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Brasil - Cont e Atual

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SUMÁRIO DA DISCIPLINA

Plano da Disciplina ......................................................................................................................................

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UNIDADE I O BRASIL MULTICULTURAL Texto 1: História e Cultura Afro-Brasileiras ............................................................................................... Texto 2: Cultura Indígena ........................................................................................................................... Texto 3: As Influências dos Imigrantes ....................................................................................................... Texto 4: Exclusão Social ............................................................................................................................. UNIDADE II FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Texto 5: As Raízes do Modelo Capitalista Brasileiro ......................................................................................... Texto 6: O Processo de Modernização ........................................................................................................ Texto 7: O Papel do Estado nas Décadas de 70 e 80: Autoritarismo e Concentração de Renda ................ UNIDADE III O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA E O CONTEXTO ATUAL DO BRASIL Texto 8: As Consequências Socioeconômicas do Modelo de Desenvolvimento Brasileiro ........................ Texto 9: A Construção de uma Nova Cidadania e os Movimentos Sociais ................................................. Texto 10: O Brasil e o Contexto Internacional ............................................................................................

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Glossário ..................................................................................................................................................... Referências bibliográficas ...........................................................................................................................

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Plano da Disciplina
Carga Horária Total: 30h/atividades Créditos: 02

Relevância da Disciplina
A disciplina propõe estudar a modernização do Brasil e as consequentes transformações políticas e sociais a partir da compreensão do modelo capitalista brasileiro e dos processos de exclusão social, refletindo acerca da pobreza no Brasil, da diversidade social e cultural e dinâmica de classes que estrutura a sociedade brasileira, situando-a no contexto da nova ordem mundial.

Objetivos da Disciplina
Analisar diferentes visões crítico-reflexiva do contexto social brasileiro; desenvolver e/ou utilizar conhecimentos e habilidades para a formação de profissionais conscientes de sua responsabilidade no processo de implantação e implementação de uma sociedade mais justa e igualitária.

UNIDADE I: O BRASIL MULTICULTURAL
Tempo estimado de autoestudo nesta unidade: 8h/atividade Objetivos: Reconhecer a importância da diversidade cultural que constituiu o povo brasileiro e a influência desse multiculturalismo na formação da nossa sociedade e nos dias atuais.

Quadro-resumo da unidade
Assuntos Onde Encontrar Atividades Complementares Leituras Complementares • FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro:Record, 1998. • HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1989. • MOTA, Carlos G. (org). Brasil em Perspectiva. São Paulo: Difel, 1969. • RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Ed. Companhia das Letras, 1995. Músicas • Que país é esse?, da Legião Urbana; Filmes Indicados • A Missão; • Chica da Silva. • Desmundo.

Texto 1: História e Cultura Afro-Brasileiras

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Texto 2: Cultura Indígena

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Texto 3: As Influências dos Imigrantes

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Texto 4: Exclusão Social

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sendo então preso e torturado por agentes federais. Rio de Janeiro: Editora: Rocco. O QUE É O BRASIL?. Petrópolis: Vozes. • DREIFUSS.br Texto 7: O Papel do Estado nas Décadas de 70 e 80: Autoritarismo e Concentração de Renda Leituras complementares • DAMATTA. identificar o Brasil como um país de industrialização recente. Sites indicados • http://www. com Antônio Fagundes.gov. • Pra frente Brasil.UNIDADE II: FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Tempo estimado de autoestudo nesta unidade: 8h/atividade Objetivos: Caracterizar a Revolução Industrial como o momento de instalação do modelo capitalista de produção. R. 5 Quadro-resumo da unidade Assuntos Onde Encontrar Atividades Complementares Filmes Indicados • Tempos Modernos. é levado à loucura pela “monotonia frenética” do seu trabalho. Texto 5: As Raízes do Modelo Capitalista Brasileiro Página 00 Texto 6: O Processo de Modernização Página 00 Página 00 . Um operário de uma linha de montagem. 1981. 2004. Em meio à euforia do milagre econômico e da vitória da seleção na Copa de 70. Reginaldo Faria e Flávio Miggliaccio no elenco. Tempos Modernos é uma crítica contundente ao movimento “frenético” imposto pelo processo da industrialização. 1964 A Conquista do Estado.dominiopublico. um pacato cidadão da classe média é confundido com um ativista político. que testou uma “máquina revolucionária” para evitar a hora do almoço. reconhecer as marcas da economia dependente no modelo de desenvolvimento brasileiro. perceber as contradições da modernização surgida a partir da Revolução Industrial. Dirigido por Roberto Farias (Assalto ao Trem Pagador). René A.

Record. e de modernizador.6 UNIDADE III: O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA E O CONTEXTO ATUAL DO BRASIL Tempo estimado de autoestudo nesta unidade: 8h/atividade Objetivos: Relacionar a globalização e o neoliberalismo com o desenvolvimento brasileiro dos anos 90. dos governos pós-90.org/brasilcontemp. perceber as contradições entre as funções de controle. no plano social. Quadro-resumo da unidade Assuntos Texto 8: As Consequências Socioeconômicas do Modelo de Desenvolvimento Brasileiro Onde Encontrar Atividades Complementares Sites Indicados  www. 2000. no plano econômico. Milton.brasilcultura.htm Leituras Complementares SANTOS. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro. Do pensamento único à consciência universal. Página 00 Página 00 Texto 9: A Construção de uma Nova Cidadania e os Movimentos Sociais Texto 10: O Brasil e o Contexto Internacional Página 00 .

INTRODUÇÃO Sabemos que precisamos ser cidadãos atuantes em nossa sociedade. que explode em um gol ou que vem manso. desafio contemporâneo de resgatar e reinventar culturas que nos tornaram especiais e diferentes de tudo o mais que existe no mundo. Por meio de trechos da nossa história e episódios da nossa cultura. quantas feridas abriu. Andou marcando de moreno os brasileiros”. foi quem mais se miscigenou com seus escravos. mas os estrangeiros que nos visitam. nossas aulas são para aqueles que desejam lançar seus olhares para uma nação. A que se deve isso? Pare e pense! Sobre o que estamos conversando? Sobre algo que é próprio da nossa cultura e da formação de nossa identidade: a miscigenação. mas. características econômicas. que em nós. Como se deu esse encontro. Contexto é algo que está nas entrelinhas. Como tudo se constituiu até os dias de hoje. tentaremos nos aproximar de alguns pensamentos que formam a nossa mentalidade. quantas marcas deixou. como na História a contradição não fere a lógica. costumamos cometer o erro de confundir o Estado e a Nação. como no poema de Mário de Andrade. Três vertentes que criaram uma só nação. políticas. Aqui no Brasil. brasileiros. as suas consequências e influências. aparece aqui e acolá. mas para nela melhor atuarmos precisamos conhecer os contextos e nuances que a constituem. das regiões brasileiras. sociais e culturais. 7 . múltipla e díspar. convivência bastante íntima dos três povos que nos formaram. a nação brasileira. mas nossa nação é um sucesso de público e não somos nós que dizemos isso. Foi o sol! Que por todo o sítio imenso do Brasil. quantas bocas beijou? O português protagonizou o regime escravocrata mais cruel e eficaz do mundo moderno. Nosso estado pode não ir muito bem das pernas. como as características da população. Por exemplo. “O poeta come amendoim”: “Noites pesadas de cheiros e calores amontoados. o sentimento nacional.

O principal grupo. progressivamente. já conhecido pelos indianos de longa data. todos com grande aceitação no mercado europeu. porque traz consigo o ser servido. Os contatos entre os índios e os portugueses nem sempre foram hostis. depois de terem expulsado para o interior as tribos que não eram tupis. era constituída de massapé. fundamental para tirar das terras conquistadas as riquezas cobiçadas. sobre terras vastas e férteis. Quando os portugueses chegaram nas terras que futuramente seriam o Brasil. A educação dos meninos e das meninas ocorria num clima harmonioso. Os portugueses. No Brasil os índios assumiram parcialmente a função de escravos. por meio do qual eram inseridos. divididos em quatro principais troncos linguísticos. As crianças acompanhavam os adultos nas atividades cotidianas e pouco a pouco aprendiam. pode-se dizer que os portugueses assumiram uma postura arrogante diante dos índios. colaboraram para a vulgarização dos produtos obtidos da cana-de-açúcar. Os trabalhadores deveriam ser gerados fora do reino. mas continuava sendo cara. Se comparada aos dias atuais. mas também nem sempre foram pacíficos. de forma geral. deve-se ressaltar que entre eles não havia aquilo que conhecemos como classe social. De modo geral. amendoim e abóbora. construiu-se um mundo novo. com o qual os descobridores fizeram contatos em abril de 1500 foi o tupi-guarani. depois de estabelecerem contatos comerciais no Índico. Tronco constituído por várias nações que habitavam o litoral. erguiam nas terras americanas um complexo de produção que almejava suprir os mercados internacionais de açúcar. frequentou mesas abastadas e boticas de cirurgiões. Diante do desafio enfrentado pela coroa e pelos comerciantes envolvidos na expansão marítima de encontrar uma saída para o Brasil. Se com propriedade podemos dizer que o período pré-colonial foi sustentado pela extração do paubrasil. podemos dizer que se organizavam em núcleos menores – as tribos – e desconheciam a propriedade privada. Ao longo da colonização. E a mão de obra? Como alimentar enormes fazendas com trabalhadores? De onde trazê-los? Portugal era incapaz de fornecer este subsídio demográfico.8 UNIDADE I O BRASIL MULTICULTURAL “O ser senhor de engenho é título a que muitos aspiram. não as encontraram desabitadas. Embora seja possível apontar as duas figuras principais da tribo. Adoçava e curava. Na tribo destacavam-se duas figuras: a do sacerdote. No século XV. o extenso território era povoado. Conheciam a agricultura. Completavam a dieta alimentar com a caça e a pesca . o lugar que se chamaria Brasil. obedecido e respeitado de muitos”. Uma extensa faixa de terra. vamos voltar ao tempo e compreender o desenvolvimento do Brasil e a constituição do “povo brasileiro”. Dois elementos fundamentais para a construção do mundo da cana. Um produto agrícola de valor comercial e terras em abundância. Sob sol abundante e intenso. unidos pela fatalidade dos processos históricos. que conduzia os seus nas constantes batalhas que travavam com outras tribos pelo domínio territorial de caça e pesca.no que eram muito hábeis – e com a coleta de frutos silvestres. diga-se de passagem. que cobria o correspondente de hoje do nordeste e parte do sudeste. Sentiam-se superiores a eles e esforçaram-se para escravizá-los e submetê-los à lógica do trabalho forçado. além de milho. Três povos distintos. a cana pareceu a mais promissora. um verdadeiro ouro branco para alguns e mortalha da morte para muitos. e para vingar ofensas. não será menos dizer que a cana-de-açúcar fez igual pela colonização. Os comerciantes italianos eram os maiores distribuidores da rara doçura. na vida da comunidade. como você leu acima. Movidos pela ganância e pela . que comandava os cultos e cuidava das doenças. A sua população não era grande. Antonil. Dela extraía-se um suco de extrema doçura. chega mesmo a ser inexpressiva. quando Portugal preparava-se para saltar o Atlântico. que traziam do Oriente. Estima-se que viviam aqui cerca de três milhões e meio de índios. a cana era cultivada em algumas ilhas e também em terras mediterrânicas. Produto raro e caro. solo altamente propício ao cultivo da cana-de-açúcar. Plantavam principalmente mandioca. Ele variou segundo os interesses e os comportamentos de ambos. Muito pelo contrário. E esta combinação foi potencializada pela natureza. embora essa fosse rudimentar. Não mais de um milhão e meio de pessoas viviam em Portugal no século XVI. feijão. Para entender como nosso país se tornou tão rico em diversidade cultural. e bem povoado. Tanto a terra como os produtos dela tirados e o resultado das caçadas e das pescarias pertenciam à coletividade. que se desdobravam em incontáveis dialetos. e a do guerreiro.

hortas e pastagem. exigindo a abertura de novas clareiras na mata. que foram destruídas pelos ataques dos índios. Assim não havia concorrência entre as colônias e os lucros eram maiores. um gosto tão orgânico quanto suas paisagens. A casa grande. quando se comemora a noite de São João. pois sem concorrência o preço pode ser melhor controlado. destacaremos um que pela sua abrangência. Durante meses as caldeiras permaneciam funcionando e os edifícios eram iluminados para que o trabalho ocorresse sem grandes intervalos. morada do senhor. Proprietários de terra e de engenhos eram os senhores. tanto econômica quanto cultural. Era 9 . de aristocracia americana. Florestas sendo abatidas para dar lugar ao cultivo e fornecer madeira para alimentar as caldeiras dos engenhos. Cume da ascensão econômica e social. a casa grande primava pela seriedade. pomares. as praias do mundo. portanto. Um país a nascer com gosto de suor. de sua família nuclear. podiam transformá-la em açúcar e outros derivados. cristalizado e tratado até ser encaixotado. fato importante para a manutenção do pacto colonial. Tiravase o caldo da cana nas moendas. Porém. mais protegida. Sair de casa não era propriamente ir à rua. que perseveraram na luta pelo seu território ao longo de toda nossa história. Vários elementos corroboraram para esta construção. Se a África era transformada em fornecedora de energia. A história registra vários episódios de construções (incluindo a casa do senhor e o engenho). O mundo da cana preparava-se na íntegra para adoçar as praias do Brasil nascente. deveriam ser poucos. de cana principalmente. Centro da produção de riqueza e também de um modo de vida. sangue e cana. Grande extensão de terra. das sinhás. A monocultura da cana esgotava o solo. onde desempenhavam importante papel na cadeia produtiva. Na base de tudo a grande propriedade. para formarem uma elite. atravessadas ordinariamente por velames portugueses abarrotados de homens e de mercadorias. dos agregados e dos escravos de casa. A solução encontrada e que melhor cobria as necessidades apontadas foi a escravização do africano em escala mercantil. Casamentos eram realizados na presença do padre. a herança da Ibéria moura nos deu casas com pátios e jardins internos. Aliada a este princípio. O engenho era a parte mais mecanizada da fazenda. em combustível da colonização. Depois da moagem o suco era cozido. E tem mais. O mercantilismo alimentava-se deste trânsito constante. E muitos técnicos do velho continente vieram se estabelecer no Brasil nascente. As grandes fazendas tentavam a autonomia. Ser senhor de engenho era o que todos queriam. pode esclarecer os demais. ligados a Lisboa por distinção e riqueza. um sistema de distribuição da terra. de trabalhadores. O complexo processo de produção culminava nos seus depósitos. E. que sintetiza vários elementos do mundo do açúcar. cedendo lugar às novas plantações e fornecendo energia ao engenho. além de plantarem e colherem a cana. de onde eram enviados para os portos e depois para o mundo. As florestas eram derrubadas periodicamente. Podemos dizer que boa parte das relações sociais desta primeira idade do Brasil girou em torno do engenho. sendo coberto paulatinamente por plantações.necessidade. Trata-se do engenho de açúcar. O Brasil deixava de ser um fornecedor de energia escrava e se especializava em produzir cana. Estas duas realidades se unem pelas águas atlânticas. reduzindo a população nativa a um número insignificante comparado ao ano de 1500. Os seus componentes eram importados da Europa. No começo dos tempos coloniais. De um lado o Brasil. purificado. Uma casa que era também pequena fortificação. plantações de cana. mas também tracionadas por juntas de bois e em alguns casos por grandes moinhos de água. que comparecia ao engenho para abençoar os trabalhos e os trabalhadores. Em suas terras eram plantados os alimentos que nutriam os escravos e os demais habitantes do lugar. ela assumia este papel sozinha. com suas terras infindas e férteis. Uma noite de folguedos e festejos antecedia a abertura dos trabalhos. os descobridores perpetraram verdadeiros massacres. O engenho recebia e processava a cana plantada nas vastas terras pelos escravos. A coroa vendia o direito de explorar o comércio escravo e taxava a sua passagem pelos portos. do vaivém das embarcações. Era um trabalho árduo e intenso. Do outro lado a África. Proprietários de terras cultivadas eram os grandes lavradores. Eles constituíam uma espécie de nobreza da terra. que era também o de distribuição da riqueza: a terra era a mais importante fonte de produção. gerava novas e riquíssimas fontes de renda. sendo transformada em usina de energia humana. Além de coibir o controle dos colonos brasileiros sobre a mão de obra. Festa de herança colonial. lágrimas. E a América Portuguesa ia sendo paulatinamente construída. Os trabalhos começavam normalmente em fins de junho. Por isso também os lotes de terra concedidos aos plantadores deveriam ser vastos. Quanto mais fechada. de mulheres e homens escravizados. Eram os mais ricos e poderosos porque. título de seu mais notável livro. muitas vezes movidas pela força dos escravos. O suco dos homens misturava-se ao da cana e fazia o brasileiro. Poucos homens a possuí-la. Gilberto Freire nomeou este complexo aparelho colonial de Casa Grande e Senzala. As terras eram ocupadas por florestas.

