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RESUMO DIREITO AMBIENTAL

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Direito ambiental
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1º.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO - UCs Unidade de conservação é o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivo de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção (art. 2º, I, Lei 9.985/00). São órgãos gestores do SNUC: a) Órgão Consultivo e Deliberativo: CONAMA, que acompanha a implementação do sistema. b) Órgão Central: Ministério do Meio Ambiente, que coordena o sistema. c) Órgãos Executores: IBAMA, órgãos estaduais e municipais, que implementam o sistema, subsidiam as propostas de criação e administram as UC nas respectivas esferas de atuação. Biomas protegidos: Floresta amazônica, mata atlântica, serra do mar, pantanal mato grossense e Zona costeira (5), não são UC, mas são espaços protegidos. São categorias de unidades de conservação: a) Unidades de Proteção Integral: são os espaços que buscam a preservação da natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, salvo exceções legais. No caso de recaírem sobre bem particular, este deve ser desapropriado, salvo se a unidade criada for monumento natural ou refúgio de vida silvestre, caso em que poderá ser mantida a propriedade particular. O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto das seguintes categorias de unidade de conservação: 1. Estação Ecológica Tem por objetivo a preservação e a realização de pesquisas científicas. 2. Reserva Tem por objetivo a preservação integral da biota e demais atributos, sem interferência humana direta ou modificações Biológica/Ecológica ambientais, salvo medidas de recuperação e manejo necessárias para preservar a área. 3. Parque Nacional Tem por objetivo a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas e atividades de educação, recreação e turismo ecológico. 4. Monumento Tem por objetivo a preservação dos sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. Se o proprietário da área não Natural concordar com as limitações propostas pelo Poder Público, a área será desapropriada. 5. Refúgio de Vida Tem por objetivo a proteção de ambientes naturais com o fi m de garantir existência e reprodução de espécies da fl ora ou Silvestre fauna. Se o proprietário da área não concordar com as limitações propostas pelo Poder Público, a área será desapropriada.

b) Unidades de Uso Sustentável: são espaços que buscam a preservação da natureza, sendo admitido o uso direto da coisa, mas com restrições que assegurem a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. 1. Área de Proteção Ambiental 2.Área de Relevante Interesse Ecológico 3.Floresta Nacional 4.Reserva Extrativista 5.Reserva de Fauna 6.Reserva de Desenvolvimento Sustentável 7.Reserva Particular do Patrimônio Natural 8.Horto florestal 9.Jardim botânico 10.Reserva Biosfera          Área extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos naturais importantes, que deve ser protegida, disciplinando-se a ocupação e o uso sustentável. Pode ser constituída por terra particular. Área em geral pequena, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, que tem como objetivo manter o ecossistema local a partir da disciplina de seu uso admissível. Pode ser constituída por terra particular. Área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas. A área deve ser desapropriada, se for privada. Objetivos: uso sustentável da floresta nativa e pesquisa. Área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo, e, de forma complementar, na agricultura e na criação de animais de pequeno porte. Objetivos: proteger os meios de vida e cultura do povo, bem como o uso sustentável. Área de domínio público, com uso concedido às populações; ou, se particulares, devem ser desapropriadas. Área natural com populações animais de espécies nativas adequadas para pesquisas sobre seu manejo econômico. A área deve ser desapropriada, se for privada. Área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência se dá pela exploração sustentável dos recursos naturais, com conhecimentos que devem ser valorizados e aperfeiçoados, sendo área de domínio público, ou que pode ser desapropriada. Se for necessário, a área deve ser desapropriada, caso seja privada Área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. Faz-se termo de compromisso a ser averbado no Cartório. Aprimoramento e armazenamento de exemplares da flora Sítios ecológicos de relevância natural/Banco genético/Acervo científico Domínio público ou privado/Proteção integral da natureza

As unidades são criadas por ato do Poder Público (decreto ou lei específica), devendo – a criação - ser precedida de estudos técnicos e de consulta pública (esta, para permitir identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade). A consulta pública não é obrigatória para a criação de Estação Ecológica ou Reserva Biológica É possível transformar uma unidade de uso sustentável em unidade de proteção integral (majorar), ou ampliar os limites de unidade de conservação (sem mudança de categoria), por meio de ato do mesmo nível daquele que criou a unidade. É também necessário estudos técnicos e consulta pública, sem exceções. Já a desafetação ou redução dos limites de uma unidade só pode se dar mediante lei específica. A alienação, modificação ou supressão só pode ser realizada mediante lei Por fim, é importante ler os conceitos básicos que aparecem no art. 2º da Lei 9.985/00, pois eles vêm aparecendo nas provas. Obrigação de fazer imposta pelo poder público Determinação de áreas a serem especialmente protegidas por determinação de lei, decreto ou ato declaratório Podem ser UC federal, estadual ou municipal, dependendo da lei que instituiu Plano de manejo: Toda UC deve possuir um plano de manejo (lei interna das UC), representado pela própria lei que a instituiu, a sua formulação exige a implantação dos objetivos e diretrizes do SNUC. O plano de manejo é o documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma UC, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso e o manejo de recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas e necessárias à gestão da Unidade.

