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Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros

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BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO

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COMISSÃO

Comandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Antonio dos Santos Antonio

Subcomandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Manoel Antônio da Silva Araújo

Chefe do Departamento de Operações Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Comissão coordenadora dos Manuais Técnicos de Bombeiros Ten Cel Res PM Silvio Bento da Silva Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias Maj PM Omar Lima Leal Cap PM José Luiz Ferreira Borges 1º Ten PM Marco Antonio Basso

Comissão de elaboração do Manual Maj PM Roberto Rensi Cunha Cap PM Sérgio Ricardo Morette 1º Ten PM Marcelo Alexandre Cicerelli 1º Ten PM Maurício Hermes Bitencourt Neves 1º Ten PM José Carlos Simões Lopes 1º Sgt PM Vicente de Paula Mariano 2º Sgt PM Carlos Rogério Cavitiolli 3º Sgt PM José Luiz Zago

Comissão de Revisão de Português 1º Ten PM Fauzi Salim Katibe 1° Sgt PM Nelson Nascimento Filho 2º Sgt PM Davi Cândido Borja e Silva Cb PM Fábio Roberto Bueno Cb PM Carlos Alberto Oliveira Sd PM Vitanei Jesus dos Santos

PREFÁCIO - MTB

No início do século XXI, adentrando por um novo milênio, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo vem confirmar sua vocação de bem servir, por meio da busca incessante do conhecimento e das técnicas mais modernas e atualizadas empregadas nos serviços de bombeiros nos vários países do mundo. As atividades de bombeiros sempre se notabilizaram por oferecer uma diversificada gama de variáveis, tanto no que diz respeito à natureza singular de cada uma das ocorrências que desafiam diariamente a habilidade e competência dos nossos profissionais, como relativamente aos avanços dos equipamentos e materiais especializados empregados nos atendimentos. Nosso Corpo de Bombeiros, bem por isso, jamais descuidou de contemplar a preocupação com um dos elementos básicos e fundamentais para a existência dos serviços, qual seja: o homem preparado, instruído e treinado. Objetivando consolidar os conhecimentos técnicos de bombeiros, reunindo, dessa forma, um espectro bastante amplo de informações que se encontravam esparsas, o Comando do Corpo de Bombeiros determinou ao Departamento de Operações, a tarefa de gerenciar o desenvolvimento e a elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros. Assim, todos os antigos manuais foram atualizados, novos temas foram pesquisados e desenvolvidos. Mais de 400 Oficiais e Praças do Corpo de Bombeiros, distribuídos e organizados em comissões, trabalharam na elaboração dos novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB e deram sua contribuição dentro das respectivas especialidades, o que resultou em 48 títulos, todos ricos em informações e com excelente qualidade de sistematização das matérias abordadas. Na verdade, os Manuais Técnicos de Bombeiros passaram a ser contemplados na continuação de outro exaustivo mister que foi a elaboração e compilação das Normas do Sistema Operacional de Bombeiros (NORSOB), num grande esforço no sentido de evitar a perpetuação da transmissão da cultura operacional apenas pela forma verbal, registrando e consolidando esse conhecimento em compêndios atualizados, de fácil acesso e consulta, de forma a permitir e facilitar a padronização e aperfeiçoamento dos procedimentos.

O Corpo de Bombeiros continua a escrever brilhantes linhas no livro de sua história. Desta feita fica consignado mais uma vez o espírito de profissionalismo e dedicação à causa pública, manifesto no valor dos que de forma abnegada desenvolveram e contribuíram para a concretização de mais essa realização de nossa Organização. Os novos Manuais Técnicos de Bombeiros - MTB são ferramentas importantíssimas que vêm juntar-se ao acervo de cada um dos Policiais Militares que servem no Corpo de Bombeiros. Estudados e aplicados aos treinamentos, poderão proporcionar inestimável ganho de qualidade nos serviços prestados à população, permitindo o emprego das melhores técnicas, com menor risco para vítimas e para os próprios Bombeiros, alcançando a excelência em todas as atividades desenvolvidas e o cumprimento da nossa missão de proteção à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio. Parabéns ao Corpo de Bombeiros e a todos os seus integrantes pelos seus novos Manuais Técnicos e, porque não dizer, à população de São Paulo, que poderá continuar contando com seus Bombeiros cada vez mais especializados e preparados.

São Paulo, 02 de Julho de 2006.

Coronel PM ANTONIO DOS SANTOS ANTONIO Comandante do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

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SUMÁRIO

1.

Introdução

04

1.1. Abordagem histórica

05

1.2. Eventos motivadores dos acidentes em área de cobertura vegetal de risco

06

1.3. Cobertura vegetal do estado de São Paulo e seus riscos

08

2.

Definições

20

3.

Lista de siglas

22

4.

Recursos humanos

23

4.1. Força de intervenção regional

23

4.2. Capacitação

específica

24

4.3. Capacitação do grupo de busca e salvamento

24

4.4. Atribuições do grupo de busca

24

4.5. Responsabilidade dos membros da equipe de busca e salvamento

25

4.6. Equipe especifica de busca

25

5.

Recursos materiais

27

5.1. Equipamentos de proteção individual e coletiva

27

5.2. Equipamentos operacionais

31

5.3. Reidratação e Reposição Energética

39

5.4. Comunicações

40

5.5. Veículos oficiais

40

6.

Emprego Operacional do Corpo de Bombeiros

41

6.1.

Premissas básicas de atuação

41

6.1.1. Postura das Uop/CB

41

6.1.2. Acionamento do socorro

41

6.1.3. Primeira resposta

41

6.1.4. Emprego da força de intervenção regional

42

6.1.5.Reunião do grupo de busca

42

6.2. Elementos fundamentais da operação de busca e salvamento

42

6.3. Orientação e navegação em áreas de cobertura vegetal de risco

43

6.3.1. Orientação

43

6.3.1.1. Global position system

44

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2

6.3.1.2.

Carta topográfica

46

6.3.1.2.1. Representação de relevo

48

6.3.1.2.2. Escala da carta

48

6.3.1.2.3. Formas de utilização 50

6.3.1.2.3.1. Designação de pontos nas cartas

50

6.3.1.2.3.2. Determinação das direções

50

6.3.1.3.

Bússola

54

6.3.1.3.1.

Procedimento de operação do equipamento

55

6.3.2. Navegação 61

6.3.2.1. Navegação terrestre diurna

62

6.3.2.2. Navegação terrestre noturna

64

6.4. Operações de busca

65

6.4.1. Pré planejamento

66

6.4.2. Primeiro aviso

67

6.4.3. Planos e estratégia

72

6.4.3.1. Instalação do posto de comando 72

6.4.3.2. Planejamento de busca e estratégia

73

6.4.3.2.1.

Dados do planejamento

74

6.4.3.3.

Estratégia de busca

76

6.4.3.3.1. Determinação da zona de busca 76

6.4.4. Táticas de busca 78

6.4.4.1. Descobrimento de indícios

78

6.4.4.2. Busca binária

79

6.4.4.3.Delimitação da área de busca

79

6.4.5.

Técnicas de busca

81

6.4.5.1. Método pente fino

81

6.4.5.2. Método

retangular

81

6.4.5.3. Método quadrado crescente 82

6.4.5.4. Método

leque

83

6.4.5.5. Método

off-set

83

6.4.6. Suspensão da missão

84

6.4.7. Crítica

85

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6.5.

Manipulação e transporte de vítima

86

6.5.1. Riscos ergonômicos para o socorrista

87

6.5.2. Regras para a movimentação de um acidentado

87

6.5.3. Imobilização de vítima na maca cesto

87

6.5.4. Transporte de vítima na maca cesto

88

6.6.

Segurança nas operações de busca e salvamento

88

7.

Apoio operacional

89

7.1. Apoio operacional interno

90

7.2. Apoio operacional externo

91

8.

Prevenção de ocorrências

92

8.1. Placas de indicação de trilhas

92

8.2. Placas de indicação de perigo

92

8.3. Panfletos

explicativos

92

8.4. Obras preventivas de isolamento de risco

94

9.

Referências normativas e bibliográficas

95

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1.

INTRODUÇÃO

As atividades denominadas, em tempos recentes, de “busca e salvamento”, já faziam parte do contexto operacional do Corpo de Bombeiros desde os primórdios de sua criação. Embora sua missão, originariamente, tenha sido o combate a incêndio, atualmente, a atividade de salvamento possui elevada estatística de atendimento operacional, tendo como destaque os serviços prestados pelas guarnições de “Resgate”.

Algumas ocorrências de busca e salvamento, em que pese o baixo número de atendimento por ano, ganham vulto por sua complexidade de resolução, como, por exemplo, as operações subaquáticas, os acidentes ferroviários, metroviários e aeroviários, desabamentos de grandes estruturas edificadas e as que se desenvolvem em áreas de cobertura vegetal de risco.

O que no passado chamava-se busca e salvamento em matas, hoje denominada intervenção em área de cobertura vegetal de risco, que teve seu nome modificado para atender aos conceitos e nomenclaturas técnicas dos tipos de vegetação que recobrem o território do Estado de São Paulo, pois a mata era apenas um tipo de cobertura vegetal de risco.

Foram consideradas coberturas vegetais de risco tudo que, por suas características de altura e densidade, dificulte ou impossibilite ao ser humano orientar-se adequadamente no terreno, tais como: mata, capoeira, cerradão, cerrado, restinga, mangue e reflorestamentos. O relevo da área também constitui um fator de risco por adicionar condições desfavoráveis ao deslocamento seguro.

Levantamentos históricos demonstram que as operações em áreas de cobertura vegetal de risco sempre foram atendidas por guarnições do Corpo de Bombeiros, no entanto, com a criação do Comando de Operações Especiais, no início do anos 70, foram treinados pelotões para agir na região de densas matas do Vale do Ribeira em oposição aos grupos guerrilheiros liderados por Carlos Lamarca, ocorre que, felizmente, o COE (Comando de Operações Especiais) acabou não exercendo sua função precípua em face do fim desta ação militar no território Paulista e, a partir de então, eles passaram a intervir também de forma independente em operação de busca e salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco.

Atualmente, dado ao grande volume de ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, nas diversas áreas operacionais, e acomodados pelo auxílio fornecido pelo COE na atividade de Busca e Salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco, o Corpo de Bombeiros foi deixando de lado algumas técnicas e conceitos importantes dessa atividade, deixando de ter um efetivo especializado e equipamentos apropriados para uma atuação eficiente.

Percebemos hoje, com o estímulo ao ecoturismo e a maior incidência de acidentes aeroviários, uma maior probabilidade de ocorrências de busca e salvamento em área de cobertura vegetal de risco e, por conseqüência, o Corpo de Bombeiros deve estar preparado para agir, atendendo aos preceitos constitucionais, que lhe atribuem como missão, operações de busca e salvamento, não excluindo nenhuma delas.

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Assim, independentemente do potencial operacional do COE, em atuar nestas ocorrências, o Corpo de Bombeiros, como uma força presente em todo o Estado, necessita resgatar as técnicas e adequar equipamentos específicos para intervir nas operações de busca e salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco, preferencialmente em conjunto com todos aqueles que possam contribuir para a resolução da emergência, que é o que deseja a população paulista.

1.1. ABORDAGEM HISTÓRICA

O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo foi criado em 10 de março de 1880, por

força da Lei do Governo Provincial de São Paulo, com a atribuição de extinção de incêndios, no entanto, desde aquele ato, extraiu-se da história por diversas vezes, o envolvimento nos

atendimentos de busca e salvamento de vidas humanas, inicialmente, de maneira geral, e posteriormente, também nas operações em áreas de cobertura vegetal de risco.

Observou-se que, mesmo naquela época, já ocorria uma série de acidentes, cujo atendimento se estendia às atribuições do Corpo de Bombeiros, talvez por ser um órgão que estivesse disponível 24 horas por dia, ou por falta de outros órgãos com destinação para tal. No esboço histórico, “A FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO”, onde se relatam as atividades desempenhadas pela corporação no período de 1831 à 1931, por ocasião de seu 1º centenário, verificou-se um trecho relativo as atividades do Corpo de Bombeiros, onde foi listada uma série de ocorrências de vulto atendidas naquele período.

Cabe destaque também o grande avanço tecnológico obtido com o incremento de manuais de treinamento e vários equipamentos de combate a incêndios e salvamento, quando a corporação estava sob comando do Tenente Coronel AFFONSO LUIS CIANCIULLI.

Em 1931, o genial CIANCIULLI, aproveitando uma viatura fora de serviço, desenha e põe em operação a primeira viatura destinada a ocorrências de salvamento, denominada “auto-salvação” e, com isso, inicia o que vem a ser hoje o Serviço de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros.

Em 1943 surge a figura do especialista de salvação, que perdurou até o final dos anos 80, como especialista de salvamento. No início da década de 50, o serviço de salvamento começa a ganhar maior atenção, chegando a constituir uma companhia em 1957.

Especificamente sobre a atividade de “busca e salvamento de vítimas em matas”, constatou-se que desde a implantação do serviço de Salvamento no Corpo de Bombeiros, na década de 50, esta era uma ocorrência típica de bombeiro, porém, com a criação do Comando e Operações Especiais, no início dos anos 70, este começou a assumir grande parte dessas ocorrências.

O COE foi criado em 13 de março de 1970, com a missão precípua de atuar nas ações

de distúrbios civis e contra guerrilha rural e urbana, em função do momento político vivido

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naquele período, no entanto, o COE nunca atuou nas operações antiguerrilha, pelo qual foi criado, pois, já em de junho de 1970, a guerrilha do Ribeira já havia acabado, dando início à desmobilização das tropas do local, de modo que, para manter o treinamento da tropa, começou-se a atuar nas atividades de busca e salvamento em mata, juntamente com o Corpo de Bombeiros.

