ANO IV

O CONSOLADOR
AGOSTO/2012

Nº 40

Boletim Informativo do Centro Espírita "A Casa do Consolador Prometido" Fundado em 24 de julho de 1994 - CNPJ 00300740/0001-43-Filiado a Federação Espírita do RGS Sede Prov.: Rua 14 - Quadra 09, Casa 07 - Núcleo Habit. Fdo. Ferrari - Camobi - Sta Maria – RS
Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste? “Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa.(1) Há alguns pais que conseguem passar para seus filhos a esperança de Cristo e a educação espiritual nas linhas do Evangelho de Jesus Cristo. Deus usa as criaturas para a ascensão dos próprios filhos. Qual a finalidade da família? É o crescimento das almas, rompendo barreiras e alcançando a vida em estado de graça, na luz do amor. Os pais que não cuidam de seus descendentes se encontram cegos e surdos à voz da consciência em Deus. Não se pode descuidar da disciplina, desde mesmo a gestação. Por que não conversar com o recém-chegado do mundo espiritual? O corpo está se formando, mas o Espírito já se encontra ao lado, vivendo a formação do seu fardo físico e, por vezes, ajudando os seus futuros pais, dependendo da sua condição evolutiva. Se for um Espírito menos esclarecido lembremo-nos do que disse Jesus: São os doentes que precisam de médico. Lembremo-nos de Jesus, quando disse: - Eu e meu Pai somos Um. Nesse sentido, o filho e a mãe são um, na unidade de vida, um sorvendo os sentimentos do outro, com equilíbrio ou desequilíbrio, de conformidade com os alimentos mentais das referidas trocas. Imaginemos a responsabilidade dos pais em questão! Aproveitemos o tempo, começando pela oração, reformando os pensamentos no lar e em cada um que pertence ao lar, porque o recém-chegado se encontra assimilando tudo o que os familiares pensam e sentem, principalmente a mãe, a futura mãe. Cada vício ou hábito dos genitores impreguinará os sentimentos do filho, e pode se desenvolver, se esse não tem uma formação elevada adquirida em outras vidas. Cada virtude vivenciada no seio da família é semente de luz que se planta no coração dos filhos, por amor, e que se multiplica em favor do agricultor. Pois é dando que se recebe. O pai deve franquear as boas maneiras todos os dias, pensando, falando e vivendo, para que a luz de Deus ilumine a cidade de seu coração, para que a missão que ombreia ante a consciência e Deus seja bem cumprida, e que, quando voltar ao mundo de origem, as suas mãos levem os frutos de todos os seus esforços, cumulando a paz em sua consciência. Mesmo que custe bem caro, a vida no bem, em favor dos filhos, representa esperança e bem-estar para os trabalhadores. Se na Terra não existe felicidade, ela existe mais adiante, e as suas raízes devem ser fincadas no mundo onde ora viveis. A influência dos pais ante os filhos é uma realidade. Se, mesmo com os bons exemplos, alguns deles continuarem fora do padrão em que se vive, não esmoreçamos; adiante eles aprenderão e, como nada se perde, o bem é mais duradouro, senão eterno - embora possa dormir dentro da alma - algum dia nascerá, com todo o seu fulgor de vida, e quem o plantou, receberá o perfume da paz daquilo que fez. Do plantio de luz, nascerá a claridade de estrelas. Felizes os filhos que adquirem qualidades morais semelhantes às dos pais, e muito mais felizes aqueles que os ajudam a ampliar a conduta em Cristo. Simpatizemos com o bem, na ardidura do amor, para que esse amor nos ilumine por dentro, a mostrar igualmente por fora o céu que despertou em nós, mostrando Deus e Cristo para os que nos acompanham.(2) 1- Livro dos Espíritos, pergunta 208. 2- Comentários: Obra Filosofia Espírita, Vol. V – Médium João Nunes Maia - Espírito Miramez

