P. 1
1o Simpósio Paranaense de Design Sustentável

1o Simpósio Paranaense de Design Sustentável

|Views: 125|Likes:

More info:

Published by: Anderson Alves de Souza on Jun 13, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/31/2013

pdf

text

original

Anais

1o Simpósio Paranaense de Design Sustentável
Local:
Universidade Federal do Paraná Rua General Carneiro, 480 Edifício Dom Pedro I Auditório Anfi 100 1o andar

Data:
24/04/2009, das 8:30 às 21:00h

Comissão Organizadora:
Conteúdo científico - Prof. Dr. Aguinaldo dos Santos, PhD, UFPR Organização - Prof. Cláudio Pereira de Sampaio, MsC, Universidade Positivo

Site:
www.design.ufpr.br/spds

Contato:
nds@ufpr.br

Organização e edição:
Núcleo de Design e Sustentabilidade da Universidade Federal do Paraná

Projeto gráfico:
Cláudio Pereira de Sampaio

ISSN:
2176-4093 *O CONTEÚDO DOS ARTIGOS É DE INTEIRA E EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

1

.

Pigosso A Educação através do Design como estratégia para um futuro sustentável Antônio Martiniano Fontoura 25 Design de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas com base em sistemas produto-serviço 33 Cláudio Pereira de Sampaio Tecnologia para uma Sustentabilidade: o caso da Madeira Moldada Prof.Sumário Estado da pesquisa em design sustentável no Brasil Aguinaldo dos Santos 5 Educação ambiental nos cursos de Design Alexandre L. A. Marinho Ricardo H. M. Dalton Luiz Razera Dulce de Meira Albach 43 Inovação em Sistemas de Consumo por meio do Design: o Caso do Caixa Ecológico 49 Avanços no Design de Produtos a base de Resíduos de Vidro Reciclado Dulce Maria de Paiva Fernandes 59 Panorama do design para a sustentabilidade Liliane iten Chaves Maria Olinda Lopes 67 77 Validação de uma bula de medicamentos em Braille direcionada ao usuário cego Desafios do design na mudança da cultura de consumo Maristela Mitsuko Ono 87 Diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular: uma estratégia para o design sustentável 93 Priscilla Ramalho Lepre O Paradoxo do Design Sustentável na Moda: Diretrizes para sustentabilidade em produtos de moda e vestuário 99 Suzana Barreto Martins Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 3 . Dr. Godoi 9 A inserção do design sustentável em um modelo de referência para a gestão do desenvolvimento de produtos 17 Américo Guelere Filho Henrique Rozenfeld Daniela C.

.

br design sustentável. Brasil asantos@ufpr. furthermost. resultando em replicação de pesquisas. observa-se pouca sinergia entre os grupos de pesquisa em design sustentável no Brasil. Com base nesta survey o artigo aponta aspectos chave para maior efetividade da pesquisa em design sustentável no país. Paradoxalmente. Sustainable design. gaps of investigation and. research agenda. Based on the results of this survey the article then points to key aspects to increase design research effectiveness on the country. In Brazil. there is reduced synergy among the research groups on the field resulting in the overlap of research activities. lacunas de investigação e menor velocidade na disseminação dos princípios e práticas norteadoras da sustentabilidade. reduction on the dissemination speed of sustainability theory and practice. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 5 . paradoxically.Estado da pesquisa em design sustentável no Brasil State of the research on sustainable design in Brazil Aguinaldo dos Santos Universidade Federal do Paraná. innovation An underlying principle in the field of sustainable design is the development of solutions on a cooperative fashion. Com o propósito de estimular esta maior aproximação dos grupos de pesquisa o presente artigo reporta survey realizada pelo autor em 2008 junto aos programas de pós-graduação em Design no país buscando identificar justamente a agenda temática e a distribuição da pesquisa na área. With the purpose of stimulating higher proximity among these research groups the present paper reports survey carried out by the author in 2008 within Design postgraduate programs in Brazil. agenda de pesquisa. attempting to identify the existing research agenda and the geographic distribution of research on the field. inovação Um princípio subliminar ao design sustentável é a busca pelo desenvolvimento de soluções de forma cooperada.

ao qual fomos atendidos de forma muito gentil e com presteza. Para articular as ações na área foi implementado em 2007 a Rede Brasil de Design Sustentável (RBDS). Esta falta de transparência não só afeta a definição de políticas de fomento efetivamente adequadas à área mas.1. Durante a elaboração do Plano Estratégico para a Pesquisa & Desenvolvimento em Design no Brasil. a relação do número de orientandos em relação aos prazos de conclusão das dissertações/teses. permitindo a identificação de lacunas e áreas de potencial sinergia entre grupos de pesquisa. 2. como o apoio do CNPq em 2005 (disponível no site AENDBR) ficou claro a pouca transparência sobre o estado da pesquisa no Brasil. exigindo do design novas competências e novo escopo de atuação. A classificação dos temas utilizou a Tabela de Áreas do Conhecimento do CNPq.br. A planilha geral com todos os dados está a disposição na página de discussão da Rede Brasil de Design Sustentável (groups. ou seja. Uma das conclusões resultantes dessa conferência foi a clara necessidade de dedicar maiores esforços para desenvolver estratégias que realmente promovam mudanças de estilo de vida em nossa sociedade. o que é um contraste significativo com a visão convencional do propósito da atividade de Design. já reconhece esta nova realidade e propõe que o conceito de design seja definido como “. Portanto.uma atividade criativa que significa estabelecer qualidades multifacetadas a objetos. sendo que três instituições apenas (UFRGS. muito importante. A formação destes novos designers para a sustentabilidade e a inclusão de novas competências nos profissionais já atuantes no mercado implica na revisão da visão ortodoxa quanto ao escopo de atuação do designer.google. O design de sistemas sustentáveis não necessariamente resulta em bens físicos. Para a avaliação dos temas em cada pesquisa foi dado o valor 2 para a especialidade da Tabela de Áreas do Conhecimento mais próxima ao tema e valor 1 6 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . serviços e seus sistemas em todo o ciclo de vida”.com/group/rede-brasil-de-design-sustentavel) ou através de solicitação direta ao e-mail asantos@ufpr. a qual tem como missão a promoção da sinergia e foco estratégico dos grupos de pesquisa em design sustentável no país. A análise de cluster de pesquisa realizada aqui se restringiu ao Design Sustentável (linha de pesquisa do autor). “Design Sustentável” foi um dos três temas mais publicados entre os mais de 650 papers publicados nos anais do evento. tem-se que há uma distribuição deste montante de forma bastante desequilibrada. com o objetivo de alcançar esta transparência e com a meta subliminar de aproximar pós-graduandos de pós-graduandos foi realizada uma consulta a todos os coordenadores de pós-graduação no Brasil. Não era pertinente aos propósitos desta survey a avaliação da eficiência do processo de orientação nestas instituições. levando-se em consideração a existência de dez programas de pós-graduação.. A pesquisa em design pode contribuir para a aceleração do desenvolvimento de competências em sustentabilidade nas gerações presentes e futuras de Designers. processos. o presente artigo reporta survey realizada pelo autor para apoiar as ações da RBDS. ou seja. Para aqueles que os dados não nos foram fornecidos diretamente utilizamos o Lattes como fonte de consulta ou a própria página do respectivo programa. Esta survey procura traçar um panorama temático da pesquisa em Design no Brasil a partir da análise das dissertações e teses em andamento nos Programas de Pós-Graduação em Design. Introdução A demanda da sociedade por soluções mais sustentáveis para produtos e serviços demanda alterações radicais nos sistemas de consumo e produção. Neste contexto. entidade maior da área. levando em conta o crescimento constante do número de doutores e pesquisadores atuantes na área. No 7º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design organizado em Curitiba pelo Núcleo de Design & Sustentabilidade da UFPR em 2006. Demografia da Pesquisa em Design Sustentável em Programas de Pós-Graduação Ao todo foi identificado nesta survey um total de 318 pós-graduandos em design em todo o país realizando suas dissertações/teses em 2008. ANHEMBI e PUC) hospedam mais da metade dos pós-graduandos na área.. O Internacional Council of Society of Industrial Design ICSID. afeta a própria efetividade da pesquisa na medida que esta passa a não perceber as lacunas de pesquisa nas fronteiras de inovação. Desta forma. O propósito é fundamentalmente aumentar a transparência. na revisão epistemológica do que vem a ser Design.

Somente a PUC e UFPR respondem por Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 7 . por conseqüência. seja como filosofia básica a ser utilizada nas linhas de pesquisa de forma horizontal. “Design e Gestão”. De fato. 3. Pesquisa em design no Brazil é. Distribuição da Pesquisa em Design no Brasil Os dados da Survey mostram que “Design Gráfico”. “Design. No caso das pesquisas em Design Sustentável a survey realizada permite concluir quanto a urgente necessidade de ampliar o estímulo aos outros programas de pós-graduação para inclusão do tema design sustentável seja como linha de pesquisa. portanto. Ergonomia e Usabilidade” e “Design e Cultura” são os temas mais freqüentes na pesquisa realizada no ambiente da pós-graduação na área do Design. Temas de Pesquisas de Pós-Graduandos em Design em 2008 Foram identificados nesta survey um total de 51 dissertações/teses em desenvolvimento no país em 2008 com pertinência diretamente ligada à questão da sustentabilidade (16 % do total). Importante notar que temas emergentes na sociedade como o “Design & Jogos” e “Design & Sustentabilidade” ainda recebem relativamente pouca atenção da comunidade. demandando ações estratégicas de caráter nacional para a indução da implantação de novos grupos e. Figura 2. em um período de apenas quinze anos o país saiu da ausência de programas de pós-graduação na área para dez programas de pós-graduação em Design em 2008. Demografia dos Grupos de Pesquisa no Brasil O desenvolvimento e disseminação do conhecimento em design sustentável no âmbito da pesquisa no Brasil têm como desafio central o aumento quantitativo e ampliação da abrangência geográfica dos grupos de pesquisa. quase 70% dos pós-graduandos nesta temática. Figura 3. a formação de recursos humanos locais de alto nível.para o tema também conectado ao tema mas com menor relevância. Paraná e Santa Catarina. São Paulo. Obviamente. Aqui novamente verifica-se uma excessiva concentração das pesquisas na área. o volume pequeno de pesquisas na área reflete o estado da pesquisa na área de Design no país. Em 2008 a maioria dos grupos de pesquisa nesta temática concentrava-se nos estados do Rio de Janeiro. “Design da Informação”. Distribuição da Pesquisa em Design Sustentável no Brasil Figura 1. uma atividade recente e ainda pouco estruturada e consolidada. Áreas de grande importância ambiental ou com severos problemas sociais no país não tem a presença de grupos de pesquisa nesta temática. “Design de Interfaces Digitais”.

fica claro que este volume de especialistas formados via mestrados e doutorados está muito abaixo do requerido para a formação dos futuros designers na questão da sustentabilidade. A aceleração do desenvolvimento e disseminação do conhecimento em design sustentável torna-se ainda mais urgente quando levado em consideração a crescente demanda de empresas. governo e organizações do terceiro setor por profissionais com competência em design sustentável. Distribuição dos Grupos de Pesquisa em Design Sustentável no Brasil A mudança dos padrões de consumo e produção no Brasil passa necessariamente pela aceleração na formação de designers com competência em design sustentável. Levando-se em consideração que o país tem cerca e 150 escolas de design. pesquisa realizada pelo autor na base de dados da CAPES utilizando as palavras chave design sustentável.Figura 4. 8 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Apesar disto. eco-design e design social revelaram apenas seis teses de doutorado e 34 dissertações de mestrado desenvolvidas nestes temas no período de 2000 até maio de 2008.

environmental education. educação ambiental. The assimilation of environmental concepts of the course was accessed by qualitative and quantitative questionnaire applied to the participants. poucos alunos apresentaram projetos de conclusão de curso com propostas de desenvolvimento de produtos com a preocupação sólida de integrar a sustentabilidade no processo metodológico. Apesar da prática realizada. The main objective of this work was to provide a useful overview for any teacher and/or curriculum developer wishing to integrate sustainability into design programs.br Ricardo H. O objetivo deste trabalho é o de fornecer uma visão global para qualquer professor e / ou coordenador que pretenda integrar a sustentabilidade no desenvolvimento dos cursos de Design baseado em levantamentos e experiências de campo. porém se mostraram bastante receptivo para a inserção de discussões sobre as relações ambientais e o design. A fim de estimular a preocupação ambiental dos acadêmicos do curso de Design da Universidade Positivo. The results were pointing out that this isolate action does not incorporate the environmental responsibility to the students but they want to discuss about environmental education and design. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 9 . Brasil alemarinho@up. especially in product development. sustainability This work was designed to contribute to the knowledge and experience on how integration of sustainability issues in regular design course can be accomplished.edu.com design. foi oferecido aos alunos um curso resumido de dez horas de Química Ambiental. design. A assimilação e a posterior utilização dos conceitos básicos absorvidos no curso pelos estudantes foi avaliada de forma qualitativa e quantitativa. Marinho Universidade Positivo. por meio de questionário aplicado aos alunos concluintes (2007).Educação ambiental nos cursos de Design Environmental education in Design courses Alexandre L. sustentabilidade Este trabalho contribui para a integração da sustentabilidade na idealização de um curso de graduação em Design. an environmental chemistry short course of ten hours was offered to some students. Godoi Universidade Federal do Paraná. M. As an overview of Brazilian design courses. it was recognized the lack of environmental subjects in the majority of the design undergraduate courses program. In order to encourage the environmental concern of the Positivo University students of Design department. Brasil Rhmgodoi@hotmail.

seus projetos político-pedagógicos (PPP) e principalmente com a atualização das grades curriculares dos cursos (BORDENAVE.1 Introdução Os valores legitimados no mundo ocidental. ideologias. A necessidade se mostra evidente quando se reconhece que o primeiro objetivo para a educação ambiental (EA) é a conscientização de que o modelo atual de desenvolvimento econômico com a exploração dos recursos naturais está fadado à exaustão de todo o sistema. Diante deste cenário crítico. Para isso é necessário identificar os seus problemas e de fato influenciar na transformação da sociedade através da modernização dos seus métodos de ensino. sobretudo as relações entre o homem e a natureza. Atualmente a força de um mercado de trabalho globalizado influencia e até determina conteúdos curriculares. o que parece determinar a exaustão de todo o sistema com o modelo atual de desenvolvimento econômico de exploração dos recursos naturais. Para isso serão abordadas relações entre a educação ambiental e os cursos de graduação em Design com ênfase em projetos de produto. cultura e política). evidenciando a ´maximização de benefícios em curto prazo’ (LEFF 2001:146). o ensino superior brasileiro foi elitista e sob influência da aristocracia colonial. 10 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Neste contexto. capaz. as influências sofridas nos governos e na sociedade também provocaram mudanças significativas nas linhas de trabalho das instituições educacionais. para a busca de novos entendimentos e comportamentos. já determinaram os conteúdos e os métodos de ensino. a educação é reconhecida como a mola propulsora da transformação social e política. pode potencializar mudanças conceituais no desenvolvimento de projetos de produtos e serviços minimizando a exploração dos recursos naturais. A conscientização quanto à urgência de alterar o rumo deste processo e a necessidade para regular condutas sociais que evitem efeitos negativos sobre o meio ambiente reforçam a necessidade imediata da inserção da discussão e da participação ativa do ensino superior na educação ambiental. O momento atual é sem dúvida um período de transição entre a emergência da saturação ambiental e a necessária mudança na sociedade (economia. cujos valores busquem a melhoria da sociedade e não apenas o atendimento de uma demanda do mercado. bem como a economia e os meios científicos e tecnológicos. fortalecer e promover esta mudança. no qual caberá às instituições de ensino contri- buir na capacitação do indivíduo. há a hipótese de que a revisão da formação acadêmica do designer no Brasil. externalizaram os processos naturais e culturais. permitindo-o recriar. utilitário e de mero adestramento da força de trabalho´ (TEDESCO 2005:27). Este estudo se propôe a contribuir para a integração da sustentabilidade na concepção de um curso de graduação em design. teorias. cabe à universidade propor discussões para a conscientização e a busca de soluções para as novas e necessárias mudanças. por exemplo. Reflexão crítica para compreender uma sociedade. 2 Universidade e a Educação Ambiental Na sua origem. Segundo Freire (2001). Na sequência será apresentada uma ação realizada para incentivar a preocupação ambiental dos estudantes de design da Universidade Positivo e de que maneira esta atividade pôde ajudar a diagnosticar os interesses dos alunos na relação entre o design e o meio ambiente. É difícil conjeturar uma sociedade moderna sem implicar em mudanças comportamentais. Em outros tempos. exigindo uma nova reflexão sobre a eterna fase de transição entre o real e o ideal. por meio da reformulação da grade curricular. Forças dominantes como a igreja e os militares. PEREIRA : 2002). . O momento atual exige posicionar os Projetos Políticos Pedagógicos ( PPP) dos cursos de design para que as instituições de ensino sejam responsáveis por iniciativas e sugestões de projetos que proporcionem aos seus alunos a capacidade de tomadas de decisão. colaborando com outra discussão sobre o quanto a educação superior deve responder a este tipo de necessidade e quanto este tipo de influência pode ´imprimir à empresa educativa um sentido empresarial. de modo que venha a integrar-se no seu meio.

o da educação sociocultural. a EA tem um sentido fundamentalmente político. a educação ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a independência entre diversos elementos que conformam o ambiente com vistas a utilizar racionalmente os recursos do meio na satisfação material e espiritual da sociedade no presente e no futuro. os projetos de mudanças no ensino superior podem ser apoiados em dois pilares complementares que são: A educação tecnológica que busca soluções na produção de bens e serviços que diminuam o alto custo para os recursos naturais. Para a Comissão Interministerial. é uma ferramenta que pode reorganizar os sistemas de produção e de consumo através. sobretudo a partir da perspectiva histórica. processos ou serviços que causem o mínimo de impacto adverso ao meio ambiente. que novamente iniciará o processo em função de um novo desejo ou necessidade. Portanto. Não apenas como um treinamento ou uma instrução para a proteção ao meio ambiente. conflitos e os problemas existentes que afetam a vida cotidiana. onde a estratégia das empresas deixou de ser estabelecida pela capacidade produtiva e passou a ser orientada pelas expectativas do mercado. Sobre este. Além de requerer cada vez mais quantidade de recursos naturais. reunida em 1972. política.. mesmo reconhecendo a falta de estruturação suficiente para permear os paradigmas científicos e as estruturas acadêmicas. econômicos. Dias (1998. que se fortaleceu após a II Guerra Mundial. sendo o elo entre a identificação de uma “necessidade”. onde as atividades de transmissão de conhecimento se baseiam na conscientização para a conservação da natureza. Muito mais no desejo do que na necessidade do consumidor.] não essenciais. sempre anunciando uma revolução permanente para disfarçar a saturação crescente´. 3 Design e a Educação Ambiental O modelo industrial atual. no Rio de Janeiro. devendo considerar as condições e estágios de cada país. o fabricante e o consumidor. A idéia central deste modelo é a produção de um maior número de produtos em menor tempo e custos possíveis. apud GIL 2005:578) aponta que a educação ambiental: “Caracteriza-se por incorporar as dimensões socioeconômicas.Este modelo tornou o marketing uma das ferramentas chaves. de uma geração de produtos. é preciso que a EA seja efetivada em todos os níveis de ensino. na rentabilidade imediata de exploração dos recursos materiais da terra (KAZAZIAN 2005).De forma simplista. (KAZAZIAN 2005:40 e 67). tem no consumismo desenfreado a delineação do mercado. contribuindo para o aumento da degradação ambiental. encaminha ao consumidor. a qual aponta para a necessi- dade da educação ambiental como uma perspectiva de educação que permeie todas as disciplinas. por exemplo. em produtos e encaminhar as especificações à produção. Sobre isto. política. E a educação sociocultural que promove o esclarecimento e o exercício de valores capazes de provocar o aluno a percepção do seu ambiente. capacitando-o a interpretar as relações. Contudo. para preparar a conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 11 . a educação ambiental deve. região e comunidade sob uma perspectiva histórica. Manzini (2002) atenta para uma difícil convergência entre a racionalidade econômica e a racionalidade ecológica.. Assim sendo. o design. que por fim. as quais têm sua importância. a EA apoia-se com conhecimentos teóricos e práticos orientada para a rearticulação das relações econômicas e culturais entre a sociedade e a natureza (LEFF 2001).” Segundo Luzzi (2005). culturais e sociais. identificados pelos setores de marketing. necessariamente. abordar aspectos políticos. não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal. que acelera ´a renovação incessante da oferta de objetos e opções inúteis [. cultural e histórica. geográfica e cultural dos países do 3° mundo. atualmente o design tem no seu papel o objetivo de transformar números. já que visa à transformação da sociedade em busca de um presente e de um futuro melhor. e de forma implícita. o modelo provoca um aumento de emissões e dos resíduos.

Diante deste cenário a escola de design pode ser um espaço valioso para a EA. as propostas não serão baseadas no desejo e na necessidade do consumidor. que aponta a necessidade de uma ´ligação entre eficiência dos recursos (que leva a produtvidade e lucratividade) e responsabilidade ambiental´(JÚNIOR. obedecendo ao modelo industrial atual. Para propor o desenvolvimento sustentável no design é importante entender que o desenvolvimento deve ser do design para a sustentabilidade. reforça o seu escopo de reorganizar os sistemas de produção e de consumo. que é a sustentabilidade. proporcionando uma nova cadeia de prioridades.A preocupação com o desenvolvimento de produtos com desempenho efetivo também na relação com o meio ambiente é conhecida pelas concepções projetuais. é possível integrar as relações sociais. O curso de extensão. então. inserindo a metodologia projetual dentro do conceito da sustentabilidade. DEMAJOROVIC 2006:288). considerada sinônimo do conceito Ecodesign. O curso teve como objetivo principal estimular a consciência ambiental resgatando conceitos por 12 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . que além da satisfação às necessidades dos consumidores com produtos e serviços ambientalmente adequados. que tem a sustentabilidade como contexto. de 10 horas. mas deverão reconhecer quais são as expectativas do consumidor para repensar quais as possibilidades de oferta. 4 Proposta de aplicação Baseado na pesquisa realizada na Delft University of Technology (TU Delft). o curso também proporcionaria a discussão de temas ligados ao meio ambiente e suas relações com o desenvolvimento de produtos fora do local tradicional de sala de aula. onde o resultado serão bens de consumo para o mercado. proporcionando aos alunos reflexões sobre a importância do design e sua influência nas demandas sociais e na sua relação com o meio ambiente. No outro extremo. denominada DfE (Design for environment). de maneira a atender as contínuas mudanças de mercado e a necessidade da conscientização ambiental. Holanda e seus resultados relacionados à melhora no aproveitamento dos assuntos que interagem o tema sustentabilidade e o desenvolvimento de projetos. culturais tanto dos consumidores como da região onde será produzido o determinado produto. Dentro do escopo da EA surge. O primeiro. Fletcher e Dewberry (2002) esclarecem sobre dois extremos para o uso da sustentabilidade nos currículos. com o respeito aos recursos naturais. promover a capacidade do sistema produtivo de responder à procura social de bem-estar utilizando uma quantidade de recursos ambientais drasticamente inferiores aos níveis atualmente praticados. o desenvolvimento de produtos busca priorizar as expectativas e saídas para toda a sociedade. a necessidade de desenvolver produtos e serviços orientados ao atendimento da sociedade. adotadas a partir da década de 1990. Júnior e Demajorovic (2006:289) acrescentam. O design como uma ferramenta dentro do contexto maior. além de priorizar constantes avaliações dos possíveis impactos ambientais. Assim. e a credibilidade do desenvolvimento econômico. foi ofertado para os alunos do 2° semestre do 3° ano da graduação em design da Universidade Positivo (UP). São atualmente praticados nas poucas instituições de ensino que se preocupam com o assunto. que significa ainda segundo Manzini (2002). promovendo uma ação concreta que permitiria maiores discussões para a integração da sustentabilidade no design. ainda. este estudo propôs a inclusão de um curso de extensão em química ambiental. além da hipótese deste estudo que há a necessidade de repensar a estrutura curricular dos cursos de design. A possibilidade de a sustentabilidade ser o contexto para o desenvolvimento de um produto provoca mudança no modelo industrial atual. onde o design é o contexto. os temas relacionados a um projeto sustentável são partes de uma metodologia de desenvolvimento de produto. motivando a existência de novos processos ecologicamente mais favoráveis em relação aos existentes. denominado Planeta no Século XXI (PS21). A preocupação é fazer com que os alunos desenvolvam o produto e por fim lembre-se da possibilidade de inserir pequenas interferências “verdes”. Além de provocar um presumível interesse do acadêmico. contribuindo assim para o entendimento do conceito de desenvolvimento sustentável. confrontando-os com as condições econômicas e sociais entendidas para aquele produto e seu ciclo de vida. Para esta proposta.

ao final do preenchimento. sejam eles em duplas ou individualmente. buscou-se um novo momento de coleta de dados com a turma base. possíveis influências do curso. Energia. Preservação do meio ambiente.meio da abordagem de relevantes indicadores que são considerados em documentos sobre desenvolvimento sustentável. por meio de uma pesquisa quantitativa e qualitativa a fim de possibilitar confrontos entre as respostas evidenciadas nos projetos de pesquisa apresentados e o início da pesquisa para desenvolvimento dos produtos. Qualidade de vida. com duração de 2. sob influências específicas do curso PS21. ou a falta deles. para análise. Apresentada esta formatação a todos os 49 alunos da turma. Um dos alunos não fazia parte da turma base (aluno transferido de outra instituição) e. em semanas subseqüentes. Para evitar qualquer tipo de influência do autor da pesquisa. se organizou. de forma espontânea. 5 Resultados e Discussões Dos 26 projetos apresentados pelos alunos. Entre as duplas seis projetos foram propostos por alunos que fizeram o curso PS21. apresentado e recolhido. Dentre os oito projetos onde os autores participaram do curso PS21. Nos individuais. 24 eram formados por duplas e dois individuais. ambos realizaram o curso.0.5 horas/ aula. Para reconhecer e quantificar as influências do curso proposto PS21 foram recolhidos todos os 26 projetos de pesquisa apresentados como propostas para o desenvolvimento do TFG. no contra turno (tarde) dos alunos. preocupações e implementações de aspectos ambientais contidos nos temas. nove foram formados por alunos onde um fez o curso e nove foram formados por alunos que não fizeram o curso. Coleta seletiva. mediu-se a efetividade desta ação. Ciclo de vida do produto. ou seja. Os assuntos ministrados foram: solo. Ecodesign. Cada um deles apresentados como aula expositiva. na UP. apenas três apresentaram algum tipo de influência. Ecologia. que dividiram as relações do homem e o meio ambiente em quatro temas. realizou-se uma pesquisa quantitativa para analisar os indícios de relações entre o design e o meio ambiente apresentados. Descartável. nos objetivos gerais e nos objetivos específicos. e cinco não apontaram qualquer tipo de indício de influência. denominados como “turma base”. E metodologia específica para o desenvolvimento de produto-serviço como o PSS (product-service system). As respostas foram compiladas utilizando-se a ferramenta computacional Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 13. a turma base. Para tanto foram consideradas palavras e expressões como: Re-uso. Água. portanto foi desconsiderado da pesquisa. para redação e apresentação dos projetos de pesquisa para o desenvolvimento de projetos de produtos como TFG durante o ano letivo. A coleta de dados foi realizada utilizando como ferramenta um questionário que exigia respostas dissertativas e de múltipla escolha. com as demais disciplinas responsáveis pelo assunto. em duplas ou individualmente. No ano letivo de 2007. O resultado de não influência é menor do que os números de Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 13 . apontada em dois temas e em um objetivo específico. nas apresentações das propostas de projetos de pesquisa do trabalho final de graduação (TFG) que seriam realizados durante próximo ano letivo. 23 tinham disponibilidade de tempo no contra turno e manifestaram interesse na participação do curso que foi realizado entre os dias 24 de outubro e 14 de novembro de 2006. por outro professor que não participou do curso intensivo. água e ar. Resíduos. A partir do proposto. resíduos e poluição. Para a realização do curso. Com a entrega dos projetos de pesquisa. no 4° ano. tratamento de dados estatísticos e cruzamentos de variáveis para a confirmação dos dados obtidos. Uso de novas tecnologias. Os projetos onde apenas um dos autores participou do curso PS21 apresentaram um resultado diferente do grupo de projetos onde ambos os autores participaram. houve a participação de quatro professores do programa de Mestrado Profissional em Gestão Ambiental da UP. Buscou-se palavras que identificassem indícios. Sustentabilidade. o questionário foi entregue. No início do ano letivo de 2007 com o início do desenvolvimento de projetos de produtos como trabalho final de graduação. totalizando os 49 alunos participantes. Preocupação ambiental.

além de possíveis interferências ocorridas. a dificuldade do aluno que fez o curso PS21 em influenciar aquele que não fez.3%. com o respectivo vocabulário.3% entendem que estes devem ser abordados em diversas disciplinas do curso. deve ser praticada na universidade. não devem ser tratados de forma isolada sem um projeto que contemple objetivos como a inserção de um novo valor. Enquanto quatro projetos não demonstraram nenhum indício que pudesse relacioná-lo com o PS21. Porém. acredita-se que este fato comprovou que os temas voltados para a educação ambiental. Nos projetos cujos autores não participaram do curso PS21. 33. Assuntos relacionados ao meio ambiente foram retratados em cinco ocasiões sendo três temas e dois objetivos específicos. Estas respostas contribuem para a possibilidade da inserção de temas que relacionem a preocupação com o desenvolvimento de produtos e sua implicação no meio ambiente. Os projetos onde os dois alunos realizaram o curso não refletiram estímulos propostos pelo curso capazes de influenciar nos temas ou nos objetivos dos respectivos projetos finais. os resultados obtidos da entrevista com os alunos também possibilitaria perceber o interesse dos alunos com os temas voltados às relações com o meio ambiente. o curso PS21 com 6. ou ainda a somatória da disciplina de Gestão Ambiental com as demais disciplinas do curso e o PS21. mesmo acontecendo em propostas de disciplinas curriculares ou em formatos de extensão como o PS21. ainda. optou-se por entrevistar os alunos da “turma base”.indicadores obtidos nos tema ou nos objetivos específicos. enquanto outros 33. cinco projetos apresentam assuntos ligados ao meio ambiente.7%. por exemplo.7% dos entrevistados entendem que cursos como o PS21 deve ser uma opção para a implementação de temas ambientais no curso de design. possibilitando tratar o tema como um valor. Foram entrevistados 45 dos 49 alunos da turma. 14 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . dificultando a percepção da necessidade dos assuntos e conseqüentemente serem contemplados dentro da pesquisa para o desenvolvimento de produtos. uma vez que o interesse da pesquisa era conhecer as possíveis diferenças entre os projetos de pesquisa apresentados e o início da pesquisa para desenvolvimento dos produtos. Dos alunos. ou entre a disciplina de Gestão Ambiental somada a outras “fora” da grade curricular como. Além destas possibilidades. com 13. Quando questionados sobre a relevância dos temas ambientais permearem o curso de design. apontando a interdisciplinaridade. 17. que era estimular a consciência ambiental através de abordagem de temas complementares e distintos daqueles supostamente referenciados no curso de design. como a sustentabilidade deveria ser tratada. sendo um no tema e quatro nos objetivos dos projetos de pesquisa.8%. o resultado foi similar ao grupo de projetos onde apenas um dos autores participou. os resultados quando um dos alunos participou do curso deve considerar. Nenhum aluno se opôs quanto à responsabilidade do curso em promover discussões abordando temas ambientais.8% dos alunos conferem à disciplina de Gestão Ambiental o entendimento e a aplicabilidade desta inclusão. A proposta de ação para medir uma possível influência sobre os alunos permitiu perceber que há o interesse do aluno com temas ligados ao meio ambiente. com outros 17. de forma transversal. Apenas 6. seja pela falta de argumentação capaz de convencimento ou pela dificuldade de promover um processo de mudança que exigiria a formulação e apresentação de um novo projeto de pesquisa. Este pode ter ocorrido por dificuldades na relação ensino-aprendizado causadas pela diferença entre a formação acadêmica dos professores. seja ela entre a disciplina de Gestão Ambiental e outras do curso de design. mesmo com os resultados de influência do PS21 sendo considerados abaixo da expectativa. Além do objetivo primeiro do curso PS21.3% entendem que há relevância dos temas ambientais permearem o curso de design e estes devem ser abordados em diversas disciplinas do curso. e a expectativa do aluno em relação aos temas propostos. Entrevista com os alunos Para a validação e análise dos resultados. Outro fator que pode ter influenciado no resultado é a não relação dos temas abordados com o papel do designer neste processo.

apenas como uma das etapas projetuais e não como tema principal ou um objetivo a atingir de fato.3% apontaram o curso PS21 como principal influência para a inclusão de temas ambientais no TFG. onde apenas três projetos sofreram algum tipo de influência e cinco não apresentaram quaisquer indícios. esta associado com o não entendimento exato do significado de preocupações ambientais e como este deve ser abordado. Quando perguntado sobre quais os possíveis temas que seriam abordados ao longo do TFG. Este número reforça os resultados apresentados.A pesquisa apontou que o curso PS21 despertou algum interesse do aluno para discussões sobre a possibilidade dos temas ambientais permearem diversas disciplinas no curso da graduação. com foco nos cursos de graduação Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 15 . porém foi possível perceber que os números sugerem um cenário bastante interessante . 68. também. desconhecer como inserir este assunto no próprio trabalho. não se deu.3% responderam estar interessados e reconhecem a importância e suas relações com outros assuntos estudados no curso de design. sendo que 71% apontaram que o curso de design tem oportunizado este tipo de discussão. processos de produção e reciclagem do produto. processos de fabricação e reciclagem. justificando que não pretendem abordar discussões desta natureza porque entendem que o trabalho em desenvolvimento não tem nenhuma relação com o meio ambiente. sem mostrar resultados que comprovem quanto o aluno consegue relacionar o design e o meio ambiente.7% ao entendimento da equipe sobre a relevância dos temas ambientais e sua inserção no TFG. Entre eles 33. categoricamente. ainda. Esta limitação quanto aos possíveis temas ambientais que poderiam ser abordados no desenvolvimento de um TFG no curso de design pode estar relacionada principalmente com o fato de os alunos obedecerem a um currículo que tratou os temas ambientais como etapas projetuais dentro do contexto design . Entre eles. o resultado pretendido junto ao trabalho final de graduação. porque 20% dos alunos entrevistados apontaram. Porém. Como também não sabem. ainda. este percentual não se mostrou tão eficiente quando comparado com o número de temas e objetivos propostos nos TFG`s. 6 Considerações finais Este trabalho abordou o ensino superior.6% reforçaram que esta etapa deu-se pelos temas estudados na própria disciplina de Gestão Ambiental do 6° período do curso . 37. 4. pôde-se observar que a educação ambiental e suas relações com a formação acadêmica do designer na UP encontravam-se em um momento inicial. Esta visão estreita foi reforçada quando as respostas de 64. Por meio do levantamento de dados até o momento da pesquisa. Destes. que os alunos perceberam as relações ambientais apenas quando o assunto é matéria prima. Entende-se que mesmo mostrando interesse e reconhecendo a necessidade das relações entre o design e o Meio Ambiente (quando questionado se o aluno irá abordar questões que envolvam o meio ambiente no TFG.9% respondem afirmativamente). Mesmo. Isto demonstra uma intenção do aluno em abordar preocupações ambientais.7% não admitem a dificuldade de como abordar o assunto meio ambiente. 15.8% creditaram ao próprio entendimento e 46. Dentre os entrevistados.4% dos alunos apontaram que há uma etapa para inclusão de premissas ambientais entre outras etapas de caráter projetual dentro da metodologia de desenvolvimento de produtos. Outro indicativo que reforçou a falta de temas e objetivos nos TFG`s relacionados à educação ambiental na UP. 13. Evidencia-se. evidenciando que o curso não objetivava esta interação tanto no seu projeto pedagógico como na formação dos professores. Outros 6. a pesquisa indicou que os alunos reconheceram que há assuntos ligados a este tema nas disciplinas do curso. percebido pela motivação dos alunos e os espaços para a discussão do tema. as respostas têm concentração “apenas” nos itens relacionados a matéria prima.4% disseram que só irão abordar o tema caso o orientador do trabalho ou a instrução normativa do TFG exija.