1.2.EVENTOS MOTIVADORES DOS ACIDENTES EM ÁREAS DE COBERTURA VEGETAL DE RISCO

Existem vários eventos motivadores de acidentes com vítimas em áreas de cobertura vegetal de risco, a saber: as atividades de ecoturismo, escotismo, esportes radicais, acidentes aéreos, usuários de drogas, doentes mentais, ocorrências policiais e a curiosidade pelo desconhecido. Dentre eles destacam-se o ecoturismo e os acidentes aéreos, por serem os mais freqüentes.

O ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o

patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio de interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas.

Em verdade, o brasileiro sempre teve o fascínio pela exuberância e diversidade de fauna e flora das matas, motivando, desde muito tempo atrás, excursões de caráter técnico- científico, aventureiro, de lazer, esportivo-radical e, até mesmo, por mera curiosidade, tendo sempre como objetivo principal a fuga das tensões urbanas, da poluição sonora, visual e do ar, produzidas pelas metrópoles.

A partir deste momento os problemas passam a acontecer, na medida em que as pessoas vão além de suas condições, negligenciando regras básicas de segurança e, por vezes, sendo imprudentes ao arriscarem-se em aventuras não recomendadas.

O Brasil possui um invejável potencial ecoturístico, incluindo-se entre os países de

mega diversidade, detendo entre 10% a 20% do total de espécies do planeta. Mais especificamente no Estado de São Paulo, destacam-se a Mata Atlântica, Cerrado, Florestas de Araucária, Manguezal e Zonas Costeiras e Insulares, com grande potencial de beleza paisagística, de características interessantes, vegetação, vida selvagem, água e ar limpos.

Verificou-se que existem várias regiões, dentro do território estadual, com grande potencial para a prática dessas modalidades de turismo de aventura, dando como exemplo:

Serra da Mantiqueira, em toda sua extensão, no Vale do Paraíba e, principalmente, em Campos do Jordão, Serra da Cantareira, encosta da Serra do Mar, cavernas do Vale do Ribeira, Parques, Reservas e Florestas espalhadas em todo Estado

São muitas as atividades englobadas pelo turismo de aventura. Dentre elas destacam-se alguns esportes radicais, tais como: “Rally” automobilístico, montanhismo, “ rafting” ( descida de rios e corredeiras com embarcações infláveis ), “trekking” ( caminhadas ),

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“paraglider” ( paraquedas próprios para saltos de plataformas em montanhas), “paramotor” ( “paraglider” propulsionado a motor ), ultraleve, asa delta, espeliologia ( exploração em cavernas ), “canyoning” ( rapel em cachoeiras ).

Essas atividades, via de regra, sempre foram desenvolvidas sem planejamento e controle, tanto por parte das pessoas como pelos órgãos governamentais, dando causa a inúmeros acidentes no passado e até nos dias atuais.

No ano de 1987, o ecoturismo brasileiro ganha seu primeiro impulso com a criação da Comissão Técnica Nacional, constituída por técnicos do IBAMA e EMBRATUR (Empresa Brasileira de Turismo), no entanto, os esforços não foram suficientes para transpor alguns problemas, que perduram até os dias de hoje.

Quando se aborda a infra-estrutura para o desenvolvimento do ecoturismo, muitos componentes são levados em consideração, inclusive a Segurança Pública, fazendo com que o Corpo de Bombeiros tenha que se envolver e participar desse processo, preparando seus recursos humanos e materiais para essa nova demanda de atendimentos, não esquecendo jamais da atividade preventiva, atendendo assim aos anseios da comunidade e, por conseqüência, perpetuando a boa imagem da corporação.

Já os acidentes aéreos são eventos que se distinguem dos demais motivadores de acidentes em matas, pois, em geral, são fatos de maior gravidade e que, de acordo com o porte da aeronave, a quantidade de vítimas é elevada, causando certo impacto aos olhos do público e, quando potencializada pela mídia, cria um clima de pânico nas pessoas.

Selecionaram-se alguns fatos recentes que tiveram destaque na mídia, verificaram-se algumas dificuldades por parte dos socorristas, como se vê no acidente ocorrido na Serra da Cantareira, em 2/3/96, envolvendo a aeronave que transportava o grupo musical “Mamonas Assassinas”, onde pôde se verificar as dificuldades envolvidas nesse tipo de acidente.

No acidente com o famoso piloto automobilístico, Emerson Fittipaldi, em 07/09/97, vindo a cair com sua aeronave (ultraleve) às margens do Ribeirão das Cruzes, próximo a sua fazenda de cultivo de laranjas, com 1000 alqueires de área, são apontadas, no relatório de atendiemnto a grande extensão de área a ser pesquisadas e as dificuldades apresentadas pelo terreno onde caiu o aparelho, como óbices para um atendimento bem sucedido.

Outra queda de aeronave ocorrida em 16/01/97, na área do 5ºGB, verificou-se que a mata fechada, o difícil acesso, a falta de informações precisas no início do trabalho e dificuldade de acesso das viaturas, foram pontos que afetaram o tempo de atendimento.

Dentre os motivos que levam aos acidentes, a maior porcentagem é atribuída ao momento em que a aeronave prepara-se para o pouso ou para a decolagem, sendo mais críticos os procedimentos de aproximação e pouso das aeronaves.

Verificou-se que, o aumento da frota de helicópteros e o barateamento do custo das passagens aéreas, em função da concorrência, têm intensificado o tráfego aéreo em todo Estado, principalmente, nos aeroportos da cidade de São Paulo. E não podemos nos esquecer

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dos aparelhos aéreo-desportivos que, com um número cada vez maior de praticantes, possuem alta estatística de acidentes.

De tal modo, verificamos que a crescente demanda de vôos comerciais e desportivos, associados aos vários locais de risco, principalmente em áreas próximas a São Paulo e Vale do Paraíba, indicam a permanente preocupação que deve ter o Corpo de Bombeiros nesse tipo de intervenção.

1.3. COBERTURA VEGETAL DO ESTADO DE SÃO PAULO E SEUS RISCOS

À Dez mil anos atrás, quando os seres humanos começaram a cultivar lavouras e a erguer as primeiras cidades, 55% das terras do planeta eram cobertos por florestas. Hoje dois terços dessa vegetação não existem mais. As florestas resumem-se a menos de 20% dos continentes.

Do total de florestas hoje existentes no planeta, apenas 40% são nativos. A conservação de quase metade da mata virgem pode até parecer muito, porém 60% dessas preciosas florestas se concentram na região boreal da América do Norte e da Rússia, onde a variedade de espécies é mínima. A biodiversidade perdida é, portanto, enorme.

Por isso é tão importante preservar as florestas tropicais.

O Brasil abriga 17% das

últimas matas virgens. São áreas que concentram 22% de toda a diversidade vegetal mundial.

No Brasil, o grande exemplo de devastação ocorreu com a Mata Atlântica que, à época de seu descobrimento, ocupava uma área aproximada de 12% da área de seu território, e hoje, não passa de 10% da área primitiva. ( Ver figura 01 )

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 9 Figura 1 - Devastação da mata
DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 9 Figura 1 - Devastação da mata
DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 9 Figura 1 - Devastação da mata
DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 9 Figura 1 - Devastação da mata
DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 9 Figura 1 - Devastação da mata
DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 9 Figura 1 - Devastação da mata

Figura 1 - Devastação da mata atlântica no Brasil Fonte: ( SOUZA, O, Revista Veja, ano 29 – nº 44, 30Out96, p. 113 )

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No início do século XIX o Estado de São Paulo possuía uma cobertura florestal, em torno de 81,8%, Já em 1973 esta cobertura ficou reduzida a 8,3% e nos tempos atuais a 3% da sua área territorial. O tempo passou, e com ele se foi um dos mais preciosos bens da humanidade, sua biodiversidade e, dentro desse sistema, sua vegetação nativa. (Ver figura 02)

O marco inicial da devastação das florestas do Estado remonta aos primórdios do descobrimento do Brasil, onde esse tesouro começou a dar lugar aos interesses exploratórios da coroa portuguesa, com Martim Afonso de Souza, após a fundação de São Vicente no litoral paulista, em 1532 e, em seguida, pelas missões que ocuparam o interior.

Recente levantamento realizado pelo Instituto Florestal e a FUCATE ( Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais ), mostra que 16,67% (aproximadamente 4,1 milhões de hectares) da área total do Estado de São Paulo, são cobertos por vegetação, dois quais 13,4% correspondem a cobertura vegetal natural e 3,27% a reflorestamentos. ( Ver figura 03 )

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 1 1 Figura 2 - Reconstituição da

Figura 2 - Reconstituição da cobertura vegetal do Estado Fonte: Folheto educativo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 1 2 Figura 3 – Remanescente da

Figura 3 – Remanescente da Cobertura Vegetal do Estado

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A vegetação natural do Estado é composta por mata, capoeira, campo, cerrado, cerradão, várzea/campo, restinga, mangue e outras não classificadas, cujas proporções são demonstradas abaixo ( Ver figura 4 ):

2.000.000 1.800.000 1.600.000 1.400.000 1.200.000 1.000.000 800.000 600.000 400.000 200.000 0 1842180 983114
2.000.000
1.800.000
1.600.000
1.400.000
1.200.000
1.000.000
800.000
600.000
400.000
200.000
0
1842180
983114
Mata
Capoeira
1933 73202
Campo
Cerradão
208586
Cerrado
1834
Campo
Cerrado
133687
Campo
Varzea
31609
Restinga
8054 46545
Mangue
Não
classificada

Figura 4 - Quantidade (em hectares) dos tipos de vegetação natural do Estado

Fonte: Inventário florestal do Estado de São Paulo – INSTITUTO FLORESTAL

a) MATA é a formação vegetal com grande riqueza de espécies, geralmente apresentando três estratos: superior com espécimes arbóreas de altura entre 15 e 40 metros; intermediário com alta densidade de espécies, constituído por arbustos, arboretos e árvores de pequeno porte, entre três e dez metros e um terceiro, composto por grande variedade de ervas rasteiras, cipós, trepadeiras, além de palmeiras e samambaias. Essa vegetação atualmente recobre principalmente o litoral e Serra do Mar, estendendo-se para o interior do Estado, onde adquire características típicas de clima mais seco com perda de folhas, floração e frutificações em períodos bem determinados. ( Ver figura 05 )

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 1 4 Figura 5 - Vegetação do

Figura 5 - Vegetação do tipo Mata Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

b) CAMPO é a unidade de vegetação caracterizada pela predominância da

cobertura graminóide e herbácea. Pode ser classificada em dois sub-tipos: campos de altitude

ou serranos encontrados na Serra da Mantiqueira com sua vegetação assentada sobre solos rochosos e campos propriamente ditos, também denominados campos limpos, caracterizados por grandes extensões planas com árvores ou arbustos esparsos, condicionados às características climáticas ou do solo. ( Ver figura 06 )

características climáticas ou do solo. ( Ver figura 06 ) Figura 6 - Vegetação do tipo

Figura 6 - Vegetação do tipo Campo Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

c) CERRADÃO é a formação vegetal constituída de três estratos: superior,

com árvores esparsas, de altura entre 6 e 12 metros; intermediário, com árvores e arbustos de

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troncos e galhos retorcidos, e inferior arbustiva. Formação florestal que ocorre no Centro- Oeste do Estado, onde o relevo é plano, com solos de baixa fertilidade e as estações climáticas bem definidas. ( Ver figura 07 )

as estações climáticas bem definidas. ( Ver figura 07 ) Figura 7 - Vegetação do tipo

Figura 7 - Vegetação do tipo Cerradão Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

d) CERRADO é a formação vegetal constituída por dois estratos: superior, com arbustos e árvores que raramente ultrapassam 6 metros de altura, recobertos de espessas cascas, com folhas coriáceas e apresentando caules tortuosos, e inferior, com vegetação rasteira. ( Ver figura 08 )

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 1 6 Figura 8 - Vegetação do

Figura 8 - Vegetação do tipo Cerrado Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

e) CAMPO CERRADO é a vegetação campestre, com predomínio de

gramíneas, pequenas árvores e arbustos bastante esparsos entre si. Pode tratar-se de transição

entre campo e demais tipos de vegetação, ou às vezes resultante da degradação do cerrado. Esse tipo de formação se ressente com a estação seca, e acaba sendo alvo de incêndios anuais, até mesmo espontâneos. ( Ver figura 09 )

anuais, até mesmo espontâneos. ( Ver figura 09 ) Figura 9 - Vegetação do tipo Campo

Figura 9 - Vegetação do tipo Campo cerrado Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

f) CAMPO DE VÁRZEA é constituído de vegetação de pote baixo,

estrutura bastante variável, cuja característica é suportar inundações periódicas por estar

situada nas baixadas que margeiam os rios. Essas inundações provocadas pelas estações

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chuvosas depositam grande quantidade de material orgânico nas margens dos rios, aumentando a fertilidade de seus solos que, aliados à topografia plana, tornam estas áreas muito procuradas pela agricultura intensiva. As várzeas menos alteradas podem possuir vegetação arbórea, neste caso, podendo ser chamada de Floresta da Várzea. A vegetação característica de campo de várzea é a taboa. ( Ver figura 10 )

de campo de várz ea é a taboa. ( Ver figura 10 ) Figura 10 -

Figura 10 - Vegetação do tipo Campo de várzea Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

g) MANGUE é a formação típica de litoral, sob ação direta das marés, com solos limosos de regiões estuarinas. Constituí-se de único estrato de porte arbóreo e diversidade muito restrita. Neste ambiente salobro desenvolvem-se espécies adaptadas a essas condições, ora denominadas por gramídeas o que lhe confere uma fisionomia herbácea, ora denominadas por espécies arbóreas. ( Ver figura 11 )

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 1 8 Figura 11 - Vegetação do

Figura 11 - Vegetação do tipo Mangue Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

h) RESTINGA é a vegetação que recebe influência marinha, presente ao longo do litoral brasileiro, que depende mais da natureza solo do que do clima. Ocorre em mosaico e encontra-se em praias, cordões arenosos, dunas e depressões, apresentando de acordo com o estágio de desenvolvimento, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, este último mais interiorizado. ( Ver figura 12)

arbóreo, este último mais interiorizado. ( Ver figura 12) Figura 12 - Vegetação do tipo Restinga

Figura 12 - Vegetação do tipo Restinga Fonte: SECRETARIA ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

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Cabe salientar que a CAPOEIRA é um tipo de vegetação que tem íntima ligação com a mata, com características muito semelhantes, por vezes causando sérias dificuldades para sua identificação aos mais experientes, motivos pelos quais os técnicos da Secretaria do Estado do Meio Ambiente a interpretam de maneira incorporada as matas.