2º. RESPONSABILIDADE CIVIL AMBIENTAL – Reparatória/Idenizatória 1. Responsabilidade objetiva. A responsabilidade objetiva pode ser conceituada como o dever de responder por danos ocasionados ao meio ambiente, independentemente de culpa ou dolo do agente responsável pelo evento danoso. Essa responsabilidade está prevista no § 3º do art. 225 da CF, bem como no § 1° do art. 14 da Lei 6.938/81 e ainda no art. 3º da Lei 9.605/98. Quanto a seus requisitos, diferentemente do que ocorre com a responsabilidade objetiva no Direito Civil, onde são apontados três requisitos para a configuração da responsabilidade (conduta, dano e nexo de causalidade), no Direito Ambiental são necessários apenas dois. A doutrina aponta a necessidade de existir um dano (evento danoso), mais o nexo de causalidade, que o liga ao poluidor. Aqui não se destaca muito a conduta como requisito para a responsabilidade ambiental, apesar de diversos autores entenderem haver três requisitos para sua configuração (conduta, dano e nexo de causalidade). Isso porque é comum o dano ambiental ocorrer sem que se consiga identificar uma conduta específica e determinada causadora do evento. Quanto ao sujeito responsável pela reparação do dano, é o poluidor, que pode ser tanto pessoa física como jurídica, pública ou privada. Quando o Poder Público não é o responsável pelo empreendimento, ou seja, não é o poluidor, sua responsabilidade é subjetiva, ou seja, depende de comprovação de culpa ou dolo do serviço de fiscalização, para se configurar. Assim, o Poder Público pode responder pelo dano ambiental por omissão no dever de fiscalizar. Nesse caso, haverá responsabilidade solidária do poluidor e do Poder Público. Em se tratando de pessoa jurídica, a Lei 9.605/98 estabelece que esta será responsável nos casos em que a infração for cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Essa responsabilidade da pessoa jurídica não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato. A Lei 9.605/98 também estabelece uma cláusula geral que permite a desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica, em qualquer caso, desde que destinada ao ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Segundo o seu art. 4º, poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Adotou-se, como isso, a chamada teoria menor da desconsideração, para a qual basta a insolvência da pessoa jurídica,para que se possa atingir o patrimônio de seus membros. No direito civil, ao contrário, adotou-se a teoria maior da desconsideração, teoria que exige maiores requisitos, no caso, a existência de um desvio de finalidade ou de uma confusão patrimonial para que haja desconsideração. 2. Reparação integral dos danos. A obrigação de reparar o dano não se limita a pagar uma indenização; ela vai além: a reparação deve ser específica, isto é, ela deve buscar a restauração ou recuperação do bem ambiental lesado, ou seja, o seu retorno à situação anterior. Assim, a responsabilidade pode envolver as seguintes obrigações: a) de reparação natural ou in specie: é a reconstituição ou recuperação do meio ambiente agredido, cessando a atividade lesiva e revertendo-se a degradação ambiental. É a primeira providência que deve ser tentada, ainda que mais onerosa que outras formas de reparação; b) de indenização em dinheiro: consiste no ressarcimento pelos danos causados e não passíveis de retorno à situação anterior. Essa solução só será adotada quando não for viável fática ou tecnicamente a reconstituição. Trata-se de forma indireta de sanar a lesão. c) compensação ambiental: consiste em forma alternativa à reparação específica do dano ambiental, e importa na adoção de uma medida de equivalente importância ecológica, mediante a observância de critérios técnicos especificados por órgãos públicos e aprovação prévia do órgão ambiental competente, admissível desde que seja impossível a reparação específica. *No direito ambiental é adotada a teoria do risco integral: Não há exclusão no caso de caso fortuito ou força maior 3. Dano ambiental. Não é qualquer alteração adversa no meio ambiente causada pelo homem que pode ser considerada dano ambiental. Por exemplo, o simples fato de alguém inspirar oxigênio e expirar gás carbônico não é dano ambiental. O art. 3º da Lei 6.938/81 nos ajuda a desvendar quando se tem dano ambiental, ao dispor que a poluição é a degradação ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Quanto aos atingidos pelo dano ambiental, este pode atingir pessoas indetermináveis e ligadas por circunstâncias de fato (ocasião em que será difuso), grupos de pessoas ligadas por relação jurídica base (ocasião em que será coletivo), vítimas de dano oriundo de conduta comum (ocasião em que será individual homogêneo) e vítima do dano (ocasião em que será individual puro). De acordo com o pedido formulado na ação reparatório é que se saberá que tipo de interesse (difuso, coletivo, individual homogêneo ou individual) está sendo protegido naquela demanda. Quanto à extensão do dano ambiental, a doutrina reconhece que este pode ser material (patrimonial) ou moral (extrapatrimonial). Será da segunda ordem quando afetar o bem-estar de pessoas, causando sofrimento e dor. Há de se considerar que há decisão do STJ no sentido que não se pode falar em dano moral difuso, já que o dano deve estar relacionado a pessoas vítimas de sofrimento, e não a uma coletividade de pessoas. De acordo com essa decisão pode haver dano moral ambiental a pessoa determinada, mas não pode haver dano moral ambiental a pessoas indetermináveis. Perdas e danos: Tendo em vista que a vítima é a própria sociedade, este valor pecuniário: “reverterá a um fundo gerido pelo conselho federal ou por conselhos estaduais de que participarão necessariamente o MP e representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados. Licença: A licença ambiental NÃO libera o empreendedor licenciado de seu dever de reparar o dano ambiental, esta licença se regular, retira o caráter de ilicitude do ato, mas não afasta a responsabilidade civil de reparar Responsabilidade: Solidária, cabe ação regressiva Ônus: São direito difusos e coletivos, há inversão do ônus da prova 3º. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA AMBIENTAL - Preventiva A responsabilidade administrativa ocorre quando alguém pratica uma infração administrativa. A infração administrativa é assim conceituada pela lei (arts. 70 e seguintes da Lei 9.605/98): considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente. O Decreto 6.514/08 adensa o conceito acima, estabelecendo uma séria de tipos administrativos que ensejam a aplicação de sanções administrativas.

