Conteúdo

Perdi .......................................................................................................................................... 1 Laço Eterno................................................................................................................................ 2 A voz Imaculada e o Beijo Letal ................................................................................................. 4 Beijos de sangue...................................................................................................................... 74 O Solitudo, solo beatitudo ...................................................................................................... 78

Perdi

O branco puro do papel me encara severamente. O lápis apertado em minhas mãos. Desde quando fora tão difícil transmitir uma idéia da mente para o papel? Arrisco escrever uma palavra, mas falho miseravelmente. Apago. Não é que eu não saiba fazê-lo, apenas esqueci-me de como. Papel e lápis apenas não bastam – reflito – mesmo que acompanhados de uma mente repleta de idéias – desisto. O papel continua imaculado. Abandono-os. Papel e lápis que se entendam! Deito e fecho os olhos. Não durmo. A mente atormenta. Insisto. Persisto. Desisto. A mente é mais forte que o corpo, sempre foi. Mas não é só dela, ou do papel ou da caneta que dependo. Ah! Se fosse! Escrever, como bem sabes, também é paixão e quando não há mais desta em um escritor sua escrita se torna miserável. Então ele falha pela primeira vez e, tão logo, falhará a segunda - uma vez que a segunda é uma conseqüência da primeira - e ele falha como homem, pois também perdeu o seu amor. A terceira e ultima falha acontece quando o homem – na percepção das falhas anteriores – perde a esperança e a fé e, por fim, perde a si mesmo. De que vale a vida quando o coração se torna raso e a alma fraca? De nada, eu lhe digo, querido leitor. De nada! Ah! Se soubesses como se tornam frias e solitárias as noites de um homem que perdeu o calor da paixão em suas palavras - e em si. Tento mais uma vez. Sento em frente ao papel e seguro o lápis firmemente na mão, como se ele quisesse escapar – e talvez ele devesse -, mas ele não tenta. Penso. Tento. Contudo, nada sai, nem uma rasura sequer.

Adeus! Talvez seja dado o momento da despedida. Falhei as três vezes. Perdi a paixão, o amor e a esperança. Sem esperança não há fé, não há nada. E não há mais nada a ganhar ou perder. Não há. É o fim. Perdi.

Laço Eterno

Jamais esquecerei da noite daquela quinta-feira chuvosa. As lembranças ainda estavam nítidas demais em minha mente que era inacreditável que já tinha se passado três semanas desde então. O último beijo; a briga; o rangido da porta batendo atrás de você e, algum tempo depois, o telefone tocando; o acidente; você e, por fim, a morte. Exatamente nesta ordem.

Hoje a chuva caía com a mesma violência lá fora e o vento sibilava movimentando as cortinas azuis que recebemos como presente de casamento. O azul delas não me parecia tão interessante agora. A televisão estava ligada, mas não era como se eu a estivesse assistindo, para falar a verdade, apenas a deixei ligada nessas últimas três semanas, porque o silêncio era ameaçador demais para mim. Ele deixava evidente que você não estava mais aqui, vivo.

Um relâmpago suave iluminou fracamente as cortinas. Eu permanecia, ali, imóvel encarando aquele aparelho e as imagens que se formavam em seu visor perfeitamente quadrado. Uma luz entrou mais intensa através das cortinas azuladas seguida pelo estrondo violento de um trovão. Onde quer que Thor estivesse, ele provavelmente estaria irado. Um leve sorriso de escárnio estreitou-se em minha face, mas este desapareceu imediatamente quando a televisão desligou-se. Tentei ligá-la novamente três vezes, todas falhas. Desisti depois disso, deduzindo que provavelmente a TV havia queimado. Fechei as janelas e fui rapidamente à cozinha pegar um pouco de café; em seguida, iria para o quarto me deitar na cama e esquecer-me da minha própria existência. Tudo estava perfeitamente planejado, mas um vento frio me fez retesar. Um arrepio cruzou minha espinha, eu fechei as janelas. Não fechei? Voltei à sala ignorando o frio sobrenatural que aparentemente tomara conta da casa. Verifiquei as janelas e percebi que estava certa anteriormente, eu realmente havia

fechado as janelas. A cada momento a situação parecia mais estranha. Algo me dizia que havia alguém ali, espreitando. Não é confortável, essa sensação. É desconcertante. Olhos por todos os lados. – Desculpe-me. – uma voz terna sussurrou em meu ouvido – Não foi minha escolha te deixar, Luísa.

Virei-me inconsciente para a direção de onde provinha a voz e vi você. Vivo? Morto? Não sei, mas era você. Gostaria de ter gritado ou falado algo, mas tudo morria em minha garganta. Você estava parado, idêntico a quando o vi pela última vez. Um corte feio em sua cabeça sangrava demais, a camisa estava rasgada e marcas de queimaduras em seu peito, onde o desfibrilador tentou lhe reanimar. E ainda havia o enorme buraco em seu abdômen, onde um um pedaço de ferro entrou em você, saído das entranhas do carro para você. Eu amaldiçoo aquele motorista bêbado até hoje. A notícia de TV, a morte de você. Às vezes para de ser real e eu acho que tenho pesadelos.

– Nunca foi e nunca será. - completou enquanto os braços frios e mortos me envolviam em um abraço. - Eu nunca poderia deixar você. - uma lágrima caiu sobre meu ombro. – Isso não faz sentido! Você está... - engoli em seco, mas fui interrompida antes de continuar a falar. Em meus olhos começavam piedosas lágrimas que rolavam pelo meu rosto, borrando o que restou de minha maquiagem. – Eu sei. - sua mão gelada pousou em minha bochecha, limpando os fios de lágrimas que escorriam ali – Seus sentimentos por mim mudaram? – Não. - respondi automaticamente – Mas e o ―até que a morte os separe‖? – Eu menti.

Então ele tomou-me em seus braços frios e mortos e eu finalmente soube que ficaríamos juntos não importasse o que, para sempre.

A voz Imaculada e o Beijo Letal

A morte e a vida, mãe e filha; amor e ódio.

Nascia em 1546 uma criança inocente fruto do pecado carnal. Não, nunca fora inocente, logo suas presas cresceriam e a criança mataria para sobreviver, uma vampira. Era filha de amantes, uma sangue-puro e um nobre, a mulher faleceu durante o parto e o pai culpou a criança. Ah Pobre criança! Sem inocência, sem a mãe e sem o pai. Tinha somente um nome Megan Lewis, seu nome e dela, a mãe que perdera assim que chegou ao mundo, era tudo o que sabia; seu nome.

Fora aprisionada em sua própria casa por longos 214 anos, vivendo a maior parte de sua infância sozinha, o pai não ia vê-la, ela não era merecedora. Tirou a vida da mulher que ele mais amara em toda sua imortalidade. Seu sangue era sujo, era fétido, ela apodreceu dentro do útero de sua mãe, adoecendo-a e em seguida roubando-lhe a vida, fechando seus olhos imortais para toda eternidade. Sabia disso.

Sempre se sentiu culpada, sentia-se um monstro, era um monstro; o monstro que roubava sangue para sua própria vida, uma vampira.

Dizia sempre quando criança.

“Quão perversa sou! Sacrifico a vida dos outros para sustentar a minha, no momento em que nasci comprovei minha natureza cruel, roubei a vida da minha mamã.” “Você era apenas uma criança, não teve culpa.”

Uma voz falava carinhosamente, ela a ignorava, já tinha em minha mente não ser digna de qualquer afeto, estava acostumada a isso. Mas a voz persistia cada vez mais, de quem era aquela voz doce?

“É você mamã?”

A criança sem inocência estava confusa, seu coração pesava, seu corpo doía, estava na hora de se libertar.

A neve caia pacificamente do céu estadunidense. não enquanto a aquela voz angelical ecoava em seus ouvidos e os olhos azuis hipnotizantes cintilassem com as luzes arranjadas. e lá dentro? Uns sete graus talvez. (Tudo em volta é luz) Everything is healing. (Não apenas para sobreviver. minha beleza imoral. (Guiada apenas por um sentimento) All around is light. (A noite se abre) Led by just a feeling. (Eu vivo meus dias todos os momentos e sua memória) not only to survive to die alive. a vampira que hipnotizava homens e mulheres tanto com sua voz quanto com seus olhos cantava a sua última música da noite. era uma noite fria típica do inverno de Nova York. (Sem destino e sem mistério) Even as time falls away (Mesmo que o tempo se parta) I live my days every moment and its memory. mas ninguém parecia se importar com o aquecimento precário. para morrer vivo.) .” Teu sangue. Minha beleza imortal. minhas presas irão provar o doce sabor. encanto e morte. (Tudo está cicatrizado) No more fate and no more mystery. Deveria estar fazendo uns quatro graus negativos do lado de fora daquele bar. “Open up the night.“Viverei por você mamã e cantarei apenas para você.

seja o que for era imperdoável ele não ver minha última apresentação. (morrer vivo) Die Alive – Tarja Turunen A platéia aplaudia em frenesi enquanto a luz apagava lentamente dando sinal que o show havia terminado. „cher‟? – perguntava meu contra baixista. (Devastando o amor. (Cantando no meu sangue mantendo-me de joelhos) No more fate and no more mystery. Bye bye! – .Já vai. (Sem destino e sem mistério) Even as time falls away (Mesmo que o tempo se parta) I live my days every moment and its memory.Overwhelming love.É realmente tentador Leo.‖ Pensei furiosa enquanto pegava minha bolsa.Mas vai perder a nossa festa de último show. heaven's just a feeling. Meu único confidente e meu amante James. ela não estava lá. mas não há sangue nesse mundo que me faça ficar. aquela pessoa. . (Não apenas para sobreviver. – respondi rapidamente.) Die Alive. O paraíso é apelas um sentimento) Singing in my blood keeping me from kneeling. não estava com a mínima vontade de conversar agora. estou indo. Tenho coisas para resolver. para morrer vivo. . ―O que diabos ele estava pensando? Estava mais do que combinado que essa noite ele era meu e apenas meu. Hoje era especial. ―Será que aconteceu algo?‖ Pensei e apanhei minhas coisas que estavam atrás do palco. Leonard. o AB positivo. não agora.Sim. . com aquele sotaque francês falso. (Eu vivo meus dias todos os momentos e sua memória) not only to survive to die alive. mas algo estava errado. . é um sangue raro você sabe! – Deu-me uma piscadela convidativa insistindo mais uma vez. darling? Garanto uma taça de seu sangue predileto. diga aos outros que tive que ir embora.

Não consegui nem ao menos utilizar minha velocidade vampírica. em Nova York. .Dei as costas e sai pelos fundos daquele bar nova-iorquino imundo. não por medo. meus olhos azuis agora eram de um vermelho intenso. era hora de acertar minhas contas com aquele vampiro egoísta com quem eu vivia e amava. . . o meu desejo. o coitado mal poderia imaginar que na verdade ele era a presa ali. mas por estar faminta.Está falando comigo? – sorri maliciosamente sem virar-me. mas eu não podia cegar-me com os instintos. o precioso alimento que dava imortalidade. . é claro. seu sangue. – Já são mais de meia noite. tínhamos uma reserva grande de sangue lá. talvez a nobreza do meu sangue perdeu-se quando pisei naquele lugar. O frio cortava-me a garganta aumentando a minha sede. ―James seu bastardo filho da puta!‖ Xingava-o em pensamento. eu não hesitaria em atacar o primeiro humano que aparecesse. se não fosse o meu sobretudo preto provavelmente estaria praticamente congelada pelo choque térmico. Assim nossos ataques não eram freqüentes afastando-nos dos olhares dos caçadores. Faltava apenas uma rua para chegar ao nosso apartamento na East 57th Street. levávamos uma vida apenas confortavelmente com alguns luxos.Mas é claro que estou sua vadia. qualquer esforço e desperdício de energia triplicariam minha sede. Precisava chegar logo ao apartamento. minha garganta clamava pelo doce sangue. a ―cinderella‖ deveria estar em casa como uma abóbora. ele era bem espaçoso levando-se em conta que essa é a sétima rua com o metro quadrado mais caro do mundo.Hey! Riquinha onde pensa que vai sozinha essa hora da noite? – ele dizia com deboche. amaldiçoando e praguejando com todas as palavras que me ocorreram. um homem resolveu expor-se a minha sádica tentação de roubar sua vida. O vento habitual daquela noite fria deixava uma sensação térmica de dez graus negativos. foi difícil encontrar um bom imóvel com preço acessível. está vendo alguma outra pessoa aqui? Gargalhei ainda de costas para meu suposto agressor. Foi então que uma voz. Apressei meus passos naquela rua deserta. as entranhas queimavam pedindo pelo alimento sagrado para os vampiros. James e eu nunca fizemos o estereotipado gênero de vampiros ricos.

a aflição terminaria logo. Com minha fome saciada segui para casa mais tranqüila. estava ficando cada vez mais freqüente. desta vez seria diferente. sentado em sua poltrona favorita de couro negro. – Seu sangue é tão saboroso e doce. – Não é muito difícil constatar não é. como se aquilo fosse ameaçador. Surgi atrás de seu pescoço. já não havia mais esperança para sua alma. chamando-me. Cheguei rapidamente. “Dear Meg.Are you crazy? Não há motivos para rir. Ataquei-o sem delicadeza. agora eu teria meu alimento. eu iria encontrá-lo não importa o lugar do mundo em que se metera. aquilo divertia o monstro sanguinário que habitava em mim. Meu riso parou. Abri o bilhete rapidamente.‖ Pensei suspirando. James havia viajado mais uma vez este mês. ainda tinha um assunto inacabado. bitch! – ele correu voraz para cima de mim com uma faca. Eu via pavor no seu olhar. . posso provar dos teus lábios? – O homem já estava inconsciente. Abri a porta do nosso apartamento esperando encontrá-lo lá. ele uivou de dor. não havia ninguém lá exceto por um bilhete sobre a cama com uma gota da sua essência. Fodase a sede triplicar-se. Comecei a ler. suguei cada fio de vida que ele poderia ter e quando o deixei já não havia mais sangue em suas veias. mas estava vazio. ―Como se anda mais rápido quando se está alimentado. apliquei o meu beijo letal sugando todo resto de sangue que poderia ter sobrado. exceto é claro por uma vampira satisfeita. rasgando-lhe a pele do pescoço. seu sangue. meus lábios apenas se contorciam em um sorriso faminto. não vai doer nada. podia ver as veias pulsando. mas a sede havia me consumido.. não havia mais nada. não era do meu feitio beber sangue diretamente do pescoço. – O-o-o que você é? – ele balbuciava aterrorizado fitando meus olhos vermelhos e minhas presas agora expostas. – acrescentei após me aproximar mais de seu rosto paralisado em medo. rasgando o envelope nobre em que estava. – Don‘t worry baby. utilizei minha velocidade vampírica interrompendo-o e o fazendo cair para trás com o susto. – Sorri de forma doce tornando a situação mais mórbida para minha pobre vítima. James. entretanto violei-o. não poderia responder-me.

As malas ficaram prontas em alguns segundos. mudou de idéia „chér‟? – Ele repetiu a tentativa de um sotaque francês. ligue-me assim que ler esse bilhete. darling! – Como está a comemoração? – Está boa. um sorriso cortou os meus lábios enrubescidos. sinto muito por perder sua última apresentação eu não queria. o maldito táxi deveria ter se perdido. não é? . – Pensei que não me ligaria mais hoje. Eu podia observar pela vidraça clássica do nosso apartamento enquanto discava o número do celular de Leo. I Love you. With love. Você me entende. – Você nunca muda mesmo. Sua voz suave logo cortou o silêncio. Para passar o tempo resolvi ligar para Leo e saber como havia sido a comemoração da nossa última apresentação naquele bar.Houve alguns problemas com meu emprego e tive que viajar com urgência.” – Londres é? – Meus lábios se contraíram em um sorriso mal-intencionado. os humanos realmente são lentos. E claro. já havíamos nos apresentado em quase todos os bares noturnos da ―Grande Maçã‖. A neve já não caia tão intensa lá fora. a recepção do Hazlitts Hotel daqui de Londres é impecável e não esquecerá de nenhum recado. na 57st. prometo que quando voltar não deixarei você sair da nossa cama. mas estaria melhor com você aqui. que não tardou a atender. gostávamos de variar bastante. caso eu não esteja não se preocupe. Já estou com saudades. – Já estava ficando com saudades da capital inglesa mesmo. ainda mais que pedi para que ficassem atentos caso você ligasse. a velocidade vampírica é bem útil nesses momentos. your James. “Logo eu poderei vê-lo.” Havia ligado para uma companhia de táxi vinte e quatro horas e já fazia mais de vinte minutos. mas fui forçado por motivos maiores. não é? Espero que possa perdoar esse vampiro fascinado por você.

Sempre fora assim desde que nos conhecemos. ok! Mas não me disse para qual aeroporto você pegará o vôo. . pode me chamar. Acompanhei-o de uma forma mais discreta com apenas um sorriso tímido que só as paredes daquele cômodo tiveram o deleito de presenciar. – Por que me ligou tão cedo. não quero chamar muita atenção. Entretanto eu era fiel a James. baby? Pensei em receber notícias suas só amanhã. – Ora. Leonard era sempre assim. ou já se esqueceu? Leo sempre seria assim. estou indo para Londres. O riso cessou. como eu o chamava. – Mas agora tenho que desligar. – Chamar a atenção? – Ele gargalhou .Ele silenciou por alguns instantes – Já tem a passagem? – Pretendo alugar um jatinho particular corriqueiro. Se James não estiver ―dando conta do recado‖.Você já chama atenção baby. possuía cabelos castanhos escuros e olhos tão negros como uma noite sem luar e sua pela alva ressaltava-os mais do que deveria.. confesso que se não fosse todo meu carinho por James eu teria caído em seus braços há tempos. ele persiste em seus sentimentos insensatos.Ele riu descontraidamente ao ritmo da música ao fundo. apanharei James de surpresa.. era um pecado negar os sentimentos que me oferecia.. Ainda insiste com isso baby? Na verdade estou ligando para comunicar a minha recente viagem. – Obrigada Leo. o táxi acabou de chegar. sinto minha estima aumentar sempre que converso contigo. you know. Você é uma vampira. adorava passar-me indiretas completamente diretas e. ora.. – Londres? Hum. uma vampira linda. – Rimos juntos. Leo. se não tentasse me cortejar não seria realmente ele. – Oh. . dando continuidade a conversa. ou talvez fizesse isso tudo para se distrair. embora nunca houvesse nada entre nós.

– Como demorou. afinal somos a cidade que nunca dorme. alugar um avião de pequeno porte não seria problema. por que veio? – Calma ‗chér‘. a temperatura do lado de dentro era bem mais agradável e amena. digamos.. apesar da neve cair com menos freqüência. – O que? Leo? Ele desligou. – Presente? Está louco? Preciso de um avião! . diferente da maioria das vezes. terminal nove. Em menos de uma hora e já estávamos no aeroporto. ei! Cuidado para não sermos vistos. são um dos poucos para tratar-me com tanta liberdade. o trânsito da “Big Apple” estava tranqüilo hoje. Aquele que fica no sudeste de Manhattan. – Ei. – Ele sorriu mostrando-me os caninos puramente brancos. presentinho. perto deles eu era completamente outra. Desci com minha bagagem pelo elevador.– Irei para o JFK. Darling! Pensei que não chegaria hoje. O pessoal da banda. Entreguei-lhe as duas malas pretas da Prada e seguimos para o táxi. logo estaríamos chegando ao aeroporto. o taxista já estava me esperando na portaria. Entrei no táxi. parado. Paguei cento e vinte dólares ao taxista e fui rumo ao saguão do terminal que Leo mencionara antes de desligar.. feito uma escultura perfeita do século XV moldado com todos os cuidados que somente Michelangelo Buonarotti teria. é claro. – Hum. rápido „please‟! Recostei minha face na janela observando as luzes que passavam rápido em flash. Era pouco mais das duas e meia da manhã e o ar gélido daquela madrugada de inverno estava mais intenso. principalmente Leo e James. aeroporto Internacional John F Kennedy. apenas vim me despedir e te dar um . E ele estava lá. mais espontânea e feliz. – Para o Aeroporto JFK. certo? Encontro você lá.