Assim, devido às características de suas formações, concluiu-se que os tipos de vegetação natural de real importância para estudos em relação ao tema abordado são:

prioritariamente as matas e, em segundo plano, o cerrado, cerradão, capoeira e restinga.

Observou-se que do total de vegetação nativa do Estado (13,4%), as matas correspondem a 55,3%, o cerradão a 2,2%, o cerrado a 6,31%, a capoeira a 29,51% e a restinga a 0,98%, assim, somando-se todas, cerca de 12,64% da área territorial é ocupada por cobertura vegetal nativa ( aproximadamente 3,14 milhões de hectares ).

A área reflorestada, principalmente Eucayiptus e Pinus, no total de 3,27% da cobertura vegetal do Estado também representam uma certa situação de risco. ( Ver figura 13 )

610.000 700.000 600.000 500.000 400.000 194.000 300.000 200.000 100.000 0 Eucalyptus Pinus
610.000
700.000
600.000
500.000
400.000
194.000
300.000
200.000
100.000
0
Eucalyptus
Pinus

Figura 13 - Proporção (em hectares) dos tipos de reflorestamento

Somando-se os 12,64% da vegetação nativa, com os 3,27% dos reflorestamentos, chegou-se a um total 15,91% ( aproximadamente 3,95 milhões de hectares ) da área total do Estado, cuja cobertura vegetal são passíveis de intervenções de busca e salvamentos de vítimas.

Daí, em que pese a crescente degradação do meio ambiente florestal, a área territorial é muito grande, suficiente para que se tenha destaque nos centros de interesse operacional do Corpo de Bombeiros.

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Contrapondo-se à degradação, considerou-se a consciência de preservação ambiental que aflora na sociedade através das áreas de preservação estaduais e federais, desenvolvimento do ecoturismo, podendo, quem sabe, reverter esse quadro desanimador.

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2. DEFINIÇÕES

2.1 Busca: Ato ou efeito de procurar, com o fim de encontrar alguma coisa, por meio

de pesquisa minuciosa ou exame.

2.2 Salvamento: Ato ou efeito de salvar, retirando pessoas ou animais do perigo.

2.3 Cobertura vegetal de risco: Tipo de vegetação que recobre regiões do território

estadual que, em função de suas características, dificulta o desenvolvimento das ações de busca e salvamento e oferece risco ao público e aos bombeiros tais como: mata, restinga,

mangue, cerrado, cerradão e capoeira.

2.4 Grupo de busca: Guarnição de bombeiros, devidamente capacitados, que tem por

objetivo realizar as ações de busca de pessoas, animais ou objetos e salvamento, se necessário, em área de cobertura vegetal de risco.

2.5 Força de intervenção regional: Sistema de mobilização de recursos humanos

especializados dentro da UOp/CB, para o atendimento de emergências de busca e salvamento

em locais de cobertura vegetal de risco, no menor tempo possível, com equipamentos adequados.

2.6 Força tarefa do CB: Sistema de mobilização de recursos humanos para o atendimento a desastre que permite a mobilização, dentro de um tempo pré-determinado, de recursos humanos especializados, com equipamentos adequados.

2.7 Oficial Supervisor: é o representante da UOp/CB perante o sistema, sendo

responsável por organizar o grupo de busca e instruí-los conforme orientação da

coordenadoria.

2.8 SICOE: Sistema de Comando e Operações em Emergências que define o escopo

das autoridades, permitindo a organização e coordenação do pessoal, material e estratégia a ser

empregada na emergência, desenvolvendo esforços para a rápida resolução das táticas na busca da eficiência do emprego dos recursos humanos.

2.9 Posto de comando: É o local de tomada de decisões, onde devem convergir todas

as comunicações, informações e logística de uma emergência.

2.10 GPS: Equipamento eletrônico que por intermédio de sinais de satélite determina

posicionamento global do usuário, por meio de coordenadas traduzidas em latitude e longitude.

2.11 Repositor eletrolítico: Nutriente capaz de promover a reposição dos eletrólitos,

tais como o sódio, potássio, cloro e magnésio, necessários para o funcionamento normal dos tecidos excitáveis (músculos), enzimas e hormônios.

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2.12 Repositor energético: Nutriente capaz de promover a reposição de carboidratos,

gorduras e proteínas a fim de fornecer a energia necessária para manutenção das atividades celulares em repouso e em movimento.

2.13 Alimentos Liofilizados: Alimentos desidratados por meio de congelamento brusco e, a seguir, alta pressão em vácuo.

2.14 Re-hidratação: Ato de re-hidratar-se (introdução de água em uma molécula) com

a finalidade de manter normais os níveis intra e extracelulares metabólicos, evitando assim, profundo comprometimento das funções cardiovascular, termorregulação e a capacidade de

realizar exercício físico.

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3. LISTA DE SIGLAS

3.1 CAES: Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores;

3.2 CAO: Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais;

3.3 CB: Corpo de Bombeiros;

3.4 CBS: Curso de Bombeiros para Sargentos;

3.5 CBO: Curso de Bombeiros para Oficiais;

3.6 CCB: Comando do Corpo de Bombeiros;

3.7 CEIB: Centro de Ensino e Instrução de Bombeiros;

3.8 CFSd: Curso de Formação de Soldados;

3.9 COE: Comandos e Operações Especiais;

3.10 DvODC: Divisão de Operações e Defesa Civil;

3.11 GPS: “Global Position System” (sistema de posicionamento global);

3.12 GRPAe: Grupamento de Rádio Patrulhamento Aéreo;

3.13 m²: metro quadrado;

3.14 MB: Manual de Bombeiro;

3.15 MTB: Manual Técnico de Bombeiro;

3.16 NORSOB: Normas para o Sistema Operacional de Bombeiros;

3.17 NOB: Norma Operacional de Bombeiros;

3.18 RACB: Relatório Aviso do Corpo de Bombeiros;

3.19 SICOE: Sistema de Comando e Operações em Emergência;

3.20 UOp/CB: Unidade Operacional do Corpo de Bombeiros;

3.21 VHF: “Very High Frequency” (freqüência muito alta).

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4. RECURSOS HUMANOS

Para que o CB atinja seus objetivos no campo operacional, mantendo sua cultura, filosofia e racionalidade, terá que lançar mão de políticas de recursos humanos adequadas.

Essas políticas são regras estabelecidas para governar funções e assegurar que elas sejam desempenhadas de acordo com os objetivos desejados. Uma dessas políticas diz respeito ao desenvolvimento de recursos humanos, que tem por objetivo preparar e desenvolver as pessoas de uma organização, através de treinamento e desenvolvimento organizacional.

A capacidade de sobrevivência residirá amplamente numa atitude mental adequada

para enfrentar situações de emergências e na posse de estabilidade emocional, a despeito de sofrimentos físicos decorrentes da fadiga, da fome, da sede e de ferimentos, por vezes graves. Se o indivíduo ou o grupo de resgate não estiver preparado psicologicamente para vencer todos os obstáculos e aceitar os piores revezes, as possibilidades de obter êxito no salvamento estarão sensivelmente reduzidas.

Em caso de busca de resgate em áreas de cobertura de risco, essa preparação aumentará seu valor. Daí porque o conhecimento das técnicas e dos processos de navegação e

sobrevivência substituirá um requisito essencial para formação do indivíduo destinado a salvar vidas, quer em operações militares, quer por outras circunstâncias quaisquer.

É de vital importância para o sucesso na administração de uma emergência que os

recursos empregados sejam plenamente habilitados, adequados e suficientes ao cumprimento das tarefas decorrentes, nos seus mínimos detalhes. Quando se realiza um bom trabalho de desenvolvimento de recursos humanos, interfere-se diretamente no produto final da prestação de serviço de uma organização, sendo que essa área genérica é chamada desenvolvimento, a qual divide-se em educação e treinamento. O treinamento significa o preparo da pessoa para o cargo, enquanto o propósito da educação é o de preparar a pessoa para o ambiente dentro e fora do seu trabalho. Esses dois enfoques, educação e treinamento, contidos no processo de desenvolvimento de RH, serão cuidadosamente correlacionados com os interesses do CB, quando se trata do assunto alvo do trabalho, pois ambos, se trabalhados de maneira positiva e desprovidas de preconceitos, trarão conhecimentos para o homem ( bombeiro ) suficientes para dar-lhes plena capacitação ao trabalho dessa especialização. Dessa forma, os bombeiros necessitam estar devidamente capacitados, cada qual no seu escalão de competência, a administrar tais situações, por meio de um processo coerente e sistematizado.

4.1 FORÇA DE INTERVENÇÃO REGIONAL

Trata-se do efetivo mínimo para o atendimento das emergências, que deve ser de 06 bombeiros, a fim de compor um Grupo de Busca, porém, para composição da infraestrutura de apoio destas operações, há necessidade de efetivo para cumprir as funções indicadas pelo SICOE.

de

Salvamento Terrestre, sendo um deles, da graduação de Sargento.

O

referido

grupo

deverá

ter

no

mínimo

dois

integrantes

com

o

curso

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A quantidade de grupos de busca atuando simultaneamente deverá levar em

consideração: a quantidade de vítimas, o tipo de vegetação, as condições climáticas, o relevo, as condições de acesso e a extensão da área a ser pesquisada. Cada grupo de busca poderá atuar por tempo indeterminado, desde que haja adequada reposição energética, hidratação e descanso, devendo ter auto-suficiência para ação, inclusive para o socorro de seus integrantes.

O comandante, quando a natureza da operação permitir, deverá prever o

revezamento dos “grupos de busca” considerando os efeitos da fadiga psicofísica sobre o homem.

A força de intervenção regional será acionada através do plano de chamada e

reunir-se-á na sede do GB para definir a postura inicial e selecionar o material necessário para a empreitada.

4.2 CAPACITAÇÃO ESPECÍFICA

Deverá ser previsto um mínimo de 10 horas-aula para a capacitação no currículo do Curso de Formação de Soldado (CFSd), 30 horas-aula para o Curso de Especialização de Sargentos (CBS), 45 horas-aula para o Curso de Especialização de Oficiais (CBO), e 130 horas-aula para o curso específico da matéria.

Para que não se tenha solução de continuidade dos treinamentos de formação e especialização, faz-se necessária a programação de revisão de conhecimentos. Esse programa deve calcar-se nas ITP, sendo que, deve-se prever treinamentos nos locais de risco, dentro da área do PB que os possuam, propiciando aos bombeiros operacionais contatos freqüentes com essas regiões, facilitando atendimentos futuros.

Se o profissional bombeiro, no seu ambiente diário de convívio social e do serviço,

estiver interagindo com pessoas que possuam conhecimentos, interesse e afinidade com assuntos ligados ao tema de busca e salvamento de vítimas áreas de risco, propiciará a transferência dessa bagagem para sua vida profissional, tanto nos treinamentos e nas operações reais. Nesses treinamentos, o bombeiro aproveita para fazer contatos com moradores, mateiros, pescadores e outras pessoas que possuam conhecimento das áreas discriminadas e, principalmente, contatando as administrações das Unidades de Preservação Ambiental espalhadas por todo o estado. Ao executar-se os treinamentos, estar-se-á dando manutenção aos equipamentos que serão efetivamente utilizados, pois estão na posse de profissionais capacitados.

4.3. CAPACITAÇÃO DO GRUPO DE BUSCA E SALVAMENTO

Seguindo a doutrina de um grupo de trabalho devidamente coordenado e comandado, devemos lembrar a importância da contribuição individual de cada membro no desempenho das missões, de modo a garantir a segurança da equipe e das pessoas a serem buscadas. Cada tarefa tem suas peculiaridades, quer seja administrativa ou operacional, porém, todas possuem igual importância na manutenção da equipe e sucesso da missão

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4.4. ATRIBUIÇÕES DO GRUPO DE BUSCA

Desenvolver e adotar medidas de prevenção de acidentes; Responder prontamente aos acidentes e identificar de maneira rápida as vítimas e suas lesões; Sustentar e prolongar a vida das vítimas, por meio de medidas convenientes, no local do acidente, durante o transporte e quando seja possível; Diminuir a probabilidade de hospitalização prolongada e ou incapacidade permanente mediante a aplicação oportuna e adequada dos primeiros socorros; Prover o transporte adequado e necessário no menor tempo possível para proporcionar a vítima o atendimento médico adequado; Aplicar as técnicas de busca e salvamento de vítimas em locais de difícil acesso; Manter todos os equipamentos em condições de uso; Efetuar atividades de treinamento para manter e elevar a capacitação e habilidade pessoal dos membros da equipe.

