MÓDULO DE

:

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

AUTORIA:

Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO Autora: Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES.

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040

2 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

A

PRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO Caros (as) alunos e alunas, Sou a tutora de cada um e de cada uma de vocês. Vamos ler, refletir e considerar proposições sobre um currículo vivo, real e capaz de promover mudanças significativas na mente, no coração e no espaço educacional onde atuam. Pensar em uma profissão significativa é esboçar um projeto de vida. Agora, mais do que descobrir a vocação, é fazer dela um instrumento de construção e intervenção no mundo. É adaptar-se ao mundo de maneira crítica, é saber que a educação não é a solução para tudo, mas é a porta para caminhos infinitos. Temos que ter a consciência que sonhos não devolvem o que há mais de 500 anos vem sendo tirado da gente, mas temos a certeza de que a dignidade, ética, igualdade não devem apenas ser escritas em versos e sonhos, mas devem ser realidades concretas, construídas com sangue e suor. Ser educador é acima de tudo acreditar, é lutar para fazer acontecer. Vamos construir uma educação melhor, conhecendo o que é um currículo, sua organização, seu funcionamento e adotando ações práticas e viabilizadoras de mudanças positivas. Obrigada por acreditarem! Obrigada por estarem aqui! Profª. Marizinha Coqueiro Borges.

3 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Agentes da ação curricular. Currículo e desenvolvimento social. 4 Copyright © 2007. Currículo oculto. Elaboração de programas curriculares. funções. elementos componentes. Definir um quadro de referência teórica sobre currículo. Concepções de educação e seus autores.: Concepções e etapas. real. . Adequação curricular nas vertentes da temporalidade e contexto social. garantindo a formação integral de cidadãos participativos e aptos a contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Reconstrução do conhecimento experiência e mundo . Possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre um currículo que seja transformador da realidade e que atenda às diversidades sócioculturais dos educandos. Implementação e avaliação de currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . E MENTA Conceituação. numa perspectiva crítica e transformadora.Parâmetros mínimos necessários – PCN’S.O BJETIVOS Compreender o sentido e o significado dos princípios políticos e pedagógicos na elaboração do currículo a partir do conhecimento da estrutura e o funcionamento da Educação Básica Brasileira. Compreender o currículo escolar como espaço de reconstrução educacional e de especialização do conhecimento pedagógico e refletir sobre a necessidade da construção de práticas pedagógicas específicas a partir do conhecimento de currículo vivo.

......................................... ........................................................................... 19 UNIDADE 5 ............................................................... 31 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos............................................................ 8 UNIDADE 2 ... 36 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos.....................S UMÁRIO UNIDADE 1 ......................................................................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ................................................................................... 40 UNIDADE 9 ........................................................................................ .................. 44 O Currículo Multiculturalista e a Educação ......................................................... do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente..................... 47 UNIDADE 11 ...... 51 5 Copyright © 2007................................................................................................................................... 12 UNIDADE 3 ...................................................................................................................................................................................................... 47 Currículo Científico ........................................................... 23 O Currículo Segundo Dewey E Tyler .......................................................... 12 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo..... como Ação do Cotidiano da Escola............................................. segundo Tomaz Tadeu Da Silva................................ 8 Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo..................... 40 Diferenciar o Currículo Oculto......................................................................... 31 UNIDADE 7 .............................. segundo Tomaz Tadeu Da Silva........................................................................................................................................... 44 UNIDADE10 .................................................. .............................................................................................. 19 Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo ............... 15 UNIDADE 4 .......................................... 15 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo..... 23 UNIDADE 6 ...... .... ....... 36 UNIDADE 8 ........... ...............................

............................... 71 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ............................ 51 UNIDADE 12 ....... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ......................................................... 85 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica .................................... .............................................................Currículo Científico .......... 90 UNIDADE 20 ............................................ ............................................................................ 59 UNIDADE 14 .... 71 UNIDADE 16 ......................................................... 116 UNIDADE 25 ..................... 122 6 Copyright © 2007.................................................... 99 Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua................... ..........80 UNIDADE18 ................................................................................... ... 90 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica .............. 85 UNIDADE 19 ...................... 104 UNIDADE 23 ... 110 UNIDADE 24 ........................................................ 66 Algumas Reflexões sobre a Educação......................................................................... 55 UNIDADE 13 .......... 75 Os Pilares da Educação..................................................................................................................................................................................... segundo Paulo Freire....................................... segundo Paulo Freire.............................................................. 110 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ........................... 55 Breve Biografia Do Educador Paulo Freire ................................................. 95 UNIDADE 21 ................. 59 Algumas Reflexões Sobre A Educação...... Segundo Declaração da UNESCO De 2002.............................................................................................................................................................................................................. ........................................... 75 UNIDADE 17 ...................................................................... 99 UNIDADE 22 ..................................................................................................................................................................... 104 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ................................ 95 Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua................................ 66 UNIDADE 15 ........................................ 80 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas........

............................................. 152 7 Copyright © 2007...................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ..................... ......................... 134 UNIDADE 28 ............................................................... 134 Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor................................. 137 A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular ............................... ................................................ 137 UNIDADE 29 .......................................... 146 GLOSSÁRIO ...............................Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar................ 129 UNIDADE 27 ................................................ 129 Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar ................. 140 UNIDADE 30 .......................................................................... ............................................ 151 BIBLIOGRAFIA ............... 140 O Livro Didático .............................................................................................................................. 146 Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada................................................................... 122 UNIDADE 26 .........................................................................................................................................................................................................................................................................

Isso significa que ele é colocado na moldura mais ampla de suas determinações sociais. Nesse sentido.( Marizinha Coqueiro Borges). o currículo é considerado um artefato social e cultural. políticas. Embora questões relativas ao "como" do currículo continuem importantes. as relações do currículo com o processo de ensino e aprendizagem. de 8 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de sua história. voltada para questões relativas a procedimentos. elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo "por que" das formas de organização do conhecimento escolar. métodos. ir além das suas limitações e ajudar a construir um currículo ativo. Nessa perspectiva.U NIDADE 1 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. Introdução À Teoria Do Currículo Para adentrar no estudo do currículo faz-se necessário revisitar a concepção de currículo de forma geral. vamos discutir as ideias apresentadas por Moreira e Silva (1994). epistemológicas. “O professor deve se sentir parte de um coletivo docente. capacitar-se. guiada por questões sociológicas. com a sociedade e com a escola de modo específico. Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo. técnicas. Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo. crítico e transformador”. O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica. 7-30). no texto “Sociologia e teoria crítica: uma introdução” (p.

o propósito mais amplo desses especialistas parece ter sido planejar "cientificamente" as 9 Copyright © 2007. neste texto. o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. o currículo sempre foi alvo da atenção de todos os que buscavam entender e organizar o processo educativo escolar. Franklin. 1974. 1975. Comum a todas elas. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal ele tem uma história. a emergência de uma abordagem sociológica e crítica do currículo. No entanto. Emergência e desenvolvimento da sociologia e da teoria crítica do currículo Os autores focalizam. Seguei 1966. dando início a uma série de estudos e iniciativas que. que um significativo número de educadores começou a tratar mais sistematicamente de problemas e questões curriculares. foi somente no final do século XIX e no início deste. 198 I). onde pela primeira vez se elegeu o currículo como foco central da Sociologia da Educação. em curto espaço de tempo. o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas. O currículo está implicado em relações de poder. onde o campo se originou e desenvolveu como na Inglaterra. sistematização e controle da escola e do currículo. destaca-se. As origens do campo nos Estados Unidos Mesmo antes de se constituir em objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico. nos Estados Unidos. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social.sua produção contextual. configuraram o surgimento de um novo campo. vinculada às formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. por parte dos superintendentes de sistemas escolares americanos e dos teóricos considerados como precursores do novo campo. Diferentes versões desse surgimento podem ser encontradas na literatura especializada (Cremin. Em outras palavras. tanto nos Estados Unidos. Pinar & Grumet. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a preocupação com os processos de racionalização.

para a construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta. tanto em suas origens como em seu posterior desenvolvimento. tanto em suas manifestações iniciais como nos estágios subsequentes. então considerada "desejável". substituído pelos monopólios. O processo de produção tornou-se socializado e mais complexo. A primeira delas é representada pelos trabalhos de Dewey j e Kilpatrick e a segunda pelo pensamento de Bobbitt. 10 Copyright © 2007. A fim de melhor entender como tais intenções informaram o desenvolvimento da nova especialização. às categorias de controle social e eficiência social. Para a produção em larga escala foi necessário aumentar as instalações e o número de empregados. Segundo Kliebard (1974). a economia americana passou a ser dominada pelo capital industrial. enquanto procedimentos administrativos sofisticaram-se e assumiram um cunho “científico”. A primeira contribuiu para o desenvolvimento do que no Brasil se chamou de escolanovismo e a segunda constituiu a semente do que aqui se denominou de tecnicismo. O contexto americano na virada do século Após a Guerra Civil. sendo o sistema de competição livre.atividades pedagógicas e controlá-Ias de modo a evitar que o comportamento e o pensamento do aluno se desviassem de metas e padrões pré-definidos. consideradas úteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e à prática emergentes. apresentaremos uma breve descrição do contexto sóciohistórico no qual ela emergiu. Todavia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . já que outras intenções e outros interesses podem ser identificados. então prevalente. As primeiras tendências O campo do currículo tem sido associado. duas grandes tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma volta-se para a elaboração de um currículo que valorizasse os interesses do aluno e a outra. não se deve entender o novo campo como monolítico.

políticas e econômicas por que passava o país e que. juntamente com vestígios e revalorizações de uma perspectiva mais tradicional de escola e de currículo.Pode-se dizer que as duas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . representaram diferentes respostas às transformações sociais. dominaram o pensamento curricular dos anos vinte ao final da década de sessenta e início da década seguinte. ainda que de formas diversas. procuraram adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista que se consolidava. 11 Copyright © 2007. em seus momentos iniciais. As duas tendências.

os que fossem até o fim seriam socializados no modo de ver o mundo próprio das classes dominantes. O ensaio de Louis Althusser (1983). a outra aos que se destinavam às posições sociais subordinadas. naturalmente. Althusser argumentava que a educação constituiria um dos principais dispositivos através do qual a classe dominante transmitiria suas ideias sobre o mundo social. Além disso. Althusser era explícito a respeito dos mecanismos pelos quais essas diferenciadas 12 Copyright © 2007. na escola. garantindo assim a reprodução da estrutura social existente.U NIDADE 2 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. "ideologia" tem sido um dos conceitos centrais a orientar a análise da escolarização. em geral. às crianças das diferentes classes: uma visão de mundo apropriada aos que estavam destinados a dominar. Essas ideias seriam diferencialmente transmitidas. Aquele ensaio rompia com a noção liberal e tradicional da educação como desinteressadamente envolvida com a transmissão de conhecimento e lançava as bases para toda a teorização que se seguiria. "A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos de Estado" marca. em particular. Fundamentalmente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Currículo E Ideologia Desde o início da teorização crítica em educação. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. e a do currículo. Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola em diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes "aprenderiam" as atitudes e valores próprios das classes subalternas. o início da preocupação com a questão da ideologia em educação.

apresentava. mas estariam presentes. A compreensão do conceito de ideologia como consciência falsa levava facilmente à sua formulação como uma questão epistemológica centrada na dicotomia falso/verdadeiro que a despia de todas as suas conotações políticas. embora de forma mais sutil. como Matemática e Ciências. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . uma noção extremamente sofisticada de ideologia. É verdade que o ensaio de Althusser não se baseava nessa noção (e sua segunda parte. Estudos Sociais. uma compreensão que nos levou bastante além do esboço de Althusser. Em primeiro lugar. também. o refinamento conceitual foi na direção de afastar a ideia de ver a ideologia como falsa consciência ou como um conjunto de ideias falsas sobre a sociedade. ainda não superada). Naturalmente. essa transmissão da ideologia estaria centralmente a cargo daquelas matérias escolares mais propícias ao "ensino" de ideias sociais e políticas: História. Essa perspectiva permite que escapemos aos impasses colocados pelo equacionamento de ideologia como conhecimento falso e não ideologia como conhecimento verdadeiro. Por um lado. em matérias aparentemente menos sujeitas à contaminação ideológica. Por outro. mas o escasso tratamento dado ao conceito na primeira parte do ensaio podia legar a essa compreensão. Embora tenha sido um marco importante e continue sendo uma referência central na teorização crítica em educação. o ensaio de Althusser e seus pressupostos foram objeto de crítica e refinamento nos anos que se seguiram à sua publicação. 13 Copyright © 2007. raramente referida. de fato. De forma geral. é difícil resumir as inúmeras interpretações ligadas ao conceito de ideologia numas poucas proposições. Educação Moral.visões de mundo eram transmitidas. houve uma série de contestações conceituais à própria noção de ideologia formulada por Althusser. mas certamente uma coisa relativamente clara na literatura educacional é o vínculo que a noção de ideologia tem com poder e interesse. inúmeros estudos empíricos sobre o funcionamento da escola e da sala de aula ajudaram a aumentar consideravelmente a nossa compreensão do papel da ideologia no processo educacional.

transmitem uma visão do mundo social vinculada aos interesses dos grupos situados em uma posição de vantagem na organização social.permitindo também que nos afastemos da noção representacional de conhecimento e linguagem implícita naquele equacionamento. O que caracteriza a ideologia não é a falsidade ou verdade das ideias que veicula. mas o fato de que essas ideias são interessadas. A ideologia é essencial na luta desses grupos pela manutenção das vantagens que Ihe advêm dessa posição privilegiada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas saber a quem beneficiam o que implica ao outro ponto conceitual importante: o conceito de ideologia e a relação de poder. 14 Copyright © 2007. A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem à realidade ou não. A ideologia. é mais importante saber que vantagens relativas e que relações de poder elas justificam ou legitimam. nessa perspectiva. está relacionada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões. É menos importante saber se as ideias envolvidas na ideologia são falsas ou verdadeiras e.

continua essa tradição. A educação e o currículo são vistos como profundamente envolvidos com o processo cultural. envolvidos com esse processo. como fundamentalmente político. Nessa visão. a tradição crítica vê o currículo como terreno de produção e criação simbólica. De forma geral. Na tradição crítica. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo.U NIDADE 3 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. nem ela existe de forma unitária e homogênea. Em contraste com o pensamento convencional sobre a relação entre currículo e cultura. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Continuando Nossas Reflexões Sobre A Teoria Do Currículo Currículo E Cultura Se ideologia e currículo não podem ser vistos separados na teorização educacional crítica. o currículo e a educação estão profundamente envolvidos em uma política cultural. a cultura não é vista como um conjunto inerte e estático de valores e conhecimentos a serem transmitidos de forma não problemática a uma nova geração. que é a educação e. senão uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade. A 15 Copyright © 2007. o currículo. de certa forma. cultural. sim. o que significa que são tanto campos de produção ativa de cultura quanto campos contestados. em particular. Entretanto. a educação e o currículo estão. A teorização crítica. cultura e currículo constituem um par inseparável já na teoria educacional tradicional. ao contrário do pensamento convencional. há diferenças importantes a serem enfatizadas. mas ele é visto. Em vez disso.

nesse sentido. mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos. Em uma sociedade dividida. como um local de transmissão de uma cultura incontestada e unitária. Assim. tal como na visão tradicional. de significações. O currículo. homogênea e universalmente aceita e praticada e. A cultura e o cultural. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . essa transmissão se dá em um contexto cultural de significação ativa dos materiais recebidos. apenas como correias transmissoras de uma cultura produzida em outro local.educação e o currículo não atuam. Aquilo que na visão tradicional é visto como o processo de continuidade cultural da sociedade como um todo. a cultura é o terreno por excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais. a cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. unitária. O currículo pode ser movimentado por intenções oficiais de transmissão de uma cultura oficial. Na concepção crítica. é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. mas o resultado nunca será o intencionado porque. por sua vez. por isso. Nessa visão. por outros agentes. é visto aqui como processo de reprodução cultural e social das divisões dessa sociedade. precisamente. nessa visão. 1979). Em vez disso. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. não estão tanto naquilo que se transmite quanto naquilo que se faz com o que se transmite. então. O currículo educacional. Obviamente. a visão tradicional da relação entre cultura e educação/currículo não vê o campo cultural como um terreno contestado. a cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. 16 Copyright © 2007. mas como um campo em que se tentará impor tanto a definição particular de cultura da classe ou grupo dominante quanto o conteúdo dessa cultura (BOURDIEU. não é visto. a ideia de cultura é inseparável da de grupos e classes sociais. nessa perspectiva. de sujeitos. não existe uma cultura da sociedade. é o terreno privilegiado de manifestação desse conflito.

É a visão de que a educação e o currículo estão profundamente implicados em relações de poder que dá à teorização educacional crítica seu caráter fundamentalmente político. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. somos obrigados a rejeitar a visão convencional do currículo que o vê como um veículo de transmissão do conhecimento como uma "coisa". em relações sociais em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos à vontade e ao arbítrio de outros. Se combinarmos essa visão com aquela que questiona a linguagem e o conhecimento como representação e reflexo da "realidade". isto é. no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação. Essas divisões constituem tanto a origem quanto o resultado de relações de poder. quando discutimos os conceitos de ideologia e cultura. sobretudo. 17 Copyright © 2007. o conhecimento corporificado no currículo é tanto o resultado de relações de poder quanto seu constituidor. Na visão crítica. o poder se manifesta através das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe. O currículo é. gênero etc. Para não entrar em longas e intermináveis discussões conceituais sobre o poder. É nessa perspectiva que o currículo está centralmente envolvido em relações de poder. assim. seja uma questão facilmente resolvida. como um conjunto de informações e materiais inertes. recriação e. etnia.Essa perspectiva da cultura como um campo contestado e ativo tem implicações importantes para a teoria curricular crítica. é suficiente afirmar aqui que o poder se manifesta em relações de poder. de contestação e transgressão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . um terreno de produção e de política cultural. Isso não quer dizer que a conceituação daquilo que constitui o poder. Como vimos acima. o currículo não é o veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. Currículo e poder Se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica é a de poder. Nesse entendimento. no contexto da educação e do currículo.

1995. Seu aspecto contestado não é demonstração de que o poder não existe. É exatamente porque o poder não se manifesta de forma tão cristalina e identificável que essa análise é importante. ao expressar essas relações de poder. Desta forma. no centro de relações de poder. o currículo.Por um lado. No caso do currículo. constitui identidades individuais e sociais que ajudam a reforçar as relações de poder existentes. O currículo está. apesar de seu aspecto contestado.. Grande parte da tarefa da análise educacional crítica consiste precisamente em efetuar essa identificação. mas apenas de que o poder não se realiza exatamente conforme suas intenções. 2. Belo Horizonte: Autêntica. Currículo: Teoria e história. o currículo é expressão das relações sociais de poder. Petrópolis: Vozes. 18 Copyright © 2007. enquanto definição "oficial" daquilo que conta como conhecimento válido e importante. fazendo com que os grupos subjugados continuem subjugados. IVOR F. Por outro lado. cabe perguntar: que forças fazem com que o currículo oficial seja hegemônico e que forças fazem com que esse currículo aja para produzir identidades sociais que ajudam a prolongar as relações de poder existentes? Leitura de : SILVA. assim. Tomaz Tadeu da. expressa os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem em relações de poder. no seu aspecto "oficial" como representação dos interesses do poder. ed. ao se apresentar. Reconhecer que o currículo está atravessado por relações de poder não significa ter identificado essas relações. Documento de identidade – uma introdução às teorias do currículo. 2001 GOODSON. o currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

em diferentes épocas. As professoras e os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos. tais como a formação de um corpo de especialistas sobre currículo. não deixaram de fazer especulações sobre o currículo. 19 Copyright © 2007. estritamente falando. de estudos e pesquisas sobre o currículo. com o currículo. todas as teorias pedagógicas e educacionais são também teorias sobre o currículo. Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo Nascem Os "Estudos Sobre Currículo": As Teorias Tradicionais Segundo Tomaz Tadeu da Silva (2005). de uma forma ou outra. As diferentes filosofias educacionais e as diferentes pedagogias. antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como "currículo" pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como "currículo". teorias sobre o currículo.U NIDADE 4 Objetivo: Identificar o processo de construção dos estudos do currículo. De certa forma. Há antecedentes. na História da Educação ocidental moderna. mesmo que não utilizassem o termo. a formação de disciplinas e departamentos universitários sobre currículo. institucionalizada. a existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional especializado. a partir das discussões sobre as teorias pedagógicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Mas as teorias educacionais e pedagógicas não são. de preocupações com a organização da atividade educacional e até mesmo de uma atenção consciente à questão do que ensinar. a institucionalização de setores especializados sobre currículo na burocracia educacional do estado e o surgimento de revistas acadêmicas especializadas sobre currículo. A emergência do currículo como campo de estudos está estreitamente ligada a processos. bem antes da institucionalização do estudo do currículo como campo especializado.

o estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico. como ressaltam as pesquisas de David Hamilton. O termo currículum. de João Amós Comenius. Quais os objetivos da educação escolarizada: formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral. Alemanha. Espanha. o processo de crescente industrialização e urbanização. É nesse contexto que Bobbitt escreve. no sentido que hoje lhe damos. as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional. à população? 20 Copyright © 2007. sob influência da literatura educacional americana. a extensão da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores da população. É precisamente nessa literatura que o termo surge para designar um campo especializado de estudos. O livro de Bobbitt é escrito num momento crucial da história da educação estadunidense. o livro que iria ser considerado o marco no estabelecimento do currículo como um campo especializado de estudos: The currículum. como resultado das sucessivas ondas de imigração. entretanto. A própria emergência da palavra currículum. está ligada a preocupações de organização e método. Estão entre essas condições: a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação. no sentido que modernamente atribuímos ao termo. Portugal muito recentemente. em 1918.A Didactica Magna. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . num momento em que diferentes forças econômicas. Foram talvez as condições associadas com a institucionalização da educação de massas que permitiram que o campo de estudos do currículo surgisse nos Estados Unidos. políticas e culturais procuravam moldar os objetivos e as formas da educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. É nesse momento que se busca responder questões cruciais sobre as finalidades e os contornos da escolarização de massas. só passou a ser utilizada em países europeus como França. é um desses exemplos. acadêmica. como um campo profissional especializado.

21 Copyright © 2007.O que se deve ensinar: as habilidades básicas de escrever. quais devem ser as finalidades da educação: ajustar as crianças e os jovens à sociedade tal como ela existe ou prepará-Ios para transformá-Ia. as habilidades práticas necessárias para as ocupações profissionais? Quais as fontes principais do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico. embora sua intervenção buscasse transformar radicalmente o sistema educacional. as disciplinas científicas. O sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer outra empresa econômica. ler e contar. que pudesse estabelecer métodos para obtêIos de forma precisa e formas de mensuração que permitissem saber com precisão se eles foram realmente alcançados. por sua vez. Bobbitt queria transferir para a escola o modelo de organização proposto por Frederick Taylor. O sistema educacional deveria começar por estabelecer de forma precisa quais são seus objetivos. a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica propostos por Taylor. Sua palavra-chave era "eficiência". Esses objetivos. os saberes profissionais do mundo ocupacional adulto? O que deve estar no centro do ensino: os saberes "objetivos" do conhecimento organizado ou as percepções e as experiências "subjetivas" das crianças e dos jovens? Em termos sociais. as disciplinas acadêmicas humanísticas. a preparação para a economia ou a preparação para a democracia? As respostas de Bobbitt eram claramente conservadoras. Bobbitt propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial. Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar precisamente que resultados pretendiam obter. as disciplinas científicas. O modelo de Bobbitt estava claramente voltado para a economia. Na proposta de Bobbitt. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . deveriam se basear num exame daquelas habilidades necessárias para exercer com eficiência as ocupações profissionais da vida adulta. Tal como uma indústria.

