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Propriedade Industrial -PDF

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O DIREITO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL NO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO Felipe Junqueira d’Ávila Ribeiro Aluno do 2º ano do Curso de Direito da UNESP

(campus de Franca-SP) Sumário: 1. Introdução. 2. Breve histórico da tutela da propriedade industrial. 3. Propriedade industrial e propriedade intelectual: distinções. 4. A nova lei da propriedade industrial e o INPI 4.1. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 5. A propriedade industrial no âmbito internacional: a Convenção de Paris e a OMPI 6. Das patentes.6.1. Requisitos da patenteabilidade. 6.2. Do pedido de patente. 6.3. Dos direitos sobre a patente e das licenças. 6.4. Da nulidade, da extinção e da restauração da patente. 7. Do registro de marcas. 7.1. Requisitos da registrabilidade de marca. 7.2. Do pedido de registro de marca. 7.3. Da exploração da marca. 7.4. Da nulidade e da extinção da marca. 8. Do registro de desenho industrial. 8.1. Requisitos da registrabilidade de desenhos industriais. 8.2. Do pedido de registrabilidade de desenho industrial. 8.3. Dos direitos sobre o desenho industrial. 8.4. Da nulidade e da extinção do registro industrial. 9. Das indicações geográficas. 10. Dos crimes contra a propriedade industrial e a concorrência desleal. 11. Conclusão. 12. Bibliografia. 1. Introdução A menção ao termo “propriedade industrial” nos remete a princípio às marcas e às patentes, institutos mais afamados e mais utilizados no cotidiano comercial da atualidade, no que concerne a bens empresariais imateriais. A associação não deixa de ser correta, embora seja necessário destacar a inclusão neste conceito também do desenho industrial, além do nome empresarial e outros institutos incorpóreos referentes ao mundo mercantil. Segundo Fábio Ulhôa Coelho, direito industrial é a “divisão do direito comercial que protege os interesses dos inventores, designers e empresários em relação às invenções, modelo de utilidade, desenho industrial e marcas”. Esta definição diz respeito ao ramo jurídico que tutela a propriedade industrial, indicando seu objeto de incidência.

Este estudo tem por escopo a apresentação dos principais aspectos relacionados ao tema, discutindo-se seu âmbito de aplicação, o direito de exclusividade, condições essenciais para o registro e figuras afins. Adotaremos como base estrutural do trabalho a Lei n. 9.729/1996, a nova lei da propriedade industrial, considerando ser essa a maneira mais didática de explanação do tema, evitando confusões entre as características especiais dos diversos institutos abrangidos pela propriedade industrial. Iniciaremos as considerações a partir de um enfoque histórico, para em seguida tratar detalhadamente das marcas, dos desenhos industriais e das patentes, destacando suas formas de registro, seus objetivos, seu âmbito de proteção e os direitos dela decorrentes, bem como acerca de sua nulidade, possibilidade de extinção e concessão de licenças. Encerrar-se-á o trabalho com alguns apontamentos especiais relevantes para o estudo do tema ora tratado, além da exposição de notas conclusivas de cunho próprio. 2. Breve histórico da tutela da propriedade industrial A criatividade é inerente ao espírito humano, e acompanha o homem desde a sua existência. Com o aparecimento da imprensa e o advento da Revolução Industrial, as idéias novas que surgiam no intelecto de cada um passaram a ser difundidas, e logo essa publicidade passou a requerer a proteção à obra de seu autor - algo criado por ele, e que somente a ele deveria pertencer. O Direito então, constatando o novo dilema social advindo da evolução tecnológica, implementou uma tutela legal a esse tipo de bem imaterial, tão valioso e digno de proteção quanto os bens materiais. As primeiras formas de exclusividade na exploração de idéias surgiram na Inglaterra, em 1623, com o Statute of Monopolies, e nos Estados Unidos, quando da elaboração de sua Constituição, em 1787 - ambos referentes à proteção aos inventores, especificamente. Em 1883 foi criada a União de Paris, convenção da qual o Brasil faz parte desde o início, que disciplina o direito industrial em um âmbito global. Conferiu novo tratamento à matéria, estabelecendo um conceito amplo de propriedade industrial. Esta proteção passou a ser referente então às patentes de invenção, modelos de

também as obras científicas. quanto à origem do direito. recebeu críticas por parte da doutrina. A história do direito industrial brasileiro se inicia a partir do processo de desentrave da nossa economia colonial. que hoje disciplina a matéria em âmbito nacional. estes também inclusos no conceito de propriedade industrial. da mesma forma que o faz o . segundo. de 14 de maio de 1996. Ou seja. bem como ao nome comercial e à repressão da concorrência desleal. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a disciplinarem o tema em sua legislação. tendo elaborado diversas cartas acerca de marcas e patentes desde então. às marcas de fábrica ou de comércio e de serviço. Mister se faz o discernimento entre ambos para o prosseguimento mais eficaz do nosso estudo. artísticas. 3. o inventor e o designer só titularizam o direito exclusivo de utilização de sua invenção. quanto à extensão da tutela. A propriedade industrial diz respeito. aos desenhos ou modelos industriais. a nova lei da propriedade industrial. foi promulgado o Código da Propriedade Industrial que. Em 1971. literárias e outras. A exclusividade da exploração de direito industrial é conferida por meio de ato constitutivo administrativo. além das supracitadas marcas e patentes. do qual são espécies o industrial e o autoral. já que não abrangia dispositivos a respeito do nome empresarial e do estabelecimento mercantil. São bens imateriais de propriedade do empresário. às patentes de invenção. como já dito. ao nome empresarial. Muito embora sem sanar completamente o defeito. o direito intelectual é o gênero. utilizados para um fim comercial. modelo ou desenho após a expedição da patente pelo INPI. Já a propriedade intelectual tem sentido mais amplo. 9. etc. em 1996 foi criada a Lei n. Portanto. Propriedade industrial e propriedade intelectual: distinções É comum haver no meio estudantil e até mesmo no campo doutrinário uma divergência acerca dos conceitos de propriedade industrial e intelectual. no início do século XIX. enquanto o direito autoral não decorre de nenhuma concessão legal. a despeito de sua pomposa denominação.279. Estas duas espécies de direito imaterial diferem em dois aspectos principais: em primeiro lugar. mas da própria criação por seu autor.utilidade. às marcas de produtos ou serviços. abrangendo.

