MÓDULO DE

:

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

AUTORIA:

Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO Autora: Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES.

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040

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A

PRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO Caros (as) alunos e alunas, Sou a tutora de cada um e de cada uma de vocês. Vamos ler, refletir e considerar proposições sobre um currículo vivo, real e capaz de promover mudanças significativas na mente, no coração e no espaço educacional onde atuam. Pensar em uma profissão significativa é esboçar um projeto de vida. Agora, mais do que descobrir a vocação, é fazer dela um instrumento de construção e intervenção no mundo. É adaptar-se ao mundo de maneira crítica, é saber que a educação não é a solução para tudo, mas é a porta para caminhos infinitos. Temos que ter a consciência que sonhos não devolvem o que há mais de 500 anos vem sendo tirado da gente, mas temos a certeza de que a dignidade, ética, igualdade não devem apenas ser escritas em versos e sonhos, mas devem ser realidades concretas, construídas com sangue e suor. Ser educador é acima de tudo acreditar, é lutar para fazer acontecer. Vamos construir uma educação melhor, conhecendo o que é um currículo, sua organização, seu funcionamento e adotando ações práticas e viabilizadoras de mudanças positivas. Obrigada por acreditarem! Obrigada por estarem aqui! Profª. Marizinha Coqueiro Borges.

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ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .O BJETIVOS Compreender o sentido e o significado dos princípios políticos e pedagógicos na elaboração do currículo a partir do conhecimento da estrutura e o funcionamento da Educação Básica Brasileira.: Concepções e etapas. 4 Copyright © 2007. Agentes da ação curricular. Definir um quadro de referência teórica sobre currículo. numa perspectiva crítica e transformadora. E MENTA Conceituação. Implementação e avaliação de currículo. Reconstrução do conhecimento experiência e mundo .Parâmetros mínimos necessários – PCN’S. Currículo oculto. Elaboração de programas curriculares. Currículo e desenvolvimento social. Concepções de educação e seus autores. . funções. real. elementos componentes. Possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre um currículo que seja transformador da realidade e que atenda às diversidades sócioculturais dos educandos. garantindo a formação integral de cidadãos participativos e aptos a contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Compreender o currículo escolar como espaço de reconstrução educacional e de especialização do conhecimento pedagógico e refletir sobre a necessidade da construção de práticas pedagógicas específicas a partir do conhecimento de currículo vivo. Adequação curricular nas vertentes da temporalidade e contexto social.

.......... ............................................... 31 UNIDADE 7 .... segundo Tomaz Tadeu Da Silva......................................................................................................................................... .... 44 O Currículo Multiculturalista e a Educação ....... 23 O Currículo Segundo Dewey E Tyler .............................................................. 36 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos....................................................... do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente........................ segundo Tomaz Tadeu Da Silva..... ................................................................... 8 UNIDADE 2 ............................................. 40 Diferenciar o Currículo Oculto...................................................................... 12 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo...................................................................................................................................................................... 15 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo........................................................................................................................................................................................................................... ................................ .............................................. 23 UNIDADE 6 ...... 31 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos.. 8 Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo.................................................................. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .................................... 44 UNIDADE10 ..................S UMÁRIO UNIDADE 1 . 12 UNIDADE 3 ....................................................................................................... 40 UNIDADE 9 ..................... como Ação do Cotidiano da Escola..................................................................................... 47 UNIDADE 11 .......................................................................... 47 Currículo Científico ............................. 36 UNIDADE 8 ....................................... 51 5 Copyright © 2007................................. 19 UNIDADE 5 ......... .................................... 19 Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo ........................................................................... 15 UNIDADE 4 ................................................................

....80 UNIDADE18 .................. segundo Paulo Freire.............. 71 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica .............................................. 59 UNIDADE 14 .................................................................................... Segundo Declaração da UNESCO De 2002................................................................................................................................................................................................................................................................... 75 UNIDADE 17 ............................................................. 110 UNIDADE 24 . segundo Paulo Freire................................................................................................................................. 85 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica ................................................................................................................................................................ 104 UNIDADE 23 .. 51 UNIDADE 12 ............................................................................................................................... 55 Breve Biografia Do Educador Paulo Freire ................................................................................... 85 UNIDADE 19 ........ 116 UNIDADE 25 .. 66 Algumas Reflexões sobre a Educação......................... 99 UNIDADE 22 ........................ ................................................Currículo Científico ........ 95 UNIDADE 21 .................... 122 6 Copyright © 2007... .................................................................................. 71 UNIDADE 16 ..... 80 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas................................................. .................... 75 Os Pilares da Educação................................................... 110 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ........................ 99 Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua............................................................................................ 95 Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua........................................... ........................................................................... 55 UNIDADE 13 .................... 59 Algumas Reflexões Sobre A Educação............................................................................................. 66 UNIDADE 15 .................... ..... 90 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ............. 104 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ...... 90 UNIDADE 20 ........................ ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ......

.......... 134 Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor.................................................................................................................. 137 UNIDADE 29 ..................Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar.......... 151 BIBLIOGRAFIA ........ ........................................................................ 122 UNIDADE 26 .......................................................... 129 UNIDADE 27 .................................................................. 146 Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada.............................................................................................................................................................................................. 134 UNIDADE 28 ............... 140 O Livro Didático ............................ 140 UNIDADE 30 ................................................................................................................................. 152 7 Copyright © 2007... 146 GLOSSÁRIO ............................................................ ............ 137 A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular ..................................................... 129 Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar ...................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ....... ..............................................................................................................................................

O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica. Isso significa que ele é colocado na moldura mais ampla de suas determinações sociais. de sua história. Embora questões relativas ao "como" do currículo continuem importantes. 7-30). Nessa perspectiva. vamos discutir as ideias apresentadas por Moreira e Silva (1994). com a sociedade e com a escola de modo específico. o currículo é considerado um artefato social e cultural. “O professor deve se sentir parte de um coletivo docente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo. capacitar-se.U NIDADE 1 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. Introdução À Teoria Do Currículo Para adentrar no estudo do currículo faz-se necessário revisitar a concepção de currículo de forma geral. guiada por questões sociológicas. técnicas. crítico e transformador”. voltada para questões relativas a procedimentos. epistemológicas. ir além das suas limitações e ajudar a construir um currículo ativo. políticas. no texto “Sociologia e teoria crítica: uma introdução” (p. as relações do currículo com o processo de ensino e aprendizagem. Nesse sentido.( Marizinha Coqueiro Borges). de 8 Copyright © 2007. elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo "por que" das formas de organização do conhecimento escolar. Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo. métodos.

No entanto. Pinar & Grumet. Comum a todas elas. destaca-se. foi somente no final do século XIX e no início deste. Em outras palavras. a emergência de uma abordagem sociológica e crítica do currículo. vinculada às formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. nos Estados Unidos. onde pela primeira vez se elegeu o currículo como foco central da Sociologia da Educação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . onde o campo se originou e desenvolveu como na Inglaterra. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal ele tem uma história.sua produção contextual. Diferentes versões desse surgimento podem ser encontradas na literatura especializada (Cremin. tanto nos Estados Unidos. configuraram o surgimento de um novo campo. Franklin. o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas. dando início a uma série de estudos e iniciativas que. que um significativo número de educadores começou a tratar mais sistematicamente de problemas e questões curriculares. o propósito mais amplo desses especialistas parece ter sido planejar "cientificamente" as 9 Copyright © 2007. Emergência e desenvolvimento da sociologia e da teoria crítica do currículo Os autores focalizam. a preocupação com os processos de racionalização. Seguei 1966. neste texto. O currículo está implicado em relações de poder. em curto espaço de tempo. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. 1975. 198 I). sistematização e controle da escola e do currículo. 1974. por parte dos superintendentes de sistemas escolares americanos e dos teóricos considerados como precursores do novo campo. As origens do campo nos Estados Unidos Mesmo antes de se constituir em objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico. o currículo sempre foi alvo da atenção de todos os que buscavam entender e organizar o processo educativo escolar.

consideradas úteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e à prática emergentes.atividades pedagógicas e controlá-Ias de modo a evitar que o comportamento e o pensamento do aluno se desviassem de metas e padrões pré-definidos. enquanto procedimentos administrativos sofisticaram-se e assumiram um cunho “científico”. Segundo Kliebard (1974). apresentaremos uma breve descrição do contexto sóciohistórico no qual ela emergiu. Para a produção em larga escala foi necessário aumentar as instalações e o número de empregados. tanto em suas manifestações iniciais como nos estágios subsequentes. O contexto americano na virada do século Após a Guerra Civil. As primeiras tendências O campo do currículo tem sido associado. então considerada "desejável". sendo o sistema de competição livre. duas grandes tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma volta-se para a elaboração de um currículo que valorizasse os interesses do aluno e a outra. Todavia. A primeira contribuiu para o desenvolvimento do que no Brasil se chamou de escolanovismo e a segunda constituiu a semente do que aqui se denominou de tecnicismo. O processo de produção tornou-se socializado e mais complexo. 10 Copyright © 2007. então prevalente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . às categorias de controle social e eficiência social. A primeira delas é representada pelos trabalhos de Dewey j e Kilpatrick e a segunda pelo pensamento de Bobbitt. tanto em suas origens como em seu posterior desenvolvimento. substituído pelos monopólios. a economia americana passou a ser dominada pelo capital industrial. não se deve entender o novo campo como monolítico. já que outras intenções e outros interesses podem ser identificados. A fim de melhor entender como tais intenções informaram o desenvolvimento da nova especialização. para a construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta.

Pode-se dizer que as duas. em seus momentos iniciais. 11 Copyright © 2007. juntamente com vestígios e revalorizações de uma perspectiva mais tradicional de escola e de currículo. dominaram o pensamento curricular dos anos vinte ao final da década de sessenta e início da década seguinte. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . representaram diferentes respostas às transformações sociais. procuraram adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista que se consolidava. As duas tendências. políticas e econômicas por que passava o país e que. ainda que de formas diversas.

"A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos de Estado" marca. Currículo E Ideologia Desde o início da teorização crítica em educação. a outra aos que se destinavam às posições sociais subordinadas. em particular. e a do currículo. em geral. Aquele ensaio rompia com a noção liberal e tradicional da educação como desinteressadamente envolvida com a transmissão de conhecimento e lançava as bases para toda a teorização que se seguiria. Fundamentalmente. Essas ideias seriam diferencialmente transmitidas. O ensaio de Louis Althusser (1983). Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola em diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes "aprenderiam" as atitudes e valores próprios das classes subalternas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 2 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. naturalmente. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. garantindo assim a reprodução da estrutura social existente. Além disso. na escola. os que fossem até o fim seriam socializados no modo de ver o mundo próprio das classes dominantes. Althusser era explícito a respeito dos mecanismos pelos quais essas diferenciadas 12 Copyright © 2007. "ideologia" tem sido um dos conceitos centrais a orientar a análise da escolarização. às crianças das diferentes classes: uma visão de mundo apropriada aos que estavam destinados a dominar. Althusser argumentava que a educação constituiria um dos principais dispositivos através do qual a classe dominante transmitiria suas ideias sobre o mundo social. o início da preocupação com a questão da ideologia em educação.

De forma geral. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A compreensão do conceito de ideologia como consciência falsa levava facilmente à sua formulação como uma questão epistemológica centrada na dicotomia falso/verdadeiro que a despia de todas as suas conotações políticas. uma noção extremamente sofisticada de ideologia. raramente referida. de fato. embora de forma mais sutil. uma compreensão que nos levou bastante além do esboço de Althusser. mas estariam presentes. também. inúmeros estudos empíricos sobre o funcionamento da escola e da sala de aula ajudaram a aumentar consideravelmente a nossa compreensão do papel da ideologia no processo educacional. É verdade que o ensaio de Althusser não se baseava nessa noção (e sua segunda parte. em matérias aparentemente menos sujeitas à contaminação ideológica. mas certamente uma coisa relativamente clara na literatura educacional é o vínculo que a noção de ideologia tem com poder e interesse.visões de mundo eram transmitidas. apresentava. Estudos Sociais. Essa perspectiva permite que escapemos aos impasses colocados pelo equacionamento de ideologia como conhecimento falso e não ideologia como conhecimento verdadeiro. 13 Copyright © 2007. Embora tenha sido um marco importante e continue sendo uma referência central na teorização crítica em educação. mas o escasso tratamento dado ao conceito na primeira parte do ensaio podia legar a essa compreensão. o ensaio de Althusser e seus pressupostos foram objeto de crítica e refinamento nos anos que se seguiram à sua publicação. Por outro. é difícil resumir as inúmeras interpretações ligadas ao conceito de ideologia numas poucas proposições. Por um lado. Naturalmente. Em primeiro lugar. essa transmissão da ideologia estaria centralmente a cargo daquelas matérias escolares mais propícias ao "ensino" de ideias sociais e políticas: História. Educação Moral. o refinamento conceitual foi na direção de afastar a ideia de ver a ideologia como falsa consciência ou como um conjunto de ideias falsas sobre a sociedade. houve uma série de contestações conceituais à própria noção de ideologia formulada por Althusser. como Matemática e Ciências. ainda não superada).

mas o fato de que essas ideias são interessadas. A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem à realidade ou não.permitindo também que nos afastemos da noção representacional de conhecimento e linguagem implícita naquele equacionamento. mas saber a quem beneficiam o que implica ao outro ponto conceitual importante: o conceito de ideologia e a relação de poder. É menos importante saber se as ideias envolvidas na ideologia são falsas ou verdadeiras e. nessa perspectiva. é mais importante saber que vantagens relativas e que relações de poder elas justificam ou legitimam. O que caracteriza a ideologia não é a falsidade ou verdade das ideias que veicula. transmitem uma visão do mundo social vinculada aos interesses dos grupos situados em uma posição de vantagem na organização social. A ideologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . está relacionada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões. A ideologia é essencial na luta desses grupos pela manutenção das vantagens que Ihe advêm dessa posição privilegiada. 14 Copyright © 2007.

cultura e currículo constituem um par inseparável já na teoria educacional tradicional. a cultura não é vista como um conjunto inerte e estático de valores e conhecimentos a serem transmitidos de forma não problemática a uma nova geração. nem ela existe de forma unitária e homogênea. senão uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade. o que significa que são tanto campos de produção ativa de cultura quanto campos contestados. de certa forma. sim. Continuando Nossas Reflexões Sobre A Teoria Do Currículo Currículo E Cultura Se ideologia e currículo não podem ser vistos separados na teorização educacional crítica. Nessa visão. De forma geral. envolvidos com esse processo. mas ele é visto. há diferenças importantes a serem enfatizadas. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. em particular. A teorização crítica. ao contrário do pensamento convencional. a tradição crítica vê o currículo como terreno de produção e criação simbólica. A educação e o currículo são vistos como profundamente envolvidos com o processo cultural. continua essa tradição. A 15 Copyright © 2007. Entretanto. Em contraste com o pensamento convencional sobre a relação entre currículo e cultura. o currículo.U NIDADE 3 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. como fundamentalmente político. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . cultural. que é a educação e. Na tradição crítica. a educação e o currículo estão. Em vez disso. o currículo e a educação estão profundamente envolvidos em uma política cultural.

mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos. 16 Copyright © 2007. essa transmissão se dá em um contexto cultural de significação ativa dos materiais recebidos. não é visto. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. Assim. O currículo educacional. não estão tanto naquilo que se transmite quanto naquilo que se faz com o que se transmite. O currículo pode ser movimentado por intenções oficiais de transmissão de uma cultura oficial. nessa visão. mas o resultado nunca será o intencionado porque. de significações. Na concepção crítica. por sua vez. homogênea e universalmente aceita e praticada e.educação e o currículo não atuam. é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. a cultura é o terreno por excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais. Obviamente. não existe uma cultura da sociedade. então. a cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. tal como na visão tradicional. como um local de transmissão de uma cultura incontestada e unitária. nessa perspectiva. é visto aqui como processo de reprodução cultural e social das divisões dessa sociedade. mas como um campo em que se tentará impor tanto a definição particular de cultura da classe ou grupo dominante quanto o conteúdo dessa cultura (BOURDIEU. de sujeitos. apenas como correias transmissoras de uma cultura produzida em outro local. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . unitária. Nessa visão. por isso. Aquilo que na visão tradicional é visto como o processo de continuidade cultural da sociedade como um todo. por outros agentes. Em vez disso. a ideia de cultura é inseparável da de grupos e classes sociais. é o terreno privilegiado de manifestação desse conflito. nesse sentido. a cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. Em uma sociedade dividida. O currículo. precisamente. a visão tradicional da relação entre cultura e educação/currículo não vê o campo cultural como um terreno contestado. 1979). A cultura e o cultural.

um terreno de produção e de política cultural.Essa perspectiva da cultura como um campo contestado e ativo tem implicações importantes para a teoria curricular crítica. Nesse entendimento. somos obrigados a rejeitar a visão convencional do currículo que o vê como um veículo de transmissão do conhecimento como uma "coisa". quando discutimos os conceitos de ideologia e cultura. Currículo e poder Se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica é a de poder. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. seja uma questão facilmente resolvida. o poder se manifesta através das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe. é suficiente afirmar aqui que o poder se manifesta em relações de poder. isto é. 17 Copyright © 2007. É nessa perspectiva que o currículo está centralmente envolvido em relações de poder. como um conjunto de informações e materiais inertes. Se combinarmos essa visão com aquela que questiona a linguagem e o conhecimento como representação e reflexo da "realidade". gênero etc. Isso não quer dizer que a conceituação daquilo que constitui o poder. o currículo não é o veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. Para não entrar em longas e intermináveis discussões conceituais sobre o poder. de contestação e transgressão. o conhecimento corporificado no currículo é tanto o resultado de relações de poder quanto seu constituidor. É a visão de que a educação e o currículo estão profundamente implicados em relações de poder que dá à teorização educacional crítica seu caráter fundamentalmente político. recriação e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no contexto da educação e do currículo. no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação. sobretudo. assim. O currículo é. Como vimos acima. Na visão crítica. etnia. Essas divisões constituem tanto a origem quanto o resultado de relações de poder. em relações sociais em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos à vontade e ao arbítrio de outros.

Por outro lado. Grande parte da tarefa da análise educacional crítica consiste precisamente em efetuar essa identificação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 18 Copyright © 2007. constitui identidades individuais e sociais que ajudam a reforçar as relações de poder existentes. 2. expressa os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem em relações de poder.. enquanto definição "oficial" daquilo que conta como conhecimento válido e importante. 2001 GOODSON. Petrópolis: Vozes. Reconhecer que o currículo está atravessado por relações de poder não significa ter identificado essas relações. Currículo: Teoria e história. o currículo. ed. O currículo está. o currículo. cabe perguntar: que forças fazem com que o currículo oficial seja hegemônico e que forças fazem com que esse currículo aja para produzir identidades sociais que ajudam a prolongar as relações de poder existentes? Leitura de : SILVA. ao expressar essas relações de poder. mas apenas de que o poder não se realiza exatamente conforme suas intenções. assim. apesar de seu aspecto contestado. o currículo é expressão das relações sociais de poder. Tomaz Tadeu da. 1995. Desta forma. no seu aspecto "oficial" como representação dos interesses do poder. Belo Horizonte: Autêntica. Seu aspecto contestado não é demonstração de que o poder não existe. É exatamente porque o poder não se manifesta de forma tão cristalina e identificável que essa análise é importante. No caso do currículo. ao se apresentar. Documento de identidade – uma introdução às teorias do currículo.Por um lado. IVOR F. no centro de relações de poder. fazendo com que os grupos subjugados continuem subjugados.

bem antes da institucionalização do estudo do currículo como campo especializado. Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo Nascem Os "Estudos Sobre Currículo": As Teorias Tradicionais Segundo Tomaz Tadeu da Silva (2005). com o currículo. em diferentes épocas. A emergência do currículo como campo de estudos está estreitamente ligada a processos. Há antecedentes. a institucionalização de setores especializados sobre currículo na burocracia educacional do estado e o surgimento de revistas acadêmicas especializadas sobre currículo. a existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional especializado. de uma forma ou outra. As diferentes filosofias educacionais e as diferentes pedagogias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . todas as teorias pedagógicas e educacionais são também teorias sobre o currículo. de preocupações com a organização da atividade educacional e até mesmo de uma atenção consciente à questão do que ensinar. 19 Copyright © 2007. a partir das discussões sobre as teorias pedagógicas. teorias sobre o currículo. estritamente falando. não deixaram de fazer especulações sobre o currículo. tais como a formação de um corpo de especialistas sobre currículo. As professoras e os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos. Mas as teorias educacionais e pedagógicas não são. mesmo que não utilizassem o termo. de estudos e pesquisas sobre o currículo. institucionalizada.U NIDADE 4 Objetivo: Identificar o processo de construção dos estudos do currículo. De certa forma. antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como "currículo" pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como "currículo". a formação de disciplinas e departamentos universitários sobre currículo. na História da Educação ocidental moderna.

É precisamente nessa literatura que o termo surge para designar um campo especializado de estudos. o estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico. a extensão da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores da população. está ligada a preocupações de organização e método. o livro que iria ser considerado o marco no estabelecimento do currículo como um campo especializado de estudos: The currículum. entretanto. Foram talvez as condições associadas com a institucionalização da educação de massas que permitiram que o campo de estudos do currículo surgisse nos Estados Unidos. acadêmica.A Didactica Magna. O termo currículum. no sentido que hoje lhe damos. sob influência da literatura educacional americana. as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional. Quais os objetivos da educação escolarizada: formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral. O livro de Bobbitt é escrito num momento crucial da história da educação estadunidense. de João Amós Comenius. A própria emergência da palavra currículum. é um desses exemplos. É nesse momento que se busca responder questões cruciais sobre as finalidades e os contornos da escolarização de massas. no sentido que modernamente atribuímos ao termo. Estão entre essas condições: a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o processo de crescente industrialização e urbanização. como ressaltam as pesquisas de David Hamilton. políticas e culturais procuravam moldar os objetivos e as formas da educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. É nesse contexto que Bobbitt escreve. como um campo profissional especializado. em 1918. só passou a ser utilizada em países europeus como França. como resultado das sucessivas ondas de imigração. à população? 20 Copyright © 2007. Alemanha. Espanha. num momento em que diferentes forças econômicas. Portugal muito recentemente.

que pudesse estabelecer métodos para obtêIos de forma precisa e formas de mensuração que permitissem saber com precisão se eles foram realmente alcançados. Tal como uma indústria. O modelo de Bobbitt estava claramente voltado para a economia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Sua palavra-chave era "eficiência". Na proposta de Bobbitt. as habilidades práticas necessárias para as ocupações profissionais? Quais as fontes principais do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico. quais devem ser as finalidades da educação: ajustar as crianças e os jovens à sociedade tal como ela existe ou prepará-Ios para transformá-Ia. Bobbitt queria transferir para a escola o modelo de organização proposto por Frederick Taylor. O sistema educacional deveria começar por estabelecer de forma precisa quais são seus objetivos. Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar precisamente que resultados pretendiam obter. as disciplinas acadêmicas humanísticas. as disciplinas científicas. por sua vez. Esses objetivos. as disciplinas científicas.O que se deve ensinar: as habilidades básicas de escrever. a preparação para a economia ou a preparação para a democracia? As respostas de Bobbitt eram claramente conservadoras. O sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer outra empresa econômica. os saberes profissionais do mundo ocupacional adulto? O que deve estar no centro do ensino: os saberes "objetivos" do conhecimento organizado ou as percepções e as experiências "subjetivas" das crianças e dos jovens? Em termos sociais. deveriam se basear num exame daquelas habilidades necessárias para exercer com eficiência as ocupações profissionais da vida adulta. ler e contar. a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica propostos por Taylor. 21 Copyright © 2007. embora sua intervenção buscasse transformar radicalmente o sistema educacional. Bobbitt propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial.