J. 22 Copyright © 2007. Porto Alegre: Artmed. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Gimeno. 2000. O currículo.. 3ª ed. Uma reflexão sobre a prática.SACRISTÁN.

nessa perspectiva. O currículo é simplesmente uma mecânica. o currículo se resume a uma questão de desenvolvimento. a uma questão técnica. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática. bem como a relação entre as duas vertentes debatidas na época: a vertente estadunidense e a vertente progressista. os interesses e as experiências das crianças e jovens. a construção da democracia era mais importante que o funcionamento da economia. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas como a liderada por John Dewey.U NIDADE 5 Objetivo: Traçar a linha de estudos do currículo e os teóricos responsáveis pelos estudos. a questão do currículo se transforma numa questão de organização. Para Dewey. Na perspectiva de Bobbitt. ele achava importante levar em consideração no planejamento curricular. Não é por acaso que o conceito central. vamos incluir as ideias de Dewey. um conceito que iria dominar a literatura estadunidense sobre currículo até os anos 80. A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O Currículo Segundo Dewey E Tyler Buscando ampliar a discussão sobre o currículo. Numa perspectiva que considera que as finalidades da educação estão dadas pelas exigências profissionais da vida adulta. 23 Copyright © 2007. é "desenvolvimento curricular". Contrariando Bobbit.

nos Estados Unidos. que se estabeleçam padrões. digamos.. enquanto outras. A organização e o desenvolvimento do currículo devem buscar responder. diz ele. os educadores vieram a "perceber que é possível estabelecer padrões definitivos para os vários produtos educacionais. uma reação ao currículo clássico. algumas crianças realizam adições "a um ritmo de 35 combinações por minuto". como o de Dewey. numa usina de fabricação de aços. é fundamental.) é uma especificação tão definida quanto a que se pode estabelecer para qualquer aspecto do trabalho da fábrica de aços”. É interessante observar que tanto os modelos mais tecnocráticos. Nas últimas décadas. pois. de acordo Com Tyler. que emergiram no início do século XX. o estabelecimento de um padrão permitiria acabar com essa variação.Tal como na indústria. tal como a usina de fabricação de aço. que havia dominado a educação secundária desde sua 24 Copyright © 2007. O estabelecimento de padrões é tão importante na educação quanto. humanista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quanto os modelos mais progressistas de currículo. de acordo com Bobbitt. na educação. A capacidade para adicionar a uma velocidade de 65 combinações por minuto (. "a educação. "ao lado. "ensino e instrução" (2 e 3) e "avaliação" (4).. de acordo com Bobbitt. é um processo de moldagem". como os de Bobbitt e Tyler. constituíam. O exemplo dado pelo próprio Bobbitt é esclarecedor. de certa forma. quatro questões básicas:  Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?  Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?  Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?  Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?" As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: "currículo" (1). ilustra ele. adicionam a um ritmo médio de 105 combinações por minuto". Numa oitava série. Para Bobbitt.

Por estar centrado nas matérias clássicas. dialética) e quadrivium (astronomia.pouco serviam como preparação para o trabalho da vida profissional contemporânea. essas obras encarnavam as melhores realizações e os mais altos ideais do espírito humano. Obviamente. O tecnocrático destacava a abstração e a suposta inutilidade . obviamente. no contexto da ampliação da escolarização de massas. o macho da espécie) que encarnasse esses ideais. O latim e o grego . segundo a qual a aprendizagem de matérias como o latim. esse currículo era herdeiro do currículo das chamadas "artes liberais" que. o objetivo era introduzir os estudantes ao repertório das grandes obras literárias e artísticas da herança clássica grega e latina.e suas respectivas literaturas . Não se aceitava. por exemplo. o tecnocrático e o progressista atacam o modelo humanista por um flanco. música. Cada um dos modelos curriculares contemporâneos. sobretudo da escolarização secundária que era o foco do currículo 25 Copyright © 2007. geometria. aqui. Como se sabe. O conhecimento dessas obras não estava separado do objetivo de formar um homem (sim. de uma forma que podiam se aplicar a outros conteúdos. servia para exercitar os "músculos mentais".para a vida moderna e para as atividades laborais das habilidades e conhecimentos cultivados pelo currículo clássico. o currículo clássico humanista tinha implicitamente uma "teoria" do currículo. vindo da Antiguidade Clássica. nesse modelo. se estabelecera na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Basicamente.institucionalização. aritmética). Supostamente. retórica. nem mesmo os argumentos que no século XIX tinham sido desenvolvidos pela perspectiva do "exercício mental". incluindo o domínio das respectivas línguas. na forma dos chamados trivium (gramática. O modelo progressista. sobretudo aquele "centrado na criança". o currículo humanista simplesmente desconsiderava a psicologia infantil. Ambas as contestações só puderam surgir. atacava o currículo clássico por seu distanciamento dos interesses e das experiências das crianças e dos jovens.

O currículo clássico só pôde sobreviver no contexto de uma escolarização secundária de acesso restrito à classe dominante. só iriam ser definitivamente contestados. por sua vez. na fé que responde ao desvelamento dos mistérios do conhecimento com reverência e zelo (Maria Clara Bingemer). deixamos 26 Copyright © 2007. almejamos melhores condições de trabalho e lutamos por um plano de carreira com melhor remuneração. E um aluno. professores. Quantos de nós conseguimos? Se não conseguimos. ouvimos o quanto é essencial uma sólida formação inicial e continuada. Débora Barreiros Universidade do Estado do Rio de Janeiro Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Onde não houver adicção. E ali germinará entre ambos um processo educativo que encontrará sua fonte na paixão pela vida. Os modelos mais tradicionais de currículo. ali estará um professor.a Formação de professores pós LDB.clássico humanista. Faça a leitura do texto indicado abaixo. Onde o melhor que há nos seres humanos não estiver totalmente anestesiado. A democratização da escolarização secundária significou também o fim do currículo humanista clássico. haverá paixão. tanto os técnicos quanto os progressistas de base psicológica. a partir dos anos 70. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Todos nós. e responda o que é solicitado. “As mudanças curriculares e a prática pedagógica” . com o chamado movimento de “reconceitualização do currículo”. nos Estados Unidos.

de trabalhar? Claro que não! O compromisso com a aprendizagem não nos deixa abandonar o barco. que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).]”. Então. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e 4) Educação inclusiva e a formação de professores. que mesmo quase submerso ganha força a cada conquista de nossos alunos. o que significa ser professor? Ser professor significa ser capaz de ressignificar o seu conhecimento e a sua experiência em cada contexto pedagógico em que se insere. E que formação é exigida desse novo profissional? Este estudo tem como objetivo analisar alguns aspectos da formação inicial e continuada de professores no Brasil.º 3276/99. a formação de todos os professores em nível superior passou a ser considerada uma utopia para o quadro brasileiro. implica abertura e reflexão sobre as ações educativas. foi intensificado o processo de formação docente. Entretanto. "As mudanças curriculares e a prática Pedagógica" Primeiramente cabe destacar que. Nesse quadro referencial. que “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. em universidades e institutos superiores de educação [. utopia que não poderia ser alcançada de maneira tão rápida. de graduação plena.. 2) Competências e habilidades do professor: o que dizem as Diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica. com os debates e os movimentos sociais. 3) Educação a Distância: uma estratégia de formação docente. nº 9394/96. com a publicação do Decreto n. o que envolve a elaboração de novos processos de formação. esta lei estabelece. novas exigências e todos os aspectos legais da área. em curso de licenciatura. foi instituído que os cursos normais superiores passariam também a ser responsáveis pela 27 Copyright © 2007. em seu Art. 62. Em decorrência. Em outras palavras. pois estabelece novas habilidades e saberes para esse novo profissional. Por se tratar de uma área ampla e complexa.. Os estímulos e a valorização podem ser escassos. a partir da década de 1980. será dividida em quatro momentos: 1) Formação de professores pós-LDB. mas o comprometimento com a prática pedagógica nos faz articular novos saberes.

2007. o estatuto social e as condições de trabalho dos professores”. com foco nas séries iniciais do ensino fundamental. 1). principalmente nas escolas das áreas rurais (que são quase metade das mais de 200 mil escolas públicas brasileiras). p. como registra o relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI.4%” (Agência Brasil. 28 Copyright © 2007. de modo que os professores possam “responder ao que deles se espera”. organizada pela UNESCO (1999. Resumidamente. enquanto na cidade esse número aumenta para 56. resultados notórios sobre a ampliação dos números de professores qualificados. considerando que. foram elaborados parâmetros curriculares. Os dados do Censo 2006 também ajudam a pensar em que ponto está a formação de professores exigida no país. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 2004). que aponta uma contradição na LDB e dispõe que os professores da educação infantil e da primeira etapa do fundamental precisam apenas do curso normal em nível de ensino médio para exercer o magistério. Apesar de toda mudança ocorrida nos últimos anos no que se referem à formação dos professores. A partir de 2001. cujo percentual de professores sem a formação exigida pela lei é ainda alarmante: “apenas 21% dos profissionais que dão aula de 1ª a 4ª série nas escolas rurais têm graduação. continua sendo exigido para os que dão aulas para alunos da 5ª à 8ª série e para o ensino médio. diretrizes e referenciais para formação de professores. Tais ações ocorreram de modo a ampliar os espaços de formação e mostrar. ao Banco Mundial e a outros órgãos financiadores da educação brasileira. não apenas direcionado aos cursos de Pedagogia. 1) para melhorar a qualidade da educação é essencial “melhorar o recrutamento. alguns dados divulgados recentemente pela Agência Brasil apontam para uma questão crucial sobre a área. visto que exige um projeto amplo para ser compartilhado por todos os futuros docentes da licenciatura. a formação. que implicava pensar no currículo dos cursos de formação de professores da educação básica com um diferencial. p. a política focalizou as diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica em nível superior (AGUIAR. Outro marco é o Parecer CNE/CEB nº 03/2003. O diploma.formação dos docentes da educação básica. No período de 1995 e 1999. no período de 1995 a 2002. porém. o Ministério da Educação formulou e implementou um conjunto de políticas relacionado à formação continuada.

da educação infantil ao ensino médio. o MEC desenvolve os seguintes programas para formação continuada de professores das redes públicas de educação: Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica. de Educação a Distância e de Educação Superior do MEC. Construindo valores na escola e na sociedade. num trabalho conjunto com as universidades. Pró-Letramento . da solidariedade humana e da promoção e inclusão social. Atualmente. Programa Ética e cidadania.Mobilização pela Qualidade da Educação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Pró-Licenciatura. que tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior. junto às instituições de ensino superior (IES) públicas. Proinfantil. trabalha práticas pedagógicas que conduzam à consagração da liberdade. É desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Básica. da convivência social. Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. programa de formação inicial dos professores que não possuem a habilitação legal necessária. a sociedade e os professores. fundamentalmente desenvolvido nas áreas de educação infantil e educação fundamental. a distância. 29 Copyright © 2007. todos passam a recriar alternativas de ação político-pedagógica. programa na modalidade a distância que busca a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. Destina-se aos professores da educação infantil em exercício nas creches e pré-escolas das redes públicas. públicas e privadas sem fins lucrativos para realização de cursos de formação continuada para professores em exercício nas redes estaduais. Um conjunto de ações de melhoria da qualidade do ensino. comunitárias e confessionais.Essa reestruturação influencia diretamente as escolas. cujo objetivo é contribuir para a melhoria da formação dos professores e dos alunos. centros de pesquisa e desenvolvimento da educação.curso de nível médio. na modalidade Normal.

Geografia e Língua Portuguesa e Língua Espanhola. deixo algumas perguntas: como promover a formação do professor dentro das competências e habilidades exigidas para o profissional do século XXI? Se a formação pedagógica é relevante para o exercício docente. Física. Nessa perspectiva. como demonstram os dados.com a oferta de cursos de formação continuada para professores nas áreas de Química. Todos esses programas visam auxiliar os estados e municípios a cumprir a legislação vigente para o exercício da profissão docente. estamos ainda distantes da realidade almejada. Biologia. Matemática. a teoria ou a prática? (Publicado em 30 de outubro de 2007) 30 Copyright © 2007. Entretanto. História. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que expectativas o profissional tem sobre sua natureza e formas de operacionalização? O que tem maior destaque na formação.

segundo Tomaz Tadeu Da Silva. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. é o livro Pedagogia do Oprimido. é conhecida sua influência sobre as teorizações de autores e autoras mais diretamente ligados ao desenvolvimento de perspectivas mais propriamente curriculares. Na verdade. Silva (2005) se volta para os dois livros de Paulo Freire: Educação como prática da liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970). mas quando adentramos na teoria do currículo. Pode-se dizer que seu esforço de teorização consiste. discutindo alguns autores sobre este tema. Em sua preocupação com a questão epistemológica fundamental ("o que significa conhecer?"). trazer para o estudo trechos do texto “Pedagogia do Oprimido versus Pedagogia dos Conteúdos” (2005 p. pelo qual ele iria se tornar internacionalmente conhecido e reconhecido. Em sua obra. como ocorre com outras teorias pedagógicas. ao menos em parte. Paulo Freire desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo. fazse necessário rever o tema na perspectiva do Tomaz Tadeu da Silva. busca em Paulo Freire uma análise comparativa dos currículos. entretanto. que ele considera como melhor representante do pensamento. Nesse texto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Parece evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização especifica sobre currículo. 57-63). ele discute questões que estão relacionadas com aquelas que comumente estão associadas com teorias mais propriamente curriculares. Educação como prática da liberdade está ainda 31 Copyright © 2007. Vamos discutir as ideias de Paulo Freire. em responder à questão curricular fundamental: "o que ensinar?". Além disso. que em seu livro “Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo”.U NIDADE 6 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Daí.

Está implícita na análise de Freire. das outras teorizações que iriam constituir as bases de uma teoria educacional crítica (Althusser. Bowles e Gintis). Já a análise que Freire faz do processo de dominação em Pedagogia do Oprimido está baseada numa dialética hegeliana das relações entre senhor e servo. em Pedagogia do Oprimido. No segundo. do marxismo humanista de Erich Fromm. precisamente. Em seu primeiro livro.muito ligado ao pensamento da chamada "ideologia do desenvolvimento" que caracterizava o pensamento de esquerda da época. Em segundo lugar. Na verdade. a palavra-chave é. por outro lado. Fanon). mas sua preocupação está voltada para o desenvolvimento da educação de adultos em países subordinados na ordem mundial. ampliada e modificada pela leitura do "primeiro Marx". diferentemente daquelas teorizações. sua análise deve muito mais à filosofia do que à sociologia e à economia política. Bourdieu e Passeron. Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utilizados por Freire 32 Copyright © 2007. O foco está. a centralidade do conceito de "desenvolvimento" é deslocada pelo de "revolução". por sua vez. da fenomenologia existencialista e cristã e de críticos do processo de dominação colonial (Memmi. os elementos propriamente pedagógicos do pensamento de Freire estão aí pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicada a uma análise da formação social brasileira. uma crítica à escola tradicional. as críticas sociológicas da educação tomam como base a estrutura e o funcionamento da educação institucionalizada nos países desenvolvidos. É verdade que a análise que Freire faz da formação social brasileira na primeira parte de Educação como prática da liberdade é profundamente histórica e sociológica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . difere. aqui. Além disso. Pedagogia do Oprimido. Em primeiro lugar. em aspectos fundamentais. muito menos na dominação como um reflexo das relações econômicas e muito mais na dinâmica própria do processo de dominação. "desenvolvimento". Freire adia a transformação da educação formal para depois da revolução.

de "amor". Essas diferenças refletem-se inclusive nos títulos dos respectivos livros: enquanto o de Freire ressalta o termo "pedagogia". o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. "esperança" ou "humildade". A crítica de Freire ao currículo existente está sintetizada no conceito de "educação bancária". 33 Copyright © 2007. sugere uma análise da escola na sociedade capitalista estadunidense. por exemplo. Refletindo aqui a crítica mais cientificista ligada à "ideologia do desenvolvimento". "fé nos homens". bem como as críticas à escola tradicional feitas pelos ideólogos da "Escola Nova". a analisar a "escola capitalista na França". dissertativo do currículo tradicional. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Finalmente. e o de Baudelot e Establet propõese.bancário. claramente. Na concepção bancária da educação. O conhecimento se confunde com um ato de depósito . o conhecimento expresso no currículo tradicional está profundamente desligado da situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer. a teorização de Freire é claramente pedagógica. mas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser. na medida em que ele não se limita a analisar como são a educação e a pedagogia existentes. narrativo. o educador exerce sempre um papel ativo. Freire ataca o caráter verbalista. Nessa concepção. Na sua ênfase excessiva num verbalismo vazio. enquanto o educando está limitado a uma recepção passiva. A educação bancária expressa uma visão epistemológica que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem simplesmente transferidos do professor para o aluno. oco. Não se pode imaginar Althusser ou Bourdieu e Passeron falando.em sua análise estão claramente ausentes de análises mais estruturalistas da educação. o livro de Bowles e Gintis. como faz Freire em Pedagogia do Oprimido e em livros posteriores.

relativamente àqueles fatos e àquelas informações. O mundo . É essa intersubjetividade do conhecimento que permite a Freire conceber o ato pedagógico como um ato dialógico. Freire busca desenvolver uma concepção que possa se constituir numa alternativa à concepção bancária que ele critica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . instruções detalhadas de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua concepção de "educação problematizadora". todos os sujeitos estão ativamente envolvidos no ato de conhecimento. conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa. na medida em que apenas o educador exerce algum papel ativo relativo ao conhecimento. o educando é concebido em termos de falta. Para ele. isto é. está sempre dirigido para alguma coisa. é sempre “intencionado”. Conhecer envolve intercomunicação. Em vez do diálogo. Na base dessa "educação problematizadora" está uma compreensão radicalmente diferente do que significa "conhecer". Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece. Ele não se limita a criticar o currículo implícito no conceito de "educação bancária".Através do conceito de "educação problematizadora". Em vez disso. Se conhecer é uma questão de depósito e acumulação de informações e fatos. Aqui. de ignorância. Na perspectiva da educação problematizadora. a perspectiva de Freire é claramente fenomenológica. de carência. dialogicamente. Na educação bancária torna-se desnecessário o diálogo. intersubjetividade.o objeto a ser conhecido não é simplesmente "comunicado". 34 Copyright © 2007. para Freire. Freire fornece. o conhecimento. Utilizando o conceito fenomenológico de “intenção”. O currículo e a pedagogia se resumem ao papel de preenchimento daquela carência. um conhecimento do mundo. ao invés disso. o ato pedagógico não consiste em simplesmente "comunicar o mundo". há aqui uma comunicação unilateral. educador e educandos criam. já em Pedagogia do Oprimido. É sobre essas bases que Freire vai desenvolver seu famoso "método".

É curioso observar que Freire utiliza. expressões e conceitos bastante tradicionais. para falar sobre currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . neste livro. Ele está bem consciente. entretanto. A diferença relativamente às perspectivas tradicionais de currículo está na forma como se constroem esses "conteúdos programáticos". tais como "conteúdos" e "conteúdos programáticos". da necessidade do desenvolvimento de um currículo que esteja de acordo com sua concepção de educação e pedagogia. 35 Copyright © 2007.

ao final. com os métodos seguidos por modelos mais tradicionais. Na perspectiva de Freire. elaborar os "temas significativos" e fazer o que ele chama de "codificação". Paulo Freire concede uma importância central. por exemplo. mas a devolução organizada. ao papel tanto dos especialistas nas diversas disciplinas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é a própria experiência dos educandos que se torna a fonte primária de busca dos "temas significativos" ou "temas geradores" que vão constituir o "conteúdo programático" do currículo dos programas de educação de adultos. aos quais cabe. os quais são também ativamente envolvidos nessa pesquisa. como o de Tyler. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. Ao menos em Pedagogia do Oprimido. Freire não nega o papel dos especialistas que. Contrariamente à representação que comumente se faz. tudo isso filtrado pela filosofia e pela psicologia educacionais. o método sugerido por Paulo Freire. Paulo Freire acredita que o "conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição. quanto dos educadores diretamente envolvidos nas atividades pedagógicas. devem organizar esses temas em unidades programáticas.U NIDADE 7 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. em seu "método". 36 Copyright © 2007. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. nesse aspecto. Tyler sugeria estudos sobre os aprendizes e sobre a vida ocupacional adulta bem como a opinião dos especialistas das diferentes disciplinas como fontes para o desenvolvimento de objetivos educacionais. Pode-se comparar. interdisciplinarmente. Vamos nesta unidade continuar com as reflexões sobre a percepção de Tomaz Tadeu da Silva sobre currículo. mas o "conteúdo" é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos.

37 Copyright © 2007. Essa ampliação do que constitui cultura permite que se veja a chamada "cultura popular" como um conhecimento que legitimamente deve fazer parte do currículo. de uma pedagogia pós-colonialista ou. de uma perspectiva pós-colonialista sobre currículo. apaga as fronteiras entre cultura erudita e cultura popular. essa crítica do conceito de cultura permite a Paulo Freire desenvolver uma perspectiva curricular que. Esse conteúdo programático deve ser buscado. da literatura. como criação e produção humana. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. entre “alta” e “baixa” cultura. Na concepção de cultura. está baseado precisamente numa definição da cultura como o conjunto das obras de "excelência" produzidas no campo das artes visuais. Se Paulo Freire se antecipou. naquele mundo que. de certa forma. constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Numa operação visivelmente curricular. conjuntamente. antecipando-se à influência posterior dos Estudos Culturais.sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou em forma desestruturada". Ela não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. que deve ser feita em conjunto pelo educador e pelos educandos. à definição cultural do currículo que iria caracterizar depois a influência dos estudos culturais sobre os estudos curriculares. Mesmo que implicitamente. que denominou de educação de grupos dominantes por um longo tempo. naquela realidade. o currículo tradicional. Embora Freire não desenvolva esse tema. ele fala em escolha do "conteúdo programático". segundo Freire. O desenvolvimento dessa noção de cultura tem importantes implicações curriculares. O que ele destaca é a participação dos educandos nas várias etapas da construção deste "currículo programático". da música. clássico. não se faz uma distinção entre cultura erudita e cultura popular. pode-se dizer também que ele inicia o que se poderia chamar no presente contexto. quem sabe. humanista. do teatro.

sobretudo nos estudos literários. esses grupos tinham um conhecimento da dominação que os grupos dominantes não podiam ter. O predomínio de Paulo Freire no campo educacional brasileiro seria contestado. busca problematizar as relações de poder entre os países que. Saviani faz uma nítida separação entre educação e política. uma prática educacional que não consiga se distinguir da política perde sua especificidade. claramente pós-colonialista. já em Pedagogia do Oprimido. depois. A perspectiva de Freire era. a perspectiva pós-colonialista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Numa era em que o tema do "multiculturalismo" ganha tanta centralidade. alguns dos temas que iriam. eram colonizadores e aqueles que eram colonizados. essa dimensão da obra de Paulo Freire pode talvez servir de inspiração para o desenvolvimento de um currículo pós-colonialista que responda às novas condições de dominação que caracterizam a "nova ordem mundial". Tal como Freire. no início dos anos 80. Paulo Freire antecipa. nos países que se tornavam independentes do domínio português.Como se sabe. Essa perspectiva procura privilegiar a perspectiva epistemológica dos povos dominados. Saviani não pretendia estar elaborando propriamente uma teoria do currículo. desenvolvida por Demerval Saviani. mais tarde. sobretudo em sua insistência no posicionamento epistemologicamente privilegiado dos grupos dominados: por estarem em posição dominada na estrutura que divide a sociedade entre dominantes e dominados. na situação anterior. desenvolvida. A educação torna-se política apenas na medida em que ela permite que as 38 Copyright © 2007. se tornar centrais à teoria pós-colonialista. na pedagogia e no currículo. mas sua teorização focaliza questões que pertencem legitimamente ao campo dos estudos curriculares. Ao se concentrar na perspectiva de grupos dominados em países da América Latina e. pela chamada "pedagogia histórico-crítica" ou "pedagogia crítico-social dos conteúdos". sobretudo da forma como se manifesta em sua literatura. Para ele. Em oposição a Paulo Freire.

