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A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Aula 4 – A
 

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ODULO 1

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AULA 4

Aula 4 – A transforma¸c˜ao de Lorentz

Meta da aula

Obter a transforma¸c˜ao de Lorentz a partir da invariˆancia do intervalo relativ´ıstico e aplic´a-la ao problema da medida de comprimentos em diferen- tes referenciais.

Objetivos

Ao final desta aula, vocˆe dever´a ser capaz de:

Escrever e utilizar a transforma¸c˜ao de Lorentz.

Obter o efeito de contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald a partir da trans- forma¸c˜ao de Lorentz.

Pr´e-requisitos

A leitura das Aulas 2 e 3 ´e recomend´avel, pois os conceitos de intervalo relativ´ıstico e dilata¸c˜ao temporal s˜ao importantes para o acompanha- mento desta aula.

Introdu¸c˜ao

Na aula anterior, analisamos uma consequ¨ˆencia importante da invariˆancia do intervalo relativ´ıstico: a dilata¸c˜ao temporal. Nesta aula, vamos nova- mente usar a propriedade de invariˆancia para obter um resultado mais geral:

a transforma¸c˜ao de Lorentz, que relaciona as coordenadas espa¸co-temporais em diferentes referenciais inerciais. A partir da transforma¸c˜ao de Lorentz, podemos obter v´arios efeitos interessantes. Aqui vamos analisar em detalhe a contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald.

obter v´arios efeitos interessantes. Aqui vamos analisar em detalhe a contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald. 57 CEDERJ
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A transforma¸c˜ao de Lorentz Coordenadas espa¸co-temporais em diferentes referenciais Como discutimos nas duas aulas

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Coordenadas espa¸co-temporais em diferentes referenciais Como discutimos nas duas aulas

Coordenadas espa¸co-temporais em diferentes referenciais

Como discutimos nas duas aulas anteriores, um determinado evento

´e descrito no referencial S pelas coordenadas espa¸co-temporais (t, x, y, z).

Quando utilizamos um outro referencial S para descrever esse mesmo evento, suas coordenadas passam a valer (t , x , y , z ) – note que a coordenada tempo- ral tamb´em ´e modificada quando passamos de S para S . A transforma¸c˜ao de Lorentz relaciona as coordenadas em S e S , desde que ambos os referenciais sejam inerciais.

Vamos supor inicialmente que o referencial S se mova com velocidade

V em rela¸c˜ao ao referencial S ao longo da dire¸c˜ao do eixo OX, como mostra

a Figura 4.1.

V

ao longo de uma dire¸c˜ao arbitr´aria, pode ser obtido combinando-se a trans- forma¸c˜ao de Lorentz analisada aqui com uma transforma¸c˜ao de rota¸c˜ao dos eixos coordenados (exemplos de transforma¸c˜oes deste tipo foram discutidas na Aula 2).

O caso mais geral, com S se movendo com velocidade

2). O caso mais geral, com S se movendo com velocidade Figura 4.1 : O referencial

Figura 4.1: O referencial S se move em rela¸c˜ao ao referencial S com velocidade V ao longo da dire¸c˜ao do eixo OX.

Invariˆancia dos comprimentos transversais

Nossa primeira etapa na constru¸c˜ao da transforma¸c˜ao de Lorentz ´e mostrar que as coordenadas espaciais transversais a` dire¸c˜ao de movimento de S s˜ao invariantes:

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y

z

=

y

(4.1)

=

z.

(4.2)

transversais a` dire¸c˜ao de movimento de S s˜ao invariantes: CEDERJ 58 y z = y (4.1)

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Na Figura 4.2 ,
 

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AULA 4

Na Figura 4.2, mostramos a barra B , alinhada com o eixo OY do referen- cial pr´oprio S e em movimento, com velocidade V, ao longo da dire¸c˜ao OX em rela¸c˜ao ao referencial S.

longo da dire¸c˜ao OX em rela¸c˜ao ao referencial S . Figura 4.2 : Medida do comprimento

Figura 4.2: Medida do comprimento da barra B no referencial S.

No referencial pr´oprio S , o comprimento da barra L 0 ´e igual a` coor- denada y da sua extremidade. Para medir o comprimento no referencial S, a extremidade da barra possui uma ponta perfurante, mostrada na Figura 4.2, que marca a r´egua R que, por sua vez, est´a em repouso em rela¸c˜ao a S no momento em que a barra passa pela posi¸c˜ao de R. A coordenada y marcada ´e igual ao comprimento da barra L medida no referencial S.

