Análise das vulnerabilidades femininas para a infecção pelo HIV/Aids

Maria Cristina B. de Sousa
Wanderley de Paula Junior
Universidade Católica de Goiás

Maria do Rosário C. Rocha
Hospital de Doenças Tropicais

Goiânia, 2006.

1 Análise das vulnerabilidades femininas para a infecção pelo HIV/Aids

Maria Cristina B. de Sousa

Artigo apresentado ao Centro de Estudos, Pesquisa e Prática Psicológica do Departamento de Psicologia da Universidade Católica de Goiás como requisito parcial para a obtenção do grau de Psicólogo. Campo de estágio:

______________________________________________________ Prof. Wanderley de Paula Junior Supervisor de Estágio ______________________________________________________ Dr. Membro da Banca ______________________________________________________ Dr. Membro da Banca Data da Avaliação________________________________________ Nota Final ______________________________________________

e mais de 25 milhões de pessoas já morreram vitimadas pela doença (DATASUS. Entre os fatores de . O risco da transmissão aumenta com a prática do sexo anal. ocorrendo tanto nas relações heterossexuais como nas homossexuais. Em 1982 reconheceu-se o início de uma epidemia definida como Síndrome da Imuno-deficiência Adquirida. os primeiros casos de Aids foram identificados em 1982. A transmissão do vírus HIV pode ocorrer durante as relações sexuais com pessoa infectada pelo vírus HIV. No Brasil. Já a transmissão aos Usuários de Drogas Injetáveis (UDI). na presença de DSTs e nas relações sexuais durante o período menstrual (Schechter e Maragoni.2007). medo e de preconceito analisadas por Daniel e Parker (1991) no contexto do que esses autores denominaram de a “terceira epidemia” (Citado por Sanches.2 Análise das vulnerabilidades femininas para a infecção pelo HIV/Aids Os caminhos da Aids Nestes mais de 25 anos de epidemia da Aids 65 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus HIV (vírus da imunodeficiência adquirida). na presença de ulceras genitais. foram diagnosticados. a transmissão nas relações sexuais é bidirecional. Diante dessa constatação amplamente divulgada pelos meios de comunicação. Ao final da década de 70 foi identificada uma infecção que foi tida como Doença Sexualmente Transmissível (DST) que contaminaria somente os homossexuais. 1994). provocando atitudes de discriminação. se dá pela exposição parenteral ao material contaminado. No inicio dos anos 80 o número de pessoas contaminadas parecia duplicar a cada seis meses. 1999). quando sete pacientes masculinos com práticas homo-bissexuais. a sociedade brasileira construiu núcleos de resistências sociais e culturais. como as agulhas.

3 risco de infecção. como a “doença do outro” (Daniel. 1989. A detecção de HIV nos tecidos fetais e o isolamento desse vírus no sangue do cordão umbilical são evidências sugestivas de que pode ocorrer transmissão in útero. essa situação está mudando. as pessoas ditas “normais” não teriam com o que se preocupar. outros “grupos de risco” que vem mobilizando a comunidade científica e a opinião pública: o da “população geral” e dentro dele as mulheres. sua ocorrência está aumentando em centros urbanos menores e. Caracterizar a construção do “outro” e as condições associadas a esta construção no grupo feminino tem sido objeto de alguns estudos. Sendo assim. Análises sobre as alterações . com a visão da Aids como sendo a “doença do outro” foram surgindo. (Bennett. citado por Sanches. ou através da amamentação. 1993. geograficamente. o uso de drogas em “bocas de fumo” e o fato de morar em uma comunidade com elevada prevalência de infecção pelo HIV nos UDI.1999). mais afastados. a duração do uso de drogas injetável. Segundo Barbosa.São Paulo. a Aids continuou a ser relacionada com a prática homossexual masculina. Mesmo com o passar do tempo e o reconhecimento dos mecanismos de transmissão. (org). há a freqüência de compartilhamento de agulhas. E com relação à transmissão vertical ocorre da mulher para o seu feto ou recém-nascido durante a gravidez ou no parto. uma vez que paralelamente à expansão da epidemia no eixo Rio . Tanto em nível científico quanto popular. com as pessoas promíscuas e de hábitos não aceitos pela sociedade. a Aids no Brasil não tem sido tratada somente como uma doença de homossexuais e “marginais”. na maioria das vezes a transmissão se dá durante o parto. G. porém estudos recentes sugerem que. mas também e principalmente. com o tempo. Nos primeiros anos da epidemia no Brasil os casos de Aids estavam restritos à região Sudeste. 2001).