Assim. Há. entretanto. para Saviani.classes subordinadas se apropriem do conhecimento que ela transmite como um instrumento cultural que será utilizado na luta política mais ampla. a tarefa de uma pedagogia crítica consiste em transmitir aqueles conhecimentos universais que são considerados como patrimônio da humanidade e não dos grupos sociais que deles se apropriaram. dentre as pedagogias críticas. Saviani critica tanto as pedagogias ativas mais liberais quanto a pedagogia libertadora freireana por enfatizarem não a aquisição do conhecimento. Nesse sentido a pedagogia de Saviani aparece como a única. violência e tensão racial. mas os métodos de sua aquisição. PERGUNTAS:1. a enfatizar o papel do conhecimento do poder das classes subordinadas. Essa ligação limita-se. na teorização de Saviani.História inspiradora envolvendo adolescentes criados no meio da violência e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. Assista O FILME: ESCRITORES DA LIBERDADE ( 2007). Diante da corrupção .O que fez os alunos começarem a buscar a paz e não mais a violência? Por quê? 39 Copyright © 2007. uma evidente ligação entre conhecimento e poder. a professora luta para que a sala de aula faça diferença na vida dos estudantes. a deixar de ver qualquer conexão intrínseca entre conhecimento e poder.O que fez a professora cativar a atenção dos alunos? 2. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

sem fazer parte do currículo oficial. Currículo oculto “O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que. Vale perguntar." (SILVA. p 78). como forma de desocultar o currículo oculto: Quais questões uma teoria do currículo buscaria responder? Currículo oculto – conceito e teorias. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . comportamentos.) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes.. 40 Copyright © 2007. do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente.. daí ser preciso revisitar o conceito e as teorias sobre o currículo oculto.. como Ação do Cotidiano da Escola. explícito.. de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (. valores e orientações. Currículo Oculto Caros alunos! Discutir concepção de currículo passa pela questão de “ler e ver” nas entrelinhas. Diferenciar o Currículo Oculto. contribuem. 2001.U NIDADE 8 Objetivo: Identificar o currículo oculto nas práticas pedagógicas dos profissionais da educação..

foi Philip Jackson. Logo a ideia é de que o currículo escolar é concretizado de duas maneiras. o explícito e formal. mas todos concordam que as escolas não ensinam os alunos apenas a “ler. Segundo Giroux. todas as discussões em torno do papel implícito e explícito da escolarização chegam a diferentes conclusões.A primeira pessoa a utilizar a expressão “currículo oculto”. é anterior. a origem da noção de currículo oculto. um educador americano. escrever. a explícita e formal. mas que elas são também agentes de socialização e sendo um espaço social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . calcular. entre outros conteúdos”. em seu livro Life in Classrroms (1968) para referir-se às “características estruturais da sala de aula que contribuíam para o processo de socialização”. Mas. e a implícita e informal. tem um duplo currículo. pois temos em 1938 John Dewey referindo-se a uma “aprendizagem colateral” de atitudes que ocorre de modo simultâneo ao currículo explícito. 41 Copyright © 2007. e o oculto e informal.

que eram responsáveis pela socialização de crianças e jovens nas normas e atitudes necessárias para uma boa adaptação às exigências do trabalho capitalista. Aqui. através do "principio da correspondência". mais do que seu conteúdo explícito. eram as relações sociais na escola. Althusser fornecia uma definição de ideologia que destacava sua dimensão prática e material. Como lembramos. como atitudes e valores. A ideologia. na análise que Bowles e Gintis fizeram da escola capitalista americana. As teorias do currículo oculto É sabido que embora não constitua propriamente uma teoria. apontavam de certa forma.).O currículo oculto é geralmente associado às mensagens de natureza afetiva. porém não é possível separar os efeitos destas mensagens das de natureza cognitiva. Ele utiliza a sua experiência para transmitir o conteúdo da disciplina e esta experiência é uma forma de currículo oculto. A ideologia e os aparelhos ideológicos de estado. o currículo oculto pode estar sendo utilizado na relação pedagógica sem que o professor perceba. A noção de currículo oculto estava implícita. Isto é. o currículo oculto está junto com as normas de comportamento social como as de concepções de conhecimentos. "Aprendia-se" a 42 Copyright © 2007. gestos e práticas corporais do que através de manifestações verbais. etc. a noção de ideologia desenvolvida por Althusser na segunda parte de seu famoso ensaio. Assim. Mesmo que não diretamente relacionada à escola. no qual há uma intenção oculta. por exemplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que é conhecida por quem a ocultou (o professor. Ele está oculto para o estudante. o sistema. que são ligadas às experiências didáticas. para uma noção que tinha características similares às que eram atribuídas ao "currículo oculto". nessa definição expressava-se mais através de rituais. a noção de "currículo oculto" exerceu uma forte e estranha atração em quase todas as perspectivas críticas iniciais sobre currículo.

Mas é claro que o conceito de currículo oculto se estendeu para muito além desses exemplos. tornando-o mais eficaz e com possibilidade de mudanças. Atividade Dissertativa O currículo apresenta no seu escopo ideologias e crenças. A teorização crítica. Consultar. é através da estrutura do currículo e da pedagogia que se aprendem os códigos de classe. discutir e analisar o currículo oculto implica na possibilidade de termos consciência de algo que está oculto e desocultá-lo.ideologia através dessas práticas: uma definição que se aproxima bastante da definição de currículo oculto. por exemplo.com/question/index?qid=20070514064926AAvRosq. Mas. http://br. Na teorização de Bernstein. o importante desse estudo é saber o que fazer com um currículo oculto quando o encontramos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .answers.yahoo. 43 Copyright © 2007. De que forma ele é possível de ser aplicado dentro de sala de aula? Apresente por escrito . conhecer. sendo utilizado por praticamente toda perspectiva crítica de currículo em seu período inicial. em no máximo 25 linhas o perfil do educador com proposta demistificadora do currículo.

O público escolar mudou. ao mesmo tempo em que cria grupos de identidades tão importantes para o consumo. ameaça a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais” (1997. viabilizada pelo desenvolvimento espantoso dos diferentes meios de comunicação. etc. P. da nação.30). Segundo Lucíola Licínio C. A globalização ocupou o espaço do bairro.U NIDADE 9 Objetivo: Analisar a concepção de currículo multiculturalista O Currículo Multiculturalista e a Educação No mundo atual. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . do país. Utilizamos o texto e imagem de Fernandes & Mota (2007) para refletir sobre as ideias do currículo multicultural.rapidez nas comunicações devido à sofisticação da tecnologia acessa a informações. “no plano cultural. quando eles perguntam: 44 Copyright © 2007. As necessidades sociais e culturais são outras. da cidade. da região. a globalização da cultura. Santos. p. deparamo-nos com uma nova ordem mundial .

tomamos o multiculturalismo como um discurso que. sua essência é visceralmente ambígua: de um lado. Aqui. lançando o foco reivindicações que antes eram 45 Copyright © 2007. Os autores defendem o multiculturalismo como atitude de resistência e propõem como alternativa a um sistema curricular ultrapassado Foto: monumento em homenagem ao índio incendiado O que é um currículo multiculturalista Santos (2004) nos conta que um currículo multiculturalista implica em questões como diferença e identidade. é visto como uma solução para os “problemas” colocados à sociedade dominante. Todavia. ganha o discurso da política. ao transcender os campos da Antropologia. de matar gente”. o multiculturalismo tem como origem as reivindicações dos grupos dominados e por outro lado."Que coisa estranha. brincar de matar índio. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A educação brasileira não promove a tolerância como deveria.

um currículo multicultural deve atender algumas expectativas:  preocupar-se em desfazer preconceitos e estereótipos. para refletir sobre “as formas pelas quais a diferença é produzida por relações sociais de assimetria”. (consultar em http://www. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . entende que a diversidade não pode ser um fim em si mesma: ela deve estar entrelaçada à justiça social.ichs. partindo-se do princípio de que toda e qualquer cultura apresenta pontos fortes e fracos. pacífico. não se coaduna com os interesses do multiculturalismo crítico. o multiculturalismo se apóia em uma ideologia que entende a diversidade numa perspectiva de mobilização política. Por isso. e nenhuma está em posição de superioridade em relação à outra. é imprescindível alterar o cânon curricular.ufop. 90). o discurso sobre o multiculturalismo crítico. em detrimento à homogeneização gestada à lógica do capital excludente. Neste caso. Neste sentido. p.legadas ao descaso.  difundir e conhecer saberes diversos. “o multiculturalismo nos faz lembrar que a igualdade não pode ser obtida simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico”. E. uma atitude “multiculturalista crítica” rejeita a apropriação de seu discurso: luta por seu espaço de representação. A aceitação passiva de se acrescentar pontos de dada cultura em um discurso homogeneizador. querendo participar de diálogos interculturais. repetindo Santos (2004. em contrapartida àqueles validados pelo cânon da cultura dominante.htm).  promover contatos interculturais. como base das relações sociais democráticas.  privilegiar a diversidade cultural.br/perspectivas/anais/GT0507. Antes. 46 Copyright © 2007. com a aceitação do diferente e do diverso.

tornou-se para as Ciências Sociais. Tornou a América-do-norte uma região líder entre as áreas industriais do mundo. que leva à busca de novas maneiras de pensar e agir em todos os campos de empreendimento humano. Willian Doll. educador perceptivo. Existe um contraste fundamental entre os sistemas abertos e fechados da estrutura pós-moderna emergente. 47 Copyright © 2007. um paradigma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 10 Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. então. e nem todos concordam com essa descrição. para a educação e o currículo. social e educacional norte-americano durante sete ou oito décadas deste século. Caracteriza o currículo imaginado de quatro Rs: Rico. “Pós-modernismo significa coisas diferentes para pessoas diferentes” afirma Willian Doll. seus métodos na área intelectual dominaram – áreas da Filosofia. Relacional e Rigoroso de caráter aberto e experimental. aplicou essa estrutura de mudança à teoria do currículo. Psicologia e teoria educacional. Doll apresenta sua visão de uma utopia de currículo “em que ninguém é dono da verdade e todos têm o direito de ser compreendidos”. uma mudança de entendimento ampla e difundida. Como povo. A Ciência spenceriana – é uma adaptação do empirismo de Isaac Newton e do racionalismo de René Descartes. realizou sonhos de uma vida mais folgada substituindo o trabalho pesado por máquinas. Recursivo. Currículo Científico O século XX é marcado por uma revolução intelectual e conceitual. temos a Ciência como uma das obsessões dominantes. O paradigma moderno foi construído sobre o pensamento intelectual.

O paradigma pós-moderno eventualmente se desenvolverá sobre a Ciência. “verdade” e “consistência.. outro aspecto destacado por Toulmim.”. Literatura.(página 7) O pós-moderno presta atenção ao passado para. paradoxal. eleger aqueles aspectos do passado e do presente que parecem mais relevantes para a tarefa em questão. orientada segundo o Iluminismo_ desenvolvido nos últimos 300 ou 400 anos (Toulmin. Jencks diz ser uma mistura de princípios modernistas como “história”. Humanidades.. o pós-modernismo é um movimento novo demais para definir a si mesmo e muito variado e dicotômico. as Ciências Sociais e a Teologia. é preciso entender e fazer algumas distinções entre o modernismo e o pós-modernismo. Avaliando o primeiro se tem uma compreensão melhor do último. Filosofia. O pluralismo é o “ismo” da nossa época. Uma Ciência contemporânea imbuída de criatividade e indeterminismo. numa visão do futur. Para entendermos o novo paradigma e as implicações do currículo. O pensamento pós-moderno invadiu as Artes. Matemática.. MODERNISMO E PÓS-MODERNISMO.O paradigma sobre o currículo e seus métodos é histórico _ produto de uma mentalidade específica ocidental. A estrutura pósmoderna é estrutural e simultaneamente. [Nós precisamos] escolher e combinar as tradições seletivamente. o trazer esses códigos aos remanescentes.. aberta e transformativa. Administração. 1990). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 48 Copyright © 2007. O pós-modernismo apresenta uma natureza eclética: Conforme Jencks (1987) diz. Segundo Stephen Toulmin. dialética e desafiadora. Ciência.

é possível categorizar a história do pensamente ocidental em três metaparadigmas: prémoderno. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta não uma visão fechada. claro/escuro podiam ser concebidas e definidas somente em termos da união destes opostos. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. Augusto Comte e outros viram nascer uma nova era – uma era industrial. Newton desenvolveu no final do século XVII esta nova cosmologia. uma Metafísica e uma Cosmologia em que qualidades como bom/mau.Planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda é um dos desafios educacionais do modo pós-moderno. A realidade e a existência pessoal consistiam na luta ou equilíbrio entre estes opostos. A contínua melhoria material das vidas de todas as pessoas era vistos nas visões do iluminismo e Industrial como objetivo alcançáveis. o determinismo causa efeito matematicamente mensurado. Durante os séculos XVI e XVII. liberalmente desenvolvido. PARADIGMA MODERNO: UMA VISÃO FECHADA. Eles acreditavam que a riqueza agora seria criada não pela guerra. como estrutura organizadora. moderno e pós . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Os gregos desenvolveram uma epistemologia. tecnocrática. e sim pela produção industrial. dependia de um universo fechado. A parte mais importante desta visão. Visionários sociais do século XVIII. Utilizando a ciência. esta cosmologia chegou ao fim. especialmente a Física e a Astronomia. em cima/embaixo. esta foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista.moderno. como Pierre Laplace. 49 Copyright © 2007.

50 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 2000. Porto Alegre: Artes Médicas. César.COLL. Juan Ignácio et al. POZO. Os conteúdos na Reforma: Ensino e aprendizagem de conceitos. procedimentos e atitudes.

Public School Administration. “The Elimination of Waste in Education”. página 2). pág. 269.U NIDADE 11 Transforma o material bruto no produto para qual ele melhor se adapta. 1986. Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Currículo Científico Estas citações refletem quão completamente e o pensamento do industrialismo permeava o pensamento social e o currículo escolar. quer sociais. a virada do século realmente mostrou uma mudança de ênfase . 1916. e o currículo cientifico estava baseado na eficiência e na padronização. As nossas escolas são em certo sentido nas quais os produtos brutos (as crianças) são moldados e transformados em produtos que satistifaçam às várias demandas da vida. página 338. Franklin Bobbitt (1918) via o currículo como centrando-se nos déficits ou nas “deficiências dos indivíduos” (página 45) . O currículo tornou-se uma “preocupação nacional” (Kliebard. Aplicado à educação isso significa: educar o indivíduo de acordo com suas capacidades.que culturais. .Cubberley. Não obstante. especialmente o currículo “cientifico”). 1912.do professor (epitomizado na América rural do século XIX por Mark Hopkins sentado na extremidade de um tronco de árvore para o currículo. quer pessoais . -Bobbitt. Uma vez que nem sempre era possível chegar a um acordo sobre quais eram “as características” do “melhor” 51 Copyright © 2007. poderíamos inclusive dizer uma obsessão nacional.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nós definimos o bom ensino que resulta numa boa aprendizagem. Tyler fala sobre “uma filosofia educacional aceitável” (página 13). ou “sobre o que constituí a eficiência social” (1918 página 51). A qualidade humana não é modelada ao igualarmos os sistemas vivos aos sistemas abertos ser humano significa ir além das estruturas biológicas e termodinâmicas.a competência: poderes que podiam tanto transformar quanto ser transformados. e que mesmo nessas ideologias concorrentes havia uma obediência geral aos princípios da ciência modernista.trabalho. Ao retratar o currículo escolar como envolto no manto da ciência modernista. originou-se de um “compromisso não muito metódico” entre ideologias opostas (página 29). poderes que podiam gerar outros poderes num ciclo evolutivo interminável. que deve agir como uma peneira na seleção de objetivos. para que não sejam escolhidos objetivos inadequados. não estou negando a observação de Hebert Kliebard (1986) de que o currículo norte-americano. A intencionalidade 52 Copyright © 2007. a seleção e organização das experiências para refletir esses objetivos. estou dizendo que essas ideologias tiveram um efeito maior no nível da retórica e do discurso do que no nível da atividade de sala de aula. Pelo contrário. Jean Piaget e Noam Chomsky também desenvolveram estudos diagnósticos das capacidades de linguagem. A predeterminação dos objetos. A transmissão estrutura o nosso processo de ensino-aprendizagem. AS IDEIAS MODERNISTAS. eclético em natureza. transferido. Bobbitt considerou importante ir ao próprio local de trabalho e medir isso em termos científicos. Sobre currículo adotaram a versão fechada que significa através do foco o conhecimento é transmitido. parecem enfatizar primeiramente a escolha dos objetivos. seguidas por avaliações para determinar se os objetos foram atingidos. ambos deixaram de lado os déficits de desempenho para focar os poderes potenciais . Embora eles discordassem sobre as origens das capacidades de linguagem.

(pág 158) Assim as atividades complexas desenvolvidas pelo homem e a capacidades que eles possuem acima e além dos animais foram desprezadas ou negligenciadas. (cap. portanto devemos adotar uma visão aberta para termos uma perspectiva cosmológica e ecológica. do sujeito/objeto. mas local. É a interação complexa entre abertura e fechamento em vários níveis. resoluções definições. molecular) essenciais para haver transformações. No entanto. O pós-modernismo propõe uma visão social.segundo o autor é uma parte importante do ser humano e parte da intencionalidade é o desejo e a ação relativos ao fechamento.13) São essas capacidades (intencionalidades. ao mesmo tempo o pós-modernismo busca uma integração eclética. 53 Copyright © 2007. a abertura humana contém seu próprio paradoxo. (consciente.B Watson (1913) colocou “Não reconhece nenhuma linha divisória entre o homem e o animal”. biológico. Portanto. professor/aluno. Entretanto. Neste caso só há transformação se houver interação do indivíduo com o meio ou o objeto de transformação. pessoal e intelectual bem diferente. esta integração é um processo vivo negociada. Segundo o autor o discurso passado e recente sobre o currículo não prestou atenção à complexidade do pensamento humano e adotou o paradigma comportamentalista que J. Aquelas capacidades que nas palavras de Jerome Bruner (1973) nos permite “ir além da informação dada”. autoorganização. não pré-ordenada e criada e nem descoberta. nós/outros. currículo/pessoa. ela depende em parte de nós e nossas ações. comunicação) que os educadores e curricularistas admitem que atualmente precisem ser desenvolvidas e que caracterizam a qualidade do ser humano. somos responsáveis pelo futuro dos outros e nosso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mente/corpo. Esta visão contribuiu para um conceito curricular em que o treinamento em atividades pré-escolhidas substituiu o desenvolvimento da capacidade transformativa.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 54 Copyright © 2007.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. no link “Atividades”. no site da ESAB. e faça a Atividade 1.

55 Copyright © 2007. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. Breve Biografia Do Educador Paulo Freire Sabemos que não é possível falar de educação sem ter em mente as ideias do grande educador brasileiro. Brasil. Paulo Freire. faz-se necessário conhecer um pouquinho de sua trajetória histórica: quem foi e o que fez. Nascido em 19 de setembro de 1921 de pais de classe média no Recife. Paulo Freire conheceu a pobreza e a fome durante a depressão de 1929. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e mundialmente aclamado. tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica. Paulo Reglus Neves Freire educador brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. uma experiência que o levaria a se preocupar com os pobres e o ajudaria a construir seu método particular de ensino . Portanto.U NIDADE 12 Objetivo: Conhecer o educador Paulo Freire e suas contribuições para a educação.

Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, ele nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor, numa escola do antigo segundo grau ensinando a língua portuguesa. Em 1944, ele se casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho. Os dois trabalharam juntos pelo resto de suas vidas e tiveram cinco filhos. Em 1946, Freire foi indicado Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres, Freire começou a se envolver com um movimento não ortodoxo chamado Teologia da Libertação. Uma vez que era necessário que o pobre soubesse ler e escrever para que tivesse o direito de votar nas eleições presidenciais. Em 1961, ele foi indicado para diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, e em 1962 ele teve sua primeira oportunidade para uma aplicação significante de suas teorias, quando ele ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em apenas 45 dias. Em resposta a esse experimento, o Governo Brasileiro aprovou a criação de centenas de círculos de cultura ao redor do país. Em 1964, o golpe militar extinguiu este esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida ele passou por um breve exílio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, Freire publicou seu primeiro livro, Educação como prática da liberdade. O livro foi bem recebido, e Freire foi convidado a ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969. No ano anterior, ele escrevera seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, o qual foi traduzido para vários idomas como o espanhol, o inglês em 1970, e até o Hebraico em 1981. Por ocasião da crise política entre a ditadura militar que governava o Brasil e o socialista-cristão Paulo Freire, o livro não foi publicado no Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo de liberalização cultural.
56 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Depois de um ano em Cambridge, Freire se mudou para Geneva, Suíça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial de Igrejas. Durante este tempo Freire atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente Guinea Bissau e Moçambique. Em 1979, ele já podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Freire se filiou ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi indicado Secretário de Educação para São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias sobre educação popular. O instituto mantém os arquivos de Paulo Freire. Freire morreu de ataque cardíaco em 2 de maio de 1997 às 6h53 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

57 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Paulo Freire http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=YzURD6CgVs4 www.paulofreire.org (INSTITUTO PAULO FREIRE) www.paulofreire.ufpb.br (BIBLIOTECA PAULO FREIRE) www.pucsp.br/paulofreire (CÁTEDRA PAULO FREIRE)

58 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

exigindo a presença de educadores e educandos criativos. os rios. com a finalidade de suscitar o espírito de pesquisador e. na perspectiva de Paulo Freire. humildes e persistentes. a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognoscíveis. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. tem necessidade de buscar sempre novas e melhores formas de educar. E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. Nessa perspectiva. os mares. Algumas Reflexões Sobre A Educação. investigadores e inquietos.U NIDADE 13 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. o professor de jovens e adultos. 59 Copyright © 2007. pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando. rigorosamente curiosos. incluímos aqui o resumo do livro “Pedagogia da Autonomia”. muito mais que de outras modalidades. A Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou as gentes. Assim. consequentemente de professor reflexivo. A pesquisa se faz importante também. segundo Paulo Freire. a natureza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Sabemos que o educador democrático trabalha com os educandos. todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. a terra”. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado.

Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas. valorizando a curiosidade dos educandos e educadores. condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais. 60 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como: simplicidade. humanismo. Alguns postulados apresentados no livro Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócioeducativo. dos veículos de comunicação de massa. além de educar. É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos. porém nem sempre adotados pela sociedade atual. Como eixo norteador de sua prática pedagógica.O livro é uma obra que apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos. Enfatiza alguns aspectos primordiais. construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais. através. mas. que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno. já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. atentando para a necessidade de formação ética dos educadores. Agindo em favor de uma sociedade mais justa e igualitária. valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade. pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado. sobretudo com as de baixa renda. é que esta obra se faz imprescindível. estará formando para um futuro melhor. principalmente. mantendo-se assim o status quo. bom senso (ética em geral) e esperança. de uma formação crítica e consciente dos estudantes que.

