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Teoria Dos Numeros

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Capítulo 1 Os Números

Última atualização em maio de 2010 por Sadao Massago

1.1

Notação
Números naturais:

N = {1, 2, 3, . . .}, mas existem vários autores considerando N = {0, 1, 2, 3, . . .}.

Por isso, é recomendado dizer números positivos, números não negativos, etc. sempre que possível, para evitar confusões.

Números inteiros não negativos:

Z+ = {0, 1, 2, 3, . . .}.

No caso do conjunto dos números

que pode ser decomposto em positivo, negativo e zero, o sinal positivo).

+

na parte inferior indica o

positivo mais o zero (não negativo) e o sinal de menos indica o negativo mais o zero (não

Números inteiros positivos:

Z∗ = {1, 2, 3, . . .}. +

O símbolo

na parte superior do conjunto

dos números é usado para eliminar o zero. No caso geral, é o conjunto (subconjunto do anel) sem o divisor de zero, o que não discutiremos aqui.

• • • •

Números inteiros:

Z = {. . . , −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, . . .}. Q = { m : m, n ∈ Z, n = 0, a = n b
c d

Números racionais: Números reais:

⇐⇒ ad = bc}.

R. C = {x + iy : x, y ∈ R, i2 = −1}.

Números complexos:

1.2

Números naturais (inteiros positivos)

O número natural (no sentido de inteiro positivo) é associado ao número de elementos do conjunto nito não vazio. O número de elementos do conjunto é denominado de cardinalidade, o que não discutiremos os detalhes. O costume é denotar a cardinalidade do conjunto

X

por

#X ,

mas

card(X) também é usada. Se X e Y são conjuntos #X + #Y dene a soma que 

nitos (não vazios) e disjuntos (intersecção vazia),

#(X ∪ Y ) = X
e

está associada ao número de elementos da união dos conjuntos.

O produto é associado ao número de elemento do conjunto cartesiano, isto é, se conjuntos nitos disjuntos, então

Y

são

#(X × Y ) = (#X)(#Y ).

A adição não possui o elemento nulo, nem o elemento oposto, mas como vale a lei de cancelamento para adição, podemos denir a subtração parcial. Ajudado pelo produto que também vale a lei de cancelamento, podemos efetuar cálculos com facilidade. Apesar da construção intuitiva dos inteiros positivos e suas operações obtidas através da cardinalidade do conjunto ser simples, a formalização matemática não é dos mais simples.