E. . (org). 2001 KAZAZZIAN. PEREIRA. M. permitiu a percepção que há o interesse do acadêmico em temas ligados ao meio ambiente. Entendendo que é inegável à Universidade a função de melhorar a sociedade através do pensamento estratégico para formar cidadãos capazes de provocar mudanças necessárias. tradução de Astrid de Carvalho. racionalidade. ______ Disponível em: http://www. 2005. 2005. dependem de constantes reorganizações de todos os envolvidos. LUZZI. Jr. 2002. .de design com habilitação em projeto de produto. C. jsp?id=354ec3d6-bbeb-4890-b8e4-8b7fe4b419c8&lang=en . REIGOTA. E.V. Porém. J. Tradução de Moacir Gadotti e Lillian Lopes Martin... K.. a pesquisa e a avaliação. CASTRO. F.. Disponível em: http://www.nl/live/pagina.L. Saber Ambiental: sustentabilidade. J. São Paulo: Cortez. o Brasil necessita estar preparado para responder a esta demanda. 2002. FLETCHER. VEZZOLI C.pdf?program_id=4260. Referências BORDENAVE. A proposta de ação. Educação e mudança. Estratégias de Ensino-Aprendizagem. assumir que todo processo que objetiva a inserção de um novo valor. JÚNIOR A. imprescindíveis para a manutenção das relações entre o homem e o meio ambiente.nl/file/program.tudelft. como a sustentabilidade. acreditando que a revisão das estratégias educacionais pode ser uma das várias ações necessárias para evitar-se o colapso de recursos naturais. há a necessidade de incluir a educação ambiental nos projetos pedagógicos dos cursos de design. os objetivos. Jr. a formação e capacitação de professores. D. Silvana Cobucci Leite. os conteúdos. complexidade. Petrópolis: Vozes. MANZINI E.C. portanto.Petrópolis: Editora Vozes. (org). PELICIONI. limitadas a alguns pontos como a escolha da matéria prima e o seu processo de produção. Educação Ambiental: Pedagogia. 2005.. São Paulo: Brasiliense. A. Reconhece-se também que são necessários outros projetos que contemplem. Último acesso em 02 de julho de 2008. ou seja. Rio de Janeiro: Paz e Terra. LEFF. sejam elas de ordem econômica. 2005. 2006. o que só acontecerá principalmente por meio da formação acadêmica dos profissionais. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.M. é inegável reconhecer que os mercados estão incluindo critérios ambientais nas suas transações comerciais e. além do que foi proposto por este. também.tudelft. Além da preocupação principal que é a formação de valores dentro da educação. além das relações de convênios entre as empresas e as universidades. International Journal of Sustainability in Higher Education. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável. Último acesso em 24 de setembro de 2008. Portanto. mesmo executando algumas ações concretas.studiegids. DEMAJOROVIC.C. 2001. T. todo o processo educativo de formação ambiental. M.D. DEWBERRY.PHILIPPI Jr. Tradução de Lúcia Mathilde Endilich Orth. 16 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Política e Sociedade in PHILIPPI. J. Educação e Novas Tecnologias: Esperança ou Incerteza?. A Case Study in Design for Sustainability. O que é educação ambiental. tradução de Claudia Berliner. Modelos e Ferramentas de Gestão Ambiental: Desafios e Perspectivas para as Organizações. P. Tradução de Eric Roland René Heneault. TEDESCO. é preciso. as relações que ele (aluno) fez com o meio ambiente foram estreitas. poder. 23º ed. e a necessidade da inclusão da educação ambiental. M.F. (org). A. M. São Paulo: Editora Senac São Paulo. D. política ou tecnológica. 2001. FREIRE. para estimular o aluno a pensar em outros indicadores além daqueles que o curso de design já lhe proporciona. M. os métodos e material pedagógico. São Paulo: Editora Senac São Paulo. Educação Ambiental e Sustentabilidade. PELICIONI. PELICIONI. Barueri: Manole. 2002 DELFT UNIVERSITY of TECHNOLOGY.C. Esta inclusão é uma das exigências para a busca de soluções sustentáveis.. A Universidade Formando Especialistas em Educação Ambiental in PHILIPPI. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: Os requisitos ambientais dos produtos industriais. e seus respectivos resultados dentro de cada curso e da própria instituição. Barueri: Manole.F. social. Educação Ambiental e Sustentabilidade.

br Henrique Rozenfeld Daniela C. The main benefits associated with the use of a standard process are related to the structure of DP. which enables the management and increases the chances that the products developed from the standard to obtain success in the market.usp. One way to eliminate this gap and ensure that ecodesign methods and tools integrates the standard DP businesses process. Ecodesign. A. não haverá diminuição dos impactos ambientais causados ao longo do seu ciclo de vida. Within the context of the Product Development Process (PDP). é comum a adoção de um processo padrão de desenvolvimento de produtos (DP) o qual guia todos os projetos de desenvolvimento. Uma maneira de suprimir essa lacuna é garantir que métodos e ferramentas de ecodesign integrem o processo padrão de DP das empresas. 2006 (Modelo Unificado). por sua vez. Essa integração. 2006 (Unified Model). No universo das empresas cujos produtos são bem sucedidos comercialmente. Pigosso Ecodesign. there will be no reduction of environmental impacts caused throughout its life cycle. reference model. functionality. development time. o que viabiliza sua gestão e aumenta as chances de que os produtos desenvolvidos a partir desse padrão obtenham sucesso no mercado. methods and tools will be used in the development of all products. Dentro do contexto do Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP). tempo de desenvolvimento. which is being built from the integration of ecodesign methods and tools into the reference model for product development management proposed by Rozenfeld et al. critérios esses essenciais ao êxito comercial de qualquer produto. establishing thus a common language for all those involved and ensuring that certain practices. ou seja. funcionalidade. processo de desenvolvimento de produtos A menos que os produtos ecológicos (menos prejudiciais aos seres humanos e seu ambiente quando comparados aos produtos tradicionais) obtenham êxito no mercado. segurança. métodos e ferramentas serão utilizados no desenvolvimento de todos os produtos. safety.A inserção do design sustentável em um modelo de referência para a gestão do desenvolvimento de produtos Sustainable design insertion into a reference model for product development management Américo Guelere Filho Universidade de São Paulo Brasil Agf@sc. the ecodesign can be defined as an approach that aims to develop ecological products without compromising criteria such as performance. modelo de referência. ie. um modelo de referencia que tenham entre seus métodos e ferramentas aqueles relacionados ao ecodesign. a type of reference that have also a set of ecodesign methods and tools. in turn. caracterizando uma lacuna na integração do ecodesign ao PDP. O objetivo desse artigo é apresentar os passos empreendidos no desenvolvimento de uma referência dessa natureza. a qual está sendo construída a partir da integração de métodos e ferramentas de ecodesign ao modelo de referencia para a gestão do desenvolvimento de produtos proposto por Rozenfeld et al. showing a gap in the integration of ecodesign into PDP. aesthetics. uma linguagem comum a todos os envolvidos e a garantia de que certas práticas. can be made with the aid of a reference model for the development of green products. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 17 . the traditional criteria essential to commercial success of any product. estabelecendo. pode ser feita com o auxilio de um modelo de referência para o desenvolvimento de produtos ecológicos. it is common to adopt a standard process for product development (DP) which guide all development projects. assim. No entanto. This integration. However. o ecodesign pode ser definido como uma abordagem que visa desenvolver produtos ecológicos sem comprometer critérios como desempenho. o que se observa atualmente é que o uso de métodos e ferramentas de ecodesign não figura ainda entre as melhores práticas de DP. quality and cost. estética. product development process Unless the green products (less harmful to humans and their environment when compared to traditional products) get success in the market. qualidade e custo. Os principais benefícios associados ao uso de um processo padrão estão relacionados à estruturação do DP. what is observed today is that the use of ecodesign methods and tools not even figure among the best practices of DP. In the universe of companies whose products are commercially successful. The aim of this paper is to present the steps undertaken in the development of such a reference.

uma abordagem de gestão ambiental pró-ativa. 2 Contextualização Esse capítulo apresenta a contextualização do processo de desenvolvimento de produtos e a sua relação com o ecodesign. determinados nas fases iniciais de seu desenvolvimento (GRAEDEL. Produtos com melhor desempenho ambiental são também conhecidos como produtos ecológicos ou “verdes” que. custo e estética. em sua grande maioria. O processo de desenvolvimento de produtos é considerado um processo de negócio crítico para aumentar a competitividade das empresas e para reduzir os impactos ambientais associados a produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Esse modelo está sendo construído a partir da integração de práticas de ecodesign ao modelo de referencia para a gestão do desenvolvimento de produtos proposto por Rozenfeld et al. trata da consideração das questões ambientais nas fases iniciais do processo de desenvolvimento de produtos. o que garantiria que a introdução dos aspectos ambientais fosse feita de forma sistemática por meio da aplicação de métodos e ferramentas de ecodesign em todos os projetos de desenvolvimento. Este trabalho está sendo desenvolvido no âmbito do doutorado do autor junto ao Grupo de Engenharia Integrada e de Integração (GI2) do Núcleo de Manufatura Avançada (NUMA) e se insere na linha de pesquisa “Gestão de Projetos e Desenvolvimento de Produtos” do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (SEP/ EESC/USP). Um dos fatores que contribuem para essa situação é a falta de integração das práticas. a relação entre produtos e impactos ambientais é estabelecida pelas crescentes taxas de consumo e produção dos produtos. com o objetivo de minimizar os impactos ambientais dos produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida. o desafio envolvido no desenvolvimento de produtos ecológicos passa pela consideração e minimização dos impactos ambientais do ciclo de vida dos produtos ainda durante as fases iniciais de processo de desenvolvimento. 1995). ALLENBY. são produtos menos prejudiciais aos seres humanos e seu ambiente quando comparados aos produtos tradicionais em uso. e uma vez que tais impactos são. onde estão as maiores oportunidades de melhoria. sociais e econômicas). métodos e ferramentas de ecodesign aos processos de negócio das empresas. outros critérios essenciais do produtos. O ecodesign. Como o desempenho ambiental de um produto é determinado pela soma de todos os impactos ambientais observados ao longo do seu ciclo de vida (NIELSEN. entretanto. sem comprometer. O objetivo desse artigo é apresentar os passos empreendidos no desenvolvimento de um processo padrão (modelo de referência) para o desenvolvimento de produtos ecológicos. principalmente por meio da consideração das questões ambientais. segundo NIMSE et al (2007). o esforço conjunto das áreas da empresa e a sua integração aos diversos processos de negócio (conjunto de atividades destinadas à produção de um produto ou serviço para um tipo específico de cliente (interno ou externo à empresa) se torna necessário. o conceito ainda é pouco aplicado pelas empresas. 2001). WENZEL. 18 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . para bens de consumo duráveis e de capital. O processo de desenvolvimento de produtos e o ecodesign De acordo com a Comissão das Comunidades Européias (2001). mais especificamente. com qualidade. que é potencializado pelo intenso desenvolvimento de novos métodos e ferramentas em detrimento do estudo e aprimoramento dos existentes.1 Introdução Devido ao caráter sistêmico do conceito de sustentabilidade (que está apoiado na consideração integrada das questões ambientais. 2006 (Modelo Unificado). que estão na origem da maior parte da poluição e esgotamento dos recursos naturais causados pela humanidade. Nesse contexto. além de apresentar o modelo de referência unificado para o processo de desenvolvimento de produtos. uma alternativa para aumentar as chances de êxito comercial dos produtos ecológicos é integrar o ecodesign ao processo de desenvolvimento padrão das empresas. Apesar das inúmeras vantagens competitivas e ambientais associadas ao ecodesign.

VEZZOLI. No caso do desenvolvimento de produtos. O desenvolvimento sustentável pode ser integrado numa completa estratégia de gestão do desenvolvimento do produto como uma abordagem complementar. Boons e Bragd (2002). Clark e Fujimoto (1991) definem o processo de desenvolvimento de produtos (PDP) como o processo organizacional responsável pela transformação dedados de mercado e de tecnologia em produtos comerciais. assim. em que os graus de liberdade no estabelecimento das características do produto e o potencial para melhorias ambientais são grandes. O processo de desenvolvimento de produtos é considerado um processo de negócio crítico para aumentar a competitividade das empresas. As maiores oportunidades de melhorias ambientais de um produto estão nas primeiras fases do seu processo de desenvolvimento. É fruto de ação conjunta de grupos de pesquisa brasileiros com destacada atuação na área de DP (desenvolvimento de produto) os quais Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 19 . JESWIET. LUTTROPP. ou modelo unificado. entre as melhores práticas de DP. modelos de referência têm sido utilizados na sua estruturação. uma linguagem comum e a garantindo que certas práticas. afirma que os fatores de sucesso para a integração do ecodesign ao PDP são. uma das principais causas da baixa integração do ecodesign com o PDP é a deficiência daqueles envolvidos com o ecodesign em enxergar o PDP como um processo de negócio somado ao intenso desenvolvimento de novos métodos e ferramentas em detrimento ao aperfeiçoamento dos existentes. Dessa forma. Como conseqüência. viabilizando. uma lacuna na integração do ecodesign ao PDP. SIMON ET AL. 2005. o uso de seus métodos e ferramentas de ecodesign. 1999). 2005). No início dos anos 2000 era grande o otimismo existente em torno das vantagens competitivas associadas ao ecodesign (tanto entre acadêmicos como entre representantes do mundo corporativo). 2. KARLSSON. construindo. NIELSEN. uma empresa define seu processo padrão. WENZEL. O conceito do ecodesign trata justamente do desenvolvimento de produtos ecológicos e pode ser visto como uma abordagem de desenvolvimento de produtos cujo maior objetivo é minimizar os impactos ambientais gerados pelos produtos. ainda. HOCHSCHORNER. LAGERSTEDT. o qual guiará todos os seus projetos de desenvolvimentos de produtos. HAUSCHILD. em sua grande maioria. a gestão de todo o processo.LUTTROPP. JESWIET. no entanto. Segundo Baumann. 2006). Isso conduz a uma visão única desse processo de negócio. 2006). os mesmos fatores de sucesso do PDP como um todo. proposto por Rozenfeld et al. tais como desempenho. empresas que gerenciam bem o seu PDP têm maiores chances de serem bem sucedidas na integração do ecodesign. ROZENFELD. métodos e ferramentas. HAUSCHILD. Na área de processos de negócios (do qual o PDP é um exemplo). outros critérios essenciais ao seu sucesso comercial. estética. 2001. ao fazer uso de um modelo de referência. HOCHSCHORNER. assim. tempo de desenvolvimento. 2002. apresentado à época como o conceito emblemático do paradigma ganha-ganha. 2005. 2006. o que se observa atualmente é que a adoção desse conceito encontra-se restrito a grandes e poucas empresas e que os produtos produzidos e consumidos em larga escala não são ainda ofertados em sua versão ecológicos (BOKS. MANZINI. JOHANSSON. 2006. principalmente porque leva a uma maior diversidade de produtos e a uma contínua redução do ciclo de vida do produto. não figura. sem comprometer. qualidade e custo (BYGGETH. incorporando experiências e conhecimentos acumulados pelos autores em suas atividades acadêmicas (pesquisa e ensino) e empresariais. 2006). nivelando os conhecimentos entre os atores que participam de um desenvolvimento específico. No entanto. caracterizando. serão aplicados em todos os projetos de desenvolvimento (ROZENFELD et al. LUTTROPP. Johansson (2002). 2006. 2006. funcionalidade. segurança. LUTTROPP. uma nova área de conhecimento (GUELERE FILHO. Estimativas apontam que de 60 a 80% do impacto ambiental total de um produto é estabelecido nestas fases (BYGGETH. LAGERSTEDT. 1998. (2006) foi construído com o intuito de disseminar conceitos e melhores práticas de desenvolvimento de produtos nas empresas nacionais. LAGERSTEDT.1 O modelo unificado para o processo de desenvolvimento de produtos (pdp) O modelo de referência para a gestão do desenvolvimento de produtos. 2006.

A função básica dos modelos para gestão do PDP é uniformizar os conceitos para que todos consigam ver de forma semelhante o produto sendo desenvolvido. 2006) Este modelo organiza o PDP em macro-fases. 2006). Um modelo de referência descreve as atividades. que normalmente está direcionado a um determinado mercado/ cliente. subdivididas em fases. flexibilidade. além de incluir a atividade onde ocorre o detalhamento dos projetos escolhidos no portfólio). Forma uma unidade coesa e deve ser focalizado em um tipo de negócio. cooperação e coordenação dentro da empresa tal que seja atingido uma maior produtividade. os recursos disponíveis. Para Vernadat (1996). atividades e tarefas.somaram esforços no âmbito de um Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (PROCAD) financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). uma empresa define um padrão para os projetos de desenvolvimento de seus produtos. Nesta macro-fase estão inclusas as fases de Projeto Informacional. Modelo unificado (ROZENFELD et al. para aprimorar a comunicação. métodos e ferramentas. sendo usualmente representado em visões parciais. avaliando todo o seu ciclo de vida e coletando informações para referência nos próximos desenvolvimentos). Dessa forma. Ao fazer uso de um modelo de referência. assim como o projeto 20 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Figura 1. nivelando os conhecimentos entre os atores que participam de um desenvolvimento específico. o PDP como um processo de negócio pode ser representado por meio de um modelo que oriente a estruturação de seus elementos visando sua gestão. uma visão única desse processo de negócio. que representa todos os seus elementos. os resultados esperados. uma linguagem comum para garantir que certas práticas. as ferramentas de suporte e as informações necessárias ou geradas no processo e consiste de uma coleção das melhores práticas no desenvolvimento de produtos. é um fenômeno que ocorre dentro das empresas e que contém um conjunto de atividades. Desenvolvimento (corresponde ao projeto do produto. serão aplicados em todos os projetos de desenvolvimento (ROZENFELD et al. com fornecedores bem definidos. Projeto Detalhado. obtendo. As macro-fases deste modelo são: Pré-desenvolvimento (garante que as estratégias da empresa sejam seguidas no momento da definição do portfólio de produtos. associadas às informações manipuladas. que segundo Rozenfeld (2002). os responsáveis. Todo processo de negócio pode ser representado por meio de um modelo. Preparação da Produção e Lançamento do Produto) e Pós-desenvolvimento (responde pelo acompanhamento do produto após seu lançamento. iniciado na declaração de escopo e no planejamento vindo da macro-fase anterior e finalizado com o lançamento do produto no mercado. utilizando os recursos e a organização da empresa. A visão do PDP que fundamenta o Modelo Unificado é a de um processo de negócio (Business Process BP). capacidade de reação e um melhor gerenciamento de mudança”. e construindo. um modelo dessa natureza serve para “harmonizar os fluxos de informação. controle e material dentro da organização. assim. As macro-fases de pré e pós-desenvolvimento são gerais. sendo o processo de desenvolvimento do produto padrão sobre o qual o desenvolvimento de projetos está baseado normalmente representado por um modelo de referência. Projeto Conceitual. A Figura 1 mostra o modelo de referência proposto por Rozenfeld et al (2006) e conhecido como Modelo Unificado. até a sua retirada do mercado.

2007). dentre os quais alguns bem conhecidos. Energy. As fases de desenvolvimento conceitual e detalhado consideram as particularidades dos produtos e os seus correspondentes processos de manufatura. . de acordo com critérios estabelecidos.1 Levantamento dos métodos e ferramentas de ecodesign A metodologia da Revisão Bibliográfica Sistemática foi utilizada para o levantamento dos métodos e ferramentas do ecodesign a serem integrados ao modelo de referência para o processo de desenvolvimento de produtos. O processo de condução da pesquisa em uma revisão sistemática segue uma seqüência bem definida de passos metodológicos. os métodos e ferramentas levantados foram cadastrados e classificados. 4. A hipótese defendida é que a obtenção das vantagens competitivas e ambientais do ecodesign pode ser obtida por meio da integração das questões ambientais de forma sistemática do processo de negócio de desenvolvimento de produtos das empresas. tai como a Design for Environment Matrix (DfE Matrix) e a matriz MECO (Materials. .Qualitativos. conceitos ou alternativas de projetos para um mesmo produto). serão aqui apresentados os passos empreendidos na sua construção e o exemplo da integração na fase de Projeto Conceitual do Modelo de Referência Unificado. Este instrumento é construído ao redor de uma questão central. .Qualitativos e quantitativos.Natureza do objetivo principal do método/ferramenta .informacional. 3 Metodologia O método hipotético dedutivo está sendo utilizado como abordagem metodológica para o desenvolvimento da pesquisa. como as 10 Regras de Ouro do Ecodesign e aqueles conhecidos como métodos simplificados de avaliação de ciclo de vida (Simplified LCA methods). Os critérios de classificação foram o objetivo principal do método ou ferramenta e a natureza dos dados demandados para seu uso (dados de entrada) bem como a natureza dos dados gerados pelo seu uso (dados de saída). . Chemicals and Others). que representa a razão da investigação.Comparativos (métodos/ferramentas que visam comparar o desempenho ambiental de diferentes produtos.Prescritivo (métodos/ferramentas que apresentam sugestões genéricas (oriundas de um conjunto pré-estabelecido de melhores práticas de redução de impactos ambientais) para a melhoria do desempenho ambiental de produtos considerando impactos ambientais recorrentes a produtos industriais).Natureza dos dados de entrada e saída: os dados de entrada necessários para um determinado método/ferramenta e aqueles gerados por eles podem ser qualitativos. quantitativos ou ambos. A revisão sistemática é uma metodologia de pesquisa específica.2 Classificação e sistematização dos métodos e ferramentas de ecodesign No segundo passo. . . e é expressa por meio da utilização de conceitos e termos específicos. a preparação da produção e o lançamento do produto dentro da macro-fase de desenvolvimento. para levantamento e avaliação de evidências pertencentes a um determinado foco de pesquisa. que compreende ainda o uso da metodologia de revisão bibliográfica sistemática e a elaboração de estudos de caso para a validação da integração proposta.Analíticos (métodos/ferramentas que visam identificar po- 4 Integração do ecodesign ao modelo unificado Uma vez que o modelo de referência para o desenvolvimento de produtos ecológicos de que trata esse trabalho encontra-se em desenvolvimento.Quantitativos. . 4. desenvolvida formalmente. de acordo com um protocolo desenvolvido previamente (BRERETON et Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 21 . Esse procedimento levantou 105 métodos e ferramentas de ecodesign. al.

ou seja. Isso feito. como questões de fun- 4.3 Integração dos métodos e ferramentas de ecodesign ao modelo de referência A integração propriamente dita se deu no terceiro passo e foi feita relacionando o objetivo e natureza dos dados dos métodos e ferramentas de ecodesign com os objetivos e natureza dos dados (entradas e saídas) das fases previstas no Modelo Unificado. Os princípios de solução totais definem as diferentes partes que compõem o produto. Figura 2: Informações principais e dependências entre as atividades da fase de Projeto Conceitual (ROZENFELD et al. são realizados desdobramentos sucessivos (decomposição) dos sistemas em subsistemas e em componentes por meio de um processo top down (do produto final para os componentes) definido assim a modelagem funcional do produto.tenciais de melhorias no desempenho ambiental de produtos por meio da determinação de seus impactos ambientais). Como as maiores oportunidades para melhoria do desempenho ambiental de um produto estão na fase de geração de conceito (GRAEDEL. especial atenção foi dada ao alinhamento dos resultados das fases do modelo unificado com os dados de saída dos métodos e ferramentas. criação. que deve ser um resumo do que se deve esperar do produto funcionalmente. inicia-se o desenvolvimento de princípios de solução. 1995). ou biológico. No caso do modelo proposto. ALLENBY. A atividade seguinte (Analisar SSC) pode ser vista como sendo um refinamento da definição da arquitetura do produto.. representação e seleção de soluções para o problema de projeto. definem a sua arquitetura. Subsistemas e Componentes (SSC). elabora-se a descrição total ou global desse produto (modelo funcional global). a qual será utilizada nesse artigo para ilustrar como foi feita a integração de ecodesign ao Modelo Unificado. onde as alternativas de soluções são desdobradas em Sistemas.4 Exemplo de integração no Projeto Conceitual Na fase do Projeto Conceitual. A Figura 2 mostra as atividades previstas no Modelo Unificado para a fase do Projeto Conceitual. As combinações dos princípios de soluções individuais formam os princípios de solução totais para o produto. Nesse processo.. 22 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . especial atenção foi dada a essa fase. a integração do ecodesign implicou fundamentalmente na alteração de atividades pré-existentes no Modelo Unificado. Em seguida. onde são identificados e analisados fatores críticos do produto. embora tenham sido propostas também novas atividades am alguns casos. observados em seu ciclo de vida.) desejado é definido e em seguida define-se o portador desse efeito definindo assim o princípio de solução (solução individual). onde inicialmente o efeito físico (ou químico. de tal sorte a garantir que aqueles resultados refletissem de fato a busca pela redução dos impactos ambientais do produto em desenvolvimento. as atividades da equipe de projeto relacionamse com a busca. sendo a matriz morfológica uma importante ferramenta utilizada nessa atividade. 4. 2006) A partir da análise das especificações-meta do produto advindas da fase de Projeto Informacional.

Energy. os quais poderiam estabelecer um processo de trade off entre o que é funcionalmente necessário ao produto com o que é ambientalmente desejado. não permitindo. para garantir que o produto em desenvolvimento seja ecológico. custos. define-se a ergonomia e estética do produto e então o processo de seleção da concepção do produto se inicia.cionamento. Por exemplo. A definição do método ou ferramenta de ecodesign a ser utilizado depende fundamentalmente da quantidade e qualidade das informações referentes ao produto em desenvolvimento. marcando a ultima atividade específica dessa fase. o uso de ferramentas quantitativas (como a Avaliação do Ciclo de Vida ACV). a chance de produtos que causem menos impacto ambiental cheguem ao mercado e sejam de fato consumidos pela população. métodos qualitativos como as 10 Regras de Ouro do Ecodesign. Dessa forma. pode utilizar métodos de ecodesign conhecidos como métodos simplificados de avaliação de ciclo de vida (simplified LCA methods). durante essa fase as informações sobre o produto são ainda escassas. No entanto. uso. desempenho. “Analisar SSCs” e “Selecionar concepções alternativas” devem considerar o uso de métodos e ferramentas de ecodesign. Um modelo genérico para o desenvolvimento de produtos ecológicos pode servir de referência no estabelecimento de modelos específicos em empresas aumentando. Chemicals and Others). Para que os produtos ecológicos se tornem uma opção de consumo. aspectos ambientais devem ser levados em consideração tanto na escolha das alternativas de solução quanto na seleção da concepção do produto. como a Design for Environment Matrix (DfE Matrix) e a matriz conhecida como MECO (Materials. Quanto à escolha dos diferentes princípios de soluções. por exemplo. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 23 . ainda. qualidade. bem como das diferentes concepções para o produto. Assim. 5 Conclusões Modelos de referência têm sido utilizados para gerenciar o PDP aumentando a probabilidade de êxito comercial dos produtos. Na atividade seguinte. para o caso do desenvolvimento de novos produtos. as atividades “Desenvolver as alternativas de soluções”. fabricação. pela criação de novas tarefas e atividades que considerem especificamente as questões ambientais durante o processo de desenvolvimento de produtos. montagem. descarte e outros. por exemplo. A integração dos métodos e ferramentas de ecodesign ao processo de desenvolvimento de produtos pode se dar pela alteração de atividades e tarefas existentes ou. podem ser utilizadas para guiar as atividades da equipe de desenvolvimento de alternativas de solução para o projeto do produto. é preciso que o ecodesign faça parte das melhores práticas de desenvolvimento de produto constando do processo padrão das empresas. dessa forma.

In: Materials And Design 26 629-634.H. Policy And Business Perspectives. Gestão Do Desenvolvimento De Produtos: Uma Referência Para A Melhoria Do Processo. A.. Comissão Das Comunidades Européias. Rozenfeld H. Nimse.. T.. Cirp Spain. Nº 1.C. E. Luttropp C.. 2005. D. Enterprise Modeling And Integration: Principles And Applications. Bhamra. A. Allenby R.. Kumar. Graedel E. 2007. New Jersey. F. Rozenfeld.. Eversheim. C. 2001. Ecodesign: What’s Happening? Journal Of Cleaner Production. Organization And Management In The World Auto Industry. In: The Journal Of Systems And Software.. Fujimoto. D. K. S.. S. Hochschorner. In: Journal Of Cleaner Production 10 409 425. Harvard Business School Press. H. Ecodesign And The Ten Golden Rules: Generic Advice For Merging Environmental Aspects Into Product Development. Integration Of Environmental Aspects In Product Development: A Stepwise Procedure Based On Quantitative Life Cycle Assessment. In: Environmental Management And Health.. . Handling Trade-Offs In Ecodesign Tools For Sustainable Product Development And Procurement. M.. M. 26. Jeswiet. C. Amaral. A. Vijayan. In: Environmental Progress (Vol. Luttropp.. Kitchenham. No. 2002. D. Poole. São Paulo. C. 2001. Bragd. Prentice Hall. In: Journal Of Cleaner Production 1-13. Vernadat. In: Journal Of Cleaner Production 14 1420-1430 Clark. São Paulo. An Architecture For Management Of Explicit Knowledge Applied To Product Development Processes. 413-416. P. Kb. Bruxelas. Nielsen. Forcellini. Khalil. Mcaloone. Mapping The Green Product Development Field: Engineering. 2006. 51(1). A. Toledo. Hauschild. 1291-1298. A. Vol 13.. A. Journal Of Cleaner Production.. A Review Of Green Product Databases. O Desenvolvimento De Produtos Sustentáveis.. B. F. The Soft Side Of Ecodesign. 1996. 14. H. Guelere Filho. In: Journal Of Cleaner Production 10 247-257. M. 2). Success Factor For Integration Of Ecodesign In Product Development: A Review Of State Of The Art. Simon.. A. Manzini. C. Alliprandini. S. M. G. Boks C. Livro Verde Sobre La Política Integrada Relativa Aos Produtos. S. Product Development Performance: Strategy. 1346-1356. Lagerstedt. London: Chapman & Hall.. Budgen. 2002. Johansson.. Turner. Industrial Ecology. Pp 98-107. L. 2002. W. Sweatman. 2007. Varadaraja. P. Scalice. P. Integrating Decisions Into The Product Development Process: Part 1 The Early Stages. Iv Global Conference On Sustainable Manufacturing. Rozenfeld.A. Ecodesign And Future Environmental Impacts. Integrating Ecodesign Methods And Tools Into A Reference Model For Product Development. H. H.. Wenzel. 2006. C.. E. 2005. Byggeth. Karlsson R. Lessons From Applying The Systematic Literature Review Process Within The Software Engineering Domain. Saraiva. F. 2006. Evans. Edusp. Vezzoli. T. T. 2006.. Silva. J.. J. Boons.. R... 1998. H. 2006. Brereton. 1995.Referências Baumann.B.

A Educação através do Design como estratégia para um futuro sustentável
Education by Design as a strategy for a sustainable future Dr. Antônio Martiniano Fontoura
UFPR, PUCPR, UTFPR, Brasil
amfont@matrix.com.br

Educação através do Design, Educação para o Desenvolvimento Sustentável, Educação para a Sustentabilidade A EdaDe é uma abreviatura da expressão Educação através do Design. Teve sua origem num trabalho de pesquisa cuja proposta era investigar o potencial pedagógico das atividades de design (FONTOURA, 2002). O estudo inicialmente voltou-se para a educação de crianças e jovens, mas sua abrangência pode ser estendida à todos os níveis de ensino. O presente trabalho tem como objetivos identificar e expor algumas relações da EdaDe com o que se tem chamado de EDS Educação para o Desenvolvimento Sustentável ou EpS Educação para a Sustentabilidade e posicionar a EdaDe como um recurso para a promoção de um futuro mais sustentável. Education by Design, Education for Sustainable Development , Education for Sustainability EdaDe is an abbreviation of the Portuguese expression Educação através do Design [Education by Design]. Its origins is in a research work that investigated the pedagogical potential of design activities (FONTOURA, 2002). The study aimed children’s and youngster’s education but it can be extended to all teaching levels. The main objectives of this paper are: to identify and show the relationships between EdaDe and what has been called ESD - Education for Sustainable Development or EfS Education for Sustainability and to position the EdaDe proposal as a resource to promote a more sustainable future.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

25

1 Introdução
Aspectos culturais, sociais e econômicos determinam o modus de projetar, produzir, distribuir e consumir os bens e serviços no ambiente artificial construído pelo ser humano. É evidente e endógeno ao ciclo projetar, produzir, distribuir, consumir, como atividade humana, a geração de impactos ambientais consumo de energia + consumo de matéria prima = geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e gases em cada uma das suas principais etapas. Os modelos econômicos adotados nas últimas décadas promoveram uma aceleração no giro do ciclo em prol do que se denominou “desenvolvimento”. A aceleração trouxe consigo um agravamento dos problemas ambientais e paradoxalmente, o desenvolvimento econômico e social de alguns promoveu uma degradação econômica e social de outros, além do agravamento dos problemas ambientais de todo o planeta. O agravamento desses problemas e as evidências de que eles são decorrentes do modo de vida adotado pela humanidade fez emergir, em escala mundial, o discurso da sustentabilidade. Organizações governamentais e civis, nacionais e internacionais, passaram a valorizar em suas discussões temas ligados ao meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável e ao desenvolvimento social. Os resultados desses debates influenciaram diversas áreas, entre elas, notadamente, a educação. Nessa perspectiva surge a proposta de EDS - Educação para o Desenvolvimento Sustentável ou EpS - Educação para a Sustentabilidade, que ganha cada vez mais espaço no panorama político educacional global. O tema está presente em publicações, acordos legais, compromissos e propostas resultantes de Encontros, Conferências e Congressos locais, regionais e mundiais. Observa-se que por algum motivo não muito bem explicado, mas muito discutido, a atenção que antes era dada á EA - Educação Ambiental voltou-se ao DS - Desenvolvimento Sustentável ou Educação para a Sustentabilidade (SAUVÉ, 1997). Para alguns educadores a Educação Ambiental vem antes e o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade deveriam ser temas de estudo desta disciplina, entre outros como a Justiça Ambiental, a Carta da Terra, a Agenda 21. O valor da educação foi reconhecido como meio de se promover o suposto desenvolvimento sustentável com o lançamento da DEDS 2005-2014 - Década

da Educação para o Desenvolvimento Sustentável promovida pela ONU - Organização das Nações Unidas e liderada pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Porém, foram atribuídas diversas conotações aos termos desenvolvimento e sustentabilidade, o que torna difícil a compreensão das verdadeiras intenções e ideologias atreladas às propostas educacionais. A escola como instituição social encarregada pela formação intelectual das novas gerações, deve ser crítica quanto aos seus próprios propósitos e finalidades diante das novas realidades sociais e econômicas.

2 Tentando esclarecer melhor os termos
Desenvolvimento
O termo desenvolvimento per se, já é carregado de um caráter ideológico, não é neutro (GADOTTI, 2002). O termo refere-se ao nível de industrialização, padrão de consumo e capacidade de acumulação de bens materiais de uma determinada sociedade que a partir destes, se diz desenvolvida, em vias de desenvolvimento ou é, por outras, considerada subdesenvolvida. O padrão de desenvolvimento e bem estar social contemporâneo é baseado no consumo material e isto é um problema quando se constata que o crescimento populacional aumenta e os recursos físicos do planeta se tornaram cada vez mais limitados (MANZINI e JEGOU, 2003). Essa situação pressiona a humanidade a se reorganizar em direção a um futuro sustentável, buscando soluções para se adequar a uma realidade de recursos limitados. O que muitas vezes se questiona é o modelo econômico adotado. O economista Thomas R. Malthus (1766-1834) no final do século XVIII, já indicava a escassez de recursos como fator limitante do crescimento, perante a evidência de problemas como o desemprego, a pobreza e doenças, associados à revolução industrial. Em 1972, seguindo indiretamente os passos de Malthus, o Clube de Roma publica, por meio de uma equipe do MIT - Massachusetts Institute of Technology, um relatório denominado “Os Limites do Crescimento” [The Limits of Growth] (MEADOWS, 1972). O documento concluía que se fossem mantidas as tendên-

26

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

cias atuais de crescimento da população, industrialização, poluição, produção de alimentos e utilização de recursos, atingir-se-iam os limites de crescimentos dentro dos cem anos seguintes. Sendo assim, quanto antes se investisse na mudança destas tendências, maiores seriam as probabilidades de criar condições de estabilidade ecológica e econômica, numa perspectiva de longo prazo. O relatório promoveu muitas repercussões na época de sua publicação, mas poucas mudanças significativas no modelo econômico e industrial produtivo vigente. Talvez um dos maiores equívocos associados a sustentabilidade é pensar que seja possível manter o ritmo de crescimento (e desenvolvimento), como se não fosse haver um limite. O Clube de Roma deixou isto bem claro e evidente. Por vezes se questiona o processo de globalização da economia. Assim, para o economista Enrique Leff: “a degradação ambiental emerge do crescimento e da globalização da economia. Esta escassez generalizada se manifesta não só na degradação das bases da sustentabilidade ecológica do processo econômico, mas como uma crise de civilização que questiona a racionalidade do sistema social, os valores, os modos de produção e os conhecimentos que o sustentam.” (LEFF, 2002, p. 56) Numa visão crítica e alternativa, Max-Neef (in: REVISTA BRASIL SUSTENTÁVEL, 2007) distingue crescimento e desenvolvimento. Para ele uma economia pode parar de crescer e continuar se desenvolvendo. Em todas as sociedades, há um período em que o crescimento econômico leva a uma melhoria da qualidade de vida bem estar social, mas só até certo ponto. A partir daí, se houver mais crescimento, a qualidade de vida tende a se deteriorar. E é, segundo ele, o que se tem observado com as economias atuais. Tornaram-se insustentáveis, degradantes e desumanas. Faz-se necessário uma nova maneira de pensar as relações econômicas, sociais e ambientais. Assim, propõe um novo tipo de economia, baseada em cinco alicerces: 1- A economia está para servir as pessoas e não as pessoas estão para servir a economia;

2- O desenvolvimento se refere às pessoas e não aos objetos; 3- Crescimento não é a mesma coisa que desenvolvimento, e o desenvolvimento não precisa necessariamente do crescimento; 4- A economia não deve desvalorizar o ecossistema; 5- A economia é um subsistema de um sistema maior e finito que é a biosfera, logo o crescimento permanente é impossível.

