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Projeto Placas Solares Fotovoltaicas

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA

ENGC52 – GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PROJETO DE UM SISTEMA SOLAR FOTOVOLTAICO PARA UMA RESIDÊNCIA RURAL EM CARAVELAS

Simon Delabie Túlio Dourado

Salvador 2012

Sumário
1 Introdução ............................................................................................................................3 2 Energia Solar Fotovoltaica ................................................................................................3 3 Componentes do Sistema Fotovoltaico Autônomo .......................................................4 3.1 Módulo Fotovoltaico ....................................................................................................5 3.2 Baterias .........................................................................................................................6 3.3 Controladores de carga ..............................................................................................7 3.4 Inversores CC / CA .....................................................................................................7 4 Dimensionamento do sistema autônomo .......................................................................8 4.1 Dimensionamento da carga.......................................................................................8 4.2 Dimensionamento dos painéis fotovoltaicos...........................................................8 4.3 Dimensionamento do banco de baterias .................................................................9 4.4 Dimensionamento do controlador de carga ............................................................9 4.5 Dimensionamento do inversor ................................................................................10 9 Referências Bibliográficas...............................................................................................11

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1 Introdução

O aproveitamento da energia gerada pelo Sol, inesgotável na escala terrestre de tempo, tanto como fonte de calor quanto de luz, é uma das alternativas energéticas mais promissoras para enfrentarmos os desafios do novo milênio. E quando se fala em energia, deve-se lembrar que o Sol é responsável pela origem de praticamente todas as outras fontes de energia (CRESESB, 2004, p17). É notável o impulso que a geração de energia elétrica por conversão fotovoltaica vem recebendo no Brasil nos últimos anos, através de projetos privados e governamentais, atraindo interesse de fabricantes pelo mercado brasileiro. A quantidade de radiação incidente no Brasil é outro fator muito animador para o aproveitamento da energia solar (CRESESB, 2004, p20). Neste âmbito, o trabalho proposto apresentará um projeto para eletrificação de uma residência rural na cidade de Caravelas - BA, por meio da energia solar fotovoltaica. O projeto visa atender cargas de aparelhos comuns numa residência, no caso lâmpadas, TV e som. Consta neste projeto o dimensionamento de todos os equipamentos e componentes que fazem parte do sistema fotovoltaico.

2 Energia Solar Fotovoltaica

Segundo Freitas (2008), os sistemas de energia solar fotovoltaica convertem a energia proveniente da radiação solar que atinge a superfície terrestre em energia elétrica. Na maior parte das vezes a energia elétrica gerada é entregue a rede receptora (baixa tensão ou média tensão) ou utilizada para alimentar cargas em rede isolada. Essa é a principal razão pela qual se distinguem dois tipos de sistemas de energia solar fotovoltaica: sistemas ligados à rede e sistemas autônomos.

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Estes dois tipos de sistemas de energia diferem quanto aos requisitos a satisfazer e, em consequência, quanto ao tipo de componentes que integram. Por outro lado os procedimentos relativos ao projeto e ao dimensionamento dos componentes obedecem também a requisitos diferentes (FREITAS, 2008, p14). O foco desse trabalho se mantém no projeto de um sistema fotovoltaico autônomo.

3 Componentes do Sistema Fotovoltaico Autônomo

Um sistema fotovoltaico autónomo é concebido para alimentar um conjunto de cargas sem a presença da rede elétrica, durante todo o ano. Assim, o dimensionamento do painel é normalmente efetuado com base na radiação disponível no mês com menor radiação solar. Em conjunto com o painel solar o sistema deve incluir também (FREITAS, 2008, p43):

i. Baterias, de modo a assegurar a alimentação dos consumos nos períodos em que o recurso (radiação solar) não está disponível. As baterias são carregadas sempre que a radiação solar disponível permite gerar uma potência superior a potência de carga da bateria. ii. Controlador de carga, para efetuar a gestão da carga da bateria. iii. Inversor, no caso de haver cargas a alimentar em CA.

A figura abaixo ilustra um diagrama de um sistema fotovoltaico autônomo.

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3.1 Módulo Fotovoltaico É a unidade básica de todo o sistema. Composto por células conectadas em arranjos produzindo tensão e corrente suficientes para a utilização da energia tornando indispensável o agrupamento em módulos. Uma célula fornece pouca energia elétrica, em uma tensão em torno de 0,4 V no ponto de máxima potência. A densidade de corrente é da ordem de 30 mA/cm². O número de células conectadas em um módulo e seu arranjo, que pode ser série e/ou paralelo, depende da tensão de utilização e da corrente elétrica desejada. A incompatibilidade destas características leva a módulos “ruins”, porque as células de maior fotocorrente e fotovoltagem dissipam seu excesso de potência nas células de desempenho inferior. Em consequência, a eficiência global do módulo fotovoltaico é reduzida (CRESESB, 2004, p43).

