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Inquérito Judicial para apuração de falta grave

Inquérito Judicial para apuração de falta grave

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INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE Ação ajuizada pelo empregador, visando à rescisão do contrato de trabalho entre

ele e seu empregado estável. Esta ação se apresenta necessária, em virtude de que o empregado que goza da estabilidade em seu emprego não pode ser demitido sem justa causa, ou seja, é beneficiário de uma proteção contra eventual dispensa arbitrária do empregador. O objetivo desta ação consiste em findar o vínculo empregatício entre os litigantes, mediante comprovação por parte do requerente (empregador) de falta grave cometida pelo requerido (empregado). Consiste, o inquérito em uma “ação apropriada para se rescindir o contrato de trabalho do empregado estável, que não pode ser despedido diretamente, dada sua estabilidade”. Saliente-se que, constituem falta grave para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador, nos termos do artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho: ato de improbidade; incontinência de conduta ou mau procedimento; desídia no desempenho das respectivas funções; embriaguez habitual ou em serviço; violação de segredo da empresa; ato de indisciplina ou de insubordinação e; abandono de emprego, dentre outras condutas. Para a instauração do inquérito para apurar a falta grave contra o empregado estável, o empregador, segundo o artigo 853 da CLT, deverá apresentar reclamação por escrito à Vara do Trabalho ou Juízo de Direito, onde não houver Vara do Trabalho, dentro de trinta dias, contados da data da suspensão do empregado. Da análise do artigo acima mencionado, conclui-se que, antes de ajuizar a ação objeto de estudo no presente trabalho, é necessário que o empregador suspenda o empregado estável que praticar uma das condutas descritas no artigo 482 da CLT como falta grave, embora haja corrente no sentido de que a suspensão do empregado não é requisito obrigatório. Neste diapasão, é o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, conforme se depreende da leitura da Súmula 62, in versus: “O prazo de decadência do direito do empregador de ajuizar inquérito contra o empregado que incorre em abandono de emprego é contado a partir do momento em que o empregado pretendeu seu retorno ao serviço.” Inobstante, a Súmula nº 403 do Supremo Tribunal Federal preceituam que “é de decadência o prazo de trinta dias para instauração do inquérito judicial, a contar da suspensão por falta grave de empregado estável”. Assim, o empregador deverá, primeiramente, suspender o empregado estável que praticar alguma falta grave e, dentro do prazo de trinta dias, contados da data da suspensão, ajuizar a oportuna ação visando à rescisão do contrato, sob pena de restar configurado o chamado perdão tácito. Reza, entretanto, o artigo 495 da CLT que, se for reconhecida a inexistência da falta grave, o empregador é obrigado a readmitir o empregado no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão. Contudo, caso reste comprovada a prática da falta

grave alegada, o contrato será considerado rompido desde a data da suspensão. Já quando a reintegração do empregado for desaconselhável, devido a uma eventual incompatibilidade entre os litigantes, especialmente nos casos em que o empregador for pessoa física, poderá o juiz converter a reintegração em indenização em dobro em favor do empregado, conforme dispõem os artigos 496 e 497 da CLT. Eduardo Gabriel Saad entende que “o inquérito tem de obedecer ao mesmo rito de uma reclamação comum: audiência de instrução e julgamento, proposta de conciliação, comparecimento e depoimento das partes e testemunhas, provas, alegações finais etc.”. Frise-se, no entanto, que, ao contrário das demais ações do rito ordinário, em que o número máximo de testemunhas é três a cada uma das partes, no inquérito, de acordo com o artigo 821 da Consolidação, podem ser ouvidas até seis testemunhas para cada parte.