Uma reflexão sobre a prática.SACRISTÁN. 22 Copyright © 2007. 2000. J. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. Gimeno. O currículo. Porto Alegre: Artmed. 3ª ed.

os interesses e as experiências das crianças e jovens. Para Dewey. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ele achava importante levar em consideração no planejamento curricular. Contrariando Bobbit. é "desenvolvimento curricular". 23 Copyright © 2007. nessa perspectiva. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas como a liderada por John Dewey. a uma questão técnica. O Currículo Segundo Dewey E Tyler Buscando ampliar a discussão sobre o currículo. a construção da democracia era mais importante que o funcionamento da economia. um conceito que iria dominar a literatura estadunidense sobre currículo até os anos 80.U NIDADE 5 Objetivo: Traçar a linha de estudos do currículo e os teóricos responsáveis pelos estudos. a questão do currículo se transforma numa questão de organização. Numa perspectiva que considera que as finalidades da educação estão dadas pelas exigências profissionais da vida adulta. A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática. o currículo se resume a uma questão de desenvolvimento. O currículo é simplesmente uma mecânica. bem como a relação entre as duas vertentes debatidas na época: a vertente estadunidense e a vertente progressista. vamos incluir as ideias de Dewey. Não é por acaso que o conceito central. Na perspectiva de Bobbitt.

humanista. "ao lado. O estabelecimento de padrões é tão importante na educação quanto. numa usina de fabricação de aços.. Nas últimas décadas.. diz ele. é um processo de moldagem". de acordo com Bobbitt. constituíam. É interessante observar que tanto os modelos mais tecnocráticos. quanto os modelos mais progressistas de currículo. de certa forma. pois. quatro questões básicas:  Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?  Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?  Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?  Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?" As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: "currículo" (1). na educação. nos Estados Unidos. que emergiram no início do século XX. como o de Dewey.Tal como na indústria. tal como a usina de fabricação de aço. Para Bobbitt. uma reação ao currículo clássico. A capacidade para adicionar a uma velocidade de 65 combinações por minuto (. como os de Bobbitt e Tyler. A organização e o desenvolvimento do currículo devem buscar responder. adicionam a um ritmo médio de 105 combinações por minuto".) é uma especificação tão definida quanto a que se pode estabelecer para qualquer aspecto do trabalho da fábrica de aços”. "ensino e instrução" (2 e 3) e "avaliação" (4). de acordo Com Tyler. o estabelecimento de um padrão permitiria acabar com essa variação. O exemplo dado pelo próprio Bobbitt é esclarecedor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que se estabeleçam padrões. ilustra ele. enquanto outras. Numa oitava série. os educadores vieram a "perceber que é possível estabelecer padrões definitivos para os vários produtos educacionais. que havia dominado a educação secundária desde sua 24 Copyright © 2007. algumas crianças realizam adições "a um ritmo de 35 combinações por minuto". de acordo com Bobbitt. é fundamental. digamos. "a educação.

Não se aceitava. se estabelecera na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. servia para exercitar os "músculos mentais". Basicamente. sobretudo aquele "centrado na criança". O modelo progressista. nesse modelo. aritmética). vindo da Antiguidade Clássica. o macho da espécie) que encarnasse esses ideais. o currículo clássico humanista tinha implicitamente uma "teoria" do currículo.pouco serviam como preparação para o trabalho da vida profissional contemporânea. Como se sabe. sobretudo da escolarização secundária que era o foco do currículo 25 Copyright © 2007. atacava o currículo clássico por seu distanciamento dos interesses e das experiências das crianças e dos jovens. incluindo o domínio das respectivas línguas. dialética) e quadrivium (astronomia. obviamente. o currículo humanista simplesmente desconsiderava a psicologia infantil. por exemplo. na forma dos chamados trivium (gramática.institucionalização. Cada um dos modelos curriculares contemporâneos. essas obras encarnavam as melhores realizações e os mais altos ideais do espírito humano. esse currículo era herdeiro do currículo das chamadas "artes liberais" que. O conhecimento dessas obras não estava separado do objetivo de formar um homem (sim. o objetivo era introduzir os estudantes ao repertório das grandes obras literárias e artísticas da herança clássica grega e latina. Ambas as contestações só puderam surgir. o tecnocrático e o progressista atacam o modelo humanista por um flanco. no contexto da ampliação da escolarização de massas.e suas respectivas literaturas . Supostamente. música.para a vida moderna e para as atividades laborais das habilidades e conhecimentos cultivados pelo currículo clássico. O tecnocrático destacava a abstração e a suposta inutilidade . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Obviamente. nem mesmo os argumentos que no século XIX tinham sido desenvolvidos pela perspectiva do "exercício mental". Por estar centrado nas matérias clássicas. O latim e o grego . de uma forma que podiam se aplicar a outros conteúdos. segundo a qual a aprendizagem de matérias como o latim. retórica. aqui. geometria.

E um aluno. ali estará um professor. tanto os técnicos quanto os progressistas de base psicológica. e responda o que é solicitado. Quantos de nós conseguimos? Se não conseguimos. Onde o melhor que há nos seres humanos não estiver totalmente anestesiado.clássico humanista. por sua vez. professores. na fé que responde ao desvelamento dos mistérios do conhecimento com reverência e zelo (Maria Clara Bingemer). O currículo clássico só pôde sobreviver no contexto de uma escolarização secundária de acesso restrito à classe dominante. Todos nós. nos Estados Unidos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Débora Barreiros Universidade do Estado do Rio de Janeiro Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Onde não houver adicção. Faça a leitura do texto indicado abaixo. almejamos melhores condições de trabalho e lutamos por um plano de carreira com melhor remuneração. a partir dos anos 70. A democratização da escolarização secundária significou também o fim do currículo humanista clássico. haverá paixão. “As mudanças curriculares e a prática pedagógica” . ouvimos o quanto é essencial uma sólida formação inicial e continuada. com o chamado movimento de “reconceitualização do currículo”. só iriam ser definitivamente contestados. deixamos 26 Copyright © 2007. E ali germinará entre ambos um processo educativo que encontrará sua fonte na paixão pela vida.a Formação de professores pós LDB. Os modelos mais tradicionais de currículo.

com a publicação do Decreto n.de trabalhar? Claro que não! O compromisso com a aprendizagem não nos deixa abandonar o barco. novas exigências e todos os aspectos legais da área. o que significa ser professor? Ser professor significa ser capaz de ressignificar o seu conhecimento e a sua experiência em cada contexto pedagógico em que se insere. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o que envolve a elaboração de novos processos de formação. Então. E que formação é exigida desse novo profissional? Este estudo tem como objetivo analisar alguns aspectos da formação inicial e continuada de professores no Brasil. de graduação plena. e 4) Educação inclusiva e a formação de professores. será dividida em quatro momentos: 1) Formação de professores pós-LDB. 2) Competências e habilidades do professor: o que dizem as Diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica. Em outras palavras. mas o comprometimento com a prática pedagógica nos faz articular novos saberes. a partir da década de 1980. foi instituído que os cursos normais superiores passariam também a ser responsáveis pela 27 Copyright © 2007. que “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. Nesse quadro referencial.. Em decorrência. 3) Educação a Distância: uma estratégia de formação docente. "As mudanças curriculares e a prática Pedagógica" Primeiramente cabe destacar que. que mesmo quase submerso ganha força a cada conquista de nossos alunos. a formação de todos os professores em nível superior passou a ser considerada uma utopia para o quadro brasileiro. esta lei estabelece. em universidades e institutos superiores de educação [. Os estímulos e a valorização podem ser escassos. Por se tratar de uma área ampla e complexa. que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). implica abertura e reflexão sobre as ações educativas. utopia que não poderia ser alcançada de maneira tão rápida. Entretanto.º 3276/99. com os debates e os movimentos sociais.. foi intensificado o processo de formação docente. em curso de licenciatura.]”. pois estabelece novas habilidades e saberes para esse novo profissional. em seu Art. 62. nº 9394/96.

foram elaborados parâmetros curriculares. A partir de 2001. 1). porém. não apenas direcionado aos cursos de Pedagogia. Os dados do Censo 2006 também ajudam a pensar em que ponto está a formação de professores exigida no país. 28 Copyright © 2007. cujo percentual de professores sem a formação exigida pela lei é ainda alarmante: “apenas 21% dos profissionais que dão aula de 1ª a 4ª série nas escolas rurais têm graduação. Resumidamente. 2004). 2007. que implicava pensar no currículo dos cursos de formação de professores da educação básica com um diferencial. como registra o relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. diretrizes e referenciais para formação de professores. a formação. ao Banco Mundial e a outros órgãos financiadores da educação brasileira.4%” (Agência Brasil. organizada pela UNESCO (1999. enquanto na cidade esse número aumenta para 56. 1) para melhorar a qualidade da educação é essencial “melhorar o recrutamento. com foco nas séries iniciais do ensino fundamental. resultados notórios sobre a ampliação dos números de professores qualificados. alguns dados divulgados recentemente pela Agência Brasil apontam para uma questão crucial sobre a área. O diploma. principalmente nas escolas das áreas rurais (que são quase metade das mais de 200 mil escolas públicas brasileiras). p. visto que exige um projeto amplo para ser compartilhado por todos os futuros docentes da licenciatura. No período de 1995 e 1999. Apesar de toda mudança ocorrida nos últimos anos no que se referem à formação dos professores. a política focalizou as diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica em nível superior (AGUIAR. o Ministério da Educação formulou e implementou um conjunto de políticas relacionado à formação continuada. Outro marco é o Parecer CNE/CEB nº 03/2003. no período de 1995 a 2002. considerando que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . p. continua sendo exigido para os que dão aulas para alunos da 5ª à 8ª série e para o ensino médio.formação dos docentes da educação básica. que aponta uma contradição na LDB e dispõe que os professores da educação infantil e da primeira etapa do fundamental precisam apenas do curso normal em nível de ensino médio para exercer o magistério. Tais ações ocorreram de modo a ampliar os espaços de formação e mostrar. o estatuto social e as condições de trabalho dos professores”. de modo que os professores possam “responder ao que deles se espera”.

programa na modalidade a distância que busca a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. Programa Ética e cidadania. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da educação infantil ao ensino médio. Pró-Letramento . num trabalho conjunto com as universidades. programa de formação inicial dos professores que não possuem a habilitação legal necessária. na modalidade Normal.Essa reestruturação influencia diretamente as escolas. Proinfantil. o MEC desenvolve os seguintes programas para formação continuada de professores das redes públicas de educação: Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica. Construindo valores na escola e na sociedade. de Educação a Distância e de Educação Superior do MEC. da solidariedade humana e da promoção e inclusão social. fundamentalmente desenvolvido nas áreas de educação infantil e educação fundamental. Um conjunto de ações de melhoria da qualidade do ensino. Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. cujo objetivo é contribuir para a melhoria da formação dos professores e dos alunos. Pró-Licenciatura. trabalha práticas pedagógicas que conduzam à consagração da liberdade. a distância. a sociedade e os professores. todos passam a recriar alternativas de ação político-pedagógica. públicas e privadas sem fins lucrativos para realização de cursos de formação continuada para professores em exercício nas redes estaduais. centros de pesquisa e desenvolvimento da educação. 29 Copyright © 2007. junto às instituições de ensino superior (IES) públicas. comunitárias e confessionais. que tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior.Mobilização pela Qualidade da Educação. É desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Básica. da convivência social. Atualmente.curso de nível médio. Destina-se aos professores da educação infantil em exercício nas creches e pré-escolas das redes públicas.

Entretanto. deixo algumas perguntas: como promover a formação do professor dentro das competências e habilidades exigidas para o profissional do século XXI? Se a formação pedagógica é relevante para o exercício docente. História. Nessa perspectiva. estamos ainda distantes da realidade almejada. a teoria ou a prática? (Publicado em 30 de outubro de 2007) 30 Copyright © 2007. como demonstram os dados.com a oferta de cursos de formação continuada para professores nas áreas de Química. Todos esses programas visam auxiliar os estados e municípios a cumprir a legislação vigente para o exercício da profissão docente. Biologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Geografia e Língua Portuguesa e Língua Espanhola. que expectativas o profissional tem sobre sua natureza e formas de operacionalização? O que tem maior destaque na formação. Matemática. Física.

ele discute questões que estão relacionadas com aquelas que comumente estão associadas com teorias mais propriamente curriculares. mas quando adentramos na teoria do currículo. que ele considera como melhor representante do pensamento. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. Parece evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização especifica sobre currículo. como ocorre com outras teorias pedagógicas.U NIDADE 6 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. 57-63). Pode-se dizer que seu esforço de teorização consiste. Na verdade. é o livro Pedagogia do Oprimido. trazer para o estudo trechos do texto “Pedagogia do Oprimido versus Pedagogia dos Conteúdos” (2005 p. Daí. é conhecida sua influência sobre as teorizações de autores e autoras mais diretamente ligados ao desenvolvimento de perspectivas mais propriamente curriculares. Silva (2005) se volta para os dois livros de Paulo Freire: Educação como prática da liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . discutindo alguns autores sobre este tema. Além disso. pelo qual ele iria se tornar internacionalmente conhecido e reconhecido. em responder à questão curricular fundamental: "o que ensinar?". fazse necessário rever o tema na perspectiva do Tomaz Tadeu da Silva. Educação como prática da liberdade está ainda 31 Copyright © 2007. Em sua preocupação com a questão epistemológica fundamental ("o que significa conhecer?"). Nesse texto. Vamos discutir as ideias de Paulo Freire. entretanto. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. que em seu livro “Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo”. ao menos em parte. Em sua obra. busca em Paulo Freire uma análise comparativa dos currículos. Paulo Freire desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo.

difere. Já a análise que Freire faz do processo de dominação em Pedagogia do Oprimido está baseada numa dialética hegeliana das relações entre senhor e servo. ampliada e modificada pela leitura do "primeiro Marx". Fanon). uma crítica à escola tradicional. a centralidade do conceito de "desenvolvimento" é deslocada pelo de "revolução". Está implícita na análise de Freire. Na verdade. diferentemente daquelas teorizações. por sua vez. as críticas sociológicas da educação tomam como base a estrutura e o funcionamento da educação institucionalizada nos países desenvolvidos. por outro lado. os elementos propriamente pedagógicos do pensamento de Freire estão aí pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicada a uma análise da formação social brasileira. aqui. em Pedagogia do Oprimido. Além disso. precisamente. Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utilizados por Freire 32 Copyright © 2007. "desenvolvimento". da fenomenologia existencialista e cristã e de críticos do processo de dominação colonial (Memmi. Bourdieu e Passeron. do marxismo humanista de Erich Fromm. O foco está. Freire adia a transformação da educação formal para depois da revolução.muito ligado ao pensamento da chamada "ideologia do desenvolvimento" que caracterizava o pensamento de esquerda da época. sua análise deve muito mais à filosofia do que à sociologia e à economia política. em aspectos fundamentais. Em seu primeiro livro. mas sua preocupação está voltada para o desenvolvimento da educação de adultos em países subordinados na ordem mundial. muito menos na dominação como um reflexo das relações econômicas e muito mais na dinâmica própria do processo de dominação. No segundo. Em primeiro lugar. Em segundo lugar. das outras teorizações que iriam constituir as bases de uma teoria educacional crítica (Althusser. Pedagogia do Oprimido. a palavra-chave é. Bowles e Gintis). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É verdade que a análise que Freire faz da formação social brasileira na primeira parte de Educação como prática da liberdade é profundamente histórica e sociológica.

de "amor". na medida em que ele não se limita a analisar como são a educação e a pedagogia existentes. A crítica de Freire ao currículo existente está sintetizada no conceito de "educação bancária".bancário. o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. mas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser. bem como as críticas à escola tradicional feitas pelos ideólogos da "Escola Nova". claramente. Na sua ênfase excessiva num verbalismo vazio. "esperança" ou "humildade". a analisar a "escola capitalista na França". enquanto o educando está limitado a uma recepção passiva. Essas diferenças refletem-se inclusive nos títulos dos respectivos livros: enquanto o de Freire ressalta o termo "pedagogia". A educação bancária expressa uma visão epistemológica que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem simplesmente transferidos do professor para o aluno. a teorização de Freire é claramente pedagógica. Não se pode imaginar Althusser ou Bourdieu e Passeron falando. Na concepção bancária da educação. Nessa concepção. 33 Copyright © 2007. e o de Baudelot e Establet propõese. como faz Freire em Pedagogia do Oprimido e em livros posteriores. o livro de Bowles e Gintis. por exemplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Finalmente. sugere uma análise da escola na sociedade capitalista estadunidense.em sua análise estão claramente ausentes de análises mais estruturalistas da educação. Refletindo aqui a crítica mais cientificista ligada à "ideologia do desenvolvimento". Freire ataca o caráter verbalista. dissertativo do currículo tradicional. o educador exerce sempre um papel ativo. O conhecimento se confunde com um ato de depósito . narrativo. oco. "fé nos homens". o conhecimento expresso no currículo tradicional está profundamente desligado da situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer.

já em Pedagogia do Oprimido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . intersubjetividade. Aqui. Na perspectiva da educação problematizadora. É sobre essas bases que Freire vai desenvolver seu famoso "método". isto é. está sempre dirigido para alguma coisa. O mundo . é sempre “intencionado”. Se conhecer é uma questão de depósito e acumulação de informações e fatos. Freire fornece. conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa. Na base dessa "educação problematizadora" está uma compreensão radicalmente diferente do que significa "conhecer". ao invés disso. na medida em que apenas o educador exerce algum papel ativo relativo ao conhecimento. Para ele.Através do conceito de "educação problematizadora". o educando é concebido em termos de falta. educador e educandos criam. Utilizando o conceito fenomenológico de “intenção”. Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece. um conhecimento do mundo. Ele não se limita a criticar o currículo implícito no conceito de "educação bancária". todos os sujeitos estão ativamente envolvidos no ato de conhecimento.o objeto a ser conhecido não é simplesmente "comunicado". a perspectiva de Freire é claramente fenomenológica. É essa intersubjetividade do conhecimento que permite a Freire conceber o ato pedagógico como um ato dialógico. instruções detalhadas de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua concepção de "educação problematizadora". relativamente àqueles fatos e àquelas informações. o conhecimento. o ato pedagógico não consiste em simplesmente "comunicar o mundo". Em vez do diálogo. de ignorância. Em vez disso. há aqui uma comunicação unilateral. Na educação bancária torna-se desnecessário o diálogo. 34 Copyright © 2007. dialogicamente. para Freire. de carência. Conhecer envolve intercomunicação. Freire busca desenvolver uma concepção que possa se constituir numa alternativa à concepção bancária que ele critica. O currículo e a pedagogia se resumem ao papel de preenchimento daquela carência.

entretanto. para falar sobre currículo.É curioso observar que Freire utiliza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tais como "conteúdos" e "conteúdos programáticos". 35 Copyright © 2007. da necessidade do desenvolvimento de um currículo que esteja de acordo com sua concepção de educação e pedagogia. Ele está bem consciente. expressões e conceitos bastante tradicionais. A diferença relativamente às perspectivas tradicionais de currículo está na forma como se constroem esses "conteúdos programáticos". neste livro.

em seu "método". com os métodos seguidos por modelos mais tradicionais. Ao menos em Pedagogia do Oprimido. por exemplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quanto dos educadores diretamente envolvidos nas atividades pedagógicas. como o de Tyler. aos quais cabe. mas o "conteúdo" é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos. tudo isso filtrado pela filosofia e pela psicologia educacionais. interdisciplinarmente. ao papel tanto dos especialistas nas diversas disciplinas. Paulo Freire acredita que o "conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição. Tyler sugeria estudos sobre os aprendizes e sobre a vida ocupacional adulta bem como a opinião dos especialistas das diferentes disciplinas como fontes para o desenvolvimento de objetivos educacionais. Freire não nega o papel dos especialistas que. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. Vamos nesta unidade continuar com as reflexões sobre a percepção de Tomaz Tadeu da Silva sobre currículo. 36 Copyright © 2007. o método sugerido por Paulo Freire. é a própria experiência dos educandos que se torna a fonte primária de busca dos "temas significativos" ou "temas geradores" que vão constituir o "conteúdo programático" do currículo dos programas de educação de adultos. nesse aspecto. Pode-se comparar. mas a devolução organizada. Contrariamente à representação que comumente se faz. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. os quais são também ativamente envolvidos nessa pesquisa. devem organizar esses temas em unidades programáticas. Na perspectiva de Freire. Paulo Freire concede uma importância central.U NIDADE 7 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. ao final. elaborar os "temas significativos" e fazer o que ele chama de "codificação".

que deve ser feita em conjunto pelo educador e pelos educandos. o currículo tradicional. quem sabe. de uma pedagogia pós-colonialista ou. O desenvolvimento dessa noção de cultura tem importantes implicações curriculares. pode-se dizer também que ele inicia o que se poderia chamar no presente contexto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Embora Freire não desenvolva esse tema. que denominou de educação de grupos dominantes por um longo tempo. da música. Esse conteúdo programático deve ser buscado. à definição cultural do currículo que iria caracterizar depois a influência dos estudos culturais sobre os estudos curriculares. Se Paulo Freire se antecipou. naquela realidade. ele fala em escolha do "conteúdo programático". como criação e produção humana.sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou em forma desestruturada". conjuntamente. naquele mundo que. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. apaga as fronteiras entre cultura erudita e cultura popular. constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. Essa ampliação do que constitui cultura permite que se veja a chamada "cultura popular" como um conhecimento que legitimamente deve fazer parte do currículo. essa crítica do conceito de cultura permite a Paulo Freire desenvolver uma perspectiva curricular que. não se faz uma distinção entre cultura erudita e cultura popular. humanista. Ela não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. segundo Freire. Na concepção de cultura. Mesmo que implicitamente. está baseado precisamente numa definição da cultura como o conjunto das obras de "excelência" produzidas no campo das artes visuais. de certa forma. do teatro. da literatura. entre “alta” e “baixa” cultura. O que ele destaca é a participação dos educandos nas várias etapas da construção deste "currículo programático". clássico. antecipando-se à influência posterior dos Estudos Culturais. 37 Copyright © 2007. de uma perspectiva pós-colonialista sobre currículo. Numa operação visivelmente curricular.

na situação anterior. Numa era em que o tema do "multiculturalismo" ganha tanta centralidade. sobretudo em sua insistência no posicionamento epistemologicamente privilegiado dos grupos dominados: por estarem em posição dominada na estrutura que divide a sociedade entre dominantes e dominados. Em oposição a Paulo Freire. O predomínio de Paulo Freire no campo educacional brasileiro seria contestado. essa dimensão da obra de Paulo Freire pode talvez servir de inspiração para o desenvolvimento de um currículo pós-colonialista que responda às novas condições de dominação que caracterizam a "nova ordem mundial". alguns dos temas que iriam. pela chamada "pedagogia histórico-crítica" ou "pedagogia crítico-social dos conteúdos". Tal como Freire. depois. Paulo Freire antecipa. uma prática educacional que não consiga se distinguir da política perde sua especificidade. nos países que se tornavam independentes do domínio português. no início dos anos 80. claramente pós-colonialista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a perspectiva pós-colonialista. Para ele. A perspectiva de Freire era. busca problematizar as relações de poder entre os países que. se tornar centrais à teoria pós-colonialista. esses grupos tinham um conhecimento da dominação que os grupos dominantes não podiam ter. já em Pedagogia do Oprimido. A educação torna-se política apenas na medida em que ela permite que as 38 Copyright © 2007. Ao se concentrar na perspectiva de grupos dominados em países da América Latina e. Saviani faz uma nítida separação entre educação e política. Saviani não pretendia estar elaborando propriamente uma teoria do currículo. mais tarde. Essa perspectiva procura privilegiar a perspectiva epistemológica dos povos dominados.Como se sabe. sobretudo nos estudos literários. na pedagogia e no currículo. desenvolvida por Demerval Saviani. eram colonizadores e aqueles que eram colonizados. mas sua teorização focaliza questões que pertencem legitimamente ao campo dos estudos curriculares. sobretudo da forma como se manifesta em sua literatura. desenvolvida.

