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CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

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  • UNIDADE 1
  • Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo
  • UNIDADE 2
  • Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo
  • UNIDADE 3
  • UNIDADE 4
  • Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo
  • UNIDADE 5
  • O Currículo Segundo Dewey E Tyler
  • UNIDADE 6
  • UNIDADE 7
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  • UNIDADE 9
  • O Currículo Multiculturalista e a Educação
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  • Currículo Científico
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  • Breve Biografia Do Educador Paulo Freire
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  • Algumas Reflexões Sobre A Educação, segundo Paulo Freire
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  • Algumas Reflexões sobre a Educação, segundo Paulo Freire
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  • As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica
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  • Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002
  • UNIDADE 17
  • As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas
  • UNIDADE18
  • As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica
  • UNIDADE 19
  • UNIDADE 20
  • Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua
  • UNIDADE 21
  • Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua
  • UNIDADE 22
  • Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro
  • UNIDADE 23
  • UNIDADE 24
  • UNIDADE 25
  • Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar
  • UNIDADE 26
  • Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar
  • UNIDADE 27
  • UNIDADE 28
  • A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular
  • UNIDADE 29
  • O Livro Didático
  • UNIDADE 30
  • GLOSSÁRIO
  • BIBLIOGRAFIA

MÓDULO DE

:

CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO

AUTORIA:

Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E CURRÍCULO Autora: Msc. MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES.

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040

2 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

A

PRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO Caros (as) alunos e alunas, Sou a tutora de cada um e de cada uma de vocês. Vamos ler, refletir e considerar proposições sobre um currículo vivo, real e capaz de promover mudanças significativas na mente, no coração e no espaço educacional onde atuam. Pensar em uma profissão significativa é esboçar um projeto de vida. Agora, mais do que descobrir a vocação, é fazer dela um instrumento de construção e intervenção no mundo. É adaptar-se ao mundo de maneira crítica, é saber que a educação não é a solução para tudo, mas é a porta para caminhos infinitos. Temos que ter a consciência que sonhos não devolvem o que há mais de 500 anos vem sendo tirado da gente, mas temos a certeza de que a dignidade, ética, igualdade não devem apenas ser escritas em versos e sonhos, mas devem ser realidades concretas, construídas com sangue e suor. Ser educador é acima de tudo acreditar, é lutar para fazer acontecer. Vamos construir uma educação melhor, conhecendo o que é um currículo, sua organização, seu funcionamento e adotando ações práticas e viabilizadoras de mudanças positivas. Obrigada por acreditarem! Obrigada por estarem aqui! Profª. Marizinha Coqueiro Borges.

3 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Definir um quadro de referência teórica sobre currículo. 4 Copyright © 2007. E MENTA Conceituação. Currículo e desenvolvimento social.O BJETIVOS Compreender o sentido e o significado dos princípios políticos e pedagógicos na elaboração do currículo a partir do conhecimento da estrutura e o funcionamento da Educação Básica Brasileira. numa perspectiva crítica e transformadora.: Concepções e etapas. Agentes da ação curricular. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . garantindo a formação integral de cidadãos participativos e aptos a contribuir para o desenvolvimento da sociedade.Parâmetros mínimos necessários – PCN’S. funções. Concepções de educação e seus autores. Compreender o currículo escolar como espaço de reconstrução educacional e de especialização do conhecimento pedagógico e refletir sobre a necessidade da construção de práticas pedagógicas específicas a partir do conhecimento de currículo vivo. Reconstrução do conhecimento experiência e mundo . Possibilitar a aquisição de conhecimentos sobre um currículo que seja transformador da realidade e que atenda às diversidades sócioculturais dos educandos. . Currículo oculto. Implementação e avaliação de currículo. elementos componentes. Adequação curricular nas vertentes da temporalidade e contexto social. Elaboração de programas curriculares. real.

........................................................................................... segundo Tomaz Tadeu Da Silva.............................................................. 36 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos.............................................................................................................................................................. ..... 40 UNIDADE 9 ................. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ..................................................................................................................................... 44 UNIDADE10 ...................................... ........... 31 UNIDADE 7 ............................................................ 23 UNIDADE 6 ....................................... ...... 15 UNIDADE 4 .................... 8 UNIDADE 2 ............................ 12 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo....................................... 51 5 Copyright © 2007.............................................. 31 Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos............................................................................ do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente...................................................... segundo Tomaz Tadeu Da Silva............................................................................. 47 Currículo Científico ............................ ..................... 47 UNIDADE 11 ................................................................. 12 UNIDADE 3 ......... 8 Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo....... 44 O Currículo Multiculturalista e a Educação .......................................... 19 UNIDADE 5 ............ 19 Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo ................................................................................................................................... 23 O Currículo Segundo Dewey E Tyler ..................................................................... ................................................. ............................ como Ação do Cotidiano da Escola............ 15 Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo......................................................................................S UMÁRIO UNIDADE 1 .......................... 36 UNIDADE 8 ...................................... 40 Diferenciar o Currículo Oculto..................................................................................................................

...................................... ............ 66 UNIDADE 15 ............................................ 75 UNIDADE 17 ................................................................................... 55 UNIDADE 13 ................... 59 UNIDADE 14 ........................................................................................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ..... 99 Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua........... segundo Paulo Freire. 110 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ............................................... 71 UNIDADE 16 ....................................................... 71 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ............. ............................... 104 UNIDADE 23 .................... 75 Os Pilares da Educação................................................................................................................................................................... 59 Algumas Reflexões Sobre A Educação.. 122 6 Copyright © 2007............................................................................................................Currículo Científico ................... Segundo Declaração da UNESCO De 2002................................................................... 95 Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua.................................................................................................................................................................................................. 80 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas......................80 UNIDADE18 ....... 90 UNIDADE 20 .......................... 85 As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica ................................................... 85 UNIDADE 19 .................................................................................................................. 95 UNIDADE 21 .......................................... 66 Algumas Reflexões sobre a Educação........................................................................ 55 Breve Biografia Do Educador Paulo Freire ........................ 104 Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro ................ ... .............................................. 99 UNIDADE 22 ........................................................................................ .................. 90 As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ...... 110 UNIDADE 24 .......... 51 UNIDADE 12 .................................... 116 UNIDADE 25 ............... segundo Paulo Freire.......................................................................................................

..................................................................................................... 137 A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular ........................................................................................................................................................................ 137 UNIDADE 29 ............................... 134 UNIDADE 28 .................................................. 140 O Livro Didático ................................................................................................... ........................................................................................... 122 UNIDADE 26 ........................................................ 134 Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor................................... 129 Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar .......... .......................................................... 129 UNIDADE 27 .......................................................Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar.................................. 146 GLOSSÁRIO ............................................................. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ...... 152 7 Copyright © 2007............... 140 UNIDADE 30 ................... ................................................................................................... 151 BIBLIOGRAFIA ...................................................... 146 Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada.......

Nessa perspectiva. de 8 Copyright © 2007. voltada para questões relativas a procedimentos. Embora questões relativas ao "como" do currículo continuem importantes. crítico e transformador”. as relações do currículo com o processo de ensino e aprendizagem. vamos discutir as ideias apresentadas por Moreira e Silva (1994). Nesse sentido. políticas. Isso significa que ele é colocado na moldura mais ampla de suas determinações sociais. de sua história. capacitar-se. técnicas. epistemológicas. “O professor deve se sentir parte de um coletivo docente. O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica. o currículo é considerado um artefato social e cultural. guiada por questões sociológicas. Já se pode falar agora em uma tradição crítica do currículo.( Marizinha Coqueiro Borges). métodos. 7-30). Analisar As Tendências Atuais Dos Estudos Sobre O Currículo. Introdução À Teoria Do Currículo Para adentrar no estudo do currículo faz-se necessário revisitar a concepção de currículo de forma geral. com a sociedade e com a escola de modo específico. elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo "por que" das formas de organização do conhecimento escolar. no texto “Sociologia e teoria crítica: uma introdução” (p. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 1 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. ir além das suas limitações e ajudar a construir um currículo ativo.

Pinar & Grumet. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Em outras palavras. onde pela primeira vez se elegeu o currículo como foco central da Sociologia da Educação. Seguei 1966. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal ele tem uma história. neste texto. Franklin. que um significativo número de educadores começou a tratar mais sistematicamente de problemas e questões curriculares. o currículo sempre foi alvo da atenção de todos os que buscavam entender e organizar o processo educativo escolar. As origens do campo nos Estados Unidos Mesmo antes de se constituir em objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico. configuraram o surgimento de um novo campo. a preocupação com os processos de racionalização. nos Estados Unidos. Emergência e desenvolvimento da sociologia e da teoria crítica do currículo Os autores focalizam. Diferentes versões desse surgimento podem ser encontradas na literatura especializada (Cremin. tanto nos Estados Unidos. por parte dos superintendentes de sistemas escolares americanos e dos teóricos considerados como precursores do novo campo. Comum a todas elas. o propósito mais amplo desses especialistas parece ter sido planejar "cientificamente" as 9 Copyright © 2007. o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. 198 I). vinculada às formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. 1975. onde o campo se originou e desenvolveu como na Inglaterra. em curto espaço de tempo. No entanto. 1974. dando início a uma série de estudos e iniciativas que.sua produção contextual. O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas. foi somente no final do século XIX e no início deste. O currículo está implicado em relações de poder. sistematização e controle da escola e do currículo. a emergência de uma abordagem sociológica e crítica do currículo. destaca-se.

As primeiras tendências O campo do currículo tem sido associado. então considerada "desejável".atividades pedagógicas e controlá-Ias de modo a evitar que o comportamento e o pensamento do aluno se desviassem de metas e padrões pré-definidos. tanto em suas manifestações iniciais como nos estágios subsequentes. O contexto americano na virada do século Após a Guerra Civil. apresentaremos uma breve descrição do contexto sóciohistórico no qual ela emergiu. não se deve entender o novo campo como monolítico. duas grandes tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma volta-se para a elaboração de um currículo que valorizasse os interesses do aluno e a outra. A primeira contribuiu para o desenvolvimento do que no Brasil se chamou de escolanovismo e a segunda constituiu a semente do que aqui se denominou de tecnicismo. para a construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta. enquanto procedimentos administrativos sofisticaram-se e assumiram um cunho “científico”. então prevalente. tanto em suas origens como em seu posterior desenvolvimento. consideradas úteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e à prática emergentes. 10 Copyright © 2007. substituído pelos monopólios. Todavia. A fim de melhor entender como tais intenções informaram o desenvolvimento da nova especialização. Para a produção em larga escala foi necessário aumentar as instalações e o número de empregados. já que outras intenções e outros interesses podem ser identificados. A primeira delas é representada pelos trabalhos de Dewey j e Kilpatrick e a segunda pelo pensamento de Bobbitt. O processo de produção tornou-se socializado e mais complexo. Segundo Kliebard (1974). sendo o sistema de competição livre. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a economia americana passou a ser dominada pelo capital industrial. às categorias de controle social e eficiência social.

As duas tendências. políticas e econômicas por que passava o país e que. procuraram adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista que se consolidava. ainda que de formas diversas. 11 Copyright © 2007. representaram diferentes respostas às transformações sociais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em seus momentos iniciais. juntamente com vestígios e revalorizações de uma perspectiva mais tradicional de escola e de currículo. dominaram o pensamento curricular dos anos vinte ao final da década de sessenta e início da década seguinte.Pode-se dizer que as duas.

Além disso. Essas ideias seriam diferencialmente transmitidas.U NIDADE 2 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. a outra aos que se destinavam às posições sociais subordinadas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em geral. Althusser era explícito a respeito dos mecanismos pelos quais essas diferenciadas 12 Copyright © 2007. Fundamentalmente. o início da preocupação com a questão da ideologia em educação. na escola. Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola em diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes "aprenderiam" as atitudes e valores próprios das classes subalternas. O ensaio de Louis Althusser (1983). em particular. garantindo assim a reprodução da estrutura social existente. às crianças das diferentes classes: uma visão de mundo apropriada aos que estavam destinados a dominar. Currículo E Ideologia Desde o início da teorização crítica em educação. "ideologia" tem sido um dos conceitos centrais a orientar a análise da escolarização. Aquele ensaio rompia com a noção liberal e tradicional da educação como desinteressadamente envolvida com a transmissão de conhecimento e lançava as bases para toda a teorização que se seguiria. naturalmente. e a do currículo. Althusser argumentava que a educação constituiria um dos principais dispositivos através do qual a classe dominante transmitiria suas ideias sobre o mundo social. os que fossem até o fim seriam socializados no modo de ver o mundo próprio das classes dominantes. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. "A Ideologia e os Aparelhos Ideológicos de Estado" marca.

o refinamento conceitual foi na direção de afastar a ideia de ver a ideologia como falsa consciência ou como um conjunto de ideias falsas sobre a sociedade. como Matemática e Ciências. A compreensão do conceito de ideologia como consciência falsa levava facilmente à sua formulação como uma questão epistemológica centrada na dicotomia falso/verdadeiro que a despia de todas as suas conotações políticas. também. Em primeiro lugar. raramente referida. Por outro. uma compreensão que nos levou bastante além do esboço de Althusser. inúmeros estudos empíricos sobre o funcionamento da escola e da sala de aula ajudaram a aumentar consideravelmente a nossa compreensão do papel da ideologia no processo educacional. de fato. essa transmissão da ideologia estaria centralmente a cargo daquelas matérias escolares mais propícias ao "ensino" de ideias sociais e políticas: História. ainda não superada). o ensaio de Althusser e seus pressupostos foram objeto de crítica e refinamento nos anos que se seguiram à sua publicação. De forma geral. Educação Moral. mas o escasso tratamento dado ao conceito na primeira parte do ensaio podia legar a essa compreensão. em matérias aparentemente menos sujeitas à contaminação ideológica. houve uma série de contestações conceituais à própria noção de ideologia formulada por Althusser. é difícil resumir as inúmeras interpretações ligadas ao conceito de ideologia numas poucas proposições. embora de forma mais sutil. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 13 Copyright © 2007. uma noção extremamente sofisticada de ideologia. Essa perspectiva permite que escapemos aos impasses colocados pelo equacionamento de ideologia como conhecimento falso e não ideologia como conhecimento verdadeiro. Embora tenha sido um marco importante e continue sendo uma referência central na teorização crítica em educação. apresentava. mas estariam presentes. É verdade que o ensaio de Althusser não se baseava nessa noção (e sua segunda parte.visões de mundo eram transmitidas. Naturalmente. Por um lado. Estudos Sociais. mas certamente uma coisa relativamente clara na literatura educacional é o vínculo que a noção de ideologia tem com poder e interesse.

A ideologia é essencial na luta desses grupos pela manutenção das vantagens que Ihe advêm dessa posição privilegiada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É menos importante saber se as ideias envolvidas na ideologia são falsas ou verdadeiras e. A ideologia. está relacionada às divisões que organizam a sociedade e às relações de poder que sustentam essas divisões. mas saber a quem beneficiam o que implica ao outro ponto conceitual importante: o conceito de ideologia e a relação de poder. mas o fato de que essas ideias são interessadas. O que caracteriza a ideologia não é a falsidade ou verdade das ideias que veicula. é mais importante saber que vantagens relativas e que relações de poder elas justificam ou legitimam. nessa perspectiva. 14 Copyright © 2007.permitindo também que nos afastemos da noção representacional de conhecimento e linguagem implícita naquele equacionamento. A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem à realidade ou não. transmitem uma visão do mundo social vinculada aos interesses dos grupos situados em uma posição de vantagem na organização social.

cultura e currículo constituem um par inseparável já na teoria educacional tradicional. ao contrário do pensamento convencional. Analisar As Tendências Atuais Sobre Os Estudos Sobre O Currículo. A 15 Copyright © 2007. A teorização crítica. Entretanto. há diferenças importantes a serem enfatizadas. a educação e o currículo estão.U NIDADE 3 Objetivo: Conceituar currículo numa perspectiva teórica crítica. em particular. Em contraste com o pensamento convencional sobre a relação entre currículo e cultura. De forma geral. envolvidos com esse processo. mas ele é visto. nem ela existe de forma unitária e homogênea. que é a educação e. Continuando Nossas Reflexões Sobre A Teoria Do Currículo Currículo E Cultura Se ideologia e currículo não podem ser vistos separados na teorização educacional crítica. o currículo e a educação estão profundamente envolvidos em uma política cultural. continua essa tradição. sim. cultural. senão uma forma institucionalizada de transmitir a cultura de uma sociedade. a tradição crítica vê o currículo como terreno de produção e criação simbólica. Em vez disso. o currículo. Na tradição crítica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A educação e o currículo são vistos como profundamente envolvidos com o processo cultural. de certa forma. Nessa visão. como fundamentalmente político. o que significa que são tanto campos de produção ativa de cultura quanto campos contestados. a cultura não é vista como um conjunto inerte e estático de valores e conhecimentos a serem transmitidos de forma não problemática a uma nova geração.

de significações. tal como na visão tradicional. nessa perspectiva. A cultura e o cultural. homogênea e universalmente aceita e praticada e. mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos. como um local de transmissão de uma cultura incontestada e unitária. não é visto. a cultura é o terreno por excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais. unitária. nessa visão. de sujeitos. Assim. por isso. O currículo pode ser movimentado por intenções oficiais de transmissão de uma cultura oficial. O currículo educacional. então. a visão tradicional da relação entre cultura e educação/currículo não vê o campo cultural como um terreno contestado. a ideia de cultura é inseparável da de grupos e classes sociais. não existe uma cultura da sociedade. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. é visto aqui como processo de reprodução cultural e social das divisões dessa sociedade. não estão tanto naquilo que se transmite quanto naquilo que se faz com o que se transmite. por sua vez. é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. Na concepção crítica. Em vez disso. a cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. 16 Copyright © 2007. 1979). Obviamente. precisamente. nesse sentido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . apenas como correias transmissoras de uma cultura produzida em outro local. O currículo. Em uma sociedade dividida. por outros agentes.educação e o currículo não atuam. Aquilo que na visão tradicional é visto como o processo de continuidade cultural da sociedade como um todo. mas como um campo em que se tentará impor tanto a definição particular de cultura da classe ou grupo dominante quanto o conteúdo dessa cultura (BOURDIEU. é o terreno privilegiado de manifestação desse conflito. a cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. Nessa visão. mas o resultado nunca será o intencionado porque. essa transmissão se dá em um contexto cultural de significação ativa dos materiais recebidos.

assim. como um conjunto de informações e materiais inertes. Essas divisões constituem tanto a origem quanto o resultado de relações de poder. o currículo não é o veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido. o conhecimento corporificado no currículo é tanto o resultado de relações de poder quanto seu constituidor. mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. É a visão de que a educação e o currículo estão profundamente implicados em relações de poder que dá à teorização educacional crítica seu caráter fundamentalmente político.Essa perspectiva da cultura como um campo contestado e ativo tem implicações importantes para a teoria curricular crítica. o poder se manifesta através das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe. Se combinarmos essa visão com aquela que questiona a linguagem e o conhecimento como representação e reflexo da "realidade". Isso não quer dizer que a conceituação daquilo que constitui o poder. sobretudo. Para não entrar em longas e intermináveis discussões conceituais sobre o poder. em relações sociais em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos à vontade e ao arbítrio de outros. somos obrigados a rejeitar a visão convencional do currículo que o vê como um veículo de transmissão do conhecimento como uma "coisa". quando discutimos os conceitos de ideologia e cultura. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Nesse entendimento. É nessa perspectiva que o currículo está centralmente envolvido em relações de poder. seja uma questão facilmente resolvida. O currículo é. gênero etc. Na visão crítica. no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação. isto é. de contestação e transgressão. etnia. recriação e. no contexto da educação e do currículo. Currículo e poder Se existe uma noção central à teorização educacional e curricular crítica é a de poder. um terreno de produção e de política cultural. Como vimos acima. é suficiente afirmar aqui que o poder se manifesta em relações de poder. 17 Copyright © 2007.

ao se apresentar. mas apenas de que o poder não se realiza exatamente conforme suas intenções. constitui identidades individuais e sociais que ajudam a reforçar as relações de poder existentes. Reconhecer que o currículo está atravessado por relações de poder não significa ter identificado essas relações. Belo Horizonte: Autêntica. ed. 2. Seu aspecto contestado não é demonstração de que o poder não existe. o currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o currículo é expressão das relações sociais de poder. 18 Copyright © 2007. ao expressar essas relações de poder. fazendo com que os grupos subjugados continuem subjugados. É exatamente porque o poder não se manifesta de forma tão cristalina e identificável que essa análise é importante. no centro de relações de poder. Tomaz Tadeu da.. Desta forma. assim.Por um lado. Grande parte da tarefa da análise educacional crítica consiste precisamente em efetuar essa identificação. enquanto definição "oficial" daquilo que conta como conhecimento válido e importante. apesar de seu aspecto contestado. 1995. No caso do currículo. Documento de identidade – uma introdução às teorias do currículo. o currículo. O currículo está. IVOR F. Petrópolis: Vozes. Currículo: Teoria e história. Por outro lado. 2001 GOODSON. expressa os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem em relações de poder. no seu aspecto "oficial" como representação dos interesses do poder. cabe perguntar: que forças fazem com que o currículo oficial seja hegemônico e que forças fazem com que esse currículo aja para produzir identidades sociais que ajudam a prolongar as relações de poder existentes? Leitura de : SILVA.

teorias sobre o currículo. a partir das discussões sobre as teorias pedagógicas. de estudos e pesquisas sobre o currículo. antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como "currículo" pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como "currículo". Mas as teorias educacionais e pedagógicas não são. na História da Educação ocidental moderna. De certa forma. de preocupações com a organização da atividade educacional e até mesmo de uma atenção consciente à questão do que ensinar. As diferentes filosofias educacionais e as diferentes pedagogias. com o currículo. Trajetória Dos Estudos Sobre O Currículo Nascem Os "Estudos Sobre Currículo": As Teorias Tradicionais Segundo Tomaz Tadeu da Silva (2005). mesmo que não utilizassem o termo. 19 Copyright © 2007. Há antecedentes. a existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional especializado. estritamente falando. não deixaram de fazer especulações sobre o currículo. em diferentes épocas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A emergência do currículo como campo de estudos está estreitamente ligada a processos. todas as teorias pedagógicas e educacionais são também teorias sobre o currículo. As professoras e os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos. a institucionalização de setores especializados sobre currículo na burocracia educacional do estado e o surgimento de revistas acadêmicas especializadas sobre currículo. tais como a formação de um corpo de especialistas sobre currículo. institucionalizada. bem antes da institucionalização do estudo do currículo como campo especializado.U NIDADE 4 Objetivo: Identificar o processo de construção dos estudos do currículo. a formação de disciplinas e departamentos universitários sobre currículo. de uma forma ou outra.