ao passo que o direito autoral apenas protege a forma exterior. Já no caso do direito autoral. recémnascido. e não declarado. detentor da marca de rapé “areia preta”. foi no século XIX que o Direito brasileiro começou a se preocupar com a questão referente à propriedade industrial. já que o direito de exclusividade será concedido a quem primeiro requerer a patenteabilidade da invenção. Trata-se de direito constituído. desde que possua meio de provar a veracidade do fato alegado. e não a quem criou e elaborou o invento. no título que versava sobre as garantias civis e políticas. A primeira lei específica de marcas e patentes surgiu no Brasil em 1875 e a primeira ação judicial referente ao tema que se tem notícia foi formulada pelo eminente jurista e advogado Rui Barbosa. é pré-existente ao ato de concessão de exclusividade. . O direito industrial protege não apenas a forma exterior do obejto. A Constituição de 1824 – a primeira Carta Magna da história do País – já determinava. O direito é apenas declarado. A nova lei da propriedade industrial e o INPI Como se viu. além do ressarcimento de possível perda ocorrida em virtude da vulgarização desses. O autor pode. reivindicar em juízo o reconhecimento de seu direito de exploração exclusiva da obra. que a qualquer cidadão era assegurado o direito exclusivo sobre seus produtos. surgiu então a necessidade de um instrumento hábil que assegurasse as descobertas e privilégios daqueles que se dispunham a exercer esse tipo de atividade produtiva. essa “injustiça” feita ao criador não ocorre. independentemente de prova. A segunda diferença entre os dois sistemas protetivos da propriedade intelectual concerne à extensão da tutela. Através da manufatura de inúmeros produtos brasileiros. A proteção liberada pelo direito autoral não alcança a idéia do autor. mas só a forma pela qual ela se exterioriza e se apresenta ao público. pode ocorrer que o titular de uma patente não seja necessariamente quem realmente a inventou. mesmo que temporário. Em vista disso. ao defender seu cliente. ou seja.empresário que deseja registrar a sua marca. mesmo que não tenha registro. 4. contra o uso indevido da marca de rapé “areia parda”. como a própria idéia inventiva.

jurídico e econômico. disciplina todo o processo de patenteabilidade de invenções e modelos de utilidade. as concessões de marcas e patentes devem ser requeridas em determinado órgão estatal. referência deste trabalho.1. através de medidas objetivas no sentido de acelerar e regular a transferência de tecnologia e dar melhores condições de negociação e utilização das patentes. para melhor compreensão de toda a sistemática jurídica protetiva desses bens imateriais. cabendo ainda. Esta função cabe ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. em 1996. que decidirá sobre todas as questões relevantes ao tema. resguardando por outro lado o direito do próprio desenvolvimento econômico do país. Nos capítulos referentes às marcas e aos desenhos industriais. que vem merecendo cada vez mais destaque no cenário mercantil. portanto mister se faz a conceituação deste. como o faz no caso das patentes. atentando para suas peculiaridades. Em sua parte final. em muito influenciada pela Convenção de Paris. pronunciar-se a . bem como sobre as licenças e a extinção da patente. O instituto tem como objetivo a regulação da propriedade industrial em função de seu caráter social. elenca os crimes contra a propriedade industrial e trata da questão processual envolvendo as concessões de marcas e patentes. a sua concessão e vigência. as características que a cercam. além de fazer referência às transferências de tecnologia e de franquia. estabelecendo a forma do pedido de patente. sua proteção. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) Como será notado ao longo deste estudo. pela Lei n. Em várias ocasiões. será o referido instituto citado na explanação dos caracteres que envolvem a proteção da propriedade industrial. que foi atualizado. tema novo no Direito brasileiro. 4. em 1971. Ainda disciplina as chamadas indicações geográficas. 9.A evolução legislativa ao longo do tempo levou à promulgação. estabelece como se dá o registro específico de cada um dos institutos. O INPI é uma autarquia federal destinada a conceder privilégios e garantias a todos aqueles que efetuem o registro de suas marcas e invenções a nível nacional. técnico. Esta lei.279. a possibilidade de ser nula. do Código da Propriedade Industrial.

podendo esta: I – Contratar pessoal técnico e administrativo mediante concurso público. A OMPI – Organização Mundial da Propriedade Intelectual . convênios e acordos sobre propriedade industrial”. jurídica e técnica. que serão aprovados pelo Ministério a que estiver vinculado o INPI. . as normas que regulam a propriedade industrial. A propriedade industrial no âmbito internacional: a Convenção de Paris e a OMPI O estudo da propriedade industrial no direito brasileiro requer também conhecimento sobre a disciplina jurídica da matéria em todo o mundo. Parágrafo único. ratificação e denúncia de convenções. tendo em vista a função social. acordo e denúncias sobre a propriedade industrial. econômica. de caráter intergovernamental. continua: “Fica o Poder Executivo autorizado a promover as necessárias transformações no INPI. A nova lei da Propriedade Industrial dispõe que “o INPI tem por finalidade principal executar. que influi direta ou indiretamente na legislação pátria. Destacamos no cenário internacional um tratado multilateral celebrado no fim do século XIX. 239. Suíça. do qual o Brasil faz parte desde o início e uma organização mundial que cuida do tema. sujeitos à aprovação do Ministério a que estiver vinculado o INPI. no âmbito nacional. As despesas resultantes da aplicação deste artigo correrão por conta de recursos próprios do INPI”. tratados. para assegurar à Autarquia autonomia financeira e administrativa. e é um dos 16 (dezesseis) organismos especializados do sistema das Nações Unidas. tratados. e III – dispor sobre a estrutura básica e regimento interno. II – fixar tabela de salários para os funcionários. bem como pronunciar-se quanto à conveniência de assinatura. 5.foi criada em 1967. O mesmo diploma legal. convênios. com sede em Genebra. em seu art.respeito de sua conveniência.