Sustentabilidade
O termo sustentabilidade refere-se à qualidade do que se pode manter em equilíbrio por longo período. Do ponto de vista ambiental, pode ser definida como: “[...] condições sistêmicas segundo as quais em nível regional e planetário, as atividades humanas não devem interferir nos ciclos naturais me que se baseia tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras.” (MANZINI e VEZZOLI, 2002, p.27) Para Fritjof Capra: “o que é sustentado numa comunidade sustentável não é o crescimento econômico, o desenvolvimento, a quota de mercado ou a vantagem competitiva, mas a totalidade da rede da vida da qual a nossa sobrevivência a longo prazo depende. Em outras palavras, uma comunidade sustentável é concebida de uma forma onde o comércio, a economia, as estruturas físicas e as tecnologias não interferem com a capacidade inata da natureza para sustentar as formas de vida.” (CAPRA, 1999, p.1) O termo sustentabilidade parece ter sido concebido para alertar o ser humano, independente de suas crenças, do perigo que ele mesmo representa para o planeta. Em função do comprometimento da biodiversidade, quase todas as atenções da sustentabilidade têm se voltado para o meio ambiente porém, ela possui infindáveis vertentes e estas a transformaram num tema complexo. Torna-se quase impossível limitá-la á um único conceito pois este serviria muito mais para acomodar interesses do que para compreendê-la.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

27

publicado pela IUCN . Ela não deve orientar os estudantes a uma finalidade pré-determinada. tecnologia.United Nations Environment Programme [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente] e com o WWF . Analisou como podem ser estabelecidas as relações e interações entre a EA Educação Ambiental e o desenvolvimento sustentável. As críticas decorrem do fato já mencionado mais acima. interesses e forças antagônicas (LIMA. As denominações Educação para o Desenvolvimento Sustentável ou Educação para a Sustentabilidade.International Union for Conservation of Nature em parceria com o UNEP . permeado por valores. Para ele a educação pressupõe autonomia e pensamento crítico. Jickling publicou suas idéias a mais de uma década. A expressão aparece oficialmente num documento de 1980. de que os conceitos de desenvolvimento e de sustentabilidade não serem imparciais e estarem sujeitos a várias interpretações (LIMA. geram algumas discussões conceituais. a direção para a qual a educação deve seguir ainda é tema de grande divergência entre os pesquisadores. 1996. 2003. 1981. pois as relações entre ela e a sustentabilidade reúne diferentes pontos de vista. Mas as críticas continuam. Diante dos efeitos da degradação ambiental e da necessidade de dar continuidade ao sistema produtor de mercadorias. Lucie Sauvé (1997) também tem contribuído para o debate. freqüentemente. Uma educação “para” sugere uma forma de pensar à qual se deve apenas obedecer. 24). São várias as acepções dadas ao conceito de desenvolvimento sustentável e. p. fazia-se necessário achar um mecanismo para gerenciar a reprodução econômica do capital. apud CAPRA. Pode-se dizer o mesmo em relação à educação voltada ao desenvolvimento sustentável. 3 Na educação Freqüentemente afirma-se que os sistemas educacionais atuais não conseguem dar conta dos desafios apresentados pelas rápidas transformações sociais. A educação com finalidade pré-determinada sugere mais um treinamento para a aquisição de habilidades do que um aprendizado comprometido com o entendimento e a compreensão. Por vezes o discurso do desenvolvimento sustentável e da sustentabilidade é entendido como uma operação político-normativa e diplomática. Mas foi em 1987.1887. GADOTTI. questiona a educação “para” a sustentabilidade a partir da sua instrumentalidade. denominado “Our Common Future” [Nosso Futuro Comum] ou “Relatório Brutland”. 2002). O relatório apresenta uma visão complexa das causas dos problemas sócio-econômicos e ecológicos da sociedade e as inter-relações entre a economia. sociedade e política. empenhada em sanar um conjunto de contradições expostas e não respondidas pelos modelos de desenvolvimento adotados até então. inspiradas mais por interesses econômicos do que por questões sociais ou ecológicas.Desenvolvimento sustentável A associação dos termos desenvolvimento e sustentabilidade deu origem à expressão desenvolvimento sustentável. econômicas e ambientais (ecológicas) que se apresentam e assim. do Worldwatch Institute: “Uma sociedade sustentável é a que satisfaz as necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras” (BROWN. sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Para a Comissão o desenvolvimento sustentável é aquele que: “satisfaz as necessidades presentes. Para Bob Jickling (1994) a educação enquanto prática de liberdade. além de tentar responder de alguma maneira os questionamentos sobre os limites do crescimento iniciados na década de 70. com a publicação do relatório da WCED .Worldwide Fund for Nature. Sauvé demonstra que as diferentes concepções de desenvolvimento sustentável correspondem a diferentes pers- 28 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . (LIMA. 2003) . mas o debate sobre o que significa desenvolvimento sustentável e como atingi-lo ainda persiste.” […that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs] (WCED. Uma possível definição foi dada por Lester Brown. p. que a expressão desenvolvimento sustentável popularizou-se. não pode ser dirigida para um fim específico e assim. como também ficou conhecido.43).World Commission on Environment and Development [Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento]. Percebe-se que o tema é complexo. denominado “World Conservation Strategy”. 2003).

distribuir e consumir os bens e serviços (questões sociais. aplicando princípios metodológicos e criativos para a solução de problemas. De certa maneira. A EdaDe entende o design como uma forma de pensar ou de conduzir o pensamento e como tal e pode ser ensinado. são as AIAs. a teoria com a prática e o abstrato com o concreto. 2002). centradas na conscientização. o cérebro com as mãos. Para Ken Baynes (1996) os seres humanos usam certas habilidades mentais. todas as pessoas fazem uso das suas habilidades de fazer e Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 29 . Dentre os três tipos básicos de atividades apresentados. na mudança de comportamento. desenvolvimento sustentável e sustentabilidade. A EdaDe emprega basicamente três tipos de atividades de design (FONTOURA. no construtivismo e na interdisciplinaridade. Para Gustavo Lima (2003). com o universo simbólico e com a realidade objetiva de sua sociedade. implicam no desenvolvimento da capacidade ativa de buscar e acessar informações. o julgamento de valores e o posicionamento ético. as que mais permitem a reflexão sobre as questões ambientais. etc. 2. no desenvolvimento de competências e na participação de todos. na capacidade de avaliação. os aprendizes realizam pequenas construções. etc. da capacidade reflexiva de pensar sobre o que será ou sobre o que foi feito ou construído.Atividades de Design e Construção nestas os aprendizes realizam pequenos projetos de design. da autonomia e da criatividade. não atendem estes requisitos. 3.pectivas educacionais. A EdaDe faz uso de atividades de design como meio para a promoção das aprendizagens e estas visam interar o pensamento com a ação. 2. exploram sistemas construtivos.Habilidade de externar as idéias e partilhar com os demais. fica evidente que as abordagens educativas trazem implícitas determinadas concepções de desenvolvimento sustentável e que a maneira como se entende o desenvolvimento sustentável também interfere na adoção de abordagens educativas específicas.AIAs . de fazer e construir coisas. tecnologias. Estudar sobre o design e suas manifestações é criar a oportunidade às crianças e jovens. na competição e no individualismo. Os modelos tradicionais. são elas: 1.a maneira de projetar. físicas e sociais no design: 1.TPDs . As atividades de design na escola.Habilidade de usar ferramentas e recursos para transformar as idéias em realidades. o corpo com a mente. materiais. de manterem contato com a cultura material. processos de fabricação. produzir. baseados na transmissão de conhecimentos. aprendido e praticado no dia-a-dia por qualquer pessoa. São necessárias concepções educacionais criativas e dinâmicas.Atividades de investigação e Análise como o próprio nome diz.Tarefas Práticas de Design por meio delas. o desenvolvimento da capacidade crítica. e da capacidade criativa de imaginar. os aprendizes desenvolvem estudos e investigações sobre temas relacionados ao design. adaptar e inventar coisas e maneiras novas de realizá-las. Portanto ter claro o que se entende por desenvolvimento sustentável e sustentabilidade parece ser de extrema importância.Habilidade de imaginar um mundo diferente. econômicas e ambientais). Nelas podem ser desenvolvidos pequenos trabalhos sobre: . aprendem a utilizar ferramentas e equipamentos. Pode afirmar. usar o design no dia-a-dia. conceber. os problemas atuais da educação decorrem da inadequação entre o paradigma dominante (cartesiano-mecanicista) na sociedade e ciências ocidentais e que tais problemas demandam uma nova abordagem mais holística e integradora. A Edade abre espaço para a reflexão sobre as questões ambientais e sobre a sustentabilidade ao colocar em prática as atividades de design. o fazer com o pensar. de maneira bastante objetiva que uma educação voltada à sustentabilidade demanda o fomento do espírito colaborativo. e 3. Deve promover o entendimento e a discussão sobre as crises. 4 E a EdaDe? A EdaDe como proposta pedagógica tem seus fundamentos no ensino ativo. sob um ponto de vista bastante crítico.ADCs . Para ela.

costumam ser muito ricas em termos de experiências e reflexões. enriquece as experiências dos estudantes e os prepara para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.o consumo energético no uso dos produtos.. . proporcionam o ensino e o aprendizado ativos. a abrangência e o aprofundamento nos estudos.. análise e definição do problema a ser resolvido e as TPDs nas fases de solução do problema propriamente dito geração de alternativas. desenvolvimento e comunicação da solução. As ADCs exigem uma visão mais holística do processo de design. E é durante estas construções e experimentos que as reflexões são promovidas. definir o problema de design a ser resolvido. de externar as idéias e partilhar com os demais. desenvolvem habilidades mentais e físicas. desenvolve e fomenta uma série de habilidades essenciais.o uso de materiais recicláveis e reciclados na produção de novos produtos. etc). da tecnologia e da ciência e interferir de forma ativa. investigações e análises sobre os temas dependerão naturalmente da faixa etária com que se trabalha porém.o uso de matérias primas e seus impactos ambientais (degradação e renovação). . TPDs e a solução criativa de problemas nas suas aplicações. presentes e futuras das freqüentes mudanças no universo da arte.os processos de fabricação de produtos e seus impactos ambientais (produção de resíduos). A prática da EdaDe. são mais abrangentes e envolvem AIAs. Deve-se lembrar que as TPDs referem-se a atividades nas quais as crianças e jovens “colocam as mãos na massa”. uniões.Design and Technology curricular britânico (DfEE/QCA. Através delas.. promovem o julgamento de valores e a exploração do pensamento criativo. permitem.o consumo e descarte de produtos (estratégias de desperdício e obsolescência programada). quando bem empregadas e conduzidas na educação das crianças e jovens. As AIAs são utilizadas nas fases de problematização.como unir dois ou mais materiais com o menor uso de energia (uso de encaixes.como realizar construções que permitam a separação de materiais para uma futura reciclagem ou reutilização dos mesmos.). Assim.as conseqüências do hiper-consumismo (limites da produção e do consumo). treliças. o educando usa. desenvolvê-la. Deve-se salientar que a adequação de linguagem e vocabulário. . . o aprendiz pode identificar uma necessidade contextualizada contexto social. e de usar ferramentas e recursos para transformar as idéias em realidades. e integra conhecimentos de diversas áreas do currículo escolar. numa ADC voltada à Educação para a Sustentabilidade. etc. . .como reusar. o consumo conspícuo). as atividades de design.como desenvolver sistemas mais eficientes.o ciclo de vida de um produto (do berço ao berço). As ADCs promovem as habilidades de imaginar. experimentam coisas. 1999) a construção de novos conhecimentos e compreensões. Em termos estratégicos. justaposição. etc.como obter estruturas mais rígidas. . entre elas: . . escolher uma alternativa com base nos parâmetros definidos. estabelecer critérios e requisitos que levem em consideração questões relacionadas à sustentabilidade. . constroem e montam pequenos sistemas ou produtos. . as atividades devem sempre visar a promoção do pensamento crítico no aprendiz. desenvolver alternativas de solução “sustentáveis”. econômico e ambiental . geodésicas. como já tem sido demonstrado em outros contextos educacionais vide caso do D&T . articulações. entender as influências passadas. em outras palavras. etc. construí-la e finalmente comunicá-la. sobras de confecções. tentam dar forma aos pensamentos. . responsável e consciente 30 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . etc. indução e incentivos ao consumo. 5 Enfim. . Durante a execução das TPDs também é possível promover algumas reflexões interessantes.as necessidades e desejos dos consumidores (persuasão nos meios de comunicação. reciclar e reutilizar materiais e produtos (uso de lixo que não é lixo. . leves e estáveis com o menor uso de materiais (empilhamento. Assim.).o consumo energético na produção dos produtos.o consumo sustentável.

complexidade.org/publications/pdf/challenge. et al. 2007. Berkeley: Center for Ecoliteracy. pela colaboração e pelo acesso às fontes de informações da sua pesquisa sobre a EdaDe e o consumo sustentável. A educação ambiental e desenvolvimento sustentável: uma análise complexa. Capra. Capra. Meadows. O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação. Milão: Edizione Ambiente.neste contexto de mudanças. e Jegou. 334f. Campinas. D. Fontoura. DfEE/QCA.ecoliteracy. 2. Leff. Como bem lembra Jickling (1994.pdf> 02/04/2009. 20-23. E. p. São Paulo: CEBDS. B. F. Ambiente & Sociedade. poder. 1999. A.14. racionalidade. F. K. EDADE: a educação de crianças e jovens através do design. Revista de Educação Pública. 6. 1996. 10. vol. 2003. quando promove os devidos debates e reflexões criticas sobre as conseqüências ambientais decorrentes da construção do mundo artificial. M. p. mai-jun. jul-dez. Petrópolis: Vozes. <http://www. Limites do crescimento: um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. e Vezzoli. n. <http://www. E. Manzini. L. devemos habilitar os estudantes a debater. Referências Baynes. 1994. Ecoliteracy: the challenge for education in the next century. avaliar e julgar por eles mesmos os relativos méritos de contestar posições”. E. jul-dez. Gadotti. C. 2002. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 31 . Lima. n. G. Saber ambiental: sustentabilidade. Londres: The Stationary Office. 06.un-documents. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Agradecimento Gostaria de agradecer minha orientanda no Programa de Pós-Graduação em Design da UFPR. 72-103. p. 2002. 1972. v. 1996. Pode ainda contribuir de forma ativa com a educação ambiental. Why I don’t want my children to be educated for sustainable development. Sauvé. Manzini. São Paulo: Peirópolis. vol. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. How children choose: children’s encounters with design. Jickling. 4. São Paulo: Edusp. The Journal of Environmental Education. 1996. A vez do homem O economista chileno Manfred Max-Neef defende um novo modelo econômico que coloque as pessoas em primeiro lugar. São Paulo: Perspectiva. UN. 1987. 23. 2002. Florianópolis. H. Pedagogia da terra. Sustainable everyday: scenarios of urban life.net/wced-ocf. Universidade Federal de Santa Catarina.7): “em um mundo de mudanças rápidas. Liziane Regina Gomes. 1997. 5-8. Revista Brasil Sustentável. São Paulo: Cultrix. n. 1999. NEPAM/UNICAMP. M. Mato Grosso: UFMT. n. p. WCED. Design and technology: the national curriculum for England key stages 1-4.htm> 02/04/2009. C. 2002. Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. F. F. 2003. Loughborough: DD&T / Loughborough University. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção.

.

called MEPSS. it was used. a case study in an automotive company of metropolitan region of Curitiba/PR. chamada MEPSS. and covered the phases of diagnosis of the current situation. The case study included a field research in the company. Moreover literature review.com Embalagens. intervention.UFPR Design Post-Graduation Program. e propõe o uso de diretrizes de projeto baseadas em sistemas produtoserviço (PSS). Brasil qddesign@hotmail. utilizou-se como estratégia de pesquisa o estudo de caso em uma indústria automotiva da região metropolitana de Curitiba/PR. análise da intervenção e validação. The article is concluded by proposing design guidelines based on PSS for B2B corrugated cardboard packages. This study was complemented with a specific methodology for product service systems. no Programa de Pós Graduação em Design da Universidade Federal do Paraná. corrugated cardboard. This work consider design as element that favours environmental sustainability of B2B corrugated cardboard packages. intervenção. design sustentável. e complementada pelo uso de ferramentas de avaliação qualitativa e quantitativa. análise do diagnóstico. product service systems This article aims to present the final results of the master dissertation developed during the 2007-2008 period. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 33 . in the Federal University of Paraná . A abordagem de Design baseada no ciclo de vida da embalagem (life cycle design) foi utilizada ao longo do estudo de caso. papelão ondulado. Este trabalho considera o Design como elemento que possa favorecer a sustentabilidade ambiental de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas (B2B). Além da revisão bibliográfica sobre o tema. como o SDO-MEPSS e a Análise do Ciclo de vida. sistemas produto serviço Este artigo tem por objetivo apresentar os resultados finais de dissertação de mestrado desenvolvida no período 2007-2008. O estudo de caso envolveu a realização de pesquisa de campo junto à indústria estudada. and it was complemented by using qualitative and quantitative analysis tools. intervention analysis and validation. as SDO-MEPSS and Life Cycle Analysis LCA. Este estudo foi complementado com uma metodologia específica para o design de sistemas produto-serviço PSS. Packages. and proposes the use of design guidelines based on product service systems (PSS). The design approach based on the packaging life cycle (life cycle design) was used in the study. sustainable design. e abrangeu as fases de diagnóstico da situação existente.Design de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas com base em sistemas produto-serviço Design of B2B corrugated cardboard packages based on product-service systems Cláudio Pereira de Sampaio Universidade Positivo Universidade Federal do Paraná. O artigo é finalizado com a proposição de diretrizes de Design baseadas em PSS para embalagens B2B em papelão ondulado. as research strategy.

Aumento na exigência por certificações ambientais. para. em média. especialmente com as diretrizes do capítulo 21 (manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos) e capítulos 29 e 30 (fortalecimento do papel do comércio e da indústria (Agenda21 Nacional. . cerca de 65% (Brody. sendo duas para Iniciação Científica (IC) e uma para Desenvolvimento Tecnológico Industrial (DTI). No que diz respeito aos aspectos ambientais.Crescimento no consumo de matéria-prima para embalagens. . Este projeto teve duração de dois anos (agosto de 2005 a agosto de 2007). Mega Objetivo II. . no período entre 2005 e 2014. contextualizar a pesquisa também em relação aos aspectos econômicos e sociais. Além disso. especialmente no item 21. 2007).Necessidade de alinhamento com a Agenda21 brasileira. desenvolvido no Núcleo de Design e Sustentabilidade da Universidade Federal do Paraná UFPR. como por exemplo. que consiste de amplos esforços voltados à educação para a sustentabilidade envolvendo os vários segmentos 2 Contexto da pesquisa Sustentabilidade Embora o objetivo principal deste trabalho seja a redução de impactos ambientais. especialmente pelas empresas já certificadas quanto aos seus fornecedores. e as Leis de Resíduos estaduais. . de 2002. o Projeto de Lei dos Resíduos (PL 203/91).. se fazer 34 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .. . que se propõe a “melhorar a gestão e a qualidade ambiental e promover a conservação e uso sustentável dos recursos naturais. este trabalho está ligado diretamente à promoção de uma produção mais limpa e da responsabilidade empresarial. o autor partiu da hipótese de que “a estratégia de utilização de sistemas produto-serviço (PSS) pode minimizar o impacto ambiental do uso de embalagens movimentadas entre empresas”. O projeto de pesquisa supra descrito abrangeu três estudos de caso. os mais significativos referem-se à: . com ênfase na promoção da educação ambiental” (PlanoBrasil.1 Introdução A presente dissertação foi desenvolvida dentro de um projeto de pesquisa intitulado “Desenvolvimento de Embalagens e Produtos para Exportação Utilizando a Tecnologia CFG para o Papelão Ondulado”. sendo uma montadora de veículos (Volkswagen do Brasil) e uma indústria de embalagens em papelão ondulado (Embrart).Reciclagem como estratégia importante.) ambientalmente sustentável e redutor das desigualdades sociais”.Representatividade alta das embalagens no volume global de resíduos. Blauth. emprego e renda (. o recorte necessário ao estudo.1997).Alta produção de rejeitos (o que não se aproveita na triagem do papelão ondulado e que acaba sendo destinado à incineração ou aterros sanitários). e foi financiado pelo CNPq Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento e FINEP Agência Financiadora de Estudos e Pesquisas.Necessidade de alinhamento com o Plano Plurianual (PPA) 2004-2007 do Governo Federal. a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Foram concedidas três bolsas de pesquisa. A partir da tentativa de se responder à questão “Como tornar mais sustentável o uso da embalagem em papelão ondulado movimentada entre empresas?”. mas insuficiente para enfrentar os problemas ambientais causados pelo aumento do consumo.Busca de alinhamento com os Objetivos do Milênio e com a iniciativa da UNESCO/ONU em promover. 1998). . Neste último. num primeiro momento. o projeto foi apoiado com acesso a materiais de consumo e a informações de produção e mercado pelas duas empresas que são objeto desta dissertação. Marsh. .Problemas ambientais decorrentes da reciclagem (alto consumo de água e energia) e da incineração (liberação de CO² e outros gases).Exigências legais cada vez mais rígidas quanto à destinação de resíduos. de 42% (Grimberg. Desta forma. buscou-se. e esta dissertação refere-se especificamente ao primeiro. 2004). que busca o “Crescimento com geração de trabalho. a dissertação teve como proposta principal a elaboração de “diretrizes para o Design de sistemas produto-serviço (PSS) voltadas a embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas de modo a reduzir o impacto ambiental das mesmas”. . . em seguida. destinado ao desenvolvimento de embalagens retornáveis para o transporte de componentes automotivos.

. com mudança no foco dos negócios do planejamento e venda de produtos físicos tão somente. inclusive as empresas. os aspectos sociais foram considerados no presente estudo: . como a Social Accountability 8000 (SA8000). e a norma ABNT NBR 16001. que permite às empresas fazer uma auto-análise do desempenho sócio-ambiental que pode ser transformado em um relatório para posterior comparação (benchmarking) com a concorrência. PSS podem ser definidos como “o resultado de uma inovação estratégica. Segundo UNEP (2002). . é relevante o fato de que. Uma distribuição mista ocupa o segundo lugar.No âmbito das empresas brasileiras.Com relação ao bem estar e à geração de trabalho e renda. voltada à certificação. buscando a substituição do benefício pela posse de produtos para o benefício pelo acesso aos benefícios finais esperados. separar.da sociedade.O Brasil produz cerca de 3. 1981). 2006). a eqüidade e justiça entre os stakeholders ainda representam um desafio. vender e reciclar resíduos. 2000). cuja atividade informal envolve cerca de 200 mil pessoas no Brasil (ANAP. 2005). uma vez que os maiores afetados seriam das classes mais pobres. Briston and Neill. . mas ainda é pequeno o número de organizações buscando a certificação social. é significativo o crescimento do mercado latino-americano.Apesar da participação inferior à de asiáticos.Muitas empresas brasileiras já implantaram sistemas de gestão ambiental (SGA’s). de quase 10% entre os anos de 2003 e 2004. o que justifica a defesa do uso da estratégia de PSS nesta dissertação. na maior parte das empresas. A atividade de “catar papel” emprega ao redor de 25. Morales. pois a maior parte das relações empresariais é fortemente baseada em relações custo-benefício de curto prazo. e a produção de chapas fica na terceira posição. para a comercialização de sistemas de produtos e serviços que. 1990) até 50% (Rauch Associates. Há também os chamados catadores de rua e carroceiros. Widmer. a embalagem pode representar no preço final do produto de 9 (Lazlò. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 35 . uma estratégia que implique na redução da geração de resíduos de papelão ondulado nas empresas deve também levar em conta o impacto social nesta atividade.O setor logístico é. com previsão de crescimento de 4.2% ao ano (Embalagemmarca.O mercado de embalagens de papelão ondulado responde por cerca de 38% do mercado mundial de embalagem. Com base nestas definições.Conforme diferentes autores. O papelão ondulado é um dos materiais mais presentes devido ao grande uso em embalagens.A indústria alimentícia é a grande consumidora do papelão ondulado. 1972). 2002. . 2005). 1989. sendo o restante relacionado ao processo produtivo e logistico (Stern. Já existem iniciativas neste sentido. ou PSS) têm como premissa básica a desmaterialização do consumo.000 pessoas nas unidades de separação de lixo. 2005). . Há também o uso de indicadores sócio-ambientais do Instituto Ethos (Ethos. Finalmente. .Os três componentes principais do custo da embalagem são a mão-de-obra. afirmando que “serviços eco-eficientes são sistemas de produtos e serviços que são desenvolvidos para causar um mínimo impacto ambiental com o máximo de valor agregado”. é crescente o número de ações ligadas à responsabilidade social. em conjunto. Apenas cerca de 10% do custo da embalagem deve-se ao material de que ela é feita. Harckham. No entanto. Quanto aos aspectos econômicos. que são capazes de atender a demandas específicas dos clientes”. e obtiveram a certificação ISO14001 (EPELBAUM. norte-americanos e europeus.9 milhões dos pouco mais de oito milhões de m2 de papelão ondulado produzidos pela América Central e do Sul. absorvendo mais de um terço de toda a produção (ABPO. no Brasil. pode-se destacar os seguintes: . Nesse contexto. quase metade da produção da América Latina. 2004). . Sistemas Produto-serviço Sistemas Produto-Serviço (Product Service Systems. sobre requisitos para sistemas de gestão em responsabilidade social (ABNT. 2004). Brezet et al (2001) ressalta ainda a dimensão ambiental dos PSS. . percebe-se o potencial destes sistemas para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. o mais alto entre todos os mercados produtores. muitas das pessoas de baixa renda trabalham na atividade de coletar. o que mais consome recursos financeiros (Morabito. o equipamento e o material (Lee e Lye (2003).

que são usadas no transporte de componentes (que serão chamadas de “chapelonas” no decorrer desta dissertação). foram utilizadas ferramentas de criação também presentes no MEPSS. Wimmer. . registro fotográfico. Problemas encontrados Os problemas mais significativos encontrados na pesquisa de campo foram divididos em duas categorias: problemas sistêmicos e problemas no produto (embalagem). como as diretrizes de Design sustentável (MANZINI e VEZZOLI. A validação do estudo foi feita a partir da comparação com os resultados obtidos em um meta estudo de caso formado por três estudos de caso. 4 Resultados A indústria Volkswagen foi escolhida para a pesquisa. e SDO-MEPSS (análise qualitativa). a pesquisa foi feita utilizando algumas etapas e ferramentas de um método específico para o desenvolvimento de PSS. A fundamentação teórica para este trabalho foi feita a partir de revisão de literatura relacionada à sustentabilidade. com um recorte teórico para o Design sustentável. segundo dados fornecidos pela Volkswagen. composição e peso das matérias-primas e insumos. para a obtenção de dados tanto quantitativos quanto qualitativos (Laurel. localização geográfica (cerca de 30 quilômetros do NDS/UFPR) e por ter um Sistema de Gestão Ambiental implantado e certificado (ISO14000). após o descarregamento na empresa. Foram coletadas também amostras de componentes utilizados da empresa. principalmente no caso do transporte. A pesquisa de campo foi realizada em cinco etapas: diagnóstico. e envolveu o uso de ferramentas verbais e visuais. que eram coletados por empresas próximas. análise da nova proposta e validação da proposta de intervenção. 2005). Com base no volume de resíduo de embalagens produzido. Vezzoli. como quantidade. Isto tem implicações também ambientais. foi escolhido o processo de pintura porque. Para a análise.3 Método de pesquisa O método de pesquisa adotado foi o estudo de caso. além do brainstorming clássico com uso de analogias. com o uso do Software Simapro7 na versão educacional. tempo e distância de transporte e operações internas.Estimativa de retorno de investimento (payback) da empresa de apenas três meses. 2002) e os storyboards para proposição de cenários futuros. avaliação da situação inicial.000 automóveis/mês). estoque-espera e inspeção-controle) que não agregam valor ao produto final. com maior consumo de combustí- 36 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . intervenção. do MEPSS. nas fases seguintes de avaliação (tanto da proposta inicial quanto da intervenção) buscou-se avaliar de forma quantitativa e qualitativa os dados obtidos. 2003). Para a intervenção. pois.Remuneração dos fornecedores em função do volume de componentes entregue. foram encontrados problemas como: . O diagnóstico incluiu entrevistas semi-estruturadas. a Volkswagen utiliza cerca de 50 kg por mês de filme plástico para manter as caixas fixas no palete. foi realizado também um workshop com especialistas da indústria estudada e de um fornecedor de embalagens. Além disso. A análise dos dados foi feita de forma quantitativa e qualitativa tanto para a situação inicialmente encontrada quanto para a proposta de intervenção. o MEPSS (Halen. e a coleta de dados quantitativos da embalagem no sistema logístico-produtivo da empresa. Além destas caixas. A visualização tanto do sistema atual quanto do proposto foi feita com o uso da ferramenta System Map. Com relação ao sistemas. embalagens B2B e o papelão ondulado neste contexto.Excesso de etapas (transporte. são gerados quase 600 Kg de papelão ondulado oriundo de caixas de papelão ondulado descartáveis. a empresa gerava mensalmente grande quantidade de resíduos sólidos. . e não da função desejada (proteção do veículo para pintura). realizado em uma indústria montadora de automóveis da região metropolitana de Curitiba/PR. em três outras empresas que utilizam embalagens retornáveis em seus respectivos processos logísticos. e envolveu o uso das ferramentas ACV Análise do Ciclo de vida (análise quantitativa). Devido ao fato desta dissertação relacionar-se à abordagem de sistemas produto-serviço (PSS). por atender aos critérios pré-definidos de porte (emprega mais de dois mil funcionários e produz cerca de 18. O protocolo de coleta de dados é relativo à etapa de diagnóstico. observação direta.

volume e facilidade de compactação. Embrart/Correios. os problemas encontrados foram analisados com foco no sistema e na embalagem. Com relação às embalagens. e em uma indústria de cabeçotes.Uso. Soluções propostas Assim como a detecção e análise dos problemas. foram gerados seis diferentes cenários. parafusos. dependendo da embalagem avaliada. Tanto as soluções de cenários quanto de embalagem foram apresentadas à equipe da empresa em um workshop. verificou-se a substituição do uso de racks metálicos. para cada componente em separado. como pregos. modelos e quantidades dos componentes plásticos a serem transportados. Ao todo. que conteria todos os modelos e quantidades de componentes necessários para a montagem de um veículo completo. as quais eram movimentadas por distâncias de mais de dois mil quilômetros. devido às distâncias percorridas e ao uso de combustível fossil. lonas plásticas e espumas. . Foram relatados neste estudo reduções no descarte de embalagens (600 em oito meses). No estudo feito junto à indústria de embalagens Embrart. e posteriormente comparados. vários materiais complementares. entre Minas Gerais e a cidade de Córdoba. por embalagens compactáveis mistas de papelão ondulado e polipropileno. sem padrão dimensional. No entanto. No entanto. substituição e destinação final da embalagem. e ter como características principais a redução de peso. O sistema envolvia diversos fornecedores. fitas. No caso da Fiat. os estudos complementares foram realizados de forma semelhante ao estudo de caso principal. também a proposição de soluções foi dividida em soluções sistêmicas e soluções para a embalagem em si.Variedade de tamanhos. e embalagem retornável tipo kit. pois não foi possível a realização de uma Análise do Ciclo de vida de cada um dos sistemas. A análise qualitativa foi feita com o uso do checklist do SDO-MEPSS. além de madeira e aço. com o uso de ferramentas como o system map e os storyboards.Falta eventual de componentes na produção. .Distância (cerca de 500km) entre os produtores dos componentes e a Volkswagen. na Argentina. . e ganhos econômicos entre 11 e 32%. pois permitiu verificar que os impactos ambientais mais significativos estavam ligados à etapa de transporte. como: . adquiridas apenas com base no custo financeiro da compra. e em seguida. reparo. a questão ambiental foi analisada apenas de forma qualitativa. O uso da ferramenta ACV foi particularmente importante. o sistema era composto de embalagens retornáveis para o transporte de componentes automotivos. e o papel ativo da fornecedora de embalagens como fornecedora também de serviços de manutenção. Entre os principais aspectos a serem destacados neste sistema estão: a viabilidade no uso de materiais alternativos (papelão em vez de aço).vel e emissão de poluentes. Iniciou-se com um diagnóstico da situação. Foram detectados diversos problemas ligados à embalagem. segundo Maia (2001). As embalagens deveriam suportar até três toneladas. que provocam impactos como a emissão de gases tóxicos e o aquecimento global. . Assim como no estudo de caso principal. por limitações técnicas e cronológicas. a análise das interações entre os atores e dos problemas ambientais e econômicos. foram propostos novos cenários logistico-produtivos considerando duas possibilidades: soluções aplicáveis de forma imediata e soluções considerando um horizonte temporal de dez anos. Resultados do meta-estudo de caso Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 37 . e os resultados comparados com o estudo de caso principal. no processo. e a alternativa de embalagem tipo kit foi considerada a mais promissora em termos operacionais. O meta-estudo de caso consistiu na pesquisa e avaliação qualitativa de outros três estudos de caso em empresas situadas em território brasileiro: Fiat.Baixa qualidade. usados na logística interna da empresa Correios. Com o propósito de aumentar a validade externa do estudo. pois eram utilizados. foram propostos dois conceitos: embalagem retornável individual. de caixas que eram destinadas a outra função. Com relação ao sistema. considerando ainda a possibilidade do componente plastic transportado existir ou não.

De forma geral.Criar um histórico de codesign em serviços por meio de projetos-piloto em 38 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . deveria haver uma preocupação maior com o transporte. as mesmas eram transportadas por distâncias que ultrapassavam os dez mil quilômetros. forma de descarte). bem como da comparação com o meta-estudo de caso. observou-se que as empresas apresentavam atenção quanto aos aspectos ambientais das embalagens utilizadas. . e que retornavam vazias. Entre as diretrizes para PSS com foco no sistema estão: Resumo das questões ambientais no meta-estudo de caso Em todos os estudos de caso verificou-se que o critério de decisão era essencialmente econômico. O impacto do transporte torna-se ainda mais relevante porque. em conjuntos de doze peças. as embalagens eram transportadas por grandes distâncias. pois todas as empresas estudadas localizavam-se distantes ou muito distantes dos clientes finais e utilizavam o modal rodoviário com caminhões a diesel. fitas. embora fossem compactáveis. pode-se deduzir que todas as empresas estudadas apresentavam emissão de gases tóxicos durante a etapa de distribuição. Os resultados indicaram também que a gestão do ciclo de vida das embalagens era feita pela de forma parcial empresa em todos os estudos de caso. No entanto. devido ao modal rodoviário. apenas esta empresa utilizava materiais tóxicos ou potencialmente tóxicos na produção das embalagens. algo comum nos estudos realizados. para que a empresa assuma uma postura mais pró-ativa quanto às questões ambientais. Esta empresa produz e exporta cabeçotes para uma fabricante de automóveis situada em Melrose Park. criando vazios internos). princípios. com apresentação de conceitos. foram propostas diretrizes de Design para PSS em embalagens retornáveis. as diretrizes para o desenvolvimento de sistemas produto-serviço (PSS) voltado a embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas de modo a reduzir o impacto ambiental são apresentadas a seguir. nos Estados Unidos.verificou-se que.: foco na diferenciação. de papelão ondulado.Elevar o nível de maturidade em PSS com a incorporação dos conceitos de PSS ao sistema de gestão da empresa (ex. este aspecto poderia ser aprimorado com o uso de um PSS no qual houvesse uma empresa responsável e especializada para tal. neste caso os Estados Unidos. pois apenas uma empresa (FIAT) utilizava grande quantidade de materiais consumíveis (pregos. no Rio Grande do Sul. com participação de especialistas externos à empresa. Esse descarte apresenta dificuldades econômicas e ambientais quando é feito nos países de destino. é relatado o sistema de embalagens retornáveis utilizado por uma indústria fabricante de cabeçotes automotivos localizada em Canoas. e as preocupações ambientais ainda eram no sentido de atender às legislações ambientais. no estudo feito por Maier e Sellitos (2007). esta empresa faria a destinação adequada dos resíduos. relações de longo prazo. etc. Um dos aspectos principais relatados sobre o sistema é a minimização no descarte final de embalagens. Proposição de diretrizes para PSS em embalagens retornáveis A partir dos resultados obtidos no estudo de caso principal. e que a manutenção e reparo das embalagens é algo comum na maioria das empresas. e uma utilizava também modal naval.Suprir a falta de conhecimento e experiência em PSS na empresa por meio da realização de eventos como workshops e palestras sobre PSS. que já era terceirizada pelas empresas estudadas.). verificou-se que. . . Caso houvesse foco sistêmico. devido ao tratamento da madeira por fumigação (feito com brometo de metila) ou no fim de vida (incineração). e restritas às embalagens (tipo de material. O sistema utilizado consistia no embalamento dos cabeçotes em paletes retornáveis feitos de plástico termoformado pelo processo twinsheet (duas chapas prensadas a quente. metodologias e ferramentas. Finalmente. embora as embalagens retornáveis evitassem o descarte precoce. Da mesma forma. também neste caso. divididas em diretrizes com foco no sistema e diretrizes com foco na embalagem. Desta forma. Da mesma forma. codesign com os fornecedores. etapa de maior impacto ambiental. pois as anteriores eram descartáveis. parafusos. por vezes similares às do estudo feito na Fiat. e não aos sistemas. Isso era agravado pelo fato das embalagens retornarem vazias. lonas plásticas e espumas) nas embalagens retornáveis. No entanto.

ao invés do modal rodoviário. caso o local de destino disponha de um sistema de coleta e reciclagem adequado. a possibilidade do uso de papelão ondulado reciclado. Vezzoli. Neste caso. na fabricação da embalagem. .Evitar o uso de tintas e vernizes que utilizem em sua composição metais pesados. . . a possibilidade de se utilizar papelão ondulado com certificação FSC (ex. . Dar preferência a dispositivos de encaixe rápido. prever a utilização de calços internos. caixas de câmbio). ou de fechamento permanente.Otimizar o uso de energia por meio de dispositivos de economia. que ocupa melhor o espaço de carga no caminhão.Permitir a máxima compactação das embalagens quando retornarem vazias.Elevar a densidade de transporte. que permitem automatizar etapas do processo e obter um nível de controle mais efetivo e confiável. Este modal normalmente utiliza caminhões a diesel. remanufatura e atualização destas. .pontos específicos do processo. . analisando cuidadosamente o tipo de produto a ser transportado e a capacidade máxima de empilhamento. É desejável que estes calços sejam feitos em um único material para facilitar a separação e a reciclagem (ex. Para isso. caso sejam retornáveis.Considerar. o que minimiza o uso de novos recursos florestais e estimula a geração de renda em empresas de reciclagem e cooperativas de coleta e separação de resíduos. como o cloro.Evitar o excesso de operações de transporte. dentro do possível e sem afetar a resistência estrutural da embalagem.: papelão ondulado Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 39 . bem como materiais e processos de clareamento agressivos ao meio ambiente e aos funcionários envolvidos na produção. Etapa de transporte/uso: . motores. . As diretrizes para PSS com foco na embalagem foram estruturadas com base nas etapas do ciclo de vida.palete brasileiro. Caso seja necessário utilizar este modal. . como o “fundo mágico”. com medidas de 1200x1000mm. pois alguns especialistas (ex. por meio do transporte a granel. . cujo processo produtivo busca considerar o manejo sustentável de florestas manejadas e o uso de parte da matéria-prima reciclada (ondas internas das chapas). avulsos (podem perder-se).Otimizar o uso dos caminhões. evitar o uso de dispositivos e componentes muito complicados (podem causar erros de manuseio).Evitar o uso de embalagens. de alto impacto ambiental devido ao uso de combustíveis fósseis e à emissão de gases tóxicos. 2006) defendem que nesta situação os impactos ambientais aumentam consideravelmente devido à matriz fóssil usada no Brasil.Considerar. espera e verificação com o uso de PSS que incorporem sistemas de identificação como o RFID. especialmente a do PBR . Klabin).Evitar o superdimensionamento das embalagens. o que contribui para a redução do consumo de combustível dos caminhões. o que contribui para um melhor aproveitamento do espaço nos caminhões. Neste caso pode ser mais interessante prever embalagens de uso único que possam ser facilmente desmontadas e recicladas.Optar por sistemas de transporte ambientalmente menos impactantes (hidroviário.Possibilitar a incorporação de suportes nas embalagens.Reduzir o peso das embalagens. . Etapas de Pré-produção e produção: . como parte de um possível PSS a ser implementado.Possibilitar a montagem e desmontagem rápida da embalagem.Buscar.Terceirizar a gestão do ciclo de vida do sistema de proteção e transporte para uma empresa especializada em PSS voltado a esta necessidade. .Evitar o uso de embalagens retornáveis em cadeias logísticas que exijam grandes distâncias de retorno. . da extração da matéria-prima até o descarte. ferroviário) e baseados em fontes energéticas renováveis. . e da redução do número de etapas no processo logístico. ou prever o reuso. otimizando o tempo e a eficiência de operação. . e nas estratégias de life cycle Design propostas por Manzini e Vezzoli (2002) e por CfD/RMIT (2001). fornecedores próximos à indústria para produtos de baixo valor agregado. . reduzir o número de viagens. ou mesmo reutilizadas para novas aplicações nos locais de destino. e com isso definindo o tipo de chapa ideal para a embalagem. .No caso de peças com alto peso (ex.Reduzir o volume das embalagens. sempre que possível. por meio de embalagens dimensionadas a partir de medidas-padrão de paletização. para então expandir a abordagem para outras partes do sistema onde o PSS fosse aplicável. reparo. e com isso dispensar o uso de paletes. projetar a embalagem considerando a possibilidade de reciclagem em cascata no destino é fundamental. .

e não apenas da embalagem. ou ACV).Evitar o uso de impermeabilizantes na embalagem (ceras. forma de uso. . isto possivelmente ocorreria também nas outras três empresas do meta-estudo de caso. Com isto pode-se.Considerar a possibilidade de se utilizar materiais diferentes na embalagem retornável conforme o nível de esforço exigido em cada parte da mesma (ex. sobretudo. a etapa de transporte era a ambientalmente mais impactante.Considerar a possibilidade de utilizar tecnologias que permitam o controle e identificação da embalagem ao longo do ciclo de vida. manutenção e descarte.No caso de peças com superfícies sensíveis. e não o sistema como um todo. e as quantitativas. e a possibilidade de agregar à embalagem funções adicionais que maximizem esta finalidade (ex. . Particularmente. tintas) que inviabilizem a reciclagem. a tintas compatíveis que não inviabilizem a reciclagem.Possibilitar a aplicação. . . pode haver situações em que a embalagem nem mesmo seja necessária. evitando grampos ou colas não-compatíveis. se verificou também que a metodologia Mepss foi adequada à pesquisa e ao desenvolvimento de novos conceitos pelos designers. a fim de proporcionar conforto e segurança no manuseio. Os resultados dos estudos indicaram que o impacto ambiental nos processos logísticos das empresas estudadas é tratado focando-se a embalagem em si. . da falta de abordagem sistêmica. . projetar aberturas para o encaixe das mãos dos operadores. 5 Conclusão e recomendações de estudo Pode-se concluir que as principais contribuições deste estudo referem-se à constatação de que os problemas ambientais mais relevantes nos sistemas estudados decorrem. pelas ferramentas utilizadas. e evitar áreas de impressão muito chapadas. percebeu-se que a etapa ambientalmente mais impactante era o transporte.Possibilitar a manutenção. pois se prioriza ações como a reciclagem em situações em que seria melhor o reuso da embalagem.com uso da técnica CFG). laterais em papelão ondulado). .Nas laterais. . como o RFID (Radio Frequency Identification ou Identificação por Radio-frequência) aplicado na embalagem por meio de etiquetas adesivas. reduzir custos com controle de inventário. estende-se a vida útil da embalagem sem comprometer a separação e a reciclagem. na medida em que considera o impacto ambiental de todo o sistema.: embalagem retornável que serve como organizador e dispenser na produção). vernizes. ocorrem erros em termos de ações de redução de impacto ambiental. por exemplo. . No estudo de caso principal desenvolvido nesta dissertação. O uso de um meta-caso mostrou-se bastante produtivo para buscar-se a 40 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . na impressão. base e tampa em termoplástico resistente. divisões internas e outros planos da embalagem posicionados verticalmente. No estudo na Volkswagen.Dar preferência. considerar sempre o uso do papelão ondulado com as ondas na vertical. ou pela modularidade de etapas da metodologia.Desenvolver a embalagem considerando a finalidade de uso do produto nela transportado. considerar o uso de materiais complementares que evitem o contato direto com o papelão ondulado devido à sua abrasividade. seja pela possibilidade de planejamento. Com isso. os Storyboards (visão das propostas) e o checklist (ocorrência ou não de fatos). incentivando a adoção de atitudes ambientalmente corretas. Inserir simbologia adequada de reciclagem. no estudo de caso da Volkswagen. substituindo-se o seu uso por outros sistemas de proteção e transporte. tamanho e peso da embalagem retornável. Etapa de fim de vida . na embalagem. pois nestas as distâncias de transporte eram ainda maiores. transporte.Dependendo da função. ou o reuso em situações em que seria mais adequado o descarte no destino final. pois neste sentido o material apresenta máxima resistência. Se. Este resultado. fitas adesivas em kraft). Com isso. o que foi comprovado pela análise quantitativa (análise do ciclo de vida. cuja validade pôde ser ampliada com a realização do metaestudo de caso. tempos de operação e problemas de falta de material na produção. influenciou diretamente na proposição das diretrizes apresentadas no capítulo anterior. Com isso. reparo e até mesmo a remanufatura das embalagens retornáveis por meio de materiais compatíveis (ex. foram úteis as ferramentas qualitativas como o System Map (visão do sistema). como a ACV (identificação das etapas críticas e tipos de impacto). A abordagem de PSS pode minimizar este tipo de erro. de mensagens visuais e textuais relacionadas à matéria-prima utilizada.