Quais os objetivos da educação escolarizada: formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral. Alemanha. a extensão da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores da população. no sentido que hoje lhe damos. em 1918. está ligada a preocupações de organização e método.A Didactica Magna. é um desses exemplos. Portugal muito recentemente. o livro que iria ser considerado o marco no estabelecimento do currículo como um campo especializado de estudos: The currículum. É precisamente nessa literatura que o termo surge para designar um campo especializado de estudos. as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional. à população? 20 Copyright © 2007. num momento em que diferentes forças econômicas. O livro de Bobbitt é escrito num momento crucial da história da educação estadunidense. sob influência da literatura educacional americana. como ressaltam as pesquisas de David Hamilton. no sentido que modernamente atribuímos ao termo. só passou a ser utilizada em países europeus como França. O termo currículum. Espanha. acadêmica. o estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico. Estão entre essas condições: a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação. Foram talvez as condições associadas com a institucionalização da educação de massas que permitiram que o campo de estudos do currículo surgisse nos Estados Unidos. entretanto. É nesse momento que se busca responder questões cruciais sobre as finalidades e os contornos da escolarização de massas. políticas e culturais procuravam moldar os objetivos e as formas da educação de massas de acordo com suas diferentes e particulares visões. É nesse contexto que Bobbitt escreve. A própria emergência da palavra currículum. de João Amós Comenius. o processo de crescente industrialização e urbanização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . como um campo profissional especializado. como resultado das sucessivas ondas de imigração.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quais devem ser as finalidades da educação: ajustar as crianças e os jovens à sociedade tal como ela existe ou prepará-Ios para transformá-Ia. por sua vez. O modelo de Bobbitt estava claramente voltado para a economia. Esses objetivos. a preparação para a economia ou a preparação para a democracia? As respostas de Bobbitt eram claramente conservadoras. as disciplinas acadêmicas humanísticas. as disciplinas científicas. as disciplinas científicas. Sua palavra-chave era "eficiência". as habilidades práticas necessárias para as ocupações profissionais? Quais as fontes principais do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico. ler e contar. Bobbitt queria transferir para a escola o modelo de organização proposto por Frederick Taylor. Tal como uma indústria. O sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer outra empresa econômica. Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar precisamente que resultados pretendiam obter. embora sua intervenção buscasse transformar radicalmente o sistema educacional. Na proposta de Bobbitt. os saberes profissionais do mundo ocupacional adulto? O que deve estar no centro do ensino: os saberes "objetivos" do conhecimento organizado ou as percepções e as experiências "subjetivas" das crianças e dos jovens? Em termos sociais. que pudesse estabelecer métodos para obtêIos de forma precisa e formas de mensuração que permitissem saber com precisão se eles foram realmente alcançados. deveriam se basear num exame daquelas habilidades necessárias para exercer com eficiência as ocupações profissionais da vida adulta. 21 Copyright © 2007.O que se deve ensinar: as habilidades básicas de escrever. a educação deveria funcionar de acordo com os princípios da administração científica propostos por Taylor. O sistema educacional deveria começar por estabelecer de forma precisa quais são seus objetivos. Bobbitt propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial.

O currículo. Porto Alegre: Artmed.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Uma reflexão sobre a prática. 22 Copyright © 2007. J. 2000. 3ª ed. Gimeno.SACRISTÁN.

os interesses e as experiências das crianças e jovens. bem como a relação entre as duas vertentes debatidas na época: a vertente estadunidense e a vertente progressista. a uma questão técnica.U NIDADE 5 Objetivo: Traçar a linha de estudos do currículo e os teóricos responsáveis pelos estudos. Na perspectiva de Bobbitt. A atividade supostamente científica do especialista em currículo não passa de uma atividade burocrática. vamos incluir as ideias de Dewey. ele achava importante levar em consideração no planejamento curricular. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas como a liderada por John Dewey. o currículo se resume a uma questão de desenvolvimento. a questão do currículo se transforma numa questão de organização. um conceito que iria dominar a literatura estadunidense sobre currículo até os anos 80. O Currículo Segundo Dewey E Tyler Buscando ampliar a discussão sobre o currículo. é "desenvolvimento curricular". Contrariando Bobbit. nessa perspectiva. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O currículo é simplesmente uma mecânica. 23 Copyright © 2007. Não é por acaso que o conceito central. Para Dewey. A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. a construção da democracia era mais importante que o funcionamento da economia. Numa perspectiva que considera que as finalidades da educação estão dadas pelas exigências profissionais da vida adulta.

Para Bobbitt.. "a educação. É interessante observar que tanto os modelos mais tecnocráticos. de acordo Com Tyler. Nas últimas décadas. é fundamental. algumas crianças realizam adições "a um ritmo de 35 combinações por minuto".Tal como na indústria. de acordo com Bobbitt. "ensino e instrução" (2 e 3) e "avaliação" (4). diz ele. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . quanto os modelos mais progressistas de currículo. Numa oitava série. como o de Dewey. quatro questões básicas:  Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?  Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?  Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?  Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?" As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: "currículo" (1). numa usina de fabricação de aços. é um processo de moldagem". de acordo com Bobbitt. uma reação ao currículo clássico. pois. que havia dominado a educação secundária desde sua 24 Copyright © 2007. ilustra ele. humanista. como os de Bobbitt e Tyler. tal como a usina de fabricação de aço. enquanto outras. O exemplo dado pelo próprio Bobbitt é esclarecedor. digamos. que emergiram no início do século XX. adicionam a um ritmo médio de 105 combinações por minuto". A organização e o desenvolvimento do currículo devem buscar responder. nos Estados Unidos. "ao lado. O estabelecimento de padrões é tão importante na educação quanto. constituíam. os educadores vieram a "perceber que é possível estabelecer padrões definitivos para os vários produtos educacionais.) é uma especificação tão definida quanto a que se pode estabelecer para qualquer aspecto do trabalho da fábrica de aços”. na educação. A capacidade para adicionar a uma velocidade de 65 combinações por minuto (. que se estabeleçam padrões. o estabelecimento de um padrão permitiria acabar com essa variação. de certa forma..

esse currículo era herdeiro do currículo das chamadas "artes liberais" que. na forma dos chamados trivium (gramática. servia para exercitar os "músculos mentais". Basicamente.pouco serviam como preparação para o trabalho da vida profissional contemporânea. segundo a qual a aprendizagem de matérias como o latim. se estabelecera na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. O modelo progressista. O latim e o grego . O tecnocrático destacava a abstração e a suposta inutilidade . aqui. Obviamente. Não se aceitava. obviamente. incluindo o domínio das respectivas línguas. essas obras encarnavam as melhores realizações e os mais altos ideais do espírito humano. Supostamente. o objetivo era introduzir os estudantes ao repertório das grandes obras literárias e artísticas da herança clássica grega e latina. dialética) e quadrivium (astronomia.para a vida moderna e para as atividades laborais das habilidades e conhecimentos cultivados pelo currículo clássico. Por estar centrado nas matérias clássicas. no contexto da ampliação da escolarização de massas.institucionalização. o currículo humanista simplesmente desconsiderava a psicologia infantil. Como se sabe.e suas respectivas literaturas . nem mesmo os argumentos que no século XIX tinham sido desenvolvidos pela perspectiva do "exercício mental". o macho da espécie) que encarnasse esses ideais. atacava o currículo clássico por seu distanciamento dos interesses e das experiências das crianças e dos jovens. por exemplo. retórica. nesse modelo. Cada um dos modelos curriculares contemporâneos. o tecnocrático e o progressista atacam o modelo humanista por um flanco. o currículo clássico humanista tinha implicitamente uma "teoria" do currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . geometria. sobretudo aquele "centrado na criança". O conhecimento dessas obras não estava separado do objetivo de formar um homem (sim. aritmética). vindo da Antiguidade Clássica. sobretudo da escolarização secundária que era o foco do currículo 25 Copyright © 2007. de uma forma que podiam se aplicar a outros conteúdos. música. Ambas as contestações só puderam surgir.

Todos nós. ouvimos o quanto é essencial uma sólida formação inicial e continuada. A democratização da escolarização secundária significou também o fim do currículo humanista clássico. Onde o melhor que há nos seres humanos não estiver totalmente anestesiado. na fé que responde ao desvelamento dos mistérios do conhecimento com reverência e zelo (Maria Clara Bingemer). Faça a leitura do texto indicado abaixo. almejamos melhores condições de trabalho e lutamos por um plano de carreira com melhor remuneração. Débora Barreiros Universidade do Estado do Rio de Janeiro Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Onde não houver adicção. deixamos 26 Copyright © 2007. “As mudanças curriculares e a prática pedagógica” . E um aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .a Formação de professores pós LDB. Os modelos mais tradicionais de currículo. E ali germinará entre ambos um processo educativo que encontrará sua fonte na paixão pela vida. a partir dos anos 70. O currículo clássico só pôde sobreviver no contexto de uma escolarização secundária de acesso restrito à classe dominante. com o chamado movimento de “reconceitualização do currículo”. ali estará um professor. nos Estados Unidos. por sua vez. só iriam ser definitivamente contestados. tanto os técnicos quanto os progressistas de base psicológica. e responda o que é solicitado. Quantos de nós conseguimos? Se não conseguimos. professores. haverá paixão.clássico humanista.

3) Educação a Distância: uma estratégia de formação docente. Os estímulos e a valorização podem ser escassos. o que envolve a elaboração de novos processos de formação.. em universidades e institutos superiores de educação [.de trabalhar? Claro que não! O compromisso com a aprendizagem não nos deixa abandonar o barco. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Então. será dividida em quatro momentos: 1) Formação de professores pós-LDB. foi instituído que os cursos normais superiores passariam também a ser responsáveis pela 27 Copyright © 2007. utopia que não poderia ser alcançada de maneira tão rápida. Nesse quadro referencial. e 4) Educação inclusiva e a formação de professores. que “a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. 2) Competências e habilidades do professor: o que dizem as Diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica. com a publicação do Decreto n. Por se tratar de uma área ampla e complexa. com os debates e os movimentos sociais.]”. esta lei estabelece. que mesmo quase submerso ganha força a cada conquista de nossos alunos. Em decorrência..º 3276/99. Entretanto. foi intensificado o processo de formação docente. o que significa ser professor? Ser professor significa ser capaz de ressignificar o seu conhecimento e a sua experiência em cada contexto pedagógico em que se insere. em curso de licenciatura. em seu Art. Em outras palavras. mas o comprometimento com a prática pedagógica nos faz articular novos saberes. E que formação é exigida desse novo profissional? Este estudo tem como objetivo analisar alguns aspectos da formação inicial e continuada de professores no Brasil. de graduação plena. novas exigências e todos os aspectos legais da área. a formação de todos os professores em nível superior passou a ser considerada uma utopia para o quadro brasileiro. nº 9394/96. pois estabelece novas habilidades e saberes para esse novo profissional. que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). implica abertura e reflexão sobre as ações educativas. a partir da década de 1980. "As mudanças curriculares e a prática Pedagógica" Primeiramente cabe destacar que. 62.

a política focalizou as diretrizes curriculares para a formação inicial de professores para a educação básica em nível superior (AGUIAR. no período de 1995 a 2002. 2004). foram elaborados parâmetros curriculares. como registra o relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. enquanto na cidade esse número aumenta para 56.4%” (Agência Brasil. cujo percentual de professores sem a formação exigida pela lei é ainda alarmante: “apenas 21% dos profissionais que dão aula de 1ª a 4ª série nas escolas rurais têm graduação. 2007. com foco nas séries iniciais do ensino fundamental. ao Banco Mundial e a outros órgãos financiadores da educação brasileira. considerando que. Outro marco é o Parecer CNE/CEB nº 03/2003. A partir de 2001. o Ministério da Educação formulou e implementou um conjunto de políticas relacionado à formação continuada. O diploma. 1) para melhorar a qualidade da educação é essencial “melhorar o recrutamento. continua sendo exigido para os que dão aulas para alunos da 5ª à 8ª série e para o ensino médio. que implicava pensar no currículo dos cursos de formação de professores da educação básica com um diferencial.formação dos docentes da educação básica. não apenas direcionado aos cursos de Pedagogia. que aponta uma contradição na LDB e dispõe que os professores da educação infantil e da primeira etapa do fundamental precisam apenas do curso normal em nível de ensino médio para exercer o magistério. principalmente nas escolas das áreas rurais (que são quase metade das mais de 200 mil escolas públicas brasileiras). a formação. organizada pela UNESCO (1999. visto que exige um projeto amplo para ser compartilhado por todos os futuros docentes da licenciatura. de modo que os professores possam “responder ao que deles se espera”. No período de 1995 e 1999. p. alguns dados divulgados recentemente pela Agência Brasil apontam para uma questão crucial sobre a área. resultados notórios sobre a ampliação dos números de professores qualificados. diretrizes e referenciais para formação de professores. Os dados do Censo 2006 também ajudam a pensar em que ponto está a formação de professores exigida no país. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Apesar de toda mudança ocorrida nos últimos anos no que se referem à formação dos professores. Resumidamente. p. 28 Copyright © 2007. 1). o estatuto social e as condições de trabalho dos professores”. Tais ações ocorreram de modo a ampliar os espaços de formação e mostrar. porém.

trabalha práticas pedagógicas que conduzam à consagração da liberdade. 29 Copyright © 2007. Pró-Licenciatura.Essa reestruturação influencia diretamente as escolas. Atualmente. todos passam a recriar alternativas de ação político-pedagógica. de Educação a Distância e de Educação Superior do MEC. Um conjunto de ações de melhoria da qualidade do ensino. que tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a distância. o MEC desenvolve os seguintes programas para formação continuada de professores das redes públicas de educação: Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica. programa na modalidade a distância que busca a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. cujo objetivo é contribuir para a melhoria da formação dos professores e dos alunos. centros de pesquisa e desenvolvimento da educação. da educação infantil ao ensino médio. programa de formação inicial dos professores que não possuem a habilitação legal necessária. Destina-se aos professores da educação infantil em exercício nas creches e pré-escolas das redes públicas.Mobilização pela Qualidade da Educação. Programa Ética e cidadania. num trabalho conjunto com as universidades. É desenvolvido em parceria com as Secretarias de Educação Básica. Proinfantil. da convivência social. da solidariedade humana e da promoção e inclusão social. públicas e privadas sem fins lucrativos para realização de cursos de formação continuada para professores em exercício nas redes estaduais.curso de nível médio. Pró-Letramento . a sociedade e os professores. Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. comunitárias e confessionais. junto às instituições de ensino superior (IES) públicas. na modalidade Normal. Construindo valores na escola e na sociedade. fundamentalmente desenvolvido nas áreas de educação infantil e educação fundamental.

estamos ainda distantes da realidade almejada. deixo algumas perguntas: como promover a formação do professor dentro das competências e habilidades exigidas para o profissional do século XXI? Se a formação pedagógica é relevante para o exercício docente. que expectativas o profissional tem sobre sua natureza e formas de operacionalização? O que tem maior destaque na formação. Física. como demonstram os dados. Geografia e Língua Portuguesa e Língua Espanhola. a teoria ou a prática? (Publicado em 30 de outubro de 2007) 30 Copyright © 2007. Biologia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Entretanto. Matemática. História. Todos esses programas visam auxiliar os estados e municípios a cumprir a legislação vigente para o exercício da profissão docente.com a oferta de cursos de formação continuada para professores nas áreas de Química. Nessa perspectiva.

em responder à questão curricular fundamental: "o que ensinar?". é o livro Pedagogia do Oprimido. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. 57-63). Educação como prática da liberdade está ainda 31 Copyright © 2007. Pode-se dizer que seu esforço de teorização consiste. trazer para o estudo trechos do texto “Pedagogia do Oprimido versus Pedagogia dos Conteúdos” (2005 p. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . fazse necessário rever o tema na perspectiva do Tomaz Tadeu da Silva. pelo qual ele iria se tornar internacionalmente conhecido e reconhecido. Vamos discutir as ideias de Paulo Freire. Daí. entretanto. Silva (2005) se volta para os dois livros de Paulo Freire: Educação como prática da liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970). ele discute questões que estão relacionadas com aquelas que comumente estão associadas com teorias mais propriamente curriculares. é conhecida sua influência sobre as teorizações de autores e autoras mais diretamente ligados ao desenvolvimento de perspectivas mais propriamente curriculares. mas quando adentramos na teoria do currículo. Nesse texto. como ocorre com outras teorias pedagógicas. ao menos em parte.U NIDADE 6 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Em sua obra. segundo Tomaz Tadeu Da Silva. que ele considera como melhor representante do pensamento. Em sua preocupação com a questão epistemológica fundamental ("o que significa conhecer?"). que em seu livro “Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo”. discutindo alguns autores sobre este tema. busca em Paulo Freire uma análise comparativa dos currículos. Parece evidente que Paulo Freire não desenvolveu uma teorização especifica sobre currículo. Na verdade. Além disso. Paulo Freire desenvolveu uma obra que tem implicações importantes para a teorização sobre o currículo.

por sua vez. difere. É verdade que a análise que Freire faz da formação social brasileira na primeira parte de Educação como prática da liberdade é profundamente histórica e sociológica. precisamente. do marxismo humanista de Erich Fromm. Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utilizados por Freire 32 Copyright © 2007. Além disso. os elementos propriamente pedagógicos do pensamento de Freire estão aí pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicada a uma análise da formação social brasileira. das outras teorizações que iriam constituir as bases de uma teoria educacional crítica (Althusser. Bowles e Gintis). Está implícita na análise de Freire. uma crítica à escola tradicional. por outro lado. a centralidade do conceito de "desenvolvimento" é deslocada pelo de "revolução". Fanon). Em primeiro lugar. aqui. diferentemente daquelas teorizações. Freire adia a transformação da educação formal para depois da revolução.muito ligado ao pensamento da chamada "ideologia do desenvolvimento" que caracterizava o pensamento de esquerda da época. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . "desenvolvimento". Em segundo lugar. No segundo. em aspectos fundamentais. O foco está. em Pedagogia do Oprimido. Já a análise que Freire faz do processo de dominação em Pedagogia do Oprimido está baseada numa dialética hegeliana das relações entre senhor e servo. sua análise deve muito mais à filosofia do que à sociologia e à economia política. as críticas sociológicas da educação tomam como base a estrutura e o funcionamento da educação institucionalizada nos países desenvolvidos. Na verdade. da fenomenologia existencialista e cristã e de críticos do processo de dominação colonial (Memmi. Bourdieu e Passeron. Em seu primeiro livro. ampliada e modificada pela leitura do "primeiro Marx". a palavra-chave é. mas sua preocupação está voltada para o desenvolvimento da educação de adultos em países subordinados na ordem mundial. Pedagogia do Oprimido. muito menos na dominação como um reflexo das relações econômicas e muito mais na dinâmica própria do processo de dominação.

Na sua ênfase excessiva num verbalismo vazio.em sua análise estão claramente ausentes de análises mais estruturalistas da educação. "esperança" ou "humildade". 33 Copyright © 2007. de "amor". Finalmente. Essas diferenças refletem-se inclusive nos títulos dos respectivos livros: enquanto o de Freire ressalta o termo "pedagogia". Não se pode imaginar Althusser ou Bourdieu e Passeron falando. o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. mas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser. o educador exerce sempre um papel ativo. claramente. bem como as críticas à escola tradicional feitas pelos ideólogos da "Escola Nova". narrativo. a teorização de Freire é claramente pedagógica. enquanto o educando está limitado a uma recepção passiva. como faz Freire em Pedagogia do Oprimido e em livros posteriores. o livro de Bowles e Gintis. por exemplo. Na concepção bancária da educação. "fé nos homens". o conhecimento expresso no currículo tradicional está profundamente desligado da situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer. e o de Baudelot e Establet propõese. Nessa concepção. Freire ataca o caráter verbalista. A educação bancária expressa uma visão epistemológica que concebe o conhecimento como sendo constituído de informações e de fatos a serem simplesmente transferidos do professor para o aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . na medida em que ele não se limita a analisar como são a educação e a pedagogia existentes.bancário. dissertativo do currículo tradicional. Refletindo aqui a crítica mais cientificista ligada à "ideologia do desenvolvimento". a analisar a "escola capitalista na França". A crítica de Freire ao currículo existente está sintetizada no conceito de "educação bancária". oco. O conhecimento se confunde com um ato de depósito . sugere uma análise da escola na sociedade capitalista estadunidense.

Utilizando o conceito fenomenológico de “intenção”.Através do conceito de "educação problematizadora". para Freire. o educando é concebido em termos de falta. na medida em que apenas o educador exerce algum papel ativo relativo ao conhecimento. Conhecer envolve intercomunicação. é sempre “intencionado”. Ele não se limita a criticar o currículo implícito no conceito de "educação bancária". Em vez do diálogo. a perspectiva de Freire é claramente fenomenológica. O mundo . relativamente àqueles fatos e àquelas informações. dialogicamente. Para ele. Na perspectiva da educação problematizadora. ao invés disso. todos os sujeitos estão ativamente envolvidos no ato de conhecimento. É essa intersubjetividade do conhecimento que permite a Freire conceber o ato pedagógico como um ato dialógico.o objeto a ser conhecido não é simplesmente "comunicado". educador e educandos criam. 34 Copyright © 2007. Se conhecer é uma questão de depósito e acumulação de informações e fatos. Aqui. isto é. um conhecimento do mundo. Na educação bancária torna-se desnecessário o diálogo. de ignorância. É sobre essas bases que Freire vai desenvolver seu famoso "método". instruções detalhadas de como desenvolver um currículo que seja a expressão de sua concepção de "educação problematizadora". Isso significa que não existe uma separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece. Em vez disso. o conhecimento. há aqui uma comunicação unilateral. já em Pedagogia do Oprimido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Freire busca desenvolver uma concepção que possa se constituir numa alternativa à concepção bancária que ele critica. conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa. de carência. Na base dessa "educação problematizadora" está uma compreensão radicalmente diferente do que significa "conhecer". O currículo e a pedagogia se resumem ao papel de preenchimento daquela carência. intersubjetividade. Freire fornece. está sempre dirigido para alguma coisa. o ato pedagógico não consiste em simplesmente "comunicar o mundo".