Imagine agora que uma segunda barra, B, em tudo idˆentica a B , es- teja em repouso em rela¸c˜ao a S. Quando n˜ao h´a movimento relativo entre as barras, elas tˆem exatamente o mesmo comprimento. Como S ´e o referencial pr´oprio de B, o seu comprimento vale L 0 nesse referencial. Na situa¸c˜ao da Figura 4.3, h´a movimento relativo entre as barras e, assim, temos de ana- lisar a possibilidade de que os comprimentos sejam diferentes. Vocˆe ver´a, a seguir, que essa possibilidade implicar´a uma contradi¸c˜ao, o que nos permitir´a concluir que os comprimentos s˜ao de fato iguais.

implicar´a uma contradi¸c˜ao, o que nos permitir´a concluir que os comprimentos s˜ao de fato iguais. 59
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A transforma¸c˜ao de Lorentz Figura 4.3 : Em rela¸c˜ao ao referencial S , a barra

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Figura 4.3 : Em rela¸c˜ao ao referencial S , a barra B
A transforma¸c˜ao de Lorentz Figura 4.3 : Em rela¸c˜ao ao referencial S , a barra B

Figura 4.3: Em rela¸c˜ao ao referencial S, a barra B est´a em movimento, e a barra B, em repouso.

Se o comprimento L de B for menor do que L 0 , ent˜ao a extremidade

de B vai riscar a barra B num ponto abaixo da sua extremidade. O que ocorreria do ponto de vista de S nesse caso? Pelo princ´ıpio da relatividade, o mesmo efeito de contra¸c˜ao do comprimento ocorreria para a barra B, pois ela est´a em movimento em rela¸c˜ao a S , com velocidade de m´odulo V ao longo do sentido negativo do eixo OX , como ilustra a Figura 4.4. Assim,

B riscaria B num ponto abaixo de sua extremidade, em contradi¸c˜ao com

nossa hip´otese inicial. Podemos ent˜ao concluir que os comprimentos de B e

B s˜ao iguais em qualquer dos dois referenciais: L = L 0 .

iguais em qualquer dos dois referenciais: L = L 0 . Figura 4.4 : Em rela¸c˜ao

Figura 4.4: Em rela¸c˜ao ao referencial S , a barra B se desloca com velocidade de m´odulo V ao longo do sentido negativo do eixo OX .

Naturalmente, o mesmo argumento poderia ser aplicado se a barra es- tivesse alinhada ao longo de qualquer dire¸c˜ao perpendicular a` dire¸c˜ao do movimento (que, na figura anterior, coincide com o eixo OX), demonstrando assim as Equa¸c˜oes (4.1) e (4.2). Se vocˆe considera essa conclus˜ao ob´ via, cui- dado! Para um referencial se movendo ao longo da dire¸c˜ao da barra (dire¸c˜ao

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conclus˜ao ob´ via, cui- dado! Para um referencial se movendo ao longo da dire¸c˜ao da barra

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz do eixo OY ), o comprimento ´e contra´ıdo! Esse ´e mais um

do eixo OY ), o comprimento ´e contra´ıdo! Esse ´e mais um efeito relativ´ıstico contra-intuitivo, conhecido como contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald, que es- tudaremos mais adiante.

Usando a invariˆancia do intervalo relativ´ıstico

Vamos supor que, no instante t = 0, marcado pelo referencial S, as ori- gens dos sistemas de coordenadas de S e S coincidam e que o cronˆometro de S , na origem, A , seja sincronizado com os cronˆometros de S nesse instante, como mostra a Figura 4.5.

de S nesse instante, como mostra a Figura 4.5 . Figura 4.5 : No tempo t

Figura 4.5: No tempo t = 0, as origens de S e S coincidem.

 

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AULA 4

e S coincidem.   ´ M ODULO 1 - AULA 4 George Fitzgerald nasceu em Monkstown,

George Fitzgerald nasceu em Monkstown, Irlanda, em 1851. Especialista em optica´ e eletromagnetismo. Para explicar o resultado do experimento de Michelson e Morley, propˆos, em 1889, que corpos em movimento em rela¸c˜ao ao ´eter teriam o seu comprimento na dire¸c˜ao paralela ao movimento contra´ıdo (contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald).

Portanto, o evento de coordenadas espaciais x = y = z = 0 (origem de S) e tempo t = 0, de acordo com o referencial S, tem coordenadas x = y = z = 0 e tempo t = 0, de acordo com o referencial S . Considere agora um outro evento qualquer, de coordenadas (t, x, y, z) no referencial S, e o intervalo relativ´ıstico ao quadrado entre esse evento e o evento de coordenadas nulas. Calculando em termos das coordenadas em S, obtemos

s 2 = c 2 t 2 x 2 y 2 z 2 .

(4.3)

Como ∆s ´e invariante, devemos obter o mesmo valor para o intervalo quando utilizamos as coordenadas em S :

s 2 = c 2 t 2 x 2 y 2 z 2 .

(4.4)

as coordenadas em S : ∆ s 2 = c 2 t 2 − x 2
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A transforma¸c˜ao de Lorentz Igualando as equa¸c˜oes acima e usando a invariˆancia das coordenadas transversais

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Igualando as equa¸c˜oes acima e usando a invariˆancia das coordenadas transversais ao

Igualando as equa¸c˜oes acima e usando a invariˆancia das coordenadas transversais ao movimento, obtemos

c 2 t 2 x 2 = c 2 t 2 x 2 .

