O professor se coloca como único detentor do conhecimento. acompanhada de anotações mecânicas. a uma audição interminável. de saberes. 90 Copyright © 2007. Concepção autoritária Nesta concepção.no fundo. cópia de um texto oral. os procedimentos didáticos reduzem-se a exposição sem fim. A maioria das aulas se transforma num ditado . a aula torna-se suportável.U NIDADE 19 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). trabalhar na perspectiva de uma profunda e efetiva transformação social. de um lado. os conhecimentos por ele demonstrados. Quando o professor tem boa verbalização (discurso coerente. pois não há tempo para que o aluno reflita sobre o que está anotando. Didaticamente. “esgotar o programa ou o livro didático adotado”. “Seduzida por uma antiga paixão que é o ato de educar. com uma passividade também frenética. de revelações e ações” As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica Faz-se necessário refletir sobre as concepções educacionais e como essas se realizam e a partir daí. É o descortinamento de vida. cuja missão é repassar todas as informações. todo o conteúdo. Como princípio fundamental. Ocorre. buscando superá-las. ela transforma-se numa tortura intelectual: o aluno tenta anotar o que houve e não entende o que está ouvindo. é bom relembrar as características de tais concepções. o professor autoritário impõe um ritmo frenético à sua própria atividade e espera que os alunos absorvam.

Aliás. além de não levarem em conta a realidade dos alunos e seus conhecimentos adquiridos em outros meios. uma denúncia da burocratização do ensino.especialmente daquele que. nem. dificuldades prérequisitais. reduzem-se a simples programas de série. anteriores e posteriores. Nas famosas semanas de planejamento . não leva os alunos a utilizá-Ia e cobra. Na maioria de nossas escolas.quase sempre anteriores aos primeiros contactos com os discentes . No que diz respeito ao Relacionamento. com a vida do aluno. na maioria das vezes. tudo o que foi dado em aula. 91 Copyright © 2007. assistir às aulas já é uma expressão denotativa da cultura da passividade imposta ao discente. Na verdade. códigos próprios etc. mesmo exigindo a aquisição do livro didático. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . passivamente. um processo mais ou menos semelhante ao de alguém que assiste a um filme com legendas: "lê-se" o filme. Valendo-se de uma definição institucional da autoridade. são meros elencos sequenciais de conteúdos programáticos. da preocupação com a hierarquia e a busca do consenso está na insegurança do professor. expressa na ansiedade de anotarem até os suspiros do professor . a raiz da imposição. O plano de curso apresenta-se como uma entidade autônoma de dependências internas (unidades-programa). ouvem-nas. generalizadamente. objetivos e procedimentos e. que pouco ou nada têm a ver com as demais séries. os professores autoritários continuam atendendo. muito mais às exigências fiscalizadoras dos órgãos intermediários. estabelece uma relação com os alunos cm que o respeito mútuo não se constrói no reconhecimento das diferenças igualitárias. os alunos nem assistem às aulas. É muito comum a angústia dos alunos.então. muito menos. mas nas distinções hierarquizadoras. do controle. muito menos. nas verificações da aprendizagem. Raramente articulam conteúdos. não se ouve a trilha sonora nem se aprecia a beleza das imagens.formulam-se os planos de curso que. Ainda que haja. do que às necessidades dos alunos. referem-se ao curso como um todo (integração vertical).

ou o conflito. na medida em que não é necessário grande empenho e. trabalho. 22) certamente é a maior inspiração do que estamos denominando por concepção anárquica.] renunciar a toda disciplina. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. sem qualquer constrangimento que pudesse causar traumas ou neuroses. quando muito. de A. A didática consiste em não usar qualquer didática. muito menos... o ludismo inspirado no engodo de que só se aprende brincando. numa espécie de democratismo confortável (para o educador). deixando ao aluno o livre curso para as manifestações automotivadas ou. Na concepção anárquica dá-se ênfase à aprendizagem. para que os alunos percebam os aperfeiçoamentos necessários. preconizando a abstenção dos educadores. o dissenso generalizado. dependendo de suas disposições individuais. como as primeiras. p. mas anárquicas. 92 Copyright © 2007. toda instrução religiosa. a liberação de aulas sob a pressão dos mais fúteis motivos etc. Na permissividade gerada pela ausência de diretriz tudo é possível: ou o consenso. Neill (19970. essa verdadeira antipedagogia foi uma tentativa de aplicação dos princípios psicanalíticos a projeto escolar. princípio fundamental da Escola de Summerhill.. ao lado da passividade do educador (sua presença é necessária?). como ocorre na maioria das vezes. São os famosos estudos dirigidos sem direção. de modo a viabilizar somente a satisfação dos desejos do educando. ou melhor. a indiferença quanto ao ambiente necessário à concentração e ao trabalho intelectual. mas algo que dela se aproxima. S. à autoaprendizagem. toda sugestão. . que não são fruto. Nas escolas brasileiras não se observam às propostas anarquistas. ou. Assim. manifesta-se uma grande atividade ou não dos educandos.Concepção anárquica "[. de deliberações doutrinárias. toda moral preconcebida. negociadas no próprio coletivo dos discentes. a substituição de docentes por discentes (sem a finalidade precípua de prepará-Ios para o magistério). Na realidade. seja ela qual for". os inúmeros trabalhos exigidos dos alunos (que fazem meras colagens) e que nunca são corrigidos detalhadamente.

sem hierarquizações dos atores escolares. axiomas. sem que se respeitem às diferenças. mas um espaço de respeito pelas diferenças. Sempre se oportunizam fora dos já consagrados modos 93 Copyright © 2007.”. Ninguém se impõe a ninguém. os papéis são reconhecidos pelas competências específicas. E só ela é capaz de resgatar a qualidade do trabalho escolar. metódica e sistematicamente. O controle ou a permissividade são substituídos pela negociação. ritmos e histórias de vida próprios. a segunda volta-se para uma espécie de "correção progressiva dos dados da experiência e da reflexão". pela mútua persuasão. com fronteiras nitidamente definidas e grau crescente de complexidade. no sentido de ser instrumento eficiente e eficaz da transformação social. p. p. “a contínua elaboração. isto é. teorias. isto é. juízos de fato. claramente explícitos. perseguidos. Ao invés da preocupação com a “ciência-disciplina: conjunto de descrições. Não se forma o cidadão sem a Escola Cidadã. a relação professor e aluno torna-se um processo de constante ensino e aprendizagem de mão dupla: os caminhos do ensino descortinam horizontes para a aprendizagem e esta revela instrumentos e mecanismos para o aperfeiçoamento do primeiro.Concepção democrática A concepção democrática (segundo GADOTTI & ROMÃO. postulados. e as divergências (sempre presentes) não constituem mero exercício de esgrima intelectual ou uma disputa em si. 48)”. verdades absolutas e universais. Partindo do princípio de que todo ser humano é capaz de aprender (e também de ensinar). neutralidade científica. para cuja formulação contribuem todos os envolvidos no processo. como afirma Newton Freire Maia (1991. etc. 18). oportunidades de rompimento com fronteiras ortodoxamente estabelecidas. Enquanto a primeira está preocupada com as leis. 2000) representa a síntese dialética (não eclética) entre as posições autoritárias e as anárquicas. busca-se a “ciência-processo”. modelos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nessa concepção trabalha-se com objetivos. ampliação e revisão. interpretações. como dizia Goldmann (1978. leis. legitimadas pelas descobertas compartilhadas e pela racionalidade dos avanços.

diferentes de se resolverem situações-problema (muitas vezes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. colocando criticamente seu ponto de vista. 94 Copyright © 2007. A segurança de todos não se estabelece em hierarquias previamente institucionalizadas ou pactuadas. professor e aluno. mas na descoberta progressiva dos papéis e funções diferenciados. E. ambos. plasmar o aluno (como se costuma dizer). É a atitude ingênua mais frequente supor que cabe ao educador formar. o saber. Discuta com seus colegas sobre esta temática. trabalharão o tempo todo: o primeiro. Essas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. descobridor. com economia de energia e de tempo). como provocado. cosistematizador e coavaliador/avaliado. o segundo. sistematizador e avaliador. O educando como puro "objeto" da educação. como provocador. incentivador.

. e a representação mental de si.não inclui em sua representação da realidade exterior e de si mesma a compreensão das condições e determinantes que a fazem pensar tal como pensa. consciência ingênua é aquela que . A simples reflexão sobre si pode ser apenas introspecção. Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua. A realidade é apenas recebida ou enquadrada em um sistema de ideias que se cria por si mesmo. A concepção ingênua A concepção ingênua é aquela que procede de uma consciência ingênua. A consciência ingênua pode refletir sobre si.por motivos que cabe à análise filosófica examinar . 95 Copyright © 2007. a autoconsciência (VIEIRA PINTO. isto é. que tem como conceito a representação mental da realidade exterior. as ideias se originam das ideias. porque esta só existe quando a percepção do estado presente da consciência é acompanhada da ideia clara de todos seus determinantes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . faz-se necessário resgatar a noção de consciência. acredita que suas ideias vêm dela mesma. 2000). Antes da discussão sobre as concepções da consciência ingênua e crítica. porém não chega a ser uma autoconsciência. do mundo. da totalidade da realidade objetiva que sobre ela influi (o que só ocorre com a consciência crítica). uma origem incondicional. do sujeito. Assim.U NIDADE 20 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. Não inclui a referência ao mundo objetivo como seu determinante fundamental. tomar-se a si mesmo como objeto de sua compreensão. do objeto. porém não se identifica com a autoconsciência. E. Por isso julga-se um ponto de partida absoluto.