Para Freire. pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade. dessa maneira. e esta consciência é que nos instiga 61 Copyright © 2007. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo. Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos. que tem sonhos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco. sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza. Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto. temos consciência de que somos inacabados. sem questionamentos.Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. que opina. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção[2]. porque ensinar não é transferir conhecimento. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social. a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho". Segundo o autor. em suas socializações com os outros e com o professor. ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções. de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social. que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la. que critica. estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação. que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos. que pensa. Defende ainda que a teoria deva ser adequada à prática cotidiana do professor. sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada. essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e. Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro. se comunica e que dá sugestões.

No capítulo Ensinar é uma especificidade humana. julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária. tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento. portanto a autoavaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pronto e inalterável. passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história. diminuindo a distância entre o discurso e a prática. sua capacidade de ir além. perceber criticamente e modificar o que está condicionado. acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados. O educador não deve barrar a curiosidade do aluno. O bom senso requer que sejamos coerentes. autoridade e competência no decorrer de sua prática docente. centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade. enfim. o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática. 62 Copyright © 2007. pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação. mas não determinado. mas no alvoroço dos inquietos. Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado. Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade. Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética. senso investigativo. sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças. pois ensinar exige humildade. intuição. Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo.a pesquisar. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância. O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade.

não obstante transmitindo saberes. pensante. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. O educador deve saber escutar. acima de tudo. intervir e conhecer. crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. Deve procurar mostrar o que pensa. juntamente com o esclarecimento político dos educadores. tem como objetivo refletir um pouco mais sobre as concepções educacionais. buscando a qualidade. expressando a afetividade. indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas. tendo na educação um instrumento de libertação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é o significado do ensinar. no livro.Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica. com amor pelo que faz. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam às vezes de maneira sutil. pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos. isto é. construindo e redescobrindo estes saberes. uma vez que o mesmo por si só já direciona o educador para a prática educativa amorosa e portanto. e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos. pois ameaçam confundir a curiosidade. mas dando significados. para que o educando construa assim a sua autonomia. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo. mostra que o prazer e o amor são os primeiros ingredientes para a transformação da sociedade. neste livro. O propósito de resgatar as ideias de Freire. ensinar exige querer bem aos educandos. O educador como um ser histórico. dos quais a educação também faz parte. demonstra que Paulo Freire escreve e discursa. considerando que fomos programados mais para aprender e por consequência para ensinar. a nosso ver. político. A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos. É com a mais brilhante 63 Copyright © 2007. porém de uma formação científica séria. A reflexão sobre as palavras do texto. Para Freire. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos.

ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. no-econômico e no político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõem de meios financeiros para obter cultura e informação. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. onde ambos aprendem ambos adquirem e sanam dúvidas.vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. É a mensagem de que para ensinar precisamos. 64 Copyright © 2007. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale à pena. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da importância de se poder fazer a diferença no sistema social. Enfim. antes de qualquer coisa. ambos crescem como seres humanos.

Qual desses equívocos se identifica com a premissa “educandos e educadores são diferentes e é bom que o sejam. temos: “na sala de aula todos são iguais”.. 65 Copyright © 2007. ‘troca: o professor aprende com o aluno. Situem as características deste grupo num determinado período do desenvolvimento e busque estabelecer as relações entre os diferentes aspectos do desenvolvimento (afetivo. mas não são desiguais”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pode ser parentes. Justifique sua escolha. ”e “partir dos conhecimentos dos educandos. intelectual. abaixo: Escolha um pequeno grupo de crianças.... Que tal aplicar os conhecimentos sobre as teorias do desenvolvimento realizando a atividade de pesquisa e prática. vizinhos ou seus alunos (se for o caso). Dentre as mais comuns. todos em idade de educação infantil. físico e social). ir além”.Sabe-se que as contribuições de Paulo Freire sofreram inadequações quanto suas interpretações.

U NIDADE 14 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. segundo Paulo Freire. fé e confiança. “É preciso ter a coragem de nos experimentarmos democraticamente”. Uma Pedagogia para a Libertação. Outra virtude: a tolerância. mas também enquanto expressão de uma prática social. PEDAGOGIA DIALÓGICA Paulo Freire foi. Entende que educação é processo de:  Diálogo crítico. Algumas Reflexões sobre a Educação. Outra virtude fundamental é escutar as urgências e opções do educando. na perspectiva de Paulo Freire. 66 Copyright © 2007. que é a “virtude de conviver com o diferente para poder brigar com o antagônico”. esperança. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Conscientização. Essa primeira virtude do diálogo consiste no respeito aos educandos. Nutre-se de amor. um educador humanista e militante. sem dúvida alguma.  Consciência articulada com a práxis.  Movimento de massas. humildade. não somente enquanto indivíduos. Sua concepção de educação parte sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto. Diálogo é relação horizontal.

 O educador é o que pensa e os educandos. não separa teoria e prática. Tem um método dialético de pensar. entre oprimidos e opressores. aos que nada sabem. Humanismo: Doutrina filosófica que tem no homem o valor supremo. uma exigência existencial. os que não sabem. econômicas e sociais que condicionam a vida humana. jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela. educação é um processo de humanização. o “saber” é uma doação.  O educador é o sujeito do processo. dos que se julgam sábios. que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido. 67 Copyright © 2007. enquanto os educandos são meros objetos. NA CONCEPÇÃO PROBLEMATIZADORA: Funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . históricas.Para Freire. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. definindo-se a partir dessa perspectiva as exigências psicológicas. A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. portanto. “Ninguém liberta ninguém. EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EDUCAÇÃO PROBLEMATIZADORA Na concepção bancária (Burguesa):  O educador é o que sabe e os educados. A educação torna-se um ato de depositar (como nos bancos). O diálogo é.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Respeitar o aluno não significa deixá-lo na ingenuidade. afirmou ele. O educador revolucionário. Essa diretividade não é uma posição de quem comanda para fazer uma coisa ou outra. expressa pela dominação política e pela exploração econômica a que é submetido. a fazer uma nova leitura de sua realidade. mas desumaniza. ser autoritário. o saber mais importante. mas também não pode abandoná-lo à própria sorte. mas como estratégia para respeitar o saber do aluno que chega à escola. daí a necessidade de elaborar uma nova teoria do conhecimento. mas uma postura de quem deve dirigir os trabalhados e um estudo sério. para um educador. para ultrapassá-la. Propõe a recepção passiva de um conhecimento empacotado. O professor autoritário não humaniza. mais necessário para a libertação do oprimido. O PAPEL DIRETIVO DO EDUCADOR Paulo Freire não desconsiderava o papel diretivo e informativo da educação. O educador libertador convida os educandos a um pensar crítico e reflexivo da realidade. porque a prepotência não exige competência ou respeito e dispensa explicações. Significa assumir sua ingenuidade com ele. não pode manipular os alunos. Nessa nova teoria de conhecimento.Paulo Freire refere-se à categoria diálogo não apenas como método. o ato de conhecimento na relação educativa. Freire acha que é muito mais cômodo. 68 Copyright © 2007. jamais chama os educados a pensar. é a tomada de consciência de sua própria situação de oprimido.

que no ensino tradicional encontra-se distante do aluno.  A aula não é o momento do depósito do conteúdo.Paulo Freire no contexto do pensamento pedagógico contemporâneo O pensamento de Paulo Freire pode ser relacionado com o de muitos educadores contemporâneos. O método de Paulo Freire procura aproximar a figura do professor. eles próprios. a relação entre teoria e prática. à crença na possibilidade de os homens resolverem. Carl Rogers e a pedagogia centrada no aluno Freire não defendia o princípio da não diretividade como Rogers. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . John Dewey e a Escola Nova O que a pedagogia de Paulo Freire aproveita do pensamento de Jonh Dewey é a ideia de aprender fazendo.  Provas e exames não são os únicos instrumentos de avaliação. mas existem pontos em comum como:  Respeito à liberdade de expressão individual. Educação é vida! 69 Copyright © 2007. o método de iniciar o trabalho educativo pela fala (linguagem) dos alunos. A educação deve ter uma visão do aluno como pessoa inteira. desde que motivados interiormente para isso. seus problemas. com sentimentos e emoções.  O aluno deve ser autor de sua aprendizagem. o trabalho cooperativo.

Através das palavras. Enquanto Vygostsky enfoca a dinâmica psicológica. A linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. abstrações e outras formas do pensar.Vygotsky e os educadores revolucionários soviéticos Em época e lugares diferentes. A humildade. ambos perceberam a necessidade de associar a conquista da palavra à conquista da história. os seres humanos formulam generalizações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 70 Copyright © 2007. a simplicidade e o otimismo são também características comuns aos dois educadores. Freire se concentra no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e na análise da linguagem.

A aceitação por uma determinada abordagem pedagógica também será baliza para a forma como praticamos a avaliação e o olhar sobre o erro. As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ANÁLISE COMPARATIVA DE REFERENCIAIS EDUCACIONAIS A análise de referenciais sobre abordagens trabalhadas na educação tem como objetivo relembrar o caro cursista que como educador é muito importante termos bem definido nossa concepção educacional. a sua relação com o conhecimento. como possibilidade ou não de reconstrução do conhecimento.U NIDADE 15 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). o ambiente de sala de aula. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . possibilitador de novas atitudes paradigmáticas. Pois este parâmetro definirá nossas ações pedagógicas e relações interpessoais desenvolvidas no binômio professor – aluno. mas devemos ter como embasamento o seu núcleo de abordagem e de pensar sobre a educação. vai definir sua atitude. a postura do professor. A nomenclatura sobre estas duas concepções pode sofrer variação. mas a relação que 71 Copyright © 2007. buscando superá-las. diante do mundo e seu pensar sobre educação. A percepção sobre o ensino. Parafraseando Paulo Freire. O quadro síntese que lhes é apresentado anuncia de forma clara e com propriedade sobre a Visão Tradicional e Novo Paradigma na Educação. digo que não é o uso de recursos educacionais que me faz um educador transformador. metodologia de trabalho.

educacional. É estimulador de um ambiente plural. INSTRUTOR Foco do processo de ensino. o aprender a conviver. Quando sou aquela que ensina e aprende com seu aluno. ALUNO APRENDIZ Elemento passivo no Centro de referência agente e da autor ação do processo de ensino. processo de aprendizagem. gerenciada de pelo Enfatiza o aprender a conhecer. físico destinado AMBIENTE DE APRENDIZAGEM ao Não está delimitado por espaço físico. 72 Copyright © 2007.estabeleço do conhecimento com o meu aluno. do fragmentada conhecimento. quando me percebo ensinante a aprendente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . multidimensional. mas pela concepção de aprendizagem. Quadro-Síntese Visão Tradicional VALORES/PERCEPÇÕES Novo Paradigma VALORES/PERCEPÇÕES Visão mecanicista e Visão sistêmica do conhecimento. o transmitir aprender a fazer. instrutor. ENSINO EDUCAÇÃO Ação. SALA DE AULA Espaço ensino. o aprender a ser. numa relação dialógica do saber. EDUCADOR informações.

CONTEÚDOS Currículo disciplinas predeterminado, isoladas ou

CONTEÚDOS com Processo temas significativa

integrado do

de

construção

conhecimento,

fragmentados.

interdisciplinaridade.

Visão Tradicional
OBJETIVOS

Novo Paradigma
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Comportamentais função de

e

com Desenvolvimento

de

conhecimentos,,

controle

do habilidades e atitudes apropriadas para

professor sobre o conteúdo a realização de um propósito. ministrado.
MEIOS MEIOS

Servem pessoas.

para

treinar

as Desenvolvem formas sofisticadas de comunicação multidimensional e

sensorial que facilitam a aprendizagem.
RESULTADOS RESULTADOS

Alcance dos objetivos que Demonstração podem ser mensurados.

do

alcance

de

competência nas dimensões aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

73 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

DA PRÁTICA INSTRUCIONAL À PRÁXIS EDUCACIONAL Contextos: político,

econômico, social, científico, cultural, tecnológico.

(Direcionam um novo olhar sobre as práticas educacionais.) Educação Tradicional – paradigma de separação sujeito e objeto  fragmenta o conhecimento e suas estruturas. Educadores séc. XXI – fundamentados na nova visão do mundo  globalidade e atuação como integradores conhecimento e problemáticas contemporâneas. As formas de olhar e de representar a realidade definem um arcabouço conceitual  sujeitos / objetos
Referenciais para uma nova práxis educacional

 teoria cognitivista  teoria humanista  teoria sóciocrítica. O foco das três teorias:  o pensar crítico;  o pensar criativo;  a aplicação dos conhecimentos.
Fusão- aprender a conviver e aprender a ser  relações interpessoais.

74 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

U

NIDADE

16

Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor), buscando superá-las. Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002. 1-QUANTO À DIMENSÃO: APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER Objetivo pedagógico: é o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico, com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento, ou seja, – aprender a conhecer e a pensar. (SAI)-_apresenta atitude de investigação e organização do conhecimento É o desenvolvimento de habilidades e procedimentos que levam o indivíduo a aprender a conhecer,... na escola, em museus e bibliotecas,... através das mídias e em ambientes fora da escola desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano, de seu saber e de suas aptidões, como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors, 1996:8). DESENVOLVIMENTO DO APRENDER A CONHECER Aprender a conhecer: interpretação da realidade – conceitos, princípios, fatos, proposições e teorias – visão global contextualizada. Prática tradicional: plano de curso – aula – conteúdo  temas  subtemas  divisão de tempo – transmissão de informação. Paradigma: construção do conhecimento e transferência para a vida cotidiana.“... modernidade educativa é a didática do aprender a conhecer, ou do saber pensar...”

75 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  metáforas. posicionarse.  argumentação. Pensar criativo:  tempestade de ideias. Em relação aos conteúdos Enfoque dedutivo: ideias gerais  conclusão  particular. original.  análise.  classificação. 1993) Pensar crítico:  comparação. Metodologias e estratégias devem priorizar o pensamento reflexivo (questionar. 76 Copyright © 2007.  imaginação.  pensar próprio. criticar) para autorealização pessoal e social. Enfoque indutivo: ideias particulares  conceitos  universal.  paradoxos.  solução criativa de problemas.(Pedro Demo.  interrogações divergentes. atuar. ATUAÇÃO DO PROFESSOR: METODOLOGIA Atua como mediador entre o saber sistematizado e as condições lógicas do aprendiz.

1996:8). aplicação do conhecimento em uma prática refletida e planejada. EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO:  experiências de aprendizagem – crítica. produzindo desta forma. posicionamentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . APRENDER A FAZER Objetivo pedagógico: estimular a transformação da teoria em ação. discutido  alternativas. como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors. Está ligada (para-sai) à questão da formação profissional. de seu saber e de suas aptidões. Neste processo a pessoa acrescenta saberes pessoais e contextualiza o conhecimento. Aprender a conhecer e aprender a fazer são. análise. indissociáveis. 77 Copyright © 2007. Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? …desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano. Aprendizagem – ocorre com produção de mudança em ações. Desenvolvimento do aprender a fazer: O aprender a fazer é a habilidade de usar o conhecimento de maneira original em situações específicas. por meio de capacidades. Educar para o êxito / habilidades e destrezas. novos paradigmas.  organização do pensamento – realidade-meio. habilidades e atitudes.  integração com o meio e com o outro. É transpor o conhecimento para a vida.Enfoque reflexivo / Criador: atividade intelectual  problema  avaliado.

 Aprender a viver juntos envolve as relações interpessoais  sinergia  solução de conflitos  respeito ao outro. torna-se mais produtivo. se as pessoas que aí vivem. (Cortelazzo. aprender a conhecer a pensar. mais efetivo e aprende a ser em relação ao outro. precisam aprender a viver em grupo.DIMENSÃO APRENDER A SER / APRENDER A CONVIVER Objetivo pedagógico: estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades individuais – cognitivas. 78 Copyright © 2007. DIMENSÃO APRENDER A SER Desenvolvendo suas habilidades e competências específicas de forma colaborativa no projeto. portanto.. ou seja. Esta dimensão refere-se à evolução da pessoa e a sua maneira de ser e de se autoconduzir. Homem uno e singular e ao mesmo tempo múltiplo e complexo  conceitos de interdependência e inter relacionamento entre os seres. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. APRENDER A CONVIVER POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada. de conviver e ser criativo. com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento. fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que. o aluno tem sua autoestima aumentada . 2000) Desenvolvimento do aprender a ser / conviver Consciência individual e social  fortalecer a reflexão. É o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico. Isto é. de ser pessoa. aprende a conhecer o outro e se conhecer através do outro. onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. Princípio unidade / diversidade.

analogias. sentimentos. juízos. PENSAR CRIATIVO Estimular o pensamento criativo não significa ensinar criatividade (disciplina). o conceito que uma pessoa tem de si reflete-se na formação de inferências.Indicadores do processo de desenvolvimento da dimensão ser / conviver: Autoconceito  a imagem. mas possibilitar vivências. Ex: Técnicas: tempestade de ideias. descrições sobre os outros e si mesmos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 79 Copyright © 2007. Conviver / Dinâmica grupal – aprimora o processo de crescimento psicológico e de tomada de consciência subjetiva. psicodramas. exercício da fluência de ideias e cultivo do pensamento divergente e inovador.

Acredita na aprendizagem por consequências recompensadas e pelo Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . buscando superá-las. em Genebra. nascido em 1896 e falecido em 1980. funda o Centro de Estudos de Epistemologia 80 Copyright © 2007. a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau. doutorou-se em Harvard (1931). Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais. Skinner afirma ainda que o fracasso dos professores esteja na negligência do método. psicólogo norte-americano. nascido na França em 1904 e falecido em 1990. psicólogo e biólogo suíço.U NIDADE 17 Burrhus Frederic Skinner. suas principais obras são sobre o behaviorismo e o mito da liberdade. Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. Jean Piaget. afirma que o homem é um ser manipulável. governado por estímulos do meio externo. BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS condicionamento clássico. autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento PIAGET e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética. lecionou nas Universidades de Minnesota e de Indiana. Firmado como um dos principais behavioristas. respectivamente. Em 1995. Skinner afirma que o nosso comportamento só pode ser explicado mediante um rígido determinismo. foi autor de importantes trabalhos sobre a aprendizagem e o ensino programado. no processo de aprendizagem que consiste Skinner na formação de uma associação entre um estímulo e uma resposta aprendida através da contiguidade. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas.

afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança. apreço. elaborou e definiu seu método de terapia centrada no cliente. Nascido em 1902 e falecido em 1987. críticas e pensadoras. a criança começa a pensar logicamente. o mesmo acredita que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar é relacionada com seus 81 Copyright © 2007. onde passou a ser diretor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Em 1945. a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. Piaget critica severamente à escola tradicional. sem mascarações. Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo. impede a formação de inteligências inventivas. fez uma exposição geral do seu método não diretivo. o facilitador Rogers (professor) deve ser uma pessoa real. verdadeira. O segundo período se dá dos 7 aos 11 anos. onde também transpôs para a educação sua concepção terapêutica. e suas aplicações à educação e a outros campos. formou-se na Universidade de Colúmbia. Rogers diz que para facilitação da aprendizagem. crédito. o primeiro período se dá dos 2 aos 7 anos de idade. onde as habilidades como a linguagem e o desenho são Piaget desenvolvidos. Rogers acredita que os seres humanos têm natural potencialidade de aprender. O terceiro período de dá dos 11 aos 15 anos. onde se especializou em problemas infantis. lecionou na Universidade de Rochester. e esta relação deve ser aberta.Genética. de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento. O professor deve depositar no aluno confiança. psicólogo norte-americano. foi professor de Psicologia na Universidade de Chicago e secretário executivo do Centro de Aconselhamento Terapêutico. sem ostentar uma simples aparência no contato com os alunos.

junto a outros brasileiros exilados. Citamos como algumas de suas obras: “Educação como prática de Liberdade”. Formou-se em Direito na Universidade de Recife. Entre 1957 e 1963 lecionou História e Filosofia da Educação. do PT. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. e falecido em 1997. Em 1961. sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática e a teoria se inter-relacionam num processo de constante aperfeiçoamento. em Genebra. Em 1963. que assessorou diversos movimentos populares em vários locais do mundo. Paulo Freire nascido em 1921 em Recife. “Pedagogia do Oprimido”. participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. aplicada à educação. suas atividades são interrompidas com o Golpe Militar de 1964. “Vivendo e aprendendo”. Em 1964.próprios objetivos. na gestão da prefeita Luisa Erundina. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Freire enfatizando a transformação da prática cria a categoria pedagógica da conscientização. o qual determinou sua prisão. “A importância do ato de ler”. Retornando do exílio. após suas primeiras experiências com educação de trabalhadores. seu método ganha forma com o movimento de Cultura Popular de Recife. Freire continua com suas atividades e assume cargos em Universidades e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. 82 Copyright © 2007. do processo de mudança. a qual visa à formação da autonomia intelectual do cidadão para intervir sobre a realidade. Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento. e a mesma deve ter uma contínua abertura à experiência e à incorporação dentro de si mesmo. “Cartas à Guiné Bissau”. Em 1970. criou a IDAC (Instituto de Paulo Freire Ação Cultural).

a passividade de professores e alunos transmitirem e receberem um "conhecimento empacotado" o que 83 Copyright © 2007. um professor real. o mesmo acredita na questão do reforço (treino. cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. criatividade e autoconfiança. Skinner Segundo Skinner o homem é um ser manipulável. transmissões Piaget sociais e culturais. são fatores desenvolvidos nesta teoria. envolvendo seu cotidiano. exercício. experiências físicas. Engloba-se dentro de um pensamento pedagógico progressista. A mesma apresenta também dimensões interacionistas. coloca o indivíduo como transformador da realidade através de um trabalho de conscientização e politização. Acredita que os seres humanos têm um potencial natural de aprender. a autoapreciação. o conteúdo deve ter valor para o aluno. Suas teorias apresentam tendências construtivistas. e a mesma acontece quando o aluno participa deste processo. Rogers afirma que é por meio de Rogers atos que se adquire uma aprendizagem mais significativa. equilibração. onde o progresso do indivíduo é limitado por si mesmo. governado por estímulos do meio externo. Acredita nas concepções tradicionais. Maturação. ser uma pessoa. Propôs quanto à questão do facilitador. Rogers valoriza a autocrítica. prática). e a avaliação sobre outros olhares.PARALELO DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS Problemas resolvidos através de uma tecnologia do comportamento. critica os mecanismos de introjeção da Freire Ideologia dominante. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . acreditando que estas ações contribuem para a autonomia. Para que haja interesse. e o indivíduo aparece como produto do meio. Afirma que o educador deve assumir princípios e valores. como aumento de produção. no papel estruturante do sujeito. cujo objetivo baseia-se no condicionamento do ser humano.

mas deveria ser proporcionada uma educação politizada. O professor traz para suas aulas um modelo pronto. deve ser realizado dentro de um contexto social. Propõe liberdade para o indivíduo construir. as situações que produzirão o conhecimento. como um ato criador. 84 Copyright © 2007. considerando que a criança passa por todas as etapas.aumenta o índice de analfabetismo. onde alunos são objetos no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. PERFIL DO MODELO DE PROCESSO PEDAGÓGICO Propõe o conhecimento como algo que vem do exterior para o interior. acreditando que o indivíduo não devia ser alfabetizado Freire apenas para a leitura e escrita. superando as barreiras chamadas “mecanismos”. O aluno deve vivenciar a prática. e a criança o construirá. Tem sua preocupação voltada para a alfabetização de jovens e adultos. Freire afirma que o aprendizado da leitura e da escrita. E para que isso aconteça o professor usa estímulos. o aluno tem liberdade de direcionar e conduzir o seu processo de aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o qual se dá em etapas Piaget sucessivas. envolve a compreensão da realidade. De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo). como por exemplo: um prêmio para o vencedor. os materiais devem ser concretos. onde o aluno tem Skinner que repetir exatamente igual. acreditando Rogers que o indivíduo tem dentro de si a capacidade de compreender os fatores de sua vida.

