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Neuroapostila

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Arlete Hilbig

O crânio é o esqueleto da cabeça, formado pelo neurocrânio e pelo esplancnocrânio. O neurocrânio

é o revestimento ósseo do encéfalo, e o esplancnocrânio forma os ossos da face, envolve órgãos dos

sentidos e constituintes dos sistemas respiratório (nariz) e digestório (boca).

Uma linha que vai da glabela até a protuberância occipital externa, divide o

neurocrânio em duas porções:

o uma porção superior: calvária ou calota craniana;
o uma porção inferior: base do crânio.

O neurocrânio é formado por oito ossos:

o Ossos ímpares: situados na linha média - frontal, etmoide, esfenoide e occiptal.
o Ossos pares: situados lateralmente - temporal e parietal.

Os ossos do crânio se articulam através de suturas que são referências importantes:

o Sutura fronto-parietal ou coronal: entre os ossos frontal e parietais.
o Sutura inter-parietal ou sagital: entre os ossos parietais.
o Sutura lambdóidea: entre ossos parietais e osso occiptal.

Ao nascimento, os ossos do crânio não completaram seu processo de ossificação. Desta forma, as

suturas ainda são formadas por mesênquima, e são chamadas de fontanelas.

o Bregmática ou anterior: situada entre o osso frontal e os parietais.
o Lambdóide ou posterior: situada entre os ossos parietais e o occipital.

Alguns ossos do crânio (frontal, temporal, esfenóide e etmóide) são ossos pneumáticos e contêm

cavidades que formam os seios da face.

A medula espinhal é contínua com o encéfalo através do forame magno, uma grande abertura do osso

occiptal, na base do crânio.

Ossos do Neurocrânio

A anatomia dos ossos do assoalho da cavidade craniana apresenta importância pela sua relação com

encéfalo e por sua disposição formando diferentes “andares” ou fossas cranianas. Desta forma, a porção
mais anterior é também mais alta – fossa craniana anterior; a porção mais posterior é a mais baixa – fossa

craniana posterior; e a porção entre as duas também fica em altura intermediária – fossa craniana média.

Alguns aspectos relacionados aos ossos serão salientados, mas mais importante é o entendimento da

formação da cavidade craniana e suas relações.

calvária

Base do
crânio

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1) Osso Frontal:

Possui três faces: - Face externa - Face interna - Face orbitária

A parte mais anterior do osso é uma superfície plana chamada de

escama. Possui uma porção horizontal (parte orbital) logo abaixo da

escama que forma o teto da órbita e o assoalho da fossa anterior da

cavidade craniana.

A margem supra-orbital do osso frontal possui a incisura supra-

orbitária para a passagem dos nervos e de alguns vasos supra-orbitais.

Logo acima da margem supra-orbital há uma crista, o arco superciliar.

Entre os arcos superciliares há a glabela, uma saliência logo acima da

raiz do nariz.

De cada lado da escama, na parte mais inferior, existem duas eminências ósseas que são os

processos zigomáticos, parte da articulação do osso frontal com o osso zigomático.

A intersecção dos ossos frontal e nasal é o násio.

Na parte interna do osso frontal, existe o sulco do seio longitudinal superior (dependência da

dura-máter) que vai se alargando á medida que se dirige posteriormente. De cada lado do sulco existem

algumas pequenas depressões que são as impressões das granulações aracnóideas. Na parte mais

inferior da escama, existe uma saliência chamada crista frontal, onde se prende a foice do cérebro (outra

dependência da dura-máter). Na base da crista frontal, está o forame cego do osso frontal, que dá

passagem aos vasos durante o desenvolvimento fetal, porém insignificante após o nascimento.

Lateralmente a lâmina horizontal, há uma depressão, a fossa da glândula lacrimal.

No osso frontal existe uma cavidade contendo ar chamado de seio frontal. Serve para dar

ressonância à voz. Comunica-se com a cavidade nasal através do ducto fronto-nasal.

2) Etmóide

Pertence ao neuro e esplancnocrânio. Somente a porção horizontal (lâmina crivosa)

e a parte superior da lâmina perpendicular (crista galli) fazem parte do neurocrânio).

Lâmina perpendicular do etmóide: uma haste vertical faz parte do septo

nasal e a porção superior penetra na cavidade craniana (processo crista galli).

Lâmina crivosa do etmóide: transversal à lâmina perpendicular, constitui

parte do teto da cavidade nasal e assoalho da fossa anterior do crânio. Possui vários

orifícios, os quais dão passagem a raízes do 1º nervo craniano (nervo olfatório).

De cada lado da lâmina crivosa, estão as massas laterais do etmóide

(labirinto etmoidal), que possuem cavidades ósseas chamadas de células etmoidais (se comunicam com a

cavidade nasal), A face lateral das massas laterais faz parte da parede medial da cavidade orbitária; a face

medial faz parte das paredes laterais das cavidades nasais. Nas paredes mediais das massas laterais

existem dois prolongamentos ósseos chamados conchas nasais superior e média. Há uma concha nasal

inferior, porém é um osso isolado que faz parte do esplancnocrânio. Entre as conchas nasais e a parede

lateral das cavidades nasais existe um espaço chamado de meato.