há um esvaziamento desse papel e isso pode levar a uma desestruturação de suas famílias. 1999).4:1 em 2006. 2007). que não traduzem a real magnitude do problema. as mulheres ainda assumem culturalmente o papel de “agregadoras e cuidadoras” dos núcleos familiares. dada a defasagem temporal entre infecção e a doença (DATASUS. Se considerarmos que nos dias de hoje. .4 das características socio-econômicas dos casos de Aids notificados à Coordenação Nacional de DST/AIDS. o crescimento da aids entre mulheres tem e terá um grande impacto social que vai além das implicações dessa epidemia para a população feminina em si. que em 1984 era de 18:1. diminuiu para 1. apontam para uma incidência crescente de casos novos da doença em pessoas pertencentes a estratos socioeconômicos mais pobres. embora ainda basicamente concentradas em regiões urbanas (Sanches. A distribuição dos casos por sexo indica uma tendência de crescimento da epidemia na população feminina. como a escolaridade. A diminuição dessa razão é um indicador do crescimento da transmissão entre as mulheres.9:1 em 1998 e para 1. Os dados aqui analisados sobre a epidemia pelo HIV/Aids baseiam-se nos casos notificados da doença. Segundo a OMS. A razão homem:mulher. o que indica um processo de feminização da Aids. onde são infectadas principalmente através da relação sexual com homens bissexuais e UDI. com o seu adoecimento ou morte. Esses dados indicam que a evolução da epidemia vem se caracterizando entre nós por um processo de pauperização somado à já descrita interiorização.

2002). tal como a relação de poder entre os gêneros (Bandeira. que além de atingir o estado biológico. aponta para a dimensão das relações sociais do feminino e do masculino (Bock & Sayão. A questão da infecção esbarra em questões culturais e ideológicas que dizem respeito ao papel da mulher perante a família e a sociedade. As questões de gênero feminino e masculino estão impregnadas na sociedade. protetor da família. a natureza. onde passa a atribuir a ambos. faz surgir aspectos conflituosos das relações humanas. legitimada. 1996). é impossível não falar nas diferenças entre os gêneros masculino e feminino. os papéis específicos com relação à sexualidade (Barbosa & Villela. portanto. (Saldanha. Sexo é atributo biológico. a maternidade e doméstico. A noção de gênero. 2003). concentradora. não sendo essas . a distinção entre masculino e feminino se dá a partir de uma valoração hierárquica.5 A Aids e as relações de Gênero A Aids coloca homens e mulheres diante da incomoda situação de perda e reestruturação de valores ainda não completamente estabelecidos. já o gênero é cultural. a do sexo masculino tem sua identidade assentada na esfera pública. de provedor. portanto. o conceito de gênero indicaria a elaboração cultural da diferença sexual. Na sociedade brasileira a definição de sexo feminino é tradicionalmente referida a condição biológica e associada à esfera familiar da reprodução e. homens e mulheres são construtos sociais. Para Villela (1996). Quando se fala em feminização da Aids. nos deparamos com fenômenos sociais perturbadores. O sexo diz respeito ao biológico. A diferença biológica é apenas o ponto de partida para a construção social do que é ser homem ou ser mulher. enquanto gênero é uma construção social e histórica. 1999).