O senhor de tantas vidas e tantas fortunas. donos dos meios de produção de riqueza. 2) A lista é enorme. o filme conta a história de uma moça órfã. na África não havia essa identidade por meio da cor da pele. ao comércio. Rústica. que estendiam seus poderes para além das fronteiras de suas propriedades. Cabe salientar que a ideia de uma etnia negra é uma invenção do continente americano. E este cenário nos remete a um quadro social também familiar. Chama-se Desmundo. assim como entre os índios. o cultivo da cana esgotava o solo e os engenhos necessitavam de muita lenha para funcionar. mas podemos destacar entre as principais: o senhor. Nela concentrava-se o poder e a riqueza. escravizassem outras para fornecer aos portugueses. às técnicas. também seus costumes. e com ela. ao menos em alguns aspectos. E alguns poucos senhores de engenho. Dicas de Estudo Filme recomendado Indicaremos um filme bastante interessante e ilustrativo do viver na colônia no século XVI. à navegação. como também eram as casas dos senhores. muitas vezes insalubres. de negros ou de índios. também denunciava o seu morador. que tão diretamente agia sobre os destinos de seus subordinados. 1) O latifúndio monocultor adaptava-se aos interesses no mercantilismo porque ele produzia um produto de grande aceitação no mercado. a família do senhor e os trabalhadores técnicos. A violência do escravista e a provedoria do pai estiveram na constituição do senhor de engenho e de sua morada. o escravo. destituídos de direitos. 2) Estabeleça uma lista com as principais personagens do complexo Casa-grande e senzala. fez dela sua sede. Nela vivia a força motriz do mundo da cana. vinculados à administração. reduzidos à condição de objeto. é ingênua a perplexidade de se surpreender com informação de que tribos. 3) Primeiro. Nem todos tinham a mesma fortuna. A senzala. Uma massa de trabalhadores. 3) Por que era importante que os lotes de terra cedidos fossem vastíssimos? Gabarito Caro aluno. A espantosa energia do homem da África posta violentamente a serviço do mercantilismo. Os negros e índios foram submetidos de forma física. Nela viviam os escravos. desta família que Gilberto Freire explicou como patriarcal. que são os escravos. nem todos viviam a mesma riqueza. A Casa Grande é a sede do patriarca. Segundo. Exercícios 1) Faça você mesmo a conexão: escreva um parágrafo explicando porque a grande lavoura de cana-de-açúcar encaixa-se tão bem aos interesses do mercantilismo. Mas eram livres e assalariados. era uma habitação coletiva. assim. porque era um símbolo de distinção social e estratégia de criação de uma elite. Construção ampla e comum. assim como a Casa Grande. tirando-a. Uma sociedade fortemente vincada pela liberdade e riqueza. culturalmente se viram expostos e fragilizados.10 caminhar pelo pátio interno da casa. da situ- . Por isso. em seguida você encontrará um guia de resolução das atividades propostas. Alguns trabalhadores eram livres. A cultura portuguesa preponderou. à religião. Baseado no romance histórico homônimo da escritora Ana Miranda. aos trabalhos manuais especializados. que foi enviada ao Brasil para se casar com um homem que a escolhesse. O índio perdeu as terras e o negro foi brutalmente transportado de ambiente.

que por sua vez. remédio e decoração. por sua vez. A empresa açucareira necessitava de um latifúndio que plantasse cana para a produção de açúcar. São Paulo: Companhia das Letras. Não custa lembrar que como afirmou Antonil. vinculada ao processo de desterritorialização sofrido pelo indígena. A coleção foi dirigida por Fernando Novais e este volume foi organizado por Laura de Mello e Souza. vivia da monocultora. livres e assalariados. pôde ser regularmente consumido por um público maior e passou a adoçar o chá. Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso. encontrou na lavoura da cana-deaçúcar sua expressão econômica fundamental. mas economia é pouco para descrever a importância e os futuros desdobramentos para a cultura brasileira dessa opção. 11 Texto 1: História e Cultura Afro-Brasileiras “Ó mar salgado. Porém. quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos. sendo que no passado era sinal de status social e fortuna. exigia trabalhadores. Logo essa extensa propriedade. A escravidão no Brasil aparece primeiro. como consequência da expansão de sua produção e da sua comercialização. abordando aspectos quase sempre esquecidos nos livros escolares. Os índios escravizados eram explorados até o limite de suas forças e acabavam morrendo por maus-tratos ou pelas doenças trazidas do universo bacteriológico europeu. 1982. os usos e abusos do açúcar são bem mais variados: tempero. desejado para o consumo. o litoral do Brasil. Porém. para atender a demanda e gerar os lucros desejados pela coroa portuguesa e pela burguesia comercial. Trata-se de uma obra coletiva. também ser tornavam mais acessíveis ao consumo de maiores camadas das populações. André João. Por conta dos grandes lucros advindos da comercialização do açúcar no mercado internacional e da . Mas ela não gosta nem um pouco daquele que a escolheu e sua vida torna-se um tormento.ação de penúria e abandono que vivia em Portugal. Tanto que foi apenas a partir do século XVIII que. o ouro branco. conservante. Mas nele é que espelhou o céu. E ainda: ANTONIL. fazia uso de uma mão de obra permanente. os escravos eram como as mãos e os pés dos senhores de engenho. com conhecimentos especializados no cozimento e no refinamento do produto. SCHWARTZ. O açúcar pode ser um dos ingredientes de uma massa para modelar e pintar. Cultura e opulência do Brasil. recorreu-se ao trabalho escravo. na qual vários autores visitam formas de viver e pensar na época colonial. Como para o capitalismo comercial praticado em Portugal seria inviável o trabalho assalariado. mais e mais. quanto mais ostensiva a presença portuguesa mais presente era a escravização. Fabricar açúcar era empresa que necessitava de investimentos vultosos para a instalação dos engenhos. Stuart B. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. “ Fernando Pessoa experiência pregressa do cultivo em outras partes do mundo. o grosso da mão de obra dos engenhos de cana era constituído de escravos. que não era facilmente encontrado mas que era. logo. lançado em 2003 pela Columbia Pictures do Brasil. em uma sentença já há muito clássica. Leitura recomendada História da vida privada no Brasil: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa 1 é um livro muito informativo e agradável. O filme foi dirigido por Alain Fresnot. Coincidindo com o descobrimento do Brasil em 1500. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Itatiaia. São Paulo: Companhia das Letras. o café e o chocolate. que pertencia ao senhor de engenho. Deus ao mar o perigo e o abismo deu. extremamente favorável ao cultivo. Escolha alguns capítulos e conheça um pouco mais da vida privada no Brasil nascente. 1988. que. ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Segredos internos: Engenhos e escravos na sociedade colonial. quantas mães choraram. decorar mesas com a esculturas feitas de açúcar. o acúcar converteu-se em produto de luxo. 1997.

Trazidos pelos portugueses para o trabalho escravo nos engenhos de açúcar do Nordeste. inclusive. trazidos da África Equatorial e Tropical em regiões que hoje pertencem a países como o Congo. Agora. em uma atividade extremamente lucrativa. instalações desconfortáveis com nenhuma facilidade nas senzalas. O tráfico negreiro proporcionava duas vantagens em relação à escravidão indígena: era fonte de mão de obra de mais fácil obtenção sem provocar o desagrado da Igreja e gerava lucros substanciais para a metrópole.12 africano e asiático que entre si conviviam. conforme sua utilidade. o que desagradava profundamente os anseios mercantilistas portugueses. mas para o qual a América estava indefesa. e que ficou conhecida como a Revolta dos Malês. A utilização em larga escala da mão de obra negra no Brasil Colônia. os negros. e da África Ocidental. Lucravam os comerciantes de escravos e a Coroa portuguesa. havia muitos que eram islamizados. oferecia perigos para o bom andamento dos trabalhos. Quando aqui chegavam. nas regiões que hoje pertencem ao Sudão e também ao norte da Guiné. fugas em um território conhecido. na rota África-Brasil para a coroa portuguesa e a burguesia comercial de Portugal. Era uma forma de estabelecer relações de tabalho desligadas de relações sociais integradoras da coletividade. que condenava veementemente a escravidão indígena. No que diz respeito à composição étnica. que se tornariam a principal fonte do trabalho escravo durante o período colonial e imperial brasileiro. tudo isso pode ser levado em conta por que existia uma alternativa já conhecida e que trazia beneficíos para a coroa portuguesa e para o comércio português. obra máxima da conversão. No começo foi utilizada a mão de obra indígena. os escravos eram submetidos a um regime de tratamento bastante cruel dos vários pontos de vista que se possa imaginar: trabalho pesado na lavoura. para o jesuíta essa era a sua missão. em uma situação considerada por muitos como desumana. os mais fortes e saudáveis valiam mais. até mesmo servindo de fundamento para teorias de supremacia racial. ainda em fins do século XVI. os escravos eram vendidos como mercadorias. os indígenas também foram vítimas desse modo de produção. ao ponto de representar uma das mais bem sucedidas formas de acumulação de capitais para metrópole e se consolidando como principal manancial de trabalhadores escravizados. em função do tráfico negreiro. sendo. ordem religiosa de fundamental importância para a compreensão do Brasil. tais como violentas reações que chegaram até mesmo a ameaçar a segurança e o bom andamento da economia açucareira colonial. sendo-lhe negada até mesmo a alma. Foram eles os protagonistas de uma rebelião de escravos ocorrida na Bahia. constata-se a presença de dois grupos importantes: os bantos e os sudaneses. “Dou ao Demo os insensatos. Entre os sudaneses uma informação impressiona. em 1835. Some-se a isso também a questão dos jesuitas.” Gregório de Mattos Guerra por se constituir. Nos primeiros tempos do cultivo da lavoura da cana. isto em uma época em que sequer se considerava o negro escravizado um ser humano. a mão de obra do escravo indígena era a que prevalecia. a escravidão de forma sistematizada teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. No Brasil. embora a escravidão no Brasil tenha sido caracterizada pela presença de escravos trazidos da África. acabou . a africana se tornou mais comum por diversos motivos. mas. além de o lucro obtido por sua escravização não chegar ao tesouro da metrópole. Transportados para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Essas e outras formas de reação prejudicavam os negócios. Os muitos que morriam no trajeto tinham seus os corpos jogados ao mar. porém. Dou ao demo a gente asnal Que toma por cabedal Pretos. que para afirmar sua identidade necessita negar a do outro. Guiné e Angola. correntes para dormir sem causar risco de fuga e castigos corporais. vinham amontoados. alfabetizados. Porém. Os escravos eram submetidos a O uso da mão de obra escrava negra foi bem mais numeroso e propalado. Deus aos índios reservou a catequese. A justificativa para a adoção de um regime escravocrata era a falta de mão de obra. coisa que a maioria de seus algozes sequer era. Mestiços e Mulatos. posto que. O índio. para o trabalho na lavoura do açúcar ou na extração de ouro. O que parece predominar sem excluir alguns outros são os lucros obtidos no comércio transatlântico dos escravos. interessados em largos acúmulos de capital.

apontando-se alguns que obram tanto os senhores como as senhoras com tal crueldade como são pingar de lacre e marcar com ferro ardente nos peitos e na cara. quando conseguiam amealhar alguma riqueza pelo exercício de ofícios mais elaborados ou desviando algum ouro do trabalho nas minas. para que os mosquitos os estejam picando e desesperando. Em 1º de março de 1700 por exemplo. executando neles a mutilação de membros. entre nós. Os quilombos promoveram a fusão de elementos culturais das sociedades indígena e africana. tão caro a quem quer que pretenda refletir sobre qualquer contexto brasileiro um pouco mais amplo. que representavam uma constante busca do negro por viver em liberdade apesar de muitas vezes sequer poder imaginar o que lhe aguardava caso obtivesse sucesso no seu intento e de fato conseguisse se embrenhar na mata e encontrar um lugar para viver longe da escravidão que lhe havia sido imposta pelo branco. Qual a lição da escravidão. gena também se fazia presente. viam-se impedidos de manifestar abertamente a sua religião bem como de celebrar as festas e rituais que gostariam. que se perpetuam até hoje. outro veio do sertão. de outro. o Brasil consagrou naquelas épocas um sentimento de repulsa quanto ao trabalho. e pingou com lacre. Diz ainda de castigos que se fazem por suspensão de cordas em árvores. Os escravos alforriados compravam escravos para uso próprio. bem como. 13 Culturalmente. considerado “coisa de negros”. Muitas das revoltas de escravos não visavam o fim da escravidão como sistema. tema. sem continuidade e sem medidas coercitivas. Quilombos eram comunidades que se instalavam nas matas e lá viviam em um estilo de vida que tinha como base. hoje. De Francisco Pereira de Araujo se diz que cortou as orelhas a um. Variadas foram as maneiras de resistir ao escravismo. por que se ocupar de um tema tão árduo e que preferiríamos esquecer? A escravidão foi. não tendo qualquer direito. entendeu com uma sua negra. entre eles a celebração dos rituais religiosos. era isso o que acontecia quando ele. havendo alguns que por anos se acham metidos em correntes. o manual.castigos corporais. a amamentação. fosse o destino dos escravos a lavoura canavieira. sonhava com os quilombos. e comentando dos «cruéis castigos. o Rei de Portugal D.. que se curou no hospital.. de fundamental importância na construção de uma identidade coletiva. sobre os açoitarem e pingarem com a mesma crueldade que fazem os demais. Ainda assim conseguiram manter viva e tornaram sua cultura parte fundamental do que somos hoje. da colônia até o Império. o dos Palmares foi o que conheceu maior reputação.. A dos Malês. A aplicação dos castigos é realizada de forma sistemática e obedecia a um esquema que. por dias e semanas inteiras. a quem o senhor cortou as partes pudendas. portanto. se diz que foi tão cruelmente açoitado do seu senhor que lhe provocara especialmente o rigor da Justiça Divina. O fato incontestável é que a escravidão preponderou como forma de trabalho e marcou as relações sociais que com ela decorerram no Brasil. embora por vezes distantes. A maior parte da mão de obra negra feminina estava destinada aos afazeres domésticos.» (Site Wikipédia). suicídios. a primeira forma sistemática de exclusão social. tinha como objetivo libertar os escravos africanos mas pregava a escravização dos brancos e dos mulatos que não eram convertidos ao islamismo. as negras alimentavam. Certamente vinham à tona no ambiente do quilombo a cultura e seus diversos matizes. Não lhe dando fardas e outros nem ainda farinha». escravo. por exemplo. pelo que é de razão». até mesmo. contra os maus-tratos. fugas isoladas. prescritos na lei. Desenvolvemos no Brasil técnicas para conviver e tolerar a exclusão social.. provavelmente. João de Lencastre sobre os maus-tratos dados aos escravos no Brasil: «. O escravo era propriedade de seu senhor. um tipo de sociedade que combinava o saber africano com as necessidades específicas que a vida nas florestas impunha. após o açoite no pelourinho. Os quilombos se constituiam em aldeamentos de negros que escapavam da escravidão nas fazendas que abrigavam a lavoura da cana e também mais tarde nas regiões nas quais se extraía o ouro. fosse a área da mineração ou a da lavoura cafeeira. escravos libertados por vontade do senhor ou que compravam sua liberdade. em especial. Havia a alforria. os filhos dos senhores. Uma cena impensável em outros processos de colonização. Por conta da escravidão. Dentre todos os quilombos. sendo mais cruéis as senhoras em alguns casos para com as escravas. Se esse impulso pode ser compreendido como a busca por uma vida mais digna. Mesmo nos quilombos a escravatura existiu. a influência indí- . Aconteciam também as fugas. formar quilombos foi a mais estratégica. Abortos. Pedro II escreveu uma carta indignada ao governador-geral D. Havia protestos. O seu proprietário o alimentava e vestia. O tráfico negreiro trouxe lucros consideráveis para seus comerciantes. incluía espalhar sal sobre as feridas. incluindo aí. banzo (estado de melancolia no qual o negro caía em profunda depressão ocasionando sua morte) e pelos quilombos.

às característica desse comércio. Batizados no catolicismo à força. na verdade. você vacila. que é uma semelhança do inferno (padre Antônio Vieira . em geral amarrados. e gemendo tudo ao mesmo tempo sem momento de tréguas nem de descanso: quem vir em fim toda a máquina e aparato confuso e estrondoso daquela Babilônia. 2.Explique a importância do açúcar como elemento que proporcionou as necessidades do sistema escravocrata no Brasil. Comprando. Sua nova moradia é um galpão sem janelas. O trabalho começa antes do amanhecer. você imagina o que pode fazer para fugir desse inferno. as principais formas de pagamento pelos negros na África eram mercadorias produzidas no Brasil.. você é exposto como produto em um mercado de escravos em Salvador. por exemplo. você resiste. (. Os compradores aproximam-se. Cansado. são negociados e embarcados em porões de navios. Você deve se lembrar que a produção de tabaco e cachaça. fizeram com que algumas das maiores companhias de comércio da Europa se interessassem em participar dessas atividades. No Império Português. ainda que tenha visto Etnas e Vesúvios. você é agora uma propriedade sujeita às vontades de seu senhor. você agora conhece de perto todo o peso da palavra escravidão. servia muitas vezes ao tráfico negreiro. uma surra de chicote. a musculatura e muitas vezes a genitália. Lembrando-se da dor.14 Atividades e Exercícios 1. sendo o ritmo ditado pelo chicote do capataz. Texto Complementar O Mundo Negro Ao deparar com o termo tráfico negreiro para explicar o comércio de escravos africanos. no capítulo anterior. combinados à necessidade de mão de obra nas colônias americanas. Agora você vai fazer parte de uma história que se inicia ainda no interior da África. em grande parte. Marcado a ferro quente. mas. pano e paulada. Descobre logo os seus únicos direitos: pão. Deitado com salmoura nas costas. como dissemos. Lembremos ainda que garantimos o abastecimento de mão de obra mais barata e lucrativa da época. Essa separação linguística era proposital. pois dificultava a organização de revoltas. O resultado. examinando-lhe os dentes. interessados nos pesados impostos cobrados sobre os grandes lucros advindos desse comércio. aí permanecem por mais de um mês. Comida. você pode ter imaginado que o ato de traficar era um comércio ilegal ou coisa parecida.Leia o texto complementar abaixo extraído do site Libertaria e de autoria dos professores Lúcia Helena Storto e Sidney Aguilar Filho e reflita sobre as condições de vida dos escravos no Brasil. onde convive com vários negros e negras que na sua maioria nem falam sua língua. trabalhando vivamente. não poderá duvidar. Sem banho ou alimentação adequada. Sua tribo acaba de ser invadida e você e outros sobreviventes são amarrados e arrastados até uma feitoria no litoral.Comente sobre o equívoco corriqueiro de se espantar que negros escravizassem negros para posterior comercialização nas costas africanas. Enfim no Brasil.. dos possíveis castigos de uma tentativa malsucedida. Toda essa lucratividade deve-se. 3. Estende-se até o escurecer ou enquanto o senhor assim o quiser. E foram exatamente esses lucros que. Procure traçar um paralelo com as condições de vida dos brasileiros em situação de miserabilidade ou expostos à violência nos dias de hoje. E o descanso? Com sor- . Com as costas sem pele e humilhado publicamente no pelourinho. vestes e castigos corporais. essa atividade integrava política oficial dos Estados mercantis europeus. Muitos adoecem e outros tantos morrem.) gente toda da cor da mesma noite.1633 / descrição de um engenho). longe de casa e separado de sua família. o tráfico interessava também aos senhores de engenho no Brasil. você é levado a um engenho a alguns dias de viagem.