São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do SISNAMA, designados para as atividades de fiscalização, bem como os agentes das Capitanias dos Portos. O rito do processo administrativo punitivo segue o seguinte trâmite: uma vez lavrado o auto de infração, o infrator terá 20 dias para oferecer defesa ou impugnação, contados da ciência da autuação; apresentada ou não a defesa ou a impugnação, a autoridade competente terá 30 dias para julgar o autor da infração; se o julgamento importar em decisão condenatória, o infrator terá 20 dias para recorrer à instância superior do SISNAMA, ou à Diretoria de Portos e Costas do Ministério da Marinha; o pagamento da multa deverá ser feito em 5 dias, contados da data do recebimento da notificação. A responsabilidade administrativa ambiental caracteriza-se como OBJETIVA; Solidária As sanções serão aplicadas observando: a) a gravidade do fato; b)os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação ambiental; e c) a situação econômica do infrator, no caso de multa. Além disso, o aplicador deverá observar as disposições do Decreto 6.514/08, que especifica as sanções cabíveis para cada tipo administrativo lá previsto, principalmente quanto ao valor da multa cabível para cada tipo. Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, ser-lhe-ão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas. A Lei 9.605/98 estabelece as seguintes sanções: a) Advertência: será aplicada pela inobservância das disposições da legislação em vigor, sem prejuízo das demais sanções abaixo; b) Multa simples: será aplicada sempre que o agente, por negligência ou dolo: i) não sanar as irregularidades no prazo estabelecido na advertência; ii) opuser embaraço à fiscalização dos órgãos ambientais; (Ela poderá ser convertida em prestação de serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do MA) c) Multa diária: será aplicada sempre que o cometimento da infração se prolongar no tempo. Obs: As multas variam de R$ 50 a R$ 50 milhões; o pagamento de multa imposta pelos Estados e Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência; Obs.: O infrator antes do pagamento da multa, apresentação da defesa ou após decisão administrativa, tem a possibilidade de firmar o TERMO DE COMPROMISSO perante órgão ambiental, comprometendo-se a efetivar recuperação do meio ambiente lesado, garantindo a hipótese de cumprimento integral do acordo a redução de multa em 90%. A multa terá a sua exigibilidade suspensa até a comprovação do cumprimento ou não das obrigações; d) Apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração; Os Animais: Serão libertados em seu habitat natural, ou entregue à jardins zoológicos, fundações ou entidades. Produtos e subprodutos perecíveis ou madeira: Serão doados à instituições cientificas, hospitalares, penais, militares, públicas e outras. Produtos não perecíveis da fauna: Serão destruídos ou doados à instituições cientificas, culturais ou educacionais. Equipamento, petrechos e demais instrumentos: Serão vendidos pelo órgão ambiental se tiverem fins culturais, científicos ou educacionais serão doados; garantida a sua descaracterização para reciclagem. Veículos e embarcações: Serão liberados mediante o pagamento de multa e) Destruição ou inutilização do produto; f) Suspensão de venda e fabricação do produto: será aplicada quando o produto não obedecer às prescrições legais ou regulamentares; g) Embargo de obra ou atividade: será aplicado quando a obra ou atividade não obedecer às prescrições legais ou regulamentares; h) Demolição de obra: será aplicada quando a obra não obedecer às prescrições legais ou regulamentares; i) Suspensão total ou parcial de atividades: será aplicada quando a atividade não obedecer às prescrições legais ou regulamentares; j) Restritiva de direitos: são sanções desse tipo: suspensão ou cancelamento de registro, licença ou autorização, perda ou restrição de incentivos ou benefícios legais, perda ou suspensão de linhas de financiamento oficiais, e proibição de contratar com o poder público por até 3 anos. O infrator pode se insurgir contra a aplicação da sanção administrativa na via judicial. A defesa pode se dar por ação anulatória de débito fiscal (no caso de aplicação de multa, em que ainda não houve oportunidade de oferecer embargos à execução fiscal), embargos à execução fiscal (também no caso de multa), mandado de segurança contra a sanção aplicada (a ação pode ser promovida contra a aplicação de quaisquer das sanções administrativas, mas reclama direito líquido e certo, ou seja, direito cujos fatos possam ser comprovados de plano, com prova pré-constituída) ou outra ação de conhecimento, em que o autor poderá questionar qualquer sanção, inclusive com a possibilidade de fazer pedido cautelar ou de tutela antecipada, respeitados os requisitos dessas medidas contra o Poder Público. Reincidência: Constitui reincidência a prática de qualquer conduta lesiva ao meio ambiente dentro do período de 3 ANOS. Nesse caso poderá haver majoração em dobro da multa inicialmente aplicada, se a infração for da mesma natureza a multa poderá ser triplicada. No caso de conversão da multa simples em prestação de serviço se houver cometimento de nova infração, determina-se a aplicação da multa em dobro. 4º. RESPONSABILIDADE PENAL AMBIENTAL - Punitivo A lei dos crimes ambientais prevê crimes contra a flora, fauna, ordenamento urbano, patrimônio cultural, poluição e crimes internacionais 1. Responsabilidade penal ambiental das pessoas físicas: As pessoas físicas autoras, co-autoras ou partícipes de um crime ambiental, ainda que ajam em nome de pessoas jurídicas, serão responsabilizadas criminalmente. Além disso, respondem também criminalmente o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixa de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.  Às pessoas físicas são aplicáveis as seguintes penas: 1.1. Privação da liberdade (detenção ou reclusão): estas poderão ser substituídas por penas restritivas de direito quando se tratar de crime culposo ou for aplicada pena privativa de liberdade inferior a 4 anos, desde que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. 1.2. Multa: será calculada segundo os critérios do Código Penal; se se revelar ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida. 1.3. Restritivas de direito: podem ser de: a) prestação de serviços à comunidade; b) interdição temporária de direitos; c) suspensão parcial ou total de atividades; d) prestação pecuniária; e) recolhimento domiciliar. 2. Responsabilidade penal ambiental das pessoas jurídicas.

