EXTENSIVO_-_ABDOME_AGUDO_-_APOSTILA_20260130094109
EXTENSIVO_-_ABDOME_AGUDO_-_APOSTILA_20260130094109
Abdome Agudo
EQUIPE:
• CEO: Bruno Kosminsky
• Diretor Administrativo: Heitor Medeiros
• Diretora de Produtos: Aline Barros
• Conselho Editorial: Raphaella Leite, Amadeu Marinho e Aline Barros
• Diagramador: André Luiz
• Autor: Caio Paes
CONTATOS:
• Site: [Link]/
• Instagram: [Link]/eumedicoresidente/
• YouTube: [Link]/c/EuMédicoResidente
• LinkedIn: [Link]/company/eu-medico-residente/about/
• E-mail: contato@[Link]
• TikTok: [Link]
André Lafayette
Coordenador de Clínica Médica da Eu Médico Residente. Cardiologista diarista da Unidade Coronariana do Real
Hospital Português. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Barão de Lucena e em Cardiologia pelo
Pronto-socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape). Preceptor da Residência de Clínica
Médica do Hospital Barão de Lucena. Graduação em Medicina pela UFPE.
Camila Firme
Coordenadora de Cirurgia Geral da Eu Médico Residente. Médica plantonista da Unidade de Trauma do
Hospital da Restauração. Residência em Cirurgia Geral pelo Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco
e em Cirurgia Plástica pelo Hospital Geral de Fortaleza e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
(SBCP)/Associação Médica Brasileira (AMB). Graduação em Medicina pela UFPE.
Filipe Marinho
Coordenador de Pediatria da Eu Médico Residente. Médico diarista e coordenador adjunto da Emergência
Pediátrica do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP). Instrutor de Pediatric Advanced
Life Support (PALS) pela Sociedade de Pediatria de Pernambuco (SOPEPE)/Sociedade Brasileira de Pediatria
(SBP). Médico diarista do HCUFPE. Residência em Pediatria pelo IMIP. Graduação em Medicina pela
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Francilberto Souza
Coordenador de Ginecologia e Obstetrícia da Eu Médico Residente. Professor do curso de Medicina da UFPE
e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Mestrado em Saúde Integral pelo IMIP. Especialista em
Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
e pela AMB. Fellowship em Uroginecologia e Disfunções do Assoalho Pélvico pelo IMIP. Residência em
Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP. Graduação em Medicina pela UFRN.
Raphaella Leite
Coordenadora de Medicina Preventiva e Head de Ensino da Eu Médico Residente. Professora Adjunta da UFPE
e UPE. Pós-doutorado e doutorado em Saúde Integral pelo IMIP. Mestrado em Educação em Saúde pela
Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). Residência em Anestesiologia pelo HC-UFPE. Graduação em
Medicina pela UFPE.
Bruna Holanda
Mestrado em Saúde Global pelo Karolinska Institutet. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Barão de
Lucena e em Neurologia pelo Hospital da Restauração. Especialização em Distúrbios Vestibulares e do
Equilíbrio pela Universidade de São Paulo (USP). Graduação em Medicina pela FPS.
Caio Atanásio
Doutorando pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com Pronto-socorro Cardiológico
Universitário de Pernambuco (Procape). Residência em Cardiologia pelo Procape e em Clínica Médica pelo
Hospital Otávio de Freitas. Graduação em Medicina pela UPE com graduação sanduíche pela University of
Surrey.
Caio Paes
Residente em Cirurgia Geral pelo Hospital da Restauração. Graduação em Medicina pela Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE).
George Carvalho
Mestrando em Educação em Saúde pela FPS. Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP. Fellowship
em Oncoginecologia pelo IMIP. Graduação em Medicina pela UFPE.
Mylena Medeiros
Preceptora de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão. Especialista em
Endocrinologia e Metabologia pela AMB. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HCFMUSP e em
Clínica Médica pelo HC-UFPE. Graduação em Medicina pela UFPE.
Nathália Alecrim
Mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Fernando Pessoa (UFP). Residência em Clínica Médica pelo
Hospital Getúlio Vargas e em Nefrologia pelo HC-UFPE. Graduação em Medicina pela UFPE.
Objetivos da Aprendizagem
Elaborados com base na Taxonomia de Bloom, indicam as competências que o estudante deverá
desenvolver ao final do estudo daquele conteúdo.
Questões
Questões de Provas de Residência, selecionadas de diversas Bancas do Brasil, mostram como os
temas abordados são cobrados nos exames, permitindo que você treine com foco e realismo.
Iconografias
A iconografia no design instrucional é utilizada como recurso visual para orientar a navegação,
destacar informações-chave e facilitar a compreensão do conteúdo. Ícones funcionam como
atalhos cognitivos, possibilitando que o estudante identifique rapidamente seções, o que
promove uma leitura mais fluida, dinâmica e intuitiva. Para as Apostilas da Eu Médico Residente,
foram desenvolvidos os seguintes ícones:
Dica de Prova
Informa como determinado conteúdo costuma ser cobrado em Provas.
Lembrar
Apresenta lembretes, macetes ou observações úteis sobre o tema.
Atenção
Alerta para situações de risco, gravidade ou importância clínica relevante.
Definição
Apresenta conceitos fundamentais, termos técnicos e suas explicações.
Indicação
Apresenta prescrição de medicamentos (posologia) e forma de aplicação ou indicação de realização
de procedimentos (conduta).
Mnemônico
Explica mnemônicos e seus significados, facilitando a memorização.
E se fosse
você neste
Plantão?
Paciente do sexo masculino, 45 anos, chega ao seu plantão com relato de dor abdominal
e plenitude pós-prandial, associados a náuseas e vômitos há 3 dias. O paciente informa
que há 4 semanas esteve internado por uma “inflamação” no pâncreas, segundo os
médicos, mas recebeu alta hospitalar. Estava bem em sua residência até o início dos
sintomas, há cerca de 3 dias. Você solicita exames laboratoriais, que evidenciam lipase,
amilase, leucocitose e proteína C reativa (PCR) elevadas. Como se trata de um paciente
com antecedente de pancreatite aguda com piora clínica, você solicita tomografia
computadorizada (TC) de abdome (a seguir):
Abdome Agudo
Objetivos da Aprendizagem
INTRODUÇÃO
Definição
O abdome agudo é caracterizado por uma dor de início súbito e evolução progressiva, sem relação
com a história de trauma, com necessidade de diagnóstico precoce e instituição de tratamento
imediato.
O quadro de abdome agudo faz parte do dia a dia do médico generalista na emergência.
Um dos maiores desafios é reconhecer casos graves ou potencialmente graves, com
necessidade de avaliação do especialista. Pacientes estáveis podem evoluir gravemente em
poucas horas. O médico atento e que conhece as principais etiologias é capaz de intervir e evitar
o agravamento do paciente.
9
Clínica Médica
Lembrar
Abdome agudo não é sinônimo de abdome cirúrgico.
Vale lembrar que uma série de patologias não cirúrgicas pode simular um quadro de abdome
agudo, como o infarto agudo do miocárdio (IAM).
Causas ameaçadoras à vida sempre devem ser excluídas.
Anatomia do peritônio
Definição
Lembrar
A presença de uma grande quantidade de líquido na cavidade peritoneal caracteriza a ascite.
10
Abdome Agudo
Diafragma Esôfago
Fígado
Jejuno e íleo
Escavação retovesical
Bexiga
Reto
Os terços médio e distal do reto são classificados como órgãos extraperitoneais, devido à
ausência de relação com as estruturas do peritônio. O duodeno é, em quase toda a sua extensão,
retroperitoneal, exceto pela parte proximal (primeira porção).
Lembrar
A área de superfície da membrana peritoneal é de 1,0 a 1,7 m2, aproximadamente a área de
superfície corporal total. Nos homens, a cavidade peritoneal é totalmente selada. Já nas
mulheres, é aberta para o exterior pelos óstios da tuba uterina. Entre os peritônios visceral e
parietal, há um espaço virtual com um fluido que protege os órgãos e favorece o deslizamento
das camadas.
11
Clínica Médica
Já a dor visceral é transmitida por fibras não mielinizadas do tipo C, responsáveis pela condução
lenta da dor, que se apresenta mal definida e não localizada, inespecífica e acompanhada de
outros sintomas decorrentes de resposta vagal, como sudorese, bradicardia, náuseas e vômitos
(hipoperistalse). A dor é percebida com frequência na linha média, devido à inervação bilateral
dos órgãos, na região epigástrica, periumbilical ou no hipogástrio, dependendo da origem no
intestino primitivo da estrutura lesada (intestino anterior, médio ou posterior).
A dor visceral geralmente é resultante da distensão ou tração de uma víscera oca, ou da
inflamação e da isquemia. Essa dor é inespecífica e mal localizada. Sua localização tem relação
com a origem embrionária do órgão e a localização da inervação e do segmento do nervo
espinal responsável.
Veja, no Quadro 1, a relação entre origem embrionária, inervação e localização da dor visceral.
Localização Típica
Origem Embrionária: Órgãos Envolvidos: Plexo Responsável:
da Dor:
Intestino delgado
Plexo mesentérico
Intestino médio Apêndice Periumbilical
superior
Cólon direito e transverso
Cólon transverso
Cólon esquerdo Plexo mesentérico Quadrantes inferiores do
Intestino posterior
Sigmoide inferior abdome
Reto
Fonte: EMR ©.
Definição
Por fim, a dor referida ou irradiada é decorrente da captação do estímulo doloroso no mesmo
segmento medular.
Um exemplo clássico é o sinal de Kehr, caracterizado por dor referida na região subescapular
esquerda/ombro causada por irritação diafragmática (nervo frênico), devido à presença de
sangue ou outros irritantes na cavidade peritoneal. Trata-se de um sinal clínico clássico de
ruptura esplênica.
Lembrar
Algumas patologias apresentam inicialmente uma dor visceral e, depois, com o avançar do
quadro, quando há irritação do peritônio parietal, surge a dor parietal. É o clássico exemplo do
quadro clínico da apendicite aguda, que se inicia com dor epigástrica e, com o passar das
horas, a dor se localiza no ponto de McBurney (quadrante inferior direito).