bem como com a extrema desigualdade social da atualidade brasileira. Isso se o senhor permitir. o ouro branco. O medo dos castigos o leva a adiar a fuga e. Conta ele ainda que o lugar é seguro e que. A visão equivocada do negro como inferior ou marginal. resistir ainda o é. passam despercebidas.te. Podemos inclusive afirmar que a identidade negra determinada pela cor da pele é uma invenção do continente americano. 3. Numa noite. Em um país onde a escravidão dourou mais de trezentos anos. 2. ao redor da fogueira. já que forneciam também lucros por conta de sua comercialização. O grosso dessa mão de obra no Brasil foi constituído por escravos negros. eram submetidos à humilhação do cativeiro. Práticas anticonceptivas e de aborto eram profundamente disseminadas entre as negras escravas como forma de evitar que um filho nascesse escravo. não trabalhar na ausência do feitor. Procure também fazer relações com a miséria que ocorre hoje no Brasil com o racismo. De preferência para um quilombo. Naquela época. é possível plantar e viver longe da escravidão. a miséria e o machismo são algumas de suas expressões. . que você deve usar para plantar a sua substância. tais como os trabalhos domésticos e os da lavoura.O acúcar converteu-se em produto de luxo que era desejado para o consumo. um negro recém-comprado. mas a realidade impõe o trabalho e a espera da chegada de um momento propício a uma nova tentativa de fuga.Sua resposta deve versar sobre uma reflexão acerca das condições de vida e o tratamento dispensado aos escravos negros durante boa parte da história brasileira. Inumeráveis são os exemplos abordando conflitos. Voltemos agora ao presente. o que favorece a concentração de riquezas e a acentuação da pobreza. A resistência sempre acompanhou a escravidão durante todo o período escravista no Brasil. a existência do quilombo resgatou-lhe a fé na liberdade. apesar de simples. apesar de muitas vezes camuflado. e sua existência continua ameaçando a liberdade dos indivíduos. mas alguns a ela se submetiam. Você se questiona: Que mundo é esse? Serão os negros naturalmente inferiores? Quais as justificativas para essa dominação? A escravidão deve sempre ser entendida dentro de sua realidade histórica. fugas e revoltas de negros contra seus senhores. a maioria dos brancos acreditava na sua superioridade. e os negros. muitas vezes. 15 Gabarito 1. você já percebeu o seu lugar. A discussão sobre inferioridade ou superioridade racial é por si só absurda. Fonte: site libertaria. brigar ou ainda entrar em profunda depressão e cometer o suicídio. A vontade de resistir não se esgota. um dia por semana. foram alternativas que nunca deixaram de existir. O subemprego. está muito presente no cotidiano. distante de suas sociedades. contudo. traz notícias da existência de um lugar para onde muitos fugitivos têm se dirigido. Você vive em um país em que o racismo. Distante das terras do senhor no meio da mata ou no alto dos morros. Ainda hoje a manutenção dessa visão reflete-se nos baixos salários e na desvalorização do trabalho manual. Dentro desse mundo de proprietários e propriedades. Isso não significa que todos os negros aceitassem tal realidade.As sociedades africanas possuem um grau de diversidade cultural que a ideia de uma África fundada na identidade negra é completamente improcedente. Fabricar açúcar era empresa que necessitava de mão de obra farta. Isso porque todo trabalho considerado "menor" era destinado aos negros. Quebrar ferramentas. tem na escravidão suas raízes. se fugir não é possível no momento. em um dos raros momentos livres. as relações de dominação tornaram-se tão comuns que.

Ricardo Benzaquen de. Portugal. Casa-grande e senzala. 1997).1997. 1990. São formados por povos diferentes com hábitos. Site Recomendado Além do site da MULTIRIO. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/ EDUSP. já que mudam de habitat quando acre- . é um livro muito informativo e agradável. Enganados. abordando aspectos quase sempre esquecidos nos livros escolares. enquanto outros 150 mil encontram-se residindo em diversas capitais do país. Atualmente. a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Djmon Housou. caracterizavam o prenúncio da Guerra de Secessão.000 povos. em menor número. Frédéric. em áreas urbanas próximas a elas). E ainda: ABREU. iniciando um longo e polêmico processo. Simples. Texto 2: Cultura Indígena Em pleno século XXI. Lisboa: Estampa. Trata-se de uma obra coletiva. num período onde as divergências internas do país entre o norte abolicionista e o sul escravista. Escolha alguns capítulos e conheça um pouco mais da vida privada no Brasil nascente. 1989.htm. A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias. desembarcam na costa leste dos Estados Unidos.pro. Leitura Recomendada História da vida privada no Brasil: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa 1. Rio de Janeiro: Ed. falantes de mais de 180 línguas diferentes. João Capistrano. costumes e línguas diferentes. Um rico instrumento para ajudar a saciar a sua curiosidade. Suas habitações são construídas de caibros encaixados. situadas no interior de 630 Terras Indígenas. Direção: Steven Spielberg. são presos. Sabemos que os índios foram os primeiros habitantes do território brasileiro. A coleção foi dirigida por Fernando Novais e este volume foi organizado por Laura de Mello e Souza. onde. 34. EUA. ARAÚJO. acusados de assassínios. Possuem características seminômades. na época da chegada dos europeus. Nigel Hawthorne. Os Ianomâmis falam quatro línguas: a Yanomam. Estima-se que. 162 min. Guerra e Paz: Casa-grande & Senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. fossem mais de 1. br/index. sendo que deste total cerca de 450 mil vivem em Terras Indígenas (e. TEMÁTICA Em 1839. David Paymer. somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. São Paulo: Companhia das Letras. FREYRE. 1994. encontramos no território brasileiro 230 povos. Caminhos antigos e povoamento do Brasil. conheça também o http://www.libertaria.16 Filme Recomendado Título do filme: AMISTAD (Amistad. Elenco: Morgan Freeman. o Brasil e o Atlântico. 1570-1670. Segundo os dados do Instituto Socioambiental (ISA). de norte a sul do território nacional. dezenas de africanos a bordo do navio negreiro espanhol La Amistad matam a maior parte da tripulação e obrigam os sobreviventes a levá-los de volta à África. na qual vários autores visitam formas de viver e pensar na época colonial. MAURO. Anna Paquin. 1988. recomendado nas aulas anteriores. Yanomame e Yanam. sintético e eficiente. a população indígena no Brasil atual está estimada em 600 mil indivíduos. Matthew McConaughey. amarrados com cipó e revestidas de palha. Sanumá. Rio de Janeiro: Record. Gilberto. Anthony Hopkins. É importante ressaltar que o censo populacional realizado em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que a parcela da população brasileira que se autodeclarou genericamente como “indígena” alcançou a marca de 734 mil pessoas.

cachimbo. é fácil miscigenar a língua brasileira. mandioca. somente ensinam o português às crianças maiores de seis anos. Línguas do tronco tupi Palavras Mão Pé Caminho Eu Você Mãe Pesado Marido Onça Árvore Cair Awetí (família Awetí) po py me atit. em substituição à língua geral. do casamento dos filhos.25% da população do país. São migrantes e agricultores. como é o caso do quicongo. quimbundo. pois possui influência indígena. Antes mesmo da descoberta do território brasileiro já se falavam cerca de 1000 línguas diferentes. São divididos em Karajás. 17 Comparando Palavras Diferentes Veja exemplos de como os linguistas descobrem línguas "aparentadas": Karitiana (família Arikém) py pi pa yn na ti pyti mana omaky 'ep 'ot Tupari (família Tupari) po tsito ape on en tsi potsi men ameko kyp kat Gavião (família Mondé) pabe pi be õot eet ti patii met neko 'iip 'al- . Acreditam na transformação do homem em animais e vice-versa. São caçadores e acreditam em rixis: espíritos de animais que ao serem mortos tornam-se protetores e amigos. Os Carajás falam apenas uma língua: a MacroJê. Após o descobrimento do Brasil. Os Tupis são dominados por um ser supremo designado Monan. Os Guaranis manifestam sua cultura em trabalhos em cerâmica e em rituais religiosos. ito en ty potyi men ta'wat 'yp 'at Munduruku (família Munduruku) by i e on en xi poxi itop wida 'ip 'at Agora leiam sobre a miscigenação da Língua Portuguesa com a influência indígena. não é correto pensar que a língua pronunciada no Brasil é de origem portuguesa somente.ditam ter explorado uma região ao máximo. Dessa forma. nascimento. que é um sábio que atua como adivinho. e prezam pela pintura corporal. Dividem o trabalho. Acreditam que a morte é somente uma passagem para a “terra sem males” onde os que se foram partem para este local para proteger os que na Terra ficaram. Javaés e Xambioás. alimento e alegria são dados por ele. cuidar dos afazeres domésticos. estabeleceram a língua geral derivada do tupinambá para que os índios e brancos se comunicassem. da pintura e ornamentação das crianças e outros. moleque. portuguesa. decorrentes da diversidade indígena existente. Quando o território passou a ser povoado por portugueses. Residem nas proximidades do rio Araguaia. italiana. Utilizam a música e seus instrumentos musicais para a preservação de suas tradições. Possuem sua própria língua. alemã e tantas outras aqui não citadas. Hoje. houve uma grande imigração da Itália e Alemanha para o país. somente algumas delas foram anteriormente destacadas. fica para os homens a defesa do território. construção das casas. Após a independência do Brasil. vitórias em guerras e outros. para produzir efeitos hipnóticos e para momentos de procriação. batata. africana. cará. curandeiro e sacerdote. fon. puberdade. melancia. Existem cerca de 225 sociedades indígenas distribuídas em todo o território brasileiro. o que contribuiu com a diversificação de dialetos em diferentes regiões do país. Palavras de origem africana como fubá. ioruba e outras que passaram a ser usadas por pessoas que viviam em contato com os negros. pois com a constante presença de turistas de todas as partes e residentes de outras nacionalidades. Vivem do cultivo do milho. doenças e epidemias e para festejar boas caçadas. Diante das culturas específicas de cada sociedade. rituais de passagem. banana. o trabalho de educar os filhos. A língua portuguesa é originada do latim vulgar que também se caracteriza como uma língua neolatina que no período colonial passou a ser influenciada pelas línguas africanas trazidas pelos escravos. correspondendo a 0. vejamos que somos muito mais influenciados pelo nosso histórico do que imaginamos. faz-se uma nova língua a cada dia. acarajá e outras passaram a ser incorporadas ao vocabulário brasileiro. houve uma grande confusão gerada pelo bilinguismo e a partir daí o português se fez predominante no país com data de 1758. jabé. casamento. feijão e amendoim. abertura de roças. A autoridade religiosa dentro das aldeias é o Pajé. Para as mulheres. para afastar flagelos. morte. bunda. pois acreditam que sua criação. pesca e outros.

18 Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi) Palavras Pedra Fogo Jacaré Pássaro Onça Ele morreu "mão dele" Guarani Mbyá Tapirapé itá tatá djakaré gwyrá djagwareté omanõ ipó itã tãtã txãkãré wyrã txãwãrã amãnõ ipá Parintintin itá tatá djakaré gwyrá dja´gwára omanõ ipó Waiampí Língua Geral do Alto Rio Negro takúru táta iakáre wýra iáwa ománo ípo itá tatá iakaré wirá iawareté umanú ipú Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê) Palavras Pé Perna Olho Chuva Sol Cabeça Pedra Asa. pena Semente Esposa Canela par tè tò taa pyt khrã khèn haaraa hyy prõ Apinayé par tè nò na myt krã kèn 'ara 'y prõ Kayapó par te nò na myt krã kèèn 'ara 'y prõ Xavante paara te tò tã bââdâ 'rã 'eene djèèrè djâ mrõ Xerente pra zda tò tã bdâ krã kne sdarbi zâ mrõ Kaingang pen fa kane ta rã kri pò fer fy prõ Línguas da Família Aruak Palavras Língua Água Sol Mão Pedra Anta Karutana Warekena Tariana inene uni kamui kapi hipa hema inene one kamoi kapi ipa ema enene uni kamoi kapi hipada hema Baré nene uni kabi tiba tema Palikur nene une iwakti tipa aludpikli Wapixana Apurinã nenuba wene kamoo kae keba kudoi nene weni atukatxi piu kai kema Waurá Yawalapití nei une kamy kapi typa teme niati u kame kapi teba tsema kamuhu kamoi .

001-5. Todos estes povos vieram e se fixaram no território brasileiro com os mais variados ramos de negócio.001-20. Os povos indígenas contemporâneos estão espalhados por todo o território brasileiro. João VI.000.001-10.000. • 49 (21. Rondônia. As chamadas Terras Indígenas (TIs) somam. a produção de borracha.5%) entre 201-500. Em busca de oportunidades na terra nova.0%) entre 10. Mesmo quando há informações demográficas a respeito. nas indústrias e na zona rural do sul do país. para cá vieram os suíços. habitando o Paraná. Na listagem de povos indígenas no Brasil elaborada pelo ISA. Tocantins. Pará. como está a população indígena no Brasil? Onde eles estão? A população indígena total tem crescido nos últimos 28 anos. Muitas delas estão demarcadas e contam com registros em cartórios. mas ainda não existe um censo confiável a esse respeito. que chegaram em 1819 e se instalaram no Rio de Janeiro (Nova Friburgo). Blumenau.001-30. as atividades artesanais. há também áreas indígenas sem nenhuma regularização. originários da Ucrânia e Polônia. os japoneses. a imigração teve uma grande importância para o desenvolvimento do país. Vários desses povos também habitam países vizinhos. • 02 (0. Amapá.000. que em sua maior parte vieram para São Paulo. Em função disso.3%) entre 1. Dos 227 povos listados 43 têm parte de sua população residindo em outro(s) país(es).3%) entre 20. para substituir os escravos. os italianos de Veneza. milhares de italianos e alemães chegaram para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo. diversas TIs estão envolvidas em conflitos e polêmicas. entre outros. aos povos indígenas se deve reconhecer o crédito histórico de terem manejado os recursos naturais de maneira branda. • 53 (23. embora povos específicos tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. É possível estimar em cerca de 10 a 15% os índios que vivem em cidades. os turcos e os árabes.000. a policultura. . Calábria. • 03 (1. declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo. São Leopoldo. Na Amazônia Legal – que é composta pelos estados do Amazonas. a grande maioria das comunidades indígenas vive em terras coletivas. • 07 (3. O reconhecimento das Terras Indígenas por parte do Estado (processo de demarcação) é um capítulo ainda não encerrado da história brasileira. como por exemplo. em 1824. Roraima.8%) entre 5. a vinicultura etc. os alemães. Mato Grosso e parte oeste do Maranhão – vivem 60% da população indígena. Apesar de não serem "naturalmente ecologistas". O maior número de imigrantes no Brasil são os portugueses. Acre. e foram para o Rio Grande do Sul (Novo Hamburgo. Joinville e Brusque). 19 Texto 3: As Influências dos Imigrantes Podemos considerar o início da imigração no Brasil o ano de 1530. hoje. Com a necessidade de mão de obra qualificada. Santa Catarina. 611. Gênova. • 11 (4.Quando falamos da cultura indígena não podemos esquecer da relação dos índios com o meio ambiente. os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física.000. Porém. essas parcelas não foram consideradas nem na estimativa global para o Brasil nem para esta classificação: • 50 povos (22. os eslavos. mas sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente.2%) entre 501-1. a atividade madeireira. no século XIX. mesmo transformando de maneira durável seu ambiente.0%) têm uma população de até 200 indivíduos.000. que se concentraram na Amazônia. desenvolveram formas de manejo dos recursos naturais que têm se mostrado fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil. o ramo cafeeiro. que vieram em grande número desde o período da Independência do Brasil. Além disso. Mas. Devido ao enorme tamanho do território brasileiro e ao desenvolvimento das plantações de café. • 30 (13. e Lombardia. Após a abolição da escravatura (1888). a imigração intensificou-se a partir de 1818. com a chegada dos primeiros imigrantes não portugueses. que vieram para cá durante a regência de D. Mesmo não sendo “naturalmente ecologistas”. outras estão em fase de reconhecimento.8%) com mais de 30. não alteraram os princípios de funcionamento e nem colocaram em risco as condições de reprodução deste meio. o governo brasileiro incentivou a entrada de imigrantes europeus em nosso território. atualmente. sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos. pois a partir deste momento os portugueses vieram para o nosso país para dar início ao plantio de cana-de-açúcar. que vieram logo depois. Souberam aplicar estratégias de uso dos recursos que. No Brasil.

na ótica de Félix Guatari. “não cria motivações às atividades de trabalho dos indivíduos e gera um polo de miséria absoluta e um outro polo de riqueza inacessível”. que teremos um leque enorme de resultados: o idioma português. Essa modernização da economia. no Brasil. muitos países. até mesmo impedi-la para. as exigências sociais aumentaram. foi. onde a solidariedade e o estado do bem-estar social passaram a ser considerados um Temos hoje. tentar evitar um crescimento exagerado e desordenado de sua população. os “mercados financeiros são amorais. observamos um novo grupo imigrando para o Brasil: os coreanos. a culinária italiana. Neste texto abordaremos o modelo econômico e a exclusão social. sempre que possível. Basta pararmos para pensar nas influências trazidas pelos imigrantes. o que se observa é que nem toda a sociedade brasileira tem se beneficiado da modernização da economia. O resultado foi o desemprego e o crescimento das atividades ditas informais. terciária e guiada pelo mercado mundial. vieram acreditando que poderão encontrar oportunidades aqui que não encontram em seu país de origem. acessórios até artigos eletrônicos). Graças a todos eles. Embora a imigração tenha seu lado positivo. que regem o mercado financeiro. Não é por outra razão que. ao mudo atual. Segundo o megainvestidor George Soros. que. uma configuração bastante heterogênea. O governo Collor iniciou um padrão de desenvolvimento baseado numa menor intervenção do Estado na economia. cifras elevadas da população não participam do mercado (OLIVA & GIANSANTI. O que se tem dito da economia atual é que ela tem nos levado a perder o sentido de “bem comum”. as batidas musicais africanas e muito mais. na concorrência entre capitais nacionais e estrangeiros e na tentativa de incorporação de novos níveis de competitividade industrial. calçados. Cada vez mais me- didas são adotadas com este propósito e uma delas é a dificuldade para se obter um visto americano no passaporte. Estes não são diferentes dos anteriores. Esta. O processo imigratório foi de extrema importância para a formação da cultura brasileira. uma grande massa de trabalhadores subempregados ou desempregados. como os Estados Unidos. que promoveram uma absorção insuficiente da mão de obra disponível. como não podia deixar de ser. industrial e comercial entre os grandes grupos mundiais e empresas multinacionais.20 Nos dias atuais. que passaram de uma sociedade rural. Há consideráveis contingentes da população que ficam impedidos de acesso aos bens mais essenciais. Um povo lindo com uma cultura diversificada e de grande valor histórico. 1994:73). vendendo produtos dos mais variados tipos (alimentos. Desta forma. são processos isentos de preocupação com as responsabilidades sociais do Estado. da mesma forma. desta forma. Uma se origina num processo de moderni- 1 Extraído e adaptado do instrucional da disciplina Contextos Brasileiros . procuram dificultála e. temos um país de múltiplas cores e sabores. especialmente no Brasil e em outros países subdesenvolvidos. Com a modernização no final do século XX. ao longo dos anos. Mas a oferta e a demanda. vestuário. afetando a sua competitividade no mercado. num país como o Brasil. exigiu inovações tecnológicas na indústria e no setor de serviços. Nesse texto vamos tratar exatamente da relação entre modernização e exclusão social. por conta de uma organização econômica que se pauta pelo mercado. Fique atento! O que vem a ser economia de mercado? Fundamentalmente um processo de trocas no qual a informação relativa aos preços leva em consideração a oferta e a demanda. as técnicas agrícolas alemãs. custo elevado para as empresas. Eles se destacam no comércio. agrícola e de autossuficiência/mercado local para uma sociedade urbana. Texto 4: Exclusão Social 1 Todos sabem que a dívida externa é responsável por uma das marcas mais perversas da sociedade brasileira: a exclusão social. Isso é o que podemos chamar de modernização excludente: destruição das atividades tradicionais e a não inclusão dos destituídos no setor moderno. que se agudiza numa economia de mercado. incorporando características dos quatro cantos do mundo. Neles nunca contam valores morais”. na revisão de leis trabalhistas. No entanto. de duas espécies distintas. pois. o mercado mundial passou a ser o teatro privilegiado da guerra tecnológica. Os críticos desse modelo têm alertado para o fato de que os efeitos da modernização dão.

