P. 1
Vinicius de Moraes (lista de exercicios)

Vinicius de Moraes (lista de exercicios)

|Views: 8.291|Likes:
Publicado porIgor Rosica

More info:

Published by: Igor Rosica on Jun 19, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/14/2013

pdf

text

original

setor 1502

15020711 15020711-SP

Aulas 51 e 52
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: REUNIÃO

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1902-1987)
1a FASE CARACTERÍSTICAS

• Alguma poesia, 1930 • Brejo das almas, 1934

 Versos livres  Prosaísmo (antilirismo seco)  Coloquialismo  Poema-piada (humor / ironia)  Paródia  Brevidade e concisão
CARACTERÍSTICAS

2a FASE

• Sentimento do mundo, 1940 • José, 1942 • A rosa do povo, 1945

 Questionamento social e existencial  Engajamento político  Poesia do impasse  Metapoesia  Formas livres ou tradicionais
CARACTERÍSTICAS

TEMAS

3a FASE

• • • • • • • • •

O indivíduo A terra natal A família Amigos O choque social O conhecimento amoroso A própria poesia Exercícios lúdicos O estar-no-mundo

• • • •

Novos poemas, 1948 Claro enigma, 1951 Fazendeiro do ar, 1954 A vida passada a limpo, 1959

 Investigação metafísica  Hermetismo  Memória  Erotismo  Formas tradicionais ou livres
CARACTERÍSTICAS

4a FASE

• Lição de coisas, 1962

 Poemas curtos e humorísticos  Influência do Concretismo 2. ( 3a ) Especulações em torno da palavra homem Mas que coisa é homem. Que há sob seu nome; Uma geografia? Um ser metafísico? uma fábula sem signo que a desmonte? Como pode o homem sentir-se a si mesmo, quando o mundo some? Como vai o homem junto de outro homem, sem perder o nome?

Exercícios

Classifique os textos conforme a fase de Drummond a que ele pertence. 1. ( 1a ) Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras Mulheres entre laranjeiras Pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus.

ALFA-7 850150711

149

ANGLO VESTIBULARES

E não perde o nome e o sal que ele come Nada lhe acrescenta nem lhe subtrai da doação do pai? Como se faz um homem? [...] 3. ( 2a ) Nosso tempo Este é tempo de partido, Tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, Viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem Da lei. Meu nome é tumulto e escreve-se Na pedra. 4. ( 4a ) Terras Serro Verde Serro Azul As duas fazendas de meu pai Aonde nunca fui Miragens tão próximas Pronunciar os nomes era tocá-las Texto para a questão 5 Esperei (tanta espera), mas agora, nem cansaço nem dor. Estou tranquilo. Um dia chegarei, ponta de lança, com o russo em Berlim. O tempo que esperei não foi em vão. Na rua, no telhado. Espera em casa. No curral; na oficina: um dia entrar com o russo em Berlim. Essa cidade oculta em mil cidades. Trabalhadores do mundo, reuni-vos para esmagá-la, vós que penetrais com o russo em Berlim. “Com o Russo em Berlim” 5. A diversidade temática de A Rosa do Povo pode se resumir na dualidade investigação existencial / participação social. Nessas estrofes, um desses temas se particulariza em assunto específico. De que assunto se trata? Trata-se do assunto da Segunda Guerra, abordado pela alusão à vitória dos russos contra os alemães.

Texto para a questão 6 “Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos.” 6. Estes versos, de “Procura da Poesia”, condensam um dos núcleos temáticos do livro A Rosa do Povo. De que tema se trata? Explique brevemente. Trata-se do tema da poesia contemplada, configurado no processo conhecido como metalinguagem. Por meio dele, a voz lírica do volume investiga a natureza da poesia, de seus assuntos e de suas imagens.

ORIENTAÇÃO DE ESTUDO

 Livro 3
Caderno de Exercícios — Unidade III

Tarefa Mínima
AULA 51 • Resolva os exercícios 2, 14 e 15, série 14. AULA 52 • Resolva os exercícios 27, 28 e 29, série 14.

Tarefa Complementar
AULA 51 • Leia o capítulo 14, da página 116 até a 122 (apresentação do segundo tempo do Modernismo no Brasil e estudo da poesia desse período). AULA 52 • Leia o capítulo 14, da página 122 até a 130 (apresentação do segundo tempo do Modernismo no Brasil e estudo da poesia desse período).