12
Abdome Agudo
13
Clínica Médica
Fonte: Adaptado de Brunetti A, Scarpelini S. Abdômen agudo. Medicina (Ribeirão Preto). 30 Set 2007;40(3):358-67.
Disponível em: [Link] Acesso em: 29 set. 2025.
14
Abdome Agudo
Dica de Prova
A classificação do abdome agudo conforme o mecanismo fisiopatológico responsável pelo
quadro clínico é a mais usada na prática e cobrada em provas.
É necessário entender que cada patologia se encaixa em um desses cinco grandes grupos por
semelhança de fisiopatologia da doença, levando a sintomas e sinais clínicos que são
correspondentes e, na maioria dos casos, são tratados da mesma forma.
Os abdomes agudos perfurativos, por exemplo, apresentam-se com dor abdominal importante,
distensão abdominal e identificação de pneumoperitônio nos exames de imagem e, em sua
maioria, são tratados cirurgicamente.
Já os abdomes agudos inflamatórios apresentam-se com dor abdominal leve, que progride e
pode se tornar localizada, com sinais inflamatórios sistêmicos, como febre, leucocitose e náuseas,
que podem ser tratados clínica ou cirurgicamente.
15
Clínica Médica
AVALIAÇÃO INICIAL
E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O início de qualquer raciocínio diagnóstico é uma boa coleta da história clínica associada ao
exame físico. Exames laboratoriais são importantes e ajudam a classificar o abdome agudo nos
cinco grandes grupos, além de guiar o médico na definição de um paciente mais grave.
Considerando-se as hipóteses diagnósticas possíveis, devem ser solicitados os seguintes exames:
Hemograma completo (atentar para leucocitose);
Eletrólitos séricos;
Função renal;
Amilase e lipase;
Bilirrubinas;
Lactato sérico;
Aminotransferases;
Sumário de urina.
Lembrar
Na classificação do abdome agudo, não se deve esquecer da fração beta do hormônio
gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG) nas mulheres em idade reprodutiva.
16
Abdome Agudo
Diafragma Diafragma
Pneumoperitônio
Definição
17
Clínica Médica
RESPOSTA: Letra E.
COMENTÁRIO: esta questão avalia a capacidade de identificar rapidamente um quadro
cirúrgico de emergência abdominal e indicar o tratamento correto. Estamos diante de um
abdome agudo, com mulher jovem referindo dor abdominal intensa com tempo
determinado (30 minutos). Nesse momento, devemos fazer o diagnóstico sindrômico do
quadro. Além da dor importante de início súbito, um fato que fala muito a favor do
diagnóstico é a presença de abdome rígido, associado à suspeita de peritonite e,
principalmente, à presença de sinal de Jobert. O diagnóstico sindrômico é abdome agudo
perfurativo, e o tratamento consiste em abordagem cirúrgica imediata.
ABORDAGEM GERAL
A abordagem geral do abdome agudo consiste em etapas importantes, independentemente de
já se ter chegado ao diagnóstico da etiologia. A conduta inicial independe da confirmação
etiológica. Quando há suspeita de apendicite aguda ou de diverticulite, enquanto o paciente
ainda aguarda a realização do exame de imagem, a estabilização clínica do paciente é
primordial, pois é fundamental para reduzir o risco de desfecho negativo. A Figura 4 apresenta
as principais etapas da abordagem geral do abdome agudo.
18
Abdome Agudo
RESPOSTA: Letra A.
APENDICITE AGUDA
A apendicite aguda é a principal causa de abdome agudo não traumático no homem, na mulher,
nas crianças e nas gestantes. Por isso, esse diagnóstico deve ser considerado em todos os
pacientes (se ainda não tiverem sido submetidos a uma apendicectomia) que se apresentam
com dor abdominal aguda. A apendicite aguda apresenta maior incidência em pessoas com
idade entre 10 e 40 anos, com variação na literatura, e tem menor incidência no sexo masculino.
19
Clínica Médica
RESPOSTA: Letra C.
Lembrar
Pacientes com apêndice retroperitoneal podem se apresentar com dor dorsal (costas) ou nos
flancos; aqueles com ponta apendicular na linha média da pelve podem referir dor
suprapúbica.
20
Abdome Agudo
Fisiopatologia
A apendicite é causada por obstrução luminal. O fato deste órgão ter um diâmetro luminal
pequeno favorece essa condição. A Figura 5 mostra como a obstrução do lúmen do apêndice
leva a uma série de acontecimentos em cascata.
Isquemia da mucosa
Perfuração
Lembrar
Como o apêndice é uma continuação do ceco, sua flora bacteriana é similar à do cólon,
composta por bacilos gram-negativos e anaeróbios, como Escherichia coli, Bacteroides fragilis,
enterococos, Pseudomonas aeruginosa, entre outros.
As principais causas de obstrução luminal do apêndice são estase fecal e fecalito, seguidas de
hiperplasia linfonodal, neoplasia, materiais da digestão de frutas e vegetais, ingesta de bário e
parasitas, como Ascaris.
Apresentação clínica
A apresentação clássica da apendicite aguda consiste em dor abdominal vaga, principalmente
periumbilical, que, posteriormente, se torna localizada no ponto de McBurney — situado no
quadrante inferior direito do abdome, a, aproximadamente, um terço da distância entre o umbigo
e a espinha ilíaca anterossuperior.
Outros sintomas incluem febre (geralmente baixa, < 38,5 °C e sem calafrios), anorexia, vômitos e
alterações do hábito intestinal.
21
Clínica Médica
Pode estar presente disúria (com sumário de urina evidenciando piúria, inclusive) se houver
contato do apêndice com a bexiga, simulando uma infecção urinária baixa. Pacientes com
peritonite geralmente se apresentam quietos e imóveis, já que o simples ato de caminhar
aumenta a dor abdominal.
Lembrar
Os sintomas podem variar de acordo com a localização da ponta distal do apêndice.
ATENÇÃO
Rigidez abdominal e dor à compressão do ponto de McBurney, com piora importante na
descompressão (sinal de Blumberg) são sugestivos de perfuração.
Dor à compressão na fossa ilíaca direita, com a elevação do membro inferior direito
Lapinsky
esticado (sugestivo de apêndice retrocecal)
Markle Queda sobre os calcanhares após ficar nas pontas dos pés → gera dor
22
Abdome Agudo
Diagnóstico
O diagnóstico de apendicite aguda é clínico, e os exames complementares devem ser utilizados
quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações (> 48 h de evolução). Exames
laboratoriais são inespecíficos.
ATENÇÃO
Diante de uma forte suspeita clínica de apendicite aguda, o tratamento não deve ser
postergado para a realização de exames de imagem.
Nas mulheres, há uma maior tendência à solicitação de exames complementares, já que sempre
deve ser levantado o diagnóstico diferencial de afecções ginecológicas, desde que a paciente
esteja clinicamente estável.
Exames de Imagem
Uma variedade de exames auxilia o diagnóstico, como radiografias (identificação de fecálito
calcificado), TC, USG e ressonância magnética nuclear (RMN).
Entre eles, a TC é o exame mais comum para esse diagnóstico e é altamente eficaz, com uma
sensibilidade de 90 a 100% e especificidade de 91 a 99% quando é administrado o contraste
endovenoso, que é recomendado pela maioria das diretrizes. É visualizado um apêndice espesso,
com diâmetro > 7 mm e borramento de estruturas adjacentes ou líquido periapendicular,
indicativo de inflamação. Além disso, há o chamado sinal do alvo.
A USG de abdome também é um bom exame para o diagnóstico de apendicite aguda,
especialmente nas pacientes gestantes, que não devem ser submetidas à radiação da TC. Na
USG, é identificado um apêndice tipicamente aumentado, imóvel e não compressível, com
diâmetro > 6 a 7 mm, e pode ser visualizado o fecalito.
Todo exame de USG é limitado por obesidade e interposição gasosa, além de ser examinador-
dependente. Esse é o exame de escolha nas gestantes.
Lembrar
USG sem visualização do apêndice não descarta o quadro de apendicite aguda.
O uso de RMN fica reservado para gestantes com quadros duvidosos. Seus achados são os
mesmos encontrados na TC, mas a técnica apresenta limitações decorrentes do alto custo e da
baixa disponibilidade.
23
Clínica Médica
Escore de Alvarado
Testes com auxiliam a realização do diagnóstico correto da apendicite aguda, como os escores
de Alvarado, de Lintula e de Ohmann. Os escores têm valores para cada parâmetro. A soma
desses valores pode evidenciar vários graus de probabilidade diagnóstica à apendicite aguda.
O escore mais utilizado é o de Alvarado, que é baseado em três sintomas, três sinais e dois dados
laboratoriais. De acordo com esse escore, a probabilidade de apendicite aguda é alta quando o
paciente recebe sete pontos ou mais, e a apendicectomia já pode ser indicada.
Veja, no Tabela 1, os itens que compõem o escore de Alvarado e memorize aqueles que marcam
dois pontos.
Escore: Pontuação:
Sintomas
Anorexia 1
Sinais
Dor à descompressão 1
Achados laboratoriais
Leucocitose 2
TOTAL 10
Fonte: Adaptada de Alvarado A. A Practical Score for The Early Diagnosis of Acute Appendicitis. Ann Emerg Med. 1986
May;15(5):557-64.
Ao interpretar o escore, tem-se:
Somatório de pontos maior ou igual a 7: representa alto risco.
Somatório de pontos menor ou igual a 3: representa baixo risco, com baixa probabilidade de
apendicite aguda.
Lembrar
Houve uma atualização do escore de Alvarado, que passou a ser denominado escore de
Alvarado modificado. Nessa atualização, foi excluído o item “desvio à esquerda”, constam
apenas 7 itens e com o total de 9 pontos (e não 10, como no escore original). O escore
modificado é mais utilizado mundialmente, e, nesse caso, escores maiores ou iguais a 4 são
mais sugestivos de apendicite e devem ser investigados.