(4.5)

A transforma¸c˜ao linear mais geral de (t, x) para (t , x ) que satisfaz a condi¸c˜ao de transformar (t = 0, x = 0) em (t = 0, x = 0) ´e da forma

x

c t

=

A x + B c t

(4.6)

=

C x + D c t,

(4.7)

onde os coeficientes A, B, C e D s˜ao adimensionais - note que introduzimos o fator c (representando a velocidade da luz no v´acuo) para obter a grandeza (produto) c t, que tem dimens˜ao de comprimento: c t ´e medido em metros no Sistema Internacional de Unidades. Esses coeficientes dependem da velo- cidade V do referencial S em rela¸c˜ao a S. Existe um caso particular muito simples em que podemos obtˆe-los de forma imediata: quando V = 0, os referenciais S e S coincidem, e ent˜ao x = x e t = t (transforma¸c˜ao identi- dade). Comparando com as Equa¸c˜oes (4.6) e (4.7), obtemos A = D = 1, e B = C = 0 nesse caso.

Para valores arbitr´arios de V , qual ´e a condi¸c˜ao sobre A, B, C e D para que a Equa¸c˜ao (7.35) seja satisfeita? Se usarmos essa equa¸c˜ao e a condi¸c˜ao de que, para V = 0, tenhamos a transforma¸c˜ao identidade, podemos eliminar B, C e D em termos de A, conforme se mostra no exerc´ıcio resolvido a seguir.

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podemos eliminar B , C e D em termos de A , conforme se mostra no

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Exerc´ıcio 4.1 Determine a
 

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Exerc´ıcio 4.1 Determine a condi¸c˜ao satisfeita pelos coeficientes A, B, C e D para que
Exerc´ıcio 4.1
Determine a condi¸c˜ao satisfeita pelos coeficientes A, B, C e D para que a
transforma¸c˜ao de coordenadas dada pelas Equa¸c˜oes (4.6) e (4.7) seja com-
pat´ıvel com a propriedade de invariˆancia do intervalo relativ´ıstico, expressa
pela Equa¸c˜ao (7.35), e com a condi¸c˜ao de ter, como caso particular, a trans-
forma¸c˜ao identidade.
Solu¸c˜ao: das Equa¸c˜oes (4.6) e (4.7), obtemos
c 2 t 2 − x 2 = (D 2 − B 2 ) c 2 t 2 − (A 2 − C 2 ) x 2 − 2(AB − CD) x c t.
Para que a Equa¸c˜ao (7.35) seja v´alida para todos os valores de x e t, que
variam independentemente, devemos ter
D 2 − B 2
=
1,
(4.8)
A 2 − C 2
=
1,
(4.9)
AB − CD
=
0.
(4.10)
A partir das Equa¸c˜oes acima, podemos eliminar B, C e D em termos de A.
Da Equa¸c˜ao (4.9), ´e imediato obter C em termos de A. Das equa¸c˜oes (4.8)
e (4.10), derivamos
D 2 1 − B 2 2 = D 2 1 − C 2 2 = 1.
D
A
Substituindo a Equa¸c˜ao (4.9) na equa¸c˜ao acima, obtemos D 2 = A 2 . A
solu¸c˜ao com D = −A n˜ao tem como caso particular a transforma¸c˜ao iden-
tidade; portanto, tomamos a raiz D = A. Finalmente, combinando esse
resultado com a equa¸c˜ao (4.10), obtemos
B = C = ± √ A 2 − 1,
onde os dois sinais representam as duas ra´ızes da Equa¸c˜ao (4.9).

Substituindo os resultados do exerc´ıcio anterior nas Equa¸c˜oes (4.6) e (4.7), obtemos

x =

A x ± A 2 1 c t

(4.11)

c t

=

± A 2 1 x + A c t.

(4.12)

x ± √ A 2 − 1 c t (4.11) c t = ± √ A
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A transforma¸c˜ao de Lorentz Para completar a deriva¸c˜ao da transforma¸c˜ao de Lorentz, resta apenas re-

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Para completar a deriva¸c˜ao da transforma¸c˜ao de Lorentz, resta apenas re- lacionar

Para completar a deriva¸c˜ao da transforma¸c˜ao de Lorentz, resta apenas re- lacionar o coeficiente A com a velocidade V do referencial S em rela¸c˜ao a

S e determinar qual dos dois sinais nas equa¸c˜oes acima fornece o resultado

fisicamente correto. A origem de S , que corresponde a x = 0, se desloca com velocidade constante V ao longo do eixo OX do referencial S e, em

t = 0, estava na posi¸c˜ao x = 0. Portanto, a coordenada x = 0 corresponde a

x = V t, como mostra a Figura 4.6.

= 0 corresponde a x = V t, como mostra a Figura 4.6 . Figura 4.6

Figura 4.6: Posi¸c˜ao da origem de S em rela¸c˜ao ao referencial S no tempo t.

Tomando x = 0 na Equa¸c˜ao (4.16), obtemos

x = ∓ √ A 2 1 c t.

A

(4.13)

Para termos x = V t, ´e preciso, ent˜ao, escolher um coeficiente A que satisfa¸ca

V

c

= A 2 1

A

.

(4.14)

Al´em disso, ´e preciso escolher o sinal inferior na Equa¸c˜ao (4.13) (sinal “mais”), que corresponde a tomar o sinal inferior nas Equa¸c˜oes (4.16) e (4.17) (sinal ‘menos’).