As pessoas jurídicas serão responsabilizadas nos casos em que a infração penal for cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Às pessoas jurídicas são aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente as seguintes penas: 2.1. Multa: será calculada segundo o Código Penal; se se revelar ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida. 2.2. Restritivas de direito: que poderão ser de: a) suspensão parcial ou total da atividade, em caso de infração a leis ou a regulamentos ambientais; b) interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade, em caso de funcionamento sem autorização ou em desacordo com a concedida ou a lei; c) proibição de contratar com o Poder Público ou dele receber benefícios, que não poderá exceder o prazo de 10 anos. 2.3. Prestação de serviços à comunidade: que poderão ser de: a)custeio de programa e de projetos ambientais; b) execução de obras de recuperação de áreas degradadas; c) manutenção de espaços públicos; d) contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas. 2.4. Liquidação forçada da pessoa jurídica: a pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime ambiental terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento de crime e perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional. 3. Crimes Ambientais. A Lei 9.605/98 traz, nos arts. 25 ao 69-A, diversos tipos penais, que devem ser lidos. 4. Processo penal. A ação penal quanto aos crimes previstos na Lei 9.605/98 é pública incondicionada. A composição do dano ambiental é: a) atenuante da pena; b) requisito para a transação penal; c) requisito para a extinção do processo na hipótese da suspensão do processo de que trata o art. 89 da Lei 9.099/95. A perícia de constatação do dano penal será realizada para efeitos de prestação de fiança, cálculo da multa e fixação do valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, podendo ser aproveitada a perícia produzida no inquérito civil ou no juízo cível, instaurando-se o contraditório. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá efetuar-se pelo valor nela fixado, sem prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. A competência para julgar os crimes ambientais é da Justiça Estadual, ressalvado o interesse da União, suas autarquias ou empresas públicas, quando será da Justiça Federal (art. 109, CF). O rito a ser observado é o previsto no CPP, admitindo-se transação penal (art. 27 da Lei 9.605/98 e arts. 74 e 76 da Lei 9.099/95), suspensão condicional do processo (art. 28 da Lei 9.605/98 e art. 89 da Lei 9.099/95) e suspensão condicional da pena (art. 16 da Lei 9.605/98 e arts. 77 a 82 do Código Penal) Atenuantes: 1) Baixo grau de instrução; 2) Arrependimento e reparação do dano espontaneamente; 3) Comunicação prévia do perigo de dano; 4)Cooperação com os agentes de vigilância Agravantes: 1)Reincidência; 2) Vantagem pecuniária; 3)Coação; 4)Expor a perigo; 5)Dano a propriedade alheia; 6)Atingir UC; 7)áreas urbanas; 8)período de reprodução da fauna; 9)Noite; 10) domingos e feriados; 11) secas e inundações * Pode ser utilizada como causa de justificação quando a normatização for regional ou local por determinação legal; Inexiste crime quando há PERMISSÃO, CONCESSÃO ou LICENÇA da autoridade competente *Pena de detenção ou pecuniária/ Substituição da pena de detenção por interdição dos serviços / Crimes afiançáveis 5º. Termo de compromisso e TAC Termo de compromisso Título Executivo extrajudicial Competência Órgão ambiental atuador integrante do Sisnama Redução de OK multa 90% Requisitos 1) Apresentação de projeto técnico de reparação do dano, exceto se dispensado pela autoridade competente; 2)A interrupção do cumprimento das obrigações determina a atualização monetária da dívida e o acréscimo de cláusula penal Responsabilida Responsabilidade administrativa de

TAC Executivo extrajudicial Poder público (Obrigatória anuência do MP) OK 1) Necessita da integral reparação do dano; 2) Esclarecimento dos fatos; 3)Obrigatoriedade de estipulação de cominações no caso de inadimplemento; 4) Anuência do MP quando não for autor Responsabilidade administrativa, civil e penal (Integral reparação do dano)

6º. LEI DE BIOSSEGURANÇA (LEI 11.105/05) A chamada Lei de Biossegurança estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre os organismos geneticamente modificados (OGM) e seus derivados. A Lei criou dois órgãos de suma importância: a) Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS; é órgão de assessoramento superior do Presidente da República, e é composto de Ministros de Estado b) Comissão Técnica de Nacional de Biossegurança - CTNBio. É instância colegiada multidisciplinar de caráter consultivo e deliberativo. A CTNBio estabelece normas técnicas de segurança e dá pareceres técnicos para autorização de atividades que envolvam pesquisa e comércio de OGM e derivados. A CNTBIO é o órgão responsável pela eliminação de OGMs do meio ambiente. Ela está integrada ao Ministério de Ciência e tecnologia; e tem a finalidade de assessorar o governo federal na formulação e implementação da Política Nacional de Biossegurança, em relações que envolvam OGMs. Toda atividade envolvendo OGM dependerá de parecer e autorização da CNTBIO, órgão responsável pelo acompanhamento do progresso técnico e científico nas áreas de biossegurança, biotecnologia e bioética