24
Abdome Agudo
Lembrar
Alguns autores descrevem as fases da apendicite com a seguinte terminologia: fase inicial,
edematosa ou catarral; fase fibrinosa; fase purulenta ou flegmonosa; e fase necrótica,
gangrenosa ou perfurada. Fique ATENTO!
Abordagem terapêutica
Na apendicite aguda não complicada, ou seja, casos sem sinais clínicos ou radiológicos de
perfuração (massa inflamatória, flegmão ou abscesso), o tratamento mais realizado
mundialmente é a apendicectomia, com frequência realizada dentro de 24 h.
A administração intravenosa de antibióticos de amplo espectro contra organismos gram-
negativos e anaeróbios deve ser iniciada imediatamente; e, em geral, é descontinuada após a
dose única pré-operatória.
Existem evidências crescentes de que, em muitos aspectos, a terapia antibiótica não é inferior à
cirurgia (apendicectomia) para casos não perfurados em pacientes saudáveis. Isso significa que
o tratamento não cirúrgico em casos de apendicite não complicada é possível, indicado na
maioria dos protocolos para pacientes com diagnóstico de apendicite localizada, sem achados
clínicos de peritonite difusa ou evidência de imagem de grande abscesso, flegmão, perfuração
ou tumor.
Indicação
Em casos de apendicite não complicada, a maioria dos estudos traz protocolos de antibio-
ticoterapia endovenosa por 1 ou 3 dias (até melhora clínica) com posterior antibioticoterapia
oral por mais 7 a 10 dias. Os antibióticos mais utilizados são:
• Endovenoso: ceftriaxona 2 g/dia OU levofloxacino 750 mg+ metronidazol 500 mg, 8/8 h;
• Oral: cefdinir 600 mg/dia OU ciprofloxacino/levofloxacino + metronidazol OU amoxicilina-
clavulanato 875 mg, 12/12 h.
25
Clínica Médica
Em resumo, mesmo diante dessa “nova onda” de tratamento conservador em alguns casos de
apendicite aguda, esses mesmos autores NÃO o recomendam para gestantes, imunossuprimi-
dos portadores de doença inflamatória intestinal, nem para aqueles pacientes com peritonite
difusa, instabilidade hemodinâmica e sepse.
Outro conceito relevante é que, nos casos de pacientes candidatos ao tratamento não cirúrgico,
os riscos e benefícios desse tratamento devem ser compartilhados, a fim de que haja uma
decisão conjunta acerca de qual manejo será realizado, desde que o paciente esteja ciente das
vantagens e desvantagens de cada tratamento.
Nos casos de apendicite aguda complicada, primeiramente uma ressuscitação mais agressiva
deve ser realizada.
Indicação
Em casos de apendicite aguda complicada, também deve ser prontamente iniciada a
antibioticoterapia, que geralmente é continuada por 4 a 7 dias.
Nos casos não passíveis de drenagem, no entanto, uma apendicectomia imediata pode ser
necessária. Pacientes que falharam clínica ou radiologicamente ao tratamento clínico inicial
devem ser submetidos à apendicectomia de resgate, enquanto aqueles que responderam bem
podem receber alta para término do tratamento com antibiótico por 7 a 10 dias e retornar para
acompanhamento após 6 a 8 semanas. Nesse momento, pacientes com > 40 anos devem ser
submetidos à colonoscopia, devido ao risco aumentado de neoplasia colônica.
A apendicectomia de intervalo, ou seja, após as 6 a 8 semanas do quadro inicial, é sugerida pela
maioria dos autores, principalmente para exclusão de uma neoplasia apendicular.
ATENÇÃO
Pacientes com apendicite de longa duração de sintomas, com abscessos ou flegmão, quando
submetidos à apendicectomia imediata, apresentam alta morbidade em virtude da presença
de inflamação importante e aderências firmes, que dificultam o ato cirúrgico, além de
necessitar de grandes ressecções, como cecostomias ou colectomias. Além disso, uma
apendicectomia, nesses casos, aumenta muito a chance de complicações pós-cirúrgicas,
como fístulas e abscessos.
26
Abdome Agudo
O tratamento não operatório inicial permite uma redução da inflamação local, e a apendicec-
tomia, posteriormente, pode ser realizada com menor risco.
Pode-se chamar essa conduta de “esfriar o processo inflamatório”. Felizmente, a maioria dos
pacientes submetidos ao tratamento não operatório inicial tem boa resposta (até 80% dos
casos) e são poupados de uma apendicectomia nesse momento inicial.
Indicação
A apendicectomia de emergência deve ser indicada em qualquer evidência de falha de tratamento
clínico ou evolução para perfuração livre.
Lembrar
A apendicectomia videolaparoscópica não é contraindicada nos casos de apendicite
perfurada.
Indicação
O diagnóstico imediato e a intervenção cirúrgica são indicados, pois atrasar a intervenção cirúrgica
por mais de 24 h após o início dos sintomas aumenta o risco de perfuração, que ocorre em 14 a 43%
desses pacientes.
27
Clínica Médica
ATENÇÃO
O risco de perda fetal aumenta quando o apêndice perfura (perda fetal 36 × 1,5% sem
perfuração) ou quando há peritonite generalizada ou abscesso peritoneal (perda fetal 6 × 2%;
parto prematuro 11 × 4%).
Nenhum ensaio randomizado foi realizado para sugerir que uma técnica é melhor que outra
(aberta ou laparoscópica), e a escolha da técnica é baseada no estado clínico e nas
preferências do paciente, na idade gestacional e no nível de experiência do cirurgião.
A laparoscopia pode ser realizada com sucesso durante todos os trimestres da gestação e com
poucas complicações.
Artéria mesentérica
superior
Artéria
pancreaticoduoden
al inferior
Artéria cólica média
Artéria cólica direita
Artéria ileocólica
Ramos jejunais
Ramos ileais
28
Abdome Agudo
Outra artéria importante para a irrigação intestinal é a artéria mesentérica inferior (AMI),
responsável pelo suprimento sanguíneo do cólon e do reto. Este último tem irrigação arterial em
três ramos (artérias retais superior, média e inferior) provenientes da AMI, da artéria hipogástrica
e da artéria pudenda.
A Figura 7 apresenta a AMI e seus ramos, com destaque para a artéria marginal de Drummond
e o arco de Riolan.
Artéria marginal
Aorta
inferior
Artéria cólica direita
Ramo sigmoide
Ilíaca interna
Isquemia mesentérica
Definição
Isquemia mesentérica é a interrupção do suprimento sanguíneo para o intestino que leva à isquemia
e ao sofrimento intestinal grave e pode culminar em perfuração.
A isquemia mesentérica pode ser causada por qualquer processo que reduza o fluxo sanguíneo
para o intestino, como oclusão arterial, venosa ou vasospasmo.
Etiologia
As duas maiores causas de oclusão mesentérica aguda são embolia da artéria mesentérica
(mais comum) etrombose da artéria mesentérica.
Veja, a seguir, as causas em sua ordem de importância:
Embolia da artéria mesentérica superior: 50%.
Isquemia mesentérica não oclusiva: 20 a 30%.
Trombose da artéria mesentérica superior: 15 a 25%.
Trombose da veia mesentérica: 3 a 5%.
29
Clínica Médica
A embolia para as artérias mesentéricas pode ocluir parcial ou completamente o vaso ou seus
ramos distais, além de ser mais frequentemente associada ao desprendimento de um trombo
originado do átrio esquerdo, do ventrículo esquerdo, das válvulas cardíacas ou da aorta pro-
ximal. Por isso, é comum a história de embolização prévia, como acidente vascular cerebral
cardioembólico.
Os êmbolos tendem a se alojar em áreas de estreitamento anatômico normal, em geral em um
ponto de ramificação de uma artéria. O grande diâmetro e o ângulo de origem estreito da AMS
tornam essa artéria anatomicamente mais suscetível à embolia. A AMI raramente é afetada,
devido ao seu menor calibre.
Lembrar
O êmbolo geralmente se aloja 3 a 10 cm distal à origem da AMS, em um segmento colônico
distal à origem da artéria cólica média e poupa os primeiros ramos jejunais. Aproximadamente
15% dos êmbolos se alojam na origem da AMS.
30
Abdome Agudo
Isquemia vascular não oclusiva, cujo mecanismo fisiopatológico é um estado de baixo débito
no órgão, resultante de uma vasoconstrição exacerbada. Os pacientes típicos são os que estão
em uso de digitálicos para tratamento de insuficiência cardíaca – medicamentos com
potencial de gerar vasoconstrição esplâncnica.
Nas áreas em que há abundante circulação colateral, como o duodeno e o reto, a isquemia é
rara. Em regiões como o ângulo esplênico (ponto de Griffiths) e a flexura retossigmoide (ponto
de Sudeck), a circulação colateral existe, porém é mais deficiente, com risco mais alto para
isquemia. A circulação mesentérica oferece múltiplas possibilidades de colateralização, que
podem ser demonstradas angiograficamente.
Algumas estruturas fazem uma comunicação entre os principais troncos arteriais. Entre a AMS e
o tronco celíaco, a comunicação ocorre principalmente através dos vasos gastroduodenais e
pancreaticoduodenais. Já entre a AMS e a AMI, a maior rede de anastomose ocorre através da
artéria marginal de Drummond, uma artéria contínua ao cólon, formada por ramos da ileocólica
e das cólicas direita, média, esquerda e sigmóidea.
ATENÇÃO
A presença de artéria marginal de Drummond alargada à angiografia sugere oclusão de uma
das artérias mesentéricas. Nessa situação, outra comunicação que pode ser evidenciada é a
arcada de Riolan, geralmente formada por ramos da cólica média e da cólica esquerda.
Apesar da comunicação entre as artérias, existem locais do intestino mais suscetíveis à
isquemia, como a flexura esplênica e a junção retossigmoide.