DISSÍDIO COLETIVO O dissídio coletivo de trabalho nada mais é do que uma ação que vai dirimir os conflitos coletivos de trabalho por meio do pronunciamento do Poder Judiciário do Trabalho, enfatizando sobre a necessidade da intervenção do Estado. É um processo judicial de solução dos conflitos coletivos econômicos ou jurídicos, através do qual se discutem interesses abstratos e gerais, de pessoas indeterminadas (categoria profissional ou econômica), com o fim de se criar ou modificar condições gerais de trabalho, de acordo com o principio da discricionariedade, atendendo-se aos ditames da conveniência e da oportunidade e respeitando-se os limites máximos previstos em lei. A competência para processar, conciliar e julgar os dissídios coletivos de trabalho é originariamente dos Tribunais, assim compreendidos os Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho. A competência originária está adstrita ao Tribunal Regional do Trabalho se a controvérsia estiver veiculada aos limites territoriais do Tribunal. Caso o dissídio extrapole a base territorial de um ou mais Tribunal Regional, será competente o TST, com exceção se o conflito abranger localidades situadas nos Tribunais Regionais do Trabalho da 2º e 15º Região, onde com base na Lei n.° 9.254/96 tem por competente o TRT da 2° Região. Menciona ainda o art. 866 da CLT que julgar conveniente poderá o Presidente do Tribunal delegar a autoridade de primeira instância a conciliação e o julgamento, apenas estes atos, para que após retorne ao órgão superior para que possa ser então decidido. Recebida e protocolada a inicial, estando com na devida forma, será designando audiência de conciliação no prazo de 10 (dez) dias, determinando a notificação via postal dos dissidentes. Em audiência designada, com o devido comparecimento de ambas as partes ou seus

representantes, o Presidente do Tribunal para se pronunciarem sobre as bases da conciliação, sendo considerada a fase mais importante no dissídio coletivo, para muitos estudiosos. Quando se tratar a Justiça do Trabalho de uma justiça eminentemente conciliatória, os dissídios coletivos, assim como os individuais, devem ser objeto de tentativas de conciliação, antes de proferir o julgamento. O suscitado poderá se defender deverá ser apresentada em audiência, assim como a proposta de conciliação. Em sendo positiva a conciliação, ouvindo o Ministério Púbico o Presidente o submeterá à homologação do Tribunal na primeira sessão. Porém, sendo infrutífera a tentativa de acordo, ou não comparecendo ambas as partes ou uma delas, submeterá Presidente a julgamento pelo Tribunal. Observe-se, a priori, que não há qualquer menção a revelia ou confissão quanto a matéria, já que não há pedidos em seu real sentido, e sim propostas para a criação de novas normas de aplicação coletiva. Incisiva a colocação de SAAD sobre o tema, “A revelia ou a confessio ficta não são aplicáveis ao processo de dissídio coletivo...”. Autoriza o art. 864, in fine, da CLT que o processamento e julgamento do dissídio coletivo ocorrerá após realizadas as diligências que entender necessárias e ouvida a Procuradoria. Embora não seja obrigatória processualmente, a instrução probatória nos dissídios coletivos é absolutamente salutar, dependendo de cada caso quer por meio de juntada de subsídios pelas partes, quer através da realização de diligências por determinação do juiz instrutor ou a requerimento daquelas, a fim de que as sentenças normativas passem a ser proferidas com fundamentos mais técnicos e objetivos do que políticos e subjetivos.

AÇÃO DE CUMPRIMENTO O entendimento que a decisão proferida em sede de um dissídio coletivo não enseja uma sentença de natureza condenatória, mas sim, de natureza constitutiva, no qual são estabelecidas normas e condições de trabalho.

Desta forma, defende a maioria da doutrina que a sentença normativa, não tendo natureza condenatória, não poderá ser executada da forma convencional, devendo ter o seu cumprimento exigido perante o Poder Judiciário através de uma ação denominada "Ação de Cumprimento". Assim, o meio próprio e eficaz para o cumprimento de uma sentença normativa ou acordo judicial é a Ação de Cumprimento. Conforme estabelece expressamente o disposto no parágrafo único do artigo 872 da CLT, "deixando o empregador de satisfazer o pagamento de salário, na conformidade da decisão normativa, poderá ser ajuizada ação de cumprimento".

Art. 872- Celebrado o acordo, ou transitada em julgado a decisão, seguir-se-á o seu cumprimento, sob as penas estabelecidas neste Título. Parágrafo único - Quando os empregadores deixarem de satisfazer o pagamento de salários, na conformidade da decisão proferida, poderão os empregados ou seus sindicatos, independentes de outorga de poderes de seus associados, juntando certidão de tal decisão, apresentar reclamação à Junta ou Juízo competente, observado o processo previsto no Capítulo II deste Título, sendo vedado, porém, questionar sobre a matéria de fato e de direito já apreciada na decisão. Embora a CLT trate especificamente da hipótese do ajuizamento da ação de cumprimento para o caso do descumprimento da sentença normativa no que se refere ao pagamento de salários, por autorização da lei 7.701/88 que estabelece normas para a sentença normativa, o objeto da Ação de Cumprimento não se restringe somente a esta hipótese, mas sim, ao descumprimento da sentença normativa como um todo. Por se tratar de um dissídio de natureza individual, a Ação de Cumprimento deve ser ajuizada nas Varas do Trabalho ou Juiz de direito investido na jurisdição trabalhista, ainda que o dissídio tenha sido julgado pelo TRT ou TST.