São Paulo: Edusp. Finalmente. C. Vezzoli. papelão ondulado. 2005. Vezzoli. quanto às informações sobre processos e produtos. Promise Manual. Assen: Royal Van Gorcum. clever and competitive strategies in European industries. Methodology for product service system innovation: How to implement clean. P.. C. a fim de que não haja desperdício de trabalho. sugere-se também que sejam feitas também comparações do nível de sustentabilidade entre diferentes PSS em embalagens retornáveis (caixas.confirmação de aspectos comuns para geração de diretrizes. Han et al. Milão: INDACO Department. 2008. metal. E. Isto é particularmente significativo no caso de empresas de grande porte. Halen C. Diretrizes para o design de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas com base em sistemas produto-serviço... latões. que possuem sistemas de acesso mais burocráticos tanto aos profissionais internos. Product-Service Systems and Sustainability. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade Federal do Paraná. 1996. & Wimmer. 2002. o que exigiu várias adaptações e mudanças de cronograma ao longo do trabalho. lonas). C. Rathenau Istitut. Manzini. Uma das maiores dificuldades para a realização do estudo refere-se à falta de sincronia entre os tempos da empresa e os da equipe de pesquisa. Referências Breezer. Sampaio. sugere-se que sejam ampliados os estudos sobre o impacto social do uso de embalagens retornáveis. UNEP United Nations Enviroment Programme. Politecnico di Milano. tempo e recursos. Entre as recomendações possíveis para futuros estudos nesta área. van. 2004. bigbags) com diferentes materiais (plásticos. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 41 . Curitiba: Editora da UFPR. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. Holanda: Delft University of Technology. R. Isso exige uma flexibilidade maior da equipe de pesquisa. Editora da Universidade de São Paulo. madeira. e sobre o limite de distância para a adoção de PSS com base em embalagens retornáveis.

.

You can get products molded by the hot and cold compress. when they are most vulnerable. Brasil dalton. has its principles in the 70s of last century. using thermoplastic or thermosetting polymers.Tecnologia para uma Sustentabilidade: o caso da Madeira Moldada Technology for Sustainability: the case of Molded Wood Prof. moldam-se os produtos. In these cases the market economy that dictates the rules of the game. Normally with the crisis is global and local changes that occur with greater intensity. A pesquisa apresenta dois métodos obtidos pelo processo de compressão a quente. por extrusão e injeção.razera@ufpr. que em molde e prensado a quente. With particles of wood and adhesive is obtained by the composite. Esta tecnologia não é inteiramente nova. thus permeating the changes. Keywords: molded products. Nestes casos a economia de mercado que dita as regras do jogo. This technology is not entirely new. quando estão mais vulneráveis. resíduos de madeira de serraria. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 43 . by extrusion and injection. permeando assim as mudanças. sustainable design. The study presents two methods obtained by the hot compression process. Porém se torna contemporânea na forma de implantação e avanços. wood waste from sawmill. Pode-se obter produtos moldados por compressão a quente e a frio . is shaping the product. The manufacture of molded products from waste wood sawdust called “wood flour”. A fabricação de produtos moldados. utilizando polímeros termorrígido ou termoplástico. Normalmente com as crises mundiais e locais é que as mudanças ocorrem com maior intensidade. which in the hot mold and pressed. a partir de resíduos de serragem de madeira denominada “farinha de madeira”.br Palavras Chave: produtos moldados. Com partículas de madeira e adesivo obtém-se o compósito. Dr. O propósito deste documento é apresentar uma tecnologia que vem a diminuir os impactos ambientais em alguns processos de fabricação que utilizamos em nossa forma de viver. é uma forma de repensar os conceitos de consumo. design sustentável. The purpose of this paper is to present a technology that has to reduce environmental impacts in some manufacturing processes we use in our way of living. and for the better. Dalton Luiz Razera Universidade Federal do Paraná. is a way of rethinking the concepts of consumption. e para melhor. tem seus princípios na década de 70 do século passado. But it is contemporary in the way of implementation and progress.

Todavia. Os compósitos tem sido muito usados nas indústrias de autopeças para fabricação de uma enorme gama de produtos e em crescente expansão. e poucas soluções adequadas . uretânicas e epóxi. 44 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . pela possibilidade de se criar pequenas indústrias para a produção de objetos moldados em partícula de madeira. como as plantações florestais de um modo geral. são um grande potencial de suprimento de material lignocelulósico. partículas de sílica. com reflexos possíveis no aspecto ambiental. Os compósitos são ideais por aliarem leveza e bom desempenho em serviço. A produção de compósitos com fibras naturais têm vantagens sobre os demais materiais de reforço tradicionalmente usados como as fibras de vidro. sendo os mais usados as resinas fenólicas. o Brasil ainda apresenta graves problemas quanto à questão de resíduos. A produção de compósitos a partir desses materiais pode agregar valor e mitigar possíveis problemas com sua destinação final e poluição ambiental. o arroz. Outra característica vantajosa é a pequena abrasão que os materiais lignocelulósicos causam durante o seu processamento. laterais e outras partes dos automóveis e caminhões. como o aço e o alumínio. A primeira vantagem é o baixo custo dos materiais lignocelulósicos comparados aos seus concorrentes orgânicos ou inorgânicos. Outra vantagem é a sua baixa densidade que permite a confecção de compósi- tos com menor densidade comparadas àqueles produzidos com materiais inorgânicos. a soja. o preço final do produto pode ser menor que o do polímero separadamente. dos processos limpos e do aproveitamento de resíduos tenha tomado grande dimensão nos últimos anos devido à constatação de que o planeta já não possa continuar a ser explorado como antes. Desta forma. bancos. A produção de palmitos comestíveis gera um volume de resíduos que é cinco vezes superior. como tijolo e cimento. Como o material natural usado como reforço nos compósitos apresenta preços menores que a própria matriz polimérica. Os compósitos são desenvolvidos com o intuito de formar novos materiais que aproveitem do sinergismo entre as propriedades mais interessantes de outros dois ou mais materiais. entre outros. não são recicláveis e o processo produtivo é mais caro não podendo ser fabricados pelo processo de extrusão e injeção que permite alta produção e baixos custos. e óxidos em geral. além do baixo custo e facilidade de reciclagem no fim do ciclo de vida dos veículos ou de suas peças. sendo ambientalmente muito mais amigável do que outros materiais. alumina. é originário de fonte renovável. Transformar este problema (resíduo) em oportunidade de negócio. a cana-deaçúcar. Os polímeros termoplásticos permitem a reciclagem dos objetos produzidos sendo cada vez mais preferidos pelas indústrias que se vêem obrigados a recolher e responsabilizar-se pela destinação final de seus produtos após o término do tempo de vida útil. desde painéis. Prensagem a Quente ou a Frio A opção por este processo deve-se principalmente a dois aspectos ligados à sustentabilidade: um de natureza energética e outro de natureza econômica. Os restos de colheitas de ciclo curto como o milho. O material lignocelulósico tem grande disponibilidade. o presente projeto deverá realizar contribuição à cadeia produtiva através da geração de conhecimento para subsidiar o projeto de produtos que utilizam resíduos do setor florestal. A produção de madeira de reflorestamento no sul do Brasil abrange grandes áreas anteriormente florestais. sendo que atualmente ao menos existe preço para sua comercialização. econômico e inclusive social. principalmente em época de crise (processo industrial de transformação) é o foco básico desta proposta. outra vantagem é que o consumo de energia para a sua produção é muito menor quando comparado a materiais cerâmicos. e a geração de resíduos no corte desta madeira em serrarias ainda é um problema. mas as culturas perenes também são excelentes fontes. As propriedades mecânicas também são diferentes. Em geral os polímeros termofixos apresentam maior compatibilidade com a superfície dos materiais lignocelulósicos. permitindo um maior tempo de vida útil dos equipamentos usados na fabricação dos compósitos.1 Introdução Embora o tema da sutentabilidade. metálicos. as resinas termofixas são normalmente menos elásticas que as resinas termoplásticas.

conforme pode ser visualizado na figura. sobre um filme plástico (celofane) medindo 55 x 40 cm. com uma distância de 3 cm. conforme pode ser visualizado na figura. Após esta densificação. com limitadores de espessura de 20 mm. (razão de compactação de 1 para 6). e o colchão de partículas se acomoda sobre o molde (macho). Na seqüência. Método de Prensagem Molde 1 As partículas de madeira encoladas com adesivo (polímero termofixo). e uma chapa de alumínio de 1mm de espessura. que geralmente têm baixa disponibilidade de capital para investir e uma demanda não tão grande de pedidos quanto as grandes indústrias. Esquema do método de prensagem do molde 1 Método de Prensagem Molde 2 As partículas de madeira encoladas com adesivo (polímero termofixo). Figura 1. Metodologia de Fabricação dos Produtos No experimento para moldagem dos produtos foram utilizados o molde 1 fabricado em alumínio fundido e o molde 2 em alumínio naval usinado. Posteriormente uma pré-compressão.No aspecto ambiental. Por exigir equipamentos mais simples e baratos e evitar o uso de energia elétrica. o colchão formado é aplicado no molde. Figura 2. acrescenta-se a outra parte do molde (fêmea) sobre o colchão para posterior compressão a quente e consolidação do produto moldado. foi utilizada a prensagem a frio. embora a prensagem a quente seja a mais usada para a produção de chapas MDF devido à alta produtividade que permite. Retira-se a chapa de alumínio. a questão da economia de energia apresenta-se como um aspecto cada vez mais decisivo para a opção ou descarte de determinados processos. este processo pode ser especialmente útil para pequenos produtores. é preenchida a cavidade entre as partes do molde por gravidade sem compressão. Posteriormente feita a compressão a quente para consolidação do produto moldado. No caso aqui apresentado. depositadas na cavidade do molde. depositadas em uma caixa formadora com dimensões próximas às do molde. Esquema do método de prensagem do molde 2 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 45 . Para se obter uma distribuição uniforme do compósito. este na posição vertical. a frio.

deve ser interpretada levando em consideração essas espessuras e suas densidades diferentes. O molde não prevê acabamento na borda do produto. gerando uma peça com dimensões de 150 x 100 x 50mm. copiando os detalhes dos moldes. usinado por prototipagem rápida. apresentando ângulos de 60º e curva de raio de 100mm. O acabamento superficial é esperado em função da geometria das partículas utilizadas. Na fabricação dos produtos a partir de moldes de alumínio. Características dos Produtos Moldados Produto Moldado 1 (Gaveta) A moldagem por compressão a quente do produto moldado 1 (gaveta) moldada através do molde 1 de alumínio fundido com dimensões de 350 x 450 x 50 mm e com espessuras variando de 8 a 16 mm (conforme as dimensões do molde). A peça apresenta a superfície com brilho em função do filme de celofane ser aplicado antes da compressão. observa-se a consolidação de duas formas diferentes de formação do colchão para a compressão dos produtos moldados. gerando uma geometria definida na borda. sendo uma face da peça do molde macho polida e outra peça do molde fêmea texturizada para verificação do acabamento superficial da peça moldada para conformação a frio e a quente. O molde prevê acabamento na borda do produto.Moldes Molde 1 Em alumínio fundido confeccionado especialmente para a moldagem das peças. com as duas maneiras se obtiveram produtos com boa aparência superficial. O produto moldado 2 copia com fidelidade as características geométricas do molde. Os produtos moldados (caixa) copiaram com propriedade as características do 46 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . elaborado com desenho de uma gaveta com dimensões de 48cm x 35cm x 9cm. Através das amostras para medição da densidade média na formação do colchão é constatada a distribuição do material moldado nas superfícies planas. para verificação se a formação do colchão teve uniformidade quando da compressão da moldagem. A densidade média distribuída ao longo dos eixos médios do produto moldado 1 (gaveta) pode ser levantada. Como a espessura tem variações conforme o desenho que o molde apresenta. O resultado é satisfatório. com espessuras variando de 3 a 4 mm. O molde foi confeccionado com algumas linhas de perfuração com diâmetro de 2mm em pontos estrategicamente definidos para possibilitar a evaporação dos gases durante a compressão. Este molde apresenta as características de uma peça tridimensional côncava com cavidade de aproximadamente 50mm de profundidade com ângulos próximos de 90º e curvas de concordância. utilizando dois tipos de tratamento superficial. O molde 2. apresentam superfície brilhante em uma das superfícies em função do filme de celofane e na parte do fundo apresentam compatibilidade com o tamanho das partículas. confeccionado em alumínio tipo naval. Produto Moldado 2 (Caixa) O produto moldado 2 por compressão a quente (caixa) moldado através do molde 2 de alumínio usinado por prototipagem rápida com dimensões de 102 x 152 x 45 mm. com 32kg. com espessura de 5 mm. inclinadas e curvas. porque executa a moldagem e corte. A peça apresenta a superfície lisa na parte interna e texturizada na externa. e possibilitando o corte dimensional da peça pelo próprio molde. podendo-se até observar a superfície lisa na parte interna do produto e texturizada na externa. Conclusões Os produtos moldados (gaveta) copiaram todas as características do molde.

E. Painéis de madeira reconstituída. S. CD-ROM. MANZINI. 2000.G. Gaithersburg: National Particleboards Association. Inc. São Paulo: USP.1993. para que o molde de alumínio obtenha a temperatura ideal de cura do adesivo nas várias partes da peça. A qualidade superficial contou com uma parte interna lisa e a superfície externa texturizada. Mat-formed wood particleboard: specification ANSI A 208. FUAD LUKE. Press.Leão and Luiz Henrique Capparelli Mattoso São Carlos: USP-IQSC / Embrapa Instrumentação Agropecuária / Botucatu: UNESP. 1993. IBAMA. 10 30. 2003. 9 p BioCycle Staff. In: 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DA MADEIRA E PRODUTOS DE BASE FLORESTAL-. ed. O tempo de prensagem nas peças moldado deve ser considerado. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 47 . VEZZOLI. 2002. Pennsylvania: The J. Barcelona: Gustavo Gili. Novas tecnologias para utilização e aproveitamento de resíduos. 2002. IWAKIRI.. Alcides L. através das laterais e perfurações em pontos determinados predefinidos. FROLLINI. AMERICAN NATIONAL STANDARD .1. Alastair.ANSI.. O molde deve permitir a eliminação da umidade liberada durante a prensagem. Curitiba. 2000. Natural polymers and agrofibers based composites: propriesties and aplications / Editores: Elisabete Frollini. E. O desenvolvimento de produtos sustentáveis. Curitiba. p. Wood Recycling: How to Process Materials for Profitable Markets. Manual de diseño ecológico. C. FUPEF. Marcus Vinicius da Silva. Referências ALVES.molde com detalhes e cortes dimensionais. 2005. com um acréscimo.

48 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .

highlighting the importance of the society’s active and conscious participation. Desta forma. reducing the use of the current plastic bags. the main subjects involved (retailer and consumers) can practice actions that will contribute to environmental protection and education. Configura-se por um check-out diferenciado em um supermercado na cidade de Curitiba-PR. resíduos sólidos. Associa-se também a proposta. the volume of solid waste composed of packs without a planned destination can be reduced. By sending these packs to recycling. Along with the same approach. os principais envolvidos (ponto de venda e consumidores) podem praticar ações que contribuem com a proteção e educação ambiental. A destinação destas para reciclagem reduz o volume de resíduos sólidos de embalagens sem destino planejado. it is encouraged the use of proper bags. sistema de consumo O Caixa Ecológico se caracteriza por uma proposta de mudança de hábito de consumo por meio do gerenciamento de resíduos de embalagens . evidenciando a importância da participação ativa e consciente da sociedade. consumption system The Ecological Check-out is characterized by a proposal to change consumption habit through the management of packing residues – currently identified as elements of great importance in the composition of urban solid waste – aiming at the minimization of environmental impact. o descarte antecipado de embalagens de plástico e/ou papel ali adquiridas e que não há necessidade de serem levadas com o produto. impacto ambiental.Inovação em Sistemas de Consumo por meio do Design: o Caso do Caixa Ecológico Innovation in Consumption Systems through Design: the Ecological Check-out Case Dulce de Meira Albach Mestre. solid waste. It is characterized by a different check-out located in a supermarket in the city of Curitiba-PR. Keywords: packages. environmental impact. A avaliação do comportamento dos envolvidos possibilita detectar novos procedimentos que permitam a intensificação da iniciativa. reduzindo o consumo das atuais sacolas plásticas. o incentivo para que sacolas próprias sejam utilizadas. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 49 . The evaluation of the behavior of the subjects involved allows the detection of new procedures that will permit the intensification of the initiative. onde os consumidores podem fazer. where consumers may – if willing to – readily discard unnecessary plastic or paper packs purchased at the supermarket.albach@gmail. Universidade Positivo dulce. conforme sua própria escolha.com Palavras-chave: embalagens. By doing this.identificados atualmente como elementos de grande destaque na composição dos resíduos sólidos urbanos – visando à minimização de impactos ambientais.

As embalagens se apresentam na forma de: frascos. p. Por outro lado. 1993.aos seus clientes e/ou consumidores. Neste crescimento. 145). bem como embalagens de papel plastificadas. eram infinitos e que a natureza absorveria o lixo produzido (GORE. afirmam os mesmos autores. como água e ar. principalmente após o surgimento dos estabelecimentos de venda a varejo. No entanto. (2005. Com o início da 1ª Revolução Industrial (1780-1850) as atividades consideradas “naturais” como: a agricultura. a pesca e a mineração. pois estes resíduos plásticos seriam suficientes para anular as importações brasileiras e incrementar as exportações. Exercem suas funções de oferecer conforto para os consumidores. Estes por sua vez farão o descarte. que a economia nacional também seria beneficiada. além de representarem significativas estratégias de comercialização que desenvolvem o setor (Mestriner. Segundo Mancini et al. No ciclo de vida das embalagens. Nesta análise. a pecuária. que se transformou em 50 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . é uma situação complexa e muitas vezes ignorada. as embalagens foram se tornando cada vez mais importantes. por meio da implantação de um check-out diferenciado que estimule uma mudança de comportamento e conscientização do consumidor quanto as questões ambientais. A venda de produtos no sistema de auto-serviço obrigou a uma completa reformulação na função das embalagens. 2001. potes. Neste contexto. p. os principais envolvidos são: o fabricante. além de tampas. a participação do ramo petroquímico no setor seria diminuída e conseqüentemente haveria economia dos recursos naturais. No entanto. Associada ao crescimento das cidades. como na facilidade de transporte ou na conservação de um produto. p. CEMPRE. lacres e adesivos. o projeto do “Caixa Ecológico” propõe um sistema de descarte antecipado destas em um supermercado na cidade de Curitiba. a necessidade de tratar e destinar adequadamente o lixo para evitar a proliferação das epidemias tornou-se inegável (MELOSI. um dos elementos de destaque que compõem os resíduos sólidos urbanos atualmente são as embalagens que contém plástico em sua composição (ALGAR. 2002. desde o início das civilizações. e a poluição passou a figurar como um fator de destaque no processo chamado de “desenvolvimento”. filmes. Observa-se desta forma que um consumidor informado e consciente e um ponto de venda que proporciona condições efetivas podem protagonizar movimentos de mudanças comportamentais e conseqüentemente podem atingir metas de melhoria de qualidade ambiental e social. com a evolução do comércio e da sociedade de consumo. Este projeto avalia a aceitação dos agentes participantes do processo quanto a mudanças de hábitos e os caminhos que podem ser tomados para a minimização de impactos associados aos resíduos sólidos urbanos caracterizados por embalagens. garrafas. estabelecimentos comerciais e escritórios. 22). foram suplantadas pela produção industrial e pelo capitalismo. 3). parafinadas e impressas. 9) se os resíduos plásticos gerados no Brasil tivessem a devida atenção em relação aos processos de reciclagem. Mestriner. 2001) – associados ou não a outros materiais. 2 Geração de resíduo sólido urbano Nas sociedades primitivas a natureza era a fonte de recursos na vida do homem e a maior parte do lixo era composta de matéria orgânica. procedentes de residências. p. a organização e gerenciamento da produção e do descarte dos resíduos destas embalagens revelam-se comprometidos em relação à proteção ambiental. chamados de supermercados. p. está a produção e destinação do lixo que inevitavelmente é gerado neste processo e que assume volumes desproporcionais à capacidade de assimilação dos ecossistemas (Dias. A humanidade passou um longo período de sua história acreditando que os recursos naturais.juntamente com os produtos contidos . saches. tubos. Assim sendo e em observação ao grave quadro atual dos resíduos sólidos urbanos enquanto embalagens. o ponto de venda e o consumidor. 2005. 2005. sacos. a intensificação da industrialização e às mudanças culturais e sociais. local este que pode exercer uma forte influência na forma de destinação das embalagens que são por eles adquiridas dos fabricantes e oferecidas . destaca-se que um ponto de venda que se caracteriza pela grande concentração de embalagens é o supermercado.1 Introdução A geração de resíduos sólidos urbanos. 2000.162).

médica (próteses. a produção de resíduos domésticos. Em pesquisa sobre a composição do lixo gerado pelos municípios brasileiros. identificar. bem como o envolvimento dos seus geradores (consumidores). desempenha importante papel dentro do ciclo de vida de uma simples embalagem de consumo. 32). seja em termos quantitativos ou qualitativos. materiais que podem vir a substituir os polímeros convencionais advindos do petróleo. tintas. Caracteriza-se por um processo bastante abrangente e com variabilidades em função do tamanho da empresa fabricante. os requisitos operacionais relacionados aos materiais utilizados pela indústria exigiram características específicas de metais. O objetivo do denominado Life Cycle Design (LCD) é criar uma idéia sistêmica de produto ou serviço. 150) descreve que 60% dos plásticos utilizados em embalagens são Polietilenos (PE). 2006). além dos polímeros utilizados em tintas e acabamentos superficiais encontrados também em embalagens de papel. 5). as legislações em vigor. tipo de produto entre outras. Quanto a composição. Neste segmento. ponderando-se assim a nocividade de seus efeitos. logo se configuraram como revolucionárias. porém. Impulsionou-se assim. O plástico começou a fazer parte da vida das pessoas. vidros. borrachas. pois tem forma definida e marcas dos produtos agregados. 11% são Poliestirenos (PS) ou styrofoam.. precedido apenas da celulose (Mestriner. Manzini e Vezzoli (2005. etc. Este conceito pode ser associado ao princípio da responsabilidade teorizado em meados de 1979 e que apresentava reflexões sobre um “agir irresponsável”. Um exemplo se caracteriza pelos estudos em torno dos bioplásticos (Pradella. provocaria na biosfera. 2001). foi evidenciado que em Curitiba. dentre as quais. em substituição aos naturais. E. Dias (2002.: saches).ícone da cultura de massa. envolvendo seus sentidos (táteis. reciclagem e reutilização. p. p. p. e contribuindo para a escassez de seu recurso natural básico: o petróleo (KAZAZIAN.000 toneladas de lixo. 100) analisam que produtos ambientalmente corretos devem se basear no conceito de ciclo de vida. p. para ultrapassar limites de produção e/ou viabilizar um processo produtivo e conquistar a preferência de algum determinado público consumidor em adquirir diversos tipos de produtos. Os polímeros. a embalagem aparece como o item de maior visibilidade. 90. depois de matéria orgânica (CEMPRE. comunicar e auto-vender o produto. O imenso volume de embalagens descartadas provoca atualmente sérias discussões sobre degradabilidade. dentro de um cenário cada vez mais competitivo (MESTRINER. Segundo a Algar (2005). Este processo de desenvolvimento tecnológico não atentou. Portanto. As primeiras descobertas dos polímeros sintéticos (com início em meados do séc. às conseqüências ambientais que a geração destes “materiais artificiais”. que podem ser utilizados em embalagens rígidas (ex. 2001. utilizados em fraldas descartáveis. passaram a ser amplamente utilizados nas mais diferentes áreas: higiene. esportiva. muitas vezes rapidamente descartáveis. fibras. para plástico. feitas em vidro ou papel. p.39). Por outro lado. com tempo de vida variando de 50 a 200 anos. etc. o plástico é o material encontrado em maior quantidade. embora o principal componente do lixo urbano seja o resíduo orgânico. 31% da composição dos resíduos sólidos municipais no Brasil são embalagens. órgãos artificiais). olfativos. porém com o diferencial de serem biodegradáveis. XIX). pigmentos e embalagens. 10% são Polipropilenos (PP). 2000. mais especificamente os plásticos. isolamento térmico.23).: frascos) ou filmes (ex. p. abordando a necessidade do indivíduo e da coletividade assumir as conseqüências de seus atos (KAZAZIAN. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 51 . a mudança do material de embalagens “tradicionais”. p. utilizados em estofamentos. 2005. 2005.000 têm origem domiciliar (cada pessoa produz em média de 600g a 1 kg de lixo por dia). além do surgimento de modelos novos. expor. principalmente pela habilidade de transformação do novo material. proteger. Todos compõem um grupo de materiais de alta persistência no ambiente. em que os inputs de materiais e de energia bem como o impacto de todas as emissões e refugos sejam reduzidos ao mínimo possível. À embalagem moderna foram atribuídas as tarefas de: conter. Este estudo também destaca que no Brasil são produzidas 241. gustativos) (LEFTERY. plásticos. afetando a vida do homem e do planeta como um todo. o plástico é o segundo material mais utilizado. apresentando propriedades mecânicas semelhantes. visuais. embalagens de alimentos e outros. agregando funções e características técnicas.17). eletroeletrônica. 2001.

Segundo esta análise. Estes dados alertam para uma possível separação inadequada dos resíduos devido ao desconhecimento sobre o seu destino final. Em pesquisa realizada pela Market Analysis Brasil (2006). em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte. a revenda ou a doação de itens que. especializada em bonecos de brinquedo convida o consumidor a participar dos 3 R’s (reduzir. 2007). Curitiba. constatou-se que 78% das pessoas entrevistadas têm acesso à coleta seletiva. utilização racional de material. provavelmente seriam dispostos no lixo (CIWMB. tornando o setor produtivo responsável por seus resíduos e evitando. criaram o “Supermarket Recycling Program Certification” (SRPC) para incentivar os supermercados a desenvolverem programas de reciclagem e/ou reuso de materiais (BioCycle. 2007) publicou artigo induzindo à reflexão sobre formas de comportamento que podem modificar a vida em sociedade e que dependem de cada cidadão. despertando a consciência das populações para o grave problema que estes resíduos representam nas sociedades. principalmente em rios e córregos. uma rede de supermercados oferece aos seus consumidores e à comunidade um programa que se caracteriza por postos de coleta seletiva de embalagens pós-consumo. No Brasil. 52 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . a magazine XL-SHOP. reutilizar. Nesta proposta. (2004) aborda as responsabilidades no processo de fabricação das embalagens plásticas no Brasil e analisa o sistema de coleta seletiva. Em Cuiabá. juntamente com a empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica ao Estado do MT. 2007). sem esta iniciativa.COM. Este grupo possui. para o reuso e a reciclagem. O governo da Noruega financia os projetos do “Cleaner Production”. que inicia com a sua própria criação. o “Waste and Resources Action Programme” propõe debates com a comunidade dos designers visando a orientação dos projetos de embalagens para a racionalização de materiais. na água e no solo (KJAERHEIM. No entanto. Florianópolis. Referindo-se aos problemas ambientais nos Estados Unidos. o Massachusetts Department of Environmental Protection (MassDEP) em conjunto com o Massachusetts Food Association (MFA). de papel. 2007).Santos et al. atualmente percebe-se que os consumidores ingleses estão dispostos a pagar mais por produtos embalados de forma ambientalmente responsável e por marcas éticas a este princípio (WOODS. ou se o cliente preferir pode doá-los ao projeto “Fome Zero” do Governo Federal. uma empresa de reciclagem e uma rede de supermercados. Segundo a instituição. Este material é direcionado as cooperativas de catadores de recicláveis cadastradas pelo projeto (Pão de Açúcar. assim. onerar o setor público. a Revista Newsweek (Ramirez. Na Inglaterra. a população pode trocar latinhas de alumínio e garrafas PET por bônus a serem descontados na fatura de energia elétrica (CEPROMAT. 2002). e ao mesmo tempo agregar valor econômico às famílias de baixa renda. como um primeiro passo para viabilizar as atividades recicladoras. acontece a campanha denominada de “Second Chance Week” para promover o reuso. Na Malásia. porém somente 23% conhecem o destino dado ao lixo após a coleta. também. vidro. o setor de design é o principal promotor da minimização de resíduos de embalagens. 2007). Estes cupons equivalem a descontos para compras no hipermercado. 2006). o reparo. programa que há mais de 15 anos estimula. No mês de Outubro. Salvador e São Paulo) sobre a consciência ambiental associada à coleta seletiva de lixo. 2002). Na Califórnia a campanha do “America Recycles Day” é realizada todo ano no dia 15 de Novembro. em San Francisco Bay Area na Califórnia que visa conscientizar os consumidores de como suas atitudes impactam no meio ambiente (CIWMB. o Governo do Estado. atitudes práticas que efetivamente contribuem com a correta destinação de resíduos sólidos enquanto embalagens podem ser observadas em várias partes do mundo. reciclar) e oferece desconto aos clientes que fizerem suas compras utilizando suas próprias sacolas (XL-SHOP. Em Boston. plástico e metal. “Save Money and the Environment Too” é o nome da campanha criada em 1995. por meio das empresas participantes. no Mato Grosso. redução de consumo de energia e de emissões no ar. 2005). a instalação de centros automatizados de venda reversa no qual máquinas emitem cupons quando recebem a deposição de embalagens de PET e latas de alumínio. firmaram um convênio que pretende reduzir o impacto poluente dos resíduos sólidos.

frios. legumes e verduras. Posteriormente. Esta ação diminui o volume de resíduos sólidos gerados nas residências e nos estabelecimentos comerciais. julgou-se que um supermercado que se interessa pelas questões sociais. além de outras atividades consideradas condizentes com suas possibilidades.3 Caixa Ecológico Este sistema se caracteriza por um conjunto de ações que promovem o gerenciamento do descarte de embalagens visando à conscientização e educação ambiental. envolvendo folders e divulgação na mídia. observou-se que uma rede. a intenção é que cada consumidor utilize o mínimo de sacolas necessárias. foi definido que a nova proposta seria implantada no novo supermercado da rede. Além da campanha publicitária desenvolvida pela agência de publicidade desta rede de supermercados. com destaque às questões ligadas à geração e descarte de resíduos de embalagens. No caso específico deste projeto. cliente. visando à diminuição de sacolas plásticas enquanto resíduos em aterros sanitários. Sendo assim. Numa releitura de modelos semelhantes observados fora do Brasil e em alguns poucos casos observados no país. O Caixa Ecológico possui uma sacola plástica diferenciada quanto à cor e a informação gráfica. padaria. após o encerramento da passagem das compras é visualizado na tela do check-out o número de embalagens de plástico e de papel deixado pelo cliente e o nome da instituição filantrópica que será beneficiada pelo valor do montante das embalagens arrecadadas e encaminhadas à reciclagem. e 2 – descartar. sem destino planejado. embalagens que não há necessidade de serem levadas com o produto. este modelo pretende evidenciar a importância da participação ativa da comunidade nas questões ambientais e. segurança. Neste. CPD (Central de Processamento de Dados). No entanto. selecionada a cada três meses. Três grupos de funcionários foram organizados. acabara de pagar. Sendo assim. se diferenciava também por ter um trabalho de inclusão social. confeitaria. que estava ainda sendo construído. embalagens tipo blister. envolvendo diferentes setores: operação e fiscalização de caixa. o que distingue a participação do cliente em relação aos demais check-outs. empacotamento. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 53 . Na instalação. Uma estratégia considerada de grande importância foi o esclarecimento ao cliente de que as embalagens são destinadas à reciclagem e o valor arrecadado é revertido para uma instituição filantrópica. também. os funcionários obtiveram informações sobre os graves problemas ambientais da nossa socie- dade. Neste contexto. por meio de duas ações: 1 . O supermercado foi selecionado para a implantação do sistema por ser um local de grande concentração de embalagens com destino. reduzindo a poluição. principalmente.trazer de casa sua própria sacola para colocar algumas de suas compras. nos containers apropriados ao lado do caixa e conforme sua própria escolha. frutas. cancelista e zeladoria. o check-out destinado ao funcionamento do Caixa Ecológico foi diferenciado dos demais pela cor verde onde então. conheceram os propósitos do projeto do Caixa Ecológico e seu sistema de funcionamento. poderia estar interessado a discutir também as questões ambientais. O pressuposto foi confirmado e o supermercado aprovou a iniciativa se predispondo a ser parceiro do projeto. Nestes treinamentos. foi elaborado um material impresso para ser entregue às operadoras de caixa. Visando facilitar o atendimento ao consumidor. o consumidor é convidado a participar da iniciativa. pacotes com mais de uma embalagem. considerada de médio porte. entre outras. açougue. às residências dos consumidores. envolvendo os agentes de grande importância na geração de resíduos sólidos urbanos que são: o ponto de venda e o consumidor. avaliar a aceitação quanto a mudanças de hábitos. e em análise aos perfis dos supermercados instalados na cidade de Curitiba. outras estratégias foram traçadas para garantir a eficácia do sistema. os funcionários começaram a ser treinados para a ação ter a maior abrangência de entendimento e apoio possível. Quinze dias antes da inauguração. Este procedimento visa esclarecer que o supermercado não tem lucro com as embalagens deixadas nos containers e pelas quais ele. emprega jovens com deficiência auditiva ou deficiências mentais leves para auxiliar nas atividades de empacotamento e transporte de compras. como: invólucros. indicando os procedimentos operacionais para o atendimento e sugestões de algumas embalagens para descarte.

havendo um pequeno destaque para aposentados(as) e donas de casa. b) 2 pessoas afirmaram que realizam a separação de resíduos em casa.Pesquisa com os consumidores Para a avaliação do sistema foi aplicado um questionário padrão junto aos consumidores que utilizam o check-out para constatar a aceitação ou não da iniciativa. “As sacolas plásticas deveriam ser biodegradáveis” e “O supermercado deveria ter sacolas de tecido reutilizáveis”. A Gráfico 1 – Porcentagem das contribuições realizadas no Caixa Ecológico Quanto ao perfil dos consumidores. A maioria reside no bairro da loja ou em bairros próximos. c) 1 pessoa sugeriu que todos os caixas deveriam ser ecológicos. os resultados foram os seguintes: a) 3 pessoas fizeram referência à sacolas. porém se predispõe a participar e apoiar a idéia. com média de idade entre 41 a 50 anos e grau de escolaridade superior (Gráfico 2). 100% dos entrevistados afirmaram que voltariam a utilizar o caixa e 51% realizaram algum tipo de contribuição. Pelo fato da recém inauguração e os sistemas de divulgação estar em processo de implantação na época da realização da pesquisa. a maioria dos entrevistados (60%) é do sexo feminino. funcionárias que entraram diretamente em contato com os consumidores. A pesquisa constatou a aceitação do consumidor. Gráfico 2 – Porcentagem do grau de instrução dos consumidores entrevistados A renda familiar é na faixa de 9 a 13 salários mínimos (sendo 1 salário mínimo correspondente à U$ 870) demonstrando que os freqüentadores do supermercado são de classe média alta. 54 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Diante destes resultados. 57% fazem compras em supermercado uma vez por semana e destes. Os procedimentos de campo foram realizados no período de 10 a 31 de outubro de 2006 onde foram entrevistados 350 consumidores. 50% costumam fazer suas compras neste supermercado. As ocupações são bastante diversificadas. conforme o Gráfico 1. local para colocar resíduos trazidos de casa. 83% afirmaram que dariam preferência a este supermercado pela iniciativa do Caixa Ecológico. com as seguintes observações: “O supermercado deveria vender sacolas de transporte com a logomarca da rede”. ou seja. Em pergunta aos entrevistados quanto a sugestões sobre o Caixa Ecológico. que registraram suas compras no Caixa Ecológico. Dos clientes entrevistados. bem como detectar necessidades de mudanças e/ou adaptações. que pelo ineditismo da iniciativa. decidiu-se por realizar uma pesquisa qualitativa com as operadoras de caixa. d) 1 pessoa declarou que o supermercado deveria instalar local próprio para resíduos especiais. a maioria. 97% dos entrevistados souberam do Caixa Ecológico na própria loja. e assim poder checar a veracidade das informações. em diferentes horários de visitação à loja. não conhecia o Caixa Ecológico. ou seja.