Sempre chegamos à mesma hora em que partimos. o mordomo. Esse sim poderá ser perigoso. Espero que possamos fazer um ótimo vôo. parece que o tempo pára enquanto voamos. A minha sereia. não se preocupe. – Megan. mesmo assim se cuide. Mas. não há como eu correr riscos com aqueles trastes. O aeroporto não estava muito movimentado. Observei tudo cuidadosamente. Afinal estávamos em Nova York. – O piloto curvou-se formalmente em minha direção. – Good Night Srta. tome cuidado. Leonard que estava acenando sorrindo para nós. . alright baby? – Os level E são a escória da nossa sociedade. afinal eu sou uma nobre. a família de Leonard realmente sabia como viajar luxuosamente. Há um traidor entre os vampiros. Tom. – Deu-me uma piscadela e sorrimos. a Inglaterra mudou muito. – I Know baby. O mordomo que até agora estava quieto. – Leonard levou-me até a porta do avião beijando carinhosamente o dorso das minhas mãos pálidas.Falei um pouco atordoada com a resposta. Leonard me conduziu pacientemente até o avião onde o seu mordomo particular e o piloto me aguardavam. mas ainda havia muitas pessoas em todas as partes. chamou-me e me conduziu para dentro do avião. – E você acha que eu deixaria uma vampira rara como você nas mãos de um piloto qualquer? De forma alguma. a porta do avião foi fechada. Caminhamos por alguns minutos e logo chegamos à área de embarque particular da família Chevalier. . o interior do avião era completamente personalizado. Agora vá. – Foi a última coisa que disse para ele. Parece que eles estão sendo controlados por um nobre ou coisa parecida. – Tomarei cuidado. recebi notícias que vários Level E ensandecidos estão soltos pelas ruas causando muita dor de cabeça para as autoridades e caçadores. você é a sereia da nossa banda. . Se cuide! Qualquer coisa pode me ligar que irei voando para te ver. I know.Mas muito obrigada! – Agradeci de uma forma sincera. – Não precisava Leo. Megan.– Exato. Vamos? – Ele falou caminhando em direção aos portões de embarque. o avião da minha família está a sua disposição e pronto para partir agora. correu até mim como se estivesse esquecendo de algo. Viajar de Nova York para a amável Londres era tão mágico.

” O avião decolou. O mordomo de Leo caminhou até um Bentley Zagato GTZ preto e guardou minha bagagem no porta-malas. . Logo chegaríamos a então capital inglesa e James se veria comigo. um vermelho veludo que me fascinava. Eu espero que tome cuidado na Inglaterra e siga completamente as instruções que foram passadas antes da sua partida. Boa viagem! Beijos. suas asas cortavam o ar da madrugada fria. Assim que o avião pousou no solo inglês fui despertada. Quando chegar até o Aeroporto Heathrow. realmente havíamos chegado. Entre os ramos havia um bilhete endereçado a mim.trouxe-me um ramalhete de príncipes negros. “Darling Meg. cuidado. O suave perfume dos príncipes negros impregnava cada parte daquele lugar inebriando-me. O mordomo então não tardou a me convidar a entrar naquele belo carro. Já estava mais do que na hora de eu achar James e acertar as contas. Ligue-me se precisar de qualquer coisa. Acenei com um sinal positivo com a cabeça e levantei. Olhei pela janela e pude observar a tradicional neblina inglesa. A noite na graciosa Londres estava fria e naquela garagem parecia que o frio era ainda maior. em companhia daquele bilhete carinhoso adormeci. Embebida pelo prazer do seu sangue permutado ao suor de nossos corpos. Adaptei o meu relógio de pulso para o horário da nobre Inglaterra. e então. Espero que tenha gostado das rosas. E mais uma vez. era um carro lindíssimo. vamos? – O mordomo dos Chevalier estendeu-me a sua mão para me auxiliar a levantar da confortável cadeira de veludo na qual eu me instalara. Descemos do avião na garagem particular dos Chevalier. como eram belas. sentei-me com o ramalhete no colo abrindo o cartão. – Senhorita Lewis. Leo. pela última vez fomos um só. havia um vermelho tão intenso quanto o sangue. meu mordomo Tom levará você até onde desejar.

– me. Enquanto passeávamos pelas mais variadas ruas aproveitei para relembrar minhas lembranças da antiga Londres. mas não teve muita importância. – Ele está em um dos nossos Deluxe Rooms. Sim. segundo andar a terceira porta a direita. só me faltava ter James. – Tem certeza que não quer que eu leve as malas até o quarto senhorita? – O mordomo insistiu mais uma vez de forma gentil. – falei pela última vez ao servo dos Chevalier e entrei no hotel. – Terceira porta a direita no segundo andar. Disse algo senhorita? – O mordomo indagou- Depois disso o silêncio voltou a tomar conta do veículo. não estava muito pesada e sozinha eu poderia utilizar minha velocidade vampiríca para chegar mais rápido e assim o fiz. – Não estou lhe perguntando se pode passar a informação ou não stupid! Em que quarto ele está? – Utilizei o meu dom para agilizar as coisas. – Oh sorry. humanos são tão burocráticos. pois em menos de dez minutos havíamos chegado ao hotel.. Os móveis antigos com toda a certeza davam um toque de classe àquele local.. Segui até a recepção.Não permiti que o homem continuasse a frase. Agradeça a Leonard em meu nome. – Melhor assim. – Desculpe-me senhorita. . sigamos para o Hazlitt's Hotel. sempre fora tão nobre. mas nós não pod.. – Agora que eu já tinha o quarto. apenas pensei alto. Estávamos a poucas quadras da 6 Frith St quando eu notei algo estranho. eu sei me virar. – Não há necessidade.– Para onde eu deveria seguir senhorita? – Ele me perguntou olhando pelo retrovisor. – falei para mim.. – Olhei para a porta a frente conferindo-a com minha nota mental. – Good night Sir. A decoração era perfeitamente bem escolhida. era exatamente ali. eu estou procurando por James Lionel Martin. Carreguei minha bagagem até o segundo andar. please.. –Ah sim.. ele havia dado partida no automóvel. – Então de fato os rumores eram verdadeiros. aquele que eu esperei tanto . Não foi preciso dizer mais nada. um homem estava sendo completamente drenado por três Level E.

– Abra e descubra. Alisava. Saudades do cheiro. Ele pousou os lábios gentis em meu pescoço. dos toques. .Então enterrou seu rosto entre meus cabelos. – Já estou com saudades. completamente envolto das saudades que sentíamos.para ver estava por trás daquela porta de carvalho antiga. mas logo foi possível ouvir passos até a porta. . – Falei tentando parecer um tanto quanto misteriosa.esfregou seu corpo no meu... estava estático olhando-me com aqueles olhos de tons esverdeados e sedutores.. James estava perfeitamente belo e sem sua camisa exibindo aquele corpo bem definido e impecavelmente pálido. De início estranhei o silencio. mas nada disse. um convite e tanto para o pecado. mas logo depois sorriu daquela forma que me enlouquecia. não foi justo. Mas ele era o homem.. queria tê-lo todo para mim naquela noite. Passei minhas pernas por cima dele envolvendo-nos mais. Bati na porta sutilmente. . Eu sempre estava pronta pra ele. apertava e o mordia a cada movimento frenético de nossos corpos.Você sente princesa. James pareceu primeiramente assustado.. – Ficar longe da minha princesa de voz encantadora me deixa assim.. ele me atacara de surpresa.. Quando pude me dar conta já estava em seus braços sendo amada por ele. Ele tocava-me. Pareceu surpreso em me ver. sentindo o cheiro esplendido dele. acariciando cada parte do meu corpo magro de vampira. e os homens como ele comandavam esse tipo de situação .James. . prometo que quando voltar não deixarei você sair da nossa cama – Citei uma parte da carta. Envolveu meu corpo esguio num abraço ressequido. A porta abriu rapidamente após isso. jogando-me na cama.. – Por que esperar você voltar se temos uma cama aqui? . a mesma que ele me deixara. – Era tudo que eu conseguiria dizer naquele momento.Sente como sua falta me deixa louco. – Jam. – Quem é? – James perguntou do outro lado. dos beijos.. Eu era mais experiente que ele em anos vampíricos. provocando uma onda perfeita de choques estáticos de prazer.Sorri maliciosamente agitando a carta ao ar. Resolvi dizer-lhe algo..forçou sua pélvis coberta nas minhas pernas .

querendo dominá-lo.. diz que gosta quando eu fico longe.. E então foi a minha vez de pôr-me incontrolada embaixo dele. Descontrole e prazer. Aquelas unhas poderiam ser fatais pra ele. querendo sair. pouco importava pra nós dois. se eu continuasse as cravando nas costas.. As roupas minhas e de James num quarto de segundo estavam ao chão. Eu gritei e poderia gritar o mais alto que eu quisesse se fosse prazer.. As minhas presas de vampira se abriram naquele sorriso sádico e imoral. – Diz pra mim. Megan. rasgadas.. Assim eu era para ele. o anjo de voz doce tinha. Geme vai. querendo provar do sangue dele. Mas ele continuava estocando. com força e com rapidez. E foi o que ele fez.. tocando meu corpo todo fervendo de desejo. cheia daquela malícia que ele amava: de sorriso torcido. letal quando gemia no seu ouvindo pedindo mais. E foi sublime quando ele se alojou por completo ali dentro.Foi tudo rápido demais. repuxadas. – Oh. – Desista baby. Um anjo da morte. e olhos meio fechados. Ele sabia que eu queria sangue. e sem interesse da parte dele avaliar isso quando eu afastei os joelhos. – Ele me impacientava. Forcei as mãos presas nas dele. Diz que é bom sentir saudades.. Sabia que queria seu sangue. O quarto todo estava repleto de nosso cheiro doce. . As saudades e a vontade de provar-nos inteiros nos puseram loucos. dor ou saudade.. não beberás do meu sangue esta noite. James penetrava em mim cada vez mais intensamente. geme bem baixinho meu nome. segurou o membro com as mãos e penetrou. Sem espaços entre meu corpo quente e o delicioso dele..investia seus quadris nos meus.. Ele sabia que eu queria mais das suas mãos. do cheiro de sangue maldito dele escorrendo das costelas até o corpo divinamente branco. Parecia que ele precisava sentir aquela cavidade o quanto antes. de forma que nossos corpos se arrastavam pro meio da cama no impacto delicioso da pélvis na minha intimidade. nenhuma palavra poderia definir melhor o que eu estava sentindo. e o cheiro do seu . dando o ar de mistério que só eu. – Segurou-me pelos pulsos acima da cabeça. pedindo que ele me devorasse completamente. Ele sabia que eu só queria sentir as estocadas que ele dava num ritmo acelerado.

Cavalgando gostoso. deitei em seu peitoral pálido feito mármore branca e completamente definido como sempre fazíamos. o que você andou fazendo? – Eu sabia que James não era nenhum santo. Logo depois daquele ato cheio de volúpia e luxúria. Minhas mãos presas pelas dele. ele forçou o meu quadril e numa estocada magistral que fez meus lábios segregarem de sua pele.. Queria morde-lo. Mas parecia cansado e fechou os olhos. Ele mal pode combater as minhas presas na sua clavícula. eu gemi alto seu nome. ainda se movendo pra cima e pra baixo. – Segurou com mais força as minhas mãos ávidas.. sentir seu sangue quente cortando minha garganta. eu girei meu corpo no dele sem o deixar sair de dentro de mim. as mãos segurando meus ombros. completamente inútil. Por meros momentos ele se deixou levar pelos meus movimentos. o meu quadril subindo e descendo. se afundando completamente no pênis. – Jam.. não é aconselhável me negar tal coisa.. o pondo deitado na cama.. Eu era mais forte que ele nesse quesito. O maior erro que se pode cometer na cama comigo é justamente esse: abaixar a guarda. quando ele despejou inteiro em gozo e sede no meu corpo.. até o fim. seja mal. segurando suas mãos nas minhas. e quando eu desejo algo. por que me negava o prazer de acariciá-lo? Bagunçar seus cabelos negros da cor dos meus enquanto gemia de prazer? O seu sangue misturava-se ao nosso suor.. deixe-me.. James.. Num lampejo que seus olhos de metal não captaram. Eu o desejava pro completo. – Vai ter que implorar anjo.James. como só eu saberia fazer. Punia-o por tentar controlar minha fúria. definitivamente ele estava me provocando. o suor de dois vampiros enlouquecidos pela volúpia daquela noite. – Jam. não conseguiria me soltar facilmente e aquilo me enlouquecia. Eu o punia. Sentido eu sugar o seu sangue quente. era tudo que eu precisava. Mas foi inútil. Meu quadril enterrado em nele. até porque eu já havia definhado . não . – sorri com prazer. Eu não tinha cabrestos e meu prazer também não.. antes de eu te morder havia uma mordida lá.sangue era delicioso. mostrando meus caninos alvos. lá dentro.

Se eu entrasse muito rápido ele perceberia minha presença e tudo iria estar arruinado. mas eu não poderia demorar demais se não o perderia de vista. – Corri atrás dele apanhando minhas roupas do chão também. apesar de que James parecia perdido demais em seus pensamentos para notar que eu estava o seguindo de fato. não deveria estar comigo. O que eu detestava de fato eram as mentiras. – Não estou louca James. – Ele vestiu um casaco por cima das outras roupas e advertiu. decidi arriscar e entrar também. Aquele local cheirava a álcool. ela estava abarrotada e era de fato impossível eu ver James naquele ‗inferninho‟. – Estou convicta do que vi. “O que diabos James vai fazer ali?” Depois de alguns minutos em que ele entrou. Olhei no relógio e ainda era um pouco mais das três da manhã Tratei de me vestir rápido. Eu nunca fui uma das mais obedientes principalmente quando eu estava irritada. mas sempre eram todas humanas que ele usava para nos servir de alimento. Quando eu entrei pude perceber que não era uma boate comum e sim uma para vampiros e caçadores. – ele se levantou e pegou a própria roupa do chão. – Não venha atrás de mim. – Se você não confia em mim. como o que acontecia agora. Andamos uns quinze minutos no máximo até chegar a uma boate em um beco escuro nos arredores não tão nobres de Londres. – Você definitivamente está louca. nunca de fato houvera alguma vampira. prendendo-me no quarto como se aquilo fosse capaz de me impedir. como se eu tivesse cometido o maior dos pecados. volte aqui.algumas das ‗amantes‘ dele. – Ele deixou o quarto e trancou a porta do lado de fora. Utilizando minha superioridade em velocidade em menos de alguns segundos eu já estava vestida e pus-me a segui-lo cautelosamente para que ele não me notasse. Mas mesmo assim não desisti da minha caçada. – Ele olhou-me aterrorizado. – Impossível você deve estar louca. sangue e tabaco. saindo em seguida?” . “Como aquele maldito ousa me deixar falando sozinha e ainda me chamar de louca.

Havia tantas pessoas que eu não conseguia ver o chão de forma alguma. A letra da música passava diante dos meus olhos em uma tela. uma luz forte acendeu sobre minha cabeça e toda a atenção do local foi direcionada a mim. para tentar achar James. when your heart's not open (Você fica congelado quando seu coração não está aberto. minha voz ecoou em cada canto..” Entretanto já não havia como fugir.. If I could melt your heart .) Quando os primeiros versos saíram. meu corpo e minha voz cederam ao desejo de cantar. You only see what your eyes want to see (Você só vê o que seus olhos querem ver.) Aproveitei que a multidão estava quieta e hipnotizada pelo meu desempenho no palco. Mmm-mm-mm. “Merda! Não tenho tempo para isso. o primeiro tom da música havia sido tocado e eu fui dominada pelos acordes daquela melodia.) You waste your time with hate and regret (Você desperdiça seu tempo com ódio e arrependimento. Todos estavam dominados com o meu dom divino. hipnotizando homens e mulheres. era um bar Karaokê. mas eu já sabia o que fazer. Foi até que então um bastardo esbarrou em mim e eu tropecei por causa de um desnível a minha frente..) You're broken. You're so consumed with how much you get (Você está tão consumido com quanto você consegue. o bar inteiro entrou em êxtase.) How can life be what you want it to be? (Como pode a vida ser aquilo que você quer que ela seja?) You're frozen. vampiros e caçadores. “Onde você está querido?” era tudo que eu conseguia pensar.. Foi inesperado. Quando eu me levantei. minha beleza maldita e minha voz angelical. when your heart's not open (Você fica arrasado quando seu coração não está aberto.

nós nunca ficaríamos separados..) Mmm-mm-mm..... saber my meu [que] eu heart coração sofreria will o be ficará mesmo.. entregue-se para mim.. Raiva.) And you should know I suffer the same (E If (Se I eu você lose perder devia you..) Mmm-mm-mm. se eu pudesse derreter seu coração.. O maldito estava cheirando as madeixas de uma mulher com o cabelo colorido de ruivo artificialmente.) Let all the hurt inside of you die (Deixe toda a dor dentro de você morrer. Give yourself to me (Mmm.. Todos aqueles que estavam sentindo o tom suave da minha voz puderam sentir uma mudança repentina.. Give yourself to me (Mmm..... ela precisa voar. você. deixando meu corpo se mover no ritmo lento da música... nós nunca ficaríamos separados.. Entregue-se para mim...) broken partido. você possui a chave. You hold the key (Mmm. We'd never be apart (Mmm...... she needs to fly (O amor é uma ave.. Now there's no point in placing the blame (Agora não tem propósito em estabelecer a culpa.. se eu pudesse derreter seu coração.) Love is a bird.) Mmm-mm-mm.. We'd never be apart (Mmm.) You're frozen.) Mmm-mm-mm.....) Mmm-mm-mm.(Mmm.) Foi então quando eu finalmente o vi.. Mmm-mm-mm....... You hold the key . ciúmes e angústia por não poder sair dali até o fim da música. when your heart's not open (Você fica frio quando seu coração não está aberto.) Mmm-mm-mm. If I could melt your heart (Mmm..) Continuei cantando. Como um anjo caído eu dominei aquele lugar.

...) “James você não escapará” If I could melt your heart. If I could melt your heart (Mmm.... nunca seria um problema.... entregue-se para mim. você possui a chave.. You only see what your eyes want to see (Você só vê o que seus olhos querem ver.. ou até ..) “Ele estava provocando minha ira....) How can life be what you want it to be? (Como pode a vida ser aquilo que você quer que ela seja?) You're frozen.. mas aquilo não era um problema. You hold the key (Mmm. We'd never be apart (Mmm. o som de um tiro soou e sentimentos como raiva e pânico afloraram na pele da vampira cantora Todas as luzes se apagaram e a escuridão tomou aquele lugar. Give yourself to me (Mmm. você possui a chave.... Meus olhos podiam acompanhar todos os movimentos como se tudo estivesse iluminado.(Mmm...) Mmm-mm-mm. (Se eu pudesse derreter seu coração...) Mmm-mm-mm. se eu pudesse derreter seu coração...) Mmm-mm-mm......... Maldito!” Praguejei mentalmente..) Minha voz estava de certo com um tom ameaçador e isso aumentou o frenesi da platéia. when your heart's not open (Você fica congelado quando seu coração não está aberto.. pelo menos não para nós vampiros. Mmm-mm-mm.) A luz se apagou. nós nunca ficaríamos separados..

o sangue. . Corri de uma forma sutil. Afinal. era preciso deixar de lado a delicadeza. mas não consegui alcançá-lo. – Ja-James? Observei um homem que parecia estar ferido saindo do bar cambaleante. Mas dentre todos os odores do sangue espalhado naquela cena nefasta até para mim. Consegui distinguir um cheiro único. chamar aquilo de um pub inglês é ir muito além do eufemismo. Uma chacina tanto de vampiros contra vampiro. A escuridão de certo melhorava a minha percepção e meus dons vampíricos. O mesmo cheiro do sangue que tomei outrora atrás e que ainda corria no corpo de James. A velocidade e força de uma vampira nobre é muito superior do que aquela multidão louca que eu me encontrava. Rapidamente consegui me retirar daquele maldito ―pulgueiro‖. Mas eu não poderia me distrair. não havia definição melhor. O liquido rubro estava espalhado em todos os cantos. Gritos ensandecidos do lado de fora e o cheiro de sangue invadiram violentamente aquele pub. precisava encontrar James. Do lado de fora pude observar o motivo da loucura que se alastrou lá dentro. Vampira. Além de estar entre uma multidão faminta de vampiros loucos. Humanos realmente não sabiam apreciar o bem precioso que corre em suas veias. provavelmente estaria tal qual a escória dos Level E. apesar de muitos ali serem apenas vampiros comuns ou level E. como de vampiros para humanos. Nem mesmo na grande maçã os bares eram daquela forma. esgueirando-me entre os vampiros sedentos e loucos. Talvez se eu não tivesse me alimentado antes. “Será que aquele tiro acertou James?” Um tumulto repentino formou-se junto com a queda da luz. desperdiçado.melhor. eu não conseguiria me libertar daquele tumulto facilmente. e nem deveria. juntos eles eram fortes. eu ainda era um ser da noite. ensandecida por causa do suculento liquido vermelho.

não queria morrer daquele jeito. não era a voz de quem eu queria. “O que?” pensei comigo mesma. acusando-me de uma coisa que eu nem sequer imaginava o que poderia ser.James gritou caindo de joelhos encobrindo a face. . confirmaram sua trama.Nós já sabemos que é você quem está recrutando Level E e os trazendo a Londres. minutos atrás enquanto eu perseguia sua trilha mal disfarçada. – Eu. – Não preciso da Associação pra matar você..Essa mulherzinha sem passado quem tem feito isso? O que você pensa que somos. Estava bem próxima quando ouvi uma voz masculina gritar. eu não. Os vampiros que Agnes matou. James aparentava estar incrédulo. .Segui meus instintos de mulher..O homem apontava sua arma pro meio dos olhos dele . Só me resta descobrir o porquê disso tudo. “O que diabos está acontecendo?” – Ela? – A maldita ruiva que James acariciava enquanto eu fazia minha performance no palco apontou suas adagas pra mim . Utilizei minha velocidade vampiresca para diminuir a distancia. diga. instintos de vampira. .Foi ela.Não conseguiu achar palavras. nos poupe de suas mentiras. E quando já não havia mais esperanças. Seus olhos vertiam medo. ela me manipulou desde o começo . James. estava desesperado. com o intuito de levantar suspeita sobre as famílias nobres e puro sangue daqui. por que tem feito isso? Quem o controla? – O homem pôs-se entre a ruiva e James.. James. – Eu não fiz nada .voltou a empunhar armas pro herdeiro legítimo da Aston Martin.Agora apontava em minha direção. o anjo dele apareceu para salvá-lo. não era a voz de James. impedindo um ataque ofensivo de ambas as partes. Sim eu era tudo o que ele precisava para escapar daquela situação funesta.. eu. – Vamos James. . idiotas? É por isso que nos toma? Acha que temos tempo pra perder com você? .