através de protocolo que foi redigido. a atividade intelectual criadora e facilitar a transmissão de tecnologia relativa à propriedade industrial para os países em desenvolvimento em vista de acelerar o desenvolvimento econômico. convencionou-se que: a) países signatários da Convenção constituem-se em União para a proteção da propriedade industrial. A Convenção de Paris reuniu-se pela primeira vez em 20 de março de 1883 e foi revista em Bruxelas. a as negociações relativas à harmonização no campo de patentes e marcas. o Tratado sobre Circuitos Integrados. mas também às indústrias agrícolas e . destaca-se a União de Paris. convenção que exerce forte influência na matéria jurídica brasileira referente à propriedade industrial. as marcas de serviço. em Haia. em 6 de novembro de 1925. uma parte fundamental do trabalho da OMPI está representada pela constante atualização e proposição de padrões internacionais de proteção às criações intelectuais em âmbito mundial. assegurar a cooperação administrativa entre as Uniões de propriedade intelectual. em Washington. b) a proteção da propriedade industrial tem por objeto as patentes de invenção. os desenhos ou modelos industriais. o apoio ao Convênio Internacional para a Proteção de Obtenções Vegetais (UPOV). em Londres. também incentiva a negociação de novos tratados internacionais e a modernização das legislações nacionais. Foi só a partir desta data que finalmente os países participantes destas convenções chegaram a um consenso comum a respeito dos direitos e obrigações sobre a proteção da propriedade industrial e. c) a propriedade industrial entende-se na mais ampla acepção e aplica-se não só à indústria e ao comércio propriamente ditos. em 2 de junho de 1934. as marcas de fábrica ou comércio. e em Estocolmo. Neste sentido. No referido campo dos tratados internacionais. A OMPI. Os exemplos mais marcantes desta atuação são o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). pode-se dizer que. em 14 de julho de 1967. em 14 de dezembro de 1900. em linhas gerais. em Lisboa em 31 de outubro de 1958. o nome comercial e as indicações de proveniência ou denominações de origem. bem como a repressão da concorrência desleal. os modelos de utilidade. social e cultural. em 2 de junho de 1911. e estabelecer e estimular medidas apropriadas para promover.Tem como funções principais estimular a proteção da Propriedade Intelectual em todo o mundo mediante a cooperação entre os Estados.

marca ou sinal de propaganda. é possível a qualquer cidadão de país signatário da União reivindicar prioridade de patente ou registro industrial. no Brasil. Sabe-se que é ato original do gênio humano. mas é difícil chegar a seus parâmetros conceituais. etc. anteriormente. A invenção é o único dos quatro bens integrantes da propriedade industrial (invenção. enfim. para a invenção ou modelo de utilidade. devendo conferir igualdade de condições entre as marcas e patentes pátrias e estrangeiras. Já de acordo com o princípio da prioridade. tais como as patentes de importação. mas essa simples característica não a define. de maneira introdutória. ou em 12 meses. contados da apresentação de seu primeiro pedido. sobre os aspectos históricos da propriedade industrial. nos cabe agora. patentes de aperfeiçoamento. em seu país de origem. O Brasil. o início do estudo da propriedade industrial em si.extrativistas e a todos os produtos manufaturados ou naturais. d) entre as patentes de invenção compreendem-se as diversas espécies de patentes industriais admitidas nas legislações dos países da União. por ser este . como o da assimilação e o da prioridade. desenho industrial e marca) que não tem definição legal. modelo de utilidade. e termos feitos alguns esclarecimentos e distinções pertinentes à compreensão do tema. têm também os brasileiros quando desejarem direito de exclusividade sobre sua criação em países estrangeiros signatários da União de Paris. deve obedecer a princípios estabelecidos pela Convenção de Paris. Convém anotar que o mesmo direito que têm os estrangeiros no Brasil. Das patentes Após discorrermos. Patente é o nome que se dá à proteção concedida na exploração de determinada invenção ou modelo utilidade. como país unionista. 6. desde que o faça em 6 meses. à vista de igual concessão obtida. desconhecido de qualquer outra pessoa. Segundo o primeiro. É uma eliminação das fronteiras nacionais para fins de proteção à propriedade industrial. o direito brasileiro não pode adotar legislação protetiva dos nacionais. para o modelo ou desenho industriais. como se houvesse um único sistema global de proteção. Todos sabem intuitivamente do que se trata. fato este plenamente justificável pela extrema dificuldade de se conceituar o instituto. começando pelas patentes e todas as peculiaridades que a envolvem. patentes e certificados de adição.

seu criador deve ter praticado um avanço tecnológico. A lei o define como “objeto de uso prático. que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação” (LPI. sem efeito técnico novo. por não ser algo totalmente novo. arquitetônicas. e os seres vivos naturais. contábeis. 10. a Lei da Propriedade Industrial. por ser esta a simples revelação de uma coisa existente na natureza. d) esquemas. em seu art. 6. envolvendo ato inventivo. artísticas e científicas ou qualquer criação estética e programas de computador (tutelados pelo direito autoral). para serem como tais considerados e protegidos pela concessão do INPI. educativos. Se faltar essa peculiaridade. Uma modificação de forma. publicitários. terapêuticos ou de diagnóstico. devem conter determinados . de Paulo Freire. enquanto aquela consiste na criação de uma coisa até então inexistente. e sim apenas parcialmente. o objeto será uma mera “adição de invenção”. É uma invenção melhorada pelo acréscimo de alguma novidade.um conceito muito abrangente. Requisitos da patenteabilidade Tanto as invenções como os modelos de utilidade. planos. não considera invenção: a) as descobertas e teorias científicas (a teoria da relatividade de Einstein. de Newton da Costa). Por eliminação. ou parte deste. de sorteio e de fiscalização (a pedagogia do oprimido. que tenha uma serventia prática. por exemplo). art. que apresente nova forma ou disposição. Difere também a invenção da descoberta.1. Nesse sentido. Para ser caracterizado o modelo de utilidade. de Isaac Newton). c) concepções puramente abstratas (a lógica heterodoxa. f) apresentação de informações. princípios ou métodos comerciais. técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. reputado pelos especialistas na área como algo engenhoso. preferiu o legislador adotar um critério de exclusão que caracteriza o que não é invenção. b) métodos matemáticos (o cálculo infinitesimal. Já o modelo de utilidade é tido como um aperfeiçoamento da invenção. é exemplo de método educativo). chega-se ao que é. suscetível de aplicação industrial. regras de jogo. chamado por alguns de “pequena invenção”. Em vista disso. Não é uma invenção. financeiros. e) obras literárias. 9º).