Apresentação clínica
Há um protótipo de pacientes com embolia mesentérica: paciente idoso com fibrilação atrial
(ou outra fonte de embolia) e dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico. Essa é
a descrição de quase metade dos pacientes. Os pacientes podem apresentar, também, alte-
ração do hábito intestinal, náuseas e vômitos e até evacuações sanguinolentas, nos casos de
isquemia avançada. Em geral, há relato de uso de anticoagulação prévia por causas cardíacas,
e um evento embólico prévio está presente em até um terço dos pacientes.
O paciente típico com oclusão trombótica é um paciente com fatores de risco para
aterosclerose e, possivelmente, portador de doença arterial periférica; também pode ter
diagnóstico prévio de isquemia mesentérica crônica (sintomas de dor pós-prandial crônica,
aversão alimentar e perda de peso). Esses pacientes queixam-se de uma dor crônica
denominada angina mesentérica. Pacientes com isquemia crônica sentem medo de se
alimentar, pois isso desencadeia a dor, e isso leva à perda de peso
Diagnóstico
Apesar da suspeição com a história clínica e o exame físico, o diagnóstico definitivo é feito por
meio da demonstração da interrupção do fluxo sanguíneo em exames de imagem.
A angiotomografia (angio-TC) de alta resolução é um importante exame nesses casos, pois
pode diferenciar entre embolia e trombo, mapear circulação colateral e programar a revascu-
larização. Casos que não são esclarecidos com a angio-TC podem necessitar da arteriografia,
considerada o padrão-ouro.
31
Clínica Médica
A tomografia permite, ainda, identificar sinais indiretos de sofrimento intestinal, como distensão
de alças, presença de líquido livre na cavidade abdominal, espessamento e gás na parede da
alça (pneumatose intestinal). Os exames laboratoriais geralmente apresentam leucocitose e
acidose lática/hiperlactatemia. Pacientes com sinais de isquemia avançada, com perfuração,
peritonite e instabilidade hemodinâmica terão seu diagnóstico na sala de cirurgia.
ATENÇÃO
Devido ao risco de perfuração e, consequentemente, à piora do quadro clínico, deve-se evitar
realizar colonoscopia e enema baritado na fase aguda da doença.
Tratamento
O tratamento específico depende do estado clínico do paciente, da etiologia e da localização da
oclusão. A abordagem pode ser por meio de cirurgia aberta, tratamento endovascular ou da
combinação de ambas as modalidades.
Lembrar
Todos os pacientes devem ser inicialmente estabilizados clinicamente por meio da infusão de
fluidos e do início de antibioticoterapia, além de ser avaliados quanto à necessidade de
passagem de sonda nasogástrica para descompressão.
Pacientes com bom risco cirúrgico, que têm indicação de laparotomia imediata, como perito-
nite com características de isquemia avançada nos exames de imagem, devem ser encami-
nhados imediatamente ao centro cirúrgico. Uma das principais metas no momento cirúrgico é
identificar se aquele segmento intestinal pode ser poupado ou deve ser ressecado (sinais de
sofrimento isquêmico irreversível). O manejo da isquemia intestinal pode exigir várias opções de
tratamento, de acordo com a etiologia:
Oclusão arterial mesentérica: O tratamento tradicional da embolia arterial mesentérica aguda é a
laparotomia cirúrgica precoce com embolectomia. Essa pode ser a abordagem preferencial para
pacientes com embolia mesentérica superior proximal e única, pois proporciona tratamento
rápido e permite a inspeção direta do intestino. Uma abordagem alternativa, porém, menos
estabelecida para embolia aguda, particularmente naqueles com comorbidades graves, é a
infusão local de um agente trombolítico; no entanto, essa opção é reservada para pacientes com
menor duração dos sintomas e sem sinais de peritonite. Para trombose arterial mesentérica, as
opções incluem revascularização cirúrgica ou trombólise com angioplastia endovascular e
colocação de stent.
Trombose venosa mesentérica: A anticoagulação pode ser a “peça-chave” necessária no
tratamento. Se os sintomas progredirem, a exploração abdominal pode ser necessária para avaliar
o intestino inviável.
Isquemia mesentérica não oclusiva: O tratamento se concentra na remoção dos fatores
desencadeantes (medicamentos vasoconstritores), tratamento das causas subjacentes
(insuficiência cardíaca, sepse), suporte e monitoramento hemodinâmico e infusão intra-arterial de
vasodilatadores, se necessário.
32
Abdome Agudo
Colite isquêmica
A colite isquêmica representa mais de 50% dos casos de episódios isquêmicos gastrintestinais e
é considerada a forma mais comum de isquemia do trato gastrintestinal (TGI). Está relacionada
às áreas intestinais pouco perfundidas, mais suscetíveis à isquemia em casos de baixo fluxo
sanguíneo, como as áreas de Griffith e Sudeck (citadas anteriormente), mas não exclusivamente
dessas áreas.
Etiologia
A colite isquêmica pode resultar de causas oclusivas (tromboembolismo) e não oclusivas. Várias
causas são descritas nos casos não oclusivos de colite:
Idade > 65 anos.
Arritmias cardíacas.
Síndrome do intestino irritável.
Constipação.
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Vasculite.
Medicamentos.
Corridas de longa distância.
Qualquer condição sistêmica que resulte em hipotensão e baixo fluxo sanguíneo, como choque, e
afete a microvasculatura da parede colônica.
Outro fator de importância é a manipulação da artéria aorta, como nas cirurgias de reconstrução
ou nas correções de aneurismas, devido à oclusão da AMI; nesses pacientes, se a circulação
colateral não for suficiente, haverá isquemia do cólon esquerdo e sigmoide.
Apresentação clínica
Semelhante à colite infecciosa, a apresentação clínica da colite isquêmica consiste em dor
abdominal, diarreia sanguinolenta, febre e sepse.
Na radiografia de abdome, é identificado o sinal da impressão do polegar (thumb printing), que
representa edema de parede colônica, que é específico de isquemia, mas não é diagnóstico.
A TC de abdome é útil para a identificação da isquemia, por meio de espessamento da parede
abdominal ou pneumatose, além de possíveis complicações.
A retossigmoidoscopia tem a vantagem de visualizar a mucosa diretamente, com achados
de palidez e sangramento, com áreas de inflamação intercaladas com mucosa saudável. Sua
principal desvantagem é não identificar se a isquemia é de espessura total ou parcial, a não ser
em casos graves.
Embora a maioria dos casos, quando identificados prontamente, não necessitem de intervenção
cirúrgica, o atraso no diagnóstico e a progressão da doença com peritonite e perfuração podem
resultar na necessidade de colectomia de emergência.
33
Clínica Médica
Indicação
Nos pacientes estáveis, sem evidência de perfuração, o manejo conservador consiste em repouso
intestinal, sonda nasogástrica, reposição de fluidos venosos e vigilância para detecção precoce de
piora clínica.
Definição
O divertículo colônico é uma protrusão sacular da parede do cólon, que ocorre por reação ao aumento
da pressão intraluminal, alterações estruturais do cólon e motilidade desordenada. Trata-se de um
pseudodivertículo, pois há protrusão apenas da mucosa e da submucosa.
Divertículo
Musculatura
Circular
Apêndice Epiploico
Apêndice
Epiploico
Tênia Colônica
Divertículo
Figura 8 – À esquerda: esquematização da doença diverticular dos cólons. À direita: imagem colonoscópica de
divertículos na parede colônica. Fonte: Eu Médico Residente ©; animaxx3d/[Link]
34
Abdome Agudo
obesidade;
Tabagismo;
uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINE), esteroides e opiáceos;
síndromes de Ehlers-Danlos, Marfan e Williams-Beuren;
pessoa que vive com vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Lembrar
Na doença diverticular, o sigmoide e o cólon descendente são os segmentos mais comu-
mente envolvidos.
O divertículo apresenta um colo e um orifício de entrada, que pode, por vários motivos, ser obs-
truído. Caso ocorra obstrução com consequente inflamação, o paciente pode apresentar um
quadro de diverticulite. A doença diverticular corresponde ao conjunto de manifestações
associadas à diverticulose, desde dor abdominal inespecífica, sangramento e colite segmentar
até a diverticulite aguda.
Definição
Diverticulite aguda
A diverticulite resulta da perfuração de um divertículo colônico, o que leva à inflamação perico-
lônica pelo extravasamento de conteúdo fecal através do divertículo rompido.
Os pacientes geralmente se apresentam com dor abdominal localizada no quadrante inferior
esquerdo, já que o sigmoide é o local mais afetado.
Outros sintomas podem incluir alteração do hábito intestinal, anorexia, náuseas, febre e urgência
urinária. Pode haver distensão e sensibilidade abdominal, além do surgimento de massa
palpável em quadrante inferior esquerdo e sinais de peritonite em casos avançados.
Apesar do exame físico e história sugestivos, os exames de imagem ajudam a confirmar o
diagnóstico. A TC é um exame amplamente utilizado, pois fornece o diagnóstico e as informa-
ções sobre o estágio da doença e as complicações, inclusive pode ser considerada padrão-
ouro. Esses achados são importantes para o planejamento e o manejo desses pacientes.
USG e RNM também podem ser utilizadas, mas não superam a TC. A sigmoidoscopia deve
ser realizada com cautela nos casos agudos, devido à distensão colônica, após a insuflação
gasosa, que pode levar à perfuração. Alguns autores não recomendam a colonoscopia ou
a sigmoidoscopia.
Lembrar
Os divertículos do cólon esquerdo apresentam maior tendência à inflamação, enquanto os do
cólon direito estão mais associados a sangramento.
35
Clínica Médica
Manejo da diverticulite
Como nos casos de abdome agudo, o paciente deve primeiro ser estabilizado clinicamente.
O manejo depende da gravidade da doença na apresentação, pode ser um quadro de
diverticulite simples ou complicada.
Pacientes com diverticulite complicada apresentam abscesso, fístula, obstrução ou perfuração
livre.
Uma forma de classificar o paciente e estabelecer a morbidade da doença é utilizar a
classificação de Hinchey, apresentada na Tabela 2 e na Figura 9. Essa classificação também é
utilizada para nortear o tratamento.