EDITORIAL “Um Centro Espírita pequeno e modesto – como na maioria o são – atrai as pessoas realmente interessadas no conhecimento doutrinário, cria um ambiente de fraternidade ativa em que as discriminações sociais e culturais desaparecem no entrelaçamento de todos os seus componentes, considerados como colaboradores necessários de uma obra única e concreta. Os Centros oriundos de grupos familiares mostram-se mais coesos e mais abertos conservando e seiva fraterna de sua origem. É esse o clima de que necessitam os trabalhos doutrinários. O Centro Espírita significa uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística, no Centro Espírita. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.” (1) Compromissados com “A Casa do Consolador Prometido”, trabalhadores na seara de Jesus, sigamos sempre destemidos sabendo que a boa semente lançada no coração dos homens com carinho e dedicação cedo ou tarde germinará. Ontem estávamos sedentos deste conhecimento libertador e que hoje, mesmo diante do pouco que amealhamos, possamos distribuir humildemente esta água que dessedenta conforme Jesus esclareceu a mulher samaritana: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.”(2)
1- Extraído do Livro O Centro Espírita de J. Herculano Pires 2- Evangelho de João, capitulo 4; versículo 14

Realizou-se em julho/2012 uma confraternização dos Grupos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Carinho e consideração foram os sentimentos reinantes no encontro de alegre convívio. Que estes sentimentos sejam nossos norteadores nas tarefas de busca da iluminação espiritual que almejamos, amparados pelo Evangelho de Jesus, Amado Mestre.

Escola, pais e filhos: os desafios dos novos tempos
Abel Sidney* A desatenção dos pais em relação aos filhos tem provocado problemas de toda ordem. Um desses problemas está na sobrecarga que as escolas sofrem por conta disso. A escola, na verdade, tem sido umas das instituições que mais tem sofrido com os desajustes da família. Todos os professores têm algumas histórias nada edificantes para contar sobre este tema. A gravidade do assunto é preocupação de Juan Carlos Tedesco, do educador argentino(1). Ele dedicou parte de sua obra "O Novo Pacto Educativo" ao que denominou de "déficit de socialização dos alunos"(2). Em outras palavras, a família, primeira instituição socializadora, não está cumprindo o seu papel, que é o de fazer as crianças assimilarem as regras e valores básicos, necessários à convivência social. Resumindo, elas não têm aprendido a "se comportar", a ter "bons hábitos", a "respeitar o direito dos irmãos e colegas", etc. Conheçamos em breves linhas as idéias deste autor, em sua entrevista concedida à revista Nova Escola: "... nas últimas décadas (...) no mundo todo, a família vem perdendo sua capacidade de oferecer essa socialização primária, em muitos casos pela ausência da figura paterna; ou porque a imagem paterna muda duas ou três vezes ao longo da infância. Além disso, a criança hoje se incorpora cada vez mais cedo a instituições diferentes da família, como pré-escolas e creches ou mesmo alguém que cuida dela para que a mãe trabalhe. Esses adultos são menos importantes que os pais, do ponto de vista afetivo. Por isso, a primeira socialização está se realizando sem tanta carga afetiva, como no passado. Não se pode simplesmente transmitir conhecimentos se a socialização primária, embutida de valores e afetos importantes, não está completa. Isso tem reflexos no desempenho dos professores e no próprio desenho da instituição escolar". (grifo nosso)