De acordo com Freinet devem ser proporcionadas oportunidades para que se produza o conhecimento. Freinet afirmava a existência de uma dependência entre a escola e o meio social.U NIDADE 18 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). foi um dos educadores mais marcantes da escola fundamental de seu país. e são necessárias técnicas construídas com base na experimentação e documentação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sua principal obra foi o livro “Educação pelo trabalho”. como metodologia. lutou na 1ª Guerra Mundial. afirmando que esses instrumentos aprofundam o conhecimento e o desenvolvimento de sua ação. 85 Copyright © 2007. e buscava pela necessidade tentativas de experiências renovadoras de ensino. Freinet é considerado como um grande crítico da escola tradicional. o qual apresentou Freinet um confronto entre a escola tradicional e a escola proposta por ele. buscando superá-las. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS Nascido na França em 1896 e falecido em 1966. onde o trabalho tinha posição central.

o valor das letras e sílabas. orientada por Piaget. no que se refere à alfabetização. demonstrando a existência de mecanismos no sujeito que aprende. pois as crianças não chegam na escola vazia. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita. atribuindo o valor de sílaba a cada letra. (SAI atualmente aos 62 anos) . transformando a escrita convencional e produzindo escritas estranhas ao adulto. enfim. psicolinguística argentina. apesar de a criança construir seu próprio conhecimento.É pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional. doutorou-se pela Universidade de Genebra. onde a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada. no México. cabe ao professor organizar atividades. Para Ferreiro. não existe um método com todos os passos predeterminados.Emília Ferreiro. De acordo com Ferreiro é preciso diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização. silábica onde a criança interpreta a letra à sua maneira. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os quais surgem da interação com a linguagem Ferreiro escrita. que favoreçam a reflexão sobre a escrita. e a alfabética onde a criança domina. foi professora em várias Universidades latino-americanas e européias. silábico-alfabética. a mesma afirma que a criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica. Seus trabalhos e pesquisas demonstraram uma preocupação em integrar os objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e cultural. e que emergem de uma forma muito particular em cada um dos sujeitos. As crianças interpretam o ensino que recebem. 86 Copyright © 2007. Desenvolveu trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita. Ferreiro contribuiu para a compreensão do processo de aprendizagem. onde a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas.

De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas Vygotsky nas relações sociais que o homem mantém. aos 37 anos de idade. e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. É no processo de ensinoaprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo. pensamento e linguagem. história e filosofia. sistemático de construção da humanidade. no qual o mesmo é transformador dessas ações. de origem belgo-russo. Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético ( Karl Marx) para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista na Psicologia. um parceiro importante na “Educação”. onde o professor torna-se figura fundamental. que ocorre na interação com os adultos e os colegas. entendia o homem como um ser ativo. afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . E a educação como um processo social. que age sobre o mundo sempre em relações sociais. Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60. sendo a aprendizagem um processo essencialmente social. o ideal é partir do que ela domina. também fez cursos de medicina. Construtor de propostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação. o colega de classe. 87 Copyright © 2007. Este pensador teve uma produção intelectual intensa. Para Vygotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá. sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. nascido em 1896 e falecido em 1934. formado em Direito. sobretudo pela interação social. Quanto ao conhecimento Vygotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador ir além do que ela pode aprender é ineficaz.Lev Semenovich Vigotsky. e no Brasil só início da década de 80. para ampliar seu conhecimento". e atualmente seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo.

Ferreiro afirma gem se dá iniciado por através do palavras tateio conhecidas pelos sobre a importância de respeitar o nível de desenvolviment o do aluno.Processo aparecimen ações mútuas não avança educativo nunca to do entre o indivíduo e estímulo evoca a resposta. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .De acordo com Freinet -A aprendiza Freire .E como Piaget. . Aprendiza gem pensar o desenvolvime nto da criança de maneira Freire a pedagogia deveria ser flexível. -Homem é visto como um robô do meio em estágios.De acordo com entre os seres humanos. e é preciso diagnosticar seu grau de conhecimento antes de iniciar o processo de alfabetização.Como Vigotsky. .COMPARAÇÃO DE IDEIAS E PRINCIPAIS PONTOS DE SUPERAÇÃO Skinner -A Piaget . aprender que governado evolui por por estímulos do meio ambiente externo. A relação entre o educador e o aluno é o meio.A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de relação de domínio crucial para ou de liberdade a aprendizag em. . aprendizag Piaget é a pessoa em é a conexão entre o estímulo e a resposta e que o que constrói seu próprio conhecimento. manipulável. Não pode ir além de da vida na escola. de forma direta da construção do 88 desenvolvimento da criança.A criança geradoras”. .Processo de alfabetização Vigotsky -A Ferreiro . sim uma ação cultural que resultaria numa será neutro. participativa e .Como Piaget. experimen alunos “palavras tal.Homem ser sozinha. . -A aprendizage m da criança inicia-se desde o seu1º dia de vida. onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas aprendizage Ferreiro afirma m se dá sobre tudo pela interação social. até a maturidade intelectual.Importância de a educação .O professor deve através da incentivar ao máximo o diálogo respeitar o nível de habilidade prospectiva e que não é porque não o aluno participa retrospectiva. Ferreiro coloca que os alunos nunca chegam à escola vazios. entre mestres e alunos (identificando-se neste ponto com Copyright © 2007. mas . .

próprio papel. o ento ambiental. condicionam ser manipulável. qual aprende através de palavras fora de um formam um Valorização contexto. mas da livre compreender na condicionamentos. cabe ao professor proporcionar Consideraç mesmo enfatiza a ão da realidade importância da interação entre comportame Superando em ntal é moldada.O indivíduo não deve apenas aprender formar e controlada considera o pelo indivíduo como um situações onde o . - mestre e educador). 89 Copyright © 2007. - Freinet. que alunos estão inseridos. onde o Desenvolvim ento é um processo acontece de conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo. conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvime nto da criança.Professores conhecimento é e colegas buscado e construído. . fora para dentro. manipulada todos os pontos as em que os teorias propostas por Skinner. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . consciência sociedade seu dos alunos.que vive cuja natureza sua capacidade. nem deixá-las agir sozinha.

Assim.no fundo. cuja missão é repassar todas as informações. consistente e claro). com uma passividade também frenética. “Seduzida por uma antiga paixão que é o ato de educar. a uma audição interminável. Concepção autoritária Nesta concepção. É o descortinamento de vida. de revelações e ações” As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica Faz-se necessário refletir sobre as concepções educacionais e como essas se realizam e a partir daí. Como princípio fundamental. buscando superá-las. trabalhar na perspectiva de uma profunda e efetiva transformação social.U NIDADE 19 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). “esgotar o programa ou o livro didático adotado”. como por exemplo. de outro. 90 Copyright © 2007. Ocorre. a aula torna-se suportável. quando ele apresenta dificuldade de expressão. o professor autoritário impõe um ritmo frenético à sua própria atividade e espera que os alunos absorvam. todo o conteúdo. cópia de um texto oral. de um lado. O professor se coloca como único detentor do conhecimento. A maioria das aulas se transforma num ditado . ela transforma-se numa tortura intelectual: o aluno tenta anotar o que houve e não entende o que está ouvindo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pois não há tempo para que o aluno reflita sobre o que está anotando. acredito que ensinar a ler e a escrever é mais que uma revolução. de saberes. acompanhada de anotações mecânicas. Didaticamente. os conhecimentos por ele demonstrados. os procedimentos didáticos reduzem-se a exposição sem fim. Quando o professor tem boa verbalização (discurso coerente. é bom relembrar as características de tais concepções.

Na maioria de nossas escolas. não leva os alunos a utilizá-Ia e cobra. códigos próprios etc. generalizadamente. a raiz da imposição. anteriores e posteriores. mas nas distinções hierarquizadoras.então. não se ouve a trilha sonora nem se aprecia a beleza das imagens. são meros elencos sequenciais de conteúdos programáticos. do controle. passivamente. Na verdade. os alunos nem assistem às aulas. expressa na ansiedade de anotarem até os suspiros do professor .especialmente daquele que. um processo mais ou menos semelhante ao de alguém que assiste a um filme com legendas: "lê-se" o filme. assistir às aulas já é uma expressão denotativa da cultura da passividade imposta ao discente. nem. Aliás. tudo o que foi dado em aula. ouvem-nas. nas verificações da aprendizagem. os professores autoritários continuam atendendo.formulam-se os planos de curso que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . reduzem-se a simples programas de série. da preocupação com a hierarquia e a busca do consenso está na insegurança do professor. dificuldades prérequisitais. muito menos.quase sempre anteriores aos primeiros contactos com os discentes . É muito comum a angústia dos alunos. uma denúncia da burocratização do ensino. que pouco ou nada têm a ver com as demais séries. No que diz respeito ao Relacionamento. Valendo-se de uma definição institucional da autoridade. Nas famosas semanas de planejamento . do que às necessidades dos alunos. 91 Copyright © 2007. com a vida do aluno. mesmo exigindo a aquisição do livro didático. referem-se ao curso como um todo (integração vertical). além de não levarem em conta a realidade dos alunos e seus conhecimentos adquiridos em outros meios. O plano de curso apresenta-se como uma entidade autônoma de dependências internas (unidades-programa). muito mais às exigências fiscalizadoras dos órgãos intermediários. objetivos e procedimentos e. Ainda que haja. muito menos. na maioria das vezes. estabelece uma relação com os alunos cm que o respeito mútuo não se constrói no reconhecimento das diferenças igualitárias. Raramente articulam conteúdos.

toda moral preconcebida. Na realidade. preconizando a abstenção dos educadores. o ludismo inspirado no engodo de que só se aprende brincando. seja ela qual for". deixando ao aluno o livre curso para as manifestações automotivadas ou. a substituição de docentes por discentes (sem a finalidade precípua de prepará-Ios para o magistério). na medida em que não é necessário grande empenho e. S. a indiferença quanto ao ambiente necessário à concentração e ao trabalho intelectual.. numa espécie de democratismo confortável (para o educador). toda instrução religiosa. de A..Concepção anárquica "[. ou. dependendo de suas disposições individuais. mas algo que dela se aproxima. à autoaprendizagem. Nas escolas brasileiras não se observam às propostas anarquistas. negociadas no próprio coletivo dos discentes. de deliberações doutrinárias. ou melhor. toda sugestão. manifesta-se uma grande atividade ou não dos educandos. . 22) certamente é a maior inspiração do que estamos denominando por concepção anárquica. Assim. São os famosos estudos dirigidos sem direção. ao lado da passividade do educador (sua presença é necessária?). princípio fundamental da Escola de Summerhill. a liberação de aulas sob a pressão dos mais fúteis motivos etc. de modo a viabilizar somente a satisfação dos desejos do educando. sem qualquer constrangimento que pudesse causar traumas ou neuroses.. mas anárquicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como ocorre na maioria das vezes. para que os alunos percebam os aperfeiçoamentos necessários. que não são fruto.. os inúmeros trabalhos exigidos dos alunos (que fazem meras colagens) e que nunca são corrigidos detalhadamente. como as primeiras.] renunciar a toda disciplina. Na concepção anárquica dá-se ênfase à aprendizagem. Neill (19970. 92 Copyright © 2007. muito menos. essa verdadeira antipedagogia foi uma tentativa de aplicação dos princípios psicanalíticos a projeto escolar. o dissenso generalizado. ou o conflito. Na permissividade gerada pela ausência de diretriz tudo é possível: ou o consenso. trabalho. p. A didática consiste em não usar qualquer didática. quando muito.

Enquanto a primeira está preocupada com as leis. O controle ou a permissividade são substituídos pela negociação. Ao invés da preocupação com a “ciência-disciplina: conjunto de descrições. etc. modelos. Nessa concepção trabalha-se com objetivos. os papéis são reconhecidos pelas competências específicas. 18). isto é. “a contínua elaboração. ritmos e histórias de vida próprios. verdades absolutas e universais. como dizia Goldmann (1978. isto é. interpretações. e as divergências (sempre presentes) não constituem mero exercício de esgrima intelectual ou uma disputa em si. juízos de fato. 2000) representa a síntese dialética (não eclética) entre as posições autoritárias e as anárquicas. no sentido de ser instrumento eficiente e eficaz da transformação social. teorias. neutralidade científica. a segunda volta-se para uma espécie de "correção progressiva dos dados da experiência e da reflexão". legitimadas pelas descobertas compartilhadas e pela racionalidade dos avanços. E só ela é capaz de resgatar a qualidade do trabalho escolar. leis. com fronteiras nitidamente definidas e grau crescente de complexidade. p. Partindo do princípio de que todo ser humano é capaz de aprender (e também de ensinar). claramente explícitos. p. Sempre se oportunizam fora dos já consagrados modos 93 Copyright © 2007.Concepção democrática A concepção democrática (segundo GADOTTI & ROMÃO. como afirma Newton Freire Maia (1991. mas um espaço de respeito pelas diferenças. 48)”. ampliação e revisão. postulados. sem hierarquizações dos atores escolares. perseguidos. para cuja formulação contribuem todos os envolvidos no processo. metódica e sistematicamente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . busca-se a “ciência-processo”. Não se forma o cidadão sem a Escola Cidadã. Ninguém se impõe a ninguém. oportunidades de rompimento com fronteiras ortodoxamente estabelecidas. a relação professor e aluno torna-se um processo de constante ensino e aprendizagem de mão dupla: os caminhos do ensino descortinam horizontes para a aprendizagem e esta revela instrumentos e mecanismos para o aperfeiçoamento do primeiro.”. pela mútua persuasão. sem que se respeitem às diferenças. axiomas.

descobridor. como provocado. E. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . plasmar o aluno (como se costuma dizer). concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva.diferentes de se resolverem situações-problema (muitas vezes. professor e aluno. o segundo. ambos. o saber. cosistematizador e coavaliador/avaliado. 94 Copyright © 2007. É a atitude ingênua mais frequente supor que cabe ao educador formar. mas na descoberta progressiva dos papéis e funções diferenciados. Essas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. como provocador. com economia de energia e de tempo). colocando criticamente seu ponto de vista. incentivador. Discuta com seus colegas sobre esta temática. A segurança de todos não se estabelece em hierarquias previamente institucionalizadas ou pactuadas. O educando como puro "objeto" da educação. sistematizador e avaliador. trabalharão o tempo todo: o primeiro.

A concepção ingênua A concepção ingênua é aquela que procede de uma consciência ingênua.por motivos que cabe à análise filosófica examinar . Assim. porque esta só existe quando a percepção do estado presente da consciência é acompanhada da ideia clara de todos seus determinantes. E. que tem como conceito a representação mental da realidade exterior. do sujeito. tomar-se a si mesmo como objeto de sua compreensão. acredita que suas ideias vêm dela mesma. do mundo. consciência ingênua é aquela que . faz-se necessário resgatar a noção de consciência. do objeto. da totalidade da realidade objetiva que sobre ela influi (o que só ocorre com a consciência crítica).U NIDADE 20 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. e a representação mental de si. A realidade é apenas recebida ou enquadrada em um sistema de ideias que se cria por si mesmo. Por isso julga-se um ponto de partida absoluto. as ideias se originam das ideias. A consciência ingênua pode refletir sobre si..não inclui em sua representação da realidade exterior e de si mesma a compreensão das condições e determinantes que a fazem pensar tal como pensa. porém não se identifica com a autoconsciência. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a autoconsciência (VIEIRA PINTO. uma origem incondicional. A simples reflexão sobre si pode ser apenas introspecção. Antes da discussão sobre as concepções da consciência ingênua e crítica. isto é. porém não chega a ser uma autoconsciência. Não inclui a referência ao mundo objetivo como seu determinante fundamental. 2000). Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua. 95 Copyright © 2007.

de intentos frustrados. torna-se verdadeiramente autoconsciência. histórico. no qual se encontra. Refere-se a si mesma sempre necessariamente no espaço e no tempo em que vive.A consciência crítica A consciência crítica é a representação mental do mundo exterior e de si. A consciência crítica. pois está ligada a um mundo objetivo que é um processo e reflete em si esta objetividade nas mesmas condições lógicas que definem um processo. a linguagem na criança ou o 96 Copyright © 2007. histórica. portanto. uma consciência justificativa de si (em sua forma ou procedimento. de desperdício de recursos. Noção falsa em relação à criança. acompanhada da clara percepção dos condicionamentos objetivos que a fazem ter tal representação. e traduz-se em uma fonte de equívocos. A educação escolar sempre toma o educando já como portador de um acervo de conhecimentos (por exemplo. O educando como "ignorante" em sentido absoluto. Concebe-se segundo a categoria de processo. A autoconsciência é. A concepção ingênua da educação No campo da educação. todavia em relação ao adulto. pois engendra as mais equivocadas ideias. do grau de desenvolvimento do processo nacional ao qual pertence). e muito mais. Não podem levar à completa e rápida solução dos problemas que considera. quando reflete sobre si (sobre seu conteúdo). não pelo simples fato de chegar a ser objeto para si. Estes pertencem ao mundo real. É. por essência. que se traduzem em ações e juízos que não coincidem com a essência do processo real. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o que implica compreender que o mundo objetivo é uma totalidade dentro da qual se encontra inserida. e sim pelo fato de perceber seu conteúdo acompanhado da representação de seus determinantes objetivos. social. Inclui necessariamente a referência à objetividade como origem de seu modo de ser. em particular. em seu conteúdo ou aquilo que percebe em função das condições históricas e sociais de sua realidade. pois verdadeiras. a consciência ingênua é sempre nociva. nacional. pois. material. que não são.

A criança e o adulto vêm à escola já preparada (inclusive para desejar vir à escola) por outra escola geral. com os interesses do educador e com o mesmo ato de ser transmitida. de um conjunto de noções. procedimento que parte do suposto direito de domínio. de algum conhecimento (sempre concreto). plasmar o aluno (como se costuma dizer). Estas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. o adulto a educar é absolutamente "ignorante". Porém a noção de ignorância é tomada aqui em sentido abstrato. isto é. Absolutiza-se o conceito de "ignorante" para as classes populares. Este conhecimento prévio é o resultado da prática social do homem (criança ou adulto) e de sua formação até o momento em que começar a receber educação institucionalizada. Concebem o educando como objeto. em dar caráter absoluto às divisões em graus. que só pode ser educada. A educação como transferência de um conhecimento finito. O educando como puro "objeto" da educação. de uma consciência sobre outra. educada e dirigente da sociedade. Esta ingenuidade é grave. etc. Supõe que o professor é apenas o transmissor de uma mensagem definitivamente escrita. de consciência autônoma (para si). carreira. porque converte a educação em ato caritativo e transfere para o plano dos valores éticos (inteiramente alheios a este problema) a essência. Esta ingenuidade se refere à noção de conteúdo e forma da educação. o meio onde vivem. e por isso não reconhecem nele a dignidade de sujeito.trabalho no adulto). enquanto se relativiza esse mesmo conceito para as elites (a fim 97 Copyright © 2007. o significado e a valoração eminentemente sociais da educação. níveis. que é a sociedade. Para a consciência ingênua. A educação como dever moral da fração adulta. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o saber. e que essa mensagem não se modifica com as condições de tempo e lugar. A principal nocividade desta atitude está em preceituar limites ao processo pedagógico. não é concebida como "ignorância de algo". instruída. em um diálogo esclarecedor e não em uma imposição de ideias. de acordo com determinado método. E a atitude ingênua mais freqüente é supor que cabe ao educador formar.

no site da ESAB. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . enquanto o membro da elite é culto porque sabe alguma coisa. Como.de que os representantes dessa elite possam aparecer como não ignorantes). no link “Atividades”. este outro ignora muitas coisas que o primeiro sabe. que revela o caráter interessado da noção de ignorância: o homem do povo é ignorante porque não sabe alguma coisa. 98 Copyright © 2007. e faça a Atividade 2 . que é concretamente sabida por outro. A consciência ingênua necessita absolutizar a ignorância. Vê-se a duplicidade de critérios. Um indivíduo não pode ignorar assim alguma coisa. o que só pode fazer convertendo-a em uma noção irreal. porém. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. o caráter da ignorância é sempre relativo.

concreticidade (caráter vital da educação como transformação do ser do homem). A concepção crítica é a antítese da ingênua e repudia os pontos de vista anteriormente expostos. posto que. o país. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .o educando como sabedor e desconhecedor. tendo em conta àquelas finalidades. em virtude de ser a única que é capaz de oferecer o conteúdo e o método mais eficaz para a instrução (alfabetização. A concepção crítica da educação A concepção crítica da educação procede segundo as categorias que definem o modo crítico de pensar. definidores desta última. É em verdade um homem culto. historicidade (a educação como processo) e totalidade (a educação como ato social que implica o ambiente íntegro da existência humana. se não fosse assim. escolarização) tem que se fazer 99 Copyright © 2007. no sentido objetivo (não idealista) do conceito de cultura. Alguns aspectos específicos da concepção crítica da educação: Primeiro aspecto . não poderia sobreviver. escola secundária. Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua. universidade) da criança e do adulto. pois conduz à mudança da situação do homem e da realidade à qual pertence. O educando evidentemente não sabe aquilo que necessita aprender (ler e escrever).. É a única que está dotada da verdadeira funcionalidade e utilidade.U NIDADE 21 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. o mundo e todos os fatores culturais e materiais que influem sobre ele). mas nem por isso pode ser considerado como um desconhecedor absoluto. Sua instrução formal (alfabetização. Particularmente há que mencionar as de: objetividade (caráter social do processo pedagógico).

sempre partindo da base cultural que possui e que reflita o estado de desconhecimento (material e cultural) da sociedade à qual pertence. Aquilo que desconhece é o que até agora não teve necessidade de aprender, e se tem podido viver até agora como analfabeto é porque as condições de sua sociedade não exigiam dele o conhecimento da leitura e da escrita. Segundo aspecto - o educando é o "sujeito" da educação e nunca o objeto dela. Necessitase da ação do professor para se alfabetizar, instruir-se, isso não significa que seja o objeto "sobre o qual" o educador atua, e sim unicamente que é componente indispensável de um processo comum, aquele pelo qual a sociedade como um todo se desenvolve se educa, se constrói, pela interação de todos os indivíduos. A educação é um diálogo amistoso entre dois sujeitos. A rigor, deve-se dizer que a educação não tem objeto; e sim somente objetivo. É a sociedade que, em sua totalidade, se comporta como agente-paciente do processo educativo. Por consequência, a expressão teórica perfeita da natureza histórico-antropológica da educação resume-se nesta expressão: A sociedade educa. As concepções ingênuas da educação rebaixam o educando a condição de "objeto" e o levam a conceber-se a si mesmo como ser passivo, no qual o professor infunde o saber que possui. Este ponto de vista é:  moralmente insultante (pois ignora a dignidade própria do homem pelo simples fato de ser homem, não importando se é letrado ou não);  antropologicamente errôneo (pois ignora que o aluno é portador de uma cultura, de capacidade de pensar logicamente em função de seu contexto social);  psicologicamente esterilizante (pois desanima, inibe e impede os estímulos para a aprendizagem, uma vez que recusa ao alfabetizando sua capacidade de fazer-se instruído por si, como sujeito);

