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NARRATIVA AUDIOVISUAL ADAPTADA PARA MULTIPLATAFORMAS É POSSÍVEL?

Guilherme Theisen Schneider 1

RESUMO Este artigo científico aborda a possibilidade de adaptação de narrativas audiovisuais para multiplataformas. Reflete acerca das formas de narrar histórias em audiovisuais, que se adaptem às mídias móveis, internet, televisão e cinema, sem perder seu entendimento. Por caracterizar-se como um artigo de revisão, o mesmo foi concebido através de pesquisa bibliográfica restrita a livros, artigos científicos já existentes e sites relacionados ao tema proposto. Entre os autores pesquisados, destacam-se Isa Beatriz, Jodeilson Martins, Lynn Alves, Cosette Castro, Cristiana Freitas, Eduardo Leone, Maria Dora Mourão, Ana Laura M. S. Azevedo e Carlos Gerbase. Concluiu-se que, apesar das distintas formas de se contar histórias e da crescente popularização de dispositivos de transmissão que possibilitam múltiplas narrativas, as novas opções de acesso a conteúdos, principalmente televisivos, ainda são restritas. Além disso, com todas as alternativas de consumo, a preocupação o entendimento da história contada (linguagem que a constitui), deve permear todo o processo de desenvolvimento desses conteúdos midiáticos.

Palavras-chave: Narrativa. Multiplataformas. Tecnologia. Conteúdo. Linguagem.

AUDIOVISUAL NARRATIVE ADAPTED FOR MULTIPLATAFORMS IS POSSIBLE?

ABSTRACT This research paper discusses the possibility of adaptation to audiovisual narratives for multiplataforms. It reflects on the ways of narrate in audiovisual media suited to mobile, internet, television and film, without losing your understanding. This paper is a type of review article, it was designed through literature search restricted to books, papers and existing sites related to the theme. Among the authors surveyed stand out Isa Beatriz Martins Jodeilson, Lynn Ahmed, Cosette Castro, Christiana Freitas, Eduardo Leone, Maria Dora Mourao, Ana Laura M. S. Azevedo and Carlos Gerbase. It was concluded that, despite the different ways of telling stories and the growing popularity of transmitting devices that allow multiple

1 Graduado em Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda – pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Marketing – Ênfase em Administração de Vendas – pela Universidade Feevale. Professor dos cursos de graduação em Jogos Digitais, Design e Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda – da Universidade Feevale. E-mail:

gtschneider@gmail.com

narratives, new options for accessing content, especially television, are still restricted. Also, with all the alternatives of consumption, concern the understanding of the story (language that is), should permeate the whole development process in these media content.

Keywords: Narrative. Multiplataforms. Technology. Content. Language.

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento tecnológico trouxe um cenário sem precedentes para o meio

audiovisual. O acesso à informação, a renovação dos meios digitais e a revolução nas

transmissões estão trazendo não somente uma nova forma de se manter informado, mas uma

nova realidade quanto ao modo como se narram histórias, jogos, filmes, pois os mesmos estão

acessíveis em todos os meios.

A acessibilidade do audiovisual em outros meios fora da televisão e do cinema

através da convergência tecnológica de dispositivos e de acesso à internet trouxe também uma

preocupação. A forma como se contam histórias na televisão, no cinema ou até mesmo em

meios impressos é compreendida da maneira que o autor deseja? Dessa maneira, este artigo

busca pesquisar as formas de narrar histórias em audiovisuais, mas que se adaptem às mídias

móveis, internet, televisão e cinema, sem perder seu entendimento. A maior dificuldade, nesse

ponto, é descobrir se alguma informação que é contada na história, dependendo do suporte

que a pessoa utilize, está sendo entendida da mesma forma que eu outros suportes com perfis

diferentes de consumo.

O desenvolvimento deste trabalho se baseia na pesquisa bibliográfica realizada em

livros, artigos científicos e sites relacionados ao tema proposto. Com base nisso, abordar-se-á

a narrativa em novas tecnologias, como jogos digitais, por exemplo, com foco no audiovisual

na TV digital, que está ainda em processo de experimentação e não usufrui os recursos

tecnológicos para que a narrativa audiovisual possa ser apresentada diferentemente do modo

como é feito hoje na TV e no cinema. Dessa maneira, pode-se dizer que este estudo será

introdutório à utilização de narrativas e multiplataformas e poderá localizar o leitor em novas

tecnologias de mídia e seus perfis de uso.

