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Cultura da Batata ( Solanum tuberosum L. ) Luciane Vilela Resende

Cultura da Batata

( Solanum tuberosum L. )

Luciane Vilela Resende

1ª Aula: Origem, Botânica, Valor Alimentício Importância Econômica e Condições climáticas

1ª Aula:

Origem, Botânica, Valor Alimentício Importância Econômica e Condições climáticas

ORIGEM

E DISTRIBUIÇÃO

Solanum tuberosum ssp.tuberosum

Cordilheira dos Andes

Sul Peru ; Norte Bolívia

Dados ancestrais de 8000 anos Principal fonte alimento Incas

Sistema de armazenamento e fermentação

Oito sp. Cultivadas Centenas de tuberíferas silvestres

Origem, Domesticação e Distribuição

Origem, Domesticação e Distribuição ( Centros de origem das plantas cultivadas, segundo Vavilov ) Centros de

( Centros de origem das plantas cultivadas, segundo Vavilov)

Centros de origem da batata:Chiloé e Equador, Peru, Bolivia

Distribuição

CONQUISTADORES ESPANHOIS

ESPANHA, ( 1570 )

Hawkes, 1978

INGLATERRA ( 1590 )

(Tuberizavam sob condições de dias curtos)

Distribuição CONQUISTADORES ESPANHOIS ESPANHA, ( 1570 ) Hawkes, 1978 INGLATERRA ( 1590 ) (Tuberizavam sob condições

S. tuberosum subsp. andigena

BRASIL:difundiu-se no período colonial, trazida por portugueses e ingleses

A

cultivada

batata

no

Brasil

pertence

à

tetraplóide

espécie

Solanum tuberosum.

Essa espécie dividi-se em duas subespécies,

S.

tuberosum

subsp.

tuberosum

e

S.

tuberosum

andigena,

subsp.

sendo

esta

 

somente nas regiões

cultivada

ultima

andinas. Por outro lado, as cultivares mais

modernas de batata possuem em seu

genoma

varias

espécies.

características

de

outras

Valor Alimentar

Base alimentar de americanos, europeus e alguns países latino-americanos

Quarta cultura + importante

Trigo ; milho ; arroz

Primeira olerícola mais cultivada Consumo per capita:

Europa: 100Kg/ano Brasil: menos de 15Kg em cidades de maior consumo

100 gramas batata fornece:

diariamente

8 - 13 % proteína recomendada crianças 6 - 7 % proteína recomendada adultos

8 - 10 % tiamina e niacina ( b ) 10-12% vitamina B6

50 % vitamina C

6 % ácido fólico

Potato Phisiology , (1985 )

•A batata é um dos alimentos mais nutritivos para o homem.

• Tem proteína de boa qualidade e índice de valor biológico alto.

•A batata é um dos alimentos mais nutritivos para o homem. • Tem proteína de boa

•A relação entre proteínas e calorias disponíveis indica que

ela poderá ser uma das

melhores

alternativas

alimentares para os povos dos países em desenvolvimento.

• É apresenta

uma

das

culturas que

maior

produção

de

energia e proteína por hectare

por dia.

•A relação entre proteínas e calorias disponíveis indica que ela poderá ser uma das melhores alternativas

Composição química da batata crua

Composição

Variação (%)

Média(%)

Umidade

63 a 87

77

Sólidos totais

  • 13 a 37

22

Carbohidratos

  • 13 a 31

19

Proteínas

  • 0.7 a 4,7

2.0

Cinzas

  • 0.5 a 2.0

1.0

Fibras

  • 0.2 a 1.0

0.4

Gorduras

0.02 a 1.0

0.1

 

Teores de proteínas, lipídios, glicídios e calorias da batata em comparação com outros alimentos básicos

 

g/100g

Alimento

Proteína

Lipídios

Glicídios

Calorias

Batata

1.90

 
  • 0.10 20.00

89

A rroz

7.20

 
  • 0.60 79.70

364

Feijão

21.50

 
  • 1.30 62.80

345

Mandioc

       

a

0.80

  • 0.30 36.00

149

Milho

8.70

 
  • 3.80 71.30

354

Trigo

12.7

1.8

7.80

332

Leite

3.6

3.0

4.90

61

Teores de vit.A, vit.B1, vit.B2, niacina e vit. C da batata em comparação com outros alimentos básicos

   

mg/100 g.