Fonte: Adaptada de Hinchey EJ, Schaal PG, Richards GK. Tratamento da Doença Diverticular Perfurada do Cólon. Adv. Surg.
1978; 12:85–109.
36
Abdome Agudo
Fonte: Adaptado de Aratake HA, Netto AML, Mendonça MQ. Tratamento Cirúrgico da Diverticulite Aguda Complicada: Os
Desafios no Século XXI. Vittalle. 2022;34(3):67-72.
O manejo da diverticulite varia conforme a gravidade do quadro clínico e a presença ou não de
complicações, orientado pela classificação de Hinchey modificada, que estratifica os pacientes
conforme a extensão da inflamação e da complicação presente. De forma geral, distingue-se
entre diverticulite aguda não complicada e complicada, cada uma com condutas específicas:
Diverticulite aguda não complicada: a maioria dos pacientes tem seus sintomas resolvidos com
antibiótico e modificação dietética. Após a resolução do episódio inicial, cerca de 33% dos pacientes
apresentarão crises recorrentes ou permanecerão sintomáticos.
Diverticulite aguda complicada: os casos de Hinchey I e II podem ser manejados com antibióticos
e drenagem percutânea do abscesso. Dessa forma, uma abordagem cirúrgica inicial é evitada.
Hinchey III e IV geralmente constituem emergências cirúrgicas. No contexto de emergência, em um
cenário de grande contaminação, após a ressecção do segmento perfurado, a anastomose
primária intestinal não é segura, de modo que é feita colectomia à Hartmann, na maioria dos casos.
Indicação
As diretrizes atuais apoiam a recomendação de ressecção eletiva após um único episódio de
diverticulite complicada.
37
Clínica Médica
Nas literaturas mais atuais, como UpToDate, quando há um Hinchey III, tem-se a opção de fazer
uma anastomose primária com alguma derivação do trânsito OU lavagem cavitária com
posterior drenagem OU cirurgia de Hartmann. Dessa forma, procedimentos menos invasivos
podem ser opções para pacientes selecionados. Nos pacientes com Hinchey IV, a conduta
é Hartmann.
Definição
A colectomia à Hartmann consiste na ressecção do segmento intestinal acometido (na maioria dos
casos, o sigmoide), seguida da realização de uma colostomia (abertura na parede abdominal) na
extremidade distal do cólon remanescente e do fechamento do coto retal dentro da cavidade
abdominal.
RESPOSTA: Letra C.
COMENTÁRIO: Esta questão trata de diverticulite aguda, com foco na classificação da
gravidade com o escore de Hinchey e na definição da conduta inicial de acordo com essa
classificação. Temos um paciente com diverticulite aguda não complicada, con-
siderando o achado de espessamento em sigmoide e de diversos divertículos. O abs-
cesso pericólico classifica essa doença como Hinchey I, ou IB. Em abscessos maiores,
como maiores de 5 cm, apenas o antibiótico não será suficiente para a resolução do
problema, de modo que é necessária a drenagem do abscesso. Essa drenagem é reali-
zada de forma percutânea e pode ser guiada por algum exame de imagem, como USG.
PANCREATITE AGUDA
A afecção pancreática aguda é uma das mais importantes afecções agudas gastrintestinais.
Sua importância está relacionada com a funcionalidade do pâncreas, que exerce função
endócrina e exócrina, e a morbimortalidade atrelada à doença.
38
Abdome Agudo
A cabeça pancreática repousa no arco duodenal e tem íntima relação com este; por sua vez, o
processo uncinado se estende da cabeça pancreática para trás da veia mesentérica superior, e
termina adjacente à AMS. Dessa forma, fica fácil de entender como um tumor de cabeça de
pâncreas, por exemplo, pode causar obstrução intestinal alta, já que essa estrutura é
praticamente “abraçada” pelo duodeno e a sua relação íntima com vasos importantes torna
tumores avançados irressecáveis.
Em relação ao suprimento arterial, o pâncreas é irrigado por uma rede complexa de vasos do
tronco celíaco e da AMS: artérias pancreaticoduodenais anterior e posterior (superior e inferior),
artéria esplênica, artéria pancreática dorsal e artéria pancreática inferior. A drenagem venosa é
correspondente às artérias.
Álcool CPER
Idiopático Drogas
Lesão Pancreática
TNF-alfa e IL-
1
Cascata Inflamatória
(IL-2, IL-6, IL-8, IL-10, bradicinina, fator ativador de plaquetas)
MORTE
Figura 10 – Fatores de Risco a Pancreatite Aguda Severa. CPER: colangiopancreatografia endoscópica retrógrada; IL-8:
interleucina 8; IL-10: interleucina 10. Fonte: EMR ©.
39
Clínica Médica
Colelitíase ou cálculos biliares (40%) e alcoolismo (35%) são as principais causas de pancreatite
aguda, correspondendo, juntos, a 70 a 80% de todos os casos.
A incidência de pancreatite aguda em pacientes com cálculos biliares sintomáticos é de 3 a 8%,
mais frequente em mulheres com idade entre 50 e 70 anos.
O mecanismo exato que desencadeia a lesão pancreática causada por cálculos biliares ainda
não é completamente compreendido, mas duas teorias foram propostas:
A primeira é a teoria obstrutiva, em que a lesão pancreática é o resultado da pressão excessiva
dentro do ducto pancreático, como resultado da secreção pancreática contínua em um ducto
obstruído. Alterações anatômicas, como pâncreas divisum, pâncreas anular, tumores ou parasitas,
podem causar fluxo anormal do suco pancreático para o duodeno, o que favorece o processo.
Na segunda teoria, os cálculos são impactados na ampola de Vater e formam um canal comum
que permite o refluxo de sais biliares para o pâncreas, os quais causariam necrose acinar direta.
A pancreatite aguda pode ocorrer, também, como uma complicação após a CPER, e afeta
cerca de 5 a 10% dos casos.
Dica de Prova
Guarde este conceito cobrado em Provas: a principal complicação da CPER é a pancreatite
aguda.
Alguns medicamentos podem resultar em pancreatite. Entre os principais, podemos citar sul-
fonilamidas, metronidazol, eritromicina, tetraciclina, tiazídicos, furosemida, azatioprina e antir-
retrovirais. Hipercalcemia e hipertrigliceridemia também estão relacionadas à pancreatite, assim
como trauma abdominal e manipulação excessiva pancreática durante procedimentos
cirúrgicos e após a embolização da artéria esplênica.
O Quadro 6 sintetiza as causas mais frequentes e relevantes da pancreatite aguda, que incluem
fatores metabólicos, anatômicos, traumáticos, procedimentos endoscópicos e causas sem etio-
logia definida (idiopática).
40
Abdome Agudo
Trauma Causa rara, mas qualquer contusão pancreática deve ser considerada de risco
Pancreatite isquêmica Após hipoperfusão ou cirurgias com bypass que causam isquemia
Lembrar
A irradiação da dor para as costas ocorre devido à localização retroperitoneal do pâncreas.
Até 90% dos pacientes têm náuseas ou vômitos, que normalmente não aliviam a dor. Outros
sintomas são desidratação, taquicardia, hipotensão, além de casos mais graves, com altera-
ção do nível de consciência, inclusive com irritação peritoneal ao exame físico.
Achados de gravidade no exame físico incluem equimoses no flanco (sinal de Gray Turner) e
periumbilical (sinal de Cullen), que indicam sangramento retroperitoneal associado à
pancreatite grave.
Alguns pacientes podem apresentar icterícia, quando há coledocolitíase ou edema obstrutivo
da cabeça pancreática. Raramente, há derrame pleural no hemitórax esquerdo secundário à
pancreatite. Outro sinal também indicativo de hemorragia retroperitoneal é o sinal de Fox, em
que há equimoses na base peniana.
O diagnóstico da pancreatite aguda é centrado nos achados clínicos associados à elevação dos
níveis plasmáticos de enzimas pancreáticas. Uma elevação acima de 3x o valor da normalidade
sérica de amilase e lipase confirma o diagnóstico.
A meia-vida sérica da amilase é menor do que a da lipase, por isso, em pacientes que não
comparecem ao hospital nas primeiras 24 a 48 h do aparecimento dos sintomas, a determi-
nação dos níveis de lipase é um indicador mais sensível para o diagnóstico. Além disso, outras
condições podem elevar a amilase. Ou seja, o diagnóstico da pancreatite aguda é clínico e
laboratorial, de modo que não precisa de exames de imagem.
A elevação da amilase sérica nem sempre indica pancreatite. Veja outras condições que po-
dem causar aumento da amilase na Figura 11.
41
Clínica Médica
Lembrar
O aumento da alanina aminotransferase (TGP) no contexto de pancreatite aguda tem um valor
preditivo positivo de 95% no diagnóstico de pancreatite de etiologia biliar.
Apesar de o diagnóstico ser clínico, alguns exames de imagem são úteis na identificação da
etiologia e na estratificação de gravidade:
USG de abdome: A identificação do pâncreas nesse exame é prejudicada pela gordura intra-
abdominal e pela interposição gasosa das alças intestinais. No entanto, deve sempre ser solicitado,
devido à sua alta sensibilidade no diagnóstico de cálculos biliares.
TC de abdome com contraste: É atualmente o melhor exame para avaliação do pâncreas
(viabilidade do parênquima pancreático, quantificação da inflamação pancreática, presença de
coleções ou fluidos intracavitários).
RMN: Também é útil para avaliar a extensão da necrose, inflamação e presença de líquido livre.
Contudo, o alto custo e a baixa disponibilidade limitam seu uso.
Colangiorressonância magnética: Não tem papel diretamente para a avaliação pancreática, mas
sua importância está relacionada aos quadros de pancreatite inexplicada ou recorrente em virtude
da completa visualização das vias biliares e da anatomia do ducto pancreático.
USG endoscópica: Desempenha um papel importante na avaliação de coledocolitíase nos casos
de pancreatite biliar, pois permite o exame da via biliar e do pâncreas sem risco de piora da
pancreatite.