3.1.1Células fotovoltaicas

A conversão da energia solar em energia elétrica é obtida utilizando-se material semicondutor como elemento transformador, conhecido como célula fotovoltaica ou célula solar. Existem basicamente três tipos de células:

i. Silício monocristalino: obtêm-se a partir de barras cilíndricas de silício monocristalino produzidas em fornos especiais. As células são obtidas por corte das barras em forma de pastilhas finas (0,4-0,5 mm de espessura). A eficiência na conversão de luz solar em eletricidade é superior a 12%. ii. Silício policristalino: são produzidas a partir de blocos de silício obtidos por fusão do silício puro em moldes especiais. Uma vez nos moldes, o silício arrefece lentamente e solidifica-se. Neste processo, os átomos não se organizam num único cristal. Forma-se uma estrutura policristalina com superfícies de separação entre os cristais. Sua

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eficiência na conversão de luz solar em eletricidade é ligeiramente menor do que nas de silício monocristalino. iii. Filme Fino ou Silício amorfo: são obtidas por meio da deposição de camadas muito finas de silício ou outros materiais semicondutores sobre superfícies de vidro ou metal. Sua eficiência na conversão de luz solar em eletricidade varia entre 5% e 7%.

3.1.2Características construtivas dos módulos

As células fotovoltaicas de silício são encapsuladas em módulos. O empacotamento é feito para que fiquem protegidas das intempéries, principalmente da umidade do ar. Cada célula solar, como já foi citado anteriormente, gera, aproximadamente, 0,4 V em seu ponto de máxima potência. Tensões mais altas são produzidas quando várias células são conectadas em série no módulo. Para carregar baterias de 12 V, módulos fotovoltaicos devem produzir aproximadamente 16 V devido ao efeito da temperatura e às perdas que ocorrem nos cabos e diodos de bloqueio. Dessa forma os módulos, atualmente em operação, contêm entre 28 e 40 células de silício cristalino (CRESESB, 2004, p45).

3.2 Baterias Em sistemas fotovoltaicos autônomos, dado que a produção e consumo de energia muitas vezes não coincidem, quer ao longo do dia, quer ao longo dos dias do ano, o armazenamento de energia assume um papel fundamental. Para tal são utilizadas baterias, as quais devem possuir tempos de vida útil longos em condições de carga e descarga diárias, também conhecidas como baterias de alta profundidade de carga. Outras características importantes são uma elevada eficiência de carga, mesmo para baixas correntes de carga e uma baixa razão de auto-descarga (FREITAS, 2008, p38). As baterias são uma forma de armazenamento de energia, pois são capazes de transformar diretamente energia elétrica em energia potencial química e 6

posteriormente converter, diretamente, a energia potencial química em elétrica. Cada bateria é composta por um conjunto de células eletroquímicas ligadas em série de modo a obter a tensão elétrica desejada (FREITAS, 2008, p38). De modo a proteger as baterias contra sobrecargas são utilizados controladores de carga.

3.3 Controladores de carga Controladores de carga são incluídos na maioria dos Sistemas Fotovoltaicos (SFs), com os objetivos básicos de facilitar a máxima transferência de energia do arranjo fotovoltaico para a bateria ou banco de baterias e protegê-las contra cargas e descargas excessivas, aumentando, consequentemente, a sua vida útil. Denominações do tipo “Gerenciador de Carga”, “Regulador de Carga” ou “Regulador de Tensão” também são comuns e referem-se a controladores de carga com diferentes níveis de sofisticação (CRESESB, 2004, p68).

3.4 Inversores CC / CA O componente responsável pela conversão de corrente contínua (CC) em corrente alternada (CA) é comumente conhecido como “inversor” ou, mais genericamente, “conversor CC-CA”. Existem dois tipos de conversores: conversores estáticos (estado sólido) e eletromecânicos (rotativos). O conversor estático utiliza dispositivos semicondutores que chaveiam a entrada CC, produzindo uma saída CA de frequência determinada. A escolha de um inversor interfere no desempenho, confiabilidade e custo de um Sistema Fotovoltaico. Quando estão no circuito, adicionam complexidade ao mesmo, mas possuem os atrativos de facilitar a instalação elétrica e permitir o uso de acessórios convencionais (TVs, vídeos, geladeiras etc.) (CRESESB, 2004, p76).

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4 Dimensionamento do sistema autônomo
A seguir será apresentado o dimensionamento do projeto de um sistema fotovoltaico autônomo para uma residência rural.