obediências e desigualdades. Esta multiplicidade de papeis e a ênfase na sua função de “cuidadora”. valores e representações. Nessa direção. práticas. a educação dos filhos e a administração da casa são percebidos como não produtivos. como relações de poder. terminam por fazer com que negligenciem os cuidados com a sua saúde. Em nossa sociedade o trabalho doméstico da mulher “comum”. os papeis sexuais que os mesmos exercem estão delimitados pelo gênero. onde um influencia o outro. esposas.6 diferenças simétricas ou complementares. 2003). não sendo possível esta separação. negociações. Não há como se separar o biológico do cultural os dois estão estabelecidos de forma dinâmica. A atividade remunerada pode significar mais autonomia e poder de decisão para a mulher. e o mesmo pode ser exercido desde que não interfira em suas funções no lar (Saldanha. Estas diferenças existentes dentro dos gêneros dizem respeito às formas de se comportarem. A perspectiva de gênero permite entender as relações sociais entre homens e mulheres. comportamentos. Como o gênero feminino atribui à mulher uma série de papeis sociais: mães. o que pressupõe mudanças e permanências. 1995). são marcadas por hierarquias. alianças. imagens. tensões. reconstrução de elementos simbólicos. Quando um indivíduo se identifica como homem ou mulher. o repertório possível de alternativas a serem elaboradas na constituição do si mesmo já está delimitado. Porém. profissionais. tanto homens quanto mulheres. além dos elementos . através da manutenção dos poderes masculinos ou na luta das mulheres pala ampliação e busca do poder (Scott. Estão presentes os conflitos. este trabalho remunerado é visto como algo secundário diante da função de doméstica. normas. pode-se lembrar que a noção de gênero inclui. entre outros. desconstruções. filhas. As relações de gênero.

inclusive de si próprias” (Saldanha. ou seja. mas sintomas característicos da infecção pelo HIV. Segundo Sanches (1999). os códigos normativos para a prevenção. são diagnosticados erroneamente em mulheres. o diagnóstico e a assistência foram criados com base na população masculina e agora sendo somente adaptados para população feminina. como perda de peso. não é apenas a descoberta de uma doença. 1998). A Infecção pelo HIV nas Mulheres “O momento do diagnóstico soropositivo para o HIV. a doença já esta em um estado avançado ou muitas vezes morrem antes de receber o mesmo (Takahashi et al. insônia e falta de ar. 110). E um momento de perdas. são diagnosticados com freqüência como sintomas psicológicos. quando diagnosticadas. As mulheres com diagnóstico de uma DST estão mais propensas a estarem infectadas com o vírus HIV. é a perda de tudo. é a vivência por antecipação da doença significando a destruição dos seus vínculos. como os homens foram os primeiros a se infectarem com o HIV. que normalmente são atribuídas pela sociedade do sexo (Bandeira. a solidão. 1999). a vigilância. as características individuais de homens e mulheres. que depende . sociais e afetivos. a situação se agrava pelo fato de uma das soluções proposta para a prevenção ser o uso de preservativos. As mulheres freqüentam mais o sistema de saúde. Essa questão prejudica tanto o diagnóstico precoce como o tratamento dessas mulheres. a exclusão. O preservativo masculino ou feminino são os únicos capazes de impedir o contágio com as DSTs e com o vírus HIV (Sanches.7 sociais e culturais. 2003. Para algumas. inapetência. Pela sua anatomia a mulher tem maior probabilidade de se infectar com o vírus HIV. a morte. p. 1999).

