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✏ Localização no tempo

Portugal
Itália

O Renascimento foi um movimento cultural e intelectual que teve origem em Itália, no século XIV,
e seu apogeu, no século XV, alastrando ao resto da Europa, no século XVI.
O Renascimento é um movimento de renovação, caracteriza-se por uma renovação científica,
literária e artística, com base na imitação de modelos e valores artísticos da Antiguidade Clássica.
A designação de «Renascimento» indica uma época dotada de individualidade própria,
caracterizada por um novo espírito crítico, um escrupuloso desejo de restituir os textos greco-latinos à
pureza original, um juvenil entusiasmo pela Antiguidade tomada em si mesma, uma confiança nova nas
forças naturais do Homem ( medida de todas as coisas).
Em Portugal, o séc. XVI apresenta uma fisionomia particular. A grande contribuição portuguesa
para o Renascimento foram os Descobrimentos, que desvendaram novos climas, e paisagens, e faunas,
e floras, e costumes, alargando assim o conhecimento do Mundo e do Homem, dando alimento à fome do
exótico, aguçando o sentido do relativo, ostentando a primazia da observação e da experiência sobre o
saber livresco.

Por Renascimento entende-se um movimento que tende a levar o homem ao


estudo científico do mundo, a basear-se mais na razão e na experiência, a imitar a
Antiguidade Clássica.
Classicismo é uma época literária em que vigora uma estética que segue os
modelos greco-latinos.
Os Humanistas assumiam atitudes espirituais que vão reflectir-se em toda a
escrita do Renascimento. Considerava-se a verdadeira «nobreza», sendo o saber as
línguas clássicas e o conhecimento da cultura greco-latina o seu brasão.
O DOLCE STIL NUOVO SUBSTITUI AS FORMAS TRADICIONAIS DA MEDIDA
VELHA.
No espaço ideológico e cultural, o Humanismo e o Renascimento mudaram
profundamente os valores humanos da Idade Média

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IDADE MÉDIA RENASCIMENTO

teocentrismo medieval Antropocentrismo renascentista

alma / fé razão e sensações

céu Terra

Aristotelismo cepticismo e platonismo


Intolerância religiosa Tolerância – pacifismo
Teologia Humanidades (história, filosofia, letras
Clássicas)
Condenação do corpo Valorização do corpo
(noção de pecado) anatomia de tipo apolíneo (harmonia,
equilíbrio, proporção, simetria )
alegoria mitologia greco-latina,

✏ O Renascimento em Portugal

O movimento renascentista começou a dar os seus primeiros passos , em


Portugal, a partir de meados do século XV, através de alguns filhos de D. João I e de
outros escritores ligados à corte. Mas é graças a Sá de Miranda que a estética
renascentista se desenvolveu em Portugal.
✏ Dolce stil nuovo

Expressão criada por Dante que servia para designar a poesia da sua
juventude e de outros poetas contemporâneos, reunidos em Florença nos fins do
século XIII e princípios do XIV. O dolce stil nuovo caracteriza-se por uma nova
concepção do amor, segundo a qual somente o coração nobre, límpido, é capaz
do verdadeiro amor, e, em contrapartida, o amor apenas habita o coração nobre .
Amor deve elevar os seres, platonicamente, de grau em grau até à contemplação
suprema das ideias puras. O amor é entendido como um sentimento espiritual que
transfigura os amantes pela visão de uma bem-aventurança.

✏ Medida Nova
A escola clássica mais exigente quanto à modelação da matéria poética do que
a escola tradicional, introduziu o decassílabo (metro que dá possibilidades mais
amplas de expressão) e novos géneros de estrutura poemática greco-latina ou italiana
– soneto, canção, sextina, écloga, elegia, ode, epitalâmio, epigrama, epístola,
oitava.

• Soneto
O SONETO é uma composição poética de catorze versos, dispostos em duas
quadras e dois tercetos. Apesar de ter sido criado no séc. XIII, foi Petrarca (1304-
1374) quem teve o mérito de lhe emprestar uma forma e um conteúdo que se
tornariam modelares, não só na Itália como em outros países da Europa.
O soneto foi introduzido em Portugal por intermédio de Sá de Miranda.

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Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;


É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;


É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor


Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões

✏ Estética da imitação
É difícil no nosso tempo, que acima de tudo aprecia e valoriza a originalidade,
compreender o que significa uma estética da imitação. O poeta do Renascimento
imita os clássicos e os poetas modelares, procurando deste modo aproximar-se e
aprender a lição dos grandes autores. Contudo a veneração e admiração pelos
mestres não impede a criação de uma obra original que se atreve até a rivalizar com
os modelos e a reivindicar insistentemente a sua originalidade (basta pensar em Os
Lusíadas).
Grande parte dos sonetos de Camões inspiram-se directamente em Petrarca1
e isto não diminuí minimamente a suprema beleza dos sonetos camonianos

1
Francesco Petrarca (1304 -1374) nasceu em Arezzo, Itália. Poeta e humanista, a sua influência
domina a literatura europeia até ao século XIX. Na poesia de Luís de Camões, detectamos características
literárias do poeta italiano na maneira como são retratados: a mulher (fisicamente, de olhos claros, loura e
pele branca; psicologicamente, serena, humilde e bondosa); a paisagem (como cenário ou como reflexo
do estado de alma) e o amor (com as suas contradições)...
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