ALFA-7 850150711

150

ANGLO VESTIBULARES

Aulas 53 a 55
ESTUDO DA ANTOLOGIA POÉTICA, VINÍCIUS DE MORAES
ANTOLOGIA POÉTICA, VINÍCIUS DE MORAES (1a EDIÇÃO: 1954)
POEMAS SELECIONADOS DOS LIVROS: ESTILO

• • • • • • • • •

O caminho para a distância (1933) Forma e exegese (1935) Ariana, a mulher (1936) Novos poemas (1938) Cinco elegias (1943) Poemas, sonetos e baladas (1946) Pátria minha (1949) Livro de sonetos (1957) Novos poemas II (1959)

• Linguagem culta e coloquialismo • Figuras recorrentes: anáfora, apóstrofe, comparação, personificação, anadiplose, quiasmo, paralelismo, metáfora paradoxo • Retomada de formas e temas clássicos • Neorromantismo • Neossimbolismo • Neomodernismo: adequação de aspectos da poesia do séc. XIX ao século XX
2a FASE (1946-1959)

1a FASE (1933-1938)

• • • •

Poesia transcendental Misticismo cristão Busca do sublime Angústia: pureza / pecado; espiritualismo / sensualismo • Estilização da linguagem bíblica: longos versos livres • Neossimbolismo
TRANSIÇÃO (1938-1943)

• • • • • • • • • • • •

• Permanência da 1a fase • Busca de novos caminhos: experimentalismo

Materialismo Poesia do cotidiano A modernidade da vida urbana Erotismo: o amor físico A natureza (associada à sexualidade) Temática social: a guerra, a bomba atômica, a miséria, a exploração Intertextualidade Metapoesia Humorismo Antilirismo Formas tradicionais (como o soneto) Verso livre

Exercícios

Textos para a questão 1 Texto I Ai, muito andei e em vão... rios enganosos conduziram meu corpo a todas as idades Na terra primeira ninguém conhecia o Senhor das bem-aventuranças... Quando meu corpo precisou repousar eu repousei, quando minha boca ficou sedenta eu bebi Quando meu ser pediu a carne eu dei-lhe a carne mas eu me senti mendigo.
(Vinicius de Moraes, “O incriado”)

Texto II Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda Quero fazer uma poesia. Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado E me trazer muito devagarinho Não corram, não falem, fechem todas as portas a chave Quero fazer uma poesia. Se me telefonarem, só estou para Maria

ALFA-7 850150711

151

ANGLO VESTIBULARES

Se for o Ministro, só recebo amanhã Se for um trote, me chama depressa Tenho um tédio enorme da vida.
(Vinicius de Moraes, “O falso mendigo”)

1. Os fragmentos foram retirados de poemas que representam as duas fases em que o próprio Vinicius de Moraes dividiu a sua obra. Responda: a) A que fase pode ser associado o Texto I? Justifique sua resposta. O Texto I pode ser associado à primeira fase do poeta. Nota-se, por exemplo, a utilização de versos longos, mais característicos dessa fase. Outros elementos importantes são: o tom melancólico (“Ai, muito andei”), as referências religiosas (“Senhor das bem-aventuranças”) e a temática do temor ao pecado (“eu dei-lhe a carne mas eu me senti mendigo”). b) A que fase pode ser associado o Texto II? Justifique sua resposta. O Texto II pode ser associado à segunda fase. Os metros mais curtos já o distanciam da tendência anterior. Mas os aspectos mais fortemente ligados a esse período são: o tom coloquial (“devagarinho”), as referências ao cotidiano (“Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado”), o apego à realidade material, imediata (“Se for um trote, me chama depressa / Tenho um tédio enorme da vida”) e o tratamento bemhumorado da atividade poética (“manda comprar um quilo de papel almaço na venda”, “fechem todas as portas a chave / Quero fazer uma poesia”).

Escritores russos, alemães, franceses, ingleses, noruegueses Venham me dar ideias como antigamente, sentimentos como antigamente Venham me fazer sentir sábio como antigamente! Hoje me sinto despojado de tudo que não seja música Poderia assoviar a ideia da morte, fazer uma sonata de toda a tristeza humana Poderia apanhar todo o pensamento da vida e enforcá-lo na ponta de uma clave de Fá! a) O que é elegia? E ode? Ambas são formas poéticas do gênero lírico, embora a ode, na Antiguidade greco-romana, celebrasse feitos heroicos. Elegia é um tipo de composição poética caracterizada pela melancolia, associando-se a ocasiões fúnebres. A ode, por sua vez, possui um caráter mais festivo. b) A partir das definições do item anterior, dê uma explicação para o título do poema. O poeta mistura no poema elementos das duas formas poéticas. O tom enfático e arrebatado pode estar presente tanto na ode quanto na elegia. A referência à morte no penúltimo verso do fragmento transcrito é própria da elegia, mas o entusiasmo com que é tratada, quase como celebração de júbilo (“Poderia assoviar a ideia da morte, fazer uma sonata de toda a tristeza humana / Poderia apanhar todo o pensamento da vida e enforcá-lo na ponta de uma clave de Fá!”) aproxima o poema da ode.