A diferença relativamente às perspectivas tradicionais de currículo está na forma como se constroem esses "conteúdos programáticos". entretanto. 35 Copyright © 2007. tais como "conteúdos" e "conteúdos programáticos". Ele está bem consciente. expressões e conceitos bastante tradicionais.É curioso observar que Freire utiliza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para falar sobre currículo. da necessidade do desenvolvimento de um currículo que esteja de acordo com sua concepção de educação e pedagogia. neste livro.

mas o "conteúdo" é sempre resultado de uma pesquisa no universo experiencial dos próprios educandos. Contrariamente à representação que comumente se faz. interdisciplinarmente. em seu "método". Pode-se comparar. Na perspectiva de Freire. com os métodos seguidos por modelos mais tradicionais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é a própria experiência dos educandos que se torna a fonte primária de busca dos "temas significativos" ou "temas geradores" que vão constituir o "conteúdo programático" do currículo dos programas de educação de adultos. segundo Tomaz Tadeu Da Silva.U NIDADE 7 Objetivo: Analisar as concepções de currículo na perspectiva problematizadora de Paulo Freire e os modelos tradicionais de currículos. Paulo Freire concede uma importância central. Discutindo a Pedagogia do Oprimido versus a Pedagogia dos Conteúdos. Paulo Freire acredita que o "conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição. aos quais cabe. ao final. Tyler sugeria estudos sobre os aprendizes e sobre a vida ocupacional adulta bem como a opinião dos especialistas das diferentes disciplinas como fontes para o desenvolvimento de objetivos educacionais. quanto dos educadores diretamente envolvidos nas atividades pedagógicas. tudo isso filtrado pela filosofia e pela psicologia educacionais. Freire não nega o papel dos especialistas que. Vamos nesta unidade continuar com as reflexões sobre a percepção de Tomaz Tadeu da Silva sobre currículo. o método sugerido por Paulo Freire. por exemplo. 36 Copyright © 2007. devem organizar esses temas em unidades programáticas. os quais são também ativamente envolvidos nessa pesquisa. elaborar os "temas significativos" e fazer o que ele chama de "codificação". Ao menos em Pedagogia do Oprimido. ao papel tanto dos especialistas nas diversas disciplinas. nesse aspecto. mas a devolução organizada. como o de Tyler.

do teatro. quem sabe. Essa ampliação do que constitui cultura permite que se veja a chamada "cultura popular" como um conhecimento que legitimamente deve fazer parte do currículo. Embora Freire não desenvolva esse tema. ele fala em escolha do "conteúdo programático". O que ele destaca é a participação dos educandos nas várias etapas da construção deste "currículo programático". de uma perspectiva pós-colonialista sobre currículo. 37 Copyright © 2007. Numa operação visivelmente curricular.sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou em forma desestruturada". clássico. que deve ser feita em conjunto pelo educador e pelos educandos. o currículo tradicional. como criação e produção humana. segundo Freire. da literatura. naquele mundo que. Na concepção de cultura. essa crítica do conceito de cultura permite a Paulo Freire desenvolver uma perspectiva curricular que. Esse conteúdo programático deve ser buscado. naquela realidade. não se faz uma distinção entre cultura erudita e cultura popular. humanista. antecipando-se à influência posterior dos Estudos Culturais. apaga as fronteiras entre cultura erudita e cultura popular. de uma pedagogia pós-colonialista ou. A cultura é simplesmente o resultado de qualquer trabalho humano. O desenvolvimento dessa noção de cultura tem importantes implicações curriculares. de certa forma. pode-se dizer também que ele inicia o que se poderia chamar no presente contexto. está baseado precisamente numa definição da cultura como o conjunto das obras de "excelência" produzidas no campo das artes visuais. à definição cultural do currículo que iria caracterizar depois a influência dos estudos culturais sobre os estudos curriculares. entre “alta” e “baixa” cultura. que denominou de educação de grupos dominantes por um longo tempo. Mesmo que implicitamente. constitui o objeto do conhecimento intersubjetivo. da música. Ela não é definida por qualquer critério estético ou filosófico. Se Paulo Freire se antecipou. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . conjuntamente.

nos países que se tornavam independentes do domínio português. Paulo Freire antecipa. na situação anterior. Essa perspectiva procura privilegiar a perspectiva epistemológica dos povos dominados.Como se sabe. essa dimensão da obra de Paulo Freire pode talvez servir de inspiração para o desenvolvimento de um currículo pós-colonialista que responda às novas condições de dominação que caracterizam a "nova ordem mundial". sobretudo da forma como se manifesta em sua literatura. pela chamada "pedagogia histórico-crítica" ou "pedagogia crítico-social dos conteúdos". Saviani faz uma nítida separação entre educação e política. A educação torna-se política apenas na medida em que ela permite que as 38 Copyright © 2007. Tal como Freire. alguns dos temas que iriam. Numa era em que o tema do "multiculturalismo" ganha tanta centralidade. no início dos anos 80. desenvolvida por Demerval Saviani. se tornar centrais à teoria pós-colonialista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sobretudo em sua insistência no posicionamento epistemologicamente privilegiado dos grupos dominados: por estarem em posição dominada na estrutura que divide a sociedade entre dominantes e dominados. uma prática educacional que não consiga se distinguir da política perde sua especificidade. mas sua teorização focaliza questões que pertencem legitimamente ao campo dos estudos curriculares. Em oposição a Paulo Freire. desenvolvida. já em Pedagogia do Oprimido. A perspectiva de Freire era. a perspectiva pós-colonialista. claramente pós-colonialista. busca problematizar as relações de poder entre os países que. Para ele. na pedagogia e no currículo. O predomínio de Paulo Freire no campo educacional brasileiro seria contestado. Ao se concentrar na perspectiva de grupos dominados em países da América Latina e. eram colonizadores e aqueles que eram colonizados. sobretudo nos estudos literários. esses grupos tinham um conhecimento da dominação que os grupos dominantes não podiam ter. mais tarde. depois. Saviani não pretendia estar elaborando propriamente uma teoria do currículo.

a tarefa de uma pedagogia crítica consiste em transmitir aqueles conhecimentos universais que são considerados como patrimônio da humanidade e não dos grupos sociais que deles se apropriaram. a professora luta para que a sala de aula faça diferença na vida dos estudantes. entretanto. a enfatizar o papel do conhecimento do poder das classes subordinadas. Essa ligação limita-se. Diante da corrupção . PERGUNTAS:1. violência e tensão racial. uma evidente ligação entre conhecimento e poder. a deixar de ver qualquer conexão intrínseca entre conhecimento e poder.classes subordinadas se apropriem do conhecimento que ela transmite como um instrumento cultural que será utilizado na luta política mais ampla. dentre as pedagogias críticas. Assista O FILME: ESCRITORES DA LIBERDADE ( 2007). na teorização de Saviani.O que fez a professora cativar a atenção dos alunos? 2.História inspiradora envolvendo adolescentes criados no meio da violência e a professora que oferece o que eles mais precisam: uma voz própria. mas os métodos de sua aquisição. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Há. Nesse sentido a pedagogia de Saviani aparece como a única. para Saviani. Saviani critica tanto as pedagogias ativas mais liberais quanto a pedagogia libertadora freireana por enfatizarem não a aquisição do conhecimento.O que fez os alunos começarem a buscar a paz e não mais a violência? Por quê? 39 Copyright © 2007. Assim.

... de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes. daí ser preciso revisitar o conceito e as teorias sobre o currículo oculto. Diferenciar o Currículo Oculto. como forma de desocultar o currículo oculto: Quais questões uma teoria do currículo buscaria responder? Currículo oculto – conceito e teorias. sem fazer parte do currículo oficial. do Currículo Proposto no Planejamento Curricular Estabelecido Institucionalmente. como Ação do Cotidiano da Escola. p 78)." (SILVA. valores e orientações. contribuem. comportamentos.. Vale perguntar. Currículo Oculto Caros alunos! Discutir concepção de currículo passa pela questão de “ler e ver” nas entrelinhas. explícito.. Currículo oculto “O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que. 40 Copyright © 2007.U NIDADE 8 Objetivo: Identificar o currículo oculto nas práticas pedagógicas dos profissionais da educação. 2001.

A primeira pessoa a utilizar a expressão “currículo oculto”. um educador americano. mas que elas são também agentes de socialização e sendo um espaço social. escrever. 41 Copyright © 2007. é anterior. foi Philip Jackson. todas as discussões em torno do papel implícito e explícito da escolarização chegam a diferentes conclusões. o explícito e formal. em seu livro Life in Classrroms (1968) para referir-se às “características estruturais da sala de aula que contribuíam para o processo de socialização”. e o oculto e informal. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a origem da noção de currículo oculto. entre outros conteúdos”. Logo a ideia é de que o currículo escolar é concretizado de duas maneiras. tem um duplo currículo. Mas. calcular. a explícita e formal. mas todos concordam que as escolas não ensinam os alunos apenas a “ler. Segundo Giroux. e a implícita e informal. pois temos em 1938 John Dewey referindo-se a uma “aprendizagem colateral” de atitudes que ocorre de modo simultâneo ao currículo explícito.

A ideologia. o currículo oculto pode estar sendo utilizado na relação pedagógica sem que o professor perceba. porém não é possível separar os efeitos destas mensagens das de natureza cognitiva. etc. por exemplo. eram as relações sociais na escola. que são ligadas às experiências didáticas. Como lembramos. Isto é. a noção de ideologia desenvolvida por Althusser na segunda parte de seu famoso ensaio.). gestos e práticas corporais do que através de manifestações verbais.O currículo oculto é geralmente associado às mensagens de natureza afetiva. como atitudes e valores. através do "principio da correspondência". "Aprendia-se" a 42 Copyright © 2007. Althusser fornecia uma definição de ideologia que destacava sua dimensão prática e material. no qual há uma intenção oculta. Aqui. Ele utiliza a sua experiência para transmitir o conteúdo da disciplina e esta experiência é uma forma de currículo oculto. o sistema. As teorias do currículo oculto É sabido que embora não constitua propriamente uma teoria. que é conhecida por quem a ocultou (o professor. que eram responsáveis pela socialização de crianças e jovens nas normas e atitudes necessárias para uma boa adaptação às exigências do trabalho capitalista. A noção de currículo oculto estava implícita. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para uma noção que tinha características similares às que eram atribuídas ao "currículo oculto". o currículo oculto está junto com as normas de comportamento social como as de concepções de conhecimentos. mais do que seu conteúdo explícito. a noção de "currículo oculto" exerceu uma forte e estranha atração em quase todas as perspectivas críticas iniciais sobre currículo. apontavam de certa forma. A ideologia e os aparelhos ideológicos de estado. nessa definição expressava-se mais através de rituais. na análise que Bowles e Gintis fizeram da escola capitalista americana. Assim. Ele está oculto para o estudante. Mesmo que não diretamente relacionada à escola.

Consultar.com/question/index?qid=20070514064926AAvRosq.ideologia através dessas práticas: uma definição que se aproxima bastante da definição de currículo oculto. Mas é claro que o conceito de currículo oculto se estendeu para muito além desses exemplos. por exemplo. 43 Copyright © 2007. A teorização crítica. De que forma ele é possível de ser aplicado dentro de sala de aula? Apresente por escrito . tornando-o mais eficaz e com possibilidade de mudanças. em no máximo 25 linhas o perfil do educador com proposta demistificadora do currículo. é através da estrutura do currículo e da pedagogia que se aprendem os códigos de classe. sendo utilizado por praticamente toda perspectiva crítica de currículo em seu período inicial. conhecer. o importante desse estudo é saber o que fazer com um currículo oculto quando o encontramos. Atividade Dissertativa O currículo apresenta no seu escopo ideologias e crenças. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Na teorização de Bernstein.answers. discutir e analisar o currículo oculto implica na possibilidade de termos consciência de algo que está oculto e desocultá-lo.yahoo. http://br. Mas.

“no plano cultural. quando eles perguntam: 44 Copyright © 2007. do país. Segundo Lucíola Licínio C. etc.30). O público escolar mudou. ao mesmo tempo em que cria grupos de identidades tão importantes para o consumo. P.U NIDADE 9 Objetivo: Analisar a concepção de currículo multiculturalista O Currículo Multiculturalista e a Educação No mundo atual. da região. a globalização da cultura. Utilizamos o texto e imagem de Fernandes & Mota (2007) para refletir sobre as ideias do currículo multicultural. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . As necessidades sociais e culturais são outras. Santos. p. ameaça a afirmação cultural de diferentes segmentos sociais” (1997. viabilizada pelo desenvolvimento espantoso dos diferentes meios de comunicação. da nação. A globalização ocupou o espaço do bairro.rapidez nas comunicações devido à sofisticação da tecnologia acessa a informações. da cidade. deparamo-nos com uma nova ordem mundial .

brincar de matar índio. sua essência é visceralmente ambígua: de um lado. A educação brasileira não promove a tolerância como deveria. Os autores defendem o multiculturalismo como atitude de resistência e propõem como alternativa a um sistema curricular ultrapassado Foto: monumento em homenagem ao índio incendiado O que é um currículo multiculturalista Santos (2004) nos conta que um currículo multiculturalista implica em questões como diferença e identidade. de matar gente”. ao transcender os campos da Antropologia. é visto como uma solução para os “problemas” colocados à sociedade dominante. tomamos o multiculturalismo como um discurso que. lançando o foco reivindicações que antes eram 45 Copyright © 2007. Todavia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Aqui."Que coisa estranha. ganha o discurso da política. o multiculturalismo tem como origem as reivindicações dos grupos dominados e por outro lado.

A aceitação passiva de se acrescentar pontos de dada cultura em um discurso homogeneizador. não se coaduna com os interesses do multiculturalismo crítico. Antes. Neste caso. é imprescindível alterar o cânon curricular. (consultar em http://www.br/perspectivas/anais/GT0507. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . partindo-se do princípio de que toda e qualquer cultura apresenta pontos fortes e fracos.ichs. o multiculturalismo se apóia em uma ideologia que entende a diversidade numa perspectiva de mobilização política. Neste sentido. o discurso sobre o multiculturalismo crítico. querendo participar de diálogos interculturais. uma atitude “multiculturalista crítica” rejeita a apropriação de seu discurso: luta por seu espaço de representação. 46 Copyright © 2007. repetindo Santos (2004.ufop. p. 90). pacífico.legadas ao descaso.  privilegiar a diversidade cultural. Por isso. para refletir sobre “as formas pelas quais a diferença é produzida por relações sociais de assimetria”. em contrapartida àqueles validados pelo cânon da cultura dominante. como base das relações sociais democráticas.  difundir e conhecer saberes diversos.htm). “o multiculturalismo nos faz lembrar que a igualdade não pode ser obtida simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico”.  promover contatos interculturais. E. entende que a diversidade não pode ser um fim em si mesma: ela deve estar entrelaçada à justiça social. um currículo multicultural deve atender algumas expectativas:  preocupar-se em desfazer preconceitos e estereótipos. e nenhuma está em posição de superioridade em relação à outra. em detrimento à homogeneização gestada à lógica do capital excludente. com a aceitação do diferente e do diverso.

Psicologia e teoria educacional. Como povo. Doll apresenta sua visão de uma utopia de currículo “em que ninguém é dono da verdade e todos têm o direito de ser compreendidos”.tornou-se para as Ciências Sociais. realizou sonhos de uma vida mais folgada substituindo o trabalho pesado por máquinas. Currículo Científico O século XX é marcado por uma revolução intelectual e conceitual. Existe um contraste fundamental entre os sistemas abertos e fechados da estrutura pós-moderna emergente. aplicou essa estrutura de mudança à teoria do currículo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Caracteriza o currículo imaginado de quatro Rs: Rico. que leva à busca de novas maneiras de pensar e agir em todos os campos de empreendimento humano. social e educacional norte-americano durante sete ou oito décadas deste século. para a educação e o currículo. uma mudança de entendimento ampla e difundida. Relacional e Rigoroso de caráter aberto e experimental. Recursivo.U NIDADE 10 Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. temos a Ciência como uma das obsessões dominantes. e nem todos concordam com essa descrição. A Ciência spenceriana – é uma adaptação do empirismo de Isaac Newton e do racionalismo de René Descartes. um paradigma. Willian Doll. então. 47 Copyright © 2007. seus métodos na área intelectual dominaram – áreas da Filosofia. educador perceptivo. O paradigma moderno foi construído sobre o pensamento intelectual. “Pós-modernismo significa coisas diferentes para pessoas diferentes” afirma Willian Doll. Tornou a América-do-norte uma região líder entre as áreas industriais do mundo.

Avaliando o primeiro se tem uma compreensão melhor do último. 48 Copyright © 2007. Literatura. é preciso entender e fazer algumas distinções entre o modernismo e o pós-modernismo. Jencks diz ser uma mistura de princípios modernistas como “história”. dialética e desafiadora. Filosofia.. A estrutura pósmoderna é estrutural e simultaneamente.. O pluralismo é o “ismo” da nossa época.. outro aspecto destacado por Toulmim.”. “verdade” e “consistência. Administração. Para entendermos o novo paradigma e as implicações do currículo. paradoxal.(página 7) O pós-moderno presta atenção ao passado para. O pensamento pós-moderno invadiu as Artes. as Ciências Sociais e a Teologia. MODERNISMO E PÓS-MODERNISMO. orientada segundo o Iluminismo_ desenvolvido nos últimos 300 ou 400 anos (Toulmin. O paradigma pós-moderno eventualmente se desenvolverá sobre a Ciência. 1990). Segundo Stephen Toulmin. Uma Ciência contemporânea imbuída de criatividade e indeterminismo. [Nós precisamos] escolher e combinar as tradições seletivamente. Ciência. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . aberta e transformativa. o pós-modernismo é um movimento novo demais para definir a si mesmo e muito variado e dicotômico.O paradigma sobre o currículo e seus métodos é histórico _ produto de uma mentalidade específica ocidental. Matemática. numa visão do futur. O pós-modernismo apresenta uma natureza eclética: Conforme Jencks (1987) diz. o trazer esses códigos aos remanescentes. Humanidades.. eleger aqueles aspectos do passado e do presente que parecem mais relevantes para a tarefa em questão.

tecnocrática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Planejar um currículo que tanto acomode quanto estenda é um dos desafios educacionais do modo pós-moderno. moderno e pós . em cima/embaixo. e sim pela produção industrial. Utilizando a ciência. Nesta estrutura o pré-moderno abrange o período de tempo desde a história ocidental registrada até as revoluções científica e industrial dos séculos XVII e XVIII. claro/escuro podiam ser concebidas e definidas somente em termos da união destes opostos. Durante os séculos XVI e XVII. o determinismo causa efeito matematicamente mensurado. esta foi lentamente substituída por uma nova cosmologia matemática e mecanicista. Visionários sociais do século XVIII. Eles acreditavam que a riqueza agora seria criada não pela guerra. Newton desenvolveu no final do século XVII esta nova cosmologia. A parte mais importante desta visão. esta cosmologia chegou ao fim. A realidade e a existência pessoal consistiam na luta ou equilíbrio entre estes opostos. como estrutura organizadora. Os gregos desenvolveram uma epistemologia. A contínua melhoria material das vidas de todas as pessoas era vistos nas visões do iluminismo e Industrial como objetivo alcançáveis. uma Metafísica e uma Cosmologia em que qualidades como bom/mau. Augusto Comte e outros viram nascer uma nova era – uma era industrial. é possível categorizar a história do pensamente ocidental em três metaparadigmas: prémoderno.moderno. dependia de um universo fechado. especialmente a Física e a Astronomia. como Pierre Laplace. 49 Copyright © 2007. PARADIGMA MODERNO: UMA VISÃO FECHADA. liberalmente desenvolvido. Em certo nível este paradigma moderno representava uma visão aberta não uma visão fechada.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .COLL. POZO. Os conteúdos na Reforma: Ensino e aprendizagem de conceitos. Juan Ignácio et al. 50 Copyright © 2007. 2000. Porto Alegre: Artes Médicas. procedimentos e atitudes. César.

Não obstante. 1916. página 338. quer pessoais . Aplicado à educação isso significa: educar o indivíduo de acordo com suas capacidades. “The Elimination of Waste in Education”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . . Uma vez que nem sempre era possível chegar a um acordo sobre quais eram “as características” do “melhor” 51 Copyright © 2007. 269. O currículo tornou-se uma “preocupação nacional” (Kliebard. a virada do século realmente mostrou uma mudança de ênfase . página 2). pág. quer sociais. poderíamos inclusive dizer uma obsessão nacional. Public School Administration. -Bobbitt.que culturais.U NIDADE 11 Transforma o material bruto no produto para qual ele melhor se adapta. e o currículo cientifico estava baseado na eficiência e na padronização. especialmente o currículo “cientifico”).Cubberley. Franklin Bobbitt (1918) via o currículo como centrando-se nos déficits ou nas “deficiências dos indivíduos” (página 45) .do professor (epitomizado na América rural do século XIX por Mark Hopkins sentado na extremidade de um tronco de árvore para o currículo. 1986. Objetivo: Analisar o currículo numa perspectiva pós-moderna. Currículo Científico Estas citações refletem quão completamente e o pensamento do industrialismo permeava o pensamento social e o currículo escolar. As nossas escolas são em certo sentido nas quais os produtos brutos (as crianças) são moldados e transformados em produtos que satistifaçam às várias demandas da vida. 1912.

Nós definimos o bom ensino que resulta numa boa aprendizagem. parecem enfatizar primeiramente a escolha dos objetivos. eclético em natureza. não estou negando a observação de Hebert Kliebard (1986) de que o currículo norte-americano.trabalho. Jean Piaget e Noam Chomsky também desenvolveram estudos diagnósticos das capacidades de linguagem. A predeterminação dos objetos. transferido. seguidas por avaliações para determinar se os objetos foram atingidos. Embora eles discordassem sobre as origens das capacidades de linguagem. A intencionalidade 52 Copyright © 2007. A transmissão estrutura o nosso processo de ensino-aprendizagem. Bobbitt considerou importante ir ao próprio local de trabalho e medir isso em termos científicos. poderes que podiam gerar outros poderes num ciclo evolutivo interminável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . AS IDEIAS MODERNISTAS. Pelo contrário. A qualidade humana não é modelada ao igualarmos os sistemas vivos aos sistemas abertos ser humano significa ir além das estruturas biológicas e termodinâmicas. para que não sejam escolhidos objetivos inadequados. originou-se de um “compromisso não muito metódico” entre ideologias opostas (página 29). a seleção e organização das experiências para refletir esses objetivos. e que mesmo nessas ideologias concorrentes havia uma obediência geral aos princípios da ciência modernista. Ao retratar o currículo escolar como envolto no manto da ciência modernista.a competência: poderes que podiam tanto transformar quanto ser transformados. que deve agir como uma peneira na seleção de objetivos. ou “sobre o que constituí a eficiência social” (1918 página 51). Sobre currículo adotaram a versão fechada que significa através do foco o conhecimento é transmitido. estou dizendo que essas ideologias tiveram um efeito maior no nível da retórica e do discurso do que no nível da atividade de sala de aula. Tyler fala sobre “uma filosofia educacional aceitável” (página 13). ambos deixaram de lado os déficits de desempenho para focar os poderes potenciais .

portanto devemos adotar uma visão aberta para termos uma perspectiva cosmológica e ecológica. nós/outros. somos responsáveis pelo futuro dos outros e nosso. Entretanto. mas local. Neste caso só há transformação se houver interação do indivíduo com o meio ou o objeto de transformação. mente/corpo. comunicação) que os educadores e curricularistas admitem que atualmente precisem ser desenvolvidas e que caracterizam a qualidade do ser humano. Portanto. resoluções definições. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . professor/aluno. não pré-ordenada e criada e nem descoberta. Segundo o autor o discurso passado e recente sobre o currículo não prestou atenção à complexidade do pensamento humano e adotou o paradigma comportamentalista que J. pessoal e intelectual bem diferente.B Watson (1913) colocou “Não reconhece nenhuma linha divisória entre o homem e o animal”. currículo/pessoa. No entanto. Esta visão contribuiu para um conceito curricular em que o treinamento em atividades pré-escolhidas substituiu o desenvolvimento da capacidade transformativa.13) São essas capacidades (intencionalidades. (pág 158) Assim as atividades complexas desenvolvidas pelo homem e a capacidades que eles possuem acima e além dos animais foram desprezadas ou negligenciadas. autoorganização. ela depende em parte de nós e nossas ações. a abertura humana contém seu próprio paradoxo. molecular) essenciais para haver transformações. 53 Copyright © 2007. ao mesmo tempo o pós-modernismo busca uma integração eclética. biológico. O pós-modernismo propõe uma visão social. (consciente. esta integração é um processo vivo negociada. (cap. do sujeito/objeto.segundo o autor é uma parte importante do ser humano e parte da intencionalidade é o desejo e a ação relativos ao fechamento. É a interação complexa entre abertura e fechamento em vários níveis. Aquelas capacidades que nas palavras de Jerome Bruner (1973) nos permite “ir além da informação dada”.

e faça a Atividade 1. no link “Atividades”. 54 Copyright © 2007.Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. no site da ESAB. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. faz-se necessário conhecer um pouquinho de sua trajetória histórica: quem foi e o que fez. Paulo Freire. e mundialmente aclamado. voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. uma experiência que o levaria a se preocupar com os pobres e o ajudaria a construir seu método particular de ensino . Portanto. Paulo Freire conheceu a pobreza e a fome durante a depressão de 1929. Brasil.U NIDADE 12 Objetivo: Conhecer o educador Paulo Freire e suas contribuições para a educação. tendo influenciado o movimento chamado Pedagogia Crítica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Paulo Reglus Neves Freire educador brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. Nascido em 19 de setembro de 1921 de pais de classe média no Recife. 55 Copyright © 2007. Breve Biografia Do Educador Paulo Freire Sabemos que não é possível falar de educação sem ter em mente as ideias do grande educador brasileiro.

Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, ele nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor, numa escola do antigo segundo grau ensinando a língua portuguesa. Em 1944, ele se casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho. Os dois trabalharam juntos pelo resto de suas vidas e tiveram cinco filhos. Em 1946, Freire foi indicado Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres, Freire começou a se envolver com um movimento não ortodoxo chamado Teologia da Libertação. Uma vez que era necessário que o pobre soubesse ler e escrever para que tivesse o direito de votar nas eleições presidenciais. Em 1961, ele foi indicado para diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, e em 1962 ele teve sua primeira oportunidade para uma aplicação significante de suas teorias, quando ele ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em apenas 45 dias. Em resposta a esse experimento, o Governo Brasileiro aprovou a criação de centenas de círculos de cultura ao redor do país. Em 1964, o golpe militar extinguiu este esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida ele passou por um breve exílio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, Freire publicou seu primeiro livro, Educação como prática da liberdade. O livro foi bem recebido, e Freire foi convidado a ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969. No ano anterior, ele escrevera seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, o qual foi traduzido para vários idomas como o espanhol, o inglês em 1970, e até o Hebraico em 1981. Por ocasião da crise política entre a ditadura militar que governava o Brasil e o socialista-cristão Paulo Freire, o livro não foi publicado no Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo de liberalização cultural.
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Depois de um ano em Cambridge, Freire se mudou para Geneva, Suíça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial de Igrejas. Durante este tempo Freire atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente Guinea Bissau e Moçambique. Em 1979, ele já podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Freire se filiou ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi indicado Secretário de Educação para São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias sobre educação popular. O instituto mantém os arquivos de Paulo Freire. Freire morreu de ataque cardíaco em 2 de maio de 1997 às 6h53 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

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Paulo Freire http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=YzURD6CgVs4 www.paulofreire.org (INSTITUTO PAULO FREIRE) www.paulofreire.ufpb.br (BIBLIOTECA PAULO FREIRE) www.pucsp.br/paulofreire (CÁTEDRA PAULO FREIRE)

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Nessa perspectiva. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. Algumas Reflexões Sobre A Educação. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. consequentemente de professor reflexivo. a natureza. todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível. pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando. Assim. Sabemos que o educador democrático trabalha com os educandos. exigindo a presença de educadores e educandos criativos. a terra”. humildes e persistentes. A pesquisa se faz importante também. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. na perspectiva de Paulo Freire. incluímos aqui o resumo do livro “Pedagogia da Autonomia”. tem necessidade de buscar sempre novas e melhores formas de educar. os mares. Ensinar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo. A Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou as gentes. a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognoscíveis. com a finalidade de suscitar o espírito de pesquisador e. muito mais que de outras modalidades. 59 Copyright © 2007. segundo Paulo Freire. o professor de jovens e adultos. investigadores e inquietos. os rios.U NIDADE 13 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. rigorosamente curiosos.

Agindo em favor de uma sociedade mais justa e igualitária. através. já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. estará formando para um futuro melhor. Enfatiza alguns aspectos primordiais. é que esta obra se faz imprescindível. Alguns postulados apresentados no livro Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócioeducativo. 60 Copyright © 2007. conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . além de educar. Como eixo norteador de sua prática pedagógica. Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas. valorizando a curiosidade dos educandos e educadores. dos veículos de comunicação de massa. que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos. mas. É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos. como: simplicidade. porém nem sempre adotados pela sociedade atual. de uma formação crítica e consciente dos estudantes que. humanismo. atentando para a necessidade de formação ética dos educadores. principalmente. pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado. condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais. construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais. sobretudo com as de baixa renda. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno. bom senso (ética em geral) e esperança.O livro é uma obra que apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos. mantendo-se assim o status quo. valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade.

de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social. essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e. Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto. faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco. Segundo o autor. que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em suas socializações com os outros e com o professor. se comunica e que dá sugestões. que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la. que critica. Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro. sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza.Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. dessa maneira. Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos. Para Freire. Defende ainda que a teoria deva ser adequada à prática cotidiana do professor. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção[2]. sem questionamentos. estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo. porque ensinar não é transferir conhecimento. que opina. sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada. e esta consciência é que nos instiga 61 Copyright © 2007. temos consciência de que somos inacabados. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade. que tem sonhos. que pensa. ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções. pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho".

O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo. enfim. mas não determinado. portanto a autoavaliação um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica. Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado. Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética. pois ensinar exige humildade. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância. centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade. passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história. autoridade e competência no decorrer de sua prática docente. mas no alvoroço dos inquietos.a pesquisar. 62 Copyright © 2007. O educador não deve barrar a curiosidade do aluno. tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade. diminuindo a distância entre o discurso e a prática. sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças. No capítulo Ensinar é uma especificidade humana. pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação. pronto e inalterável. intuição. o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento. perceber criticamente e modificar o que está condicionado. sua capacidade de ir além. Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade. senso investigativo. julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária. O bom senso requer que sejamos coerentes.

A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos. para que o educando construa assim a sua autonomia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos. tendo na educação um instrumento de libertação. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. É com a mais brilhante 63 Copyright © 2007. neste livro. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam às vezes de maneira sutil. expressando a afetividade. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo. pois ameaçam confundir a curiosidade. indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas. demonstra que Paulo Freire escreve e discursa. construindo e redescobrindo estes saberes. O educador deve saber escutar. considerando que fomos programados mais para aprender e por consequência para ensinar. O propósito de resgatar as ideias de Freire. uma vez que o mesmo por si só já direciona o educador para a prática educativa amorosa e portanto. mas dando significados. pensante. com amor pelo que faz. a nosso ver. juntamente com o esclarecimento político dos educadores.Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. Para Freire. crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. Deve procurar mostrar o que pensa. não obstante transmitindo saberes. no livro. ensinar exige querer bem aos educandos. intervir e conhecer. porém de uma formação científica séria. isto é. acima de tudo. é o significado do ensinar. mostra que o prazer e o amor são os primeiros ingredientes para a transformação da sociedade. além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos. tem como objetivo refletir um pouco mais sobre as concepções educacionais. pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e consequentemente com os alunos. A reflexão sobre as palavras do texto. político. O educador como um ser histórico. buscando a qualidade. dos quais a educação também faz parte.

antes de qualquer coisa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. É a mensagem de que para ensinar precisamos. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale à pena. ambos crescem como seres humanos. 64 Copyright © 2007. Enfim. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. onde ambos aprendem ambos adquirem e sanam dúvidas. da importância de se poder fazer a diferença no sistema social.vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. no-econômico e no político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõem de meios financeiros para obter cultura e informação.

todos em idade de educação infantil. vizinhos ou seus alunos (se for o caso). Justifique sua escolha. Situem as características deste grupo num determinado período do desenvolvimento e busque estabelecer as relações entre os diferentes aspectos do desenvolvimento (afetivo. Dentre as mais comuns. 65 Copyright © 2007. ‘troca: o professor aprende com o aluno. Qual desses equívocos se identifica com a premissa “educandos e educadores são diferentes e é bom que o sejam. abaixo: Escolha um pequeno grupo de crianças. Que tal aplicar os conhecimentos sobre as teorias do desenvolvimento realizando a atividade de pesquisa e prática. físico e social)..Sabe-se que as contribuições de Paulo Freire sofreram inadequações quanto suas interpretações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ”e “partir dos conhecimentos dos educandos.. temos: “na sala de aula todos são iguais”. intelectual. ir além”. pode ser parentes. mas não são desiguais”...

na perspectiva de Paulo Freire. que é a “virtude de conviver com o diferente para poder brigar com o antagônico”. 66 Copyright © 2007. PEDAGOGIA DIALÓGICA Paulo Freire foi. Sua concepção de educação parte sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto. Outra virtude: a tolerância. “É preciso ter a coragem de nos experimentarmos democraticamente”. Entende que educação é processo de:  Diálogo crítico. Algumas Reflexões sobre a Educação. um educador humanista e militante.  Conscientização. Outra virtude fundamental é escutar as urgências e opções do educando. sem dúvida alguma. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não somente enquanto indivíduos. esperança. fé e confiança. Essa primeira virtude do diálogo consiste no respeito aos educandos. Uma Pedagogia para a Libertação. Nutre-se de amor.  Consciência articulada com a práxis. humildade.  Movimento de massas. segundo Paulo Freire. Diálogo é relação horizontal.U NIDADE 14 Objetivo: Discutir as concepções de educação a partir dos saberes necessários ao educador. mas também enquanto expressão de uma prática social.

dos que se julgam sábios.  O educador é o sujeito do processo. O diálogo é. jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela. econômicas e sociais que condicionam a vida humana. EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EDUCAÇÃO PROBLEMATIZADORA Na concepção bancária (Burguesa):  O educador é o que sabe e os educados. “Ninguém liberta ninguém. 67 Copyright © 2007. Tem um método dialético de pensar. aos que nada sabem.  O educador é o que pensa e os educandos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o “saber” é uma doação. A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem. entre oprimidos e opressores. enquanto os educandos são meros objetos. não separa teoria e prática. NA CONCEPÇÃO PROBLEMATIZADORA: Funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando: ambos aprendem juntos.Para Freire. portanto. ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. definindo-se a partir dessa perspectiva as exigências psicológicas. uma exigência existencial. A educação torna-se um ato de depositar (como nos bancos). Humanismo: Doutrina filosófica que tem no homem o valor supremo. os que não sabem. históricas. que possibilita a comunicação e permite ultrapassar o imediatamente vivido. educação é um processo de humanização.

porque a prepotência não exige competência ou respeito e dispensa explicações. mas também não pode abandoná-lo à própria sorte. 68 Copyright © 2007. afirmou ele. mas uma postura de quem deve dirigir os trabalhados e um estudo sério. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é a tomada de consciência de sua própria situação de oprimido. Nessa nova teoria de conhecimento. mas desumaniza. o saber mais importante. jamais chama os educados a pensar. O professor autoritário não humaniza. daí a necessidade de elaborar uma nova teoria do conhecimento. para ultrapassá-la. Freire acha que é muito mais cômodo. mais necessário para a libertação do oprimido. Respeitar o aluno não significa deixá-lo na ingenuidade. Significa assumir sua ingenuidade com ele. a fazer uma nova leitura de sua realidade. expressa pela dominação política e pela exploração econômica a que é submetido. Propõe a recepção passiva de um conhecimento empacotado. mas como estratégia para respeitar o saber do aluno que chega à escola. O PAPEL DIRETIVO DO EDUCADOR Paulo Freire não desconsiderava o papel diretivo e informativo da educação. O educador revolucionário. Essa diretividade não é uma posição de quem comanda para fazer uma coisa ou outra. para um educador. o ato de conhecimento na relação educativa. O educador libertador convida os educandos a um pensar crítico e reflexivo da realidade. ser autoritário.Paulo Freire refere-se à categoria diálogo não apenas como método. não pode manipular os alunos.

o método de iniciar o trabalho educativo pela fala (linguagem) dos alunos. O método de Paulo Freire procura aproximar a figura do professor. seus problemas. a relação entre teoria e prática. Educação é vida! 69 Copyright © 2007. eles próprios. mas existem pontos em comum como:  Respeito à liberdade de expressão individual. A educação deve ter uma visão do aluno como pessoa inteira. que no ensino tradicional encontra-se distante do aluno. desde que motivados interiormente para isso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . com sentimentos e emoções. Carl Rogers e a pedagogia centrada no aluno Freire não defendia o princípio da não diretividade como Rogers.  A aula não é o momento do depósito do conteúdo. à crença na possibilidade de os homens resolverem.  Provas e exames não são os únicos instrumentos de avaliação.  O aluno deve ser autor de sua aprendizagem. o trabalho cooperativo.Paulo Freire no contexto do pensamento pedagógico contemporâneo O pensamento de Paulo Freire pode ser relacionado com o de muitos educadores contemporâneos. John Dewey e a Escola Nova O que a pedagogia de Paulo Freire aproveita do pensamento de Jonh Dewey é a ideia de aprender fazendo.

a simplicidade e o otimismo são também características comuns aos dois educadores. A linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. A humildade. Através das palavras. 70 Copyright © 2007.Vygotsky e os educadores revolucionários soviéticos Em época e lugares diferentes. Enquanto Vygostsky enfoca a dinâmica psicológica. os seres humanos formulam generalizações. Freire se concentra no desenvolvimento de estratégias pedagógicas e na análise da linguagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . abstrações e outras formas do pensar. ambos perceberam a necessidade de associar a conquista da palavra à conquista da história.

mas devemos ter como embasamento o seu núcleo de abordagem e de pensar sobre a educação. possibilitador de novas atitudes paradigmáticas. metodologia de trabalho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a sua relação com o conhecimento. Parafraseando Paulo Freire. As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica ANÁLISE COMPARATIVA DE REFERENCIAIS EDUCACIONAIS A análise de referenciais sobre abordagens trabalhadas na educação tem como objetivo relembrar o caro cursista que como educador é muito importante termos bem definido nossa concepção educacional. diante do mundo e seu pensar sobre educação. a postura do professor. A percepção sobre o ensino. A aceitação por uma determinada abordagem pedagógica também será baliza para a forma como praticamos a avaliação e o olhar sobre o erro. Pois este parâmetro definirá nossas ações pedagógicas e relações interpessoais desenvolvidas no binômio professor – aluno. vai definir sua atitude. buscando superá-las.U NIDADE 15 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). A nomenclatura sobre estas duas concepções pode sofrer variação. o ambiente de sala de aula. mas a relação que 71 Copyright © 2007. digo que não é o uso de recursos educacionais que me faz um educador transformador. como possibilidade ou não de reconstrução do conhecimento. O quadro síntese que lhes é apresentado anuncia de forma clara e com propriedade sobre a Visão Tradicional e Novo Paradigma na Educação.

Quando sou aquela que ensina e aprende com seu aluno. quando me percebo ensinante a aprendente. o aprender a ser. multidimensional. o aprender a conviver. gerenciada de pelo Enfatiza o aprender a conhecer. É estimulador de um ambiente plural. ALUNO APRENDIZ Elemento passivo no Centro de referência agente e da autor ação do processo de ensino. 72 Copyright © 2007. do fragmentada conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .estabeleço do conhecimento com o meu aluno. o transmitir aprender a fazer. Quadro-Síntese Visão Tradicional VALORES/PERCEPÇÕES Novo Paradigma VALORES/PERCEPÇÕES Visão mecanicista e Visão sistêmica do conhecimento. mas pela concepção de aprendizagem. SALA DE AULA Espaço ensino. numa relação dialógica do saber. educacional. físico destinado AMBIENTE DE APRENDIZAGEM ao Não está delimitado por espaço físico. processo de aprendizagem. ENSINO EDUCAÇÃO Ação. instrutor. INSTRUTOR Foco do processo de ensino. EDUCADOR informações.

CONTEÚDOS Currículo disciplinas predeterminado, isoladas ou

CONTEÚDOS com Processo temas significativa

integrado do

de

construção

conhecimento,

fragmentados.

interdisciplinaridade.

Visão Tradicional
OBJETIVOS

Novo Paradigma
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Comportamentais função de

e

com Desenvolvimento

de

conhecimentos,,

controle

do habilidades e atitudes apropriadas para

professor sobre o conteúdo a realização de um propósito. ministrado.
MEIOS MEIOS

Servem pessoas.

para

treinar

as Desenvolvem formas sofisticadas de comunicação multidimensional e

sensorial que facilitam a aprendizagem.
RESULTADOS RESULTADOS

Alcance dos objetivos que Demonstração podem ser mensurados.

do

alcance

de

competência nas dimensões aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.

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DA PRÁTICA INSTRUCIONAL À PRÁXIS EDUCACIONAL Contextos: político,

econômico, social, científico, cultural, tecnológico.

(Direcionam um novo olhar sobre as práticas educacionais.) Educação Tradicional – paradigma de separação sujeito e objeto  fragmenta o conhecimento e suas estruturas. Educadores séc. XXI – fundamentados na nova visão do mundo  globalidade e atuação como integradores conhecimento e problemáticas contemporâneas. As formas de olhar e de representar a realidade definem um arcabouço conceitual  sujeitos / objetos
Referenciais para uma nova práxis educacional

 teoria cognitivista  teoria humanista  teoria sóciocrítica. O foco das três teorias:  o pensar crítico;  o pensar criativo;  a aplicação dos conhecimentos.
Fusão- aprender a conviver e aprender a ser  relações interpessoais.

74 Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

U

NIDADE

16

Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor), buscando superá-las. Os Pilares da Educação, Segundo Declaração da UNESCO De 2002. 1-QUANTO À DIMENSÃO: APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER Objetivo pedagógico: é o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico, com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento, ou seja, – aprender a conhecer e a pensar. (SAI)-_apresenta atitude de investigação e organização do conhecimento É o desenvolvimento de habilidades e procedimentos que levam o indivíduo a aprender a conhecer,... na escola, em museus e bibliotecas,... através das mídias e em ambientes fora da escola desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano, de seu saber e de suas aptidões, como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors, 1996:8). DESENVOLVIMENTO DO APRENDER A CONHECER Aprender a conhecer: interpretação da realidade – conceitos, princípios, fatos, proposições e teorias – visão global contextualizada. Prática tradicional: plano de curso – aula – conteúdo  temas  subtemas  divisão de tempo – transmissão de informação. Paradigma: construção do conhecimento e transferência para a vida cotidiana.“... modernidade educativa é a didática do aprender a conhecer, ou do saber pensar...”

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 interrogações divergentes. 76 Copyright © 2007. ATUAÇÃO DO PROFESSOR: METODOLOGIA Atua como mediador entre o saber sistematizado e as condições lógicas do aprendiz.  metáforas.  classificação. Em relação aos conteúdos Enfoque dedutivo: ideias gerais  conclusão  particular.  análise.  imaginação. 1993) Pensar crítico:  comparação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  pensar próprio. Pensar criativo:  tempestade de ideias.  paradoxos. criticar) para autorealização pessoal e social. atuar. Metodologias e estratégias devem priorizar o pensamento reflexivo (questionar.  argumentação. original. Enfoque indutivo: ideias particulares  conceitos  universal.  solução criativa de problemas. posicionarse.(Pedro Demo.

Aprendizagem – ocorre com produção de mudança em ações. novos paradigmas. Neste processo a pessoa acrescenta saberes pessoais e contextualiza o conhecimento. Educar para o êxito / habilidades e destrezas. Está ligada (para-sai) à questão da formação profissional. posicionamentos.  organização do pensamento – realidade-meio. produzindo desta forma. indissociáveis. Desenvolvimento do aprender a fazer: O aprender a fazer é a habilidade de usar o conhecimento de maneira original em situações específicas. análise. discutido  alternativas. como também de sua faculdade de julgar e de agir" (Delors. habilidades e atitudes.  integração com o meio e com o outro. aplicação do conhecimento em uma prática refletida e planejada. EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO:  experiências de aprendizagem – crítica. 77 Copyright © 2007. Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? …desenvolvendo uma educação permanente que permita uma "construção contínua do ser humano.Enfoque reflexivo / Criador: atividade intelectual  problema  avaliado. É transpor o conhecimento para a vida. Aprender a conhecer e aprender a fazer são. por meio de capacidades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . APRENDER A FAZER Objetivo pedagógico: estimular a transformação da teoria em ação. 1996:8). de seu saber e de suas aptidões.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . aprende a conhecer o outro e se conhecer através do outro.  Aprender a viver juntos envolve as relações interpessoais  sinergia  solução de conflitos  respeito ao outro. Isto é. Homem uno e singular e ao mesmo tempo múltiplo e complexo  conceitos de interdependência e inter relacionamento entre os seres. Esta dimensão refere-se à evolução da pessoa e a sua maneira de ser e de se autoconduzir. APRENDER A CONVIVER POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada. aprender a conhecer a pensar. DIMENSÃO APRENDER A SER Desenvolvendo suas habilidades e competências específicas de forma colaborativa no projeto. onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. 78 Copyright © 2007. com uma atitude de investigação e de organização do conhecimento. 2000) Desenvolvimento do aprender a ser / conviver Consciência individual e social  fortalecer a reflexão. de conviver e ser criativo. É o desenvolvimento do pensamento superior reflexivo e crítico. portanto. ou seja. mais efetivo e aprende a ser em relação ao outro. precisam aprender a viver em grupo. o aluno tem sua autoestima aumentada ... (Cortelazzo. Princípio unidade / diversidade.DIMENSÃO APRENDER A SER / APRENDER A CONVIVER Objetivo pedagógico: estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades individuais – cognitivas. torna-se mais produtivo. se as pessoas que aí vivem. de ser pessoa. fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que.

juízos. mas possibilitar vivências. Conviver / Dinâmica grupal – aprimora o processo de crescimento psicológico e de tomada de consciência subjetiva. psicodramas.Indicadores do processo de desenvolvimento da dimensão ser / conviver: Autoconceito  a imagem. 79 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . analogias. exercício da fluência de ideias e cultivo do pensamento divergente e inovador. PENSAR CRIATIVO Estimular o pensamento criativo não significa ensinar criatividade (disciplina). Ex: Técnicas: tempestade de ideias. descrições sobre os outros e si mesmos. o conceito que uma pessoa tem de si reflete-se na formação de inferências. sentimentos.

governado por estímulos do meio externo. Em 1995. doutorou-se em Harvard (1931). afirma que o homem é um ser manipulável. psicólogo e biólogo suíço. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Skinner afirma que o nosso comportamento só pode ser explicado mediante um rígido determinismo. Jean Piaget. lecionou nas Universidades de Minnesota e de Indiana. BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS condicionamento clássico. psicólogo norte-americano. foi autor de importantes trabalhos sobre a aprendizagem e o ensino programado. Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais. autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento PIAGET e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética. Firmado como um dos principais behavioristas. no processo de aprendizagem que consiste Skinner na formação de uma associação entre um estímulo e uma resposta aprendida através da contiguidade. buscando superá-las. em Genebra. suas principais obras são sobre o behaviorismo e o mito da liberdade. Acredita na aprendizagem por consequências recompensadas e pelo Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). respectivamente. a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau.U NIDADE 17 Burrhus Frederic Skinner. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógicas. funda o Centro de Estudos de Epistemologia 80 Copyright © 2007. Skinner afirma ainda que o fracasso dos professores esteja na negligência do método. nascido em 1896 e falecido em 1980. Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. nascido na França em 1904 e falecido em 1990.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O professor deve depositar no aluno confiança. o mesmo acredita que a aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar é relacionada com seus 81 Copyright © 2007. formou-se na Universidade de Colúmbia. críticas e pensadoras. O terceiro período de dá dos 11 aos 15 anos. psicólogo norte-americano. e esta relação deve ser aberta. quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo. a criança começa a pensar logicamente. onde também transpôs para a educação sua concepção terapêutica. Em 1945.Genética. e suas aplicações à educação e a outros campos. Piaget critica severamente à escola tradicional. lecionou na Universidade de Rochester. Nascido em 1902 e falecido em 1987. fez uma exposição geral do seu método não diretivo. apreço. o facilitador Rogers (professor) deve ser uma pessoa real. afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança. onde passou a ser diretor. sem ostentar uma simples aparência no contato com os alunos. crédito. Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. Rogers diz que para facilitação da aprendizagem. O segundo período se dá dos 7 aos 11 anos. de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento. verdadeira. a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. foi professor de Psicologia na Universidade de Chicago e secretário executivo do Centro de Aconselhamento Terapêutico. Rogers acredita que os seres humanos têm natural potencialidade de aprender. impede a formação de inteligências inventivas. o primeiro período se dá dos 2 aos 7 anos de idade. onde as habilidades como a linguagem e o desenho são Piaget desenvolvidos. sem mascarações. elaborou e definiu seu método de terapia centrada no cliente. onde se especializou em problemas infantis.

