Você está na página 1de 410
aa doo, SP ora) Incoes par catilogs sstersice BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS [0rg.] Conhecimento Prudente para uma Vida Decente ‘Um Discurso sobre as Clénclas’revieltade CORTEZ. FEDORA Des: FRA Feds & Aan ‘i se Fala nah, de Py Ca R92 cok ra at ei Aga es Conn ri Dando A. Mores momen Oni te on get sn Prt (be plas silo Fl Eas Armen, Fae Rap ‘enn pe dst oe oe ses cu pada sem utara exe ox ao {© 205 ene de Soe Stas © Eas Anan aca pe Sumario [Nota sobre os autores 1B Iatzodugio ‘Boaventuza de Sousa Santos v PARTE "Nem Teéguas Nem Rendicbes: Det 1.Um Discurso sobre as Ciel 18 sno depois Fedo Arrscady Nunes 9 nou, 59,1. A inllexdo do deste epstemoligic, 62; 2. Toda o| conhecimento centien natural € cent socal, 67,3. Todo 0 -cimento¢autoconhecimento 6; 4. Todoo conheiment é local € tou, 70,5. Todo o canhecimentocentcnWsa transformant Senso comm, 7 6. Uma polfmic anserinis fora do aga, 74, ls Guersas da Citas (0 destin das “uss cultura": mais uma sala de ros nas “eras ds cine Richard Lee 85 3. Sobre guersserevoluges Peer Wegner tos, Introdusio, 1031. cincia ea questio da representagio, 106, 2A cineia€ os seus eins: um debate reorrente, 108, 3. A encia€| as sus aplcagies: as transfrmagies do mundo inspradas pela cen a, 1114. Variedades de certeza epstémica, 115, 5, Epstmologae critica: o conhcimento como repulagio © 0 conhecimento como femancipago, 117 ‘As estrus do conhecimento ou quanta formas tens ns ‘de conhecer? Immanuel Wallerstein 1s ara alm da Grande Separagio, tornarmo-nos cizados? Isabelle Senges 13h Inurodugi, 131; 1. gop de Arguimedes eo sorsso cigs, 13,2 [Nomesmo bare, 136, , De fact, nds no somos assim tho dierent dos outzos... 135; 4. Os encohonizenes da investiagio, 138; 8. Pir trodes em politcal, 14, 6 Democratisa a demecaca, 145, ‘Como confer utoridade a0 conhesimento na cidncia ena antopologia Fan H. Faximava 151 Ineoduss, 151; 1. As “querzas da efnca", 153; 2. O eonstrtvismo os estado sabre aie, 155, 3 A autordadecleniica ea evlu- (fo porcuchdiana na matemasica, 161, 4 A hstrcidade do, 161 5S Geomewa nio-euldhana, 164 6.Distincis nio-euclidianas, 167, 7. Os eipones eo controle da “pureza”na geomera do seule XIX, 169, &, Disiplina e attoridade na otal, 178, 9. para como ‘contol soil, 174 10. Conluso: Como car eanbeciment a cen ize aneopaloga, 177 (Um dscuso sobre as citciaspussadasc preventes Tod Caraga ss Cenc humanism, capaci ciara ealiensgio Germinal Coco, José Lats Guireze Pedro Mirarontes a Inteodugi, 191; 1, A matemstica do mundo do amanhs, 194; 2 So bres ense do paradigm dominant, 195, 3. A reaoie, 198, 4. 0 ‘undo hoje mudanga pid, reroluglo permanente e obsolescénci, 199, 5. Desalnto ow esperanga, 200, 6, As clas, 202, 7. Complex Adee modanga posse, 208, Conelsso, 208 9A minha citi ds cena Jorge Dias de Deus - 10. Um discus sobre a cncis: aber 20s tempos Roberta Fola Inurodugio, 221; 1. A eiénca como forma do social, 221; 2 Sto as nciassocas © novo modelo de cas, 226; 3. As mows ten encias na cléncia: mereantiizgio ¢ incomensurbilidade, 228, 4 ‘Torts dei os sina dos tempos, 232; 5. Uma nova esc para sama ova vid, 236, 11, Desmercantiiar a tecoelénta ‘Marcos Barbosa da Oveita Inuodusio, 41; 1. A tese da teenoiincia, 