4.5. RESPONSABILIDADE DOS MEMBROS DA EQUIPE

Ser habilitado e saber aplicar as técnicas de primeiros socorros e equipamentos de resgate quando do encontro das vítimas; Conhecer as técnicas e saber utilizar as formas corretas de transporte de uma vítima conforme o tipo de lesão; Conhecer e empregar os equipamentos de proteção individual, bem como as medidas de segurança individual e coletiva; Realizar práticas periódicas de técnicas de busca, salvamento e resgate; Praticar sessões de condicionamento físico; Efetuar manutenção do equipamento disponível para a equipe de resgate; Participar dos simulados de emergência programados, para avaliar a efetividade e desenvolvimento da equipe de busca e salvamento; Colaborar na capacitação de novos integrantes da equipe.

4.6.

EQUIPE ESPECÍFICA DE BUSCA

1.

Líder de grupo: Geralmente composto por um sargento comandante da guarnição. Deve possuir competência técnica, liderança, capacidade de decisão sob pressão. Tem como atribuições ser o elo entre a equipe operacional e a coordenação geral, definir as tarefas de cada integrante da equipe, além da segurança do grupo.

2.

Auxiliares: Profissionais com competência técnica, que acatem ordens e trabalhem em equipe, além de habilidade e autocontrole para situações adversas. Devem estar aptos para qualquer tipo de intervenção, bem como manuseio e condução dos equipamentos a serem empregados na operação.

3.

Habilitação do grupo : Devido a grande variedade de ocorrências e situações inusitadas que o grupo pode se deparar é recomendado que o mesmo seja composto por profissionais

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26

habilitados com cursos de salvamento terrestre, salvamento em altura ou salvamento com cordas, curso de resgate, curso de salvamento aquático, noções de navegação com bússola e gps, entre outros também importantes.

4.

Administração do Grupo:

Rigidez física e mental, autocontrole, habilidade e atitude, zelo com os equipamentos e iniciativa são atributos necessários para todo e qualquer membro da equipe.

Cada membro da equipe tem uma função previamente definida para que não existam choques de idéias nem de competência de decisão, motivo pelo qual surge a figura do comandante do grupo.

Na hierarquia de trabalho a subordinação funcional tem o objetivo de tornar mais fácil a operação à medida em que distribui a responsabilidade de decidir e executar entre os membros do grupo.

A hierarquia dentro do grupo não deve excluir a possibilidade de sugestão de idéias antes, durante e ao término da operação, pois o objetivo deve ser alcançado por meio da coerência e do bom senso, onde a troca de experiências vividas é fundamental para o sucesso da operação.

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27

5. RECURSOS MATERIAIS

5.1. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA

A fim de garantir a segurança do bombeiro nestas ocorrências, seu equipamento individual deverá ser composto por:

Nos padrões do CB, confeccionado em tecido que proporcione conforto necessário

para o bombeiro durante a execução de seu trabalho nas buscas, pois estará sujeito a variações

de temperaturas devido a ação do sol, umidade, chuva e trabalhando de dia ou de noite. Dentre os tecidos que encontramos no mercado oferecidos pela indústria têxtil encontramos o Supplex, Cordura e Rip-stop que podem servir de matéria-prima para a confecção de diferentes peças e acessórios (figura 1);

confecção de diferentes peças e acessórios (figura 1); Figura 1 • Botas especiais para a atividade

Figura 1

Botas especiais para a atividade – confeccionadas de forma a garantir conforto,

leveza, proteção, transpiração e permita o um rápido escoamento d’água após sua

imersão (figura 2);

rápido escoamento d’água após sua imersão (figura 2); Figura 2 • Capacete com proteção para os

Figura 2

Capacete com proteção para os olhos – em algumas situações de mata fechada,

faz-se necessário a utilização de proteção para os olhos, em função de insetos, poeiras

ou outros objetos que podem entrar na vista do bombeiro. O capacete por si só já é um equipamento de segurança de uso obrigatório, devendo ser retirado somente após o

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término da ocorrência. Deve ser leve, fabricado em policarbonato e poliuretano, possuir encaixe para afixar lanterna (head lamp), uma excelente ventilação, e sistema de ajuste que garanta um perfeito encaixe em qualquer formato de cabeça (figura 3A e

3B);

encaixe em qualquer formato de cabeça (figura 3A e 3B); Figura 3A e 3B • Luvas
encaixe em qualquer formato de cabeça (figura 3A e 3B); Figura 3A e 3B • Luvas

Figura 3A e 3B

Luvas adequadas a atividade – a fim de evitar ferimentos nas mãos, deve-se

sempre estar calçado com luvas, preferencialmente do tipo salvamento, as quais propiciam segurança e facilidade na percepção dos objetos a volta, devem ser reforçadas no palmar e dedos, devem permitir boa mobilidade dos dedos durante manuseio de equipamentos em geral, devendo se ajustar a mão sem folgas. (figura 4);

geral, devendo se ajustar a mão sem folgas . (figura 4); Figura 4 • Poncho –

Figura 4

Poncho – Anorak vêm da língua francesa e quer dizer capa de chuva e deve ser

confeccionado com tecido que permita proteção contra fortes ventos (corta-vento) e boa resistência a chuva, mas permita também uma boa passagem do suor para parte externa, evitando que o bombeiro fique molhado por excesso de transpiração. Deve possuir recipiente próprio para armazenamento, tornando-se uma peça bastante compacta. Utilizado para manter seca a vestimenta do bombeiro. Deve estar sempre à disposição, pois as condições climáticas podem se alterar a qualquer momento (figura 5A e 5B);

podem se alterar a qualquer momento (figura 5A e 5B); Figura 5A e 5B • Ivanhoé
podem se alterar a qualquer momento (figura 5A e 5B); Figura 5A e 5B • Ivanhoé

Figura 5A e 5B

Ivanhoé – Utilizado para proteção do rosto do Bombeiro contra picadas de insetos e possíveis arranhões (figura 6);

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 2 9 Figura 6 • Kit higiene

Figura 6

Kit higiene pessoal – A preocupação com o asseio pessoal não deve ser deixada de

lado, para tanto, cada bombeiro deve portar um kit básico de higiene pessoal, recomenda-se os itens mínimos a seguir (figura 7):

1 – Escova de dentes;

2 – Pasta de dentes;

3 – Sabonete;

4 – Toalha pequena;

5 – Papel higiênico;

– Sabonete; 4 – Toalha pequena; 5 – Papel higiênico; Figura 7 • Repelente de insetos

Figura 7

Repelente de insetos – Muitos dos insetos existentes em nossas matas podem

causar infecções, desconforto e mal-estar, se vierem a picar a pele do bombeiro. Para

evitar tais ocorrências, deve-se sempre passar um repelente de insetos;

Filtro solar – O bombeiro deve ter sempre em mente que, apesar de em muitos casos

encontrar-se em mata fechada, ainda assim a exposição prolongada aos raios solares, mesmo que parcialmente filtrados pela vegetação, podem vir a provocar queimaduras na pele, desta forma deve-se prevenir com a utilização de protetores solares;

A fim de garantir a segurança do grupo de busca, deverão ser previstos os seguintes materiais de proteção coletiva:

Conjunto de primeiros socorros, medicamentos e soros antiofídicos – Mesmo tomando

todas as precauções necessárias os Bombeiros envolvidos nas ações de busca e salvamento não estão livres de acidentes pessoais e mordeduras de animais e insetos venenosos e, para tanto, devem estar munidos de kits de primeiros socorros, bem como os soros mais comuns, para dar pronto atendimento aos membros da equipe que venham a se acidentar. Para

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montagem de um kit mínimo de primeiros socorros e medicamentos recomenda-se os itens da tabela abaixo:

Item

 

Quantidade

Gazes estéreis

3

pacotes de 10 unidades

Ataduras de crepe largura 10 cm

1

Unidade

Esparadrapo (serve Silver Tape)

1

rolo pequeno

Clorexidine alcoólico (anti-séptico)

1

frasco de pelo menos 30 ml

Tylenol ou Dipirona ou Advil ou similar (dor, febre)

10

Comprimidos

Celebra 200 ou Arcóxia ou Feldene 20 ou Voltaren ou similar (antiinflamatório)

10

Comprimidos

Imosec (antidiarréico)

5

Comprimidos

Claritin ou Allegra 180 ou Loratadina (genérico) (anti- histamínico, antialérgico)

5

Comprimidos

Plasil ou Plasil Enzimático ou similar (náusea, vômitos)

5

Comprimidos

Protetor Solar Fator 30

1

Frasco

Repelente para mosquitos / insetos

1

Frasco

Luva de látex

1

par

Sal

1

Porção de uma colher de chá

Pastilhas ou gotas para purificação de água (Hidrosteril ou similar)

1

frasco

Kit Armamento – Não se sabe o que tipo de situação pode estar aguardando a

equipe de busca e salvamento de serviço, por este motivo, a equipe deve estar portando

um kit básico composto por (figura 8):

1 – Armamento nos padrões da PMESP;

2 – Munição reserva;

3 – Acessórios para limpeza do armamento;

4 – Óleo para lubrificação do mecanismo e proteção contra ferrugem;

lubrificação do mecanismo e prot eção contra ferrugem; Figura 8 5.2 EQUIPAMENTOS OPERACIONAIS Com o intuito

Figura 8

5.2 EQUIPAMENTOS OPERACIONAIS

Com o intuito de garantir um serviço de eficiência e qualidade, deverão ser utilizados equipamentos de alta tecnologia, tais como:

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Equipamentos de iluminação:

Lanterna de capacete – (headlamp) equipamento que facilita os trabalhos pois deixa o

socorrista com as mãos liberadas para a execução de trabalhos manuais. A indicação para nossos trabalhos são as lanternas que possuem dupla iluminação: xenom halogenea 6v para

longas distâncias e LED para iluminação de área branca e homogênea. Deve possuir corpo orientável verticalmente (figura 9);

Deve possuir corpo orientável verticalmente (figura 9); Figura 9 • Bateria – Utilizada para alimentar a

Figura 9

Bateria – Utilizada para alimentar a lanterna de capacete, vai fixada na cintura, em suporte apropriado (figura 10).

vai fixada na cintura, em suporte apropriado (figura 10). Figura 10 Equipamentos de sinalização (diurna/noturna);

Figura 10

Equipamentos de sinalização (diurna/noturna);

Bastões fluorescentes – Os bastões permitem à equipe de busca e salvamento, iluminar

e sinalizar pequenas áreas por um período razoável de tempo, facilitando a localização,

principalmente à noite, por outras equipes. Devido à sua variedade de cores, podem ser utilizadas para sinalizar uma determinada situação aos demais (figura 11);

uma determinada situação aos demais (figura 11); Figura 11 • Sistema de sinalização digital – Existe

Figura 11

Sistema de sinalização digital – Existem atualmente, uma grande gama de

equipamentos que sinalizam e posicionam geograficamente um ponto, e são de grande utilidade para o Bombeiro nos casos de grandes incursões dentro da mata, tanto na aferição dos setores esquadrinhados quanto no posicionamento atual de cada equipe de busca (figura

12);

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 3 2 Figura 12 • Granada fulmígena

Figura 12

Granada fulmígena – É uma excelente opção para sinalizar o posicionamento da equipe

de busca, quando houver o envolvimento de salvamento aéreo. Sua utilização deve ser criteriosa, caso se queira sinalizar o posicionamento para demais equipes de terra, uma vez que

na mata fechada nem sempre é possível a visualização deste tipo de equipamento.

Equipamentos de repouso:

Barraca para acampamento – Para 2 pessoas pois, como devemos trabalhar no mínimo

em duplas durante as missões de busca, devemos possuir abrigo para cada dupla formada na equipe de trabalho. Deve apresentar moderno processo de impermeabilização e costura seladas, sendo assim extremamente eficaz contra a chuva e vento. Possuir espaço interno extra suficiente para acomodação de equipamentos e roupas em seu interior. Possuir sistema de respiro que se mantém aberto ou fechado. Porta que, uma vez aberta, crie um grande espaço para entrada e saída do usuário (figura 13A, 13B e 13C);

para entrada e saída do usuá rio (figura 13A, 13B e 13C); Figuras 13A, 13B e

Figuras 13A, 13B e 13C

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Rede de dormir – Os longos períodos de busca dentro da mata podem obrigar o

Bombeiro a realizar pernoite. Para estes casos, deve-se ter redes de dormir, protegidas por

mosquiteiros e que garantam segurança e conforto aos Bombeiros (figura 14);

garantam segurança e conforto aos Bombeiros (figura 14); Figura 14 • Saco de dormir – Equipamento

Figura 14

Saco de dormir – Equipamento opcional à rede de dormir, deve proporcionar conforto

e proteção mínimas para o bombeiro e deve estar adequado para as condições climáticas da região a que será usado (Exemplo: não comprar saco de dormir pra –30 ºC, pois não é

indicado para nossa região). No formato múmia, fita protetora de zíper, bainha e colar retentoras de calor, bolso externo com zíper (figura 13);

retentoras de calor, bolso ex terno com zíper (figura 13); Figura 13 Equipamentos de orientação/navegação :

Figura 13

Equipamentos de orientação/navegação:

Bússola – um dos principais e mais simples equipamentos de orientação e navegação a

disposição do grupo de busca. Bem treinado em relação a seu funcionamento, o bombeiro poderá realizar incursões dentro da mata, sabendo exatamente em que direção seguir. A equipe de busca deverá possuir no mínimo 2 (duas) bússolas para utilização. Devemos dar preferência às que possuem dispositivo capaz de manter declinação magnética (sem que seja necessário

fazê-lo no mapa); (figura 14);

(sem que seja necessário fazê-lo no mapa) ; (figura 14); Figura 14 • Carta topográfica e
(sem que seja necessário fazê-lo no mapa) ; (figura 14); Figura 14 • Carta topográfica e