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Narrativa: suas definições e sua utilização

Para conceituar narrativa, antes, é preciso definir o que é narrar. Conforme Beatriz, Martins e Alves (2009, p. 8), “etimologicamente, a palavra narrar nos remete para o termo narro, verbo derivado de gnarus, que significa: conhecer, saber de algo”. Dessa forma, o termo vindo do Latim tem o sentido de levar ao conhecimento, contar algo ou dizer para alguém.

Diante da definição da palavra narrar, é possível descrever o significado do termo narrativa como a arte de contar histórias, não necessariamente toda a história. Pode-se, ainda, colocar que os avanços tecnológicos apresentam oportunidades de experimentação em narrativas porque, conforme Castro e Freitas (2010, p. 4), “uma narrativa é posterior ao acontecimento, e pode ser transcrita pela palavra, por sistemas visuais e sonoros, pela literatura, teatro, cinema, televisão, jogos e outros”. Por mais que tenham sua sequência alterada, as relações dos personagens, o contexto e os conflitos continuam contextualizados e o espectador poderá interagir com as etapas fora de sequência, mas deverá passar por todas partes.

2 O suporte para a narrativa

O suporte ou os meios que serão utilizados para veicular a narrativa podem trazer outras percepções com relação aos produtos audiovisuais. Alguns autores colocam que essas novas percepções são obtidas através de um meio que, inicialmente, não foi levado em consideração no momento da produção, como, por exemplo, um filme de cinema visualizado na tela do smartphone, ou a partida de futebol com transmissão HD e 3D que é feita em uma sessão em sala de cinema. Apóia-se, isso, ao conceito de Leone e Mourão (1987, p. 15), quando argumentam que:

Se no decorrer do tempo o cinema consolidou suas originais possibilidades narrativas, a televisão, o vídeo e a multimídia absorveram esses conhecimentos e deles se valem para criar novas possibilidades e metodologias na construção dos discursos audiovisuais e dos discursos em hipertexto. Todas as mídias, debaixo do manto da edição, acabam se encontrando nas estruturas de dramatização, pois o trabalho de articulação produz o discurso com seus tempos e seus espaços.

O meio para o qual se destina o produto audiovisual na sua produção tem características que levam o perfil de consumo do mesmo. Dessa forma, novas produções podem entregar um produto com características diferentes para cada mídia, tais como alguns sites, que são exibidos tanto em sua forma integral, mobile e para tablets. O conteúdo é exibido conforme uma série de características de leitura do perfil do usuário do meio.

3 As consequências dos diversos meios na narrativa

A narrativa audiovisual tem avançado junto com a evolução dos meios e com novas

tecnologias que surgem para facilitar o acesso ao audiovisual. Esse avanço contribui para que

o modo como são contadas as histórias também tenham novas características, que são fundamentais para o consumo da mídia em novos dispositivos ou de novas formas de transmissão. Conforme as autoras Castro e Freitas (2010, p. 3),

Com o avanço dos meios digitais temos a oportunidade de desenvolver conteúdos com múltiplas narrativas, histórias paralelas e inter-relacionadas, que o homem busca há tempos na elaboração do próprio olhar, na construção de uma visão pessoal da história.

Por consequência disso, o consumidor passa a ter acesso a novas formas de narrativa. Novas tecnologias possuem maneiras de consumo diferentes das mídias analógicas. Portanto, um roteiro de cinema pode ter uma evolução da sua trama de forma não linear, ou ainda pode ter um ritmo na narrativa mais rápido que o tradicional em certas cenas, o que propõe que um tipo de público de vídeos e internet pode assimilar de forma positiva, por ter a referência dessa linguagem no seu dia a dia. Contudo, vale ressaltar que conforme alguns estudos, como Azevedo (2006, p. 1), “a introdução das tecnologias digitais no audiovisual e os hibridismos dentre os setores desta área ainda estão em seu início e não há como saber com certeza o que virá pela frente”. Mas

os novos recursos que são desenvolvidos e empregados em aparelhos, sinalizam caminhos que novos meios podem se adaptar a narrativas antigas, ou ainda pegar diversas características

de meios tradicionais e digitais para a formação de novas fórmulas de contar histórias.