A nova escola que surge a partir de então passa a incorporar também o papel da família, cabendo à escola, que ele denominou de total, inclusive "a tarefa de formação da personalidade". Diante deste grave quadro, envolvendo duas instituições fundamentais na formação de nossas crianças - a família e a escola, que reflexões o legado da Doutrina Espírita nos pode proporcionar? O que nos diz os espíritos a este respeito? Em resumo, nós e nossos filhos somos espíritos. Vivemos tantas existências quantas sejam necessárias à nossa elevação intelecto-moral. O papel dos pais, neste processo, é o de educar os filhos, espíritos que retornam para mais uma experiência na carne. Nem sempre o que parece evidente, no entanto, se traduz em ações reais em nossa vida cotidiana... Por isso, a tarefa de educar os filhos, própria da família, dos pais, mesmo entre pais espíritas, tem sido relegada a segundo plano, transferida para a escola e os professores. Para melhor nos situarmos, recorramos, pois ao Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XIV, item 9, mensagem intitulada A ingratidão dos filhos e os laços de família (Kardec, 1996, p. 239), na qual Santo Agostinho nos alerta: "...quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro". (grifos nossos) É responsabilidade clara dos pais estes cuidados, que envolvem a segurança, a alimentação, a proteção enfim da criança, e a educação, que conforme Kardec deve prestar-se à formação de caracteres. O Livro dos Espíritos, na questão 208, também elucida esta questão. Kardec pergunta aos espíritos sobre a influência dos pais sobre os filhos, após o nascimento destes. Depois de destacar que "grande influência exercem", é dito que "os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa". A resposta é finalizada com uma grave advertência: "Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho". (grifos nossos) Vamos expor agora em tópicos outros elementos que demonstram a complexidade deste problema: Os pais desejam educar da melhor forma os seus filhos. Os pais espíritas, aqueles que buscam a orientação da Doutrina Espírita para as suas vidas, têm consciência do seu papel e se esforçam para exercê-lo bem, no mais das vezes; no entanto, não basta desejar, é necessário que se crie condições reais para que isto aconteça. Isto é, o tempo e o espaço da convivência familiar deve estar plenamente preenchido com este objetivo. Em outras palavras, o nosso lar, no pouco tempo que nos sobra para estarmos juntos, deve transformar-se em verdadeira escola da alma. É no espaço de convivência familiar que vai se forjar a citada "socialização primária", com seus valores, regras e a necessária carga afetiva, muito importante para a capacidade de aprendizado das crianças. Os pais desejam encaminhar os seus filhos profissionalmente. E aqui está um dos grandes problemas do nosso tempo: a excessiva atenção aos aspectos meramente cognitivos da aprendizagem dos filhos, como se apenas o desenvolvimento da inteligência os preparasse para a conquista do "futuro emprego" ou do "status social" com que sonhamos para ele. Daí a desmesurada atenção às ditas escolas boas e fortes, em que eles deverão se tornar competitivos no mercado de trabalho um dia... Curiosamente, o próprio mercado de trabalho trata de nos livrar destas ilusões ao apontar outros fatores determinantes no perfil de um bom profissional: um bom quociente emocional, que evidentemente não nasce apenas dos exercícios do raciocínio e da memória, não se aprende, enfim, nos bancos escolares, mas principalmente nas esferas de relações familiares, onde se inclui a convivência entre pais e filhos... Diante deste quadro, devemos nos sentir alerta para as nossas responsabilidades diante dos filhos, para que estes, como nossas cartas vivas, possam dar um dia, o melhor testemunho ao mundo do que puderam aprender conosco... Por isso, é sempre necessário e urgente voltarmos para casa. Não à toa as campanhas em prol da família se sucedem no movimento espírita e em outras religiões. "Família, aperte este laço" foi o mote da campanha promovida pela USE alguns anos atrás, com o seu convite direto e sugestivo. Laços afetivos apertados, convivência reforçada, problemas com possibilidades de serem solucionados. Diante do tempo sempre escasso para uma "vida em família", segundo os moldes antigos, a qualidade do tempo que dedicarmos aos nossos é que poderá marcá-los definitivamente. Para tanto é preciso redefinir nossa escala de valores e responder à simples, porém difícil questão: "o que tem sido mais importante em nossas vidas?" Notas :
1. Diretor do escritório regional de Buenos Aires do Instituto Internacional de Planejamento da Educação, órgão da Unesco que discute novos rumos à educação. 2. Socialização é o processo pelo qual o indivíduo, no decorrer de sua convivência social, assimila as regras, normas e valores das instituições e grupos que o cercam, tornando possível sua integração, adequação à sociedade. 3. Para Kardec, conforme consta nos comentários à questão 685 de O Livro dos Espíritos, a educação "...consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos." (destaques do original)

Referências: Nova Escola, Edição Nº 156, Outubro 2002. Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112ª ed. Brasília: FEB, 1996. Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 76ª ed. Brasília: FEB, 1995. * Abel Sidney é professor e colabora no movimento espírita de Porto Velho/RO.