AÇÃO RESCISÓRIA Ação rescisória é uma ação que tem por objetivo declarar a nulidade da sentença que transitou em julgado e, se for o caso, proferir novo julgamento. A Consolidação das Leis do Trabalho não trata da ação rescisória, fazendo-lhe apenas menção no art. 836, quando veda aos órgãos da Justiça do Trabalho conhecer de questões já decididas, excluindo a hipótese da ação rescisória. Ante a omissão da CLT, na Justiça do Trabalho, adota-se o procedimento previsto no Código de Processo Civil, arts. 485 e seguintes. A rescisória é uma ação autônoma de impugnação, de natureza constitutiva negativa quanto ao juízo rescindendo, dando ensejo à instauração de outra relação processual distinta daquela em que foi proferida a decisão rescindenda. Não se trata de recurso, como assevera Barbosa Moreira, não se esta impugnando a "decisão no próprio processo em que foi proferida, ao passo que o exercício de ação autônoma de impugnação dá sempre lugar à instauração de outro processo. A ação rescisória é o exemplo clássico dessa segunda espécie". Nesse sentido, todo recurso é um meio de impugnação, mas nem todo meio de impugnação se constitui num recurso. O mandado de segurança, a ação rescisória, são „meios de impugnação‟, lato sensu: mas a ninguém ocorreria chamá-los „recursos‟. O recurso, que também se apresenta como meio de impugnação, é consequência do direito de ação, logo, a sua

utilização não significa o surgimento de uma nova relação processual, na medida em que o seu desdobramento ocorre em processo já instaurado. Não é o caso da ação rescisória, a qual se apresenta como meio de impugnação de forma autônoma. Sobre o cabimento da ação rescisória na Justiça do Trabalho, já houve dúvida, sendo que o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior do Trabalho não a admitiam. Apesar do posicionamento contrário da doutrina e alguns julgados, somente com o Decreto-lei n. 229, 26.12.67, que alterou a redação do art. 836, CLT, é que se passou efetivamente admitir a ação rescisória na seara trabalhista. Com o advento do CPC de 1973, o art. 836, CLT, necessitou de nova alteração (Lei n. 7.351, 27.8.85), estando atualmente com a seguinte redação: "É vedado aos órgãos da Justiça do Trabalho conhecer de questões já decididas, excetuados os casos expressamente previstos neste Título e a ação rescisória, que será admitida na forma do dispositivo no Capítulo IV do Título IX da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, dispensado o depósito referido nos arts. 488, inciso II, e 494 daquele diploma legal".

MANDADO DE SEGURANÇA Para entender o conceito de uma ação de mandado de segurança, inicialmente deve-se ter conhecimento do disposto estabelecido nos incisos LXIX e LXX do artigo 5º da Constituição Federal de 1988:

Artigo 5º... LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;

Como se pode notar, trata-se o mandado de segurança de um instituto jurídico assegurado à sociedade por disposição constitucional e legal, constituindo-se de um meio rápido e eficaz para fazer cessar ato ilegal ou com abuso de poder, praticado por autoridade púbica ou particular, no desenvolvimento de função pública, que cause ou ameace causar dano a direito individual ou coletivo, líquido e certo e, não amparado por Habeas Corpus ou Habeas data.

De rito sumaríssimo especial, o mandado de segurança é ação civil que tem o objetivo de fazer cessar ato ilegal ou com abuso de poder, praticado por autoridade púbica ou particular, no desenvolvimento de função pública que cause ou ameace causar dano a direito liquido e certo, não amparado por Habeas Corpus ou Habeas data.

Distingue-se das demais ações, sobretudo, por seu objeto e pela especificidade de seu rito processual, que excetuado a ação de Habeas Corpus, tem prioridade de tramitação sobre todas as outras ações.

