MÓDULO DE

:

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

AUTORIA:

Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO Autora: Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES.

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040

2 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

A

PRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO Caros (as) alunos e alunas, Sou a tutora de cada um e de cada uma de vocês. Vamos ler, refletir e considerar proposições sobre um currículo vivo, real e capaz de promover mudanças significativas na mente, no coração e no espaço educacional onde atuam. Pensar em uma profissão significativa é esboçar um projeto de vida. Agora, mais do que descobrir a vocação, é fazer dela um instrumento de construção e intervenção no mundo. É adaptar-se ao mundo de maneira crítica, é saber que a educação não é a solução para tudo, mas é a porta para caminhos infinitos. Temos que ter a consciência que sonhos não devolvem o que há mais de 500 anos vem sendo tirado da gente, mas temos a certeza de que a dignidade, ética, igualdade não devem apenas ser escritas em versos e sonhos, mas devem ser realidades concretas, construídas com sangue e suor. Ser educador é acima de tudo acreditar, é lutar para fazer acontecer. Vamos construir uma educação melhor, conhecendo o que é um currículo, sua organização, seu funcionamento e adotando ações práticas e viabilizadoras de mudanças positivas. Obrigada por acreditarem! Obrigada por estarem aqui! Profª. Marizinha Coqueiro Borges.

3 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Compreender o currículo escolar como espaço de reconstrução educacional e de especialização do conhecimento pedagógico e refletir sobre a necessidade da construção de práticas pedagógicas específicas a partir do conhecimento de currículo vivo. Currículo oculto. numa perspectiva crítica e transformadora. Implementação e avaliação de currículo.Parâmetros mínimos necessários – PCN’S. Concepções de educação e seus autores. Currículo e desenvolvimento social. funções. garantindo a formação integral de cidadãos participativos e aptos a contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Elaboração de programas curriculares.: Concepções e etapas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 4 Copyright © 2007. . Possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre um currículo que seja transformador da realidade e que atenda às diversidades sócioculturais dos educandos.O BJETIVOS Compreender o sentido e o significado dos princípios políticos e pedagógicos na elaboração do currículo a partir do conhecimento da estrutura e o funcionamento da Educação Básica Brasileira. Adequação curricular nas vertentes da temporalidade e contexto social. real. E MENTA Conceituação. Reconstrução do conhecimento experiência e mundo . Definir um quadro de referência teórica sobre currículo. elementos componentes. Agentes da ação curricular.

.................................................... 19 UNIDADE 5 .................... .................... 15 UNIDADE 4 ............................................................................................ 40 UNIDADE 9 ..................................................................................................................................... do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente........................................................ 44 O Currículo Multiculturalista e a Educação ........ 51 5 Copyright © 2007..........................................................................................................................................................S UMÁRIO UNIDADE 1 ........... como Ação do Cotidiano da Escola................................................................................................................................ ...................................................................................................................................... 23 UNIDADE 6 .. 15 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo....... 47 Currículo Científico .................................................... 36 UNIDADE 8 .................... 44 UNIDADE10 ........................................................ 8 UNIDADE 2 ................... segundo Tomaz Tadeu Da Silva................................................................................................................................................................................... 12 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo.............................. ............................................................................. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ................................ segundo Tomaz Tadeu Da Silva.......................... 40 Diferenciar o Currículo Oculto...................... 19 Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo ....................... 23 O Currículo Segundo Dewey E Tyler ................ ........................................... 36 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos........ 12 UNIDADE 3 .............................................................. 47 UNIDADE 11 ........ 31 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos............... 8 Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo............ ... ........................................................................................................................................................................ 31 UNIDADE 7 .........

90 UNIDADE 20 ................................................................................................................................................................................................................ 59 Algumas Reflexões Sobre A Educação................................... 122 6 Copyright © 2007........................ 104 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ............ 95 UNIDADE 21 ............... .................... ...................................... 80 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas..................................................................... 85 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica ...................................................................................................................................... 110 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ....................................... segundo Paulo Freire..................................................................................... 75 UNIDADE 17 ............................................ 90 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ...............80 UNIDADE18 ........................................... ................................................ 104 UNIDADE 23 ...............Currículo Científico ................................................... 110 UNIDADE 24 .................. 95 Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua............................... ....................................................................................... 99 UNIDADE 22 ........................................ segundo Paulo Freire........................................ 55 UNIDADE 13 ................ 51 UNIDADE 12 ................................................................ ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ............................ 71 UNIDADE 16 .............................................. 59 UNIDADE 14 .......................... 71 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ........... .......... 66 Algumas Reflexões sobre a Educação........................................................................................................................................................................................ 75 Os Pilares da Educação.......................................................................... 85 UNIDADE 19 ........................................................................................ 55 Breve Biografia Do Educador Paulo Freire ........................... Segundo Declaração da UNESCO De 2002........................ 66 UNIDADE 15 . 116 UNIDADE 25 ........... 99 Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua.................................

............................................................................................................................ 146 Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada............. 137 UNIDADE 29 ................................................... ........................................................................................... 152 7 Copyright © 2007...................................................................... 134 UNIDADE 28 ................. 122 UNIDADE 26 .......................... 129 UNIDADE 27 ...................................................................................................................Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar............................. 129 Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar ................................... .................. 140 O Livro Didático ................. ................... 134 Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor...................................................................... 140 UNIDADE 30 ................ 151 BIBLIOGRAFIA ................ 146 GLOSSÁRIO ................................................................................................................................................ 137 A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular ....................................................................................................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ...........................................

Introdução À Teoria Do Currículo Para adentrar no estudo do currículo faz-se necessário revisitar a concepção de currículo de forma geral. de 8 Copyright © 2007. no texto “Sociologia e teoria crítica: uma introdução” (p. guiada por questões sociológicas. Nessa perspectiva. com a sociedade e com a escola de modo específico. elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo "por que" das formas de organização do conhecimento escolar. Nesse sentido. Isso significa que ele é colocado na moldura mais ampla de suas determinações sociais. crítico e transformador”. de sua história. ir além das suas limitações e ajudar a construir um currículo ativo.U NIDADE 1 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. capacitar-se. Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo. políticas. vamos discutir as ideias apresentadas por Moreira e Silva (1994).( Marizinha Coqueiro Borges). Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo. o currículo é considerado um artefato social e cultural. voltada para questões relativas a procedimentos. “O professor deve se sentir parte de um coletivo docente. epistemológicas. técnicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica. 7-30). Embora questões relativas ao "como" do currículo continuem importantes. métodos. as relações do currículo com o processo de ensino e aprendizagem.

por parte dos superintendentes de sistemas escolares americanos e dos teóricos considerados como precursores do novo campo. o propósito mais amplo desses especialistas parece ter sido planejar "cientificamente" as 9 Copyright © 2007. Pinar & Grumet. tanto nos Estados Unidos. a preocupação com os processos de racionalização. onde pela primeira vez se elegeu o currículo como foco central da Sociologia da Educação. Em outras palavras. destaca-se. o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Diferentes versões desse surgimento podem ser encontradas na literatura especializada (Cremin. Comum a todas elas. foi somente no final do século XIX e no início deste. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. Emergência e desenvolvimento da sociologia e da teoria crítica do currículo Os autores focalizam. 1974. O currículo está implicado em relações de poder. Franklin. em curto espaço de tempo. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal ele tem uma história. sistematização e controle da escola e do currículo. neste texto. As origens do campo nos Estados Unidos Mesmo antes de se constituir em objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico. 198 I). que um significativo número de educadores começou a tratar mais sistematicamente de problemas e questões curriculares. onde o campo se originou e desenvolveu como na Inglaterra. vinculada às formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. o currículo sempre foi alvo da atenção de todos os que buscavam entender e organizar o processo educativo escolar. configuraram o surgimento de um novo campo. o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas. dando início a uma série de estudos e iniciativas que. a emergência de uma abordagem sociológica e crítica do currículo. Seguei 1966. 1975. No entanto.sua produção contextual. nos Estados Unidos.

às categorias de controle social e eficiência social.atividades pedagógicas e controlá-Ias de modo a evitar que o comportamento e o pensamento do aluno se desviassem de metas e padrões pré-definidos. não se deve entender o novo campo como monolítico. então prevalente. já que outras intenções e outros interesses podem ser identificados. A primeira contribuiu para o desenvolvimento do que no Brasil se chamou de escolanovismo e a segunda constituiu a semente do que aqui se denominou de tecnicismo. As primeiras tendências O campo do currículo tem sido associado. 10 Copyright © 2007. sendo o sistema de competição livre. Segundo Kliebard (1974). para a construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta. então considerada "desejável". O contexto americano na virada do século Após a Guerra Civil. A primeira delas é representada pelos trabalhos de Dewey j e Kilpatrick e a segunda pelo pensamento de Bobbitt. consideradas úteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e à prática emergentes. A fim de melhor entender como tais intenções informaram o desenvolvimento da nova especialização. Todavia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . substituído pelos monopólios. tanto em suas origens como em seu posterior desenvolvimento. O processo de produção tornou-se socializado e mais complexo. tanto em suas manifestações iniciais como nos estágios subsequentes. apresentaremos uma breve descrição do contexto sóciohistórico no qual ela emergiu. enquanto procedimentos administrativos sofisticaram-se e assumiram um cunho “científico”. duas grandes tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma volta-se para a elaboração de um currículo que valorizasse os interesses do aluno e a outra. Para a produção em larga escala foi necessário aumentar as instalações e o número de empregados. a economia americana passou a ser dominada pelo capital industrial.

em seus momentos iniciais. 11 Copyright © 2007. juntamente com vestígios e revalorizações de uma perspectiva mais tradicional de escola e de currículo. procuraram adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista que se consolidava. ainda que de formas diversas.Pode-se dizer que as duas. representaram diferentes respostas às transformações sociais. dominaram o pensamento curricular dos anos vinte ao final da década de sessenta e início da década seguinte. As duas tendências. políticas e econômicas por que passava o país e que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Essas ideias seriam diferencialmente transmitidas. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. em particular. o início da preocupação com a questão da ideologia em educação. Além disso. na escola. e a do currículo. Aquele ensaio rompia com a noção liberal e tradicional da educação como desinteressadamente envolvida com a transmissão de conhecimento e lançava as bases para toda a teorização que se seguiria. naturalmente. às crianças das diferentes classes: uma visão de mundo apropriada aos que estavam destinados a dominar. garantindo assim a reprodução da estrutura social existente. "ideologia" tem sido um dos conceitos centrais a orientar a análise da escolarização. os que fossem até o fim seriam socializados no modo de ver o mundo próprio das classes dominantes.U NIDADE 2 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. Fundamentalmente. a outra aos que se destinavam às posições sociais subordinadas. "A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos de Estado" marca. Althusser argumentava que a educação constituiria um dos principais dispositivos através do qual a classe dominante transmitiria suas ideias sobre o mundo social. em geral. Althusser era explícito a respeito dos mecanismos pelos quais essas diferenciadas 12 Copyright © 2007. Currículo E Ideologia Desde o início da teorização crítica em educação. O ensaio de Louis Althusser (1983). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola em diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes "aprenderiam" as atitudes e valores próprios das classes subalternas.

Embora tenha sido um marco importante e continue sendo uma referência central na teorização crítica em educação. Estudos Sociais. mas o escasso tratamento dado ao conceito na primeira parte do ensaio podia legar a essa compreensão. como Matemática e Ciências. uma compreensão que nos levou bastante além do esboço de Althusser. É verdade que o ensaio de Althusser não se baseava nessa noção (e sua segunda parte. de fato. uma noção extremamente sofisticada de ideologia. Por um lado. Educação Moral. Essa perspectiva permite que escapemos aos impasses colocados pelo equacionamento de ideologia como conhecimento falso e não ideologia como conhecimento verdadeiro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . inúmeros estudos empíricos sobre o funcionamento da escola e da sala de aula ajudaram a aumentar consideravelmente a nossa compreensão do papel da ideologia no processo educacional. também. o refinamento conceitual foi na direção de afastar a ideia de ver a ideologia como falsa consciência ou como um conjunto de ideias falsas sobre a sociedade. Por outro. essa transmissão da ideologia estaria centralmente a cargo daquelas matérias escolares mais propícias ao "ensino" de ideias sociais e políticas: História.visões de mundo eram transmitidas. o ensaio de Althusser e seus pressupostos foram objeto de crítica e refinamento nos anos que se seguiram à sua publicação. mas estariam presentes. apresentava. raramente referida. embora de forma mais sutil. A compreensão do conceito de ideologia como consciência falsa levava facilmente à sua formulação como uma questão epistemológica centrada na dicotomia falso/verdadeiro que a despia de todas as suas conotações políticas. Em primeiro lugar. mas certamente uma coisa relativamente clara na literatura educacional é o vínculo que a noção de ideologia tem com poder e interesse. é difícil resumir as inúmeras interpretações ligadas ao conceito de ideologia numas poucas proposições. De forma geral. 13 Copyright © 2007. Naturalmente. em matérias aparentemente menos sujeitas à contaminação ideológica. ainda não superada). houve uma série de contestações conceituais à própria noção de ideologia formulada por Althusser.

O que caracteriza a ideologia não é a falsidade ou verdade das ideias que veicula. A ideologia. A ideologia é essencial na luta desses grupos pela manutenção das vantagens que Ihe advêm dessa posição privilegiada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas o fato de que essas ideias são interessadas. transmitem uma visão do mundo social vinculada aos interesses dos grupos situados em uma posição de vantagem na organização social. A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem à realidade ou não. É menos importante saber se as ideias envolvidas na ideologia são falsas ou verdadeiras e. nessa perspectiva. mas saber a quem beneficiam o que implica ao outro ponto conceitual importante: o conceito de ideologia e a relação de poder. 14 Copyright © 2007. é mais importante saber que vantagens relativas e que relações de poder elas justificam ou legitimam. está relacionada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões.permitindo também que nos afastemos da noção representacional de conhecimento e linguagem implícita naquele equacionamento.

o currículo e a educação estão profundamente envolvidos em uma política cultural. sim. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . De forma geral. Continuando Nossas Reflexões Sobre A Teoria Do Currículo Currículo E Cultura Se ideologia e currículo não podem ser vistos separados na teorização educacional crítica. A educação e o currículo são vistos como profundamente envolvidos com o processo cultural. Nessa visão. continua essa tradição.U NIDADE 3 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. A 15 Copyright © 2007. nem ela existe de forma unitária e homogênea. A teorização crítica. cultura e currículo constituem um par inseparável já na teoria educacional tradicional. cultural. senão uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade. Em contraste com o pensamento convencional sobre a relação entre currículo e cultura. como fundamentalmente político. o currículo. de certa forma. a cultura não é vista como um conjunto inerte e estático de valores e conhecimentos a serem transmitidos de forma não problemática a uma nova geração. Entretanto. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. o que significa que são tanto campos de produção ativa de cultura quanto campos contestados. que é a educação e. Na tradição crítica. em particular. há diferenças importantes a serem enfatizadas. mas ele é visto. envolvidos com esse processo. Em vez disso. ao contrário do pensamento convencional. a tradição crítica vê o currículo como terreno de produção e criação simbólica. a educação e o currículo estão.

de significações. apenas como correias transmissoras de uma cultura produzida em outro local. Em vez disso. nessa perspectiva. a cultura é o terreno por excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais. essa transmissão se dá em um contexto cultural de significação ativa dos materiais recebidos. a cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não existe uma cultura da sociedade. não é visto. nessa visão. tal como na visão tradicional. não estão tanto naquilo que se transmite quanto naquilo que se faz com o que se transmite. por sua vez. O currículo educacional. Aquilo que na visão tradicional é visto como o processo de continuidade cultural da sociedade como um todo. O currículo pode ser movimentado por intenções oficiais de transmissão de uma cultura oficial. nesse sentido. Assim. a ideia de cultura é inseparável da de grupos e classes sociais. 1979). homogênea e universalmente aceita e praticada e. como um local de transmissão de uma cultura incontestada e unitária. é o terreno privilegiado de manifestação desse conflito. mas como um campo em que se tentará impor tanto a definição particular de cultura da classe ou grupo dominante quanto o conteúdo dessa cultura (BOURDIEU. Em uma sociedade dividida. precisamente. de sujeitos. O currículo. é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. a cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos. por isso. mas o resultado nunca será o intencionado porque. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. Nessa visão.educação e o currículo não atuam. por outros agentes. A cultura e o cultural. Na concepção crítica. a visão tradicional da relação entre cultura e educação/currículo não vê o campo cultural como um terreno contestado. 16 Copyright © 2007. Obviamente. é visto aqui como processo de reprodução cultural e social das divisões dessa sociedade. então. unitária.

O currículo é. Nesse entendimento. de contestação e transgressão. um terreno de produção e de política cultural. Na visão crítica. seja uma questão facilmente resolvida. Currículo e poder Se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica é a de poder. 17 Copyright © 2007.Essa perspectiva da cultura como um campo contestado e ativo tem implicações importantes para a teoria curricular crítica. É nessa perspectiva que o currículo está centralmente envolvido em relações de poder. é suficiente afirmar aqui que o poder se manifesta em relações de poder. assim. É a visão de que a educação e o currículo estão profundamente implicados em relações de poder que dá à teorização educacional crítica seu caráter fundamentalmente político. isto é. somos obrigados a rejeitar a visão convencional do currículo que o vê como um veículo de transmissão do conhecimento como uma "coisa". etnia. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. o poder se manifesta através das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe. recriação e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Para não entrar em longas e intermináveis discussões conceituais sobre o poder. Isso não quer dizer que a conceituação daquilo que constitui o poder. Como vimos acima. no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação. no contexto da educação e do currículo. em relações sociais em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos à vontade e ao arbítrio de outros. gênero etc. sobretudo. como um conjunto de informações e materiais inertes. Se combinarmos essa visão com aquela que questiona a linguagem e o conhecimento como representação e reflexo da "realidade". Essas divisões constituem tanto a origem quanto o resultado de relações de poder. o conhecimento corporificado no currículo é tanto o resultado de relações de poder quanto seu constituidor. quando discutimos os conceitos de ideologia e cultura. o currículo não é o veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido.

No caso do currículo. o currículo. expressa os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem em relações de poder. Currículo: Teoria e história. no seu aspecto "oficial" como representação dos interesses do poder. 18 Copyright © 2007. Grande parte da tarefa da análise educacional crítica consiste precisamente em efetuar essa identificação. ao se apresentar. o currículo. constitui identidades individuais e sociais que ajudam a reforçar as relações de poder existentes. IVOR F. Seu aspecto contestado não é demonstração de que o poder não existe. 2. Belo Horizonte: Autêntica. assim.Por um lado. O currículo está. no centro de relações de poder. fazendo com que os grupos subjugados continuem subjugados. o currículo é expressão das relações sociais de poder. É exatamente porque o poder não se manifesta de forma tão cristalina e identificável que essa análise é importante. 2001 GOODSON. Documento de identidade – uma introdução às teorias do currículo. enquanto definição "oficial" daquilo que conta como conhecimento válido e importante. ed. mas apenas de que o poder não se realiza exatamente conforme suas intenções. Desta forma. apesar de seu aspecto contestado. 1995. Petrópolis: Vozes. Reconhecer que o currículo está atravessado por relações de poder não significa ter identificado essas relações. cabe perguntar: que forças fazem com que o currículo oficial seja hegemônico e que forças fazem com que esse currículo aja para produzir identidades sociais que ajudam a prolongar as relações de poder existentes? Leitura de : SILVA. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Por outro lado. ao expressar essas relações de poder.. Tomaz Tadeu da.

a formação de disciplinas e departamentos universitários sobre currículo. com o currículo. teorias sobre o currículo. na História da Educação ocidental moderna. A emergência do currículo como campo de estudos está estreitamente ligada a processos. de preocupações com a organização da atividade educacional e até mesmo de uma atenção consciente à questão do que ensinar. de estudos e pesquisas sobre o currículo. As diferentes filosofias educacionais e as diferentes pedagogias. mesmo que não utilizassem o termo. tais como a formação de um corpo de especialistas sobre currículo. em diferentes épocas. de uma forma ou outra. 19 Copyright © 2007.U NIDADE 4 Objetivo: Identificar o processo de construção dos estudos do currículo. De certa forma. antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como "currículo" pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como "currículo". As professoras e os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos. institucionalizada. Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo Nascem Os "Estudos Sobre Currículo": As Teorias Tradicionais Segundo Tomaz Tadeu da Silva (2005). todas as teorias pedagógicas e educacionais são também teorias sobre o currículo. não deixaram de fazer especulações sobre o currículo. a institucionalização de setores especializados sobre currículo na burocracia educacional do estado e o surgimento de revistas acadêmicas especializadas sobre currículo. a partir das discussões sobre as teorias pedagógicas. a existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional especializado. Há antecedentes. estritamente falando. bem antes da institucionalização do estudo do currículo como campo especializado. Mas as teorias educacionais e pedagógicas não são. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

no sentido que hoje lhe damos. Alemanha. acadêmica. entretanto. sob influência da literatura educacional americana. só passou a ser utilizada em países europeus como França. políticas e culturais procuravam moldar os objetivos e as formas da educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. Portugal muito recentemente. Quais os objetivos da educação escolarizada: formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral. está ligada a preocupações de organização e método. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como resultado das sucessivas ondas de imigração. num momento em que diferentes forças econômicas. é um desses exemplos. o processo de crescente industrialização e urbanização. em 1918. de João Amós Comenius. como um campo profissional especializado. à população? 20 Copyright © 2007. Foram talvez as condições associadas com a institucionalização da educação de massas que permitiram que o campo de estudos do currículo surgisse nos Estados Unidos. É nesse contexto que Bobbitt escreve. o estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico. O termo currículum.A Didactica Magna. Estão entre essas condições: a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação. o livro que iria ser considerado o marco no estabelecimento do currículo como um campo especializado de estudos: The currículum. É nesse momento que se busca responder questões cruciais sobre as finalidades e os contornos da escolarização de massas. no sentido que modernamente atribuímos ao termo. as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional. É precisamente nessa literatura que o termo surge para designar um campo especializado de estudos. O livro de Bobbitt é escrito num momento crucial da história da educação estadunidense. como ressaltam as pesquisas de David Hamilton. Espanha. A própria emergência da palavra currículum. a extensão da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores da população.

21 Copyright © 2007. O modelo de Bobbitt estava claramente voltado para a economia. Bobbitt queria transferir para a escola o modelo de organização proposto por Frederick Taylor. deveriam se basear num exame daquelas habilidades necessárias para exercer com eficiência as ocupações profissionais da vida adulta. Tal como uma indústria. as disciplinas científicas. Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar precisamente que resultados pretendiam obter. O sistema educacional deveria começar por estabelecer de forma precisa quais são seus objetivos. as habilidades práticas necessárias para as ocupações profissionais? Quais as fontes principais do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico. Esses objetivos. O sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer outra empresa econômica. as disciplinas acadêmicas humanísticas. as disciplinas científicas. embora sua intervenção buscasse transformar radicalmente o sistema educacional. quais devem ser as finalidades da educação: ajustar as crianças e os jovens à sociedade tal como ela existe ou prepará-Ios para transformá-Ia. Sua palavra-chave era "eficiência". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a preparação para a economia ou a preparação para a democracia? As respostas de Bobbitt eram claramente conservadoras. a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica propostos por Taylor. que pudesse estabelecer métodos para obtêIos de forma precisa e formas de mensuração que permitissem saber com precisão se eles foram realmente alcançados. Na proposta de Bobbitt. Bobbitt propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial. os saberes profissionais do mundo ocupacional adulto? O que deve estar no centro do ensino: os saberes "objetivos" do conhecimento organizado ou as percepções e as experiências "subjetivas" das crianças e dos jovens? Em termos sociais. ler e contar. por sua vez.O que se deve ensinar: as habilidades básicas de escrever.