seja por que meio for. não terá sido ela a inventora. aguardando publicação. a) Novidade A novidade diz respeito ao desconhecimento do objeto por parte dos cientistas ou pesquisadores especializados.requisitos essenciais. Por outro lado. Estado da técnica é compreendido como todos os conhecimentos acessíveis por qualquer pessoa. em razão de seu esforço próprio. mas ainda não publicada. A doutrina costuma distinguir novidade de originalidade. falta-lhe a característica de novidade. Além dos conhecimentos divulgados. se a divulgação for feita em razão de fraude ou por quem não estava autorizado a fazê-lo. art. b) Atividade inventiva . é o chamado “período de graça”. o estado da técnica compreende também esses conhecimentos ainda não divulgados. como no caso da divulgação feita pelo próprio inventor em congressos ou através de revista acadêmica nos 12 meses anteriores. c) industriabilidade. d) desimpedimento. Da mesma forma. a invenção é nova quando não compreendida no “estado da técnica” (LPI. Como se verá posteriormente. Segundo a lei. e seu pedido é mantido em sigilo durante 180 dias. 11). determinadas formas de divulgação não chegam a comprometer a novidade do invento. a proteção jurídica ao invento ainda é possível. não haverá a proteção do direito industrial. quando um inventor de determinado objeto requisita sua proteção junto ao INPI. Observa-se que em ambos os casos deve haver o limite da divulgação nos 12 meses anteriores. atributo de toda invenção. Desta forma. b) atividade inventiva. se o objeto já houver sido antes concebido e depositado no INPI por outro. São os seguintes: a) novidade. mas que já se encontram devidamente depositados no INPI. o estado da técnica também abrange os descritos em patente depositada anteriormente. por mais original que seja a idéia no espírito de uma pessoa. Se a descrição do objeto já houver sido divulgada antes. até que seja publicado. Todavia. sob o ponto de vista subjetivo. A originalidade diz respeito ao conhecimento por parte de uma pessoa de algo que desconhecia. e desta forma o requerente não pode ser considerado o inventor do objeto.

o estado da técnica e suas decorrências óbvias. O resultado obtido a partir da atividade inventiva é critério preponderante na verificação do non-obviousness. mas também à agricultura. que deve partir de um ato intelectual inventivo assaz arguto. seja porque muito avançadas. ou seja. Essa capacidade deve ser analisada sob um prisma objetivo. Nenhuma patente poderá ser negada em função de critérios subjetivos. ou muito inúteis. a qual corresponde a um verdadeiro engenho do criador. d) Desimpedimento O último requisito para que seja legalmente concedida a patente a alguma invenção ou modelo de utilidade é o seu não-impedimento. etc. à empresa e aos consumidores. c) Industriabilidade O terceiro requisito é a possibilidade de utilização ou produção do invento. por razões . por qualquer tipo de indústria (LPI. prestação de serviços. O que está em questão não é a impossibilidade de produção em larga escala. em termos econômicos. A inventividade é preceito básico do direito industrial em diversos países e deriva do direito norte-americano (non-obviousness). construção civil. a descrição submetida à análise e. Em verdade. pecuária. A invenção não pode decorrer do estado da técnica de um modo óbvio. das qualidades apresentadas pela pessoa do inventor. para um especialista. Relaciona-se a atividade produtiva. de outro. e sim o impedimento relacionado à inexistência dos conhecimentos técnicos indispensáveis à fabricação do invento. exaure-se na comparação entre. Criações sem qualquer utilidade para o homem também não atendem aos requisitos de patenteabilidade.O segundo requisito para a concessão de invenção ou modelo de utilidade é a atividade inventiva. ela não será protegia pelo direito industrial caso não represente algum proveito para o homem. Por mais curiosa ou intelectualmente instigante que seja uma invenção. não se restringe a mera transformação de matéria-prima em mercadorias (noção estrita de atividade industrial). A lei proíbe. de um lado. a intenção do legislador ao requerer aplicação prática da invenção foi afastar a possibilidade de concessão de patentes a invenções que ainda não podem ser fabricadas. art. ou seja. 15). isto é. pois exames analisam os frutos proporcionados.

O parágrafo único do referido artigo. antes de ser esta deferida. deve requerer pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial. O art. o INPI. 18 da Lei da Propriedade Industrial diz que não são patenteáveis: I – o que for contrário à moral. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação quando resultantes de transformação do núcleo atômico. e III – o todo ou parte dos seres vivos. II – as substâncias. mas sim a valores sociais vigentes. O ato administrativo é sempre constitutivo de direito industrial. a patenteabilidade de determinadas invenções ou modelos. Este consiste na observância de todos os requisitos fundamentais para a concessão. Enquanto o registro de desenho industrial se submete ao sistema de livre-concessão. atividade inventiva. e pode ser posteriormente . e aplicação industrial – desde que não seja mera descoberta. exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade – novidade. aos bons costumes e à segurança. define os microorganismos transgênicos como aqueles que “expressem. Essa restrição é prevista não em atenção a qualidades intrínsecas do invento. para evitar confusões conceituais na aplicação do dispositivo. uma característica normalmente não alcançável pela espécie em condições naturais”. 6. elementos ou produtos de qualquer espécie. o registro de patentes e marcas fica sujeito ao regime do exame prévio.2. relacionados a preceitos de ética científica. misturas. matérias. à ordem e à saúde públicas. Do pedido de patente O criador de determinado invento ou modelo de utilidade que deseja ter direitos exclusivos sobre sua obra. O direito industrial brasileiro adota um sistema misto na tramitação dos pedidos de exclusividade sobre determinada coisa.de ordem técnica ou de atendimento ao interesse público. mediante intervenção humana direta em sua composição genética.

