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Revista Go Outside Edicao 76 Setembro 2011 Materia Sobre Longa Metragem Documentario Expedicao Caiaque

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Published by: Cardes Pimentel on Jun 13, 2012
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história

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Sal com cinema

TRADIÇÃO: Menina de 13 anos da etnia apinajé pinta o corpo no dia de seu casamento

MARIANA MESQUITA

66 GOOUTSIDE.COM.BR

FOTOS GUSTAVO BAXTER

Equipe de filmagem decide refazer a antiga rota do sal, de Goiás ao Pará, para contar em um documentário as aventuras vividas pelos quilombolas kalunga séculos atrás

A PARTIR DOS ANOS 1700, um trajeto de 5 mil quilômetros pelo então isoladíssimo interior do Brasil começou a ganhar fama entre os habitantes do sertão goiano. Negros quilombolas percorriam, em embarcações a remo, o rio Tocantins e seus afluentes em uma jornada de cerca de um ano, da Chapada dos Veadeiros (GO) até Belém do Pará. Enfrentavam perigos e doenças devastadoras em busca de um artigo essencial naquela época: o sal. Item raríssimo por aquelas bandas, o sal ajudava a conservar os alimentos e, por isso, valia todo e qualquer sacrifício. Parte das histórias envolvendo a chamada rota do sal ficou guardada com os descendentes do povo kalunga, o maior remanescente quilombola do Brasil, que hoje habita a região norte de Goiás. Fascinado pela saga desses primeiros aventureiros brasileiros, um grupo de produtores de cinema e vídeo decidiram refazer parte da rota para realizar o documentário A Rota do Sal Kalunga. O filme mostrará os melhores momentos de uma expedição que está percorrendo cerca de 2.400 quilômetros do histórico caminho, atravessando quatro estados brasileiros (Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará). As filmagens começaram em 16 de maio e têm previsão de terminar em 17 de setembro. O projeto revelou-se uma verdadeira odisseia pelos rincões do país, em que 11 pessoas, entre diretores, fotógrafos, assistentes e pessoal de segurança e apoio desdobraram-se para remar, filmar e entrevistar personagens marcantes ao longo do trajeto.

a maior preparação precisa ser mental. A viagem era feita nas cheias.Após concluído. BRASILZÃO: Fotos feitas pela equipe de (a partir do alto) Vão de Almas. pois ele trazia na memória o que lhe relatou seu bisavô sobre a formação do quilombo. o que deve acontecer em janeiro de 2012. e locais dando um look no computador da produtora GO OUTSIDE 67 Radar_SalB. também kalunga. índias traira dançando. principalmente escalada. também começamos a fazer parte dela. “menos é mais”. microfones. no entanto. O conjunto dos equipamentos é coerente com nosso estilo de filmagem. item importantíssimo para a alimentação do povo e para a criação de animais. Como foi a preparação para a viagem? Tiveram de treinar muito remo antes de partir? CARDES AMÂNCIO Todos os envolvidos na remada sempre tiveram uma ligação com esportes de aventura.. rebatedores. Eles contaram que seus avôs navegavam até Belém do Pará em uma viagem que durava um ano descendo e subindo o Tocantins e percorrendo a remo quase 5 mil quilômetros do território. para saber mais sobre as filmagens. diretores da produtora mineira Avesso Filmes e coordenadores da expedição. E a parte técnica de se filmar em um rio? Muito complicada? Optamos por levar conosco duas câmeras Canon 5D. O rio até hoje liga as pessoas. pediu ao final da entrevista que gravássemos uma reza sua e lhe mandássemos a fita depois para que. mais livre. para vencer a correnteza. Por isso não houve nenhum tipo de treinamento especial. comparável à beleza das câmeras cinematográficas de 35 milímetros.. utilizavam ganchos e forquilhas laçadas nas árvores das margens. no futuro. de muita câmera na mão. que geralmente vai com alguém nos caiaques e garante as imagens subjetivas da aventura. pois o rio possuía perigosas corredeiras e cachoeiras. Para concretizar uma aventura do porte da rota do sal. Já tínhamos vontade de fazer um “river movie” quando ouvimos falar pela primeira vez dos antigos moradores da comunidade kalunga. Quanto às técnicas de caiaque. em Tocantins. aproveitando as melhores condições de navegabilidade. em Goiás. seus filhos e netos pudessem vê-la. monopés. Temos também uma GoPro [câmera à prova d’água que pode ser acoplada à cabeça ou a outros suportes]. Sabíamos que o rio seria nosso “personal trainer” e a determinação. GO OUTSIDE Como surgiu a ideia de A Rota do Sal Kalunga? ANDRÉ PORTUGAL Foi há seis anos. protegido por sacos estanques à prova d’água. Na volta. Toda a viagem era realizada com o objetivo de se conseguir o sal. Numa expedição desse tipo. Ter conhecido seu Epifânio. nosso guia. Ao ouvirmos suas histórias. Todo o set é transportado em um barco a motor. a maior remanescente de quilombo do Brasil. e quebramos a cabeça para equacionar a qualidade de gravação com o espaço para o transporte dos equipamentos. mais tarde. a não ser seguir com nossa rotina de esportes. Quais foram os momentos mais marcantes da viagem? Um dos momentos mais emocionantes foi quando dona Procópia. ajuda a formar o rio Tocantins]. o documentário participará de festivais de cinema pelo Brasil e será exibido em escolas de povoados ribeirinhos do rio Tocantins. versáteis pelo tamanho e com impressionante qualidade de gravação. uma das lideranças dos kalungas. nossa iniciação básica se deu no rio Paranã a poucos dias do início da expedição [o Paranã nasce no Planalto Central e.indd 67 8/29/11 5:53 PM . Batemos um papo com André Portugal Braga e Cardes Amâncio. foi revelador. Tripés. gravadores de som. quando estávamos pesquisando algumas histórias sobre rios e raízes brasileiras. barquinho em Aguiarnópolis.