Uma reflexão sobre a prática. 22 Copyright © 2007. J.SACRISTÁN. 3ª ed. Gimeno.. 2000. O currículo. Porto Alegre: Artmed. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Para Dewey. 23 Copyright © 2007. vamos incluir as ideias de Dewey. Numa perspectiva que considera que as finalidades da educação estão dadas pelas exigências profissionais da vida adulta. é "desenvolvimento curricular". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a questão do currículo se transforma numa questão de organização. a construção da democracia era mais importante que o funcionamento da economia. o currículo se resume a uma questão de desenvolvimento. A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas como a liderada por John Dewey. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática. bem como a relação entre as duas vertentes debatidas na época: a vertente estadunidense e a vertente progressista. a uma questão técnica.U NIDADE 5 Objetivo: Traçar a linha de estudos do currículo e os teóricos responsáveis pelos estudos. nessa perspectiva. O Currículo Segundo Dewey E Tyler Buscando ampliar a discussão sobre o currículo. Contrariando Bobbit. O currículo é simplesmente uma mecânica. Não é por acaso que o conceito central. ele achava importante levar em consideração no planejamento curricular. os interesses e as experiências das crianças e jovens. um conceito que iria dominar a literatura estadunidense sobre currículo até os anos 80. Na perspectiva de Bobbitt.

Tal como na indústria. pois. como o de Dewey. que emergiram no início do século XX. adicionam a um ritmo médio de 105 combinações por minuto". o estabelecimento de um padrão permitiria acabar com essa variação. nos Estados Unidos. enquanto outras. uma reação ao currículo clássico. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quatro questões básicas:  Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?  Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?  Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?  Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?" As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: "currículo" (1). É interessante observar que tanto os modelos mais tecnocráticos.. A capacidade para adicionar a uma velocidade de 65 combinações por minuto (. tal como a usina de fabricação de aço. os educadores vieram a "perceber que é possível estabelecer padrões definitivos para os vários produtos educacionais.) é uma especificação tão definida quanto a que se pode estabelecer para qualquer aspecto do trabalho da fábrica de aços”. quanto os modelos mais progressistas de currículo. humanista. que se estabeleçam padrões. na educação. "ao lado. de acordo com Bobbitt. de acordo Com Tyler. de certa forma. Para Bobbitt. algumas crianças realizam adições "a um ritmo de 35 combinações por minuto". digamos. numa usina de fabricação de aços. O estabelecimento de padrões é tão importante na educação quanto.. diz ele. que havia dominado a educação secundária desde sua 24 Copyright © 2007. constituíam. "ensino e instrução" (2 e 3) e "avaliação" (4). "a educação. Numa oitava série. Nas últimas décadas. O exemplo dado pelo próprio Bobbitt é esclarecedor. como os de Bobbitt e Tyler. é um processo de moldagem". A organização e o desenvolvimento do currículo devem buscar responder. ilustra ele. de acordo com Bobbitt. é fundamental.

de uma forma que podiam se aplicar a outros conteúdos. o objetivo era introduzir os estudantes ao repertório das grandes obras literárias e artísticas da herança clássica grega e latina. o tecnocrático e o progressista atacam o modelo humanista por um flanco.institucionalização. o currículo clássico humanista tinha implicitamente uma "teoria" do currículo. O tecnocrático destacava a abstração e a suposta inutilidade . música.e suas respectivas literaturas . Ambas as contestações só puderam surgir. retórica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . essas obras encarnavam as melhores realizações e os mais altos ideais do espírito humano. na forma dos chamados trivium (gramática. obviamente. Supostamente. vindo da Antiguidade Clássica. incluindo o domínio das respectivas línguas. sobretudo aquele "centrado na criança". O conhecimento dessas obras não estava separado do objetivo de formar um homem (sim. nesse modelo. Cada um dos modelos curriculares contemporâneos. servia para exercitar os "músculos mentais". esse currículo era herdeiro do currículo das chamadas "artes liberais" que. aritmética). Basicamente. o macho da espécie) que encarnasse esses ideais. nem mesmo os argumentos que no século XIX tinham sido desenvolvidos pela perspectiva do "exercício mental". geometria. O modelo progressista.para a vida moderna e para as atividades laborais das habilidades e conhecimentos cultivados pelo currículo clássico. sobretudo da escolarização secundária que era o foco do currículo 25 Copyright © 2007. por exemplo. dialética) e quadrivium (astronomia. O latim e o grego . segundo a qual a aprendizagem de matérias como o latim.pouco serviam como preparação para o trabalho da vida profissional contemporânea. se estabelecera na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. Por estar centrado nas matérias clássicas. Obviamente. Não se aceitava. o currículo humanista simplesmente desconsiderava a psicologia infantil. Como se sabe. atacava o currículo clássico por seu distanciamento dos interesses e das experiências das crianças e dos jovens. no contexto da ampliação da escolarização de massas. aqui.

E ali germinará entre ambos um processo educativo que encontrará sua fonte na paixão pela vida. com o chamado movimento de “reconceitualização do currículo”.a Formação de professores pós LDB. A democratização da escolarização secundária significou também o fim do currículo humanista clássico. Todos nós. por sua vez. professores.clássico humanista. nos Estados Unidos. haverá paixão. E um aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tanto os técnicos quanto os progressistas de base psicológica. ouvimos o quanto é essencial uma sólida formação inicial e continuada. O currículo clássico só pôde sobreviver no contexto de uma escolarização secundária de acesso restrito à classe dominante. Onde o melhor que há nos seres humanos não estiver totalmente anestesiado. na fé que responde ao desvelamento dos mistérios do conhecimento com reverência e zelo (Maria Clara Bingemer). Débora Barreiros Universidade do Estado do Rio de Janeiro Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Onde não houver adicção. e responda o que é solicitado. Quantos de nós conseguimos? Se não conseguimos. Os modelos mais tradicionais de currículo. deixamos 26 Copyright © 2007. Faça a leitura do texto indicado abaixo. almejamos melhores condições de trabalho e lutamos por um plano de carreira com melhor remuneração. só iriam ser definitivamente contestados. “As mudanças curriculares e a prática pedagógica” . a partir dos anos 70. ali estará um professor.

a formação de todos os professores em nível superior passou a ser considerada uma utopia para o quadro brasileiro. Nesse quadro referencial. mas o comprometimento com a prática pedagógica nos faz articular novos saberes.. Em outras palavras. Por se tratar de uma área ampla e complexa. E que formação é exigida desse novo profissional? Este estudo tem como objetivo analisar alguns aspectos da formação inicial e continuada de professores no Brasil. pois estabelece novas habilidades e saberes para esse novo profissional. a partir da década de 1980. em curso de licenciatura. com os debates e os movimentos sociais. 2) Competências e habilidades do professor: o que dizem as Diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica. em seu Art. implica abertura e reflexão sobre as ações educativas.de trabalhar? Claro que não! O compromisso com a aprendizagem não nos deixa abandonar o barco. 3) Educação a Distância: uma estratégia de formação docente. de graduação plena. com a publicação do Decreto n. foi instituído que os cursos normais superiores passariam também a ser responsáveis pela 27 Copyright © 2007. 62. que mesmo quase submerso ganha força a cada conquista de nossos alunos. nº 9394/96.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . "As mudanças curriculares e a prática Pedagógica" Primeiramente cabe destacar que.]”. esta lei estabelece. em universidades e institutos superiores de educação [. utopia que não poderia ser alcançada de maneira tão rápida. novas exigências e todos os aspectos legais da área. o que envolve a elaboração de novos processos de formação. que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Então. será dividida em quatro momentos: 1) Formação de professores pós-LDB. e 4) Educação inclusiva e a formação de professores. que “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. o que significa ser professor? Ser professor significa ser capaz de ressignificar o seu conhecimento e a sua experiência em cada contexto pedagógico em que se insere. foi intensificado o processo de formação docente. Os estímulos e a valorização podem ser escassos. Entretanto.º 3276/99. Em decorrência.

visto que exige um projeto amplo para ser compartilhado por todos os futuros docentes da licenciatura. diretrizes e referenciais para formação de professores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o estatuto social e as condições de trabalho dos professores”. porém. Resumidamente. 1).4%” (Agência Brasil. o Ministério da Educação formulou e implementou um conjunto de políticas relacionado à formação continuada. p. 2004). No período de 1995 e 1999. como registra o relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI.formação dos docentes da educação básica. Outro marco é o Parecer CNE/CEB nº 03/2003. Apesar de toda mudança ocorrida nos últimos anos no que se referem à formação dos professores. 2007. Os dados do Censo 2006 também ajudam a pensar em que ponto está a formação de professores exigida no país. a formação. considerando que. 28 Copyright © 2007. A partir de 2001. principalmente nas escolas das áreas rurais (que são quase metade das mais de 200 mil escolas públicas brasileiras). foram elaborados parâmetros curriculares. p. que implicava pensar no currículo dos cursos de formação de professores da educação básica com um diferencial. ao Banco Mundial e a outros órgãos financiadores da educação brasileira. 1) para melhorar a qualidade da educação é essencial “melhorar o recrutamento. organizada pela UNESCO (1999. alguns dados divulgados recentemente pela Agência Brasil apontam para uma questão crucial sobre a área. não apenas direcionado aos cursos de Pedagogia. enquanto na cidade esse número aumenta para 56. O diploma. resultados notórios sobre a ampliação dos números de professores qualificados. continua sendo exigido para os que dão aulas para alunos da 5ª à 8ª série e para o ensino médio. cujo percentual de professores sem a formação exigida pela lei é ainda alarmante: “apenas 21% dos profissionais que dão aula de 1ª a 4ª série nas escolas rurais têm graduação. Tais ações ocorreram de modo a ampliar os espaços de formação e mostrar. no período de 1995 a 2002. de modo que os professores possam “responder ao que deles se espera”. a política focalizou as diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica em nível superior (AGUIAR. com foco nas séries iniciais do ensino fundamental. que aponta uma contradição na LDB e dispõe que os professores da educação infantil e da primeira etapa do fundamental precisam apenas do curso normal em nível de ensino médio para exercer o magistério.

curso de nível médio. programa de formação inicial dos professores que não possuem a habilitação legal necessária. É desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Básica. da solidariedade humana e da promoção e inclusão social. Pró-Letramento . junto às instituições de ensino superior (IES) públicas. a distância. Construindo valores na escola e na sociedade. trabalha práticas pedagógicas que conduzam à consagração da liberdade. a sociedade e os professores. Proinfantil. programa na modalidade a distância que busca a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. todos passam a recriar alternativas de ação político-pedagógica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 29 Copyright © 2007. na modalidade Normal. que tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior. Pró-Licenciatura. da convivência social. centros de pesquisa e desenvolvimento da educação. públicas e privadas sem fins lucrativos para realização de cursos de formação continuada para professores em exercício nas redes estaduais. da educação infantil ao ensino médio. cujo objetivo é contribuir para a melhoria da formação dos professores e dos alunos. num trabalho conjunto com as universidades. Um conjunto de ações de melhoria da qualidade do ensino. Programa Ética e cidadania. Atualmente. Destina-se aos professores da educação infantil em exercício nas creches e pré-escolas das redes públicas.Mobilização pela Qualidade da Educação. Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. fundamentalmente desenvolvido nas áreas de educação infantil e educação fundamental. de Educação a Distância e de Educação Superior do MEC. comunitárias e confessionais.Essa reestruturação influencia diretamente as escolas. o MEC desenvolve os seguintes programas para formação continuada de professores das redes públicas de educação: Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica.

como demonstram os dados. Nessa perspectiva. deixo algumas perguntas: como promover a formação do professor dentro das competências e habilidades exigidas para o profissional do século XXI? Se a formação pedagógica é relevante para o exercício docente. Todos esses programas visam auxiliar os estados e municípios a cumprir a legislação vigente para o exercício da profissão docente. História. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Física. estamos ainda distantes da realidade almejada. Geografia e Língua Portuguesa e Língua Espanhola. Matemática. Entretanto.com a oferta de cursos de formação continuada para professores nas áreas de Química. a teoria ou a prática? (Publicado em 30 de outubro de 2007) 30 Copyright © 2007. que expectativas o profissional tem sobre sua natureza e formas de operacionalização? O que tem maior destaque na formação. Biologia.

discutindo alguns autores sobre este tema. é conhecida sua influência sobre as teorizações de autores e autoras mais diretamente ligados ao desenvolvimento de perspectivas mais propriamente curriculares. Parece evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização especifica sobre currículo. Na verdade. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. Em sua obra. Silva (2005) se volta para os dois livros de Paulo Freire: Educação como prática da liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970). que ele considera como melhor representante do pensamento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Além disso. busca em Paulo Freire uma análise comparativa dos currículos. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. Paulo Freire desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo. Nesse texto. trazer para o estudo trechos do texto “Pedagogia do Oprimido versus Pedagogia dos Conteúdos” (2005 p. Em sua preocupação com a questão epistemológica fundamental ("o que significa conhecer?"). Educação como prática da liberdade está ainda 31 Copyright © 2007. ele discute questões que estão relacionadas com aquelas que comumente estão associadas com teorias mais propriamente curriculares. entretanto. Daí. em responder à questão curricular fundamental: "o que ensinar?". mas quando adentramos na teoria do currículo. 57-63). pelo qual ele iria se tornar internacionalmente conhecido e reconhecido. que em seu livro “Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo”.U NIDADE 6 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Pode-se dizer que seu esforço de teorização consiste. como ocorre com outras teorias pedagógicas. é o livro Pedagogia do Oprimido. fazse necessário rever o tema na perspectiva do Tomaz Tadeu da Silva. ao menos em parte. Vamos discutir as ideias de Paulo Freire.

Em seu primeiro livro. diferentemente daquelas teorizações. uma crítica à escola tradicional. do marxismo humanista de Erich Fromm. "desenvolvimento". Está implícita na análise de Freire. os elementos propriamente pedagógicos do pensamento de Freire estão aí pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicada a uma análise da formação social brasileira. as críticas sociológicas da educação tomam como base a estrutura e o funcionamento da educação institucionalizada nos países desenvolvidos. O foco está. em aspectos fundamentais. Freire adia a transformação da educação formal para depois da revolução. mas sua preocupação está voltada para o desenvolvimento da educação de adultos em países subordinados na ordem mundial. difere. por sua vez. Em segundo lugar. das outras teorizações que iriam constituir as bases de uma teoria educacional crítica (Althusser. Bowles e Gintis). a centralidade do conceito de "desenvolvimento" é deslocada pelo de "revolução".muito ligado ao pensamento da chamada "ideologia do desenvolvimento" que caracterizava o pensamento de esquerda da época. muito menos na dominação como um reflexo das relações econômicas e muito mais na dinâmica própria do processo de dominação. Na verdade. No segundo. Bourdieu e Passeron. Em primeiro lugar. Pedagogia do Oprimido. aqui. sua análise deve muito mais à filosofia do que à sociologia e à economia política. Além disso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em Pedagogia do Oprimido. Já a análise que Freire faz do processo de dominação em Pedagogia do Oprimido está baseada numa dialética hegeliana das relações entre senhor e servo. Fanon). por outro lado. da fenomenologia existencialista e cristã e de críticos do processo de dominação colonial (Memmi. ampliada e modificada pela leitura do "primeiro Marx". Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utilizados por Freire 32 Copyright © 2007. precisamente. a palavra-chave é. É verdade que a análise que Freire faz da formação social brasileira na primeira parte de Educação como prática da liberdade é profundamente histórica e sociológica.

como faz Freire em Pedagogia do Oprimido e em livros posteriores. bem como as críticas à escola tradicional feitas pelos ideólogos da "Escola Nova". o educador exerce sempre um papel ativo. "fé nos homens". narrativo. "esperança" ou "humildade".em sua análise estão claramente ausentes de análises mais estruturalistas da educação. mas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser. o conhecimento expresso no currículo tradicional está profundamente desligado da situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer. na medida em que ele não se limita a analisar como são a educação e a pedagogia existentes. oco. o livro de Bowles e Gintis. O conhecimento se confunde com um ato de depósito . Nessa concepção. sugere uma análise da escola na sociedade capitalista estadunidense. de "amor". Não se pode imaginar Althusser ou Bourdieu e Passeron falando. A educação bancária expressa uma visão epistemológica que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem simplesmente transferidos do professor para o aluno. A crítica de Freire ao currículo existente está sintetizada no conceito de "educação bancária". Na concepção bancária da educação. e o de Baudelot e Establet propõese. 33 Copyright © 2007. Finalmente.bancário. claramente. enquanto o educando está limitado a uma recepção passiva. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a analisar a "escola capitalista na França". Essas diferenças refletem-se inclusive nos títulos dos respectivos livros: enquanto o de Freire ressalta o termo "pedagogia". Refletindo aqui a crítica mais cientificista ligada à "ideologia do desenvolvimento". a teorização de Freire é claramente pedagógica. Na sua ênfase excessiva num verbalismo vazio. por exemplo. Freire ataca o caráter verbalista. o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. dissertativo do currículo tradicional.

um conhecimento do mundo. de ignorância. Em vez disso. o educando é concebido em termos de falta. na medida em que apenas o educador exerce algum papel ativo relativo ao conhecimento. educador e educandos criam. já em Pedagogia do Oprimido. O currículo e a pedagogia se resumem ao papel de preenchimento daquela carência.o objeto a ser conhecido não é simplesmente "comunicado". Na base dessa "educação problematizadora" está uma compreensão radicalmente diferente do que significa "conhecer". intersubjetividade. conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa. a perspectiva de Freire é claramente fenomenológica. o ato pedagógico não consiste em simplesmente "comunicar o mundo". é sempre “intencionado”. todos os sujeitos estão ativamente envolvidos no ato de conhecimento. Se conhecer é uma questão de depósito e acumulação de informações e fatos. Para ele. Conhecer envolve intercomunicação. o conhecimento. É sobre essas bases que Freire vai desenvolver seu famoso "método". para Freire. 34 Copyright © 2007. isto é. instruções detalhadas de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua concepção de "educação problematizadora". há aqui uma comunicação unilateral. de carência. ao invés disso. Aqui. está sempre dirigido para alguma coisa. Na educação bancária torna-se desnecessário o diálogo. Em vez do diálogo. Na perspectiva da educação problematizadora. relativamente àqueles fatos e àquelas informações. Ele não se limita a criticar o currículo implícito no conceito de "educação bancária". O mundo . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Utilizando o conceito fenomenológico de “intenção”. Freire fornece. Freire busca desenvolver uma concepção que possa se constituir numa alternativa à concepção bancária que ele critica. É essa intersubjetividade do conhecimento que permite a Freire conceber o ato pedagógico como um ato dialógico.Através do conceito de "educação problematizadora". Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece. dialogicamente.

entretanto. da necessidade do desenvolvimento de um currículo que esteja de acordo com sua concepção de educação e pedagogia. tais como "conteúdos" e "conteúdos programáticos". para falar sobre currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . expressões e conceitos bastante tradicionais. 35 Copyright © 2007. A diferença relativamente às perspectivas tradicionais de currículo está na forma como se constroem esses "conteúdos programáticos". Ele está bem consciente. neste livro.É curioso observar que Freire utiliza.

Tyler sugeria estudos sobre os aprendizes e sobre a vida ocupacional adulta bem como a opinião dos especialistas das diferentes disciplinas como fontes para o desenvolvimento de objetivos educacionais. por exemplo. é a própria experiência dos educandos que se torna a fonte primária de busca dos "temas significativos" ou "temas geradores" que vão constituir o "conteúdo programático" do currículo dos programas de educação de adultos. Contrariamente à representação que comumente se faz.U NIDADE 7 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Ao menos em Pedagogia do Oprimido. em seu "método". segundo Tomaz Tadeu Da Silva. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. com os métodos seguidos por modelos mais tradicionais. Na perspectiva de Freire. Freire não nega o papel dos especialistas que. ao final. 36 Copyright © 2007. o método sugerido por Paulo Freire. aos quais cabe. elaborar os "temas significativos" e fazer o que ele chama de "codificação". Pode-se comparar. Paulo Freire concede uma importância central. interdisciplinarmente. como o de Tyler. Vamos nesta unidade continuar com as reflexões sobre a percepção de Tomaz Tadeu da Silva sobre currículo. Paulo Freire acredita que o "conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tudo isso filtrado pela filosofia e pela psicologia educacionais. mas o "conteúdo" é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos. quanto dos educadores diretamente envolvidos nas atividades pedagógicas. mas a devolução organizada. ao papel tanto dos especialistas nas diversas disciplinas. devem organizar esses temas em unidades programáticas. os quais são também ativamente envolvidos nessa pesquisa. nesse aspecto.

ele fala em escolha do "conteúdo programático". Se Paulo Freire se antecipou. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como criação e produção humana. Mesmo que implicitamente. conjuntamente. constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. Esse conteúdo programático deve ser buscado. Ela não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. segundo Freire. naquela realidade. Essa ampliação do que constitui cultura permite que se veja a chamada "cultura popular" como um conhecimento que legitimamente deve fazer parte do currículo. O que ele destaca é a participação dos educandos nas várias etapas da construção deste "currículo programático". da música. do teatro. Embora Freire não desenvolva esse tema. pode-se dizer também que ele inicia o que se poderia chamar no presente contexto. Na concepção de cultura. da literatura. de uma pedagogia pós-colonialista ou. humanista. está baseado precisamente numa definição da cultura como o conjunto das obras de "excelência" produzidas no campo das artes visuais.sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou em forma desestruturada". antecipando-se à influência posterior dos Estudos Culturais. de uma perspectiva pós-colonialista sobre currículo. apaga as fronteiras entre cultura erudita e cultura popular. naquele mundo que. entre “alta” e “baixa” cultura. clássico. o currículo tradicional. essa crítica do conceito de cultura permite a Paulo Freire desenvolver uma perspectiva curricular que. à definição cultural do currículo que iria caracterizar depois a influência dos estudos culturais sobre os estudos curriculares. não se faz uma distinção entre cultura erudita e cultura popular. 37 Copyright © 2007. que deve ser feita em conjunto pelo educador e pelos educandos. quem sabe. Numa operação visivelmente curricular. O desenvolvimento dessa noção de cultura tem importantes implicações curriculares. que denominou de educação de grupos dominantes por um longo tempo. de certa forma.