O que era aquilo? Por que meu James estava agindo daquela forma? Por que diabos aqueles malditos estavam falando aquilo? Não consegui entender. – Saia da frente vampira! – A ruiva vociferou. segundos atrás? – Eu realmente não entendo o que está acontecendo.Aposto que a sua maldita associação não ficaria nada contente com isso. passando pelo corpo imponente do caçador .. Nenhum passo a mais. E muito menos o Conselho de Anciãos. chorou lágrimas que nunca existiram. eu fui manipulado. O único com quem poderia dividir o que era chamado de ―vida‖. – Não! Não vou deixar que vocês façam isso com ele! . se eu tardasse e ficasse observando aquela cena teatral patética James acabaria realmente morto. e isso em minha mão é uma legítima . Não mesmo! – Mentiras repetidas muitas vezes não as fazem verdades. mas não consegui acreditar no que via... Meu único amor. .. O que aqueles malditos poderiam querer com James? Pra que todo aquele estardalhaço? James permanecia calado. – O caçador agora havia engatilhado sua arma. Ainda de joelhos fingia um desespero covarde.Fui interrompida por James que agora ameaçava cortar minha garganta com um canivete. provavelmente tinha algum plano de fuga.Falava repetidamente tentando parecer convincente. É hora de colocar um fim nisso..Por que tenta proteger esse desprezível. acaso não viu o que ele tentou fazer. não é? James gargalhou. mas tenho certeza que. eram caçadores.. ofereceria minha ―vida‖ por ele.Aquele cheiro não poderia me enganar. Mas o que estava acontecendo afinal? Era aquele ainda o seu James? – Ei vocês. seus caçadores bastardos. . Eu observava aquela cena. aquele que me salvara das trevas no passado. Essa maldita que agora está em meus braços irá morrer se vocês se aproximarem mais um pouco. . – Eu sou inocente.Utilizando da velocidade vampírica entrei na frente de James a fim de protegê-lo. vocês sabem o que pode acontecer com vocês caso uma vampira nobre morrer inocentemente.

não poderia acreditar. imperceptivelmente modificada para que um vampiro a empunhe. – James.. Pensou que eu te amava é? Apenas me aproveitei do dinheiro de sua família. ou matá-la a não ser que Megan seja uma completa idiota.. – Ah! Megan. . seu desgraçado. . Eu estava completamente sem chão.arma de caçadores. "Ei James! Por que acha que meu pai me despreza tanto?"– Ele me imitava fazendo uma voz mais fina. mais feminina. É definitivamente impossível amar alguém assim como você! .Mas como você bem disse. por que ele falou tudo de forma tão cruel? Ele era aquele que eu mais confiava. – Você é bem esperto. Por quê? O que está acontecendo? – cochichei para que só ele pudesse me ouvir. – A ruiva encerrou seu pequeno discurso de uma forma ansiosa pelo que vinha a seguir. você não me serve para nada. você é tão inocente. – Ora Megan. Eu particularmente me sentiria envergonhado de ter uma filha como você. Uma inútil. a cantora é uma nobre.Ele gargalhou mais uma vez. eu pensei que você fosse mais esperta. claro. James – Pude perceber que a caçadora tentava ganhar tempo pra uma possível manobra de defesa que eu deveria fazer. Pensei que já tinha percebido que eu apenas me aproveitava de você. – Eu lhe respondo o porquê.Ele encerrou seu discurso gargalhando mais uma vez. . Estava em choque. Sentia-me profundamente enojado de ter que te acompanhar aqueles bares imundos e ter que consolar quando o assunto sobre sua maldita mãe e seu pai imbecil surgia. Maldito seja você James. sua tola imbecil. Eu não queria acreditar em tudo aquilo. o único que amei. os poderes dela excedem os seus. “James? Quem realmente é você? É aquele que eu amei?” – Duvido muito que vai deixá-lo feri-la. simplesmente porque você é uma estúpida. Um ódio inimaginável surgiu em mim.

acendendo um cigarro. Megan? – A ruiva ainda irrompeu Me parece que você não terá fibra sufici.ela sentou-se ao chão. sobre as próprias pernas. my sweet love? .. tentando forçá-lo a olhar para mim.Neste momento você está encarando o destino que você mesmo criou. . Apertei seu pescoço erguendo-o no ar. jamais usaria meu dom em um traste como você. O que acha de morrer pelas minhas mãos? Hein..Ele falou engasgado. James provavelmente não esperava aquela situação.. eu vou te destruir. ―Desde quando Megan tinha todo aquele poder?‖ Era o que ele devia estar pensando.Meus olhos ardiam em brasas vermelhas. se não fizesse algo logo iria morrer. agora você está estragando meu plano.Não se preocupe querido. . mas agora James. – Fique de lado caçadora! Isso agora é pessoal. E ofertou um pro caçador. fazendo-o ficar cara a cara comigo. Imprensei-o na parede daquele beco livrando-me de seus braços. – Mentiroso! Acha que eu preciso do meu dom para saber quando um merda como você está mentindo? Eu posso ter sido cega durante esses últimos anos. . – A ruiva satirizou a cena Será divertido ver isso . eu posso ver claramente. mas parecia estar atento caso eu regressasse o ataque. . acho que nossa cantora preferida acordou.. .Você está muito enganado se pensa que poderá me enganar de novo meu caro.Arremessei-o na parede lateral do beco.– James! Seu desgraçado. . Era para que nós fugíssemos juntos.. . gostaria de fazer seus pulmões explodirem. – Olhe nos meus olhos maldito! Os caçadores que até agora estavam em posição de ataque se surpreenderam com aquela cena. – Tem certeza que não quer que eu faça isso. que aceitou de bom grado. James despertou todo ódio que poderia haver em mim. – Yagari.Apertei mais o pescoço do maldito. – Megan. mas de forma que só eu pudesse ouvir.. Apanhei-o pelo colarinho.

de desejo por você. – O que você acha que eu sou James? Eu já lhe disse que eu fui facilmente enganada antes. “Maldito”. enquanto tentava se levantar eu já estava ao seu lado. James pareceu dizer algo. – Mas eu estava cega de amores. Agora fora minha vez de gargalhar. mas aquela altura do campeonato já não me interessava nada que sairia de sua boca. mirando alcançar o topo do velho prédio. – atirei-o do outro lado. mas era perceptível seus olhos cheios de medo. James arrastou-se para o para-peito do prédio. Suas palavras eram tão sujas quanto o caráter que possuía. sem que percebesse e escalei facilmente as paredes daquele lugar arrastando-o pelo pescoço junto comigo. Há tempos que estava desconfiada destas suas malditas viagens.. clamando pela minha piedade. era incrível como ele não desistia da sua fuga. Pensei em ouvir sua voz pela última vez hoje. . É apenas isso que eu recebo por ser uma nobre e me envolver com uma escória como você.. – O que você está pensando em fazer bastardo? – Você me trouxe até aqui para que fugíssemos não é? – Ele sorriu maliciosamente. mas estava fraco demais para isso. Apanhei a arma com que ele me ameaçou. Assim que alcançamos o topo atirei James do outro lado daquele lugar. Apertei de forma mais feroz o colarinho daquela camisa branca que envolvia o corpo que eu estava envolvida horas atrás. – Não vai responder? É uma pena.Ele continuou a me ignorar. mas que não seria enganada agora. erguendo-o pelo pescoço novamente. O maldito ainda fez menção em fugir.

– Megan. Sweet Love? Antes que ele pudesse perceber eu já estava na frente dele empunhando a arma que ele me ameaçou. – James. entrando na frente do vampiro desesperado. – Meus olhos vermelhos refletiam no olhar de pânico que o coitado me devolvera. Ele gritou agonizante e insensatamente tentou fugir mais uma vez. – É uma pena que tudo acabará desta forma. Espremi-o em questão de segundos na parede da escadaria que tava no telhado daquele prédio. Vamos conversar outra hora... – Está sentindo essa dor seu desgraçado? Não é um quarto da dor que eu já senti. sozinhos. cravei junto a arma amaldiçoada anti-vampiros. É tão maravilhosa quanto pensou que seria para mim? – O tom da minha voz angelical transmitia tranqüilidade. – Porque esperar tanto se estamos aqui agora. Você acha que pode mesmo escapar do seu destino? – Falei sadicamente. como se aquilo fosse me convencer. não . No momento em que o beijei. mas as palavras e o vermelho vibrante dos meus olhos diziam o contrário. certo? – ele ainda forçava seu sorriso estúpido pra cima de mim. – É bom não é? – sussurrei em seu ouvido retirando a arma que eu acabara de cravar em sua pele de vampiro. isto é perigoso. James correu cambaleante de forma desesperada me fazendo rir sarcasticamente.– Onde pensa que vai. – Mas a festa só começou my baby. Cravei mais uma vez o punhal em seu corpo. baby. ferindo-lhe profundamente o braço. Não está se divertindo mais? – sussurrei em seu ouvido para que só ele me ouvisse. Agora você pode sentir a sensação de ser traído. James. – Permita-me provar dos seus lábios pela última vez.

aquele suor e tudo o mais da minha pele.é? – Cravei-lhe o punhal no pescoço. Não havia nada mais que me interessasse ali. Os lençóis ainda estavam da maneira que deixamos após o nosso último ato de luxúria. Enchi a banheira feita da mais pura porcelana. o cheiro de nossos corpos era inconfundível ao meu olfato sensível. mesmo eu sendo uma vampira. não quando se pode usar a velocidade vampírica. Entrei cuidadosamente por uma janela que estava aberta no quarto que estávamos antes daquela situação macabra. O cheiro do sangue dele ainda me inebriava. seja lá o que fosse. Afinal. Certamente eu era uma estúpida. Segunda: Por ter sido enganada. Segui para o Hazlitt‘s Hotel. “Maldito!” Amaldiçoei cada célula do meu corpo por três razões: Primeira: Por amá-lo. o único que amei e que eu inteiramente confiei na verdade nunca havia sido quem eu pensava que fosse e acabara de ser morto por minhas próprias mãos. Eu chamava aquilo de amor. . Uma lágrima queimou em minha face pálida de vampira no mesmo momento em que o punhal caíra de minha mão. Mas lá no fundo eu ainda estaria grata aquela mulher por acreditar em mim. mesmo sem nem ao menos saber o significado desta palavra ou deste sentimento. decapitando o desgraçado que logo esmaeceu em pó. Terceira: Por ainda amá-lo depois de tudo. Se os caçadores decidissem me perseguir e matar eu já não me importava. Eu precisava urgentemente retirar todo aquele sangue. Apesar de eu saber que aquelas lembranças ainda me perturbariam quando o banho terminasse e talvez de modo até mais assustador e doloroso. Não estava muito distante.

Todas elas estavam mortas assim como parte de mim havia morrido naquela noite.– Obrigada caçadora. Logo após dizer isso. “Se as lembranças ao menos se desmanchassem em cinzas com a mesma facilidade. as roupas já não me serviriam para mais nada. Apenas cantarolei a única e última canção da noite. estou lhe devendo uma.) And you should know I suffer the same (E você devia saber [que] eu sofreria o mesmo.) Let all the hurt inside of you die (Deixe toda a dor dentro de você morrer. Fiquei observando enquanto o tecido desmanchava em cinzas. Assim que terminei de me enxugar apanhei a roupa que eu trajava naquela noite.” . Suspirei frustrada. o mesmo sangue que estava nos lençóis da cama em que nos amamos pela última vez.] Eu não conseguiria permanecer naquele lugar.. já não havia a necessidade de falar nenhuma palavra. seria apenas uma lembrança ruim.. Ainda nua atirei aqueles trajes sujos na lareira. não sem ele e com todas aquelas lembranças tenebrosas que ainda me atormentavam. secando cada parte do meu corpo esguio de vampira. Eu precisava sair..] Now there's no point in placing the blame (Agora não tem propósito em estabelecer a culpa. eu não deveria estar pensando mais naquilo. my meu heart coração will be ficará broken partido.) [.) Love is a bird. você. calei-me.) If (Se eu I lose perder you. ela precisa voar. ela estava jogada no chão encharcada do sangue desprezível daquele desgraçado. Minha pele alva ganhava um tom mais vívido quando estava próxima daquelas brasas. precisava respirar. Sai da banheira secando-me com uma toalha do mais puro algodão egípcio.. she needs to fly (O amor é uma ave. [.

. Ah! Como eu odiava aquela maldita caixa postal.. – Eu estava um tanto nervosa. O telefone ficou mudo por alguns segundos que pareceram uma eternidade até para mim que já a conheço faz muitos séculos. darling? – ele perguntou preocupado. mas não sei como manter contato com o seu mordomo. – Eu tentei disfarçar o nervosismo. não queria me destacar em meio aquela multidão de humanos... espero que Leo esteja ainda acordado” Inicialmente chamou umas três vezes e caiu na caixa postal. – Leo. – Não. – O tom da voz dele estava entre a impaciência e o nervosismo. Vasculhei minha bolsa procurando pelo meu celular.. melhor. – Ja-James está morto. aquelas imagens voltaram atormentar minha mente.. mas de ódio por ter sido manipulada tão fácil. – Menti e minha voz vacilou. eu carecia conversar com alguém. Afinal eu havia acabado de assassinar James. – Aconteceu algo. Aconteceu alguns problemas aqui. “Logo deve estar amanhecendo.Eu arfei ao lembrar aqueles momentos desagradáveis de outrora. – Eu gostaria de ir para outro hotel. Escolhi algo prático e que pudesse me aquecer naquela madrugada fria de Londres. Quanto menos olhos sobre mim. em dez minutos meu mordomo irá te encontrar onde ele lhe deixou na última vez que se viram.. Levantei-me e fui em direção a minha bagagem para pegar alguma roupa. – Merda Megan. Tentei mais uma vez e ele atendeu. Olhei para as horas e já passavam das quatro. – Irei lhe encontrar na mansão inglesa dos Chevalier.. – Megan? – Ele pareceu surpreso.. não imaginava que dizer o nome dele ainda poderia me doer. eu precisava entrar em contato com Leo imediatamente. – Foi a única coisa que eu consegui dizer. não de tristeza. de acordo com o fuso horário em Nova York deveria ser umas seis da manhã.. Esteja pronta. .. Decidi-me por uma calça Jeans e um outro sobretudo combinando com os acessórios básicos para o frio inglês.. não minta pra mim! – Ele esbravejou. meus olhos arderam de raiva e dor. Em menos de alguns minutos eu já estava pronta. – Você sabe que não consegue! Agora me diz logo o que houve.

já estava me esperando com os faróis acesos em frente ao Hazlitt‘s Hotel. Aquela noite fora tão tumultuada e o dia já estavam tão próximo que minha lassidão era inevitável. – O mordomo sorriu ao dizerme isso. Os senhores Chevalier preferem manterem-se resguardados de aparição em qualquer lugar. Em três horas chegaremos lá. mas permaneci no tom apático. Olhei as horas e já passavam das seis e quarenta da manhã. – Estamos indo para a mansão dos Chevalier em Wiltshire. eles não melhorariam cem per cento. Compreendo Thanks. senhorita Lewis. daqui a meia hora chegaremos. O mordomo dos Chevalier gentilmente segurava a porta aberta para que eu pudesse entrar. A luz da aurora já transpassava os vidros do Bentley Zagato atrapalhando minha visão. Esfreguei os meus olhos azuis de vampira um tanto confusa quanto a minha localização. – Senhorita Lewis. Meus olhos azuis cintilavam na escuridão. foi um sono sem . seguíamos pela Parliament Square em direção a Broad Sanctuary. – Para onde estamos indo? – Perguntei já acomodada no confortável banco do Bentley. Lembro-me que estávamos seguindo para o Oeste. – Seguiremos longe das rodovias e dos pedágios. o que Leo vai fazer se descobrir?” Guardei o celular na minha bolsa e fechei minha mala que estava sobre a cama. de fato eu havia dormido por umas duas horas e não sei quantos minutos. Abri minha bolsa de mão buscando pelos meus óculos escuros.Logo após dizer isso ele desligou. observando as luzes passarem em flash. pela última vez. livrando-me do incomodo da bagagem. – Três horas? – perguntei um pouco surpresa. “Merda.. com o telefone ainda ao pé da orelha por alguns minutos que pareceram ter passado em segundos. meu e de James.. Acordei não sei quantas horas depois com a voz suave do mordomo. mas ajudariam um pouco e qualquer ajuda contra a maldita luz proveniente do dito“astro rei” entre os humanos era muito bem vinda. Fechei meus olhos mentalizando em tudo que eu deveria dizer a Leonard e acabei pegando no sono. – Agradeci desviando meus olhos para a janela. Leo e James não eram muito próximos. Ele tomou as malas das minhas mãos. O Bentley Zagato GTZ. mas ainda assim eram amigos. dei uma última olhada naquele cômodo e inspirei o nosso cheiro. encarando o mordomo e motorista pelo retrovisor. Saltei cuidadosamente pela mesma janela que eu havia entrado. Eu fiquei paralisada na mesma posição. só que desta vez com a minha bagagem. – Hum.

– papai jogou-me em direção do mordomo. – Eu insisti fazendo os olhos esverdeados dele se encontrarem nos meus azuis infantis. Will deixe eu ficar com o papa me solte. eu sei que era ela. – Implorei praticamente aos prantos.. – Mas papa. a voz dizia que ela me amava ainda depois de tudo.. Fiquei perdida em meus devaneios até sentir o carro parar diante de uma belíssima construção provavelmente do século XVIII e a porta do Bentley se abrir. Seus olhos esbanjaram tanto tristeza como ódio. nenhum sonho. Meu sono era a mais completa escuridão. pelo menos até o dia em que eu fugi. ou pelo menos acho que assim foi. Em meu sono não deveria haver sonhos..sonhos.Sonhar é uma coisa humana.. – Não papa! Eu quero ficar com você. Minhaeternidade era de morte. O que você disse ter visto ou ouvido foi apenas a sua imaginação que dizia algo que você queria ouvir. . – Chegamos senhorita Lewis. mas foi em vão. Willian era mais forte que eu na época e conseguiu me retirar daquele cômodo mesmo eu me debatendo com toda a força. não podemos. nós vampiros não conseguimos sonhar. – Willian leve ela daqui. a única vez em que eu poderia sentir um fio de vida em meu ser era quando ela cortava a minha garganta em forma do líquido rubro ou então nos momentos de prazer do sexo. – Sabe? Como você poderia saber? – Ele esbravejou segurando-me pelos braços elevando-me do chão. Éramos demônios sugadores de vidas. a voz dizia que eu não tinha culpa de nada do que aconteceu a mama. – Afinal ela morreu quando você nasceu não é? Você nunca poderia saber! – Os olhos deles que até então eram verdes. " Desde aquele dia eu nunca mais sonhei. Depois daquela cena ele me manteve trancada em meu quarto. talvez fossem as trevas presentes em minha existência. Quando eu contei para o papa em uma das raras vezes que nos encontramos ele me repreendeu. Nós vampiros apenas temos desejos. era um sono de morte. Foi a última vez que vi papai. verteram em um vermelho odioso. sonhar era tolice. era uma voz tão terna e serena. eu ouvi a mama. " .” pensei e um sorriso sádico contornou meus lábios rubros. O senhor Chevalier já chegou e logo irá lhe encontrar em seus aposentos. “Sonhos. sugadores de sangue como poderíamos conhecer o significado disto? Uma vez eu achei que eu tinha sonhado com a mama quando eu era mais nova.

a água estava na temperatura ideal. Assim que pus meus pés no quarto. O cheiro provocante de sândalo invadiu todo o meu ser. meus olhos se depararam com os dele. . pelo menos parecia com a descrição que as amas me contavam nas histórias para eu dormir quando eu era pequena. aqueles olhos negros e profundos que só Leonard poderia possuir. Após o banho vesti um hobby especial que a empregada havia deixado para mim. Sentei-me em uma confortável poltrona que tinha a mesma cor dos meus olhos enquanto uma das criadas desfazia a minha bagagem e arrumava no closet. Deixei meus cabelos negros e molhados caírem pelos meus ombros e sai do banheiro com o semblante mais tranqüilo e relaxado. – Senhorita Lewis o seu banho está pronto. deixando-nos passar em seguida. “Pelo visto Leonard instruiu muito bem as criadas. pois fiquei preocupada em retirar o cheiro do sangue de James de mim e. de fato ele me conhecia bem. colocar-me em uma suíte era o mais agradável a minha pessoa. – A outra criada falou fazendo uma reverencia em minha direção abrindo a porta. A empregada a minha esquerda apanhou um molho de chaves e rapidamente abriu a porta. esquecer aquelas cenas amargas. As antiguidades e relíquias tanto nas paredes como sobre os móveis eram de fazer os olhos de qualquer historiador brilhar de excitação.Maneei a cabeça positivamente e segui o mordomo que já estava com minha bagagem sendo acompanhada por duas criadas. – Obrigada. Agora nada poderia me impedir de relaxar naquela banheira devidamente espaçosa com minha essência favorita. entrei na banheira. havia modernidade em cada cômodo daquele lugar. O quarto era lindo. Leonard sabia que assim que eu chegasse gostaria de tomar um banho. parecia ter saído de um dos livros de conto de fadas humanos. Era uma das fragrâncias que mais me atraiam. Ao mesmo tempo em que tudo era tão fantasticamente antigo de acordo com a arquitetura. Foi uma sensação sublime. – levantei-me e segui para o banheiro que também tinha uma elegância impecável. Subimos as escadas e passamos por dezenas de quartos até pararmos diante a uma porta antiga de madeira da cor de mogno. Finalmente eu tomaria um banho de verdade.” pensei despindome e mostrando minhas curvas perfeitamente moldadas. lá no Hazllit‘s não deu para tomar um banho relaxante de fato. Do lado de dentro daquela bela construção era como se fosse algo realmente mágico.