 
       

Niacin

 

Alimentos

Vit. A

Vit. B1

Vit. B2

a

Vit. C

Batata

5

165

  • 320 1.1

 

17.0

Arroz

-

88

 
  • 40 0.78

-

Feijão

1.5

300

  • 110 2.1

 

1.8

Mandioca

2

50

 
  • 30 0.6

31.0

Milho

23

150

  • 203 2.4

 

1.3

Trigo

-

350

  • 120 3.6

 

-

Leite

39

13

 
  • 190 0.24

1.0

Teores de cálcio, fósforo e ferro da batata em comparação com outros alimentos básicos

 

mg/100 g

 

Alimentos

Cálcio

Fósforo

Ferro

Batata

9

 
  • 69 1.0

Arroz

9

  • 104 1.3

 

Feijão

86

  • 247 7.6

 

Mandioca

28

 
  • 37 0.9

Milho

9

  • 290 2.5

 

Trigo

50

 
  • 58 1.2

Leite

123

  • 96 0.1

 

Composição

Uma batata de 150 g contém:

Proteínas- 3,7 g Lipídios (gordura)- 0 g

Energia - 150 cal

 

Carboidratos- 23 g Fibras- 27 g

Potássio 729 mg

Sódio -5 mg

 

Nutraceutica

 

A Batata é rica em K - nutriente que torna a artéria mais elástica e portanto auxilia na prevenção de acidentes vasculares e previne câimbras

Tomar suco do caldo da batata crua alivia dor no estômago

O tipo de cozimento que melhor conserva os nutrientes da batata é o à vapor e a batata com pele.

Batata não engorda. O que engorda é alimentos que a acompanham.

o

óleo

ou

os

Importância Economica

Brasil

•Primeira cultura olerácea em importância econômica

• 170 mil hectares cultivados

•Sudeste: 95% da produção Nacional

• Minas Gerais maior produtor

• Maior produtividade: 22 ton/ha

Fonte: Associação Brasileira da Batata

Fonte: Associação Brasileira da Batata

Fonte: Associação Brasileira da Batata

Fonte: Associação Brasileira da Batata

Área Colhida- Hectares

Área Colhida- Hectares Fonte: Associação Brasileira da Batata

Fonte: Associação Brasileira da Batata

Problemas da bataticultura no Brasil

Filgueira,2003

• Custo de produção elevado (aplicação excessiva de fertlizantes e defensivos);

• Baixa utilização de batata-semente qualificada

• Qualidade de produto variável

• Mercado brasileiro muito exigente em qualidade de produto

Botânica

Classificação Científica:

Ordem Solanales

• Familia: Solanaceae

• Genero:Solanum

• Espécie: S. tuberosum ssp. Tuberosum (140 países)

• 200 spp silvestres • 20 spp. Cultivadas • Outras não tuberíferas

Taxonomicamente são:

• Diplóides: 2n=2x=24 (S. stenotomum, S. phureja, S. goniocaly S x ajanhuiri)

Triplóides: 2n=3x=36 (S.Xjuzepeczukii e S. x chaucha )

Tetraplóides 2n=4x=48 : sp. Cultivadas ( S. tuberosum ssp.tuberosum, S.andigena)

Pentaplóides: 2n=5x=60 ( S. cutilobum )

Solanum tuberosum ssp. tuberosum: cultivada amplamente

Botânica

Botânica

Descrição da planta

• Caule: 2 partes: aérea e outra subterrânea o nº de hastes/planta pode variar de duas a cinco (depende:

brotação, estádio fisiológico do tubérculo-semente, das condições climáticas)

Haste principal cresce direto do tubérculo e as secundárias da haste principal. Parte subterrânea do caule é portadora de gemas situadas nas axilas de folhas rudimentares.

