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Uroanálise livro

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Published by: Natália Gabriele Hösch on Jun 17, 2012
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Conforme mencionado, no início desse capítulo, as estruturas do sedimento urinário
podem pertencer ao que denominamos de organizado (biológico) ou inorganizado (químico).
O sedimento organizado inclui células epiteliais escamosas (uretra), células de epitélio de
transição (bexiga e ureter), células de epitélio tubular renal (túbulos contornados
proximais,distais, alça de Henle), leucócitos, hemácias, bactérias, cilindros (com ou sem
inclusões), leveduras, gotículas de gordura, espermatozóides e parasitas ou ovos de parasitas.
Alterações quantitativas de estruturas biológicas normalmente encontradas no sedimento
urinário e a presença de estruturas biológicas não encontradas normalmente no sedimento
urinário constituem os marcadores mais importantes de patologias do trato urinário. Entre as
estruturas químicas, algumas podem ser observadas no sedimento urinário, sem contudo
indicarem a ocorrência de qualquer patologia seja ela do trato urinário ou não (cristais de
oxalato de cálcio, ácido úrico, urato de sadio, urato amorfo, fosfato amorfo, urato de amônia,
fosfato amoníaco magnesiano ou fosfato triplo, carbonato de cálcio, fosfato de cálcio, etc.).
Entretanto, a presença de estruturas químicas anormais (cristais de bilirrubina, cistina,
colesterol, leucina, tirosina) podem indicar patologias graves ou ainda serem de origem
iatrogênica (cristais de aiclovir, ampicilina, ciprofloxaxina, indinavir, contraste radiográfico,
sulfa, etc.).

O sedimento urinário, organizado e inorganizado, pode ser constituído de estruturas
contaminantes, ou exógenas como cristais de amido, cristais de talco, fibras de algodão, ovos
de parasitas, parasitas. Estas estruturas devem ser reconhecidas, identificadas e registradas no
resultado de modo a não induzir a erro a interpretação clínica do resultado do exame de urina.

6.4.1 CÉLULAS EPITELIAIS

As células epiteliais podem pavimentosas ou escamosas, de transição ou renais. No
exame microcopico de uma amostra de urina normal, adequadamente colhida e concentrada
10X podem ser observadas raras células pavimentosas, de transição e tubulares renais. O
resultado do exame microscópico relativo à observação de células epiteliais pavimentosas e de

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transição é, geralmente, expressado como: raras, poucas e muitas, podendo ser realizada a
observação de que as células se encontram agrupadas, quando for o caso. Em relação às
células tubulares renais observadas no sedimento urinário recocondamos que estas sejam
contadas e o resultado expressado da mesma forma que os leucócitos e as hemácias.

6.4.1.1 CELULAS PAVIMENTOSAS

As células pavimentosas apresentam diâmetro entre 30 e 50μm e apresentam uma

relação citoplasma/núcleo grande, sendo que o núcleo é redondo e apresenta núcleo denso de
12 a 16μm de diâmetro (Figura 15 e Figura 16).

Figura 15

Figura 16

Essas células tem origem da porção distal do epitélio uretral feminino ou da porção
distal do epitélio uretral masculino (Lange; 1992). Elas podem, também, serem originárias da
vagina ou do períneo (sexo feminino) ou do prepúcio (sexo masculino), no caso de a amostra
haver sido inadequadamente colhida.
A presença de raras células pavimentosas no sedimento urinário é normal e é
decorrente do processo natural de descamação do epitélio. A observação de quantidade
aumentada de células pavimentosas, geralmente, é decorrente de o paciente haver colhido o
primeiro jato ou, ainda, porque outros procedimentos de colheita da amostra de urina não
foram rigorosamente seguidos. O aumento da quantidade de células pavimentosas é de origem
patológica quando sua morfologia se encontra alterada ou quando elas se encontram
incrustadas com cocobacilos (Gardnerella vaginalis).
As células de epitélio pavimentoso encrutadas de cocobalilos são denominadas de clue
cells e tem origem do epitélio vaginal. A presença dessas clue cells indica infecção vaginal por
Gardnerella e pode ser verificada no exame microscópico de sedimento urinário não corado,
mas, para evitar sérios equívocos se recomenda que esta observação seja realizada em
sedimento corado. O corante supravital de Sterheimer Malbin pode ser utilizado para facilitar
a observação dessas células.

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