História inspiradora envolvendo adolescentes criados no meio da violência e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. mas os métodos de sua aquisição.O que fez os alunos começarem a buscar a paz e não mais a violência? Por quê? 39 Copyright © 2007.O que fez a professora cativar a atenção dos alunos? 2. Essa ligação limita-se. Assista O FILME: ESCRITORES DA LIBERDADE ( 2007). a professora luta para que a sala de aula faça diferença na vida dos estudantes. Há. a enfatizar o papel do conhecimento do poder das classes subordinadas. Assim.classes subordinadas se apropriem do conhecimento que ela transmite como um instrumento cultural que será utilizado na luta política mais ampla. PERGUNTAS:1. Diante da corrupção . para Saviani. a tarefa de uma pedagogia crítica consiste em transmitir aqueles conhecimentos universais que são considerados como patrimônio da humanidade e não dos grupos sociais que deles se apropriaram. dentre as pedagogias críticas. violência e tensão racial. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . entretanto. Saviani critica tanto as pedagogias ativas mais liberais quanto a pedagogia libertadora freireana por enfatizarem não a aquisição do conhecimento. uma evidente ligação entre conhecimento e poder. Nesse sentido a pedagogia de Saviani aparece como a única. a deixar de ver qualquer conexão intrínseca entre conhecimento e poder. na teorização de Saviani.

de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (. Currículo Oculto Caros alunos! Discutir concepção de currículo passa pela questão de “ler e ver” nas entrelinhas. Currículo oculto “O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que.. como Ação do Cotidiano da Escola. daí ser preciso revisitar o conceito e as teorias sobre o currículo oculto.U NIDADE 8 Objetivo: Identificar o currículo oculto nas práticas pedagógicas dos profissionais da educação. 40 Copyright © 2007. p 78)..." (SILVA.) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 2001.. do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente. Diferenciar o Currículo Oculto. comportamentos. contribuem.. sem fazer parte do currículo oficial. explícito. valores e orientações. como forma de desocultar o currículo oculto: Quais questões uma teoria do currículo buscaria responder? Currículo oculto – conceito e teorias. Vale perguntar.

entre outros conteúdos”. em seu livro Life in Classrroms (1968) para referir-se às “características estruturais da sala de aula que contribuíam para o processo de socialização”.A primeira pessoa a utilizar a expressão “currículo oculto”. mas que elas são também agentes de socialização e sendo um espaço social. a origem da noção de currículo oculto. calcular. pois temos em 1938 John Dewey referindo-se a uma “aprendizagem colateral” de atitudes que ocorre de modo simultâneo ao currículo explícito. Mas. Segundo Giroux. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . todas as discussões em torno do papel implícito e explícito da escolarização chegam a diferentes conclusões. 41 Copyright © 2007. foi Philip Jackson. é anterior. mas todos concordam que as escolas não ensinam os alunos apenas a “ler. o explícito e formal. Logo a ideia é de que o currículo escolar é concretizado de duas maneiras. e o oculto e informal. tem um duplo currículo. e a implícita e informal. um educador americano. a explícita e formal. escrever.

gestos e práticas corporais do que através de manifestações verbais. nessa definição expressava-se mais através de rituais. por exemplo. como atitudes e valores. A ideologia. no qual há uma intenção oculta. apontavam de certa forma. Assim.). etc. através do "principio da correspondência". eram as relações sociais na escola.O currículo oculto é geralmente associado às mensagens de natureza afetiva. que eram responsáveis pela socialização de crianças e jovens nas normas e atitudes necessárias para uma boa adaptação às exigências do trabalho capitalista. Aqui. Como lembramos. porém não é possível separar os efeitos destas mensagens das de natureza cognitiva. Isto é. para uma noção que tinha características similares às que eram atribuídas ao "currículo oculto". A noção de currículo oculto estava implícita. o currículo oculto está junto com as normas de comportamento social como as de concepções de conhecimentos. As teorias do currículo oculto É sabido que embora não constitua propriamente uma teoria. o currículo oculto pode estar sendo utilizado na relação pedagógica sem que o professor perceba. Althusser fornecia uma definição de ideologia que destacava sua dimensão prática e material. mais do que seu conteúdo explícito. "Aprendia-se" a 42 Copyright © 2007. A ideologia e os aparelhos ideológicos de estado. Mesmo que não diretamente relacionada à escola. Ele utiliza a sua experiência para transmitir o conteúdo da disciplina e esta experiência é uma forma de currículo oculto. a noção de "currículo oculto" exerceu uma forte e estranha atração em quase todas as perspectivas críticas iniciais sobre currículo. na análise que Bowles e Gintis fizeram da escola capitalista americana. o sistema. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ele está oculto para o estudante. que são ligadas às experiências didáticas. a noção de ideologia desenvolvida por Althusser na segunda parte de seu famoso ensaio. que é conhecida por quem a ocultou (o professor.

em no máximo 25 linhas o perfil do educador com proposta demistificadora do currículo.answers. De que forma ele é possível de ser aplicado dentro de sala de aula? Apresente por escrito . Mas é claro que o conceito de currículo oculto se estendeu para muito além desses exemplos.ideologia através dessas práticas: uma definição que se aproxima bastante da definição de currículo oculto. discutir e analisar o currículo oculto implica na possibilidade de termos consciência de algo que está oculto e desocultá-lo. por exemplo. A teorização crítica. 43 Copyright © 2007. Consultar. Atividade Dissertativa O currículo apresenta no seu escopo ideologias e crenças. Na teorização de Bernstein. tornando-o mais eficaz e com possibilidade de mudanças. o importante desse estudo é saber o que fazer com um currículo oculto quando o encontramos. http://br. é através da estrutura do currículo e da pedagogia que se aprendem os códigos de classe. sendo utilizado por praticamente toda perspectiva crítica de currículo em seu período inicial.yahoo. Mas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . conhecer.com/question/index?qid=20070514064926AAvRosq.

do país. etc. P. deparamo-nos com uma nova ordem mundial . Santos. As necessidades sociais e culturais são outras. da cidade. Segundo Lucíola Licínio C.rapidez nas comunicações devido à sofisticação da tecnologia acessa a informações. p. quando eles perguntam: 44 Copyright © 2007. O público escolar mudou. viabilizada pelo desenvolvimento espantoso dos diferentes meios de comunicação. da região.U NIDADE 9 Objetivo: Analisar a concepção de currículo multiculturalista O Currículo Multiculturalista e a Educação No mundo atual. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A globalização ocupou o espaço do bairro.30). da nação. Utilizamos o texto e imagem de Fernandes & Mota (2007) para refletir sobre as ideias do currículo multicultural. a globalização da cultura. ameaça a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais” (1997. “no plano cultural. ao mesmo tempo em que cria grupos de identidades tão importantes para o consumo.

é visto como uma solução para os “problemas” colocados à sociedade dominante. o multiculturalismo tem como origem as reivindicações dos grupos dominados e por outro lado. Todavia. Os autores defendem o multiculturalismo como atitude de resistência e propõem como alternativa a um sistema curricular ultrapassado Foto: monumento em homenagem ao índio incendiado O que é um currículo multiculturalista Santos (2004) nos conta que um currículo multiculturalista implica em questões como diferença e identidade. lançando o foco reivindicações que antes eram 45 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A educação brasileira não promove a tolerância como deveria. Aqui. de matar gente”. ganha o discurso da política."Que coisa estranha. brincar de matar índio. ao transcender os campos da Antropologia. sua essência é visceralmente ambígua: de um lado. tomamos o multiculturalismo como um discurso que.

90).  promover contatos interculturais. é imprescindível alterar o cânon curricular.legadas ao descaso. repetindo Santos (2004. e nenhuma está em posição de superioridade em relação à outra. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em contrapartida àqueles validados pelo cânon da cultura dominante.br/perspectivas/anais/GT0507. 46 Copyright © 2007. querendo participar de diálogos interculturais. Neste caso. partindo-se do princípio de que toda e qualquer cultura apresenta pontos fortes e fracos. A aceitação passiva de se acrescentar pontos de dada cultura em um discurso homogeneizador. pacífico.htm). em detrimento à homogeneização gestada à lógica do capital excludente. com a aceitação do diferente e do diverso. Antes. Neste sentido. (consultar em http://www. o discurso sobre o multiculturalismo crítico. entende que a diversidade não pode ser um fim em si mesma: ela deve estar entrelaçada à justiça social. uma atitude “multiculturalista crítica” rejeita a apropriação de seu discurso: luta por seu espaço de representação. para refletir sobre “as formas pelas quais a diferença é produzida por relações sociais de assimetria”. p.ichs. não se coaduna com os interesses do multiculturalismo crítico. como base das relações sociais democráticas. um currículo multicultural deve atender algumas expectativas:  preocupar-se em desfazer preconceitos e estereótipos.  difundir e conhecer saberes diversos. o multiculturalismo se apóia em uma ideologia que entende a diversidade numa perspectiva de mobilização política. “o multiculturalismo nos faz lembrar que a igualdade não pode ser obtida simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico”. E. Por isso.  privilegiar a diversidade cultural.ufop.

Recursivo. e nem todos concordam com essa descrição. Willian Doll. então. seus métodos na área intelectual dominaram – áreas da Filosofia.U NIDADE 10 Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. realizou sonhos de uma vida mais folgada substituindo o trabalho pesado por máquinas. Psicologia e teoria educacional. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Como povo. O paradigma moderno foi construído sobre o pensamento intelectual.tornou-se para as Ciências Sociais. Currículo Científico O século XX é marcado por uma revolução intelectual e conceitual. A Ciência spenceriana – é uma adaptação do empirismo de Isaac Newton e do racionalismo de René Descartes. um paradigma. 47 Copyright © 2007. aplicou essa estrutura de mudança à teoria do currículo. social e educacional norte-americano durante sete ou oito décadas deste século. Existe um contraste fundamental entre os sistemas abertos e fechados da estrutura pós-moderna emergente. Doll apresenta sua visão de uma utopia de currículo “em que ninguém é dono da verdade e todos têm o direito de ser compreendidos”. Caracteriza o currículo imaginado de quatro Rs: Rico. que leva à busca de novas maneiras de pensar e agir em todos os campos de empreendimento humano. educador perceptivo. Tornou a América-do-norte uma região líder entre as áreas industriais do mundo. temos a Ciência como uma das obsessões dominantes. “Pós-modernismo significa coisas diferentes para pessoas diferentes” afirma Willian Doll. para a educação e o currículo. uma mudança de entendimento ampla e difundida. Relacional e Rigoroso de caráter aberto e experimental.

A estrutura pósmoderna é estrutural e simultaneamente. O paradigma pós-moderno eventualmente se desenvolverá sobre a Ciência. o trazer esses códigos aos remanescentes. 1990). Uma Ciência contemporânea imbuída de criatividade e indeterminismo. Avaliando o primeiro se tem uma compreensão melhor do último... outro aspecto destacado por Toulmim. dialética e desafiadora. Literatura. [Nós precisamos] escolher e combinar as tradições seletivamente. O pós-modernismo apresenta uma natureza eclética: Conforme Jencks (1987) diz.. eleger aqueles aspectos do passado e do presente que parecem mais relevantes para a tarefa em questão. O pensamento pós-moderno invadiu as Artes. orientada segundo o Iluminismo_ desenvolvido nos últimos 300 ou 400 anos (Toulmin. as Ciências Sociais e a Teologia. O pluralismo é o “ismo” da nossa época. Jencks diz ser uma mistura de princípios modernistas como “história”. MODERNISMO E PÓS-MODERNISMO. Ciência. o pós-modernismo é um movimento novo demais para definir a si mesmo e muito variado e dicotômico. Humanidades.. 48 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .O paradigma sobre o currículo e seus métodos é histórico _ produto de uma mentalidade específica ocidental. Filosofia. aberta e transformativa.(página 7) O pós-moderno presta atenção ao passado para. “verdade” e “consistência. paradoxal. Para entendermos o novo paradigma e as implicações do currículo. Matemática.”. é preciso entender e fazer algumas distinções entre o modernismo e o pós-modernismo. Segundo Stephen Toulmin. numa visão do futur. Administração.

e sim pela produção industrial. uma Metafísica e uma Cosmologia em que qualidades como bom/mau. especialmente a Física e a Astronomia. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta não uma visão fechada. Augusto Comte e outros viram nascer uma nova era – uma era industrial. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. PARADIGMA MODERNO: UMA VISÃO FECHADA. como Pierre Laplace. Utilizando a ciência. é possível categorizar a história do pensamente ocidental em três metaparadigmas: prémoderno. liberalmente desenvolvido. claro/escuro podiam ser concebidas e definidas somente em termos da união destes opostos. Eles acreditavam que a riqueza agora seria criada não pela guerra. Durante os séculos XVI e XVII. A realidade e a existência pessoal consistiam na luta ou equilíbrio entre estes opostos. como estrutura organizadora. o determinismo causa efeito matematicamente mensurado. Visionários sociais do século XVIII. esta foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista. esta cosmologia chegou ao fim.Planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda é um dos desafios educacionais do modo pós-moderno. Newton desenvolveu no final do século XVII esta nova cosmologia. tecnocrática.moderno. Os gregos desenvolveram uma epistemologia. dependia de um universo fechado. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . moderno e pós . em cima/embaixo. 49 Copyright © 2007. A parte mais importante desta visão. A contínua melhoria material das vidas de todas as pessoas era vistos nas visões do iluminismo e Industrial como objetivo alcançáveis.

POZO. Juan Ignácio et al. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 2000. Porto Alegre: Artes Médicas. procedimentos e atitudes. César. 50 Copyright © 2007.COLL. Os conteúdos na Reforma: Ensino e aprendizagem de conceitos.

Public School Administration. Aplicado à educação isso significa: educar o indivíduo de acordo com suas capacidades. Franklin Bobbitt (1918) via o currículo como centrando-se nos déficits ou nas “deficiências dos indivíduos” (página 45) .que culturais. 1986. 1916. “The Elimination of Waste in Education”. O currículo tornou-se uma “preocupação nacional” (Kliebard. pág. 269. Currículo Científico Estas citações refletem quão completamente e o pensamento do industrialismo permeava o pensamento social e o currículo escolar. especialmente o currículo “cientifico”). .do professor (epitomizado na América rural do século XIX por Mark Hopkins sentado na extremidade de um tronco de árvore para o currículo. Uma vez que nem sempre era possível chegar a um acordo sobre quais eram “as características” do “melhor” 51 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Cubberley. Não obstante. e o currículo cientifico estava baseado na eficiência e na padronização. poderíamos inclusive dizer uma obsessão nacional. página 338. a virada do século realmente mostrou uma mudança de ênfase . quer pessoais . 1912. As nossas escolas são em certo sentido nas quais os produtos brutos (as crianças) são moldados e transformados em produtos que satistifaçam às várias demandas da vida.U NIDADE 11 Transforma o material bruto no produto para qual ele melhor se adapta. quer sociais. -Bobbitt. página 2). Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna.

parecem enfatizar primeiramente a escolha dos objetivos. eclético em natureza.trabalho. A predeterminação dos objetos. AS IDEIAS MODERNISTAS. Tyler fala sobre “uma filosofia educacional aceitável” (página 13). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não estou negando a observação de Hebert Kliebard (1986) de que o currículo norte-americano. seguidas por avaliações para determinar se os objetos foram atingidos. ou “sobre o que constituí a eficiência social” (1918 página 51). A intencionalidade 52 Copyright © 2007.a competência: poderes que podiam tanto transformar quanto ser transformados. poderes que podiam gerar outros poderes num ciclo evolutivo interminável. e que mesmo nessas ideologias concorrentes havia uma obediência geral aos princípios da ciência modernista. a seleção e organização das experiências para refletir esses objetivos. Ao retratar o currículo escolar como envolto no manto da ciência modernista. transferido. Nós definimos o bom ensino que resulta numa boa aprendizagem. que deve agir como uma peneira na seleção de objetivos. A transmissão estrutura o nosso processo de ensino-aprendizagem. estou dizendo que essas ideologias tiveram um efeito maior no nível da retórica e do discurso do que no nível da atividade de sala de aula. Jean Piaget e Noam Chomsky também desenvolveram estudos diagnósticos das capacidades de linguagem. Bobbitt considerou importante ir ao próprio local de trabalho e medir isso em termos científicos. Sobre currículo adotaram a versão fechada que significa através do foco o conhecimento é transmitido. originou-se de um “compromisso não muito metódico” entre ideologias opostas (página 29). Pelo contrário. A qualidade humana não é modelada ao igualarmos os sistemas vivos aos sistemas abertos ser humano significa ir além das estruturas biológicas e termodinâmicas. para que não sejam escolhidos objetivos inadequados. Embora eles discordassem sobre as origens das capacidades de linguagem. ambos deixaram de lado os déficits de desempenho para focar os poderes potenciais .

professor/aluno. 53 Copyright © 2007. Entretanto. a abertura humana contém seu próprio paradoxo. molecular) essenciais para haver transformações. O pós-modernismo propõe uma visão social. É a interação complexa entre abertura e fechamento em vários níveis. (consciente. nós/outros.13) São essas capacidades (intencionalidades. comunicação) que os educadores e curricularistas admitem que atualmente precisem ser desenvolvidas e que caracterizam a qualidade do ser humano. currículo/pessoa. ao mesmo tempo o pós-modernismo busca uma integração eclética. (pág 158) Assim as atividades complexas desenvolvidas pelo homem e a capacidades que eles possuem acima e além dos animais foram desprezadas ou negligenciadas. Segundo o autor o discurso passado e recente sobre o currículo não prestou atenção à complexidade do pensamento humano e adotou o paradigma comportamentalista que J. ela depende em parte de nós e nossas ações. mente/corpo.B Watson (1913) colocou “Não reconhece nenhuma linha divisória entre o homem e o animal”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não pré-ordenada e criada e nem descoberta. portanto devemos adotar uma visão aberta para termos uma perspectiva cosmológica e ecológica. somos responsáveis pelo futuro dos outros e nosso.segundo o autor é uma parte importante do ser humano e parte da intencionalidade é o desejo e a ação relativos ao fechamento. Portanto. autoorganização. do sujeito/objeto. biológico. resoluções definições. esta integração é um processo vivo negociada. No entanto. mas local. Aquelas capacidades que nas palavras de Jerome Bruner (1973) nos permite “ir além da informação dada”. Esta visão contribuiu para um conceito curricular em que o treinamento em atividades pré-escolhidas substituiu o desenvolvimento da capacidade transformativa. Neste caso só há transformação se houver interação do indivíduo com o meio ou o objeto de transformação. (cap. pessoal e intelectual bem diferente.

e faça a Atividade 1. 54 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no site da ESAB. no link “Atividades”.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula.

e mundialmente aclamado. Paulo Freire. voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 55 Copyright © 2007. Brasil. Breve Biografia Do Educador Paulo Freire Sabemos que não é possível falar de educação sem ter em mente as ideias do grande educador brasileiro. tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica. faz-se necessário conhecer um pouquinho de sua trajetória histórica: quem foi e o que fez.U NIDADE 12 Objetivo: Conhecer o educador Paulo Freire e suas contribuições para a educação. uma experiência que o levaria a se preocupar com os pobres e o ajudaria a construir seu método particular de ensino . É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. Portanto. Paulo Freire conheceu a pobreza e a fome durante a depressão de 1929. Paulo Reglus Neves Freire educador brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. Nascido em 19 de setembro de 1921 de pais de classe média no Recife.

Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, ele nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor, numa escola do antigo segundo grau ensinando a língua portuguesa. Em 1944, ele se casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho. Os dois trabalharam juntos pelo resto de suas vidas e tiveram cinco filhos. Em 1946, Freire foi indicado Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres, Freire começou a se envolver com um movimento não ortodoxo chamado Teologia da Libertação. Uma vez que era necessário que o pobre soubesse ler e escrever para que tivesse o direito de votar nas eleições presidenciais. Em 1961, ele foi indicado para diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, e em 1962 ele teve sua primeira oportunidade para uma aplicação significante de suas teorias, quando ele ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em apenas 45 dias. Em resposta a esse experimento, o Governo Brasileiro aprovou a criação de centenas de círculos de cultura ao redor do país. Em 1964, o golpe militar extinguiu este esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida ele passou por um breve exílio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, Freire publicou seu primeiro livro, Educação como prática da liberdade. O livro foi bem recebido, e Freire foi convidado a ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969. No ano anterior, ele escrevera seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, o qual foi traduzido para vários idomas como o espanhol, o inglês em 1970, e até o Hebraico em 1981. Por ocasião da crise política entre a ditadura militar que governava o Brasil e o socialista-cristão Paulo Freire, o livro não foi publicado no Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo de liberalização cultural.
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Depois de um ano em Cambridge, Freire se mudou para Geneva, Suíça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial de Igrejas. Durante este tempo Freire atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente Guinea Bissau e Moçambique. Em 1979, ele já podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Freire se filiou ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi indicado Secretário de Educação para São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias sobre educação popular. O instituto mantém os arquivos de Paulo Freire. Freire morreu de ataque cardíaco em 2 de maio de 1997 às 6h53 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

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Paulo Freire http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=YzURD6CgVs4 www.paulofreire.org (INSTITUTO PAULO FREIRE) www.paulofreire.ufpb.br (BIBLIOTECA PAULO FREIRE) www.pucsp.br/paulofreire (CÁTEDRA PAULO FREIRE)

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rigorosamente curiosos. os mares. todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível. investigadores e inquietos. humildes e persistentes. tem necessidade de buscar sempre novas e melhores formas de educar. A Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou as gentes. incluímos aqui o resumo do livro “Pedagogia da Autonomia”. a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognoscíveis. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. na perspectiva de Paulo Freire.U NIDADE 13 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. muito mais que de outras modalidades. E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. a terra”. pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando. Sabemos que o educador democrático trabalha com os educandos. A pesquisa se faz importante também. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. Algumas Reflexões Sobre A Educação. os rios. consequentemente de professor reflexivo. a natureza. com a finalidade de suscitar o espírito de pesquisador e. o professor de jovens e adultos. Nessa perspectiva. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 59 Copyright © 2007. segundo Paulo Freire. Assim. exigindo a presença de educadores e educandos criativos.

já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. é que esta obra se faz imprescindível.O livro é uma obra que apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos. como: simplicidade. bom senso (ética em geral) e esperança. Enfatiza alguns aspectos primordiais. além de educar. mas. É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos. construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais. valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade. mantendo-se assim o status quo. porém nem sempre adotados pela sociedade atual. Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas. sobretudo com as de baixa renda. de uma formação crítica e consciente dos estudantes que. através. Agindo em favor de uma sociedade mais justa e igualitária. valorizando a curiosidade dos educandos e educadores. 60 Copyright © 2007. humanismo. Alguns postulados apresentados no livro Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócioeducativo. estará formando para um futuro melhor. conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais. que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos. principalmente. dos veículos de comunicação de massa. pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado. atentando para a necessidade de formação ética dos educadores. Como eixo norteador de sua prática pedagógica. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno.

estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação. Segundo o autor. se comunica e que dá sugestões. Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social. ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção[2]. Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro. porque ensinar não é transferir conhecimento. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e. sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza. temos consciência de que somos inacabados. de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social. que opina.Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. em suas socializações com os outros e com o professor. pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. Defende ainda que a teoria deva ser adequada à prática cotidiana do professor. faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco. que critica. sem questionamentos. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo. Para Freire. que tem sonhos. que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos. Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto. dessa maneira. a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho". que pensa. sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada. que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la. e esta consciência é que nos instiga 61 Copyright © 2007.

autoridade e competência no decorrer de sua prática docente. Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo. pois ensinar exige humildade. pronto e inalterável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . diminuindo a distância entre o discurso e a prática. sua capacidade de ir além. Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado. O bom senso requer que sejamos coerentes. Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância. o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática. julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária. tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade. O educador não deve barrar a curiosidade do aluno. mas no alvoroço dos inquietos. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento. perceber criticamente e modificar o que está condicionado. sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças. passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história. enfim. No capítulo Ensinar é uma especificidade humana. mas não determinado. acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados. O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade.a pesquisar. Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética. intuição. 62 Copyright © 2007. pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação. senso investigativo. portanto a autoavaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica.

isto é. crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. Deve procurar mostrar o que pensa. indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas. A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . expressando a afetividade. a nosso ver. Para Freire. considerando que fomos programados mais para aprender e por consequência para ensinar. mas dando significados. A reflexão sobre as palavras do texto. tem como objetivo refletir um pouco mais sobre as concepções educacionais. ensinar exige querer bem aos educandos. O educador deve saber escutar. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo. para que o educando construa assim a sua autonomia. porém de uma formação científica séria. acima de tudo. no livro. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra.Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica. juntamente com o esclarecimento político dos educadores. além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos. O educador como um ser histórico. construindo e redescobrindo estes saberes. e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos. O propósito de resgatar as ideias de Freire. demonstra que Paulo Freire escreve e discursa. é o significado do ensinar. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam às vezes de maneira sutil. buscando a qualidade. não obstante transmitindo saberes. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. político. com amor pelo que faz. intervir e conhecer. mostra que o prazer e o amor são os primeiros ingredientes para a transformação da sociedade. pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos. tendo na educação um instrumento de libertação. É com a mais brilhante 63 Copyright © 2007. dos quais a educação também faz parte. uma vez que o mesmo por si só já direciona o educador para a prática educativa amorosa e portanto. neste livro. pois ameaçam confundir a curiosidade. pensante.

Enfim. 64 Copyright © 2007.vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. antes de qualquer coisa. É a mensagem de que para ensinar precisamos. da importância de se poder fazer a diferença no sistema social. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. no-econômico e no político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõem de meios financeiros para obter cultura e informação. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale à pena. onde ambos aprendem ambos adquirem e sanam dúvidas. ambos crescem como seres humanos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Justifique sua escolha. todos em idade de educação infantil. físico e social). ‘troca: o professor aprende com o aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . abaixo: Escolha um pequeno grupo de crianças.. intelectual. ”e “partir dos conhecimentos dos educandos... Que tal aplicar os conhecimentos sobre as teorias do desenvolvimento realizando a atividade de pesquisa e prática.. pode ser parentes. vizinhos ou seus alunos (se for o caso). mas não são desiguais”. Qual desses equívocos se identifica com a premissa “educandos e educadores são diferentes e é bom que o sejam. ir além”. Dentre as mais comuns. 65 Copyright © 2007.Sabe-se que as contribuições de Paulo Freire sofreram inadequações quanto suas interpretações. temos: “na sala de aula todos são iguais”. Situem as características deste grupo num determinado período do desenvolvimento e busque estabelecer as relações entre os diferentes aspectos do desenvolvimento (afetivo.

Algumas Reflexões sobre a Educação. Essa primeira virtude do diálogo consiste no respeito aos educandos. sem dúvida alguma. na perspectiva de Paulo Freire. fé e confiança. Sua concepção de educação parte sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto.  Movimento de massas.  Consciência articulada com a práxis.  Conscientização. Diálogo é relação horizontal. Uma Pedagogia para a Libertação. Outra virtude fundamental é escutar as urgências e opções do educando. Nutre-se de amor. “É preciso ter a coragem de nos experimentarmos democraticamente”. segundo Paulo Freire. esperança. não somente enquanto indivíduos. humildade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas também enquanto expressão de uma prática social. PEDAGOGIA DIALÓGICA Paulo Freire foi. um educador humanista e militante. Outra virtude: a tolerância. que é a “virtude de conviver com o diferente para poder brigar com o antagônico”. 66 Copyright © 2007. Entende que educação é processo de:  Diálogo crítico.U NIDADE 14 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador.

portanto. Tem um método dialético de pensar.Para Freire. O diálogo é. econômicas e sociais que condicionam a vida humana.  O educador é o sujeito do processo. Humanismo: Doutrina filosófica que tem no homem o valor supremo. entre oprimidos e opressores. aos que nada sabem.  O educador é o que pensa e os educandos. uma exigência existencial. os que não sabem. “Ninguém liberta ninguém. que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido. EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EDUCAÇÃO PROBLEMATIZADORA Na concepção bancária (Burguesa):  O educador é o que sabe e os educados. enquanto os educandos são meros objetos. dos que se julgam sábios. educação é um processo de humanização. NA CONCEPÇÃO PROBLEMATIZADORA: Funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos. A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. não separa teoria e prática. 67 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . definindo-se a partir dessa perspectiva as exigências psicológicas. históricas. o “saber” é uma doação. A educação torna-se um ato de depositar (como nos bancos).

Significa assumir sua ingenuidade com ele. 68 Copyright © 2007. mais necessário para a libertação do oprimido. Propõe a recepção passiva de um conhecimento empacotado. O educador libertador convida os educandos a um pensar crítico e reflexivo da realidade. é a tomada de consciência de sua própria situação de oprimido. afirmou ele. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Freire acha que é muito mais cômodo. porque a prepotência não exige competência ou respeito e dispensa explicações. o ato de conhecimento na relação educativa.Paulo Freire refere-se à categoria diálogo não apenas como método. a fazer uma nova leitura de sua realidade. não pode manipular os alunos. mas também não pode abandoná-lo à própria sorte. jamais chama os educados a pensar. O PAPEL DIRETIVO DO EDUCADOR Paulo Freire não desconsiderava o papel diretivo e informativo da educação. O educador revolucionário. para um educador. Nessa nova teoria de conhecimento. mas como estratégia para respeitar o saber do aluno que chega à escola. mas uma postura de quem deve dirigir os trabalhados e um estudo sério. expressa pela dominação política e pela exploração econômica a que é submetido. ser autoritário. O professor autoritário não humaniza. mas desumaniza. daí a necessidade de elaborar uma nova teoria do conhecimento. Respeitar o aluno não significa deixá-lo na ingenuidade. para ultrapassá-la. o saber mais importante. Essa diretividade não é uma posição de quem comanda para fazer uma coisa ou outra.

o trabalho cooperativo. mas existem pontos em comum como:  Respeito à liberdade de expressão individual. eles próprios. John Dewey e a Escola Nova O que a pedagogia de Paulo Freire aproveita do pensamento de Jonh Dewey é a ideia de aprender fazendo.  Provas e exames não são os únicos instrumentos de avaliação. O método de Paulo Freire procura aproximar a figura do professor. que no ensino tradicional encontra-se distante do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a relação entre teoria e prática. A educação deve ter uma visão do aluno como pessoa inteira. com sentimentos e emoções. Educação é vida! 69 Copyright © 2007. à crença na possibilidade de os homens resolverem. desde que motivados interiormente para isso.Paulo Freire no contexto do pensamento pedagógico contemporâneo O pensamento de Paulo Freire pode ser relacionado com o de muitos educadores contemporâneos. Carl Rogers e a pedagogia centrada no aluno Freire não defendia o princípio da não diretividade como Rogers.  A aula não é o momento do depósito do conteúdo. seus problemas. o método de iniciar o trabalho educativo pela fala (linguagem) dos alunos.  O aluno deve ser autor de sua aprendizagem.

Enquanto Vygostsky enfoca a dinâmica psicológica.Vygotsky e os educadores revolucionários soviéticos Em época e lugares diferentes. A humildade. A linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os seres humanos formulam generalizações. Freire se concentra no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e na análise da linguagem. a simplicidade e o otimismo são também características comuns aos dois educadores. abstrações e outras formas do pensar. 70 Copyright © 2007. Através das palavras. ambos perceberam a necessidade de associar a conquista da palavra à conquista da história.

As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ANÁLISE COMPARATIVA DE REFERENCIAIS EDUCACIONAIS A análise de referenciais sobre abordagens trabalhadas na educação tem como objetivo relembrar o caro cursista que como educador é muito importante termos bem definido nossa concepção educacional. digo que não é o uso de recursos educacionais que me faz um educador transformador. mas devemos ter como embasamento o seu núcleo de abordagem e de pensar sobre a educação. a postura do professor. Pois este parâmetro definirá nossas ações pedagógicas e relações interpessoais desenvolvidas no binômio professor – aluno. a sua relação com o conhecimento. o ambiente de sala de aula. A nomenclatura sobre estas duas concepções pode sofrer variação. diante do mundo e seu pensar sobre educação. buscando superá-las. vai definir sua atitude.U NIDADE 15 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O quadro síntese que lhes é apresentado anuncia de forma clara e com propriedade sobre a Visão Tradicional e Novo Paradigma na Educação. metodologia de trabalho. A percepção sobre o ensino. mas a relação que 71 Copyright © 2007. possibilitador de novas atitudes paradigmáticas. Parafraseando Paulo Freire. como possibilidade ou não de reconstrução do conhecimento. A aceitação por uma determinada abordagem pedagógica também será baliza para a forma como praticamos a avaliação e o olhar sobre o erro.

multidimensional. o aprender a ser. quando me percebo ensinante a aprendente. o transmitir aprender a fazer. Quando sou aquela que ensina e aprende com seu aluno. educacional. numa relação dialógica do saber. Quadro-Síntese Visão Tradicional VALORES/PERCEPÇÕES Novo Paradigma VALORES/PERCEPÇÕES Visão mecanicista e Visão sistêmica do conhecimento. o aprender a conviver. 72 Copyright © 2007.estabeleço do conhecimento com o meu aluno. INSTRUTOR Foco do processo de ensino. ENSINO EDUCAÇÃO Ação. instrutor. gerenciada de pelo Enfatiza o aprender a conhecer. processo de aprendizagem. SALA DE AULA Espaço ensino. EDUCADOR informações. do fragmentada conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . físico destinado AMBIENTE DE APRENDIZAGEM ao Não está delimitado por espaço físico. É estimulador de um ambiente plural. ALUNO APRENDIZ Elemento passivo no Centro de referência agente e da autor ação do processo de ensino. mas pela concepção de aprendizagem.

CONTEÚDOS Currículo disciplinas predeterminado, isoladas ou

CONTEÚDOS com Processo temas significativa

integrado do

de

construção

conhecimento,

fragmentados.

interdisciplinaridade.

Visão Tradicional
OBJETIVOS

Novo Paradigma
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Comportamentais função de

e

com Desenvolvimento

de

conhecimentos,,

controle

do habilidades e atitudes apropriadas para

professor sobre o conteúdo a realização de um propósito. ministrado.
MEIOS MEIOS

Servem pessoas.

para

treinar

as Desenvolvem formas sofisticadas de comunicação multidimensional e

sensorial que facilitam a aprendizagem.
RESULTADOS RESULTADOS

Alcance dos objetivos que Demonstração podem ser mensurados.

do

alcance

de

competência nas dimensões aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

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DA PRÁTICA INSTRUCIONAL À PRÁXIS EDUCACIONAL Contextos: político,

econômico, social, científico, cultural, tecnológico.

(Direcionam um novo olhar sobre as práticas educacionais.) Educação Tradicional – paradigma de separação sujeito e objeto  fragmenta o conhecimento e suas estruturas. Educadores séc. XXI – fundamentados na nova visão do mundo  globalidade e atuação como integradores conhecimento e problemáticas contemporâneas. As formas de olhar e de representar a realidade definem um arcabouço conceitual  sujeitos / objetos
Referenciais para uma nova práxis educacional

 teoria cognitivista  teoria humanista  teoria sóciocrítica. O foco das três teorias:  o pensar crítico;  o pensar criativo;  a aplicação dos conhecimentos.
Fusão- aprender a conviver e aprender a ser  relações interpessoais.

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U

NIDADE

16

Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor), buscando superá-las. Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002. 1-QUANTO À DIMENSÃO: APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER Objetivo pedagógico: é o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico, com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento, ou seja, – aprender a conhecer e a pensar. (SAI)-_apresenta atitude de investigação e organização do conhecimento É o desenvolvimento de habilidades e procedimentos que levam o indivíduo a aprender a conhecer,... na escola, em museus e bibliotecas,... através das mídias e em ambientes fora da escola desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano, de seu saber e de suas aptidões, como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors, 1996:8). DESENVOLVIMENTO DO APRENDER A CONHECER Aprender a conhecer: interpretação da realidade – conceitos, princípios, fatos, proposições e teorias – visão global contextualizada. Prática tradicional: plano de curso – aula – conteúdo  temas  subtemas  divisão de tempo – transmissão de informação. Paradigma: construção do conhecimento e transferência para a vida cotidiana.“... modernidade educativa é a didática do aprender a conhecer, ou do saber pensar...”

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 imaginação. 76 Copyright © 2007. posicionarse. criticar) para autorealização pessoal e social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Pensar criativo:  tempestade de ideias.  solução criativa de problemas. Em relação aos conteúdos Enfoque dedutivo: ideias gerais  conclusão  particular. Enfoque indutivo: ideias particulares  conceitos  universal.(Pedro Demo. Metodologias e estratégias devem priorizar o pensamento reflexivo (questionar. ATUAÇÃO DO PROFESSOR: METODOLOGIA Atua como mediador entre o saber sistematizado e as condições lógicas do aprendiz.  interrogações divergentes.  paradoxos. atuar.  argumentação.  pensar próprio. original. 1993) Pensar crítico:  comparação.  metáforas.  classificação.  análise.

produzindo desta forma. Aprender a conhecer e aprender a fazer são. Neste processo a pessoa acrescenta saberes pessoais e contextualiza o conhecimento.Enfoque reflexivo / Criador: atividade intelectual  problema  avaliado. como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors. EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO:  experiências de aprendizagem – crítica. 77 Copyright © 2007. análise. Desenvolvimento do aprender a fazer: O aprender a fazer é a habilidade de usar o conhecimento de maneira original em situações específicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . indissociáveis. por meio de capacidades. posicionamentos.  integração com o meio e com o outro. habilidades e atitudes. Educar para o êxito / habilidades e destrezas. APRENDER A FAZER Objetivo pedagógico: estimular a transformação da teoria em ação. aplicação do conhecimento em uma prática refletida e planejada. novos paradigmas. discutido  alternativas. de seu saber e de suas aptidões.  organização do pensamento – realidade-meio. Aprendizagem – ocorre com produção de mudança em ações. 1996:8). Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? …desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano. É transpor o conhecimento para a vida. Está ligada (para-sai) à questão da formação profissional.

de conviver e ser criativo. 2000) Desenvolvimento do aprender a ser / conviver Consciência individual e social  fortalecer a reflexão. 78 Copyright © 2007. ou seja. APRENDER A CONVIVER POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada. precisam aprender a viver em grupo.DIMENSÃO APRENDER A SER / APRENDER A CONVIVER Objetivo pedagógico: estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades individuais – cognitivas. se as pessoas que aí vivem. mais efetivo e aprende a ser em relação ao outro. aprender a conhecer a pensar. DIMENSÃO APRENDER A SER Desenvolvendo suas habilidades e competências específicas de forma colaborativa no projeto. Isto é.  Aprender a viver juntos envolve as relações interpessoais  sinergia  solução de conflitos  respeito ao outro.. Princípio unidade / diversidade. aprende a conhecer o outro e se conhecer através do outro. (Cortelazzo. Esta dimensão refere-se à evolução da pessoa e a sua maneira de ser e de se autoconduzir. Homem uno e singular e ao mesmo tempo múltiplo e complexo  conceitos de interdependência e inter relacionamento entre os seres. fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . portanto. onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. É o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico. de ser pessoa.. o aluno tem sua autoestima aumentada . com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento. torna-se mais produtivo.

analogias. o conceito que uma pessoa tem de si reflete-se na formação de inferências. descrições sobre os outros e si mesmos. psicodramas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . juízos. 79 Copyright © 2007. mas possibilitar vivências.Indicadores do processo de desenvolvimento da dimensão ser / conviver: Autoconceito  a imagem. sentimentos. PENSAR CRIATIVO Estimular o pensamento criativo não significa ensinar criatividade (disciplina). exercício da fluência de ideias e cultivo do pensamento divergente e inovador. Conviver / Dinâmica grupal – aprimora o processo de crescimento psicológico e de tomada de consciência subjetiva. Ex: Técnicas: tempestade de ideias.

buscando superá-las. nascido em 1896 e falecido em 1980. nascido na França em 1904 e falecido em 1990. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . suas principais obras são sobre o behaviorismo e o mito da liberdade. BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS condicionamento clássico. psicólogo e biólogo suíço. autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento PIAGET e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética. psicólogo norte-americano. Skinner afirma ainda que o fracasso dos professores esteja na negligência do método. funda o Centro de Estudos de Epistemologia 80 Copyright © 2007. respectivamente. governado por estímulos do meio externo. Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra.U NIDADE 17 Burrhus Frederic Skinner. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas. Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais. Firmado como um dos principais behavioristas. foi autor de importantes trabalhos sobre a aprendizagem e o ensino programado. afirma que o homem é um ser manipulável. Acredita na aprendizagem por consequências recompensadas e pelo Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). no processo de aprendizagem que consiste Skinner na formação de uma associação entre um estímulo e uma resposta aprendida através da contiguidade. doutorou-se em Harvard (1931). em Genebra. Skinner afirma que o nosso comportamento só pode ser explicado mediante um rígido determinismo. a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau. Jean Piaget. lecionou nas Universidades de Minnesota e de Indiana. Em 1995.