A consciência crítica A consciência crítica é a representação mental do mundo exterior e de si. É. uma consciência justificativa de si (em sua forma ou procedimento. quando reflete sobre si (sobre seu conteúdo). A concepção ingênua da educação No campo da educação. que se traduzem em ações e juízos que não coincidem com a essência do processo real. de intentos frustrados. a linguagem na criança ou o 96 Copyright © 2007. e traduz-se em uma fonte de equívocos. histórico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A educação escolar sempre toma o educando já como portador de um acervo de conhecimentos (por exemplo. pois engendra as mais equivocadas ideias. O educando como "ignorante" em sentido absoluto. histórica. não pelo simples fato de chegar a ser objeto para si. que não são. Noção falsa em relação à criança. em particular. todavia em relação ao adulto. Concebe-se segundo a categoria de processo. pois. torna-se verdadeiramente autoconsciência. e muito mais. a consciência ingênua é sempre nociva. no qual se encontra. de desperdício de recursos. portanto. pois verdadeiras. Refere-se a si mesma sempre necessariamente no espaço e no tempo em que vive. Estes pertencem ao mundo real. por essência. social. A consciência crítica. A autoconsciência é. em seu conteúdo ou aquilo que percebe em função das condições históricas e sociais de sua realidade. pois está ligada a um mundo objetivo que é um processo e reflete em si esta objetividade nas mesmas condições lógicas que definem um processo. nacional. acompanhada da clara percepção dos condicionamentos objetivos que a fazem ter tal representação. Inclui necessariamente a referência à objetividade como origem de seu modo de ser. e sim pelo fato de perceber seu conteúdo acompanhado da representação de seus determinantes objetivos. Não podem levar à completa e rápida solução dos problemas que considera. material. o que implica compreender que o mundo objetivo é uma totalidade dentro da qual se encontra inserida. do grau de desenvolvimento do processo nacional ao qual pertence).

o significado e a valoração eminentemente sociais da educação. o adulto a educar é absolutamente "ignorante". Porém a noção de ignorância é tomada aqui em sentido abstrato. A educação como dever moral da fração adulta. O educando como puro "objeto" da educação. E a atitude ingênua mais freqüente é supor que cabe ao educador formar.trabalho no adulto). A criança e o adulto vêm à escola já preparada (inclusive para desejar vir à escola) por outra escola geral. de consciência autônoma (para si). porque converte a educação em ato caritativo e transfere para o plano dos valores éticos (inteiramente alheios a este problema) a essência. procedimento que parte do suposto direito de domínio. A educação como transferência de um conhecimento finito. etc. de um conjunto de noções. o saber. níveis. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de algum conhecimento (sempre concreto). educada e dirigente da sociedade. não é concebida como "ignorância de algo". Para a consciência ingênua. em um diálogo esclarecedor e não em uma imposição de ideias. de acordo com determinado método. Esta ingenuidade é grave. que só pode ser educada. carreira. em dar caráter absoluto às divisões em graus. Este conhecimento prévio é o resultado da prática social do homem (criança ou adulto) e de sua formação até o momento em que começar a receber educação institucionalizada. A principal nocividade desta atitude está em preceituar limites ao processo pedagógico. Concebem o educando como objeto. Estas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. instruída. e por isso não reconhecem nele a dignidade de sujeito. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. enquanto se relativiza esse mesmo conceito para as elites (a fim 97 Copyright © 2007. Esta ingenuidade se refere à noção de conteúdo e forma da educação. com os interesses do educador e com o mesmo ato de ser transmitida. e que essa mensagem não se modifica com as condições de tempo e lugar. que é a sociedade. plasmar o aluno (como se costuma dizer). Supõe que o professor é apenas o transmissor de uma mensagem definitivamente escrita. o meio onde vivem. Absolutiza-se o conceito de "ignorante" para as classes populares. de uma consciência sobre outra. isto é.

o caráter da ignorância é sempre relativo. que é concretamente sabida por outro. no site da ESAB. Um indivíduo não pode ignorar assim alguma coisa. no link “Atividades”.de que os representantes dessa elite possam aparecer como não ignorantes). que revela o caráter interessado da noção de ignorância: o homem do povo é ignorante porque não sabe alguma coisa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Vê-se a duplicidade de critérios. porém. A consciência ingênua necessita absolutizar a ignorância. Como. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. 98 Copyright © 2007. este outro ignora muitas coisas que o primeiro sabe. e faça a Atividade 2 . o que só pode fazer convertendo-a em uma noção irreal. enquanto o membro da elite é culto porque sabe alguma coisa.

A concepção crítica da educação A concepção crítica da educação procede segundo as categorias que definem o modo crítico de pensar. É em verdade um homem culto. o país. A concepção crítica é a antítese da ingênua e repudia os pontos de vista anteriormente expostos..o educando como sabedor e desconhecedor. definidores desta última. se não fosse assim. concreticidade (caráter vital da educação como transformação do ser do homem). o mundo e todos os fatores culturais e materiais que influem sobre ele). escola secundária.U NIDADE 21 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. mas nem por isso pode ser considerado como um desconhecedor absoluto. pois conduz à mudança da situação do homem e da realidade à qual pertence. posto que. escolarização) tem que se fazer 99 Copyright © 2007. Particularmente há que mencionar as de: objetividade (caráter social do processo pedagógico). Sua instrução formal (alfabetização. Alguns aspectos específicos da concepção crítica da educação: Primeiro aspecto . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É a única que está dotada da verdadeira funcionalidade e utilidade. O educando evidentemente não sabe aquilo que necessita aprender (ler e escrever). não poderia sobreviver. universidade) da criança e do adulto. tendo em conta àquelas finalidades. Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua. historicidade (a educação como processo) e totalidade (a educação como ato social que implica o ambiente íntegro da existência humana. no sentido objetivo (não idealista) do conceito de cultura. em virtude de ser a única que é capaz de oferecer o conteúdo e o método mais eficaz para a instrução (alfabetização.

sempre partindo da base cultural que possui e que reflita o estado de desconhecimento (material e cultural) da sociedade à qual pertence. Aquilo que desconhece é o que até agora não teve necessidade de aprender, e se tem podido viver até agora como analfabeto é porque as condições de sua sociedade não exigiam dele o conhecimento da leitura e da escrita. Segundo aspecto - o educando é o "sujeito" da educação e nunca o objeto dela. Necessitase da ação do professor para se alfabetizar, instruir-se, isso não significa que seja o objeto "sobre o qual" o educador atua, e sim unicamente que é componente indispensável de um processo comum, aquele pelo qual a sociedade como um todo se desenvolve se educa, se constrói, pela interação de todos os indivíduos. A educação é um diálogo amistoso entre dois sujeitos. A rigor, deve-se dizer que a educação não tem objeto; e sim somente objetivo. É a sociedade que, em sua totalidade, se comporta como agente-paciente do processo educativo. Por consequência, a expressão teórica perfeita da natureza histórico-antropológica da educação resume-se nesta expressão: A sociedade educa. As concepções ingênuas da educação rebaixam o educando a condição de "objeto" e o levam a conceber-se a si mesmo como ser passivo, no qual o professor infunde o saber que possui. Este ponto de vista é:  moralmente insultante (pois ignora a dignidade própria do homem pelo simples fato de ser homem, não importando se é letrado ou não);  antropologicamente errôneo (pois ignora que o aluno é portador de uma cultura, de capacidade de pensar logicamente em função de seu contexto social);  psicologicamente esterilizante (pois desanima, inibe e impede os estímulos para a aprendizagem, uma vez que recusa ao alfabetizando sua capacidade de fazer-se instruído por si, como sujeito);

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 pedagogicamente nocivo (pois deixa de aproveitar o saber do analfabeto como ponto de partida para o desenvolvimento de novos conhecimentos). Terceiro aspecto - a educação consiste em uma nova proporção entre conhecimento e desenvolvimento. Excluída a ideia ingênua de um princípio absoluto do saber no indivíduo que se educa (por exemplo, que se alfabetiza), a educação só pode consistir em dotá-Io de novos conhecimentos, que se irão somar ao que "já sabe, ou substituir as ideias erradas, ingênuas que possuía. É, portanto um novo balanço do saber, agora em um plano mais alto do processo cultural. Este caráter de proporção entre conhecimento e desconhecimento repete-se em todos os graus da educação, até nos mais altos (o universitário, a investigação mais avançada). A educação é uma aquisição retificadora, corretora do saber (da cultura) tornado inadequado, anacrônico, porque não corresponde mais ao grau de conhecimento de uma sociedade que passa a exigir mais do indivíduo (conquanto saber agora imprestável, não era errado para a etapa anterior, da qual se pretende que o educando se eleve). Crítica do conceito de "saber" Para a consciência ingênua, o saber se apresenta como um conjunto de conhecimentos absolutos, abstratos, a - históricos. É produto do espírito puro, sem relação causal de parte da realidade do mundo, ou somente com uma relação de tipo ocasional ou apriorista. O espírito por si só é capaz, em última análise, de engendrar e de justificar o saber. Para a consciência crítica, o saber é o produto da existência real, objetiva, concreta, material do homem em seu mundo (sendo este concebido como uma totalidade concreta em processo), imprimindo-se em seu espírito sob a forma de ideias ou pensamentos que se concatenam regularmente, logicamente. Os caracteres do saber, segundo a teoria crítica, são: Relativo – é o que uma cultura entende por saber, em uma de suas fases, deixa de sê-Ia em outra fase, ou não o é em outra cultura. Daí a ingenuidade radical do critério da tradição (por exemplo: a teoria heliocêntrica).
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Concreto - sempre aquilo que um determinado indivíduo ou uma sociedade (uma cultura) pode descobrir conhecer, criar ou imaginar, em função da etapa de seu processo de desenvolvimento, que lhe dá a possibilidade de constituir-se em consciência para si. Existencial - no sentido de ser constitutivo da realidade do indivíduo, e não algo adjetivo, externo, agregado por causalidade a seu ser. Como é a imagem do mundo material na consciência, pode-se dizer que o homem é o que sabe. Sendo um processo (temporal), sua etapa mais alta é aquela na qual o homem sabe o que é. Empírico - com este qualificativo quer dizer-se que o saber, direta ou indiretamente, deriva da experiência. Recusa-se assim qualquer origem inata ou a priori para as ideias. O homem em seu trato multimilenar com a natureza e com os outros homens, na sociedade, vai criando suas ideias e descobrindo as leis de acordo com as quais estas se combinam de maneira verdadeira, válida (isto é, verificável pela experiência, pela prática social). Racional - o saber é o produto da capacidade racional do homem, de sua razão, que é a faculdade intelectual (exclusiva do ser humano), de criar ideias e de enlaçá-las por procedimentos lógicos (indutivos, dedutivos, analógicos), denominados raciocínios, que se submetem a um critério de verdade. O saber é por natureza lógico. Porém este atributo não deve ser tomado em sentido absoluto e sim como relativo à etapa do processo social em que vive o indivíduo que enuncia uma proposição. Histórico - sendo o saber a manifestação intelectual da consciência, tem a mesma historicidade intrínseca desta. Toda valoração do saber é um dado do próprio saber e por isso é válida unicamente para a fase histórica em que é anunciada. É o saber constituído em cada momento do tempo histórico que engendra os novos conhecimentos. Mas, como estes são as modificações (a negação) do conhecimento anterior, o saber é simultaneamente o saber (em sua positividade atual) e não-saber, como certeza presente de sua inexatidão ou falsidade futura, identificados ambos na mesma unidade.