243, 2. As patents © a ‘mereaniizgio da tenologia, 246, 3A reforms neciberl da Univer sade a merantlizagio da Gia, 249; 4. Mereadoriae mercado, 253, 5. Avalndo os suas, 2546, A mercantlzago € o debate, 258, 7. Alta pela desmereanlizago, 261 8. Conclusi, 264 PARTE I (0s Grandes Temas: Algumas Abordagens Possveis 12, Como a Rcio prdew o seu equi Stephen Toulmin Tnodugto: a cnc, odie ea politica, 269, 1, A racioaldade © « ‘anal, 270, Excursus, Os uses humanos das tories, 284 3, Uma nova acionaldade para «daca? ‘Anna Carolina Regner. Inzodugio, 291; 1. retires de Arinttles ¢ a cicia de Darwin, 296, 2 A sgumentagso de Darwin, 307, Conch, 319, 14 Precio floss, clmtfin-tenica ese ies Miguel Bapaista Pereira ns a 291 as 15, Citi valores: pluralismo sxolgin da cia ¢0 se valor epistemic Joo Mana André 33 Introdugio, 373, 1 A abertura do suet cpstmiene plralissno sooo da nei, 374, 2. A “querela da ps modernidade eo we Incvsme crstemolipce da egal, 380, 3. Not njeonclusies, 386. 16. Venda, realism e vite Herminio Martins 389 17 Limite rao — Razio dos ies Franiso Gute Sani, as Introd, 419) 1, Vaidae eprevisldade, 422 2, Linas de eon fluéncia 424, Conchsies, 27. 18.0 quinto robo psicanslise Cal AlbetoPlsino a9 1. Uma aboalagem radical 429, 2. © guinsorombo, 431, 3.0 saber _seanaliico como construgio, 436, 4. A nova sintese metapscolgca a rupture paradigmatic, 461, 5.A centraldade da questo epist rmoligea, 443, 6. Um paradigm prudent, 447, 19, Sujet e sentido: considrages sabe a vineulagio do sujet 20 ‘eoneimnto gue const Hugo Zemelman 7 PARTE I Intrrogages Complex, Critivase Situadas: A Cigna em Acco 20. citneia eo bem-estar amano: par uma nova maneira de ‘srtirar 9 ated inti ‘gh tacey| am Intradugio, 471; 1. A enia como axologcamente nets, 473; 2 Actividad cieniica, 476, 3 Uma nova maneia de estutuar & sectivide cients, 486, Concusi, 491 21, Callas esaminais como densidades aopoiticas ‘Miguel Rama Santos Invroduio, 495, 1. Clu estaminas como uniades de stoic, 496, 2. Autopoiesee Homeostse 497, 3. Um crits da stopoie, 498, . Complementardadec cells estaminals, 500, 5. Urn progr. ‘ma de pesquisa para biol ds clus estaminas, 01 22.0 debate sobre a imagem da cigac— propsit ds as eda seo de EP Wigner Olivet ei Je Inodugio, 505; 1. A contovésia sobre os fundamentos da tora squintica fins da década de 50 do scelo pasado, SOR, 2. Kes, ai dade e lderanga de. . Wigner, 512; 3. Wigner versus Rosen Dane, Linger ePospen ou a ques da monoeracia de Copenh, 512, 4. fortuna da tse wigneriana sobre o papel da conscincia nt fisia quntica,e fortuna de sua atvdade no campo dos fundamen tos da Teoria Quintiea, 526, 5 Os anaeronismos na eta do pens mento de Wigner. Estudos sobre aeinca os anaconismos. hist. sis como displina cients, 528 23. Concodinelas¢ dlscondneas:comentiri sobre Um Discurso se as Clncias Saonuel Macdowell 216. Sob as fronteias Jo Rama Santos 1. Uma narratva da rprodusi, $39, 2A Ciencia enguanto sf, 543, 3, Didlogoe sem fontias, $51, 4, Conlaso, $83, 25, A rconstrugio da compleniade engin sem reas: gnc Ierpreago pritca rela exten Peer Taylor Introdugo, $59, 1. Prolemas de dlimitagio na consrugio de mode los de sistemas ecogioos dois ass, 560, 2. Etats de constr ‘lo de modelos, 564, 3. Corelagessoisspesoni-enticas, 565, 495 05 309 9 4, Construgloheterogéns, 568 5, Quando os eslogists carota ‘bus pupa scilidad, $70, 6. Um quado para manter as tenses Seuvese prodtivas, 571; 7 Epo: oenvalimente exe, 578 26. clini ea qual se faz ou tl qual dit Dara da Concegdo Rio 585, Inuradugo, 585, 1, Modos de falar, 586, 2. Quando os ciensstas co ‘unica 588 3, Os limites eoabecmento, $92, 4. Acinci “con taminads, 594, 5, Os sono de emancipagio — das Luzes & dopa rupturaepstemolic, 598. 