Piaget critica severamente à escola tradicional. Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. impede a formação de inteligências inventivas. formou-se na Universidade de Colúmbia. Em 1945. e esta relação deve ser aberta. de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento. foi professor de Psicologia na Universidade de Chicago e secretário executivo do Centro de Aconselhamento Terapêutico. onde as habilidades como a linguagem e o desenho são Piaget desenvolvidos. O terceiro período de dá dos 11 aos 15 anos. o primeiro período se dá dos 2 aos 7 anos de idade. psicólogo norte-americano. elaborou e definiu seu método de terapia centrada no cliente. Rogers diz que para facilitação da aprendizagem.Genética. e suas aplicações à educação e a outros campos. o facilitador Rogers (professor) deve ser uma pessoa real. o mesmo acredita que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar é relacionada com seus 81 Copyright © 2007. sem mascarações. lecionou na Universidade de Rochester. onde também transpôs para a educação sua concepção terapêutica. fez uma exposição geral do seu método não diretivo. onde passou a ser diretor. críticas e pensadoras. a criança começa a pensar logicamente. O segundo período se dá dos 7 aos 11 anos. sem ostentar uma simples aparência no contato com os alunos. crédito. O professor deve depositar no aluno confiança. Nascido em 1902 e falecido em 1987. Rogers acredita que os seres humanos têm natural potencialidade de aprender. onde se especializou em problemas infantis. apreço. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. verdadeira. afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança. quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo.

seu método ganha forma com o movimento de Cultura Popular de Recife. sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática e a teoria se inter-relacionam num processo de constante aperfeiçoamento. Citamos como algumas de suas obras: “Educação como prática de Liberdade”. Formou-se em Direito na Universidade de Recife. junto a outros brasileiros exilados. Em 1963. a qual visa à formação da autonomia intelectual do cidadão para intervir sobre a realidade. Freire continua com suas atividades e assume cargos em Universidades e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. “A importância do ato de ler”. Em 1964. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento. 82 Copyright © 2007. na gestão da prefeita Luisa Erundina. que assessorou diversos movimentos populares em vários locais do mundo. após suas primeiras experiências com educação de trabalhadores. e falecido em 1997. “Cartas à Guiné Bissau”. “Vivendo e aprendendo”. Retornando do exílio. criou a IDAC (Instituto de Paulo Freire Ação Cultural).próprios objetivos. aplicada à educação. Entre 1957 e 1963 lecionou História e Filosofia da Educação. Freire enfatizando a transformação da prática cria a categoria pedagógica da conscientização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o qual determinou sua prisão. do PT. “Pedagogia do Oprimido”. Em 1961. Em 1970. suas atividades são interrompidas com o Golpe Militar de 1964. em Genebra. Paulo Freire nascido em 1921 em Recife. participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. e a mesma deve ter uma contínua abertura à experiência e à incorporação dentro de si mesmo. do processo de mudança.

cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. prática). e a mesma acontece quando o aluno participa deste processo. equilibração. o mesmo acredita na questão do reforço (treino. A mesma apresenta também dimensões interacionistas. Acredita nas concepções tradicionais. envolvendo seu cotidiano. onde o progresso do indivíduo é limitado por si mesmo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . acreditando que estas ações contribuem para a autonomia. governado por estímulos do meio externo. exercício. a passividade de professores e alunos transmitirem e receberem um "conhecimento empacotado" o que 83 Copyright © 2007. como aumento de produção. o conteúdo deve ter valor para o aluno. a autoapreciação. transmissões Piaget sociais e culturais. Skinner Segundo Skinner o homem é um ser manipulável. Suas teorias apresentam tendências construtivistas. criatividade e autoconfiança. Maturação. e a avaliação sobre outros olhares. cujo objetivo baseia-se no condicionamento do ser humano. Para que haja interesse. ser uma pessoa. coloca o indivíduo como transformador da realidade através de um trabalho de conscientização e politização. critica os mecanismos de introjeção da Freire Ideologia dominante. Propôs quanto à questão do facilitador. Engloba-se dentro de um pensamento pedagógico progressista. um professor real. Afirma que o educador deve assumir princípios e valores. são fatores desenvolvidos nesta teoria. no papel estruturante do sujeito. e o indivíduo aparece como produto do meio. Rogers valoriza a autocrítica. Rogers afirma que é por meio de Rogers atos que se adquire uma aprendizagem mais significativa. experiências físicas.PARALELO DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS Problemas resolvidos através de uma tecnologia do comportamento. Acredita que os seres humanos têm um potencial natural de aprender.

e a criança o construirá. acreditando Rogers que o indivíduo tem dentro de si a capacidade de compreender os fatores de sua vida. como por exemplo: um prêmio para o vencedor. Propõe liberdade para o indivíduo construir. considerando que a criança passa por todas as etapas. como um ato criador. De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo). onde o aluno tem Skinner que repetir exatamente igual. mas deveria ser proporcionada uma educação politizada. E para que isso aconteça o professor usa estímulos. o aluno tem liberdade de direcionar e conduzir o seu processo de aprendizagem. envolve a compreensão da realidade. superando as barreiras chamadas “mecanismos”. o qual se dá em etapas Piaget sucessivas. 84 Copyright © 2007. PERFIL DO MODELO DE PROCESSO PEDAGÓGICO Propõe o conhecimento como algo que vem do exterior para o interior. Tem sua preocupação voltada para a alfabetização de jovens e adultos. acreditando que o indivíduo não devia ser alfabetizado Freire apenas para a leitura e escrita. O professor traz para suas aulas um modelo pronto. as situações que produzirão o conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .aumenta o índice de analfabetismo. O aluno deve vivenciar a prática. os materiais devem ser concretos. deve ser realizado dentro de um contexto social. onde alunos são objetos no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. Freire afirma que o aprendizado da leitura e da escrita.

e buscava pela necessidade tentativas de experiências renovadoras de ensino. o qual apresentou Freinet um confronto entre a escola tradicional e a escola proposta por ele. Freinet é considerado como um grande crítico da escola tradicional. buscando superá-las. De acordo com Freinet devem ser proporcionadas oportunidades para que se produza o conhecimento. lutou na 1ª Guerra Mundial. foi um dos educadores mais marcantes da escola fundamental de seu país. como metodologia. e são necessárias técnicas construídas com base na experimentação e documentação. sua principal obra foi o livro “Educação pelo trabalho”. Freinet afirmava a existência de uma dependência entre a escola e o meio social. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS Nascido na França em 1896 e falecido em 1966.U NIDADE 18 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). 85 Copyright © 2007. afirmando que esses instrumentos aprofundam o conhecimento e o desenvolvimento de sua ação. onde o trabalho tinha posição central. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

no que se refere à alfabetização. onde a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada. onde a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas.É pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional. Seus trabalhos e pesquisas demonstraram uma preocupação em integrar os objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e cultural. atribuindo o valor de sílaba a cada letra. cabe ao professor organizar atividades. (SAI atualmente aos 62 anos) . De acordo com Ferreiro é preciso diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização. As crianças interpretam o ensino que recebem. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita. enfim. orientada por Piaget. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que favoreçam a reflexão sobre a escrita. e a alfabética onde a criança domina. silábico-alfabética. os quais surgem da interação com a linguagem Ferreiro escrita. no México. transformando a escrita convencional e produzindo escritas estranhas ao adulto. silábica onde a criança interpreta a letra à sua maneira. e que emergem de uma forma muito particular em cada um dos sujeitos. Para Ferreiro. Ferreiro contribuiu para a compreensão do processo de aprendizagem.Emília Ferreiro. foi professora em várias Universidades latino-americanas e européias. psicolinguística argentina. não existe um método com todos os passos predeterminados. pois as crianças não chegam na escola vazia. 86 Copyright © 2007. o valor das letras e sílabas. doutorou-se pela Universidade de Genebra. a mesma afirma que a criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica. demonstrando a existência de mecanismos no sujeito que aprende. apesar de a criança construir seu próprio conhecimento. Desenvolveu trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita.

um parceiro importante na “Educação”. sobretudo pela interação social. formado em Direito. no qual o mesmo é transformador dessas ações. história e filosofia. Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético ( Karl Marx) para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista na Psicologia. De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas Vygotsky nas relações sociais que o homem mantém. Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60. e atualmente seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo. de origem belgo-russo.Lev Semenovich Vigotsky. sistemático de construção da humanidade. E a educação como um processo social. e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. aos 37 anos de idade. nascido em 1896 e falecido em 1934. que ocorre na interação com os adultos e os colegas. Este pensador teve uma produção intelectual intensa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 87 Copyright © 2007. afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. Para Vygotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá. entendia o homem como um ser ativo. que age sobre o mundo sempre em relações sociais. onde o professor torna-se figura fundamental. o ideal é partir do que ela domina. sendo a aprendizagem um processo essencialmente social. sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. o colega de classe. pensamento e linguagem. para ampliar seu conhecimento". e no Brasil só início da década de 80. Quanto ao conhecimento Vygotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador ir além do que ela pode aprender é ineficaz. É no processo de ensinoaprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo. também fez cursos de medicina. Construtor de propostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação.

e é preciso diagnosticar seu grau de conhecimento antes de iniciar o processo de alfabetização. Não pode ir além de da vida na escola. . .A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de relação de domínio crucial para ou de liberdade a aprendizag em. -A aprendizage m da criança inicia-se desde o seu1º dia de vida. . -Homem é visto como um robô do meio em estágios. sim uma ação cultural que resultaria numa será neutro.Como Vigotsky. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .A criança geradoras”.Processo de alfabetização Vigotsky -A Ferreiro . participativa e .Homem ser sozinha. até a maturidade intelectual. A relação entre o educador e o aluno é o meio. aprender que governado evolui por por estímulos do meio ambiente externo. Ferreiro afirma gem se dá iniciado por através do palavras tateio conhecidas pelos sobre a importância de respeitar o nível de desenvolviment o do aluno. entre mestres e alunos (identificando-se neste ponto com Copyright © 2007. experimen alunos “palavras tal.COMPARAÇÃO DE IDEIAS E PRINCIPAIS PONTOS DE SUPERAÇÃO Skinner -A Piaget .Importância de a educação . aprendizag Piaget é a pessoa em é a conexão entre o estímulo e a resposta e que o que constrói seu próprio conhecimento.Como Piaget. Aprendiza gem pensar o desenvolvime nto da criança de maneira Freire a pedagogia deveria ser flexível. .De acordo com entre os seres humanos.E como Piaget. . manipulável.Processo aparecimen ações mútuas não avança educativo nunca to do entre o indivíduo e estímulo evoca a resposta. Ferreiro coloca que os alunos nunca chegam à escola vazios.De acordo com Freinet -A aprendiza Freire .O professor deve através da incentivar ao máximo o diálogo respeitar o nível de habilidade prospectiva e que não é porque não o aluno participa retrospectiva. de forma direta da construção do 88 desenvolvimento da criança. onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas aprendizage Ferreiro afirma m se dá sobre tudo pela interação social. . mas .

fora para dentro. onde o Desenvolvim ento é um processo acontece de conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo. - Freinet. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que alunos estão inseridos. condicionam ser manipulável.Professores conhecimento é e colegas buscado e construído. - mestre e educador).O indivíduo não deve apenas aprender formar e controlada considera o pelo indivíduo como um situações onde o . 89 Copyright © 2007. . consciência sociedade seu dos alunos. conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvime nto da criança. próprio papel. nem deixá-las agir sozinha. cabe ao professor proporcionar Consideraç mesmo enfatiza a ão da realidade importância da interação entre comportame Superando em ntal é moldada. o ento ambiental. qual aprende através de palavras fora de um formam um Valorização contexto.que vive cuja natureza sua capacidade. mas da livre compreender na condicionamentos. manipulada todos os pontos as em que os teorias propostas por Skinner.

cópia de um texto oral. Como princípio fundamental. é bom relembrar as características de tais concepções. a aula torna-se suportável. de saberes. buscando superá-las. de revelações e ações” As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica Faz-se necessário refletir sobre as concepções educacionais e como essas se realizam e a partir daí. A maioria das aulas se transforma num ditado . os procedimentos didáticos reduzem-se a exposição sem fim. consistente e claro). ela transforma-se numa tortura intelectual: o aluno tenta anotar o que houve e não entende o que está ouvindo. Quando o professor tem boa verbalização (discurso coerente. acompanhada de anotações mecânicas. os conhecimentos por ele demonstrados. 90 Copyright © 2007. cuja missão é repassar todas as informações. quando ele apresenta dificuldade de expressão. Concepção autoritária Nesta concepção. O professor se coloca como único detentor do conhecimento.U NIDADE 19 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). de outro. trabalhar na perspectiva de uma profunda e efetiva transformação social. a uma audição interminável. “esgotar o programa ou o livro didático adotado”. como por exemplo. Assim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . todo o conteúdo. o professor autoritário impõe um ritmo frenético à sua própria atividade e espera que os alunos absorvam. Didaticamente. Ocorre. acredito que ensinar a ler e a escrever é mais que uma revolução. É o descortinamento de vida.no fundo. com uma passividade também frenética. “Seduzida por uma antiga paixão que é o ato de educar. de um lado. pois não há tempo para que o aluno reflita sobre o que está anotando.

especialmente daquele que.formulam-se os planos de curso que. do controle. muito menos. passivamente. muito mais às exigências fiscalizadoras dos órgãos intermediários. uma denúncia da burocratização do ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . além de não levarem em conta a realidade dos alunos e seus conhecimentos adquiridos em outros meios. Na verdade. os professores autoritários continuam atendendo. do que às necessidades dos alunos. que pouco ou nada têm a ver com as demais séries. anteriores e posteriores. No que diz respeito ao Relacionamento. Na maioria de nossas escolas. códigos próprios etc. Valendo-se de uma definição institucional da autoridade. Aliás. na maioria das vezes. mesmo exigindo a aquisição do livro didático. da preocupação com a hierarquia e a busca do consenso está na insegurança do professor. muito menos. É muito comum a angústia dos alunos. Raramente articulam conteúdos. expressa na ansiedade de anotarem até os suspiros do professor . não se ouve a trilha sonora nem se aprecia a beleza das imagens. estabelece uma relação com os alunos cm que o respeito mútuo não se constrói no reconhecimento das diferenças igualitárias. são meros elencos sequenciais de conteúdos programáticos. a raiz da imposição. O plano de curso apresenta-se como uma entidade autônoma de dependências internas (unidades-programa). mas nas distinções hierarquizadoras. generalizadamente. com a vida do aluno. ouvem-nas. Nas famosas semanas de planejamento . um processo mais ou menos semelhante ao de alguém que assiste a um filme com legendas: "lê-se" o filme. referem-se ao curso como um todo (integração vertical). não leva os alunos a utilizá-Ia e cobra. dificuldades prérequisitais. assistir às aulas já é uma expressão denotativa da cultura da passividade imposta ao discente. Ainda que haja. os alunos nem assistem às aulas.quase sempre anteriores aos primeiros contactos com os discentes . reduzem-se a simples programas de série. nem. 91 Copyright © 2007. objetivos e procedimentos e. nas verificações da aprendizagem. tudo o que foi dado em aula.então.

Nas escolas brasileiras não se observam às propostas anarquistas. São os famosos estudos dirigidos sem direção. à autoaprendizagem. 92 Copyright © 2007. de modo a viabilizar somente a satisfação dos desejos do educando. mas anárquicas.. princípio fundamental da Escola de Summerhill.. essa verdadeira antipedagogia foi uma tentativa de aplicação dos princípios psicanalíticos a projeto escolar. de A. toda moral preconcebida. ou melhor. negociadas no próprio coletivo dos discentes. toda instrução religiosa. 22) certamente é a maior inspiração do que estamos denominando por concepção anárquica. preconizando a abstenção dos educadores. dependendo de suas disposições individuais. Assim. ou o conflito.Concepção anárquica "[. deixando ao aluno o livre curso para as manifestações automotivadas ou. como as primeiras. Neill (19970. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. que não são fruto. A didática consiste em não usar qualquer didática. muito menos. Na permissividade gerada pela ausência de diretriz tudo é possível: ou o consenso. Na concepção anárquica dá-se ênfase à aprendizagem. como ocorre na maioria das vezes. manifesta-se uma grande atividade ou não dos educandos. mas algo que dela se aproxima. quando muito. o ludismo inspirado no engodo de que só se aprende brincando. para que os alunos percebam os aperfeiçoamentos necessários. a indiferença quanto ao ambiente necessário à concentração e ao trabalho intelectual. os inúmeros trabalhos exigidos dos alunos (que fazem meras colagens) e que nunca são corrigidos detalhadamente. a substituição de docentes por discentes (sem a finalidade precípua de prepará-Ios para o magistério). o dissenso generalizado. ou. Na realidade. numa espécie de democratismo confortável (para o educador). de deliberações doutrinárias.] renunciar a toda disciplina. na medida em que não é necessário grande empenho e.. p. a liberação de aulas sob a pressão dos mais fúteis motivos etc. sem qualquer constrangimento que pudesse causar traumas ou neuroses. trabalho. seja ela qual for". toda sugestão. ao lado da passividade do educador (sua presença é necessária?). S. .

etc. com fronteiras nitidamente definidas e grau crescente de complexidade. Partindo do princípio de que todo ser humano é capaz de aprender (e também de ensinar). isto é. 48)”. p. 18). pela mútua persuasão. teorias. a relação professor e aluno torna-se um processo de constante ensino e aprendizagem de mão dupla: os caminhos do ensino descortinam horizontes para a aprendizagem e esta revela instrumentos e mecanismos para o aperfeiçoamento do primeiro. postulados. busca-se a “ciência-processo”. para cuja formulação contribuem todos os envolvidos no processo. juízos de fato. O controle ou a permissividade são substituídos pela negociação. neutralidade científica. E só ela é capaz de resgatar a qualidade do trabalho escolar. Nessa concepção trabalha-se com objetivos. claramente explícitos. a segunda volta-se para uma espécie de "correção progressiva dos dados da experiência e da reflexão". os papéis são reconhecidos pelas competências específicas. oportunidades de rompimento com fronteiras ortodoxamente estabelecidas. como afirma Newton Freire Maia (1991. Não se forma o cidadão sem a Escola Cidadã. legitimadas pelas descobertas compartilhadas e pela racionalidade dos avanços. p. como dizia Goldmann (1978. Sempre se oportunizam fora dos já consagrados modos 93 Copyright © 2007. metódica e sistematicamente. Enquanto a primeira está preocupada com as leis. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . leis. sem que se respeitem às diferenças.”. ampliação e revisão. Ninguém se impõe a ninguém. verdades absolutas e universais. interpretações. isto é. e as divergências (sempre presentes) não constituem mero exercício de esgrima intelectual ou uma disputa em si. 2000) representa a síntese dialética (não eclética) entre as posições autoritárias e as anárquicas. mas um espaço de respeito pelas diferenças. sem hierarquizações dos atores escolares. axiomas.Concepção democrática A concepção democrática (segundo GADOTTI & ROMÃO. ritmos e histórias de vida próprios. no sentido de ser instrumento eficiente e eficaz da transformação social. modelos. perseguidos. “a contínua elaboração. Ao invés da preocupação com a “ciência-disciplina: conjunto de descrições.

É a atitude ingênua mais frequente supor que cabe ao educador formar. ambos. 94 Copyright © 2007. O educando como puro "objeto" da educação. trabalharão o tempo todo: o primeiro. incentivador. colocando criticamente seu ponto de vista. com economia de energia e de tempo). como provocador. plasmar o aluno (como se costuma dizer). E. Discuta com seus colegas sobre esta temática. mas na descoberta progressiva dos papéis e funções diferenciados. descobridor. professor e aluno. o segundo. cosistematizador e coavaliador/avaliado. A segurança de todos não se estabelece em hierarquias previamente institucionalizadas ou pactuadas. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como provocado. sistematizador e avaliador. o saber.diferentes de se resolverem situações-problema (muitas vezes. Essas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .por motivos que cabe à análise filosófica examinar . consciência ingênua é aquela que .. isto é. Por isso julga-se um ponto de partida absoluto. Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua. e a representação mental de si. A simples reflexão sobre si pode ser apenas introspecção. A concepção ingênua A concepção ingênua é aquela que procede de uma consciência ingênua. A consciência ingênua pode refletir sobre si.U NIDADE 20 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. do objeto. tomar-se a si mesmo como objeto de sua compreensão. Assim. A realidade é apenas recebida ou enquadrada em um sistema de ideias que se cria por si mesmo. uma origem incondicional. Não inclui a referência ao mundo objetivo como seu determinante fundamental. as ideias se originam das ideias. acredita que suas ideias vêm dela mesma.não inclui em sua representação da realidade exterior e de si mesma a compreensão das condições e determinantes que a fazem pensar tal como pensa. E. do mundo. da totalidade da realidade objetiva que sobre ela influi (o que só ocorre com a consciência crítica). 95 Copyright © 2007. porém não chega a ser uma autoconsciência. que tem como conceito a representação mental da realidade exterior. porém não se identifica com a autoconsciência. a autoconsciência (VIEIRA PINTO. faz-se necessário resgatar a noção de consciência. 2000). porque esta só existe quando a percepção do estado presente da consciência é acompanhada da ideia clara de todos seus determinantes. do sujeito. Antes da discussão sobre as concepções da consciência ingênua e crítica.

todavia em relação ao adulto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .A consciência crítica A consciência crítica é a representação mental do mundo exterior e de si. pois está ligada a um mundo objetivo que é um processo e reflete em si esta objetividade nas mesmas condições lógicas que definem um processo. pois engendra as mais equivocadas ideias. histórico. A concepção ingênua da educação No campo da educação. A consciência crítica. Refere-se a si mesma sempre necessariamente no espaço e no tempo em que vive. uma consciência justificativa de si (em sua forma ou procedimento. A educação escolar sempre toma o educando já como portador de um acervo de conhecimentos (por exemplo. em particular. de desperdício de recursos. de intentos frustrados. pois. Inclui necessariamente a referência à objetividade como origem de seu modo de ser. torna-se verdadeiramente autoconsciência. a linguagem na criança ou o 96 Copyright © 2007. portanto. quando reflete sobre si (sobre seu conteúdo). social. no qual se encontra. O educando como "ignorante" em sentido absoluto. que se traduzem em ações e juízos que não coincidem com a essência do processo real. Estes pertencem ao mundo real. e sim pelo fato de perceber seu conteúdo acompanhado da representação de seus determinantes objetivos. Concebe-se segundo a categoria de processo. material. É. histórica. pois verdadeiras. nacional. e traduz-se em uma fonte de equívocos. Não podem levar à completa e rápida solução dos problemas que considera. em seu conteúdo ou aquilo que percebe em função das condições históricas e sociais de sua realidade. A autoconsciência é. por essência. o que implica compreender que o mundo objetivo é uma totalidade dentro da qual se encontra inserida. e muito mais. que não são. Noção falsa em relação à criança. a consciência ingênua é sempre nociva. acompanhada da clara percepção dos condicionamentos objetivos que a fazem ter tal representação. do grau de desenvolvimento do processo nacional ao qual pertence). não pelo simples fato de chegar a ser objeto para si.

etc. o significado e a valoração eminentemente sociais da educação. Concebem o educando como objeto. em um diálogo esclarecedor e não em uma imposição de ideias. plasmar o aluno (como se costuma dizer). A principal nocividade desta atitude está em preceituar limites ao processo pedagógico. E a atitude ingênua mais freqüente é supor que cabe ao educador formar. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. Absolutiza-se o conceito de "ignorante" para as classes populares. o adulto a educar é absolutamente "ignorante". procedimento que parte do suposto direito de domínio. Estas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. carreira. o saber. enquanto se relativiza esse mesmo conceito para as elites (a fim 97 Copyright © 2007. isto é. Para a consciência ingênua. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . com os interesses do educador e com o mesmo ato de ser transmitida. que é a sociedade. Esta ingenuidade é grave. em dar caráter absoluto às divisões em graus. de consciência autônoma (para si). porque converte a educação em ato caritativo e transfere para o plano dos valores éticos (inteiramente alheios a este problema) a essência. Este conhecimento prévio é o resultado da prática social do homem (criança ou adulto) e de sua formação até o momento em que começar a receber educação institucionalizada. educada e dirigente da sociedade. o meio onde vivem. de um conjunto de noções. Esta ingenuidade se refere à noção de conteúdo e forma da educação. que só pode ser educada. Supõe que o professor é apenas o transmissor de uma mensagem definitivamente escrita. de uma consciência sobre outra. Porém a noção de ignorância é tomada aqui em sentido abstrato. e que essa mensagem não se modifica com as condições de tempo e lugar. instruída. de acordo com determinado método. A educação como transferência de um conhecimento finito. O educando como puro "objeto" da educação. de algum conhecimento (sempre concreto). não é concebida como "ignorância de algo". A educação como dever moral da fração adulta. e por isso não reconhecem nele a dignidade de sujeito. níveis. A criança e o adulto vêm à escola já preparada (inclusive para desejar vir à escola) por outra escola geral.trabalho no adulto).

e faça a Atividade 2 . que é concretamente sabida por outro. que revela o caráter interessado da noção de ignorância: o homem do povo é ignorante porque não sabe alguma coisa. o caráter da ignorância é sempre relativo. o que só pode fazer convertendo-a em uma noção irreal. este outro ignora muitas coisas que o primeiro sabe. Vê-se a duplicidade de critérios. porém. A consciência ingênua necessita absolutizar a ignorância. enquanto o membro da elite é culto porque sabe alguma coisa. 98 Copyright © 2007. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. no link “Atividades”. Como. Um indivíduo não pode ignorar assim alguma coisa. no site da ESAB. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .de que os representantes dessa elite possam aparecer como não ignorantes).