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ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . assim. Reestruturação curricular: novos mapas culturais. o probabilismo. seria um primata do mais baixo nível. Fecundo .Não dogmático . “O homem é um ser plenamente biológico. Porto Alegre: Sulina. mais exato (que suprime.por isso o saber é antidogmático por natureza. e comporta normas e princípios de aquisição. 1996. sempre transformador da realidade.no sentido de que é sempre um conhecimento gerador de outro conhecimento. 103 Copyright © 2007. A cultura acumula em si o que é conservado. Tem que ser entendida em seu autêntico caráter dialético. o relativismo vulgar. aprendido. mas. Esta atitude não deve ser confundida com o ceticismo. argumentando criticamente seu posicionamento sobre esta afirmativa. SILVA.” Construa um texto de no mínimo uma lauda. O saber crítico é. e. Com isto. pois na essência de sua afirmação de si encontram-se a possibilidade e a necessidade de sua superação (por força de sua própria validez positiva) e a passagem a um conhecimento distinto. se não dispusesse plenamente da cultura. transmitido. mais alto. fica excluído o caráter contemplativo. porém incorpora o saber anterior enquanto etapa necessária de sua gênese). não prático do saber. novas perspectivas educacionais. ornamental. Luiz Eron da.

DE.AQUILES DO CONHECIMENTO A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja. ameaçado pelo erro e pela ilusão. comporta a interpretação. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída. pelo déficit de emoção. O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 1. O CALCANHAR. ao mesmo tempo tradução e reconstrução. porque o erro e a ilusão não se reconhecem. é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e. Marx e Engels enunciaram justamente em: A ideologia alemã que os homens sempre elaboraram falsas concepções de si próprios e do que fazem do mundo onde vivem. está sujeito ao erro. de teoria. sob forma da palavra. de sua visão do mundo e de seus princípios do conhecimento. Este conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. ou mesmo destruída. na visão do autor Edgar Morin. por conseguinte. o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor. e o reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil. de ideia. Mas Marx nem Engels escaparam destes erros. 104 Copyright © 2007. em algum grau. mas pode também fortalecê-lo. o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais. O conhecimento. A afetividade pode asfixiar o conhecimento.U NIDADE 22 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A tendência a projetar sobre o outro a causa do mal faz com que cada um minta para si próprio. do determinismo e do mecanicismo. sem detectar esta mentira da qual.A educação deve-se dedicar. à identificação da origem de erros. a subjetividade. o obscuro. Os erros mentais: Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção. o irracionalizável. dialoga com o real que lhe resiste. sabe que a mente humana não poderia ser onisciente. É não só crítica. a afetividade e a vida é irracional. Negocia com a irracionalidade. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica. o sono da vigília. subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente. o subjetivo do objetivo. aberta por natureza. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica. Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio. O racionalismo que ignora os seres. Os erros intelectuais: As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. mas autocrítica. Aos erros da razão: O que permite a distinção entre vigília e sonho. Reconhece-se a verdadeira racionalidade pela capacidade de identificar suas insuficiências. contudo. é o fruto do debate argumentado das ideias. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto. 105 Copyright © 2007. por conseguinte. que a realidade comporta mistério. A verdadeira racionalidade. imaginário e real. o imaginário do real. de amor e de arrependimento. é autor. ilusões e cegueiras. e não a propriedade de um sistema de ideias.

O imprinting é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido. 106 Copyright © 2007. a seleção sociológica e cultural das ideias raramente obedece é sua verdade. deveria ser relativizada e domesticada .As cegueiras paradigmáticas: Os indivíduos conhecem. depois prossegue na universidade ou na vida profissional. Um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou cegar. Devemos manter uma luta crucial contra as ideias. A rejeição de evidências em nome da evidência. POSSESSÃO. mas somente podemos fazê-lo com a ajuda das ideias. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro. ao contrário. pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles. primeiro com o selo da cultura familiar. ser implacável na busca da verdade. da escolar em seguida. nem imporá seu veredicto do modo autoritário. O imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Assim. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO As doutrinas e ideologias dominantes dispõem. Uma ideia ou teoria não deveria ser simplesmente instrumentalizada. da força imperativa que traz a evidência aos convencidos e da força coercitiva que suscita o medo inibidor nos outros. igualmente. revelar e ocultar. e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. A NOOLOGIA. Uma teoria deve ajudar a orientar estratégias cognitivas que são dirigidas por sujeitos humanos. pode.

aptas a se autoreformar. racionais. Para que o conhecimento seja pertinente. afetivo e racional. A contextualização é condição essencial da eficácia. psíquico. 2. Segundo Pascal Pensees é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo.O multidimensional. 107 Copyright © 2007. ou seja. O dever principal da educação é de armar cada um para o combate vital para a lucidez. o conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável. esta reforma é paradigmática e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo. unidades complexas. O global (as relações entre o todo e as partes). reflexivas. autocríticas. social. a educação deverá torná-lo evidente . já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento. é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias.O INESPERADO E quando o inesperado se manifesta. OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE DA PERTINÊNCIA NO CONHECIMENTO Para articular e organizar os conhecimentos e assim conhecer e reconhecer os problemas do mundo é necessário a reforma do pensamento. desenvolver nova geração de teorias abertas. Tão pouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. críticas. programática: é a questão fundamental da educação. A INCERTEZA DO CONHECIMENTO De qualquer forma. são multidimensionais dessa forma. como o ser humano ou a sociedade.(O contexto SAI) . Necessitamos civilizar nossas teorias. o ser humano é o ao mesmo tempo biológico. Entretanto. não.

Incapaz de considerar o contexto e o complexo planetário. de modo multidimensional e dentro da concepção global. ao contexto. de forma correlata. a inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. estimular o uso total da inteligência geral.Em consequência. maior é a incapacidade de pensar sua multimensionalidade. Ao mesmo tempo. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades. 108 Copyright © 2007. fundamentais e complexos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . assim como ao enfraquecimento da solidariedade. a educação deve promover a inteligência geral apta ao complexo. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade. quanto mais a crise progride. mais eles se tornam impensáveis. As mentes formadas pelas disciplinas perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes. OS PROBLEMAS ESSENCIAIS Quanto mais os problemas se tornam multidimensionais. mais os problemas se tornam planetários. do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos naturais. A falsa racionalidade O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico. mais progride a incapacidade de pensar a crise. produziu nova cegueira para os problemas globais. é preciso conjugá-las. assim como em todos os campos da técnica. a começar por parte dos cientistas. e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões. nem de análise pela síntese. técnicos e especialistas. A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e.

Os sete saberes necessários à educação do futuro. 109 Copyright © 2007. Edgar.São Paulo. 1999.MORIN. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Editora Cortez.

se não dispusesse plenamente da cultura. mas.. as artes. mas também a literatura. Como seres vivos deste Planeta. na visão do autor Edgar Morin. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 3-ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA Para a educação do futuro. O circuito cérebro/mente/cultura 110 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica.U NIDADE 23 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. transmitido. bem como integrar a contribuição inestimável das humanidades. dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas. A cultura acumula em si o que é conservado. dependemos vitalmente da biosfera terrestre. O HUMANO DO HUMANO Unidualidade O homem é um ser plenamente biológico. é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais. Continuamos nesta unidade nossas reflexões sobre os conhecimentos que todo educador (do futuro) necessita ter para melhor desempenho em suas atividades profissionais. a poesia. a fim de situar a condição humana no mundo. aprendido.. e comporta normas e princípios de aquisição. seria um primata do mais baixo nível. não somente a filosofia e a história.

de modo bipolarizado. pela técnica (Homo faber). traz em si o cosmo. Todo ser humano. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. tal como o ponto de um holograma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. que não existiria sem o cérebro. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas. O ser humano é complexo e traz em si. Todo ser. pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus). sua diversidade na unidade. mesmo aquele fechado na mais banal das vidas. em que cada um dos termos é necessário ao outro. 111 Copyright © 2007. Sapiens/demens O século XX deverá abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens). constitui ele próprio um cosmo. a multiplicidade do uno. A mente é o surgimento do cérebro que suscita a cultura. É preciso conceber a unidade do múltiplo. caracteres antagonistas:  sapiens e demens (sábio e louco)  faber e ludens (trabalhador e lúdico)  empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)  economicus e consumans (econômico e consumidor)  prosaicus e poeticus (prosaico e poético) Homo complexus Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. pelas atividades utilitárias (Homo economicus).Uma tríade em circuito entre cérebro/mente/cultura.

para a identidade e a consciência terrenas. No jogo contraditório dos possíveis 112 Copyright © 2007. fontes de inovação e de criação em todos os domínios. destinos. encontra-se no cerne dessa missão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . negros. O planeta não é um sistema global. possuem os mesmos caracteres fundamentais de humanidade. desprovido de centro organizador. que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo. as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade. E a educação. cuja dialógica cérebro/mente não está encerrada. pode-se então vislumbrar para o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora. A esperança Sendo verdade que o gênero humano. que deve trabalhar na era planetária. brancos vêm da mesma espécie. Mas ela levou à extraordinária diversidade de línguas. da Internet. mas um turbilhão em movimento. culturas. amarelos. índios. Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro. mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora. possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis. A ERA PLANETÁRIA A diáspora da humanidade não produziu nenhuma cisão genética: pigmeus.4-ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA Na era das telecomunicações. estamos submersos na complexidade do mundo. da informação.

dividir e comunicar como humanos do planeta Terra. pois. mas também sermos terrenos. 5-ENFRENTAR AS INCERTEZAS A INCERTEZA DO CONHECIMENTO. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas. entre arquipélagos de certezas. mas a condicionar. melhorar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a comunicar. mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis. 6-ENSINAR A COMPREENSÃO 113 Copyright © 2007. O conhecimento é. saibamos. com certeza. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver. não mais somente pertencer a uma cultura. e é por isso que o problema da reforma do pensamento tornou-se vital. vimos com frequência que o improvável se realiza mais do que o provável. Devemo-nos dedicar não só a dominar. a dividir. permanentemente. o risco de ilusões e de erro. a comungar. viver. esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável. Pode-se.Aquilo que porta o pior perigo traz também as melhores esperanças: é a própria mente humana. O desafio e a estratégia O inesperado torna-se possível e se realiza. A IDENTIDADE E A CONSCIÊNCIA TERRENA É necessário aprender a “estar aqui” no planeta. uma aventura incerta que comporta em si mesma. compreender. considerar ou calcular os efeitos em curto prazo de uma ação. então.e por meio de – culturas singulares. Precisamos doravante aprender a ser. é o que se aprende somente nas .