Ao se concentrar na perspectiva de grupos dominados em países da América Latina e. desenvolvida. Saviani não pretendia estar elaborando propriamente uma teoria do currículo. desenvolvida por Demerval Saviani. na pedagogia e no currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . depois. sobretudo nos estudos literários. Numa era em que o tema do "multiculturalismo" ganha tanta centralidade. Saviani faz uma nítida separação entre educação e política. Em oposição a Paulo Freire. pela chamada "pedagogia histórico-crítica" ou "pedagogia crítico-social dos conteúdos". busca problematizar as relações de poder entre os países que. se tornar centrais à teoria pós-colonialista. A educação torna-se política apenas na medida em que ela permite que as 38 Copyright © 2007. na situação anterior. claramente pós-colonialista. A perspectiva de Freire era. sobretudo em sua insistência no posicionamento epistemologicamente privilegiado dos grupos dominados: por estarem em posição dominada na estrutura que divide a sociedade entre dominantes e dominados. Tal como Freire. sobretudo da forma como se manifesta em sua literatura. esses grupos tinham um conhecimento da dominação que os grupos dominantes não podiam ter. a perspectiva pós-colonialista. alguns dos temas que iriam. já em Pedagogia do Oprimido. mais tarde. Essa perspectiva procura privilegiar a perspectiva epistemológica dos povos dominados. O predomínio de Paulo Freire no campo educacional brasileiro seria contestado. Para ele. mas sua teorização focaliza questões que pertencem legitimamente ao campo dos estudos curriculares.Como se sabe. eram colonizadores e aqueles que eram colonizados. no início dos anos 80. Paulo Freire antecipa. essa dimensão da obra de Paulo Freire pode talvez servir de inspiração para o desenvolvimento de um currículo pós-colonialista que responda às novas condições de dominação que caracterizam a "nova ordem mundial". nos países que se tornavam independentes do domínio português. uma prática educacional que não consiga se distinguir da política perde sua especificidade.

a tarefa de uma pedagogia crítica consiste em transmitir aqueles conhecimentos universais que são considerados como patrimônio da humanidade e não dos grupos sociais que deles se apropriaram. Diante da corrupção . mas os métodos de sua aquisição. Essa ligação limita-se. Há. Saviani critica tanto as pedagogias ativas mais liberais quanto a pedagogia libertadora freireana por enfatizarem não a aquisição do conhecimento. entretanto.classes subordinadas se apropriem do conhecimento que ela transmite como um instrumento cultural que será utilizado na luta política mais ampla. PERGUNTAS:1. uma evidente ligação entre conhecimento e poder. Nesse sentido a pedagogia de Saviani aparece como a única. violência e tensão racial. para Saviani. na teorização de Saviani. a deixar de ver qualquer conexão intrínseca entre conhecimento e poder. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Assista O FILME: ESCRITORES DA LIBERDADE ( 2007). a professora luta para que a sala de aula faça diferença na vida dos estudantes. a enfatizar o papel do conhecimento do poder das classes subordinadas.História inspiradora envolvendo adolescentes criados no meio da violência e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria.O que fez os alunos começarem a buscar a paz e não mais a violência? Por quê? 39 Copyright © 2007.O que fez a professora cativar a atenção dos alunos? 2. Assim. dentre as pedagogias críticas.

.. daí ser preciso revisitar o conceito e as teorias sobre o currículo oculto. do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente. explícito. de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (. contribuem.) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes. Currículo oculto “O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que. como Ação do Cotidiano da Escola. Diferenciar o Currículo Oculto. comportamentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .. sem fazer parte do currículo oficial." (SILVA. Vale perguntar.. como forma de desocultar o currículo oculto: Quais questões uma teoria do currículo buscaria responder? Currículo oculto – conceito e teorias. 40 Copyright © 2007. p 78).U NIDADE 8 Objetivo: Identificar o currículo oculto nas práticas pedagógicas dos profissionais da educação.. Currículo Oculto Caros alunos! Discutir concepção de currículo passa pela questão de “ler e ver” nas entrelinhas. valores e orientações. 2001.

foi Philip Jackson. tem um duplo currículo.A primeira pessoa a utilizar a expressão “currículo oculto”. Mas. 41 Copyright © 2007. escrever. a explícita e formal. é anterior. um educador americano. e a implícita e informal. Logo a ideia é de que o currículo escolar é concretizado de duas maneiras. a origem da noção de currículo oculto. mas todos concordam que as escolas não ensinam os alunos apenas a “ler. calcular. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . entre outros conteúdos”. Segundo Giroux. mas que elas são também agentes de socialização e sendo um espaço social. o explícito e formal. e o oculto e informal. em seu livro Life in Classrroms (1968) para referir-se às “características estruturais da sala de aula que contribuíam para o processo de socialização”. todas as discussões em torno do papel implícito e explícito da escolarização chegam a diferentes conclusões. pois temos em 1938 John Dewey referindo-se a uma “aprendizagem colateral” de atitudes que ocorre de modo simultâneo ao currículo explícito.

Mesmo que não diretamente relacionada à escola. o currículo oculto está junto com as normas de comportamento social como as de concepções de conhecimentos. no qual há uma intenção oculta. eram as relações sociais na escola. Isto é. a noção de "currículo oculto" exerceu uma forte e estranha atração em quase todas as perspectivas críticas iniciais sobre currículo. o sistema.O currículo oculto é geralmente associado às mensagens de natureza afetiva. apontavam de certa forma. para uma noção que tinha características similares às que eram atribuídas ao "currículo oculto". o currículo oculto pode estar sendo utilizado na relação pedagógica sem que o professor perceba. gestos e práticas corporais do que através de manifestações verbais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A ideologia. por exemplo. nessa definição expressava-se mais através de rituais. porém não é possível separar os efeitos destas mensagens das de natureza cognitiva. como atitudes e valores. Ele está oculto para o estudante. Como lembramos.). Aqui. Ele utiliza a sua experiência para transmitir o conteúdo da disciplina e esta experiência é uma forma de currículo oculto. As teorias do currículo oculto É sabido que embora não constitua propriamente uma teoria. que é conhecida por quem a ocultou (o professor. A ideologia e os aparelhos ideológicos de estado. Althusser fornecia uma definição de ideologia que destacava sua dimensão prática e material. A noção de currículo oculto estava implícita. que são ligadas às experiências didáticas. "Aprendia-se" a 42 Copyright © 2007. que eram responsáveis pela socialização de crianças e jovens nas normas e atitudes necessárias para uma boa adaptação às exigências do trabalho capitalista. através do "principio da correspondência". Assim. a noção de ideologia desenvolvida por Althusser na segunda parte de seu famoso ensaio. na análise que Bowles e Gintis fizeram da escola capitalista americana. etc. mais do que seu conteúdo explícito.

De que forma ele é possível de ser aplicado dentro de sala de aula? Apresente por escrito . Consultar. Mas é claro que o conceito de currículo oculto se estendeu para muito além desses exemplos. discutir e analisar o currículo oculto implica na possibilidade de termos consciência de algo que está oculto e desocultá-lo. Atividade Dissertativa O currículo apresenta no seu escopo ideologias e crenças. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .answers.yahoo. sendo utilizado por praticamente toda perspectiva crítica de currículo em seu período inicial.ideologia através dessas práticas: uma definição que se aproxima bastante da definição de currículo oculto. o importante desse estudo é saber o que fazer com um currículo oculto quando o encontramos. Mas. conhecer. 43 Copyright © 2007. tornando-o mais eficaz e com possibilidade de mudanças. Na teorização de Bernstein. A teorização crítica. é através da estrutura do currículo e da pedagogia que se aprendem os códigos de classe. http://br.com/question/index?qid=20070514064926AAvRosq. por exemplo. em no máximo 25 linhas o perfil do educador com proposta demistificadora do currículo.

quando eles perguntam: 44 Copyright © 2007.U NIDADE 9 Objetivo: Analisar a concepção de currículo multiculturalista O Currículo Multiculturalista e a Educação No mundo atual. P. Utilizamos o texto e imagem de Fernandes & Mota (2007) para refletir sobre as ideias do currículo multicultural. a globalização da cultura. As necessidades sociais e culturais são outras. “no plano cultural. viabilizada pelo desenvolvimento espantoso dos diferentes meios de comunicação. p. O público escolar mudou. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da região. da cidade.30). ameaça a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais” (1997. do país. deparamo-nos com uma nova ordem mundial .rapidez nas comunicações devido à sofisticação da tecnologia acessa a informações. da nação. A globalização ocupou o espaço do bairro. Segundo Lucíola Licínio C. Santos. ao mesmo tempo em que cria grupos de identidades tão importantes para o consumo. etc.

Os autores defendem o multiculturalismo como atitude de resistência e propõem como alternativa a um sistema curricular ultrapassado Foto: monumento em homenagem ao índio incendiado O que é um currículo multiculturalista Santos (2004) nos conta que um currículo multiculturalista implica em questões como diferença e identidade. o multiculturalismo tem como origem as reivindicações dos grupos dominados e por outro lado. A educação brasileira não promove a tolerância como deveria. tomamos o multiculturalismo como um discurso que. ao transcender os campos da Antropologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Todavia. Aqui. lançando o foco reivindicações que antes eram 45 Copyright © 2007."Que coisa estranha. de matar gente”. ganha o discurso da política. é visto como uma solução para os “problemas” colocados à sociedade dominante. sua essência é visceralmente ambígua: de um lado. brincar de matar índio.

pacífico.  promover contatos interculturais.legadas ao descaso. em contrapartida àqueles validados pelo cânon da cultura dominante. o discurso sobre o multiculturalismo crítico. E. entende que a diversidade não pode ser um fim em si mesma: ela deve estar entrelaçada à justiça social. partindo-se do princípio de que toda e qualquer cultura apresenta pontos fortes e fracos. repetindo Santos (2004. A aceitação passiva de se acrescentar pontos de dada cultura em um discurso homogeneizador. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . p. para refletir sobre “as formas pelas quais a diferença é produzida por relações sociais de assimetria”. Neste caso. em detrimento à homogeneização gestada à lógica do capital excludente.ichs. (consultar em http://www. Antes. o multiculturalismo se apóia em uma ideologia que entende a diversidade numa perspectiva de mobilização política. não se coaduna com os interesses do multiculturalismo crítico. é imprescindível alterar o cânon curricular. como base das relações sociais democráticas. uma atitude “multiculturalista crítica” rejeita a apropriação de seu discurso: luta por seu espaço de representação. um currículo multicultural deve atender algumas expectativas:  preocupar-se em desfazer preconceitos e estereótipos. “o multiculturalismo nos faz lembrar que a igualdade não pode ser obtida simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico”. e nenhuma está em posição de superioridade em relação à outra.ufop. Neste sentido.htm). Por isso.br/perspectivas/anais/GT0507.  privilegiar a diversidade cultural. 46 Copyright © 2007. querendo participar de diálogos interculturais. com a aceitação do diferente e do diverso. 90).  difundir e conhecer saberes diversos.

A Ciência spenceriana – é uma adaptação do empirismo de Isaac Newton e do racionalismo de René Descartes. Psicologia e teoria educacional. que leva à busca de novas maneiras de pensar e agir em todos os campos de empreendimento humano. 47 Copyright © 2007. social e educacional norte-americano durante sete ou oito décadas deste século. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . temos a Ciência como uma das obsessões dominantes.U NIDADE 10 Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. O paradigma moderno foi construído sobre o pensamento intelectual. Como povo. “Pós-modernismo significa coisas diferentes para pessoas diferentes” afirma Willian Doll. Caracteriza o currículo imaginado de quatro Rs: Rico. Willian Doll. seus métodos na área intelectual dominaram – áreas da Filosofia. Existe um contraste fundamental entre os sistemas abertos e fechados da estrutura pós-moderna emergente. educador perceptivo. Tornou a América-do-norte uma região líder entre as áreas industriais do mundo. Doll apresenta sua visão de uma utopia de currículo “em que ninguém é dono da verdade e todos têm o direito de ser compreendidos”. realizou sonhos de uma vida mais folgada substituindo o trabalho pesado por máquinas. um paradigma. para a educação e o currículo.tornou-se para as Ciências Sociais. Relacional e Rigoroso de caráter aberto e experimental. Recursivo. então. e nem todos concordam com essa descrição. uma mudança de entendimento ampla e difundida. Currículo Científico O século XX é marcado por uma revolução intelectual e conceitual. aplicou essa estrutura de mudança à teoria do currículo.

paradoxal. aberta e transformativa. A estrutura pósmoderna é estrutural e simultaneamente. o trazer esses códigos aos remanescentes. Matemática.”. outro aspecto destacado por Toulmim. Ciência. numa visão do futur.. orientada segundo o Iluminismo_ desenvolvido nos últimos 300 ou 400 anos (Toulmin. as Ciências Sociais e a Teologia.. MODERNISMO E PÓS-MODERNISMO. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .(página 7) O pós-moderno presta atenção ao passado para. 1990). O pensamento pós-moderno invadiu as Artes. é preciso entender e fazer algumas distinções entre o modernismo e o pós-modernismo. O paradigma pós-moderno eventualmente se desenvolverá sobre a Ciência. “verdade” e “consistência.. dialética e desafiadora. 48 Copyright © 2007.. O pós-modernismo apresenta uma natureza eclética: Conforme Jencks (1987) diz. eleger aqueles aspectos do passado e do presente que parecem mais relevantes para a tarefa em questão. O pluralismo é o “ismo” da nossa época. Para entendermos o novo paradigma e as implicações do currículo. Humanidades. Avaliando o primeiro se tem uma compreensão melhor do último. o pós-modernismo é um movimento novo demais para definir a si mesmo e muito variado e dicotômico. Literatura. [Nós precisamos] escolher e combinar as tradições seletivamente. Uma Ciência contemporânea imbuída de criatividade e indeterminismo. Jencks diz ser uma mistura de princípios modernistas como “história”. Segundo Stephen Toulmin. Administração.O paradigma sobre o currículo e seus métodos é histórico _ produto de uma mentalidade específica ocidental. Filosofia.

moderno.Planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda é um dos desafios educacionais do modo pós-moderno. Visionários sociais do século XVIII. moderno e pós . Augusto Comte e outros viram nascer uma nova era – uma era industrial. esta cosmologia chegou ao fim. esta foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista. claro/escuro podiam ser concebidas e definidas somente em termos da união destes opostos. A parte mais importante desta visão. A contínua melhoria material das vidas de todas as pessoas era vistos nas visões do iluminismo e Industrial como objetivo alcançáveis. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta não uma visão fechada. Utilizando a ciência. Newton desenvolveu no final do século XVII esta nova cosmologia. tecnocrática. Durante os séculos XVI e XVII. dependia de um universo fechado. especialmente a Física e a Astronomia. é possível categorizar a história do pensamente ocidental em três metaparadigmas: prémoderno. PARADIGMA MODERNO: UMA VISÃO FECHADA. como estrutura organizadora. como Pierre Laplace. 49 Copyright © 2007. uma Metafísica e uma Cosmologia em que qualidades como bom/mau. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. liberalmente desenvolvido. o determinismo causa efeito matematicamente mensurado. em cima/embaixo. Eles acreditavam que a riqueza agora seria criada não pela guerra. e sim pela produção industrial. A realidade e a existência pessoal consistiam na luta ou equilíbrio entre estes opostos. Os gregos desenvolveram uma epistemologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Juan Ignácio et al.COLL. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . POZO. 50 Copyright © 2007. Os conteúdos na Reforma: Ensino e aprendizagem de conceitos. Porto Alegre: Artes Médicas. 2000. procedimentos e atitudes. César.

a virada do século realmente mostrou uma mudança de ênfase . “The Elimination of Waste in Education”. . Uma vez que nem sempre era possível chegar a um acordo sobre quais eram “as características” do “melhor” 51 Copyright © 2007.U NIDADE 11 Transforma o material bruto no produto para qual ele melhor se adapta. especialmente o currículo “cientifico”). 1986. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 269. -Bobbitt.Cubberley. Franklin Bobbitt (1918) via o currículo como centrando-se nos déficits ou nas “deficiências dos indivíduos” (página 45) . As nossas escolas são em certo sentido nas quais os produtos brutos (as crianças) são moldados e transformados em produtos que satistifaçam às várias demandas da vida. poderíamos inclusive dizer uma obsessão nacional. quer pessoais . quer sociais. Não obstante. e o currículo cientifico estava baseado na eficiência e na padronização. Currículo Científico Estas citações refletem quão completamente e o pensamento do industrialismo permeava o pensamento social e o currículo escolar. 1912. página 2). pág. Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. Aplicado à educação isso significa: educar o indivíduo de acordo com suas capacidades.que culturais. 1916.do professor (epitomizado na América rural do século XIX por Mark Hopkins sentado na extremidade de um tronco de árvore para o currículo. Public School Administration. página 338. O currículo tornou-se uma “preocupação nacional” (Kliebard.

Tyler fala sobre “uma filosofia educacional aceitável” (página 13).a competência: poderes que podiam tanto transformar quanto ser transformados. Nós definimos o bom ensino que resulta numa boa aprendizagem. Embora eles discordassem sobre as origens das capacidades de linguagem. Pelo contrário. Bobbitt considerou importante ir ao próprio local de trabalho e medir isso em termos científicos. não estou negando a observação de Hebert Kliebard (1986) de que o currículo norte-americano. A qualidade humana não é modelada ao igualarmos os sistemas vivos aos sistemas abertos ser humano significa ir além das estruturas biológicas e termodinâmicas. seguidas por avaliações para determinar se os objetos foram atingidos. e que mesmo nessas ideologias concorrentes havia uma obediência geral aos princípios da ciência modernista. A transmissão estrutura o nosso processo de ensino-aprendizagem. a seleção e organização das experiências para refletir esses objetivos. ambos deixaram de lado os déficits de desempenho para focar os poderes potenciais . Ao retratar o currículo escolar como envolto no manto da ciência modernista. poderes que podiam gerar outros poderes num ciclo evolutivo interminável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . eclético em natureza. Jean Piaget e Noam Chomsky também desenvolveram estudos diagnósticos das capacidades de linguagem. originou-se de um “compromisso não muito metódico” entre ideologias opostas (página 29). que deve agir como uma peneira na seleção de objetivos. ou “sobre o que constituí a eficiência social” (1918 página 51). transferido. A intencionalidade 52 Copyright © 2007. para que não sejam escolhidos objetivos inadequados. AS IDEIAS MODERNISTAS. Sobre currículo adotaram a versão fechada que significa através do foco o conhecimento é transmitido.trabalho. parecem enfatizar primeiramente a escolha dos objetivos. A predeterminação dos objetos. estou dizendo que essas ideologias tiveram um efeito maior no nível da retórica e do discurso do que no nível da atividade de sala de aula.

No entanto. resoluções definições. portanto devemos adotar uma visão aberta para termos uma perspectiva cosmológica e ecológica. a abertura humana contém seu próprio paradoxo. do sujeito/objeto. (pág 158) Assim as atividades complexas desenvolvidas pelo homem e a capacidades que eles possuem acima e além dos animais foram desprezadas ou negligenciadas.segundo o autor é uma parte importante do ser humano e parte da intencionalidade é o desejo e a ação relativos ao fechamento. biológico. mas local. Segundo o autor o discurso passado e recente sobre o currículo não prestou atenção à complexidade do pensamento humano e adotou o paradigma comportamentalista que J. autoorganização. esta integração é um processo vivo negociada. currículo/pessoa. não pré-ordenada e criada e nem descoberta. É a interação complexa entre abertura e fechamento em vários níveis. ao mesmo tempo o pós-modernismo busca uma integração eclética. (cap. mente/corpo.13) São essas capacidades (intencionalidades. Portanto. comunicação) que os educadores e curricularistas admitem que atualmente precisem ser desenvolvidas e que caracterizam a qualidade do ser humano. somos responsáveis pelo futuro dos outros e nosso.B Watson (1913) colocou “Não reconhece nenhuma linha divisória entre o homem e o animal”. pessoal e intelectual bem diferente. Aquelas capacidades que nas palavras de Jerome Bruner (1973) nos permite “ir além da informação dada”. Neste caso só há transformação se houver interação do indivíduo com o meio ou o objeto de transformação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Entretanto. (consciente. nós/outros. 53 Copyright © 2007. O pós-modernismo propõe uma visão social. molecular) essenciais para haver transformações. ela depende em parte de nós e nossas ações. professor/aluno. Esta visão contribuiu para um conceito curricular em que o treinamento em atividades pré-escolhidas substituiu o desenvolvimento da capacidade transformativa.

e faça a Atividade 1.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. no site da ESAB. no link “Atividades”. 54 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Nascido em 19 de setembro de 1921 de pais de classe média no Recife. Breve Biografia Do Educador Paulo Freire Sabemos que não é possível falar de educação sem ter em mente as ideias do grande educador brasileiro. Paulo Freire. voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. faz-se necessário conhecer um pouquinho de sua trajetória histórica: quem foi e o que fez. tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica.U NIDADE 12 Objetivo: Conhecer o educador Paulo Freire e suas contribuições para a educação. Brasil. uma experiência que o levaria a se preocupar com os pobres e o ajudaria a construir seu método particular de ensino . e mundialmente aclamado. Paulo Freire conheceu a pobreza e a fome durante a depressão de 1929. Paulo Reglus Neves Freire educador brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. Portanto. 55 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial.

Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, ele nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor, numa escola do antigo segundo grau ensinando a língua portuguesa. Em 1944, ele se casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho. Os dois trabalharam juntos pelo resto de suas vidas e tiveram cinco filhos. Em 1946, Freire foi indicado Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres, Freire começou a se envolver com um movimento não ortodoxo chamado Teologia da Libertação. Uma vez que era necessário que o pobre soubesse ler e escrever para que tivesse o direito de votar nas eleições presidenciais. Em 1961, ele foi indicado para diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, e em 1962 ele teve sua primeira oportunidade para uma aplicação significante de suas teorias, quando ele ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em apenas 45 dias. Em resposta a esse experimento, o Governo Brasileiro aprovou a criação de centenas de círculos de cultura ao redor do país. Em 1964, o golpe militar extinguiu este esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida ele passou por um breve exílio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, Freire publicou seu primeiro livro, Educação como prática da liberdade. O livro foi bem recebido, e Freire foi convidado a ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969. No ano anterior, ele escrevera seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, o qual foi traduzido para vários idomas como o espanhol, o inglês em 1970, e até o Hebraico em 1981. Por ocasião da crise política entre a ditadura militar que governava o Brasil e o socialista-cristão Paulo Freire, o livro não foi publicado no Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo de liberalização cultural.
56 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Depois de um ano em Cambridge, Freire se mudou para Geneva, Suíça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial de Igrejas. Durante este tempo Freire atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente Guinea Bissau e Moçambique. Em 1979, ele já podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Freire se filiou ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi indicado Secretário de Educação para São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias sobre educação popular. O instituto mantém os arquivos de Paulo Freire. Freire morreu de ataque cardíaco em 2 de maio de 1997 às 6h53 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

57 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Paulo Freire http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=YzURD6CgVs4 www.paulofreire.org (INSTITUTO PAULO FREIRE) www.paulofreire.ufpb.br (BIBLIOTECA PAULO FREIRE) www.pucsp.br/paulofreire (CÁTEDRA PAULO FREIRE)

58 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

a terra”. com a finalidade de suscitar o espírito de pesquisador e. segundo Paulo Freire. Nessa perspectiva. A pesquisa se faz importante também. os rios. incluímos aqui o resumo do livro “Pedagogia da Autonomia”. A Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou as gentes. consequentemente de professor reflexivo. os mares. pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando. rigorosamente curiosos. E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. humildes e persistentes.U NIDADE 13 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. Sabemos que o educador democrático trabalha com os educandos. a natureza. Algumas Reflexões Sobre A Educação. Assim. na perspectiva de Paulo Freire. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognoscíveis. exigindo a presença de educadores e educandos criativos. investigadores e inquietos. todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tem necessidade de buscar sempre novas e melhores formas de educar. 59 Copyright © 2007. o professor de jovens e adultos. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. muito mais que de outras modalidades.

como: simplicidade. 60 Copyright © 2007. bom senso (ética em geral) e esperança. conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. valorizando a curiosidade dos educandos e educadores. além de educar.O livro é uma obra que apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos. porém nem sempre adotados pela sociedade atual. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno. mas. dos veículos de comunicação de massa. Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas. Como eixo norteador de sua prática pedagógica. Agindo em favor de uma sociedade mais justa e igualitária. mantendo-se assim o status quo. estará formando para um futuro melhor. principalmente. atentando para a necessidade de formação ética dos educadores. que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos. É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos. Enfatiza alguns aspectos primordiais. condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais. de uma formação crítica e consciente dos estudantes que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Alguns postulados apresentados no livro Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócioeducativo. através. sobretudo com as de baixa renda. humanismo. já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais. é que esta obra se faz imprescindível. valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade. pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado.

sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada. pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. que pensa. faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo. sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza. Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro. se comunica e que dá sugestões. em suas socializações com os outros e com o professor. a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho". temos consciência de que somos inacabados. que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la. sem questionamentos. essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e. Segundo o autor. que tem sonhos. que critica. que opina. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos. estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação. ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções. dessa maneira. e esta consciência é que nos instiga 61 Copyright © 2007. que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos. Para Freire. Defende ainda que a teoria deva ser adequada à prática cotidiana do professor. de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social. Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto.Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção[2]. porque ensinar não é transferir conhecimento. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social.

Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética. enfim. julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária. Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo. pronto e inalterável. O bom senso requer que sejamos coerentes. Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado. No capítulo Ensinar é uma especificidade humana. tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade. 62 Copyright © 2007. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância. portanto a autoavaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica. intuição. o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática. sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças. diminuindo a distância entre o discurso e a prática. senso investigativo. Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade. O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .a pesquisar. acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados. pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação. autoridade e competência no decorrer de sua prática docente. passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história. perceber criticamente e modificar o que está condicionado. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento. sua capacidade de ir além. pois ensinar exige humildade. mas no alvoroço dos inquietos. mas não determinado. centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade. O educador não deve barrar a curiosidade do aluno.

juntamente com o esclarecimento político dos educadores. A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos. construindo e redescobrindo estes saberes. considerando que fomos programados mais para aprender e por consequência para ensinar. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas. intervir e conhecer. político. mas dando significados. a nosso ver. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. expressando a afetividade. uma vez que o mesmo por si só já direciona o educador para a prática educativa amorosa e portanto. Para Freire. demonstra que Paulo Freire escreve e discursa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . buscando a qualidade. tem como objetivo refletir um pouco mais sobre as concepções educacionais. tendo na educação um instrumento de libertação. O educador como um ser histórico. acima de tudo. É com a mais brilhante 63 Copyright © 2007. pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos. neste livro. para que o educando construa assim a sua autonomia. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam às vezes de maneira sutil. crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. O propósito de resgatar as ideias de Freire. O educador deve saber escutar. dos quais a educação também faz parte. A reflexão sobre as palavras do texto. ensinar exige querer bem aos educandos. pois ameaçam confundir a curiosidade.Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica. porém de uma formação científica séria. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo. com amor pelo que faz. é o significado do ensinar. isto é. mostra que o prazer e o amor são os primeiros ingredientes para a transformação da sociedade. e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos. pensante. não obstante transmitindo saberes. no livro. Deve procurar mostrar o que pensa. além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos.

o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. Enfim. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale à pena. É a mensagem de que para ensinar precisamos. no-econômico e no político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõem de meios financeiros para obter cultura e informação.vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. antes de qualquer coisa. da importância de se poder fazer a diferença no sistema social. 64 Copyright © 2007. ambos crescem como seres humanos. ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. onde ambos aprendem ambos adquirem e sanam dúvidas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

. 65 Copyright © 2007. Dentre as mais comuns. abaixo: Escolha um pequeno grupo de crianças. ”e “partir dos conhecimentos dos educandos. vizinhos ou seus alunos (se for o caso). Justifique sua escolha.. Situem as características deste grupo num determinado período do desenvolvimento e busque estabelecer as relações entre os diferentes aspectos do desenvolvimento (afetivo.. ‘troca: o professor aprende com o aluno. ir além”. Que tal aplicar os conhecimentos sobre as teorias do desenvolvimento realizando a atividade de pesquisa e prática. temos: “na sala de aula todos são iguais”. físico e social). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Qual desses equívocos se identifica com a premissa “educandos e educadores são diferentes e é bom que o sejam. intelectual. todos em idade de educação infantil. pode ser parentes. mas não são desiguais”..Sabe-se que as contribuições de Paulo Freire sofreram inadequações quanto suas interpretações.

PEDAGOGIA DIALÓGICA Paulo Freire foi. Nutre-se de amor. Outra virtude: a tolerância. não somente enquanto indivíduos. na perspectiva de Paulo Freire. “É preciso ter a coragem de nos experimentarmos democraticamente”. 66 Copyright © 2007.U NIDADE 14 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. fé e confiança.  Consciência articulada com a práxis. Algumas Reflexões sobre a Educação.  Conscientização. esperança. humildade. Uma Pedagogia para a Libertação. mas também enquanto expressão de uma prática social. que é a “virtude de conviver com o diferente para poder brigar com o antagônico”. segundo Paulo Freire. sem dúvida alguma. um educador humanista e militante. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Diálogo é relação horizontal.  Movimento de massas. Sua concepção de educação parte sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto. Outra virtude fundamental é escutar as urgências e opções do educando. Essa primeira virtude do diálogo consiste no respeito aos educandos. Entende que educação é processo de:  Diálogo crítico.

Tem um método dialético de pensar. não separa teoria e prática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . “Ninguém liberta ninguém. econômicas e sociais que condicionam a vida humana. portanto.  O educador é o sujeito do processo. os que não sabem.Para Freire. 67 Copyright © 2007. definindo-se a partir dessa perspectiva as exigências psicológicas. jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela. uma exigência existencial. o “saber” é uma doação. O diálogo é.  O educador é o que pensa e os educandos. A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. enquanto os educandos são meros objetos. educação é um processo de humanização. entre oprimidos e opressores. NA CONCEPÇÃO PROBLEMATIZADORA: Funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos. históricas. que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EDUCAÇÃO PROBLEMATIZADORA Na concepção bancária (Burguesa):  O educador é o que sabe e os educados. aos que nada sabem. Humanismo: Doutrina filosófica que tem no homem o valor supremo. dos que se julgam sábios. A educação torna-se um ato de depositar (como nos bancos).

expressa pela dominação política e pela exploração econômica a que é submetido. Freire acha que é muito mais cômodo. para um educador. mas uma postura de quem deve dirigir os trabalhados e um estudo sério. mas desumaniza. 68 Copyright © 2007. porque a prepotência não exige competência ou respeito e dispensa explicações. Propõe a recepção passiva de um conhecimento empacotado. Respeitar o aluno não significa deixá-lo na ingenuidade. o ato de conhecimento na relação educativa. a fazer uma nova leitura de sua realidade. afirmou ele. mas também não pode abandoná-lo à própria sorte. jamais chama os educados a pensar. O educador libertador convida os educandos a um pensar crítico e reflexivo da realidade. Significa assumir sua ingenuidade com ele. para ultrapassá-la. Essa diretividade não é uma posição de quem comanda para fazer uma coisa ou outra. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o saber mais importante. O PAPEL DIRETIVO DO EDUCADOR Paulo Freire não desconsiderava o papel diretivo e informativo da educação. O professor autoritário não humaniza.Paulo Freire refere-se à categoria diálogo não apenas como método. O educador revolucionário. ser autoritário. daí a necessidade de elaborar uma nova teoria do conhecimento. Nessa nova teoria de conhecimento. mais necessário para a libertação do oprimido. é a tomada de consciência de sua própria situação de oprimido. mas como estratégia para respeitar o saber do aluno que chega à escola. não pode manipular os alunos.

seus problemas.Paulo Freire no contexto do pensamento pedagógico contemporâneo O pensamento de Paulo Freire pode ser relacionado com o de muitos educadores contemporâneos.  A aula não é o momento do depósito do conteúdo.  Provas e exames não são os únicos instrumentos de avaliação. com sentimentos e emoções. o trabalho cooperativo. à crença na possibilidade de os homens resolverem. Carl Rogers e a pedagogia centrada no aluno Freire não defendia o princípio da não diretividade como Rogers. eles próprios. desde que motivados interiormente para isso.  O aluno deve ser autor de sua aprendizagem. John Dewey e a Escola Nova O que a pedagogia de Paulo Freire aproveita do pensamento de Jonh Dewey é a ideia de aprender fazendo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a relação entre teoria e prática. O método de Paulo Freire procura aproximar a figura do professor. Educação é vida! 69 Copyright © 2007. mas existem pontos em comum como:  Respeito à liberdade de expressão individual. A educação deve ter uma visão do aluno como pessoa inteira. que no ensino tradicional encontra-se distante do aluno. o método de iniciar o trabalho educativo pela fala (linguagem) dos alunos.

70 Copyright © 2007. Através das palavras. A linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções.Vygotsky e os educadores revolucionários soviéticos Em época e lugares diferentes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . abstrações e outras formas do pensar. Freire se concentra no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e na análise da linguagem. os seres humanos formulam generalizações. ambos perceberam a necessidade de associar a conquista da palavra à conquista da história. A humildade. Enquanto Vygostsky enfoca a dinâmica psicológica. a simplicidade e o otimismo são também características comuns aos dois educadores.

buscando superá-las. a sua relação com o conhecimento. As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ANÁLISE COMPARATIVA DE REFERENCIAIS EDUCACIONAIS A análise de referenciais sobre abordagens trabalhadas na educação tem como objetivo relembrar o caro cursista que como educador é muito importante termos bem definido nossa concepção educacional. A percepção sobre o ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o ambiente de sala de aula.U NIDADE 15 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). Parafraseando Paulo Freire. diante do mundo e seu pensar sobre educação. possibilitador de novas atitudes paradigmáticas. digo que não é o uso de recursos educacionais que me faz um educador transformador. vai definir sua atitude. como possibilidade ou não de reconstrução do conhecimento. A nomenclatura sobre estas duas concepções pode sofrer variação. mas devemos ter como embasamento o seu núcleo de abordagem e de pensar sobre a educação. mas a relação que 71 Copyright © 2007. O quadro síntese que lhes é apresentado anuncia de forma clara e com propriedade sobre a Visão Tradicional e Novo Paradigma na Educação. Pois este parâmetro definirá nossas ações pedagógicas e relações interpessoais desenvolvidas no binômio professor – aluno. metodologia de trabalho. a postura do professor. A aceitação por uma determinada abordagem pedagógica também será baliza para a forma como praticamos a avaliação e o olhar sobre o erro.

ENSINO EDUCAÇÃO Ação. EDUCADOR informações. o aprender a conviver. mas pela concepção de aprendizagem. É estimulador de um ambiente plural. do fragmentada conhecimento. o transmitir aprender a fazer. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . numa relação dialógica do saber. SALA DE AULA Espaço ensino. Quando sou aquela que ensina e aprende com seu aluno. processo de aprendizagem. gerenciada de pelo Enfatiza o aprender a conhecer. 72 Copyright © 2007. quando me percebo ensinante a aprendente. multidimensional. o aprender a ser. ALUNO APRENDIZ Elemento passivo no Centro de referência agente e da autor ação do processo de ensino.estabeleço do conhecimento com o meu aluno. físico destinado AMBIENTE DE APRENDIZAGEM ao Não está delimitado por espaço físico. instrutor. Quadro-Síntese Visão Tradicional VALORES/PERCEPÇÕES Novo Paradigma VALORES/PERCEPÇÕES Visão mecanicista e Visão sistêmica do conhecimento. INSTRUTOR Foco do processo de ensino. educacional.

CONTEÚDOS Currículo disciplinas predeterminado, isoladas ou

CONTEÚDOS com Processo temas significativa

integrado do

de

construção

conhecimento,

fragmentados.

interdisciplinaridade.

Visão Tradicional
OBJETIVOS

Novo Paradigma
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Comportamentais função de

e

com Desenvolvimento

de

conhecimentos,,

controle

do habilidades e atitudes apropriadas para

professor sobre o conteúdo a realização de um propósito. ministrado.
MEIOS MEIOS

Servem pessoas.

para

treinar

as Desenvolvem formas sofisticadas de comunicação multidimensional e

sensorial que facilitam a aprendizagem.
RESULTADOS RESULTADOS

Alcance dos objetivos que Demonstração podem ser mensurados.

do

alcance

de

competência nas dimensões aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

73 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

DA PRÁTICA INSTRUCIONAL À PRÁXIS EDUCACIONAL Contextos: político,

econômico, social, científico, cultural, tecnológico.

(Direcionam um novo olhar sobre as práticas educacionais.) Educação Tradicional – paradigma de separação sujeito e objeto  fragmenta o conhecimento e suas estruturas. Educadores séc. XXI – fundamentados na nova visão do mundo  globalidade e atuação como integradores conhecimento e problemáticas contemporâneas. As formas de olhar e de representar a realidade definem um arcabouço conceitual  sujeitos / objetos
Referenciais para uma nova práxis educacional

 teoria cognitivista  teoria humanista  teoria sóciocrítica. O foco das três teorias:  o pensar crítico;  o pensar criativo;  a aplicação dos conhecimentos.
Fusão- aprender a conviver e aprender a ser  relações interpessoais.

74 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

U

NIDADE

16

Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor), buscando superá-las. Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002. 1-QUANTO À DIMENSÃO: APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER Objetivo pedagógico: é o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico, com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento, ou seja, – aprender a conhecer e a pensar. (SAI)-_apresenta atitude de investigação e organização do conhecimento É o desenvolvimento de habilidades e procedimentos que levam o indivíduo a aprender a conhecer,... na escola, em museus e bibliotecas,... através das mídias e em ambientes fora da escola desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano, de seu saber e de suas aptidões, como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors, 1996:8). DESENVOLVIMENTO DO APRENDER A CONHECER Aprender a conhecer: interpretação da realidade – conceitos, princípios, fatos, proposições e teorias – visão global contextualizada. Prática tradicional: plano de curso – aula – conteúdo  temas  subtemas  divisão de tempo – transmissão de informação. Paradigma: construção do conhecimento e transferência para a vida cotidiana.“... modernidade educativa é a didática do aprender a conhecer, ou do saber pensar...”

75 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Enfoque indutivo: ideias particulares  conceitos  universal. original.  paradoxos. 1993) Pensar crítico:  comparação.  metáforas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  interrogações divergentes. Metodologias e estratégias devem priorizar o pensamento reflexivo (questionar. ATUAÇÃO DO PROFESSOR: METODOLOGIA Atua como mediador entre o saber sistematizado e as condições lógicas do aprendiz. Pensar criativo:  tempestade de ideias. criticar) para autorealização pessoal e social.  argumentação. posicionarse. 76 Copyright © 2007. Em relação aos conteúdos Enfoque dedutivo: ideias gerais  conclusão  particular.  análise.(Pedro Demo.  solução criativa de problemas.  pensar próprio.  classificação. atuar.  imaginação.

análise. É transpor o conhecimento para a vida. discutido  alternativas. EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO:  experiências de aprendizagem – crítica.  organização do pensamento – realidade-meio. posicionamentos. por meio de capacidades. de seu saber e de suas aptidões. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  integração com o meio e com o outro. Aprendizagem – ocorre com produção de mudança em ações. APRENDER A FAZER Objetivo pedagógico: estimular a transformação da teoria em ação. Está ligada (para-sai) à questão da formação profissional. Educar para o êxito / habilidades e destrezas. produzindo desta forma.Enfoque reflexivo / Criador: atividade intelectual  problema  avaliado. Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? …desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano. Neste processo a pessoa acrescenta saberes pessoais e contextualiza o conhecimento. 77 Copyright © 2007. 1996:8). novos paradigmas. habilidades e atitudes. Desenvolvimento do aprender a fazer: O aprender a fazer é a habilidade de usar o conhecimento de maneira original em situações específicas. aplicação do conhecimento em uma prática refletida e planejada. indissociáveis. Aprender a conhecer e aprender a fazer são. como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors.

com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento. de conviver e ser criativo. onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. Esta dimensão refere-se à evolução da pessoa e a sua maneira de ser e de se autoconduzir. precisam aprender a viver em grupo. 2000) Desenvolvimento do aprender a ser / conviver Consciência individual e social  fortalecer a reflexão. aprende a conhecer o outro e se conhecer através do outro.DIMENSÃO APRENDER A SER / APRENDER A CONVIVER Objetivo pedagógico: estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades individuais – cognitivas. (Cortelazzo. mais efetivo e aprende a ser em relação ao outro.  Aprender a viver juntos envolve as relações interpessoais  sinergia  solução de conflitos  respeito ao outro. É o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico. Isto é.. de ser pessoa. se as pessoas que aí vivem.. torna-se mais produtivo. ou seja. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . aprender a conhecer a pensar. Homem uno e singular e ao mesmo tempo múltiplo e complexo  conceitos de interdependência e inter relacionamento entre os seres. Princípio unidade / diversidade. fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que. o aluno tem sua autoestima aumentada . DIMENSÃO APRENDER A SER Desenvolvendo suas habilidades e competências específicas de forma colaborativa no projeto. 78 Copyright © 2007. APRENDER A CONVIVER POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada. portanto.

psicodramas.Indicadores do processo de desenvolvimento da dimensão ser / conviver: Autoconceito  a imagem. juízos. analogias. mas possibilitar vivências. o conceito que uma pessoa tem de si reflete-se na formação de inferências. 79 Copyright © 2007. PENSAR CRIATIVO Estimular o pensamento criativo não significa ensinar criatividade (disciplina). exercício da fluência de ideias e cultivo do pensamento divergente e inovador. descrições sobre os outros e si mesmos. Conviver / Dinâmica grupal – aprimora o processo de crescimento psicológico e de tomada de consciência subjetiva. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ex: Técnicas: tempestade de ideias. sentimentos.

As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas. nascido na França em 1904 e falecido em 1990. Skinner afirma ainda que o fracasso dos professores esteja na negligência do método. foi autor de importantes trabalhos sobre a aprendizagem e o ensino programado. Jean Piaget. Firmado como um dos principais behavioristas. Em 1995. autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento PIAGET e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética. doutorou-se em Harvard (1931). suas principais obras são sobre o behaviorismo e o mito da liberdade. lecionou nas Universidades de Minnesota e de Indiana. psicólogo norte-americano.U NIDADE 17 Burrhus Frederic Skinner. Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. governado por estímulos do meio externo. Skinner afirma que o nosso comportamento só pode ser explicado mediante um rígido determinismo. afirma que o homem é um ser manipulável. psicólogo e biólogo suíço. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Acredita na aprendizagem por consequências recompensadas e pelo Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). buscando superá-las. Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais. a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau. no processo de aprendizagem que consiste Skinner na formação de uma associação entre um estímulo e uma resposta aprendida através da contiguidade. respectivamente. em Genebra. BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS condicionamento clássico. funda o Centro de Estudos de Epistemologia 80 Copyright © 2007. nascido em 1896 e falecido em 1980.

afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sem mascarações. sem ostentar uma simples aparência no contato com os alunos. foi professor de Psicologia na Universidade de Chicago e secretário executivo do Centro de Aconselhamento Terapêutico. O professor deve depositar no aluno confiança. Rogers diz que para facilitação da aprendizagem. e suas aplicações à educação e a outros campos. psicólogo norte-americano. onde passou a ser diretor. e esta relação deve ser aberta. impede a formação de inteligências inventivas. verdadeira. onde as habilidades como a linguagem e o desenho são Piaget desenvolvidos. fez uma exposição geral do seu método não diretivo. Em 1945. O terceiro período de dá dos 11 aos 15 anos. a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. onde também transpôs para a educação sua concepção terapêutica. o facilitador Rogers (professor) deve ser uma pessoa real. apreço. lecionou na Universidade de Rochester. O segundo período se dá dos 7 aos 11 anos. Rogers acredita que os seres humanos têm natural potencialidade de aprender. quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo. o mesmo acredita que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar é relacionada com seus 81 Copyright © 2007. elaborou e definiu seu método de terapia centrada no cliente. onde se especializou em problemas infantis.Genética. crédito. de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento. Piaget critica severamente à escola tradicional. críticas e pensadoras. o primeiro período se dá dos 2 aos 7 anos de idade. a criança começa a pensar logicamente. Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. formou-se na Universidade de Colúmbia. Nascido em 1902 e falecido em 1987.

Em 1961. Em 1970.próprios objetivos. criou a IDAC (Instituto de Paulo Freire Ação Cultural). Em 1963. Entre 1957 e 1963 lecionou História e Filosofia da Educação. Retornando do exílio. do processo de mudança. Em 1964. a qual visa à formação da autonomia intelectual do cidadão para intervir sobre a realidade. na gestão da prefeita Luisa Erundina. Paulo Freire nascido em 1921 em Recife. Citamos como algumas de suas obras: “Educação como prática de Liberdade”. Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento. participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. o qual determinou sua prisão. Freire enfatizando a transformação da prática cria a categoria pedagógica da conscientização. aplicada à educação. junto a outros brasileiros exilados. e a mesma deve ter uma contínua abertura à experiência e à incorporação dentro de si mesmo. que assessorou diversos movimentos populares em vários locais do mundo. suas atividades são interrompidas com o Golpe Militar de 1964. “Vivendo e aprendendo”. Formou-se em Direito na Universidade de Recife. em Genebra. sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática e a teoria se inter-relacionam num processo de constante aperfeiçoamento. “Cartas à Guiné Bissau”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . “Pedagogia do Oprimido”. seu método ganha forma com o movimento de Cultura Popular de Recife. e falecido em 1997. do PT. “A importância do ato de ler”. 82 Copyright © 2007. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Freire continua com suas atividades e assume cargos em Universidades e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. após suas primeiras experiências com educação de trabalhadores.

como aumento de produção. exercício. são fatores desenvolvidos nesta teoria.PARALELO DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS Problemas resolvidos através de uma tecnologia do comportamento. coloca o indivíduo como transformador da realidade através de um trabalho de conscientização e politização. onde o progresso do indivíduo é limitado por si mesmo. Acredita que os seres humanos têm um potencial natural de aprender. ser uma pessoa. Para que haja interesse. experiências físicas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e o indivíduo aparece como produto do meio. o conteúdo deve ter valor para o aluno. Propôs quanto à questão do facilitador. a passividade de professores e alunos transmitirem e receberem um "conhecimento empacotado" o que 83 Copyright © 2007. Rogers afirma que é por meio de Rogers atos que se adquire uma aprendizagem mais significativa. A mesma apresenta também dimensões interacionistas. envolvendo seu cotidiano. criatividade e autoconfiança. Skinner Segundo Skinner o homem é um ser manipulável. critica os mecanismos de introjeção da Freire Ideologia dominante. equilibração. Acredita nas concepções tradicionais. Rogers valoriza a autocrítica. no papel estruturante do sujeito. Maturação. Suas teorias apresentam tendências construtivistas. governado por estímulos do meio externo. cujo objetivo baseia-se no condicionamento do ser humano. a autoapreciação. acreditando que estas ações contribuem para a autonomia. e a avaliação sobre outros olhares. e a mesma acontece quando o aluno participa deste processo. prática). o mesmo acredita na questão do reforço (treino. um professor real. Afirma que o educador deve assumir princípios e valores. cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. Engloba-se dentro de um pensamento pedagógico progressista. transmissões Piaget sociais e culturais.