A lei traz uma permissão bastante polêmica, que é a possibilidade, para fins de pesquisa e terapia, da utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I – sejam embriões inviáveis; ou II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação da Lei, ou que, já congelados na data da publicação da Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento. Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores. A questão da possibilidade de utilização desses embriões para fins de pesquisa e terapia é polêmica. De um lado, há pessoas que defendem a inconstitucionalidade da autorização, por considerarem que tais células estão protegidas pelo “direito à vida”. A tese contrária entende que não há vida nessa fase e que os embriões em questão, melhor do que serem descartados, devem ser aproveitados para salvar vidas e melhorar as condições de vida de pessoas portadoras de certas doenças. O MPF ajuizou ação de inconstitucionalidade do art. 5º e §§ da Lei de Biossegurança. A ADI levou o número 3.510 no STF, que não julgou procedente a ação. A Lei proíbe expressamente a clonagem humana. A Lei também estabelece responsabilidades civil, administrativa e penal pela prática de atos que violem seus dispositivos. A responsabilidade civil por danos danos ao meio ambiente e a terceiros tem as seguintes características: a) é objetiva; b) impõe reparação integral; c) e é solidária, entre todos os responsáveis (art. 20). Biodiversidade A variação biológica de determinado lugar, ou, em termos mais genéticos, o conjunto de diferentes espécies de seres vivos em todo o planeta Patrimônio Informações genéticas contidas no todo ou em parte de espécies vegetal, microbiano ou animal ou domesticado contido genético no território nacional, plataforma continental ou zona econômica exclusiva Conhecimento Informação ou prática individual ou coletiva de comunidade indígena ou de comunidade local, com valor real ou tradicional potencial, associada ao patrimônio genético associado Engenharia Atividade de manipulação de ADN/RNA recombinante. Os produtos originados pela engenharia genética podem ser genética patenteados e constituem propriedade se seus legítimos criadores Biotecnologia Conjunto de técnicas que possibilitam aos seres humanos a realização de mudanças específicas no DNA, no RNA, ou no material genético de plantas, animais e sistemas microbianos, conducentes a produtos e tecnologia úteis Biossegurança Conjunto de normas legais e regulamentares que estabelecem critérios e técnicas para manipulação genética, no sentido de evitar danos ao meio ambiente e à saúde humana Bioprospecção Atividade de exploração que visa identificar componente do patrimônio genético e informações sobre conhecimento tradicional associado com uso comercial Biopirataria Apropriação indevida de conhecimentos tradicionais associados necessários a manipulação de biodiversidade e do desenvolvimento sustentável OGM Organismo cujo material genético (ADN, RNA) tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia genética. A lei 11.1005 estabeleceu responsabilidade solidária e objetiva pelo descarte dos OGM no meio ambiente. Organismo Toda entidade biológica capaz de reproduzir e transferir material genético, isolada ou concomitantemente, incluindo viris, príons e outras classes que venham a ser consideradas Os produtos fabricados COM a soja (grão), oriundas de semente transgênicas, não são considerados transgênicos para o ordenamento jurídico, o CDC protege as especificações do produto e não, do processo de cultivo de um dos elementos do produto. Mesmo com a inexistência de normatização sobre as especificações, deve-se aplicar analogicamente o art. 31/CDC, tornando-se obrigatória a indicação de transgênicos e OGM usados para a fabricação do produto incidindo o fornecedor nas mesmas penas. 7º. A proteção do meio ambiente em juízo. A reparação do dano ambiental pode ser buscada extrajudicialmente, quando, por exemplo, é celebrado termo de compromisso de ajustamento de conduta com o Ministério Público, ou judicialmente, pela propositura da ação competente. Há duas ações vocacionadas à defesa do meio ambiente. São elas: o a) A ação civil pública (art. 129, III, da CF e Lei 7.347/85) Titularidade: Art. 5 Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: I - o MP; (O MP, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como fiscal da lei) / II - a Defensoria Pública; III - a União, os Estados, o DF e os Municípios; / IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; / V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há pelo menos 1 ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao MA b) A ação popular (art. 5º, LXXIII, CF e Lei 4.717/65). É promovida pelo cidadão. Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do DF, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de SEM (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do DF, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer PJ ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. c) O mandado de segurança coletivo (art. 5º, LXIX e LXX, da CF e Lei 1.533/51), individual ou coletivo, preenchidos os requisitos para tanto, tais como prova pré-constituída, e ato de autoridade ou de agente delegado de serviço público; LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no CN; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; d) O mandado de injunção (art. 5º, LXXI, da CF), quando a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; (Há controvérsias) e) As ações de inconstitucionalidade genérica (arts. 102 e 103 da CF e Leis 9.868/99 e 9.882/99); e a