CPER: Não há evidências de identificação de obstrução persistente, pois, na maioria dos casos, os
cálculos migram e não são encontrados no momento do exame. Além disso, pode piorar os
sintomas pela manipulação pancreática. É indicada em poucos casos selecionados, como
naqueles com coledocolitíase persistente, confirmada pela USG endoscópica ou pela
colangiorressonância.
Lembrar
A TC de abdome com contraste ou a RMN do pâncreas devem ser reservadas para pacientes
com dúvida diagnóstica ou sem melhora clínica nas primeiras 48 a 72 h, após a admissão
hospitalar (p. ex., persistência da dor, febre, náuseas e impossibilidade de alimentação oral) ou
que evoluíram com complicações.
42
Abdome Agudo
A – Pâncreas normal 0
Sem necrose 0
Necrose de 30 a 50% 4
Critérios de Ranson
Atualmente, o escore de Ranson é composto por 11 parâmetros, em que cinco são avaliados na
admissão, e o restante, durante as primeiras 48 h.
O escore é um importante preditor de mortalidade, motivo pelo qual é amplamente utilizado.
Segundo as principais literaturas, um escore maior ou igual a 3 é indicativo de maior gravidade.
Os pacientes podem ser dividiso em três grupos:
Grupo 1: 1 a 3 critérios.
Grupo 2: 3 a 6 critérios (pacientes com 3 critérios foram inseridos nos dois grupos).
Grupo 3: com mais de 6 critérios.
43
Clínica Médica
À admissão À admissão
Idade > 55 anos Leucócitos > 16.000 / mm3 LDH > Idade > 70 anos Leucócitos > 18.000 / mm3 LDH >
350 U/L 250 U/L
AST > 250 U/L AST > 250 U/L
Glicemia > 200 mg/dL Glicemia > 220 mg/dL
Em 48 h Em 48 h
Queda do hematócrito > 10% Aumento da BUN > 5 Queda do hematócrito > 10% Aumento da BUN > 2
mg/dL Cálcio < 8 mg/dL mg/dL Cálcio < 8 mg/dL
PO2 < 60 mmHg PO2 < 60 mmHg
Déficit de bases > 4 mEq/L Perda de fluido > 6 L Déficit de bases > 5 mEq/L Perda de fluido > 4 L
AST: aspartato aminotransferase; BUN: blood urea nitrogen (nitrogênio ureico no sangue); LDH: lactato desidrogenase;
PO2: pressão parcial de oxigênio.
Fonte: Adaptada de Ferreira AF, Bartelega JA, Urbano HCA, et al. Fatores Preditivos de Gravidade da Pancreatite Aguda: Quais e
Quando Utilizar? ABCD Arq. Bras. Cir. Dig. 2015;28(3):207-11.
APACHE II
O escore APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) é um dos meios mais
utilizados para estratificação de gravidade e risco de mortalidade da pancreatite aguda. Conta
com 12 parâmetros de avaliação, além de pontuação extra, baseada na idade e na presença de
doenças crônicas.
A grande vantagem do APACHE II é que ele pode ser utilizado logo na admissão, nas primeiras 24
h, e diariamente na avaliação da evolução do paciente. Valores maiores ou iguais a 8 na
admissão são indicativos de pancreatite grave.
Escore de Glasgow
Glasgow adaptou o modelo de Ranson para que este pudesse ser utilizado logo à admissão, de
modo que não precisasse dos valores após 48 h. Um escore superior ou igual a 3 representa
pancreatite grave.
Veja, na Tabela 5, os parâmetros do escore de Glasgow.
Parâmetros: Valores:
Idade > 55 anos
44
Abdome Agudo
Lembrar
A pancreatite aguda é considerada grave quando:
• Ranson: maior ou igual a 3.
• Apache: maior ou igual a 8.
• Glasgow: maior ou igual a 3.
RESPOSTA: Letra D.
COMENTÁRIO: lembre-se de que a classificação de Glasgow faz parte do arsenal de
classificações da pancreatite aguda. Esse escore, assim como o de Ranson, leva 48 h
para ser concluído, pode ser usado apenas uma vez e não apresenta alto grau de
sensibilidade e especificidade. A maior parte da literatura traz o ponto de corte maior ou
igual a 3 para definir pancreatite aguda grave, com mortalidade de cerca de 15%.
O gabarito liberado pela banca foi a letra D, o que nos faz pensar que os pacientes com
pancreatite NÃO grave, com escore maior ou igual a 2, devem receber tratamento
adequado, em um primeiro momento, intra-hospitalar.
45
Clínica Médica
• Infectada.
• Estéril.
A infecção é rara na pancreatite necrotizante, que pode ser diagnosticada com base em sinais
de sepse ou a combinação de sinais clínicos e de imagem (gás extraluminal dentro de áreas de
necrose no pâncreas ou nos tecidos peripancreáticos).
Do mesmo modo, o diagnóstico de necrose infectada pode ser feito baseado na punção
aspirativa por agulha fina guiada por TC, quando bactérias ou fungos são vistos na coloração
de Gram e a cultura é positiva. A falta de positividade do Gram ou da cultura deve ser interpretada
com cautela.
Lembrar
A maioria dos casos de pancreatite aguda é enquadrada como edematosa intersticial.
O Quadro 7 traz um resumo dos critérios da classificação de Atlanta para definir pancreatite
aguda grave.
Pancreatite grave é definida por qualquer evidência de falha orgânica ou uma complicação local.
PaO2: pressão parcial de oxigênio arterial.
Fonte: Adaptado de Townsend CM, Beauchamp RD, Evers BM, et al. Sabiston Textbook of Surgery: the Biological Basis of
Modern Surgical Practice. 20th ed. Philadelphia: Elsevier Saunders; 2016.
46
Abdome Agudo
Sistema 0 1 2 3 4
Respiratório
> 400 301–400 201–300 101–200 ≤ 101
(PaO2/FiO2)
Renal
< 1,4 1,4-1,8 1,9-3,6 3,6-4,9 > 4,9
(creatinina mg/dL)
< 90
Cardiovascular < 90 < 90 < 90
> 90 Não responsivo a
(pressão sistólica mmHg) Responsivo a fluidos
fluidos
pH < 7,3 pH < 7,2
FiO2: fração de oxigênio inspirado.
Fonte: Adaptada de Banks PA, Bollen TL, Dervenis C, et al. Classification of Acute Pancreatitis, 2012: Revision of Atlanta
Classification and Definitions by International Consensus. Gut. 2013;62(1):102-111.
Definição
A falência orgânica persistente é definida quando 1 (ou mais) dos 3 sistemas avaliados pelo escore
de Marshall modificado apresentam uma pontuação maior que 2 por mais de 48h.
Definição
Pseudocisto pancreático refere-se especificamente a uma coleção fluida peripancreática ou, menos
comumente, intrapancreática, com parede bem-definida e sem nenhum material sólido. Pode ter
nenhuma ou mínima necrose e, com frequência, ocorre mais de 4 semanas depois do início da
doença, após a pancreatite edematosa intersticial.
47
Clínica Médica
Necrose encistada
(walled-off)
Corresponde a uma coleção madura encapsulada de necrose pancreática ou peripancreática,
que desenvolveu uma parede inflamatória bem-definida. Em geral, ocorre após mais de
4 semanas do início da pancreatite necrotizante. Na TC, vê-se uma coleção heterogênea
com densidade líquida e não líquida, com graus variáveis, parede bem-definida, totalmente
encapsulada.
Manejo inicial
Independentemente da causa ou da gravidade da doença, a principal conduta no tratamento
da pancreatite aguda é a ressuscitação fluida agressiva com solução cristaloide. Essa expan-
são deve ser guiada por metas, relacionando-se com idade do paciente, sinais vitais, comor-
bidades e diurese.
Lembrar
Grave essas informações:
Hidratação endovenosa (primeiras 24-48 h):
• Infusão: 1,5 mL/kg/h ou 10 mL/kg.
Hidratação guiada por metas:
• Frequência cardíaca (FC) < 120 batimentos por minuto (bpm).
• Pressão arterial média (PAM) entre 65 e 85 mmHg.
48
Abdome Agudo
A hidratação endovenosa deve ser realizada dessa forma por conta da hipovolemia relativa que
causa aumento da permeabilidade capilar e vasodilatação; e pelo extravasamento de fluidos
para o terceiro espaço. Com isso, a reposição volêmica tem o objetivo manter adequada a
perfusão esplâncnica e evitar o choque hipovolêmico.
A oximetria de pulso sempre deve ser observada, já que uma das complicações sistêmicas mais
comuns da pancreatite aguda é a hipoxemia causada pelo quadro agudo de lesão pulmonar
associada. Esses pacientes devem receber O2 suplementar para manter a saturação de oxigênio
(SatO2) > 95%.
Analgesia eficaz também é essencial, e são utilizados opioides na maioria dos casos,
principalmente morfina.
A alimentação oral pode ser impossível, devido ao íleo persistente, à dor ou à intubação orotra-
queal. Cerca de 20% dos pacientes com quadro grave desenvolvem dor recorrente logo após o
reinício da dieta oral. Nesses casos, a dieta parenteral é indicada. Sempre que possível, a nutri-
ção enteral deve ser instituída, de preferência por via oral.
Dado o aumento significativo da mortalidade associada a complicações sépticas na pancrea-
tite grave, vários médicos defenderam o uso de antibióticos profiláticos na década de 1970.
Recentemente, análises provaram que antibióticos profiláticos não diminuem a frequência de
intervenção cirúrgica, necrose infectada ou mortalidade. Além disso, estão associados à infec-
ção por cocos gram-positivos e Candida. Desse modo, atualmente, não é indicado antibiótico
profilático para pacientes sem necrose infectada.
Indicação
A antibioticoterapia deve ser usada nos casos de pancreatite com necrose infectada.
Os medicamentos de preferência são os carbapenêmicos endovenosos, alternativamente
quinolonas, metronidazol, cefalosporinas de terceira geração e piperacilina.
Necrose infectada deve ser considerada em pacientes com necrose pancreática ou extrapan-
creática com deterioração clínica ou ausência de melhora em 7 a 10 dias de hospitalização.