PERFIL DO MODELO DE PROCESSO PEDAGÓGICO Propõe o conhecimento como algo que vem do exterior para o interior. as situações que produzirão o conhecimento. 84 Copyright © 2007. envolve a compreensão da realidade. acreditando que o indivíduo não devia ser alfabetizado Freire apenas para a leitura e escrita. Propõe liberdade para o indivíduo construir. como por exemplo: um prêmio para o vencedor. O aluno deve vivenciar a prática. o aluno tem liberdade de direcionar e conduzir o seu processo de aprendizagem.aumenta o índice de analfabetismo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O professor traz para suas aulas um modelo pronto. o qual se dá em etapas Piaget sucessivas. onde o aluno tem Skinner que repetir exatamente igual. E para que isso aconteça o professor usa estímulos. acreditando Rogers que o indivíduo tem dentro de si a capacidade de compreender os fatores de sua vida. e a criança o construirá. mas deveria ser proporcionada uma educação politizada. deve ser realizado dentro de um contexto social. onde alunos são objetos no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. Tem sua preocupação voltada para a alfabetização de jovens e adultos. De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo). superando as barreiras chamadas “mecanismos”. Freire afirma que o aprendizado da leitura e da escrita. os materiais devem ser concretos. considerando que a criança passa por todas as etapas. como um ato criador.

e buscava pela necessidade tentativas de experiências renovadoras de ensino. buscando superá-las. o qual apresentou Freinet um confronto entre a escola tradicional e a escola proposta por ele. Freinet afirmava a existência de uma dependência entre a escola e o meio social. e são necessárias técnicas construídas com base na experimentação e documentação. lutou na 1ª Guerra Mundial. onde o trabalho tinha posição central. Freinet é considerado como um grande crítico da escola tradicional. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS Nascido na França em 1896 e falecido em 1966. 85 Copyright © 2007. afirmando que esses instrumentos aprofundam o conhecimento e o desenvolvimento de sua ação. como metodologia. foi um dos educadores mais marcantes da escola fundamental de seu país. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sua principal obra foi o livro “Educação pelo trabalho”. De acordo com Freinet devem ser proporcionadas oportunidades para que se produza o conhecimento.U NIDADE 18 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor).

cabe ao professor organizar atividades. a mesma afirma que a criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica. orientada por Piaget. doutorou-se pela Universidade de Genebra. apesar de a criança construir seu próprio conhecimento.Emília Ferreiro. no México. os quais surgem da interação com a linguagem Ferreiro escrita.É pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional. e a alfabética onde a criança domina. foi professora em várias Universidades latino-americanas e européias. psicolinguística argentina. o valor das letras e sílabas. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita. Desenvolveu trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita. demonstrando a existência de mecanismos no sujeito que aprende. no que se refere à alfabetização. atribuindo o valor de sílaba a cada letra. transformando a escrita convencional e produzindo escritas estranhas ao adulto. pois as crianças não chegam na escola vazia. silábica onde a criança interpreta a letra à sua maneira. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Seus trabalhos e pesquisas demonstraram uma preocupação em integrar os objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e cultural. (SAI atualmente aos 62 anos) . As crianças interpretam o ensino que recebem. Ferreiro contribuiu para a compreensão do processo de aprendizagem. onde a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas. Para Ferreiro. 86 Copyright © 2007. e que emergem de uma forma muito particular em cada um dos sujeitos. silábico-alfabética. que favoreçam a reflexão sobre a escrita. De acordo com Ferreiro é preciso diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização. enfim. onde a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada. não existe um método com todos os passos predeterminados.

e no Brasil só início da década de 80. o colega de classe. Para Vygotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá. e atualmente seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo. no qual o mesmo é transformador dessas ações. afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. sobretudo pela interação social. 87 Copyright © 2007. o ideal é partir do que ela domina. pensamento e linguagem. que age sobre o mundo sempre em relações sociais. sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. onde o professor torna-se figura fundamental. sistemático de construção da humanidade. Este pensador teve uma produção intelectual intensa. Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60. que ocorre na interação com os adultos e os colegas. Construtor de propostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação. entendia o homem como um ser ativo. para ampliar seu conhecimento". e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. aos 37 anos de idade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . nascido em 1896 e falecido em 1934. também fez cursos de medicina. formado em Direito. É no processo de ensinoaprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo.Lev Semenovich Vigotsky. de origem belgo-russo. sendo a aprendizagem um processo essencialmente social. um parceiro importante na “Educação”. história e filosofia. De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas Vygotsky nas relações sociais que o homem mantém. Quanto ao conhecimento Vygotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador ir além do que ela pode aprender é ineficaz. Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético ( Karl Marx) para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista na Psicologia. E a educação como um processo social.

Processo aparecimen ações mútuas não avança educativo nunca to do entre o indivíduo e estímulo evoca a resposta. A relação entre o educador e o aluno é o meio. de forma direta da construção do 88 desenvolvimento da criança.A criança geradoras”. aprender que governado evolui por por estímulos do meio ambiente externo. . .O professor deve através da incentivar ao máximo o diálogo respeitar o nível de habilidade prospectiva e que não é porque não o aluno participa retrospectiva. Ferreiro afirma gem se dá iniciado por através do palavras tateio conhecidas pelos sobre a importância de respeitar o nível de desenvolviment o do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Aprendiza gem pensar o desenvolvime nto da criança de maneira Freire a pedagogia deveria ser flexível. até a maturidade intelectual.A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de relação de domínio crucial para ou de liberdade a aprendizag em. participativa e . Ferreiro coloca que os alunos nunca chegam à escola vazios. onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas aprendizage Ferreiro afirma m se dá sobre tudo pela interação social.Homem ser sozinha.E como Piaget.Importância de a educação .De acordo com entre os seres humanos. . entre mestres e alunos (identificando-se neste ponto com Copyright © 2007. sim uma ação cultural que resultaria numa será neutro.Processo de alfabetização Vigotsky -A Ferreiro .COMPARAÇÃO DE IDEIAS E PRINCIPAIS PONTOS DE SUPERAÇÃO Skinner -A Piaget . . Não pode ir além de da vida na escola. aprendizag Piaget é a pessoa em é a conexão entre o estímulo e a resposta e que o que constrói seu próprio conhecimento. manipulável. . . -A aprendizage m da criança inicia-se desde o seu1º dia de vida. mas .Como Vigotsky. experimen alunos “palavras tal.De acordo com Freinet -A aprendiza Freire . e é preciso diagnosticar seu grau de conhecimento antes de iniciar o processo de alfabetização.Como Piaget. -Homem é visto como um robô do meio em estágios.

- Freinet. consciência sociedade seu dos alunos. mas da livre compreender na condicionamentos. qual aprende através de palavras fora de um formam um Valorização contexto. onde o Desenvolvim ento é um processo acontece de conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo.O indivíduo não deve apenas aprender formar e controlada considera o pelo indivíduo como um situações onde o . nem deixá-las agir sozinha.que vive cuja natureza sua capacidade. - mestre e educador).Professores conhecimento é e colegas buscado e construído. cabe ao professor proporcionar Consideraç mesmo enfatiza a ão da realidade importância da interação entre comportame Superando em ntal é moldada. o ento ambiental. fora para dentro. 89 Copyright © 2007. . conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvime nto da criança. próprio papel. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que alunos estão inseridos. condicionam ser manipulável. manipulada todos os pontos as em que os teorias propostas por Skinner.

consistente e claro). quando ele apresenta dificuldade de expressão. O professor se coloca como único detentor do conhecimento. “esgotar o programa ou o livro didático adotado”. com uma passividade também frenética. “Seduzida por uma antiga paixão que é o ato de educar.no fundo. de saberes. o professor autoritário impõe um ritmo frenético à sua própria atividade e espera que os alunos absorvam. ela transforma-se numa tortura intelectual: o aluno tenta anotar o que houve e não entende o que está ouvindo. buscando superá-las. acompanhada de anotações mecânicas. é bom relembrar as características de tais concepções. como por exemplo. de revelações e ações” As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica Faz-se necessário refletir sobre as concepções educacionais e como essas se realizam e a partir daí. Assim. Como princípio fundamental. de um lado. cuja missão é repassar todas as informações. Didaticamente. pois não há tempo para que o aluno reflita sobre o que está anotando. Ocorre. a aula torna-se suportável. os procedimentos didáticos reduzem-se a exposição sem fim. Concepção autoritária Nesta concepção. de outro. trabalhar na perspectiva de uma profunda e efetiva transformação social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A maioria das aulas se transforma num ditado . Quando o professor tem boa verbalização (discurso coerente. os conhecimentos por ele demonstrados. a uma audição interminável. cópia de um texto oral.U NIDADE 19 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). todo o conteúdo. 90 Copyright © 2007. acredito que ensinar a ler e a escrever é mais que uma revolução. É o descortinamento de vida.

Aliás. referem-se ao curso como um todo (integração vertical). anteriores e posteriores. que pouco ou nada têm a ver com as demais séries. tudo o que foi dado em aula. não se ouve a trilha sonora nem se aprecia a beleza das imagens. mas nas distinções hierarquizadoras. Valendo-se de uma definição institucional da autoridade. além de não levarem em conta a realidade dos alunos e seus conhecimentos adquiridos em outros meios.especialmente daquele que. os professores autoritários continuam atendendo. No que diz respeito ao Relacionamento. um processo mais ou menos semelhante ao de alguém que assiste a um filme com legendas: "lê-se" o filme. Na verdade.formulam-se os planos de curso que. muito menos.então. muito mais às exigências fiscalizadoras dos órgãos intermediários. os alunos nem assistem às aulas. mesmo exigindo a aquisição do livro didático. É muito comum a angústia dos alunos. com a vida do aluno. a raiz da imposição. na maioria das vezes. muito menos. Nas famosas semanas de planejamento . do controle. reduzem-se a simples programas de série. são meros elencos sequenciais de conteúdos programáticos. uma denúncia da burocratização do ensino. expressa na ansiedade de anotarem até os suspiros do professor . ouvem-nas. objetivos e procedimentos e. do que às necessidades dos alunos. não leva os alunos a utilizá-Ia e cobra. Ainda que haja. Na maioria de nossas escolas. assistir às aulas já é uma expressão denotativa da cultura da passividade imposta ao discente. Raramente articulam conteúdos. nem. 91 Copyright © 2007. códigos próprios etc. passivamente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da preocupação com a hierarquia e a busca do consenso está na insegurança do professor. nas verificações da aprendizagem. dificuldades prérequisitais. O plano de curso apresenta-se como uma entidade autônoma de dependências internas (unidades-programa). generalizadamente.quase sempre anteriores aos primeiros contactos com os discentes . estabelece uma relação com os alunos cm que o respeito mútuo não se constrói no reconhecimento das diferenças igualitárias.

. toda sugestão. trabalho. seja ela qual for". Na concepção anárquica dá-se ênfase à aprendizagem. negociadas no próprio coletivo dos discentes. 22) certamente é a maior inspiração do que estamos denominando por concepção anárquica. Assim. deixando ao aluno o livre curso para as manifestações automotivadas ou. Na realidade. Neill (19970. p. A didática consiste em não usar qualquer didática. mas anárquicas. 92 Copyright © 2007. princípio fundamental da Escola de Summerhill. quando muito.] renunciar a toda disciplina. toda moral preconcebida... a indiferença quanto ao ambiente necessário à concentração e ao trabalho intelectual. como ocorre na maioria das vezes. numa espécie de democratismo confortável (para o educador). de deliberações doutrinárias. para que os alunos percebam os aperfeiçoamentos necessários. São os famosos estudos dirigidos sem direção. o ludismo inspirado no engodo de que só se aprende brincando. preconizando a abstenção dos educadores. dependendo de suas disposições individuais.Concepção anárquica "[. ao lado da passividade do educador (sua presença é necessária?). ou melhor. a substituição de docentes por discentes (sem a finalidade precípua de prepará-Ios para o magistério). ou o conflito. . ou.. na medida em que não é necessário grande empenho e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . manifesta-se uma grande atividade ou não dos educandos. essa verdadeira antipedagogia foi uma tentativa de aplicação dos princípios psicanalíticos a projeto escolar. a liberação de aulas sob a pressão dos mais fúteis motivos etc. como as primeiras. Nas escolas brasileiras não se observam às propostas anarquistas. de A. os inúmeros trabalhos exigidos dos alunos (que fazem meras colagens) e que nunca são corrigidos detalhadamente. de modo a viabilizar somente a satisfação dos desejos do educando. toda instrução religiosa. mas algo que dela se aproxima. muito menos. que não são fruto. sem qualquer constrangimento que pudesse causar traumas ou neuroses. Na permissividade gerada pela ausência de diretriz tudo é possível: ou o consenso. o dissenso generalizado. S. à autoaprendizagem.

Concepção democrática A concepção democrática (segundo GADOTTI & ROMÃO. isto é. axiomas. leis. os papéis são reconhecidos pelas competências específicas. sem hierarquizações dos atores escolares. juízos de fato. no sentido de ser instrumento eficiente e eficaz da transformação social. e as divergências (sempre presentes) não constituem mero exercício de esgrima intelectual ou uma disputa em si. a segunda volta-se para uma espécie de "correção progressiva dos dados da experiência e da reflexão". 2000) representa a síntese dialética (não eclética) entre as posições autoritárias e as anárquicas. 18). claramente explícitos. oportunidades de rompimento com fronteiras ortodoxamente estabelecidas. teorias. Partindo do princípio de que todo ser humano é capaz de aprender (e também de ensinar).”. sem que se respeitem às diferenças. verdades absolutas e universais. para cuja formulação contribuem todos os envolvidos no processo. p. pela mútua persuasão. p. busca-se a “ciência-processo”. modelos. Ao invés da preocupação com a “ciência-disciplina: conjunto de descrições. “a contínua elaboração. ritmos e histórias de vida próprios. a relação professor e aluno torna-se um processo de constante ensino e aprendizagem de mão dupla: os caminhos do ensino descortinam horizontes para a aprendizagem e esta revela instrumentos e mecanismos para o aperfeiçoamento do primeiro. O controle ou a permissividade são substituídos pela negociação. com fronteiras nitidamente definidas e grau crescente de complexidade. interpretações. Ninguém se impõe a ninguém. legitimadas pelas descobertas compartilhadas e pela racionalidade dos avanços. como dizia Goldmann (1978. ampliação e revisão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . neutralidade científica. postulados. isto é. como afirma Newton Freire Maia (1991. Enquanto a primeira está preocupada com as leis. Nessa concepção trabalha-se com objetivos. Não se forma o cidadão sem a Escola Cidadã. mas um espaço de respeito pelas diferenças. Sempre se oportunizam fora dos já consagrados modos 93 Copyright © 2007. metódica e sistematicamente. E só ela é capaz de resgatar a qualidade do trabalho escolar. perseguidos. 48)”. etc.

É a atitude ingênua mais frequente supor que cabe ao educador formar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . cosistematizador e coavaliador/avaliado. o saber. como provocado. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva.diferentes de se resolverem situações-problema (muitas vezes. incentivador. mas na descoberta progressiva dos papéis e funções diferenciados. trabalharão o tempo todo: o primeiro. ambos. colocando criticamente seu ponto de vista. Discuta com seus colegas sobre esta temática. professor e aluno. A segurança de todos não se estabelece em hierarquias previamente institucionalizadas ou pactuadas. plasmar o aluno (como se costuma dizer). como provocador. 94 Copyright © 2007. descobridor. Essas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. sistematizador e avaliador. E. o segundo. O educando como puro "objeto" da educação. com economia de energia e de tempo).

U NIDADE 20 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. consciência ingênua é aquela que . a autoconsciência (VIEIRA PINTO. Por isso julga-se um ponto de partida absoluto. acredita que suas ideias vêm dela mesma.por motivos que cabe à análise filosófica examinar . do sujeito. porém não chega a ser uma autoconsciência. porém não se identifica com a autoconsciência. Antes da discussão sobre as concepções da consciência ingênua e crítica. Não inclui a referência ao mundo objetivo como seu determinante fundamental.não inclui em sua representação da realidade exterior e de si mesma a compreensão das condições e determinantes que a fazem pensar tal como pensa. A concepção ingênua A concepção ingênua é aquela que procede de uma consciência ingênua. A realidade é apenas recebida ou enquadrada em um sistema de ideias que se cria por si mesmo. porque esta só existe quando a percepção do estado presente da consciência é acompanhada da ideia clara de todos seus determinantes. do mundo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua. A consciência ingênua pode refletir sobre si. e a representação mental de si. Assim. do objeto.. 2000). que tem como conceito a representação mental da realidade exterior. as ideias se originam das ideias. 95 Copyright © 2007. da totalidade da realidade objetiva que sobre ela influi (o que só ocorre com a consciência crítica). faz-se necessário resgatar a noção de consciência. E. isto é. uma origem incondicional. tomar-se a si mesmo como objeto de sua compreensão. A simples reflexão sobre si pode ser apenas introspecção.

histórico. torna-se verdadeiramente autoconsciência. material. todavia em relação ao adulto. o que implica compreender que o mundo objetivo é uma totalidade dentro da qual se encontra inserida. a consciência ingênua é sempre nociva. em particular. acompanhada da clara percepção dos condicionamentos objetivos que a fazem ter tal representação. portanto. Concebe-se segundo a categoria de processo. Não podem levar à completa e rápida solução dos problemas que considera. pois engendra as mais equivocadas ideias. nacional. Refere-se a si mesma sempre necessariamente no espaço e no tempo em que vive. no qual se encontra. Estes pertencem ao mundo real. que não são. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e sim pelo fato de perceber seu conteúdo acompanhado da representação de seus determinantes objetivos. de desperdício de recursos. em seu conteúdo ou aquilo que percebe em função das condições históricas e sociais de sua realidade. quando reflete sobre si (sobre seu conteúdo). pois está ligada a um mundo objetivo que é um processo e reflete em si esta objetividade nas mesmas condições lógicas que definem um processo. Noção falsa em relação à criança. social. não pelo simples fato de chegar a ser objeto para si. pois verdadeiras. uma consciência justificativa de si (em sua forma ou procedimento. Inclui necessariamente a referência à objetividade como origem de seu modo de ser. O educando como "ignorante" em sentido absoluto. É. e traduz-se em uma fonte de equívocos. por essência. do grau de desenvolvimento do processo nacional ao qual pertence). a linguagem na criança ou o 96 Copyright © 2007. A educação escolar sempre toma o educando já como portador de um acervo de conhecimentos (por exemplo. e muito mais. A concepção ingênua da educação No campo da educação. pois. histórica. de intentos frustrados. A consciência crítica.A consciência crítica A consciência crítica é a representação mental do mundo exterior e de si. que se traduzem em ações e juízos que não coincidem com a essência do processo real. A autoconsciência é.

E a atitude ingênua mais freqüente é supor que cabe ao educador formar. enquanto se relativiza esse mesmo conceito para as elites (a fim 97 Copyright © 2007. Para a consciência ingênua. isto é. plasmar o aluno (como se costuma dizer). o adulto a educar é absolutamente "ignorante". que é a sociedade. de um conjunto de noções. Estas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. de uma consciência sobre outra. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . etc. o meio onde vivem. níveis. que só pode ser educada. de acordo com determinado método. instruída. com os interesses do educador e com o mesmo ato de ser transmitida. Este conhecimento prévio é o resultado da prática social do homem (criança ou adulto) e de sua formação até o momento em que começar a receber educação institucionalizada. o significado e a valoração eminentemente sociais da educação. Supõe que o professor é apenas o transmissor de uma mensagem definitivamente escrita. o saber. A criança e o adulto vêm à escola já preparada (inclusive para desejar vir à escola) por outra escola geral. A principal nocividade desta atitude está em preceituar limites ao processo pedagógico. Esta ingenuidade é grave. A educação como transferência de um conhecimento finito. Esta ingenuidade se refere à noção de conteúdo e forma da educação. não é concebida como "ignorância de algo". O educando como puro "objeto" da educação. Absolutiza-se o conceito de "ignorante" para as classes populares. procedimento que parte do suposto direito de domínio. e que essa mensagem não se modifica com as condições de tempo e lugar.trabalho no adulto). Porém a noção de ignorância é tomada aqui em sentido abstrato. de algum conhecimento (sempre concreto). de consciência autônoma (para si). e por isso não reconhecem nele a dignidade de sujeito. A educação como dever moral da fração adulta. carreira. em dar caráter absoluto às divisões em graus. porque converte a educação em ato caritativo e transfere para o plano dos valores éticos (inteiramente alheios a este problema) a essência. em um diálogo esclarecedor e não em uma imposição de ideias. Concebem o educando como objeto. educada e dirigente da sociedade.

que é concretamente sabida por outro. que revela o caráter interessado da noção de ignorância: o homem do povo é ignorante porque não sabe alguma coisa. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula.de que os representantes dessa elite possam aparecer como não ignorantes). este outro ignora muitas coisas que o primeiro sabe. o caráter da ignorância é sempre relativo. no link “Atividades”. enquanto o membro da elite é culto porque sabe alguma coisa. Como. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e faça a Atividade 2 . A consciência ingênua necessita absolutizar a ignorância. o que só pode fazer convertendo-a em uma noção irreal. no site da ESAB. Um indivíduo não pode ignorar assim alguma coisa. Vê-se a duplicidade de critérios. 98 Copyright © 2007. porém.

historicidade (a educação como processo) e totalidade (a educação como ato social que implica o ambiente íntegro da existência humana.. em virtude de ser a única que é capaz de oferecer o conteúdo e o método mais eficaz para a instrução (alfabetização. A concepção crítica da educação A concepção crítica da educação procede segundo as categorias que definem o modo crítico de pensar. universidade) da criança e do adulto. posto que. O educando evidentemente não sabe aquilo que necessita aprender (ler e escrever). tendo em conta àquelas finalidades. pois conduz à mudança da situação do homem e da realidade à qual pertence. mas nem por isso pode ser considerado como um desconhecedor absoluto. É em verdade um homem culto. Particularmente há que mencionar as de: objetividade (caráter social do processo pedagógico). Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . escola secundária.U NIDADE 21 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. Alguns aspectos específicos da concepção crítica da educação: Primeiro aspecto . definidores desta última. não poderia sobreviver. se não fosse assim. É a única que está dotada da verdadeira funcionalidade e utilidade.o educando como sabedor e desconhecedor. no sentido objetivo (não idealista) do conceito de cultura. A concepção crítica é a antítese da ingênua e repudia os pontos de vista anteriormente expostos. o mundo e todos os fatores culturais e materiais que influem sobre ele). o país. concreticidade (caráter vital da educação como transformação do ser do homem). escolarização) tem que se fazer 99 Copyright © 2007. Sua instrução formal (alfabetização.

sempre partindo da base cultural que possui e que reflita o estado de desconhecimento (material e cultural) da sociedade à qual pertence. Aquilo que desconhece é o que até agora não teve necessidade de aprender, e se tem podido viver até agora como analfabeto é porque as condições de sua sociedade não exigiam dele o conhecimento da leitura e da escrita. Segundo aspecto - o educando é o "sujeito" da educação e nunca o objeto dela. Necessitase da ação do professor para se alfabetizar, instruir-se, isso não significa que seja o objeto "sobre o qual" o educador atua, e sim unicamente que é componente indispensável de um processo comum, aquele pelo qual a sociedade como um todo se desenvolve se educa, se constrói, pela interação de todos os indivíduos. A educação é um diálogo amistoso entre dois sujeitos. A rigor, deve-se dizer que a educação não tem objeto; e sim somente objetivo. É a sociedade que, em sua totalidade, se comporta como agente-paciente do processo educativo. Por consequência, a expressão teórica perfeita da natureza histórico-antropológica da educação resume-se nesta expressão: A sociedade educa. As concepções ingênuas da educação rebaixam o educando a condição de "objeto" e o levam a conceber-se a si mesmo como ser passivo, no qual o professor infunde o saber que possui. Este ponto de vista é:  moralmente insultante (pois ignora a dignidade própria do homem pelo simples fato de ser homem, não importando se é letrado ou não);  antropologicamente errôneo (pois ignora que o aluno é portador de uma cultura, de capacidade de pensar logicamente em função de seu contexto social);  psicologicamente esterilizante (pois desanima, inibe e impede os estímulos para a aprendizagem, uma vez que recusa ao alfabetizando sua capacidade de fazer-se instruído por si, como sujeito);