Freire enfatizando a transformação da prática cria a categoria pedagógica da conscientização. que assessorou diversos movimentos populares em vários locais do mundo. criou a IDAC (Instituto de Paulo Freire Ação Cultural). em Genebra. Em 1963. aplicada à educação. do PT. “A importância do ato de ler”. Toda a sua obra é voltada para uma teoria do conhecimento. e falecido em 1997. Paulo Freire nascido em 1921 em Recife. o qual determinou sua prisão.próprios objetivos. participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife. Citamos como algumas de suas obras: “Educação como prática de Liberdade”. Formou-se em Direito na Universidade de Recife. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. a qual visa à formação da autonomia intelectual do cidadão para intervir sobre a realidade. Entre 1957 e 1963 lecionou História e Filosofia da Educação. Retornando do exílio. “Cartas à Guiné Bissau”. junto a outros brasileiros exilados. na gestão da prefeita Luisa Erundina. após suas primeiras experiências com educação de trabalhadores. e a mesma deve ter uma contínua abertura à experiência e à incorporação dentro de si mesmo. sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática e a teoria se inter-relacionam num processo de constante aperfeiçoamento. seu método ganha forma com o movimento de Cultura Popular de Recife. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Em 1970. “Pedagogia do Oprimido”. Freire continua com suas atividades e assume cargos em Universidades e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. do processo de mudança. Em 1964. “Vivendo e aprendendo”. Em 1961. 82 Copyright © 2007. suas atividades são interrompidas com o Golpe Militar de 1964.

cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. transmissões Piaget sociais e culturais. envolvendo seu cotidiano. Rogers valoriza a autocrítica. coloca o indivíduo como transformador da realidade através de um trabalho de conscientização e politização. critica os mecanismos de introjeção da Freire Ideologia dominante. equilibração. o mesmo acredita na questão do reforço (treino. criatividade e autoconfiança. A mesma apresenta também dimensões interacionistas. um professor real. cujo objetivo baseia-se no condicionamento do ser humano. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Para que haja interesse. Acredita que os seres humanos têm um potencial natural de aprender. exercício. Skinner Segundo Skinner o homem é um ser manipulável. e a mesma acontece quando o aluno participa deste processo.PARALELO DAS IDEIAS PEDAGÓGICAS Problemas resolvidos através de uma tecnologia do comportamento. Rogers afirma que é por meio de Rogers atos que se adquire uma aprendizagem mais significativa. a passividade de professores e alunos transmitirem e receberem um "conhecimento empacotado" o que 83 Copyright © 2007. experiências físicas. e o indivíduo aparece como produto do meio. Suas teorias apresentam tendências construtivistas. e a avaliação sobre outros olhares. onde o progresso do indivíduo é limitado por si mesmo. o conteúdo deve ter valor para o aluno. ser uma pessoa. Engloba-se dentro de um pensamento pedagógico progressista. Acredita nas concepções tradicionais. acreditando que estas ações contribuem para a autonomia. como aumento de produção. são fatores desenvolvidos nesta teoria. Afirma que o educador deve assumir princípios e valores. Propôs quanto à questão do facilitador. no papel estruturante do sujeito. Maturação. prática). governado por estímulos do meio externo. a autoapreciação.

deve ser realizado dentro de um contexto social. 84 Copyright © 2007. os materiais devem ser concretos. as situações que produzirão o conhecimento. envolve a compreensão da realidade. superando as barreiras chamadas “mecanismos”. De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo). Tem sua preocupação voltada para a alfabetização de jovens e adultos. como um ato criador. o qual se dá em etapas Piaget sucessivas. onde alunos são objetos no processo da aprendizagem da leitura e da escrita. onde o aluno tem Skinner que repetir exatamente igual. mas deveria ser proporcionada uma educação politizada. como por exemplo: um prêmio para o vencedor. e a criança o construirá. O professor traz para suas aulas um modelo pronto. acreditando que o indivíduo não devia ser alfabetizado Freire apenas para a leitura e escrita. Propõe liberdade para o indivíduo construir. E para que isso aconteça o professor usa estímulos. Freire afirma que o aprendizado da leitura e da escrita. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o aluno tem liberdade de direcionar e conduzir o seu processo de aprendizagem. PERFIL DO MODELO DE PROCESSO PEDAGÓGICO Propõe o conhecimento como algo que vem do exterior para o interior. acreditando Rogers que o indivíduo tem dentro de si a capacidade de compreender os fatores de sua vida. considerando que a criança passa por todas as etapas.aumenta o índice de analfabetismo. O aluno deve vivenciar a prática.

Freinet é considerado como um grande crítico da escola tradicional.U NIDADE 18 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). De acordo com Freinet devem ser proporcionadas oportunidades para que se produza o conhecimento. As Concepções Educacionais e suas implicações na Relação Pedagógica BIOGRAFIA E IDEIAS PRINCIPAIS Nascido na França em 1896 e falecido em 1966. buscando superá-las. Freinet afirmava a existência de uma dependência entre a escola e o meio social. foi um dos educadores mais marcantes da escola fundamental de seu país. afirmando que esses instrumentos aprofundam o conhecimento e o desenvolvimento de sua ação. onde o trabalho tinha posição central. como metodologia. 85 Copyright © 2007. lutou na 1ª Guerra Mundial. sua principal obra foi o livro “Educação pelo trabalho”. o qual apresentou Freinet um confronto entre a escola tradicional e a escola proposta por ele. e buscava pela necessidade tentativas de experiências renovadoras de ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e são necessárias técnicas construídas com base na experimentação e documentação.

doutorou-se pela Universidade de Genebra. As crianças interpretam o ensino que recebem. Ferreiro contribuiu para a compreensão do processo de aprendizagem. o valor das letras e sílabas. Seus trabalhos e pesquisas demonstraram uma preocupação em integrar os objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e cultural. no que se refere à alfabetização.Emília Ferreiro. onde a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada. e que emergem de uma forma muito particular em cada um dos sujeitos. que favoreçam a reflexão sobre a escrita. silábico-alfabética. e a alfabética onde a criança domina. a mesma afirma que a criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica.É pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional. 86 Copyright © 2007. orientada por Piaget. transformando a escrita convencional e produzindo escritas estranhas ao adulto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . (SAI atualmente aos 62 anos) . Para Ferreiro. pois as crianças não chegam na escola vazia. Desenvolveu trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita. silábica onde a criança interpreta a letra à sua maneira. os quais surgem da interação com a linguagem Ferreiro escrita. não existe um método com todos os passos predeterminados. psicolinguística argentina. foi professora em várias Universidades latino-americanas e européias. cabe ao professor organizar atividades. enfim. onde a criança mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas. De acordo com Ferreiro é preciso diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização. apesar de a criança construir seu próprio conhecimento. demonstrando a existência de mecanismos no sujeito que aprende. no México. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita. atribuindo o valor de sílaba a cada letra.

no qual o mesmo é transformador dessas ações. 87 Copyright © 2007. e atualmente seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo. pensamento e linguagem. É no processo de ensinoaprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo. também fez cursos de medicina. e no Brasil só início da década de 80. De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas Vygotsky nas relações sociais que o homem mantém. formado em Direito. Quanto ao conhecimento Vygotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco desafiador ir além do que ela pode aprender é ineficaz. Este pensador teve uma produção intelectual intensa. E a educação como um processo social. afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. Construtor de propostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação. nascido em 1896 e falecido em 1934. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . onde o professor torna-se figura fundamental. de origem belgo-russo. para ampliar seu conhecimento". sendo a aprendizagem um processo essencialmente social. sistemático de construção da humanidade. que ocorre na interação com os adultos e os colegas. que age sobre o mundo sempre em relações sociais. sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. um parceiro importante na “Educação”.Lev Semenovich Vigotsky. sobretudo pela interação social. aos 37 anos de idade. o colega de classe. o ideal é partir do que ela domina. e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. Para Vygotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá. Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60. entendia o homem como um ser ativo. Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético ( Karl Marx) para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista na Psicologia. história e filosofia.

-Homem é visto como um robô do meio em estágios. de forma direta da construção do 88 desenvolvimento da criança. aprendizag Piaget é a pessoa em é a conexão entre o estímulo e a resposta e que o que constrói seu próprio conhecimento. Ferreiro afirma gem se dá iniciado por através do palavras tateio conhecidas pelos sobre a importância de respeitar o nível de desenvolviment o do aluno.Homem ser sozinha. mas .A criança geradoras”. entre mestres e alunos (identificando-se neste ponto com Copyright © 2007. -A aprendizage m da criança inicia-se desde o seu1º dia de vida. A relação entre o educador e o aluno é o meio.O professor deve através da incentivar ao máximo o diálogo respeitar o nível de habilidade prospectiva e que não é porque não o aluno participa retrospectiva.Importância de a educação . . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ferreiro coloca que os alunos nunca chegam à escola vazios. .De acordo com entre os seres humanos. .Processo de alfabetização Vigotsky -A Ferreiro . Aprendiza gem pensar o desenvolvime nto da criança de maneira Freire a pedagogia deveria ser flexível.E como Piaget. e é preciso diagnosticar seu grau de conhecimento antes de iniciar o processo de alfabetização. sim uma ação cultural que resultaria numa será neutro. manipulável. até a maturidade intelectual.Processo aparecimen ações mútuas não avança educativo nunca to do entre o indivíduo e estímulo evoca a resposta.De acordo com Freinet -A aprendiza Freire .Como Vigotsky.Como Piaget. . . aprender que governado evolui por por estímulos do meio ambiente externo. participativa e . .A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de relação de domínio crucial para ou de liberdade a aprendizag em. Não pode ir além de da vida na escola.COMPARAÇÃO DE IDEIAS E PRINCIPAIS PONTOS DE SUPERAÇÃO Skinner -A Piaget . onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas aprendizage Ferreiro afirma m se dá sobre tudo pela interação social. experimen alunos “palavras tal.

que alunos estão inseridos.que vive cuja natureza sua capacidade. o ento ambiental.Professores conhecimento é e colegas buscado e construído. onde o Desenvolvim ento é um processo acontece de conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo. condicionam ser manipulável. qual aprende através de palavras fora de um formam um Valorização contexto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . - Freinet.O indivíduo não deve apenas aprender formar e controlada considera o pelo indivíduo como um situações onde o . nem deixá-las agir sozinha. . manipulada todos os pontos as em que os teorias propostas por Skinner. conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvime nto da criança. mas da livre compreender na condicionamentos. próprio papel. cabe ao professor proporcionar Consideraç mesmo enfatiza a ão da realidade importância da interação entre comportame Superando em ntal é moldada. 89 Copyright © 2007. fora para dentro. - mestre e educador). consciência sociedade seu dos alunos.

Assim.no fundo. como por exemplo. todo o conteúdo. 90 Copyright © 2007. cuja missão é repassar todas as informações. de saberes. de um lado. Didaticamente. com uma passividade também frenética. quando ele apresenta dificuldade de expressão. Como princípio fundamental. ela transforma-se numa tortura intelectual: o aluno tenta anotar o que houve e não entende o que está ouvindo. o professor autoritário impõe um ritmo frenético à sua própria atividade e espera que os alunos absorvam. A maioria das aulas se transforma num ditado . trabalhar na perspectiva de uma profunda e efetiva transformação social. pois não há tempo para que o aluno reflita sobre o que está anotando. cópia de um texto oral. Ocorre. Concepção autoritária Nesta concepção. a aula torna-se suportável. buscando superá-las. É o descortinamento de vida. O professor se coloca como único detentor do conhecimento. os conhecimentos por ele demonstrados. a uma audição interminável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Quando o professor tem boa verbalização (discurso coerente. acredito que ensinar a ler e a escrever é mais que uma revolução. consistente e claro). de outro. os procedimentos didáticos reduzem-se a exposição sem fim. de revelações e ações” As Concepções Educacionais e suas Implicações na Relação Pedagógica Faz-se necessário refletir sobre as concepções educacionais e como essas se realizam e a partir daí. acompanhada de anotações mecânicas. é bom relembrar as características de tais concepções.U NIDADE 19 Objetivo: Identificar as concepções que permeiam e permearam as práticas pedagógicas (o trabalho do professor). “Seduzida por uma antiga paixão que é o ato de educar. “esgotar o programa ou o livro didático adotado”.

tudo o que foi dado em aula. com a vida do aluno. do controle. objetivos e procedimentos e. Ainda que haja.então. que pouco ou nada têm a ver com as demais séries. anteriores e posteriores. ouvem-nas. além de não levarem em conta a realidade dos alunos e seus conhecimentos adquiridos em outros meios. estabelece uma relação com os alunos cm que o respeito mútuo não se constrói no reconhecimento das diferenças igualitárias. nem. mesmo exigindo a aquisição do livro didático.quase sempre anteriores aos primeiros contactos com os discentes . uma denúncia da burocratização do ensino. generalizadamente. passivamente. mas nas distinções hierarquizadoras. Nas famosas semanas de planejamento . expressa na ansiedade de anotarem até os suspiros do professor . do que às necessidades dos alunos. da preocupação com a hierarquia e a busca do consenso está na insegurança do professor.formulam-se os planos de curso que. um processo mais ou menos semelhante ao de alguém que assiste a um filme com legendas: "lê-se" o filme. na maioria das vezes. Na maioria de nossas escolas. Raramente articulam conteúdos. 91 Copyright © 2007. É muito comum a angústia dos alunos. a raiz da imposição. os professores autoritários continuam atendendo. nas verificações da aprendizagem. O plano de curso apresenta-se como uma entidade autônoma de dependências internas (unidades-programa). No que diz respeito ao Relacionamento. não leva os alunos a utilizá-Ia e cobra. Na verdade. muito menos. Valendo-se de uma definição institucional da autoridade. não se ouve a trilha sonora nem se aprecia a beleza das imagens. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . são meros elencos sequenciais de conteúdos programáticos. dificuldades prérequisitais. Aliás. reduzem-se a simples programas de série. referem-se ao curso como um todo (integração vertical).especialmente daquele que. códigos próprios etc. muito menos. muito mais às exigências fiscalizadoras dos órgãos intermediários. os alunos nem assistem às aulas. assistir às aulas já é uma expressão denotativa da cultura da passividade imposta ao discente.

] renunciar a toda disciplina. toda instrução religiosa. Neill (19970. quando muito. São os famosos estudos dirigidos sem direção. ao lado da passividade do educador (sua presença é necessária?).. à autoaprendizagem. sem qualquer constrangimento que pudesse causar traumas ou neuroses. mas anárquicas. na medida em que não é necessário grande empenho e. os inúmeros trabalhos exigidos dos alunos (que fazem meras colagens) e que nunca são corrigidos detalhadamente. para que os alunos percebam os aperfeiçoamentos necessários. de A. Na realidade.Concepção anárquica "[.. A didática consiste em não usar qualquer didática. a indiferença quanto ao ambiente necessário à concentração e ao trabalho intelectual. como ocorre na maioria das vezes. trabalho. negociadas no próprio coletivo dos discentes. muito menos. o dissenso generalizado. a substituição de docentes por discentes (sem a finalidade precípua de prepará-Ios para o magistério). Na permissividade gerada pela ausência de diretriz tudo é possível: ou o consenso. p. toda moral preconcebida. numa espécie de democratismo confortável (para o educador). Nas escolas brasileiras não se observam às propostas anarquistas. ou melhor. S. toda sugestão. 22) certamente é a maior inspiração do que estamos denominando por concepção anárquica. essa verdadeira antipedagogia foi uma tentativa de aplicação dos princípios psicanalíticos a projeto escolar. o ludismo inspirado no engodo de que só se aprende brincando. Na concepção anárquica dá-se ênfase à aprendizagem. princípio fundamental da Escola de Summerhill. mas algo que dela se aproxima. preconizando a abstenção dos educadores. seja ela qual for". ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . dependendo de suas disposições individuais. como as primeiras. manifesta-se uma grande atividade ou não dos educandos. que não são fruto. deixando ao aluno o livre curso para as manifestações automotivadas ou. Assim. ... de modo a viabilizar somente a satisfação dos desejos do educando. ou o conflito. ou. 92 Copyright © 2007. a liberação de aulas sob a pressão dos mais fúteis motivos etc. de deliberações doutrinárias.

como dizia Goldmann (1978. como afirma Newton Freire Maia (1991. teorias. Não se forma o cidadão sem a Escola Cidadã. Ao invés da preocupação com a “ciência-disciplina: conjunto de descrições. 48)”. interpretações. pela mútua persuasão. Ninguém se impõe a ninguém. p. E só ela é capaz de resgatar a qualidade do trabalho escolar. isto é. Enquanto a primeira está preocupada com as leis. 18). os papéis são reconhecidos pelas competências específicas. a segunda volta-se para uma espécie de "correção progressiva dos dados da experiência e da reflexão". verdades absolutas e universais. ampliação e revisão. etc. p. no sentido de ser instrumento eficiente e eficaz da transformação social. modelos. Sempre se oportunizam fora dos já consagrados modos 93 Copyright © 2007. legitimadas pelas descobertas compartilhadas e pela racionalidade dos avanços. “a contínua elaboração. Partindo do princípio de que todo ser humano é capaz de aprender (e também de ensinar). isto é. perseguidos. neutralidade científica. sem hierarquizações dos atores escolares. juízos de fato.Concepção democrática A concepção democrática (segundo GADOTTI & ROMÃO. a relação professor e aluno torna-se um processo de constante ensino e aprendizagem de mão dupla: os caminhos do ensino descortinam horizontes para a aprendizagem e esta revela instrumentos e mecanismos para o aperfeiçoamento do primeiro. postulados. com fronteiras nitidamente definidas e grau crescente de complexidade. axiomas. claramente explícitos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . leis. sem que se respeitem às diferenças. O controle ou a permissividade são substituídos pela negociação. ritmos e histórias de vida próprios. 2000) representa a síntese dialética (não eclética) entre as posições autoritárias e as anárquicas. mas um espaço de respeito pelas diferenças. Nessa concepção trabalha-se com objetivos. para cuja formulação contribuem todos os envolvidos no processo. oportunidades de rompimento com fronteiras ortodoxamente estabelecidas. busca-se a “ciência-processo”.”. metódica e sistematicamente. e as divergências (sempre presentes) não constituem mero exercício de esgrima intelectual ou uma disputa em si.

trabalharão o tempo todo: o primeiro.diferentes de se resolverem situações-problema (muitas vezes. descobridor. 94 Copyright © 2007. plasmar o aluno (como se costuma dizer). com economia de energia e de tempo). ambos. O educando como puro "objeto" da educação. cosistematizador e coavaliador/avaliado. incentivador. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . É a atitude ingênua mais frequente supor que cabe ao educador formar. o saber. E. como provocador. sistematizador e avaliador. colocando criticamente seu ponto de vista. o segundo. professor e aluno. A segurança de todos não se estabelece em hierarquias previamente institucionalizadas ou pactuadas. Discuta com seus colegas sobre esta temática. Essas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. como provocado. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. mas na descoberta progressiva dos papéis e funções diferenciados.

não inclui em sua representação da realidade exterior e de si mesma a compreensão das condições e determinantes que a fazem pensar tal como pensa.. da totalidade da realidade objetiva que sobre ela influi (o que só ocorre com a consciência crítica). Assim. porém não chega a ser uma autoconsciência. porém não se identifica com a autoconsciência. A consciência ingênua pode refletir sobre si. que tem como conceito a representação mental da realidade exterior. porque esta só existe quando a percepção do estado presente da consciência é acompanhada da ideia clara de todos seus determinantes. Não inclui a referência ao mundo objetivo como seu determinante fundamental. as ideias se originam das ideias. tomar-se a si mesmo como objeto de sua compreensão. Por isso julga-se um ponto de partida absoluto. 95 Copyright © 2007. Reflexão sobre as Concepções de Educação: Crítica e Ingênua. do sujeito. acredita que suas ideias vêm dela mesma. A realidade é apenas recebida ou enquadrada em um sistema de ideias que se cria por si mesmo. do objeto. uma origem incondicional. isto é. E. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 20 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. A simples reflexão sobre si pode ser apenas introspecção. e a representação mental de si. consciência ingênua é aquela que . 2000).por motivos que cabe à análise filosófica examinar . faz-se necessário resgatar a noção de consciência. a autoconsciência (VIEIRA PINTO. do mundo. A concepção ingênua A concepção ingênua é aquela que procede de uma consciência ingênua. Antes da discussão sobre as concepções da consciência ingênua e crítica.

Inclui necessariamente a referência à objetividade como origem de seu modo de ser. Estes pertencem ao mundo real. em particular.A consciência crítica A consciência crítica é a representação mental do mundo exterior e de si. pois está ligada a um mundo objetivo que é um processo e reflete em si esta objetividade nas mesmas condições lógicas que definem um processo. O educando como "ignorante" em sentido absoluto. em seu conteúdo ou aquilo que percebe em função das condições históricas e sociais de sua realidade. a linguagem na criança ou o 96 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de desperdício de recursos. A consciência crítica. Refere-se a si mesma sempre necessariamente no espaço e no tempo em que vive. não pelo simples fato de chegar a ser objeto para si. histórica. Concebe-se segundo a categoria de processo. torna-se verdadeiramente autoconsciência. por essência. acompanhada da clara percepção dos condicionamentos objetivos que a fazem ter tal representação. A concepção ingênua da educação No campo da educação. pois. de intentos frustrados. o que implica compreender que o mundo objetivo é uma totalidade dentro da qual se encontra inserida. todavia em relação ao adulto. histórico. É. do grau de desenvolvimento do processo nacional ao qual pertence). A autoconsciência é. no qual se encontra. nacional. pois engendra as mais equivocadas ideias. que se traduzem em ações e juízos que não coincidem com a essência do processo real. Não podem levar à completa e rápida solução dos problemas que considera. social. e muito mais. pois verdadeiras. quando reflete sobre si (sobre seu conteúdo). portanto. uma consciência justificativa de si (em sua forma ou procedimento. e traduz-se em uma fonte de equívocos. A educação escolar sempre toma o educando já como portador de um acervo de conhecimentos (por exemplo. a consciência ingênua é sempre nociva. que não são. e sim pelo fato de perceber seu conteúdo acompanhado da representação de seus determinantes objetivos. material. Noção falsa em relação à criança.