– Megan. mas ele me agarrou pela cintura impedindo que eu continuasse andando. my dear.Ele falou em meu ouvido e eu estremeci por completo. – Ele falou levantando-se da mesma poltrona que eu estava sentada antes do banho. principalmente depois que os Kripe resolveram transformar os servos antes humanos em vampiros. – Aquele maldito fez algo pra você Megan? . – Como você está? – Ele aproximou suas mãos da minha face. – Estou melhor agora. – Eu estava tão preocupado com você. – Os orbes negros preocupados nos meus azuis receosos. fiquei sabendo que James retirava vampiros Level E da América e levava para Londres. – Retirei suas mãos da minha face seguindo em direção ao Closet. Eu permaneci olhando fixamente o homem a minha frente. Sente-se – Ele apontou para a cama. Você sabe de algodarling? . – James realmente odiava vampiros. Mas James nunca lidou bem com isso. – O que? – Preferi fingir que não entendi. – Por isso fiquei preocupado quando você disse que iria para Londres atrás dele e a alertei. Não precisa ficar preocupado. naquele momento eu não tinha muitas informações e te contei o máximo que eu poderia para a sua própria segurança. com a conclusão da investigação que aconteceu agora pouco. – Leonard parecia escolher cuidadosamente as palavras. E ele continuou. – Foi a morte dele. tentando obter o máximo de informações que eu poderia ter. Você sabe da influencia que o Conselho dos Anciãos tem sobre todo o mundo vampírico não é? James havia planejado tudo por anos. – Vou lhe contar o que sei. – Ele ponderou. para depois jogarem o conselho contra essa família. os Kripe. O que eu não entendo depois disso tudo. – Por isso temi quando ele se aproximou de você. “Será que ele descobriu que eu o matei?” – Vem comigo. pelo menos foi o que ele me segredou antes de uma das viagens que ele fazia secretamente. E prosseguiu fitando meus azuis preocupados. – Ele me olhou cuidadoso e prosseguiu. Ele estava completamente fora de si e só falava que a vingança não passaria daquela noite. – A família de James era humana e servia por séculos a uma família inglesa de vampiros muito importante e influente. Na maioria das vezes era para cumprir alguma missão. – Ele puxou a poltrona azul de uma maneira tão fácil para perto da cama que um humano jamais conseguiria fazer. Bem. Naquela noite em que ele não foi a nossa última apresentação ele havia me ligado. onde planejavam fazer um ataque em massa na área que os Kripes tomavam conta.

fazendo-o frear rapidamente. seu pai. nenhum outro sentimento além do choque me ocorreu. tenho certeza que o Conselho não irá se importar se receberem as provas que temos contra James. – Desculpe se estou interrompendo alguma coisa. Tristeza. – Merda Megan. Eu não sabia como eu deveria responder afinal. Willian.” Fiquei um pouco chocada. Leonard ficou estático com a resposta. O mordomo que havia me acompanhado desde a minha partida dos Estados Unidos para a Inglaterra adentrou o cômodo com um papel nas mãos. – Ele deixou escapar num gemido com o susto. – Eu não queria matá-lo. – Eu o matei. A leitura do testamento será feita amanhã à noite e como você é a única filha dele. veio a falecer anteontem.Meu corpo todo estremeceu com a pergunta. Mas isso não importa agora. Leonard era acima de tudo meu melhor amigo. – Mensagem? – Me desvencilhei dos braços de Leonard indo em direção ao mordomo que segurava um papel. arrependimento passavam longe de mim naquele momento. – O que importa é que você está bem. “Srta. A falta de informações também deixou-me um tanto quanto curiosa. Até onde eu sabia papai era um vampiro forte e durão... mas ele era um crápula. . – Eu temia por isso. – hesitei.. – Eu. Havia apenas o impacto da morte dele. mas resolvi dizer.. Por favor. compareça sem falta. – Obrigada Leonard. – Eu o abracei de volta. – Leonard estava tão próximo da minha face quando disse isso que pensei que ele iria me beijar. – Leonard veio em minha direção e me abraçou. sua presença é importante. Como pude ser enganada por alguém como ele? – Algumas lágrimas de ódio escorreram pela minha face. Lewis. eu sei que você não o mataria sem um motivo realmente. – Não precisa se explicar darling... mas acabou de chegar uma mensagem no fax de extrema urgência para a senhorita Lewis. Morrer tão de repente era no mínimo estranho. – Aquelas palavras soaram mais frias do que deveriam ser. Merda! – Ele agora andava pelo quarto preocupado. mas uma batida na porta interrompeu sua intenção. – A Associação dos Caçadores já estava furiosa por ter nobres caçando os vampiros da lista deles e cobrando cada vez mais a atitude do Conselho. revolta. O senhor Lewis.

Eu apenas me tornei o que ele queria que eu fosse: um monstro... E quando menos esperássemos.. – Levantei minha cabeça observando os olhos negros me fitando carinhosamente..Ele abdicou ao cargo de pai. . não se atormente com isso.. sofrendo pela mesma dor.. . – Estou apenas um pouco confusa e cansada com todos esses acontecimentos repentinos. se passaram e nosso laço e afeto enfraqueceram tanto que eu tinha até esquecido que tinha um pai e ele provavelmente esqueceu-se que tinha uma filha.. apesar de eu não conseguir sentir nenhum pouco de tristeza ou remorso. – Você tem razão. Então não fique desse jeito. A carta escorregou entre os meus dedos. apenas deixe-me sozinha. perceberíamos que anos. – Desculpe-me por todo . Não se preocupe. ela havia sumido no momento em que eu li que meu pai havia falecido.. embora eu estranhe realmente isso.. exceto quem a sente. – Não precisa se preocupar. lá no fundo realmente sempre fomos iguais embora tenhamos sido egoístas demais para nos redimimos.. – Tomou cuidado no tom das palavras.. – Desde que ela morreu. se eu ainda tivesse alguma cor. sabia que esse assunto ainda me doía... – Thank you. você sabe. – Os orbes negros encaravam o chão agora com desapontamento. – Levantei-me da confortável poltrona acompanhando Leonard até a saída daquele cômodo. – Leonard falou abaixando-se para fitar-me nos olhos. afinal por mais cruel e monstruoso que ele tenha sido ainda era o meu pai.Bem.. William Shakespeare. De fato. No final nós éramos iguais. Todo mundo é capaz de dominar uma dor.. – My darling. – Meu pai morreu .– O que houve Megan? Você ficou pálida de repente. – Se você insiste. .. Estou bem. Como eu deveria me sentir? O que eu deveria sentir? Essas perguntas me perturbavam.. Se ele nunca se importou eu também não deveria me importar. – Afastei-me dele seguindo em direção a confortável poltrona.. atormentados pela mesma mágoa. – Leonard tomou-me em seus braços afagando meus cabelos negros.. – Falei atordoada ainda com aquelas palavras. – E mesmo que importasse ela já está morto. onde sentei fitando-o de longe. mandarei Tom trazer-lhe um pouco de chá se não se importa. Por que eu não conseguia sentir nada? Minhas mãos trêmulas cobriram meu rosto em sinal da minha frustração. agora já não se pode fazer nada. Caso precise estarei aqui imediatamente.Agradeci ainda enlaçada nos braços dele. séculos..

exatamente como eu preferia estar. o amor proibido de uma sangue puro e um nobre. Lá deixei a xícara de chá da mais fina porcelana e a carta. Caminhei até a cama. – Yes. o branco do papel estava definitivamente contrastando com as cores mórbidas daquele cômodo quarto. não? Minha existência por si só já era uma ironia do destino. – Eu não me importo. – Entre. – Obrigada. – Confessei-lhe enquanto abria a porta. Definitivamente agora a solidão seria minha única companheira. – O mordomo trouxe-me o chá em seguida após a afirmativa. A carta que me fora entregue alguns minutos atrás parecia irradiar luz. relaxando meu corpo por completo e quando menos percebi havia adormecido. Viver por morte. Atirei-me na cama logo após isso. vive por ela. O fruto da paixão indevida. Sibilei desanimada ao lembrar daquilo. – Chantilly? – Sim. – Agradeci e ele se retirou. Entretanto alguém bateu a porta fazendo-me despertar para a realidade. – Com licença senhorita Lewis. Não gosto de envolver ninguém com meus problemas. Como era possível existir uma ligação tão forte entre nós? Peguei-me encarando mais uma vez o branco puro do papel desaparecendo na escuridão do quarto. – Ele me sorriu como costumava fazer após suas ―indiretas‖ fazendo-me corar. – O Earl Grey está de bom tamanho.. – O mordomo do Chevalier carregava uma bandeja antiga de prata pura. Morte. fechando a porta em seguida. – Falei ainda sentada na cama observando-o terminar de preparar o chá... ok? – Roçou seus lábios em minha testa. Se for a respeito de você nada será um incomodo. mas se não for de seu gosto preparamos outro.... mas sempre fora assim. não? Afinal sou um ser que se alimenta dela.. mas ele logo desapareceu quando fitei novamente a carta. sentando-me na beirada cuidadosamente. – Está ao seu gosto? – Perguntou-me curvado em uma reverencia. Irônico. trouxe o chá. acabei me acostumando com ela e de fato gostando. Solidão. afinal o que eu sabia sobre a minha mãe? Nada. . – Apenas relaxe e esqueça tudo isso. Olhei ao meu redor e não havia ninguém. Abaixei-me e apanhei-a a do chão frio. A solidão sempre fora minha companheira..esse incomodo. beijando-me de forma terna e respeitosa. – Ele curvou-se formalmente. Obrigada.... Nos últimos dias ela vinha me acompanhando com veemência. Meus lábios contorceramse em um sorriso melancólico.. deixando-me finalmente em paz. – Não precisa. em seguida dirigi-me até o criado mudo que ficava ao lado da cama. – O senhor Leonard achou melhor trazer um Earl Grey.

Eu não queria preocupá-lo.” Os azuis abriram e fitaram os olhos de Leonard assustados sobre mim. – Ah! Antes que me esqueça. o que diabos era aquilo? Um sonho? Não. devorando cada parte de mim. entretanto eu estava suada. mas não tinha a capacidade de ligá-las aos rostos que se formavam no sombrio. – Fiz menção em continuar falando... eu conseguia identificar todas. A cada transmutação surgiam vozes que me atormentavam. . – Sorry. também era a única coisa com qual eu poderia sonhar: escuridão. Entretanto como num passe de mágica tudo parou e uma canção de ritmo suave me acalentou. reabrindo as chagas doloridas do passado.. Então não se preocupe.. mas Leo calou-me com um dos dedos que encobriram meus lábios carinhosamente... Eu fechei os olhos enquanto a escuridão ia me engolindo.. você pode sonhar se quiser. – Eu realmente não sei o que houve. – Você está bem Megan? Eu ouvi alguns gritos e fiquei preocupado. Uma suave e terna mão pesou em meu ombro de forma gentil e palavras doces foram sussurradas em meu ouvido antes que abrisse meus olhos.. Eu sempre vou te proteger. – Não precisa falar agora se não quiser.. Não precisa ter medo.. mas estou bem.. Provavelmente um pesadelo. provavelmente por culpa daquelas cenas terríveis que vi enquanto eu dormia. “Vampiros não podem sonhar. Definitivamente não. – Ele arqueou as sobrancelhas como se esperasse uma resposta. “Pobre criança. Os ébanos estavam preocupados. Logo estaremos de partida.Esfreguei os meus olhos tentando recuperar a consciência que me fugira após ―aquilo‖... por acaso está com sede? – Leonard estendeu o pulso esquerdo oferecendo-me um pouco do seu próprio sangue como alimento. – Você está mais pálida do que deveria estar. Seria papai? Eu estava confusa. Minha pele estava fria.. Apenas relaxe está bem? – Ele sorriu. Entretanto desta vez ela ia se despedaçando e ia tomando forma. . Vampiros cedo ou tarde aprendem a amá-la. afinal nunca conseguiríamos fugir daquilo a que pertencemos.. o que monstros como nós conhecemos sobre sonhos?” Uma voz masculina sobressaiu entre as outras vozes.A escuridão do sono havia me dominado por completo. Tom já está preparando o avião e daqui à uma hora mais ou menos poderemos partir de volta a América....

– Ele segurou-me por um dos braços delicadamente. – Estarei esperando você lá embaixo. – Uma das criadas falou enquanto ajudava-me a vestir um belíssimo sobretudo também negro e a outra ajudava-me com os sapatos.– Já? – Espantei-me . Leonard sabia disso e acertou em cheio na escolha. Eram as mesmas criadas que me ajudaram a me acomodar no quarto. As criadas me aguardavam ainda no quarto quando sai pela porta do ‗toilette‘ e sorriram quando colocaram seus olhos sobre mim. .. – Ainda resta uma hora. Mas resolvi pensar nisso depois. completamente moldado nas medidas exatas do meu corpo e ainda deixava-me confortável. eu deveria me aprontar rapidamente. Caminhei a passos largos até a janela e em um movimento rápido abri as grossas cortinas. eu ordenei que entrassem. Lá me despi e tomei uma ducha quente e rápida apenas para retirar o suor da minha pele. – O senhor Leonard a espera no Jardim. o corte e os detalhes eram perfeitos. – Ele sorriu de forma afetuosa tentando me acalmar.. – As criadas deixaram cuidadosamente o vestido em minhas mãos e a caixa de sapatos próxima a mim enquanto se dirigiam ao closet para arrumar novamente minha bagagem. elas traziam consigo um belo vestido negro e uma caixa de sapatos. O avião não irá decolar sem você. Era minha cor favorita para itens e roupas no geral. Após o rápido banho vesti-me com o belo vestido que recebera de presente. você pode se arrumar tranqüila.Que horas são exatamente? – Perguntei sobressaltada. Segui para o banheiro da luxuosa suíte em que fiquei acomodada. – Está divina senhorita Lewis. – As criadas falaram uníssono. – O senhor Leonard pediu para que trouxéssemos. – O que é isso? – Perguntei surpresa. – Tenha calma. “O que será que Leonard está planejando?” Pensei por alguns minutos enquanto fitava o belo vestido de cor ébano em minhas mãos. O negro contrastava com a minha pele alva e os orbes azuis intensos pareciam ganhar mais vida quando eu vestia aquele tom. não poderia me dar ao luxo de demorar muito senão poderia perder a hora e particularmente eu não gostava de atrasos. – Essa foi a ultima coisa que disse antes de fechar a porta do quarto. O céu já estava escuro e a bela prateada brilhava magnífica no céu. Era como se ele fosse feito para mim. “Por quanto tempo será que eu adormeci?” Ouvi mais uma vez alguém bater a porta. erguendo-me da cama.

– Ele sorriu sarcástico.. – Espera. Você sabe que não gosto destas regalias. era ela que iluminava um pouco do nosso caminho já que as luzes do jardim estavam apagadas. claro se esse ‗qualquer um‘ fosse um humano. Ela é sua estilista favorita não é? É realmente encantador que demonstre todo seu agradecimento desta forma. – Ele falou passando por dois arbustos perfeitamente podados e eu diria que até esculpidos pela tesoura de um jardineiro hábil. – Leo segurou minha mãe direita e fez menção para irmos e eu o segui. Percorri com meus olhos pelo jardim e o encontrei próximo a uma árvore... Tentarei me controlar da próxima vez. afinal caminhar em um jardim inglês tradicional as cegas seria extremamente complicado para qualquer um. Apesar da forte névoa ainda conseguíamos ver a majestosa lua brilhando no céu.. – I know dear.. – Sorri apanhando uma flor muito bonita de um arbusto. – Nós vamos à leitura de um testamento e não para uma festa. – Repreendi-o pelos presentes. – Thank you. Um vento gélido brincou com meus cabelos assim que eu pus meus pés para fora da aconchegante mansão dos Chevalier... – Que flor é esta? – Perguntei encantada com a beleza da flor. Caminhei pelo hall em direção a porta principal. – Leonard! – Exclamei em um tom sério. . Mas não era preciso. ora darling. a neblina densa ainda deixava minha visão um tanto turva. – Pra onde está me levando? – Perguntei enquanto desviava de uma pedra que aparecera no meu caminho de forma repentina. mas não costumo fazer visitas freqüentes por lá. okay? Agora venha comigo. Sorte nossa sermos vampiros e a luz ser dispensável a nossa visão. estava trajando um terno azul marinho muito elegante. porta qual o mordomo abriu gentilmente para que eu passasse. – Ele virou-se para mim com o seu freqüente sorriso encantador.. – É de Vivienne Westwood. Vejo que você apreciou os presentes. Em Nova York não estamos acostumados com isso. tem algo que quero lhe mostrar. – O jardim é muito bonito.. mas nada que pudesse me atrapalhar.Em poucos minutos depois daquilo eu já estava descendo as escadas de mármore brancas e era guiada pelo mordomo que nos recebera naquela mansão. exceto pelo Central Park.... – Ora. estamos quase lá. – Fechei meu semblante ficando com uma expressão séria.

Até que Leonard estacou dizendo-me que chegamos. permitindo desfrutar plenamente o momento presente sem se fixar no passado ou se projetar no futuro. – Falei encantada ao perceber que apesar de haver um lago ali. Vamos continuar que já estamos quase chegando. – Sorri rapidamente. moldando em sua face um sorriso enigmático. A força dele estimula a liberação de antigos traumas. mas ainda tem muita coisa pra mostrar e pouco tempo para ver. basicamente. – Lindo. – Há muitas coisas que você não sabe sobre mim ou se quer pode imaginar my lady. Andamos por mais alguns minutos e a cada passo naquela grama perfeitamente cuidada eu me surpreendia com a quantidade de espécies de flora que enfeitavam aquele jardim. É um lugar muito especial para mim. – Okay. – Ele apanhou a flor das minhas mãos e prendeu em meus cabelos. fazendo-me corar com o elogio..... Apesar da delicadeza é muito resistente. – Eu costumava vir muito aqui quando eu era menor. – Ele maneou os braços de forma cavalheira deixando-me passar a sua frente. seria obviamente a mais pura nostalgia... Leonard continuou conduzindo-me até chegarmos próximos a margem do lago. – Ele deu aquele sorriso de meia boca. certamente se houvesse o paraíso em algum lugar deveria ser daquele jeito.. Havia flores de todos os tipos. – Bem. havia desde árvores nativas a pinheiros e plantas esculturais.. Se eu pudesse descrever os sentimentos que os ébanos expressavam. – Segui-o certificando-me que o gerânio não cairia com facilidade. – Bem vinda ao meu paraíso particular. a névoa já não era tão intensa naquele local e a lua refletia majestosamente nas águas límpidas do lago.– É um gerânio. – Sempre que eu tinha problemas ou precisava relaxar eu vinha para cá. O jardim parecia um bosque saído de um conto de fadas que eu lia quando pequena nos livros humanos que as criadas traziam-me escondido. mas também em regiões de clima frio. . talvez aquele fora o meu primeiro sorriso verdadeiro após aquilo tudo. – Eu não conhecia essa sua parte especialista em flores. – Pôs se a caminhar ao meu lado. significa superação. – Assim tenho certeza que o gerânio fica mais bonito. É nativo da África e suporta viver não apenas em locais quentes. alguns séculos atrás. – Leonard fez um semblante misterioso quando disse aquilo.