1

b Continuará existindo a ordem coerente com a operação. 1.4 Números inteiros O número inteiro foi o segundo passo dos números abstratos para completar operação de soma. Estendendo a operação de soma e do produto para manter suas propriedades válidas. mas O conjunto dos números racionais a ∗ divisão. chamado de números. mas perderá alguma das propriedades sobre o produto. N. b) ∈ Z × Z . 4 8 Exitem forma de denir produto em R e R . operação continua fechada e mantém suas propriedades. podemos provar que 0n = 0. Usando as propriedades da soma. OS NÚMEROS 2 Em geral. b usando a relação de equivalência. Abstrato signica que não podemos mostrar. denominado de conjunto dos números negativos. Como já discutido. etc. O objetivo principal é completar a operação de subtração que só pode ser feito parcialmente no conjunto dos números inteiros não negativos. o que requer cuidados adicionais quando menciona o conjunto 1. Para construir. Q = { : (a.CAPÍTULO 1. O nome números naturais deve se ao fato de ser associado naturalmente ao objeto concreto (cardinalidade do conjunto não vazio). (−a)(−b) = ab. alguns autores chamam o conjunto dos números inteiros não negativos de números naturais e denotam por dos números naturais. O conjunto dos números complexos é obtido. Denimos o conjunto Z = (−N) ∪ {0} ∪ N onde −N = {−n : n ∈ N} é um novo conjunto. Denimos a soma entre números positivos e negativos por propriedades conhecidas tais como n+(−n) = (−n)+n = 0. 1. por conjunto vazio (associado ao número 0) ser um conceito abstrato. a preocupação é completar a operação (álgebra). Isto deixa em dúvida. Até os números racionais. podemos provar várias ((−m) + (−n) = −(m + n). A construção formal do objeto que satisfaz o axioma de Peano é relativamente simples. denominados de quatérnios e octônios. denotado por O conjunto dos números naturais é N. A primeira diculdade observada na operação dos números naturais é a ausência do elemento neutro na adição. A adoção do número 0 não foi imediato. completando algebricamente para ter raiz de qualquer polinômio. a construção formal do número natural e suas operações da soma e do produto são efetuados pelo axioma de Peano. mas o número zero é o primeiro número abstrato adotado na história devido a sua praticidade. mas precisamos convencer que existe. estendendo o inteiro de forma que permite efetuar a a c = d ⇐⇒ ad = bc} pode ser formalizado de forma simples. denimos o conjunto N {0} ∪ N de números inteiros não negativos e estendemos a soma por 0+n = n+0 = n para todo inteiro positivo n A 0 + 0 = 0. não será mais de boa ordem. será perdido a ordem coerente com a operação. existem vários autores que adotam o número não negativo como sendo número natural. Observando que e também a regra não apresenta o elemento nulo.5 Números Reais e Complexos é obtido. se ainda pode ser . requer técnicas mais sosticadas que dos casos anteriores. mas o conjunto dos números reais é obtido de forma a ter continuidade (sem pontos faltando entre eles) que é uma das propriedades topológicas. Com esta extensão.3 Números Inteiros não negativos Devido a praticidade.

O inteiro apresenta a soma com propriedades completa. Dizemos que n é uma soma de 1 quando n = 1 ou n = m + 1 onde m é uma soma de 1. Em Z. está denido uma operação binária denominada de soma que associa um único valor a + b para cada inteiro a e b. ∀a.Capítulo 2 Axioma dos Números Inteiros 2. a operação é fechada. a+0 = a implica que 0 + a = a. Obviamente. e −P = {−n : n ∈ P }. Esta forma recursiva de denir deve se ao axioma de Peano ainda não apresentada. como no caso de alguns produtos (por exemplo. Note que os números naturais são somas de 1. é único. Axioma 2. 3. 2. a soma satisfaz • a + b ∈ Z (fechamento). O elemento neutro 0 é devido a unicidade do elemento nulo. decompondo na forma (−P ) ∪ {0} ∪ P onde P = N = {1. . Estas unicidades podem ser provados facilmente no caso geral. e o uso de −a é pela unicidade do elemento oposto associado a a. Por soma ser comutativa. Razão de estar colocando ambas é para enfatizar o fato da operação nem sempre ser comutativa. isto é. espera-se que seja fechada. Quando denimos a soma no conjunto. o conjunto é do número inteiro? Se não for. comutativa e associativa. 3 .2 caso exista. c ∈ Z. • (a + b) + c = a + (b + c) (associatividade).1 Axioma da soma e do produto nos números inteiros A operação nos números inteiros apresenta várias propriedades interessantes. • ∃ − a ∈ Z : a + (−a) = (−a) + a (elemento inverso da soma. . produto das matrizes) onde precisamos explicitar que o elemento neutro deve valer em ambos lados. A operação da soma está completa e o produto que está quase completa.1 (soma). . quais propriedades precisam ser acrescentados? Isto equivale a perguntar as propriedades essenciais para inverter o processo de construção. (Unicidade do elemento neutro) . denominado de elemento nulo). se o conjunto tiver operação com a mesma propriedade do número inteiro. • a + b = b + a (comutatividade). Numa operação binária. No caso do elemento oposto (elemento inverso da soma) é similar.} que é o conjunto das somas de 1. o elemento neutro. b. se tem o elemento neutro. denominado de elemento oposto). Proposição 2. deve satisfazer e da operação a e=e a=a para todo elemento do conjunto. Dai podemos levantar a questão da unicidade dos inteiros. A razão de adotar como segue. • ∃0 ∈ Z : a + 0 = 0 + a = a (elemento neutro da soma.