EXPOSIÇÕES DOUTRINÁRIAS - AGOSTO / 2012

DIA
01 08 15 22 29

TEMA
O sono e os sonhos Honrai a vosso pai e a vossa mãe A missão dos espíritas Bem aventurados os que são misericordiosos “Amando nossas crianças, Amamos nosso Mestre”

EXPOSITOR
Luis Gustavo Rodrigues Nei Bastos Cosme Raissa Silva Éder Vasconcelos Sheila Kcourek

CONVITE CONVITE CONVITE CONVITE CONVITE
Estudo Sistematizado da Dout.Espirita Segunda-feira Curso de Introdução à Dout. Espírita Curso/Oficina de Tricô Fornecemos gratuitamente todo o material necessário Exposição Doutrinaria (palestra) Evangelização Infanto-Juvenil Terça-feira Quarta-feira Sábado 20:00/21:00 hs 14:00/16:00 hs. 20:00 hs 14:00/15:00 hs.

Uma década após Chico Xavier Há dez anos, partia para o mundo espiritual o médium espírita Francisco Cândido Xavier. Com a idade de 92 anos, dos quais 75 anos dedicados a tarefas espíritas, Chico Xavier completou uma existência de dedicação ao bem. Nas duas cidades em que residiu fundou centros espíritas e empreendeu inúmeras tarefas de assistência à população carente e ao diuturno atendimento espiritual às pessoas que o procuravam sedentas de consolo, esclarecimento e orientação espiritual, inclusive, milhares de famílias, carregando a dor da perda de familiares, dando origem às chamadas cartas familiares e centenas delas foram agrupadas em livros. Pela sua psicografia -, Chico Xavier foi intermediário para a elaboração de 450 livros, sendo autores ou coautores milhares de espíritos. Neste mês de julho transcorrem efemérides significativas relacionadas com a vida de Chico Xavier e com a história do Espiritismo. No dia 8 de julho completa-se os 85 anos da primeira psicografia do então jovem médium, pois contava apenas 17 anos de idade. No mesmo mês, transcorrem aniversários de lançamentos de duas importantes obras psicográficas: 80 anos da obra inaugural “Parnaso de Além Túmulo” e 70 anos do romance histórico “Paulo e Estêvão”. Este seu primeiro livro, poemas de conhecidos autores portugueses e brasileiros, suscitou manifestações favoráveis de membros da Academia Brasileira de Letras e da imprensa da época. O Conselho Espírita Internacional tem editado livros mediúnicos de Chico Xavier em sete idiomas. A Federação Espírita Brasileira tem promovido o seminário alusivo à sua obra prima: “Os trabalhadores espíritas e os primeiros cristãos, à luz da obra Paulo e Estêvão“, pelo país e em sua sede. A vida e obra de Chico Xavier tem sido transformada em filmes e uma nova película será lançada no dia 31 de agosto, em cinemas de todo o Brasil: “E A Vida Continua…” É baseado no livro de mesmo título, de autoria do Espírito André Luiz. Aliás, o livro citado já foi adaptado para novela – “A Viagem”, exibida duas vezes, pela antiga TV Tupi e pela TV Globo. Chico Xavier, mesmo com toda a projeção de sua mediunidade e de sua obra, sempre se manteve simples, humilde, atencioso e desprendido. No ano de 1977, quando se comemorava os 50 anos de seus labores mediúnicos ele declarou em uma das entrevistas: “Sou sempre um Chico Xavier lutando para criar um Chico Xavier renovado em Jesus e, pelo que vejo, está muito longe de aparecer como espero e preciso…” (Perri de Carvalho, Chico Xavier – O homem e a obra. São Paulo: Ed. USE, 1997). Uma década após sua desencarnação Chico Xavier é uma referência nacional, como exemplo de dedicação ao esclarecimento espiritual, ao bem e à paz. Antonio Cesar Perri de Carvalho – Vice-presidente da Federação Esp. Brasileira Fonte: www.febnet.org.br/Coluna Espírita

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