O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. 114 Copyright © 2007. abraçar junto. E. estrangeiro ou não. Por isso. por este motivo. pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem. A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. AS DUAS COMPREENSÕES Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. compreender. deve ser uma das finalidades da educação do futuro. estaremos no caminho da humanização das relações humanas. tapeação de si mesmo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . provocada pela autojustificação. O egocentrismo O egocentrismo cultiva a self-deception. Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. educar para a compreensão humana é outra. a causa de todos os males. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto. a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes egosociocêntricas do que contra seus sintomas. Etnocentrismo e sociocentrismo O etnocentrismo e o sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. Se soubermos compreender antes de condenar. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa.

a política de civilização. 115 Copyright © 2007. o desenvolvimento da antropo-ética. da solidariedade intelectual e moral da humanidade. e reforma do pensamento.COMPREENSÃO. exprime desejos e interesses. Dada a importância da educação para a compreensão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . por um lado. a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e da responsabilidade. o verdadeiro humanismo. 7-A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO O CIRCUITO INDIVÍDUO/SOCIEDADE: ENSINAR A DEMOCRACIA Na democracia. a antropo-ética. a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. por outro. HUMANIDADE COMO DESTINO PLANETÁRIO Sós e em conjunto com a política do homem. é responsável e solidário com sua cidade. ÉTICA E CULTURA PLANETÁRIAS A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a compreensão. o indivíduo é cidadão. O futuro da democracia A regeneração democrática supõe a regeneração do civismo. pessoa jurídica e responsável. o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades. ou seja. em todos os níveis educativos e em todas as idades. esta deve ser a tarefa da educação do futuro.

Tal abordagem é apontada sob “múltiplos usos” e/ou “múltiplas perspectivas” (Stephen Gould: 1990 apud Doll) do currículo bem como do papel – “força positiva” (Bruner & Postman. das ideias e dos participantes) como centro do currículo. ampla e indeterminada. exatamente. a orientação geral de onde eles partem (livros didáticos. autor da obra em estudo. usar o conceito de transformação (nesse caso específico dos materiais. advoga que um currículo construtivo emerge da ação e interação dos participantes. este processo de desenvolvimento do currículo via reflexão recursiva (consequências das ações passadas como a problemática das ações vindouras) que determina as atitudes. o currículo concomitantemente é limitado. Um sistema se autoorganiza quando há uma perturbação. Acrescenta propugnando que na medida em que é modelado à luz de uma matriz. organizações profissionais ou tradição passada) precisa ser também geral. Portanto. Prigogine. Doll. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . implica dizer que professores e alunos precisam ser livres. Esse mesmo autor segue argumentando que. encorajados. É. os valores e o senso de comunidades imprescindíveis à sociedade. processos. um problema ou uma alteração. O raciocínio exposto é sequenciado através do debate sobre a autoorganização. 116 Copyright © 2007.U NIDADE 24 Objetivo: Enfatizar a natureza construtiva e não linear de um currículo pós-moderno fundamentado nos pressupostos teóricos de Piaget. de fato. Dewey e Bruner. guias de currículo. obrigados a desenvolver seu próprio currículo numa interação conjunta uns com os outros. CONSTRUINDO UMA MATRIZ DE CURRÍCULO. cheio de focos que se interseccionam e uma rede relacionada de significados. 1949/1973 apud Doll) – que a perturbação desempenha para auxiliá-lo. departamentos de educação estadual. Na perspectiva de um estudo construtivista e não linear de um currículo pós-moderno.

ao diálogo. Àquela. precisa conhecer bem o material estudado e ter confiança pessoal suficiente para ser capaz de resolver. as questões de procedimento. Num currículo. metodologia e valores – permeados por um processo dialogal – são sempre decisões abrangendo os alunos. a primeira óptica. para William. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não um “ditador” de fora. Noutros termos. Na referida estrutura. desenvolver o novo papel explicitado é um desafio que os educadores e seus programas de educação necessitam enfrentar. assim transformativo e pós-moderno. numa estrutura situacional – “estado de coisa local” – o educador é um “líder de dentro” e. oportuniza dedicada atenção às possíveis “anomalias” e/ou “erros” no decorrer do processo mencionado anteriormente. Assim. “primeiro entre iguais”. interpretar. A suposição pós-moderna aduzida propugna o diálogo como condição sine qua non de todo o processo. Este desenvolvimento comum. significa que o docente deve dedicar tempo para dialogar seriamente com os discentes a respeito das ideias “deles” como “ideias deles”. professores. Afinal. haja vista que a transformação está indubitavelmente associada a ele. Nesse tocante. Em outras palavras. fica óbvio.Esta última óptica acentua que a perturbação só vai desencadear a autoorganização quando o meio ambiente for suficientemente rico e aberto para que múltiplos usos. interpretações e perspectivas entrem em cena. isto é. analisar o material aduzido e simultaneamente de brincar com este material de maneira imaginativa e sutil. desempenhar. que o controle e a autoridade são desenvolvidos internamente. é imperativo para que o ecletismo e o foco polissêmico predominantes no pós-modernismo sejam empregados criativamente. o papel do professor (autoridade) é definido a partir do “prima interpares”. costumes e tradições locais. ou seja. por sua vez. o aluno. 117 Copyright © 2007. no transcorrer do currículo.

pois é criativa consequentemente aberta/heurística e nos ajuda a ver o que não vemos) e a lógica (fechada/excludente nos auxilia a ver com mais evidência aquilo que já vemos). faz-se necessário numa construção de currículo à interação entre a metáfora (geradora de diálogo. Assim. vivenciar e avaliar objetivos. Na suposição apontada por Júnior – uma estrutura curricular que se apropria dos conceitos de autoorganização e transformação – os objetivos. um currículo fundamentado em infinitos padrões dentro de parâmetros estabelecidos é uma estrutura curricular cada vez mais rica. necessitamos aduzir as nossas lições de modo suficientemente narrativo para encorajar os nossos educandos a explorar conosco as possibilidades oriundas do diálogo com o texto. planos e propósitos. Nesse sistema são originados parâmetros ou limites e uma infinidade de relações dentro desses parâmetros. uma vez que a realidade é constituída por antíteses. Prosseguindo com a ideia de um currículo de cunhos pedagógico e epistemológico interativos. planos e propósitos não emergem apenas antes. desafia o leitor a interpretar. Nesse contexto dialogal. Em outros termos. uma história encoraja. Essa integração possibilita a vida ser experienciada e desenvolvida. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . inter-relações emergindo e sendo geradas. para o homem é de suma relevância determinar. interação num processo dinâmico de (re) construção.Para a viabilidade do que está sendo discutido. a iniciar uma comunicação com o texto. conforme discurso do próprio Doll. como docentes. 118 Copyright © 2007. Assim. Arraigada à movimentação supracitada está a suposição de um “sistema aberto/transformativo" por estar sempre em fluxo. é natural que se dê ênfase à capacidade que o ser humano tem de planejar intencionalmente. com mais focos. redes. mas também a partir da ação conforme argumentara Dewey – os planos surgem da ação e são alterados também através da ação.

cuja função é auxiliar o indivíduo através de críticas construtivas que possam contribuir para o desenvolvimento de poderes intelectuais e sociais. perturbações e possibilidades intrínsecas a um currículo que o torna rico e transformador. A Ciência – anexando à biológica e a física – pode ser encarada sob a óptica de hipóteses intuitivas. para que isso ocorra. os quatro “Rs” – Riqueza. indagadoras. é relevante acentuar que as principais disciplinas acadêmicas ministradas nas escolas possuem seus próprios contextos históricos. Nesse tocante. Isso implica dizer que são as problemáticas. escrita. mitos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Subjacente ao aspecto notabilizado está à avaliação interativa funcionando como um “feedback” do processo iterativo de fazer-criticar-fazer-criticar. “comprovadoras” referentes ao mundo em que vivemos. Riqueza – corresponde à profundidade do currículo. literatura e comunicação oral – exerce sua riqueza ao centrar-se intensamente (porém não de modo excludente) na interpretação de metáforas. concepções essenciais e vocabulários peculiares. Entretanto. Relações e Rigor. é preciso que sejam estabelecidas comunidades sociais dinâmicas. narrativas. cada uma delas interpretará a riqueza à luz de seu próprio prisma. a suas camadas de significado consequentemente a suas múltiplas possibilidades ou interpretações. Logo. Recursão. isto é. desenvolventes. A Matemática apropria-se de sua riqueza ao “brincar com padrões”. A Linguagem – incluso leitura. Alicerçados por essa comunidade destinada a ajudar todos os sujeitos por meio da crítica e do diálogo estão os critérios norteadores de um currículo de caráter transformador pósmodernista. Sendo assim. 119 Copyright © 2007. a linguagem está irrefutavelmente acoplada à cultura.

professores – observem. dar-se-ão através da dualidade pedagógica e cultural convergentes entre si.As Ciências Sociais – Antropologia. ou seja. por conseguinte dar sentido ao ensino ministrado. é oportuno notabilizar que o conceito de desenvolver riqueza via diálogo. Para tanto. a recursão tornar-se-ia vazia. Economia. Cada final é um novo início e cada início emerge de um final anterior conforme salientara Dewey. critiquem. os processos fazer e refletir-sobre-o fazer são prioritários nas intraconexões curriculares. interpretações. respondam àquilo que fora realizado por nós. tem como objetivo desenvolver a competência (capacidade de organizar. Por possuir uma estrutura aberta. nesse tangente. uma mera repetição. conectar os pensamentos. empregar as coisas de forma heurística). As relações pedagógicas consistem em relacionar o que está sendo ensinado com a realidade experimentada pelo educando. 120 Copyright © 2007. num currículo que respeita. valoriza e aplica a recursão não há início nem final fixo. Geografia e Sociologia – extraem sua concepção de riqueza do diálogo sobre ou da negociação de passagens entre diversas interpretações (muitas vezes concorrentes) das questões sociais. Relações – numa perspectiva pós-moderna de um currículo transformador. Portanto. é preciso que outros atores do processo – colegas. Sem essa ação reflexiva resultante do diálogo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Cabe à reflexão. “ocorrer novamente” do latim “recurrere” e vincula-se à raiz da palavra currículo (“currere”: correr). inquirir. geração e comprovação de hipóteses e do brincar com padrões pode ser aplicado sobre todos os aspectos de um currículo. Isto posto. Recursão – advém do termo “recorrer”. combinar. História.