Todos os avanços tecnológicos para o consumo dessas histórias não garantem o entendimento da narrativa em suportes multiplataformas. Atualmente, se o audiovisual é exibido na internet e tem seu conteúdo delimitado a um perfil de utilização dos sites de vídeo,

esse conteúdo, supostamente, deverá estar subdimencionado, caso seja exibido no cinema.

Essa diferença na quantidade de informação, na maneira como o conteúdo é exibido e o modo como o consumidor tem o contato com os meios diferentes é um desafio para a adequação de múltiplas linguagens para um produto que seja maleável a todos os meios de exibição.

4 Convergência de narrativas na produção audiovisual e TV digital

Os novos meios digitais estão influenciando a produção de narrativas audiovisuais de meios mais antigos, tais como a televisão e o cinema. Essa influência fica mais evidente quando são comparados produtos audiovisuais produzidos antes da popularização dos sites de vídeo ou ainda na acessibilidade de câmeras de vídeos. Assim como aconteceu com a televisão que utilizou técnicas do cinema e do rádio no início da produção. Alguns anos mais tarde concretizou o desenvolvimento da sua linguagem própria e características de narrativa particulares, que, hoje, são reconhecidos por linguagem televisiva. Dessa mesma maneira estamos em um processo de implantação de um novo sistema de televisão, com recursos interativos, de alta definição de imagem e acessível em dispositivos móveis. Esse sistema, que possui incentivo do governo e que é originado de um sistema japonês que promete uma nova linguagem para a televisão graças a novos recursos, está passando por problemas, os quais vão desde linguagens mais novas até custos de sua implantação. “Contudo, não são apenas os modos de produção que mudam com a entrada das mídias digitais convergentes. O que muda é o olhar do público frente aos novos meios e a possibilidade de sair da condição de receptor e tornar-se produtor de conteúdo audiovisual” (CASTRO, 2008, p. 19). A narrativa audiovisual específica para TV digital tem sua linguagem baseada no cinema, pois, em várias características técnicas, o novo sistema se assemelha a ele. Contudo, a interatividade e a transmissão com recursos extras oriundos de outras tecnologias que utilizam a internet como canal de retorno estão sendo incorporadas a sistemas híbridos de TV digital, o que traz mais recursos para novos tipos de narrativa. A nova função dos aparelhos de TV mais modernos, que acessam a internet e possuem aplicativos para utilização na grande tela, apresenta recursos que poderão alterar o perfil de consumo e ainda evoluir as narrativas que estarão disponíveis com sua utilização, embora, hoje, possam estar pouco adaptados ao uso nativo da televisão. Porém, a audiência ainda baixa para a alta definição e a interatividade são fatores decisivos para o sucesso do novo sistema. Somente com aparelhos de TV com preços

acessíveis e uma abrangência realmente massiva desse sinal digital será possível trazer um

novo modo de consumir o produto televisivo no Brasil.

5 Conclusão

A evolução das formas de contar histórias e a popularização de novos dispositivos de

transmissão promovem possibilidades múltiplas de narrativas e ainda possibilitam que o

espectador possa alterar o seu modo de assimilação. A mesma história pode ganhar formas

diferentes de sequência dos fatos, no caso de interatividade. Ainda será possível obter

informações extras do conteúdo visto e esse conteúdo adicional deverá agregar mais

informações à narrativa.

Essas novas opções de conteúdo televisivo ainda estão no campo da experimentação

por parte das emissoras. Seus custos são altos, a distribuição de sinal com interatividade ainda

é restrita e os aparelhos disponíveis no mercado no ano de 2012 não comportam a

possibilidade dessas escolhas.

Com as alternativas de consumo do conteúdo midiático em vários dispositivos, a

preocupação do autor, do realizador e do distribuidor do conteúdo audiovisual com relação ao

entendimento da história fica evidente. A busca por fórmulas para uma adaptação da história

para cada tipo de exibição será fonte de inúmeros estudos no futuro, mas a evolução das

possibilidades não param. Dessa maneira, o que hoje pode parecer adequado a um tipo de

linguagem, amanhã, com o avanço tecnológico, pode não cumprir com pré-requisitos da

narrativa. Para o professor Damasceno Ferreira (apud GERBASE, 2001, p. 98), os diferentes

meios podem trazer diferentes percepções dos produtos audiovisuais, mas não alteram a

essência, a estrutura da linguagem que os constitui.

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