no INPI. exame e decisão. No vencimento do prazo. O processo administrativo no INPI segue tramitação que compreende quatro fases: depósito. Já a publicação é o ato que dá aos interessados a notícia da existência do pedido de concessão de direito industrial. III – reivindicações. Depois de depositado. Caberá ao titular do depósito da patente – e só a ele – zelar para que terceiros não se utilizem indevidamente de sua criação industrial. V – resumo. e VI – comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito. publicação. Ele assinala a anterioridade do pedido. qualquer pessoa terá acesso a esses avanços e poderá deles se utilizar. Através dele. O segredo de empresa. o que pode vir a causar prejuízos no mercado para o empresário criador. 30). se for o caso. II – relatório descritivo. todos os profissionais e estudiosos da área têm conhecimento do invento. e sua usurpação gera responsabilidade civil e penal. pressuposto para a patente. tornase vantajoso em muitos casos.discutido judicialmente por interessados se houve regularidade na concessão ou não por parte da autoridade administrativa. inclusive o da duração da patente. pelo prazo de 18 meses. Segundo o art. para defender seus interesses. a contar do depósito (LPI. 19 da LPI. mas gera uma série de efeitos complexos. o pedido de patente será mantido em segredo. desta forma. salvo no caso de patente de interesse da defesa . o pedido deve conter: I – requerimento. É fato indispensável para a concessão do direito industrial. em observância á disciplina jurídica da concorrência. impedindo que outro patenteie posteriormente objeto idêntico e também dá início á contagem de importantes prazos. o que pode levá-los a fazer reivindicações. A obrigatoriedade da publicação é a causa principal da preferência de empresários em manter em segredo de empresa os avanços tecnológicos que sua empresa venha a alcançar. O depósito diz respeito ao protocolo do pedido. Uma vez tornada pública o depósito de patente. IV – desenhos. será feita a publicação. art.

confere direitos de propriedade ao seu titular. Dos direitos sobre a patente e das licenças A patente. qualquer pessoa pode apresentar ao INPI o pedido de exame. seja para contribuir com a outorga do direito industrial (no caso de um outro empresário interessado na futura exploração da invenção. uma vez concedida. possa produzir. mediante licença). art. a extensão da proteção conferida pela patente será determinada pelo teor das reivindicações. 6. seja para demonstrar eventual desatendimento aos pressupostos fundamentais (por exemplo. colocar à venda ou importar com estes propósitos: I – produto objeto da patente. que tramita totalmente em sigilo (LPI. se for do seu interesse. interpretado com base no relatório descritivo e nos desenhos. e não obrigação.nacional.3. Vale dizer. nos 36 meses subseqüentes à data do depósito. no caso de o pedido colidir com outra patente. Diz o § 2ª do referido artigo que “ocorrerá violação de direito da patente de processo. anteriormente depositada ou concedida). solicitar a antecipação da publicação. a que se . ao requerente é expedida a carta-patente. sem o seu consentimento. único documento comprobatório da existência do direito industrial sobre a invenção ou modelo de utilidade. em atenção ao regime de exame prévio para a concessão de patentes no Brasil. Assim. II – processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. e consiste esta na análise das condições de patenteabilidade. Diz o artigo 42 da LPI que a patente confere a seu titular o direito de impedir que terceiro. 75) O requerente pode também. usar. que garante exclusividade em sua exploração e poder de exigência de sanção a quem transigi-lo. A fase do exame é a terceira no processo de tramitação do pedido no INPI. Ao titular da patente é assegurado ainda o direito de impedir que terceiros contribuam para que outros pratiquem os atos mencionados no artigo 42. Se deferido o pedido. Além do inventor-depositante. já que este prazo de sigilo é direito disponível do criador. qualquer interessado pode apresentar à autarquia os elementos que possuírem.

. como.refere o inciso II. ficando a cargo daquele o ônus de provar alguma das situações acima citadas que justificam o pedido de licença. há casos em que a lei obriga o titular da patente a licenciar o seu uso em favor de terceiros. mediante determinação judicial específica. também através do INPI. concedida pelo titular da patente. que deve ser averbada no INPI. Normalmente. O art. 43 enumera exceções a esse direito exclusivo. ou quando já vinha sendo utilizado anteriormente por alguma atividade econômica organizada. Mesmo outorgada pelo INPI. a cobrança de preços excessivos. a licença é ato voluntário. e a intransigência do titular da dependida em negociar a licença. que pode ser total ou parcial. e) dependência de uma patente em relação a outra. Este direito pode ser também cedido ou licenciado. São os seguintes: a) exercício abusivo do direito. sob pena de cassação dessa caso não o faça. quando o uso da patente não tiver finalidade econômica. No entanto. quando o possuidor ou proprietário não comprovar. se demonstrada a superioridade da patente dependente. Avulta nesse caso o princípio da conservação da empresa. Por meio dessa licença. c) falta de exploração integral do invento ou modelo no Brasil. d) comercialização insatisfatória para atendimento das necessidades do mercado. b) abuso do poder econômico. A cessão do direito industrial é o contrato de transferência da propriedade industrial. que o seu produto foi obtido por processo de fabricação diverso daquele protegido pela patente”. declarado por ato do Poder Executivo Federal. como prescreve a lei. por exemplo. O interessado pode requerer ao INPI a licença compulsória depois de 3 anos de concedida a patente a seu titular. esta licença é remunerada. ficando obrigado o licenciado a utilizar seu direito em até um ano. Já a outorga de licença de uso é a forma indireta de exploração do direito industrial. f) emergência nacional ou interesse público. em que a patente é usada para domínio de mercado. quando viável economicamente a exploração. plenamente compatibilizável com a proteção liberada em favor das criações industriais. Sua disciplina jurídica é amparada nas normas atinentes à cessão de direitos do Código Civil brasileiro. o titular autoriza terceiro a utilizar seu invento ou modelo de utilidade. um acordo entre o licenciador e o licenciado. sem deixar de deter a propriedade industrial.