100 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

 pedagogicamente nocivo (pois deixa de aproveitar o saber do analfabeto como ponto de partida para o desenvolvimento de novos conhecimentos). Terceiro aspecto - a educação consiste em uma nova proporção entre conhecimento e desenvolvimento. Excluída a ideia ingênua de um princípio absoluto do saber no indivíduo que se educa (por exemplo, que se alfabetiza), a educação só pode consistir em dotá-Io de novos conhecimentos, que se irão somar ao que "já sabe, ou substituir as ideias erradas, ingênuas que possuía. É, portanto um novo balanço do saber, agora em um plano mais alto do processo cultural. Este caráter de proporção entre conhecimento e desconhecimento repete-se em todos os graus da educação, até nos mais altos (o universitário, a investigação mais avançada). A educação é uma aquisição retificadora, corretora do saber (da cultura) tornado inadequado, anacrônico, porque não corresponde mais ao grau de conhecimento de uma sociedade que passa a exigir mais do indivíduo (conquanto saber agora imprestável, não era errado para a etapa anterior, da qual se pretende que o educando se eleve). Crítica do conceito de "saber" Para a consciência ingênua, o saber se apresenta como um conjunto de conhecimentos absolutos, abstratos, a - históricos. É produto do espírito puro, sem relação causal de parte da realidade do mundo, ou somente com uma relação de tipo ocasional ou apriorista. O espírito por si só é capaz, em última análise, de engendrar e de justificar o saber. Para a consciência crítica, o saber é o produto da existência real, objetiva, concreta, material do homem em seu mundo (sendo este concebido como uma totalidade concreta em processo), imprimindo-se em seu espírito sob a forma de ideias ou pensamentos que se concatenam regularmente, logicamente. Os caracteres do saber, segundo a teoria crítica, são: Relativo – é o que uma cultura entende por saber, em uma de suas fases, deixa de sê-Ia em outra fase, ou não o é em outra cultura. Daí a ingenuidade radical do critério da tradição (por exemplo: a teoria heliocêntrica).
101 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Concreto - sempre aquilo que um determinado indivíduo ou uma sociedade (uma cultura) pode descobrir conhecer, criar ou imaginar, em função da etapa de seu processo de desenvolvimento, que lhe dá a possibilidade de constituir-se em consciência para si. Existencial - no sentido de ser constitutivo da realidade do indivíduo, e não algo adjetivo, externo, agregado por causalidade a seu ser. Como é a imagem do mundo material na consciência, pode-se dizer que o homem é o que sabe. Sendo um processo (temporal), sua etapa mais alta é aquela na qual o homem sabe o que é. Empírico - com este qualificativo quer dizer-se que o saber, direta ou indiretamente, deriva da experiência. Recusa-se assim qualquer origem inata ou a priori para as ideias. O homem em seu trato multimilenar com a natureza e com os outros homens, na sociedade, vai criando suas ideias e descobrindo as leis de acordo com as quais estas se combinam de maneira verdadeira, válida (isto é, verificável pela experiência, pela prática social). Racional - o saber é o produto da capacidade racional do homem, de sua razão, que é a faculdade intelectual (exclusiva do ser humano), de criar ideias e de enlaçá-las por procedimentos lógicos (indutivos, dedutivos, analógicos), denominados raciocínios, que se submetem a um critério de verdade. O saber é por natureza lógico. Porém este atributo não deve ser tomado em sentido absoluto e sim como relativo à etapa do processo social em que vive o indivíduo que enuncia uma proposição. Histórico - sendo o saber a manifestação intelectual da consciência, tem a mesma historicidade intrínseca desta. Toda valoração do saber é um dado do próprio saber e por isso é válida unicamente para a fase histórica em que é anunciada. É o saber constituído em cada momento do tempo histórico que engendra os novos conhecimentos. Mas, como estes são as modificações (a negação) do conhecimento anterior, o saber é simultaneamente o saber (em sua positividade atual) e não-saber, como certeza presente de sua inexatidão ou falsidade futura, identificados ambos na mesma unidade.

102 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

argumentando criticamente seu posicionamento sobre esta afirmativa.Não dogmático . 103 Copyright © 2007. assim.” Construa um texto de no mínimo uma lauda. transmitido. mas. Esta atitude não deve ser confundida com o ceticismo. seria um primata do mais baixo nível. ornamental. A cultura acumula em si o que é conservado. fica excluído o caráter contemplativo. e comporta normas e princípios de aquisição. aprendido. e. SILVA. Tem que ser entendida em seu autêntico caráter dialético. 1996. Reestruturação curricular: novos mapas culturais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sempre transformador da realidade. pois na essência de sua afirmação de si encontram-se a possibilidade e a necessidade de sua superação (por força de sua própria validez positiva) e a passagem a um conhecimento distinto. se não dispusesse plenamente da cultura. novas perspectivas educacionais. O saber crítico é. “O homem é um ser plenamente biológico.no sentido de que é sempre um conhecimento gerador de outro conhecimento. porém incorpora o saber anterior enquanto etapa necessária de sua gênese). Porto Alegre: Sulina. mais exato (que suprime. o probabilismo. Fecundo .por isso o saber é antidogmático por natureza. Luiz Eron da. o relativismo vulgar. Com isto. não prático do saber. mais alto.

ao mesmo tempo tradução e reconstrução. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída. O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. e o reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil. de sua visão do mundo e de seus princípios do conhecimento.AQUILES DO CONHECIMENTO A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor. porque o erro e a ilusão não se reconhecem. pelo déficit de emoção. A afetividade pode asfixiar o conhecimento. ou mesmo destruída. de teoria. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 1. Mas Marx nem Engels escaparam destes erros. comporta a interpretação. o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais. em algum grau. AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão.U NIDADE 22 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. por conseguinte. Marx e Engels enunciaram justamente em: A ideologia alemã que os homens sempre elaboraram falsas concepções de si próprios e do que fazem do mundo onde vivem. na visão do autor Edgar Morin. O CALCANHAR. ameaçado pelo erro e pela ilusão. sob forma da palavra. de ideia. 104 Copyright © 2007. mas pode também fortalecê-lo. Este conhecimento. é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e. está sujeito ao erro. O conhecimento.DE.

aberta por natureza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .A educação deve-se dedicar. A verdadeira racionalidade. mas autocrítica. o obscuro. imaginário e real. o subjetivo do objetivo. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto. a subjetividade. de amor e de arrependimento. Reconhece-se a verdadeira racionalidade pela capacidade de identificar suas insuficiências. dialoga com o real que lhe resiste. É não só crítica. o sono da vigília. ilusões e cegueiras. que a realidade comporta mistério. 105 Copyright © 2007. Os erros mentais: Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção. Negocia com a irracionalidade. O racionalismo que ignora os seres. o imaginário do real. A tendência a projetar sobre o outro a causa do mal faz com que cada um minta para si próprio. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica. Aos erros da razão: O que permite a distinção entre vigília e sonho. o irracionalizável. Os erros intelectuais: As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. a afetividade e a vida é irracional. Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio. por conseguinte. à identificação da origem de erros. é autor. sabe que a mente humana não poderia ser onisciente. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica. subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente. é o fruto do debate argumentado das ideias. e não a propriedade de um sistema de ideias. sem detectar esta mentira da qual. do determinismo e do mecanicismo. contudo.

O imprinting é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido. 106 Copyright © 2007.As cegueiras paradigmáticas: Os indivíduos conhecem. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro. e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. deveria ser relativizada e domesticada . POSSESSÃO. a seleção sociológica e cultural das ideias raramente obedece é sua verdade. primeiro com o selo da cultura familiar. Devemos manter uma luta crucial contra as ideias. A NOOLOGIA. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ser implacável na busca da verdade. Um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou cegar. mas somente podemos fazê-lo com a ajuda das ideias. pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles. ao contrário. da escolar em seguida. Uma ideia ou teoria não deveria ser simplesmente instrumentalizada. A rejeição de evidências em nome da evidência. O imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. Assim. Uma teoria deve ajudar a orientar estratégias cognitivas que são dirigidas por sujeitos humanos. revelar e ocultar. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO As doutrinas e ideologias dominantes dispõem. nem imporá seu veredicto do modo autoritário. depois prossegue na universidade ou na vida profissional. da força imperativa que traz a evidência aos convencidos e da força coercitiva que suscita o medo inibidor nos outros. igualmente. pode.

O dever principal da educação é de armar cada um para o combate vital para a lucidez. 2. psíquico. Necessitamos civilizar nossas teorias. reflexivas. A contextualização é condição essencial da eficácia. em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo.(O contexto SAI) . não. social. desenvolver nova geração de teorias abertas. ou seja. já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento.O INESPERADO E quando o inesperado se manifesta. o conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável. racionais. programática: é a questão fundamental da educação. autocríticas. aptas a se autoreformar. como o ser humano ou a sociedade. Tão pouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. críticas. unidades complexas. é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias. esta reforma é paradigmática e. a educação deverá torná-lo evidente . são multidimensionais dessa forma. Para que o conhecimento seja pertinente. o ser humano é o ao mesmo tempo biológico. 107 Copyright © 2007. Segundo Pascal Pensees é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo. OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE DA PERTINÊNCIA NO CONHECIMENTO Para articular e organizar os conhecimentos e assim conhecer e reconhecer os problemas do mundo é necessário a reforma do pensamento.O multidimensional. afetivo e racional. O global (as relações entre o todo e as partes). Entretanto. A INCERTEZA DO CONHECIMENTO De qualquer forma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

produziu nova cegueira para os problemas globais. OS PROBLEMAS ESSENCIAIS Quanto mais os problemas se tornam multidimensionais. é preciso conjugá-las. nem de análise pela síntese. técnicos e especialistas. 108 Copyright © 2007. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades. do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos naturais. de forma correlata. de modo multidimensional e dentro da concepção global. A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e. a inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. mais progride a incapacidade de pensar a crise. estimular o uso total da inteligência geral. quanto mais a crise progride. a educação deve promover a inteligência geral apta ao complexo. fundamentais e complexos. assim como ao enfraquecimento da solidariedade. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade.Em consequência. Ao mesmo tempo. maior é a incapacidade de pensar sua multimensionalidade. A falsa racionalidade O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico. e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões. mais eles se tornam impensáveis. ao contexto. assim como em todos os campos da técnica. Incapaz de considerar o contexto e o complexo planetário. mais os problemas se tornam planetários. As mentes formadas pelas disciplinas perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a começar por parte dos cientistas.

109 Copyright © 2007. Editora Cortez. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Os sete saberes necessários à educação do futuro. 1999.MORIN. Edgar.São Paulo.

bem como integrar a contribuição inestimável das humanidades. A cultura acumula em si o que é conservado. e comporta normas e princípios de aquisição. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Continuamos nesta unidade nossas reflexões sobre os conhecimentos que todo educador (do futuro) necessita ter para melhor desempenho em suas atividades profissionais. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 3-ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA Para a educação do futuro. na visão do autor Edgar Morin. transmitido. devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica. aprendido. dependemos vitalmente da biosfera terrestre. a poesia.. é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais.. Como seres vivos deste Planeta. não somente a filosofia e a história. mas. se não dispusesse plenamente da cultura. O HUMANO DO HUMANO Unidualidade O homem é um ser plenamente biológico.U NIDADE 23 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. O circuito cérebro/mente/cultura 110 Copyright © 2007. mas também a literatura. as artes. dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas. seria um primata do mais baixo nível. a fim de situar a condição humana no mundo.

Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. Sapiens/demens O século XX deverá abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens). constitui ele próprio um cosmo. que não existiria sem o cérebro. Todo ser. pelas atividades utilitárias (Homo economicus). caracteres antagonistas:  sapiens e demens (sábio e louco)  faber e ludens (trabalhador e lúdico)  empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)  economicus e consumans (econômico e consumidor)  prosaicus e poeticus (prosaico e poético) Homo complexus Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. traz em si o cosmo. Todo ser humano. em que cada um dos termos é necessário ao outro.Uma tríade em circuito entre cérebro/mente/cultura. tal como o ponto de um holograma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sua diversidade na unidade. O ser humano é complexo e traz em si. a multiplicidade do uno. 111 Copyright © 2007. A mente é o surgimento do cérebro que suscita a cultura. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. de modo bipolarizado. pela técnica (Homo faber). É preciso conceber a unidade do múltiplo. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas. mesmo aquele fechado na mais banal das vidas. pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus).

culturas. possuem os mesmos caracteres fundamentais de humanidade. negros. da informação. amarelos. Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro. destinos. O planeta não é um sistema global. as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade. índios. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo. A esperança Sendo verdade que o gênero humano. encontra-se no cerne dessa missão. que deve trabalhar na era planetária. E a educação. No jogo contraditório dos possíveis 112 Copyright © 2007. estamos submersos na complexidade do mundo.4-ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA Na era das telecomunicações. A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora. mas um turbilhão em movimento. da Internet. A ERA PLANETÁRIA A diáspora da humanidade não produziu nenhuma cisão genética: pigmeus. desprovido de centro organizador. para a identidade e a consciência terrenas. pode-se então vislumbrar para o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. brancos vêm da mesma espécie. fontes de inovação e de criação em todos os domínios. possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis. Mas ela levou à extraordinária diversidade de línguas. cuja dialógica cérebro/mente não está encerrada. mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora.

entre arquipélagos de certezas. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver. 6-ENSINAR A COMPREENSÃO 113 Copyright © 2007. permanentemente. a dividir. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas. compreender. Devemo-nos dedicar não só a dominar. O desafio e a estratégia O inesperado torna-se possível e se realiza. e é por isso que o problema da reforma do pensamento tornou-se vital. saibamos. o risco de ilusões e de erro. a comunicar. não mais somente pertencer a uma cultura. esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável. a comungar. pois.Aquilo que porta o pior perigo traz também as melhores esperanças: é a própria mente humana. mas a condicionar. viver. Pode-se. considerar ou calcular os efeitos em curto prazo de uma ação. O conhecimento é. mas também sermos terrenos. Precisamos doravante aprender a ser. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis. vimos com frequência que o improvável se realiza mais do que o provável. com certeza. 5-ENFRENTAR AS INCERTEZAS A INCERTEZA DO CONHECIMENTO. então.e por meio de – culturas singulares. dividir e comunicar como humanos do planeta Terra. A IDENTIDADE E A CONSCIÊNCIA TERRENA É necessário aprender a “estar aqui” no planeta. é o que se aprende somente nas . melhorar. uma aventura incerta que comporta em si mesma.

O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. educar para a compreensão humana é outra. Se soubermos compreender antes de condenar. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa. pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem. compreender. deve ser uma das finalidades da educação do futuro. E. provocada pela autojustificação. a causa de todos os males. O egocentrismo O egocentrismo cultiva a self-deception. 114 Copyright © 2007. tapeação de si mesmo. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto. Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. estaremos no caminho da humanização das relações humanas. A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. estrangeiro ou não. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes egosociocêntricas do que contra seus sintomas. abraçar junto. AS DUAS COMPREENSÕES Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. por este motivo. Por isso. Etnocentrismo e sociocentrismo O etnocentrismo e o sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano.

ÉTICA E CULTURA PLANETÁRIAS A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a compreensão. esta deve ser a tarefa da educação do futuro. 7-A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO O CIRCUITO INDIVÍDUO/SOCIEDADE: ENSINAR A DEMOCRACIA Na democracia. a política de civilização. o indivíduo é cidadão. 115 Copyright © 2007. a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e da responsabilidade.COMPREENSÃO. exprime desejos e interesses. O futuro da democracia A regeneração democrática supõe a regeneração do civismo. e reforma do pensamento. o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades. em todos os níveis educativos e em todas as idades. a antropo-ética. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. é responsável e solidário com sua cidade. pessoa jurídica e responsável. o verdadeiro humanismo. por um lado. ou seja. HUMANIDADE COMO DESTINO PLANETÁRIO Sós e em conjunto com a política do homem. por outro. da solidariedade intelectual e moral da humanidade. o desenvolvimento da antropo-ética. Dada a importância da educação para a compreensão.

organizações profissionais ou tradição passada) precisa ser também geral. cheio de focos que se interseccionam e uma rede relacionada de significados. o currículo concomitantemente é limitado. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . guias de currículo. este processo de desenvolvimento do currículo via reflexão recursiva (consequências das ações passadas como a problemática das ações vindouras) que determina as atitudes. Prigogine. implica dizer que professores e alunos precisam ser livres. das ideias e dos participantes) como centro do currículo. um problema ou uma alteração. Acrescenta propugnando que na medida em que é modelado à luz de uma matriz. de fato. Esse mesmo autor segue argumentando que. Portanto. 116 Copyright © 2007. processos. encorajados. a orientação geral de onde eles partem (livros didáticos. os valores e o senso de comunidades imprescindíveis à sociedade. CONSTRUINDO UMA MATRIZ DE CURRÍCULO. É. ampla e indeterminada.U NIDADE 24 Objetivo: Enfatizar a natureza construtiva e não linear de um currículo pós-moderno fundamentado nos pressupostos teóricos de Piaget. exatamente. advoga que um currículo construtivo emerge da ação e interação dos participantes. O raciocínio exposto é sequenciado através do debate sobre a autoorganização. obrigados a desenvolver seu próprio currículo numa interação conjunta uns com os outros. departamentos de educação estadual. Um sistema se autoorganiza quando há uma perturbação. 1949/1973 apud Doll) – que a perturbação desempenha para auxiliá-lo. autor da obra em estudo. Doll. Dewey e Bruner. usar o conceito de transformação (nesse caso específico dos materiais. Tal abordagem é apontada sob “múltiplos usos” e/ou “múltiplas perspectivas” (Stephen Gould: 1990 apud Doll) do currículo bem como do papel – “força positiva” (Bruner & Postman. Na perspectiva de um estudo construtivista e não linear de um currículo pós-moderno.

isto é. significa que o docente deve dedicar tempo para dialogar seriamente com os discentes a respeito das ideias “deles” como “ideias deles”. haja vista que a transformação está indubitavelmente associada a ele. oportuniza dedicada atenção às possíveis “anomalias” e/ou “erros” no decorrer do processo mencionado anteriormente. precisa conhecer bem o material estudado e ter confiança pessoal suficiente para ser capaz de resolver. interpretar. as questões de procedimento. Em outras palavras. “primeiro entre iguais”. metodologia e valores – permeados por um processo dialogal – são sempre decisões abrangendo os alunos. 117 Copyright © 2007. é imperativo para que o ecletismo e o foco polissêmico predominantes no pós-modernismo sejam empregados criativamente. que o controle e a autoridade são desenvolvidos internamente. analisar o material aduzido e simultaneamente de brincar com este material de maneira imaginativa e sutil. a primeira óptica. Nesse tocante. ao diálogo. professores. interpretações e perspectivas entrem em cena. por sua vez. costumes e tradições locais.Esta última óptica acentua que a perturbação só vai desencadear a autoorganização quando o meio ambiente for suficientemente rico e aberto para que múltiplos usos. Num currículo. Assim. fica óbvio. Àquela. no transcorrer do currículo. Este desenvolvimento comum. não um “ditador” de fora. Noutros termos. desempenhar. numa estrutura situacional – “estado de coisa local” – o educador é um “líder de dentro” e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Na referida estrutura. assim transformativo e pós-moderno. ou seja. A suposição pós-moderna aduzida propugna o diálogo como condição sine qua non de todo o processo. o papel do professor (autoridade) é definido a partir do “prima interpares”. Afinal. o aluno. desenvolver o novo papel explicitado é um desafio que os educadores e seus programas de educação necessitam enfrentar. para William.

mas também a partir da ação conforme argumentara Dewey – os planos surgem da ação e são alterados também através da ação. faz-se necessário numa construção de currículo à interação entre a metáfora (geradora de diálogo. planos e propósitos não emergem apenas antes. como docentes. para o homem é de suma relevância determinar.Para a viabilidade do que está sendo discutido. a iniciar uma comunicação com o texto. um currículo fundamentado em infinitos padrões dentro de parâmetros estabelecidos é uma estrutura curricular cada vez mais rica. é natural que se dê ênfase à capacidade que o ser humano tem de planejar intencionalmente. Em outros termos. com mais focos. interação num processo dinâmico de (re) construção. vivenciar e avaliar objetivos. Essa integração possibilita a vida ser experienciada e desenvolvida. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . desafia o leitor a interpretar. uma história encoraja. Prosseguindo com a ideia de um currículo de cunhos pedagógico e epistemológico interativos. pois é criativa consequentemente aberta/heurística e nos ajuda a ver o que não vemos) e a lógica (fechada/excludente nos auxilia a ver com mais evidência aquilo que já vemos). planos e propósitos. inter-relações emergindo e sendo geradas. Assim. Nesse sistema são originados parâmetros ou limites e uma infinidade de relações dentro desses parâmetros. Nesse contexto dialogal. Assim. necessitamos aduzir as nossas lições de modo suficientemente narrativo para encorajar os nossos educandos a explorar conosco as possibilidades oriundas do diálogo com o texto. 118 Copyright © 2007. Na suposição apontada por Júnior – uma estrutura curricular que se apropria dos conceitos de autoorganização e transformação – os objetivos. Arraigada à movimentação supracitada está a suposição de um “sistema aberto/transformativo" por estar sempre em fluxo. uma vez que a realidade é constituída por antíteses. conforme discurso do próprio Doll. redes.

indagadoras. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Subjacente ao aspecto notabilizado está à avaliação interativa funcionando como um “feedback” do processo iterativo de fazer-criticar-fazer-criticar. A Matemática apropria-se de sua riqueza ao “brincar com padrões”. Sendo assim. perturbações e possibilidades intrínsecas a um currículo que o torna rico e transformador. 119 Copyright © 2007. Recursão. escrita. concepções essenciais e vocabulários peculiares. os quatro “Rs” – Riqueza. é preciso que sejam estabelecidas comunidades sociais dinâmicas. Alicerçados por essa comunidade destinada a ajudar todos os sujeitos por meio da crítica e do diálogo estão os critérios norteadores de um currículo de caráter transformador pósmodernista. A Linguagem – incluso leitura. mitos. “comprovadoras” referentes ao mundo em que vivemos. isto é. Nesse tocante. A Ciência – anexando à biológica e a física – pode ser encarada sob a óptica de hipóteses intuitivas. Riqueza – corresponde à profundidade do currículo. desenvolventes. Logo. literatura e comunicação oral – exerce sua riqueza ao centrar-se intensamente (porém não de modo excludente) na interpretação de metáforas. Isso implica dizer que são as problemáticas. Entretanto. para que isso ocorra. a suas camadas de significado consequentemente a suas múltiplas possibilidades ou interpretações. Relações e Rigor. cada uma delas interpretará a riqueza à luz de seu próprio prisma. é relevante acentuar que as principais disciplinas acadêmicas ministradas nas escolas possuem seus próprios contextos históricos. cuja função é auxiliar o indivíduo através de críticas construtivas que possam contribuir para o desenvolvimento de poderes intelectuais e sociais. a linguagem está irrefutavelmente acoplada à cultura. narrativas.