que em 1985 representavam 50% e em 1992. Segundo Barbosa & Vilella (1996). Outro fator complicador é a gestação na presença de uma infecção pelo HIV. que torna-se ainda mais preocupante. fariam com que a mulher ficasse despreocupada com a sua proteção. com implicações importantes para a educação em saúde. pois a preocupação maior das mulheres é com a gravidez. . As mulheres que fazem laqueadura e tem um parceiro fixo. freqüentemente. sem uso de preservativo. pela probabilidade de infecção do concepto. A partir de 1985 verificou-se uma queda dos casos entre as mulheres com nível superior. As mesmas acreditam que a relação monogâmica já é um método de prevenção. Para Barbosa e Villela (1998). Vulnerabilidade e Risco Nos países onde o HIV se propaga principalmente por meio da relação heterossexual. 7%. a relação sexual com penetração vaginal. Em 1986 a população feminina infectada era de 31% e em 1992 era de 67%. mesmo admitindo a possibilidade dos parceiros manterem relacionamentos extraconjugais. as donas de casa são as mais atingidas pelo vírus. O conceito de risco é um dos mais complexos da epidemiologia. pouco a ver com o risco real. é o principal comportamento de risco. o uso de métodos contraceptivos que não o preservativo.8 fundamentalmente da concordância do parceiro masculino. A noção que cada pessoa tem acerca do risco a que está exposta tem. não fazem o uso do preservativo em suas relações sexuais. O contrário pode ser observado na população com o primeiro grau incompleto.

Muitas pessoas que não usam preservativos com seus parceiros regulares poderão fazê-lo em um encontro casual. Ao insistir (ou simplesmente pedir) para que seus parceiros usem o preservativo.9 Mesmo aqueles que sabem bastante sobre HIV/Aids e sobre a importância de adotar medidas de proteção. Um dos problemas mais críticos para as mulheres em relação à prevenção é a negociação com o parceiro do uso de métodos de sexo seguro. mais difícil é para ela “pedir” ao parceiro que use o preservativo. mas também suporte financeiro. Se. A idéia de que as práticas sexuais são negociadas não é um conceito novo. ao lado de desigualdades nas relações de gênero nas esferas sociais e econômicas (menor acesso da mulher à educação e empregos. responsabilizou-a pela contracepção. por outro lado. algumas mulheres receiam estar colocando em risco a sua relação amorosa ou mesmo perder seu parceiro. por um lado. A existência de uma assimetria de poder nas relações entre homens e mulheres. que independem da capacidade de negociação da mulher. baixos salários e dupla jornada de . Quanto menor poder de barganha tem a mulher. o uso de anticoncepcionais orais possibilitou à mulher o exercício mais livre de sua sexualidade e o direito de decidir quando e quantos filhos desejavam ter. já que predominantemente. o uso de preservativos nas últimas décadas foi extremamente limitado. os métodos de barreira. Nas últimas três décadas. foram aos poucos sendo abandonados. Com o advento do contraceptivo oral nos anos 60. Perdendo seus parceiros elas podem estar não somente abrindo mão de uma relação que lhes dá status e apoio emocional. admitem que nem sempre tomam as devidas precauções. interferiu negativamente no processo de negociação sexual com o seu parceiro. inúmeras pesquisas foram implementadas com o objetivo de produzir contraceptivos eficazes. Com isso. O uso de métodos contraceptivos é um exemplo disso.

cotado em Sanches. a social e a programática. Este conceito aponta para um conjunto de fatores. entre outras formas de discriminação se combinam para formar situações de extrema vulnerabilidade (Villela & Diniz. estimulando a formulação de propostas de enfrentamento que extrapolem o âmbito das ações sobre o indivíduo. A vulnerabilidade individual . é preciso considerar para além das diferenças individuais. 1999). escolaridade. Nessa perspectiva. são também. quando somadas a outras desigualdades. 1998). de níveis e magnitudes distintos. A vulnerabilidade de gênero possibilita a abordagem dos comportamentos individuais na perspectiva de identificar fatores que a determinam. acesso à renda. como a pobreza ou a discriminação por razões étnicas ou de preferências sexuais. A análise da vulnerabilidade à infecção pelo HIV desenvolvida por Mann e Tarantola e Netter (1992. A vulnerabilidade da mulher ao HIV é em grande parte determinada pelas questões do gênero. que devem ser contemplados no planejamento das intervenções preventivas. aborda três dimensões: a vulnerabilidade individual. cuja interação amplia ou reduz as possibilidades de uma pessoa se infectar com o HIV. preferência sexual. Ainda assim. Gênero. 1994. situação sócio-econômica. status de cidadania. definidores de variados graus ou tipos de vulnerabilidades. pois outros atributos. destacando-se entre eles raça. origem étnica.10 trabalho) acabam determinando uma situação de extrema vulnerabilidade feminina à epidemia (Parker. Vulnerabilidade é um conceito que vem sendo utilizado desde o início dos anos 90 na reflexão e elaboração de ações preventivas em HIV/Aids.1999). de acordo com Herrera e Campero (2000). citado em Sanches. os comportamentos individuais de maior ou menor exposição ao risco são considerados em relação a um conjunto mais amplo de determinantes.