217). por diversas razões. A caducidade do direito é fator extintivo decorrente do abuso ou desuso no exercício do direito industrial. ou 10 da concessão. se as irregularidades praticadas pelo titular da patente persistirem. ou 7. contados da concessão deste. Extinto. Depois de extinta a patente. se o titular explora sua patente de modo inadequado. por via administrativa ou judicial.4. ou não a explora no prazo de 3 anos. Outras hipóteses de extinção da patente são a renúncia ao direito – ato unilateral do titular – ou a falta de representante legal no Brasil. qualquer interessado poder requerer a licença compulsória. em qualquer caso. por qualquer motivo. o que ocorrer por último. O titular pode requerer seu direito novamente. art. podendo o juiz determinar a suspensão dos efeitos da patente ou registro. em até 3 meses. admite ainda a lei a possibilidade de sua restauração. o respectivo objeto cai em domínio público. . pode ser extinto. será ela declarada extinta. enquanto a que objetivar a nulidade do registro será ajuizada no prazo de cinco anos.6. contados do recebimento da notificação do arquivamento do pedido ou da extinção da patente. mediante o pagamento da retribuição específica. também o que ocorrer por último. quando domiciliado ou sediado no exterior o titular da patente ou do registro (LPI. contados da data do depósito. quando não houver sido concedida em observância às exigências legais. cabe ao INPI ou a qualquer pessoa com legítimo interesse. da extinção e da restauração da patente Embora não caiba recurso da concessão de patente ou registro. resguardado o direito de defesa. A nulidade administrativa pode dar-se no prazo de seis meses da concessão da patente ou registro. Assim. a partir do depósito. Estes prazos são improrrogáveis e extinguem a patente ao seu término. a lei prevê a sua nulidade. Da nulidade. Decorridos mais dois anos. o direito industrial. embora não nulo. Quanto à nulidade judicial. enquanto modelo de utilidade dura 15 anos. A patente de invenção dura 20 anos. A iniciativa da ação. O direito industrial. após a concessão. a ação que tiver por objeto a concessão de patente pode ser proposta a todo tempo da vigência desta.

b) nãocolidência com marca notória. uma distribuição uniforme. como a que informa ser o produto ou serviço fornecido por empresário filiado a certa entidade. não precisa ser criada pelo empresário. sem assegurar a persistência destes. como sendo a usada para os individuar.7. determinado e reproduzível. Por esta razão. O artigo 123 distingue as marcas em três tipos. podendo afetar essa individualização ou singularização a diferentes fatores. de origem diversa. em princípio. como dispõem os arts. em relação aos . a) Novidade relativa A marca não precisa representar uma novidade absoluta. c) desimpedimento. a) marca de produto ou serviço. apenas no segmento de atividade econômica explorada pelo titular da marca. ou de serviços prestados. na realidade. a presença de uma marca em alguns produtos ou serviços somente significa que todos eles têm algo em comum que pode ser tanto uma fabricação única. pelo que. um idêntico estímulo publicitário. A marca juridicamente considerada não exerce outra função que a de individualizar em um ou outro aspecto produtos ou serviços. a marca é protegida. uma determinada característica física. como a que atesta a conformidade de produto ou serviço a normas ou especificações técnicas. porém. 7. 122 e 123 da Lei da Propriedade Industrial. Do registro de marcas Define-se a marca como todo sinal distintivo. inclusive. etc. usado com certa constância pelas empresas em relação a certos produtos concretos ou serviços oferecidos ao mercado. distinguindo-os de outros idênticos. Requisitos da registrabilidade de marca O registro de marca está sujeito a três condições: a) novidade relativa. O que deve ser nova é a utilização daquele signo na identificação de produtos industrializados ou comercializados.1. uma matéria prima coincidente. semelhantes ou afins. b) marca de certificação. para individualizar-lhes e tornar possível sua seleção com base em uma motivação qualquer. ou seja. c) marca coletiva. uma qualidade controlada.

etc. mas não a sua utilização na identificação de produtos ou serviços. O titular de marca. se a lei do país o permitir. Por exemplo. que não depende de registro no INPI. Se deferido o pedido. se alguém pretender apropriarse de marca que evidentemente não lhe pertence. c) Desimpedimento A lei impede – como o faz em relação às patentes – o registro. ou o nome civil. 125). mesmo os dedicados a atividade econômica diversa. ficando impedida a sua utilização por qualquer outro empresário. mesmo que não exista registro anterior da marca no Brasil. Cumpre anotar que o impedimento legal obsta o registro do signo como marca. quer a pedido do interessado. não pode o signo correspondente enquadrar-se nos impedimentos legais. de determinados signos. O mesmo sucederá quando a parte essencial da marca constitui reprodução de marca notoriamente conhecida ou imitação suscetível de estabelecer confusão com esta”. Este princípio da especifidade da marca de acordo com sua classe encontra uma única exceção nas marcas de alto renome. pode requerer ao INPI que lhe atribua a qualidade de “alto renome”. O art. 6º bis da Convenção da União de Paris diz: “os países da União comprometem-se a recusar ou invalidar o registro. as armas oficiais do Estado. b) Não-colidência com marca notória O segundo requisito para o registro de marca é a não colidência com marca notória. Assim. o seu pedido poderá ser indeferido pelo INPI. suscetíveis de estabelecer confusão. terá esta marca proteção absoluta. imitação ou tradução. registrada em uma ou mais classes. quer administrativamente. O impedimento diz respeito apenas à proibição do exercício de direito de exclusividade sobre a marca.produtos ou serviços com os quais o identificado por ela pode eventualmente ser confundido pelos consumidores. art. salvo autorização pelo seu titular. . passíveis de proteção extensiva a todos os ramos de atividade (LPI. de uma marca que a autoridade competente do país do registro ou do uso considere que nele é notoriamente conhecida como sendo já marca de uma pessoa amparada pela presente Convenção e utilizada para produtos idênticos ou similares. Para ser registrado como marca. como marca. e a proibir o uso de marca de fábrica ou de comércio que constitua reprodução.