4.1 Dimensionamento da carga Partindo do princípio que o sistema terá 24 Volts, e de acordo com os equipamentos sugeridos pelo professor, têm-se as seguintes informações sobre o perfil de consumo:

Equipamento Quantidade

Potência Horas/dia Wh/dia I (A) (W) LFC 2 9 4 72,00 0,38 LFC 7 15 5 525,00 0,63 LFC 2 23 3 138,00 0,96 Som_1 1 15 5 75,00 0,63 Som_2 1 30 3 90,00 1,25 TV 1 105 6 630,00 4,38 Geladeira 1 200 4,5 900,00 8,33 Totais 2.430,00 16,54 Considerando rendimento da bateria de 85% 2.858,82
Tabela 01: Perfil do consumo

Consumo (A.h/dia) 1,50 3,13 2,88 3,13 3,75 26,25 37,50 78,13

4.2 Dimensionamento dos painéis fotovoltaicos Foi pedido um projeto no município de Caravelas – BA. Usando os dados da radiação solar média disponibilizados pela CRESESB-CEPEL através do seu sistema SunData, foram obtidos os dados abaixo:

Tabela 02: Índices de radiação nas proximidades de Caravelas.

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Foi usado o ângulo de inclinação igual à latitude, objetivando otimizar o aproveitamento no sistema, e foi considerado o mês de pior incidência para os cálculos, isso é, junho, onde houve uma radiação média de 4,31 kwh/m².dia. Isso implica HSP=4,31, portanto a potência do painel é:

(

)

,

Onde a potência total por dia é aquela já considerando a perda de carga pelo rendimento da bateria. Logo, Pot = 829,13 watts. Escolheu-se utilizar os painéis KD220GX-LPU da Kyocera, que possuem 220 watts de potência de pico. Utilizando 4 painéis, tem-se 880 watts instalados, com folga de 50,87 watts. Os painéis serão instalados em paralelo, mantendo os 24 volts de tensão na saída, e com inclinação de 18° (da latitude) mais os 10° sugeridos para otimizar a captação, logo 28°.

4.3 Dimensionamento do banco de baterias Para uma capacidade de descarga de 50% e para o período de autonomia solicitado (3 dias), foi calculada a dimensão do banco necessário:
( )

= 714,71 Ah

Assim, pode-se escolher as baterias do sistema. Usando os dados disponibilizados nos slides, optou-se por utilizar a bateria C100 DF3000 24V, de 185 Ah. Isso implica utilizar 4 baterias desse tipo, ligadas em paralelo.

4.4 Dimensionamento do controlador de carga De forma a atender à maior carga possível do sistema, o mesmo foi projetado para a corrente máxima dos painéis, 36,66 A. Utilizando a tabela de referência da

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SunLab Power (www.sunlab.com.br), optou-se por utilizar dois controladores SLC20, código 91103-002, que operam em 12/24 volts, e 20 amperes de saída.

4.5 Dimensionamento do inversor Para conectar as cargas, que normalmente funcionam na tensão alternada de 220/127 Volts, precisa-se projetar o inversor adequado à carga total do sistema, ou seja, 880 W. Usando os equipamentos disponibilizados pela SunLab Power, optouse pelo inversor Pro ST24 de 1000W, que operará com certa folga, permitindo pequenas ampliações no sistema.

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9 Referências Bibliográficas

[CRESESB], CENTRO DE REFERENCIA PARA ENERGIA SOLAR E EOLICA SERGIO DE SALVO BRITO; [CEPEL], CENTRO DE PESQUISAS DE ENERGIA ELETRICA, Manual de engenharia para sistemas fotovoltaicos. Rio de Janeiro, CRESESB, 2004. Disponível em: < http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/Manual_de_Engenharia_FV_20 04.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2012.

CRESESB, CENTRO DE REFERENCIA PARA ENERGIA SOLAR E EOLICA SERGIO DE SALVO BRITO. Programa SunData, 2012. Disponível em: < http://www.cresesb.cepel.br/sundata/index.php#localidade_72>. Acesso em: 14 jun. 2012.

FREITAS, S. S. A. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos. 2008. 104 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Industrial) – Instituto Politécnico de Bragança – Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Bragança, 2008. Disponível em:<http://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/2098/1/Susana_Freitas_MEI_200 8.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2012.

LEVA, F. F. et al. Modelo de um projeto de um sistema fotovoltaico. Núcleo de Eletricidade Rural, Faculdade de Engenharia Elétrica – Universidade Federal de Uberlândia. Disponível em: < http://www.feagri.unicamp.br/energia/agre2004/Fscommand/PDF/Agrener/Trabalho %2042.pdf>. Acesso em 14 jun. 2012.

ZILLES. R.; MACÊDO, W. N. Energia Solar Fotovoltaica: fundamentos e aplicações. 2012. 39 f. Notas de aula.

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