. a concentração de renda. o desemprego estrutural. à moradia e ao emprego. As críticas a esse modelo de modernização se originam do fato de ele acarretar a submissão dos interesses sociais aos do desenvolvimento econômico. uma sociedade mercantilista. Recenseamento geral de 1960/ Banco Mundial. pelas crises econômicas. provocando desigualdades profundas entre os países e. Observem o quadro que apresenta um outro grande problema desse contexto. que não têm acesso aos bens produzidos. tanto para o setor secundário como para o setor terciário.zação dependente. exclusão de numerosos grupos sociais. que implicam demissão em massa. no fato da urbanização não ter sido acompanhada pela geração de empregos na indústria e no setor de serviços ou ser resultante da falta de investimentos educacionais que formassem uma mão de obra qualificada para acompanhar os avanços tecnológicos. como foi gerada a exclusão de que são vítimas parcelas consideráveis da população brasileira. à saúde.6% 2000 18% 34% 47. 21 Fontes: IBGE. É fácil entender. 2001. é o desemprego conjuntural.6% Os estudos sobre distribuição de renda demonstram que o Brasil continua a ser um país de grandes desigualdades sociais. uma vez que a sociedade urbana é.4% 37% 39. Distribuição de renda no Brasil Categorias 60% mais pobres 30% intermediários 10% mais ricos 1960 23. dentro deste quadro. Quem não tem bens e não se integra ao mundo do trabalho passa a ser excluído socialmente. isto é. que não tem lugar para a autossuficiência. World Development Report. dependem do trabalho. que é caracterizado pela instabilidade econômica. portanto. dentro dos países dependentes. outra. Como não acumularam riquezas. em essência. à educação. do emprego.

pela recuperação econômica baseada no comércio. Iniciava-se a sociedade moderna capitalista. Faremos isso através do estudo da disciplina Brasil: Contextos e Atualidades. que se queriam poderosas e tentavam fortalecer o poder dos monarcas. faz-se necessário compreender o processo de formação da sociedade brasileira. que atravessavam desertos e territórios dominados por nações inimigas. a sociedade europeia encontrava-se cercada com um novo processo de produção e consumo. XVII e XVIII). Para compreendermos esse contexto contraditório vivenciado no Brasil. Texto 5: As Raízes do Modelo Capitalista Brasileiro Com a crise da sociedade baseada no modelo feudal de produção. A colônia era dependente da vontade da metrópole e considerava-se como mais desejável a importação da cultura e dos comportamentos da Metrópole do que a celebração de uma identidade própria. visando tornar as suas colônias fontes de enriquecimento. Essa mudança de modelo feudal para sociedade atual ocorreu lentamente. entre eles o Brasil. Daí a ênfase no mercantilismo. era muito importante. com um artesanato incipiente e uma população que não ultrapassava um milhão e meio de habitantes. Porém essa recuperação não se deu apenas pelo aquecimento das antigas rotas comerciais. Nesse sentido a Colônia era entendida como uma produtora de riqueza para a metrópole. tendo alguns fatores e marcos históricos relevantes para a sociedade mundial. que atualmente representa uma grande nação em tamanho e diversidade com características específicas. dentre outros fenômenos. Cabe nesse momento refletirmos sobre os contextos que permeiam a formação da sociedade brasileira no período histórico do Brasil Colônia e as transformações com o Império. Para as nações modernas. Por três séculos. Embora tenha sido a primeira nação moderna da Europa. O pacto colonial era o ponto culminante do sistema colonial mercantilista (séculos XVI. o considerável avanço político carecia de iniciativas que a mantivesse autônoma e a colocasse no concerto . Era relativamente pobre em recursos naturais. é preciso compreender que o desenvolvimento dos países europeus aconteceu à custa da exploração de alguns territórios do continente americano. uma fornecedora de produtos comerciais. que trouxessem mais dinheiro para os cofres reais. Enquanto o novo modelo leva às nações europeias um desenvolvimento notório. deveria fazer comércio apenas com a metrópole e respeitar os monopólios. Portugal era um pequeno país apertado entre a poderosa Espanha e o desconhecido e temido Atlântico. que levaram à formação da sociedade capitalista. Para tentar entender aspectos fundamentais que influenciam a sociedade atual. pautada na política econômica do Pacto Colonial que só beneficiava a Metrópole. Podemos destacar entre esses procedimentos aqueles mais comuns.22 UNIDADE II FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Esse país. A priori teremos que retornar nosso pensamento ao período que marcou o início da formação do Brasil. Mas como a Europa e Portugal transformaram-se em metrópoles de uma nova ordem mundial? E como o Brasil entra nesta nova ordem. um conjunto de procedimentos colocados em prática pelas potências marítimas. tornavam-se cada vez mais perigosos. constituiu-se através dos anos com forte apego ao seu contexto histórico. que levavam os produtos do Oriente até a Europa. desempenhando qual papel? O final da Idade Média foi marcado. Era importante estabelecer novas vias de acesso às terras das especiarias para baratear os custos das negociações e escapar do monopólio italiano. Na chamada era Moderna. cujas diversas transformações acentuam uma grande modernização. que caracterizaram o sistema colonial mercantilista: a Colônia deveria ser um mercado consumidor. Os caminhos terrestres. o Brasil foi uma colônia portuguesa. tradicionalmente dominadas pelos italianos. aparecem novas relações produtivas. encontrar novos recursos econômicos. o Brasil encontra-se preso a uma estrutura que impede esse desenvolvimento.

europeia. é claro. mas os lucros gerados com a sua negociação deveriam se concentrar nos cofres das monarquias e dos comerciantes. A estratégia. Então restava aos portugueses a vastidão do mar. Se cada terra desconhecida e descoberta permanecesse livre para produzir e comerciar com qualquer potência marítima expansionista. a princípio. Portugal não construiu sozinho este sistema. Atingiam as regiões mais setentrionais por longos caminhos que cortavam o continente. Mas esses percursos eram caros e perigosos. A riqueza produzida no Brasil era levada para a Coroa Portuguesa. não eram aproveitadas para o crescimento do nosso país. Lisboa cresce como um entreposto comercial. Na medida em que se navegava para fora dos limites do mundo conhecido e terras desconhecidas eram descobertas. E quem pesca. E quanto mais longe se ia mais se aprendia sobre os mistérios deste mar tenebroso que. Havia. como vimos. a rota comercial Mediterrâneo-Mar do Norte. Vejamos. aquela que a descobriu e/ou conquistou. criando recursos e saídas para o seu precário equilíbrio econômico. durante séculos. porque transportava maior quantidade de carga. o lucro gerado pelo empreendimento comercial seria consumido nas próprias colônias ou seriam escoados para países concorrentes. era gerar um tipo de administração que coibisse a livre circulação comercial. Então os barcos mercantes saíam do Mediterrâneo e passavam em Portugal para chegar ao Mar do Norte. Enfrentar a poderosa ex-senhora e vizinha Espanha não parecia ser uma atitude prudente. ficando. Analise. então. O mar tenebroso. a produção de riquezas estava baseada na troca de mercadorias. Nesta nova lógica econômica. a prática pesqueira. no sistema colonial mercantilista. Era mais barata. Isso. a leitura das estrelas. vai fazendo de Portugal um importante centro de navegação. o Brasil nem despertou interesse para Portugal. Tudo era utilizado para acelerar a acumulação de capital para a burguesia europeia. Agora você tem elementos preciosos para compreender o que é o pacto colonial e o sistema mercantilista. Por um lado. os pescadores foram dominando cada vez melhor as técnicas de navegação. A colonização brasileira traz como sua marca principal a exploração do território. nas proximidades da praia. Muitos navegadores e muitas informações sobre a arte de navegar. conquistado a autonomia política em relação à Espanha. resguardando à metrópole o monopólio comercial: a colônia só podia negociar com a sua metrópole. famoso pelos seus perigos. Com uma costa considerável. nos culturais também. Esse fato marcou em vários aspectos a constituição da nossa sociedade.das novas tendências econômicas. Observamos até agora nesse contexto histórico do Brasil o que chamamos de contradição histórica. da qual fora apenas um condado. por que não dizer. Vamos ler o texto complementar a seguir e refletir sobre esse período? 23 . lendário por suas criaturas estranhas e desconhecidas. tanto nos aspectos econômicos como nos geográficos e. Mesmo que timidamente. por um período. Cabe-nos nesse momento lembrarmos que. incorporavam-nas às posses das metrópoles. a rota marítima apresentava vantagens sobre a terrestre. a ideia principal era explorar para acumular riquezas para os países europeus. Os produtos que chegavam à Itália do Oriente para serem depois distribuídos pela Europa eram transportados por mar e por terra. deixando apenas uma parcela que ficava nas mãos das elites. reconhecido como o limite do mundo. a atividade pesqueira em Portugal foi naturalmente cultivada. O Brasil possuía inúmeras riquezas que. Temos que ter em mente que o Brasil não foi colonizado para constituir uma nação. por outro. à custa de sangrentas e longas batalhas. marcado por duas tendências. navega. é a sede de uma ocupação territorial. No final da Idade Média e princípio da Idade Moderna. Mas precisava consolidar esta importante conquista. o conhecimento sobre o regime dos ventos e marés. Ele estava inserido num amplo e complexo movimento de transformação do mundo. Seu porto é cada vez mais frequentado por navegadores de várias procedências. A metrópole. somado à experiência acumulada na atividade pesqueira. representou uma barreira intransponível para a expansão portuguesa e. Esses conhecimentos permitiam que fossem cada vez mais longe em busca de melhores pescarias. E é nesta vastidão que se lança Portugal! De uma hora para outra? Não! Foi um processo paulatino. Elas eram produzidas em várias partes do mundo.

de uma viagem de contato comercial. Não parece justo pensar que os protagonistas do “achamento” do Brasil desviassem o foco das Índias. Depois de um breve contato com os naturais da terra a esquadra segue o seu destino. mais. O descobrimento do Brasil é apenas um capítulo na história da expansão marítima e comercial europeia. outras serras mais baixas. como às vezes somos levados a crer. para investir no desconhecido e incerto. da qualidade de suas águas e frutos. antes de 1532. do clima e da topografia figurasse como um procedimento estratégico. mesmo sendo possível dizer que o Brasil foi descoberto em 1500 e em 1500 esquecido. “Neste mesmo dia. Antes. sim. Tratavase.Quando as quilhas das embarcações portuguesas chegaram à praia. é importante afirmar que o chamado período pré-colonial preparou os momentos posteriores. Quer isto dizer que os portugueses estavam preparados para viajar longas distâncias e fazer acordos diplomáticos e comerciais. Ao monte alto o capitão deu o nome de Monte Pascoal. oficializa o descobrimento do Brasil. Que fala dos habitantes como seres bons e lindos. Um tempo de aprendizado e de aproximação. algumas feitorias foram construídas para servir de entrepostos comerciais. novas ilhas e continentes eram descobertos. da parte sul em relação ao monte e. eram incorporados às rotas comerciais. E apenas alguns anos depois. “Porém. ao finalizar. de baixo a cima. depois. o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. A inserção destas novas descobertas no universo de interesses dos portugueses era paulatinamente preparada. Segunda . Mas o que seria comercializado? O pau-brasil.Quando os portugueses. nada. A terra era grande ou pequena? Os habitantes eram hostis ou receptivos? Que línguas falavam? Às indagações. Porém. Com grandes arvoredos. 77). Conhecia-se aquilo que se dava aos olhos. eles não buscavam exatamente novas terras. aponta algumas serventias para a terra descoberta. Para começar. o escrivão da armada. Levemos em consideração as seguintes circunstâncias: Primeira . Não era. daquela tintura. Terra de Vera Cruz” (Carta de Caminha. Carta que. terra de tantas riquezas conhecidas. que tinham a tarefa de reconhecer a terra e protegê-la da cobiça de outras nações expansionistas. Podemos concluir que fazer o reconhecimento da língua dos habitantes e de seus costumes. mas construir mundos não. Um tempo em que os portugueses avaliaram e reconheceram as potencialidades da nova descoberta e tentaram encontrar uma serventia para ela. enviou ao rei de Portugal uma missiva na qual narrava os lances do “achamento” da terra e do que nela se passou nos oito dias em que estiveram aqui. poucas respostas. comandados por Cabral. Um documento que descreve a terra e suas características mais salientes. uma viagem de descobrimento. “E uma daquelas moças era toda tingida. limitam a sua ação à exploração do pau-brasil e ao envio de algumas expedições. homem versado em letras e funcionário especializado na arte da escrita. que tinha como destino as Índias e como objetivo o comércio de especiarias. Na medida em que navegavam. a esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral. 83). muito alto e redondo. O que se buscava à época era um caminho alternativo para as especiarias. data da fundação da Vila de São Vicente. E que não houvesse mais que ter aqui Vossa Alteza esta pousada para a navegação de Calicute. Trata-se de uma carta de extrema importância. das riquezas e extensão da terra. partiram de Lisboa. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza deve lançar. e à terra. avistamos terra! Primeiramente um grande monte. provocaria vergonha. que as muitas mulheres de nossa terra. e certamente era tão bem feita e tão redonda. E assim foi. ou quase nada. conjunto de produtos de grande valor mercadológico. sabia-se sobre o local e sua gente. Os portugueses. Caminha. vale considerar que o período batizado de pré-colonial foi uma espécie de laboratório. traçando de antemão alguns rumos da história. Ela é a certidão de nascimento do Brasil. por não terem as suas como a dela” (Carta de Caminha. e sua vergonha – que ela não tinha! – tão graciosa. 98).24 O Período Pré-Colonial Luis Deulefeu Em 22 de Abril de 1500. dois degredados foram deixados para coletar informações e estreitar o contato com os habitantes. isso bastava” (Carta de Caminha. A colonização não começa imediatamente. vendo-lhes tais feições. . E dentro do possível e dos interesses econômicos. terra chã. à hora de véspera.

em seguida você encontrará um guia de resolução das atividades propostas. pois portugueses e índios relacionavam-se na organização do abate. O período pré-colonial é assim chamado pela ausência de um processo efetivo de colonização. podemos entender que o laboratório refere-se a aprender o que é a terra e sua gente. 3) O papel de laboratório da colonização. Ricos comerciantes compravam o direito de vir ao Brasil. nem sempre observada. a colonização não estava nos planos iniciais da coroa portuguesa. 3) Além do econômico. Além disso. 25 Atividades A partir do texto apresentado. 2) O período pré-colonial apresenta características próprias. Em troca. extrair a madeira e vendê-la no mercado europeu. Além de pagar pelo direito de comercializar o pau-brasil. tingindo-os com mais qualidade. momento das longas viagens transoceânicas destinado ao descanso da tripulação. Por outro lado. Depois faça o mesmo em relação à comunidade em que você vive. as feitorias serviam como pontos de defesa e posse das terras. qual o papel desempenhado pelas feitorias no período pré-colonial? Gabarito Caro aluno. 2) Sendo a expansão marítima um movimento primordialmente mercantil. A extração do pau-brasil torna-se uma exclusividade da coroa. outros viriam apossar-se delas. Na medida em que consideramos as dificuldades inerentes aos primeiros contatos entre portugueses e indígenas. Faça uma pequena investigação e escreva em duas etapas sobre o contexto em que você vive. mediante o pagamento de taxas acordadas entre as partes. que eram “alugados” à iniciativa privada. social. Na primeira o contexto brasileiro atual. os comerciantes assumiam a responsabilidade. 1) Faça um apanhado dos aspectos gerais que caracterizam o Brasil hoje. dificuldades oriundas inclusive da quase impossibilidade na comunicação. por descuido ou desinteresse. Mas não pode ser desprezado.Ou seja. Ela tinha os direitos de exploração. responda às seguintes questões: 1) Aprendemos que contexto é um conjunto de circunstâncias que pode caracterizar o momento histórico e cultural de um povo. As feitorias de exploração do pau-brasil foram a primeira estratégia de ocupação e manutenção da nova descoberta. pagavam altas somas à coroa. a constante ameaça de ter as terras invadidas exigia uma atitude. Por um lado Portugal não dispunha de homens para ocupar as novas terras e nem queria utilizar os seus recursos técnico-navais para garantir a posse de um território que rendia poucos lucros. O pau-brasil era madeira valiosa. . Comente como o contexto da expansão comercial europeia dos séculos XV e XVI explica o referido período. Pode ser da área educacional. E se. como se representasse apenas o esquecimento de Portugal em relação à nova terra. Devemos levar em consideração que Portugal não era o único país europeu a navegar por mares nunca antes navegados. reparo dos barcos e abastecimento de água e alimentos frescos. Estamos diante de um agudo problema. Escreva um parágrafo utilizando os aspectos que você agrupou no seu apanhado. política econômica ou cultural. durabilidade e a preços baixos. de proteger e mapear o litoral. que assim conseguia obter lucros sem investir. na segunda o contexto da sua comunidade. se não servisse para nada. Assim as feitorias emergem como laboratórios de encontro cultural. o Rei deveria catequizar os índios e poderia usar a terra para pousada. Você escolhe. Sua seiva de cor vermelha desempenhava importante função na indústria do tecido. transporte e armazenamento da madeira. que o diferem das posteriores fases da colonização portuguesa no Brasil. Deve ser compreendido como uma estratégia de aproximação e preparação para os lances que futuramente caracterizariam a espantosa tarefa de criar uma colonização em terras tropicais numa escala gigantesca. deixasse as suas descobertas abandonadas.