Como professores. entre os nossos e os dos outros. relações. Essas se referem à contextualização cultural do ensino a partir do olhar local e global (interconexões) do mundo em que se está inserido. as tendências paralelamente discutidas (lógica escolástica. segundo Doll. em suma.Concomitantes às relações supracitadas estão às culturais. ele é a mescla dessa indeterminância subjacente com a interpretação (desenvolvimento das várias alternativas aduzidas pela indeterminância). conexões. o rigor significa procurar intencionalmente diferentes alternativas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Rigor – à medida que traz em seu bojo. Logo. observação científica e precisão matemática) com o interlocutor. desempenhamos o ato de ensinar quando auxiliamos os outros a negociar passagens entre seus construtos e os nossos. 121 Copyright © 2007. é o mais relevante dos quatro critérios exaustivamente (porém não esgotados) abarcados.

na maioria das vezes sem uma estrutura correta para acomodar tantos de uma só vez.U NIDADE 25 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em sala de aula. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. por falar muito alto. dizendo em toda a sala de aula. Normalmente só se presta atenção em alguém mais destacável. Jussara Hoffmann. Nesta unidade. criativo.demonstrando. Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar. Então o olhar avaliativo tem de percorrer toda a sala de uma só vez sem olhar ninguém em especial. que chama mais atenção por ser: Ativo. ou melhor. abordaremos reflexões sobre o livro: O jogo do contrário em avaliação de Jussara Hoffmann. um número mais como um indivíduo único. participativo. Especificamente. ou seja. o correto é olhar um por um e não como um conjunto. Segundo a autora deste pensamento. É muito difícil cuidar de várias crianças ou adolescentes de uma só vez. barulhento. A realidade escolar na verdade é basicamente composta de salas de aulas cheias com uma média de 30 a 40 alunos por classe e. vamos refletir sobre proposições pedagógicas de autores nacionais que apresentam uma perspectiva transformadora da realidade em relação ao processo de avaliar. por isso o cuidado ou atenção acaba sendo no coletivo e não no individual. 122 Copyright © 2007. enfim por chamar mais atenção no coletivo. respondão. Caro cursista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

“No Programa de Assessoria em Avaliação Educacional (PAAE) foi observado o uso da expressão “difícil”. A aprendizagem é bem ampla e deve abranger vários fatores para sua conquista definitiva. não somente o ensinamento tradicional. O estudo de casos constitui no acompanhamento intensivo. não somente o nome mais um pouco da vida em família ou enquanto cidadão. mas usar técnicas e formas diversificadas de ensinamentos para os alunos. Para o aluno aprender verdadeiramente deve haver afeto. O caminho da aprendizagem deve ser único e não coletivo feito de aluno para aluno. que trabalha com o aluno de difícil aprendizagem nas escolas. porque são tímidos e calados e quase nunca são notados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . atenção. Muitos alunos ficam anônimos porque não se destacam na multidão. para desenvolver novas práticas nas escolas. com o objetivo de estudar e debater temas atuais em avaliação. desta forma sobra muito pouco tempo para a avaliação relativa ao aluno individualmente. 123 Copyright © 2007. não nos alunos. casos difíceis” de compreender e de acompanhar em termos de seu desempenho na escola. O correto é saber um pouco sobre cada aluno. Universidades.Por causa da correria do dia a dia a avaliação acaba ficando prejudicada porque os professores têm muitos afazeres e “correm” todo o tempo para poder dar conta de suas responsabilidades pessoais e profissionais. carinho. mas muitas vezes não têm a oportunidade de avaliar ou tentar saber o quanto seu aluno realmente aprendeu em tudo que lhe foi ensinado. Os professores ensinam seus conteúdos. mas as dificuldades sentidas por parte dos professores do programa. Este programa de educação era destinado a Educação Infantil.

 Aprendendo tomar decisões sobre diversos assuntos. onde houve muita troca de pedidos de auxílio em casos diversos onde receberam sugestões de vários tipos. AVALIAÇÃO MEDIADORA EM TRÊS TEMPOS. pais e alunos. muitos debates com apresentações de diversos casos. com aulas teóricas. as diferenças. porém se valorizou as opiniões. mais falantes. pois em pouco tempo. Ensinando técnicas para diversos pontos em seu plano profissional:  Conselho de Classe. Procuraram fazer um processo de individualidade com cada professor ou cada Instituição. a criatividade. Os estudos avaliativos foram divididos em três etapas:  Tempo de admiração dos alunos. tempo para cada profissional do grupo em particular.  Interação com colegas de trabalho. puderem tornar: alunos alfabetizados.  Tempo de reflexão sobre suas tarefas e manifestações de aprendizagem. As diferenças são enormes mesmo com relação a grupos de um mesmo grupo ou escola. Foram feitos vários estudos com algumas etapas com uma duração média de um mês. 124 Copyright © 2007. menos agitados e mais felizes. Demonstrando respeito e dedicando.  Tempo de reconstrução das práticas avaliativas e/ou de invenção de estratégias pedagógicas para promover melhores oportunidades de aprendizagem. confiantes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Todos os professores se juntaram buscando respostas em comum com os colegas em vários casos. através de exemplos a realidade de cada professor/aprendiz.Os estudos de casos se tornaram positivos. a espontaneidade.

Muitos profissionais demonstraram dinamismo e puderam se soltar mais desta forma fazendo valer a intenção dos “Programas de Assessoria” para estes profissionais. A admiração do professor para com seus alunos ou vice-versa, se inicia a partir de que se comece a conhecer o aluno, com os professores de anos anteriores e da análise das tarefas de seus alunos. O tempo de admiração não é em apenas uma semana de aulas, mais sim com o passar do tempo e da amizade que criarem com o passar do tempo. O educador deve ficar sempre atento à vida de seu aluno, em casa e com a família, para captar experiências já vividas, para projetar o futuro das ações pedagógicas, para saber as dimensões em que se deve desafiar, para avançar em todas as áreas do saber. E claro sabendo respeitar o tempo de cada um em separado, de acordo com suas dificuldades e deficiências. A observação em avaliação consiste em compreender cada aluno em separado. Através de um olhar, de sua história de vida, de suas possibilidades e vontades. Muitas vezes o fracasso escolar parece ter explicação, mas para que explicar se não entende ou compreende o motivo real. Muitas questões relativas ao fracasso podem ser vistas e analisadas na própria sala de aula. Antes de tentar compreender ou explicar é preciso respeitar e aceitar as várias diferenças e culturas. Muitas pessoas culpam as outras mesmo sem antes pensar de quem é a culpa por determinado fato sem mesmo pensar como seria tal atenção se nos colocarmos no mesmo lugar do próximo. Não é correto julgar o não aprender com a falta ou necessidade diversa, inclusive financeira, mesmo se forem oferecidas condições iguais ou semelhantes de aprendizagem para todos os alunos em comum, por igual.
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O aprendizado do aluno pressupõe-se em: A atenção e a presença do educador, a concentração que inclui a escuta é o silêncio e ruídos na comunicação. A entrega ao outro, estar aberto a ouvi-lo, partindo de suas hipóteses, de seu pensar, adequando o seu ritmo ao do professor. A escuta da aprendizagem em sua história, o que significa o professor estudar a si próprio. O tempo de admiração dos alunos, através de uma visão mais ampla, sobre sua história e sobre seu jeito de aprender. O olhar estudioso, curioso, pesquisador, selecionar os dados, ordenar, classificar e comparar. A qualidade das reflexões concorreu fortemente ao fato destes estudos serem compartilhados por professores de diferentes escolas, estudando sobre alunos de diferentes séries e idades, independente de serem da rede pública ou privada; Para se compreender o aluno ou suas dificuldades antes de tudo é necessário diálogo com:  O aluno;  A família;  Antigos professores;  Outros profissionais, que o cercam no ambiente escolar; Esta realidade deve ser vivenciada diariamente e não às vezes, devendo ser constante. Os professores devem trocar experiências e informações pertinentes a cada aluno em especial. Devendo criar espaços e tempos disponíveis para a troca entre os profissionais. O caminho é e sempre será o diálogo entre todos os envolvidos desta forma, pode ser esperado um retorno nas avaliações educacionais. E porque não fazendo fazer dinâmica envolvendo professores e alunos, uma maior interação, uma maior vivência, entre todos, fazendo de uma forma menos formal.

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O novo pode assustar no início, mas também motiva principalmente quando se trata de diversão ligada à educação, mudando um pouco o tradicional de todos os dias. O olhar avaliativo é por natureza complexo e multidimensional, caracterizado por interpretações de diferentes intensidades (qualidades), sobre as diversas dimensões de aprendizagem do aluno, que se realizam a partir da educação, da sociedade. O julgamento de cada avaliador é sempre complexo e subjetivo porque variam de acordo com seus conceitos. A multiplicidade de perguntas pode fazer a diferença, tanto no sentido da palavra do educador, ou no sentido da escrita, com relação à avaliação. Com relação ao conceito relativo à multidimensões não existem dados objetivos que levem à certeza de nada, mas há o compromisso com a ética, para a formação do aluno, com respeito e dignidade. Sempre observar as atividades dos alunos, de preferência durante sua realização, dialogar com o aluno durante sua estada na escola ou na sala de aula. Durante a observação alguns tópicos foram constatados:  O aluno com relação ao contexto sociocultural e a sua própria história de vida:  Convivência familiar, investigação de toda sua vida enquanto ser humano, sua religiosidade, profissão, entre outros; Ao Cenário educativo: Localização da escola, relação para com os outros, interação com os colegas, professores e demais profissionais da escola, disponibilidade de aprendizagem, locais adequados para um bom estudo e aprendizado como: bibliotecas e salas de informática.