não considera que esta atitude é da maioria. segundo dados do supermercado. Esta rede estabeleceu uma parceria com uma recicladora de alumínio. A Tabela 1 apresenta a quantidade média de embalagens descartadas no período de 10 de outubro a 30 de novembro de 2006. Porém. na prática. pois alegam estar fazendo também uma contribuição social. bem como desenvolver mecanismos que o estimulem a mudar seus hábitos. Na primeira semana foram descartadas 1547 embalagens. Tabela 1 – Quantidade de embalagens descartadas Fonte: Dulce Albach Nota: As pesagens foram realizadas conforme a disponibilidade do supermercado. geralmente estão com mais pressa – são normalmente clientes que estão saindo do trabalho e indo para a casa . O número total de embalagens descartadas nestes 52 dias analisados é de 3212. Embora o volume de embalagens descartadas no Caixa Ecológico. evidenciando a necessidade de se ampliar o processo de informação e divulgação da proposta. Na opinião das operadoras. Nos 30 dias subseqüentes o volume caiu para 1268.do que os clientes que fazem suas compras em horários correspondentes ao primeiro turno. Os fatores considerados influenciadores foram: a proximidade ao local de trabalho e os fatores preço e variedade. Alguns entrevistados alegaram que não utilizaram o Centro de Coleta do hipermercado porque fazem a coleta seletiva em seus condomínios e outros doam seus resíduos às cooperativas de catadores. O grupo do primeiro turno também recebe respostas negativas quanto à colaboração do cliente. alegando que muitas pessoas não estão dispostas a deixar suas embalagens. os clientes que freqüentam os horários do segundo turno. que analisou a relevância dos Centros de Coleta de embalagens recicláveis como fator de atração de clientes em supermercados. no entanto. os clientes se sentem constrangidos em responder que não querem usar o Caixa ou que não trarão suas próprias sacolas e assim. estes clientes afirmam já participar da coleta seletiva em casa ou informam que preferem trazer as embalagens vazias numa próxima vez. Pode-se observar que o consumidor não está familiarizado com iniciativas desta natureza. Esta pesquisa observou as atitudes dos consumidores em uma rede de hipermercados com lojas em São Paulo. aumentando conseqüentemente o fluxo de pessoas nas lojas. segundo observação na loja. Nos resultados da pesquisa constatou-se que a existência de Centros de Coleta não foi um fator que influenciou a escolha do local de compra pelos consumidores.pesquisa foi realizada com dois grupos: o grupo das operadoras que trabalham no primeiro turno (09h00 às 15h30) e o grupo das operadoras do segundo turno (15h30 às 10h00). e bem por isso não estão dispostos a perder o mínimo tempo ouvindo explicações ou descartando suas embalagens. Uma das hipóteses levantadas para este fato ocorrer é que. para juntos recolherem embalagens descartadas e associarem a imagem das empresas com a proteção do meio ambiente. a atitude nem sempre corresponde a estas respostas. Averiguou-se que o grupo do segundo turno é mais pessimista em relação ao Caixa. Esta pesquisa também ressalta a importância de campanhas de incentivo que ampliem o processo de divulgação e motivação dos clientes. sendo 1747 em- Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 55 . 4 Resultados e discussões O levantamento dos resíduos descartados foi realizado por meio do sistema de controle instalado pela equipe da CPD – Central de Processamento de Dados do supermercado. Algumas informam ter clientes “fiéis” e que quando chegam ao Caixa Ecológico já estão familiarizados com a participação. Segundo as operadoras. tenha diminuído. Estes resultados podem ser comparados aos de outra pesquisa realizada por Chaves e Batalha (2006). respondem positivamente às questões da pesquisa. Rio de Janeiro e Belo Horizonte. o número de freqüência de clientes permaneceu constante.

e embasados na importância que todos os envolvidos neste projeto acreditam que ele signifique. que se evidencia como o mais utilizado pelos clientes. para que esta sacola seja utilizada nas compras substituindo as sacolas plásticas. O critério estabelecido é que o local seja cadastrado na Receita Federal e na Fundação de Ação Social (FAS). ampliando a participação e efetivando a viabilidade econômica do projeto. Sabe-se que a maior preocupação desta proposta são as questões ambientais. Desta forma. teriam a possibilidade de descartar suas embalagens e conseqüentemente conhecer a proposta.Aquisição de sacolas em tecido para serem comercializadas na loja e/ou oferecidas aos clientes como prêmio a uma determinada quantidade de cupons do Caixa Ecológico.842 sendo que destes. reduzindo a quantidade de embalagens coletivas. o sistema pode se expandir no sentido de sensibilizar os fabricantes em relação aos projetos de design de suas embalagens. tanto internas como externas. comprovando assim prestar os serviços de assistência a que se propõe e também que necessite de recursos financeiros. As lixeiras foram instaladas nas quatro lojas da rede situadas em Curitiba. independentemente de realizarem alguma contribuição no momento da compra.Instalação de um sistema de embalagens retornáveis de produtos de limpeza com desconto em troca da embalagem vazia. como palestras e acompanhamento de atitudes no local. novas ações de informação estão sendo planejadas para conscientização e colaboração dos envolvidos. Por exemplo. Por isto. estando situado em local de fácil acesso e circulação. o total dos resíduos gerados pelas lojas terá um destino ambientalmente correto além de se somar aos resíduos do Caixa Ecológico. 8. Diante deste quadro de valores. uma hipótese seria a elaboração de uma Campanha de Incentivo ao Caixa Ecológico envolvendo promotores para auxiliar no processo de esclarecimento e convencimento da população. A quantidade de cupons de compras registrados em toda a loja foi de 62.balagens de plástico e 1455 de papel. independentemente de qual loja fizessem suas compras. O volume interno de resíduos gerado em todas as lojas da rede é significativo e não possuía até aquele momento um sistema de coleta planejado (A rede tem um sistema de gerenciamento de resíduos apenas para seus resíduos relacionados às mercadorias). pôde–se concluir que um fator a ser melhor desenvolvido é a divulgação.954 são do Caixa Ecológico. por meio de apelos próprios para distinguir seus produtos e suas embalagens em associação ao Caixa Ecológico.Parcerias com os fornecedores do supermercado. o valor arrecadado com as embalagens recicladas deve ser revertido a instituições filantrópicas. A primeira alternativa definida foi a instalação de lixeiras destinadas à coleta seletiva. associadas ao Caixa Ecológico viabilizem a somatória de um valor mais significativo para ser doado à instituição filantrópica. . Observou-se que além destas. Isto se dá em função do posicionamento do caixa no lay-out da loja. . em associação ao fornecimento de brindes promocionais. Processo avaliativo 56 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Neste período de funcionamento do Caixa Ecológico e em análise qualitativa ao comportamento tanto dos funcionários do supermercado.Desenvolvimento de novos displays para as prateleiras expondo adequadamente embalagens unitárias. . medidas de convencimento do consumidor são importantes para conquistar a participação. Com esta iniciativa. Numa abordagem mais abrangente. no entanto. todos os clientes. Outra media que favoreceria a divulgação e adesão seria a instalação de um Caixa Ecológico nas demais lojas da rede em Curitiba. concluiu-se que é necessário se estabelecer outras atitudes que. dos clientes como da comunidade entorno. nos supermercados da rede em questão. Este procedimento também promoveria o aumento da quantidade de embalagens descartadas diariamente. revendo materiais e processos de forma mais aprofundada enquanto análise de ciclo de vida. Para isto. outras ações também agregariam qualidade e ampliação do sistema: . Como já abordado anteriormente.

22. Newsweek. 423-434. Plásticos: consumo versus descarte. desde a especificação de seus materiais de fabricação. p. Ilus. se suas atitudes mudarem terão que ser satisfeitas. Londres. n.. representar uma parcela de colaboração no final do ciclo de vida das embalagens domésticas e assim atingir o maior número possível de envolvidos para o questionamento de suas atitudes e o comprometimento com as mesmas em relação a proteção ambiental. Este projeto pretende. Envolve instituições filantrópicas que podem associar as análises de suas ações sociais também às ambientais. dificuldade de modificar hábitos. SANTOS. não é mais considerado experimental e a rede de supermercado está analisando a expansão do conceito para as demais lojas. ou por preguiça. v. WOODS. BioCycle. Sarah. n. O ponto de venda supermercado. 329-339. KJAERHEIM. 2005. Rio de Janeiro: ABES. apr. n. aquisição pelo consumidor. MANRICH. 2007. 7-7. RAMIREZ. 16.. In: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. 5. Anais. 307-312. Journal of Cleaner Production. VIEIRA. Muitos não colaboram. AGNELLI. Design Week. 13. e material não publicados CEMPRE. Sandro Donnini. Referências Artigos em revistas acadêmicas/capítulos de livros Anonymous... com a instalação do Caixa Ecológico. descarte e processos de destinação e/ou tratamento. local de grande concentração de embalagens. CHAVES. os processos utilizados. 3. A G U I L A R . Allan Camargo. Gudolf. v. São Carlos. n. 16. há necessidade de se estabelecer responsabilidades e comprometimento dos envolvidos neste processo. v. jan.. set. Pode-se perceber que se configura por um trabalho em equipe e/ou uma ação de coletividade onde a soma dos esforços se complementam. v. Massachusetts. para que este ciclo seja eficiente. Envolve os fabricantes de em- balagens que precisam acompanhar os anseios de seu público alvo e que.. sistemas de distribuição. O ciclo é amplo e está num processo inicial.-dez. Alex Rodrigues. p. Gisele de Lorena Diniz. Jessica.47. Recycling Certification for Supermarkets. desinteresse ou por simples desinformação. Envolve os consumidores (responsáveis pelo descarte das embalagens) que se vêem instigados a repensar suas atitudes e seus hábitos. Gest. 2006. Livros. Polímeros. Envolve os supermercados concorrentes que observam com atenção a iniciativa e analisam a possibilidade de também aderi-la. 13. o Caixa Ecológico. How to Live a Greener Life. p. Saneamento Ambiental Brasileiro: Utopia ou Realidade?. Os Consumidores Valorizam a Coleta de Embalagens Recicláveis? Um Estudo de Caso da Logística Reversa em Uma Rede de Hipermercados. Cleaner production and sustainability.5 Considerações finais Os resíduos sólidos urbanos compostos por embalagens representam uma grande ameaça a proteção ambiental se não forem adequadamente observados e inseridos nas análises do ciclo de vida destas embalagens. Este procedimento confere ao estabelecimento o caráter de ser ecologicamente comprometido. 149. Manual de Gerenciamento Integrado do Lixo Municipal. 2006. O prazo para a consolidação de mudanças quanto ao destino ambientalmente correto e ideal para os resíduos de embalagens domésticas é incerto. v. p. tab. MANCINI. Estas análises acompanham o projeto da embalagem. 82-82. Envolve o setor público que vê com simpatia atitudes que deleguem aos empresários e a comunidade. mar. p. No entanto. José Augusto M. Boston. BORDIGNON. Desde o responsável pela extração da matéria-prima. 2005. Wrap to Boost Guidance on Greener Packaging Design. uso. Sati. Amanda Fiori. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas: CEMPRE. responsabilidades que até então são atribuídas apenas ao estado. Prod. 2. p. p. 14. Envolve as recicladoras que vislumbram mais uma fonte de matéria-prima.3. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 57 . Trabalha-se assim num círculo fechado onde todas as etapas visam a sustentabilidade e a mínima agressão ao meio ambiente. Eduardo D’Áurea. Amélia S. passando por todas as demais etapas até o responsável em organizar um destino correto no final do percurso. 1-10. Mário Otávio. porém uma parcela de contribuição está lançada com o Caixa Ecológico. São Carlos. n. 2007. F. New York. Tendências e Desafios da Reciclagem de Embalagens Plásticas. NOGUEIRA. Porém. 2000. fornece um local próprio para o descarte de embalagens para a reciclagem. 2004. BATALHA. descaso.

2005. São Paulo: Gaia. XL-SHOP. Martin V.Título original: Il y aura l’âge dês choses légères: design et développement durable. 58 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .cepromat. ed. Tradução Elenice Mazzilli et. Disponível em: <http://www.asp>. reform. ALMEIDA. 2007. Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana.com. Centro de Gestão e Estudos Estratégicos. California. Acesso em 21 abr. MANZINI. al..anbio. Melosi – Ver. 2007. Disponível em: < http://www. VEZZOLI. 2007.php?codigoNoticia=417>. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável / organizado por Thierry Kazazian. Mies (Switzerland): Rotovision.ciwmb. com. Textos publicados na internet ALGAR Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S. PÃO DE AÇÚCAR. GORE. Plastic: Materials for Inspirational Design.pdf>.xl-shop. 2005.grupopaodeacucar. 2005.A.gov/Publications/LocalAsst/31002002.br/html/noticia. 2006.gov. MELOSI. 2004. tradução de Eric Roland René Heneault. Garbage in the cities: refuse. Thierry. Organizado por Rualdo Menegat e Gerson Almeida. São Paulo: Edusp. 2007. Disponível em <http://www. São Paulo: Makron Books.DIAS. CIWMB – The California Integrated Waste Management Board. Acesso em 27 ago. Albert. São Paulo: Augustus. Acesso em 17 fev. 2005. CEPROMAT – Centro de Processamento de Dados do Estado do Mato Grosso. br/ port/download/mídia/banasqualidade_fev-06.mt. Disponível em: <http:// www. Design de Embalagem – Curso Básico. São Paulo.ca. 2002. Ezio. David Satterwaite et al. Porto Alegre: Editora da UFRGS.pdf>. KAZAZIAN. Disponível em <http://www.com.com/>.br/pdf/2/ tr06_biopolimeros. 2006.marketanalysis. Genebaldo Freire. Gerson. Rualdo. Save money and the Environment too: A Model for Local Government Recycling and Waste Reduction. and the environment / Martin V. 2001. LEFTERY. MENEGAT.pt/rsu/valorizacao. 1993. São Paulo: Editora Senac São Paulo. PRADELLA. 2001. PA: University of Pittsburgh Press. Biopolímeros e Intermediários Químicos.algar.pdf>. Acesso em 26 abr. MARKET ANALYSIS BRASIL. 2002.br>. A Terra em Balanço. Acesso em 25 mar. José Geraldo da Cruz. 2007. Fabio.org. Carlo. Disponível em: <http://www. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis. Chris. Disponível em: <http://www. Acesso em 06 abr. Os requisitos ambientais dos produtos industriais. Acesso em 23 mar. Pittsburgh. MESTRINER. Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental nas Cidades: estratégias a partir de Porto Alegre. mar.

com.br Palavras-chave: design para sustentabilidade.br dulcefernandes@ufpr. tecnológica.reciclagem em vidro Este artigo apresenta parte dos resultados obtidos em pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos 10 anos cujo objetivo foi contribuir para o desenvolvimento de tecnologias simples e de baixo custo. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 59 .Avanços no Design de Produtos a base de Resíduos de Vidro Reciclado Dulce Maria de Paiva Fernandes Universidade Federal do Paraná. social e econômica. utilizando resíduos descartados de vidro e visando a participação de designers frente as constantes demandas relacionadas à sustentabilidade ambiental. Doutora dulcefernandes@onda.

2005). a Figura 1. para ser de novo colocado no mercado ou desmontado para a reutilização de algumas peças em novos produtos. criar produtos reciclados com elevado valor formal. por exemplo. como. recuperação e geração de energia. com know how e competência projetual na área dos objetos a serem produzidos e que. Segundo Kazazian (2005) uma vez descartado pelos produtores ou usuários. neste modelo. com vidros reciclados. tecnológicas e de design. A titulo de exemplificação também são apresentados alguns produtos desenvolvidos pela autora e por alunos do curso de Design de Produtos da UFPR. questões de espaço (áreas disponíveis para aterros). O projeto dos produtos utilizando sucata. de estima e perenidade de uso pode garantir uma maior permanência do mesmo no mercado e junto ao consumidor. Também apresenta uma abordagem em construção. ainda não implantada. permitindo uma melhor gestão dos resíduos. visando verificar sua viabilidade econômica em escala de produção para averiguar uma possível implantação industrial. Neste sentido. para validar as ações relacionadas ao ciclo de vida de um produto. mostra um modelo intitulado “Roda da Eco-concepção”. os produtos gerados. aput Kazazian. Na proposta de um fluxo eco industrial fechado. sua distribuição. Cabe destacar que. determinadas propostas de reutilização ou reciclagem podem criar um impacto muito mais pesado ambientalmente. este produto é “remanufaturado”. proposto pelo Manual Promise do Pruma. ou compostagem (abrangendo só os orgânicos. 60 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . trabalharia inicialmente com tecnologia desenvolvida pelo Laboratório de Cerâmicos da UFPR. realizados a partir da técnica desenvolvida. Esta abordagem industrial já é praticada em diversos setores. Esta rede. Trata-se ainda de uma pesquisa experimental que precisa ser testada em unidade piloto. e também pela vantagem de produção de novos produtos com um menor custo (sejam energéticos ou de matéria-prima. aput Kazazian. 2005). a de vidro. em certos casos. por exemplo. Reciclar assemelha-se ao processo da cadeia alimentar que possui uma lógica bastante sustentável. seu uso e sua re-utilização após descarte. não os inertes como o vidro e outros materiais)]. marketing e comercialização com comprovada promoção dos produtos e da rede cooperativa como um todo (voltada aos públicos-alvo que comprovadamente buscam este tipo de produto com selo social e ambiental). O2 (1996. se insere no conceito sustentável por buscar desenvolver e produzir novos produtos reciclando parte dos resíduos descartados pela sociedade utilizando técnicas de produção simples. envolvendo o uso de matérias primas recicladas. não agredindo o meio ambiente. Por outro lado cabe destacar que grande parte dos consumidores são cada vez mais sensíveis à aquisição de produtos que economizem matérias-primas e energia. atualizado. com isto estimulam sua comercialização em canais eficazes (“que vendem”). uma determinada empresa controla a totalidade de um ciclo de vida de um produto. versa sobre as questões sociais. com consumo de energia muito mais elevado. por implicações ambientais (poupar recursos naturais e minimizar a geração de agentes poluentes). deve-se realizar uma análise ampla já que. A reciclagem torna-se necessária. reciclagem. repensando todo o ciclo de vida do produto. idealmente todos os elementos de um produto circulam indefinidamente [seja à re-utilização. assim. seu processamento (com as implicações energéticas e de resíduos que apresenta). econômicas e culturais. incineração. que propõem a criação de uma rede cooperativa da qual participam: pesquisadores de tecnologias apropriadas. é muito mais ampla que a do tipo linear tendo em vista que a vida do produto e de seu futuro é abordada de forma articulada e os atores tornam-se mais co-participes. através de redes solidárias comunitárias. A proposta circular de Ademe (1999. e ampliar substancialmente a vida das matérias-primas utilizadas. através de instituições de pesquisa. cooperativas de produção. O esquema apresentado acima pode ser do tipo linear ou circular. e procurando o bem estar social. designers. entre outros).1 Introdução A abordagem dada ao que se chama de desenvolvimento sustentável local. Estes consumidores 2 Sustentabilidade e a Reciclagem de Resíduos O desenvolvimento econômico vem estimulando o consumo e promovendo o crescimento do descarte de produtos e conseqüentemente de resíduos.

a porcentagem de vidro reciclada no Brasil em 2001 era de apenas 15% e a partir de 2003. O CEMPRE (2004). que realizou um estudo em 16 capitais brasileiras. já que muitas vezes estes dados visam atender interesses públicos ou privados alem de imediatistas. atesta que a cidade de Curitiba.770 toneladas/mês com o programa de coleta seletiva. esse número subiu para 45%. significando 423 mil toneladas.5 milhões de toneladas. Roda da Ecoconcepção (Fonte: Manual Promise do Pruma 1996.95 na época da pesquisa). etc.). O2 France in: KAZAZIAN. mesmo que contrários a interesses ambientais e sociais mais amplos. nos EUA 40% de vidro é reciclado. 2000). 15% de plástico.Associação Brasileira de Embalagens (2006). No entanto. segundo esta organização. Em países da Europa e no Japão a reciclagem tem aumentado a cada ano e isso é justificado não só pela escassez de espaço. madeira. 88%. 16% de outros. Segundo esta instituição. que eleva o custo do armazenamento. pode-se dizer que frente a desigualdade sócio-econômica e a grande variabilidade na densidade populacional dos diversos municípios brasileiros. o mesmo não é biodegradável. Desconsiderando a matéria orgânica temos 53 % de papel e papelão. 3% de plástico. criando um problema ambiental quando simplesmente descartado. em 2001. em 1991. isto quando o valor do resíduo superar os investimentos em lixões e aterros sanitários. Dentre os materiais que compõem a coleta seletiva das cidades analisadas. 18% de rejeitos. 16% de vidro. No Brasil. O país “produz em média 890 mil toneladas de embalagens de vidro por ano e utiliza apenas cerca de 45% de matéria reciclada na forma de cacos (390 mil Figura Figura 1. que mostrou o seguinte perfil qualitativo do lixo gerado no Brasil: 52% matéria orgânica. em 2004. 4% diversos (pilhas. não é absorvido pela natureza. Esse valor é seis vezes maior do que o praticado pela coleta convencional. quanto à tonelagem de lixo gerada diariamente pela população no Brasil. borracha. Assim. 2005) Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 61 . coletou 1. surgem dúvidas.6 milhões de toneladas. 87%. na Alemanha. Geralmente são produtos com valores formais. o custo que a coleta seletiva representa é de US$76. baterias.também utilizam e mantém produtos consigo por mais tempo. 25 de metal e 2% de vidro. Sabe-se que o vidro é um material 100% reciclável.5% da população. 3 Reciclagem de vidro Segundo a ABRE . discussões de logística e viabilidade econômica permeiam o setor. e o CEMPRE Compromisso Empresarial para a Reciclagem (2006). os resíduos mais encontrados em porcentagem de peso foram: 35% de papel e papelão. 92%. este percentual manteve-se estável até o ano de 2005 e avançou para 47% em 2007. No panorama internacional. É preciso haver um programa educacional intenso para que os resíduos sejam separados de forma a não sofrerem contaminação logo no descarte. 33 de outros materiais. sendo esta medida fundamental para a primeira etapa do processo da reciclagem. 6 % de plásticos. 2% de alumínio e 2% de longa vida. 4 % de metal e 4% de vidro. pois seu acúmulo representa um exponencial crescimento de lixões e aterros sanitários. Finlândia 91% e Noruega e Bélgica. atendendo a 99. como pela escassez de matéria-prima. o equivalente a 2. Estes dados são questionáveis comparados com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE. na Suíça. 8% de metais. o equivalente a 2. Segundo dados da ABIVIDRO (2006). 25% de papel e papelão.00* a tonelada (* US$1. sociais e culturais mais perenes.00 = R$2. O investimento em coleta seletiva pode justificar-se na medida que gere retorno econômico ou mesmo monetário. ampliando sua utilidade ou vida útil. percebe-se que houve um grande avanço na reciclagem de resíduos.

o que também prolonga a durabilidade do mesmo). E o preço da tonelada do vidro colorido variava. Segundo dados do CEMPRE (2006). O preço médio pago. como já mencionado. TABELA 1 . em média. para que o produto final acabado também tivesse seu custo barateado. tendo em vista o valor inferior aos demais materiais coletados para reciclagem. há uma diminuição do consumo energético em 70% (o ponto de fusão do vidro reciclado é mais baixo nos fornos. 2000). 20% na redução da poluição do ar. 2006). no ano de 2008.258 toneladas referem-se aos resíduos domiciliares. Em 2006. 125. por um valor compatível. Segundo Souza (1998). (CEMPRE. por exemplo. atualmente. o preço médio pago pela tonelada de vidro incolor limpo variava de 65 a 224 reais.br.cempre. na coleta de cerca de 228. “O ideal seria que a usina de beneficiamento pudesse fornecer uma sucata de vidro com padrões de qualidade exigidos pelo comprador final. barrilha (material importado) e calcário. Conforme a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB. a reciclagem desse tipo de vidro é necessária devido ao grande número de peças descartadas em aterros sanitários anualmente. o custo do vidro produzido com matéria-prima virgem é praticamente o mesmo do feito com mistura de cacos. 4 Reciclagem de vidro automotivo. Com a reciclagem do vidro automotivo. Os veículos automotivos utilizam dois tipos de vidros: vidro laminado (utilizado nos vidros de pára-brisas). como areia. em Curitiba. de qualquer forma ainda continua pouco atrativo aos catadores em comparação com o alumínio.Cotação de Preços de Recicláveis no Mercado Nacional Fonte: CEMPRE . 80% na redução do volume de rejeitos de mineração. a maioria das empresas reparadoras descarta os vidros automotivos e estes acabam tendo como destino final os aterros sanitários da cidade ou empresas de reciclagem em São Paulo. do risco de ferimentos e do grande volume ocupado pelo vidro coletado (nos carrinhos e nos depósitos comunitários). o material. As usinas de reciclagem adquirem o vidro a ser reciclado comprando-o de sucateiros ou “catadores” na forma de cacos separados previamente por cores ou o recebem diretamente de campanhas de reciclagem. Acesso em: 26 de janeiro de 2006 e Acesso em: 20 de abril de 2009.toneladas por ano). de 45 a 120 reais. Porém. Parte deles foi gerado como refugo nas fábricas e parte retornou por meio de coleta”. e vidro temperado (utilizados nos vidros laterais e traseiros). obtido através de resíduos provenientes de vidros 62 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .”(ibid). dos quais apenas 2% referem-se a vidros em geral. Observa-se que este valor caiu para o vidro incolor e subiu para o colorido CEMPRE (2009). pode-se constatar que hoje não há interesse em coletar vidros descartados. conforme tabela 1. Em pesquisa realizada junto a catadores da comunidade da Vila Zumbi.www. em virtude do valor irrisório pago pelo mesmo.413 toneladas de resíduos sólidos diários. desenvolvidas com finalidade artística por Damo & Saparolli (2004). A coleta de vidro automotivo se dá através de empresas reparadoras e/ou empresas que compram esse material para revendê-lo em usinas de reciclagem de vidro. de garrafas e vidraças A grande maioria das usinas de reciclagem e processamento de vidro não reaproveitam vidros planos automotivos. Também poupam matérias-primas naturais. Segundo CHAVES (2000). e uma diminuição da emissão de dióxido de carbono para o ambiente. 2008). pela tonelada de vidro automotivo é de apenas dez reais (Böhler. o vidro reciclado apresenta uma economia de energia que pode variar de 4% a 32%. em relação à utilização de matérias primas virgens. e 50% na redução do consumo de água. Em Curitiba.org. incorporando técnicas de casting a procedimentos de queima utilizados em técnicas de fusing.

de garrafas de bebidas. cor. podem vir a garantir a certificação deste novo material. Figura 3. entre outros) para a constituição e manutenção das cooperativas. Instituições governamentais como Prefeituras poderão auxiliar com consignação de terrenos e pessoal técnico especializado (contabilidade. com baixo investimento inicial. 5 Unidades Piloto em vidro reciclado Figura 2. por Pilkington).UFPR. que permitem descontos de impostos. vidraças e vidros automotivos “temperados”. tendo em vista que a legislação vigente as torna co-responsáveis da sucata gerada. permitindo sua produção por cooperativas. 2008 ( foto: dos autores) Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 63 . Rocha e Fernandes. entregando o vidro nas unidades produtivas. 3 e 4. Orgãos como SEBRAE. a exemplo do que já ocorre para micro e pequenas empresas. entre outras. Alguns produtos desenvolvidos são podem ser visualizados nas figuras 2.Fabricação própria em Centro de Pesquisa Laboratório de Cerâmicos . 2008 ( foto: arquivo das autoras) As empresas reparadoras de vidro automotivo. poderão associar-se ao projeto. Releitura de lustre tradicional com prato e pendentes em Vidro Reciclado Bruno Fernandes. Figura 4. obtidas neste processo de reciclagem. O capital inicial para instalação e manutenção da estrutura necessária para o funcionamento das cooperativas produtivas populares poderá advir de empresas e/ou seus empregados. Casemiro Grabias e Fernanda Suzuki Alunos do curso de Design UFPR . apresentou resultados satisfatórios em testes científicos preliminares. apoiados em leis sócio-ambientais vigentes.UFPR. temperatura. Esta técnica permitiu incorporar uma maior redução do consumo energético necessário para prepará-lo e produzi-lo. Os resultados positivos comparados aos de corpos de prova de vidros planos. Explorando as características do material como texturas.Fabricação própria em Centro de Pesquisa Laboratório de Cerâmicos . realizados com re-fusão entre 810-850º C (Vasques. químicos e mecânicos realizados em 2006 e 2007.Bruno Vinicius Kutelak Dias. em escala semi-industrial. Luminária Navie em Vidro de Garrafas Reciclado . Jóias utilizando materiais alternativos associados a materiais tradicionais . 2008 ( imagens e foto: dos autores) Os resultados apontam possibilidades inovadoras de aplicação deste material com base em ensaios físicos. desenvolvido em 1952. 2006). Melina Ileana Osik Silveira e Paola Azevedo de Andrade e Luminária com componentes modulares em Vidro Reciclado Alan Coelho e Guilherme de Mattos Alunos do curso de Design UFPR Fabricação própria em Centro de Pesquisa Laboratório de Cerâmicos . produzidos por processos de flutuação (vidro float. bem como redes de restaurantes (fornecendo garrafas de bebidas vazias) ou ainda montadoras (vidro automotivo descartado por crash test). forma. secretaria. diversos produtos vem sendo desenvolvidos visando mercados cujo público-alvo comprovadamente busca e valoriza este tipo de produto com selo social e ambiental.Barbara Fórmica e Kelly Wazur TCC Curso de Design de Produto . com corpos de prova. poderão oferecer treinamento e linhas de crédito especiais.UFPR.

as peças foram montadas em bases fabricadas e comercializadas pela empresa Plano de Luz. ou ainda na própria empresa responsável pela comercialização. social. que poderiam qualificar este profissional para a função de líder ou mediador devidamente preparado. aponta uma ação concreta. cabe destacar que os canais de comercialização são parte fundamental da rede. já que uma sociedade para que possa se denominar sustentável não pode conviver com níveis de desigualdades tão evidentes como o que nos deparamos atualmente. criadas por Dulce Fernandez. reconhecendo a importância da concepção de produtos com preços que valorizem o trabalho dos produtores (cooperados). 2007 Com relação a reutilização de resíduos. Salientamos que a postura de “coordenador” muitas vezes assumida por designers em outros modelos. sociologia. o desenvolvimento sustentável inclusivo deve desenvolver novos modelos de relação produtiva. lavagem. secagem) para levantamento do tempo necessário para 6 Conclusão O desenvolvimento sustentável no contexto brasileiro passa diretamente pela inclusão social. separação por granulometria. administração. em 2006. diretrizes de gestão de resíduo dentro das unidades piloto. Para isto também foram realizados estudos em 2008. Modelo circular de rede cooperativa proposto por ABBONIZIO & FERNANDES. Além disto. ou junto as Instituições de Pesquisa. Neste sentido. (ABBONIZIO & FERNANDES. associada a promoção de produtos que tenham maior longevidade ocasionando a redução de descartes. Esta urgência social muitas vezes coloca determinados “atores”. psicologia. Existem exceções. pesquisa de equipamentos mais adequados e de menor custo dentre os existentes no mercado. participam desenvolvendo produtos com foco nas demandas de mercados potenciais e emergentes. Esta proposta. Finalmente. da recepção do vidro quebrado ao acabamento das peças. Figura7. moagem. aqui apresentado sob a ótica da sustentabilidade. preservação de reservas naturais e redução da emissão de poluentes e dos recursos energéticos. Como exemplo. bem como integrando suas competências junto a toda a rede. entre outros. tendo em vista que este profissional não possui formação adequada para isto. como protagonistas principais de um processo complexo e que deveria ser mais articulado. caso do vidro reciclado. Para contribuir além das questões ambientais e da viabilidade econômica. deve ser abandonada. como: plantas piloto. que atua e participa de feiras e rodadas de negócios no mercado nacional e internacional desde 1990. estudos de métodos e tempo para processamento do vidro e produção de peças. Profissionais de marketing e vendas deverão estar sempre presentes. levantamento de fornecedores. visando possíveis automações e redução de custo no processamento do vidro automotivo temperado.Designers. mas estas podem ser atribuídas a “indivíduos” que possuem a característica de coordenação e liderança em si. factível e necessária. ou através de ONGs. processamento controlado (limpeza. já que a formação brasileira do designer como bacharel. integrada a real possibilidade de geração de oportunidade de renda deverá ser devidamente avaliada e monitorada a curto e médio prazo após sua completa implementação através de uma unidade piloto. obtendo resultados satisfatórios. o trabalho cooperado em rede pressupõe uma construção mais abrangente da qual participem diversas competências complementares (Figura 7). as luminárias “línea Gracie”. neste primeiro momento. Também a inclusão da separação magnética no processo de limpeza do vidro para melhorar sua qualidade e transparência e ensaios de reutilização dos objetos confeccionados com esta técnica e que se partiram após o uso. públicos e/ou privados. 2007). cultural e organizacional/administrativo. não contempla conteúdos que o habilitem em pedagogia. 64 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . estudos complementares para implantação de Unidades Piloto de Produção Cooperativa.

ARMELLINI. 2008 BERTOLDI. Acesso em 20/04/2009. A. BATOCCHIO. Desenvolvimento de Vidros Curvados a partir de Vidros Planos produzidos pelos Processos de Reciclagem. M. Relatório de Pesquisa.o processamento e medição de porcentagens de vidro aproveitado.ibge. visando o crescimento de suas reais contribuições sociais e econômicas. CEMPRE. Ivone.gov. Pesquisas em Vidro Reciclado aplicado a Esculturas. O estudo de aplicação do vidro reciclado em novos produtos aponta para a viabilidade da utilização da técnica em unidades piloto de pequeno porte. Anais 6 P&D.cempre. C. PEREIRA. Isto permitirá verificar os modelos da rede e tecnológicos propostos. D. DAMO. EVINCI. Cleusa Cristina Bueno Martha Técnicas de tratamento de minérios para reciclagem de vidro. Reciclagem por Casting de Vidro Automotivo Temperado: Estudos Preliminares para Unidades Piloto de Produção e Possíveis Aplicações. IBGE. Compromisso Empresaria pela Reciclagem (2006). 20022004. São Paulo: ABIVIDRO. São Paulo. Disponível para download em <www. Anuário ABIVIDRO 2006. Paola. MIYAWAKI. Acesso em 15/11/06 _________ (2009). A implantação de uma unidade piloto também deverá oportunizar o avanço constante de novas tecnologias apropriadas pelos Centros de Pesquisa e demais “atores”. Curitiba. 2004. ABBONIZIO. In: 51 Congresso Brasileiro de Cerâmica. Disponível para download em <www. São Paulo. Atelier de Escultura Centro de Criatividade Prefeitura Municipal de Curitiba.br>. KAZAZIAN. 2007. Da Sustentabilidade Ambiental e da Complexidade Sistêmica no Design Industrial de Produtos. Evinci. M.. org. Curitiba. Curitiba 2006-2008 . análise quantitativa de peças geradas para complementação dos dados sobre tempo e aproveitamento. Desenvolvimento de Vidros Curvados a partir de Vidros Planos produzidos pelos Processos de Reciclagem. M.cempre. propiciando melhoria de renda e de qualidade de vida aos cooperados. São Paulo. P. CHAVES. Referências Bibliográficas ABIVIDRO . Iniciação Científica Voluntária / ago 2006 a jul 2007. B.br>.Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro. FERNANDES. ROCHA V. Desenvolvimento de novas técnicas para utilização de sucata de vidro visando a produção de novos produtos In: 6 P&D.M.Thierry (org).P. Reciclagem de vidros de lâmpadas floures- centes e de para-brisas . ABRE ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGENS. Salvador.org.br> Acesso em 05 de novembro de 2006. Curitiba. BÖHLER. Evinci. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. D. abravauto.br/ home/presidencia/noticias/27032002pnsb. FERNANDES. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. Elvo e SAPAROLLI. Anais 51 Congresso Brasileiro de Cerâmica.. Maria Helena . já foram realizados. Editora SENAC São Paulo. Curitiba. 2000 disponível em: <http://www. 2007.org. VIDRO RECICLADO APLICADO A REVESTIMENTOS CERÂMICOS. Preço do Material Reciclável. 1998 VASQUEZ. 01 p. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 65 .. out 2007 a jul 2008. Preço do Material Reciclável. 37-61.shtm> Acesso em 20 de abril de 2009.com. Escola Politécnica USP. Arthur Pinto. Curitiba. 2004. fev 2003. 2005. Associação de Ensino de Design no Brasil. P. Ivone.. Iniciação Científica (UFPR/TN) / ago 2006 a jul 2007. Design for Sustainability: Discussing of Models in the performance of design in the Brasilian reality of sustainnable local development. In: Estudos em Design. 2007. A Franco. São Paulo.C. Apoio Técnico (CNPq). & FERNANDES.Bolsa Apoio Técnico CNPq. 2000. 2007 ABRAVAUTO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE VIDROS AUTOMOTIVOS Disponível em <http://www. Cleusa Cristina Bueno. situadas próximas dos locais de coleta e do mercado consumidor das peças produzidas.2007. ISD . Luciana Emy.I International Symposium on Sustainable Design.br> Acesso em 05 de novembro de 2006. 2008. SOUZA. Disponível em <http://abre. R. Haverá a Idade das Coisas Leves: Design e Desenvolvimento Sustentável. SOUZA. Rio de janeiro. D. vol. & BÖHLER. 2006. Tese de Doutorado.

.

Moving from a review of the routes of the sustainable development. inovações radicais. The approaches related to strategic design are the subjects of the last two sections. Initially it presents two possible rotes for this discipline: through radical or incremental innovations. inovações incrementais O presente artigo apresenta um breve panorama da evolução do design para a sustentabilidade. Brasil liliane. apresentando na terceira secção uma breve evolução da seleção dos materiais para o design do ciclo-de-vida do produto.br design para a sustentabilidade. Inicia apresentando dois percursos possíveis para esta disciplina: através de inovações radicais ou de inovações incrementais. presenting in the third section one brief evolution from the selection of materials to the Life Cycle Design approach. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 67 . where it is described the Product-Service System and new approaches of design for sustainability.Panorama do design para a sustentabilidade An overview of design for sustainability Liliane iten Chaves. incremental innovations The present paper presents a brief overview of the design for sustainability evolution. design for sustainability. onde é descrito os Sistemas Produto-Serviços e novas abordagens para o design para a sustentabilidade. radical innovations. PhD Universidade Federal do Paraná.chaves@ufpr. A partir de um reexame sobre os rumos do desenvolvimento sustentável. the paper argue about the current role of designer. o artigo questiona o papel atual do designer. As abordagens relacionadas ao design estratégico são o tema das últimas secções.

1 Introdução O papel do designer. Tal consideração tem por finalidade compreender o novo e amplo papel do designer em relação a esta temática. Como resultado prático. nas empresas. uma das primeiras pesquisas relacionadas com o problema ambiental. os 80% restantes da população consomem apenas 20% dos recursos (SACHS. et al 2002). acordou o mundo para estas questões. Este fato tem ocorrido de forma paralela à evolução sistêmica que as abordagens das questões ambientais estão assumindo nas empresas. sabe-se que 20% da população mundial consomem 80% dos recursos naturais e. estes métodos e ferramentas foram desenvolvidos para uso geral. com relação às questões ambientais. a oferta de soluções através de serviços e a busca por alternativas para um consumo mais responsável. finalmente. as ações deixaram de ser de reparo para se transformarem em ações de prevenção. as ferramentas e métodos do design para a sustentabilidade já possuem um conhecimento fundamentado e consolidado na academia e em alguns setores produtivos. o que demanda tempo para serem aplicadas em um setor ou produto específico. como a desmaterialização de produtos. determinando com isto um menor custo para sua aplicação. et al. Com relação ao consumo. Limites do crescimento. observa-se que o design para a sustentabilidade assumiu dois distintos percursos para responder aos desafios da busca por um desenvolvimento sustentável: o caminho das inovações incrementais e o das inovações radicais. Assim. 1978). portanto. Progressivamente. no qual são ilustrados os três principais fatores que levaram a estes problemas ambientais: a explosão demográfica. a ECO-92 World Commission for Environmental and Development 68 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Ele foi o relatório do Clube de Roma. produto ou contexto. os resultados em termos ambientais seriam mais eficazes. principalmente dos países do norte do planeta e a ineficiência das atuais tecnologias aplicadas (MEADOWS. Em 1992. neste caso. observou-se que ao inserir requisitos ambientais na fase de planejamento do produto. o consumo exagerado. No primeiro. o papel do designer assumiu uma relevância ainda maior neste processo. eles serão mais facilmente inseridos. uma vez que focalizarão problemas pontuais próprios da área. no momento em que o planejamento do produto passou a ser foco das ações para a busca de um menor impacto ambiental. consumirão um menor tempo para sua aplicação. para alcançar resultados mais eficientes estes métodos e ferramentas estão sendo focados em um determinado setor. compreendeu-se que resultados mais eficientes seriam alcançados se as ações ambientais fossem incorporadas no processo produtivo e. Assim. fazendo uma breve descrição sobre a evolução do design para a sustentabilidade. O designer. O outro percurso que o design para a sustentabilidade tem assumido é o de inovações radicais. Este último é um atributo bastante interessante para a aceitação dos requisitos ambientais nas empresas (Vezzoli & Chaves 2006). 2 Desenvolvimento sustentável Entender as razões da evolução do design para a sustentabilidade requer uma prévia e breve consideração com relação ao desenvolvimento sustentável. A vantagem desta especialização é a de tornar estes métodos e estratégias próprios para uma realidade produtiva. Isto é. Inicialmente.Hoje em dia. principalmente concentrada nos países do sul do planeta. a introdução de requisitos ambientais era focada em algumas ações para reparar danos realizados com o processo produtivo. A crise do petróleo dos anos 60 fomentou as discussões sobre os problemas ambientais. O presente artigo apresenta algumas linhas de ação que estão sendo realizadas nestes dois sentidos. Em outras palavras. o design para a sustentabilidade está se movendo no sentido de tornar mais “aplicáveis” os seus métodos e ferramentas. Porém. Em inglês usa-se o termo “end-of-pipe” para definir estes tipos de ações ao final do ciclo produtivo. tem que interpretar e especificar seus usos para o produto que está desenvolvendo. tema diretamente vinculado à proposta da disciplina. contemplando o inteiro ciclo-de-vida de um determinado produto. tem se tornado mais e mais importante.

Em 2002. Alguns estão apoiados em soluções técnico e tecnológico. direito ao emprego. o Encontro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.. U. educação. Desde lá. Esta conferência foi uma resposta para o relatório final da Comissão Bruntland Nosso futuro Comum que teve seus trabalhos desenvolvidos entre 1983 e 1987. de forma simplória. outros se baseiam em soluções sócio-éticas. para se manter o padrão atual dos países. eles são importantes para evidenciar qual é a dimensão da mudança necessária para a continuação do planeta e revelam a fragilidade do argumento sobre o direito a recursos e melhor distribuição dos bens. (Vezzoli 2006a). paz. na qual todos os elementos estão interligados. interligado por diversos fatores. No evento. liberdade. Claro está que a mudança necessária demanda inovações. prevê-se que será necessário multiplicar por 10 a quantidade de recursos atualmente existentes.é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (CNUMAD 1991: 46). et al 2002) introduz questões como a da sustentabilidade social e ética.(WDED). em um tempo estimado de 50 anos. apesar disto. Para manter e permitir aos países de industrialização recente ou os não industrializados o mesmo padrão existente de consumo dos países ditos industrializados. Enquanto a explosão demográfica e o consumo são fatores difíceis de sofrerem intervenção. Estas inovações podem ser incrementais ou radicais. a maioria dos países criou ações para a implementação e análise de projetos de cunho ambiental. 2006). Além disto. Por inovações incrementais compreendem-se aquelas formadas por pequenas mudanças no processo e nos produtos. por exemplo. afinal. Manzini 2003). respeito à diversidade cultural. Esta estimativa é chamada por alguns pesquisadores de Fator 10 e representa o maior desafio para um desenvolvimento sustentável. são argumentos inter-relacionados como mostraremos brevemente a seguir. Estes números não são exatos e são suscetíveis de discussão. segurança.. o melhor uso de recursos tem sido gradualmente incorporado nas atividades em geral. ditos do “norte” e democratizar o consumo para os países do “sul”. Em outras palavras. . Foram incorporadas novas questões para a sustentabilidade como: direitos humanos.Econômica: desenvolvimento com soluções passíveis de serem praticadas e aplicadas. elas rompem Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 69 . Desenvolvimento sustentável é um tema inerente a três dimensões que podem ser resumidos nos três pilares da sustentabilidade as dimensões econômica. Mas o confronto para um desenvolvimento sustentável ainda é um desafio complexo. acordos e convenções internacionais foram assinados. discutiu os problemas ambientais e as possibilidades de desenvolvimento. A partir destas reflexões é possível entender que para um desenvolvimento ser sustentável há a demanda de uma mudança radical nos modelos atuais de consumo e distribuição. disponibilidade de recursos.Ambiental: desenvolvimento que não excede os limites de resililência da biosfera e da geosfera (Vezzoli & Manzini 1998). em Johannesburg (SACHS. sendo que estes 10% de recursos deveriam ser distribuídos de forma igual para todos no planeta (SACHS et al 2002. & Verkuijl M. da demanda destas inovações e das possibilidades tecnológicas (Tischner. Também em número de três são os fatores apontados como causadores do atual problema ambiental: a explosão demográfica.Social: desenvolvimento que permite a mesmo nível de “satisfação” para as gerações futuras e uma igual distribuição de satisfação para todos no mundo. . foi apresentado o mais usado conceito de desenvolvimento sustentável: “. a sustentabilidade começa afrontar argumentos como consumo responsável e justiça social mundial. As inovações radicais não são contínuas. etc. Nele. sustentabilidade não é mais resumida a argumentos ambientais afrontados de forma pontual. mas é uma questão sistêmica. pontuar sobre um destes fatores tem demonstrado não ser suficiente. Assim. o consumo ilimitado e a não eficácia das tecnologias no uso de recursos (Sachs 1994). ambiental e social (FIKSEL 2001): . No entanto. Elas acontecem de forma contínua no setor produtivo e dependem de uma soma de combinações como. deveria ocorrer uma diminuição de 90% do consumo atual de recursos naturais. Muitos são os percursos que possibilitam a transição para a sustentabilidade.

Para isto. principalmente.uma atividade de design que tem por objetivo encorajar inovações radicais orientadas para a sustentabilidade. não é eficaz o suficiente para o tipo de mudança necessária para a sustentabilidade. Manzini (2003: 231) tem assumido uma posição claramente revolucionária. considerando a desmaterialização. impelindo o leitor a pensar sobre os possíveis papéis que o designer pode assumir para auxiliar nesta necessária transição. numa “evolução” do existente. Brezet & Hemel 1997. e estão. não cria mudanças radicalmente significantes. universidades ou centros de pesquisa. Mas. assim como as empresas. Hemel (1998: 18). a posição revolucionária afirma que a continuação dos modelos de produção.padrões. onde devem ser contempladas além da dimensão ambiental. estes pesquisadores e profissionais estão melhorando os métodos e ferramentas do design para a sustentabilidade existentes. A mudança evolucionária já é bastante presente em nosso dia-a-dia. ou em uma abordagem que contemple mudanças radicais. Para estes pesquisadores e profissionais uma interrupção no atual modelo não seria possível e aceito. Esta breve e superficial descrição sobre os rumos do desenvolvimento sustentável buscam sustentar o artigo nas conseqüentes derivações que o design para a sustentabilidade tem assumido. em sua tese de doutorado. denomina estes dois extremos de posicionamento do designer perante o desenvolvimento sustentável de “evolucionário” e “revolucionário”. Elas aparecem e propiciam uma profunda transformação nos comportamentos. mesmo considerando-se em uma abordagem sistêmica. Com relação a estas duas possibilidades. A mudança necessária deverá. sustainable product design e sustainable design (Tischner & Charter 2001). tecnológico e na- 3 Design para a sustentabilidade Por design para a sustentabilidade compreende-se a atividade de design (seja em relação à prática. Este âmbito do design para 70 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . nem relacionadas aos impactos ambientais causados pelos produtos. et al. EPA 1993). porque não faz grandes rupturas com os padrões atuais. o design para a sustentabilidade. Para ilustrar melhor. Apenas uma forma revolucionária poderia atingir este objetivo. 2002). com o projeto de Sistemas Produto-Serviço ou mudanças dos padrões atuais de consumo. sem grandes rupturas. “exige sempre de nós a consideração do inteiro sistema em sua complexidade social. uma possibilidade já sendo implementada e bastante corrente. ser alcançada através de um incremento do modelo existente. que dá uma contribuição para o desenvolvimento sustentável (Manzini & Vezzoli 1998). ecoredesign. as dimensões econômica e social da sustentabilidade. no qual são consideradas questões do desenvolvimento sustentável. com pequenas variações nas abordagens: ecodesign (Charter & Tischner 2001. geralmente. Life Cycle Design (Vezzoli & Manzini 1998. É. Esta posição revolucionária pode ser considerada como uma abordagem estratégica do design. sustainable projection (Lewis. cradle-to-grave design (McDonought & Braumgart 2002). pode-se vislumbrar dois níveis de interferência do designer para ajudar na transformação para um desenvolvimento sustentável: no redesign do existente. ligadas a novas descobertas feitas em empresas. Ela acontece. Vários autores estão trabalhando neste sentido usando nomenclaturas diversas: design for sustainability (Manzini & Vezzoli 1998). Hemel 1998. Ainda para este autor. Voltando ao discurso de Hemel (1998). A mídia. Após o que foi descrito na secção anterior. portanto. menos ainda com relação às mudanças sócio-éticas. exatamente por isto. como por exemplo. o comércio compreenderam sua importância e estão incorporando ações pequenas. design for environmental ou DfE (Lewis. para que estas possam atingir resultados mais eficientes e eficazes. Para ele design para a sustentabilidade é “. um exemplo de inovação radical foi a criação da Internet. et al 2002). mas favoráveis a uma diminuição do impacto ambiental. então. na sociedade e na tecnologia. Lofthouse 2001). os pesquisadores que se dedicam ao extremo evolucionário estão trabalhando para melhorar o modelo corrente de produção. dirigindo o desenvolvimento de sistemas socio-técnicos para serem de baixa intensidade material e energética e com elevado potencial regenerativo”. quando se trata de produtos/ processos. a sustentabilidade tem sido chamado de diversos nomes. Seguindo este “mapa” traçado por Hemel... à educação ou à pesquisa).

ao ser considerado os impactos das outras fases do ciclo-de-vida do produto (pré-produção. produção. Estes autores já clamavam a responsabilidade social do designer. considerando-se apenas o impacto das fases de pré-produção e de produção. poderá ficar mais claro este argumento. reciclados. Assim. mas em todo o seu ciclo-de-vida (pré-produção. algumas perguntas passaram a confrontar a real eficácia de se focar apenas na escolha dos recursos de baixo impacto ambiental. alguns autores como Charter & Tischner (2001) e Vezzoli (Manzini & Vezzoli 1998) acreditam que as duas posições não são antagônicas. porém. A seguir. transporte e descarte). percebe-se que a durabilidade pode vir a ser um fator prioritário no projeto de um produto com menor impacto ambiental. não possibilitaria o alcance da sustentabilidade.abordagem do Life Cycle Design. propunha novos modelos para a apropriação da tecnologia. ou seja. Considerando-se a necessidade de uso da cadeira durante um determinado tempo. seria a melhor escolha. recicláveis. tendo como fio condutor à evolução desta disciplina: . Existem múltiplas e diferentes abordagens para se chegar a um desenvolvimento sustentável.seleção dos materiais. estimando. quando o designer se confronta com duas possibilidades projetuais na busca de um menor impacto ambiental no desenvolvimento de seu produto. com maior profundidade do que como vem sendo considerada nos projetos atuais de inovação e design. pode-se acreditar que a cadeira de papelão possui um menor impacto ambiental com relação à cadeira de plástico. considerar uma dimensão simplesmente técnica. Porém. Estas questões são levantadas. uso. poderia ser claro que um material com menor impacto ambiental. sejam na área técnica ou relacionados com mudanças sociais e de comportamento. entre os extremos da abordagem “evolucionária” e “revolucionária”. o artigo descreve algumas abordagens do design para a sustentabilidade. apesar de não ser designer. Apesar destas posições descritas serem antagônicas. . porém com menor durabilidade? O argumento da durabilidade de um material.tural” . uma vida de 12 anos. A princípio. Em um primeiro momento. esta mudança não pode excluir uma continuidade do presente modelo de produção. quantas cadeiras de papelão teriam de ser produzidas para cumprirem esta mesma função da cadeira de plástico ao longo deste tempo estimado? Em comparação. é possível observar que a cadeira de plástico possui um tempo de uso maior do que a cadeira de papelão. Seria fundamental considerar a dimensão social.Sistema produto-serviço. . tais como: Papaneck (1985). já alertavam sobre a importância destas considerações sociais. e para um profissional menos informado. naturais. como por exemplo: é mais interessante à escolha de um material mais durável ou de um material com menor impacto ambiental. são aceitos como possibilidades viáveis. transporte e descarte). mas ao mesmo tempo. na atividade do designer. Comparando duas cadeiras com relação ao impacto ambiental. uso. não nocivos. ao se confrontar o impacto ambiental causado pelo produto não apenas na sua fase de pré-produção e produção. É clara a necessidade de uma mudança drástica. mostrando uma visão crítica em relação aos seus papéis no futuro da vida do planeta. por conseguinte do próprio produto. Outros autores. Porém. em geral. renováveis e biodegradáveis. quantas cadeiras 4 Da escolha de materiais para a abordagem do Life Cycle Design Quando o designer iniciou a introduzir requisitos ambientais em sua ativida- Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 71 . Ainda hoje é este o nível de inserção de requisitos ambientais mais percebido no mercado. Whiteley (1993) ou mesmo Schumacher (1983) que. de comportamento e sobre cultura. No entanto. . é bastante interessante.outras abordagens de projetual. produção. e. ele se concentrou na seleção de materiais e energia com baixo impacto ambiental. uma feita de plástico e outra de papelão reciclado (Vezzoli 2006b). por exemplo. no uso de materiais não tóxicos. todos os esforços. Esta mesma é a posição assumida para a autora deste artigo. Para ele. porém com menor durabilidade. afinal prolongar a vida de um material descartado é altamente louvável. anteriores a Manzini.

uma vez que apresenta dados quantitativos sobre qual a fase do ciclo-de-vida do produto que é mais ambientalmente impactante. em seu Life Cycle Design Guidance Manual: environmental requirements and the product system. A este tipo de abordagem denomina-se Life Cycle Design (Manzini & Vezzoli 1998). Por ciclo de vida compreende-se o completo ciclo de vida do produto. teria que ser produzida N vezes e a cada nova produção acumularia um impacto ambiental. mas sim a busca da satisfação do cliente através de soluções sistêmicas de um conjunto formado por produtos e serviços. observando todos os elementos envolvidos na produção do produto. uma LCA é bastante útil. em geral. mais conhecida pelas iniciais em inglês LCA (Life Cycle Assessment).Bio-compatibilidade e conservação . ou seja. todos os inputs e outputs gerados durante todo o ciclo-de-vida. 2006b).Extensão da vida do produto . tais como Dewberry (1998). Muitas vezes as estratégias acima citadas podem entrar em conflito entre si e desta forma o designer deverá tomar a decisão sobre qual a estratégia mais importante a ser adotada em seu produto para se obter melhores resultados. 5 Sistema produto-serviço É um exemplo de ação revolucionária. muito superficialmente.de plástico seriam necessárias para cumprir a mesma função durante estes mesmos 12 anos de uso? Ou seja. o seu reuso e reciclagem de parte ou do produto total. deveriam ser desenvolvidos para auxiliar na tomada de decisão do designer (Vezzoli & Sciama 2006).Redução da toxidade e periculosidade . Carlo Vezzoli adota as seguintes: . O ciclo de vida também é conhecido pelo termo do berço à tumba. que promovam a desmaterialização dos padrões de consumo. Neste artigo. o projeto de sistemas eco-eficientes. projetar a interação entre diversos atores. O termo Life Cycle Design foi utilizado pela EPA (1993). que venham a cumprir a mesma função. onde a idéia principal é satisfazer as necessidades do cliente oferecendo soluções inovadoras. ou seja. o transporte e o descarte do produto. não se quer afirmar que a escolha de materiais com menor impacto ambiental é uma estratégia menos importante que a durabilidade. 72 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Projetar considerando todo o ciclo-de-vida do produto implica em passar de um projeto de produto a um projeto de um sistema-produto. É neste sentido que ferramentas e métodos específicos para um determinado setor/produto. A abordagem do Life Cycle Design leva em consideração algumas diretrizes. o termo Life Cycle Design está diretamente vinculado ao uso de uma Análise do Ciclo de Vida do produto. Esta é uma abordagem relacionada ao design estratégico. Esta não é uma imposição.Design para a desmontagem Para alguns pesquisadores. os resíduos entram novamente no sistema como matéria prima (EPA 1993). a produção. ou seja. mais conhecido pelas iniciais PSS (Product Service System) é. mas.Redução do consumo de material . em inglês cradle-to-grave. Sendo assim. um sistema eco-eficiente. desde a pré-produçao. Abaixo está uma tabela comparando alguns tipos de serviços com a tradicional venda de produtos (Manzini & Vezzoli 2002: 4). Por isso. a redução do consumo de material é somente uma das estratégias a serem consideradas pelo designer que quer introduzir requisitos ambientais no desenvolvimento de seus produtos. (Vezzoli. este método pode esclarecer qual é a fase prioritária de intervenção do designer para alcançar resultados mais efetivos. o uso. se for considerado um ciclo fechado onde.Extensão da vida do material . para a cadeira de papelão reciclado cumprir a mesma unidade funcional (12 anos de uso) da cadeira de plástico.Redução do consumo de energia . O que se propõe aqui é questionar a prioridade de escolha do designer quando confronta duas estratégias que levam a um menor impacto ambiental. neste nível de design para a sustentabilidade a busca de soluções menos impactantes não são mais focadas em produtos. ou do berço ao berço (cradle-to-cradle). Portanto. Projetar um Sistema Produto Serviço. em especial a Unidade de Pesquisa DIS (Design e Inovação de sistemas para a Sustentabilidade) do prof.

os designers são importantes neste novo confronto da sustentabilidade. Na última linha da tabela anterior. apresenta-se um serviço de aluguel de lavadoras. 6 Novas abordagens do design para a sustentabilidade Nesta secção serão delineadas algumas iniciativas. o fornecedor do serviço irá otimizar o uso da lavadora. porque são os atores que interagem com os seres humanos e os artefatos …’seu papel específico na transição que nos aguarda é oferecer novas soluções a problemas sejam velhos ou novos. p. Isto é. Para ele. verifica-se que. Neste caso. irá se organizar lavando uma maior quantidade de peças claras e peças escuras com a mesma quantidade de água. na última coluna. A isto. o transporte feito pelos clientes para entrega e busca de suas roupas é altamente impactante. à redução de impacto ambiental. o serviço apresentado é o de entrega de roupa lavada. e propor seus cenários como tema em processos de discussão social. realmente. Manzini. etc. Neste caso. Já na última coluna. isto é. neste tipo de serviço. em relação a resultados sustentáveis. ser considerado sustentável quando ele auxilia a reorientar os padrões atuais de consumo e produção. ou pelo reuso dos componentes e/ou pela reciclagem do material. o que se pode afirmar é que Sistemas Produto-Serviços possuem um alto potencial para serem mais sustentáveis. Ele entrega a sua roupa suja na ‘lavanderia’ e recebe a roupa limpa após um determinado período de tempo.Tabela 1: Comparação entre a venda tradicional de produtos e alternativas inovadoras Além deste incentivo. de sua manutenção e de seu descarte. Manzini tem trabalhado principalmente com o âmbito do design estratégico. etc. num Sistema Produto-Serviço à durabilidade do produto é um fator preponderante e de interesse do próprio fornecedor do serviço. a quantidade de água. o consumidor é responsável pelo uso e pela ‘qualidade’ da limpeza. procurará economizar os materiais suplementares utilizados. a própria empresa responsável pelo serviço é incentivada a tornar o produto mais durável. em um Sistema ProdutoServiço. o consumidor adquiri uma lavadora. serão focados alguns temas de pesquisas realizadas pela unidade de pesquisa DIS (Design e Inovação de sistemas para a Sustentabilidade). onde o interesse econômico e competitivo da empresa resulta em inovações que levem. bastante recentes. na figura do prof. Como já apresentado anteriormente. as empresas fornecedoras do serviço são impelidas em adquirir produtos mais duráveis. colaborando na construção de visões compartilhadas sobre futuros possíveis e sustentá- Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 73 . uma grande participação. Desta forma. não está comprovado que um Sistema Produto-Serviço possa realmente levar a uma solução mais sustentável. tomadas pelo design para a sustentabilidade. praticamente não existe a participação do consumidor no serviço prestado. cuida de sua utilização. de sabão. como por exemplo. O ponto mais criticado. Até agora. também. Para Manzini & Vezzoli (2002) um Sistema Produto Serviço só pode. ainda. onde a lavanderia oferece o serviço de lavagem da roupa. de alvejante. o fornecedor do serviço. pois só assim poderão ter lucro. Existe. do consumidor. Em particular. Na coluna do meio. sabão. chamamos de soluções win-win. No caso da última coluna. No entanto. Fonte: Manzini & Vezzoli 2002. 4 Na primeira coluna é apresentado o modelo atual de lavagem de roupa. que exijam uma menor manutenção e consumam menor quantidade e energia. isto é. Por exemplo. é o do transporte.

E. Paris: UNEP. School of Industrial and Manufacturing Science Enterprise Integration. EPA (United States Environmental Protection Agency). (edited by). ed. Strategic design for sustainability: instruments for radically oriented innovation. Concluindo. consumindo menos recursos ambientais e regenerando os contextos onde vivem” (Manzini 2008: 17). & Vezzoli. E. nascidos da emergência da sobrevivência e não. Brasil. na dimensão social da sustentabilidade. 74 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . 2008. Manzini e Jégou (2003) escrevem o livro ‘Sustainable everyday: scenarios of urban life’. 1998. Trata-se de inovações sociais sustentáveis nascidas da necessidade do dia-a-dia. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais.present attitudes and future directions: studies of UK company and Design Consultancy Practice. ou seja. F. Coréia. Sustainable Solutions: developing products and services for the future. in: Sustainable everyday: scenarios of urban life.. O autor se foca no fato de que uma ruptura nos padrões atuais exige uma descontinuidade sistêmica. através da criação de novas formações sociais colaborativas. E. Life Cycle Design Guidance Manual: environmental requirements and the product system. Prefácio. o autor tem voltado seus estudos para as inovações sociais em países de industrialização recente como China. Conseqüentemente. Manzini. ambos os argumentos estão baseados em mudanças de comportamentos. 1991.veis (Manzini 2008: 16)’. Lewis. C. Índia. as quais são denominadas pelo autor de ‘Comunidades Criativas’. M. resultado de uma exposição promovida pela UNEP. Martin Charter and Ursula Tischner.pdf>. v. ____Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas. 2003. 2001. 1997. J. Hemel. & Tischner. Dewberry. A. Finlândia e Itália. Dois são os argumentos que permeiam este novo fronte de pesquisa: estilos de vida e inovações sociais que orientem para a sustentabilidade. 2003. São Paulo: EDUSP. Open University. USA. é preciso ressaltar que no Brasil. et al. enquanto promotor de inovações sociais que portem ao bem estar. 1992. E. Paris: UNEP. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. com grande probabilidade de nascerem em contextos locais.1) Charter. Índia e Brasil. Wiltshire: Greenleaf. & Hemel. Design for Sustainability Research Program. Ecodesign . Em tal exposição são apresentados 72 propostas de cenários e alternativas para inovações sociais orientados para a sustentabilidade aplicadas no contexto urbano e no cotidiano das pessoas. Measuring sustainability in ecodesign.A proposta do autor. da escolha voluntária de um novo estilo de vida com rupturas ao padrão de consumo. H. Delft University of Technology. Wiltshire: Greenleaf. Jégou. In: Manzini. <http://uneptie. Progettare per l’ambiente: guida alla progettazione eco-efficiente dei prodotti. Cranfield University. In: Home: UNEP. organizações colaborativas e novas redes projetuais. C. pela Triennale di Milano e pela Faculdade de design do Politecnico di Milano. Facilitating ecodesign in an industrial design context: an exploratory study. C. pp. Sustainable everyday: scenarios of urban life.org/pc/sustain/reports/pss/ pss-imp-7. EcoDesign empirically explored: design for environmental in Dutch small and medium sized enterprises. é que tais inovações sociais sustentáveis podem ser estudadas. V. Já em 2003. Milano: Ranieri. Rio de Janeiro: Epapers (Cadernos do Grupo de Altos Estudos. H. Fiksel. 1996. 2001. 2002. C. 29/03/2009. Japão. onde os seres humanos terão que aprender a “viver bem. 2001. L. Canadá. 165-187. Milan: Edizione Ambiente. os pesquisadores ainda não se acordaram para este novo papel do designer. Os cenários são criados por estudantes e levantados em 15 escolas ao redor do mundo: China. Quais seriam os caminhos para se projetar o bem estar no contexto brasileiro? Referências Brezet. Estes são verdadeiros laboratórios de inovação social. & Vezzoli. In: Sustainable Solutions: developing products and services for the future. Lofthouse. PhD Thesis. ed. E. Cincinatti: EPA. Milan: Edizione Ambiente. Product-service systems and sustainability: opportunities for sustainable solutions. Manzini. simplesmente. 2002. França. Ezio and François Jégou. ed. Recentemente. PhD diss. C. Manzini. Manzini. U. Ecodesign: a promising approach to sustainable production and consumption. 231234. E. Cipolla. Manzini. CMUMAD (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento). G. Claramente. PhD Thesis.. 2. reprojetadas e replicadas. Nosso futuro comum. 1998.

1996). WBCSD. Design for sustainability: the new research frontiers. Papanek. L. Estratégias de transição para o século XXI. The Jo’burg-Memo.F. mas. Ou seja. 2006a. Advisory Council for Research on Nature and Environment (em particular: The Ecocapacity as a challenge to technological development. Cipolla apresenta um depoimento deste autor confronto seus dois livros publicados no Brasil. prolongando sua aceitação no mercado VIII Considera-se fase de pré-produção a fase anterior à produção. 2006b. o primeiro que trata do desenvolvimento de produtos sustentáveis e o último que trata de design para a inovação social e sustentabilidade. 2. org. X Existem algumas críticas com relação ao método LCA. Presentation in power point for the Master in Design Strategic of Politecnico di Milano. D. Design para a sustentabilidade: um percurso metodológico para pesquisa aplicada no setor de móveis de escritório. Pode-se afirmar que. etc. Rio de Janeiro: E-papers (Cadernos do Grupo de Altos Estudos. I. São Paulo: Perspectiva. Vezzoli. Paper presented at the conference Changes to sustainable Consumption. Neste último âmbito. Design for society. 2006. Paper presented at 7th Brazilian Conference on Design. C. Neste depoimento o autor afirma que seus interesses hoje não estão mais voltados ao produto. O negócio é ser pequeno. III “A resiliência é a capacidade que o ecossistema tem de sofrer uma ação negativa e sem sair de sua condição de equilíbrio” (Manzini & Vezzoli 1998: 27). ou seja. (January 2006). N. Berlin: Heinrich Boll Fundation. et al. das matérias primas necessárias para a produção do produto. Working group on eco-efficiency que foi promovido pelo World Business Council for Sustainable Development (particularmente o relatório final Eco-efficient Leadership. 1319-1325. McDonough. Curitiba. H.Manzini. Journal of Cleaner Production 14.htm>29/03/2009. 2002. in Curitiba. Brazil. 29-56. este é. 3. IV Não cabe neste artigo argumentar sobre a integridade destas ações. apesar de todas as críticas a LCA. o transporte. compreendendo desde o nascimento do produto. também. 2008. isto é. Vezzoli. Vezzoli. não é necessariamente o produto físico. Life Cycle Design: from general methods to product type specific guidelines and checklists: a method adopted to develop a set of guidelines/checklist handbook for the eco-efficient design of NECTA vending machines. Lisboa: Edições 70. V No prefácio do último livro de Manzini escrito no Brasil. & Chaves. New York: North Point Press. In: Home: World Summit 2002. IX Unidade funcional é a unidade de medida utilizada em uma Análise do Ciclo de Vida do produto. W. Este artigo não tem por finalidade entrar neste mérito da questão. Fairness in a fragile world. & Braungart. também. para a vida comercial do produto. sua retirada do mercado. organizações colaborativas e novas redes projetuais. W. I. Vezzoli. Brazil. Whiteley. Wuppertal Institut fur Klima. um estudo financiado por um grupo de Ministérios Holandeses).1) Meadows. (edited by). INDACO dept. 2002. VI Tradução feita pela autora do artigo.org/memo/index. Copenhagen: SCORE. a função que este produto cumpre ao longo de um certo período. V. um dos métodos mais confiáveis para se medir o impacto ambiental. Tischner. ____________________________ II Sobre este argumento ver os trabalhos desenvolvidos pelo: 1. 1985. mas que são aspectos distintos que portam a uma ruptura nos padrões e a necessária mudança (Cipolla 2008: 12). Schumacher. através do seu projeto. o designer trabalha juntamente com o marketing buscando revitalizar as vendas. Umwelt.. Energie. a manufatura. System design for sustainability. In: Para pensar o desenvolvimento sustentável. 1994.worldsummit2002. v. Design for (social) sustainability and radical changes. até sua morte comercial. Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas. 2006. & Dalia Sciama. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 75 . Sachs. Arquitetura e design: ecologia e ética. Cradle to cradle: remaking the way we make things. Memorandum for the World Summit on Sustainable Development. M. Sachs. Limites do crescimento: um relatório para o projeto do clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Brasiliense. Marcel Bursztyn. Rio de Janeiro: Zahar. <http://www. porque o termo é adotado. E. e portanto o produto. C. C. U. London: Reaktion Books. C. 1983. XI Traduzido pelo próprio autor do artigo. & Verkuijl M. In: 7° Congresso Brasileiro de Design. E. VII Este termo causa alguma confusão no que se refere a pratica projetual. a extração. 1978. 2006. August 9-11. 1993. com relação a busca real de um desenvolvimento sustentável. ainda.

.

usuário cego.Validação de uma bula de medicamentos em Braille direcionada ao usuário cego Validation of medicine package insert in Braille to blind user Maria Olinda Lopes Mestre em Design. For that reading did develop an interview with the Karel van der Waarde framework of graphic presentation application. Sistema Braille. Braille System. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 77 . The objective is the validation of the medicine package insert in to the graphic and informational characteristics for blind people users. UFPR olindaart@hotmail. acessibilidade Nesse artigo é descrita a validação de uma bula de medicamentos em Braille realizado com usuários portadores de cegueira. blind user. medicamentos. Information Design. Para tanto foi desenvolvido uma entrevista com a aplicação do modelo de apresentação gráfica de Karel van der Waarde. accessibility This paper pretends the description of a validation realized with blind users. medicines. O objetivo deste foi o de validar a bula em suas características gráficas e informacionais para o usuário cego.com Design da Informação.

org. ou Código Braille. capítulo VI. de dezembro de 2004. Isto se deu a partir da leitura da bula por quatro usuários. No Brasil o conteúdo das bulas é regulamentado pelo Ministério da Saúde. capítulo VI. Portanto. Visando a eficácia comunicacional em bulas de medicamentos. Tal legislação refere-se ao texto das bulas. Braille. O Sistema Braille de escrita em relevo. o qual deve respeitar uma ordem das informações e conteúdo especificado e regulamentado. o que foi essencial neste estudo.296.4 milhões com baixa visão. no Brasil. Jones (2005) destaca que a impossibilidade de ler bula de medicamentos é um sério risco para a saúde dos mesmos. Lei de Acessibilidade4 brasileira estipula que: “(. pela ANVISA1 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. o modelo analítico proposto é voltado para bulas destinadas a videntes. na França (Venturini e Rossi 1995). ou em fonte ampliada”5. a promoção de um design eficaz de documentos para deficientes visuais e cegos é uma questão não apenas de comunicação/design da informação. garantindo o pleno acesso as informações disponíveis. No que tange a leitura de bulas por usuários deficientes visuais ou cegos. ou célula. destacando ainda elementos que influenciam sua eficácia comunicacional. também.br 78 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . 2003). foi criado em 1824 por Louis Braille. A bula foi impressa em Braille respeitando a legislação vigente sobre este tipo de documento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)3 . artigos 47 a 60 3 www. de direito e cidadania. Wright (1999) enfatiza que esta demanda habilidade verbal e de retórica de comunicação.296.gov. Neste sentido. com a intenção de avaliar a bula desenvolvida no que se refere a sua estrutura gráfica e informacional a fim de promover a qualidade do documento do ponto de vista do design da informação. exemplares das bulas dos medicamentos em meio magnético. artigo 58.br camentos impressa neste sistema de escrita empregando o modelo proposto por Van der Waarde (1999). clareza nas instruções visuais. Van der Waarde (1999) desenvolveu um modelo analítico para este tipo de documento informativo. parágrafo 1º www. de 2 de dezembro de 2004. bulas em Braille carecem de instrumentos descritivos e avaliativos de sua eficácia comunicacional. a escrita de documentos e uma boa comunicação visual podem melhorar a sua leitura efetiva. do acesso a informação e a comunicação. segundo Fujita e Spinillo (2006): ‘é omissa no que se refere à apresentação gráfica das informações obrigatórias. Entretanto. assim.br 2 Decreto 5.. a ver: o design tipográfico e de layout da página. Para tanto foi aplicado um modelo descritivo desenvolvido para o design de bulas.acessobrasil. constituíramse 64 (sessenta e quatro) sinais. através da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pela portaria nº 110. que permite aos cegos lerem através do tato. dadas as necessidades especiais do usuário. mediante solicitação. que deve estar cada vez mais atento à necessidade de auxiliar pessoas com deficiências sensórias e cognitivas no entendimento das informações (Wright. o acesso à bula em Braille é um direito 4 5 Decreto 5. Segundo a autora o acesso a informação sobre os medicamentos é um direito básico e particularmente importante para as pessoas com deficiência visual.. até o ano 2000 havia 148 mil pessoas portadoras de cegueira no Brasil e 2.1 Introdução Aqui é exposta a validação de uma bula de medicamentos em Braille. Assim. Portanto.ibge. apesar da relevância destes aspectos na leitura e compreensão da mensagem’ (Fujita & Spinillo 2006). neste artigo é apresentada a validação de uma bula de medi1 http://www.gov. aspectos como legibilidade. layout do documento são desconsiderados. entre outros.) a indústria de medicamentos deve disponibilizar. Com a intenção de auxiliar no acesso eficaz e averiguar as melhorias realizadas no documento. 2 O design de documentos para bulas A área do design de documentos tem explorado como. Mas. mas.anvisa. O design inclusivo – que considera usuários com necessidades especiais – também deve ser uma preocupação do designer. A partir desta matriz chamada de cela. A Lei de Acessibilidade2 regulamenta o acesso dos cegos e deficientes visuais a qualquer meio impresso e/ou eletrônico. Sobre a escrita de documentos técnicos.

Um uso consistente dos componentes gráficos e as relações entre os componentes em toda a bula podem fazer com que a informação seja mais fácil de reter. Estes aspectos são os mais difíceis de descrever. 2. A última característica relatada sobre a apresentação é sobre o aspecto gráfico das bulas. Componentes gráficos A. tintas de impressão. o modelo de Waarde. Uma segunda característica é a estrutura física do documento. Relação de sequencialidade Nível 3. e 3. em linhas gerais. O modelo de Karel van der Waarde Waarde (1999) apresenta três níveis de análise em seu modelo: 1. Consistência B. Os componentes pictóricos. as normas para a aplicação do Sistema no Brasil. Relações entre componentes gráficos. Estética Os componentes verbais são definidos como marcas significativas que podem ser pronunciadas. Mesmo sendo direcionado a bulas para videntes. A terceira relação pode ser descrita como uma relação de proeminência. Componente composto Nível 2. Características físicas C. Componentes verbais B. no tópico a seguir. dispostos em duas colunas de três pontos. trata o tema do design de bulas de forma completa e sistematizada. estes não foram mencionados aqui. Para uma melhor compreensão das características de documentos em Braille. a proximidade refere-se à distância entre os componentes gráficos. serão descritas. Na bula em Braille deste estudo somente o componente verbal está presente. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 79 . A seqüência de componentes gráficos indica a sucessão de elementos informacionais. Componentes pictóricos C. a transparência. normas e exemplos de uso O Sistema Braille é composto por matrizes constituídas de seis pontos. Apresentação gráfica global A. Relações entre componentes gráficos A. Portanto. pois. Relação de proeminência D. Componentes esquemáticos D.garantido por lei no Brasil. 3 O sistema Braille: conceituação. Relação de proximidade B. e reflexos. É importante lembrar que o modelo foi desenvolvido para o design de bulas. Relação de similaridade C. mas eles são mencionados com maior freqüência em relação à apresentação gráfica. Os componentes gráficos visualmente diferentes apresentam diferentes elementos informacionais com status diferentes. A proeminência entre diferentes componentes gráficos é uma indicação de um conjunto de diferenças no status hierárquico entre os elementos informacionais. A partir desta matriz chamada de cela. pois. Apresentação gráfica global (figura 1). A segunda relação entre os componentes gráficos é a relação de similaridade. mas. Tabela 1: Modelo descritivo de Waarde (1999) Nível 1. As características da apresentação gráfica global são importantes segundo Waarde (1999) porque provêem o leitor com a primeira impressão do conteúdo informacional de uma bula. Por exemplo. pode perfeitamente ser utilizado no design de outros materiais. foi considerado o mais apropriado para o estudo. esquemáticos e compostos não fizeram parte do design desta bula. Componentes gráficos. em um segundo nível. não constam da bula transcrita. a qualidade do papel. A primeira característica é a consistência da aplicação das variáveis gráficas em um documento. Sobre as relações entre componentes. as dimensões do documento. A quarta relação é a de seqüencialidade.