Supõe que o professor é apenas o transmissor de uma mensagem definitivamente escrita. de consciência autônoma (para si). educada e dirigente da sociedade. Este conhecimento prévio é o resultado da prática social do homem (criança ou adulto) e de sua formação até o momento em que começar a receber educação institucionalizada. de uma consciência sobre outra. porque converte a educação em ato caritativo e transfere para o plano dos valores éticos (inteiramente alheios a este problema) a essência. Esta ingenuidade é grave. em um diálogo esclarecedor e não em uma imposição de ideias. E a atitude ingênua mais freqüente é supor que cabe ao educador formar. com os interesses do educador e com o mesmo ato de ser transmitida. Esta ingenuidade se refere à noção de conteúdo e forma da educação. o meio onde vivem.trabalho no adulto). enquanto se relativiza esse mesmo conceito para as elites (a fim 97 Copyright © 2007. e que essa mensagem não se modifica com as condições de tempo e lugar. Para a consciência ingênua. Absolutiza-se o conceito de "ignorante" para as classes populares. níveis. o significado e a valoração eminentemente sociais da educação. isto é. concebendo-o como massa a moda à qual compete dar a forma viva. carreira. que é a sociedade. etc. O educando como puro "objeto" da educação. A criança e o adulto vêm à escola já preparada (inclusive para desejar vir à escola) por outra escola geral. Concebem o educando como objeto. o saber. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em dar caráter absoluto às divisões em graus. plasmar o aluno (como se costuma dizer). Porém a noção de ignorância é tomada aqui em sentido abstrato. que só pode ser educada. procedimento que parte do suposto direito de domínio. A educação como transferência de um conhecimento finito. de um conjunto de noções. de acordo com determinado método. A principal nocividade desta atitude está em preceituar limites ao processo pedagógico. Estas concepções alienadas da educação têm precisamente esse caráter de alienação. e por isso não reconhecem nele a dignidade de sujeito. de algum conhecimento (sempre concreto). A educação como dever moral da fração adulta. não é concebida como "ignorância de algo". instruída. o adulto a educar é absolutamente "ignorante".

Como. Vê-se a duplicidade de critérios. porém. este outro ignora muitas coisas que o primeiro sabe. e faça a Atividade 2 . que é concretamente sabida por outro. 98 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no site da ESAB. o caráter da ignorância é sempre relativo. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua sala de aula. que revela o caráter interessado da noção de ignorância: o homem do povo é ignorante porque não sabe alguma coisa. A consciência ingênua necessita absolutizar a ignorância. enquanto o membro da elite é culto porque sabe alguma coisa.de que os representantes dessa elite possam aparecer como não ignorantes). Um indivíduo não pode ignorar assim alguma coisa. o que só pode fazer convertendo-a em uma noção irreal. no link “Atividades”.

não poderia sobreviver. concreticidade (caráter vital da educação como transformação do ser do homem).o educando como sabedor e desconhecedor. A concepção crítica da educação A concepção crítica da educação procede segundo as categorias que definem o modo crítico de pensar.. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A concepção crítica é a antítese da ingênua e repudia os pontos de vista anteriormente expostos. É em verdade um homem culto. Reflexão Sobre as Concepções de Educação: Crítica E Ingênua. Sua instrução formal (alfabetização. mas nem por isso pode ser considerado como um desconhecedor absoluto. posto que. o mundo e todos os fatores culturais e materiais que influem sobre ele). O educando evidentemente não sabe aquilo que necessita aprender (ler e escrever). se não fosse assim. universidade) da criança e do adulto. É a única que está dotada da verdadeira funcionalidade e utilidade.U NIDADE 21 Objetivo: Distinguir as concepções de consciência ingênua e crítica e suas implicações na educação. Particularmente há que mencionar as de: objetividade (caráter social do processo pedagógico). Alguns aspectos específicos da concepção crítica da educação: Primeiro aspecto . historicidade (a educação como processo) e totalidade (a educação como ato social que implica o ambiente íntegro da existência humana. escolarização) tem que se fazer 99 Copyright © 2007. escola secundária. definidores desta última. no sentido objetivo (não idealista) do conceito de cultura. o país. tendo em conta àquelas finalidades. pois conduz à mudança da situação do homem e da realidade à qual pertence. em virtude de ser a única que é capaz de oferecer o conteúdo e o método mais eficaz para a instrução (alfabetização.

sempre partindo da base cultural que possui e que reflita o estado de desconhecimento (material e cultural) da sociedade à qual pertence. Aquilo que desconhece é o que até agora não teve necessidade de aprender, e se tem podido viver até agora como analfabeto é porque as condições de sua sociedade não exigiam dele o conhecimento da leitura e da escrita. Segundo aspecto - o educando é o "sujeito" da educação e nunca o objeto dela. Necessitase da ação do professor para se alfabetizar, instruir-se, isso não significa que seja o objeto "sobre o qual" o educador atua, e sim unicamente que é componente indispensável de um processo comum, aquele pelo qual a sociedade como um todo se desenvolve se educa, se constrói, pela interação de todos os indivíduos. A educação é um diálogo amistoso entre dois sujeitos. A rigor, deve-se dizer que a educação não tem objeto; e sim somente objetivo. É a sociedade que, em sua totalidade, se comporta como agente-paciente do processo educativo. Por consequência, a expressão teórica perfeita da natureza histórico-antropológica da educação resume-se nesta expressão: A sociedade educa. As concepções ingênuas da educação rebaixam o educando a condição de "objeto" e o levam a conceber-se a si mesmo como ser passivo, no qual o professor infunde o saber que possui. Este ponto de vista é:  moralmente insultante (pois ignora a dignidade própria do homem pelo simples fato de ser homem, não importando se é letrado ou não);  antropologicamente errôneo (pois ignora que o aluno é portador de uma cultura, de capacidade de pensar logicamente em função de seu contexto social);  psicologicamente esterilizante (pois desanima, inibe e impede os estímulos para a aprendizagem, uma vez que recusa ao alfabetizando sua capacidade de fazer-se instruído por si, como sujeito);

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 pedagogicamente nocivo (pois deixa de aproveitar o saber do analfabeto como ponto de partida para o desenvolvimento de novos conhecimentos). Terceiro aspecto - a educação consiste em uma nova proporção entre conhecimento e desenvolvimento. Excluída a ideia ingênua de um princípio absoluto do saber no indivíduo que se educa (por exemplo, que se alfabetiza), a educação só pode consistir em dotá-Io de novos conhecimentos, que se irão somar ao que "já sabe, ou substituir as ideias erradas, ingênuas que possuía. É, portanto um novo balanço do saber, agora em um plano mais alto do processo cultural. Este caráter de proporção entre conhecimento e desconhecimento repete-se em todos os graus da educação, até nos mais altos (o universitário, a investigação mais avançada). A educação é uma aquisição retificadora, corretora do saber (da cultura) tornado inadequado, anacrônico, porque não corresponde mais ao grau de conhecimento de uma sociedade que passa a exigir mais do indivíduo (conquanto saber agora imprestável, não era errado para a etapa anterior, da qual se pretende que o educando se eleve). Crítica do conceito de "saber" Para a consciência ingênua, o saber se apresenta como um conjunto de conhecimentos absolutos, abstratos, a - históricos. É produto do espírito puro, sem relação causal de parte da realidade do mundo, ou somente com uma relação de tipo ocasional ou apriorista. O espírito por si só é capaz, em última análise, de engendrar e de justificar o saber. Para a consciência crítica, o saber é o produto da existência real, objetiva, concreta, material do homem em seu mundo (sendo este concebido como uma totalidade concreta em processo), imprimindo-se em seu espírito sob a forma de ideias ou pensamentos que se concatenam regularmente, logicamente. Os caracteres do saber, segundo a teoria crítica, são: Relativo – é o que uma cultura entende por saber, em uma de suas fases, deixa de sê-Ia em outra fase, ou não o é em outra cultura. Daí a ingenuidade radical do critério da tradição (por exemplo: a teoria heliocêntrica).
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Concreto - sempre aquilo que um determinado indivíduo ou uma sociedade (uma cultura) pode descobrir conhecer, criar ou imaginar, em função da etapa de seu processo de desenvolvimento, que lhe dá a possibilidade de constituir-se em consciência para si. Existencial - no sentido de ser constitutivo da realidade do indivíduo, e não algo adjetivo, externo, agregado por causalidade a seu ser. Como é a imagem do mundo material na consciência, pode-se dizer que o homem é o que sabe. Sendo um processo (temporal), sua etapa mais alta é aquela na qual o homem sabe o que é. Empírico - com este qualificativo quer dizer-se que o saber, direta ou indiretamente, deriva da experiência. Recusa-se assim qualquer origem inata ou a priori para as ideias. O homem em seu trato multimilenar com a natureza e com os outros homens, na sociedade, vai criando suas ideias e descobrindo as leis de acordo com as quais estas se combinam de maneira verdadeira, válida (isto é, verificável pela experiência, pela prática social). Racional - o saber é o produto da capacidade racional do homem, de sua razão, que é a faculdade intelectual (exclusiva do ser humano), de criar ideias e de enlaçá-las por procedimentos lógicos (indutivos, dedutivos, analógicos), denominados raciocínios, que se submetem a um critério de verdade. O saber é por natureza lógico. Porém este atributo não deve ser tomado em sentido absoluto e sim como relativo à etapa do processo social em que vive o indivíduo que enuncia uma proposição. Histórico - sendo o saber a manifestação intelectual da consciência, tem a mesma historicidade intrínseca desta. Toda valoração do saber é um dado do próprio saber e por isso é válida unicamente para a fase histórica em que é anunciada. É o saber constituído em cada momento do tempo histórico que engendra os novos conhecimentos. Mas, como estes são as modificações (a negação) do conhecimento anterior, o saber é simultaneamente o saber (em sua positividade atual) e não-saber, como certeza presente de sua inexatidão ou falsidade futura, identificados ambos na mesma unidade.

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novas perspectivas educacionais. SILVA. aprendido. Porto Alegre: Sulina. pois na essência de sua afirmação de si encontram-se a possibilidade e a necessidade de sua superação (por força de sua própria validez positiva) e a passagem a um conhecimento distinto.Não dogmático . 1996. A cultura acumula em si o que é conservado. não prático do saber. Tem que ser entendida em seu autêntico caráter dialético. argumentando criticamente seu posicionamento sobre esta afirmativa. seria um primata do mais baixo nível. “O homem é um ser plenamente biológico. o probabilismo. o relativismo vulgar.por isso o saber é antidogmático por natureza. sempre transformador da realidade. Luiz Eron da. se não dispusesse plenamente da cultura. mas. assim.” Construa um texto de no mínimo uma lauda. e comporta normas e princípios de aquisição. Fecundo . e. O saber crítico é. Com isto. mais exato (que suprime. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Reestruturação curricular: novos mapas culturais. porém incorpora o saber anterior enquanto etapa necessária de sua gênese). fica excluído o caráter contemplativo. Esta atitude não deve ser confundida com o ceticismo. mais alto. ornamental. transmitido. 103 Copyright © 2007.no sentido de que é sempre um conhecimento gerador de outro conhecimento.

AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. Marx e Engels enunciaram justamente em: A ideologia alemã que os homens sempre elaboraram falsas concepções de si próprios e do que fazem do mundo onde vivem. 104 Copyright © 2007. ao mesmo tempo tradução e reconstrução. de sua visão do mundo e de seus princípios do conhecimento. porque o erro e a ilusão não se reconhecem. ameaçado pelo erro e pela ilusão. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 1. O conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. na visão do autor Edgar Morin.DE. e o reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil. em algum grau. o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor.U NIDADE 22 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. pelo déficit de emoção. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O CALCANHAR. sob forma da palavra. o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais. Mas Marx nem Engels escaparam destes erros. Este conhecimento. O conhecimento. A afetividade pode asfixiar o conhecimento. é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e.AQUILES DO CONHECIMENTO A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja. de ideia. Há estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída. de teoria. ou mesmo destruída. mas pode também fortalecê-lo. está sujeito ao erro. por conseguinte. comporta a interpretação.

Cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio. mas autocrítica. à identificação da origem de erros. o imaginário do real. 105 Copyright © 2007. a afetividade e a vida é irracional. que a realidade comporta mistério. ilusões e cegueiras. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica. o obscuro. A tendência a projetar sobre o outro a causa do mal faz com que cada um minta para si próprio. dialoga com o real que lhe resiste. imaginário e real. sabe que a mente humana não poderia ser onisciente. aberta por natureza. do determinismo e do mecanicismo. o irracionalizável. o sono da vigília. subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente. contudo. Reconhece-se a verdadeira racionalidade pela capacidade de identificar suas insuficiências. Os erros intelectuais: As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. sem detectar esta mentira da qual. É não só crítica. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica. de amor e de arrependimento. e não a propriedade de um sistema de ideias. o subjetivo do objetivo. Negocia com a irracionalidade.A educação deve-se dedicar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a subjetividade. Aos erros da razão: O que permite a distinção entre vigília e sonho. A verdadeira racionalidade. O racionalismo que ignora os seres. por conseguinte. é o fruto do debate argumentado das ideias. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto. Os erros mentais: Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção. é autor.

Assim. Uma teoria deve ajudar a orientar estratégias cognitivas que são dirigidas por sujeitos humanos. mas somente podemos fazê-lo com a ajuda das ideias. pode. A rejeição de evidências em nome da evidência. ser implacável na busca da verdade. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro. Uma ideia ou teoria não deveria ser simplesmente instrumentalizada. ao contrário. a seleção sociológica e cultural das ideias raramente obedece é sua verdade. A NOOLOGIA. Um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar ou cegar. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO As doutrinas e ideologias dominantes dispõem.As cegueiras paradigmáticas: Os indivíduos conhecem. O imprinting é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido. revelar e ocultar. igualmente. 106 Copyright © 2007. POSSESSÃO. primeiro com o selo da cultura familiar. da escolar em seguida. da força imperativa que traz a evidência aos convencidos e da força coercitiva que suscita o medo inibidor nos outros. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . nem imporá seu veredicto do modo autoritário. e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. Devemos manter uma luta crucial contra as ideias. depois prossegue na universidade ou na vida profissional. deveria ser relativizada e domesticada . O imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles.

A INCERTEZA DO CONHECIMENTO De qualquer forma. A contextualização é condição essencial da eficácia.(O contexto SAI) . social. o conhecimento permanece como uma aventura para a qual a educação deve fornecer o apoio indispensável. o ser humano é o ao mesmo tempo biológico. não. unidades complexas. são multidimensionais dessa forma. 2. programática: é a questão fundamental da educação. Tão pouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. desenvolver nova geração de teorias abertas.O INESPERADO E quando o inesperado se manifesta. Para que o conhecimento seja pertinente. já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento. é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias. reflexivas. afetivo e racional. a educação deverá torná-lo evidente . O global (as relações entre o todo e as partes). OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE DA PERTINÊNCIA NO CONHECIMENTO Para articular e organizar os conhecimentos e assim conhecer e reconhecer os problemas do mundo é necessário a reforma do pensamento. Entretanto. racionais.O multidimensional. aptas a se autoreformar. ou seja. 107 Copyright © 2007. autocríticas. críticas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo. psíquico. esta reforma é paradigmática e. Necessitamos civilizar nossas teorias. Segundo Pascal Pensees é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo. O dever principal da educação é de armar cada um para o combate vital para a lucidez. como o ser humano ou a sociedade.

é preciso conjugá-las. 108 Copyright © 2007. A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e. de forma correlata. A falsa racionalidade O século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico. Não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade.Em consequência. assim como ao enfraquecimento da solidariedade. Ao mesmo tempo. As mentes formadas pelas disciplinas perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes. maior é a incapacidade de pensar sua multimensionalidade. a educação deve promover a inteligência geral apta ao complexo. quanto mais a crise progride. mais os problemas se tornam planetários. Incapaz de considerar o contexto e o complexo planetário. produziu nova cegueira para os problemas globais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mais progride a incapacidade de pensar a crise. mais eles se tornam impensáveis. fundamentais e complexos. nem de análise pela síntese. técnicos e especialistas. estimular o uso total da inteligência geral. OS PROBLEMAS ESSENCIAIS Quanto mais os problemas se tornam multidimensionais. do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos naturais. de modo multidimensional e dentro da concepção global. ao contexto. a inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. assim como em todos os campos da técnica. a começar por parte dos cientistas. e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 1999. 109 Copyright © 2007. Editora Cortez.MORIN.São Paulo.

O HUMANO DO HUMANO Unidualidade O homem é um ser plenamente biológico. se não dispusesse plenamente da cultura. transmitido.. Como seres vivos deste Planeta. Conhecimentos Necessários ao Educador do Futuro 3-ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA Para a educação do futuro. as artes. a poesia. mas também a literatura. é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais. devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica. dependemos vitalmente da biosfera terrestre. dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas. A cultura acumula em si o que é conservado.U NIDADE 23 Objetivo: Refletir e ampliar possibilidades de conhecimentos acerca dos saberes necessários à educação do futuro. seria um primata do mais baixo nível. Continuamos nesta unidade nossas reflexões sobre os conhecimentos que todo educador (do futuro) necessita ter para melhor desempenho em suas atividades profissionais. aprendido. na visão do autor Edgar Morin. mas. e comporta normas e princípios de aquisição. O circuito cérebro/mente/cultura 110 Copyright © 2007.. a fim de situar a condição humana no mundo. bem como integrar a contribuição inestimável das humanidades. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . não somente a filosofia e a história.

de modo bipolarizado. 111 Copyright © 2007.Uma tríade em circuito entre cérebro/mente/cultura. pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus). em que cada um dos termos é necessário ao outro. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. que não existiria sem o cérebro. traz em si o cosmo. constitui ele próprio um cosmo. A mente é o surgimento do cérebro que suscita a cultura. Todo ser humano. Todo ser. O ser humano é complexo e traz em si. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas. pelas atividades utilitárias (Homo economicus). É preciso conceber a unidade do múltiplo. pela técnica (Homo faber). a multiplicidade do uno. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. sua diversidade na unidade. Sapiens/demens O século XX deverá abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tal como o ponto de um holograma. mesmo aquele fechado na mais banal das vidas. caracteres antagonistas:  sapiens e demens (sábio e louco)  faber e ludens (trabalhador e lúdico)  empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)  economicus e consumans (econômico e consumidor)  prosaicus e poeticus (prosaico e poético) Homo complexus Uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana.

No jogo contraditório dos possíveis 112 Copyright © 2007. mas um turbilhão em movimento. amarelos. destinos. para a identidade e a consciência terrenas. A ERA PLANETÁRIA A diáspora da humanidade não produziu nenhuma cisão genética: pigmeus. brancos vêm da mesma espécie. as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade. estamos submersos na complexidade do mundo. mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora. Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro.4-ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA Na era das telecomunicações. da informação. possuem os mesmos caracteres fundamentais de humanidade. cuja dialógica cérebro/mente não está encerrada. culturas. índios. O planeta não é um sistema global. que deve trabalhar na era planetária. desprovido de centro organizador. A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora. que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo. da Internet. fontes de inovação e de criação em todos os domínios. pode-se então vislumbrar para o terceiro milênio a possibilidade de nova criação cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. encontra-se no cerne dessa missão. A esperança Sendo verdade que o gênero humano. Mas ela levou à extraordinária diversidade de línguas. negros. E a educação. possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Devemo-nos dedicar não só a dominar. mas também sermos terrenos. saibamos. esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável. O conhecimento é. a comunicar. com certeza. 6-ENSINAR A COMPREENSÃO 113 Copyright © 2007. permanentemente. é o que se aprende somente nas . viver. compreender. O desafio e a estratégia O inesperado torna-se possível e se realiza. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver. melhorar. mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis.Aquilo que porta o pior perigo traz também as melhores esperanças: é a própria mente humana. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . considerar ou calcular os efeitos em curto prazo de uma ação. 5-ENFRENTAR AS INCERTEZAS A INCERTEZA DO CONHECIMENTO. A IDENTIDADE E A CONSCIÊNCIA TERRENA É necessário aprender a “estar aqui” no planeta. entre arquipélagos de certezas. uma aventura incerta que comporta em si mesma. Pode-se. não mais somente pertencer a uma cultura. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas.e por meio de – culturas singulares. dividir e comunicar como humanos do planeta Terra. a comungar. então. mas a condicionar. vimos com frequência que o improvável se realiza mais do que o provável. a dividir. o risco de ilusões e de erro. e é por isso que o problema da reforma do pensamento tornou-se vital. pois. Precisamos doravante aprender a ser.

a verdadeira luta contra os racismos se operaria mais contra suas raízes egosociocêntricas do que contra seus sintomas. deve ser uma das finalidades da educação do futuro. abraçar junto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. Etnocentrismo e sociocentrismo O etnocentrismo e o sociocentrismo nutrem xenofobias e racismos e podem até mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. compreender. 114 Copyright © 2007. Se soubermos compreender antes de condenar. por este motivo.O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. Nela encontra-se a missão propriamente espiritual da educação: ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. O egocentrismo O egocentrismo cultiva a self-deception. E. Educar para compreender a matemática ou uma disciplina determinada é uma coisa. Por isso. Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto. educar para a compreensão humana é outra. AS DUAS COMPREENSÕES Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. estrangeiro ou não. estaremos no caminho da humanização das relações humanas. provocada pela autojustificação. tapeação de si mesmo. pela autoglorificação e pela tendência a jogar sobre outrem. a causa de todos os males.

a política de civilização. a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. esta deve ser a tarefa da educação do futuro. e reforma do pensamento. 7-A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO O CIRCUITO INDIVÍDUO/SOCIEDADE: ENSINAR A DEMOCRACIA Na democracia. por outro. Dada a importância da educação para a compreensão. exprime desejos e interesses. ÉTICA E CULTURA PLANETÁRIAS A única verdadeira mundialização que estaria a serviço do gênero humano é a compreensão. O futuro da democracia A regeneração democrática supõe a regeneração do civismo. 115 Copyright © 2007. a regeneração do civismo supõe a regeneração da solidariedade e da responsabilidade. o desenvolvimento da antropo-ética. da solidariedade intelectual e moral da humanidade. o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades. em todos os níveis educativos e em todas as idades. a antropo-ética. ou seja. é responsável e solidário com sua cidade. o verdadeiro humanismo.COMPREENSÃO. por um lado. HUMANIDADE COMO DESTINO PLANETÁRIO Sós e em conjunto com a política do homem. o indivíduo é cidadão. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pessoa jurídica e responsável.

este processo de desenvolvimento do currículo via reflexão recursiva (consequências das ações passadas como a problemática das ações vindouras) que determina as atitudes. Tal abordagem é apontada sob “múltiplos usos” e/ou “múltiplas perspectivas” (Stephen Gould: 1990 apud Doll) do currículo bem como do papel – “força positiva” (Bruner & Postman. Um sistema se autoorganiza quando há uma perturbação. exatamente. o currículo concomitantemente é limitado. ampla e indeterminada. organizações profissionais ou tradição passada) precisa ser também geral.U NIDADE 24 Objetivo: Enfatizar a natureza construtiva e não linear de um currículo pós-moderno fundamentado nos pressupostos teóricos de Piaget. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . encorajados. Na perspectiva de um estudo construtivista e não linear de um currículo pós-moderno. das ideias e dos participantes) como centro do currículo. um problema ou uma alteração. 116 Copyright © 2007. O raciocínio exposto é sequenciado através do debate sobre a autoorganização. guias de currículo. a orientação geral de onde eles partem (livros didáticos. os valores e o senso de comunidades imprescindíveis à sociedade. Prigogine. processos. de fato. cheio de focos que se interseccionam e uma rede relacionada de significados. implica dizer que professores e alunos precisam ser livres. 1949/1973 apud Doll) – que a perturbação desempenha para auxiliá-lo. usar o conceito de transformação (nesse caso específico dos materiais. Dewey e Bruner. obrigados a desenvolver seu próprio currículo numa interação conjunta uns com os outros. Esse mesmo autor segue argumentando que. advoga que um currículo construtivo emerge da ação e interação dos participantes. Portanto. Doll. Acrescenta propugnando que na medida em que é modelado à luz de uma matriz. autor da obra em estudo. CONSTRUINDO UMA MATRIZ DE CURRÍCULO. É. departamentos de educação estadual.