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passado e o futuro de cada um individualmente.Currículo em desenvolvimento: Os objetivos traçados por cada aluno. para que seu aprendizado seja bem significativo no momento atual. porque todos são de grande importância para a vida escolar do aluno. inclusive necessários para a avaliação educacional do aluno. afetividade para com cada um. na atual escola e em outras. projetos almejados e principalmente a área de interesse do aluno. O correto é se basear em todos os tópicos e não em um específico. procurando entender as necessidades e dificuldades de cada aluno em especial. conteúdos estudados por cada um. as respostas para as dificuldades não são percebidas de imediato. Porém a autora “Jussara Hoffmann” acredita que a escola deve viver o presente. Qualquer detalhe despercebido tem sua importância e pode prejudicar a avaliação daquele aluno. Procurando juntar e entender o presente. 128 Copyright © 2007. principalmente os sonhos e sofrimentos diários de cada aluno. As questões de aprendizagem: Observar o histórico escolar do aluno. já frequentadas por ele. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Através de um diálogo e uma boa observação o professor pode interpretar ou orientar melhor seu aluno. tentando dar um significado a tudo o que vê e observa. Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar O professor deve prestar atenção nas atividades do aluno. pois muitas vezes seu mau desempenho pode ser proveniente de algum problema. poderá avaliar o aluno ou mesmo definir ou decidir o que é importante ensinar ao aluno. na família ou mesmo no próprio ambiente escolar. agitação. Também saber interpretar e observar em várias direções. É preciso ter clareza de que as atividades dos alunos são de dimensões diferentes para se realizar um trabalho eticamente responsável: á agressividades. olhando os diversos pontos de vista. por querer olhar mais profundamente. Os objetivos de conhecimento e de investigação permanente do professor.demonstrando. Subjetivo: Porque só se entende ou se vê quando o outro entra em contato com você ou entra em sintonia com outra pessoa. detectando suas dificuldades.U NIDADE 26 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em salas de aula. Fazer uma boa observação pode auxiliar na melhor forma de ajudar o aluno da melhor maneira de ensinar de facilitar o aprendizado. torna o olhar mais rigoroso. ausência e outras diversas questões não justificam problemas de aprendizagem. Há não ser o professor ninguém. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. O professor deve observar mais também desvendar é saber lidar com suas limitações e dificuldades. Fazer com que o aluno mostre 129 Copyright © 2007.

Despertando o interesse em aprender mais e mais. reage positivamente à atenção diferenciada. A escola deve promover o conhecimento no aluno. adquirindo responsabilidades e demonstre potencialidades próprias de cada um. pelo simples prazer da curiosidade. sem falar ou mesmo. reaja. revelando um maior comprometimento com suas tarefas e seus avanços. independente da idade. O problema do desenvolvimento do aluno na escola vem do motivo pelo qual não se desperta o interesse na consciência do mesmo. fazer uma abordagem com os alunos os instruindo a escrever. quando se destacam em estar à procura de algo novo. Promover o entendimento para com as diferenças de cada aluno: de ideias. partindo de alguma motivação. Procurar uma interação juntamente com seus alunos para melhor observar. expressar sentimentos diversos e demonstrar suas diferenças. Observar a realização das tarefas do aluno é de extrema importância para a avaliação e o aprendizado. A criança e o jovem estão se autoavaliando. abrindo espaço para um diálogo aberto a todos os alunos. Procurar olhar com olhos mais atentos e não se deixar influenciar por uma primeira impressão. quando procuram a ajuda do professor. A autoavaliação é a tomada de consciência do aluno sobre o processo de aprendizagem. sempre lembrando de observar e dialogar com o aluno mesmo que de longe.e revele seus sentidos os ensinando a reagir. fazendo com que ele reflita. sentimentos. interferir. tomar consciência de seus limites e poder aprender mais e mais sempre. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . raça. sobre o aprender e sobre suas participações nas atividades escolares. mas agir de forma a compreendê-lo. que lhe foi dada pelo professor. mudando rapidamente de atitude. demonstrando mais afeto por quem lhes dedicou cuidados e respeito. expressão. O aluno quando está sendo cuidado. 130 Copyright © 2007.

Se necessário fazendo encaminhamentos pedagógicos e psicológicos para o auxílio do aluno em suas dificuldades. financeiros. sem ação. discutir as dificuldades e traçar medidas pedagógicas adequadas a cada perfil do aluno. sem criatividade. O conselho de classe é um momento de compartilhar experiências e vivências. É sempre necessário que se tenha um mediador. por motivos familiares. se procurar observar pode perceber que pode haver algo por trás de tudo. problemas emocionais envolvendo o aluno perante a sociedade em que está inserido. trocando pontos de vista entre todos os professores ligados a cada aluno analisado. Porém questões relacionadas a atitudes de alunos não explicam as questões de aprendizagem. podendo haver outros fatores. diferentes evitando desavenças e confusões desnecessárias. por causa de tráficos. devendo ser bem usado para a solução de problemas. Usar o conselho para compartilhar casos isolados ou de grupos de alunos. sem atenção. mas nunca antes notada pelo profissional. Durante um conselho de classe que se deve. Nunca desistir de um aluno por achá-lo difícil. trocar ideias e dar sugestões sobre determinado aluno. 131 Copyright © 2007. Priorizar ao aluno ou a turma de maior necessidade analisando seu caso em particular e também uma análise grupal sobre seus trabalhos realizados em sala. Analisar cada perfil em separado visando sua convivência familiar.Se um professor tentar entender ou procurar conversar com seu aluno ou mesmo parar para observar mais de perto pode descobrir muito sobre ele inclusive como sanar algumas dificuldades demonstradas pelo aluno. para que se assegure a cordialidade diante de opiniões diversas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sejam quais forem principalmente pedagógicos. Muitas crianças e jovens estão fora das escolas.

ou mesmo por não conseguir se desenvolver na aprendizagem. onde caso necessário possam fazer um acompanhamento do aluno. extrapolem ou mesmo que com exagerada repressão.  entre outros que possam se encaminhar à escola para um acompanhamento com os alunos e porque não com os profissionais da escola. antes de julgá-lo sem conhecimento prévio.  Psicopedagogos. por sua roupa. Antes de encaminhá-lo para uma ajuda médica. obviamente mediante uma certeza de haver um problema. As escolas precisam contar com ajuda médica de diversos tipos de especialistas como:  Psiquiatras.Os arquivos são de grande importância para a observação de caso por caso. antes de se julgar devemos procurar o motivo ou causa do problema. 132 Copyright © 2007. todas as escolas devem contar com profissionais qualificados para auxiliar ou analisar em tomada de decisões. onde sempre se pode recorrer para colher frutos ou mesmo buscar ideias pedagógicas para uma melhor forma de agir em sala de aula. O aluno não deve ser julgado por algum ato que tenha cometido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Não julgar sem antes investigar. já o julgando doente sem saber antes o motivo real de tal mau comportamento. A escola tem de estar sempre de acordo com normas que não excedam. que acaba sendo um grande fator que possa desencadear o desenvolvimento moral de crianças e jovens.  Fonoaudiólogos. É importante que as escolas possam contar com profissionais adequados.

Jussara Hoffman 133 Copyright © 2007. O jogo do contrário em avaliação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tudo na quantidade certa para não extrapolar com seu aluno e desta forma podendo moldar seu caráter e desenvolvimento. Quem melhor do que o professor para ajudar o aluno da melhor maneira possível. mas sem exageros ou excessos ou mesmo sem regras. para no futuro fazer ou auxiliar para que se torne um adulto responsável. honesto e porque não essencial para outras pessoas.Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez. Luckesi.Limite é bom e necessário. 1998.

pelo menos num primeiro momento. de modo geral. sem vieses. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . reflexão.U NIDADE 27 Objetivo: Identificar os pressupostos que permitam uma avaliação da aprendizagem que ignore as metas e os programas para analisar os resultados sem os vieses. as 134 Copyright © 2007. as ações. porém não é único. por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor nos quais se definam objetivamente as finalidades. é necessário reconhecer que as práticas rotineiras para ela muitas vezes são utilizadas como atos de uso e abuso de poder e. as condições de realização. Outros autores consideram que é vantajoso que o professor avaliador. o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo realmente alcançados. é imprescindível discutir ideias sobre a construção de uma avaliação democrática. contribuem para que o fracasso escolar seja encarado como fracasso pessoal do aluno. Sem informação não é possível promover participação. Esse posicionamento. É preciso implementar práticas em que os alunos participem efetivamente dos processos avaliativos. que respeite o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los e de serem orientados e ajudados em suas dificuldades. compreensão de erros e êxitos e também não é possível garantir que os alunos assumam responsabilidades perante a própria aprendizagem e sintam-se estimulados a progredir. Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor. ignore as metas do programa para analisar os resultados da avaliação tais como eles se apresentam. Ao se analisar a questão da avaliação. de acordo com as propostas curriculares os planos de ensino. Assim. Por que avaliação? Para muitos autores.

há certo consenso em relação a sua relevância e à compreensão de seus aspectos mais importantes. por outro lado também se sabe que é por meio dela que se revelam as incoerências pedagógicas. 135 Copyright © 2007. Quanto a isso. e que os alunos perceberam como mais importantes. que seguramente foram promovidos de forma significativa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . duas questões merecem destaque: Qual o papel da avaliação num processo de implementação curricular que toma como ponto de partida o desenvolvimento de capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania e colocam em relevância o contexto social em que se produz a aprendizagem dos alunos? A avaliação como elemento integrante de uma proposta curricular e a tomada de decisões direcionadas para o aprimoramento das aprendizagens dos alunos são questões-chave para quem ensina e aprende.responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. em que o aluno reestrutura seu conhecimento por meio das atividades que lhe são propostas. Portanto. a saber:  Considerar a aprendizagem um amplo processo. Embora ainda não seja amplamente praticada. a prática pedagógica efetivamente exercida e a avaliação praticada são atividades inseparáveis que se condicionam mutuamente. A avaliação praticada põe a descoberto o chamado currículo oculto dos professores e é por seu intermédio que se reconhecem facilmente os objetivos implícitos. Se por um lado sabe-se que mudanças na definição de objetivos. na maneira de conceber a aprendizagem.  Buscar estratégias e sequências didáticas adequadas às condições de aprendizagem dos alunos. na interpretação e na abordagem dos conteúdos implicam repensar as finalidades da avaliação. no plano das representações. a avaliação formativa está muito difundida e.