Os esforços para diminuir a vulnerabilidade programática envolvem principalmente a viabilidade e acessibilidade à esses três componentes. para a redução da vulnerabilidade à infecção pelo HIV. através da . influenciam a capacidade de reduzir a vulnerabilidade pessoal ao HIV. como a habilidade de negociar práticas de sexo seguro e saber usar o preservativo. mas também nos momentos subseqüentes. percepção de risco e atitudes em relação a esse possível risco. A vulnerabilidade programática é definida através dos três principais elementos de prevenção identificados pela OMS: 1) informação e educação. Os fatores comportamentais podem ser analisados dentro de duas categorias: 1) características pessoais.11 envolve tanto a dimensão cognitiva quanto a comportamental. relações de gênero. como estrutura governamental. 2) serviços sociais e de saúde. implementados e avaliados. A vulnerabilidade Programática diz respeito às contribuições dos programas de HIV/Aids na redução da vulnerabilidade pessoal e social. quanto a vulnerabilidade ao impacto socioeconômico provocado pela Aids. sexualidade. os fatores cognitivos estão relacionados ao acesso às informações necessárias sobre HIV-Aids. A vulnerabilidade social inclui tanto a vulnerabilidade à doença. 3) não discriminação das pessoas portadoras de HIV/Aids. tanto diretamente quanto mediada através dos programas. e 2) habilidades pessoais. atitudes em relação à sexualidade. crenças religiosas e pobreza. A análise da vulnerabilidade reconhece que grandes temas contextuais. Vale ressaltar que a vulnerabilidade não se dá somente no aspecto de maior viabilidade de transmissão. o que incluem desenvolvimento emocional. e à rede de serviços. e o processo através do qual esses elementos são desenhados. O conceito de vulnerabilidade social é construído a partir da premissa de que os fatores sociais têm uma forte influência tanto na vulnerabilidade pessoal quanto na programática. sua qualidade e conteúdo.

12 manutenção dos riscos no momento dos relacionamentos. continuam vulneráveis ao HIV. 2003). sexualidade. Ou seja. . podendo ser reinfectados (Saldanha. vida profissional. constituição familiar e coesão dos mesmos. possibilitando a reinfecção. os indivíduos que continuam tendo comportamentos de risco. Objetivos Este artigo tem por objetivo caracterizar os fatores que tornam as mulheres tão vulneráveis a contaminação pelo o vírus HIV. Buscando analisar através da caracterização sócio-econômica e demográfica. vida conjugal e informações que tinha antes e após o diagnóstico.

O Grupo de Adesão tem como . vida profissional. fichários. visando obter dados sobre: caracterização sócio-econômica e demográfica. impressora. Canetas e papel para rascunho. Sendo o Grupo de Adesão um setor do Hospital. sexualidade. atendimento aos familiares. Computador. oficinas de sexo seguro e encaminhamento aos diversos setores do Hospital e serviços da rede de saúde. de idade e tempo de diagnóstico indeterminados.13 Método Participantes 30 pacientes do sexo feminino. dentro de uma visão holística do homem.). Materiais Sala contendo mesa. que realizam grupos de orientação. Nele o portador conta com a assistência de uma equipe multidisciplinar. vida conjugal e informações que tinha antes e após o diagnóstico. e que sejam atendidas no Grupo de Adesão do Hospital considerado referência para o HIV/Aids no Estado de Goiás. cartuchos. papel A-4 e questionário (em anexo). cadeiras. cujo objetivo é atender pessoas portadoras do HIV/Aids e seus familiares. será aplicado em pacientes que vierem ao grupo adesão e que estiverem fazendo tratamento para HIV/Aids. constituição familiar e coesão dos mesmos. armário. Procedimento O questionário (vide anexono. consultas de adesão. ar condicionado.