1991. o Jardim Botânico. São Paulo: Companhia das Letras. CASTRO. GIUCCI. não existia uma proposta ou ideia política de formar uma sociedade no Brasil. Uma leitura instigante e informativa.br/historia/index. com textos simples e corretos e boas ilustrações: http://www. Porto Alegre: L&PM. Até aquele momento. Com isso. Senhores destas terras. com amplo material e de fácil consulta sobre o Brasil Colonial. Viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil: 1503-1505. São Paulo: Atual.26 Dicas de Estudo Filme recomendado Indicaremos um filme bastante interessante. O filme é uma produção bem cuidada que nos aproxima do cotidiano dos índios.gov. baseado no texto de um aventureiro alemão. descobrimento e compromisso ético? Então leia o muito bem pesquisado e escrito livro de Leyla Perrone-Moisés. Formação do Brasil Colonial. que retraça a história de um navegador francês que vem ao Brasil. A Carta de Pero Vaz de Caminha: O descobrimento do Brasil.rj. e dos conflitos que marcaram o encontro entre europeus e tribos indígenas. BARRETO. Site recomendado A prefeitura do Rio de Janeiro. 1994. Os povos indígenas no Brasil: da colônia aos nossos dias.br. Luís Filipe. do ritual de antropofagia.multirio. 1992 LOPES. manufaturas são abertas. Vinte Luas. Trata-se de uma ótima obra. O Novo Mundo. Laima. Virgínia Marcos. Os portos brasileiros foram abertos às nações amigas. Gilberto & VALADÃO. que integra aventura aos contatos entre europeus e indígenas nos primeiros anos do Brasil. Para ler a Carta de Caminha. devemos ressaltar que os personagens e os acontecimentos históricos foram apresentados de forma caricata. Luis Roberto. depois de prestar dois anos de serviço no forte de Bertioga. Trata-se de Hans Staden. criada a Imprensa Régia. que. Arno & WEHLING.html. Para aqueles que assistiram ao filme Carlota Joaquina. É uma ótima fonte de pesquisa. desenvolveu um site muito bem feito. foi aprisionado pelos índios. Porto Alegre: Mercado Aberto. Silvio. com a MULTIRIO. navegação. Formas de ser e pensar nos séculos XV e XVI. observaram-se algumas substituições das práticas mercantilistas existentes no pacto colonial. Viajantes do Maravilhoso. de Carla Camurati. A invasão francesa na Península Ibérica. mediante a promessa que o traria de volta em vinte luas. Afinal. de Carla Camurati. . Leitura recomendada Quer ampliar os seus conhecimentos sobre os índios e os primeiros contatos com os europeus? Quer fazer isso lendo um livro muito bem escrito. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 1983. provocou um acontecimento inesperado: a Corte Portuguesa se transferiu para o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras. O Brasil nos primeiros séculos. E ainda: AZANHA. O filme foi dirigido por Luiz Alberto Gal Pereira e lançado em 2000. 1994. empresa ligada à Secretaria de Educação.gov. sabemos que eles não vieram para o Brasil com o intuito de fixar a Coroa aqui. São Paulo: Contexto. WEHLING. sobre uma belíssima história que mistura aventura. MESGRAVIS. faça uma busca na Internet ou acesse o site http://www. História do Brasil Colonial. Fique atento! Cabe lembrar que essa transferência da Corte para o Brasil foi patrocinada pelo governo britânico.dominiopublico. Mas não tão distante da realidade. Maria José. Vejam o filme Carlota Joaquina. poderíamos pensar: essa seria nossa primeira dívida externa? Ainda com fortes marcas da colonização exploratória no Brasil com a instalação da Corte Portuguesa na Colônia. 1996. que tanto apavorava os europeus. Texto 6: O Processo de Modernização Iniciou-se uma redefinição desse quadro com a vinda da Família Real. na Região Sul. 1992. 1983. foi fundado o Banco do Brasil. e leva consigo o filho do chefe de uma tribo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Guilhermo. no começo do século XVI. Descobrimentos e Renascimento. aproveitando o clima comemorativo dos 500 anos do descobrimento do Brasil. pois vieram estrategicamente fugindo de Napoleão. sob o comando de Napoleão.

analisando esses fatos. Do outro lado. na qual encontramos pessoas que tomam para si o poder. de transporte urbano e de transporte ferroviário. Irineu Evangelista de Souza. tentou dar um novo rumo ao desenvolvimento do Brasil. O Brasil. onde o Estado está ausente. que se privilegiavam da política protecionista que existia na época. mas os interesses ainda são constituídos em favor do enriquecimento de uma elite. precisamos ter em mente que o Brasil. de transporte a vapor. A hegemonia política e econômica do Brasil era protecionista. que se mantinha por encontrarmos no Brasil uma sociedade presa ao passado. em território nacional. no Brasil. essas transformações se manifestam com raízes no passado. Antes víamos acontecer o surgimento de modelo comercial que enriquecia a Europa através da exploração das colônias. a ideia básica é ampliar o mercado consumidor para aumentar e concentrar os lucros nas mãos das elites. a lógica do capitalismo segue mantendo alguns aspectos iguais aos do seu início. Apesar dessas iniciativas e acontecimentos. A modernização brasileira se mostrava através da existência de alguns bancos. mas não conseguiu muito. que no Brasil o início para as transformações começa a aparecer. Nosso papel é compreendermos que tudo isso influenciou a formação da sociedade brasileira e está refletido em nosso contexto atual. escolas. fábricas e indústrias são instaladas e ocorrem articulações que visam a modernização do Brasil. políticas e sociais. depender do Estado para a criação da infraestrutura necessária para a circulação de mercadorias. defendia os interesses da elite que era formada em parte por produtores de café e outros produtos agrícolas. o Visconde de Mauá. É fácil encontramos marcas desse período por que nosso país passou. temos a classe trabalhadora. Percebemos. companhias de seguro. desde suas instituições econômicas. Vamos pensar sobre esse quadro que se formou no século XIX. sexo etc. como os demais países da América Latina. com o surgimento de novos personagens e grupos de poder. o desenvolvimento do Brasil ainda era lento. Com a Revolução Industrial baseada na ideologia liberal o olhar sob a exploração muda. começa a passar por transformações que o levaria a um processo de desenvolvimento mais nítido. Você lembra de algum caso em que essa relação é nítida nos dias atuais? Para continuarmos nossos estudos. Mesmo com essa visão empreendedora Mauá faliu. ter um parque industrial constituído predominantemente de filiais 27 . parte do que era destinado ao mercado de consumo local. Vamos refletir um pouco mais sobre a estrutura social e as ideologias políticas? Instalou-se com o capitalismo industrial a estrutura da sociedade moderna. As mudanças eram notórias. em 7 de setembro de 1822. com a vinda da Família Real portuguesa em 1808. sempre relacionados a uma elite e não ao povo. O período em que a Corte esteve no Brasil já havia trazido uma fase independente e as transformações ocorridas já tinham se fixado com novas ideias. Vejam o filme Mauá. onde encontramos de um lado a figura da burguesia. Vale lembrar que ainda temos em nossa história recente exemplos dessa relação de poder. Nesse contexto o coronelismo e o voto de cabresto marcaram extremamente a sociedade. Algumas estruturas do Brasil Colônia começam a modificar. O processo de substituição de importações se caracterizava por: produzir apenas para o mercado interno. Formada por classes polarizadas. ocorreu de forma pacífica se for comparado ao restante da América Latina. Encontrávamos como realidade o comando político de uma burguesia cafeeira. que carregou traços desse quadro por muito tempo. A independência do Brasil. Ele é diferente do Contexto que encontramos hoje? Em meio a esse contexto.Museu Real. O que colaborou com esse fato foi a hegemonia econômica e política dos produtores de café e de outros produtos agrícolas. Muitas iniciativas progressistas no Brasil vieram de uma das figuras mais representativas do empreendedorismo brasileiro. então. Não existe um pensamento de prosperidade ao povo. Contudo. No desenvolvimento do capitalismo industrial não foi diferente. como também na sociedade. Nesse contexto temos o Brasil ainda sem a ideia de formação de uma sociedade. a elite econômica e política que comanda e detém o poder da sociedade. através da exploração de mão de obra desrespeito às questões de idade. iniciou sua industrialização por um processo conhecido como substituição de importações e que consistia em produzir. que se encontra no outro extremo dessa estrutura. Afinal fomos marcados por trezentos anos de atraso em seu desenvolvimento no período colonial.

Vargas ficou conhecido como “pai dos pobres”. não podemos esquecer que o Brasil nesse período enfrentou um contexto em que sua economia já estava presa ao capital estrangeiro. aos países-sede das empresas. Getúlio Vargas resolve a crise obtendo crédito para compra do excedente da produção. indústrias de aparelhos eletroeletrônicos e outras começaram a invadir o parque industrial brasileiro. no ano seguinte. e remeter para o exterior. que passaram a ser aplicados na indústria. tendo como seu principal produto o café. 2004: 394). . A economia brasileira em ascensão era ligada a agroexportação. troca pequena parte do produto por trigo americano e. Foi esse Estado intervencionista o responsável pelo segundo surto industrial no país. mas promovia mudanças fundamentais para a modernização e desenvolvimento industrial. Rio de Janeiro. que leva à Revolução de 30 e à Era Vargas. Durante seu segundo mandato (1950-1954). Mas o desgaste da política das oligarquias e o descontentamento com o governo levam à crise da República Velha. para muitos. Conhecido como a Era Vargas. Há um sensível deslocamento dos capitais investidos até então na cafeicultura. em Minas Gerais. na Semana da Arte Moderna de 1922. Em meio a esse contexto. organizada em 1941 e posta em funcionamento em 1946. Geração de energia. a Fábrica Nacional de Motores (FNM) e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Compraram as empresas nacionais. Nesse período tanto a arte como a economia marcaram o Brasil. Vargas foi o responsável pela infraestrutura necessária para a instalação de indústrias Getúlio no país no período de seu primeiro governo (1930-1945). transportes. A consequente elevação dos preços dos produtos estrangeiros que importávamos vai servir de estímulo para a fabricação de similares no Brasil. em 1945. atividade que até então ocupava um lugar de muito pouca importância no cenário econômico do país. que se consubstanciaram no seu plano. Também fundou. o Estado cumpre com eficiência seu papel de principal agente da modernização capita- Realmente não podemos negar que Vargas era um visionário. Na Era Vargas. por meio das transformações que comandou e coordenou no sentido da implantação de um parque industrial brasileiro. Governou tentando cumprir seu “Plano de Metas”. Vejamos como foi o modelo de desenvolvimento de JK. Foi a quebra da Bolsa de Nova York. construção de estradas e criação de indústrias de base foram as suas grandes metas. Na sociedade brasileira a modernidade começa a apresentar-se através de manifestações artísticas que romperam com os padrões da época. O governo JK marca o início da internacionalização da indústria no Brasil. instalada em 1942. esse período da nossa história foi caracterizado por contradições e inovações. e. Getúlio e JK: Início e Consolidação da Industrialização O Brasil chega ao século XX como um país fundamentalmente agrícola. foi o primeiro político a pensar no povo. outro marco em nosso país. O processo de industrialização é auxiliado pela desvalorização da moeda brasileira. Juscelino Kubitschek foi eleito no período de transição após o suicídio de Vargas. e a mineradora Companhia Vale do Rio Doce. aconteceu uma crise que afetou profundamente a economia brasileira. os lucros da produção. tradicionalmente. por ter uma política para o povo. Esse desenvolvimento pregado por JK foi baseado na economia capitalista internacional. que possuía uma ideia desenvolvimentista apresentada pelo slogan “Cinquenta anos em cinco”. foi criado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) em 1952 e. em 1943. Economicamente o nosso país crescia apoiado ao eixo de desenvolvimento dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. seria estocado. queima o resto do café que. e que infelizmente iria piorar.28 de empresas internacionais. em Volta Redonda. que não conseguiam competir com os preços e a tecnologia dos estrangeiros. lista. para evitar a queda do preço no mercado. Em 1929. foi instituída a Petrobras (Petróleo Brasileiro S/A) (ALMEIDA & RIGOLIN. Tinham uma postura política que lembrava o passado autoritário do nosso país. e instalaram-se aqui definitivamente. criou uma identidade nacional. uma política nacional e de desenvolvimento industrial. No ano seguinte Getúlio Vargas toma o poder e inicia um período marcado pela transformação da sociedade e da organização econômica brasileira. que era refletida na associação do Estado. JK e sua política de improvisação não terminaram com um saldo positivo. Entre suas realizações estão a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). época em que as montadoras de automóveis. nas empresas nacionais e no capital estrangeiro. sua pretensão era fazer com apoio de investimentos internacionais. Contudo. Segundo Almeida e Rigolin (2004: 394). passando a controlar o mercado interno. inaugurando a era das multinacionais.

13 de dezembro de 1968 Vejam o filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. entre os quais ficou famoso o que dizia “Brasil. um conjunto de medidas mais rígidas é publicado. Em 1964. em 1970. sucedeu a Junta Militar.aplicação. importa. em 1970. econômicas e políticas deixadas nessa época. um conjunto de ações e uma instabilidade sociopolítica culminaram na tomada dos militares ao poder. simultaneamente. diz-se que ela é tardia ou recente. . Do meu coração. Terceiro . fica confirmado um quadro que por muito tempo tornou o Brasil um país frágil: a dependência brasileira ao capital estrangeiro. estudantes. O governo tentava conquistar o apoio popular com slogans que constituíssem uma mentalidade cívica. iniciando o terceiro mandato presidencial do período militar. Aproveitaram como marketing a conquista da Copa do Mundo de 1970. “Noventa milhões em ação. foi intensamente explorada como sinal de um país que se desenvolvia e era vencedor. intensificaramse as campanhas pela conquista do apoio popular. b) proibição de frequentar determinados lugares. E.. o AI-5 estabeleceu a censura à liberdade de expressão. a crise atinge seu clímax e como consequência. por 21 anos. Ao fim da Era JK. No ano de 1968. O descontentamento com o regime mobilizou diversos setores da sociedade civil. Graças ao seu desenvolvimento peculiar. O general Garrastazu Médici.Deixando uma característica que permeia por muito tempo no contexto brasileiro: os problemas econômicos com a dívida externa. dominada por grandes empresas estrangeiras. quando necessária. Todos juntos vamos. em: Primeiro . Intelectuais..cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função. com todas as implicações que isso possa acarretar. setores da igreja católica e algumas entidades classistas protestaram contra a repressão provocada pelo regime militar. por se realizar num momento em que os países mais avançados já haviam atingido a fase monopolista. artistas. nos casos de crimes políticos. a nossa industrialização se torna dependente. contra a segurança nacional. Ato Institucional número 5 (.suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais. c) domicílio determinado.. através de slogans que construíssem uma mentalidade cívica. trabalhadores. Durante o seu governo. ame-o ou deixe-o!” e o que anunciava “Este é um país que vai pra frente!”. que se deu a partir dos investimentos internacionais. Desse período a sociedade carrega marcas dolorosas das ações políticas ditatoriais.) Artigo quinto: a suspensão dos direitos políticos. Segundo . na qual vivemos uma política de autoritarismo e repressão. Brasília. O clima causado pela repressão era de extrema insatisfação. Vamos pensar sobre a realidade da época? O ambiente político nacional estava instável. Pra frente Brasil. 29 Governo Militar: Aspectos Econômicos e Políticos Ao iniciar a década de 60 do século XX. Artigo dez: Fica suspensa a garantia de habeas corpus. Quarto .proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política.. São nítidas e delicadas as sequelas sociais. a ordem econômica e social e a economia popular. a economia brasileira estava entranhada pelo capital internacional. com base neste Ato. de Cao Hamburger. introduzindo o país na era do capitalismo monopolista. nossa sociedade esteve diante de mais uma ditadura. das seguintes medidas de segurança: a) liberdade vigiada. A conquista da Copa do Mundo de Futebol.

no Ensino Fundamental. Vale a pena pesquisar e conhecer mais um pouco! Texto 7: O Papel do Estado nas Décadas de 70 e 80: Autoritarismo e Concentração de Renda O governo que se instala em 1964 institui o PAEG – Plano de Ação Econômica do Governo – que se previa. Clamava-se pela anistia. Salve a Seleção! De repente É aquela corrente pra frente. A dívida externa brasileira se avoluma e agrava as desigualdades sociais de um modelo que tentava combinar desenvolvimento com arrocho salarial. Todos pagam um alto preço. disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil e. desde o início. Tudo é um só coração! Todos juntos vamos. Mas o milagre econômico não resultou como se esperava e como consequência vivenciamos mais uma crise política e econômica. que havia possibilitado do ponto de vista econômico uma relativa tranquilidade ao governo. os donos do poder começam a pressentir que é hora de caminhar para a abertura política. principalmente os países não desenvolvidos. passam a utilizar o preço do produto como arma econômica. Para quem não viveu esse período vale a dica para uma boa pesquisa histórica. com o apoio do movimento da Anistia Internacional. anunciando que prendia e arrebentava quem se opusesse à abertura política. começa a se delinear uma crise no cenário internacional. o primeiro Presidente civil em 21 anos. dessa vez através de antigos aliados que dariam continuidade à sua obra. A ideologia econômica recomendava “fazer crescer o bolo para só depois distribuílo”. O presidente Tancredo Neves não chega a tomar posse por conta de grave enfermidade que veio a lhe causar a morte. pois se temia que eventuais eleições diretas para o cargo pusessem em risco o processo de redemocratização da Nação. contenção da inflação e uma brutal concentração de . No governo Geisel. dependentes do capital externo. toma posse em 15 de março de 1979. E é com essa intenção que o quinto e último presidente militar. Foi o início da volta aos quartéis. O cenário mundial. se você vivenciou pode lembrar e refletir sobre a ditadura militar em diversos aspectos e ver o quanto esses 21 anos influenciam nossos contextos atuais.. o general João Batista Figueiredo.. Foram fundadas várias organizações que se encarregam de denunciar o arbítrio. os Estudos de Problemas Brasileiros. O governo responde com a proposta de uma abertura lenta e gradual e foi esse o modelo que prevaleceu. Em 1985.30 Pra frente Brasil. de certa forma. no Ensino Superior. continuam no comando. respectivamente. como a “Tortura nunca mais!”. O mandato do presidente Figueiredo foi marcado. para todo universitário é válido ampliar seu conhecimento sobre esse assunto. pois esse é um marco de muita relevância para nossa sociedade. Os anos entre 1967 e 1973 ficaram conhecidos como os anos do milagre econômico brasileiro. o aumento da carga tributária e o arrocho salarial. basicamente. exportadores de petróleo.. Os países árabes. Todos ligados na mesma emoção. a redução dos gastos públicos. a ponto do período entre 1967 e 1970 ser considerado como o do milagre econômico brasileiro. A chapa Tancredo Neves -José Sarney é eleita indiretamente pelo Congresso Nacional para os cargos de presidente e vice-presidente da República. mas. o país recebe vultosos empréstimos internacionais e apresenta uma produção industrial bastante significativa. Fique atento! Faça uma reflexão sobre esse período. adiando a escolha direta do próximo Presidente. com o objetivo de formar nas novas gerações um sentimento de ufanismo pelo país em que estavam vivendo.. O PIB brasileiro é o 8º do mundo e o melhor entre as nações periféricas. época em que se observou uma retomada do desenvolvimento. Em 1973. O movimento pela Diretas já! foi derrotado no Congresso. Assume em seu lugar o vice-presidente José Sarney. os militares se retiram. começa a mudar. até 1970. Parece que todo o Brasil deu a mão. pelas lutas no sentido da redemocrati- zação da sociedade. Hoje existem materiais muito ricos sobre a ditadura no Brasil. Aproveite que você está estudando agora. Pra frente Brasil! Brasil! Salve a Seleção!” As leis que reformaram a educação criam. Aliado a isso.

recessões.4%. Enquanto isso.). As modificações jurídicas. em 1970. Os 50% de pobres ficaram com 17. a sua renda coletiva caiu para 3. que por isso ficou conhecida como a década perdida.4% da renda. em 1980. tornando-as próprias para a proposta neoliberal.5%. fenômenos que vão caracterizar os anos 70 e a primeira metade dos 80. e 50. Os baixos salários. e em 1980.9% da renda nacional. Geralmente. O Judiciário e o Legislativo submeteram-se ao Executivo. Favoreceu-se uma progressiva concentração de renda e o achatamento salarial. Leia o texto complementar e reflita um pouco mais sobre esse contexto.9% em 1980. em 1970. em 1970. No mundo inteiro o neoliberalismo impulsionava transformações. que serviu de base para a desnacionalização da economia. como para todos os países da América Latina. Mesmo com a mudança de um regime militar para um regime democrático. Graças à concentração de renda. mais ricos. permitindo às empresas estrangeiras comprar enormes áreas de terra. é o organismo financeiro da ONU que fornece recursos financeiros para os países que apresentam déficits nas contas externas. a legislação benevolente e os financiamentos privilegiados atraíram as multinacionais. os 10% mais ricos passaram de 39.renda. os problemas continuaram e com isso a sociedade se desiludia. índices ruins no que se referia ao desemprego e mortalidade. os 20% mais pobres detinham 3. Mas a ditadura deixou mais do que as marcas da tortura. para 46.8%. militarizado e acima da Nação. e 12. Com o intuito de dar continuidade aos índices de crescimento elevado.6%.7%. Mas os operários tiveram os seus salários achatados – a maior baixa real na história do Brasil. Foi um período marcado pelo contexto de crise. inflação alta e uma série de planos econômicos para conter a hiperinflação.7%. especialmente na Amazônia. Esse modelo exigiu um controle maior da população pobre e o aumento da repressão aos grupos politizados. Em 1960. . desigualdades regionais e sociais. reeditando sobre as experiências do passado os novos elementos da economia mundial. O Brasil estava com uma herança de dívidas. inflação alta. Os pobres ficaram mais pobres e os ricos. o governo militar aumentou o endividamento externo e cresceu a inflação. Houve o incremento da produção industrial de supérfluos. pelo Acordo de Bretton Woods. para 2. para o novo milênio segundo este olhar. o Estado tornou-se cada vez mais forte. não só para o Brasil. A riqueza produzida era direcionada para o pagamento dos credores internacionais. em 1960. 14. O quadro encontrado era bastante ruim. e 16. marca dos anos 80 do século XX. Cristalizou-se a ditadura. as isenções e os incentivos fiscais. A renda dos 5% ainda mais ricos em 1980. A economia de todos os países subdesenvolvidos entra num processo de estagnação. em 1960. em 1980.9%.9%.9%. trocando o modelo capitalista dependente pela pura e simples subserviência. para 14. Vejamos o que é o Fundo Monetário Internacional: O Fundo Monetário Internacional foi criado em 1944. atraíram capitais que se reproduziam rapidamente e tinham facilidades na “remessa de lucros”. dívida externa. em 1970. aquele quadro encontrado no Brasil não mudou. E os 1% muito ricos progrediram de 11. o auxílio do FMI incorre em medidas econômicas ortodoxas de equalização fiscal e cortes de gastos públicos (Site: Wikipédia. uma pequena parcela média – que logo se destacou como “classe média alta” – teve acesso a altos salários e ao consumismo identificado no fugaz “milagre brasileiro”. entre eles o FMI e o Banco Mundial. em 1960. reformulando suas bases. 31 Texto Complementar Autoritarismo e concentração de renda A política econômica do regime militar Chiavenato Do achatamento salarial à concentração de renda Os militares e os seus sócios não se limitaram a subverter o processo político: também intervieram vigorosamente na economia brasileira.

20. Apesar do óbvio.6% deles recebiam mais que vinte salários mínimos.5% dos trabalhadores ganhavam até meio salário mínimo. Que o milagre foi falso.2%. Por que os militares permitiram esse modelo? Eram “burros”? Impatriotas? Venais? Foram subornados pelo capital estrangeiro? Sem descartar a possibilidade do “sim” para algumas dessas indagações. os governos militares privilegiaram os investimentos externos e comprometeram o futuro imediato da nação. Se o modelo dependente da economia brasileira já era responsável por uma concentração de renda histórica. no seu artigo 161.6% recebendo até cinco salários mínimos e uma “verdadeira” classe média de 7.. combinado com a especulação financeira.8% dos salariados. Pagando-se cada vez menos aos trabalhadores e oferecendo salários mais altos a uma pequena elite consumidora. citado por Maria Helena Moreira Alves em Estado e Oposição no Brasil. que recebiam de dez a vinte salários mínimos. naquele período. A junção dos interesses internos com os externos provocou o empobrecimento dos pobres e o enriquecimento dos ricos. O professor Mário Henrique Simonsen.8% (se somarmos os 23. esse fenômeno potencializou-se ao passarmos da dependência à subserviência. Isso. com o sucateamento da indústria nacional e com o maior endividamento externo que o Brasil já teve.) De fato. Para obter sustentação. entre dez e vinte salários mínimos: e 1. mas porque podem ir ao encontro de valores e interesses que julgam tais grupos ser os seus próprios. ampliou-se o mercado de supérfluos para “classe média alta”. Ele favoreceu apenas 7. em uma avaliação muito otimista. que ganhava até dez salários mínimos. explica que essa situação torna-se possível quando: (. havia uma faixa intermediária de 23.32 Essa concentração de renda fez-se à custa do achatamento salarial das chamadas “classes baixas”. A seguir. todo o Brasil soube e sabe. afirmou que em 1970 houve uma concentração muito maior do que nos dez anos anteriores. E a maioria das suas medidas correspondia à subserviência externa como garantia de segurança interna.6%.2% correspondentes à “verdadeira” classe média). a grande maioria da população ganhava muito pouco. sustentou durante certo tempo o “milagre brasileiro”. entre cinco e dez salários mínimos: 3.4% dos trabalhadores ganhavam no máximo dois salários mínimos. Da concentração de renda à dívida externa A concentração de renda mostrou-se tão perversa socialmente que os próprios economistas do governo militar tiveram de denunciá-la. (O grifo é nosso. até dois salários mínimos: 23. “entregava” o subsolo à exploração das empresas estrangeiras interessadas nos minérios estratégicos.. ou mais. Outro ponto a salientar é como se obteve essa produção: com a abertura da economia às multinacionais.) o sistema de dominação ressurge como uma força “interna”. Um artigo dos professores Fernando Henrique Cardoso e Enzo Falleto.6% que recebiam até cinco salários mínimos aos 7.1%.2%. As estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam: 12. Ele foi aplicado pela aliança com as forças externas e internas – a mesma aliança responsável pela queda de um governo que. 30.2% dos assalariados ou. . 64. através de práticas sociais de grupos e classes locais que tentam fazer prevalecer interesses estrangeiros. segundo a visão míope da ditadura. por exemplo. ministro da Fazenda no governo do general Geisel. isso precisa ser dito (no nosso caso. bem ou mal. Nos tempos do “milagre”. o modelo dos militares derivava das suas concepções de segurança nacional.8% recebiam até um salário mínimo: 31. não especificamente porque sejam estrangeiros. Daí o desrespeito às leis e a promulgação de uma Constituição à imagem do poder – lembramos que a Constituição de 1967. entre dois e cinco salários mínimos: 7. pretendia libertar a economia brasileira. de modo mais didático do que técnico). Isto quer dizer: no tempo do “milagre”. Já o grande consumo era feito por 4. O que vale a pena ressaltar é que.2%. para que os mais “leigos” entendam o processo que culminou jogando a economia brasileira em uma crise que se agrava a cada dia. o aumento da produção industrial também não refletiu um aumento real da economia. O “milagre” só foi possível porque o empobrecimento do povo não significou necessariamente uma estagnação econômica na soma da renda nacional: esta apenas foi desproporcionalmente distribuída. cabe investigar razões mais profundas.

Em 1957. ou que já haviam exaurido o mercado dos seus países.Outra consequência importante dessa subserviência foi o aumento da dívida externa. Indústrias obsoletas no Exterior. e chegando a 86%. conforme dados de uma CPI da Câmara dos Deputados. A festa multinacional Enquanto a crise econômica brasileira se agravava a partir de 1960. Referência: CHIAVENATO. O fato é que o governo militar preferiu associar-se ao capital estrangeiro. pág. elevou a dívida externa de US$ 9. em 1974. reformulada. esse processo provocou a evasão de dólares. além de permissão para a compra de terras com o dinheiro que não conseguiam enviar às suas matrizes.1 milhões. a economia trilhou o caminho da industrialização. favorecendo políticas que estrangularam a indústria nacional. A cartelização industrial passou a ser uma regra.1 bilhões. De 1966 a 1976. O governo Geisel. que já em 1960 atendia a quase totalidade das exigências do país. geralmente considerado austero. ed. 2. um recorde mundial. 2004. com um investimento de US$ 4. segundo as estatísticas do Ministério do Planejamento. Em resumo. em 1964. a fabricante de cigarros Souza Cruz investiu US$ 2. em prejuízo das nacionais. Os bens de consumo participaram com 92%.3 milhões. em 1960. Nosso problema não estava na capacidade de produção da indústria. e chegaram a 98%. US$ 82. Além de impedir o desenvolvimento da indústria brasileira. a participação da indústria nacional na oferta de bens de produção foi de 58%. sob a forma de lucros. em 1956. os governos militares elevaram a dívida externa brasileira em quinze vezes: de US$ 3 bilhões ela passou para US$ 45 bilhões. Se os problemas da economia internacional afetaram diretamente a economia brasileira. O golpe de 64 e a ditadura militar. Por quê? Porque uma vez desencadeado o processo.2 milhões. Coleção Polêmica. em que reduzindo os empréstimos internos desaqueceria a produção que dava lucros especialmente às multinacionais. liberdade para a remessa de lucros e incentivos fiscais. A Firestone mandou à matriz US$ 50. Em quinze anos. em 1983. por exemplo. a política econômica do governo militar privilegiou as multinacionais: baixos salários. não havia como voltar atrás sem desfazer alianças externas que sustentavam o modelo interno. São Paulo: Moderna. Júlio José. como as sucessivas altas do petróleo. 96%. 33 . E não estamos esquecendo os chamados “acidentes de percurso”. foram transferidas para o Brasil. 124-128. em 1976.5 milhões no Brasil e remeteu ao exterior. subindo para 77%. em 1960.8 bilhões. Ou seja: em plena crise. para US$ 35. eles não servem como desculpa para o fracasso do modelo: a sua subserviência e conformação favoráveis ao capital estrangeiro já previam o fracasso de qualquer “milagre”. a capacidade de produção da indústria aumentava.

liquidando a dívida externa. pobreza. social etc. iniciou-se em 1985 o período chamado de Nova República e um processo de redemocratização. em que o Brasil quita sua dívida externa. como cidadãos. o país teve um desenvolvimento. afinal. O processo de redemocratização brasileiro teve inicialmente grandes problemas de ordem política. Muitos planos econômicos foram lançados e todos fracassaram sem alcançar os objetivos almejados. É claro que não devemos ver e sorrir diante de fatos que repercutem negativamente não só aos olhos internacionais. Mas podemos refletir sobre esses nomes. Isso não significa que não sejamos atingidos no futuro. Cabe-nos refletir que por mais que as realidades ainda sejam cruéis em relação ao que vemos na sociedade. e este desenvolvimento atinja todos e não apenas uma pequena minoria. econômica. E mesmo com todos os problemas econômicos e sociais delicados que já estudamos até aqui e que continuaremos lendo até o fim desse instrucional. e isto é um ponto relevante. bem como para o povo brasileiro e sua economia. mas há um conjunto de atitudes para que o país se desenvolva neste processo. no início de 2008 tivemos um fato muito interessante e que nós. devemos refletir: o país saiu do estado de devedor mundial para a posição de credor. mesmo após a Proclamação da República. Temos que pensar que o país ainda possui pontos negativos. ele precisava tentar acabar com os problemas fi- . esse novo processo de redemocratização poderiam ser considerados como o primeiro período verdadeiramente republicano? Contudo. Quando usamos a expressão “modernização collorida” já podemos imaginar que se trata do que ocorreu no mandato do presidente Fernando Collor de Mello. educação precária. e a economia está estável. Temos em nossa memória recente as consequências e ações que ocorreram na política e na economia do Brasil. além de preparar a economia brasileira para uma inserção no mercado mundial.34 UNIDADE III O PROCESSO DE R EDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRO REDEMOCRATIZAÇÃO E O CONTEXTO AT UAL DO BRASIL ATUAL Após 21 anos de ditadura militar. Essas dificuldades fazem parte de nossa história contemporânea. que é uma característica expressiva de qualquer república. será que não podemos dizer que essa Nova República. fome. para que possamos começar a resolver estes problemas sociais. Mas para alcançar tal intenção. Texto 8: As Consequências Socioeconômicas do Modelo de Desenvolvimento Brasileiro Neste texto abordaremos como se deu a abertura do mercado brasileiro para a chamada “economia global” e a distribuição interna nacional. A herança deixada pelos governos militares e pelas políticas exploratórias e protecionistas da nossa história acarretou um longo período de dificuldades e até hoje é possível encontrarmos traços no cotidiano brasileiro. esse processo não foi fácil. ver as questões com delicadeza porque as questões sociais ainda continuam como a exclusão social. a sociedade vivencia várias crises em países vizinhos e nações amigas. Tivemos o primeiro impeachment de um presidente e diversas ações que mudaram o quadro econômico do Brasil. Mas o problema é que não podemos descartar o marco histórico que o país teve e inclusive a repercussão que isto teve. habitação. e não somos logo afetados e massacrados como antes. que tinha como promessa de candidatura transformar o Brasil em um país moderno. porque foi a primeira vez desde que a coroa veio para nosso território e trouxe as dívidas em 1808 até este momento. A participação popular nessas ações se tornou cada vez mais comum. Sendo assim. porque falta esta solidez para que possamos aumentar o grau de investimento no país. afinal vivemos em uma perspectiva de globalização. não adianta muito este lado. Na área econômica foram várias tentativas políticas para resolver os problemas desse setor. miséria. o Brasil não vivenciou uma experiência verdadeira de democracia. Mas sabemos que o Brasil se mantém de forma disciplinada para que a economia se torne sólida.