•Raízes: adventícias e atingem até 50 cm de profundidade • Folhas: alternadas, podem ser pilosas, varias tonalidades de verde • Flores: hermafroditas; brancas, rosadas ou arroxeadas. • Fruto: do tipo baga • Tubérculos: ovalado, redondo, achatado ou alongado. Várias tonalidades, Textura varia de lisa brilhante a rugosa opaca

Estágios de Desenvolvimento da Cultura

Estágios

Desenvolvimento

cuidados

Duração

Estágio I

Da Batata-semente ao desenvolvimento das hastes

Excesso de N e K afeta a brotação das hastes; Baixa exigência em água

1 a 2 semanas

Estágio II

Intervalo entre a emergência e o inicio da tuberização

Adubação complementar em cobertura e amontoa

Inicio entre a 4ª (precoce) e 5ª (tardia semana)

Estágio III

Início da tuberização ate o máximo desenvolvimento vegetativo

Acúmulo de fotossintatos no tubérculo. Ocorre a

Máximo crescimento ocorre até a

máxima absorção de

nutrientes. Máxima exigência de água. Inicio dos problemas fitossanitários

semana(prec oce) e 10ª semana (tardia) após o plantio.

Estágios de Desenvolvimento da Cultura

Estágios

Desenvolvimento

cuidados

 

Duração

Estágio IV

Do máximo crescimento vegetativo até a senescência natural da batateira Incremento de aumento de peso nos tubérculos . Ganho diário de 700 a 1000 Kg por ha

A exigência em água ainda é elevada, mas vai decaindo. Agravam- se os problemas fitossanitários

O amareleciment o da parte aérea inicia-se na 12ª semana (precoce) e 14ª semana (tardia) após o plantio

Ciclo

Varia entre 14 a 16 semanas

   

completo

       

Condições Climáticas

Produz melhor em condições de clima temperado ou subtropical

Altitudes desde o nível do mar (Holanda) até 4.000 m (Andes e Himalaia)

Não se adapta em clima quente e chuvoso (Amazônia) Afeta o desenvolvimento dos tubérculos e a tuberização

Termoperiodicidade diária: importante desenvolvimento da planta e para a tuberização

para

o

Temperaturas noturnas entre 10 a 16º C Diurnas entre 20 e 25º C

Temperaturas regiões tropicais

noturnas

elevadas:

limitante

ao

cultivo

em

Exigência de temperatura em cada estádio de desenvolvimento

Estágio II- emergência das hastes e o inicio da tuberização:

Temperaturas muito baixas: emergência lenta das hastes e sucetibilidade a fitopatógenos

Estágio III - Início da tuberização até o máximo desenvolvimento vegetativo Temperaturas muito altas: baixa produtividade e incidência de bacterioses Temperaturas amenas: favorecem o desenvolvimento dos tubérculos, porem aumenta a sucetibilidade a requeima

Estágio IV- Do máximo crescimento vegetativo até a senescência natural da batateira:

Temperaturas altas: estimulam o cresc. vegetativo- reduz produtividade

Clima “Tropical de altitude”: bom desempenho: temp. noturnas mais baixas compensa As diurnas mais elevadas.

Ideal: diferencial de 10º C

Exigência de Fotoperiodismo no desenvolvimento da cultura

Dia longo para Florescimento

Dia curto para tuberização

Comprimento do dia não é fator condicionante da produção nas condições brasileiras

Alta luminosidade – favorece produtividade Excesso de chuva – afeta produtividade

Moderadamente sensível a geadas

Épocas de plantio no centro-sul

Sul de S. Paulo ao sul de Goiás

Plantio em altitudes superiores a 800m

1.Plantio das águas: ( setembro a novembro) .larga escala 55% da safra regiões serranas e planaltos Problemas:

Excesso de chuvas Elevação da temperatura e alongamento do dia Problemas fitossanitários

2. Plantio da seca (fevereiro a abril)

Regiões altas e altitudes medianas Declínio da temperatura e fotoperíodo favorece a cultura Dias longos e alta luminosidade favorece a emergência rápida Necessidade de irrigação Colheita no período seco- qualidade dos tubérculos Preços melhores 32% da safra

3. Plantio de inverno: ( maio a julho)

Altitudes variadas Irrigação Temperatura e fotoperíodo são favoráveis Melhor qualidade de tubérculo Melhor preço 13% da safra

PRODUÇÃO EM MINAS GERAIS SUL DE MINAS

PRODUÇÃO EM MINAS GERAIS SUL DE MINAS

DIFICULDADE MECANIZAÇÃO

DIFICULDADE MECANIZAÇÃO

OCUPAÇÃO ÁREAS DE CAMPOS E CERRADO

OCUPAÇÃO ÁREAS DE CAMPOS E CERRADO
70 DAP

70 DAP

70 DAP

70 DAP

Irrigação

Irrigação