é oportuno notabilizar que o conceito de desenvolver riqueza via diálogo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 120 Copyright © 2007. professores – observem. geração e comprovação de hipóteses e do brincar com padrões pode ser aplicado sobre todos os aspectos de um currículo. critiquem. ou seja. Por possuir uma estrutura aberta. Isto posto. combinar. As relações pedagógicas consistem em relacionar o que está sendo ensinado com a realidade experimentada pelo educando. Cabe à reflexão.As Ciências Sociais – Antropologia. Recursão – advém do termo “recorrer”. é preciso que outros atores do processo – colegas. Sem essa ação reflexiva resultante do diálogo. Economia. Relações – numa perspectiva pós-moderna de um currículo transformador. por conseguinte dar sentido ao ensino ministrado. inquirir. num currículo que respeita. “ocorrer novamente” do latim “recurrere” e vincula-se à raiz da palavra currículo (“currere”: correr). Cada final é um novo início e cada início emerge de um final anterior conforme salientara Dewey. conectar os pensamentos. História. a recursão tornar-se-ia vazia. Para tanto. empregar as coisas de forma heurística). uma mera repetição. os processos fazer e refletir-sobre-o fazer são prioritários nas intraconexões curriculares. Portanto. interpretações. valoriza e aplica a recursão não há início nem final fixo. nesse tangente. dar-se-ão através da dualidade pedagógica e cultural convergentes entre si. respondam àquilo que fora realizado por nós. Geografia e Sociologia – extraem sua concepção de riqueza do diálogo sobre ou da negociação de passagens entre diversas interpretações (muitas vezes concorrentes) das questões sociais. tem como objetivo desenvolver a competência (capacidade de organizar.

observação científica e precisão matemática) com o interlocutor. conexões. desempenhamos o ato de ensinar quando auxiliamos os outros a negociar passagens entre seus construtos e os nossos. em suma. relações. segundo Doll. Rigor – à medida que traz em seu bojo. Como professores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Concomitantes às relações supracitadas estão às culturais. ele é a mescla dessa indeterminância subjacente com a interpretação (desenvolvimento das várias alternativas aduzidas pela indeterminância). entre os nossos e os dos outros. Logo. o rigor significa procurar intencionalmente diferentes alternativas. as tendências paralelamente discutidas (lógica escolástica. é o mais relevante dos quatro critérios exaustivamente (porém não esgotados) abarcados. 121 Copyright © 2007. Essas se referem à contextualização cultural do ensino a partir do olhar local e global (interconexões) do mundo em que se está inserido.

mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. ou melhor. o correto é olhar um por um e não como um conjunto. barulhento. Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar. enfim por chamar mais atenção no coletivo. Nesta unidade. A realidade escolar na verdade é basicamente composta de salas de aulas cheias com uma média de 30 a 40 alunos por classe e. 122 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Então o olhar avaliativo tem de percorrer toda a sala de uma só vez sem olhar ninguém em especial. É muito difícil cuidar de várias crianças ou adolescentes de uma só vez. que chama mais atenção por ser: Ativo. respondão. criativo. vamos refletir sobre proposições pedagógicas de autores nacionais que apresentam uma perspectiva transformadora da realidade em relação ao processo de avaliar. participativo. por isso o cuidado ou atenção acaba sendo no coletivo e não no individual. por falar muito alto.U NIDADE 25 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em sala de aula. Normalmente só se presta atenção em alguém mais destacável. dizendo em toda a sala de aula. Caro cursista. Jussara Hoffmann. abordaremos reflexões sobre o livro: O jogo do contrário em avaliação de Jussara Hoffmann. na maioria das vezes sem uma estrutura correta para acomodar tantos de uma só vez. um número mais como um indivíduo único.demonstrando. Segundo a autora deste pensamento. ou seja. Especificamente.

não nos alunos. O estudo de casos constitui no acompanhamento intensivo. desta forma sobra muito pouco tempo para a avaliação relativa ao aluno individualmente. O correto é saber um pouco sobre cada aluno. casos difíceis” de compreender e de acompanhar em termos de seu desempenho na escola. carinho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Muitos alunos ficam anônimos porque não se destacam na multidão. A aprendizagem é bem ampla e deve abranger vários fatores para sua conquista definitiva. Os professores ensinam seus conteúdos. mas as dificuldades sentidas por parte dos professores do programa. O caminho da aprendizagem deve ser único e não coletivo feito de aluno para aluno. que trabalha com o aluno de difícil aprendizagem nas escolas. não somente o nome mais um pouco da vida em família ou enquanto cidadão. 123 Copyright © 2007. atenção. porque são tímidos e calados e quase nunca são notados. Universidades. com o objetivo de estudar e debater temas atuais em avaliação. mas muitas vezes não têm a oportunidade de avaliar ou tentar saber o quanto seu aluno realmente aprendeu em tudo que lhe foi ensinado.Por causa da correria do dia a dia a avaliação acaba ficando prejudicada porque os professores têm muitos afazeres e “correm” todo o tempo para poder dar conta de suas responsabilidades pessoais e profissionais. “No Programa de Assessoria em Avaliação Educacional (PAAE) foi observado o uso da expressão “difícil”. mas usar técnicas e formas diversificadas de ensinamentos para os alunos. para desenvolver novas práticas nas escolas. não somente o ensinamento tradicional. Para o aluno aprender verdadeiramente deve haver afeto. Este programa de educação era destinado a Educação Infantil.

mais falantes. confiantes. muitos debates com apresentações de diversos casos.  Tempo de reconstrução das práticas avaliativas e/ou de invenção de estratégias pedagógicas para promover melhores oportunidades de aprendizagem. Demonstrando respeito e dedicando. Todos os professores se juntaram buscando respostas em comum com os colegas em vários casos. Procuraram fazer um processo de individualidade com cada professor ou cada Instituição. através de exemplos a realidade de cada professor/aprendiz. Ensinando técnicas para diversos pontos em seu plano profissional:  Conselho de Classe. Os estudos avaliativos foram divididos em três etapas:  Tempo de admiração dos alunos. pais e alunos. onde houve muita troca de pedidos de auxílio em casos diversos onde receberam sugestões de vários tipos. 124 Copyright © 2007. puderem tornar: alunos alfabetizados. com aulas teóricas. as diferenças.Os estudos de casos se tornaram positivos.  Interação com colegas de trabalho.  Tempo de reflexão sobre suas tarefas e manifestações de aprendizagem. tempo para cada profissional do grupo em particular. menos agitados e mais felizes. porém se valorizou as opiniões. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Foram feitos vários estudos com algumas etapas com uma duração média de um mês. a espontaneidade. AVALIAÇÃO MEDIADORA EM TRÊS TEMPOS. pois em pouco tempo. a criatividade.  Aprendendo tomar decisões sobre diversos assuntos. As diferenças são enormes mesmo com relação a grupos de um mesmo grupo ou escola.

Muitos profissionais demonstraram dinamismo e puderam se soltar mais desta forma fazendo valer a intenção dos “Programas de Assessoria” para estes profissionais. A admiração do professor para com seus alunos ou vice-versa, se inicia a partir de que se comece a conhecer o aluno, com os professores de anos anteriores e da análise das tarefas de seus alunos. O tempo de admiração não é em apenas uma semana de aulas, mais sim com o passar do tempo e da amizade que criarem com o passar do tempo. O educador deve ficar sempre atento à vida de seu aluno, em casa e com a família, para captar experiências já vividas, para projetar o futuro das ações pedagógicas, para saber as dimensões em que se deve desafiar, para avançar em todas as áreas do saber. E claro sabendo respeitar o tempo de cada um em separado, de acordo com suas dificuldades e deficiências. A observação em avaliação consiste em compreender cada aluno em separado. Através de um olhar, de sua história de vida, de suas possibilidades e vontades. Muitas vezes o fracasso escolar parece ter explicação, mas para que explicar se não entende ou compreende o motivo real. Muitas questões relativas ao fracasso podem ser vistas e analisadas na própria sala de aula. Antes de tentar compreender ou explicar é preciso respeitar e aceitar as várias diferenças e culturas. Muitas pessoas culpam as outras mesmo sem antes pensar de quem é a culpa por determinado fato sem mesmo pensar como seria tal atenção se nos colocarmos no mesmo lugar do próximo. Não é correto julgar o não aprender com a falta ou necessidade diversa, inclusive financeira, mesmo se forem oferecidas condições iguais ou semelhantes de aprendizagem para todos os alunos em comum, por igual.
125 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

O aprendizado do aluno pressupõe-se em: A atenção e a presença do educador, a concentração que inclui a escuta é o silêncio e ruídos na comunicação. A entrega ao outro, estar aberto a ouvi-lo, partindo de suas hipóteses, de seu pensar, adequando o seu ritmo ao do professor. A escuta da aprendizagem em sua história, o que significa o professor estudar a si próprio. O tempo de admiração dos alunos, através de uma visão mais ampla, sobre sua história e sobre seu jeito de aprender. O olhar estudioso, curioso, pesquisador, selecionar os dados, ordenar, classificar e comparar. A qualidade das reflexões concorreu fortemente ao fato destes estudos serem compartilhados por professores de diferentes escolas, estudando sobre alunos de diferentes séries e idades, independente de serem da rede pública ou privada; Para se compreender o aluno ou suas dificuldades antes de tudo é necessário diálogo com:  O aluno;  A família;  Antigos professores;  Outros profissionais, que o cercam no ambiente escolar; Esta realidade deve ser vivenciada diariamente e não às vezes, devendo ser constante. Os professores devem trocar experiências e informações pertinentes a cada aluno em especial. Devendo criar espaços e tempos disponíveis para a troca entre os profissionais. O caminho é e sempre será o diálogo entre todos os envolvidos desta forma, pode ser esperado um retorno nas avaliações educacionais. E porque não fazendo fazer dinâmica envolvendo professores e alunos, uma maior interação, uma maior vivência, entre todos, fazendo de uma forma menos formal.

126 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

O novo pode assustar no início, mas também motiva principalmente quando se trata de diversão ligada à educação, mudando um pouco o tradicional de todos os dias. O olhar avaliativo é por natureza complexo e multidimensional, caracterizado por interpretações de diferentes intensidades (qualidades), sobre as diversas dimensões de aprendizagem do aluno, que se realizam a partir da educação, da sociedade. O julgamento de cada avaliador é sempre complexo e subjetivo porque variam de acordo com seus conceitos. A multiplicidade de perguntas pode fazer a diferença, tanto no sentido da palavra do educador, ou no sentido da escrita, com relação à avaliação. Com relação ao conceito relativo à multidimensões não existem dados objetivos que levem à certeza de nada, mas há o compromisso com a ética, para a formação do aluno, com respeito e dignidade. Sempre observar as atividades dos alunos, de preferência durante sua realização, dialogar com o aluno durante sua estada na escola ou na sala de aula. Durante a observação alguns tópicos foram constatados:  O aluno com relação ao contexto sociocultural e a sua própria história de vida:  Convivência familiar, investigação de toda sua vida enquanto ser humano, sua religiosidade, profissão, entre outros; Ao Cenário educativo: Localização da escola, relação para com os outros, interação com os colegas, professores e demais profissionais da escola, disponibilidade de aprendizagem, locais adequados para um bom estudo e aprendizado como: bibliotecas e salas de informática.

127 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

As questões de aprendizagem: Observar o histórico escolar do aluno. para que seu aprendizado seja bem significativo no momento atual. O correto é se basear em todos os tópicos e não em um específico. porque todos são de grande importância para a vida escolar do aluno. 128 Copyright © 2007. já frequentadas por ele. conteúdos estudados por cada um. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Currículo em desenvolvimento: Os objetivos traçados por cada aluno. procurando entender as necessidades e dificuldades de cada aluno em especial. principalmente os sonhos e sofrimentos diários de cada aluno. as respostas para as dificuldades não são percebidas de imediato. inclusive necessários para a avaliação educacional do aluno. Qualquer detalhe despercebido tem sua importância e pode prejudicar a avaliação daquele aluno. na atual escola e em outras. passado e o futuro de cada um individualmente. afetividade para com cada um. projetos almejados e principalmente a área de interesse do aluno. Porém a autora “Jussara Hoffmann” acredita que a escola deve viver o presente. Procurando juntar e entender o presente.

Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar O professor deve prestar atenção nas atividades do aluno. Através de um diálogo e uma boa observação o professor pode interpretar ou orientar melhor seu aluno. Os objetivos de conhecimento e de investigação permanente do professor. poderá avaliar o aluno ou mesmo definir ou decidir o que é importante ensinar ao aluno. torna o olhar mais rigoroso. O professor deve observar mais também desvendar é saber lidar com suas limitações e dificuldades. Há não ser o professor ninguém.U NIDADE 26 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em salas de aula. ausência e outras diversas questões não justificam problemas de aprendizagem. detectando suas dificuldades. por querer olhar mais profundamente. olhando os diversos pontos de vista. Também saber interpretar e observar em várias direções. na família ou mesmo no próprio ambiente escolar. agitação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Subjetivo: Porque só se entende ou se vê quando o outro entra em contato com você ou entra em sintonia com outra pessoa. pois muitas vezes seu mau desempenho pode ser proveniente de algum problema. Fazer com que o aluno mostre 129 Copyright © 2007. tentando dar um significado a tudo o que vê e observa.demonstrando. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. É preciso ter clareza de que as atividades dos alunos são de dimensões diferentes para se realizar um trabalho eticamente responsável: á agressividades. Fazer uma boa observação pode auxiliar na melhor forma de ajudar o aluno da melhor maneira de ensinar de facilitar o aprendizado.

interferir. Procurar uma interação juntamente com seus alunos para melhor observar. O problema do desenvolvimento do aluno na escola vem do motivo pelo qual não se desperta o interesse na consciência do mesmo.e revele seus sentidos os ensinando a reagir. partindo de alguma motivação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . revelando um maior comprometimento com suas tarefas e seus avanços. expressão. reaja. abrindo espaço para um diálogo aberto a todos os alunos. sem falar ou mesmo. Despertando o interesse em aprender mais e mais. Procurar olhar com olhos mais atentos e não se deixar influenciar por uma primeira impressão. expressar sentimentos diversos e demonstrar suas diferenças. A escola deve promover o conhecimento no aluno. O aluno quando está sendo cuidado. demonstrando mais afeto por quem lhes dedicou cuidados e respeito. pelo simples prazer da curiosidade. tomar consciência de seus limites e poder aprender mais e mais sempre. que lhe foi dada pelo professor. sentimentos. sempre lembrando de observar e dialogar com o aluno mesmo que de longe. reage positivamente à atenção diferenciada. Observar a realização das tarefas do aluno é de extrema importância para a avaliação e o aprendizado. Promover o entendimento para com as diferenças de cada aluno: de ideias. mas agir de forma a compreendê-lo. adquirindo responsabilidades e demonstre potencialidades próprias de cada um. 130 Copyright © 2007. fazendo com que ele reflita. raça. fazer uma abordagem com os alunos os instruindo a escrever. A autoavaliação é a tomada de consciência do aluno sobre o processo de aprendizagem. quando se destacam em estar à procura de algo novo. independente da idade. quando procuram a ajuda do professor. mudando rapidamente de atitude. sobre o aprender e sobre suas participações nas atividades escolares. A criança e o jovem estão se autoavaliando.

devendo ser bem usado para a solução de problemas. Porém questões relacionadas a atitudes de alunos não explicam as questões de aprendizagem. Usar o conselho para compartilhar casos isolados ou de grupos de alunos. Analisar cada perfil em separado visando sua convivência familiar. sem ação. se procurar observar pode perceber que pode haver algo por trás de tudo. discutir as dificuldades e traçar medidas pedagógicas adequadas a cada perfil do aluno.Se um professor tentar entender ou procurar conversar com seu aluno ou mesmo parar para observar mais de perto pode descobrir muito sobre ele inclusive como sanar algumas dificuldades demonstradas pelo aluno. O conselho de classe é um momento de compartilhar experiências e vivências. trocando pontos de vista entre todos os professores ligados a cada aluno analisado. Muitas crianças e jovens estão fora das escolas. Nunca desistir de um aluno por achá-lo difícil. podendo haver outros fatores. É sempre necessário que se tenha um mediador. sem atenção. sem criatividade. Se necessário fazendo encaminhamentos pedagógicos e psicológicos para o auxílio do aluno em suas dificuldades. por motivos familiares. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Priorizar ao aluno ou a turma de maior necessidade analisando seu caso em particular e também uma análise grupal sobre seus trabalhos realizados em sala. problemas emocionais envolvendo o aluno perante a sociedade em que está inserido. mas nunca antes notada pelo profissional. diferentes evitando desavenças e confusões desnecessárias. trocar ideias e dar sugestões sobre determinado aluno. 131 Copyright © 2007. sejam quais forem principalmente pedagógicos. para que se assegure a cordialidade diante de opiniões diversas. por causa de tráficos. financeiros. Durante um conselho de classe que se deve.

Antes de encaminhá-lo para uma ajuda médica.  entre outros que possam se encaminhar à escola para um acompanhamento com os alunos e porque não com os profissionais da escola. Não julgar sem antes investigar. antes de julgá-lo sem conhecimento prévio. As escolas precisam contar com ajuda médica de diversos tipos de especialistas como:  Psiquiatras. onde caso necessário possam fazer um acompanhamento do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Os arquivos são de grande importância para a observação de caso por caso. extrapolem ou mesmo que com exagerada repressão. onde sempre se pode recorrer para colher frutos ou mesmo buscar ideias pedagógicas para uma melhor forma de agir em sala de aula. todas as escolas devem contar com profissionais qualificados para auxiliar ou analisar em tomada de decisões.  Psicopedagogos. O aluno não deve ser julgado por algum ato que tenha cometido. antes de se julgar devemos procurar o motivo ou causa do problema. obviamente mediante uma certeza de haver um problema. A escola tem de estar sempre de acordo com normas que não excedam. já o julgando doente sem saber antes o motivo real de tal mau comportamento. 132 Copyright © 2007. ou mesmo por não conseguir se desenvolver na aprendizagem.  Fonoaudiólogos. que acaba sendo um grande fator que possa desencadear o desenvolvimento moral de crianças e jovens. É importante que as escolas possam contar com profissionais adequados. por sua roupa.

1998. Quem melhor do que o professor para ajudar o aluno da melhor maneira possível.Limite é bom e necessário. mas sem exageros ou excessos ou mesmo sem regras. para no futuro fazer ou auxiliar para que se torne um adulto responsável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tudo na quantidade certa para não extrapolar com seu aluno e desta forma podendo moldar seu caráter e desenvolvimento. São Paulo: Cortez. Luckesi. honesto e porque não essencial para outras pessoas.Cipriano Carlos.Jussara Hoffman 133 Copyright © 2007. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. O jogo do contrário em avaliação.

pelo menos num primeiro momento. o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo realmente alcançados. que respeite o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los e de serem orientados e ajudados em suas dificuldades. Outros autores consideram que é vantajoso que o professor avaliador. porém não é único.U NIDADE 27 Objetivo: Identificar os pressupostos que permitam uma avaliação da aprendizagem que ignore as metas e os programas para analisar os resultados sem os vieses. as condições de realização. É preciso implementar práticas em que os alunos participem efetivamente dos processos avaliativos. Ao se analisar a questão da avaliação. ignore as metas do programa para analisar os resultados da avaliação tais como eles se apresentam. de acordo com as propostas curriculares os planos de ensino. Assim. compreensão de erros e êxitos e também não é possível garantir que os alunos assumam responsabilidades perante a própria aprendizagem e sintam-se estimulados a progredir. é imprescindível discutir ideias sobre a construção de uma avaliação democrática. é necessário reconhecer que as práticas rotineiras para ela muitas vezes são utilizadas como atos de uso e abuso de poder e. Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor. Por que avaliação? Para muitos autores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Esse posicionamento. reflexão. sem vieses. de modo geral. por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor nos quais se definam objetivamente as finalidades. contribuem para que o fracasso escolar seja encarado como fracasso pessoal do aluno. as 134 Copyright © 2007. Sem informação não é possível promover participação. as ações.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que seguramente foram promovidos de forma significativa. a saber:  Considerar a aprendizagem um amplo processo. Quanto a isso. na maneira de conceber a aprendizagem. a prática pedagógica efetivamente exercida e a avaliação praticada são atividades inseparáveis que se condicionam mutuamente. A avaliação praticada põe a descoberto o chamado currículo oculto dos professores e é por seu intermédio que se reconhecem facilmente os objetivos implícitos. e que os alunos perceberam como mais importantes. 135 Copyright © 2007. Portanto. duas questões merecem destaque: Qual o papel da avaliação num processo de implementação curricular que toma como ponto de partida o desenvolvimento de capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania e colocam em relevância o contexto social em que se produz a aprendizagem dos alunos? A avaliação como elemento integrante de uma proposta curricular e a tomada de decisões direcionadas para o aprimoramento das aprendizagens dos alunos são questões-chave para quem ensina e aprende. há certo consenso em relação a sua relevância e à compreensão de seus aspectos mais importantes. Embora ainda não seja amplamente praticada.  Buscar estratégias e sequências didáticas adequadas às condições de aprendizagem dos alunos. em que o aluno reestrutura seu conhecimento por meio das atividades que lhe são propostas. na interpretação e na abordagem dos conteúdos implicam repensar as finalidades da avaliação. no plano das representações. a avaliação formativa está muito difundida e.responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. por outro lado também se sabe que é por meio dela que se revelam as incoerências pedagógicas. Se por um lado sabe-se que mudanças na definição de objetivos.

compreender como ele aprende identificar suas representações mentais e as estratégias que utiliza para resolver uma situação de aprendizagem.  Diagnosticar as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las. descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal. uma vez que eles revelam as representações e estratégias dos alunos.  Evidenciar aspectos de êxito nas aprendizagens. Explique que papel ela deve representar e exponha. Ampliar os conhecimentos do professor sobre os aspectos cognitivos do aluno. mas como manifestação de um processo de construção.  Interpretar os erros não como deficiências pessoais. a avaliação não pode ter um papel classificatório. 136 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Considerar os erros como objetos de estudo. A construção do conhecimento supõe a superação dos erros. excludente e punitivo. por um processo sucessivo de revisões críticas. Se a educação é um direito de todos.