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO A CLT, em seu art. 477, § 6º, estabelece que o pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão deverá ser efetuado até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato por prazo determinado ou no caso de aviso prévio trabalhado; ou até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando o aviso prévio for indenizado. O § 1º do mesmo artigo estipula que o acerto rescisório do contrato de trabalho, firmado por empregado com mais de 1 (um) ano de serviço, só será válido quando feito com a assistência do respectivo Sindicato ou perante a autoridade do Ministério do Trabalho e Emprego.

Se o empregador não respeitar o prazo estipulado para pagamento das verbas rescisórias, estará sujeito ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora (art. 477, § 8º, CLT). Porém, não raras vezes o empregado não comparece no dia e local designado para proceder o acerto rescisório. Em outras situações, o sindicato se recusa a homologar o acerto rescisório por motivos diversos. Ainda há a hipótese de greve do Ministério do Trabalho e Emprego, como ocorreu nos últimos meses. Assim, o empregador, no intuito de se livrar do ônus da multa supra citada, efetua na conta do empregado, ou efetua consignação em pagamento bancária (por meio da CAIXA ou do Banco do Brasil), do valor correspondente ao acerto rescisório. Porém, tal depósito/consignação não basta por si só, uma vez que, além do valor do acerto rescisório, o empregado também tem direito de receber o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, e, dependendo do caso, chave de conectividade para levantamento do fundo de garantia e guias de CD/SD para recebimento do seguro desemprego. Assim, a jurisprudência tem entendido que o atraso na entrega dos citados documentos causam, do mesmo modo, prejuízo a empregado, sendo passível a aplicação da multa estipulada no art. 477, § 8º da CLT.

Deste modo, o ideal é que o empregador interponha a ação de consignação em pagamento na Justiça do Trabalho, requerendo a notificação do empregado para receber o valor do acerto rescisório, se ainda não tiver sido depositado em seu favor, a guia de TRCT, CD/SD, o número da Chave de Identificação, comprovante de Pagamento do FGTS Rescisório, entre outros, requerendo, ainda, que o empregado apresente sua CTPS, para serem efetuadas as devidas anotações.

HABEAS CORPUS Com a Emenda Constitucional n. 45/2004, a Justiça do Trabalho recebeu expressa competência para apreciar os habeas corpus, passando, assim, a controlar o desrespeito à liberdade individual de locomoção em matéria trabalhista. Essa nova competência abrangeu os habeas corpus contra a prisão civil do depositário infiel decretada por juízes trabalhistas e estimulou a interpretação de que a Justiça doTrabalho também ganhara competência para julgar os crimes vinculados à relação de trabalho subordinado. Mas decisões do Supremo Tribunal Federal, rejeitando essa competência criminal e reconhecendo a insubsistência na legislação brasileira da prisão do depositário infiel, levaram à inutilidade da previsão de habeas corpus na Justiça do Trabalho. No que tange à competência do Superior Tribunal de Justiça inscrita no art. 105, I, letras "a" e "c", da Constituição, em plena vigência mesmo com o advento da Emenda Constitucional n. 45, é preciso interpretar esses dispositivos em cotejo com o disposto no novo art. 114, IV, da Constituição, para eliminar o aparente conflito de normas sobre competência quando se tratar de habeas corpus impetrado contra ato de juiz de Tribunal Regional do Trabalho. E, nesse caso, a única conclusão razoável a que se pode chegar é que os habeas corpus em matéria trabalhista, ou seja, impetrados contra atos praticados no processo trabalhista por membros dos TRT‟s, devem ser conhecidos pelo Tribunal Superior do Trabalho. Nas improváveis e absurdas hipóteses de coação estranha à matéria trabalhista [06], a competência sobejará para o Superior Tribunal de Justiça. Quanto ao juiz do trabalho de primeira instância, nessa linha de raciocínio, não detém competência para conhecer do referido writ, uma vez que se acha na base da estrutura "hierárquica" da Justiça do Trabalho. Com a edição da Emenda Constitucional n. 45 a doutrina mais entusiasmada enxergou no mencionado no art. 114 também o reconhecimento da competência criminal para a Justiça do Trabalho.