Figura 14

Carta topográfica e programas de cartas topográficas digitalizadas – As cartas

topográficas assim como os programas digitais de cartas topográficas, dão uma visão global ao

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Posto de Comando da complexidade do local onde a busca será realizada, bem como permitem definir as melhores estratégias de setorização e métodos de busca (figura 15A e 15B);

de setorização e métodos de busca (figura 15A e 15B); Figura 15A e 15B • Porta
de setorização e métodos de busca (figura 15A e 15B); Figura 15A e 15B • Porta

Figura 15A e 15B

Porta carta – produzido em vinil resistente a chuva e poeira. Por ser resistente a raios

solares, não amarela com o tempo. Sua frente transparente permite visão total de mapas e

gráficos. Fecho fácil de manusear (figura 16);

de mapas e gráficos. Fecho fácil de manusear (figura 16); Figura 16 • GPS “Global Position

Figura 16

GPS “Global Position System” – O Sistema de Posicionamento Global é um sistema de

navegação baseado em satélite, composto de uma rede de 24 satélites colocada em órbita pelo Departamento Norte-Americano de Defesa. O GPS foi originalmente planejado para aplicações militares, mas nos anos oitenta, o governo fez o sistema disponível para uso civil. GPS trabalha em qualquer condição de tempo, em qualquer lugar no mundo, 24 horas por dia, e não é cobrada nenhuma taxa para se usar o GPS. É um sistema bastante útil tanto para localização e posicionamento da equipe no terreno quanto para localização e determinação de áreas de busca.(figura 17A, 17B e 17C);

determinação de áreas de busca.(figura 17A, 17B e 17C); Figura 17B • Binóculo – É um
determinação de áreas de busca.(figura 17A, 17B e 17C); Figura 17B • Binóculo – É um
determinação de áreas de busca.(figura 17A, 17B e 17C); Figura 17B • Binóculo – É um

Figura 17B

Binóculo – É um equipamento que auxilia a equipe de busca de forma a facilitar a

localização de vítimas, pontos de referência, pontos de pouso, entre outros. Deve ser emborrachado para facilitar seu manuseio mesmo em situações extremas. No mínimo um por equipe de busca (figura 18);

Figura 17

Figura 17C

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35

DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 3 5 Figura 18 • Facão –Tem

Figura 18

Facão –Tem como principal característica a facilitação da limpeza de áreas para

movimentação ou retirada de vítimas de locais de difícil acesso e, também, como instrumento à facilitar a montagem de um acampamento. A faca, que poderá variar de 5 a 20 cm é um

equipamento de uso individual bastante útil para solucionar problemas a todo o tempo na busca (figura 19);

solucionar proble mas a todo o tempo na busca (figura 19); Figura 19 Equipamentos acessórios :

Figura 19

Equipamentos acessórios:

Mochila de ataque 20 litros/30 litros – São mochilas que permitem

deslocamentos rápidos e curtos. Devem ser utilizadas na operação de busca após ser

delimitada área de atuação da equipe, bem como um posto de comando avançado definido (figura 20);

bem como um posto de comando avançado definido (figura 20); Figura 20 • Mochila cargueira –

Figura 20

Mochila cargueira – Ideal para longas travessias, expedições e busca longas, devendo

possuir uma abertura frontal que permita um rápido acesso ao seu interior. Costa, alças e barrigueira acolchoadas em espuma ILD de alta densidade e forro de tecido de malha ar- permeável, possui sistema de regulagem de altura, fitas de ajuste peitoral regulável, suporte para mangueira de hidratação e alças para as mãos, abertura inferior e divisão interna (figura

21);

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36

DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 3 6 Figura 21 • Reservatório de

Figura 21

Reservatório de água para acoplamento à mochila – Hidro Camel – É um reservatório

tipo saco d’água de 1,5, 2 ou 3 litros, portátil e individual, que deve ser carregado

individualmente por componentes da equipe de busca em sua mochila cargueira ou de ataque. Possui uma mangueira com válvula na extremidade que facilita o controle do fluxo d’água, mantendo as mãos livres e sem que ocorra vazamentos. É confeccionado em laminado muito resistente com três camadas e construção selada, sendo que a camada interna é de polietileno. (figura 22A e 22B);

que a camada interna é de polietileno. (figura 22A e 22B); Figura 22A Figura 22B •

Figura 22A

interna é de polietileno. (figura 22A e 22B); Figura 22A Figura 22B • Saco estanque para

Figura 22B

Saco estanque para objeto – É muito útil para proteger objetos variados, evitando contaminação dos mesmos durante os deslocamentos (figura 23);

dos mesmos durante os deslocamentos (figura 23); Figura 23 • Caneco para preparo de alimentação –

Figura 23

Caneco para preparo de alimentação – Por ser confeccionado em material metálico,

permite não apenas a utilização para ingestão de líquidos, como também para cocção e

aquecimento de alimentos (figura 24);

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37

DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 3 7 Figura 24 Material de Salvamento

Figura 24

Material de Salvamento:

Conjunto de salvamento em altura – Alguns locais serão de difícil acesso, portanto, o

Bombeiro deverá estar preparado para realizar escaladas, a fim de chegar com segurança aos

locais de resgate (figura 25);

de chegar com segurança aos locais de resgate (figura 25); Figura 25 • Conjunto de resgate

Figura 25

Conjunto de resgate – É possível que a vítima a ser socorrida apresente quadro clínico

que necessite de cuidados imediatos. Para tanto, deve-se ter em mãos, materiais de resgate que

possibilite tal serviço (figura 26);

de resgate que possibilite tal serviço (figura 26); Figura 26 • Maca de ribanceira com proteção

Figura 26

Maca de ribanceira com proteção para coluna e ponto para içamento por helicóptero (figura 27);

una e ponto para içamento por helicóptero (figura 27); Figura 27 Para montagem do Posto de

Figura 27 Para montagem do Posto de Comando serão necessários como requisitos mínimos:

Barraca de 24 (vinte quatro) m² - Destinado a acomodar o posto de comando, homens e materiais a serem utilizados no socorro (figura 28);

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38

DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 3 8 Figura 28 • Gerador –

Figura 28

Gerador – Fornece energia elétrica para o posto de comando;

Gasolina reserva – A ser utilizada no gerador;

Instalações elétricas – A serem utilizadas para distribuição de iluminação;

Repetidora de ondas de rádio;

Mesa para estudo de cartas – De montagem fácil, possibilita, não apenas, o estudo das cartas mas também outras atividades que se façam necessárias (figura 29);

outras atividades que se façam necessárias (figura 29); Figura 29 Todos os equipamentos necessários para este

Figura 29

Todos os equipamentos necessários para este tipo de ocorrência estarão acondicionados, prontos para uso, em espaço específico e adequado, no posto de bombeiros mais próximo da área de risco da UOp/CB.

Cada grupamento de Bombeiro, deverá adquirir as cartas topográficas atualizadas referentes aos locais de risco de suas áreas geográficas de atuação.

5.3. REIDRATAÇÃO E REPOSIÇÃO ENERGÉTICA

A evidência científica mostra que condições de calor e umidade impõem um grande desafio à capacidade do corpo realizar atividade física. O desempenho fica significativamente reduzido e aumentam os riscos da desidratação e de doenças relacionadas ao calor. Os integrantes da equipe de busca e salvamento no transcorrer do cumprimento do seu dever serão submetidos à atividade física prolongada de baixa intensidade, apresentando um maior

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risco fisiológico a sua saúde e ao seu desempenho. Então, os desafios são basicamente dois para desempenharmos adequadamente nossa missão: dissipar eficientemente o excesso de calor para o ambiente e evitar alcançar um estado de hipohidratação (baixo nível de líquido corporal).

A combinação da atividade física e do estresse do calor impõe um desafio significativo

para o sistema cardiovascular. Sempre que líquidos forem perdidos através do suor mais rapidamente do que são repostos, o bombeiro estará num processo de desidratação. A hipohidratação modifica muitas variáveis fisiológicas durante uma atividade física. Há comprometimento significativo no rendimento operacional, prejudicando a função de regulação térmica, potencializando a redução da potência aeróbica máxima, fadiga muscular prematura (câimbras), complicações da função renal, causando risco de exaustão e choque térmico, sendo uma condição séria com risco de vida.

Reidratação:

Um nível adequado de hidratação só é mantido em bombeiros se beberem líquidos (água ou bebidas esportivas) suficientes antes, durante e após o cumprimento da missão, preservando todas as funções fisiológicas.

A ingestão de 250 a 600 ml de líquidos pelo menos duas horas antes da sua entrada na

área de cobertura vegetal de risco irá ajudar a assegurar o início da atividade com um grau de hidratação apropriada, além de dar tempo para que qualquer excesso de líquido seja liberado pela urina. Durante a busca e salvamento, o objetivo da ingestão de líquidos deve balancear os líquidos perdidos pelo suor ou, quando as taxas de suor são muito altas, repor o quanto de líquido for possível. Isto é alcançado bebendo pequenos volumes (125 a 500 ml de líquido) regularmente, a cada 15 minutos. A restauração da água e o equilíbrio eletrolítico são essenciais para o processo de recuperação após a busca. Uma reidratação adequada significa começar bem hidratado o próximo dia de busca. Para uma reidratação efetiva, as bebidas (reposição eletrolítico) e as comidas (reposição energética e eletrolítica) devem repor os eletrólitos e os carboidratos perdidos no suor e na alimentação celular, assim como o volume perdido. Os eletrólitos exercem um papel chave na manutenção da ingestão de líquidos e promovem a reidratação. A absorção do sal na corrente sanguínea ajuda a preservar o estímulo de beber. Após a atividade de busca, a reidratação rápida e completa requer a reposição de sódio e cloro que foi perdida no suor. Por estas razões, as bebidas devem conter pelo menos 100 mg de sódio por 250 ml de água. O carboidrato oferecido pelas bebidas é captada pelas fibras musculares ativas, ajudando a manter uma alta taxa de oxidação de carboidratos, que pode melhorar o rendimento do bombeiro. As bebidas devem conter uma mistura de carboidratos (sacarose, frutose e glicose) em uma concentração de ± 60 – 70 g por litro.

Alimentação:

Atualmente, com o desenvolvimento científico e industrial há no mercado alimentos liofilizados de alto valor energéticos e eletrolíticos, combinando uma alimentação adequada nas nossas principais refeições: café da manhã, almoço, jantar, além de possuir opções variadas e saborosas de cardápios. Possui um peso de 80 gramas por refeição, obtendo após a mistura com água, uma comida com peso de 300 – 350g de alta qualidade nutritiva e elevado

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40

valor energético, fornecendo aproximadamente 1400 Kcal. Alimento fácil de condicionar, não necessita de condições particulares de conservação.

Figura 30
Figura 30

5.4. COMUNICAÇÕES

No posto de comando, deverá ser instalado aparelho de rádio convencional VHF (estação fixa), ou outro equipamento que o substitua ou complemente.

Os Grupos de Busca deverão fazer uso de aparelhos de rádio portáteis ou outro equipamento que os substitua ou complemente.

5.5. VEÍCULOS OFICIAIS

Os veículos oficiais a serem empregados para montagem da infraestrutura e transporte do efetivo deverão ser providenciados pela própria unidade, dentro da realidade de sua frota disponível e compatível com o objetivo da missão.

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41

6. EMPREGO OPERACIONAL DO CORPO DE BOMBEIROS

6.1. PREMISSAS BÁSICAS DE ATUAÇÃO

6.1.1. POSTURA DA UOp/CB

Cada UOp/CB que possua, em sua área de atendimento, locais cujo relevo e cobertura vegetal dificulte o deslocamento seguro dos bombeiros, desde que, sua extensão assim o justifique, deverá planejar uma “Força de Intervenção Regional”, composta por grupos de busca e o respectivo apoio operacional, bem como elaborar os respectivos Planos Particulares de Intervenção.

As emergências de busca e salvamento em área de cobertura vegetal de risco devem comportar um plano de acionamento pré-elaborado em cada UOp/CB, nos moldes da força tarefa/CB, que independa de guarnição específica para atendimento, podendo ser articulada a qualquer momento.

A “Força de Intervenção Regional” deve ser composta por bombeiros capacitados e material apropriado, aplicando-se os conceitos do SICOE para desenvolvimento da missão.

No âmbito da Unidade Operacional, o oficial supervisor de busca e salvamento em áreas de cobertura vegetal de risco é o representante perante o sistema, sendo responsável por organizar o grupo de busca e instruí-lo conforme orientação da coordenadoria, remetendo sempre que necessário as sugestões ou novidades ocorridas no atendimento das ocorrências.

6.1.2. ACIONAMENTO DO SOCORRO

Após a solicitação pelo sistema de Emergência do CB, a ocorrência deverá ser confirmada por uma guarnição, para posterior acionamento da força de intervenção regional e força tarefa, quando houver necessidade.

6.1.3. PRIMEIRA RESPOSTA

Após a solicitação, uma equipe deverá ser despachada do Posto de Bombeiros mais próximo para confirmação da ocorrência, podendo inclusive realizar tarefas básicas de:

Levantamento do número de vítimas, estado e condições ambientais;

Contatar pessoas que conheçam detalhes da região;

Realizar pequenas incursões de busca;

Verificar o melhor local para instalação do posto de comando.

Após a confirmação da emergência, poderá ser acionado a força de intervenção regional.

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42

6.1.4. EMPREGO DA FORÇA DE INTERVENÇÃO REGIONAL

A Força de Intervenção Regional reunir-se-á tão rápido quando possível, com o intuito de não se perder o princípio da oportunidade, visto que, quanto mais tempo se passar, menos eficaz tornar-se-á o resgate.