100 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

 pedagogicamente nocivo (pois deixa de aproveitar o saber do analfabeto como ponto de partida para o desenvolvimento de novos conhecimentos). Terceiro aspecto - a educação consiste em uma nova proporção entre conhecimento e desenvolvimento. Excluída a ideia ingênua de um princípio absoluto do saber no indivíduo que se educa (por exemplo, que se alfabetiza), a educação só pode consistir em dotá-Io de novos conhecimentos, que se irão somar ao que "já sabe, ou substituir as ideias erradas, ingênuas que possuía. É, portanto um novo balanço do saber, agora em um plano mais alto do processo cultural. Este caráter de proporção entre conhecimento e desconhecimento repete-se em todos os graus da educação, até nos mais altos (o universitário, a investigação mais avançada). A educação é uma aquisição retificadora, corretora do saber (da cultura) tornado inadequado, anacrônico, porque não corresponde mais ao grau de conhecimento de uma sociedade que passa a exigir mais do indivíduo (conquanto saber agora imprestável, não era errado para a etapa anterior, da qual se pretende que o educando se eleve). Crítica do conceito de "saber" Para a consciência ingênua, o saber se apresenta como um conjunto de conhecimentos absolutos, abstratos, a - históricos. É produto do espírito puro, sem relação causal de parte da realidade do mundo, ou somente com uma relação de tipo ocasional ou apriorista. O espírito por si só é capaz, em última análise, de engendrar e de justificar o saber. Para a consciência crítica, o saber é o produto da existência real, objetiva, concreta, material do homem em seu mundo (sendo este concebido como uma totalidade concreta em processo), imprimindo-se em seu espírito sob a forma de ideias ou pensamentos que se concatenam regularmente, logicamente. Os caracteres do saber, segundo a teoria crítica, são: Relativo – é o que uma cultura entende por saber, em uma de suas fases, deixa de sê-Ia em outra fase, ou não o é em outra cultura. Daí a ingenuidade radical do critério da tradição (por exemplo: a teoria heliocêntrica).
101 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Concreto - sempre aquilo que um determinado indivíduo ou uma sociedade (uma cultura) pode descobrir conhecer, criar ou imaginar, em função da etapa de seu processo de desenvolvimento, que lhe dá a possibilidade de constituir-se em consciência para si. Existencial - no sentido de ser constitutivo da realidade do indivíduo, e não algo adjetivo, externo, agregado por causalidade a seu ser. Como é a imagem do mundo material na consciência, pode-se dizer que o homem é o que sabe. Sendo um processo (temporal), sua etapa mais alta é aquela na qual o homem sabe o que é. Empírico - com este qualificativo quer dizer-se que o saber, direta ou indiretamente, deriva da experiência. Recusa-se assim qualquer origem inata ou a priori para as ideias. O homem em seu trato multimilenar com a natureza e com os outros homens, na sociedade, vai criando suas ideias e descobrindo as leis de acordo com as quais estas se combinam de maneira verdadeira, válida (isto é, verificável pela experiência, pela prática social). Racional - o saber é o produto da capacidade racional do homem, de sua razão, que é a faculdade intelectual (exclusiva do ser humano), de criar ideias e de enlaçá-las por procedimentos lógicos (indutivos, dedutivos, analógicos), denominados raciocínios, que se submetem a um critério de verdade. O saber é por natureza lógico. Porém este atributo não deve ser tomado em sentido absoluto e sim como relativo à etapa do processo social em que vive o indivíduo que enuncia uma proposição. Histórico - sendo o saber a manifestação intelectual da consciência, tem a mesma historicidade intrínseca desta. Toda valoração do saber é um dado do próprio saber e por isso é válida unicamente para a fase histórica em que é anunciada. É o saber constituído em cada momento do tempo histórico que engendra os novos conhecimentos. Mas, como estes são as modificações (a negação) do conhecimento anterior, o saber é simultaneamente o saber (em sua positividade atual) e não-saber, como certeza presente de sua inexatidão ou falsidade futura, identificados ambos na mesma unidade.

102 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

A cultura acumula em si o que é conservado. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Com isto. ornamental. aprendido. “O homem é um ser plenamente biológico. Fecundo . Luiz Eron da. Porto Alegre: Sulina.Não dogmático . sempre transformador da realidade. argumentando criticamente seu posicionamento sobre esta afirmativa. novas perspectivas educacionais. O saber crítico é. seria um primata do mais baixo nível. não prático do saber. transmitido.no sentido de que é sempre um conhecimento gerador de outro conhecimento. e comporta normas e princípios de aquisição.” Construa um texto de no mínimo uma lauda. assim. se não dispusesse plenamente da cultura. 103 Copyright © 2007. 1996. Reestruturação curricular: novos mapas culturais. SILVA. o probabilismo. e. Tem que ser entendida em seu autêntico caráter dialético. porém incorpora o saber anterior enquanto etapa necessária de sua gênese). Esta atitude não deve ser confundida com o ceticismo. mas. mais exato (que suprime. mais alto. fica excluído o caráter contemplativo.por isso o saber é antidogmático por natureza. pois na essência de sua afirmação de si encontram-se a possibilidade e a necessidade de sua superação (por força de sua própria validez positiva) e a passagem a um conhecimento distinto. o relativismo vulgar.

o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor. o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais. de sua visão do mundo e de seus princípios do conhecimento. de teoria. ameaçado pelo erro e pela ilusão. em algum grau. AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. ou mesmo destruída. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 1. está sujeito ao erro.U NIDADE 22 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. ao mesmo tempo tradução e reconstrução. na visão do autor Edgar Morin. Este conhecimento. de ideia.AQUILES DO CONHECIMENTO A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja. e o reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil. é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e. 104 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sob forma da palavra. A afetividade pode asfixiar o conhecimento. O CALCANHAR. por conseguinte. mas pode também fortalecê-lo. O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Mas Marx nem Engels escaparam destes erros. comporta a interpretação. porque o erro e a ilusão não se reconhecem. Marx e Engels enunciaram justamente em: A ideologia alemã que os homens sempre elaboraram falsas concepções de si próprios e do que fazem do mundo onde vivem.DE. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída. pelo déficit de emoção. O conhecimento.

por conseguinte. à identificação da origem de erros. mas autocrítica. o subjetivo do objetivo. O racionalismo que ignora os seres. Reconhece-se a verdadeira racionalidade pela capacidade de identificar suas insuficiências. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto. o irracionalizável. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica. a subjetividade. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica. a afetividade e a vida é irracional. é autor. sabe que a mente humana não poderia ser onisciente. de amor e de arrependimento. o sono da vigília. Negocia com a irracionalidade. É não só crítica. Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio.A educação deve-se dedicar. Os erros mentais: Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção. sem detectar esta mentira da qual. imaginário e real. contudo. subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente. dialoga com o real que lhe resiste. ilusões e cegueiras. o imaginário do real. e não a propriedade de um sistema de ideias. A tendência a projetar sobre o outro a causa do mal faz com que cada um minta para si próprio. 105 Copyright © 2007. que a realidade comporta mistério. A verdadeira racionalidade. Os erros intelectuais: As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é o fruto do debate argumentado das ideias. o obscuro. aberta por natureza. do determinismo e do mecanicismo. Aos erros da razão: O que permite a distinção entre vigília e sonho.

O imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. 106 Copyright © 2007. revelar e ocultar. igualmente. depois prossegue na universidade ou na vida profissional. ao contrário. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ser implacável na busca da verdade. nem imporá seu veredicto do modo autoritário. Assim.As cegueiras paradigmáticas: Os indivíduos conhecem. e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. O imprinting é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido. pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles. A rejeição de evidências em nome da evidência. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro. POSSESSÃO. Uma teoria deve ajudar a orientar estratégias cognitivas que são dirigidas por sujeitos humanos. primeiro com o selo da cultura familiar. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO As doutrinas e ideologias dominantes dispõem. da força imperativa que traz a evidência aos convencidos e da força coercitiva que suscita o medo inibidor nos outros. Uma ideia ou teoria não deveria ser simplesmente instrumentalizada. mas somente podemos fazê-lo com a ajuda das ideias. A NOOLOGIA. Um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou cegar. Devemos manter uma luta crucial contra as ideias. da escolar em seguida. a seleção sociológica e cultural das ideias raramente obedece é sua verdade. pode. deveria ser relativizada e domesticada .

afetivo e racional. Necessitamos civilizar nossas teorias. autocríticas. aptas a se autoreformar. social. Segundo Pascal Pensees é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo. já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento. Tão pouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. desenvolver nova geração de teorias abertas. A INCERTEZA DO CONHECIMENTO De qualquer forma. O dever principal da educação é de armar cada um para o combate vital para a lucidez. como o ser humano ou a sociedade. esta reforma é paradigmática e. racionais. psíquico. o ser humano é o ao mesmo tempo biológico. 107 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ou seja. Para que o conhecimento seja pertinente. Entretanto.O INESPERADO E quando o inesperado se manifesta. não. A contextualização é condição essencial da eficácia. O global (as relações entre o todo e as partes).O multidimensional.(O contexto SAI) . unidades complexas. o conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável. são multidimensionais dessa forma. é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias. críticas. 2. em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo. a educação deverá torná-lo evidente . OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE DA PERTINÊNCIA NO CONHECIMENTO Para articular e organizar os conhecimentos e assim conhecer e reconhecer os problemas do mundo é necessário a reforma do pensamento. reflexivas. programática: é a questão fundamental da educação.

A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e. fundamentais e complexos. a começar por parte dos cientistas. 108 Copyright © 2007. Ao mesmo tempo. quanto mais a crise progride. é preciso conjugá-las. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mais os problemas se tornam planetários. nem de análise pela síntese. ao contexto. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade. Incapaz de considerar o contexto e o complexo planetário.Em consequência. estimular o uso total da inteligência geral. mais progride a incapacidade de pensar a crise. A falsa racionalidade O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico. maior é a incapacidade de pensar sua multimensionalidade. OS PROBLEMAS ESSENCIAIS Quanto mais os problemas se tornam multidimensionais. As mentes formadas pelas disciplinas perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes. e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões. de forma correlata. a inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. assim como em todos os campos da técnica. a educação deve promover a inteligência geral apta ao complexo. de modo multidimensional e dentro da concepção global. mais eles se tornam impensáveis. assim como ao enfraquecimento da solidariedade. do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos naturais. técnicos e especialistas. produziu nova cegueira para os problemas globais. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades.

Edgar. 109 Copyright © 2007. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 1999. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .São Paulo.MORIN. Editora Cortez.

aprendido. mas também a literatura. dependemos vitalmente da biosfera terrestre. O circuito cérebro/mente/cultura 110 Copyright © 2007. devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica. A cultura acumula em si o que é conservado. Como seres vivos deste Planeta. as artes. dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas. seria um primata do mais baixo nível. é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais.. Continuamos nesta unidade nossas reflexões sobre os conhecimentos que todo educador (do futuro) necessita ter para melhor desempenho em suas atividades profissionais.. a fim de situar a condição humana no mundo. na visão do autor Edgar Morin. não somente a filosofia e a história.U NIDADE 23 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. O HUMANO DO HUMANO Unidualidade O homem é um ser plenamente biológico. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 3-ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA Para a educação do futuro. transmitido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . bem como integrar a contribuição inestimável das humanidades. e comporta normas e princípios de aquisição. mas. se não dispusesse plenamente da cultura. a poesia.

sua diversidade na unidade. mesmo aquele fechado na mais banal das vidas. de modo bipolarizado. que não existiria sem o cérebro. constitui ele próprio um cosmo. Sapiens/demens O século XX deverá abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens). pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus). A mente é o surgimento do cérebro que suscita a cultura. pelas atividades utilitárias (Homo economicus). pela técnica (Homo faber). tal como o ponto de um holograma. Todo ser humano. É preciso conceber a unidade do múltiplo.Uma tríade em circuito entre cérebro/mente/cultura. 111 Copyright © 2007. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. O ser humano é complexo e traz em si. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . traz em si o cosmo. em que cada um dos termos é necessário ao outro. Todo ser. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas. caracteres antagonistas:  sapiens e demens (sábio e louco)  faber e ludens (trabalhador e lúdico)  empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)  economicus e consumans (econômico e consumidor)  prosaicus e poeticus (prosaico e poético) Homo complexus Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. a multiplicidade do uno.

fontes de inovação e de criação em todos os domínios. destinos. da Internet. possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis. pode-se então vislumbrar para o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. da informação. para a identidade e a consciência terrenas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . estamos submersos na complexidade do mundo. encontra-se no cerne dessa missão. A ERA PLANETÁRIA A diáspora da humanidade não produziu nenhuma cisão genética: pigmeus. culturas. A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora. mas um turbilhão em movimento. O planeta não é um sistema global. E a educação. mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora. possuem os mesmos caracteres fundamentais de humanidade. Mas ela levou à extraordinária diversidade de línguas. que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo. A esperança Sendo verdade que o gênero humano. desprovido de centro organizador. negros. Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro. brancos vêm da mesma espécie. amarelos. No jogo contraditório dos possíveis 112 Copyright © 2007. cuja dialógica cérebro/mente não está encerrada. que deve trabalhar na era planetária.4-ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA Na era das telecomunicações. índios. as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade.

não mais somente pertencer a uma cultura. Pode-se. compreender. mas a condicionar.Aquilo que porta o pior perigo traz também as melhores esperanças: é a própria mente humana. uma aventura incerta que comporta em si mesma. a comungar. a comunicar. viver. 5-ENFRENTAR AS INCERTEZAS A INCERTEZA DO CONHECIMENTO. mas também sermos terrenos. Precisamos doravante aprender a ser. permanentemente. a dividir. pois. melhorar. A IDENTIDADE E A CONSCIÊNCIA TERRENA É necessário aprender a “estar aqui” no planeta. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas. O desafio e a estratégia O inesperado torna-se possível e se realiza. entre arquipélagos de certezas. esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável. dividir e comunicar como humanos do planeta Terra. 6-ENSINAR A COMPREENSÃO 113 Copyright © 2007. vimos com frequência que o improvável se realiza mais do que o provável. então. Devemo-nos dedicar não só a dominar. saibamos. com certeza. mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis. considerar ou calcular os efeitos em curto prazo de uma ação. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver.e por meio de – culturas singulares. o risco de ilusões e de erro. é o que se aprende somente nas . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O conhecimento é. e é por isso que o problema da reforma do pensamento tornou-se vital.

Se soubermos compreender antes de condenar. educar para a compreensão humana é outra. por este motivo. a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes egosociocêntricas do que contra seus sintomas. estaremos no caminho da humanização das relações humanas. tapeação de si mesmo. estrangeiro ou não.O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. AS DUAS COMPREENSÕES Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. O egocentrismo O egocentrismo cultiva a self-deception. Etnocentrismo e sociocentrismo O etnocentrismo e o sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. Por isso. Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. abraçar junto. E. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa. pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem. provocada pela autojustificação. compreender. a causa de todos os males. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto. deve ser uma das finalidades da educação do futuro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. 114 Copyright © 2007.

ÉTICA E CULTURA PLANETÁRIAS A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a compreensão. o verdadeiro humanismo. 115 Copyright © 2007. ou seja.COMPREENSÃO. por outro. o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades. pessoa jurídica e responsável. da solidariedade intelectual e moral da humanidade. o indivíduo é cidadão. exprime desejos e interesses. em todos os níveis educativos e em todas as idades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Dada a importância da educação para a compreensão. o desenvolvimento da antropo-ética. O futuro da democracia A regeneração democrática supõe a regeneração do civismo. e reforma do pensamento. esta deve ser a tarefa da educação do futuro. a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. a política de civilização. HUMANIDADE COMO DESTINO PLANETÁRIO Sós e em conjunto com a política do homem. a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e da responsabilidade. é responsável e solidário com sua cidade. por um lado. 7-A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO O CIRCUITO INDIVÍDUO/SOCIEDADE: ENSINAR A DEMOCRACIA Na democracia. a antropo-ética.

organizações profissionais ou tradição passada) precisa ser também geral. Acrescenta propugnando que na medida em que é modelado à luz de uma matriz. de fato. usar o conceito de transformação (nesse caso específico dos materiais. processos. Esse mesmo autor segue argumentando que. Um sistema se autoorganiza quando há uma perturbação. exatamente. os valores e o senso de comunidades imprescindíveis à sociedade. a orientação geral de onde eles partem (livros didáticos. Prigogine. departamentos de educação estadual. 116 Copyright © 2007. advoga que um currículo construtivo emerge da ação e interação dos participantes. Na perspectiva de um estudo construtivista e não linear de um currículo pós-moderno.U NIDADE 24 Objetivo: Enfatizar a natureza construtiva e não linear de um currículo pós-moderno fundamentado nos pressupostos teóricos de Piaget. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O raciocínio exposto é sequenciado através do debate sobre a autoorganização. encorajados. das ideias e dos participantes) como centro do currículo. um problema ou uma alteração. Doll. É. implica dizer que professores e alunos precisam ser livres. este processo de desenvolvimento do currículo via reflexão recursiva (consequências das ações passadas como a problemática das ações vindouras) que determina as atitudes. ampla e indeterminada. Tal abordagem é apontada sob “múltiplos usos” e/ou “múltiplas perspectivas” (Stephen Gould: 1990 apud Doll) do currículo bem como do papel – “força positiva” (Bruner & Postman. Dewey e Bruner. autor da obra em estudo. guias de currículo. 1949/1973 apud Doll) – que a perturbação desempenha para auxiliá-lo. cheio de focos que se interseccionam e uma rede relacionada de significados. obrigados a desenvolver seu próprio currículo numa interação conjunta uns com os outros. Portanto. CONSTRUINDO UMA MATRIZ DE CURRÍCULO. o currículo concomitantemente é limitado.

Afinal. haja vista que a transformação está indubitavelmente associada a ele. assim transformativo e pós-moderno. o papel do professor (autoridade) é definido a partir do “prima interpares”. Num currículo. professores. fica óbvio. analisar o material aduzido e simultaneamente de brincar com este material de maneira imaginativa e sutil. não um “ditador” de fora. ao diálogo. Nesse tocante. é imperativo para que o ecletismo e o foco polissêmico predominantes no pós-modernismo sejam empregados criativamente. o aluno. Na referida estrutura. no transcorrer do currículo.Esta última óptica acentua que a perturbação só vai desencadear a autoorganização quando o meio ambiente for suficientemente rico e aberto para que múltiplos usos. significa que o docente deve dedicar tempo para dialogar seriamente com os discentes a respeito das ideias “deles” como “ideias deles”. numa estrutura situacional – “estado de coisa local” – o educador é um “líder de dentro” e. metodologia e valores – permeados por um processo dialogal – são sempre decisões abrangendo os alunos. Àquela. precisa conhecer bem o material estudado e ter confiança pessoal suficiente para ser capaz de resolver. a primeira óptica. Este desenvolvimento comum. Em outras palavras. por sua vez. “primeiro entre iguais”. A suposição pós-moderna aduzida propugna o diálogo como condição sine qua non de todo o processo. isto é. desempenhar. para William. as questões de procedimento. que o controle e a autoridade são desenvolvidos internamente. interpretações e perspectivas entrem em cena. 117 Copyright © 2007. Assim. desenvolver o novo papel explicitado é um desafio que os educadores e seus programas de educação necessitam enfrentar. oportuniza dedicada atenção às possíveis “anomalias” e/ou “erros” no decorrer do processo mencionado anteriormente. Noutros termos. ou seja. interpretar. costumes e tradições locais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

redes. conforme discurso do próprio Doll. Em outros termos. Assim. interação num processo dinâmico de (re) construção. planos e propósitos não emergem apenas antes.Para a viabilidade do que está sendo discutido. 118 Copyright © 2007. pois é criativa consequentemente aberta/heurística e nos ajuda a ver o que não vemos) e a lógica (fechada/excludente nos auxilia a ver com mais evidência aquilo que já vemos). mas também a partir da ação conforme argumentara Dewey – os planos surgem da ação e são alterados também através da ação. a iniciar uma comunicação com o texto. necessitamos aduzir as nossas lições de modo suficientemente narrativo para encorajar os nossos educandos a explorar conosco as possibilidades oriundas do diálogo com o texto. Arraigada à movimentação supracitada está a suposição de um “sistema aberto/transformativo" por estar sempre em fluxo. é natural que se dê ênfase à capacidade que o ser humano tem de planejar intencionalmente. como docentes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Na suposição apontada por Júnior – uma estrutura curricular que se apropria dos conceitos de autoorganização e transformação – os objetivos. Prosseguindo com a ideia de um currículo de cunhos pedagógico e epistemológico interativos. com mais focos. um currículo fundamentado em infinitos padrões dentro de parâmetros estabelecidos é uma estrutura curricular cada vez mais rica. para o homem é de suma relevância determinar. desafia o leitor a interpretar. planos e propósitos. inter-relações emergindo e sendo geradas. Nesse sistema são originados parâmetros ou limites e uma infinidade de relações dentro desses parâmetros. vivenciar e avaliar objetivos. faz-se necessário numa construção de currículo à interação entre a metáfora (geradora de diálogo. Nesse contexto dialogal. uma história encoraja. Essa integração possibilita a vida ser experienciada e desenvolvida. Assim. uma vez que a realidade é constituída por antíteses.

os quatro “Rs” – Riqueza.Subjacente ao aspecto notabilizado está à avaliação interativa funcionando como um “feedback” do processo iterativo de fazer-criticar-fazer-criticar. é preciso que sejam estabelecidas comunidades sociais dinâmicas. para que isso ocorra. Nesse tocante. A Matemática apropria-se de sua riqueza ao “brincar com padrões”. Isso implica dizer que são as problemáticas. Recursão. mitos. literatura e comunicação oral – exerce sua riqueza ao centrar-se intensamente (porém não de modo excludente) na interpretação de metáforas. perturbações e possibilidades intrínsecas a um currículo que o torna rico e transformador. é relevante acentuar que as principais disciplinas acadêmicas ministradas nas escolas possuem seus próprios contextos históricos. 119 Copyright © 2007. cuja função é auxiliar o indivíduo através de críticas construtivas que possam contribuir para o desenvolvimento de poderes intelectuais e sociais. indagadoras. Riqueza – corresponde à profundidade do currículo. desenvolventes. narrativas. escrita. isto é. a linguagem está irrefutavelmente acoplada à cultura. Relações e Rigor. concepções essenciais e vocabulários peculiares. cada uma delas interpretará a riqueza à luz de seu próprio prisma. A Linguagem – incluso leitura. Entretanto. A Ciência – anexando à biológica e a física – pode ser encarada sob a óptica de hipóteses intuitivas. Logo. Alicerçados por essa comunidade destinada a ajudar todos os sujeitos por meio da crítica e do diálogo estão os critérios norteadores de um currículo de caráter transformador pósmodernista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a suas camadas de significado consequentemente a suas múltiplas possibilidades ou interpretações. Sendo assim. “comprovadoras” referentes ao mundo em que vivemos.