U NIDADE 21 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. definidores desta última. O educando evidentemente não sabe aquilo que necessita aprender (ler e escrever). A concepção crítica é a antítese da ingênua e repudia os pontos de vista anteriormente expostos. em virtude de ser a única que é capaz de oferecer o conteúdo e o método mais eficaz para a instrução (alfabetização. É a única que está dotada da verdadeira funcionalidade e utilidade. posto que. o mundo e todos os fatores culturais e materiais que influem sobre ele). concreticidade (caráter vital da educação como transformação do ser do homem). Sua instrução formal (alfabetização. Alguns aspectos específicos da concepção crítica da educação: Primeiro aspecto . A concepção crítica da educação A concepção crítica da educação procede segundo as categorias que definem o modo crítico de pensar.o educando como sabedor e desconhecedor. o país. É em verdade um homem culto. não poderia sobreviver. escolarização) tem que se fazer 99 Copyright © 2007. historicidade (a educação como processo) e totalidade (a educação como ato social que implica o ambiente íntegro da existência humana. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . se não fosse assim. Particularmente há que mencionar as de: objetividade (caráter social do processo pedagógico). mas nem por isso pode ser considerado como um desconhecedor absoluto. no sentido objetivo (não idealista) do conceito de cultura. pois conduz à mudança da situação do homem e da realidade à qual pertence. universidade) da criança e do adulto. tendo em conta àquelas finalidades.. Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua. escola secundária.

sempre partindo da base cultural que possui e que reflita o estado de desconhecimento (material e cultural) da sociedade à qual pertence. Aquilo que desconhece é o que até agora não teve necessidade de aprender, e se tem podido viver até agora como analfabeto é porque as condições de sua sociedade não exigiam dele o conhecimento da leitura e da escrita. Segundo aspecto - o educando é o "sujeito" da educação e nunca o objeto dela. Necessitase da ação do professor para se alfabetizar, instruir-se, isso não significa que seja o objeto "sobre o qual" o educador atua, e sim unicamente que é componente indispensável de um processo comum, aquele pelo qual a sociedade como um todo se desenvolve se educa, se constrói, pela interação de todos os indivíduos. A educação é um diálogo amistoso entre dois sujeitos. A rigor, deve-se dizer que a educação não tem objeto; e sim somente objetivo. É a sociedade que, em sua totalidade, se comporta como agente-paciente do processo educativo. Por consequência, a expressão teórica perfeita da natureza histórico-antropológica da educação resume-se nesta expressão: A sociedade educa. As concepções ingênuas da educação rebaixam o educando a condição de "objeto" e o levam a conceber-se a si mesmo como ser passivo, no qual o professor infunde o saber que possui. Este ponto de vista é:  moralmente insultante (pois ignora a dignidade própria do homem pelo simples fato de ser homem, não importando se é letrado ou não);  antropologicamente errôneo (pois ignora que o aluno é portador de uma cultura, de capacidade de pensar logicamente em função de seu contexto social);  psicologicamente esterilizante (pois desanima, inibe e impede os estímulos para a aprendizagem, uma vez que recusa ao alfabetizando sua capacidade de fazer-se instruído por si, como sujeito);

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 pedagogicamente nocivo (pois deixa de aproveitar o saber do analfabeto como ponto de partida para o desenvolvimento de novos conhecimentos). Terceiro aspecto - a educação consiste em uma nova proporção entre conhecimento e desenvolvimento. Excluída a ideia ingênua de um princípio absoluto do saber no indivíduo que se educa (por exemplo, que se alfabetiza), a educação só pode consistir em dotá-Io de novos conhecimentos, que se irão somar ao que "já sabe, ou substituir as ideias erradas, ingênuas que possuía. É, portanto um novo balanço do saber, agora em um plano mais alto do processo cultural. Este caráter de proporção entre conhecimento e desconhecimento repete-se em todos os graus da educação, até nos mais altos (o universitário, a investigação mais avançada). A educação é uma aquisição retificadora, corretora do saber (da cultura) tornado inadequado, anacrônico, porque não corresponde mais ao grau de conhecimento de uma sociedade que passa a exigir mais do indivíduo (conquanto saber agora imprestável, não era errado para a etapa anterior, da qual se pretende que o educando se eleve). Crítica do conceito de "saber" Para a consciência ingênua, o saber se apresenta como um conjunto de conhecimentos absolutos, abstratos, a - históricos. É produto do espírito puro, sem relação causal de parte da realidade do mundo, ou somente com uma relação de tipo ocasional ou apriorista. O espírito por si só é capaz, em última análise, de engendrar e de justificar o saber. Para a consciência crítica, o saber é o produto da existência real, objetiva, concreta, material do homem em seu mundo (sendo este concebido como uma totalidade concreta em processo), imprimindo-se em seu espírito sob a forma de ideias ou pensamentos que se concatenam regularmente, logicamente. Os caracteres do saber, segundo a teoria crítica, são: Relativo – é o que uma cultura entende por saber, em uma de suas fases, deixa de sê-Ia em outra fase, ou não o é em outra cultura. Daí a ingenuidade radical do critério da tradição (por exemplo: a teoria heliocêntrica).
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Concreto - sempre aquilo que um determinado indivíduo ou uma sociedade (uma cultura) pode descobrir conhecer, criar ou imaginar, em função da etapa de seu processo de desenvolvimento, que lhe dá a possibilidade de constituir-se em consciência para si. Existencial - no sentido de ser constitutivo da realidade do indivíduo, e não algo adjetivo, externo, agregado por causalidade a seu ser. Como é a imagem do mundo material na consciência, pode-se dizer que o homem é o que sabe. Sendo um processo (temporal), sua etapa mais alta é aquela na qual o homem sabe o que é. Empírico - com este qualificativo quer dizer-se que o saber, direta ou indiretamente, deriva da experiência. Recusa-se assim qualquer origem inata ou a priori para as ideias. O homem em seu trato multimilenar com a natureza e com os outros homens, na sociedade, vai criando suas ideias e descobrindo as leis de acordo com as quais estas se combinam de maneira verdadeira, válida (isto é, verificável pela experiência, pela prática social). Racional - o saber é o produto da capacidade racional do homem, de sua razão, que é a faculdade intelectual (exclusiva do ser humano), de criar ideias e de enlaçá-las por procedimentos lógicos (indutivos, dedutivos, analógicos), denominados raciocínios, que se submetem a um critério de verdade. O saber é por natureza lógico. Porém este atributo não deve ser tomado em sentido absoluto e sim como relativo à etapa do processo social em que vive o indivíduo que enuncia uma proposição. Histórico - sendo o saber a manifestação intelectual da consciência, tem a mesma historicidade intrínseca desta. Toda valoração do saber é um dado do próprio saber e por isso é válida unicamente para a fase histórica em que é anunciada. É o saber constituído em cada momento do tempo histórico que engendra os novos conhecimentos. Mas, como estes são as modificações (a negação) do conhecimento anterior, o saber é simultaneamente o saber (em sua positividade atual) e não-saber, como certeza presente de sua inexatidão ou falsidade futura, identificados ambos na mesma unidade.

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1996.no sentido de que é sempre um conhecimento gerador de outro conhecimento.por isso o saber é antidogmático por natureza. “O homem é um ser plenamente biológico. Com isto. ornamental. mais alto. transmitido. Reestruturação curricular: novos mapas culturais. fica excluído o caráter contemplativo. e comporta normas e princípios de aquisição. argumentando criticamente seu posicionamento sobre esta afirmativa. Esta atitude não deve ser confundida com o ceticismo. A cultura acumula em si o que é conservado. assim. Luiz Eron da. e. Fecundo .Não dogmático . SILVA. Tem que ser entendida em seu autêntico caráter dialético. pois na essência de sua afirmação de si encontram-se a possibilidade e a necessidade de sua superação (por força de sua própria validez positiva) e a passagem a um conhecimento distinto. se não dispusesse plenamente da cultura. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O saber crítico é. mais exato (que suprime. porém incorpora o saber anterior enquanto etapa necessária de sua gênese). aprendido. 103 Copyright © 2007. novas perspectivas educacionais. mas. Porto Alegre: Sulina. sempre transformador da realidade.” Construa um texto de no mínimo uma lauda. o probabilismo. não prático do saber. seria um primata do mais baixo nível. o relativismo vulgar.

na visão do autor Edgar Morin. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 1. está sujeito ao erro. ou mesmo destruída. de sua visão do mundo e de seus princípios do conhecimento. O CALCANHAR. pelo déficit de emoção. é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e. de teoria. em algum grau. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . comporta a interpretação. o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor.AQUILES DO CONHECIMENTO A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja. de ideia. O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. por conseguinte. ao mesmo tempo tradução e reconstrução. sob forma da palavra. 104 Copyright © 2007. A afetividade pode asfixiar o conhecimento. porque o erro e a ilusão não se reconhecem. ameaçado pelo erro e pela ilusão.U NIDADE 22 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. O conhecimento. Este conhecimento. e o reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil. Mas Marx nem Engels escaparam destes erros. Marx e Engels enunciaram justamente em: A ideologia alemã que os homens sempre elaboraram falsas concepções de si próprios e do que fazem do mundo onde vivem. o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais.DE. AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. mas pode também fortalecê-lo.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de amor e de arrependimento. contudo. a afetividade e a vida é irracional. O racionalismo que ignora os seres. dialoga com o real que lhe resiste. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto. a subjetividade. Negocia com a irracionalidade. sabe que a mente humana não poderia ser onisciente. A verdadeira racionalidade. é o fruto do debate argumentado das ideias. Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio. o imaginário do real. imaginário e real. que a realidade comporta mistério. é autor. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica. A tendência a projetar sobre o outro a causa do mal faz com que cada um minta para si próprio. É não só crítica.A educação deve-se dedicar. sem detectar esta mentira da qual. o subjetivo do objetivo. o obscuro. à identificação da origem de erros. o sono da vigília. e não a propriedade de um sistema de ideias. aberta por natureza. Os erros mentais: Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção. Aos erros da razão: O que permite a distinção entre vigília e sonho. Os erros intelectuais: As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente. do determinismo e do mecanicismo. Reconhece-se a verdadeira racionalidade pela capacidade de identificar suas insuficiências. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica. 105 Copyright © 2007. mas autocrítica. ilusões e cegueiras. por conseguinte. o irracionalizável.

Assim. Devemos manter uma luta crucial contra as ideias. primeiro com o selo da cultura familiar. e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. ser implacável na busca da verdade. deveria ser relativizada e domesticada . A rejeição de evidências em nome da evidência. Um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou cegar. nem imporá seu veredicto do modo autoritário. O imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. A NOOLOGIA. Uma teoria deve ajudar a orientar estratégias cognitivas que são dirigidas por sujeitos humanos. POSSESSÃO. Uma ideia ou teoria não deveria ser simplesmente instrumentalizada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . depois prossegue na universidade ou na vida profissional. O imprinting é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO As doutrinas e ideologias dominantes dispõem. pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles. igualmente. revelar e ocultar. pode. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro. 106 Copyright © 2007. ao contrário. a seleção sociológica e cultural das ideias raramente obedece é sua verdade.As cegueiras paradigmáticas: Os indivíduos conhecem. da escolar em seguida. mas somente podemos fazê-lo com a ajuda das ideias. da força imperativa que traz a evidência aos convencidos e da força coercitiva que suscita o medo inibidor nos outros.

já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento.O INESPERADO E quando o inesperado se manifesta. críticas. reflexivas. Entretanto. Necessitamos civilizar nossas teorias. social. 2. desenvolver nova geração de teorias abertas. é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias. O dever principal da educação é de armar cada um para o combate vital para a lucidez. unidades complexas. Tão pouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. a educação deverá torná-lo evidente . O global (as relações entre o todo e as partes). afetivo e racional. A contextualização é condição essencial da eficácia. psíquico. o ser humano é o ao mesmo tempo biológico. em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo. não. Segundo Pascal Pensees é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo. aptas a se autoreformar. ou seja. A INCERTEZA DO CONHECIMENTO De qualquer forma. OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE DA PERTINÊNCIA NO CONHECIMENTO Para articular e organizar os conhecimentos e assim conhecer e reconhecer os problemas do mundo é necessário a reforma do pensamento. Para que o conhecimento seja pertinente.(O contexto SAI) . como o ser humano ou a sociedade. 107 Copyright © 2007. racionais. são multidimensionais dessa forma.O multidimensional. o conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . autocríticas. esta reforma é paradigmática e. programática: é a questão fundamental da educação.

assim como ao enfraquecimento da solidariedade. produziu nova cegueira para os problemas globais. do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos naturais. a educação deve promover a inteligência geral apta ao complexo. quanto mais a crise progride. é preciso conjugá-las. Ao mesmo tempo. ao contexto. a inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. 108 Copyright © 2007. A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de forma correlata. A falsa racionalidade O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico. maior é a incapacidade de pensar sua multimensionalidade. Incapaz de considerar o contexto e o complexo planetário. fundamentais e complexos. e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade. OS PROBLEMAS ESSENCIAIS Quanto mais os problemas se tornam multidimensionais. As mentes formadas pelas disciplinas perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes. de modo multidimensional e dentro da concepção global. mais eles se tornam impensáveis.Em consequência. a começar por parte dos cientistas. assim como em todos os campos da técnica. técnicos e especialistas. estimular o uso total da inteligência geral. mais progride a incapacidade de pensar a crise. mais os problemas se tornam planetários. nem de análise pela síntese.

MORIN. 109 Copyright © 2007. Editora Cortez. 1999. Os sete saberes necessários à educação do futuro.São Paulo. Edgar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas. A cultura acumula em si o que é conservado. O HUMANO DO HUMANO Unidualidade O homem é um ser plenamente biológico. bem como integrar a contribuição inestimável das humanidades. Continuamos nesta unidade nossas reflexões sobre os conhecimentos que todo educador (do futuro) necessita ter para melhor desempenho em suas atividades profissionais. e comporta normas e princípios de aquisição. dependemos vitalmente da biosfera terrestre. as artes. transmitido. seria um primata do mais baixo nível. devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica.. Como seres vivos deste Planeta. é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais. aprendido. O circuito cérebro/mente/cultura 110 Copyright © 2007. se não dispusesse plenamente da cultura. mas. a fim de situar a condição humana no mundo. não somente a filosofia e a história.. na visão do autor Edgar Morin. mas também a literatura. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a poesia. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 3-ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA Para a educação do futuro.U NIDADE 23 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro.

sua diversidade na unidade. traz em si o cosmo. Sapiens/demens O século XX deverá abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens). Todo ser. a multiplicidade do uno. A mente é o surgimento do cérebro que suscita a cultura. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. de modo bipolarizado. pelas atividades utilitárias (Homo economicus). em que cada um dos termos é necessário ao outro. O ser humano é complexo e traz em si. pela técnica (Homo faber). caracteres antagonistas:  sapiens e demens (sábio e louco)  faber e ludens (trabalhador e lúdico)  empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)  economicus e consumans (econômico e consumidor)  prosaicus e poeticus (prosaico e poético) Homo complexus Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. que não existiria sem o cérebro. pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus). tal como o ponto de um holograma. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas. 111 Copyright © 2007.Uma tríade em circuito entre cérebro/mente/cultura. constitui ele próprio um cosmo. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. Todo ser humano. mesmo aquele fechado na mais banal das vidas. É preciso conceber a unidade do múltiplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo. estamos submersos na complexidade do mundo. amarelos. negros. desprovido de centro organizador.4-ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA Na era das telecomunicações. brancos vêm da mesma espécie. que deve trabalhar na era planetária. mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora. encontra-se no cerne dessa missão. para a identidade e a consciência terrenas. mas um turbilhão em movimento. da informação. culturas. O planeta não é um sistema global. pode-se então vislumbrar para o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. A ERA PLANETÁRIA A diáspora da humanidade não produziu nenhuma cisão genética: pigmeus. Mas ela levou à extraordinária diversidade de línguas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . E a educação. possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis. fontes de inovação e de criação em todos os domínios. possuem os mesmos caracteres fundamentais de humanidade. da Internet. Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro. A esperança Sendo verdade que o gênero humano. índios. destinos. A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora. cuja dialógica cérebro/mente não está encerrada. No jogo contraditório dos possíveis 112 Copyright © 2007. as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade.

O desafio e a estratégia O inesperado torna-se possível e se realiza. vimos com frequência que o improvável se realiza mais do que o provável. a comungar. então. o risco de ilusões e de erro. esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável. saibamos. mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis. entre arquipélagos de certezas. 6-ENSINAR A COMPREENSÃO 113 Copyright © 2007. compreender. mas a condicionar. viver. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver. uma aventura incerta que comporta em si mesma. 5-ENFRENTAR AS INCERTEZAS A INCERTEZA DO CONHECIMENTO. pois. dividir e comunicar como humanos do planeta Terra. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas. Precisamos doravante aprender a ser. permanentemente. Pode-se. A IDENTIDADE E A CONSCIÊNCIA TERRENA É necessário aprender a “estar aqui” no planeta. mas também sermos terrenos. considerar ou calcular os efeitos em curto prazo de uma ação. a dividir.e por meio de – culturas singulares. melhorar.Aquilo que porta o pior perigo traz também as melhores esperanças: é a própria mente humana. com certeza. e é por isso que o problema da reforma do pensamento tornou-se vital. a comunicar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Devemo-nos dedicar não só a dominar. não mais somente pertencer a uma cultura. O conhecimento é. é o que se aprende somente nas .

provocada pela autojustificação. Se soubermos compreender antes de condenar. E. pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem. AS DUAS COMPREENSÕES Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. tapeação de si mesmo.O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. compreender. Por isso. deve ser uma das finalidades da educação do futuro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes egosociocêntricas do que contra seus sintomas. Etnocentrismo e sociocentrismo O etnocentrismo e o sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. por este motivo. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto. educar para a compreensão humana é outra. O egocentrismo O egocentrismo cultiva a self-deception. estrangeiro ou não. estaremos no caminho da humanização das relações humanas. A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. 114 Copyright © 2007. a causa de todos os males. abraçar junto.

COMPREENSÃO. é responsável e solidário com sua cidade. esta deve ser a tarefa da educação do futuro. da solidariedade intelectual e moral da humanidade. Dada a importância da educação para a compreensão. 7-A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO O CIRCUITO INDIVÍDUO/SOCIEDADE: ENSINAR A DEMOCRACIA Na democracia. o verdadeiro humanismo. exprime desejos e interesses. em todos os níveis educativos e em todas as idades. ou seja. o desenvolvimento da antropo-ética. o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades. o indivíduo é cidadão. por outro. e reforma do pensamento. a antropo-ética. ÉTICA E CULTURA PLANETÁRIAS A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a compreensão. a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. O futuro da democracia A regeneração democrática supõe a regeneração do civismo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e da responsabilidade. pessoa jurídica e responsável. 115 Copyright © 2007. a política de civilização. HUMANIDADE COMO DESTINO PLANETÁRIO Sós e em conjunto com a política do homem. por um lado.

guias de currículo. um problema ou uma alteração. Acrescenta propugnando que na medida em que é modelado à luz de uma matriz. encorajados. implica dizer que professores e alunos precisam ser livres. CONSTRUINDO UMA MATRIZ DE CURRÍCULO. 116 Copyright © 2007. a orientação geral de onde eles partem (livros didáticos. Portanto. advoga que um currículo construtivo emerge da ação e interação dos participantes. os valores e o senso de comunidades imprescindíveis à sociedade. Um sistema se autoorganiza quando há uma perturbação. ampla e indeterminada. O raciocínio exposto é sequenciado através do debate sobre a autoorganização. Doll. Na perspectiva de um estudo construtivista e não linear de um currículo pós-moderno. autor da obra em estudo. de fato. das ideias e dos participantes) como centro do currículo. este processo de desenvolvimento do currículo via reflexão recursiva (consequências das ações passadas como a problemática das ações vindouras) que determina as atitudes. obrigados a desenvolver seu próprio currículo numa interação conjunta uns com os outros. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Tal abordagem é apontada sob “múltiplos usos” e/ou “múltiplas perspectivas” (Stephen Gould: 1990 apud Doll) do currículo bem como do papel – “força positiva” (Bruner & Postman. processos. cheio de focos que se interseccionam e uma rede relacionada de significados. Dewey e Bruner. exatamente.U NIDADE 24 Objetivo: Enfatizar a natureza construtiva e não linear de um currículo pós-moderno fundamentado nos pressupostos teóricos de Piaget. 1949/1973 apud Doll) – que a perturbação desempenha para auxiliá-lo. usar o conceito de transformação (nesse caso específico dos materiais. Esse mesmo autor segue argumentando que. organizações profissionais ou tradição passada) precisa ser também geral. É. Prigogine. departamentos de educação estadual. o currículo concomitantemente é limitado.

haja vista que a transformação está indubitavelmente associada a ele. Afinal. o papel do professor (autoridade) é definido a partir do “prima interpares”. precisa conhecer bem o material estudado e ter confiança pessoal suficiente para ser capaz de resolver. ao diálogo. “primeiro entre iguais”. que o controle e a autoridade são desenvolvidos internamente. interpretar. costumes e tradições locais. 117 Copyright © 2007. Em outras palavras. Nesse tocante.Esta última óptica acentua que a perturbação só vai desencadear a autoorganização quando o meio ambiente for suficientemente rico e aberto para que múltiplos usos. Assim. assim transformativo e pós-moderno. numa estrutura situacional – “estado de coisa local” – o educador é um “líder de dentro” e. desempenhar. Noutros termos. oportuniza dedicada atenção às possíveis “anomalias” e/ou “erros” no decorrer do processo mencionado anteriormente. Na referida estrutura. Àquela. é imperativo para que o ecletismo e o foco polissêmico predominantes no pós-modernismo sejam empregados criativamente. metodologia e valores – permeados por um processo dialogal – são sempre decisões abrangendo os alunos. não um “ditador” de fora. por sua vez. fica óbvio. desenvolver o novo papel explicitado é um desafio que os educadores e seus programas de educação necessitam enfrentar. significa que o docente deve dedicar tempo para dialogar seriamente com os discentes a respeito das ideias “deles” como “ideias deles”. a primeira óptica. o aluno. Num currículo. analisar o material aduzido e simultaneamente de brincar com este material de maneira imaginativa e sutil. professores. interpretações e perspectivas entrem em cena. isto é. no transcorrer do currículo. ou seja. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para William. A suposição pós-moderna aduzida propugna o diálogo como condição sine qua non de todo o processo. as questões de procedimento. Este desenvolvimento comum.