EM CENA: Equipe documenta o dia a dia dos kalungas Além do rio. Aliado a isso. em Tocantins.COM. Resolvemos fazer uma visita por terra para avaliar os riscos. Essa era praticamente a única forma de locomoção na região até a construção da rodovia Belém-Brasília. contando a ocupação do Centro e Norte do país a partir da memória de seus povos originários. a localização da equipe e os diários de bordo dos integrantes. As dimensões de nossa rota do sal são continentais. 68 GOOUTSIDE.BR Radar_SalB. checar locações e resolver onde iremos dormir. pois ainda hoje ocorrem mortes e naufrágios.com.história NA REMADA: Documentaristas durante travessia de caiaque entre Tocantins e Maranhão ———>>>> Teve algum trecho mais difícil de ser transposto? Um ponto complicado do trajeto foi a cachoeira do Funil. entre eles o clássico orçamento reduzido. Desejamos passar para o espectador a sensação do que é estar em movimento em um “river movie”. ainda temos de produzir o filme.indd 68 8/29/11 5:54 PM . Depois vamos levar esse trabalho para as escolas públicas como material didático.br) com vídeos e algumas das mais de 3 mil fotos tiradas por Gustavo Baxter. mas deu tudo certo e fizemos boas fotos e imagens. comer e nos locomover nas cidades. Foi um dos dias mais tensos da expedição. quais outras dificuldades foram enfrentadas pela equipe até agora? A longa duração da expedição e a permanência da equipe em campo começam a se revelar uma de nossas maiores dificuldades. estão todos os obstáculos de se produzir um filme no Brasil. Nele. É das poucas cachoeiras que não foram submersas por barragens. Quando chegamos das remadas. no município de Lajeado. agendar entrevistas. por si só a aventura já demandaria um bom esforço. na seção “mapa da expedição”. Quais as expectativas de vocês em relação ao documentário? Queremos fazer disso tudo um filme capaz de unir aventura contemporânea à identidade e cultura brasileiras. DESCANSO MERECIDO: A galera da produtora pernoita em Goiás Como é possível saber mais sobre a expedição de vocês? O projeto possui um site oficial (rotadosal. Vários moradores nos aconselharam a evitar o local. Ela é famosa pela dificuldade de ser atravessada por embarcações e pelos acidentes (muitos deles fatais) sofridos por aqueles que antigamente eram obrigados a navegar por ali. é possível também acompanhar.

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