Podemos inverter a Equa¸c˜ao (4.14) para obter A em fun¸c˜ao de V. Ao fazˆe-lo, obtemos que A ´e igual ao fator de Lorentz γ, definido na Aula 3:

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A = γ =

1

1 V 2

c

2

.

(4.15)

que A ´e igual ao fator de Lorentz γ , definido na Aula 3: CEDERJ 64

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Vamos colocar o coeficiente
 

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AULA 4

Vamos colocar o coeficiente A em evidˆencia nas Equa¸c˜oes (4.16) e (4.17) antes de substituir o resultado obtido para A:

x

c t

=

=

A x − √ A 2 1 c t

A

A c t − √ A 2 1 x .

A

(4.16)

(4.17)

Usando a Equa¸c˜ao (4.14), podemos agora substituir a express˜ao envolvendo A que aparece nestas equa¸c˜oes por V /c, al´em de substituir A pelo fator de Lorentz γ. Desta forma, obtemos finalmente a transforma¸c˜ao de Lorentz das coordenadas espa¸co-temporais:

x

y

z

t

=

=

=

=

γ (x V t) y z

γ t V

c

2

x

(4.18)

(4.19)

(4.20)

(4.21)

Este conjunto de quatro equa¸c˜oes ´e o resultado mais importante da aula! N˜ao ´e dif´ıcil verificar que essas equa¸c˜oes satisfazem a propriedade de invariˆancia do intervalo relativ´ıstico ∆s, conforme vocˆe mostrar´a no exerc´ıcio a seguir.

Exerc´ıcio 4.2 Mostre que o intervalo ao quadrado ∆s 2 ´e invariante pela transforma¸c˜ao de Lorentz. Sugest˜ao: substitua as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28) na express˜ao para o intervalo em termos das coordenadas em S :

s 2 = c 2 t 2 x 2 y 2 z 2

e mostre que a express˜ao resultante ´e igual a

s 2 = c 2 t 2 x 2 y 2 z 2 .

Este c´alculo ´e direto e n˜ao depende de nenhum truque especial obra!

m˜aos a`

e n˜ao depende de nenhum truque especial obra! m˜aos a` A transforma¸c˜ao de Lorentz foi obtida

A transforma¸c˜ao de Lorentz foi obtida pela primeira vez - exceto pela multiplica¸c˜ao por um fator global igual a 1- por Woldemar Voigt em 1887. O resultado correto, dado pelas Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28), foi publicado por H. A. Lorentz em 1904. Lorentz chamou t “tempo local”, para diferenci´a-lo de t, que para ele seria o tempo f´ısico (ou “verdadeiro”), dentro da concep¸c˜ao newtoniana de tempo absoluto. Assim, t seria simplesmente uma vari´avel mat´ematica util´ para determinados c´alculos. A interpreta¸c˜ao correta foi apresentada por Einstein em 1905, que reobteve o resultado de forma independente, no contexto da teoria da relatividade.

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A transforma¸c˜ao de Lorentz Tamb´em ´e muito simples verificar que as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28) repro- duzem

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Tamb´em ´e muito simples verificar que as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28) repro- duzem a

Tamb´em ´e muito simples verificar que as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28) repro- duzem a transforma¸c˜ao identidade para o caso particular de V = 0 (basta perceber que γ = 1 neste caso), conforme esperado.

A transforma¸c˜ao de Lorentz apresentada aqui permite obter as coorde- nadas de um evento no referencial S a partir de suas coordenadas no refe- rencial S. Vamos examinar o seguinte exemplo, ilustrado pela Figura 4.7: o cronˆometro A , posicionado na origem de S , est´a na posi¸c˜ao do cronˆometro B. No referencial S, esse evento tem coordenadas x e t satisfazendo x = V t, porque essa ´e a equa¸c˜ao que descreve a posi¸c˜ao da origem de S de acordo com S num tempo t qualquer (confira a Figura 4.6). Quais s˜ao as coor- denadas desse evento no referencial S ? A Equa¸c˜ao (6.29) fornece x = 0, como esperado – de fato, essa foi uma das propriedades utilizadas na pr´opria constru¸c˜ao da transforma¸c˜ao de Lorentz. J´a a Equa¸c˜ao (6.28) fornece

2

t = γ(1 V 2 )t = γ t.

c

1

(4.22)

Como γ 1, o tempo pr´oprio t , marcado por A , ´e menor do que o tempo t marcado pelo cronˆometro B do referencial S, como mostramos na Figura 4.7. Esse ´e o efeito de dilata¸c˜ao temporal, que foi derivado na Aula 3 dire- tamente da propriedade de invariˆancia do intervalo relativ´ıstico.

propriedade de invariˆancia do intervalo relativ´ıstico. Figura 4.7 : Efeito de dilata¸c˜ao temporal. Em certas

Figura 4.7: Efeito de dilata¸c˜ao temporal.

Em certas situa¸c˜oes, estamos interessados no caminho inverso: obter as coordenadas no referencial S a partir das coordenadas em S . No exerc´ıcio resolvido a seguir, vocˆe obter´a a transforma¸c˜ao de Lorentz de S para S, calculando a inversa da transforma¸c˜ao dada pelas Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28).