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa; V - o Governador de Estado; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF; V - o Governador de Estado ou do DF; VI - o PGR; VII - o Conselho Federal da OAB; VIII - partido político com representação no CN; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. f) Ação civil Pública. De responsabilidade por ato de improbidade administrativa em matéria ambiental (art. 37, § 4º, da CF, Lei 8.429/92 e art. 52 da Lei 10.257/01). São funções institucionais do Ministério Público: III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos” (artigo 129, inciso III, CF). § 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. A CF, ao tratar do Ministério Público, estabeleceu as funções institucionais do Parquet, dentre as quais, a de assumir através de um instrumento de investigação amplo (o inquérito civil), e de instrumento processual forte (a ação civil pública), a defesa de interesses difusos e coletivos, inclusive, do meio ambiente. Importante, contudo, fixar que o inquérito civil não se confunde com o policial, pois é instaurado, presidido e concluído pelo Ministério Público, e não visa outra finalidade que não a de reunir provas para futura ação civil pública, a ser proposta pelo próprio Ministério Público na defesa dos interesses acima mencionados 8º. OUTROS INSTRUMENTOS DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE 1. Espaços especialmente protegidos. Um dos instrumentos de proteção ao meio ambiente é a criação de espaços especialmente protegidos. Eles podem ser específicos (ex: uma unidade de conservação) ou genéricos, ou seja, espaços protegidos em todas propriedades com dadas características (ex: áreas de proteção especial, de preservação permanente e de reserva legal). Confira as quatro espécies de espaços especialmente protegidos. (UC / APP/ Reserva legal / Proteção Especial na Mata Atlântica) 1.1. Unidades de Conservação (Lei 9.985/00 – Lei das UCs). Vistas no capítulo anterior. 1.2. Áreas de Proteção Especial (Lei 6.766/79 – Lei de Parcelamento do Solo Urbano). De acordo com a Lei 6.766/79 (art. 13), são áreas de proteção especial aquelas de interesse especial, tais como as de proteção aos mananciais ou ao patrimônio cultural, histórico, paisagístico e arqueológico, assim definidas por legislação estadual ou federal. O Estados definirão, por decreto, as áreas de proteção especial e as normas que elas deverão seguir quando for executado um projeto de loteamento ou de desmembramento. Caberão aos Estados o exame e a anuência prévia para a aprovação, pelos Municípios, de loteamento e desmembramento localizados nessas áreas de interesse especial. 1.3. Áreas de Preservação Permanente - APP (Lei 4.771/65 – Código Florestal). O Código Florestal trata da proteção das florestas (vegetação cerrada, constituída de árvores de grande porte, cobrindo grande extensão de terras) e das demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem. A APP é definida pela lei como a área, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (art. 1º, § 2º, II). O art. 2º do Código traz um rol de áreas consideradas de preservação permanente, pelo só efeito da lei, ou seja, independente de qualquer declaração do Poder Público. Por exemplo, são APPs As florestas e demais formas de vegetação natural situadas nas faixas ao longos dos rios e ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’agua, bem como as situadas nas nascentes, no topo de morros, montes, montanhas e serras, nas restingas (como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues), dentre outras. (Mata ciliar/Encostas/Elevações/Topos de morros/Serras/Montanhas/Restingas) Já o art. 3º do Código traz rol de áreas que podem ser declaradas pelo Poder Público como de preservação permanente, tais como as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a atenuar a erosão das terras, a fixar as dunas, a formar faixas de proteção ao longo de ferrovias e rodovias, e a asilar exemplares da fauna e da flora ameaçados de extinção. As áreas de preservação permanente, como o próprio nome diz, não podem ser suprimidas. Mas há exceções. Quanto às florestas, admite-se supressão para atividades de utilidade pública ou interesse social, mediante autorização de autoridade federal (ex: para a passagem de uma rodovia). Quanto às demais formas de vegetação natural, admite-se supressão também em caso de utilidade pública ou interesse social, mediante autorização de autoridade estadual. Se a área for urbana e o município possuir conselho do meio ambiente com caráter deliberativo e plano diretor, a autoridade municipal competente dará a autorização, mediante autorização prévia da autoridade estadual. Por fim, vale lembrar que o Código Florestal estabelece que qualquer árvore poderá ser declarada imune ao corte, mediante ato do Poder Público, por motivo de sua localização, raridade, beleza ou condição de porta-sementes. APP: Obrigatoriamente imposta aos proprietários que tiveram suas áreas com nascentes, rios, lagos, etc., declive superior ou igual a 45º, topos e montes de cumes 1.4. Reserva Legal (Lei 4.771/65 – Código Florestal). A Reserva Florestal Legal (RFL) é definida pela lei como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Perceba que há duas características marcantes. A primeira é que a reserva legal está sempre em propriedade ou posse rural. A segunda é a reserva sempre existe nessas propriedades, independentemente das características do local, e consiste numa percentagem da área cujo corte raso está vedado. -Na área de reserva legal não é permitido o corte raso; é permitido o regime de MANEJO FLORESTAL sobre as áreas de reserva legal; nem o proprietário, nem o órgão ambiental podem consentir com a diminuição ou supressa da reserva legal, salvo lei federal. Cabe ao proprietário, a princípio, aponta a área destinada a reserva legal, e o órgão aprova: levando em conta: o plano de bacia hidrográfica, plano diretor municipal, ZEE, zoneamento ambiental, e proximidade com outra reserva legal, APP, UC. É possível compensar a reserva legal em outra região (desde que a área seja equivalente em importância ecológica ao mesmo ecossistema) O percentual de reserva legal na propriedade segue as seguintes regras: a) na Amazônia Legal: 80% da propriedade rural situada em área de floresta e 35% da propriedade rural situada em área de cerrado; no último caso, pelo menos 20% deve estar na propriedade e 15% pode estar na forma de compensação em outra área, desde que localizada na mesma microbacia; b) no Resto do País: 20% da propriedade rural situada em área de fl oresta, outras formas de vegetação nativa e nos campos gerais.