Portanto. ou seja. conectar os pensamentos. Economia. professores – observem. critiquem. nesse tangente. inquirir. Cabe à reflexão. os processos fazer e refletir-sobre-o fazer são prioritários nas intraconexões curriculares. “ocorrer novamente” do latim “recurrere” e vincula-se à raiz da palavra currículo (“currere”: correr). por conseguinte dar sentido ao ensino ministrado. interpretações. tem como objetivo desenvolver a competência (capacidade de organizar. combinar. Geografia e Sociologia – extraem sua concepção de riqueza do diálogo sobre ou da negociação de passagens entre diversas interpretações (muitas vezes concorrentes) das questões sociais. Por possuir uma estrutura aberta. num currículo que respeita. é preciso que outros atores do processo – colegas. As relações pedagógicas consistem em relacionar o que está sendo ensinado com a realidade experimentada pelo educando. uma mera repetição. Sem essa ação reflexiva resultante do diálogo. empregar as coisas de forma heurística). Relações – numa perspectiva pós-moderna de um currículo transformador. geração e comprovação de hipóteses e do brincar com padrões pode ser aplicado sobre todos os aspectos de um currículo. 120 Copyright © 2007. Recursão – advém do termo “recorrer”.As Ciências Sociais – Antropologia. respondam àquilo que fora realizado por nós. a recursão tornar-se-ia vazia. valoriza e aplica a recursão não há início nem final fixo. é oportuno notabilizar que o conceito de desenvolver riqueza via diálogo. Para tanto. História. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Isto posto. dar-se-ão através da dualidade pedagógica e cultural convergentes entre si. Cada final é um novo início e cada início emerge de um final anterior conforme salientara Dewey.

Essas se referem à contextualização cultural do ensino a partir do olhar local e global (interconexões) do mundo em que se está inserido. as tendências paralelamente discutidas (lógica escolástica. segundo Doll. conexões. 121 Copyright © 2007. relações. desempenhamos o ato de ensinar quando auxiliamos os outros a negociar passagens entre seus construtos e os nossos. Como professores. é o mais relevante dos quatro critérios exaustivamente (porém não esgotados) abarcados. ele é a mescla dessa indeterminância subjacente com a interpretação (desenvolvimento das várias alternativas aduzidas pela indeterminância). observação científica e precisão matemática) com o interlocutor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Concomitantes às relações supracitadas estão às culturais. Logo. em suma. entre os nossos e os dos outros. Rigor – à medida que traz em seu bojo. o rigor significa procurar intencionalmente diferentes alternativas.

Segundo a autora deste pensamento. vamos refletir sobre proposições pedagógicas de autores nacionais que apresentam uma perspectiva transformadora da realidade em relação ao processo de avaliar. por isso o cuidado ou atenção acaba sendo no coletivo e não no individual. dizendo em toda a sala de aula. Normalmente só se presta atenção em alguém mais destacável. ou melhor. um número mais como um indivíduo único. A realidade escolar na verdade é basicamente composta de salas de aulas cheias com uma média de 30 a 40 alunos por classe e. abordaremos reflexões sobre o livro: O jogo do contrário em avaliação de Jussara Hoffmann.U NIDADE 25 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em sala de aula. Nesta unidade. Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. o correto é olhar um por um e não como um conjunto. por falar muito alto. Jussara Hoffmann. É muito difícil cuidar de várias crianças ou adolescentes de uma só vez. participativo. Caro cursista. criativo. enfim por chamar mais atenção no coletivo. ou seja. Então o olhar avaliativo tem de percorrer toda a sala de uma só vez sem olhar ninguém em especial. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 122 Copyright © 2007. na maioria das vezes sem uma estrutura correta para acomodar tantos de uma só vez.demonstrando. que chama mais atenção por ser: Ativo. respondão. barulhento. Especificamente.

O estudo de casos constitui no acompanhamento intensivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . carinho. não nos alunos. com o objetivo de estudar e debater temas atuais em avaliação. não somente o ensinamento tradicional. mas muitas vezes não têm a oportunidade de avaliar ou tentar saber o quanto seu aluno realmente aprendeu em tudo que lhe foi ensinado. que trabalha com o aluno de difícil aprendizagem nas escolas. A aprendizagem é bem ampla e deve abranger vários fatores para sua conquista definitiva. mas usar técnicas e formas diversificadas de ensinamentos para os alunos. Para o aluno aprender verdadeiramente deve haver afeto. Os professores ensinam seus conteúdos. “No Programa de Assessoria em Avaliação Educacional (PAAE) foi observado o uso da expressão “difícil”. casos difíceis” de compreender e de acompanhar em termos de seu desempenho na escola. Muitos alunos ficam anônimos porque não se destacam na multidão.Por causa da correria do dia a dia a avaliação acaba ficando prejudicada porque os professores têm muitos afazeres e “correm” todo o tempo para poder dar conta de suas responsabilidades pessoais e profissionais. para desenvolver novas práticas nas escolas. Este programa de educação era destinado a Educação Infantil. O correto é saber um pouco sobre cada aluno. mas as dificuldades sentidas por parte dos professores do programa. não somente o nome mais um pouco da vida em família ou enquanto cidadão. O caminho da aprendizagem deve ser único e não coletivo feito de aluno para aluno. desta forma sobra muito pouco tempo para a avaliação relativa ao aluno individualmente. porque são tímidos e calados e quase nunca são notados. atenção. 123 Copyright © 2007. Universidades.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Os estudos de casos se tornaram positivos. Foram feitos vários estudos com algumas etapas com uma duração média de um mês. AVALIAÇÃO MEDIADORA EM TRÊS TEMPOS. Os estudos avaliativos foram divididos em três etapas:  Tempo de admiração dos alunos. As diferenças são enormes mesmo com relação a grupos de um mesmo grupo ou escola. pois em pouco tempo. onde houve muita troca de pedidos de auxílio em casos diversos onde receberam sugestões de vários tipos. as diferenças. Ensinando técnicas para diversos pontos em seu plano profissional:  Conselho de Classe. a criatividade.  Tempo de reconstrução das práticas avaliativas e/ou de invenção de estratégias pedagógicas para promover melhores oportunidades de aprendizagem. 124 Copyright © 2007. com aulas teóricas.  Interação com colegas de trabalho. tempo para cada profissional do grupo em particular. muitos debates com apresentações de diversos casos. menos agitados e mais felizes. puderem tornar: alunos alfabetizados. pais e alunos.  Tempo de reflexão sobre suas tarefas e manifestações de aprendizagem. através de exemplos a realidade de cada professor/aprendiz. mais falantes. Todos os professores se juntaram buscando respostas em comum com os colegas em vários casos. a espontaneidade. Procuraram fazer um processo de individualidade com cada professor ou cada Instituição. porém se valorizou as opiniões. confiantes.  Aprendendo tomar decisões sobre diversos assuntos. Demonstrando respeito e dedicando.

Muitos profissionais demonstraram dinamismo e puderam se soltar mais desta forma fazendo valer a intenção dos “Programas de Assessoria” para estes profissionais. A admiração do professor para com seus alunos ou vice-versa, se inicia a partir de que se comece a conhecer o aluno, com os professores de anos anteriores e da análise das tarefas de seus alunos. O tempo de admiração não é em apenas uma semana de aulas, mais sim com o passar do tempo e da amizade que criarem com o passar do tempo. O educador deve ficar sempre atento à vida de seu aluno, em casa e com a família, para captar experiências já vividas, para projetar o futuro das ações pedagógicas, para saber as dimensões em que se deve desafiar, para avançar em todas as áreas do saber. E claro sabendo respeitar o tempo de cada um em separado, de acordo com suas dificuldades e deficiências. A observação em avaliação consiste em compreender cada aluno em separado. Através de um olhar, de sua história de vida, de suas possibilidades e vontades. Muitas vezes o fracasso escolar parece ter explicação, mas para que explicar se não entende ou compreende o motivo real. Muitas questões relativas ao fracasso podem ser vistas e analisadas na própria sala de aula. Antes de tentar compreender ou explicar é preciso respeitar e aceitar as várias diferenças e culturas. Muitas pessoas culpam as outras mesmo sem antes pensar de quem é a culpa por determinado fato sem mesmo pensar como seria tal atenção se nos colocarmos no mesmo lugar do próximo. Não é correto julgar o não aprender com a falta ou necessidade diversa, inclusive financeira, mesmo se forem oferecidas condições iguais ou semelhantes de aprendizagem para todos os alunos em comum, por igual.
125 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

O aprendizado do aluno pressupõe-se em: A atenção e a presença do educador, a concentração que inclui a escuta é o silêncio e ruídos na comunicação. A entrega ao outro, estar aberto a ouvi-lo, partindo de suas hipóteses, de seu pensar, adequando o seu ritmo ao do professor. A escuta da aprendizagem em sua história, o que significa o professor estudar a si próprio. O tempo de admiração dos alunos, através de uma visão mais ampla, sobre sua história e sobre seu jeito de aprender. O olhar estudioso, curioso, pesquisador, selecionar os dados, ordenar, classificar e comparar. A qualidade das reflexões concorreu fortemente ao fato destes estudos serem compartilhados por professores de diferentes escolas, estudando sobre alunos de diferentes séries e idades, independente de serem da rede pública ou privada; Para se compreender o aluno ou suas dificuldades antes de tudo é necessário diálogo com:  O aluno;  A família;  Antigos professores;  Outros profissionais, que o cercam no ambiente escolar; Esta realidade deve ser vivenciada diariamente e não às vezes, devendo ser constante. Os professores devem trocar experiências e informações pertinentes a cada aluno em especial. Devendo criar espaços e tempos disponíveis para a troca entre os profissionais. O caminho é e sempre será o diálogo entre todos os envolvidos desta forma, pode ser esperado um retorno nas avaliações educacionais. E porque não fazendo fazer dinâmica envolvendo professores e alunos, uma maior interação, uma maior vivência, entre todos, fazendo de uma forma menos formal.

126 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

O novo pode assustar no início, mas também motiva principalmente quando se trata de diversão ligada à educação, mudando um pouco o tradicional de todos os dias. O olhar avaliativo é por natureza complexo e multidimensional, caracterizado por interpretações de diferentes intensidades (qualidades), sobre as diversas dimensões de aprendizagem do aluno, que se realizam a partir da educação, da sociedade. O julgamento de cada avaliador é sempre complexo e subjetivo porque variam de acordo com seus conceitos. A multiplicidade de perguntas pode fazer a diferença, tanto no sentido da palavra do educador, ou no sentido da escrita, com relação à avaliação. Com relação ao conceito relativo à multidimensões não existem dados objetivos que levem à certeza de nada, mas há o compromisso com a ética, para a formação do aluno, com respeito e dignidade. Sempre observar as atividades dos alunos, de preferência durante sua realização, dialogar com o aluno durante sua estada na escola ou na sala de aula. Durante a observação alguns tópicos foram constatados:  O aluno com relação ao contexto sociocultural e a sua própria história de vida:  Convivência familiar, investigação de toda sua vida enquanto ser humano, sua religiosidade, profissão, entre outros; Ao Cenário educativo: Localização da escola, relação para com os outros, interação com os colegas, professores e demais profissionais da escola, disponibilidade de aprendizagem, locais adequados para um bom estudo e aprendizado como: bibliotecas e salas de informática.

127 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

as respostas para as dificuldades não são percebidas de imediato. porque todos são de grande importância para a vida escolar do aluno. já frequentadas por ele. conteúdos estudados por cada um. 128 Copyright © 2007. passado e o futuro de cada um individualmente. projetos almejados e principalmente a área de interesse do aluno. As questões de aprendizagem: Observar o histórico escolar do aluno. Procurando juntar e entender o presente.Currículo em desenvolvimento: Os objetivos traçados por cada aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . na atual escola e em outras. Qualquer detalhe despercebido tem sua importância e pode prejudicar a avaliação daquele aluno. afetividade para com cada um. inclusive necessários para a avaliação educacional do aluno. principalmente os sonhos e sofrimentos diários de cada aluno. Porém a autora “Jussara Hoffmann” acredita que a escola deve viver o presente. procurando entender as necessidades e dificuldades de cada aluno em especial. para que seu aprendizado seja bem significativo no momento atual. O correto é se basear em todos os tópicos e não em um específico.

detectando suas dificuldades. Há não ser o professor ninguém. na família ou mesmo no próprio ambiente escolar. torna o olhar mais rigoroso. Subjetivo: Porque só se entende ou se vê quando o outro entra em contato com você ou entra em sintonia com outra pessoa. É preciso ter clareza de que as atividades dos alunos são de dimensões diferentes para se realizar um trabalho eticamente responsável: á agressividades. O professor deve observar mais também desvendar é saber lidar com suas limitações e dificuldades. Através de um diálogo e uma boa observação o professor pode interpretar ou orientar melhor seu aluno. pois muitas vezes seu mau desempenho pode ser proveniente de algum problema. por querer olhar mais profundamente.demonstrando. agitação. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. poderá avaliar o aluno ou mesmo definir ou decidir o que é importante ensinar ao aluno. Os objetivos de conhecimento e de investigação permanente do professor. tentando dar um significado a tudo o que vê e observa. Fazer com que o aluno mostre 129 Copyright © 2007. Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar O professor deve prestar atenção nas atividades do aluno. olhando os diversos pontos de vista. Também saber interpretar e observar em várias direções.U NIDADE 26 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em salas de aula. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ausência e outras diversas questões não justificam problemas de aprendizagem. Fazer uma boa observação pode auxiliar na melhor forma de ajudar o aluno da melhor maneira de ensinar de facilitar o aprendizado.

mas agir de forma a compreendê-lo. A escola deve promover o conhecimento no aluno. raça. sempre lembrando de observar e dialogar com o aluno mesmo que de longe. O problema do desenvolvimento do aluno na escola vem do motivo pelo qual não se desperta o interesse na consciência do mesmo. A autoavaliação é a tomada de consciência do aluno sobre o processo de aprendizagem. interferir. 130 Copyright © 2007. fazer uma abordagem com os alunos os instruindo a escrever. adquirindo responsabilidades e demonstre potencialidades próprias de cada um. independente da idade. demonstrando mais afeto por quem lhes dedicou cuidados e respeito. quando se destacam em estar à procura de algo novo. Procurar uma interação juntamente com seus alunos para melhor observar. Despertando o interesse em aprender mais e mais. sem falar ou mesmo. A criança e o jovem estão se autoavaliando. quando procuram a ajuda do professor. partindo de alguma motivação. Procurar olhar com olhos mais atentos e não se deixar influenciar por uma primeira impressão. sentimentos. mudando rapidamente de atitude. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . reaja. revelando um maior comprometimento com suas tarefas e seus avanços. pelo simples prazer da curiosidade. reage positivamente à atenção diferenciada. Observar a realização das tarefas do aluno é de extrema importância para a avaliação e o aprendizado. que lhe foi dada pelo professor. O aluno quando está sendo cuidado. Promover o entendimento para com as diferenças de cada aluno: de ideias. sobre o aprender e sobre suas participações nas atividades escolares. fazendo com que ele reflita. tomar consciência de seus limites e poder aprender mais e mais sempre.e revele seus sentidos os ensinando a reagir. expressar sentimentos diversos e demonstrar suas diferenças. abrindo espaço para um diálogo aberto a todos os alunos. expressão.

devendo ser bem usado para a solução de problemas. trocar ideias e dar sugestões sobre determinado aluno. Se necessário fazendo encaminhamentos pedagógicos e psicológicos para o auxílio do aluno em suas dificuldades. Nunca desistir de um aluno por achá-lo difícil. Usar o conselho para compartilhar casos isolados ou de grupos de alunos. trocando pontos de vista entre todos os professores ligados a cada aluno analisado. problemas emocionais envolvendo o aluno perante a sociedade em que está inserido. O conselho de classe é um momento de compartilhar experiências e vivências. por motivos familiares. diferentes evitando desavenças e confusões desnecessárias. se procurar observar pode perceber que pode haver algo por trás de tudo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . por causa de tráficos. podendo haver outros fatores. sem ação. sejam quais forem principalmente pedagógicos. sem criatividade. para que se assegure a cordialidade diante de opiniões diversas. Analisar cada perfil em separado visando sua convivência familiar. Durante um conselho de classe que se deve. financeiros. É sempre necessário que se tenha um mediador. Porém questões relacionadas a atitudes de alunos não explicam as questões de aprendizagem. 131 Copyright © 2007. Muitas crianças e jovens estão fora das escolas. mas nunca antes notada pelo profissional. sem atenção. Priorizar ao aluno ou a turma de maior necessidade analisando seu caso em particular e também uma análise grupal sobre seus trabalhos realizados em sala.Se um professor tentar entender ou procurar conversar com seu aluno ou mesmo parar para observar mais de perto pode descobrir muito sobre ele inclusive como sanar algumas dificuldades demonstradas pelo aluno. discutir as dificuldades e traçar medidas pedagógicas adequadas a cada perfil do aluno.

 Fonoaudiólogos. por sua roupa. antes de se julgar devemos procurar o motivo ou causa do problema.  Psicopedagogos. que acaba sendo um grande fator que possa desencadear o desenvolvimento moral de crianças e jovens. O aluno não deve ser julgado por algum ato que tenha cometido. ou mesmo por não conseguir se desenvolver na aprendizagem. A escola tem de estar sempre de acordo com normas que não excedam. As escolas precisam contar com ajuda médica de diversos tipos de especialistas como:  Psiquiatras. onde sempre se pode recorrer para colher frutos ou mesmo buscar ideias pedagógicas para uma melhor forma de agir em sala de aula. Não julgar sem antes investigar. onde caso necessário possam fazer um acompanhamento do aluno. Antes de encaminhá-lo para uma ajuda médica.  entre outros que possam se encaminhar à escola para um acompanhamento com os alunos e porque não com os profissionais da escola. já o julgando doente sem saber antes o motivo real de tal mau comportamento. obviamente mediante uma certeza de haver um problema. É importante que as escolas possam contar com profissionais adequados. 132 Copyright © 2007.Os arquivos são de grande importância para a observação de caso por caso. antes de julgá-lo sem conhecimento prévio. todas as escolas devem contar com profissionais qualificados para auxiliar ou analisar em tomada de decisões. extrapolem ou mesmo que com exagerada repressão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

para no futuro fazer ou auxiliar para que se torne um adulto responsável. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. O jogo do contrário em avaliação.Jussara Hoffman 133 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tudo na quantidade certa para não extrapolar com seu aluno e desta forma podendo moldar seu caráter e desenvolvimento. honesto e porque não essencial para outras pessoas. São Paulo: Cortez.Cipriano Carlos. mas sem exageros ou excessos ou mesmo sem regras. 1998. Luckesi.Limite é bom e necessário. Quem melhor do que o professor para ajudar o aluno da melhor maneira possível.

Por que avaliação? Para muitos autores. as ações. que respeite o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los e de serem orientados e ajudados em suas dificuldades. Ao se analisar a questão da avaliação. sem vieses. por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor nos quais se definam objetivamente as finalidades. reflexão. contribuem para que o fracasso escolar seja encarado como fracasso pessoal do aluno.U NIDADE 27 Objetivo: Identificar os pressupostos que permitam uma avaliação da aprendizagem que ignore as metas e os programas para analisar os resultados sem os vieses. Assim. é necessário reconhecer que as práticas rotineiras para ela muitas vezes são utilizadas como atos de uso e abuso de poder e. É preciso implementar práticas em que os alunos participem efetivamente dos processos avaliativos. as condições de realização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . as 134 Copyright © 2007. ignore as metas do programa para analisar os resultados da avaliação tais como eles se apresentam. porém não é único. pelo menos num primeiro momento. compreensão de erros e êxitos e também não é possível garantir que os alunos assumam responsabilidades perante a própria aprendizagem e sintam-se estimulados a progredir. de modo geral. Esse posicionamento. de acordo com as propostas curriculares os planos de ensino. é imprescindível discutir ideias sobre a construção de uma avaliação democrática. Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor. Outros autores consideram que é vantajoso que o professor avaliador. o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo realmente alcançados. Sem informação não é possível promover participação.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A avaliação praticada põe a descoberto o chamado currículo oculto dos professores e é por seu intermédio que se reconhecem facilmente os objetivos implícitos.responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. em que o aluno reestrutura seu conhecimento por meio das atividades que lhe são propostas. 135 Copyright © 2007. Embora ainda não seja amplamente praticada. a prática pedagógica efetivamente exercida e a avaliação praticada são atividades inseparáveis que se condicionam mutuamente.  Buscar estratégias e sequências didáticas adequadas às condições de aprendizagem dos alunos. Se por um lado sabe-se que mudanças na definição de objetivos. Portanto. duas questões merecem destaque: Qual o papel da avaliação num processo de implementação curricular que toma como ponto de partida o desenvolvimento de capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania e colocam em relevância o contexto social em que se produz a aprendizagem dos alunos? A avaliação como elemento integrante de uma proposta curricular e a tomada de decisões direcionadas para o aprimoramento das aprendizagens dos alunos são questões-chave para quem ensina e aprende. no plano das representações. na interpretação e na abordagem dos conteúdos implicam repensar as finalidades da avaliação. que seguramente foram promovidos de forma significativa. por outro lado também se sabe que é por meio dela que se revelam as incoerências pedagógicas. há certo consenso em relação a sua relevância e à compreensão de seus aspectos mais importantes. na maneira de conceber a aprendizagem. e que os alunos perceberam como mais importantes. a avaliação formativa está muito difundida e. Quanto a isso. a saber:  Considerar a aprendizagem um amplo processo.

descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal. 136 Copyright © 2007. Explique que papel ela deve representar e exponha. A construção do conhecimento supõe a superação dos erros. Se a educação é um direito de todos.  Considerar os erros como objetos de estudo. uma vez que eles revelam as representações e estratégias dos alunos. mas como manifestação de um processo de construção. a avaliação não pode ter um papel classificatório. compreender como ele aprende identificar suas representações mentais e as estratégias que utiliza para resolver uma situação de aprendizagem. Ampliar os conhecimentos do professor sobre os aspectos cognitivos do aluno.  Diagnosticar as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las.  Interpretar os erros não como deficiências pessoais. excludente e punitivo. por um processo sucessivo de revisões críticas.  Evidenciar aspectos de êxito nas aprendizagens. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Isso implica buscar informações para compreender como cada aluno atua diante das tarefas propostas e possibilitar os meios de formação que respondam adequadamente às características particulares desses alunos. essas experiências também têm representado dificuldades de ordens diversas e bastante complexas para os professores. procuram observar não só os resultados. Assim. Para avançar no sentido de encontrar respostas para essas questões. É preciso. detectam erros e dificuldades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . decidir sobre a intervenção adequada para superar determinadas dificuldades dos alunos. em distintas singularidades de cada situação didática que se avalia. incorporar outros aspectos que permitam ao professor compartilhar a avaliação e poder praticá-la com a função de regular o processo de ensino e aprendizagem. reforçam êxitos nas aprendizagens. modificar suas práticas de avaliação. A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular Influenciados por essas ideias os professores têm tentado. dispor de tempo e instrumentos apropriados para recolher informações etc. procuram identificar os conhecimentos iniciais dos alunos. mas também os processos de aprendizagem. portanto. sem recorrer a provas e testes. realizar a avaliação formativa em classes numerosas ou quando o professor atua em várias turmas. uma vez que ela pressupõe uma grande quantidade de decisões a serem tomadas. buscam com mais frequência adaptar as programações em função de resultados de diagnósticos iniciais. Porém. é preciso inicialmente considerar que a avaliação não pode ser um processo de responsabilidade única do professor. 137 Copyright © 2007. ainda que em tímidas experiências.U NIDADE 28 Objetivo: Analisar os objetivos que embasam avaliação para o desenvolvimento das capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania. como por exemplo: identificar as causas que provocam erros na aprendizagem. e também supor os contextos heterogêneos em que ocorrem as aprendizagens. Enfim.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A aprendizagem pode ser favorecida se os alunos se apropriarem progressivamente.  A autonomia dos alunos é promovida quando o professor compartilha com eles o controle e a responsabilidade sobre suas aprendizagens. – como pelo contexto social em que ela se desenvolve. 138 Copyright © 2007. que podem servir também como um interessante modo de fazer registros a serem utilizados na avaliação e contribuir ainda para que cada professor faça sua autoavaliação. experiências anteriores etc. por meio de situações didáticas adequadas. mediante estratégias e instrumentos de autoavaliação que propiciem a construção de um sistema pessoal para regular seus processos de aprendizagem. Um exemplo: têm se multiplicado. da mesma maneira.Pensar a avaliação como função reguladora da aprendizagem significa levar em conta que:  A aprendizagem se concebe como uma construção pessoal do sujeito que aprende. as demandas do professor. motivação. as investigações sobre o uso de portfólios. Esses novos aspectos imprimem um caráter comunicativo e abrem novas perspectivas para a avaliação. uma vez que propõem a interação e a gestão social da aula e possibilitam o compartilhamento de responsabilidades sobre a aprendizagem. ideias prévias. é necessário promover processos de negociação que lhes permitam compartilhar as mesmas ideias sobre os objetivos a serem atingidos. Em função de distintos esquemas de conhecimento e contextos culturais. Por isso. nos últimos anos.  O êxito na aprendizagem também é garantido pelas mediações que se produzem entre o aluno e o professor e entre um aluno e os demais. dos instrumentos e critérios de avaliação do professor. Eles direcionam o professor a buscar alternativas didáticas que auxiliem o aluno a aprender a aprender. influenciada tanto pelas características pessoais – esquemas de pensamento. os alunos nem sempre percebem.

a multiplicidade do uno. É preciso conceber a unidade do múltiplo. sua diversidade na unidade.“Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. o que você entendeu sobre esta afirmativa de Edgar Morin. 139 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .” Discuta com seus companheiros.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . estaduais. Atualmente. a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando. municipais e do Distrito Federal com obras didáticas e paradidáticas e dicionários de qualidade. os estados e municípios podem solicitar alterações desde que devidamente comprovada à ocorrência do erro. O Livro Didático Desde 1929. centrando estudos norteadores para a seleção. as escolas de educação especial pública e as instituições privadas definidas pelo o censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram incluídas no programa. Os resultados do processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União. Em caso de desconformidade. quando o governo brasileiro criou um órgão específico para legislar sobre a política do livro didático. A definição do qualitativo de exemplares ser adquirido para as escolas estaduais. A partir de 2003. essa política está consubstanciada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). o Instituto Nacional do Livro (INL). com a finalidade de prover as escolas das redes federal. municipais e do distrito federal é feita com base no censo escolar realizado anualmente pelo o Instituto de Estudos a Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inepe/MEC) que serve de parâmetro para todas as ações do FNDE. para conhecimentos dos estados e municípios. inclusive para o livro didático.U NIDADE 29 Objetivo: Desenvolver estudos voltados para a escolha de livros didáticos mais qualificados em sala de aula. 140 Copyright © 2007. O PNLD distribui gratuitamente obras didáticas para todos os alunos das oito séries da rede pública de ensino fundamental.