A é única.3. quase tão boa quando da soma. Por exemplo. Assim. o produto satisfaz • a · b ∈ Z (fechamento). AXIOMA DOS NÚMEROS INTEIROS 4 a b dene uma operação binária e temos dois elementos neutros e e e .3 (Unicidade do elemento inverso). é único. Exercício 2. se a+x = a+y então a demonstração e prove que.2. b = b e = b (a b ) = (b a) b = e b = b . Para simplicar.5. = ab c para o caso geral.6 (produto). se existir o −1 −1 inverso de um elemento.1. ∀a. discuta sobre a diferença entre elemento inverso e a operação inversa. temos que x+a=0 de onde −x = −(−a). implica Reescreva as demonstrações usando a notação de soma para provar que elemento nulo é único e para cada elemento. então x = y . está denido uma operação binária denominada de produto que associa um único valor a · b para cada inteiro a e b. Suponhe que Assim. b e b são elementos inversos de a. o inverso do inverso é ele mesmo. mas vale a lei de cancelamento. Axioma 2. o oposto é único. De fato.4. Se e é b é inversa de a na operação quando a b = b a = e. elemento neutro da operação Para ter elemento inverso. Exercício 2. No caso do elemento oposto. x = −a. Mas Para todo inteiro. Observe que o argumento serve para provar que. mas e e = e por e ser elemento neutro. mostre que (A ) =A para toda matriz invertível. Mostre o cancelamento da adição. • a · b = b · a (comutatividade). −(−a) = a. c ∈ Z. caso exista. Note que nem toda operação binária é associativa. se a tem a inversa relativamente a operação . temos que b a = e e a b = e. . b. • a · (b + c) = a · b + a · c e (a + b) · c = a · c + b · c (distributividade) . não pode haver mais de um elemento inverso. 2. em qualquer operação binária. Também prove que matriz identidade é único −1 e também que. não pode haver mais de um elemento neutro. Mostre que a potênciação ab não tem elemento neutro. Só não tem o elemento inverso. se a matriz A tiver a inversa. denotaremos a + (−b) por a − b. Em Z. Proposição 2. Numa operação binária associativa. Se Suponhe que a b dene uma operação binária associativa e e é o elemento neutro. • (a · b) · c = a · (b · c) (associatividade).4 Observação .CAPÍTULO 2. podemos provar que o elemento inverso de qualquer operação binária associativa é único. O inteiro também tem a operação de produto. se Exemplo 2. Lem- brando que a radiciação é uma operação inversa da potenciação. a = −x. Como exercício. Exercício 2. Assim. o elemento inverso de cada elemento. Reescreva a x=a y a(b c) x = y. Então temos que e = e e por e ser elemento neutro. Exercício 2. Demonstração. isto é. Demonstração. Discuta porque não tem sentido dizer no elemento inverso na potenciação. precisamos ter elemento neutro.