Para avançar no sentido de encontrar respostas para essas questões.U NIDADE 28 Objetivo: Analisar os objetivos que embasam avaliação para o desenvolvimento das capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania. incorporar outros aspectos que permitam ao professor compartilhar a avaliação e poder praticá-la com a função de regular o processo de ensino e aprendizagem. decidir sobre a intervenção adequada para superar determinadas dificuldades dos alunos. Enfim. 137 Copyright © 2007. como por exemplo: identificar as causas que provocam erros na aprendizagem. é preciso inicialmente considerar que a avaliação não pode ser um processo de responsabilidade única do professor. Porém. Assim. e também supor os contextos heterogêneos em que ocorrem as aprendizagens. uma vez que ela pressupõe uma grande quantidade de decisões a serem tomadas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . detectam erros e dificuldades. realizar a avaliação formativa em classes numerosas ou quando o professor atua em várias turmas. buscam com mais frequência adaptar as programações em função de resultados de diagnósticos iniciais. É preciso. em distintas singularidades de cada situação didática que se avalia. sem recorrer a provas e testes. procuram observar não só os resultados. reforçam êxitos nas aprendizagens. dispor de tempo e instrumentos apropriados para recolher informações etc. mas também os processos de aprendizagem. modificar suas práticas de avaliação. portanto. essas experiências também têm representado dificuldades de ordens diversas e bastante complexas para os professores. Isso implica buscar informações para compreender como cada aluno atua diante das tarefas propostas e possibilitar os meios de formação que respondam adequadamente às características particulares desses alunos. procuram identificar os conhecimentos iniciais dos alunos. A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular Influenciados por essas ideias os professores têm tentado. ainda que em tímidas experiências.

que podem servir também como um interessante modo de fazer registros a serem utilizados na avaliação e contribuir ainda para que cada professor faça sua autoavaliação. ideias prévias. motivação. – como pelo contexto social em que ela se desenvolve. da mesma maneira. experiências anteriores etc. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A aprendizagem pode ser favorecida se os alunos se apropriarem progressivamente. Por isso. Em função de distintos esquemas de conhecimento e contextos culturais. as investigações sobre o uso de portfólios. as demandas do professor. dos instrumentos e critérios de avaliação do professor.Pensar a avaliação como função reguladora da aprendizagem significa levar em conta que:  A aprendizagem se concebe como uma construção pessoal do sujeito que aprende. por meio de situações didáticas adequadas. é necessário promover processos de negociação que lhes permitam compartilhar as mesmas ideias sobre os objetivos a serem atingidos. os alunos nem sempre percebem. Um exemplo: têm se multiplicado. uma vez que propõem a interação e a gestão social da aula e possibilitam o compartilhamento de responsabilidades sobre a aprendizagem. nos últimos anos. 138 Copyright © 2007. influenciada tanto pelas características pessoais – esquemas de pensamento. Eles direcionam o professor a buscar alternativas didáticas que auxiliem o aluno a aprender a aprender. mediante estratégias e instrumentos de autoavaliação que propiciem a construção de um sistema pessoal para regular seus processos de aprendizagem. Esses novos aspectos imprimem um caráter comunicativo e abrem novas perspectivas para a avaliação.  O êxito na aprendizagem também é garantido pelas mediações que se produzem entre o aluno e o professor e entre um aluno e os demais.  A autonomia dos alunos é promovida quando o professor compartilha com eles o controle e a responsabilidade sobre suas aprendizagens.

” Discuta com seus companheiros. É preciso conceber a unidade do múltiplo. 139 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .“Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. a multiplicidade do uno. o que você entendeu sobre esta afirmativa de Edgar Morin. sua diversidade na unidade.

O Livro Didático Desde 1929. quando o governo brasileiro criou um órgão específico para legislar sobre a política do livro didático. municipais e do Distrito Federal com obras didáticas e paradidáticas e dicionários de qualidade. Em caso de desconformidade. inclusive para o livro didático. com a finalidade de prover as escolas das redes federal. essa política está consubstanciada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). A definição do qualitativo de exemplares ser adquirido para as escolas estaduais.U NIDADE 29 Objetivo: Desenvolver estudos voltados para a escolha de livros didáticos mais qualificados em sala de aula. para conhecimentos dos estados e municípios. Atualmente. Os resultados do processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União. estaduais. municipais e do distrito federal é feita com base no censo escolar realizado anualmente pelo o Instituto de Estudos a Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inepe/MEC) que serve de parâmetro para todas as ações do FNDE. 140 Copyright © 2007. O PNLD distribui gratuitamente obras didáticas para todos os alunos das oito séries da rede pública de ensino fundamental. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . as escolas de educação especial pública e as instituições privadas definidas pelo o censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram incluídas no programa. A partir de 2003. centrando estudos norteadores para a seleção. a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando. os estados e municípios podem solicitar alterações desde que devidamente comprovada à ocorrência do erro. o Instituto Nacional do Livro (INL).

o valor previsto no orçamento é de R$ 679.  Aquisição. mediante repasse de recursos do governo federal.9 milhões. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Atualmente. via convênio firmado com FNDE.O PNLD é mantido pelo FNDE com recursos financeiros do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação. o investimento foi de R$ 563. São Paulo foi o único cotado no PNLD 2005 e 2006 optou pela descentralização). não se admitindo mais o repasse de recursos financeiros para que o próprio Estado realize as aquisições.  Avaliação.  Escolha.  Produção.  Alternância. admitiam-se duas formas de execução: a centralizada (com as ações integralmente a cargo do FNDE) e a descentralizada (ações desenvolvidas pelas Unidades de Federação. Em 2006.  Guia do livro. Até o PNLD 2006. Em 2007.  Qualidade física. A seguir.  Período de utilização.  Ampliação: O FNDE ampliou sua área de atuação e passou a distribuir: o Dicionários o Livros em Braille o Livros para a educação especial 141 Copyright © 2007. o FNDE executa o programa de forma centralizada para todas as UFs.  Pedido.  Distribuição. as principais ações da execução centralizada:  Inscrição das editoras.7 milhões.

continua com a negociação com as editoras. E também pela escolha dos professores. O início do processo se dá com a avaliação física e de conteúdo das obras apresentadas pelos autores e editoras. as escolas das redes públicas podem verificar a disponibilidade dos livros nas unidades educacionais mais próximas e registrar possíveis sobras em sua instituição. passa pela elaboração e distribuição do Guia do Livro Didático. Os livros do PNLD devem ser utilizados pelos os estudantes três anos consecutivos. a encontrarem obras para remanejamento. 142 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para repor os que não foram devolvidos ou que estejam sem condição de uso. A falta de conservação e a não devolução das obras levam o FNDE a adquirir. mais 13% do total inicial de livros.o Livros para o ensino médio SISCORT O sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort) no site eletrônico do FNDE. ele não resolve o problema de falta de livros por má conservação ou pela não devolução das obras pelos os estudantes no final do ano. CONSERVAÇÃO DE LIVROS Embora o Siscort seja um instrumento valioso para auxiliar as escolas e as secretarias de Educação. GERENCIAMENTO O gerenciamento logístico é um dos procedimentos mais importantes no processo de distribuição dos livros didáticos e acervos. até chegar ao condicionamento dos livros em suportes de madeira (paletes) nos postos avançados dos Correios instalados dentro das editoras. a cada ano.

294 acervos com 7 exemplares paras as salas se aula de alunos de 5ª a 8ª série. o FNDE adquiriu cerca de 519 mil acervos. matriculados em cerca de 163.8 milhões de alunos. Nesse período. os Correios entregam os livros didáticos diretamente às escolas públicas urbanas. Pelo PNLD 2006 dicionários serão atendidos mais de 764 mil salas de aula de quase 174. DADOS ESTATÍSTICOS Entre 1994 e 2005.  Guias de livros didáticos PNLD no respectivo ano de 2007. o PNLD adquiriu.8 milhões de alunos. Para isso. que serão utilizados coletivamente pelos alunos de 1ª a 4ª série em cada sala de aula e 247.  Guias de livros didáticos e editoras. 143 Copyright © 2007.7 mil escolas públicas do ensino fundamental. CONSULTAS  Acompanhamento da distribuição. um total de 1.  Inscrição e cadastramento. por sua vez.  Editais.  Cronograma de atendimento.DISTRIBUIÇÃO De acordo com a estratégia de distribuição. o PNLD investiu R$ 34. 077 bilhão de unidades de livros.2 bilhões. cada um com 9 dicionários. Já os acervos destinados às escolas rurais são entregues nas secretarias municipais de educação ou nas prefeituras que. do ano respectivo de 2007. devem entregá-los aos estabelecimentos de ensino antes no início do ano letivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . distribuídos para uma média anual de 30. para a utilização nos anos letivos de 1995 a 2006.7 mil escolas. beneficiando mais de 29.

 Resolução nº 30. página 98. de 01/10/2003 – Aplicação de penalidades.html) Email: cac@fnde.br 144 Copyright © 2007. 15 de dezembro de 2004. de 24/08/2004 – Ensino fundamental e educação Especial.  Resolução nº 32. de 18/06/2004 – Reserva técnica.  Resolução n 05.  Resolução nº 40.br/home/index.gov. de 23/03/2003 – Controle de qualidade.gov. de 20/05/2003 – Avaliação pedagógica das obras. CONTATOS 0800-616161 – Central de Atendimento ao cidadão (ligação gratuita).  Resolução nº 24.  Resolução nº 55.  Resolução n 38.LEGISLAÇÃO  Diário Oficial da União. 2.Livros em Braille.fnde.  Resolução nº 03. 21/02/2005 – Vida útil dos livros. de 15/10/2003 – Ensino Médio. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Resolução Nº 34. de 01/10/2003 – Multas contratuais. Seção 1. de 11/07/2003.  Portaria Ministerial nº. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE Tel: (61) 3966/49/19 ou 3966/49/15 http://www. de 14/12/2044 – Dispõe sobre a aquisição de dicionários de Língua Portuguesa para o PNLD/2006.963 de 29/08/2005 – dispõe sobre as normas de conduta para o processo de execução dos Programas do Livro.  Resolução nº 14.jsp?arquivo=livro_didatico.

a avaliação não pode ter um papel classificatório. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . excludente e punitivo.Se a educação é um direito de todos. 145 Copyright © 2007. Explique qual o papel ela deve representar descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal.

estampas etc. o portfólio apresenta várias possibilidades. o portfólio é uma coleção de suas produções.U NIDADE 30 Objetivo: Trabalhar a avaliação da aprendizagem de forma dinâmica e criativa . Originariamente. ao estudar o Módulo “Concepções Educacionais e Currículo. Em educação. caro cursista! Você percebeu que. as quais apresentam a qualidade e a abrangência do seu trabalho. o portfólio é uma pasta grande e fina na qual os artistas e os fotógrafos iniciantes colocam amostras de suas produções. Porta-fólio ou portfólio. possibilitando aos alunos efetiva e crítica participação no ensino e aprendizagem.” nós revisitamos desde a trajetória histórica do currículo passando por grandes expoentes educacionais.". Agora vamos discutir informações sobre o Portfólio. às concepções que norteiam a prática educativa. segundo Ferreira (1999. Essa rica fonte de informação permite aos críticos e aos próprios artistas iniciantes compreender o processo em desenvolvimento e oferecer sugestões que encorajem sua continuidade. Vejamos: O que é um portifólio? O portfólio é um dos procedimentos de avaliação condizentes com a avaliação formativa. Bom. p. uma delas é a sua construção pelo aluno. 1612). as quais apresentam as 146 Copyright © 2007. Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada. Nesse caso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que já sabemos têm muita informação e conhecimento. de modo a ser apreciado por especialistas e professores. que se constitui em mais um instrumento de avaliação e também como uma forma de desmistificar a avaliação da aprendizagem no ensino de jovens e adultos. é uma "pasta de cartão usada para guardar papéis. desenhos.

situações. em conjunto. as linhas básicas para a seleção.] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços.. que envolve o julgamento da qualidade da produção e das estratégias de aprendizagem utilizadas. Pois eles são participantes ativos da avaliação. Esses juízos se apresentam impregnados de (pré) conceitos e valores acerca da sociedade e do mundo que os cercam. e evidência de autoreflexão pelo aluno. 2001. progresso ou desempenho em uma determinada área. fatos e sobre si mesmas. É organizado por ele. inerente ao ser humano. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . possam acompanhar o seu progresso (VILLAS BOAS. As pessoas expressam um caráter eminentemente avaliativo sobre objetos. 36) Esse entendimento inclui três ideias básicas: a avaliação é um processo em desenvolvimento. Os autores Arter e Spandel (1992) entendem o portfólio como: [.. Avaliação desmistificada A avaliação tem como característica ser uma tarefa. A seleção dos trabalhos a serem incluídos é feita por meio de autoavaliação crítica e cuidadosa.evidências de sua aprendizagem. 207). selecionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-Ias no portfólio. O portfólio é um procedimento de avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso. a reflexão pelo aluno sobre sua aprendizagem. os critérios para julgamento do mérito. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio. que se revela de múltiplas formas no cotidiano. Percebe-se que o portfólio é mais do que uma coleção de trabalhos do aluno. para que. (p. Não é uma pasta onde se arquivam textos. p. 147 Copyright © 2007. com orientação do professor. A compreensão individual do que constitui qualidade em um determinado contexto e dos processos de aprendizagem envolvidos é desenvolvida pelos alunos desde o início de suas experiências escolares. os alunos são participantes ativos desse processo.

especialmente. O autor destaca outro modelo. ressaltando o valor da objetividade por meio de técnicas. possibilitando a prática de uma forma de avaliar que ultrapassa o encarceramento da quantificação. exige deixar de lado as representações centradas na certificação e compreender o ato de avaliar como um instrumento de reflexão e suporte para aqueles que constroem o cotidiano da educação. Avaliação desmistificada contribui significativamente para o avanço do conhecimento sobre a avaliação. denominado avaliação formativa. Historicamente. O repensar da prática de avaliar a aprendizagem na educação. Entretanto. é contínua a existência de representações inibidoras que atrelam a ação avaliativa às perspectivas meramente burocráticas. o termo avaliação assume como característica essencial à função de medir e quantificar. o percurso de concepções filosóficas a partir de diferentes visões de mundo. da quantificação do saber por meio de notas e. trazendo em sua caracterização as marcas do tempo histórico. A realização do modelo de avaliação formativa exige do educador uma compreensão das formas de avaliação e uma reflexão sobre os propósitos e os obstáculos calcados no ato de avaliar. no contexto da avaliação formativa. exige dos educadores uma reflexão 148 Copyright © 2007. desde os seus primórdios. pois transcende determinações historicamente validadas que concebem o ato de avaliar atrelado diretamente ao ato de medir. A obra do filósofo francês Charles Hadji. marcadas pela exigência legal da certificação.A avaliação da aprendizagem como fenômeno educacional apresenta-se como área específica de conhecimento. de homem e de sociedade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . evidentemente. pela seletividade. métodos e instrumentos. Essa situação. que objetiva ser um instrumento auxiliar da aprendizagem.

denominada Agir. do desenvolvimento dos indivíduos e. portanto. delineia as dimensões teóricas da avaliação de forma mais concreta e contextualiza formas de aplicabilidade por meio do Guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa (p. a avaliação é compreendida como um instrumento pedagógico a serviço do êxito do aluno. Aqui o autor explora e resguarda a íntima relação da teoria com a ação. Certamente. além de possibilitar melhores formas de intervenção. na tentativa de colocar a avaliação como elemento ativo do processo de aprendizagem. no âmbito educacional como um conjunto de contribuições que podem sinalizar para o aprimoramento do conhecimento sobre essas realidades. compreendendo que a prática da avaliação depende da significação empreendida ao ato de ensinar. ressaltando que a ausência da primeira pode levar a um imobilismo pedagógico. Apresenta um esforço teórico na direção da implementação de proposições. A segunda parte da obra. capaz de contribuir para o enfretamento das indagações e o desvelamento dos condicionamentos e determinantes da prática pedagógica cotidiana. Na primeira parte da obra. no sentido de contribuir para a construção do saber e a apropriação do conhecimento.70). Nesse modelo. a leitura dessa obra poderá fornecer indicadores teóricos capazes de contribuir para a ultrapassagem de determinados limites. a fim de reverter o quadro tradicional.continuada e sistemática. é possível encontrar pistas bem precisas de aquisição do conhecimento de forma construtiva. permeado pela 149 Copyright © 2007. a teorização sobre a avaliação formativa pode ser percebida. os educadores e demais profissionais envolvidos com a tarefa de avaliar são convidados a incluir em suas reflexões o real significado do princípio que coloca a avaliação (desmistificada) a serviço da aprendizagem. Nesse sentido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . No eixo motriz dessa análise. da sociedade e da transformação do sistema social. denominada Compreender.

é necessário reafirmar que a avaliação é apenas um processo geral de condução da ação e do ensino e aprendizagem. 150 Copyright © 2007. além da alma. Finalizando. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .seletividade e pela discriminação. e também o momento decisivo que precisa ser concebido como um ato amoroso e uma operação de leitura orientada da realidade. além do achatamento na aquisição do conhecimento. O filme mostra o início dos trabalhos de Freud. que tem como diferença a necessidade do educador se abster de convicções impregnadas de inércia e imobilismo e caminhar na perspectiva de uma convicção criadora. Assista ao filme Freud. 1962) e procure refletir sobre o processo de construção da sua teoria. que favorece consideravelmente a significativa situação do fracasso escolar. direção de John Huston (EUA. enfocando seus estudos sobre a interpretação dos sonhos.

A autoestima pode ser definida como o sentimento que se tem ligado a autoimagem. é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento. Interação entre o indivíduo e a cultura. que se realiza no interior Epistemologia – A epistemologia. Empirismo – O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria.G LOSSÁRIO Apriorismo – A priori (do latim. « partindo daquilo que vem antes »). Egocentrismo – É a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio. que consiste no pensamento dedutivo.Fenômeno ou processo interno. Interpsiquico – Segundo Vygotsky. ou seja. é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural. Interacionismo. que significa “experiência”. onde. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 151 Copyright © 2007. Restringiu-se amiúde o termo “empirismo” à filosofia clássica moderna Endógeno . é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza. também chamada teoria do conhecimento. adquiridas a partir de atividades sociais que aparecem no decurso do desenvolvimento das crianças.. são funções psicointelectuais superiores. Autoestima . Culturalista – postura da vertente de psicólogos e dos cientistas sociais que destacam o papel da cultura na explicação dos fenômenos. para Vygotsky.. fontes e validade do conhecimento. O que a pessoa pensa de si mesmo.

Cadernos CEDES. 1991. Recomendações para uma política pública de livros didáticos. São Paulo (13): 7-25. jan.MOREIRA. Versão preliminar. Revista de Educação de Jovens e adultos. COLL.B 2003. BRASIL.). Psicologia e Currículo . BRASIL. César. São Paulo: Ática. 152 Copyright © 2007. 1997 DEMO. . 1995. Pedagogia. Campinas: Papirus. Ministério da Educação e Cultura. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. In: SHIGUNOV NETO. CARDOSO. Iria. Pedro. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Rio de Janeiro: DP&A. pedagogos e formação de professores. BATISTA. 1998. Professor e seu direito de estudar. António Flávio B. Antonio Augusto G. Hamburgo (Alemanha). O currículo nos limiares do contemporâneo. Campinas: Papirus. Mansa Vonaberg: (org. Elizabete Aparecida e outros. Alexandre. 2001. Currículos e programas no Brasil. IBLIOGRAFIA ALFABETIZAÇÃO E CIDADANIA. 1996. DECLARAÇÃO de Hamburgo e Agenda para o Futuro – V CONFINTEA. Novembro de 1995. Papirus. BRZEZINSKI.uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar. Brasília: MEC. 15. Secretária de Educação Fundamental. COSTA. Brasília: MEC. Parâmetros curriculares Nacionais. Os livros tradicionais de currículo. 1996. 1996. N.

qualidade total e educação: visões criticas. FREIRE. FREITAS. Porto Alegre: 2002. 1996.).). Lizete Shizue Bomura (orgs. Inês Barbosa. GADOTTI. São Paulo:Instituto Paulo Freire. 2000. Osmar. Jane (orgs.). 6 ed. 4 ed. O discurso da qualidade e a qualidade do discurso. Um balanço da evolução recente da educação de jovens e adultos no Brasil. In GENTILI e SILVA (orgs. FÁVERO. 1985.). FAUNDEZ. 2. Educação de jovens e adultos. A. PAIVA. Lucinete Maria Sousa. Rio de Janeiro: DPeA. Paulo. Revista de educação de jovens e adultos – alfabetização e cidadania. Marinaide Lima de Queiroz. In: OLIVEIRA. 153 Copyright © 2007. Neoliberalismo. Antônio: “Por uma pedagogia da pergunta”. 3° Edição: Paz e Terra. Petrópolis: Vozes. Educação de Jovens e adultos: teoria. 2004. 2005. Maria Clara.ed. Retratos da Avaliação: Conflitos desvirtuamentos e caminhos para a superação. Mediação. ROMÃO. FERREIRA. Tânia Maria (org.Maceió: EDUFAL. 2000. Mariano Fernandez. São Paulo: RAAAB.A. Petrópolis: Vozes. In: MOURA.). GENTILI. maio de 2004. ENGUITA. 17. Lições da história: os avanços de sessenta anos e a relação com as políticas públicas de negação dos direitos que alimentam as condições do analfabetismo no Brasil. Moacir.MARCIEL. José Eustáquio (orgs. n. 2002. O papel da didática na educação de jovens e adultos. A formação de professores(as) para a educação de jovens e adultos em questão. Pablo. Campinas: Papirus. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Reflexões sobre a formação de professores. DI PIERRO.). (Org. prática e proposta. Pedagogia da exclusão: critica ao neoliberalismo em educação.rev.

2002 Porto MACHADO. Porto Alegre RS ed: Mediação Distribuidora e Livraria LTDA. Boletim n. Porto Alegre: Artmed.São Paulo. Um currículo a favor dos alunos da classes populares. Programa Salto para o Futuro. Edgar. Tradução de Maria Adriana V. Campinas: Papirus. GOODSON. Programa Salto para o Futuro. 1999. Boletim n. PROEJA: O significado socioeconômico e o desafio da construção de um currículo inovador. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . HADJI. Curso de Didática Geral. Ivor F. 154 Copyright © 2007. 2002.ed. Veronese. Reflexões sobre a formação de professores. Lucilia. Secretaria de Educação a Distância/MEC. MORIN. Willian E. HOFMANN. In: EJA: formação técnica integrada ao ensino médio.). Os sete saberes necessários à educação do futuro.16. Secretaria de Educação a Distância/MEC. 1995. Currículo: teoria e história. 2. MOURA. HAYDT. São Paulo. abril 2005. 1987. Dante Henrique. Rio de Janeiro. Avaliação desmistificada. Papirus. Henry. Charles. 1991. Lizete Shizue Bomura (org. set de 2006. Editora Cortez. DOLL JR. setembro de 2006a.16. Caderno CEDES. Rio de Janeiro. 2001. O jogo do contrário em Avaliação. GIROUX. MARCIEL. Regina Célia Cazaux. Escola crítica e política cultural. Jussara M. Petrópolis: Vozes. In: EJA: formação técnica integrada ao ensino médio. São Paulo: Cortez. São Paulo (l3): 45-52. Editora Ática. EJA: Formação técnica integrada ao ensino médio. 1997.GARCIA. Porto Alegre: Artmed. L. Regina Leite. Currículo: uma perspectiva pós-moderna.

2004. Campinas: Papirus. 2000. PIMENTA. Ferreiro e Vygotsky. Educação de jovens e adultos: novos leitores. Tomaz Tadeu da. Brasília: CNTE. São Paulo: Cortez. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . M. v. Escola e democracia. n. Pedro Morales. ed. 2000. São Paulo: Ação educativa. 3. 2003. A Prática Educativa-como ensinar. 2001. ZABALA. A.Porto Alegre:Artes Médicas.. Escola S. Vera Masagão (org. Educação científica e movimento CTS no quadro das tendências pedagógicas no Brasil. como se faz.ed. Tânia Maria de Melo. Selma Garrido. SAVIANI. 2. In: SILVA.).). P. 2004. Philipp. 1995. 2002. Belo Horizonte: Autêntica. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 1. pesquisadores e didática. O PROEJA e o desafio das heterogenidades. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. o que é. 1999. PERRENOUD. A relação professor-aluno. Tomaz Tadeu e GENTIL. TEIXEIRA. novas leituras. 2.A.1999. De professores. 3. quem ganha e quem perde no mercado educacional do neoliberalismo. VALLEZ. Maceió: EDUFAL. Pablo (orgs. Dez novas competências para ensinar. A prática pedagógica dos alfabetizadores jovens e adultos: Contribuições de Freire. SANTOS.1998 155 Copyright © 2007.ed. M. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. RIBEIRO. SILVA. Simone Valdete dos. São Paulo: Ed.MOURA. A função social do ensino e a concepção sobre os processos de aprendizagem: instrumentos de análise IN__________ . Demerval.