Nesses pacientes, pode ser adotado esquema antimicrobiano guiado pelo Gram e cultura de
material obtido por punção aspirativa por agulha fina guiada por tomografia computadorizada
(PAAF-TC) ou antibioticoterapia empírica após coleta de culturas, sem PAAF-TC.
Lembrar
O paciente com pancreatite aguda pode ter febre, leucocitose e aumento da PCR. A pan-
creatite é um grande quadro inflamatório, mas, ainda assim, não é indicado antibiótico.
49
Clínica Médica
Necrose infectada
Cateter nasocístico
Pseudocisto pancreático: cerca de 50% dos pacientes com pseudocisto irão desenvolver
sintomas, como dor persistente, saciedade precoce, náuseas e perda de peso. Pacientes
assintomáticos devem ser apenas observados, já que ocorre regressão espontânea em 70%
dos pacientes (nos casos refratários e sintomáticos). Atualmente, o tratamento mais aceito é
a drenagem endoscópica transgástrica e transduodenal em cistos com íntimo contato com
estômago e duodeno (< 1 cm). Outra opção é a drenagem transpapilar nos cistos que se
comunicam com o ducto pancreático.
Dica de Prova
A inflamação pancreática também pode produzir trombose vascular, e a veia esplênica é o
vaso mais afetado, porém, em casos mais graves, pode se estender para o sistema venoso
portal. É comum, em provas de concursos, surgirem questões sobre trombose de veia
esplênica em pacientes com diagnóstico de pancreatite. O exame de imagem demonstra
esplenomegalia, varizes gástricas e oclusão da veia esplênica.
50
Abdome Agudo
ATENÇÃO
Nos casos de pancreatite grave, a colecistectomia precoce pode aumentar a morbidade e o
tempo de internação.
Dica de Prova
Memorize para a prova: a conduta cirúrgica na pancreatite aguda biliar varia de acordo com a
gravidade do quadro:
• Pancreatite Aguda Leve Biliar: A colecistectomia deve ser realizada antes da alta
hospitalar, para evitar episódios de repetição.
• Pancreatite Aguda Grave Biliar: A colecistectomia deve ser adiada até a resolução
completa do processo inflamatório e das coleções pancreáticas (em média, 6 semanas), a
fim de evitar complicações infecciosas relacionadas.
51
Clínica Médica
PANCREATITE CRÔNICA
Apesar de apresentarem o mesmo nome, “pancreatite”, as entidades agudas e crônicas têm
características, etiologias, fisiopatologias e tratamentos diferentes.
Ao contrário da pancreatite aguda, as características histológicas da pancreatite crônica são a
inflamação persistente e a fibrose irreversível com atrofia do parênquima pancreático.
Como há atrofia, o paciente desenvolve insuficiência pancreática endócrina e exócrina, acom-
panhada de dor crônica, o que diminui consideravelmente a sua qualidade de vida.
A pancreatite crônica é uma doença que afeta de 3 a 10 pessoas em cada 100 mil habitantes.
Dica de Prova
Quando você encontrar “pancreatite crônica” em qualquer questão de prova, lembre-se desta
tríade: fibrose + insuficiência pancreática + dor crônica. É isso que deve estar claro e ser
memorizado.
Fisiopatologia
Embora a fisiopatologia não esteja completamente compreendida, acredita-se que haja um
insulto inicial com lesão parenquimatosa e uma posterior tentativa de cura por fibrose e rege-
neração. Todas as causas acabam produzindo características semelhantes, com perda e lesão
de células acinares, ilhotas e ductais, com posterior perda de suas funções.
O mecanismo de lesão varia dependendo da etiologia. O alcoolismo, principal etiologia, produz
lesão por meio de metabólitos tóxicos do álcool, ativação de genes associados à morte
celular, ativação direta das células fibrosantes e outros mecanismos. Com a progressão da
doença, desenvolve-se insuficiência exócrina (redução das enzimas pancreáticas, com estea-
torreia e disabsorção) e endócrina (alteração dos hormônios pancreáticos, com diabetes, displasia
e malignidade).
52
Abdome Agudo
Doença inflamatória pancreática crônica, mais comum em homens. Até 80% têm mais
Autoimune de 50 anos. Podem desenvolver sintomas agudos com icterícia e pancreatite aguda, e é
difícil a diferenciação com adenocarcinoma pancreático
Manifestações clínicas
Dor abdominal e insuficiência pancreática são as principais manifestações da pancreatite crô-
nica, e a dor é o sintoma característico da doença. A dor tem início após a ingesta oral e, com o
agravamento da doença, a intensidade, a frequência e a duração, aumenta gradualmente.
A qualidade de vida desses pacientes é afetada pela diminuição da ingesta de alimentos, em
um contexto de baixa aceitação por dor, interferência nas atividades diárias e dependência de
narcóticos para controle álgico. Náuseas e vômitos não são comuns no início, mas aparecem
com a progressão do quadro.
A inflamação pancreática diminui o número de células acinares e afeta sua função. Quando 90%
das glândulas estão disfuncionais, há sintomas de má absorção, com esteatorreia e diarreia. Nos
casos graves, desnutrição, perda ponderal e má absorção de vitaminas lipossolúveis
(A, D, E e K) também podem ocorrer.
Com o comprometimento das células das ilhotas pancreáticas, 40 a 80% dos pacientes terão
manifestações clínicas de diabetes mellitus, cuja prevalência depende da predisposição e da
condição prévia do paciente no início dos sintomas. Geralmente, isso ocorre muitos anos após o
início da dor e da insuficiência pancreática. A fibrose do ducto biliar comum distal pode
ocasionar icterícia e até colangite, em 5 a 10% dos casos.
ATENÇÃO
Alguns pacientes podem apresentar hemorragia digestiva secundária à trombose da veia
porta ou da veia esplênica, secundária a varizes gástricas.
ATENÇÃO
Pacientes com pancreatite crônica têm maior risco de adenocarcinoma pancreático. Esse
risco parece ser ainda maior para pacientes com pancreatite hereditária e tropical.
53
Clínica Médica
Diagnóstico
O diagnóstico de pancreatite crônica é baseado em exames de imagem e testes de função
pancreática. Em geral, a doença não é diagnosticada facilmente.
Deve-se avaliar os pacientes com piora inexplicável ou prolongada dos sintomas quanto ao
câncer, particularmente se há estenose do ducto pancreático. A avaliação pode incluir escovado
citológico das estenoses ou medida de marcadores séricos (p. ex., CA 19-9, antígeno
carcinoembrionário).
Exames de imagem
Entre os exames de imagem usados para diagnóstico de pancreatite crônica, estão os seguintes:
RMN: uma boa alternativa, porém com sensibilidade menor para avaliação de calcificações. É excelente
para o estudo do parênquima pancreático. A administração de secretina aumenta a sensibilidade para
detectar anormalidades ductais e permite a avaliação funcional nos pacientes com pancreatite crônica.
Tem a vantagem de também ser terapêutica nos casos de obstrução de ducto pancreático.
CPER: já foi considerada padrão-ouro, porém perdeu espaço para a RNM e a USG endoscópica. Seu
espaço é para pacientes com contraindicação à TC ou à RNM, ou em caso de persistência de dúvida
diagnóstica.
USG endoscópica: nos últimos anos, considera-se a técnica de maior acurácia para o diagnóstico da
pancreatite crônica nos pacientes com mínimas alterações ou lesões iniciais. É menos invasiva e permite
detectar anormalidades sutis no parênquima e no ducto pancreático.
TC: tem sensibilidade de até 95% e especificidade de 85 a 100% para o diagnóstico da pancreatite crônica.
Os achados incluem ducto pancreático dilatado (68%), atrofia do parênquima (54%) e calcificações
(50%). É útil para avaliar complicações e tromboses venosas, além de pseudoaneurismas. Em alguns
pacientes, pode identificar casos neoplásicos.
TRATAMENTO
Controle da dor
O controle da dor é a tarefa mais desafiadora no tratamento de pacientes com pancreatite
crônica. Primeiro, deve-se interromper fatores de risco, incluindo tabagismo e consumo de
álcool, em um esforço para desacelerar a progressão da doença. Esse controle álgico deve
ser realizado com progressão de fármacos cada vez mais potentes, com analgésico fraco e no
início, que pode progredir para opioides fortes.
54
Abdome Agudo
Lembrar
Casos com dor refratária importante podem ser controlados com bloqueio do plexo neuronal
celíaco.
Tratamento cirúrgico
São indicações para o tratamento cirúrgico:
dor intratável;
obstrução do ducto biliar ou pancreático;
pseudocisto;
pseudoaneurisma;
incapacidade de descartar doença maligna.
A escolha do procedimento cirúrgico depende do grau de investimento da doença (se é uma
terapia paliativa ou não) e da presença ou não de dilatação do ducto pancreático, pode ter
caráter paliativo em alguns casos. Em geral, pacientes com ducto dilatado (> 7 mm) requerem
procedimento descompressivo. Nos casos de ductos não dilatados, é necessária ressecção do
parênquima pancreático. Em pacientes com dilatação ductal secundária a cálculos ou
estenoses, quando há vários cálculos ou estenoses que não tiveram sucesso ou não têm
indicação de CPER, o melhor tratamento cirúrgico é a cirurgia de Puestow modificada por
Partington-Rochelle, ilustrada na Figura 14.
Ducto
pancreático Jejuno
55
Clínica Médica
Esse procedimento consiste em uma anastomose lateral entre o ducto principal e uma alça
intestinal (pancreatojejunostomia). Ele promove melhora da dor em 80% dos casos, embora
cerca de 30% dos pacientes ainda apresentem recorrência nos 3 a 5 anos seguintes à cirurgia.
Esse é um procedimento descompressivo e, como tal, não modifica a história natural da doen-
ça, e a pancreatite pode seguir seu curso de progressão.