aumentando o tempo de contribuição para a aposentadoria. Queria fazer com que a população voltasse a ter confiança na credibilidade política. * No contexto social. Pela primeira vez um presidente eleito passa a faixa para outro presidente eleito na nova democracia. O problema da distribuição de renda é um exemplo desse contexto que encontramos no Brasil e que agrava ainda mais a desigualdade social. Collor rompeu com o modelo de desenvolvimento da era Vargas e ficou conhecido como “Caçador de Marajás”. * Em 2001. O Plano Collor. As denúncias feitas por Pedro Collor. abriu o mercado ao capital e aos produtos estrangeiros. tivemos a reeleição de FHC. aumentando o desemprego naquele período. 35 Vamos Lembrar do Governo de FHC: o Sociólogo Neoliberal? Com a política apoiada na ideologia neoliberal. De um lado Luis Inácio Lula da Silva. Eles queriam que Lula decretasse uma moratória2 e não pagasse a dívida externa. o Brasil apresentava-se cada vez mais em dificuldades diante de seus problemas. Após a trágica experiência com Collor. contudo teve que enfrentar algumas crises: * Em 1997. . A repercussão do escândalo resultou numa indignação popular. mas a imagem negativa do congresso continuava. que aprovasse a reforma da previdência social. com os países que formavam o grupo dos Tigres Asiáticos. Foram eles: o Movimento pela Ética na Política e o Movimento dos “Caras Pintadas”. 2 Moratória é uma disposição que suspende o pagamento num prazo fixado por lei ou por força de um contrato. Como era imaginado naquela época. Collor enfrentou denúncias e escândalos que acarretaram no fim do seu governo. O último governo de Fernando Henrique Cardoso terminou de forma ruim e repercutiu nas eleições de 2002. Seu governo apresentou-se contraditório. A forma que ele escolheu para adotar não foi a melhor. causou reflexos na economia do mundo inteiro. No novo mandato. influenciaram bastante. que em 2002 se apresentou de uma forma mais moderada. chegou ao cargo mais alto do país. sobre a existência de um esquema de corrupção intermediado pelo empresário Paulo César Farias. Na economia não tínhamos mudanças. conseguiu controlar a inflação. que desde a volta das eleições diretas disputava a presidência. que foi trabalhador operário. O colapso da era Collor não foi causado apenas pelos desacertos políticos e socioeconômicos. O seu objetivo era implantar um “Estado Mínimo”. Mas vale nesse momento a pergunta: o Brasil melhorou com este modelo de desenvolvimento? Encontramos até os dias atuais antigas questões sociais que ainda não foram resolvidas. pois em sua campanha à presidência tinha como objetivo acabar com os culpados pela insuficiência do governo. A população se organizou e dois movimentos se destacaram. não agradou membros mais radicais de seu partido que romperam e acabaram expulsos do governo. E do outro lado José Serra. provocado pelas privatizações. querendo ganhar credibilidade dentro e fora do governo. foi eleito presidente da República. Como consequência houve uma queda no PIB e a redução da oferta de emprego. aos poucos. irmão do presidente. como ficou conhecido. Além de não conseguir cumprir suas metas durante o seu governo. não conseguiu se eleger. a crise do abastecimento de energia mostrou a fragilidade quanto ao investimento de recursos. a crise econômica na Ásia. Não seguia uma ideologia específica. A postura de Lula à frente da presidência. E com o intuito de modificar o contexto econômico. A postura de Fernando Henrique Cardoso era contraditória ao seu passado de “esquerda”. tesoureiro da campanha e amigo do presidente. tinha posturas neoliberais e nacionalistas. O Plano Real teve repercussão direta nas eleições presidenciais de 1995. que mesmo tentando evitar a rejeição que a população tinha pelo presidente anterior. As imagens com certeza ficaram marcadas como o dia em que um operário chegou ao poder. causando um processo de importação indiscriminado e a desnacionalização de ambos os setores da economia. deixar de pagar seus compromissos internacionais. Fernando Henrique Cardoso. a privatização de empresas estatais e outras ações. que era ministro da economia do Plano Real. E antes que o governo FHC acabasse. exmetalúrgico. seu governo continuava tendo a mesma postura neoliberal. ou seja. foi criado o Plano Real. vice na chapa de Collor. o Brasil teve uma tentativa de conciliação nacional com o presidente Itamar Franco. No caso do governo Lula. E o fato mais marcante é que um homem de origem humilde. apoiado por FHC. que. ainda.nanceiros existentes. o presidente conseguiu que o congresso votasse a favor da reeleição para presidência e. o processo de privatização iniciado na era Collor foi retomado. que aumentou quando a CPI concluiu o envolvimento do presidente com o “Esquema PC”.

Contudo. sonhava-se com uma sociedade melhor. O direito de ser livre. médico e segurança. A Construção de uma Nova Cidadania Esta palavra pode significar muitas coisas. ou seja. no Araguaia. Por muito tempo. homens livres pobres e mulheres eram não cidadãos. “Nas favelas. o governo não foi tão abalado e Lula acabou sendo reeleito. os direitos do cidadão só podem ser garantidos se as pessoas procurarem se interessar ativamente pela política. nós nunca tivemos nossa revolução francesa completa. aquele que influencia nas decisões da comunidade. Com o fim do regime militar. não passar fome. a sociedade vive um clima de esperança e alegria. escravos. cidadania era o direito de ser reconhecido pelo Estado. A constituição de 1988 traz em seus escritos essa necessidade de vivenciarmos uma cidadania plena. a maioria ainda não existe na prática. Leia o próximo texto complementar para refletirmos mais sobre esse assunto. O fim da ditadura é marcado pela recessão econômica e uma grande mobilização da sociedade civil em busca de democracia. No governo de Getúlio Vargas.36 A posição adotada pelo governo fez com que voltasse contra ele as acusações de ser neoliberal. o Brasil vivia uma estabilidade. a ideia dos direitos do homem e do cidadão surgiu durante a Revolução Francesa de 1789. No Brasil. ter emprego fixo. nossa população aprendeu a se posicionar diante do quadro alarmante e os movimentos populares começam a se organizar e lutar por seus direitos. o nosso país ainda é visto como novo. na Baixada Fluminense No Mato Grosso. nas Gerais e no Nordeste tudo em paz Na morte eu descanso mas o sangue anda solto Manchando os papéis. Que país é esse?” Precisamos nos perguntar que país é esse sempre e para responder temos que refletir sobre todo os contextos que temos estudado. habitação decente. Portanto. Na década de 80 essas ideias e vontades democráticas permeavam por todos os contextos brasileiros. de não ser violentado pela polícia. de não ser discriminado racialmente ou sexualmente tudo isso tem a ver com a cidadania. No último ano de seu mandato surgiram denúncias de corrupção no governo. Mas contrariando os comentários o governo aumentou os impostos para a população com mais renda e ampliou uma rede de serviços assistencialistas que atendiam à população mais carente. se elas se associarem para defender seus direitos. Texto 9: A Construção de uma Nova Cidadania e os Movimentos Sociais Vamos começar a pensar na construção de uma nova cidadania e os movimentos sociais lendo e lembrando da música “Que País é Este?”. sindicato aprovado pelo governo. Apesar de toda a repercussão negativa do caso. no senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a constituição Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é esse? No Amazonas. A Constituição de 1988 estabeleceu vários direitos de cidadania. Em princípio. carteira de trabalho assinada. ou seja. Como vimos em relação à democracia. de ter emprego. Cidadão é o que participa ativamente da cidade. Como você sabe. documentos fiéis Ao descanso do patrão Que país é esse? Terceiro Mundo se for Piada no exterior Mas o Brasil vai ficar rico Vamos faturar um milhão Quando vendermos todas as almas Dos nossos índios num leilão. todos os brasileiros deveriam ter o direito de exercer a plena cidadania. Infelizmente. . do grupo Legião Urbana. Vivenciar um regime democrático era algo que trazia conforto no contexto social. baseada nos ideais democráticos iluministas.

enganadores do povo? O Estado brasileiro precisa de reformas urgentes para que se torne mais ágil. prendendo opositores. Maurício da Silva Duarte. Vale do Rio Doce. Os partidos neoliberais acham que há impostos demais e gente pagando de menos. sobraria mais dinheiro para investir no bem-estar social. Por isso. Mas como é possível falar em empreguismo e ao mesmo tempo não aceitar nenhuma demissão? Até mesmo os aspones devem continuar empregados? Até mesmo os funcionários de nível de segundo grau que recebem 60 ou 100 salários mínimos por mês ou mais? Por outro lado. assegurar a obediência a Portugal. o parlamentarismo monárquico de D. ou seja. A esquerda é contra porque quer garantir o emprego. do cabresto eleitoral. Porque um grave problema ainda não foi solucionado: como evitar que as pessoas elejam políticos que não têm nenhum compromisso com a população? Como. proibindo que se criticasse o governo. ficar de olho para que o governo faça gastos realmente importantes para a população não é suficiente. invadindo sindicatos. fechando jornais. o governo tem feito muito pouco pelo bem público. depois de alguns anos. Fernando Henrique Cardoso chegou a privatizar a maior empresa mineradora do mundo. o Estado nacional foi construído pelas elites. A impressão é que o Estado sempre foi privatizado. Pedro I era um tirano. telefones. Direito garantido por lei. o governo está gastando muito mais do que arrecada com impostos. Tempo do voto em aberto. o governo brasileiro nasceu opressor. o funcionário público jamais poderá ser demitido. oportunistas. Enquanto isso. fabricação de aço. é claro. através do jogo democrático. Na República Velha. Resultaram de anos e anos de luta do povo contra as ditaduras. as revoltas regenciais foram esmagadas a ferro e fogo. mais moderno. estradas. Os neoliberais acreditam que as novas empresas privatizadas vão pagar impostos bem maiores ao mesmo tempo em que o governo já não precisa mais investir nelas. O primeiro passo para "desprivatizar" o Estado é garantir que ele seja democrático. Fiscalizar para evitar a corrupção. Pedro II era baseado no voto censitário e indireto. Ele foi instalado pela metrópole portuguesa com algumas finalidades básicas: submeter os índios. como lembra um estudo do historiador. Uma das mudanças propostas seria criar leis que permitam o governo demitir os funcionários públicos em excesso. hoje possuímos mais liberdade do que em qualquer outra época de nossa história: o presidente é eleito com voto direto e secreto. a imprensa é livre. Com Vargas. O pior é que esses cabides de empregos (onde ficam pendurados os aspones) não podem ser mexidos por causa da estabilidade no emprego. derrotar os políticos mentirosos. Um dos problemas mais graves (e isso acontece em quase todo o mundo) é o déficit público. Ou seja. garantir a disciplina dos escravos. que escolas não tenham aulas. jornalista e professor da UFF. ou seja. sociólogo. as empresas estariam sufocadas e muito espertalhão estaria sonegando. que um simples documento leve semanas para ser expedido. No Brasil. o Estado procurou incorporar a sociedade civil. só existiu para atender aos interesses particulares de alguns grupos privilegiados e não de toda a população. É possível que cada lado tenha um pouco de razão. Quando nos tornamos independentes. apoiar os grandes proprietários. Por exemplo. Portanto. Porque falta dinheiro mesmo. o ideal é privatizar as empresas estatais que se dedicam a tais atividades. as pessoas podem ir para rua protestar. estar sempre atenta ao que o presidente e o Congresso andam fazendo. Mas isso não basta. hidrelétricas. É desta maneira que combatemos a corrupção e o mal uso que o governo faz com o dinheiro público. da questão social encarada como um caso de polícia. e ele pouco tinha de democrático. sempre foi corriqueiro o político arrumar empregos públicos para seus eleitores. D. Felizmente. Recebem uma grana e nem comparecem. os sindicatos eram subordinados ao governo e até escola de samba precisava de autorização para desfilar. a política era dominada pelos coronéis e pelas oligarquias estaduais. mais dinâmico. Um povão de gente foi nomeado para se tornar aspone (assessor de porcaria nenhuma) numa repartição qualquer.No Brasil. Não tem cabimento que hospitais públicos caiam aos pedaços. E como conseguir? Os partidos de esquerda propõem o aumento de cobrança dos impostos sobre os mais ricos. a Cia. Historicamente. os sindicatos têm autonomia. Muitas pessoas argumentam que o governo não tem dinheiro para investir em energia elétrica. os outros funcionários têm de se virar para atender às pessoas. Esses direitos não caíram do céu. capaz de atender melhor às pessoas. que os aposentados recebam tão pouco. Os neoliberais são favoráveis às demissões em massa para aliviar as contas do governo. a imprensa estava sob censura. Desde Collor até FHC o governo vem seguindo a linha de privatizações. Como resolver esse problema? A sociedade precisa aprender a controlar os atos do governo. o fim da estabilidade no emprego público pode fazer do funcionarismo um 37 . ou seja. A mesma truculência foi repetida durante a ditadura militar (1964-1985): o Estado reprimindo greves. todos os partidos podem funcionar.

] a erosão e a laterização". como querem alguns. o tráfico de drogas. faremos agora uma leitura do próximo texto “Movimento social e estrutura agrária brasileira: o movimento dos Sem-Terra” 3. Este e outros temas serão abordados no presente texto. a violência e a criminalidade. a ponto de haver. três vezes mais pessoas morando nas cidades que nas áreas rurais. [. Dentre essas graves questões. em que pese os dados estatísticos que escamoteiam a realidade? Como explicar a situação de profunda desigualdade.org/brasilcontemp. acumulam também empregos. sem dúvida. em alguns casos em situação de enorme precariedade. A urbanização provocada pela industrialização veio alterar profundamente a distribuição da população no espaço territorial brasileiro. com todas as mazelas que isso significa. Para superar tais problemas é necessário que os solos sejam corrigidos e adubados. pode-se citar a fome. 3) a estrutura fundiária. um imenso mercado concentrado – pode-se dizer. verduras. Um dos mais graves é o da luta pela posse das terras pelos pequenos produtores rurais. 1995).. Uma das grandes questões sociais brasileiras é a fome. de tal forma que hoje mais da metade da população brasileira vive nas cidades. derivados de leite. recursos financeiros e é. como a lixiviação. carne etc. gerada pela injusta distribuição da terra. "a maioria dos solos brasileiros são pobres e ácidos e apresentam os problemas comuns ao ambiente tropical. 2) possibilidades de exploração das áreas agricultáveis. especialmente nas cidades pequenas do interior. legumes. vive às voltas com graves problemas sociais. (Moreira. Mais uma vez vem à tona a grande questão: como garantir o controle democrático da sociedade sobre o Estado? Como estimular as pessoas a se interessar pelo que fazem os governantes e passar a cobrar deles? Extraído: www. O Brasil descrito por Caminha como a terra em que “se plantando tudo dá” não é verdadeiro e nem todos os que vivem neste país têm acesso à mesma quantidade de terras e da mesma forma. pode-se dizer que o fato de se ter mais pessoas nas cidades que nas zonas agrícolas ou de possuir uma enorme população não é o que provoca a fome no Brasil. nas mais variadas condições. É.38 joguete nas mãos de chefes políticos. que constitui também uma questão política. . quando se considera que produzir alimentos é uma questão a ser resolvida no Brasil. que o que se presencia é fruto de um capitalismo dependente. o não acesso à saúde. de modo que todos possam viver com abundância. As ocupações geradas pela indústria provocaram um intenso fluxo migratório campo-cidade.htm. Este é um dado que tem que fazer parte da reflexão da sociedade brasileira. antes de tudo.brasilcultura. a falta de uma educação de qualidade. Para os estudos sobre os movimentos sociais. hoje. de ser um grande produtor de frutas. entre os quais: 1) fatores naturais ligados ao potencial do solo. não há muitas diferenças. ao lado de acumulá-los. o Brasil tem possibilidades. 4) a capacidade de consumo das diferentes camadas da população. Se não se pode sempre afirmar que as grandes formações urbanas são constituídas de problemas – uma vez que. criou significativos contingentes sociais que já nascem sob o signo da exclusão. totalmente impedidos de ter acesso aos benefícios que possam estar disponíveis no mundo moderno. o fato da produção de alimentos ser insuficiente e mal distribuída. O fim das formas tradicionais de produzir. com referência à distribuição de alimentos que se verifica na sociedade brasileira? De antemão. apesar do enorme crescimento econômico de alguns países graças à industrialização e à urbanização que apresentam.. no que se refere às causas da metropolização nos países periféricos. No caso específico do Brasil. Se. teoricamente. do ponto de vista territorial e do número de habitantes. Apesar de os brasileiros viverem a ideologia do Brasil como "celeiro do mundo". a fim de incremen- 3 Extraído e adaptado do instrucional da disciplina Contextos Brasileiros. Vários fatores contribuem para esse quadro. da terra boa de onde tudo se pode tirar.. inviabilizadas pela modernização. por que a fome é uma evidência no nosso país? Por que a maioria da população é subalimentada. “O chamado mundo subdesenvolvido ou. em desenvolvimento.

