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O anatocismo e a matemática financeira

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O anatocismo e a matemática financeira

http://jus.com.br/revista/texto/20445
Publicado em 11/2011

Cezar Junior da Silva Souza

O Sistema de Amortização Francês (Tabela Price) e o Sistema de Amortização Constante (SAC) não cometem o anatocismo, e ainda, respeitam todos os princípios da matemática financeira principalmente o conceito universal de juros e a taxa contratada. Caso a ferramenta seja utilizada de forma errada, o erro caberá a quem a utilizou erradamente e não da ferramenta em si.
INTRODUÇÃO
No primeiro mandato do presidente Getulio Vargas, mais precisamente em 07 de abril de 1933 foi criado o decreto n.º 22.626, o qual ficou conhecido como lei de usura. Em seu 4º artigo, onde diz que "é proibido contar juros dos juros", o então ministro da fazenda Oswaldo Aranha, que criou o decreto, não imaginaria que tal artigo, tão simples e objetivo, geraria tantas polêmicas e discussões jurídicas quanto às operações financeiras. Juros sobre juros, proibida pela lei de usura, é conhecida no meio jurídico como Anatocismo. A polêmica criada se dá porque os conceitos não são bem interpretados. A polêmica tem crescido, acerca da existência do anatocismo, em algumas metodologias utilizadas no sistema financeiro, fazendo com que surgissem uma grande quantidade de publicações para contribuir com o assunto. A polêmica é maior quando se trata da Tabela Price (Sistema de Amortização Francês). Assim, com o intuito de contribuir com o tema, o presente artigo tem como objetivo principal dissertar sobre alguns princípios básicos da matemática financeira e assim, como base nos princípios, analisar alguns métodos utilizados em pericias, bem como a Tabela Price e o SAC. Antes de aprofundarmos o estudo, é preciso tomar nota de alguns conceitos inerentes a ciência da matemática financeira para a correta compreensão do artigo.

CONCEITOS BÁSICOS DA MATEMÁTICA FINANCEIRA
O conceito de juros é tão simples e fácil de ser entendido que dificilmente é encontrado nos livros de matemática financeira. Geralmente os autores focam-se em outras premissas, por se tratar de algo tão óbvio. Vejamos alguns conceitos encontrados. Vieira Sobrinho diz que juro é: a remuneração do capital emprestado, podendo ser entendido, de forma simplificada, como sendo o aluguel pago pelo uso do dinheiro (SOBRINHO, 2010).

Assaf Neto define juros como: o preço pago pelo aluguel do dinheiro, ou seja, o valor que deve ser pago pelo empréstimo de um capital (ASSAF NETO, 2005). Então juros são definidos como sendo o valor a pagar pelo uso do capital; ou seja, a remuneração do capital. Tal como um inquilino que paga o aluguel sobre o uso de um imóvel e depois o devolve ao seu proprietário, o tomador do empréstimo faz o mesmo. Aqui tomamos nota do primeiro conceito básico: que os juros são a remuneração do capital. Conceito que nos faz concluir: os juros deverão ser aplicados sobre o capital, respeitando assim a fórmula universal de cálculo dos juros que é o resultado da multiplicação do Capital pela taxa de juros, conforme abaixo:

Onde: j é o valor monetário dos juros, C é o capital e i é a taxa de juros. A taxa de juros é o instrumento que regula a alocação de capital entre investidores e tomadores de empréstimo. É dada em valor percentual, sendo seu resultado a proporção dos juros em relação ao capital emprestado ou o valor do investimento. Podem ser pré-fixadas, onde são conhecidas no início do contrato financeiro; ou pós-fixadas, quando não são conhecidas no início do contrato financeiro e geralmente tem o seu valor conhecido com base em algum indicador econômico. Para o tomador do empréstimo a taxa é de juros; já para quem empresta a taxa é a de retorno. Ou seja, para um tomador de empréstimo, a taxa determinará os juros a serem pagos; e ao emprestador, a taxa é a de retorno, pois representa o ganho sobre o seu capital. No entanto em uma operação de empréstimo com a taxa de juros pré-fixada, o tomador deverá pagar os juros conforme o contrato, fazendo assim com que o emprestador tenha a taxa de retorno idêntica à taxa de juros contratada. O conceito de juros está bem fixado como sendo a remuneração do capital, mas o que é capital? Em economia, o conceito de capital está ligado aos fatores de produção.É um conceito amplo! Mas na matemática financeira "capital é entendido como qualquer valor expresso em moeda e disponível em determinada época" (SOBRINHO, 2010). Entendemos aqui que capital é expresso em valor, onde nas operações financeiras pode ser um bem, no caso de financiamento de veículos, imóveis, máquinas e equipamentos, etc.; ou simplesmente dinheiro, seja em operações de investimento em fundos, poupanças ou empréstimos. Também conclui que o seu valor muda com o passar do tempo, por isso o termo "disponível em determinada época". Para entendermos melhor, é preciso compreender e analisar o valor do dinheiro ao longo do tempo que é o objetivo principal da matemática financeira. Esse conceito diz, em suma, que certo valor, hoje e no futuro, são diferentes. Isso é fácil de ser entendido, se lembrarmos das altas inflações enfrentadas no Brasil antes do plano real. Dispor de certa quantia hoje para receber no futuro envolve certo sacrifício, onde o valor será afetado por diversos fatores. Sendo assim, esse sacrifício deverá ser remunerado com juros. A taxa que for determinada deverá ser eficiente para cobrir: o risco de inadimplência, as perdas referentes à inflação e também compensar a privação do proprietário do capital em investir em novas oportunidades.

por um período de 12 meses? O resgate é único no final do período contratado: Onde. onde os juros são determinados por dois regimes de capitalização: a simples e a composta. Para melhor entendimento. PV é o valor presente. E por valor futuro o valor disponível no final da operação. a capitalização simples é aquela em que a taxa de juros incide somente sobre o capital inicial. i é a taxa de juros e n o período. ou simplesmente. não incide. sobre os juros acumulados. É muito importante fixar esses conceitos. veremos o exemplo a seguir: Exemplo. ou seja no início. durante a operação. 2010). O Anatocismo é realizado quando acontece a capitalização composta dos juros. contar juros dos juros. pois são os responsáveis acerca de toda polemica criada nos conflitos judiciais.m..Então podemos afirmar que. é o saldo (credor ou devedor).Qual o valor a ser resgatado.00. no início de uma operação financeira. (VIEIRA SOBRINHO. O valor futuro será determinado pelos dois regimes de capitalização. Segundo Dutra. é o valor futuro (FV). Já a capitalização composta é aquela em que a taxa de juros incide sobre o capital inicial. em uma aplicação financeira de R$ 10. pois. acrescido dos juros acumulados até o período anterior. o capital é o valor presente (PV). . e no final. a taxa de 1% a. Entende-se por valor presente o valor disponível no momento 0 (zero) da operação. CAPITALIZAÇÃO: SIMPLES E COMPOSTA Entende-se por capitalização a incorporação ou incidência de juros sobre o capital.000.

.Vejamos que na capitalização composta os juros do período anterior são acumulados no capital e. como não são pagos acaba ocorrendo o anatocismo. Agora veremos que na capitalização simples os juros são cobrados apenas sobre o capital inicial.

57 (sessenta reais e cinqüenta e sete centavos negativos).200. no nosso caso é o valor da aplicação. Nas operações financeiras os dois sistemas são utilizados.00 (zero) e no regime de capitalização simples o VPL encontrado foi de R$ . tanto o é que. Para melhor entendermos os dois regimes. idêntico ao que acontece na poupança.enquanto que na capitalização simples foi de R$ 11. na capitalização composta. iremos fazer uma análise. Onde: FCj é o fluxo de caixa do período (entrada ou saída de caixa) no nosso caso ó o valor futuro. o tratamento correto do valor do dinheiro no tempo não seria aplicado e isso foi comprovado no exemplo estudado. utilizando-se o VPL à taxa contratada. . Vejamos sua fórmula.Usando os dois regimes de capitalização.268. Substituindo os valores encontrados no regime de capitalização composta: Substituindo os valores encontrados no regime de capitalização simples: No regime de capitalização composta o valor do VPL encontrado foi de R$ 0. encontramos dois valores distintos. Isso quer dizer que. Nesse exemplo demonstrado. a taxa utilizada foi cumprida e no regime de capitalização simples. A questão principal é usá-los nas operações certas. o correto é utilizar o regime de capitalização composta.25 . o FC0 é o fluxo de caixa inicial. o i é a taxa de juros (1% am) e o n é o período (12 meses). não. Na capitalização composta o valor do resgate encontrado foi de R$ 11. embora ocorresse o anatocismo. pois resultou em um VPL negativo. Caso o regime utilizado fosse o de capitalização simples. Agora veremos os dados dos exemplos anteriores em outras operações financeiras.00.60. é o modelo realmente utilizado nessas operações.