assegurando o sigilo das informações que serão obtidas. programas como: Prevenir para a vida – Curso para gestantes. orientar.14 objetivo. O Grupo de Adesão propõe estimular a solidariedade entre os participantes. . ajudar a compartilhar vivências. orientar sobre a importância do tratamento. inclusão Digital – Curso de Informática e cidadania para adolescentes e adultos. dar oportunidade para que tomem consciência dos seus direitos enquanto cidadãos e seres humanos. que sejam portadores do vírus HIV. sensibilizar e conscientizar os pacientes em relação aos seus conteúdos internos. aconselhar. No primeiro momento será esclarecido o objetivo da pesquisa. bem como dar condições para que estes possam elaborar de forma mais saudável seu diagnóstico. de acordo com os preceitos éticos que envolvem pesquisas com seres humanos. familiares ou cuidadores de pacientes HIV positivo. cujo objetivo e auxiliar o paciente no resgate da sua qualidade de vida. Assim como acolher. promover a integração do paciente com a comunidade e instituição. amenizar seu sofrimento. possibilitar trocas de experiências e buscar estratégias para aumentar a adesão aos esquemas de tratamento. Há também no Grupo.

42% das participantes se denominam do lar. 25% aposentadas.15 Resultados A Figura 1 apresenta a faixa etária das participantes. 25% de 36 a 45 anos e 17% de 46 a 53 anos. 45% solteiras. 41% de 26 a 35 anos. quanto a escolaridade 58% das participantes tem nível primário. 58% residem na capital e 42% residem no interior (Figura 5). a Figura 2 mostra que 33% são amasiadas. 17% 17% 13 a 25 26 a 35 36 a 45 46 a 53 41% 25% Figura 1. onde 17% tinham de 13 a 25 anos. 11% 11% 33% Amasiada Solteira Divorciada Separada 45% Figura 2. . 33% moram de aluguel. 8% estudantes e 8% diaristas (Figura 4). 50% moram em casa própria. Faixa etária das participantes. 17% moram em casa cedida por familiares (Figura 6). 25% ensino fundamental e 17% ensino médio (Figura 3). Estado civil das participantes. 11% divorciadas e 11% separadas. 17% costureiras ou bordadeiras.

Fundamental 25% 58% Ens.16 17% Primário Ens. Médio Figura 3. . Do Lar Aposentada 42% Estudante costureira/bordadeira 25% diarista 8% 17% 8% Figura 4. 42% 58% Capital Interior Figura 5. Escolaridade das participantes. Profissão das participantes. Local de residência.