Texto para a questão 2 Tende piedade da mulher no instante do parto Onde ela é como a água explodindo em convulsão Onde ela é como a terra vomitando cólera Onde ela é como a lua parindo desilusão. 2. Nesses versos de “Elegia desesperada”, percebe-se a ocorrência simultânea de figuras de linguagem. São elas: a) Metáfora, antítese e hipérbato. b) Epífora, paradoxo e hipérbole. c) Apóstrofe, anadiplose e quiasmo. d) Sinestesia, metonímia e personificação. e) Anáfora, comparação e prosopopeia. 3. O fragmento a seguir foi retirado do poema “Elegia quase uma ode”. Leia-o para responder o que se pede. Venham me aconselhar, filósofos, pensadores Venham me dizer o que é a vida, o que é o conhecimento, o que quer dizer a memória
ALFA-7 850150711

Textos para a questão 4 Texto I Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa — Garrafa, prato, facão — Era ele que os fazia Ele, um humilde operário, Um operário em construção.
(“O operário em construção”)

152

ANGLO VESTIBULARES

Texto II Cadáveres de Nordhausen Erla, Belsen e Buchenwald! Ocos, flácidos cadáveres Como espantalhos, largados Na sementeira espectral Dos ermos campos estéreis De Buchenwald e Dachau, Cadáveres necrosados Amontoados no chão Esquálidos enlaçados Em beijos estupefatos Como ascetas siderados Em presença da visão.
(“Balada dos mortos dos campos de concentração”)

aventura em que persiste / Que de uma vida mal-aventurada”; “prefere / Ferir a fenecer”).

6. No título, o poeta classifica seu sentimento de “maior amor”. Sugira uma explicação para essa classificação. O amor do eu lírico seria “maior” porque é dirigido a todas as coisas e ainda porque ultrapassa o próprio sentimento e atinge o amor em si mesmo (último verso). Trata-se, assim, de uma paixão pela própria paixão. Texto para a questão 7 Poética De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo O este é meu norte Outros que contem Passo por passo: Eu morro ontem Nasço amanhã Ando onde há espaço — Meu tempo é quando 7. Assinale a alternativa incorreta. a) O poema apresenta uma proposta poética conformista diante do mundo. b) Na primeira estrofe, há um exemplo de quiasmo. c) Na segunda estrofe, o vocábulo este associa-se a vida. d) Na terceira estrofe, o eu lírico recusa o tempo natural. e) Na quarta estrofe, o eu lírico institui uma concepção pessoal do tempo. Texto para a questão 8 Balada das meninas de bicicleta Meninas de bicicleta Que fagueiras pedalais Quero ser vosso poeta! Ó transitórias estátuas Esfuziantes de azul Louras com peles mulatas Princesas da zona sul: As vossas jovens figuras Retesadas nos selins Me prendem, com serem puras Em redondilhas afins. Que lindas são vossas quilhas Quando as praias abordais! E as nervosas panturrilhas

4. A respeito dos fragmentos transcritos, assinale a incorreta: a) O lirismo de Vinicius de Moraes inclui a preocupação com problemas que afligiam a sociedade de seu tempo. b) Vinicius de Moraes não se restringiu à realidade brasileira em sua poesia de temática social. c) O tratamento dado à temática social evidencia uma postura fria e distante do eu lírico, o que reforça seu teor ideológico. d) Por vezes, Vinicius abordou em sua poesia o universo do trabalho, como mostra o Texto I. e) O Texto II exemplifica um dos focos constantes do lirismo social de Vinicius: a temática da guerra. Texto para as questões 5 e 6 Soneto do maior amor Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada. E que só fica em paz se lhe resiste O amado coração, e que se agrada Mais da eterna aventura em que persiste Que de uma vida mal-aventurada. Louco amor meu, que quando toca, fere E quando fere vibra, mas prefere Ferir a fenecer — e vive a esmo Fiel à sua lei de cada instante Desassombrado, doido, delirante Numa paixão de tudo e de si mesmo. 5. No primeiro verso, o eu lírico afirma que o amor que sente é “estranho”. Sugira uma explicação para essa qualificação. O eu lírico qualifica seu sentimento de “estranho” porque prefere as tensões próprias da condição de apaixonado (comprazer-se na tristeza da amada e entristecer-se com sua alegria, como afirma na primeira estrofe) a viver sem paixão (“se agrada / Mais da eterna