Prosseguindo com a ideia de um currículo de cunhos pedagógico e epistemológico interativos. Em outros termos. inter-relações emergindo e sendo geradas. Assim. mas também a partir da ação conforme argumentara Dewey – os planos surgem da ação e são alterados também através da ação. redes. 118 Copyright © 2007. vivenciar e avaliar objetivos. conforme discurso do próprio Doll. Essa integração possibilita a vida ser experienciada e desenvolvida. Arraigada à movimentação supracitada está a suposição de um “sistema aberto/transformativo" por estar sempre em fluxo. planos e propósitos não emergem apenas antes. Nesse sistema são originados parâmetros ou limites e uma infinidade de relações dentro desses parâmetros. faz-se necessário numa construção de currículo à interação entre a metáfora (geradora de diálogo. uma vez que a realidade é constituída por antíteses. a iniciar uma comunicação com o texto. um currículo fundamentado em infinitos padrões dentro de parâmetros estabelecidos é uma estrutura curricular cada vez mais rica. desafia o leitor a interpretar. com mais focos. necessitamos aduzir as nossas lições de modo suficientemente narrativo para encorajar os nossos educandos a explorar conosco as possibilidades oriundas do diálogo com o texto. para o homem é de suma relevância determinar. é natural que se dê ênfase à capacidade que o ser humano tem de planejar intencionalmente. interação num processo dinâmico de (re) construção. pois é criativa consequentemente aberta/heurística e nos ajuda a ver o que não vemos) e a lógica (fechada/excludente nos auxilia a ver com mais evidência aquilo que já vemos). uma história encoraja.Para a viabilidade do que está sendo discutido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como docentes. Nesse contexto dialogal. Assim. Na suposição apontada por Júnior – uma estrutura curricular que se apropria dos conceitos de autoorganização e transformação – os objetivos. planos e propósitos.

Riqueza – corresponde à profundidade do currículo. a suas camadas de significado consequentemente a suas múltiplas possibilidades ou interpretações. Alicerçados por essa comunidade destinada a ajudar todos os sujeitos por meio da crítica e do diálogo estão os critérios norteadores de um currículo de caráter transformador pósmodernista. a linguagem está irrefutavelmente acoplada à cultura. Isso implica dizer que são as problemáticas. cada uma delas interpretará a riqueza à luz de seu próprio prisma. Recursão. literatura e comunicação oral – exerce sua riqueza ao centrar-se intensamente (porém não de modo excludente) na interpretação de metáforas. Entretanto. os quatro “Rs” – Riqueza. narrativas. concepções essenciais e vocabulários peculiares.Subjacente ao aspecto notabilizado está à avaliação interativa funcionando como um “feedback” do processo iterativo de fazer-criticar-fazer-criticar. Sendo assim. indagadoras. desenvolventes. A Matemática apropria-se de sua riqueza ao “brincar com padrões”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Relações e Rigor. 119 Copyright © 2007. é preciso que sejam estabelecidas comunidades sociais dinâmicas. cuja função é auxiliar o indivíduo através de críticas construtivas que possam contribuir para o desenvolvimento de poderes intelectuais e sociais. Nesse tocante. é relevante acentuar que as principais disciplinas acadêmicas ministradas nas escolas possuem seus próprios contextos históricos. perturbações e possibilidades intrínsecas a um currículo que o torna rico e transformador. mitos. para que isso ocorra. isto é. Logo. escrita. “comprovadoras” referentes ao mundo em que vivemos. A Ciência – anexando à biológica e a física – pode ser encarada sob a óptica de hipóteses intuitivas. A Linguagem – incluso leitura.

Isto posto. As relações pedagógicas consistem em relacionar o que está sendo ensinado com a realidade experimentada pelo educando. Economia. dar-se-ão através da dualidade pedagógica e cultural convergentes entre si. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tem como objetivo desenvolver a competência (capacidade de organizar. Cabe à reflexão. nesse tangente. num currículo que respeita. a recursão tornar-se-ia vazia. uma mera repetição. Por possuir uma estrutura aberta. inquirir. combinar. História. critiquem. professores – observem. interpretações. é preciso que outros atores do processo – colegas. valoriza e aplica a recursão não há início nem final fixo. Recursão – advém do termo “recorrer”. geração e comprovação de hipóteses e do brincar com padrões pode ser aplicado sobre todos os aspectos de um currículo. os processos fazer e refletir-sobre-o fazer são prioritários nas intraconexões curriculares. respondam àquilo que fora realizado por nós. Geografia e Sociologia – extraem sua concepção de riqueza do diálogo sobre ou da negociação de passagens entre diversas interpretações (muitas vezes concorrentes) das questões sociais. “ocorrer novamente” do latim “recurrere” e vincula-se à raiz da palavra currículo (“currere”: correr). Sem essa ação reflexiva resultante do diálogo. ou seja.As Ciências Sociais – Antropologia. empregar as coisas de forma heurística). Relações – numa perspectiva pós-moderna de um currículo transformador. Para tanto. Portanto. Cada final é um novo início e cada início emerge de um final anterior conforme salientara Dewey. é oportuno notabilizar que o conceito de desenvolver riqueza via diálogo. conectar os pensamentos. por conseguinte dar sentido ao ensino ministrado. 120 Copyright © 2007.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Como professores. Logo. relações. conexões. segundo Doll. Essas se referem à contextualização cultural do ensino a partir do olhar local e global (interconexões) do mundo em que se está inserido.Concomitantes às relações supracitadas estão às culturais. 121 Copyright © 2007. observação científica e precisão matemática) com o interlocutor. Rigor – à medida que traz em seu bojo. desempenhamos o ato de ensinar quando auxiliamos os outros a negociar passagens entre seus construtos e os nossos. as tendências paralelamente discutidas (lógica escolástica. o rigor significa procurar intencionalmente diferentes alternativas. é o mais relevante dos quatro critérios exaustivamente (porém não esgotados) abarcados. ele é a mescla dessa indeterminância subjacente com a interpretação (desenvolvimento das várias alternativas aduzidas pela indeterminância). entre os nossos e os dos outros. em suma.

barulhento. ou seja. É muito difícil cuidar de várias crianças ou adolescentes de uma só vez. Então o olhar avaliativo tem de percorrer toda a sala de uma só vez sem olhar ninguém em especial. Nesta unidade. A realidade escolar na verdade é basicamente composta de salas de aulas cheias com uma média de 30 a 40 alunos por classe e. Especificamente. Normalmente só se presta atenção em alguém mais destacável. Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar. participativo.demonstrando. um número mais como um indivíduo único. na maioria das vezes sem uma estrutura correta para acomodar tantos de uma só vez. enfim por chamar mais atenção no coletivo. que chama mais atenção por ser: Ativo. vamos refletir sobre proposições pedagógicas de autores nacionais que apresentam uma perspectiva transformadora da realidade em relação ao processo de avaliar. por falar muito alto. 122 Copyright © 2007. o correto é olhar um por um e não como um conjunto. criativo. ou melhor. abordaremos reflexões sobre o livro: O jogo do contrário em avaliação de Jussara Hoffmann. dizendo em toda a sala de aula. Segundo a autora deste pensamento. por isso o cuidado ou atenção acaba sendo no coletivo e não no individual. Jussara Hoffmann. respondão. Caro cursista.U NIDADE 25 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em sala de aula. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula.

Universidades. casos difíceis” de compreender e de acompanhar em termos de seu desempenho na escola. porque são tímidos e calados e quase nunca são notados. mas muitas vezes não têm a oportunidade de avaliar ou tentar saber o quanto seu aluno realmente aprendeu em tudo que lhe foi ensinado. O estudo de casos constitui no acompanhamento intensivo. mas as dificuldades sentidas por parte dos professores do programa. não nos alunos. O caminho da aprendizagem deve ser único e não coletivo feito de aluno para aluno. Muitos alunos ficam anônimos porque não se destacam na multidão. desta forma sobra muito pouco tempo para a avaliação relativa ao aluno individualmente. Este programa de educação era destinado a Educação Infantil. A aprendizagem é bem ampla e deve abranger vários fatores para sua conquista definitiva. para desenvolver novas práticas nas escolas. 123 Copyright © 2007. Os professores ensinam seus conteúdos. Para o aluno aprender verdadeiramente deve haver afeto. carinho. não somente o ensinamento tradicional. com o objetivo de estudar e debater temas atuais em avaliação. não somente o nome mais um pouco da vida em família ou enquanto cidadão. O correto é saber um pouco sobre cada aluno. atenção. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que trabalha com o aluno de difícil aprendizagem nas escolas. mas usar técnicas e formas diversificadas de ensinamentos para os alunos.Por causa da correria do dia a dia a avaliação acaba ficando prejudicada porque os professores têm muitos afazeres e “correm” todo o tempo para poder dar conta de suas responsabilidades pessoais e profissionais. “No Programa de Assessoria em Avaliação Educacional (PAAE) foi observado o uso da expressão “difícil”.

Procuraram fazer um processo de individualidade com cada professor ou cada Instituição. as diferenças.  Aprendendo tomar decisões sobre diversos assuntos. Foram feitos vários estudos com algumas etapas com uma duração média de um mês. a criatividade. 124 Copyright © 2007. mais falantes. pois em pouco tempo. As diferenças são enormes mesmo com relação a grupos de um mesmo grupo ou escola.Os estudos de casos se tornaram positivos. com aulas teóricas. a espontaneidade.  Tempo de reconstrução das práticas avaliativas e/ou de invenção de estratégias pedagógicas para promover melhores oportunidades de aprendizagem.  Tempo de reflexão sobre suas tarefas e manifestações de aprendizagem. onde houve muita troca de pedidos de auxílio em casos diversos onde receberam sugestões de vários tipos. confiantes. tempo para cada profissional do grupo em particular.  Interação com colegas de trabalho. Demonstrando respeito e dedicando. puderem tornar: alunos alfabetizados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . AVALIAÇÃO MEDIADORA EM TRÊS TEMPOS. menos agitados e mais felizes. porém se valorizou as opiniões. Todos os professores se juntaram buscando respostas em comum com os colegas em vários casos. pais e alunos. Os estudos avaliativos foram divididos em três etapas:  Tempo de admiração dos alunos. muitos debates com apresentações de diversos casos. através de exemplos a realidade de cada professor/aprendiz. Ensinando técnicas para diversos pontos em seu plano profissional:  Conselho de Classe.

Muitos profissionais demonstraram dinamismo e puderam se soltar mais desta forma fazendo valer a intenção dos “Programas de Assessoria” para estes profissionais. A admiração do professor para com seus alunos ou vice-versa, se inicia a partir de que se comece a conhecer o aluno, com os professores de anos anteriores e da análise das tarefas de seus alunos. O tempo de admiração não é em apenas uma semana de aulas, mais sim com o passar do tempo e da amizade que criarem com o passar do tempo. O educador deve ficar sempre atento à vida de seu aluno, em casa e com a família, para captar experiências já vividas, para projetar o futuro das ações pedagógicas, para saber as dimensões em que se deve desafiar, para avançar em todas as áreas do saber. E claro sabendo respeitar o tempo de cada um em separado, de acordo com suas dificuldades e deficiências. A observação em avaliação consiste em compreender cada aluno em separado. Através de um olhar, de sua história de vida, de suas possibilidades e vontades. Muitas vezes o fracasso escolar parece ter explicação, mas para que explicar se não entende ou compreende o motivo real. Muitas questões relativas ao fracasso podem ser vistas e analisadas na própria sala de aula. Antes de tentar compreender ou explicar é preciso respeitar e aceitar as várias diferenças e culturas. Muitas pessoas culpam as outras mesmo sem antes pensar de quem é a culpa por determinado fato sem mesmo pensar como seria tal atenção se nos colocarmos no mesmo lugar do próximo. Não é correto julgar o não aprender com a falta ou necessidade diversa, inclusive financeira, mesmo se forem oferecidas condições iguais ou semelhantes de aprendizagem para todos os alunos em comum, por igual.
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O aprendizado do aluno pressupõe-se em: A atenção e a presença do educador, a concentração que inclui a escuta é o silêncio e ruídos na comunicação. A entrega ao outro, estar aberto a ouvi-lo, partindo de suas hipóteses, de seu pensar, adequando o seu ritmo ao do professor. A escuta da aprendizagem em sua história, o que significa o professor estudar a si próprio. O tempo de admiração dos alunos, através de uma visão mais ampla, sobre sua história e sobre seu jeito de aprender. O olhar estudioso, curioso, pesquisador, selecionar os dados, ordenar, classificar e comparar. A qualidade das reflexões concorreu fortemente ao fato destes estudos serem compartilhados por professores de diferentes escolas, estudando sobre alunos de diferentes séries e idades, independente de serem da rede pública ou privada; Para se compreender o aluno ou suas dificuldades antes de tudo é necessário diálogo com:  O aluno;  A família;  Antigos professores;  Outros profissionais, que o cercam no ambiente escolar; Esta realidade deve ser vivenciada diariamente e não às vezes, devendo ser constante. Os professores devem trocar experiências e informações pertinentes a cada aluno em especial. Devendo criar espaços e tempos disponíveis para a troca entre os profissionais. O caminho é e sempre será o diálogo entre todos os envolvidos desta forma, pode ser esperado um retorno nas avaliações educacionais. E porque não fazendo fazer dinâmica envolvendo professores e alunos, uma maior interação, uma maior vivência, entre todos, fazendo de uma forma menos formal.

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O novo pode assustar no início, mas também motiva principalmente quando se trata de diversão ligada à educação, mudando um pouco o tradicional de todos os dias. O olhar avaliativo é por natureza complexo e multidimensional, caracterizado por interpretações de diferentes intensidades (qualidades), sobre as diversas dimensões de aprendizagem do aluno, que se realizam a partir da educação, da sociedade. O julgamento de cada avaliador é sempre complexo e subjetivo porque variam de acordo com seus conceitos. A multiplicidade de perguntas pode fazer a diferença, tanto no sentido da palavra do educador, ou no sentido da escrita, com relação à avaliação. Com relação ao conceito relativo à multidimensões não existem dados objetivos que levem à certeza de nada, mas há o compromisso com a ética, para a formação do aluno, com respeito e dignidade. Sempre observar as atividades dos alunos, de preferência durante sua realização, dialogar com o aluno durante sua estada na escola ou na sala de aula. Durante a observação alguns tópicos foram constatados:  O aluno com relação ao contexto sociocultural e a sua própria história de vida:  Convivência familiar, investigação de toda sua vida enquanto ser humano, sua religiosidade, profissão, entre outros; Ao Cenário educativo: Localização da escola, relação para com os outros, interação com os colegas, professores e demais profissionais da escola, disponibilidade de aprendizagem, locais adequados para um bom estudo e aprendizado como: bibliotecas e salas de informática.

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principalmente os sonhos e sofrimentos diários de cada aluno. porque todos são de grande importância para a vida escolar do aluno. passado e o futuro de cada um individualmente. inclusive necessários para a avaliação educacional do aluno. conteúdos estudados por cada um. Qualquer detalhe despercebido tem sua importância e pode prejudicar a avaliação daquele aluno.Currículo em desenvolvimento: Os objetivos traçados por cada aluno. Porém a autora “Jussara Hoffmann” acredita que a escola deve viver o presente. as respostas para as dificuldades não são percebidas de imediato. projetos almejados e principalmente a área de interesse do aluno. procurando entender as necessidades e dificuldades de cada aluno em especial. As questões de aprendizagem: Observar o histórico escolar do aluno. já frequentadas por ele. afetividade para com cada um. O correto é se basear em todos os tópicos e não em um específico. na atual escola e em outras. Procurando juntar e entender o presente. para que seu aprendizado seja bem significativo no momento atual. 128 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

olhando os diversos pontos de vista.demonstrando. poderá avaliar o aluno ou mesmo definir ou decidir o que é importante ensinar ao aluno. Através de um diálogo e uma boa observação o professor pode interpretar ou orientar melhor seu aluno. torna o olhar mais rigoroso. Os objetivos de conhecimento e de investigação permanente do professor. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. agitação. Há não ser o professor ninguém. É preciso ter clareza de que as atividades dos alunos são de dimensões diferentes para se realizar um trabalho eticamente responsável: á agressividades. Fazer uma boa observação pode auxiliar na melhor forma de ajudar o aluno da melhor maneira de ensinar de facilitar o aprendizado. pois muitas vezes seu mau desempenho pode ser proveniente de algum problema. Fazer com que o aluno mostre 129 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ausência e outras diversas questões não justificam problemas de aprendizagem. por querer olhar mais profundamente. O professor deve observar mais também desvendar é saber lidar com suas limitações e dificuldades. detectando suas dificuldades. Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar O professor deve prestar atenção nas atividades do aluno.U NIDADE 26 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em salas de aula. Também saber interpretar e observar em várias direções. Subjetivo: Porque só se entende ou se vê quando o outro entra em contato com você ou entra em sintonia com outra pessoa. tentando dar um significado a tudo o que vê e observa. na família ou mesmo no próprio ambiente escolar.

130 Copyright © 2007. adquirindo responsabilidades e demonstre potencialidades próprias de cada um. demonstrando mais afeto por quem lhes dedicou cuidados e respeito. reaja. tomar consciência de seus limites e poder aprender mais e mais sempre. sem falar ou mesmo. Procurar uma interação juntamente com seus alunos para melhor observar. O aluno quando está sendo cuidado. sempre lembrando de observar e dialogar com o aluno mesmo que de longe. A autoavaliação é a tomada de consciência do aluno sobre o processo de aprendizagem. revelando um maior comprometimento com suas tarefas e seus avanços. pelo simples prazer da curiosidade. mudando rapidamente de atitude. Observar a realização das tarefas do aluno é de extrema importância para a avaliação e o aprendizado. mas agir de forma a compreendê-lo. A criança e o jovem estão se autoavaliando. reage positivamente à atenção diferenciada. interferir. Procurar olhar com olhos mais atentos e não se deixar influenciar por uma primeira impressão. partindo de alguma motivação. que lhe foi dada pelo professor. quando se destacam em estar à procura de algo novo.e revele seus sentidos os ensinando a reagir. Promover o entendimento para com as diferenças de cada aluno: de ideias. fazer uma abordagem com os alunos os instruindo a escrever. Despertando o interesse em aprender mais e mais. fazendo com que ele reflita. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . expressar sentimentos diversos e demonstrar suas diferenças. abrindo espaço para um diálogo aberto a todos os alunos. sentimentos. O problema do desenvolvimento do aluno na escola vem do motivo pelo qual não se desperta o interesse na consciência do mesmo. sobre o aprender e sobre suas participações nas atividades escolares. raça. quando procuram a ajuda do professor. expressão. independente da idade. A escola deve promover o conhecimento no aluno.

se procurar observar pode perceber que pode haver algo por trás de tudo. podendo haver outros fatores. sejam quais forem principalmente pedagógicos. Priorizar ao aluno ou a turma de maior necessidade analisando seu caso em particular e também uma análise grupal sobre seus trabalhos realizados em sala. trocando pontos de vista entre todos os professores ligados a cada aluno analisado. sem ação. mas nunca antes notada pelo profissional. Usar o conselho para compartilhar casos isolados ou de grupos de alunos. por causa de tráficos. financeiros. problemas emocionais envolvendo o aluno perante a sociedade em que está inserido. sem atenção. É sempre necessário que se tenha um mediador. O conselho de classe é um momento de compartilhar experiências e vivências. Muitas crianças e jovens estão fora das escolas. discutir as dificuldades e traçar medidas pedagógicas adequadas a cada perfil do aluno. diferentes evitando desavenças e confusões desnecessárias. Durante um conselho de classe que se deve. Nunca desistir de um aluno por achá-lo difícil. para que se assegure a cordialidade diante de opiniões diversas.Se um professor tentar entender ou procurar conversar com seu aluno ou mesmo parar para observar mais de perto pode descobrir muito sobre ele inclusive como sanar algumas dificuldades demonstradas pelo aluno. 131 Copyright © 2007. devendo ser bem usado para a solução de problemas. Analisar cada perfil em separado visando sua convivência familiar. Porém questões relacionadas a atitudes de alunos não explicam as questões de aprendizagem. trocar ideias e dar sugestões sobre determinado aluno. por motivos familiares. sem criatividade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Se necessário fazendo encaminhamentos pedagógicos e psicológicos para o auxílio do aluno em suas dificuldades.