Nesse exemplo. evitando assim distorções provenientes do tempo e da taxa de juros no capital. . quer dizer que tal operação respeitou a taxa contratada de 1% a. onde o valor principal será devolvido no final do contrato e os juros serão pagos periodicamente. Agora veremos os mesmos dados em outro exemplo.m. Este exemplo é idêntico ao que acontece nas "contas garantidas". Como já sabemos que o VPL desse exemplo é zero. os juros vão se acumulando. largamente utilizadas no Mercado Financeiro Brasileiro. como não tem pagamentos intermediários.

e no da tabela 4 houve vários pagamentos que totalizaram R$ 11. agora veremos as análises do valor presente liquido para verificarmos se houve distorções do capital.00. .268.25. foi encontrado um único pagamento que resultou em R$ 11.200.No exemplo da tabela 3.

que é o valor do dinheiro no tempo. o termo Tabela Price deve-se ao Matemático Inglês Richard Price. Segundo Pereira. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO FRANCÊS (TABELA PRICE) O Sistema de Amortização Francês. onde valor dos juros foi maior para premiar o tempo de espera. resultou-se em menos juros no final. mais conhecido no Brasil como "Tabela Price" é de longe o mais utilizado no sistema financeiro nacional. no exemplo da tabela 4 o valor do pagamento foi menor e como os pagamentos dos juros ocorreram periodicamente. Já o termo . quando os juros não são pagos. ocorrendo o anatocismo ou capitalização dos juros. eles são contabilizados na base de cálculo dos juros do período seguinte. como não houve pagamento intermediário. como isso pode acontecer? Aconteceu por causa do conceito principal da matemática financeira. a taxa encontrada foi à mesma. Assim sendo. ocorreu o anatocismo. que no século XVIII incorporou a teoria dos juros compostos às amortizações de empréstimos (ou financiamentos). ou seja. embora os valores fossem diferentes. pode-se concluir que o não pagamento dos juros implica no anatocismo. mas a taxa permaneceu a mesma. e assim sucessivamente até a quitação da operação financeira. No exemplo da tabela 3. embora a taxa fosse a mesma. Embora.Vejamos que.

devemos fazer a composição do exemplo nas 12 prestações. (PEREIRA apud VIEIRA SOBRINHO. Tal sistema de amortização consiste em um plano de pagamento de um empréstimo ou financiamento.Sistema Francês deve-se ao fato de tal ferramenta ter se desenvolvido na França no século XIX. E a amortização será a diferença entre o valor da prestação e o valor dos juros. Vamos verificar como fica o nosso exemplo na Tabela Price. A seguir. O cálculo da prestação é obtida através da fórmula abaixo. em prestações iguais e periódicas. faremos o cálculo da prestação: Encontrado o valor das prestações. 2010). Já os juros são calculados com base nos juros simples. composta de juros e amortizações (devolução do capital). . apenas multiplicando a taxa contrata pelo saldo devedor do período imediatamente anterior.