Em 2007.7 milhões.  Ampliação: O FNDE ampliou sua área de atuação e passou a distribuir: o Dicionários o Livros em Braille o Livros para a educação especial 141 Copyright © 2007.  Pedido.  Qualidade física. Em 2006.  Escolha. Atualmente.O PNLD é mantido pelo FNDE com recursos financeiros do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação.  Produção. admitiam-se duas formas de execução: a centralizada (com as ações integralmente a cargo do FNDE) e a descentralizada (ações desenvolvidas pelas Unidades de Federação. São Paulo foi o único cotado no PNLD 2005 e 2006 optou pela descentralização). o valor previsto no orçamento é de R$ 679. não se admitindo mais o repasse de recursos financeiros para que o próprio Estado realize as aquisições. o FNDE executa o programa de forma centralizada para todas as UFs.  Avaliação.  Aquisição.9 milhões.  Período de utilização. Até o PNLD 2006. as principais ações da execução centralizada:  Inscrição das editoras. o investimento foi de R$ 563. mediante repasse de recursos do governo federal.  Alternância. via convênio firmado com FNDE.  Distribuição. A seguir.  Guia do livro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

ele não resolve o problema de falta de livros por má conservação ou pela não devolução das obras pelos os estudantes no final do ano. até chegar ao condicionamento dos livros em suportes de madeira (paletes) nos postos avançados dos Correios instalados dentro das editoras. O início do processo se dá com a avaliação física e de conteúdo das obras apresentadas pelos autores e editoras. para repor os que não foram devolvidos ou que estejam sem condição de uso. mais 13% do total inicial de livros. A falta de conservação e a não devolução das obras levam o FNDE a adquirir. a encontrarem obras para remanejamento. GERENCIAMENTO O gerenciamento logístico é um dos procedimentos mais importantes no processo de distribuição dos livros didáticos e acervos. passa pela elaboração e distribuição do Guia do Livro Didático. CONSERVAÇÃO DE LIVROS Embora o Siscort seja um instrumento valioso para auxiliar as escolas e as secretarias de Educação. E também pela escolha dos professores. Os livros do PNLD devem ser utilizados pelos os estudantes três anos consecutivos. 142 Copyright © 2007. as escolas das redes públicas podem verificar a disponibilidade dos livros nas unidades educacionais mais próximas e registrar possíveis sobras em sua instituição. continua com a negociação com as editoras. a cada ano.o Livros para o ensino médio SISCORT O sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort) no site eletrônico do FNDE. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

DADOS ESTATÍSTICOS Entre 1994 e 2005. beneficiando mais de 29. Já os acervos destinados às escolas rurais são entregues nas secretarias municipais de educação ou nas prefeituras que. por sua vez. o FNDE adquiriu cerca de 519 mil acervos.  Editais. Nesse período. cada um com 9 dicionários. para a utilização nos anos letivos de 1995 a 2006. 143 Copyright © 2007.DISTRIBUIÇÃO De acordo com a estratégia de distribuição. um total de 1. devem entregá-los aos estabelecimentos de ensino antes no início do ano letivo. o PNLD adquiriu.  Guias de livros didáticos PNLD no respectivo ano de 2007. Para isso. CONSULTAS  Acompanhamento da distribuição.  Guias de livros didáticos e editoras. distribuídos para uma média anual de 30. os Correios entregam os livros didáticos diretamente às escolas públicas urbanas. 077 bilhão de unidades de livros. o PNLD investiu R$ 34. do ano respectivo de 2007.2 bilhões.8 milhões de alunos. matriculados em cerca de 163.8 milhões de alunos. Pelo PNLD 2006 dicionários serão atendidos mais de 764 mil salas de aula de quase 174.  Cronograma de atendimento.7 mil escolas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Inscrição e cadastramento.7 mil escolas públicas do ensino fundamental. que serão utilizados coletivamente pelos alunos de 1ª a 4ª série em cada sala de aula e 247.294 acervos com 7 exemplares paras as salas se aula de alunos de 5ª a 8ª série.

 Resolução nº 30.963 de 29/08/2005 – dispõe sobre as normas de conduta para o processo de execução dos Programas do Livro.  Resolução nº 03.  Portaria Ministerial nº. de 23/03/2003 – Controle de qualidade.LEGISLAÇÃO  Diário Oficial da União. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE Tel: (61) 3966/49/19 ou 3966/49/15 http://www. de 20/05/2003 – Avaliação pedagógica das obras.gov. Seção 1. 21/02/2005 – Vida útil dos livros.br 144 Copyright © 2007. de 01/10/2003 – Multas contratuais.  Resolução nº 32.  Resolução nº 55. 2. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . página 98.  Resolução n 05.Livros em Braille.gov. de 15/10/2003 – Ensino Médio.  Resolução nº 40. 15 de dezembro de 2004. de 11/07/2003. de 18/06/2004 – Reserva técnica.html) Email: cac@fnde.jsp?arquivo=livro_didatico.  Resolução nº 24.  Resolução Nº 34.  Resolução nº 14.  Resolução n 38.fnde. de 01/10/2003 – Aplicação de penalidades.br/home/index. de 24/08/2004 – Ensino fundamental e educação Especial. de 14/12/2044 – Dispõe sobre a aquisição de dicionários de Língua Portuguesa para o PNLD/2006. CONTATOS 0800-616161 – Central de Atendimento ao cidadão (ligação gratuita).

Explique qual o papel ela deve representar descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal.Se a educação é um direito de todos. excludente e punitivo. 145 Copyright © 2007. a avaliação não pode ter um papel classificatório. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Originariamente. ao estudar o Módulo “Concepções Educacionais e Currículo. Porta-fólio ou portfólio. uma delas é a sua construção pelo aluno. Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Vejamos: O que é um portifólio? O portfólio é um dos procedimentos de avaliação condizentes com a avaliação formativa. o portfólio apresenta várias possibilidades. que se constitui em mais um instrumento de avaliação e também como uma forma de desmistificar a avaliação da aprendizagem no ensino de jovens e adultos. às concepções que norteiam a prática educativa.". o portfólio é uma coleção de suas produções. Nesse caso. caro cursista! Você percebeu que. possibilitando aos alunos efetiva e crítica participação no ensino e aprendizagem. Bom. é uma "pasta de cartão usada para guardar papéis. estampas etc. de modo a ser apreciado por especialistas e professores. o portfólio é uma pasta grande e fina na qual os artistas e os fotógrafos iniciantes colocam amostras de suas produções. Essa rica fonte de informação permite aos críticos e aos próprios artistas iniciantes compreender o processo em desenvolvimento e oferecer sugestões que encorajem sua continuidade. as quais apresentam as 146 Copyright © 2007. Agora vamos discutir informações sobre o Portfólio. Em educação. desenhos. p. que já sabemos têm muita informação e conhecimento.” nós revisitamos desde a trajetória histórica do currículo passando por grandes expoentes educacionais. segundo Ferreira (1999. as quais apresentam a qualidade e a abrangência do seu trabalho.U NIDADE 30 Objetivo: Trabalhar a avaliação da aprendizagem de forma dinâmica e criativa . 1612).

os alunos são participantes ativos desse processo. O portfólio é um procedimento de avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso. que se revela de múltiplas formas no cotidiano. progresso ou desempenho em uma determinada área. selecionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-Ias no portfólio. (p. fatos e sobre si mesmas. e evidência de autoreflexão pelo aluno. As pessoas expressam um caráter eminentemente avaliativo sobre objetos. 207). Não é uma pasta onde se arquivam textos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . possam acompanhar o seu progresso (VILLAS BOAS. É organizado por ele. A seleção dos trabalhos a serem incluídos é feita por meio de autoavaliação crítica e cuidadosa.evidências de sua aprendizagem. Pois eles são participantes ativos da avaliação.] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços. 36) Esse entendimento inclui três ideias básicas: a avaliação é um processo em desenvolvimento. as linhas básicas para a seleção. Os autores Arter e Spandel (1992) entendem o portfólio como: [. a reflexão pelo aluno sobre sua aprendizagem. com orientação do professor. para que.. p. Avaliação desmistificada A avaliação tem como característica ser uma tarefa. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio. em conjunto. A compreensão individual do que constitui qualidade em um determinado contexto e dos processos de aprendizagem envolvidos é desenvolvida pelos alunos desde o início de suas experiências escolares. inerente ao ser humano. Esses juízos se apresentam impregnados de (pré) conceitos e valores acerca da sociedade e do mundo que os cercam. os critérios para julgamento do mérito. que envolve o julgamento da qualidade da produção e das estratégias de aprendizagem utilizadas. situações.. 147 Copyright © 2007. 2001. Percebe-se que o portfólio é mais do que uma coleção de trabalhos do aluno.

Entretanto. pois transcende determinações historicamente validadas que concebem o ato de avaliar atrelado diretamente ao ato de medir.A avaliação da aprendizagem como fenômeno educacional apresenta-se como área específica de conhecimento. exige deixar de lado as representações centradas na certificação e compreender o ato de avaliar como um instrumento de reflexão e suporte para aqueles que constroem o cotidiano da educação. desde os seus primórdios. no contexto da avaliação formativa. A obra do filósofo francês Charles Hadji. denominado avaliação formativa. o percurso de concepções filosóficas a partir de diferentes visões de mundo. métodos e instrumentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . possibilitando a prática de uma forma de avaliar que ultrapassa o encarceramento da quantificação. Avaliação desmistificada contribui significativamente para o avanço do conhecimento sobre a avaliação. evidentemente. marcadas pela exigência legal da certificação. de homem e de sociedade. ressaltando o valor da objetividade por meio de técnicas. Historicamente. A realização do modelo de avaliação formativa exige do educador uma compreensão das formas de avaliação e uma reflexão sobre os propósitos e os obstáculos calcados no ato de avaliar. O autor destaca outro modelo. o termo avaliação assume como característica essencial à função de medir e quantificar. é contínua a existência de representações inibidoras que atrelam a ação avaliativa às perspectivas meramente burocráticas. exige dos educadores uma reflexão 148 Copyright © 2007. especialmente. da quantificação do saber por meio de notas e. pela seletividade. O repensar da prática de avaliar a aprendizagem na educação. Essa situação. que objetiva ser um instrumento auxiliar da aprendizagem. trazendo em sua caracterização as marcas do tempo histórico.

ressaltando que a ausência da primeira pode levar a um imobilismo pedagógico. a leitura dessa obra poderá fornecer indicadores teóricos capazes de contribuir para a ultrapassagem de determinados limites. denominada Agir. da sociedade e da transformação do sistema social. Na primeira parte da obra. Apresenta um esforço teórico na direção da implementação de proposições. portanto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . compreendendo que a prática da avaliação depende da significação empreendida ao ato de ensinar. os educadores e demais profissionais envolvidos com a tarefa de avaliar são convidados a incluir em suas reflexões o real significado do princípio que coloca a avaliação (desmistificada) a serviço da aprendizagem. capaz de contribuir para o enfretamento das indagações e o desvelamento dos condicionamentos e determinantes da prática pedagógica cotidiana. a avaliação é compreendida como um instrumento pedagógico a serviço do êxito do aluno. permeado pela 149 Copyright © 2007. A segunda parte da obra. Aqui o autor explora e resguarda a íntima relação da teoria com a ação. além de possibilitar melhores formas de intervenção. é possível encontrar pistas bem precisas de aquisição do conhecimento de forma construtiva. Certamente. na tentativa de colocar a avaliação como elemento ativo do processo de aprendizagem. denominada Compreender. a fim de reverter o quadro tradicional. Nesse sentido. do desenvolvimento dos indivíduos e. delineia as dimensões teóricas da avaliação de forma mais concreta e contextualiza formas de aplicabilidade por meio do Guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa (p.70). no âmbito educacional como um conjunto de contribuições que podem sinalizar para o aprimoramento do conhecimento sobre essas realidades. no sentido de contribuir para a construção do saber e a apropriação do conhecimento. a teorização sobre a avaliação formativa pode ser percebida.continuada e sistemática. Nesse modelo. No eixo motriz dessa análise.

enfocando seus estudos sobre a interpretação dos sonhos. Assista ao filme Freud. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . direção de John Huston (EUA. O filme mostra o início dos trabalhos de Freud. além do achatamento na aquisição do conhecimento. é necessário reafirmar que a avaliação é apenas um processo geral de condução da ação e do ensino e aprendizagem.seletividade e pela discriminação. Finalizando. além da alma. e também o momento decisivo que precisa ser concebido como um ato amoroso e uma operação de leitura orientada da realidade. que favorece consideravelmente a significativa situação do fracasso escolar. 150 Copyright © 2007. 1962) e procure refletir sobre o processo de construção da sua teoria. que tem como diferença a necessidade do educador se abster de convicções impregnadas de inércia e imobilismo e caminhar na perspectiva de uma convicção criadora.

. « partindo daquilo que vem antes »). adquiridas a partir de atividades sociais que aparecem no decurso do desenvolvimento das crianças. Interacionismo. é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento. fontes e validade do conhecimento. é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza. que significa “experiência”.. para Vygotsky. é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural. 151 Copyright © 2007. O que a pessoa pensa de si mesmo.A autoestima pode ser definida como o sentimento que se tem ligado a autoimagem. que se realiza no interior Epistemologia – A epistemologia. Interpsiquico – Segundo Vygotsky.G LOSSÁRIO Apriorismo – A priori (do latim. Autoestima . Restringiu-se amiúde o termo “empirismo” à filosofia clássica moderna Endógeno . Culturalista – postura da vertente de psicólogos e dos cientistas sociais que destacam o papel da cultura na explicação dos fenômenos. também chamada teoria do conhecimento. são funções psicointelectuais superiores. Egocentrismo – É a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio.Fenômeno ou processo interno. onde. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Empirismo – O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria. Interação entre o indivíduo e a cultura. que consiste no pensamento dedutivo. ou seja.

CARDOSO. Campinas: Papirus. Novembro de 1995. Antonio Augusto G. Pedagogia. Revista de Educação de Jovens e adultos. Psicologia e Currículo . Hamburgo (Alemanha). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 1995. jan. BRASIL. COSTA. Mansa Vonaberg: (org. 152 Copyright © 2007.MOREIRA. 15. Elizabete Aparecida e outros. In: SHIGUNOV NETO. Cadernos CEDES. IBLIOGRAFIA ALFABETIZAÇÃO E CIDADANIA. pedagogos e formação de professores. Iria. 1998. Campinas: Papirus. Versão preliminar. 2001. António Flávio B. São Paulo: Ática. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. DECLARAÇÃO de Hamburgo e Agenda para o Futuro – V CONFINTEA. COLL. Os livros tradicionais de currículo. Brasília: MEC. Parâmetros curriculares Nacionais. Papirus. BRZEZINSKI. 1996. BRASIL. BATISTA. . Brasília: MEC.B 2003. 1996. Pedro. 1991. Recomendações para uma política pública de livros didáticos. 1997 DEMO. 1996.uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar. Ministério da Educação e Cultura. São Paulo (13): 7-25. O currículo nos limiares do contemporâneo. César. Currículos e programas no Brasil. Secretária de Educação Fundamental. Alexandre.). Professor e seu direito de estudar. Rio de Janeiro: DP&A. N.

Campinas: Papirus. GADOTTI. 3° Edição: Paz e Terra. Antônio: “Por uma pedagogia da pergunta”. 2000. Maria Clara. DI PIERRO. José Eustáquio (orgs. 2002. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . São Paulo:Instituto Paulo Freire. 4 ed. FREIRE. Moacir.). Pedagogia da exclusão: critica ao neoliberalismo em educação. A. FREITAS. n. (Org. Educação de jovens e adultos.Maceió: EDUFAL. 6 ed. In GENTILI e SILVA (orgs. GENTILI. qualidade total e educação: visões criticas. Mediação. Osmar.). 153 Copyright © 2007. In: MOURA.). Mariano Fernandez. Porto Alegre: 2002. 2005.). Reflexões sobre a formação de professores. A formação de professores(as) para a educação de jovens e adultos em questão. Petrópolis: Vozes. Jane (orgs. maio de 2004.ed. Lições da história: os avanços de sessenta anos e a relação com as políticas públicas de negação dos direitos que alimentam as condições do analfabetismo no Brasil. Petrópolis: Vozes. prática e proposta. 2. Revista de educação de jovens e adultos – alfabetização e cidadania.rev. Pablo. O discurso da qualidade e a qualidade do discurso. FERREIRA. 1996. FÁVERO. ROMÃO. Lizete Shizue Bomura (orgs. 2000.). São Paulo: RAAAB.MARCIEL. ENGUITA. Lucinete Maria Sousa. In: OLIVEIRA. FAUNDEZ. 1985. Neoliberalismo. Tânia Maria (org. Um balanço da evolução recente da educação de jovens e adultos no Brasil. Rio de Janeiro: DPeA. Retratos da Avaliação: Conflitos desvirtuamentos e caminhos para a superação. Educação de Jovens e adultos: teoria.). Inês Barbosa. Paulo. O papel da didática na educação de jovens e adultos. PAIVA. 2004.A. 17. Marinaide Lima de Queiroz.

Lizete Shizue Bomura (org. Porto Alegre: Artmed. Porto Alegre: Artmed. Editora Cortez. 1995. São Paulo: Cortez. 2002 Porto MACHADO. Ivor F. Caderno CEDES. Secretaria de Educação a Distância/MEC.). Regina Leite. HADJI. 1997. Escola crítica e política cultural. Curso de Didática Geral. abril 2005. 1999. Boletim n. Rio de Janeiro. Veronese. Regina Célia Cazaux. Campinas: Papirus. setembro de 2006a. 2002.16. Secretaria de Educação a Distância/MEC.16. Jussara M. In: EJA: formação técnica integrada ao ensino médio. Charles. 154 Copyright © 2007. In: EJA: formação técnica integrada ao ensino médio. São Paulo (l3): 45-52.São Paulo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Lucilia. Os sete saberes necessários à educação do futuro. MARCIEL.GARCIA. GIROUX. Tradução de Maria Adriana V. O jogo do contrário em Avaliação. Um currículo a favor dos alunos da classes populares. L. Boletim n. DOLL JR. 1991. Editora Ática. São Paulo. Petrópolis: Vozes. Willian E. PROEJA: O significado socioeconômico e o desafio da construção de um currículo inovador. HOFMANN. Porto Alegre RS ed: Mediação Distribuidora e Livraria LTDA. 2001. Programa Salto para o Futuro. 1987. 2. Avaliação desmistificada. Reflexões sobre a formação de professores. Currículo: teoria e história. Rio de Janeiro. Currículo: uma perspectiva pós-moderna. Henry. MOURA.ed. MORIN. EJA: Formação técnica integrada ao ensino médio. Dante Henrique. Edgar. HAYDT. Programa Salto para o Futuro. Papirus. set de 2006. GOODSON.

v. SANTOS. o que é. Selma Garrido. SAVIANI. 2. quem ganha e quem perde no mercado educacional do neoliberalismo. Educação científica e movimento CTS no quadro das tendências pedagógicas no Brasil. Tomaz Tadeu da. Escola S.MOURA. SILVA. ZABALA. A.). Maceió: EDUFAL. A prática pedagógica dos alfabetizadores jovens e adultos: Contribuições de Freire. São Paulo: Cortez. novas leituras. A relação professor-aluno.. 2001. 2002. 1. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. 2000. 2000. Escola e democracia. Brasília: CNTE. P. Tomaz Tadeu e GENTIL. A Prática Educativa-como ensinar. Philipp. ed. Educação de jovens e adultos: novos leitores. RIBEIRO. Pablo (orgs.ed. Vera Masagão (org. PERRENOUD. O PROEJA e o desafio das heterogenidades. VALLEZ. como se faz.1999. pesquisadores e didática. 3. Ferreiro e Vygotsky. 2004. PIMENTA. 1995. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3. São Paulo: Ed. M. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. In: SILVA. 2003. M. Simone Valdete dos.Porto Alegre:Artes Médicas. 2. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Dez novas competências para ensinar. TEIXEIRA. Tânia Maria de Melo. 1999. n.).1998 155 Copyright © 2007. Campinas: Papirus. A função social do ensino e a concepção sobre os processos de aprendizagem: instrumentos de análise IN__________ .A. De professores. Pedro Morales. 2004. Belo Horizonte: Autêntica. Demerval.ed. São Paulo: Ação educativa.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful