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Uroanálise livro

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Published by: Natália Gabriele Hösch on Jun 17, 2012
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Os leucócitos tem, aproximadamente 12 μm de diâmetro, seu citoplasma apresenta
granulações finas e o núcleo é lobulado. As granulações podem se apresentar mais densas
quando já se verifica certo grau de degeneração dos leucócitos. Essa degeneração é
comumente observada em urinas diluídas e alcalinas e em aproximadamente 50% das
amostras que são examinadas 3 horas depois de realizada sua colheita caso a mesmas não
tenham sido submetida à refrigeração.
A observação de poucos leucócitos no sedimento urinário (< 5 por campo) em aumento
de 400X, quando a amostra é concentrada 10:1, é considerado normal. Entretanto, esses
valores de referência dependem da padronização empregada na execução do exame de urina.
Os leucócitos observados no sedimento urinário são, geralmente, polimorfonucleares
neutrófilos, mas, a verificação da presença de linfócitos, eosinófilos e monócitos também
ocorre e é de grande importância no diagnóstico. Contudo, através da realização do exame
microscópico sem a utilização de métodos de coloração esta identificação e/ou diferenciação
não é possível.

A observação de leucocitúria no exame microscópico do sedimento urinário constitui
em indicação de ocorrência de patologia inflamatória do trato urinário ou mesmo do trato

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genital. No caso de doença inflamatória do trato urinário a leucocitúria verificada é,
geralmente, acentuadamente menor que nos processos infecciosos.
Nos processos infecciosos do trato urinário alto (pielonefrite) a leucocitúria observada
é geralmente mais intensa que nas infecções do trato urinário baixo (cistite). Essa diferença é
decorrente, pelo menos em parte, pelo fato de os rins serem órgãos, extremamente, mais
vascularizados que a bexiga, pois a migração dos leucócitos para o espaço tubular ou para a
bexiga ocorre por diapedese.

Nos processos infecciosos os leucócitos podem ser observados distribuídos de forma
dispersa nos campos microscópicos ou na forma de aglomerados. As aglomerações de
leucócitos são associadas com infecções agudas do trato urinário.
Embora, nos processos infeciosos do trato urinário, a bacteriúria sejam freqüentemente
acompanhados de leucocitúria, nas infecções do trato urinário baixo causadas por Chlamidia
trachomatis é freqüente se verificar pacientes com disúria cujo exame de urina revela a
ocorrência de leucocitúria ou leucocitúria e hematúria estéreis, isto é sem bacteriúria (Magot,
1992). Além disso, também se tem verificado casos de pacientes que apresentam
sintomatologia de infecção do trato urinário em que se verifica intensa bacteriúria sem
leucocitúria (Ringsrud e Liné, 1995).
O exame de urina permite diferenciar as pielonefrites das cistites. As pielonefrites são
caracterizadas por se verificar, geralmente, além de leucocitúria, proteinúria moderada (++),
bacteriúria e cilindrúria (cilindros granulosos, hialinos e leucocitários). Nas cistites, por sua
vez, se verifica apenas leucocitúria variável e bacteriúria, podendo, eventualmente, se verificar
leve proteinúria (vestígios)), embora ocorrência desta última seja por vezes contestada. Nas
pielonefrites se verifica, também, freqüentemente, que as amostras de urina apresentam
densidades próximas do limite inferior de normalidade, ou mesmo inferiores ao normal> A
diminuição da densidade é decorrente do comprometimento da reabsorção tubular renal de
água. Nas cistites não se verifica o comprometimento da reabsorção tubular de água, por isto,
a densidade das amostras de urina é freqüentemente superior a 1.020. Contudo é importante
ressaltar que a densidade da amostra de urina é, em condições normais, reflexo da hidratação
do paciente.

Os leucócitos presentes no sedimento urinário podem apresentar movimento
browniano de inclusões citoplasmáticas e são denominados de células de Sterheimer-Malbin
ou células brilhantes. Leucócitos com essas características são observados em urinas
hipotônicas e por isto observação era, antigamente, relacionada à pielonefrite.
Em urinas hipotônicas os leucócitos absorvem água e aumentam de volume em
conseqüência da expansão do citoplasma. A expansão do volume citoplasmático tem como
conseqüência, no início, a desestabilização das inclusões citoplasmáticas. Com a contínua
absorção de água, os leucócitos podem até triplicar o seu volume e se observam espaços
vazios no citoplasma dos mesmos (falta a fotografia).

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A verificação da presença de eosínófilos no sedimento urinário se constitui em prova
confirmatória, importante. da evidência clínica de nefrite intersticial aguda (NIA), com valor
preditivo de 38%. O teste considerado padrão ouro para diagnóstico é a biopsia renal com
achados histológicos de infiltrados de células plasmáticas e linfócitos peritubulares
intersticiais. As NIA podem ser induzidas por medicamentos, infecções renais, e processos
auto imunes sistêmicos (Kodner, 2003), mas pode, também, ser observada em amostras de
pacientes submetidos a transplante de rins e de pâncreas que apresentam rejeição do órgão
transplantado (Zamora, 1993).

Nas NIA se verificam outras alterações no sedimento urinário como: proteinúria
<1g/24 horas, leucocitúria, cilindrúria (cilindros leucocitários), hematúria, níveis séricos
elevados de uréia e creatinina, anemia, níveis sericos elevados de IgE, AST e ALT. A
verificação de cilindros hemáticos é rara nas NIA (Kodner, 2003).
A presença de número elevado de células mononucleares no sedimento urinário,
principalmente linfócitos, é verificada em pacientes nefrite lúpica e seu número apresenta
elevada correlação com o índice de atividade da doença do Lupus eritematoso sistêmico
(SLEDAI) (Chan, 2006), mas é, também encontrado no sedimento urinário de pacientes
submetidos a transplante que apresentam rejeição (Murphy, 1973). Entretanto, a identificação
de linfócitos e monócitos no exame microscópico do sedimento urinário em microscopia de
campo claro ou mesmo em microscopia de contraste de fase é bastante difícil. Nestas
modalidades de exame microscópico essas células são facilmente confundidas com hemácias.

Os linfócitos e os monócitos são células mononucleares com diâmetro de 6 a 9 μm e 20 a 40
μm respectivamente

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Os monócitos/macrófagos são células fagocitárias e sua observação no sedimento
urinário ocorre em amostras de pacientes que apresentam alterações tubulares renais
decorrentes de infecções ou reações imunológicas. A atração dessas células ocorre por
quimiotaxia. Os monócitos/macrófagos encontrados no sedimento urinário são denominados
de histiócitos. Os histiócitos que fagocitaram lipídeos e células renais que absorveram
gorduras são denominados de corpúsculos ovais graxos encontrados em amostras de pacientes
com proteinúria maciça resultante de doença glomerular e são indicativo de doença renal
policística autossômica dominante (Duncan, 1985) mas podem também ser observados em
amostras de pacientes com proteinúria moderada que apresentam doenças não glomerulares
como nefrite intersticial aguda, nefrite intersticial crônica e uremia pré renal (Braden, 1988).
As identificações de eosinófilos, linfócitos e monócitos no sedimento urinário são mais
fáceis em um citocentrifugado é corado com corante de Wright ou Papanicolaou.

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