Ou seja. Como na Tabela Price eles são pagos então. pois respeita todos os princípios da matemática financeira. respeitando-se a taxa contratada e o conceito do valor do dinheiro no tempo. Por isso usa-se a teoria dos juros compostos. é determinada através da divisão do capital (valor emprestado) pela quantidade de prestações. A amortização é determinada através da diferença entre a prestação (R$ 888. a prestação não é fixa. .caso contrario. e o valor da prestação é determinado através da somatória dos juros e do capital. portanto. O artigo 354 do Código Civil Brasileiro diz que: "Art. o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos.000. Nesse sistema.. Portanto. Como diz no seu nome.Como falado anteriormente. Os juros são pagos primeiramente em cada parcela e por isso não se acumulam para gerar a base de cálculo do período seguinte.49) e os juros (R$ 100. ou se o credor passar a quitação por conta do capital". que é a remuneração do capital e por isso. Como o empréstimo é amortizado de forma constante. Tomemos o primeiro mês como exemplo: o saldo devedor no primeiro mês é o saldo devedor do período anterior. Havendo capital e juros. e é mais utilizado em financiamentos habitacionais. Outro detalhe que faz com que muitos pensem que a Tabela Price comete o anatocismo é o fato de usar juros compostos no cálculo da prestação. ou seja. incide sobre o capital (saldo devedor). e por isso. a Tabela Price primeiro quita os juros e por esse simples motivo eles não se acumulam. os juros são calculados utilizando-se da metodologia de juros simples. a prestação também. o valor dos juros diminui e.00) onde multiplicado pela taxa contrata (1%) terá o valor dos juros na primeira prestação de R$ 100. Do ponto de vista cientifico a Tabela Price é perfeita. "a Tabela Price não comete o anatocismo".49. Como se pode perceber. nesse caso o valor contratado (R$ 10. a taxa seria desrespeitada. a amortização é constante. porem. O uso de juros compostos para determinar o valor da prestação somente acontece para deixar a prestação idêntica do início ao fim do contrato. e depois no capital. SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE O sistema de amortização constante é extremamente simples de se calcular.00. salvo estipulação em contrário. não se acumulando não são somados na base de cálculo dos juros do período seguinte e por isso não ocorre o anatocismo. multiplicando o capital (ou saldo devedor) pela taxa contratada. Os juros são calculados exatamente como na Tabela Price. não são capitalizados e. conseqüentemente. não é cobrado juros sobre juros (anatocismo). Vimos que só ocorre cobrança de juros dos juros quando não acontece o pagamento. de acordo com o que se define na lei. Muitos dizem que a Tabela Price pratica anatocismo. e muda de período a período. 354. os juros são calculados tendo como base os juros simples e respeitando o conceito de juros. isso é um equivoco.00) que resulta em R$ 788. primeiro devemos encontrar o valor da amortização através do cálculo abaixo.

pois o capital é devolvido mais rápido do que na Tabela Price. conseqüentemente. .Agora veremos abaixo como é a composição de um empréstimo utilizando o Sistema de Amortização Constante (SAC). A prestação diminui período a período. Vejamos que o cálculo dos juros é idêntico ao calculado na Tabela Price. portanto respeita o artigo 354 do Código Civil Brasileiro. respeita o conceito universal de juros que é a remuneração do capital. Podemos perceber que na SAC. Porque isso acontece? Se ambos respeitam a taxa contratada porque na SAC os juros são menores? Isso acontece por causa do objeto principal de estudo da matemática financeira que é o valor do dinheiro no tempo.85 (seiscentos e sessenta e um reais e oitenta e cinco centavos) e enquanto na SAC é de R$ 650. Vejamos que nesse sistema a amortização é realmente constante. a amortização também é maior e por isso paga-se menos juros.00 (seiscentos e cinqüenta reais). Mas podemos perceber que o valor total de juros pagos na Tabela Price é de R$ 661. e. as prestações são maiores no início e. e os juros também. e nunca é demais citar "o Sistema de Amortização Constante não comete o anatocismo". e como são pagos periodicamente não acontece a cobrança de juros sobre juros.