80 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . 2003). podem ocorrer erros gramaticais e de ortografia. também chamado de sinal fundamental. Nos quadros abaixo (01 e 02) é possível visualizar resumidamente a estrutura gráfica e informacional da bula em Braille antes e após re-design. este conteúdo foi selecionado a partir de texto aprovado pela ANVISA/ Ministério da Saúde. Na figura 4 se pode verificar o alfabeto Braille: de 2005 (anexo 01) anexo do documento em tinta. com sua última atualização em 12/07/2004. É importante ressaltar que. de março de 1997. 4 Descrição da bula em Braille – estrutura informacional e gráfica O conteúdo da nova bula em Braille é o mesmo da anterior. todos os itens e conteúdo que compõem a bula são regulamentados por lei6 e qualquer alteração deve ser formalizada e enviada pela fabricante do medicamento para sua atualização. da esquerda para a direita (figura 3). pelo mesmo motivo. pois. e Copyright 6 Portaria nº 110. não foi realizada a revisão ortográfica do texto da bula.constituíram-se sessenta e quatro sinais (figura 2). portanto. Quadro 1: síntese comparativa entre as bulas (antes e após re-design) Figura 1: Sinal fundamental do Braille(a) e cela vazia(b) em tamanho real Figura 2: Pontos do Braille e a direção de leitura na transcrição para a escrita convencional Figura 3: Alfabeto Braille A leitura do Braille se dá da esquerda para a direita e o leitor deve prestar muita atenção para não saltar linhas. Portanto. A numeração da cela Braille. o reconhecimento geral dos símbolos Braille é feito com a mão direita. e a compreensão e leitura com a mão esquerda (Grifin e Gerber. não foi alterado. se faz de cima para baixo.

quais informações mais lhes interessam. O gênero não foi considerado relevante neste estudo. Como exemplo: onde buscam informações sobre um medicamento prescrito. Os participantes. faixa etária entre 36 e 45 anos. se já tiveram contato com bulas. assim como no estudo com a bula corrente. Material teste Foi analisada a nova bula do medicamento hidroclorotiazida. O conteúdo informacional foi o mesmo da bula transcrita a partir do texto que consta no bulário eletrônico da ANVISA. Assim. Procedimentos Para os participantes 02 e 03 a leitura da bula foi dividida em três partes: Preenchimento de dados pessoais. o documento em Braille é composto por 42 páginas em papel liso com a impressão somente na frente da folha. Parte 2. Parte 1. se conhecem bulas Participantes Quatro adultos portadores de cegueira participaram deste estudo sendo que têm pós-graduação completa. a fim de comparar os resultados entre os estudos. Neste artigo somente serão expostos os resultados do participante 02 para exemplificação. materiais. procedimentos. A bula em “txt” resultou em treze páginas no formato A4 (210 X 297 mm) com margens: esquerda e direita de 30 mm. superior e inferior de 25 mm. Parte 3.Participante 02: Sexo masculino. são do sexo masculino. portanto. Esta bula foi impressa em papel sulfite com gramatura de 75 gramas. Na parte 1 os leitores responderam questões sobre sua experiência com bulas de medicamentos. pós-graduação completa em Educação Especial.Participante com a bula de medicamentos em Braille em mãos. foi realizada a validação da nova bula em Braille com a participação dos usuários. Na impressão em Braille foi usado formulário contínuo (260 X 305 mm) com papel na gramatura de 150 gramas. e os resultados deste estudo são expostos a seguir. 5 Validação da nova bula em Braille A validação da nova bula em Braille foi feita para verificar a sua eficácia junto a leitores experientes de Braille. O texto foi salvo em formato “txt”. faixa etária entre 36 e 65 anos. No estudo anterior participaram Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 81 . e de razoável a muita fluência em Braille. . Os dois novos participantes foram convidados com a intenção de se detectar problemas que pudessem ter sido despercebidos na primeira leitura.Participante sem a bula de medicamentos em Braille. Assim.Solicitar que o participante encontre as informações indicadas. e com muita fluência em Braille. de que forma recebem estas informações. não houve a preocupação em um misto entre pessoas de sexo masculino e feminino.Quadro 02: Síntese da estrutura gráfica e informacional da capa e do sumário (vide página seguinte) duas pessoas que voltaram a participar na validação para averiguar se os problemas detectados haviam sido solucionados.

porém. é a impossibilidade que os impede. este citou as contra-indicações e as reações adversas.Participante 02: Parte 1 | Participante sem a bula de medicamentos em Braille | Questões preliminares sobre a experiência do participante com bulas Segundo o participante ele recebe informações sobre um medicamento prescrito com o médico e oralmente. Também foi solicitado se teriam algo a acrescentar que lhes parecesse relevante para o estudo e qual sua opinião sobre a bula que haviam acabado de ler. números e letras. para ele. as relações entre esses componentes e sobre as características físicas da bula. isenta da necessidade de estar toda a frase em caixa-alta. Com a oferta da bula em Braille não haverá motivo para não ler a bula. regular ou ruim (ver formulário de entrevista em apêndice B). a falta de parágrafo poderia causar confusão na leitura tátil e o usuário poderia acreditar ser a continuação do texto. interações medicamentosas. há dificuldades e que estes geralmente preferem textos em áudio. b. O mesmo foi observado com relação aos subtítulos antecedidos por letras (a. não se faz necessária a abertura de parágrafos.estrutura gráfica da bula em Braille | Componente Gráficos | verbais Para o participante o fato dos títulos estarem numerados e com salto de linha antes e depois. ater-se somente às informações vindas do médico. segundo o participante. isto pode acarretar-lhe alguma reação adversa. Que o paciente não deve 82 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . para que se inteirassem de seu conteúdo. o participante comentou que se o título (contra-indicações) fosse composto por uma frase curta. Quando questionado sobre quais as informações ele deseja saber de acordo com o seu interesse. como satisfatória. quando há títulos longos. As entrevistas foram filmadas e gravadas em áudio para posterior transcrição. que preenchem a linha quase intei- Alguns resultados e discussão . . ao adicionar hífens. mesmo sendo um ganho mínimo. 2= a regular. que a bula foi impressa somente de um dos lados da folha e que com a impressão frente e verso o volume do documento seria reduzido na metade. numa escala de 1 a 4. foi solicitado que ambos classificassem a bula com relação à busca de informação. os que adquiriram cegueira após terem sido alfabetizados. Ainda. Ainda. advertência e as indicações de armazenagem. O participante expôs que para pessoas com boa fluência em Braille não há problemas em ler documentos extensos. mas. 3= difícil. 4= a muito difícil. em que 1= fácil. Também comentou que se as pessoas não lêem a bula pode ser por uma questão cultural. contra-indicações. Portanto. e. no caso dos cegos. Quando questionado sobre a possibilidade de acesso a uma bula em Braille.em áudio. reações adversas. Porém. foram transcritas para a compilação dos resultados. ou. Na parte 3 os participantes fecharam a bula e foi solicitado que encontrassem informações específicas como. o participante diz ser importante que haja o acesso. referentes à capa e ao sumário. com relação aos seus componentes gráficos. . Assim. porque. O único acesso que este teve a bulas de medicamentos foi oralmente. Parte 2 | Participante com a bula de medicamentos em Braille em mãos Os primeiros comentários do participante foram sobre o seu grande volume. entre os que têm fluência em Braille geralmente há a preferência pela leitura de textos impressos. somente as iniciais. O participante comentou sobre a presença de muitos termos de difícil compreensão. Ainda.Relações entre componentes gráficos Proximidade Ao ler o item c da bula. c). técnicos. Comentou sobre um ganho de espaço e de papel neste caso. Na parte 2 os participantes responderam questões específicas à estrutura gráfica da bula em Braille. segundo ele. Aqui foi solicitado que os participantes lessem as quatro primeiras páginas da bula. mas.

Apresentação gráfica global Figura 5: Trecho lido pelo participante Segundo ele. Os hífens utilizados como separadores de números ou letras não interferiram na interpretação dos títulos hifenizados. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 83 . pois. neste caso. tanto na legibilidade do relevo dos pontos. sendo que o número de página indicado estava Figura 6: trecho lido pelo participante proeminência Para o participante. a leitura é mais lenta com o acréscimo de caixa-alta em todas as palavras. quando há a numeração em seqüência dos títulos e a abertura de parágrafo. ou seqüência de letras e hífens. As margens e o comprimento das linhas foram tidos como satisfatórios. é necessário a abertura de parágrafo na linha seguinte (Figura 05). pois. O participante observou que é importante imprimir em frente e verso das folhas.ra. . para a leitura tátil. também foi satisfatório. o participante comentou que. Comentou que nos títulos em pontuação não há prejuízo pela falta de paragrafação. A impressão do documento foi tida como satisfatória. o hífen dobrado já diferencia subtítulos de outros itens presentes no texto corrido. Características físicas O formato foi tido como o ideal em suas dimensões (formulário contínuo. assim facilita. Os saltos de uma linha antes e/ou depois destes títulos e subtítulos. similaridade Ao ler um trecho da bula (figura 06). Segundo ele. assim como o tipo de encadernação em espiral com relação ao manuseio. subtítulos. A intenção de destacar textos em grandes blocos através do salto de uma linha foi satisfatória. Seqüenciamento A convenção de que dois hífens significam itens e um hífen se refere a títulos foi satisfatória. Consistência Para o participante o fato de títulos. Parte 3 – Solicitação que o participante encontre informações na bula O participante procurou informações no sumário e comentou não haver dificuldade para encontrá-las. Porém. não há a necessidade de letras maiúsculas e nem de paragrafação. já é uma convenção utilizada no Braille. pois o título sem ponto final indica início de texto na próxima linha. serem representados em caixaalta e com numeração. segundo ele. não é necessário saltar linha entre títulos e subtítulos. já demonstra que é texto com outra função. para ele. quando a intenção for proporcionar ênfase ao trecho de texto o uso de caixa-alta é válido. 260 X 305 mm). a leitura da bula. proporciona consistência gráfica na bula. a presença de letras ou hífens. para um melhor aproveitamento de papel. quanto ao que se refere ao tipo de papel utilizado. não há a necessidade de saltar linhas. Além disso. pois.

Ao buscar a informação na bula. que também foi considerado eficaz no auxílio do encontro das informações no interior da bula. pois assim. pois. e também sobre a possibilidade de imprimir a bula em frente e verso. reduzindo assim na metade a quantidade de papel gasto na sua produção. O destaque proporcionado às advertências e observações proporcionou. é usado com freqüência e. Pode-se afirmar que a avaliação da bula em Braille através do modelo de estruturação gráfica e dos participantes foi eficaz para solucionar problemas estruturais gráficos e informacionais no documento ocorridos na transcrição. foi considerado desnecessário para separar títulos e subtítulos no sumário. Um dos participantes comentou que a bula solicitada. ou. pois. 6 Conclusão e considerações A partir da validação foi possível concluir que a participação do usuário durante o processo de design da bula. pelo médico. ou junto com o medicamento no momento da aquisição. para a otimização do documento. Também disseram que o acesso à bula em Braille pode ser por solicitação. segundo os participantes. em estudos experimentais é válido e essencial para detectar problemas que podem ser imperceptíveis ao designer. portanto. e um deles disse que gostaria de ter o acesso em farmácias. porém. para avaliar aspectos da estrutura gráfica e informacional da bula em Braille. via correio. letras e hifenização já proporcionou esta separação entre informações. A validação do documento com a participação de usuários é fundamental em pesquisas para a observação da influência dos fatores gráficos mencionados na eficácia da leitura de bulas de medicamentos em Braille e na busca de soluções de problemas percebidos somente pela percepção tátil. Também encontraram erros de grafia na bula. os problemas e fornecendo um documento de maior qualidade ao usuário cego. a inserção de numeração. como o uso de paragrafação de três caracteres e o uso de caixa alta. Ao solicitar se o participante teria algo a acrescentar que lhe parecesse relevante ao estudo. assim é possível proporcionar proeminência e/ou similaridade às informações. Os recursos de ênfase em advertências e observações. minimizando assim. A paragrafação foi considerada desnecessária após títulos curtos.correto. O uso de caixa-alta foi considerado uma forma eficaz de proporcionar ênfase nas informações. O uso de hifenização dupla em itens no interior de textos foi considerado satisfatório. comentou que os saltos de linhas antes e/ou depois de títulos e subtítulos ajudou a encontrar a informação na página. Três dos participantes comentaram que o uso da impressão em frente e verso das folhas não prejudicaria a qualidade do documento e reduziria o seu volume. ou cadastramento. a numeração. pois facilitou o encontro das informações. a definição da hierarquia informacional na bula. O mesmo sobre saltos de linha. foram solucionados problemas de similaridade e proximidade informacional-gráficas. com o médico. adição de letras e hifenização de títulos e subtítulos. este comentou novamente sobre a presença de termos de difícil compreensão. de fácil reconhecimento pelo leitor do Braille. Os participantes expuseram que recebem informações sobre o medicamento oralmente e um deles comentou sobre a presença de informações impressas em Braille na embalagem de alguns medicamentos. poderia chegar ao paciente em sua residência. pois. ou técnicos. 84 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Os participantes comentaram sobre a presença de termos técnicos e consideraram que estes são de difícil compreensão. A respeito da consistência gráfica e informacional o uso de caixa-alta para títulos e subtítulos foi considerado eficaz. A inserção de sumário e numeração de páginas foi confirmada como eficaz na função de orientadores na bula. foram tidos como satisfatórios pelos participantes. e assim. assim como. Considerou a bula como fácil no que se refere à busca de informações.

p.O. In: International Design Conference | UK. Fiona.tiresias. Karel. Patricia. (2005). HOONHOUT. In: Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade ‘ERGODESIGN’. 2006. no que se refere às dimensões. p. Acesso em 20 de maio de 2007. ISBN: 85-99679-02-3. Harm J. In: Anais do Seminário Design da Informação sobre medicamentos.br/?action=sa ude. Censo Demográfico 2000.45-66. Providing patients with relevant information.gov. SPINILLO. 5ª ed.ibge.81-89. Carla G. Taylor & Francis. a bula foi considerada muito volumosa em número de páginas. 2008. LOPES. M. p. SPINILLO. 2003. Recife. Disponível em: http://www. os participantes disseram ser importante o acesso a bulas em Braille e que a bula lida está satisfatória sendo que apresenta todas as informações sobre o medicamento a qual se refere.org/fichiersgb/pil-guid. (2003). Patrícia T. 2ª edição.anvisa. Theo. Paul J. London. 2009. Tradução de Ilza Viegas. SPINILLO. Theo. M. Information Design in medicine inserts in Braille: a case study in Brazil. BRASIL. (2004). ashx%3fpage%3dcompliance_column. ISSN 1808-5377 LOPES. (1999). Vol.bvs. BRASIL.296.html.S.org/guidelines/instruction_books. Disponível http://bulario. GILL. D. Acesso em 13 de novembro de 2005.110.G..org. Henriëtte. Carla Galvão. Disponível em: http://www.5.6-10. Decreto nº. IBGE (Org.htm Acesso em: 13 de abril de 2008. Criteria and ingredients for successful patient information. Henriëtte. Selected Readings of the Information Design International Conference. The graphic presentation of patient package inserts. revisão de Paulo felicíssimo e Vera Lúcia de Oliveira Vogel. Medicine’s blind spot.S. Antônio Carlos (1999). 1997. comprimento de linhas e margens. Carla G. Braille labeling of medicines: meeting directive 2004/27/EC.br/ home/presidencia/noticias/27062003censo. _______Karel.L.I. (Ed) Visual information for everyday use: Design and research perspectives. Bauru: UNESP. Portaria n.G. Publicação da Fundação para o Livro do Cego no Brasil. Lei de Acessibilidade. 1CD-ROM. GRIFFIN. Carla Galvão.26. In: Anais do 8º Con- gresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. M. São Paulo.) (2000). Guidelines regarding implementation of the European union directive on medicinal products for human use. nº 1. nº 3. ROSSI. Harold G.gov. BRASIL (2004). 2008. Disponível em: http://www. (2000-07).).). SPINILLO. (1999). Bauru. Disponível em: www.O. Carla Galvão. WRIGHT. WRIGHT. Artigo completo premiado no P&D 2008. RNIB. BOERSEMA. M. In: People in Life Sciences (P. Carla Galvão.I.honeycombonnect. No entanto.. In: Journal of Audiovisual Media..75-81. Acesso em 10 de abril de 2007. BOERSEMA. 24-35. Ministério da Saúde.acessobrasil.br/legis/portarias/110_97. SPINILLO. HOONHOUT. Visual information about medicines. Louis Braille: sua vida e seu sistema. Harm J.shtm>. Accessibility for Visually Impaired end-users. Disponível em: <http://www. Referências bibliográficas BRASIL.O.. Teresinha Fleury de Oliveira.Sobre as características físicas do documento. Ministério da Saúde. In: Infodesign. GIL. Acesso em 10 de abril de 2007 FUJITA. Jurema Lucy. de 10 de março de 1997. Bula para o paciente.M. Designing public documents. (2006). (Ed) Visual information for everyday use: Design and research perspectives. Jonhn (2004-05). Disponível em: http://www. LOPES. vol. (Eds. Desenvolvimento tátil e suas implicações na educação de crianças cegas. (1995). Anais. SLESS. São Paulo: Atlas.O.com/ people_in_life_sciences(P. de 2 de dezembro de 2004.M. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 85 .5. p. VENTURINI. London. JONES. Estudo experimental de leitura de uma bula de medicamentos transcrita para o Sistema Braille por usuários portadores de cegueira.br. Taylor & Francis. (2004).L. euroblind. Análise da estrutura gráfica de uma bula de medicamentos transcrita para o Sistema Braille.L. Métodos e técnicas de pesquisa social.1-6. LOPES. Solange G. p. foi considerado satisfatório. Acesso em abril de 2007. In: Information Design Journal + Document Design 12 (1). Quando questionados sobre a sua opinião sobre a bula lida. A apresentação gráfica de bula de medicamentos: um estudo sob a perspectiva da ergonomia informacional.)/document_5325. C. o manuseio do documento.htm Acesso em: 13 de abril de 2008. VAN DER WAARDE. p.54154305200511&phpsessid=91c00d8354b011596afb51e1e568dcc. GERBER. In: ZWAGA. C. SPINILLO. Printed instructions: can research make a difference: In: ZWAGA. Análise sobre o processo de obtenção e uso de medicamentos por pacientes com deficiência visual a partir de processo descrito por pacientes videntes. Patricia. Package information leaflets (or Patient Information Leaflets – PIL). SBDI – Sociedade Brasileira de Design da Informação. COUTINHO. European Blind Union. P&D 2008.

.

Culture. Key-words: Design. aiming at reaching a sustainable development. In this sense. com vistas ao desenvolvimento sustentável. Sob este prisma. Abstract This paper presents some considerations about design challenges for promoting changes in the consumption culture. as well as of developing deeper researches on prospective sceneries. within the context of the cultural. no contexto da dinâmica cultural. destaca-se a relevância da adoção de abordagens interdisciplinares no design de sistemas de produtos e serviços para a sociedade e do aprofundamento de pesquisas de prospecção de cenários. culturais. econômica. Consumption emerges from the relationship between people. Com base em uma abordagem interpretativa. consumption is here understood as a process that goes beyond a passive absorption. social. aiming at sustainability. econômicas. appropriation of goods. políticas e sociais.Desafios do design na mudança da cultura de consumo Design challenges for changing the consumption culture Maristela Mitsuko Ono I Universidade Tecnológica Federal do Paraná. and needs and yearnings satisfaction. artifacts and society. Consumption. Based on an interpretive. para a promoção de mudanças na cultura de consumo. emergindo da relação das pessoas com os artefatos e a sociedade. Resumo Este artigo traz considerações acerca de desafios. economic. apropriação de bens e satisfação de necessidades e desejos. economic. entende-se o consumo como um processo que vai além da passiva absorção. em suas múltiplas dimensões ambientais. não reducionista e não determinista das diversas culturas e do mundo. political and social multiple dimensions. the relevance of adopting interdisciplinary approaches in designing products and services systems is emphasized. política e ambiental. considering its environmental. visando à sustentabilidade. no âmbito do design. which is related to lifestyles and consumption behaviors.com Palavras-chave: Design. abrangendo estilos de vida e comportamentos de consumo. political and environmental dynamics. social. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 87 . Cultura. cultural. Consumo. non reductive and non deterministic approach of the diverse cultures and the world. Brasil maristelaono@gmail.

distribuição. dentre outros. Ono. 1972. interações e interdependências dinâmicas (Bertalanffy. comunicação e consumo. na esfera simbólica e nos usos (Mccraken. não têm sentido. 2005. E. quando os humanos desenvolveram os primeiros artefatos. 2 Estilos de Vida e Consumo Dos tempos mais remotos. a partir de uma visão não reducionista e não determinista do mundo e da vida. 1968. trazendo em si o caráter ativo da relação das pessoas com os artefatos e a sociedade. análises. interagem com eles e os utilizam. cujo significado é arbitrário e polissêmico. por si só. comunicação. no contexto da dinâmica cultural. envolvendo as esferas de produção. apropriação de bens e satisfação de necessidades e desejos. E. Cabe lembrar que isto se dá na relação entre sujeitos e objetos. compreende uma teia de inter-relações. distribuição.1989). O consumo não consiste em um fenômeno unidirecional e homogêneo. além da sustentabilidade ambiental. dentre outros). por sua vez. Assim. 1993. nos processos que envolvem produção. apesar das estratégias e lógicas mercadológicas não raro desfocalizarem a pessoa em sua individualidade e subjetividade. regulação. 2003. conforme Baudrillard (1993 : 149-206). No entanto. a sustentabilidade nas esferas sociocultural. A questão da sustentabilidade tem sido discutida e pesquisada mais ampla e profundamente nas esferas ambientais e do ciclo-de-vida de produtos. que uma direção na qual se deva conduzir. 1992.1 Introdução Este artigo tece considerações acerca dos desafios do design para a promoção de mudanças de modos de vida e comportamentos de consumo na sociedade. além das dimensões subjetivas e socioculturais. são continuamente significados e re-significados. as culturas não estão se tornando homogêneas (Lorenz. por sua vez. um objeto ganha sentido mediante sua relação com outros signos. 2006. Laszlo. apesar de estarem estreitamente inter-relacionados aos estilos de vida e referenciais socioculturais. há lacunas expressivas. e a partir da qual desenvolvem seus pensamentos. sendo que a sociologia do consumo busca compreender a ideologia do consumo (Bourdieu. e se “personaliza” mediante a diferença. A cultura é aqui compreendida como uma teia de significados tecida pelas pessoas ao longo de suas vidas. representação. econômica e política. por sua vez. até de um desejo efêmero. Baudrillard. valores. que emergem desde de uma necessidade básica. 1994. na medida em que as pessoas se relacionam. em prol do desenvolvimento sustentável. que compreende. Ono. Laszlo. desigualdades e condutas discriminatórias e excludentes. e significam a própria existência (Geertz. O consumo pode ser compreendido como “uma atividade de manipulação sistemática de signos”. Eles. como a alimentar ou de abrigo. Os artefatos. A condição sistêmica. desejos e significados tem se desenvolvido. 2004. em que persistem contradições. ou de vestir-se de certo modo. Entende-se que o consumo. dentre outros). como um “signo”. econômica. vai além do processo passivo de absorção. materializando-se em artefatos de variadas funções e graus de complexidade. revelando-se com uma miríade de facetas. como o de Theodore Levitt (1990). múltiplas e complexas relações se desenvolvem. Há diversas abordagens sobre consumo. segundo Néstor García Canclini (2003). a despeito de certos discursos com esta perspectiva. des. 2006. Capra. social. e um objeto de consumo. Douglas & Isherwood. como o de explodir fogos de artifício em algum festejo. ainda que produzidos industrialmente com modelos padronizados. E o desenvolvimento sustentável é visto antes como uma condição sistêmica que se almeja alcançar. uma crescente e complexa gama de necessida- 88 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . na construção desses significados. condutas. Hall. e o papel destes nas relações sociais. dentre outros). dentre outras. sempre social e culturalmente contextualizados. política e ambiental. em termos de pesquisas sobre as dimensões socioculturais no desenvolvimento e consumo de produtos e serviços. conflitos. no contexto de uma globalização “imaginada”. 1996). 1983. consumo e acesso aos bens. até os dias de hoje. enquanto que a antropologia cultural trata de como se desenvolvem as relações entre as pessoas e os artefatos.

Deste modo. pode promover a harmonia ou as desigualdades sociais. os sujeitos sociais constituem e exprimem. dentre outras. Há consumos resultantes de modelos normativos de comportamento. Eles se expressam por meio de hábitos estéticos. para si mesmos e para os outros. as preferências e as opções estéticas distinguem-se entre as diferentes classes sociais e estão estreitamente vinculadas ao capital cultural das mesmas. no cultural. 2004). em termos de adequação aos usos. A disposição estética. portanto. inter-relacionados a essas três esferas ambiental. visando à harmonia ambiental. que a sustentabilidade ambiental é um objetivo a ser alcançado e não. É bastante comum adquirem-se novos produtos sem que haja necessidade de substituição dos existentes. vinculados à cultura de cada sujeito e grupos sociais. no social. segundo Bourdieu (2007). atua como um mediador entre pessoas e artefatos. dependência ou independência. No âmbito ambiental. na sociedade e no meio ambiente. pode respeitar ou não a diversidade cultural e as múltiplas identidades. como muito se tem dito. e a sociedade apresenta inúmeras manifestações de “estratificação do poder”. de acordo com Manzini e Vezzoli (2002). em termos ambientais. destaca-se a importância do design como agente promotor de tais mudanças. o gosto. desenvolvem-se os estilos de vida e o consumo. diversa e complexa. podendo promover ou não o desenvolvimento sustentável. considerando-se que nem toda melhoria. E a busca pelo desenvolvimento sustentável requer mudanças sistêmicas nessas três esferas. inclusivas e exclusivas.seguindo modismos (Lipovetsky. Vale salientar. emancipação ou subordinação. representando a posição social dos indivíduos. exigem abordagens interdisciplinares e sistêmicas. é determinada pelo “capital econômico e cultural” que possuem. (Figura 1) Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 89 . beneficiam ou prejudicam. econômica e política. As relações entre os sujeitos envolvem “relações de poder”. resultantes de impulsos “descontrolados” de compra. o design pode fomentar a durabilidade dos artefatos ou a sua obsolescência e descarte prematuros. estreitamente relacionados aos comportamentos de consumo e à cultura das pessoas. reproduzindo certas relações de poder que se estabelecem na esfera social. em prol do desenvolvimento sustentável. 3 Desafios do design em mudanças de estilos de vida e consumo No que tange ao consumo e aos estilos de vida. tanto incorporando quanto propiciando significações e relações objetivas e subjetivas. sociocultural. na medida em que. econômicas e sociais. E esta consideração se estende a outras dimensões da sustentabilidade. cultural e social além da econômica e política. que. Mediante “marcas de distinção”. 1983). os estilos de vida e o consumo de produtos revestem-se de um caráter simbólico de distinção na estrutura social. socialização ou isolamento. promovem realização ou frustração. a saúde ou a doença. estruturas de preferências e gostos distintos. a relação do design não é menos ambígua. de status. por sua vez. em determinadas situações. E outros ditos compulsivos. E. satisfazem ou não. de acordo com Bourdieu (1974) na percepção estética e nos estilos de vida. Os estilos de vida podem ser entendidos como manifestações resultantes das capacidades de estruturar (práticas e esquemas de percepção e apreciação) e ser estruturado (pelas condições e posições sociais). ao menos em termos de função prática. Estão. quais sejam as culturais.. uma direção na qual se deva ir. a vida ou a morte. dentre outras. hierarquizados de acordo com marcas e modelos (Ono. sem justificativas plausíveis. e o bem estar físico e espiritual das pessoas. influenciados por instituições e estruturas materiais que administram. por uma questão de distinção social. Tais desafios demandam pesquisas prospectivas sobre cenários de sistemas sustentáveis de produtos e serviços e suas implicações na vida das pessoas. visíveis e invisíveis. a exemplo do uso de terno e gravata por homens. em suas múltiplas e complexas relações com a cultura material. 1989). que aproximam ou distanciam. pode ser considerada como verdadeiramente sustentável.. Sob este prisma. o que se reflete. Caminhos possíveis e desafiadores para o design. como se observa no caso de automóveis que se revestem de valores de status. não deterministas e não reducionistas. transmitem e renovam o capital cultural (Bourdieu. sua posição na estrutura social.

teia de inter-relações. voltados à promoção da eficiência ambiental e energética. no âmbito do design. e mesmo os preceda. por exemplo. Figura 1: Questões de pesquisas prospectivas de cenários de sistemas sustentáveis Sob este prisma. tendo em vista a necessidade de mudanças expressivas na cultura de consumo e comportamento dos consumidores. para a promoção de mudanças em estilos de vida e comportamentos de consumo para o desenvolvimento sustentável. extensão e intensificação de usos de artefatos. muitos dos quais sofrem da chamada “miopia cognitiva”. poderia auxiliar na identificação do período em que se encontram. É imprescindível que o design atue em uma esfera mais ampla que a de desenvolvimento de produtos e serviços isolados. ou seja. respeitando-se a diversidade cultural e as identidades dos indivíduos e grupos sociais. abrangendo sistemas harmônicos. as relações sociais. Considera-se relevante o design de sistemas sustentáveis que se integrem aos projetos de produtos e serviços. que envolvem as necessidades. os modos de organização social. os estilos de vida e o consumo estão entrelaçados em uma dinâmica 90 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . físico e espiritual da sociedade. bem como de estilos de vida mais cooperativos. com intensificação de usos de produtos e serviços. pode ou não ser adequada. pilares. de uso e técnica. A obsolescência estética. dentre outros fatores. de modo mais abrangente. não percebem o impacto do consumo em suas próprias vidas. e a acessibilidade aos bens. corpo e alma do desenvolvimento sustentável. os sistemas econômicos e políticos. Sob este prisma. do ponto de vista ambiental. destaca-se a relevância da educação interdisciplinar em desenvolvimento sustentável. econômico. destaca-se como um grande desafio. menos possessivos. 3 Considerações finais O design. seus hábitos e referências culturais. dependendo dos requisitos e contextos. os anseios e valores das pessoas. à otimização de usos de artefatos. a adoção de abordagens interdisciplinares e sistêmicas em pesquisa e desenvolvimento de artefatos para a sociedade. por exemplo. Cabe especial atenção no design à adoção de estratégias de comunicação. O “envelhecimento” gradativo da aparência visual de uma embalagem de produtos com prazo de validade. sociocultural.

2003. J. é a condição sistêmica pela qual. Hall. O sistema dos objetos. T. Isto constitui uma barreira considerável tanto ao acesso. Canclini. Lisboa: Dom Quixote. 2006. o capital cultural é transmitido por aparelhos culturais que engendram hábitos e práticas. Rebouças. Curitiba: Edição da Autora. para a sua compreensão. Bourdieu. 1972. Manzini. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Departamento Acadêmico de Desenho Industrial. Porto Alegre: Zouk. 3165. e. General systems theory. 2. São Paulo: Iluminuras. 82-121. F. por sua vez. N. M. Louro. New York: Hampton Press. 1989. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 91 . Estudos de casos nos setores automobilístico. iniciando um fenômeno irreversível de degradação. Título original: The world of goods: towards an anthropology of consumption.). Trad. A imaginação de marketing. von. Trad.Referências Baudrillard. a atividade humana não cause distúrbios ao ciclo natural. quanto ao entendimento dos significados dos artefatos que compõem a cultura material. Universidade de São Paulo. por Sergio Miceli et al. C. New York: Harper Collins. e-mail: <maristelaono@gmail. Vezzoli. Lorenz. à riqueza genética. Universidade Federal do Paraná. Rio de Janeiro: DP&A Editora. Crítica social do julgamento. (Coord. Douglas. The design dimension: the new competitive weapon for product strategy and global marketing. São Paulo. Oxford: Blackwell. G. A globalização imaginada. Já o capital natural é entendido como o conjunto de recursos não renováveis e a capacidade sistêmica do ambiente de reproduzir os recursos renováveis. Os bens culturais acumulados na história pertencem àqueles que dispõem de meios para apropriar-se deles. Original em francês. propriedade comum da sociedade. M. 1990. 2002. no qual se baseiam as possibilidades de resistência do planeta. São Paulo: Editora Perspectiva S. também. ao mesmo tempo. R. Tese (Doutorado). São Paulo: Ática. Gostos de classe e estilos de vida. A distinção. 1993. e. Foundations. L. Endereço: Av. Título original: The marketing imagination. Bourdieu. (Org. P. Tal conceito se estende ao âmbito planetário e nos dá a idéia de que o sistema natural sob o qual a atividade humana atingiu o limite de sua resistência. Professora Colaboradora. Trad. tendo mesmo ultrapassado este limite. 2003. São Paulo: Editora Perspectiva. Coleção Grandes Cientistas Sociais. O império do efêmero. Design industrial e diversidade cultural: sintonia essencial. A identidade cultural na pós-modernidade. Título original: The turning point.. não se constituindo. & Isherwood. 16. apesar de formalmente serem oferecidos a todos. G. à padronização dos mesmos e à homogeneização da cultura. Título original: La distintion. 1996. por Auriphebo B. Mccraken. em nível planetário e regional. M. ____________________________ I Professora Dra. 2005. Ono. Pierre Bourdieu. Introduction to systems philosophy: toward a new paradigm of contemporary thought. moveleiro e de eletrodomésticos no Brasil. A economia das trocas simbólicas. ed. São Paulo: Atlas. A moda e o seu destino nas sociedades modernas. P. Por Álvaro Cabral. New York: George Braziller. 2004. Título original: Le système des objets. 1200 p. Trad. Brasil. Sete de Setembro. Rio de Janeiro: Mauad. ed. por Zulmira R. ed. O ponto de mutação. Cultura e consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Bertalanffy. 2. Applications. Laszlo. por Tomaz T. Título original: The question of cultural identity. C. 80230-901. S. não empobreça o capital natural do mesmo.com>. à variedade de espécies vivas no planeta. Tavares. O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. Levitt. O termo refere-se. Título original: Lo sviluppo di prodotti sostenibili: i requisiti ambientali dei prodotti industriali. 2006. São Paulo: EDUSP. B. 1974. 10. M. Ono. de acordo com Manzini e Vezzoli (2002). por Astrid de Carvalho. p. III De acordo com Bourdieu (1983). 2007. é vista como a sua capacidade de suportar uma ação de distúrbio sem sair irreversivelmente da condição de equilíbrio. Curitiba / PR. Programa de Pós-graduação em Design.A. 1993. Trad. 1983. M. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. F. E. Trad. Laszlo. In: Ortiz. A resistência de um ecossistema. Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 1983. 1968. Trad. Fernandes. 1994. é necessário a posse e a capacidade de decifrar seus códigos. 39. por Plínio Dentzien. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. Design e cultura: sintonia essencial. Capra. pois. São Paulo: Cultrix. extensivamente. The systems view of the world: a holistic vision for our time. da Silva e Guacira L. P. ou seja. E. 1992. Bourdieu. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.). Critique social du jugement. Lipovetsky. II Sustentabilidade ambiental. Simões. E. ed. G.. Development.