A F.I.R. deverá colher o maior número de informações possíveis sobre as pessoas que estão perdidas ou acidentadas na área de cobertura vegetal de risco, sempre pensando em auxiliar o grupo de busca que virá e possuirá mais recursos para a busca e o salvamento.

A incursão feita pela F.I.R. deverá ser rápida, e sempre sinalizar o caminho traçado, evitando novas buscas na mesma localização e facilitando para que o grupo de busca siga seus passos caso seja necessário.

6.1.5. REUNIÃO DO GRUPO DE BUSCA

Após o acionamento da Força de Intervenção Regional, a reunião de um ou mais Grupos de Buscas deverão ocorrer no menor tempo possível, considerando o acionamento do plano de chamada, deslocamento e operacionalização dos equipamentos.

6.2. OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA OPERAÇÃO DE BUSCA E SALVAMENTO

Uma operação completa de busca e salvamento é um processo amplo que possui fases notadamente distintas entre si, seguindo uma seqüência lógica. Em síntese, a operação visa levar um socorrista até a vítima, retirá-la do perigo e transportá-la até um local seguro. Assim, são quatro as fases da operação, a saber: Localizar, Acessar, Estabilizar e Transportar, simbolizados pelas sigla LAET. Essas quatro fases contém fatores comuns entre si e peculiaridades que serão vistos abaixo:

Localizar a vítima. Nenhuma ajuda pode ser oferecida se a vítima não for encontrada. Esta fase pode levar cinco minutos com um par de binóculos ou pode levar dias utilizando-se de técnicas de busca, orientação e navegação em locais de risco.

Acessar a vítima. Pode variar de uma caminhada de cinco minutos à várias horas entre caminhada e transposição de obstáculos ou até mesmo voar a um local de difícil acesso ou muito distante e estabelecer ali um posto de comando de vários dias de duração.

Estabilizar a vítima. Devem ser realizados os primeiros socorros, conforme protocolo de resgate, assegurando que as suas lesões não se agravem a fim de que seja possível a sua retirada do local de risco com segurança.

Transportar a vítima. Isto também pode ser muito simples como guiar alguém por uma trilha à noite ou extremamente difícil com transposição de vários obstáculos naturais.

Colocando as fases em ordem cronológica, começamos a discernir a estrutura da operação de busca e salvamento. O início começa imediatamente após a comunicação do evento ao COBOM.

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43

localizar

acessar

estabilizar

transportar

43 localizar acessar estabilizar transportar Tempo (minutos, horas, dias, etc) Se o tamanho dos

Tempo (minutos, horas, dias, etc)

Se o tamanho dos retângulos for usado para refletir a quantidade de tempo gasto em uma fase particular, uma busca bem sucedida de um caminhante perdido pode parecer assim:

localizar

de um caminhante perdido pode parecer assim: localizar Tempo acessar estabilizar transportar A busca para resgatar

Tempo

um caminhante perdido pode parecer assim: localizar Tempo acessar estabilizar transportar A busca para resgatar um

acessar

estabilizar

transportar

A busca para resgatar um aventureiro que fez rapel em uma cachoeira de difícil acesso e com frio poderia parecer assim:

acessar transportar

acessar

acessar transportar

transportar

localizar

estabilizar

Nesta ampla armação, a procura, longa ou curta, é a primeira fase de qualquer resgate. A procura por uma pessoa é, em geral, altamente especializada e complicada, requerendo particulares conhecimentos e técnicas que dominarão a operação inteira. Se a busca não tiver êxito, as outras fases ficarão prejudicadas. Assim, é necessário compreender as particularidades e as inter-relações das fases que compõe o processo.

6.3. ORIENTAÇÃO E NAVEGAÇÃO EM ÁREA DE COBERTURA VEGETAL DE RISCO

Dentro do campo, localização das vítimas, antes de se falar das táticas e técnicas de busca propriamente dito, é necessário que se discorra sobre métodos de orientação e navegação em cobertura vegetal de risco, pois é necessário que o homem domine esta técnica para agir com rapidez e segurança na localização e resgate de possíveis vítimas.

6.3.1. ORIENTAÇÃO:

Existem vários métodos de orientação em áreas de cobertura vegetal de risco, a saber:

Orientação pelo sol: Nascendo o sol a leste e pondo-se a oeste, a perpendicular mostrará a direção norte-sul;

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44

Orientação pelo relógio: Colocando-se a linha 6-12 voltada para o sol, a direção N-S será a bissetriz do ângulo formado pela linha 6-12 e ponteiro das horas, contado no sentido do movimento dos ponteiros. No caso do hemisfério norte, a linha a ser voltada para o sol será o do ponteiro das horas e a bissetriz do ângulo desta linha com 6-12 dará a direção N-S;

Orientação pelas estrelas: No hemisfério norte, com a estrela polar no alinhamento do observador dará a direção N-S. Essa poderá ser identificada pelas duas mais afastadas da constelação, a Ursa Maior, chamadas indicadoras. No hemisfério sul, identificando- se o Cruzeiro do Sul, prolongando-se 4 vezes a mais o braço maior da cruz, ter-se-á o sul no pé da perpendicular baixada, desta extremidade, sobre o horizonte;

Observações dos fenômenos naturais: A observação de vários fenômenos naturais também permite o conhecimento, a grosso modo, da direção N-S. Assim, o caule das árvores, a superfície das pedras, os mourões das cercas, são mais úmidos na parte voltada para o sul. Entretanto, pela dificuldade de penetração da luz solar, não será comum em determinadas vegetações a observação desses fenômenos;

Construção de abrigos pelos animais: De modo geral, os animais procuram construir seus abrigos com a entrada voltada para o norte, protegendo-se dos ventos frios do sul e recebendo diretamente o calor e a luz do sol;

Orientação por cartas: as cartas já vem orientadas ao norte magnético, bem como pontos de referência facilmente identificados no terreno, tais como, curvas de nível, rios e outros;

Orientação por bússola ou GPS – São método mais eficazes que os anteriores, sobretudo à noite. Daí a recomendação de que, quando se penetrar em área vegetal de risco, por via terrestre ou área, não esquecer de incluir no equipamento uma bússola ou GPS. Através destes será possível se orientar e navegar com maior segurança, sobretudo, à noite.

6.3.1.1. “Global Position System”

O sistema de posicionamento global (GPS) é um processo rápido e prático para se localizar

um terreno e navegar, pois fornece às coordenadas exatas do ponto onde se encontra o operador “por meio de informações cruzadas de satélites”, indicando ainda a direção a ser seguida, espaço a ser percorrido e o já vencido (figura 1).

O único inconveniente deste processo é quando se encontra uma vegetação fechada ou em

algum local onde não se consiga contato do aparelho com no mínimo três satélites, não se conseguindo as coordenadas do ponto onde está o operador, por isso deve-se portar sempre uma bússola nesse tipo local. Existem vários fabricantes desse aparelho, mas a maioria dos existentes no Corpo de Bombeiros são de procedência Norte Americana, marca Garmin, com visor em cristal líquido, antena interna, e botões de navegação.

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45

2 4 5 3 1
2
4
5
3
1

Figura 1

Onde:

1 – cordão de transporte

2 – tela de cristal líquido c/ informações

3 – teclas de navegação

4 – antena

5 - compartimento de baterias

O aparelho funciona com 04 (quatro) pilhas, tipo AA, com autonomia de uso em modo normal de 12 (doze) horas, e em modo econômico, autonomia de 20 (vinte) horas.

Assim, o equipamento destina-se à navegação terrestre, aérea e marítima. Pode ser utilizado em viagens ou em buscas e salvamento. Funciona captando sinais de satélites disponíveis (no mínimo dois), para traçar as coordenadas, e fornecer a posição (latitude e longitude), apresentando graficamente na tela o resultado, sendo capaz, também, de calcular a velocidade média, distância percorrida, distância a ser percorrida, tempo estimado de chegada, rumo, horário do nascer e pôr do sol, marcação e memorização de pontos (“way points”) e alarme de distanciamento do rumo.

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É possível inserir coordenadas de destino e traçar um rumo a partir do ponto em que o

usuário se encontra, auxiliando também na orientação em conjunto com cartas topográficas ( figura 2).

em conjunto com cartas topográficas ( figura 2). Figura 2 Para sua efetiva utilização, é necessário

Figura 2

Para sua efetiva utilização, é necessário se posicionar em local aberto, preferencialmente longe de grandes edificações, ou estruturas naturais (árvores, pedreiras, etc), a fim de possibilitar a captação dos sinais dos satélites disponíveis.

A inicialização do equipamento é automática, por meio da tecla de liga/desliga. Deve-se

aguardar alguns minutos até o aparelho captar os sinais dos satélites e determinar as coordenadas da posição do usuário, devendo-se adotar os seguintes procedimentos (figura 3):

ligar o aparelho GPS;

aguardar a captação dos sinais dos satélites;

utilizar as teclas de navegação para acessar as opções de apresentação gráfica: tela estrada (highway) ou tela bússola (compass);

Verificar sua posição em coordenadas (latitude, longitude);

Inserir uma coordenada para estabelecer o rumo (azimute).

Cuidado principalmente ao guardar o equipamento, devendo-se retirar as pilhas, manter o equipamento em local seco e arejado, e no transporte para ocorrência, evitar os choques e trepidações excessivas (figura 4);

Para limpeza o fabricante recomenda utilizar apenas pano macio e seco.

o fabricante recomenda utilizar apenas pano macio e seco. Figuras 3 e 4 6.3.1.2. Carta Topográfica

Figuras 3 e 4

6.3.1.2. Carta Topográfica

pano macio e seco. Figuras 3 e 4 6.3.1.2. Carta Topográfica Juntamente com a bússola a

Juntamente com a bússola a carta topográfica é o mais valioso instrumento de orientação (Figura 6). Ela permite a determinação de azimute e posições relativas entre diversos pontos.

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Pode ser utilizada sem a bússola em terrenos abertos onde há grande campo de visão, permitindo a determinação de pontos nítidos do terreno. É como utilizar um guia da cidade. Entretanto em vegetações fechadas, em que o campo de visão limita-se a poucos metros e há uma única paisagem constante, sem o auxílio da bússola a carta pode não ser totalmente eficaz.

A carta topográfica, fabricada pelo IBGE, é constituída de papel com detalhes topográficos

impressos, com simbologia variada e específica.

3 2 4 1 5 6 7
3
2
4
1
5
6
7

Figura 6

Onde:

1 – representação gráfica da região

2 – localização da carta na carta 1:1.000.000

3 – nome da carta

4 – Região e escala

5 – Legenda das convenções cartográficas

6 – Diagrama de orientação

7 – Articulação da folha

Uma carta é um desenho que não tem por finalidade reproduzir de forma fiel os acidentes naturais e artificiais da porção do terreno que representa, tal qual uma fotografia. Esses acidentes são representados por símbolos, de forma a facilitar o manuseio das cartas e padronizar sua confecção. Em lugar de se desenhar um rio, uma casa, um pântano, por exemplo, o que não seria prático, adota-se um símbolo particular para cada um desses acidentes do terreno. Esses símbolos são conhecidos por convenções cartográficas e são previamente padronizados e utilizados de acordo com a finalidade a que se destinam nas cartas.

A classificação das cartas procura agrupá-las de acordo com a finalidade a que as mesmas

se destinam e, portanto, as convenções cartográficas são previamente padronizadas e utilizadas de acordo com essa finalidade. As cartas náuticas, por exemplo, buscam um maior

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detalhamento dos acidentes que interessam a navegação, tais como ilhas, faroletes, profundidade do mar, e outros, em detrimento dos acidentes naturais e artificiais de terra.

As cartas topográficas procuram detalhar ao máximo os acidentes do terreno. Em certos tipos de carta, as cores são empregadas para auxiliar na identificação dos elementos do terreno, normalmente de acordo com a seguinte convenção:

Preto – Para planimetria em geral;

Azul – Toda a hidrografia: rios, lagos, mares, traçados de margens, nascentes, brejos e terrenos alagados;

Vermelho – Para as rodovias de revestimento sólido;

Castanho – Curvas de nível e respectivas altitudes; e

Verde – Toda a vegetação.

6.3.1.2.1.

Representação do relevo

Para se poder ter uma idéia do relevo e identificar a altitude de qualquer ponto numa carta, foram criados vários processos de representação do relevo. O mais utilizado é o das curvas de nível, que são linhas que ligam pontos de igual altura e representam as intersecções da superfície do terreno com planos paralelos e eqüidistantes. (Figura 7)

terreno com planos para lelos e eqüidistantes. (Figura 7) Figura 7 6.3.1.2.2. Escala da carta As

Figura 7

6.3.1.2.2. Escala da carta

As cartas devem ser confeccionadas de modo a guardar proporcionalidade entre as dimensões nelas representadas seus correspondentes valores reais no terreno. Além disso, as cartas devem conter a informação de quantas vezes ela é menor que o terreno representado. Essa informação, contida na margem da carta, chama-se escala, que pode ser indicada, tanto na forma numérica quanto na forma gráfica.

a. Escala numérica:

É representada por uma fração (1/50.000 ou 1:50.000, por exemplo). Em ambos os casos, indica uma medida no terreno. Assim, por exemplo 1cm na carta corresponderá a 50.000cm ou 500m no terreno.

Vale aplicar essas noções à carta. Para se obter a distância real no terreno entre dois pontos da carta, deve-se, primeiramente, aplicar uma régua graduada sobre a carta.