– Coloquei minhas mãos entre nós. – N-Não posso. Meu corpo ardia e queimava em desejo a cada movimento das mãos lascivas em minhas costas apertando minha cintura e trazendo-me para mais próxima dele. – Acrescentou friamente e seguiu por onde voltamos. – Senhor Chevalier.– Sabe por que eu lhe trouxe aqui? . o mordomo..Acariciou minha face carinhosamente... passando todo o calor do sentimento dele pela conexão dos nossos lábios. – Ele sussurrou em meu ouvido. Eu sinto muito Leonard. . – Procurei os senhores por toda a parte. – Devemos voltar agora. ele estava muito próximo.. – Hum? – Os azuis nos ébanos. – Sorriu forçadamente como se nada tivesse acontecido e depois pôs se a caminhar ao meu lado até a aeronave onde o mordomo abriu a porta do avião para que passássemos e assim fizemos. buscando pela minha. fazendoa arder a cada toque que fazia. mas não é um bom momento para isso. eu podia sentir a respiração descompassada dele quando ele aproximou os lábios dele dos meus roçando-os carinhosamente. Ele parecia ter sede de mim. – Fez uma reverencia para que nós o acompanhássemos. talvez fosse melhor assim. seu hálito quente e seu perfume inebriavam todo o meu ser. sigam-me..... Afinal o que ele estava pensando? – Desculpe-me. ele já estava próximo demais. Caminhamos rapidamente até que enfim alcançamos a trilha inicial da mansão. – Let‟s go baby. Um silêncio intimidador tomou conta de nós. – Não. eu. dizia afobado fazendo pausa entre as palavras para respirar. – Ele aproximou nossas faces. . – N-Não! – Esquivei-me dos braços do moreno enquanto ele olhava-me aturdido com meu movimento. – Respondi de forma automática hipnotizada com os ébanos.. misturando-as e realizando um desejo intenso que passava do corpo dele para o meu. próximo demais. por favor.O avião já está pronto para decolar. As mãos habilidosas do vampiro então me enlaçaram pela cintura enquanto os ébanos voltavam aos azuis – Você é especial para mim Megan. senhorita Lewis! – Tom. – Leonard passou por mim e estendeu a mão para que saíssemos juntos do jardim e voltássemos ao caminho inicial planejado. sua língua invadia-me carinhosamente. Ele seguia na frente evitando qualquer contato comigo e eu permanecia atrás dele. – Ele baixou os olhos e afastou-se de mim. – Pausou mais uma vez.. – Porque. – Okay. seguindo-o numa distancia cuidadosa para continuar a evitar o contato tão incomodo para nós dois neste momento.

De alguma forma aqueles rostos me sorriam familiar. na poltrona que estava ao meu lado esquerdo havia uma revista que estampava na capa um homem de cabelos castanho avermelhado de uma beleza admirável e uma loura. mas eu já tinha visto-os em algum lugar. cumprimentar os comandantes. – Já vamos decolar. Fechei meus olhos tentando lembrar-me. Diferente do habitual. eles eram tão apáticos. Se bem que após aquela cena nos jardins da mansão. “O que será que me aguarda?” "Um bom filho a casa torna. – Apertei os cintos cuidadosa e em seguida abri a revista folheando desinteressadamente parando em uma ou outra página.. Talvez fora em alguma outra revista. Nós dois ficamos calados grande parte da viagem. – Ele repetiu sentando-se ao meu lado enquanto prendia o cinto.. particularmente devo dizer que entre nós esse fora o primeiro longo e constrangedor silêncio. Entretanto agora eu não deveria pensar sobre o que aconteceu naquele jardim. Mas eu tinha quase certeza que não. encará-lo depois de rejeitálo de uma maneira tão brusca era completamente complicado para mim.. Apenas curiosidade. Leonard guiou-me até as confortáveis poltronas onde fiquei acomodada enquanto ele seguiu até a cabine de comando para.. falando apenas quando fosse necessário. Aproveitei do silêncio para concentrar a minha mente na carta que recebi de William sobre a morte de papai e a leitura do testamento. – Você os conhece? – Continuei observando a revista faltava-me coragem ainda para encará-lo. Olhei ao redor e algo chamou minha atenção.. provavelmente.. Entretanto não dizia os seus nomes. . muito bonita. – Senri Shiki e Toya Rima. mas foi em vão. . Então voltei minha atenção aos olhos puramente azuis do homem.Dentro do aeroplano novamente pude relembrar o quão luxuoso ele era. eu até que preferia ficar sozinha.A voz de Leonard despertou-me. Distrai-me pensando nos motivos para aquilo. devo ressaltar também. – Por nada. – Como? – Na foto. – Por quê? – O sorriso já forçado desaparecera de sua face naquele instante. São os modelos Senri Shiki e a Toya Rima...” Dito popular. não conseguia lembrar-me de onde. A viagem seria longa e o silêncio intimidador não dava trégua. Ou simplesmente ele estava evitando ficar a sós comigo novamente.

. – Obrigada. era rara as vezes em que alguma reportagem chamava a minha atenção. – O sorriso desapareceu e ele tomou o último gole de Whisky que só agora fui perceber em sua mão. senhorita Lewis. Naquele momento pelo menos era melhor assim. humanos às vezes eram tão fúteis.O silêncio imperou na maior parte da viagem. mas não quero nada. E olha.. Ele gargalhou logo em seguida ao fitar minha expressão surpresa e eu o acompanhei no sorriso mais simpático que me ocorreu no momento. arrematei de um leilão em Pennyhill Park Hotel. para a dela. mas foi inútil. são? – Olhei capciosa. . onde estava anteriormente.. – Ele me sorriu o mais simpaticamente possível e tomou mais um gole do Matheson. Apertem o cinto novamente. Senhor Chevalier. – Senri Shiki. Eu continuei folheando a revista desinteressadamente durante todo o vôo. apesar de que muitas pessoas de toda a mídia ainda fossem seres como eu.. Leonard e eu permanecemos calados evitando qualquer contato verbal ou visual.. Peguei-me olhando a capa da revista novamente.. o segredo da existência dos vampiros continuaria secreta. talvez esta fosse a primeira vez que olhei nos olhos de Leo depois do evento no jardim. “Merda!” Praguejei mentalmente enquanto tentava lembrar. – É a Matheson. por favor. enquanto se preocupavam se estavam vestindo a roupa da última coleção ou o que as celebridades faziam das suas vidas.. Hm. – Quer um pouco de Whisky? – Ofereceu-me apontando para a garrafa próxima a ele. – Eles não são humanos.... – Serviu-se de mais uma dose. – Passei o meu indicador da face dele. mas em parte isso era bom. – Curiosa.. apenas o indispensável era dito. – Em cinco minutos iniciaremos a descida. – Escolhi as palavras. – Leonard parecia perturbado com a nossa proximidade. era melhor o assunto terminar por ali. – Nobres. Tentei lembrar o nome. – A voz de Leonard ecoou pelos meus ouvidos fazendo despertar a lembrança esquecida.. eu já havia passado por aquela capa várias vezes e sempre acabava hipnotizada pelos azuis indiferentes do modelo contrastando com a pele alva e os cabelos acobreados desajeitados. – Não fazem Whisky como antigamente. A sua apatia me era tão familiar. – Eles me deixaram um tanto quanto. faz tempo que não me deliciava com um Whisky com tanta qualidade. talvez por eu enxergar na figura masculina dele o mesmo sentimento que sempre me afligia.

mas felizmente as luzes da noite não me faziam mal como o sol. era uma linda noite. – Agradeci o mordomo. mas logo após isso o silêncio reinou novamente. Eu nunca lhe vi com esse antes. – Leonard falou-me com um tom inseguro. – Comentei com Leonard assim que ele se acomodou ao meu lado no banco de trás. As descidas nunca me eram muito agradáveis. eu particularmente detestava aviões. é claro. Continuei concentrada em qualquer outra coisa senão a descida e só consegui voltar a realidade quando senti que o avião já havia pousado e agora estávamos deslizando pelas pistas. O mordomo dos Chevalier nos conduziu do saguão de chegada até a garagem onde outro carro extravagantemente luxuoso nos esperava. sei que ele ainda estava incomodado. se o trânsito da grande maçã permitir. Voltei meus olhos para a revista que ainda estava no meu colo e apertei as fivelas do cinto do avião. O céu estava estrelado e nenhuma nuvem encobria a prateada esplendorosa no céu. – É um dos favoritos dos meus pais também. O engraçado é que a noite parecia haver mais luz do que no dia...Olhei pela janela e pude observar a bela Madison iluminada.. Como confiar em algo planejado e feito por humanos? Definitivamente impossível. Ele era fabuloso em todos os detalhes. – O que houve? . então pusme observar as luzes que passavam em flashes pela janela no automóvel. – Leonard gabou-se enquanto o mordomo abria a porta para que eu entrasse. – Hum? – Girei meu corpo para observá-lo olho no olho e meus azuis encontraram os ébanos preocupados. dessa vez era um Maybach negro. – Mas. Finalmente o chão. mas logo o silêncio tornou a ser quebrado. – Tom quebrou o silêncio assim que o carro arrancou saindo do estacionamento particular dos Chevalier no aeroporto. – Em uma hora no máximo chegaremos à mansão dos Lewis. – Ele sorriu pela última vez e o silêncio tomou conta do veículo novamente. – Megan. – É realmente lindo. Evitei encarar Leonard novamente. – Esse é um dos meus favoritos.. – Thank you.

– Não me interrompa.– Desculpe-me por aquela cena no jardim.. provavelmente. William provavelmente estava esperando a gente. Apesar de só ter a visto pela última vez há trezentos anos. – Ele continuou após um longo suspiro. três para ser mais exata. esse semblante não combina com você. mas logo seu dedo indicador calou-me quando se aproximou de meus lábios pedindo-me por silêncio. . A porta do carro foi aberta e Tom ajudou-me a descer do automóvel. – Ele virou-me sorrindo arrancando de mim um sorriso retraído.. ela nunca havia saído da minha mente atormentando sempre minhas lembranças. – Interrompi-o. – Leonard não precisa se desculpar e nem ficar assim.Já estamos chegando. absorvendo todas as sensações que me foram negadas nos últimos séculos. – Quero estar por perto caso você precise de um ombro amigo. A brisa gelada da noite acariciou minha pele alva brincando por entre meus fios negros tal qual a noite. Espero que você não tenha ficado chateada comigo. para automóveis pelo antigo jardim. – Ele finalmente tornou a sorrir e suas mãos afagaram meus cabelos como antes. Observei tudo ao meu redor. mesmo sabendo que você estava abalada eu a forcei a uma coisa que você não queria. Por alguma razão ela continuava da mesma forma que eu me lembrava. Senti um calafrio percorrer pela minha espinha quando cruzamos o caminho. qual eu me lembrava muito bem. – Você quer que eu vá embora? Se quiser eu vou. pois não agi como um cavalheiro e me deixei levar pelo momento. – Ele baixou os olhos para os próprios pés como uma criança arrependida faz após alguma traquinagem.. . – Eu devo pedir desculpas. Um pouco de nostalgia havia me invadido. Fui mantida presa entre aquelas paredes durante séculos.. tudo havia mudado muito após todos aqueles séculos menos aquela casa. – Hm? Vocês vão acompanhar-me? – Continuei observando o jardim. não gostaria de perder uma imagem sequer. O belo Maybach parou em frente ao portão que logo se abriu. Olhei ao redor. Leo apontou para uma grandiosa casa. – Vamos? – A mão de Leonard tocou o meu ombro fazendo-me despertar.

– Mas a leitura não seria amanhã à noite? – Leonard interveio. tampouco poderíamos seguir pelo mesmo caminho. Entretanto será uma honra tê-lo aqui comigo. alguns móveis trocados. . – Certamente que não é. pelo menos interiormente. – Good Night Miss Lewis and Mr. quanto antes saber sobre o conteúdo do testamento melhor. A leitura do testamento começará em meia hora na biblioteca. William também estava um tanto diferente. seu pai era o mordomo particular da nossa família. – Acho melhor seguirmos para os quartos agora. – Agora vamos! Algo me diz que esta noite será longa por demais. – Como quiser milady. – Encarei Leonard com reprovação interferindo na conversa. Os hóspedes ficavam em outra ala da casa. – Mas não precisa se preocupar. os antigos candelabros foram trocados por lâmpadas elétricas. Dois empregados da mansão mais o mordomo dos Chevalier nos acompanharam até o hall principal onde William nos aguardava. – Agradeci retirando a mão do meu ombro. – Henry levará o senhor Chevalier e o mordomo até o quarto de hóspedes. Chevalier. Foi até que então eu percebi que muitas coisas mudaram. – Yes sir. os papeis de parede foram renovados. – Estalou os dedos e um dos empregados aproximou-se. . espero que isso não seja um incômodo. Ele fez uma reverencia assim que nos viu. eu sei como me cuidar. agora eu e William seguiríamos para um caminho diferente dentro da mansão. – Ele sorriu daquela forma maliciosa mostrando os caninos para mim. – Ele satirizou-me enquanto selava um beijo no dorso de minha mão. Ele era bastante novo quando começou a servir minha família. Mas a essência do local era a mesma: fria.– Thank you. mas com o falecimento pelas mãos de algum caçador. William assumiu a responsabilidade deixada pelo pai sendo treinado para ser exímio no que faz até hoje. ser um mordomo dos Lewis. se a senhora não se importar levarei a senhorita eu mesmo. parecia um pouco mais velho e maduro.Despedi-me com um breve aceno de Leo e seu mordomo. sou o único que guarda as chaves dos quartos principais. Mas com a chegada antecipada de Miss Lewis a leitura fora antecipada para hoje.

Daqui a dez minutos se não lhe for incomodo voltarei para guiá-la até lá. ele não deveria dirigir a palavra ao seu mestre sem o consentimento do mesmo e eu devo ressaltar que nisso William era exemplar. Ali só haveria a relação de mordomo e mestre e de acordo com um comportamento primoroso de um mordomo. prefiro fazer o caminho por eu mesma. mas logo continuamos parando três portas depois. mas as incertezas em torno da morte repentina de meu pai voltaram a me assombrar. – Como desejar my lady. – Oh. – Após o testamento milady estarei disposto a responder todas as suas perguntas. se não se importa. okay… Mas não precisa guiar-me até a biblioteca. Ele também não parecia nenhum pouco disposto em quebrar o silêncio entre nós. – William espere.William e eu seguimos em silêncio pelos longos corredores que agora me sorriam familiares. – Agradeci sentando na cama enquanto ele trazia minhas bagagens para perto do closet instalado na suíte. – Thank you. ficará acomodada nesta suíte. eu gostaria de perguntar a William sobre tudo o que aconteceu. estávamos a sós enquanto andávamos. uma que eu conhecia muito bem. mas não proferi uma palavra. por favor. – Yes milady? – Ele colocou a última peça no closet e virou-se para mim em uma nobre reverência. – Senhorita Lewis. Paramos a uma antiga porta de carvalho. – O mordomo reverenciou mais uma vez. – Como meu pai morreu? – Fui direto ao ponto. mas agora se me der licença devo preparar a biblioteca. Estar ali agora era como uma viagem ao passado. – Ele abriu a porta revelando um moderno cômodo que não combinava com o classicismo da mansão. era o momento ideal. Aquele era o meu quarto ou pelo menos fora. mas o mordomo se esgueirou da pergunta. o que aconteceu com o meu antigo quarto? . – William? – Chamei-o enquanto terminava de desfazer minha bagagem e arrumar no closet. Continuamos caminhando.

– Gesticulei para que desse início a leitura. mas acabei por me perder no meio de tantas lembranças. Devo ter levado um pouco mais dos dez minutos oferecidos para chegar até a biblioteca.O mordomo me fitou e permaneceu em silêncio. os medos e todos os outros sentimentos me invadiam a cada passo que eu dava. – Pensei que tivesse fugido. “Eu deveria me sentir em casa?” pensei quando passei em frente à porta do meu antigo quarto e cada parte de meu corpo se arrepiou. – Enfim.. Era como viajar no tempo de fato. pois todos já estavam reunidos e um tanto quanto impacientes. Entretanto continuei seguindo até onde minhas lembranças da biblioteca me indicavam. – Acomodei-me em uma poltrona confortável próxima a Leonard. – Leonard segredou em meu ouvido em um tom divertido. Observei tudo ao meu redor enquanto os passos do mordomo dissipavam no silêncio constrangedor daquela casa.. Caminhei até a porta e segui pelo corredor mal iluminado. – E as chaves? Você disse que era o único que possuía todas dos quartos principais. menos a do antigo quarto da senhorita. O senhor Lewis era o único que possuía a chave e tampouco pensou em confiá-la a mim. – Eu possuo todas. Quando fui perceber já estava na hora de seguir para a biblioteca. o cheiro. poderia dizer que fiquei hipnotizada durante alguns minutos por aquele movimento continuo de ―esquerdadireita‖ marcando os segundos. Pode ir. – Ah! Então. vamos ao que interessa. . Eu tinha nove minutos para chegar lá em ponto. Obrigada. mas logo começou a falar. – Despachei-o voltando a ficar só. Meus olhos pararam sobre o relógio daquele quarto ainda era antigo e possuía um pêndulo que balançava continuamente. – O senhor Lewis mandou trancá-lo e tomou a chave de todos nós para que ninguém mais entrasse lá. – Desculpe-me pelo meu atraso cavalheiros.

como é do conhecimento de todos aqui presentes. – Japão? Academia Cross? – Eu não conseguia absorver tantas informações. forçando-me a sentar ao seu lado novamente. entretanto é de sua própria escolha ir ou não. – A sua matricula já foi feita senhorita Lewis. Ela pode ser cancelada a qualquer momento caso deseje. – Sorriu. onde a mesma deverá comparecer as aulas da turma da noite assiduamente até se graduar. Mas o que você faz aqui? Pensei que não iria acompanhar a leitura. – O vampiro sorriu maldoso. fazia tempo que eu não ouvia ninguém dizê-lo. A senhorita Lewis será a única beneficiada e receberá todas as posses que antes pertenciam ao seu pai. . não poderia esquecer-me disso. – Leonard interferiu. visto que esta é a sua única filha e é a única a ser citada neste documento. por favor... – Bem. Afinal que merda meu pai pensou quando escreveu aquilo? – Acalme-se Megan. continue. – Leonard sussurrou em meu ouvido. tentando apaziguar a situação enquanto puxou-me pelo braço. – E o que acontece caso eu não aceite e cancele a matrícula? – Indaguei desanimada. advogado e membro do conselho dos Anciãos. – Senhorita Lewis contenha-se. Artur Torrance estou aqui para transmitir os seus últimos desejos por meio deste testamento que nos foi enviado logo após a sua morte por parte de seu mordomo William Scott. – Eu. no Japão. o falecimento de Mr. – Mas que merda é essa? – Levantei-me deixando o chá de lado. – Eu até que pensei em sair por aí. tais posses só deveram ser entregues mediante o cumprimento de uma determinada condição.. – Os olhos do vampiro flamejaram em um vermelho vibrante demonstrando a sua irritação com o meu comportamento. É apenas um testamento.– Não tenho porque fugir. mas logo emudecemos quando um senhor começou a falar. Entretanto. – Esse era o primeiro nome do meu pai. – Então. mas estar com você me pareceu mais interessante. Albert Lewis. Ele era um membro do conselho. das condições. A senhorita Megan Lewis deverá mudar-se para a Academia Cross.. – Cláusula B. – Condição? – Engasguei-me com o chá que a pouco havia sido servido por William.

Adeus. Pedi para que William trancasse a porta assim que entrássemos. – Eu posso pensar sobre isso? – O sorriso do vampiro agora se estreitou. – O sorriso petulante permanecia no rosto do vampiro quando ele seguiu para a saída. Entretanto se quiser dar uma resposta agora poderá evitar muitas dores de cabeça no futuro.– A clausula das condições não será cumprida impossibilitando que receba todas as posses que pertenciam ao seu pai e sua família... – O sorriso do vampiro a minha frente alargou-se me deixando enojada. Logo receberá minha resposta. provavelmente estava louco para por as mãos nas posses. hoje. – Falei impassível.. – O dinheiro pouco me importava.. – Não sei. até hoje eu tinha tido tudo sem precisar de um centavo sequer dele. – Yes milady Lewis. – Elas serão leiloadas pelos membros dos conselhos dos Anciãos. acho melhor descansar por hoje. Cinismo parecia ser o forte daquele cão do conselho. ainda havia muitas perguntas a serem feitas. – Estarei aguardando ansioso por isso. – E o que acontecerá com as posses? – Perguntei curiosa. ou seja. ~x~ Não demorou muito para que chegássemos até o quarto onde eu fiquei hospedada na mansão. . Meditei absorvendo todas as informações.. eu precisava de respostas o quanto antes. – Preciso pensar sobre isso. – Isto é tudo? – Respondi desinteressada. – Então. – Irei de volta para o meu quarto. a senhorita tem um prazo de dez noites a partir da leitura do testamento.. Se após estas dez noites não houver comunicação alguma será considerado a desistência da cláusula das condições e você perderá quaisquer chances de voltar atrás. creio que ainda não absorvi todas as informações. – Yes milady. Você deveria fazer o mesmo Leo. – Sorri-lhe o mais verdadeira que pude dirigindo-me a saída acompanhada por William. – E então Megan já sabe o que vai fazer? – Leonard perguntou-me com um ar preocupado. – Respondi-lhe friamente enquanto me levantava. – O vampiro me instigou. – Hm. acompanhado por algum outro mordomo senão William.