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de Lorentz de S para S, calculando a inversa da transforma¸c˜ao dada pelas Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28). CEDERJ

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Exerc´ıcio 4.3 Inverta as
 

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AULA 4

Exerc´ıcio 4.3 Inverta as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28) para obter as coordenadas x e t como fun¸c˜oes
Exerc´ıcio 4.3
Inverta as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28) para obter as coordenadas x e t como
fun¸c˜oes de x e t .
Solu¸c˜ao: Podemos escrever a transforma¸c˜ao de Lorentz de S para S na
forma matricial:
c t
1
− V
c t
c
= γ
.
x
− V
1
x
c
Para obter a transforma¸c˜ao de Lorentz de S para S, basta calcular a inversa
da matriz 2 × 2 que aparece na equa¸c˜ao acima:
V
c t
1
1
c t
c
= 1
.
γ
V
x
1 − V 2
1
x
c
2
c
O pr´e-fator que aparece nesta equa¸c˜ao pode ser simplificado se usarmos a
defini¸c˜ao do fator de Lorentz γ, resultando em:
V
c t
1
c t
c
= γ
.
V
x
1
x
c

Podemos escrever a transforma¸c˜ao de Lorentz inversa, obtida no exer- c´ıcio acima na forma expl´ıcita

x

y

z

t

=

=

=

=

γ (x + V t ) y z

γ t +

V

c

2

x .

(4.23)

(4.24)

(4.25)

(4.26)

Comparando com as Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28), vocˆe deve perceber que a trans- forma¸c˜ao de S para S tem a mesma forma que a transforma¸c˜ao de S para S , bastando trocar V por V . Poder´ıamos ter “adivinhado”este resultado! Do ponto de vista do referencial S , o referencial S se move com velocidade V (isto ´e, ao longo do sentido negativo do eixo OX.) Pelo princ´ıpio da re- latividade, S e S s˜ao equivalentes e, portanto, a transforma¸c˜ao de S para S deve ter a mesma forma que a transforma¸c˜ao de S para S , mudando apenas

de S para S deve ter a mesma forma que a transforma¸c˜ao de S para S
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A transforma¸c˜ao de Lorentz o parˆametro que caracteriza essa transforma¸c˜ao: a velocidade relativa entre os

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz o parˆametro que caracteriza essa transforma¸c˜ao: a velocidade relativa entre os

o parˆametro que caracteriza essa transforma¸c˜ao: a velocidade relativa entre os referenciais.

Isto explica por que tomamos uma transforma¸c˜ao linear bem no in´ıcio da nossa deriva¸c˜ao – confira as Equa¸c˜oes (4.6) e (4.7). Quando a inversa de uma transforma¸c˜ao linear existe (como ocorre aqui), ela tamb´em ´e uma trans- forma¸c˜ao linear. Se tiv´essemos uma transforma¸c˜ao quadr´atica, por exemplo, sua inversa jamais teria a mesma forma, o que violaria o princ´ıpio da relati- vidade.

A seguir, derivaremos um segundo efeito cinem´atico importante da re- latividade restrita (o primeiro foi a dilata¸c˜ao temporal, analisado na Aula 3 e rederivado acima): a contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald. Nosso ponto de partida ser´a a transforma¸c˜ao de Lorentz.

Contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald

No in´ıcio desta aula, discutimos como medir o comprimento de uma barra: basta marcar as coordenadas espaciais das suas duas extremidades. Para um referencial em que a barra esteja em repouso, esse procedimento n˜ao apresenta nenhuma dificuldade. Tamb´em n˜ao h´a dificuldade se a barra se movimenta ao longo de uma dire¸c˜ao perpendicular a` sua extens˜ao, como discutido anteriormente. Entretanto, para o referencial S, em que a barra se movimenta ao longo de sua extens˜ao, como na Figura 4.8, ´e preciso um pouco mais de cuidado.

como na Figura 4.8 , ´e preciso um pouco mais de cuidado. Figura 4.8 : Comprimento

Figura 4.8: Comprimento de uma barra em movimento em rela¸c˜ao ao referencial S.

Para que a medida esteja correta, ´e preciso marcar as posi¸c˜oes das extremidades 1 e 2 simultaneamente no referencial S. Por exemplo, se me- dirmos a posi¸c˜ao da extremidade 2, x 2 , antes de medirmos x 1 , como indicado na Figura 4.9, ent˜ao a diferen¸ca x 2 x 1 ser´a menor do que o comprimento da barra.

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na Figura 4.9 , ent˜ao a diferen¸ca x 2 − x 1 ser´a menor do que

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Figura 4.9 : A
A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Figura 4.9 : A
 

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Figura 4.9: A linha pontilhada indica a posi¸c˜ao em que a barra estava quando a posi¸c˜ao x 2 da extremidade 2 foi medida. O comprimento da barra ´e subestimado se a medida de x 1 ocorre depois da medida de x 2 .