pode ele se opor que um terceiro. nos 60 dias seguintes. faça uso da marca. salvo estipulação em contrário. Este contrato de licença é limitado no tempo e pode ser limitado no território. observa-se se este está convenientemente instruído. continua tendo o direito de explorá-la pessoalmente. e o seu uso não autorizado caracteriza a contrafação.2. 155).3. é feita a publicação da marca. no entanto. art. O titular da marca. desde que o pedido seja retificado no prazo de até 5 dias. é lícita a emissão de um recibo por parte do órgão que garante o depósito. o INPI. Se não houver nenhum fato impeditivo. este uso do sinal exclusivo não enseja punição. o . oponível a todos. Ou seja. A proteção legal abrange o uso da marca em papéis. um direito de natureza real. sobre todo o território nacional. 7. no que se refere ao sinal depositado. Ressalva-se aqui a prioridade a pedidos de países unionistas no Brasil. analisa as condições de registrabilidade e decide se concede ou nega o registro da marca. já que foi ao titular concedido direito exclusivo sobre ela. responsabilizando-se o infrator penal e civilmente pela ilicitude. Ademais. Se a instrução estiver incompleta. de licença exclusiva. permitindo o uso por terceiros. o que o diferencia do contrato de cessão de marcas. que tem direito de registrar a sua marca em até 6 meses depois do primeiro pedido. Cumpre fazer uma ressalva quanto à simples reprodução de uma marca em obra artística: por não ter conotação econômica e social. para então ser efetuado o depósito (LPI. Do pedido de registro de marca Quando efetuado o pedido de registro de marca junto ao INPI. Da exploração da marca A marca confere ao seu titular.7. propaganda e documentos relativos à atividade do titular. impressos. pode o titular da marca licenciá-la. mediante remuneração ou a título gratuito. sem o seu consentimento. Em seguida ao depósito. Em se tratando. podendo qualquer interessado. apresentar oposição.

já que não deixa o objeto mais útil. apenas o reveste de um aspecto diferente.licenciante só pode continuar a explorar sua marca se houver cláusula expressa nesse sentido. extinção da personalidade do titular da marca. 95). deixando assim de ter finalidade. 8. . quando deixar de haver correlação entre ela e seu objeto. analisado tão-somente a validade do registro impugnado. O direito de demandar a nulidade preclui em cinco anos. como o de explorar a marca. Do registro de desenhos industriais O desenho industrial é definido na lei como “a forma plástica de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto. Da nulidade e da extinção da marca É nulo o registro quando estiver em desacordo com as disposições previstas pela lei para a registrabilidade de marca. II – renúncia em relação aos produtos ou serviços assinados pela marca. pode ter uma função industrial. Pode ser também extinta a marca pelas seguintes razões: I – expiração do prazo de vigência de 10 anos. Nos processos de nulidade tem intervenção o Instituto Nacional da Propriedade Industrial. quando não houver sido renovado. e o contrato pode ser resilido. falta de uso da marca durante período superior a cinco anos consecutivos (salvo desuso justificado) ou ausência de procurador domiciliado no Brasil. enquanto aquele. III – caducidade por falta de pagamento das retribuições. 7. art. o contrato também impõe deveres ao licenciado. O inadimplemento dessa obrigação pode gerar prejuízos ao titular. proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial” (LPI. Além de gerar obrigações ao licenciante. Pode-se dizer que tem como característica a futilidade. sem qualquer função prática.4. apesar de não aumentar a utilidade do objeto. quando for o titular domiciliado no exterior. A diferença do desenho industrial para a obra de arte – haja vista que ambos tem um caráter fútil – reside no fato de que esta é meramente artística. que tomará decisões apenas pró ou contra o demandado. vontade do interessado.

Do pedido de registrabilidade de desenho industrial O pedido de registro de desenho industrial. ou atente contra a liberdade de consciência. Requisitos da registrabilidade de desenhos industriais a) Novidade Assim como se dá com a invenção e o modelo de utilidade. culto religioso. desconhecido dos técnicos do setor. for demonstrado o desatendimento dos requisitos da registrabilidade. concede o depósito.8. para merecer a proteção do direito industrial. c) Desimpedimento Assim como no caso das marcas e patentes. na falta delas.2. vulgar ou determinada essencialmente por considerações técnicas e funcionais. a honra ou imagem de pessoas. A autarquia checa apenas as razões de impedimento e. a lei restringe algumas circunstâncias em que não pode ser concebido o direito sobre desenho industrial. crença. com a concomitante expedição do certificado. diferente de outros objetos. c) apresenta forma necessária.1. 8. A forma criada pelo desenhista deve. Enquanto a novidade é uma questão técnica. a originalidade é estética. Se. ou combinada de maneira original com outros elementos já conhecidos. como já falado acima. . comum. o INPI instaura de ofício o processo de nulidade do registro concedido. em momento posterior. é considerado novo o desenho industrial quando não compreendido no estado da técnica. ou contra idéias ou sentimentos dignos de respeito e veneração. b) ofende a moral e os bons costumes. ou seja. propiciar um resultado visual inédito. tem a sua tramitação disciplinada pelo regime de livre concessão. que será seguido imediatamente da publicação do feito. independe de verificação pelo INPI da sua novidade e originalidade. Não pode ser registrado o desenho que: a) tem natureza puramente artística. b) Originalidade Deve ter o desenho uma configuração própria.