17% não gostava e achavam que estavam imunes a infecção pelo vírus e 17% não usaram porque o parceiro não queria. 34% disseram que o relacionamento com a mãe é bom em 50% dos casos o pai é ausente. Tabela 1. o que equivale a 75%. 67% delas disseram saber que pegava o HIV no contato sexual. 59% acreditam que se contaminaram através do parceiro sexual. 33% delas tivera de 1 a2 parceiros sexuais até o recebimento do diagnóstico. Relacionamento familiar. Em 42% tinham relações de forma eventual. 67% tiveram a primeira relação sexual entre 11 e 15 anos. Tabela 2. Relac. História da vida sexual. Idade da 1ª relação sexual 11 a 15 16 a 23 nº de parceiros ate o diagnóstico 1a2 4a7 8 a 10 Acima de 20 Freq.17 17% 33% aluguel própria cedida 50% Figura 6. bom ou ausente. Na Tabela 1 pode-se observar que 42% das participantes disseram que seu relacionamento familiar é conflituoso. Quanto ao uso do preservativo 41% delas disseram não usar porque confiavam no parceiro. Das rel. sexuais Eventual Acima de 5x/semana 2x/semana 1x/semana prazer nas relações 67% 33% 33% 17% 25% 25% 42% 33% 17% 8% SIM NÃO ÀS VEZES 58% 17% 25% Na Tabela 3 consta as informações que as participantes tinham antes do diagnóstico. 25% não tinham informação sobre o uso. e 33% disseram não ter nenhuma informação. com os filhos 41% disseram ser bom. em 51% dos casos o relacionamento com os irmãos é bom e 25% têm relacionamento com as irmãs ruim. 58% disseram ter prazer nas relações sexuais. . Tipo de moradia. Familiar CONFLITUOSO REGULAR BOM ÓTIMO 42% BOM 33% RUIM 17% REGULAR 8% ÓTIMO Mãe 34% BOM 8% RUIM Pai 17% BOM Irmãos 8% RUIM 25% REGULAR 50% AUSENTE NÃO TEM Irmãs 25% RUIM 51% REGULAR 8% BOM 8% AUSENTE 8% ÓTIMO 25% BOM Filhos 41% 17% 25% 17% 17% ÓTIMO 25% REGULAR 25% NÃO TEM 8% 33% ÓTIMO 25% AUSENTE A Tabela 2 apresenta os resultados sobre a vida sexual das participantes.

75% delas disseram que o parceiro saia com outras mulheres. Tempo de diagnóstico e como souberam de sua soropositividade para o HIV. as formas de contágio e sobre situações de risco para a infecção pelo HIV. Informações que tinha antes do diagnóstico. motivo do não uso do preservativo e modo como se contaminou com o HIV. Tabela 5. em 42% dos casos o companheiro era usuário de drogas. em 50% dos casos elas tinha de 1 a 3 anos de diagnóstico e nos outros 50% tinham acima de 3 anos de diagnóstico. Informações sobre o parceiro na época da infecção. 92% tinham parceiro fixo na época da infecção. em 50% dos casos fizeram os exames porque ficaram doentes.I. Tinha parceiro fixo na época Parceiro saia com outras mulheres Usuário de drogas SIM 92% SIM 75% SIM 42% NÃO 8% NÃO 25% NÃO 58% A Tabela 5 apresenta dados sobre o tempo de diagnóstico. em 42% nos exames de pré-natal e 8% em doação de sangue. Tempo de diagnóstico Como soube que era HIV positivo 1 a 3 anos 50% doação de sangue 8% maior que 3 anos 50% pré-natal 42% fiquei doente 50% Nas questões (do questionário) onde foram investigadas as informações que adquiriram após o diagnóstico sobre HIV/Aids. O que você sabia sobre HIV Porque não usou o preservativo Pegava na rel. E dados sobre como foram diagnosticadas.18 Tabela 3.D. Não houve relato de nenhuma participante de relacionamento do parceiro com homens. todas demonstraram ter informações corretas e sobre HIV/Aids e suas formas de contágio e identificaram corretamente as situações de risco. sexual 67% Não gostava/se achava imune 17% Não tinha nenhuma informação 33% Confiava no parceiro 41% Não tinha informação 25% O parceiro não queria 17% Como acha que se infectou Não sabe 17% Parceiro sexual 59% Dentista 8% Transfusão de sangue 8% U. . Tabela 4. 8% A Tabela 4 apresenta informações sobre o parceiro na época da infecção.