ALFA-7 850150711

153

ANGLO VESTIBULARES

Na rotação dos pedais: Que douradas maravilhas! Bicicletai, meninada Aos ventos do Arpoador Solta a flâmula agitada Das cabeleiras em flor Uma correndo à gandaia Outra com jeito de séria Mostrando as pernas sem saia Feitas da mesma matéria. Permanecei! vós que sois O que o mundo não tem mais Juventudes de maiôs Sobre máquinas da paz Enxames de namoradas Ao sol de Copacabana Centauresas transpiradas Que o leque do mar abana! 8. Sobre o fragmento transcrito, pode-se dizer que: a) O eu lírico se coloca como um observador entusiasmado, celebrando a beleza física das mulheres. b) Há uma rejeição das coisas do dia a dia, vistas como ilusões que desviam o ser humano do que é essencial. c) Percebe-se o desprezo pela matéria, compreendida como uma marca do pecado que é preciso evitar a todo custo. d) Predomina a espiritualidade, entendida como instrumento para se alcançar a transcendência. e) O eu lírico demonstra abatimento e irritação diante da beleza juvenil, vendo nela a síntese de todas as dores do mundo.

ORIENTAÇÃO DE ESTUDO

 Livro 3
Caderno de Exercícios — Unidade III

Tarefa Mínima
AULA 53 • Leia o estudo sobre a Antologia poética de Vinicius de Moraes, publicado no vol. Literatura para a FUVEST/UNICAMP 2012. AULA 54 • Resolva os exercícios de 1 a 7, referentes à Antologia poética de Vinicius de Moraes, no vol. Literatura para a FUVEST/UNICAMP 2012. AULA 55 • Resolva os exercícios de 8 a 11, referentes à Antologia poética de Vinicius de Moraes, no vol. Literatura para a FUVEST/UNICAMP 2012.

Tarefa Complementar
AULA 53 • No cap. 14, leia os itens “Apresentação” e “A poesia de 30”, com seus itens “Modernização conservadora” e “Introspecção e transcendência”. AULA 54 • No cap. 14, leia o tópico “Vinicius de Moraes”. AULA 55 • Resolva o exercício 40, série 14.

ALFA-7 850150711

154

ANGLO VESTIBULARES

Aulas 56 a 58
GRACILIANO RAMOS: VIdAS SECAS

VIDAS SECAS • Primeira edição: 1938 • Gênero: romance de tensão psicológica e social • Narrador: 3a pessoa onisciente • Personagens principais: Fabiano, Sinhá Vitória, Menino mais velho, Menino mais novo, cadela Baleia • Personagens secundárias: Seu Tomás da bolandeira, Fazendeiro (patrão de Fabiano), Soldado amarelo • Temática: — a natureza inóspita: ciclo da seca nordestina — o sertanejo: embrutecimento e animalização (reificação) — a exploração do trabalhador rural — a estrutura autoritária do poder — a degradação da linguagem • Estrutura circular e desmontável: 13 capítulos ≅ contos • Estilo:  Linguagem concisa, seca e áspera  Discurso indireto livre  Monólogo interior  Neorrealismo Regionalista (2a geração modernista)
Graciliano Ramos (1892-1953)

Texto para a questão 1 “Fabiano tomou a cuia, desceu a ladeira, encaminhou-se ao rio seco, achou no bebedouro dos animais um pouco de lama. Cavou a areia com as unhas, esperou que a água marejasse e, debruçando-se no chão, bebeu muito. Saciado, caiu de papo para cima, olhando as estrelas, que vinham nascendo. Uma, duas, três, quatro, havia muitas estrelas, havia mais de cinco estrelas no céu. O poente cobria-se de círrus1 — e uma alegria doida enchia o coração de Fabiano. Pensou na família, sentiu fome. Caminhando, movia-se como uma coisa, para bem dizer não se diferenciava muito da bolandeira2 de seu Tomás. Agora, deitado, apertava a barriga e batia os dentes. Que fim teria levado a bolandeira de seu Tomás?”
( Vidas Secas, Capítulo I — “Mudança”) Notas: cirrus = nuvens formadas por flocos brancos agrupados ou enfileirados. bolandeira = nos engenhos de açúcar, roda grande puxada por animais que aciona o rolete de triturar a cana. É também usada para ralar mandioca.