Assim, ´e preciso tomar o cuidado de medir ambas as extremidades num mesmo tempo t do referencial S. Nesse caso, podemos identificar o comprimento da barra L no referencial S com a diferen¸ca

L = x 2 x 1 .

(4.27)

Quais s˜ao as coordenadas dos eventos “medida da extremidade 1”e “me- dida da extremidade 2”no referencial pr´oprio S ? Usando a transforma¸c˜ao de Lorentz, Equa¸c˜oes (6.29) e (6.28), obtemos

para o primeiro evento; e

x 1

1

t

x 2

2

t

=

=

=

=

γ(x 1 V t)

γ(t V x 1 )

c

2

γ(x 2 V t)

γ(t V x 2 )

c

2

(4.28)

(4.29)

(4.30)

(4.31)

( t − V x 1 ) c 2 γ ( x 2 − V t
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A transforma¸c˜ao de Lorentz para o segundo. Observe que t 1 = t 2 ,

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz para o segundo. Observe que t 1 = t 2 , e,

para o segundo. Observe que t

1

= t 2 , e, portanto, os eventos n˜ao s˜ao si-

multˆaneos do ponto de vista de S . Apesar disso, a diferen¸ca

L 0 = x 2 x 1 = γ(x 2 x 1 )

(4.32)

representa o comprimento da barra no referencial S . De fato, como a barra est´a em repouso em rela¸c˜ao a S , podemos medir as coordenadas das ex- tremidades em tempos diferentes neste referencial! L 0 ´e conhecido como o comprimento pr´oprio da barra, j´a que representa o comprimento no referen- cial pr´oprio. Ele ´e uma propriedade intr´ınseca da barra, assim como o tempo pr´oprio entre os cliques de um cronˆometro ´e uma propriedade intr´ınseca do cronˆometro. J´a o comprimento L medido em S depende da velocidade da barra em rela¸c˜ao a S: comparando as Equa¸c˜oes (4.27) e (4.32), obtemos

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L = L 0 .

γ

(4.33)

Como γ > 1 se V

S ´e sempre menor que o comprimento pr´oprio, se a barra se movimenta em rela¸c˜ao a S. Esse ´e o efeito de contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald: diferentes referenciais medem comprimentos diferentes de uma mesma barra. Para as situa¸c˜oes da vida di´aria, ele ´e quase sempre desprez´ıvel, porque o fator de Lorentz γ ´e muito pr´oximo da unidade, conforme discutido na Aula 3. Entretanto, h´a situa¸c˜oes em que γ ´e bastante grande, como no exemplo dos muons´ de raios c´osmicos, discutido na Aula 3.

= 0, esse resultado mostra que o comprimento medido em

no exemplo dos muons´ de raios c´osmicos, discutido na Aula 3. = 0, esse resultado mostra

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 Exerc´ıcio 4.4 No Exerc´ıcio
 

´

M

ODULO 1

-

AULA 4

Exerc´ıcio 4.4 No Exerc´ıcio 2.7, vocˆe mostrou que o efeito de dilata¸c˜ao temporal permite

que os muons´ produzidos a uma altura de 9000m na atmosfera cheguem a` superf´ıcie terrestre antes de se desintegrarem. Essa an´alise foi realizada do ponto de vista do referencial terrestre. Como analisar esse mesmo problema

a partir do referencial pr´oprio do muon?´ Nesse caso, temos de tomar o valor

para o tempo pr´oprio para a desintegra¸c˜ao, 2.2 × 10 6 seg. Entretanto, nesse referencial, a espessura da atmosfera a ser percorrida ´e contra´ıda! Calcule

a espessura no referencial pr´oprio do muon.´ Cuidado: n˜ao o confunda com

o referencial pr´oprio da atmosfera! A velocidade do muon´ em rela¸c˜ao ao referencial terrestre vale v = 0, 998c. O muon´ chega a` superf´ıcie?

Solu¸c˜ao

O fator de Lorentz vale γ = 15, 8 nesse exemplo. A espessura da camada de atmosfera vale L 0 = 9000m no referencial pr´oprio da atmosfera, que

´e o referencial terrestre. No referencial pr´oprio do muon,´ a atmosfera se

desloca com velocidade de m´odulo igual a v = 0, 998c. Devido ao efeito de contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald, a espessura no referencial pr´oprio do muon´ vale L = L 0 = 570m. Assim, o tempo necess´ario para percorrer a camada de atmosfera e chegar a` superf´ıcie da Terra vale, de acordo com este referencial, ∆t = L/c = 1, 9 × 10 6 seg, que ´e menor que o tempo pr´oprio de desintegra¸c˜ao. Portanto, o muon´ chega a` superf´ıcie antes de se desintegrar. Obtivemos a mesma conclus˜ao na Aula 3, adotando o ponto de vista do referencial terrestre. Nesse caso, n˜ao h´a contra¸c˜ao, mas o tempo para desintegra¸c˜ao ´e maior do que o tempo pr´oprio, devido ao efeito de dilata¸c˜ao temporal. Note que a resposta a` pergunta “o muon´ chega a` superf´ıcie?”deve ser sempre a mesma, independentemente do referencial escolhido para a an´alise do problema.

A contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald foi proposta pela primeira vez em 1889, por Fitzgerald, como uma forma de explicar o resultado negativo do experimento de Michelson e Morley. Em 1892, essa hip´otese foi proposta no- vamente por Lorentz, de forma independente, mas com a mesma finalidade. Para Fitzgerald e Lorentz, as for¸cas intermoleculares respons´aveis pela es- trutura material da barra seriam afetadas pelo seu movimento em rela¸c˜ao ao ‘´eter’, causando a contra¸c˜ao.

material da barra seriam afetadas pelo seu movimento em rela¸c˜ao ao ‘´eter’, causando a contra¸c˜ao. 71
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A transforma¸c˜ao de Lorentz Com a teoria da relatividade de Einstein, o efeito de contra¸c˜ao

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Com a teoria da relatividade de Einstein, o efeito de contra¸c˜ao foi

Com a teoria da relatividade de Einstein, o efeito de contra¸c˜ao foi no- vamente obtido, mas de forma completamente distinta. O efeito n˜ao ´e uma hip´otese adicional – pelo contr´ario, ele ´e uma consequ¨ˆencia da teoria da relatividade, sendo derivado a partir do seu formalismo, conforme discuti- mos anteriormente. Einstein tamb´em obteve a interpreta¸c˜ao correta para a contra¸c˜ao. As propriedades intr´ınsecas da barra n˜ao mudam quando ela se desloca em movimento uniforme – nem poderiam, pelo princ´ıpio da relati- vidade, uma vez que n˜ao existe o ‘´eter’ como referˆencia para o movimento. Portanto, n˜ao h´a nenhum mecanismo dinˆamico (por exemplo, de modifica¸c˜ao das for¸cas intermoleculares respons´aveis pela rigidez da barra) respons´avel pelo efeito. Diferentes referenciais inerciais em movimento relativo observam comprimentos diferentes para a nossa barra, simplesmente porque eles n˜ao est˜ao em acordo sobre a simultaneidade dos eventos de marca¸c˜ao das posi¸c˜oes das suas extremidades. Assim, a contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald ´e um efeito cinem´atico, como a dilata¸c˜ao temporal estudada na Aula 3.

Conclus˜ao

Nesta aula, derivamos a transforma¸c˜ao de Lorentz para as coordenadas espa¸co-temporais de um determinado evento, tomando como ponto de par- tida o princ´ıpio da relatividade e a invariˆancia do intervalo relativ´ıstico. De posse deste resultado, poderemos obter as coordenadas em qualquer referen- cial inercial S , se soubermos as coordenadas no referencial S e a velocidade de S em rela¸c˜ao a S. A transforma¸c˜ao de Lorentz mistura a coordenada tem- poral e a coordenada espacial associada a` dire¸c˜ao da velocidade de S relativa a S. Por outro lado, as coordenadas espaciais transversais a` velocidade s˜ao invariantes.

Exploramos duas aplica¸c˜oes importantes da transforma¸c˜ao de Lorentz:

rederivamos o efeito de dilata¸c˜ao temporal, discutido na Aula 3, e obtivemos o efeito da contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald.

Atividades Finais

No final da aula, vocˆe encontrar´a as respostas das quest˜oes 3 e 4. N˜ao olhe as respostas antes de tentar obtˆe-las sozinho!

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encontrar´a as respostas das quest˜oes 3 e 4. N˜ao olhe as respostas antes de tentar obtˆe-las

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 1. Explique, com argumentos
 

´

M

ODULO 1

-

AULA 4

1. Explique, com argumentos f´ısicos, a raz˜ao de a transforma¸c˜ao de Lo- rentz inversa ter a mesma forma que a transforma¸c˜ao direta, bastando trocar V por V.

2. Por que n˜ao observamos o efeito da contra¸c˜ao de Lorentz nas situa¸c˜oes de nossa vida di´aria?

3. Ao medir o comprimento da barra da Figura 4.8 no referencial S, o que acontece se a extremidade 2 for medida depois da extremidade 1? Nesse caso, x 2 x 1 ´e menor, igual, ou maior do que o comprimento L da barra no referencial S? Para justificar a sua resposta, fa¸ca um desenho an´alogo ao da Figura 4.9.

4. Suponha que o referencial S se mova em rela¸c˜ao ao referencial S com velocidade V ao longo da dire¸c˜ao do eixo OY . Quais s˜ao as coordenadas espaciais invariantes nesse caso? Escreva, por analogia ao caso estudado nesta aula (e sem fazer c´alculos), as quatro equa¸c˜oes que implementam a tranforma¸c˜ao de Lorentz nesse caso.

5. O referencial S se move em rela¸c˜ao a S com velocidade V ao longo da dire¸c˜ao do eixo OX. O referencial S se move em rela¸c˜ao a S tamb´em com velocidade V ao longo da mesma dire¸c˜ao. Obtenha a coordenada x (relativa ao referencial S ) em termos das coordenadas no referencial S. Mostre que o seu resultado tem a mesma forma que a Equa¸c˜ao (6.29), exceto pela substitui¸c˜ao de V por um parˆametro, com dimens˜ao de velocidade. Qual deveria ser a interpreta¸c˜ao f´ısica desse parˆametro? Na pr´oxima aula, vocˆe ver´a por que ele n˜ao ´e igual a 2V.