HABEAS DATA

A Emenda Constitucional nº 45, de 8.12.2004, aprovada após treze anos de tramitação no Congresso Nacional, acresceu ao rol constitucional das competências da Justiça do Trabalho as ações de mandado de segurança, habeas corpus e habeas data para contestar atos que envolvam matéria sujeita a sua jurisdição. De fato, o artigo 114, IV da vigente Constituição Federal Brasileira passou a ter a seguinte redação, com o advento da referida Emenda Constitucional:

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (...) IV – os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. Ante a expressa previsão constitucional da ação de habeas data no rol de competências da Justiça do Trabalho, é imprescindível refletir nas hipóteses de sua utilização para questionar atos relativos à matéria trabalhista. Os doutrinadores já veem se posicionando a favor da utilização do habeas data no processo trabalhista, bem como vislumbram hipóteses de sua aplicabilidade. Sérgio Pinto Martins visualiza, contudo, dificuldades na utilização do habeas data na prática processual trabalhista. Se a Justiça do Trabalho fosse competente para analisar questões de funcionários públicos, seria razoável a retificação de banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público. O empregador não tem esse banco de dados ou informações constantes de registro público. Seus dados ou registros são privados. A Lei nº 9.507/97 mostra que o banco de dados é público. Faz referência à autoridade coatora, que é um agente público e não privado. Não penso que o habeas data servirá para obtenção de dados da empresa para fins do estabelecimento de participação nos lucros. O empregado poderá se utilizar de medida cautelar de exibição de documentos para obter certas informações da empresa constantes de documentos. De outro vértice, o estudo do instituto revelou, também, que o sujeito passivo do habeas data não é, necessariamente, uma pessoa jurídica de direito público, eis que o caráter público é característica do banco de dados, e não da entidade detentora das informações. Nesse diapasão, necessário notar, a fim de dissipar qualquer resquício de dúvida sobre o tema, que, com efeito, um problema que pode surgir para o impetrante é a identificação de quem é o responsável pelo registro das informações sobre a pessoa, dentro de uma entidade depositária de registros ou banco de dados (que pode ser pública ou privada). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de que a indicação errônea da autoridade coatora no mandado de segurança leva à extinção do processo sem julgamento do mérito, por carência de ação. Para que se facilite a impetração do habeas data, e considerando que no âmbito administrativo o requerimento deve ser feito “ao órgão ou

entidade depositária do registro ou banco de dados (Lei 9.507/97, art. 3º), o coator deve ser considerado, sempre, este órgão ou entidade, e não uma pessoa que ocupe um determinado cargo”. Assim, será legitimado passivo para o habeas data o próprio órgão ou entidade depositária do registro ou banco de dados, que poderá ter personalidade jurídica independente ou não, e que será representado em juízo por quem de direito, de acordo com os seus atos constitutivos, estatutos e regimentos.

PROCEDIMENTOS CAUTELARES Procedimento cautelar é a “providência concreta tomada pelo judicial para eliminar uma situação de perigo para direito ou interesse de um litigante, mediante conservação do estado de fato ou de direito que envolve as partes, durante todo o tempo necessário para o desenvolvimento do processo principal” (Theodoro Junior, 2003, p. 346). As medidas cautelares são providências judiciais que podem ser pleiteadas através de ações cautelares. A ação cautelar pode ser preparatória ou incidental, e tem por finalidade assegurar o resultado útil do processo principal. As medidas cautelares têm por fundamento o poder geral de cautela do juiz, contido no art. 798 do CPC, segundo o qual o juiz pode determinar as medidas provisórias que entender adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação. Embora a CLT apenas preveja duas hipóteses expressas de medida cautelar (art. 659, IX e X - que, aliás, são chamadas pelo legislador de “medida liminar”), inegável o cabimento das medidas cautelares no Processo do Trabalho. O procedimento cautelar pode ser instaurado antes ou no curso do processo principal e deste é sempre dependente (CLT, 796). Assim, pode-se dizer que a medida cautelar caracterizase por sua instrumentalidade, pois visa garantir que o resultado do processo principal seja eficaz e útil. Conforme ensina Humberto Theodoro Junior, "é instrumental a função cautelar, porque não se liga à declaração do direito, nem promove a eventual realização dele; e só atende, provisória e emergencialmente, a uma necessidade de segurança, perante uma situação que se impõe como relevante para a futura atuação jurisdicional” (Theodoro Junior, 2003, p. 347). Além de ser instrumental, toda medida cautelar é caracterizada por sua provisoriedade. O provimento cautelar não é definitivo, mas, ao contrário, perdura por um tempo limitado, pois, em razão da sua própria natureza, será absorvido ou substituído pela decisão definitiva. Como terceira característica da medida cautelar pode será pontada sua revogabilidade.