para enfatizar que no caso não comutativo (como no caso do produto de matrizes). vale a tricotomia (vale uma delas e somente . ab + (−a)b = (a − a)b = 0b = 0. No caso de números. Temos que 0a = 0. o que implica que Exemplo 2. Mostre que o cancelamento do produto é equivalente a armação ou a=0 b = 0. a + b ∈ Z) tal que. Quando o produto for comutativo.2 Mostre que (−a)(−b) = ab. devido a propriedade multiplicativa. nem sempre vale o cancelamento.6. Apesar de não ter elemento inverso no produto. Separar positivo é equivalente a estabelecer uma ordem compatível com as operações. pois 0a = (0 + 0)a = 0a + 0a. b ∈ Z =⇒ a · b. Mas. Quando denimos o produto no conjunto que já tem a soma. basta mostrar que a soma com Para mostrar que é oposto de ab é nulo. nem para separar os números do resto do conjunto. 0 = 0a. Para separar alguns conjuntos numéricos. e o produto entre dois números arábicos costuma ser denotado por  × em vez de  · como em 22 = 4 . pois no produto matricial. denominamos de elemento unidade). Exemplo 2.CAPÍTULO 2. Veja por exemplo. e Exercício 2. Na prática. Temos que 0a − 0a = (−a)b = −ab. a distributividade permite complementar a soma nos cálculos. mas estamos colocando ambas. números racionais e números reais podem ser separados em positivos. ser importante por estabelecer relação entre a soma e o produto. Exercício 2. somente se.7. Separando os números positivos As propriedades da soma e do produto não são sucientes para caracterizar o número inteiro. é único) como já discutido na soma. Solução. (0a + 0a) − 0a = 0a + (0a − 0a) = 0a. Caso da matriz quadrada já estará excluída. não é suciente. observemos que os números inteiros. podemos estabelecer o axioma do positivo. distributividade deve valer para ambos lados. o caso da potenciação que nem é associativa.5. negativos e zero. a soma e o produto dos polinômios tem mesma propriedade dos números inteiros. Axioma 2. Mesmo que o produto não seja muito bom. o cancelamento permite manipular expressões com facilidade. Se observar bem o que valem para números positivos (e negativos). a · x = a · y =⇒ x = y (cancelamento do produto). a · (b + c) = a · b + a · c implica que (a + b) · c = a · c + b · c (prove). • a∈P • a=0 • −a ∈ P (positivo). • ∀a = 0. espera-se que seja distributiva. Existe um conjunto P ⊂ Z fechado para soma e para o produto (a. ab. omitimos o  · com frequência quando não há ambiguidade. AXIOMA DOS NÚMEROS INTEIROS 5 • ∃1 ∈ Z : a · 1 = 1 · a (elemento neutro do produto. 2+2 = 2×2 = ab = 0 se. Assim. Por exemplo. O uso de 1 para elemento unidade é por ter no máximo um elemento neutro em qualquer oepração binária (caso exista. 2.8. para todo inteiro n. No caso de Z.9 uma delas).

−a . Exercício 2.11. a≥0 . Repita para 3. Exercício 2. |a| ∈ P . como acima.10. Exercício 2. Generalizando o problema acima. a<0 e b<0 então ab > 0. ainda não excluímos os polinômios. Mostre que não existe o positivo em Z2 . mento nulo Argumente porque Seja 1's nunca é nulo). (−a)(−a) = a > 0 novamente pelo fechamento do produto em P .12 Mostre que |a| = 0 ⇐⇒ a = 0. e tem as propriedades levemente diferente do valor absoluto) é um valor absoluto. se a > 0. então não pode existir o positivo no conjunto.10. < b ou a = b . |a| < b ⇐⇒ −b < a < b. . então Mostre que se Mostre que (intervalo) |a| = |b| a = ±b.11. associada a a é menor que Exemplo 2. Assim. dizemos que a é menor ou igual a b e denotamos por a ≤ b. Se a < 0. com eleSendo e elemento neutro do produto ¯ + ¯ = ¯. Exercício 2. Exercício 2. a maior que b denotado por a > b é denido como sendo b < a e a maior ou igual a b denotado por a ≥ b é denido como sendo b ≤ a. ¯ 0 Z2 {¯ ¯ 0. justique que. ∀a.15. Como curiosidade. temos que a2 > 0 2 pelo fechamento do produto em P . Exercício 2. 1 1 0 as propriedades de adição e da multiplicação são mesmos do inteiro. podemos escolher coeciente de maior grau positivo. prove que 2 não é um produto de dois inteiros positivos 1.18 Observação no caso de 2. Exercício 2. 1 + ··· + 1 = 0 ¯. Quando a < b.14. Valor absoluto pode existir no conjunto que não pode separar o positivo como C na qual a norma (denotado por duas verticais em vez de uma. se Mostre que. a+···+a = 0 Exercício 2. se Mostre que. Naturalmente. Q e R.16.7. (desigualdade triangular) . Exemplo 2. várias propriedades algébricas de seus coecientes. maior que Mostre que. Usando o exercício acima.17 Exercício 2.12. 1} com a operação de adição e multiplicação comutativas. ab > b. É óbivio que a > 0 ⇐⇒ a ∈ P (prove) e a > b ⇐⇒ b − a ∈ P . AXIOMA DOS NÚMEROS INTEIROS 6 Quando tem o conjunto tabelecer uma ordem em dizemos que P b. a < 0 |a| ≥ 0 e Obviamente.9. Exercício 2. temos que −a > 0. −|a| ≤ a ≤ |a| Mostre que .CAPÍTULO 2. P como sendo o conjunto dos polinômios com Esta particularidade é devido ao fato do polinômio herdar . a = 0. 1 (soma nita de Exercício 2. podemos es- P como sendo a < b ⇐⇒ b − a ∈ P . denominado de conjunto dos Quandoa positivos.8. podemos denir o valor |a| = a . Exercício 2. Para todo inteiro Mostre que. se a<0 e b>0 então ab < 0. Se considerar o conjunto dos polinômios inteiros com coecientes inteiros. De fato. temos que a2 > 0. se a soma nita para algum inteiro positivo a. Z. se a<0 a>1 e e b>0 b>0 então então ab < 0. Quando é possível separar os números positivos como em absoluto como sendo Z.13. Mostre que |a + b| ≤ |a| + |b|.