Pode-se afirmar. as três dimensões da globalização que não podem ser separadas e que compõem uma totalidade concreta sócio-histórica. o que é bom para determinado lugar não o é. Portanto. A globalização como processo civilizatório humano-genérico. Contudo não se desligam de suas bases. Aliás. por exemplo. pois ela deve. que vão influenciar e limitar a prática agrícola porque determinam. país que apresenta um panorama onde relevo. escolha do produto a ser plantado. Um pequeno número de proprietários concentra a maior parte das terras e os melhores solos. uma nova etapa de desenvolvimento do capitalismo moderno. os modos de produção e as relações humanas sofreram grandes transformações a cada mudança de modelo econômico vigente e de regime político. um dos maiores problemas brasileiros. A maior parte da produção agrícola brasileira é destinada ao mercado externo. como se sabe. Os costumes. medidas que deverão ser utilizadas de acordo com cada situação específica. que a produção agrícola para consumo próprio é claramente minoritária no território brasileiro. No entanto. médias de temperaturas e quantidade de chuvas determinam um mosaico de diferentes paisagens.tar a produtividade. em nossa perspectiva. Isso evidencia sua impossibilidade de. o que a legislação está determinando é que a reforma agrária será feita respeitando a propriedade privada. A globalização como ideologia. satisfazer integralmente à demanda nacional de alimentos. aliás. ela é dirigida diretamente às indústrias. o que o torna um exportador desses produtos e importador de outros. completa e integral são: 1. necessariamente. E. isoladas não explicam a relação entre a produção de alimentos e a prática de agricultura no Brasil. A MP está estabelecendo que quem manda no ritmo. para outro. As sociedades que detém o poder através desse modelo surgem sempre com uma reformulação. vinculado ao desenvolvimento das forças produtivas humanas. de seus princípios que salientam um dos maiores problemas da sociedade atual. Isso exige o desenvolvimento de técnicas agrícolas. Deve-se considerar. Outras questões naturais vão influenciar a potencialidade agrícola do território brasileiro. também constitucional. ainda. vamos compreender o que é a chamada globalização? A globalização é um processo de integração de economias e mercados nacionais. A globalização como mundialização do capital. 2. através da exportação de seus produtos. O capitalismo como conhecemos hoje sofreu modificações diversas. Apesar de se saber que ainda existem no Brasil grandes áreas não apropriadas para a agropecuária. fornecendo-lhes matériasprimas ou combustíveis. na forma e no local da ação governamental é apenas o governo. da função social. Em segundo lugar. O que a medida provisória ainda em vigor acrescenta é que não será desapropriada a terra que for invadida. no caso da agricultura. o regime dos rios. É resultado de múltiplas determinações sóciohistóricas (e ideológicas). irrigação. sem sombra de dúvida. O fato de o Brasil possuir grande parte de suas terras localizada na zona tropical faz com que a maioria de suas lavouras seja igualmente tropical. Em terceiro e último lugar é que se exige que ela seja fonte de alimento para os grandes contingentes da população brasileira. Globalização e Neoliberalismo Em meio a tudo que estudamos até o momento. em primeiro lugar. as diferenças observadas no relevo. Portanto. a globalização tende a constituir novas determinações sócio-históricas no (1) plano da ideologia e da política. A todo o momento esse modelo deixa transparecer sua fragilidade com enormes crises. É claro que este último objetivo é o que é atingido mais precariamente. ao mesmo tempo em que um imenso número de pequenos proprietários possui áreas ínfimas. sozinho. (2) no plano da economia e da sociedade e (3) no plano do processo civilizatório humano-genérico. a concentração de terras é algo estarrecedor em nosso país. que é a desigualdade histórico intrinsecamente contraditório e complexo que caracteriza. Essa é uma questão séria no Brasil. gerar divisas. as tentativas de padronização têm sido mais desastrosas do que benéficas. vegetação. 3. É um fenômeno sócio- . fator primordial na agricultura. Com isso. O que a Constituição estabelece é que não haverá reforma agrária em terras produtivas. Este é.” 39 Texto 10: O Brasil e o Contexto Internacional A sociedade mudou bruscamente desde a primeira Revolução Industrial. mas exigindo que quem a possui respeite o princípio. uso de fertilizantes e defensivos agrícolas.

que surgiu sob o signo da desigualdade. sendo como um processo civilizátorio ou como uma barbárie que contribui para a sedimentação de particularismo locais e regionais. controle de qualidade. Em resposta a essas exigências.culturabrasil. a concorrência entre a Europa ocidental. algumas perguntas como: Para quê? Para onde? E. os EUA e o Japão exigiu um aumento de eficácia na produção e uma busca frenética por novos mercados.. para ser vendido em todos esses países. as empresas multinacionais passaram a ser responsáveis pela maior parte do volume de produção e comércio do mundo. “(. as guerras. Mas analisando nossa realidade. É preciso entender seu lado dialético. tudo isso está aí. Agora. terceirização. de mão de obra. Esse mundo global no qual vivemos hoje é baseado em uma economia que nos leva a perder a ideia de bem comum. química fina) e a reestruturação das empresas (técnicas administrativas de reengenharia cortando o número de empregados. Desde a crise de 1929 que o Estado capitalista se intrometia fortemente sobre a economia.)O projeto econômico do governo Collor era apoiado no neoliberalismo. Keynes para estimular o crescimento e evitar os desarranjos do mercado. não só no Brasil. diminuindo ao máximo as tarifas dos produtos gerados no interior dos países membros. Em meio a todas essas transformações que a sociedade mundial tem sofrido nos últimos séculos. a globalização é a solução ou é um problema? A globalização trouxe para os países em desenvolvimento melhorias e solução dos problemas sociais? Para responder a essas questões. empresas que encerram determinadas sessões e passam a contratar outras empresas para fazer aquele serviço). Receitas do economista J. Foi pensado em um mundo que não tivesse barreiras. a globalização da economia tem desencadeado a formação de blocos econômicos supranacionais. as dimensões da globalização são contraditórias e pelo lado de sua ideologia tenta-se “ocultar” a desigualdade e exclusão causada pela mundialização do capital. Em terceiro lugar. precisamos refletir bastante. Segundo Fernandinho e Zélia. o volume de capital gerado pelas empresas particulares superou o que estava nas mãos do Estado. que possuem como objetivo fazer frente a políticas cada vez mais competitivas. O que significa que os investimentos no estrangeiro eram cada vez maiores e a economia se tornava globalizada: um produto poderia ser feito com peças vindas. engenharia genética. por exemplo. aconteceu a afirmação dos setores de serviços de alta tecnologia (informática.40 Podemos agora pensar nessa relação de interdependência. Ela é igual para todos os países? Cabe-nos. Depois da Segunda Guerra. Vamos entender como é que o neoliberalismo apareceu no mundo? O capitalismo vivia uma profunda transformação desde a crise internacional de 1973.que fala da implantação do modelo econômico neoliberal no Brasil feito por Collor. o que certamente revelava a inferioridade econômica do governo diante dos grandes monopólios e incentivava a privatização de empresas estatais. computadores e robôs substituindo mão de obra. de serviços. O desemprego. este seria o caminho para o país ingressar no Primeiro Mundo. detectou-se a necessidade de um mercado global para criar a concorrência tão importante em uma economia capitalista. o preço de matérias-primas. Segundo Alves (2001). pois não é difícil percebermos que a globalização é contraditória. nesse momento. org/planoreal/htm. Fique atento! Vale a pena procurar um aprofundamento no seu estudo. Em segundo lugar. no contexto atual. as condições subumanas de vida. leia o próximo texto complementar retirado de www. para quem está acontecendo essa globalização? Vamos entender a globalização no mundo contemporâneo? A partir da década de 70. Precisamos dar valor a essa dialética para não cometermos erros. telecomunicações. o keynesianismo levou ao Welfare . Japão e Itália. isto é. para entender um pouco mais sobre a relação do neoliberalismo e a globalização. a desafiar o mundo. pesquisando um pouco mais sobre os blocos econômicos. Sri Lanka. principalmente. a falta de acesso à educação e à saúde. Em primeiro lugar. M. nem protecionismo que fosse regulamentada apenas pelo mercado sem interferência de nenhum governo.. do México. robótica.

Vamos ver como: 1. chegarão a um desenvolvimento do mercado capitalista que beneficiará a toda sociedade. na modalidade “disputa por uma migalha de comida”.State. Além do mais. Havia um fundo de verdade nisso tudo. Collor também mostrava seu empenho em adotar a ideia neoliberal de cortar brutalmente os gastos do governo com programas sociais. Foi ele quem combateu leis nacionalistas que controlavam os negócios das empresas estrangeiras no Brasil e quem iniciou um programa consistente de venda das empresas estatais. tornando as empresas mais ágeis. Aumentariam as diferenças sociais mas. as empresas e bancos estatais seriam todos vendidos para as empresas particulares.culturabrasil. Os primeiros “heróis” neoliberais foram o presidente Ronald Reagan (EUA) e a primeira-ministra Margareth Thatcher (Inglaterra). Nem investimentos em empresas estatais nem gastos sociais. Collor foi o primeiro e é o principal responsável por ter “rolado a bola” do neoliberalismo em nosso país. Estímulos para os investimentos de capital estrangeiro. Sem dúvida alguma. com eleições decentes. Neste caso. Facilidades absolutas para o vale-tudo capitalista. No mundo inteiro estão se formando livres mercados. 4. que receberiam mensalidades das pessoas interessadas) e as universidades do governo. abaixando as tarifas alfandegárias: foi a partir de Collor que o país foi invadido pelos produtos estrangeiros. ou seja. 2. sobraria mais dinheiro para os ricos investirem na economia. 3. Adorava a imagem de esportista. A ideia básica do neoliberalismo é a de que. Mas a crise de 1973 e as mudanças que nós relatamos acima. menos o Japão. deram voz a economistas como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Hong Kong. Num segundo passo. o povo competindo na raia.org/planoreal/htm. mas dentro de uma das piores ditaduras militares que o continente já conheceu (a do general Pinochet). de quinquilharias coreanas a vinhos alemães. Acontece que neoliberalismo econômico não é a mesma coisa que liberdade política. que já nos anos 80 aplicava as receitas neoliberais. ou seja. As duas medidas anteriores se ligam ao corte nos gastos públicos. faria o Brasil entrar no Primeiro Mundo. Assim. argumentam os neoliberais. dizia ele. Os automóveis nacionais foram xingados de “carroças” e esperava-se que a abertura para os importados criasse concorrência. Por isso defendem a privatização. Enquanto o país esperava para entrar no Primeiro Mundo. Desregulamentação da economia. Os sindicatos podem protestar. Tudo isso. se os homens tiverem total liberdade para investir e lucrar. 41 . 5. verdadeira heroína de Collor (o que ela fazia o deixava muito doidão). o Mercosul (Brasil. Collor tratou ele mesmo de ir para lá fazer umas comprinhas no seu estilo de consumidor yuppie: gravatas Hermès. nos anos 80. que atacavam violentamente as ideias keynesianas. resultando. O presidente era um Indiana Jones tupiniquim. Os impostos cobrados sobre os ricos devem ser menores. o que forçaria as multinacionais do Brasil a melhorar a qualidade de seus produtos. a médio prazo. Enquanto isso. A economia do planeta está se tornando multinacional. Ao se recusar a pagar aposentadorias melhores. liberdade de imprensa. Formosa). O governo mandou liberar as importações. em mais empregos e melhores salários. Facilidade para contratar e demitir mão de obra. malas Louis Vuitton. a assistência social (aposentadoria e planos médicos seriam feitos por empresas privadas especializadas. em compensação. O segredo para disparar a economia era o mesmo usado para acelerar uma moto Kawasaki 1000. México). Os neoliberais acham que o Estado não deve se intrometer sobre a economia. Os neoliberais defendem um regime político liberal. Quase todo o mundo desenvolvido seguiu suas receitas. Paraguai. Argentina. seriam privatizados os hospitais públicos. o Nafta (Canadá. um dos objetivos do neoliberalismo é destruir o poder dos sindicatos operários. Foi o caso do Chile. o Estado do bem-estar. puxa. de atleta que tudo pode. de eletrodomésticos a queijos franceses. Isso significa abolir leis de proteção trabalhista. Uruguai) e as ligações entre o Japão e os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul. como o da União Europeia. EUA. pluripartidarismo. telefone celular e gel para passar no cabelo. Isso inclui abertura para as importações (baixas taxas alfandegárias) e o fim do controle do governo sobre as operações financeiras. Keynes saiu da moda e os países desenvolvidos começaram a seguir o neoliberalismo. graças a Collor. Parecia que todos os problemas seriam facilmente resolvidos porque o homem do Planalto possuía a sutileza de um lutador de caratê e a inteligência de um fanático por jet-ski. 6. qualquer favelado já tinha o direito de comprar automóveis Mercedes Benz. uísque Logan 12 anos. Fonte: www.

apesar dos anos de chumbo. me dá/ Me dá o que é meu/ Foram vinte anos/Que alguém comeu. Acredito que essa busca será eterna. cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo” (FAUSTO.42 Nesse contexto. d) A ditadura nunca perseguiu ninguém. . Mas não é pela dificuldade que iremos desistir de construir a sociedade que almejamos. torturavam e matavam as pessoas que não aceitavam o regime militar. podemos afirmar: a) Esta política favoreceu a classe trabalhadora pois aumentava o salário todo mês.. Esta música relata de uma forma bem humorada a situação da democracia na época da ditadura militar.) Vamos festejar a violência E esquecer a nossa gente Que trabalhou honestamente a vida inteira E agora não tem mais direito a nada Vamos celebrar a aberração De toda a nossa falta de bom senso Nosso descaso por educação Vamos celebrar o horror De tudo isso Com festa. (Samba-enredo da Unidos da Tijuca – 1988) Este enredo conta história do Plano Cruzado. que o que vem é perfeição” Como é difícil acharmos a perfeição para atendermos de forma mais justa e igualitária para nossa sociedade. Sobre este período podemos afirmar: a) Foi um período em que. que tinha como slogan “50 em 5”..” (Samba-enredo da escola de samba Império Serrano). Sobre este plano. Bar Brasil/ Berço das grandes revoluções/Pra quem se queixa que dá um duro danado/ E é mal remunerado/ Pro revoltado com as broncas do patrão/ Ai. o amor tem sempre a porta aberta E vem chegando a primavera Nosso futuro recomeça: Venha. Lembro que essa disciplina e material de estudo contemplam uma atualização da antiga disciplina Contextos Brasileiros. a economia foi estabilizada. Perfeição. d) Este plano causou o problema do ágio e a subida dos preços dos produtos causando perdas salariais para os trabalhadores. agora que finalizamos nossos estudos.. 3) “... utilizando também todas as indicações que fazemos. nosso país está se desenvolvendo. temos certeza que no Brasil vocês já farão a diferença.. Exercícios 1) “... Serão cidadãos capazes de compreender a influência do contexto histórico e a importância de buscarmos a ampliação continua de nosso conhecimento para atuarmos com mais qualidade nessa sociedade tão diversificada. quem me dera se eu fosse um marajá (oba)/ Ganhasse a vida sem precisar trabalhar/Mas acontece que é só a minoria/ Que desfruta a mordomia/ Nessa tal democracia/ Apertaram o gatilho num salário baleado/ Outra piada depois desse tal Cruzado”. Finalizando nossos estudos. leia a música a seguir.. e para um maior entendimento e mais ampliação de conhecimento você não deve fixar seus estudos apenas nesse material. conseguimos votar para presidente. de Renato Russo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.Me dá.. isto é.1995). Caros alunos.” (Guerreiro Menino – Gonzaguinha). velório e caixão Está tudo morto e enterrado agora Já que também não podemos celebrar A estupidez de quem cantou esta canção Venha meu coração está com pressa Quando a esperança está dispersa Só a verdade me liberta Chega de maldade e ilusão Venha. 2) “Brasil . História geral da civilização brasileira. E sem o seu trabalho/O homem não tem honra. Boris. 3 ed. b) Foi o período de maior progresso democrático. “(. b) O governo bloqueou todo o dinheiro aplicado nos bancos dos investidores. política econômica do governo Sarney. c) Perseguiam. “Garantindo a tranquilidade política.. isto era boato da oposição. c) Com a volta da democracia.. Juscelino partiu para o seu programa econômico.

b) Um aumento das desigualdades sociais entre a população brasileira. podemos afirmar: a) A concentração de renda e a falta de políticas públicas são as maiores causas da exclusão social. In: CURRAN.. d) O confisco da poupança e o congelamento de preços e salários foi uma das características do plano Collor. d) Intervenção estatal. c) Um pequeno aumento da dívida externa. Sobre o governo Collor.. podemos afirmar que: a) Collor foi o salvador da pátria pois conseguiu elevar a nível de vida dos pobres. p.” (Nos barracos da cidade – Gilberto Gil). c) Apesar de todas as críticas o plano foi a fórmula do sucesso econômico. Mark. 4) “Não devemos esquecer/Do confisco da poupança? De milhões de pessoas? Que guardaram na lembrança/ e cresceu o desemprego/Isto não é mais segredo/Só restando a esperança.Sobre o período em que o Brasil foi governado por JK. “O caçador de marajás e a realidade trágica”.243.). é correto afirmar que houve: a) Uma baixa inflação na economia brasileira. 43 Gabarito: 1-C 2-D 3-B 4-D 5-A . Com relação a este assunto. b) A causa da exclusão social é a preguiça do pobre. d) O povo vota consciente naquele candidato que dará uma vida digna para os favelados e confiscará os privilégios dos ricos. São Paulo: Edusp. b) O dinheiro confiscado foi para investir na saúde e educação.” (SILVA. História do Brasil em cordel. 1991. como o programa Bolsa Família. Esta música nos remete à reflexão sobre a exclusão social. 5) “Nos barracos da cidade/Ninguém mais tem ilusão /No poder da autoridade/De tomar a decisão/E o poder da autoridade/Se pode não faz questão/ Mas se faz questão não consegue enfrentar o tubarão. Ulisses Higino. que Lula prometeu continuar. c) Os governos brasileiros sempre favoreceram a maioria pobre mas o povo não toma uma atitude.

modelo de produção de riquezas que substituiu o feudalismo.divisão territorial de um país sob um governo central.mistura racial. por exemplo entre Portugal e Brasil. Feudalismo . econômica e política onde. Cultura . interesses. . lembranças.parte inferior na frente do navio. onde a colônia serve para enriquecer e complementar a economia da metrópole. Especiarias . Mercantilismo -conjunto de práticas desenvolvidas pelos países europeus entre os séculos XV e XVIII. o dinheiro. buscando o enriquecimento do Estado e o fortalecimento do rei.produtos vindos do oriente como pimenta. língua e aspirações comuns e ligadas a um governo central. cravo.grupo social constituído pelas pessoas ricas. entre outras coisas.país colonizador. feita por um país mais poderoso. Nação . Quilha . Metrópole . refere-se aos anos 1500 a 1530. Capitalista .forma de organização social. Colonização .instituições. canela e que tinham grande aceitação comercial na Europa. Identidade . as máquinas. culturas e valores de uma sociedade. o dinheiro. Estado . Pré-colonial . Quem tinha terra era nobre e tinha todos os direitos e privilégios. a riqueza girava em torno da posse da terra (chamada de feudo).estrutura de exploração desenvolvida por um país europeu sobre uma colônia. no Brasil. comerciantes.diz-se do conjunto de habitantes de um território ligados por tradições. banqueiros. que domina uma outra região ou país em seu benefício.características de um indivíduo. quando Portugal não se interessou em ocupar a terra. industriais. Pacto Colonial . as ferramentas pertencem a um grupo social chamado burguesia. A riqueza.processo de dominação política e econômica de uma região.período que.44 Glossário Burguesia . onde o mais importante é o capital. Miscigenação . empresários.

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