Sem hesitar. Meus olhos recaíram sobre dois objetos. algum problema? — a voz impassível atravessou meus pensamentos. Eu não era mais fraca e estúpida.Medo de ficar sozinha. despejei seu conteúdo em cima da colcha de cetim azul que forrava a cama naquela noite. “Outra carta?” pensei. — Senhorita Lewis. Onde só havia frio e medo. Passei meus olhos pelo envelope e rapidamente encontrei uma identificação. — Will! Preciso de algo para ouvir isso aqui. E assim que consegui finalmente abri-lo. antes que prossiga com as perguntas devo-lhe entregar isto. – Deve ajudar-lhe a solucionar algumas das dúvidas que a senhorita já possui. apanhei as duas. para a prisão a qual eu pertenci por séculos. mas foi tempo suficiente para que William se preocupasse. certo? . – Os orbes esmeraldas do mordomo sorriram satisfeitos. Esbocei um sorriso de escárnio. Eu deveria ouvi-la? E se ouvisse a voz do meu pai? O que ele queria com aquilo? Era estranho pensar em ouvir a voz dele. meu pai. “For Megan. Afinal. – Estendeu-me um envelope. só de imaginá-lo era como se retornasse para anos atrás. por isso não deveria fraquejar em ouvir uma simples fita.” O envelope deslizou rapidamente entre meus dedos ansiosos enquanto eu caminhava até a cama. Apanhei-o cuidadosa e um tanto quanto receosa. de fato eram muitas as coisas que eu teria que compreender. — Exibi a pequena fita em minha mão. – Yes milady. Era a caligrafia dele.– Você disse que responderia minhas perguntas assim que a leitura terminasse. não é? Lembrei-me de tudo que havia acontecido nos últimos dias e meus orbes azuis se fecharam tentando absorver aquilo. uma chave e uma pequena fita. o papel que antes era branco já estava um tanto amarelado pelo efeito do tempo. eu sempre fui sozinha. – Entretanto. violando-o mais rápido que eu podia naquele momento. cortando-os rapidamente. Não sei quanto tempo permaneci estática na cama com a fita entre meus dedos. Eu não deveria temer meu pai agora. não mais.

Mas não é isso que eu quero lhe dizer. porque eu não a mereço. saiu. agora a voz não tinha aquele tom imperativo. Se precisar de mim. ele acelerava um pouco na pronúncia. Estava tudo planejado? Fiz menção em perguntar algo. Você já deve saber disso.. — Senti cada parte do meu corpo arrepiar quando a voz dele ressoou por todo o quarto saindo do aparelho. Ainda não me acostumei com essa tecnologia digital humana. Até que finalmente uma voz se sobrepôs. as lembranças e a fita a espera de ser tocada. A cada palavra. isso já era esperado. Realmente feliz. anêmico. Egoísta e covarde é tudo o que eu sempre fui em relação a você. estarei do outro lado da porta aguardando ordens – despediu-se em uma pequena reverencia. a respiração ia tornando-se ofegante e falha até que ele novamente pausou a fala e eu pude ouvir mais um pouco da . Primeiro veio o silêncio. gostaria de ter lhe dito frente à frente. mas novamente fui covarde... obrigado por ouvir a fita. não quero que sinta pena de mim. por séculos. pelo contrário. Então ele continuou: — Desculpe por isso e pela fita em si. Então finalmente apertei o play e fiquei na expectativa.. Uma tosse intensa e seca o interrompeu. impedindo que eu perguntasse algo ele saiu. — Megan. Isso me deixa feliz... rouca.. após a sua partida imaginei como lhe dizer tudo o que pretendo dizer aqui. — Milady.... As palavras doces não pareciam combinar com a figura dele que eu trazia em minha mente ao longo dos tempos.O mordomo me sorriu e se dirigiu até o criado mudo próximo a cama. Mas diferente de antes. Nunca tive forças para combater a dor que se implantou em mim após a morte de sua mãe. o que quer que soe do gravador antigo me surpreenderia. Megan. eu costumava brincar muito com aquele tipo de aparelho antes. — Primeiramente. Prontamente coloquei-a no gravador. creio que a morte me aguarda para logo. mas o mordomo rapidamente entregou-me um pequeno gravador que possuía um encaixe para a fita. Agora só havia a minha ansiedade. parecia fraco. e após a minha permissão. não com meu pai.. achei a fita mais usual para mim e mais prática para ser conservada.. depois um chiado incessante. acho melhor ouvir a fita sozinha. —Pigarreou e prosseguiu: — Minha saúde não está uma das melhores.

... Mas. Pedi para que alguns dos meus servos. Nunca tive certeza daquilo. se de fato considerasse a existência de um. Talvez seja por esse motivo que eu nunca consegui estar próximo a ti.. Apertei fortemente a mão com a qual eu abraçava meus joelhos. Principalmente os olhos azuis. Sempre que olhava dentro dos teus. ainda havia parte de mim que duvidava de todo o amor que eu imaginava que ela sentisse por mim... Mas além dos olhos. não se esqueça que sua mãe lhe amou até o último momento. Eu não sei como conseguiria definir aquilo que senti quando ouvi aquelas palavras saindo do gravador. Sendo que você não passava de uma vítima como eu. Uma parte de mim foi acalentada quando ouviu essas palavras. Eu poderia dizer que meu coração estava descompassado. Era isso que me fazia continuar desejando viver. agora estava tão próximo que eu poderia sentir a respiração falha dele como se sussurrasse.. caso você me reconhecesse. eu imagino que você já saiba disso tudo que eu estou lhe dizendo aqui.. Sua mãe cantava como um anjo e. como se tivesse cuidado em dizê-la. pelo menos era o que eu pensava.. você canta como ela. — Megan... eu não sei como reagiria. a voz angelical também. abraçando meu joelho e em seguida apoiando meu queixo sobre ele. Aproveitei e aproximei mais o aparelho de minha orelha.. A verdade é que sofremos a mesma dor e sentimos a mesma perda. que você não conhecia.. Eu pude ter o deleito de assistir a alguns shows seus. Não me eram novidades. mas mesmo assim. lhe culpar. ali. — Eu não quero que me perdoe filha. mas tudo o que fiz foi lhe ignorar. –Você é muito parecida com ela.. mas me sinto no dever de proferir. Mas Megan. Fraquejei mais uma vez.tosse seca no fundo da gravação.. Então minha mãe realmente não odiava quem lhe tirou a vida para poder viver. Mas despertei dos meus pensamentos quando ele prosseguiu após um pigarro rouco. Nunca duvide disso. Porque culpar alguém se não você é muito mais fácil não é? Por isso eu culpei você. Vampiros teriam corações? Meu pai havia me ensinado que não por todas as vezes que ele me ignorou. Eu gostaria muito de ter ido vê-la cantar ao vivo. — ele frisou a última palavra. os gravassem para mim. sempre foi.. Acolhi minhas pernas. eu sempre soube que minha mãe me amou. em meu ouvido. ou mesmo você. Os meus cabelos negros cobriam meus ombros aquecendo o frio que a lembrança paterna me trazia. Por . a encontrava.

. onde estiver. nas sombras escondia a minha proteção que você nunca precisou. Eu vacilei e um gemido de surpresa escapou dos meus lábios. eu não o mereço.. – Megan. aquilo que soava do aparelho? Não! Não poderia ser.. Eu já esperava ser surpreendida. – Você provavelmente está a três portas do seu antigo quarto. Afinal já é tarde demais. O azul da mesma cor dos seus olhos.. eu sempre soube que minha morte estava próxima. Tossiu mais uma vez aquela tosse rouca. tentando conter outros que pudessem ocorrer e meus olhos arderam feito brasas. Levei o dorso da minha mão que apertava minhas pernas à boca. É um presente dela para você... Então vou direto ao assunto. Ou pelo menos quase. eu não quero me prolongar aqui. ser verdade. Mas. Parou e tossiu mais um pouco. Algo que nem mesmo eu tenho a permissão de tocar. Era mesmo o meu pai que gravara aquilo? Eu não poderia acreditar. eu sempre estive ao seu lado. ela pareceu congelar quando ele revelou o que ela de fato abria.. voltando ao seu quarto. Enfim. Olhei para a chave que estava comprimida em minha mão. há algo lá para você.. . Como era possível. mas definitivamente não dessa forma. O colar pode ser usado apenas por você Megan. por isso deixei várias ordens a William para que ele preparasse tudo para seu conforto. aumentando o suspense. Então ele havia planejado tudo para depois de sua morte? Por quê? Uma lágrima surgiu em meus olhos.. e em seguida desceu solitária pela minha pele pálida.. pois é a única que possui o mesmo sangue dela. Em um quarto de hóspedes e a colcha que provavelmente cobre a cama é de cetim azul.. Tenho certeza que ela ficará feliz. ou pelo menos eu não queria. Fechei-os para conter mais lágrimas que poderiam vir. ela é a única que pode abrir o teu quarto.. então não hesite em procurá-lo. vê a chave prateada que acompanhava a fita? Bem. Ela me disse que iria deixá-lo lá para quando você completasse seus três séculos. eu não espero o seu perdão. Eu estava surpresa demais para que algum pensamento me ocorresse.. por saber que você está o usando. essa era a cor favorita da sua mãe.. amenizando o ardor.mais que você pense que te abandonei.

Queria dizer que o amava também. Então ele finalizou: . mas não conseguiria. Aquilo era realmente o fim. guardando a chave no decote do vestido.. . — censurei-o apoiada a soleira da porta. Ainda estava com a mesma roupa que presenciou o testamento e parecia bastante aflito. Então. — Eu estava com um mau pressentimento.. — Mas como você pode ver. — O que está havendo? — falei em um tom baixo para que apenas William me ouvisse caso ele estivesse acompanhado. — Leonard. Ouvi um barulho vindo do corredor. e repeti mais uma vez sem acreditar no que ouvia.. Mantive o gravador encostado em minha face.Merda! – praguejei em pensamento.. eu o fiz repetir para mim que me amava e chorei. A gravação acabou e o silêncio tornou-se ensurdecedor para mim... Não depois de tanto tempo. e abandonei a cama com a chave ainda na mão e segui caminhando de leve até porta. As lágrimas naquele momento já não conseguiam ser contidas. Em seguida abri a porta e pude fitá-lo. talvez isso fosse o que mais me doeu ali. — Ele tentou se aproximar.. — Deu dois passos para trás evitando desviar os ébanos dos meus azuis... A não ser. que eu te amo filha. — Está tudo bem aqui.. A prata ainda estava fria quando entrou em contato com minha pele. — William. – Um calafrio percorreu todo o meu corpo quando ele chamou-me de filha e as lágrimas começaram a insistir em brotar em meus olhos. Retrocedi a fita para a parte em que ele me chamava de filha.— Megan. Relaxe — sussurrei ao mordomo que não queria deixar a posição de guarda..Eu já não tenho muito a dizer aqui. senhorita Lewis — o mordomo falou convicto. o seu mordomo não deixa eu me aproximar mais. Voltei atrás. eu poderia me dar por vencida se logo atrás uma voz não ressoasse. impedindo que ele desse mais algum passo. fiquei preocupado com você. .. mas William se interpôs entre nós dois. como se eu tentasse absorver o calor que aquelas palavras me traziam. — Megan! Está tudo bem com você? — Era a voz de Leonard. Não! Minha filha. Ele é meu amigo. Abracei mais fortemente os joelhos na tentativa de extravasar aquela angústia que me consumia. não era para você estar descansando? Daqui a algumas horas irá amanhecer. está tudo bem.

. — Descanse Megan. Eu não queria explicar para Leonard sobre a mensagem do meu pai. Depois conversaremos. Além do mais está tarde. — Eu tive um pesadelo. — Andou chorando? — Ergueu as sobrancelhas indagando-me. — O que houve para que saísse de seus aposentos nesta essa hora? — Eu tive um pressentimento ruim em relação a você e fiquei preocupado. Fantasmas do passado que às vezes tornam a me assombrar. mas eu o impedi. — Ok. — Eu ia checar se o Sr. senhorita Lewis. mas abandonou o posto. Chevalier encontrou o seu cômodo para poder descansar — respondeu-me automaticamente como se fosse a coisa mais normal do mundo. meus pesadelos não passam de lembranças. — Sorriu vitorioso enquanto aproximava sua face da minha. — Ébanos sorriram para os meus azuis e se afastaram. se você prefere assim. — Tornei a ficar séria como sempre para que ele não desconfiasse. — Irei voltar para os meus aposentos. arrancando um sorriso de escárnio de Leonard. Além do mais.. Saindo de minha frente.. — O que pensa que está fazendo? — censurei o mordomo. Você não mentiria para mim não é Megan? Sabe que não consegue.— Eu não confio nele — retorquiu num tom seco. — Ah! Isso? — Afastei-me secando os resquícios de lágrimas que me denunciaram... O silêncio tomou conta de mim e de Will enquanto o Leo se afastava de nós pelos corredores escuros dos quartos ―principais‖. — Virei meus olhos para os dele. — Piscou malicioso pra mim com um sorriso simpático. Preciso descansar. Leonard certamente não demorará muito. — Gesticulou de forma formal em uma reverência. Eu ainda não estava preparada para isso. William seguia na mesma direção de Leonard. — Deseja que eu me retire milady? — Reverenciou a mim da forma mais cortês possível. — Roçou seus lábios em minha testa e olhou mais uma vez de forma ágil e dissoluta para William fingindo não percebê-lo ali. — Pesadelos não são sonhos. não agora... Assim que ele desapareceu da minha vista na escuridão. tornei a respirar tranqüila. aquilo estava começando a me irritar. — Não será preciso William. — Pensei que você não sonhasse. — Afastei-me dele o mais natural possível.. — Eu devo obedecer somente à milady. Então assim será. ele é meu amigo e ficou ressentido com o seu atrevimento.. — Não precisa William.. Você sabe. Voltei meu corpo novamente para dentro do quarto e pude ouvir passos no corredor. — Seus dedos passearam pela minha face de forma terna..

era preciso que passassem por nós para chegar até lá. A nostalgia. muito menos os poucos que considero como amigos — falei severa para o mordomo que pareceu entender perfeitamente que eu falava sério.. a . e os sentimentos e emoções iam se tornando cada vez mais fortes e difíceis de controlar. Todos os três séculos em que vivi naquela casa passaram em frente aos meus olhos como flashes. não era necessário trancá-lo. era um dos últimos quartos do corredor.— William. cruzando os braços sobre meu peito. — Sussurrei para que apenas ele pudesse ouvir. Dei o primeiro passo para dentro do cômodo. Meu antigo quarto. a ansiedade e a curiosidade afloraram mais ardentemente em minha pele. a tremedeira da ansiedade não ajudava muito e demorou alguns segundos para eu conseguir finalmente introduzir a chave na fechadura. logo. Um arrepio me fez despertar do transe. finalmente havíamos chegado. — Faça-o — redargüi. pensei e um calafrio percorreu minha espinha. e as mãos tremiam de ansiedade e se agitaram mais ainda quando percebi o contorno do mordomo parado em meio à escuridão do corredor. E quando eu o fiz. eu estava tentando me conter. três portas a frente para ser exata. my lady — a voz do mordomo soou um pouco mais sedosa. O cheiro daquele lugar continuava o mesmo. também me recebeu de forma adorável em sua casa em Londres.. senti os sentimentos e lembranças todos juntos atravessando cada parte de mim impiedosamente. e como meu antigo quarto era mais a frente. A cada milímetro que a porta revelava do interior do quarto que antes era o meu mundo. Girei a chave e num estalar rouco repleto de rangidos a porta abriu. liberava em mim milhares de sensações e recordações que há tempos estavam esquecidos e abandonados. arrepiando-me por completa. — Ergui-o.. tenho certeza que foi quase o mesmo que sofrer uma descarga elétrica. então ele seguiu em frente e eu o acompanhei. — Yes. quero pedir para que me acompanhe. Amanhã pedirei perdão pelo meu comportamento ao senhor Chevalier.. — Apanhei a chave cuidadosamente que havia escondido em meu decote. mas não demonstrei. As três portas pareciam nunca passar. Você não deve destratar meus convidados. Fechando a porta do quarto onde eu estava cuidadosamente. — Mas agora. a temperatura fria e nada acolhedora não havia mudado também. só que ao invés da eletricidade em si. Minhas pernas hesitavam a cada passo. — Yes milady. — Ele é meu convidado e me auxiliou muito. — Gostaria que me acompanhasse até o meu antigo quarto. Concentreime em encaixar a chave na porta.

Bem. Meus olhos pousaram então sobre meu antigo armário.. . os móveis permaneciam os mesmos. ainda no corredor. mas eu não devia me deixar levar..... Estúpida!. Minhas esperanças estavam minguando cada vez mais. Tenho certeza que eu deveria parecer uma criança enquanto meus dedos percorriam os títulos animados. pensei e segui em direção a ele. Talvez o que faltasse naquele lugar fosse apenas o calor do amor que meu pai nunca havia me dado. da dor. Torci o nariz ao ver minha mão coberta de poeira. Passei com os olhos entre os títulos. e ele obedeceu. pude jurar que me vi quando mais nova lendo alguns livros humanos no canto direito da cama. — E feche a porta. elas já não estavam ilustres como antes e tampouco pareciam nobres. Os azuis passearam travessos entre várias obras.. eu nunca havia reparado quando menor. Não creio que haja algo aqui realmente. please. no entanto. que eu nunca havia conhecido naquela casa. irritada. Abri com cuidado as portas de madeira antiga. As paredes de tom arroxeado permaneciam as mesmas.. talvez porque aquela porta permanecesse trancada na maioria das vezes. já que era minha única chance de fuga daquele lugar repleto da ausência do pai que nunca tive.. era um móvel infantil de fato. chamando o mordomo para que me acompanhasse. — Olhei através da vidraça para a lua que se despedia vagarosamente. mas não encontravam o que eu tanto almejava.. Deixei meus pés me guiarem e segui até minha antiga estante. Depois eu procuraria pelo livro — Algum problema milady? — O mordomo indagou com uma expressão preocupada. Meus dedos finos passearam em meio aos vários best-sellers e outras obras hoje não tão conhecidas. Olhei para trás e fitei o mordomo olhando-me com um semblante um tanto apático. buscando por uma das minhas peças mais queridas que tive que deixar para trás na noite da minha fuga. ela estava tão empoeirada. Sacudi o pó de minhas mãos. Suspirei sem expectativas e me virei. O armário não era muito maior que eu.temperatura fria de abandono era muito menos acolhedora do que eu me lembrava. tudo era igual e. Dei mais um passo e vi as cenas se reconstituindo. era um dos meus passatempos favoritos. — Ele mais uma vez reverenciou de forma cerimonial e correspondeu a ordem. não é? Uma corrente de ar intensa vinha do corredor. — Não.. sim! Eu não faço a mínima idéia de onde pode ter algo aqui para mim. Não fora por isso que eu estava ali. — Entre — ordenei. tão diferente.