analisar o material aduzido e simultaneamente de brincar com este material de maneira imaginativa e sutil. Este desenvolvimento comum. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . desempenhar. não um “ditador” de fora. Assim. haja vista que a transformação está indubitavelmente associada a ele. “primeiro entre iguais”. Nesse tocante. no transcorrer do currículo. fica óbvio. ao diálogo. assim transformativo e pós-moderno. Num currículo. precisa conhecer bem o material estudado e ter confiança pessoal suficiente para ser capaz de resolver. 117 Copyright © 2007. Afinal. metodologia e valores – permeados por um processo dialogal – são sempre decisões abrangendo os alunos. numa estrutura situacional – “estado de coisa local” – o educador é um “líder de dentro” e. a primeira óptica. professores. que o controle e a autoridade são desenvolvidos internamente. Na referida estrutura.Esta última óptica acentua que a perturbação só vai desencadear a autoorganização quando o meio ambiente for suficientemente rico e aberto para que múltiplos usos. interpretar. as questões de procedimento. isto é. Noutros termos. por sua vez. desenvolver o novo papel explicitado é um desafio que os educadores e seus programas de educação necessitam enfrentar. Àquela. costumes e tradições locais. interpretações e perspectivas entrem em cena. ou seja. significa que o docente deve dedicar tempo para dialogar seriamente com os discentes a respeito das ideias “deles” como “ideias deles”. Em outras palavras. é imperativo para que o ecletismo e o foco polissêmico predominantes no pós-modernismo sejam empregados criativamente. o papel do professor (autoridade) é definido a partir do “prima interpares”. oportuniza dedicada atenção às possíveis “anomalias” e/ou “erros” no decorrer do processo mencionado anteriormente. o aluno. para William. A suposição pós-moderna aduzida propugna o diálogo como condição sine qua non de todo o processo.

um currículo fundamentado em infinitos padrões dentro de parâmetros estabelecidos é uma estrutura curricular cada vez mais rica. Assim. planos e propósitos não emergem apenas antes. desafia o leitor a interpretar. como docentes. 118 Copyright © 2007.Para a viabilidade do que está sendo discutido. mas também a partir da ação conforme argumentara Dewey – os planos surgem da ação e são alterados também através da ação. planos e propósitos. uma vez que a realidade é constituída por antíteses. vivenciar e avaliar objetivos. interação num processo dinâmico de (re) construção. Prosseguindo com a ideia de um currículo de cunhos pedagógico e epistemológico interativos. pois é criativa consequentemente aberta/heurística e nos ajuda a ver o que não vemos) e a lógica (fechada/excludente nos auxilia a ver com mais evidência aquilo que já vemos). Nesse contexto dialogal. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . redes. a iniciar uma comunicação com o texto. com mais focos. Em outros termos. Essa integração possibilita a vida ser experienciada e desenvolvida. conforme discurso do próprio Doll. inter-relações emergindo e sendo geradas. uma história encoraja. necessitamos aduzir as nossas lições de modo suficientemente narrativo para encorajar os nossos educandos a explorar conosco as possibilidades oriundas do diálogo com o texto. faz-se necessário numa construção de currículo à interação entre a metáfora (geradora de diálogo. para o homem é de suma relevância determinar. Assim. é natural que se dê ênfase à capacidade que o ser humano tem de planejar intencionalmente. Arraigada à movimentação supracitada está a suposição de um “sistema aberto/transformativo" por estar sempre em fluxo. Nesse sistema são originados parâmetros ou limites e uma infinidade de relações dentro desses parâmetros. Na suposição apontada por Júnior – uma estrutura curricular que se apropria dos conceitos de autoorganização e transformação – os objetivos.

concepções essenciais e vocabulários peculiares. narrativas. cuja função é auxiliar o indivíduo através de críticas construtivas que possam contribuir para o desenvolvimento de poderes intelectuais e sociais. Nesse tocante. A Ciência – anexando à biológica e a física – pode ser encarada sob a óptica de hipóteses intuitivas. literatura e comunicação oral – exerce sua riqueza ao centrar-se intensamente (porém não de modo excludente) na interpretação de metáforas. Isso implica dizer que são as problemáticas. 119 Copyright © 2007. A Matemática apropria-se de sua riqueza ao “brincar com padrões”. para que isso ocorra. “comprovadoras” referentes ao mundo em que vivemos.Subjacente ao aspecto notabilizado está à avaliação interativa funcionando como um “feedback” do processo iterativo de fazer-criticar-fazer-criticar. os quatro “Rs” – Riqueza. desenvolventes. Sendo assim. mitos. isto é. Riqueza – corresponde à profundidade do currículo. Relações e Rigor. a suas camadas de significado consequentemente a suas múltiplas possibilidades ou interpretações. perturbações e possibilidades intrínsecas a um currículo que o torna rico e transformador. Alicerçados por essa comunidade destinada a ajudar todos os sujeitos por meio da crítica e do diálogo estão os critérios norteadores de um currículo de caráter transformador pósmodernista. Logo. indagadoras. é relevante acentuar que as principais disciplinas acadêmicas ministradas nas escolas possuem seus próprios contextos históricos. cada uma delas interpretará a riqueza à luz de seu próprio prisma. a linguagem está irrefutavelmente acoplada à cultura. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Entretanto. Recursão. é preciso que sejam estabelecidas comunidades sociais dinâmicas. A Linguagem – incluso leitura. escrita.

dar-se-ão através da dualidade pedagógica e cultural convergentes entre si. As relações pedagógicas consistem em relacionar o que está sendo ensinado com a realidade experimentada pelo educando. por conseguinte dar sentido ao ensino ministrado. ou seja. uma mera repetição. Economia. Por possuir uma estrutura aberta. é oportuno notabilizar que o conceito de desenvolver riqueza via diálogo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .As Ciências Sociais – Antropologia. inquirir. empregar as coisas de forma heurística). num currículo que respeita. Cada final é um novo início e cada início emerge de um final anterior conforme salientara Dewey. História. Isto posto. tem como objetivo desenvolver a competência (capacidade de organizar. Sem essa ação reflexiva resultante do diálogo. Portanto. nesse tangente. Geografia e Sociologia – extraem sua concepção de riqueza do diálogo sobre ou da negociação de passagens entre diversas interpretações (muitas vezes concorrentes) das questões sociais. Relações – numa perspectiva pós-moderna de um currículo transformador. os processos fazer e refletir-sobre-o fazer são prioritários nas intraconexões curriculares. valoriza e aplica a recursão não há início nem final fixo. geração e comprovação de hipóteses e do brincar com padrões pode ser aplicado sobre todos os aspectos de um currículo. professores – observem. respondam àquilo que fora realizado por nós. Para tanto. 120 Copyright © 2007. conectar os pensamentos. interpretações. a recursão tornar-se-ia vazia. Recursão – advém do termo “recorrer”. Cabe à reflexão. combinar. critiquem. “ocorrer novamente” do latim “recurrere” e vincula-se à raiz da palavra currículo (“currere”: correr). é preciso que outros atores do processo – colegas.

observação científica e precisão matemática) com o interlocutor. entre os nossos e os dos outros. o rigor significa procurar intencionalmente diferentes alternativas. é o mais relevante dos quatro critérios exaustivamente (porém não esgotados) abarcados. Logo. conexões. relações. desempenhamos o ato de ensinar quando auxiliamos os outros a negociar passagens entre seus construtos e os nossos. Rigor – à medida que traz em seu bojo. 121 Copyright © 2007. Essas se referem à contextualização cultural do ensino a partir do olhar local e global (interconexões) do mundo em que se está inserido. Como professores. as tendências paralelamente discutidas (lógica escolástica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Concomitantes às relações supracitadas estão às culturais. em suma. segundo Doll. ele é a mescla dessa indeterminância subjacente com a interpretação (desenvolvimento das várias alternativas aduzidas pela indeterminância).

122 Copyright © 2007. Especificamente. Então o olhar avaliativo tem de percorrer toda a sala de uma só vez sem olhar ninguém em especial. É muito difícil cuidar de várias crianças ou adolescentes de uma só vez. Segundo a autora deste pensamento. o correto é olhar um por um e não como um conjunto.demonstrando. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A realidade escolar na verdade é basicamente composta de salas de aulas cheias com uma média de 30 a 40 alunos por classe e. enfim por chamar mais atenção no coletivo. na maioria das vezes sem uma estrutura correta para acomodar tantos de uma só vez. Avaliação e Multidimensionalidade do Olhar.U NIDADE 25 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em sala de aula. por isso o cuidado ou atenção acaba sendo no coletivo e não no individual. por falar muito alto. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. que chama mais atenção por ser: Ativo. participativo. barulhento. Nesta unidade. ou melhor. Normalmente só se presta atenção em alguém mais destacável. vamos refletir sobre proposições pedagógicas de autores nacionais que apresentam uma perspectiva transformadora da realidade em relação ao processo de avaliar. Caro cursista. criativo. Jussara Hoffmann. abordaremos reflexões sobre o livro: O jogo do contrário em avaliação de Jussara Hoffmann. ou seja. dizendo em toda a sala de aula. respondão. um número mais como um indivíduo único.

123 Copyright © 2007. Para o aluno aprender verdadeiramente deve haver afeto. que trabalha com o aluno de difícil aprendizagem nas escolas. mas usar técnicas e formas diversificadas de ensinamentos para os alunos. não somente o ensinamento tradicional. Universidades. atenção. A aprendizagem é bem ampla e deve abranger vários fatores para sua conquista definitiva. para desenvolver novas práticas nas escolas. porque são tímidos e calados e quase nunca são notados.Por causa da correria do dia a dia a avaliação acaba ficando prejudicada porque os professores têm muitos afazeres e “correm” todo o tempo para poder dar conta de suas responsabilidades pessoais e profissionais. não somente o nome mais um pouco da vida em família ou enquanto cidadão. mas as dificuldades sentidas por parte dos professores do programa. com o objetivo de estudar e debater temas atuais em avaliação. mas muitas vezes não têm a oportunidade de avaliar ou tentar saber o quanto seu aluno realmente aprendeu em tudo que lhe foi ensinado. não nos alunos. desta forma sobra muito pouco tempo para a avaliação relativa ao aluno individualmente. Os professores ensinam seus conteúdos. O correto é saber um pouco sobre cada aluno. O estudo de casos constitui no acompanhamento intensivo. casos difíceis” de compreender e de acompanhar em termos de seu desempenho na escola. “No Programa de Assessoria em Avaliação Educacional (PAAE) foi observado o uso da expressão “difícil”. carinho. Este programa de educação era destinado a Educação Infantil. O caminho da aprendizagem deve ser único e não coletivo feito de aluno para aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Muitos alunos ficam anônimos porque não se destacam na multidão.

 Tempo de reflexão sobre suas tarefas e manifestações de aprendizagem. 124 Copyright © 2007. porém se valorizou as opiniões. pais e alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Tempo de reconstrução das práticas avaliativas e/ou de invenção de estratégias pedagógicas para promover melhores oportunidades de aprendizagem. a criatividade. Os estudos avaliativos foram divididos em três etapas:  Tempo de admiração dos alunos. mais falantes. puderem tornar: alunos alfabetizados. menos agitados e mais felizes. AVALIAÇÃO MEDIADORA EM TRÊS TEMPOS. Procuraram fazer um processo de individualidade com cada professor ou cada Instituição. Demonstrando respeito e dedicando. tempo para cada profissional do grupo em particular. confiantes. pois em pouco tempo. Ensinando técnicas para diversos pontos em seu plano profissional:  Conselho de Classe. Todos os professores se juntaram buscando respostas em comum com os colegas em vários casos. onde houve muita troca de pedidos de auxílio em casos diversos onde receberam sugestões de vários tipos.  Aprendendo tomar decisões sobre diversos assuntos. muitos debates com apresentações de diversos casos. através de exemplos a realidade de cada professor/aprendiz. As diferenças são enormes mesmo com relação a grupos de um mesmo grupo ou escola. as diferenças. com aulas teóricas. a espontaneidade.Os estudos de casos se tornaram positivos.  Interação com colegas de trabalho. Foram feitos vários estudos com algumas etapas com uma duração média de um mês.

Muitos profissionais demonstraram dinamismo e puderam se soltar mais desta forma fazendo valer a intenção dos “Programas de Assessoria” para estes profissionais. A admiração do professor para com seus alunos ou vice-versa, se inicia a partir de que se comece a conhecer o aluno, com os professores de anos anteriores e da análise das tarefas de seus alunos. O tempo de admiração não é em apenas uma semana de aulas, mais sim com o passar do tempo e da amizade que criarem com o passar do tempo. O educador deve ficar sempre atento à vida de seu aluno, em casa e com a família, para captar experiências já vividas, para projetar o futuro das ações pedagógicas, para saber as dimensões em que se deve desafiar, para avançar em todas as áreas do saber. E claro sabendo respeitar o tempo de cada um em separado, de acordo com suas dificuldades e deficiências. A observação em avaliação consiste em compreender cada aluno em separado. Através de um olhar, de sua história de vida, de suas possibilidades e vontades. Muitas vezes o fracasso escolar parece ter explicação, mas para que explicar se não entende ou compreende o motivo real. Muitas questões relativas ao fracasso podem ser vistas e analisadas na própria sala de aula. Antes de tentar compreender ou explicar é preciso respeitar e aceitar as várias diferenças e culturas. Muitas pessoas culpam as outras mesmo sem antes pensar de quem é a culpa por determinado fato sem mesmo pensar como seria tal atenção se nos colocarmos no mesmo lugar do próximo. Não é correto julgar o não aprender com a falta ou necessidade diversa, inclusive financeira, mesmo se forem oferecidas condições iguais ou semelhantes de aprendizagem para todos os alunos em comum, por igual.
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O aprendizado do aluno pressupõe-se em: A atenção e a presença do educador, a concentração que inclui a escuta é o silêncio e ruídos na comunicação. A entrega ao outro, estar aberto a ouvi-lo, partindo de suas hipóteses, de seu pensar, adequando o seu ritmo ao do professor. A escuta da aprendizagem em sua história, o que significa o professor estudar a si próprio. O tempo de admiração dos alunos, através de uma visão mais ampla, sobre sua história e sobre seu jeito de aprender. O olhar estudioso, curioso, pesquisador, selecionar os dados, ordenar, classificar e comparar. A qualidade das reflexões concorreu fortemente ao fato destes estudos serem compartilhados por professores de diferentes escolas, estudando sobre alunos de diferentes séries e idades, independente de serem da rede pública ou privada; Para se compreender o aluno ou suas dificuldades antes de tudo é necessário diálogo com:  O aluno;  A família;  Antigos professores;  Outros profissionais, que o cercam no ambiente escolar; Esta realidade deve ser vivenciada diariamente e não às vezes, devendo ser constante. Os professores devem trocar experiências e informações pertinentes a cada aluno em especial. Devendo criar espaços e tempos disponíveis para a troca entre os profissionais. O caminho é e sempre será o diálogo entre todos os envolvidos desta forma, pode ser esperado um retorno nas avaliações educacionais. E porque não fazendo fazer dinâmica envolvendo professores e alunos, uma maior interação, uma maior vivência, entre todos, fazendo de uma forma menos formal.

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O novo pode assustar no início, mas também motiva principalmente quando se trata de diversão ligada à educação, mudando um pouco o tradicional de todos os dias. O olhar avaliativo é por natureza complexo e multidimensional, caracterizado por interpretações de diferentes intensidades (qualidades), sobre as diversas dimensões de aprendizagem do aluno, que se realizam a partir da educação, da sociedade. O julgamento de cada avaliador é sempre complexo e subjetivo porque variam de acordo com seus conceitos. A multiplicidade de perguntas pode fazer a diferença, tanto no sentido da palavra do educador, ou no sentido da escrita, com relação à avaliação. Com relação ao conceito relativo à multidimensões não existem dados objetivos que levem à certeza de nada, mas há o compromisso com a ética, para a formação do aluno, com respeito e dignidade. Sempre observar as atividades dos alunos, de preferência durante sua realização, dialogar com o aluno durante sua estada na escola ou na sala de aula. Durante a observação alguns tópicos foram constatados:  O aluno com relação ao contexto sociocultural e a sua própria história de vida:  Convivência familiar, investigação de toda sua vida enquanto ser humano, sua religiosidade, profissão, entre outros; Ao Cenário educativo: Localização da escola, relação para com os outros, interação com os colegas, professores e demais profissionais da escola, disponibilidade de aprendizagem, locais adequados para um bom estudo e aprendizado como: bibliotecas e salas de informática.

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projetos almejados e principalmente a área de interesse do aluno. Procurando juntar e entender o presente. as respostas para as dificuldades não são percebidas de imediato. Porém a autora “Jussara Hoffmann” acredita que a escola deve viver o presente. na atual escola e em outras.Currículo em desenvolvimento: Os objetivos traçados por cada aluno. O correto é se basear em todos os tópicos e não em um específico. porque todos são de grande importância para a vida escolar do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . inclusive necessários para a avaliação educacional do aluno. passado e o futuro de cada um individualmente. Qualquer detalhe despercebido tem sua importância e pode prejudicar a avaliação daquele aluno. afetividade para com cada um. conteúdos estudados por cada um. As questões de aprendizagem: Observar o histórico escolar do aluno. para que seu aprendizado seja bem significativo no momento atual. 128 Copyright © 2007. principalmente os sonhos e sofrimentos diários de cada aluno. procurando entender as necessidades e dificuldades de cada aluno em especial. já frequentadas por ele.

poderá avaliar o aluno ou mesmo definir ou decidir o que é importante ensinar ao aluno.demonstrando. Também saber interpretar e observar em várias direções. pois muitas vezes seu mau desempenho pode ser proveniente de algum problema. É preciso ter clareza de que as atividades dos alunos são de dimensões diferentes para se realizar um trabalho eticamente responsável: á agressividades. O professor deve observar mais também desvendar é saber lidar com suas limitações e dificuldades. tentando dar um significado a tudo o que vê e observa. Há não ser o professor ninguém. ausência e outras diversas questões não justificam problemas de aprendizagem. agitação. Os objetivos de conhecimento e de investigação permanente do professor. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Subjetivo: Porque só se entende ou se vê quando o outro entra em contato com você ou entra em sintonia com outra pessoa. torna o olhar mais rigoroso. Através de um diálogo e uma boa observação o professor pode interpretar ou orientar melhor seu aluno.U NIDADE 26 Objetivo: Possibilitar atitude crítica e olhar holístico no processo de avaliar os alunos em salas de aula. olhando os diversos pontos de vista. Reflexões sobre Avaliação no Espaço Escolar O professor deve prestar atenção nas atividades do aluno. Fazer uma boa observação pode auxiliar na melhor forma de ajudar o aluno da melhor maneira de ensinar de facilitar o aprendizado. detectando suas dificuldades. por querer olhar mais profundamente. mostrando iniciativas que muitas vezes são passadas despercebidas no meio de tantos dentro da sala de aula. Fazer com que o aluno mostre 129 Copyright © 2007. na família ou mesmo no próprio ambiente escolar.

A escola deve promover o conhecimento no aluno. fazer uma abordagem com os alunos os instruindo a escrever. O problema do desenvolvimento do aluno na escola vem do motivo pelo qual não se desperta o interesse na consciência do mesmo. adquirindo responsabilidades e demonstre potencialidades próprias de cada um. expressão. abrindo espaço para um diálogo aberto a todos os alunos. mas agir de forma a compreendê-lo. 130 Copyright © 2007. pelo simples prazer da curiosidade. independente da idade. sempre lembrando de observar e dialogar com o aluno mesmo que de longe. Despertando o interesse em aprender mais e mais. expressar sentimentos diversos e demonstrar suas diferenças. A autoavaliação é a tomada de consciência do aluno sobre o processo de aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Procurar uma interação juntamente com seus alunos para melhor observar. Observar a realização das tarefas do aluno é de extrema importância para a avaliação e o aprendizado. mudando rapidamente de atitude. demonstrando mais afeto por quem lhes dedicou cuidados e respeito. que lhe foi dada pelo professor. A criança e o jovem estão se autoavaliando. reaja. sem falar ou mesmo. partindo de alguma motivação. fazendo com que ele reflita. interferir. sentimentos. quando procuram a ajuda do professor.e revele seus sentidos os ensinando a reagir. quando se destacam em estar à procura de algo novo. O aluno quando está sendo cuidado. raça. Promover o entendimento para com as diferenças de cada aluno: de ideias. Procurar olhar com olhos mais atentos e não se deixar influenciar por uma primeira impressão. revelando um maior comprometimento com suas tarefas e seus avanços. tomar consciência de seus limites e poder aprender mais e mais sempre. sobre o aprender e sobre suas participações nas atividades escolares. reage positivamente à atenção diferenciada.

O conselho de classe é um momento de compartilhar experiências e vivências. sem ação. mas nunca antes notada pelo profissional. sejam quais forem principalmente pedagógicos. 131 Copyright © 2007. Se necessário fazendo encaminhamentos pedagógicos e psicológicos para o auxílio do aluno em suas dificuldades. Durante um conselho de classe que se deve. sem atenção. Priorizar ao aluno ou a turma de maior necessidade analisando seu caso em particular e também uma análise grupal sobre seus trabalhos realizados em sala. trocando pontos de vista entre todos os professores ligados a cada aluno analisado. Analisar cada perfil em separado visando sua convivência familiar. trocar ideias e dar sugestões sobre determinado aluno. por causa de tráficos. Usar o conselho para compartilhar casos isolados ou de grupos de alunos. podendo haver outros fatores. devendo ser bem usado para a solução de problemas. Nunca desistir de um aluno por achá-lo difícil.Se um professor tentar entender ou procurar conversar com seu aluno ou mesmo parar para observar mais de perto pode descobrir muito sobre ele inclusive como sanar algumas dificuldades demonstradas pelo aluno. se procurar observar pode perceber que pode haver algo por trás de tudo. sem criatividade. para que se assegure a cordialidade diante de opiniões diversas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . discutir as dificuldades e traçar medidas pedagógicas adequadas a cada perfil do aluno. Porém questões relacionadas a atitudes de alunos não explicam as questões de aprendizagem. financeiros. problemas emocionais envolvendo o aluno perante a sociedade em que está inserido. por motivos familiares. Muitas crianças e jovens estão fora das escolas. É sempre necessário que se tenha um mediador. diferentes evitando desavenças e confusões desnecessárias.

antes de julgá-lo sem conhecimento prévio. antes de se julgar devemos procurar o motivo ou causa do problema. ou mesmo por não conseguir se desenvolver na aprendizagem. O aluno não deve ser julgado por algum ato que tenha cometido. onde sempre se pode recorrer para colher frutos ou mesmo buscar ideias pedagógicas para uma melhor forma de agir em sala de aula. extrapolem ou mesmo que com exagerada repressão. Antes de encaminhá-lo para uma ajuda médica. que acaba sendo um grande fator que possa desencadear o desenvolvimento moral de crianças e jovens. todas as escolas devem contar com profissionais qualificados para auxiliar ou analisar em tomada de decisões. onde caso necessário possam fazer um acompanhamento do aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . As escolas precisam contar com ajuda médica de diversos tipos de especialistas como:  Psiquiatras. 132 Copyright © 2007. por sua roupa. É importante que as escolas possam contar com profissionais adequados. já o julgando doente sem saber antes o motivo real de tal mau comportamento. obviamente mediante uma certeza de haver um problema. A escola tem de estar sempre de acordo com normas que não excedam. Não julgar sem antes investigar.  entre outros que possam se encaminhar à escola para um acompanhamento com os alunos e porque não com os profissionais da escola.  Psicopedagogos.Os arquivos são de grande importância para a observação de caso por caso.  Fonoaudiólogos.