Solu¸c˜ao

Inicialmente, usamos a transforma¸c˜ao de Lorentz, dada pelas Equa¸c˜oes (6.29)-(6.28), para passar do referencial S para o referencial S . Elas fornecem x e t em termos de x e t. As coordenadas transversais y e z s˜ao invariantes e, por isso, ser˜ao ignoradas. Em seguida, passamos de S para S tomando a transforma¸c˜ao de Lorentz correspondente. Vamos escrever apenas a equa¸c˜ao para x :

x = γ (x V t ) .

(4.34)

Basta agora substituir as express˜oes para x e t , dadas respectivamente pelas Equa¸c˜oes (6.29) e (6.28) na equa¸c˜ao anterior:

x = γ γ(x V t) V γ(t V x ) .

c

2

(4.35)

na equa¸c˜ao anterior: x = γ γ ( x − V t ) − V γ
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A transforma¸c˜ao de Lorentz Podemos colocar o fator γ em evidˆencia e agrupar os termos

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz Podemos colocar o fator γ em evidˆencia e agrupar os termos envolvendo

Podemos colocar o fator γ em evidˆencia e agrupar os termos envolvendo x e t:

(4.36)

x = γ 2 (1 + V 2

c

2

)x 2V t .

Para que esta equa¸c˜ao fique mais parecida com a (6.29), vamos colocar o fator multiplicando x em evidˆencia e escrever a express˜ao expl´ıcita para γ 2 :

(4.37)

x = 1 + V 2 /c 2 1 V 2 /c 2

x

2V 2 /c 2 t .

1 + V

Se definirmos a velocidade

V c =

2V 2 /c 2 ,

1 + V

(4.38)

ent˜ao, o pr´e-fator na Equa¸c˜ao (4.40) corresponde ao fator de Lorentz γ c associado a` velocidade V c :

1

+ V 2 /c 2

1 V 2 /c

2 =

1

1 V

2

c

/c 2 = γ c .

(4.39)

Assim, a Equa¸c˜ao (4.40) tem a mesma forma que a Equa¸c˜ao (6.29), exceto pela troca de V por V c (e, consequen¨ temente, de γ por γ c ):

x = γ c (x V c t) .

(4.40)

Este resultado tem a seguinte interpreta¸c˜ao: podemos passar do re- ferencial S diretamente para o referencial S usando a transforma¸c˜ao de Lorentz, desde que tomemos a velocidade de S em rela¸c˜ao a S. Pela lei de composi¸c˜ao de velocidades de Galileu, esta velocidade seria V + V = 2V. Entretanto, o resultado obtido aqui sugere muito forte- mente que esta velocidade vale V c , dada pela Equa¸c˜ao (4.38), que ´e menor do que 2V. Vamos confirmar este resultado na pr´oxima aula, quando derivaremos a lei de composi¸c˜ao de velocidades relativ´ıstica.

Resumo

As coordenadas espa¸co-temporais de um determinado evento s˜ao defini- das em rela¸c˜ao a um determinado referencial inercial S. Podemos descrever este mesmo evento por meio de um segundo referencial inercial S em movi- mento em rela¸c˜ao a S. As suas coordenadas relativas a S podem ser obtidas a partir das coordenadas relativas a S por meio da transforma¸c˜ao de Lorentz. Os dois referenciais medem o mesmo valor para comprimentos transversais

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meio da transforma¸c˜ao de Lorentz. Os dois referenciais medem o mesmo valor para comprimentos transversais CEDERJ

A transforma¸c˜ao de Lorentz

A transforma¸c˜ao de Lorentz   ´ M ODULO 1 - AULA 4 a` dire¸c˜ao da velocidade
 

´

M

ODULO 1

-

AULA 4

a` dire¸c˜ao da velocidade de S em rela¸c˜ao a S. Por outro lado, comprimentos ao longo da dire¸c˜ao do movimento s˜ao diferentes para S e S . Por exemplo, se no referencial S uma barra se movimenta ao longo de sua extens˜ao, o seu comprimento medido neste referencial ser´a menor do que seu comprimento pr´oprio (comprimento medido no referencial pr´oprio). Este ´e o efeito de contra¸c˜ao de Lorentz-Fitzgerald.

E na pr´oxima aula

derivar a lei de composi¸c˜ao de velocidades relativ´ıstica e dis- cutir as no¸c˜oes de passado e futuro na teoria da relatividade.

vamos

Respostas das quest˜oes 3 e 4

Quest˜ao 3. Nesse caso, x 2 x 1 ´e maior do que o comprimento L.

Quest˜ao 4. As coordenadas invariantes s˜ao x e z. A transforma¸c˜ao ´e dada pelas equa¸c˜oes

x

y

z

t

=

=

=

=

x γ (y V t) z

γ t V y .

c

2

(4.41)

(4.42)

(4.43)

(4.44)

equa¸c˜oes x y z t = = = = x γ ( y − V t
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