No conjunto dos números inteiros positivos. O conjunto dos números naturais é caracterizado por • Todo número natural n possui o sucessor denotado por s(n) tal que s(m) = s(n) =⇒ m = n. AXIOMA DOS NÚMEROS INTEIROS 7 2. Proposição 2. P é formado pelas somas de 1. Exercício 2.13. Considere o conjunto de todos os inteiros positivos que é soma de 1.3 P A ordem no conjunto dos inteiros positivos Para distinguir o conjunto dos número inteiros com o outro conjunto. soma e produto unicamente determinada.16. Suponhe por absurdo que exista inteiro positivo maior que 1. diferente dos números racionais e dos reais. Agora precisamos provar que ele é o menor P é um subconjunto de P. Como Inicialmente. observe que 1 = 12 > 0. contradizendo o fato de a ser o menor positivo. o que é absurdo. o que é absurdo por m − 1 é uma soma de 1. todo subconjunto tem o menor elemento. não existe inteiro a tal que n < a < n + 1. e que não seja soma 1. são os números naturais). Denição 2. induz uma boa ordem em P .19. Uma ordem no conjunto é denominado de boa ordem quando todo subconjunto não vazio tem o menor elemento. De fato. Axioma 2. Assim. Demonstração. Como A⊂P e P tem a boa ordem. 0 < a < a. existe inteiro n que é uma soma / a − 1 < n. mas que seja maior que a. Então a < n + 1. observemos que a ordem em é bem especial. A possui a ∈ A. Então temos 0 < a < 1. a − a = a(1 − a) > 0 pois a > 0 e 1 − a > 0 2 (por a < 1). Suponhe por absurdo que o menor elemento de P é a < 1. A demonstração acima. Então a − 1 ∈ A e consequentemente. temos m − 1 ≤ a < m. Demonstração. Logo. de de Mostre que. O axioma de Peano determina exatamente o conjunto dos números naturais na qual permite denir ordem. o que quer dizer que a é menor que alguma soma de 1. Proposição 2. 2 2 2 Como a > 0. A ordem estabelecida em Z por P . Então ele tem o menor elemento m > 1 (note que a > 1). 1 Seja A. Com a prática. Axioma 2. • Existe um único elemento que não é sucessor. Lembrando que estamos considerando que é uma soma de n é soma de 1 quando n = 1. consegue identicar maioria dos problemas que precisam ser demonstrados por absurdo. denominado de demonstração por absurdo é bastante usada quando não consegue uma demonstração construtiva (direta). costuma recorrer ao axioma de Peano. (isto é. denotado por 1.4 O Axioma de Peano Para demonstrações das propriedades relacionados ao número natural (no sentido de inteiro positivo). ou n = m+1 onde m 1.15. o conjunto destes inteiros positivos.17 (Peano). • Se X é um subconjunto dos números naturais tal que 1 ∈ X e n ∈ X =⇒ s(n) ∈ X então X é o próprio conjunto dos números naturais. o menor elemento tal que 2. para todo inteiro n. 1 é o menor inteiro positivo. é possível mostrar que parte positiva do inteiro é o conjunto das somas de 1. Com os axiomas até agora. ele deve ter o menor elemento. positivo.CAPÍTULO 2. . armamos que a < a.14 (inteiro positivo).