27.0 exxtciopsticn da cultura cenifca ‘ese Mariana Gogo oo PARTE TV Injustiga Cognitiva Global: Para Reconstruir os Conhecimentos © 0 ‘Mundo 28, Maderniagto, modernismos eo mistéio da tora ees na eonomia Francisco Lougd is Inurdugo, 615, 1. Uma recapitlagio, 617, 2. A reolusto neacis ‘4 617, 3. A moderizag incomplets, 620; 4 Politia e cca na rag fundadra da esonomesnia, 622, 5. Moblizaos entra a puer reo capital, 626, 6 0 Blango da Guera, 629, 7, Modernizasso ‘modernise, 632, 29. Actors, redes¢ novos produtores de conherimento: 0s movimentos sociss © a transigio paradigms nas ec ‘Anuro Escobar 6 Inrodugir a tranig paradigmatic revistada, 639; 1. Rees, ms ave movimento socal antigobalizago, 643, 2, As malhas nape tic um breve enempla clombiano, 653, Coneluo, 662 30,05 eslendores eas mists da “iti oloniaidade, pope o conbecimentoe plrversalidadeepseérica Waker Signal ser 1, Do totalitarismo epstemico a0 “paradigma de um coaheciments praente para uma vida decente, 667; 2 A descoberta da “alone Ade” esemerginesa de “um otra pasdigma’, 676, 3. A geopltca «a “evolu cients’, os ses pegs de Sexo ede raa, 680, [A acalizagio do “Treo Mund recursos natras, cultura © co heeimentos indignss, 695, 5. bseragies fina, 702 81. superago do eurocentesm. Enriquecmento do sabe sistémico€ endégeno sore o noso entero tropes Tus EMoza-Oseoe Oxando Fal Borda Inzodugio, 711, Hipdtee do context, 712; 2. Dificukdades rs ‘antes do curocentsismo, 712, 3. Nivlagio de paradigmas, 714, 4 Complendade e vivencia nos exopies, 715; 5, Necessade da cnoginese, 716, 6. Critvidade nacional e soma de saberes, 717 7. Politiescentca propa, 718, 8. Unvesdadepartipativy, 719, 32. Agents do conhecimentot A consuikoria € = produgso do conbecimento em Mogambigue Mari aula Meneses Intsodugi, 7251. A produto eslonial epson da designs de dos Sabre: a cigneia moderna como ti lca glbalizad, 722;2.Asconsulkonis— um eso extreme de lbalsmo lead 734, 3. Contes a trans da eiénca do conto: qe alternativas!, 74, 2» Conte pars um Guers da Cncia Shi Vsvenathan 834, Para uma socilogia das auséncas¢ uma socolgla das emergéncas Boowentana de Sona Santos Introdusi, 777; 1 Artic da acto metonimia, 782, 2. Arica da aslo prolépica, 794, 30 eampo da sociologa das suséncase da sociolapa das emersénias, 798, 4, Das auséncase das emeraéacas so trabalho da ado, 4D, 5, Condigies eprocedimentos da tad ‘io, 807; 6. Conclusi: para qué waduzt, 813 m nm 187 NOTA SOBRE OS AUTORES Anna Carolina Regner soa, Universidade do Vie do Ro ds Sos [UNISINOS) [Beas Arturo Escobar ‘Antopélogo. University of Nor Caroling at Chapel Hil (UA) osventura de Sousa Santos ‘Scslogo, Universidade de Coimbra (Portual Carlos Atherto Plastino Pricanlista. Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado 0 Rio e Taner [Beal Francica Gutiérrez Sania Ciena Poco. Universidad Nacional de Colombia [Colémbia) Economist. Univeridade Ténic de Lisboa (Portugal Germinal Cocho sip, Universidad Nacional Autnoma de Mexico [MEslc) Herminio Martins Socio, University of Oxord (Reino Uni) Hugh Lacey ‘Blof, Swarthmore College (EUA) ‘ago Zemelman Socio. El Colegio de México [México Immanuel Wallerstein Scop, Yale University (EUA) InabelleStengers Faso Université Libee de Bruxelles (Bega Joan H. Fujimura Anitopdoga. University of Wisconsin- Mason [EUA] Joie Arsscado Nunes Socio, Universidade de Coimbra (Portugal Too Caraga isco, FundagsoCalouste Gulbenkian (Portugal) Joo Maris Andee liso. Universidade de Coimibrs[Potugal Joo Ramalho Santos ‘logo. Uatvesiade de Coimbra (Preal, Univesity of Psburg (EUAI Jorge Dis de Deus sin. esti Superior Ténio [Portal José Luis Gutierrez Matemiic, Universidad dela Ciudad de Mésico (Mico) José Mariano Gago Fisica, Institato Superior Tenico Portugal) ais Eduardo Mors-Oseio Blog. Universidad Nacional de Colombia [Coldmbia) Marcos Barbss de Oliveira solo, Universidade de So Paul (Seas Maris ds Conceigio Ruivo sca, Universidade de Coimbra (Portugal) Maria Paula Meneses Anttoplogs. Universidade Eduardo Mondlane (Mosarmique e Centro de Estudos Socias (Portugal Miguel Baptista Pee cof, Universidade de Cobra (Prt ‘Miguel Ramatho Santos Bilogo. University of California, San Franciso (EVA) (Orlando Fas Borda Socidlogo. Universidad Nacional de Colombia [Colma] Otva rete J isin e HistoriadorFisofo, Universidade Federal da Bahia (Brasil Pedro Miramontes ‘Matemtco, Universidad Nacional Autnoma de Ménico [Mésicol Peter Taylor logo, Universiy of Massachusetts, Hoston [EUAI Peter Wagner Socilogo. European University Institute, Floreng i] Richard Lee Socilgo, Sate University of New York at Binghamton (EU Roberto. Follari soo, Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza (Argentina) Samuel Macdovell Fisco, Yale Unversity (EUA) Shiv Vivanathan Secislgn Cente forthe tad of Developing Societies (CSDS), Delhi ada Stephen Toulmin Filolo, University of Southern California (EUA) Walter Mignoto “Tero liter cultural. Duke University UA) Boaventura de Sousa Santos Introdugio Este livopretende contribu para oaprofundament do debate sobre ena tenquanto forma de eonheciments eptics social. O conbecimento cient hoje a forms ofiialmentepeivlegada de conbecimento ea sus impartincs pata vide das sociedades entemporineasnioofrececontestao. Ns med a das suas possiblidades, todos os pases se dedicam 3 promogio da eign, ‘sperando benefcos do investment nla, Pode diner se que desde sempre, formas pvilegiass de conhecimento,quasquer que elas tcnham sido, num dado momento histricoe numa dada Sociedade, foram objeco de debate sobre 2 sus natures as suas poendaidades, ses ites eo su contribu prs ‘bemestar da sociedad De uma forma o de ose, arazio lima do debate tem sido sempre ofacz de as ema preside do conheciment conferitem Diilgos extscogatvos jsacas, politic, ultras) a quem as deem. $0 sim nio seria se coahecimen nao uvese qualquer impacto a weed, (04, tendo, se ele esuvesse cguitaivamentedistbuido na sociedad. Mat ni0 Por wm lad, s6 existe conhecimenta em sociedad portato, quanto _maior foro seu reconhecimento, maior