O jogo do contrário em avaliação. tudo na quantidade certa para não extrapolar com seu aluno e desta forma podendo moldar seu caráter e desenvolvimento. para no futuro fazer ou auxiliar para que se torne um adulto responsável. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Jussara Hoffman 133 Copyright © 2007. mas sem exageros ou excessos ou mesmo sem regras. honesto e porque não essencial para outras pessoas. São Paulo: Cortez. Luckesi.Cipriano Carlos.Limite é bom e necessário. Quem melhor do que o professor para ajudar o aluno da melhor maneira possível. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 1998.

as condições de realização. as ações. de modo geral. É preciso implementar práticas em que os alunos participem efetivamente dos processos avaliativos. Esse posicionamento. as 134 Copyright © 2007. Outros autores consideram que é vantajoso que o professor avaliador. Usar a Avaliação de Forma Democrática de Forma a Contribuir para o Sucesso do Aluno e da Prática do Professor. porém não é único. sem vieses. é imprescindível discutir ideias sobre a construção de uma avaliação democrática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 27 Objetivo: Identificar os pressupostos que permitam uma avaliação da aprendizagem que ignore as metas e os programas para analisar os resultados sem os vieses. pelo menos num primeiro momento. Ao se analisar a questão da avaliação. compreensão de erros e êxitos e também não é possível garantir que os alunos assumam responsabilidades perante a própria aprendizagem e sintam-se estimulados a progredir. por meio de negociações e acordos estabelecidos com o professor nos quais se definam objetivamente as finalidades. contribuem para que o fracasso escolar seja encarado como fracasso pessoal do aluno. Assim. é necessário reconhecer que as práticas rotineiras para ela muitas vezes são utilizadas como atos de uso e abuso de poder e. de acordo com as propostas curriculares os planos de ensino. Por que avaliação? Para muitos autores. o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo realmente alcançados. ignore as metas do programa para analisar os resultados da avaliação tais como eles se apresentam. Sem informação não é possível promover participação. que respeite o direito dos alunos de serem informados sobre seus processos de aprendizagem e os critérios utilizados para avaliá-los e de serem orientados e ajudados em suas dificuldades. reflexão.

que seguramente foram promovidos de forma significativa. na maneira de conceber a aprendizagem. Portanto. duas questões merecem destaque: Qual o papel da avaliação num processo de implementação curricular que toma como ponto de partida o desenvolvimento de capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania e colocam em relevância o contexto social em que se produz a aprendizagem dos alunos? A avaliação como elemento integrante de uma proposta curricular e a tomada de decisões direcionadas para o aprimoramento das aprendizagens dos alunos são questões-chave para quem ensina e aprende. A avaliação praticada põe a descoberto o chamado currículo oculto dos professores e é por seu intermédio que se reconhecem facilmente os objetivos implícitos. a avaliação formativa está muito difundida e. a saber:  Considerar a aprendizagem um amplo processo. e que os alunos perceberam como mais importantes. por outro lado também se sabe que é por meio dela que se revelam as incoerências pedagógicas. 135 Copyright © 2007. Se por um lado sabe-se que mudanças na definição de objetivos. a prática pedagógica efetivamente exercida e a avaliação praticada são atividades inseparáveis que se condicionam mutuamente. Embora ainda não seja amplamente praticada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . na interpretação e na abordagem dos conteúdos implicam repensar as finalidades da avaliação.responsabilidades e a colaboração na tomada de decisões. há certo consenso em relação a sua relevância e à compreensão de seus aspectos mais importantes. em que o aluno reestrutura seu conhecimento por meio das atividades que lhe são propostas.  Buscar estratégias e sequências didáticas adequadas às condições de aprendizagem dos alunos. no plano das representações. Quanto a isso.

Se a educação é um direito de todos.  Interpretar os erros não como deficiências pessoais. uma vez que eles revelam as representações e estratégias dos alunos. 136 Copyright © 2007.  Diagnosticar as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las. compreender como ele aprende identificar suas representações mentais e as estratégias que utiliza para resolver uma situação de aprendizagem. descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal.  Considerar os erros como objetos de estudo. a avaliação não pode ter um papel classificatório.  Evidenciar aspectos de êxito nas aprendizagens. Ampliar os conhecimentos do professor sobre os aspectos cognitivos do aluno. por um processo sucessivo de revisões críticas. mas como manifestação de um processo de construção. A construção do conhecimento supõe a superação dos erros. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Explique que papel ela deve representar e exponha. excludente e punitivo.

mas também os processos de aprendizagem. detectam erros e dificuldades. incorporar outros aspectos que permitam ao professor compartilhar a avaliação e poder praticá-la com a função de regular o processo de ensino e aprendizagem. buscam com mais frequência adaptar as programações em função de resultados de diagnósticos iniciais. realizar a avaliação formativa em classes numerosas ou quando o professor atua em várias turmas.U NIDADE 28 Objetivo: Analisar os objetivos que embasam avaliação para o desenvolvimento das capacidades e competências fundamentais para o exercício da cidadania. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . essas experiências também têm representado dificuldades de ordens diversas e bastante complexas para os professores. procuram identificar os conhecimentos iniciais dos alunos. é preciso inicialmente considerar que a avaliação não pode ser um processo de responsabilidade única do professor. dispor de tempo e instrumentos apropriados para recolher informações etc. e também supor os contextos heterogêneos em que ocorrem as aprendizagens. procuram observar não só os resultados. A Avaliação na Construção de uma Proposta Curricular Influenciados por essas ideias os professores têm tentado. Porém. É preciso. portanto. modificar suas práticas de avaliação. uma vez que ela pressupõe uma grande quantidade de decisões a serem tomadas. Para avançar no sentido de encontrar respostas para essas questões. Assim. 137 Copyright © 2007. Isso implica buscar informações para compreender como cada aluno atua diante das tarefas propostas e possibilitar os meios de formação que respondam adequadamente às características particulares desses alunos. decidir sobre a intervenção adequada para superar determinadas dificuldades dos alunos. como por exemplo: identificar as causas que provocam erros na aprendizagem. reforçam êxitos nas aprendizagens. Enfim. em distintas singularidades de cada situação didática que se avalia. sem recorrer a provas e testes. ainda que em tímidas experiências.

Esses novos aspectos imprimem um caráter comunicativo e abrem novas perspectivas para a avaliação. as demandas do professor. Eles direcionam o professor a buscar alternativas didáticas que auxiliem o aluno a aprender a aprender. experiências anteriores etc. Em função de distintos esquemas de conhecimento e contextos culturais. que podem servir também como um interessante modo de fazer registros a serem utilizados na avaliação e contribuir ainda para que cada professor faça sua autoavaliação. nos últimos anos. mediante estratégias e instrumentos de autoavaliação que propiciem a construção de um sistema pessoal para regular seus processos de aprendizagem. dos instrumentos e critérios de avaliação do professor. A aprendizagem pode ser favorecida se os alunos se apropriarem progressivamente.Pensar a avaliação como função reguladora da aprendizagem significa levar em conta que:  A aprendizagem se concebe como uma construção pessoal do sujeito que aprende. Um exemplo: têm se multiplicado. as investigações sobre o uso de portfólios. 138 Copyright © 2007. influenciada tanto pelas características pessoais – esquemas de pensamento. motivação.  O êxito na aprendizagem também é garantido pelas mediações que se produzem entre o aluno e o professor e entre um aluno e os demais. – como pelo contexto social em que ela se desenvolve. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . da mesma maneira. é necessário promover processos de negociação que lhes permitam compartilhar as mesmas ideias sobre os objetivos a serem atingidos. uma vez que propõem a interação e a gestão social da aula e possibilitam o compartilhamento de responsabilidades sobre a aprendizagem. Por isso. por meio de situações didáticas adequadas.  A autonomia dos alunos é promovida quando o professor compartilha com eles o controle e a responsabilidade sobre suas aprendizagens. ideias prévias. os alunos nem sempre percebem.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .” Discuta com seus companheiros. É preciso conceber a unidade do múltiplo. a multiplicidade do uno. 139 Copyright © 2007.“Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade. o que você entendeu sobre esta afirmativa de Edgar Morin. sua diversidade na unidade.

para conhecimentos dos estados e municípios. A partir de 2003. essa política está consubstanciada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). centrando estudos norteadores para a seleção. com a finalidade de prover as escolas das redes federal. A definição do qualitativo de exemplares ser adquirido para as escolas estaduais. Atualmente. quando o governo brasileiro criou um órgão específico para legislar sobre a política do livro didático. municipais e do distrito federal é feita com base no censo escolar realizado anualmente pelo o Instituto de Estudos a Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inepe/MEC) que serve de parâmetro para todas as ações do FNDE. o Instituto Nacional do Livro (INL). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .U NIDADE 29 Objetivo: Desenvolver estudos voltados para a escolha de livros didáticos mais qualificados em sala de aula. O Livro Didático Desde 1929. 140 Copyright © 2007. as escolas de educação especial pública e as instituições privadas definidas pelo o censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram incluídas no programa. os estados e municípios podem solicitar alterações desde que devidamente comprovada à ocorrência do erro. municipais e do Distrito Federal com obras didáticas e paradidáticas e dicionários de qualidade. inclusive para o livro didático. O PNLD distribui gratuitamente obras didáticas para todos os alunos das oito séries da rede pública de ensino fundamental. Os resultados do processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União. a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando. Em caso de desconformidade. estaduais.

 Avaliação. Até o PNLD 2006.  Ampliação: O FNDE ampliou sua área de atuação e passou a distribuir: o Dicionários o Livros em Braille o Livros para a educação especial 141 Copyright © 2007. via convênio firmado com FNDE.  Qualidade física. Em 2007.O PNLD é mantido pelo FNDE com recursos financeiros do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação.7 milhões.  Escolha.  Distribuição.  Alternância. o FNDE executa o programa de forma centralizada para todas as UFs. Atualmente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .9 milhões. A seguir. não se admitindo mais o repasse de recursos financeiros para que o próprio Estado realize as aquisições. o valor previsto no orçamento é de R$ 679.  Pedido. as principais ações da execução centralizada:  Inscrição das editoras.  Aquisição. admitiam-se duas formas de execução: a centralizada (com as ações integralmente a cargo do FNDE) e a descentralizada (ações desenvolvidas pelas Unidades de Federação. Em 2006. mediante repasse de recursos do governo federal.  Período de utilização.  Produção. o investimento foi de R$ 563.  Guia do livro. São Paulo foi o único cotado no PNLD 2005 e 2006 optou pela descentralização).

ele não resolve o problema de falta de livros por má conservação ou pela não devolução das obras pelos os estudantes no final do ano. mais 13% do total inicial de livros. até chegar ao condicionamento dos livros em suportes de madeira (paletes) nos postos avançados dos Correios instalados dentro das editoras. as escolas das redes públicas podem verificar a disponibilidade dos livros nas unidades educacionais mais próximas e registrar possíveis sobras em sua instituição. Os livros do PNLD devem ser utilizados pelos os estudantes três anos consecutivos. a cada ano. para repor os que não foram devolvidos ou que estejam sem condição de uso. continua com a negociação com as editoras. O início do processo se dá com a avaliação física e de conteúdo das obras apresentadas pelos autores e editoras. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a encontrarem obras para remanejamento. E também pela escolha dos professores. 142 Copyright © 2007.o Livros para o ensino médio SISCORT O sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort) no site eletrônico do FNDE. GERENCIAMENTO O gerenciamento logístico é um dos procedimentos mais importantes no processo de distribuição dos livros didáticos e acervos. CONSERVAÇÃO DE LIVROS Embora o Siscort seja um instrumento valioso para auxiliar as escolas e as secretarias de Educação. A falta de conservação e a não devolução das obras levam o FNDE a adquirir. passa pela elaboração e distribuição do Guia do Livro Didático.

077 bilhão de unidades de livros.  Inscrição e cadastramento.  Guias de livros didáticos PNLD no respectivo ano de 2007. Nesse período. um total de 1.2 bilhões. o PNLD investiu R$ 34. que serão utilizados coletivamente pelos alunos de 1ª a 4ª série em cada sala de aula e 247.7 mil escolas públicas do ensino fundamental.8 milhões de alunos. distribuídos para uma média anual de 30. 143 Copyright © 2007.8 milhões de alunos. CONSULTAS  Acompanhamento da distribuição. matriculados em cerca de 163. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . para a utilização nos anos letivos de 1995 a 2006.  Guias de livros didáticos e editoras. o FNDE adquiriu cerca de 519 mil acervos. Já os acervos destinados às escolas rurais são entregues nas secretarias municipais de educação ou nas prefeituras que.  Editais. os Correios entregam os livros didáticos diretamente às escolas públicas urbanas. por sua vez.  Cronograma de atendimento. cada um com 9 dicionários.7 mil escolas.DISTRIBUIÇÃO De acordo com a estratégia de distribuição. do ano respectivo de 2007. Para isso. o PNLD adquiriu. Pelo PNLD 2006 dicionários serão atendidos mais de 764 mil salas de aula de quase 174. beneficiando mais de 29.294 acervos com 7 exemplares paras as salas se aula de alunos de 5ª a 8ª série. devem entregá-los aos estabelecimentos de ensino antes no início do ano letivo. DADOS ESTATÍSTICOS Entre 1994 e 2005.

21/02/2005 – Vida útil dos livros.  Resolução nº 55. 15 de dezembro de 2004. de 24/08/2004 – Ensino fundamental e educação Especial. de 11/07/2003.  Resolução nº 14.gov.  Resolução n 38.LEGISLAÇÃO  Diário Oficial da União.br/home/index. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  Resolução nº 24. de 14/12/2044 – Dispõe sobre a aquisição de dicionários de Língua Portuguesa para o PNLD/2006.br 144 Copyright © 2007. de 23/03/2003 – Controle de qualidade.Livros em Braille. Seção 1. 2.  Resolução nº 32.gov.html) Email: cac@fnde.  Resolução n 05. de 01/10/2003 – Multas contratuais.  Portaria Ministerial nº. de 01/10/2003 – Aplicação de penalidades.  Resolução nº 30.  Resolução nº 03.jsp?arquivo=livro_didatico.  Resolução nº 40.  Resolução Nº 34. de 18/06/2004 – Reserva técnica.963 de 29/08/2005 – dispõe sobre as normas de conduta para o processo de execução dos Programas do Livro. CONTATOS 0800-616161 – Central de Atendimento ao cidadão (ligação gratuita). de 15/10/2003 – Ensino Médio.fnde. página 98. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE Tel: (61) 3966/49/19 ou 3966/49/15 http://www. de 20/05/2003 – Avaliação pedagógica das obras.

Se a educação é um direito de todos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . a avaliação não pode ter um papel classificatório. Explique qual o papel ela deve representar descrevendo uma experiência exitosa na sua trajetória educacional ou pessoal. 145 Copyright © 2007. excludente e punitivo.

caro cursista! Você percebeu que. que já sabemos têm muita informação e conhecimento. de modo a ser apreciado por especialistas e professores. as quais apresentam a qualidade e a abrangência do seu trabalho. que se constitui em mais um instrumento de avaliação e também como uma forma de desmistificar a avaliação da aprendizagem no ensino de jovens e adultos. o portfólio apresenta várias possibilidades. Vejamos: O que é um portifólio? O portfólio é um dos procedimentos de avaliação condizentes com a avaliação formativa.” nós revisitamos desde a trajetória histórica do currículo passando por grandes expoentes educacionais. uma delas é a sua construção pelo aluno. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . desenhos. o portfólio é uma pasta grande e fina na qual os artistas e os fotógrafos iniciantes colocam amostras de suas produções. Nesse caso. possibilitando aos alunos efetiva e crítica participação no ensino e aprendizagem. Agora vamos discutir informações sobre o Portfólio. Originariamente. Bom. Em educação. p.". o portfólio é uma coleção de suas produções. as quais apresentam as 146 Copyright © 2007. ao estudar o Módulo “Concepções Educacionais e Currículo. Essa rica fonte de informação permite aos críticos e aos próprios artistas iniciantes compreender o processo em desenvolvimento e oferecer sugestões que encorajem sua continuidade. às concepções que norteiam a prática educativa. 1612).U NIDADE 30 Objetivo: Trabalhar a avaliação da aprendizagem de forma dinâmica e criativa . estampas etc. Porta-fólio ou portfólio. é uma "pasta de cartão usada para guardar papéis. Identificar o Conceito e Utilização do Portfólio como mais um Instrumento de Avaliação Desmistificada. segundo Ferreira (1999.

O portfólio é um procedimento de avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e avaliar seu progresso.] uma coleção proposital do trabalho do aluno que conta a história dos seus esforços. fatos e sobre si mesmas. Esses juízos se apresentam impregnados de (pré) conceitos e valores acerca da sociedade e do mundo que os cercam. inerente ao ser humano. Os autores Arter e Spandel (1992) entendem o portfólio como: [. em conjunto. Essa coleção deve incluir a participação do aluno na seleção do conteúdo do portfólio. (p.. É organizado por ele. 207). situações. possam acompanhar o seu progresso (VILLAS BOAS. Avaliação desmistificada A avaliação tem como característica ser uma tarefa. que envolve o julgamento da qualidade da produção e das estratégias de aprendizagem utilizadas. os critérios para julgamento do mérito. p. as linhas básicas para a seleção. os alunos são participantes ativos desse processo. 36) Esse entendimento inclui três ideias básicas: a avaliação é um processo em desenvolvimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . e evidência de autoreflexão pelo aluno. que se revela de múltiplas formas no cotidiano. Pois eles são participantes ativos da avaliação. As pessoas expressam um caráter eminentemente avaliativo sobre objetos.evidências de sua aprendizagem. Não é uma pasta onde se arquivam textos. a reflexão pelo aluno sobre sua aprendizagem.. progresso ou desempenho em uma determinada área. para que. 147 Copyright © 2007. A seleção dos trabalhos a serem incluídos é feita por meio de autoavaliação crítica e cuidadosa. Percebe-se que o portfólio é mais do que uma coleção de trabalhos do aluno. com orientação do professor. A compreensão individual do que constitui qualidade em um determinado contexto e dos processos de aprendizagem envolvidos é desenvolvida pelos alunos desde o início de suas experiências escolares. selecionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-Ias no portfólio. 2001.

que objetiva ser um instrumento auxiliar da aprendizagem. métodos e instrumentos. O autor destaca outro modelo. Avaliação desmistificada contribui significativamente para o avanço do conhecimento sobre a avaliação. Entretanto. marcadas pela exigência legal da certificação. possibilitando a prática de uma forma de avaliar que ultrapassa o encarceramento da quantificação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O repensar da prática de avaliar a aprendizagem na educação.A avaliação da aprendizagem como fenômeno educacional apresenta-se como área específica de conhecimento. especialmente. no contexto da avaliação formativa. é contínua a existência de representações inibidoras que atrelam a ação avaliativa às perspectivas meramente burocráticas. pela seletividade. evidentemente. A realização do modelo de avaliação formativa exige do educador uma compreensão das formas de avaliação e uma reflexão sobre os propósitos e os obstáculos calcados no ato de avaliar. o percurso de concepções filosóficas a partir de diferentes visões de mundo. exige deixar de lado as representações centradas na certificação e compreender o ato de avaliar como um instrumento de reflexão e suporte para aqueles que constroem o cotidiano da educação. denominado avaliação formativa. trazendo em sua caracterização as marcas do tempo histórico. de homem e de sociedade. da quantificação do saber por meio de notas e. Essa situação. exige dos educadores uma reflexão 148 Copyright © 2007. o termo avaliação assume como característica essencial à função de medir e quantificar. desde os seus primórdios. Historicamente. pois transcende determinações historicamente validadas que concebem o ato de avaliar atrelado diretamente ao ato de medir. ressaltando o valor da objetividade por meio de técnicas. A obra do filósofo francês Charles Hadji.

portanto. Certamente. a avaliação é compreendida como um instrumento pedagógico a serviço do êxito do aluno. é possível encontrar pistas bem precisas de aquisição do conhecimento de forma construtiva. delineia as dimensões teóricas da avaliação de forma mais concreta e contextualiza formas de aplicabilidade por meio do Guia metodológico para tornar a avaliação mais formativa (p.continuada e sistemática. a fim de reverter o quadro tradicional. no sentido de contribuir para a construção do saber e a apropriação do conhecimento. a leitura dessa obra poderá fornecer indicadores teóricos capazes de contribuir para a ultrapassagem de determinados limites. capaz de contribuir para o enfretamento das indagações e o desvelamento dos condicionamentos e determinantes da prática pedagógica cotidiana. Nesse modelo. a teorização sobre a avaliação formativa pode ser percebida. Nesse sentido. Apresenta um esforço teórico na direção da implementação de proposições. compreendendo que a prática da avaliação depende da significação empreendida ao ato de ensinar. Na primeira parte da obra. permeado pela 149 Copyright © 2007. denominada Compreender. A segunda parte da obra. da sociedade e da transformação do sistema social. no âmbito educacional como um conjunto de contribuições que podem sinalizar para o aprimoramento do conhecimento sobre essas realidades. Aqui o autor explora e resguarda a íntima relação da teoria com a ação. além de possibilitar melhores formas de intervenção. denominada Agir. do desenvolvimento dos indivíduos e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os educadores e demais profissionais envolvidos com a tarefa de avaliar são convidados a incluir em suas reflexões o real significado do princípio que coloca a avaliação (desmistificada) a serviço da aprendizagem. ressaltando que a ausência da primeira pode levar a um imobilismo pedagógico. na tentativa de colocar a avaliação como elemento ativo do processo de aprendizagem.70). No eixo motriz dessa análise.

Finalizando. 1962) e procure refletir sobre o processo de construção da sua teoria. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que tem como diferença a necessidade do educador se abster de convicções impregnadas de inércia e imobilismo e caminhar na perspectiva de uma convicção criadora. além da alma. O filme mostra o início dos trabalhos de Freud. Assista ao filme Freud. além do achatamento na aquisição do conhecimento. direção de John Huston (EUA. é necessário reafirmar que a avaliação é apenas um processo geral de condução da ação e do ensino e aprendizagem. que favorece consideravelmente a significativa situação do fracasso escolar.seletividade e pela discriminação. e também o momento decisivo que precisa ser concebido como um ato amoroso e uma operação de leitura orientada da realidade. enfocando seus estudos sobre a interpretação dos sonhos. 150 Copyright © 2007.

que significa “experiência”. O que a pessoa pensa de si mesmo. onde. Egocentrismo – É a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio.Fenômeno ou processo interno. são funções psicointelectuais superiores. Empirismo – O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria.. ou seja. é fundamental que o indivíduo se insira em determinado meio cultural. é o ramo da filosofia interessado na investigação da natureza. Autoestima . é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento. 151 Copyright © 2007. Interacionismo. Interação entre o indivíduo e a cultura. também chamada teoria do conhecimento.. fontes e validade do conhecimento. que consiste no pensamento dedutivo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Culturalista – postura da vertente de psicólogos e dos cientistas sociais que destacam o papel da cultura na explicação dos fenômenos. Restringiu-se amiúde o termo “empirismo” à filosofia clássica moderna Endógeno . adquiridas a partir de atividades sociais que aparecem no decurso do desenvolvimento das crianças. Interpsiquico – Segundo Vygotsky.G LOSSÁRIO Apriorismo – A priori (do latim. « partindo daquilo que vem antes »). que se realiza no interior Epistemologia – A epistemologia.A autoestima pode ser definida como o sentimento que se tem ligado a autoimagem. para Vygotsky.

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