A sentença proferida em processo cautelar não faz coisa julgada material, exatamente porque a medida cautelar pode ser substituída, modificada ou revogada a qualquer tempo (CPC, 805 e 807). Por fim, a autonomia também é característica da medida cautelar, tendo em vista que o processo cautelar tem função diversa das demais funções jurisdicionais (conhecimento e execução), com estas não se confundindo. Importante ressaltar que, apesar de sua instrumentalidade, a medida cautelar não perde a autonomia em relação ao processo principal, pois sua finalidade é alcançada independentemente do resultado do processo principal. Conforme ensina Humberto Theodoro Junior, dois são os requisitos básicos para se obter uma providência cautelar: (a) um dano potencial, decorrente do periculum in mora; e (b) a plausibilidade do direito substancial invocado, caracterizada pelo fumus boni iuris (Theodoro Junior, 2003, p. 354). Para que a pretensão cautelar deduzida pelo requerente seja julgada procedente é necessária a presença dos dois requisitosapontados. portanto, que se trata de requisitos de deferimento da pretensão cautelar. O periculum in mora é caracterizado pelo fundado receio da parte de que a demora processual possa acarretar prejuízos à obtenção da tutela definitiva, havendo risco de perecimento, deterioração ou até mesmo destruição do direito. O perigo que justifica a atuação do poder geral de cautela deve ser fundado, relacionado a um dano próximo e grave e de difícil reparação (CPC, 798). O fumus boni iuris significa aparência do bom direito, que consiste em um juízo de probabilidade e verossimilhança do direito cautelar invocado (Leite, 2004, p. 841). Para a ação cautelar, é necessário que seja revelado um interesse plausível da parte, que aparentemente permite o exercício do direito de ação. Procedimentos cautelares específicos no Processo do Trabalho são concedidas medidas cautelares em reclamações trabalhistas que visem a: (a) tornar sem efeito transferência de empregado em desacordo com o previsto no art.469 da CLT (CLT, 659, IX); e (b) reintegrar no emprego dirigente sindical afastado, suspenso ou dispensado pelo empregador (CLT,659, X).No entanto, além dessas hipóteses, os seguintes procedimentos cautelares específicos são cabíveis no Processo do Trabalho:(a) o arresto (CPC, 813 a 821); (b) o sequestro (CPC, 822 a 825);(c) a produção antecipada de provas (CPC, 846 a 851); (d) a exibição (CPC, 844 e 845); (e) a justificação (CPC, 861 a 866); (f) o protesto (CPC, 867 a 873); (g) o atentado (CPC, 879 a 881); e (h)a busca e apreensão (CPC, 839 a 843). O arresto tem por objeto a apreensão judicial de bens do devedor, suficientes para garantir a dívida, assegurando o sucesso de futura execução. O sequestro visa garantir a execução para a entrega de coisa certa, mediante a apreensão judicial da mesma e sua guarda por depositário. A produção antecipada de provas tem por objetivo preparar ou assegurar a produção da prova no processo principal, quando haja fundado receio de que a mesma não possa ser produzida no futuro. A exibição é medida cautelar Pode-se dizer,

específica para que sejam trazidos a público, documentos, bens móveis e escrituração comercial (balanços). A justificação é a medida cautelar específica que pode ser utilizada por aquele que pretende justificar a existência de algum fato ou relação jurídica, seja para simples documento e sem caráter contencioso, seja para servir de prova em processo regular. O protesto visa prevenir responsabilidade, prover a conservação e ressalva de direitos ou manifestar qualquer intenção de maneira formal. O atentado é uma ação cautelar que tem por objeto restaurar o estado de fato inicial da lide em razão de algum ato ilegítimo ou ilegal praticado por uma parte causando prejuízo à outra. Por fim, a busca e apreensão no Processo do Trabalho destina-se exclusivamente à busca e apreensão de coisas (não se aplica a pessoas), devendo a parte interessada justificar a medida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SAAD, Eduardo Gabriel. CLT Comentada. 37ª edição. Editora LTR. São Paulo, 2004. MARTINS, Sérgio Pinto. Comentário à CLT. 10ª edição. São Paulo: Atlas, 2006. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil: processo de execução e processo cautelar. v.2. 35. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003.

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