Meus olhos caíram sobre a minha antiga estante de bonecas. Nada fora do comum? — O mordomo maneou a cabeça negativamente e eu arfei derrotada.. mas ele ocupava espaço demais na minha pequena bagagem. — Desde que milady foi embora. lembrei que tentei carregá-lo comigo no dia da fuga.. Entre eles estava um lindo vestido vermelho sangue.. Bem. quase todas as chaves. não precisa sujar suas mãos. Havia muitas e de vários materiais ali: de alabastro. — Me sorriu e abaixou-se ao meu lado. entre outras datadas mais ou menos dos séculos XV e XVI. Gostava de vê-las quando era mais nova. Suspirei lembrando-me dos poucos momentos felizes que tive ali. Permita-me ajudá-la. mas meu sorriso desapareceu quando William chamou-me. Senti a temperatura fria amenizar um pouco quando me lembrei disso. — Merda! – Praguejei abatida. depositando a última peça de roupa do armário. Era tudo tão nostálgico. — Será que está aí? — Olhei curiosa por entre algumas roupas que eu havia deixado para trás quando fui embora. mas o que mais me encantava nelas era saber que muitas que estavam ali foram escolhidas a dedo por minha mãe antes de morrer. gostava principalmente de admirar os detalhes e perfeição de cada uma. mas isso não as deixava menos graciosas.— Há quanto tempo ninguém entra aqui? — questionei a William apanhando o lenço que ele estendeu-me para que eu limpasse minhas mãos. senhorita Lewis — o mordomo disse. — Vamos esvaziá-lo. — Isso aqui está muito sujo. de madeira. A menos que. my lady. o senhor Lewis trancou o quarto e destruiu todas as chaves que abriam a porta para que nenhum criado entrasse mais. — Ergueu-se e começou a retirar as roupas que eu havia deixado para trás e alguns pertences que eu nem me lembrava mais. — Yes. Eu adorava aquele vestido. Os azuis sorriram aos orbes esmeraldas enquanto meu corpo se erguia e se distanciava para dar maior passagem ao mordomo... — falei ansiosa para o mordomo que procurava um tanto atordoado entre as coisas que estavam do lado de dentro. de terracota. Caminhei até o local onde William havia o deixado e sorri lembrando-me dele. — Pronto. Está completamente vazio. — Nós já tínhamos olhado em todos os lugares possíveis daquele quarto. Observei-as cobertas de pó. sentando-me na minha antiga cama.. Aquelas bonecas foram . mas depois o coloquei sobre uma velha poltrona na qual uma das amas sentava e me contava algumas histórias antes de dormir. Vejo que sobrou uma. — Quero dizer. — Não encontrou nada? — Perguntei indignada.

era apenas uma sombra mal projetada da luz da lua. Observei cada uma das outras bonecas. . — A senhorita conhece sabe a ordem? — O mordomo pareceu intrigado. mas fui trazida de volta para a realidade novamente. Aproximei-me cuidadosamente... Após esvaziar as prateleiras.. Observei novamente ao redor e não achei nada que me fizesse deduzir o que o meu pai mencionara. Atrás da boneca não havia nada.minhas únicas amigas por todos os anos que eu estive presa ali. De alguma maneira eu sentia que elas me protegiam do frio e da solidão.. O dossel de uma madeira nobre com desenhos perfeitamente entalhados.. — retorqui fria. — O que haveria aqui para mim que eu nunca soubesse após tanto tempo? — Era notável que aquilo era uma pergunta retórica. minha esperança se dissipou. Fiquei admirando-as por alguns milésimos de segundos enquanto a nostalgia ainda corria pelo meu corpo aquecendo as antigas lembranças. — Tenha calma. se estivesse ali eu iria descobrir. Até que voltei meu olhar novamente para uma das bonecas de terracota. conclui que era tolice procurar algo ali. — Não quero descansar. era a penúltima e estava vestida como as antigas damas parisienses. era tão bela. — William. para não derrubar nada. um segredo. me ajude aqui. Não havia nada. milady. embora soubesse que nunca poderia tocá-las sem destruí-las como fiz com minha mãe. — Merda! — praguejei quando lhe passei a última boneca e observei novamente minha esperança desfalecer. apenas bonecas. Algo que eu jamais conseguiria ver quando menor por causa da altura em que ela estava e de onde se ocultava. Apanhei-me admirando aquela bela mobília. uma a uma para que eu não derrubasse e muito menos as quebrasse na tentativa de achar algo. que hoje jamais conseguiria ser reproduzida de forma tão magnífica. Mas logo voltei a passar as bonecas cuidadosamente ao mordomo. — Me passe as bonecas que eu vou ordenando-as aqui na mesma ordem. Um ledo engano.. Uma que estava na prateleira do meio. Ele ia depositando-as em cima da minha antiga cama infantil. — Passei a ele as bonecas. Por que não descansa enquanto eu coloco as bonecas no lugar? — Reverenciou. mas eu o ignorei. Ela parecia esconder algo. Se estiver aqui nós encontraremos. que invadia por uma pequena janela meu quarto. e a retirei de lá.

William. Abaixei-me afobada para tentar juntar as partes que quebraram... minhas esperanças já tinham ido por água a baixo e minha mente desconcentrou-se. derrubando mais uma boneca.. Vamos voltar — falei desanimada. — Ergueu a peça.. — Mas eu não estava de colar. — Um colar que só eu possa usar.‘ atrás do pingente. Apanhei-a com cuidado. era novamente a penúltima boneca da prateleira do meio. com roupas semelhantes às antigas damas parisienses. Abri os olhos vagarosamente e a fitei inteiramente intacta no chão. escorregou de minhas mãos e se quebrou quando encontrou o chão.L. Por isso eu nunca havia as tocado quando mais nova.— Após séculos observando para cada uma dessas bonecas. Não pode ser meu! — falei sem cogitar a possibilidade de ter encontrado o que estava procurando. mas quando o fiz acertei em cheio minha cabeça na prateleira mais baixa. a caça ao tesouro terminou. mas era um ledo engano. eu não poderia esquecer. — Sorri enquanto abria o feixo do colar. Mesmo que tenha passado milênios. — falou exibindo o colar. — A senhorita deixou seu colar cair.. Era o fim da busca. É impossível não saber. — Oh.. A face da boneca havia sido rachada... colocando a boneca parcialmente quebrada na prateleira ao lado das outras. senhorita Lewis. Ele maneou a cabeça positivamente e colocou as partes da primeira boneca de terracota no lugar. Eu até havia fechado os olhos como reflexo para não ver outra boneca se partindo em pedaços. me ocorreu.. mas o som que ela fez quando se chocou com o chão de madeira foi completamente diferente da anterior.. eu sabia que eu acabaria quebrando alguma. — Ah! É que está escrito ‗M. — repeti as palavras do meu pai enquanto o fechava em meu pescoço. — Foi após estas palavras que a idéia daquilo ser o que estávamos atrás.. Essa caça ao tesouro já havia me dado prejuízo demais por uma noite. A manhã está . E eu estava cansada de procurar.. — Sorri enquanto o mordomo ia passando uma a uma que eu havia retirado da estante e o entregado.L. e são as mesmas iniciais de milady. foi nesse momento de desatenção que a pobre boneca de terracota. Vamos voltar. mas como eu estava muito nervosa. — Porque só eu tenho o mesmo sangue que ela. Eu já estava próxima à porta quando a voz de William impediu-me de sair. me deixe vê-lo? — Estendi as mãos e o mordomo depositou a jóia entre meus dedos. — William. Resolvi levantar-me. — Will. mas essa por sua vez não quebrou como a outra. onde deveria ficar antes de eu derrubá-la. — William.. também eram as iniciais da minha mãe. Estávamos praticamente no fim. shit! — gritei irritada e ao mesmo tempo decepcionada comigo mesma pela falta de atenção. — M.. William começou a juntar os pedaços.

.. — William... seu estado de espírito após ouvir meus shows. — Ainda não me disse como meu pai morreu — constatei enquanto lambia o filete de sangue que escapava no canto dos meus lábios. precisamos descansar. eu parecia inteiramente mais leve que antes. — Tentou se esquivar da pergunta. — O senhor Lewis ficou muito estranho desde a sua partida. Meu humor não está dos melhores para encarar qualquer raio daquele sol maldito. William prepararia um banho quente e relaxante para mim no banheiro da suíte. — Ele começou a falar e eu pausei minha refeiçãopara que prosseguisse sem interrupções.. Infelizmente.. O mordomo meneou a cabeça positivamente. — Conte. Rapidamente chegamos. mas nos últimos anos realmente ele piorou de vez. Ele confirmou positivamente com a cabeça e eu o dispensei. — É uma longa história e a senhorita precisa descansar agora.. A aurora estava próxima. depois me traria um pouco de sangue conforme eu havia pedido. Ou até mesmo o significado daquele colar. acatando a ordem e seguimos de volta para o quarto em que eu estava instalada... eu teria que adiar minha nova busca em algumas horas. — Bem. — Quem trazia as gravações era confiável? – Terminei de sorver mais um pouco do sangue dele. Ou de menos. Eu estava com uma dor de cabeça infernal. . sem muito suspense ou ansiedade. Talvez a „caça ao tesouro‟ tivesse durado tempo demais. my lady. – insisti e ele assentiu. — falei após sorver um pouco do sangue dele. — Yes. Passou a trancar-se no quarto da senhorita e recusava-se a se alimentar. os primeiros raios de sol estavam começando a surgir no horizonte..próxima. — Não sabe o que aconteceu para que ele ficasse assim? Não aconteceu nada de peculiar? — argumentei enquanto minhas presas perfuravam mais uma vez a pele do mordomo.... — Tudo começou quando ele recebeu as gravações de alguns shows seus — concluiu. se eu fosse levar em conta as palavras de meu pai.. Minhas pernas pareciam bem mais leves.

contudo. apertando o pingente do colar contra o meu peito. despertando mais rapidamente. Era a despedida.. — Shh. Não! Acordei assustada. entretanto. Logo depois. Está na hora de acordar minha criança. — eu clamei outra vez por ela. Respirei profundamente para me recompor do susto. selando apenas um beijo doce em minha testa como seu adeus. uma ferida curada. mas agora somente vocalizando. era como se uma parte de mim fosse reparada. Ela havia ido. Mãe. Em seguida. Suspirei.. eu não queria dormir e ter que deixá-la para trás outra vez. . Se é que aquilo havia sido um sonho realmente.. A canção vazia permanecia.. Eu — podia — senti-la bem ali ao meu lado. ela também sentia. Era como se eu ainda pudesse sentir aquele abraço terno. As mãos ternas que ela possuía colheram cada lágrima carinhosamente e. voltando a lembrar o que eu havia supostamente sonhado. Eu sentia. Teria sido realmente ela? Tentei abrir — os olhos por completo mais uma vez. e aos poucos voltei a minha realidade. ainda ouvindo o eco da minha negação no silêncio aterrador do quarto que eu estava. Esfreguei meus olhos e espreguicei-me. como se fossemos uma só. Tudo o mais era apenas o silêncio disforme dos meus sonhos falhos. não consegui. — Que horas devem ser? — falei enquanto jogava meus fios desalinhados para trás. embaçando ainda mais a visão que eu tinha dela. — Mãe. Senti algumas lágrimas nascendo em meus olhos.. a cada lágrima que ela impedia de rolar. esmaecendo até desaparecer por completo. Não consegui abrir meus olhos completamente uma vez que a canção me induzia ao sono profundo.Uma voz suave e singular como a minha acalentou-me numa canção vazia. mas ninguém respondeu.. o som gutural de um trovão atravessou a escuridão do cômodo me fazendo estremecer. Então eu sorri e ela repetiu meu gesto. os braços delicados de uma mulher acolheram-me num abraço quente e maternal. eu chamei. A voz que era semelhante a minha chegou como sussurros ternos ao meu ouvido.

mas nada que um pouco de alimento não me ajudasse a melhorar. — E? — Voltei a caminhar e o mordomo me acompanhou logo atrás. As lembranças são tão nítidas. particularmente a claridade do dia nunca foi do meu agrado. — Ele fez uma longa pausa para respirar — Mas vai dar tempo.. após o banho.Observei o relógio que ficava no quarto.. Prossegui minha caminhada por aqueles corredores. Estava cedo ainda. — Não lhe preocupa. Sorri confiante enquanto observava as cortinas azuis-marinho dançando no ritmo da brisa noturna. Eu estava correndo para deixar tudo pronto. por isso eu costumava reparar em cada detalhe quando escapava. troquei minhas roupas de dormir por um jeans e por uma blusa preta qualquer. os ponteiros ainda marcavam algo por volta das cinco e vinte da tarde.. a lua deveria estar se erguendo triunfante no céu mais uma vez. o que ainda parecia um tanto quanto nostálgico. Eu não gostava de acordar antes que a lua estivesse no céu. Bocejei e me joguei entre os lençóis de algodão egípcio por mais alguns minutos. até finalmente me render e despertar de vez. Eu estava com uma leve dor de cabeça. Provavelmente já deveria ser um pouco mais das seis da noite. parecia ter visto um fantasma ou até um caçador de vampiros enlouquecido.. A cor das paredes ainda eram as mesmas afinal. Haviam sido poucas vezes que eu deixei meu quarto quando era mais nova.. — Aconteceu alguma coisa? — Um membro importante do conselho irá chegar daqui à uma hora. de tão perdida em meus devaneios. Dirigi-me até o banheiro e.. O mordomo estava mais pálido que o normal para um vampiro. eu fico feliz que já esteja acordada. ele arfava e falava com um pouco de dificuldade. A notícia chegou agora pouco. quando percebi William em minha frente assustei-me dando um passo para trás e quase cai. Prendi meus cabelos em um coque e desci para o hall. — Milady. sozinha novamente. milady? . Eu me divertia enquanto relembrava algumas coisas e. Mesmo que o dia estivesse nublado e o tempo propício para uma tempestade ainda era claro demais.

entretanto.. – ele forçou um sotaque francês.. — Que bela pedra. um silêncio desconfortante caiu sobre nós dois. Apenas tive um bom descanso. isso era inegável. aquela notícia havia me abalado de certa forma. uma vez que o pingente estava justamente entre meus seios e eu podia sentir as mãos dele tão próximas. — É uma pena então. mas ele não se moveu. A cena martelava em minha cabeça. senti-la me protegendo. Era estranha a forma que eu estava me sentindo após o que aconteceu antes de eu acordar. onde arrumou essa jóia? — Ele sorriu. – Vejo que está mais animada. eu não quero pensar nisso agora. nada poderia tirar-me do bom humor que eu estava. descendo os últimos degraus rapidamente deixando meu mordomo para trás.. — Chérry. Poderia eu chamar aquilo de sonho? Enfim. Apertei a jóia e meus lábios se contraíram em um leve sorriso. – Ele olhou para o relógio ansioso. — Leo? – Apressei-me. era como se eu pudesse senti-la comigo. começando a descer as escadas. Ao alcançar o hall da mansão. — falei. aconteceu algo? — Nada demais. — De qualquer forma. — Ah! — Sorri tentando disfarçar — É uma longa história.. — Puxei-o pelo braço. pude observar Leonard escorado na parede trajando seu habitual terno de negócios e com seus longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo.— Um pouco. Após isso. —Sem tempo? . Não até estar devidamente alimentada. pegando o pingente com a ponta dos dedos e me fazendo corar. agora estou sem tempo querida. Embora meu semblante aparentasse desinteresse.. vamos tomar um chá e eu te conto. — Sorri..

— Mas. Está certo? — Ok..— sussurrei ao mordomo enquanto lançava-me em direção à cozinha. E não se preocupe. — Sorri maliciosa — Preciso beber do meu alimento direto da fonte. minhas entranhas pediam por sangue fresco.. mas quem se importa? Eu havia vivido os últimos séculos sem toda aquela redoma de cristal em cima de mim e. afastou-se. não me preocuparia com isso agora. sim? Sorri-lhe e segui em direção à cozinha. Eu queria apenas meu café e iria atrás dele. — Não se preocupe. De certa forma eu estava empolgada. eu prometo. está bem? – sussurrou no meu ouvido carinhosamente e. – Assenti com a cabeça e ele beijou minha testa. eu quero que leve um humano jovem até o meu quarto.. Direto da fonte como o sangue do humano que me alimentaria logo. Continuei andando e encontrei algumas . já irei subir novamente.. mas mais tarde estarei de volta e conversaremos. – O mordomo dele surgiu descendo as escadas – Enfim. — Eu não sabia que você tinha negócios por aqui. eu estava apenas esperando meu mordomo pegar alguns papéis que esqueci. direto da fonte. no fim das contas.. agora eu tenho que ir Megan. não agora. milady. Suspirei.. Eu gostaria muito de ficar. não era a coisa mais adequada de uma nobre fazer. mas tenho negócios para resolver. — Will. eu não era como uma boneca delicada. despedindo-me dele. Apenas leve-o até lá. — Não se preocupe comigo. — Você nunca perguntou. Muito misterioso e enigmático para a postura costumeira dele. o membro do conselho chegará logo.. — Eu pego para a senhora milady. em seguida. Entretanto. Apenas preciso de um pouco de cafeína. não irei matálo. Acenei. Eu estava com fome.. Sorri deixando à mostra meus caninos. chamando William para próximo de mim. — Serei breve.—Na verdade. caminhando apressadamente junto ao seu mordomo até a porta. — Não precisa — interrompi-o — Apenas faça o que eu ordenei. Leonard estava estranho. por favor.

Fechei a porta e uma voz masculina suave chamou-me. ok? —segredei-lhe antes de adentrar meu cômodo. aproximando-me do rapaz. eu tinha que admitir. — Como quiser milady. seguindo pelo mesmo corredor de antes. — ele não conseguia formar nem uma frase só com essa investida? Eu segurei o riso. fazendo-o arrepiar-se. De qualquer forma. isso sim me dava pena. — Mas senhorita Megan. Sorri. Muito melhor do que assustado como um rato. — Vai ficar tudo bem. eu o preferia assim. Era a hora do prato principal do meu desjejum. Will havia se tornado um perfeito cãozinho. cabelos louros e olhos cor de mel escondidos debaixo das lentes de um óculos. Ele tinha tanto potencial. A cafeína parecia tão sem graça agora. Ele deveria estar guardando o local para que o humano não fugisse. — Aos poucos a face do mordomo estava voltando ao normal. mais intenso o perfume dela me abria o apetite. Subi as escadas novamente. ele não haveria de fugir. Quanto mais próxima eu ficava da refeição. ele tinha um bom gosto. Na verdade eu não prestei atenção em nenhuma palavra do que ele disse. O garoto deveria ter um pouco mais do que dezessete anos. Ah! O humano! Dei um último gole na xícara de café enquanto ele prosseguia falando. Sorri-lhe de volta como resposta. eu prometo ser breve. assim como seu semblante inexpressivo. — Serei breve. Humanos gostavam tanto de falar. eu.. que chato. eu estava apenas checando o que William me trouxera e. pedi a elas que trouxessem meu café e rapidamente eu já estava saboreando a maravilha que é a cafeína.criadas pelo caminho. então não saia daqui. — sussurrei ao pé do ouvido dele. . Pude ver William encostado em frente à porta do quarto em que eu estava. Dei mais um gole no café. Acenei para o mordomo se retirar da frente da porta e ele apenas assentiu com a cabeça..

— sorri e tomei as mãos do rapaz. — Aproxime-se. arrastando-o para próximo da cama. Não vou lhe machucar. — acrescentei enquanto minhas mãos deslizavam pela camisa desabotoando todos os botões facilmente. não fale nada. — ele hesitou. então. — Senhorita Megan. Humanos eram tão suscetíveis às influências... para encará-lo. Nenhum. sentando-me. — Eu já disse para não ter medo. As mãos dele tremiam e seu coração acelerou.. . isso. — silenciei-o acariciando seus lábios com um dos meus dedos. — Mas senhorita Lewis. Entretanto. Afastei-me dele e segui em direção a cama. Minhas mãos também eram tão menores e delicadas em comparação as dele. Virei a face dele somente para mim. eu tinha que inclinar minha cabeça um pouco pra cima. eu podia sentir que o fluxo do sangue dele estava mais intenso por causa disso.. mas as mãos dele interromperam minha ação no meio do caminho. — Nenhum problema mesmo. Isso não é correto. eu. Ele estremeceu e eu sorri. — Ele segurou minhas mãos firmemente. Ele era mais alto do que eu quando nós estávamos mais próximos. eu. não? — ele estacou e eu — ri.— Shhh. Tem algum problema com isso? Ele desviou o olhar do meu de uma forma adorável enquanto ajeitava a armação dos — óculos — em sua face... não tenha medo. — É a sua primeira vez.

Humanos que gostavam de falar demais eram cansativos. depois. Comecei beijando seu pescoço suavemente. . então sussurrei para que relaxasse e ele sorriu. — sussurrei ao pé do ouvido dele. Humanos são tão entediantes. pensando nisso desvencilheime facilmente do intento e silenciei-o novamente. Ele pareceu não se incomodar. fosse eu. de certa forma. deitando-me sobre o tórax desnudo dele. — Como é mesmo o seu nome? — Eu não havia prestado atenção quando ele — Não seja havia se apresentado. antes de continuar a retirar a camisa. Deitei-o sobre a cama e sorri ao humano. ainda não era a hora e ele. Disse a ele. Hesitei por alguns segundos enquanto amaldiçoava o filho da puta que havia me iludido e. — Meu nome é Brian Standage. mas após a terceira mordida.. vermelhos e famintos. —Você já está animado? — Apertei o pênis dele carinhosamente sobre o tecido e ele soltou um gemido baixinho. Eu era muito mais forte. Ele era um pouco magro e sem graça em comparação ao de James. Aquele desgraçado. me contive. Feito isso.. entretanto. — Brian Standage — ele falou envergonhado. — Pensei que quem falava o que é certo e o que é errado aqui. Os braços dele apertaram minha cintura. Brian parecia um pouco tenso. desci com minhas mãos pelo tórax. ele afastou-me com o pouco de força que ele tinha e em seguida gritou como todos da sua espécie faziam quando observavam dentro dos nossos olhos bestiais. Nossas bocas se encontraram e nos beijamos. Sorri maliciosa e ele corou. Brincar com os desejos humanos a essa altura era tão agradável. Acariciei o abdômen do louro e pude sentir ele se arrepiando com o meu toque. Se ele me atrapalhasse mais uma vez. juro que quebraria a promessa com William e o mataria no mesmo instante. ele não falaria mais nada. Miss Lewis. Brian. continuei desabotoando a camisa livre de empecilhos. em seguida subi em cima do seu abdômen. sutilmente. Não resisti e mordisquei-o. fui descendo até o sexo dele.. — acrescentou tão formal. sorvendo um pouco de sangue. Ele falava demais e isso estava começando a me irritar.. ainda coberto pelo tecido de uma calça Jeans. e. colando ainda mais nossos corpos.as minhas eram muito mais fortes. quase o mordi ali. A língua ferina dele buscava pela minha. era um brinquedinho interessante. A brincadeira estava começando a ficar interessante.