Uma vez definido o local da reserva legal, a indicação da área deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Quando se estiver diante de mera posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente. O proprietário assim como o possuidor estão obrigados a cumprir e manter a reserva legal, através de TAC, firma com o órgão ambiental: obrigação propter rem. 1.5. Proteção Especial na Mata Atlântica (Lei 11.428/06). A Lei 11.428/06 estabelece regras adicionais ao Código Florestal (art. 1º da Lei). Seu objetivo é regulamentar a conservação, a proteção, a regeneração e a utilização do Bioma Mata Atlântica, que é patrimônio nacional, de acordo com a Constituição. A lei estabelece que o corte, a supressão e a exploração da vegetação do Bioma Mata Atlântica far-seão de maneira diferenciada, conforme se trate de vegetação primária ou secundária, nesta última levando- se em conta o estágio de regeneração. A exploração eventual, sem propósito comercial direto ou indireto, de espécies da fl ora nativa, para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais ou de pequenos produtores rurais, independe de autorização dos órgãos competentes, conforme regulamento. Já as demais formas de exploração, quando cabíveis (há diversas vedações de cortes e supressões no art. 11 da Lei), dependem de autorização da autoridade competente. A lei também cria hipóteses de obrigatoriedade de realização de EIA/RIMA, trata de incentivos econômicos para a proteção do Bioma, cria o Fundo de Restauração do Bioma Mata Atlântica e estabelece novas penalidades de natureza criminal e administrativa. 9º. Zoneamento ambiental; O zoneamento ambiental pode ser definido como a delimitação geográfica de áreas territoriais com o objetivo de estabelecer regimes especiais de uso, gozo e fruição da propriedade. A idéia é organizar a utilização de espaços territoriais, para que não haja conflitos entre as zonas de conservação do meio ambiente, de produção industrial, de habitação das pessoas, dentre outras. O zoneamento ambiental é um dos instrumentos da PNMA e tem por objetivo regular o uso e a ocupação do solo, estabelecendo a divisão do território em parcelas, nas quais poderá ser autorizada ou vetada, total ou parcialmente, a realização de determinadas atividades. São exemplos de zoneamento: a) Zoneamento Urbano (na cidade; previsto nas leis locais): por exemplo, com divisão da cidade em zonas residenciais, mistas, industriais etc; b) Zoneamento Costeiro (Lei 7.661/88); c) Zoneamento Agrícola (Lei 4.504/64 – Estatuto da Terra); d) Zoneamento Ecológico-Econômico - ZEE (Decreto 4.297/02): é o instrumento utilizado para organizar o processo de ocupação sócio-econômicoambiental de uma Região, de um Estado ou de um Município; o Poder Público federal faz o ZEE nacional; o estadual, o ZEE estadual; e o municipal, o Plano Diretor. Tema interessante em matéria de zoneamento ambiental é a discussão sobre a possibilidade de alguém invocar a “pré-ocupação” de um dado local, para não ter que se submeter a um novo zoneamento para o local. Como o licenciamento ambiental é concedido por prazo certo, essa alegação não pode prevalecer. Já na hipótese de a licença ainda estiver em curso, pode o Poder Público cancelá-la, desde que indenize o licenciado pelos prejuízos que teria até a data em que produziria efeitos a licença que detinha. 10º. Recursos hídricos A água é um dos elementos do meio ambiente integrante do bem jurídico ambiental, ela é um BEM de DOMÍNIO PÚBLICO, no entanto essa domicialidade pública da água não faz o Estado ser seu proprietário, mas torna-os gestores do bem, no interesse da coletividade. Inexiste domínio privado sobre as águas. a) Poluição da Água: qualquer alteração química, física, ou biológica que possa importar em prejuízo á saúde, segurança ao bem estar da população, causar dano a flora, fauna ou comprometer o seu uso para finalidades socioeconômicas. b) Competência legislativa: É privativa da União; sobre a qualidade e quantidade das águas dos rios, ribeirões, riachos, lagos e represas, vão depender da implementação da política ambiental e da legislação existente do território do município. c) Competência para registro, acompanhamento e fiscalização: A competência é comum; concorrente aos Estados d) Competência dos Estados sobre águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em deposito: Ressalvadas as decorrentes de obra da União, não se enquadra como bens dominicais, mas bem de uso comum do poso com dominialidade pública e) O SUS possui competência para controle e fiscalização das águas destinadas ao consumo humano, o objetivo é de ordem sanitária e de saúde humana f) Competência (Estado/DF): Complementar (art. 30/CF) g) As águas existentes em terra indígenas comportam a integração de bens necessária à comunidade, sendo passível de exploração mediante autorização do CN, ouvida a comunidade indígena. h) Mar territorial contém águas marinhas: Competência da União, ZEE: constitui faixa de jurisdição do Estado, sendo, portando, de competência da União i) O município pode suplementar, restritivamente as normas de emissão federais e estaduais (para tomar medidas para evitar a poluição dos recursos hídricos) j) A criação do sistema nacional de recursos hídricos estabeleceu uma nova unidade de gestão: a bacia hidrográfica. A gestão de recursos hídricos será feita de forma conjunta e integrada, através dos comitês de bacia, dos quais participarão os municípios integrantes da bacia. A competência para avaliar os impactos ambientais que podem ser causados pelo empreendimento é do órgão ambiental competente, inclusive no tocante aos recursos hídricos. k) Princípios do desenvolvimento sustentável da água: disponibilidade de água, utilização racional ou utilização integrada l) Os usos de recursos hídricos dependem de outorga do poder público (máx. 35 anos), podendo ser renovada pela ANA, elas são passíveis de outorga preventiva, com validade de 3 anos. Quando da outorga definitiva o empreendedor tem 2 anos para início da implementação do empreendimento e 6 meses para conclusão dele, a outorga definitiva pode ser suspensa parcial ou totalmente, por prazo determinado ou indeterminado m) ANA: Constitui órgão responsável pela outorga dos recursos hídricos, é uma autarquia, comporta por 5 membros nomeados pelo presidente 11º. Agrotóxicos Insumos químicos utilizados para permitirem maior produtividade agrícola, com a finalidade de afastarem pragas que afetam a produção, para lei são substancias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento. O poder público deve controlar a produção, comercialização e emprego de técnicas, métodos e substancias que comportem risco para a qualidade de vida e o meio ambiente. Lei CDC: Imposição da necessidade de proteção da segurança e dos interesses econômicos dos consumidores A CF estabelece o principio da igualdade da intervenção estatal em relação aos agrotóxicos

a) b) c) d)

e)

f) g) h) i) j)