Estes dados confirmam o que diz Sanches. que depende fundamentalmente da concordância do parceiro masculino.1999). geograficamente. o que demonstra que não há prevenção ou meios que estimulem a prevenção e nenhum cuidado específico com as mulheres no sistema de saúde. pouco a ver com o risco real. nos exames de pré-natal (42%) ou na doação de sangue (8%).1999). (Sanches. freqüentemente. interiorização e feminização. pouco a ver com o risco real. Mesmo aqueles que sabem bastante sobre HIV/Aids e sobre a importância de adotar medidas de proteção. As mesmas acreditam que a relação monogâmica já é um método de prevenção. inapetência. e quando questionadas sobre a profissão 42% se denominaram do lar.19 Discussão Segundo Sanches (1999). Mesmo aqueles que sabem bastante sobre HIV/Aids e sobre a importância de adotar medidas de proteção. Esses dados indicam que a evolução da epidemia vem se caracterizando entre nós por um processo de pauperização somado à já descrita interiorização. mesmo admitindo a possibilidade dos parceiros manterem relacionamentos extraconjugais. mais afastados. 75% delas admitiram que o parceiro mantivesse relacionamento com outras mulheres. os dados mostram que o sistema de saúde é falho na prevenção e os . Segundo Barbosa e Vilella (1996). Das participantes 92% delas tinham parceiro fixo na época do diagnóstico. ou ficaram doentes (50%). mas sintomas característicos da infecção pelo HIV são diagnosticados erroneamente em mulheres. Com base nos resultados observa-se que em nenhum dos casos as participantes o exame HIV por prevenção. No Brasil os casos de Aids tem sua ocorrência aumentada em centros urbanos menores e. As mulheres freqüentam mais o sistema de saúde. destas 41% não usavam o preservativo porque confiavam no parceiro e 59% acreditam que a contaminação veio através da relação sexual. Como mostrado nos resultados 67% das mulheres sabiam que o HIV era transmitido através do contato sexual e mesmo assim não se preveniram. A noção que cada pessoa tem acerca do risco a que está exposta tem. apontam para uma incidência crescente de casos novos da doença em pessoas pertencentes a estratos socioeconômicos mais pobres. o que mostra que mesmo sabendo do risco se expuseram ao vetor de contaminação. 1994. as donas de casa são as mais atingidas pelo vírus. Segundo Barbosa e Vilella (1996). O que confirma o que diz Barbosa e Vilella (1996). Os dados referentes ao local de residência mostram que 42% destas mulheres infectadas residem no interior. embora ainda basicamente concentradas em regiões urbanas. insônia e falta de ar. não fazem o uso do preservativo em suas relações sexuais. admitem que nem sempre tomam as devidas precauções. freqüentemente. a situação se agrava pelo fato de uma das soluções proposta para a prevenção ser o uso de preservativos. as mulheres que fazem laqueadura e tem um parceiro fixo. 1999. citado em Sanches. Análises sobre as alterações das características socioeconômicas dos casos de Aids notificados como a escolaridade. como perda de peso. Elas tem baixa escolaridade e baixo nível socioeconômico. são diagnosticados com freqüência como sintomas psicológicos. quanto à escolaridade 58% das participantes possuem apenas o nível primário. Como o processo já descrito anteriormente de pauperização. A noção que cada pessoa tem acerca do risco a que está exposta tem. admitem que nem sempre tomam as devidas precauções (Parker.

. que estão intrínsecos em nossa cultura. O objetivo deste trabalho foi caracterizar os fatores que tornam as mulheres tão vulneráveis a contaminação pelo o vírus HIV. que atribuem à mulher um papel passivo e submisso ao homem (Saldanha. pois a infecção pelo HIV agora faz parte da vida dessas mulheres e a noção de risco se tornou mais concreta. todas têm informações adequadas sobre HIV e tem noção adequada de risco. como a aprendizagem e a história de vida de cada um. pois conseguimos caracterizar alguns fatores que tornam as mais vulneráveis à infecção pelo HIV. principalmente pelo não uso do preservativo. de mostrar o quanto este risco é real. é claro. Possibilitando assim maior poder para negociar o uso do preservativo.20 índices mostram que sem prevenção e informações adequadas esta caracterização da epidemia se fortalecerá. o objetivo foi alcançado. Sugiro então que o foco principal das campanhas contra a contaminação pelo HIV seja a prevenção. mas que busque fatores que possam estar mais perto destas mulheres. Pois hoje. Então a sugestão é neste sentido. Porém alguns fatores que influenciam a infecção pelo HIV vão além dos aqui mostrados. rompendo assim as barreiras impostas pelo gênero. de avaliar as questões individuais. Não deixando.2003).

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24 Anexo B .

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