cia svn capeidade para coniormat Sociedade, pata conte intclbiidade so sew presente ¢ a0 xe pasado dat Sendo e dre ao seu futur, Ino & verdad qualquer ue sia 0 tipo ¢ © objeto deconhecime nto, Mesme ques natuecs nip existe em sociedad ‘cexnte—oconhocimenta sobre els extra. Po oto lado, coeiment, ‘em sus multila formas, ndo esti equtavamente dstabuid na socdade € tend esta tanto menos quanto mir €o seu pile epstemoligco. Qua «quer que sj a slags entre opie epistemic eo privkpo so Tico de uma dada forma de conhecimento ~ cetamentecomplenas 6 el pripis, pare do debate —, «verdad € que os dos ovis teem com ‘er ns meena forma de conhecimento, Esta comvergncia f82 com ea iustiticagio ou contestagso de uma dada forma de conhesimento eavolvam emp, de uma maneira mas ou menos exlicta, a usifcagao ou contest {#0 do seu impacto socal Desde século XVI, a socedads ocilentas un vindo pillar epis ‘emoligcs¢socoloamente a forms de conecimento qu designamos por ‘Séncia modems, Quaisquer qv sjam a5 vlagds enue esta lene e outs ‘cas anteriores, ocidenas rental, 2 verdade € que esta nova forma de ‘onheciment we atoconccbeu como urn novo comego, uma rupert em la ‘80 ao pasado, uma revolugio cleniica, como mats ae ila Ser earacter ada, Desde enti, o debate soe oconhecimentocetrouse na eacia mo ema nos fundamentos da valdadeprivilegada do conhecimentocentico, tna relagdes dese com outeas formas de concent [hiss asco, Telgios, et), nos processor iste, oranizaics, metodologias) de pro dogo da eéncis eno impacto da sus apliacio. O que dstingu o debate mo- ‘demo sobre oconhesimento dos debates anteriores €0 fet de anc mode rater asumido a sua insergio no mundo mals profundamente do que qualqer ‘uta forma de conhecimento anterior ou contemporinea:propés- So ap nas compreender 0 mundo ou excl, mas tambem transformslo. Con 4, poradoralmene, para sanimizr a sta eapachade de ransformar 0 mn {o, reterdew-se mune 3s ranslormages do mundo, Nos termos da consiénis de s propos que a ciéncia os cientstas tenderan,dominantemente, formar dee os tempos da revoke cents sum perio muito recente, o piv epistemolgico que a citncia moder fa se artopa pressupe que a lenis ¢ feta no mundo, mas no € feta de ‘mundo, A inci iter tanto mais efcazmente no mundo quanto mais {independent ¢ dee. A ciéncia pea sutonomamente segundo a suas pespis regras lpess pats prod conheimentoverladeo 00 open da ‘verdade quanto € humanamente possi. A verdade consist na epresentagio fel on, pelo menos, © mais aroximada posivel da realidade que existe, inde pendentemente das forms que assume ¢ dos processos através dos quis € Drosha. conhecimento gu se tem dla, Un ves rad e establzadas ‘condi: institucionais qu arantem a atonomia da inca, tl vedade eal "presenta a estariam suetas ao condcionamento ou &manipulao por pane do mundo nio cenutic. ‘A lango dos kimostés culos, ov debates sobre acca vera sem pre estas dus verentes a natreza eo sentido das transormagSes do mundo pera pela ctl nature evade do conhecimentocenticn que Prodze legiima esa anslormacicn Em alguns periods, dominou uma das ‘ertentese nous, a ute. Os debates comeyaram por ser entre Geatistas © tialates de ous conhesimentos — fbf, eogns, arias, et, —, may, 2 medida que aegis Se expand e