Labirinto
etmoidal

Crista galli

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3) Esfenóide

Osso irregular cuja forma lembra um morcego, formado por um corpo e três pares de processo: asas

maiores, asas menores e processos pterigóides.

O corpo apresenta uma cavidade, o seio esfenoidal, que se comunica com a cavidade nasal. O

corpo apresenta uma forma cúbica e, na sua face superior, uma depressão

chamada de sela túrcica, onde está alojada a glândula hipófise. A sela túrcica

é circundada pelos processos clinóides, dois anteriores e dois posteriores.

Nos processos clinóides posteriores prende-se a tenda do cerebelo.

Entre a asa maior e a asa menor do esfenóide existe um espaço,

chamada de fissura orbitária superior. Na asa maior do esfenóide há, anteriormente, o forame

redondo e, lateralmente, o forame oval.

4) Occipital

O mais posterior dos ossos ímpares; facilmente palpável em sua extensão.

A parte mais posterior e palpável do osso é uma superfície chamada escama. No plano mediano da

escama há, externamente, a protuberância occipital externa, facilmente palpável.

Na face interna do osso existe uma saliência localizada acima da protuberância occipital externa

chamada de protuberância occipital interna. Existem, também, depressões ósseas dispostas em cruz que

são as impressões dos seios da dura-máter. As depressões se encontram na confluência dos seios.

Na porção mais inferior do osso, existem duas saliências, côndilos do occipital (superfícies

articulares para a articulação atlanto-occipital).

Ao nível do forame magno está a transição entre bulbo e medula.

5) Parietal

Na superfície externa existem duas linhas arqueadas, linha temporal superior e inferior. Na linha

temporal superior está inserida a fáscia temporal, e na inferior, está inserido o músculo temporal

(mastigação). Na face interna existem vários sulcos deixados pela impressão das ramificações da artéria

meníngea média.

6) Temporal

Apresenta três porções: escamosa, timpânica e petrosa.

o Escama: apresenta o processo zigomático, para articulação com o
osso zigomático, formando a arcada zigomática.

o Placa timpânica: apresenta na parte mais lateral um orifício, o meato
acústico externo
.

o Porção petrosa: apresenta processos ou saliências ósseas. Atrás do pavilhão auricular podemos palpar
o processo mastóide. Adiante do processo mastóide, e profundamente situado, está o processo

estilóide. Entre os processos mastóide e estilóide está o forame estilomastóideo, por onde se

exterioriza o nervo facial. Dentro da porção petrosa, ou rochedo temporal, está situada a orelha interna.

No interior da cavidade craniana a porção petrosa contém um orifício, o meato acústico interno.

Processo
pterigóide

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Base do Crânio

Mais importante que o estudo dos ossos individualmente é o entendimento de suas relações e

formações na base do crânio. É através da base que passam todas as estruturas que estão entrando ou

saindo da cavidade craniana. Ela não é uniforme, apresentando três andares ou fossas cranianas: fossa

anterior, fossa média e fossa posterior.

Fossa anterior do crânio: o limite posterior é a borda posterior da asa menor do esfenóide, uma borda

cortante denominada crista esfenoidal. A crista etmoidal é rodeada de vários orifícios que formam a

lâmina crivosa do etmóide, por onde penetra o nervo olfatório.

Lâmina crivosa

I nervo craniano (olfatório)

Forames etmoidais

vasos e nervos etmoidais

Fossa média do crânio: o limite anterior é a borda posterior da asa menor do esfenóide e o limite

posterior é a borda posterior da porção petrosa do osso temporal (rochedo temporal). Na linha média

está a sela turca no corpo do esfenóide, que abriga a hipófise. Vários forames estão situados na fossa

média:

Canal óptico

II nervo craniano (óptico) e artéria oftálmica

Fissura orbitária superior

nervo oculomotor (III), nervo troclear (IV), 1º

divisão do nervo trigêmeo - oftálmico (V1), nervo

abducente (VI) e veia oftálmica

Forame redondo

2º divisão do nervo trigêmeo - maxilar (V2)

Forame oval

3º divisão do nervo trigêmeo mandibular (V3)

Forame espinhoso

Artéria meníngea média

Forame lácero/carotídeo

Artéria carótida interna

A fossa média do crânio fica “estendida” em função da inserção de uma dobra meníngea, a tenda
do cerebelo
, que separa a cavidade craniana em compartimentos supra e infratentorial (ver capítulo

meninges).

Fossa posterior do crânio: limite anterior é a porção petrosa do osso temporal. A maior e mais

profunda das três fossas do crânio aloja o cerebelo e o tronco encefálico. É fechado superiormente pela

tenda do cerebelo. O sulco do seio transverso, quando chega à base da porção petrosa do osso

temporal descreve um “s” em direção ao forame jugular: formando o sulco do seio sigmóide.

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Meato acústico interno

Nervo facial (VII), nervo intermédio de Wrisberg

(parte sensitiva do VII), nervo vestíbulococlear

(VIII) e artéria labiríntica.

Forame jugular

nervo glossofaríngeo, nervo vago, nervo

acessório, e transição seio sigmóide e veia

jugular.

Canal do hipoglosso

Nervo hipoglosso

Forame magno

bulbo, meninges, artérias vertebrais e ramos

meníngeos e as raízes espinhais dos nervos

acessórios, além do plexo venoso vertebral

interno.

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