Iniciaremos com o MAJS (Método de Amortização a Juros Simples) cuja teoria pode ser encontrada no artigo "Perícia Contábil em contratos de financiamentos" de autoria de Wilson Alberto Zappa Hoog e pode ser encontrado através do site da Aspecon-RS. na Tabela Price. se forem utilizadas corretamente. o que pode ser de muito valia. reduzindo a capacidade de pagamento de quem o contrata e conseqüentemente reduzindo o valor do empréstimo possível. premiando dessa forma o proprietário do capital. é claro. Após. pois não cometem o anatocismo. É importante salientar que. as prestações são fixas e. E por fim analisaremos o método de amortização ao qual diz se basear no método de Gauss. o acesso ao crédito é restringido por se utilizar da amortização constante e prestações decrescentes. pela espera da devolução desse capital com juros. cuja titulação foi dada pelos autores Ronildo da Conceição Manoel e Vital Ferreira Junior no livro Perito Contador com foco na área econômicofinanceira da editora Juruá. A teoria deste método foi extraída do e-book SFH: A Prática Jurídica de autoria do Sr. Isso vale. METODO DE AMORTIZAÇÃO A JUROS SIMPLES (MAJS) Abaixo veremos como se comporta a composição do contrato utilizando tal método. conseqüentemente. caso o mutuário não disponha de muitos recursos no início do contrato. A finalidade é a de analisar se eles respeitam os princípios básicos da matemática financeira. o qual está disponível no site "A Priori". A seguir faremos uma comparação da Tabela Price e SAC com outros métodos utilizados em Perícias. . analisaremos o SAL (Sistema de Amortização Linear). e também beneficia o mutuário (tomador de empréstimo). Inicialmente analisaremos se respeitam o conceito de juros. OUTROS MÉTODOS USADOS EM PERÍCIAS Agora veremos outros métodos utilizados em pericias. paga-se mais juros. Sobre esse assunto Azevedo (2001) diz que ao utilizar a SAC.Porem. com prestações menores no início do que comparado com a SAC. bem como a legislação. que é a remuneração do capital. e não remuneração da parcela. respeitam todos os princípios da matemática financeira. ocasiona em prestações maiores no início. é importante lembrarmos o conceito universal de juros. tanto a Tabela Price quanto a SAC. Antes de analisarmos os métodos citados. Paulo Luiz Durigan.

não acontece nenhum problema. Ou seja.00) deduzido dos juros repassado para a primeira prestação (8. pois não respeita o conceito de juros.33). Os juros que são repassados na parcela estão incidindo sobre a amortização multiplicada pelo número da prestação. onde os juros deverão incidir no capital ou saldo devedor e não na parcela de amortização.33).33). . ou seja. segundo esse método é de R$ 25.À primeira vista. O cálculo da amortização é idêntico ao SAC. que deve ter sua incidência sobre o capital. O problema desse método é o cálculo dos juros. onde também se dividiu o valor do capital pela quantidade de prestações. (833.33 X 3 X 1% = 25. passando apenas o valor correspondente a incidência da taxa na parcela de amortização.00 que é o resultado da multiplicação da amortização (833.00.33 é igual a R$ 833. Portanto. os juros na terceira prestação. os juros cobrados na primeira prestação estão incidindo sobre a parcela de amortização (pois.67 que é o resultado dos juros sobre o capital (100. De certa forma. ou seja. desrespeitando assim o conceito universal de juros. Por exemplo.000) multiplicado pela taxa de juros (1%). o próprio autor desse método concorda que os juros devem incidir sobre o capital que criou a coluna de "juros a receber" e através dessa coluna não repassa os juros à prestação. podemos perceber que o valor de suas prestações é justamente o oposto ao encontrado no SAC. o valor dos juros na primeira prestação deveria ser de R$ 100. pois é igual ao resultado do capital (10. R$ 8.000 ÷ 12 = 833. logo (10. na amortização. Mas o autor cria a coluna juros a receber e segura uma parte dos juros. no caso da primeira prestação 91.00) Portanto o presente método não pode ser aceito. número da prestação (3) e taxa de juros (1%).33 x 1%) e não sobre o capital.

porém é um método que se baseia em juros simples. apresento abaixo de forma simplificada. Abaixo veremos como fica a composição do empréstimo nesse método. No cálculo da prestação. o valor dos juros é em função da parcela de amortização e não em função do capital. Através desse método o valor da prestação seria de R$ 886. mesmo utilizando a função exponencial. . O que podemos levar a conclusão de que.57. podemos observar que se utiliza da função exponencial. esse método foi criado para respeitar a legislação. Ou seja. desrespeitando o conceito universal de juros que é a remuneração do capital. O valor dos juros é o resultado da multiplicação da parcela de amortização pelo número da prestação e pela taxa. não significa que será cometido o anatocismo. porque segundo os autores. mas simplifico aqui dizendo que. a fórmula para o cálculo da prestação.SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO LINEAR (SAL) Analisado o presente método através da obra citada anteriormente. nesse método. Para se calcular os juros. os autores colocam uma conta um pouco mais ampla. o cálculo dos juros nesse método é o resultado da seguinte fórmula.