.

design sustentável. Brasil cillaramalho@yahoo. 2007). apresenta grande mobilidade relativa à habitação e constantes mudanças internas no arranjo familiar. Esta expressiva fatia da população brasileira. named poka-yoke. 85% da população vivem com renda de até três salários mínimos mensais (IBGE. poka-yoke. flexibility and adaptability of this social class.com. O presente artigo apresenta os potenciais da utilização de mecanismos à ‘prova de erro humano’. does not attend the real demands about mobility. durante ciclo de vida da família. 2007). não contemplam as demandas de mobilidade.Diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular: uma estratégia para o design sustentável Guidelines for application of poka-yoke devices on popular furniture design: a sustainable design strategy Priscilla Ramalho Lepre Universidade Federal do Paraná. human-error. popular furniture In Brazil. erro-humano. mobiliário popular No Brasil. This paper presents the potential of mistake-proofing devices.br poka-yoke. intensive house mobility e constantly adjustments around the family configuration. devido aos fatores sócio-econômicos. The furniture. 85% of all population lives with three minimum wages for month (IBGE. These people presents. sustainable design. flexibilidade e adaptabilidade desta classe social. Os móveis ofertados pelo mercado. como forma de promover à adequação do móvel a estas demandas e também como uma estratégia para o design sustentável para a extensão da vida útil do mobiliário popular. during the family’s life-cycle. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 93 . conhecidos como poka-yoke. like a strategy to adequate the popular furniture to attend the popular demands and like a sustainable design strategy to extend the popular furniture’s life-cycle.

conhecidos como poka-yoke. reciclagem ou recuperação energética. portanto. apesar do erro humano depender do homem para sua ocorrência.definição e tipologias Erro é uma incorreção (FERREIRA. Já o erro latente tem o resultado em um momento distante do ponto de desvio. um dos objetivos da pesquisa apresentada a seguir consta da prevenção e eliminação de erros humanos no processo de montagem e desmontagem de mobiliário popular através da utilização de conceitos e dispositivos poka-yoke. O processo da ação humana. seu fator gerador pode não se encontrar no homem em si. 83. O presente artigo sugere a inclusão de ferramentas para promoção da extensão do ciclo de vida do mobiliário popular e apresenta diretrizes para utilização de mecanismo de prevenção de erros. Entre as classificações de erro humano apresentadas pela literatura. sociedade. por sua vez. encontradas na literatura. plano ou meta estabelecida. 2004) que promove o desvio do resultado esperado. O erro humano também pode ser classificado de acordo com o momento em que o resultado do erro se apresenta no sistema. O descarte de móveis no Brasil. Erro Humano . DEKKER.832 milhões de déficit de moradias. Não existe ainda uma cultura nacional de reciclagem consolidada entre a população e o móvel ainda é descartado integralmente no meio ambiente. necessitam adequações para atender a estas peculiaridades da realidade brasileira. os móveis destas famílias necessitam ser montados e desmontados constantemente de maneira a adaptar-se a ambientes diversos. erros e falhas) e intencionais (violações). geram erros do tipo la- 94 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . trás a definição de erro humano e as tipologias empregadas neste estudo. etc. deslizes. como ferramenta para prevenir e evitar os erros nos processos de montagem e desmontagem dos móveis populares.1 Introdução Atualmente o Brasil apresenta 7. Estes processos são em geral executados pelos próprios donos. Deste déficit. compreende uma série de interações fisiológicas. psicológicas e cognitivas do homem. Esta seção. utilizando-se para isto das estratégias do design para a sustentabilidade. Portanto. 1998. Isso posto. sendo que deste total. em relação a um padrão. não é regulamentado. 95% são de moradias consideradas inadequadas.) (LEPRE. o ambiente e a sociedade (KJELLEN. Falhas de design em produtos. Estes danos impactam sobre a segurança dos produtos durante o uso e reduzem significativamente sua durabilidade. na maioria das vezes. cultura. sem qualquer preparo técnico e/ou ferramentas adequadas. mas em qualquer um dos outros componentes do sistema. seja ele da performance do produto/processo/sistema. não existindo políticas nacionais consolidadas de gestão de resíduos. 2008). que possam comprometer a vida útil do produto e contribuir para o design de mobiliários que contemplem as questões sociais e econômicas desta população. 2 Revisão de Literatura – Erro humano & Poka-yoke Conforme apontado na introdução deste artigo. têm-se que as estratégias para o design sustentável de mobiliário. com o sistema em que ele está inserido (ambiente. O erro ativo é aquele cujo resultado pode ser verificado num instante próximo ao ponto de desvio.2% se concentra na população que recebe até três salários mínimos mensais (IBGE. utilizouse para esta pesquisa a classificação proposta por Reason (1990) com base na intencionalidade da ação humana. bem como o conceito de poka-yoke. que dividinde os erros em não intencionais (lapsos. funcionalmente e esteticamente. Devido às constantes trocas de domicílios gerados por este déficit. O erro humano é uma incorreção dependente do fator humano e das interações do homem com os sistemas. suas classes e funções. ainda que possam ser tomadas como universais. Segundo Norman (2006) existem dois tipos de erros humanos: erro ativo e erro latente. 2002). com adensamento excessivo ou falta de itens essenciais à habitabilidade do ambiente construído. gerando descartes prematuros destes bens. 2007). frequentemente danificando os móveis estruturalmente.

bem como a eficiência nos resultados mostra-se uma alternativa plausível de ser utilizada para a prevenção e mitigação de erros humanos na interface com produtos. que pudessem vir a se transformar em produtos defeituosos (TSOU & CHEN. 2005). sem. porém atulamente o conceito de poka-yoke vem sendo amplamente utilizado em áreas como HCI. 1987. aplicados ao design de produtos pode ser um estratégia válida para o design sustentável visto que produtos com falhas e inseguros tendem a ser descartados precocemente. além de colocar em risco a integridade do usuário. do produto e do ambiente de uso. •Sistema poka-yoke com função reguladora: faz parte da inspeção de recursos. Função de detecção: • Método de posicionamento: métodos que ativam dispositivos que liberam uso de um produto ou as operações de produção apenas quando os elementos de um conjunto encontram-se em posição correta. • Métodos de comparação: utilização de mecanismos que comparam as grandezas físicas de um produto com especificações evitando anormalidades. No design. apresenta-se o conceito e as tipologias de mecanismos à prova de erros denominados poka-yoke que por características como simplicidade. Os métodos acima apresentados compreendem as funções originais projetadas por SHINGO (1986) para o controle de qualidade 100% no Sistema Toyota de Produção. Este método confere por meio da contagem dos elementos. psicologia e também no design. obrigando sua imediata eliminação. a segunda alertando para a ocorrência e paralisa a produção para sua imediata correção (SHINGO. medicina. Este sistema não permite que o erro siga na linha de produção através de métodos de alertas e interrupção do fluxo produtivo. 1986). a conformidade do conjunto. • Métodos de contagem: cada conjunto deve ter um número correto de peças. •Sistema poka-yoke com função de detecção: faz parte da inspeção informativa auxiliando o trabalhador na verificação da condição ideal para a execução da tarefa. 2005). dispositivos poka-yokes são amplamente utilizados. Os mecanismos poka-yoke podem ser classificados em duas categorias de acordo com suas funções principais (SHINGO. com isso. Esta afirmação corrobora as pesquisas que apontam o design do produto como um dos principais fatores geradores e indutores do erro humano (RYAN. CUSHMAN & ROSENBERG. Os sistemas poka-yoke são compostos por duas funções que agem de maneiras distintas na produção: a primeira verifica padrões pré-estabelecidos. 1986). • Método de contato: sensores eletrônicos ou dispositivos mecânicos que indicam que as peças encontram-se corretamente posicionadas para a continuação da operação de uso de um produto ou das operações de produção. A utilização de mecanismos e dispositivos para prevenção de erro humano. parar a linha de produção ou o uso de um determinado produto. NORMAN. 1997. são apresentadas e definidas a seguir. A seguir. originalmente desenvolvidas para atender as demandas de qualidade da indústria. evitando a montagem em posição inadequada. que pode se tornar ativos no momento da interação com o usuário final. O conceito de poka-yoke foi originalmente idealizado e desenvolvido por SHINGO (1986) junto ao Sistema Toyota de Produção a fim de proteger a produção industrial de erros banais. todos os encargos do ciclo de vida de um novo produto: custos ambientais. • Método de alerta: métodos que ativam dispositivos de sinais sonoros ou luminosos. gerando a necessidade de substituição e. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 95 . também sob o Poka-yoke – conceito e tipologia Poka-yokes são mecanismos ou procedimentos utilizados para prevenir erros humanos em sistemas ou processos. acusando a existência de um erro. econômicos e sociais (MANZINI & VEZZOLI. ABBOTT & TYLER.tente. Função reguladora: • Método de controle: métodos que acionam dispositivos que paralisam o equipamento e interrompem a operação do produto ou processo a partir da detecção de um erro. contudo. que chamam a atenção da pessoa para um erro. intuitividade e baixo custo de implementação. 2006). 1991. Estas funções pokayoke.

tomou-se por critérios principais: a participação do usuário final no processo de montagem. cujo formato impedia sua intrudução em posição incorreta no aparelho. Cohab-CT e Lojas MM. Esta condição permite a análise de fatores sócio-culturais que podem influenciar a ocorrência de erros na montagem e desmontagem do móvel. pela natureza dos dados a serem coletados. utilizando como critério de seleção a renda familiar mensal de até três salários mínimos. Uma das delimitações para a análise da interface usuário-produto neste estudo é que. Outras características importantes deste móvel são a modularidade e a multifuncionalidade (o móvel acumula as funções de mobiliário e divisória de ambientes). entre elas. preconizou-se a seleção de uma amostra de pessoas representantes do público alvo. Verificadas todos os critérios acima citados. através do qual analisou-se a interface do usuário com o produto. Outro exemplo bastante conhecido é o antigo disket ¾” de computador. Antes e após a montagem. os principais fatores indutores e contribuintes para a ocorrência de erros e as classes e funções poka-yoke mais eficientes na sua prevenção e eliminação. cujo principais resultados e análises são apresentados a seguir. Como critério para a seleção do ambiente. a fim de mapear as classes e tipos de erros ocorridos durante o processo de montagem e desmontagem. pois ambas aumentam a complexidade do produto.nome de “mistake-proof device” ou “fool-proof device”. toma-se por base as características das casas populares construídas pela Cohab-CT. Estudo de Caso Estratégia geral de desenvolvimento Como método de pesquisa para a criação de diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular. Enfim. O protótipo utilizado faz parte projeto ‘Kits Do-it-yourself – Mobiliário-divisória’. evitando danos ao aparelho e ao consumir. pois somente nestas condições pode-se verificar a incidência de fatores indutores do erro humano em todos os níveis de complexidade. A seção seguinte apresenta os resultados parciais do estudo de caso realizado pelo Núcleo de Design e Sustentabildade da Universidade Federal do Paraná (NDS-UFPR). poka-yokes. A atividade a ser desempenhada pelos avaliadores era a de montagem e desmontagem do protótipo obedecendo ao manual de instruções. os avaliadores responderiam uma série de questionários entrevistas com o objetivo de definir fatores que pudessem contribuir ou induzir a ocorrência de erros humano. liberdade de criação e adaptação e baixo custo para a incorporação ao design de produtos. na introdução destes mecanismo em protótipo de mobiliario-divisória destinado ao público de baixa-renda. a complexidade resultante do número de peças. Para a avaliação do protótipo. componentes e tamanho final do produto. na fase de protótipo e em escala 1:1. criado e desenvolvido pelo NDS-UFPR para o edital Habitare/Finep e em parceria com a Masisa. o produto deveria estar Resultados e análises O estudo de caso teve lugar nas dependências da UFPR. ela natureza intuitiva de uso. Para a conceitualização do móvel empregado no estudo. deu-se o estudo de caso. o que segundo Nielsen e Landauer (1993) pode abranger 80% do número de problemas de usabilidade do produto. utilizou-se o estudo de caso. em ambiente controlado: uma casa com as mesmas características de uma habitação popular 96 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . a multi-funcionalidade. cujo projeto deveria seguir algumas das estratégias do design sustentável pertinentes aos mecanismos poka-yoke. A amostra utilizada foi de dez avaliadores. a área total não superior a 50m² e a configuração interna similar em número de peças: 2 quartos. em produtos do dia à dia. apresentam-se como ferramenta plausível de ser utilizada em mobiliário popular. sala com cozinha e banheiro. 3. para evitar erros humanos nas diversas fases do ciclo vida deste produto. Exemplos destes poka-yokes são os dispositivos que desligam automaticamente aparelhos de microondas ou secadores de roupa na ausencia de contato perfeito entre as partes.

• Criar. sem que haja total travamento das partes. O manual separava a montagem em etapas: nivel 1. Não separar peças de precisem ser utilizadas em conjunto com outras (por exemplo: deixar hastes e buchas de MINIFIX® em um único saquinho). • Evitar peças que se desprendam do produto. juntamente com odas as ferragens. devido a necessidade de captação de imagens do processo. durante o processo de montagem e desmontagem dos móveis populares. formas complementares. números. Através do estudo de caso pode-se gerar a seguintes diretrizes para aplicação de poka-yoke em design de móveis populares: Poka-yoke de alerta: • Utilizar códigos (cores. através das formas. porém sem a presença de nenhum outro móvel ou aparato. letras. são as funções reguladoras. Como resultados pôde-se observar a ocorrência de erros não intencionais e intencionais. imprescindível para o correto desenvolvimento da atividade. para indicar o final do processo. O mobiliário-divisória. por exemplo. sendo imprescindível a montagem correta montagem do nível anterior para a continuidade do processo. separadas em sacos plásticos. para as peças do mesmo grupo de encaixes. instrumentais e sociais. • Criar kits de montagem que contenham todas as peças para a fixação de um conjunto. foi identificada por cores com correspondentes no produto. contendo todo o conjunto necessário. montagem em posições incorretas. sendo portanto um poka-yoke de posicionamento. • Condicionar uma tarefa ao cumprimento efetivo da tarefa precedente. em duplas. • Utilizar sons. Poka-yoke de contato: • Criar diferenças claras entre tipos de encaixes diferentes. culturais. ambientais. formando um poka-yoke de contagem. As funções poka-yoke mais adequadas para evitar erros humanos. tanto na forma ativa quanto na forma latente. evitando erros latentes. receberam instruções para utilização do manual e para a realização do processo de montagem e desmontagem dos móveis. Cada etapa no manual. como clicks. letras. contendo a quantidade exata de peças para a montagem do referido módulo. • Tornar inequívoca a montagem através de formas lúdicas. Observou-se também que os principais fatores indutores destes erros são: fatores cognitivos. Junto ao mobiliário encontrava-se o manual de instrução. também identificados com cores. símbolos integrados ao produto e aos componentes) para definir seqüências padrão de montagem/desmontagem Poka-yoke de controle: • Impedir o acesso à peça de montagem subseqüente antes do término da tarefa precedente. Impedir. evitando perdas. O foco da avaliação foram as classes e tipos de erros humano que ocorrem no processo de montagem/desmontagem de móveis e a validade dos poka-yokes integrados ao mobiliário avaliado. • Oferecer kits de peças sobressalentes. Poka-yoke em design informacional: Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 97 . o que execia a a função reguladora. com os módulos empilhados próximo ao local determinado para a atividade. que devem ser utilizadas em conjunto com os mecanismos de detecção. por exemplo. Poka-yoke de posicionamento: • Criar junções que não permitam a estabilidade do conjunto manuseado. como macho e fêmea.construída pela COHAB-CT. números. em fase de protótipo estrutural encontrava-se desmontado. 3 e 4. Poka-yoke de contagem: • Oferecer o número exato de peças para a execução total de uma tarefa. Desta forma os avaliadores. As ferramentas necessárias à montagem/desmontagem encontravam-se sobre os módulos e sua utilização era indicada no manual de instruções. • Privilegiar encaixes lúdicos à ferragens. através do método poka-yoke de controle. 2. símbolos integrados ao produto e aos componentes) para identificar conjuntos de montagem/desmontar • Utilizar códigos (cores. A forma de encaixe dos módulos permita apenas a montagem da forma correta.

Proceedings ACM/IFIP INTERCHI’93 Conference (Amsterdam. 1997.shtm > 05/03/07. mais efetivamente. 1990. Geneva: International Labour Office p. and LANDAUER. Integrar as informações diretamente às áreas a serem manuseadas. Dissertação de Mestrado. 98 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . J. K. H. de H. 2008. 1986. a habitabilidade e por conseqüência. 2005. ed. J. immindo-as sobre a superfície do produto. DEKKER. 1982. MANZINI. Oregon: Productivity Press. 2004. V. RYAN. C. Carlo. São Paulo: Editora Nova Fronteira. A. Elsevier. Human factors in product design. e Design Council. The Re-Invention of Human Error. em caso de doações para terceiros. CA. “The reasonable and foreseeable use of consumer products”. H. evitando assim a ocorrência de erros humanos durante os processos de montagem e desmontagem do mobiliário. April 24-29). LEPRE. 1-56. J. 1993b. Priscilla Ramalho. prolongando a vida útil do produto. O Design do Dia à Dia. p. Proceedings of the Third National Symposium on Human Factors and Industrial Design in Consumer Products. Santa Monica. Safer by design. 2 4th edition. 4. Diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular: uma estratégia para o design sustentável. Donald A. U. e ROSENBERG. evitando perdas de informações essências à integridade do produto. Empregando os poka-yokes citados anteriormente. 2005. T. D. New York: Cambridge University Press. melhorando a qualidade de vida da população de baixa renda e portanto uma estratégia válida para o design sustentável. 2a. Inglaterra. Programa de Pós-Graduação em Design. Vezzoli. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: Os Requisitos Ambientais dos Produtos Industriais. 56. Human Factors Soc. Human Error. São Paulo: EDUSP. Dynamic Model for a Defective Production System with Poka-Yoke. SHINGO. 4 Conclusão Conforme apontou a pesquisa. 206-213. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. NIELSEN. Gower Publishing Ltd. reduzir a interferência dos fatores indutores e contribuintes para o erro humano. IBGE/PNAD. J. CUSHMAN. vol. KJELLEN. contendo a localização do emprego do conjunto e as instruções de montagem/desmontagem. Apresentar as informações de forma seqüencial e lógica. J. Zero Quality Control: source inspection and the poka-yoke system. W. 56.. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/2000. A mathematical model of the finding of usability problems. Ezio. Setor de Letras de Artes. Integrar o design informacional à embalagem de cada conjunto. James. Shigeo. evitando o descarte prematuro e melhorando o bem-estar. oferecendo todas as informações relativas a um grupo em uma única consulta do usuário. 799-803. o design pode. que atuam no sistema. Accidents deviation models. Aldershot. 163-172. 2006 REASON. durante as atividades de montagem e desmontagem do móvel. M. home in <http://www.. Rio de Janeiro: Rocco. 2002. The Netherlands. br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2000/default. Journal of Operational Research Society. o emprego de poka-yokes no design de móveis populares é uma estratégia para a sustentabilidade ambiental e social. CHEN.• • • • • • Oferecer múltiplos pontos de consulta às informações. Referências ABBOTT. In : Encyclopedia of Occupational Health and Safety. e TYLER.gov. Tornar redundante as informações sempre que possível. por contribuir para a aplicação e sucesso de diretrizes propostas para o design sustentável de mobiliário.. Aurélio B. 1991. Integrar as instruções essenciais à superfície do produto.ibge. Tech Report of London University: London. M. NORMAN. Amsterdam. TSOU. FERREIRA. Sidney W. Universidade Federal do Paraná: Curitiba.

product-service systems. Palavras-chave: sustentabilidade. design. Drª. design de produtos intrinsecamente mais sustentáveis. vestuário This article deals with fashion as a social phenomenon of ample influence in contemporary society. design of new products that are already embedded with environmental/social principles from start. sistemas produto+serviço e a indução estilos de vida radicalmente novos. fashion. design. São avaliadas quatro diretrizes genéricas: redesign. Universidade Estadual de Londrina Núcleo de Design & Sustentabilidade/UFPR suzanabarreto@onda. clothing Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 99 . Discusses general strategies to enable sustainability within the clothing (and fashion) sector.O Paradoxo do Design Sustentável na Moda: Diretrizes para sustentabilidade em produtos de moda e vestuário The Paradox of Sustainable Design in fashion: Directions for support in fashion products and clothes Suzana Barreto Martins. special in clothes. induction of radically new life styles. It presents four umbrella strategies: redesign of existing solutions. Keywords: sustainability. modality where fashion has its more visible face.br Este artigo discute o paradoxo do design sustentável na moda e aponta algumas diretrizes para tornar as soluções do setor do vestuário (e moda) mais sustentáveis. moda. com foco na dimensão ambiental.com.

agregação de valor. Os produtos de moda e de vestuário adquirem importância cada vez maior. 2 Desenvolvimento de produtos de moda sustentáveis A sustentabilidade tem sido tema amplamente discutido em diferentes âmbitos da sociedade. No entanto. sustentada por inovações tecnológicas. Martins (2005) assinala que a produção do vestuário. mas também de desenvolver embalagens e sistemas de embalagens vestíveis para acondicionar o corpo e. tecelagens e confecções. Por sua vez. sociológicos e artísticos que determinam também um gosto específico. incorporando princípios ambientais e ferramentas como a análise do ciclo de vida do produto. ao mesmo tempo. O sistema moda impõe um ritmo de obsolescência programada muito rápido em que os produtos de moda são descartados muito antes do final da sua vida potencial. é interessante mencionar os trabalhos de Manzini e Vezzoli (2005). os processos de desenvolvimento de projeto de produto de vestuário também estiveram calcados nessa mesma base empírica. Para Manzini (2002). redução de custos e de diferenciais de mercado. A esse respeito. 2005). pode ser vista. Nessa direção a sustentabilidade entra como variável fundamental no desenvolvimento do projeto de produto para redefinir todas as etapas dos processos produtivos do vestuário. bem como entre os maiores parques fabris do planeta São milhares de confecções instaladas e faturamento anual da ordem de bilhões de reais. Diante disso. seja acadêmico ou industrial. a diminuição do ciclo de vida dos produtos e a grande participação de pequenas e médias empresas no setor. ocasionando vários impactos ambientais. Suas três principais dimensões estão alicerçadas no tripé: desenvolvimento econômico. e identificada principalmente com o vestuário. somado a velocidade das mudanças e inovações tecnológicas na área têxtil.” (MARTINS. o setor têxtil e de confecção nacional. o aumento do número de consumidores. No entanto. Assim. uma situação econômica e social. alterações vêm sendo observadas desde a concepção do produto de vestuário até o atendimento das demandas de mercado. disciplinado e sancionado” (SOUZA. sua segurança e bem-estar. e é nele que a moda ganha maior visibilidade e importância. O certo é que o vestuário incorporou a moda e seu termo como próprio de seu campo de ação. Dentre as várias estratégias possíveis para o desenvolvimento sustentável. assumindo atuação responsável em empresas. compreende mais de 30 mil empresas e gera 1. 2001). mas sem fundamentação teórica que suportasse as inovações técnicas.1 Introdução A moda é caracterizada como algo efêmero. nascida numa concepção artesanal. foi desenvolvida com base em procedimentos empíricos. o que é diametralmente contrário aos axiomas do design sustentável. nos últimos anos. a moda é um “fenômeno organizado. Tal reflexão desenvolve ações de Ecodesign processo metodológico para Desenvolvimento de produtos em processos produtivos. fibras. cuja perspectiva teórica e procedimentos operacionais orientam-se para a noção de sistemas sustentáveis. De acordo com a ABIT (2009). 2006). “como a embalagem do corpo ou como uma arquitetura têxtil em que cada linha tem um sentido e que manifesta um gosto específico localizando seu tempo e espaço” (MARTINS. social e gestão ambiental. Em decorrência.65 milhão de empregos em toda a sua extensa cadeia. relacionado a aspectos históricos. o conceito de sustentabilidade tem norteado e fundamentado cada vez mais as atividades de projeto de produtos. também referida como segunda-pele. comunidade e governos. o projeto de produtos de moda e vestuário cada vez mais deve responder a um processo de sistematização integrada entre a atividade econômica. proteger e embelezar o corpo. Os mesmos já “não cumprem apenas a função histórica de cobrir. os serviços ocupam lugar de destaque devido ao foco na desmaterialização do consumo. O Brasil está na lista dos 10 principais mercados mundiais da indústria têxtil. A roupa. È importante destacar que a indústria do vestuário é responsável por elevado índice de emprego devido à velocidade de crescimento do setor no Brasil. essa mudança baseia-se na transferência da posse de produtos para o consumo de 100 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . preservar a saúde do corpo. cuja temporalidade é dada por variações constantes. então. que inclui fios.

serviços, isto é, a posse desloca-se do consumidor para o produtor que assume a responsabilidade pelo produto desde a produção, ciclo de vida, utilização até o descarte e a reciclagem. Nesse sentido, busca-se identificar diretrizes genéricas para aplicação da sustentabilidade no vestuário, a fim de possibilitar aos profissionais do setor subsídios para identificação dos próximos estágios de desenvolvimento de seus respectivos produtos e serviços. Nas seções seguintes são apresentados quatro níveis de estratégias de design sustentável, seguindo um caminho progressivo de complexidade e, também, de profundidade do impacto ambiental e social. Estes níveis são baseados na proposta de Manzini & Vezzoli (2005) para produtos de maneira geral, conforme serão descritos a seguir.

Para viabilizar essa estratégia, é necessário que o consumidor tenha postura diferente com o vestuário. Simples iniciativas e atitudes podem ajudar sua viabilização, tais como: direcionar as velhas peças de roupa para instituições de caridade ou empresas recicladoras; descartar sempre pares de sapatos juntos, pois separados não terão utilidade; armazenar as roupas e acessórios de moda e vestuário em locais secos para não danificar as peças e possibilitar a sua venda e direcionar aos locais com as mesmas condições de armazenamento, já que não serviriam se ficarem expostos à intempérie; freqüentar brechós e comprar roupas usadas sempre que possível; privilegiar a compra de roupas elaboradas com fibras e materiais reciclados; dentre outras.

3 Diretrizes para produtos de moda e vestuário mais sustentáveis
Nível 1: Redesign ambiental do vestuário existente
Esta estratégia significa a mera readequação ambiental de um produto existente. Esse é o nível mais enfatizado pelo Setor Têxtil atualmente no que tange ao vestuário e tem se caracterizado principalmente pela substituição de materiais não-renováveis por materiais renováveis. Contudo, esta abordagem pode incluir também melhora na eficiência no consumo de matéria-prima e energia ao longo de toda a cadeia produtiva do vestuário e de seu ciclo de vida, incluindo a facilitação da reciclagem e o reuso de elementos do vestuário. Não há a exigência de mudanças reais nos estilos de vida e consumo, mas apenas a sensibilização do usuário para a escolha de produtos ambientalmente responsáveis, conforme Manzini e Vezzoli (2005). Para efetuar o redesign do vestuário e ao mesmo tempo considerar o ciclo de vida, o designer deve necessariamente contemplar todas as etapas do processo de desenvolvimento: pré-produção, produção, distribuição, uso e descarte (LEWIS & GERTSAKIS, 2001). Nesta abordagem é útil entender os resíduos têxteis como divididos em duas categorias: desperdício pós-industrial, relacionado ao desperdício ocasionado durante a produção e manufatura dos artigos, e desperdício pós-consumo relacionado às roupas usadas e a outros têxteis.

Nível 2: Projeto de novo vestuário intrinsecamente mais sustentável
Este nível procura estabelecer soluções que melhorem o desempenho do vestuário em todas as etapas do ciclo de vida do produto ainda na fase de projeto, partindo da concepção do produto e passando por todas a etapas do ciclo de vida. Neste nível há maior complexidade na atuação do designer dado que a ênfase não é meramente redesenhar o sistema existente, mas desenvolver soluções de vestuário que já na sua origem evitem ou eliminem os problemas que o redesign ambiental busca mitigar. Esse nível de estratégia do design sustentável do vestuário inclui também a ênfase na dimensão social da sustentabilidade que, embora também possa ser aplicada no nível anterior, tem neste nível maior possibilidade de eficácia. Esta dimensão implica considerar intervenções no design do vestuário que contemplem questões como a promoção de condições de trabalho mais adequadas na fase de manufatura e manutenção do vestuário; a integração de pessoas deficientes ou marginalizadas; a promoção da coesão social (incluindo de gêneros); a promoção da educação para o consumo sustentável. Esta abordagem está em sintonia com a campanha da International Clean Clothes (www.cleanclothes.ch) que busca promover que empresas do setor, incluindo os distribuidores e lojistas, implantem ação concreta contra condições inadequadas de trabalho na cadeia produtiva do vestuário.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

101

Nível 3: Projeto de Sistemas Vestuário + Serviço
O terceiro nível busca desmaterializar todo ou parte do consumo mediante a satisfação do usuário via serviços associados ao vestuário. O projeto de novas soluções para o vestuário+serviço que substituam as atuais soluções centradas no bem físico e não no resultado final, implica uma reestruturação técnicoprodutiva, o que pode gerar ganhos socioambientais mais significativos do que as estratégias apresentadas anteriormente.

Flori e MOB. Nesse caso a troca de experiências entre a ONG Florescer e o Recicla Jeans foi crucial para a obtenção desses resultados. Se antes a ONG comercializava seus produtos apenas na favela, hoje com os pontos de venda é possível disponibilizar os produtos para um maior número de pessoas e conhecer melhor o perfil do público. Segundo a ONG, depois da abertura de lojas no varejo, as vendas aumentaram, e a Recicla Jeans contribui para gerar renda a dezenas de famílias carentes e potencializar ainda mais a projeção já alcançada pela ONG, inclusive com visibilidade no exterior. Ressalta-se aqui importância do aumento das vendas e sua relação com a elevação no nível socioeconômico de famílias de baixa renda para uma condição digna de vida. Contudo, na dimensão ambiental este argumento é contraditório com a urgente necessidade de reduzir a demanda por recursos do planeta. Nesta abordagem há o mero prolongamento do ciclo de vida da matéria-prima, havendo dúvidas quanto a sua eficácia na redução dos recursos como um todo (CO2 no transporte, energia). Como salienta Alcott (2008), há na verdade neste tipo de situação o risco do ‘efeito colateral’ em que o consumo é estimulado pela noção de que se está contribuindo para o meio ambiente.

Nível 4: Implementação de Novos Cenários de Consumo e Produção Sustentável do Vestuário
Este último nível trata das soluções que efetivamente mudam estilos de vida e, dessa forma, hábitos de consumo e produção de maneira a reduzir ou eliminar o impacto do ser humano sobre o meio ambiente. A proposição ou implementação de novos cenários sustentáveis para o consumo e produção, por sua vez, implica a promoção de novos valores culturais radicalmente diferentes do paradigma corrente. Neste caso, o papel do designer é importante, embora limitado, conforme alertam Manzini e Vezzoli (2005).

4 Resultados e análise
Nível 1: Redesign caso do Projeto Recicla Jeans
A ONG Recicla Jeans iniciou, em 1995, em São Paulo, o Projeto Florescer, ONG que presta assistência direta a pessoas carentes e moradoras da favela Paraisópolis a segunda maior da capital paulista, com cerca de 75 mil habitantes. Em 2003, o projeto deu início às atividades do Recicla Jeans, formando artesãos para a reciclagem de jeans, que, com a orientação de estilistas, redesenham, transformam, aplicam e retrabalham roupas produzidas com jeans e resíduos têxteis oriundos das empresas parceiras do projeto. A fase final do ciclo de vida do produto, o descarte, recebe novos usos e ganha novos significados ao tornar-se um novo produto, e vem se mostrando economicamente viável. De fato, a ONG tem aberto franquias de lojas e oficinas em São Paulo e Belo Horizonte e parcerias de exclusividade com as grifes Eugênia

Nível 2: Design de Vestuário Intrinsicamente Sustentável caso das Empresas Döller e Renaux
A Empresa DÖLLER situada no vale do Itajaí (Santa Catarina) vem produzindo também em escala considerável artigos elaborados a partir da celulose obtida do bambu, seja em tolhas de mesa, banho ou roupões. No caso da DÖLLER, o material vem sendo utilizado em tecidos planos para o vestuário em geral com algumas opções de cartela de cores. No caso da RENAUX VIEW, as malhas confeccionadas com a viscose obtida do bambu têm uma pequena porcentagem de elastano, para garantir maior conforto e aderência ao corpo. Quanto à utilização da fibra de bambu para a fabricação de artigos têxteis a priori seria possível relacionar inúmeras vantagens para a sua utilização. É uma fibra celulósica regenerada extraída da polpa de bambu, produzida sem aditivos químicos, percebida pelo consumidor como uma “fibra ecologicamente correta”. Os tecidos, sejam planos ou de ponto (malha) elaborados com fios de fibra de bambu, têm como características o toque extremamente macio, leveza, fluidez e excelente recuperação ao amarrotamento.

102

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

Possui ainda algumas características funcionais positivas que incluem a alta absorção de umidade, facilitando o processo de transpiração, chegando a ser quatro vezes mais absorvente que a fibra de algodão. Possui propriedade bacteriostática natural, o que confere uma sensação de frescor (desodorante), além de inibir o mau odor. É termodinâmico, ou seja, no calor proporciona a sensação de frio e no frio, a sensação de toque quente, além de oferecer também uma boa proteção contra os raios indesejáveis do sol. Contudo, vale ressaltar que esforços como este ainda são carentes de respaldo técnico-científico no Brasil. No caso do bambu, por exemplo, há que se considerar as implicações na fauna e flora regionais, as distâncias de transporte, os processos de tratamento requeridos etc.

serviços da empresa oferecem potencial para reduzir resíduos na indústria e do uso de recursos naturais. Somam-se a isso as ações realizadas pela empresa no sentido de conscientizar não somente seus funcionários e familiares como também comunidades, fornecedores e prestadores de serviços. Vale lembrar que a empresa mantém programa de responsabilidade social e de gestão ambiental. Não foi possível identificar nas informações coletadas sobre esta empresa se os equipamentos e insumos são efetivamente projetados para utilização em ambiente produto+serviço. A análise da literatura permite inferir pouca probabilidade com relação a esta hipótese, havendo neste perfil de empresa um campo de atuação para o designer brasileiro, ainda pouco explorado. Obviamente esse tipo de estratégia demanda competências que normalmente não são enfatizadas e gerenciadas pelo designer com formação ortodoxa, como gestão de conflitos, estratégia, gestão ambiental, governança corporativa, entre outros tópicos.

Nível 3: Sistema Vestuário+Serviço caso da empresa Atmosfera
Este caso analisa o caso da Atmosfera, empresa que oferece serviços de fornecimento de uniformes, higienização, gestão de rouparia e manutenção de equipamentos de proteção individual EPIs, para indústrias, hospitais e hotéis, apresentando soluções e serviços. A empresa contribui para evitar não somente o descarte, ao promover reutilização desses produtos, como também a redução de resíduos e custos operacionais na indústria. Segundo dados apontados no site da empresa, a recuperação dos EPIs gera uma economia de até 50%, se comparada à compra e ao descarte sem reutilização. A empresa propõe um sistema “inteligente” de uniformização, tais como: a locação de roupas protetoras especiais para baixas ou altas temperaturas, repelente a chamas, ambiente controlado, aluminizadas, refletivas e antiestáticas; a gestão de roupas profissionais elaboradas para cada atividade, sendo as peças personalizadas com a logomarca da empresa, identificadas com códigos de barra, acompanhadas de toalhas de banho; higienização periódica dos uniformes dos funcionários. A empresa ainda integra os serviços de lavagem e consertos. Na empresa Atmosfera a inspeção de cada peça garante respaldo técnico em casos de vistorias e auditorias externas, consertos, reparos, eventuais substituições de uniformes desgastados pelo uso e gera relatórios detalhados que possibilitam o controle e a garantia da troca de roupa. As características dos

Nível 4: Mudanças no Estilo de Vida
Vestuário é uma necessidade básica do ser humano e sua eliminação não é aceita culturalmente nem tampouco fisiologicamente desejável. Contudo, na sociedade de consumo contemporânea observa-se descarte prematuro do vestuário em volumes crescentes. O descarte prematuro no caso do vestuário muitas vezes configura-se como a simples contenção do vestuário por anos em guarda-roupas, a ponto de resultar em dano funcional ou estético permanente. Assim, entre as soluções estratégias neste cenário visando reduzir o consumo está a busca pela aproximação do ciclo de vida do vestuário com o efetivo ciclo de uso por parte do usuário. O design de roupas multi-uso, reversíveis ou que “crescem” com o indivíduo (no caso de crianças) é um exemplo típico. Outro exemplo são as roupas que já têm no design original a possibilidade de substituir partes com grande probabilidade de desgaste (caso dos cotovelos em roupas para uso industrial). Algumas medidas práticas incluem: evitar o uso de secadoras de roupa, buscando o uso da secagem natural sob o vento e o sol; se há a necessidade de

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

103

profissionais de marketing. as grandes companhias buscam cada vez mais atender a um nicho do mercado de produtos têxteis. Kazazian (2005) propõe buscar aparências menos subordinadas à moda. O desenvolvimento da sustentabilidade no setor implica elaborar soluções que tratem do âmago do problema que é justamente o efeito desta efemeridade no meio ambiente. usar detergentes livres de fosfato (para evitar a formação excessiva de algas nos rios e lagos) e em pó (evitando o transporte de água). evitando assim. mais conscientes de suas ações e de seus poderes como cidadãos. por exemplo). uma vez que. favorecer o reparo e a manutenção a fim de retardar a obsolescência do produto. essas ações não podem restringir-se somente ao marketing promocional das grifes para angariar clientes que começam a despertar para as relações entre produção de itens de moda e impactos socioambientais. 5 Considerações finais Atualmente. do vestuário e produtos de moda. cuja expansão depende diretamente do aumento da preocupação dos consumidores com questões ambientais. com um consumidor mais consciente de suas responsabilidades e de seus hábitos de consumo. o “slow fashion”. em que os estilistas estão focando suas coleções na própria identidade da marca em vez do que ditam os bureuax de estilo. Diz-se ‘especialmente’ sobre os produtos de moda. São necessários a disseminação e o desenvolvimento de conceitos e ferramentas que permitam o desenvolvimento de soluções que vão além da mera reciclagem de matéria-prima ou utilização de matéria-prima renovável para que este problema central repercuta na efetiva redução do consumo no setor. um desejo no consumidor por coisas sem tempo definido. buscar a utilização de empresas de prestação de serviço em regime self-service ou condominial (o equipamento compartilhado implica considerável menor impacto ambiental e sua característica industrial indica que é usualmente mais eficiente do que o equipamento doméstico). tais como agricultores. como uma tentativa de não criar uma classificação e validade dos produtos. esses atores poderiam contribuir com a redução dos impactos do setor e promover mudanças mais efetivas. Martins e Vascouto (2007) destacam: como um dos caminhos para uma produção de moda com responsabilidade social e ambiental a disseminação de informações sobre a utilização de materiais têxteis: tecnologias e processos de produção sustentável para os diversos atores da cadeia têxtil. que usam seu poder de escolha para premiar ou punir empresas por suas atitudes sociais e ambientais e estão informados sobre os produtos que consomem.uso uma secadora/lavadora. usar máquinas de lavar com carregamento pela frente (usualmente demandam menos energia e menos água que as máquinas com carregamento pelo topo). pois é princípio intrínseco a ela sua eterna reinvenção. comerciantes. economistas. entre outros. evitar o uso de ferro de passar roupa (pendurar a roupa logo depois de lavála ou usar tecidos que não amassam. Nessa direção. Cabe ainda ressaltar a postura que vem crescendo entre criadores de moda. Trata-se de aumentar a durabilidade dos produtos e criar. especialmente dos itens de moda. tem o prazo de validade reduzido. 104 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . a moda não atrelada a sazonalidade do lançamento das coleções e a “tendência da não tendência”. a obsolência acelerada dos produtos de moda. Ao mesmo tempo. o descarte após uso. evitando assim. de posse dessas informações. Segundo Magner (2008) esse pensamento já vem sendo discutido nos meios especializados em pesquisa de tendências. Abrem-se também outras possibilidades de mudança na outra ponta. segundo Popcorn (1997). utilizar materiais adaptados ao envelhecimento. produtores. designers. Paira sobre essa questão a real viabilidade da expansão do conceito e da proposta de sustentabilidade aliada à incessante busca por novas tendências em produtos de moda e vestuário. de acordo com Helvécia (2008). empresários. ao procurar transcender à efemeridade da moda buscando um equilíbrio entre contemporaneidade e atemporalidade. utilizar sempre água fria no processo de lavagem. Em consonância com esse cenário está um novo perfil de consumidores. O ritmo veloz que o modelo de consumo e produção imprime nas relações de compra e venda de mercadorias.

abit. I. pp. ABEST (Associação Brasileira de Estilistas) APEX Brasil. SBDS. In Vitrine. org. “Context-based wellbeing and the concept of regenerative solution. KAZAZIAN. Acesso em: 2 de março de 2009. Acesso em 20 de março de 2009. Holanda: Kluwer Academic Publishers. H. das Letras. Vanessa. +B Inspiração Brasil. Disponível em http://www. onde “sabedoria de redimensionar o tempo e a persistência nas escolhas revestem a vida de características qualitativas. ISBN 978-85-60186-02-0 Disponível em http://www. 2007). tanto presente quanto futura.16 Tendências Que Irão Transformar sua vida. 2001. Thierry. POPCORN. Morelli. Ergonomia e usabillidade: princípios para projeto de produtos de moda e vestuário. a global guide to designing greener goods. Carlo.br/sbds. 2008.com/intelligence/zapposen/040808/death-trends-part-i>. Moda sustentável trajetória da criação. Verão_ summer2009. A conceptual framework for scenario building and sustainable solutions development”. 2005. São Paulo: Cia.São Paulo.ufpr. O desenvolvimento de produtos sustentáveis.br/site/texbrasil/default. 2007 CASTRO. 770.ufpr. Referências ABIT .. Gilda de Mello e. MARTINS. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 105 . Ezio. I. Metodologia para avaliação de usabilidade e conforto no vestuário. Design + environment.786. Acesso em 20 de março de 2009.141148. 2005. p. The sufficiency strategy: Would rich-world frugality lower environmental impact? Ecological Economics. 2006. Challenges to present fashion consuming society and market possibilities of organic cotton: a sustainable proposition. Disponível em: http://www. T. Número 64. _______________________________. São Paulo. Suzana Barreto. In. J. 2007. In: JC Report <http://jcreport. O Conforto no vestuário: uma interpretação da ergonomia. Sweatman.. Curitiba. desenvolvimento sustentável está diretamente relacionado à qualidade de vida e no bem-estar da sociedade. The death of Trenes. ________________________.. In: International Symposium on Sustainable Design. MANZINI. N. ALCOTT. Rio de Janeiro: Editora Campus. Florianópolis.design.Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.Ao mesmo tempo. Curitiba. VASCOUTO. MANZINI. ISSD. 2007. A.. Marina. Erin. In Catálogo ABEST. São Paulo: Editora Senac. O espírito das roupas: a moda no século dezenove. Universidade Federal de Santa Catarina. 2002. The Journal of Sustainable Product Design 2. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) . LEWIS. São Paulo: Universidade de São Paulo.Seletivo.Acesso em 20 de março de 2009. Blake.. In: Simpósio Brasileiro em Design Sustentável. Heloísa. 2005. Click . 30 de agosto de 2008.br/issd. Anais. GERTSAKIS. Faith. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável.asp?id_menu=2&idioma=PT&rnd=200942313414914 . HELVÉCIA. Greenleaf publishing. Folha de São Paulo. 2001 MAGNER. Congresso Brasileiro de Ergonomia. ABERGO 2006. Ezio.In: 14º. A soma dessas atitudes pode interferir na construção de um futuro sustentável” (MARTINS.Curitiba. VEZZOLI.. Grant. 1997 SOUZA. Chega de consumo contemporâneo.Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. produção e comercialização.design.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->