 Fonoaudiólogos. onde caso necessário possam fazer um acompanhamento do aluno. por sua roupa. Antes de encaminhá-lo para uma ajuda médica. ou mesmo por não conseguir se desenvolver na aprendizagem. É importante que as escolas possam contar com profissionais adequados.  Psicopedagogos. todas as escolas devem contar com profissionais qualificados para auxiliar ou analisar em tomada de decisões.Os arquivos são de grande importância para a observação de caso por caso. antes de se julgar devemos procurar o motivo ou causa do problema.  entre outros que possam se encaminhar à escola para um acompanhamento com os alunos e porque não com os profissionais da escola. As escolas precisam contar com ajuda médica de diversos tipos de especialistas como:  Psiquiatras. obviamente mediante uma certeza de haver um problema. que acaba sendo um grande fator que possa desencadear o desenvolvimento moral de crianças e jovens. A escola tem de estar sempre de acordo com normas que não excedam. extrapolem ou mesmo que com exagerada repressão. 132 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . onde sempre se pode recorrer para colher frutos ou mesmo buscar ideias pedagógicas para uma melhor forma de agir em sala de aula. já o julgando doente sem saber antes o motivo real de tal mau comportamento. O aluno não deve ser julgado por algum ato que tenha cometido. Não julgar sem antes investigar. antes de julgá-lo sem conhecimento prévio.

para no futuro fazer ou auxiliar para que se torne um adulto responsável. Luckesi. O jogo do contrário em avaliação. honesto e porque não essencial para outras pessoas.Limite é bom e necessário. 1998. tudo na quantidade certa para não extrapolar com seu aluno e desta forma podendo moldar seu caráter e desenvolvimento. mas sem exageros ou excessos ou mesmo sem regras.Jussara Hoffman 133 Copyright © 2007.Cipriano Carlos. Quem melhor do que o professor para ajudar o aluno da melhor maneira possível. São Paulo: Cortez. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.

as 134 Copyright © 2007. que respeite o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los e de serem orientados e ajudados em suas dificuldades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é necessário reconhecer que as práticas rotineiras para ela muitas vezes são utilizadas como atos de uso e abuso de poder e. de modo geral. Esse posicionamento. de acordo com as propostas curriculares os planos de ensino. sem vieses. pelo menos num primeiro momento. reflexão. porém não é único. as ações. É preciso implementar práticas em que os alunos participem efetivamente dos processos avaliativos.U NIDADE 27 Objetivo: Identificar os pressupostos que permitam uma avaliação da aprendizagem que ignore as metas e os programas para analisar os resultados sem os vieses. contribuem para que o fracasso escolar seja encarado como fracasso pessoal do aluno. Assim. por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor nos quais se definam objetivamente as finalidades. o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo realmente alcançados. Outros autores consideram que é vantajoso que o professor avaliador. Sem informação não é possível promover participação. é imprescindível discutir ideias sobre a construção de uma avaliação democrática. Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor. compreensão de erros e êxitos e também não é possível garantir que os alunos assumam responsabilidades perante a própria aprendizagem e sintam-se estimulados a progredir. as condições de realização. Por que avaliação? Para muitos autores. ignore as metas do programa para analisar os resultados da avaliação tais como eles se apresentam. Ao se analisar a questão da avaliação.

a avaliação formativa está muito difundida e. há certo consenso em relação a sua relevância e à compreensão de seus aspectos mais importantes. em que o aluno reestrutura seu conhecimento por meio das atividades que lhe são propostas. a saber:  Considerar a aprendizagem um amplo processo. a prática pedagógica efetivamente exercida e a avaliação praticada são atividades inseparáveis que se condicionam mutuamente. Se por um lado sabe-se que mudanças na definição de objetivos. 135 Copyright © 2007. no plano das representações. na interpretação e na abordagem dos conteúdos implicam repensar as finalidades da avaliação.  Buscar estratégias e sequências didáticas adequadas às condições de aprendizagem dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que seguramente foram promovidos de forma significativa. por outro lado também se sabe que é por meio dela que se revelam as incoerências pedagógicas. na maneira de conceber a aprendizagem.responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. Portanto. duas questões merecem destaque: Qual o papel da avaliação num processo de implementação curricular que toma como ponto de partida o desenvolvimento de capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania e colocam em relevância o contexto social em que se produz a aprendizagem dos alunos? A avaliação como elemento integrante de uma proposta curricular e a tomada de decisões direcionadas para o aprimoramento das aprendizagens dos alunos são questões-chave para quem ensina e aprende. Embora ainda não seja amplamente praticada. e que os alunos perceberam como mais importantes. A avaliação praticada põe a descoberto o chamado currículo oculto dos professores e é por seu intermédio que se reconhecem facilmente os objetivos implícitos. Quanto a isso.

mas como manifestação de um processo de construção. Explique que papel ela deve representar e exponha. A construção do conhecimento supõe a superação dos erros. descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal. Ampliar os conhecimentos do professor sobre os aspectos cognitivos do aluno. a avaliação não pode ter um papel classificatório. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Diagnosticar as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las.  Evidenciar aspectos de êxito nas aprendizagens. 136 Copyright © 2007. por um processo sucessivo de revisões críticas. Se a educação é um direito de todos.  Considerar os erros como objetos de estudo. compreender como ele aprende identificar suas representações mentais e as estratégias que utiliza para resolver uma situação de aprendizagem.  Interpretar os erros não como deficiências pessoais. uma vez que eles revelam as representações e estratégias dos alunos. excludente e punitivo.

é preciso inicialmente considerar que a avaliação não pode ser um processo de responsabilidade única do professor. essas experiências também têm representado dificuldades de ordens diversas e bastante complexas para os professores. ainda que em tímidas experiências. A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular Influenciados por essas ideias os professores têm tentado. Assim. em distintas singularidades de cada situação didática que se avalia. É preciso. Isso implica buscar informações para compreender como cada aluno atua diante das tarefas propostas e possibilitar os meios de formação que respondam adequadamente às características particulares desses alunos. e também supor os contextos heterogêneos em que ocorrem as aprendizagens. mas também os processos de aprendizagem. sem recorrer a provas e testes. dispor de tempo e instrumentos apropriados para recolher informações etc. Porém. uma vez que ela pressupõe uma grande quantidade de decisões a serem tomadas. como por exemplo: identificar as causas que provocam erros na aprendizagem. Enfim. portanto. procuram identificar os conhecimentos iniciais dos alunos. detectam erros e dificuldades. reforçam êxitos nas aprendizagens.U NIDADE 28 Objetivo: Analisar os objetivos que embasam avaliação para o desenvolvimento das capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania. realizar a avaliação formativa em classes numerosas ou quando o professor atua em várias turmas. modificar suas práticas de avaliação. decidir sobre a intervenção adequada para superar determinadas dificuldades dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Para avançar no sentido de encontrar respostas para essas questões. buscam com mais frequência adaptar as programações em função de resultados de diagnósticos iniciais. procuram observar não só os resultados. incorporar outros aspectos que permitam ao professor compartilhar a avaliação e poder praticá-la com a função de regular o processo de ensino e aprendizagem. 137 Copyright © 2007.

ideias prévias. dos instrumentos e critérios de avaliação do professor. da mesma maneira. nos últimos anos. influenciada tanto pelas características pessoais – esquemas de pensamento.  O êxito na aprendizagem também é garantido pelas mediações que se produzem entre o aluno e o professor e entre um aluno e os demais. que podem servir também como um interessante modo de fazer registros a serem utilizados na avaliação e contribuir ainda para que cada professor faça sua autoavaliação. uma vez que propõem a interação e a gestão social da aula e possibilitam o compartilhamento de responsabilidades sobre a aprendizagem.  A autonomia dos alunos é promovida quando o professor compartilha com eles o controle e a responsabilidade sobre suas aprendizagens. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Esses novos aspectos imprimem um caráter comunicativo e abrem novas perspectivas para a avaliação. Em função de distintos esquemas de conhecimento e contextos culturais. motivação. Um exemplo: têm se multiplicado. mediante estratégias e instrumentos de autoavaliação que propiciem a construção de um sistema pessoal para regular seus processos de aprendizagem. A aprendizagem pode ser favorecida se os alunos se apropriarem progressivamente. as demandas do professor. Eles direcionam o professor a buscar alternativas didáticas que auxiliem o aluno a aprender a aprender. é necessário promover processos de negociação que lhes permitam compartilhar as mesmas ideias sobre os objetivos a serem atingidos. Por isso. – como pelo contexto social em que ela se desenvolve. experiências anteriores etc.Pensar a avaliação como função reguladora da aprendizagem significa levar em conta que:  A aprendizagem se concebe como uma construção pessoal do sujeito que aprende. os alunos nem sempre percebem. por meio de situações didáticas adequadas. 138 Copyright © 2007. as investigações sobre o uso de portfólios.

É preciso conceber a unidade do múltiplo. a multiplicidade do uno.” Discuta com seus companheiros. sua diversidade na unidade. o que você entendeu sobre esta afirmativa de Edgar Morin.“Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 139 Copyright © 2007.

o Instituto Nacional do Livro (INL). A definição do qualitativo de exemplares ser adquirido para as escolas estaduais. com a finalidade de prover as escolas das redes federal. Os resultados do processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União. inclusive para o livro didático. os estados e municípios podem solicitar alterações desde que devidamente comprovada à ocorrência do erro. O Livro Didático Desde 1929. municipais e do Distrito Federal com obras didáticas e paradidáticas e dicionários de qualidade. O PNLD distribui gratuitamente obras didáticas para todos os alunos das oito séries da rede pública de ensino fundamental. A partir de 2003. centrando estudos norteadores para a seleção.U NIDADE 29 Objetivo: Desenvolver estudos voltados para a escolha de livros didáticos mais qualificados em sala de aula. Em caso de desconformidade. as escolas de educação especial pública e as instituições privadas definidas pelo o censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram incluídas no programa. Atualmente. municipais e do distrito federal é feita com base no censo escolar realizado anualmente pelo o Instituto de Estudos a Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inepe/MEC) que serve de parâmetro para todas as ações do FNDE. para conhecimentos dos estados e municípios. estaduais. 140 Copyright © 2007. quando o governo brasileiro criou um órgão específico para legislar sobre a política do livro didático. a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando. essa política está consubstanciada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

 Guia do livro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . São Paulo foi o único cotado no PNLD 2005 e 2006 optou pela descentralização). não se admitindo mais o repasse de recursos financeiros para que o próprio Estado realize as aquisições.  Alternância. A seguir.  Qualidade física. mediante repasse de recursos do governo federal.  Ampliação: O FNDE ampliou sua área de atuação e passou a distribuir: o Dicionários o Livros em Braille o Livros para a educação especial 141 Copyright © 2007. as principais ações da execução centralizada:  Inscrição das editoras. Em 2006. via convênio firmado com FNDE. o investimento foi de R$ 563.  Pedido. o FNDE executa o programa de forma centralizada para todas as UFs.  Período de utilização.  Escolha. Em 2007. Atualmente.  Aquisição.  Produção.7 milhões. Até o PNLD 2006.9 milhões. admitiam-se duas formas de execução: a centralizada (com as ações integralmente a cargo do FNDE) e a descentralizada (ações desenvolvidas pelas Unidades de Federação. o valor previsto no orçamento é de R$ 679.  Avaliação.O PNLD é mantido pelo FNDE com recursos financeiros do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação.  Distribuição.

o Livros para o ensino médio SISCORT O sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort) no site eletrônico do FNDE. GERENCIAMENTO O gerenciamento logístico é um dos procedimentos mais importantes no processo de distribuição dos livros didáticos e acervos. 142 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O início do processo se dá com a avaliação física e de conteúdo das obras apresentadas pelos autores e editoras. as escolas das redes públicas podem verificar a disponibilidade dos livros nas unidades educacionais mais próximas e registrar possíveis sobras em sua instituição. a encontrarem obras para remanejamento. E também pela escolha dos professores. Os livros do PNLD devem ser utilizados pelos os estudantes três anos consecutivos. mais 13% do total inicial de livros. ele não resolve o problema de falta de livros por má conservação ou pela não devolução das obras pelos os estudantes no final do ano. A falta de conservação e a não devolução das obras levam o FNDE a adquirir. CONSERVAÇÃO DE LIVROS Embora o Siscort seja um instrumento valioso para auxiliar as escolas e as secretarias de Educação. para repor os que não foram devolvidos ou que estejam sem condição de uso. passa pela elaboração e distribuição do Guia do Livro Didático. continua com a negociação com as editoras. a cada ano. até chegar ao condicionamento dos livros em suportes de madeira (paletes) nos postos avançados dos Correios instalados dentro das editoras.

beneficiando mais de 29. CONSULTAS  Acompanhamento da distribuição. Nesse período. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 077 bilhão de unidades de livros.8 milhões de alunos. distribuídos para uma média anual de 30. cada um com 9 dicionários. 143 Copyright © 2007. que serão utilizados coletivamente pelos alunos de 1ª a 4ª série em cada sala de aula e 247. devem entregá-los aos estabelecimentos de ensino antes no início do ano letivo. o PNLD investiu R$ 34.2 bilhões. os Correios entregam os livros didáticos diretamente às escolas públicas urbanas.8 milhões de alunos.294 acervos com 7 exemplares paras as salas se aula de alunos de 5ª a 8ª série.  Guias de livros didáticos e editoras. por sua vez. Já os acervos destinados às escolas rurais são entregues nas secretarias municipais de educação ou nas prefeituras que. do ano respectivo de 2007. para a utilização nos anos letivos de 1995 a 2006. Pelo PNLD 2006 dicionários serão atendidos mais de 764 mil salas de aula de quase 174. matriculados em cerca de 163.7 mil escolas públicas do ensino fundamental. o PNLD adquiriu. DADOS ESTATÍSTICOS Entre 1994 e 2005. Para isso. um total de 1.  Guias de livros didáticos PNLD no respectivo ano de 2007.  Cronograma de atendimento.7 mil escolas.  Inscrição e cadastramento.  Editais.DISTRIBUIÇÃO De acordo com a estratégia de distribuição. o FNDE adquiriu cerca de 519 mil acervos.

963 de 29/08/2005 – dispõe sobre as normas de conduta para o processo de execução dos Programas do Livro.  Resolução nº 55. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE Tel: (61) 3966/49/19 ou 3966/49/15 http://www. de 18/06/2004 – Reserva técnica.  Resolução nº 30.  Resolução nº 40.  Resolução nº 32.Livros em Braille. de 14/12/2044 – Dispõe sobre a aquisição de dicionários de Língua Portuguesa para o PNLD/2006. CONTATOS 0800-616161 – Central de Atendimento ao cidadão (ligação gratuita). página 98.  Resolução Nº 34.fnde. de 23/03/2003 – Controle de qualidade. de 15/10/2003 – Ensino Médio.  Portaria Ministerial nº.br/home/index.html) Email: cac@fnde.  Resolução n 38.br 144 Copyright © 2007. de 24/08/2004 – Ensino fundamental e educação Especial.gov. 2.gov.  Resolução nº 24.  Resolução nº 03.  Resolução n 05. de 11/07/2003.LEGISLAÇÃO  Diário Oficial da União. 21/02/2005 – Vida útil dos livros.  Resolução nº 14. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de 01/10/2003 – Aplicação de penalidades. de 01/10/2003 – Multas contratuais. 15 de dezembro de 2004. Seção 1. de 20/05/2003 – Avaliação pedagógica das obras.jsp?arquivo=livro_didatico.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a avaliação não pode ter um papel classificatório. 145 Copyright © 2007. Explique qual o papel ela deve representar descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal.Se a educação é um direito de todos. excludente e punitivo.

o portfólio é uma pasta grande e fina na qual os artistas e os fotógrafos iniciantes colocam amostras de suas produções. de modo a ser apreciado por especialistas e professores. que se constitui em mais um instrumento de avaliação e também como uma forma de desmistificar a avaliação da aprendizagem no ensino de jovens e adultos. uma delas é a sua construção pelo aluno. Originariamente. Essa rica fonte de informação permite aos críticos e aos próprios artistas iniciantes compreender o processo em desenvolvimento e oferecer sugestões que encorajem sua continuidade.". Bom. desenhos. p. Vejamos: O que é um portifólio? O portfólio é um dos procedimentos de avaliação condizentes com a avaliação formativa. estampas etc. possibilitando aos alunos efetiva e crítica participação no ensino e aprendizagem. é uma "pasta de cartão usada para guardar papéis.” nós revisitamos desde a trajetória histórica do currículo passando por grandes expoentes educacionais. ao estudar o Módulo “Concepções Educacionais e Currículo. o portfólio é uma coleção de suas produções. segundo Ferreira (1999.U NIDADE 30 Objetivo: Trabalhar a avaliação da aprendizagem de forma dinâmica e criativa . Em educação. o portfólio apresenta várias possibilidades. às concepções que norteiam a prática educativa. caro cursista! Você percebeu que. 1612). Porta-fólio ou portfólio. que já sabemos têm muita informação e conhecimento. Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Agora vamos discutir informações sobre o Portfólio. as quais apresentam a qualidade e a abrangência do seu trabalho. Nesse caso. as quais apresentam as 146 Copyright © 2007.

2001. os alunos são participantes ativos desse processo. 147 Copyright © 2007. possam acompanhar o seu progresso (VILLAS BOAS.. com orientação do professor. as linhas básicas para a seleção. Os autores Arter e Spandel (1992) entendem o portfólio como: [.. Não é uma pasta onde se arquivam textos. A compreensão individual do que constitui qualidade em um determinado contexto e dos processos de aprendizagem envolvidos é desenvolvida pelos alunos desde o início de suas experiências escolares. que se revela de múltiplas formas no cotidiano. que envolve o julgamento da qualidade da produção e das estratégias de aprendizagem utilizadas. É organizado por ele. os critérios para julgamento do mérito. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Esses juízos se apresentam impregnados de (pré) conceitos e valores acerca da sociedade e do mundo que os cercam. O portfólio é um procedimento de avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso. e evidência de autoreflexão pelo aluno. situações.] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços. Percebe-se que o portfólio é mais do que uma coleção de trabalhos do aluno. As pessoas expressam um caráter eminentemente avaliativo sobre objetos. para que. inerente ao ser humano. p. progresso ou desempenho em uma determinada área. Pois eles são participantes ativos da avaliação. 36) Esse entendimento inclui três ideias básicas: a avaliação é um processo em desenvolvimento.evidências de sua aprendizagem. selecionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-Ias no portfólio. em conjunto. a reflexão pelo aluno sobre sua aprendizagem. 207). fatos e sobre si mesmas. (p. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio. Avaliação desmistificada A avaliação tem como característica ser uma tarefa. A seleção dos trabalhos a serem incluídos é feita por meio de autoavaliação crítica e cuidadosa.

o percurso de concepções filosóficas a partir de diferentes visões de mundo. O autor destaca outro modelo.A avaliação da aprendizagem como fenômeno educacional apresenta-se como área específica de conhecimento. Avaliação desmistificada contribui significativamente para o avanço do conhecimento sobre a avaliação. A obra do filósofo francês Charles Hadji. pois transcende determinações historicamente validadas que concebem o ato de avaliar atrelado diretamente ao ato de medir. trazendo em sua caracterização as marcas do tempo histórico. que objetiva ser um instrumento auxiliar da aprendizagem. da quantificação do saber por meio de notas e. possibilitando a prática de uma forma de avaliar que ultrapassa o encarceramento da quantificação. evidentemente. especialmente. métodos e instrumentos. ressaltando o valor da objetividade por meio de técnicas. no contexto da avaliação formativa. marcadas pela exigência legal da certificação. O repensar da prática de avaliar a aprendizagem na educação. denominado avaliação formativa. é contínua a existência de representações inibidoras que atrelam a ação avaliativa às perspectivas meramente burocráticas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . exige deixar de lado as representações centradas na certificação e compreender o ato de avaliar como um instrumento de reflexão e suporte para aqueles que constroem o cotidiano da educação. de homem e de sociedade. o termo avaliação assume como característica essencial à função de medir e quantificar. pela seletividade. Historicamente. exige dos educadores uma reflexão 148 Copyright © 2007. A realização do modelo de avaliação formativa exige do educador uma compreensão das formas de avaliação e uma reflexão sobre os propósitos e os obstáculos calcados no ato de avaliar. desde os seus primórdios. Essa situação. Entretanto.

Certamente. denominada Agir. a avaliação é compreendida como um instrumento pedagógico a serviço do êxito do aluno. ressaltando que a ausência da primeira pode levar a um imobilismo pedagógico. a teorização sobre a avaliação formativa pode ser percebida. os educadores e demais profissionais envolvidos com a tarefa de avaliar são convidados a incluir em suas reflexões o real significado do princípio que coloca a avaliação (desmistificada) a serviço da aprendizagem.70). é possível encontrar pistas bem precisas de aquisição do conhecimento de forma construtiva. Aqui o autor explora e resguarda a íntima relação da teoria com a ação. na tentativa de colocar a avaliação como elemento ativo do processo de aprendizagem. No eixo motriz dessa análise. delineia as dimensões teóricas da avaliação de forma mais concreta e contextualiza formas de aplicabilidade por meio do Guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa (p. Nesse modelo. denominada Compreender. a fim de reverter o quadro tradicional. Na primeira parte da obra. do desenvolvimento dos indivíduos e. A segunda parte da obra. no sentido de contribuir para a construção do saber e a apropriação do conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Apresenta um esforço teórico na direção da implementação de proposições. capaz de contribuir para o enfretamento das indagações e o desvelamento dos condicionamentos e determinantes da prática pedagógica cotidiana. compreendendo que a prática da avaliação depende da significação empreendida ao ato de ensinar. da sociedade e da transformação do sistema social. portanto. a leitura dessa obra poderá fornecer indicadores teóricos capazes de contribuir para a ultrapassagem de determinados limites. Nesse sentido. permeado pela 149 Copyright © 2007. além de possibilitar melhores formas de intervenção.continuada e sistemática. no âmbito educacional como um conjunto de contribuições que podem sinalizar para o aprimoramento do conhecimento sobre essas realidades.

Finalizando. direção de John Huston (EUA.seletividade e pela discriminação. Assista ao filme Freud. que tem como diferença a necessidade do educador se abster de convicções impregnadas de inércia e imobilismo e caminhar na perspectiva de uma convicção criadora. além da alma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . além do achatamento na aquisição do conhecimento. que favorece consideravelmente a significativa situação do fracasso escolar. enfocando seus estudos sobre a interpretação dos sonhos. e também o momento decisivo que precisa ser concebido como um ato amoroso e uma operação de leitura orientada da realidade. é necessário reafirmar que a avaliação é apenas um processo geral de condução da ação e do ensino e aprendizagem. 150 Copyright © 2007. O filme mostra o início dos trabalhos de Freud. 1962) e procure refletir sobre o processo de construção da sua teoria.

são funções psicointelectuais superiores. Egocentrismo – É a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio. também chamada teoria do conhecimento. adquiridas a partir de atividades sociais que aparecem no decurso do desenvolvimento das crianças. é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento.. Empirismo – O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria. onde.G LOSSÁRIO Apriorismo – A priori (do latim. O que a pessoa pensa de si mesmo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que significa “experiência”. 151 Copyright © 2007. Interação entre o indivíduo e a cultura. é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza. que consiste no pensamento dedutivo. « partindo daquilo que vem antes »). Restringiu-se amiúde o termo “empirismo” à filosofia clássica moderna Endógeno .A autoestima pode ser definida como o sentimento que se tem ligado a autoimagem. para Vygotsky. Culturalista – postura da vertente de psicólogos e dos cientistas sociais que destacam o papel da cultura na explicação dos fenômenos. é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural.Fenômeno ou processo interno.. Autoestima . Interpsiquico – Segundo Vygotsky. fontes e validade do conhecimento. ou seja. que se realiza no interior Epistemologia – A epistemologia. Interacionismo.

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