O valor encontrado é o chamado índice de ponderação. Para encontrar esse índice é preciso utilizar a soma dos dígitos das prestações como divisor de uma equação. Para se calcular os juros. é preciso utilizar o cálculo da fórmula abaixo.. É o único fator que faz relembrar a fórmula inventada por Gauss para encontrar a soma dos dígitos de uma progressão aritmética. Do produto dessa multiplicação deduzimos o valor do capital. O resultado encontrado é dividido pela somatória dos dígitos das prestações (1 + 2 + 3 . o valor da prestação será de R$ 884..Portanto o presente método não pode ser aceito.. SISTEMA BASEADO NO MÉTODO DE GAUSS O presente sistema que será estudado diz ser baseado no método de Gauss. que deve ter sua incidência sobre o capital. precisamos encontrar o chamado índice de ponderação. onde no nosso . Tal índice é calculado através da multiplicação do valor da prestação pela quantidade de prestação. Utilizando a fórmula. acredito que seja devido a tal sistema utilizar para o cálculo dos juros um chamado índice de ponderação. pois não respeita o conceito de juros. Para encontrar o valor da prestação. Essa afirmação. 12).68.

pois não respeita o conceito de juros. incide sobre a prestação e não sobre o capital. os juros do primeiro mês é o resultado da multiplicação do índice de ponderação por 12. COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS ESTUDADOS Primeiramente vamos comparar todos os métodos para verificar se respeitam a taxa de juros contratada. Portanto o presente método não pode ser aceito. pois qualquer valor diferente desse é porque a taxa não foi respeitada.90. que deve ter sua incidência sobre o capital. agora veremos se tais métodos respeitam a taxa de juros contratada. que é uma ferramenta utilizada em analise de investimento. Para encontrar os juros é só multiplicar o índice de ponderação pela quantidade de prestação que faltam para concluir o contrato. no segundo mês é o resultado do índice de ponderação por 11 e assim por diante. Primeiro esse índice de ponderação não é a taxa de juros e segundo. Vimos que os três métodos alternativos não respeitam o conceito universal de juros.exemplo. no nosso exemplo. o dito índice de ponderação é 7. que visa saber a taxa de juros inclusa em uma serie de pagamentos. Para isso utilizaremos a Taxa Interna de Retorno (TIR). Também analisaremos o Valor Presente Liquido (VPL) para verificarmos se ao trazermos os pagamentos do futuro para o presente e deduzirmos o capital seu valor resultará em 0 (zero). Fica claro nesse exemplo que os juros são calculados com base no índice de ponderação incidente nas prestações. Vejamos essa análise abaixo: . Abaixo segue a fórmula para encontrar o índice de ponderação. Ou seja.

A taxa que estamos utilizando no nosso exemplo é de 1% a. juros simples. Os três métodos apresentam distorções e não resultam em nenhum resultado comum entre eles.m. Vamos supor que no vencimento da primeira prestação o mutuário deseje liquidar o contrato. Agora veremos outro exemplo:a ocorrência da liquidação antecipada do contrato. podemos perceber que somente a Tabela Price e a SAC resultam e uma TIR de 1%. pois podemos dizer que são os únicos que respeitam as taxas. mas não é o que acontece.. porem. . Fica claro que os métodos alternativos não respeitam as taxas contratadas. O que acontece com os demais métodos é que como foram elaborados com base na mesma premissa. deverá pagar o capital e os juros referentes ao primeiro mês. Vamos ver como fica esse exemplo nos métodos em estudo. mesmo que o resultado seja errado. comprovando com outro método o respeito as taxas. Assim sendo. conseqüentemente o resultado do VPL na Tabela Price e SAC são zero. ou seja. a taxa deveria ser pelo menos idêntica.