— Que porra é essa? Seus olhos... eles não eram azuis? — ele afastou-se de mim e eu ri, lambendo o filete de sangue que me escorria no canto da boca. — Dizem que eu sou um pouco mal educada nas refeições... — Ele me encarava um tanto assustado. — É que eu gosto de brincar com a comida. — Sorri deixando meus caninos à mostra.

Ele gritou e correu em direção a porta, eu ri pela última vez com o intento dele. A minha paciência já havia se esgotado. Andei até ele calmamente e joguei-o na cama da forma mais delicada que uma vampira com fome e impaciente poderia fazer.

— Shh... Não grite baby. — Segurei as mãos dele, imobilizando-o. — Sabe? O sangue dos virgens é o melhor... porque ele alimenta não só a nossa sede... — Lambi o pescoço dele no local onde eu iria mordê-lo. — Como também acalma a nossa besta interior. —mordi-o e ele gritou pedindo ajuda. — Maldição! Já não mandei calar a boca? Por que vocês têm que gritar tanto? — Ele pareceu não ter me ouvido, então logo o calei, dando-lhe meu beijo letal... ou quase isso. Eu não queria matá-lo no fim das contas, então apenas suguei-lhe mais um pouco de sangue e o fiz adormecer, utilizando um pouco do meu dom.

Terminada a refeição, joguei-me ao lado do corpo desmaiado do humano, sentindo o gosto do sangue descer pela minha garganta. Era tão agradável bebê-lo direto das veias, ele não perdia o calor e o sabor ainda era intacto. Duas batidas na porta de madeira antiga me fizeram levantar, deixando o humano desmaiado para trás. Eu gostava de ficar relaxando por um período de tempo após me alimentar, mas isso não aconteceria hoje. Afinal eu ainda tinha uma conversa com um membro do conselho e ter de lembrar isso fazia todo o sangue que eu havia ingerido se agitar. Merda! Eu não queria uma má digestão. Respirei fundo tentando acalmar a ansiedade que havia se instalado em mim. Ajeitei meus cabelos, que agora estavam completamente desalinhados, prendendo-os. Bati três vezes à porta e William a abriu para mim. — Ele chegou? — perguntei ao mordomo e ele assentiu. — Recebi a informação que o carro do conselheiro acabou de passar pelo portão da mansão.

— Uh — minhas pernas tremeram por um momento com a resposta direta do mordomo, havia chegado a hora — É melhor eu descer logo, certo? — sorri.

Ele assentiu com a cabeça. Era claro que eu tinha que descer logo, quem gostaria de deixar um membro do conselho esperando? Apliquei um pouco do meu perfume com essência de sândalo para diminuir o cheio de sangue fresco que eu emanava e sai do quarto, deixando para trás o mordomo e o corpo do garoto humano. Depois de ter dado três passos no corredor, pude ouvir que o mordomo apressou-se para me acompanhar. — Vai deixar o garoto lá? — perguntei desinteressada. — Eu devo acompanhar milady por agora, mandarei outros criados cuidarem do rapaz. — ele respondeu apreensivo, não parecia ser o que ele queria fazer. —O sangue dele tinha um gosto bom. — sorri provocante e umideci meus lábios lembrando do gosto saboroso; entretanto, o par de olhos do mordomo fitaram-me aborrecidos com o comentário, como se censurassem minha diversão, cessei o sorriso e voltei ao meu semblante sério — Algum problema, Will? — Nenhum, milady. — respondera automaticamente com um tom seco e até um pouco rude, embora ostentasse em sua face um sorriso doce que, obviamente, era forçado. — Por acaso está com ciúmes? — eu ri do embaraço dele. — Ciúmes? Como eu poderia ter ciúmes milady? Ele é um rapaz humano e eu um vampiro, não teria como sentir ciúmes dele... — ele atrapalhou-se enquanto tentava se justificar. — Shh... — eu sorri dando dois tapinhas de apoio no ombro do mordomo — O seu sangue também é bastante saboroso, não se preocupe... — sussurrei-lhe, mas não entendi quando ele demonstrou surpresa pelo o que eu disse. estava com Não era disso que ele ciúmes?

Já estávamos próximos as escadarias e eu pude ouvir o som da batida da porta do hall — seguida de um trovão. O céu estava desabando lá fora.

Depois

conversamos.

Falei a William quando desciamos os últimos degraus. Minha preocupação agora estava toda direcionada ao senhor que estava a poucos metros a minha frente, entregando o sobretudo ocre e o chapéu a um outro mordomo.

Beijos de sangue
Em toda sociedade há regras, estas leis é que fazem com que o mundo e os integrantes dessa sociedade consigam conviver sem haver conflitos entre qualquer espécie existente. Mas além dos olhos humanos, há uma sociedade secreta, seres que se alimentam de sangue e vivem da morte alheia: vampiros. Eles possuem suas próprias regras, seus próprios pecados e seus próprios deuses. Dentre todas as restrições que um vampiro deve ter que conviver, existem sete cláusulas imperdoáveis caso sejam quebradas. Sete pecados que podem condenar qualquer um ao pior dos infernos.

I – Matar semelhantes. II – Revelar a existência vampiresca e dos seres noturnos. III – Profanar o lar de um humano. IV – Transformar um humano sem permissão. V – Caçar humanos entre a aurora e o crepúsculo. VI – Traição. VII – Envolver-se com humanos.

Houve tolos que disseram uma vez que regras foram feitas para serem quebradas e há aqueles que ainda estão vivos tentando provar a veracidade destas palavras.

O luar prateado iluminava aquela noite impetuosa, as estrelas brilhavam igualmente belas, há tempos que lua e estrelas não sorriam de forma tão magnífica. Por dois longos meses mantive-me escondido em um casebre abandonado nos arredores de um cemitério em Hallstatt na Áustria. Caçadores de recompensas de todas as regiões venderiam suas almas para saber minha localização e de fato meu paradeiro é muito mais valioso que a alma desses trastes repugnantes. Desde a fuga da minha cidade natal na Romênia, quando fui acusado de cometer o assassinato de meu irmão, eu fui considerado um traidor entre meus semelhantes e a perseguição pela minha cabeça tornou-se o principal objetivo dos caçadores.

Meu nome estava entre os mais procurados, esconder-me e fugir constantemente era inevitável. Desde então estou sendo perseguido ferozmente e em constante mudança, mas esses malditos sempre me encontram... Apesar de que já estou até gostando, afinal ser um dos vampiros mais procurados do mundo não haveria a mínima graça se eles fossem mais estúpidos do que já são. O céu negro pairava sobre nossas cabeças e os únicos ruídos perceptíveis eram os passos descuidados daqueles bastardos e o a minha respiração, olhei para o céu mais uma vez questionando quanto tempo se passou desde o pôr do sol quando esse ‗fabuloso‘ joguinho de gato e rato começara.

– Estou começando a ficar entediado, estúpidos! – Gargalhei enquanto pousava depois de um salto ao lado de um caçador. – É tudo o que podem fazer? – Seu parceiro então atirou em minha direção, mas em um movimento ágil demais para a visão de um humano, usei o caçador ao meu lado como escudo. Eles ainda eram muito lentos. – Vai precisar se esforçar muito mais que isso para me acertar. – Segredei no ouvido do caçador com a arma enquanto ele fitava estático seu amigo cair com o tiro certeiro no peito, o sangue escorria para todos os lados. – Sente o cheiro de morte? É delicioso não é? – Sorri deixando a mostra meus caninos. – Anda bastardo, deixo você ir... Preciso que alguém conte como Vitor Strigoi está fora do alcance de vocês. – Virei gargalhando enquanto caminhava pacificamente pelas ruas tranqüilas de Hallstatt, mas o som de um tiro calou minha gargalhada. “Humanos, tsc. São tão estúpidos...” – Não vou deixar você escapar vampiro! – O caçador bradou em um tom pouco amigável, mas que tampouco me assustava. Séculos e mais séculos se passavam e os humanos continuavam os mesmos tolos... Como poderiam achar que com aquele poder ínfimo que tinham, conseguiriam vencer praticamente um Deus. Um imortal. – Acha mesmo que é páreo pra mim? – Girei meu corpo novamente para encarar o caçador e um sorriso sádico cortou os meus lábios... – Posso ter errado duas vezes, mas a terceira é definitiva. – Humanos, eram todos iguais... As mesmas frases de efeito tempo após tempo. Será que não conseguem evoluir? Entediantes. – Então prove. Atire. – Disse enquanto caminhava em sua direção. – Se a terceira é definitiva, me mate agora e prove-me que você está certo. – Parei a um palmo da arma que mirava em cheio meu abdômen, de perto aquele humano era ainda mais baixo do que

– Você sabia que o sangue dos caçadores é sempre mais cítrico? – Sorri de forma maliciosa quando observei o horror estampado em cada célula do corpo do homem...Então parece que esse é o fim. Com uma das mãos. . levantei minha presa facilmente...Andei vagarosamente em sua direção. A adrenalina do medo dava com toda certeza um sabor especial ao liquido escarlate. Tão previsíveis. O homem estava paralisado de medo. mas agora para mim nada mais importava. Aterrorizá-lo era divertido.. pedindo involuntariamente para ser provado. Um monstro sedento por sangue. Meu lado animal havia devorado minha parte humana e piedosa. . – Coloquei uma das mãos sobre meu abdômen onde a bala perfurara sem sentir dor alguma. mas seus dedos não. ora. Enfim atirou acertandome em cheio. A caça agora era o caçador. – O que foi? Você tem medo? – Com minha velocidade superior consegui alcançá-lo facilmente. o homem corria desesperado. – Ora. Abaixei-me para observá-lo mais de perto. trazendo-a para próximo dos meus caninos afiados.Mas não se preocupe. a bala perfurou minha pele alva. caindo no chão provavelmente rezando para qualquer deus que acreditasse salvasse sua alma antes de eu a tomá-la através do sangue que vertia freneticamente nas veias.. O homem desesperado tombou para trás. – Já acabou? – Mostrei os caninos em um sorriso perverso. não é menos saboroso por causa disso. – Umedeci meus lábios .. agora só havia restado o monstro. – Pensei que a terceira vez fosse definitiva. o sangue de uma pessoa com medo era de fato muito mais saboroso do que de uma pessoa tranqüila. – O homem em desespero disparou até as balas acabarem e novamente as feridas tinham se cicatrizado.. rapidamente o buraco fechou-se e a ferida cicatrizou-se..parecia ser.. – Está com medo? – Meus olhos mudaram dos esmeraldas para os escarlates. Os olhos assustados do pequeno homem poderiam me comover se fosse há alguns séculos atrás. .

– Arremessei-o então na parede. -Se eu te encontrar novamente não lhe deixarei escapar.. Humanos quando assustados pareciam ter tendências a urinar..... Mas não pude continuar o ato. Mais uns doze caçadores vinham em meu encalce. Caminhei cautelosamente até o cemitério onde eu estava vivendo. utilizei curando-me dos ferimentos da arma.. era um vilarejo pequeno.. Meus caninos estavam prontos para perfurar a pele do caçador. tão entediantes. exibindo meu desejo por aquele líquido escarlate. enquanto outros cinco entravam e saiam de onde eu estava habitando. – Ergui-o no ar pelo colarinho. Saí o mais rápido possível dali.. como se aquilo fosse livrá-los de algo. o maldito havia pedido ajuda horas antes e ela estava chegando.. Meus olhos vertiam a mesma cor do sangue. tão previsíveis. Merda! – Você teve sorte dessa vez. O sorriso repleto de escárnio ainda estava emplastado em minha face quando fitei dois homens de guarda em frente ao cemitério. grande parte da energia que absorvi... humanos eram sempre iguais não importa quantos séculos passem. eu já estava praticamente acostumado.lembrando o gosto saboroso do sangue. mas um cheiro azedo atravessou-me as narinas. impedindo-me de morder o homem rapidamente. O caçador medroso havia se urinado nas calças devido ao terror que sofrera. Hallstatt era um bom local para se viver independentemente de ser um vampiro. Urina. quando eu sou o soberano. Isso de certo não me impediria. Diverti-me ao lembrar a cara assustada do caçador que tentara me capturar. . O sangue estava escasso. as ruelas e becos de iluminação precária eram excelentes para me esconder dos bastardos que me caçavam de forma imprudente justamente durante a noite. Pobres coitados.. eles sempre seriam inferiores. Entretanto não poderia ficar em evidência. foi o único lugar que eu pude chamar de ‗lar‘. E nos últimos dois meses. Eu ainda estava faminto e não poderia ficar lutando a noite inteira. Pude ouvir os ossos estalarem com a violência do choque do corpo com as pedras que ornamentavam o muro. um humano ou um caçador. visando a veia que pulsava o delicioso alimento.

pelo menos por aquele dia. era a última vez que eu ia àquele lugar. Estava na hora de procurar outro. não seria agora que teria alguém morando lá. Eu também não deveria estranhar. Esse com toda certeza não era um fim digno para mim. esqueceram de me avisar. este era o quinto que eu consultava e era o quarto que alegava minha loucura e insistia em dizer que eu deveria consultar um psiquiatra e talvez eu realmente devesse. esperei e esperei. Não era o método mais adequado para se procurar e. a falta de energia poderia ser suprida por algumas horas de sono longe do sol. Não era muito bonita e muitos menos luxuosa. após meses naquela pequena cidade aprendi a conhecer cada local como a palma de minha mão. foi exatamente desta maneira que eu vivi minha vida. fazendo a porta rangente abrir deixando-me adentrar na mais perfeita escuridão do meu novo lar. Quantas seriam necessárias? Questionei-me e segui em frente como sempre fazia. mas pelo menos estava completamente vedada. chegasse ao meu objetivo e por todo o momento eu esperei. Para onde eu iria? Bem.. Esperei para simplesmente nada. Sempre busquei dar o meu melhor para que. Faltava-me sangue e energia para combatê-los. O Solitudo. Nada. Suspirei. Desde que eu cheguei à cidade a casa estava vaga. solo beatitudo Correndo para atingir o inalcançável..– Malditos! – Praguejei-os. não é? Sorri enquanto seguia para a minha mais nova morada temporária e menos de alguns minutos eu já estava em frente a ela. Uma vez. logo o maldito sol apareceria e se eu permanecesse exposto a ele logo desmancharia em cinzas.. mas meus escarlates fitaram a torre da igreja. . Forcei a fechadura levemente e ela logo cedeu. Pensei até em arriscar. um deles milagrosamente falou-me que eu era uma pessoa normal. não é? Meus planos nunca deram certo mesmo. Entreguei o dinheiro da consulta a secretária do meu psicanalista daquela semana. talvez. O relógio anunciava o fim da madrugada. eu devia ir para casa e procurar outro psicanalista ou psicólogo na internet ou na lista. a luz solar não me incomodaria ali. Próximo do cemitério havia uma vila com uma casa para alugar. eles não fossem os melhores. A fadiga estava começando a tomar conta do meu ser. Ou se deram. mas não pude fazer nada.. isso havia me reconfortado por um tempo e eu pretendia continuar indo a ele se três dias depois eu não descobrisse que ele havia cometido suicídio porque estava louco. Desisti de combatê-los esta noite. Eu estava fora de mais uma clinica mais outra vez. certamente não eram. enfim.

Fechei a porta e as janelas assim que entrei. Levantei e me dirigi para o computador. não me permito voltar a lugar algum. um humano. para viver em paz. Mas nenhum deles sequer permaneceu em mim. ou melhor. Mas o dever me chamava. pagá-los para conversar comigo. Em minha vida eu não pretendo ter um lugar para voltar. isso deve me fazer louca aos olhos dos outros. se conseguissem perceber que qualquer tipo de vida deveria ser respeitado. Talvez observar o mundo com um olhar crítico seja a loucura dos lúcidos.. Se ao menos não fossem tão corruptos em seus valores. acho que todos deviam morrer. Era melhor e mais ético.. nenhum deles pôde entender o que eu sentia. Será todos ao meu redor conseguiam sentir todo asco que eles emitem para mim? Odeio humanos. Qualquer um. isso assuste aqueles que conseguem conviver nessa sociedade medíocre e hipócrita em que vivemos.. Talvez eu apenas seja isso. Eu apenas me libertei. mas aos meus eu sou apenas lúcida. Coloquei a chave na fechadura e abri a porta para o meu mundo. Ele costumava ser bem persuasivo quando queria.. eu precisava de outro psicanalista. odeio admitir que eu pertença a esta espécie. Então tudo o que eu posso fazer é apenas seguir em frente. onde eu poderia ser apenas eu. e todos tentaram me colocar rédeas. Sobre meus sonhos até ali. eu não quero voltar. o sofá chamava-me de volta e eu quase cedi. De certa forma eu preferia assim. era um dos poucos momentos em que eu podia conversar com alguém. eu fujo aos padrões. Eu não queria que qualquer coisa do mundo fora do meu adentrasse e destruísse tudo o que eu construí para a minha paz. Isso me lembra regredir. Nenhum conseguiu e ninguém conseguiria. uma pessoa fora dos padrões e... Quem nasceu pra voar não permanecerá atado a alguém que tem seus pés presos no chão. Será que a liberdade é errada? As pessoas sempre me evitavam quando eu caminhava pelas ruas. Apesar de quase todos me chamarem de louca. se ao menos não destruíssem a vida por uma quantia barata. Homens e mulheres que passaram pela minha vida e sentiram minha paixão. Todos os poucos relacionamentos que tive. Mas como não são. Peguei meu maço de cigarros e escolhi o .Todos os que me julgavam louca concordavam em um ponto único: até para uma louca. Eu pensei sobre minha vida até ali. Joguei-me no sofá e ouvi apenas o silêncio de tudo. não sei se minha aura transmite o que eu penso. Não aceitar certos conceitos que a sociedade alega serem os corretos seja errado.

. Minhas habilidades de ludibriar sempre foram boas e com o tempo só se aperfeiçoaram. Eu não havia feito nada de errado? Havia? Apenas puni uma ladra. dois. Sempre desprezei as pessoas em geral. Um sorriso contornou . por alguns segundos lembrei-me da minha infância. é mais real. quando era mais nova. o isqueiro estava muito longe e eu estava com preguiça de pegar. A dor alheia não me afetava.. Minha justiça. Coloquei na boca e fiquei com ele apagado por alguns minutos. nem a minha própria dor. A professora não acreditou muito em mim quando eu disse que foi sem querer. talvez por isso.. eu fui crescendo e fui vendo como as leis não passavam de piadas. para falar a verdade. da próxima vez ela não me pegaria. dei mais um gole na cerveja e mais uma tragada no cigarro e fiquei mirando o teto azulado da minha sala.. eu me rendi e fui atrás dele. uma menina havia roubado uma borracha minha. Acendi o cigarro e apanhei uma garrafa de cerveja na geladeira. Eu nunca sentiria remorso por aquilo e nem por outras coisas que fiz. talvez porque meu pai sempre espancava a mim eminha mãe quando voltava bêbado.. Voltei para o computador e imprimi o endereço do próximo psicanalista que eu iria me consultar e ser chamada de louca mais uma vez. Lembrei-me de uma vez. pura besteira. forcei-a a dizer onde ela havia colocado.. talvez de uma forma pior. assim que peguei a borracha novamente grampeei a mão dela com o grampeador da professora. três goles de cerveja. Assim. depois que ela revelou-me o seu ato. Realmente não havia sido.. Se o mundo inteiro mentia para mim porque eu não poderia mentir de volta para eles? Mais um. Se eu pudesse faria tudo novamente. O desejo do vício falava mais alto que a preguiça. a justiça não era mais válida. de certo modo. Sorri cínica. Só porque desprezo a nossa sociedade hipócrita e todas as leis feitas por pessoas mais hipócritas ainda? Joguei o papel com o endereço na mesinha de centro da sala e me atirei no sofá novamente.. Traguei mais uma vez e cuspi a fumaça. Mas depois acabou entendendo o meu ponto de vista ‗inocente‘ e não mandou um recado para meus pais. Arranquei a tampa e bebi no gargalo mesmo. e seria mesmo. Eu prometi que seria mais cuidadosa. Passado cinco minutos. Por isso eu costumava fugir muito de casa. eu detestava os homens e como minha mãe também permitia tudo aquilo logo eu passei odiar a ela também. Se todos eram indiferentes. foi em uma dessas fugas que conheci a bebida e o cigarro.sétimo começando a contar da última fileira como sempre fazia. por que eu deveria me importar? Eu até me acostumei com ela. Fiz apenas justiça. Todos alegavam que eu possuía certas características de transtorno de personalidade anti-social.

por agora. nada mais me importava. Na manhã seguinte eu estaria conhecendo o meu mais novo amigo semanal.... – Espero que eu me divirta dessa vez.. quando terminasse aquele cigarro ligaria para o novo psicanalista. Larguei a binga de cigarro no cinzeiro.os meus lábios e eu traguei o cigarro mais algumas vezes até ele terminar. assoprei a fumaça e a vi desaparecendo no ar. Repeti o processo de escolha e peguei outro no maço. Acendi-o e traguei mais uma vez. Apanhei o telefone próximo ao sofá e disquei o número. .

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