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Na figura 8, observa-se que a medida entre os pontos A e B é 4,00cm. Nesse caso, a escala da carta é 1/50.000, isto é, 1 cm na carta vale 50.000 cm no terreno. Portanto, pode-se concluir que a distância real no terreno será:

pode-se concluir que a distância real no terreno será: 4 x 50.000 = 200.000 cm =

4 x 50.000 = 200.000 cm = 2.000 metros Figura 8

Como as distâncias são geralmente avaliadas em metros, converte-se o valor encontrado, ou seja:

100 centímetros = 1 metro, logo 100.000 cm = 1.000 m

Matematicamente isto pode ser representado da seguinte forma:

E=

d

D

Onde:

E

– escala de carta

d

- grandeza da carta ou dimensão gráfica

D

– grandeza no terreno ou dimensão

b. Escala gráfica:

A escala gráfica nada mais é que a representação gráfica da escala numérica. É um

segmento de reta graduado, de modo a indicar diretamente os valores medidos na própria

carta. Normalmente vem desenhadas abaixo da indicação da escala numérica.

Na figura 9, verifica-se que o segmento da reta está dividido em duas partes distintas, separadas pelo índice zero. A parte da direita é chamada escala e a da esquerda talão.

No caso considerado, a escala foi dividida em graduações de 1000 m e o talão em graduações de 100m. O talão é sempre uma graduação da escala dividida em dez partes iguais, numeradas da direita para a esquerda, enquanto a escala é numerada da esquerda para a direita.

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 50 Figura 9 Com o auxílio da

Figura 9

Com o auxílio da carta, pode-se localizar o ponto onde se está e o ponto para onde se vai, e obter, por meio da escala a distância entre ambos. Nas operações de busca e salvamento, a carta auxilia na determinação do deslocamento da equipe e no planejamento e otimização dos meios a serem utilizados na operação.

Por exemplo, pode ser previsto se haverá necessidade de travessia de cursos d’água, o que determinaria o transporte de material para tal atividade, bem como escalada e transposição de acidentes topográficos de grande altitude, desvio e retomada do rumo, e etc.

6.3.1.2.3. Formas de utilização

6.3.1.2.3.1 Designação de pontos na carta

Um ponto na carta é designado por suas coordenadas, ou seja, pelo cruzamento paralelo (ordenada) com o meridiano (abcissa) que por ele passa. Existem várias formas de indicar as coordenadas de um ponto considerado em relação ao paralelo de 0º (linha do equador) e ao meridiano base de (grenwich), respectivamente.

Por exemplo: Latitude -15º 30`22 ” S Longitude -45º 17`55” W

Retangulares ou de Grade: onde são indicados o afastamento vertical e horizontal em relação a grade construída sobre carta.

6.3.1.2.3.2. Determinação das direções

Para se deslocar de um ponto a outro no terreno é necessário definir a direção que vai se seguir e a distância a ser percorrida. Com o auxílio da carta, pode-se localizar o ponto onde se está e o ponto para aonde se vai, e obter, por meio da escala a distância entre ambos. Para se estabelecer a direção a ser seguida, o método mais apropriado é o de determinar o ângulo formado entre uma direção base fixa e a direção a ser seguida. Este ângulo é chamado de Azimute. As direções-base, por convenção, apontam sempre para um norte e são utilizadas como referência inicial para a determinação dos Azimutes.

Este manual não visa capacitar aqueles que desejam se especializar em leitura de uma carta topográfica e sua utilização em conjunto com a bússola ou GPS, devendo ser

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complementado por meio de manuais específicos, no entanto, segue abaixo uma breve explicação dos conceitos mais importantes quando da utilização desses recursos:

a.

Norte verdadeiro ou geográfico (NV ou NG):

É

a direção que passa pelo pólo norte da terra.

b.

Norte magnético (NM):

É

a direção que passa pelo pólo magnético da terra, ou seja, é ponto em que são

atraídas todas as agulhas imantadas. Esse ponto fica localizado próximo ao norte geográfico.

c. Norte da quadrícula (NQ):

Nas cartas utilizadas em operações militares, a direção-base tomada como referência para determinação da direção a seguir é a das retas verticais da grade da carta.

d. Diagrama de orientação:

São as informações inscritas nas marginais das cartas. Tal diagrama contém três direções-base indicadas, bem como o valor do ângulo formado entre as mesmas (Figura 10).

o valor do ângulo formado entre as mesmas (Figura 10). Figura 10 Esses ângulos possuem denominações

Figura 10

Esses ângulos possuem denominações e características próprias, a seguir descritas:

e. Declinação Magnética (dm):

Como se viu, o NM e o NV estão ligeiramente afastados. O ângulo formado entre as direções do NV e NM, medido a partir do NV, é chamado Declinação Magnética.

A declinação pode ser Leste (E) ou Oeste (W), conforme o NM esteja a leste ou a oeste

do NV/NG. Além disso, a declinação é variável de acordo com o lugar e a época. Daí a necessidade de seu registro em cada carta, incluindo o respectivo ano de edição e a variação

relativa.

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Considerando os dados contidos no exemplo de diagrama de orientação da figura, ao se calcular a declinação magnética para o ano de 2003, o resultado obtido seria 19º 53‘ W, pois a declinação de 17º 32’ W em 1984 deve ser acrescida a variação anual de 7’ nos 19 anos decorridos logo:

dm = 17º 32’ + 19 x 7’ dm = 17º 32’ + 133‘ dm = 17º 32’ + 2º 21’ dm = 19º 53’

Será W porque o NM encontra-se a Oeste do NG.

f. Convergência de Meridianos:

Pela figura, pode-se observar que a direção do NV é diferente da direção do NQ da carta. Desse modo, o ângulo formado entre as direções do NV e NQ, contado a partir do NV, é chamado de convergência de meridianos. Ele pode ser E ou W conforme o NQ esteja à leste ou oeste do NV/NG.

A convergência se dá em virtude da distorção causada pela projeção da superfície

terrestre, que é curva, na superfície plana do papel, quando da confecção das cartas. Apesar de sofrer uma variação entre diferentes pontos de uma mesma carta, pode-se considerá-la constante nas cartas utilizadas, sem perigo de erro, em virtude dessa variação ser desprezível.

g. Ângulo QM:

O ângulo formado entre as direções do NQ e do NM é chamado ângulo QM. O ângulo

será W, quando o norte magnético estiver a Oeste do Norte da quadrícula, e E, quando o norte

magnético estiver a Leste do norte da quadrícula.

O ângulo QM será calculado somando a dm e a convergência de meridianos quando a

direção do NM e do NQ estiverem em lados opostos à direção do NG/NV, e subtraindo uma da outra quando estiverem do mesmo lado do NG/NV.

Uma vez calculado o ângulo QM, ele deve ser anotado na carta para uso futuro. A variação anual da declinação magnética acarreta aumento ou diminuição do ângulo QM. Se as direções do NM e do NQ se aproximam, o ângulo QM diminui, se elas se afastam, o ângulo QM aumenta.

h.

Azimutes:

Os azimutes são ângulos horizontais medidos no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, a partir de uma direção-base. Há vários tipos de azimute, a saber:

Azimute Magnético (AzM)

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AzM é o ângulo horizontal medido a partir do NM até a direção desejada.

horizontal medido a part ir do NM até a direção desejada. Figura 11 Na figura 11

Figura 11

Na figura 11 o AzM é aproximadamente 20º.

Azimute Verdadeiro (AzV)

AzV é o ângulo horizontal medido a partir do NG/NV até a direção desejada.

Azimute da Quadrícula (AzQ) ou Lançamento (L)

Lançamento é o ângulo horizontal medido a partir do NQ até a direção desejada.

Contra-Azimutes

O contra-azimute de uma direção é o azimute da direção oposta. Caso se esteja voltado para uma determinada direção, considera-se essa direção como azimute. Ao se voltar para a direção oposta, ter-se-á o contra-azimute dessa direção. O contra-azimute está sobre o prolongamento, no sentido inverso, da reta que determina o azimute.

Sabendo utilizar de forma correta o contra-azimute, a equipe de busca e salvamento estará em condições de retornar ao ponto de partida. No cumprimento de uma tarefa em lugar desconhecido e à noite, por exemplo, o contra-azimute poderá indicar a direção pela qual deve-se retornar. Para se encontrar o contra-azimute, basta somar 180º ao azimute quando esse for menor que 180º ou subtrair quando maior que 180º.

Na figura o contra-azimute é 200º, pois o azimute é 20º (20º < 180º, portanto 20º + 180º =

200º).

As cartas devem ser tratadas com todo o cuidado, principalmente em virtude da dificuldade de sua reposição em um operação de busca e salvamento devendo (Figuras 13, 14 e 15):

Sempre que possível, ser cobertas com material adesivo, transparente e impermeável (papel “contact”) e colocadas em um porta-cartas, ou saco plástico com lacre.

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Quando empregadas por uma equipe em deslocamento, as cartas devem ser dobradas em forma de sanfona, como ilustrado na figura e colocadas no bolso para protegê-las do sol e da umidade.

colocadas no bol so para protegê-las do sol e da umidade. Figuras 13, 14 e 15

Figuras 13, 14 e 15

6.3.1.3. Bússola

do sol e da umidade. Figuras 13, 14 e 15 6.3.1.3. Bússola É o instrumento mais
do sol e da umidade. Figuras 13, 14 e 15 6.3.1.3. Bússola É o instrumento mais

É o instrumento mais valioso na orientação. Ela permite a determinação do azimute a ser seguido, basta fazer uma linha de visada do ponto a ser atingido pela Bússola e seguir naquela direção. Para tanto basta zerar a Bússola, colocando a ponta da agulha imantada no norte.

Quando se usa o conjunto bússola-carta, coloca-se a linha de visada da bússola justaposta a uma das verticais da quadrícula da carta. Em seguida, fazemos girar o conjunto até coincidir o norte magnético com a seta do limbo, após a compensação do ângulo de declinação da bússola. A bússola pode ser de limbo fixo ou móvel e basicamente é composta por cinco partes principais: caixa, limbo graduado, agulha imantada, estilete sobre o qual gira a agulha e acessórios que variam para cada tipo de bússola (Figura 16 e 17).

2 1 3 4 5 6 10 9 8 7
2
1
3
4
5
6
10 9
8
7

Figura 16. Bússola de limbo móvel

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Onde:

1 – limbo graduado

2 – régua em polegadas

3 – seta de navegação

4 – indicador de azimute

5 – mira

6 – espelho pra visualização da graduação

7 – seta de orientação

8 – agulha imantada (vermelho aponta o norte magnético)

9 – régua em milímetros 10 – indicador de contra-azimute

régua em milímetros 10 – indicador de contra-azimute Figura 17. Bússola de Limbo Fixo As bússolas

Figura 17. Bússola de Limbo Fixo

As bússolas sofrem variações em virtude da Declinação Magnética (dm). Também são afetados pela presença de ferro, magnetos, fios condutores de eletricidade e aparelhos elétricos.

Certas áreas geográficas possuem depósitos de minérios que podem tornar uma bússola imprecisa quando colocada próxima a eles, conseqüentemente, todas as massas visíveis de ferro ou campos elétricos devem ser evitados quando se utiliza uma bússola, com as distâncias mínimas de segurança:

Alta tensão

60

metros

Viaturas

10

metros

Linhas telegráficas

10 metros

Arame farpado

5 metros

Transformadores

10

metros

Armamento

1

metros

Faca

1

metros

A bússola é um instrumento destinado à medida de ângulos horizontais e à orientação no terreno. As visadas das bússolas devem ser feitas na posição horizontal. Esse procedimento deve ser observado para que as leituras dos azimutes não sejam distorcidas.

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A bússola é um goniômetro (instrumento com que se medem ângulos) no qual a origem de suas medidas é determinada por uma agulha imantada que indica uma direção aproximadamente constante que é o Norte Magnético (NM).

6.3.1.3.1. Procedimento de Operação do equipamento

a. Medida de um Azimute (AzM):

Segura-se a bússola com o espelho aberto e inclinado cerca de 50º em relação a caixa. Visa-se, a seguir, ao mesmo tempo, o objeto desejado e o espelho;

A visada do objeto é feita observando-o pelo entalhe da mira; (figura 18)

Antes de se determinar o Azimute, deve-se nivelar a bússola. Para tal, por um espelho, faz-se com que a imagem do ponto central fique sobre a linha de centro do espelho.

Sem mover a mão e olhando pelo espelho, gira-se a caixa até que a seta da direção N-S (não a agulha) fique sobre a agulha, coincidindo a ponta vermelha com o N da seta; e (fig. 19)

Pode-se, então, mover toda a bússola, porque o Azimute já estará registrado, facilitando a sua leitura. (fig. 20)

estará registrado, facilitando a sua leitura. (fig. 20) figura 18 figura 19 figura 20 b. Medida
estará registrado, facilitando a sua leitura. (fig. 20) figura 18 figura 19 figura 20 b. Medida

figura 18

figura 19

facilitando a sua leitura. (fig. 20) figura 18 figura 19 figura 20 b. Medida de um

figura 20

b. Medida de um contra-azimute:

A bússola também permite determinar o contra-azimute lendo-se, no limbo, o valor do ângulo que fica na extremidade oposta à linha de visada. Na figura 3, o contra-azimute é 300º.