Exercícios

1. Destaque do texto uma passagem que exemplifique o emprego do discurso indireto livre por Graciliano Ramos. Em que consiste tal técnica? A técnica do discurso indireto livre, que consiste em representar a “fala” da personagem diretamente inserida na linguagem do narrador, pode ser reconhecida na seguinte passagem: “Que fim teria levado a bolandeira de Seu Tomás?”

ALFA-7 850150711

155

ANGLO VESTIBULARES

Texto para a questão 2 “O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebeiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado. (…) Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De reprente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. (…)”
( Vidas secas, Graciliano Ramos)

2. (PUC-SP) Sobre o texto, é incorreto afirmar-se que a) prenuncia nova seca e relata a luta incessante que os animais e o homem travam na constante defesa da sobrevivência. b) marca-se por fatalismo exagerado, em expressão como “o sertão ia pegar fogo”; que impede a manifestação poética da linguagem. c) atinge um estado de poesia, ao pintar com imagens visuais, em jogo forte de cores, o quadro da penúria da seca. d) explora a gradação, como recurso estilístico, para anunciar a passagem das aves a caminho do Sul. e) confirma, no deslocamento das aves, a desconfiança iminente da tragédia, indiciada pela brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. Texto e imagem para a questão 3 “Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.”
( Vidas secas, Graciliano Ramos)

3. (UFPEL-RS) A partir das obras de Cândido Portinari e Graciliano Ramos, que figuram acima, é correto afirmar que a) o texto de Graciliano Ramos, diferentemente da pintura de Portinari, retrata o mero pitoresco regional, destacando as situações folclóricas particulares da região nordeste, a qual, castigada pela seca, estimulava as migrações, na República Velha. b) ambas foram produzidas durante o Estado Novo e refletem acerca do problema social presente no nordeste brasileiro, denotando um realismo, tanto na linguagem visual quanto no texto literário. c) o problema explorado em ambas as obras relaciona-se à figura do retirante e denuncia a situação desses proletários urbanos, que, em virtude da exploração capitalista, na República Velha, sofriam com o desemprego em massa. d) o problema dos retirantes não está ligado somente à opressão dos latifundiários em relação aos lavradores, mas também ao fato de ser uma ação individualizada, não acarretando perdas demográficas e político-econômicas expressivas. e) tanto na escrita de Graciliano quanto no traço artístico de Portinari, é possível entrever a “secura” que emana do ambiente da caatinga, apesar do processo de desenvolvimento econômico e de democratização já instaurados no país, à época. 4. (UPF-RS) Sobre o foco narrativo do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, é correto afirmar que: a) o narrador onisciente conhece, o tempo todo, a interioridade de todas as personagens. b) o narrador onisciente tem acesso à consciência de uma personagem de cada vez. c) há vários narradores oniscientes contando a história. d) há um narrador onisciente contando a história a partir das percepções de uma única personagem. e) a história é narrada, alternadamente, por várias personagens. 5. (UEMaringá-PR) Sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, assinale o que for correto. I. ) Os títulos “Mudança”, do primeiro capítulo, e ( “Fuga”, do último capítulo, indicam que os treze capítulos desse romance formam uma narrativa de estrutura linear e com episódios amarrados uns aos outros pela causalidade sequencial. II. ) Esse romance, pelo seu título, por sua estrutura, ( pela caracterização das personagens e do espaço físico e social, pertence ao movimento estético literário denominado Realismo/Naturalismo. III. ( ) A história desse romance, a partir do significado do seu título, representa simbolicamente a vitória do retirante nordestino, diante da opressão da natureza e da estrutura socioeconômica, na busca da sobrevivência pessoal e familiar. IV. ( X ) O trecho “Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. (...). As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria

Retirantes (1944), Cândido Portinari

ALFA-7 850150711

156

ANGLO VESTIBULARES

todo cheio de preás, gordos, enormes.” exemplifica uma narrativa em que o narrador vê o mundo pela visão da personagem e em que a personificação do animal significa mais a degradação do homem que a elevação do animal. V. ( X ) A linguagem monossilábica de Fabiano, sua autodefinição como um bruto, mas, ao mesmo tempo, sua preocupação com a família, seu senso de justiça, seu apreço por Seu Tomás da bolandeira, caracterizam-no como um homem bom, porém oprimido e quase impotente. VI. ) O traje e o nome do soldado amarelo e sua preocu( pação com a ordem pública fazem dele uma personagem cuja atuação exemplifica o senso de justiça e obediência à lei, sobretudo quando prende Fabiano. VII. ) As atitudes, falas, ações e preocupações da per( sonagem Sinhá Vitória caracterizam-na como uma personagem sem função no contexto da história narrada e como representação simbólica de um ser humano indeciso e fraco. Texto para as questões 6 e 7 Os meninos deitaram-se e pegaram no sono. Sinhá Vitória pediu o binga ao companheiro e acendeu o cachimbo. Fabiano preparou um cigarro. Por enquanto estavam sossegados. O bebedouro indeciso tornara-se realidade. Voltaram a cochichar projetos, as fumaças do cigarro e do cachimbo misturaram-se. Fabiano insistiu nos seus conhecimentos topográficos, falou no cavalo de fábrica. Ia morrer na certa, um animal tão bom. Se tivesse vindo com eles, transportaria a bagagem. Algum tempo comeria folhas secas, mas além dos montes encontraria alimento verde. Infelizmente pertencia ao fazendeiro — e definhava, sem ter quem lhe desse a ração. Ia morrer o amigo, lazarento e com esparavões, num canto de cerca, vendo os urubus chegarem banzeiros, saltando, os bicos ameaçando-lhe os olhos. A lembrança das aves medonhas, que ameaçavam com os bicos pontudos os olhos de criaturas vivas, horrorizou Fabiano. Se elas tivessem paciência, comeriam tranquilamente a carniça. Não tinham paciência, aquelas pestes vorazes que voavam lá em cima, fazendo curvas. — Pestes. 6. (FGV-Adm) Assinale a alternativa incorreta a respeito da obra da qual foi retirado o fragmento de texto. a) Explora um drama social e geográfico. b) Apresenta forte sentimentalismo, especialmente nas relações de Fabiano com o povo. c) Reduz personagens à condição animal. d) Apresenta linguagem sintética, concisa. e) Retrata quadros da vida do sertão nordestino. 7. (FGV-Adm) O discurso indireto livre está presente nesse fragmento de texto. Um exemplo dele está na alternativa: a) Os meninos deitaram-se e pegaram no sono. b) Voltaram a cochichar projetos, as fumaças do cigarro e do cachimbo misturaram-se.

c) A lembrança das aves medonhas, que ameaçavam com os bicos pontudos os olhos de criaturas vivas, horrorizou Fabiano. d) Fabiano insistiu nos seus conhecimentos topográficos, falou no cavalo de fábrica. e) Não tinham paciência, aquelas pestes vorazes que voavam lá em cima, fazendo curvas. 8. (ITA-SP) Certos traços da vertente realista-naturalista da literatura brasileira renascem com força nos anos 30 do século XX. Um marco desse renascimento é a publicação, em 1938, do livro Vidas secas, de Graciliano Ramos, romance acerca do qual é possível dizer: I. Ele registra com nitidez as sequelas da miséria sobre uma família pobre de retirantes nordestinos, miséria essa que acaba levando as personagens a um estágio de degradação moral. II. Diferentemente da narrativa realista do século XIX, o tema desse livro não é mais o adultério feminino e as relações de interesse que marcam a classe burguesa, mas sim as condições precárias de pessoas humildes do sertão brasileiro. III. Apesar de as personagens viverem em condições desumanas, elas mantêm a sua dignidade e não perdem o seu caráter nem a sua humanidade. Está(ão) correta(s): a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) apenas III. e) todas.

ORIENTAÇÃO DE ESTUDO

 Livro 3
Caderno de Exercícios — Unidade III

Tarefa Mínima
AULA 56 • Faça os exercícios 5 a 8, série 15. AULA 57 • Faça os exercícios 9 a 13, série 15. AULA 58 • Faça os exercícios 31 a 35, série 15.

Tarefa Complementar
AULA 58 • Leia o estudo sobre Vidas secas, de Graciliano Ramos, no livro Literatura para a FUVEST/UNICAMP 2012.

ALFA-7 850150711

157

ANGLO VESTIBULARES

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->