 Evidenciar aspectos de êxito nas aprendizagens. descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal.  Considerar os erros como objetos de estudo. A construção do conhecimento supõe a superação dos erros. compreender como ele aprende identificar suas representações mentais e as estratégias que utiliza para resolver uma situação de aprendizagem. Explique que papel ela deve representar e exponha.  Diagnosticar as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las. excludente e punitivo. uma vez que eles revelam as representações e estratégias dos alunos.  Interpretar os erros não como deficiências pessoais. Ampliar os conhecimentos do professor sobre os aspectos cognitivos do aluno. 136 Copyright © 2007. por um processo sucessivo de revisões críticas. Se a educação é um direito de todos. a avaliação não pode ter um papel classificatório. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas como manifestação de um processo de construção.

decidir sobre a intervenção adequada para superar determinadas dificuldades dos alunos. como por exemplo: identificar as causas que provocam erros na aprendizagem. A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular Influenciados por essas ideias os professores têm tentado. e também supor os contextos heterogêneos em que ocorrem as aprendizagens. realizar a avaliação formativa em classes numerosas ou quando o professor atua em várias turmas. Assim. Isso implica buscar informações para compreender como cada aluno atua diante das tarefas propostas e possibilitar os meios de formação que respondam adequadamente às características particulares desses alunos. uma vez que ela pressupõe uma grande quantidade de decisões a serem tomadas. 137 Copyright © 2007. é preciso inicialmente considerar que a avaliação não pode ser um processo de responsabilidade única do professor. portanto. modificar suas práticas de avaliação. incorporar outros aspectos que permitam ao professor compartilhar a avaliação e poder praticá-la com a função de regular o processo de ensino e aprendizagem. Enfim. sem recorrer a provas e testes. ainda que em tímidas experiências. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . reforçam êxitos nas aprendizagens. buscam com mais frequência adaptar as programações em função de resultados de diagnósticos iniciais.U NIDADE 28 Objetivo: Analisar os objetivos que embasam avaliação para o desenvolvimento das capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania. Porém. procuram identificar os conhecimentos iniciais dos alunos. Para avançar no sentido de encontrar respostas para essas questões. É preciso. em distintas singularidades de cada situação didática que se avalia. essas experiências também têm representado dificuldades de ordens diversas e bastante complexas para os professores. procuram observar não só os resultados. mas também os processos de aprendizagem. detectam erros e dificuldades. dispor de tempo e instrumentos apropriados para recolher informações etc.

as demandas do professor. influenciada tanto pelas características pessoais – esquemas de pensamento. ideias prévias.Pensar a avaliação como função reguladora da aprendizagem significa levar em conta que:  A aprendizagem se concebe como uma construção pessoal do sujeito que aprende. os alunos nem sempre percebem. da mesma maneira. A aprendizagem pode ser favorecida se os alunos se apropriarem progressivamente. – como pelo contexto social em que ela se desenvolve. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Eles direcionam o professor a buscar alternativas didáticas que auxiliem o aluno a aprender a aprender. mediante estratégias e instrumentos de autoavaliação que propiciem a construção de um sistema pessoal para regular seus processos de aprendizagem. 138 Copyright © 2007. Esses novos aspectos imprimem um caráter comunicativo e abrem novas perspectivas para a avaliação. por meio de situações didáticas adequadas. experiências anteriores etc. Um exemplo: têm se multiplicado. dos instrumentos e critérios de avaliação do professor. é necessário promover processos de negociação que lhes permitam compartilhar as mesmas ideias sobre os objetivos a serem atingidos. uma vez que propõem a interação e a gestão social da aula e possibilitam o compartilhamento de responsabilidades sobre a aprendizagem. nos últimos anos.  A autonomia dos alunos é promovida quando o professor compartilha com eles o controle e a responsabilidade sobre suas aprendizagens. Em função de distintos esquemas de conhecimento e contextos culturais.  O êxito na aprendizagem também é garantido pelas mediações que se produzem entre o aluno e o professor e entre um aluno e os demais. Por isso. que podem servir também como um interessante modo de fazer registros a serem utilizados na avaliação e contribuir ainda para que cada professor faça sua autoavaliação. motivação. as investigações sobre o uso de portfólios.

a multiplicidade do uno. 139 Copyright © 2007. É preciso conceber a unidade do múltiplo. sua diversidade na unidade.” Discuta com seus companheiros. o que você entendeu sobre esta afirmativa de Edgar Morin.“Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

quando o governo brasileiro criou um órgão específico para legislar sobre a política do livro didático. para conhecimentos dos estados e municípios. Em caso de desconformidade. com a finalidade de prover as escolas das redes federal. Os resultados do processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União. Atualmente. municipais e do distrito federal é feita com base no censo escolar realizado anualmente pelo o Instituto de Estudos a Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inepe/MEC) que serve de parâmetro para todas as ações do FNDE. centrando estudos norteadores para a seleção. o Instituto Nacional do Livro (INL). A partir de 2003. essa política está consubstanciada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). O Livro Didático Desde 1929. A definição do qualitativo de exemplares ser adquirido para as escolas estaduais. inclusive para o livro didático. a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando. municipais e do Distrito Federal com obras didáticas e paradidáticas e dicionários de qualidade. os estados e municípios podem solicitar alterações desde que devidamente comprovada à ocorrência do erro. as escolas de educação especial pública e as instituições privadas definidas pelo o censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram incluídas no programa.U NIDADE 29 Objetivo: Desenvolver estudos voltados para a escolha de livros didáticos mais qualificados em sala de aula. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O PNLD distribui gratuitamente obras didáticas para todos os alunos das oito séries da rede pública de ensino fundamental. estaduais. 140 Copyright © 2007.

o valor previsto no orçamento é de R$ 679. Até o PNLD 2006.  Distribuição. não se admitindo mais o repasse de recursos financeiros para que o próprio Estado realize as aquisições. mediante repasse de recursos do governo federal. via convênio firmado com FNDE.  Qualidade física. São Paulo foi o único cotado no PNLD 2005 e 2006 optou pela descentralização). o investimento foi de R$ 563.  Ampliação: O FNDE ampliou sua área de atuação e passou a distribuir: o Dicionários o Livros em Braille o Livros para a educação especial 141 Copyright © 2007.  Período de utilização.O PNLD é mantido pelo FNDE com recursos financeiros do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação. o FNDE executa o programa de forma centralizada para todas as UFs. A seguir. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Escolha. Atualmente. as principais ações da execução centralizada:  Inscrição das editoras.  Guia do livro. Em 2007.  Alternância.  Pedido.9 milhões.7 milhões.  Avaliação. Em 2006. admitiam-se duas formas de execução: a centralizada (com as ações integralmente a cargo do FNDE) e a descentralizada (ações desenvolvidas pelas Unidades de Federação.  Aquisição.  Produção.

Os livros do PNLD devem ser utilizados pelos os estudantes três anos consecutivos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 142 Copyright © 2007. para repor os que não foram devolvidos ou que estejam sem condição de uso. as escolas das redes públicas podem verificar a disponibilidade dos livros nas unidades educacionais mais próximas e registrar possíveis sobras em sua instituição. mais 13% do total inicial de livros. O início do processo se dá com a avaliação física e de conteúdo das obras apresentadas pelos autores e editoras. a encontrarem obras para remanejamento.o Livros para o ensino médio SISCORT O sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort) no site eletrônico do FNDE. A falta de conservação e a não devolução das obras levam o FNDE a adquirir. E também pela escolha dos professores. passa pela elaboração e distribuição do Guia do Livro Didático. CONSERVAÇÃO DE LIVROS Embora o Siscort seja um instrumento valioso para auxiliar as escolas e as secretarias de Educação. continua com a negociação com as editoras. a cada ano. até chegar ao condicionamento dos livros em suportes de madeira (paletes) nos postos avançados dos Correios instalados dentro das editoras. ele não resolve o problema de falta de livros por má conservação ou pela não devolução das obras pelos os estudantes no final do ano. GERENCIAMENTO O gerenciamento logístico é um dos procedimentos mais importantes no processo de distribuição dos livros didáticos e acervos.