Embalagens: Os usuários de agrotóxicos e afins deverão efetuai a devolução das embalagens vazias, no prazo de até 1 ano, contado da data da compra. Os estabelecimentos devem der local apropriado para armazenamento das embalagens vazias e devem ser licenciados junto ao órgão ambiental competente. Responsabilidade: Solidária ente os agentes pelo contato do agente ao meio ambiente Competência legislativa: cada um dos entes federados possui uma parcela definida O sistema de controle do uso de agrotóxico é de competência dos ministérios da agricultura da saúde e do meio ambiente Os municípios apenas averiguam a regularidade da autorização federal. Registro dos agrotóxicos: Competência privativa do órgão federal em atribuir direito de produzir, comercializar, exportar e utilizar. Estados, DF e municípios possuem competência apenas para o registro da empresa: licenciamento da atividade, é possível o cancelamento do registro: exigência de laudo técnico. A ação nociva deve ser inferir ao já registrado. 12º. Energia nuclear Consiste na liberação de radiação ionizante, independentemente da finalidade a que se destina, que, em decorrência da nocividade causada ao meio ambiente, decorrente da própria atividade, comporta desequilíbrio ecológico Responsabilidade do utilizador da radiação: Objetiva, a responsabilidade do Estado nesse caso é solidária Pode ser utilizado para finalidade econômicas, medicinais ou cientificas, mediante autorização exclusiva da União por período determinado Competência legislativa: Privativa da União e concorrente em casos de poluição. A competência para concessão de uso em atividade agrícolas, cientificas e industrial é concorrente CNEN: Autarquia responsável pela promoção, fiscalização e utilização da energia nuclear

a) b) c) d) e) f)

13º. Mineração a) Competência legislativa: Privativa da União sobre jazidas, minas e outros recursos minerais e metalurgia b) Competência legislativa: Concorrente (U, E, DF), sobre a conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção, controle da poluição. É resguardado aos E, M e DF a competência comum na adm e proteção dos recursos minerais c) Competência comum da U, E, M, DF registrar e acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa, exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios d) Competência para autorizar exploração em terras indígenas é do CN, ouvida a comunidade indígena e) Os E e M tem o direito e dever de fiscalizar e controlar esse tipo de atividade quando realizadas em seu território f) Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei g) Há 3 forma de degradação: a primeira evitada com o licenciamento, a segunda combatida durante o funcionamento da atividade de lavra ou pesquisa, a terceira é a que cuida a CF: Recomposição h) Princípios: Precaução, desenvolvimento sustentável i) O DNPM: departamento nacional de produção mineral: visa o uso racional de recursos minerais; e controla a atividade mineradora j) Jazida: toda massa individualizada da terra que tenha valor econômico Mina: É a jazida em lavra, ainda que suspensa Lavra: conjunto de operações coordenadas objetivando o aproveitamento industrial da jazida, desde a extração até o beneficiamento das mesmas k) Tipos de controle: Autorização de pesquisa, concessão de lavra, e permissão de lavra garimpeira (Licenciamento de mineração é realizado pelos órgãos estaduais, possuindo o IBAMA de caráter supletivo) l) Autorização da mineração, mesmo que precedida de EIA, exceto quando: a) for praticada e áreas intocáveis; b) em terras indígenas (CN); c) a mineração somente poderá ser excluída através de EIA, d) recuperação do dano: caráter compensatório 14º. Fauna É bem de uso comum do podo e essencial à sadia qualidade de vida a) Fauna silvestre: É patrimônio nacional. Os animais de quaisquer espécie, em qualquer fase do seu desenvolvimento em que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo fauna silvestre, bem como seus ninhos e criadouros naturais, são propriedade do Estado, sendo proibido a sua utilização, perseguição, destruição, caça e apanha (o objeto de proteção não é de toda a fauna, mas a silvestre) b) Tipos de fauna: Silvestre; exótica e doméstica c) Função ecológica da fauna: Equilíbrio do ecossistema d) As normas federais posem ser suplementadas pelas municipais e) Competência concorrente da União e dos Estados f) A fauna silvestre é considerada um bem público de uso comum do povo g) Tutela da fauna: Preventiva e repressiva h) Modalidades de caça: Caça controle: reequilíbrio do ecossistema – impossibilidade de comercialização / Caça de subsistência: Embora não prevista, é permitida / Caça científica: Licença concedida dentro do período e por tempo determinado, não havendo licença permanente (1 ano) / Caça amadorística: Critério de oportunidade e conveniência da adm pública i) O CNPF constitui órgão consultivo e normativo vinculado ao IBAMA com objetivo de criar e implantar reservar, áreas protegidas j) Competência – julgar e processar crimes contra a fauna: Local da ocorrência do dano ou que deveria ocorrer, em regra estadual, exceto se dentro de UC ou em biomas brasileiros – Competência federal k) ZOO: Precisam de licença especial, dependem de registro no IBAMA / Os animais domésticos são protegidos contra a prática de atos de crueldade 15º. Floresta a) Competência para preservação das florestas: Comum entre U, E, DF e M / Competência para legislar: concorrente entre U, E, DF e M b) Classificação  Quanto a variabilidade: Homogênea: Uma espécie de vegetal / Heterogênea: variabilidade genética  Quanto ao tipo de reposição florestal: Nativa/Exótica  Quanto ao primitivismo: Primitivas: intocadas/ Secundárias: regeneradas; plantadas intervenção humana  Quanto à exploração: Inexploráveis: floresta de preservação permanente, parque nacional, reserva biológica, árvore imune a corte, espaço protegido / Exploráveis: rendimento permanente – utilização racional, com restrições c) A propriedade floresta, portando é uma propriedade especial, que não se confunde com propriedade em geral, A propriedade florestal, possui 3 limitações principais que são: APP / As reservas legais / Corte somente com autorização do poder público

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