Em 1987, Frey descreveu uma resseção local da cabeça do pâncreas com uma anastomose
longitudinal (pancreatojejunostomia), como um procedimento alternativo. É um procedimento
semelhante ao de Puestow, porém adiciona resseção de parte do parênquima pancreático,
respeitando a margem duodenal.
Indicação
A pancreatojejunostomia é indicada nos casos de dilatação ductal com inflamação significativa da
cabeça do pâncreas.
Indicação
Nos pacientes com suspeita ou diagnóstico de adenocarcinoma, é necessária a clássica cirurgia de
Whipple.
Colédoco
Ducto Pancreático
Pâncreas Remanescente
56
Abdome Agudo
BIBLIOGRAFIA
Al-Haddad M, Wallace MB. Diagnostic approach to patients with acute idiopathic pancreatitis, what
should be done? World J Gastroenterol. 2008;14(7):1007-10.
Alvarado A. A practical score for the early diagnosis of acute appendicitis. Ann Emerg Med. 1986
May;15(5):557-64.
Ambrosetti P, Robert JH, Witzig JA, et al. Acute left colonic diverticulitis: a prospective analysis of 226
consecutive cases. Surgery. 1994 May;115(5):546-50.
Ambrosetti P, Becker C, Terrier F. Colonic diverticulitis: impact of imaging on surgical management - a
prospective study of 542 patients. Eur. Radiol. 2002 May;12(5):1145-9.
Ammann RW. The natural history of alcoholic chronic pancreatitis. Intern Med. 2001 May;40(5): 368-75.
Aratake HA, Netto AML, Mendonça MQ. Tratamento cirúrgico da diverticulite aguda complicada: os
desafios no século XXI. Vittalle. 2022;34(3):67-72.
Associação Médica Brasileira. Projeto Diretrizes — Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de
Medicina. São Paulo: Associação Médica Brasileira; 2022.
Ayub K, Imada R, Slavin J. Endoscopic retrograde cholangiopancreatography in gallstone-associated
acute pancreatitis. Cochrane Database Syst Rev. 2004 Oct 18;(4):CD003630.
Balthazar EJ. CT diagnosis and staging of acute pancreatitis. Radiol Clin North Am. 1989 Jan;27(1):19-37.
Banks PA, Bollen TL, Dervenis C, et al. Acute Pancreatitis Classification Working Group. Classification of acute
pancreatitis — 2012: revision of the Atlanta classification and definitions by international consensus. Gut.
2013 Jan;62(1):102-11.
Benn PL, Wolff BG, Ilstrup DM. Level of anastomosis and recurrent colonic diverticulitis. Am J Surg. 1986
Feb;151(2):269-71.
Berry AR, Turner WH, Mortensen NJ, et al. Emergency surgery for complicated diverticular disease. A five-
year experience. Dis Colon Rectum. 1989 Oct;32(10):849-54.
Bradley EL. A clinically based classification system for acute pancreatitis. Summary of the International
Symposium on Acute Pancreatitis, Atlanta, Ga, September 11 through 13, 1992. Arch Surg. 1993
May;128(5):586-90.
Brunetti A, Scarpelini S. Abdômen agudo. Medicina (Ribeirão Preto). 30 set 2007;40(3):358-67. Disponível
em: [Link] Acesso em: 29 set. 2025.
Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, et al. Schwartz’s Principles of Surgery. 11th ed. New York, NY: McGraw-
Hill; 2019.
Cahen DL, Gouma DJ, Nio Y, et al. Endoscopic versus surgical drainage of the pancreatic duct in chronic
pancreatitis. N Engl J Med. 2007 Feb 15;356(7):676-84.
Carmo LL. Peritônio e cavidade peritoneal [Internet]. 2023. Disponível em: [Link]
com/pt/library/anatomia/peritonio
Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Consensos do XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia. Rio de Janeiro:
Colégio Brasileiro de Cirurgiões; 2006. Disponível em: [Link] net/cbc-
portal/wp-content/uploads/2013/06/[Link]. Acesso em: 29 set. 2025.
Eggesbø HB, Jacobsen T, Kolmannskog F, et al. Diagnosis of acute left-sided colonic diverticulitis by three
radiological modalities. Acta Radiol. 1998 May;39(3):315-21.
Eggesbø HB, Aas KA, Kolstad C, et al. Diagnosis of acute left-sided colitis: comparison of CT and
colonoscopy. AJR Am J Roentgenol. 2022.
Elliott TB, Yego S, Irvin TT. Five-year audit of the acute complications of diverticular disease. Br J Surg. 1997
Apr;84(4):535-9.
Ferreira AF, Bartelega JA, Urbano HCA, et al. Fatores preditivos de gravidade da pancreatite aguda: quais
e quando utilizar? ABCD Arq Bras Cir Dig. 2015;28(3):207-11.
Frossard JL, Hadengue A, Pastor CM. New serum markers for the detection of severe acute pancreatitis
in humans. Am J Respir Crit Care Med. 2001 Jul 1;164(1):162-70.
Hartwig W, Maksan SM, Foitzik T, et al. Reduction in mortality with delayed surgical therapy of severe
pancreatitis. J Gastrointest Surg. 2002 May-Jun;6(3):481-7.
Hinchey EJ, Schaal PG, Richards GK. Tratamento da doença diverticular perfurada do cólon. Adv. Surg.
1978; 12:85–109.
57
Clínica Médica
Johnson C, Lévy P. Detection of gallstones in acute pancreatitis: when and how? Pancreatology.
2010;10(1):27-32.
Klarenbeek BR, Veenhof AA, Bergamaschi R, et al. Laparoscopic sigmoid resection for diverticulitis
decreases major morbidity rates: a randomized control trial: short-term results of the Sigma Trial. Ann
Surg. 2009 Jan;249(1):39-44.
Latella G, Pimpo MT, Sottili S, et al. Rifaximin improves symptoms of acquired uncomplicated diverticular
disease of the colon. Int J Colorectal Dis. 2003 Jan;18(1):55-62.
Markham NI, Li AK. Diverticulitis of the right colon-experience from Hong Kong. Gut. 1992 Apr;33(4):547-9.
Mofidi R, Duff MD, Wigmore SJ, et al. Association between early systemic inflammatory response, severity
of multiorgan dysfunction and death in acute pancreatitis. Br J Surg. 2006 Jun;93(6):738-44.
Nagem RG, Freitas HL. Síndrome de Chilaiditi: relato de caso. Radiol Bras. 2011 Set/Out;44(5):333-335.
Netter FH. Atlas de anatomia humana. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2015.
Petrov MS, Shanbhag S, Chakraborty M, et al. Organ failure and infection of pancreatic necrosis as
determinants of mortality in patients with acute pancreatitis. Gastroenterology. 2010 Sep;139(3):813-20.
Schünke M, Schulte E, Schumacher U. Prometheus – Atlas de anatomia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan; 2019.
Simpson J, Scholefield JH, Spiller RC. Origin of symptoms in diverticular disease. Br J Surg. 2003
Aug;90(8):899-908.
Sobrinho GBL. Fisiopatologia da dor abdominal. 2000. Disponível em: [Link]
[Link]/bibliomed/bmbooks/cirurgia/livro4/cap/[Link]. Acesso em: 29 set. 2025.
Sociedade Brasileira de Coloproctologia; Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva; Sociedade Brasileira
de Infectologia; Sociedade Brasileira de Patologia; Colégio Brasileiro de Radiologia. Diverticulite:
diagnóstico e tratamento. 2008. Disponível em: [Link] BibliotecaAntiga/diverticulite-
[Link]. Acesso em: 29 set. 2025.
Souza LJ, Franco MB, Savassi-Rocha PR, et al. Pancreatite aguda. In: Batista Neto J, editor. Cirurgia de
urgência: condutas. Rio de Janeiro: Revinter; 1999. p. 357-63.
Stollman N, Raskin JB. Diverticular disease of the colon. Lancet. 2004 Feb 21;363(9409):631-9.
Talan DA, Di Saverio S. Treatment of Acute Uncomplicated Appendicitis. N Engl J Med. 2021 Sep
16;385(12):1116-23.
Talan DA, Saltzman DJ, DeUgarte DA, et al. Methods of conservative antibiotic treatment of acute
uncomplicated appendicitis: A systematic review. J Trauma Acute Care Surg. 2019 Apr;86(4):722-36.
Tenner S, Baillie J, DeWitt J, et al; American College of Gastroenterology. American College of
Gastroenterology guideline: management of acute pancreatitis. Am J Gastroenterol. 2013
Sep;108(9):1400-15; 1416.
Townsend CM, Beauchamp RD, Evers BM, et al. Sabiston textbook of surgery: the biological basis of
modern surgical practice. 20th ed. Philadelphia: Elsevier Saunders; 2016.
Urgo RC. Gastrointestinal emergencies. In: Plantz SH, Adler JN (ed.). Emergency medicine – National
Medical Series for Independent Study. Baltimore: Williams & Wilkins; 1997.
WeMEDS. Critérios de Balthazar para pancreatite aguda. 5 dez 2024. Disponível em: https://
[Link]/criterios-de-balthazar-pancreatite-aguda/. Acesso em: 5 dez. 2024.
Wong WD, Wexner SD, Lowry A, et al. Practice parameters for the treatment of sigmoid diverticulitis-
-supporting documentation. The Standards Task Force. The American Society of Colon and Rectal
Surgeons. Dis Colon Rectum. 2000 Mar;43(3):290-7.
Wu BU, Hwang JQ, Gardner TH, et al. Lactated Ringer’s solution reduces systemic inflammation
compared with saline in patients with acute pancreatitis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2011 Aug;9(8):710-7.
e1.
Yadav D, Hawes RH, Brand RE, et al. Alcohol consumption, cigarette smoking, and the risk of recurrent
acute and chronic pancreatitis. Arch Intern Med. 2009 Jun 8;169(11):1035-45.
Zakka TM, Teixeira MJ, Yeng LT. Dor visceral abdominal: aspectos clínicos. Rev Dor. 2013;14(4):311-4.
58
EMR - Eu Médico Residente © 2026
Todos os direitos reservados | CNPJ: 34.730.954/0001-71
[Link]/