am+n = am · an mente). alguns ajustes permite demonstrar para todo inteiro. Uma das mais importantes consequências do axioma de Peano é o Teorema da s(n) = n + 1 na qual terá sentido quando denir a Teorema 2. Usando o princípio da indução nita. Também é possível provar por indução que No entanto. O conjunto dos números inteiros positivos é o conjunto dos números naturais. produto e ordem que dos números naturais. e provar que 2n−1 ≤ n! < nn para n > 1. • • Vamos vericar o axioma de Peano em P. Usando a indução nita. para ser o mesmo. para m. Logo.20.CAPÍTULO 2.G. Se p(n) é uma propriedade sobre número • p(1) é verdadeira. Usando o princípio da indução nita. o que deixaremos de lado. (progressão aritmética). . podemos 1 n+1 denir indutivamente a potenciação por m = m e m = mn · m. Logo. (progressão geométrica). Como todo inteiro positivo n pode ser escrito na forma n = (n − 1) + 1. • Se p(n) é verdadeira. então p(n + 1) é verdadeira.18 natural n tal que (primeiro princípio da indução nita) . negativo e zero. 2. n < s(n). pois n + 1 = 1 =⇒ n = 0 e 0 não é positivo. Por exemplo. podemos denir/provar para todo inteiro positivo. Se • X é um subconjunto com 1 ∈ X e n ∈ X =⇒ n + 1 ∈ X então X é exatamente o conjunto das somas de 1.A. A fórmula para soma de P. N tem a boa ordem. 3. podemos denir ou provar a propriedade sobre números naturais de forma especial. todo inteiro positivo n maior que 1 é sucessor do inteiro positivo n − 1. a operação cará denido para todo número natural devido ao princípio da indução nita e podemos provar as suas propriedades através da indução nita. 1 + 2 + 22 + · · · + 2k = 2k+1 − 1 (representação binária). X = N. Demonstração. Esta ordem é uma boa ordem. 1 é o único que não é sucessor.19. Pelo axioma de Peano. prove 1. n + 1 > 0 n + 1 =⇒ m = n pelo cancelamento da adição. Então p(n) é verdadeira para todo número natural. Demonstração. denominado de forma indutiva. basta satisfazer o Teorema 2. Com isso. Para simplicar. para todo n > 0. Como inteiro decompõe em positivo. a adição e a multiplicação são denidas indutivamente por n + 1 = s(n) e m + (n + 1) = (m + n) + 1 m · 1 = m e m · (n + 1) = m · n + m. denotaremos soma coerente com o axioma de Peano. que é o conjunto dos inteiros positivos. Da forma análoga. Exercício 2. veremos que tem mesma adição. s(n) = n + 1em P dos números inteiros positivos. e temos que Como P é fechado pela adição e 1 > 0. AXIOMA DOS NÚMEROS INTEIROS 8 O axioma de Peano determina uma ordem natural no conjunto por indução nita. A fórmula para soma de P. O elemento m+1 = 1 não é sucessor do inteiro positivo. n > 0 n! (usar a denição indutiva da potência comentada anterior- 4. Seja X = {n ∈ N : p(n) é verdadeira} então 1∈X e n ∈ X =⇒ n + 1 ∈ X pela hipótese (suposição). se tomar axioma de Peano. Denir indutivamente o 5.

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