2 bilhões. matriculados em cerca de 163. o FNDE adquiriu cerca de 519 mil acervos. o PNLD investiu R$ 34. DADOS ESTATÍSTICOS Entre 1994 e 2005.  Guias de livros didáticos PNLD no respectivo ano de 2007. os Correios entregam os livros didáticos diretamente às escolas públicas urbanas.  Cronograma de atendimento. distribuídos para uma média anual de 30. Para isso.  Guias de livros didáticos e editoras. 143 Copyright © 2007.7 mil escolas públicas do ensino fundamental. por sua vez. devem entregá-los aos estabelecimentos de ensino antes no início do ano letivo.7 mil escolas.  Inscrição e cadastramento. cada um com 9 dicionários. CONSULTAS  Acompanhamento da distribuição.8 milhões de alunos.  Editais.294 acervos com 7 exemplares paras as salas se aula de alunos de 5ª a 8ª série. que serão utilizados coletivamente pelos alunos de 1ª a 4ª série em cada sala de aula e 247. Nesse período. beneficiando mais de 29. Já os acervos destinados às escolas rurais são entregues nas secretarias municipais de educação ou nas prefeituras que.8 milhões de alunos. do ano respectivo de 2007. 077 bilhão de unidades de livros.DISTRIBUIÇÃO De acordo com a estratégia de distribuição. um total de 1. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o PNLD adquiriu. Pelo PNLD 2006 dicionários serão atendidos mais de 764 mil salas de aula de quase 174. para a utilização nos anos letivos de 1995 a 2006.

fnde.  Resolução n 38.  Resolução nº 14.  Resolução nº 32. de 20/05/2003 – Avaliação pedagógica das obras.jsp?arquivo=livro_didatico. de 11/07/2003.br 144 Copyright © 2007.  Resolução nº 24.  Resolução nº 30. de 01/10/2003 – Aplicação de penalidades. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE Tel: (61) 3966/49/19 ou 3966/49/15 http://www.Livros em Braille. CONTATOS 0800-616161 – Central de Atendimento ao cidadão (ligação gratuita). Seção 1.br/home/index.  Portaria Ministerial nº. 15 de dezembro de 2004. de 24/08/2004 – Ensino fundamental e educação Especial.  Resolução n 05.  Resolução Nº 34. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de 23/03/2003 – Controle de qualidade.963 de 29/08/2005 – dispõe sobre as normas de conduta para o processo de execução dos Programas do Livro.gov. de 14/12/2044 – Dispõe sobre a aquisição de dicionários de Língua Portuguesa para o PNLD/2006.LEGISLAÇÃO  Diário Oficial da União. 21/02/2005 – Vida útil dos livros.  Resolução nº 40.html) Email: cac@fnde. de 15/10/2003 – Ensino Médio. 2. de 01/10/2003 – Multas contratuais.gov.  Resolução nº 03. de 18/06/2004 – Reserva técnica. página 98.  Resolução nº 55.

excludente e punitivo. 145 Copyright © 2007.Se a educação é um direito de todos. a avaliação não pode ter um papel classificatório. Explique qual o papel ela deve representar descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

estampas etc. as quais apresentam as 146 Copyright © 2007. ao estudar o Módulo “Concepções Educacionais e Currículo. que se constitui em mais um instrumento de avaliação e também como uma forma de desmistificar a avaliação da aprendizagem no ensino de jovens e adultos. que já sabemos têm muita informação e conhecimento. às concepções que norteiam a prática educativa. desenhos. de modo a ser apreciado por especialistas e professores.U NIDADE 30 Objetivo: Trabalhar a avaliação da aprendizagem de forma dinâmica e criativa . Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada. 1612). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .". Bom.” nós revisitamos desde a trajetória histórica do currículo passando por grandes expoentes educacionais. o portfólio é uma pasta grande e fina na qual os artistas e os fotógrafos iniciantes colocam amostras de suas produções. possibilitando aos alunos efetiva e crítica participação no ensino e aprendizagem. o portfólio é uma coleção de suas produções. Vejamos: O que é um portifólio? O portfólio é um dos procedimentos de avaliação condizentes com a avaliação formativa. Essa rica fonte de informação permite aos críticos e aos próprios artistas iniciantes compreender o processo em desenvolvimento e oferecer sugestões que encorajem sua continuidade. uma delas é a sua construção pelo aluno. Porta-fólio ou portfólio. o portfólio apresenta várias possibilidades. é uma "pasta de cartão usada para guardar papéis. segundo Ferreira (1999. Originariamente. Nesse caso. as quais apresentam a qualidade e a abrangência do seu trabalho. Em educação. Agora vamos discutir informações sobre o Portfólio. caro cursista! Você percebeu que. p.

situações. Percebe-se que o portfólio é mais do que uma coleção de trabalhos do aluno. as linhas básicas para a seleção. inerente ao ser humano. É organizado por ele. que se revela de múltiplas formas no cotidiano. 36) Esse entendimento inclui três ideias básicas: a avaliação é um processo em desenvolvimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . As pessoas expressam um caráter eminentemente avaliativo sobre objetos. em conjunto. para que. 147 Copyright © 2007. 2001. p. Pois eles são participantes ativos da avaliação. O portfólio é um procedimento de avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso. e evidência de autoreflexão pelo aluno. progresso ou desempenho em uma determinada área. Não é uma pasta onde se arquivam textos. fatos e sobre si mesmas.. 207). a reflexão pelo aluno sobre sua aprendizagem. A compreensão individual do que constitui qualidade em um determinado contexto e dos processos de aprendizagem envolvidos é desenvolvida pelos alunos desde o início de suas experiências escolares. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio. Esses juízos se apresentam impregnados de (pré) conceitos e valores acerca da sociedade e do mundo que os cercam. Os autores Arter e Spandel (1992) entendem o portfólio como: [.] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços. (p.. A seleção dos trabalhos a serem incluídos é feita por meio de autoavaliação crítica e cuidadosa. os alunos são participantes ativos desse processo. que envolve o julgamento da qualidade da produção e das estratégias de aprendizagem utilizadas. Avaliação desmistificada A avaliação tem como característica ser uma tarefa.evidências de sua aprendizagem. possam acompanhar o seu progresso (VILLAS BOAS. os critérios para julgamento do mérito. com orientação do professor. selecionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-Ias no portfólio.

trazendo em sua caracterização as marcas do tempo histórico. marcadas pela exigência legal da certificação. denominado avaliação formativa. é contínua a existência de representações inibidoras que atrelam a ação avaliativa às perspectivas meramente burocráticas. Historicamente. desde os seus primórdios. Entretanto. pois transcende determinações historicamente validadas que concebem o ato de avaliar atrelado diretamente ao ato de medir. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o termo avaliação assume como característica essencial à função de medir e quantificar. exige deixar de lado as representações centradas na certificação e compreender o ato de avaliar como um instrumento de reflexão e suporte para aqueles que constroem o cotidiano da educação. métodos e instrumentos. A obra do filósofo francês Charles Hadji. especialmente. ressaltando o valor da objetividade por meio de técnicas.A avaliação da aprendizagem como fenômeno educacional apresenta-se como área específica de conhecimento. que objetiva ser um instrumento auxiliar da aprendizagem. O repensar da prática de avaliar a aprendizagem na educação. o percurso de concepções filosóficas a partir de diferentes visões de mundo. pela seletividade. exige dos educadores uma reflexão 148 Copyright © 2007. possibilitando a prática de uma forma de avaliar que ultrapassa o encarceramento da quantificação. A realização do modelo de avaliação formativa exige do educador uma compreensão das formas de avaliação e uma reflexão sobre os propósitos e os obstáculos calcados no ato de avaliar. da quantificação do saber por meio de notas e. no contexto da avaliação formativa. evidentemente. Avaliação desmistificada contribui significativamente para o avanço do conhecimento sobre a avaliação. de homem e de sociedade. O autor destaca outro modelo. Essa situação.

além de possibilitar melhores formas de intervenção. os educadores e demais profissionais envolvidos com a tarefa de avaliar são convidados a incluir em suas reflexões o real significado do princípio que coloca a avaliação (desmistificada) a serviço da aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da sociedade e da transformação do sistema social.continuada e sistemática. Apresenta um esforço teórico na direção da implementação de proposições. Nesse sentido. na tentativa de colocar a avaliação como elemento ativo do processo de aprendizagem. Aqui o autor explora e resguarda a íntima relação da teoria com a ação. do desenvolvimento dos indivíduos e. Nesse modelo. a teorização sobre a avaliação formativa pode ser percebida. portanto. denominada Compreender. compreendendo que a prática da avaliação depende da significação empreendida ao ato de ensinar. no âmbito educacional como um conjunto de contribuições que podem sinalizar para o aprimoramento do conhecimento sobre essas realidades. permeado pela 149 Copyright © 2007. denominada Agir. capaz de contribuir para o enfretamento das indagações e o desvelamento dos condicionamentos e determinantes da prática pedagógica cotidiana. Na primeira parte da obra. ressaltando que a ausência da primeira pode levar a um imobilismo pedagógico. No eixo motriz dessa análise. delineia as dimensões teóricas da avaliação de forma mais concreta e contextualiza formas de aplicabilidade por meio do Guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa (p. a avaliação é compreendida como um instrumento pedagógico a serviço do êxito do aluno. a fim de reverter o quadro tradicional.70). A segunda parte da obra. a leitura dessa obra poderá fornecer indicadores teóricos capazes de contribuir para a ultrapassagem de determinados limites. Certamente. é possível encontrar pistas bem precisas de aquisição do conhecimento de forma construtiva. no sentido de contribuir para a construção do saber e a apropriação do conhecimento.

além do achatamento na aquisição do conhecimento. enfocando seus estudos sobre a interpretação dos sonhos. 1962) e procure refletir sobre o processo de construção da sua teoria. direção de John Huston (EUA. O filme mostra o início dos trabalhos de Freud. é necessário reafirmar que a avaliação é apenas um processo geral de condução da ação e do ensino e aprendizagem. que tem como diferença a necessidade do educador se abster de convicções impregnadas de inércia e imobilismo e caminhar na perspectiva de uma convicção criadora. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Finalizando. 150 Copyright © 2007. que favorece consideravelmente a significativa situação do fracasso escolar. e também o momento decisivo que precisa ser concebido como um ato amoroso e uma operação de leitura orientada da realidade.seletividade e pela discriminação. além da alma. Assista ao filme Freud.

adquiridas a partir de atividades sociais que aparecem no decurso do desenvolvimento das crianças. Interação entre o indivíduo e a cultura. Interacionismo. é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza.. são funções psicointelectuais superiores. Empirismo – O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria. 151 Copyright © 2007.A autoestima pode ser definida como o sentimento que se tem ligado a autoimagem. que se realiza no interior Epistemologia – A epistemologia. onde. Culturalista – postura da vertente de psicólogos e dos cientistas sociais que destacam o papel da cultura na explicação dos fenômenos. fontes e validade do conhecimento. para Vygotsky.Fenômeno ou processo interno. é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento. Egocentrismo – É a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio. Interpsiquico – Segundo Vygotsky. O que a pessoa pensa de si mesmo. ou seja. que significa “experiência”. Restringiu-se amiúde o termo “empirismo” à filosofia clássica moderna Endógeno . também chamada teoria do conhecimento. é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural. Autoestima . « partindo daquilo que vem antes »)..G LOSSÁRIO Apriorismo – A priori (do latim. que consiste no pensamento dedutivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

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