apenas os métodos Tabela Price e SAC podem fazer uso desse artifício. seja no início. vedado pela legislação. respeitam todos os princípios da matemática financeira principalmente o conceito universal de juros e a taxa contratada. ou seja. se for liquidado no início ou no meio do contrato. ou seja. sendo que as taxas nos métodos MAJS e SAL foram reduzidas em mais de 10 vezes a taxa contratada. Quer dizer que. aquele período de espera em que não acontece a devolução do capital. Na Tabela Price e SAC a taxa de juros permanece a mesma. a taxa de juros deve ser assegurada em qualquer época do contrato. no meio ou no fim. Ou seja. e ainda. SAL e GAUSS foram ainda mais distorcidas. Podemos entender que o anatocismo só acontece quando os juros não são pagos. sendo pagos apenas os juros. Gostaria de propor aos profissionais que se utilizam desses métodos alternativos: como deverão ser calculados os juros no período de carência utilizando MAJS. onde a prestação do período é formada de capital e juros. ou seja.Novamente. o cálculo de juros no período de carência. cobrar juros dos juros. Então. Podemos ver que as taxas nos métodos alternativos são totalmente distorcidas e com isso não são respeitadas. já nos outros métodos. SAL e GAUSS não respeitam dois princípios básicos da matemática financeira: o conceito universal de juros e nem e a taxa de juros contratada. a taxa se distorce naturalmente e a distorção amplifica. A distorção fica mais evidente ainda quando da liquidação antecipada do contrato. Nesse caso a carência só pode ser calculada com os juros sobre o capital. apenas a Tabela Price e SAC respeitaram as taxas. Ainda tem um terceiro. Em um sistema de amortização. em um sistema de amortização. se no contrato for utilizado SAC e a Tabela Price e se forem respeitadas na integra o teor dessas ferramentas. Quero deixar claro que tal afirmação é totalmente imparcial e cientifica. não ocorre o anatocismo. Diante do exposto fica claro que o Sistema de Amortização Francês (Tabela Price) e o Sistema de Amortização Constante (SAC) não cometem o anatocismo. SAL e GAUSS? Está feito o desafio! CONCLUSÃO O anatocismo. acontece quando os juros cobrados servem de base de cálculo para o cálculo dos juros do período seguinte. o anatocismo . Vejamos que dessa vez as taxas do MAJS. os métodos MAJS.

o erro caberá a quem a utilizou erradamente e não da ferramenta em si. José Dutra.Revista CRC-PR Ano 26 N. Alexandre. 2006. ebook.crcpr.com. Curitiba: Juruá.apriori.2 ed. Lavras: UFLA. VIEIRA SOBRINHO.br/artigos/sfh. Cursando MBA Gestão Financeira. Matematica Financeira .pdf (acesso em 20 de 09 de 2010) Autor Cezar Junior da Silva Souza Administrador de Empresas.br/artigos/09_pericia_contabil_em_contratos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ASSAF NETO. _______. atuando em São José do Rio Preto e Região. http://www. SFH: A Pratica Juridica. Perícia Contábil em contratos de financiamentos. 7 ed. ZAPPA HOOG. São Paulo: Atlas. 130 2º Quadr.br/publicacoes/downloads/revista130/tab_price. Caso a ferramenta seja utilizada de forma errada. 2010. AZEVEDO. Paulo Luiz. Perito Judicial. Disponível em <www. COLI. do ponto de vista cientifico. <http://www. Perito-Contador Com foco na área econômico-financeira. por isso não podem ser utilizados. Antonio Fernando de.com Informações sobre o texto Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT . Disponível em MANOEL. http://admcezar. Mercado Financeiro. O meu compromisso é com a verdade cientifica e por isso afirmo que. Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas. São Paulo: Atlas.aspeconrs. a Tabela Price e o SAC são perfeitas e preservam o que foi assegurado em contrato. isso somente quando são utilizados de forma correta. Consultor Financeiro e sócio da Martins Fontes Consultoria Empresarial. São Paulo: Atlas. Ronildo da Conceição. e Vital FERREIRA JR.não será praticado. Matematica Financeira.pdf> (acesso em 22 de 09 de 2010).blogspot.org. Tabela Price: A polêmica continua .com.7 ed. 2005. Wilson Alberto. 2004. DURIGAN. Finanças Corporativa e Valor . 2001. Luiz Eurico Junqueira.htm> (acesso em 14 de 09 de 2010). 2005. Os sistemas alternativos não respeitam o conceito universal de juros e tão pouco a taxa de juros contratada.

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