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c. Marcha segundo um azimute:

Suponha-se que se está num determinado lugar do terreno e que se precisa alcançar um outro ponto afastado daquele, cerca de 1km. Sabe-se, também, que esse segundo lugar se encontra no Azimute 60º. Basta, portanto, que se marche segundo o azimute de 60º já determinado. Para tanto, deve-se proceder da seguinte maneira:

inserir no limbo graduado da bússola o azimute dado; (figura 21);

sem mover a mão e olhando pelo espelho, girar o corpo até que a agulha coincida com a seta da direção N-S (figura 22);

através do entalhe da mira, observa-se um ponto do terreno que seja notável para tê-lo como referência do lugar que se deseja alcançar;

a direção a ser seguida é a desse ponto notável, observado pelo entalhe da mira;

Se, ao olhar na direção do lugar a ser alcançado, não for possível observá-lo diretamente, segue-se segundo a direção do azimute até um ponto notável do terreno que será utilizado como referência inicial. Após atingir este ponto, utilizando o mesmo azimute, tenta-se localizar o lugar desejado. Não sendo possível, repete-se o processo até que se consiga localizá-lo.

repete-se o processo até que se consiga localizá-lo. Figura 21 Figura 22 Quando se marcha, segundo

Figura 21

o processo até que se consiga localizá-lo. Figura 21 Figura 22 Quando se marcha, segundo um

Figura 22

Quando se marcha, segundo um azimute, com a finalidade de atingir determinado ponto específico, caso se tenha conhecimento da distância que dele se está, deve-se utilizá-la como meio da passada individual, geralmente aferida antecipadamente. A aferição consiste na verificação do número médio de passos que cada indivíduo executa ao percorrer, em terreno variado, uma distância pré-estabelecida, normalmente, 100 metros. Para marchar à noite segundo um azimute, é preciso estar em condições de visar pontos à frente, tal como feito de dia. Entretanto, em face da visibilidade reduzida, isso se torna mais difícil, impondo que os pontos visados sejam em maior número e mais próximos uns dos outros.

Se a escuridão for tal que impeça as visadas sobre os pontos de referência no terreno, deve-se empregar um companheiro à frente, a pouca distância, e determinar que ele se desloque para a direita ou para a esquerda até situar-se no azimute desejado. Essa operação deve ser repetida até que seja possível identificar um ponto de referência no terreno.

À noite, geralmente, não é possível fazer a visada através do entalhe da mira da bússola como se faz durante o dia, e nem é necessário. Basta voltar a bússola para a direção a seguir, de modo que fiquem num mesmo alinhamento o operador, as marcas luminosas existentes na

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bússola (uma na agulha imantada e outra no indicador de azimute) e o ponto de destino. (figuras 23 e 24)

de azimute) e o ponto de destino. (figuras 23 e 24) Figuras 23 e 24 d.

Figuras 23 e 24

d. Orientação da Carta:

(figuras 23 e 24) Figuras 23 e 24 d. Orientação da Carta: Saber como se orientar

Saber como se orientar em uma operação de busca e salvamento e usar com propriedade uma carta topográfica pode significar, em certas circunstâncias, ser capaz de sair de situações difíceis, em que a direção certa é fator preponderante para o sucesso.

Antes de utilizar uma carta, ela deve ser colocada em posição tal que suas direções coincidam com as do terreno. Isto poderá ser feito de duas maneiras: com auxílio da bússola ou por meio de utilização de pontos notáveis no terreno.

A operação de ajustar a posição da carta ao terreno chama-se Orientação da Carta, que

pode ser feita pela comparação do terreno com a carta, procurando-se estabelecer as semelhanças entre ambos. Isso é viável quando existirem no terreno acidentes cujas representações figurem na carta. Nesse caso, é necessário que o observador identifique primeiro na carta a sua posição aproximada para depois fazer uma observação em torno de si com esta, a fim de colocar em um mesmo alinhamento o objeto visado e a sua correspondente representação na carta.

A orientação da carta também poderá ser feita pela bússola (figura 25). Para tanto,

desdobra-se a carta sobre uma superfície plana, coloca-se sobre ela a bússola com a declinação

magnética já inserida, de modo que um dos lados da caixa da bússola fique tangenciando a reta base vertical de uma das quadrículas. Depois, girando-se o conjunto carta-bússola e

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conservando-se a bússola no mesmo local, procura-se fazer com que a seta da agulha imantada coincida com a marcação do NV. Quando houver a coincidência, a carta estará orientada.

Quando houver a coincidência, a carta estará orientada. Figura 25 e. Como trabalhar com a carta

Figura 25

e. Como trabalhar com a carta e a bússola:

Anteriormente se descreveu como determinar o azimute de uma direção no terreno com o auxílio da bússola. Agora veremos como achar o azimute de uma direção sobre a carta.

veremos como achar o azimute de uma direção sobre a carta. Figura 26 A figura 26

Figura 26

A figura 26 é um trecho de carta, no qual podem ser observados dois elementos: o pico da Esplanada e o pico do Garrafão. O azimute da direção Esplanada-Garrafão pode ser obtido com a seguinte seqüência:

a primeira coisa a fazer é traçar uma reta na carta, ligando o pico da Esplanada (ponto A) e o pico do Garrafão (ponto B), como mostrado na figura 26;

em seguida, orientar a carta; (figura 25)

após isso, colocar a bússola aberta sobre a carta, de tal modo que a borda graduada fique sobre a linha traçada na carta e a tampa (indicador de azimute) voltada para o pico do Garrafão (destino); (figura 27)

a seguir, gira-se o anel serrilhado até que a seta indicadora do Norte coincida com a agulha (figura 28). O ângulo indicado na escala no ponto onde esta intercepta a linha do centro da bússola, no lado da articulação da tampa, será o Azimute (Figura

29).

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DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 60 girar Figura 27 Figura 28 Figura
girar
girar

Figura 27

Figura 28

EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO 60 girar Figura 27 Figura 28 Figura 29 f. conservação da

Figura 29

f. conservação da Bússola:

As bússolas deverão ser conservadas em ambiente livre de umidade e não sofrer choques. Para que uma bússola possa ser utilizada apropriadamente, deverá satisfazer determinadas condições, as quais devem ser verificadas previamente. São elas:

Centragem ou centralização: Verifica-se essa condição tendo as graduações indicadas pelas duas pontas da agulha sobre as diversas partes do limbo. A diferença entre essas leituras deve ser constante e igual a 180 º. Caso contrário, o instrumento estará mal centralizado.

Sensibilidade: Comprova-se esta condição aproximando um objeto imantado e afastando-o. Quando em bom estado, a agulha sofrerá um desvio e voltará a sua posição inicial após algumas oscilações.

Equilíbrio: Uma bússola está em perfeito equilíbrio quando, colocada em posição horizontal, a agulha conserva-se nessa posição. Caso uma das pontas da agulha fique mais baixa, não permitindo sua livre rotação, é necessário pôr um contrapeso, procurando o equilíbrio da agulha.

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g. Desvio de obstáculos:

Será normal, em um deslocamento em áreas de cobertura vegetal de risco, encontrar na direção de marcha, os mais variados obstáculos, tais como, árvores caídas, buracos, galharia quase na vertical, aclives e declives suaves ou fortes, chavascais (banhados, alagadiços), pantanais, igarapé (estreitos e largos, de fraca ou forte correnteza, rasos ou profundos), agapos, rios, lagos e outros.

Quando se navega segundo um azimute, às vezes será possível e compensador realizar um desvio do obstáculo encontrado, outras vezes não, sendo então necessário vencê-los. Dentre a variedade de processos existentes para realizar um desvio ou transpor um obstáculo os mais utilizados são:

Desvios de um obstáculo com ponto de referência nítido:

Chegando ao obstáculo, escolhe-se um ponto bem nítido no lado oposto para servir como referência. Efetuando-se o desvio necessário, chega-se ao ponto e a marcha é reiniciada. Entretanto, o processo raramente terá aplicação prática quando se tratar de obstáculo de grandes dimensões, pois o mais difícil na selva será encontrar aquele ponto nítido, por isso, quando sair de um ponto em busca de outro, não esquecer de deixá-lo, antes, muito bem marcado para facilitar o retorno em caso de insucesso.

2. Da compensação com passos e ângulos:

Quando o ponto de referência após o obstáculo não é nítido, navega-se na direção amarrada pelo azimute de marcha até um ponto em frente ao obstáculo (A). Em seguida descolando-se segundo um novo azimute, de modo que este forme com o de marcha um ângulo reto, neste deslocamento contam-se os passos dados até este ponto (B). Daí desloca-se segundo o mesmo azimute de marcha (azimute paralelo), também neste deslocamento contam-se os passos até atingir o ponto (C) de modo que ultrapasse o obstáculo. De C desloca-se segundo o contra-azimute da direção AB e percorrendo a mesma distância que se percorreu entre A e B, isto é, os mesmos passos chegando ao ponto (D). A partir daí reinicia- se o deslocamento na direção dada pelo azimute de marcha original.

6.3.2. NAVEGAÇÃO

A navegação em área de cobertura vegetal de risco é uma tarefa complexa porque a ausência de pontos de referência acabam confundindo o indivíduo que tenta se orientar sem a ajuda de um instrumento confiável ou a técnica adequada. Até mesmo quem já possui alguma experiência não confia muito em possíveis referências, porque tudo se confunde devido à repetição contínua e monótona da cobertura vegetal.

Os incontáveis obstáculos constantemente causarão desequilíbrio e quedas, tornando difícil a visada permanente sobre determinado ponto. A necessidade de se saber onde pisar ou colocar as mãos desviará, por certo, a direção do raio visual e, finalmente, a própria densidade

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da cobertura vegetal permitirá que se veja até a uma distância máxima de 15 ou 20 metros à frente.

À noite pouco se vê, mas o luar, quando houver poderá atenuar um pouco essa escuridão sem, contudo, entusiasmar o deslocamento noturno, pois o copado fechado das árvores não permitirá muitas vezes que se observe o sol ou o céu, a não ser que se esteja em uma clareira, o que, ainda sim, não significará que se possa efetivamente observá-los de dia ou de noite, pois haverá sempre a possibilidade de céu nublado.

Pelo exposto, os processos de orientação e navegação sofrerão muitas restrições e, portanto, serão mesmo que genericamente abordados neste manual, pois são imprescindíveis para a busca e localização de vítimas. A navegação é o termo que se emprega para designar qualquer movimento, terrestre ou fluvial, diurno ou noturno, por meio da vegetação.

Quando se encontrar uma trilha aberta pelo ser humano, geralmente ela conduzirá a um lugar de salvação. Se a trilha for feita por animal, difícil de identificar por quem desconhece a vegetação, normalmente ela conduzirá a um local de água (bebedouro). Se tratar-se de um igarapé, pode-se segui-lo na direção da corrente, fato que deverá conduzir a um curso de água maior, que, por sua vez, pode levar a um local que permita a sinalização terra-ar ou onde haja habitante ribeirinho. Caso o curso de água desembarque em lagoas ou lago, do mesmo modo haverá melhores condições para a sinalização.

Se um indivíduo do grupo se perde, poderá ser lançado mão de gritos ou de apitos para chamar a atenção. Poderá também bater com qualquer pedaço de pau em cartas raízes expostas de arvore (sapopemas), o que produzirá um som que reboará uma determinada distância.

Para facilitar a orientação e navegação de volta, poderão ser deixados marcas com um facão, faca ou canivete nas árvores. Pode-se ainda quebrar os galhos da vegetação mais baixa, deixando-os apontando para a direção a ser seguida.

O indivíduo ou grupo de indivíduos, aventurando-se em uma cobertura vegetal de risco, em caso de dificuldade, tenderá naturalmente a movimentar-se a esmo em busca da salvação. Essa precipitação é normal, no entanto, muitos já perderam suas vida, movidos pelo pânico. Caso o indivíduo esteja perdido ou em dificuldade, a fim de eliminar a ansiedade, possibilitando uma melhor análise da situação e correta tomada de decisões recomenda-se como regra geral adotar os procedimentos a seguir:

Em caso de emergência lembre-se da palavra E S A O N:

E - Estacione - fique parado, não ande a toa;

S – Sente-se - para descasar e pensar;

A – Alimente-se - saciando a fome e sede, qualquer um terá melhores condições para raciocinar;

O – Oriente-se - procure saber onde está, de onde veio, por onde veio ou para aonde quer ir, utilizando-se do processo que melhor se aplicar à situação;

N - Navegue - agora sim, desloque-se na direção desejada.

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O “Estacionar” e o “Sentar-se” independerão de maiores conhecimentos, servem

basicamente para se acalmar.

O “Alimentar-se” exigirá, na falta de alimentação e água, a aplicação de recursos de

emergências pra obtê-los da própria mata em casos extremos de sobrevivência que não será o objeto do presente manual.

O “Orientar-se” e “Navegar” estão sento tratados de maneira sintética no presente

manual.

6.3.2.1. Navegação Terrestre Diurna

Com uso de bússola e carta, uma equipe de navegação em vegetação de risco deverá ser composta preferencialmente por 4 bombeiros, a saber:

Homem-ponto: será aquele lançado à frente para servir de ponto de referência. Portará

um facão para abrir a picada. Homem-bússola: será o portador da bússola e se deslocará imediatamente à retaguarda

do homem-ponto, deverá manter a bússola amarrada ao corpo para não perdê-la, quando não estiver sendo utilizada deverá estar fechada. Homem-passo: Será aquele que se deslocará atrás do homem-bússsola com a missão de contar os passos percorridos e transformá-los em metros. Para desempenhar essa função, deverá ter o passo aferido com antecedência. Homem-carta: Será o que conduzirá a carta (se houver) e auxiliará na identificação de pontos de referência ao mesmo tempo em que nela lançará outros que mereçam ser locados.

A fim de se aferir o passo deve-se, em terreno plano, medir e marcar a distância de 100

metros. Em seguida deverá ser percorrida essa distância por 10 vezes, observando-se assim, cada vez, um determinado número de passos. Após tirar a média, deve-se concluir em quantos passos são percorridos os referidos 100 metros.

Após essa identificação deve-se somar um terço. Essa margem de segurança compensará os erros provenientes de incidentes comuns nos deslocamentos através da vegetação como quedas, desequilíbrios, passagens sobre troncos, pequenos desvios, terrenos elevados e outros.