é exatamente análoga aos procedimentos que habilitam tal desiderato em relação às invenções e modelos de utilidade. Dos direitos sobre o desenho industrial O registro. 94 a 98 da LPI. A ação de nulidade. Já a extinção do direito industrial sobre o desenho pode se dar de quatro maneiras. fica resguardado o direito de exclusividade ao titular do registro. quando não houver mais interesse.4. Há. sob pena de preclusão. d) não constituição e manutenção do procurador devidamente qualificado e domiciliado no Brasil pelo depositante domiciliado no exterior. Da nulidade e da extinção do registro industrial O registro de desenho industrial será declarado nulo se infringir o disposto nos arts. se não obedecer aos requisitos da existência do direito industrial. Decorrido esse tempo. cabendo ação civil e penal contra quem lesá-lo. desde que não prejudique direito de terceiros. O principal benefício no plano da proteção é a segurança de quem explorava o objeto ou registro antes do depósito ou da prioridade do pedido. prazo decadencial de cinco anos contados da concessão do registro para intentá-la. 8. Como se viu. b) renúncia pelo titular do registro.3. e é renovável por três períodos sucessivos de cinco anos cada. de continuar essa atividade. extingue-se o direito e o desenho industrial pode ser explorado livremente por qualquer um. sem ônus e na forma e condições anteriores. 9. no caso de tratar-se de registro de desenhos industriais. vigorará pelo prazo de 10 anos a partir do depósito.8. 119 da Lei de Propriedade Industrial: a) expiração do prazo de vigência. este prazo é de 10 anos contado da data do depósito. Salvo esse caso específico. c) falta de pagamento das taxas anuais. enumeradas no art. uma vez obtido. porém. prorrogável por mais três períodos sucessivos de cinco anos cada. Das indicações geográficas . ou seja.

o nome poderá servir de elemento característico de marca para produto ou serviço. 182 da LPI. contra as marcas. exportação. Indicação de procedência é o nome geográfico de país. A proteção estender-se-á à representação gráfica figurativa da indicação geográfica. região ou localidade de seu território. que se tenha tornado conhecido como o centro de extração. Dos crimes contra a propriedade industrial e a concorrência desleal A Lei de Propriedade Industrial tem capítulo específico referente às infrações penais decorrentes do uso indevido de direito industrial alheio. em que tipifica diversos delitos contra as patentes. estas normas penais . cidade. importação ou fornecimento ilegal de produtos protegidos pelo direito industrial – elaboradas com o intuito de esgotar as possibilidades delituais. Se não for indicação geográfica. em relação às denominações de origem. . Já a denominação de origem é o nome geográfico de país. desde que este não tenha se tornado de uso comum para designar produto ou serviço.caracterizadas principalmente pela repreensão à fabricação. o atendimento de requisitos de qualidade. salvo caso de induzimento à falsa procedência.Indicação geográfica corresponde à associação de um determinado local a determinado produto. cidade. devido a características de qualidade e de originalidade devidas ao meio geográfico natural e ao meio humano. produção ou fabricação de determinado produto ou prestação de determinado serviço. o uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local. o que leva a pensar que a subsunção perfeita de um fato a alguma regra ali estabelecida constitui verdadeira utopia no cenário mercantil brasileiro. contra as indicações geográficas e demais indicações. incluídos fatores naturais e humanos. que distingue o produto ou serviço. No entanto. região ou localidade de seu território. ainda. acabaram tornando-se eivadas de prolixidade e inócuas. exigindo-se. contra os desenhos industriais. bem como ao seu nome. 10. cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. Segundo prescreve o art. O termo constitui gênero do qual são espécies a indicação de procedência e a denominação de origem.

do crime de concorrência desleal. A livre concorrência. aprimoram o . em seu art. A livre concorrência é princípio básico das relações comerciais no mundo todo há tempos. no que tange à propriedade industrial. passando pela sua proteção no âmbito internacional. Apesar de imperfeito e ainda lacunoso. regulando matéria há muito controvertida na seara jurídica da proteção a bens empresariais incorpóreos. modelos de utilidade. O Brasil tem se preocupado com a matéria desde tempos remotos e ainda hoje o faz. O direito industrial evoluiu no sentido de satisfazer essa necessidade social e proteger as invenções. cada vez mais evoluídas em um cenário onde a forte concorrência tem marcado presença marcante. quando dela conseguiu auferir lucros e proveitos próprios. Conclusão Procurou-se nessas linhas acima redigidas delinear a propriedade industrial no direito brasileiro. não é absoluta. e enumerou no referido artigo 195 diversas situações em que os limites da concorrência seriam excedidos. 11. evitando que outros parasitassem idéias alheias e assim pudessem causar danos a quem deveria obter apenas benefícios em razão de sua criação. percebeu também a urgente necessidade de estabelecer formas de proteção à obra de cada um. 195. A LPI procurou proteger esses direitos. a LPI também trata. A criatividade é inerente ao homem. Esta lei. como reflete a nova Lei da Propriedade Industrial. partindo-se de seus preceitos históricos. e encontra barreira nos preceitos que guarnecem e protegem os outros comerciantes. até chegar à disciplina jurídica pátria sobre o tema. 9. o que a tornaria desleal. como toda liberdade. A concessão de marcas e patentes é fundamental para o sucesso das operações mercantis.Além dos crimes contra a propriedade industrial. a nova Lei da Propriedade Industrial. o diploma legal sobre a propriedade industrial tem função importantíssima. desenhos industriais e as marcas criadas pelos indivíduos. mas se apercebeu o Direito de que essa liberdade irrestrita poderia resultar em abusos e danos à sociedade. que. associada a outras que vêm surgindo. como a que trata da franquia de marcas.279/1996. que passaram a ter segurança jurídica e confiança do nãoprejuízo em suas relações comerciais. consagrada na Lei n.

1996. Curso de direito comercial. 1997. Rubens. MUJALLI. Irineu. Rio de Janeiro: Forense Universitária. São Paulo: Saraiva. Bibliografia COELHO.direito brasileiro. de 14 de maio de 1996. STRENGER. São Paulo: Editora de Direito. 12. São Paulo: Saraiva. 1998. São Paulo: Saraiva. A propriedade industrial. Nova lei de patentes. 9.1. 1999. São Paulo: Saraiva. Curso de direito comercial. 19 ed. . que continua em busca constante do melhor atendimento possível às necessidades da sociedade. Fábio Ulhôa. COELHO. Direito empresarial: estudos e pareceres. São Paulo: LEJUS. v. LOUREIRO. Walter Brasil.279. Luiz Guilherme de A. conforme sua evolução no tempo. V. 2 ed. Fábio Ulhôa. 1997. 1999. Marcas e patentes: análise sucinta da Lei n. REQUIÃO. Fábio Konder. A lei de propriedade industrial comentada. Manual de direito comercial. 2007. COMPARATO.

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