diersiicou, pasar 3 tavarse i. ‘mente entre cenit, anda qu, por vezes,o debate tena sido sabre 0 que € fer cenit e sobre quem 0 ‘Acxolugio dos debates tm aver com ura praia deftones: cao crescimento exponencial da predusio eientiba ea consequent polleraeso das comunidades centiicas, com o exaonindrio aumento da efits txno légcs propicida pela ici, wma efccis posts tanta ao sergo da sue emo da poz om as tansformagies na pris enti 4 medida que oo "beeimento cientfio fi tansformado em fre proiua de primer ordem e ‘quero das elagdes entre a cnc 0 mercado se uansmutou na questo da ‘inca como meade, (Os debates tem asumido mutes formas. A mais recente feu conti por"juerras da cecia” inci preferencalmente sobre a natura evaldade Ao eonhecimento que produ ¢legiima a transformagoes do mundo saves ‘ka ciéncsa. ovum debate essencialmente entre cientisas ainda que oes ecient tena sido, ele propio, parte do debate, ede tal modo que se, para slguns dos parcpants, o dcbate ers ene hentia, par otros tata sede lum dehate enre cents intelestsisestanhos sa mundo da cnc Fo Acimaae ado, um dcbate entre centists em gral e cenit ex objeto de Investyaeio @ a propel eats enquaneofendmeno social. Es alqumas das questes que dominaram o debate: qual € relagso ene oconbesmento chen ‘coca realdade que cle pretend conhecer!O conheciento clentico repre seats, descobre, cia ou invents a realidad que pretend concer? Quas 0s {sites por ques fee a adequasio ou a correc desta lags? conhe ‘Smento centiico septs verdsds, cic, a verosimilanga, cote 3 ‘efereciliade? Sea verdes cenficas de um dado momento histo tm sido eftadas em momentos posterior, hi algo mais na verade do que 2 [sta da verdad © medo como acini ests organiza 0 modo com = reali eo piticsinerfere no i € na valde do conbecimento ques po hz! Quai as relages ent aenca e outas forms de conhecmento? Qu ‘verdadero papel do conbesimento cent? Como devem inteagt os en tists cm o “esto da sociedade" nos processes de deisio? Exe tkimo deste elo no iniio dos anos 1990 no Reino Unido e nos EA e alasteou 3 outon paises. Um dor ses momentos mais intense fo oneitudo pelo cao Sokal Eis, suciamente, agua em gu ele consistiv © ‘AE dead de 1990, ox debates sabre o etatuto epistemolgico das ‘sncias modema estavam confnados 4s dominios espetalizadas da asta das cignias da histria das cncas A pulieasdoem 1992, em Ingaters de ‘The Unnatural Naar o Science, do embrilopsta Lewis Wolpert, sificon ‘uma importance ileaso nos temas e nos protagonists dees deates,O avo de Wolpert cao canjunto das cortetes de invetigagso na socologia cone (is or socilopa do conhecimento centiio, includ, nomeadamente, ‘hamade Escola de Edimburgoe osu "Programa Forte” da Sociologia do Co ecimento ¢ a contenteasociada @ Harty Collins, o “Progam Empisico do Relatvismo" também conhecida por Eso de Bath lo de Wolpert cons srava um moto de argumentagio earacterizad pla referencia selects e pat ‘lal as traalhos dates que tomava como avo, ¢ pela extimatizag de ‘qualquer forma de investiga que tomasse © conheeimento cientiio € as Conuokésiasclemtiicas com process soca, denunciando-a como un (que pupa inci e uma eeneativadebberads de mina a atordae clr desta enqoant forma de praduso de enunesados Yerdadeios. O saga no