Você está na página 1de 4

Lucas Maia

POEMAPOEMAPOEMAPOEMA POLÍTICOPOLÍTICOPOLÍTICOPOLÍTICO

POEMAPOEMAPOEMAPOEMA POLÍTICOPOLÍTICOPOLÍTICOPOLÍTICO EdiçõesEdiçõesEdiçõesEdições
POEMAPOEMAPOEMAPOEMA POLÍTICOPOLÍTICOPOLÍTICOPOLÍTICO EdiçõesEdiçõesEdiçõesEdições

EdiçõesEdiçõesEdiçõesEdições AAutogAAutogutogeutogeestionáriasestionáriasstionáriasstionárias

2011, Lucas Maia.

Capa: Lucas Maia

Diagramação: Lucas Maia

1ª edição

(2011)

Todos os direitos liberados. Esta edição pode ser reproduzida em partes ou no todo Desde que se cite a fonte. Copie o quanto quiser. Pirataria é LEGAL.

Maia, Lucas

POEMA POLÍTICO. Lucas Maia. Aparecida de Goiânia, GO:

/Edições Autogestionárias, 2011.p.

ISBN blá-blá-blei-+-blow

1.literatura brasileira. 2. Poesia. 3. Autogestão Social.

e-mail para contato: maiaslucas@yahoo.com.br

Car@ Leit@r, Em um mundo fracionado em classes sociais, onde interesses, concepções, valores, mentalidade, práticas culturais etc. conflitam de acordo com a posição de classe dos indivíduos e grupos sociais, o poeta não pode se isentar de manifestar claramente de que lado está. Não se trata, todavia, de mero maniqueísmo. Deixemos isto para os fundamentalistas da religião, da economia e da política. O processo aqui é completamente outro. Contudo, se defender a libertação da humanidade inteira, se lutar pelo fim da exploração de bilhões em detrimento do ócio de alguns, se desejar e agir em direção à afirmação da felicidade generalizada em detrimento da depressão e da doença total for maniqueísmo, afirmo com todas as palavras: “sou maniqueísta”.

A impossibilidade de pairar sobre os conflitos sociais já foi demonstrada de inúmeras formas, por vários pesquisadores das ciências, das artes, da filosofia etc. Entretanto, esta miséria intelectual persiste em existir. Em que pese haja inúmeras pesquisas demonstrando não só a impossibilidade disto, mas a sua própria inutilidade, este farrapo continua batendo ponto. Nosso Poema Político quer ser um contraponto a esta ideologia. Pretendemos demonstrar que o discurso poético é um pequeno fragmento, uma região insular das

A poesia, como a arte em geral, é

somente uma pequena demonstração de quão bela pode ser a existência humana. Nada mais, nada menos que isto. Como disseram Marx e Engels em A Sagrada Família: “Idéias nunca podem levar além de um antigo estado de coisas. Apenas podem levar além das idéias do antigo estado de coisas. De resto, idéias nada podem realizar. Para a realização das idéias são necessários homens que ponham em jogo uma força prática”. A poesia que almeja a transformação, que se intromete nos epicentros das lutas sociais nada pode, em absoluto, realizar. Como é sabido, as idéias não mudam o mundo, a arte não pode ela também mudar o mundo. Só haverá uma humanidade realizada quando os homens concretos, envolvidos nos processos de produção e reprodução material da vida se empenharem em realizar o projeto autogestionário. Agora, boas idéias com boas mãos para realizá-las encurtam um pouco os dramas da história. Aí reside a importância da poesia autogestionária. Coloca boas idéias para os homens que enfrentarão as batalhas épicas da libertação humana! Disto, nenhum poeta consciente pode se livrar. É, no final das contas, a melhor coisa que podemos fazer.

Este Poema Político não pretende ser um programa de ação política. Acredito que estes devem ser inventados na luta viva. Objetiva unicamente apresentar a todo descontente deste mundo a necessidade de superação do atual estado de coisas. Não sou nenhum dogmático defensor de formas cristalizadas; muito menos faço coro aos relativistas, que defendem a validade de todas as afirmações. Se me faço entender, minha poesia é aquela consoante aos interesses do proletariado e todos os grupos oprimidos que se levantam e questionam na prática o status quo. Nem um verso a mais, nem uma estrofe a menos. Lucas Maia Aparecida de Goiânia, 27 de junho de 2011

capacidades humanas de manifestar, criticar, protestar

Pensais sobre isto

“Quando a idéia voa alto demais, julgando que não pertence mais ao chão, podes crer, a queda é por demais dolorosa”.

“A fala que não tem raiz no coração, é somente um grito-mudo”.

“Querem nos fazer acreditar que só há duas alternativas: morrer de trabalho ou apagar-se no tédio. Da vida que brota em cada coração que resiste, nos querem convencer ser mera ilusão”.

“Pobre aquele cujas fronteiras do horizonte são inalcançáveis”.

“Não quero nada menos que mudar todo o mundo. Também, não quero nada mais que a verdadeira liberdade”.

“Quando o sexo for acompanhado por uma grande revolução social, a humanidade terá o maior orgasmo da história”.

“Livros são para serem lidos e não vendidos”.

“Quando a vida torna-se um momento do processo burocrático, é por que a morte já está em toda parte”.

“Entre otimismo e realismo, fico com o marxismo, que incorpora e supera as duas coisas”.

Contra–a–corrente

Quem é menos lunático? Aquele que se conforma em morrer todos os dias Ou aquele que luta para viver pelo menos uma vez? Quem é mais realista? Aquele que nada com a correnteza em direção ao abismo Ou aquele que resiste e se agarra nos últimos ciprestes? Quem é mais otimista? Aquele que acredita que teremos um outro mundo, sem revolucioná-lo, Ou aquele que nega toda esta merda? A coisa mais sensata a se fazer, sem sombra de dúvidas,

LUTAR!!!

É nadar, nadar

O oprimido

Dentro da fábrica, a máquina Mata-te um pouco a cada dia. Pelos campos, a terra engole O pouco do que sobrastes de ti. Humilham-te e segregam-te Somente por teres a pele negra. Discriminam-te e o expulsam Simplesmente por seres indígena. Por seres de uma etnia minoritária Tiram-lhe a vida em vosso próprio território. Por seres sem-teto, dão-lhe Um viaduto por abrigo e a polícia quando te levantas. Só por que és sem-terra, dão-lhe A fome, o desprezo e a repressão.

Mas o que devo, então, fazer?

Não existe, Meu Caro, para esta pergunta, a fórmula definitiva. Somente vós podeis encontrar o caminho.

A primavera há, ainda, de florir o mundo todo e vós sois o jardineiro.

Inexorabilidade

Sempre nos quiseram convencer de nossa incapacidade. Sempre nos fizeram crer de nossa ignorância. Sempre nos falam de nossa fraqueza.

Nos julgam desorganizados, lactentes, mendicantes. Mas há um erro congênito em tudo isto

Do calo da mão miserável, Do tormento da mente dolorida, Da massa amorfa e aflita Existe a virtualidade do futuro: a possibilidade. Pois, o novo nunca deixa de nascer, a semente sempre há de germinar, o broto tende inexoravelmente a crescer, o botão realiza-se na bela flor.

Por mais que a noite escureça temporariamente o horizonte, O sol teima em sempre e sempre de novo nascer.

O estado

O que é, afinal, este gigante de pés de barro? O representante universal da humanidade? A expressão dos interesses comuns da comunidade? O amante da lei e da ordem?

Não! Mil vezes não!!!!

É um clube de recreio das classes ociosas. É a representação comum dos espoliadores. É o soldado defensor da ordem existente.

Mas não seria ele algo profundamente necessário? Como viveríamos, então?

O estado é tão necessário, quanto é Necessário um parasita. Vive de seu sangue e ao se fortalecer, Desenvolve as forças que um dia te aniquilarão.

Não existe para os problemas da vida A fórmula mágica, a pedra filosofal. A organização necessária Terá ainda que ser encontrada. Melhor dizendo, terá que ser construída.

Mas para isto, de uma coisa tenho certeza, A vida terá que ser recriada, Teremos que construir outra via. Nesta nova existência reconstruída, Criaremos finalmente a forma política, Que expressará a vida dos produtores Livremente associados.

O estado e seu fim

Desde que houve exploradores, houve estado. Acabemos com os exploradores, terá fim o estado?

O partido

Modelo concreto Da alienação política das massas. Só é forte, na verdade, Quando os oprimidos são simplesmente massa. Vive soberbamente Nas entranhas de sua razão de existência: o estado. Tanto faz o lado Esquerda, direita ou centro,

O partido

Ama o dinheiro, o poder, a hierarquia. Seja comunista, nazista, democrático, socialista, trabalhador ou trabalhista

O partido é sempre, embora nunca o diga, o bastião, a última trincheira da classe

capitalista.

Por que não existe um PC: Partido Capitalista? Um PE: Partido dos Exploradores? Um PB: Partido dos Burgueses? Um PBP: Partido da Burguesia no Poder? Um PUBB: Partido da Unificação Burguesa Burocrática? Pensais sobre isto

O

nome do partido sempre esconde aquilo que ele é.

O Sindicato

Alguém já disse certa vez:

“os sindicatos são os parlamentos do trabalho”. Há presidentes, secretários, eleições, eleitores

É um microcosmo esfarrapado da política burguesa.

Isto, entretanto, não é tudo. Como verdadeiros líderes políticos das classes trabalhadoras, Deixam de ser, na mesma medida, trabalhadores. Seu trabalho consiste em representar as classes laboriosas De trabalhador a sindicalista, ou seja, De operário a burocrata!!! Se há ainda alguma esperança para o sindicato, esta reside do lado do patronato,

Pois o sindicato é o mecanismo mais eficaz de controlar toda a ação livre e espontânea das massas em luta. O caminho da liberdade não passa pelo interior destas grutas burocráticas!!! Nem sindicato, nem partido, nem estado.

O que nos resta então?

Auto-organização

Não há verdadeira luta política sem organização política. Negar as velhas e obsoletas organizações tradicionais É tão-somente o ponto de partida, as práticas originais Com as quais tiraremos a humanidade da era paleolítica.

Nem estado, nem partido, nem sindicato

Todas organizações altamente hierarquizadas

O que implica em práticas políticas secularizadas

Formas reprodutivas deste mundo insensato.

Criemos então, no processo de luta, outras possíveis vias. Critiquemos na ação política todas as burocracias, Inventemos organismos autenticamente revolucionários,

Que não criem novas camadas parasitárias e ociosas. Construamos, portanto, nas práticas épicas litigiosas As instituições libertadoras: os Conselhos Operários.

Autogestão Social

Finalmente, o “fim da pré-história humana”!!! Realização plena de seres humanos realizados, O fim da mistificação de toda a vida cotidiana, O controle da existência, por meios coletivizados.

As fábricas, os campos, as minas e oficinas, Tudo nas mãos dos produtores diretos,

O fim dos exploradores e sua vida de ruínas,

A afirmação humana plena, dita em todos os dialetos.

A instauração de um novo princípio na humanidade:

Nada mais de competição e toda esta insalubridade, Somente homens e mulheres conscientemente ativos

Construindo e reconstruindo toda uma nova existência, Da produção do pão à forma mais sublime da consciência Enfim, a realização da história dos homens imaginativos.